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CONTEXTUALIZAÇÃO

1.1. A Onça-pintada A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas, e o terceiro maior do mundo. É considerada pela IUCN como Quase Ameaçada e no Brasil está listada como Vulnerável, mas seu status de conservação varia em cada bioma (Figura 1B). Na Mata Atlântica a espécie está criticamente ameaçada (Morato et al, 2013). Estima-se que uma redução populacional de pelo menos 50%, provavelmente mais próxima a 87-90%, ocorreu nos últimos 10-15 anos na maior população de onças-pintadas da região do Alto Paraná. A espécie já perdeu cerca de 50% de sua área de distribuição original (Sanderson et al, 2002), e atualmente é encontrada do norte do México a noroeste da América do Sul, leste do Peru e Bolívia (leste dos Andes), por todo o Paraguai e Brasil e norte da Argentina (Desbiez et al, 2013) (Figura 1A). A situação da espécie é tão grave na Mata Atlântica que a estimativa é que existam menos de 20% de remanescentes adequados para sua sobrevivência (Ferraz et al, 2012). Restam menos de 250 onças no Bioma (Paviolo et al, 2016), e poucas subpopulações tem mais que 50 indivíduos, que é considerado o número mínimo viável de uma população. A região do Iguaçu, felizmente abriga uma sub-população com mais de 50 indivíduos, considerando as onças do Parque Nacional do Iguaçu e do Parque Nacional Iguazu (Argentina). Considerando os parques nacionais do Brasil e Argentina e a região do Turvo, existem cerca de 100 onças-pintadas nesta região, ou seja, um terço de todas as onças da Mata Atlântica.

Figura 1 – A: Distribuição histórica e atual de Panthera onca. B: Status de Ameaça por Bioma.


1.2. O Parque Nacional do Iguaçu O Parque Nacional do Iguaçu – PNI - (Figura 2A) foi criado em 1939 com 185.262 hectares de área preservada. É umas das Unidades de Conservação mais representativas do Bioma Mata Atlântica na região sul do Brasil. Hoje o parque é uma ilha de vegetação em meio ao desmatamento que houve no estado, representando cerca de 80% do que restou das florestas originais do Paraná. Quatorze municípios estão no entorno do Parque Nacional do Iguaçu, dez deles em contato direto com o Parque. (Figura 2B). Dois tipos florestais são encontrados no Parque Nacional do Iguaçu, a Floresta Estacional Semidecicual e a Floresta Ombrófia Mista, além das formações pioneiras aluviais. Abriga uma riquíssima biodiversidade, com diversos exemplares da fauna e flora brasileira, incluindo espécies ameaçadas de extinção como a onça-pintada, puma (Puma concolor), jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron), araucária (Araucaria angustifolia), além de muitas outras espécies de inestimável valor para o patrimônio natural brasileiro. O Parque Nacional do Iguaçu foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial Natural, em 1986. O Rio Iguaçu une o Parque Nacional do Iguaçu ao Parque Nacional Iguazú, na Argentina. Considerando os dois parques nacionais, os parques provinciais e outras áreas protegidas contíguas, a área total protegida é de cerca de 600 mil hectares, compondo um dos mais importantes contínuos biológicos do Centro-Sul da América do Sul. Esse grande patrimônio natural é um dos principais destinos turísticos do Brasil, com cerca de 1.800.000 visitantes por ano. A Floresta Estacional Semidecidual ocupa a maior parte do parque, e é caracterizada por ter até 25% das espécies de árvores perdendo as folhas no inverno. A Floresta Ombrófila Mista ocupa uma pequena porção nas partes mais altas do Parque, e é caracterizada pela presença do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia)

Figura 2 – A: Parque Nacional do Iguaçu. B: Municípios onde o PNI está inserido.


1.3. Histórico Os esforços de proteção das onças do Iguaçu tiverem início em 1990, com o pesquisador Peter Crawshaw Jr., que criou o Projeto Carnívoros do Iguaçu (Figura 3). Durante quase uma década, ele e sua equipe monitoraram algumas espécies de carnívoros da Mata Atlântica, produzindo informações biológicas e ecológicas inéditas sobre elas, especialmente a onçapintada, um dos alvos principais do estudo original, juntamente com a jaguatirica. Além de uma população reduzida, o estudo constatou ainda as mortes de 10 onças, por caçadores e donos de rebanhos atacados por onças nas vizinhanças do Parque, no período de apenas três anos. Entre 1995-97, outras 30 onças adultas foram mortas no entorno do Parque, devido a causas semelhantes gerando uma expectativa bastante pessimista em relação à viabilidade da população local. Mesmo com os esforços empregados pela equipe de proteção do Parque, a população de onças sofreu uma drástica redução aparente nos anos seguintes, atribuída, em parte, à pressão de caça exercida pelas populações vizinhas sobre estes predadores e suas presas, mas também a possíveis fatores demográficos comuns às pequenas populações. Tal redução gerou uma preocupação crescente com a situação da espécie. Em 2009 os trabalhos puderam ser retomados graças à disponibilização de recursos advindos da renovação do contrato de concessão do Hotel Belmond Cataratas. O projeto foi então retomado pelo Parque Nacional do Iguaçu, com a contratação da bióloga Marina Xavier da Silva e sob coordenação do PNI. Novos parceiros forma envolvidos. Em 2010 foi firmado um acordo de cooperação internacional com pesquisadores argentinos do Proyecto Yaguareté para unir esforços para a pesquisa e conservação, com o objetivo de traçar um panorama conjunto da situação da espécie no contínuo de Floresta Atlântica compartilhado por ambos os países.

Figura 3 – Atividades do Projeto Carnívoros do Iguaçu.


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LANÇAMENTO PROJETO ONÇAS DO IGUAÇU

Em fevereiro de 2018 o Projeto Carnívoros do Iguaçu foi reformulado, teve seu nome alterado para Projeto Onças do Iguaçu, recebeu uma nova equipe e teve seu escopo ampliado. O lançamento oficial desta nova fase do Projeto foi em 22 de abril, em um coquetel oferecido pelo Hotel Belmond Cataratas, 22 de abril (Figura 4). Para a realização deste evento, outras empresas de Foz do Iguaçu ofereceram seus serviços gratuitamente: Ilse Eventos forneceu todo o mobiliário, Equalize forneceu toda a estrutura de telão, som e iluminação, com equipamento e profissionais, Eco Natural fez a doação de banners, Floricultura JK forneceu as flores para a decoração, Cataratas SA doou cervejas Jaguareté e organizou toda a logística de transporte e o Macuco Safari também colaborou com o transporte. O evento contou com a presença do então do Presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski.

Figura 4 – Lançamento do Projeto Onças do Iguaçu.


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MISSÃO

O Projeto Onças do Iguaçu é um projeto institucional do PNI. A missão do Projeto é a conservação da onça-pintada, como espécie-chave para a manutenção da biodiversidade na região do Parque Nacional do Iguaçu.

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EQUIPE

Durante o ano de 2018, o Projeto Onças do Iguaçu foi desenvolvido pela seguinte equipe: Coordenador Geral - Ivan Baptiston Coordenadora Executiva - Yara Barros Responsável Técnico por Pesquisa - Carlos Brocardo Responsável Técnico por Engajamento - Thiago Reginato Assistente de pesquisa e engajamento – Aline Kotz Assistente de pesquisa - Adaildo Policena Auxiliar de campo - Cléo Falcão Parceiros executores CENAP/ICMBio, Instituto Pró-Carnívoros, Proyecto Yaguareté, ESALQ/Lemac e Chester Zoo/WILDCRU Colaboradores Kátia Ferraz, Sílvio Marchini, Rogério Cunha, Ronaldo Morato, Ricardo Boulhosa, Peter Crawshaw Jr, Carlos de Angelo, Agustin Paviolo e Gediendson R. de Araújo

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MASCOTE

O mascote do projeto foi criado pelo artista Pedro Busana, e foi nomeado Avati, que é um ser encantado dos índios Guarani. Ele vai ilustrar o material educativo do Projeto, sendo um aliado para passar a mensagem da importância da conservação da onça-pintada para as crianças. O Avati tem 3 versões (Figura 5).

Figura 5 – As três versões do Avati, mascote do Projeto.


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PARCERIAS E PATROCÍNIO

Durante 2018, foram fortalecidas as parcerias já existentes e estabelecidas várias novas parcerias, pois conservação é multidisciplinar, e é preciso unir esforços de campo, cativeiro, governos, pesquisadores, Ongs, iniciativa privada, zoos, comunidades, enfim, todos os atores que possam efetivamente colaborar para a construção e implementação de uma estratégia única, um Plano Integrado de conservação de espécies.

Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do ICMBio, que é um parceiro na elaboração e execução das atividades do Projeto Onças do Iguaçu.

Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – PróCarnívoros, instituição parceira na elaboração e execução das atividades e na administração de recursos do Projeto Onças do Iguaçu.

Laboratório de Ecologia, Manejo e Conservação de Fauna Silvestre da ESALQ, responsáveis por um estudo de base de presas para onças-pintadas em toda a Mata Atlântica, ao qual o Projeto Onças do Iguaçu será integrado.

Chester Zoo e WILDCRU, através do Dr. Sílvio Marchino, responsável pelo “People and Wildlife Coexistence Project”, ao qual o Projeto Onças do Iguaçu foi integrado.

Realizamos os censos bianuais em conjunto, além de parceria para a execução de atividades de pesquisa e monitoramento nos dois países

Nosso principal patrocinador durante o ano de 2018, através da contratação e cessão da coordenadora executiva para o Projeto durante todo o ano, o que foi fundamental para o desenvolvimento das atividades neste ano. Também parceiro em ações de prevenção de predação de animais de criação por grandes felinos.

Importante fonte de patrocínio em 2018, renovada para 2019, incluindo combustíveis, consultores, estrutura logística, suprimentos, manutenção de veículos, auxiliares de campo e eventos.


WWF Brasil, parceria em 2018, renovada para 2019, recursos que possibilitam o desenvolvimento de ações de engajamento das comunidades lindeiras ao PNI com a questão da conservação das onças-pintadas

Em 2018 foi parceiro na cerimônia de lançamento do Projeto Onças do Iguaçu, alimentação e hospedagem de equipe em campanhas de captura, hospedagem para parceiros, produção de material para venda na loja e arrecadação de recursos e doação de armadilhas fotográficas. Sua equipe nos fornece dados valiosos sobre o avistamento de onças-pintadas nos arredores do hotel. Parceria renovada para 2019.

Em 2018 o Macuco Safari providenciou transporte para eventos realizados pelo Projeto Onças do Iguaçu, foi um dos patrocinadores do vídeo oficial do Dia Nacional da Onça Pintada, fez doação de armadilhas fotográficas, forneceu equipe, barco e demais logística de transporte para as atividades do censo e sua equipe nos fornece dados valiosos sobre o avistamento de onçaspintadas na trilha. Parceria renovada para 2019.

A Helisul patrocinou um dos vídeos do Tecendo Prosa para ser usado como ferramenta de engajamento. Fez a doação de armadilhas fotográficas e fornece logística de transporte para áreas remotas do parque para a realização de pesquisas.

A Cataratas S.A. e o Instituto Conhecer para Conservar apoiam a realização de eventos como reuniões e exposições, fornecendo apoio logístico (transporte, refeições, coffee-breaks), materiais de comunicação (banners, tendas, pins, camisetas, material para atividades lúdicas) e apoio na comunicação. Foram patrocinadores do evento de lançamento do Dia Nacional da Onça, organizando e custeando o concurso de desenho e suas premiações e coquetel. Através da venda da cerveja Jaguareté, arrecadam recursos que esse ano foram usados para a instalação de uma antena que vai nos possibilitar monitorar os transmissores das armadilhas e para a aquisição de armadilhas fotográficas. Parceria renovada para 2019.

O Pedal Caminhos do Colono nos ajuda a divulgar o projeto em Serranópolis, foram parceiros na realização da atividade Trilha da Onça em Serranópolis e faremos em conjunto em 2019 o Pedal da Onça no município


A Associação Ciclística Cataratas do Iguaçu será nossa parceira na realização do Pedal da Onça em Foz do Iguaçu, e nos ajuda com a divulgação do projeto entre os ciclistas.

A ABAXIS, empresa alemã que fabrica equipamentos de diagnóstico, doou para o projeto um VetScan e um analisador de urina, que vai nos permitir fazer in loco análises de bioquímica sanguínea e urina das onças-pintadas capturadas no Brasil e Argentina. Além do equipamento, custearam a vinda de uma profissional para trazer e capacitar as equipes do Projeto Onças do Iguacu e Proyecto Yaguareté no uso do equipamento. Em 2019, farão a doação de um microscópio eletrônico.

Em 2018 patrocinou um dos vídeos do Tecendo Prosa para ser usado como ferramenta de engajamento.

Doação de materiais de divulgação como banners, adesivagem de carros, painéis e adesivos

Zoo Conservation Outreach Group, ajudou na participação do Projeto na Conferência da Associação de Zoos e Aquários em Seattle, custeando a hospedagem e possibilitando que o fizéssemos duas palestras no evento, o que pode trazer futuras parcerias com zoos americanos. Também concedeu uma bolsa integral para a participação em um curso nos Estados Unidos em 2019.

O Zoo Miami custeou nossa passagem, hospedagem e alimentação de Seattle para Miami, para que pudéssemos apresentar uma palestra no Zoo e com isso foi arrecadado recurso que possibilitou ao Zoo doar armadilhas fotográficas para o projeto. Valerie Stern, que assistiu a palestra, também fez doação de armadilhas fotográficas.

Projeto incrível que reúne artistas e biólogos comprometidos com conservação. Fizeram uma campanha para as onças e foram doadas reproduções de mais de 80 obras, além de vários originais, que foram exibidos durante o Dia Nacional da Onça e serão comercializados para gerar recursos para o Projeto.


Empréstimo de armadilhas fotográficas para a realização do censo.

Empréstimo de armadilhas fotográficas para a realização do censo.

Realização de curso gratuito sobre monitoramento de fauna com uso de armadilhas fotográficas, para a equipe do Projeto e alunos de universidades da região

Pedro Busana, fez as artes do nosso mascote, ajuste do logo e artes do Dia Nacional da Onça.

Agência FOG (Curitiba) fez ajustes no logo e sua versão em inglês.

Em 2018 realizamos trabalhos conjuntos de engajamento das comunidades de Capanema e Capitão Leônidas Marques.

Em 2018 realizamos trabalhos conjuntos de engajamento das comunidades de Capanema e Capitão Leônidas Marques.

Parceria para a capacitação da equipe dos Projetos Onças do Iguaçu e Yaguareté para o uso de equipamentos de diagnóstico, através da captura e coleta de sangue e urina de uma onçapintada do plantel do Refúgio Biológico Bela Vista.

O Güirá Oga em Puerto Iguazu (Argentina) foi parceiro na capacitação da equipe dos Projetos Onças do Iguaçu e Yaguareté para o uso de equipamentos de diagnóstico, através da captura e coleta de sangue e urina de uma onça-parda de seu plantel.

