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PORTUGAL

Novembro-Dezembro November-December 2019 | #36 | Ano Year III | Periocidade Bimestral Periodicity Bimonthly

wonderGO! travel

Sabi Sabi Earth Lodge Luxo, ecologia e os Big Five | Luxury, ecology and the Big Five

Macau Macao | Praga Prague | Olinda


www.embaixada-africadosul.pt


www.southafrica.net


GO | 20 Sabi Sabi Earth Lodge

WONDER PORTUGAL | 56 Aldeias Avieiras

MUNDO (II) | 44 Olinda


MUNDO (I) | 32 Macau | Macao

PHOTO-GALLERY | 66 Praga | Prague by Ljiljana Popovic-Andjic WONDER STAY | 78 Vila Galé Collection Braga

SPA | 86 Sayanna Wellness


WONDER TASTE (I) | 92 Queimado

WONDER DRINKS | 104 Chรก | Tea

WONDER TASTE (II) | 98 Nยบ13


WONDER DRIVE | 134 Lexus LS 500h

ART&GO. | 124 Mรกrio Cesariny NOTรCIAS NEWS | 142

10X10 | 114 Pedro Costa Ferreira


wonderGO! travel

PROPRIEDADE | OWNERSHIP Agência Analógica CEO Carla Branco NIPC 509977596 Nº REGISTO ERC 127113 DIRECTOR Fernando Borges EDITORA EXECUTIVA EXECUTIVE EDITOR Carla Branco ARTE & DESIGN GRÁFICO ART & GRAPHIC DESIGN Carla Branco MARKETING & MULTIMEDIA Agência Analógica FORMATO | FORMAT Online CUSTO | COST Gratuito| Free

WEB www.wondergomagazine.com SOCIAL MEDIA facebook.com/wondergomagazine instagram.com/wondergomagazine EMAIL info@wondergomagazine.com

PERIOCIDADE | PERIODICITY Bimestral | Bimonthly

TELEFONE | TELEPHONE (+351) 96 335 4142 | 96 274 9108

ESTATUTO EDITORIAL EDITORIAL STATUTE www.wondergomagazine.com

COLABORADORES (nesta edição) COLLABORATORS (in this issue) Ljiljana Popovic-Andjic


Ibéricamente orgulhosos! Viajar… Uma palavra que evoca mundos e gentes, credos e culturas, descobertas e aventuras, partidas e chegadas. Evasões! Porque não dizê-lo que foi este, juntamente com a paixão pelo jornalismo, também o das viagens e do turismo, o propósito porque a Wonder GO nasceu? E assim, com este propósito, em Março de 2016 aparecia o primeiro número de uma revista que foi ganhando o seu espaço. Apenas online e na língua com que se escreveu “Os Lusíadas”. Desde então, convidámos os nossos leitores e seguidores a embarcar connosco, tentando oferecer um leque de propostas e experiências que fomos vivendo e transformando em palavras escritas e olhares fotográficos. Uma partilha de um mundo que nos desafia a descobri-lo e a redescobri-lo. Também a que o amemos. Dos mais amplos espaços aos cantinhos mais secretos. Lugares que nos enchem de prazeres. Também, e por vezes, de inquietação.  O tempo foi passando e um dia, já com mais de 45.000 leitores e seguidores em 48 países, juntámos a língua de Shakespeare à língua de Luís de Camões. Uma mudança que significou passarmos a ter mais de 118.000 seguidores em 75 países. Era a reafirmação da Wonder GO como revista editorial, graficamente de qualidade e de gosto global. Um reconhecimento que se tornou mais evidente quando um dia, desde Espanha, chegou um desafio em forma de convite para lançar em terras de Don Quixote a Wonder GO España. E o desafio foi aceite. Era irrecusável. A uma edição online, pensada e feita para os leitores e amantes das viagens espanhol, juntava-se o concretizar de um sonho: ter a Wonder GO num estado palpável. Ou seja, em papel. E assim, desde Outubro, tornámo-nos ibéricos. Também mais globais.  Por tudo isto, este editorial é escrito sobretudo para dar as “bienvenidas” a “nuestros hermanos” ao mundo Wonder GO. Também a todos os que espalhados pelos mais diferentes pontos cardeais têm na língua de Cervantes a sua principal característica, o seu ADN principal, o seu cordão umbilical. E assim seguimos. Agora e orgulhosamente mais ibéricos!

Proud to be iberian! Travelling… A word that reminds us of different worlds and people, creeds and cultures, discoveries and adventures, departures and arrivals. Evasion! Why shouldn’t we admit that this was the purpose of making the Wonder GO together with our passion for journalism, travel and tourism,? And so with this purpose in mind the first issue of a magazine that was making s its way was launched in March 2016. Only online and in the language of "Os Lusíadas”. Since then we have invited our readers and followers to come along with us so we would offer them a range of proposals and experiences we have been living turning them into written words and photographic glances. To share a world that challenges us to discover and rediscover it. Also that we love it. From the widest spaces to the most secret corners. Places that fill us with pleasure and sometimes with concern as well. Time went by and one day, with over 45,000 readers and followers in 48 countries, we added the language of Shakespeare to the language of Luís de Camões. A change that meant we had over 118,000 followers in 75 countries. It was the reaffirmation of Wonder GO as an editorial magazine of graphic quality and global taste. A recognition that became more evident when one day, from Spain, came a challenge in the form of invitation to launch Wonder GO España in the land of Don Quixote. And the challenge was accepted. It was undeniable. And together with an online edition, designed and made for Spanish readers and travel lovers, there was also the realization of a dream come true: to have Wonder GO in touchable state. That is, on paper. And so, since October, we have become Iberian. Also more global. For all these reasons, this editorial is written mainly to give “nuestros hermanos the “bienvenidas”” to the Wonder GO world. Also to all who are scattered throughout the most different cardinal points and have in Cervantes language their main feature, their main DNA,their umbilical cord. And so we move forward. Now and proudly more Iberian!

Fernando Borges Director


GO


Sabi Sabi Earth Lodge

Revelações na profunda África São símbolos de uma África que todos sonhámos um dia encontrar, imagens que já tentaram aquele viajante que um dia se sentiu atraído pelas grandes experiências e emoções. São os sons da noite, o cheiro das acácias, as paisagens infinitas que representam o último reduto selvagem dos grandes mamíferos. E no meio do coração da savana do Parque Nacional Kruger, na África do Sul, envolto na natureza mais profunda, como que fazendo parte desse habitat natural, esconde-se um exclusivo lodge marcado por estilos e ambientes que reflectem esta profunda e genuína África, o Sabi Sabi Earth Lodge. Tão exclusivo como o National Geographic Unique Lodges of the World, do qual é membro. Texto Fernando Borges | Fotos Sabi Sabi

Revelations in deep Africa Those are symbols of an Africa we all once dreamed of images that have already tempted that traveler who was once drawn to great experiences and emotions. Tthe sounds of the night, the smell of acacia trees, the endless landscapes that represent the last wild stronghold of the big mammals. And in the heart of the savannah of South Africa's Kruger National Park, shrouded in deepest nature, as part of this natural habitat, hides an unique lodge marked by styles and environments that reflect this deep and genuine Africa, the Sabi Sabi Earth Lodge. As unique as the National Geographic Unique Lodges of the World, of which it is a member. Text Fernando Borges | Photos Sabi Sabi


Como que plantado numa encosta de terra no meio da savana, a fim de causar o menor impacto possível ao meio ambiente e à paisagem envolvente, fundindo-se naturalmente com o cenário que o rodeia, o Sabi Sabi Earth Lodge faz com que todos os ritmos e símbolos de uma África pura e genuína, essa que representa a vida selvagem na sua mais verdadeira essência, ganhe um sentir especial convertendo cada minuto numa recordação inapagável. Aqui, a cada momento experimentamos mudanças de paisagens e ritmos de vida, desde a luz clara do amanhecer à névoa pastel que anuncia o entardecer, do pôr-do-sol cor de fogo ao surgimento repentino da noite iluminada de milhões de estrelas.

As if planted on a hillside in the middle of the savannah, to have the least possible impact on the environment and surrounding landscape naturally merging with the surrounding landscape, Sabi Sabi Earth Lodge makes that every rhythm and symbols of a pure and genuine Africa, the one that represents wildlife in its truest essence, gain a special feel by turning every minute into a cherished memory. Here, at every moment, we experience changing landscapes and rhythms of life, from the bright light of dawn to the pastel mist that announces the twilight , from the fiery sunset to the sudden rise of the illuminated night by millions of stars.


Neste cenário inebriante, sem barreiras, a não ser as que são criadas pela natureza, numa abençoada e assombrosa variedade de habitat e de vida selvagem, o tempo parece parar para nos enfeitiçar com toda a magia que nos é oferecido a cada olhar. E por nós vão passando leões, leopardos, elefantes, búfalos e rinocerontes. Os tais big five de tantos sonhos. Parte de um mundo emocionante e fascinante que se descobre durante um safari num moderno Landcruiser ou durante um passeio ambientalista guiado por um ranger e o seu rastreador que segue as pistas deixadas pela exuberante fauna por caminhos desenhados pelo seu passar através de séculos. E de repente lá estão eles: leões, búfalos, zebras, girafas, leopardos, uma matilha de cães selvagens ou de hienas, elefantes, gnus, hipopótamos, impalas, chitas… Toda a magia de África! E como testemunhas centenas de espécies de aves. É este o mundo que envolve os quatro lodges de luxo que compõem o Sabi Sabi, emergido como exemplo de responsabilidade ecológica no meio de um ambiente frágil. In this intoxicating setting free of barriers , except those created by nature in a blessed and astonishing array of habitat and wildlife, time seems to stop to bewitch us with all the magic that is offered to us at any glance. And lions, leopards, elephants, buffalo and rhinos go by us . The big five of so many dreams. Part of an exciting and fascinating world that is discovered during a safari in a modern Landcruiser or during a ranger-guided environmental tour and its tracker that follows the trails left by lush wildlife along paths drawn by its passing through centuries. And all of a sudden there they come: lions, buffalo, zebras, giraffes, leopards, a pack of wild dogs or hyenas, elephants, african antilopes, hippos, impalas, cheetahs… All the magic of Africa! And all that witnessed by hundreds of bird species. This is the world surrounding the four luxury lodges that make up Sabi Sabi, emerging as an example of ecological responsibility in the midst of a fragile environment.


Mas há um destes lodges que se destaca, o Earth Lodge. Esculpido na encosta de uma colina, o lodge funde-se tão naturalmente na savana circundante que o torna praticamente invisível, fruto de um design arquitectónico que procura recriar as cores da grande riqueza mineral da África do Sul e outros elementos valiosos que caracterizam essa mesma África, reflectindo-se subtilmente nos sofisticados móveis e objectos de arte que imprimem um toque de glamour aos materiais irregulares e naturais das suas paredes. Um santuário que simboliza uma nova era em lodges de luxo na África do Sul, mas também considerado como o lodge mais sustentável de África, surpreendendo por uma série de revelações sensoriais, desde um corredor subterrâneo que nos introduz numa experiência única e inesquecível, reflectida numa harmonia que nos invade de imediato de uma sensação de calma e espírito restaurador. But there is one of these outstanding lodges, the Earth Lodge. Carved into a hillside, the lodge blends so naturally into the surrounding savannah that it is virtually invisible, the result of an architectural design that seeks to recreate the colors of South Africa's rich mineral wealth and other valuable elements that characterize Africa. , subtly reflected in the sophisticated furniture and art objects that add a touch of glamor to the uneven and natural materials of its walls. A sanctuary symbolizing a new era in luxury lodges in South Africa, but also regarded as Africa's most sustainable lodge, surprising by a series of sensorial revelations, from an underground corridor that introduces us to an unique and unforgettable experience, reflected in a harmony s with a sense of calm and restorative spirit that immediately invades us.


Ao longo de um caminho quase oculto, o Earth Lodge aparece como que por magia diante dos nossos olhos para dar a descobrir cada elemento da decoração, incluindo os lustres que parecem sobrevoar a sala de estar e de jantar, de frente para um espelho de água, a biblioteca e o bar, numa obra de arte original. E depois aparece um jardim de meditação que nos encaminha para o spa, para o ginásio e para uma impressionante adega subterrânea com a sua invejável colecção de vinhos composta por mais de 6.000 garrafas, também ela um local perfeito para um jantar que ficará marcado na nossa memória. Aqui, nas profundezas da savana do Kruger Park, o Earth Lodge criou 13 inovadoras suites, incluindo a Presidencial Amber, onde a beleza da madeira das mobílias e da decoração se une com as suas paredes esculpidas com raízes de árvores empilhadas umas sobre as outras para capturar o drama da noite africana e evocar o poder da selva, representando um rompimento no estilo habitual dos lodges de safari. Uma espécie de paraíso incomum, um lugar onde podemos relaxar com os pés imersos na piscina do nosso terraço privativo enquanto olhamos para a vida que acontece nessa mesma savana e para um grande lago em frente, e saboreamos um refrescante cocktail ou uma taça de vinho sul-africano.

Along an almost hidden path, Earth Lodge magically appears before our eyes to uncover every element of the decor, including chandeliers that seem to fly over the living and dining room, facing a mirror of water. , the library and the bar, in an original work of art. Then comes a meditation garden that leads us to the spa, to the gym and to an impressive underground wine cellar with its enviable wine collection of over 6,000 bottles, also a perfect dinner spot to be engraved in our memory. Here, deep in the savannah of Kruger Park, Earth Lodge has created 13 groundbreaking suites, including the Amber Presidential, where the beauty of wood furnishing and décor meets its carved walls with tree roots piled on top of each other to catch the drama of the African night and evoke the power of the jungle, representing a break in the usual style of safari lodges. A kind of unusual paradise, a place where we can relax with our feet immersed in the pool of our private terrace while looking at the life that happens in that same savannah and a large lake in front, and sipping a refreshing cocktail or a glass of southern African wine.


De repente, quando o sol já enche o horizonte com tons de fogo, dourados e lilases, uma manada de elefantes aproxima-se para se refrescar nas águas desse lago. E ao seu lado, um grupo de impalas e um casal de girafas. Trazido pelo ar quente chega-nos o rugido dos leões. É magia, pura magia. Até que chega a hora de ir ao encontro dos sabores requintados oferecidos por uma cozinha gourmet preparada por chefs de renome num ambiente requintado sob estrelas, no restaurante interior ou exterior, na adega, à beira da piscina ou na intimidade do terraço da nossa suite. E assim se sente e se respira essa fantástica experiência que é fazer um safari Sabi Sabi onde a harmonia com a natureza é completada com a estética única e original do Earth Lodge, um refúgio de luxo e de paz que excede os mais altos padrões de design arquitectónico e decoração inovadora, onde o respeito pela vida selvagem se sobrepõe a todos os interesses do homem.

