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Vitrina QUANDO LINHAS DOMINAM ESPAÇOS COMERCIAIS

A REVISTA PARA OS PROFISSIONAIS DA MODA

Ano XX | R$30,00 Edição 153

CONCEITO LINGERIETO-WEAR INOVA CRIAÇÕES Acontece Brasil

MINAS TREND: COMPRADORES CONSCIENTES E O DFB 2016 FOCO NO “SANGUE LATINO”

Mercado

ESTAMOS DE VOLTA AO JOGO


   

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Criativos a toda hora

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moda mostra-se como uma das melhores formas de expressão da tão difundida Economia Criativa. Apesar de tantos problemas, os números, no mundo e aqui, apontam que em todas as esferas dessa indústria – que também tanto tem de artesanal – são significativos desde a produção da matéria-prima até o varejo, onde os fatos realmente ganham volume e relevo. O empresário brasileiro, empreendedor na sua essência, mostra por sua vez que é capaz de se adaptar e se reinventar para manter objetivos e não perder posições alcançadas. Essas últimas, aliás, estão exigindo muito mais habilidade do que nunca, em meio ao crítico momento político-econômico que o Brasil atravessa. Mas somos brasileiros, e não desistimos. Atentos ao que ocorre no plano internacional, executivos daqui refletem sobre a forma de implantar no mercado interno a fórmula “see now, buy now” (“veja agora, compre agora”) adotada pela Burberry, entre outras grifes. O SPFW foi um desses momentos de imput, dado pela Riachuelo, em desfile que teve como gran finale a entrada das araras de roupas, prontinhas para serem consumidas. Em breve bate-papo nos bastidores dessa edição, nosso colunista André do Val nos comentou que a inovação é importante, mas deve ser acompanhada de boa dose de observação. Afinal, colocar todas as roupas para venda imediata pode significar lançar uma coleção sem o teste eficaz de um showroom para saber quais as preferidas e as preteridas pelo comprador. Enfim, todo negócio tem seu risco. Resta saber quem está realmente disposto a bancá-lo... Na outra direção, o slow fashion é movimento que ganha adeptos. Com a proposta de produzir artigos de moda dentro dos padrões da sustentabilidade, por enquanto, são os criadores com tiragens limitadas de peças que conseguem ter maior controle do processo produtivo. World Fashion segue todas as evoluções da moda e traz para essa edição informações sobre o sempre dinâmico segmento da lingerie, sempre conectado com as evoluções tecnológicas. As grandes do jeanswear também estão presentes, dessa vez mostrando lançamentos para o Inverno 2017. Boa leitura! Eleni Kronka

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+ FOCO Moda para ser contemplada

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+ VITRINA Quando linhas dominam espaços comerciais

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+BALCÃO Capricórnio Têxtil com inovações

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cena da moda

22 +ACONTECE BRASIL Minas

Trend recebe mais conscientes

24 +ACONTECE BRASIL DFB 2016

“Sangue Latino”

+MODA MASCULINA O homem e a máquina

26 +GESTÃO

Agora é que são

+DOSSIÊ

elas, o além do

Conceito lingerie-to-

horizonte existe,

wear inova criações

ora, pois...senão vejamos

Tecnologia proporciona diferentes atributos à lingerie

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Bodywear invade a

compradores

completa 70 anos

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20 +ACONTECE MUNDO

28 +MERCADO

Estamos de volta ao jogo

Tecnologia define DNA do denim

30 +ONLINE

A economia, estúpido

www.worldfashion.com.br Publisher: Yuko Suzuki yuko@worldfashion.com.br | Editora: Eleni Kronka eleni.redacao@worldfashion.com.br Colunistas: André do Val, Daniela Burity, Edson D’Aguano, Marcelo V. Prado, Paulo Delegá e Sylvia Demetresco Colaboraram nesta edição: Andrea D’Andrea, Marta De Divitiis Direção de Arte: Guilherme Watanabe | Jornalista Responsável Eleni Kronka – MTB 12.882 Publicidade Vera Lopes vera@worldfashion.com.br | Luiz Eduardo Pimentel eduardo@worldfashion.com.br

WORLD FASHION + VAREJO é a revista dos profissionais da moda. É uma publicação da World Fashion Editora e Eventos Ltda. Fone: (11) 5535-7709

Capa: Bikiny Society by Paula Pinto Villas Boas | Moda praia com estilo e conceito. Desfile Dragão Fashion Brasil 2016. Foto: Roberta Braga

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A World Fashion Editora e Eventos Ltda. não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nos artigos de seus colunistas. É terminantemente proibida qualquer forma de reprodução do conteúdo – textos, fotos, ilustrações – desta publicação sem a prévia e devida autorização dos editores. Nenhuma pessoa está autorizada a retirar qualquer tipo de material em nome do WORLD FASHION+ VAREJO. Em caso de necessidade, o portador deverá ter em mãos carta assinada. Disponível on line : a revista na íntegra, blog, facebook e assinaturas acesse www.worldfashion.com.br

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+foco

Moda para ser contemplada O Exposição inédita em Nova York mostra que na era tecnológica, mais do que nunca, o artesanal e o industrial estão juntos em seus propósitos de valorização da moda

Texto e fotos por Andrea D'Andrea

Vestido de noiva de Karl Lagerfeld para Chanel funde ambos os processos de criação: o artesanal e o industrial, chamado por Karl de “alta costura sem costura”, porque foi moldado e não costurado. Os detalhes da calda foram projetados na cúpula da sala.

Criação futurista de Hussein Chalayan, o Kaikoku (2011/12) traz flores artificiais em contraponto ao vestido de casamento Chanel 2005/06 feito totalmente à mão

Metropolitan Museum de Nova York (MET) possui um departamento especialmente dedicado à moda. Com acervo de mais de 35 mil trajes e acessórios, o Costume Institute foi criado em 1937 como entidade independente e passou a fazer parte do Metropolitan em 1946. Legendárias exposições foram realizadas nos últimos anos, tais como: Alexander McQueen: Savage Beauty, em 2011, e Punk: Chaos to Couture, em 2013. Em 2014, o Costume Institute passou por uma renovação e foi reaberto como Anna Wintour Costume Center, nome da diretora de redação da Vogue americana. Tendo esse histórico como pano de fundo, o MET acaba de receber nada menos que a mais esperada exposição do ano, que tem como tema Manus x Machina: Fashion in an Age of Techology. A mostra fala da importância dos processos de produção artesanal e industrial, o “feito à mão” e o “feito à máquina”, a relação de ambos com a moda e dos dois processos entre si, com looks que vão desde 1880 ate 2015. A mostra, que fica em cartaz até 14 de agosto próximo, propõe uma nova visão do processo manual e industrial, que muitas vezes são apresentados como processos opostos de produção. Manus x Machina acaba com essa rivalidade e ambos aparecem como protagonistas de uma mesma história, adotando práticas e técnicas uma da outra.

CONEXÃO

A designer isralense Noa Raviv trabalha com impressões 3D

Raf Simons para Dior, alta costura 2014: plissado à mão. Em contrapartida, plissado do japones Issey Miyake feito a máquina

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Dior e Alexander McQueen

Nas galerias do museu, o que vemos é uma total conexão entre o “handmade” e o “feito à máquina”, que se unem cada vez mais na construção das novas peças de roupas e aparecem lado a lado no atual cenário fashion. Um look pode ter, no seu processo de criação, uma fase industrial e também o processo artesanal em alguma parte da sua confecção. Um plissado pode ser confeccionado tanto à mão como à máquina, e ter o mesmo efeito desejado pelo seu criador; o floral pode ser bordado ou impresso em uma maquina 3D e até mesmo as plumas unidas manualmente podem surgir recriadas em silicone cortado a laser. Com isso, cai por terra a distinção antes feita de que a alta costura estava baseada no artesanal, no “feito a mão”, e no prêt-à-porter a produção em massa estava relacionada com o “feito à máquina”. Manus x Machina mostra que, na era tecnológica, ambos estão perfeitamente conectados e em harmonia.

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+vitrina Na Courrir, a ideia de infinito sintetizada na estrutura em zigue zague e a luz neon

Calvin Klein Underwear não poderia ser mais clean e urbana com suas linhas verticais e tubos de luz branca

Quando linhas dominam espaços comerciais Elementos como fios, linhas e formas são alguns dos elementos eficazes que transformaram um antigo centro de compras em Paris num dos espaços mais vanguardistas e afinados com a moda contemporânea Texto e fotos por Sylvia Demetresco

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lgumas voltas pelo espaço Les Halles, em Paris – totalmente reformulado e recentemente reinaugurado –, mostram que as linhas levam nosso olhar a ser canalizado por cada detalhe na sua construção: arcos gigantescos acima de nossos olhos, vidros instalados em sua verticalidade, transparência e multiplicidade nos fazem imergir num mundo de linhas intocáveis que serão infitamente vislumbradas nas lojas de moda, lingerie, bebidas, objetos para casa e cosmética. Todas elas se impregnam da ambientação arquitetônica do espaço utilizando ou repetindo em suas vitrinas as mesmas linhas estruturais que por ali surgem. Seja a arquitetura do espaço, com tubos de aço na cor bege que en-

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velopam o todo, nas barreiras de vidro que formam semicírculos, nas divisórias das lojas, sejam as vitrinas, que por acaso, imagino, se detiveram em construções lineares e tubulares, seja até mesmo nos elementos urbanos ali constituídos: haja vista as lixeiras que acompanham, na íntegra, o que ali se vê.

