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Maio-Junho May-June 2019 | #33 | Ano Year III | Periocidade Bimestral Periodicity Bimonthly

wonderGO! travel

Maropeng O Berรงo da Humanidade | The Cradle of Humanity

San Juan de Porto Rico | Bijagรณs | La Mancha


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Informações e reservas na sua Agências de Viagens


MUNDO| 32 San Juan de Porto Rico

WONDER STAY (I)| 42 Vila Galé Douro Vineyards

GO | 16 Maropeng


WONDER STAY (II) | 74 Curia Palace

WONDER TASTE | 68 Divinus

84

118

SPA | 50 In Acqua Veritas


ON THE WAY | 58 Bijagós by Bruno José WONDER DRIVE | 132 Mercedes Classe A

WONDER DRINKS | 96 Tequila José Cuervo

10X10 | 118 Elisabete Jacinto


LIFESTYLE | 142 Brazilian Bikini Shop & Elisabetta Franchi

PHOTO-GALLERY | 82 La Mancha by Manel Antolí WONDER STAY (III) | 128 Puerto Antilla Grand Hotel

ART&GO. | 108 Paul Gaugin

84

118


PROPRIEDADE | OWNERSHIP Sépia Analógica Lda. (Agência Analógica) CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO ADMINISTRATIVE COUNCIL Carla Branco SEDE & REDAÇÃO | HEAD OFFICE Praceta Prof. Dr. António Flores N3, 2E, 2720-468 Amadora NIPC 509977596 Nº REGISTO ERC 127113 DIRECTOR Fernando Borges fborges1960@gmail.com EDITORA EXECUTIVA EXECUTIVE PUBLISHER Carla Branco cbrancowondergo@analogica.pt ARTE & DESIGN GRÁFICO ART & GRAPHIC DESIGN Carla Branco MARKETING & MULTIMEDIA Agência Analógica FORMATO | FORMAT Online CUSTO | COST Gratuito| Free PERIOCIDADE | PERIODICITY Bimestral | Bimonthly

WEB www.wondergomagazine.com SOCIAL MEDIA facebook.com/wondergomagazine instagram.com/wondergomagazine EMAIL info@wondergomagazine.com TELEFONE | TELEPHONE (+351) 96 335 4142 | 96 274 9108 ESTATUTO EDITORIAL| EDITORIAL STATUTE www.wondergomagazine.com COLABORADORES (nesta edição) COLLABORATORS (in this issue) Bruno José (SP Televisão) Manel Antolí (Photo-Gallery)


Wherever you GO… Wonder GOes with you!

Silêncio, por favor! Quem nos lê mais atentamente, reparará que pela primeira vez nas 33 edições da Wonder GO dou título a um editorial. Abro uma excepção, sim. E abro esta excepção porque esta edição tem como tema principal de capa Maropeng, na África do Sul, o tal “Berço da Humanidade”. Estive lá! O resultado foi muitas reflexões sobre esta mesma Humanidade enquanto à noite, na varanda do meu quarto, olhava a grande savana. E que se seguiram em outras varandas, em outros lugares e com outros cenários. Também que não raras vezes me apeteceu fazer uma Wonder GO sem crónicas de viagens, nem entrevistas, nem automóveis, nem bebidas, nem reportagens sobre gastronomia, hotéis ou spas. Nada! Apenas o silêncio que o respeito pelas imagens, às vezes, exige. Algo que fosse mais do que a presumível qualidade das imagens. Talvez e apenas um portfólio sobre a Humanidade e que nos obrigasse a um profundo silêncio. Algo que dissesse respeito a cada um de nós, mesmo que nenhum de nós tivesse sofrido na pele o que cada uma dessas imagens exibissem. Algo que fosse sobre o Homem desde que apareceu em Maropeng, que obrigasse cada um a um silêncio sem fim, uma espécie de respiração suspensa pela Emoção, pela Vida e pelo nosso Planeta. E aos que sentissem que “falta algo” a essa edição, recomendaria um exercício: um minuto a observar cada uma dessas imagens, cada um dos rostos de pessoas iguais a nós, tão pessoas como nós mas que por causa do Homem perderam a esperança de serem como nós. Sim, gostaria de fazer uma Wonder GO que fosse um grito de silêncio. Mesmo que fosse um grito sem eco, mas sentido! Talvez um dia chegue este silêncio! Please silence! Whoever reads us more carefully, will notice that for the first time in the 33 editions of Wonder GO I give title to an editorial. I make an exception, yes. And I open this exception because this edition has as its main theme cover Maropeng, in South Africa, the "Cradle of Humanity". I was there! The result was many reflections on this same Humanity while at night, on the balcony of my room, I looked at the great savannah. And that followed in other balconies, in other places and with other scenarios. Also I have not often felt like doing a Wonder GO without travel chronicles, interviews, cars, drinks, or reports about gastronomy, hotels or spas. Anything! Only the silence that the respect for images sometimes demands. Something that was more than the presumed quality of the images. Maybe it's just a portfolio about Humanity and it would force us to a deep silence. Something that concerned each of us, even if none of us had suffered in the skin what each of those images had. Something about Man since he appeared in Maropeng, that would oblige each one to an endless silence, a kind of breathing suspended by Emotion, Life and our Planet. And for those who feel that “something is missing” on that edition, I would recommend an exercise: a minute to observe each of these images, each one of the faces of people just like us, as people like us but for the sake of Man, they lost hope of beeing like us. Yes, I would like to make a Wonder GO that was a cry of silence. Even if it were a cry without echo, but felt! Maybe one day this silence will come!

Fernando Borges Director


GO


Maropeng

Regresso às origens Poucos são os lugares do planeta Terra em que o “era uma vez” faça tanto sentido e tenha tanta razão de ser dito como no Vale de Sterkfontein, na África do Sul, uma espécie de “Livro de Pedra” onde se pode ler quase toda a pré-história do Homem. Ou não fosse o continente africano o “Berço da Humanidade”. E é aqui que encontramos Maropeng, um lugar onde podemos contemplar a evolução do nosso mais remoto passado e onde se diz encontrarse o embrião da espécie Humana. Texto Fernando Borges Fotos Fernando Borges/Maropeng Museum

Back to origins There are few places on planet Earth where the "once upon a time" makes so much sense and has as much reason to say as in the Sterkfontein Valley, South Africa, a kind of "Stone Book" where you can read almost all of it the prehistory of Man. Or it was not the African continent the "Cradle of Humanity". And it is here that we find Maropeng, a place where we can contemplate the evolution of our most remote past and where it is said to be the embryo of the human species. Text Fernando Borges Photos Fernando Borges/Maropeng Museum


Sempre que pergunto a alguém o que fez na sua viagem à África do Sul, a resposta típica é que foi ao Kruger Park fazer uma safari, que visitou a Table Mountain, na Cidade do Cabo, que foi sentir o pulsar da história recente de luta contra o Apartheid que se respira no Soweto, em Joanesburgo, que realizou um “safari” vínico por Stellenbosch ou pela região de Franchhoek, ou que mergulhou com o tubarão-branco no recife de Aliwal Shoal, ao largo de Durban. Mas nunca ouvi ninguém dizer que tinha estado no Berço da Humanidade, esse lugar onde, mais do que em qualquer outro do planeta Terra, podemos encontrar a resposta a uma das perguntas mais vezes feita pelo Homem na procura das suas origens: “De onde viemos? Para onde vamos?”. Pergunta que também eu por diversas vezes já fiz. Por isso, ao voltar à África do Sul, tinha que incluir Maropeng nos lugares a visitar, que em língua setswana significa “retorno ao local de origem”, pois sabia que dificilmente em um outro lugar da Terra poderia encontrar uma resposta mais aproximada da realidade do que neste lugar inscrito na lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO localizado na província de Gauteng, onde se encontra a capital da África do Sul, Pretória, a noroeste de Joanesburgo e a escassos metros das Cavernas de Sterkfontein. Whenever I ask someone what they did on their trip to South Africa, the typical response is that they went to Kruger Park to go on a safari trip to Table Mountain in Cape Town which was to feel the pulse of recent fighting history against Apartheid at Soweto in Johannesburg, who conducted a wine safari through Stellenbosch or the Franchhoek region or dived with the white shark on the Aliwal Shoal reef off Durban. But I have never heard anyone say that they had been in the Cradle of Humanity, this place where, more than anywhere else on planet Earth, we can find the answer to one of the most often asked questions by Man in search of his origins: “Where do we come from? Where are we going?". Question that I have also done several times. So when I returned to South Africa, I had to include Maropeng in the places to visit, which in Setswana means "return to the place of origin”, because I knew that hardly anywhere else on Earth could find a closer response to reality than in this place inscribed in UNESCO World Heritage List located in the province of Gauteng, where is the capital of South Africa, Pretoria, northwest of Johannesburg and a few meters from the Sterkfontein Caves.


E eis que estou no mais sagrado dos lugares sagrados da Humanidade, aquele que nos permitiu conhecer o nosso passado mais distante e que tem como “estrelas” principais Mrs. Ples, cujo esqueleto com mais de dois milhões de anos é considerado o mais preservado de um Australopithecus africanus, o “Little Foot”, um hominídeo com 4,1 milhões de anos, e a “Taung Child”, a primeira descoberta importante na região do Berço da Humanidade, um fóssil de um crânio que cabe na palma da mão de um adulto e que os estudos indicam ser de uma criança de três a quatro anos. Parto para uma viagem ao encontro das nossas origens, que começa nas Cavernas de Sterkfontei, com túneis de 40 quilómetros de extensão que guardam milhares de fósseis de ancestrais humanos e animais com mais de quatro milhões de anos preservados por impressionantes formações de calcário dolomítico que começaram a formar-se há 20 milhões de anos, o mesmo lugar onde em 1936 foi descoberto um crânio de Australopithecus. Do topo da escada de acesso às cavernas, mal podemos imaginar o que aquele terreno coberto de plantas não muito altas escondeu durante séculos no seu interior. Era o inicio de um vertiginoso tour vertical a 20 metros de profundidade entre estalactites, estalagmites e formações rochosas, uma viagem emocional ao mais profundo da história da Humanidade.

And here I am in the most sacred of the sacred places of Humanity, the one that allowed us to know our most distant past and which has as its main "stars" Mrs. Ples, whose skeleton with more than two million years is considered the most preserved of an Australopithecus africanus, the "Little Foot", a hominid with 4.1 million years, and the "Taung Child", the first important discovery in the Cradle of Humankind region, a fossil of a skull that fits in the palm of the hand of an adult and that the studies indicate it was from a child of three to four years old. I leave for a trip to our origins, starting at the Sterkfontei Caves, with 40 kilometer long tunnels holding thousands of fossils of human and animal ancestors with more than four million years old preserved by impressive dolomitic limestone formations that began to be formed 20 million years ago, the same place where in 1936 was discovered a skull of Australopithecus. From the top of the ladder of access to the caves, we can scarcely imagine what that ground covered with not very tall plants hid for centuries within. It was the beginning of a vertiginous vertical tour 20 meters deep between stalactites, stalagmites and rock formations, an emotional journey to the deepest of human history.


“Todos os homens são úteis à humanidade pelo simples facto de existirem.” | "All men are useful to mankind for the simple fact that they exist.” Jean-Jacques Rousseau


Perante mim, estava um livro vivo da Pré-História escrito através de estreitos túneis escorregadios e húmidos - afinal de contas trata-se de uma caverna percorrida por canais de águas - e com pouca iluminação, um livro que por vezes nos faz sentir verdadeiros Indiana Jones, levando-nos pelos passos de Robert Broom, o paleontólogo que descobriu fragmentos de ossos de seis diferentes hominídeos no Berço da Humanidade. Mas o mergulho profundo e intenso no nosso passado ancestral que acontece quando descemos as escadas moldadas na rocha e gastas por milhões de anos de Sterkfontei continua ali ao lado, no Tumulus Building, o arrojado edifício do Museu Maropeng transformado numa referência do passado e do futuro da Humanidade, o tal lugar onde mais do que em qualquer outro lugar poderemos encontrar a resposta à pergunta “De onde viemos? Para onde vamos?”. Mais uma viagem pelo que somos e onde estamos que aqui começa quando embarcamos num pequeno bote e percorremos através de canais subterrâneos os estágios de formação da Terra a partir dos quatro elementos – terra, ar, fogo e água - sob efeitos tecnológicos que simulam a Era do Gelo e as grandes erupções vulcânicas, uma experiência sensorial que nos leva a sentir na pele, literalmente, os bilhões de anos que antecederam à chegada do Homem.

Before me, there was a living book of Prehistory written through narrow slippery, humid tunnels - after all, it's a cave run through waterways - and dimly lit, a book that sometimes makes us feel real Indiana Jones, taking us in the footsteps of Robert Broom, the paleontologist who discovered bone fragments from six different hominids in the Cradle of Humankind. But the deep and intense dive in our ancestral past that happens when we descend the rock-shaped and spent staircases of Sterkfontei for millions of years is still there, in the Tumulus Building, the bold Maropeng Museum building transformed into a reference of the past and the future of Humanity, the place where, more than anywhere else, we can find the answer to the question "Where do we come from? Where are we going?". Another journey through what we are and where we are that begins here when we embark on a small boat and we travel through subterranean channels the stages of formation of the Earth from the four elements - earth, air, fire and water - under technological effects that simulate the Era of Ice and the great volcanic eruptions, a sensorial experience that leads us to feel on the skin, literally, the billions of years before the arrival of Man.


Uma viagem que continua o seu caminho através de uma exposição de fósseis originais, como o crânio de um Australopithecus africanus encontrado na região, em 1989, por detalhes que nos falam do nascimento do planeta, do desenvolvimento do seu ADN e da vida na Terra; da sua extinção, da evolução da humanidade e dos fósseis, do Princípio de Gaia - a teoria de uma Terra viva, até atingir a sociedade moderna, detendo o olhar e o pensamento na forma como funcionamos como espécie na nossa pegada ecológica e no futuro. E com o “futuro” à minha frente chegou o fim de uma viagem que me levou ao encontro com o nosso mais ancestral passado. Regressei ao Maropeng Boutique Hotel. Sentei-me no terraço junto à piscina e olhei as montanhas de Magaliesberg e de Witwatersbergau ao fundo. Ainda pensei ir até ao spa. Mas não, esta longa viagem pelos caminhos do Homem e o cenário que se estendia perante os meus olhos pedia-me que ali estivesse em contemplação, reflectindo sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Era o preço a pagar por ter regressado ao lugar de origem da Humanidade. Por estar onde o nosso cordão umbilical está enterrado.

A journey that continues its path through an exhibition of original fossils, such as the skull of an Australopithecus africanus found in the region in 1989, for details that tell us about the birth of the planet, the development of its DNA and life on Earth; from its extinction, from the evolution of humanity and fossils, from the Principle of Gaia - the theory of a living Earth, until it reaches modern society, stopping gaze and thought in the way we function as a species in our ecological footprint and in the future. And with the "future" ahead of me came the end of a journey that led me to meet our oldest ancestor. I returned to the Maropeng Boutique Hotel. I sat on the terrace by the pool and looked at the mountains of Magaliesberg and Witwatersbergau in the background. I still thought I'd go to the spa. But no, this long journey through the ways of Man and the scenery that stretched before my eyes asked me to be there in contemplation, reflecting on who we are, where we came from and where we are going. It was the price to pay for having returned to the place of origin of Humanity. For being where our umbilical cord is buried.