Suddenly, as the sun already fills the horizon with fiery tones of gold and lilacs, a herd of elephants approaches to cool off in the waters of this lake. And next to them, a group of impalas and a couple of giraffes. Brought in by the warm air comes the roar of lions. It is magic, pure magic. Until it's time to meet the exquisite flavors offered by gourmet cuisine prepared by renowned chefs in a refined setting under stars, in the indoor or outdoor restaurant, in the wine cellar, by the pool or in the privacy of our suite's terrace. And so we feel and breathe this fantastic Sabi Sabi safari experience where harmony with nature is completed with Earth Lodge's unique and original aesthetic, a haven of luxury and peace that exceeds the highest standards of architectural design and innovative decoration, where respect for wildlife overcomes all man interests.


MUNDO (I)


Macau 澳门

Património, cultura, luxo e entretenimento para todos os gostos Apesar da idade dos séculos, Macau não perdeu o encanto nascido da confluência entre a cultura oriental e europeia, continuando a mostrar-se e a cativar num jogo harmonioso de sedução, ao mesmo tempo que se tornou num sinónimo de luxo, requinte e modernidade, diversificando ainda mais a sua oferta turística de eleição que passa obrigatoriamente por um vasto cartaz onde cultura e tradição se unem. Texto Fernando Borges Fotos Turismo de Macau & BD Beautiful Destinations

Macao 澳门

Heritage, culture, luxury and entertainment for all tastes Despite the age of centuries, Macao has not lost its charm born of the confluence of Eastern and European culture, continuing to show itself and captivate in a harmonious game of seduction, while becoming a synonym for luxury, refinement and modernity, further diversifying its amazing tourist offer that necessarily passes through an extensive display where culture and tradition come together. Text Fernando Borges Photos Macao Tourism & BD Beautiful Destinations


Sem perder o seu encanto patrimonial, espelhado sobretudo pelo seu centro histórico inscrito na lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO desde 2005, mas também pelos testemunhos deixados por séculos de encontro entre culturas, a gastronomia macaense tem um destaque e reconhecimento próprio, originando a que tenha passado em 2017 a incorporar a Rede de Cidades Criativas da UNESCO nesta categoria. Without losing its heritage charm, mirrored above all by its historic center inscribed on the UNESCO World Heritage list since 2005, but also by the testimonies left by centuries of encounter among cultures, Macanese cuisine has its own highlight and recognition, leading to its incorporation in 2017 into the UNESCO Creative Cities Network in this category.


Logo, não é de espantar que o número de restaurantes com estrelas Michelin se tenham multiplicado nos últimos anos, reunindo neste momento 19 dessas ambicionadas estrelas, ao mesmo tempo que vão aumentando os espaços de fine dining e street food, cada vez mais reconhecidos internacionalmente, sem perder a essência dos sabores e odores seculares nascidos desse cruzamento entre o Oriente e Ocidente e que originou uma cozinha única e sobre a qual muitos afirmam ser a primeira cozinha de fusão conhecida. Mas Macau tem-se afirmado também como um destino de eleição quando se fala em turismo de lazer e de entretenimento aliado ao luxo. Uma nova faceta assente sobretudo nas modernas estruturas hoteleiras, numa oferta abrangente e diversificada. It is therefore not surprising that the number of Michelin-starred restaurants has multiplied in recent years, bringing together 19 of those coveted stars, while increasing the fine dining and street food spaces, without losing the essence of the secular flavors and smells born with this cross between East and West, which has given rise to a unique cuisine that many claim to be the first known fusion cuisine.   But Macao has also established itself as a destination of choice when it comes to leisure and entertainment tourism combined with luxury. A new facet is based above all on modern hotel structures, in a wide and diverse offer.


Por isso não é de estranhar que quem chega a Macau encontre uma herança cultural única e universal, visível na combinação perfeita entre as ricas tradições chinesa e portuguesa, caminhando ao lado de uma oferta moderna reflectida num novo estilo de vida criado pelos luxuosos hotéis e resorts. Eles próprios verdadeiras atracções turísticas, concentrando um interminável número de lojas das maiores e exclusivas marcas da griffe mundial e alguns dos mais exóticos e luxuosos spas do planeta, indicadores da cada vez maior importância que Macau tem não só no mundo dos eventos, dos incentivos, das conferências e dos negócios, mas igualmente de lazer e de entretenimento. Uma tendência que faz aumentar a reputação de Macau como destino turístico obrigatório na agenda de todos os viajantes, a que se junta o vasto calendário de eventos e festividades de renome mundial ou vincadamente tradicionais e regionais. It is therefore not surprising that those arriving in Macao will find a unique and universal cultural heritage, visible in the perfect combination among the rich Chinese and Portuguese traditions, alongside a modern offer reflected in a new lifestyle created by luxury hotels and resorts. They are itselves true touristic attractions, concentrating an endless number of stores from the world's largest and most exclusive brands and some of the most exotic and luxurious spas on the planet, indicators of the increasing importance that Macao has not only in the events, incentives, conference and business, but also leisure and entertainment. A trend that enhances Macao's reputation as a must-see tourist destination on the agenda of every traveler, coupled with the vast calendar of world-renowned or highly traditional and regional events and festivities.


Festivais como o da Gastronomia, que acontece agora em Novembro, o Grande Prémio de Macau, também em Novembro, o Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios Macau (International Film Festival & Awards Macao - IFFAM), a Maratona Internacional de Macau e o Desfile Internacional de Macau, proporcionando aos grupos artísticos locais uma plataforma para a apresentação de espectáculos por forma a desenvolverem intercâmbios culturais com grupos performativos internacionais, em Dezembro. Festivals such as Gastronomy, which will be held in November, the Macao Grand Prix, also in November, the International Film Festival & Awards Macao (IFFAM), the Macao International Marathon and the Macao International Parade, providing local performing groups with a platform for show presentations in order to develop cultural exchanges with international performing groups in December.


Também as festividades do Ano Novo Lunar e a Festa da Primavera, uma tradição cultural com mais de dois mil anos e a mais importante e colorida festividade em Macau, que no próximo ano acontece em finais de Janeiro, as festividades da Deusa A-Má, em Maio, o Festival da Flor de Lótus e o Festival Tun Ng (Festival dos Barcos-Dragão) em Junho, o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício, que acontece em Setembro e Outubro, ou o Festival Internacional de Música de Macau, em Outubro. Apenas uma parte do vasto cartaz turístico que Macau oferece e que faz, juntamente com o luxo, a gastronomia, cultura e património, que esta região seja um destino turístico incontornável. Also the Lunar New Year festivities and the Spring Festival, a cultural tradition with over two thousand years old and the most important and colorful festivity in Macao, which next year will be held at the end of January, the festivities of Goddess A-Ma in May, the Lotus Flower Festival and the Tun Ng Festival (Dragon Boat Festival) in June, the International Firework Contest in September and October, or the Macao International Music Festival, in October. Just a part of the vast touristic poster that Macau offers, and which, together with luxury, cuisine, culture and heritage, make this region a must-see touristic destination.


MUNDO (II)


Olinda

Feitiço e encanto ao ritmo do frevo Ruas que sobem e descem numa calmaria que parece baloiçar entre conversas à porta de uma colorida casa, risos de crianças que saem da escola, criações em madeira dos artesãos, um jogo de dominó entre vizinhos e os passos dos turistas que pisam ruas calçadas de paralelepípedos que quase sempre vão dar a um campanário, a um convento ou a uma igreja depois de passar por uma mansão colonial. Aqui e ali, de um pequeno bar ou de um quintal, o som do frevo invade as ruas engalanadas de coloridas sombrinhas. Vivem-se lembranças, contam-se histórias da História e mergulha-se em sonhos de uma cidade provinciana. E procura-se uma sombra. De preferência com os olhos postos no mar verde e azul-turquesa que espreita entre o palmeiral. Assim é Olinda! Texto & Fotos Fernando Borges

Spell and charm to the rhythm of frevo Streets that go up and go down in a calm environment of neighbours talking at the door of a colorful house, laughter from schoolchildren, wooden creations by artisans, a game of dominoes among neighbors, and the footsteps of tourists walking on cobblestone streets that most always lead to a belfry, a convent or a church after passing a colonial mansion. Here and there, from a small bar or a backyard, the sound of frevo invades the cobbled streets of colorful parasols. Memories are lived, stories from History are told, and you are immersed in dreams of a provincial town. And a shadow is sought. Preferably with eyes set on the green and turquoise sea that lurks among the palm grove. This is Olinda! Text & Photos Fernando Borges


Existe uma espécie de preguiça em cada colina, em cada ladeira marcada pelo colorido das casas de existência centenária que a desenham. Existe um bafo quente pedindo para caminhar calmamente. Sem pressas. E existe uma permanente luz dorida pelo sol que acompanha despojos de honrarias, testemunhos da História, persistências culturais e tradições inquietas. Também puros estados idílicos de paz e sossego nesta Olinda que é cidade Património Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO. Mas nem sempre se respirou paz e uma adocicada e preguiçosa tranquilidade nesta vila que um dia se tornou cidade e capital de Pernambuco, que foi cenário de lutas entre holandeses e portugueses e que já em 1535, ano em que se diz ter sido fundada, estava destinada a administrar a rica colónia portuguesa de Pernambuco. Uma espécie de prelúdio que acompanha os nossos passos calmos, como convém, e que podem começar na Praça do Carmo onde uma igreja com o mesmo nome erguida pela ordem dos Carmelitas nos acolhe entre duas colinas pintadas de telhados vermelhos, fachadas de mil cores, campanários... É a Cidade Alta, rodeada de uma densa floresta baptizada com o pomposo nome de Horto D’el Rey e que já foi o segundo maior jardim botânico do Brasil, uma verdadeira dádiva ao olhar, um coral de cor que se encontra com o vermelho da casa em frente tingida com rebocos brancos e frevos, essas coloridas sombrinhas de várias cores abertas e penduradas nas varandas. A mesma imagem que se exibe numa outra casa ao lado, esta pintada de verde-esmeralda.

There is a kind of laziness on each hill, on each slope marked by the color of the centuries-old houses that draw it. There is a hot breath asking to walk calmly. Without hurry. And there is a permanent sun-sore light that accompanies spoils of honor, testimonies of history, cultural persistence, and restless traditions. Also pure idyllic states of peace and quiet in Olinda that is a UNESCO World Heritage Site. But there was not always peace and a sweet and lazy tranquility in this village that once became the city and capital of Pernambuco, which was the scene of struggles between Dutch and Portuguese and that in 1535, when it is said to have been founded, was meant to manage the rich Portuguese colony of Pernambuco. A kind of prelude that accompanies our calm steps, as it should, and which may begin in Carmo Square where a church of the same name erected by the Carmelite Order welcomes us between two hills painted with red roofs, facades of a thousand colors, belfries. It is the Cidade Alta, surrounded by a dense forest named after the pompous name of Horto D'el Rey and that was once the second largest botanical garden in Brazil, a true gift to look at, a coral of color that joins the red of the house in front painted with white and fringed plaster, those colorful parasols of various colors opened and hanging from the balconies. The same image that is displayed by the house next door that is painted in emerald green.


Desta praça, e sempre na companhia dessas sombrinhas, o principal acessório usado no frevo, essa dança tradicional que se tornou património de Olinda, de Pernambuco e do Brasil, passeamo-nos e escalamos ruas abertas entre fachadas coloridas, as mesmas ruas de paralelepípedos que foram subidas e descidas por tropas holandesas e portuguesas a sangue e fogo pelos anos de 1600, levando a uma quase total destruição, até que os portugueses recuperaram a colónia, em 1654, e começaram o lento processo de reconstrução. A excepção a essa destruição foram os templos, mosteiros e conventos, danificados mas recuperados com entusiasmo e fé por ordens religiosas, como a Igreja de São Salvador do Mundo, mais conhecida como Igreja da Sé, localizada num miradouro de onde é possível contemplar toda a cidade e senhora de uma decoração luxuosa e heterogénea de outros templos coloniais da América Latina, destacando-se a sobriedade do interior e uma certa austeridade calvinista. Não muito longe, o encontro acontece com a antiga Casa da Água, construída em 1934, parecendo desafiar as construções circundantes com a retidão meridiana das suas linhas modernas, abrindo as suas portas a exposições, eventos culturais e a um elevador e terraços panorâmicos a partir dos quais se pode ter uma vista deslumbrante de Olinda e da vizinha Recife. Apenas dois exemplos do que espera o visitante no Alto da Sé, uma área por onde se estendem várias barracas e casas de artesanato, vendedores de sumos de fruta, água de coco e de cana, e onde por vezes uma dupla de trovadores enche o ar de melodiosos cantares, rivalizando em cor, peças de madeira, de couro, tecidos, camas de rede, multicolores sombrinhas e garrafas de cachaça com o Mercado Eufrásio Barbosa e com o Mercado da Ribeira.

From this square, and always in the company of these parasols, the main accessory used in frevo, the traditional dance that has become patrimony of Olinda, Pernambuco and Brazil, we walk by and go up wide streets between colorful facades, the same cobblestone streets that Dutch and Portuguese troops ran in blood and fire in the 1600s, leading the village nearly to total destruction, until the Portuguese recovered the colony in 1654 and began the slow process of reconstruction. The exception to this destruction was the temples, monasteries and convents, damaged but recovered with enthusiasm and faith by religious orders like the Church of St. Savior of the World, better known as the Sé Church, located in a viewpoint from where it is possible to contemplate the whole city with a luxurious and heterogeneous decoration of other colonial temples of Latin America, emphasizing the sobriety of the interior and a certain Calvinist austerity. Not far away we find the former Casa da Água, built in 1934, that seems to challenge the surrounding buildings with the meridian straightness of its modern lines, opening its doors to exhibitions, cultural events and an elevator and panoramic terraces from which we have a stunning view of Olinda and neighboring Recife. Just two examples of what the visitor may expect at Alto da Sé, an area where we can see several stalls and handicrafts houses, sellers of fruit juices, coconut water and sugar cane, and where sometimes a couple of troubadours fill the air with melodious songs rivaling in color, wood and leather pieces, fabrics, hammocks, multicolored parasols and bottles of cachaça with Mercado Eufrásio Barbosa and Mercado da Ribeira.


Também bonecos e bonecas gigantes, parte obrigatória de um qualquer show ou desfile de Carnaval, essa festividade que em Olinda atinge a sua máxima expressão no cruzamento de Quatro Cantos, esse lugar onde desaguam ruas e estreitas ladeiras entupidas por centenas de milhares de residentes e turistas que ali, pelo Carnaval, tentam chegar para se deixarem enfeitiçar pelos passistas dos blocos de frevo. E é essa a única época do ano em que Olinda abdica do seu respirar tranquilo. Fora desse período de completa folia, é apenas tempo de assistir a um ensaio de um bloco num quintal ou sob uma frondosa árvore de uma praça, de escutar o evoluir das notas de maracatu, caboclinho - uma das danças mais tradicionais do Carnaval pernambucano de forte cunho religioso, samba, frevo e coco - uma dança de roda acompanhada de cantoria e instrumentos como o ganzá, surdo, pandeiro, triângulo e tamancos, de influências africana e indígena. Uma alucinante mistura de ritmos que ecoa do interior de uma dessas coloridas casas ou de um relaxante café de esquina de Quatro Cantos. E depois é seguir por mais uma ladeira abaixo e outra acima. E lá está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, construída pelos franciscanos em 1585, que apesar dos votos de pobreza dessa ordem passou a ser considerada uma das mais ricas do Brasil, a capela de São Roque e a de Santa Ana, forrada com 16 painéis de azulejos portugueses que retratam a vida e a morte de São Francisco, a igreja mais simples de Olinda. Também a Igreja de São Sebastião e o Mosteiro de São Bento, o belo edifício da Prefeitura de Olinda, a sede dos Pitombeiros dos Quatro Cantos, um dos blocos mais famosos do carnaval de Olinda, a Igreja de São Pedro, um dos poucos exemplares de arquitectura mourisca no Brasil e que serviu de hospedagem ao Imperador D. Pedro II e à Imperatriz Tereza Cristina, e a Igreja de São Salvador.

