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JULIO MESQUITA 1891 - 1927

RUY MESQUITA Diretor

4 DE JULHO DE 2010 R$ 4,00* ANO 131. Nº 42628

EDIÇÃO DE

estadão.com.br

23H

DOMINGO TV

ALEX CARVALHO/TV GLOBO

Programas de MPB, como o de Camila Pitanga, se valorizam

12.665 ofertas

Os males do sódio IVAN REIS

Metrópole

São Paulo vira centro de nova geração de quadrinistas. Pág. C1

Classificados

Vida

88 páginas Susto. Gregory, 10, já teve pressão alta

Hipertensos ignoram riscos do consumo dessa substância. Pág. A24

ANTONIO CALANNI/AP

WERTHER SANTANA/AE

Pesquisa Ibope confirma empate entre Serra e Dilma Após semana de anúncios do PSDB na TV, instituto mostra o tucano e a petista com 39% das intenções de voto Pesquisa Ibope encomendada pela Associação Comercial de São Paulo mostra o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff tecnicamente empatados na corrida presidencial. Ambos aparecem com 39% das intenções de voto, confirmando cenário captado pelo Datafolha.

Em24 dejunho, pesquisa doIbope mostrava a petista pela primeira vez à frente,com40%, contra35% dotucano.Desde então, com a exibição de anúncios do PSDB na TV, Serra subiu quatro pontos porcentuais, e Dilma oscilou negativamente um ponto. NACIONAL / PÁG. A4

A xerife da eleição ● Sandra Cureau, subprocuradora-

geral da República, é personagem nas seis multas já aplicadas ao presidente

Lula por propaganda eleitoral antecipada. “Não sou eu quem multa, ele é que não consegue ficar com a boca calada”, disse Sandra à repórter Marta Salomon. NACIONAL / PÁGS. A14 e A15

Brasileiros retomam aquisições no exterior Multinacionais brasileiras estão aproveitando o real forte e as possibilidades do pós-crise para retomar a internacionalização. De janeiro a maio, investiram US$ 11,16 bilhões em aquisições ou no aumento de participação em companhias. O valor supera os US$ 10,68 bilhões que os estrangeiros trouxeram ao País. ECONOMIA / PÁGS. B1 e B3

MATT DUNHAM/AP PHOTO

COPA2010

Exportação de carros esbarra na logística Desde o início do ano, a Fiat brasileira exporta carros para a Argentina por rodovias. São 10 dias – por navio, levaria até30,emrazão da faltadeinfraestruturadosportosdo País. Ocaso refleteproblema generalizado das montadoras, no momento em que tentam retomar as exportações. ECONOMIA / PÁG. B11

aliás, UM ANJO NO INFERNO OmédicoDenis Mukwegeampara vítimas de estupro no Congo. Em dez anos, atendeu 30 mil mulheres.

Massacre. Alemães festejam o terceiro gol da vitória (4 a 0) sobre a Argentina, que pôs a Alemanha pela terceira vez seguida numa semifinal de Copa

Alemanha humilha a Argentina de Maradona

DANIEL PIZA

A seleção da Alemanha, a mais eficiente da Copa, ignorou o brilho argentino e fez 4 a 0 na seleção de Maradona,

A Alemanha mostrou que um esquema organizado não tem nada a ver com um esquema engessado. PÁG. E7

classificando-se à semifinal. Messi, o craque da Argentina e ex-candidato a melhor da Copa, foi anulado. Agora, a

Alemanha enfrentará a Espanha, que suou para bater o Paraguai por 1 a 0 – gol do artilheiro Villa. PÁGS. E1 a E4

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

VISÃO GLOBAL

Sem maquiagem A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa.

À margem Equívocos europeus afastaram a Turquia do Ocidente, escreve Joschka Fischer.

AMIR KHAIR Entraves ao desenvolvimento O fortalecimento do mercado interno passa pelo enfrentamento de dois entraves: a distribuição de renda e a incidência tributária sobre ela.

ESPAÇO ABERTO / PÁG. A2

INTERNACIONAL / PÁG. A22

ECONOMIA / PÁG. B4

7 8 9 10 11 12

Colégios ficam abertos nas férias para recreação VIDA / PÁG. A26

Baile germânico

Tempo na capital 25˚ Máx. 11˚ Mín. Sol e baixa umidade à tarde

232 PÁGINAS. * TABELA NA PÁG. A3 TIRAGEM 314.977

ESTADO SOB CENSURA HÁ 338 DIAS. PÁG. A13

Festas em mansões vazias tiram sono de vizinhos METRÓPOLE / PÁG. C4

NOTAS & INFORMAÇÕES

Viagem à África imaginária A diplomacia lulista volta-se para Guiné Equatorial, governada há 31 anos por um ditador. PÁG. A3


A2 Espaço aberto %HermesFileInfo:A-2:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

PUBLICAÇÃO DA S.A. O ESTADO DE S. PAULO

Fundado em 1875

Av. Eng. Caetano Álvares, 55 - CEP 02598-900 São Paulo - SP Caixa Postal 2439 CEP 01060-970-SP . Tel. 3856-2122 (PABX) Fax Nº (011) 3856-2940

Julio Mesquita (1891-1927) Julio de Mesquita Filho (1927-1969) Francisco Mesquita (1927-1969) Luiz Carlos Mesquita (1952-1970)

Eleição sem maquiagem ✽ ●

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO mundo continua se contorcendo sem encontrar caminhossegurospara superar as consequênciasdacrisedesencadeada no sistema financeiro. Até a ideia (que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e o consumo. Paul Krugman, mais recentemente, lamentou a resistência europeia à frouxidão fiscal. Ele pensa que o corte aos estímulos pode levar a economia mundial a algo semelhante ao que ocorreu em 1929. Quando a crise pareciaacalmada,em 1933,suspenderam-se estímulos e medidas facilitadoras do crédito, devolvendo a recessão ao mundo. Será isso mesmo? É cedo para saber. Mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora. Enquantoisso, vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical, na feliz ironia deste jornal em editorial recente. E em tão curto intervalo que estamos todos atônitos com tanto dinheiro e tantas realizações. Basta ler o último artigo presidencial no Financial Times. A pobreza existia na época da “estagnação”. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise.Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro. Só que a realidade existe. A prosperidade de uns depende da de outros no mundo globali-

O

zado. Por mais que estejamos relativamente bem em comparação com os países de economia maismadura, se estes estagnarem ou crescerem a taxas baixas, haverá problemas. A queda nos preços das matérias-primas prejudicará as nossas exportações, grande parte delas composta de commodities. A ausência de crescimento complicará a solução dos desequilíbrios monetários e fiscais dos países ricos e isso significará menos recursos disponíveis para o Brasil no mercado financeiro global. Não devemos ser pessimistas, mas não nos podemos deixar embalar em devaneios quase infantis, que nos distraem de discutir os verdadeiros desafios do País. Infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas,

Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa de uma falta de realismo assustador.Embarcamosna antigatese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo,capitalizaçãodaPetrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz. E o que se faz é graças a transferências maciças do bolso dos contribuintes para o caixa das grandes empresas amigas do Estado, por meio de empréstimos subsidiados do BNDES, que de quebra engordam a dívida bruta do Tesouro. A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse? NoMéxico do PRI, cujodomínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada aopúblico –“el destape deltapado” –, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo”de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em

José Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1988) Julio de Mesquita Neto (1969-1996) Luiz Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1997)

Américo de Campos (1875-1884) Nestor Rangel Pestana (1927-1933) Plínio Barreto (1927-1958)

Copas quadradas risco a eleição. Estamos diante deumapersonagemasermoldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”. Esconde-se,assim, o que realmente está em jogo. Queremos aperfeiçoar nossa democracia ou aceitaremos como normais os grandes delitos de aloprados eas pequenasinfrações sistemáticas, como as de um presidente que dá de ombros diante de seis multas a ele aplicadas por desrespeito à legislação eleitoral? Queremos um Estado partidariamente neutro ou capturado por interesses partidários? Que dialogue com a sociedade ou se fecheparatomardecisõesbaseadas em pretensa superioridade estratégica para escolher o que é melhor para o País? Que confunda a Nação com o Estado e o Estadocomempresasecorporações estatais, em aliança com poucos grandes grupos privados,ou saiba distinguir uma coisa da outra em nome do interesse público? Que aposte no desenvolvimento das capacidades decada indivíduo, paraacidadania e para o trabalho, ou veja o povo como massa e a si próprio como benfeitor? Que enxergue no meio ambiente uma dimensão essencial ou um obstáculo ao desenvolvimento? Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada,dizerao Paíso quepensa. ✽ SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

✽ ●

GAUDÊNCIO TORQUATO observação tem sido recorrente em rodas de conversa: esta Copa não tem o charme de outras, seja pela ausência de criatividade, de grandes jogadas individuais,sejapela semelhança dos sistemasdefensivosedesempenho nivelado das linhas de ataque das equipes. A globalização do futebol deu nisso. Tornou a Copa quadrada. A mesma sensação se aplica à Copa política que aqui teve início, cujos primeiros lances apontam para uma disputa acirrada entre os dois principais contendores, porém sem os toques emotivos que transformavam as disputas do passado em festas cívicas sob a algazarra de grandes plateias nas arquibancadas. Se na África do Sul as vuvuzelas cumprem o papel auxiliar de animar espetáculos pouco vibrantesecoroarresultadosprevisíveis, por aqui se pode apostar que as cornetas nas ruas serão raras, eis que a formatação do torneio tende a arrefecer a torcidadasgaleras eaatenuar o impacto da vitória de qualquer figurante no seio social. O animus animandi de uma campanhapolíticadepende,como se sabe, do estado d’alma da Nação.Quanto maisaltaafebre de uma população, mais intenso será o calor do debate, mais

A

SINAIS PARTICULARES LOREDANO

Frustrado o Adão de Buenos Aires

acaloradas as discussões entre alas simpatizantes e mais acirrados os debates entre postulantes. A recíproca é verdadeira. Apesardacorrosãodecertaspartes do corpo social, principalmente nos tecidos da saúde e da educação, é forçoso reconhecer que imensas parcelas têm sido amparadas pelos braços assistencialistasdogovernosoboempuxo de uma política econômica que abriu as comportas do consumo. Espelho disso é o extraordinário índice de aprovação da figura do presidente da República. Sob a vigorosa arquitetura de proteçãosocialeoescudodaeconomiasedesenvolveráacontenda eleitoral, pelo que se pode inferir situação mais cômoda para quem representa a marca Lula e maior dificuldade para quem lhe faz oposição. A par dessa situação, mais um fator deverá agir

No torneio político não haverá sustos nem grandes emoções. Típico da era Dunga sobreoprocessodecisório:acerteza do eleitor de que, seja quem forovitorioso,oPaísdeverácontinuar nos trilhos. Esse é um diferencial entre este e outros pleitos. Como se recorda, na campanha de 2002, para tranquilizar o ânimo nacional LuizInáciotevedeproduzir uma Carta ao Povo Brasileiro, com compromissos que serviram de anzolparacapturaracredibilidade social. De lá para cá, o temor de que o País enverede por caminhosoblíquos, apartir da adoção de ações radicais e de uma visão ultraesquerdizante,foidiminuindo, a ponto de hoje constituir-se em ponto de interrogação na mente de grupos cada vez mais estreitos. Continua a haver certo receioemrelaçãoaoPT,como se podedepreenderdoencontroda candidataDilma, na semana passada,comumgrupo de mulheres em São Paulo, mas esse partido dámostrasdeteradotadoacartilha pragmática, sem a qual inviabilizariaoarcodealiançasemtorno de seu projeto de poder. A esses fatos se juntam outros ingredientes, a denotar que a campanha não carreará tanto a emoção das bases. Não se trata mais de apostarnosurradorefrãodo“Lulalá”.Oúltimoperfilcarismático não é candidato, apesar do papel de sombra e guarida. Serra e Dilma, por sua vez, não se enquadram no figurino carismático. De Marina até pode se pinçar ligeiro traço de carisma, a partir da estética cheia de panos que lembra entidades hindus (só falta o sinal na testa). Poderia ser parente de Gandhi. Ou, se preferirem, a representante do povo da floresta é o nosso clone de Avatar. Já Dilma e Serra figuram lado a lado na régua da ges-

tão, disputando a propriedade da expressão técnica, uma estatística para arrematar a ideia, o modus operandi para comprovar conhecimento de causa. Administram uma locução retilínea, sem altos e baixos, dispensando a retórica retumbante dos fechos discursivos. Mais uma razão para o eleitor avaliá-los pela lupa, e não pela veia emotiva. As novidadesvãoalém.Pelaprimeira vez na história da disputa presidencial teremos uma mulher emcondições de ser eleita. Mais: uma mulher que nunca foi votada. Isso será possível? Nesseponto emerge a hipótese de o Brasil ter condições de se transformar, com a eleição deste ano, em laboratório da política contemporânea. Eis o argumento. A política mundial atravessa um momento de intensa despolitização e desideologização. A competição política torna-se cada vez menos forte. Os partidos fenecem e o jogo político torna-se embaciado. Sob essa nova ordem, o eleitor não distingue fortes diferenças entre os atores, quando muito, jogaos na balança de suas demandas imediatas. Com as ideologias em franco declínio, o que pesa é a fatura de credibilidade que os contendores exibem para a conta do futuro. O eleitor tende a substituiromenuideológico pelo cardápio cotidiano, ou seja, comida, remédio barato, transporte rápido, educação de qualidade, sistema de saúde eficiente. O novo lema é: a administração das coisas deve substituir o governo dos homens. Quem é o mais apto na tarefa de administrar o dia a dia? A micropolítica toma o lugar da macropolítica. Essa é a disposição que regerá o processo de seleção. Será escolhidoo perfil quemelhorcorrespondaàsexpectativasdosobservadores do jogo, podendo ser alguém com muita experiência ou compouca experiência.Mas, sobretudo, que reanime as esperanças das massas. O eleitor não vota no passado, mas no futuro. No arremate da paisagem, veremos na TV uma programação eleitoral também assemelhada. Primeiros planos de caras, abraços e apertos de mão no meio do povo, sorrisos abundantes, larga confraternização, números emprofusão,cenasdeslumbrantes de campos verdes, colheitas de grãos, complexos industriais, mar profundo e óleo jorrando por todos os lados, debates em que cada contendor será apresentado como vencedor. Não haverá sustos. Teremos no pleito também uma Copa quadrada.Semgrandesemoções.Típica da era Dunga ✽ JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP E CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO

Fórum dos Leitores BYE, BYE, COPA Tour pela África

O outro lado da moeda

Demagogia

E agora? Com o fracasso da seleção brasileira, como vai terminar o tour do presidente Lulla pela África? Esperava receber uma coroa... que não virá.

Tudo tem um lado bom. Perdemos a Copa, mas vamos economizar bastante, já que Lulla e comitiva não deverão ir à África do Sul para assistir à final (sem contar o não-faturamento eleitoreiro).

Até que enfim o sr. Lula e a sra. Dilma sofreram uma derrota. Não poderão fazer demagogia com a seleção brasileira!

ÉLLIS A. OLIVEIRA elliscnh@estadao.com.br Cunha

ANGELA CARACIK angelacaracik@terra.com.br São Paulo

FRANCISCO CUELLAS soraya_cuellas04@yahoo.es São Paulo

Pé-frio Marcha à ré

Sem ufanismo

Considerando que o objetivo principal dessa nova viagem de Lulla à África era faturar dividendos de um eventual hexa da selecinha, além de adular ditadores, como é do seu feitio, agora ele poderia bem engatar uma marcha à ré, o que proporcionaria alguma economia aos contribuintes.

É, nem tudo são lágrimas, choro e ranger de dentes. O lado positivo da eliminação do Brasil na Copa é que, felizmente, não haverá carreatas pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com a seleção desfilando em trios elétricos e Lula na boleia dos caminhões tocando vuvuzela.

NESTOR R. PEREIRA FILHO rodrigues-nestor@ig.com.br São Paulo

PAULO BUSKO paulobusko@terra.com.br São Paulo

Nunca antes na história deste país tivemos um presidente (e um governo) tão pé-frio e incompetente como este. Internacionalmente, só pagamos mico, vide Honduras, Irã, Hugo Chávez, presos políticos em Cuba, etc. E o país do futebol perde duas Copas seguidas! Mas o governo Lulla não tem nada que ver com Copa do Mundo. Não tem porque perdeu, se tivesse ganho, ouviríamos o “nunca antes na história...” ALBERT HENRY HORNETT

hornettalbert@hotmail.com São Paulo

Não adiantou o Dunga, ao ser cumprimentado pelo presidente na ida da seleção a Brasília, ter enfiado a mão esquerda no bolso e feito figa. Lula é conhecido péfrio e não poderia ter sido diferente na campanha da Copa. Agora só nos resta esperar 2014 para que o Brasil retorne ao seu bom futebol e eleve a Copa do hexa. VIVIANO FERRANTINI engferrantini@ig.com.br São Paulo

A seleção brasileira, na verdade, enfrentou dois pés-frios. Parou em Brasília para ver o pé-frio presidente Lula da Silva e ainda pegou o roqueiro Mick Jagger, também conhecido pelo mesmo motivo. É muito azarento para uma

seleção só.

ciam muito mais a nossa vida.

CARLOS ALMEIDA CRUZ almeidarj1959@hotmail.com Rio de Janeiro

JUDSON CLAYTON MACIEL judson@judsonline.com Rio de Janeiro

Eleições

Torcida

Depois de apoiar regimes totalitários e toda sorte de ditadores, não ia o Brasil agora querer ganhar uma Copa do Mundo, não é mesmo? Boa, Mick Jagger! Chegou a hora de os brasileiros saírem desse transe e começarem a pensar em quem eleger em outubro. Acorda, Brasil!

Embora nesta Copa o sonho do hexa tenha ido para o espaço, sugiro que continuemos torcendo pelo Brasil. Torcendo para que haja, finalmente, no âmbito público aprimoramento da saúde, da educação e, principalmente, do combate efetivo à corrupção.

RICARDO A. ROCHA rochaerocha@uol.com.br Belo Horizonte

EURICO BUZAGLO eurico_buzaglo@uol.com.br São Paulo

Ficha suja

Ser eliminado da Copa é triste. Mas a de 2014 vem aí, e será aqui. A vida agora segue. Vamos ficar de olho nas eleições presidenciais, que certamente influen-

Muito pior do que assistir ao fracasso que nos foi proporcionado pelo turrão Dunga na África do Sul, de 2 x 1, é ver a nossa derrota imposta pelo insensível ministro


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Conselho de Administração Presidente

Membros

Aurélio de Almeida Prado Cidade

Fernão Lara Mesquita, Francisco Mesquita Neto, Júlio César Mesquita, Patricia Maria Mesquita e Roberto C. Mesquita

Notas e Informações A3

Opinião

Informação

Administração e Negócios

Diretor de Opinião: Ruy Mesquita Editor Responsável: Antonio Carlos Pereira

Diretor de Conteúdo: Ricardo Gandour Editor-Chefe Responsável: Roberto Gazzi

Diretor Presidente: Silvio Genesini Diretor de Mercado Leitor: João Carlos Rosas Diretor Financeiro: Ricardo do Valle Dellape Diretora Jurídica: Mariana Uemura Sampaio

estadão.com.br A versão na Internet de O Estado de S. Paulo

Notas & Informações

Viagem à África imaginária Governada há 31 anos por um ditador conhecido por seus métodos brutais, uma ex-colônia espanhola, a Guiné Equatorial, poderá ser o novo membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, se isso depender do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O apoio brasileiro foi confirmado pelo porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, um dia antes de o presidente Lula partir para seu 11.º giro pela África. A visita à Guiné Equatorial foi programada como segunda escala. A primeira foi marcada para a Ilha do Sal, no arquipélago de Cabo Verde, para uma reunião com 13 governantes da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental. A última etapa da viagem será na África do Sul, marcada para os dias 8 a 12, certamente com a esperança de ver o

Brasil na final da Copa do Mundo. A seleção da Holanda, no entanto, atrapalhou esse plano. Excluída essa justificativa para o périplo africano, restam os argumentos da diplomacia SulSul e da prioridade atribuída por Lula à relação com os países da África. Os demais argumentos, incluído o econômico, são ainda menos convincentes. O português não é falado na Guiné Equatorial, mas foi incluído em 2007 entre os idiomas oficiais, ao lado do espanhol e do francês, por decisão do presidente Teodoro Obiang Mbasogo. Acusado de fraudes, torturas e assassinatos por entidades internacionais de direitos humanos, o ditador é, segundo a revista Forbes, o oitavo governante mais rico do mundo. Segundo Baumbach, o presidente brasileiro “deseja conferir importante impulso político ao processo de conhecimento e aproximação entre o Brasil e a Guiné Equatorial”. A descoberta de petróleo em 1996 impulsio-

nou a economia do país, mas não fortaleceu a democracia. Em 2000 a Guiné Equatorial começou a exportar para o Brasil e em 2008 a corrente de comércio chegou a US$ 411,22 milhões, com superávit de US$ 369,39 milhões para o país africano. Além de falar com seu colega sobre a comunidade lusófona e o comércio bilateral, o presidente Lula poderá pedir a sua ajuda para realizar a ambição de chefiar uma entidade internacional, talvez a Organização das Nações Unidas (ONU). O chefão da Guiné Equatorial, afinal, é prodigioso. Em 2003, a rádio estatal do país o descreveu como “o deus da Guiné Equatorial” e atribuiu-lhe o direito de “matar sem ter de prestar contas a ninguém e sem ter de ir para o Inferno”. Nenhum outro ditador ou candidato a ditador escolhido por Lula como amigo ou aliado chegou tão alto. O roteiro de Lula inclui também o Quênia, a Tanzânia e a Zâmbia.

