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A revista do estudante brasileiro na Irlanda

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CAPOEIRA PARA GRINGO VER

O SOM QUE VEM DAS RUAS

DESTINO SURPRESA

SUPERE OS DESAFIOS DO INTERCÂMBIO MONTE SEU CV EM 5 PASSOS


Information and applications to UK: consultancy@yeah.ie


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Sumário

Equipe

Panorama

Capoeira pra gringo ver Documentos à Imigração O que não contaram sobre a Irlanda More bem em Dublin

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Mandando correspondências

Economize no intercâmbio Marcas da Revolta de Páscoa

Relato de experiência

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No ritmo das ruas

Monte seu CV em 5 passos

Passeio até a praia

Supere dificuldades do intercâmbio Yeah! Rádio Dicas e Curiosidades Conversações free

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Relato de experiência

Os mistérios do Dublin Castle

A batata está no prato


Equipe Equipe

Dezembro 2015 Colaboradores

Diretor Yeah! Group Raffael Abarca

Diretor Yeah! Brasil Felipe S. Lucas

raffael@yeah.ie

felipe.inova@gmail.com

Editora Renata Agostini

Sub-editor e Diagramador

renataagostini_rs@hotmail.com

edu_eggers@yahoo.com.br

Eduardo Eggers

Juliana Alves Marques Arquiteta Luana Rosales Jornalista Lisiane Giusti Estudante de Nutrição

Contribuições Aldy Coelho Camila Amaral Evelyn Franca

Alex Senhem Estudante de Ciências Econômicas

Fábio Teberga Gelson Pereira

Todos os conteúdos da Revista Yeah Brasil são apenas para informação geral e / ou utilização. Tais conteúdos não constituem aconselhamento e não devem ser usados na tomada (ou deixar de fazer) qualquer decisão. Algum conselho específico ou respostas a consultas em qualquer parte da revista é / são a opinião pessoal de tais peritos / consultores / pessoas e não são subscritas pela Revista Yeah Brasil.

Matheus Cavalcanti Tigre Silvana Sapyras Miren Samper

Sofia Sunden Jornalista Yara Amorim Jornalista

Foto de capa: Sofia Sunden Revista Yeah! Brasil Endereço: 2 Graffton Street, Dublin 2 Ireland. www.yeahbrasil.com Email: info@yeahbrasil.com asileiro no

tudante br

do es A revista

exterior

Palavra da editora

De cara nova e pronta para lhe ajudar Feita para estudantes internacionais, a revista Yeah! Brasil volta à cena de cara nova. Com a equipe renovada e material de qualidade, a edição de dezembro está imperdível! Pensando em informar os brasileiros que moram pela Europa ou têm interesse em se mudar para cá, apresentamos conteúdos relevantes e dicas práticas de intercâmbio. Para isso, há a participação de especialistas de diferentes áreas, trazendo informações sobre Imigração, busca por moradia, economia e formas de superar os desafios presentes em outro país. A troca cultural também é marcante. Nas próximas páginas você encontrará uma entrevista ampla sobre um dos esportes que tornou o Brasil conhecido mundialmente: a capoeira. Gringos

falam da percepção sobre o jogo e relatam experiências extraordinárias. Por falar em experiências, intercambistas contribuem com dicas de como conseguir um emprego na Irlanda. Em apenas cinco passos, você saberá como montar um currículo adequado e interessante. Nesta edição, você vai conhecer, também, histórias de brasileiros que ganharam as ruas de Dublin. Herança celta, a música invade os espaços e se torna um espetáculo a parte na cidade. E não para por aí! Esta edição apresenta locais históricos fantásticos, além de informações sobre um destino surpresa. Lembramos também das festividades de fim de ano e de formas de amenizar a saudade das pessoas que

estão do outro lado do oceano. Assim, passamos informações sobre o envio de correspondências, como valores, embalagens e prazo de entrega. Se depois te tanta informação você ficou com fome, não se preocupe. Guardamos uma deliciosa receita feita com batatas, principal alimento irlandês. Como você já percebeu, a edição está repleta de matérias especiais. Todas elas foram pensadas para auxiliar você, leitor, a ter uma experiência mais proveitosa no intercâmbio. Compartilhe conosco as suas dúvidas, dicas e sugestões. Ficaremos felizes em poder lhe auxiliar e tornar a revista Yeah! Brasil ainda mais completa! Tenha uma ótima leitura e um fim de ano repleto de boas energias!

Renata Agostini


Panorama

Países da Europa reforçam a fiscalização de fronteiras

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epois dos ataques terroristas ocorridos em Paris, em 13 de novembro, diversos países da Europa reforçaram a fiscalização nas fronteiras. O trabalho deve inibir o acesso de suspeitos ou integrantes do Estado Islâmico (EI). Pessoas de todo o mundo se sensibilizaram com a tragédia compartilhando vídeos e fotos com as cores da bandeira da França. As palavras “Reze por Paris” lideraram as visualizações em redes sociais. Locais como o Place

ZE cresce de forma moderada

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Comissão Europeia estima crescimento moderado na Zona do Euro em 2016 e 2017, apesar das condições desfavoráveis à economia mundial. O Produto Interno Bruto (PIB) do conjunto dos 19 membros da Zona do Euro deve crescer 1,8% no próximo ano e 1,9% em 2017. Em 2015, a alta foi 1,6%. Em comunicado oficial, o Comissário para assuntos econômicos da UE, Pierre Moscovici, alertou para os desafios contínuos, como a perspectiva de desaceleração das exportações de produtos europeus e a persistência de guerras ou tensões pelo mundo.

de la Republique se tornaram um ponto central de celebração às cerca de 130 vítimas. Pelo menos outras 350 pessoas ficaram feridas, sendo 99 em estado considerado grave. O estado de emergência nacional no país não era decretado desde 2005. Suspeitas de infiltrações de terroristas nos grupos de imigrantes aumentam a alerta. Só em 2015, mais de 650 mil pessoas cruzaram as fronteiras da União Europeia.

Divulgação

A ilustração criada pelo designer francês Jean Jullien se tornou um grande símbolo de pedido pela paz.

U

m novo sistema de monitoramento de biomas brasileiros entrou em vigor no fim de novembro. Áreas como o Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal recebem o acompanhamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O grupo já coordena dois sistemas na Amazônia. Um deles funciona em tempo real pra auxiliar na emissão de alertas à fiscalização e o outro oferece a taxa anual do corte raso da floresta. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o desmatamento na Amazônia caiu 82% entre 2005 e 2014. Mesmo assim, todos os anos é registrada a derrubada de mais de 5 mil km² de vegetação na área.

Q

uem caminha pelas ruas de Estocolmo, na Suécia, percebe que a sinalização de trânsito está diferente desde a metade de novembro. Diversas placas foram criadas e colocadas nas ruas pelo artista sueco Jacob Sempler, de 29 anos. A intervenção urbana mostra pessoas usando o celular enquanto caminham. Segundo o artista, a imagem tem o intuito de chamar a atenção dos pedestres quanto aos perigos do uso do aparelho durante o percurso. A ideia surgiu depois de Sempler quase ser atropelado por um carro. Ele caminhava desatento pelas ruas por conta do vício no celular.

Inicia a venda de maconha medicinal em NY

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maconha para uso medicinal deve chegar em janeiro ao Estado de Nova York. Cinco empresas já têm autorização do governo para iniciar a distribuição da cannabis para uso terapêutico. As companhias com devida licença têm a obrigação de cultivar a maconha dentro do Estado, em áreas fechadas e protegidas. O produto será distribuído sob a forma de cápsula, líquido ou preparação para inalação como vapor. Especialistas indicam que o tratamento com cannabis normalmente custa entre 300 e 500 dólares por mês por paciente. A legalização total da maconha é debatida na Califórnia e no Arizona, e já existe em Estados como Alasca, Washington e Colorado.

Divulgação

Brasil amplia monitoramento de biomas

Intervenção invade ruas na Suécia


Esporte e Cultura

A capoeira segundo

estrangeiros

Por Sofia Sunden Dança, luta, jogo. A capoeira se tornou muito popular em todo o mundo. Os movimentos cativam novos adeptos e proporcionam, muitas vezes, o primeiro contato com as diferentes culturas.

O Fotos: Sofia Sunden

interesse pela prática pode começar com uma aula de exercício. Movimentos e o som dos instrumentos atípicos para outros estilos musicais, como o berimbau, causam curiosidade. Movidos pelo encantamento, pela

descontração e cultura presentes na capoeira, estrangeiros viajam para o Brasil em busca de mais conhecimento. Foi o caso do professor de capoeira na Indonésia Sungera Madeira, de 34 anos. Adepto à prática há mais de dez anos, ele modificou as impressões que tinha e aprendeu mais sobre a cultura brasileira a partir da capoeira. Em

2013, ele realizou o sonho de viajar para o solo verde amarelo. Durante um mês, acompanhou de perto o trabalho de diferentes capoeiristas. Acostumado com a rotina de treinos e aulas, Madeira se surpreendeu com o que viu. “A dança é mais forte no Brasil e a capoeira ainda mais intensa”, enfatiza. Não é a toa que a prática foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, em 2014, passou a ter um estatuto de proteção especial. O documento garante a inclusão da capoeira como parte do patrimônio cultural imaterial mundial.