Also giant dolls are a mandatory part of any Carnival show or parade in Olinda. This festivity reaches its maximum at the Quatro Cantos crossroad , a place where streets and narrow slopes crowded by hundreds of thousands of residents and tourists converge to watch the dance of the frevo groups. And this is the only time of the year that Olinda waives its peaceful breathing. Outside this period of complete entertainment, it is just time to watch a rehearsal of a group in a backyard or under a leafy tree in a square, to listen to the evolving notes of maracatu, caboclinho - one of the most traditional dances of the Pernambuco Carnival with a strong religious imprint, samba, frevo and coco - a round dance followed by singing and instruments like ganzá, Surdo drums, tambourine, a musical instrument called triangle and clogs, of African and indigenous influences. A mind-blowing mix of rhythms that echoes from the inside of one of these colorful houses or from a relaxing Quatro Cantos (Four Corners) cafe. And then you just have to walk one slope down and another above. And there is the Church of Nossa Senhora das Neves, built by the Franciscans in 1585, that despite the vows of poverty of that order came to be considered one of the richest of Brazil, the São Roque chapel and Santa Ana chapel, lined with 16 Portuguese tile panels depicting the life and death of San Francisco and that is the plainest church of Olinda. Also the São Sebastião Church and the São Bento Monastery, the beautiful building of Olinda's City Hall, the headquarters of the Pitombeiros dos Quatro Cantos, one of the most famous groups of Olinda's carnival, the São Pedro Church, one of the few examples of Moorish architecture in Brazil, which hosted the Emperor D. Pedro II and Empress Tereza Cristina and also the Church of San Salvador.


E volta-se a parar. Desta vez na Bodega do Véio, uma das mais antigas de Pernambuco. Refresca-se, talvez com uma caipirinha ou com um sumo de abacaxi e hortelã. E segue-se. Agora pela Rua do Amparo, em direcção da igreja que tem o mesmo nome, visita-se os bonecos do Museu do Mamulengo e chegamos à Igreja de Santa Cruz dos Milagres, bem ao lado da Praia dos Milagres. Aqui, ainda com um sol dorido, regressam os sons e os ritmos que iluminam os dias de Carnaval, acompanha-se Alceu Valença no seu “Cavalo de Pau” e observa-se um grupo de dança marcado por jovens vestidas com meias vermelhas até os joelhos, mini-saias pretas e tops com enfeites amarelos ou pretos. Avivam-se ritmos, iluminam-se as cores das sombrinhas que não param de girar, as janelas abrem-se mais um pouco e a música dobra cada esquina contagiando quem passa. É a festa do frevo, esse ritmo alegre, por vezes frenético, a música desta terra que sequestra inspirações e todas as praças, ruas, mentes e movimentos exultando a cantar e a dançar entre casas senhoriais e as 22 igrejas barrocas protegidas pela UNESCO. E pelo seu povo. E sempre com o horizonte verde dos palmeirais e o azul do céu preso ao mar abraçando a sua História. Assim é Olinda! And we stop again. This time at Bodega do Véio, one of the oldest in Pernambuco. We freshen up, perhaps with a caipirinha or a pineapple and mint juice. And then we go. Now on Rua do Amparo, in the direction of the church of the same name, we visit the Mamulengo Museum dolls and we arrive at the Church of Santa Cruz dos Milagres, right next to Praia dos Milagres. Here, still with a sore sun, the sounds and rhythms that illuminate the days of Carnival return; Alceu Valença is singing “Cavalo de Pau” and there is a dance group marked by young women with red socks going up to their knees, black mini-skirts and tops with yellow or black trims. Rhythms brighten, the colors of the parasols that keep spinning light up, the windows open a little more, and the music is around every corner, catching those who pass by. It is the celebration of the frevo, this joyous, sometimes frenetic rhythm, the music of this land that hijacks inspirations and all the squares, streets, minds and movements exulting singing and dancing among manor houses and the 22 baroque churches protected by UNESCO. And by the people. And always with the green horizon of palm groves and the blue sky tied to the sea embracing its history. That is Olinda! A Wonder GO viajou a convite de | Wonder GO traveled at the invitation of:

https://caboverdeairlines.com

www.schultz.com.pt


Aldeias Avieiras Um Tejo com sentires de mar

Na margem do Tejo, entre Salvaterra de Magos, Valada do Ribatejo e o Cartaxo, num lugar onde o silêncio e a tranquilidade têm o seu reino entre mouchões, onde pastam em liberdade garbosos cavalos lusitanos, erguem-se frágeis casas de madeira sobre estacas. Chamam-lhes Aldeias Avieiras. Casas que há muitas décadas foram erguidas por gentes chegadas dos lados da Praia da Vieira, perto da Marinha Grande, junto ao Atlântico, que partiam à procura de um novo sustento, trocando a faina do mar pela pesca de rio. Texto & Fotos Fernando Borges

WONDER PORTUGAL

A Tagus with a sense of sea On the banks of the Tagus, between Salvaterra de Magos, Valada do Ribatejo and Cartaxo we can find among small islands fragile wooden houses that stand on stilts in a place where silence and tranquility have their reign and where proud Lusitanian horses graze. They call them Avieiras Villages. Houses that had been erected for decades by people coming from the whereabouts of Praia da Vieira, near Marinha Grande, near the Atlantic, who set off in search of a new livelihood, changing sea work for river fishing. Text & Photos Fernando Borges


Tudo nos transporta para um mundo de paz e de comunhão com a mãe natureza. Aqui e ali, percorrendo essas mesmas águas ou ancorados em pequenos e frágeis pontões feitos de madeira, pequenas embarcações coloridas, também elas frágeis e de madeira, dizem-nos que esta também é terra de pescadores. E contam-nos histórias de vida. São histórias que nos levam até ao final do século XIX quando aqui chegaram os primeiros pescadores oriundos da zona litoral centro, principalmente da Praia da Vieira, na Marinha Grande, e que vieram para o Tejo para conseguirem o seu sustento, escasso na época de Inverno nas suas terras de origem. Trocavam a pesca de mar pela pesca de rio e criavam as suas comunidades piscatórias. Traziam os seus barcos e todos os seus pertences em carroças por terra. E neles, famílias inteiras, faziam toda a sua vida. Eram os “avieiros”. Aqui, neste lugar, o rio é silencioso. Relaxante. Apenas se escuta o vento acariciando as folhas de salgueiros, freixos e choupos que refrescam as margens do Tejo dando cor verde aos mouchões, essas pequenas ilhas que parecem flutuar ao sabor das marés, refúgio de lontras, garças e de corvos marinhos que ali chegam em Fevereiro, de águias pesqueiras e íbis do Egipto. Também de cavalos que se passeiam em liberdade pela Ilha dos Cavalos atravessando as águas do rio para um outro mouchão quando a maré baixa, águas onde nadam enguias, sáveis, carpas, fataças, achigãs e lampreias.

Everything takes us back to a world of peace and communion with mother nature. Here and there, navigating these same waters or anchored in small and fragile wooden pontoons small colored boats, also fragile and wooden, tell us that this is also a land of fishermen. And they tell us life stories. These are stories that take us to the end of the nineteenth century when the first fishermen from the central coastal zone arrived here, mainly from Praia da Vieira, in Marinha Grande, and came to the Tagus to get their livelihood, scarce in the winter season. in their lands of origin. They traded sea fishing for river fishing and created their fishing communities. They brought their boats and all their belongings in carts by land. And entire families made their whole lives in those boats. They were the "avieiros". Here, in this place, the river is silent. Relaxing. You can only hear the wind caressing the leaves of willows, ash and poplars that cool the banks of the Tagus giving green color to mouchões, these small islands that seem to float to the tides, refuge of otters, herons and cormorants that arrive there in February and also of eagles and Egyptian ibis. Also from horses that roam freely on the Island of Horses crossing the river waters to another mouchão when the tide is low, waters where eels, shad, carp, fatigue, largemouth bass and lamprey swim.


Por aqui, essa gente ia chegando e ficando para viver ao sabor das marés. Até que chegou a autorização para construírem as suas casas em terra, à beira do Tejo. Assim nasceram as Aldeias dos Avieiros. Como a Palhota, uma dessas aldeias construídas sobre estacas para não serem invadidas pelas águas do rio quando este se enchia de mais água, casas pintadas de cores vivas, como as suas embarcações, feitas de madeira e cobertas de palha e cana. Uma pequena aldeia entre choupos escolhida pelo escritor neorrealista Alves Redol para escrever o seu romance “Avieiros” e onde também foi filmado em 1975 o documentário “Avieiros” pelo realizador Ricardo Costa, retratando a vida dos pescadores da Palhota. Desse tempo, do tempo desses “nómadas do rio”, como os apelidou o escritor, ainda subsistem algumas casas, muitas delas com as tradicionais paredes de madeira e telhados de palha e cana substituídas por placas de zinco. Mas ainda lá está, como se pensa ter sido originalmente, a casa que serviu de refúgio a Alves Redol, agora casa museu, e que pretende preservar a memória colectiva desses pescadores que um dia deixaram para trás Vieira de Leiria e aqui se fixaram. Aqui resiste o velho passadiço feito de madeira que liga a terra ao rio e onde se amarram velhas embarcações avieiras. E ainda há vida feita por gentes. Um ou outro residente permanente, alguns de fim-desemana, uma dúzia de descendentes desses “nómadas do rio” que um dia resolveram partir para o Luxemburgo, e alguns turistas. Também o café Zé Broa, instalado numa casa de avieiro e que dizem servir ementas tradicionais, como o sável e a lampreia. Here, these people were coming and staying to live to the tides. Until permission came to build their houses on land, by the Tagus. Thus were born the Villages of Avieiros. Like Palhota, one of those stilt-built villages so that they wouldn’t be flooded when the river overflowed with brightly painted houses like their boats made of wood and covered with straw and reed. A small village among poplars chosen by the neorealist writer Alves Redol to write his novel “Avieiros” and where the documentary “Avieiros” by director Ricardo Costa depicting the life of Palhota fishermen was also shot in 1975 From that time, from the time of these “river nomads”, as the writer called them, there are still some houses, many of them with traditional wooden walls and thatched roofs replaced by zinc plates. But there is still, as it was originally thought, the house that served as a refuge for Alves Redol, now a museum house, which intends to preserve the collective memory of those fishermen who once left Vieira de Leiria and settled here. Here resists the old wooden walkway that connects the land to the river and where old avian vessels are tied up. And there is still life made by people. One or two permanent residents, some on weekends, a dozen descendants of these “river nomads” who once decided to leave for Luxembourg, and some tourists. Also Zé Broa coffee, installed in an avian house and that still serves traditional menus like shad and lamprey.


Do passadiço olha-se o rio enquanto uma turista entrega o corpo aos raios de sol. Lá em baixo, pesca-se à cana. Mais além o verde dos mouchões. Tenta-se vislumbrar outras aldeias avieiras, como Caneiras e Patacão. Mas não. Os frondosos salgueiros não o permitem. Apenas se consegue ver na outra margem do rio a aldeia de Escaroupim. Também ela uma memória viva de um tempo que é necessário preservar e dignificar, um outro cantinho extraordinário que faz parte do património humano e cultural de todos nós. Também a “palhota” de Humberto Vasconcelos, ambientalista e jornalista do Diário de Notícias que trocou a “grande cidade” por este conjunto de 15 casas nas margens do Tejo, um dos fundadores da Associação Palhota VIVA e a quem se deve muito do resgatar do esquecimento destas comunidades e de memórias tão singulares. Memórias que também nos chegam através dos paladares, de uma riqueza gastronómica muito elogiada que “desenha” menus e sabores que marcam o calendário gastronómico. Assim, quando Janeiro chega, é a lampreia a ocupar os paladares, com o arroz de lampreia a estar no topo da lista das preferências. A partir de Abril, é o ensopado de enguias e as enguias fritas a ditar a procura, com os pratos compostos por bogas e sável a estarem também nas preferências. Mas há um petisco incontornável, sendo mesmo aquele que mais ligações tem com a história e vida dos avieiros, o Torricado de Bacalhau. Na sua viagem entre a Praia da Vieira e este que era o seu destino, pouco mais havia do que pão para comer. E bacalhau. O pão ficava rijo ao longo dos dias de caminhada mas havia que o comer. Para ultrapassar esta situação, os avieiros esfregavam-no com alho e azeite colocando-o sobre o lume até ficar estaladiço. Depois pegavam em lascas de bacalhau assado e colocavam-no sobre essa fatia de pão. E assim nasceu um dos pratos mais tradicionais da lezíria ribatejana que passou de “comida dos pobres” a um dos manjares mais procurados pelos turistas. E para acompanhar estas iguarias há o vinho licoroso, tinto e branco da Adega Cooperativa de Alcanhões. Mas é de Escaroupim que se parte em tranquilos catamarãs para um Cruzeiro de Interpretação deste lado do Tejo, para um olhar diferente sobre tudo o que nos rodeia. Navega-se com o silêncio. Tudo é diferente.


From the bridge you can see the river while a tourist gives her body to the sun rays Down there, someone is fishing with the fishing rod. Farther away the green of the mouchões. We try to glimpse other avian villages like Caneiras and Patacão. But we do not. Leafy willows will not allow it. Only the village of Escaroupim can be seen on the other side of the river. It is also a living memory of a time that must be preserved and dignified, another extraordinary corner that is part of our human and cultural heritage. Also the “hut” of Humberto Vasconcelos, environmentalist and journalist of the Diário de Notícias, who replaced the “big city” for this set of 15 houses on the banks of the Tagus, one of the founders of the Palhota VIVA Association and who was fundamental to restore the testimonies of these communities and their unique memories. Memories that also reach us through the taste of a much praised rich gastronomy with menus and flavors that define the gastronomic calendar. So when January arrives, it is the lamprey occupying the palates, with lamprey rice topping the list of preferences. After April, it is the eel stew and the fried eels that dictate the demand and dishes of bogas and shad are also part of preferences. But there is an unavoidable snack one that is more connected to the history and life of the avieiros, the Codfish Torricada. On their trip between Praia da Vieira and this destination there was little more than bread to eat. And codfish . The bread got crusty over the days but they had to eat it. To overcome this situation, the avians used to rub it with garlic and olive oil and place on the heat until it was crispy. Then they baked cod chips and place them on that slice of bread. And this way one of the most traditional dishes of Ribatejo that was considered as "food of the poor" turned out to be one of the most sought after by tourists. And to accompany these delicacies we have the fruity red and white wine from Adega Cooperativa de Alcanhões. But it is from Escaroupim that you set off on quiet catamarans for an Interpretation Cruise on this side of the Tagus, for a different look at everything around us. Navigate with silence. Everything is different.


