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A FOLIA IRLANDESA VAI COMEÇAR

RICKSHAW: PROFISSÃO E DIVERSÃO SÉRIE VIKINGS TEM FIGURANTES BRASILEIROS


Information and applications to UK: consultancy@yeah.ie


Sumário 4 5

Equipe

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Panorama

Desafios e histórias dos Rickshaw Procedimentos para tirar o visto Irlanda do Norte e seus encantos A polêmica das Au Pair

Fragmentos da Dublin medieval Economize na acomodação

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A maior festa da Irlanda vem aí

Capoeiristas se reúnem em Dublin

19 Governo reduz tempo do GNIB 20 Festa de lançamento da Yeah!Brasil 22 Dicas e curiosidades 24 Os mistérios da Índia

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Bastidores da série Vikings

A nossa coxinha está servida

32 A Dublin dos intercambistas 34 Voluntariado em favelas cariocas


Equipe

Março 2016 Colaboradores

Equipe

Alex Senhem Estudante de Ciências Econômicas

Diretor Yeah! Group Raffael Abarca

Diretor Yeah! Brasil Felipe S. Lucas

raffael@yeah.ie

felipe.inova@gmail.com

Diego Weiler Jornalista

Editor Eduardo Eggers

Sub-editora

Leonardo Heisler Jornalista

edu_eggers@yahoo.com.br

Renata Agostini renataagostini_rs@hotmail.com

Contribuições Aldy Coelho Cíntia Tanno Clémence Veloso

Fábio Teberga Inès Charles Lisa Tsiakas

Tiffen Cagnol Virgele Garcia

Lisiane Giusti Estudante de Nutrição Mariana Bechert Jornalista Sofia Sunden Jornalista Yara Amorim Jornalista

Todos os conteúdos da Revista Yeah Brasil são apenas para informação geral e/ou utilização. Tais conteúdos não constituem aconselhamento e não devem ser usados na tomada (ou deixar de fazer) qualquer decisão. Algum conselho específico ou respostas a consultas em qualquer parte da revista é/são a opinião pessoal de tais peritos/consultores/pessoas e não são subscritas pela Revista Yeah Brasil.

Foto de capa: Fáilte Ireland/Tourism Ireland Revista Yeah! Brasil Endereço: 2, Grafton Street, Dublin 2, Ireland. www.yeahbrasil.com Email: info@yeahbrasil.com A revista

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Palavra do editor

Perto das novidades e do estudante A já anunciada alteração na validade do visto de estudante foi colocada em prática pelo governo irlandês no dia 20 de janeiro. A antiga fórmula 25 semanas de aula + 25 de férias foi substituída por 25+8. A medida é aplicada também para as renovações. Esta edição da Yeah! Brasil informa os detalhes da mudança e explicita a opinião de estudantes sobre a impossibilidade de permanecer em solo irlandês por mais de oito meses sem renovar o visto. Mas os tempos são de festa pela Ilha Esmeralda. O St. Patrick’s Day está chegando, e nossa reportagem conta a programação prevista para o dia 17 em Dublin. Entrevistamos a diretora de Marketing e Desenvolvimento do maior festival do país, que prevê atrações ainda melhores neste ano em

comparação a 2015. O tema trabalho, tão importante para os brasileiros que vivem na Irlanda, é pauta de três das nossas reportagens. Os rickshaw, que por meio das suas pedaladas transportam pessoas de um lado a outro da cidade, falam sobre as vantagens de encarar esse desafio. Já as Au Pair esclarecem se as informações sobre exploração por parte dos empregadores são verídicas. A Yeah! de março também entrevista brasileiros que estão trabalhando como figurantes na série Vikings. As gravações aconteceram na Irlanda, e eles relatam sobre os bastidores e a experiência de trabalhar com o elenco de uma série já consagrada. O papel de uma revista voltada a estudantes internacionais é,

obviamente, ouvi-los. Por isso entrevistamos diversos brasileiros que apontam os prós e os contras de Dublin e falam sobre expectativas frustradas e superadas. Nossos especialistas em Direito e Economia falam, respectivamente, sobre regularização na Irlanda e otimização de gastos com acomodação. Depois de tanta informação, lembramos da brasileiríssima coxinha. Sim, a receita está aqui para você matar a saudade dela. Boa leitura, amigo estudante. Sinta-se livre para nos apresentar sugestões e críticas. Estamos aqui para lhe informar e entreter, e sua opinião é fundamental para o aperfeiçoamento do nosso trabalho. Feliz St. Patrick’s Day a todos!

Eduardo Eggers


Panorama

Alemanha atenta às fronteiras da UE

Disfarçados de policiais matam homem em Dublin Os suspeitos estavam armados com rifles AK47 e pistolas de mão. A polícia suspeita da ação de gangues. O homem que morreu teria ligação com o tráfico de drogas. Quatro homens teriam participado do ataque, segundo a polícia. O evento contava com a participação de cerca de 300 pessoas, incluindo crianças.

BBC/Reprodução

Crime aconteceu durante pesagem para luta de boxe. Polícia suspeita que motivação foi disputa entre gangues.

OMS busca recurso para combater Zika

Twitter fecha contas que apoiam terrorismo

Organização Mundial de Saúde (OMS) trabalha para angariar 25 milhões de dólares para um programa de seis meses de combate ao surto de Zika. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, e quando ataca gestantes pode causar microcefalia congênita, resultando na má-formação de recém-nascidos. O programa incluirá estudos sobre a possibilidade de transmissão da doença via sexual ou por transfusão de sangue. Conforme a OMS, mulheres grávidas em países afetados precisam ter acesso a aconselhamento e tecnologia necessários para fazer suas escolhas, inclusive a possibilidade de aborto em casos de fetos com microcefalia.

erca de 125 mil contas foram fechadas pela rede social Twitter desde meados de 2015 em função de conteúdos que fazem apologia a ações terroristas. A maior parte das mensagens era relacionada ao Estado Islâmico. Conforme comunicado no blog da rede social, “as regras do Twitter deixam claro que esse comportamento, ou qualquer ameaça violenta, não são permitidos em nosso serviço”. As equipes que fazem vistoria das mensagens foram aumentadas para evitar a postagem de defesas ao terrorismo e à violência. O Twitter afirma que já vê os resultados de sua resposta mais enérgica nessa frente. Já se percebe o aumento na suspensão de contas e o abandono da rede por usuários que defendem o terrorismo.

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chanceler alemã, Angela Merkel, solicitou recentemente melhor proteção nas fronteiras externas da União Europeia (UE). O objetivo é que seja mantido o Espaço Schengen, a área de livre circulação do continente. A Alemanha abriu as fronteiras na metade de 2015 para fugitivos da guerra civil da Síria. Porém, agora o país está sob crescente pressão para limitar o fluxo de migrantes. No ano passado, mais de um milhão chegaram ao território alemão. Conforme a chanceler, o fracasso em proteger as fronteiras externas colocaria em risco o livre movimento de pessoas, “que hoje é a base para a riqueza do bloco”.

Fazenda será operada por robôs no Japão

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ma fazenda de 4,4 mil metros quadrados na cidade japonesa de Kizugawa terá o trabalho de robôs a partir da metade do próximo ano. Das quatro etapas do processo, que são semeadura, cultivo, transplante das mudas e colheita, os robôs só não realizarão a primeira. A expectativa da empresa que realiza o projeto é reduzir o custo com mão de obra pela metade e cortar em 20% os gastos com energia elétrica. Dessa forma, os consumidores devem pagar menos pelas hortaliças produzidas no local. A produção atual, que é de 30 mil cabeças de alface e escarola diariamente, deve chegar a 500 mil unidades por dia até 2020.

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Reprodução/ Spread

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omens disfarçados de policiais invadiram uma sessão de pesagem de boxe e abriram fogo na tarde de 5 de fevereiro em um hotel de Dublin. Um homem de cerca de 30 anos que participava do evento foi morto e outros dois ficaram feridos. A pesagem era feita em preparação para uma luta da WBO (World Boxing Organization).