A Wonder GO viajou a convite de | Wonder GO traveled with the invitation of:


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MUNDO


San Juan de Porto Rico Um milagre do passado, uma paixão do presente A sua arquitectura delicia-nos e desenha ruas que se pintam de tons rosa pastel, azul marinho, laranja vivo, amarelo limão e outros tons, como que identificando cada edifício pela cor, tornando-os ainda mais belos no seu ar colonial. Ruas que contam 1001 histórias da sua História e das suas gentes, por onde se caminha pausadamente sobre paralelepípedos azuis e que desaguam no Mar das Caraíbas ou numa praça onde os pés ganham vida ao som da salsa e do merengue. Texto & Fotos Fernando Borges

A miracle of the past, a passion of the present Its architecture delights us and draws streets that are painted pastel shades, navy blue, bright orange, lemon yellow and other shades, as if identifying each building by its color, making them even more beautiful in its colonial air. Streets that tell 1001 stories of its history and its people, where one walks slowly on blue cobblestones and that flow into the Caribbean Sea or in a square where the feet come alive to the sound of salsa and merengue. Text & Photos Fernando Borges


Não é tão grande como Havana, nem tão antiga como Santo Domingo. Mas em troca, tem a vantagem de manter intactas as ciclópicas muralhas que serviram de defesa contra os inimigos da coroa espanhola, de ser um verdadeiro museu vivo, uma jóia incomparável de arquitectura colonial, onde é impossível encontrar duas fachadas iguais ou duas cores idênticas, merecendo por isso, e com toda a legitimidade, estar inscrita na lista de Património da Humanidade da UNESCO. Principalmente quando se deambula pela Velha San Juan de Porto Rico. Uma cidade que deve ser percorrida pausadamente, como o fazem os seus habitantes, horas a fio andando pelas ruas calcetadas que ligam o Forte de San Cristobal ao cais onde chegam navios de cruzeiro transportando milhares de turistas, ou ao passeio marítimo que separa a velha muralha do azul do oceano atravessando miradouros, praças e jardins, como o que guarda um busto do Infante D. Henrique. Mas há sempre uma rua nova para ser descoberta, que anseia por nos contar a sua história, como a de Cristo, que forma um ângulo quase mágico com a rua de San Sebastian, onde se encontram os melhores restaurantes, bares da moda e boutiques da cidade, uma rua que parece desaguar no azul brilhante do mar depois de acariciar a Capela de Cristo, uma pequena casa de pedra que ninguém sabe ao certo se foi construída para impedir que os passeantes caíssem ao mar do alto da muralha, como alguns dizem, ou se foi uma oferenda por um milagre do passado, como conta a lenda. It is not as big as Havana, nor as old as Santo Domingo. But in exchange, it has the advantage of keeping intact the cyclopean walls that served as a defense against the enemies of the spanish crown, of being a real living museum, an incomparable jewel of colonial architecture, where it is impossible to find two identical facades or two identical colors, deserving of this, and with all legitimacy, to be inscribed in the list of World Heritage of UNESCO. Especially when wandering around Old San Juan of Puerto Rico. A city that must be walked slowly, as do its inhabitants, hours on end walking through the cobbled streets that connect the Fort of San Cristobal to the pier where cruise ships arrive transporting thousands of tourists, or to the promenade that separates the old wall from the blue of the ocean, crossing gazebos, squares and gardens, like the one that keeps a bust of the Infante D. Henrique. But there is always a new street to be discovered, which longs to tell us its history, like the one of Christ, which forms an almost magical angle with the street of San Sebastian, where the best restaurants are, trendy bars and city boutiques, a street that seems to flow into the brilliant blue of the sea after caressing the Chapel of Christ, a small stone house that no one knows for sure if it was built to prevent strollers from falling into the sea from the top of the wall, as some say, or whether it was an offering for a miracle of the past, as legend has it.


Um calcorrear que nos mostra que esta é também uma cidade viva, alegre e jovem, principalmente quando a tarde chega, com as esplanadas a encherem-se de gente animada e sorridente, como as que preenchem a Plaza de San José, onde se ergue uma impressionante estátua de Juan Ponce de Leon, o conquistador da ilhas, moldada em 1882 pela escultora asturiana Cristina Carreño, utilizando o bronze dos canhões capturados aos ingleses durante uma tentativa de assalto em 1797 quando uma frota de setenta navios e nove mil casacas vermelhas atacaram sem êxito a cidadela de San Juan. Ou a La Placita de Santurce, onde o convite para nos divertirmos é permanente, uma praça rodeada de bares e restaurantes onde os membros da comunidade de San Juan relaxam e gozam a companhia uns dos outros, onde a noite é propícia para beber uma cerveja, uma piña colada ou um rum no seu estado puro, dançar e interagir com os moradores locais e outros visitantes. A walking that shows us that this is also a lively, lively and young city, especially when the afternoon arrives, with the terraces filling with lively and smiling people, like those that fill the Plaza de San José, where an impressive statue of Juan Ponce de Leon, the conqueror of the islands, shaped in 1882 by the Asturian sculptress Cristina Carreño, using the bronze of the cannons captured to the english during an attempt of assault in 1797 when a fleet of seventy ships and nine thousand red coats attacked without success the citadel of San Juan. Or La Placita de Santurce, where the invitation to have fun is permanent, a square surrounded by bars and restaurants where members of the community of San Juan relax and enjoy each other's company, where the evening is propitious to drink a beer, a piña colada or a rum in its pure state, dancing and interacting with locals and other visitors.


Partes da velha San Juan que dizem ter mais espaços de entretenimento por metro quadrado do que Nova Iorque, essa velha San Juan de que se orgulham os sanjuaninos, onde cada fachada colorida guarda um negócio, seja de máscaras de carnaval, artesanato ou rum, mas principalmente de restaurantes e pequenos espaços onde a comida tanto reflecte a criatividade dos seus proprietários como as influências das gentes que, de sítios tão longínquos como diversos, ali foram convergindo ao longo dos séculos. Uma cidade que, apesar de amuralhada é tudo menos claustrofóbica, uma San Juan construída no topo de uma colina, em que as suas muralhas foram sempre e apenas inexpugnáveis a partir do mar, assumindo-se por dentro como um perfeito e confortável miradouro que permite olhar para fora sem medo do infinito, respirar liberdade e a brisa do sal. Mas teimosamente são sempre as ruas de paralelepípedos e as estreitas calçadas que esperam pelos nossos passos para nos reencaminhar, de novo, ao encontro de novas fachadas, de outros monumentos e edifícios que falam silenciosamente da história de San Juan de Porto Rico, do seu passado e dos compromissos das suas gentes para com esta ilha das Caraíbas, enquanto nas praças, nos espaços relvados ou correndo pelas praias grupos de jovens vão libertando os seus papagaios de papel aproveitando os ventos que sempre sopram do mar. Parts of old San Juan that claim to have more entertainment per square meter than New York, this old San Juan of which San Juan is proud, where each colored facade holds a business, whether of carnival masks, handicraft or rum, but mainly of restaurants and small spaces where the food both reflects the creativity of its owners and the influences of the people who, from as far away as diverse places, have been converging there for centuries. A city that, although walled is anything but claustrophobic, a San Juan built on top of a hill, in which its walls were always and only impregnable from the sea, assuming itself inside as a perfect and comfortable gazebo that allows us to look out without fear of infinity, breathe freedom and the breeze of salt. But stubbornly there are always the cobblestone streets and the narrow sidewalks that await our steps to redirect us again to new facades, other monuments and buildings that speak silently of the history of San Juan de Puerto Rico, its past and the commitments of its people to this island of the Caribbean, while in the squares, in the spaces lawns or running through the beaches groups of young people are releasing their paper parrots taking advantage of the winds that always blow from the sea.


Um mar que se estende, não muito longe da cidade, por praias de areia branca onde se deitam as sombras de palmeiras e corpos bronzeados, como a Playa Flamenco, que já foi considerada a oitava mais bonita do mundo, a Playa Tamarinho, onde é possível fazer um mergulho de snorkel e nadar com tartarugas marinhas, a Escambron Beach, uma dessas praias que costumamos dizer imperdíveis, a Condado Beach, virada para a prática de desportos náuticos, ou a pequena e romântica Playita del Condado. Mas há sempre que regressar a San Juan para caminhar pelas suas coloridas e animadas ruas. Pelo caminho, o convite para visitar o El Yunqye National Forest, a maior floresta tropical das Caraíbas, com os seus caminhos de terra batida, quedas de água e vegetação luxuriante, o Parque Las Cavernas del Río Camuy, o maior sistema de cavernas do mundo, e o La Cueva Ventana, localizado no topo de um penhasco com vista para o Rio Grande de Arecibo, é uma tentação. Mas sem dúvida que a maior atracção de Porto Rico é San Juan. Uma verdadeira obra de arte intemporal, de cores que se cruzam entre o cintilante e o suave, de ruas cheias de vida, de música, de dança e de história por onde caminham locais e turistas que têm como único objectivo respirar este tesouro das Caraíbas, esta jóia deslumbrante que por vezes parece ter-se acomodado num outro tempo para nos encantar. A sea that extends, not far from the city, by white sand beaches where the shadows of palm trees and tan bodies lie, such as Playa Flamenco, which was once considered the 8th most beautiful in the world, Playa Tamarinho, where it is possible to snorkel diving and swimming with sea turtles, Escambron Beach, one of those beaches that we say is not to be missed, Condado Beach, which is dedicated to water sports, or the small, romantic Playitas del Condado. But there is always a return to San Juan to walk through its colorful and lively streets. Along the way, the invitation to visit El Yunqye National Forest, the largest tropical rainforest in the Caribbean, with its dirt tracks, waterfalls and lush vegetation, Las Cavernas del Río Camuy Park, the largest cave system in the world, and La Cueva Ventana, located on top of a cliff overlooking the Rio Grande de Arecibo, is a temptation. But no doubt that Puerto Rico's greatest attraction is San Juan. A true timeless work of art, of colors that intersect between the sparkling and the soft, streets full of life, music, dance and history where locals and tourists walk whith the sole purpose to breathe this treasure of the Caribbean, this dazzling gem that sometimes seems to have settled into another time to delight us.


WONDER STAY (I)


Vila Galé Douro Vineyards Um agroturismo com o Douro aos pés

O Barão de Forrester andou por aqui e pelas suas paisagens deixou-se encantar. Também Miguel Torga por aqui andou e sobre ela escreveu, chamando de "o Doiro sublimado" a esta região do Douro, entre Folgosa e Pinhão, onde se ergue a aldeia de Marmelal, um dos pequenos e pitorescos aglomerados de casas de pedra que caracterizam o concelho de Armamar. É aqui, mais propriamente na Quinta do Val Moreira, entre a incontornável ruralidade que caracteriza o Douro Vinhateiro, que o Grupo Vila Galé fez nascer o Vila Galé Douro Vineyards, que para além de ser um lugar de raros e exclusivos prazeres enogastronómicos e de relax, quer ser igualmente um lugar de desenvolvimento e de dinamização do meio rural onde está inserido. Texto Fernando Borges Fotos Fernando Borges & Grupo Vila Galé

An agrotourism with the Douro at your feet The Baron of Forrester walked here and through this landscapes he was enchanted. Miguel Torga also walked around and wrote about it, calling the "sublimated Doiro" to this region of the Douro, between Folgosa and Pinhão, where stands the village of Marmelal, one of the small and picturesque clusters of stone houses that characterize the county of Armamar. It is here, more precisely in Quinta do Val Moreira, between the inescapable rurality that characterizes the Douro Vinhateiro, that the Vila Galé Group gave birth to Vila Galé Douro Vineyards, which in addition to being a place of rare and exclusive enogastronomic and relaxing pleasures, also wants to be a place of development and dynamization of the rural environment where it is inserted. Text Fernando Borges Photos Fernando Borges & Vila Galé Group


"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta”. Assim escrevia Miguel Torga em "Diário XII". Assim olhamos e sentimos este Douro entre Folgosa e Pinhão onde se "esconde" entre socalcos a Quinta do Val Moreira, que diz ser centenária e que já surgia no século XIX num famoso mapa do Barão de Forrester.

"Sublimated Doiro”. The prodigy of a landscape that ceases to be by the force of it is not a panorama that the eyes contemplate: it is an excess of the nature, terraces that are passed of titanic men to climb the slopes, volumes, colors and modulations that no sculptor, painter or musician can translate, horizons extended beyond the plausible thresholds of vision. A virginal universe, as if it had just been born, and already eternal for harmony, for serenity, for silence that neither the river dare to break, or to sneak away behind the hills, sometimes groggy in the background to reflect its own astonishment: a geological poem. Absolute beauty”. Thus wrote Miguel Torga in "Diary XII". So we look and feel this Douro between Folgosa and Pinhão, where Quinta do Val Moreira is hidden between terraces, which is said to be centennial and that already appeared in the 19th century on a famous map of Baron de Forrester.


Olha-se o rio Tedo e o rio Douro serpenteando entre paisagens feitas de socalcos e vinhedos que são um verdadeiro postal ilustrado, aqui e ali rodeando uma pequena casa que também ela parece ter sido esculpida na natureza, formando aquela que é a primeira região demarcada de vinhos do mundo. Enquanto um pouco mais além são os contornos de serras que se entrelaçam numa trama urdida com mestria pela Mãe Natureza coroando todo o cenário que respira paz e tranquilidade. E é no meio deste intricado mas ao mesmo tempo simples e perfeito quadro inscrito na lista do Património da Humanidade pela UNESCO que encontramos o Vila Galé Douro Vineyards, a mais recente unidade do Grupo Vila Galé, de forte componente agro e enoturismo que se estende pela centenária Quinta do Val Moreira.

Look at the river Tedo and the river Douro meandering between landscapes made of terraces and vineyards that are a real picture postcard, here and there surrounding a small house that also seems to have been carved in nature, forming the one that is the first demarcated region of the world. A little further afield are the contours of mountain ranges that intertwine in a warped plot with mastery by Mother Nature crowning the whole scene that breathes peace and tranquility. And it is in the middle of this intricate but at the same time simple and perfect picture inscribed in the list of World Heritage by UNESCO that we find the Vila Galé Douro Vineyards, the most recent unit of the Vila Galé Group, with a strong agro and wine tourism component that extends through centennial Quinta do Val Moreira.


Mas não é apenas a vista que nos prende. Pelos seus sete quartos vão-se desenhando pormenores com muito charme e exclusividade, num convite ao desfrute da calma e do silêncio que nos rodeia, um sentir que se estende à sua piscina exterior, ao terraço panorâmico, à adega onde se podem fazer provas de vinhos brancos e tintos da marca Val Moreira produzidos no interior da montanha entre paredes que literalmente se entrelaçam com a rocha. Ou no bar com “cheiro” a adega e lagar, entre grossas paredes de pedra, e aí tranquilamente ir passando as páginas de um livro há muito à espera de ser lido. Aqui, neste Vila Galé Douro Vineyards, não muito longe do Vila Galé Collection Douro, muito próximo da estação de comboios da Régua, de onde se pode sair para fazer um romântico passeio de comboio ao encontro dos encantos desta região vinhateira, ou num fascinante cruzeiro fluvial entre socalcos cobertos de vinhedos, também os sabores e especialidades da região, como cabrito e porco assados em forno de lenha, apelam a momentos de prazer e deslumbramento, numa perfeita fusão entre o que melhor o homem pode fazer e a natureza oferecer.

But it is not just the sight that binds us. Through its seven rooms, details are drawn with a lot of charm and exclusivity, in an invitation to enjoy the calm and silence that surrounds us, a feeling that extends to your outdoor pool, to the panoramic terrace, to the wine cellar where you can make white and red wines of the brand Val Moreira produced inside the mountain between walls that literally intertwine with the rock. Or in the bar with winery and mill “smell”, among thick stone walls, and there quietly go through the pages of a book long awaiting to be read. Here, in this Vila Galé Douro Vineyards, not far from the Vila Galé Collection Douro, very close to the Régua train station, from where you can go for a romantic train ride to meet the charms of this wine region or a fascinating cruise between the terraces covered with vineyards, also the region's flavors and specialties, such as lamb and pork roasted in a wood oven, appeal to moments of pleasure and wonder, in a perfect fusion between what man can do and nature can offer.


