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“Local onde reside a criatividade�


A COARK, é uma empresa moçambicana de arquitectura, sediada em Maputo que promove o espírito colaborativo e interdisciplinar na elaboração de projectos. Tem como principal motivação a procura de soluções e metodologias ajustadas à realidade local, que permitam servir com qualidade todas as camadas da sociedade. Combinando a experiência da sua equipa e usando as ferramentas mais adequadas, a COARK está preparada para intervir nas diversas vertentes associadas à arquitectura, prestando serviços de projecto, levantamento, avaliação e fiscalização de obra. Consulte o nosso website para mais informação:

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continentes, Ásia, Europa. E o que é que nós estamos a fazer para mudar essa situação? Várias fábricas de tecidos já fecharam, inclusive aqui em Moçambique, e, na verdade, desta indústria de mais de trinta bilhões de dólares, nós retemos apenas 5% desse valor. Desde que começámos a falar sobre isso, a fazer barulho sobre o assunto, começaram a nascer várias outras iniciativas e várias outras empresas à volta do tecido africano. Esse era o nosso objectivo, nesse aspecto estamos a conseguir deixar marca. É verdade que é mais competição, mas é uma boa competição, obriga-nos a renovarmo-nos e a tornarmo-nos inovadores, a ter uma outra forma de ser e de estar. Creio que a nossa abordagem aos tecidos africanos, a ideia de contar histórias, pesquisar outras matérias-primas, outras fibras, é bastante interessante, assim como a ideia de educar o consumidor no sentido de que existem vários tipos de tecidos africanos, não é só a capulana, ou aquilo a que chamamos waxprint a nível de África. Todos os países ou regiões têm técnicas tradicionais que precisam de ser preservadas para não serem esquecidas porque fazem parte da nossa rica história de produção têxtil ao nível do continente. Parte da preservação da história de África passa por focar a atenção nestes tecidos e não estarmos a receber a interpretação da nossa história de tecidos vindos de fora. Por isso, é importante para nós haver mais e mais designers têxteis que contem as suas histórias. Por exemplo, a Nando’s criou uma competição para young designers à volta deste nosso conceito de contar histórias em tecidos, e hoje já existem cerca de 10 designers que já entram para o mercado com esta ideia de contar histórias. Nós fomos mentoras deste projecto e foi bastante interessante ver até onde uma marca como a Nando’s dá importância aos jovens criadores e às suas vozes. Que diferenças vêem no mercado de hoje em relação ao que existia quando começaram? (JS) Eu creio que o mercado agora está muito mais aberto. Lembro-me de que, quando iniciámos, enveredámos muito por esta componente de educar o consumidor precisamente porque, quando apresentávamos o nosso conceito de desenhar estampas e usar outros tecidos que não os usados para as capulanas, ninguém nos entendia. Tivemos de fazer todo este trabalho de campo, de pesquisar e mostrar que existe mais para além daquilo que as pessoas conhecem. Creio que agora, efectivamente, há muito maior abertura para aceitar produtos diferentes da parte de quem compra. Por outro lado, a nível da indústria, acho que houve um desenvolvimento, embora muito pequeno, mais ao nível de haver mais designers ou profissionais desta área da moda e de têxteis que começam a ter um pouco mais de interesse, e, talvez, a explorar coisas diferentes. Há ainda grandes lacunas ao nível de indústria, ainda não temos nenhuma fábrica. É-nos difícil dizer que vamos produzir aqui em Moçambique, ou no continente; embora haja fábricas noutros