Trabalho

Madrugadas desafiam brasileiros A bordo dos rickshaw, intercambistas enfrentam adversidades para ampliar renda Por Leonardo Heisler

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uas estreitas e de difícil acesso até para taxistas habilidosos são dominadas pelos rickshaw a partir das 21h. Na maioria intercambistas brasileiros, os trabalhadores pedalam contra o vento, a chuva e o frio da madrugada de Dublin para conduzir passageiros pela cidade. A maior demanda está na porta dos pubs do Temple Bar e em algumas festas da região, onde o

idioma português se mistura ao inglês. Need a lift, perguntam os condutores dos rickshaw a quem passa pelas calçadas e vielas de pedras. Também é comum a atividade em Cork. Os triciclos têm espaço para até três pessoas no banco de trás. Apenas o piloto fica desprotegido, o que torna fundamental a utilização

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de luvas e touca e de calça e jaqueta impermeáveis. Um motor elétrico auxilia o piloto a garantir a força necessária para impulsionar o carro carregado. No entanto, muitos o mantém desligado para evitar os riscos de prejuízo em caso de uma pane no equipamento. Pneus furados, desavenças com festeiros alcoolizados, xenofobia e clientes que se recusam a pagar aumentam o desafio. “É mais do que um meio de ganhar a vida”, afirma Marcello Sadler Rodrigues, 24 anos, na função há três meses. “Tenho aprendido as lições da melhor maneira possível.” De acordo com Rodrigues, a atividade informal garante liberdade, pois não há chefes nem horários. Os veículos são alugados, e qualquer pessoa interessada em ingressar na função pode ter acesso às diferentes garagens de Dublin. Em média, custam de 80 a 100 euros por semana. Durante o auge do inverno, em janeiro e fevereiro, é mais fácil encontrar uma bicicleta disponível, pois diminui o número de interessados.

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Março 2016


300 EUROS EM UM DIA Marco Medeiros Filho, 22 anos, de Salvador, e Helton Djoney Gomes, 28, de Curitiba, descobriram a profissão logo após chegarem a Dublin, em 2015. Ambos souberam por indicações de amigos. Para Medeiros, um dos benefícios desta profissão é a possibilidade de se manter outras atividades econômicas no turno diurno, oposto ao do curso de inglês.

As corridas rendem até 50 euros. A remuneração depende de diversos fatores, como a distância, a educação dos clientes e as condições meteorológicas. “Se negocia na hora”, afirma Gomes. De acordo com ele, algumas mulheres oferecem alguns favores em vez de dinheiro. “Mas como tenho namorada, só aceito dinheiro”, brinca. De acordo com o paulista Alex Calisto, 25 anos, o dia de maior mo-

vimento no mês pode render de 250 a 300 euros. “É quando fico ocupado das 21h até as 5h”, revela. Segundo ele, isso faz recompensar aquele dia em que um irlandês arremessou um sanduíche como forma de xenofobia. O bibliotecário paulista Dênis Pereira Silva, 40 anos, só deixará a função quando juntar quatro mil euros, o equivalente ao investimento do intercâmbio. “Enquanto isso vou praticando meu inglês.”

O INUSITADO Além de dinheiro, o trabalho rende momentos inusitados. Gomes sorri ao lembrar o saldo de uma noite de trabalho: em questão de menos de uma hora um bêbado caiu do triciclo, um passageiro roubou sua touca, situação que o obrigou a perseguir o homem até recuperar o item, e outro passageiro, após muito insistir para assumir a direção, quase causou um acidente ao trafegar na contramão. Já Rodrigues se recorda da noite em que desdenhou, sem querer, uma banda escocesa que já se apresentou no evento brasileiro Rock in Rio. Integrantes da Simple Mind foram seus passageiros após uma apresentação, e logo se apresentaram como tal. No entanto, Rodrigues nunca ouvira falar, e perguntou se a banda tinha alguma relação com a Simple Plan. “Deu para ver que eles ficaram de cara (sic). Só depois fui descobrir que era uma banda famosa.”

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Artigo

Documentos para providenciar ao chegar na Irlanda Por Fábio Teberga Cardoso*

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o texto da edição anterior nós informamos o leitor quanto aos documentos utilizados para passar no Departamento de Imigração da Irlanda. Nesta edição, iremos explanar sobre os documentos e procedimentos para a permanência no país. Passando pela Imigração, o intercambista terá mais um percurso para se enveredar antes de estar legal na Ilha Esmeralda. Inicialmente, recomenda-se que você vá até a escola contratada e retire uma declaração de matrícula para apresentar à agência bancária que possui vínculo. Munido desse documento e somado ao comprovante de endereço, vá até a agência, abra sua conta estudantil e deposite o valor de três mil euros, exigido para permanência superior a seis meses. Geralmente, a escola já possui convênio com uma agência bancária mais próxima. É importante esclarecer que quanto mais rápido você fizer a abertura de conta e a realização do depósito, mais rápido conseguirá se regularizar, pois o extrato bancário (bank statement) leva em torno de 15 dias para chegar ao endereço fornecido. Após este procedimento e o recebimento do extrato, você deverá ir até à Imigração para retirar o seu visto de estudante (GNIB), ou seja, sua carteira de permanência no país. Lembrando que, com as mudanças vigentes desde janeiro deste ano, o tempo

máximo do visto é de oito meses para o estudante de Inglês. A lista de documentos necessários para a retirada do GNIB inclui passaporte, carta da escola informando a carga horária e o pagamento do curso, extrato bancário que comprove o mínimo de três mil euros na sua conta em banco irlandês e a apólice de seguro saúde com cobertura mínima de 30 mil euros. Antes de 2015, todo intercambista que chegava ao país retirava o seu PPS, documento correspondente ao nosso CPF. No entanto, com as alterações publicadas no final de 2014 só será necessário possuir PPS quem se classifica nas seguintes situações: estar empregado no país; candidatar-se à obtenção da carteira de motorista ou no caso de alteração pela carteira de motorista irlandesa; ser responsável pela conta de água da sua residência. Seguindo esses passos, o intercambista estará legalizado no país e poderá estudar tranquilamente, sem qualquer preocupação. Como sempre digo, para que se tenha um Intercâmbio Legal, é necessário seguir à risca as regras do país que escolhemos e, principalmente, fazer uma pesquisa sobre os costumes e cultura local. Só assim é possível aproveitar a experiência com o intercâmbio sem grandes preocupações ou embaraços.

*Dr. Fábio Teberga Cardoso é advogado brasileiro desde 2008, pós-graduado em Direito Empresarial e Trabalhista.


Turismo

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erupção vulcânica de 60 mil anos, encaixadas em forma de calçada, que dá vista para o mar da Irlanda. É possível caminhar pelas pedras alinhadas e surpreender-se com o visual, que dá margem para a lenda de um gigante irlandês que queria atravessar o mar para chegar à Escócia e duelar com outro gigante. Ao perceber que o gigante escocês era ainda maior e assustador, o irlandês retornou e fingiu-se de bebê para enganar o gigante escocês. Quando o escocês atravessou o caminho em direção à Irlanda e deparou-se com um bebê incrivelmente grande, assustou-se ao imaginar qual seria o tamanho do pai da criança e imediatamente retornou à Escócia, destruindo a parte da calçada que ligava os dois países. Em todo o trajeto em direção às calçadas há mensagens desafiando você a encontrar no formato das pedras o tal gigante. Aqueles mais criativos conseguem ver uma infinidade de coisas em tantas pedras com formatos diferentes. Em dias de céu aberto, geralmente no período primavera-verão, você consegue visualizar as verdes falésias em contraste com o mar azul turquesa.

