__MAIN_TEXT__

Page 1

O OUTRO

E A QUALIDADE DE SER DIFERENTE Proposta Curatorial XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo

Jorn Konijn, Holanda Pedro Rivera, Brasil Julho2018


RESUMO Quem é o Outro? Quem ou o que é o Outro na arquitetura? Quem é o Outro em São Paulo e no Brasil? E o que o Outro significa no contexto da Bienal de Arquitetura de São Paulo? Essas são algumas das questões por trás de “O Outro – e a qualidade de ser diferente”. Investigar o Outro significa olhar fora da norma, além das nossas fronteiras materiais e imateriais. Ao escolher o Outro como tema principal desta bienal, nosso objetivo é refletir sobre as relações entre o ambiente construído e questões étnicas, econômicas, de gênero, religião, entre outras, que trazem a marca da alteridade. Uma investigação sobre o estado de ser diferente e seus potenciais para a arquitetura e o planejamento.


DESCRIÇÃO Esta proposta, para a 12ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, coloca em pauta o tema “O Outro – e a qualidade de ser diferente” sob três aspectos principais: (1) condições sociais; (2) globalização; e (3) transformação do campo profissional. Essas questões serão desenvolvidas em três programas investigativos, na forma de exposições, debates, workshops e conteúdos digitais. Os programas irão estimular a formação de parcerias entre aqueles que normalmente não teriam trabalhado em conjunto, enfatizando a ideia de descobrir o Outro. São Paulo e a maior parte das cidades globais possuem um território social fragmentado, cujo acesso é definido por quem é você e o que possui. A segregação continua sendo o modus espacial dominante no planejamento urbano; uma solução que aparentemente remove toda a fricção, mas, em uma escala mais ampla, inflama a tensão. As cidades contemporâneas são predominantemente formadas por forças políticas, econômicas e religiosas top-down, negando ou subestimando as vontades e necessidades das comunidades que as constituem. Nesse cenário, proliferam-se múltiplos Outros, que oferecem desafios tanto em nível local como nacional ou até mesmo internacional ou transnacional. O Outro se tornou temido, por vezes até odiado. Em paralelo, continuamos a viver sob padrões cada vez mais desiguais e predatórios, produzindo um desequilíbrio social e ambiental crescente que alimenta o ciclo de disputa e ruptura. A discussão sobre Viver junto – no sentido mais amplo do termo – está no cerne da maioria dos discursos sociais e políticos, no entanto, parece tornar-se cada vez mais difícil nos últimos anos. Como abordar e estimular o entrosamento com o outro, com o desconhecido? Como incluir essas questões em uma agenda urbana contemporânea? Como viver junto em ambientes como esses? Trata-se de uma discussão que produz questionamentos difíceis, como: “Todos deveriam viver juntos?” ou “Podemos viver juntos?”, ou ainda mais intensas, como: “Queremos viver juntos?”. O Outro também se refere ao que é estrangeiro. No começo dos anos 2000, o avanço de mercados comuns (União Europeia, Mercosul etc.), com a introdução de moedas globais e a rápida reconfiguração de fronteiras, parecia tornar obsoletos os Estados-nação. Falar sobre “o estrangeiro” parecia não fazer mais sentido enquanto o novo cidadão global estava em ascensão. No entanto, alguns anos depois, as rápidas mudanças globais deram lugar a uma guinada conservadora que trouxe à tona movimentos nacionalistas, como Brexit, o programa “Make America Great Again” (Torne os Estados Unidos grandiosos de novo), de Trump, entre outros. Nesse mesmo processo, o Brasil passou a assistir à ameaça de liberdades individuais e artísticas, fechando espaços para o acolhimento de diferenças.


