Page 1

Julho-Agosto July-August 2019 | #34 | Ano Year III | Periocidade Bimestral Periodicity Bimonthly

wonderGO! travel

Vietname | Vietnam Um hino ao belo | A hymn to the beauty

China | Elvas | Tropical Chocolate Safari


www.embaixada-africadosul.pt


www.southafrica.net


P E R F E C T D AY E M C O C O CAY AV E N T U RA PA RA T O D A S A S I D E G O S TO S !

CocoCay®, Bahamas


EXPERIÊNCIA DISPONÍVEL EM CRUZEIROS DE 7 NOITES NAS CARAÍBAS E DE 3 E 4 NOITES NA BAHAMAS DESDE MIAMI!

D E S TA Q U E S

Y ! DADES ®

DAREDEVIL’S PEAK4o slide mais alto da América do Norte THRILL WATERPARK4tem a maior piscina de ondas das Caraíbas OASIS LAGOON4a maior piscina de água doce das Caraíbas COCO BEACH CLUB4possui as únicas cabanas sobre a água nas Bahamas UP, UP AND AWAY4balão de hélio que sobe a uma altitude de 400m MAIOR TOBOGÃ da América do Norte ZIP LINE com 60m de comprimento

Informações e reservas na sua Agências de Viagens


GO | 18 Vietname | Vietnam

WONDER STAY | 30 Faena Hotel


WONDER TASTE | 46 Arcadas

PHOTO-GALLERY | 52 China by Loh Soo Mui

SPA | 40 Ritual Spa by Quinta da Marinha 84

118


10X10 | 100 Cuca Roseta

WONDER PORTUGAL | 74 Elvas

MUNDO | 66 Ilha do Príncipe Principe Island


ART&GO. | 92 Jacques Ruela

LIFESTYLE | 112 Pinko | Ferrache

NOTÍCIAS NEWS | 116

84

118


PROPRIEDADE | OWNERSHIP Sépia Analógica Lda. (Agência Analógica) CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO ADMINISTRATIVE COUNCIL Carla Branco SEDE & REDAÇÃO | HEAD OFFICE Praceta Prof. Dr. António Flores N3, 2E, 2720-468 Amadora NIPC 509977596 Nº REGISTO ERC 127113 DIRECTOR Fernando Borges fborges1960@gmail.com EDITORA EXECUTIVA EXECUTIVE PUBLISHER Carla Branco cbrancowondergo@analogica.pt ARTE & DESIGN GRÁFICO ART & GRAPHIC DESIGN Carla Branco MARKETING & MULTIMEDIA Agência Analógica FORMATO | FORMAT Online CUSTO | COST Gratuito| Free PERIOCIDADE | PERIODICITY Bimestral | Bimonthly

WEB www.wondergomagazine.com SOCIAL MEDIA facebook.com/wondergomagazine instagram.com/wondergomagazine EMAIL info@wondergomagazine.com TELEFONE | TELEPHONE (+351) 96 335 4142 | 96 274 9108 ESTATUTO EDITORIAL| EDITORIAL STATUTE www.wondergomagazine.com COLABORADORES (nesta edição) COLLABORATORS (in this issue) Loh Soo Mui


Wherever you GO… Wonder GOes with you!

Não raras vezes, durante uma viagem, seja ela a um novo destino ou a um que se repete, sou atravessado por um sinuoso itinerário sentimental que me leva através de imagens a um outro destino. A um lugar anteriormente visitado. Um lugar marcado na minha memória. Uma espécie de retrato que se instalou lentamente para ser amado. E a esse retrato entrego os meus pensamentos. Por vezes também o meu corpo. E o veneno do sentir. E livremente recuo no tempo, oferecendo-me o protagonismo de uma espécie de romance que essa viagem representou. E representa. Um romance que pode ser apenas fruto de uma ilusão. E não importa se esse romance é generoso, íntegro, ardente, sufocante, corajoso. Ou apenas parte de um sonho. Mesmo que esse sonho não se tenha concretizado. Mas que se amou. Assim entendo o viajar. Não o simples viajar porque se vai. Não. Mas o viajar que tem que ser um acto que se ama e que fica dentro de nós sem impedir que amemos o destino que está à nossa frente. O próximo destino!

Not infrequently, during a trip, be it a new destiny or one that repeats itself, I am crossed by a winding sentimental itinerary that takes me through images to another destiny. To a place previously visited. A place marked in my memory. A kind of portrait that slowly settles down to be loved. And to this portrait I surrender my thoughts. Sometimes my body too. And the poison of feeling. And I freely go back in time, offering me the protagonism of a kind of novel that this trip represented. And still represents. A novel that can only be the result of an illusion. And it does not matter if this novel is generous, wholehearted, ardent, suffocating, brave. Or just part of a dream. Even if this dream has not come true. But it loved itself. This is how I understand traveling. Not the simple travel because it is gone. No. But traveling has to be an act that one loves and that stays within us without stopping us from loving the destiny that lies before us. The next destination!

Fernando Borges Director


GO | Vietname Vietnam


Uma composição poética ao silêncio Há lugares que são verdadeiros pontos de inflexão. E de reflexão. Pela sua cultura, pelas suas paisagens, pelas suas gentes. Assim é o Vietname. Um lugar que vai muito para além dos filmes feitos de uma guerra. Mas também onde habita uma certa visão do belo. Ou várias visões. Como a que se tem quando navegamos numa canoa a remos pelo Ngo Dong, ou quando nos deixamos levar pela brisa em Halong Bay. E pelo silêncio que se escuta! Texto & Fotos Fernando Borges

A poetic composition to silence There are places that are true inflection points. And reflection. For its culture, its landscapes, its people. This is Vietnam. A place that goes far beyond films made from a war. But also where there dwells a certain vision of the beautiful. Or several views. Like the one you get when you're sailing in a canoe at the Ngo Dong, or when you let yourself be carried away by the breeze in Halong Bay, and by the silence you hear! Text & Photos Fernando Borges


Quando se chega a Hanói, sente-se desde logo que estamos num país marcado pelo som. Esta é, sem dúvida, a primeira impressão que se tem do Vietname. É o ruído antigo e compassado do pedalar das bicicletas e dos triciclos que continua presente a que se juntou o barulho mais recente de milhões de scooters. São os “gritos” dos sapos do lago Hoan Kiem por vezes emudecidos pelo karaoke saído de um dos milhares de bares e restaurantes. Do constante cruzar de conversas numa língua que não deixa de ser estranha, entre o doce e o agreste. Também os sons do silêncio que vem de dentro de cada uma das almas que pela manhã abafam com a sua saudação ao sol os gritos da cidade engolida pelos ritmos da modernidade e que encontrei no Tay Lake. É este o silêncio que mais encanta. Não só aqui, neste lago, como o que nos invade em Halong Bay, ao longo do rio Ngo Dong, ou quando nos perdemos entre os verdes vales. Ou entre a densa selva que cobre montanhas. E nas grutas que correm como veias essas mesmas montanhas. Nestes lugares tudo é silêncio. Tudo está quieto. Silenciosamente quieto.

When you arrive in Hanoi, you feel that you are in a country marked by sound. This is undoubtedly the first impression one has of Vietnam. It is the ancient and measured noise of the pedaling of bicycles and tricycles that continues to be joined by the latest noise of millions of scooters. They are the "screams" of Hoan Kiem lake frogs sometimes muted by karaoke out of one of thousands of bars and restaurants. From the constant crossing of conversations in a language that never ceases to be strange, between sweet and wild. Also the sounds of the silence that comes from within each of the souls that in the morning muffle with their greeting to the sun the cries of the city swallowed by the rhythms of the modernity and that I found in Tay Lake. This is the silence that most enchants. Not only here, in this lake, like the one that invades us in Halong Bay, along the river Ngo Dong, or when we lose ourselves among the green valleys. Or through the dense jungle that covers mountains. And in the caves that run like veins these same mountains. In these places everything is silence. Everything is still. Silently quiet.


E bastou partir ao encontro de paisagens que me tinham dito serem surrealistas e que estavam ali, do outro lado da grande cidade, para encontrar esse silêncio. Ou, se preferirem, o som da selva que acompanha o delta do Mekong. Também dos arrozais. Esses lugares que tanto encantaram Marguerite Duras. Percorre-se o Ngo Dong, esse rio que desliza em silêncio por extensos campos onde se estende profundos verdes que contornam pequenas ilhas e montanhas para se abrirem em lagos cor de esmeralda cobertos de nenúfares em cujas margens, aqui e ali, se erguem vistosos pagodes de onde saem íngremes escadas que nos levam ao interior de cavernas. Também o que se escuta quando atravessamos numa pequena canoa a remos toda a região de Tam Coc, a que muitos chamam de “Halong Bay em Terra”, ou grutas que perfuram montanhas ligando pequenas lagoas envoltas em verdes escarpas que muitas vezes desabam em pequenas praias. Um tranquilo passear por um Vietnam selvagem e cuja paisagem muitas vezes nos fazem sentir parte de um mundo apenas feito de tranquilidade, mesmo que essas paisagens nos digam que foram palco de uma história dramática como as que nos são mostradas em filmes como Platoon, Apocalipse Now ou Good Morning Vietnam. Mas agora sente-se paz. Até porque um pouco mais à frente lá está Halong Bay, uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo. Olhar para ela é dar razão a quem diz que a vida não é feita pela quantidade de vezes que respiramos, mas sim pelos momentos e lugares que nos tiram a respiração.

And it was enough to go to the landscapes that they had told me were surrealistic and they were there, on the other side of the great city, to find that silence. Or, if you prefer, the jungle sound that accompanies the Mekong Delta. Also from rice paddies. These places that have both charmed Marguerite Duras. One traverses the Ngo Dong, the river that glides silently through wide fields, where deep greens extend around small islands and mountains to open in emerald lakes covered with water lilies on whose banks, here and there, there are colorful pagodas from which steep stairs lead us to the interior of caves. Also what we hear when we cross in a small canoe to oar the whole region of Tam Coc, which many call "Halong Bay on Land", or caves that pierce mountains connecting small lagoons wrapped in green escarpments that often fall in small beaches. A quiet stroll through a wild Vietnam and whose landscape often make us feel part of a world just made of tranquility, even if these landscapes tell us that they were the scene of a dramatic story like those shown in films such as Platoon, Apocalypse Now or Good Morning Vietnam. But now feel peace. Because a little further on there is Halong Bay, one of the Seven Natural Wonders of the World. To look at it is to agree with those who say that life is not made by the number of times we breathe, but by the moments and places that take our breath away.


Assim é Halong Bay. Esse lugar que a lenda diz ter nascido das costelas de um dragão ali colocado para proteger o Vietname das invasões chinesas. Mas se assim não foi, quando o nosso olhar é invadido por tão poética e quase irreal paisagem, ficamos com a certeza que é uma das mais belas obras de Mãe Natureza, uma criação nascida num momento de especial criatividade e magia. São mais de 3.000 ilhas e uma paisagem de sonho em tons verdes e difícil de descrever. Sai-se sem direcção por um mar de calma num junco transformado num barco de cruzeiro. E se durante o dia a sua beleza é diluída nas idas e vindas de dezenas de outros juncos, ao cair da noite, já com o céu manchado de tons roxos que parecem adornar cada ilha, toda a sua beleza ainda se torna mais mágica. É o horizonte a encher-se de sombras e o ar dos sons do ranger da madeira do junco que nos leva ao sabor das brisas para nos colocar no meio de tão belo cenário. É uma paz mimética que se instala no mais profundo de cada um de nós. É o som do silêncio que nos envolve, convidando-nos a ali ficar, no deck transformado em miradouro até que a madrugada chegue e com ela a névoa da manhã. Uma névoa que com o correr dos minutos vai-se dissipando para mostrar montanhas em formato de ilhas. Lentamente. Como se fosse parte de uma visão. Uma visão algo irreal. Também aqui me apercebi, naquele preciso momento e mais uma vez, do quanto é tão belo o nosso mundo. Tão belo que nenhuma palavra, mais ou menos poética, pode descrever.