Com as seis escalas programadas para esta viagem, Lula terá passado por 21 países da África em seus 2 mandatos e visitado 8 ditadores africanos – lista completada com Obiang. Também há no continente governantes comprometidos com a democracia, mas Lula não os discrimina. Afinal, nem sempre é possível escolher o interlocutor. A prioridade atribuída à África pela diplomacia brasileira é parte da ilusão terceiro-mundista dominante no governo a partir de 2003. Somou-se a essa ilusão, depois de algum tempo, a fantasia da liderança política no mundo em desenvolvimento. Lula abriu ou reabriu 17 embaixadas na África. O comércio cresceu – já vinha crescendo nos anos 90 –, mas em 2008, antes da crise, as exportações para os africanos, excluídos os países do Oriente Médio, equivaleram a apenas 5,14% das vendas externas do Brasil. As importações corresponderam a

O custo dos aportes ao BNDES

Estímulo à inovação

s R$ 180 bilhões emprestados pelo governo federal ao BNDES no ano passado e neste ano, a juros inferiores aos de mercado, representarão um subsídio de R$ 66,6 bilhões concedido pelo Tesouro Nacional até a liquidação das operações, que ocorrerá entre 2039 e 2050. A estimativa é de técnicos do banco, que defenderam os empréstimos como forma de atenuar a recessão de 2009 – sem considerar os riscos de misturar as contas do governo e as do BNDES. Em 2009, o Tesouro emprestou R$ 100 bilhões ao BNDES com prazo de 30 anos e 5 anos de carência, a um custo que variou entre a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) seca, hoje de 6% ao ano, e a TJLP mais juros de 2,5% ao ano. Segundo o estudo O papel do BNDES na alocação de recursos: avaliação do custo fiscal do empréstimo de R$ 100 bilhões concedido pela União em 2009, dos economistas Thiago Rabelo Pereira e Adriano Nascimento Simões, chefe egerente, respectivamente, do Departamento de Renda Fixa do banco, o custo fiscal dessa operação será de R$ 36,6 bilhões. O valor corresponde à diferença entre o que o BNDES pagará ao Tesouro e os juros da Selic, hoje de 10,25% ao ano, que o Tesouro paga aos aplicadores nos títulos públicos entregues ao banco e vendidos no mercado. Neste ano, o Tesouro emprestou mais R$ 80 bilhões ao BNDES, com prazo de 40 anos,

uitos empresários não utilizam os recursos existentes para melhorar a competitividade de sua empresa e, assim, impulsionar seu crescimento porque não compreendem adequadamente a legislação que facilita os investimentos em inovação e também porque supõem equivocadamente que as aplicações em novos produtos e novos processos produtivos demoram para dar frutos e exigem um grau de conhecimento e de sofisticação que não possuem. Por isso, o governo e entidades empresariais decidiram formar gestores de programas de inovação, que terão a tarefa de ajudar até 18 mil empresas a elaborar e executar projetos de pesquisa, com a utilização das linhas de financiamento existentes. Embora não envolva cifras impressionantes – estima-se a aplicação de R$ 100 milhões, metade dos quais do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico –, a parceria entre o governo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para a criação de 20 núcleos estaduais de estímulo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico pode ter resultados importantes. Há, como observou o presidente da CNI, Robson Andrade, uma grande defasagem entre o grau de inovação alcançado pelas empresas médias e grandes e aquele que conse-

O

Gilmar Mendes, do STF, de 1.300.000 x 1. Que pena! ALCIDES FERRARI NETO ferrari@afn.eng.br São Paulo

Patriotismo

carência parcial de juros por 15 anos e custo igual à TJLP seca. Numa estimativa “simplificada do custo”, a perda fiscal da operação ficaria em torno de R$ 30 bilhões. “Numa extrapolação linear muito simples, pode-se calcular que o custo do empréstimo de R$ 80 bilhões é de R$ 800 milhões por ano”, disse Pereira. Mas, nos dois empréstimos, os custos fiscais são obtidos por aproximação, pois dependem da taxa Selic. Outros custos também são difíceis de estimar,pois dependem do resultado da aplicação do dinheiro pelo BNDES e do impacto sobre o

Subsídios do Tesouro Nacional ao BNDES poderão superar os R$ 66 bilhões financiamento dos investimentos e a receita tributária. Do ponto de vista econômico, discute-se o mérito dessas operações, defendidas pelos técnicos do BNDES como instrumento de apoio à compra de máquinas e à contratação de obras, com efeitos estimulantes na economia e aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo. Trata-sede um subsídiosubstancial e “alguém está pagando por essa diferença”, afirmou o ex-diretor do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas. Além do mais, segundo Freitas, o subsídio “precisa constar do orçamento fiscal”. E, por ora, não se sabe em que item da contabilidade pública ele poderá ser lançado.

tivismo de Dunga em relação ao seu grupo. Enquanto craques do passado alertavam que no meio de campo faltavam jogadores criativos, que desequilibram um jogo, Dunga não convocou Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho, que poderiam estar no lugar de Júlio Batista, Kléberson e Josué. Com Kaká fora de forma, só sobrou Robinho no ataque para inovar. Vamos receber bem a delegação, pois espírito de luta e abnegação não faltaram. Alegria de uns, tristeza de outros...

Bastou o Brasil ser desclassificado que todas as bandeirinhas, camisas da seleção e demais símbolos da Nação desapareceram. Parece que é vergonha ostentar orgulho do nosso país, ou ele tem época do ano para ser mostrado. Nosso patriotismo (se é que restou algum) está muito doente.

LUIZ BIANCHI luizbianchi@uol.com.br São Paulo

SÉRGIO ECKERMANN PASSOS sepassos@yahoo.com.br Porto Feliz

Derrota gelada

Injustiça

Não esquenta, não, Brasil. Seleção que faz propaganda de cerveja se resfria fácil, fácil.

A derrota para a Holanda foi uma grande injustiça, golpe rude para os brasileiros, apesar do corpora-

GABRIEL TARQUINIO BERTOZZI degafla@pocos-net.com.br Poços de Caldas (MG)

Especialistas reconhecem, além disso, que as operações provocaram um aumento do endividamentobrutodo Tesouro Nacional, que já superou os 60% do PIB – um aumento de cerca de 10 pontos porcentuais em relação ao ano passado. Quanto mais elevada é a relação entre a dívida pública e o PIB, maior a demanda dos aplicadores por juros altos nos papéis emitidos pelo Tesouro. No plano político, com os empréstimos federais o BNDES pode ampliar sua participação na oferta de crédito. “Os R$ 100 bilhões aportados pelo Tesouro ao BNDES para sustentar o investimento em 2009 correspondem a cerca de 25% de todo o estoque de crédito livre disponibilizado pelo sistema bancário às empresas, segundo dados do BC ao fim de 2009”, afirmam os economistas do banco. Eles calculam que os desembolsos do BNDES em 2009 “corresponderam a montante equivalente a cerca de 52% do esforço agregado de investimento efetuado na economia, em máquinas e equipamentos”, excluída a construção civil. Além da mistura entre as contas do Tesouro e do BNDES, o governo patrocinou, por intermédio das operações, um aumento do controle do Estado sobre as alocações de investimento. Mesmo que o banco só conceda empréstimos de boa qualidade, o fato é que o Estado passou a ter, por intermédio do BNDES, maior ingerência para definir os grupos empresariais e os setores que quer privilegiar.

“O hexa fácil acabou se transformando no caixão da CBF coberto de tulipas” HARRY RENTEL / VINHEDO, SOBRE A ELIMINAÇÃO DA SELEÇÃO BRASILEIRA PELA HOLANDA harry@citratus.com.br

“Nosso treinador fez treinos tão secretos que nem os jogadores conseguiram entender. Agora voltamos secretamente para casa” WALDIR GANDOLFI / SÃO PAULO, IDEM gandolfi.w@uol.com.br

M

9,11% das compras totais. Isso se explica pelas compras de petróleo de uns poucos países. A Nigéria é de longe o maior fornecedor. O comércio tem melhorado, embora de forma desproporcional à enorme importância atribuída à parceria com a África pela diplomacia brasileira. Politicamente o resultado tem sido muito mais pobre. Quando o Brasil apresentou um concorrente à direção-geral da Organização Mundial do Comércio, os africanos votaram em candidato próprio e na rodada seguinte apoiaram o francês Pascal Lamy. Na ONU, os governos da União Africana recusaram apoio, há alguns anos, à reforma defendida por Brasília. Na política de comércio, seus vínculos com as velhas metrópoles europeias continuam mais fortes do que quaisquer afinidades com o Brasil. É mais um caso de parceria estratégica unilateral, uma curiosa invenção da diplomacia lulista.

guem atingir as empresas de menor porte. A criação de núcleos de disseminação de projetos de inovação pelos Estados pode estimular as microempresas e as de pequeno porte – que representam 98% das empresas em operação no País – a investir mais em tecnologia, para aumentar sua produção e gerar mais empregos. Por essa razão, essas empresas terão atenção especial do programa. Em vigor há quatro anos, a chamada Lei do Bem, que prevê incentivos fiscais às empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, não está sendo plenamente

Governo, CNI e Sebrae se unem para estimular projetos de pesquisa de inovação nas empresas utilizada pelas empresas. Já a Lei de Inovação – que, entre outras medidas, dispensa as instituições oficiais de pesquisa de realizar licitação para a transferência ou licenciamento de tecnologia, autoriza a aplicação de recursos públicos diretamente em empresas e permite que pesquisadores desempenhem atividades em empresas particulares – está em vigor desde 2005. Mas, como observou o presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, Mário Neto Borges, “o ritmo de adesão a essas políticas ainda está muito aquém do desejado”. Na sua opinião, isso se deve à falta de melhor entendimento da legislação e de seus objetivos por parte dos interessados.

Se essa interpretação estiver certa – e a baixa utilização dos benefícios fiscais para investimentos em ciência e tecnologia sugere que está –, a formação de núcleos de preparação de empresários para a implantação de processos de inovação terá importantes e rápidos resultados. Parece pouco provável, porém, que seja suficiente para o Brasil alcançar a meta anunciada pelo governo, de investimentos equivalentes a 2% do PIB em ciência, tecnologia e inovação. Apesar dos constantes aumentos proporcionais desses investimentos nos últimos anos, o Brasil ainda é um país pouco competitivo. Relatório do Ministério da Ciência e Tecnologia mostra que o Brasil investe apenas 1,09% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. É pouco quando comparado com os índices dos países que mais investem nessa área, que são Israel (4,8% do PIB), Suécia (3,7%), Finlândia (3,4%), Estados Unidos (2,7%) e Dinamarca (2,7%), de acordo com dados da OCDE. A lista não inclui outros países que investem muito em pesquisa – o Japão (3,4% do PIB) e a Coreia do Sul (3,2%). Essa lista mostra que, mesmo que alcance a meta do governo, o Brasil continuará correndo atrás dos líderes em competitividade. Na melhor das hipóteses, evitará o aumento da distância que o separa dos líderes. Há muito a fazer e, com a iniciativa que acabam de anunciar, a CNI, o Sebrae e o governo mostram disposição de cumprir suas partes nessa tarefa.

Avenida Engenheiro Caetano Álvares, 55 6º andar, CEP 02598-900 Fax: (11) 3856-2920 E-mail: forum@grupoestado.com.br

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SP tem 6º trajeto mais difícil até o trabalho

1.305

Pesquisa foi feita em 20 cidades do mundo; 73% dos paulistanos acham o trânsito nocivo à saúde ● “Mostrem-me uma cidade que tenha reduzido os congestionamentos sem investir de forma maciça em transporte público.” GUSTAVO FIGUEIREDO

● “Temos que evitar o trânsito morando perto do trabalho e colocando filhos em escolas próximas também.”

“Pelo menos nos livramos do ditadorzinho Dunga”

DANILO KAHIL

CONRADO DE PAULO / BRAGANÇA PAULISTA, IDEM conrado.paulo@uol.com.br

● “Imagino quando chegar a Copa de 2014. A cidade deve estar preparada para receber milhares de turistas estrangeiros.” ADEMAR JOAQUIM DOMINGUES

As cartas devem ser enviadas com assinatura, identificação, endereço e telefone do remetente e poderão ser resumidas. O Estado se reserva o direito de selecioná-la para publicação. Correspondência sem identificação completa será desconsiderada. Central de atendimento ao leitor: 3856-5400 – falecom.estado@grupoestado.com.br Central de atendimento ao assinante Capital: 3959-8500 Demais localidades: 0800-014-77-20 www.assinante.estadao.com.br Classificados por telefone: 3855-2001 Vendas de assinaturas: Capital: 3950-9000 Demais localidades: 0800-014-9000 Central de atendimentos às agências de publicidade: 3856-2531 – cia@estado.com.br Preços venda avulsa: SP: R$ 2,50 (segunda a sábado) e R$ 4,00 (domingo). RJ, MG, PR, SC e DF: R$ 3,00 (segunda a sábado) e R$ 5,00 (domingo). ES, RS, GO, MT e MS: R$ 5,00 (segunda a sábado) e R$ 6,50 (domingo). BA, SE, PE, TO e AL: R$ 6,00 (segunda a sábado) e R$ 7,50 (domingo). AM, RR, CE, MA, PI, RN, PA, PB, AC e RO: R$ 6,50 (segunda a sábado) e R$ 8,00 (domingo) Preços assinaturas: De segunda a domingo – SP e Grande São Paulo – R$ 64,90/mês. Demais localidades e condições sob consulta.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Nacional

estadão.com.br Siga. Veja as últimas notícias da política no Twitter http://twitter.com/politica_estado

Sucessão. Ambos tem 39% das intenções de voto, segundo sondagem encomendada pela Associação Comercial de SP; números, praticamente iguais aos do Datafolha, vêm após tucano ganhar destaque em anúncios exibidos em rede nacional de rádio e TV

Ibope confirma Serra e Dilma empatados às vésperas da largada CORRIDA PRESIDENCIAL l Pesquisa Ibope realizada entre os dias 27 e 30 de junho

MARGEM DE ERRO DE 2 PONTOS PORCENTUAIS PARA MAIS OU PARA MENOS

EVOLUÇÃO NAS ÚLTIMAS PESQUISAS

EM PORCENTAGEM

Primeiro turno, cenário sem ‘nanicos’

Segundo turno

Rejeição

6

8

7

7

BRANCO/NULO

BRANCO/NULO

NÃO SABEM

NÃO SABEM

50

50

45

45

39 39

40 35 30

DILMA ROUSSEFF (PT) JOSÉ SERRA (PSDB)

35

25

20

20

15

15

10

5 0

FEV 2010

MAR

ABR

3/JUN

21/JUN

MARINA SILVA (PV)

30/JUN

7

Respostas dadas sem consulta a lista de canditatos

BRANCO/NULO

JOSÉ SERRA (PSDB)

11

NÃO SABEM

NÃO PONTUARAM

26 25 23

JOSÉ SERRA (PSDB) MARINA SILVA (PV) DILMA ROUSSEFF (PT)

36 36

DILMA ROUSSEFF (PT) JOSÉ SERRA (PSDB)

FEV 2010

MAR

ABR

3/JUN

21/JUN

- Levy Fidelix (PRTB) - Mário de Oliveira (PT do B) - Oscar Silva (PHS)

- Zé Maria (PSTU) - José Maria Eymael (PSDC)

8 SILVA (PV)

5

- Américo de Souza (PSL)

- Plínio de Arruda Sampaio (PSOL)

MARINA

10

0

Pesquisa espontânea

DILMA ROUSSEFF (PT)

30

25

10

43 43

40

Em quem não votaria de jeito nenhum?

Primeiro turno, cenário com ‘nanicos’

1

30/JUN

CIRO MOURA (PTC)

DILMA

22 ROUSSEFF (PT) JOSÉ 17 SERRA (PSDB) 12 LULA (PT) MARINA

4 SILVA (PV)

INFOGRÁFICO/AE

Daniel Bramatti

Às vésperas do início oficial das campanhas eleitorais, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra aparecem empatados na corrida presidencial. Ambos têm 39% das intenções de voto, segundo pesquisa Ibope encomendada pela Associação Comercial de São Paulo. Apesquisa, feitaapósSerra ganhar destaque em 20 anúncios de 30 segundos do PSDB, exibidos em rede nacional de rádio e televisão, confirma o cenário captado nos últimos dias pelo

instituto Datafolha, que também apontou um empate técnico entre os presidenciáveis: Serra com 39% e Dilma com 38%. Há pouco mais de uma semana, o Ibope havia divulgado a primeirapesquisaemqueacandidata do PT aparecia como líder isolada, com cinco pontos porcentuais de vantagem em relação ao adversário. Desde então, o tucano subiu quatro pontos porcentuais e Dilma oscilou negativamente um ponto. A candidata do PV, Marina Silva, apenas oscilou de 9% para 10%. O empate entre os dois princi-

Análise: João Bosco Rabello

Índice do tucano mantém eleição polarizada

O

s especialistas sempre terão explicações para as flutuações das pesquisas, como vem ocorrendo nesta disputa presidencial. Mas o fato é que o resultado do Ibope, confirmando praticamente todos os índices do Datafolha, e na sequência de duas pesquisas imediatamente anteriores, comprova que o País está dividido eleitoralmente, clima que deverá prevalecer na campanha.

pais candidatos à Presidência persiste na simulação de segundo turno – ambos aparecem com 43% das intenções de voto. Dilma está à frente, porém, no quesito expectativa de vitória. Para 45% dos entrevistados, ela será a próxima presidente da República. Outros 34% preveem que Serra será o vencedor. Gêneros e regiões. O candidatodoPSDB voltou asedistanciar deDilma no eleitorado feminino – nesse segmento, o tucano liderapor 46%a39%. Apesquisa Ibope realizada entre os dias 18 e 21

Os 39% de José Serra registrados pelo Datafolhae confirmados pelo Ibope, indicam que o candidato do PSDB tem uma votação sólida e um eleitorado fiel, o que o mantém nesse patamar desde antes do lançamento formal de sua candidatura. Ele registra pequenas oscilações, para cimaeparabaixo,que nãoalteramessaperformance de intenção de voto. O que reforça a solidez da candidatura é tambémofato deapesquisa ter sidofeitano momento mais negativo da campanha do PSDB, quando a crise do vice foi o melhor retrato. E enfrentando três poderosas máquinas – do PT, do PMDB e do governo, cujo cabo eleitoral, Lula, ostenta índice recorde de popularidade, na casa dos 80%. A ascensão da candidata Dilma Rousseff e a permanência de Marina Silva na faixa dos 10% eram previstos. O que deixou de ser dúvida é a capacidade de o presidente Lula transferir votos

de junho mostrava, pela primeira vez, um empate entre os dois principais adversários entre as mulheres. Entre os homens, é a petista quem leva vantagem, por 48% a 39%. O tucano também se descolou da adversária na região Sudeste, onde voltou a ocupar a liderança isolada, com 41% a 34%. No Norte/Centro-Oeste, Serra virou o jogo: perdia por 40% a 34% e agora lidera por 43% a 35%. Na Região Sul, o tucano vence por 45% a 37%. Dilma está à frente apenas no Nordeste (50% a 30%). Oscila-

ções significativas nos resultados regionais não são incomuns. Como o número de entrevistas é relativamente pequeno em cada região, as margens de erro nesse quesito são grandes. Palanque eletrônico. O Ibope

mediu o impacto da propaganda partidária exibida recentemente, que foi utilizada pelos candidatos como plataforma para se promover. Um terço dos entrevistados lembrou ter visto propagandas docandidato tucanonasduas semanas anteriores ao levanta-

numa proporção capaz de consolidar uma candidata sem nenhum recall político. Lula levou Dilma ao patamar de Serra e agora a disputa é pelo eleitor que não se decidiu ainda. É quando ganham importância os debates que a candidata do PT-PMDB tem evitado por estratégia de seus marqueteiros. As pesquisas são parte importante de qualquerprocesso eleitoral,funcionam comotermômetroindispensávelparaavaliarsituações regionais, monitorar votos de segmentos específicos, orientar ajustes naturais de campanha. Mas, no contexto de um eleitorado polarizado, como as próprias pesquisas vêm mostrando, não servem para autorizar avaliações de tendência em favor de um dos dois candidatos principais.

● Ficha

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 140 cidades de todo o País entre os dias 27 e 30 de junho. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 17.245/2010. A margem de erro é de dois pontos.