Navega-se ao encontro da Ilha dos Cavalos, do Amores, das Garças e dos Salgueiros. Observam-se aves de dezenas de espécies que da margem não se vislumbram. E peixes que saltam como que numa irrequieta brincadeira. Segue-se por entre mais ilhas e canais, muitas vezes passando por túneis feitos de salgueiros ligando mais algumas pequenas ilhas. Verdadeiros paraísos para os amantes de “birdwatching” e de fotografia de natureza que nos convidam por vezes a olhar também as verdejantes margens onde se descobrem algumas quintas cobertas de tomate e milho, uma ou outra aldeia e vila, enquanto mais além se ergue Valada do Ribatejo que ao longe, vista do Tejo, parece um puzzle feito de casinhas brancas entre o verde da margem e o encanto das coisas simples. E ao fundo a Ponte D. Amélia, um projeto de Gustave Eiffel. Pequenos pedaços de terra cheios de vegetação luxuriante no meio do rio, mouchões perdidos no tempo e feitos de grande beleza onde pastam cavalos das melhores linhagens - Sorraia e Puro-Sangue Lusitano, que entre pastagens de trevo branco, trevo morango e azevém, aqui são deixados com meses de idade para viverem livres e sozinhos até à idade adulta, até que alguém os venha buscar para serem treinados nos picadeiros da Coudelaria Nacional ou de Alter Real. Mas é tempo de regressar a terra firme e aproveitar o resto do dia para uma viagem complementar pela Rota de Escaroupim e da Cultura Avieira, uma rota pela região que já mereceu o prémio de “Melhor Animação Turística” por parte do Turismo do Ribatejo. Mas antes de pisar terra, ainda há obrigatoriamente um último olhar para mais um mouchão onde acampa um grupo de hippies na sua liberdade e comunhão com a natureza. Também de ver mais alguns saltos acrobáticos das fataças e o voo branco de mais algumas garças numa definição muito peculiar de essência, ou de dizer: “regressem!”. Quem sabe para um cruzeiro ao pôr-do-sol ou ao luar… Sail to the island of Horses, Amores, Herons and Willows. Birds of dozens of species are not seen from ashore. And fish that bounce as if in a restless joke. It follows through more islands and canals, often through willow tunnels connecting a few more small islands. True paradises for lovers of birdwatching and nature photography that sometimes invite us to also look at the verdant shores where you can find some tomato and maize-covered small farms a village here and there while Valada do Ribatejo shows at short distance that seen from the Tagus, looks like a puzzle made of white houses between the green of the bank and the charm of simple things. And in the background the D. Amelia Bridge a project by Gustave Eiffel. Small pieces of land full of lush vegetation in the middle of the river, lost in time and made of great beauty where horses of the best lineages graze - Sorraia and Purebred Lusitano, which among pastures of white clover, strawberry clover and ryegrass, are left here for months to live free and alone until adulthood, until someone comes to collect them training at the National Stud or Alter Real. But it is time to return to the mainland and enjoy the rest of the day for a complementary trip along the Escaroupim Route and Avieira Culture, a route through the region that was already awarded the “Best Tourist Animation” from Turismo do Ribatejo. But before stepping on land, there is still a last look at another mouchão where a group of hippies camp in their freedom and communion with nature. Also to see a few more acrobatic leaps of mullets gue and the white flight of a few more herons in a very peculiar definition of essence, or to say, "Come back!" Maybe for a sunset or moonlight cruise…


PHOTO-GALLERY


Praga Prague by Ljiljana Popovic-Andjic


Uma das primeiras lendas sobre a origem do nome Praga vem da palavra eslava para "limiar". Realmente faz sentido, porque quando se entra na cidade, cruzando a “porta”, encontramos sempre um Alec Guinness pela cidade: podemos ficar lá - na ampla praça Vaclavske namesty, ou na eterna praça da cidade velha Staromestni namesty - e continuar a olhar para as milhares de faces desta cidade. Aqui, os marcos não são importantes, todos os lugares têm o seu; mas o mais interessante é descobrir por si mesmo outras faces e detalhes da famosa cidade. Não é por acaso que também é apelidada de “a cidade das cem torres”, com um horizonte irresistível, o mais bonito possível, onde podemos passar o tempo todo na Ponte Carlos a olhar para monumentos e estátuas ou visitando a principal praça medieval circundada com edifícios barrocos e igrejas góticas. One of the first legends about the origin of the name Prague comes from the Slavic word for "threshold". It really makes sense, because when you enter the city, crossing the 'door', you will always find an Alec Guinness around : we can stay there - on the wide Vaclavske namesty square, or on the eternal Old Town square Staromestni namesty - and keep looking at the thousands of faces of this city. Here landmarks are not important, all places have their own but the most interesting is to discover other faces and details of this famous city. It is no coincidence that it is also called “the city of a hundred towers”, with an irresistible beautiful horizon, where we can spend all the time we want on Charles Bridge looking at monuments and statues or visiting the main medieval square surrounded by baroque buildings and gothic churches.


O bando permanente de turistas de todas as esferas da vida oferece uma vasta variedade de rostos, gestos, atitudes para a fotografia de rua e retratos sinceros. Isso também pertence a Praga. Sendo uma das capitais europeias mais visitadas, nunca se pode dizer quem é local e quem não é. Como a própria cidade, o seu povo é difícil de ler; precisamos de um momento de distração, impaciência ou sorriso repentino para ter um vislumbre de quem é de Praga e quem não é. Como a alquimia, tudo sobre a relação entre Praga e o seu povo é um enigma. Esta é a cidade de beleza inimaginável que sempre atraiu objectivas. O meu principal desafio era encontrar jóias secretas, caprichosas e disfarçadas entre conhecidas construções e monumentos importantes. Ruas estreitas, pavimentadas de paralelepípedos, passagens e corredores mais ou menos secretos e húmidos que testemunham a decadência escondida no absinto, tão charmosa quanto as glamourosas salas de música de Obechni Dum. The permanent band of tourists from all walks of life offers a wide variety of faces, gestures, attitudes to street photography and sincere portraits. This also belongs to Prague. Being one of the most visited European capitals, you can never tell who is local and who is not. Like the city itself, its people are hard to read; We need a moment of distraction, impatience, or a sudden smile to get a glimpse of who is from Prague and who is not. Like alchemy, everything about the relationship between Prague and its people is a puzzle. This is the city of unimaginable beauty that has always attracted lenses. My main challenge was to find secret, whimsical and disguised jewelry among well-known buildings and important monuments. Narrow, cobblestone streets, more or less secretive, damp corridors and corridors that testify to the hidden decay of absinthe, as charming as Obechni Dum's glamorous music halls.


Em muitas das contradições de Praga, o que a torna ainda mais intrigante, é ser ao mesmo tempo colossal, majestosa e minúscula, subtil. Ninguém pode ignorar a sua presença imperial, a vaidade da sua construção. E, no entanto, parece que foi construída para pessoas pequenas e humildes que preferem sussurrar a falar alto. Na sua caminhada obrigatória sobre a Karlův most até ao monumental castelo com vista para a cidade do ponto mais alto da outra margem, há que cruzar o sombrio labirinto de Mala strana para descobrir como grandeza e modéstia andam de mãos dadas.Existe algum tipo de confusão social e de identidade em Praga. É predominantemente austro-húngaro, alemão, eslavo, judeu, católico ou protestante? Como juntar a “Revolução de Veludo” com os melhores e mais nobres conjuntos de porcelana e as taças de vinho Lenz Moser? Talvez a resposta seja Bohemias e a própria Praga, com a sua herança de gigantes como Muha, Kafka, Dvorak, Smetana, Hrabal, Kundera, inclinando-se para outro significado de boémia - semelhante a criatividade e muita arte, mas também cerveja, salsichas e segredos não contados.

In many of Prague's contradictions, what makes it even more intriguing is that it is simultaneously  colossal, majestic   tiny and subtle. No one can ignore its imperial presence, the vanity of its construction. And yet, it seems  it was built by humble people who prefer to whisper rather than to speak aloud. On your obligatory walk over the Karluv most to the monumental castle overlooking the city from the highest point on the other bank, you have to cross the somber labyrinth of  Mala strana to find   how greatness and modesty go hand in hand. There is some kind of social and identity confusion in Prague. Is it predominantly Austro-Hungarian, German, Slav, Jewish, Catholic or Protestant? How can they   combine the “Velvet Revolution†with the finest and most noble   porcelain sets and the Lenz Moser wine glasses? Perhaps the answer is Bohemias and Prague itself, with its heritage of giants like Muha, Kafka, Dvorak, Smetana, Hrabal, Kundera, tending to another meaning of bohemia - similar to creativity and a lot of art, but also beer, sausages and untold secrets.


Ljiljana Popović-Andjic Nasceu em Belgrado, formou-se pela Faculdade de Filologia e foi professora de língua e literatura russa e italiana. Como tradutora e analista de notícias, trabalhou na exagência oficial de notícias jugoslava TANJUG. Viveu em Buenos Aires, de 1990 a 2018, onde trabalhou como tradutora literária e professora de várias línguas. Regressada a Belgrado, continuou a trabalhar como tradutora literária, especializada em ficção contemporânea latino-americana. Inicialmente como hobby, envolveu-se mais seriamente com a fotografia, acabando por se transformar na sua maior paixão. Born in Belgrade, she graduated from the Faculty of Philology and was a teacher of Russian and Italian language and literature. As a news translator and analyst, she worked for the former Yugoslav news agency TANJUG. She lived in Buenos Aires from 1990 to 2018, where she worked as a literary translator and teacher of several languages. Returning to Belgrade, she continued to work as a literary translator, specializing in Latin American contemporary fiction. Initially as a hobby, she became more seriously involved with photography, which eventually became her greatest passion.


Eles também a chamaram de “A Cidade Dourada”, em contraste com as minúsculas e obscuras celas de chão de paralelepípedos Zlatna ulička - onde alquimistas obstinados de Mala Strana - atravessando o rio Vltava - tentavam há muito tempo fazer ouro. E quando o sol reflecte nas suas cúpulas douradas, somos tentados a perguntar se, no final, terão sido bem sucedidos. Mas Praga pode ser identificada pela sua luz brilhante e sombras profundas, em constante competição pelo domínio sobre a cidade no rio Vltava. Apesar dos marcos famosos mais comuns e mais visíveis, há que descobrir as suas “entranhas”, a sua natureza real, o que está por trás de luzes e sombras, glamour e austeridade. They also called it “The Golden City,” in contrast to the tiny, obscure cobblestone floor cells - Zlatna ulička - where stubborn Mala Strana alchemists - crossing the Vltava River - had long tried to make gold. And when the sun reflects off its golden domes, we are tempted to ask if, in the end, they have been successful. But Prague can be identified by its bright light and deep shadows, in constant competition for dominance over the city on the Vltava River. Despite the most common and most visible landmarks, one has to discover its 'guts', its real nature, the one behind lights and shadows, glamor and austerity.


WONDER STAY


Vila Galé Collection Braga Um renascer feito de inspiração Na imponência e beleza dos seus 500 anos, foi uma ermida, albergaria e convento templário. Também foi, entre 1508 e 2011, o Hospital de São Marcos. Até que se tornou no Vila Galé Collection Braga. Um hotel que conjuga o tradicional e histórico com o moderno, um refúgio no meio de uma cidade vibrante, jovem e dinâmica, um testemunho de um passado renascido para ser descoberto a um ritmo pausado. Passo a passo. Texto Fernando Borges | Fotos Vila Galé

A reinvention made of inspiration In the grandeur and beauty of its 500 years, it was a hermitage, hostel and Templar convent. It was also, between 1508 and 2011, the St. Mark's Hospital. Until it became Vila Galé Collection Braga. A hotel that combines the traditional and the historic with the modern, a haven in the midst of a vibrant, young and dynamic city, a testimony of a reinvented past to be discovered at a slow pace. Step by step. Text Fernando Borges | Photos Vila Galé


No centro do monumental Largo Carlos Amarante, ergue-se uma fonte seiscentista de granito em forma de flor assente sobre uma plataforma com três degraus, destacando-se por um alto obelisco com quatro peixes de cuja boca jorra água, dominando um jardim e bancos de pedra. E são muitos os que neles se sentam para admirar a imponente fachada barroca da Igreja de Santa Cruz, uma obra marcante da “Cidade dos Arcebispos”. Também para olhar para um outro edifício constituído por uma fachada igualmente barroca encimada por estátuas dos apóstolos em tamanho natural e por duas torres que formam a Igreja de São Marcos e a partir da qual se desenvolvem simetricamente dois edifícios que pela sua horizontalidade contrastam com a verticalidade da igreja. Imponência é o mínimo que se pode dizer perante este edifício no centro histórico de Braga que durante mais de 500 anos formou o complexo que reunia o Hospital e Igreja de São Marcos, um lugar que durante séculos servia também para acolher peregrinos e viajantes que pernoitavam na cidade. E é sob a monumentalidade da sua balaustrada que se abrem as portas do Vila Galé Collection Braga, um hotel de quatro estrelas com 123 quartos, incluindo 15 suites, uma unidade hoteleira que devolveu vida ao antigo hospital de São Marcos.

In the center of the monumental Largo Carlos Amarante stands a seventeenth-century flower-shaped granite fountain that rests on a three-step platform, highlighted by a tall obelisk with four fish from whose mouthes gush water, dominating a garden and stone benches. And many people sit on those benches to admire the imposing baroque façade of the Church of Santa Cruz, a striking work of the “City of the Archbishops”. Also to look at another building with an equally baroque façade surmounted by life-size statues of the apostles and two towers that form the Church of St. Mark and from which two buildings develop symmetrically and that by their horizontality contrast with the verticality of the church. 
 Grandiosity is the least we can say about this building in the historical center of Braga that for more than 500 years formed the complex that brought together the Hospital and Church of St. Mark, a place that for centuries also served to welcome pilgrims and overnight travelers in the city. And it is under the monumentality of its balustrade that Vila Galé Collection Braga open its doors, a four-star hotel with 123 rooms, including 15 suites, a hotel unit that brought life back to the former São Marcos hospital.