ALÉM DAS EXPRESSÕES CULTURAIS Passada por gerações, a capoeira se assemelha a rituais, onde os capoeiristas estão vestidos com roupas brancas. Porém, a cena vai além das expressões e se torna um espetáculo à parte. Há inúmeros conceitos sobre a prática, sua origem e sua história. Pesquisadores e praticantes mantêm o debate sobre o tema. Muitos compartilham da ideia do surgimento da expressão cultural com o africano. Brasileiros disseminaram a prática para outras partes do mundo. Defesa, manutenção dos hábitos e integração, a capoeira aderiu novos significados e adeptos.

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NO CHÃO VERDE E AMARELO No Brasil, a história da prática iniciou no século XVI, com os escravos trazidos da África Ocidental. Símbolo da cultura afro, a capoeira se tornou a principal ligação de um povo tirado da sua própria terra. O mestre brasileiro Nestor Sezefredo dos Passos Neto, mais conhecido como Nestor Capoeira, define a prática como “dança-luta-jogo”. Pesquisador e autor de diferentes obras sobre o tema, ele atua com a prática desde 1960. Destaca elementos da dança e técnicas de combate, além de movimentos acrobáticos bastante comuns e apresentados nas rodas. Diferente de outros esportes ou práticas, a capoeira não tem como fim obter um vencedor. Sem ser com-

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petitiva, também não simboliza uma religião, apesar de ser confundida por alguns com o candomblé.

PELO MUNDO Na década de 1970 se intensificou a ida de mestres brasileiros para outras partes do mundo, como Europa e Estados Unidos. Além de ensinar novos adeptos, os grupos levaram apresentações aos palcos mundiais. Com isso, a popularidade cresceu e o interesse pela cultura da capoeira também. Diferente do que estavam acostumados a ver no Brasil, os mestres encontraram praticantes com idade média de 20 a 30 anos, interessados em aspectos mais culturais, como a música e a história. Mesmo praticada em muitas partes

do mundo, a capoeira é a mesma, contendo as mesmas canções. Elas costumam falar sobre o mar, sobre a escravidão e os Orixás.

MUDANÇA DE CENA No Brasil, a capoeira deixou de ser associada à malandragem ou vista como uma prática exclusiva de subúrbios. Grupos, como o Senzala do Rio de Janeiro, foram se formando e atraindo adeptos de diferentes idades e condições financeiras. O cenário mudou. Diferente de décadas atrás, como os anos 30, a capoeira é permitida pelas ruas das cidades. Academias e espaços de integração também utilizam da metodologia. Projetos sociais, escolas e grupos de dança também usufruem das técnicas, propagando ainda mais a cultura.

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A PRÁTICA VIRA PORTA DE ENTRADA PARA A CULTURA BRASILEIRA Para muitos estrangeiros, a capoeira se torna o primeiro contato com o Brasil e sua cultura tropical. O professor de capoeira do grupo Senzala, da Indonésia, Sungera Madeira, fala sobre a realização do sonho de viajar para o Rio de Janeiro e aprender de perto as técnicas e gingados. Yeah Brasil: Como era sua visão do país antes de conhecer a capoeira? Madeira: Eu não sabia nada sobre o Brasil. Só ouvia falar sobre o futebol do país. Mas, a partir da capoeira, me encantei com os ritmos tropicais. Em pouco tempo, conheci danças como o samba, forró e jongo. Por causa do gingado e movimentos de defesa presentes na copeira, aprendi também o jiu-jitsu e outras artes marciais.

YB: O que mudou das suas impressões sobre a cultura brasileira? O que mais lhe surpreendeu? Madeira: A cultura era ainda mais forte do que eu tinha imaginado. No Brasil é como uma selva real. Tudo é intenso. Dança, capoeira, a vida na rua, você experimenta a verdadeira natureza, diferente de qualquer coisa que você tenha experimentado antes. A dança é mais intensa, a capoeira ainda mais intensa. Nada de ruim sobre isso, é apenas uma cultura forte. Às vezes você tem que experimentar a verdadeira natureza, e o Brasil é assim. YB: Você pretende retornar para o Brasil?

Madeira: A capoeira mudou a minha vida. Ela tem aberto muiYB: Quando você esteve no tas portas para mim. Eu posso ir Brasil? Você foi para conhecer a a qualquer lugar a partir daqui, capoeira ou o país? qualquer direção. Inclusive, penso em voltar para o Brasil, para Madeira: Eu estive no Brasil conhecer ainda mais a capoeira e uma vez, em 2013. Fui exclusiva- outras tradições também. Estou mente por causa da capoeira. Era curioso sobre a gastronomia um sonho para mim. Após anos do povo. Sei que os brasileiros de prática, sempre sonhei em ir comem muita carne e quero saber para lá para praticar a capoeira se isso está mudando, se é poscom brasileiros. Foi uma decisão sível ser vegetariano e comer difícil, por que a moeda do meu comida natural no Brasil. Eu tampaís é fraca. Trabalhei muito para bém quero saber mais sobre como guardar o dinheiro, demorou mui- o povo vê a amizade, os negócios, to tempo para que eu pudesse ir. a família e o modo de vida.

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A capoeira mudou a minha vida. Ela tem aberto muitas portas para mim. Eu posso ir a qualquer lugar a partir daqui, qualquer direção.

Sungera Madeira professor de capoeira na Indonésia

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Artigo

Documentos Exigidos na Imigração Por Fábio Teberga Cardoso*

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uitas das preocupações dos intercambistas nascem da incerteza sobre se irá ou não entrar no país escolhido para o intercâmbio.

Em primeiro lugar, no ato da escolha do país e escola o intercambista deverá pesquisar os costumes do país, as condições exigidas para permanência, se é necessário visto prévio ou não, se a escola escolhida é idônea, etc.

tos obrigatórios: - passaporte; - carta da escola com curso de carga mínima semanal de 15h/aula por semana; - seguro governamental ou médico privado de uma empresa estabelecida na Irlanda; - 3 mil euros comprovados em extrato de uma conta em banco irlandês; - comprovação de endereço; - passagem de volta ao Brasil.

Como exemplo podemos utilizar os Estados Unidos, que exigem visto de entrada no país de forma prévia, ou seja, primeiro retira o visto e depois viaja, mesmo assim sem a garantia de entrada no país, tendo em vista que ao desembarcar você poderá passar por nova entrevista.

Portanto, se você não preencher esses requisitos corre grande risco de ser impedido de entrar na Ilha Esmeralda e ter que retornar ao Brasil do aeroporto, no voo mais próximo. Não tentem enganar ou utilizar o jeitinho brasileiro em outros países, pois ele somente funciona aqui.

Mas na Irlanda, embora de dois anos para cá as exigências e controle tenham se intensificado, não existe prévio visto para entrada.

Para que tenhamos um Intercâmbio Legal, é necessário que sigamos à risca as regras do país que escolhemos e, principalmente, façamos uma pesquisa sobre os costumes e cultura local, assim aproveita-se a experiência sem preocupações ou embaraços.

Antes de embarcar para a Irlanda, o intercambista deverá ter atenção e ter em mãos alguns documen-

*Dr. Fábio Teberga Cardoso é advogado brasileiro desde 2008, pós-graduado em Direito Empresarial e Trabalhista).


Intercâmbio

5 coisas que ninguém te contou (ainda) sobre a Irlanda Por Luana Rosales

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esde que decidiu fazer o tão sonhado intercâmbio na Irlanda, você não cansa de ver vídeos e ler blogs para saber o máximo possível sobre a Ilha Esmeralda. E isso é ótimo. Mas não se engane: sempre haverá algo que ninguém lhe contou e vai te surpreender em meio a essa aventura. Alguns detalhes a gente só descobre vivendo. Mesmo assim, aqui você encontra curiosidades que talvez ninguém conte antes do embarque.

Em primeiro lugar, esqueça a imagem que você tem da Europa perfeita, como as ruas serem totalmente limpas e o povo extremamente educado e cordial. Aqui você vê bastante lixo no chão (inclusive roupas e sapatos!) e sempre corre o risco de pisar nas necessidades de cachorrinhos. Quanto à educação, sim, você ouve sorry e cheers (aqui significa obrigado) o tempo inteiro. Mas outras atitudes são surpreendentes, como a grande quantidade de brigas, seja com ou sem agressão. Para os irlandeses, não existem leis como a Maria da Penha e o povo não se importa em lavar a roupa suja na rua, por exemplo.

Fotos: Renata Agostini

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Eles não são tão educados assim

Sua mochila vai precisar de itens especiais

Na primeira ida no supermercado, você vai descobrir: aqui não ganhamos as amadas sacolinhas e é preciso comprar uma no local e levar a sua toda vez que for fazer compras. Esse é um hábito que demora a ser absorvido, e você vai esquecer a sacola em casa muitíssimas vezes até aprender. Tente deixar uma sempre na mochila. Duas coisas que sempre é bom deixar na sua bag: sacola e guardachuva. O motivo do segundo item, você já deve saber: o clima tripolar irlandês. Esteja sempre preparado!