países, a logística para fazer chegar aqui os produtos não leva a facilitar e a explorar este comércio interno. Por vezes é mais fácil ir buscar produtos à China, ou outros pontos da Ásia, ou até mesmo à Europa, quando temos os mesmos produtos aqui mais perto em África. (WZ) Em termos de mudança, eu diria que vai surgindo claramente uma camada de jovens criadores – digo sempre camada jovem porque acho que os jovens são mais de questionar e de trazer coisas novas – que começam a entender melhor esta coisa de terem de ser uma marca, porque existiam muito poucas marcas inicialmente. Ainda temos problemas de pessoas no mercado que não são muito originais, mas já há alguns que entendem a necessidade de serem únicos e inovadores, embora, num mercado em que as pessoas não têm educação na área da moda, seja difícil perceber-se como criar. Até para se criar é preciso aprender que existe um processo de desenvolvimento do produto que vai desde a ideia até ao fim. Durante muito tempo, a moda africana foi pegar em peças da Zara e fazer em capulana. Possivelmente estarei a exagerar, mas creio assim conseguir passar a ideia. No MFW viu-se muito isso, durante muitos anos. Presentemente começa a haver mais pessoas a colaborarem com artistas locais e a perceberem que a moda de um país se baseia na exploração da sua cultura local, e entendem também que a moda e a arte não estão separadas. Lembro-me de que, quando estava a estudar, fazíamos muita pesquisa e tínhamos que visitar muitas exposições e museus. Éramos estudantes de moda, mas vivíamos em museus, era daí que vinham muitas das nossas inspirações. Acho que temos um consumidor que arrisca e começa a dar mais valor ao produto local, mas ainda temos muito que crescer. Indiquem-nos 5 empreendedoras moçambicanas que considerem estar a desempenhar um papel relevante nas suas áreas de acção. (WZ) A IzyShop, da Anila Mussa e do seu marido, é o primeiro supermercado online moçambicano. Acho interessante e muito importante uma mulher estar envolvida num projecto desse tamanho; estão a crescer e acredito que o negócio está a correr bem. Outra empreendedora que creio estar a fazer coisas importantes é a Alexandra Marques. Começou com uma plataforma no Facebook chamada “Mães Amigas”, e hoje tem um aplicativo para mulheres chamado “Juntas”. Permite ajudar, de forma anónima, mulheres que sofrem, por exemplo, de violência doméstica. Elas podem ter apoio psicológico e moral do grupo sem se identificar. Muitas vezes as pessoas com receito de serem identificadas não recorrem a estas ajudas, e, desta forma anónima, torna-se muito mais fácil obter auxílio psicológico. Num país como Moçambique, onde a violência doméstica está muito presente, estes tipos de iniciativa são de louvar. A Sara Fair e a Tatiana Pereira, da IdeiaLab, que foram nossas mentoras. Nós as duas fizemos o Femetac, e a Sara vem acompa-


nhando o meu percurso desde 2008. A Ancha, que está a fazer uma pastelaria com produtos sem glúten, o que, para o mercado moçambicano, é algo muito inovador. Ela começou com este negócio precisamente por ela própria ser alérgica ao glúten. Não posso deixar de lado a presidente da ANJE, que é a Josina, que está a fazer muito trabalho em prol do empreendedorismo juvenil ao nível do país, e que, como mulher empreendedora, creio ter muita garra. Queria referir – já são mais de cinco –, a título de menção honrosa, a Maria Agness, uma jovem que tem um negócio chamado The House of Agness, no ramo florista de luxo. É interessante ver que, quanto mais jovens são as empreendedoras, mais inovadores são os seus negócios. É inspirador vê-las conseguir desenvolver os seus projectos em ramos completamente diferentes. (JS) O nosso mercado não foi desenhado para pequenas empresas, mas para grandes empresas com grandes investimentos. Muitas vezes os empreendedores, ao quererem fazer as coisas como deve ser, e talvez para sentirem que têm uma certa estrutura, enveredam muito cedo por formalizar tudo. Os custos são muitos e matam o negócio antes de poder desenvolver-se o suficiente. Muitas das vezes não é porque a ideia não era boa ou porque o mercado não era receptivo, os custos é que não permitem os negócios crescerem de uma forma mais orgânica. Que medidas acham que deveriam ser implementadas para potenciar o meio empreendedor no nosso país? (JS) Poderia haver políticas mais direccionadas aos pequenos empreendedores ou pequenos negócios. E a banca, por seu turno, poderia ter um segmento mais viável para quem tem pequenos negócios. (WZ) Serviços públicos – um exemplo muito caricato neste processo de encorajar o estar formalmente no mercado foi recebermos a inspecção da Águas de Moçambique. Passámos a pagar 1.500 meticais, quando, até aquela altura, pagávamos 200, mensais. A nova taxa é a taxa de empresa, mas aplicável a qualquer dimensão de empresa, seja grande ou pequena, quando, para nós, 1.500 meticais fazem toda a diferença. Efectivamente, o nosso consumo era de 200, o que significa que não temos pessoal nem actividade que justifique esses 1.500 meticais. Este tipo de serviços tem que ter em conta as pequenas e médias empresas, porque não temos de pagar uma taxa semelhante a uma empresa de grandes dimensões. Relativamente a incentivos ao nível do sector, ouço, por exemplo, muito barulho no que respeita ao agronegócio. É importante, claramente, mas, se existem empresas a tentar de alguma forma reactivar o mercado noutros sectores, deveria haver também algum tipo de incentivo. Na indústria têxtil não existem incentivos para a importação de matérias-primas, nunca se pagam menos taxas, como em algumas outras