ESPAÇOS E IDEIAS Bem na entrada do novíssimo Les Halles, a Calvin Klein traz uma composição de linhas verticais que montam vitrina e fachada da loja, em tubos de luz branca quase que enterrados no solo e que formam as prateleiras e divisórias desta loja de underwear. A luz branca nem sempre é indicado para montagens de lojas, mas neste espaço

específico, a montagem alinhou loja e linhas estrurturais, criando uma mescla muito interessante entre os dois. A loja de tênis Courrir, que apresenta várias marcas, também optou por um display com grades de metal, que formam um enorme zigue zague por todas as paredes da loja. A luz de néon azul, no solo e repetida no alto do display, cria a ideia de infinito e de calçados que nos fazem sonhar, além de correr, como bem diz o nome da loja. A Asics expõe biquínis, por ser verão em Paris, mas cria na montagem da vitrina a partir de linhas diagonais, produzidas em acrílico colorido e em cores bem de veraneio, um belo impacto ao pequeno espaço concedido. Tanto as cores como a forma de

expor conseguem impor movimento e leveza à apresentação. A H&M, lança sua loja Home, uma novidade, que não passa despercebida, com uma montagem linear vertical, com plantas tropicais. Tudo branco, transparente e verde! Prateleiras em acrílico transparente e branco, solo e fundo branco nos levam a um espaço livre de cortes e cheio de novidades. A Sephora opta por um pôster aplicado ao vidro da vitrina, enquanto a loja não está terminada, mas assim mesmo, sua vitrina, se adapta a esta continuidade de formas e linhas que investem tanto na maquiagem como no perfume. A sobreposição das duas imagens, rosto maquiado e vidro de perfume, fusionadas, nos fazem entender que tudo faz parte do mundo da cosmética... e, no momento, da geometria. A Levis, numa montagem em que a repetição de bolsos em jeans retratam a trajetória da marca “endeless stories”, em que neste bolso gigante, várias histórias estão conectadas, causalmente. As formas retangulares se repetem e nos levam à mesma repetetição dos módulos de vidros da cosntrução do nível superior, do Les Halles. Por fim, a marca de bebidas Nicolas Feuillette também abusa da linearidade das formas. No entanto, tudo em vermelho, para seduzir seu consumidor. Fios, linhas, formas e repetição de tudo isso se aplica à nova visão de um espaço que transformou o antigo mercado em algo atualizado, local que se vê impregnado de marcas plenamente adaptadas à nova proposta. Isto é o maravilhoso no Visual Merchandising, conseguir alinhar várias informações que se transformam em iconografia de um certo espaço!

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+vitrina Levis, a marca conhecida como “endless stories”, exibe bolsos e imagens na vitrine

Um dos detalhes do novo espaço Les Halles, em Paris

Tudo para a casa na H&M Home: montagem linear vertical e plantas tropicais

O novo Les Halles, em ampla visão panorâmica

Nicolas Feuillette envereda pela linearidade das formas para exibir bebidas

Geometria predomina na proposta da Séphora instalada no Les Halles

Phd . Sylvia Demetresco é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, com pós-doutorado em Semiótica no Instituto Universitário da França, em Paris. Professora de Visual Merchandising na Ecole Supérieure de Visual Merchandising, em Vevey, na Suíça. É autora de livros sobre vitrinas, entre os quais: Vitrina Construção de Encenações (Educ/Senac), Vitrinas Entre-Vistas: Merchandising Visual (Senac), Vitrinas E Exposições: Arte E Técnica Do Visual Merchandising (Editora Érica, 2014) e Vitrinas: Arte, História e Consumo de São Paulo (Via das Artes, 2014). sylvia@vitrina.com.br | www.vitrina.com.br

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Fotos: Divulgação

+balcão Manfredini: lição tirada da experiência dos 70 anos de mercado da Capricórnio é

ção em que ele existe no mercado. O importante é oferecer um mix equilibrado de artigos visando às necessidades das marcas”. Assim, segundo Manfredini, a empresa está presente nos segmentos popular e sofisticado.

“investir sempre, e nunca desistir”.

Capricórnio Têxtil completa 70 anos com inovações Empresa comemora sete décadas de existência, marco que coincide com importantes ações que sintetizam o plano de renovação da empresa, hoje focada no investimento na produção, e no desenvolvimento de produtos que atendam às evoluções da moda Por Eleni Kronka

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om fábricas em São Carlos e Bragança (SP) e também em Natal (RN), a Capricórnio Têxtil iniciou sua trajetória como Lanifício Capricórnio, em 1946. Em 1952, mantém-se atuante no mercado com a produção de tecidos de pura lã e também de casimira, e torna-se uma S. A. O início da década de 1960 vem com a força dos sintéticos e a Capricórnio, com o dinamismo de uma empresa competitiva, investe na produção do Tergal e da gabardine, atendendo principalmente às confecções de uniformes profissionais. O passo seguinte, em 1970, foi a abertura da confecção para roupas profissionais e início da produção de nova unidade fabril, em Bragança Paulista (SP). A década de 1980 significou uma nova guinada, dessa vez para o segmento do denim que, a partir de então, passou a ter peso importante nos negócios e no DNA da marca. Associada à Cafi Ltda., de São Carlos, a Capricórnio concentra-se na produção de tecidos índigo blue, utilizando maquinário de ponta na época. Dava-se também a incorporação de uma nova tecelagem unidade de São Carlos, o que possibilitou a duplicação da capacidade produtiva. A opção pelo denim se confirmou na década de 1990 e, em 1997, a empresa começa a operar com a unidade de produção têxtil em Natal (RN). Em 2001, a Capricórnio já opera com fiação própria, em São Carlos, o que proporciona impulso e controle maior de fabricação, para um maior aumento da capacidade produtiva. Em 2004, já com a política de investimentos bastante consolidada, a Capricórnio mantém em crescimento a produção e conquista o posto entre as cinco maiores produtoras de denim no País. A partir de 2008, dá-se a integração da filial de Natal à estrutura da tecelagem e, desde então, a unidade responde pelo abastecimento das regiões Norte e Nordeste do País. Em 2011, iniciam-se as atividades da

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nova fiação em São Carlos, juntamente com o desenvolvimento do plano de investimento em novos equipamentos e na formação profissional dos funcionários, tendo em vista a fidelização dos clientes. A partir dessa etapa, a Capricórnio Têxtil atinge a marca de 70 milhões de metros quadrados produzidos anualmente, com novo posicionamento de produto, visando sempre à moda. E 2014 foi o ano para outro grande investimento, direcionado à área de acabamento e ao balanceamento da produção, o que possibilitou o aumento de 10% na capacidade de produção do denim.

INTERNACIONAL Diante do quadro político e econômico do Brasil, o diretor comercial da empresa, Júlio Manfredini, assinala que é positivo o aceno que o governo faz com uma nova política de exportações, visando aos acordos bilaterais e ao aumento dos negócios na área. “A Capricórnio reiniciou em 2016 as vendas internacionais, incialmente atendendo clientes latino-americanos, sendo a Argentina um parceiro interessante agora, e da Ásia, como o Vietnã e a Coreia”, revela, acrescentando que as vendas externas já foram muito representativas para a empresa “nos momentos em que, historicamente, o dólar ultrapassou a marca de R$ 1,70, atingindo, mais recentemente, a casa dos R$ 3,87”. Para Manfredini, momentos como este são os que “vale mais a pena vender para o exterior do que atender ao mercado interno”. O empresário considera que os acordos bilaterais abrirão caminho para empresas brasileiras exportarem para os mercados norte-americano e europeu. “É muito importante atender países do Primeiro Mundo”, comenta, confidenciando que a meta atual é retomar o patamar de 10% de faturamento da companhia a partir das exportações. O sócio José Marino salienta que as exportações têm um papel importan-

te no histórico da Capricórnio. “Ganhamos consistência e consolidamos nossa posição nesse mercado quando passamos a exportar”.

NO MERCADO INTERNO As ações visando à consolidação da empresa são constantes no caso da Capricórnio, segundo seus dirigentes. “Os investimentos não param”, assegura José Marino. “Temos 250 teares e o mais velho tem sete anos de utilização, pois a troca dos equipamentos é feira no prazo que vai de cinco a sete anos”. Júlio Manfredini frisa que esse padrão de empresa – com atualização permanente do maquinário, visando à melhora da produtividade e performance –surgiu nos anos 1990, com a queda de barreira para importações. “Ante disso, o que se investia em ativo fixo era completamente diferente e distorcido, porque não se podia trazer nada de fora. Era outra indústria têxtil”. O empresário acrescenta que as empresas que permaneceram adaptaram-se à nova fase, com investimento contínuo e a possibilidade de importar. “De lá pra cá, o posicionamento se mantém. Não se pode abrir mão da modernização de uma empresa, independentemente do panorama econômico. Esse é o foco do momento”.

RESISTÊNCIA Sobre a consolidação do segmento do denim no Brasil, Manfredini considera que o fator moda é importante, ao mesmo tempo em que o investimento em tecnologia tenha se tornado indispensável. “A Capricórnio conquistou espaço no mercado competitivo por causa dos investimentos que necessariamente tem feito”, revela, observando que “há novos produtos, sim, mas com um custo para quem os produz”. Ele explica: “Não é porque uma calça custa 20 reais e outra mil que não se vai investir. É preciso atender o público de forma ampla e real. O segmento premium é atendido pela Capricórnio na propor-

INOVAÇÃO Dentro do seu percurso no mercado, a Capricórnio deu nova guinada nos anos 2000 para fortalecer a presença no mercado como empresa de moda no segmento denim, como explica a sócia Sílvia Manfredini Bordignon. “Trata-se de uma exigência do próprio consumidor: o básico da Capricórnio se sofisticou”. A empresária recorda que a ascensão da classe C estimulou o aumento de consumo de eletrônicos, como o celular, como também dos artigos de vestuário de melhor qualidade. “O preço também é fator determinante; mas não julgamos ser o único. Unimos o preço atrativo ao produto de qualidade e com maior valor agregado”, afirma. A sustentabilidade é parte da equação pela melhor relação custo-benefício na política da Capricórnio. “Adotamos a nova classe de corantes que permitem o uso de um volume mínimo de água no acabamento”, ressalta Júlio Manfredini, observando que os novos equipamentos contribuem para a redução do consumo de energia. Sílvia Manfredini Bordignon, por sua vez, sublinha que “a empresa tem atravessado os muitos momentos de crise do mercado investindo, por isso permanece”. Esse é o motivo pelo qual a companhia mantém-se constante no ritmo de investimentos, que giram em torno de 5% do faturamento anual. “O plano para os próximos dois anos é a aquisição de maquinário específicos para tecidos mais elaborados, associados à tecnologia para esses artigos mais sofisticados”, segundo o sócio José Marino, como uma aposta na expansão da linha Platinum.

O FUTURO Júlio Manfredini prevê uma retomada a partir de 2018. “O câmbio elevado alavanca as exportações, que podem crescer também com a ajuda de acordos bilaterais”. Para ele, a estimativa é de queda na importação. “Vendíamos 150 mil metros para uma confecção que, em determinado momento, optou pela importação. Mas essa atitude durou apenas um ano: a alta do dólar associada a qualquer problema nesse fornecimento fez com que o esse cliente voltasse a produzir localmente”. Segundo Manfredine, é o momento da volta às origens. José Marino, por sua vez, lembra que a alquimia do denim está na lavanderia. “É um segmento que evoluiu muito e que responde pelo diferencial das peças, algo que não se consegue ao se comprar lotes de produtos importados”, comenta. Os sócios da Capricórnio Têxtil falam em uníssono sobre a necessidade de desoneração, em especial, do segmento da confecção. “Trata-se de um elo frágil, de mão-de-obra intensiva, com encargos pesados que incindem sobre o empregador”, diz Manfredini. “É preciso criar uma legislação mais maleável, que permita talvez a contratação do trabalhador por períodos mais curtos”. A lição tirada dos 70 anos de atuação no mercado? “Investir sempre, e nunca desistir”.