6.1. Reuniões com parceiros Ao longo do ano, muitas reuniões com parceiros foram realizadas (Figura 6) para definir estratégias de trabalho conjunto e formato das parcerias. Algumas delas foram:


➢ 2/02/18 – Reunião com a Usina Baixo Iguaçu para discutir ações conjuntas de engajamento das comunidades lindeiras ao PNI. ➢ 23/02/18 – Reunião com o Chair do CPSG Brasil (Grupo Especialista em Planejamento para a Conservação – IUCN/SSP), Arnaud Desbiez, para formatar a reunião de Planejamento Estratégico. ➢ 23/03/18 – Reunião em Atibaia – SP com CENAP/ICMBio, Kátia Ferraz (ESALQ) e Instituto Pró Carnívoros para discutir estudo conjunto de base de presas de onças-pintadas na Mata Atlântica e campanhas de captura de onças-pintadas no PNI. ➢ 9/04/18 – Reunião com equipe do WWF Brasil para discutir o desenvolvimento de atividades de engajamento financiadas pela instituição. ➢ 10/04/18 – Reunião com o Prefeito de São Miguel do Iguaçu. ➢ 6/06/18 – Reunião sobre comunicação a respeito de onças com a equipe do Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio e concessionárias. ➢ 08/06/18 – Reunião com a Secretária de Educação de São Miguel do Iguaçu, Adreia Marcelino Diedrich e Leonice Solange Lenz Marques para articular a realização de um Papo de Onça na escola de São Jorge. ➢ 24/07/18 – Reunião com Proyecto Yaguareté para discutir trabalhos conjuntos. ➢ 26/07/18 – Reunião com equipe de fiscalização do PNI, Polícia Federal, Polícia Ambiental, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar para discutir estratégias de fiscalização e proteção de onças-pintadas, para coibir caça e possível tráfico (nacional e internacional) de partes de onças-pintadas. ➢ 20/08/18 – Reunião com o grupo Pedal Caminhos do Colono para definição da Trilha da Onça. ➢ 22/08/18 – Reunião com a diretoria do grupo Pedal Caminho do Colono. ➢ 23/08/18 - Reunião com Proyecto Yaguareté para definição da metodologia do Censo 2018. ➢ 29 e 30/08/18 – Reunião com a equipe do People and Wildlife Coexistence Project na Esalq (Piracicaba), para discutir metodologia de trabalho.

PROYECTO YAGUARETÉ

CENAP/ESALQ

SECR. EDUCAÇÃO SÃO MIGUEL

SECREARIA DE EDUCAÇÃO SÃO MIGUEL DO IGUAÇU

CPSG BRASIL


PREFEITO DE SÃO MIGUEL DO IGUAÇU

USINA BAIXO IGUAÇU

PEDAL CAMINHO DO COLONO

ESALQ

PROYECTO YAGUARETÉ

POLÍCIAS

PROYECTO YAGUARETÉ

Figura 6 – Reuniões com parceiros


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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Entre 18 e 20 de abril realizamos no PNI uma reunião de planejamento para elaborar um Plano Estratégico (Anexo 1) para os próximos 5 anos de trabalho (Figura 7). Foram definidos objetivos e ações que vão desde pesquisa sobre dieta, base de presas, deslocamentos e comportamento até estabelecimento de parcerias e trabalhos de coexistência com seres humanos, educação e sensibilização. Participantes: 1. Apolônio Rodrigues - Parque Nacional do Iguaçu 2. Carlos Brocardo – Projeto Onças do Iguaçu 3. Carlos De Angelo – Proyecto Yaguareté 4. Edilson Esteves - Parque Nacional do Iguaçu 5. Ivan Baptiston – Parque Nacional do Iguaçu 6. Peter Crawshaw 7. Ricardo Boulhosa – Pró Carnívoros 8. Rogério Cunha - CENAP 9. Rosane Nauderer - Parque Nacional do Iguaçu 10. Sílvio Marchini – ESALQ e Chester Zoo 11. Thiago Reginato - Projeto Onças do Iguaçu 12. Yara Barros – Projeto Onças do Iguaçu Foram definidas 66 ações distribuídas em oito objetivos estratégicos, em consonância com o que está estabelecido nos PANs da Onça-Pintada e de Grandes Felinos: 1. Gerar informações que subsidiem a conservação de populações viáveis de grandes felinos no Parque Nacional do Iguaçu e entorno (50 Km). 2. Promover a coexistência de populações humanas e grandes felinos na região do Parque Nacional do Iguaçu. 3. Promover ações de prevenção de perda/remoção de onças pardas e pintadas e de suas presas na região do PARANA Iguaçu. 4 - Minimizar o risco para pessoas e onças dentro Parque Nacional do Iguaçu, nas áreas de uso público e zona de uso especial. 5 – Promover trabalhos técnicos e científicos colaborativos para viabilizar a pesquisa e conservação da onça-pintada na região do PARNA Iguaçu. 6. Desenvolver e implementar um plano de comunicação para o Projeto Onças do Iguaçu para os diferentes públicos. 7 - Capacitar a equipe e parceiros diretamente envolvidos em ações do Projeto Onças do Iguaçu para o desenvolvimento das atividades previstas no Planejamento Estratégico. 8 - Garantir a viabilidade financeira do Projeto Onças do Iguaçu No início de 2019 o planejamento foi revisto, foram eliminadas 6 ações e foi feita uma avaliação das ações que já foram executadas ou estão em andamento (pois várias ações propostas devem ser desenvolvidas de forma contínua durante os 5 anos). Em 2018, das ações do planejamento para 5 anos, 41 ações (68,33%) foram completadas ou estão em andamento e 19 ações (31,67%) ainda não foram iniciadas, mas estão de acordo com os prazos previstos (Figura 8).


Figura 7 – Reunião de Planejamento Estratégico.

Figura 8 – Status de realização das ações do Planejamento Estratégico


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PESQUISA

8.1. Monitoramento de fauna O monitoramento de fauna do PNI é realizado através da constante instalação de armadilhas fotográficas em diversos pontos do Parque, que tem gerado dados sobre outras espécies além da onça-pintada (Figura 9). O esforço realizado em 2018 foi de 3025 câmeras-dia de monitoramento, e os dados estão sendo analisados por Gabriela Michellin, aluna de biologia na UTFPR - Dois Vizinhos, orientada da Professora Diesse Sereia. Neste período foram registradas dezenove espécies: Puma concolor, Panthera onca, Herpailurus yagouaroundi, Leopardus pardalis, Cerdocyon thous, Mazama americana, Mazama nana, Tapirus terrestris, Pecari tajacu, Sylvilagus brasiliensis, Cuniculus paca, Dasyprocta azarae, Hydrochoerus hydrochaeris, Dasypus novemcinctus, Guerlinguetus brasiliensis, Galictis cuja, Eira barbara, Nasua nasua, Procyon cancrivorus e Didelphis aurita. Das onças-pintadas conhecidas, foram registradas: Croissant, Atiaia, China e Caiuá.

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Figura 9 – Algumas espécies registradas no monitoramento: A – Mazama americana , B – onça-pintada, C – cateto (Pecary tajacu), D – cotia (Dasyprocta azarae) e E – anta (Tapirus terrestris)


8.2. Nascimento de filhotes

Em julho foi observada uma fêmea de onça-pintada com um filhote no PNI (Figura 10). Observações seguintes mostraram que essa fêmea é a Atiaia, e que está na verdade com três filhotes, fato nunca antes registrado no Parque Nacional. A Atiaia estava com um filhote de cerca de dois anos de idade, o Caiuá, até início de janeiro. Tendo como base o tamanho dos filhotes quando foram observados pela primeira vez estimamos que eles estariam com cerca de dois meses de idade. Figura 10 - Atiaia e filhote

Imediatamente foram confeccionadas placas alertando os motoristas (Figura 11), instaladas com o apoio da Cataratas S.A., foram distribuídos, por cerca de uma semana, folders para os motoristas que entravam no PNI (Figura 12) e a Administração do PNI determinou a redução da velocidade para 40 km/hora em todo o trecho dentro do PNI. Após a observação inicial várias outras já foram feitas. Nem sempre a Atiaia está acompanhada dos três filhotes, ela já foi observada sozinha ou acompanhada de apenas um ou dois filhotes. No dia 6 de agosto a Atiaia foi avistada no início da manhã, no estacionamento do Macuco Safari, saindo da mata e atravessando a pista com dois dos filhotes. O terceiro retornou para a mata, onde passou o dia todo sozinho. A Atiaia voltou sozinha para onde este filhote estava ao meio dia. Em seguida voltou sozinha a atravessar a pista e entrar na mata. No final da tarde, por volta de 17:30, ela retornou, entrou na mata e saiu acompanhada do filhote que havia ficado para trás. Os dois atravessaram a pista e entraram na mata. Neste dia a equipe ficou no local o dia todo, e foram feitas fotos deste último filhote, pela Carmel Croukamp, do Parque das Aves, e pelo Thiago Reginato, da equipe do Projeto. Neste dia e por mais uma semana, foram colocados cones na pista para reduzir a velocidade dos motoristas neste trecho, como é possível observar na Figura 13. No final de dezembro um turista conseguiu fazer um vídeo (Figura 14) onde aparecem a Atiaia e os três filhotes, já com cerca de 7 meses de idade.

Figura 11 - Instalação de placas

Figura 12 – Distribuição de folders na entrada do PNI


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Figura 13 – Sequência da Atiaia atravessando a pista e entrando na mata, voltando e sendo seguida por um dos filhotes que tinha passado o dia todo sozinho. Fotos 1, 2, 3, 7 e 8: Carmel Croukamp (Parque das Aves). Fotos 4 e 6: Thiago Reginato (Projeto Onças do Iguaçu).


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A

Figura 14 - Registro recente dos filhotes. A – Final de novembro. B – Final de dezembro

8.3. Captura e monitoramento Entre 14 e 25 de maio foi realizada uma campanha de captura, combinada com um curso de captura e monitoramento de felinos, ministrado por Rogério Cunha (CENAP/ICMBio) e Gediendson R. de Araújo. Foram instaladas uma armadilha box e 7 armadilhas tipo laço, em trilhas dentro do PNI. Em cada laço foi instalado um transmissor, e foram identificados dois pontos de checagem do sinal dos transmissores, o Hotel das Cataratas (que cedeu um quarto e todas as refeições da equipe durante o período da campanha) e uma torre de transmissão ao lado da Base de Pesquisa do Poço Preto, onde parte da equipe ficou alojada durante a campanha. Foi adaptado um cabo a uma antena já existente na torre, o que possibilitou monitorar os transmissores de todos os laços, mesmo o mais distante, localizado atrás do heliponto (Porto Canoas). Os transmissores foram checados em intervalos de uma hora durante 24 horas (sempre que os laços estavam abertos). Em algumas das armadilhas foram usadas iscas, como caldo de peixe, peixe, fezes de onça diluídas e esturrador (com vocalização de machos e fêmeas). No último dia da campanha, 25 de maio, uma onça foi capturada na armadilha (laço) instalada na trilha de monitoramento do ICMBio, próximo ao Macuco Safari (Figura 15).

Figura 15 – Croissant preso no laço


A onça capturada foi o Croissant, um macho com cerca de 5 anos de idade que nunca havia sido capturado antes. Foram coletados dados de biometria (Anexo 2) (Figura 16), amostras biológicas (sangue, sêmen) (Figura 17), que foram enviadas para análise e serão também enviadas para o CENAP.

Figura 16 – Biometria

A

B

Figura 17 – Coleta de material biológico. A – Sêmen. B – Sangue

Os resultados de bioquímica sanguínea saíram no mesmo dia, e estavam normais, (Anexo 3). O teste de FIV/FELV deu negativo (Anexo 4).

O colar (Lotek Iridium), fornecido pelo CENAP/ICMBio, era pequeno para o pescoço do animal, então foi construído um “extensor” com parte de um colar velho (Figura 18).

Figura 18 – Instalação do colar


Ao final do procedimento foi aplicado um reversor e a equipe permaneceu no local até o animal começar a acordar. A equipe que participou da captura foi (Figura 17): - Aline Kotz – Projeto Onças do Iguaçu - Carlos Brocardo - Projeto Onças do Iguaçu - Thiago Reginato - Projeto Onças do Iguaçu - Yara Barros - Projeto Onças do Iguaçu - Ivan Baptiston – Parque Nacional do Iguaçu - Projeto Onças do Iguaçu - Ewerton Luiz de Lima - Gediendson R. de Araújo – Projeto Onças do Rio Negro

Figura 19 – Equipe que participou da captura

O Croissant foi monitorado de 25 de maio até setembro, quando a bateria do colar acabou e o colar foi perdido (Figura 20). Neste período, ele se deslocou bastante entre Brasil e Argentina (Figura 21). No lado brasileiro, ele saiu do PNI uma vez, e nós visitamos a propriedade para alertar o proprietário, avaliar a grau de vulnerabilidade à predação e discutir medidas de prevenção. Tivemos problemas com o recebimento dos dados, provavelmente devido à cobertura florestal, e isso provocou um delay de até 25 dias no recebimento dos pontos. A bateria também teve uma duração abaixo do que era esperado

A

Figura 20 – A: Última foto do Croissant com colar (ago/18). B – Croissant já sem colar (nov/18 – Foto Emílio White)

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Figura 21 – Deslocamento do Croissant

Foram realizadas buscas do colar no Brasil, por terra e ar, sem sucesso. Com o apoio da equipe do Proyecto Yaguareté foram feitas buscas na Argentina, onde o colar foi encontrado no início de novembro (Figura 22). Vamos tentar recuperar os dados do colar para refinar os dados de deslocamento do Croissant.

Figura 22 – Busca do colar pelas Equipes dos Projetos Onças do Iguaçu e Yaguaraté na Argentina (Fotos Cléo Falcão).


8.4. Análise de dieta O estudo da dieta das onças-pintadas será feito através da análise de conteúdo fecal de amostras que estão sendo coletadas durante atividades em campo (Figura 23). A triagem e análise deste material terá início em 2019. As análises genéticas serão realizadas em parceria com o Proyecto Yaguareté. A fim de se obter um padrão da assinatura isotópica, tanto dos predadores quanto de espécies presas, amostras de pelos, penas, escamas e outros tecidos obtidos serão enviados para análises isotópicas. Em 2018 foram coletadas 33 amostras de fezes potencialmente de onças-pintadas.

Figura 23 – Coleta e processamento de fezes

8.5. Manual de identificação das onças do Iguaçu Foi elaborado um manual de identificação de todas as onças já registradas em armadilhas fotográficas no PNI (Anexo 5).

8.6. Expedição Silva-Jardim e Floriano Entre 24 e 26 de abril o pesquisador do Projeto Onças do Iguaçu, Carlos Brocardo e o Assistente de Pesquisa Adaildo Policena participaram da Expedição Silva-Jardim e Floriano. A expedição, liderada por Ivan Baptiston, Chefe do PNI (Figura 25), percorreu 15 km em um trecho de floresta virgem (Trecho destacado em amarelo na Figura 24) quase desconhecido, que liga os rios Silva-Jardim e Floriano. O acesso à área foi feito de helicóptero. O objetivo da expedição foi avaliar o estado de conservação do local. Não foram encontrados vestígios de presença humana, como caça ou coleta de palmito. Foram encontrados vestígios de vários mamíferos, como anta, veado, cateto e onçaparda.

Figura 24– Rota percorrida na Expedição Silva-Jardim e Floriano


Figura 25– Equipe da Expedição SilvaJardim e Floriano

8.7. Visita técnica No dia 27 de julho a equipe do Projeto fez uma visita técnica, junto com voluntários da Inglaterra e Escócia, à RPPN Santa Maria (Santa Terezinha de Itaipu), na Fazenda Santa Maria (Figura 26), para avaliar o local em termos de adequabilidade para onçaspintadas. A propriedade tem 1.750 hectares, sendo 500 hectares de reserva legal e mata ciliar, 300 hectares de agricultura (soja e milho) e 900 hectares de pastagem para criação de gado de corte, e a RPPN tem 242 hectares, onde nasce o Rio Apepu que deságua dentro do Parque Nacional do Iguaçu. Faz parte do Corredor da Biodiversidade Santa Maria, uma área de proteção que integra, na região divisora de águas das bacias dos rios Paraná e Iguaçu.