indústrias. Num país em crescimento, as políticas de incentivos deveriam ser mais homogéneas para todos os sectores, porque estamos a crescer todos. (JS) Agora, por exemplo, está todo o mundo focado no gás, que é uma indústria que traz grandes volumes de negócio, mas é muito mais lenta até começar a dar esses frutos, porque ainda estão ao nível de prospecção. Se formos a olhar para outro tipo de indústrias, poderiam estar a trazer um rendimento mais imediato e até poderíamos utilizar isso como referência. Por exemplo, as Filipinas apostaram na educação, e neste momento exportam professores, enfermeiros e pessoas e tratam de idosos, à semelhança de Cuba. Por que razão nós não investimos um bocadinho mais no capital humano que já temos? (WZ) De facto é isso, trabalhamos no sector criativo e há aqui um potencial enorme e não há uma estrutura de apoio ao desenvolvimento nesta área, o que é uma pena. O país podia desenvolver-se por aqui. Temos recursos naturais que podem atrair muitas pessoas para Moçambique, mas temos um país onde fazer turismo é muito caro, e nós não devíamos ser tão caros. Veja-se o exemplo da Tailândia. É um país que está muito desenvolvido a este nível e é um dos destinos mais baratos para fazer turismo. A Wacy e a Jamila são pessoas muito dinâmicas. Que planos se avizinham? (WZ) A primeira coisa que percebemos estando no mercado moçambicano é que ter duas empresas separadas, que têm identidades fiscais diferentes, não faz muito sentido. Então, o primeiro plano é juntar as duas empresas numa só em termos de contabilidade e ter duas marcas separadas, em vez de duas empresas. Se calhar, mudarmos também um bocadinho o conceito da marca Karingana. Queremos entrar mais nesta área de pesquisa e desenvolvimento de tecidos, trabalhar mais em laboratório. É um projecto para o futuro ter um laboratório para desenvolvimento têxtil, isto é, analisar as matérias-primas do país para avaliar a sua aplicabilidade em tecidos. Falo isto a nível empresa. A nível pessoal, gostava de voltar a estudar um bocadinho mais sobre têxteis africanos, talvez não no sentido formal, mas ter tempo para pesquisar e perceber mais este mundo de tecidos do continente, que é bastante interessante. Quiçá um dia fazer um documentário sobre isso. (JS) Eu queria acrescentar que queremos aperceber-nos de como crescer um pouco mais no mercado regional e internacional, porque estamos baseadas aqui, mas a nossa visão, desde o início, foi focada para uma audiência muito maior. Acho que estes primeiros anos, com crise envolvida, foram bons para aprender aqueles primeiros passos, ganhar raízes e perceber o que funciona e o que não funciona, mas ainda falta explorar esta segunda parte, a de como poder alcançar mais pessoas.