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+moda masculina

O homem e a máquina Indústria automobilística empresta sua marcas para itens de moda, acessórios e perfumaria como símbolos de performance e tradição

Por André do Val

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indústria esportiva é inesgotável fonte de referência para a moda masculina. Camisas de uniforme que respiram e não amassam, tênis de corrida superleves e com amortecimento, lentes de óculos para neve ou montanha que se ajustam a luz do ambiente... As roupas e os acessórios de performance já fazem parte do repertório do homem brasileiro – faz tempo! E quanto mais funcional for, melhor. Mas há um movimento agora de coleções lançadas por empresas automobilísticas, aproveitando o apelo que suas marcas têm com esse público, já que normalmente elas são associadas à velocidade, potência e outros aspectos mecânicos. Mesmo que o design seja também elemento essencial para o desenvolvimento de carros, o estilo de seu desdobramento em moda e acessórios é bem básico. Mesmo assim, já se distancia um pouco das “roupas de quadra” e mostra peças casuais (muitas vezes com os brasões de grandes montadoras). É o caso da linha Porsche Design, que contratou no início de 2016 o estilista canadense Pierre Costin como responsável pela linha de produtos licenciados da marca alemã. Ele já trabalhou em Ralph Lauren e Kenneth Cole, e agora desfila jaquetas, pólos e até ternos na semana de moda de Berlim. Outro exemplo é a fan-store da Chevrolet, que acaba de ganhar como reforço uma linha de tênis que leva a emblemática marca Corvette, fabricada e distribuída aqui pelo e-commerce de calçados Net Shoes. A empresa fundada em Detroit comercializa mais de 500 produtos licenciados no Brasil desde 2013, como mochilas, cadernos, brinquedos, revistas e artigos para casa. “Buscamos os mais variados produtos relacionados aos carros icônicos da empresa, como o Camaro e o Corvette. O automóvel está ligado intensamente ao imaginário do consumidor brasileiro”, diz Alexandre Hernandes, diretor de operações da Chevrolet.

O PERFUME

Camaro, marca prá-lá-de-presente no imaginário do consumidor de carros de luxo

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Essa aproximação pode ser feita também pela indústria de beleza. A italiana Ferrari tem duas linhas de perfume: Scuderia e Cavallino, que exploram em suas fragrâncias o luxo de seus carros. Da segunda (que descreve o próprio cavalo do logotipo) veio a mais recente coleção Essence, com essências aromáticas, cítricas, frutais e apimentadas. Um detalhe: o bege da embalagem foi inspirado no tom do couro do estofamento. Jaguar Classic Red, por sua vez, usa no vidro o vermelho que é característico da fabricante inglesa, para um perfume frutal com notas bergamota siciliana, uva, framboesa e groselha. Seja de forma bem evidente ou mais sutil, os conceitos de dinamismo e desempenho (assim como tradição e segurança) são atributos que podem inspirar a indústria brasileira a sobreviver este período de percalços na economia e, consequentemente, queda no consumo pelo consumo.

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Acima: Cavallino traz o luxo dos automóveis para as fragrâncias da marca, sendo o bege da embalagem inspirado no tom do couro do estofamento Ao lado: Tênis Corvette, linhas arrojadas e máximo conforto para o consumidor exigente Abaixo: Jaguar Classic Red: vidro o vermelho característico da fabricante inglesa, para um perfume frutal com notas bergamota siciliana, uva, framboesa e groselha

QUAL SERÁ O SEU?

André do Val é jornalista de moda e consultor de estilo masculino, professor e palestrante de moda masculina. Cobriu as temporadas de Londres, Milão, Paris e no Brasil todo, trabalhou por muitos anos no site Chic, de Gloria Kalil e no site Erika Palomino. Atualmente é editor do Petiscos, de Julia Petit. Além do próprio site www.andredoval.com.br

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A Lectra ajuda empresas de moda e confecção a otimizar seus processos e implementar projetos de mudança envolvendo toda a cadeia de valor. lectra.com


+DOSSIÊ

CONCEITO LINGERIE-TO-WEAR INOVA CRIAÇÕES

A lingerie é a peça que acompanha a consumidora em todos os momento, podendo agregar a todos os looks novidades que vêm da boa parceria entre estética e tecnologia Por Eleni Kronka

Painel de inspiração Interfilière traz propostas do inverno 2017, com os temas Enrich, Discover, Indulgence e Express

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+DOSSIÊ Fotos: Divulgação

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alão Interfilière, realizado em Lyon, na França, trouxe em sua edição de inverno 2017 temas que dão diretrizes estéticas para as criações em lingerie, assim como sinalizam a importância dos recursos tecnológicos que inovam e proporcionam às peças atributos que priorizam conforto e bem -estar. Dentro dessa proposta, surge o termo lingerie-to-wear, que leva muito em conta os aspectos comportamentais da consumidora contemporânea à hora de o designer vislumbrar o processo criativo das coleções. Fios, fibras e malhas compõem a receita de sucesso para que as peças, como tops e bottons, ganhem total afinidade com o corpo, oferecendo ora o toque sedoso, ora a fluidez – ou mesmo a compressão – necessários para garantir a estética e o conforto pra quem usa. As rendas, habitualmente presentes em sutiãs, também aparecem com mais frequência em túnicas, pijamas, vestidos do tipo homewear para a noite e o dia, ou mesmo em peças usadas para depois da praia e a piscina. A ideia é trazer elementos do prêt-à-porter (ou ready-to-wear) para a lingerie – lingerie-to-wear –, que acompanha a consumidora em todas as horas, agregando atributos de conforto e moda a qualquer momento.

TEMAS O conceito easy-to-wear, que remete às peças confortáveis, fáceis de ser usadas e conservadas, dá o direcio-

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namento ao tema Enrich, apresentado no fórum de tendências do Interfilière. A proposta exalta o luxo, por meio das composições com robes, xales, quimonos e pijamas. Os detalhes artesanais são importantes, em peças produzidas em seda e veludo. O requinte está nos acabamentos de superfície, com a forte presença do jacquard, do devorê e dos bordados, que têm na estação um grande retorno. Já o tema Discover valoriza culturas e tradições, sem limites geográficos ou de tempo. As superfícies são muito trabalhadas, com tecidos que trazem a rusticidade do macramê e o toque artesanal do tricô, além dos bordados onipresentes. Têm forte presença os jérseys e as malhas dubladas. Indulgence é o tema que sugere às marcas um mergulho no ambiente da lingerie ultra-refinada, com toques de cetim, de seda e de rendas. Os vestidos são absolutamente deslizantes, acompanhados por camisolas, sutiãs, em modelagens confortáveis, em nada dubladas ou acolchoadas, sempre com os ingredientes da leveza e da transparência por perto. Os designers conseguem, a partir do recurso do sem-costura (seamless), produzir roupas confortáveis e com fit perfeito. Tudo isso para uma mais leve, mais acessível e fácil de usar. Já o Express é uma variação da tendência de fetichismo, com seus tons escuros e silhuetas sensuais. O espartilho aparece em tecidos de alta tecnologia, transformando-se em peça tecnológica e atual.

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+DOSSIÊ Liz chega a trabalhar até com quatro tecidos numa peça para garantir conforto e funcionalidade

TECNOLOGIA PROPORCIONA DIFERENTES ATRIBUTOS À LINGERIE Peças oferecem alto valor agregado em coleções Por Marta De Divitiis

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+DOSSIÊ

MATÉRIA-PRIMA É A CHAVE A tecelagem Santaconstancia trabalha também com o fio Emana® produzindo com ele três tecidos diferentes: Light Emana®, Emana® Plus e 4Way Emana®, sendo que os dois primeiros têm versões lisas e estampadas, muito usadas na indústria de moda íntima e esportiva. Já o carro chefe da Rosset, segundo seu diretor Gustavo Rosset é o Ambra, microfibra desenvolvida por Ketten, com 20% de elastano, indesmalhável. “Além do toque macio, acabamento sofisticado, ele permite o corte a fio, excelente para peças invisíveis, daquelas que não ficam aparentes sob a roupa”, explica. Além deles a empresa conta com tules, rendas, tecidos de microfibra para compressão, especiais para underwear. E falando em compressão a Plié, referência em linha de modeladores, desenvolvidos com fio Rhodia com memória, mesclado com elastano Lycra®, merece menção. Samuel Vogel, diretor da empresa, explica que essas peças recebem tratamento hidrófilo – que faz com que o tecido pareça praticamente aerado - pontos de tração diferentes deixando as peças com conforto térmico, compressão na medida certa e toque macio. “O suor é

expelido pelo tecido, que recebe um tratamento nano tecnológico fazendo com que fique muito macio, próximo da pele”, completa. As peças contam também com forro 100% algodão com tratamento antimicrobial. A empresa desenvolveu também peças pós cirúrgicas, junto com cirurgiões plásticos, que não comprometem e até auxiliam a cicatrização. Ligia Buonamici Costa, diretora de operações e estilo da Liz, assinala que as consumidoras percebem a diferença quando uma peça é desenvolvida com muita tecnologia aplicada. “Há uma valorização dos tecidos muito leves, hidrófilos, que promovem um conforto absoluto”, comenta. Em contrapartida, segundo ela, há tecidos mais compactos, mas não necessariamente grossos, com grande poder de compressão, usados no shapewear. “Por meio deles há uma redução ergonômica e outras, de sustentação,” complementa. A executiva lembra ainda das linhas esportivas, que são confeccionadas com ponto colmeia, que expele o suor, seca mais rapidamente e, ao mesmo tempo, oferece sustentação. “Num único top utilizamos três ou quatro tipo de tecidos, cada um com uma função diferente,” justifica.

Fotos: Divulgação

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ma peça íntima, em contato com o corpo deve oferecer conforto e liberdade de movimentos. No entanto, as coleções de lingerie atuais oferecem bem mais do que esses atributos. Confeccionadas com tecidos cujos fios contêm características tecnológicas de ponta, as peças que compõem as coleções underwear se destacam não apenas pela beleza, mas também pela multifuncionalidade. De acordo com Helena Schargel, de desenvolvimento de produtos da linha lingerie da Berlan, todos os tecidos voltados para esse segmento, independentemente da tecnologia envolvida, apresenta atributos. “Hoje trabalhamos com tecidos com fios inteligentes como o Emana® e o Amni Soul Eco”, ambos da Rhodia, do Grupo Solvay, em várias gramaturas”. De acordo com a executiva, esse último fio foi utilizado, em parceria com a Recco, numa linha exclusiva de lingerie dia e noite. “Todos os nossos produtos sempre oferecem algo mais, queremos que as pessoas sintam desejo de se vestir com peças produzidas com eles”, complementa. Gaíta Mello, gerente de criação/produto da Hope, destaca a linha Touch, desenvolvida com a supermicrofibra da Berlan, ultra macia, cortada a fio, que cai perfeitamente no corpo e seca rapidamente. Outra linha em evidência, segundo Gaíta, é a Green, confeccionada com malha modal, derivada da celulose, vinda de florestas sustentáveis. Essas peças não retém umidade, expelindo o suor. “Vale mencionar também nossos sutiãs, que vêm com bojos moldados e aros flexíveis, com memória, oferecendo suporte sem aumentar o volume dos seios”.