Figura 26– Visita técnica à RPPN Santa Maria

8.8. Exames clínicos De 14 a 17 de agosto recebemos a visita de uma representante da nossa mais nova parceira: a ABAXIS Diagnostics, com sede na Alemanha. Eles fabricam aparelhos para diagnósticos de animais, e são parceiros de projetos de conservação de fauna ameaçada no mundo todo. Bärbel Köhler , embaixadora da marca e especialista em diagnóstico e monitoramento para a conservação de fauna, veio ao Brasil trazendo como doação para o projeto um aparelho VetScan VS2, e um analisador de urina.


Com este equipamento poderemos fazer análises das onças-pintadas capturadas no Brasil e Argentina e também ajudar outros projetos de conservação de espécies ameaçadas no país, pois o equipamento é portátil. A Barbel treinou nossa equipe e a equipe de veterinários do Proyecto Yaguareté no uso dos equipamentos e fez palestras sobre o uso de diagnósticos como ferramentas de conservação (Figura 27). Para este treinamento, tivemos a parceria do Refúgio Biológico Bela Vista (Itaipu), que organizou tudo para podermos fazer análises de uma onça-pintada do Refúgio. Também tivemos a ajuda da equipe do Güira Oga (Argentina) que possibilitou que realizássemos análises de um dos pumas que a instituição mantém.

Figura 27 – Dra. Bärbel Köhler capacitando as equipes dos projetos para o uso de equipamentos de diagnóstico.


8.9. Banco de Dados Foi criado um banco de dados, o Panthera (Figura 28), para o registro de todas as onças já registradas no PNI. Nele é possível registrar informações de cada animal: sexo, idade, fotos, avistamentos, exames realizados, colarizações, mapas de deslocamento, etc. O banco de dados foi elaborado gratuitamente para o projeto por Fábio de Melo Barros.

Figura 28 – Exemplos de tela do banco de dados Panthera

8.10. Censo 2018 O monitoramento da flutuação populacional de onças-pintadas no PNI é feito através de censos bianuais. O último censo realizado foi em 2016, o resultado foi uma estimativa de 22 animais no lado brasileiro. O Censo 2018, realizado em parceria com o Proyecto Yaguareté, da Argentina, simultaneamente nos dois países, teve início em agosto, e a coleta de dados foi finalizada em 23 de dezembro (Figura 29). Teve então início o processo de análise de dados pelos dois projetos, e o resultado deve estar disponível em fevereiro de 2019. Para a realização do censo, foram estabelecidas 46 estações de amostragem (Figura 30), a cada 4Km, e em cada ponto foram instaladas duas armadilhas fotográficas para o registro de ambos os lados de cada animal, permitindo a individualização pela identificação do padrão e desenho das pintas. A identificação individual é uma premissa para o cálculo da densidade usando modelos espaciais explícitos de captura-recaptura (Tobler & Powell 2013). O esforço amostral foi de 90 dias por ponto. Para a realização deste censo, tivemos a doação de armadilhas fotográficas feita pela Helisul (10 câmeras), Cataratas S.A. e Instituto Conhecer para Preservar (10 câmeras), Macuco Safari (10 câmeras), Hotel Belmond Cataratas (10 câmeras), Zoo Miami (4 câmeras) e Valerie Stern (2 câmeras) O Zoo de Bauru e o Instituto Neotropical nos emprestaram câmeras.


Figura 29 – Censo 2018


Figura 30 – Distribuição das estações de amostragem no Brasil.

8.10.1. Novas onças Durante o censo 2018 foram registradas 12 onças-pintadas que não haviam sido identificadas anteriormente (Figura 31).

Tarobá

Floriano

Kerana

M’Boi

Floriano Marfim

Capaço

Figura 31 – Novas onças-pintadas registradas durante o Censo 2018.


8.10.2. Registro inédito O cachorro-vinagre (Speothos venaticus) está listado como “Ameaçada” no Brasil, e como “Criticamente Ameaçada” na Mata Atlântica. Neste bioma, os únicos registros da espécie são dos estados de São Paulo e Paraná, e as duas maiores subpopulações da espécie estão no fragmento de Paranapiacaba (SP) e aqui no Parque Nacional do Iguaçu, e elas têm a população estimada inferior a 50 indivíduos adultos cada. Portanto o Parque Nacional do Iguaçu é uma área chave para a conservação desta espécie, pois o cachorro-vinagre prefere ambientes pouco perturbados. É muito difícil conseguir registros fotográficos da espécie. Esta foto, de dois indivíduos (Figura 32), é o primeiro registro fotográfico de cachorro-vinagre no Parque Nacional do Iguaçu, feita durante o Censo 2018.

Figura 32 – Registro de dois indivíduos de cachorro-vinagre no PNI.

8.10.3. Câmeras perdidas Durante a realização do Censo 2018 perdemos 9 câmeras, oito roubadas e uma destruída por uma onça-pintada. Duas câmeras foram roubadas na Linha Martins, duas na Linha Belon, duas próximas da sede do Parque e duas próximas ao Rio Iguaçu. Infelizmente, além das câmeras são perdidos os dados valiosos que elas armazenavam. Uma das câmeras foi destruída por uma onça-pintada, e foi possível obter algumas fotos do animal (Marfim) durante o processo (Figura 33).

Figura 33 – Câmera destruída por onça-pintada e fotos obtidas


8.11. Pesquisa conjunta O Projeto Onças do Iguaçu forneceu apoio logístico para uma pesquisa do Proyecto Yaguareté. As equipes foram para áreas remotas no Parque Nacional do Iguaçu, que só são acessadas com helicóptero, para instalar gravadores e armadilhas fotográficas (Figura 34). Esse estudo faz parte do censo 2018 e de uma pesquisa para identificar a paisagem sonora da região, e assim entender melhor tanto a composição da fauna quanto as ameaças às quais os animais estão expostos. A Helisul cedeu o transporte para os locais de instalação dos equipamentos.

Figura 34 – Trabalho de campo conjunto: Projetos Onças do Iguaçu e Yaguareté.

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CAPACITAÇÃO

Um dos Objetivos Estratégicos do Projeto Onças do Iguaçu é capacitar a equipe e parceiros diretamente envolvidos em ações do Projeto para o desenvolvimento das atividades previstas no Planejamento Estratégico. Para atingir este objetivo, estamos realizando cursos de capacitação para nossa equipe e também para diversos parceiros: professores, equipes de outros projetos de conservação, pesquisadores, zoos e universidades.

9.1. Curso de Dimensões Humanas da Conservação Entre 14 e 17 de abril, o CPSG Brasil e o Projeto Onças do Iguaçu promoveram no Parque Nacional do Iguaçu o curso: “Dimensões Humanas da Conservação”, ministrado pelo Sílvio Marchini. Participaram a equipe do Projeto Onças do Iguaçu, representantes do Parque das Aves, Mater Natura, Tamanduás do Iguaçu e Conicet (Argentina) (Figura 35). O curso foi ministrado pelo Dr. Sílvio Marchini, do CPSG Brasil e membro da ForçaTarefa da IUCN sobre conflitos entre vida selvagem e humanos. O Dr. Sílvio é parceiro do Projeto Onças do Iguaçu. A capacitação teve como objetivo proporcionar maneiras de incorporar as dimensões humanas na gestão da biodiversidade. Essa é uma abordagem que aplica as ciências sociais (economia, sociologia, educação e comunicação) para identificar, compreender,


envolver e influenciar os grupos de interesse (comunidades e instituições, por exemplo). Assim, buscando o maior benefício possível, tanto para a biodiversidade, como para a sociedade e para a busca por resolução de conflitos.

Figura 35 – Curso de dimensões humanas da conservação.

9.2. Captura e monitoramento de felinos Entre 14 a 25 de maio tivemos um curso de captura de monitoramento de felinos, combinado com a campanha de captura (Figura 36). O curso e a campanha foram ministrados e coordenados por Rogério Cunha de Paula (CENAP/ICMBio) e pelo médico veterinário Gediendson R de Araujo, que tem ampla experiência em captura de onças. A equipe foi capacitada em técnicas de captura e monitoramento de onças-pintadas. Com componente teórico e atividade prática intensa, o curso foi bem abrangente.


Figura 36 – Curso de captura e monitoramento de onças.

9.3. Curso de monitoramento de fauna

No dia 18 de setembro a LOG Nature, nossa parceira, e O Projeto Onças do Iguaçu promoveram um curso de capacitação no uso de armadilhas fotográficas, teórico e prático (Figura 37). O curso foi realizado na sede do Parque Nacional do Iguaçu, voltado para biólogos ou estudantes de biologia. Quem ministrou o curso, gratuitamente, foi Juliana Kleinsorge, uma das proprietárias da LOG Nature. Participaram, além da equipe do Projeto Onças do Iguaçu, representantes do Zoo de Cascavel, Mater Natura e UNILA. No dia 19 Juliana visitou as armadilhas fotográficas instaladas pelo projeto e pudemos discutir uma adequação das configurações das câmeras para otimização dos resultados.

Figura 37 – Curso de uso de armadilhas fotográficas para monitoramento de fauna.


9.4. Capacitação para professores 9.4.1. Capanema No município de Capanema nos dias 20 e 21 de março de 2018 o Projeto Onças do Iguaçu participou do curso de Formação de Docentes, professores da rede municipal e estadual de cinco municípios lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu (Figura 38) promovido pela UHE Baixo Iguaçu em parceria com o Parque Nacional do Iguaçu e o Instituto Federal do Paraná. A ideia dessa capacitação era que os professores replicassem os conhecimentos adquiridos sobre a Mata Atlântica (em especial do Parque Nacional do Iguaçu) com seus alunos, dessa forma atingindo um público maior. Para auxiliar nesse fim também foi produzida uma cartilha sobre a Mata Atlântica, que teve a participação do projeto na elaboração. Falamos sobre nossas atividades e sobre as possibilidades de coexistência entre gente e onças. Dessa forma, os professores tornam-se multiplicadores de saberes e atores da conservação das onças do Iguaçu.

Figura 38 – Curso de formação de professores em Capanema.

9.4.2. SOS Fauna O SOS Fauna, é um projeto de capacitação de professores promovido pelo Parque das Aves. Fomos convidados a participar de um dos módulos. Nosso objetivo em participar desses eventos é contar aos professores um pouco sobre nossas atividades, explicando a possibilidade de coexistência entre humanos e onças (Figura 39). Dessa forma, buscamos gerar empatia e interesse. Um desdobramento interessante desta participação foi que ao final do evento várias professoras disseram que antes da palestra tinham medo de onças, mas que depois se encantaram e começaram a gostar das onças. Esperamos que estes professores possam transmitir este encantamento aos alunos.


Figura 39 – Participação no SOS Fauna.

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ENGAJAMENTO E COEXISTÊNCIA

O Projeto Onças do Iguaçu atua em toda a comunidade lindeira ao PARNA Iguaçu. Através de visitas constantes, transmissão de conhecimento, reconhecimento e valorização dos moradores locais, buscamos estabelecer um vínculo de confiança que nos permita engajar os moradores lindeiros e dar a eles um senso de pertencimento, transformando-os de expectadores em atores das ações de conservação da onçapintada na região. O contato constante, próximo e direto com as comunidades visa construir uma relação de confiança. Se as pessoas confiam na agência que está encarregada do manejo de grandes carnívoros eles acreditarão nas informações que estão sendo passadas e agir de acordo (Griffin et al., 1999); o aumento na confiança leva a uma percepção de risco reduzida e uma percepção dos benefícios ampliada, o que é essencial, pois a conservação de grandes carnívoros depende da tolerância dos humanos à sua existência (Bruskoter & Wilson, 2014). Acreditamos que a propensão ao abate de onças tem o medo como um dos motivadores, então nossas ações buscam substituir o medo por conhecimento e encantamento, e desta forma mudar a relação das comunidades lindeiras com as onças do PNI. A caça é um problema bastante preocupante na região do PNI. A equipe de fiscalização do Parque trabalha ativamente no combate e realiza inúmeras operações que têm como resultado o desmonte de acampamentos de caça, apreensões de armas e armadilhas e prisões. Mas esta ainda é uma atividade que exerce uma pressão grande sobre a base de presas das onças-pintadas, e que pode ser também uma ameaça direta pelo possível abate de onças no processo de caça de suas presas. Além dos esforços da fiscalização, queremos também, através das ações com a comunidade, mudar o comportamento e ajudar a reduzir a caça na região. Temos trabalhado para mudar a visão de que as onças são “do PNI”, para a visão de que as onças são de todos, as “nossas onças”, e sempre nos colocamos convidando a comunidade a ser parceira do projeto no cuidado com a espécie. As atividades de engajamento e busca de coexistência atendem os seguintes Objetivos Específicos do Planejamento Estratégico, que somam 18 ações propostas: ➢ Objetivo Específico 2 - Promover a coexistência de populações humanas e grandes felinos na região do Parque Nacional do Iguaçu.


➢ Objetivo Específico 3 - Promover ações de prevenção de perda/remoção de grandes felinos e de suas presas na região do PARANA Iguaçu. As atividades de engajamento realizadas em 2018 foram patrocinadas pelo WWF Brasil. A seguir estão apresentadas linhas de ação e atividades desenvolvidas para engajamento e promoção da coexistência entre humanos e onças na região do PNI. Em 2018 concentramos várias ações de engajamento em Capitão Leônidas Marques e Capanema, pois esta é uma região com muitos conflitos e com histórico de predação e abate de onças. No entanto, o levantamento da percepção das comunidades sobre as onças já foi feito em 13 municípios (ver Item 10.2.3.). Em 2019 as ações serão expandidas para municípios lindeiros onde ainda não desenvolvemos trabalhos.

10.1. Engajamento

10.1. 1. Papo de Onça O PAPO DE ONÇA são conversas com comunidades, geralmente adultos, sobre onças-pintadas, sobre o projeto, caça, prevenção e boas práticas no manejo de gado para evitar a predação e segurança das pessoas. Se há crianças na plateia, a programação inclui uma rápida apresentação de teatro. São usados materiais de apoio como crânios, peles, colares, armadilhas fotográficas, fotos dos felinos da região e armadilhas apreendidas pela polícia. A maior parte destas atividades é desenvolvida em zonas rurais dos municípios lindeiros ao PNI. Durante esta atividade são distribuídos exemplares do “Onças do Iguaçu: Guia de Convivência”. A linguagem é bem acessível, é feita uma rápida apresentação das atividades do Projeto, e no fim sempre é servida uma pequena refeição (geralmente cachorro-quente), pois estes momentos de descontração nos permitem um contato mais próximo com as pessoas, e isso gera, além de conexão, a possibilidade de troca de informações que dificilmente seriam obtidas em um ambienta mais formal. Para a realização de cada evento, a equipe visita o local com antecedência, conversa com prefeitura (Secretaria de Educação), escolas, igrejas, associações, dá entrevista e faz convite na rádio local e distribui cartazes convidando a população. Desta forma tentamos atrair o maior público possível. Em 2018 foram realizados nove Papos de Onça: A. Papo de Onça na Comunidade São Jorge, em São Miguel do Iguaçu (13/06) Nosso primeiro Papo de Onça, realizado no prédio onde funcionam duas escolas: Escola Municipal Artur Cardoso ou Escola Estadual do Campo Dom Pedro II com a presença de cerca de 20 pessoas (Figura 40). São Miguel foi escolhido por ser área onde ocorreu registro de predação, onde onças-pardas são vistas com frequência e onde sabemos que existem muitos caçadores e pessoas que têm resistência aos trabalhos de conservação da onça-pintada.


