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Maio-Junho 2018 | #27 | Ano III May-June 2018 | #27 | Year III

wonderGO! travel

Remédios Remédios Uma “cubanía” sensual

A sensual "cubanía"

Marrocos | Amazónia | Vale do Côa Morocco | Amazonia | Côa Valley


wonderGO! magazine

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GO | 16 San Juan de los Remédios WONDER PORTUGAL | 27 Vale do Côa | Côa Valley 54

MUNDO | 40 Marrocos | Morocco

27 PHOTO-GALLERY | 54 Amazónia por Fernando Borges Amazonia by Fernando Borges

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WONDER TASTE| 66 Mercantina


Wherever you GO… Wonder GOes with you! 90

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WONDER DRINKS | 74 Pilsner Urquell ART&GO. | 82 Amadeo de Souza Cardoso 10X10 | 90 Pilar Leiva GO DRIVE | 98 Range Rover Velar D300 NOTÍCIAS | NEWS | 106

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editorial PROPRIEDADE | OWNERSHIP Agência Analógica WEB www.wondergomagazine.com SOCIAL MEDIA facebook.com/wondergomagazine instagram.com/wondergomagazine EMAIL info@wondergomagazine.com TELEFONE | TELEPHONE (+351) 96 335 4142 | 96 274 9108 DIRECTOR Fernando Borges fborgeswondergo@analogica.pt DIRECTORA EDITORIAL | EDITORIAL DIRECTOR Carla Branco cbrancowondergo@analogica.pt

Já ouvi dizer que uma opção é uma das possíveis respostas a várias posições em aberto. Ou a versatilidade de respostas perante um determinado acto. Ou parte de um leque que evidencia uma de várias alternativas. A estes entendimentos sobre o que é uma “opção”, acrescento que é parte de uma estratégia libertadora na busca de um melhor caminho, uma outra via, própria, do que pensamos e pretendemos ser melhor para quem nos segue. Por isso tomámos uma opção. Não apenas seguindo uma intuição meramente pessoal, mas após ouvir a opinião de gente que nos lê e vê. Também de quem faz do jornalismo a sua actividade. E ainda outros. Estudiosos e entendidos em marketing, directores de relações públicas, consultores de opinião, disciplinadores de grupos de estratégia… Mas todos tendo em comum o facto de nos lerem e verem. De nos conhecerem desde que nascemos em Março de 2016. Perante todos estes factos, a que acrescentamos o nosso desejo de ser lidos e vistos tranquilamente, sem pressas, e de passarmos a ter mais tempo para “desenhar” e oferecer melhores conteúdos, este editorial serve para informar que a Wonder GO deixa de aparecer todos os meses, passando a ser bimestral. Pensamos mesmo que o mais importante é que nós continuamos aqui, e vocês aí. Juntos!

I have heard that an option is one of the possible answers to several open positions. Or the versatility of answers to a particular act. Or part of a range that shows one of several alternatives. To these understandings about what is an "option", I add that it is part of a liberating strategy in search of a better way, another way, our own way, than we think and we intend to be better for those who follow us. So we took an option. Not just following a merely personal intuition, but after hearing the opinion of people who read and see us. Also of those who make journalism their activity. And still others. Scholars and marketing connoisseurs, public relations managers, opinion consultants, disciplinarians of strategy groups... But all have in common the fact that they read and see us. The ones who know each other since we were born in March 2016. Given all these facts, to which we add our desire to be read and seen quietly, without haste, and to have more time to "design" and offer better content, this editorial serves to inform that Wonder GO ceases to appear all months, becoming bimonthly. We really think the most important thing is that we're still here, and you're there. Together!

ARTE & DESIGN GRÁFICO | ART & GRAPHIC DESIGN Carla Branco MARKETING & MULTIMEDIA Agência Analógica PERIOCIDADE | PERIODICITY Bimestral

Fernando Borges Director Wonder Go Magazine


GO


San Juan de los Remédios Criolismo como identidade e no coração Em cada canto da cidade existe uma personagem, uma lenda, uma história. E pelas suas ruas e praças, entre detalhes arquitectónicos e monumentos, desfilam eventos que enriquecem a história e cultura popular desta bela cidade com mais de 500 anos, a que muitos chamam de “Octava Villa”. Também de Cuba. Falamos, obviamente, de San Juan de los Remédios, ou simplesmente Remédios. Texto & Fotos Fernando Borges

San Juan de los Remedios Creolism as an identity and in the heart In every corner of the city there is a character, a legend, a story. And through its streets and squares, among architectural details and monuments, events that enrich the history and popular culture of this beautiful city with more than 500 years, which many call the "Eighth Villa", parade through. Also from Cuba. We speak, of course, of San Juan de los Remedios, or simply Remedios. Text & Photos Fernando Borges


Cheguei num clássico Dodge, amarelo e preto. À minha frente erguia-se a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, e do outro lado do jardim que domina a Praça José Marti, o herói da independência cubana, a Igreja de São João Baptista, um monumento do século XVIII com 13 altares banhados a ouro e a particularidade de ter uma estátua que representa a Virgem Maria grávida. Era a certeza de que tinha chegado ao centro histórico, declarado Monumento Nacional em 1980, de uma cidade que me haviam dito ser de visita obrigatória. À minha volta, e ainda encostado nos estofos brancos do “meu” Dodge de 1962, parte de um riquíssimo museu móvel que percorre ruas e estradas de Cuba, erguia-se a arquitectura do coração de uma cidade dominada por amplos portões de ferro que deixam descobrir pátios interiores inundados de arcadas e refrescante vegetação. Também por grandes janelas protegidas e decoradas de artísticas peças de ferro forjado, fazendo realçar coloridas fachadas, varandas e beirais apoiados em estreitos pilares de madeira. E tinham razão aqueles que me disseram que San Juan de los Remédios era uma Trinidad em miniatura.

I arrived in a classic Dodge, yellow and black. In front of me stood the Church of Our Lady of Boa Viagem, and on the other side of the garden that dominates José Marti Square, the hero of Cuban independence, the Church of St. John the Baptist, an 18th century monument with 13 gold bathed altars and the particularity of having a statue representing the pregnant Virgin Mary. I was sure that I had arrived at the historic center, declared a National Monument in 1980, of a city that I had been told was a must visit. Around me, and still leaning against the white upholstery of my 1962 Dodge, part of a very rich mobile museum that runs along the streets and roads of Cuba, was the architecture of the heart of a city dominated by large iron gates that leave discover indoor patios flooded with arcades and refreshing greenery. Also by large windows protected and decorated with artistic pieces of wrought iron, highlighting colorful facades, balconies and eaves supported by narrow wooden pillars. And those who told me that San Juan de los Remedios was a miniature Trinidad were right.


Perante os meus olhos, já com o Dodge amarelo e preto estacionado à sombra da Igreja de São João Baptista, enquanto caminhava pela irregularidade das ruas de paralelepípedos e tentando proteger-me da intensidade do sol, iam passando beirais e aldravas de casas coloniais, criando um ambiente que testemunha ser esta uma cidade centenária e de singular valor estético e patrimonial. Caminhava com destino. Muito por culpa do calor do meio da tarde. E o destino era a esplanada do El Louvre, que dizem ser o bar mais antigo de toda a Cuba, para aí tomar um trago de rum Mulata, outra das peculiaridades da cidade onde nasceu, uma bebida de alta qualidade criada para deleitar quem gosta de uma boa bebida. Porque não também dizer que nele reside, para além do segredo passado de geração em geração pelos grandes mestres de rum de Cuba, as raízes, sentires e virtudes que identificam o mestiço cubano, que carrega em si mesmo o mais autêntico criolismo desta ilha das Caraíbas? Por ali fiquei. Protegendo-me do sol, escutando conversas sobre lendas e tradições, e embevecido pelo constante passar sensual da mulher cubana que a cada passo parece acompanhar o ritmo da salsa e da rumba saída de um prodigioso saxofone. Também procurando em mais um Mulata com duas pedras de gelo a energia e coragem para partir entre ruas e ruelas, que parecem desencontrar-se em cada esquina, à descoberta da longevidade de uma cidade que, apesar de ter sido fundada em 1515 pelo espanhol Vasco Porcallo de Figueroa, se mostra e oferece rejuvenescida e bela. Before my eyes, already with the yellow and black Dodge parked in the shade of the Church of St. John the Baptist, as I walked through the irregularity of the cobbled streets and trying to protect myself from the sun's intensity, I passed eaves and knockers of colonial houses, creating an environment that testifies to being a city centennial and of singular aesthetic and patrimonial value. I walked with a destiny. Too much because of the mid-afternoon heat. And the destination was the esplanade of El Louvre, which is said to be the oldest bar in all of Cuba, to take a drink of rum Mulata, another of the peculiarities of the city where it was born, a high quality drink created to delight those who like a good drink. Why not also say that in it lies, beyond the secret passed from generation to generation by the great masters of Rum of Cuba, the roots, feelings and virtues that identify the Cuban mestizo, that carries in itself the most authentic criolism of this island of the Caribbean ? That's where I was. Protecting me from the sun, listening to conversations about legends and traditions, and embellished by the constant sensual passing of the Cuban woman who at every step seems to follow the rhythm of salsa and rumba out of a prodigious saxophone. Also looking for another mulatto with two rocks of ice the energy and courage to go between streets and alleys, which seem to be found in every corner, to the discovery of the longevity of a city that, although it was founded in 1515 by the Spanish Vasco Porcallo de Figueroa, shows itself and offers rejuvenated and beautiful.


E ali estava o esplendor e o toque singular de edifícios centenários que, com a sua gente, afirma a sua “cubanía”, o seu apego a uma muito sentida e sempre presente identidade nacional. Parte de um valor patrimonial, histórico e cultural de que fazem parte a já escrita Igreja Paroquial de São João Baptista e da Nossa Senhora da Boa Viagem, o Centro Cultural La Tertulia, o Museu Casa Alejandro García Caturla, o Hotel Mascotte, as cafetarias El Louvre, El Drivers e a Estátua da Libertade, única do seu tipo em Cuba, a casa do Alférez Real e de Las Arcadas, a taberna Siete Juanes, a gelataria Doña Lala, o sport-bar El Golazo e o Teatro Villena. Mas tudo isto é apenas um pequeno olhar pela história e cultura da “Octava Villa”, forjada ao longo de cinco séculos, a que se juntam outros valores culturais e tradições. E é aqui que aparece a festa Sanjuanera, conhecida desde os primeiros anos do século XVIII, dando início às festividades de aniversário da cidade, e a incontornável festa de Las Parrandas, uma celebração única em Cuba surgida no século XIX, um desafio fraternal entre os habitantes dos bairros de El Carmen, que tem um galo como mascote, e de San Salvador de Horta, “comandado” por um falcão, numa recriação de personagens e histórias de Remédios com desfile de carros alegóricos, fogo-de-artifício, grupos musicais, lâmpadas multicolores, andarilhos, mascarados… And there was the splendor and singular touch of centenary buildings that, with its people, affirms its "cubanía", its attachment to a very felt and ever present national identity. Part of a heritage, historical and cultural value that includes the already written Parish Church of São João Baptista and Nossa Senhora da Boa Viagem, La Tertulia Cultural Center, Casa Alejandro García Caturla Museum, Hotel Mascotte, coffee shop El Louvre, El Drivers and Statue of Liberty, the only one of its kind in Cuba, the Alférez Real and Las Arcadas, the Siete Juanes tavern, the Doña Lala ice cream parlor, the El Golazo sport bar and the Villena Theater. But all this is just a small glimpse into the history and culture of the "Eighth Villa", forged over five centuries, joined by other cultural values and traditions. And here is the Sanjuanera party, known since the early years of the 18th century, beginning the city's anniversary festivities, and the unforgettable party of Las Parrandas, a unique celebration in Cuba that emerged in the 19th century, a fraternal challenge among the inhabitants of the neighborhoods of El Carmen, who have a cock as a mascot, and of San Salvador de Horta, "commanded" by a hawk, in a recreation of characters and stories of Remedios with parade of floats, fireworks, musical groups, multicolored lamps, wanderers, masked…


Pequenos exemplos da verdadeira riqueza de Remédios onde a literatura oral e escrita tem um espaço de eleição, um verdadeiro tesouro recolhido de lendas, histórias, provérbios, canções e personagens populares, muitas delas passadas para a pintura e artesanato. Assim é San Juan de los Remédios de la Sabana del Cayo, como um dia se chamou, uma cidade que faz com que viajar até Cuba seja também um desafio para que se parta à descoberta de lugares menos massificados e mais autênticos. Uma cidade que bem poderia chamar-se de Remédios la Bella, como se chamava uma das personagens mais fascinantes de Macondo, do romance Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Pois também ela é bela e estranha, elementar e pura, capaz de acender desejos e paixões. Dos seu habitantes e de quem a visita. Uma celebração à vida! Mas era tempo de voltar a entrar no Dodge amarelo e preto de 1962 e seguir estrada fora em direcção de Santa Clara, a cidade imortalizada por Che Guevara, e das águas azul-turqueza do Cayo de Santa Maria e do Cayo Las Brujas. Parti, mas ficou o desejo de regressar. Small examples of the true richness of Remedios where oral and written literature has a space of choice, a true treasure trove of legends, stories, proverbs, songs and popular characters, many of them passed on to painting and crafts. This is San Juan de los Remedios de la Sabana del Cayo, as it was once called, a city that makes traveling to Cuba a challenge to discover less crowded and more authentic places. A city that could well be called Remedios la Bella, as it was called one of the most fascinating characters of Macondo, from the novel Hundered Years of Solitude by Gabriel García Márquez. For it is too beautiful and strange, elemental and pure, capable of lighting desires and passions. Of its inhabitants and of those who visit it. A celebration to life! But it was time to re-enter the 1962 yellow and black Dodge and head off toward Santa Clara, the city immortalized by Che Guevara, and the turquoise waters of Cayo Santa Maria and Las Brujas Key. I left, but there was a desire to return.