Fábio Teberga

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uando se fala em Reino Unido, lembramos logo dos destinos turísticos mais populares, como sua capital Londres, o País de Gales, ou mesmo a encantadora Escócia. Porém, poucos se lembram de que a Irlanda do Norte também faz parte do Reino Unido e que é um dos destinos turísticos mais exuberantes em belezas naturais, rico em histórias e exótico para aqueles que buscam novidades. Antes de ser dividida, a Irlanda possuía quatro províncias e Ulster era a província mais ao norte. Na década de 1920, quando houve o processo separatista entre as Irlandas, a única que se manteve sob o domínio inglês foi esta província. Ulster, Northern Ireland ou, para nós, Irlanda do Norte, está ainda hoje sob o governo da Grã-Bretanha após uma série de conflitos armados, que atualmente reduziram muito, exceto pela presença de alguns grupos radicais em pontos isolados. Apesar de ser o menor país do Reino Unido, a Irlanda do Norte é repleta de pontos turísticos interessantes, seja pelas riquezas naturais grandiosas, como a Calçada dos Gigantes (Giants Causey) e a Ponte de Cordas (Rope Bridge), ou pela riqueza cultural como a arquitetura dos castelos, igrejas, e a base naval onde foi construído o Titanic, que hoje abriga um grande museu. No quesito beleza natural, o ponto turístico mais impressionante é, sem dúvida, a Calçada dos Gigantes, considerado Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1986, e que reúne lendas e estórias incríveis sobre uma construção basáltica gigantesca, e essa é a razão do nome. São cerca de 40 mil colunas em forma de polígono, com aproximadamente 10 metros de altura, resultado de uma

Reginaldo Berto

Por Aldy Coelho

Fábio Teberga

Irlanda do Norte: historia e natureza encontram-se aqui

Fevereiro 2016 Março 2016


locais monitorando a travessia de acordo com a quantidade de pessoas. Como recompensa, tem-se a vista incrível do outro lado da ponte, onde é possível descansar na grama verde, fazer belas fotografias e ver uma parte da costa da Escócia. Já na capital da Irlanda do Norte, Belfast, você encontra outros destinos culturais e um clima mais ‘inglês’, com construções de arquiteturas bem características da dominação inglesa, como o City Hall e o Albert Memorial Clock, que lembra o Big Ben de Londres. No subúrbio de Belfast há um muro de concreto e portas de ferro que dividem a região onde vivem católicos, a favor da independência do país e a união com República da Irlanda, e protestantes, favoráveis em pertencer ao Reino Unido. Essa área é a mais conflituosa da cidade. Durante o dia os portões são abertos para passagem de carros e pedestres, mas durante a noite eles são fechados, impossibilitando a travessia. Apesar da segregação, este também é um ponto turístico famoso, já que os muros possuem ao mesmo tempo mensagens de paz e luta. Muitos não sabem que o Titanic foi construído em Belfast, e o local de sua construção também é aberto para visitação. Neste lugar foi construído um museu em homenagem à tripulação e passageiros, com modernos padrões de arquitetura e exposições interativas que contam a história da cidade na época, o

processo de construção do navio, as dependências de cada classe social que viajaria nele, o fatídico acidente com o iceberg, até o afundamento total do navio mais moderno da época. É como se fosse uma viagem dentro do Titanic feita virtualmente. Há do lado de fora do museu o desenho das linhas originais e a altura do prédio do museu é a mesma altura que teria sido o navio, o que nos dá a percepção da grandiosidade da construção naval que levou 32 minutos para ser lançado ao mar e parecia ser indestrutível. Para quem gosta de história, é um prato cheio! Todas essas atrações não são gratuitas, mas vale o investimento. São experiências que marcam como um passeio proveitoso e cultural, de onde se leva algo além de belas fotografias, mas histórias e recordações que valerão para a vida.

Reginaldo Berto

O caminho é longo e sinuoso, mas não exige muito esforço físico do turista. Para os que quiserem aventurar-se, subir na grande calçada e sentir-se minúsculo perante tamanha beleza natural, é aconselhável ir com calçados e roupas confortáveis. Há também um Cento de Recepção ao Turista, com toda a infraestrutura necessária para o visitante, incluindo um áudio guia em diversas línguas que explica toda a história e lenda sobre o local. Mais alguns quilômetros à frente, margeando a costa e admirando a vista, você chega à Ballintoy, ainda no Condado de Antrim, onde você encontra outra atração turística: uma ponte suspensa feita de cordas e madeira que liga a costa irlandesa à ilha de Carrick-a-Rede. Com 20 metros de comprimento e 30 metros de altura, a Rope Bridge (Ponte de Cordas) foi construída há muitos anos para auxiliar os pescadores de salmão. Hoje em dia, ela só é utilizada para fins turísticos, pois a pesca neste local é proibida. A expectativa é no momento da travessia, já que a ponte é instável e balança com a força dos ventos, que naquela região, próxima ao mar, são bem fortes. Além disso, a altura é outro fator que causa certo receio durante o trajeto, já que é possível perceber a altura e ver o mar abaixo pelos vãos da ponte. E claro, sempre tem um ‘engraçadinho’ balançando a ponte para dar mais ‘emoção’ na passagem. Não é nada radical, é bem seguro e há guias Fábio Teberga

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Trabalho

Au Pair: a profissão mais Fotos: Mariana Bechert

polêmica do momento

Apesar de ouvirem muitas histórias de

Por Mariana Bechert

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ma das questões que mais preocupa os intercambistas, entre eles os brasileiros, é o de casos de péssimas condições de trabalho quando se opta por ser Au Pair aqui na Irlanda. A profissão não é regulamentada pelo governo, e por isso patrões e empregados não precisam pagar impostos. Apesar de ser bom para os dois lados, essa situação acaba gerando problemas nos quais o governo não pode interferir, como pagamento abaixo do salário mínimo irlandês e situação em que o empregado é maltratado ou faz muita coisa que não condiz com o dever de uma Au Pair. A brasileira Liane Jung dos Santos, 25 anos, ao decidir vir para Dublin aprender a falar inglês, tinha optado por não trabalhar com crianças, pois ouviu falar que era um trabalho onde os empregados eram muito explorados. No fim das contas, em função da

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pessoas que passaram necessidade de arranjar um trabalho, se cadastrou no site Gumtree, e está há quatro meses como Live In na mesma família, que é Filipina.

Experiência A francesa Clara Charvieux, 20 anos, também nunca teve problemas no período em que foi Au Pair, por um ano. Tem conhecidas que tiveram experiências ruins e acredita que essas condições só irão terminar quando o governo irlandês criar leis mais específicas para o trabalho. Segundo ela, o alto custo das creches no país aumenta a procura das famílias por profissionais que aceitem receber um valor abaixo do mínimo. Para a família é mais barato e benéfico contratar alguém que esteja disponível o tempo inteiro. Além disso, em muitos casos a profissional cuida das crianças e também limpa a casa.

por experiências ruins como Au Pair, Jackeline Araujo, Clara Charvieux, Lina Engeer e Samara de Salvi tiveram ‘sorte’ nas famílias em que trabalharam cuidando de crianças Clara ainda relata que isso só acontece porque há muitos estrangeiros precisando de emprego. Apesar de gostar muito de crianças, ela e a brasileira Jackeline Araujo decidiram buscar outras experiências profissionais e ter uma privacidade maior, tendo a própria casa. A alemã Lina Engeer, 22 anos, que trabalhou como Au Pair Live In por

Março 2016


A rotina

Outro benefício citado é não ter gasto com alimentação e com moradia. Para ela, seria necessário um esforço do governo irlandês para impor regras e fazer com que a profissão seja regulamentada, tenha controle e uma fiscalização, evitando péssimas condições e um ambiente ruim de trabalho. “Eu tive sorte ao encontrar essa família”, finaliza. No caso de se morar com a família, a Au Pair recebe semanalmente, ou mensalmente, um valor pré-combinado.

Já a brasileira Samara de Salvi, 24 anos, trabalha como Au Pair Live Out há um mês em Dublin. Nas segundas e sextas, cuida de uma criança de cinco anos, e nas terças, quartas e quintas de três crianças de cinco, sete e dez anos. A primeira família é mexicana e a segunda inglesa.