Foi realizado no período da noite, para poder atingir os agricultores da região. A estrutura do Papo de Onça foi: - Palestra sobre o projeto - Palestra e discussão sobre segurança com relação a felinos - Apresentação e discussão de boas práticas de manejo de gado e medidas de prevenção - Apresentação de material didático (crânios, peles, rádio-colar) - Apresentação de teatro sobre onças e caça - Distribuição do livro infantil “Lola a Onça” - Oferecimento de lanche (cachorro-quente e refrigerante) Durante esta atividade uma moradora nos informou que em uma igreja que ela frequenta o pastor diz aos fiéis que quem caça não é “abençoado”, e que isso já fez alguns caçadores desistirem da atividade. Vamos entrar em contato com este pastor e ver como podemos alinhar uma campanha conjunta contra a caça. A reação das pessoas que participaram foi bastante produtiva, e fomos convidados a voltar e realizar evento com as crianças da escola. A ideia é levar o Papo de Onça também para outros municípios. Para convidar a população para o evento foram feitas duas visitas prévias ao local, e foram contatados Prefeitura, Secretaria de Educação e escolas. Foram também espalhados cartazes em vários pontos de São Miguel e São Jorge. O evento também foi divulgado na rádio da cidade e fizemos o convite no Facebook do Projeto.

Figura 40 – Papo de Onça na Comunidade São Jorge.


B. Papos de Onça em Capanema e Capitão Leônidas Marques (18 a 21/07) Entre os dias 18 e 21 de julho realizamos, em parceria com a Usina Baixo Iguaçu e Sete Consultoria, três Papos de Onça em Capanema e Capitão Leônidas Marques (Figura 41).

Figura 41 – Papos de Onça em Capanema e Capitão

C. Papos de Onça em Capanema e Capitão Leônidas Marques (22 e 26/10) Neste período foram realizados quatro Papos de Onça, 1 em Capitão e 3 em Capanema, com muita receptividade da comunidade (Figura 42).

Figura 42 – Papos de Onça em Capanema e Capitão.


D. Papo de Onça em Matelândia (6/12) Dia 6 de dezembro realizamos um Papo de Onça com 12 membros da Defesa Civil de Matelândia (Figura 43), para discutir procedimentos quando eles forem acionados sobre felinos. Foi acordado que eles vão, na medida do possível, participar dos Papos de Onça com as comunidades rurais da região para integrarmos as ações.

Figura 43 – Papo de Onça em Matelândia.

. 10.1. 2. Onça na Escola O ONÇA NA ESCOLA são atividades desenvolvidas em escolas dos municípios lindeiros, com teatro, palestra, exposições e atividades lúdicas. Esta atividade, além de levar conhecimento, busca usar o encantamento como ferramenta de conexão e empatia. São usados materiais de apoio como crânios, peles, colares, armadilhas fotográficas, fotos dos felinos da região e armadilhas apreendidas pela polícia. Para a realização de cada evento, a equipe visita o local com antecedência, conversa com prefeitura (Secretaria de Educação) e escolas. Para otimizar as visitas aos municípios, procuramos conciliar as atividades, realizando o Onça na Escola durante o dia e os Papos de Onça à noite. Temos tido bastante procura das escolas, e o retorno dos alunos é muito interessante, muitas perguntas, muito interesse. Em 2018 foram realizadas vinte e duas atividades Onça na Escola: A. Onça na Escola na comunidade São Jorge, em São Miguel do Iguaçu (13/07) Neste dia foram realizadas 4 atividades Onça na Escola, no prédio onde funcionam duas escolas: Escola Municipal Artur Cardoso ou Escola Estadual do Campo Dom Pedro II (Figura 44).

Figura 44 – Onça na Escola na comunidade São Jorge.


B. Onça na Escola em Capanema e Capitão Leônidas Marques (18 a 21/07) Neste período foram realizadas 16 atividades Onça na Escola (Figura 45), para 5 escolas. Também foi realizado um Onça na Escola para alunos da Casa Familiar Rural em Capanema, com alunos do curso de Agroecologia. Este público foi composto totalmente por filhos de agricultores, que mostraram muito interesse no tema. Como encaminhamento, vamos trabalhar juntos na construção de um curso sobre boas práticas no manejo de gado para evitar predação

Figura 45 – Onça na Escola em Capitão e Capanema.


C. Onça na Escola em Matelândia (5 e 6/12) Em dezembro foram feitas duas atividades Onça na Escola em Matelândia (Figura 46): ➢ Dia 5 de dezembro na comunidade Marquesita interior do Município de Matelândia. Participaram da atividade 60 alunos da Escola Estadual La Salle, que são filhos de produtores rurais que moram bem perto do Parque Nacional do Iguaçu. Foi distribuído material (posters, Guias de Convivência e folders). ➢ Dia 6 de dezembro na Escola Municipal Professor Ebehardo. Participaram da atividade 53 crianças. Muitas perguntas e muito interesse.

Figura 46 – Onça na Escola em Matelândia.

10.1. 3. Pedal da Onça

O PEDAL DA ONÇA são atividades envolvendo ciclistas da região, inserindo conteúdo sobre as onças em passeios ciclísticos, reuniões e bate-papos. A ideia é realizar em vários municípios lindeiros. Esta é uma forma de envolver a grande comunidade de cliclistas de toda a região com a questão da conservação da onça-pintada. Em 2018 fizemos uma parceria com o grupo Pedal Caminhos do Colono, de Serranópolis do Iguaçu, e em julho o projeto esteve lá batendo um papo com o grupo, com a presença do chefe do PNI e Coordenador Geral do Projeto Onças do Iguaçu, Ivan Baptiston.


Apresentamos o trabalho do projeto, falamos sobre onças, pedal, conservação, proteção e parcerias (Figura 47). No final o grupo ofereceu um jantar para a equipe. O grupo Caminhos do Colono faz a manutenção de uma trilha ecológica no Parque Nacional, e estamos desenvolvendo atividades em conjunto nesta trilha (ver item 10.1.4.). Também fomos contatados pela Associação Ciclística Cataratas do Iguaçu, que tem interesse em parceria. Fizemos uma palestra sobre o projeto para o grupo. O objetivo do Pedal da Onça é aproveitar o grande número de ciclistas que existe nos municípios lindeiros ao PNI, e que têm uma forte ligação com o Parque, para nos ajudar a espalhar a mensagem de conservação da onça-pintada. Costumamos dizer que com o Pedal da Onça os ciclistas vão levar a onça para o coração das pessoas nas garupas de suas bikes.

Figura 47 – Pedal da Onça em Serranópolis.

10.1. 4. Trilha da Onça A TRILHA DA ONÇA é uma atividade desenvolvida dentro da filosofia do Programa “Nature for All”, uma iniciativa global da IUCN para inspirar o amor pela natureza. Destina-se a construir apoio e ações para a conservação da natureza entre pessoas de todas as esferas da vida, conscientizando e facilitando experiências e conexões com o mundo natural. Em 2018 o Projeto Onças do Iguaçu foi aceito como membro do Programa (Figura 48).


Figura 48 – Projeto Onças do Iguaçu aceito como membro do programa.

A Trilha da Onça será realizada ‘de forma alternada nos municípios lindeiros ao PNI. Será um dia de atividades em campo com grupos de até 20 pessoas e envolve caminhadas na mata, instalação e checagem de armadilhas fotográficas, observação da fauna, bate papo sobre o Parque Nacional e sua importância e finalização com um lanche coletivo e exposição de materiais educativos do Projeto. A primeira Trilha da Onça foi realizada no Município de Serranópolis no dia 4 de dezembro, na Trilha Ecológica mantida pelo grupo Pedal Caminhos do Colono, que fica dentro e na borda do Parque Nacional. Após o evento, a comunidade local já renomeou a trilha que agora se chama Trilha Ecológica Amigos da Onça. Participaram 30 alunos da Escola Estadual João Manoel Mondrone de Medianeira. A atividade começou com um momento de conexão com a natureza, olhos fechados, desacelerando e escutando os sons da mata. Durante a trilha (3.000 metros) foram passadas informações sobre a biodiversidade do Parque e no final teve bate papo sobre onças com exposição de material educativo (Figura 49).

Figura 49 – Trilha da Onça em Serranópolis.


10.1. 5. Amigos da Onça Para facilitar a comunicação com os motoristas de ônibus e vans, guias, moradores e colaboradores das concessionárias que atuam no Parque Nacional, em maio criamos um grupo de WhatsApp, o “Amigos da Onça”. O grupo já está com 112 participantes, e está nos ajudando a receber mais informações e fotos (Figura 50) sobre avistamentos de onças e localização de fezes e pegadas dentro o Parque. É uma iniciativa que está dando bons resultados, e também ajuda dar às pessoas o senso de pertencimento, pois são parte de um grande grupo que cuida das onças do PNI.

Figura 50 – Foto de onça-pintada no PNI enviada pelo Amigo da Onça Edgar, motorista de van de turismo.

10.1. 6. Capacitação de líderes comunitários O Projeto está buscando identificar pontos focais nos municípios onde está desenvolvendo atividades. Estas pessoas serão capacitadas e serão o contato do Projeto nas comunidades, o que amplia o alcance das nossas ações e deve aumentar a identificação das pessoas com a conservação da onça-pintada. Estes pontos focais foram denominados “Líderes Comunitários”. Em 2018 identificamos e treinamos Flávia Peron, de São Miguel do Iguaçu. Foram identificados, mas ainda não treinados, pontos focais também em Serranópolis (Rúbia Sponchiado) e Matelândia (Cláudia Mainath). Existem também dois possíveis líderes que moram beira parque perto da Fazenda Colonial em Capitão Leônidas Marques. Desenvolvemos um processo de capacitação dos Líderes Comunitários com a duração de dois dias, e a Flávia Peron, nos dias 10 e 11 de maio (Figura 51). A equipe do Projeto foi buscar a Flávia na comunidade São Jorge do Iguaçu, distrito de São Miguel do Iguaçu, e ela passou dois dias em treinamento em Foz. O pernoite em Foz também permitiu uma maior aproximação com a equipe e fortalecimento do vínculo. Atividades da capacitação: - Monitoramento noturno – acompanhar a equipe em rondas noturnas no Parque Nacional para a visualização de onças-pintadas;


- Palestra sobre o projeto, trabalho com as comunidades, formas de linguagem para diferentes faixas etárias, conflitos entre moradores do entorno e felinos, processo de colonização do oeste do Paraná; - Oficina para confecção de pegadas em gesso; conhecendo as diferenças entre as pegadas de felinos e caninos; - Acompanhamento de atividades de pesquisa em campo como monitoramento e instalação de armadilhas fotográficas; - Conhecendo o trabalho da proteção do PNI – conversa com o Analista Ambiental Edilson Esteves; - Conhecendo o trabalho e função do Chefe do PNI – conversa com Ivan Baptiston;

Figura 51 – Fotos da capacitação de Líder Comunitária.


10.2. Coexistência Para podermos proteger as onças do Parque Nacional do Iguaçu, é imprescindível envolver a população que vive no entorno do Parque e que pode de alguma forma ser impactada pelos felinos. Uma das linhas de ação do Projeto Onças do Iguaçu é trabalhar com as comunidades, avaliar qual a percepção pública sobre as onças e levar informações e orientações. A partir dessa vivência, buscamos avaliar o cenário, criar e estreitar vínculos e, junto com as comunidades, vamos construir estratégias que facilitem a coexistência de pessoas e onças. Temos tido muita receptividade e acreditamos que esta convivência do projeto com moradores lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu está possibilitando que eles tenham um novo olhar sobre a importância das onças. A coexistência entre pessoas e onças é um dos nossos maiores desafios, e também uma oportunidade muito rica de troca de saberes.

10.2. 1. Atendimento a casos ou suspeita de predação Os telefones de contato do Projeto são distribuídos em todos os locais onde desenvolvemos atividades. A ideia é que a população se sinta confiante que a equipe irá checar rapidamente qualquer informação de presença de onças na região, e desta forma entrem em contato com o projeto ao invés de abater o animal. Todas as comunicações sobre possível predação ou mesmo presença de onças sào checadas o mais rápido possível e os moradores são orientados sobre medidas de segurança para animais domésticos e pessoas. Em 2018 atendemos os seguintes casos: A – Comunidade Bela Vista (Realeza) Atendimento a visualização de puma na comunidade de Bela Vista em Realeza no dia 02 de fevereiro. Foram encontradas pegadas no local, e os moradores foram orientados sobre segurança e sobre os diferentes tipos de pegadas (puma, onça-pintada, cachorro doméstico (Figura 52).

Figura 52 – Atendimento visualização de puma em Bela Vista.

B – Proximidade do aeroporto (Foz do Iguaçu) Atendimento a visualização de puma nas proximidades do aeroporto em Foz do Iguaçu dia 05 de fevereiro. Recebemos uma ligação de um morador local informando que avistou o puma e que havia pegadas no local.


A equipe foi averiguar a situação, instalou armadilhas fotográficas e orientou o proprietário sobre segurança. O local é uma reserva de mata na margem da rodovia BR 163 ao lado do Recanto Gaúcho (Figura 53).

Figura 53 – Atendimento visualização de puma próximo ao aeroporto.

C - São Miguel do Iguaçu Em março, recebemos uma comunicação sobre predação em uma propriedade rural em São Miguel do Iguaçu (Figura 54).

Figura 54 – Local onde ocorreu a predação de 3 bezerros.

O morador, Marcos Antônio Alves teve cinco bezerros atacados por um puma, três deles foram mortos. predados por um puma (Figura 55). A equipe do Projeto atuou rapidamente, indo até a propriedade com a Polícia Ambiental, avaliando o local e orientando o produtor sobre boas práticas que poderiam evitar outros eventos de predação, e trabalhando com ele na implementação.

Figura 55 – Animais mortos por um puma


Na avaliação da propriedade vimos vários pontos vulneráveis: não havia cerca separando o pasto da mata ciliar, onde os animais entravam, havia um chiqueiro localizado na borda da mata ciliar e sem proteção, não havia cerca ao redor da casa, havia descarte de carcaças a céu aberto e há uma plantação de milho ao lado do pasto, com sinais de presença de capivaras, que podem atrair os pumas. Além disso, na mata ao lado da casa havia vários “jiraus”, comedores colocados por caçadores para atrair presas (Figura 56).

Chiqueiro na beira da mata sem proteção

Descarte de carcaças a céu aberto

Jiraus nas cercanias Plantação de milho ao lado da mata Figura 56 – Pontos de vulnerabilidade à predação.

Fornecemos arame para a implementação de cercas elétricas ao redor do pasto na borda do parque e ao redor da casa, pois os moradores estavam com medo que o puma pudesse atacar uma criança. O proprietário já tinha a estrutura elétrica para a cerca, nós fornecemos o arame necessário (Figura 57). O gado que pastava dentro da mata ciliar foi recolhido em um curral protegido por cerca elétrica

Figura 57 – Doação de material para cerca elétrica


Também fornecemos sinos de cobre para serem colocados no pescoço do gado (Figura 58).

Figura 58 – Vaca com sino de cobre (sinserro).