WONDER PORTUGAL


Vale do Côa Por castelos de um passado feito História Percorrem-se estradas onde a seguir a mais uma curva se ergue um castelo que cumpriu as suas funções, a de guardar a mais antiga fronteira da Europa, combatendo o inimigo com óleo a ferver. E aí nasceram lendas. Também ilustres nomes de outras histórias. Lugares cheios de beleza e de outros patrimónios. Uns mais antigos que as muralhas e outros que marcam eras mais recentes. E gentes. As que lá vivem e as que por lá passam. Conquistando e encantando. São muralhas, lugares e destinos que se estendem pelos Territórios do Côa. Texto & Fotos Fernando Borges

Côa Valley By castles of a past made History There are roadways where, following another curve, a castle is built that has fulfilled its functions, that of guarding the oldest frontier of Europe, fighting the enemy with boiling oil. And there were born legends. Also illustrious names from other stories. Places full of beauty and other heritages. Some older than the walls and others that mark more recent ages. And people. Those who live there and those who stop by. Conquering and enchanting. The walls, places and destinations that extend through the territories of the Côa. Text & Photos Fernando Borges


São fruto de várias gerações de reis estrategicamente erguidos junto de uma fronteira que tinha do outro lado reinos de Espanha. São castelos e muralhas a quem os reis outorgaram cartas de foral e privilégios a quem ali se fixasse. Graças a eles, mudou-se o destino de um país que um dia se chamou Condado Portucalense. Por causa deles, nasceram povoações. E por causa da fé de quem para esses lugares ia viver, nasceram capelas e igrejas. Também lendas. Muitas delas envoltas numa aura mágica. Muitas outras de heroísmo. E de sacrifício. E assim se foi moldando a alma de um povo que tinha as montanhas como companhia. E rios. Povo que foi construindo um património, século após século, que continua a invocar o início de um país, de Portugal. Basta percorrer os Territórios de Foz Côa e avançar entre muralhas por lugares que têm como nome Almeida, Marialva, Sortelha, Penamacor, Pinhel, Sabugal, Mêda, Trancoso, Castelo Rodrigo, Idanha-aVelha ou Belmonte. Em cada uma delas contam-se histórias, sentemse batalhas. Olham-se montanhas e campos de terras raianas onde se combateu o inimigo, tocam-se pedras que nos trazem uma vida feita de um passado, conquistando pela beleza e imponência quem as olha. They are the fruit of several generations of kings strategically erected next to a border that had on the other side kingdoms of Spain. They are castles and walls to which the kings granted charters and privileges to those who settled there. Thanks to them, the destiny of a country that once was called Condado Portucalense has changed. Because of them, settlements were born. And because of the faith of those who were going to live there, chapels and churches were born. Also legends. Many of them wrapped in a magical aura. Many others of heroism. And sacrifice. And so the soul of a people that had the mountains as company was molding itself. And rivers. People who built a heritage, century after century, that continues to invoke the beginning of a country, of Portugal. It is enough to cross the territories of Foz Côa and to advance between walls by places that have names like Almeida, Marialva, Sortelha, Penamacor, Pinhel, Sabugal, Mêda, Trancoso, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha or Belmonte. In each of them stories are told, battles are felt. They look at mountains and fields of raian lands where the enemy was fought, stones are touched that bring us a life made of a past, conquering by the beauty and imposing who looks them.


Viaja-se ao passado, que vai para lá deste feito de muralhas e que é muitas vezes ouvido numa conversa num banco de um jardim ou de uma praça. Viajam-se milénios até às histórias contadas por gravuras deixadas pela Pré-história em rochas de xisto que delimitam o leito do rio Côa, e que se converteram em verdadeiros painéis de arte, em Património da Humanidade e em testemunho criador do Homem através do Paleolítico Superior, do período Neolítico e da Idade do Ferro, transpondo o tempo era após era até ao Período Medieval. Esse que é marcado por muralhas e castelos. É uma viagem que nos traz a um Portugal feito de aldeias muralhadas erguidas de pedras de granito, como Almeida, palco de lutas entre castelhanos e portugueses, ora tomada por uns, ora reconquistada por outros, até que D. Dinis, no ano de 1296, a toma definitivamente para Portugal, tornandose na mais importante fortificação das terras de Riba-Côa. Mas foi apenas em 1640 que a grande fortaleza abaluartada em forma de estrela foi erigida, erguendo-se imponente com os seus seis baluartes e uma praça-forte formada por uma cintura muralhada em torno da povoação, tendo sido a principal arma de defesa das terras da Beira contra as investidas dos exércitos espanhóis durante as Guerras da Restauração da Independência. Uma defesa à independência portuguesa apenas quebrada pelos exércitos de Napoleão, para mais tarde, de novo em mãos portuguesas, se transformar em prisão política durante as guerras entre liberais e miguelistas, perdendo em definitivo as funções militares. One travels to the past, that goes beyond this made of walls and that is often heard in a conversation on a bench in a garden or a square. Millennia are traveled to the stories told by engravings left by Prehistory on shale rocks that delimit the bed of the river Côa, and that have turned into true panels of art, in Patrimony of the Humanity and in creative witness of the Man through Palaeolithic Upper, from the Neolithic period and the Iron Age, transposing time era upon era up to the Medieval Period. The one that is marked by walls and castles. It is a journey that brings us to a Portugal made of walled villages erected of granite stones, as Almeida, a stage of struggles between Castilians and Portuguese, now taken by some, and then reconquered by others, until D. Dinis, in the year 1296, takes it definitively to Portugal, becoming the most important fortification of the lands of Riba-Côa. But it was only in 1640 that the great star-studded fortress was erected, rising imposingly with its six bastions and a stronghold formed by a waist walled around the village, having been the main weapon of defense of the lands of Beira against the onslaughts of the Spanish armies during the Wars of the Restoration of Independence. A defense to Portuguese independence only broken by the armies of Napoleon, and later, again in Portuguese hands, transformed into political prison during the wars between liberals and miguelistas, losing in definitive the military functions.


Uma obra-prima da engenharia militar com mais de 2500 metros de muralhas com a forma de uma estrela de doze pontas que guarda a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz, bem como vestígios de presença humana desde o paleolítico, estando detectados núcleos castrejos da Idade do Bronze e Ferro, assim como vestígios da presença romana. E se Almeida foi uma das mais importantes fortificações raianas, o Sabugal, erguendo-se num pequeno planalto da Serra da Malcata, relembra igualmente gloriosas lutas. Na sua Porta Velha, à sombra das muralhas do seu castelo, a que muitos chamam de Castelo das Cinco Quinas devido à invulgar forma da sua torre de menagem pentagonal, do pelourinho, ou quando se escutam histórias, lendas e tradições junto a um singelo portal de arco em ogiva por onde corre a cerca da barbacã, ou por entre ruas medievais que atravessam o perímetro do castelo. Uma imagem que poderia continuar por Penamacor. Mas só que aqui, há outras histórias para além das que nos falam de conquistas e reconquistas medievais. Como a que nos é mostrada através de diversos sinais da velha judiaria e que nos diz ter servido de refúgio aos judeus expulsos de Espanha pelos Reis Católicos em 1492. Também a que nos diz ser o berço de uma das mais emblemáticas figuras da cultura europeia do século XVIII, o médico e filósofo António Ribeiro Sanches. Um cristão-novo perseguido pela Inquisição portuguesa ao longo de muitos anos, sob a acusação de nunca ter renunciado ao Judaísmo, que foi médico de Catarina da Rússia e autor de escritos que revolucionaram o ensino da medicina em Portugal. Não muito longe, também evocando batalhas e acontecimentos marcantes da história e da cultura portuguesa, num intenso ar medieval, ergue-se uma verdadeira arca de testemunhos antigos, humanos e históricos de Portugal, Penedono, berço do lendário Magriço, que foi copeiro-mor da rainha D. Filipa de Lencastre e autor de várias façanhas heróicas, como a tomada de Ceuta, que muitos comparavam a D. Tristão, famoso cavaleiro da Távola Redonda, tendo sido imortalizado por Camões como “Um dos Doze de Inglaterra”. A masterpiece of military engineering with more than 2500 meters of walls in the shape of a twelve-pointed star guarding the Church of Mercy and the Mother Church, as well as vestiges of human presence since the Paleolithic, being detected nuclei castrejos of the Age Bronze and Iron, as well as traces of the Roman presence. And if Almeida was one of the most important raian fortifications, Sabugal, rising on a small plateau of the Serra da Malcata, also recalls glorious fights. In its Old Port, in the shadow of the walls of its castle, which many call the Castle of the Five Quines due to the unusual shape of its pentagonal tower, the pillory, or when listening to stories, legends and traditions next to a simple portal from arc to ogive where the barbican fence runs, or through medieval streets that cross the perimeter of the castle. An image that could continue through Penamacor. But here, there are other stories besides those that speak of medieval conquests and reconquest. Like that which is shown to us through various signs of the old Jewry, and which tells us that it served as a refuge for the Jews expelled from Spain by the Catholic Kings in 1492. Also what is said to be the birthplace of one of the most emblematic figures of European century, the doctor and philosopher Antonio Ribeiro Sanches. A young Christian persecuted by the Portuguese Inquisition over many years on the charge of never having renounced Judaism, who was Catherine of Russia's physician and author of writings that revolutionized the teaching of medicine in Portugal. Not far away, also evoking battles and events of Portuguese history and culture, in an intense medieval atmosphere, stands a veritable ark of ancient, human and historical testimonies of Portugal, Penedono, cradle of the legendary Magriço, who was a chief butler of Queen Philippa de Lencastre and author of several heroic exploits, such as the capture of Ceuta, which many compared to D. Tristao, famous knight of the Round Table, having been immortalized by Camões as "One of the Twelve of England."


Um pouco mais ali, a apenas alguns quilómetros, ergue-se Trancoso, que é a terra do Bandarra, um sapateiro-profeta que alvoroçou a Inquisição, que profetizou o futuro de Portugal e que potenciou o mito sebastianista e a glória do V Império referido pelo Padre António Vieira e por Fernando Pessoa. Trancoso que faz parte do restrito programa das “Aldeias Históricas de Portugal”, terra onde D. Dinis e a Rainha Santa Isabel se casaram, das Portas d’El Rei que dão acesso a um verdadeiro postal ilustrado que se divide entre a antiga Judiaria, os Paços do Concelho, o Pelourinho Manuelino, a Igreja da Misericórdia e a Igreja de S. Pedro, onde está sepultado o poeta-profeta Bandarra, a casa-quartel do General Beresford, o Palácio Ducal, a Igreja de Santa Maria de Guimarães, a Rua dos Cavaleiros e o Castelo medieval. Autênticas viagens no tempo que se prolongam pelas ruas cheias de glória de Pinhel, por onde se estendem edifícios que nos remetem para outras eras, como a Igreja de Santa Maria do Castelo, a Igreja da Misericórdia, o pelourinho, a Casa Grande, a Igreja da Trindade, ou a ponte de dois arcos. A “Cidade Falcão” erguida na margem esquerda do Côa, que foi durante muitos anos praça fronteiriça de grande relevo estratégico, sendo que dessa época datam a primitiva muralha e o castelo, onde todos os anos se recria uma das mais genuínas feiras medievais que se fazem por este Portugal. Mais um lugar que nos leva ao encontro da História, são as terras de Mêda, onde se erguem outros templos, castelos e ruínas, casas brasonadas, pelourinhos, fragas e fontes, conferindo-lhe desde sempre uma áurea de magnificência que encantou gerações de povos e credos. Aqui, em terras de Mêda, entre paisagens que se podem contemplar desde os miradouros de Santa Bárbara e de Paipenela, abrem-se caminhos que nos levam à própria povoação de Mêda, deslumbrante na sua arquitectura do século XVIII, considerado o século de ouro da arquitectura e da escultura portuguesas, e à aldeia de Marialva, que dizem remontar ao tempo da antiga Cidade de Aravor, fundada pelos Túrdulos no séc. VI a.C. A little further there, just a few kilometers away, stands Trancoso, which is the land of Bandarra, a cobbler-prophet who upset the Inquisition, who prophesied the future of Portugal and which enhanced the Sebastianist myth and the glory of the Fifth Empire referred to by Father António Vieira and by Fernando Pessoa. Trancoso that is part of the restricted program of the "Historical Villages of Portugal", land where D. Dinis and Queen Santa Isabel were married, of the Portas d'El Rei that give access to a true picture postcard that is divided between the old Judiaria, the Manueline Pillory, the Misericordia Church and the Church of St. Peter, where the poet-prophet Bandarra is buried, General Beresford's headquarters, the Ducal Palace, the Church of Santa Maria de Guimarães, the Rua dos Cavaleiros and the medieval castle. Authentic time travel that runs through the streets full of glory of Pinhel, where buildings extend to other ages, such as the Church of Santa Maria do Castelo, the Church of Mercy, the pillory, the Casa Grande, the Church of the Trinity, or the bridge of two arches. The "Falcão City" built on the left bank of the Côa, which for many years was a strategically important border square, dating from that time the primitive wall and the castle, where every year one of the most genuine medieval fairs take place in Portugal. Another place that leads us to the meeting of history is the lands of Mêda, where other temples, castles and ruins, houses emblazoned, pillories, fragas and fountains, have always been given a golden age of magnificence that enchanted generations of people and creeds. Here, in Mêda lands, between landscapes that can be contemplated from the viewpoints of Santa Bárbara and Paipenela, there are paths that lead us to the village of Mêda, dazzling in its architecture of the 18th century, considered the golden century of architecture and sculpture, and the village of Marialva, which is said to date back to the time of the ancient city of Aravor, founded by the Túrdulos in the 6th century b.C.