SPA


In Acqua Veritas O novo templo romano

Estamos em Évora e é aqui que encontramos um dos spas mais deslumbrantes e únicos que já visitei, o In Acqua Veritas, mesmo no coração da cidade. O ambiente recria as termas e banhos romanos com todo o poder que a água oferece. Uma experiência única que complementa na perfeição o circuito terapêutico de água, massagem relaxante e prova gastronómica. Texto Carla Branco Fotos Carla Branco & In Acqua Veritas

The new roman temple We are in Evora and it is here that we find one of the most breathtaking and unique spas I have ever visited, the In Acqua Veritas, right in the heart of the city. The environment recreates the spas and roman baths with all the power that the water offers. A unique experience that perfectly complements the therapeutic circuit of water, relaxing massage and gastronomic tasting. Text Carla Branco Photos Carla Branco & In Acqua Veritas


Évora é uma bela cidade considerada Património Mundial pela UNESCO desde 1986. A meu ver, um passeio pelo Alentejo é sempre boa ideia até porque facilmente encontramos algo que nos deixa entusiasmados. Talvez seja pelas vastas planícies, o céu a perder de vista, a belíssima gastronomia, a aventura, a descoberta da história de Portugal ou simplesmente pelo descanso e pela tranquilidade. E é aqui que entra o spa In Acqua Veritas. Quem entra, é impossível ficar indiferente à beleza e imponência dos arcos e abóbadas, a presença constante da mármore, os recantos e os segredos bem guardados e eternizados entre paredes, o conforto e a reconstrução fiel à história de um edifício que data do século XVIII. É sabido que os romanos andaram por aqui há muitos séculos e os vestígios ainda hoje fazem da cidade um ex-libris, como é o caso do Templo Romano de Diana, um dos mais famosos marcos da cidade e um dos símbolos mais significativos da presença romana em território português. Esta presença serviu também de inspiração ao In Acqua Veritas que recria o ambiente das termas e banhos romanos, sendo conhecida a relação fundamental entre a água e a saúde e o bem-estar físico. O ambiente é convenientemente tranquilo e climatizado, onde as luzes e o som complementam a experiência. No interior identificamos três piscinas, cada uma com uma função e uma temperatura de água distinta. O tratamento inclui a entrada alternada em cada uma delas. Evora is a beautiful city considered World Heritage by UNESCO since 1986. In my opinion, a trip through Alentejo is always a good idea because we can easily find something that makes us enthusiastic. Perhaps it is the vast plains, the sky to lose sight of, the beautiful gastronomy, the adventure, the discovery of Portugal’s history or simply by the rest and tranquility. And this is where the In Acqua Veritas spa comes in. Whoever enters, it is impossible to remain indifferent to the beauty and grandeur of the arches and vaults, the constant presence of the marble, the nooks and secrets well guarded and eternalized between walls, comfort and reconstruction faithful to the history of a building from the 18th century. It is well known that the romans have been around for many centuries and the remains still today make the city an ex-libris, as is the case of the Roman Temple of Diana, one of the most famous landmarks of the city and one of the most significant symbols of the roman presence in portuguese territory. This presence also served as an inspiration for In Acqua Veritas, which recreates the atmosphere of spas and roman baths, and the fundamental known relationship between water and health and physical well-being. The environment is conveniently quiet and air-conditioned, where the lights and sound complement the experience. In the interior we identify three swimming pools, each one with a function and a different water temperature. Treatment includes alternate entry into each one of them.


“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” | “Being happy for no reason is the most authentic form of happiness.” Carlos Drummond de Andrade


Vamos começar por relaxar no tepidarium, a piscina de água morna com cerca de 32ºC. Das três esta é a mais agradável e onde acabei por passar a maior parte do tempo. Existem diferentes tipos de jactos de água e algumas “camas” de mármore onde nos podemos deitar e deixar que a água faça os seus milagres. Mais tarde, experimentamos então o caldarium, uma piscina mais pequena e de água bem quente, perto dos 40ºC. O ideal é de seguida passar para o frigidarium com água a cerca de 16ºC. A passagem é um pouco difícil porque a diferença de temperatura é muito elevada mas vai valer a pena porque os benefícios são muitos: melhora a circulação sanguínea, contribui para a regeneração da pele e estimula o organismo, entre outros. Sentimos de imediato um efeito revigorante e tonificante. Mas a experiência não fica por aqui. Segue-se uma massagem relaxante que eleva toda a experiência a um outro nível, com um chá quente e aromatizado no final. E porque estamos em terras de boa gastronomia e deliciosos paladares, a experiência completa-se com uma seleção cuidada de produtos regionais que vão desde o pão, queijos, chouriços, vinhos, uvas e compota, onde não podia faltar o vinho regional da Herdade da Calada. Tudo verdadeiramente maravilhoso. Depois de toda a experiência relaxante, ser agraciado com estas pequenas maravilhas, é sem dúvida um bónus muito especial. No final, aproveite para deambular pelas ruas, contemplar muralhas e edifícios praticamente inalterados ao longo dos séculos. Esta é toda uma experiência que se quer prolongar e que merece uma passagem obrigatória sempre que estivermos na bela cidade de Évora. Let's start by relaxing in the tepidarium, the pool of warm water, about 32ºC. Of the three this is the most pleasant and where I ended up spending most of the time. There are different types of water jets and some marble "beds" where we can lie down and let the water do its miracles. Later, we then tried the caldarium, a smaller pool with very hot water, near 40ºC. The ideal is then to pass to the frigidarium with water at about 16ºC. The passage is a bit difficult because the temperature difference is very high but it will be worth it because the benefits are many: it improves blood circulation, contributes to the regeneration of the skin and stimulates the organism, among others. We immediately feel an invigorating and bracing effect. But the experience does not stop here. Following is a relaxing massage that raises the whole experience to a new level with a hot and flavored tea at the end. And because we are in a land with good gastronomy and delicious palates, the experience is complete with a careful selection of regional products ranging from bread, cheese, chorizo, wines, grapes and jam, where it cannot miss the regional wine of Herdade da Calada. All truly wonderful. After all the relaxing experience, being graced with these little wonders, is undoubtedly a very special bonus. In the end, take time to wander the streets, contemplate walls and buildings practically unchanged throughout the centuries. This is an experience that we want to extend and that deserves a mandatory passage whenever we are in the beautiful city of Evora.


ON THE WAY


Bijagós

Terra Animista O tempo deixa de ser mensurável quando dilata através da saudade. As memórias que tenho de Bissau e do arquipélago dos Bijagós parecem-me eternas e tão vívidas que ainda lhes sinto o pulsar. E se a paisagem guineense é bela, nada se compara à gente. Guardo em mim os sorrisos rasgados, os afectos sinceros, as conversas inesperadas e as mil e uma amabilidades que nos fazem sentir também pertença desta terra. Texto & Fotos Bruno José

Animistic Land Time ceases to be measurable when it expands through longing. The memories I have of Bissau and the Bijagós archipelago seem to me timeless and so vivid that I still feel its pulse. And if the guinean landscape is beautiful, nothing compares to its people. I keep in me the smiles, the sincere affections, the unexpected conversations and the thousand and one kindnesses that also make us feel like belonging to this land. Text & Photos Bruno José


Bruno José Natural de Lisboa, é licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada. Após integrar a equipa da Unidade de Espectáculos da Expo’98, começa a trabalhar em produção, passando pelas Festas de Lisboa de 1999 ( E B A H L ) e p e l a p r o d u t o r a N B P. Actualmente, é o Director Geral de Produção da produtora SP Televisão e no curriculum destacam-se os projectos “Deixa-me Amar” (TVI), “Cidade Despida” (RTP1) e “Laços de Sangue” (SIC), vencedor de um Emmy Award, entre outros. Born in Lisbon, he holds a degree in International Relations from Lusíada University. After joining the team of the Expo'98 Entertainment Unit, he began to work in production, passing through the Lisbon Festivals of 1999 (EBAHL) and the production company NBP. Currently, he is the General Director of Production of the production company SP Television and in the curriculum stand out the projects "Deixa-me Amar" (TVI), "Cidade Despida" (RTP1) and "Laços de Sangue" (SIC), winner of an Emmy Award, among others.


É sexta-feira, vésperas de Carnaval e de eleições legislativas na GuinéBissau. O ambiente está animado na capital. Nas avenidas erguem-se palcos e as colunas de som digladiam-se com a campanha eleitoral. Há gente por todo o lado. Cambistas e vendedores. Cruzam-se carros e motas perpetuamente. Ouve-se crioulo, francês e português. Fugimos do bulício por entre ruelas da velha Bissau, depois de um mata-bicho na companhia do Ismael. O desgaste dos edifícios da era colonial é notório, mas sedutor. A Fortaleza de São José da Amura ergue-se como baluarte do mausoléu de Amílcar Cabral e, sob um sol ardente, descobrimos a Sé Catedral de Nossa Senhora da Candelária. Um reduto cristão num país animista e cada vez mais islâmico. It is friday, the eve of Carnival and legislative elections in Guinea-Bissau. The atmosphere is lively in the capital. On the avenues, there are stages and the columns of sound struggle with the election campaign. There are people everywhere. Exchangers and sellers. Cars and motorcycles are perpetually crossed. One hears creole, french and portuguese. We fled from the hustle between the alleys of old Bissau, after a snack in the company of Ismael. The wear and tear of colonial-era buildings is notorious, but seductive. The Fortress of São José da Amura rises like bastion of the mausoleum of Amílcar Cabral and, under a burning sun, we discovered the Cathedral of Our Lady of Candelaria. A christian stronghold in an animist and increasingly islamic country.


Na Avenida Pansau Na Isna, paramos numa acanhada mercearia e sou abordado por uma jovem curiosa: Branco! Kuma di kurpo? Respondo que estou bem, compro uma escova de dentes e regresso à rua. Cá fora, uma senhora de idade avançada pergunta-nos os nomes e tradu-los na sua língua. Fico a saber que me chamo Usumani Balde. Mais à frente, numa banca de artesanato do Mercado dos Coqueiros, conhecemos a Alexandrina Mané, uma das responsáveis pela APPA (Associação de Produtores e Promotores de Arte), que nos conta que é imperativo revitalizar o sector e difundir o artesanato guineense no mercado internacional. Saímos de sacos na mão e coração cheio, com a tarefa de ir almoçar ao Coqueiros Bar, onde a Isabel Silva nos espera. Bissau é assim, “uma mulher verdadeira e clássica” de conversa espontânea e encontros imprevisíveis. Está na hora de embarcar no Africa Princess rumo ao arquipélago dos Bijagós. Na bagagem levamos a certeza que vai ser impossível percorrer as 88 ilhas que compõem esta reserva da biosfera. Antes de partirmos, levam-nos de lancha a espreitar o Ilhéu do Rei, no estuário do rio Geba. A antiga fábrica de óleo de amendoim emana o encanto que as ruínas possuem e na ponta insular, exalta-se um imbondeiro com sobranceria, enquanto o dia adormece. Acordamos ao largo da Ilha de Canhabaque. Terra de tabancas e de almas múltiplas. Na praia bordejada de palmeiras e mangal, saúdam-nos dois íbissagrados e uma garça-dos-recifes. Dirigimo-nos em fila indiana até à aldeia costeira. Coisa rara nos Bijagós, quando as tabancas se situam no interior das ilhas, fruto do tráfico negreiro e dos períodos de guerra. As embarcações encalhadas na areia aguardam pacientemente pela preia-mar e grupos de crianças acorrem à nossa chegada, soltando gritos de alegria. Tiram-se fotografias, encetam-se conversas e laços de amizade irrepetíveis com pessoas que não vamos voltar a ver. Interiormente, somos arrebatados para esta força centrípeta que são os afectos. At Avenida Pansau Na Isna, we stop at a small grocery store and I am approached by a curious young woman: White! Kuma di kurpo? I answer that I am well, buy a toothbrush and return to the street. Outside, an elderly lady asks us the names and translates them into her own language. I know that my name is Usumani Balde. Later on, in a handicraft stand at the Coconut Market, we meet Alexandrina Mané, one of the people responsible for APPA (Association of Producers and Promoters of Art), who tells us that it is imperative to revitalize the sector and to spread the guinean handicraft in the international market. We left with bags in our hand and filled heart, with the task of going to lunch at Coqueiros Bar, where Isabel Silva is waiting for us. Bissau is like this, "a true and classic woman" of spontaneous conversation and unpredictable encounters. It's time to embark on the Africa Princess for the Bijagós archipelago. In the luggage we are sure that it will be impossible to cross the 88 islands that make up this biosphere reserve. Before we leave, they take us by boat to peer into the King's Islet on the estuary of the River Geba. The old factory of peanut oil emanates the charm that the ruins have and on the insular tip, exalts an oversized baobab, while the day falls asleep. We wake up on the coast of Canhabaque Island. Land of tabancas and multiple souls. On the beach lined with palm trees and mangrove, we are greeted by two sacred ibis and a reef-heron. We drove in a row to the coastal village. A rare thing in the Bijagós, when the tabancas are located in the interior of the islands, fruit of the slave trade and the periods of war. The boats stranded in the sand patiently wait for the sea and groups of children lay at our arrival, shouting with joy. Photographs are taken, unrepeatable conversations and ties of friendship are made with people that we will not see again. Inwardly, we are raptured to this centripetal force which are the affections.


De mão dada com um miúdo adorável de quatro anos, visito a modesta aldeia de casas de adobe e telhados de colmo. Aqui, os processos seculares mantêm-se vigentes, num mundo cada vez mais avesso à sustentabilidade. Aqui, parece que o tempo recuou. Amanham-se as redes, separa-se a palha, busca-se a água. Sentimos que a vida é descomprometida e sem luxos. Os cajueiros abundam desordenadamente e os porcos dormitam à sombra das casas. Carregamos connosco sacas de arroz e sacos com roupa, livros, medicamentos e brinquedos que pretendemos entregar aos régulos de Inorei e Bine. Porém, não temos sorte. O rei e a rainha estão no Carnaval de Bubaque e as coisas ficam na posse de outros anciãos. É altura de regressar ao catamaran. Despeço-me com tristeza do meu companheiro. Quase não falámos, mas já temos carinho um pelo outro. Ao longe, vejo-o desolado na sua t-shirt de tons rosados a seguir-me os passos. Os dias seguintes são passados na Ilha de Orangozinho, abrigados no mangal. As praias de areia branca e negra têm uma extensão interminável e não se vê vivalma. Deambulamos com uma sensação de paz inesgotável e cruzamo-nos com minúsculos caranguejos-violinistas e dezenas de aves: águias-pesqueiras, abutres-das-palmeiras, corvos-marinhos, maçaricos, garajaus, poupas e até um abelharuco-persa. Ao fundo, junto ao mar e sem razão aparente, destaca-se uma manada de vacas, saltita um macaco-verde e nas raízes do mangue encontramos diversas ostras agarradas. Visitamos a tabanca de Uite, recentemente devastada por um incêndio. A população empenha-se na reconstrução das casas, embora isso pareça não afectar as crianças que nos seguram as mãos, às quatro de cada vez. O desassossego instala-se e a população acerca-se à procura de medicamentos que aliviem as chagas num braço, dores no corpo e uma picada de bagre numa mão terrivelmente inchada. Ajudamos naquilo que nos é possível e confrontamo-nos com as reais necessidades. No meio desta inquietação, recordo palavras sábias: “Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer”. (Eugénio de Andrade in “Até Amanhã”). Hand in hand with an adorable four year old kid, I visit the modest village of adobe houses and thatched roofs. Here, secular processes remain in force, in a world that is increasingly averse to sustainability. Here, time seems to have receded. The nets are put together, the straw is separated, the water is sought. We feel that life is uncompromising and without luxuries. The cashew trees abound in disorder and the pigs sleep in the shade of the houses. We carried with us sacks of rice and sacks of clothes, books, medicines and toys that we intend to hand over to the rulers of Inorei and Bine. But we are not lucky. The king and the queen are in the Carnival of Bubaque and things are in the possession of other elders. It's time to return to the catamaran. I say goodbye to my companion with sadness. We almost did not talk, but we already have affection for each other. In the distance, I see him desolate in his pink t-shirt following me in the footsteps. The following days are spent on the Island of Orangozinho, sheltered in the mango. The beaches of white and black sand have an endless expanse and you do not see a soul. We roamed with a sense of inexhaustible peace and we came across tiny crab-violinists and dozens of birds: eagles, palm-vultures, cormorants, tortoises, garajaus, sparrows and even a persian abelharuco. In the background, near the sea and for no apparent reason, stands out a herd of cows, skipping a green monkey and in the roots of the mango we find several oysters clinging. We visited the tabanca of Uite, recently devastated by a fire. The population is engaged in the rebuilding of the houses, although this does not seem to affect the children who hold our hands, four at a time. Restlessness settles in, and the population is on the lookout for medicines to relieve sores in one arm, body aches, and a catfish bite in a terribly swollen hand. We help in what we can and we are confronted with the real needs. In the midst of this uneasiness, I remember wise words: “Silence falls on the shoulders and the impure light, until it hurts. Love is urgent, it is urgent to stay. (Eugénio de Andrade in “See you Tomorrow").