Para envolvermos mais parceiros na iniciativa de proteção desta propriedade contra a predação, e testar um modelo de ação, realizamos um dia de campo, que chamamos de Mutirão de Conservação (Figura 59). Tivemos o envolvimento e participação de diversas instituições: - Os fiscais do ICMBio e a Polícia Ambiental vasculharam a mata na região, procurando por “jiraus” e acampamentos de caçadores; - A equipe do Projeto Aqua do ICMBio organizou a limpeza do rio ao lado da propriedade, recolhendo embalagens vazias de agrotóxico, o que rendeu uma reflexão sobre o descarte responsável dessas embalagens; - A equipe de manutenção do Parque das Aves fez melhorias estruturais no chiqueiro, de forma que ele fique seguro e “à prova de onça”. O Parque das Aves também fez a doação de muitos alimentos para almoço e lanche e de tela para o Marcos continuar as melhorias; - As equipes de manutenção do Hotel Belmond Cataratas e do ICMBio fizeram melhorias na cerca elétrica no pasto, para dificultar a passagem de onças, e também fizeram o plantio de árvores nativas; - A Cataratas S.A. doou comida, água, mudas de árvores nativas para plantio e utensílios para o almoço coletivo dos participantes; - O Projeto Onças do Iguaçu montou uma pequena exposição e conversou com os alunos e professoras de escola local sobre a proteção das onças; - O Prefeito de São Miguel do Iguaçu, Claudiomiro da Costa Dutra, atendeu à nossa solicitação feita para arrumar a estrada que dá acesso a propriedade do Marcos até o asfalto, de forma que daqui para frente o Marcos vai poder vender sua produção de leite, o que antes não era possível por causa da estrada ruim. Convidamos a Lactomil para participar do mutirão e as negociações para a compra do leite já estão em andamento; - A Cooperativa LAR também esteve presente, e estão dispostos a trabalhar em parceria; - A data coincidiu com o aniversário do filho do Marcos, então foi feita também uma pequena comemoração com as crianças da escola dele; - Os senhores Ailton Peron e Antônio Peron, donos da propriedade, também compareceram, forneceram parte da alimentação e ajudaram a preparar o incrível almoço coletivo. Estão também animados a trabalhar em parceria; - As equipes do WWF e da Fundación Vida Silvestre (Argentina) também participaram; - Vizinhos da propriedade do Marcos também compareceram e pudemos conversar com todos sobre as onças, sobre conservação e medidas de prevenção e estabelecer um vínculo com todos.


Foi um dia intenso e produtivo que nos deu a indicação de que é possível promover a coexistência de gente e das onças do Iguaçu desde que trabalhemos em conjunto para construir soluções viáveis. Ouvimos do Marcos que ele nunca pensou que uma onça pudesse trazer tanta felicidade.

ICMBio e Polícia ambiental – busca de indícios de caça

Chiqueiro sendo cercado

Plantio de árvores

Reparos na estrada

Instalação de cerca elétrica

Limpeza do rio

Marcos e Susi, moradores


Atividade com a escola local

Aniversário “de onça”

Figura 59 – Mutirão de Conservação

Não trabalhamos com ressarcimento de gado predado por onças. Por falta de recursos e também por uma questão metodológica: acreditamos que o ressarcimento não estimula os produtores a melhorarem seu manejo e adotarem boas práticas, nem estimula o trabalho em parceria. Em futuros eventos de predação será feita uma avaliação caso a caso para definir a melhor abordagem. Ao invés de ressarcimento, estamos trabalhando com compensação, o que pode ser um modelo para futuras predações. Identificar um talento local, no caso do Marcos eles fazem queijos para vender. A produção era pequena, pois não tinham consumidores. Para colaborar com a geração de renda, começamos ajudando a vender a produção de queijos do Marcos e da Susi, que passamos a chamar de “Queijo da Onça” (Figura 60). Já chegamos a levar até 50 queijos a cada visita, e eles nunca tinham tido esta quantidade vendida antes. Como anunciamos também em nosso Facebook e eles apareceram na TV em várias reportagens, a procura pelo Queijo da Onça aumentou muito e agora eles mesmos estão conseguindo vender toda a produção, e pensando em comprar mais vacas leiteiras para suprir a demanda. Isso agregou valor à manutenção das onças vivas, e é uma estratégia que queremos replicar. Para ajudar a desenvolver este talento local, entramos em contato com a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), que se prontificou a dar treinamento para a Susi e Marcos em processamento do leite para que eles possam talvez ampliar a linha de produtos e possivelmente conseguir uma certificação sanitária.

Figura 60 – Queijo da Onça


Um puma foi avistado novamente em maio nos arredores da propriedade, e o Marcos entrou em contato conosco pois queria que o animal fosse removido. Fomos até a propriedade e conversamos com eles, explicando que tanto os animais de criação quanto as pessoas estão seguras com as medidas implementadas, e que remover um animal de seu ambiente natural não é a solução. Ao final da conversa, o próprio Marcos chegou à conclusão que a mata é a “casa da onça” e que eles poderiam viver lado a lado de forma segura. Em junho instalamos experimentalmente um dispositivo extra de segurança, o Sistema Turerê (ver item 10.2.2.). Não houve mais eventos de predação na propriedade, e fazemos visitas periódicas para checar o local e manter o vínculo criado com o Marcos e a Susi. D – Propriedade do João Ribeiro Dia 11 de abril recebemos a informação de avistamento de uma onça-pintada ao lado do Parque Nacional em Foz do Iguaçu, próxima à propriedade do Sr. João Ribeiro. A equipe visitou o local, encontrou pegadas e conversou com as pessoas que moram na propriedade, e também com o proprietário do camping próximo sobre medidas de segurança.

E - Família Colombelli Dia 10 de julho nossa equipe fez uma visita à propriedade da família Colombelli, em Serranópolis do Iguaçu. Fomos atender uma comunicação sobre possível predação de capivara por onça-parda. Percorremos a propriedade para avaliar vulnerabilidade à predação, ouvimos muitas histórias sobre as onças-pintadas que andavam por lá no passado e eles nos mostraram restos de capivara predada por pumas recentemente (Figura 61). Também demos orientação sobre segurança para pessoas e animais domésticos. Não tivemos relatos posteriores de predação neste local.

Figura 61 – Visita e avaliação da propriedade.

F – Campo Bonito No dia 25 de julho o Sr. Edson funcionário da prefeitura de Campo Bonito entrou em contato com o projeto e relatou que havia a presença de uma onça-pintada na zona rural de Campo Bonito, e que havia predado alguns bezerros. No dia 30 de julho visitamos o local (S 25.01820 W 53.02067 – Figura 62). Conversas com moradores indicaram a possível predação de um bezerro em uma propriedade, dois em outra e vários cães desaparecidos. Pelas informações da forma de consumo da


carcaça, o predador foi uma onça-parda. Duas moradoras também relatam terem visto uma onça-parda atacando um cão. Nessa visita foram repassadas informações de manejo para que os agricultores possam evitar a predação. Não tivemos relatos posteriores de predação neste local.

Figura 62 - Visão geral do ambiente onde supostamente ocorreram os ataques. A região é formada por pequenas, médias e grandes propriedades, com criação de gado de leite. Existem vários fragmentos florestais na região, incluindo áreas com mais de mil hectares.

G– Condomínio Águas Claras – Foz do Iguaçu Em julho fomos contatados pelo Condomínio Águas Claras, pois eles encontraram um tatu mordido e acreditavam que havia sido ataque de puma e estavam inseguros com a possibilidade de ter este animal na área. Fomos ao local imediatamente (Figura 63) e constatamos que o tatu foi predado por um cachorro doméstico. Explicamos aos moradores a diferença entre as pegadas de puma e de cachorro doméstico.

Figura 63 – Avaliação de predação de tatu no Condomínio Águas Claras

H – Comunidade Cristo Rei (Capanema) Em julho fomos informados que uma onça-parda foi avistada na comunidade Cristo Rei, em Capanema. A equipe foi até o local, mas não encontrou o proprietário e não conseguiu contato. Nenhum dos vizinhos soube dar informações.


I – Entorno do PNI – Foz do Iguaçu Em novembro recebemos a comunicação de que um puma estava sendo visto em propriedades próximas ao PNi em Foz do Iguaçu. Nossa equipe visitou o local (Figura 64), conversou com os proprietários de algumas propriedades, passando informações de manejo voltado à prevenção de predação e também informações sobre segurança. As propriedades receberam uma cartilha de coexistência (ver item 10.2.4.). Houve um relato, não confirmado, de avistamento de uma onça-pintada na propriedade vizinha, onde na noite anterior um cachorro foi atacado.

Figura 64 – Avaliação das propriedades ao lado do PNI em Foz do Iguaçu e foto de um puma em uma árvore no local (enviada por moradores).

J – Aeroporto – Foz do Iguaçu Em novembro a INFRAERO nos procurou pois haviam registros de um puma na área interna do aeroporto. As ações do Projeto estão apresentadas em um Relatório Técnico (Anexo 6). K – Lindoeste No dia 22 de novembro quando a equipe estava realizando pesquisa sobre a percepção da comunidade sobre as onças na região de Lindoeste, fomos informados pelo Sr. Celso Negri de que teria ocorrido predação de gado há cerca de 15 dias na divisa de sua propriedade com o vizinho. O Sr. Celso nos levou até o local onde encontramos apenas alguns ossos (Figura 65). Como esta propriedade é muito extensa e possui mais de 3 mil cabeças de gado, iremos realizar uma avaliação das melhores medidas de prevenção para este caso específico, no início de 2019. O proprietário recebeu a cartilha de coexistência e ficou com nosso contato em caso de novos eventos de predação.

Figura 65 – Avaliação de propriedade em Lindoeste


10.2. 2. Teste de mecanismos de prevenção de predação Trabalhamos em parceria com o Parque das Aves para desenvolver um sistema de baixo custo, com luzes de LED de tamanhos diferentes que acendem de forma intermitente, simulando uma pessoa se deslocando pelo local com lanterna. Chamamos de Sistema Turere. Jair Liberato, do Parque das Aves, usou um motor de microondas para criar um dispositivo que permite que 24 luzes de LED acendam automaticamente e de forma intermitente por toda a noite e apaguem quando o dia clareia. A ideia é que este mecanismo mantenha as onças afastadas à noite. A propriedade escolhida para o teste foi a do Marcos Antônio Alves, onde houve o registro de predação de bezerros por pumas. Após o desenvolvimento do dispositivo, visitamos a propriedade do Marcos para fazer medições e estimar o material necessário. No dia 4 de junho, o Sistema Turere foi instalado ao redor dos chiqueiros que ficam na borda da mata ciliar, cobrindo uma área de 75m 2 (Figura 66). O vídeo com as luzes em funcionamento pode ser visto no link: https://bit.ly/2MkXMIX Esse mecanismo foi desenvolvido por Richard Turere, um garoto de 11 anos, para tentar evitar a predação de gado por leões no Quênia. Além dos resultados empíricos positivos, a metodologia foi testada de forma científica e mostrou uma redução de 96% nas taxas de predação noturna após a instalação (Lesilau et al, 2018). Nos próximos 5 anos pretendemos identificar propriedades vulneráveis à predação e instalar o Sistema Turere de forma preventiva.

Figura 66 – Sistema Turerê: instalação e em funcionamento


10.2. 3. Avaliação da percepção pública sobre as onças Com apoio financeiro da WWF, estamos conduzindo entrevistas e conversas com os moradores dos municípios lindeiros ao PNI para avaliar a percepção pública sobre as onças. Este contato próximo tem também como resultado um ótimo trabalho de integração, engajamento e a construção de uma relação de confiança. Temos tido muita receptividade e acreditamos que esta convivência do projeto com moradores lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu está possibilitando que eles tenham um novo olhar sobre a importância das onças. Estamos conduzindo questionários estruturados com os moradores lindeiros. O questionário foi construído em conjunto com o Dr. Sílvio Marchini (Anexo 7). O objetivo é entender a percepção e as motivações que poderiam levar ao abate de onças. De posse destes dados, construiremos uma estratégia de ação. É importante entender a percepção que a população tem do risco, pois isso afeta diretamente a propensão de abate; tanto a percepção do impacto das onças para o gado quanto para a segurança humana (Marchini & Macdonald 2012). Fomos convidados para integrar o Projeto People and Wildlife Coexistence, coordenado pelo Dr. Sílvio Machini (Chester Zoo/WILDCRU e ESALQ), que vai explorar formas de melhorar a análise e gestão dos conflitos entre humanos e animais selvagens em várias localidades na América Latina (Figura 67), de modo a apoiar e aconselhar estratégias para transformar o conflito em coexistência. O objetivo é desenvolver um modelo ou estrutura unificada para avaliar o conflito entre humanos e animais selvagens, que incorpore dimensões naturais e humanas, processos de tomada de decisão e diferentes escalas.

Figura 67 – Abrangência do projeto People & Wildlife Coexistence.

Para a realização do diagnóstico dos principais motivos de retirada de onças-pintadas da natureza, mapeamento das áreas de conflito e levantamento dos impactos econômicos das perdas, estamos desenvolvendo as seguintes atividades: a) Realização de levantamento das propriedades rurais lindeiras ao Parque Nacional do Iguaçu elaborando um banco de dados com informações de localização, nomes dos proprietários e demais informações pertinentes. Os locais avaliados estão sendo também plotados em mapa (Figura 68); b) Elaboração de cronograma de contatos/visitas para aplicação de questionários; c) Agendamento de visitas as propriedades e aplicação de questionários; d) Análise e compilação dos dados obtidos.


b) Mapeamento das principais áreas, onde ocorrem conflitos e retiradas dos indivíduos; c) Estimativa dos impactos econômicos causados pela predação de animais domésticos pela onça-pintada; Os questionários são realizados por dois membros da equipe, um homem e uma mulher (Thiago Reginato e Aline Kotz), e percebemos que quando é um casal que chega para fazer a entrevista as pessoas se sentem mais confortáveis especialmente por que em diversas propriedades as mulheres estão em casa sozinhas enquanto o marido está na lavoura, e elas se sentem inseguras quando aparece um homem estranho sozinho. Muitas pessoas apresentam receio e desconfiança iniciais quando a equipe chega pela primeira vez, mas após um tempo de conversa eles vão se sentindo mais confiantes. Thiago e Aline são desta região, e conhecem a dinâmica das comunidades rurais. Cada visita para preenchimento do questionário dura em média 2 horas horas, e inclui também conversas sobre onças e orientações de manejo e segurança, quando necessário (Figura 69). Também percebemos que as conversas informais com os moradores geram mais dados do que os obtidos através do preenchimento do questionário, e que muitas vezes nas conversas informais os dados diferem dos que são informados no momento do preenchimento do questionário, especialmente em questões delicadas como o abate de onças. Estes dados adicionais também estão sendo registrados e serão analisados. Em janeiro de 2019 Sílvio Marchini virá a Foz do Iguaçu para fazer a análise de dados junto com a equipe. Até o momento foram realizados 85 questionários, nos seguintes municípios (Figura 70) em 13 municípios lindeiros, com exceção de Vera Cruz do Oeste. Quando uma propriedade é visitada, além do questionário também fazemos um cadastro desta propriedade.

Figura 68 – Propriedades cadastradas.


Figura 69 – Visitas às propriedades rurais.


10.2.4. Guia de Convivência Fizemos uma adaptação da cartilha “Predadores Silvestres e Animais Domésticos: Guia Prático de Convivência (CENAP/ICMBio), com a anuência e participação dos autores do documento original. Na nova cartilha, intitulada “Onças do Iguaçu: Guia de Convivência” (Figura 70), adaptamos as informações para a realidade local, com linguagem leve e acessível. Também incluímos informações de plantio e espaço para anotações sobre visualizações de onças, de forma que a cartilha possa ser um material de uso constante. A cartilha foi lançada em setembro, em uma reunião do CONPARNI (Conselho Consultivo do Parque Nacional do Iguaçu). O WWF Brasil fez a diagramação da cartilha e custeou a impressão de 2 mil exemplares. A distribuição das cartilhas para a população do entorno do PNI está sendo feita associada a uma exposição ou evento de capacitação, quando possível, ou em visitas a moradores rurais (Figura 71). Também está sendo distribuída em escolas e universidades, geralmente associada a uma palestra. Será feita uma articulação com as Secretarias de Educação dos municípios lindeiros para que o tema da cartilha possa ser incluído no conteúdo programático das escolas municipais. O Guia também está disponível em versão digital no link: https://bit.ly/2FGFtgg.