Por ela, entre as ruínas do seu castelo, que foi uma das mais imponentes e fortes praças de guerra do reino, e fora das muralhas, proliferam igrejas, capelas, casas quinhentistas e senhoriais, a par de um conjunto de habitações rurais com características típicas da casa beirã, perpetuando, também elas, séculos de história. Testemunhos passados de geração em geração pelas suas gentes, de festas e mil ofícios que não se esquecem, dos deliciosos sabores gastronómicos artesanais, das seculares artes de trabalhar o vime, a lã, o linho, o barro ou o metal, ofícios e saberes intemporais. Claro que ainda poderíamos falar de Sortelha, que se espraia como um regular anfiteatro de granito aninhado entre as muralhas à sombra da silhueta altiva da torre de menagem, memória das estórias da primeira história de Portugal. Ou de Monsanto, essa que afirmam ser a aldeia mais portuguesa de Portugal, cravada na encosta de uma grande elevação escarpada, erguendo-se num repente altivo, com o seu casario de granito que se confunde com os penedos. Também poderíamos ainda falar de Belmonte, terra que integrava a linha defensiva antes da assinatura do Tratado de Alcanizes em 1297, protegendo o Alto Côa, que é Terra de Judeus, mantendo e vivendo até aos dias de hoje as suas tradições, que é também berço dos Cabrais, tendo em Pedro Álvares Cabral o seu mais distinto e ilustre filho. Assim são os Territórios do Côa e o seu património histórico, alicerçado intensamente no período medieval, esse que nos leva até à fundação do Condado Portucalense. De Portugal! Through it, among the ruins of its castle, which was one of the most imposing and strong military squares of the kingdom, and outside the walls, churches, chapels, quinquennial and manorial houses proliferate, along with a set of rural houses with typical characteristics of the Beirão house, perpetuating, too, centuries of history. Testimonies passed down from generation to generation by its people, from feasts and a thousand crafts that are not forgotten, from the delicious gastronomic flavors of the craft, from the secular arts of working wicker, wool, linen, clay or metal, timeless crafts and knowledge . Of course we could still speak of Sortelha, which spreads like a regular granite amphitheater nestled between the walls in the shadow of the haughty silhouette of the keep, memory of the stories of the first history of Portugal. Or of Monsanto, which they claim to be the most Portuguese village in Portugal, set on the slope of a great steep rise, rising in a haughty sudden, with its granite house that mixes with the cliffs. We could also speak of Belmonte, a land that was part of the defensive line before the signing of the Treaty of Alcanizes in 1297, protecting the Alto Côa, which is Land of Jews, maintaining and living until nowadays its traditions, bithplace of the Cabrais, having in Pedro Álvares Cabral his most distinguished and illustrious son. So are the territories of the Côa and its historical heritage, based heavily in the medieval period, which leads us to the foundation of the Portucalense County. From Portugal! A Wonder GO agradece a: | Wonder GO thanks to:


MUNDO


Marrocos

Por Tanger, Larache, Lixus e Arzila A aventura da magia e do exotismo começa no mesmo instante em que pousamos o pé no aeroporto de uma terra distante. Mas neste caso é aqui bem perto de nós e vive e respira uma cultura tão única quanto bela. Percorremos quatro cidades do Norte de Marrocos e regressamos com a alma cheia e com a certeza de que o que trazemos na bagagem vai muito além de pequenos souvenirs. Texto Carla Branco | Fotos Carla Branco & TAP

Morocco

Around Tanger, Larache, Lixus and Arzila The adventure of magic and exoticism begins just as we set foot in the airport of a distant land. But here it is very close to us and lives and breathes a culture as unique as it is beautiful. We traveled through four cities in the North of Morocco and returned with a filled soul and with the certainty that what we bring in our luggage goes far beyond small souvenirs. Text Carla Branco | Photos Carla Branco & TAP


Larache é uma cidade portuária do Atlântico, norte de Marrocos, na foz do rio Loukkos. Esteve sob o domínio espanhol de 1610 a 1689 e de 1912 a 1956. A antiga cidade fortificada eleva-se a dois fortes que a dominam no norte e no sul: a antiga fortaleza de Kebibat (hoje um hospital) surge do mar e o forte de La Cigogne construído pelos espanhóis. O bairro moderno estendese do porto ao outro lado do planalto costeiro, com jardins e pomares margeando o rio. Larache é actualmente um agitado centro agrícola e de pesca, que produz e exporta produtos tais como a lã, o sal ou a madeira. Na antiguidade, foi esta riqueza em madeira que permitiu a construção de uma forte frota de barcos e o início da actividade pesqueira com subsistência milenar. O rio Loukkos representa a riqueza em Larache, permitindo estabelecer e abastecer toda a cidade. O caminho até lá faz-se continuamente na companhia do rio. Mais ao longe, nos arredores da cidade, existem plantações de chá verde. O nome Larache é de origem berbere e significa «jardim com muitas plantas». A cidade está rodeada de pequenas povoações com mesquitas. Ao passear pelas suas ruas vemos que a determinada altura toda a população se vira para Meca para rezar. É um momento sagrado. Passeamos pela Praça de Espanha, aqui apreciamos a arquitectura espanhola, as palmeiras e fazemos uma pequena pausa para apreciar e absorver a cultura e as gentes que nos rodeiam, antes de entrarmos pela imponente porta Bab Marra, que dá entrada à medina de Larache. Lá dentro somos invadidos pelos cheiros da gastronomia e produtos locais, pela amostra variada de produtos típicos de uma feira, onde podemos comprar artesanato, produtos para a casa, vestuário, sapatos ou até mesmo equipamentos electrónicos. As ruas transformam-se em labirintos e é visível a beleza do lugar e a simpatia das gentes locais, que metem conversa connosco e nos dão a provar os produtos que têm para venda. Quase todas as casas são caiadas de branco e azul, um tom de azul forte e característico, quase hipnotizante. Há pessoas que nos sorriem à janela, nas ruas, uma calmaria que nos invade, um tempo sem pressa, um espírito sem igual. Existe também um forno comunitário, usado para cozer cozer pão, que tanto pode ser consumido em casa como vendido no mercado. Homens e mulheres carregam sacos de compras num passo firme e apressado. A velha cidade mourisca é complementada pelo estilo andaluz nas partes mais novas de Larache. É um lugar com uma atitude descontraída que já é um favorito entre os turistas marroquinos. Uma baía mágica, uma medina clássica e um clima maravilhoso. Uma combinação clássica que garante uma estadia agradável e memorável.


Larache is a port city of the Atlantic, north of Morocco, at the mouth of the river Loukkos. It was under Spanish rule from 1610 to 1689 and from 1912 to 1956. The old fortified city rises to two forts that dominate it in the north and south: the former fortress of Kebibat (now a hospital) rises from the sea and the fort of La Cigogne built by the Spaniards. The modern district extends from the port to the other side of the coastal plateau, with gardens and orchards bordering the river. Larache is currently a busy agricultural and fishing center, which produces and exports products such as wool, salt or wood. In antiquity, it was this wealth of wood that allowed the construction of a strong fleet of boats and the beginning of the fishing activity with millennial subsistence. The Loukkos River represents the wealth in Larache, allowing to establish and supply the whole city. The way continues in the company of the river. Further afield, on the outskirts of the city, there are green tea plantations. The name Larache is of Berber origin and means "garden with many plants". The city is surrounded by small villages with mosques. As we walk along its streets we see that at a certain point the whole population turns to Mecca to pray. It is a sacred moment. We stroll through Plaza de EspaĂąa, here we enjoy the Spanish architecture, the palm trees and take a short break to enjoy and absorb the culture and people that surround us, before entering the imposing Bab Marra door, which leads to the Larache medina. Inside we are invaded by the smells of local cuisine and products, by the varied sample of typical products of a fair, where we can buy handicrafts, home products, clothing, shoes or even electronic equipment. The streets turn into labyrinths and the beauty of the place and the sympathy of local people are visible, who talk to us and give us a taste of the products they have for sale. Almost all the houses are white and blue, a strong characteristic, almost hypnotizing blue. There are people who smile at the window, in the streets, a lull that invades us, a time without haste, a spirit without equal. There is also a communal oven, used to bake bread, which can be eaten at home or sold on the market. Men and women carry shopping bags at a steady and hurried pace. The old Moorish city is complemented by the Andalusian style in the newer parts of Larache. It is a place with a relaxed attitude that is already a favorite among Moroccan tourists. A magical bay, a classical medina and a wonderful climate. A classic combination that ensures a pleasant and memorable stay.


Lixus, antigo local localizado ao norte do porto moderno de Larache, na margem direita do rio Loukkos. Originalmente colonizado por fenícios durante o século VII aC, gradualmente cresceu em importância, mais tarde sob a dominação cartaginesa. Lixus foi o primeiro entreposto comercial do Norte de África e é actualmente uma cidade marítima industrial mas este é um lugar para nos conectarmos com o passado. É imprescindível uma visita às ruínas de Lixus, que contam a história dos governantes de Marrocos nos tempos antigos. Jalal Elhannach, o nosso guia, vai desvendando alguns segredos e até algumas histórias que impressionam os mais sensíveis. As ruínas de Lixus, sucessivamente um assentamento fenício, cartaginês e romano, estão a três quilómetros a nordeste, na margem norte do rio Loukkus e são as mais antigas de Marrocos, ocupadas pelos fenícios desde o ano de 1200 a.C. Cada uma destas diferentes civilizações deixaram a sua marca, resultando numa intrigante mistura de influências que podemos observar ao longo de um íngreme caminho. Não há que desesperar pois no fim a vista panorâmica compensa qualquer escalada. Nas ruínas é visível a antiga construção de uma fábrica de pescado com 45 tanques para armazenação de peixe. Atum, bacalhau e bonito eram preservados em sal ou com um molho próprio, o famoso “garum”. São visíveis também diversas salas para guardar os materiais de pesca, bem como uma cisterna, que armazenava a água da chuva, permitindo assim a inovação de um sistema de canalização próprio que era usado para abastecer a cidade e limpar o peixe. Actualmente apenas vinte por cento de todo o complexo de ruínas de Lixus se encontra visível mas para à medida que vamos subindo, descobrimos um anfiteatro romano, o único existente em Marrocos, termas romanas, um lagar de azeite e uma antiga mesquita islâmica. Olhamos à nossa volta e deparamo-nos com a água turva no rio, campos secos e pedras que resistem à passagem do tempo e às mudanças. Foram diversos os arqueólogos que ao longo dos anos visitaram, exploraram e trabalharam no local, maioritariamente marroquinos, italianos e franceses. No final das escavações, cada arqueólogo plantou uma árvore para deixar um legado, pois acredita-se que a árvore representa a vida, algo que permanece eterno e para lá da morte e que ainda hoje é visível para quem passa. Depois deste longo e revelador passeio matinal, aproxima-se a hora da refeição. Ao almoço, em vez de rumar a um dos muitos restaurantes turísticos, nada como experimentar algo local, junto ao porto, onde possamos apreciar as iguarias locais e um bom peixe fresco.


Lixus, former site located north of the modern port of Larache, on the right bank of the river Loukkos. Originally colonized by Phoenicians during the 7th century BC, it gradually grew in importance, later under Carthaginian domination. Lixus was the first commercial warehouse in North Africa and is currently an industrial sea town but this is a place to connect with the past. It is essential to visit the ruins of Lixus, which tell the story of the rulers of Morocco in ancient times. Jalal Elhannach, our guide, unveils some secrets and even some stories that impress the most sensitive. The ruins of Lixus, successively a Phoenician settlement, Carthaginian and Roman, are three kilometers to the northeast, on the north bank of the river Loukkus and are the oldest of Morocco, occupied by the Phoenicians since 1200 BC. Each of these different civilizations have left to its mark, resulting in an intriguing mix of influences that we can observe along a steep path. Do not despair because in the end the panoramic view compensates for any climbing. In the ruins is visible the old construction of a factory of fish with 45 tanks for fish storage. Tuna, cod and bonito were preserved in salt or with a proper sauce, the famous "garum". There are also several rooms for the storage of fishing materials, as well as a cistern that stored rainwater, thus allowing the innovation of a proper plumbing system that was used to supply the city and clean the fish. At present, only twenty percent of the entire complex of Lixus ruins is visible, but as we go up, we discover a Roman amphitheater, the only one in Morocco, Roman baths, an oil press and an old Islamic mosque. We look around us and find the water murky in the river, dry fields and stones that resist the passage of time and changes. Several archaeologists have visited, explored and worked on the site, mostly Moroccan, Italian and French. At the end of the excavations, each archaeologist planted a tree to leave a legacy, because it is believed that the tree represents life, something that remains eternal and beyond death and is still visible today to those who pass. After this long and revealing morning walk, the mealtime approaches. At lunch, instead of heading to one of the many tourist restaurants, there is nothing like experiencing something local, by the harbor, where we can enjoy local delicacies and good fresh fish.


Tanger é uma cidade do norte de Marrocos na região de Tânger-Tetuão. Tem mais de um milhão de habitantes e tem sido alvo de uma evolução demográfica nos últimos anos. Actualmente é a segunda região económica de Marrocos, depois de Casablanca, e é uma cidade de beleza invulgar onde o oceano Atlântico se encontra com o Mediterrâneo. E é precisamente no farol do Cabo Espartel, datado de 1965, que se encontram estes dois mares, num contraste invulgar de tonalidade. Em Tanger podemos deliciar-nos com a calmaria e gozar os dias de temperaturas amenas, como expectável. Aproveitamos todos os momentos para observar e absorver tudo o que se passa à nossa volta. Muita gente em nosso redor, os parques e as ruas estão cheios de gente que faz uma pausa e aproveita a brisa, as crianças brincam nos parques, e o colorido é uma presença constante. Entramos no Café Hafa, um dos mais icónicos de Tanger, e sentamo-nos para apreciar a vista maravilhosa do topo da falésia com vista para a Baía de Tânger. Inaugurado em 1921, tem sido visitado por numerosos escritores e cantores, desde Paul Bowles até William S. Burroughs, passando pelos Beatles ou Rolling Stones. Este é o local ideal para provar o seu famoso chá de menta.

Tanger is a city in the north of Morocco in the TangerTetouan region. It has more than one million inhabitants and has undergone a demographic evolution in recent years. Today it is the second economic region of Morocco, after Casablanca, and is a city of unusual beauty where the Atlantic Ocean meets the Mediterranean. And it is precisely in the lighthouse of Cabo Espartel, dated 1965, that these two seas meet, in an unusual contrast of tonality. In Tanger we can delight ourselves with the calm and enjoy the days of mild temperatures, as expected. We take every moment to observe and absorb everything that goes on around us. Lots of people around us, parks and streets are full of people who take a break and enjoy the breeze, children play in the parks, and the color is a constant presence. We entered Café Hafa, one of the most iconic in Tanger, and sat down to enjoy the wonderful view from the top of the cliff overlooking the Bay of Tanger. Opened in 1921, it has been visited by numerous writers and singers, from Paul Bowles to William S. Burroughs, through the Beatles or Rolling Stones. This is the ideal place to taste their famous mint tea.


O passeio continua pelas Grutas de Hércules, localizadas a 14 quilómetros do sul de Tanger. Uma das lendas da criação da cidade remonta à mitologia grega, que conta que Hércules a terá fundado. Terá sido aqui que o semi-Deus descansou depois de ter separado a Europa da África, um dos 12 trabalhos que o Rei Euristeus lhe deu e que levaram 12 anos a completar. A gruta contempla duas aberturas, uma para o mar e outra para terra. Aquela que está virada para o mar proporciona uma vista muito bonita e diz-se que a moldura na rocha representa “o mapa de África” e terá sido criada pelos Fenícios. Terá igualmente sido este povo que fez gravuras com a forma de olhos nas paredes da Gruta de Hércules desenhando um mapa da zona. Mas o passeio não ficaria completo sem uma visita pelas movimentadas ruas da medina e do souk (mercado local). Um fim de tarde perfeito para nos perdermos no meio da multidão. As luzes iluminam as ruas e brilham ao som da música que nos chega de cada loja. As cores vibrantes despertam-nos e olhamos em todas as direcções. Aqui encontramos de tudo, babuchas e jilabas, artesanato, produtos electrónicos, brinquedos, flores, decoração da casa e produtos de couro curtido com um odor bem intenso, tais como malas ou sapatos. As crianças também vendem pequenos souvenirs de couro nas ruas. Mesmo ao lado, há um mercado de alimentos, com as mais variadas frutas e legumes (alguns bem diferentes do que estamos acostumados a ver no nosso mercado), peixe, carne e charcutaria. Aqui negoceiam-se os preços, uma prática comum que faz parte da cultura marroquina e que os vendedores locais muito apreciam de uma forma simpática e descontraída. Não esquecendo os diversos cafés, esplanadas, pastelarias com iguarias locais e restaurantes típicos. E foi num destes restaurantes, o Hamadi, que data de 1950, que fomos degustar a típica cozinha marroquina. Lá fora já caiu a noite e as luzes das lanternas e toda a envolvência dos sofás em veludo dão um toque especial e característico à nossa refeição. Para a tornar ainda mais especial, o espaço dispõe de música berbere ao vivo. Optamos pela prova de diversas tagines e cuscus com legumes salteados, e não nos arrependemos. O ideal é acompanhar a refeição com vinhos, cervejas e chás locais. Lá fora continua a imensidão de gente que apesar das horas tardias ainda não abrandou o ritmo frenético.