That's Halong Bay. This place that legend claims was born from the ribs of a dragon placed there to protect Vietnam from the Chinese invasions. But if that is not so, when our eyes are invaded by such a poetic and almost unreal landscape, we are sure that it is one of the most beautiful works of Mother Nature, a creation born in a moment of special creativity and magic. There are more than 3.000 islands and a dream landscape in green tones and difficult to describe. It leaves without direction by a sea of calm in a reed turned into a cruise ship. And if during the day its beauty is diluted in the comings and goings of dozens of other reeds, at nightfall, already with the sky stained with purple tones that seem to adorn every island, all its beauty still becomes more magical. It is the horizon filling with shadows and the air of the creaking wood sounds of the reed that takes us to the flavor of the breezes to put us in the middle of such beautiful scenery. It is a mimetic peace that settles deep in each one of us. It is the sound of the silence that surrounds, inviting us to stay there, on the deck turned into a viewpoint until the dawn arrives and with it the morning mist. A mist that with the passing of the minutes is dissipating to show mountains in the shape of islands. Slowly. As if it were part of a vision. A rather unreal vision. Here I also realized, at that precise moment and again, how beautiful our world is. So beautiful that no word, more or less poetic, can describe.


Tudo aqui parece um sonho, neste lago feito de labirínticas ilhotas, de pequenas aldeias flutuantes de pescadores, canais e cavernas que mudam de cor a cada instante, ligando a mais uma pequena lagoa gentilmente ali colocada pela Mãe Natureza. Mas havia que regressar ao junco para mais uma noite de silêncio e de fascínio. E foi nessa noite que melhor entendi do porquê deste lugar tanto ter encantado Marguerite Duras. Este lugar que fala de um colossal dragão que desejando regressar ao mar foi abrindo com a cauda sulcos na grande montanha, sulcos que a água ia cobrindo deixando apenas à superfície os seus altos picos. Gosto desta lenda. E por isso digo que foi desta forma que nasceu Halong Bay. Sim, foi aqui, enquanto tentava com os olhos seguir mais um crepúsculo por entre as sombras de milhares de ilhas e ilhotas reflectidas nas águas de Halong Bay que me pareceu ouvir os doces sussurros de Duras contando as suas paixões por esta terra. O Vietname!

Everything here looks like a dream, in this lake made of labyrinthine islets, small floating villages of fishermen, canals and caves that change color every moment, linking to another small pond gently placed there by Mother Nature. But we had to return to the reed for another night of silence and fascination. And it was on that night that I understood better why this place had delighted Marguerite Duras. This place, which speaks of a colossal dragon, wishing to return to the sea, opened its furrows on the great mountain, the furrows which the water covered, leaving only its high peaks. I like this legend. And so I say that this is how Halong Bay was born. Yes, it was here as I tried with my eyes to follow one more twilight through the shadows of thousands of islands and islets reflected in the waters of Halong Bay that seemed to hear the sweet whispers of Duras telling us her passions for this land. Vietnam!


ANALÓGICA COMUNICAÇÃO ¦ MARKETING ¦ PUBLICIDADE

Social Media | Web Marketing | Design | Publicidade Eventos | Assessoria de Imprensa | Tradução | Fotografia www.analogica.pt


WONDER STAY | Faena Hotel


Luxo, arte e paixão com sabor a tango Contemporâneo e elegante, com algo de surreal. Assim podemos definir o Faena Hotel, uma criação do estilista argentino Alan Faena e uma inspiração do designer francês Philippe Starck aproveitando o que em tempos foi um silo de cereais na região de Puerto Madero, uma zona portuária decadente transformada na mais exclusiva, europeia e moderna de Buenos Aires. E assim nasceu um hotel que simboliza luxo, requinte, originalidade e exclusividade. Texto Fernando Borges Fotos Faena Hotel

Luxury, art and passion with tango flavor Contemporary and stylish, with something surreal. So we can define the Faena Hotel, a creation of the argentine designer Alan Faena and an inspiration of the french designer Philippe Starck taking advantage of what was once a grain silo in the region of Puerto Madero, a decadent port area transformed into the most exclusive, european and modern of Buenos Aires. And so a hotel was born that symbolizes luxury, refinement, originality and exclusivity. Text Fernando Borges Photos Faena Hotel


É um hotel de luxo. Ou melhor, de super luxo. Mas não tem nada a ver com a estética dos hotéis tradicionais de grandes dimensões e grandes espaços que procuram deslumbrar. Aqui a grandiosidade pertence mais à alma do que ao corpo e que se vai descobrindo nos detalhes exclusivos, inesperados e pequenos. Para começar, no Hotel Faena não há um lobby gigantesco e luminoso que serve como um cartão de visita e ponto de encontro. O que aqui se encontra, quando se entra, é um longo corredor por onde se perfilam poltronas, janelas de vidro esculpido e cortinas de veludo dourado, chamado “A Catedral”, talvez por causa das suas colunas ou daquele ar de recolhimento que é respirado. O viajante sente que está num outro espaço e, claro, longe da multidão. Sem dúvida que o Faena é um hotel diferente. Mas a sua diferença não é tanto a busca pela originalidade, mas ser fiel a um luxo pouco convencional. Não há um lobby ou mesmo recepção, mas o cliente não se sente perdido. Desde que se cruza a porta, temos logo um “experience manager” no lugar do simples concierge que nos guia até ao quarto, que nos atende em qualquer momento e programa, com todo o detalhe e se o desejarmos, durante a nossa estadia em Buenos Aires. E seguimo-lo pelo interminável corredor que dizem ter mais de 80 metros. À sua volta perfilam-se diversos espaços, como o sóbrio e elegante The Library Lounge, com os seus móveis de estilo imperial, candelabros antigos, luminárias, piano de cauda e poltronas de couro, para além de uma biblioteca com mais de 500 títulos. It is a luxury hotel. Or rather, super luxury. But it has nothing to do with the aesthetics of traditional large hotels and large spaces that seek to dazzle. Here greatness belongs more to the soul than to the body and that is discovered in the details exclusive, unexpected and small. To begin with, at Hotel Faena there is not a gigantic and bright lobby that serves as a business card and meeting point. What you find here, when you enter, is a long corridor where chairs, carved glass windows and golden velvet curtains, called "The Cathedral", perhaps because of its columns or that air of recollection that is breathed. The traveler feels that one is in another space and, of course, away from the crowd. Without a doubt, Faena is a different hotel. But its difference is not so much the pursuit of originality, but to be faithful to an unconventional luxury. There is not a lobby or even reception, but the customer does not feel lost. From the moment you cross the door, we soon have an "experience manager" in place of the simple concierge who guides us to the room, who will attend us at any time and program, in full detail and if we wish, during our stay in Buenos Aires. And we follow him through the endless corridor that is said to be over 80 meters. Various spaces, such as the sober and elegant The Library Lounge, with its imperial-style furniture, antique chandeliers, lamps, grand piano and leather armchairs, and a library of more than 500 titles are profiled around it.


Apenas um exemplo de uma sofisticada criação nascida da imaginação de Philippe Starck, seguindo o conceito de seu criador, Alan Faena, um curioso personagem argentino ligado à arte de vanguarda e promotor deste projecto, que foi o primeiro passo para uma nova etapa de Puerto Madero que queria devolver a esta zona da cidade o espírito Belle Epoque “porteña”, quando Buenos Aires era a “Paris da América do Sul”, e a Argentina um dos países mais prósperos do planeta. Talvez por esta razão, a área de Puerto Madero, nas margens do rio da Prata, se tenha tornado num bairro que não tem nada a ver com os que o rodeiam: nem com Recoleta ou Palermo, com o micro centro comercial em que se transformou Florida, nem com o histórico e folclórico San Telmo, reerguendo-se como o espaço mais elitista da cidade, onde abundam os arranha-céus e os grandes hotéis de luxo. E entre estes existe e destaca-se o Hotel Faena por ser diferente desta imagem de arranhacéus. Por isso podemos dizer que se Puerto Madero é um parêntesis dentro de Buenos Aires, e que dentro de Puerto Madero há um outro parêntesis, o Hotel Faena. Não só de ter sido construído num antigo depósito de cereais respeitando os tijolos vermelhos levados de Manchester a que foi acrescentada uma profusão de janelas, destacando-se da restante arquitectura de betão e vidro que o rodeia, enquanto no seu interior o retro é um mero detalhe que alimenta uma atmosfera do século XXI com o barroco, mas muito pela sua excentricidade, elegância e criatividade. De facto existe um mundo de excelência criativa dentro das paredes de tijolo e para lá da “A Catedral”. Existe um mundo de surpreendente requinte que se encontra nos seus 87 quartos, com uma nomenclatura de suites que passa por Porteño River, Residential, Duplex, Tower, Imperial e The Faena, entre outras, como também passa pelas diferentes áreas públicas. Just an example of a sophisticated creation born of the imagination of Philippe Starck, following the concept of its creator, Alan Faena, a curious argentine character linked to the vanguard art and promoter of this project, which was the first step to a new stage of Puerto Madero who wanted to restore to this part of the city the Belle Epoque "porteña" spirit, when Buenos Aires was the "Paris of South America", and Argentina one of the most prosperous countries on the planet. Perhaps for this reason, the area of Puerto Madero, on the banks of the River Plate, has become a neighborhood that has nothing to do with those that surround it: neither with Recoleta or Palermo, with the micro shopping center in which it has become Florida, nor with the historic and folkloric San Telmo, rebuilding itself as the most elitist space in the city, where skyscrapers and grand luxury hotels abound. And among these exists and stands out the Faena Hotel for being different from this image of skyscrapers. So we can say that if Puerto Madero is a parenthesis within Buenos Aires, and that inside Puerto Madero there is another parenthesis, the Faena Hotel. Not only has it been built on a former cereal depot respecting the red bricks carried from Manchester to which has been added a profusion of windows, standing out from the rest concrete and glass architecture that surrounds it, while inside the retro is a mere detail that feeds an atmosphere of the 21th century with the baroque, but much for its eccentricity, elegance and creativity. In fact there is a world of creative excellence within the brick walls and beyond the "Cathedral". There is a world of surprising refinement that is found in its 87 rooms, with a nomenclature of suites that passes through Porteño River, Residential, Duplex, Tower, Imperial and The Faena, among others, as well as passing through the different public areas.


Aqui, obrigatoriamente destaca-se o El Mercado, um restaurante aconchegante e eclético com decoração ligeiramente rústica e especial inspirado nos antigos mercados europeus e nas famosas “cantinas” de Buenos Aires e que se estende para um terraço ajardinado onde acontecem os famosos churrascos argentinos. Um clima “porteño” chique que continua no pequeno Bar Sur, logo ao lado, onde, em algumas noites, uma banda se posiciona para oferecer pequenos shows de jazz e tango. Mas se a ideia é comer num dos melhores restaurantes do mundo, nem precisa de sair do Faena. Basta usar um dos dois elevadores que o levam ao salão onde se encontra o “experience manager”, percorrer alguns metros da “A Catedral”, virar à direita e entrar no “Bistro Sur”. Uma sala de jantar que brinca com o vermelho dos tapetes e o branco dos móveis e das paredes, e onde as cabeças de unicórnio se destacam, expostas como troféus de caça, ou parecendo flutuar em cortinas de linho branco. É este um ambiente único e um dos cenários mais espectaculares da cidade, o lugar onde os pratos de técnica moderna se encontram pela mestria do chef Rodrigo Vasquez com a cozinha argentina, como o “chorizo”, e com a influência  italiana na culinária do país, como os ravióli de coelho com mascarpone. E há ainda um lugar especial para tomar chá, ler um livro, relaxar ou estar tranquilamente à conversa com os amigos, o The Library Lounge, onde não falta uma lareira, sofás confortáveis e um bar, para receber todas as noites música ao vivo, um elegante espaço onde vários lounges se formam ao redor de um piano de cauda. Noites que se tornam mais sensuais no “Le Cabaret” onde, num ambiente que relembra os cabarés europeus do início do século XX, acontece o Rojo Tango Show, um dos mais teatrais, sensuais e fantasiosos espectáculos de tango de Buenos Aires. Here we must mention El Mercado, a cozy and eclectic restaurant with a slightly rustic and special decoration inspired by the old european markets and the famous "canteens" of Buenos Aires that extends to a garden terrace where the famous argentine barbecues take place. A chic "porteño" atmosphere that continues in the small Bar Sur, next to where, on some nights, a band stands to offer small jazz and tango shows. But if the idea is to eat in one of the best restaurants in the world, you do not even need to leave Faena. Just use one of the two elevators that take you to the hall where you will find the experience manager, walk a few meters from "The Cathedral", turn right and enter "Bistro Sur". A dining room that plays with the red carpets and the white furniture and walls, and where the unicorn heads stand out, exposed as hunting trophies, or seeming to float on white linen drapes. This is a unique environment and one of the most spectacular scenery of the city, where the modern techniques are found by the mastery of chef Rodrigo Vasquez with argentine cuisine, such as "chorizo", and with the italian influence in the country's cuisine, such as rabbit ravioli with mascarpone. And there is also a special place to have tea, read a book, relax or be quietly chatting with friends, The Library Lounge, where there is a fireplace, comfy sofas and a bar for nightly live music, an elegant space where several lounges are formed around a grand piano. Nights that become more sensual at "Le Cabaret" where, in an atmosphere reminiscent of the european cabarets of the early 20th century, the Rojo Tango Show takes place, one of the most theatrical, sensual and fanciful Tango shows in Buenos Aires.