Lá dentro, desde logo se começa a descobrir muitos dos traços da arquitectura original, como os tectos abobadados, e muita da herança histórica e religiosa deste edifício e de Portugal, o tema central do novo hotel do Grupo Vila Galé, a que se juntaram as mais modernas funcionalidades. Enquanto caminhamos pelos seus corredores, salões, escadarias e claustros que rodeiam uma fonte no relaxante jardim central, muito facilmente nos sentimos envolvidos pela sua história. São os claustros que nos fazem imaginar vidas ali passadas, as pedras das paredes que parecem murmurar episódios ali vividos, as inscrições em mármore que nos fazem parar e respirar mais profundamente, os tectos originais abobadados que nos fazem sentir como parte de todo esse património imenso. E por nós, durante esse caminhar, vão passando peças usadas nas liturgias e objectos ligados à medicina, em especial os usados nas salas de operações e de tratamentos, também eles parte de uma viagem no tempo que nos leva à fundação do Hospital de São Marcos. E sente-se o respeito por essa história e uma cuidada solenidade na transformação deste histórico edifício de Braga num hotel marcado por essa história, mas também pela modernidade. Aqui, o confortável e o moderno têm encontro marcado com o presente e o futuro, tirando partido da herança arquitectónica, quer nos quartos, nos dois restaurantes (o Bracara Augusta, com serviço à carta com destaque para a gastronomia regional reinventada, e o Fundação, com serviço bufete), no colorido Bar Euforia, na adega Santa Vitória (que acolhe provas de vinhos, nas oito salas de reuniões) ou na sala de estar S. Marcos, um espaço dedicado à inovação que permite aos hóspedes experimentar a realidade virtual e assistir a vídeos em 4K.

Inside we soon start discovering many of the traces of the original architecture like the vaulted ceilings, and much of the historical and religious heritage of this building and of Portugal. This is the central theme of the new Vila Galé Group hotel, joined by most modern features. As we walk through its corridors, halls, staircases and cloisters surrounding a fountain in the relaxing central garden, we are easily overwhelmed by its history. It is the cloisters that make us imagine past lives, the stones of the walls that seem to murmur episodes lived there, the marble inscriptions that make us stop and breathe more deeply, the vaulted original ceilings that make us feel as part of all this immense heritage. And while walking we find objects used in liturgy and also medical objects, especially those used in the operating and treatment rooms, that are also part of a time travel that lead us back to the St. Mark's Hospital foundation. And we have respect for this history and a careful solemnity in the remaking of this historic Braga building into a hotel marked by this history, but also by modernity. Here comfort and modernity meet with the present and the future, taking advantage of the architectural heritage be it in the rooms or in the two restaurants (the Bracara Augusta, with service à la carte highlighting a reinvented regional cuisine, and the Fundação, with buffet service), in the colorful Bar Euforia, in the Santa Vitória winery (which hosts wine tasting in the eight meeting rooms) or in the S. Marcos living room, a space dedicated to innovation that allows guests to experience virtual reality and watch videos in 4K.


E é sempre através dos longos corredores que convidam a momentos de verdadeiro relax ao ar livre, quase sempre com vista para os jardins e claustros, que se chega à piscina exterior para adultos ou à piscina para crianças, com escorregas, ao Club Nep e a um parque infantil. Lugares de verdadeira inspiração que têm na piscina interior aquecida do spa Satsanga um piscar de olhos especial, oferecendo ao corpo e à mente momentos perfeitos, como o é a massagem de inspiração Vila Galé Collection realizada com óleo de grainha de uva, proporcionando um raro alívio da tensão muscular. Promessas de bem-estar e relaxamento que se tornam realidade também através do duche Vichy, no ginásio ou numa das salas para massagens e tratamentos estéticos. Experiências e vivências que nos fazem percorrer uma história renascida com mais de 500 anos e que nos desafia a partir à descoberta de uma cidade também ela cheia de testemunhos históricos e culturais num presente genuíno, vibrante e jovem. De uma Braga que tem no Vila Galé Collection Braga um bom ponto de partida para uma viagem no tempo por uma cidade que já se chamou Bracara Augusta, que foi capital da então província romana da Galécia, hoje Galícia.

And it's always through the long corridors that invite you to moments of true outdoor relaxation, almost always overlooking the gardens and cloisters, that you reach the outdoor adult pool or children's pool with slides or Club Nep and a playground. Really inspiring places that have in the heated indoor pool of the Satsanga spa a special blink of the eye, giving your body and mind perfect moments like the Vila Galé Collectioninspired massage made with grape seed oil, providing rare relief to muscle tension. Promises of well-being and relaxation that also come true through the Vichy shower, in the gym or in one of the massage and beauty treatment rooms. Experiences and life experiences that lead us through a reinvented history older than 500 years and that challenges us to discover a city also full of historical and cultural testimonies in a genuine, vibrant and young present. Braga that has in Vila Galé Collection Braga a good starting point for a time travel through a city that was once called Bracara Augusta and which was the capital of the then Roman province of Galecia, nowadays Galicia.


SPA


Sayanna Wellness Spa Vista panorâmica para o bem-estar Estamos no 23º andar do Hotel Myriad by Sana no Parque das Nações em Lisboa. A vista é de cortar a respiração e temos a sensação de flutuar directamente no Tejo. Um serviço de luxo personalizado sempre com base no rejuvenescimento do corpo e da alma. Texto Carla Branco Fotos Carla Branco & Sayanna Wellness Spa

Panoramic view for wellness We are on the 23rd floor of the Myriad Hotel by Sana at Parque das Nações in Lisbon. The view is breathtaking and we have the feeling of floating directly on the Tagus. A personalized luxury service always based on the rejuvenation of body and soul. Text Carla Branco Photos Carla Branco & Sayanna Wellness Spa


O Hotel Myriad by Sana, unidade de 5 estrelas no Parque das Nações, é um espaço único na cidade. Não só porque está “colado” aos 140 metros de altura da Torre Vasco da Gama mas também porque está rodeado de rio, espaços verdes e de lazer, proporcionando um posicionamento perfeito para fugir à agitação urbana. E é no 23º andar, o último piso do hotel, que encontramos o Sayanna Wellness, sem dúvida o spa em Lisboa com a melhor vista sobre o Tejo! Para que a mesma possa ser aproveitada ao máximo, todo o hotel possui predominantemente paredes de vidro, o que facilita também muita entrada de luz natural, revigorante e positiva. E porque o rosto é o nosso cartão de visita, espelhando a nossa alma, fomos experimentar o AJNA Experience, uma massagem facial com produtos de aromaterapia, que se inicia com um ritual de boasvindas e massagem com pedras quentes e frias. Ao longo do tratamento vamos percebendo o detalhe, o cuidado e o profissionalismo com que somos recebidos. Muito mais do que simples massagens, aqui encontramos autênticos tratamentos terapêuticos ancestrais.

The Myriad Hotel by Sana, a 5-star unit at n Parque das Nações, is a unique space in the city. Not only because it is "glued" to the 140 meters high of the Vasco da Gama Tower but also because it is surrounded by river, green spaces and leisure, providing a perfect position to escape the urban bustle. And it is on the 23rd floor, the top floor of the hotel, that we find Sayanna Wellness, undoubtedly the spa in Lisbon with the best view over the Tagus! To make the most of it, the entire hotel has predominantly glass walls, which also facilitates a lot of natural, invigorating and positive light. And because the face is our calling card, mirroring our soul, we went to try AJNA Experience, a facial massage with aromatherapy products, which begins with a welcome ritual and hot and cold stone massage. Throughout the treatment we will perrceive the detail, care and professionalism with which we are received. Much more than simple massages, here we find authentic ancestral therapeutic treatments.


Antes de iniciar o tratamento de relaxamento, podemos aproveitar para usufruir da piscina de vitalidade com camas e cadeiras de hidromassagem, enquanto nos deslumbramos com o céu a perder de vista e a tranquilidade do Tejo que nos invade, enquanto degustamos um chá aromático e reconfortante. Mas podemos também passar pelo ginásio equipado com Technogym, duche bi-térmico, banho turco ou sauna panorâmica. Ao longo dos meses os tratamentos de destaque vão variando consoante a altura do ano por isso o ideal é consultar qual o tratamento em vigor na altura do agendamento e há muito para escolher, independentemente de o fazer sozinho, a dois ou com os amigos. Para além dos tratamentos de assinatura, existem Massagens Sayanna, Sayanna Corpo e Alma, Sayanna Rosto, Sayanna a Dois com uma Suite Spa VIP, Sayanna para Homem e Experiências Pré-Mamã. Para uma experiência ainda mais enriquecedora, podemos sempre adicionar algo ao nosso tratamento, como manicure e cuidado de mãos, pedicure e cuidado de pés, esfoliação e hidratação corporal, mas também os Momentos Sayanna - Momento de Assinatura e Momento Purificante e Relaxante. Muitos consideram que os spas são apenas locais de tratamento do corpo mas aqui sentimos que o Sayanna Wellness é um autêntico templos de tratamento da alma onde o tempo não é relevante.

Before starting the relaxation treatment, we can enjoy the vitality pool with hydromassage beds and chairs, while we are dazzled by the sky and the tranquility of the Tagus that pervades us, while enjoying an aromatic and soothing tea. But we can also go through the Technogym equipped gym, bi-thermal shower, Turkish bath or panoramic sauna. Over the months the outstanding treatments will vary depending on the time of year so it is best to consult which treatment is in effect at the time of appointment and there is a lot to choose from, whether alone, with two or with friends. In addition to signature treatments, there are Sayanna, Sayanna Body and Soul Massages, Sayanna Face, Sayanna for Two with a VIP Spa Suite, Sayanna for Men and Pre-Mom Experiences. For an even more enriching experience, we can always add something to our treatment such as manicure and hand care, pedicure and foot care, exfoliation and body hydration, but also Sayanna Moments - Signature Moment and Purifying and Relaxing Moment. Many consider that spas are just places of body treatment but here we feel that Sayanna Wellness is an authentic soul treatment temple where time is not relevant.


WONDER TASTE (I)


Queimado Sabor a fogo! Fomos até ao Bairro Alto descobrir este novo espaço e depressa percebemos que aqui tudo transmite o genuíno, confortável e autêntico. É caseiro, ideal para reunir família e amigos à volta da mesa e degustar aqueles sabores que nos ficam na memória e nos fazem regressar vezes sem conta. Texto Carla Branco | Fotos Carla Branco & Queimado

Fire flavor! We went to Bairro Alto to discover this new space and soon realized that everything here transmits the genuine, comfortable and authentic. It's homey, ideal for gathering family and friends around the table and tasting those flavors that linger in our memory and make us return time and time again. Text Carla Branco | Photos Carla Branco & Queimado


Não se deixem enganar pelo nome Queimado. Daqui nada saiu queimado, muito pelo contrário, saiu uma bela degustação de pratos com muito sabor e respeito pelos ingredientes, tudo cozinhado no carvão. O resultado é saboroso, intenso e elegante mas com um serviço despretensioso e muito acessível. Ao falarmos com o chef Shay Ola, que nos recebe de braços abertos, percebemos a honestidade que nos é servida à mesa. De Londres para Lisboa, passando por Paris e Berlim, foi o fundador da “Rebel Dining Society”, um dos mais conhecidos pop-up diners da capital inglesa. Um dia visitou Lisboa e apaixonou-se pela cidade, onde reside há 3 anos. O espaço é pequeno, para pouco mais de 20 pessoas, mas muito bem decorado, o que o torna tão acolhedor. Uma extensa mesa ao centro e um pequeno balcão junta todos os clientes como se de um convívio se tratasse. Todos os pratos são petiscos para partilhar - se bem que olhando para eles e provando, dá vontade de ficar com o prato só para nós! Há sempre uma opção vegetariana e vegan e muito para escolher.

Do not be fooled by the name Queimado (Burned). Nothing burned out here, quite the contrary, a beautiful tasting of dishes with great flavor and respect for the ingredients, all cooked in charcoal. The result is tasty, intense and elegant but with unpretentious service and very affordable. As we talk to chef Shay Ola, who welcomes us with open arms, we realize the honesty that is served to us at the table. From London to Lisbon, passing through Paris and Berlin, he was the founder of the Rebel Dining Society, one of the most well-known pop-up diners in the English capital. One day he visited Lisbon and fell in love with the city, where he has lived for 3 years. The space is small, a little over then 20 people, but nicely decorated, making it so cozy. An extensive table in the center and a small balcony gathers all the customers as if it were a conviviality. All dishes are snacks to share - although looking at them and tasting, you want to keep the dish just for ourselves! There is always a vegetarian and vegan option and plenty to choose from.


E assim fomos provando e partilhando os diversos pratos num ambiente descontraído e em boa conversa: Batatas assadas com crème fraîche fumado e ovas de peixe, Amêijoas com molho XO e migalhas de pão frito (absolutamente divinais e com a dose certa de picante), Codorniz com glaze de damasco e arroz selvagem estufado e duas sobremesas maravilhosas para completar uma boa refeição. Mousse com bolo de limão e Abacaxi grelhado com caramelo tonka e gelado de milho chamuscado - este último é imperdível e arrisco-me a afirmar que é um sabor que provavelmente nunca terão provado e que vale muito a pena! Para acompanhar a refeição, estão disponíveis vinhos naturais e orgânicos portugueses, gin confecionado com arte, cerveja artesanal e também os variados e originais cocktails, com ou sem álcool. Para já apenas estão abertos durante o jantar e brunch aos domingos. Às sextas e sábados o sabor junta-se à música com a presença de DJ´s e muita animação. O menu vai mudando consoante as estações do ano, a fim de aproveitar o melhor dos ingredientes locais e regionais que cada época proporciona, por isso o melhor é mesmo passar por lá e surpreender-se!

And so we tasted and shared the various dishes in a relaxed atmosphere and in good conversation: Baked potatoes with smoked crème fraîche and fish eggs, Clams with XO sauce and fried bread crumbs (absolutely divine and with the right amount of spicy), Quail with apricot glaze and stewed wild rice and two wonderful desserts to complete a good meal. Mousse with lemon cake and caramel tonka grilled pineapple and scorched corn ice cream - this last one is an must have and I venture to say that it is a taste you probably never had before and is very well worth it! To accompany the meal, there are natural and organic Portuguese wines, gin made with art, craft beer and also the varied and original cocktails, with or without alcohol. For now they are only open during dinner and Sunday brunch. On Fridays and Saturdays the flavor joins the music with the presence of DJ's and a lot of animation. The menu changes with the seasons, so we enjoy the best of local and regional ingredients that each season provides, so the best is to go there and be surprised!


WONDER TASTE (II)


Nº13

Jornada de paixão Lisboa continua a surpreender-nos com a chegada de tantos e bons cantos gastronómicos que primam pela qualidade, bom gosto e pela ousadia de sabores orgânicos - tudo com um toque de requinte saudável e muito apetecível. É assim o Nº 13, uma jornada sensorial pela mão da criatividade e arte de Andrew de Sousa e Lisa Taffin. Texto Carla Branco Fotos Carla Branco & Nº13

Journey of passion Lisbon continues to surprise us with the arrival of so many good gastronomic places that excel in quality, good taste and bold organic flavors - all with a touch of healthy and very appetizing refinement. This is No. 13, a sensory journey through the creativity and art of Andrew de Sousa and Lisa Taffin. Text Carla Branco Photos Carla Branco & Nº13


Andrew de Sousa e Lisa Taffin são os responsáveis pela recente abertura do espaço Nº13 em Lisboa. Recebem-nos com enorme simpatia e com histórias na bagagem, e nem todas passam pelo universo culinário mas é nesta temática que culminam. Depois de muitos anos a trabalhar como designer de interiores no Sudeste Asiático, Lisa teve a necessidade de uma mudança de cenário e decidiu mudar-se para Portugal para explorar o mercado europeu. Um dia, o seu amor pelo café levou-a um café no centro de Lisboa, onde conheceu o gerente Andrew de Sousa - um barista com herança portuguesa que conta com muitos anos de experiência profissional em Sydney, como o Single Origin, Table for 20, Buffalo Dining Club & BC 121. Lisa tratou da singular decoração, elegante e rústica, e Andrew trata do mundo dos sabores orgânicos, uma equipa em perfeita harmonia que visa despertar os sentidos de todos os que os visitam, partilhando a mesma paixão e visão por produtos e estética de alta qualidade.

