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r e v oa r E n tr amos nos bastidor es da peça q u e vem chamando a atenção dos f or talezenses por abordar um tabu na sociedade atual


Peça, da companhia GPET de Fortaleza, aborda a exploração sexual infanto-juvenil. As apresentações acontecem no Teatro Sesc Iracema, amanhã e nos próximos dias 21 e 28 de agosto, sempre às 20h. ANA CECÍLIA SOARES Repórter

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m tempos que a exploração sexual de crianças e adolescentes se faz mais presente no noticiário, o espetáculo “Revoar” do Grupo de Pesquisas e Experimentações Teatrais (GPET) discute o tema. Aliando poesia e crítica, o grupo trata com sensibilidade um drama incorporado à rotina da cidade feito erva-daninha, sem perspectiva de desaparecimento, apesar das iniciativas de ao crime. Como uma chaga aberta que não cessa de doer, sempre aninhada por lembranças de um dia que nunca passou para as personagens Tom e Wille, “Revoar” não subestima o público. “É o feto quase abortado, mas, como um miasma cancerígeno em ventre materno, sobreviveu para que a gestora sofresse

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até seus últimos dias. ´Revoar´ arde até não se sabe quando, ´Revoar´ me dói assustadoramente, mas eu o amo ilimitado”, escreve o ator Danilo Castro no blog do grupo (http://espetaculorevoar. b l o g s p o t . c o m ) . Narrativa Nascido a partir de uma releitura da peça “Esta propriedade está condenada”, do teatrólogo norte-americano Tennessee Williams, o espetáculo gira em torno do diálogo de Wille (Will, no original) e Tom. Wille é uma garota em constante luta para se manter nos trilhos de uma vida conflituosa e desestruturada. O encontro com Tom traz à tona lembranças confusas de um passado dolorido. Após uma conversa que inicia despretensiosa, os dois adolescentes redescobrem seus mundos e dilemas, sendo esta

ESPETÁCULO

uma forma encontrada de não anular suas vidas aos caminhos do fracasso. Sem seguir uma linha cronológica, o espetáculo é costurado por cenas oriundas do texto de Tennessee Williams. “O tempo do espetáculo segue a linha pós-dramática, na qual os atores possuem uma maior liberdade de montar suas cenas. A temática da exploração sexual e da pedofilia é tratada na peça de forma corajosa. Afinal, nossa cidade ocupa um lugar de destaque no triste ranking nacional da exploração sexual”, explica Danilo Castro em seu blog pessoal.


Problema social De acordo com os dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, de 2003 a 2006, foram registradas cerca de cinco mil denúncias de abuso sexual infantil. O Ceará aparece em quinto lugar, com 1.124 casos. Muitos desses casos acontecem no próprio ambiente f a m i l i a r, geralmente a vítima, por medo da reação da sociedade, omite os abusos e grande parte dos casos não vem à tona. Em 2005, a Secretaria E s p e c i a l dos Direitos H u m a n o s denunciou a comercialização sexual de crianças e

adolescentes em 927 municípios brasileiros (um sexto de todos os municípios) e há a estimativa de que cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente. A região que mais apresenta casos ainda é o Nordeste, com ocorrências em 289 cidades. Mas as regiões Sul e Sudeste, que concentram a maior parte da riqueza nacional, tiveram ocorrências em 402 cidades (de todos os municípios). A vida assusta a arte. Muita gente não percebe, mas a rua é um teatro com cenas e consequências de verdade. Quando a vítima é uma criança, a história deixa de ser brincadeira. O que pode parecer só uma peça de teatro, na verdade é um alerta para o perigo que ameaça inocentes, que cada vez mais precisam de cuidados. Os monstros dessa história são a pedofilia e o abuso sexual, temas que foram parar no palco por iniciativa do grupo de pesquisas e experimentações teatrais do Ceará. O que acontece no palco é um alerta para o público, que mesmo de fora passa a fazer parte da história.

ESPETÁCULO

A peça Revoar teve sua pré-estréia em dezembro de 2009 e agora está de volta num momento fundamental, quando mais uma criança foi vítima da violência na vida real. A população ainda chora a morte da menina Alanis. Pena que não foi só uma peça de teatro… A vida assusta a arte. Muita gente não percebe, mas a rua é um teatro com cenas e consequências de verdade. Quando a vítima é uma criança, a história deixa de ser brincadeira. A vida assusta a arte. Muita gente não percebe, mas a rua é um teatro com cenas e consequências de verdade. Quando a vítima é uma criança, a história deixa de ser brincadeira. A vida assusta a arte. Muita gente não percebe, mas a rua é um teatro com cenas e consequências de verdade. Quando a vítima é uma criança, a história deixa de ser brincadeira. O que acontece no palco é um alerta para o público, que mesmo de fora passa a fazer parte da história. Mais informações: Revoar - espetáculo do Grupo de Pesquisas e Experimentações Teatrais. Com sessões todas às quintas do mês, às 20h, no Teatro Sesc Iracema (Rua Boris, 90 C - ao lado do Dragão do Mar). Ingressos: R$ 10 / R$ 5. Contato: (85) 3452 1242

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Revoar  

Revista feita para a Disciplina de Planejamento Gráfico

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