FITNESS Ana Claudia Gurgel, gerente de estilo da DelRio, lembra que a coleção fitness da marca é criada especificamente para esse fim: “Não são lingeries adaptadas para o esporte”, afirma. A assiduidade na academia, conforme atesta a executiva, fez com que as roupas de malhar ganhassem referências de moda e atributos cada vez mais tecnológicos. Assim, a DelRio levou elementos de qualidade e elegância para compor uma coleção fitness super desejável, como destaca Ana Claudia. O elemento principal da coleção é o “Mescla Power”, tecido que apesar de leve, tem alto poder de sustentação. As peças da linha fitness DelRio contam com áreas duplas e tule power, o que garante a sustentação nos tops. Cada produto foi desenvolvido a partir de testes de alto impacto e análise de movimentos, aliando conforto e segurança para garantir maior mobilidade na prática de atividade física. A marca conta ainda com as alinhas Corpo Perfeito, com peças que se ajustam bem e dão forma à silhueta, e a Seamless, com total ausência de costura nas peças.

Acima: Atriz Bruna Linzmeyer é garota propaganda da linha fitness da DelRio Abaixo: Linha Green, da Hope, é confeccionada com malha modal e tem apelo sustentável

ATRIBUTOS PARA A ROUPA Vale lembrar que o fio Emana®, de poliamida, contém minerais bioativos que em contato com a pele, absorvem o calor do corpo estimulando a circulação sanguínea, promovendo benefícios e bem estar, enquanto o Amni Soul Eco, também de poliamida, tem uma composição exclusiva que permite que roupas feitas a partir dele se decomponham mais rapidamente após seu descarte em aterros sanitários.

MODA PRAIA: CONFORTO E FIT PERFEITO GARANTIDOS POR TECIDOS Biquinis, maiôs e sungas precisam ter ajuste confortável no corpo. Para tanto, tecidos tecnológicos são fundamentais. A Rosset conta com o Ambra Beach, com as mesmas características do Ambra, indesmalhável, além de rendas e laises que são específicos para esse segmento. Já a Santaconstancia desenvolveu produtos especiais, como o Swim XLA, em poliamida com Lastol, que tem como propriedade a resistência ao cloro contido em piscinas. Além disso, o tecido vem com ajuste inteligente, que se amolda perfeitamente ao corpo. Outro produto da empresa é X-Fit – (CO2)® com a mesma performance do anterior. O Fluity – (CO2)®, 87% poliamida e 13% elastano – e o Light – (CO2)®, ambos com fios biodegradáveis (quando em aterro sanitário, se desintegram em três anos). Já a Berlan trabalha com tecidos beachwear, em que conta o FPS 50 – Fator de Proteção Solar 50. De acordo com executivos da empresa, o FPS varia de acordo com a estrutura do tecido, mas a maioria vem com FPS 50, inclusive saídas de praia.

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A Santista segue a proposta de humanização na moda, que mescla o fazer artesanal às práticas de slow fashion

TECNOLOGIA DEFINE DNA DO DENIM

O denim reassume posicionamento fashion nas passarelas mundiais e também em solo nacional. Modificado por lavagens amigáveis ao meio ambiente – as peças estão cada vez mais claras, mas sem crise de consciência para o consumidor – e por inúmeros acabamentos que dependem da alta tecnologia e de habilidade dos técnicos, o jeans tornou-se referência de moda e sustentabilidade. Além dos superlavados, destacam-se também os modelos de azul intenso, com diferentes tingimentos e composições que levam o mágico fio azul tanto na trama quanto no urdume. WORLD FASHION acompanhou de perto a temporada de lançamentos dos grandes fabricantes nacionais e traz aqui pontos fortes das coleções para o Inverno 2017. Por Eleni Kronka

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DENIM E REPELENTE Para esta temporada, a Santista Jeanswear apresenta direções de estilo que interpretam novos tipos de consumidores. São três as propostas para a temporada. Na proposta Luxe Street Sports, a Santista toma como referência os millennials, grupo comportamental que, entre outros aspectos, conduz os esportes para o centro da moda por meio de passarelas e streetwear de designers emergentes. A atmosfera une o desportivo e a elegância, espelhando-se na moda de rua e no “athleisure vintage” (misto de esporte e lazer), com certo luxo para o dia-adia. É um consumidor que prioriza o minimalismo com status premium. Nesta direção, a Santista apresenta o denim Pump, tecido com mais de 80% de stretch. A novidade faz parte da linha Denim Couture, que contempla tecidos de alta qualidade e um olhar diferenciado para o jeans. Como lançamentos, traz: o Shore, Pump, Hillary, Ocean e Claire. O tema Neo Sub-Cultures apresenta uma juventude que inova regras e narrativas, focando na rebeldia dos anos 1980 a 2000, calcada na cultura de rua e cenas musicais. A importância da mobilidade urbana demanda maior flexibilidade e leva a Tri-blend® Tecnologhy ao stretch máximo, para ampliar o uso no esporte ou nas ruas. Os lançamentos: Olaf, Boomerang (com power de 78%), Shore, Legacy, Jasmine, Lagoon. Já o tema Contemporary Maker destaca comunidades sustentáveis que atuam com a urgência das inovações ecologicamente corretas. Valoriza-se o fazer, a re-humanização, atualização de antigas técnicas na criação de algo singular, cool e autêntico; tudo isso aliado às em práticas de slow fashion. Os lançamentos são Olaf e Nuquí. Outro lançamento de destaque da Santista diz respeito à saúde e bem -estar. Diante da ameaça de doenças

transmissíveis pelo mosquito Aedes Aegipty, a empresa desenvolveu, pela primeira vez em escala industrial, os artigos Therapy Repeller e Repeller Light (camisaria), na categoria de primeiro denim repelente a insetos do mercado. Ambos apresentam tecnologia similar à utilizada em uniformes do exército, roupas de trekking e camping. Os tecidos possuem acabamento à base de Permetrina, composto sintético aprovado pelo standard 100 da Öko-Tex, também utilizado como base em alguns cremes e sprays repelentes disponíveis no mercado.

MODA E MERCADO Na temporada de Inverno 2017, a Vicunha propõe a reflexão sobre aquilo que vestimos e por aí dá os novos direcionamentos da coleção. São quatro tendências que têm em comum a união do espírito livre ao ato de vestir. Carregam a mistura do antigo com o moderno, tendo como base diferentes referências indígenas, a quebra de paradigmas de gerações, o estímulo às experimentações e a releitura do vintage. O tema Discovery of Wild destaca a era marcada pelo excesso de consumo e informação, com movimentos nos quais o apego material dá lugar a experiências existencialistas que buscam encontrar a essência do humano e da natureza. Nesse contexto, elementos da cultura indígena e o contato com o universo selvagem estimulam vivências individuais e coletivas focadas no autoconhecimento e aprendizado. Tecidos nobres, clássicos do original denim, com tingimentos ou acabamentos especiais, composições 100% algodão, superfícies com diagonais marcadas e pesos estruturados são a essência da proposta. Bases de azuis intensos, toque macio e com alto stretch aliam-se ao estilo, em estruturas maquinetadas.

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+DOSSIÊ O tema The Dreamers explora o cenário contemporâneo em que o antigo e o novo são igualmente valorizados. O momento é favorável para que os paradigmas do passado e presente dialoguem, traduzidos numa moda com abordagem retrô-chic, com resgate da estética hippie e college dos anos 70 ao navy. Nessa linha, são valorizadas as bases compostas por fibras naturais, como viscose e lyocel, com superfícies flats e desenhos delicados. As lavagens são essenciais para os efeitos finais. A proposta Design Experience recorda que o design assume novos valores e é utilizado como uma ferramenta que abraça a arte, a sustentabilidade e a tecnologia. Bases leves e com toque macio são primordiais e aparecem em diferentes composições naturais como lyocel e algodão. Nessa estética pós-minimalista, o Blue e o Black Denim recebem combinações de diferentes materiais e efeitos visuais. Open Source, por sua vez, fala das inovações. Do universo underground, com suas contraculturas do mundo digital, como o cyberpunk e o hacker, vem a influência estética desta tendência que mistura o gótico, o esportivo e o urbano. Toque e alta elasticidade são características dos tecidos Vicunha nesse tema, trazendo superfícies flats e acabamentos resinados. Na Vicunha, clássicos do original denim ganham tingimentos ou acabamentos especiais, em composições 100% algodão, superfícies com diagonais marcadas e pesos estruturados

NACIONAL E INTERNACIONAL Com a proposta de atender o mercado interno e o internacional, a Canatiba Denim Industry lançou a coleção de Inverno 2017 voltada para ambas as frentes. Um dos destaques da temporada é a linha de camisaria, que ganha força nos looks streetwear e status de jaqueta. A empresa criou denins com Liocel e Modal na composição, em construções maquinetadas e jacquard, além de multiconstruções que refinam o produto final. Nesta linha, destaque para os artigos: Jamie MaxSkin PT (100% Liocel e 4 oz), Haven MegaFlex PPT (leve, mistura 97% algodão e 3% elastano,

para camisaria e peças mais ajustadas), Ryan MaxSkin (100% Liocel, 6,0 oz). A volta das resinas, em especial a opaca imitando o leather denim, sugere novas cores, tendo o azul Galático como estrela. Dentro da proposta do tingimento black, os tecidos PT (prontos para tingir) aparecem em construções diferenciadas, como nos artigos: Lacopólle, Alex T400, com tecnologia Megaflex Therma Comfort (dry fit da linha jeanswear). Na linha de bottons masculinos e fe-

mininos, a composição 98% algodão e 2% elastano segue em alta na estação. Os tecidos com a tecnologia Duo Core ganham tingimentos diferenciados: azuis intensos, overdyed, presença marcante na coleção que resgata o aspecto “sujinho”, vintage, para base de tecidos mais elastizados. As fibras Liocel e Modal estão presentes na produção de bottons masculinos e femininos. As composições algodão/poliéster/ elastano seguem em alta na coleção Inverno 2017 da Canatiba, em tramas

Fotos: Divulgação

Petronas MaxSkin

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Dual-Fix, com extrema

O Defender, na

elasticidade e Liocel

coleção da Canatiba,

na composição,

permite acabamentos

é estrela da linha

diversos para looks

feminina da Canatiba

arrojados

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pretas ou brancas, nas construções cetim, dando máxima elasticidade aos produtos. A estrela da coleção feminina é o Petronas MaxSkin Dual-Fix (500/3113), com extrema elasticidade, uso de Liocel e não-deformidade.