The tour continues through the Caves of Hercules, located 14 kilometers south of Tanger. One of the legends of the creation of the city goes back to Greek mythology, which tells that Hercules founded it. It has been here that the semi-God rested after separating Europe from Africa, one of the 12 works that King Eurystheus gave him and which took 12 years to complete. The grotto contemplates two openings, one for the sea and one for land. The one facing the sea provides a very beautiful view and the frame on the rock is said to represent "the map of Africa" and will have been created by the Phoenicians. It also has been this people who made engravings in the form of eyes on the walls of the Grotto of Hercules drawing a map of the area. But the tour would not be complete without a visit to the bustling streets of the medina and the souk (local market). A perfect afternoon end to get lost in the crowd. The lights illuminate the streets and shine to the music that comes from each store. The vibrant colors awaken us and we look in all directions. Here we find everything from slippers and jilabas, handicrafts, electronic products, toys, flowers, home decor and tanned leather products with a very intense odor, such as suitcases or shoes. Children also sell small leather souvenirs on the streets. Right next to it, there is a food market, with the most varied fruits and vegetables (some very different from what we are accustomed to see in our market), fish, meat and cold meats. Here prices are negotiated, a common practice that is part of the Moroccan culture and which the local sellers very appreciate in a friendly and relaxed way. Not forgetting the various cafĂŠs, terraces, pastries with local delicacies and typical restaurants. And it was in one of these restaurants, the Hamadi, dating from 1950, that we tasted the typical Moroccan cuisine. Outside, the night has fallen and the lights of the lanterns and all the surrounding velvet sofas give a special and characteristic touch to our meal. To make it even more special, the venue features live Berber music. We opted for the proof of several tagines and cuscus with sauteed vegetables, and we do not regret it. The ideal is to accompany the meal with local wines, beers and teas. Out there is the vastness of people who despite the late hours has not slowed the frenetic pace yet.


Arzila é uma cidade do noroeste de Marrocos, a cerca de 40 quilómetros a sul de Tânger com pouco mais de 28 mil habitantes, situada numa planície junto da costa atlântica. É conhecida pelas suas fortificações originalmente construídas pelos portugueses, que a ocuparam entre 1471 e 1550 e entre 1577 e 1589, Actualmente é uma estância balnear popular entre os marroquinos mas também atrai muitos turistas devido ao seu urbanismo tradicional, arte urbana e aos mais diversos eventos culturais de verão. A imponente porta de Bab al Kasaba conduz-nos numa viagem histórica até ao período das conquistas portuguesas, onde se construíram imponentes monumentos, como a muralha (com mais de quinhentos anos) e a torre de menagem, que se impõe na Praça Sidi Ali ben Hamdush, e que mais tarde foi reconstruída pela Fundação Calouste Gulbenkian. A presença portuguesa é aqui bem visível e há diversos marcos espalhados pela cidade que o assinalam, tais como duas portas portuguesas, a de entrada e de saída da medina, a Bab Homar, onde encontramos o brasão português ou um canhão de bronze que protegia a muralha. A medina é um autêntico museu de arte urbana. Há murais em cada esquina, de cores fortes e garridas e rostos vincados. As ruas estreitas, maioritariamente pintadas de branco e do azul típico de Marrocos, são ornamentadas por ladrilhos brilhantes e conchas coloridas. De quando em vez deparamo-nos com a vista de mar e são muitas as portas típicas e de rara beleza que acompanham todo o percurso. Tal como as outras medinas que visitámos, esta também é bastante movimentada e repleta de uma imensidão de gente que vende os mais variados produtos em pequenas tendas. O aroma a pão quente e acabado de cozer invade as ruas e aproxima-se a hora de almoço numa das ruas mais concorridas da cidade, Hassan II, repleta de cafés, esplanadas e restaurantes. E assim finalizamos a nossa viagem por algumas destas cidades de Marrocos, com a certeza de que podemos sempre voltar e surpreender-nos com novos aspectos de uma vasta e rica cultura que também faz parte da nossa vivência e da nossa história. A Wonder GO agradece a: | Wonder GO thanks to:


Arzila is a city in the northwest of Morocco, about 40 kilometers south of Tangier with a little more than 28,000 inhabitants, lying on a plain near the Atlantic coast. It is known for its fortifications originally built by the Portuguese, who occupied it between 1471 and 1550 and between 1577 and 1589. Today it is a seaside resort popular with Moroccans but also attracts many tourists due to its traditional urbanism, urban art and the most diverse events cultural activities. The imposing gate of Bab al-Kasaba takes us on a historical journey to the period of the Portuguese conquests, where imposing monuments were built, such as the wall (more than five hundred years old) and the keep, which imposes itself on Sidi Ali Ben Square Hamdush, and later rebuilt by the Calouste Gulbenkian Foundation. The Portuguese presence is very visible here and there are several landmarks scattered around the city, such as two Portuguese gates, the entrance and exit of the medina, the Bab Homar, where we find the Portuguese coat of arms or a bronze cannon that protected the wall. The medina is an authentic museum of urban art. There are murals around every corner, with strong, gaudy colors and creased faces. The narrow streets, mostly painted white and the typical blue of Morocco, are decorated with bright tiles and colorful shells. From time to time we stumble across the sea view and there are many typical doors of rare beauty that accompany the whole route. Like the other medinas that we visited, this one is also very busy and full of an immensity of people who sell the most varied products in small tents. The aroma of hot, freshly baked bread invades the streets and lunchtime approaches one of the busiest streets in the city, Hassan II, full of cafĂŠs, terraces and restaurants. And so we end our trip through some of these cities of Morocco, with the certainty that we can always come back and surprise ourselves with new aspects of a vast and rich culture that is also part of our experience and our history.


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Amazónia por Fernando Borges Parte-se pelo Amazonas numa viagem ao encontro de um ecossistema magnífico e memorável. Aqui e ali sente-se que nos pede ajuda para a protegermos, relembrando-nos, por vezes de uma forma angustiada, que a sua proteção é um exclusivo de todos nós e que a nossa existência como seres humanos e de todos os outros seres vivos depende dela, da Amazónia. Uma palavra que traz consigo inúmeras imagens e significados, um testemunho que é também a prova mais viva do planeta Terra. Logo, da Humanidade.

Amazonia by Fernando Borges Depart for the Amazon on a trip to meet a magnificent and memorable ecosystem. Here and there one feels that it asks us for help to protect it, reminding us, sometimes in an anguished way, that its protection is exclusive to us and that our existence as human beings and all other living beings depends on it, from the Amazon. A word that brings with it countless images and meanings, a testimony that is also the most living proof of planet Earth. Therefore, of Humanity.


Quando se fala em “explorar” a Amazónia, fala-se obrigatoriamente em percorrer o Amazonas de canoa ou numa frágil escuna, as suas ramificações, afluentes e correntes que se perdem em impenetráveis florestas após mais uma curva do seu percurso, o lugar preferencialmente escolhido pelos índios para estabelecerem a sua aldeia. É que toda a vida humana depende do rio nesta terra inóspita, selvagem e sensível. É aventurarmo-nos pelo seu rio, a única forma de partir ao encontro dos seus segredos, da sua flora e da sua fauna, da sua majestosidade e complexidade, numa verdadeira aventura que nos faz despertar as mais adormecidas sensações.

When one speaks of "exploring" the Amazon, one must speak about the canoe Amazon or on a fragile schooner, its ramifications, tributaries and currents that are lost in impenetrable forests after another curve of its route, the place chosen by the Indians to establish their village. It is that all human life depends on the river in this inhospitable, savage and sensitive land. It is to venture along its river, the only way to discover its secrets, its flora and its fauna, its majesty and complexity, in a true adventure that makes us awaken the most dormant sensations.


Navegar pelo Amazonas, esse rio cheio de segredos e de lendas que vai desenhando as formas e a vida da Amazónia, é como que pairar dolentemente ao sabor de águas que nos chegam mansas, aqui e ali reflectindo o céu e o sol. É percorrer o maior bosque tropical do mundo, é sentirmo-nos parte integrante de um planeta que respira vida, onde habita a maior riqueza biológica do planeta. É o encontro com imagens que nos golpeiam de um natural fascínio, enchendo-nos muitos espaços vazios da nossa existência. É distinguir nuances de uma vida que nos chega por vezes de uma forma subtil, outras vezes de uma forma selvagem. Mas ambas parte de uma evidência que nos conquista, que se escuta, de uma viagem que recordaremos para sempre.

Navigating the Amazon, this river full of secrets and legends that draws the forms and the life of the Amazon, is like floating loosely to the taste of waters that arrive tame, here and there reflecting the sky and the sun. It is to go through the largest tropical forest in the world, and to feel ourselves to be an integral part of a life-giving planet, home to the greatest biological wealth of the planet. It is the encounter with images that strike us with a natural fascination, filling us with many empty spaces of our existence. It is to distinguish nuances of a life that sometimes comes to us in a subtle way, sometimes in a wild way. But both part of an evidence that conquers us, which is heard, of a journey that we will remember forever.


WONDER TASTE


Mercantina Nápoles à mesa!

Parece que estamos em Itália. Ambiente acolhedor e familiar, muita animação e como não podia deixar de faltar, uma mesa farta! Sente-se o aroma no ar, o calor do forno a lenha, os sabores genuínos napolitanos e os ingredientes frescos e de qualidade. Tudo isto sem sair de Lisboa, é assim no Mercantina Chiado. Texto Carla Branco | Fotos Fernando Borges

Mercantina Naples at the table!

Looks like we're in Italy. Cozy and familiar atmosphere, lots of animation and how it should be, a full table! You can smell the aroma in the air, the heat of the wood oven, the genuine Neapolitan flavors and the fresh, quality ingredients. All this without leaving Lisbon, it is so in Mercantina Chiado. Text Carla Branco | Photos Fernando Borges


Estamos no Chiado, mas também poderíamos estar em Alvalade, pois o Mercantina conta com dois espaços em Lisboa e está ainda planeada a abertura de um terceiro espaço até ao final do ano. Mas vamos falar do que nos trouxe até cá: o verdadeiro sabor de uma pizza napolitana, não fosse este um dos poucos locais certificados em Lisboa pela Associazione Verace Pizza. O chef italiano Giorgio Damasio e o pizzaiolo português Diogo Coimbra conduzem-nos ao longo de toda a experiência e explicam-nos um pouco todo este conceito. A massa é fresca e confeccionada várias vezes por dia. Para que seja leve e de fácil digestão, a mesma tem de fermentar durante um período mínimo de 24 horas. Todas as pizzas são cozidas em forno de lenha, entre 450 a 500 graus, durante apenas 60 a 90 segundos. O resultado é divinal, mas mais do que acreditar na minha palavra, nada como vir até cá e comprovar. Aproveitem também para provar a Pizza Frita Pompei com ricotta, provola affumicata, ciccioli, pepe e basílico (torresmo de presunto, pimento e manjericão) ou a Pizza Frita Capri com ricotta, mozzarella di bufala D.O.P della Campania, limone, basílico, pepe e alici (manjericão, pimento e anchova). We are in Chiado, but we could also be in Alvalade, because the Mercantina has two spaces in Lisbon and is still planned to open a third space until the end of the year. But let's talk about what brought us here: the true taste of a Neapolitan pizza, if this were not one of the few venues certified in Lisbon by the Associazione Verace Pizza. The Italian chef Giorgio Damasio and the Portuguese pizzaiolo Diogo Coimbra lead us through the whole experience and explain us a little about this concept. The dough is fresh and made several times a day. To be light and easy to digest, it must ferment for a minimum period of 24 hours. All the pizzas are cooked in a wood oven, between 450 and 500 degrees, for only 60 to 90 seconds. The result is divine, but more than believing my word, nothing like coming here and check for yourself. You can also try Pizza Frita Pompei with ricotta, provola affumicata, ciccioli, pepe and basilica (ham, pepper and basil), or Pizza Frita Capri with ricotta, mozzarella di bufala DOP della Campania, limone, basilica, pepe and alici (basil, pepper and anchovy).


Para acompanhar a refeição, a sangria al Limocello é sempre uma boa opção. O ideal é provar um pouco de tudo e iniciar a refeição com algumas entradas que não deixam ninguém indiferente: tábua com mozzarella fresca, queijo de bufala, tomate cherry e presunto ou um esparguete nero servido com um bisque de influência oriental. Este é um prato de assinatura que está na carta desde a abertura do espaço e é um dos mais requisitados pelo público. Facilmente percebemos porquê. Tem um sabor muito rico e aveludado a mariscos que nos satisfaz de imediato. Está também disponível uma secção de comida saudável com pratos vegetarianos e de poucas calorias como é o caso da Salada Quinotto. Esta é uma forma de satisfazer as necessidades de um público abrangente. Conseguimos observar que o respeito pelo cliente e pelas suas escolhas é muito importante para o Mercantina, daí o facto de haver ementas para diversos gostos e estar aberto para todas as idades. É sem dúvida um espaço genuíno, um restaurante family friendly, ideal para uma refeição em conjunto. To accompany the meal, the sangria al Limocello is always a good option. The ideal is to taste a little of everything and start the meal with a few entrees that do not leave anyone indifferent: board with fresh mozzarella, bufala cheese, cherry tomato and ham or a nero spaghetti served with a bisque of oriental influence. This is a signature dish that is in the menu since the space opening and is one of the most requested by the public. We easily realize why because it has a very rich and velvety flavor to shellfish that satisfies us immediately. There is also a section of healthy food with vegetarian and low calorie dishes such as the Quinotto Salad. This is one way to meet the needs of a broad audience. We can observe that the respect for the customer and their choices is very important for Mercantina, hence the fact that there are menus for different tastes and be open to all ages. It is without a doubt a genuine space, a family friendly restaurant, ideal for a meal together.


