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Reportagem extraída e adaptada do Jornal “Folha de S. Paulo” da edição de 25/09/2008. Voto de cabresto

Uma herança do tempo dos coronéis – Antonio Carlos Olivieri A "Folha de S. Paulo", em reportagem de Eduardo Escolese, de 24 de setembro de 2008, revela que o programa Bolsa Família tem sido utilizado como forma de reintroduzir nos Estados do Nordeste brasileiro a velha prática do voto de cabresto nas próximas eleições municipais. Candidatos a vereador e prefeito usam o Bolsa Família para agradar eleitores, oferecendo em troca de votos os benefícios do programa para quem não os recebe, ou ameaçando retirá-los de quem não votar em determinado indivíduo. Trata-se de uma denúncia muito grave, de vez que se refere à violação de um dos direitos mais fundamentais - senão o mais fundamental - do cidadão de um país sob regime democrático: o direito de o eleitor votar exclusivamente de acordo com a sua própria consciência. Entretanto, o voto de cabresto no Brasil contemporâneo não se limita ao uso do “Bolsa Família”. Já em julho e agosto de 2008, apareceram denúncias da intimidação de eleitores nas favelas do Rio de Janeiro para votarem a favor de candidatos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado. Passado rural Antes de tocar nessa questão, porém, vale a pena fazer algumas reflexões a propósito da própria expressão "voto de cabresto", levando em conta seu caráter histórico e sua ligação com um Brasil do passado, essencialmente rural. Para começar, não custa lembrar que cabresto é um arreio de corda ou couro que serve para prender o animal à estrebaria ou para conduzir sua marcha. É nesse sentido de condução - da condução do eleitor - que se fala em voto de cabresto, o que evidencia que o eleitor assim conduzido é considerado como um animal que deve se submeter docilmente à vontade de seu senhor. Colocada nestes termos, além de evidenciar-se o caráter de autoritarismo criminoso dessa interferência na livre escolha eleitoral, já fica também sugerido o meio social em que ela se originou: no Brasil da República Velha ou Primeira República, quando as eleições ocorriam sob regime de voto aberto - o voto secreto só foi introduzido no país após a Revolução de 1930, com o Código Eleitoral de 1932 e a Constituição de 1934.

Coronelismo Durante a República Velha, o voto de cabresto se constituiu como o sistema tradicional de controle de poder político por parte das elites regionais brasileiras. Nesse


sentido, está relacionado ao fenômeno sociológico do coronelismo. A figura do coronel foi muito comum no período. Basicamente, o coronel era um grande fazendeiro que utilizava seu poder para garantir a eleição dos candidatos que apoiava. Sendo o voto aberto, os eleitores podiam ser pressionados e fiscalizados pelos jagunços ou capangas do coronel, para votarem nos candidatos indicados por ele. Tratava-se, evidentemente, de intimidação física e o recurso à violência era muito comum. No Brasil contemporâneo, um país majoritariamente industrial e urbano, a intimidação dos eleitores por meio da violência vem ocorrendo nas metrópoles: grupos paramilitares, formados por ex-policiais e traficantes que atuam nas favelas e outros bairros cariocas, estão obrigando a população, através de ameaças, a fotografar com celular o seu voto para garantir a eleição de candidatos ligados ao crime organizado. No que diz respeito ao uso do “Bolsa Família”, os partidos de oposição no Congresso Nacional acusam o governo federal de usar o programa para beneficiar os candidatos do Partido dos Trabalhadores e da base aliada. Afinal, em 2008, o governo reajustou o benefício em 8%, estendeu-o para jovens de 16 e 17 anos e anunciou um programa de qualificação profissional específico para os beneficiários do Bolsa Família, de acordo com que informa a mesma reportagem da "Folha de S. Paulo".

Proposta de trabalho Em grupos de 6 pessoas (obrigatoriamente) vocês deverão criar uma campanha conscientizando as pessoas da importância do voto e da democracia, indo contra a venda de voto s e a ainda atual política de “voto de cabresto” bem parecida com a existente durante a Primeira República, assim como vimos no texto. Para isso, cada grupo deverá criar uma charge, um vídeo, uma música ou um texto, por exemplo, (usem a criatividade) e depois, claro, compartilhar no facebook. Os grupos deverão fazer com que o maior número de pessoas visualize e curta a página de divulgação do seu material. Teremos um prêmio para esse grupo! Critérios de avaliação: - Elaboração da ideia do trabalho - Conteúdo do material produzido

- Criatividade e capricho na produção do material - Divulgação online

Data de entrega para visualização em aula: 23 de maio Data de postagem no facebook (com revisão feita, se for o caso): 25 de maio Vamos nos empenhar galera! Quero um ótimo trabalho e muita criatividade!

Trabalho 9º ano  

Trabalho 9 ano