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Os erros mais comuns do ‘início de carreira’

ACHIGÃ

CARP FISHING

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PESCA DE COSTA PESCA DE COSTA

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Spinning

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PLUMA

Quando nos iniciamos no spinning, cometemos por vezes alguns erros que, com a prática, temos tendência a evitar, explica Alexandre Alves. Por isso neste artigo percorre alguns dos mais importantes e sugere algumas formas de os evitar. TEXTO: ALEXANDRE ALVES `FOTOS: ARQUIVO

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Março 2009

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 As amostras são concebidas  para apanhar peixe na recuperação, quando o seu movimento imita o de uma presa. Então esquecer a animação afecta em muito a eficácia da amostra

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Não diversificar

Um erro muito comum consiste em o pescador usar sempre a mesma amostra, normalmente porque em certo dia apanhou peixe com ela, e, a partir daí, nunca mais muda de cor nem de modelo, seja qual for o estado do mar, do tempo, do vento, etc. Este comportamento tem, depois, uma consequência típica: é que só numa jornada em que não há peixe (e por isso a amostra não está a ter resultados), só nesse dia é que experimentam outras amostras e cores — e usam o facto de não apanharem peixe para ‘justificar’ a sua fidelidade à amostra inicial. A altura em que não há peixe é precisamente a altura em que não se deve experimentar amostras! Nesse momento, nenhuma amostra tem oportunidade de mostrar a sua eficácia… A atitude que mais nos beneficiará é, em cada jornada, observarmos o estado do mar e o tempo e pensarmos num modo de descobrir o padrão de pesca desse dia em concreto.

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Não animar

Outro erro muito comum é o do pescador que lança e… puxa a amostra, simplesmente, sem a animar. O que será mais indicado é, no início da jornada, para ‘varrer’ terreno, abrir com a estratégia de lançar e puxar, verificando se há toques. Mas a partir daí é necessário começar a animar a amostra, usando as várias técnicas! É importante notar que é nessa animação que se baseia a eficácia da amostra. Todas, ou quase todas, as características da amostra foram pensadas para mostrar a sua importância na recuperação, e não no lançamento, pois é durante a recuperação que ela é vista pelos peixes! Por isso, uma das características do pescador de spinning que tem sucesso é olhar para a amostra que está a usar e perguntar-se: esta amostra tem esta forma porquê? Para ser usada em que condições? E que tipo de animação é que vai realçar estas características? E posteriormente trabalhar a amostra conforme as conclusões a que chegar.

 Um dos esquecimentos que mais prejudicam as nossas jornadas é o de observar o mar. Os participantes nesta jornada detectaram esta caça a cerca de 30 m da margem e rapidamente começaram a explorá-la

Devemos evitar, como é óbvio, mudar de amostra ‘de dois em dois minutos’; mas também devemos evitar o extremo oposto, o de usar

a mesma amostra ao longo de toda a jornada 

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 Preservar é fundamental se queremos continuar a ser pescadores e assistir ao surgimento de novas gerações, mas para isso é necessário mudar algumas atitudes

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 Tanto pela facilidade em detectar o padrão, como por questões de segurança, pescar sozinho é uma forma clássica de reduzirmos o sucesso da jornada

As amostras foram pensadas para funcionar na recuperação, e não no lançamento, pois é nessa fase que é vista pelos peixes! Por isso animar a amostra é essencial 36 O PESCADOR 

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Não mudar de amostra

Também é uma decisão que prejudica o sucesso das jornadas de muitos pescadores. Devemos evitar, como é óbvio, mudar de amostra ‘de dois em dois minutos’; mas também devemos evitar o extremo oposto, que é o de trabalhar a mesma amostra ao longo de toda a jornada! Os critérios para mudar de amostra, em plena sessão, não são o número de lançamentos nem o tempo, mas sim as condições do pesqueiro e o grau de sucesso. Quando digo ‘condições do pesqueiro’, estou a incluir o tipo de pesqueiro: se exige amostras que trabalhem a uma maior profundidade ou à superfície; se é ‘aberto’ ou se pelo contrário exige que a amostra passe precisamente em determinado sítio; se tem fundo de areia ou se é necessário um vinil para trabalhar na vertical junto às rochas... E incluo a cor e a transparência da água, que também muda, como é óbvio, ao longo do dia! Por exemplo, muitas vezes começa-se uma jornada à tarde, que é para continuar pela noite dentro: caso se comece de dia (tendo em conta que esse dia é de céu aberto), o ideal é arrancar com uma amostra mais clara, e depois, à medida que vai anoitecendo, deve ir-se passando para as mais escuras, por causa do contraste! Para o peixe, de noite, é mais fácil ver uma amostra escura do que uma