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A alimentação pode ser um desafio

Mesmo comprando os mesmos produtos que você estava acostumado a consumir no Brasil e preparando-os em casa, como frango, ovo e tomate, no início você sentirá que o gosto é diferente. Nos primeiros dias, a adaptação pode ser bem difícil você poderá ter um pouco de mal estar. Cada um reage de uma maneira diferente e o jeito é continuar comendo até o corpo se acostumar. O mesmo vale para a água.

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Dublin é mais bonita do que você imagina

A arquiteta Raphaela Nascimento também deu a sua opinião: “a Irlanda não é tão conhecida como um destino turístico na Europa, mas é um país muito lindo, tanto na natureza quanto na arquitetura”. Outro ponto destacado pela intercambista é a falta de poluição visual, pois em Dublin a fiação é toda subterrânea, ou seja, não existem fios ligando os postes de iluminação e “isso faz a cidade muito mais limpa e bonita”, avalia.

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O clima é multicultural

Por último e não menos importante, saiba que Dublin é uma cidade extremamente multicultural e é lindo ver as ruas abarrotadas de orientais, latinos, indianos, árabes e (pasmem!) europeus convivendo no maior clima de paz. Fazer parte disso tudo é uma experiência sem igual. Enjoy!

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Artigo

More bem em Dublin: detalhes que fazem a diferença Por Juliana Alves Marques*

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nicialmente, Dublin se estabeleceu em torno do Rio Liffey, sendo essa a região central. Com o tempo houve uma grande expansão motivada pelo crescimento mobiliário. Esse desenvolvimento foi muito bem planejado. Podemos observar como existe uma uniformidade e coesão nas construções. Essas casas e prédios charmosos com portas coloridas que vemos hoje refletem o estilo Georgiano característico da arquitetura inglesa do século XVII. O fato é que séculos se passaram e somos atraídos para

AQUECIMENTO DAS CASAS: Na Europa

as casas já são construídas com isolamento térmico. As portas e janelas costumam possuir um sistema de isolamento de borracha para que o frio não entre. As janelas têm vidro duplo. Você deve verificar se existe aquecedor nos ambientes e se as portas e janelas estão bem vedadas. Para isso, faça um teste rápido colocando a mão nas frestas para sentir se passa vento. Caso note que sim, deve solicitar a troca das borrachas.

BANHEIROS: Na Irlanda eles não possuem ralo

no piso e nem tomadas. Muitos não têm janelas e são ventilados por um exaustor. É bom verificar se o sistema de exaustão funciona. O comum é sair água fria e quente da mesma torneira. Porém, alguns lugares têm duas que saem separadamente a água quente e a fria. Isso não é funcional, por não alcançar a temperatura agradável para o uso.

AQUECIMENTO DE ÁGUA: O banho quente é essencial por aqui. Existe chuveiro elétrico, com resistência. Porém o mais comum é um sistema que aquece previamente a água para o banho e a armazena em um cilindro grande chamado boiler. Você vai reconhecer esse

conhecer, morar e desfrutar das construções na capital irlandesa. Um dos grandes desafios é escolher uma acomodação para morar. Existem vários fatores a serem considerados para fazer uma boa escolha de acomodação, a qual vai desde a localização, o fácil acesso e proximidade dos locais de apoio e infraestrutura como mercados, pontos de ônibus. Existem detalhes que podem fazer toda a diferença. Veja algumas dicas.

sistema por um medidor que mostra o nível da temperatura da água, e deve acioná-lo de 20 a 30 minutos antes de tomar banho. É importante você saber qual o sistema de aquecimento da água acomodação para que não seja surpreendido pela água fria.

MOBILIÁRIO: A maioria das casas é mobiliada.

Por isso é muito importante que você saiba o que tem na casa onde está entrando e possa verificar o que realmente funciona. Não se sinta intimidado ao perguntar ou testar, pois depois que você entra de fato na sua acomodação dificilmente ocorrerão reparos ou reformas. Caso você compre algo para o uso na casa, informe seu landlord para que esse valor depois seja compensado no seu aluguel.

ENERGIA ELÉTRICA: Visando economia, é

importante saber se o sistema de aquecimento da residência é elétrico ou à gás. O sistema à gás é mais econômico, porém menos comum nas regiões centrais. Existem dois sistemas de pagamento da energia elétrica na Irlanda: ou a conta é enviada por fatura para a residência a cada dois meses, ou, pelo pré-pago, primeiramente pagamos e depois usufruimos do serviço até o limite dos créditos.

*Graduada em Arquitetura e Urbanismo, pelo Centro Universitário de Maringá/PR (UniCesumar). Brasileira, atualmente reside em Dublin. Encaminhe suas dúvidas ou sugestões para o e-mail jumarques.arqui@hotmail.com.


Música

Música nas ruas: uma herança celta Por Yara Amorim Yara Amorim

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ão esqueçam nunca das sombrinhas, de andar sem pressa e com ouvidos sempre atentos. Depois de usar essas três valiosas dicas, qualquer um estará pronto para encarar a rotina de Dublin. Pra mostrar que nem só de dias nublados é feita a capital irlandesa, há uma atração turística extra e gratuita: os artistas de rua. Do Hip Hop ao solo de guitarra, os estilos musicais são para todos os gostos. Em uma das principais ruas da cidade, a Grafton Street, estão concentrados mais de 40 músicos que se revezam no palco aberto da manhã até a madrugada. A cidade como cenário de artistas anônimos é uma tradição da ilha. Apesar de ser mundialmente conhecida pela efervescência noturna e pela grande variedade de pubs e cervejas, a Irlanda guarda outra tradição: a musical. A música celta, por exemplo, é um estilo que nasceu na Idade Média e é reproduzido por artistas do mundo inteiro até os dias de hoje. Para o guitarrista de rua Brian Shin, o envolvimento do irlandês com a música vem da cultura celta. Natural de Dublin, afirma que levar arte para as ruas da cidade é um hábito secular. “Esse quesito arte pela cidade é questão cultural. Vem dos mambembes da Idade Média, da vontade de perpetuar o folclore celta, de transformar a cidade numa grande festa a céu aberto”, enfatiza.

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A MÚSICA NA CIVILICAÇÃO CELTA Os celtas chegaram na Ilha Esmeralda por volta do ano 250 a.C. Vindo da Europa continental, esse povo trouxe e desenvolveu diversas culturas na Irlanda. Um dos principais legados é a música, que tem como característica a utilização de instrumentos como harpa, flauta e gaita de fole. As canções eram compostas no idioma local. No caso da Irlanda, a música celta era - e ainda é - cantada na linguagem gaélica.

Arquivo pessoal

Apesar dos artistas já fazerem parte das vias da cidade, nem tudo é tão fácil como parece. Depender apenas dos trabalhos nas ruas, na maioria das vezes, não é suficiente para arcar com as despesas mensais. Shin revela que, em média, arrecada 30 euros por dia na Grafiton Street. Ele complementa a renda mensal trabalhando em um restaurante. Mesmo com as dificuldades, o vocalista da banda irlandesa U2, Bono Vox, é um bom exemplo de artista de rua que alcançou o cenário da música internacional. Nascido e criado em Dublin, na adolescência ele costumava dar algumas palinhas pelas ruas. A boa notícia é que Bono ainda preserva os antigos hábitos: todo final de ano, o vocalista costuma cantar “anonimamente” em algum lugar da cidade.

RITMO BRASILEIRO O músico brasileiro Eduardo Reis, mais conhecido como Dudu Batera, chegou na capital irlandesa em agosto de 2015. Desde então tem tocado nas ruas, pubs e eventos. Ele – como demais artistas de rua – precisou formalizar o trabalho. O processo é simples e necessário. Cada um paga uma taxa para o Consulado irlandês. O valor varia de 30 a 90 euros por ano. “Não ter essa autorização, hoje em dia, deixa inviável qualquer apresen-

tação na rua. Já teve casos de pessoas tocando sem autorização que tiveram que pagar multa, e para nós, estrangeiros, nunca é bom ter problemas com a polícia local”, aconselha. Dudu ainda acrescenta que ser músico, em qualquer lugar do mundo, não é fácil. Apesar de ser uma cidade pequena e com clima não muito favorável, Dublin tem uma grande vantagem: a valorização do artista e da arte.