Andrew de Sousa and Lisa Taffin are responsible for the recent opening of space Nº13 in Lisbon. They welcome us with great sympathy and stories in their luggage, and not all of them go through the culinary universe, but this is their culmination. After many years working as an interior designer in Southeast Asia, Lisa needed a change of scenery and decided to move to Portugal to explore the European market. One day, her love for coffee took her to a café in central Lisbon, where she met manager Andrew de Sousa - a Portuguese-born barista with many years of professional experience in Sydney, such as Single Origin, Table for 20 , Buffalo Dining Club & BC 121. Lisa has taken care of the unique, elegant and rustic décor, and Andrew is about the world of organic flavors, a team in perfect harmony that aims to awaken the senses of all visitors, sharing the same passion and vision for high quality products and aesthetics.


O menu é variado e muito acessível. Está disponível uma seleção variada de carnes, queijos, frutas caseiras e locais, entre muitas outras opções, todas elas deliciosas e saudáveis. Trabalha-se apenas com produtos sazonais e locais. Andrew surpreendeu-nos com o prato do dia: spanakopita com salada de quinoa e tabouleh e beef carpaccio. Extremamente generoso, saboroso e muito saudável, para comer sem culpa. Para beber estão disponíveis várias opções: chai, chocolate quente, várias infusões e chás, sumos e smoothies naturais. Encontramos ainda uma lista de vinhos cuidadosamente selecionada de pequenos produtores artesanais. No final guardamos algum espaço para a sobremesa caseira, um tentador brownie de chocolate, que acompanha divinalmente com o café. Andrew referiu que faz “o melhor café de Lisboa” e para ele a qualidade do café é extremamente importante. Confesso que é capaz de ter razão, é o melhor da cidade, porque a mistura caseira torna-a única e equilibrada, com um aroma perfeito. Num futuro próximo vão ser organizados “jantares secretos”, convidando chefs de renome internacional de todo o mundo e sempre com um músico ou DJ diferente para criar magia. No Nº13 o bem receber é a sua essência, para quem aprecia coisas simples e bem-feitas, o cuidado e a atenção de quem nos recebe e torna uma simples refeição num momento único de partilha e lazer. O serviço é amigável e atencioso e no fim saímos com o coração quente. O melhor mesmo é passar por lá, durante o pequeno-almoço, almoço ou brunch, e provar as demais iguarias.

The menu is varied and very affordable. A varied selection of meats, cheeses, homemade and local fruits is available, among many other options, all delicious and healthy. It works only with seasonal and local products. Andrew surprised us with the dish of the day: spanakopita with quinoa salad and tabouleh and beef carpaccio. Extremely generous, tasty and very healthy, to eat without feeling guilty. Drinking options are available: chai, hot chocolate, various infusions and teas, juices and natural smoothies. We also found a carefully selected wine list from small artisanal producers. In the end we saved some space for the homemade dessert, a tempting chocolate brownie, which goes divinely with the coffee. Andrew said he makes “the best coffee in Lisbon” and for him the quality of coffee is extremely important. I confess that you can be right, it is the best in town, because the homemade blend makes it unique and balanced, with a perfect aroma. In the near future “secret dinners” will be organized, inviting internationally renowned chefs from around the world and always with a different musician or DJ to create magic. In Nº13, the welcome is its essence, for those who appreciate simple and well-done things, the care and attention of those who receive us and make a simple meal a unique moment of sharing and leisure. The service is friendly and attentive and in the end we left with a warm heart. The best thing is to go there for breakfast, lunch or brunch, and taste the other delicacies.


WONDER DRINKS


Chá Sem hora marcada É uma bebida de sensibilidade. De entrega. De silêncio e partilha. De envolvência. É a descoberta de um caminho, de uma filosofia que se encontra na beleza do que é simples. É uma história que se escreve a cada momento de cores, aromas e sensações. Seja de dia, seja à noite. Seja Verão, seja Inverno. Texto Fernando Borges Fotos The Chinese Tea Company & DR

Tea No scheduled time It's a drink of sensitivity. Of delivery. Of silence and sharing. Of envy. It is the discovery of a path, of a philosophy that lies in the beauty of what is simple. It is a story that is written at every moment of colors, aromas and sensations. Be it day or night. Be it Summer or Winter. Text Fernando Borges Photos The Chinese Tea Company & DR


Conta a lenda que em 2737 A.C. algumas folhas de Camélia Sinesis, a planta de chá, caíram fortuitamente sobre a taça de água do imperador chinês Shen Nung que, por razões de higiene, estava fervida.. Assim nasceu aquela que viria a ser uma bebida de culto, que instalou mudanças e criou rituais. E beber chá tornou-se uma forma de estar. É entrar num mundo interior que se estende ao longo do “Cha-Do” (caminho do chá). Independentemente do tempo, do espaço ou da forma que assume. No Japão, a alquimia desta planta conduziu à criação de uma cerimónia Cha-No-Yu -, uma cerimónia estética que traduz a simbologia associada ao néctar. Movimentos graciosos e silenciosos preconizam, durante quatro horas, um ritual de humildade, pureza, harmonia e tranquilidade, onde o silêncio é quebrado apenas pelo borbulhar da água que se verte sobre as folhas de chá. According to the legend in 2737 BC a few leaves of Camellia Sinesis, the tea plant, fell randomly in the cup of water of Chinese Emperor Shen Nung's and, for hygiene reasons the cup was boiled. Thus was born a drink that became an element of worship, and that settled changes and created rituals. And drinking tea has become a way of being. It is entering an inner world that goes along the Cha-Do (tea path). Regardless of time, space and shape. In Japan, the alchemy of this plant led to the creation of a ceremony Cha-No-Yu -, an aesthetic ceremony that reflects the symbology associated with nectar. Graceful and silent movements forecast during four hours, a ritual of humility, purity, harmony and tranquility, where silence is broken only by the bubbling water pouring over the tea leaves.


Para os povos nómadas, os inegáveis benefícios desta planta assumiram-se como uma necessidade que se tornou tradição. “A primeira fervura deixa o chá amargo como a morte; a segunda ainda mais amargo, mas como a vida; e a terceira, finalmente, doce e suave como o amor”. Ouve-se dizer. Ainda assim, as constantes mudanças de localização destas gentes levavam a que não tivessem tempo para fazer as infusões, pelo que tiveram de encontrar soluções para a conservação do chá. Assim nasceram as placas prensadas, o chá era ingerido e os nutrientes assimilados. Também no Norte de África esta bebida assume grande importância, desmistificando a ideia errónea de que o chá só é consumido em temperaturas frias. Pelo contrário. Nada melhor que um chá morno de menta com hortelã para matar a sede!

For nomadic people, the undeniable benefits of this plant have became a necessity and has become tradition. “The first boil makes tea bitter like death; the second even more bitter, but as life; and the third, finally, sweet and soft as love. “So they say”. Still, the constant changes in location of these people meant that they had no time to make the infusions, so they had to find solutions for the conservation of tea. So they used to press plates to drink the tea and the nutrients were assimilated. Also in North Africa this drink is of great importance, contradicting the idea that tea is only consumed in cold temperatures. On the contrary. Nothing better than a warm mint tea to quench your thirst!


Na Europa, ficou celebrizado pelo “chá das cinco”, uma refeição inventada em Inglaterra, no século XVIII, por Ana, sétima duquesa de Bedford, que padecia de uma forte sensação de fraqueza durante a tarde. E por todo o mundo o consumo do chá tornou-se um ritual, um marco cultural, com regras próprias. Diz-se que o chá se faz com água fervida. O bule, sempre de cerâmica, deve ser primeiramente esquentado e só depois o maravilhoso néctar pode ser vertido. O tempo de infusão deve rondar os cinco minutos e uma colher de chá é dose suficiente para uma pessoa. Assim mandam as regras de um ritual que não conhece regulamento. Porque tudo depende de cada um. É verdade que existem orientações. Que a água tem que ser bastante aquecida e que o chá deve ser servido em porcelana branca para que possamos ver as cores que brotam da infusão. Mas a água pode ser apenas ligeiramente esquentada e o serviço em ferro com o interior em esmalte… Tudo depende do chá. Da colheita. Da origem. Das sensibilidades.

In Europe, it was acknowleged as the "five o'clock tea", a kind of meal invented in England in the eighteenth century by Anne, the seventh Duchess of Bedford, who suffered from a strong sense of weakness in the afternoon. And all over the world tea consumption has become a ritual, a cultural landmark, with its own rules. People say that tea is made with boiled water. The pot, always made of ceramic, must first be heated and only then can the wonderful nectar be poured. The infusion time should be around five minutes and a teaspoon is enough for one person. These are the rules of a ritual that knows no regulation. Because it all depends on each one's taste. It is true that there are guidelines. That the water has to be very warm and that tea must be served in white porcelain so we can see the colors that come from the infusion. But the water can only be slightly warmed and the tea-set should be silver made with an enamel interior… It all depends on the tea. On the harvest. On its origin. On each one’s sensitivity.


Diz-se mesmo que cada pessoa tem um tempo de infusão. Que cada um de nós tem um chá. Pessoal e intransmissível. Que cada um tem o seu “Cha-Do” que desenvolve à medida que apura conhecimentos. Delicado ou intenso. Puro ou aromatizado. Com açúcar, leite ou limão. Uma cultura de nós próprios que se faz de provas. Um instante de pausa e reflexão musicado pelo bater dos pingos da chuva do Inverno ou pelo ritmo das ondas que se espraiam no Verão pelo areal quente de uma praia. Pelo ruído do passar de uma página numa noite de tranquila leitura. Ou das palavras que se vão escrevendo numa folha em branco. Entre as palavras animadas de uma conversa entre amigos, ou num brinde em pleno deserto. Sempre! Porque quem um dia se deixou envolver por aquela que é considerada a bebida mais completa, que se deixou conquistar por uma qualquer paz que contraria o efeito estimulante intrínseco à planta, não mais se perde na história. Afinal, cada um faz o seu caminho… do chá!

It is also said that each person has its own time of infusion. That each one of us has a personal and intransmissible tea . That each one of us has its own “Cha-Do” that increases as knowledge grows. Delicate or intense. Pure or flavored. With sugar, milk or lemon. A culture of our own that is made of evidence. A moment of pause and reflection to the beat of winter raindrops or to the rhythm of waves dying in summer on the warm sands of a beach. Or to the sound of a turning page in a night of quiet reading. Or to the words that will be written on a blank page. Or between the lively words in a conversation with friends, or while making a toast in the desert. Whenever it may be. Because those who once became attached to what is considered the most complete drink, those who felt an inner peace that contradicts the stimulating effect intrinsic to the plant will neve get lost on the track of history. After all, each one makes his own way… the way of tea!


10 X10


Pedro Costa Ferreira 10 Perguntas, 10 Respostas 10 Questions, 10 Answers

Falar de Pedro Costa Ferreira é falar obrigatoriamente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), a que preside desde 2011. Mas é igualmente falar de uma pessoa que prima pela simpatia. E por gestos, palavras e sorrisos fáceis e espontâneos. Mas julgamos não estar enganados se dissermos que é por ser uma das vozes e figuras mais escutadas do turismo nacional que muitos o conhecem. Por isso, e por sermos uma revista de viagens e turismo, decidimos escolhe-lo para ser o 10x10 desta edição, uma edição que se “encontra” com o 45º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que este ano acontece na ilha da Madeira, de 14 a 17 de Novembro. Por Fernando Borges

To speak of Pedro Costa Ferreira is to speak necessarily of the Portuguese Association of Travel and Tourism Agencies (APAVT), which he has chaired since 2011. But it is also to speak of a person who stands out for sympathy. And by easy, spontaneous gestures, words and smiles. But we think we are not mistaken if we say that it is because he is one of the most listened voices and known figures of national tourism. Therefore, and as a travel and tourism magazine, we decided to choose him to be the 10x10 of this edition, an edition that “meets” the 45th Congress of the Portuguese Association of Travel and Tourism Agencies (APAVT), which this year happens on the island of Madeira, from 14 to 17 November. By Fernando Borges


Comecemos por uma frase do grande viajante das palavras, Fernando Pessoa: “As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos”. Como a lês? Revês-te nela? Sim… não há como escapar ao que somos, quando vivemos. Quando viajamos não é diferente… Concordas com o escritor Érico Veríssimo quando diz que “existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar”. Que tipo de viajante é o Pedro Costa Ferreira? Nunca fujo. Busco sempre. Nunca fujo de um inimigo, nunca fujo de uma boa discussão com um amigo, nunca fujo de uma responsabilidade, nunca fujo de nada quando vou viajar. A viajar, busco sempre, nas diferenças dos outros, os melhores caminhos para mim. Viajar é partir à descoberta e ao encontro dos “sentires” do mundo? Ou tens uma outra definição? Viajar, enquanto turista, é saber que há diferenças entre nós, e ter curiosidade relativamente a elas; é ter curiosidade relativamente às diferenças que existem entre nós, e aprender a tolerá-las; é aceitar que há diferenças entre nós, e aprender a amá-las. Ao viajar, conseguimos crescer sem envelhecer… Portugal está na moda! Todos o afirmam e sente-se. Mas já há quem reclame que Lisboa e o Porto, em particular, estão a perder a sua identidade com o que já alguns chamam de “canibalismo” de turistas. Aceitas esta visão? Não, de todo. Nenhuma realidade vem “sozinha”, nenhum desenvolvimento se realiza sem gente que é afastada do processo, sem dor, sem ajustamento. Portanto, em primeiro lugar, se queremos fazer um ponto de situação da actual realidade das cidades de Lisboa e Porto, não a comparemos com o céu, comparemo-la com a situação de abandono das duas cidades, há uma década. Hoje, onde tínhamos solidão, prostituição e perigosidade, temos cosmopolitismo, economia, bem-estar, e tudo isso por causa do turismo. Não quer isto dizer, evidentemente, que não nos devamos preocupar, ou que não tenhamos de pensar a gestão da carga turística. Contudo, se a tivermos em conta e se realizarmos trabalho em diálogo com a operação turística, poderemos ter, simultaneamente, melhores cidades e mais turismo. Mais do que isso, termos melhores cidades porque temos mais turismo.