Mas o apaziguar ou despertar dos sentidos tem outros encontros no Faena, como com o espanto que nos assola quando nos deparamos com o clima fantasioso da piscina, onde não faltam as espreguiçadeiras e toldos de pano em tons vermelho sangue, nem uma coroa gigante que parece boiar no meios das suas águas. Sentidos que se combinam num oásis de terapias holísticas, no Faena Spa, onde antigos rituais de cura de todo o mundo que despertam a consciência e restauram o bem-estar, encontram a serenidade da meditação e espiritualidade através de uma colecção de tratamentos e terapias de spa destinadas a elevar o espírito, apaziguar a mente e rejuvenescer o corpo, incluindo uma ampla gama de actividades, como classes de yoga e de tango. Tudo parte de um estado de espírito e de uma filosofia nascida da inspiração de Philippe Starck a que o seu criador, Alan Faena, chama de “uma obra de arte em constante evolução”. But the appeasement or awakening of the senses has other encounters in the Faena, as with the astonishment that ravage us when we come across the fanciful mood of the pool, where there is plenty of sun loungers and cloth awnings in blood red, nor a giant crown that seems to float in the midst of its waters. Senses that combine in an oasis of holistic therapies at Faena Spa, where ancient healing rituals from around the world that raise awareness and restore well-being find the serenity of meditation and spirituality through a collection of treatments and spa therapies designed to elevate the spirit, appease the mind and rejuvenate the body, including a wide range of activities such as yoga and tango classes. It all comes from a state of mind and a philosophy born of the inspiration of Philippe Starck that its creator, Alan Faena, calls "a work of art in constant evolution."


SPA | Ritual Spa by Quinta da Marinha


Envolto em natureza Tudo aqui é verde, é calmo, é natural e é natureza. Assim é a Quinta da Marinha em Cascais, o seu hotel e o seu spa. Aqui fomos conhecer a “Massagem Autenticamente Portuguesa”. Um ritual que desejamos prolongar e repetir durante uma e outra vez e um refúgio pessoal onde primam os tratamentos de luxo. Texto Carla Branco Fotos Carla Branco/Ritual Spa

Wrapped in nature Everything here is green, it is calm, it is natural and it is nature. Such is the Quinta da Marinha in Cascais, its hotel and its spa. Here we went to meet the "Authentically Portuguese Massage". A ritual that we wish to extend and repeat over and over again and a personal refuge where luxury treatments excel. Text Carla Branco Photos Carla Branco/Ritual Spa


Sou daquelas pessoas que tem alguma dificuldade em “desligar”. Aqui é essencial fazer um esforço porque este espaço vale muito a pena. Estamos cercados de natureza, de verde e de tranquilidade. É o momento ideal para ouvir o nosso corpo e tranquilizar a mente, mimando os sentidos.

I'm one of those people who have some difficulty to “shut down”. Here it is essential to make an effort because this space is very worth it. We are surrounded by nature, green and tranquility. It is the ideal time to listen to our body and reassure the mind, pampering the senses.

É aqui que entra a inspiração oriental do Ritual Spa by Quinta da Marinha, num dos mais emblemáticos resorts nacionais. O facto de se situar no Parque Natural de Sintra-Cascais, com vista para o Oceano Atlântico, permite um momento de recolhimento e afastamento da azáfama da cidade, em jeito de preparação para a terapia que se segue. Uma atraente combinação de luxo com uma qualidade inquestionável. Somos recebidos com simpatia, profissionalismo e serviço de primeira classe num ambiente acolhedor e agradável.

This is where the oriental inspiration of the Ritual Spa by Quinta da Marinha enters, in one of the most emblematic national resorts. The fact that it is located in the Natural Park of Sintra-Cascais, overlooking the Atlantic Ocean, allows a moment of recollection and withdrawal from the bustle of the city, in preparation for the therapy that follows. An attractive combination of luxury with unquestionable quality. We are received with warmth, professionalism and first class service in a warm and pleasant environment.


“A Felicidade está na simplicidade, no bem-estar e no aconchego!” | “Happiness is in simplicity, in well-being and in warmth!” Rosangela Zorio


Vamos respirar fundo e dar início à “Massagem Autenticamente Portuguesa”. Esta é uma homenagem de assinatura aos descobrimentos portugueses, uma leve e harmoniosa combinação de azeite aquecido e pindas de sais marinhos do Atlântico e ervas aromáticas combinadas com as melhores técnicas para proporcionar o verdadeiro relaxamento. Ao longo dos próximos 50 minutos consegui abstrair-me do espaço onde estava, mergulhando num relaxamento profundo e verdadeiramente extraordinário. Os movimentos lentos e harmoniosos pareciam estar alinhados numa perfeita sintonia de alívio muscular que aos poucos ia descomplicando, dando lugar ao bem-estar. Nos tratamentos não falta variedade e não se resumem a estética e beleza, englobando também a vertente da saúde (com massagens desportivas ou localizadas), romance a dois ou até massagem para crianças. Toda a experiência se complementa com a piscina interior (equipada com cascatas de água e hidromassagem), sala de relaxamento (com cadeiras ergonómicas aquecidas), um pequeno ginásio e ainda sauna, banho turco e os duches tropical e suíço. No final sentimo-nos bem e revitalizados, o objectivo foi cumprido e superou expectativas. Aqui encontramos muitas razões para voltar e experimentar outras experiências e terapias.

Let's take a deep breath and start the "Authentically Portuguese Massage". This is a signature homage to portuguese discoveries, a light and harmonious combination of heated olive oil and pindas of Atlantic sea salts and aromatic herbs combined with the best techniques to provide true relaxation. Over the next 50 minutes I was able to abstract from the space where I was, plunging into a truly extraordinary deep relaxation. The slow, harmonious movements seemed to be aligned in a perfect tune of muscular relief that gradually slowed down, giving way to well-being. The treatments do not lack variety and are not just about aesthetics and beauty, also encompassing the health aspect (with sports or localized massages), romance for two or even children’s massage. The whole experience is complemented by the indoor swimming pool (equipped with water cascades and hydro-massage), a relaxation room (with heated ergonomic chairs), a small gym, sauna, turkish bath and tropical and swiss showers. At the end we felt good and revitalized, the goal was met and exceeded expectations. Here we find many reasons to come back and try other experiences and therapies.


WONDER TASTE | Arcadas


Identidade com alma Não é ao caso que o Arcadas é considerado um dos 500 melhores restaurantes do Mundo pela “Le Liste”. Todos os ingredientes aqui são autênticos, tradicionais e de paladares refinados num ambiente romântico, luxuoso e íntimo. Estivemos à conversa com o Chef Vítor Dias para nos explicar o conceito por detrás de um dos surpreendentes menus de degustação disponíveis na carta. Texto Carla Branco Fotos Carla Branco/Arcadas

Identity with soul It is not random that the Arcadas is considered one of the 500 best restaurants in the World by "Le Liste". All ingredients here are authentic, traditional and with refined palates in a romantic, luxurious and intimate setting. We were talking to Chef Vítor Dias who explain to us the concept behind one of the amazing tasting menus available. Text Carla Branco Photos Carla Branco/Arcadas


O Restaurante Arcadas está inserido na unidade hoteleira Quinta das Lágrimas em Coimbra e esse facto por si só diz muito a quem os visita. Aliados a um conceito de requinte e qualidade, aqui podemos provar uma “cozinha de mercado biológico” que utiliza os produtos tradicionais desta região para criar receitas de sabor. E sabor é algo que não falta em todos os pratos que tivemos o prazer de degustar. Sentamo-nos à mesa na companhia de um refrescante champagne Quinta do Valdoeiro que acompanha o amuse bouche, composto de língua de bacalhau e maionese de dijon, ananás com infusão de hibiscos e wasabi e uma hóstia em papel de arroz que descreve a história que deu origem à Fonte das Lágrimas. Ao longo da refeição saboreamos ervas aromáticas provenientes localmente do jardim de cheiros, laranjas, limões e abacates do pomar, e framboesas e agriões selvagens que por ali crescem. É altura de passar para o vinho branco do Dão Jardim da Estrela 2017, perfeito para as entradas: moelas com molho holandês, marinada de milho e rebento salsifis ou para a deliciosa e contagiante pedra negra com licor beirão, menta e lima, de um sabor extraordinariamente refrescante. Estes dois pratos ficam bem guardados na memória, são fascinantes os sabores.

The Arcadas Restaurant is placed in the Quinta das Lágrimas hotel unit in Coimbra and this fact alone tells a lot to who visits them. Allied to a concept of refinement and quality, here we can taste an "organic market cuisine" that uses the traditional products of this region to create recipes of flavor. And flavor is something that is not lacking in all the dishes we had the pleasure of tasting. We sat at the table in the company of a refreshing champagne from Quinta do Valdoeiro that accompanies the amuse bouche, made up of cod tongue and mayonnaise of dijon, pineapple with infusion of hibiscus and wasabi and a wafer in rice paper that describes the history that gave origin to the Tears Fountain. Throughout the meal we savor herbs locally from the garden of scents, oranges, lemons and orchard avocados, and wild raspberries and watercress that grows there. It is time to move on to the white wine of Dão Jardim da Estrela 2017, perfect for the entrees: gizzards with dutch sauce, corn marinade and salsifis sprouts or the delicious and contagious black stone with Beirão liqueur, mint and lime, with an extraordinarily refreshing flavor. These two dishes are well stored in the memory, the flavors are fascinating.