Serviço

Para: alguém do outro lado do oceano Por Renata Agostini

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à família no Brasil. “Nunca mandei nada por correio, muito menos uma carta”, relata. Fora do país, o idioma dificulta o acesso às informações sobre o serviço. Dúvidas quanto ao tempo de entrega, itens permitidos, valores e segurança permeiam a cabeça de quem tem interesse no envio de correspondências. Tudo começa com a procura por um ponto de coleta. Quase todos os bairros de Dublin possuem local de envio. Dentre uma das dicas, a entrega de correspondência deve ser feita até às 17h, para envio no mesmo dia. Por

isso, optar por postos centrais pode agilizar em até dois dias o despache ao destinatário. Envelope, caixa, pacote... tudo via avião. O prazo normal de chegada varia entre cinco e sete dias, independentemente de país. Os preços dependem do peso da mercadoria e da escolha pela embalagem. Por exemplo, o envio de um cartão natalino de 100g para o Brasil custa 1,05 euro. Se o envelope for um pouco maior, o valor passa para 2,05 euros. O envio de uma caixa com um metro e meio de comprimento pode

Renata Agostini

om a chegada das festividades do fim de ano, milhares de pessoas têm o hábito de enviar cartões natalinos, mensagens de prosperidade ou presentes aos familiares e amigos. Na Europa não é diferente. Diante da diversidade cultural e da realidade que envolve a vida de estudantes, surgem algumas dúvidas: como posso enviar uma carta para outro país? Para o Brasil? Será que é muito caro? Na Irlanda há dois meses, o paulista Eduardo Menezes, de 24 anos, verifica formas de enviar presentes

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custar 25,50 euros, pesando 1Kg. Menezes pretende enviar roupas para o irmão que está no Brasil. Neste caso, pode optar pelo envio na embalagem packet, dependendo da quantidade e tamanho claro. Este tipo de embalagem em formato de caixa não pode exceder 60 cm em nenhuma das dimensões. Antes de entregar a correspondência certifique-se de que a embalagem é adequada ou compatível com o preço que está disposto a pagar. Quando necessário, os postos disponibilizam alguns tamanhos de caixas a preço adicional variado. Não deixe de se corresponder ou enviar presentes por falta de informação. Merry Christmas!

CONFIRMAÇÃO DE ENTREGA

IDEIAS DE VALORES DE ENVIO* (para o Brasil, sem confirmação de entrega) Celular, com fone e carregador

Cartão postal

100g 1,05 e uro

250g 4,90 euro s

Livro

Muitas pessoas questionam sobre a segurança quanto ao envio das correspondências. Similar ao serviço oferecido no Brasil, os postos da Irlanda permitem acompanhamento e confirmação de entrega. Porém, a diferença de preço pode não compensar quando forem enviados objetos pequenos ou muito leves, como cartões ou chamados postcards. O valor do envio pode passar de 1,05 euro para 6,10 euros. O serviço de confirmação de entrega se mostra mais vantajoso apenas quando há envio de objetos maiores ou pesados.

Botina

500g 5,90 euro s

1kg 11,65 euros

2 Pares de tênis

1,5kg ros 17,90 eu

VERIFIQUE OS TAMANHOS

Fonte: Post Office

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*preços referentes a novembro de 2015

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Artigo

Viva o intercâmbio sem passar apertos Por Alex Senhem*

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iante da dificuldade para encontrar emprego em Dublin, há formas de reestruturar sua rotina e conseguir viver bem sem passar apertos desnecessários. Alguns detalhes fazem toda a diferença quando o assunto é economia. Poupando um pouco aqui e um pouco ali, você conseguirá equilibrar suas finanças durante o intercâmbio. Fique atento às sugestões:

ACOMODAÇÃO O gasto com acomodação é a principal despesa no intercâmbio. Os preços são bem variáveis, depende da localização e tipo de moradia (casa, flat ou apartamento). Normalmente o valor varia de 250 e 400 euros por pessoa, sendo Dublin a cidade com os aluguéis mais caros da Irlanda. Para você economizar, a dica é procurar acomodações mais distantes do centro (D1 e D2). Procure por áreas onde você possa se locomover pela cidade e se dirigir ao centro de bicicleta ou caminhando, pois se for necessário utilizar ônibus o custo pode não compensar.

ALIMENTAÇÃO A alimentação é bem barata, principalmente os produtos da própria rede de supermercados. Ao contrário do Brasil (onde normalmente são produtos de qualidade inferior), na Irlanda eles se igualam a grandes marcas. A dica é pesquisar. Os mercados têm promoções semanais que são bem em conta. Porém, um mesmo produto pode variar muito de preço entre um mercado e outro. Feiras em diversos pontos da cidade também são comuns e uma opção barata para compra de frutas e legumes. Uma dica interessante é passar pelas feiras no fim da tarde, quando as promoções aumentam em função do término das vendas do dia.

TRANSPORTE O transporte em Dublin é relativamente caro, porém confortável. A dica é comprar uma bicicleta ou fazer o plano anual do Dublinbikes. A cidade tem muitas ciclovias e é adequada para andar de bicicleta, pois é plana, sem muitas elevações, além de ser uma alternativa saudável e sustentável. O Dublinbikes é um sistema de aluguel de bicicletas. Existem dois tipos: The 3 Day Ticket: para uso ocasional, os bilhetes podem ser comprados em qualquer um dos terminais com o seu cartão de crédito e custam 5 euros. Annual Card: para o uso contínuo, válido por um ano, você pode utilizar sempre que quiser. Custa 20 euros.

ATIVIDADES CULTURAIS Em Dublin há muitos locais para fazer passeios culturais e, o melhor: a maioria não tem cobrança de entrada. Já outros cobram entrada, então a dica é aproveitar a Free Wednesday. Toda primeira quarta-feira do mês algumas atrações têm entrada franca. Outra dica interessante para os estudantes é ir em grupo ou nos passeios de escola. A grande maioria das escolas tem programações culturais, onde você paga um valor inferior ou nem paga pelas visitas. Informe-se como funciona na sua escola. Economize e aproveite seu intercâmbio!

*Acadêmico de Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


História

Marcas de um conflito na O’Connell Street Por Eduardo Eggers

O

s mais atentos percebem, ao caminharem pela principal avenida de Dublin, que os pilares do prédio dos correios (General Post Office) são marcados por pequenos buracos. A deformidade, quase imperceptível para quem vê de longe, não tem nada a ver com a ação do tempo ou depredações, mas sim com um conflito armado ocorrido há quase cem anos.

A Revolta de Páscoa (Easter Rising) foi uma iniciativa de rebeldes irlandeses para conseguir a independência do país em relação ao Reino Unido. O conflito aconteceu entre 24 de abril (segunda-feira de Páscoa) e 30 de abril de 1916. Durante o confronto, o exército britânico chegou pelo Rio Liffey e atirou sem piedade contra o prédio dos correios, que era a principal sede dos

rebeldes. Os orifícios até hoje cicatrizam o imponente edifício. O O’Connell Munument, que é o mais próximo da margem do rio que corta a capital irlandesa, também foi atingido durante os ataques. A base da estátua possui por várias marcas de tiros. São evidências de um conflito que podem ser vistas na principal avenida do país.

Consequências

Eduardo Eggers

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Os revolucionários chegaram a proclamar a República da Irlanda, mas não obtiveram êxito porque as forças britânicas executaram os líderes. Mesmo assim, o movimento pela independência ganhou força. Sete anos mais tarde, com o Tratado Anglo-Irlandês, a Ilha Esmeralda conseguiu a sua independência parcial da Coroa, processo que foi completo em 1937.

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Relato de Experiência

Viva a Ilha Esmeralda Por Gelson Pereira*

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decisão da Irlanda como destino para o meu intercâmbio não foi ao acaso. Três motivos me levaram à Ilha Esmeralda. O primeiro deles foi o fato de já ter amigos vivendo em Dublin. Em seguida pesou o fator localização. Com poucas horas de voo é possível desembarcar em qualquer grande cidade europeia. O tempo até Londres, por exemplo, é o mesmo da minha cidade até a capital do meu stado no Brasil. E, por último, o fator financeiro também foi fundamental. Naquele tempo, início do ano de 2013, as menores exigências burocráticas em relação a destinos concorrentes e o custo de vida que cabia no bolso da classe média brasileira fizeram com que eu batesse o martelo. Certo de ter feito a escolha mais racional, vieram as dúvidas: como é a Irlanda? O inglês dos irlandeses é difícil de compreender? O povo recebe bem os estrangeiros? É frio? Por não ser um centro como Londres ou Paris, por exemplo, Dublin é uma capital europeia ainda envolvida em um certo mistério para os brasileiros. Dúvidas as quais só fui eliminar quando cruzei a porta do Dublin Airport e fui recebido por uma típica segunda-feira de ventania na cidade. Mesmo com a diferença meteorológica – para quem é do Rio Grande do Sul nem tanto, já que invernos gaúchos lembram o irlandês –, Brasil e Irlanda têm coisas em comum. A primeira que percebi é a alegria cultural do povo. Tudo bem, irlandeses não abraçam como nós ou têm festas populares da dimensão das brasileiras, mas a alegria que se vê nos olhos dos dois povos é a mesma. O sotaque que parece tornar a língua inglesa difícil é

facilmente compreendido com algumas horas de interação com os nativos (se aceitam uma dica, procure essa interação nos pubs, uma das melhores coisa de Dublin e que mais me fazem suspirar de saudade da Ilha Esmeraldina). Aliás, para quem sempre teve o inglês norte-americano como referência por causa da forte presença cultural, qualquer outra variação do idioma soa estranha em um primeiro momento. Os oito meses vividos em terras irlandesas me mostraram que todas as dúvidas pré-embarque eram praticamente impossíveis de serem respondidas. Para conhecer a Irlanda é preciso viver a Irlanda. Cruzar seu interior, como tive a oportunidade de fazer, ir à praia em um verão de Dublin, assistir ao desfile de Saint Patrick’s Day espremido na O’Connell Street, caminhar em alguma madrugada pelo Temple Bar, beber em um pub, assistir a uma partida de rugby ou futebol (o futebol deles, em que se pode pegar a bola com a mão). Ao viver a Irlanda descobri que uma tentativa de descrevê-la é inútil. Até porque as impressões sobre uma terra são totalmente únicas e subjetivas. As dúvidas prestes a embarcar para um intercâmbio, rumo ao desconhecido, são normais. Assim como são normais as tentativas daqueles que já passaram pela experiência de compartilhar os sentimentos, as histórias, as impressões. Crente de que isso é inútil, a minha dica para quem está por embarcar, recém chegou ou já vive há um tempo na Irlanda é: viva profundamente esse país. Um dia a saudade vai chegar e as boas lembranças vão confortar.