É chegado o momento de convidar e receber novamente o Outro, no Brasil. De que forma uma bienal pode converter-se em oportunidade para estimular a colaboração entre pessoas e países? Como repensar a noção tradicional de pavilhões, em contexto contemporâneo? Finalmente, o Outro também se refere ao desenvolvimento no campo profissional. Nos últimos vinte anos houve um crescente interesse no campo da arquitetura, do design e das infraestruturas por pessoas externas a eles. Exposições muito influentes, como “Design with the Other 90 Percent” ou “Design for the Other 90 Percent” já abordam esses tópicos. A maior parte dos ambientes construídos e grande parte das cidades contemporâneas são criadas por outros – não arquitetos, não urbanistas e não designers –, seja de forma espontânea na informalidade ou por meio de grandes projetos liderados por corporações. Quem são os Outros que constroem as cidades contemporâneas nestas duas pontas tão díspares? O que os motiva ou inspira? Como trabalham? Como se relacionam com os arquitetos e planejadores? Como esses profissionais podem ser influenciados a aprender com eles? Que tipo de envolvimento seria necessário por parte do arquiteto para finalmente torná-lo um ator relevante na vasta maioria dos ambientes construídos que, na verdade, não precisam dos seus serviços? Os arquitetos são ainda agentes de autoridade e transformação frente ao futuro que se delineia?


PROGRAMA VIVER JUNTO - SÃO PAULO Exposição e Diálogos Viver Junto – São Paulo será um laboratório experimental que irá investigar o Outro na cidade de São Paulo. Para isso dez profissionais brasileiros serão reunidos para trabalhar em equipes de dois, em que cada um investigará o contexto local do Outro. As equipes escolherão pontos de fricção em São Paulo, com uma estrutura que os possibilite explorar o tema ao máximo. Como em uma série de cartas em que os pensamentos e as ideias são compartilhados, essas colaborações podem, ainda que não seja condicional, levar o projeto a uma proposta arquitetônica real. Além disso, precisam, ao menos, incluir diversas ações que exponham o potencial de melhoria nesses pontos de fricção. Estes participantes não precisam, necessariamente, ser arquitetos. Pode-se compor uma mistura de outros profissionais, como artistas, líderes comunitários ou políticos. É essencial incluir o Outro no processo experimental de investigar o Outro na cidade de São Paulo. Esse programa enfatiza a ideia da Bienal de Arquitetura como um espaço de experimentação para desafiar e impulsionar os limites da profissão de arquiteto. Tudo começa antes da bienal, com os resultados sendo apresentados na exposição principal. Esse movimento também cria uma ponte com a edição anterior, que pesquisou locais de fricção em São Paulo, especificamente intervenções em prédios ocupados na área central da cidade.

MATCHMAKING INTERNACIONAL Exposição e Diálogos A segunda abordagem do tema do Outro ocorre por meio de um extenso programa internacional. Como já mencionado, essa proposta enfatiza a importância de criar uma bienal de fato internacional. Isso não só incluiria países vizinhos, mas também fortes representações de Estados-nação mundo afora. No entanto, gostaríamos de ir além do modelo tradicional de representação por país. De outra maneira, curadores de diferentes nações seriam convidados a trabalhar em dupla para, juntos, criar uma exposição em torno do tema do Outro que se relacione com seus contextos locais. Por exemplo, um curador dos Estados Unidos pode ser convidado a trabalhar com um curador do México para desenvolver uma exposição em comum. No total, gostaríamos de criar vinte exposições combinadas, levando à participação de quarenta inscrições internacionais.