Live Out

Jackeline Araujo, 29 anos, está há um ano e meio em Dublin, e como a maioria dos brasileiros escolhe o intercâmbio para aprender a língua. Após os seis primeiros meses de curso de Inglês, estava decidida a retornar ao Brasil, mas conseguiu uma indicação para ser Au Pair. Trabalhou como Live In e Live Out. Para ela, além da privacidade, outra vantagem do Live Out é o pagamento por hora, o que soma um valor melhor para as profissionais no fim de mês. Seus patrões eram da Venezuela, e sempre tiveram uma boa relação com ela.

Apesar de morar na casa, Liane trabalha de três a quatro dias por semana, e sua escala muda regularmente, pois a mãe da criança é enfermeira. Liane relata que nunca precisou cozinhar, e que quando ajuda nas tarefas domésticas é porque gosta, e não por um pedido de sua empregadora. Para a estudante, um dos melhores benefícios nesse trabalho é aprender inglês, os costumes e a cultura.

Live In

um ano e meio, também fala sobre privacidade. “Você mora na casa de outra pessoa e precisa seguir as regras da família”. Conforme ela, algumas são mais tranquilas e aceitam que amigos te visitem ou que você realize alguma festa, mas isso varia. Dentre as dificuldades da função, Lina cita a necessidade de impor limites às crianças. “Você precisa ser amigo, ouvir o que elas têm a dizer, e ao mesmo tempo impor limites e fazer com que elas respeitem”, aconselha.

Nas três horas do dia em que fica com as crianças, a principal função é ajudá-las com as tarefas de casa e orientá-las com jogos. Quanto à relação com as chefes, Samara relata que são muito educadas com ela e o valor é pago semanalmente. O pagamento de uma Au Pair Live Out na Irlanda é melhor do que o Live In, pois é por hora. Apesar disso, são menos horas contabilizadas, pois isso acaba se tornando uma despesa alta à família. Enquanto o valor do salário mínimo é de 9,15 euros por hora, Samara recebe acima da média. Para ela, a regulamentação da profissão seria uma segurança maior para quem trabalha na área.

Saiba mais Casos de péssimas condições de emprego vêm sendo investigados desde 2011 na Irlanda. O governo reconheceu que as Au Pair possuem direitos trabalhistas desde que estejam legalmente empregadas numa relação empregador-empregado, independentemente do título recebido. Para ter seus direitos reconhecidos como Au Pair procure o Migrant Rights Centre Ireland. Os casos são registrados anonimamente e quem procura a Justiça e apresenta alguma reclamação contra o empregador tem uma lei que impede demissão por retaliação. A brasileira Liane é Au Pair Live In em uma família Filipina e trabalha de três a quatro dias por semana

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Au Pairs deveriam ser enquadradas como Domestic Workers, para evitar casos de exploração.

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Artigo

Acomodação: pesquisa para reduzir gastos Por Alex Senhem*

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intercâmbio é um sonho para muitas pessoas que batalham e o conquistam, mas são muitos os assuntos para resolver antes de chegar ao país desejado, e após a chegada também. O intercambista chega cheio de sonhos e esperanças, mas também preocupado. Uma das principais questões é encontrar uma acomodação. Normalmente as agências oferecem duas semanas de acomodação para o aluno ter tempo de procurar outro lugar por um período maior. Mantenha a calma, tem como conseguir um lugar bom e acessível financeiramente. Fique atento às dicas.

FAÇA CONTATOS Provavelmente você chegará em Dublin e fará amizade com as pessoas que conhecer no voo, aeroporto, acomodação temporária, escola. Enfim, pessoas que também estarão procurando acomodação. A dica é procurarem juntos. Tem muitos anúncios para alugar casa/apartamento/flat para três, quatro ou mais pessoas, assim vocês conseguem encontrar algo bem barato e ainda podem morar com os amigos.

GASTE A SOLA DO SAPATO Em Dublin, uma das coisas que mais fazemos é caminhar. Então gaste a sola do seu sapato, procure, faça visitas, pesquise em locais mais afastados do centro (D1 e D2). Ainda assim, dê preferência a lugares onde você não precise utilizar transporte e possa ir caminhando ou de bicicleta para a escola e o trabalho. Muitas vezes não compensa economizar na acomodação e gastar com transporte.

OUTRAS DESPESAS Normalmente além do aluguel você terá contas como água, energia elétrica, internet, TV, condomínio. Então a dica é procurar por locais que não tenham muitas taxas ou que não cobrem água (por enquanto, nem todos os lugares cobram). Também se certifique da média cobrada na energia e converse com seus flatmates ou housemates para estabelecer regras no banho e no uso geral da energia para poderem economizar mais.

DICA FINAL Procure em todos os sites e anúncios nos classificados no Facebook, mas tenha cuidado com os golpes. Peça sempre o contrato e só faça o depósito quando pesquisar bem sobre a vaga e já tiver as chaves ou o contrato assinado.

*Acadêmico de Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Comemoração

O ‘CarnaVerde’ vem aí! Por Diego Weiler

Há poucos dias do Saint Patrick’s Day, Dublin se prepara para atrair milhares de turistas com uma programação de quatro dias e, claro, a massa ‘brazuca’ não ficará de fora da data em que todo mundo torna-se um pouco irlandês

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stá chegando a data mais esperada do calendário irlandês: o Saint Patrick’s Day - ou Dia de São Patrício. O feriado que homenageia o santo padroeiro da Irlanda ocorre no dia 17 de março, mas a celebração em Dublin é realizada por quatro dias e extrapola os limites da Ilha Esmeralda, tornando-se uma grande festa em países como Inglaterra, Estados Unidos e, recentemente, Brasil. A programação ocorre entre os dias

17 e 20 e, além de muito verde e multidões pelas ruas da capital irlandesa, chega recheada de atividades. A organização espera mais de 625 mil pessoas, número registrado no ano passado. Com o tema Imagine If, a Dublin Parade 2016 – tradicional desfile pelas ruas da cidade – será inspirada na imaginação dos jovens irlandeses: como eles veem o futuro para os próximos 100 anos. O tema encerra uma trilogia lançada no festival de 2014,

Saint Patrick’s Festival/Divulgação

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que abordou o passado naquele ano e o presente em 2015. Quem pretende assistir aos desfiles deve chegar cedo, de acordo com a diretora de Marketing e Desenvolvimento do Saint Patrick’s Festival, Edelle Moss. “Esperamos mais de meio milhão de pessoas no desfile.” O trajeto inicia na Parnell Square e termina na Catedral de St. Patrick, uma rota de três quilômetros. O evento é gratuito e ocorre no dia do padroeiro, com previsão de início para o meiodia. A aposta de sucesso da diretora do Festival é, no entanto, a série de eventos I Love My City, que reunirá artistas irlandeses e internacionais nos centros culturais de Dublin. Haverá muita música, literatura, cinema, arte visual e festa durante o festival, sendo alguns desses eventos com entrada franca. A programação completa está disponível no site do Saint Patrick’s Festival.

Leprechauns com muito orgulho Além dos eventos do Festival, a data é fortemente celebrada nos pubs ou mesmo nas ruas por uma multidão de turistas e locais. Regada a muitos brindes de pints, a festa inicia pela manhã e termina no meio da madrugada, como de praxe por aqui. A estudante gaúcha Maya Schmidt Waldemar, 27 anos, viveu o primeiro Saint Patrick’s Day em Dublin no ano passado e gostou da energia da data. “O

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que eu mais curti é a animação das pessoas, as ruas cheias e coloridas. Dublin é uma cidade fria, então a atmosfera dela muda completamente nesses dias. Parece Carnaval no Brasil”, compara. Ela vê a participação dos brasileiros como um ingrediente extra na celebração. O paulista Geraldo Vicente Netto, 28 anos, discorda em parte da estudante. Ele passou por dois Saint Patrick’s Day em Dublin e, por mais que a data seja considerada por muitos o “Carnaval Irlandês”, para ele a comparação não se aplica. “Tem semelhança pela multidão nas ruas bebendo e curtindo. Mas o Carnaval brasileiro é diferente. Por mais que aqui também tenha um pouco de loucura, é uma loucura mais comportada”, brinca. Ambos, no entanto, deixam a mesma dica aos brasileiros que passarão a data pela primeira vez em Dublin. “Se vista de verde, porque se você não estiver de verde, à caráter, provavelmente você será o diferente”, avisa o paulista. A gaúcha acrescenta: “Tem que entrar no clima e se divertir”.

afinal, quem foi Saint Patrick ou São Patrício? Patrício nasceu no Reino Unido no ano de 387. Ele foi trazido à Irlanda como escravo aos 15 anos. Cerca de cinco anos depois conseguiu fugir e regressou ao Reino Unido. Sua história e a da Ilha Esmeralda voltaram a se cruzar quando, já nomeado bispo, foi enviado para evangelizar o povo irlandês.