Fotos: Letícia Mendes

*Jornalista e fotógrafo gaúcho. Morou em Dublin por oito meses, entre janeiro e setembro de 2013.


Trabalho

Facilite a busca por emprego no exterior Por Renata Agostini

Todos os estudantes que pretendem ficar mais de três meses na Europa têm duas preocupações iniciais: acomodação fixa e visto. Superadas, começa a procura por emprego. É dele, das permitidas 20 horas de trabalho semanais, que os brasileiros costumam garantir mais dinheiro para passeios e para a estadia após o curso.

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Uma das primeiras exigências é o inglês. Você está em um país – no caso a Irlanda – com outro idioma e precisa, pelo menos em algum momento, se comunicar com algum colega, com o chefe (boss ou magener). Por isso, é fundamental aprimorar a fala e o vocabulário já nas primeiras semanas de estadia no exterior. Quanto melhor for sua fluência, maior será seu poder de escolha sobre os postos de trabalho. Conhecendo a realidade, se sentindo preparado para se comunicar, surgem outras dúvidas. Como organizar um currículo (CV)? O que deve e o que não deve ser escrito? Onde entregar? Onde pesquisar as vagas? Calma, você vai encontrar todas as respostas. Segue uma ajudinha.

Eduardo Eggers

busca por emprego é um desafio para estudantes internacionais. Longe de casa, inserido em uma cultura diferente e vivenciando outra realidade é preciso se readaptar. Aos conflitos internos, soma-se a realidade atual de recuperação de crise financeira e ameaças terroristas em diferentes partes do mundo. Incertezas são comuns. Na maioria das vezes, as dificuldades iniciais no idioma afastam a possibilidade de vaga na área de formação e forçam os estudantes a procurarem por funções alternativas. Mesmo assim, milhares de vistos estudantis são emitidos por ano. Ao todo, mais de 18 mil brasileiros moram na Irlanda, segundo dados da Embaixada Brasileira em Dublin. Todos eles já buscaram ou buscam por uma oportunidade. O tempo médio de procura varia de dois a cinco meses. Porém, sempre há exceção. Por mais difícil que pareça, conseguir emprego é possível. Para conquistar uma posição, seja na Irlanda, no Brasil, no Japão, se deve conhecer o mercado de trabalho local.

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MONTE O CV EM 5 PASSOS 1º Basic (comece pela identificação pessoal). Coloque seu nome completo, endereço atual, números de telefone, e-mail e, se você tiver, o link do currículo online (Linkedln). Diferente do Brasil, a maioria das empresas da Irlanda dispensa dados como idade, gênero, religião ou orientação sexual.

2º Objective (esclareça seu objetivo com este CV). Nesta segunda parte, você deve elencar alguns adjetivos pessoais e citar que está disposto a trabalhar na determinada empresa ou em setor ou cargo específico. Acrescente também a disponibilidade de tempo de trabalho: full time (tempo integral) ou part time (menos horas diárias, mais comum entre estudantes). 3º Experience. Semelhante ao português, a palavra requer a listagem dos seus últimos empregos. Identifique o tempo de trabalho, nome da empresa e, se possível, principais funções exercidas por você ou destaques alcançados (prêmios, nomeações). A listagem sempre deve ser em ordem decrescente, quando no topo fica a última experiência. 4º Education. Liste sua formação, também em ordem decrescente. Pode iniciar colocando citando o curso de idiomas atual, em andamento. Indique o período de duração de cada formação, nome da instituição e referente curso. No caso de graduações, é mais comum usar as siglas B.S. (para licenciatura) e B.A. (para bacharelado). Isso identifica que a carga horária é maior se comparada com a de outros cursos.

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5º Skills and Interests (habilidades e interesses ou hobby). Elenque informações sobre você, como qual é o seu nível de inglês, quais são seus conhecimentos em informática (IT), o que você gosta de fazer ou ações que lhe interessam (trabalho voluntariado, leitura...). Neste espaço, você deve também indicar se tem permissão para dirigir. Em vagas como au pair, por exemplo, é comum esta exigência. Na grande maioria dos casos, para dirigir automóvel. É importante salientar que existem inúmeras formas de organizar um currículo. As dicas elencadas acima foram baseadas nas experiências da autora do texto, somadas as orientações de professores irlandeses e empregadores estrangeiros.

MAIS DICAS Não minta. Mesmo que a mentira possa te ajudar a conseguir o emprego, se não tiver a experiência dita isso pode comprometer sua vaga. Na maioria dos casos, os empregadores preferem saber que você nunca atuou na função e valorizam as pessoas que demonstram interesse em aprender.

Escreva apenas o essencial e relevante. Você pode ter trabalhado como palha em festa infantil por algumas vezes, por exemplo. A experiência foi interessante para você e mostra que você é desinibido, engraçado, flexível. Mesmo assim, se não acrescenta na vaga almejada, retire essa informação do currículo.

Seja objetivo. Assim como os ingleses, diga tudo que é necessário em poucas palavras. Resuma. Use apenas uma página, se possível.

Corrija erros de inglês. Se

ALGUNS SITES PARA CADASTRAR CV OU VER VAGAS DE EMPREGO jobs.ie faz.ie monster.ie irishjobs.ie toplanguagejobs.com.uk aupairireland.ie kangarooaupair.com gumtree.ie rollercoaster.ie

você tem dúvidas quanto à escrita, pergunte para um amigo ou mostre ao professor. Não confie totalmente nos tradutores convencionais, eles também erram.

CARTA DE RECOMENDAÇÃO A carta de recomendação é opcional. Muitos estudantes iniciam trabalhos voluntários para, além de adquirir experiência e melhorar o idioma, obter uma recomendação. Alguns estabelecimentos, como brechós, costumam emitir o ofício depois de três semanas a dois meses de voluntariado. Caso tenha recomendação, anexe ao currículo. Em alguns casos, os empregadores podem perguntar por referências.

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DICAS DE ESTUDANTES EMPREGADOS Relacionamento “Antes mesmo de viajar para outro país, é importante falar com pessoas que já moram lá, amigos ou conhecidos, para saber sobre possíveis vagas de emprego. Fica muito mais fácil se você tiver uma indicação de uma pessoa que é confiável do empregador.” Décio Schuh, 24, de Arroio do Tigre/RS, Floor Staff.

Confiança “A primeira coisa é não escutar pessoas que já voltaram para o Brasil. Porque se eu tivesse escutado algumas pessoas, eu não teria nem feito intercâmbio. Quando pedia conselhos para alguns, só diziam que estava muito complicado de encontrar emprego. Então, eu resolvi agir da mesma maneira que agia no Brasil para procurar trabalho e consegui encontrar em cinco dias. Você precisa acreditar em si mesmo e não desistir.” Karol Scottini, 21, de Gaspar/SC, Au Pair.

Persistência “Precisa correr atrás, pois quem procura acha. Todos os dias depois da aula eu entregava cerca de dez currículos em locais que pediam e que não pediam funcionários. Recebi ‘não’ muitas vezes. Em alguns lugares nem deixei o currículo porque disseram que não era para mim a vaga. Em momento algum deixei de procurar.” Guilherme André Possa, 22, de Farroupilha/RS, Floor Staff.