Figura 70 – Onças do Iguaçu: Guia de Convivência.

Figura 71 – Distribuição do Guia de Convivência.


10.2.5. Calendário Para 2019 fizemos 500 exemplares de um calendário que possa ser útil para os agricultores da região. Desta forma, além de foto de uma onça-pintada e dos contatos do Projeto Onças do Iguaçu, o calendário traz as datas de planto de frutas e hortaliças (Figura 72). Desta forma, além de ter nosso contato sempre visível, ele é uma ferramenta interessante para os moradores das áreas rurais.

Figura 72 – Calendário 2019.

11

DIVULGAÇÃO E COMUNICAÇÃO

11.1. Produção de material 11.1.1. Cartazes

• Sobre a onça-pintada: Com informações de biologia e fatos interessantes sobre a espécie, diagramado pela WWF Brasil. Está sendo distribuído em escolas dos municípios lindeiros (1mx40cm), mas a arte digital também foi disponibilizada no Facebook do Projeto Onças do Iguaçu e enviada para outros projetos de conservação de onças no Brasil. Também está sendo distribuído para universidades e zoológicos, e alguns deles, como o Zoo de Brasília, já usou a arte para produzir uma placa que foi instalada ao lado do recinto das onças-pintadas.


• Sobre a onça-pintada como Símbolo Brasileiro de Conservação da Biodiversidade. Feitos em duas cores, foram distribuídos no lançamento do Dia nacional da Onça Pintada e estão sendo distribuídos para escolas, projetos e universidades, e também para moradores nas atividades nos municípios lindeiros.

11.1.2. Adesivos

Lançamos no nosso Facebook a hashtag #LoucosPorOnças, e fizemos adesivos que estão sendo distribuídos em eventos, com bastante procura. Também foram feitos adesivos com a logo do Projeto e do Dia nacional da Onça.

11.1.3. Vídeos O Projeto fez uma parceria com a artista Cida Mendes, do Tecendo Prosa, e o resultado foram dois vídeos que podem ser usados em todo o Brasil para trabalhar a conservação da onça-pintada e o combate à caça com as comunidades (Figura 73). Nós preparamos um briefing e a Cida Mendes criou os textos, com linguagem acessível e discutindo de forma engraçada, emocional e leve as questões de caça e conservação de onças-pintadas. Os vídeos foram patrocinados pelo Capitão Bar e pela Helisul, e podem ser vistos nos links: • https://bit.ly/2zFdABK • https://bit.ly/2LVVBfb


Figura 73 – Vídeos do Tecendo Prosa.

11.1.4. Boletins Publicamos com periodicidade bimensal o boletim A VOZ DA ONÇA (Figura 74), com as atividades desenvolvidas pelo projeto no período. Em linguagem simples, o boletim é apenas digital, por falta de recursos para impressão. Fica disponível no Facebook do Projeto. Em 2018 foram lançados quatro números do A Voz da Onça.

Figura 74 – Boletins A VOZ DA ONÇA lançados em 2018.

11.2. Exposições em eventos Estamos criando eventos próprios para divulgação do projeto, como exposições em datas específicas, e também participando com um stand do projeto em eventos organizados por diversas instituições nos municípios lindeiros ao PNI. Isso ajuda a criar conexão entre os moradores e a equipe do projeto, levar informações, tirar dúvidas e engajar as pessoas com a conservação da onça-pintada. Em 2018 participamos/organizamos os seguintes eventos: A – Aniversário do Parque Nacional do Iguaçu 10 a 14 de janeiro – Para comemorar o aniversário do PNI, realizamos uma exposição sobre o Projeto (ainda Carnívoros do Iguaçu) no Porto Canoas, apresentando as atividades e conversando com os visitantes sobre onças-pintadas (Figura 75).


Figura 75 – Exposição no Porto Canoas.

B – Dia Mundial da Vida Selvagem Em dezembro de 2013, as Nações Unidas declararam o dia 3 de março como o Dia Mundial da Vida Selvagem. Essa data foi criada para gerar conscientização sobre a necessidade de conservação dos animais e plantas do mundo. Em 2018 esse dia foi especial, pois teve como tema “Grandes Felinos: predadores ameaçados”. Isso nos deu a oportunidade de trabalhar na conscientização das pessoas sobre a situação dos grandes felinos, e estimular que elas se envolvam e apoiem iniciativas globais e nacionais para salvar essas espécies fantásticas. Nos dias 3 e 4 de março realizamos a exposição “Trabalhando para Salvar as Onças do Iguaçu”, sobre as onças-pintadas e as ações de conservação da espécie no Parque Nacional (Figura 76). Para não apenas comemorar este dia, mas estimular outras instituições (como zoológicos) a fazerem o mesmo, nós traduzimos todo o material da campanha para o português (Figura 77), inclusive traduzimos e legendamos o vídeo oficial (https://bit.ly/2DjXteR) e distribuímos este material para a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB) e CENAP/ICMBio. Isso estimulou o desenvolvimento de


atividades em vários zoos no Brasil, ajudando a espalhar a mensagem de conservação dos nossos grandes felinos (Figura 78).

Figura 76 – Exposição sobre o Dia Mundial da Vida Selvagem no Porto Canoas, PNI.


Figura 77 – Material oficial da campanha, traduzido pelo Projeto Onças do Iguaçu.

Figura 78 – Locais onde foram realizados eventos para comemorar a data.

C – Dia Nacional da Alegria Dia 11 de abril, participamos das comemorações do Dia Nacional da Alegria, em uma ação para cerca de 40 crianças do projeto Força Verde Mirim, da Polícia Ambiental. Nesta data vários parques recebem gratuitamente instituições que atendem a crianças carentes na faixa etária de 6 a 12 anos. Foi apresentado um teatro sobre as onças e a ameaça da caça, e uma pequena exposição foi montada para as crianças (Figura 79).

Figura 79 – Participação do Projeto no Dia Nacional da Alegria.


D – Dia Mundial do Meio Ambiente Nos dias 6 e 7 de junho realizamos uma exposição no Porto Canoas para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente (Figura 80).

Figura 80 – Exposição no Dia Mundial do Meio Ambiente.

E – Festa do Melado Nos dias 18 e 19 de agosto o Projeto Onças do Iguaçu participou da Festa do Melado, em Capanema, para apresentar o trabalho desenvolvido para a comunidade local e trocar ideias sobre onças, boas práticas de manejo e segurança (Figura 81). Ocupamos um stand que foi cedido pela prefeitura, e tivemos um ótimo retorno em termos do interesse da comunidade.

Figura 81 – Exposição na Festa do Melado - Capanema.


F – Inauguração de ciclovia em Céu Azul Em setembro foi inaugurada, em Céu Azul, mais uma etapa da ciclovia da Rota Beira Parque, e foi realizado um passeio ciclístico. O Projeto Onças do Iguaçu aproveitou a ocasião para montar um stand e fez uma exposição, para conversar com os ciclistas sobre as onças-pintadas (Figura 82).

Figura 82 – Exposição na inauguração da ciclovia – Céu Azul.

11.3. Vinhetas em rádios Foram criadas algumas vinhetas sobre as onças, com duração de 30 segundos a um minuto. Serão breves inserções nas programações das rádios locais sobre prevenção de ataques a animais domésticos, informações sobre as onças e sobre o projeto. Essas vinhetas foram gravadas na Rádio Cultura em Foz do Iguaçu, e estão sendo veiculadas nas rádios dos municípios lindeiros a partir de julho (Figura 83).

Figura 83 – Equipe com Márcio Lotherman da Rádio Capanema.


As vinhetas iniciais têm o seguinte conteúdo: Temas: Quem somos e o que queremos informar? Início: Esturro de onça Informação: Olá, tudo bem? Somos do projeto Onças do Iguaçu. Trabalhamos para salvar as onças do Parque Nacional do Iguaçu. A partir de hoje vamos trazer um pouco de informação e conhecimento sobre este lindo projeto para a comunidade. Venha conosco! Final: Jargão: “Projeto Onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia? Que as onças estão desaparecendo da floresta atlântica no Brasil e o Parque Nacional do Iguaçu é um dos últimos locais onde ela vive. Cuidar da onça é cuidar de todos os animais da floresta. Juntos somos fortes. Ajude a cuidar dos nossos animais! Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia? Como a maioria dos grandes felinos, as onças são solitárias e preferem caçar ao entardecer, ou à noite? Você acredita que ela come mais de 80 tipos de bichos diferentes, incluindo veados, antas, capivaras, gambás, peixes, sapos e cobras. Cuidar da onça é cuidar de todos os animais da floresta! Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia que na verdade a Onça-pintada evita as pessoas e não tem comportamento de atacar pessoas? Mas é preciso tomar cuidado quando ela estiver com o filhote, ou comendo uma carcaça. Nunca tente chegar perto de uma onça, OK? Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia? Quem vê uma onça adulta nem imagina que os filhotinhos nascem cegos e indefesos, dependem da mãe para tudo e mamam até os dois meses. Depois de 6 meses saem do ninho e acompanham a mãe nas caçadas. Só depois de 2 anos aprendem a se virar sozinhos. Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia? Onças são animais territoriais, um macho pode ocupar uma área de até 22 mil Alqueires, e nesta área podem viver também duas ou três fêmeas. As onças passam a maior parte do tempo se deslocando e marcando o seu território. Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia? As onças são identificadas através do desenho das pintas, não existem duas iguais. É igual as nossas impressões digitas. Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça Informação: Você sabia? A onça-pintada é o maior felino das Américas e o terceiro do mundo só perde para o tigre e o leão. Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza?


Início: Esturro de onça Informação: Você sabia que a onça leva uma fama injusta de matadora de gado? Imagine você que a cada 100 cabeças de gado que morrem, apenas uma ou duas é por predação de onças-pintadas. Final: Jargão: “Projeto onças do Iguaçu. Vamos juntos cuidar da natureza? Início: Esturro de onça O que devo fazer se avistar uma onça? Mantenha calma e dê espaço para o animal escapar. Se ela não correr, não se aproxime e não de as costas ao animal. Nunca corra de uma onça, pois isso pode estimular seu instinto natural de caça. Sem tirar os olhos da onça, fale alto (não gritando) e firme. Faça o que puder para parecer grande. Levante os braços ou abra seu casaco, porém sem movimentos bruscos. Caminhe para traz lentamente, até chegar a uma certa distância em que você possa seguir o seu caminho. A onça provavelmente fará o mesmo. Se estiver acompanhado de criança, pegue-a no colo para evitar que ela saia correndo, ou coloque-a atrás de você. Por que não devo caçar? Primeiro que é ilegal, segundo que se diminuir a quantia de animais na floresta a onça pode atacar o gado doméstico. Sem comida as onças correm o risco de desaparecer.

11.4. Palestras e apresentações em congressos As palestras nos possibilitam divulgar o trabalho do Projeto, difundir informações sobre as onças-pintadas e engajar o público com a sua conservação. Em 2018 apresentamos 27 palestras, no Brasil e no exterior (Figura 84): ➢ 30/03 – Palestra para hóspedes do Hotel das Cataratas (Foz do Iguaçu) ➢ 23/04 – Palestra para o CONPARNI (Conselho Consultivo do PNI) (Foz do Iguaçu) ➢ 28/05 – Palestra para alunos do IPÊ (Foz do Iguaçu) ➢ 05/06 – Palestra para alunos da UTFPR (Foz do Iguaçu) ➢ 11/06 – Palestra para alunos do Colégio Estadual Antônio de Castro Alves (Capanema) ➢ 16/07 – Palestra para voluntários ingleses do ICMBio Palestra para alunos da UTFPR (Foz do Iguaçu) ➢ 01/08 – Apresentação durante o CEBUC (Florianópolis) ➢ 14/08 – Palestra para 70 integrantes das Polícia Rodoviária Federal do Paraná ➢ 20/08 - Palestra para alunos da UTFPR (Foz do Iguaçu) ➢ 21/08 - Palestra para o CONPARNI (Conselho Consultivo do PNI) (Foz do Iguaçu) ➢ 10/09 – Palestra na semana acadêmica da FAESI (São Miguel do Iguaçu) ➢ 11/09 - Palestra para alunos da UTFPR (Foz do Iguaçu) ➢ 12/09 – Palestra para alunos da FAESI (São Miguel do Iguaçu) ➢ 25/09 – Palestra para a Diretoria do Zoo Conservation Outreach Group, durante o Congresso da AZA - (Association of Zoos and Aquariums (Seattle/EUA) ➢ 26/09 – Palestra na semana acadêmica de Ciências Biológicas da UTFPR (Santa Helena) ➢ 26/09 – Palestra para o Jaguar Species Survival Plan, durante o Congresso da AZA - (Association of Zoos and Aquariums (Seattle/EUA) ➢ 29/09 – Palestra no Zoo Miami (Miami/EUA) ➢ 1/10 – Palestra no I Simpósio de Dimensões Humanas da Coexistência HumanoFauna (Piracicaba) ➢ 10/09 – Palestra na Semana Acadêmica de Ciências Biológicas da FAESI (Santa Helena)


➢ 26/09 - Palestra na Semana Acadêmica de Ciências Biológicas da FAESI (Santa Helena) ➢ 10/10 – Palestra para alunos de escola do Paraguai (Foz do Iguaçu) ➢ 30/10 - Palestra na Semana Acadêmica de Veterinária da UFPR (Palotina) ➢ 31/10 - Palestra na Semana Acadêmica de Ciências Biológicas da UFPR (Palotina) ➢ 5/11 – Palestra para a Associação de Ciclismo de Foz do Iguaçu (Foz do Iguaçu) ➢ 30/11 - Palestra para o CONPARNI (Conselho Consultivo do PNI) (Foz do Iguaçu) ➢ 14/09 – Apresentação de painel durante o 2nd International Wildlife Reintroduction Conference – Lincoln Zoo (Chicago). Recebemos uma bolsa do Lincoln Zoo que custeou integralmente a participação neste evento. ➢ 17/12 – Palestra para 50 médicos de Taiwan que estão fazendo trabalho voluntário no Paraguai (Foz do Iguaçu)

Colégio Estadual Antônio de Castro Alves

CONPARNI

Figura 84 – Palestras e apresentação em congressos.


11.5. Site O site do Projeto Onças do Iguaçu foi elaborado gratuitamente pelo voluntário do ICMBio Jacob Marchbank. O endereço é: http://oncasdoiguacu.org/

11.6. Redes Sociais 11.6.1. Facebook O antigo Projeto Carnívoros do Iguaçu tinha uma página no Facebook cujo conteúdo foi totalmente perdido durante a transição de equipes. Esta página foi reestruturada e renomeada: www.facebook.com/oncasdoiguacu/ Em janeiro/18 a página tinha 334 seguidores, e até final de dezembro este número aumentou para 11.418 “likes”, um crescimento de mais de 3.400% (Figura 80). Temos posts com alcance de até 115 mil pessoas. Essa plataforma é usada tanto para divulgar atividades do projeto quanto para engajar os moradores do entorno.

oncasdoiguacu

Figura 85 – Desempenho do Facebook do Projeto Onças do Iguaçu.

11.6.2. Instagram

Uma nova conta no Instagram (oncasdoiguacu) foi aberta em dezembro, e tem atualmente 300 seguidores.


11.7. Publicações no site O Eco De acordo com o previsto no Planejamento Estratégico, faremos até 2022 a publicação de pelo menos cinco artigos em veículos de divulgação nacionais, como O Eco. Em 2018 publicamos três artigos nesta plataforma, apresentados a seguir.