clara (as amostras cor-de-laranja e de tons avermelhados e aquelas que consigam reflectir brilhos em noites de lua, normalmente, dão bons resultados). Por outro lado, quando falo no ‘grau de sucesso’ da amostra, estou a referir-me aos toques. Se ao fim de algum tempo, ainda não se teve nenhum toque, não está errado mudar de amostra! Se numa jornada em águas claras, notamos que o peixe está a comer certa comida ou verificamos a presença de determinada espécie potencialmente alvo, convém utilizar a amostra mais parecida. Em águas muito claras, em dias muito claros, usa-se amostras mais claras ou mesmo transparentes (Ghost), e normalmente a velocidade de recuperação é mais rápida. Em suma: o que se pretende é detectar o padrão do comportamento do peixe em cada dia, e isso exige a procura de um equilíbrio: nem mudar de amostra a cada lançamento, nem insistir na mesma quando já se pôde perceber que, naquele momento, naquele local, não é àquela cor, àquele formato, etc., que o peixe está a reagir.

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Pescar sozinho

Também pela tendência de pescarem sozinhos muitos pescadores prejudicam o seu próprio sucesso. Porquê? Porque, com uma única cana a trabalhar, é preciso gastar muito mais tempo e energia


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Com tantos modelos à escolha, porquê usar sempre a mesma amostra? Cada uma tem as suas condições ideais de aplicação

para se perceber o padrão de pesca! O ideal é irem dois ou três pescadores e, logo de início, coordenarem-se para cobrirem diferentes cores, diferentes profundidades, diferentes tipos de amostra, diferentes animações… O primeiro a sentir um toque, ou a ferrar um peixe, informa os parceiros (mesmo que o peixe acabe por se soltar) sobre as diversas condições do lance (a que distância estava, tipo de amostra, cor, animação…) e, a partir daí, fica muito mais fácil formar o padrão de pesca! Em regra, as pessoas só perguntam: «Apanhaste? Qual é a amostra?». Só que esta pergunta deixa de fora uma grande parte

Não partilhar

Há grupos de pescadores cuja mentalidade é, muitas vezes, a de não partilhar entre si a informação dos seus lances. O que essas pessoas esquecem é que, nesta pesca, como noutras, é possível estarem três pescadores lado a lado, com as mesmas canas, os mesmos carretos, as mesmas linhas e amostras, e estarem a ter resultados completamente diferentes, por causa de pequenas diferenças! Por exemplo, se o pescador do meio estiver a passar a sua amostra no meio de duas lajes onde o robalo anda a comer os cabozes e camarões, ele está a apanhar peixe e os outros nada! da pesca que desencadeou aquele lance: se teve toques antes e se muitos ou poucos; a que distância da margem estava a pescar, a que profundidade sentiu o toque… Se houver esta troca de informações, os pescadores ficam a saber onde é que o peixe anda e o que é que está a atacar! Já são duas grandes contribuições para se formar o tal padrão de pesca. Se se souber que os peixes estão a comer muito perto da margem, quase ‘aos nossos pés’, então, se calhar, é escusado estar a fazer um esforço para lançar para muito longe. Além disso, ainda há a vantagem da segurança: é mais seguro ir em equipa, principalmente quando se pesca nas rochas!

É que a amostra dele passa pela zona de ataque, ao passo que as dos colegas passam ao lado, daí a diferença de resultados… Então, se ele explicar o seu padrão de captura aos colegas, com todo o pormenor, o que tem isso? Que diferença fará? Nenhuma, porque o que determina o sucesso que ele está a ter já não se aplica aos colegas… E isto já para não falar do factor sorte! Nós podemos combatê-lo com o conhecimento e a experiência, mas lá que ele existe, disso não haja dúvidas! O partilhar conhecimentos é uma das chaves do sucesso do spinning, pois só assim podemos enriquecer os nossos conhecimentos.

O partilhar conhecimentos é uma

das chaves do sucesso

do spinning, pois só assim podemos enriquecer o nosso conhecimento

Talvez por ser uma técnica algo recente, o spinning é uma das disciplinas com mais disponibilidade dos praticantes para aprender com as experiências de outros

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