MULTIVERSO Com tecidos em denim e colours, que têm como característica comum o equilíbrio entre power e largura, grande gama de pesos e tecnologia premium, a Cedro traz como uma inovação a tecnologia No Wash, tecido de 8 oz e 1,5m de largura, que leva na composição algodão (78%), poliéster (21%) e elastano (1%). O produto dispensa o processo de lavagem industrial e reduz a necessidade de lavanderia caseira, devido ao seu acabamento antimicrobial, que inibe a proliferação de microorganismos e, consequentemente, os odores. O resultado é um tecido sustentável e econômico, que diminui consideravelmente o uso de água e gera redução de custos tanto para as confecções (que ainda aceleram o processo de produção), quanto para os clientes finais, evitando o desgaste da roupa na máquina de lavar. Já as referências estéticas para a coleção de Inverno 2017 da Cedro vêm da física quântica, que afirma que “universos paralelos coexistem e se interferem mutuamente”. Nessa linha, a Cedro Textil sugere que cada pessoa é um universo particular, que influencia e é influenciado por outros. Por isso, a palavra dá nome a mais nova coleção da tecelagem para a temporada. “A Cedro é uma empresa que busca, em seu mix, atender todas as demandas das confecções, respeitando a individualidade dos consumi-

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+DOSSIÊ dores finais. Após pesquisar as necessidades do mercado, apresentamos uma nova coleção com características variadas, oferecendo inúmeras possibilidades de produtos”, explica o explica o gerente comercial, Oto Arantes. Do super elastic ao rígido, a coleção Multiverso traz opções que se adaptam a vários estilos e celebram a diversidade de corpos e de personalidades. “Os lançamentos foram pensados de acordo com a necessidade do mercado feminino, masculino e infantil, sempre em busca do conforto e da versatilidade. A variedade de artigos com power, largura e tingimentos diferentes relaciona com o tema da coleção, que tem como proposta atender a todos os tipos de pessoas, com perfis, tipos físicos e gostos diferentes, sendo artigos que possibilitam diversas modelagens”, completa Luciana Machado, integrante da equipe de estilo da Cedro.

Cedro traz como uma inovação a tecnologia No Wash, produto que dispensa lavagem industrial e reduz a necessidade de lavanderia caseira, devido a acabamento antimicrobial

MODA SUSTENTÁVEL A Covolan, por sua vez, lança 14 novas bases atenta à sustentabilidade dos produtos, conforme assinala Denis Marcel Ortenzi, da área de marketing. “Os produtos básicos têm ótimo giro de vendas, sendo que determinados artigos têm entrega para até 30 dias, o que mostra o êxito das propostas”, comenta. O executivo acrescenta que o showroom de lançamento foi ótimo termômetro para avaliar a receptividade da nova coleção no mercado. “Apesar das incertezas do momento, as novidade mostraram-se atrativas aos clientes nacionais”, revela. Na área internacional, a Covolan tem destinado 15% da produção à carteira de clientes, basicamente composta por países latino-americanos, como: Argentina, México, Colômbia, Peru, Paraguai, Equador, Bolívia, El Salvador e Venezuela. “A participação de eventos internacionais, como Colombiatex e Peru Moda, tem contribuído para a expansão da área”, assinala. Para esses mercados, a empresa destina os artigos como um todo, frisando que todas as etapas do processo de fabricação têm certificações de sustentabilidade. “A começar pelo algodão, que tem o selo Better Cotton Iniciative (BCI)”. Um dos artigos em destaque na

coleção da Covolan é o Stanley, de 9 oz, à base de algodão (82%), poliéster (16%) e elastano (2%). Trata-se de um artigo com acabamento coating preto (resinado), com largura de 1,58m. Já o Double, com 12,7 oz, misto de algodão (96,5%) e elastano (3,5%), largura de 1,40m e 80% de alongamento, é ideal para looks femininos de aspecto vintage, permitindo efeitos de lavagem e detonados. O Span Black (11 oz, 75% de algodão, 23% de poliéster e 2% de elastano) é um artigo da linha Power Comfort, com tingimento black intenso.

MODA COM DIVERSIDADE O Inverno 2017 Santanense foi desenvolvido para reforçar o conceito intimista, porém caloroso, como pedem o momento e a estação, segundo a

Covolan destina ao mercado internacional os artigos como um todo, frisando que todas as etapas do processo de fabricação têm certificações de sustentabilidade

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Gerente de Marketing Produtos e Serviços Sportswear, Eleonora França. A coleção remete ao desejo de originalidade, aos valores com ares de modernidade, sem a perda da autenticidade. Segundo Eleonora, a ideia é dar a liberdade para que os tecidos transitem

por diferentes propostas de criação, indo da modelagem mais justa à mais ampla, do étnico ao contemporâneo, do estilo militar renovado ao over size, das sobreposições ao mais simples. Na série de denims, ênfase para diferentes padrões de elasticidade e para novas larguras dos tecidos da família Extreme Power, visando ao melhor aproveitamento na confecção. Seguem essa diretriz os artigos: Solaris (cetim com ultra power, 9,5 oz, recuperação acima de 90% e largura de 1,40m); Titania (sarja 3x1, super power, recuperação acima de 90% e 1,53m de largura) e o Polaris (cetim com super elasticidade, 9 oz e 1,42 de largura). A linha Troppo Denim da Santanense, entre outros produtos, foi ampliada com os artigos DNS Lycra Extreme Power (9,5 oz) e Áquila Extreme Power (10,5 oz), ambos com alongamento/stretch acima de 50%. A Santanense apresenta interessante linha de estampados para o inverno, com mais de 50 desenhos indicados tanto para o segmento adulto quanto para o infantil. Atenção especial para a combinação de desenhos feitos com pigmentos sobre estampas reativas, com diferentes propostas de padronagem. Tal combinação permite efeitos diferenciados na etapa do acabamento das peças. A tecelagem traz também gama completa de sarjas coloridas elastizadas, com pesos diferenciados e stretchs que vão dos tradicionais aos mais arrojados, como o Belize Extreme Power, com alongamento acima de 50%. Já a sarja Fiji Flex, de aparência mais rústica, peso de 10 oz e 30″% de alongamento, pode ser usado em peças do tipo street e urbanwear.

Inverno 2017 da Santanense foca em conceito intimista, como pedem o momento e a estação, segundo a Gerente de Marketing Produtos e Serviços Sportswear, Eleonora França

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Vem aí a edição 2016 da GOTEX SHOW. Venha conferir as principais novidades do mercado, conheça milhares de produtos fabricados por expositores nacionais e internacionais e veja os novos talentos da moda no concurso Novos Designers Brasil. Não perca! TECIDOS AVIAMENTOS FIBRAS FIOS CAMA, MESA E BANHO VESTUÁRIOS

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+acontece mundo Intimissimi: tons pastéis e florais suaves na vitrine londrina

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+acontece mundo

Bodywear invade a cena da moda

La Perla em puro romantismo

A peça mais vista nas academias é presença certa no território da moda e nas vitrinas de marcas formadoras de opinião Texto e fotos por Daniela Burity

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ovimento. A união do ritmo acelerado do caos urbano ao desejo de um estilo de vida mais saudável e com maior qualidade explora a singularidade do ser humano. Essa mudança se reflete em um novo conceito de vestuário, tornando-o muito mais confortável, multifuncional e versátil. Traçar uma linha de diferenciação entre sportswear e a roupa utilizada no dia-a-dia, casual ou profissional, parece tarefa impossível. Trata-se de peças contemporâneas, construídas para se ajustarem à necessidade e à personalidade do indivíduo. A legging, por exemplo, pode ser usada com um vestido em nova produção para o happy hour. É fato que o crescimento do mercado de activewear ao redor do mundo, segundo especialistas, não para e estima-se que o crescimento será de mais de 23% em alguns anos, alcançando 125 bilhões de libras até 2019. As grandes marcas do fast fashion começaram a explorar esse novo segmento e já possuem suas coleções dentro do sportswear. A primeira delas foi lançada em 2010 pela americana Forever 21, seguida, em 2011, pela GAP que trouxe às lojas a GAP Fit. Atualmente, quase todas as marcas da high street possuem coleções e acessórios, unindo moda e fitness.

RI ACTIVE: MODA + FITNESS A River Island lançou recentemente a primeira coleção activewear, RI Active, com 23 peças para uma infinidade de atividades esportivas. Uma fusão de moda + fitness com ênfase em silhuetas elegantes e tecidos respiráveis esportivos na linha premium. A marca propõe uma paleta de cores em tons mais escuros de preto ao verde musgo com flashes de neon amarelo e camuflagem. E preços que variam de 18 a 38 libras.

TOPSHOP + IVY PARK Lançada em abril de 2016, a coleção activewear intitulada de Ivy Park tem origem numa das mais celebradas parcerias, entre a cantora pop norte

-americana Beyoncé e a fast fashion inglesa Topshop. Com as cores azul royal, branco e preto, e inspiração streetwear, as peças foram criadas para serem usadas além das academias e dos centros esportivos. Com preços que variam de 20 a 150 libras, está sendo comercializada em apenas 12 lojas, incluindo a Topshop e as lojas de departamentos Selfridges e a Nordstrom nos Estados Unidos.

BODY STUDIO NA SELFRIDGES. Inaugurado em abril desse ano no terceiro andar da loja de departamentos Selfridges, em Londres, o Body Studio é um espaço amplo e inovador, especialmente dedicado ao bodywear incluindo activewear, beachwear, loungewear, lingerie, sportswear e sleepwear. A proposta é colocar o corpo em destaque, a partir da seleção de mais de 100 marcas diferentes, entre elas grifes famosas de lingerie, tais como: La Perla, Agente Provocateur, Coco de Mer, entre outras. Com uma variação de preços de 8 a 2500 libras, oferece também o Fit Studio, que é o serviço personalizado para o cliente Selfridges. O Body Studio inclui um restaurante/café com cardápio além de saudável, delicioso.

INTIMISSIMI + VOGUE BRITÂNICA 100 ANOS. A marca italiana Intimissimi festeja os 100 anos da Vogue inglesa com uma vitrina inusitada réplica de uma capa de Setembro de 1926, de autoria do pintor e ilustrador espanhol, do movimento Art Déco, Eduardo Garcia Benito. A grife que também possui franquias no Brasil, traz romantismo para a coleção de primavera/verão 2016, evidenciando tons pastéis e os florais suaves que se unem harmoniosamente com a elegância das rendas e bordados, detalhes muito próprios das coleções da marca. O bodywear traça seu caminho e se consolida no mercado varejista como uma macro tendência demonstrando que a mudança de comportamento do indivíduo não é efêmera, mas representa também uma nova mentalidade no estilo de vida e consumo.