Let us begin with a phrase from the great traveler of words, Fernando Pessoa: “The journeys are the travelers”. What we see is not what we see, but what we are”. How do you read it? Do you see yourself in it? Yes… there is no escape from who we are, when we live. When we travel it's no different… Do you agree with the writer Érico Veríssimo when he says that “there are two types of travelers: those who travel to escape and those who travel to seek”. What type of traveler is Pedro Costa Ferreira? I never run away. I always seek. I never run away from an enemy, never run away from a good discussion with a friend, never run away from a responsibility, never run away from anything when I travel. When traveling, I always seek, in the differences of others, the best ways for me. Is traveling to discover and meet the “senses” of the world? Or do you have another definition? To travel, as a tourist, is to know that there are differences between us, and to be curious about them; it is to be curious about the differences that exist between us, and to learn to tolerate them; It is accepting that there are differences between us, and learning to love them. When traveling, we can grow without getting older… Portugal is fashionable! Everyone says it and we feel it. But some already complain that Lisbon and Porto, in particular, are losing their identity with the so called tourists 'cannibalism'. Do you accept this view? Not at all. No reality comes “alone”, no development takes place without people who are removed from the process, without pain, without adjustment. So firstly, if we want to take stock of the current reality of the cities of Lisbon and Porto, let us not compare it with the sky, compare it with the situation of abandonment of the two cities a decade ago. Today, where we had loneliness, prostitution, and danger, we have cosmopolitanism, economics, welfare, and all because of tourism. This does not mean, of course, that we should not worry or have to think about the management of the tourist load. However, if we take it into account and if we do work in dialogue with the tourism operation, we can have better cities and more tourism at the same time. More than that, we have better cities because we have more tourism.


E os portugueses? Pensas, e utilizando uma frase de René Descartes, que “gastamos tempo demais a viajar para fora tornando-nos estrangeiros no nosso próprio país”? Não, não penso nada disso! Desde logo, porque os portugueses precisam de viajar mais e não menos. Desse facto depende o grande desafio do nosso país, a internacionalização, a modernização, uma maior interacção com o exterior. Depois, porque viajar não tira a alma a ninguém, só a enriquece! São mais de 20 anos ligados ao turismo. O que mudou ao longo destes tempos no sector? Que turismo e turista temos hoje? Tema para outra entrevista! As mudanças são brutais, e evidentemente não são apenas no turismo, são na economia e no mundo. De qualquer modo, tentando responder sucintamente, diria que a principal diferença, que provoca todas as outras, tem a ver com o facto de a concorrência se ter hoje instalado ao longo de toda a cadeia de distribuição. Por outras palavras, hotéis, companhias aéreas, agências de viagens, rent a car, e outros detentores de produto turístico, umas vezes cooperam para servir o mesmo cliente, outras vezes disputam-no. Existe uma necessidade imperiosa e constante, deste modo, de criação de valor e diferenciação, por parte de cada um de nós. Quanto ao tipo de turismo e de turista a resposta é mais fácil. Temos todos os tipos de turismo porque temos todos os tipos de turistas... Para um país como Portugal, com valências competitivas capazes de atrair diferentes tipos de procura, em diferentes períodos do ano, para diferentes tipos de território, esta riqueza de procura é uma bênção que devemos saber aproveitar.

What about the Portuguese? Do you think, and using a phrase by René Descartes, that “we spend too much time traveling abroad becoming foreigners in our own country”? No, I don't think that! First of all, because the Portuguese need to travel more and not less. On this depends the great challenge of our country, internationalization, modernization, greater interaction with the outside. Then, because traveling doesn't take one's soul, it only enriches it! You have more than 20 years experience in tourism. What has changed over the years in the industry? What tourism and tourist do we have today? Theme for another interview! The changes are brutal, and of course not just in tourism, but in the economy and the world. In any case, trying to answer it briefly, I would say that the main difference, which causes all the others, is that competition has been taking place throughout the distribution chain today. In other words, hotels, airlines, travel agencies, rent a car, and other tourism product holders sometimes cooperate to serve the same customer, sometimes compete for it. There is an imperative and constant need for value creation and differentiation on the part of each of us. As for the type of tourism and tourist the answer is easier. We have all kinds of tourism because we have all kinds of tourists... For a country like Portugal, with competitive qualities capable of attracting different types of demand, at different times of the year, for different types of territory, this wealth of searches is a blessing that we must know how to enjoy.


"Não derramem nas estruturas de representação do turismo as mudanças políticas" é uma frase dita aquando do 41º Congresso da APAVT, em 2015, perante a então Secretária do Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho. Sentes que por vezes existe essa tendência por parte dos governantes? Que por vezes há uma tentativa de “politizar” o turismo? Ou será que esta frase já “perdeu validade”? Sim, se não sentisse, não teria chamado a atenção para o facto. Mais do que uma tendência dos governantes, acho que é uma tendência dos portugueses, tanto na política como na gestão - quando se chega, alterar tudo o que já foi feito. Contudo, uma legislatura depois, tenho de salientar que o turismo tem sido um exemplo nesta matéria. Concretamente, Ana Mendes Godinho soube preservar o que de bom vinha a ser feito no Turismo de Portugal, sem deixar de implementar, como é natural, as suas ideias e a sua visão e filosofia políticas. "O futuro próximo do sector será pleno de dificuldades" é outra frase que se conhece ao Pedro Costa Ferreira. É uma sensação ou uma certeza? Quais os maiores desafios que se colocam aos agentes de viagens e ao turismo português? É uma certeza. Do ponto de vista do turismo português, o maior constrangimento, entre tantos outros, vem de uma conjuntura política internacional proteccionista, fechada, intolerante – simplesmente “não casa” com o turismo. Os agentes de viagens têm inúmeros desafios. Um novo quadro económico em que todos os players, ao longo da cadeia de valor, disputam o mesmo cliente, é seguramente mais exigente, exigindo permanente diferenciação e criação de valor. Por outro lado, o foco no cliente tem-se revelado, ao longo da história recente, a origem de todos os êxitos que temos alcançado, enquanto sector. As agências de viagens têm tido a flexibilidade e a inteligência necessários à manutenção de uma posição de extraordinária relevância. Enquanto uns falam de custos, de quota de mercado, de tecnologia, de tendências, os agentes de viagens têm perguntado ao cliente, a cada instante, que necessidades têm que ser preenchidas; e depois têm trabalhado!… Tem resultado… num mundo empresarial complexo, fazer bem o básico quase sempre resolve o desafio da diferenciação…

"Do not pour into the structures of tourism representation the political changes" is a phrase said at the 41st Congress of APAVT, in 2015, by Ana Mendes Godinho, the former Secretary of State of Tourism, Do you feel that this tendency sometimes exists on the part of the rulers? That there is sometimes an attempt to “politicize” tourism? Or is this phrase already "expired"? Yes, if it wasnt felt, it would not have been pointed out. More than a tendency of the rulers, I think it is a tendency of the Portuguese, both in politics and in management - when one arrives, changes everything that has already been done. However, a legislature later, I have to point out that tourism has been an example in this regard. Specifically, Ana Mendes Godinho knew how to preserve the good things that were being done in Turismo de Portugal, while implementing, naturally, her ideas and her political vision and philosophy. "The near future of the sector will be full of difficulties" is another phrase known to Pedro Costa Ferreira. Is it a sensation or a certainty? What are the biggest challenges facing Portuguese travel agents and tourism? It is a certainty. From the point of view of Portuguese tourism, the biggest embarrassment, among many others, comes from a protectionist, closed, intolerant international political conjuncture - it simply “does not match” with tourism. Travel agents have numerous challenges. A new economic environment in which all players along the value chain dispute for the same customer is certainly more demanding, requiring permanent differentiation and value creation. On the other hand, customer focus has revealed throughout recent history the source of all the successes we have achieved as a sector. Travel agencies have had the flexibility and intelligence to maintain a position of extraordinary relevance. While some talk about costs, market share, technology, trends, travel agents have been asking the customer, at every turn, what needs to be met; and work on it! It has worked… in a complex business world, doing the basics well often solves the challenge of differentiation…


Na tua opinião quais os principais factores para que Portugal “esteja na moda” como destino turístico e que seja constantemente distinguido internacionalmente e ao mais alto nível com os mais diversos e importantes prémios de turismo? Na realidade, temos enquanto destino turístico um conjunto de factores competitivos distintivos. Desde logo e em primeiro lugar, dois dos bens mais escassos e mais procurados do planeta, condições naturais de excepção e autenticidade. Depois, um conjunto de características capazes de atrair diferentes procuras, em diferentes períodos do ano. Sol e praia, cultura, história, fé, etc, etc. Em terceiro lugar, um povo acolhedor tolerante e aberto aos outros e às diferenças. Finalmente um quadro de empresários que tudo têm suportado, desde conjunturas externas desafiantes a uma carga fiscal insuportável. Estamos na moda, sim, por direito próprio!... e sim, tem havido muito trabalho!!! E para terminar… Onde nos leva o turismo? E a ti, sabes para onde te levará? Num mundo marcado pelos nacionalismos, nativismos, xenofobias, proteccionismos, muros e intolerância, o turismo leva-nos à modernidade, ao cosmopolitismo, à tolerância e ao amor pelas diferenças. Leva-nos para um porto seguro, é uma espécie de salvação da espécie!… Não faço ideia onde me levará a mim, por mais planos que faças para a vida, nunca vais escapar aos planos que a vida tem para ti…

In your opinion, what are the main factors for Portugal to be in fashion as a tourist destination and to be constantly distinguished internationally and at the highest level with the most diverse and important tourism awards? In fact, we have as a tourist destination a set of distinctive competitive factors. First and foremost, two of the planet's scarcest and most sought after assets, exceptional natural conditions and authenticity. Then a set of features that can attract different demands at different times of the year. Sun and beach, culture, history, faith, etc., etc. Third, a welcoming people tolerant and open to others and differences. Finally a group of entrepreneurs who have endured everything from challenging external circumstances to an unbearable tax burden. We are in fashion, yes, in our own right! ... and yes, there has been a lot of work !!! And finally… Where does tourism take us? And you know where it will take you? In a world marked by nationalisms, nativisms, xenophobias, protectionism, walls and intolerance, tourism brings us to modernity, cosmopolitanism, tolerance and love for differences. Take us to a safe haven, it's a kind of salvation of the kind!… I have no idea where it will lead me, no matter how many plans you make for life, you'll never escape the plans that life has for you…


Mário Cesariny

Uma desmesurada inspiração surreal Dispensava os aplausos. “Estou num pedestal muito alto, batem palmas e depois deixam-me ir sozinho para casa. Isto é a glória literária à portuguesa”, dizia. Assim, não são necessárias homenagens para este homem pintor e poeta controverso, incómodo, marcante e intenso. Não são necessárias. Basta a sua obra. Que fala por si. A obra de Mário Cesariny. Texto Fernando Borges | Fotos Fundação Cupertino de Miranda & DR

ART & GO.

An unreasonable surreal inspiration He would go without applause. “I'm on a very high pedestal, they clap and then let me go home alone. This is the literary glory of the Portuguese, ”he said. Thus, no homage is needed for this controversial, uncomfortable, striking and intense man painter and poet. They are not necessary. Just his work that speaks for itself. The work of Mario Cesariny. Text Fernando Borges | Photos Cupertino de Miranda Foundation & DR


“Acho que se se é surrealista, não é porque se pinta uma ave ou um porco de pernas para o ar. É-se surrealista porque se é surrealista”, comentou um dia Mário Cesariny. Artista inquieto e espontâneo, firmou os seus ideais. E assumiu-se como um dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Sem medos, sem vergonhas. Revelou as suas verdades. Mostrou a sua essência. Enquanto poeta e pintor. Enquanto artista surrealista, mas, acima de tudo, enquanto homem. A sua obra poética é considerada um dos contributos mais complexos para a história da poesia portuguesa contemporânea. Uma poesia subversiva, de intervenção, dotada de um sentido de contestação dos princípios institucionalizados. O autor recorria ao absurdo, à ironia e até a um humor corrosivo para denunciar o que o incomodava. “I think if you're surrealistic, it's not because you paint a bird or a pig upside down. You are surrealistic because you are surrealistic, ”commented Mario Cesariny one day. Restless and spontaneous artist he set his ideals. And he assumed to be one of the most important Portuguese poets of the twentieth century. No fears, no shame. He revealed his truths. He showed its essence. As a poet and painter. As a surrealist artist, but above all as a man. His poetic work is considered one of the most complex contributions to the history of c o n t e m p o r a r y Po r t u g u e s e p o e t r y. A subversive, interventionist poetry endowed with a sense of contestation of institutionalized principles. The author turned to absurdity, irony and even a corrosive humor to denounce what bothered him.


Ao longo da sua obra, adoptou uma atitude estética de constante experimentação, praticando uma técnica de escrita e de pintura reconhecida entre os surrealistas como “cadáver esquisito”. A técnica consistia na elaboração de uma obra por três ou quatro pessoas, sendo que cada um dava seguimento em tempo real à criatividade da anterior, conhecendo apenas uma parte do trabalho realizado. A sua dedicação à pintura, inicialmente de forma ocasional, progrediu para um regime de quase exclusividade. E assim foi deixando para trás os outros talentos. Primeiro o plano. Depois, a escrita. “Secou”, costumava dizer. “A poesia foi um fogo muito grande que ardeu. Depois ficaram as cinzas. Não sou capaz de fazer versos porque sim. Acabou”. Assim era o homem. Defendia que a vida sem paixão é um deserto e, por isso, manteve-se sempre apaixonado. E Mário Cesariny viveu para a liberdade e para o amor. Nasceu em Lisboa, frequentou o primeiro ano de Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e, posteriormente, mudou-se para a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Throughout his work, he adopted an aesthetic attitude of constant experimentation, practicing a technique of writing and painting recognized among the surrealists as "weird corpse". The technique consisted in the elaboration of a work by three or four people, each one continuing the creativity of the previous one in real-time, knowing only part of the work done. His dedication to painting, at first occasionally, progressed to an almost exclusive regime. And so he was leaving behind the other talents. First the plan. Then the writing. “It dried up,” he used to say. “Poetry was a very big fire that burned. Then there was nothing but ashes. I can't write lines just because . It’ s the end of it“. Such was the man. He argued that life without passion is a desert and therefore he always kept in love. And Mario Cesariny lived for freedom and love. Born in Lisbon, he attended the first year of Architecture at the Lisbon School of Fine Arts and later moved to the Antonio Arroio School of Decorative Arts.