Aqui dá gosto estar, um ambiente muito íntimo e aconchegante, com um staff bem treinado e sempre simpático para nos acolher ao longo da refeição, que desta forma segue para o prato de peixe: cavala braseada com tinta de choco, trufa e puré de maçã. Novo paladar e novo vinho. Novamente um Dão, agora tinto, Jardim da Estrela 2017, ideal para acompanhar o veado com puré de couve flor, cogumelos em picles, quinoa frita e cebola com molho de zimbro, vinho da Madeira e amêndoa torrada. Confesso que me sinto muito satisfeita e ainda nem sequer provei as sobremesas que, a adivinhar pela refeição até aqui, devem ser divinais! Cortamos os sabores com um queijo rabaçal com gel de marmelo e bolacha de hóstia e o remate faz-se com uma surpreendente tangerina com bolo de chocolate, crumble, pó de chocolate branco, gel de citrinos e molho de chocolate. Tal como imaginei, corresponde a todas as expectativas. À conversa com o chef Vitor Dias, um filho da região, natural de Cantanhede e com um percurso gastronómico com mais de 18 anos, a maior parte dos quais passados sempre nesta “casa”, percebemos que procura sempre a criatividade, tentando novos desafios e inspiração constante, a mesma “provém sempre da época do ano, pelos produtos disponíveis, usando as cores de cada estação”, visíveis em cada prato. É tão fácil apaixonar-nos por este tipo de cozinha. Para além de visualmente apelativo, este menu é verdadeiramente divinal e com uma composição genial de sabores e texturas. O chef Vítor Dias e sua equipa estão realmente de parabéns porque vale muito a pena sair de casa e visitar a Quinta das Lágrimas e terminar o dia com um jantar perfeito no Arcadas. It is a pleasure to be here, a very intimate and cozy atmosphere, with a well trained and always friendly staff to welcome us throughout the meal, which in this way follows the fish dish: mackerel braised with cuttlefish, truffle and apple puree. New palate and new wine. Again a Dão, now red, Jardim da Estrela 2017, ideal to accompany the deer with cauliflower puree, pickled mushrooms, fried quinoa and onion with juniper sauce, Madeira wine and toasted almond. I confess that I feel very satisfied and have not even tasted the desserts which, guessing by the meal here, must be divine! We cut the flavors with a rabaçal cheese with quince gel and wafer and the punch line is done with an amazing tangerine with chocolate cake, crumble, white chocolate powder, citrus gel and chocolate sauce. As I imagined, it meets all expectations. In conversation with chef Vitor Dias, a son from the region, native of Cantanhede and with a gastronomic course over 18 years, most of which are always in this "house", we realize that he always looks for creativity, trying new challenges and constant inspiration, it ”always depends on the time of year, the products available, using the colors of each season", visible in each dish. It is so easy to fall in love with this type of cuisine. In addition to visually appealing, this menu is truly divine and with a genius composition of flavors and textures. The chef Vítor Dias and his team are truly to be congratulated because it is very worthwhile to go out and visit Quinta das Lágrimas and end the day with a perfect dinner at the Arcadas.


PHOTO-GALLERY | China by Loh Soo Mui


China, esse grande país cheio de contrastes marcados por milénios de história e tradições culturais, onde as artes, literatura e pensamentos filosóficos se mesclam com a diversidade da sua paisagem. Muitas vezes como um sussurro. Uma suave mescla muitas vezes recriada pela pintura a tinta da China, profundamente influenciada pelo antigo filósofo e grande mestre taoista Chuang Tzu que viveu por volta do século IV a.C., durante o período dos Reinos Combatentes, um período correspondente ao cume da filosofia chinesa, o período das “cem escolas de pensamento”, e que se inclinava perante os elementos da natureza e a sua expressão. Elementos que são também alvo de muitas criações fotográficas, cativando quem se adentra pela “grande terra”, aprimorando ainda mais as configurações para as tornar muitas vezes, essas fotografias, peças de pintura a tinta da China, como as que aqui nos são mostradas por Loh Soo Mui a partir de cenários em Xiapu, um condado na região municipal de Ningde, Lishui e Hangzhou, na província de Zhejiang, e Shennonjia, um Parque Natural na província de Hubei. China, this great country full of contrasts marked by millennia of history and cultural traditions, where the arts, literature and philosophical thoughts blend with the diversity of its landscape. Often like a whisper. A soft blend often re-created by China's ink painting, deeply influenced by the ancient taoist philosopher and master Chuang Tzu who lived around the 4th century BC, during the period of the Warring States, a period corresponding to the peak of chinese philosophy, period of the "hundred schools of thought," and that he bowed to the elements of nature and its expression. Elements that are also the target of many photographic creations, captivating those who enter the "great land", further refining the settings to make them, often, these photographs, pieces of chinese ink painting, such as those shown here by Loh Soo Mui from scenarios in Xiapu, a county in Ningde Municipality, Lishui and Hangzhou, Zhejiang province, and Shennonjia, a Natural Park in Hubei province.


“Cada parte da natureza pode-nos lembrar de uma qualidade que admiramos e devemos cultivar em nós mesmos – a força das montanhas, a resiliência das árvores, a alegria das flores.” | "Each part of nature can remind us of a quality we admire and must cultivate in ourselves - the strength of mountains, the resilience of trees, the joy of flowers.” Chuang Tzu


“Sonhei que era uma borboleta, e quando acordei vi que era um homem. Agora não sei se sou um homem que sonhou ser borboleta, ou se sou uma borboleta que sonha ser um homem.” | "I dreamed I was a butterfly, and when I woke up I saw I was a man. Now I do not know if I am a man who dreamed to be a butterfly, or if I am a butterfly who dreams to be a man.” Chuang Tzu


“Se a tranquilidade da água permite reflectir as coisas, o que não poderá a tranquilidade do espírito?” | "If the tranquility of the water allows to reflect things, what can not do the tranquility of the spirit?” Chuang Tzu


Loh Soo Mui Nasceu na Malásia, é formada em dramatologia, e entrou em contacto pela primeira vez com a fotografia em 2017, pela qual se apaixonou desde então. Para esta fotógrafa, que faz parte de uma segunda geração de chineses malaios e que já organizou com sucesso 12 apresentações teatrais com o tema "Farewell", uma criação de arte performática que mescla fotografia com palavras e narrativas, a fotografia é uma descoberta da beleza da vida. Em cada uma das suas viagens fotográficas, Loh Soo Mui procura acima de tudo ter contacto com grupos étnicos de diferentes culturas dos países visitados e enfrentar a Mãe Natureza, pretendendo desta forma obter uma melhor compreensão sobre o seu verdadeiro “eu”. Sendo uma aficionada de artes criativas, sempre que possível mescla a fotografia com outros elementos das artes, como música, literatura, artes cénicas… para poder apresentá-las aos seus espectadores e plateias, e assim deixar que a fotografia penetre nas massas da sociedade, aproximando os espectadores e o público da fotografia. Também escritora especializada em mandarim, a fotógrafa convidada para esta edição já ganhou inúmeros prémios em competições fotográficas internacionais, incluindo Monochrome Award, Color International Award, Spider Award, IPA International Award... Considera-se acima de tudo uma fotógrafa de viagens, procurando que as paisagens sejam o seu pano de fundo e dessa paisagem absorver as energias primitivas da natureza, o “elo de ligação que encontra entre a natureza e as vidas humanas” como diz, uma forma de se relacionar intimamente com o seu próprio mundo espiritual. Born in Malaysia, she graduated in dramatology, and first came into contact with photography in 2017, for which she has fallen in love ever since. For this photographer, who is part of a second generation of malaysian chinese and who has successfully organized 12 theatrical performances with the theme "Farewell", a performance art creation that mixes photography with words and narratives, photography is a discovery of beauty of life. In each of her photographic journeys, Loh Soo Mui seeks above all to have contact with ethnic groups of different cultures of the countries visited and face Mother Nature, in order to gain a better understanding of her “true self”. Being an amateur of creative arts, whenever possible she mixes photography with other elements of the arts, such as music, literature, performing arts... to be able to present them to its spectators and audiences, and thus allow photography to penetrate the masses of society, bringing viewers and the public closer to the photograph. Also a writer specializing in mandarin, the invited photographer for this edition has won numerous awards in international photography competitions, including Monochrome Award, Color International Award, Spider Award, IPA International Award... Above all, she is considered a travel photographer, trying to make landscapes her background and from that landscapes absorb the primitive energies of nature, the "connecting link between nature and human life", as she says, a way to relate intimately to your own spiritual world.


MUNDO | Ilha do PrĂ­ncipe Principe Island


Ao sabor do “Tropical Chocolate Safari” Parte do paradisíaco arquipélago de São Tomé e Príncipe, também conhecido como “Ilhas do Chocolate”, a ilha do Príncipe será palco do “Tropical Chocolate Safari”, um programa organizado pelo Sundy Praia Lodge, que decorrerá de 3 a 10 de Setembro, uma oportunidade para se viver e sentir os prazeres do chocolate e o que a partir dele se pode fazer. Texto Fernando Borges | Fotos HBD

To the taste of "Tropical Chocolate Safari" Part of the paradisiac archipelago of São Tomé and Príncipe, also known as the "Islands of Chocolate", Principe Island will be the stage of the Tropical Chocolate Safari, a program organized by Sundy Praia Lodge, which will be held from September 3 to 10, an opportunity to live and feel the pleasures of chocolate and what can be done from it. Text Fernando Borges | Photos HBD


Aproveitando o enquadramento paradisíaco das suas 15 luxuosas villas, em cima da praia e no meio da luxuriante vegetação que caracteriza São Tomé e Príncipe, assim como pelo facto da Ilha do Príncipe já ter sido a maior produtora mundial de cacau e continuar a fornecer a um número exclusivo de pontos de venda globais alguns dos melhores chocolates orgânicos, este programa de uma semana, baptizado por “Tropical Chocolate Safari”, contará com a presença e participação da premiada escritora Joanne Harris, autora do livro “Chocolat”, e do mundialmente reconhecido chocolatier David Greenwood-Haigh. Misturando sob o sol equatorial a essência do chocolate e o luxo oferecido pelo Sundy Praia Lodge, este “Tropical Chocolate Safari” proporcionará não só a descoberta da importância do cacau na gastronomia de São Tomé e mundial, bem como os benefícios deste fruto para a saúde.

Taking advantage of the paradisiacal setting of its 15 luxury villas, on the beach and in the midst of the luxuriant vegetation that characterizes São Tomé and Príncipe, as well as the fact that the Príncipe Island has already been the largest producer of cacao in the world and continues to provide to an exclusive number of global outlets some of the best organic chocolates, this one-week program, named "Tropical Chocolate Safari", will feature the presence and participation of award-winning writer Joanne Harris, author of the book "Chocolat", and the world-renowned chocolatier David Greenwood-Haigh. Blending under the equatorial sun the essence of chocolate and the luxury offered by Sundy Beach Lodge, this "Tropical Chocolate Safari" will provide not only the discovery of the importance of cocoa in the São Tomé gastronomy and worldwide, as well as the benefits of this fruit for health.


Durante uma semana, os hóspedes e os amantes do chocolate poderão participar em diversos workshops, fazer provas de degustação usando todos os sentidos, conhecer a rica história colonial e cultural da ilha, visitando as suas antigas roças. Passear-se pelas exóticas praias do Príncipe, visitar comunidades de pescadores, acompanhar golfinhos no seu  habitat  natural, fazer observação de aves, mergulho e  snorkeling, aventurar-se pela floresta tropical em busca de cacau, colher e plantar esta árvore e assim garantir a sustentabilidade da sua cultura, ou mimar a mente e o corpo através de massagens onde o cacau é o principal elemento, são algumas das actividades propostas durante uma semana em que o tema principal é o chocolate.