✽ É DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Aplicativo do ‘Estado’ leva pesquisa eleitoral ao iPhone Reprodução

Programa traz levantamentos dos 4 principais institutos e pode ser baixado gratuitamente José Roberto de Toledo ESPECIAL PARA O ESTADO

Vocêestáconversandosobrepolítica com os amigos e começa uma discussão sobre quem tem mais votos entre o eleitorado feminino: José Serra (PSDB) ou Dilma Rousseff (PT). Não há nenhum computador por perto, nem um jornal de papel para servir de juiz. O debate ameaça acabar em impasse, quando, de repente... Você saca seu iPhone, abre em Eleições 2010 e, antes de matar a charada, ainda pergunta:“Qualinstitutode pesquisa vocês preferem?” Essa é apenas uma das situações em que o aplicativo desenvolvido pelo Estado, em parce-

No celular. Telas do iPhone mostram o aplicativo ‘Eleições 2010’, do ‘Estado’: resultado de parceria com a Gol Mobile ria com a Gol Mobile, pode ser usado no dia a dia. O Eleições 2010 mostra os resultados das pesquisas de intenção de voto dos quatro principais institutos. No caso de presidente, estão lá as sondagens divulgadas desde janeiro. Na pági-

na de política do estadão.com. br,quepodeseracessadanopolitica.estadao.com.br, é possível consultar o tutorial e tirar as dúvidas de como usar o aplicativo do iPhone. Na tela inicial, o programa mostra um gráfico com a inten-

ção de voto estimulada da pesquisa mais recente. Logo abaixo, a lista das demais pesquisas disponíveis. Na barra de navegação há ainda links para as pesquisas da eleição para governador e para blogs que tratam do assunto no estadão.com.br.

Um dos seus amigos, com cara de inveja, pergunta quanto você pagou pelo aplicativo. E você: “Nada, é grátis.” Basta entrar na App Store da Apple, digitar Eleições 2010 no campo de busca e mandar instalar. Para tirar a dúvida sobre quem

mento. No caso de Dilma, esse índice foi de 27%. Todos os dados se referem ao cenário em que são apresentados aos entrevistados apenas os nomes dos três principais concorrentes à eleição. Quando os chamados “nanicos” são incluídosnolevantamento,SerraeDilma empatam em 36% e Marina fica com 8%. Apesquisaaindaincluiu osnomes de Ciro Moura (PTC) e Mário de Oliveira (PT do B), que desistiram de concorrer às vésperasdo prazofinal paraasconvenções partidárias. Ontem, o PSL anunciou que Américo de Souza também não será mais candidato, o que reduziu o número de presidenciáveis para dez. Napesquisaespontânea,aquela em que os eleitores manifestamasuapreferência antes deler a lista de candidatos, Dilma lidera com 22% das intenções de voto. Serra vem a seguir, com 17%. Ainda há 12% de eleitores que citam o presidente Luiz Inácio LuladaSilvacomo oseunomefavorito, apesar de ele não ser candidato para o próximo pleito. A três meses do primeiro turno, pouco mais da metade da população afirma ter “muito interesse” ou “interesse médio” pelas eleições. Nada menos que 44% admitem ter pouco ou nenhum interesse pela questão.

temmaiseleitoras,bastaselecionar a pesquisa que lhe interessa (elasestãoidentificadas pelonome do instituto e pela data do último dia das entrevistas). A primeira tela mostra os dois cenários da estimulada (com e sem os candidatos ditos nanicos), e, numa segunda aba, a intenção de voto espontânea. Logo acima, há botões para selecionar a taxa de rejeição e a simulação de segundo turno. Mas, para dirimir a dúvida com seus amigos, o caminho é selecionar o botão “mergulhe”, onde poderá ver os cruzamentos da intenção de voto, tanto estimulada quanto espontânea, por sexo, idade, escolaridade, renda e região onde moram os eleitores. Você pode botar lenha na fogueira conferindo a metodologia empregada em cada pesquisa e o gráfico de evolução. A discussão vai esquentar. estadão.com.br Na web. Veja o tutorial e aprenda a usar o aplicativo http://politica.estadao.com.br/


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O ESTADO DE S. PAULO

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Nacional A5


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

DIRETO DE BRASÍLIA JOÃO BOSCO RABELLO ✽ ●

joao.bosco@grupoestado.com.br

Serra reforça base regional

F

eitooacordo,o PSDBpreparaafaturapolíticaaserapresentada ao DEM. Com vice definido e com as pesquisas reafirmando sua competitividade, o candidato José Serra vai cobrar engajamento do principal aliado em todo o País, em busca de mais organicidade na campanha. Nesse contexto, a palavra-chave é militância, no lugar do apoio meramente formal e burocrático que vinha caracterizando o comportamento do aliado. Serra foi aconselhado a criar comitês estaduais que garantam recursos e suporte político à base da aliança, reduzindo o risco de ter candidatos dosando o empenho na crítica ao governo federal. Aprovidência facilitariaa adminis-

tração de uma política pragmática que submeta as conveniências regionais ao projetonacional,aspectoemqueaaliança PT-PMDB exibe notória dianteira. Adificuldadedeencontrarumdiscursocríticoque, semnegar abonançaeconômica, convença o eleitor da necessidadede mudança,éextensivaaoscandidatos estaduais, cujo instinto de sobrevivência fala mais alto. OPSDB avalia que,até aqui, o excesso de cuidado com Lula transformou-se em reverência. Não se deve fazer uma campanha anti-Lula, mas daí a adotar um discurso inócuo de oposição vai uma grande distância, resume um integrante da campanha. Essa estratégia exige administração direta do candidato, ou da cúpula partidária, e os comitês seriam o instrumento dessa proximidade permanente.

“Não tinha jeito, ou a gente aderia, ou fazia oposição” (José Eduardo Dutra, presidente do PT, sobre o drama do partido ante o sucesso do Plano Real)

“Ininquadrável”

Nem tão amigos

Com o fim das convenções, e definida a geografia política das campanhas, o conselho político de Dilma Rousseff (PT) reúne-se amanhã para definir sua presença nos palanques e nas gravações para aliados no rádio e na TV. Ela vai fazer tudo o que puder, “mas o presidente Lula é ininquadrável”, diz José Eduardo Dutra, presidente do PT. E avisa: “Lula só vai colocar sua popularidade a favor de quem ele quiser.”

A versão do PSDB para a troca de Álvaro Dias por Índio da Costa como vice de Serra é de que o primeiro saiu porque seu irmão, Osmar, o traiu e ao partido, inviabilizando a estratégia tucana no Paraná ; e que seu sucessor foi escolha pessoal de Serra, à revelia da família Maia – Cesar e o filho Rodrigo, presidente do DEM - que estariam rompidos com o deputado.

Sem vice Oposição ao êxito Ainda do presidente do PT, ao comentar o momento da campanha de José Serra: “A situação deles hoje é um pouco como a nossa em 1994. Temos um governo muito bem avaliado, como era o de Fernando Henrique Cardoso, no auge do Plano Real. Não tinha jeito, ou a gente aderia, ou fazia oposição.”

Com a filiação suspensa pela direção nacional, o presidente do PMDB de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, manteve a candidatura a vice na chapa do senador Raimundo Colombo (DEM), para reeditar a tríplice aliança DEM, PSDB e PMDB que comanda o Estado há anos. Amanhã, o TRE decide se nega o registro de Moreira, como pede o PMDB, hipótese que deixaria o DEM sem vice.

A Carta de Serra

ED FERREIRA/AE-2/6/2010

José Serra terá a sua Carta aos Brasileiros, em defesa das conquistas sociais de FHC e de Lula. É o antídoto contra a campanha do PT que lhe atribui a intenção de revogá-las.

estadão.com.br Blog. Pesquisa mostra eleitorado dividido e Serra competitivo estadão.com.br/blogdepolitica

Tucano visita Alagoas após enchentes O candidato à Presidência José Serra fala também de sucessão, dizendo-se confiante com as pesquisas, e sai em defesa do vice Ricardo Rodrigues / MACEIÓ

O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, visitou ontem em Alagoas cinco cidades atingidas pelas enchentes no Estado e defendeu a criação de uma Defesa Civil Nacional. Durante entrevista, Serra – o primeiro presidenciável a visitar a região após o desastre – ainda sedisseconfiantecomosresultados das últimas pesquisas, que apontam empate com a adversá-

ria Dilma Rousseff (PT). Acompanhado do governador do Estado, Teotônio Vilela Filho (PSDB), Serra sobrevoou os municípios de União dos Palmares, Branquinha, Murici, Rio Largo e Quebrangulo. Ele se disse impressionado com os estragos. O tucano frisou que a Defesa Civil Nacionalservirianãosóparaajudar as cidades atingidas por catástrofes, mas também para prevenir situações similares. O candidato também defen-

deu a renegociação da dívida do Estado com a União. Para ele, não tem sentido Alagoas continuar pagando ao governo federal cerca de R$ 40 milhões por mês. Prometeu, se eleito, transformar esse pagamento em investimentos para o Estado. Debates. Na entrevista, Serra

disse que Dilma foge dos debates, mencionando a ausência da candidatanoencontrodequintafeira na Confederação Nacional

daAgricultura(CNA).Sobreaescolha de seu vice, Índio da Costa (DEM-RJ), disse que foi uma decisãopessoal, combase no talento do deputado e no seu trabalho na campanha do projeto Ficha Limpa. Frisou que, como a indicação de Álvaro Dias (PSDB-PR) não deu certo, ele escolheu um representante do Rio, pela importância do colégio eleitoral. Dilma e a candidata do PV à Presidência,Marina Silva,nãotiveram ontem agenda pública.

Em SP, Índio busca entendimento com cúpula do PSDB ● O vice do candidato tucano Jo-

sé Serra à Presidência da República, deputado Índio da Costa (DEM-RJ), desembarcou ontem à tarde em São Paulo para afinar o

discurso de campanha com a cúpula tucana e a equipe de comunicação. Índio deve aproveitar a passagem pela cidade para fazer fotos para outdoors e banners, além de ensaiar os pontos mais importantes a serem destacados em entrevistas. As reuniões ocorreriam até a noite de hoje. / ADRIANA CARRANCA

Comando virtual

TWITTER ACIRRA INTRIGAS POLÍTICAS Foi no microblog que indiscrição de Jefferson sobre vice de Serra deflagrou crise com DEM Lucas de Abreu Maia

O

Twitterassumiupapel de protagonista nestas eleições antes mesmo de a campanha começar. Mas não daformaqueoscandidatosesperavam. Inicialmente pensado como um palanque para conquistar o eleitor jovem, o microblog transformou-se em espaçopara intrigas políticas, comentários pessoais, cutucões virtuais e bate-boca online – ou, como preferiu definir o presidente do PT, José EduardoDutra, “bate-dedos”. Hoje, são muitos os políticos com perfil no site. Vão de deputados e senadores aos candidatosà Presidência, passando por lideranças partidárias.Eoquesurgiucomoferramenta de campanha transformou-se em hábito. “Já há algum tempo tento ser mais jovemefaçoesforçoparaparticipardessas redes”, contao presidente do PPS, Roberto Freire (@freire_roberto, 3.475 seguidores), um dos mais ativos noTwitter.“Àsvezeseutenho detomarumcertocuidadoparanãoviraranoite, porque você fica lendo e perde a noção.” Freire já atuou em algumas das polêmicas do Twitter. Durante a semana, chegou a ter

uma breve discussão com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (@paulo_bernardo, 5.847seguidores), sobre o crescimento econômico do País. “Mas oPauloBernardoéumpetistademocrático, é bom discutir com ele”, minimiza Freire, acrescentando que já teve de bloquear alguns usuários “com quem não há a menor condição de interagir”. Indiscrição. A escolha do vice

deJoséSerra(PSDB)foiaprimeira crise com raízes no Twitter nas eleições deste ano. Seu estopim foi um tweet – texto de no máximo 140 caracteres –, postado no perfil do presidente do PTB, Roberto Jefferson (@blogdojefferson, 3.804 seguidores). “Falei agora com o Sergio Guerra. O vice será o Alvaro Dias”, tuitou, antes que a notícia chegasse aos aliados do DEM. “Esqueci que sou político, agi como tuiteiro”, explica Jefferson, que garante: “Eu não cometo excessos.” O anúncio antecipado gerou reações imediatas dentro e fora da rede. Líderes do PSDB e do DEMcorreramaomicroblogapara comentar – uns para defender a escolha, outros para criticá-la. Quando os tucanos retrocederam e apontaram o deputado fluminense Índio da Costa (@depindiodacosta, 39.153 seguidores), mais uma vez foi no Twitter

ILUSTRAÇÃO: BAPTISTÃO/AE

que a notícia chegou primeiro. Jeffersoncontaqueentrou“firme” no Twitter “há uns 30 dias”. “Acheiumacoisa excelente,você dá uma tuitada e já fica esperando as reações. É como se fosse uma pesquisa de tracking”, comenta, empolgado. Ele é um dos políticos mais ativos na rede, com uma média de 14 tweets por dia. “Se você fizer um comentá-

rioruim,seentrarerrado,namesma hora vai ver as reações”, diz. Petistas também já provaram o lado amargo do microblog. Em abril, o tuiteiro Marcelo Branco (@marcelobranco, 6.225 seguidores) – responsável na campanha de Dilma Rousseff (PT) pela mobilizaçãodeinternautas–causou desconforto ao criticar a Rede Globo em sua página.

Dutra(@zedutra13,3.334seguidores) protagonizou uma troca defarpasviaTwittercomojornalista Ricardo Noblat. Ao se afastar da discussão, Dutra tuitou: “Caraca, esse negocio vicia mesmo. Estava no circo, sem bateria, e quase em crise de abstinência.” Notívagos. O horário de maior

atividade dos políticos tuiteiros

é à noite, depois das 21 horas. Jásetornoutradição,àsvésperas da divulgação de nova pesquisaeleitoral,políticospassarem madrugadas estimando osresultados.Comavelocidadetípicadarede,comfrequêncianotíciasfalsasganhamdestaque.“Aquilotemumavelocidade muito grande, é uma Babel”, opina Freire. Por vezes, os comentários políticosdãolugararecomendações musicais, detalhes da rotina ou – em tempos de Copa do Mundo – análises futebolísticas. “Acho que está constatadoque existeum certo voyeurismo tuítico”, avalia Alfredo Sirkis (@alfredosirkis, 1.561 seguidores), vicepresidente do PV e um dos coordenadores da campanha de Marina Silva. “As pessoas se interessam por aspectos da rotina e pela vida pessoal das figuras públicas. Mas sou da velha escola, não misturo público com privado.” No entanto,opina:quemfala daprópria vida no microblog ganha seguidores. “Isso, aliás, faz muito sucesso.” Os três principais candidatosà Presidência também têm perfilnarede.JoséSerra(@joseserra_, 275.712 seguidores) é o mais participativo. Notívago confesso, ele costuma escrever nas madrugadas, quando envia vários tweets em sequência.Serrase mostrafamiliarizadocomalinguagemtípica do microblog e usa abreviaturas como “rs” (risos). Fala de música e futebol, mas principalmentecomentasuaagendadecampanha.Elejáprometeu que continuará a escrever no site, se for eleito. Dilma Rousseff (@dilmabr, 99.479 seguidores) é a candidata que menos escreve e restringeseustweetsaoscompromissos de campanha. Marina Silva (@silva_marina, 81.506 seguidores)é a presidenciável queusaoTwitterhámaistempo. Ela evita falar da vida pessoal, mas nos jogos do Brasil na Copa foi uma das tuiteiras mais assíduas, comentando os jogos em tempo real.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Candidatos vão às ruas a partir de terça, com início oficial da campanha Serra prepara corpo a corpo no Sudeste; Dilma aposta no horário eleitoral gratuito e Marina se arma para compensar pouco tempo na TV assadas as convenções e os debates pré-campanha, e já sem a “concorrência” da Copa do Mundo, da qual o Brasil está eliminado, começam oficialmente, na terça-feira, as campanhas eleitorais – ainda sem o horário no rádio e na TV, que só vale a partir de 17 de agosto –, mas com os comícios e a propaganda legal nas ruas. As estratégias estão definidas. Enquanto o tucano José Serra se organiza para um intenso corpo a corpo na região Sudeste, onde as pesquisas apontam uma certa

queda de sua liderança, a candidata Marina Silva, do PV, empenha-se na preparação para os debates diretos – sua grande arma, já que seu tempo em rádio e TV será de apenas 72 segundos. E para Dilma Rousseff (PT), a prioridade são as cenas e falas para preencher os seus longos 10min25s no horário gratuito. “Vamos intensificar a campanha em São Paulo”, avisa o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, embora sua campanha comece por Curitiba. Serra não deverá aceitar os pedidos de ser mais agressivo contra o gover-

no. “Não devemos mudar o tom”, reage Roberto Freire, presidente do PPS e assessor da campanha. Nas hostes do governo, o clima é de otimismo. Dilma parece “mais disciplinada”, capaz de suportar melhor as provocações. “Ela tomou gosto pela campanha”, diz o secretário-geral José Eduardo Martins Cardozo. Para Paulo de Tarso, marqueteiro de Marina Silva, o desafio é bem diferente. Ele já considera a senadora “a pessoa mais bem preparada” entre os três. Assim, o objetivo “é apenas melhorar seu desempenho”.

ROBSON FERNANDJES/AE–31/5/2010

PAULO PINTO/AE-10/5/2010

HÉLVIO ROMERO/AE–31/5/2010

P

Roteiro. Agenda contemplará mais visitas a São Paulo, Rio e Minas, onde a vantagem de Serra chegou a diminuir em maio

Treinamento. ‘Marina está afiada’, diz coordenador. ‘Queremos debate de ideias e propostas e não embate entre pessoas’

Imagem. Pessoas próximas a Dilma afirmam que ela ‘vive uma fase de alto astral, achando-se bem, elegante e bonita’

Serra busca ampliar a Prioridade de Marina Dilma comemora vantagem no Sudeste é participar de debates fase ‘disciplinada’ Além de querer discutir propostas com Dilma, ele vai intensificar o corpo a corpo na região mais populosa do País Julia Duailibi

Depois da crise em torno da definição do candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, o PSDB começa oficialmente a campanha nesta semana com dois objetivos: emplacar debates diretos com a adversária, Dilma Rousseff (PT), e aumentar a vantagem eleitoral no Sudeste. Com a campanha oficialmente na rua, os tucanos querem intensificar o corpo a corpo na região maispopulosa doPaís, onde a vantagem do candidato do PSDB chegou a diminuir em maio. Aagendacontemplará mais visitas a São Paulo, Rio e Minas. A ideia é que até o início do horário eleitoralgratuitonaTV,emagosto, o candidato participe de carreatas e caminhadas com o eleitor. “Vamos intensificar a campanha em São Paulo”, afirmou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Apesar disso, a previsão édeque oiníciooficialdacampa-

nha se dê em Curitiba – os tucanos haviam proposto o senador Álvaro Dias como vice para ampliar a vantagem no Paraná, mas acabaram acatando o indicado do DEM, Índio da Costa. “Agora, a agenda é outra. Vamos intensificar visitas a esses Estados nas semanas anteriores à TV”, disse a senadora Marisa Serrano (MS). A coordenação da campanha diz que a agenda do candidato será aprimorada após reclamações internas. “Temos que ter mais eficiência na agenda”, afirmou Guerra. Assim como já ocorria na fase depré-campanha,equipesacompanharão Serra para colher imagens para o programa de TV. A exemplo de trechos gravados na Bahia e em Pernambuco, serão produzidas imagens em, pelo menos, outros dez Estados. Embora haja cobranças para que o tom seja mais agressivo, a tendência é que Serra não aumente as críticas ao governo. “Nossa estratégia mostrou-se correta”, afirmou Jutahy Júnior (BA),ao citaraspesquisas recentes.“Não devemos mudar o tom. Masvamosmelhoraracoordenação para não haver curto-circuito na comunicação”, disse o presidente do PPS, Roberto Freire.