Nada como juntar à mesma mesa um grupo de amigos, conhecidos, a família inteira ou aquele alguém mais especial. Aqui há espaço para todos, não esquecendo os mais pequenos que aqui têm um lugar especial. A cucina per amici disponibiliza a todas as crianças até aos 10 anos o menu Bambini Amici, criado a pensar nos seus gostos mais simbólicos, e um desafio muito especial para completar: o desafio Cara de Pizza. Os mais aventureiros podem observar como se faz a pizza ou até mesmo, se as condições permitirem, meter as mãos na massa e fazer a sua própria pizza. Esta experiência não estaria completa sem o clássico Tiramisú ou a pizza doce de nutella e morangos marinados em redução de vinagre balsâmico e hortelã. Difícil é provar apenas uma fatia… São estes pequenos momentos à mesa que alegram a vida, nos fazem sentir bem e que queremos partilhar com quem mais gostamos. É a alma de Lisboa que se mistura com o frenesi de Milão. Uma junção de cores e de sabores que cheira a manjericão, tomate napolitano e lenha. E tudo é tão simples e tão perfeito que acabamos sempre por regressar. Nothing like putting together a group of friends, acquaintances, the whole family, or that special someone. Here there is room for everyone, not forgetting the little ones that have a special place here. The cucina per amici offers all children up to the age of 10 the Bambini Amici menu, created for their most symbolic tastes, and a very special challenge to complete: the Pizza Face challenge. The more adventurous can watch how the pizza is made or even, if conditions permit, stick their hands in the dough and make their own pizza. This experience would not be complete without the classic Tiramisu or the sweet nutella pizza with marinated strawberries in reduction of balsamic vinegar and mint. Difficult is to taste only one slice… It's these little moments at the table that make life brighter, make us feel good and we want to share with those we love the most. It is the soul of Lisbon that mixes with the frenzy of Milan. A combination of colors and flavors that smells of basil, Neapolitan tomato and firewood. And everything is so simple and so perfect that we always come back.


WONDER DRINKS


Pilsner Urquell Genuinamente loira e desejada Falar da República Checa é falar do escritor Franz Kafka, do compositor Antonín Dvorak e da sua capital, Praga. É também falar de cerveja. Mas aqui, a estrada leva-nos na direcção de uma outra cidade, daquela que dá o nome à mundialmente famosa cerveja pilsner. Portanto… na zdraví! Texto Fernando Borges | Fotos Pilsner Urquell

Pilsner Urquell Genuinely Blonde and Desired To speak of the Czech Republic is to speak of the writer Franz Kafka, the composer Antonín Dvorak and its capital, Prague. It's also talk about beer. But here, the road leads us in the direction of another city, the one that gives the name to the world-famous pilsner beer. So... na zdraví! Text Fernando Borges | Photos Pilsner Urquell


Confesso, gosto de cerveja. E faço outra confissão… Quando resolvi reencontrar-me com Praga, fiquei duplamente animado. Sabia que para além de voltar a uma das mais belas e fascinantes cidades da Europa, ia igualmente de novo deliciar-me com aquela que é considerada a melhor cerveja do mundo no seu berço, em Pilsen. Na realidade, é impossível falar sobre essa bebida sem uma visita à cidade de Pilsen (Plzen), onde a lager (cerveja de baixa fermentação) foi inventada, em 1842. Pilsen que dá nome à mundialmente famosa cerveja Pilsner Urquell, uma cidade com forte presença de indústrias e que ganhou vida nocturna agitada por também abrigar importantes universidades. E basta andar pelas suas ruas, praças e jardins para o sentir. Sentir que esta é de facto a cidade da pilsner. E é caminhando descontraidamente pelo seu compacto centro, ponto de encontro de estudantes e turistas que disputam um espaço em mais de uma dezena de bares e pubs localizados na principal praça da cidade, a Nám Republicky, que melhor se saboreia Pilsen e a Pilsner Urquell. Mas curiosamente, e a um olhar mais atento, reparei que os turistas e locais tendiam em dirigir-se na mesma direcção. Segui-os e descobri que o ponto de concentração era o Brewery Museum que, como não podia deixar de ser, conta a história da cerveja no país. Também entrei. E lá estavam alguns túneis subterrâneos construídos entre os séculos XIII e XIX onde a cerveja era armazenada, agora abertos para visitas, num imperdível passeio que dura meia hora. I confess, I like beer. And I make another confession... When I decided to meet again with Prague, I was doubly excited. I knew that in addition to returning to one of the most beautiful and fascinating cities in Europe, I would also once again delight in what is considered the best beer in the world in its cradle in Pilsen. In fact, it is impossible to talk about this drink without a visit to the town of Pilsen (Plzen), where lager (low fermenting beer) was invented in 1842. Pilsen which gives name to the worldfamous Pilsner Urquell beer, a city with strong presence of industries and that has gained agitated nightlife by also housing important universities. And just walk through its streets, squares and gardens to feel it. Feel that this is indeed the city of pilsner. And it is leisurely walking through its compact center, a meeting place for students and tourists who are disputing a space in more than a dozen bars and pubs located in the main square of the city, the Nám Republicky, that best savor Pilsen and Pilsner Urquell. But curiously, and at a closer look, I noticed that tourists and locals tended to go in the same direction. I followed them and found that the focal point was the Brewery Museum which, of course, tells the story of beer in the country. I got in too. And there were some underground tunnels built between the 13th and 19th centuries where the beer was stored, now open for visitors, on a must-see for half an hour.


Não, nunca ninguém colocou em dúvida que foi em Pilsen que nasceu uma das loiras mais desejadas, genuína e apetitosa, a cerveja Pilsner Urquell como a conhecemos. E isto aconteceu em 1842. Mas já em 1295 o Rei Venceslau concedeu múltiplos direitos de fabrico de cerveja a Pilsen, o que garantiu desde logo benefícios financeiros para a cidade, mas também em matéria de conhecimento do assunto. O mais importante da história chegou, no entanto, apenas em 1842, quando Josef Groll inventou o método pilsner, um processo de fabrico famoso e imitado pelo mundo fora. Mas para conhecer a sua história é obrigatório visitar uma das mais tradicionais fábricas de cerveja, a Pilsner Urquell, criada nesse mesmo ano. Uma visita que começa por uma exposição que revela os segredos da cerveja. E a água suave de Pilsen é um deles, uma água que tem na sua formação o solo da região, cheio de rochas, ajudando à purificação. Também o malte e a levedura, guardada a sete chaves dentro de um cofre, o lúpulo vindo de uma região rural perto da cidade de Zatec, uma das zonas de cultivo mais importantes do mundo, e a “secreta” forma de mistura de métodos de fermentação que acontece no subterrâneo da fábrica fazem parte do segredo. Mas o final da visita à Pilsner Urquell era o mais desejado por mim. Confesso e perdoem-me! Era o momento de degustar de uma forma tradicional essa loira, ou seja, bebida logo que ela sai do barril. Não vem gelada, mas bem fresquinha, pois nas catacumbas onde se guarda em enormes barris a temperatura é de 5º. E prova-se como é antes de fermentada. E grita-se… na zdraví! No, no one ever doubted that it was in Pilsen that one of the most desirable, genuine and appetizing blondes was born, the Pilsner Urquell beer as we know it. And this happened in 1842. But as early as 1295 King Wenceslas granted multiple brewing rights to Pilsen, which ensured financial benefits for the city, but also in terms of knowledge of the subject. The most important in history came, however, only in 1842, when Josef Groll invented the pilsner method, a famous and imitated manufacturing process around the world. But to know its history it is obligatory to visit one of the most traditional breweries, the Pilsner Urquell, created that same year. A visit that begins with an exhibition that reveals the secrets of beer. And the smooth water of Pilsen is one of them, a water that has in its formation the soil of the region, full of rocks, helping the purification. Also malt and yeast, stored in a safe deposit box, hops from a rural region near the city of Zatec, one of the most important growing areas in the world, and the "secret" way of mixing fermentation that takes place underground in the factory are part of the secret. But the end of the visit to Pilsner Urquell was most wanted by me. I confess and forgive me! It was the moment to taste in a traditional way this blonde, that is, drink as soon as it leaves the barrel. It does not come cold, but very cool, because in the catacombs where it is stored in huge barrels the temperature is 5º. And it is proven as it is before fermented. And one screams... in zdraví! A Wonder GO agradece a | Wonder GO thanks to:


Art & GO.


Amadeo de Souza Cardoso O mestre de uma obra inacabada Morreu aos 30 anos. E a maioria não deu pela sua existência. E outra maioria não percebeu que uma grande obra ficou por acabar. Outros, ainda, foram indiferentes ao significado da sua morte. A não ser um outro mestre, Almada Negreiros, que sobre ele escreveu: “… amanhã, quando já souberes que o valor de Amadeo de Souza Cardoso é o que te digo aqui, terás remorsos de não o teres sabido ontem”. Texto Fernando Borges

Amadeo de Souza Cardoso

The master of an unfinished work He died at the age of 30. And the majority did not give for his existence. And another majority did not realize that a great work was undone. Others, however, were indifferent to the meaning of his death. Except for another master, Almada Negreiros, who wrote about him: "...tomorrow, when you already know that the value of Amadeo de Souza Cardoso is what I tell you here, you will have regret that you did not know it yesterday.” Text Fernando Borges


Em vida, foi desprezado. Na sua curta vida de 30 anos que terminou em 1918. E foram necessários 40 anos para que o “mestre precoce da actualidade”, como um dia depois desses 40 anos de desprezo lhe chamariam, 40 anos em que a sua obra estava guardada como que a amadurecer, fosse consagrado e olharem para ele como um percursor maior da Arte Moderna em Portugal e fora dele. Mas esse desprezo que lhe destinaram em vida e durante as décadas que se seguiram tinha um nome. Ou melhor, vários: impressionismo, futurismo, cubismo e abstracionismo. Designações incómodas para a mentalidade comum no início do século XX. Indiferente, no entanto, Souza Cardoso penetra nesses domínios, dando-lhes um sentido profundamente individualizado, avançando em cada traço mais e mais na expressão colocada na tela. “O que se deve fixar na tela não é apenas o instante do dinamismo, mas sim a própria sensação dinâmica: tudo mexe, tudo vive e palpita e se transforma rapidamente. Um perfil nunca nos parece imóvel; aparece e desaparece sem cessar para dar expressão intensa à nossa vida turbilhante, vida de aço, de orgulho, de febre e de velocidade”, diria um dia.

In life he was despised. In his short life of 30 years that ended in 1918. And it took 40 years for the "precocious master of the present", as a day after these 40 years of contempt would call him, 40 years in which his work was kept as to mature, to be consecrated and to look upon him as a major precursor of Modern Art in Portugal and abroad. But this contempt for him in life and for the decades that followed had a name. Or rather, several: impressionism, futurism, cubism and abstractionism. Annoying designations for the common mindset in the early 20th century. Indifferent, however, Souza Cardoso penetrates these domains, giving them a deeply individualized sense, advancing in every trace more and more in the expression placed on the screen. "What should be fixed on the screen is not only the moment of dynamism, but the dynamic sensation itself: everything moves, everything lives and pulsates and is transformed quickly. A profile never seems to us immobile; appears and disappears without ceasing to give intense expression to our troubled life, steel life, pride, fever and speed”, he would say one day.


Morreu aos 30 anos. “Se a morte não tivesse levado o senhor Amadeo de Souza Cardoso na flor dos seus trinta anos, esse artista estaria hoje ao nível de Picasso e seria aclamado como o único português verdadeiramente precursor da Arte Moderna”, escreveu-se, em 1949, num jornal do Porto. Uma afirmação que muitos acharam desprovida de senso, comparando que Amadeo apenas teve meia dúzia de anos de actividade, enquanto Picasso a desenvolveu ao longo de 60 anos. Mas o que todos acabaram por concordar, é que Souza Cardoso “é um adolescente com coisas geniais”, um artista que desde muito cedo se interessou pelos movimentos da sua arte, procurando absorvê-los e acompanhá-los, de uma forma ansiosa, num adivinhar que a vida é curta. De espírito arrogante e determinado, o seu temperamento aventureiro contribuiu para a sua afirmação precoce, que falava com muitas certezas sobre o que pensava realizar. E sobre ele próprio dizia: “Há quem chame ao meu estado uma pretensão para sair do vulgar; que pensem o que queiram, indiferente me é. Eu tenho as minhas razões, e bastam. Sei o que agrada em geral; eu, na generalidade, desagrado. Até certo ponto, não é menos lisonjeiro”.

He died at the age of 30. "If death had not taken Mr. Amadeo de Souza Cardoso in his thirties, this artist would be today at the level of Picasso and would be acclaimed as the only Portuguese truly a forerunner of Modern Art," it was written in 1949 in a newspaper of Porto. An assertion that many found devoid of sense, comparing that Amadeo only had half a dozen years of activity, while Picasso developed it for 60 years. But what all agreed, is that Souza Cardoso "is a teenager with great things", an artist who very early became interested in the movements of his art, trying to absorb them and accompany them, in an anxious way, in a to guess that life is short. Arrogant and determined in spirit, his adventurous temperament contributed to his precocious statement, which spoke with many certainties about what he intended to accomplish. And he himself said: "There are those who call my state a pretense to get out of the vulgar; let them think what they will, indifferent to me. I have my reasons, and enough. I know what you like in general; I, in general, dislike. To some extent, it is no less flattering."


Por tudo isto, tornou-se difícil integrar a sua obra num único movimento, embora se possam esboçar três fases distintas. A primeira, vagamente impressionista, que é vista como o período português do pintor, prolongada ainda durante algum tempo em Paris, com influência de Cézanne. Depois, seguem-se os desenhos estilizados, decorativos, dos coloridos raros, em que parece ter havido uma influência de Friez. Depois, aquela que muitos dizem não ser futurista nem cubista. Neste período, que se enquadra no âmbito das criações mais “fauves”, ultrapassandoos em muitos pontos, Amadeo de Souza Cardoso põe de parte o seu desenho minucioso para se lançar em experiências ousadas de traço e de cor. Mas quando um dia lhe perguntaram a que escola pertencia, respondeu: “Eu não sigo nenhuma escola. As escolas morreram. Nós, os novos, só procuramos agora a originalidade… Sou impressionista, futurista, cubista, abstracionista? De tudo um pouco…”.

For all this, it has become difficult to integrate his work into a single movement, although three distinct phases can be outlined. The first, vaguely impressionist, is seen as the Portuguese period of the painter, prolonged for some time in Paris, influenced by Cézanne. Then there are the stylized, decorative designs of rare colors, in which there seems to have been an influence of Friez. Then the one that many say is not futuristic or cubist. In this period, which falls within the scope of the most "fauves" creations, surpassing them in many points, Amadeo de Souza Cardoso sets aside his detailed design to launch into daring traces and color experiences. But when one day they asked him which school he belonged to, he replied: "I do not follow any school. The schools died. We, the new ones, only look for originality n o w. . . A m I i m p r e s s i o n i s t , f u t u r i s t , c u b i s t , abstractionist? A little bit of everything…".