Tanto Jorn Konijn quanto Pedro Rivera contam com uma rede internacional vasta e relevante de curadores, arquitetos, além de órgãos de financiamento. Com essa rede, ambos podem criar e cofinanciar uma grande parte dessa segunda exposição principal. Abaixo, indicamos uma lista de países e curadores, incluindo o cargo atual de cada profissional que gostaríamos de convidar para desenvolver a exposição. Esses curadores ainda não foram abordados e servem como ponto de referência para revelar a diversidade e o alcance da nossa rede. Estamos certos de que todos os curadores mencionados na lista abaixo aceitariam o convite para participar da exposição. Em seguida, apresentamos uma lista de pré-parcerias de dez duplas de curadores que gostaríamos de convidar para esse programa internacional. Para a bienal em si, gostaríamos de estender essa lista a um total de vinte duplas de curadores, atingindo quarenta países participantes. ESTADOS UNIDOS & MÉXICO Um conflito cultural entre vizinhos, políticas opostas e um muro possível? Curador dos Estados Unidos: Nacho Galán (arquiteto/ acadêmico/ curador-chefe da Bienal de Oslo de 2016) Curador do México: José Esparza Chong Cuy (curador do MCA Chicago) CANADÁ & IRÃ Reformar a paisagem política e social, ambas dentro de uma realidade diferente. Curador do Canadá: Brendan Cormier (curador de design do Museu Victoria & Albert, Londres, Reino Unido) Curador do Irã: Azadeh Mashayekhi (arquiteto iraniano / Bartlett Development Planning Unit, Reino Unido) CHILE & VIETNÃ Arquitetura dentro da paisagem histórica de guerra e ditadura Curadora do Chile: Joanna Helm (antiga editora do ArchDaily Brazil) Curador do Vietnã: Nguyen Hai Long (arquiteto Tropical Architecture, Cidade de Ho Chi Minh, Vietnã) AUSTRÁLIA & ÁFRICA DO SUL Apropriação da arquitetura colonial, comparando a Cidade do Cabo e Melbourne Curador da Austrália: Urtzi Grau (Universidade de Sidney, arquiteto da Fake Industries Architectural Agonism) Curadora da África do Sul: Mpho Matsipa

(professora-adjunta de Arquitetura, GSAPP, Columbia University) FRANÇA & EQUADOR O coletivo e o Outro Curador da França: Coletivo de Arquitetura Coloco Curador do Equador: Coletivo de Arquitetura Al Borde ESPANHA & ITÁLIA Problemas similares, apondo direções políticas: a movimentação da Espanha para a esquerda, da Itália para a direita Curador da Espanha: Juan Herreros (Estúdio de Arquitetura Herreros / GSAPP, Columbia University, Nova York) Curadora da Itália: Fabiola Fiocco (curadora de arquitetura, Roma) REINO UNIDO & ÍNDIA Arquitetura de descolonização. O antigo colonizador tornando-se potência mundial – parte 1. Curador do Reino Unido: David Chambers (Architect Aberrant Architecture & Saint Martins, Reino Unido). Curado da Índia: Rohan Shivkumar (reitor da Faculdade de Arquitetura de Mumbai KRVIA, Índia) BRASIL & PORTUGAL Arquitetura de descolonização. O antigo colonizador tornando-se potência mundial – parte 2. Curador do Brasil: a decidir Curador de Portugal: Frederico Duarte (curador do MUDE Museu do Design, Lisboa)


HOLANDA & MARROCOS Identidade do país depois da migração de profissionais nos anos 1970 – parte 1. Curador da Holanda: Marten Kuijpers (curador do The New Institute, Roterdã) Curador do Marrocos: a decidir

ALEMANHA & TURQUIA Identidade do país depois da migração de profissionais nos anos 1970 – parte 2. Curador da Alemanha: Oliver Elser (curador do German Architecture Museum, Frankfurt) Curadora da Turquia: Selva Gurdogan (diretora do Studio X Istanbul, Architect Superpool)