11.8. Organização de Congresso

O Projeto Onças do Iguaçu foi convidado pelo CENAP/ICMBio para integrar a Comissão Organizadora do 2° Congresso Internacional de Ecologia e Conservação da OnçaPintada e Outros Felinos Neotropicais, que vai acontecer em 2020, em Foz do Iguaçu ou Puerto Iguazu. Em 22 de outubro realizamos, em Foz do Iguaçu, a primeira reunião sobre o evento, com os seguintes membros da Comissão Organizadora: Ronaldo Morato (CENAP/ICMBio), Leandro Silveira e James (Instituto Onça Pintada) e Agustin Paviolo (Proyecto Yaguareté) (Figura 86).

Figura 86 – Reunião de parte do Comitê Organizador do Congresso.

11.9. Dia Nacional da Onça-Pintada

Umas das ações previstas em nosso Planejamento Estratégico era a criação de um Dia Nacional da Onça. Através de articulações com o CENAP/ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros) e Ministério do Meio Ambiente, foi possível alcançar esse objetivo. Através da Portaria MMA N°8, de 16 de outubro de 2018, a onça-pintada foi reconhecida como Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade. A portaria também institui o dia 29 de novembro como o Dia Nacional da Onça-Pintada. O objetivo da criação desta data comemorativa é ter nacionalmente, todos os anos, uma reflexão e discussão sobre a conservação da onça-pintada. Para que escolas, zoológicos, unidades de conservação e projetos de conservação discutam o assunto e encontrem formas de conectar as pessoas com estes felinos. O artista Pedro Busana criou a logo e arte para cartazes e posts (Figura 87). O lançamento desta data comemorativa foi no Parque Nacional do Iguaçu, com a presença do Marcelo Marcelino, na ocasião Diretor da DIBIO/ICMBio e Ronaldo Morato, Chefe do CENAP/ICMBio.


Figura 87 – Artes e logo criados pela artista Pedro Busana.

Concurso de desenho Para celebrar esta data, foi criado, através de uma parceria entre Projeto Onças do Iguaçu, CENAP/ICMBio e Cataratas S.A/Instituto Conhecer para Conservar, o 1° Concurso de Desenho Infantil da Biodiversidade, tendo a onçapintada como tema. Foram recebidos 544 desenhos do Brasil todo, e a votação foi feita pela internet. Os desenhos tiveram 115.435 votos. O vencedor ganhou uma viagem para Foz do Iguaçu com acompanhante, recebeu o prêmio durante a cerimônia de lançamento e fez vários passeios, graças aos parceiros: Parque das Aves, Macuco Safari, Itaipu Binacional e Helisul.


O segundo e terceiro colocados (Figura 88) receberam um exemplar do livro Panthera onca: À Sombra das Florestas.

1° Lugar LUCAS BREVES 11 anos Rio de Janeiro 29 mil votos

2 ° Lugar LARISSA OGG 9 anos São José – SC 12 mil votos

3 ° Lugar KAMILLI LIMA 10 anos Guarulhos – SP 8 mil votos

Figura 88 – Vencedores do concurso de desenho.

Cerimônia de lançamento

Na cerimônia de lançamento do Dia Nacional da Onça-Pintada, dia 29 de novembro, (Figura 89), tivemos o lançamento de um vídeo oficial produzido pelo CENAP/ICMBio e Adriano Gambarini, com o apoio do Projeto onças do Iguaçu e patrocínio da Veracel e do Macuco Safari (https://bit.ly/2Mqorol). Também foram lançados os vídeos do Tecendo Prosa (ver item 11.1.3.). Apresentamos no evento os trabalhos desenvolvidos pelo Projeto Onças do Iguaçu.


Durante o evento tivemos uma exposição de arte sobre a onça-pintada, com obras doadas pela ABUN (Artistas e Biólogos Unidos pela Natureza) para o Projeto Onças do Iguaçu (Figura 90). Kitty Harvil (Coordenadora), Birgite Tümmler e Christoph Hrdina, da ABUN, participaram da cerimônia. A pedido do Projeto Onças do Iguaçu, a ABUN vai disponibilizar o direito de uso da imagem das obras para todos os projetos de conservação de onças-pintadas no Brasil e para o Proyecto Yaguareté na Argentina. O Projeto Onças do Iguaçu, com a ajuda de vários parceiros e patrocinadores (WWF Brasil, Fundo de Desenvolvimento e Promoção Turística do Iguaçu, Veracel, Macuco Safari, Helisul, Capitão Bar e Instituto Conhecer para Conservar/Cataratas S.A.), fez a produção e distribuição para os convidados de materiais de divulgação como cartazes, camisetas, pins, banners e adesivos. O CENAP/ICMBio elaborou folders que também foram distribuídos. A Cataratas S. A. e o Instituto Conhecer para Conservar ofereceram um coquetel no encerramento do evento.

Figura 89 – Cerimônia de lançamento do Dia Nacional da Onça Pintada.


Figura 90 – Participação da ABUN na cerimônia de lançamento do Dia Nacional da Onça.

Festa da Onça

Além da cerimônia de lançamento, nos dias 1 e 2 de dezembro fizemos a “Festa da Onça”, uma exposição no Porto Canoas, no Parque Nacional do Iguaçu (Figura 91). Foram expostas as obras da ABUN, cartazes, banners, radio-colares, crânios e material de caça ilegal apreendido no Parque Nacional (peles de onças, armas, armadilhas, fotos). A equipe conversou com os visitantes neste dia sobre o projeto, sobre a importância da onça-pintada e as principais ameaças e desafios de conservação. Também foram feitas atividades para crianças, como desenho e pintura de rosto. Neste final de semana o público no Parque Nacional foi de 14.594 visitantes.

Figura 91 – Festa da Onça.


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APOIO A ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO

12.1. Identificação de material apreendido Auxiliamos as equipes de fiscalização do PNI e da Polícia Ambiental na identificação de material apreendido. Em março a Polícia Ambiental solicitou nossa ajuda para identificar o resultado de uma apreensão, que incluía pedaços de pele de onça antigos, carne de aves e mamíferos e a pele de um gato-mourisco (Figura 92).

Figura 92 – Identificação de material de apreensão.

12.2. Captura de um puma em Cascavel Entre 11 e 17 de julho nós participamos da campanha de captura de um puma que apareceu em uma área urbana em Cascavel, na região do Lago Municipal. O Projeto Onças do Iguaçu recebeu um pedido de ajuda das autoridades ambientais da cidade, e desde então passou a orientar o processo de captura do animal, que foi coordenado pelo Município. O Responsável Técnico pela Pesquisa do Projeto, Carlos Brocardo, permaneceu em Cascavel por uma semana, acompanhando todo o processo, que foi demorado e cuidadoso, para não causar danos ao animal nem às pessoas. Além do Projeto Onças do Iguaçu, a captura do animal mobilizou a equipe do Zoológico de Cascavel e Secretaria do Meio Ambiente do município. Disponibilizamos nossa equipe técnica, armadilhas (gaiolas), articulamos o Parque Nacional Iguazú (Argentina) o empréstimo de armadilhas e participamos de todo o processo. Também ficamos permanentemente em contato com o CENAP/ICMBio, que nos forneceu orientações. Após uma semana o animal foi capturado em uma das armadilhas instaladas ao redor do lago (Figura 93) e transferido para uma unidade de conservação definida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Recebemos inúmeros questionamentos sobre se seria realmente necessária a captura do animal. As razões que motivaram a decisão de captura foram: - o animal estava em uma área urbana, ao lado de casas, assim poderia se perder e acabar entrando em alguma, o que poderia causar algum acidente; - o animal estava em um parque muito frequentado pela população local, com diversas presas (capivaras) que ficam na área usada pelas pessoas, o que poderia levar a algum acidente caso o animal tentasse caçar perto das pessoas; - estamos em uma região onde vive uma população muito importante de onças-pintadas e onças-pardas da Mata Atlântica. Qualquer acidente envolvendo uma onça-parda atacando uma pessoa reflete imediatamente na segurança das onças (pardas e


pintadas) que vivem na região, e compromete todos os esforços que têm sido feitos há anos para conservar as onças da região; - havia o risco de a população urbana, com medo do animal, acabasse abatendo o puma. Já havia inclusive sido criado um evento no Facebook, um “mutirão” para a captura da onça-parda; - a área onde o animal estava o deixava muito vulnerável a caçadores ilegais; - próximo ao Lago Municipal está localizado o Zoológico Municipal, que fica em meio a mata nativa. Foi verificado que o animal também havia passado nessa área. Com a presença de animais presos, poderia haver a tentativa que o puma de vida livre tentasse pegá-los. No zoo ainda há mais cinco pumas em cativeiro, com uma fêmea em estro, assim sendo o animal de vida livre um macho, poderia ficar estressado pela presença de uma fêmea nessa condição; Após considerar prós e contras, a decisão tomada de remover o puma da área urbana foi considerada a mais segura, para o animal, para a população local e para todas as onças-pardas e pintadas da região. Esclarecemos para a população que o animal não foi solto no Parque Nacional do Iguaçu, pois existe uma percepção errônea de que o projeto no passado soltava onçaspintadas no PNI.

Figura 93 – Onça-parda capturada.

12.3. Resgate de animais atropelados ou mortos Com frequência somos procurados por órgãos ambientais solicitando ajuda em casos de atropelamento ou morte de felinos nas estradas da região. Sempre que possível, nós prestamos auxílio.


➢ Em janeiro/18 fomos até Céu Azul para resgatar um gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) que foi atropelado em Capanema. Levamos o animal para o Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu, onde passou por uma cirurgia ortopédica, mas não sobreviveu devido aos ferimentos extensos (Figura 94).

Figura 94 – Gato-mourisco atropelado em Capanema.

➢ Em setembro fomos até a região de Capanema para coletar material de um puma que foi encontrado boiando no rio (Figura 95). O animal, uma fêmea, foi baleado. O projeto está realizando ações na região para promover a coexistência. Quando fizemos um post no Facebook sobre isso, percebemos uma reação forte das pessoas, reações de ódio e violência. Como um dos nossos objetivos é resgatar a empatia, em seguida a este post publicamos o seguinte texto: “Nos últimos posts onde relatamos pumas mortos por caçadores, tivemos muitos comentários de ódio, pedindo a morte e tortura dos caçadores. E depois descamba para ataques entre pessoas que têm diferentes candidatos. Acreditamos que este não é o caminho. Pois violência gera violência. E se este planeta (e obviamente nós como espécie) tem salvação, ela passa pelo amor e pelo resgate da empatia. Do amor pelo outro, pela natureza. Pela capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir sua dor. Pela capacidade de respeitar as outras espécies sem achar que a nossa tenha algum direito divino de ocupar todos os espaços do planeta e acabar com tudo a seu bel prazer. A caça está esvaziando nossas florestas. Empobrecendo as matas, dizimando nossa biodiversidade. E como podemos combater isso? Com mudança de comportamento. Não caçando. Não comprando ou comendo carne de caça. Denunciando quem caça. Conversando com quem caça ou consome e tentando fazer com que a pessoa mude de ideia e de atitude. Sendo um exemplo e uma inspiração para outros. Espalhando o amor que você tem pela bicharada, porque ainda bem que amor é uma coisa contagiosa! A pessoa acha lindo uma onça morta? Mostre a maravilha e grandeza de uma onça viva! Mostrar a beleza deste mundo que merece ser preservado, para que as pessoas possam se conectar e se apaixonar pela natureza novamente. Pois é este amor que vai nos ajudar a salvar espécies. Já ouvimos pessoas dizerem “ah, mas já está morto mesmo, então vou comer”....e assim você gera a demanda de mais mortes. Se não tiver quem consuma, não vai ter quem cace. Nossa intenção com os posts é alertar para o problema, sensibilizar e criar uma rede de proteção, uma rede de pessoas que se unem para cuidar do Parque Nacional e que


dizem: aqui não! Aqui não vamos permitir que “tudo se acabe”! E juntos cuidamos. E juntos batalhamos para que esta não seja a terra do “já teve, não tem mais” Do já teve paca e não tem mais... Do já teve queixada e não tem mais.... Do já teve veados e não tem mais.... Do já teve onças e não tem mais.... Porque só podemos cuidar se fizermos isso juntos. Não com ódio, com amor! Sim, sentimos dor, raiva, tristeza e frustração quando vemos animais abatidos. Mas isso tem que ser transformado em energia para provocar mudança!”

Figura 95 – Puma abatido em Capanema.

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SEGURANÇA

Considerando que existem onças que frequentam a área de visitação do PNI, estamos elaborando uma matriz de análise de riscos que contemple todos os riscos possíveis para pessoas e animais, e com base nisso serão elaborados protocolos para cada risco identificado. Estão sendo elaborados protocolos reativos e preventivos para definir as condutas que funcionários, visitantes, moradores e pesquisadores devem seguir em situações de contato com esses animais. Estamos trabalhando na criação de uma Equipe de Resposta a Emergências (ERE), para questões relacionadas às onças. A função da ERE, além de proteger os animais, será manter a segurança dos visitantes, funcionários, moradores e pesquisadores em situações que envolvam contato com felinos silvestres. Para a criação da ERE, já foram realizadas reuniões com concessionárias (Cataratas SA, Macuco), Hotel Belmond, Itaipu Binacional e Parque Nacional Iguazú (Argentina) (Figura 96). Estão sendo ministradas palestras periódicas sobre segurança para os funcionários de todas as concessionárias e que atuam no PNI e também para moradores. Palestras e reuniões sobre segurança realizadas em 2018: ➢ 16/03 - Reunião sobre a criação da ERE, com concessionárias, Itaipu e Parque Nacional da Argentina.


➢ 05/04 - Reunião para elaboração da matriz de análise de riscos com concessionárias, Itaipu e Parque Nacional da Argentina. ➢ 08/05 - Reunião sobre a segurança com relação a felinos no Hotel das Cataratas com a equipe do PNI. ➢ 18/06 – Palestra no Centro de Visitantes para funcionários das concessionárias sobre segurança. ➢ 25/06 - Palestra no Centro de Visitantes para funcionários das concessionárias sobre segurança. ➢ 13/09 - Palestra no Centro de Visitantes para funcionários das concessionárias sobre segurança. ➢ 13/09 - Palestra para moradores do PNI sobre segurança. ➢ 01/11 – Palestra para funcionários da Eco Vitalle que trabalham com corte de grama no PNI sobre segurança.

Figura 96 – Reuniões e palestras sobre segurança com relação a felinos no PNI.


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VIABILIDADE FINANCEIRA

O Objetivo Específico 8 do Planejamento Estratégico do Projeto Onças do Iguaçu é garantir a viabilidade financeira do Projeto, e entre as ações identificadas neste objetivo estão: ➢ Articulação com zoos e associações zoológicas do exterior para a realização de palestras que divulguem o Projeto dentro da comunidade zoológica internacional. Ação já sendo desenvolvida, já apresentamos palestras para zoos nos Estados Unidos e enviamos nosso planejamento estratégico para zoos neste país que mantém onçaspintadas buscando financiamento. Também estamos fazendo uma articulação com o Comitê de Conservação da EAZA (Associação Europeia de Zoos e Aquários) para avaliar a possiblidade de eles apoiarem financeiramente o projeto. ➢ Articulação com parceiros locais para a realização de ações que gerem renda para o Projeto. Ação sendo desenvolvida, estamos em contato com o Instituto Conhecer para Conservar sobre o lançamento de uma linha de produtos sobre o projeto que seja vendida nas lojas do parque com parte do recurso repassado ao projeto. Existe a possibilidade de criarmos um roteiro no PNI que possa ser feito com visitantes interessados e a renda ser revertida para o projeto. O Fundo Iguaçu já é um dos principais patrocinadores do projeto, e a parceria foi renovada para 2019. ➢ Aplicar para editais de financiamento nacionais e internacionais que tenham um componente de espécies ameaçadas/conservação da biodiversidade. Em 2018, foram enviadas as seguintes propostas de financiamento: 1. Fundação Beauval Nature (França), com foco em trabalhos de monitoramento de indivíduos de onça-pintada. Ainda sem resposta. 2. Fundação O Boticário, com foco em estudo da comunidade de mamíferos do Parque Nacional do Iguaçu. Proposta não contemplada. 3. Nat Geo – Um grant específico para grandes gatos, com foco na implementação de medidas anti-predação, para reduzir o conflito humano-onças. Proposta não contemplada. 4. WWF Brasil – Proposta para a manutenção de atividades de engajamento das comunidades lindeiras ao Parque Nacional do Iguaçu. Proposta contemplada.