10X10

Pilar Leiva 10 Perguntas, 10 Respostas Nasceu na mais “che-guevariana” das cidades cubanas, em Vila Clara, cercando-se desde muito nova de livros e de cultura. Graduou-se em Filologia Hispânica e também em direcção de programas de televisão, desenvolvendo diversos trabalhos de programação, documentários históricos, culturais e patrimoniais. Parte para Havana e na televisão nacional começa a fazer as notícias da manhã e depois, na CubaVision Internacional, torna-se responsável pelo programa La Hora de Cuba, uma revista cultural em formato televisivo. E foi com esta cubana que diz “amo o mar, a música e as pessoas” que estivemos à conversa no Cayo de Santa Maria, onde decorreu a Feira Internacional de Turismo de Cuba - FITCuba 2018. E com ela andámos pelas fascinantes cidades de Trinidad e Remédios. Também pela sua Vila Clara. E navegámos pelo Rio Negro para depois regressar a Havana, por onde nos guiou. A Havana que diz ter um anjo, uma espécie de espírito quente de mulher que se respira em todos os lugares da cidade e que se sente. Quer ao ritmo da salsa e da rumba que contorna cada esquina, como de jazz ou de uma tradicional trova de que tanto gosta. Muitas vezes para tentar encontrar através dessa música a resposta aos seus sonhos, decifrar alguns enigmas da história, ou partir ao encontro de um longínquo museu num outro qualquer lugar do mundo, como deseja. Pois é esta cubana, Pilar Leiva, que gosta de ler Javier Sierra, Dan Brown, J. R. R. Tolkien e George Martin, a 10 x 10 desta edição. Texto & Fotos Fernando Borges

Pilar Leiva 10 Questions, 10 Answers She was born in the most "Che-guevariana" of Cuban cities, in Vila Clara, surrounding herself since very young of books and culture. She graduated in Hispanic Philology and also in the direction of television programs, developing diverse programming works, historical documentaries, cultural and patrimonial. Part to Havana and on national television begins to make the morning news and then, in CubaVision International, becomes responsible for the program La Hora de Cuba, a cultural magazine in television format. And it was with this Cuban who says "I love the sea, the music and the people" that we were talking about in Cayo de Santa Maria, where the International Tourism Fair of Cuba took place - FITCuba 2018. And with it we walked through the fascinating cities of Trinidad and Remedios. Also for her Vila Clara. And we sailed by the Rio Negro and then returned to Havana, where she guided us. The Havana that says to have an angel, a kind of warm spirit of woman who breathes in all the places of the city and that one feels. Whether to the rhythm of the salsa and rumba that surrounds every corner, such as jazz or a traditional trova that you love. Many times to try to find through this song the answer to your dreams, to decipher some puzzles of the story, or to go to a distant museum in another place of the world, as you wish. For it is this Cuban, Pilar Leiva, who likes to read Javier Sierra, Dan Brown, J. R. R. Tolkien and George Martin, the 10 x 10 of this edition. Text & Photos Fernando Borges


Wonder Go – Como geralmente acontece, gostamos de começar com uma frase dita ou escrita por alguém. No teu caso, e porque gostas de o ler, com uma frase do jornalista e escritor espanhol Javier Sierra e que diz: “solo hay dos formas de estar solo. Sin nadie cerca o en medio de una multitude”. Está Javier certo ao fazer esta afirmação ou há para ti outras formas de estar só? Pilar Leiva – O tema é recorrente, faz parte da nossa essência. Atrevo-me a citar neste minuto o dramaturgo norte-americano, Prémio Nobel de Literatura e várias vezes Prémio Pulitzer, Eugene O'Neill, que afirma que "a solidão do homem nada mais é do que o seu medo da vida". Existem inúmeras maneiras de estar sozinho. Sempre vemos o negativo do sujeito mas não percebemos que, geralmente, o processo de criação parte da própria solidão. Quando escreves, quando fazes música ou quando pintas, derramas na tua alma o que tu acreditas e esse acto é realizado na solidão. Podes estar no topo de uma montanha, ser o único ser humano por perto e não te sentires sozinho. E isso se manifesta porque limitamos "a companhia" a outros seres humanos. Nunca contamos com as outras manifestações da vida. E, como todo o oposto, podes estar cercado de pessoas no Japão e sentires-te a pessoa mais solitária do universo. Há solidão e solidão. Mas não acho que enquadrá-las seja prudente. A solidão é como a individualidade, em todo ser humano é diferente. WG - Nasceste e viveste numa cidade marcada fortemente pela figura e espírito de Che Guevara. Até que ponto o romantismo revolucionário influencia os jovens nascidos em Vila Clara, em particular, e em Cuba em geral? PL – Em primeiro lugar existe o que tu és. Vais-te formando a partir da educação que recebes, influenciada pela cultura e pela identidade nacional. Algo muito importante é a formação de valores humanos. E isso sim, é o que te ensinam na escola. Aqueles que não sabem pensam que os nossos padrões de comportamento são marcados apenas por figuras como Che Guevara ou o líder Fidel Castro. E aqui estão errados. Estamos cheios de história, estamos cheios de grandes homens que deram as suas vidas por este país em busca da independência. Os generais das nossas guerras (mencioná-los ocupariam várias páginas), intelectuais de estatura universal, mulheres audazes, heróis adolescentes... Todos tiveram um único ponto em comum: o seu amor por Cuba. Somos, Vila Clara, uma cidade com tradições guerreiras. Portanto, o romantismo revolucionário não se resume ao que é chamado de "revolução cubana". Se não houvesse esse algo que catalogas como romântico e que está no nosso sangue, a nossa história não seria o que é. Faz parte do ADN que herdámos dos primeiros habitantes da nossa ilha. Basta lembrar aquele índio, Hatuey, que foi queimado vivo pelos espanhóis por iniciar uma rebelião em busca da liberdade. WG – E por falar em Che Guevara: ser jovem e não ser revolucionário, como disse ele um dia, é uma contradição genética? PL – Eu acho que ser jovem já é revolucionário. É intrínseco à juventude. Comecemos pelo conceito que encontramos no dicionário. Revolução é uma mudança profunda. Há uma revolução interna quando passas da infância para a adolescência. Faz parte do processo de crescimento do ser humano. Todo o jovem é revolucionário. As grandes mudanças da humanidade saíram de mentes jovens. E não falo apenas de política. Não. As revoluções não se limitam a mudanças de governos. Há uma revolução na ciência, na arte, na própria vida. Eu teria que resumir a história do nosso planeta e esta “entrevista” seria pesada. Portanto, e para resumir, sim, concordo, ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.


Wonder Go - As usually happens, we like to start with a sentence dictated or written by someone. In your case, and because you like to read it, with a phrase from the Spanish journalist and writer Javier Sierra that says: "There are only two ways to be alone. No one near or in the middle of a multitude." Is Javier right in making this statement or are there other ways for you to be alone? Pilar Leiva - The theme is recurrent, it is part of our essence. I venture to cite this minute the American playwright, Nobel Prize for Literature and several times the Pulitzer Prize, Eugene O'Neill, who states that "the solitude of man is nothing more than his fear of life." There are countless ways to be alone. We always see the negative of the subject but we do not realize that, generally, the process of creation starts from the loneliness itself. When you write, when you make music or when you paint, you pour into your soul what you believe and that act is performed in solitude. You can be on top of a mountain, be the only human being around and do not feel alone. And this manifests itself because we limit "company" to other human beings. We never count on other manifestations of life. And, like all the opposite, you can be surrounded by people in Japan and feel yourself to be the loneliest person in the universe. There is loneliness and solitude. But I do not think framing them is wise. Solitude is like individuality, in every human being it is different. WG - You were born and lived in a city strongly marked by the figure and spirit of Che Guevara. To what extent does revolutionary romanticism influence young people born in Vila Clara in particular and in Cuba in general? PL - In the first place there is what you are. You are graduating from the education you receive, influenced by culture and national identity. Something very important is the formation of human values. And that's what they teach you at school. Those who do not know think our patterns of behavior are marked only by figures such as Che Guevara or leader Fidel Castro. And here they are wrong. We are full of history, we are full of great men who gave their lives for this country in search of independence. The generals of our wars (mentioning them would occupy several pages), intellectuals of universal stature, bold women, adolescent heroes ... All had one single point in common: their love for Cuba. We are, Vila Clara, a city with warrior traditions. Therefore, revolutionary romanticism is not limited to what is called the "Cuban Revolution". If there were not something that you catalog as romantic and that is in our blood, our story would not be what it is. It is part of the DNA we inherited from the first inhabitants of our island. Just remember that Indian, Hatuey, who was burned alive by the Spaniards for initiating a rebellion in search of freedom. WG - And speaking of Che Guevara: being young and not being revolutionary, as he once said, is it a genetic contradiction? PL - I think being young is already revolutionary. It is intrinsic to youth. Let's start with the concept found in the dictionary. Revolution is a profound change. There is an internal revolution when you pass from childhood to adolescence. It is part of the process of human growth. Every young man is revolutionary. The great changes of mankind have come out of young minds. And I'm not just talking about politics. No. Revolutions are not limited to changes in governments. There is a revolution in science, in art, in life itself. I would have to summarize the history of our planet and this "interview" would be heavy. So, to summarize, yes, I agree, to be young and not to be revolutionary is a genetic contradiction.


WG – Disseste, enquanto bebíamos um mojito no Bodeguita del Media, que a tua relação com a vida é “abrir-lhe os braços”. O que pretendes abraçar ao fazeres esse gesto? PL – A resposta para esta tua pergunta é muito simples, eu quero abraçar a própria vida. WG - Quando passeias pelo Malecón e olhas o mar, que sensações te invadem? O desejo de sair por ele ao encontro do mundo, ou que ele te traga esse mundo? PL – Não. Nada disso. O mar conforta-me. Enche-me de sensações. Dá-me paz. Quando estou stressada pelo quotidiano tenho que ir ao mar, ao Malecón. E todas as tensões desaparecem. Quando tenho oportunidade, vou à praia e ando sem pressa na areia, com os pés na água. Então sou invadida por uma energia vital inexplicável que tira todas as tempestades. Eu acho que tem a ver com a minha condição de ilhéu. Se eu não vejo o mar, sinto que me falta de um bocado. Nós, os cubanos, estamos em todos os sentidos muito próximos do mar. Sentimo-lo como poucos. WG – Todos os dias chegam a Cuba milhares de turistas. E trazem consigo formas diferentes de estar e de pensar, também muita curiosidade em conhecer. Como te sentes perante toda esta invasão de diferentes culturas, tendo em conta que vives numa ilha onde existe uma certa dificuldade em sair e seres tu a ir ao encontro dessas culturas? PL – Olha, encanta-me conhecer pessoas. Não importa de onde elas vêm. Eu gosto de conhecer a sua projecção perante a vida. Portanto, se o facto de conhecer pessoas implica conhecer a sua cultura, então muito melhor. E usei o verbo "conhecer" várias vezes porque não gosto de me ficar pelos estereótipos. Fascina-me ver pontos em comum apesar das diferenças. Isso viveste na FITCuba. De repente, reunimo-nos à volta de um brinde com vinho do Porto que tinhas trazido de Portugal com cidadãos de diferentes latitudes, de diferentes línguas, de diferentes camadas sociais, de diversas idades… e todos nós brindámos pela amizade e pela vida. É disso que se trata. WG – Como directora de programas na CubanaVision e responsável pelo programa “La Hora de Cuba”, que mensagens procuras passar a quem vê o programa? Que Cuba queres mostrar? PL – Eu quero mostrar a verdadeira Cuba. Sempre começamos o programa com o mesmo texto: “uma revista para que você conheça a nossa história, a nossa cultura e o nosso povo, acompanhe-nos durante esta hora por Cuba”. Essa é a intenção do programa. Vamos das tradições gastronómicas à história do Ballet Nacional de Cuba. Cuba é uma ilha rica em cultura e identidade nacional. Acontecem eventos uns atrás de outros, festivais, encontros… Muitas vezes olhase para Cuba como uma ilha onde só há tabaco, praia e rum. E não é assim. Nós queremos quebrar esses estigmas. Queremos mostrar que somos um povo imerso numa cultura mista, onde convergem desde a cultura asiática à cultura caribenha em si mesma, do jazz latino à música tradicional camponesa… Apenas para dar um exemplo. Somos um «ajiaco», o sincretismo e a mistura de diferentes partes do mundo que fizeram de nós o que somos hoje. E eu agradeço por isso!


WG - You said, while we drank a mojito in Bodeguita del Media, that your relationship with life is "to open its arms". What do you want to hold when you make that gesture? PL - The answer to your question is very simple, I want to embrace life itself. WG - When you stroll along the Malecon and look at the sea, what sensations are invading you? The desire to go out for him to meet the world, or to bring you this world? PL - No. None of this. The sea comforts me. It fills me with sensations. Give me peace. When I am stressed by everyday life I have to go to the sea, to the Malecon. And all the tensions disappear. When I have the opportunity, I go to the beach and walk slowly in the sand with my feet in the water. Then I am invaded by an inexplicable vital energy that takes away all the storms. I think it has to do with my status as an islander. If I do not see the sea, I feel like I'm missing something. We, the Cubans, are in every way very close to the sea. We feel like few. WG - Every day thousands of tourists arrive in Cuba. And they bring with them different ways of being and thinking, also very curious to know. How do you feel about all this invasion of different cultures, considering that you live on an island where there is a certain difficulty in leaving and you are going to meet these cultures? PL - Look, it delights me to meet people. It does not matter where they come from. I like to know your projection to life. So, if knowing people implies knowing their culture, then much better. And I used the verb "to know" several times because I do not like to be stereotyped. It fascinates me to see common ground despite the differences. You experienced that in FITCuba. Suddenly, we gathered around a toast with Port wine that you had brought from Portugal with citizens from different latitudes, different languages, different social strata of different ages... and we all toast for friendship and for life. That's what it's all about. WG - As director of programs at CubanaVision and responsible for the "La Hora de Cuba" program, what messages do you try to pass on to those who see the program? What do you want Cuba to show? PL - I want to show the true Cuba. We always start the program with the same text: "a magazine so that you know our history, our culture and our people, accompany us during this hour for Cuba". That is the intention of the program. We go from the gastronomic traditions to the history of the National Ballet of Cuba. Cuba is an island rich in culture and national identity. Events take place behind each other, festivals, meetings... Often one looks at Cuba as an island where there is only tobacco, beach and rum. And it is not so. We want to break those stigmas. We want to show that we are a people immersed in a mixed culture, where they converge from the Asian culture to the Caribbean culture in its own right, from Latin jazz to traditional peasant music‌ Just to give an example. We are an "ajiaco", the syncretism and the mixture of different parts of the world that made us what we are today. And I thank you for that!


