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Manifestação, sim. Vandalismo, não É natural a grande expectativa criada em torno das manifestações populares contra o aumento das passagens em diversas capitais brasileiras. Nos últimos dias podemos perceber várias cenas de agressões e vandalismos. Polícia versus manifestantes versus vândalos ganham a atenção da população. Mas até que ponto se pode continuar com os protestos sem interferir na liberdade das outras pessoas? Que direito os manifestantes tem de queimar lixos, bloquear o trânsito, pichar coisas, depredar monumentos? Outra dúvida é porque policiais usaram spray de pimenta, balas de borracha e bombas de efeito moral. Quer dizer então que só por que é um protesto devemos já estar preparados para ouvir a mídia relatar quebra-quebra e pancadarias, como se estivéssemos vivendo uma guerra? Não é justificável que manifestações utilizem métodos violentos, mas também não é justificável que manifestantes sejam reprimidos de forma violenta. Certamente, alguma vez, você já ouviu a frase de Spencer "A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro". Essa frase nos remete a pensar que no sentido político, a liberdade civil ou individual é o exercício de sua cidadania dentro dos limites da lei e respeitando os direitos dos outros. Policiais e manifestantes estão ferindo a liberdade de ambos e também da população. Imagine você estar sentado em um café na rua Paulista e abruptamente um policial atirar você e sua companhia no chão e começar a te bater sem motivo nenhum. Imagine também você, sendo jornalista, sua função é cobrir as notícias em tempo real e alguém mirar na sua cara e atingir seu olho com uma bala de borracha. Pessoas inocentes acabam sendo prejudicadas com tudo isso. O problema é que não são todos manifestantes que querem depredar a cidade. Em um cartaz até estava escrito: Vandalismo não me representa. Pois bem, acreditamos nisso, só não temos fé naqueles mascarados. Quem são esses mascarados? Aqueles que querem baderna e faz com que generalize a opinião de todos negativamente quanto às manifestações.


Sou totalmente a favor da mais ampla liberdade de expressão e isto inclui, obviamente, qualquer tipo pacífico de manifestação. Acredito que somente seremos ouvidos quando exigirmos de maneira contundente o respeito aos nossos direitos. Devemos seguir os exemplos de Natal (RN), Sorocaba (SP) e Curitiba (PR) que conseguiram fazer suas passeatas tranquilamente. Repito: manifestação sim. Vandalismo, não. Yasmin Dall'Agnol da Luz


Jornalismo opinativo cronica  

Trabalho realizado na cadeira de Português Aplicado a Comunicação I, no primeiro semestre de 2013. Professora Maria Tereza Amodeo. PUCRS

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