I’m an apologist for being professional in everything we want to do, and fashion here has a very informal aspect to it. People don’t understand that fashion is a very exact science. A shirt is not done by chance. It requires math and clothing construction engineering, you need to know how to do it, or work with someone who does. So this path was very interesting. I remember that, when I received the Young Designer award, I got an invitation for a bachelor’s degree in Cape Town, but, at that time in my life I thought it was not the best option. I ended up f inding the right degree that I was looking for and began my studies. As I said, at the start, it was a hobby and watching the idea which I conceived get recognized means you’re on the right path. What are you doing to become an important player in textile commerce in Af rica? (WZ) Karingana is mostly an activism and provocation brand, because of our message, even when we give interviews, we mention sensitive matters, starting with our pitch. It brings attention to the fact that specif ically talking about Af rican fabrics, our continent is one of the biggest consumers and does not produce almost anything of what is consumed, it all comes f rom abroad, f rom other continents, Asia, Europe. And what are we doing to change that situation? Several fabric factories have already closed, including here in Mozambique, and, in truth, of this more than thirty billion dollar industry, we retain just 5%. Since we started talking about it, bringing focus to the matter, several other initiatives and companies were born around the Af rican fabric. That was our goal, in that sense, we are being successful in leaving a mark. There is indeed more competition, but it is good competition, it forces us to renew ourselves and become innovative, to have another way of existing and being. I believe our approach on Af rican fabrics, the idea of telling stories, searching other raw materials, other f ibers, is quite interesting, as well as the idea of educating the consumer in the sense that there exist several types of Af rican fabrics, not only capulana, or what we call wax print when it comes to Af rica. All countries or regions have traditional techniques which need to be preserved so as not to be forgotten for they are part of our rich history of textile production at a continental level. Part of the preservation of the history of Af rica is also bringing focus to these fabrics and not receiving the interpretation of our history f rom fabrics originating f rom abroad. We need to have more and more textile designers that

tell their stories. As an example, Nando’s created a competition for young designers around this concept of ours of telling stories in fabrics, and today 10 designers entered the market with this idea of storytelling. We were mentors in this project and it was very interesting to see up to where a brand like Nando’s gives importance to the young creators and their voices. What differences do you see in the market of today in comparison to when you started? (JS) I believe the market now is much more open. I remember that when we started, we went down this consumer education facet precisely because, when we presented our concept of drawing prints and using other fabrics other than the ones used for capulanas, nobody understood us. We had to do all this f ieldwork, research and showing that there is more beyond what people know. I think that now there is effectively more openness towards accepting different products by those who buy. On the other hand, at an industry level, I think there was development, even though very small, due to there being more designers or professionals in this area of fashion and textiles which begin to have a little more interest and, maybe explore different things. There are big gaps at an industry level, we still do not have any factory. It is hard for us to say that we will produce here in Mozambique or the continent; even though there are factories in other countries, the logistics to make everything arrive here does not make it easy to exploit this internal commerce. At times it is easier to get products f rom China, or other points of Asia, or even Europe, when we have the same products here closer in Af rica. (WZ) In terms of change, I would say that there is a layer of young creators appearing – I always say young layer because I think the youth is very inquisitive and brings new things – they understand better this thing about having to be a brand because there were very few brands initially. We have the problem of people in the job market who are not very original, but there are a few of them which understand the need to be unique and innovative, although, in a market where people are not educated in fashion, it is hard to know how to create. Even to create you need to learn that there exists a process of development of the product which goes f rom idea to completion. For a long time, Af rican fashion was taking pieces f rom Zara and make them in capulana. I could be exaggerating, but I believe I made