For a week, guests and chocolate lovers can take part in various workshops, sample tastings using all the senses, learn about the island's rich colonial and cultural history and visit its ancient gardens. Stroll the exotic beaches of the Principe, visit fishing communities, accompany dolphins in their natural habitat, birdwatching, diving and snorkeling, venture through the rainforest in search of cocoa, harvest and plant this tree and thus ensure the sustainability of its culture, or pampering the mind and body through massages where cocoa is the main element, are some of the activities proposed during a week in which the main theme is chocolate.

www.sundyprincipe.com


WONDER PORTUGAL | Elvas


Uma cidade sem fronteiras Tem um castelo. De grossas pedras. E tem outras fortalezas que parecem fechar um círculo. Também elas de grossas pedras que desde há muito se tornaram testemunhos mudos de histórias ali vividas e compartilhadas. Paredes que por vezes parecem suspirar e gritar um certo sentido ibérico. Paredes que se abrem para os grandes campos que as rodeiam e que se estendem para lá do horizonte. Assim é Elvas. Essa cidade na Estremadura que não aceita fronteiras e que se anima com os seus vizinhos da espanhola Badajoz e Olivença. Texto & Fotos Fernando Borges

A city without borders There's a castle. Of thick stones. And there are other fortresses that seem to close a circle. They too have thick stones that have long since become silent testimonies of stories lived and shared there. Walls that sometimes seem to sigh and shout a certain iberian sense. Walls that open to the great fields that surround them and that extend beyond the horizon. This is Elvas. This city in Extremadura that does not accept borders and that is animated with its neighbors of the spanish Badajoz and Olivença. Text & Photos Fernando Borges


Da vizinha Espanha, ali em frente, depois de mais uma colina que desenha um cenário fascinante marcado por intermináveis planícies, ali onde dizem ter acontecido um dia a “Guerra das Laranjas”, esse breve conflito militar que opôs Portugal à Espanha e à França em 1801 e que se popularizou graças a um gesto do primeiro-ministro e chefe militar espanhol, Manuel Godoy, que enviou um ramo de laranjeira colhido nos campos de Elvas à rainha de Espanha Maria Luísa, de quem se dizia ser amante, para a informar de que tinha tomado a localidade de Olivença, chega-nos um provérbio que diz “não se pode colocar portas para o campo”. Olha-se, enquanto caminhamos ao longo das muralhas do Forte da Graça, e sente-se que este provérbio cheio de sabedoria aqui tem um significado intenso. Sente-se que aqui não há fronteiras. Talvez apenas algumas mentais e hipotéticas, muito mais do que físicas e tangíveis. E nem os bastiões que teimam em se mostrar conseguem fazer com que deixemos de concordar com quem diz que as fronteiras são apenas invenções. Nem mesmo aqui, em Elvas, a capital dos bastiões. A Elvas que abraça Olivença. Ali mais à frente. Do outro lado da fronteira inventada pelo homem mas que a natureza teima em negar a sua existência. Mas não é apenas a natureza que contraria essa invenção do homem. Também o próprio homem, esse que vive na “última eclusa” da raia que separa Elvas de Badajoz, teima em contrariar. Sente-se que em Elvas, ao percorrer as suas praças, ruas e becos, não existem culturas, histórias e vidas separadas, que tudo o que se quer confirmar por teóricas linhas geopolíticas neste lugar é substituído por vínculos, trocas, afinidades e interacções que coroam uma relação feita de séculos, mesmo que pelo meio tenham existido aqui outras “Guerra das Laranjas”.

From neighboring Spain, just ahead, after another hill that draws a fascinating scenery marked by endless plains, where there is said to have happened one day the "War of the Oranges", that brief military conflict that opposed Portugal to Spain and France in 1801 and popularized thanks to a gesture of the spanish prime-minister and military chief, Manuel Godoy, who sent a branch of orange tree harvested in the fields of Elvas to the queen of Spain Maria Luisa, of whom was said to be his lover, to inform her of who had taken the locality of Olivença, comes to us a proverb that says "one can not put doors to the field". One looks, as we walk along the walls of the Forte da Graça, and it is felt that this proverb full of wisdom here has an intense meaning. There are no borders here. Maybe just some mental and hypothetical, much more than physical and tangible. And even the bastions that insist on showing themselves can not stop us from agreeing with those who say that borders are just inventions. Not even here, in Elvas, the bastion's capital. The Elvas that embraces Olivença. There more ahead. On the other side of the border invented by man but nature insists on denying its existence. But it is not only nature that contradicts this invention of man. Also the man himself, who lives in the "last lock" of the line that separates Elvas from Badajoz, refuses to contradict. It is felt that in Elvas, as one traverses its squares, streets and alleys, there are no separate cultures, histories, and lives, that anything that is to be confirmed by theoretical geopolitical lines in this place is replaced by bonds, exchanges, affinities, and interactions which crown a relationship made up of centuries, even though in the middle there have been other "War of the Oranges" here.


Pois esta é parte do que torna Elvas tão apaixonante. Essa Elvas que apesar de ser detentora do título de “cidade com o maior conjunto de fortificações do mundo”, fazendo com que tenha o seu nome inscrito como Património Mundial da UNESCO desde 2012, não tem “portões” nem “portas”. Apenas uma realidade que vive sem fronteiras, uma realidade marcada por um profundo sentido ibérico unido pela Estremadura. Mas existe outra Elvas. Aquela que nos leva por ruas íngremes decoradas por fachadas, pormenores e perspectivas para todos os olhares. Também a que se vê e sente nos seus arredores, numa transição oscilante entre serras de figuras arredondadas e planícies dominadas por remanescente vegetação mediterrânea. E por campos que amarelam de cearas quando chega o Verão. Impressões que se agigantam quando olhamos do seu castelo, comprovando a sua importância militar em 1000 guerras ali travadas, do Forte de Santa Luzia ou do Forte de Nossa Senhora da Graça, a primeira construção de Portugal a receber o título de Monumento Nacional. E existe mais uma Elvas. A dos monumentos e edifícios que não se cansam de contar a sua história. Como o da Torre do Relógio, datado do século XVI e que nos introduz no coração da cidade, a Praça da República, com o seu piso em calçada portuguesa, esplanadas, restaurantes, cafés e belíssimos edifícios que parecem abraçar a antiga Sé, conhecida por Igreja de Nossa Senhora da Assunção, construída no século XVI em estilo manuelino, que foi renovada no século XVIII para ver adicionados muitos detalhes barrocos. Por uma rua ao seu lado direito começa-se a subir por uma rua estreita e empedrada até se chegar ao Largo de Santa Clara, uma pitoresca praceta rodeada por residências nobres que se misturam com os restos da muralha árabe do século X, duas torres coroadas com uma galeria e um pelourinho em mármore que conserva os quatro ferros de sujeição fixados ao capitel, um símbolo do poder municipal.

For this is part of what makes Elvas so enthralling. This Elvas, which despite having the title of "city with the largest set of fortifications in the world", making it registered as a UNESCO World Heritage since 2012, has no "gates" or "doors". Just a reality that lives without borders, a reality marked by a deep iberian sense united by Extremadura. But there is another Elvas. The one that takes us through steep streets decorated by facades, details and perspectives for all eyes. Also what one sees and feels in its surroundings, in an oscillating transition between mountains of round figures and plains dominated by remnant mediterranean vegetation. And by the fields that turn the cearas yellow when the Summer arrives. Impressions that grow when we look at its castle, proving its military importance in 1000 wars fought there, of the Forte de Santa Luzia or the Forte de Nossa Senhora da Graça, the first construction of Portugal to receive the title of National Monument. And there is one more Elvas. The one with monuments and buildings that do not tire of telling their story. Like the Clock Tower, dating from the 16th century and introducing us to the heart of the city, Praça da República, with its portuguese cobblestone floors, terraces, restaurants, cafes and beautiful buildings that seem to embrace the old Cathedral, known as Nossa Senhora da Assunção Church, built in the 16th century in manueline style, which was renovated in the 18th century to see added many baroque details. Along a street on your right you start up a narrow, cobbled street until you reach Largo de Santa Clara, a picturesque square surrounded by noble residences that blend with the remains of the arabian wall of the 10th century, two crowned towers with a gallery and a marble pillory that preserves the four fixing irons fixed to the capital, a symbol of the municipal power.


Aqui, é a Igreja da Consolação, ou das Dominicas, que convida a uma visita, uma igreja construída em estilo renascentista e que deslumbra pela sua cúpula coberta por belos azulejos do século XVII. Continua-se até cruzarmos a Porta do Templo, ou Arco do Miradeiro, em referência ao combate da Ordem do Templo contra os mouros, para se entrar no mais antigo e pitoresco bairro de Elvas. E lá está a rua mais fresca, formosa e mais fotografada da cidade, a Rua das Beatas, com as suas alegres casas brancas e amarelas adornadas com uma infinidade canteiros cheios de flores que enfeitam portas e paredes. E por ela chegamos ao castelo, construído por Sancho II no século XII sobre uma estrutura árabe. E daqui comprovamos que de facto as fronteiras são uma invenção do homem. Olha-se e perde-se o olhar pelas planícies e “ondas” cobertas de olival e laranjeiras que parecem teimosamente dirigir-se para o Forte de Nossa Senhora da Graça. Mas há que continuar essa viagem cheia de encantos e surpresas por Elvas. Por isso, deixa-se as muralhas do castelo, atravessa-se o Arco do Miradeiro, descem-se alguns degraus, chega-se à Rua dos Quartéis da Corujeira, passa-se pelo Cemitério dos Ingleses e chega-se ao Largo dos Terceiros e à Igreja de São Francisco. Mas este é um percurso que obrigatoriamente tem que passar pelo hotel Vila Galé Collection Elvas, recentemente inaugurado nesta que é cidade Património Mundial da Unesco, depois de concluída a reabilitação do Convento de São Paulo no âmbito do programa “Revive”. Não muito longe, uma outra igreja espera por nós; a Igreja de São Pedro, com o seu pórtico românico-gótico, bem ao lado da Praça de São Vicente e da sua fonte datada do século XVI.

Here it is the Consolação Church, or the Dominicans, that invites a visit, a church built in renaissance style and that dazzles by its dome covered by beautiful tiles of the 17th century. It continues until we cross the Temple Gate, or Arco do Miradeiro, in reference to the combat of the Order of the Temple against the moors, to enter the oldest and picturesque neighborhood of Elvas. And there is the most fresh, beautiful and most photographed street in the city, Rua das Beatas, with its cheerful white and yellow houses adorned with an infinity flower beds that decorate doors and walls. And by it we arrived at the castle, built by Sancho II in the 12th century on an arab structure. And from here we prove that in fact borders are an invention of man. One gazes and loses his gaze on the plains and "waves" covered with olive groves and orange trees that seem stubbornly to go to the Forte de Nossa Senhora da Graça. But we must continue this journey full of charms and surprises by Elvas. Therefore, you leave the castle walls, cross the Arco do Miradeiro, go down some steps, you come to the Rua dos Quartéis da Corujeira, you pass through the English Cemetery and you come to Largo dos Terceiros and the Church of São Francisco. But this is a path that must pass through the Vila Galé Collection Elvas hotel, recently inaugurated in this UNESCO World Heritage City, after the rehabilitation of the Convent of São Paulo has been completed under the "Revive" program. Not far away, another church waits for us; the Church of São Pedro, with its romanesque-gothic portico, right next to the Praça de São Vicente and its 16th century fountain.


E continua-se a passear. Tranquilamente. Pela Rua Sá da Bandeira, pelo Arco Senhora da Encarnação, pela Fonte da São Lourenço… E olha-se para a Igreja de São Domingos, a maior de Elvas, com uma capela-mor de estilo gótico e azulejos barrocos. Daqui, as ruas seguem na direcção da Rua da Guarda, da Escola Jesuíta de São Tiago, da Igreja de Salvador, da Fonte da Misericórdia e da imponente Torre Fernandina… para se encontrar com a muralha do século XVII que protege a cidade, e com a Porta de Olivença, um dos lugares mais procurados para se olhar o Forte de Santa Luzia. Muralha que faz com que continuemos a tocá-la até à Porta de Évora e dali olhar aquela que é possivelmente a principal imagem de Elvas, o Aqueduto de Amoreira, que dizem ter sido percorrido pelas primeiras águas em 1622. Olhamos para esta gigantesca obra e apodera-se de nós a tentação de contar algumas das suas 800 arcadas enquanto inclinamos a cabeça para olhar o seu ponto mais alto, a 30 metros. Ou que fiquemos simplesmente deitados à sua sombra, na relva do Jardim das Laranjeiras, tentando escutar o correr das águas que continuam a percorrer os sete quilómetros deste aqueduto alimentando as fontes e torneiras desta Elvas que recusa fronteiras.

And we continue to walk. Quietly. On Rua Sá da Bandeira, by the Arco Senhora da Encarnação, by the Fountain of São Lourenço... And one looks at the Church of São Domingos, the largest in Elvas, with a main chapel in gothic style and baroque tiles. From here, the streets follow in the direction of Rua da Guarda, Jesuit School of São Tiago, Salvador Church, Fonte da Misericórdia and the imposing Torre Fernandina... to meet the 17th century wall that protects the city, and the Door of Olivença, one of the most sought after places to see the Forte de Santa Luzia. This wall makes us continue to touch it to the Door of Évora and from there look at what is possibly the main image of Elvas, the Amoreira Aqueduct, which is said to have been covered by the first waters in 1622. We look at this gigantic work and take the temptation to count some of its 800 arcades while we bow our heads to look at its highest point, 30 meters high. Or that we lie simply in the shade of the Garden of Laranjeiras, trying to listen to the flow of the waters that continue to travel the seven kilometers of this aqueduct, feeding the fountains and taps of this Elvas that refuses borders.