Body Studio, a revolução do corpo

Topshop também aposta na tendência do corpo em movimento

Ivy Park, embalada pelo carisma de Beyoncé, na Top Shop

Daniela Burity é trend tracker residente em Londres. Proprietária do TrendZ Bureau, especializado no varejo. www.trendzbureau.com Pesquisa de Jeanswear realizada pelo TrendZ Bureau em Londres nas principais lojas de varejo. Os dados foram cuidadosamente mapeados e obtidos nas coleções da high street do mercado europeu.

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+acontece brasil

Minas Trend recebe compradores mais conscientes Minas, celeiro de boas criações em mod,a consolida-se também como referência na área de negócios para lojistas do País e também de fora

Fotos: Divulgação Agência Foto Site

Por Yuko Suzuki

A

18ª edição do Minas Trend PreviewVerão 2017, realizada de 4 a 7 de abril, em Belo Horizonte, contou com a participação de 220 expositores, dos segmentos de vestuário, bolsas e calçados, além de fabricantes de joias, bijuterias e acessórios. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior, acompanhado do Superintende de

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Comunicação da entidade, Henrique Câmara e do presidente da Codemig – Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Marco Antônio Castello Branco, visitou o Salão de Negócios do MTP e comentou: “O mundo não acabou”, completando que é preciso “ousadia, presença e trabalho para mudarmos algo no País”. Para Castello Branco, o atual cenário econômico pode abrir novas oportunidades para os fabricantes.

Diante de compradores mais conscientes em relação às compras, tendo em vista o atual cenário econômico, os modelos apresentados durante o MTP revelam que os expositores sabem atender os desejos dos lojistas. Exemplo disso é o blêizer lançado pela Cajo que pode ser usado com manga comprida ou três quartos, ou ainda o vestido dupla face da Viva, que estreou na passarela do evento com uma proposta muito feminina.

Os bordados e brilhos que encareciam o produtos foram substituídos por estampas de bordados como fez a Arte Sacra, que criou um vestido com estampa floral exclusiva. Detalhe: a estampa foi desenvolvida a partir das fotos dos sofisticados bordados da marca. Já a Kalandra trouxe cortes de alfaiataria luxo para seus poderosos long dresses. O vestido minimalista ganha charme com os cintos de acrílico.

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+acontece brasil MINAS TREND ABRIU A TEMPORADA DOS DESFILES [1]

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[1]: Fabiana Milazzo – O universo grunge com toques de romantismo sugere cabans, calças e blusas de pijamas, largas, rasgadas ou desfiadas associadas a outras mais

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sofisticadas. O underwear e a lingerie vêm com tecidos com propriedade anticelulite da Canatiba. [2]: Faven – Formas e cores em padronagens de jacquard numa mistura de tons pastéis menta, azul claro, tons de pele, amarelo pálido se misturam às cores quentes como vermelho, pink, marinho que são pontuados ocasionalmente por preto. [3]: Plural – Modelagem fluida, longilínea em tecidos de diversas texturas como linho, jersey, georgette plissado e rendas. Os tons luminosos do amarelo ao laranja contrastam com a suavidade do rosé. Estampas lembram colagens abstratas, pinceladas e flores. [4]: Sonia Pinto – Egressa do Grupo Mineira da Moda, trouxe à passarela o seu preciosismo na modelagem, com recortes irregulares e detalhes que lembram origami. [5]: Lino Villaventura – A reconstrução e o retecer são sempre presentes e são a sua marca registrada. A [5]

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composição de cores remete ao mosaico, com estampas exclusivas e o hand made foi marcado com vigor nas pinceladas em tecido trabalhado. [6]: Lucas Magalhães – O tricô clássico é a sua marca, associado às rendas e ao couro. As cores rosa, verde, laranja azul e amarelo são arrematadas com preto e marrom, em formas mídis e minis. [7]: Confraria – A marca comemora 18 e resgata os próprios valores, calcados no slow fashion, baseado na sustentabilidade e na responsabilidade social. Destaque para peças hand made elaboradas em junco (natural da Amazônia) com selo do Ibama. [8]: VIVA por VIVAZ – A coleção é para o público jovem com ares de “fresh” e “cool” em peças versáteis e intercambiáveis e em cores rosa primavera, azul menta, branco off, camel, azul céu e preto. Detalhes de pinturas e desenhos de borboletas feitos à mão.

A realização do Minas Trend Preview é da Fiemg, com patrocínio de: Senai/DN, CNI, Sesi DRMG, Senai DRMG, formento do Codemig, Governo de Minas e apoio do Sebrae MG, Abit, Apex e Texbrasil.

JOVENS TALENTOS ATRAEM OLHARES A sétima edição do concurso Ready to Go – Investindo no futuro da moda, – contou com 12 marcas iniciantes, reunidas no estande coletivo do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG). As estreantes são Caniglia, M’adri, Mollet, Fernanda Farah, Miau, Regina Misk, Ronaldo Silvestre, Benedita e Maddie. Lu Tolentino, Tyyli e Sabor de Hortelã entram pela segunda vez no concurso. Idealizado pelo Sindivest-MG e organizado pelo

TS Studio, o objetivo do Ready to Go é identificar, capacitar e divulgar novos talentos com potencial, destacando o trabalho dos jovens designers e suas marcas. O júri é comporto por jornalistas, formadores de opinião, estilistas renomados, arquitetos, designers e empresários. Ronaldo Silvestre e Ana Machado, estilista da Mollet, são os vencedores desse ano. Ambos receberam, como prêmio, um estande cedido pelo Sindivest-MG para participar, individualmente, do próximo MTP.

RONALDO SILVESTRE ESTILISTA: RONALDO SILVESTRE Conhecido por suas participações no Dragão Fashion, em Fortaleza, o mineiro Ronaldo Silvestre se inspirou no filme O Piano. Sob a ótica do amor, seus dramas e armadilhas, a coleção é atemporal, seguindo o movimento slow fashion, aliando sustentabilidade ao feito à mão. Tecidos orgânicos e com identidade própria se unem ao jeans e suas nuances, criando formas e dando identidade única a cada peça. Seda artesanal, jeans, sarjas, estampas geométricas, tons terrosos, chá com mel e preto compõem o trabalho da marca. Em destaque, os tecidos artesanais produzidos no tear mineiro com fios de seda; bordado redendê para flores e sobre estampas; bordados na técnica de renda irlandesa, usando fios de seda artesanal; cirandinha em crochê, com fios de seda artesanal e passantes em jeans.

MOLLET ESTILISTA: ANA MACHADO

Finalistas do concurso

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Trazendo cortes minimalistas, que privilegiam a aderência do tecido ao corpo, a coleção Calma (inspirada na letra de Arnaldo Batista) aposta na simplicidade sem ser simplista. O moletom é o personagem principal, unindo o moderno ao casual em uma síntese única. Mesmo quando não aparece, ele está presente, metaforizado por shapes, cores, ou, simplesmente, pela “sensação”.

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+acontece brasil Fotos: divulgação Roberta Braga, Silvia Boriello e Ricardo K

DFB 2016 “Sangue Latino” A maior vitrine da moda autoral do país - o DFB 2016 – marcou a 17ª edição com a participação da Colômbia, abrindo as parcerias com países latino americanos Por Yuko Suzuki

O

Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza foi palco, de 4 a 7 de maio, do Dragão Fashion Brasil (DFB), evento que extrapolou o território da indústria e da estética da moda para abarcar diversas áreas – do setor de serviços, como exposições, gastronomia, feira de varejo e oportunidades –, tornando-se um dos mais interessantes festivais multidisciplinares do País. Além da passarela recheada de lançamentos e propostas autorais, o DFB propõe aos seus participantes, como empresas, marcas e designers, comercializar seus produtos num espaço lúdico que remete à badalada Camden Town, em Londres, cercada de shows e atrações abertas ao público. A proposta, segundo o diretor do evento, Cláudio Silveira, é gerar uma nova experiência de diálogo entre marcas de acesso restrito e o público qualificado que comparece ao encontro. A edição teve como tema “Sangue Latino” e contou com a participação da Colômbia, país de consolidada indústria têxtil com atuação de peso no cenário latino -americano e mundial. A conexão Brasil-Colômbia foi responsável por trazer novidades exclusivas ao evento. Entre elas, o “Mano a Mano”, projeto que traz ao DFB o I Seminário Internacional de Moda, Cultura e Desenvolvimento, dentro da programação do Dragão Pensando Moda (DPM). Destaque para o desfile da marca colombiana Lenerd e para a exposição “Artesanías de Colombia”, com objetos de moda e design de criadores colombianos.

OS DESFILES Ao longo de quatro dias, o DFB apresentou 32 desfiles autorais de 22 criadores brasileiros e convidados: Almerinda Maia, André Sampaio, Bikiny Society, David Lee, Gil Braga, Gisele Franck, Hemanuel Viktor, Ivanildo Nunes, Iury Costa, Jeferson Ribeiro, João Paulo Guedes, Kallil Nepomuceno, Lenerd (do colombiano Felipe Santamaría), Lindeberg Fernandes, Lizzi, Mark Greiner, Pena Conceito, Rebeca Sampaio, Ronaldo Silvestre, Rio de Jas e Weider Silveiro.

Almerinda

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BikinySociety

David Lee

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Gisele

Lindeberg

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Ronaldo

Franck

Fernandes

Greiner

Silvestre

DRAGÃO PENSANDO MODA

auditório Dragão Pensando Moda

Eduardo Motta, Espedito Seleiro e Cláudio Silveira no lançamento da obra “Meu Coração Coroado”, livro sobre o mestre do artesanato e da culturade Cariri,na livraria do Senac no DFB.

CONCURSO DOS NOVOS Em sua 10ª edição, o concurso surgiu para visibilidade ao trabalho autoral de alunos de instituições de ensino técnico e superior de todo o Brasil. Nesta edição, as instituições finalistas foram: Senac Santo Amaro (SP); IDECC (CE); IESB (DF); UFC (CE); Unama (PA); Unifor (CE); e Universidade Estadual de Maringá (PR).