OS OUTROS ARQUITETOS Exposição, Workshop e Diálogos O terceiro programa investigativo da proposta trata do Outro em relação ao desenvolvimento no campo profissional da arquitetura, do design e das infraestruturas, investigando quem são os demais envolvidos que criam uma cidade. Como Saskia Sassen destacou em seu artigo, “Who Owns Our Cities”, “a privatização nos anos 1990 resultou em uma redução de prédios públicos e um crescimento de propriedades corporativas de grande porte. O resultado é um diminuição na textura e na escala dos espaços anteriormente acessíveis a população. Onde antes havia um prédio de escritórios do governo que lidava com as regulações e com a supervisão desse ou daquele setor econômico público, ou que tratava das reclamações do bairro, agora talvez exista a sede de uma empresa, um prédio de apartamentos de luxo ou um shopping center protegido.” A cidade de São Paulo é um exemplo extremo disso; portanto, a investigação se faz necessária. A atitude em relação às construtoras por parte da dos arquitetos profissionais, no entanto, muitas vezes é de desconfiança. Nesse terceiro programa investigativo gostaríamos de ir além da desconfiança e estabelecer uma relação com os demais participantes do desenho da cidade. Esse programa será realizado em colaboração com escolas de arquitetura locais, como a Escola da Cidade e/ou FAU-USP, onde diversos workshops serão organizados, durante o semestre anterior a bienal, em torno desse tema e dessa disciplina. Os criadores de projeto serão convidados a expor seus métodos de trabalho, e os estudantes irão investigar e analisar seus métodos. Os alunos vão pesquisar as qualidades e as desvantagens das práticas de diversos profissionais e suas implicações no nível da rua, do bairro e da cidade como um todo. A partir de então, o programa vai discutir o papel dos agentes privados na criação da cidade. O resultado final incluirá palestras, workshops, material de pesquisa a serem expostos ao público (como mapas, diagramas, modelos e propostas dos estudantes) baseados na investigação.


CONFERÊNCIA INTERNACIONAL A conferência internacional “O Outro – e a qualidade de ser diferente” será realizada na semana de abertura. Este encontro irá propor a investigação dos temas centrais da bienal e irá abordá-los por meio de portfólios e apresentação de casos pragmáticos. A equipe curatorial terá como objetivo organizar uma conferência internacional, ativa ou mesmo interativa, com uma abordagem ativista. Serão convidados curadores, arquitetos e urbanistas internacionais, mas também líderes comunitários, políticos, artistas, intelectuais e uma grande variedade de palestrantes para gerar uma ampla abordagem e discussão do tema. A conferência em si será dividida em duas partes. Uma primeira parte será mais teórica e a segunda parte tratará de projetos e estudos de caso do Brasil e de ao redor do globo.

SÉRIE DE PALESTRAS E DEBATE A série de palestras começará nos meses anteriores à abertura da bienal, com ampla variedade de palestrantes, de arquitetos a teóricos, além de designers ou demais agentes que lidem com o tema central da bienal, o Outro. Parte da série de palestras pré-bienal fará a atualização regular da investigação Viver Junto – São Paulo, em sua construção para tornar-se a exposição principal da bienal. As palestras seguirão sendo realizadas durante a bienal, uma vez por semana, no espaço principal do evento.


PUBLICAÇÃO Em geral, as bienais são custosas, e financiamentos substanciais são difíceis de encontrar. Um dos primeiros elementos de uma bienal que costuma ser cortado por razões financeiras é o catálogo. Isso é uma pena, uma vez que é muito importante documentar não apenas o trabalho da bienal em si, mas tudo o que compõe uma bienal (atividades, palestras, workshops etc.) Acreditamos que é essencial ter tanto uma edição impressa quanto um “registro” digital da bienal completa. Em uma conversa inicial, a Cobogó Editora demonstrou interesse em produzir e publicar esse catálogo. Para a distribuição digital da bienal, acreditamos ser mais fácil – e financeiramente mais factível – usar plataformas de mídia social existentes. SOBRE A COBOGÓ Criada em 2008, a Editora Cobogó tem seu foco em publicações sobre arte e cultura contemporâneas. Lançou títulos de autores e artistas como Andy Warhol, John Cage, Hans Ulrich Obrist, Moacir dos Anjos e Cacá Diegues. Publicou os panoramas Pintura brasileira séc. XXIe Fotografia na arte brasileira séc. XXI; e monografias de diversos artistas, entre eles, Adriana Varejão, Nuno Ramos, Laura Lima, Erika Verzutti, Sonia Gomes, Marina Rheingantz, Mauro Restiffe, Paulo Nazareth e Iran do Espírito Santo. Publicou, ainda, os livros infantis Arte brasileira para crianças, 100 artistas e

atividades para você brincar,a partir de obras de arte brasileiras dos séculos XX e XXI, e Pássaro do Brasil, e algumas histórias: colorindo com Adriana Varejão. O catálogo também se distingue pela publicação de livros sobre música e teatro, com destaque para a Coleção Dramaturgiae a coleção O Livro do Disco. Em 2016, a Cobogó recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro Histórias mestiças, organizado pelo curador Adriano Pedrosa e pela antropóloga Lilia Schwarcz, com obras de diversos artistas que compuseram a exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake, em 2014.