myself understood. At MFW you saw a lot of that, for many years. Presently there started to be a lot more people collaborating with local artists and understanding that a country’s fashion is based on the exploration of their local culture and understand also that fashion and art are not separated. I remember that when I was studying, we did a lot of research and had to visit many expositions and museums. We were fashion students but lived in museums, it was f rom there that we got many of our inspirations. I believe we have a consumer that takes chances and begins to value local products, but we still have a lot to grow. Tell us of 5 Mozambican entrepreneurs that you consider to be carrying out a relevant role in their areas of action. (WZ) Anila Mussa and her husband’s IzyShop is the f irst online Mozambican supermarket. I think it is interesting and very important for a woman to be involved in a project of that size, they are growing, and I believe that business is going well. Another entrepreneur that I believe is doing important things is Alexandra Marques. She started a Facebook platform called “Mães Amigas” (Friendly Moms), and now she has an app for women called “Juntas” (together). It allows you to anonymously help women that suffer, for example, due to domestic violence. They can have psychological and moral support f rom the group without identifying themselves. Many times people are af raid of being identif ied and don’t resort to help, and this way, anonymously, makes it much easier to get psychological help. In a country like Mozambique, where domestic violence is very present, these types of initiatives should be praised. Sara Faquir and Tatiana Pereira, f rom IdeiaLab, who were our mentors. Us two made Femetac, and Sara accompanied my path since 2008. Ancha is making a gluten-f ree products pastry shop, which for the Mozambican market, is something very innovative. She started this business because she was allergic to gluten. I can’t leave aside the president of ANJE, Josina, she is working a lot in the name of juvenile entrepreneurship countrywide, and as a woman entrepreneur, she has guts. I wanted to mention – already over f ive -, an honorable mention, Maria Agness, I the f ield of luxury flowers. It is interesting to see that the younger the entrepreneur, the more innovative their projects are in completely different f ields. (JS) Our market was not made for small companies, but big companies with large

investments. Many times the entrepreneurs, by wanting to do things right, so they can feel like they have a certain structure, start by formalizing everything very early. There are many costs and it ends up killing the business before it can develop enough. Most times it isn’t because the idea wasn’t good, or the market wasn’t receptive, the costs simply don’t allow for businesses to grow more organically. What measures do you think should be implemented to potentiate entrepreneurship in our country? (JS) There could be policies directed more towards small entrepreneurs or small businesses. And the bank could have a more viable segment for those with small businesses. (WZ) Public Services – a very grotesque example in process of encouraging the formal existence in the market was receiving an inspection by Águas de Moçambique (Waters of Mozambique), when until then we paid 200, monthly. The new rate is a Company rate, but applicable to any company dimension, be it big or small, and for us, 1,500 meticais makes all the difference. Effectively our consumption was 200, which meant that we did not have people or activity to justify those 1,500 meticais. These types of services need to take into account small and medium companies because it doesn’t make sense for us to pay a large company rate. Relative to incentives in the sector, I hear a lot going around when it comes to agribusiness. It surely is important, but if companies are trying to somehow reactivate the market in other sectors, there should also be some kind of incentive. In the textile industry, there aren’t incentives for importing raw materials, you never pay fewer fees, like in some other industries. In a growing country, incentive policies should be more homogeneous through all sectors, because we are all growing. (JS) Now, for example, the whole world is focused on the gas, which is an industry that brings huge volumes of business, but is very slow to bear f ruit, because it is still at a prospection stage. If we look at other types of industries, they could be bringing a more immediate income and we could utilize that as a reference. As an example, the Philippines bet on education, and right now they export teachers, nurses and elderly caretakers, much like Cuba. Why don’t we invest a little more in the human capital we have?