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REFERÊNCIAS

Bruskoter, J. T. & Wilson, R.S. 2014. Determining Where the Wild Things will be: Using Psychological Theory to Find Tolerance for Large Carnivores. Conservation Letters 7(3), 158–165. Desbiez, A. [et al.]; organizadores Rogério Cunha de Paula, Arnaud Desdiez, Sandra Cavalcanti. 2013. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, 2013. 384 p. (Série Espécies Ameaçadas, 19) Ferraz, K.M.P.M.B., et al. 2012. How species distribution models can improve cat conservation - Jaguars in Brazil. Cat News Special Issue 7, 38-42. Griffin, R.J., Dunwoody, S. & Neuwirth, K. 1999. Proposed model of the relationship of risk information seeking and processing to the development of preventive behaviors. Environ. Res. Sec. A, 80, 230-245. Lesilau, F., Fonck, M., Gatta, M., Musyoki, C., van ’t Zelfde, M., Persoon, G.A,, et al. 2018. Effectiveness of a LED flashlight technique in reducing livestock depredation by lions (Panthera leo) around Nairobi National Park, Kenya. PLoS ONE 13(1):e0190898.https://doi.org/10.1371/ journal.pone.0190898

Marchini, S. & Macdonald, D.W. 2012. Predicting ranchers' intention to kill jaguars: case studies in Amazonia and Pantanal. Biological Conservation 147, 213–221. Morato, R. G..; Ramalho, E. E.; Boulhosa, R. L. P. 2013. Avaliação do risco de extinção da onça-pintada Panthera onca (Limnnaeus, 1758), no Brasil. Biodiversidade Brasileira 3(1), 122-132. Paviolo, A. et al. A biodiversity hotspot losing its top predator: The challenge of jaguar conservation in the Atlantic Forest of South America. Scienific Reports 6:37147 (2016). Sanderson, E.W., Redford, K.H., Chetkiewicz, C.B., Medellin, R.A., Rabinowitz, A.R., Robinson, J.G. and Taber, A.B. 2002. Planning to save a species: the jaguar as a model. Conserv Biol 16: 8-62.


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ANEXOS

Anexo 1 – Planejamento Estratégico Projeto Onças do Iguaçu 20129-2022 Anexo 2 – Ficha de biometria Anexo 3 – Resultados de bioquímica - Croissant Anexo 4 – Resultados Exames FIV/FELV - Croissant Anexo 5 – Manual de Identificação das Onças do Parque Nacional do Iguaçu Anexo 6 – Relatório Infraero – Avistamento de puma no aeroporto Anexo 7 – Questionário de avaliação da percepção pública sobre onças


ANEXO 1


ANEXO 2


ANEXO 3


ANEXO 4


ANEXO 5


ANEXO 6

Relatório técnico – Projeto Onças do Iguaçu

No dia 08 de novembro, membros da equipe do Projeto Onças do Iguaçu (Carlos Rodrigo Brocardo e Cléo Falcão) fizeram vistoria no terreno pertencente ao Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, a pedido de servidores da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – Infraero. O motivo da vistoria foi o avistamento de uma onça-parda (Puma concolor) no terreno, havendo a solicitação para que o animal fosse capturado e translocado, por suspeitar-se de que o mesmo não conseguisse sair do local, por este ser todo cercado. Na ocasião da visita foi possível verificar que realmente o animal usava a área, por meio do registro de pegadas (Figura 1). Durante a vistoria também foi encontrada a carcaça de um graxaim (Cerdocyon thous), provavelmente morto pela onça. Nesse dia foi percorrido todo o perímetro de cerca, e observado alguns pontos que poderiam ser usados pela onça para adentrar e sair do terreno (Figura 2). Ainda no dia 08 foram instaladas três armadilhas fotográficas para registrar a onça, e assim avaliar o seu padrão de atividade e uso do local (Figura 3).

Figura 1. Pegada de onça-parda registrada no terreno do aeroporto

No dia 22 de novembro as armadilhas fotográficas foram recolhidas, e então feita a análise dos registros. No total foram obtidos oito registros de onça-parda


(Tabela 1), sendo que no último registro, o animal estava do lado externo da cerca (Figura 4).

Figura 2. Uns dos locais por onde a onça teria capacidade de cruzar a cerca usando as escorras dos postes como apoio.

Figura 3. Localização das armadilhas fotográficas (cam_01, cam_02 e cam_03)

Tabela 1. Registros de onça-parda


local cam_03 cam_01 cam_03 cam_03 cam_02 cam_01 cam_03 cam_01

data 08/11/2018 10/11/2018 12/11/2018 14/11/2018 16/11/2018 16/11/2018 18/11/2018 19/11/2018

horário 23:31:36 03:06:48 00:42:48 21:40:50 03:43:10 06:51:02 22:53:02 21:22:18

observação lado interno lado interno lado interno lado interno lado interno lado interno lado interno lado externo

Figura 4. Onça-parda registrada na cam_01, no dia 10-11-18 dentro da cerca, e no dia 19-11-18, já no lado externo.

Além de onça-parda também foram registradas mais oito espécies de mamíferos: mão-pelada (Procyon cancrivorus), furão (Galictis cuja), gambá-de-orelhabranca (Didelphis albiventris), jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi, fêmea com


dois filhotes), graxaim (Cerdocyon thous, dois indivíduos), veado-mateiro (Mazama americana, lado externo da cerca), quati (Nasua nasua, lado externo da cerca) e cão-doméstico (Canis lupus familiaris, dois indivíduos) (Figura 5).

Figura 5. Alguns registros: graxaim, acima a esquerda; mão pelada, acima a direita; família de jaguarundis, abaixo a esquerda; cão doméstico, abaixo a direita.

Como foi observado que a onça-parda consegue entrar e sair do local, não se recomenda a captura e remoção do animal. Para segurança dos voos, é recomendado que seja cercado toda a pista de pouso e decolagem, com estrutura capaz de impedir a passagem dos animais, medida que inclusive já está sendo planejada pela Infraero, segundo informações prestadas à equipe do projeto. Não é recomendado aumentar a impermeabilidade da cerca externa que circunda o terreno do aeroporto, pois isso poderia afetar as espécies que usam os fragmentos de floresta nativa que estão no interior do terreno, impedindo seu deslocamento, reprodução e busca por alimento. Nesse sentido medidas que facilitem o fluxo de fauna devem ser implementadas (passagens subterrâneas, em canalizações de água). Sem mais,


Foz do Iguaçu, 10 de dezembro de 2018

___________________________ Carlos Rodrigo Brocardo Biólogo, Responsável Técnico Pela Pesquisa – Projeto Onças do Iguaçu


ANEXO 7

LEVANTAMENTO DE CONVIVÊNCIA COM ONÇA-PINTADA 01 - Número da entrevista: ________ 02 – Data da entrevista: ___/___/___ 03 – Comunidade: ______________________________________________________________ 04 – Coord.___________________________ 05 – Entrevistador_______________________ Dados pessoais 06- Gênero ( ) masculino ( ) feminino 07 – Qual é a origem da sua família? 08 – Quanto tempo mora aqui? 09 – Qual é a sua função na propriedade? 11 – Número de pessoas na residência? 12 – Qual são as principais fontes de renda da família? ( ) pesca ( )agricultura ( )comércio ( )artesanato ( )caça ( )criação de animais ( )aposentadoria ( )outras Dados da propriedade 13 - Criação de animais (R) renda (X) consumo ( )galinha ( )pato ( )porco ( )boi ( )carneiro ( )outros__________ 14 – Qual é o tamanho da sua propriedade? 15 – Quantas cabeças de gado você tem? 16 – Quantos cavalos/burros você tem? 17 – Quantos suínos você tem na propriedade? 18 – Quantas galinhas você tem? 19 – Quantos cachorros você tem? Aceitação da Fauna Silvestre 20. De todos os animais silvestres (?), quais o(a) Sr(a) gostaria que tivesse mais aqui na região? por que? I.__________________________II__________________________III________________________ IV.__________________________V_________________________ Por que I?______________________Por que II?______________________Por que III?________________ [Por que onça?]__________________________________________________________________ 21. ... que tivesse menos...? I.__________________________II__________________________III________________________ IV.__________________________V_________________________ Por que I?______________________Por que II?______________________Por que III?________________ [Por que onça?]__________________________________________________________________ Percepção de tendência populacional de onças-pintadas 22 – Você acha que comparado com antigamente a quantidade de onça no parque: (01) Diminuiu muito (02) diminuiu (03) continua igual (04) aumentou (05) aumentou muito ( ) Ns


21 - Você acha que comparado com antigamente a quantidade de onça na comunidade: (01) Diminuiu muito (02) diminuiu (03) continua igual (04) aumentou (05) aumentou muito ( ) Ns Atitude em relação à onça 23 – Em sua opinião, você gostaria que a quantidade de onças no parque: (01) Diminuísse muito (02) diminuísse (03) continuasse igual (04) aumentasse (05) aumentasse muito (

) Ns

24 – Em sua opinião, você gostaria que a quantidade de onças na comunidade: (01) Diminuísse muito (02) diminuísse (03) continuasse igual (04) aumentasse (05) aumentasse muito (

) Ns

25 – Se as onças desaparecessem completamente da região, você ficaria: (01) muito triste (02) triste (03) nem triste nem feliz (04) feliz (05) muito feliz 26 – É possível conviver em harmonia com a onça-pintada na mesma região? ( )discordo totalmente ( )discordo ( )indiferente ( )concordo ( )concordo totalmente (

) Ns

Percepção e registro do impacto da predação 27 – Quantos dos seus vizinhos perderam animais por ataques de onça nos últimos dois anos? (01) nenhum (02) a minoria (03) a metade (04) a maioria (05) todos (

) NS

28 – Qual é a chance de uma onça-pintada atacar seus animais nos próximos 12 meses? (01) nenhuma (02) pequena (03) médio (04) grande (05) muito grande (

) NS

Conhecimento sobre a onça 29 -Conhecimento sobre predação ( ) 1- Certo ( ) 0 - Errado ( ) NS - Não sei A onça geralmente começa a consumir sua presa na parte dianteira enquanto puma consome as partes atrás da costela ( ) C ( ) E ( ) NS A onça geralmente esconde sua presa com folhas enquanto o puma não ( ) C ( ) E ( ) NS As presas da onça geralmente tem marcas de mordidas na nuca enquanto a presa da puma na garganta ( ) C ( ) E ( ) NS A fêmea da onça produz de 01 a 02 filhotes a cada dois anos ( ) C ( ) E ( ) NS A onça preta é mais perigosa para o gado do que a onça-pintada ( ) C ( ) E ( ) NS Percepção do risco a vida humana 30 - Morrem mais pessoas no Brasil por ataques de onça do que ataque de cachorro ( )discordo totalmente ( )discordo ( )nem nem ( )concordo ( )concordo totalmente 31 – Qual é a chance de uma criança da região ser atacada por onça nos próximos 12 meses? (01) nenhuma (02) pequena (03) médio (04) grande (05) muito grande ( ) ns 32 – Quando uma onça encontra uma pessoa: ( )certeza que não ataca ( )não vai atacar ( )meio a meio ( )vai atacar ( )certeza que sim ( ) ns Percepção sobre os benefícios associados a onça 33–A onça-pintada ajuda controlar a quantidade de capivaras e porcos ( )discordo totalmente ( )discordo ( )nem nem ( )concordo ( )concordo totalmente 34 – A onça-pintada ajuda controlar a quantidade de animais na floresta? ( )discordo totalmente ( )discordo ( )nem nem ( )concordo ( )concordo totalmente 35 – A onça-pintada beneficia a economia e turismo da região?


( )discordo totalmente ( )discordo ( )nem nem ( )concordo ( )concordo totalmente Atitude em relação ao abate de onça-pintada 36 – Qual é a chance de algum morador da região matar onça-pintada se: a)É vista nos arredores ( ) ninguém ( )só um ou outro ( ) a metade ( )quase todo mundo ( ) todo mundo b) pega animal de criação ( ) ninguém ( )só um ou outro ( ) a metade ( )quase todo mundo ( ) todo mundo c) ataca uma pessoa ( ) ninguém ( )só um ou outro ( ) a metade ( )quase todo mundo ( ) todo mundo 37 – Qual é a chance de você matar uma onça-pintada se ela: a)É vista nos arredores (01) nenhuma (02) pequena (03) médio (04) grande (05) muito grande ( ) não sabe b) pega animal de criação (01) nenhuma (02) pequena (03) médio (04) grande (05) muito grande ( ) não sabe c) ataca uma pessoa (01) nenhuma (02) pequena (03) médio (04) grande (05) muito grande ( ) não sabe Responsabilidades 38 - Quem ou o que você acha que é responsável/culpado pelos problemas com onças na região? I.________________II.___________________III._______________ Porque? 39 - O(a)sr(a) acha que tem alguma forma de evitar os problemas que as onças podem causar para o(a)sr(a) e sua família? Nenhuma forma (

) Em parte(

) Totalmente(

)

40 - O que faz para evitar problemas?_____________________________________________________ 41 - O que falta para poder evitar?___________________________________________________

Identificação de instituições responsáveis 42 - O(a)sr(a) sabe se existe algum órgão/entidade/instituição que ajuda às pessoas no caso de problemas com onças? I.________________II._______________III._________________ Como?

43 - E algum que atrapalha? I.___________________II.______________________III.__________________________ Como? Atitude em Relação ao PNI 44 - Você acha que faz diferença ou não faz em morar perto do PNI? ( ) faz a diferença ( ) não faz a diferença Porque? 45 - Com relação quando ocorre problemas com onças, faz a diferença ou não morar perto do PNI?


( ) vantagem ( ) desvantagem 46 - O que o PNI poderia fazer/o que você gostaria que ele fizesse para melhorar isso?

Registro de perdas por predação 47 – Quantos animais você perdeu por ataques de onça-pintada nos últimos dois anos? Gado adulto (

) Novilha (

) Bezerro (

) Outros animais (

)

__________________________________________________________________________ Registro de abate de onça 48 – Você sabe de casos de onça-pintada que foram mortas aqui na região? 49 – Escolaridade ( )nenhuma ( )fund. Inc. ( )fund. Comp. ( )méd. inc. ( )méd. com. ( )sup. 50. Idade. Manejo de Animais de Criação 51. Tem cerca elétrica nos locais onde animais são mantidos? ( ) Sim ( ) Não 52. Qual a porcentagem da área cercada? ________ 53 - Recolhe animais à noite? ( ) Sim ( ) Não 54- Possui local protegido para animais parirem? ( ) Sim ( ) Não 55- Os animais pastam na mata? ( ) Sim ( ) Não 56 –Tem algum sistema anti-predação instalado? ( ) Sim ( ) Não Se sim, qual? 57- Como é feito o descarte de carcaças? ( ) enterra ( ) céu aberto ( ) joga na mata Outros ( ) : especificar 58 – Distância da propriedade do PNI

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Relatório de Atividades 2018  

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