De volta ao oceano, quer o destino levar-nos para o Parque Marinho de João Vieira e Poilão. Um paraíso esquecido no sudeste dos Bijagós, habitat de tartarugas-marinhas, golfinhos, pelicanos-cinzentos e abutres-de-capuz. Paragens remotas, onde a areia é tão fina e as rochas têm a cor da ferrugem. Onde os frutos são exóticos e sabem a amêndoa amarga. Onde podemos mergulhar em águas límpidas e almoçar debaixo das copas dos imbondeiros. E cedermos submissos à beleza do pôr-do-sol, enquanto a natureza virgem se converte ao pecado original. A viagem aproxima-se do fim. Abandonamos as Ilhas de João Vieira, Meio, Cavalo e Poilão. Dizemos adeus ao Ilhéu das Cabras e seguimos para a antiga capital, na Ilha de Bolama. O calor é intenso no porto piscatório e as poucas pessoas juntam-se à sombra das árvores. Saltamos da lancha para descobrir uma cidade em terra batida com edifícios repletos de histórias. O antigo Palácio do Governador, os Paços do Concelho, a Igreja de São José e o Cine Bolama. O ambiente é decadente, mas transborda de energia e cor. E o ensopado de cabrito sabe a néctar dos deuses… Mas de tudo o que mais gosto é deste povo bonito que, de forma humilde, nos faz lembrar que o amor não deve ser vivido em poupança. Back on the ocean, we want the destination to take us to the Marine Park of João Vieira and Poilão. A forgotten paradise in the southeast of Bijagós, habitat for sea turtles, dolphins, gray pelicans and hooded vultures. Remote stops where the sand is so thin and the rocks have the color of rust. Where the fruits are exotic and know the bitter almond. Where we can dive in clear waters and have lunch under the canopy of the baobabs. And give in to the beauty of the sunset, while virgin nature converts to original sin. The journey is nearing its end. We left the Islands of João Vieira, Meio, Cavalo and Poilão. We say goodbye to the Goat's Island and head for the old capital on Bolama Island. The heat is intense in the fishing port and the few people join the shade of the trees. We jumped from the boat to discover a city on land with buildings full of stories. The former Governor's Palace, the City Hall, the Church of St. Joseph and the Bolama Cinema. The environment is decadent, but it overflows with energy and color. And the lamb stew tastes like the nectar of the gods... But all I like best is this handsome people who, in a humble way, reminds us that love should not be lived in parsimony.


WONDER TASTE


Divinus A frescura do Alentejo O Divinus tem uma nova carta e nós fomos até este restaurante do Convento do Espinheiro Historic Hotel & Spa, em Évora, para a provar. O chef Jorge Peças faz um uso genial dos produtos tradicionais do Alentejo com apontamentos de Primavera/Verão, criando uma autêntica magia de sabores que nem os paladares mais exigentes vão conseguir resistir. Texto & Fotos Carla Branco

The freshness of Alentejo The Divinus has a new menu and we went to this restaurant of Convento do Espinheiro Historic Hotel & Spa, in Evora, to taste it. Chef Jorge Peças makes an extraordinary use of the traditional Alentejo products with Spring/Summer details, creating an authentic magic of flavors that even the most demanding palates can not resist. Text & Photos Carla Branco


Não é a primeira vez que visitamos o Divinus e cada presença é altamente justificada porque vale sempre a pena. Esta é sem dúvida uma das melhores cozinhas alentejanas onde todos os pratos preparados requerem amor, imaginação e arte. Nesse sentido, o chef Jorge Peças e a sua equipa prepararam uma carta onde produtos simples e pratos tradicionais se cruzam com o gosto e o prazer de comer num pleno acto cultural. Uma carta que premeia os sabores frescos e aromáticos sem perder a essência do Alentejo. O ambiente é elegante e dispõe de uma localização privilegiada no interior de um lugar histórico, o Convento do Espinheiro, construído no século XV. São espaços memoráveis, espaços com história e espaços que contam estórias que se prolongam por centenas de anos e que abrangem múltiplas gerações de dedicação e paixão. O espaço proporciona uma perspectiva actual que conjuga na perfeição a tradição portuguesa e a sofisticação de degustar uma refeição memorável junto da família ou amigos, onde “Aqueles Petiscos de Sempre” nunca falham e incluem calamares em tempura de milho com salada fresca, gaspacho de morangos aromatizado com hortelã e vinagre balsâmico, croquete de pato com couve salteada e linguiça, mexilhão fresco em escabeche e tártaro de vitela com redução de vinho do Porto. Sente-se a frescura no paladar, ideal para os dias mais quentes que se aproximam. Nunca perdendo a autenticidade da cozinha portuguesa, a nova carta do Divinus não deixa nada ao acaso e surpreende com a entrada de atum braseado com queijo fresco para um gaspacho de beterraba. A frescura e a acidez no ponto certo com um equilíbrio perfeito de sabores. It is not the first time we have visited the Divinus and each presence is highly justified because it is always worth it. This is undoubtedly one of the best Alentejo cuisines where all prepared dishes require love, imagination and art. In this sense, chef Jorge Peças and his team prepared a menu where simple products and traditional dishes intersect with the taste and pleasure of eating in a full cultural act. A menu that rewards the fresh and aromatic flavors without losing the essence of Alentejo. The environment is elegant and has a privileged location inside a historical place, Convento do Espinheiro, built in the 15th century. There are memorable spaces, spaces with history and spaces that tell stories that last for hundreds of years and span multiple generations of dedication and passion. The space offers a contemporary perspective that perfectly combines the portuguese tradition and the sophistication of enjoying a memorable meal with family or friends, where those “Old Time Snacks" never fail and include calamari in corn tempura with fresh salad, strawberry gazpacho flavored with mint and balsamic vinegar, duck croquettes with sautéed cabbage and sausage, fresh mussels in escabeche and tartar of veal with reduction of Port wine. We feel the freshness on the palate, ideal for the warmer days approaching. Never losing the authenticity of portuguese cuisine, the new Divinus menu leaves nothing to chance and surprises with the entrance of braised tuna with fresh cheese to a beet gazpacho. The freshness and the acidity at the right point with a perfect balance of flavors.


São muitas as opções e difícil é mesmo escolher. Qualquer que seja a opção certamente não sairá desiludido. Se é vegetariano, saiba que também tem várias opções disponíveis. Segue-se o prato de peixe, garoupa, creme de curgete, cogumelo de S. Mamede e couve romanesca. Rico e cremoso com contraste de textura crocante. O cogumelo confere-lhe um sabor inigualável a terra, profundo e intenso na sua essência. A autenticidade mantém-se ao longo da degustação. Os vinhos brancos, frescos, e os tintos, intensos, vão marcando presença e intensificando os sabores. Para quem prefere carne, o chef realçou a excelência do lombinho de porco preto com miga de batata e farinheira, amêijoa e catacuzes. Cada vez que visitar o Divinus, é imprescindível guardar um espaço para provar as magníficas sobremesas. Qualquer uma delas é de comer e chorar por mais! O chocolate do Equador e bagas silvestres é uma obra-prima da chef pasteleira Carla Parreira para os amantes de chocolate, não só visualmente mas sobretudo pelo sabor intenso. Há combinações clássicas que não se alteram ao longo do tempo pelo simples motivo de serem perfeitas, tal como esta é. A cada colherada vamos descobrindo surpresas, novas texturas e sabores. Os frutos vermelhos voltam a marcar presença no sorvete delicioso de morango, sabugueiro e cassis ou maracujá, manga e amêndoa. A carta reúne simbioses perfeitas, de uma intensidade e variedade de aromas e sabores únicos. Deixamos o convite para embarcar nesta viagem gastronómica tradicional e de autor  e provar os  sabores tradicionais da gastronomia local. É garantido que cada refeição vai transformar-se num momento “Divinus”! There are many options and is difficult to choose. Whichever option you take you will certainly not be disappointed. If you are vegetarian, know that you also have several options available. Following is the fish dish, grouper, courgette cream, mushroom of S. Mamede and romanesque cabbage. Rich and creamy with crisp texture contrast. The mushroom gives it an unequaled ground flavor, deep and intense in its essence. Authenticity is maintained throughout the tasting. The white wines, fresh, and the reds, intense, are marking presence and intensifying the flavors. For those who prefer meat, the chef has emphasized the excellence of the black pork tenderloin with potato crumbs and pudding, clams and catacuzes. Every time you visit Divinus, it is imperative to save a space to sample the magnificent desserts. Any one of them is to eat and cry for more! Ecuadorian chocolate and wild berries is a masterpiece of the pastry chef Carla Parreira for chocolate lovers, not only visually but above all by the intense flavor. There are classic combinations that do not change over time for the simple reason that they are perfect, just as it is. With each spoonful we are discovering surprises, new textures and flavors. The red fruits are again present in the delicious ice cream of strawberry, elderberry and cassis or passion fruit, mango and almond. The menu brings together perfect symbioses of an intensity and variety of unique flavors and aromas. We leave the invitation to embark on this traditional and authorial gastronomic trip and taste the traditional flavors of the local gastronomy. It is guaranteed that every meal will turn into a "Divinus" moment!


WONDER STAY (II)


Curia Palace Dourados Anos 20

É sem dúvida um dos mais belos e lendários hotéis de Portugal que remonta aos dourados anos 20 e um ex-libris da Art Déco, patente em toda a decoração. Inaugurado em 1926, conserva actualmente todo o seu misticismo, ambiente clássico e grandiosidade. Texto Carla Branco Fotos Carla Branco & Curia Palace

The Golden 20's It is undoubtedly one of the most beautiful and legendary hotels in Portugal dating back to the golden 20’s and an Art Deco ex-libris, evident throughout the décor. Opened in 1926, it now preserves all its mysticism, classic ambience and grandeur. Text Carla Branco Photos Carla Branco & Curia Palace


Ainda não chegamos ao hotel e já estamos maravilhados com o caminho até lá. Uma avenida de majestosas árvores que resistem ao tempo e nos embalam os sentidos com um simples ondular de folhas. Entramos no portão e deparamo-nos com um edifício belo e imponente. É difícil desviar o olhar. Os jardins acolhem-nos com um verde primaveril e a curiosidade para entrar é muita. História, cultura, sentimos na pele a atmosfera de outrora, até porque este foi um dos mais badalados hotéis no início do século XX em Portugal. A entrada é monumental e impactante, sobretudo ao olharmos para a verdadeira obra de arte que é o elevador da Maschinenfabrik Wiesbaden de 1926, bem como o relógio Paul Garnier de Paris. É a conjugação de todo o conforto de uma época que constitui uma experiência hoteleira única e de excelência, como se de um quadro de rara beleza artística e paisagística se tratasse. O hotel dispõe de 100 luxuosos quartos e suites que se apresentam em quatro harmoniosos e suaves esquemas cromáticos diferentes. A decoração conjuga sabiamente o ambiente dos anos 20 com a tecnologia e conforto dos nossos dias. É reconfortante apreciar as belíssimas peças originais da época, os fantásticos candeeiros de tecto em vidro de Murano, ou as graciosas fotos históricas do hotel com seus antigos hóspedes. We have not yet reached the hotel and we are already amazed by the way there. An avenue of majestic trees that resist the time and lull the senses with a simple curl of leaves. We entered the gate and came across a beautiful and imposing building. It's hard to look away. The gardens welcome you with a spring green and the curiosity to enter is a lot. History and culture, we felt the atmosphere of once, even because this was one of the most trendy hotels in the early 20th century in Portugal. The entrance is monumental and impressive, especially as we look at the real work of art that is the lift of the Maschinenfabrik Wiesbaden of 1926, as well as the Paul Garnier clock from Paris. It is the combination of all the comforts of an era that makes this hotel experience unique and with excellence, just like a frame of rare artistic beauty and landscape. The hotel has 100 luxurious rooms and suites that come in four harmonious and soft different color schemes. The décor wisely combines the atmosphere of the 1920’s with the technology and comfort of our days. It is comforting to enjoy the beautiful original pieces of that time, the fantastic Murano glass ceiling lamps, or the graceful historical photos of the hotel with its former guests.


Deambulamos pelos corredores e salões e facilmente nos perdemos na imaginação e nos sonhos de outras épocas, nas grandiosas festas nos salões, no traje de rigor e preceito, nas danças e nos paladares. Em bons momentos. Imprescindível uma visita pelo Restaurante Belle Époque. Uma decoração soberba e gloriosa com um magnífico conjunto de móveis arte nouveau. Nas paredes figuram clássicos pratos prateados representando mestres da pintura flamenga. Enquanto degustamos especialidades gastronómicas regionais ou com tradicionais pratos da cozinha internacional pela mestria do chef Carlos Pimentel, marcam presença as vozes inconfundíveis de Ella Fritzgerald, Charles Trenet, Bill Thornton ou Maurice Chevallier, entre outros. De manhã, nesta mesma sala, reconfortamonos com um vasto e delicioso pequenoalmoço. Das janelas avista-se o varandim em delicado ferro forjado cujas amplas portadas dão acesso ao terraço exterior com vistas sobre os tranquilos vales da Bairrada e a omnipresente Serra do Bussaco. We wander through the corridors and halls, and we easily lose ourselves in the imagination and dreams of other times, in the grandiose parties in the halls, the gowns, the dances and the palates. In good times. A visit to the Belle Époque Restaurant is a must. Superb and glorious decor with a magnificent array of art nouveau furnishings. On the walls are classic silver dishes representing masters of flemish painting. While we sample regional gastronomic specialties or traditional dishes of international cuisine by the mastery of chef Carlos Pimentel, the unmistakable voices of Ella Fritzgerald, Charles Trenet, Bill Thornton and Maurice Chevallier, among others, are present. In the morning, in this same room, we are comforted by a vast and delicious breakfast. From the windows you can see the balcony in delicate wrought iron whose large doors give access to the outside terrace with views over the tranquil valleys of Bairrada and the ubiquitous Serra do Bussaco.