Rubrica - Sabias que

fe shona vizinho, e esteve implicado numa disputa com o governo português, que o condenou à morte. Natureza, turismo e protecção ambiental As águas cristalinas e temperadas e o clima tropical que se encontram tanto em Moçambique como na Tailândia fazem de ambos, com linhas de costa que se estendem por mais de 2.000 km, importantes destinos turísticos para quem gosta de praia e mar, de praticar mergulho, pesca, snorkeling e outros desportos e actividades marítimas. Nos dois países, a fauna e a flora são bastante ricas e diversif icadas, existindo em comum, entre outros, importantes florestas tropicais e atraentes recifes de coral. São muitas as espécies protegidas, de que são exemplos baleias, tubarões, a raia-manta e o elefante. Este, que, por sinal, é considerado símbolo nacional na Tailândia, tem sido, nos últimos tempos, tanto lá como cá, alvo de grande preocupação. No caso de Moçambique, são seus principais inimigos a caça furtiva e a ganância pelo marf im. De acordo com dados locais de mapeamento,

em 2009 existiam 20.118 elefantes na reserva do Niassa, mas em 2016 restavam apenas 3.675, ou seja, tinham sido abatidos, apenas ali, em sete anos, cerca de 16.443. Já na Tailândia, são f requentemente capturados elefantes jovens para uso em atracções turísticas ou como animais de trabalho, havendo agora mais elefantes em cativeiro do que em estado selvagem. Activistas ambientais af irmam que os elefantes mantidos em cativeiro no país estão, muitas vezes, em estado de maus-tratos. Em ambos os países têm existido campanhas de protecção e foram criados parques nacionais de conservação focados principalmente na preservação de elefantes no seu habitat natural. Comércio O comércio informal e os mercados são outro factor comum às duas realidades. É bastante usual ser-se abordado por vendedores, e as semelhanças entre as bancas de rua e os nossos dumbanengues, tal como na arte de negociar e regatear, são por demais evidentes. Fruta, legumes, comida confeccionada, artesanato local e flores estão entre os produtos mais comercializados.

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Mozambique and Thailand can have more in common than we imagine Even though separated by 8,000 km, the two countries have a lot of historical and cultural elements that have brought them closer for a long time.

ritory. One of his children, António José da Cruz, wedded a daughter of the Monomotapa, the great neighboring shona chief, and was implicated in a dispute with the Portuguese government, which condemned him to death.

History Like in Mozambique, there is in Thailand, which was called Siam until 1936, evidence of Portuguese presence which dates back to the remote 16thcentury. The Portuguese were the first western people to establish diplomatic and commercial relations with the Thai, and the Portuguese embassy is the oldest in the country. It all started in 1511, when Afonso de Albuquerque, Viceroy and Governor of Portuguese India, conquered the city of Malacca, that pledged allegiance to the kingdom of Siam. To avoid hostilities, Afonso de Albuquerque quickly sent to Ayutthaya, the capital of the kingdom, an emissary, Duarte Fernandes, that was very well welcomed. Years later, there were 300 Portuguese settled there and, thanks to the good relations established, a luso-siamese community started to form. To be told out of curiosity, that in 1538, the king Prajairaja, contracted 120 Portuguese to form his guard. The evidence of the Portuguese presence in the Santa Cruz church and the Baab Kudichin Museum, in Bangkok, in the ruins of the São Pedro and São Paulo churches, in Ayutthaya, as well as a neighborhood in the historical Center of the Phuket island is strong even today.

Nature, tourism and environmental protection The crystal clear and warm waters and tropical climate that is found in Mozambique as well as in Thailand, make of both, with their shores extending over 2,000 km, important touristic destinations for those who like the beach and the sea, scuba diving, fishing, snorkeling, and other sports and maritime activities. In both countries, the fauna and flora are quite rich and diversified, existing in common, among others, important tropical forests and attractive coral reefs. There are many protected species, among which whales, sharks, manta rays and the elephants. This one is considered the national symbol of Thailand, has been, lately, there as well as here, cause for great concern. In Mozambique, it’s main enemies are the poaching and greed over ivory. According to local mapping data, in 2009 there existed 20,118 elephants in the Niassa reserve, but in 2016 only 3,675 were left, which means, there were shot, there alone, in seven years, about 16,443 elephants. In Thailand, young elephants are frequently captured for use in touristic attractions or as work animals, existing more elephants in captivity than in the wild. Environmental activists state that the elephants kept in captivity in the country are, many times, being mistreated. In both countries, there have been protection campaigns and national conservation parks have been created which have as main focus preserving elephants in their natural habitat.