LOCAL A localização da bienal é importante para seu sucesso. São Paulo tem uma gama de excelentes espaços. Tanto a 10ª quanto a 11ª edições da Bienal de Arquitetura de São Paulo optaram pela realização de atividades em diversos locais da cidade. Esse foi um passo importante para a bienal romper com seu domínio tradicional. No entanto, para o tema de nosso projeto, uma bienal dispersa em diversos locais da cidade não nos parece eficiente nem lógica. As três exposições principais devem ser conectadas pelo tema e irão funcionar de maneira mais potente, portanto, em um mesmo espaço. Além disso, a exposição internacional irá consistir de aproximadamente dez exposições de pequena escala, o que requer um espaço amplo. Os locais que acreditamos ideais para O outro - e a qualidade de ser diferente seriam a Oca, no parque do Ibirapuera, ou o Centro Cultural São Paulo, de acordo com a disponibilidade e o orçamento. Ademais, gostaríamos de convidar cinco instituições culturais de destaque da cidade de São Paulo para programar atividades ao redor do tema do Outro. Seriam elas o MASP, o Museu da Casa Brasileira, o Instituto Moreira Salles, a Pinacoteca e o SESC. O convite teria orçamento neutro e contaria com a boa vontade e o próprio planejamento dessas instituições. No entanto, nossos contatos com todos os museus citados são estreitos, e contamos que a proposta resulte numa programação interessante sobre o tema do Outro nas áreas da fotografia, das artes e do design.


ORÇAMENTO Nossa proposta para a Bienal de Arquitetura de São Paulo de 2019 é um programa ambicioso com três exposições principais, das quais uma consiste de cerca de dez exposições menores. O projeto requer, portanto, de um orçamento considerável. Com o orçamento determinado pela bienal, podemos realizar uma boa exposição do mínimo necessário. No entanto, com nossa rede e nossas experiências prévias em arrecadação de fundos, estamos convencidos de que podemos produzir um financiamento adicional. Nossos contatos com diversas embaixadas internacionais, consulados e órgãos de financiamento cultural internacional, como o Fundo Prince Claus, a Graham Foundation e financiadores culturais como o Instituto Goethe, a Aliança Francesa e a Pro Helvetica, são bastante fortes. Além disso, também gostaríamos de obter financiamento privado. Estamos cientes da complexidade de se obter financiamento por meio de leis de dedução de impostos como a Lei Rouanet; entretanto, gostaríamos de explorar as possibilidades. Como precaução, os fundos seriam captados durante os primeiros sete meses de trabalho, até o fim de março. Nesse momento, recalcularíamos os valores arrecadados e basearíamos nossa proposta final nos valores disponíveis na ocasião. Assim, gostaríamos de trabalhar com três cenários de financiamento: • Cenário básico: trabalharíamos com o valor determinado pela bienal; • Cenário adicional: conteria valor determinado pela bienal, acrescido de financiamentos adicionais de embaixadas internacionais, consulados e fundos culturais. Nossa estimativa é de que poderíamos obter entre R$ 200 mil e R$ 300 mil com essas fontes; • Cenário extra: aos dois cenários anteriores seria somado o patrocínio privado adicional. Este seria o cenário mais difícil e, na conjuntura mais otimista, conseguiríamos captar R$ 200 mil adicionais com esse patrocínio.