ART & GO. | Jacques Ruela


A arte de trabalhar na pedra Diz-se que a arte de trabalhar e de esculpir na pedra está no sangue do homem quase desde que ele existe, e que através de milhões de anos foi passando de gerações em gerações. Também se diz que esta é a forma mais antiga de preservar a História da Humanidade. E é esta arte que Jacques Ruela, um apaixonado pela simbologia e misticismo Celta, abraçou para dar forma à criatividade através de peças de arte onde a pedra é o elemento principal e o cinzel a sua principal ferramenta. Texto Fernando Borges | Fotos Jacques Ruela

The art of working on stone It is said that the art of working and carving on stone has been in the blood of man almost since he has existed, and that through millions of years has passed from generation to generation. It is also said that this is the oldest form of preserving the History of Mankind. And it is this art that Jacques Ruela, a lover of Celtic symbolism and mysticism, embraced to give shape to creativity through pieces of art where stone is the main element and chisel its main tool. Text Fernando Borges | Photos Jacques Ruela


Uma pedra, um cinzel e um martelo. São estas as principais ferramentas para criar a partir de um bloco de pedra verdadeiras obras de arte, um processo que se inicia quando o artista olha para esse bloco de pedra e começa a desenhar na sua mente a obra a realizar. E a tudo isto junta-se paciência e criatividade. Também habilidade com as mãos, agudez visual, coordenação visualmanual, precisão manipulativa e capacidade de centrar a atenção. E muito interesse pelo mundo artístico, em especial esse, o de trabalhar na pedra. E é aqui, no meio de tudo isto, que se move Jacques Ruela que, para além de ser um autodidacta na área da fotografia, pintura e restauro, encontrou na escultura a sua paixão, herdando do seu pai o talento para as artes e que viria a desenvolver academicamente. Para este artista nascido nos arredores de Paris mas que desde muito novo se radicou em Portugal, “trabalhar com a pedra foi sem dúvida passar da ideia para a acção no que no inicio era só uma vontade e curiosidade, começando com pequenos testes e experiências para conhecer a reacção dos materiais que escolhia”, nunca dissociando a arte e a técnica do brio na sua execução, tendo como principal preocupação o resultado final.

A stone, a chisel, and a hammer. These are the main tools to create from a block of stone true works of art, a process that begins when the artist looks at this block of stone and begins to draw in his mind the work to be done. And to all this is added patience and creativity. Also hand skills, visual acuity, visualmanual coordination, manipulative precision, and ability to focus attention. And a lot of interest in the artistic world, especially that of working in the stone. And it is here, in the midst of all this, that Jacques Ruela moves, in addition to being a self-taught in the field of photography, painting and restoration, found in the sculpture his passion, inheriting from his father the talent for the arts with he would develop academically. For this artist born on the outskirts of Paris but from a very young age settled in Portugal, "working with the rock was without a doubt going from idea to action in what was initially only a will and curiosity, starting with small tests and experiments to know the reaction of the materials that he chose", never dissociating the art and the technique of the brio in its execution, having as main concern the final result.


Mas Jacques Ruela tem outra paixão: a simbologia e o misticismo Celta, a sua ancestral cultura tão presente na interligação dos elementos da natureza com a existência humana. E é esse fascínio pelo grafismo e o significado dos entrelaçados sem fim a sua mais forte fonte de inspiração e o mote para o que viria a ser a passagem de uma simples curiosidade para uma paixão, numa abordagem simples mas com influência de Donatello, escultor renascentista de Florença, em que parte da sua obra desenvolveu a técnica de representação do baixo-relevo. Uma forma de abordar a arte que já mereceu a Jacques Ruela o reconhecimento nacional e internacional, uma arte que é bem mais do que o simples trabalhar e esculpir na pedra, sendo mesmo um dos mais antigos e nobres ofícios artísticos, cobrindo um vasto campo de trabalho, tanto no sector do artesanato tradicional como na reprodução de esculturas, execução de elementos arquitectónicos, ornamentais, objectos litúrgicos, etc., peças de arte onde Jacques incorpora novas tecnologias e novos materiais, como o ouro, tornando-as especialmente efectivas e afectivas. But Jacques Ruela has another passion: Celtic symbolism and mysticism, his ancestral culture so present in the interconnection of the elements of nature with human existence. And it is this fascination with graphism and the meaning of the endless interlaced his strongest source of inspiration and the motto for what would become the passage from a simple curiosity to a passion, in a simple approach but influenced by Donatello, a renaissance sculptor of Florence, where part of his work developed the technique of representation of bas-relief. A way of approaching the art that has already earned Jacques Ruela the national and international recognition, an art that is much more than the simple work and carving in the stone, being even one of the most ancient and noble artistic offices, covering a vast field of work in the traditional handicraft sector as well as the reproduction of sculptures, the execution of architectural elements, ornamental objects, liturgical objects, etc., pieces of art where Jacques incorporates new technologies and new materials such as gold, making them especially effective and affective.


10X10 | Cuca Roseta


10 Perguntas, 10 Respostas 10 Questions, 10 Answers Diz que sem a arte o mundo seria mais triste, que sem música esse mesmo mundo não faria qualquer sentido e que o fado lhe trouxe sentido à vida fazendo-a sentirse um instrumento de uma força maior. Fado que é a mais grata sensação de paixão pela vivência e que essa gratidão, mais dorida ou mais sorridente, lhe dá sempre grandes momentos de nostalgia. Também, esta fadista que respira simpatia serena diz que as cores da Primavera, o calor do Verão, o romantismo do Outono e mesmo a tristeza do Inverno fazem-na sentir-se viva. Assim vê o mundo que a rodeia e se olha na sua vida sempre em movimento, uma das mais admiradas e reconhecidas vozes do fado da actualidade, moldando a sua forma de estar entre os trinados da guitarra portuguesa, o yoga, o taekwondo, concertos e a vida familiar, a sua grande fonte de felicidade. Por Fernando Borges | Fotos DR She says that without art the world would be more sad, that without music this world itself would not make any sense and that fado brought meaning to life making it feel like an instrument of a greater force. Fado which is the most grateful sensation of passion for living and that this gratitude, more sore or more smiling, always gives you great moments of nostalgia. Also, this fadista who breathes serene sympathy says that the colors of Spring, the heat of Summer, the romanticism of Autumn and even the sadness of Winter make her feel alive. Thus she sees the world that surrounds her and looks at her evermoving life, one of the most admired and acknowledged voices of the fado today, shaping her way of being among the trills of the portuguese guitar, yoga, taekwondo, concerts and family life, her great source of happiness. By Fernando Borges | Photos DR


“E com esta música, o fado, quero chegar aquele lugar onde agradecemos a vida, quero que amem também este sentimento e orgulho tão português, esta emoção e sentidos feitos música e arte”, disseste um dia. É esta a tua forma de olhar o fado, um espaço agregador de sentimentos teus e de um povo que através dele fala? Sim, sem dúvida. É o cartão de visita de um país, uma canção única no mundo, só nossa, mas feita para o mundo e que espelha a identidade de uma cultura e de um povo, com todos os seus defeitos e todas as suas qualidades da forma mais bonita e rara. Saudosista, sebastianista, melancólico, nostálgico, intenso, afectivo, são estas muitas das características que se cantam no fado e que cantam Portugal. Podemos dizer que o fado é uma canção bairrista que soube transformar-se num produto icónico para viajar pelo mundo e ser sentido como uma marca cultural? O fado é um dos símbolos de Portugal, um património imaterial da humanidade que é nosso mas destinado para o mundo. Quando cantamos na nossa língua pelo mundo fora e percebemos que o fado vai muito para lá da palavra e de fronteiras, entendemos como esta canção que é declamação de poesia, é muito mais do que uma simples canção. É uma experiência única que se vive quando se ouve fado ao vivo, uma partilha mútua de algo que no meio de tantas máscaras as faz cair com uma beleza que vem de dentro, que vem de algum lugar profundo para outro lugar profundo, ou neste caso para muitos. E desta experiência, normalmente, seja qual for a língua ou o país ninguém sai indiferente, eu sou a sortuda que vejo tudo isso acontecer e que me emociono e me encho de orgulho pela cultura tão especial que temos. É o fado um livro feito de diversos capítulos por onde deambula a felicidade e a nostalgia, um livro feito de lugares, de encontros e de sentires que fazem sentido, onde existe uma verdade interior em cada palavra cantada, uma exposição da arte emocional dos portugueses? Que bonito, que bonita descrição do fado! O fado é isso tudo, e é ainda a verdade, a verdade de quem conta uma história, de quem declama vida. Sempre que me pedem para definir o fado numa palavra digo sempre: verdade. Isto porque sem verdade a emoção não chega por inteiro e quando ela chega por inteiro acontece realmente magia.

"And with this song, fado, I want to reach that place where we thank life, I want you to love this feeling and pride that is so portuguese, this emotion and senses made music and art," you said one day. Is this your way of looking at fado, a space that aggregates your feelings and a people that speaks through it? Yes, no doubt. It is the business card of a country, a unique song in the world, ours alone, but made for the world and that reflects the identity of a culture and a people, with all its defects and all its qualities in the most beautiful way and rare. Wistful, sebastianist, melancholic, nostalgic, intense, affective, these are many of the characteristics that are sung in fado and that sing Portugal. Can we say that fado is a bairista song that knew how to become an iconic product to travel the world and be felt as a cultural brand? Fado is one of the symbols of Portugal, an immaterial heritage of humanity that is ours but destined for the world. When we sing in our language through the outside world and realize that fado goes far beyond words and borders, we understand how this song that is a recital of poetry is much more than a simple song. It is a unique experience that one lives when one hears live fado, a mutual sharing of something that in the midst of so many masks makes them fall with a beauty that comes from within, that comes from somewhere deep to another deep place, or in this case for many. And from this experience, no matter what the language or the country, nobody is indifferent, I am the lucky one that sees all this happening and that I am excited and I am proud of the so special culture that we have. Fado is a book made up of several chapters where happiness and nostalgia roam, a book made of places, meetings and senses that make sense, where there is an inner truth in each word sung, an exhibition of the emotional art of the portuguese ? How beautiful, what a beautiful description of fado! Fate is all this, and it is still the truth, the truth of one who tells a story, one who declaims life. Whenever I am asked to define fado in one word I always say: truth. This is because without truth the emotion does not come completely and when it fully arrives magic happens.


Falar de fado é obrigatoriamente falar de Amália Rodrigues que um dia afirmou: “Fado é tudo o que digo, mais o que eu não sei dizer”. É esta a melhor definição de fado? Há muitas bonitas definições do fado. Esta é sem dúvida uma delas e que fala do tal mistério de que falava que o fado tem. Mas gosto muito também de “não é fadista quem quer mas sim quem nasceu fadista” e adoro uma que vem do Brasil, do samba, mas que podia perfeitamente falar do fado: “Mas para fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza senão não se faz um samba não”. Após lançares o teu primeiro trabalho, em 2011, nasce “Raiz”, em 2013, um disco em que crias todas as músicas e letras. Podemos olhar para este “Raiz” como uma verdade transparente do teu “ser”? Que “ser” é esse? A procura de verdade! Mesmo não sendo comum no fado, experimentei escrever e compor no primeiro disco, porque já o fazia desde pequenina. E fui criticada por alguns. Mas correu tão bem que os fãs me pediram para compor mais e senti a necessidade de ir ao fundo dessa raiz. Hoje fico feliz de ver que todos os fadistas começam a escrever e a compor as suas próprias letras, pois se o fado é a verdade de quem o interpreta, que estamos a chegar a um lugar que não havia no fado, onde podemos dar mais emoção ainda e que vem da pele de quem o canta. A mudança é sempre difícil mas aprendi com a Amália a não ter medo de seguir o meu instinto. Quando algo é feito de forma natural, quando não há medo de fazer o que se sente é quando realmente te conseguimos dar algo diferente. E o equilíbrio emocional é muito importante para se ter a coragem de seguir o coração. 