Depois de absorver toda a história e cultura de um espaço que se dedica ao nosso bem-estar, eis que chegamos ao Spa, para uso exclusivo dos hóspedes do hotel. Aqui o ambiente é contemporâneo e composto por mais de 500 metros quadrados com ênfase nos tratamentos termais, adequados ao coração da Curia, a “aquacuriva” dos Romanos – a água que cura. Podemos usufruir da piscina interior de jactos, dois jacuzzis, banho japonês, sauna, banho turco e terapias relaxantes e tratamentos estéticos como massagens, tratamentos corporais e faciais, limpezas de pele, banhos especiais e máscaras, entre outros. O exterior também convida a passeios, uma capela, um lago com gansos, um pequeno campo de futebol, uma piscina em art nouveau e para satisfazer as delícias das crianças, uma quinta de animais onde podemos encontrar cabras, cavalos e póneis, entre outros animais, bem como uma horta pedagógica e ainda um campo de golf. No final saímos com a sensação de que esta viagem até ao Norte de Coimbra foi, e vai ser sempre, um refúgio ideal para um fim de semana de evasão familiar num ambiente tranquilo e relaxante. After absorbing all the history and culture of a space dedicated to our well-being, here we come to the Spa, for the exclusive use of hotel guests. Here the environment is contemporary and composed of more than 500 square meters with emphasis on thermal treatments, suitable to the heart of Curia, the "aquacuriva" of the Romans the water that heals. We can enjoy the indoor jet pool, two jacuzzis, japanese bath, sauna, turkish bath and relaxing therapies and aesthetic treatments such as massages, body treatments and facials, skin cleansing, special baths and masks, among others. The exterior also invites you to stroll, a chapel, a lake with geese, a small football field, an art nouveau pool and to satisfy the children's delights, a farm where we can find goats, horses and ponies, among other animals, as well as a pedagogic garden and a golf course. In the end we left with the feeling that this trip to the north of Coimbra was, and will always be, an ideal refuge for a family escape weekend in a quiet and relaxing environment.


PHOTO GALLERY


La Mancha

Por | By Manel Antolí Caminha-se por entre moinhos, vinhedos e gentes. Os moinhos que são a principal senha de identidade de La Mancha - apesar de não serem a única - e que a qualquer hora do dia oferecem imagens carregadas de fotogenia. Mas, sem dúvida, inclino-me para a magia crepuscular, com o sol agonizante e a transformação dos gigantes com “lanças” contra as quais Don Quixote lutava em fascinantes silhuetas. Outro dos motivos para fotografar são as vinhas, essência paisagística dos seus caminhos. E a melhor maneira de condensálo em uma única imagem é usar as fileiras das cepas perfeitamente alinhadas, como uma metáfora visual desses caminhos. Mas La Mancha não são apenas paisagens. As suas aldeias formam uma parte indissolúvel de sua magia, oferecendo belas impressões rurais tiradas da vida quotidiana. One walks among windmills, vineyards and people. The mills that are the main identity card of La Mancha - although not the only one - and that at any time of the day offer images loaded with photogenic. But I am certainly inclined to the twilight magic, the dying sun and the transformation of the giants with “spears" which Don Quixote fought against in fascinating silhouettes. Another of the reasons to photograph are the vineyards, the essence of the landscape of their paths. And the best way to condense it into a single image is to use the rows of perfectly aligned strains as a visual metaphor for those paths. But La Mancha are not just landscapes. Its villages form an indissoluble part of its magic, offering beautiful rural impressions drawn from everyday life.


Parafraseando o início de Don Quixote, “num lugar de La Mancha, cujo nome eu não quero recordar-me”, começa esta fascinante rota foto-enológica pelos seus caminhos de vinho. “Castellana” de pura cepa, com infinitas paisagens planas, céus diafanamente limpos e gentes de perfil almodovariano, La Mancha agarra o viajante. E embriaga com o aroma dos seus vinhos de variadas matizes. Percorrer pausadamente as paisagens e paisanos ligados à lenda do engenhoso fidalgo - “abrindo caminho ao andar”, como rezam os poemas de Machado - é a melhor maneira de mergulhar num universo rural fascinante. De paz e silêncio. De pessoas humildes e trabalhadoras. De cidades carregadas de história, tradição... e fotogenia! E com um elemento arquitectónico aglutinador: os moinhos. Aqueles gigantes com “lanças” que o ilustre fidalgo enfrentou.       Então, como um moderno Don Quixote, embora mudando Rocinante para um quatro rodas com muitos mais cavalos, e a sua afiada lança para uma câmara digital – bem precisa, certeira – recrio em imagens o que génio cervantino tão bem descreveu em palavras. To paraphrase the beginning of Don Quixote, "in a place in La Mancha, whose name I do not want to remember," begins this fascinating photo-enological route through its wine routes. "Castellana" of pure strain, with infinite flat landscapes, diaphanously clean skies and people of almodovarian profile, La Mancha grabs the traveler. And intoxicated with the aroma of their wines of varying hues. Going leisurely through the landscapes and countrymen connected to the legend of the ingenious gentleman - "opening the way", as Machado's poems pray - is the best way to immerse yourself in a fascinating rural universe. Of peace and silence. From humble and hardworking people. From cities loaded with history, tradition... and photogenic! And with an architectural element agglutinator: the mills. Those giants with "spears" that the illustrious gentleman faced. So like a modern Don Quixote, though moving Rocinante to a four wheel drive with many more horses, and his sharp spear for a digital camera - well precise, accurate - recreates in images what genius Cervantine so well described in words.


Alcázar de San Juan, Campo de Criptana, El Toboso, Pedro Muñoz, Tomelloso, Socuéllamos, Villarrobledo ou San Clemente. Oito povoados irmanados por fortes raízes de inequívocos sinais cervantinos. Dos oito locais, três brilham de maneira especial. Em Alcazar de San Juan elevam-se altivos quatro moinhos de vento sobre Cerro de San Antón, a partir do qual se divisa a bela planície manchega: infinita, sublime. Campo de Criptana, que acolhe o conjunto mais espectacular que coroa a aldeia, 11 moinhos e onde é fácil encontrar vizinhos conversando tranquilamente em frente à sua casa, enquanto uma das mulheres faz crochê. E El Toboso, o berço de Dulcinea, o grande amor de Dom Quixote. Lá estão ambos, recriando seu idílio num grupo escultórico que domina a praça central. Aquí, brincar com a composição é outra atracção de cada reportagem fotográfica, para dar-lhe dinamismo e variedade. 
 Além do tema cervantino de Dom Quixote e dos moinhos, esta região castelhana localizada no centro de Espanha tem outro sinal de identidade, o vinho. Também ele o cenário perfeito para desencadear a paixão fotográfica em todas as suas facetas: paisagem, amor, história, moinhos e… clicks. É La Mancha no seu estado puro!

Alcázar de San Juan, Campo de Criptana, El Toboso, Pedro Muñoz, Tomelloso, Socuéllamos, Villarrobledo or San Clemente. Eight settlements united by strong roots of unmistakable Cervantes signs. Out of the eight locations, three shine in a special way. In Alcazar de San Juan four windmills rise above Cerro de San Antón, from which the beautiful La Mancha plain can be seen: infinite, sublime. Campo de Criptana, which hosts the most spectacular set that crowns the village, 11 mills and where it is easy to find neighbors talking quietly in front of your house, while one of the women makes crochet. And El Toboso, the cradle of Dulcinea, the great love of Don Quixote. There they are both, recreating their idyll in a sculptural group that dominates the central square. Here, playing with composition is another attraction of each photographic report, to give it dynamism and variety. In addition to the Cervantine theme of Don Quixote and the mills, this Castilian region located in central Spain has another sign of identity, wine. Also it the perfect setting to unleash the photographic passion in all its facets: landscape, love, history, mills and... clicks. It is La Mancha in its pure state!


Quando Dom Quixote saiu para o mundo, esse mundo se transformou em um mistério diante de seus olhos”. | When Don Quixote went out into the world, that world turned into a mystery before his eyes”. Milan Kundera


Manel Antolí Nasceu em Barcelona, é jornalista de profissão e fotógrafo de vocação. Combinando ambas as facetas, tornou-se um foto-jornalista especializado em viagens e turismo há mais de três décadas. Com o seu equipamento fotográfico a reboque e a mente bem aberta, viajou metade do mundo, dos Estados Unidos à Austrália, de Marrocos à Ilha da Reunião, da Papua Nova Guiné às idílicas ilhas da Polinésia... sem esquecer a velha Europa. E nela, o seu próprio país, Espanha, que meticulosamente percorre, tentando capturar a rica variedade de paisagens e pessoas. Como fotógrafo, considera que a primeira e mais importante das regras é não tirar (a câmara) e “disparar” como se estivesse no Far West, mas observar, interiorizar e depois tentar capturar em imagens as emoções que descobre em cada paisagem, em cada pessoa... É fascinado acima de tudo pelo enquadramento, a chave para que essa fracção do quotidiano que quer congelar adquira uma dimensão artística. Dentro do enquadramento, sente uma paixão absoluta pela composição, sem descuidar do domínio da técnica, do controle da luz e do meio ambiente. É por isso que procura sempre instantâneos que provoquem sensações a partir de um equilíbrio estético. Para este fotojornalista de Barcelona, a grande diferença entre um fotógrafo amador e um profissional é que este vê imagens e fotogenias que ao outro passam despercebidas, sendo a câmara apenas o instrumento, a ferramenta para conseguir uma foto. O que é realmente importante é o olho humano por trás dela que ordena ao cérebro o momento exacto em que o dedo deve pressionar o botão do obturador. Clique! Born in Barcelona, he is a journalist by profession and a photographer. Combining both facets, he has become a photojournalist specializing in travel and tourism for more than three decades. With his photographic equipment in tow and his mind wide open, he traveled half the world, from the United States to Australia, from Morocco to Reunion Island, from Papua New Guinea to the idyllic islands of Polynesia... not to mention old Europe. And in it, his own country, Spain, he meticulously traverses, trying to capture the rich variety of landscapes and people. As a photographer, he considers that the first and most important of the rules is not to take (the camera) and "shoot" as if he were in Far West, but to observe, internalize and then try to capture in images the emotions he discovers in each landscape, in each person... He is fascinated above all by the framing, the key so that this fraction of the daily life that wants to freeze acquires an artistic dimension. Within the framework, he feels an absolute passion for composition, without neglecting the mastery of technique, control of light and the environment. That is why you always look for snapshots that provoke sensations from an aesthetic balance. For this photojournalist of Barcelona, the great difference between an amateur photographer and a professional is that he sees images and photogenies that the other go unnoticed, the camera being only the instrument, the tool to get a photo. What is really important is the human eye behind it that tells the brain the exact moment when the finger presses the shutter button. Click!


WONDER DRINKS

Tequila José Cuervo Uma pura tradição mexicana… e universal É paixão, liberdade e autenticidade. É igualmente orgulho e essência. Obviamente que falamos de tequila, a mais pura tradição de todo um povo, o mexicano. Mas entre elas há a José Cuervo, referenciada e reverenciada como a maior e mais antiga tequila do mundo. Também a mais exclusiva. Por isso, beber um shot de José Cuervo, que tem mais de 260 anos, é também beber um pouco da história do México. Texto Fernando Borges | Fotos Tequila José Cuervo

A pure mexican tradition... and universal It is passion, freedom and authenticity. It is also pride and essence. Obviously we talk about tequila, the purest tradition of a whole people, the mexican. But among them there is José Cuervo, referenced and revered as the oldest and biggest tequila in the world. Also the most exclusive. So, drinking a shot of José Cuervo, with over 260 years old, is also drinking some of the history of Mexico. Text Fernando Borges | Photos Tequila José Cuervo


É conhecida por ser consumida num ritual baptizado de shot, acompanhado de sal e limão. Não se sabe ao certo como isso começou. Reza a lenda que o costume surgiu durante uma epidemia mundial de gripe, onde alguns médicos receitaram “shots de tequila” como tratamento. Obviamente não foi nenhuma surpresa que mesmo depois da epidemia, muitos alegavam estar com gripe para continuar com o tratamento. Mas como nasceu esta bebida que é classificada pelo tempo de envelhecimento - Jovem, Reposado ou Añejo, que pode ser bebida com gelo, pura ou com o popular “shot”, esse ritual de colocar sal em torno do “caballito” ou na mão, entre o polegar e o dedo indicador, chupar o sal, beber rapidamente e logo após morder ou espremer uma rodela de limão? Os culpados são os espanhóis ao levarem na época colonial para o México um processo de destilação a que juntaram uma planta muito antiga das terras mexicanas, o agave azul, uma espécie de babosa, e não um cacto como muita gente acredita, e que segundo a legislação do governo mexicano, para que a tequila seja autêntica, deverá ter no mínimo 51% de seus açúcares provenientes desta planta, ter 100% de ingredientes naturais e ser duas vezes destilada em solos demarcados, sendo necessários 7 quilos de agave azul para produção de um litro de tequila. Mas esta é parte da história da tequila. Outra parte chama-se José Cuervo, que começa em 1758, quando o fazendeiro Don José Antonio de Cuervo obteve do Rei da Espanha Carlos IV os direitos sobre uma faixa de terra enriquecida pela lava do vulcão de Tequila, na região de Guadalajara, estado de Jalisco no México, com o intuito de cultivar a sagrada planta indígena, o agave azul, naquelas terras ricas em minerais vulcânicos e criar uma bebida única no mundo.

It is known to be consumed in ritual designated as shot, accompanied by salt and lemon. It is not clear how this began. Legend has it that custom arose during a worldwide flu epidemic, where some doctors prescribed "tequila shots" as treatment. Obviously it was no surprise that even after the outbreak, many claimed to have the flu to continue with the treatment. But how was born this drink that is classified by the time of aging - Young, Reposado or Añejo, that can be drunk with ice, pure or with the popular "shot", this ritual of putting salt around the "caballito" or in the hand, between the thumb and index finger, suck the salt, drink quickly and soon after biting or squeezing a slice of lemon? The indicted are the spanish who brought a distillation process in colonial Mexico to a very old plant of the mexican land, the blue agave, a kind of slug, not a cactus as many people believe, and according to the legislation of the mexican government, for the tequila to be authentic, should have at least 51% of its sugars from this plant, have 100% natural ingredients and be distilled twice in demarcated soils, requiring 7 kg of blue agave for the production of a pint of tequila. But this is part of tequila history. Another part is called José Cuervo, that begins in 1758, when the farmer Don Jose Antonio de Cuervo obtained from the King of Spain Carlos IV the rights on a strip of land enriched by lava of the volcano of Tequila, in the region of Guadalajara, state of Jalisco in Mexico, with the intention of cultivating the sacred indigenous plant, the blue agave, in those lands rich in volcanic minerals and creating a unique drink in the world.


Nestas terras havia uma pequena destilaria para a produção de vinho tipo Mezcal, precursor da tequila, compradas por um descendente de Don José de Cuervo, que aí viria a construir a destilaria para fabricação da tequila José Cuervo, sendo-lhe dada pelo Rei D. Carlos IV a primeira concessão comercial para produzir tequila, chamada popularmente de “vinho da terra”. Assim nascia a primeira tequila produzida no México, e com ela a imagem do “Cuervo”, símbolo da família, que começou a ser gravado em todos os barris produzidos pela destilaria para que as pessoas que não soubessem ler espanhol pudessem identificar a tequila da marca. Depois foi o seguir de diversos reconhecimentos e prémios nos Estados Unidos pela sua qualidade, para em 1900 passar a carregar oficialmente o nome José Cuervo e o título de melhor tequila do mundo, começando a expandir-se pela Europa e a conquistar novos apreciadores, ganhando ainda mais popularidade quando foi criado no México o cocktail Margarita, feito de tequila e limão. Era o reconhecimento da versatilidade desta bebida, mas também o reforçar do sucesso e posição de líder mundial. Para isso a marca apostou em vários tipos de tequila, como o Especial Gold, resultado da combinação de tequilas “Jovens”, sem envelhecimento, com tequilas “Reposado”, envelhecidas no mínimo durante seis meses em barris de carvalho, com sabor amadeirado, levemente doce, com notas de agave e baunilha, sendo esta a tequila mais consumida do mundo.