1º colocado UNIFOR (CE)

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2º colocado C. UNIV. SENAC Santo Amaro (SP)

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3º colocado IESB (DF)

O ciclo de palestras, workshops e mesas-redondas de moda do DPM - Dragão Pensando Moda em parceria com o Senac/CE, trouxe grandes nomes do trade de várias áreas. O Seminário Latino-Americano de Moda, Cultura e Desenvolvimento reuniu convidados do Brasil e de países-irmãos da América Latina para discutir os rumos do trade e as possibilidades de uma indústria com o DNA do continente. Contou com a presença de especialistas como: a diretora executiva do programa “Artesanías de Colombia”, Ana Maria Fries Martinez; o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Carlos Paiva, e a assessora de cooperação e assuntos internacionais da Colômbia , Leonor Esguerra. Já o 1º Encontro dos Cursos de Moda do Ceará  reuniu alunos de todas as faculdades e cursos de moda locais para debater a inclusão no ensino das tipologias artesanais na grade curricular, enquanto o Projeto LAB, parceria entre o DFB e empresas de varejo, dirigiu o foco para a capacitação e inserção de jovens no mercado de trabalho. A mesa-redonda do evento reuniu o mineiro  Ronaldo Fraga com os cearenses Lindebergue Fernandes e Celina Hissa, da marca Catarina Mina e do Projeto Fia. Em palestra, o especialista em mercado premium Carlos Ferreirinha d estacou a necessidade de se “repensar tudo”. Ao final, o empresário citou Albert Einsten: “A vida sem crises é uma vida sem desafios, e sem desafios, não há evolução”.

Gaida Dias com Cláudio e Helena Silveira

Realizado pela Equipe de Produção dirigida pelo incansável, persistente e guerreiro Cláudio Silveira e sua parceira Helena Silveira, o DFB 2016 contou com o apoio máster da Companhia Energética do Ceará (Coelce), co-patrocínios das empresas: Canatiba Denim Industry, Pena Live freestyle, Sebrae, Senai e Sinditêxtil do Ceará, além dos apoios institucionais do Beach Park, Iguatemi, Jangadeiro Têxtil, Fecomércio CE, Senac, Prefeitura de Fortaleza, Abit, Apex Brasil, Docas do Ceará, Terminal Marítimo de passageiros de Fortaleza e apoio cultural da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará.

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Fotos: Arquivo pessoal, Divulgação

por Edson D'Aguano

Diretor presidente da Consultive Holding.

www.consultive.com.br

Agora é que são elas, o além do horizonte existe, ora, pois... Se não, vejamos... Penso então, que o que teremos nos anos vindouros será, sim, uma mistura de Luzes da Ribalta, desde que, todos nós tenhamos os pés, joelhos e bumbuns no chão, sem viajar na maionese...

R

eza a lenda, que um gestor, quem diria, enquanto rebelde e corporativo como tal que pode ser, desafia, via de regra, com louvor e se, preciso for, especialmente em situações de recessividade de mercado, até os Cavaleiros do Apocalipse na busca da resultância. Aliás, este é o cenário atual, retrato escarrado em nosso país de cabo a rabo, certo? Errado! Rola desgraça muito mais ainda... Acabamos de mudar a vidraça no cenário político, mas penso que a “pedra” continua a mesma. Sinal dos tempos? Notícias a respeito vazam o tempo todo. Reza o fato também, que, em um mercado reconfigurado (recessivo é pouco) como esse de hoje em dia, a melhor semântica para o status quo é o cognome de C.A.C.O. (Competitivo, Acirrado, Complexo e Ofertado). Verdade verdadeira da nossa economia. A saída para a busca de Resultados de Valor é a crença na visão (via luz alta) penetrante e desobstruída típica dos revolucionários determinados, que sejam alguns dos gestores iluminados do nosso fashion world, preparados que estão para o que der e ainda o que vier pela frente ou sei lá o que... Penso então, que o que virá a seguir nos anos vindouros será, sim, uma mistura de Luzes da Ribalta, desde que, todos nós tenhamos os pés, joelhos e bumbuns no chão, sem viajar na maionese... É isso mesmo cara! Falo sério pra caramba e sem influência alguma do magnetismo Hellman´s. Vejo sim, de verdade mesmo, uma iluminação forte de Leds no final do túnel do tempo, lá pelos anos futuros (2019|2020), e não acho que essa super luz seja um Truck vindo em sentido contrário. Não e não mesmo... Claro que não! Teremos modificações políticas (que já irão tarde) e recredibilidade nacional e internacional. Podes crer. Aliás, quer saber, cá entre nós, estávamos pre-

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cisando de uma faxina em tudo... No nosso governo, na nossa economia, na nossa empresa, no nosso cliente, na nossa cabeça, no nosso inconsciente, no nosso bolso e, até mesmo, na nossa alma e na nossa maneira “de ver” as coisas. Eu acredito pacas no ALÉM DO HORIZONTE. Já dizia o velho e sábio axioma: “Não existe o bem que dure e tampouco o mal que perdure”. Pense comigo... Tudo passa na nossa vida. Nada como uma desgraça pelada para fazer o despertador da nossa consciência tocar, tocar e tocar “gritando” para acordar, além de avisar e sinalizar a todos nós mortais, que o ótimo é o maior inimigo do bom e o principal desafiador do ruim. Convém sempre lembrar, que, no idioma chinês (mandarim), CRISE É SINÔNIMO de OPORTUNIDADE. Na “rapa do tacho”, só ficarão os competentes e, ainda assim, se pautados no Planejamento Estratégico e Executivo pró-inteligência competitiva. Essa é a crença dos esforçados e a busca dos determinados. É simples assim...

... SEJA O SEU PRÓPRIO PROFETA... E para você? O cenário do futuro é algo realmente palpável, inevitável e tridimensional na sua vida pessoal e profissional? Você é capaz de ver, de realmente enxergar uma oportunidade desconcertante, via Audácia na Inovação, do Conceito de Negócio da sua empresa, do seu trabalho, do seu foco, da sua responsabilidade e do seu comprometimento? Audácia e Inovação na sua gestão existem? Audácia e Inovação na cabeça da sua equipe existem? Você consegue visualizar alguma coisa tão sedutora que seja impossível dar-lhe as costas? Você consegue acreditar, até o talo, que seremos felizes para sempre no Além do Horizonte? Você consegue

compreender, de fato, a necessidade da Mudança imperativa e Revolucionária, pró-resgate do consumo incondicional, com foco racional? Você a sente nos ossos? Senão, convenhamos, pense cá comigo... Você é a voz da oportunidade em sua empresa? O campeão do não-convencional? O Revolucionário-mor anti-mesmice? Você é o gestor são da galáxia que transforma o ordinário no extraordinário? Você é o “bacanão” duro e enraizado da ignorância, da incompetência e da impotência dos seus pares (características essas próprias das gestões triviais e obvientas das empresas decrescentes)? Você faz germinar rebentos de insights na sua equipe? Você está seguro que o seu trabalho (trabalho?) já neutralizou o ponto cego que o abalou até aqui? Você aplica o foco Do ou ainda é refém do foco No? Você tem certeza disso? Você está confiante nos dogmas do futuro para fazer acontecer retornos crescentes de Resultância (Receita + Rentabilidade) na sua gestão corporativa? Você se acha uma fonte de criatividade e diversidade, a ponto de fazer a concorrência se contorcer por dentro só em ouvir o som estridente da sua marca? Você tem mesmo certeza que está preparado para isso? Caraca... Se sim, então, você é o cara! A pergunta que não quer calar é: você já usou a tática “taróloga” do “espelho, espelho meu” ou já está na fase do “travesseiro, travesseiro meu”? Qual é a sua teoria? Não e não mesmo... O foco tem que ser outro. 180º é pouco. Na era atual da Mudança (o C.A.C.O. que se cuide), é preciso ser capaz de pensar, criar e agir via sacadas alternativas revolucionárias, estratégias e executivas que só (ordinário é pouco), para quebrar de vez o caótico status quo dos dias de hoje. Os poucos imaginosos gestores fora de serie que são, de visão futurista e reféns que estão do passado insó-

lito, serão, com certeza, relegados às hastes entulhadas dos carniceiros de plantão no palco do caos. A inveja explica... Mais que isso, é certo que um grande número desses gestores, de vocação e talento pró-resultância, verdadeiros zumbis incansáveis, draculentos de alma, não lograram escapar das garras cadavéricas dos eternos concorrentes, chupadores de sangue do mercado de moda. A jugular do consumidor final atesta. Paralelamente, inúmeros outros gestores, rotulados de diretores de araque que são e que tais, também não estarão, por motivos de cegueira crônica, envolvidos e muito menos comprometidos, com os desafios do futuro. Esses enganadores de plantão estão o tempo todo bebendo sangue alheio. Só para lembrar... “Gestão é Resultado não Esforço”; mais que um estigma, uma verdadeira crença. A única trilha é optar por crescer ou desaprender, inovar ou perecer, mudar ou morrer, migrar ou sofrer. Fazer ou fazer é a busca insana de todos nós, mortais. E aí, qual é a sua teoria? Você já encontrou alguma trilha otimizante nesse nosso cenário C.A.C.Oento que invadiu a sua empresa? Centenas de gestores, sócios-cativos da “bancarrota”, não conseguem distinguir entre herança e destino, tradição e oportunismo, fama e sucesso... Você é um deles? Você quer converter-se em um revolucionário-profeta, moderno e inovador? Então vá em frente, cara... Quem enxerga tem futuro, quem não enxerga tem destino. Seja, sem medo ser feliz, o seu próprio profeta. Pense diferente, aja diferente, aposte no inexistente, não seja resistente, não fique doente e abra a sua mente. Tente... Adote a mudança antes que ela mude você. O futuro não é invisível aos olhos... Quem viver, verá!!!