To speak of fado is obligatorily to speak of Amália Rodrigues that one day said: "Fado is all that I say, plus what I do not know how to say". Is this the best definition of fado? There are many beautiful definitions of fado. This is undoubtedly one of them that speaks of the mystery of which she spoke that fado has. But I also really like "it's not fadista the one who wants, but the one who was born fadista" and I love one that comes from Brazil, samba, but could perfectly speak of fado: "To make a samba with beauty it takes a lot of sadness, otherwise one does not make a samba ". After you launch your first album, in 2011, “Raiz” is born in 2013, an album in which you create all the songs and lyrics. Can we look at this "Raiz" as a transparent truth of your "being"? What "being" is that? The truth search! Even though it was not common in fado, I tried to write and compose in the first album, because I had done it since I was little. And I was criticized by some. But it went so well that the fans asked me to compose more and felt the need to get to the bottom of that root. Today I am happy to see that all fadistas begin to write and compose their own lyrics, because if fado is the truth of who interprets it, that we are coming to a place that was not in fado, where we can give more emotion still and that comes from the skin of who sings it. The change is always difficult but I learned from Amalia not to be afraid to follow my instinct. When something is done in a natural way, when there is no fear of doing what it feels like it is when we really can give you something different. And emotional balance is very important to have the courage to follow the heart.


“Luz” é o teu 4º e último trabalho e vai muito para além do fado, unindo várias sonoridades. Nele sente-se o fado tradicional e o fado canção, mas também vibrações que nos falam do Brasil, de África e de outros lugares. Que viagem é esta? Talvez viagens que estejam dentro daquilo que sou. Nunca gostei de rótulos, mas as pessoas precisam muito de rótulos para arrumar as pessoas naquela ou na outra gaveta. O artista deve fazer o que sente e o que faz com verdade. Às vezes não é só fado, às vezes canto em italiano ou árabe. A própria Amália cantou em todas as línguas do mundo e a sua alma nunca deixou de ser fadista. “Luz” foi o que senti, e os temas são os que chegaram naquele momento e com os quais me identifiquei mais, os que mais me emocionaram e que pensei que sendo assim também trariam mais emoções a quem os ouvisse. Nunca premedito nada, o conceito surge naturalmente, com o que está a acontecer no momento, deixar o rio fluir e seguir o seu trilho natural e não tentar controla-lo com a mente, embora a mente faça coisas fantásticas. E quando o coração está aliado à mente ela transpõe montanhas. O facto de seres licenciada em psicologia permite-te ver, sentir e interpretar o fado para além da sua essência, essa que une espírito, poesia, emoção e sentidos? A licenciatura em psicologia veio ajudar-me a aprofundar mais esta paixão que sempre tive desde pequena pelo comportamento humano. Mas o fado fala sobre emoções, sentimentos, sobre experiências de vida e acaba por ser uma paixão que tem muito a ver com a psicologia. Nós lidamos com as pessoas e com os momentos de introspecção, ou inspiração delas, nós somos os seus momentos de paragem de uma coisa louca de stress, somos a lufada de ar fresco… É isso que encontro na música e na arte. Então muitas vezes temos estes momentos de partilha pós palco que são sempre mais profundos do que um encontro do dia-a-dia. A psicologia já era um interesse natural em mim, a paixão por observar as pessoas e a forma como lidam com o lado espiritual e emocional da vida.

"Luz" is your 4th and last work and goes far beyond fado, joining various sonorities. In it we feel the traditional fado and the fado song, but also vibrations that tell us about Brazil, Africa and other places. What trip is this? Maybe trips that are inside of what I am. I've never liked labels, but people need a lot of labels to sort the people in that or the other drawer. The artist must do what one feels and what one does with truth. Sometimes it is not just fado, sometimes singing in italian or arabic. Amalia herself sang in all the languages of the world and her soul never ceased to be a fadista. "Luz" was what I felt, and the themes are those that arrived at that moment and with which I identified more, those that moved me the most and that I thought that being so would also bring more emotions to those who heard them. Never premeditates anything, the concept arises naturally, with what is happening at the moment, let the river flow and follow its natural path and not try to control it with the mind, although the mind does fantastic things. And when the heart is allied to the mind it transposes mountains. The fact that you have a degree in psychology allows you to see, feel and interpret fado beyond its essence, the one that unites spirit, poetry, emotion and senses? The degree in psychology came to help me to deepen this passion I have always had since childhood for human behavior. But fado talks about emotions, feelings, about life experiences and turns out to be a passion that has a lot to do with psychology. We deal with people and with moments of introspection, or inspiration from them, we are their moments to stop a crazy thing of stress, we are the breath of fresh air... That is what I find in music and art. So often we have these moments of post-stage sharing that are always deeper than a day-to-day encounter. Psychology was already a natural interest in me, the passion for observing people, and the way they deal with the spiritual and emotional side of life.


É o fado uma voz que mostra ao mundo que a alma é universal? Sem dúvida alguma. O fado é a canção da alma como costumo dizer, sem língua, sem fronteiras. Todas as pessoas, brancas, amarelas, vermelhas ou negras a sentem da mesma maneira, ela está num nível de energia e espiritualidade superior ou interior. E procuras dedicar algum tempo à pintura. Como representarias o fado numa tela? Seria um mundo diferente daquele que pintou José Malhoa? Seria um quadro abstracto, sem conceitos, sem definição certa, sem rótulos. Seria pintado de olhos fechados como se a mão fosse o pincel da alma, sem cores, formas ou palavras mundanas que o conseguissem descrever. Talvez fosse melhor deixá-lo em branco e cada dia pintar e apagar, pintar e apagar, porque o fado nunca se repete. Ele nasce e morre e nasce e morre, vive da urgência de um sentir em conjunto com o ambiente que o rodeia e as sensações irrepetíveis onde se insere, para acontecer naquele exacto momento. E para terminar: continuas a acreditar que a vida não nos dá desafios que ela não saiba que somos capazes de suportar? Continuo a acreditar profundamente que tudo o que acontece tem um sentido maior. É só deixar o rio fluir o seu trilho natural e confiar.

Is fado a voice that shows the world that the soul is universal? Undoubtedly. Fado is the song of the soul as I usually say, without language, without frontiers. All people, white, yellow, red or black, feel it the same way, it is on a level of energy and spirituality superior or interior. And you try to devote some time to painting. How would you represent fado on a screen? Was it a different world from the one painted by José Malhoa? It would be an abstract picture, without concepts, without definite definition, without labels. It would be painted with closed eyes as if the hand were the brush of the soul, without colors, forms or mundane words that could describe it. Maybe it would be better to leave it blank and every day paint and erase, paint and erase, because fado never repeats itself. It is born and dies and is born and dies, lives from the urgency of a feeling together with the environment that surrounds it and the unrepeatable sensations where it enters, to happen at that exact moment. And to finish: do you still believe that life does not give us challenges that it does not know we are capable of? I continue to deeply believe that everything that happens has a greater meaning. Just let the river flow your natural trail and trust.


A colaboração entre a PINKO  e a  Stella Jean  para a  Treedom  foi oficialmente apresentada durante a Fa s h i o n We e k d e M i l ã o . D a c o l a b o r a ç ã o #StellaJeanPINKOtreedom surge uma  coleção cápsula de 5 t-shirts, desenhadas pelo stylist italo-haitiano, produzida pela Pinko e direcionada para a sustentabilidade. Cada peça é feita de algodão orgânico e estampada com aquarelas. As ilustrações, bordados e pormenores que caracterizam as peças são inspirados pela cultura Masai do Quénia, incluindo frutos e a cores da floresta Pinko. O resultado é um conjunto de palavras, imagens e produtos que giram em torno destas questões fundamentais: sustentabilidade, multiculturalismo e cooperação internacional. Texto Carla Branco Fotos Pinko

LIFESTYLE


The collaboration between PINKO and Stella Jean for Treedom was officially presented during Milan Fashion Week. From the collaboration #StellaJeanPINKOtreedom comes a collection of 5 t-shirts, designed by the italo-haitian stylist, produced by PINKO and directed to the sustainability. Each piece is made of organic cotton and stamped with watercolors. The illustrations, embroidery and details that characterize the pieces are inspired by Kenya's Masai culture, including fruits and colors of the PINKO forest. The result is a set of words, images and products that revolve around these fundamental issues: sustainability, multiculturalism and international cooperation. Text Carla Branco Photos Pinko


Com a chegada do Verão, chegam também os festivais, os sunsets e todas as festas tão características desta altura do ano. A nova colecção Primavera-Verão da Ferrache está repleta de peças que podemos usar e abusar nos dias mais quentes e um dos destaques da colecção vai mesmo para os vestidos, sejam eles compridos ou curtos. Os vestidos compridos são uma das grandes tendências desta estação e podem ser usados quer para um look mais descontraído, quer para uma festa de Verão com mais elegância e glamour. Já os vestidos curtos são sempre uma boa aposta no armário e ficam sempre bem. Nesta colecção, o principal destaque, para além das opções coloridas como o amarelo, o laranja, rosa ou vermelho, vai para os padrões florais, polka dots ou animal print. Texto Carla Branco | Fotos Ferrache

With the arrival of Summer, also come the festivals, sunsets and all the feasts so characteristic of this time of year. The new Ferrache SpringSummer collection is filled with pieces that we can use and abuse on the hottest days and one of the highlights of the collection goes even to the dresses, whether long or short. Long dresses are one of the great trends of this season and can be used for a more relaxed look or for a Summer party with more elegance and glamor. Short dresses are always a good bet in the closet and always look good. In this collection, the main highlight, in addition to the color options such as yellow, orange, pink or red, goes to floral patterns, polka dots or animal print. Text Carla Branco | Photos Ferrache


NOTÍCIAS | NEWS


Portugal, um Verão com 352 praias Bandeira Azul Com o Verão a convidar a banhos, Portugal conta este ano com um total de 352 praias com Bandeira Azul - 317 costeiras e 35 fluviais, com o Algarve a continuar a ser a região onde maior número de praias ostenta esta distinção, num total de 88, enquanto no Norte são este ano 75 as praias com Bandeira Azul, 69 costeiras e seis fluviais, uma a mais que o ano passado, devido à entrada da praia fluvial Parque Dr. José Gama, no concelho de Mirandela, distrito de Bragança. Na região do Tejo as bandeiras azuis estão patentes em 54 praias, 45 costeiras e nove fluviais, mais seis que em 2018. No rol desta distinção entram este ano a praia de Santo Amaro e a da Torre, no concelho de Oeiras, que pela primeira vez tem duas praias com este galardão. Assinalam-se também duas reentradas, a da praia da Rainha, na Costa de Caparica, e a de Janeiro de Baixo, no concelho de Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra. Mas também a entrada da praia fluvial de Fontes, no concelho de Abrantes, distrito de Santarém, e da praia do Salgado, na Nazaré. Por sua vez, a região Centro tem 28 praias costeiras com Bandeia Azul, mais quatro relativamente a 2018, com a atribuição do galardão às praias de Cabo Mondego, de Cova Gala Hospital, da Murtinheira e da Tamargueira, todas no concelho da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra, assinalam-se ainda nesta região 16 praias fluviais com Bandeira Azul, com destaque para a entrada das praias de Avô, no concelho de Oliveira do Hospital, e de Areinho, no concelho de Ovar. Na lista de bandeiras azuis somam-se ainda 35 praias alentejanas, quatro das quais fluviais, 39 nos Açores e 17 na Madeira, tendo este ano nestas regiões entrado na lista as praias de Almograve Sul, Furnas Mar e Malhão Sul, no Alentejo; Ribeira dos Pelames nos Açores, região em que reentram as praias de Salgueiros, Almoxarife e Vinha da Areia, e a de Ribeira do Natal, na Madeira, a que voltam a juntar-se as praias da Barreirinha e Calheta.