Indicação “Não sou muito de ir atrás de emprego pela rua. Sou mais de internet e indicação. A indicação é mais assertiva. Quando alguém indica, você tem 80% de chance a mais de conseguir o trabalho, pois chega no momento em que a empresa está precisando de funcionário.” Glauber Pereira, 28, do Rio de Janeiro/RJ, Auditor

Pesquisa offline “Precisa ir até o lugar [para conseguir o emprego]. Nem fiquei procurando pela internet. Se tiver ou não aviso na porta, entre no lugar e entregue o currículo. Foi assim que consegui dois empregos. Na entrevista precisa falar da experiência no Brasil. Para mim foi mais fácil porque eu já tinha experiência em cozinha antes de vir para a Irlanda.” Fabiano Kober, 23, Panambi/RS, Kitchen Porter

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Fotos: Felipe S.Lucas

Turismo

Belezas naturais moldam caminho até a beira-mar

Por Felipe S. Lucas

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ão é novidade os estudantes recém-chegados em Dublin comprarem uma bicicleta a fim de cumprir tarefas do dia a dia. Além de ser um conveniente meio de transporte no Centro da cidade, a bike permite sair definitivamente de uma rotina de estudos, trabalho, procura por emprego e saudades da família, levando-nos a lugares incríveis nas redondezas da capital irlandesa. Um passeio turístico agradável para ser feito de bicicleta fica em direção à North Bull Island, uma ilha feita pelo Império Britânico a partir do século XIX à margem do Mar da Irlanda. Vindo do centro seguimos pela rua Amiens rumo ao parque Fairview. O primeiro ponto de referência é o famoso poste das Cinco Lâmpadas (The

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Five Lamps), que dá nome a um festival de artes no local. The Five Lamps é um conhecido marco de Dublin, situado na junção de cinco ruas. Seguimos pela North Strand Row. A apenas alguns metros dali chegamos na ponte sobre o Royal Canal, de onde temos uma vista harmoniosa do estádio Croke Park. Em frente – com mais cinco minutos de vento no rosto - na chegada do parque Fairview nos deparamos com o rio Tolka, que com suas águas geralmente ralas permite visualizar peixes em determinadas épocas do ano. Esse rio é fonte de água para uma lagoa com uma imensa vida animal de aves, incluindo cisnes, patos e garças. Prosseguindo, adentramos o túnel de árvores do Fairview, onde senti-

North Bull Island é uma opção de passeio natural em Dublin. A ilha foi construída pelo império britânico a partir do século XIX. A viagem de bicicleta até a praia revela belas paisagens pelo caminho.

mos o primeiro ar de liberdade. O local é muito frequentado pela comunidade brasileira aos fins de semana. Os amantes do futebol se dividem entre os vários campos, que são muito bem mantidos. O parque tem insfraestrutura de recreação infantil e de eventos musicais. Por baixo dele passa o túnel de tráfego rodoviário que dá acesso ao porto - dizem que é possível sentir o tremor causado pelo trânsito!

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ENSEADA

A ILHA

Partindo em direção a um dos bairros mais charmosos de Dublin, o Clontarf, cruzamos o trecho mais inspirador da rota quando nos deparamos com a enseada. A orla é um lugar de beleza excepcional da cidade, com vistas espetacurales para o sul da baía, em direção às montanhas de Wicklow. A enseada é intesamente frequentada por praticantes de corrida, que podem usar a via calçada ou escolher o terreno gramado mais macio da área do passeio, pois são 40 metros de largura. Máquinas de exercício também estão espalhadas em vários pontos para os que estiverem à procura de mais emoção. A região conta com um segredinho: um restaurante muito bom e requintado, localizado no Hotel e Castelo de Clontarf. No espaço ocorrem eventos abertos ao público.

A beira do mar é um trecho de três quilômetros que vai até a ponte de madeira (The Wooden Bridge), que dá acesso ao nosso destino. Passando pela ponte de madeira, há um caminho pedonal que corre ao longo da parede do mar, com área para banhistas - perfeita para fotos! - e onde ao fundo tem um momumento chamado de Start of the Sea, fundado em homenagem aos trabalhadores do porto. Podem deixar as bicicletas por ali caso queiram dar uma caminhada pela areia da ilha. A North Bull Island é significativa para muitas pessoas. Para os naturalistas e biólogos, é um paraíso. Um paraíso da vida selvagem, pois é entitulada como uma área nacional de reserva natural de proteção da União Europeia e da biosfera da Unesco pela importância mundial de suas aves,

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flora e insetos. Para os membros dos clubes de golfe St. Anne’s e Royal Dublin, localizados na própria ilha, o local é uma segunda casa. Para os corredores, passeadores de cães, esportistas, praticantes, caminhantes, é uma brisa. A ilha é um dos lugares mais bonitos e próximos para respirar um ar fresco e deixar o “blues” flutuar para o mar. No verão ocorrem eventos imperdíveis, como os festivais de pipas e de esportes aquáticos. Se sobrar fôlego depois dessa jornada, fica o convite para visitar o imenso e maravilhoso St. Anne’s Park, que fica de frente para a ilha. O passeio é único, não só pelo o número de visitantes que atrai, mas também pela frequência dessas visitas. É o destino à beira-mar preferido de muitos cidadãos de Dublin.

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Artigo

Valorizando os ganhos e ressignificando as perdas ao viver no exterior Por equipe PsIn- Psicologia com Inter-Ação*

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que escolhemos fazer e a forma como nos motivamos molda a nossa vida. Cada um de nós influencia o curso da vida, mas não a controlamos na totalidade. O sentimento de perda ganha maior ênfase quando alguma dificuldade ocorre durante a estadia no país estrangeiro, e surge a vontade de voltar para a zona de conforto. Porém, só podemos viver, progredir e conquistar o mundo na medida em que abandonamos determinados lugares, situações, pessoas, princípios e conceitos. A perda quando “ressignificada”, ganha novos valores e traz um novo sentido para nossas vidas. Neste momento, conseguimos notar que os ganhos têm um peso maior e mais valioso, e que a vida segue o percurso com aprendizados diários. Os obstáculos podem se tornar oportunidades para algo novo e o melhor que está por vir. Escolha pensar de forma positiva. Ser positivo é uma questão de escolha. As pessoas positivas são mais realistas e racionais. O pensamento positivo gera sentimentos e atitudes que vão refletir na vida de forma mais eficaz. Por mais difíceis que os problemas possam parecer, sempre há uma solução. É importante ressaltar que os sentimentos estão

relacionados à nossa forma de pensar, assim, pensamentos negativos geram sentimentos negativos, como raiva, tristeza, rancor e falta de perspectiva, enquanto pensamentos positivos trazem sentimentos de esperança, perspectivas e foco na solução. Para evitar preocupações e aproveitar ao máximo sua experiência no exterior, algumas atitudes podem facilitar esta jornada. 1. Mantenha a esperança Ter esperança significa que você pode estabelecer metas reais para o futuro e que você deve sempre recordar que tem a habilidade para atingi-las com sucesso. A esperança nos mantém no caminho de nossos objetivos, mesmo quando as coisas não seguem exatamente da forma que gostaríamos. Nada dura para sempre, e lembrar disto ajuda a passar por momentos difíceis. 2. Lembre sempre que a vida é feita de escolhas Lembre-se que escolher significa renunciar algo em troca do que considera melhor. Sendo assim, a viagem foi uma opção de um momento em sua vida para um passo que mudará seu destino, porém, é necessário percorrer caminhos incertos e ultrapassar

obstáculos para alcançar os seus desejos e objetivos. 3. Busque sempre formas alternativas para lidar com as dificuldades Pessoas que investem no autoconhecimento são mais felizes, pois desenvolvem habilidades para lidar com os antigos problemas de forma mais assertiva. 4. Não deixe que a ansiedade controle seus comportamentos Aprenda a identificar as situações e momentos que causam ansiedade. Quando sentir ansiedade, tente fazer alguma atividade mais tranquila para diminuir o seu ritmo e se acalmar. Respirar fundo também auxilia o sistema nervoso a encontrar equilíbrio entre a razão e a emoção e consequentemente ver as situações de forma mais objetiva. 5. Escreva seus pensamentos e sentimentos Escrever os sentimentos e pensamentos é uma ótima forma de ajudar a organizar e reformular as suas ideias e emoções. Isto ajuda a trazer um senso de realidade e a olhar a situação sob outro ponto de vista.

*Programa de Orientação Psicológica, desenvolvido pelas psicólogas Silvana Sapyras, psicoterapeuta em Dublin desde 2010 e Camila Amaral, empresária, ambas com mais 10 anos de experiência. O PsIn é um trabalho especializado, focado na elaboração de ações mais adequadas para solucionar questões específicas. O principal diferencial do programa é oferecer um serviço de bem-estar acessível para estudantes e imigrantes, pelo modelo de psicoterapia breve, com foco, duração e custo pré-definido. O programa segue um formato versátil e interativo, composto por workshops, grupos de apoio e sessões individuais. Contatos pelo psin.contato@gmail.com ou psincontato.wix.com/port


Comunicação

Rádio sem Fronteiras Por Eduardo Eggers

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transmissão e a recepção de rádio passam por contínuas mudanças desde os tempos de Marconi. O momento atual acompanha o boom da internet. Emissoras de rádio de qualquer lugar podem ser acessadas em todo o mundo. Aquele rádio a válvulas do tempo de nossos avós realmente evoluiu um bocadinho. O Grupo Independente, de Lajeado/ RS, é um dos exemplos de emissoras de rádio que uniram a transmissão online à convencional. O diretor-executivo, Ricardo Brunetto, exemplifica os benefícios da difusão pela internet ao afirmar que a emissora passa a ser mais acessível e, consequentemente, mais ouvida. “As comunidades estão sensivelmente migrando para o online, não só para receber o conteúdo de rádio, mas sim para qualquer compra de produto ou serviço”. A integração de uma comunidade por meio da rádio online, para Brunetto, é consequência do conteúdo gerado. Ou seja, a emissora deve desvendar aquilo que o seu público deseja consumir e, a partir disso, gerar informações que cativem esses ouvintes. Em termos de negócio, ele frisa que não há mais como evitar a migração para o meio digital. “Gerar resultado financeiro através desse meio é desafiador, porém mensurável, uma vez que a internet prova um dos maiores crescimentos do setor mídia”.

