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Cidade Ut贸pica

Jos茅 Bettencourt e Rui Fernandes

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Era um dia muito especial para todos e Tomás uma criança curiosa e inocente, características próprias da sua idade, completava uma década de existência. - Parabéns meu tesourinho, está na hora de acordar que hoje vais ter um dia longo –acordou-o de rompante, Anabela. Tomás agradeceu e levantou-se para ir tomar um duche. Enquanto o tomava, chegaram os seus amigos, Ricardo e Matilde. O Ricardo era o mais destemido ao passo que a Matilde era a mais inteligente do grupo. Enquanto estes esperavam pelo aniversariante na sala, Tomás acabou, depois de já estar pronto, por ir recebê-los à sala. - Parabéns Tomás! - disseram Matilde e Ricardo simultaneamente. - Obrigado! - agradeceu o aniversariante. Tomás estava muito contente, muito por culpa da sua mãe, porque esta há, sensivelmente, um mês atrás lhe tinha prometido uma surpresa inesquecível, no seu aniversário. O rapaz durante o período que antecedia o seu aniversário, passava horas a pensar no que seria a sua surpresa, quase 2


nem dormia, enfim, estava morto de curiosidade. No entanto essa espera tinha chegado finalmente ao fim. A mãe chamou-o para o quarto, pegou na varinha mágica, mostrou-lhe umas roupas que usava nos rituais e reveloulhe num tom de voz mais baixo: - Meu filho, sou uma feiticeira.

Após esta afirmação proferida pela sua mãe, o jovem ficou perplexo, sem pestanejar e com a testa enrugada. Anabela fez um gesto com a mão acompanhado com umas palavras pouco percetíveis e de repente abriu-se um portal. 3


-Ahhhhhh! – exclamou Tomás, admirado com o que tinha acontecido. - Podes entrar que isto é o portal para a Cidade Utópica. disse a mãe com uma convicção enorme. -Mas porque é que… Nesse momento acabaram por aparecer o Ricardo e a Matilde, que interromperam Tomás: - O que é que se passa aqui?- perguntou Matilde com um ar assustado. - Uau! Que espectáculo! - disse Ricardo, admiradíssimo. Após

um

silêncio

que

tomava

posse

de

todos,

instintivamente, Tomás avançou e entrou no portal.

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- Espera! - disse em tom aflito Matilde, ao mesmo tempo que corria para o portal juntamente com o Ricardo. Mal entraram no portal este fechou-se e sugou os três amigos.

Antes

de

poderem

dizer

qualquer

coisa,

aperceberam-se que estavam numa cidade diferente.

─ Que prédios fantásticos. Quase chegam ao céu! – exclamou Matilde. ─ É um lugar magnífico – constatou Ricardo. Tomás propôs que começassem a visitar os vários lugares da cidade. Mal tinham começado a andar Ricardo 5


reparou numa coisa que brilhava. Era um pacote transparente que continha uma goma dourada. ─ Vejam o que tenho aqui! – enquanto dizia isto, ia abrindo o pacote. ─ Deixa-me provar. – implorou Tomás. E conforme disse isto, pegou na goma e deu-lhe uma dentada. ─ Acho que parti um dente! – gemeu Tomás, ao mesmo tempo que deixava cair o resto da goma. Ricardo ainda tentou apanhá-la, mas não foi a tempo. Mal caiu no chão, sentiu-se a terra a tremer, abriu-se uma fenda por onde entrou a goma e voltou a fechar-se. Novo tremor de terra fez o chão abrir-se e deixar sair um pequeno cilindro mesmo por baixo dos pés de Ricardo. O estranho objeto esponjoso engrossou e elevou-se tão rapidamente que num segundo já tinha quase um metro de altura. ─ Socorro! – gritava Ricardo enquanto os outros tentavam puxá-lo para baixo. Matilde e Tomás acabaram por ser elevados também e em menos de um minuto, aquele enorme cogumelo tinha 6


atingido a altura de um dos enormes prédios. Por fim, parou junto ao terraço que era o sonho de qualquer criança gulosa: prateleiras cheias de caixas com gomas de todas as cores e tamanhos. Os três pensaram exatamente no mesmo e cada um deitou a mão a umas quantas gomas. Imediatamente ouviu-se um som irritante como o das brocas do dentista e as caixinhas onde se encontravam as gomas fecharam-se. Do chão saiu um cubo com cerca de meio metro de altura. A parte de cima abriu-se e mostrou um computador.

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─ Isto é muito estranho – disse Matilde, um pouco assustada. ─ Olhem, precisamos de inserir a password para entrar! – disse Ricardo. ─ Como é que vamos saber qual é? – disse, impaciente, o Tomás. ─ Estranho… – começou por dizer Ricardo. ─ O papel, onde está o papel que estava com aquela goma dourada? Pode ter alguma pista… – lembrou Matilde. Ricardo

procurou

nos

bolsos

e

encontrou-o.

Desdobrou-o e leu em voz alta: “Vai realizar-se o teu desejo”… Ouviu-se uma música vinda do computador e como que por magia, as prateleiras cheias de caixas de gomas surgiram para grande alegria dos três amigos.

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─ Tinha tanta fome! – exclamaram os três em uníssono. Mal acabaram de dizer isto, surgiram uns carrinhos cheios de frutas, pãezinhos, sumos e iogurtes. Quando acabaram de lanchar, escolheram algumas guloseimas. ─ A minha mãe deve estar preocupada – exclamou a Matilde. ─ Que horas são? – perguntou Ricardo. ─ Eu tenho que ir estudar, pois amanhã vou ter… Nesse momento Tomás acordou e percebeu que tudo não tinha passado de um sonho, de um grande sonho. Pôs a cabeça na almofada, sorriu e voltou a dormir. 9


FIM

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Cidade Utópica  

Conto

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