Portugal, a Summer with 352 Blue Flag beaches With Summer inviting us to take a bath, Portugal counts this year with a total of 352 blue flag beaches - 317 coastal and 35 fluvial, with the Algarve continuing to be the region with the highest number of beaches, with a total of 88, while the North has this year 75 beaches with Blue Flag, 69 coastal and six fluvial, one more than last year, due to the entrance of the beach Dr. José Gama Park, in the municipality of Mirandela, district of Bragança. In the Tejo region the blue flags are visible in 54 beaches, 45 coastal and nine fluvial, six more than in 2018. In the roll of this distinction enter this year the beach of Santo Amaro and the Tower, in the municipality of Oeiras, which for the first time has two beaches with this award. Two reentries are also highlighted: the Queen's beach on the Costa de Caparica and the one in Janeiro de Baixo in the municipality of Pampilhosa da Serra in the Coimbra district. But also the fluvial beach of Fontes, in the municipality of Abrantes, district of Santarém, and the beach of Salgado, in Nazaré. On the other hand, the Centro region has 28 coastal beaches with blue flag, four more than in 2018, with the attribution of the award to the beaches of Cabo Mondego, Cova Gala Hospital, Murtinheira and Tamargueira, all in the municipality of Figueira da Foz, in the district of Coimbra, there are still 16 fluvial beaches with blue flag, in particular the entrance to the beaches of Avô, in the municipality of Oliveira do Hospital, and Areinho, in the municipality of Ovar. In the list of blue flags, there are also 35 Alentejo beaches, four of which are fluvial, 39 in the Azores and 17 in Madeira. This year, the beaches of Almograve Sul, Furnas Mar and Malhão Sul, in the Alentejo; Ribeira dos Pelames in the Azores, a region where the beaches of Salgueiros, Almoxarife and Vinha da Areia re-enter, and Ribeira do Natal, in Madeira, to which the beaches of Barreirinha and Calheta once again join.


Vila Galé Collection Elvas - Um contador de histórias da História Em pleno centro histórico de Elvas, cidade alentejana classificada pela UNESCO como Património Mundial e que se orgulha de ter o título de “cidade com o maior conjunto de fortificações do Mundo”, nasceu mais uma unidade hoteleira do grupo Vila Galé, de nome completo Vila Galé Collection Elvas – Historic Hotel, Conference & Spa. Mas este Vila Galé está longe de ser apenas mais um hotel do grupo, que passa agora a ter 25 unidades em Portugal e nove no Brasil. Ele tem também a honra de ser o primeiro hotel do país no âmbito do Programa Revive, que tem como objectivo recuperar o património e através da concessão a particulares dar-lhe nova vida e aproveitamento turístico. Assim como é igualmente um contador de histórias da História de Portugal, principalmente o das fortificações militares portuguesas espalhadas pelo mundo. E isso está visível em frescos e textos que decoram muitos dos seus espaços públicos, assim como em cada um dos seus quartos. Mas também ele, o edifício onde nasceu o Vila Galé Collection Elvas, um hotel de quatro estrelas, faz parte dessa História, sendo um exemplo da arquitectura setecentista, um imóvel da Ordem de São Paulo que começou a ser construído em 1679 para ser concluído em 1721. Com a extinção das ordens religiosas em Portugal foi, ao longo dos anos, tribunal militar, quartel e prisão, sendo deixado desde 2004 ao abandono e degradação.

Vila Galé Collection Elvas - A History Storyteller In the heart of the historic center of Elvas, an Alentejo city classified by UNESCO as World Heritage and proud to have the title of "city with the largest set of fortifications in the World", was born another Vila Galé hotel unit, full name Vila Galé Collection Elvas - Historic Hotel, Conference & Spa. But this Vila Galé is far from just another hotel in the group, which now has 25 units in Portugal and nine in Brazil. It also has the honor of being the first hotel in the country under the Revive Program, which aims to recover the heritage and through the concession to individuals give it new life and touristic use. Just as it is also a storyteller of the History of Portugal, especially the portuguese military fortifications scattered around the world. And this is visible in frescoes and texts that decorate many of their public spaces, as well as in each of the rooms. But also, the building where the Vila Galé Collection Elvas was born, a four star hotel, is part of this history, being an example of 18th century architecture, a property of the Order of São Paulo that began to be built in 1679 to be completed in 1721. With the extinction of religious orders in Portugal has been, over the years, military court, barracks and prison, being left since 2004 to abandonment and degradation.


Mas este é um período negro que começou a ver o seu fim quando, pela criatividade, desejo de inventar novos polos de atracção no interior do país e ambição em não deixar morrer mais um edifício que faz parte da História e Cultura de Portugal, o grupo Vila Galé teimou em recuperar este Convento de São Paulo. E é assim que nasce dentro das muralhas de Elvas, junto ao baluarte poente, o Vila Galé Collection Elvas – Historic Hotel, Conference & Spa, oferecendo 79 quartos, distribuídos entre 14 suites, das quais sete são com mezzanine, dois quartos familiares e 63 quartos standard, dois restaurantes — o Versátil e o Inevitável — o Bar Conde de Lippe e uma biblioteca. Para mimar o corpo e a mente, este novo Vila Galé conta também com uma piscina exterior e um spa, o Satsanga, com salas de massagens, jacuzzi, banho turco, sauna e piscina interior, não faltando duas salas de reuniões, um claustro e um salão de eventos, uma área chamada Salão S. Paulo, com cerca de 400 metros quadrados que resulta da recuperação da antiga igreja do Convento de São Paulo. Espaços onde com naturalidade vamos encontrando vários objectos que para além de promoverem esta região raiana também nos contam histórias, resultado de uma parceria entre o grupo Vila Galé e entidades locais, como o Museu de Arte Contemporânea – Colecção António Cachola que cedeu esculturas e quadros, incluindo obras dos artistas portugueses Pedro Calapez, Pedro Proença, Sofia Areal e Vhils, com destaque para um telégrafo do Museu Militar, bem como estátuas e crucifixos do Museu dos Cristos de Sousel. E assim se presta homenagem à história e à História de Portugal.

But this is a black period that began to see its end when, through creativity, desire to invent new poles of attraction in the interior of the country and ambition not to let another building that is part of the History and Culture of Portugal, the group Vila Galé was determined to recover this Convent of São Paulo. And this is how it is born within the walls of Elvas, near the west stronghold, the Vila Galé Collection Elvas - Historic Hotel, Conference & Spa, offering 79 rooms, distributed among 14 suites, of which seven are with mezzanine, two family rooms and 63 standard rooms, two restaurants - the Versátil and Inevitável - the Bar Conde de Lippe and a library. To pamper your body and mind, this new Vila Galé also has an outdoor swimming pool and a spa, the Satsanga, with massage rooms, jacuzzi, turkish bath, sauna and indoor pool, not missing two meeting rooms, a cloister and an event hall, an area called Salão S. Paulo, with about 400 square meters that results from the recovery of the old church of the Convent of São Paulo. Spaces where, naturally, we find several objects that, besides promoting this region, also tell us stories, a result of a partnership between the Vila Galé group and local entities, such as the Museum of Contemporary Art - António Cachola Collection, which provided sculptures and paintings, including works by portuguese artists Pedro Calapez, Pedro Proença, Sofia Areal and Vhils, highlighting a telegraph of the Military Museum, as well as statues and crosses of the Sousel Christ Museum. And thus, one pays homage to the story and History of Portugal.


Yallah - “Vamos lá!” Já abriu em Lisboa e veio para ficar! O chef Hagay Elle está à frente deste novo restaurante, Yallah, que se situa no coração da cidade e transporta-nos até ao Médio Oriente ao longo desta viagem de sabores. Yallah é a palavra árabe que se usa para dizer a alguém "Vamos lá!" ou “Anda!”, tornando-se numa expressão popular que se escuta em qualquer rua ou mercado. O espaço é pequeno e a cozinha é minúscula mas muito organizada. Aqui há espaço para um grupo de amigos, pouco mais de 10 lugares, mas é confortável, familiar e acolhedor. Prevalece o sentimento de oferta e partilha da mais genuína street food do Médio Oriente. E porque esta viagem de sabores nos vai transportar até outras paragens, vamos imaginar uma viagem de mota pelo deserto de Israel. De repente ficamos sem gasolina e ninguém ao nosso redor. Passado algum tempo, deparamo-nos com um grupo de muçulmanos que ia a passar com os seus camelos. A ajuda chegou e com ela uma linda mulher por quem nos apaixonamos e acabamos por passar dois dias. O amor era impossível mas a paixão pelos “Falafel” foi viável e a receita ensinada pela linda mulher viajou de Israel até Lisboa através do chef Hagay Elle, protagonista desta história. Nasceu em Jaffa mas guarda experiências e memórias das suas viagens pelo mundo - Milão, Estados Unidos, Londres, Paris…, sempre na companhia da sua objectiva como fotógrafo de moda e beleza. Um dia chegou a Lisboa para visitar amigos e apaixonou-se pela cidade e pelas pessoas, mantendo sempre a sua paixão pela cozinha, e fazendo do Yallah o seu espaço.

Yallah - “Let’s Go!” It already opened in Lisbon and is here to stay! Chef Hagay Elle is the head of this new restaurant, Yallah, which is situated in the heart of the city and transports us to the Middle East along this voyage of flavors. Yallah is the arabic word used to tell someone "Come on!" or “Let’s Go!", becoming a popular expression that is heard in any street or market. The space is small and the kitchen is tiny but very organized. Here we find the space to join a group of friends, little more than 10 seats, but it is comfortable, family friendly and cozy. Prevails the feeling of offering and sharing the most genuine street food in the Middle East. And because this trip of flavors will carry us to other places, let's imagine a motorcycle trip through the desert of Israel. Suddenly we ran out of gas and no one around us. After a while, we came upon a group of muslims who were about to pass with their camels. Help arrived and with it a beautiful woman whom we fell in love with and ended up spending two days. Love was impossible but the passion for "Falafel" was feasible and the recipe taught by the beautiful woman traveled from Israel to Lisbon through chef Hagay Elle, protagonist of this story. He was born in Jaffa but he keeps experiences and memories of his travels around the world - Milan, the United States, London, Paris... always in the company of his camera lens as a fashion and beauty photographer. One day he arrived in Lisbon to visit friends and fell in love with the city and people, always maintaining his passion for cooking, and making Yallah his space.


E quando cozinhamos com amor, o prato reflecte esse carinho e essa atenção especial. Há pratos de pita, hummus, falafel, taboulleh, babaganoush ou naatch (bolinhos de peixe servido no pão pita com molho especial e salada), ou até uma divinal salada Zazah, cuja mistura de ingredientes é surpreendentemente refrescante e ideal para esses dias de Verão. São pratos de street food - clássicos, saudáveis e aromáticos que respeitam os ingredientes e nos transportam de imediato para o Médio Oriente. Nestes poucos metros quadrados que compõem o Yallah, ressalta a criatividade que vagueia pelos sabores, cores e paisagens de Israel mas também de tantas outras cidades e aldeias. E porque é através das viagens que muitas vezes nos conhecemos a nós próprios através da experiência, e de igual forma conhecemos e partilhamos aventuras, espaços e memórias com outras pessoas, assim é o Yallah, possivelmente um ponto de partida e de inspiração em Lisboa para começar uma nova viagem! And when we cook with love, the dish reflects this affection and that special attention. There are pita, hummus, falafel, taboulleh, babaganoush or naatch dishes (fish dumplings served on pita bread with special sauce and salad), or even a divine Zazah salad, whose blend of ingredients is surprisingly refreshing and ideal for these Summer days. These are street food dishes - classic, healthy and aromatic - that respect the ingredients and transport us straight to the Middle East. In these few square meters that make up the Yallah, it emphasizes the creativity that wanders by the flavors, colors and landscapes of Israel but also of so many other cities and villages. And because it is through travel that we often know ourselves through experience, and likewise know and share adventures, spaces and memories with others, so is Yallah, possibly a starting point and inspiration in Lisbon for start a new trip!


Profile for Wonder Go

Wonder Go #34 Julho-Agosto/July-August 2019  

Wonder Go #34 Julho-Agosto/July-August 2019