Escolha se justifica pelo tempo de exposição, porque a candidata terá apenas 1min12s no horário eleitoral gratuito Roldão Arruda

Aequipedecoordenaçãodacampanha da candidata do PV, Marina Silva, conclui amanhã o plano da fase de campanha oficial, que começa agora. Já se sabe, no entanto, que a prioridade serão os debates com os outros candidatos. Nos últimos dias a ex-senadorachegou areduzir suasaparições públicas para se preparar melhor para os debates. Aescolhatemcomo justificativa o tempo de exposição. No horáriodapropagandagratuitaeleitoral, a partir de agosto, o tempo de Marina será pequeno –1min12s –, enquanto a petista Dilma Rousseff disporá de 10min25s e o tucano José Serra, de 7min6s. Nos debates, no entanto, o temposerá igual para todos. Outro motivo para a escolha é a expectativa de que o número de debates em emissoras de TV e portais na internet aumente em

relação a outros anos. Segundo assessores da campanha, é grande o número de consultas que recebem sobre debates. O marqueteiro Paulo de Tarso, que já trabalhou para o PT e o PSDB, faz parte da equipe que ajuda a candidata a se preparar. “A Marina já é a pessoa mais bem preparada, com propostas bem definidas para o País”, diz ele. “Ninguém quer mudar esse personagem. O objetivo é apenas melhorar seu desempenho.” Tarso atua ao lado de um grupo de intelectuais que trabalham voluntariamente para a exsenadora.Entreelesestãoocientista político Luiz Eduardo Soares, que chefiou a Secretaria Nacional de Segurança Pública no início do primeiro governo Lula; o economista Ricardo Paes de Barros, especialista em programas sociais, e a socióloga Neca Setubal, da área de educação. Tambémintegram otimeoseconomistas Eduardo Gianetti e Paulo Sandroni, além do médico EduardoJorge,quejáfoimilitante do PT e hoje está filiado ao PV. “Queremos debate de ideias e propostas e não embate entre pessoas”, diz Paulo Capobianco, coordenador da campanha. “A Marina está afiada.”

Petista entra em outra etapa da campanha feliz por ter aprendido a ouvir conselhos e ser paciente com interlocutores

espanhol José Luiz Zapatero e Durão Barroso, da União Europeia. “Ela tomou gosto pela campanha,estáfeliz”,garanteosecretário-geral do PT, José Eduardo Martins Cardozo. “E a campanhaviveummomentodeharmonia, sem desentendimentos.”

João Domingos BRASÍLIA

Alto astral. Há três meses, tu-

A candidata petista Dilma Rousseffentra na nova fase decampanha festejando uma conquista: ter-se transformado em uma “candidata disciplinada”, que aprendeu a ouvir conselheiros e contar até dez antes de dar uma resposta impaciente. O grande teste foi a entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, na semana passada, em que fugia ao destemperocom umgentil“Permita-me discordar?” A partir de agora, sob direção do marqueteiro João Santana, a candidata começa a produzir cenas para montagem dos programas de rádio e TV. Como ela tem mais de 10 minutos, preencher osprogramassignificamuitotrabalho. Um dos pontos fortes, já no início, serão imagens tomadasnosseusencontroseuropeus com o presidente francês Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro

doparecia darerrado.Acandidata cometia seguidas gafes e dava espaço à oposição para atacá-la. Como em sua visita ao túmulo de Tancredo Neves, em São João del Rey, no início de abril. Porter dito,então,queopresidente Lula havia realizado o sonho do político mineiro, de um Brasil de menos desigualdades, foi cobrada pela oposição, para a qual ela teria profanado o túmulo de Tancredo – afinal, o PT tinha negado o voto ao candidato das oposições no Colégio Eleitoral de 1985 – e três petistas que o apoiaram foram expulsos. Pessoas próximas a Dilma dizem que ela “vive uma fase de alto astral, achando-se bem, elegante e bonita”. O bom momento deve-se, em boa parte, à jornalistaMariaOlga Curado,quecuida de sua imagem e a treina para dar, à mídia, respostas mais curtas e menos explicativas.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Violações podem render multa de até R$ 104 mil Com início do embate entre candidatos, a partir de terça-feira, partidos, candidatos e governantes devem estar atentos a uma série de proibições Moacir Assunção

Depois das convenções e do intenso debate da pré-campanha, julho marca o início, para valer, das campanhas eleitorais. A partir de agora começa o período em que é permitida a propaganda eleitoral, mas ao mesmo tempo há uma série de restrições para os candidatos.

O QUE NÃO PODE ●

Propaganda

Veicular propaganda partidária gratuita ou propaganda política paga na TV e rádio ●

Pesquisas

Transmitir, na TV e rádio, pesquisas e propaganda eleitoral, exceto programas jornalísticos ou debates políticos ●

Funcionalismo

Nomear, contratar, admitir, demitir sem justa causa, transferir ou exonerar servidor público ●

Verbas públicas

Fazer a transferência voluntária de recursos da União aos Estados e municípios e dos Estados aos municípios ●

Inaugurações e comícios

Candidatos aos cargos de presidente da República, vice, governador e vice-governador participar de inaugurações de obras. Contratar shows artísticos, pagos com recursos públicos, em inaugurações

DIPLOMACIA

CELSO JUNIOR/AE

Lula nega interesse em ser secretário da ONU O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou ontem a possibilidade de disputar o cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Em entrevista após um encontro com chefes de Estado da África, em Cabo Verde, ele disse que a entidade deve ser comandada por um “bom burocrata” e ironizou o governo americano, que se opôs à proposta de sua candidatura, levantada por dirigentes europeus. “Um político pode criar um problema muito sério. Imagine se amanhã o presidente dos EUA quiser ser o secretário-geral da ONU? Não dá certo.” SENADO

Servidores terão código único de conduta Ato assinado pelo diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, prevê a elaboração de uma minuta de código de conduta para os funcionários da Casa no prazo de 90 dias. Segundo a diretora de Recursos Humanos, Dóris Marize Peixoto, já há no Senado dispositivos que disciplinam a conduta dos servidores, mas em documentos diferentes. AMAZONAS

Presidente do TJ revela nomeações secretas Cerca de 600 funcionários do TJ-AM – contratados por atos secretos nos últimos dois anos, na gestão dos ex-presidentes Francisco Auzier e Domingos Chalub – devem ser demitidos. Quem informa é o Sindicato dos Servidores do Judiciário, Auzier e Chalub não foram localizados pela reportagem.

Com tudo definido a partir do fim das convenções, no dia 30 de junho, e do registro das candidaturas nos Tribunais Regionais Eleitorais, que se encerra amanhã, começa definitivamente o embate entre os candidatos a presidente,governador, senadores e deputados, em busca do voto dos eleitores em outubro. A partir da terça-feira, fica au-

torizada a propaganda eleitoral em meios impressos, em alto-falantes e amplificadores de som nas sedes dos partidos e em veículos percorrendo as cidades. Os candidatos podem, também, organizar comícios para divulgar suas propostas. Limites. Há, no entanto, uma série de restrições neste período

quevisam aimpedir, basicamente, que candidatos aliados de governadores se beneficiem dessa condiçãoparalevarvantagemsobre os demais. Desde o dia 1.º está proibida a veiculação de propaganda partidária gratuita na TV e no rádio, assim como qualquer tipo de publicidadepaga.Está vetado,também, às emissoras transmitir imagensde realização depesquisaouconsultapopulardenaturezaeleitoral, veicularpropaganda política, dar tratamento privilegiadoacandidatooupartidopolítico e divulgar nome de programaqueserefiraacandidatoescolhido em convenção. Somenteprogramasjornalísticos ou debates políticos escapam dessa regra. Candidatos não podem apresentar programas de TV e rádio. Em caso de transgressão, as multas podem

ser de valores de R$ 21 mil a R$ 104 mil. Com relação aos administradorespúblicos,as proibiçõessão mais amplas. Nos três meses que antecedem as eleições, eles não podemnomear,contratar,admitir, ou demitir sem justa causa, até a posse dos eleitos, ressalvado casos como a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e de concursados aprovados em certame homologado até 3 de julho deste ano. Tambémnãopodehavertrans● Comunicação

De acordo com a lei que regulamenta as eleições, as companhias telefônicas ficarão obrigadas a instalar serviço de telefonia nas sedes ou diretórios dos partidos.

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ferência voluntária de recursos daUniãoparaosEstados emunicípios e dos Estados para as prefeituras. Por fim, ocupantes de cargos em disputa, como presidente da República e vice, governador e vice, ficam proibidos de fazer pronunciamentos públicos em redes de emissoras de TV e rádio, a não ser quando se tratar de matéria urgente, relevantee característica das funções de governo. A desobediência a estas normas acarreta a nulidade dosatospraticados,alémde sanções aos administradores. Os candidatos a esses cargos não podem, ainda, participar de inaugurações de obras públicas. Fica vetado contratar shows artísticos, com recursos públicos, em eventos de inauguração de obras. Os que desobedeceram às determinações sofrerão sanções eleitorais e judiciais.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

ENTREVISTA JF DIORIO/AE

Eurico Marcos Diniz de Santi. Professor de direito tributário da FGV

‘É o Fisco que deve interpretar a lei’ Para professor, é preciso mobilizar a sociedade, como no projeto da Ficha Limpa, para promover mudanças tributárias Lucas de Abreu Maia

Enquanto os três principais candidatos à Presidência se declaram favoráveis à reforma tributária, um grupo de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) tomou a iniciativa. Sob a chancela do professor de direito tributário Eurico Marcos Diniz de Santi, o projeto pretende desenvolver um modelo de reforma fiscal – mas sem envolver políticos ou mudanças na legislação. Os resultados do estudo serão entregues em agosto aos presidenciáveis, em um evento em Brasília. Santi defende a colaboração do Fisco nas esferas federal, estaduais e municipais no recolhimento dos impostos, além de devolver à Receita a atribuição de interpretar a legislação tributária. ● O que motivou a pesquisa? Quais são suas metas?

Decidimos iniciar essa pesquisa justamente por causa das eleições. Sabemos que 2011 – primeiro ano do primeiro mandato de um novo presidente – é o melhor momento para fazer propostas e sugerir mudanças. Nossa ideia é buscar alternativas para o sistema tributário e apresentar as conclusões aos candidatos. Realizamos nesta semana o primeiro workshop sobre reforma tributária – já levantamos dados e comparamos com sistemas de outros países, agora é hora de ouvir críticas e sugestões de quem entende e se interessa pelo assunto: agentes fiscais, confederações de empresas e a sociedade. ● Qual o principal problema do sistema tributário brasileiro?

A complexidade. Hoje, cabe ao contribuinte interpretar a complexa legislação tributária do País e depois prestar contas às três esferas: federal, estadual e municipal. Esses três entes da Federação não agem em conjunto – ao contrário, às vezes competem entre si. Precisamos fazer com que os Fiscos das três esferas colaborem. Hoje, alguém que queira abrir um negócio no Brasil é desestimulado pela complexidade da legislação e pela insegurança que esse sistema fiscal tripartite oferece. ● O sr. acha que o próximo presidente conseguirá levar a cabo essa bandeira?

Dificilmente os candidatos conseguirão construir um consenso político no que diz respeito à reforma. Aliás, quanto mais clara, transparente e objetiva for uma reforma tributária, mais antipática e inviável politicamente ela se torna. Enfim, para sair desse paradoxo democrático, precisamos reconstruir a consistência que falta à nossa sociedade, mobilizando os agentes sociais, mais ou menos como foi feito no caso da Lei da Ficha Limpa: de baixo para cima, sobrepondo critérios e necessidades técnicas a interesses e contingências políticas. ● E como pretende fazer isso?

A ideia é devolver ao Fisco o poder de interpretar a legislação – isso não caberá mais ao contribuinte, aos advogados tributaristas ou às consultorias. Não é obrigação do contribuinte ser expert em legislação tributária, assim como quem usa computador para escrever não precisa ser expert em informática. Deixemos os problemas técnicos para os técnicos. Depois, paulatinamente, unificaríamos a cobrança dos tributos federais, estaduais e municipais, por meio da colaboração federativa dos Fiscos. Se

conseguirmos reunir agentes da Receita e grandes contribuintes com poder político em torno desses objetivos, não precisaremos de reforma na lei. Por isso, estamos abrindo as portas da academia para o debate. Aqui

provemos conhecimento, não defendemos interesses de uns ou outros. Creio que a universidade e a pesquisa empírica propiciam um ambiente de confiança. ● O sr. fala em restituir ao Fisco o

QUEM É ✽ É graduado em direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo. Doutor e mestre em direito tributário pela PUC-SP. Coordena o Núcleo de Estudos Fiscais da FGV e a especialização em direito tributário do GVlaw.

Missão. ‘Estamos abrindo as portas da academia para o debate’ poder de interpretar a legislação. Os grandes contribuintes vão abrir mão dessa prerrogativa?

Acreditamos que sim. Hoje, uma empresa que interpreta a legislação de forma equivocada se sujeita a pagar multa de

150%. Que vantagem há nisso? Se o Fisco fornecer sua própria interpretação e aplicação da lei, toda a insegurança será evitada. ● O sr. não pretende discutir carga tributária?

Atualmente, o debate sobre carga tributária e gastos do governo é justamente o que diferencia PT e PSDB. É uma discussão que envolve ideologia e cria um impasse. Nossa intenção é justamente a de construir consenso.


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Artigo

As urnas e o jogo paulista ✽ ●

CARLOS MELO

N

ão apenas porque São Paulo é o maior colégio eleitoral e mais rico Estado da Federação,mastambémporqueapolarização PT X PSDB se repete, as eleições estadual e nacional aqui se relacionam e se confundem. Se há no Planalto o favoritismo de um governo ampla-

mente aprovado; com sinal partidáriocontrário,doBandeirantesse pode dizero mesmo;se há na esfera federal uma oposição claudicante,deprojetoindefinidoealianças emcrise, aquitambémhá.Igualmente,oscandidatosnãosedistinguempelocarisma e até o quiproquó dos vices é assemelhado. A eleição presidencialpassapelas urnaspaulistas e vice-versa. Diferem-se emoção e personalidade, é verdade. Mercadante não é Serra, e nem Alckmin é Lula, o real protagonista da dis-

putanacional; o calorestadual é menorqueatemperaturanacional. Mas, ainda assim, há ingredientesquefarãodaeleiçãopaulista uma disputa quente. Para tucanos, além da manutenção dopoder – emcontinuidade aos 16 anos de governo –, a meta é ganhar de lavada, fazendo aqui a diferença de votos que tendem a faltar para José Serra na maioria dos estados. Para petistas, o maior desafio é pôr fim à hegemoniatucana,masjábastaria perder de pouco, reduzindo as chances nacionais do adver-

sário. A escolha do candidato tucano, longe de ser natural, foi apenas a mais segura diante desses objetivos. Após os fiascos de 2006 e de 2008, Geraldo Alckmin perdeu poder e consenso. Mas, possui recall e uma boa imagem pela interlândia; é muitocompetitivonosgrandescentros. No mais, abrir uma ferida interna em São Paulo não seria razoávelparaJoséSerra,poissomenteapazpodetrazerresultados expressivos em seu território. Assim, a despeito de não ser

o predileto, Alckmin tornou-se o favorito e se fez candidato. Do ponto de vista de José Serra, a aliança que fechou com seu adversário íntimo não foi apenas inevitável, mas fundamental. O ocaso do malufismo deixou em aberto um setor já ocupado por gente como Adhemar de Barros e Jânio Quadros. Não é a cara dos tucanos, mas hoje é Geraldo Alckmin com sua aura conservadora,religiosaecordata–enãoJosé Serra–quemocupa esse espaço (na capital, dividido com Gilberto Kassab). É

um grande contingente de eleitores, que há tempos o PT anda de olho, mas é o PSDB quem o aglutinaemtornodeseuscandidatos“decentro”.Abarcadoantigo populismo paulista à centro-esquerda, cuja figura mais representativa é o próprio Serra. A grandeza de Mário Covas consistia em ser os dois e nenhum ao mesmo tempo. Enfim,umamplolequedepoder que dirige uma economia pujante e moderna, uma estrutura social menos desigual do que no restante do país e serviços públicos e infraestrutura, emgeral,maiseficientes. Tratase de um condomínio político que tem sabido explorar o conservadorismo natural dos paulistas, sobretudo do interior do Estado, e sua reincidente resistênciaaoPTque,àparteacandidatura de José Genoino, embalada pela eleição de Lula em 2002,temdificuldades de ultrapassar a barreira do primeiro turno. Para Aloizio Mercadante, o desafioégrande:confinadoàesquerda,àscorporaçõesde servidores e às periferias e bairros pobres dos grandes centros, eventualmente,favorecidospelo Bolsa-Família – mas também por políticas sociais do governo do Estado –, o senador precisa diminuir resistências, dissociar suaimagemdemovimentosgrevistas que desnorteiam o cotidianoeaguçam,pelaproximidade e identidade, as críticas ao PT.Semrompercomaliadosantigos, terá que fugir do gueto, abrir fendas no muro tucano, atrair massas populares, já que as classes médias são-lhe naturalmente relutantes: não é por outra razão que tem flertado com lideranças pentecostais e cogitado oficiais PM para a vice. Tem lógica. ✽ É CIENTISTA POLÍTICO, DOUTOR PELA PUC-SP, PROFESSOR DO INSPER – INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA. AUTOR DE “COLLOR: O ATOR E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS”

‘Estado’ está sob censura há 338 dias Desde o dia 29dejaneiro, o Estado aguarda uma definição judicialsobre o processoque oimpedede divulgar informaçõesarespeito da Operação Boi Barrica, pela qual a PF investigou a atuaçãodoempresárioFernandoSarney. A pedido do empresário, que é filho de José Sarney (PMDB-AP), o jornal foi proibido pelo TJ-DF em 31 de julho do ano passado de noticiar fatos relativos à operação da PF. Em18 de dezembro, Fernando Sarneyentrou compedidodedesistência da ação. Mas o jornal não aceitou o arquivamento. No dia29 dejaneiro,o advogadoManuelAlceuAffonsoFerreiraapresentoumanifestaçãoemque sustenta a preferência do jornal pelo prosseguimento da ação, para que o mérito seja julgado. DORA KRAMER A COLUNISTA ESTÁ EM FÉRIAS

De cinemas a espetáculos musicais. De teatros a grandes exposições. Caderno 2: sua agenda cultural.

De segunda a sexta no Estadão.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

PERFIL

Sandra Cureau. Subprocuradora-geral da República

‘Não sou eu quem multa, Lula é que não consegue ficar com a boca calada’ No papel de xerife da eleição presidencial, a subprocuradora-geral da República diz que ‘não dá para fazer milagre’ Marta Salomon / BRASÍLIA

Logo depois das eleições estaduais de 1986, um jornal do Rio Grande do Sul apontou Sandra Cureau como uma das perdedoras do pleito, por não ter conseguido conter os abusos na propaganda dos candidatos. Era a primeira experiência de Cureau como procuradora eleitoral. Quase 25 anos depois, investida no papel de xerife da eleição presidencial, a subprocuradora-geral da República desabafa: “Não dá para fazer milagre”. A dose de realismo que ganhou com o tempo não lhe tirou a disposição para a tarefa de ver

cumprida a lei. Sandra Cureau – ela costuma escrever “Quirrô” para os que têm dificuldade de pronunciar o sobrenome francês – é personagem nas multas já aplicadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por propaganda antecipada. “Não sou eu quem multa, ele é que não consegue ficar com a boca calada”, justifica a subprocuradora. A atuação até aqui tem lhe valido ataques constantes na internet, disparados sobretudo por simpatizantes da candidatura petista. Entre os comentários mais amenos contra ela na blogosfera, o “blog da Dilma”, autointitulado “o maior portal da Dilma Rousseff (candidata petista à Presidência) na internet”, sugere que a subprocuradora é partidária do adversário tucano José Serra, “ave com plumagem colorida, de bico torto e virado para a direita”.

QUEM É ✽ É graduada em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e possui título de mestrado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutoranda pela Universidade de Buenos Aires, acumula 30 anos de carreira no Ministério Público Federal. Atuou como procuradora regional eleitoral no Rio Grande do Sul (1985/1988) e procuradorachefe da Procuradoria Regional da República da 2ª Região (de 1994 a 1998).

‘Jeitinho’. “Fiquei muito chateada quando resolveram colocar a minha família no meio. Não tem nada a ver, estou cumprindo o meu dever, não estou perseguindo ninguém”, reagiu

Cureau. “Eu representei contra todos os candidatos que já lançaram a candidatura, na proporção dos ilícitos cometidos”, completou a subprocuradora. Ela também já pediu punição para José Serra, o PSDB e Marina Silva, do PV. Para a propaganda fora de época, problema mais comum na fase da pré-campanha, a lei eleitoral prevê o pagamento de multa de até R$ 25 mil. Nenhuma das multas aplicadas neste anopelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atingiu o valor máximo. Sandra Cureau avalia que a propaganda extemporânea é um fato grave, mas de consequências praticamente nulas do ponto de vista da Justiça eleitoral. “Aí vale a tradição do jeitinho. Os candidatos a cargos maiores têm bons advogados e recorrem, recorrem, recorrem. Ou então pagam a multa. A mul-

ta é barata: é mais negócio pagar a multa e ver o candidato subir nas pesquisas”, teoriza a ex-estudante de direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atual doutoranda pela Universidade de Buenos Aires. Ex-militante. Política é uma de suas paixões desde a época do grêmio estudantil no Colégio Estadual Júlio de Castilhos. No dia do golpe militar de 64, a adolescente Sandra Cureau estava entre os alunos que movimentaram a emissora Juliana, pelo serviço de alto-falantes da escola.