In these lands there was a small distillery for the production of Mezcal wine, precursor of the tequila, bought by a descendant of Don José de Cuervo, who would come to build the distillery to manufacture tequila José Cuervo, being given to him by King D. Carlos IV was the first commercial concession to produce tequila, popularly called “wine of the land". Thus was born the first tequila produced in Mexico, and with it the image of the "Cuervo", symbol of the family, that began to be engraved in all the barrels produced by the distillery so that the people who did not know how to read spanish could identify the brand's tequila . It was followed by various awards and prizes in the United States for its quality, so in 1900 start to officially load the name José Cuervo and the title of the best tequila in the world, beginning to expand in Europe and win new connoisseurs, winning even more popularity when the Margarita cocktail was created in Mexico, made of tequila and lemon. It was the recognition of the versatility of this drink, but also the strengthening of the success and position of world leader. For this, the brand bet on several types of tequila, such as the Gold Special, a result of the combination of “Young” tequilas, without aging, with tequilas "Reposado", aged for at least six months in oak barrels, with woody flavor, lightly sweet, with notes of agave and vanilla, being the most consumed tequila in the world.


Outra aposta foi a José Cuervo Especial Prata, colocada na garrafa imediatamente após a destilação, com uma pitada de pimenta picante e agave liso, como também a José Cuervo Silver, de sabor suave, cítrico, refrescante e levemente doce, uma tequila branca fruto da mistura de tequilas jovens e tequilas amadurecidas em barris de carvalho, combinando perfeitamente com margaritas, “frozen” margaritas e variadas bebidas misturadas com refrigerantes ou sumos com gelo. Parte importante da linha Cuervo são as Cuervo Flavoured Tequilas, uma linha de tequilas misturadas com sumos naturais nos sabores Cítrico - limão e outras frutas cítricas, Oranjo - laranja e outras frutas cítricas, e Tropiña - abacaxi e outras frutas tropicais, e as José Cuervo Margarita Mix, uma linha pronta para beber com sabores Golden - limão, tequila e licor Grand Marnier, Authentic Cuervo Margaritas - tradicional bebida mexicana, e Mix Limon - tequila e sumo de limão. Mais sofisticada e suave, envelhecida por um ano em barris de carvalho e uma das mais novas tequilas produzidas pela marca aparece a José Cuervo Black, enquanto no lado oposto e inserida no grupo de Tequilas Premium, 100% destilada do agave azul e envelhecida por seis meses em barris de carvalho, de cor amarelo-palha, com sabor quente e picante aparece a José Cuervo Tradicional, uma produção limitada com as garrafas mais altas, esguias e numeradas a apresentarem no rótulo a idade da tequila.

Another bet was José Cuervo Especial Prata, placed in the bottle immediately after the distillation, with a pinch of spicy pepper and agave smooth, as well as Jose Cuervo Silver, with a soft, citrusy, refreshing and slightly sweet taste, a white tequila fruit of the blend of young tequilas and tequilas ripened in oak barrels, blending perfectly with margaritas, “frozen” margaritas and assorted drinks mixed with sodas or ice juices. An important part of the Cuervo line is Cuervo Flavored Tequilas, a line of tequilas mixed with natural citrus juices lemon and other citrus fruits, Oranjo - orange and other citrus fruits, and Tropiña - pineapple and other tropical fruits, and José Cuervo Margarita Mix, a line ready to drink with Golden lemon, tequila and Grand Marnier liqueur, Authentic Cuervo Margaritas - traditional mexican drink, and Mix Limon - tequila and lemon juice. More sophisticated and soft, aged for a year in oak barrels and one of the newest tequilas produced by the brand appears to José Cuervo Black, while on the opposite side and inserted in the group of Premium Tequilas, 100% distilled from the blue agave and aged for six months in oak barrels, straw-yellow color, with a hot and spicy flavor appears to José Cuervo Tradicional, a limited production with the tallest, slender and numbered bottles to present the tequila age on the label.


Mas a família das tequilas Cuervo não fica apenas por aqui, tendo sido lançado em 1995, para celebrar o aniversário de 200 anos da marca, uma linha especial, a Cuervo Reserva de La Família que, como o próprio nome indica, faz parte de uma tradição familiar de convidar os amigos para degustar as tequilas de sua adega particular e desta forma compartilhar com o mercado a Reserva de La Família, uma tequila 100% agave e añejo, envelhecida por 10 anos em barril de carvalho americano e francês, dando início à produção de edições limitadas, convidando anualmente um artista mexicano para desenhar a caixa de colecção. Uma família que tem como maior e cintilante diamante a José Cuervo Platino, uma Tequila Ultra Premium elaborada através de um processo tradicional, sem envelhecimento em barril, de edição limitada e eleita a melhor tequila branca do mundo. Olhando para toda esta história, poderemos dizer que Don José Antonio de Cuervo jamais imaginaria ao plantar no século XVIII nas suas terras centenas de agave azul que estas se multiplicariam para criar a dinastia da melhor e mais antiga tequila do mundo e que com ela se contaria um pouco da própria história do México.

But the Cuervo family of tequilas do not stop here, and in 1995, to celebrate the 200th anniversary of the brand, a special line, the Cuervo Reserva de La Familia which, as its name indicates, is part of a family tradition of inviting friends to taste the tequilas of their private winery and in this way share with the market the Reserva de La Familia, a 100% agave and aged tequila, aged for 10 years in american and french oak barrels, production of limited editions, inviting annually a mexican artist to draw the collection box. A family that has as its largest and sparkling diamond José Cuervo Platino, an Ultra Premium Tequila made using a traditional, limited edition aging process and is the best white tequila in the world. Looking at all this history, we can say that Don José Antonio de Cuervo could never imagine that planting hundreds of blue agave in the 18th century these would multiply to create the dynasty of the best and oldest tequila in the world and that it would be told a little of Mexico's own history.


Art & GO.


Paul Gauguin Inspiração e fascínio pelas “vahiné”

Se hoje a pintura de Gauguin nos encanta, é porque ao exilar-se no Taiti procurou e encontrou uma certa harmonia com a natureza, um retorno à simplicidade dos elementos, das formas e da natureza das cores. Mas sobretudo porque viu na beleza das “vahiné”, as mulheres taitianas, um sublimado de inspiração, reflectindo-as maravilhosamente na sua criatividade, inventando mesmo nessas ilhas paradisíacas uma pintura que até então ainda não existia. E facilmente sentimos que esta foi a forma que Gauguin encontrou para homenagear a beleza enigmática dessas mulheres por quem se perdeu de paixões. Texto Fernando Borges | Fotos DR

Inspiration and fascination with "vahiné" If Gauguin's painting enchants us today, it is because when he was exiled in Tahiti he sought and found a certain harmony with nature, a return to the simplicity of the elements, forms and nature of colors. But above all because he saw in the beauty of the “vahiné", the tahitian women, a sublimate of inspiration, reflecting them wonderfully in his creativity, even inventing in these paradisiacal islands a painting that had not yet existed. And we easily feel that this was the way Gauguin found to honor the enigmatic beauty of these women for whom one has lost his passions. Text Fernando Borges | Photos DR


Era um rebelde, um verdadeiro impressionista. Tal como Vincent Van Gogh. Só que, e sem dúvida alguma, mais atípico. Mas um dia fartou-se da sua Paris, e como reflexo da sua descrença com a “Cidade Luz” do final do século XIX, ou talvez também decepcionado com a sua carreira, embarca no elegante Océanien para cruzar o oceano Índico a caminho das colónias francesas na Nova Caledónia. A bordo seguia gente rica para se tornar proprietária de terras em longínquas paragens, jovens de origem humilde em busca de um futuro que a França já não poderia dar, mulheres desvirtuadas que navegavam ao encontro de um possível marido, homens de negócios que procuravam outras fontes para as suas trocas comerciais, alguns foragidos da lei… Entre tantos actores de várias vidas, ocupando uma modesta cabine de terceira classe, seguia também um homem de meia-idade com um vigoroso bigode que passava horas intermináveis sentado no convés contemplando o horizonte. O mesmo homem que um dia, na sua Paris, disse: “Estou a sufocar. Não há paisagem, nem rosto que mereça ser pintado aqui”. E que partiu sulcando oceanos em direcção da Polinésia Francesa. Uns dizem que à procura de uma redenção artística. Outros da purificação da Arte. Outros ainda que partiu para encontrar novas forças em lugares longínquos. Esse homem era um pintor admirado chamado Paul Gauguin. E foi nessas exóticas terras, ao exilar-se no Taiti, que Gauguin procurou e encontrou uma muito peculiar harmonia com a natureza, que regressou à simplicidade dos elementos, das formas e das cores. Ou como ele dizia: O artista não deve copiar a natureza, mas pegar nos elementos da natureza e criar um novo elemento". E Gauguin conseguiu-o! Principalmente reflectindo-o maravilhosamente através dos seus retratos de “vahines”.

He was a rebel, a true Impressionist. Such as Vincent Van Gogh. Only, and without a doubt, more atypical. But one day he was fed up with his Paris, and as a reflection of his disbelief with the “The City of Lights” at the end of the 19th century, or perhaps also disappointed by his career, he embarked on the elegant Océanien to cross the Indian Ocean on the way to the french colonies in New Caledonia. On board were rich people to become landowners in distant places, young men of humble origins in search of a future that France could no longer give, wandering women who sailed to meet a possible husband, businessmen seeking other sources for their trade, some fugitives from the law... Among so many actors in several lives, occupying a modest third-class cabin, was also a middle-aged man with a vigorous mustache who spent endless hours sitting on the deck contemplating the horizon. The same man who, one day in his Paris, said, "I'm suffocating. There is no landscape, no face that deserves to be painted here”. And he left scouring oceans towards French Polynesia. Some say he was looking for artistic redemption. Others say the purification of Art. Others still say he departed to find new forces in distant places. This man was an admired painter named Paul Gauguin. And it was in these exotic lands, in exile in Tahiti, that Gauguin sought and found a very peculiar harmony with nature, which returned to the simplicity of the elements, forms and colors. Or as he said: The artist should not copy nature, but take on the elements of nature and create a new element”. And Gauguin succeeded in it! Mainly reflecting it beautifully through his portraits of "vahines".


Hoje, mais de um século passado, esses retratos ressoam como uma vibrante homenagem à beleza enigmática, misteriosa e fascinante das mulheres do Taiti. Rostos, silhuetas às vezes nuas na praia e jovens que irradiam paisagens repletas de cores onde a natureza é omnipresente, pontilhada de plantas exóticas, flores e animais. E tudo parece ser um relato romântico de sensualidade e de vida. Por vezes, aqui e ali, nesta ou naquela obra, mostrando também o lado mais humano que está por detrás do talento de Gauguin. Um romantismo que se encontra na sua visível tentativa de redescobrir através da arte a natureza selvagem ou o encanto emocional e narrativo sempre que pintava a sua musa “vahiné”, Tehura, que havia de tomar como esposa e como “objecto” principal dos seus quadros. Mesmo quando esse romantismo passou a ser visto por alguns críticos de arte mais recentes como uma postura de posse, de ciúme, de inocência ou de insensibilidade perante a amada que alegadamente tinha 13 anos quando se casaram. Mas o que é certo é que foi no meio desta conjugação de posturas que nasceram algumas das suas grandes obras, como Manao Tupapu (Espírito dos Mortos em Vigília). Dizem que a inspiração aconteceu numa noite ao regressar a casa e encontrou Tehura no escuro, tremendo de medo. Sem fósforos, ela não pode acender as velas e, assim, garantir que os espíritos não entrassem na cabana. Diante da cena, ele ignora o sentimento da sua companheira e começa a fazer um esboço, exigindo que ela ficasse imóvel. Por isso se diz que esta fase criativa de Gauguin nos primeiros anos passados no Taiti foi intensamente centrada na cultura autóctone, que foi percorrida entre o charme e o egoísmo, entre o Santo e o Diabo, tentando mesmo transferir a iconografia católica para o exótico Pacífico Sul através da sua obra. E como exemplo podemos olhar para "La Orana Maria (Salve, Maria)", uma obra criada em 1891, o seu primeiro ano no Taiti, ou para “A Madonna”, introduzindo assim a fé católica na cultura local ao tornar os nativos em protagonistas das cenas religiosas da sua obra. Today, more than a century past, these portraits resonate as a vibrant tribute to the enigmatic, mysterious and fascinating beauty of the women of Tahiti. Faces, sometimes nude silhouettes on the beach and young people who radiate landscapes full of colors where nature is omnipresent, dotted with exotic plants, flowers and animals. And everything seems to be a romantic account of sensuality and life. Sometimes here and there, in this or that work, also showing the more human side behind Gauguin's talent. A romanticism that is in its visible attempt to rediscover through the art the wild nature or the emotional charm and narrative whenever he painted his muse "vahiné", Tehura, later his wife and main "object" of his pictures. Even when this romanticism came to be seen by some recent art critics as a posture of possession, jealousy, innocence or insensitivity to his beloved who allegedly was 13 years old when they were married. But what is certain is that it was in the middle of this conjugation of postures that some of his great works were born, such as Manao Tupapu (Spirit of the Dead in Vigil). It is said that the inspiration came one night when he returned home and found Tehura in the dark, trembling with fear. Without matches, she can not light the candles and thus ensure that the spirits do not enter the hut. In front of the scene, he ignores his partner's feelings and begins sketching, requiring her to remain motionless. It is therefore said that this creative phase of Gauguin in the early years in Tahiti was intensely centered on the autochthonous culture, which was traversed between charm and selfishness, between the Saint and the Devil, trying to even transfer the catholic iconography to the exotic South Pacific through his work. And as an example we can look at "La Orana Maria (Salve, Maria)", a work created in 1891, its first year in Tahiti, or for "The Madonna", thus introducing the catholic faith in local culture by making the natives into protagonists of the religious scenes of his work.


Mas Gauguin foi progressivamente abandonando os temas católicos e começou a introduzir-se nas crenças ancestrais nativas, alcançando uma posição predominante não só na sua obra artística, mas também na sua personalidade. O "artista colonizador" católico tinha começado a transformar-se num feroz detractor da Igreja Católica, enquanto o seu interior começava a aceitar as crenças primitivas nativas, como podemos ver em "O Cavalo Branco", ou em "Mata Mua", que retrata um vale lendário no meio da ilha no qual seus habitantes "ainda vivem como nos tempos passados", ou nas muitas estatuetas de deuses e ídolos que fez nos anos seguintes. E esta é a fase em que Gauguin deixa para trás o Taiti e nos leva para as ilhas Marquesas, dedicando-se à escultura e onde escreveria sobre a tradição artística da Polinésia: "Esta Arte desapareceu por causa dos missionários, que consideraram que a escultura e a decoração era fetichismo, uma ofensa a Deus". E ele estava certo. Aqui, Gauguin embarcou num trabalho épico: devolver aos nativos a sua mitologia destruída, transferindo essa iconografia para suas pinturas. Nas suas telas, os deuses e ídolos mudaram de escala e transformaram-se nos principais protagonistas da cena, como acontece em "O Dia dos Deuses” , ou em espíritos com aparições perturbadoras como se vê em "Cavaleiros na Praia", a sua última obra-prima. Era o prelúdio à sua criatividade e à sua vida, a despedida às “vahiné”, à sua admiração pelas jovens taitianas e pelo nu feminino, tendo como paradigmático dessa admiração o famoso quadro "Nevermore", à doutrina filosófica e pictórica, aos apontamentos da vida, do primitivo e da inocência, numa ordem cronológica que parece indicar que este era o único caminho para o artista. Até que no longínquo dia 8 de Maio de 1903 partiu. E com essa partida ficaram obras coloridas de fantasia, silêncios junto ao mar, odes pictóricas ao modo de vida polinésio e homenagens à mulher taitiana, às “vahiné”, as suas musas.