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YEAH! RÁDIO Pensando no alcance e agilidade que a transmissão pela internet proporciona, o Grupo Yeah! criou o serviço de rádio privada. Empresas dos mais variados setores estão aptas a adquirir a tecnologia e divulgar seus conceitos. As escolas de idiomas e universidades, por exemplo, podem proporcionar aos estudantes internacionais o incentivo à criatividade, originalidade e imaginação, com prática direta do inglês nas transmissões. O Grupo Yeah! Oferece a

transmissão através de um site e também um aplicativo para smartphones. Toda a estrutura necessária para garantir o espaço para o desenvolvimento dos alunos e a expansão da marca da empresa está à disposição dos que seguirem essa tendência. Os profissionais do grupo fornecem o treinamento teórico e prático para o melhor aproveitamento da emissora. Mais informações podem ser obtidas pelo site yeahbrasil. com/yeah-radio ou em contato pelo e-mail raffael@yeah.ie.

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Dicas e Curiosidades

ÔNIBUS P AEROPORARA TO

um - 16 ou Ônibus com O’Connell e 41: Sai da bbey da Lower A 0 euros Street - 2,3 uma viagem

Renata Agostini

te IAS! GÊNC aciden ( R E a i c M E rgên ntee eme independe cê d o s a e vo o...), Em c de qu xicaçã ú o a t s n i e ra a , lano d grave eto pa do p r i e d d e e a, ligu similar ao ment Europ a n cieniço é tenha 99. O ser v is que o pa em e9 . Depo ital, entre equip Brasil ou sp o n ao ho icular t o r Samu d a a p lev ro tal. te for o segu amen n m r e o c v o g to conta

Airlink - 7 47: Sai da Heuston Station - 10 euros ida e volta

Sai Aircoach - 700: inity da O’Connell, Tr e Grafton Street lta 12 euros ida e vo

PISANDO SOBRE A HISTÓRIA

a-feira 1ª quar t entrada do mês: museus. free em rmações Mais info em . entguide dublinev com

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g lon a el ap “Cl ou fe if y ike l s is nes !” i p hap truth the

Winetavern StreAs calçadas da Wood Quay e da e a Christ Churet (via entre o Dublinia Museum de Dublin. O local ch) não são iguais às do restante lo VIII. No solo, foi um assentamento viking no sécu s vestígios: colhearqueólogos encontraram diverso desses per tences res, facas, machados, joias. Vários lajotas. – originais – estão acoplados às

adas em Os objetos foram expostos nas calç época, resposta ao protesto de 1978. Na s para rua mais de 20 mil pessoas foram às ção de mostrar a contrariedade à constru local. no s quatro prédios público

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Visto de estudante = permissão para 20 h oras semanais de trabalh o

Mas de 15 de dezemb 15 de j ro a anei e de m ro aio a agosto: 40 hor a semana s is!!!

LEITURA FRE E Para quem gosta de ler e tem interesse em livros de diversos idiomas, as bibliotecas públicas de Dublin são uma ótima opção (ver endereços em www.dublincitypubli clibraries.ie). O cadastro é gratuito. Basta apresen tar um comprovante de endereço no seu nome e um documento com foto. O cartão de leitor é emitid o em poucos minutos. Você pode levar até 12 livros para casa de uma só vez. O prazo de devoluç ão é de três semanas. Além de livros, há DVDs , CDs, revistas e diversos materiais para estudo. Ap roveite!.

BLIN EL EM DU ÍV D R E P IM ry al Histo r u t a N m of n Park l Museu a n io t a ns Gree e N h p e t St. S Castle Dublin edral ’s Cath k ic r t a St. P Park Phoenix en ic Gard n a t o B l Nationa

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Integração

Conversações free para melhorar o inglês Por Eduardo Eggers

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prender inglês normalmente é o objetivo número um dos estudantes que vêm para Dublin. São diversas as opções para praticar e aprimorar o idioma, como frequentar as aulas, estudar em casa, trabalhar, morar com gringos e até pedir informação na rua. Mas tem outra alternativa que está ganhando muitos adeptos: as conversações. Os encontros são gratuitos e ocorrem em locais como pubs, igrejas, bibliotecas e escolas. Em muitos casos, voluntários se encarregam de auxiliar os participantes com dicas de como melhorar a pronúncia e o vocabulário. Além de muitos brasileiros, as conversações têm estudantes de diversas nacionalidades. O irlandês James O’Brien é um dos idealizadores dessa troca cultural em pub. Ele conta que os meetings foram criados para que estudantes internacionais aprendam ainda mais o idioma de uma forma Eduardo Eggers

prática. Cada evento tem cerca de cem participantes e a duração depende da empolgação da galera. Para o casal Davi Dickins e Neuza Moreira, de Brasília, as conversações são importantes para resolver questões diárias. “O que nos motiva a continuar são as necessidades cotidianas do usa da língua inglesa, como ir às compras e procurar um trabalho remunerado. A conversação dá esse suporte como pontapé inicial para o desenvolvimento do novo idioma”, frisa Davi. Já o estudante carioca, Rodrigo Menezes, lembra que a All Nations Church (1-6 Haymarket, Smithfield, Dublin 7) promove um encontro por mês. Os participantes são divididos por níveis, e os trabalhos são liderados por uma professora irlandesa. “O que motivada as pessoas a participar é a vontade de desenvolver o speaking e aumentar a network com outras na-

cionalidades.” Ressalta que os alunos podem levar currículo quando vão às aulas, pois os voluntários se encarregam da correção.

O aplicativo para smartphone Meetup reúne informações sobre conversações em pubs, que ocorrem quase todos os dias pela Irlanda. Alguns dos outros locais de encontro são: Belvedere College SJ (6 Great Denmark Street, Dublin 1): terças e quintas, das 10h às 12h20. Columbian Mission Centre (13 Store Street, Dublin 1): terças, quartas e quintas, das 10h45 às 12h40. St. Vicent de Paul (Ozanam House – 53 Mountjoy Square, Dublin 1): segundas, terças, quintas e sextas, das 10h30 às 12h30. Bulfen Court (Emmet Road, Inchicore, Dublin 8 - atrás da St. Michaels Church): quartas, das 19h às 20h30. Biblioteca da ILAC Center (Henry Street, Dublin 1): sextas, das 15h30 às 16h45.

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Relato de Experiência

Existe vida após o intercâmbio?

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udo começa com um sonho, difícil de ser alcançado. Para muitos, acontece logo depois de terminada a faculdade ou, ainda, para alguns, bem antes de começar um curso universitário. A verdade é que não existe uma época certa para fazer um intercâmbio. Mas, que esta é uma experiência necessária, ah, isso é. Quando decidi investir em uma viagem para o exterior, eu já era uma profissional formada e estabilizada no mercado. Só por isso consegui direcionar uma parte do orçamento para financiar o intercâmbio. Acontece que você planeja, economiza, compra o curso, as passagens, os euros necessários, e percebe que terá que abrir mão do que já conquistou para ir buscar novas experiências. E confesso, foi a melhor coisa que fiz! Ao desembarcar na tão famosa Ilha Esmeralda, o que antes era uma meta pessoal passou a ser apenas um complemento de tudo aquilo que você aprende ao experimentar coisas novas, conhecer outros países e pessoas, vivenciar o que só é possível quando você está envolvida de corpo e alma naquela cultura. São essas experiências que trazemos na ‘bagagem’ que farão a diferença e formarão o novo profissional a pisar em solo brasileiro após o intercâmbio. E o inglês? Sim, a nova língua e o diploma que você vai ostentar irão te ajudar a se recolocar no mercado de trabalho. Mas, acredite, você encontrará gente falando inglês melhor que você sem, ao menos, ter saído do Brasil. A língua será apenas um plus no currículo. É aquilo que você aprendeu como pessoa - nos relacionamentos com diferentes pessoas e culturas; nos limites ultrapassados da sua própria coragem ao enfrentar o desconhecido; ao deixar o conforto da casa dos pais para vivenciar tudo novo - que vai fazer com que você seja visto de forma diferente

Por Aldy Coelho*

pelo mercado. O amadurecimento que o intercâmbio traz - mesmo àquelas pessoas que, como eu, foi realizar o seu sonho depois dos 30 anos, casada e formada - é inexplicável. Faz você rever valores, posicionamentos e atitudes que, antes, você não tinha como comparar. Fez-me ver o Brasil de uma forma mais compreensível, já que é visitando outros países que você percebe as mazelas que neles existem. Violência, pobreza, drogas, alcoolismo e gente ruim você também encontra em Dublin, em Roma e até em Paris. Atualmente, dou ainda mais valor às pequenas coisas ao café e feijão de cada dia, ao meu quarto, que não preciso dividir com pessoas desconhecidas e que, nem sempre, pensam e agem como eu; ao meu trabalho, que executo de forma mais intelectual, diferente daqueles 17 quartos de hotel em que eu precisava tirar forças sobre-humanas para concluir a limpeza no prazo, e até nos relacionamentos que cultivei quando estive aí. O que importa, no fim de tudo, é o que você vive com intensidade, com paixão, e não o local onde você está. É o que você faz e o que faz de você uma pessoa melhor. A minha bagagem do intercâmbio nunca foi desfeita. Sempre que preciso, é a ela que recorro. Se hoje sou uma pessoa com uma visão mais abrangente, que passou a entender que as coisas são como são porque há a diferença. E que não é nem melhor, nem pior. É apenas diferente. Dublin me fez ser a pessoa que eu só poderia ser por completo voltando ao meu País e contribuindo com o que aprendi aí, pois, agora, sei que as distâncias são relativas, e posso mudar tudo quando não estiver feliz. Hoje, eu sei que quero estar sempre em intercâmbio, fazendo e conhecendo coisas novas e podendo voltar pra casa sempre que quiser.