Viver Junto São Paulo

quant

R$ unit

R$ total

Pesquisa / Seleção / Produção

1

5.000,00

5.000,00

Organização reuniões iniciais

1

7.500,00

7.500,00

Excursões aos pontos de fricção

1

2.500,00

2.500,00

Pesquisa por design - fase 1

1

10.000,00

10.000,00

Pesquisa por design - fase 2

1

10.000,00

10.000,00

Ações e intervenções

1

10.000,00

10.000,00

Pro labore

10

2.500,00

25.000,00

Design gráfico e expografia (freelance)

1

10.000,00

10.000,00

Materiais de exposição

1

30.000,00

30.000,00

13,35%

R$110.000,00

quant

R$ unit

R$ total

América do Sul

4

8.000,00

32.000,00

América do Norte

2

5.000,00

10.000,00

Europa

7

5.000,00

35.000,00

Asia

4

9.000,00

36.000,00

Africa

3

10.000,00

30.000,00

Australia

1

7.000,00

7.000,00

Design gráfico e expografia (freelance)

1

10.000,00

10.000,00

19,42%

R$160.000,00

Total Viver junto

Matchmaking International Cada país receberá uma verba definida

Total Matchmaking

O Outro arquiteto Pesquisa / Seleção / Produção

2.500,00

Organização reuniões iniciais

2.500,00

Workshop 1

3.000,00

Workshop 2

3.000,00

Workshop 2

3.000,00

Design gráfico e expografia (freelance)

10.000,00

Materiais de exposição

30.000,00

Total O Outro arquiteto

6,55%

R$54.000,00


Produção Material

15.000,00

Iluminação / sinalização / impressão

25.000,00

Produção expografia

15.000,00

Produção design gráfico

10.000,00

Verba expografia (freelance)

17.500,00

Verba design gráfico (freelance)

17.500,00

Total overall production

12,14%

R$100.000,00

2 x 1 year work

100.000,00

2 x 3 months

20.000,00

Staff & pessoal Curadores Equipe assistência curatorial Coordenador de produção Assistente de produção

20.000,00 3 x 1 month

10.000,00

Equipe de montagem

14.000,00

Coordenador de comunicação

20.000,00

Assistente de comunicação

2 x 1 months

8.000,00

Coordenador de voluntários

1 x 3 weeks

4.000,00

Fundraiser Total geral staff & pessoal

4.000,00 24,27%

R$200.000,00

Viagens Simpósio - palestrantes

10.000,00

Viagens curatoriais

20.000,00

Imprevistos

10.000,00

Total viagens

4,85%

R$40.000,00

Comunicação Comunicação online

5.000,00

Posters / Flyers / Impressões

15.000,00

Bussdoor

20.000,00

Bolsas / books / merchandise

15.000,00

Imprevistos

5.000,00

Total comunicação

7,28%

R$60.000,00


Simpósio / palestras / workshops Simpósio

15.000,00

Série de palestras

10.000,00

Publicação

50.000,00

Ações e workshops

10.000,00

Total simpósio / palestras / workshops /

10,32%

R$85.000,00

1,82%

R$15.000,00

100,00%

R$824.000,00

Imprevistos Imprevistos

CUSTOS TOTAIS


ESTRUTURA ORGANIZACIONAL & MARCOS A equipe proposta para a bienal consiste nos seguintes grupos: • Conteúdo • Produção • Comunicação • Voluntários e voluntários de coordenação • Captação de recursos Cerca de 12 pessoas — todas contratadas como trabalhadores temporários — vão compor o núcleo central da equipe, que será expandido até a produção final e a execução da bienal. Do ponto de vista do conteúdo, a equipe é composta por dois curadores, Pedro Rivera e Jorn Konijn. Eles começam a trabalhar imediatamente caso sejam designados para a tarefa. Os curadores terão o apoio de dois assistentes, trabalhando meio período, para auxiliar em pesquisa, contatos, produção e comunicação. Os dois curadores atuarão em estreita colaboração com o diretor de produção, que supervisionará toda a produção, e terá entre um e três assistentes de produção, conforme o período. A equipe de produção só começará a trabalhar alguns meses antes da abertura oficial da bienal e terão uma remuneração fixa pelo projeto. Durante a montagem da bienal, o diretor de produção irá coordenar e supervisionar todo o trânsito de materiais e a montagem das exposições. Durante o curso da bienal, os voluntários vão compor o núcleo educativo e apresentarão as exposições ao público como guias e ajudarão com os workshops, palestras, além de estarem disponíveis para outras ações. Eles serão principalmente estudantes de arquitetura coordenados por um voluntário mais experiente, o coordenador voluntário. Estes guias serão preparados pelos curadores e pelos participantes da bienal, para apresentarem não apenas os trabalhos, mas as ideias e as pesquisas por trás de toda a bienal. A comunicação será feita por um diretos de comunicação, cuja equipe será completada por um assistente. Eles serão responsáveis por toda a comunicação do projeto. Idealmente, serão contratados como temporários, e devem ter uma grande rede de contatos em São Paulo, por todo o país, além de no campo da arquitetura internacional.