A REVISTA PARA OS PROFISSIONAIS DA MODA

edição 153


09 a 12

de agosto de 2016 das 14h às 21h

Parque Vila Germânica - Blumenau-SC Eventos paralelos:

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NOVO ENDEREÇO Centro de Eventos Pro Magno. Rua Samaritá 230, Casa Verde – São Paulo/SP PATROCÍNIO

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REALIZAÇÃO


Fotos: Arquivo pessoal, divulgação

por Marcelo V. Prado

Marcelo V. Prado é sócio-diretor do IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial

faleconosco@iemi.com.br

Interior da Loja Riachuelo

Estamos de volta ao jogo Se para se suprir de importados o varejo precisa planejar suas compras com seis a nove meses de antecedência, o desafio de ser eficaz e rentável no modelo fastfashion torna-se muito mais complexo

P

ara os próximos cinco anos, estima-se para o Varejo de Moda no Brasil, em função da crise atual e da expectativa de uma lenta recuperação da demanda, uma taxa de crescimento médio de 1 a 2% ao ano, com a participação dos importados recuando para uma fatia inferior a 10% dos volumes comercializados. O baixo ritmo de crescimento esperado para o varejo, nos próximos anos, não será compartilhado por todos os canais de venda. Na verdade, como comentamos na coluna passada, as Redes Especializadas em Moda tendem a voltar a crescer em um ritmo bem mais acelerado, tomando para si uma fatia ainda mais significativa do mercado, que tem sido até aqui, das pequenas lojas multimarcas. Dentre os ingredientes que continuam ajudando a alimentar o crescimento destas redes, está o já arraigado sistema fast-fashion, que oferece lançamentos cada vez mais frequentes, visando garantir novidades quase todas as semanas nas lojas. Com este

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modelo e a introdução das coleções cápsulas, de giro rápido – muitas vezes, com permanência de apenas duas semanas no ponto de venda e presença em apenas parte das lojas da rede – os grandes varejistas de moda têm conseguido atrair e fidelizar um número cada vez maior de consumidores. Em que pese o fato de que em momentos de crise, como o atual, os consumidores se tornam mais arredios a produtos (roupas) muito inovadores, que permitem o seu uso em poucas ocasiões, não há dúvidas de que o maior estímulo para o consumo de moda vem do encantamento gerado

pela oferta constante de novidades. Dentro deste modelo de consumo, cada vez mais é exigido dos varejistas de moda, velocidade e variedade de produtos na renovação dos seus estoques, exigindo muita eficiência e proximidade com a cadeia fornecedora. Se para se suprir de importados o varejo precisa planejar suas compras com seis a nove meses de antecedência, o desafio de ser eficaz e rentável no modelo fast-fashion torna-se muito mais complicado. É aqui que as confecções brasileiras voltam para o jogo e recuperam a sua importância estratégica para as redes de varejo nacionais, assim como vinha ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos, onde a produção local de roupas volta, lentamente, a se recuperar. As principais redes de varejo do país estão, neste exato momento, empenhando-se na implantação de programas de estreitamento da sua relação com os fabricantes locais, tendo como ponto de partida o trabalho com menos fornecedores, num modelo de suprimento que envolve compras em quantidades menores, variedades maiores e um número mais frequente de pedidos. Além do fator câmbio, agora mais

favorável à produção nacional, a proximidade geográfica e a relação de maior confiança com os fornecedores vêm se tornando uma vantagem competitiva cada vez maior, a favor dos fabricantes de vestuário do Brasil, interessados em se qualificar (e se certificar) para suprir grandes redes de varejo do país. O desenvolvimento de novos canais de comercialização é um importante caminho de grande potencial para superar a crise e voltar a crescer. Se a sua confecção ainda não atua como fornecedor do grande varejo de moda do país, talvez seja o momento de olhar com mais atenção para as oportunidades que este canal pode oferecer para o seu negócio. Sucesso!!!

INDICADORES ECONÔMICOS De olho no desempenho recente do mercado de vestuário, a venda do comércio varejista finalmente voltou a crescer, no último mês de março de 2016. Em volumes físicos a alta foi de 12,8% e, em valores de venda, de 13,8%. No acumulado do 1º trimestre de 2016, houve queda de (-) 7,6% nas receitas e de (-) 12,9% nos volumes. A produção nacional destes artigos, em número de peças confeccionadas, teve crescimento de 17,8% em março comparado ao mês de fevereiro de 2016, acumulando no 1º trimestre queda de dois dígitos, chegando a (-) 11,4% em 2016, sobre o montante produzido em 2015. Com o aumento da taxa de câmbio nos últimos meses, as importações brasileiras de roupas, por sua vez, recuaram em 5,3% no mês de março de 2016 e, no ano, acumula queda de 47,9%. Já as exportações obtiveram alta de 53,0% no mês, porém, ainda com recuo de 8,2% no ano.

DESEMPENHO VESTUÁRIO

VARIAÇÃO NO MÊS 1

VARIAÇÃO ANUALIZADA 2

VENDAS NO VAREJO (R$)

13,8%

-7,6%

VENDAS NO VAREJO (PEÇAS)

12,8%

-12,9%

PRODUÇÃO INDUSTRIAL (PEÇAS)

17,8%

-11,4%

IMPORTAÇÕES (US$)

-5,3%

-47,9%

EXPORTAÇÕES (US$)

53,0%

-8,2%

Fontes: IEMI / IBGE / SECEX (1) Março 2016 / Fevereiro 2016 (2) Janeiro-Março 2016 / Janeiro-Março 2015

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edição 153


“Inovação = novo + ação”

EĂĐƌŝƐĞŽƋƵĞǀĞŶĚĞĠŽŶŽǀŽ͕ƉĂƌĂĞŶĨƌĞŶƚĂƌĞƐƚĞƟƉŽĚĞƐŝƚƵĂĕĆŽ͕ ŶĆŽŚĄŵƵŝƚĂƐĞƐĐŽůŚĂƐ͕ŵĂŝƐĚŽƋƵĞŶƵŶĐĂĠƉƌĞĐŝƐŽŝŶŽǀĂƌ͘

Conheça o seu mercado, entenda o seu consumidor e encontre as respostas para inovar e ĂƟŶŐŝƌƐĞƵƐŽďũĞƟǀŽƐ͘

ŽŵƉŽƌƚĂŵĞŶƚŽĚĂŽŶƐƵŵŝĚŽƌĂĚĞDŽĚĂ1ŶƟŵĂ WĞƐƋƵŝƐĂĨŽĐĂĚĂŶĂƷůƟŵĂĐŽŵƉƌĂĚĞŵŽĚĂşŶƟŵĂ͕ĂďŽƌĚĂŶĚŽĚŝĨĞƌĞŶƚĞƐ ǀĂƌŝĄǀĞŝƐĚŽĐŽŶƐƵŵŽ͕ŚĄďŝƚŽƐ͕ŝŶŇƵġŶĐŝĂƐŶĂŚŽƌĂĚĂĐŽŵƉƌĂĞŵĂŝƐ͘

Canais do Varejo de Vestuário ŝŵĞŶƐŝŽŶĂŵĞŶƚŽĚŽǀĂƌĞũŽĚĞǀĞƐƚƵĄƌŝŽŶŽƌĂƐŝů͕ĂŶĄůŝƐĞĐŽŵƉĂƌĂƟǀĂĞŽ ĚĞƐĞŵƉĞŶŚŽĚŽƐƐĞƵƐƉƌŝŶĐŝƉĂŝƐĐĂŶĂŝƐĚĞǀĞŶĚĂĞŵĂŝƐ͘

Mercado Potencial de Moda Feminina KĨĞƌƚĂĞĚĞŵĂŶĚĂĚĞŵŽĚĂĨĞŵŝŶŝŶĂŶŽƌĂƐŝůĞŶŽŵƵŶĚŽ͕ůĞǀĂŶƚĂŶĚŽ ŝŵƉŽƌƚĂŶƚĞƐŝŶĚŝĐĂĚŽƌĞƐ͕ƉƌŽũĞĕƁĞƐĞŵĂŝƐ͘ Os estudos prontos do IEMI podem ser customizados para assim melhor atender as suas necessidades. Fale com um consultor.

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por Paulo Delegá

Paulo Delegá é diretor da Foto: Arquivo pessoal

Vendere, agência digital de criação para sites, redes sociais e marketing de conteúdo.

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A economia, estúpido! Se a recessão está encolhendo seu mercado, só há duas coisas a fazer: apertar o cinto e partir para cima dos clientes da sua concorrência

N

a eleição de 1992 nos EUA, o estrategista da campanha de Bill Clinton para presidente, James Carville, famosamente escreveu em um quadro no escritório central da campanha: The economy, stupid! (A economia, estúpido!). Carville quis deixar claro para a equipe na qual trabalhava para eleger Clinton que só um imbecil não percebe que a coisa mais importante em política é a situação econômica das pessoas. O momento econômico que um país atravessa é um dos maiores, senão o maior, determinante do ambiente psicológico e, portanto, tinha que pautar o marketing do candidato. A percepção expressada na frase mostrou-se verdadeira. George H. Bush (o Bush pai) tinha ficado muito popular com a vitória na Guerra do Golfo, mas a economia americana estava em recessão, então os eleitores votaram, como esperado por Carville, com seus bolsos: elegeram Bill Clinton. O estimado leitor, a menos que tenha morado em Marte no último ano, já percebeu a relação entre a história que contamos no primeiro parágrafo deste artigo e o Brasil. Claro que temos que guardar as devidas proporções que a recessão dos americanos era relativamente benigna e a brasileira é maligna com metástase múltipla... Mas o que gostaríamos de fazer aqui não é traçar um paralelo econômico ou político, que foge ao escopo dessa coluna, mas a partir de um case de sucesso, em um zeitgeist de crise, fazermos algumas reflexões sobre a arte de fazer marketing em tempos bicudos e, em particular, marketing na Internet, objeto desta coluna.

NÃO TÁ TRANQUILO, NÃO TÁ FAVORÁVEL Então, primeiro as más notícias: a economia brasileira não vai melhorar

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rapidamente. As previsões da maioria dos economistas são de um 2016 de recessão e um provável 2017 recessivo também. Se a coisa começar a melhorar em 2018, vai levar alguns anos só para repor o que economia encolheu nos anos de recessão. A futurologia é sabidamente uma profissão de risco e a esperança é a última que morre, mas é sensato o leitor se preparar para atravessar um longo período durante o qual o seu marketing vai ter que funcionar em um ambiente de contenção severa de custos, no lado de quem faz marketing e no lado de quem compra o produto... E se somarmos à muito concreta falta de dinheiro o desgaste psicológico de uma prolongada incerteza política, a audiência, além de fazer compras mais parcimoniosas, vai estar mais cética e refratária às mensagens para gastar mais.

A METADE CHEIA DO COPO Agora as boas notícias (antes que alguém pule da janela do prédio): o marketing na Internet é uma forma de marketing em que dá para substituir a força bruta do dinheiro por inteligência e trabalho duro: com a verba de produção e exibição de um único comercial de TV de 30 segundos dá para produzir e distribuir uma enxurrada de textos, imagens e vídeos na Internet. Todo esse material coordenado numa técnica de Marketing de Conteúdo pode responder a cada etapa de dúvidas e reticências do comprador escaldado pela crise. E mesmo que você não tivesse verbas de porte televisivo antes da recessão, verbas de qualquer tamanho podem gerar repercussões grandes na Internet se aplicadas com a devida estratégia. E por último, mas não menos importante, se o mercado em geral vai estagnar ou encolher nos próximos tempos, o único jeito de sua empresa crescer é tomando clientes dos concorrentes. Nessa hora gostaríamos de tirar uma lição da outra frase – menos famosa – que Carville escreveu no quadro naquela manhã de 1992: “Change vs. more of the same” (Mudança versus mais do mesmo). Na crise, as pessoas anseiam pela mudança. Pode ser a oportunidade de você convencê-las a que a mudança de que elas precisam é justamente elas pararem de comprar de seu competidor e começarem a comprar de você.

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