Fotos: Arquivo pessoal

*Aldy Coelho é atriz e jornalista, em Curitiba/Paraná.


História

Dublin Castle: memória do período imperial Por Eduardo Eggers Castelos despertam a curiosidade e fazem as pessoas voltarem no tempo. Cada detalhe evidencia alguma característica de determinada época e traz à tona marcas de um tempo que já passou, mas que a história não deixa morrer.

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da monarquia durante todo esse tempo. Ou seja, a maior parte das decisões importantes a respeito da Ilha Esmeralda eram tomadas dentro do castelo. A construção também foi palco da Guerra Anglo-Irlandesa, sendo o ponto onde os integrantes da Coroa fizeram todo o possível para evitar a separação da Irlanda da Grã-Bretanha. No Bloody Sunday (Domingo Sangrento) de 1920, integrantes do Exército Republicano Irlandês – o famoso IRA – foram assassinados enquanto tentavam escapar do pátio

do castelo. Em 1922, quando foi formado o Estado Livre Irlandês – e a dominação britânica teve significativa redução – o Dublin Castle foi entregue a Michael Collins, um dos cabeças do movimento pela independência. Naquele mesmo ano, nas dependências do castelo, Collins recebeu o título de líder do país – em agosto ele viria a ser assassinado durante a Guerra Civil Irlandesa. Desde então, as cerimônias de posse dos presidentes eleitos são realizadas no Dublin Castle, mais precisamente no St. Patrick’s Hall.

Eduardo Eggers

em todas as capitais europeias contam com um castelo no coração da cidade. Dublin tem, e muito da história irlandesa é retratado nesse local. O Dublin Castle foi erguido a partir de 1204 (isso mesmo, há 811 anos!) a mando do Rei João da Inglaterra. Como os normandos haviam invadido a Irlanda em 1169, se entendeu que era preciso construir uma fortificação para defender a cidade de invasores. O domínio da Coroa Britânica sobre a Irlanda perdurou por mais de sete séculos, e o Dublin Castle foi a sede

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Renata Agostini

O QUE SOBROU Da construção original do século XIII, somente a Record Tower (Torre dos Registros) segue de pé – e em boas condições! Ela está localizada à esquerda do principal portão de acesso. Parte da muralha construída para cercar a cidade no período medieval está localizada na parte subterrânea, e também é aberta à visitação. Todo o restante foi reformado devido a

estragos causados por guerras e pela própria ação do tempo. Os visitantes podem passear pelas dependências internas, vendo, por exemplo, o salão de bailes da realeza e retratos de diversos líderes políticos do período em que a Irlanda era parte do Reino Unido. O próprio St. Patrick’s Hall (aquele, das posses presidenciais) é aberto ao público.

Base da muralha construída pelos anglo-normandos é um dos pontos que desperta maior curiosidade na visitação. A estrutura está localizada no subterrâneo. Atualmente o Dublin Castle recebe as solenidades de posse dos presidentes eleitos a cada sete anos, além de ser palco de cerimônias de Estado e lançamentos de políticas governamentais. O prédio também e a sede de alguns departamentos oficiais irlandeses.

Eduardo Eggers

JARDINS A capital irlandesa deve seu nome ao lago que estava localizado onde hoje estão os jardins do Dublin Castle, na parte externa. Os vikings denominaram o lago de Dubh Linn (Piscina Negra, na tradução livre para o português). Isso mostra que a área onde hoje se encontra a construção já era ocupada muito antes da invasão normanda. A estimativa é de que já existiam assentamentos no local há mais de mil anos.

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A Run for Your Lives ocorreu em outubro no Malahide Castle Park. Em comemoração ao Halloween, o evento reuniu mais de 1,5 mil corredores. A prova, com cinco quilômetros de extensão, teve cerca de 200 zumbis ao longo do caminho. O desafio dos competidores era não permitir que os zumbis tirassem todas as três fitas presas às suas cinturas. A matéria completa e o vídeo do evento estão no site www.yeahbrasil. com. Fotos: Renata Agostini, Eduardo Eggers e Raffa Abarca.

O Dia do Gaúcho (20 de setembro) motivou a realização da 7ª Mateada em Dublin. O evento ocorreu no St. Stephen’s Green Park. Gaúchos e pessoas de outras partes do Brasil e do mundo confraternizaram com chimarrão, música típica e boas conversas. O encontro é realizado anualmente. No Rio Grande do Sul, a data é feriado por ser o dia em que teve início a Revolução Farroupilha, no ano de 1835. A matéria completa e o vídeo da mateada podem ser conferidos em www.yeahbrasil.com. Fotos: Raffa Abarca e Eduardo Eggers.


Fotos: Miren Maialen Samper

A noite de Halloween teve bruxas, fantasmas, zumbis, monstros e muito mais nas ruas de Dublin. A região do Temple Bar esteve completamente lotada de fans e curiosos pelo Dia das Bruxas. Estranho era não estar fantasiado nessa noite. A matéria completa e o vídeo da festa podem ser conferidos em www.yeahbrasil.com. Fotos: Renata Agostini e Eduardo Eggers.


Alimentação

Irlanda: o país das batatas

Por Lisiane Giusti

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rancas, vermelhas, pequenas ou maiores... as batatas estão na lista dos alimentos mais consumidos da Europa. Saborosas e nutritivas, as batatas servem de base para a alimentação irlandesa. Mesmo assim, as lembranças associadas a elas não são as melhores. De 1845 a 1849, aconteceu o período chamado de Grande Fome. Pragas atingiram as terras irlandesas e devastaram lavouras inteiras. O pouco que colhiam, os produtores precisavam exportar para a Inglaterra. Com isso, as pessoas passaram fome, milhões morreram ou emigraram para outros países, como o Canadá. Com a retomada da plantação, a reconstrução da Irlanda, a batata permaneceu no cardápio. Mesmo com a disseminação de outras cul-

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turas alimentares, ela ainda integra as refeições diárias dos irlandeses. Uma prova disso é o tradicional Fish and Chips, um prato de batata frita e peixe frito temperados com vinagre. O mais tradicional da Irlanda. Tubérculo rico em amido, um tipo de carboidrato, a batata também é uma excelente fonte de potássio, ferro e fósforo, além de conter vitamina C. Porém, devemos ter cuidado com a forma de preparo, pois (como mostra a tabela) a batata frita absorve muito do óleo utilizado na fritura, o que ocasiona em um aumento nas calorias, carboidratos e lipídios da preparação. A melhor forma de preparar a batata ainda é cozida ou assada. De qualquer maneira, há vários pratos fácies e nutritivos.

Escondidinho de batata com frango - 250g de peito de frango - 50g de brócolis (1 xícara de chá) - 1/2 cebola cortada em cubos - 1/2 tomate cortado em cubos - 3 batatas - ½ xícara de leite - 1 colher (chá) de manteiga - sal e temperos (sugestão: alecrim e orégano) Modo de preparo Cozinhe o frango em água, depois de cozido, desfie com o auxílio de um garfo. Refogue a cebola, o tomate, o frango e os temperos. Cozinhe as batatas em água, com um pouco de sal, depois de prontas, amasse, acrescente leite e manteiga, mexa bem até ficar a consistência de um purê. Cozinhe o brócolis em água, com um pouco de sal, depois de pronto, corte em pedaços bem pequenos. Em uma forma, coloque uma camada de frango (sem molho), 1 camada de brócolis e por último o purê de batatas. Leve ao forno por aproximadamente 20 minutos a 180⁰C. E está pronto. Rende 4 porções.

Dezembro 2015


Yeah! Brasil Magazine "Dezembro 2015"  
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Feita para estudantes internacionais, a Revista Yeah! Brasil volta à cena de cara nova. Com a equipe renovada e material de qualidade, a edi...

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