EQUIPE CURATORIAL Esta proposta foi elaborada por Pedro Rivera (Brasil) e Jorn Konijn (Holanda). Tanto Konijn quanto Rivera falam uma língua internacional no discurso da arquitetura, mas também são muito diferentes um do outro, sendo oriundos de contextos distintos. Sua própria condição de Outro é a base desta proposta para a Bienal de Arquitetura de São Paulo de 2019. Eles trabalharam juntos por mais de oito anos, fazendo a curadoria de exposições de arquitetura e realizando workshops para o Studio-X Rio de Janeiro e a Bienal de Arquitetura de São Paulo de 2011. Rivera também fez parte do projeto de matchmaking para a Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Hong Kong e Shenzhen (Bi-City Biennale of Urbanism/Architecture) e foi curador de arquitetura do HOBRA, programa cultural holandês-brasileiro realizado durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, ambos sob a curadoria geral de Konijn.

Pedro Rivera, Brasil Arquiteto e urbanista, Pedro Rivera, 44, vive no Rio de Janeiro. Seu trabalho flui entre a prática, a investigação e a troca de conhecimento, com foco nas relações entre a arquitetura, a arte e a desigualdade urbana. Ele também é cofundador do RUA Arquitetos, um escritório premiado com sede na cidade, além de ser diretor/ curador do Studio-X Rio, uma iniciativa global criada pela Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Preservação (GSAPP) da Columbia University. Rivera teve trabalhos expostos no MoMA (Nova York, 2014), MAK (Wien, 2015), Carnegie Museum of Art (Pittsburgh, 2016), Het Nieuwe Instituut (Rotterdam, 2016) e no MAM São Paulo (2017); bem como nas Bienais de Arquitetura de Shenzen (2014), Chicago (2015), Veneza (2016) e São Paulo (2017). No Studio-X Rio, foi responsável por mais de trezentos eventos, incluindo exposições, palestras e workshops; também foi o principal investigador nas pesquisas “Lutar, Ocupar, Resistir” (2015-16) e “Housing Project” (2017), ambos sobre questões de habitação. Rivera é mestre em Urbanismo pela PROURB FAU-UFRJ e foi professor da PUCRio. Ele é uma presença constante como crítico e palestrante em diversas instituições internacionais, como a GSAPP, na Columbia University, o ETH Zurich (Instituto Federal de Tecnologia de Zurique), em Princeton, no Nieuwe Instituut, entre outros.