Enquanto as emissoras de rádio da cidade estavam fora do ar, a Juliana convocava os alunos a refletir sobre o início do regime militar (1964-1985). Hoje, em momentos de maior tensão, a subprocuradora recorre aos romances policiais, outra paixão. No momento, ela lê AFarsa, do norte-americano Christopher Reich. O personagem principal é um médico, que descobre uma segunda identidade da mulher depois da morte dela. Uma avalanche nos Alpes muda o destino do personagem e dá início a uma grande investigação.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

PABLO VALADARES/AE

Sandra Cureau conta com apenas 14 assessores para o trabalho de fiscalizar as eleições presidenciais, já incluída uma estagiária. É um time menor, por exemplo, do que o de advogados do PT e do governo envolvidos no processo eleitoral. são missão quaseimpossível, avalia a subprocuradora, como buscar rastros de dinheiro de origem ilícita no pleito. “Dá para imaginar uma eleição sem caixa 2?”, pergunta a repórter. Cureau: “Tinha de dar, mas desse jeito, é muito difícil, a gente continua batendo num problema que é a quebra do sigilo”. Com vista para o céu imenso de Brasília e as águas do Lago Paranoá, o gabinete de Sandra Cureau acumula pilhas de papel. Há também exemplares do recém-lançado Código Florestal, Desafios e Perspectivas, que ajudou a coordenar, preocupada com a iminente mudança nos limites de desmatamento, em debate no Congresso.

Com o início da propaganda eleitoral, começa a fase mais difícil da campanha, prevê a subprocuradora. “A possibilidade de que haja propaganda em desacordo com a lei é muito maior, as pessoas são extremamente engenhosas”, disse, repetindo um termo – “engenhosa” – com que já classificou a estratégia de Lula para promover sua candidata, a ex-ministra Dilma Rousseff, ao Planalto. Encerrada a fase da pré-campanha, os fins de semana deverão ser de trabalho. As caminhadas, frequentes até a subprocuradora assumir a chefia da área eleitoral do Ministério Público, não devem ser retomadas tão cedo. Os pareceres e representações de Sandra Cureau vão se multiplicar? “Sefor uma coisa pequena, que não seja relevante, deixo passar, não vou entupir o tribunal com bobagens”, resume. “Vai ser uma eleição muito, muito, muito complicada”, diz a xerife do pleito: “O termo não é muito simpático, mas, na verdade, é isso mesmo: xerife”.

são Dilma Rousseff. As multas somam R$ 42,5 mil. Quem é multado pela Justiça Eleitoral pode recorrer inúmeras vezes, adiando o pagamento por anos.Além de recorrerao próprio TSE,o políticopunidopoderecla-

mar até no Supremo Tribunal Federal.Depoisdeumadecisãodefinitivaequandonãohá maispossibilidade de recurso, o político tem, em tese, de pagar a multa. Se não paga, a quantia é incluída na dívida ativa da União.

Caixa 2. Algumas investigações

Dever cumprido. ‘Representei contra todos os candidatos que já lançaram a candidatura, na proporção dos ilícitos cometidos’

TSE multou presidente 6 vezes por propaganda antecipada O presidente Lula já foi multado seisvezeseste anoporpropagan-

da eleitoral antecipada em favor de sua candidata à suces-

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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Usina de gás de urânio entra em testes Experimentos no Centro Aramar, da Marinha, devem durar 150 dias; produção regular começa no primeiro trimestre de 2011 PODER ESTRATÉGICO MINERAÇÃO

REFINAMENTO

CONVERSÃO

ENRIQUECIMENTO

Processo de enriquecimento de urânio Centrífuga de gás: usada para aumentar a proporção de isótopos de U235 no gás UF6 (hexafluoreto de urânio) e separar o U238 Resíduos Alimentação do gás hexafluoreto de urânio (UF6)

As pedras são banhadas em ácido para separar o urânio, transformando-o em um pó chamado yellowcake

O minério de urânio bruto é extraído de depósitos naturais na terra

O yellowcake é combinado com vários produtos químicos para formar o hexafluoreto de urânio

Várias centrífugas formam uma cascata que gira o gás e separa o urânio 235 do urânio 238 No Centro Experimental de Aramar (CEA) funciona a fábrica de ultracentrífugas e está instalada uma cascata de enriquecimento de urânio a 4%. O CEA guarda um reator nuclear compacto de ensaios reais O reator compacto será usado no submarino nuclear brasileiro, um navio de 9,8 metros de altura no casco, 100 metros de comprimento, 8 tubos lançadores de torpedos

As primeiras ultracentrífugas, reveladas em 1990 (foto). As máquinas foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e atualmente são 50 vezes mais eficientes. Os novos modelos rendem 30% mais

URÂNIO ENRIQUECIDO (U235) Pá superior

Base da suspensão magnética

Disco gira em alta velocidade (supersônica na borda externa)

Força Centrífuga as moléculas do U238 no gás UF6, mais pesadas, se movem mais próximo da parede - as moléculas U235 mais leves sobem e são extraídas. As moléculas U238 são armazenadas

Revestimento

Área de repulsão magnética, evitando atrito entre as partes móveis

Pá inferior

Motor elétrico INFOGRÁFICO/AE

FONTES: CTMSP/CEA

Roberto Godoy

Há movimento no abrigo do programa nuclear brasileiro. A etapa estratégica da construção da Usina de Gás de Urânio, a Usexa, no Centro Aramar, foi concluída e já entrou em testes. Houve pequena antecipação no prazo previsto. Assim, a montagem da unidade de produção e manuseio do gás ficará pronta em outubro.

Os ensaios ainda ‘a frio’ – ou seja, sem elemento radioativo – devem durar cerca de 150 dias. A produção regular, fixada em 40 toneladas por ano, começa no primeiro trimestre de 2011. Há mais, na área de quase 852 hectares, a 130 km de São Paulo, no município de Iperó. Ali funciona regularmente há poucos meses uma cascata das mais novas ultracentrífugas, as avançadas máquinas que enriquecem o

urânio, dando a ele capacidade energética. O conjunto está em desenvolvimento. Cada unidade, feita de finosmetaiseseguindosofisticados conceitos de repulsão magnética – que mantém partes móveis sem atrito – é 30% mais eficiente que a geração anterior, a 1/M2, incorporada pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB) faz seis meses. As 1/M2 por sua vez, têm rendimento 15% supe-

rior ao lote anterior. Ao longo desse ano a INB vai comissionar um grupo das ultracentrífugas ainda mais modernas. “Quase simultaneamente será montado o quarto conjunto, também destinado à área de produçãodaFábricadeCombustível de Resende, no Rio”, diz o comandanteAndréFerreiraMarques, do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, onde coordenaaárea depropulsãonu-

clear. A meta da INB é dispor de 10 cascatas de enriquecimento até 2014. Inspeção. As máquinas são usa-

das para aumentar a proporção de isótopos U235 (“ricos” em energia), separando, em meio ao gás, o U-238 (mais “pobre”). O Brasil enriquece o urânio a 4% para a pesquisa de combustíveis e a 20% em pequenas quantidades para uso científico. O índice

adequado à fabricação de armas é superior a 93%. Os resultados obtidospelaMarinhasãosubmetidosàinspeçãodaAgênciaInternacional de Energia Atômica, a AIEA.Aorganização mantémcâmeras lacradas nas instalações de Iperó e realiza o monitoramentodiaenoite.Periodicamente são feitas verificações técnicasnolocal,guardadoporfuzileiros navais que atuam debaixo de rígidas regras de segurança.

Sabe quem está liderando a corrida presidencial? RedeTV! A primeira emissora a entrevistar os candidatos à presidência.

A RedeTV! foi a primeira emissora a entrevistar os candidatos a presidente nas Eleições 2010, no programa É Notícia, com Kennedy Alencar. E não perca: dia 12 de setembro, debate com os principais candidatos. Só uma emissora antenada e comprometida pode estar em rede com o eleitor e, principalmente, em rede com o futuro do país. Fique por dentro da política. É Notícia, à 0h30, de domingo para segunda.

www.redetv.com.br


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Internacional

A17

estadão.com.br Blog. Poloneses leiloam votos em eleição presidencial blogs.estadao.com.br/radar-global

México em colapso. Em campanha marcada pela violência entre narcotraficantes, espionagem de autoridades, corrupção e assassinato de políticos, país decide hoje governo de 12 de seus 31 estados, além de centenas de prefeituras e autoridades locais

Violência assombra eleição mexicana Jo Tuckman THE GUARDIAN / CIDADE DO MÉXICO

Uma semana ininterrupta de intenso derramamento de sangue que antecedeu as cruciais eleições regionais mexicanas de hoje. Serão eleitos governadores de 12 dos 31 Estados, além de centenas de prefeitos e autoridades locais. Sem conseguir aplacar a violência do narcotráfico, o Partido Ação Nacional (PAN), do presidente Felipe Calderón, deve perder espaço para o rival Partido Revolucionário Institucional (PRI). Mas, mais do que o resultado das urnas, os mexicanos esperam que a gigantesca operação desegurançamontadapeloExército e a polícia dê resultado e a eleição não se converta em um novo cenário de chacinas, assassinatos políticos e tiroteios entre cartéis rivais. As campanhas foram marcadas pelo terror das quadrilhas de narcotraficantes, pela suposta violência paramilitar e pela es-

JESUS ALCAZAR/AFP

pionagem, bem como a ameaçadora sensação de uma democracia à beira do precipício. Desde 2007, cerca de 27 mil pessoas morreram em episódios de violência relacionados às drogas. “Em alguns casos, o palco para o domingo tem um aspecto bastanteassustador”,disse Emilio Álvarez Icaza, ex-ombudsmande direitoshumanosdoMéxico, à Rádio MVS. “Não acho que já tenhamos chegado ao fundo do poço.” As tensões foram altas durante toda a semana após o assassinato, na segunda feira, do candidatofavoritoaogovernodoEstado de Tamaulipas.

PARA ENTENDER

Insegurança. Jornal de Chihuahua noticia nova matança em meio a campanha eleitoral Assassinato político. A morte

de Rodolfo Torre Cantu foi o assassinato político de maior impactodesdeocasodeLuisDonaldo Colosio, candidato à presidência pelo PRI assassinado em 1994,e também um sinal claro de que a violência relacionada às drogas se tornou um fator de grandeimportância na política

mexicana. Torre Cantu foi assassinado quando se encaminhava para um comício numa emboscada por pistoleiros supostamente vestidos como fuzileiros navais, que pertenceriam a um dos cartéis que operam na área. Sua candidatura foi assumida pelo seu irmão, Egidio Torre

Cantu. A capada revista semanal Proceso trazia um mapa do México destacando os Estados que realizariam eleições ao lado da manchete: “Narcoelecciones”. O Estado afetado de forma mais direta pelo tráfico de drogas e pelos cartéis é Chihuahua, onde fica Ciudad Juárez, considerada por muitos a cidade mais

violenta do mundo. Uma das principais promotoras do país foimortanacidadenaquarta-feira quando pistoleiros atacaram o carro onde ela viajava. No dia seguinte, um cadáver decapitado e uma cabeça foram deixadas doladode forado escritóriopolítico do candidato favorito nas eleições para prefeito.

Felipe Calderón foi eleito presidente do México, em 2006, com a promessa de combater o tráfico de drogas, a corrupção e o clientelismo no país. Quatro anos depois, pouca coisa foi realizada. No primeiro mês de mandato, o ele intensificou a luta contra os cartéis, mas a violência cresceu. Para piorar, a crise econômica global atingiu a economia, que encolheu – no ano passado, o PIB mexicano retrocedeu mais de 6%. A morte de candidatos e autoridades políticas mexicanas, a poucos dias da votação, piorou a imagem internacional do México e deve levar a oposição a uma vitória hoje. Para analistas, os crimes seriam retaliação dos cartéis à estratégia de Calderón de apertar o cerco contra os narcotraficantes.

PONTOS-CHAVE ●

Candidato a governador

Assassinatos

ALEJANDRO BRINGAS/REUTERS – 31/6/2010

22.700

Rodolfo Torre, opositor favorito para vencer a eleição no Estado de Tamaulipas, foi assassinado em uma emboscada de narcotraficantes na última segunda-feira

● Vice-procuradora morta

Sandra Salas, vice-procuradora de Assuntos Internos do Estado, foi assassinada por um grupo armado em Ciudad Juárez, na quinta-feira, a três dias da votação

número de mortes atribuídas ao crime organizado desde dezembro de 2006, inicio da ofensiva contra os cartéis LUIS LOPEZ/REUTERS – 30/6/2010

AFP

Não espere que te contem, VIVA VOCÊ MESMO.

Repressão. Membros de quadrilha acusados de assassinatos

Guerra do tráfico permeia campanha Em alguns Estados, candidatos são acusados de vínculos com líderes e quadrilhas de traficantes CIDADE DO MÉXICO

Além da ameaça de violência, a guerra pelas drogas está enredada principalmente na campanha eleitoral do Estado de Sinaloa, na Costa do Pacífico. Um dos principais candidatos foi acusado repetidas vezes de ser amigo de Ismael “El Mayo” Zambada García, um dos principais barões da droga do país. Apesar de Jesús Vizcarra Calderón insistir que nunca fez nada de ilegal, ele também se recusou, por todas as repetidas vezes, a negar o vínculo. Ao sul, no Estado de Quintana Roo,quedependemuitodoturismo, a eleição perdeu um de seus candidatos mais destacados, que foi detido em junho acusado de envolvimento com as drogas. Promotores federais dizem que Gregorio Sánchez recebeu milhõesdedólaresporprotegertraficantes enquanto era prefeito da cidade balneário de Cancún. Comaapreensãoemalta, ogovernomexicanoprometeumedi-

das adicionais de segurança durante a votação, e o ministro do interior, Fernando Gómez Mont, disse que se trata de “um momento difícil para o país”. Um número cada vez maior de observadores responsabiliza umagrandeofensivafederalcontraoscartéis,lançadaem dezembro de 2006 por Felipe Calderón pela intensificação da violência nos últimos anos. Ainiciativafracassounatentativa de combater a lavagem de dinheiro e a infiltração política das gangues. “Aondadaimpunidadenãopara de se expandir, e chega cada vez mais longe”, disse Álvarez Icaza. “Isto me leva a concluir que as coisas vão piorar.” Num caso distinto, a polícia mexicana disse ontem que uma funcionáriadaembaixada americana assassinada em março em Ciudad Juárez foi atacada porque concedia vistos a uma gangue de traficantes rivais. Jesús Ernesto Chávez disse à polícia que ordenou o ataque do dia 13 de março no qual Lesley Enriquez e seu marido foram mortos enquanto saíam de uma festa de aniversário. Apolícia dizque Cháveztrabalha para a Barrio Azteca, gangue quetrabalhapara ocartel de Ciudad Juárez. / J.T. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

NATÀLIA RODRÍGUEZ

Cheiro de morte não abandonou Srebrenica Massacre completa 15 anos e bósnios ainda tentam identificar corpos por meio de DNA

● O ESTADO

NA BÓSNIA

Natàlia Rodríguez ESPECIAL PARA O ESTADO TUZLA, BÓSNIA

No dia 11 de julho de 1995, o Exército sérvio, comandado pelo general Ratko Mladic, massacrou mais de 8 mil bósnios, adolescentes, idosos, mulheres e crianças, na cidade de Srebrenica, antiga Iugoslávia. Passados 15 anos do genocídio, os bósnios ainda tentam identificar as vítimas por meio do DNA. Lukovac, perto de Tuzla, Bósnia-Herzegovina, meio-dia, 40˚C. “Se o cheiro incomodar, me avisem”, previne Helen antes de abrirmos a porta do maior necrotério do mundo. “Muitos não conseguem suportar o odor. Não se preocupem, estarei aqui se precisarem de mim.” De acordo com os antropólogos, o cheiro corresponde ao nosso sentido mais arcaico. O

primeiro cérebro humano era capaz de distinguir odores. Na Bósnia, o cheiro da morte é uma mistura de terra úmida, carne podre e pó velho. Um cheiro sólido que se instala em algum canto da faringe. Um cheiro que fica na memória para sempre. O salão refrigerado está repleto de prateleiras onde foram depositadas as sacolas contendo os restos mortais de milhares de pessoas, que ficam sob os cuidados infinitamente atenciosos do grupo de peritos da Comissão Internacional de Pessoas Desaparecidas (ICMP). O problema é que os servobósnios fizeram um excelente trabalho. Em primeiro lugar, assassinaram. Em segundo lugar, enterraram e. Em terceiro, removeram as valas para impedir que os cadáveres fossem identificados. Na verdade, assassinaram duas vezes. Primeiro, acabaram com a vida para, mais tarde, negar aos mortos sua dignidade. “Recolhemos os restos que chegam a nós vindos das valas exumadas e registramos sua procedência”, diz Helen, indicando as etiquetas que pendem de ca-

CONFLITO ÉTNICO NA BÓSNIA

Refrigeração. Prateleiras do maior necrotério do mundo, em Lukovac, abrigam restos de milhares de vítimas do massacre

ONDE FICA

PARA LEMBRAR

CROÁCIA

Local do Massacre

BÓSNIA

SÉRVIA

Srebrenica Sarajevo 0 km

MAR ADRIÁTICO

200

N INFOGRÁFICO/AE

da sacola. “No começo, quando chegaram os cadáveres das primeiras valas, era possível valer-se da roupa e de objetos pessoais para identificar os restos. Fotografamos todos, e também cada um dos objetos que encontramos, enviando-os aos parentes. No entanto, os homens de Srebrenica já se encontravam, havia muito tempo, na condição de refugiados. Um grande número deles vestia roupas que não eram suas. Da mesma maneira, não lhes restavam muitos objetos pessoais, já que a maioria deles teve de vender tu-

TUZLA, BÓSNIA

Casualmente, a perita Helen comenta que, na manhã seguinte, exumará uma nova vala comum emKamenica,apoucosquilômetros de Tuzla. São seis horas de viagem. O campo ainda está coberto pelas gotas de orvalho que filtram a tênue luz do dia. Rece-

do no mercado negro para sobreviver”, diz Helen. “ Somente os testes de DNA podem nos ajudar agora.” Helen é canadense. Há nove anos é perita-chefe da ICMP e não sabe quando voltará para casa. “Creio que o dia chegará quando não houver mais ninguém por identificar”, disse ela, enquanto acariciava distraidamente uma sacola. “Ainda há muito o que fazer. Gosto de terminar o meu trabalho.” A estrada entre Sarajevo e Srebrenica é conhecida também como a “Estrada da Morte”. Sinuosa, corta uma paisagem impres-

6/1992

7/1995

Bósnia se separa da Iugoslávia

Sérvios sitiam Sarajevo

Srebrenica é atacada

8/1995 Otan ataca soldados sérvios

12/1995 Após acordo, Otan envia missão de paz à Bósnia

bemos trajes especiais de plástico branco e pedem que não fotografemos. A primeira amostra do terreno já nos dá uma ideia da tarefa que os espera. Tíbias e perônios,costelas, crâniosesmagados, roupas em frangalhos. Impossível encontrar um cadáver inteiro. Kamenica é uma vala para onde foram levados os restos de outras valas. Adnan Rizvic, perito-chefe da ICMP, é o encarregado de preparar os testes de DNA em Tuzla. Supõe-se que na vala de Kamenicatenhamsidoenterradososrestosdeaproximadamente250 homens e meninos. Mas o que en-

contramos é um amontoado de ossos e restos putrefatos. O restante é terreno da tecnologia. Agora se inicia o verdadeiro trabalho da ICMP, o centro de reconhecimento por DNA mais moderno do mundo. Em seus arquivos, mais de 80 mil amostras deDNAdosparentesdosdesaparecidos esperam o cruzamento com o DNA dos restos encontrados. Primeiro os restos são limpos até que sobrem somente os ossos. Em Tuzla são preparados os pedaços de osso que logo serãoenviadosaolaboratóriomantido pela ICMP em Sarajevo, onde são realizados os testes de

DNA nas medulas. Uma vez encontrado o DNA, o resultado é comparadoaosdadosarmazenados dos parentes e os cientistas em Tuzla cruzam os dedos à espera de que o DNA coincida com alguma amostra e eles sejam capazes de encontrar um primeiro indício incontestável. “Não é fácil”, diz o dr. Rizvic. “Encontrar um primeiro cruzamento positivo não significa que tenhamos encontrado um cadáver. Às vezes não passa de um pedaço de tíbia. Outras vezes, simplesmente não sabemos de quem se trata. Uma mãe que tenha perdido vários filhos – há muitas – não saberá qual deles estará enterrando. É possível que uma família tenha de esperar anos até poder enterrar seus entes queridos, pois precisamos remontar um quebra-cabeças macabro de ossos espalhados por todo o território.” / N.R.

gilles.lapouge@wanadoo.fr

Mladic continua livre

H

á quinze anos, Srebrenica, uma cidade da BósniaHerzegovina, antiga Iugoslávia, foi palco do maior massacre cometido na Europa depois de Hitler. Em Srebrenica, 75% dos 35 mil habitantes são muçulmanos. Os criminosos eram soldados sérvios do general Ratko Mladic, sob as ordens líder servo-bósnio Radovan Karadzic. Quantoshomens, mulheres,crianças, idosos, morreram sob as balas de Mladic? Oito mil, talvez, mas qual o número exato? Um massacre. Ainda

mos de subir até o balneário. “Tomem cuidado com as cobras”, diz ele, depois de termos percorrido parte do caminho que atravessa os bosques ao redor de Srebrenica. “A região está infestada de serpentes, mas tenham calma: onde há serpentes não há minas terrestres.” O senso de humor bósnio é lendário. Sob o olhar atento dos répteis, chegamos, enfim, à cidade que um dia foi um dos locais de repouso mais procurados da antiga Iugoslávia. Srebrenica era conhecida pela qualidade de suas águas. Um plácido balneário. Zjilet é um dos poucos dentre os homens da cidade que sobreviveram ao massacre nos camposde SrebrenicaePotocari.Como ele, milhares de jovens, meninos e velhos fugiram para as montanhas em busca do último

1992

GILLES LAPOUGE ✽ ●

Trauma. Zjilet decidiu que tere-

refúgio seguro: a cidade de Tuzla. Enquanto isso, os homens comandados por Mladic cumpriamàriscaaordemdeextermínio. Novamente, a Europa testemunhava um genocídio. Aquela noite ficará para sempre gravada na memória de Zjilet. “Os cães”, diz ele, enquanto observamos vestígios dos morteiros sérvios nas paredes do antigo balneário. “Só ouvíamos os latidos dos cães e os disparos em meio à escuridão da noite. Um dos homens que fugia comigo morreu de esgotamento.” Zjilet conseguiu chegar a Tuzla após quatro dias de fuga. Sem água, sem comida e exausto. Mas vivo. Hoje, estão armazenados em Tuzla os cadáveres de todos aqueles que não conseguiram fazer o mesmo. Na antiga estação de trem de Lukovac, a poucos quilômetros da cidade, encontramos parte das instalações mantidas pela ICMP na região. Estamos em barracos que armazenam mais de 5 mil sacolas que contêm os restos humanos exumados das valas comuns espalhadas por todo o território da atual República Sérviada Bósnia.