Para explicar a Santíssima Trindade aos povos pagãos, Patrício utilizava trevos de três folhas, o que tornou a planta uma marca da cultura irlandesa. A forte presença do cristianismo na Ilha Esmeralda também é atribuída ao padroeiro. Esta é uma das versões mais aceitas sobre a vida de São Patrício, embora não haja comprovação. Sua morte ocorreu em 17 de março de 461, o Saint Patrick’s Day.

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Evento

Festival reunirá capoeiristas em Dublin

Por Eduardo Eggers

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V International Festival of Capoeira e o I European Seminar Agua de Beber ocorrem de 15 a 17 de abril na Gloucester Street Gym (21, Gloucester Street South, Dublin). Haverá a presença de capoeiristas brasileiros, irlandeses, portugueses, alemães, húngaros, austríacos e franceses. Os eventos terão atrações como roda de capoeira, aulas de música e percussão, batizado, troca de corda, maculelê, frevo, puxada de rede e acrobacias. O início será às 17h do dia 15. O instrutor Mamaozinho, organizador do festival e do seminário, destaca a presença do mestre Ratto, um dos mais reconhecidos do Brasil.

CAPOEIRA NO MUNDO

cultural popular brasileira”, frisa. Segundo Mamaozinho, há mais de 40 anos o esporte está presente nos cinco continentes. “Hoje há mais de 170 pais onde a capoeira está presente. Com todos os brasileiros no mundo a capoeira também está lá, porque é nosso patrimônio imaterial cultural”, explica. Segundo ele, metade da população brasileira já praticou capoeira. Atualmente são mais de dez milhões de praticantes no Brasil e na Europa.

INSCRIÇÕES Interessados em participar podem se inscrever no local dos eventos, pelo telefone 0871166043 ou ainda pelo e-mail cecab.ireland@gmail.com. O valor para adultos é de 80 euros para os três dias e 60 euros para apenas um dia. Estudantes que vêm do exterior, crianças e graduados e instrutores de capoeira pagam 50 euros para os três dias.

Arquivo CECAB/Divulgação

Quando iniciou sua vida na capoeira, Francisco Abreu Souto, hoje instrutor Mamaozinho, não imaginava como ajudaria na projeção internacional do esporte anos mais tarde. Em 1997,

aos 12 anos, um circo se instalou na sua cidade natal, Boa Viagem (CE). Um dos integrantes era capoeirista, atividade que já era praticada por Souto na época. Ele conseguiu um emprego de vendedor de pipocas no circo e em seis meses veio a oportunidade de praticar capoeira no picadeiro. O circo se foi, mas o interesse pelo esporte continuou. Francisco passou a ensinar as crianças da cidade e logo seria denominado Mamaozinho. O tempo foi passando e a cultura se disseminando. O Centro Cultural de Capoeira Água de Beber (CECAB) é o apogeu do projeto de espalhar o esporte pelo mundo. Sete países europeus contam com as atividades. Na Irlanda, mais de 30 crianças e adolescentes têm a chance de conhecer melhor a cultura brasileira por meio do trabalho do Centro. “A maior importância que dou para a capoeira é representar meu Brasil, a nossa

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Serviço

Governo irlandês altera regras para intercambistas Visto de estudante diminui de um ano para oito meses

Por Leonardo Heisler

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conseguíssemos um bom emprego”, revela Lobato. “Mas essa mudança de regras inviabilizou qualquer chance”, completa. A renovação do visto está descartada, segundo Lobato, pelos custos. Para ter direito a mais oito meses, o estudante deve comprar novo curso de idiomas e pagar 300 euros pela emissão do visto. Na volta ao Brasil, a ideia é continuar a faculdade. Já a paulista Karina Sousa dos Santos, 28, carimbou o passaporte a dois dias da mudança e comemora a chance de permanecer até o fim deste ano. Se conseguir emprego, diz, renovará o visto até agosto de 2017. A mudança era cogitada para outubro de 2015, o que acarretou no

aumento do fluxo de imigrantes nas semanas anteriores. No entanto, o governo decidiu adiar para este ano. Por meio de uma nota oficial, afirma que a nova regra visa diminuir o tempo em que o imigrante não está em aula.

OUTRAS MUDANÇAS O certificado de conclusão de curso está vinculado à frequência mínima de 85% nas aulas. Caso o aluno não cumpra esse requisito, pode ter seu visto cancelado. Os alunos podem trabalhar por 20 horas semanais enquanto durar o curso. Durante as férias, só podem trabalhar em tempo integral de maio a agosto e de 15 de dezembro a 15 de janeiro.

Leonardo Heisler

s mineiros Felipe Lobato, 23 anos, e Maria Carolina Cardozo, 22, chegaram a Dublin na semana em que o visto para estudantes passou de um ano para oito meses. A nova regra da imigração irlandesa entrou em vigor no dia 20 de janeiro. Como a emissão do documento leva cerca de duas semanas, o que inclui abertura de conta bancária no país, não houve tempo o suficiente para o casal se adequar às antigas normas. Eles vieram com a intenção de ficar apenas sete meses: seis para o curso de Inglês e um para viajar pela Europa. No entanto, eles lamentam o fato de não terem conseguido a permissão de um ano. “Existiam possibilidades de ficarmos por mais tempo, caso

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Evento

Yeah! Brasil é lançada com festa Por Eduardo Eggers

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Diversão não faltou durante a noite. A estudante Eliane Subtil de Oliveira comentou que o clima da comemoração lembrou a alegria das festas brasileiras. “A gente atravessa o oceano atrás de um sonho e é legal porque você encontra outros brasileiros e se sente em casa”. A opinião foi compartilhada pelo também estudante Janai Souza Dias. “É uma atmosfera

fantástica. Relembramos a cultura brasileira, os momentos que passamos lá e a aculturamos aqui também. Essa mistura é algo que nos deixa enriquecidos culturalmente”. O diretor do Grupo Yeah!, Raffael Abarca, considerou o evento um marco para a revista. “São quatro anos de trabalho. O lançamento de mais essa edição ressalta o foco da nossa atividade nos estudantes internacionais”. Os colaboradores da edição de dezembro também marcaram presença. Ao longo da noite, enquanto as páginas da revista eram exibidas pelos projetores da casa, a Yeah! Brasil sorteou diversos brindes entre a galera. As fotos a seguir falam por si, e mostram a vibe positiva da noite.

Fotos: Yeah! Brasil

quivo ! Brasil/Ar Fotos: Yeah

edição anterior da revista Yeah! Brasil foi lançada no dia 9 de dezembro no Woolshed Baa & Grill, mais conhecido como Australiano pelos brasileiros. A festa contou com mais de 200 pessoas, que não se importaram com a noite fria e se divertiram até a madrugada ao som do samba brasileiríssimo da banda Coisa d’Preto.

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Dicas e Curiosidades

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Parade y a D rick’s St. Pat

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Passeio para a Three R (aquela ock Mou das ant ntain enas em 14 km Dublin) do St. S – A subid tephens a tem t Green. rilha be m sinali Cur te a zada. vista lá de cima ...

Visto de est udant valida e de de só oito na Irlanda: meses desde Vale p ara re janeir novaç o. ões ta mbém ...