But Gauguin was progressively abandoning catholic themes and began to introduce himself to native ancestral beliefs, reaching a predominant position not only in his artistic work but also in his personality. The catholic "colonizing artist" had begun to become a fierce detractor of the Catholic Church, while his interior began to accept native primitive beliefs, as we can see in "The White Horse," or "Mata Mua - which portrays a legendary valley in the middle of the island in which its inhabitants "still live as in past times" or in the many statues of gods and idols he made in the following years. And this is the stage in which Gauguin leaves behind Tahiti and takes us to the Marquesas islands, dedicating himself to sculpture and writing about the artistic tradition of Polynesia: "This Art disappeared because of the missionaries, who considered that the sculpture and the decor was fetishism, an offense to God”. And he was right. Here, Gauguin embarked on an epic work: give back to the natives their destroyed mythology, transferring this iconography to his paintings. On his screens, the gods and idols changed scale and became the main protagonists of the scene, as in "The Day of the Gods", or in spirits with disturbing apparitions as seen in "Knights on the Beach", his last masterpiece. It was the prelude to his creativity and life, the farewell to the "vahiné", his admiration for the tahitian girls and the female nude, with the famous "Nevermore" picture, the philosophical and pictorial doctrine, the primitive and innocent in a chronological order that seems to indicate that this was the only way for the artist. Until the far 8 May 1903, when he departed. And with this departure were colorful works of fantasy, silences by the sea, pictorial odes to the polynesian way of life and tributes to the tahitian woman, the "vahiné", his muses.


10X10

Elisabete Jacinto 10 Perguntas, 10 Respostas 10 Questions, 10 Answers

No mundo da competição é conhecida como a “portuguesa do Dakar” e pelo seu gosto em andar ”prego a fundo” ao volante de gigantes e possantes camiões. Também por ser uma temerária que por amor ao desporto motorizado e paixão pelo desafio continua a enfrentar ano após ano as areias do deserto até sentir as águas do Lago Rosa, no Senegal, nessa aventura para “bravos” que é o Dakar, prova em que se inicia ao volante de um camião em 2003, depois de o já ter feito ao volante de uma moto. E dos camiões nunca mais se afastou. Assim como do Dakar, essa mítica competição que agora se chama África Eco Race. Sobre ela, Elisabete Jacinto, podemos dizer que não há lágrimas ou suor que a afastem das dunas, vencendo avarias, desvios à rota, minas, atascanços, azares e até medos. Muito menos agora que se tornou na primeira mulher a vencer o África Eco Race em camiões, um “destino” para que se preparou durante 27 anos, desde que se estreou em 1992 no Grândola 300 como piloto de todo-o-terreno conduzindo uma moto, uma Suzuki DR 350. Por Fernando Borges | Fotos Elisabete Jacinto/Parabola/Wordpress In the world of competition it is known as the "Portuguese Dakar" and for its taste in riding “full pedal" at the wheel of giants and powerful trucks. Also for being a daredevil who for love of motorsport and passion for the challenge continues to face year after year the sands of the desert until feeling the waters of Lago Rosa, in Senegal, in this adventure for "bravos" that is the Dakar, proof in which she gets behind the wheel of a truck in 2003, after already getting behind the wheel of a motorcycle. And the trucks never left again. As well as the Dakar, this mythical competition now called Africa Eco Race. On her, Elisabete Jacinto, we can say that there are no tears or sweat to keep her away from the dunes, overcoming faults, detours, mines, stalemates, misfortunes and even fears. Much less now that she became the first woman to win the African Eco Race in trucks, a "destination" for which she has prepared for 27 years, since she debuted in 1992 at the Grândola 300 as a cross-country rider driving a motorcycle, a Suzuki DR 350. By Fernando Borges | Photos Elisabete Jacinto/Parabola/Wordpress


Comecemos por uma frase de Helen Keller: “Segurança é praticamente uma superstição. Vida é aventura ou nada.” É assim a Elisabete Jacinto? Sim… esta frase diz-me qualquer coisa. O meu objectivo de vida tem sido sempre crescer e desenvolver-me como pessoa, tornando-me cada vez melhor em todas as situações. Acho que é essa a nossa obrigação como seres humanos: tornarmo-nos melhores. Ora isso não se consegue ficando na segurança daquilo que temos garantido mas sim pelo confronto com situações que nos desafiam e nos põem à prova. Rallye Optic Tunisie, Rali Montes de Cuenca, Rali TT Lameirinho/Serras do Norte, Baja de Aragon, Paris-Dakar, Master Rallye (Rússia e Turquia), UAE Desert Challenge (Dubai), Dakar Argentina-Chile, Baja de Portalegre, LisboaDakar, Morocco Desert Challenge… são alguns dos caminhos que tens percorrido ao longo dos anos. Existe apenas competição, ou poderemos também olhar como sendo a forma diferente por ti escolhida para conheceres o mundo? A competição permitiu-me ir a muitos lugares do mundo onde não vão os turistas nem mesmo aqueles que se consideram viajantes. Isso tem sido uma experiência muito interessante. No fundo, tenho contactado com vários ambientes bioclimáticos e tenho-os sentido na pele mesmo em situações extremas. Quando digo situações extremas refiro-me, por exemplo, a conduzir uma moto no deserto com 50 graus de temperatura e não ter possibilidades de parar numa sombra para esperar a descida da temperatura e continuar. Isto permitiu-me perceber melhor o nosso planeta e a adaptação das pessoas a esse meio e daí resultou uma aprendizagem fabulosa. Conclusão, as corridas e o desafio pessoal que elas me trouxeram, foi o principal motivo da minha deslocação a todos estes países mas, a consequência, foi a aquisição desse conhecimento o qual considero um património fabuloso.

Let's start with a Helen Keller quote: "Safety is practically a superstition. Life is adventure or nothing”. Is this like Elisabete Jacinto? Yes... this sentence tells me anything. My life goal has always been to grow and develop as a person, becoming better and better in all situations. I think that is our obligation as human beings: to become better. Now this can not be achieved in the security of what we have guaranteed, but in confronting situations that challenge us and put us to the test. Rallye Optic Tunisie, Rally Montes de Cuenca, Rally TT Lameirinho/Serras do Norte, Baja de Aragon, Paris-Dakar, Master Rallye (Russia and Turkey), UAE Desert Challenge (Dubai), Dakar Argentina-Chile, Baja de Portalegre, LisbonDakar, Morocco Desert Challenge... are some of the paths you have traveled over the years. Is there only competition, or can we also look at being the different way you have chosen to know the world? The competition allowed me to go to many places in the world where tourists do not go, not even those who consider themselves travelers. This has been a very interesting experience. At the end, I have contacted with various bio-climatic environments and I have felt them in the skin even in extreme situations. When I say extreme situations I mean, for example, driving a motorcycle in the desert with 50 degrees of temperature and not being able to stop in a shade to wait for the temperature to drop and continue. This allowed me to better understand our planet and the adaptation of people to this environment and this resulted in a fabulous learning. Conclusion, the races and the personal challenge they brought me was the main reason for my travel to all these countries, but the consequence was the acquisition of this knowledge, which I consider to be a fabulous heritage.


Quando apareceste no Dakar, ainda conduzindo uma moto, foste alvo de descriminação por seres mulher, olhada como uma “intrusa” numa competição tida “para homens”. Uma realidade que se acentuou quando começaste a conduzir um camião e a obter resultados de relevo. Ainda existe essa discriminação? Discriminação é uma palavra muito forte quando a vejo aplicada à minha pessoa e fico sempre a interrogar-me se se pode falar desta maneira. Quando apareci a dizer que queria fazer o Dakar de moto ninguém acreditou que fosse possível fazê-lo. Tive de suportar todas as dificuldades resultantes desse facto. Na realidade isso tornou tudo mais difícil. No África Eco Race deste ano fiquei em segundo lugar na primeira etapa e depois fui-me mantendo por aí perto ao longo do rali. Apesar de ser uma candidata à vitória fui sendo ignorada pelas televisões portuguesas e foi preciso, realmente, cortar a meta em primeiro para que todos acreditassem que era possível. Este descrédito resulta do facto de ser mulher? Sim, de certeza. Isso é uma forma de discriminação? Sim, claro que sim… mas é muito subtil. Está bem diluída na nossa cultura, na nossa maneira de estar, na nossa educação. Acima de tudo o que é importante reter é que, na realidade, em termos práticos, nada mudou ao longo de todos estes anos no que se refere à forma como pensamos e agimos em relação ás mulheres. E existe o medo, como por certo sentiste quando o teu carro de assistência pisou uma mina na fronteira de Marrocos para a Mauritânia no Paris-Dakar de 2001, explodindo. Por vezes existe também a sensação de impotência quando no meio do deserto olhas à tua volta e só vês espaço, a ti própria e o teu camião que se virou na transposição de uma duna. Por certo também, e por vezes, existe uma voz que diz “desisto” quando ficas dias no meio do deserto à espera de uma equipa de resgate porque daquele lugar o teu camião já não sai. Como se ultrapassa estes sentires? Sim, reconheço que o medo tem sido o meu fiel companheiro ao longo destes anos. Atrevo-me a chamar-lhe o meu fiel amigo porque me ajudou sempre a ser forte quando era necessário e me obrigou a ponderar a melhor decisão nos momentos mais difíceis. Impotência senti-a muitas vezes em situações em que considerei que a “má sorte” ultrapassou a minha capacidade de fazer bem as coisas. Quanto a essa bendita voz a dizer “desisto” deixei de a ouvir desde que comecei a fazer provas em África, pois nem nos momentos mais duros senti vontade de desistir. Tinha um objectivo a alcançar que era muito importante para mim e, por mais difícil que fosse, não era desistindo que o conseguiria atingir. Acho que todos os momentos difíceis se ultrapassam quando temos um objectivo muito forte que nos move e quando se tem claro que os objectivos, principalmente os mais ambiciosos, não se atingem sem que seja necessário enfrentar uma série de contrariedades. Não há outra forma de se fazer as coisas. Com estes momentos e sentimentos aprende-se, às vezes muito… e com isso ficamos mais fortes e mais aptos para ir fazendo cada vez melhor.

When you showed up on the Dakar, still driving a motorcycle, you were discriminated against because you were a woman, looked like an "intruder" in a competition "for men". A reality that became more pronounced when you started driving a truck and getting great results. Is there still such discrimination? Discrimination is a very strong word when I see it applied to me and I always wonder if it is possible to speak in this way. When I came to say that I wanted to do Dakar by bike, nobody believed that it was possible to do it. I had to endure all the difficulties resulting from this. In fact, it made everything more difficult. In this year's African Eco Race I was in second place in the first stage and then I was keeping close throughout the rally. Despite being a candidate for victory I was ignored by the portuguese televisions and it was really necessary to cross the finish line first so that everyone believed it was possible. Does this discredit result from being a woman? Yes, of course. Is this a form of discrimination? Yes, of course, but it's very subtle. It is well diluted in our culture, in our way of being, in our education. Above all, what is important to keep in mind is that in reality, in practical terms, nothing has changed over the years as to how we think and act in relation to women. And there is the fear, as you certainly felt when your car assistance stepped on a mine in the border of Morocco to Mauritania in the Paris-Dakar of 2001, exploding. Sometimes there is also the feeling of helplessness when you look around the desert and all you see is space, yourself and your truck that has turned into a dune. Of course also, and sometimes there is a voice that says "I give up" when you spend days in the middle of the desert waiting for a rescue team because from that place your truck no longer leaves. How do you overcome these feelings? Yes, I recognize that fear has been my faithful companion over the years. I dare to call it my faithful friend because it always helped me to be strong when it was necessary and forced me to consider the best decision in the most difficult moments. Impotence I often felt in situations where I considered that "bad luck" exceeded my ability to do things well. As for this blessed voice saying "I give up" I stopped listening to it since I began to do tests in Africa, because not even in the hardest times I felt like giving up. I had a goal to achieve that was very important to me and, difficult as it was, it was not giving up that I could achieve it. I think that all the difficult times are overcome when we have a very strong objective that moves us and when it is clear that the objectives, especially the most ambitious, are not reached without having to face a series of setbacks. There is no other way of doing things. With these moments and feelings we learn, sometimes very much... and with that we are stronger and more able to go doing better and better.


Já aconteceu olhares para ti como fazendo parte de uma elite especial a que podemos chamar de “novos aventureiros”? Não tendo uma exacta noção da dimensão dessa designação talvez o seja. Considero que a aventura se faz no nosso interior. Não vale a pena desafiar os nossos limites se isso não nos fizer questionar quem somos e não nos trouxer algum enriquecimento como pessoas. As motos, os jeeps e os camiões que tens conduzido têm percorrido principalmente caminhos de África. Isso acontece porque é em África que acontecem as principais maratonas de todo-o-terreno, ou é também porque África tem um apelo especial? África tem um apelo especial. África mexe connosco! Temos uma certa afinidade por aquele espaço, ao ponto de ter a coragem de generalizar partindo do princípio que os outros sentem o mesmo que eu. África é um desafio a vários níveis. Têm-me posto à prova várias vezes pelas suas características naturais. Por outro lado é em África que se realizam as provas que são mais acessíveis em termos logísticos. Um camião e um baixo orçamento é algo que nos obriga sempre a ponderar as nossas decisões no que se refere às corridas onde devemos participar. O que é que mudou na essência do Dakar, desde a tua primeira participação nesta mítica prova, em 1992, conduzindo uma Suzuki DR 650, e o Dakar de 2007, o último que se realizou em África antes de se estabelecer em terras sul-americanas? Como vês, passados 11 anos, o regresso do Dakar a África, em 2020, mais precisamente na Arábia Saudita? Ao longo desses anos, no Dakar mudaram as pessoas responsáveis pela organização e isso, acima de tudo, provocou a mudança deste rali para um outro continente não respeitando a verdadeira essência do mesmo. Este adquiriu, sob o mesmo nome, uma outra personalidade. O Dakar continua a ser uma grande prova mas não tem nada de parecido com aquilo que foi enquanto rali africano. Tenho algumas dúvidas quanto ao futuro desta prova.

Have you ever see yourself as part of a special elite we can call "new adventurers"? Not having an exact notion of the size of this designation may be. I believe that adventure is done within us. It is not worth challenging our limits if it does not make us question who we are and not bring us some enrichment as people. The bikes, jeeps and trucks that you have driven have traveled mainly in Africa. Is this because it is the main off-road marathons in Africa, or is it because Africa has a special appeal? Africa has a special appeal. Africa moves with us! We have a certain affinity for that space, to the point of having the courage to generalize from the principle that others feel the same as I do. Africa is a multilevel challenge. It has put me to the test several times for its natural characteristics. On the other hand it is in Africa that the tests that are more accessible in logistic terms are made. A truck and a low budget is something that always forces us to ponder our decisions regarding the races where we should participate. What has changed in the essence of the Dakar, from your first participation in this legendary race in 1992, driving a Suzuki DR 650, and the 2007 Dakar, the last one that took place in Africa before settling in the south american lands? How do you see, after 11 years, the return of the Dakar to Africa in 2020, more precisely in Saudi Arabia? Over the years, the people responsible for the organization have changed in the Dakar, and this, above all, has caused the rally to change to another continent, not respecting the true essence of it. This one acquired, under the same name, another personality. The Dakar continues to be a great event but it has nothing to do with what it was as an African rally. I have some doubts about the future of this test.