Considerado um dos principais embaixadores portugueses do Surrealismo, Cesariny integrou o movimento de 1947, após ler com Alexandre O’Neill a História do Surrealismo, de Maurice Nadeau. Nesse ano, foi para Paris com o intuito de conhecer André Breton, poeta, escritor, crítico, psiquiatra e fundador do movimento surrealista francês. Quando regressou a Portugal, já integrava o Grupo Surrealista de Lisboa, que servia para protestar contra o neo-realismo e o regime vigente no país, para depois o abandonar e fundar “Os Surrealistas”, o antigrupo, redigindo em 1949 o seu manifesto colectivo intitulado “A Afixação Proibida”. Mas também este grupo se desfez. A partir daqui seguiu sozinho, como um homem singular, capaz de grandes ódios, pautando a sua obra da mesma forma como viveu a vida. Com intensidade. Sem esconder a sua homossexualidade. “Toda a vida fiz infracções”, comentava. E o reconhecimento de um percurso artístico notável continuou a persegui-lo. E desse reconhecimento, e depois do homem, ficou a obra. A inspiração. Considered one of the leading Portuguese ambassadors of Surrealism, Cesariny joined the 1947 movement after reading with Alexandre O'Neill The History of Surrealism by Maurice Nadeau. That year, he went to Paris to meet André Breton, poet, writer, critic, psychiatrist and founder of the French Surrealist movement. When he returned to Portugal, he was already part of the Surrealist Group of Lisbon, which served to protest against neorealism and the political regime of the country; then he abandoned it and founded “The Surrealists”, the anti-group and wrote in 1949 its collective manifesto titled “The Forbidden Posting”. But this group also fell apart. After that he went on alone, as a singular man, capable of great hatred, guiding his work just as he lived his life. With intensity. Without hiding his homosexuality. “I did infractions all my life” he said. And the recognition of a remarkable artistic path continued to haunt him. And from this recognition, and from the man, remained the work. The inspiration.


Ao longo da muralha Ao longo da muralha que habitamos
 Há palavras de vida há palavras de morte
 Há palavras imensas, que esperam por nós
 E outras frágeis, que deixaram de esperar
 Há palavras acesas como barcos
 E há palavras homens, palavras que guardam
 O seu segredo e a sua posição
 
 Entre nós e as palavras, surdamente,
 As mãos e as paredes de Elsenor
 
 E há palavras e nocturnas palavras gemidos
 Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
 Palavras diamantes palavras nunca escritas
 Palavras impossíveis de escrever
 Por não termos connosco cordas de violinos
 Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
 E os braços dos amantes escrevem muito alto
 Muito além da azul onde oxidados morrem
 Palavras maternais só sombra só soluço
 Só espasmos só amor só solidão desfeita
 
 Entre nós e as palavras, os emparedados
 E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Along the wall Along the wall we inhabit There are words of life There are words of death There are immense words waiting for us And other fragile ones, that gave up waiting There are enlightened words like boats And there are words men, words that keep Their secret and their position Between us and the words, faintly, Elsenor's hands and walls And there are words and night words moanings Words that rise to us unreadable To the mouth Diamond words never written words words impossible to write Because we don't have violin strings with us Not all the blood in the world or all the embracement in the air And the arms of lovers write very loudly Far beyond the blue where the oxidized die Motherly words only shadow only sobbing Only spasms only love only loneliness undone Between us and the words stay the walled ones And between us and the words,stays our duty to speak.


WONDER DRIVE


Lexus LS 500h

Um sentido apurado de luxo Nos seus 5.235mm de comprimento, parece que não acaba. E surpreende. Principalmente quando se olha para a sua gigante grelha ou, já ao seu volante, somos invadidos por um grandioso exercício de luxo, tecnologia e design. Também de grandeza. E quando procuramos tirar partido do seu bloco V6 de 3,5 litros Dual VVT-i a gasolina com 354 cv, a tentação é para nos deixarmos levar pelo expoente máximo da Lexus, o LS 500h. Texto Fernando Borges | Fotos Lexus

A keen sense of luxury With a 5.235mm length, it seems there is no end of it. And it is a striking car. Especially when we look at its giant grille or, while driving, we feel a grand exercise of luxury, technology and design. Also of grandeur. And when we seek to take advantage of its 354-hp 3.5-liter V6 Dual VVT-i V6 block, we feel tempted to be taken away by Lexus' top-notch LS 500h. Text Fernando Borges | Photos Lexus


Quando olhamos para o LS 500h da Lexus, e procuramos fazer comparações com outros topos de gama de outras marcas, sente-se que este Lexus está cheio de personalidade, diferenciando-se dos "porta-aviões" da concorrência, mesmo podendo-se questionar a sua estética, fruto da aposta da marca japonesa em desenhar um automóvel que surpreendesse. Por isso é esteticamente arrojado, despertando a atenção por onde quer que passe, estando o seu principal foco de atenção na sua enorme grelha tridimensional, com mais de 5000 superfícies individuais. Por vezes parece mesmo ter sido esculpida, tornando-a quase uma "obra de arte". Para ainda aumentar esta sensação, o LS 500h apresenta uma silhueta fluida, um perfil baixo para um sedan e, pela primeira vez, aparece com seis vidros laterais. Depois, ainda para acentuar a sua diferença, olha-nos com ultra-compactos faróis triplos bi-LED, acentuando a configuração em “L” que envolve as extremidades do carro, enquanto que na secção traseira a sua personalidade está marcada pelos grupos ópticos que se unem numa linha que desce e recua para ligar ao difusor traseiro, replicando as linhas da grelha fusiforme, com as lâmpadas combinadas LED a apresentarem um design elegante com proeminentes cantos verticais que lhes conferem uma forma instantaneamente reconhecível. E há ainda as enormes jantes de liga forjada de 20 polegadas para impressionar.

When we look at the Lexus LS 500h, and try to make comparisons with other top-of-the-range cars and brands we feel that this Lexus is full of personality different from competitors “ aircraft carriers”, even though one might question its aesthetics that is the result of the bet of the Japanese brand in designing a striking car. That´s why the car is aesthetically bold and calls our attention wherever it goes, with its main focus of attention on its huge three-dimensional grid with over 5000 individual surfaces. Sometimes it even seems to have been carved, making it almost a "work of art".
 To further enhance this feeling -, the LS 500h features a fluid silhouette, a low profile for a sedan and, for the first time it comes with six side windows. Then to further accentuate their difference the car display an ultra-compact triple LED bi-headlights that outline the “L” configuration that surrounds its edges, while in the rear section its personality is marked by the optical groups that unite in a downward and backward line to connect to the rear diffuser, replicating the fusiform grille lines, with the combined LED lamps featuring a sleek design with prominent vertical corners that give them an instantly recognizable shape. And there's still the huge 20-inch forged alloy wheels to impress.


E isto é o que se vê por fora. Já no seu interior, o cuidado no design e no luxo ganha outros valores, com pormenores dignos da mais refinada relojoaria, onde a preocupação com a comodidade é superlativa, tanto para o condutor como para todos os outros ocupantes, em especial para os que vão atrás, onde através de um pequeno tablet, localizado na zona central que divide os dois lugares traseiros, e que pode ser substituída por um quinto banco, os passageiros podem controlar grande parte das funcionalidades do automóvel, como 18 posições de ajuste eléctrico e ventilados, controlo de climatização electrónico de quatro zonas, cortinas traseiras eléctricas, inserções em madeira artesanal, sistema de entretenimento traseiro... embora seja apenas à frente que existe um sistema de massagem com cinco programas diferentes para áreas específicas do corpo desenvolvidos em conjunto pela marca e um mestre japonês de shiatsu. And this is what you see on the outside. Inside, the care in design and luxury gains other values, with details worthy of the most refined watchmaking, where the concern for convenience is superlative, both for the driver and for all other car occupants, especially for those sitting on the back side , where through a small tablet, located in the central area that divides the two rear seats, and which can be replaced by a fifth seat, passengers can control much of the car's features like the 18 electric and ventilated adjustment positions, four-zone electronic climate control, electric rear curtains, handcrafted wooden inserts, rear entertainment system... although it is only on the front seats that there is a massage system with five different programs for specific body areas jointly developed by the brand and by a Japanese master of shiatsu.


Mas há ainda que destacar o ecrã táctil de 12 polegadas com gráficos 3D com a informação que hoje se quer necessária para uma boa condução e uma parafernália de opções acopladas a um sistema de visualização frontal, uma técnica que a industria automóvel foi buscar à aviação militar, dando ao condutor uma série de informações, como GPS, sinais de trânsito, velocidade, etc... sem que tiremos os olhos da estrada. Outro dos destaques é o sistema de som. A parceria com a marca de alta-fidelidade Mark Levinson, que colocou 23 altifalantes espalhados pelo habitáculo, dá facilmente a sensação que estamos dentro de uma sala de cinema. E sobre a qualidade dos materiais, nem sequer vale a pena começar, bastando dizer que os os painéis das portas são plissados à mão. Mas há que nos aventuramos no prazer da condução, que no LS 500h ganha efeitos especiais. Não é só o conforto das massagens, de tudo estar à distância de um dedo sem que tenhamos que desviar o olhar. É sentirmos que estamos a conduzir um verdadeiro luxo chegado do Oriente e que temos nas mãos 354 cv que lhe dão vida, oriundos do motor a combustão e de dois eléctricos. Que este é um automóvel para andar, continuar a andar... e muito! But we still should outline the 12-inch touch screen with 3D graphics that supplies the necessary information we need today for good driving and a paraphernalia of options coupled to a front view system, a technique that the car industry has taken from military aviation. , giving the driver a lot of information like GPS, traffic signals, speed, etc ... without taking our eyes off the road. Another of the highlights is the sound system. The partnership with Mark Levinson hi-fi brand, which has placed 23 loudspeakers around the cabin, makes it easy to feel like we're in a movie theater. And it's not even worth talking about the quality of the materials, it’s enough to say that the door panels are pleated by hand. But we have to venture into the pleasure of driving, which in the LS 500h gets special effects. It's not just the comfort of massages, the fact that everything that is just a finger away without us having to look away. We feel that we are driving a true luxury coming from the East and that we have in our hands 354 hp that give it life, coming from the combustion engine and from two electric engines. Because this is a car meant to run, to keep on running... and a lot.


Elewana Loisaba Lodo Springs “Luxo e ambientalismo no Quénia” A fantástica área de conservação da natureza de Loisaba, no Quénia, foi o lugar escolhido pela marca Elewana Collection, detentora de uma premiada colecção de acampamentos, lodges e hotéis boutique, para inaugurar um novo acampamento de luxo, o Elewana Loisaba Lodo Springs. Este espaço é um importante corredor de elefantes que conecta com o famoso palco de vida selvagem de Laikipia, desempenhando um papel fundamental no apoio a uma das maiores e mais estáveis populações de leões do Quénia, abrigando igualmente vários mamíferos em perigo de extinção, incluindo a zebra de Grevy, o cão selvagem, o leopardo e a chita. Pendurado num penhasco com vistas deslumbrantes que se estendem sobre a paisagem mágica do Monte Quénia, oferecendo uma experiência ultraprivada, o Loisaba Lodo Springs, com apenas oito espaçosas tendas-suite desenhadas e decoradas cada uma delas num estilo diferente, projecta-se como o lugar certo para os aventureiros que desejam ter uma total liberdade de movimentos e do seu tempo. À sua espera estão opções e actividades que passam por um tradicional safari num veículo 4x4, passeios em bicicletas de montanha e a cavalo, ou caminhadas por desfiladeiros e pela savana acompanhados por um guia tradicional de Samburu, cujo conhecimento da flora, fauna, cultura e história local é incomparável. Ou apenas estar sentado num dos sofás do amplo lounge da tenda-suite aberta às planícies de Laikipia ou esticado numa espreguiçadeira da varanda privativa enquanto o tempo corre ao sabor do vento que traz os sons de África.

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“Luxury and environmentalism in Kenya” The fantastic nature conservation area of Loisaba, Kenya, was chosen by the Elewana Collection brand, which holds an award-winning collection of camps, lodges and boutique hotels, to open a new luxury camp, Elewana Loisaba Lodo Springs. This space is a major elephant corridor that connects with Laikipia's famous wildlife scene, playing a key role in supporting one of Kenya's largest and most stable lion population, as well as harboring several endangered mammals, including Grevy's zebra, wild dog, leopard and cheetah. Perched on a cliff with breathtaking views of the magical landscape of Mount Kenya, offering an ultra-private experience, Loisaba Lodo Springs, with just eight spacious suite tents designed and decorated in a different style, projects itself as the right place for adventurers who want complete freedom of movement and time. Awaiting you are options and activities that go through a traditional 4x4 safari, mountain bike and horseback riding, or canyon and savannah walks accompanied by a traditional Samburu guide whose knowledge of flora, fauna, culture and local history is unmatched. Or just sitting on one of the sofas in the large lounge of the tent-suite open to the Laikipia plains or stretched out on a private balcony lounger while the weather ticks the wind that brings the sounds of Africa.


APAVT “Madeira recebe 45º Congresso Nacional” De 14 a 17 de Novembro o Funchal será palco do 45º Congresso Nacional da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que este ano terá como tema «Turismo: Opções Estratégicas», sendo a quinta vez que a Madeira recebe o mais importante congresso nacional da área do turismo, tornando-se a cidade portuguesa a acolher o maior número de congressos da APAVT. Entre os temas mais importantes de debate, e segundo Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, estarão o Brexit, a falência de várias companhias aéreas europeias, operadores e os vários desafios relacionados com os aeroportos de Lisboa, Funchal, Faro e Açores, bem como a escassez de recursos humanos e a mudança da legislatura, “que é sempre uma oportunidade fantástica de voltarmos à casa de partida sem ideias pré-concebidas e voltarmos a tentar olhar para o futuro”. Um congresso que começará com uma apresentação sobre os desafios macroeconómicos dos próximos anos, a cargo de Daniel Traça, da Nova School of Business and Economics de Carcavelos, enquanto que para a discussão que servirá como base central do congresso estará um estudo feito pelo professor Augusto Mateus e pelas suas equipas sobre as opções estratégicas do turismo para Portugal. Também serão abordados outros temas, como o MI (Meeting Industry) e a aviação, sendo ainda de salientar uma apresentação de Johnson Semedo, da Johnson Academy, que chamará a atenção para as pessoas que estão por trás da economia, das empresas, das abordagens estratégicas, dos colaboradores e dos orçamentos.

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“Madeira receives 45th National Congress” From 14 to 17 November Funchal will host the 45th National Congress of the Portuguese Association of Travel and Tourism Agencies (APAVT), which this year will have as its theme «Tourism: Strategic Options», being the fifth time that Madeira receives the most important national tourism congress, becoming the Portuguese city to host the largest number of APAVT congresses. Among the most important topics for debate, according to Pedro Costa Ferreira, president of APAVT, will be Brexit, the bankruptcy of several European airlines, operators and the various challenges related to Lisbon, Funchal, Faro and Azores airports, as well as the scarcity of human resources and the change in the legislature, "which is always a fantastic opportunity to go back home without preconceived ideas and try again to look into the future.” A congress that will begin with a presentation on the macroeconomic challenges of the coming years, by Daniel Traça, from Carcavelos New School of Business and Economics, while for the discussion that will serve as the central base of the congress will be a study by Professor Augusto Mateus and his teams on tourism's strategic options for Portugal. Other topics such as Meeting Industry (MI) and aviation will also be addressed, and a presentation by Johnson Semedo ,of Johnson Academy, that will draw attention to the people behind the economy, the companies, the strategic approaches, the employees and the budgets.


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Wonder Go #36 Novembro-Dezembro/November-December 2019  

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