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Turismo

Jaipur: o berço dos marajás

Por Cíntia Tanno

Parada obrigatória para quem pretende visitar a Índia, Jaipur fascina pelo Grande Deserto, os palácios dos marajás, passeios de elefante e uma rica cultura que torna a cidade um destino extraordinário Fotos: Cíntia Tanno

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assagens aéreas para a Ásia na maioria das vezes não são baratas e, por isso, muitos que decidem passar férias no lado oriental do mundo incluem a Índia no itinerário. Poucos dias no país podem não ser um problema, mas vão deixar um gosto de “quero mais” no final da viagem. Por ser um país muito rico em paisagens e diversidade cultural, uma viagem para qualquer cidade da Índia se torna uma experiência diferente. Muitas empresas oferecem pacotes de quatro dias para conhecer o Triângulo Dourado, que inclui Nova Delhi,

Agra e Jaipur. Outro passeio comum é a viagem até a fronteira do Paquistão, no Rajastão. Este é o maior Estado em área na Índia. Dentre as recordações, ficarão fotos ao lado dos altos guardas paquistaneses que protegem os portões. Jaipur, a maior cidade do Estado, fica localizada no Deserto de Thar, o Grande Deserto Indiano. Quem viaja de carro, a partir de Agra ou Nova Delhi, consegue admirar toda a planície do deserto e conhecer o tão famoso trânsito das estradas indianas. Uma mistura de buzinas, caminhões extremamente coloridos, ônibus carregando galinhas e indianos por todos os lados, famílias de até quatro pessoas viajando tranquilamente em cima de uma moto são parte das experiências únicas que a Índia proporciona. Depois de algumas horas de viagem pelas estradas que cortam o deserto, chegar em Jaipur é como ganhar um troféu. Com toda a harmonia de seus excessos, a cidade traz para muitos o sentimento de “Índia dos sonhos”. Ela é conhecida como Pink City por causa das paredes pintadas desta cor. Em 1853, o Príncipe de Gales visitou a cidade, e o Marajá Sawai Ram Singh

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decidiu mandar a população pintar as paredes de rosa, mantendo a tradição até hoje. A uniformidade dos tons se torna um dos diferenciais da cidade, que fica em uma região de deserto e faz brilhar os olhos de qualquer um que cruza seus portões. Cada minuto na cidade, seja visitando grandes palácios ou andando pelos mercados que enriquecem Jaipur com mais cores, fazem valer a viagem de quem teve dúvidas se deveria conhecer a terra dos marajás. Em 1947 a Índia conseguiu sua independência, mas antes disso o país tinha cerca de 600 reis. O poder das famílias da realeza é uma forma de entender o termo que vem do Sanskrit, língua usada no hinduísmo indiano, e significa “Rei Superior”. Hoje as principais atrações da cidade estão espalhadas pelos palácios construídos pelos marajás, o estilo de vida opulente que levavam e o contraste com o resto da cidade. Passear pelas ruas de Jaipur e se deixar levar pelo barulho e aroma das especiarias do lugar é a melhor forma de conhecer o que ela tem para oferecer. As calçadas sendo disputadas por crianças jogando Cricket e motoristas

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de Rickshaw tentando dormir entre um turno e outro são sinônimos da cidade rosa. Parar para observar um artesanato sendo feito com flores ou vasos de barro, entender de que são feitos os coloridos doces vendidos nas ruas ou admirar mulheres vestidas com saris pintando algumas paredes da cidade muitas vezes levam a um choque cultural muito maior do que o esperado. Também não vai ser difícil cruzar com vacas passeando pelas ruas, macacos pulando entre as perigosas fiações e um dentista atendendo seu paciente ali mesmo, no canto da rua, dividindo sua profissão com toda a loucura da cidade. Jaipur é uma das cidades mais cheias de vida que o Oriente oferece. Além da sua cor rosa e de toda a riqueza dos marajás, o maior encanto está na vida simples e nos detalhes de cada esquina de suas ruas movimentadas.

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FORTE AMBAR

JAL MAHAL

PALÁCIO DOS VENTOS

Localizado a 11 quilômetros do centro de Jaipur, o Forte Ambar encanta pela preservação e grandiosidade. É no começo da colina onde o forte está situado que as novas experiências começam. Para muitos, ao invés de subir a escadaria a pé, essa é a grande oportunidade de andar de elefante pela trilha de pedras que leva até a fortificação. Construído no final do século 16 pelo marajá Man Singh, o Forte Ambar possui esse nome em função da cidade onde foi construído. Ao atrevessar as muralhas, o interior do forte encanta pelo colorido das paredes, pela arte feita à mão no mármore e pelas pedras preciosas. Uma das principais atrações do forte é o salão dos espelhos, ou Sheesh Mahal, decorado com mini espelhos e pedras semipreciosas, provando mais uma vez o poder e riqueza dos marajás que habitavam o forte.

Jal Mahal é o palácio localizado no meio do lago Man Sagar. Pelo difícil acesso e por causa da poluição do lago, hoje o palácio está inabitado. Projetos para construir um grande complexo turístico ou um hotel cinco estrelas não saem do papel.

COMPRAS

Construído em 1798 pelo marajá Sawai Pratap Singh, o palácio está localizado no centro de Jaipur e sua arquitetura teve como inspiração a coroa do Deus Hindu, Krishna. Construído de arenito e com 953 janelas, o palácio servia para que as mulheres do marajá pudessem observar a movimentação sem serem vistas.

Jaipur oferece um dos

CITY PALACE

melhores mercados para barganhar e entender como funciona a cultura do comércio na Índia. O artesanato é mundialmente conhecido, assim como a prataria e seus tecidos. Os tradicionais sapatos indianos feitos à mão decoram as paredes das lojas, assim como os saris. Jóias em prata e ouro são vendidas por peso.

Um complexo que inclui os palácios Chandra Mahal e Mubarak Mahal abriga hoje um museu e parte do complexo ainda é residência da família real, que ainda é muito respeitada na Índia. O palácio começou a ser construído em 1729 pelo então governante de Ambar, e foi recebendo adições pelos sucessivos governantes até o século 20. Portões detalhados, salas de audiências dos marajás, jardins e as roupas dos guardas que protegem a entrada do palácio fazem parte da riqueza de cultura do lugar.

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Entretenimento

Brasileiros entram em cena no exterior Apaixonados pela série Vikings, estudantes brasileiros têm a chance de contracenar com atores estrangeiros. A experiência perpassa o currículo profissional e, além de melhorar o inglês, transforma a vida dos participantes Por Renata Agostini

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cisava de figurantes com o mesmo tipo físico do local característico da cena”, explica Drielle. Segundo ela, não há contrato formal com os participantes. Cada um ganha em média 90 euros por dia de gravação, com assinatura de notas fiscais. Dentre as partes mais difíceis do trabalho, a brasileira destaca o idioma. Mesmo que os figurantes não tivessem muitas falas, essas eram ditas em dialeto antigo irlandês. Outro desafio era seguir a orientação dos diretores de cena. As pessoas eram posicionadas, recebiam a explicação da cena e dicas de como proceder. “Repetimos a cena várias vezes, a diretora faz todas as alterações necessárias até ficar perfeita.” Silva ressalta a atenção dos diretores para com os figurantes e o engajamento dos participantes. Segundo ele, até mesmo os atores principais costumavam tirar fotos com os

Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal

ma ligação no fim da tarde fez a paulista Drielle Virgínia da Silva soltar o riso na garagem de casa. Ela chegava da aula de Inglês quando foi surpreendida com a notícia de que fora selecionada para ser figurante na série Vikings. Há quase seis meses morando em Dublin, a analista de sistemas de 27 anos finalmente realizaria um dos maiores sonhos: conhecer os atores e o set de gravação. “Além de amar a série, sou muito tímida. Nunca pensei que faria isso”, relata. Drielle soube da audição por acaso. Ela passeava pelo centro com um amigo quando receberam um folheto convidando para a seletiva. Dois dias depois, ela preenchia o formulário. Experiência semelhante à de Thomas Henrique da Silva, 24. Nascido no interior de São Paulo, ele viu o trabalho como forma a mais de aprender inglês e conhecer a cultura local. Mesmo sem nunca ter assistido à série antes, ele sabia que se tratava de uma parte importante da história irlandesa. No mesmo mês das audições, ambos iniciaram as gravações no set localizado no condado de Wicklow. “A produção chamava quando pre-

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figurantes após as gravações. “Eles realmente são bem parecidos com o que vemos na televisão. Eu tenho 1m91 e acho que eles têm a mesma altura ou uma diferença mínima”, compara. Fã da série, Drielle assistiu às três temporadas anteriories ainda quando morava no Brasil. Conhecer a história e os personagens fez com que ela conseguisse entender melhor seu papel e também facilitou na identificação dos principais personagens. “A maioria das pessoas estava lá pelo trabalho, não conheciam a série”, relata. Agora, além de ver os personagens favoritos, ela será vista por familiares e amigos, que estão na expectativa. Drielle aparecerá nos últimos episódios da nova fase, quando os vikings invadem o Mediterrâneo. A premier de lançamento da quarta temporada da série ocorreu em 18 de fevereiro.