In the direct relation with Mozambique, it is of particular interest to know that the most famous dynasty of prazeiros (Portuguese feudal title) in the region of Zambeze was founded by Nicolau Pascoal da Cruz, of Thai origin. It is presumed that he had lived in Ayutthaya and had a Thai name, that he changed when converting to Christianity. In Siam, he joined the Portuguese army and, in 1767, arrived in the region of Tete, where he married an heiress to several prazos (large estates leased to colonists). The many children he had, united by marriage to other wealthy local families, growing the power of his family over the ter-

The commerce Informal commerce and the markets are also common factors for both realities. It is very normal to be approached by sellers, and the similarities between the street stands and our dumbanengues, such as in the negotiating and haggling art, are very evident. Fruit, vegetables, cooked food, local arts and crafts REVISTA XONGUILA © ™ Ed. 17 • Agosto/August 2019 - 81


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O Pekai Thai Pub f ica situado na Av. Francisco Orlando Magumbwe, na cidade de Maputo. Decorado ao estilo thai, com muita cor, luzes e velas, poderá aqui deliciar-se com a saborosa gastronomia tailandesa a um preço acessível. Se for em grupo, aproveite para pedir vários pratos para partilhar e saboreie a sua rica diversidade. Conversámos com Pekai Jiranun Patton,a gerente, para nos falar um pouco de si e do restaurante. Há quantos anos está em Moçambique? Moro em Moçambique há 17 anos. O que a levou a escolher o nosso país como destino? Vim para Moçambique com o meu falecido marido, que trabalhou para o Estado, em estradas, como engenheiro. Ele faleceu há 7 anos. Quais as maiores dificuldades de adaptação que teve quando cá chegou? As maiores dificuldades que tive foram a língua e a escassez de ingredientes alimentares para a culinária tailandesa. Era uma experiência muito nova para mim e, inicialmente, a adaptação à cultura africana também foi difícil. Depois de conhecer as pessoas locais, achei-as muito amigáveis. Dizem que a gastronomia moçambicana e a tailandesa têm aspectos semelhantes. Pode referir algumas dessas semelhanças a nível de pratos ou ingredientes utilizados? Acho que o caril tailandês e o moçambicano são muito parecidos, porque ambos utilizam leite de coco. Os dois países usam bastantes especiarias, e particularmente pimenta e piripiri. O que comem os moçambicanos quando vão ao seu restaurante? Quais os pratos mais solicitados? No meu restaurante, o prato mais pedido é peixe e caril, assim como a nossa sopa, que é um dos meus pratos favoritos.

Fotografia: Mariano Silva

Em sua opinião, o que deveria ser feito no nosso país para o potenciar em termos turísticos? Para atrair mais turistas, deve haver mais publicidade nacional promovendo a comida local, a segurança nas viagens, as praias locais e a polícia turística, como acontece na Tailândia. Este é um país bonito, e a publicidade nacional e transfronteiriça atrairá mais turistas. REVISTA XONGUILA © ™ Ed. 17 • Agosto/August 2019 - 83