Nas valas, peritos têm dificuldade de encontrar cadáveres inteiros Tíbias, perônios, costelas e crânios esmagados dão a dimensão do complicado trabalho dos cientistas

Lideradas pelo general Ratko Mladic, forças servo-bósnias invadiram Srebrenica, enclave sob proteção da ONU, e mataram 8 mil bósnios muçulmanos, enterrando-os em valas comuns. O massacre é a pior atrocidade cometida na Europa desde a 2.ª Guerra. Mladic, 15 anos depois, continua foragido.

sionante, cheia de fissuras que parecem ter sido abertas na rocha pelos golpes de machado de um demiurgo brincalhão. Toda a região do leste da Bósnia é de uma natureza exuberante. Ainda que poucos se dediquem a apreciar esta paisagem.

continua a tarefa piedosa de calcular o número de cadáveres, nomeá-los. Falase de 8.373 vítimas. E a identificação prossegue, quando uma outra vítima é encontrada nessa pilha de cadáveres. Os assassinatos foram cometidos pelo Exército sérvio com ajuda de milícias – principalmente a dos Tigres e dos Escorpiões. As autoridades sérvias, diante do asco que esse morticínio provocou, alegaramqueosmilicianosagiamdemaneira independente. Mentira. Estavam todos sob o comando sérvio. Um documento repugnante, que foi fornecido ao Tribunal Internacional de

Haia, que julga os crimes cometidos na ex-Iugoslávia, mostra os Escorpiões. Um filme curto, gravado por um deles. A primeira imagem mostra um “papa” ortodoxo sérvio abençoando a milícia. Como não lembrar os padres cristãosdaIdade Média queabençoavam os cavaleiros francos, prometendo a eles o paraíso na proporção do número de hereges que assassinassem? Em seguida, um caminhão do Exército. Seis jovens bósnios (um deles com 16 anos, talvez) são jogados no chão. Magros. Em farrapos. Um miliciano, de vez em quando, lhes dá pontapés.

Centro de identificação é o mais avançado do mundo TUZLA, BÓSNIA

A experiência acumulada pela Comissão Internacional de Pessoas Desaparecidas (ICMP) na cidade de Tuzla faz dela o centro de identificação mais avançado do mundo. Países como o Chile enviaram ao centro seu banco de dados de DNAparaaidentificaçãodasvítimas da ditadura, e governos como os da Tailândia e da Indonésia recorrem ao laboratório para a identificação das vítimas do tsunami. Aos poucos, esta cidade converte-se num segredo conhecido por todos.

Ocaminhãoparanumaaldeianamontanha, Trnovo. Os mártires descem do veículo, são obrigados a se deitar, com a cabeçaencostadanochão. Emtorno deles, os Escorpiões fumam, riem. Um deles atira para o ar com seu fuzil. Os seis rapazes são mortos com um intervalo de20segundos,demodoqueossobreviventes pudessem apreciar o espetáculo. Pelo menos 8.373 seres humanos foram abatidos em quatro dias, de 13 a 16 de julho. Estupefação! Como entender que um ato infame como esse tenha tidolugarno coraçãoda Europa,nocontinente mais civilizado do mundo? Mas o que a civilização tem a ver com isso? Em 1942, foi a nação mais brilhante, mais refinada da história, a Alemanha, que aniquilou6milhõesde judeus!Omassa-

Em 2008, Karadzic foi preso e levado ao Tribunal de Haia, onde está sendo julgado cre tem duas outras características. A primeira é que ele ocorrem nos anos de uma guerra civil abjeta entre as diferentes partes que se separaram no fim da Iugoslávia comunista, após a queda do

Os governos de vários países do mundo financiam os esforços da ICMP. Sérvios, holandeses, americanos, espanhóis. Todos compreendem a necessidade das mães de Srebrenica e, por extensão, a de qualquer parente que tenha visto seus entes queridos desaparecendo em meio ao ódio de seus vizinhos, de uma ditadura ou em meio a uma onda gigantesca. Como dizia a própria Antígona, todos os mortos têm o direito de ser enterrados. Um dos direitos humanos, tão humano quando o direito à vida, é o direito a uma sepultura. / N.R.

império soviético: Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Macedônia, e mais tarde o Kosovo. Todo o espaço da antiga Iugoslávia transformou-se numa poça de sangue. Essas guerras perversas foram uma decorrência da História e também da religião: católicos na Croácia, ortodoxos na Sérvia, muçulmanos naBósniaenoKosovo.Históriaereligião: dois combustíveis para levar o horror ao seu auge! Há um fato ainda mais espantoso: as guerras na ex-IugosláviaenlutavamaEuropahaviaalguns anos. A ONU tinha capacetes azuis mobilizados no país. O chefe desses capacetes azuis era um general francês. Quando as tropas sérvias cercaram Srebrenica, o general gritou: “A ONU não os deixará cair.” Mais tarde, um outro general francês,BernardJanvier,nãoopôsnenhuma resistência aos sérvios. Vergonha! Karadzic foi preso em 22de julhode2008 elevado aoTribunal de Haia, onde o seu julgamento prossegue. Mladic se esconde, sem dúvida na Sérvia, talvez em Belgrado. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Explosão de caminhão-tanque mata 230 e fere 100 no Congo go (ex-Zaire), após a explosão de um caminhão-tanque de combustível na sexta-feira, informaramasautoridadesontem.Oveículo, que vinha em alta velocida-

KINSHASA

Mais de 230 pessoas morreram e ao menos 100 ficaram feridas na República Democrática do Con-

de, capotou. A estrutura do tanque rompeu, e o combustível começou a vazar. A explosão ocorreu enquanto algumas pessoas tentavam rou-

bar o combustível do caminhão. Mas a maioria das vítimas era de pessoas que estavam em um cinema e em casas próximas ao local onde ocorreu a explosão, em Sange (a 70 km de Bukavu, capital da Província de Kivu do Sul). Estima-seque20casas,amaioria construída com terra e palha, tenham sido atingidas. Segundo informações do porta-voz da Província de Kivu do Sul, o cami-

nhão que explodiu estava vindo da Tanzânia. Ainda não há informações sobre as possíveis causas do acidente, que matou ao menos 60 mulheres e 40 crianças. Algunsdos feridos foram socorridos no hospital de Uvira (a 35 km de Sange). Outros foram levado à capital, Bukavu. “Foi uma cena horrível. Há muitos corpos espalhados pelas ruas.A população está chocada”,

disse Jean Claude Kibala, vicegovernador de Kivu do Sul. A maioria das vítimas ficou carbonizada tornando quase impossível sua identificação, informou um porta-voz da Cruz Vermelha congolesa. Segundo as autoridades locais, amaioria dos mortos estava em casa ou no cinema assistindo à partida entre Brasil e Holanda, pela Copa do Mundo. / AP E EFE

CAROLYN KASTER/AP

EUA

Gates endurece regras para entrevistas O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates (foto), anunciou ontem regras mais rigorosas para a concessão de entrevistas de militares. As medidas foram anunciadas nove dias após o general Stanley McChrystal ser destituído do comando das forças americanas e da Otan no Afeganistão por criticar o presidente Barack Obama e assessores à revista Rolling Stone. Ontem, o general David Petraeus, novo comandante no Afeganistão, pediu a união de civis e militares para derrotar o Taleban e estabilizar o país.

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João Pessoa 8 dias, 7 noites Cataratas do Iguaçu 5 dias, 4 noites

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Caldas Novas 5 dias, 4 noites Hot Star. ................................................................................................À vista R$ 598, ou 10x R$ Preço p/ saída 1o/agosto.

VLADIMIR PIROGOV/REUTERS

Aracaju Praia. ...........................................................................À vista R$ 1.068, ou 10x R$ Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Ancoradouro. ....................................................................................À vista R$ 858, ou 10x R$

12 dias com 12 refeições. Cidades visitadas: Curitiba, Paranaguá, Joinville, Blumenau, Camboriú, Florianópolis, Imbituba, Laguna, Torres, Porto Alegre, Gramado, Canela, Garibaldi, Bento Gonçalves, Nova Petrópolis, Caxias do Sul, Fraiburgo e Treze Tílias. 10x sem juros e sem entrada...........................................................R$ ,80 À vista R$ 2.398, Preço para saídas 7 e 11/julho.

239

Circuito Internacional 4 Bandeiras Um roteiro magnífico e único na América do Sul. 16 dias com 14 refeições. Argentina, Uruguai, Paraguai e o sul do Brasil conhecendo quase 20 cidades e seus principais pontos turísticos: Joinville, Florianópolis, Laguna, Torres, Porto Alegre, Chuí, Punta del Este, Montevidéu, Buenos Aires, Rosário, Corrientes, Assunção, Foz do Iguaçu e Curitiba.

10x sem juros e sem entrada........................................................... R$ À vista R$ 3.298, Preço para saída 3, 10 e 17/julho.

329,80

Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Salinas do Maragogi Resort 8 dias, 7 noites Em Maragogi - Alagoas ......................................................À vista R$ 2.368, ou 10x R$ Com sitema all Inclusive. Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Iberostar Bahia 8 dias, 7 noites Com sistema all incluisive. Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

7 dias, com 7 refeições. Passeios em Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Lages e Curitiba. 10x sem juros e sem entrada...........................................................R$ ,80 À vista R$ 1.448, Preço para saídas 24 e 28/julho no Hotel Alpenhaus em Gramado.

Riu Enotel Porto de Galinhas 8 dias, 7 noites

299,80

Em Porto de Galinhas - Pernambuco...........................À vista R$ 2.768, ou 10x R$ Com sistema all incluisive. Preço p/saídas 31/julho e 1o/agosto.

Praia do Riacho Doce - Maceió ....................................... À vista R$ 1.438 , ou 10x R$

10x sem juros e sem entrada...........................................................R$ À vista R$ 1.298, Preço para saídas 8, 12, 16, 20, 24 e 28/julho.

129,80

85,80

236,80

Village Pratagy Resort 8 dias, 7 noites 5 dias. Com pensão completa. Localizado no coração do interior paulista é considerado hoje um dos melhores hotéis de lazer do estado com parque aquático de 2.800 m2.

59,80

Incluídos nos roteiros: passagem aérea ida e volta, hospedagem com café da manhã, transporte aeroporto/hotel/ aeroporto, assistência de guias CVC.

Na Praia do Forte - Bahia.................................................... À vista R$ 2.998, ou 10x R$

Blue Tree Park Lins Águas Termais

65,80

Resorts e os melhores hotéis de praia

Gramado e a maravilhosa Serra Gaúcha

144

99,80

106,80

Arraial d’ajuda 8 dias, 7 noites Sul, Litoral e Serras

99,80

127,80

Preço p/ saída 1o/agosto.

Aracaju 8 dias, 7 noites

99,80

129,80

Netuanah Praia. .......................................................................À vista R$ 1.298, ou 10x R$

Pousada Água Azul. ...............................................................À vista R$ 1.278, ou 10x R$

Viagens Rodoviárias

99,80

139,80

Hotel Quality Grand São Luís. .........................................À vista R$ 1.398, ou 10x R$

Bonito 8 dias, 7 noites

Em ônibus especial de turismo, passeios completos, hospedagem em hotéis selecionados, refeições em restaurantes selecionado, café da manhã diário e acompanhamento permanente de guias CVC.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que as últimas sanções adotadas contra o Irã por causa de seu programa nuclear “são patéticas” e advertiu as potências mundiais de que lamentarão suas ameaças. Ele afirmou que as medidas não afetarão a economia iraniana nem impedirão o Irã de assumir um maior papel nas questões mundiais. “Sabem que há um leão adormecido no Irã que está despertando e se ele despertar as relações no mundo mudarão”, afirmou.

Marinas Maceió. ..............................................................................À vista R$ 998, ou 10x R$

Preço p/ saídas 31/ julho.

QUIRGUISTÃO

Para Ahmadinejad, sanções são ‘patéticas’

Maceió 8 dias, 7 noites

Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Os EUA e a Polônia assinaram ontem um acordo para levar adiante a instalação de um escudo antimísseis, apesar das objeções da Rússia. A secretária de Estado Hillary Clinton presenciou a assinatura do acordo. O presidente Barack Obama decidiu eliminar o plano do governo antecessor de instalar mísseis de longo alcance e optou por um sistema menor de mísseis interceptadores de terra e mar.

QUESTÃO NUCLEAR

129,80

Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Preço p/ saída 31/julho.

EUA e Polônia firmam pacto sobre escudo

Roza Otunbayeva (foto) assumiu ontem como presidente interina do Quirguistão, após liderar o país durante três meses de revoltas, violência étnica e um referendo para criar a primeira democracia parlamentar da Ásia Central. A ex-chanceler, de 59 anos, assumiu o poder por meio de um levante que depôs o governo do pequeno, mas estratégico, país. Ela permanecerá no cargo até o final de 2011.

116,80

Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Pousada das Galinhas. ........................................................À vista R$ 1.298, ou 10x R$

DEFESA

Presidente interina assume poder

Fortaleza 8 dias, 7 noites Porto de Galinhas 8 dias, 7 noites

Saídas 10, 11, 17, 18, 24, 25 e 31/julho e 1º, 7, 8, 14, 21 e 28/agosto e 4/setembro. 10x sem juros e sem entrada...........................................................R$ ,60 À vista R$ 2.466, Base US$ 1.298, preço para saída 14, 21 e 28/agosto no hotel Villa Sofia. Passagem aérea, 7 noites de hotel categoria turística com café da manhã, 6 dias de roupa especial para neve, passeios ao Circuito Chico (com ingresso ao teleférico do Cerro Campanário), ponto panorâmico e Cerro Catedral (sem ingresso aos meios de elevação), seguro-viagem. A maior e mais completa infraestrutura espera por você em Bariloche, Equipe de guias especializados, frota própria de veículos para transportes e passeios.

73,80

116,80

Hotel Residence. .......................................................................À vista R$ 1.168, ou 10x R$

Bariloche 8 dias, 7 noites

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chegou ontem a Bagdá para passar o feriado de 4 de Julho com os soldados americanos, enquanto os líderes iraquianos tentam formar um novo governo. Nenhum dos partidos obteve maioria nas eleições parlamentares de 7 de março, obrigando os grupos rivais a iniciar negociações.

Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Incluídos nos preços: passagem aérea de ida e volta em voo exclusivo CVC, hospedagem em hotel de categoria turística, café da manhã, passeio aos principais pontos turísticos da cidade, transporte de chegada e saída, seguro de viagem internacional. À vista R$ 1.231, Base US$ 648, Preço p/ saídas 15, 22 e 29/julho.

Biden visita Bagdá em meio a impasse político

Hotel Casablanca. ...........................................................................À vista R$ 738, ou 10x R$

Natal 8 dias, 7 noites

Buenos Aires 4 dias/3 noites - Saídas às quintas-feiras.

IRAQUE

Porto Seguro 8 dias, 7 noites

Com sistema tudo incluído. Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

Costa Brasilis Resort 8 dias, 7 noites Praia de Santo André - Pertinho de Porto Seguro...À vista R$ 1.398, ou 10x R$ Passeio em Porto Seguro. Preço p/ saídas 31/julho e 1o/agosto.

276,80 143,80 139,80

Plantão hoje: das 9 às 14 horas, ligue 2146-7011, 3074-3500 e 5532-0888. Após as 12 horas, atendimento nos melhores shoppings. São Paulo Capital: Paraíso ...........................2146-7011 Aclimação.......................2362-7780 Alphaville........................4191-9198 Anhanguera-Extra............3831-1312 Aricanduva Shop. ...........2728-2626 Brooklin..........................5532-0888 Campo Limpo Shop. .........5513-8484 Center Norte Shop. .........2109-2611 Central Plaza Shop. ........2914-3355 Eldorado Shop. ..............3815-7878 Fradique Coutinho ..........3596-3470 Faria Lima .....................3031-3106 Ibirapuera Shop. ............2108-3500

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Rádios selam democracia no Burundi Vizinho de Ruanda, país centro-africano foi palco de mobilização de emissoras para garantir equilíbrio na cobertura das eleições JEAN PIERRE AIME HARERIMANA/REUTERS

Jina Moore BUJUMBURA FOREIGN POLICY

O rádio reina na África – quem já passou algum tempo no continente sabe disso. Virtualmente, todos os governos africanos possuem uma emissora. Aqui, um golpe só é realmente considerado golpe quando o general assume o comando da emissora local de rádio. Em Ruanda, no genocídio de 1994, além dos facões, a principal arma usada pelos hutus contra seus vizinhos tutsis foi a rádio Milles Collines, cujas transmissões incitaram a violência. A experiência mostrou à região que uma emissora de rádio que dissemina rumores, faz ameaças veladas e distribui acusações políticas pode se tornar um perigo – e um sinal de coisas piores por vir. Assim, no Burundi,ondeumacriseeleitoralameaça anular uma década de constante (ainda que lento) progresso democrático, todos os olhos e ouvidos estão voltados para esse veículo da impressa. O minúsculo Burundi é o irmão gêmeo ao sul de Ruanda. Trata-se de um país de população tutsi e hutu com um histórico paralelo de amarga violência entre os dois grupos. O Burundi avançou muito desde os dias de seu próprio genocídio, ofuscado pelos massacres mais conhecidos em Ruanda, no início dos anos 90. Uma década de processo de paz foi concluída no ano passado, quando um dos últi-

GENOCÍDIO ASSOMBRA O BURUNDI

‘Estado’ passa a publicar artigos da ‘Foreign Policy’ ● O Grupo Estado adquiriu os

direitos de preferência, no território nacional, da publicação de artigos da prestigiada revista americana “Foreign Policy”, uma das mais ousadas vozes no campo da política internacional, economia e ideias globais. Textos opinativos, análises e reportagens da revista serão traduzidos e publicados tanto na versão impressa do “Estado” quanto no portal Estadão.com.br. A “Foreign Policy” ganhou em 2003, 2007 e 2009 o disputado prêmio National Magazine Award, na categoria “Excelên-

cia”, um reconhecimento do papel inovador da publicação bimestral no debate da realidade americana e internacional. A “FP”, como acabou se tornando conhecida, foi criada em 1970 como uma revista acadêmica do centro de pesquisas Carnegie Endowment. Em 1996, no entanto, o intelectual e ex-ministro venezuelano da Indústria e Comércio Moisés Naím assumiu o cargo de editorchefe da publicação, promovendo uma revolução editorial que acabou por lançar a “Foreign Policy” para o grande público dos Estados Unidos e de todo o mundo. A revista também foi pioneira na internet e hoje abriga alguns dos melhores blogs americanos sobre a atualidade política, militar e econômica.

Reintegração. Ex-rebelde em um campo de desmobilizados na Província de Bubanza mos grupos rebeldes finalmente assinou um acordo de paz. Diplomatas e filantropos consideram o Burundi um raro caso de sucesso na África Central. Diferentemente de Ruanda, o país pode ser considerado um caso dedemocraciaautêntica. Ao menos era isso o que se pensava antes dessa temporada eleitoral. Em maio, o partido do presidente Pierre Nkurunziza, o Conselho Nacional pela Defesa da Democracia-Forças de Defesa da Democracia, venceu as eleições regionais. Nkurunziza foi tambémo vencedordaseleiçõespresidenciais da semana passada.