Silva entre outros figurantes conhecidos no set de gravação

SUPERANDO LIMITES Tímida, Drielle nunca havia contracenado. “Quando passei pensei em desistir, pensei que não daria conta de realizar esse trabalho, mas ter ido foi a melhor decisão que tomei”, enfatiza. Mesmo sem experiência, a brasileira aproveitou a oportunidade para aprender mais e superar a timidez diante do público. Drielle relata o crescimento pessoal, inclusive fora do set, por conseguir se expressar melhor com as outras pessoas. Sem interesse em se tornar atriz profissional, a analista de sistemas pegou gosto pelas participações. Ela já está escrita para figurar no Game of Thrones e no novo filme do Star Wars, que também são gravados na Irlanda. Ela está na torcida por mais uma ligação que a faça rir à toa na garagem.

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Drielle com o ator Alexander Ludwig, que interpreta Bjorn

No set de gravações, figurantes registraram a participação 29


A SÉRIE O condado de Wicklow abriga o cenário de gravação da série na Irlanda, com um dos locais mais importantes, onde reside a família de Ragnar Lothbrok, interpretado pelo australiano Travis Femmel. Inspirada nas invasões dos escandinavos durante a Alta Idade Média, a série retrata parte da história da época, povoados e personagens medievais. As sagas lendárias eram praticamente fictícias, por serem baseadas na tradição oral escrita cerca de 200 a 400 anos depois dos acontecimentos. O enredo se passa no início da Era Viking, em torno dos anos 700 e 800 d.C. A série foi lançada em 2013, mas o crescente número de fãs da história motivou a continuidade do trabalho. Porém, não há informação sobre uma possível quinta fase, já que personagens importantes do enredo morrem nesta última temporada.

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DIRETO DA HISTÓRIA Saqueadores e fortes guerreiros, os vikings têm parte fundamental na história irlandesa. O primeiro ataque à Ilha Esmeralda ocorreu no ano de 795. Alguns assentamentos foram construídos às margens do Rio Liffey. Logo, a futura capital irlandesa recebeu o nome de Dublin que, no idioma gaélico, significa lago de águas escuras. Referência ao mesmo, que ocupava o território do atual jardim do Dublin Castle. Das ruínas e antigos acampamentos, restaram apenas alguns objetos cravados em parte da calçada nas proximidades da Christ Church. Nem mesmo protestos com mais de 20 mil pessoas nos anos 1970 conseguiram impedir a construção de prédios públicos no local. Lembranças da história estão guardadas no museu Dublinia, aberto todos os dias, das 10h às 18h30min, no endereço Christchurch, St Michaels Hill, Dublin 8.

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Alimentação

Coxinha: a rainha dos quitutes Por Lisiane Giusti

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tão amada coxinha, quitute popular no Brasil, presente em todas padarias, botecos e lanchonetes, conhecida e consumida em todos os estados. Claro que não poderíamos ficar sem ela aqui em Dublin, não é? Existem várias histórias a respeito do surgimento da coxinha. A mais famosa delas é contatada no livro “História, Lendas e Curiosidades da Gastronomia”. Na obra, a autora Roberta Malta Saldanha conta que o filho da princesa Isabel e do Conde d’Eu, criado na fazenda, só gostava de comer coxas de galinha. Certo dia, ao perceber que não havia coxas de frango o suficiente para o almoço, a cozinheira da fazenda, já prevendo a histeria do garoto por falta da sua comida predileta, teria desfiado outras partes da ave e moldado em uma massa à base de farinha e batata. O garoto teria gostado tanto do prato que a notícia se espalhou e a imperatriz Tereza Cristina quis experimentar o famoso quitute. Encantada pelo saboroso petisco, a nobre solicitou que a receita fosse passada ao mestre da cozinha imperial e assim, no boca a boca, a coxinha ganhou os salões da realeza brasileira. Há ainda outras histórias. Uma delas conta que o salgado foi inven-

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tado pelos escravos que, na falta de alimentos, juntavam as partes de animais dispensadas pelos senhores, retiravam os ossos e os envolviam com uma massa de mandioca. Apesar de curiosas, não há confirmações históricas do fato. Quem se importa? Verdade é que a coxinha, o mais brasileiro dos quitutes, é uma delicia e já ganhou diversas versões, inclusive a fit, mas a tradicional e preferida continua sendo a de frango. Ficou com vontade? Você encontra facilmente coxinha para vender nos mercados brasileiros ou com muitos brasileiros que vendem na internet. Mas se você gosta de cozinhar e reunir os amigos, temos aqui uma receita da tradicional coxinha de frango. Bom apetite!

Coxinha Massa: 1 litro de leite 200 ml de água 1,2 kg de farinha de trigo 1 colher (sopa) de margarina 3 tabletes de caldo de galinha Tempero verde a gosto Recheio: 800g de frango ½ cebola 1 dente de alho 2 tablets de caldo de galinha Cheiro verde picado Para empanar: 2 claras 1 xícara de água 100g de farinha de rosca Modo de preparo Recheio: Refogue a cebola e o alho, adicione o frango (já desfiado) e tempero verde, cozinhe bem e deixe bem sequinho, sem molho. Massa: Ferva o leite, a água e o caldo de galinha, depois acrescente a farinha aos poucos até formar uma passa homogênea, após acrescente o tempero verde e mexa bem. Amasse a massa, coloque o recheio e modele em formato de coxinhas, passe nas claras e na farinha de rosca. Frite em óleo bem quente até ficarem douradas.

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Intercâmbio

PRÓS X CONTRAS DE DUBLIN

Por Yara Amorim

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Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

orar em um novo país, aprender outro idioma e conhecer culturas diferentes: o intercâmbio na Irlanda é o sonho de jovens brasileiros que pretendem viver um tempo longe de casa. Mas será que tudo é tão bom quanto parece? Deixar o conforto do país de origem e se aventurar em terras tão distantes são atos de coragem. Para saber mais sobre os desafios e alegrias encontrados na Ilha Esmeralda, com a palavra eles: os intercambistas.

“Moro em Dublin há dois anos e ainda não me acostumei com o clima.O melhor de tudo é que posso fazer tudo a pé. Sou paulistana e nunca tive essa facilidade de me locomover sem precisar de transporte público.”

Graziele Mariano, 22 anos

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“O melhor da cidade é a quantidade de cursos de boa qualidade que existem para estrangeiros. A pior parte é a comida. Sou baiano e amo comida muito bem temperada.”

Bruno Dieguez, 31 anos

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“O que mais gosto do intercâmbio são os pubs. Sou de uma cidade com menos de 15 mil habitantes do interior de Minas Gerais e nunca imaginei morar num lugar com tantas opções de lazer. É difícil dizer algo que não gosto no intercâmbio, mas o frio é rigoroso para mim.”

Flávia Duarte, 21 anos

“Quando vim para cá achei que fosse arranjar emprego com facilidade e conseguir me bancar, mas não foi bem assim. Hoje em dia deu tudo certo, mas continuo achando que o ponto negativo da cidade é a questão financeira. Dublin é a melhor experiência que já tive até hoje. Eu gosto de tudo: dos amigos, da cultura, da comida e do povo.”