Fotografia: Mariano Silva

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The Pekai Thai Pub is located on Francisco Orlando Magumbwe Avenue, in the city of Maputo. Decorated in the Thai style, with plenty of color, lights, and candles, here you can delight yourself on tasty Thai gastronomy at an accessible price. If in a group, take advantage of the occasion to order several dishes to share and savor the rich diversity. We talked with Pekai Jiranun Patton, the manager, so he could tell us a little about herself and the restaurant. For how many years have you been in Mozambique? I’ve lived in Mozambique for over 17 years. What made you pick our country as a destination? I came to Mozambique with my late husband, who worked for the state, in roads, as an engineer. He passed away 7 years ago. What are the biggest diff iculties of adaptation that you experienced when you arrived? The most diff icult things were the language and the scarcity of ingredients for Thai cuisine. It was a very new experience for me and. Initially, the adaptation to Af rican culture was also very hard. After getting to know the locals, I found them very amicable. It is said that Mozambican and Thai gastronomy have similar aspects. Can you

mention some of those similarities when it comes to dishes or ingredients? I think the Thai and Mozambican curry are very alike because both utilize coconut milk. The two countries use plenty of spices, and particularly pepper and piripiri. What do Mozambicans eat at your restaurant? What are the most popular dishes? At my restaurant, the most requested dish is f ish and curry, as well as our soup, which is one of my favorite dishes. In your opinion, what should be done in our country to potentiate it in terms of tourism? To attract more tourists, there should be more national publicity promoting local food, trip safety, local beaches, and touristic police, as it happens in Thailand. This is a pretty country, and national and beyond borders publicity will attract more tourists. REVISTA XONGUILA © ™ Ed. 17 • Agosto/August 2019 - 85


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O leite de coco fresco desempenha um papel enorme na maioria dos pratos moçambicanos e tailandeses. Temos sorte porque os cocos estão prontamente disponíveis durante todo o ano.

Fotografia: Mariano Silva

O que comem os moçambicanos quando vêm ao seu restaurante? Quais os pratos mais solicitados? O frango refogado tailandês com castanha de caju e seu saboroso molho é um dos favoritos. Outro famoso é o clássico prato de macarrão, o Pad Thai. Ambos, definitivamente, irão agradar o seu paladar. Em sua opinião, o que deveria ser feito no nosso país para o potenciar em termos turísticos? Há necessidade de se projectar uma mentalidade positiva. Deve ser desenvolvido um modo estratégico de contrariar as opiniões negativas sobre Moçambique. É preciso melhorar a nossa situação em termos de paz e ordem, uma vez que avisos de viagem negativos podem afectar o turismo.

"O leite de coco fresco desempenha um papel enorme na maioria dos pratos moçambicanos e tailandeses" REVISTA XONGUILA © ™ Ed. 17 • Agosto/August 2019 - 87


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At Spicy Thai, located on Julius Nyerere Avenue, next to Hotel Avenida, Thai food is queen. It has been open since 2003. It has a welcoming environment, the ingredients used come straight f rom Thailand and it counts on an excellent selection of quality wine. Here we talked to Daniel Prangpetch Noomnoi, the manager, with whom we exchanged a few words. How long have you been in Mozambique? I’ve been here since June 2004. It has been 15 good years directing the restaurant. What made you pick our country as a destination? I was curious as to what Mozambique had to offer. I wanted to learn a new culture, sharing, at the same time our Thai culinary culture. What were the biggest difficulties you faced when adapting upon arrival? I was unable to speak Portuguese which made it hard for me to work efficiently. It was very challenging, but I was ready for the challenge.

What do Mozambicans order most when they come to your restaurant? What are the most requested dishes? The Thai braised chicken with cashew chestnut and its tasty sauce are one of the favorites. Another famous is the classic noodle dish, Pad Thai. Both will, definitively, please your palate. In your opinion, what should be done in our country to potentiate it in terms of tourism? There is a need to project a positive mentality. There should be developed a strategic method of counteracting negative opinions of Mozambique. There is a need to improve our situation in terms of peace and order since negative travel warnings can affect tourism.

Fotografia: Mariano Silva

They say Mozambican and Thai gastronomy are similar. Can you mention some of those similarities when it comes to dishes or ingredients?

Fresh coconut milk plays a huge role in more Mozambican and Thai dishes. We are lucky because the coconuts are readily available throughout the whole year.

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Revista Xonguila Nº17  

A Xonguila é uma revista que tem como foco a divulgação turística e cultural de Moçambique.

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