E chega 2019 e com ele a 11ª edição do África Eco Race 2019, uma prova com um figurino em tudo semelhante ao Dakar. E ali estava o Lago Rosa para te receber como vencedora no sector dos camiões. Que sensações te invadiram no momento em que subiste ao degrau mais alto do pódio? Um sentimento de realização enorme e de recompensa por todo o trabalho desenvolvido ao longo destes anos e por todo o empenho… não só meu mas de toda a equipa. Mesmo sabendo que tinha atingido um bom nível de condução poderia, eventualmente, nunca ter tido a sorte de vencer. Mas tive! E isso foi o que mais fantástico me podia ter acontecido. Estou muito grata pelo facto… E no meio de tantos desertos e picadas atravessadas onde fica a professora de Geografia, a autora de manuais escolares e dos livros de Banda Desenhada os “Portugas no Dakar” Volume 1 e 2, com desenhos de Luis Pinto-Coelho, e que fazem parte do Plano Nacional de Leitura? Será que um dia regressas nessa qualidade? Ser professora é um estado de espírito. Mesmo não leccionando é assim que nos sentimos. Os manuais escolares foram um projecto acabado mas encontro nos livros de aventura uma forma de passar conhecimentos e continuar a ser professora. E para terminar: o que é que te leva a continuar a desafiar dunas ao volante de um camião, a viver a adrenalina da competição em condições tão adversas? Até agora foi o desafio de provar que era capaz de fazer algo em que ninguém acreditava e provar que afinal, uma mulher com poucos meios, mas com muita força de vontade e muito trabalho pode vencer numa modalidade considerada masculina. O desafio de provar que os limites estão onde queremos que estejam.

And 2019 arrives and with it the 11th edition of the African Eco Race 2019, a race with a costume in everything similar to the Dakar. And there was Lake Rose to welcome you as the winner in the truck industry. What sensations came to you the moment you climbed the top step of the podium? A tremendous sense of accomplishment and reward for all the work done over the years and for all the effort... not only mine but the whole team. Even knowing that I had achieved a good level of driving could possibly have never been lucky enough to win. But I did! And that was the most fantastic thing that could have happened to me. I am very grateful for the fact... And in the midst of so many deserts and crossings where it stands the Geography teacher, the author of textbooks and Comics books, "Portugas no Dakar" Volume 1 and 2, with drawings by Luis Pinto-Coelho, part of the National Reading Plan? Will you ever return in this quality? Being a teacher is a state of mind. Even not teaching is how we feel. The textbooks were a finished project but I find in adventure books a way to pass knowledge and continue to be a teacher. And finally: what is it that leads you to continue to challenge dunes at the wheel of a truck, to live the adrenaline of competition in such adverse conditions? So far it was the challenge to prove that I was capable of doing something that no one believed and proved that after all, a woman with few means but with a lot of willpower and hard work can win in a modality considered masculine. The challenge of proving that limits are where we want them to be.


WONDER STAY (III)

Puerto Antilla Grand Hotel Para umas férias relaxantes em família Nas margens do Oceano Atlântico, num ambiente dominado pelo brilho da luz que dá nome ao seu litoral, de paisagens de dunas e pinheiros, parques, reservas e história, Islantilla ocupa o primeiro trecho da costa de Huelva para obter o Q de Qualidade Turística, sendo um baluarte em partes iguais de natureza e de cultura. E é neste ambiente que surge o Puerto Antilla Grand Hotel, um complexo projectado para o relaxamento, mas também de lazer e entretenimento em família. Fotos Puerto Antilla Grand Hotel

For a relaxing family holiday On the shores of the Atlantic Ocean, in an environment dominated by the glittering light that gives name to its coastline, dune and pine landscapes, parks, reserves and history, Islantilla occupies the first stretch of the coast of Huelva to obtain the Q of Tourist Quality, being a bulwark in equal parts of nature and culture. And it is in this environment that arises the Puerto Antilla Grand Hotel, a complex designed for relaxation, but also for leisure and family entertainment. Photos Puerto Antilla Grand Hotel


Praias providas de belas dunas que criam paisagens lunares, lugares cobertos por pequenos pinheiros sobre suaves colinas que dão origem a mantos de cor verde esperança, reservas naturais onde a vegetação domina perto de cantos cheios de história como os Lugares Colombinos. É este o cenário de Islantilla, na Andaluzia, numa região turística chamada de "Costa de la Luz", onde se ergue o Puerto Antilla Grand Hotel. Devido à sua localização única, na região de Huelva, num lugar onde o sol surge em quase todos os dias do ano, este resort vê-se colocado entre os 25 melhores estabelecimentos hoteleiros espanhóis para viajar com crianças de acordo com a plataforma de viagens do TripAdvisor no Travellers Choice Awards 2018, oferecendo 400 quartos, dos quais 106 são suítes júnior. A eles juntam-se serviços completos destinados ao lazer familiar, incluindo dois campos de padel, quatro piscinas exteriores e um Mini Club projectado para os pequeninos, complementado por actividades que vão do desporto de precisão no Club de Golf Islantilla ao mergulho, vela, catamarã, windsurf, kitesurf, paddle ou surf, passando por mergulho e snorkeling. Além de entretenimento, o relax está também assegurado no Prestige Club Sport Wellness & Spa, um spa de 1000 metros quadrados com instalações que incluem circuito de águas terapêuticas, ginásio, solário interior e exterior, salas de massagem, cabines de tratamentos e um salão de beleza e cabeleireiro. Parte de uma experiência que não está completa sem o degustar de produtos mais requintados da região através da ampla oferta gastronómica do buffet Los Porches e do restaurante à la carte El Mirador de Puerto Antilla. Ambos os espaços exclusivos para desfrutar de momentos gastronómicos fascinantes em frente à paisagem incomparável que desenha sobre o horizonte a praia Islantilla, uma opção para gozar de uns dias de férias num oásis de diversão e relaxamento. Beaches with beautiful dunes that create lunar landscapes, places covered by small pine trees on soft hills that give rise to cloaks of hope green color, natural reserves where the vegetation dominates near corners full of history as the Colombian Places. This is the scenery of Islantilla, in Andalusia, in a tourist region called "Costa de la Luz", where stands the Puerto Antilla Grand Hotel. Due to its unique location in the Huelva region, where the sun rises almost every day of the year, this resort is ranked among the 25 best spanish hotels to travel with children according to the travel platform of the TripAdvisor at Travellers Choice Awards 2018, offering 400 rooms, of which 106 are junior suites. They include full services for family leisure, including two paddle tennis courts, four outdoor pools and a Mini Club designed for the little ones, complemented by activities ranging from precision sport at Islantilla Golf Club to diving, sailing, catamaran, windsurfing, kitesurfing, paddle or surfing, diving and snorkeling. In addition to entertainment, relaxation is also ensured at the Prestige Club Sport Wellness & Spa, a 1000-square-meter spa with facilities that include therapeutic water circuit, gym, indoor and outdoor solarium, massage rooms, treatment cabins and a beauty salon and hairdresser. Part of an experience that is not complete without tasting the most exquisite products of the region through the wide gastronomic offer of Los Porches buffet and the a la carte restaurant El Mirador de Puerto Antilla. Both exclusive spaces to enjoy fascinating gastronomic moments in front of the incomparable landscape that draws on the horizon the beach Islantilla, an option to enjoy a vacation in an oasis of fun and relaxation.


WONDER DRIVE


Mercedes Classe-A

"Hey, Mercedes", estou aqui! Claro que um carro é acima de tudo para se conduzir, para nos levar para aqui e para ali. Mas também para ser desfrutado. Por isso existem diversas motorizações, criadas para corresponder aos desejos e estilo de cada um, e a preocupação de criar um ambiente requintado que nos faça sentir confortáveis. E são estes os principais realces que marcam a Mercedes. Mas há ainda a tecnologia de bordo, um aspecto cada vez mais importante para que a condução seja mais divertida, um parceiro que nos ajude e facilite nas decisões. Por isso o novo Mercedes Classe-A vem acompanhado do MBUX, a mais recente solução de infoentretenimento e uma espécie de assistente virtual. De resto, é um Mercedes. Texto Fernando Borges | Fotos Mercedes Benz

Mercedes A-Class

"Hey, Mercedes”, I'm here! Of course a car is above all to drive, to take us here and there. But also to be enjoyed. That's why there are several engines, created to match the desires and style of each one, and the concern to create an exquisite environment that makes us feel comfortable. And these are the main highlights that mark Mercedes. But there is still the technology on board, an increasingly important aspect to make driving more fun, a partner that helps us and makes decisions easier. That's why the new Mercedes A-Class comes with MBUX, the latest infoentertainment solution and a sort of virtual assistant. Besides, it's a Mercedes. Text Fernando Borges | Photos Mercedes Benz


Quando a nova geração do Classe-A da Mercedes chegou, todos os holofotes estavam apontados para uma palavra: MBUX. Por esta razão, não começamos por falar em linhas exteriores, nem nas impressões de condução. Começamos pelo principal destaque que o novo Classe-A traz consigo, esse mesmo MBUX. Mas quem é este MBUX? Podemos desde já dizer que é uma nova tecnologia da casa alemã que significa Mercedes-Benz User eXperience, que nos atira para uma nova era de conectividade e assistência ao condutor, tornando a condução mais divertida, um parceiro de viagem desconcertante e eficaz, e que muitas vezes parece querer estar à conversa connosco.

When the new generation of Mercedes Class-A arrived, all the spotlights were pointed at one word: MBUX. For this reason, we do not start by talking about outside lines or driving impressions. We start with the main highlight that the new Class-A brings with it, this same MBUX. But who is this MBUX? We can already say that it is a new technology of the german house that means Mercedes-Benz User eXperience, which throws us into a new era of connectivity and driver assistance, making driving more fun, a disconcerting and effective travel partner, and often seems to want to be talking to us.


Basta entrar e dizer um simples "hey Mercedes" para que essa "conversa" tenha início através de uma solícita "assistente" que através do nosso pedido oral pode alterar a temperatura do habitáculo, indicar a melhor rota no sistema de navegação, indicar qualquer hotel ou restaurante, fazer uma chamada telefónica, dizer-nos o estado do tempo para uma zona em específico... E tudo de uma forma simples. Basta pedir! Mas o MBUX não se fica apenas por aqui. É que ele tem ainda a capacidade de aprendizagem graças a um módulo de inteligência artificial, pelo que pode começar a “aprender” os hábitos do condutor e fazer até sugestões personalizadas, um sistema de superlativa qualidade e com o qual se torna quase imperativo conviver na era da digitalização e dos smartphones, tendo ligação ainda com a aplicação Mercedes.Me, permitindo ainda receber novos conteúdos, personalização das aplicações, actualizações via wireless ou perfis de um condutor específico, guardando as preferências ao mais ínfimo detalhe. Informação e companhia que passa por dois ecrãs contíguos, conferindo-lhe um visual ‘hi-tech’, com diversas formas de personalização e centenas de opções, tanto do painel de instrumentos de 7ʺ , como do ecrã central táctil de 10.25ʺ.

Simply enter and say a simple "hey Mercedes" so that this "conversation" begins with a helpful "assistant" who through our oral request can change the temperature of the passenger compartment, indicate the best route in the navigation system, indicate any hotel or restaurant, make a phone call, tell us the weather for a specific area... And all in a simple way. Just ask! But MBUX does not stop here. He still has the ability to learn thanks to an artificial intelligence module, so it can start to “learn” the habits of the driver and even make personalized suggestions, a system of superlative quality and with which it becomes almost imperative to live in the age of digitization and smartphones, and also connected to the Mercedes.Me application, allowing to receive new content, customization of applications, updates via wireless or profiles of a specific driver, keeping the preferences to the smallest detail. Information and company that goes through two contiguous screens, giving it a hi-tech look, with several forms of customization and hundreds of options, both the 7” instrument panel and the 10.25" touch screen center display.


Mas claro que o novo Classe-A é também para se conduzir. Seja o A200 de 165 CV, ou o A180d, a versão ensaiada, um 1.5 Diesel de 115 CV associado a uma caixa automática de sete velocidades (7G-Tronic), um motor com uma elasticidade que lhe permite acelerações com ímpeto e recuperações sem grandes demoras, respostas que também estão num acelerador influenciado pelos diferentes modos de condução – Individual, Sport, Comfort e ECO, oferecendo um agradável conduzir em cidade ou em estradas sinuosas. Elogios que lhe ficam bem e que se prolongam para o seu interior, num ambiente Premium visível nos mais diversos pormenores, enquanto o seu exterior exibe uma maior pureza nas linhas, uma dianteira mais baixa e afilada, com os grupos ópticos, tanto dianteiros como traseiros a estarem agora mais rasgados, dando ao mais pequeno menino da marca da estrela um ar mais dinâmico. De resto, e para se sentir a maturidade atingida por este Classe-A, basta dizer “Hey, Mercedes”.


But of course the new A-Class is also to drive. Whether it's the 165-hp A200, or the A180d, the tested version, a 1.5-liter 115 hp diesel engine coupled with a seven-speed automatic (7G-Tronic), an engine with an elasticity that allows you to strong accelerations and recoveries without large delays, responses that are also on an accelerator influenced by different driving modes Individual, Sport, Comfort and ECO, offering a pleasant drive in the city or on winding roads. Praise that fits it well and extends inside, in a premium environment visible in the most diverse details, while its exterior exhibits a greater purity in the lines, a lower front and tapered, with the optical groups, both front and rear to be now more torn, giving the youngest boy of the star brand a more dynamic air. Moreover, to feel the maturity reached by this A-Class, just say "Hey, Mercedes."


LIFESTYLE

A Brazilian Bikini Shop (BKS)  sugere uma viagem ao universo tropical, onde os motivos da natureza misturados com cores fortes e contrastantes, libertam o lado mais indomável e cru da mulher contemporânea. Os novos modelos, com cortes elegantes e padrões selvagens, juntam-se à sensualidade do corpo feminino de forma sofisticada e com um toque de irreverência. Sempre na vanguarda da moda original e com elevada qualidade, a BKS disponibiliza novas marcas que seleciona com grande cuidado, entre elas Adriana  Degreas, Água de Coco, Despi, Melissa  Shoes,  Hipanema, Larissa  Minatto,  Lenny  Niemeyer, Salinas, Rio de Sol  ou CCM disponíveis nesta loja online.  Texto Carla Branco | Fotos Brazilian Bikini Shop The Brazilian Bikini Shop (BKS) suggests a trip to the tropical universe where the motifs of nature mixed with strong and contrasting colors unleash the most indomitable and raw side of contemporary women. The new models, with elegant cuts and wild patterns, join the sensuality of the female body in a sophisticated way with a touch of irreverence. Always at the forefront of the original fashion and with high quality, BKS offers new brands that it selects with great care, among them Adriana Degreas, Agua de Coco, Despi, Melissa Shoes, Hipanema, Larissa Minatto, Lenny Niemeyer, Salinas, Rio de Sol or CCM - available in this online store. Text Carla Branco | Photos Brazilian Bikini Shop


Como num sonho, a mulher Elisabetta Franchi caminha numa dimensão mágica e surreal dando vida a um jogo fantástico. É esta dimensão onírica que inspira a nova coleção SS19, “I Wear my Dream”, onde imaginação e inspiração se fundem com a realidade. Os padrões remetem-nos para céus coloridos com reflexos de luz, aprimorados por materiais plásticos, combinados com tecidos enquanto que as cores explodem numa paleta animada, ganhando vida através de bordados. Da mesma forma, os acessórios em PVC adicionam um toque sedutor às peças de vestuário e os sapatos laminados e saturados de cor, lembram doces e bombons, actuando como preciosos aliados num jogo de feminilidade sedutora em harmonia com o seu espírito livre e despreocupado. Texto Carla Branco Fotos Elisabetta Franchi As in a dream, the woman Elisabetta Franchi walks in a magical and surreal dimension giving life to a fantastic game. It is this dreamlike dimension that inspires the new SS19 collection, "I Wear My Dream”, where imagination and inspiration merge with reality. The patterns send us to colorful skies with reflections of light, enhanced by plastic materials, combined with fabrics while colors explode in a lively palette, gaining life through embroidery. Likewise, PVC accessories add a seductive touch to garments and laminated and saturated colored shoes, reminiscent of sweets and chocolates, acting as precious allies in a game of seductive femininity in harmony with your free and carefree spirit. Text Carla Branco Photos Elisabetta Franchi


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Wonder Go #33 Maio-Junho/May-June 2019  

Wonder Go #33 Maio-Junho/May-June 2019