“O melhor para mim são as pessoas. Os irlandeses são muito solícitos e estão sempre dispostos a ajudar. A parte mais difícil é o clima: sou carioca e estou acostumada com o sol. Aqui quase não o vejo e isso é bem difícil pra mim.”

Caroline Borges, 21 anos

“Sou introvertido, não consigo fazer muitas amizades e eu pensei que aqui fosse ter dificuldade de conhecer pessoas. Dublin me surpreendeu nesse sentido, porque acho que todos estão muito abertos pra fazer amigos. Aqui me sinto em casa. A parte chata é o clima: chove quase todo dia.”

César Hoffman, 25 anos

Lucas Fortes, 21 anos

“O que não gosto é que os irlandeses são muito fechados. Morei numa residência familiar que não fez questão de me integrar ao resto da casa. Já o que tem de melhor são as baladas. Gosto de música eletrônica e de fazer novas amizades, nas boates daqui consigo juntar esses dois prazeres.”

Conrado Braz, 28 anos

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“É a primeira vez que eu saio do país e confesso que estou tendo dificuldades para aprender o idioma. Os irlandeses não têm tanta paciência para quem não domina a língua local. Fora isso, a cidade é ótima para viver por unir todas qualidades de uma metrópole e o aconchego do interior. ”

Maria Eduarda Monnerat, 29 anos

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Experiência

“A vida nas favelas é vibrante”

Eduardo Eggers

Muitos estrangeiros viajam ao Brasil a cada ano e pagam uma grande quantia de dinheiro a fim de trabalhar de graça. Por quê? Bem, é uma maneira popular de conhecer a cultura brasileira, o povo e o país. O voluntariado é um negócio em ascensão. No meu caso, foi através do trabalho voluntário em favelas cariocas que conheci melhor a vida no Brasil e realmente me apaixonei pelo Rio de Janeiro.

Por Sofia Sunden (sueca)

Fotos: Sofia Sunden

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uando eu vim ao Brasil pela primeira vez, minha intenção era treinar capoeira. Só. Eu também queria conhecer a cultura brasileira durante o período de dois meses. No entanto, quando, depois de um mês de viagem, cheguei ao Rio de Janeiro, eu me apaixonei por essa cidade dinâmica e cheia de música, energia e cores. E também violenta e desigual. Eu decidi rapidamente que este era o lugar onde eu queria ficar e conhecer melhor a vida e a cultura. Assim, a minha viagem foi prorrogada por mais sete meses para trabalhar voluntariamente. Não demorou muito para que eu encontrasse dois trabalhos voluntários. Comecei a ensinar Inglês e capoeira para crianças e adolescentes em duas ONGs em duas favelas, uma na Zona Sul e uma na Zona Norte. Lugares onde eu mais tarde viria a descobrir que a maioria dos cariocas preferiria nunca colocar seus pés.

O ESTIGMA Favelas são muitas vezes erroneamente traduzidas como slum ou shanty towns na imprensa estrangeira, que alimenta a imagem de uma favela como um bairro extremamente pobre sem casas de construção adequadas e sem infraestrutura funcional. Acrescentando ainda que o estigma e o estereótipo são a criminalidade que lá ocorre. A maioria das favelas é de fato governada por cartéis de drogas. No entanto, às vezes as pessoas equivocadamente acreditam que a maioria dos moradores esteja envolvida no tráfico. Na verdade, apenas uma pequena parcela da comunidade tem ligação com a criminalidade. Contrariamente ao senso comum – acreditem – a maior parte das casas nas favelas está devidamente construída. O principal problema é a falta de apoio do Estado, o que resulta em falta de saneamento, de boas escolas e de eletricidade formal.

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POR QUE O VOLUNTARIADO?

OUTRO MUNDO

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O voluntariado pode envolver desde cuidar de elefantes na Tailândia até trabalhar com orfanatos na Índia. No Brasil, a quantidade de ONGs que oferecem aulas gratuitas para crianças é, em muitos casos, uma resposta à educação desigual. Pode ser um desafio para as escolas nas favelas encontrar professores que estão dispostos a lá ensinar. Os salários são baixos e as questões de segurança tornam esses lugares impopulares, e se uma escola é incapaz de encontrar um professor ela é forçada a cancelar as atividades do ano inteiro. Se você viajar através de um país como turista ou backpacker, você pode ver muitos lugares bonitos. Mas eu acredito que é apenas vivendo nas condições das pessoas locais que se compreende plenamente a cultura do país. Foi uma oportunidade única conhecer as pessoas em Parada de Lucas e Vidigal, e foi um prazer ensinar Inglês às crianças. Claro, o voluntariado é sempre motivado pelo sentimento de querer dar algo de volta. No

meu caso, eu estava feliz em dar o meu tempo e espero ter ajudado essas crianças a aprender Inglês, uma habilidade que pode ser muito útil para elas no futuro no que diz respeito a procurar outro trabalho fora da favela. Uma vez que existem tantos estereótipos produzidos sobre o crime e a vida nas favelas, retratados através de vários filmes, apenas viver lá me fez compreender o sentido de comunidade e experimentar a vida próspera culturalmente que muitas favelas têm. Além disso, ao dedicar meu tempo - e trabalhando de graça - nunca imaginei o quanto eu receberia em troca! No final, eu fiquei surpresa com o quanto essas crianças me deram. Você aprende muito ao pisar fora de sua zona de conforto e abraçar uma cultura e um modo de vida completamente diferentes. Eu comecei a trabalhar para essas ONGs em 2009 e ainda hoje estou em contato com elas e ajudo financeiramente quando posso. No ano passado eu continuei em um projeto voluntário com capoeira no Vidigal. Se você tiver uma chance, eu recomento.

Sofia Sunden/Arquivo pessoal

Para mim, como uma jovem estrangeira recém-chegada ao Brasil, trabalhar voluntariamente nas favelas foi literalmente como entrar em outro mundo. Um mundo em que você vê pessoas andando por aí com uma metralhadora casualmente jogada sobre o ombro. Ou então homens com walkie-talkies em suas mãos. E ainda onde as crianças brincam nas ruas completamente despreocupadas pelo fato de homens carregarem armas enormes por perto. Apesar da visibilidade de armas de fogo na favela, nunca me senti ameaçada quando estive por lá, pois eu sabia que uma das regras das favelas é que você não tem permissão para roubar ninguém, uma lei que é estritamente obedecida. Mas não em outras partes da cidade. Crime que pode causar a “visita” da polícia não é permitido nas favelas. Isso pode parecer um pouco irônico, considerando os tipos de crimes que são cometidos pelo cartel de drogas no comando. Eu estava ciente dessa regra e eu sabia que eu estava em um risco muito maior de ser assaltada pelas ruas do Centro ou nas praias de Copacabana e Ipanema. O mundo que eu encontrei foi um mundo que, apesar de as condições de vida em muitos aspectos serem muito mais resistentes do que o que eu já tive experiência como uma criança, e apesar de as crianças estarem mais expostas à violência em seus bairros - e, por vezes, uma educação mais pobre - o que eu também descobri foi o forte senso de comunidade. Uma sensação de comunidade e companheirismo que eu nunca tinha experimentado antes. Muitas crianças brincam nas ruas, e parece que qualquer adulto por perto vai cuidar delas. A vida nas favelas é vibrante. Sempre tem pessoas fora de suas casas e as pessoas parecem geralmente falar mais umas com as outras nas lojas e na rua. Por isso não demorou muito para que eu começasse a conhecer pessoas da comunidade e ser tratada como um local.

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Fotos: Arquivo Pessoal/Divulgação


Yeah! em Cuba

Yeah! em Cuba

Yeah! em Cuba


Yeah!Brasil Março 2016  

A revista Yeah!Brasil lança sua nova edição. Toda a programação do St. Patrick's Day em Dublin está aqui. Mas não é só isso... Nossa equipe...

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