Jorn Konijn, Holanda Jorn Konijn, 40, é curador de arquitetura e design internacional e escritor. Começou como curador internacional de exposições de arquitetura do Instituto Holandês de Arquitetura (NAi), em exposições como o pavilhão oficial holandês da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo de 2011 sobre “Arquitetura Não Solicitada”, a premiada exposição “Housing with a Mission” para a Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Hong Kong e Shenzhen de 2011. Para o NAi, em parceria com Max Risselada e Giancarlo Latorraca, foi curador da exposição Lelé – Arquiteto da Saúde e do Bem-Estar” de 2012. Além da curadoria de exposições, Konijn desenvolveu o programa internacional de matchmaking do NAi. Esse programa de cocriação se voltou para o design e a realização de projetos arquitetônicos na China, na Índia e no Brasil, conectando arquitetos holandeses com arquitetos locais, tendo dirigido seis programas extensivos de matchmaking de arquitetura. Em 2013, Konijn foi curador-geral da Bienal de Urbanismo e Arquitetura de Hong Kong e Shenzhen. Em 2015, foi nomeado curador da 5ª Bienal Brasileira de Design, realizada em Florianópolis, Brasil, ampliando o escopo da arquitetura para o design. Durante o verão de 2016, fez a curadoria de HOBRA, programa cultural holandês dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, uma cocriação que conectou dez artistas holandeses com dez artistas brasileiros, criando novos trabalhos multidisciplinares. Com regularidade, Jorn atua como curador de exposições em diversos museus de design, além de realizar projetos em semanas de design pelo mundo, mais recentemente em Toronto e Milão. Konijn é mestre em História da Arte e Teoria do Cinema pela Universidade de Amsterdã e trabalhou para diversas organizações de financiamento cultural, como a Fundação Mondrian para as Artes e o Fundo Prince Claus. É consultor do ministro da cultura holandês para questões de arquitetura e design. Além de dar aulas, escrever e pesquisar, ele também está dirigindo um documentário sobre a vida e o trabalho do professor holandês de arquitetura Max Risselada.


PLANO DE COMUNICAÇÃO A comunicação da bienal é tão importante quanto a própria bienal, e uma atenção especial será dedicada a ela. O tema “O Outro” tem o potencial de atrair uma ampla gama de diferentes públicos. Para a nossa estratégia de comunicação, definimos os seguintes grupos de visitantes: • Arquitetos profissionais e planejadores urbanos, designers, artistas (nacionais e internacionais) • Estudantes de arquitetura, estudantes de design, estudantes de arte (nacionais e internacionais) • Políticos e agentes públicos • Organizações do Terceiro Setor • Público interessado em cultura em geral • Público em geral Inicialmente vamos entrar em contato com esses grupos através dos nossos próprios meios de comunicação, que consistem em: • Mídia Impressa (Jornais e revistas em geral, revistas especializadas) • Mídia Social (Instagram / Facebook / Snapchat etc.) • Mídia tradicional (brochuras, folhetos, folders) • Anúncios impressos / web-comerciais / rádio etc. • Canais de mídia social do IAB / CAU; canais de mídia de outras organizações. Se possível, também gostaríamos de usar os canais de correio eletrônico destas entidades e instituições. Adicionalmente, lançaremos campanhas específicas de mídia social para focar no tema “O Outro”. Como exemplo, podemos de lançar campanhas específicas para São Paulo, onde os seguidores podem enviar / postar fotos ou pequenos vídeos mostrando algo específico na cidade relacionado ao tema. Finalmente, gostaríamos de propor a escolas de arquitetura ao redor do mundo que também abordem o tema da bienal, o Outro, possivelmente por meio de uma pequena competição. Dependendo do tempo e da força de trabalho disponível da equipe, decidiremos qual será o formato desta competição. Além disso, para as formas tradicionais de comunicação mencionadas acima, gostaríamos de criar uma série de podcasts e eventos de rádio on-line sobre arquitetura e urbanismo, não apenas como um meio de comunicação, mas também para registrar e distribuir o conteúdo da bienal. Poderiam ser feitas entrevistas com diversos curadores, arquitetos ou planejadores urbanos envolvidos na bienal.


Jorn Konijn tem larga experiência em programas de rádio, sendo um dos organizadores e apresentadores, há mais de um ano, do programa de entrevistas e discussões sobre arquitetura na Operator Radio, em Roterdã. A equipe responsável pela comunicação também lidará especificamente com a grande imprensa, relações públicas e as listas de jornalistas e críticos. Além de promover pacotes de comunicação e os recursos certos para implementar ações, relatórios (clippings, estatísticas, alcance e similar). Acima de tudo, a equipe de comunicação irá produzir o conteúdo a ser divulgado, como boletins informativos digitais, blogs e artigos de imprensa, entrevistas com os participantes, etc. Eles também serão responsáveis pela coordenação do registro da bienal com filmagens e fotografia.

Profile for XII BIA

PROPOSTA 31  

PROPOSTA 31  

Profile for xiibia
Advertisement