Partidos da oposição dizem que a votação de maio foi fraudada e passaram as últimas semanas fazendo acusações contra o partido do governo, os organizadoresdaeleição,eacomissãoeleitoral independente – não necessariamentesemmotivo.Elesboicotaram as eleições, realizadas nodia 28, insistindo aos cidadãos do Burundi que não participassem do processo manipulado. A crise política abalou também a imprensa do país. Há no Burundi quatro emissoras de televisão e vários jornais, mas nenhum desses veículos de comunicação goza de influência com-

parável àquela das 18 emissoras de rádio do país, ouvidas constantemente pela população. Rádios em rede. É comum ver as pessoas caminhando por ruas movimentadas com um pequeno rádio colado ao ouvido. Todas as notícias são rapidamente transmitidas no boca a boca entre as comunidades. O processo que se assemelha a um grande jogo nacional de telefone sem fio,fazendocomqueosburundineses voltem aos rádios ao anoitecer para saber se o que ouviram era verdade ou boato. Eles dizem que leva tempo para dis-

tinguir entre uma coisa e outra. Num louvável – e raro – esforçoparaconservaraimparcialidade, 15 emissoras de rádio reuniramseusjornalistasesuaprogramação para oferecer uma cobertura neutra das eleições em 4 idiomas. Foi uma tentativa de evitar os problemas da eleição de 2005, quando a mídia estava mais fragmentada e vulnerável às doações políticas de cidadãos abastados do que agora. “Quando está sozinha, a mídia é frágil”, diz Adrien Sindayigaya, da Search for Common Ground no Burundi, organização de prevenção dos conflitos que ajudou

a lançar a iniciativa. “Quando tentamos desmascarar certos atores políticos, é fácil para eles nos acusar e dizer ‘vocês estão contranós’”,afirma.“Mas,quando há um imenso número de jornalistas dizendo ‘sabemos disto’, ou ‘somos testemunhas’, fica difícil manipular esse grupo para que siga uma linha geral ditada a partir de cima.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

PUBLICADO COM A AUTORIZAÇÃO DA FOREIGN POLICY WWW.FOREIGNPOLICY.COM

1994

2001

2005

2007

2009

Genocídio em Ruanda

Formação de governo

Eleição de Nkurunziza

Impasse no processo de paz

FLN, último grupo rebelde, depõe as armas

Emissora assusta burundineses com apelo à violência nacional Como a rádio que incitou massacre em Ruanda, Rema FM divulga lista de candidatos da oposição e veicula notícias falsas

do que ocorreu nas semanas que antecederam ao genocídio de Ruanda,quandoapresentadores de rádio hutus leram uma lista de nomes de tutsis que deveriam ser assassinados. Outras mensagens da Rema são menos sutis. Há algumas semanas, a emissora comparou os partidospolíticosqueabandonaram a eleição presidencial ao esquadrão da morte que há 15 anos assassinou Melchior Ndadaye, primeiro presidente hutu democraticamente eleito. “Para os burundineses, ainda é perigoso falar sobre os assassinos de Ndadaye”, explica Justine Nkurunziza, vice-presidente do Fórum para o Reforço da Sociedade Civil, rede de ONGs locais. “Muitos burundineses são hutus, e Ndadaye é um herói. Quem luta contra ele é (visto como) inimigo da democracia.” A Rema está também se envolvendo diretamente na política, divulgando rumores e dissemi-

nando teorias a respeito de quem estaria por trás dos ataques com granadas e outros episódios de violência que se tornaram comuns na capital, Bujumbura, desde que a campanha presidencial teve início. Apresentadores da emissora acusaramolíderdaoposiçãoAlexisSinduhijededistribuirdinheiro e gasolina a seus eleitores e incentivá-losaatearfogoemcentros do partido governista. No dia seguinte, 20 escritórios do partido foram incendiados, segundo a missão de monitoramentoda UniãoEuropeia no Burundi.Algunsburundineses, suspeitando dos laços da Rema com o poder, dizem acreditar que o partidodogovernotenhasabotado a si mesmo para jogar a culpa na oposição. É difícil determinar qual foi o impacto das ações da Rema na eleição do dia 28 e na reeleição do presidente. Não está claro se as atividades da Rema são um ameaçador eco do sombrio passado recente da região, ou apenas um anacronismo num Burundi em que a proliferação das fontes de informação produziu certo grau de ceticismo entre o público consumidor da mídia. Apesar de a Rema ser em geral consideradauma maçã podre, os burundineses dizem perceber matizes editoriais nos comentários de praticamente todas as rádios, e corrigem este desvio ao dar ouvidos às transmissões de diferentes frequências. / FP

xou cerca de 1 milhão de mortos. Em Burundi, o conflito começou em 1993. Em Ruanda, no ano seguinte. No dia 6 de abril de 1994, um acidente de avião matou o presidente ruandês, Juvenal Habyarimana, e seu colega do Burundi, Cyprien Ntaryamira, ambos hutus. A guerrilha tutsi Frente Patriótica de

Ruanda (FPR) acusou os radicais hutus de ter abatido o avião de Habyarimana, tido como moderado, e iniciou uma ofensiva contra a capital, Kigali. Nos meses seguintes, cerca de 800 mil pessoas morreram e 1,5 milhão de refugiados promoveram um dos maiores êxodos da história.

ONDE FICA 0 km 100

UGANDA

N

LAGO VITÓRIA

RUANDA

BUJUMBURA

Apesar da mobilização para democratizar a atuação das rádios, uma emissora parece ameaçar o esforço. A Rema FM, empresa particular associada ao partido da situação, usa sua programação para “jogos políticos”, afirmamalgunsjornalistas burundineses. E a rádio está começando a assustar as pessoas. “Eles são exatamente como a rádio Milles Collines”, diz AmadouOusmane,porta-voz da missãodasNaçõesUnidasnoBurundi, fazendo uma comparação cada vez mais frequente com a rádio que teve papel central no genocídioruandês.Amissãodemonitoramento das eleições enviadapelaUniãoEuropeia,quetambém acompanhou a cobertura das campanhas feita pela mídia, descreve as transmissões da Rema como “cada vez mais agressivas”. Organizações internacionais que trabalham com a imprensa dizem que a Rema começou a citar em suas transmissões os nomes de conhecidos políticos da oposição e seus partidários. As revelaçõessãosutilconviteaoassédio e um desconfortável eco

REP. DEM. CONGO

BURUNDI TANZÂNIA

INFOGRÁFICO/AE

PARA LEMBRAR Etnicamente, Ruanda e Burundi são parecidos. Ambos são vizinhos e têm uma maioria hutu (85%) e uma minoria tutsi (15%). Por isso, a política em um país costuma ter impactos do outro lado da fronteira. A guerra civil nos dois países, uma das mais sangrentas da história da humanidade, dei-


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

VISÃO GLOBAL

estadão.com.br Radar Global. Veja as íntegras dos artigos e os links das notas http://tinyurl.com/ygmu559

Erros europeus afastaram a Turquia Posição de Ancara em relação ao programa nuclear iraniano é explicada, em boa medida, pelo fracasso da União Europeia em produzir uma política externa coerente para o país

está jogando nos braços da Rússia e do Irã. Éuma política irônica, absurda e míope ao mesmo tempo. Durante séculos, a Rússia, o Irã e a Turquia foram rivais regionais, jamais aliados. No entanto, a cegueira política da Europa parece menosprezar esse fato. Evidentemente, a Turquia também dependeemgrandepartedesuaintegraçãocomoOcidente.Seperderisso,estará drasticamente enfraquecida em sua

✽ ●

JOSCHKA FISCHER “não” da Turquia às novas sanções contraoIrãaprovadaspelo Conselho de Segurança da ONU (posição que também teve o Brasil) revela dramaticamente toda a dimensão do distanciamento de AncaraemrelaçãoaoOcidente. Conforme muitos comentaristas indagaram,estaremospresenciando asconsequências da chamada política externa “neo-otomana” do governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento(AKP),quesupostamentepretendemudar delado evoltar àsraízes islâmicas orientais? Acreditoque esse temor é exagerado, até mesmo inadequado. E, mesmo que a situação fosse essa, seria mais por uma profecia autorrealizada da parte do Ocidente do que pela política da Turquia. De fato, a política externa turca – que procura resolver os conflitos com e entre os países vizinhos, e o ativoenvolvimentoturconessesentido – não está absolutamente em conflito com osinteresses ocidentais.Ao contrário. Mas o Ocidente (e a Europa em particular) finalmente terão de levar a Turquia a sério como parceira – e deixar de considerá-la um cliente do Ocidente. A Turquia é e deve ser membro do G-20 porque com sua jovem população em forte crescimento formará umpaís muitoforte doponto devista econômico, no século 21. Mesmo hoje, a imagem da Turquia de “doente da Europa” não é mais adequada.

Na realidade, no caso específico de Chipre,aUniãoEuropeia nãochegouaromper os compromissos assumidos anteriormente com a Turquia, nem a mudar unilateralmente as normas acordadas em conjunto. E, embora os europeus tenham mantido formalmente sua decisão de dar início às negociações de ingresso com a Turquia, pouco fizeram para levar adiante a sua causa. Somente agora, quando o desastre das relações entre a Turquia e a Europa está se tornando patente, a União Europeia de repente está disposta a abrir um novo capítulo nas negociações (o que, aliás, mostra claramente que o impasse teve uma motivação política). Nunca será bastante afirmar que a Turquia ocupa uma posição geopolítica extremamentesensível,particularmen-

Desastre turco-europeu. Quando,

Aliados improváveis. O Ocidente, e a

depois da decisão da ONU, o secretáriodaDefesadosEstadosUnidos,Robert Gates, criticou severamente os europeus por terem contribuído paraessedistanciamento comseucomportamento em relação à Turquia, sua franqueza nada diplomática provocou certa agitação em Paris e em Berlim. Mas Gates fez a coisa certa. Desde a mudança de governo de Jacques Chirac para Nicolas Sarkozy, na França, e de Gerhard Schroeder para Angela Merkel, na Alemanha, a Turquia foi enganada e marginalizada pela União Europeia (UE).

Europa em particular, não pode realmente distanciar-se da Turquia, considerando seus próprios interesses, mas objetivamente, é exatamente esse tipo dedistanciamento provocado pelapolítica europeia em relação à Turquia nos últimos anos. A segurança da Europa no século 21 será determinada em um grau significativo por sua proximidade com o Sudeste – exatamente onde a Turquia é crucial para a segurança da Europa agora, e cada vez mais no futuro. Mas em vez de aproximar ao máximo a Turquia da Europae do Ocidente, a política europeia a

O

Desde a chegada ao poder de Sarkozy e Merkel, a Turquia foi enganada e marginalizada pela União Europeia te no que se refere à segurança da Europa. O Mediterrâneo oriental, o Mar Egeu, os Bálcãs ocidentais, a região do Mar Cáspio e o Cáucaso meridional, a Ásia Central e o Oriente Médio são áreas em que o Ocidente pouco ou nada conseguirá sem o apoio da Turquia. E isso é válido não apenas no que se refere à política da segurança, mas também à política energética, se buscamos alternativas à crescente dependência da EuropadofornecimentodeenergiadaRússia.

Agressão agora é considerada crime Em Kampala, diplomatas de quase 100 países dão ao Tribunal de Haia o poder para processar agressores ✽ ●

DAVID SCHEFFER THE INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE

esde os processos de Nuremberg e de Tóquio, após a 2.ª Guerra, um líder político ou militar não era levadodiantedeumtribunal internacional pelo crime de agressão. Os tempos da impunidade estão chegando ao fim. Depois de anos de conversações e duas semanas de intensas negociações no mês passado em Kampala, Uganda, diplomatas e advogados internacionais de quase cem nações concordaram em investir o Tribunal Penal Internacional, em Haia, do poder de processar autores de agressão. Esperei 17 anos por este momento. ComoadvogadodogovernoBillClinton, em 1993, escrevi meu primeiro memorando sobre a necessidade de consideraraagressãoumcrimesujeito a julgamento por um tribunal criminal internacional permanente. Em 1997, quando me tornei embai-

D

FARRELL/AE

THE GUARDIAN

xadoritinerantedosEstados Unidospara Questões deCrimes de Guerra, e chefiei a delegação americana nas negociações para a criação de um tribunal deste gênero, lutei para que a agressão armada fosse definida e investigada, com base no poder fundamental do Conselho de Segurança da ONU de terminar com os atos de agressão. Aparentemente, não havia um caminho que permitisse definir ou processar o crime de agressão. Afinal, processar líderes por esse crime corresponde a levar a polícia militar de uma nação a um tribunal.Poucosgovernosqueremassumir essa responsabilidade. Entretanto, a agressão foi a arma preferida de Saddam Hussein contra o Irã e o Kuwait, repetidamente usada no torvelinho do Oriente Médio, no subcontinente indianoe na Península Coreana, e contra as Ilhas Malvinas. Como é possívelprocessar líderes por genocídio, mas absolvê-los do crime de agressão? Sempre afirmei que o Tribunal Penal

posição diante dos possíveis parceiros regionais (e rivais), apesar de sua localização geopolítica ideal. O “não” da Turquia às novas sanções internacionais contra o Irã muito provavelmente se mostrará um grave erro, a não ser que o primeiroministroRecepTayyip Erdogan,consiga voltar atrás na questão da política nuclear iraniana. Essa possibilidade, entretanto, é extremamente improvável. Além disso, no momento em que o confrontoentreIsraeleaTurquiafortalece as forças radicais do Oriente Médio,oqueéqueadiplomaciaeuropeia (tanto em Bruxelas quanto nas capitais europeias) está esperando? O Ocidente, e mesmo Israel e a Turquia, muito certamente não poderão permitir uma ruptura permanente entre os dois países – a não ser que se desejequearegião continuenocaminho de uma desestabilização duradoura. Está mais do que na hora de a Europa começar a agir. Pior ainda, enquanto o pouco caso da Europa é visível em primeiro lugar na questão da Turquia e do Oriente Médio, essa situação lamentável não se limita a esse contexto. Ela ocorre também com o Cáucaso Meridional, a Ásia Central, onde a Europa, com a aprovação dos países que são fornecedores menores nessa região, deveria procurar firmemente seus interesses na área de energia e afirmar-se em relação à Rússia, bem como à Ucrânia, onde a UE também deveria estar seriamente envolvida. Muitos dos novos desdobramentos foram provocados em toda essa região pela crise econômica global, eumnovoparceiro, a China (que sempre planeja no longo prazo), entrou no cenário geopolítico. A Europa corre o risco de esgotar o seu tempo, mesmo com seus próprios vizinhos, porque falta em todos esses países uma ativa política externa europeia e um forte compromisso da parte da UE. Ou,como disseMikhail Gorbachev, o maior estadista russo das últimas décadas do século 20: “A vida pune os que chegam tarde demais.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

✽ É EX-CHANCELER DA ALEMANHA

Internacional(TPI),queinvestigagenocídio,crimescontraahumanidadeegraves crimes de guerra, também deveria investigaraagressãodesdequesejaestabelecida sua definição, e se defina como o tribunal exercerá sua autoridade para julgar o crime. A agressão teve de ser tipificada mais precisamentedoqueaproibiçãodaCarta da ONU da “ameaça ou o uso da força contraaintegridadeterritorialouaindependência política de qualquer Estado”,quedescrevedesdeataquesaalfinetadas a invasões em grande escala. A definição de agressão acertada em Kampalaéimperfeitaeindubitavelmente atrairá críticas. Mas é flexível e concentra a atenção do TPI nos líderes políticos e militares que conspiram para a agressão e usam a força armada para essa finalidade. Boicote. Durante o mandato de Geor-

ge W. Bush, os Estados Unidos boicotaram estupidamente as negociações sobreo crime deagressão.Mas a equipedo governoBarackObamaem Kampalaobteveapoiopara elaborar umalinguagem que contribua para precisar a definição. OsEstadosquefazempartedoEstatuto de Roma, concordaram que, em 2017, oConselhode Segurançada ONUpoderá encaminhar os casos de agressão ao Tribunal Penal Internacional para que líderes de todas as nações que tenham cometidoessecrime possamserprocessados, independentemente de elas terem aderido ao TPI ou não. Por outro lado, se um Estado ou o promotor do tribunal de Haia encaminhar o caso de agressão à corte, terá de verificar se o Conselho de Segurança da ONU determinou que ocorreu um ato de agressão

pela nação acusada. Se ocorreu, então terá de dar seguimento ao processo. Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU raramente determina que houve um ato de agressão. Poucos termos são mais impróprios do que esse na diplomacia mundial. É muito mais fácil para o Conselho determinar simplesmente uma ameaça ou uma violação da pazedasegurança internacional.Entretanto, a maioria dos governos queria que o tribunal de Haia tivesse autoridade para decidir sobre o assunto na ausência de uma decisão explícita do Conselho de Segurança sobre agressão. Portanto, se o Conselho de Segurança não chegar a nenhuma decisão depois de seis meses, os juízes de instruçãodoTribunal PenalInternacional poderão deliberar sobre a questão. Se eles autorizarem o promotor a investigar a agressão, o Conselho ainda poderá bloquear a investigação adotando uma resolução vinculante.

Definição de agressão concentra a atenção nos líderes políticos e militares que usam a força armada para esse fim Este último obstáculo interposto pelo Conselho de Segurança foi essencial para levar a Grã-Bretanha e a França, como membros permanentes do organismo, à mesa de negociações em Kampala. Também acalmou a delegação americana de observadores, que exerceu sua influência apesar do fato de que Washington não faz parte do Conselho de Segurança Internacional. Todo país membro pode se declarar previamente isento de responsabilida-

de pela agressão, porque é essencialmente um crime “novo” a ser julgado de acordo com o Estatuto de Roma. Além disso, oscidadãos de países que não são membros do organismo são excluídos automaticamente da responsabilidade. Mas se a agressão ocorrer no território de qualquer uma dessas nações protegidas, elas terão de transferir o caso para o Tribunal de Haia. O Pentágono deve apreciar o privilégio não partidário, que mantém espaço para intervenções humanitárias e ações de contra-terrorismo lideradas pelos Estados Unidos. Os principais negociadores – Christian Wenaweser de Liechtenstein e o príncipe Zeid Ra’ad Zeid alHussein da Jordânia – conseguiram brilhantemente um consenso sobre a definição de agressão e seu “gatilho” jurisdicional. Eles escreveram umnovocapítulonahistóriadosconflitos armados e do império da lei. Os desafios que restam são enormes para os pacificadores e os governoscautelosossobreaslimitaçõessobre políticas designadas para desencadearpoderde fogomortal em território estrangeiro. Mas os dados foram lançados com tempo de realização suficiente para pôr líderes políticos e comandantes militares de sobreaviso de que a agressão poderá levá-los à prisão. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

✽ É PROFESSOR DA ESCOLA DE DIREITO DA NORTHWESTERN UNIVERSITY, PARTICIPOU DA CONFERÊNCIA DE KAMPALA SOBRE O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Internacional A23

PERFIL MARCIO FERNANDES/AE

Asma Assad, primeira-dama da Síria

‘Não vejo em Israel um esforço real pela paz. Eles não querem a paz’ Adriana Carranca

A Síria não é uma monarquia, mas sua primeira-dama, Asma Al-Assad, está à altura da rainha Rania, da Jordânia. Cinco anos mais jovem, corpo esguio de 1,73m e cintura finíssima, ela poderia ser mais um enfeite a tiracolo nas viagens oficiais do presidente Bashar Assad. Mas Asma é formada em exatas, mestre em computação e fez carreira no mercado financeiro, antes de se casar. Aos 34 anos, três filhos, ela cumpre intensa agenda de encontros com líderes mundiais, nos quais não se furta em falar de política, economia e dos conflitos no Oriente Médio, papel impensado por suas antecessoras. Nascida e criada na Inglaterra, Asma faz parte de uma geração de primeiras-damas árabes que, educadas no exterior, sob costumes liberais e maior contato com o mundo, estão mudando a imagem da mulher muçulmana no mundo – ela é sunita e o marido da minoria alauita. Defesa das mulheres. É tão veemente na defesa por um papel maior das mulheres em áreas de domínio predominantemente masculino, que não esconde a preferência por uma presidenta para o Brasil. “Gostaria de ver no poder alguém influente, que desse continuidade à política atual e ao papel global que o Brasil assumiu sob Lula. Sendo mulher, tanto melhor”, disse, em entrevista exclusiva ao Estado, na quintafeira. Asma elogiou o acordo nuclear com o Irã, mediado por Brasil e Turquia. “Lula indicou ao mundo que o caminho do diálogo é possível.” E defendeu a reforma no Conselho de Segurança da ONU para incluir o Brasil. “A Síria está 100% com o Brasil, pois o CS (formado por EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) não reflete mais a realidade do mundo”, conclui, com voz mansa. Seu tom de voz só se altera quando o assunto é Israel. “Como se engajar em negociações com o invasor? Se tomassem sua casa, você aceitaria ceder tudo o que é seu, compartilhar as coisas, dividir o espaço com eles? Direitos são inegociáveis. A Síria está protegida por resolução da ONU. Primeiro, devolvam nossas terras e, depois, podemos conversar”, diz a primeira-dama síria. A Síria reivindica as Colinas de Golan, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Além dos acordos comerciais, o casal Assad esteve no Brasil para pedir a ajuda do presidente Lula na retomada das negociações, encerradas com o ataque de tropas israelenses à Faixa de Gaza, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. “O que está acontecendo em Gaza é o assassinato lento de 1,5 milhão de pessoas. Não falo de soldados, mas civis”, diz a

PARA LEMBRAR Na semana passada, o presidente da Síria, Bashar Assad, fez um tour pela América Latina, passando por Venezuela, Cuba, Brasil e Argentina. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Assad acusou Israel de “ameaçar o Oriente Médio com suas armas nucleares” e de “cometer massacres” na Faixa de Gaza. O líder sírio também tentou estreitar laços com o Brasil, pediu um acordo de livre-comércio com o Mercosul e defendeu a participação brasileira na negociação de paz entre seu país e Israel. Para Damasco, o ponto central de qualquer acordo é a ocupação israelense, desde 1967, das Colinas do Golan.

primeira-dama. “Num mundo obcecado por direitos humanos, as crianças palestinas não têm um copo de leite para tomar, um lugar segura para dormir. As mães de Gaza não têm escolas nem hospitais para levar os filhos. Essa rotina, que é o básico, não existe lá. Então, não vejo em Israel um esforço real pela paz. Eles não querem a paz.”