WG – Sabemos que viver em Cuba, por várias razões, por vezes não é fácil. Quais são as maiores dificuldades que sente um jovem cubano? Quais os maiores desafios que se lhe apresentam? PL – É verdade que não é fácil, mas também não é difícil. Somos um país bloqueado e temos acesso limitado a milhares de coisas que em outros lugares podem ser mais comuns. Existem os seus prós e contras. O facto de não contarmos com as facilidades com que contam outros, põe-te a trabalhar o cérebro. Inventas. Procuras soluções de onde pensas que não existem. E sempre encontras. Nós tivemos problemas com os carros? Bem, tornámo-nos um museu itinerante. Isso se aplica em todas as esferas da vida. Talvez não seja tão mau quanto pode parecer. E, por outro lado, desenvolve solidariedade. Eu arranjo sempre um lugar quando entro num “guagua” (autocarro) e acomodo-me para que outro também tenha. Aqui dizemos que onde cabe um cabem dois e onde cabem dois, pois que também cabem três. O maior desafio é colocar a mente para trabalhar. E já faz parte da nossa idiossincrasia. WG – Cuba tem um novo presidente, Miguel Diaz-Canel, colocando fim a seis décadas de governação dos irmãos Castro. O que poderá trazer de novo e de diferente este jovem presidente de 57 anos? PL – Eu conheço bem o trabalho do nosso novo presidente. Eu sou “villaclareña” e ele foi o Primeiro Secretário do Partido há vários anos em Vila Clara, a província central da minha ilha. Ele é um homem muito inteligente, conhecedor do povo porque do povo veio. Ele é um homem íntegro com uma família muito bonita. Espero, é claro, como todo o cubano, que as coisas continuem sempre a melhorar e que nos permitam seguir com o nosso modo de vida. WG – E terminamos com uma frase do ensaísta, pensador, dramaturgo, filósofo e para muitos o maior poeta português, Fernando Pessoa, de que tanto gostas: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Que sonhos tens em ti? PL – Os meus sonhos são grandes sonhos. São sonhos de amor. Eu sempre sonho em ter os meus amigos, aqueles com quem eu compartilho um café pela manhã. Eu sonho em ter uma saúde excelente por toda a vida e que a minha família esteja sempre bem. Eu sonho que o sol nunca se vá embora, que o céu se mantenha azul e que não me tirem o mar. Eu sonho com aquelas pequenas coisas da vida que são grandes e que alimentam a alma. O resto apenas que venha.


WG - We know that living in Cuba, for various reasons, is sometimes not easy. What are the biggest difficulties that a Cuban young man feels? What are the biggest challenges facing you? PL - It is true that it is not easy, but it is not difficult either. We are a locked country and we have limited access to thousands of things that elsewhere may be more common. There are its pros and cons. The fact that we do not count on the facilities that others count on, puts you to work the brain. Invent it. You look for solutions where you think they do not exist. And you always find it. Did we have problems with the cars? Well, we became an itinerant museum. This applies in all walks of life. Maybe it's not as bad as it may sound. And, on the other hand, it develops solidarity. I always get one place when I get in a bus and I get settled for someone else too. Here we say that where one fits, two fit and where two fit, also fit three. The biggest challenge is to put the mind to work. And it's already part of our idiosyncrasy. WG - Cuba has a new president, Miguel Diaz-Canel, putting an end to six decades of governance of the Castro brothers. What could bring this young 57year-old president back and different? PL - I know the work of our new president well. I am "villaclareĂąa" and he was the First Secretary of the Party several years ago in Vila Clara, the central province of my island. He is a very intelligent man, knowledgeable of the people because he comes from our people. He is a righteous man with a very beautiful family. I hope, of course, like all Cubans, that things continue to improve and that they allow us to continue our way of life. WG - And we end with a phrase from the essayist, thinker, playwright, philosopher and for many the greatest Portuguese poet, Fernando Pessoa, that you love so much: "I have in me all the dreams of the world." What dreams do you have in you? PL - My dreams are big dreams. They are dreams of love. I always dream of having my friends, those with whom I share a coffee in the morning. I dream of having excellent health throughout life and that my family is always well. I dream that the sun never goes away, that the sky stays blue and that the sea does not take me away. I dream of those little things in life that are great and that feed the soul. The rest just come.


GO DRIVE


Range Rover Velar D300 Dinamismo e elegância

Continua a ser um Range Rover. Felizmente! Só que acrescido de mais modernidade, dinamismo, preocupações ecológicas e elegância, ganhando uma definição estilística própria de que se gosta assim que olhamos para ele. Chama-se Velar, recuperando de 1969 o nome dado aos primeiros protótipos da Range Rover. E chega para sublinhar a sensação de poder. Em asfalto ou fora dele. Texto Fernando Borges | Fotos Range Rover

Range Rover Velar D300

Dynamism and elegance It's still a Range Rover. Fortunately! Only added with more modernity, dynamism, ecological concerns and elegance, gaining a stylistic definition of what one likes as soon as we look at it. It is called Velar, recovering from 1969 the name given to the first prototypes of the Range Rover. And it comes to underline the feeling of power. On asphalt or out of it. Text Fernando Borges | Photos Range Rover


A aparência é clássica e aquilo que mais sobressai são as linhas “limpas”, sem elementos que distraiam do essencial, notando-se que até o mais pequeno pormenor tem um significado, uma função imediatamente entendida, reforçando um ADN apenas comparável a um outro Range Rover. E se é fácil elogiar a sua elegância, simplicidade e sofisticação, quer exterior, quer interior, onde se destaca o requinte do couro e a nobreza das madeiras, os elogios conhecem um aumento quando tomamos conhecimento das soluções ecológicas utilizadas que foram desenvolvidas em parceria com a Kvadrat, uma empresa nórdica com tradição na criação de têxteis e materiais recicláveis, como garrafas de plástico, utilizados pelos mais reputados decoradores. Por isso podemos dizer que o Velar é uma aposta no futuro, um futuro igualmente presente em diversas funcionalidades, como no sistema multimédia, onde é utilizado o "Touch Pro Duo", que reduz o número de botões e comandos, aliando uma espécie de "tablet" de controlo na consola central a dois ecrãs tácteis de 10 polegadas, que funciona ainda como interface para os smartphones, abrindo a porta às modernas soluções de conectividade 4G. The appearance is classic and what stands out most are the "clean" lines, without elements that distract from the essential, noting that even the smallest detail has a meaning, a function immediately understood, reinforcing a DNA only comparable to another Range Rover. And if it is easy to praise its elegance, simplicity and sophistication, both exterior and interior, where the refinement of leather and the nobility of wood stand out, the praise knows an increase when we become aware of the ecological solutions used that were developed in partnership with Kvadrat, a Nordic company with tradition in the creation of textiles and recyclable materials, like plastic bottles, used by the most reputed decorators. So we can say that Velar is a bet on the future, a future equally present in several functionalities, as in the multimedia system, where the "Touch Pro Duo" is used, which reduces the number of buttons and controls, combining a kind of " tablet in the center console to two 10-inch touch screens, which also functions as an interface for smartphones, opening the door to modern 4G connectivity solutions.


E é fácil sermos invadidos pela sensação que estamos perante o que poderia ser o topo de gama da Range Rover e o mais avançado “on-road” alguma vez produzido por esta marca, um sentir aprimorado quando nos sentamos na posição de condução e colocamos em funcionamento o seu motor 3.0 V6 de 300 cv, a mais elevada proposta do Velar. E porque não dizer o seu “off-road”? Ou que simplesmente é a resposta certa aos sinais de um tempo em que o cliente privilegia o máximo prazer de condução? Para tal, o Range Rover Velar traz consigo o "Terrain Reponse 2" e o "All Terrain Progress Control", duas ajudas importantes para o arranque a baixas condições de aderência e um maior controlo da descida de declives, convidando descaradamente a grandes aventuras aos mais inexperientes nestas andanças de conduzir fora de estrada, onde conta ainda com o "Intelligent Driveline Dynamics" (IDD) e o bloqueio dinâmico do diferencial traseiro, permitindo que o Velar seja uma referência ao nível das performances nestes cenários. O resto, é sentirmo-nos parte de todo esse cenário marcado pela presença do Velar. And it's easy to be overwhelmed by the feeling that we are dealing with what could be the top-of-therange Range Rover and the most advanced on-road ever produced by this brand, an improved feel when we sit in the driving position and put on 300 hp 3.0 V6 engine, the highest proposition of Velar. And why not say your "off-road"? Or that it is simply the right answer to the signs of a time when the customer privileges the maximum driving pleasure? For this, the Range Rover Velar brings with it "Terrain Reponse 2" and "All Terrain Progress Control", two important aids for starting at low grip conditions and greater control of the descent of slopes, inviting brazenly adventures to great adventures. more inexperienced in these off-road driving, where it also has Intelligent Driveline Dynamics (IDD) and dynamic rear differential lock, allowing the Velar to be a reference to the performance level in these scenarios. The rest, is to feel part of this whole scenario marked by the presence of Velar.


NOTÍCIAS

Celebrity Cruises apresenta spa inovador Para uma experiência de spa única a bordo do primeiro navio da classe Edge, o Celebrity Edge, a Celebrity Cruises apresentou um novo spa inovador, o The Spa. Com mais de 22.000 metros quadrados para os hóspedes se renovarem e revigorarem, o The Spa foi inspirado pela natureza e concebido pela designer de renome mundial Kelly Hoppen, apresentando uma variedade inspiradora de tratamentos em colaboração com parceiros líderes do sector, proporcionando aos hóspedes uma ligação mais profunda e próxima ao mar. Para criar um ambiente em harmonia com a natureza, a Celebrity infundiu elementos naturais em cada momento da experiência no The Spa através de um conceito original chamado SEA, inspirado no Mar, Terra e Ar (Sea, Earth, Air), proporcionando experiências sensoriais distintas, serviços sem concessões e uma variedade de novas opções de bem-estar exclusivas em alto mar, para além de um inegável luxo, incorporando inovações tecnológicas e terapêuticas inovadoras no seu novo spa, oferecendo mais de 124 tratamentos, incluindo ofertas exclusivas. O Celebrity Edge fará a sua temporada inaugural nas Caraíbas, com partidas alternadas de sete noites entre as Caraíbas Orientais e Ocidentais a partir de 21 de Novembro de 2018, antes de rumar até ao Mediterrâneo, onde fará partidas de 7 a 11 noites desde Barcelona e Roma em 2019.

Celebrity Cruises presents innovative spa For a unique spa experience aboard the first Edge-class ship, the Celebrity Edge, Celebrity Cruises introduced an innovative new spa, The Spa. With over 22,000 square feet for guests to renew and invigorate, The Spa has been inspired by nature and designed by world-renowned designer Kelly Hoppen, featuring an inspiring variety of treatments in collaboration with industry-leading partners, providing guests with a deeper and closer connection to the sea. To create an environment in harmony with nature, Celebrity infused natural elements at every moment of the experience into The Spa through an original concept called SEA, inspired by Sea, Earth and Air, providing different sensory experiences unrivaled services and a variety of new exclusive wellness options on the high seas, plus undeniable luxury, incorporating innovative technological and therapeutic innovations in your new spa, offering over 124 treatments including exclusive offers. Celebrity Edge will host its inaugural Caribbean season with alternating seven-night Eastern Caribbean and Western Caribbean departures starting 21 November 2018, before heading to the Mediterranean, where it will play 7 to 11 nights from Barcelona and Rome in 2019.


Vila Galé Sintra, uma inovação para o bem-estar Em plena Várzea de Sintra, rodeado de zonas verdes e com uma deslumbrante vista para o Palácio da Pena, foi inaugurado o Vila Galé Sintra, diferenciando-se pelo seu conceito inovador na área da saúde, sendo mesmo um verdadeiro “healthy lifestyle hotel”. Com uma forte componente de wellness e bem-estar, este projecto conta com todas as facilidades de um hotel, como restaurantes com propostas de alimentação gourmet light e buffet de baixo teor calórico, um bar com opções de sumos detox e revigorantes, duas piscinas exteriores, piscina infantil com escorregas, uma infinity pool, spa e área de fitness, o Club NEP, com animação e entretenimento para crianças, salas de reuniões e salão de eventos, contando ainda com diferentes tipologias de apartamentos, que poderão beneficiar de todos os serviços existentes na unidade hoteleira. Sendo a localização outro dos seus atractivos, este empreendimento fica a poucos minutos do centro da Vila de Sintra, classificada como património mundial pela UNESCO, e muito próximo da Praia da Adraga, das Azenhas do Mar, da Praia das Maçãs, da Praia Grande e do Cabo da Roca, tendo ainda como vocação receber famílias. Tendo como nome completo Vila Galé Sintra, Resort Hotel, Conference & Revival Spa, este projecto engloba um hotel apartamento de cinco estrelas com 77 quartos duplos e 10 blocos de apartamentos turísticos num total de 184 unidades de alojamento divididos por 44 Apartamentos T0, 15 Apartamentos T1, 36 Apartamentos T2 e 12 Apartamentos T3. Mas é tratar bem do corpo e revigorar a mente, levando a uma verdadeira e duradoura transformação dos hábitos e do modo de vida, em busca da autoconfiança e do equilíbrio o grande objectivo do Vila Galé Sintra, contando por isso com o seu Revival Medical Spa integrado, que oferece programas de saúde com acompanhamento especializado, e uma clínica que funciona de terça a sábado de manhã. Também há ainda que contar com o SPA Satsanga, direcionado para o lazer, bem-estar, estética e beleza, e com o seu ginásio equipado com Box de Cross Fit, Ringue de Boxe e cycling, bem como com a área de fitness que inclui circuitos de manutenção, ténis e campo polidesportivo, oferecendo ainda diversas actividades em contacto com a natureza como btt, ciclismo e passeios de charrete.

Vila Galé Sintra, an innovation for the well-being In the middle of the Várzea de Sintra, surrounded by green areas and with a breathtaking view of the Pena Palace, Vila Galé Sintra was inaugurated, distinguished by its innovative concept in health care, and is truly a "healthy lifestyle hotel". With a strong component of wellness, this project has all the facilities of a hotel, such as restaurants with proposals for gourmet light and low calorie buffet, a bar with options for detox and invigorating juices, two outdoor pools, children's pool with slides, an infinity pool, spa and fitness area, the NEP Club, with entertainment and entertainment for children, meeting rooms and event hall, with different types of apartments that can benefit from all services existing in the hotel unit. Being the location another of its attractions, this development is just a few minutes from the center of the Sintra Village, classified as a World Heritage by UNESCO, and very close to Adraga Beach, Azenhas do Mar, Praia das Maçãs, Praia Grande and of Cabo da Roca, also having vocation to receive families. With its full name Vila Galé Sintra Resort Hotel, Conference & Revival Spa, this project includes a five star hotel with 77 double rooms and 10 tourist apartment blocks with a total of 184 accommodation units divided by 44 Apartments T0, 15 Apartments T1, 36 Apartments T2 and 12 Apartments T3. But it is to treat the body well and refresh the mind, leading to a true and lasting transformation of habits and way of life, in search of self-confidence and balance the great goal of Vila Galé Sintra, relying on its Revival Medical Spa integrated health care program with specialized monitoring and a clinic that runs from Tuesday to Saturday morning. There is also the SPA Satsanga for leisure, wellness, aesthetics and beauty, and with its gym equipped with Cross Fit Box, Boxing Ring and cycling, as well as a fitness area that includes maintenance, tennis and multi-sports courts, as well as various activities in contact with nature such as bikes, bicycles and buggy rides.


Delta Air Lines triplica capacidade em Portugal A companhia aérea norte-americana Delta Air Lines intensificou a sua oferta a partir de Portugal este ano, adicionando um novo voo directo diário entre Lisboa e o seu hub em Atlanta, o maior aeroporto do mundo, além de introduzir 5 voos semanais sem escalas entre Ponta Delgada e Nova York-JFK, complementando o já existente voo diário entre Lisboa e Nova Iorque-JFK. As novas rotas da Delta e o serviço ao longo de todo o ano entre Lisboa e Nova Iorque-JFK representam um acréscimo de capacidade de 216% no mercado português em 2018, face a idêntico período do ano passado, oferecendo mais de 7.400 lugares por semana entre Portugal, os Açores e os EUA durante os meses de pico do Verão. A Delta, única companhia aérea a oferecer rotas sem escalas entre Lisboa e Atlanta, além dos Açores e Nova Iorque, passa com este aumento de frequências a possibilitar que os clientes que saiam de Lisboa possam voar para mais de 200 cidades na América do Norte, América Latina e Caraíbas, incluindo destinos populares como São Francisco, Los Angeles, Miami, Orlando e Seattle, além de São Paulo, no Brasil, com todos os voos a oferecer ligação WiFi e mais de 1.000 horas de entretenimento no Delta Studio, disponíveis em todos os lugares ou que podem ser descarregados para o seu laptop, tablet ou telemóvel, permitindo que os clientes possam manter-se conectados a mais de 9.000 metros de altura graças ao sistema gratuito de mensagens móveis via WhatsApp, iMessenger e Facebook Messenger. Os voos da Delta Air Lines de Lisboa e Ponta Delgada para Nova York-JFK são operados por aviões Boeing 757-200ER, e o de Lisboa para Atlanta Delta por um Boeing 767-300ER, sendo todas as rotas operadas em conjunto com os parceiros joint-venture Air France, KLM e Alitalia.

Delta Air Lines triples capacity in Portugal The US Delta Air Lines has stepped up its offer from Portugal this year, adding a new daily direct flight between Lisbon and its hub in Atlanta, the largest airport in the world, in addition to introducing 5 weekly nonstop flights between Ponta Delgada and New York-JFK, complementing the existing flight between Lisbon and New York-JFK. Delta's new routes and year-round service between Lisbon and New YorkJFK represent an increase of 216% in the Portuguese market in 2018, compared to the same period last year, offering more than 7,400 seats per week between Portugal, the Azores and the US during the peak months of summer. Delta, the only airline offering nonstop routes between Lisbon and Atlanta, beyond the Azores and New York, passes with this increase in frequencies to enable customers flights to more than 200 cities in North America, Latin America and the Caribbean, including popular destinations such as San Francisco, Los Angeles, Miami, Orlando and Seattle, as well as Sao Paulo, Brazil, with all flights to offer Wi-Fi connection and more than 1,000 hours of entertainment in Delta Studio, available everywhere or that can be downloaded to your laptop, tablet or mobile phone, allowing customers to keep up with over 9,000 meters high thanks to the free mobile messaging system via WhatsApp, iMessenger and Facebook Messenger. Delta Air Lines flights from Lisbon and Ponta Delgada to New York-JFK are operated by Boeing 757-200ER aircraft, and from Lisbon to Atlanta Delta by a Boeing 767-300ER, all routes being operated jointly with joint-venture partners Air France, KLM and Alitalia.


Havana será o palco da FITCuba 2019 No ano em que comemorará os seus 500 anos, Havana será o palco da FITCuba 2019 e terá como país convidado Espanha, uma edição que será dedicada ao turismo de eventos e incentivos, conhecido por MICE. O anúncio foi feito por Manuel Marrero Cruz, ministro do turismo cubano no encerramento da Feira Internacional de Turismo de Cuba - FITCuba 2018, que se realizou na Plaza de las Terrazas no Cayo de Santa Maria, o destino turístico desta ilha das Caraíbas mais afectado pelo furacão Irma que assolou a região em Setembro de 2017, tendo reunido mais de 3,300 participantes e 178 jornalistas oriundos de 62 países. Entre as delegações mais numerosas destacou-se a Espanha, Estados Unidos, México e Reino Unido, o país convidado da edição de 2018, que tiveram a possibilidade de visitar algumas das principais atracções turísticas, culturais e históricas cubanas, como as cidades de Trinidad, Remédios, Santa Clara e Havana, algumas praias do Cayo de Santa Maria, de realizar um cruzeiro fluvial pelo Rio Negro na região de Topes de Collantes e de assistir ao lançamento de Sagua La Grande como novo destino turístico cubano.

Havana will host FITCuba 2019 In the year in which it will celebrate its 500 years, Havana will be the stage of FITCuba 2019 and will have as guest country Spain, an edition that will be dedicated to tourism events and incentives, known as MICE. The announcement was made by Manuel Marrero Cruz, minister of Cuban tourism at the closing of the International Tourism Fair of Cuba - FITCuba 2018, held in the Plaza de las Terrazas in Cayo Santa Maria, the tourist destination of this Caribbean island most affected by Hurricane Irma that devastated the region in September 2017, bringing together more than 3,300 participants and 178 journalists from 62 countries. Among the most numerous delegations were Spain, the United States, Mexico and the United Kingdom, the invited country of the 2018 edition, which were able to visit some of the main tourist, cultural and historical attractions in Cuba, such as the cities of Trinidad, Remedios, Santa Clara and Havana, some beaches of Cayo de Santa Maria, to take a river cruise on the Rio Negro in the region of Topes de Collantes and to watch the launch of Sagua La Grande as a new Cuban tourist destination.


Alemanha sempre em festa! Durante os meses de verão a Alemanha é palco de 12 festivais e celebrações, aumentando o interesse e o desejo de se partir ao seu encontro, de descobrir esta ou aquela cidade, como Berlim, Munique, Frankfurt, Hamburgo ou Leipzig. Em Berlim, por exemplo, de 3 a 5 de Agosto, realizarse-á o famoso Berlin Beer Festival, o mais longo “biergarten” (jardim da cerveja) do mundo, segundo o Guinness World Records, que se estende da Frankfurter Tor até à Strausberger Platz, ao longo da Karl Marx Allee, num total de 2,2 quilómetros, onde participarão nada menos de 344 cervejeiras de 87 países, permitindo que os cerca de 800,000 visitantes esperados possam provar várias especialidades gastronómicas e assistir a múltiplos concertos de artistas e bandas alemãs e internacionais. Ainda em Berlim, a 25 de Agosto, acontecerá a “Noite Longa nos Museus” com os 80 museus de Berlim a estarem abertos para além do horário habitual, alguns deles até às duas da manhã, acolhendo cerca de 800 eventos, uma óptima oportunidade para conhecer vários espaços museológicos de uma vez só e, melhor ainda, em ambiente festivo. Já de 28 de Setembro a 14 de Outubro, Berlim transforma-se numa autêntica “cidade luz”, com os principais ícones da cidade, como as Portas de Bradenburgo, a surgirem iluminados durante dois festivais, o Berlin Leuchtet e o Festival of Lights, este a acontecer de 5 a 14 de Outubro. Já em Melt, perto de Dessau, e tendo como cenário uma antiga mina de carvão, acontecerá de 13 a 15 de Julho um dos melhores festivais de música electrónica da Europa e que contará com a participação dos The XX, Florence and the Machine, The Black Madonna, Cigarettes After Sex e Nina Kraviz, entre muitos outros. Também Munique será palco do Festival Tollwood, que este ano comemora três décadas de existência, um festival empenhado em contribuir para um mundo melhor, nomeadamente em termos ambientais, e que decorrerá de 27 de Junho a 22 de Julho no Olympiapark. Mais uma vez se defende o conceito de “cultura para todos”, com cerca de 70% dos eventos a serem gratuitos, o cartaz deste ano inclui Hollywood Vampires, Billy Idol e Alanis Morissette, entre muitos outros artistas e grupos, não faltando, claro, muita cerveja, assim como delícias gastronómicas de todo o mundo. E, claro, há o Oktoberfest de Munique, essa enorme festa que anualmente atrai mais de 6 milhões de visitantes! A estatística de litros de cerveja consumidos também é impressionante: no ano passado beberam-se 7,5 milhões de litros! Este ano o Oktoberfest de Munique acontece de 22 de Setembro a 7 de Outubro.


Germany always in celebration! During the summer months Germany is the scene of 12 festivals and celebrations, increasing the interest and the desire to go out to meet them, to discover this or that city, such as Berlin, Munich, Frankfurt, Hamburg or Leipzig. In Berlin, for example, from 3 to 5 August, the famous Berlin Beer Festival, the longest beer garden in the world, according to the Guinness World Records, which extends from Frankfurter Tor to Strausberger Platz, along the Karl Marx Allee, a total of 2.2 kilometers, where no less than 344 breweries from 87 countries will participate, allowing around 800,000 expected visitors to sample various gastronomic specialties and attend multiple concerts in artists and bands from Germany and abroad. Still in Berlin, on August 25, "Long Night in Museums" will take place with the 80 museums in Berlin being open beyond normal hours, some of them until two in the morning, hosting about 800 events, a great opportunity to to know several museological spaces at once and, even better, in a festive atmosphere. From September 28 to October 14, Berlin becomes an authentic "light city", with the main icons of the city, such as the doors of Bradenburg, illuminated during two festivals, Berlin Leuchtet and Festival of Lights, this happening from 5 to 14 October. In Melt, near Dessau, and taking place as an old coal mine, there will be one of the best electronic music festivals in Europe from 13 to 15 July with the participation of The XX, Florence and the Machine, The Black Madonna, Cigarettes After Sex and Nina Kraviz, among many others. Munich will also be the venue for the Tollwood Festival, which this year celebrates three decades of existence, a festival committed to contribute to a better world, in particular environmental, from 27 June to 22 July at the Olympiapark. Once again the concept of "culture for all" is defended, with about 70% of the events to be free, this year's poster includes Hollywood Vampires, Billy Idol and Alanis Morissette, among many other artists and groups, not missing, of course, lots of beer, as well as gastronomic delights from around the world. And of course, there is the Munich Oktoberfest, this huge party that annually attracts over 6 million visitors! The statistic of liters of beer consumed is also impressive: last year they drank 7.5 million liters! This year the Munich Oktoberfest takes place from 22 September to 7 October.


Na origem da Oktoberfest está a festa de casamento, em 1810, do Príncipe Luís da Baviera com a Princesa Teresa da Saxónia, para a qual os cidadãos de Munique foram convidados. Tantos anos passados, o programa de cada edição inclui muitas bandas musicais, desfiles de trajes tradicionais, boa comida e muita bebida, incluindo cervejas criadas especificamente para esta ocasião, com a população local a aproveitar para tirar as fatiotas típicas do armário e exibi-las orgulhosamente nesta grande celebração popular - vestidos com corpetes e calças de cabedal, entre outras peças tradicionais. Já Frankfurt, de 27 de Junho a 6 de Julho, receberá mais uma edição do Opernplatzfest, ou Festival da Praça da Ópera, uma das mais belas praças da cidade, que nestes dias se enche de delícias gastronómicas para provar na companhia de um programa musical que inclui sonoridades que vão do jazz à pop. A mesma Frankfurt onde acontece, de 24 a 26 de Agosto, a “Festa dos Museus”, conhecida como uma das maiores celebrações culturais da Europa, com os museus a permanecem abertos até bem tarde, artesãos e artistas a venderem as suas obras à beirario, uma programação que inclui teatro, dança e concertos e onde há especialidades culinárias de todo o mundo para provar. Passando para Hamburgo, mais de 400 concertos de muitos estilos musicais (indie, pop, rock, folk, eletro, hip hop, soul, jazz…) são esperados de 19 a 22 de Setembro no Reeperbahnfestival, concertos que terão lugar em clubes, bares, teatros e muitos outros espaços da Reeperbahn, uma das ruas com maior animação nocturna da cidade, e também conhecida pelo seu red light district. Hamburgo que em Waken recebe de 2 a 4 de Agosto o Wacken Open Air, o maior festival de heavy metal do mundo que começou em 1990 com cerca de 800 pessoas na assistência mas que hoje atrai anualmente cerca de 80.000 e onde são esperadas bandas como Judas Priest e Sepultura. Todos sabemos que Bach gostava muito de Leipzig. Por esta razão e em mais uma homenagem a um dos mais talentosos compositores de sempre, esta cidade alemã, onde Johann Sebastian Bach viveu e trabalhou entre 1723 e 1750, volta a ser palco do Bach Fest, um festival que se realiza desde 1904 e que contará este ano com mais de 160 eventos dedicados ao compositor. Leipzig que nos dias 29 e 30 de Junho terá ao fundo do Parque Rosental um palco virado para as mais de 60,000 pessoas esperadas para assistirem na sua relva ao Klassic Airleben, um festival gratuito protagonizado pela Orquestra Gewandhaus, já com 275 anos de existência, e que este ano apresentará composições de George Gershwin e John Williams.


At the origin of the Oktoberfest is the wedding party, in 1810, of Prince Louis of Bavaria with Princess Teresa of Saxony, to which the citizens of Munich were invited. So many years past, the program of each edition includes many musical bands, parades of traditional costumes, good food and lots of drink, including beers created specifically for this occasion, with the local population to remove the typical costumes out of the closet and to exhibit them proudly in this great popular celebration - dressed in corsets and leather pants, among other traditional pieces. Frankfurt, from 27 June to 6 July, will receive another edition of the Opernplatzfest, or Festival of the Opera Square, one of the most beautiful squares of the city, which in these days is filled with gastronomic delights to prove in the company of a musical program which includes sounds ranging from jazz to pop. The same Frankfurt where the "Museum Fest", known as one of Europe's greatest cultural celebrations, is held from 24 to 26 August, with museums remaining open until late, artisans and artists selling their works close to the river, a program that includes theater, dance and concerts and where there are culinary specialties from around the world to sample. Passing to Hamburg, more than 400 concerts of many musical styles (indie, pop, rock, folk, electro, hip hop, soul, jazz ...) are expected from 19 to 22 September at the Reeperbahnfestival, concerts taking place in clubs, bars, theaters and many other places of the Reeperbahn, one of the city's most lively nightlife streets, and also known for its red light district. Wacken Open Air, the largest heavy metal festival in the world that started in 1990 with around 800 people in the show but now attracts around 80,000 annually and where bands such as Judas Priest and Sepultura. We all know that Bach liked Leipzig a lot. For this reason, and in further homage to one of the most talented composers ever, this German city, where Johann Sebastian Bach lived and worked between 1723 and 1750, returns to be the stage of the Bach Fest, a festival that has been held since 1904 and which will count this year with more than 160 events dedicated to the composer. Leipzig, which on June 29th and 30th will have at the bottom of the Rosental Park a stage set for the more than 60,000 people expected to watch in their lawn at Klassic Airleben, a free festival featuring the 275-year-old Gewandhaus Orchestra which this year will feature compositions by George Gershwin and John Williams.


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