Discurso de líder. Asma fala com a propriedade de um líder, luxo impensável para uma mulher no sistema fechado e rígido do país, principalmente sob o regime de Hafez Assad, pai de Bashar. Raríssimas vezes a mãe dele aparecia em público com o marido, que morreu em 2000. Seu papel era restrito à vida familiar, quando muito aparecia em chás beneficentes.

Asma. ‘Israel deve sair de nossas terras; depois, conversamos’ Ex-funcionária do Deutsche Bank e JP Morgan, Asma organiza conferências de executivas, representa a Síria em reuniões

com bancos estrangeiros, dirige ONGs em áreas como microcrédito. Ao lado da mulher, sempre

impecável num tailleur, pernas à mostra sobre um salto Christian Louboutin e bolsa Chanel (Asma foi eleita a mais elegante pela revista Elle deixando para trás as senhoras Sarkozy e Obama, em 2008), Bashar usa sempre o termo “nós”. O casal dirige o próprio carro, vai a restaurantes e parques públicos com seus três filhos. A família Assad mora numa casa e não no palácio presidencial, reservado a reuniões. Embora a abertura política seja ainda uma promessa, o presidente sírio liberou a imprensa e a internet no país. Em seu perfil no Facebook, Asma aparece sozinha, sorridente num pretinho básico, e é fã do Pink Floyd.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Vida

estadão.com.br Leia. Baleias franca chegam ao litoral catarinense estadão.com.br/planeta

/ AMBIENTE / CIÊNCIA / EDUCAÇÃO / SAÚDE / SOCIEDADE

ALIMENTAÇÃO. Falta de informação pode agravar doença

Entrevista com o nefrologista Maurilo Leite, na pág. A25 }

Pesquisa realizada por um instituto de cardiologia com 1,3 mil pessoas mostra que 93% não conseguem calcular a quantidade de sal com base na de sódio. Consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 6 g por dia, ou seja, uma colher de chá

Hipertensos não sabem relacionar sal e sódio nos rótulos dos alimentos CARDÁPIO l Uma dieta com pouco sal pode reduzir doenças cardiovasculares e controlar o colesterol. Ultrapassar o limite diário de sal, porém, é fácil

Sódio x Sal

Sódio

Está presente em alimentos salgados, conservantes, adoçantes, fermentos e realçadores de sabor

844

Para obter a quantidade de sal de um alimento, multiplique o teor de sódio por 2,5 e depois divida por mil

MG DE SÓDIO

x 2,5 = 2.100

1.000 = 2,1 mg de sal

Valor de sódio

PODE SER OBTIDO NAS EMBALAGENS

Exemplo de um dia de refeição NÃO RECOMENDADO PARA HIPERTENSOS PESSOA SAUDÁVEL DEVE CONSUMIR COM MODERAÇÃO

Café da manhã

CONSUMIR COM MODERAÇÃO

CONSUMO LIVRE

Almoço

627

1.739,02

MG DE SÓDIO

lanche

Jantar

MG DE SÓDIO

MG DE SÓDIO

1.236,44

MG DE SÓDIO

844

Total do dia

4.312,26

710

MG DE SÓDIO

x2,5 = 10.780 1.000 =

710 525

POR ALIMENTO

341,60

200 ML DE LEITE SEMIDESNATADO

340

324

167,40

118

1,06 6 BOLACHAS ÁGUA E SAL

1 COLHER (SOPA) REQUEIJÃO

0,96

4 COLHERES 1 1/2 COLHER 1/4 CUBO DE (SOPA) ARROZ FEIJÃO CALDO SEM TEMPERO SEM TEMPERO PRONTO PARA TEMPERAR

94,44

28 5 UNIDADES NUGGETS

10,78 mg de sal

450

1/2 XÍCARA 200 ML VEGETAIS EM REFRIGERANTE CONSERVA LIGHT

PÃO FRACÊS

1 COLHER MAIONESE LIGHT

190

150 28

2 FATIAS QUEIJO PRATO

2 FATIAS MORTADELA

1 COLHER CATCHUP

200 ML REFRIGERANTE LIGHT

SOPA INDUSTRIALIZADA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda consumo de, no máximo, 6g de sal por dia

INFOGRÁFICO/AE

Karina Toledo

Reduzir o sal na dieta é a primeira recomendação que um portador de hipertensão recebedo médico. Mas uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia com 1.294 hipertensos mostrou que 93% deles não sabem fazer a relação entre o sal e o sódio descrito nas embalagens de alimentos. Pior: 75% nem sequer leem os rótulos e 45% não sabem que os produtos industrializados podem conter sal. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo diário de sal não deve exceder 6 gramas por dia – uma colher de chá. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) deve lançar em breve uma nova diretriz reduzindo esse valor recomendado para 5 g. Estudo recente no New England Journal of Medicine apontou que diminuir o consumo de sal pode reduzir doenças cardiovasculares tanto quanto parar de fumar, combater a obesidade e controlar o colesterol. O problema é que a tabela nutricional das embalagens não informa a quantidade de sal e sim a de sódio – um dos componentes do saldecozinhaeoverdadeirocausador da pressão alta. Para aumentar a confusão, o sódionãoestáapenasemalimen-

Doença passa despercebida em 1/3 dos casos ● “Não existe hipertensão sem

sódio”, sentencia o professor de cardiologia da Unifesp Rui Póvoa. Além de causar a vasoconstrição de artérias e veias, o sódio faz o organismo reter água. A doença muitas vezes passa despercebida. Estima-se que um terço dos portadores ignore que sofre de hipertensão. Alguns pacientes apresentam sintomas como cefaleia intensa e súbita sem causa aparente, dormência nos braços e pernas, dificuldade de falar, perda de equilíbrio e náuseas. Se tratado no início, pode ser revertida com hábitos saudáveis, como prática de exercícios, consumo de verduras e frutas e redução na ingestão de sal. / K.T.

tos salgados, mas também em conservantes (nitrito de sódio e nitrato de sódio), adoçantes (ciclamatode sódio esacarina sódica), fermentos (bicarbonato de sódio) e realçadores de sabor (glutamato monossódico). “Isoladamente, o sódio não tem sabor, mas apenas 24% dos entrevistados sabiam disso”, diz a nutricionista Cristiane Kovacs, uma das autoras do estudo. “Costuma-se recomendar a redução no consumo de sal porque ele éa principal fonte de sódio da alimentação, mas não é a única.” OcardiologistaDanielMagnoni, coordenador da pesquisa, explica que é preciso multiplicar o valor de sódio no rótulo por 2,5 para saber o quanto aquilo corresponde em gramas de sal. Um alimento com 500 mg de sódio representa 1,25 g de sal (mais informações nesta página). “Estou elaborando uma proposta governamental para alterar a informação dos rótulos para que contenham a quantidade desal”, dizMagnoni.Mas,segundoaAgênciaNacionaldeVigilância Sanitária, não seria possível fazer essa alteração porque muitos alimentos – como o leite – contêm naturalmente sódio, mas não sal. “Declarar a quantidade de sal em um alimento que não teve adição desse ingrediente seria enganar o consumidor”, afirmou a agência em nota. Orientação. Os pacientes não estão sendo adequadamente orientados, admite Magnoni. “O médico não tem tempo de falar sobre alimentação no hospital público. Ele atende a muitos pacientes e tem de falar de cura, de remédios. A porta de entrada do sistema de saúde tem de ter um nutricionista.” Outra saída para reduzir não apenas os índices de hipertensão, mas também de diabete e obesidade, seria incluir no currículo escolar informações sobre alimentação saudável. “Isso é um problema de saúde pública, custa bilhões ao sistema de saúde.Se eu fosse assessor do próximo presidente, criaria o programa Obesidade Zero.” Levantamento recente do Ministério da Saúde apontou que a hipertensão atinge um em cada quatro brasileiros. O número de casos cresceu 13,4% nos últimos três anos, passando de 21,5% para 24,4%. Entre as pessoas com

Precocidade WERTHER SANTANA/AE

Adeus, salgadinhos. Gregory Ferreira Patrício, de 10 anos, já sofreu de pressão alta

MÃE MUDA DIETA DO FILHO APÓS CRISE HIPERTENSIVA Verduras, frutas e exercícios físicos substituíram as frituras, os refrigerantes e as idas às lanchonetes depois de garoto ser diagnosticado mais de 65 anos a prevalência é de 63,2%. A pressão alta é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, o que explica porque a cada ano 315 mil brasileiros morrem de enfarte ou aci-

dente vascular cerebral (AVC). Isso corresponde a quase 30% das mortes. E mesmo os hipertensos que sabem da doença e têm acompanhamento médico há mais de

cinco anos abusam do sal. “Em vez de reduzirem o consumo, vão aumentando a quantidade de medicamentos”, conta Magnoni. Quase 30% dos entrevistados afirmaram tomar dois ou até

E

mbora sua mãe trabalhe como saladeira num restaurante da capital paulista, até bem pouco tempo atrás o consumo de vegetais de Gregory Ferreira Patrício, de 10 anos, estava restrito a uma folha de alface e uma rodela de tomate no almoço. O restante de sua alimentação era recheado de salgadinhos, refrigerantes, sanduíches e biscoitos. “Um dia ele reclamou que estavasentindoenjoo e dorde cabeça. Corri para o prontosocorro”, conta a mãe, Vânia deSouza. Odiagnóstico: pressão alta. O tratamento: mudança de hábitos. Saíram de cena as frituras, os salgadinhos, os refrigeranteseas visitasregulares àslanchonetes de fast-food. No lugar, entraram mais verduras, frutas e exercícios físicos. Em poucos meses, a pressão de Gregory voltou ao normal e toda a família estava um pouco mais saudável. “O pai passou a fazer caminhadas, a brincar no parquinho e a jogar bola com ele. Toda a família passou a comer melhor para incentivar a mudança”, conta a mãe. Vânia era do time dos que não leem os rótulos dos alimentos. “No máximo eu olhava a data de validade. O resto eu não entendia muito bem. Nunca tinha parado para pensar para que servia o sódio ou o carboidrato”, conta. Para ajudar na reeducação alimentar da sua família, ela procurou o Instituto Movere, umaorganizaçãonãogovernamentalquelutacontraaobesidade infantil. “Agoraeu leiotudo antes de comprareo Gregory aindame ajuda a selecionar os alimentosmais saudáveis.Ele atélargou os salgadinhos por conta própria”, conta Vânia. “E não sinto falta”, completa o garoto. / K.T. três medicamentos para a pressão. Os pesquisadores apontam como principais vilões da alimentação desses pacientes os temperos prontos, enlatados, conservas, queijos e embutidos.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Vida A25

ALIMENTAÇÃO. Mudança de comportamento ENTREVISTA MARCOS DE PAULA/AE

Maurilo Leite, chefe de Nefrologia do Hospital Clementino Fraga Filho

‘A pressão alta lesa o rim, sem dor’ Especialista eliminou o sal da dieta ao descobrir que era hipertenso e tinha apenas 70% das funções renais Clarissa Thomé / RIO

O nefrologista Maurilo Leite Júnior, chefe do Departamento de Nefrologia do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), descobriu aos 41 anos queera hipertenso.Emais:àquela altura, havia perdido 30% da função renal. Nos últimos dez anos,impôs-seumamedidadrástica (a mesma que sugeria aos seus pacientes): suspendeu o consumo de sal na comida caseira,levandoemcontaquealimentos industrializados e refeições em restaurante já têm sódio. A estratégia funcionou – Leite Júnior, aos 52 anos, recuperou as funções renais.

QUEM É ✽ Maurilo Leite Júnior é formado em medicina pela Universidade Federal Fluminense. Fez residência na Santa Casa de Misericórdia do Rio, além de mestrado e doutorado na UFRJ. É post-doc fellow da Baylor College of Medicine, em Houston, no Texas. Chefia o departamento de Nefrologia do Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ, e é sócio da clínica Dert, em Niterói. É casado e tem um filho.

tei que estava com função renal comprometida. Meus rins funcionavam com 70% da capacidade. Aí comecei regime rigoroso e a tomar uma medicação antihipertensiva, que também protege o rim. Recuperei minha função renal, que está entre 98% e 100%.

● O que motivou sua mudança de

comportamento?

Descobri, aos 41 anos, que era hipertenso. Naquele momento, minha pressão estava 160 x 110. Eu era recém-especializado em nefrologia e fiz avaliação bem rigorosa da minha saúde. Detec-

● Como o senhor descobriu que havia perdido parte da função renal?

A pressão alta lesa o rim silenciosamente, sem dor alguma. Descobri pelo nível de creatinina, que é o índice mais direto

para indicar o nível de função renal. Todos, em qualquer idade, devem monitorar o nível de creatinina no sangue. Onze anos atrás, eu estava com nível 1,2. Hoje, estou com 0,8. Se eu não tomasse nenhuma iniciativa, se não restringisse o sal e tomasse medicação, estaria com a função renal com 30% a 50% da capacidade e poderia necessitar da diálise. A hipertensão é a maior causa de insuficiência renal no Brasil. ● Foi difícil convencer a família a não comer sal em casa?

Não foi difícil. Meu filho, de 10 anos, nasceu depois que suspendemos o consumo de sal. E minha mulher é nefrologista, tem plena consciência da importância desse hábito. Mas tivemos um período de adaptação, retiramos aos poucos. Não adicionar o sal à comida significa não ter sal em casa, não comprar. Tivemos uma empregada que trazia o sal de casa, para temperar a comida dela. Convidamos um casal de amigos para jantar e percebemos que eles não comiam com vontade. Depois eu perguntei: “Vocês estavam sem fome?” E ele respondeu: “Você não come sal, não?” ● O senhor consegue convencer

Recomendação. Médico afirma que todos devem monitorar o nível de creatinina no sangue os pacientes?

Não sei se eu consigo. Há os que dizem que preferem morrer. Eu sugiro que se vá aos poucos. É preciso optar por temperos que não são substitutos do sal, mas modificam o sabor do alimento. Eu uso muito alho, muita cebola, um pouco de curcuma e muita erva: salsa, coentro, que tem aroma muito forte. E um pouco de pimenta-do-reino. No bife, eu coloco muito alho, cominho. O arroz e o fei-

jão são o grande problema. A gente coloca bastante tempero: louro, alho. ● Como o senhor vê a resolução

da Anvisa, que determina a impressão de alertas na embalagem do alimento de que aquele produto contém muito sódio e pode provocar doenças?

Vejo essa medida como um avanço importante na prevenção de uma das doenças mais prevalentes no mundo inteiro,

Propaganda de alimentos pouco saudáveis terá alerta Resolução publicada pela AgênciaNacionaldeVigilânciaSanitária (Anvisa) na semana passada determina que as propagandas dealimentoscomaltoteordegorduras, sódio ou açúcar e bebidas com baixo poder nutritivo sejam veiculadas com frases de adver-

AMÉRICA LATINA

Pesquisa em 4 países condena aborto Pesquisa em quatro países da América Latina, realizada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e divulgada em Santiago, no Chile, mostra que 72,7% dos cidadãos brasileiros se opõem à legalização do aborto. Cerca de 1,2 mil pessoas foram ouvidas, e nos demais países seus habitantes também se mostraram contrários à legalização: Nicarágua (81,6%), México (70,8%) e Chile (66,2%). No entanto, a maioria concorda que se revisem as leis sobre o aborto: 94,4% no Chile, 94,2% na Nicarágua, 87,8% no Brasil e 82,8% no México. GRIPE SUÍNA

Vacinas vencidas serão incineradas nos EUA A FDA (agência americana de controle de alimentos e remédios) deverá incinerar 40 milhões de doses de vacina contra a gripe suína cujo prazo de validade expirou na última quartafeira. O montante representa um quarto das doses de vacinas contra o vírus H1N1 produzidas para o público interno. ILHAS GALÁPAGOS

Japão financia projeto de energia solar O governo japonês doou US$ 10 milhões do Equador que serão usados para financiar um projeto para gerar energia solar nas Ilhas Galápagos, declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. O objetivo é reduzir o impacto na ilha do aquecimento global.

tênciasobreos malesà saúdeque podem provocar quando consumidos em excesso. As empresas têm 180 dias para se adaptar. No caso do sódio, a exigência será válida para alimentos com quantidade igual ou superior a 400 mg por 100 g do produto.

Para o açúcar, valerá para 15 g ou mais por 100 g do produto. Para gordurasaturada, 5g ou maispor 100g. E para gordura trans, 0,6 g ou mais por 100 g. A maior preocupação é preservar as crianças do grande apelo para o consumo de alimentos industrializados,

com baixo teor nutritivo e com alta dosagem de substâncias que, quando consumidas em excesso, são prejudiciais à saúde. A medida, no entanto, não vale para as embalagens de alimentos. Segundo a Anvisa, os rótulos têm de ser harmonizados nos

países integrantes do Mercosul e, por isso, mudanças não podem ser feitas unilateralmente. A resolução é considerada um avançopara a saúde pública, mas veio em uma versão bem mais branda que a proposta inicial. No texto original, propagan-

que é a hipertensão arterial. Outros países já têm iniciativas, como a Inglaterra, que adotou uma política chamada Wash, um estímulo ao controle de sal na indústria alimentícia que prevê baixos teores de sódio no biscoito, no refrigerante, para que com isso se possa ter uma redução da doença cardiovascular. Boa parte da população tem problemas cardiovasculares e deveria fazer dieta de restrição de sódio.

dasdessesalimentos,alémdeserem feitas com advertências, somente poderiam ser veiculadas das 20 horas às 6 horas. Ficavamproibidosousodedesenhos e personagens admirados pelas crianças nos comerciais, além da distribuição de brindes e promoções. No texto final, desenhos e distribuições de brindes são permitidos, mas terão de vir acompanhados das advertências. / K.T.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

WERTHER SANTANA/AE

Férias no colégio? Os pais agradecem Escolas oferecem atividades recreativas durante o mês de julho para os alunos Mariana Mandelli

Duas vezes ao ano, os pais têm a mesmadúvida: ondedeixar os filhos durante o período de férias enquanto a rotina de trabalho continua? Para ajudar a solucionaro dilema familiar, os colégios particulares de São Paulo investem em atividades cada vez mais diversificadas, que vão de festa do pijama à estadia em uma comunidade rural, passando por cursos de idiomas e oficinas de artesanato, para divertir os estudantes e tranquilizar as famílias. Segundo as escolas, muitos pais perguntam logo na hora da matrícula se a instituição oferece atividades em julho. “É uma preocupação que surge para as famílias logo quando conhecem a escola. Funcionar em julho é quase uma condição para escolher o colégio, porque tirar férias nesse período costuma ser mais complicado para os pais do que em dezembro ou janeiro”, conta Teca Antunes, diretora pedagógica do Colégio Santa Amália, que realiza curso de férias bilíngue,comatividadeseminglêspara alunos e não alunos. A procura para se inscrever

nas escolas costuma ser grande. “Temos um número limitado de vagas e mandamos, com antecedência, uma circular para os pais com a programação. Estamos com fila de espera”, afirma Cláudia Baratella, vice-diretora do Colégio Renovação, que preparouatividadesdiferentesparacada dia da semana. “As crianças adoram e a gente consegue programar bem a rotina”, conta Vilma Frois, de 33 anos, mãe de Dafne, de 7 anos, e deMarcelo Augusto,de 5,queestudam no Renovação. Para cobrir os custos da infraestrutura e dos funcionários, que incluem transporte, alimentação, segurança e materiais, as escolas cobram preços diversificados, que dependem do tipo de passeio ou recreação envolvida – os valores médios vão de R$ 50 a ● Segurança

MARIA PARENTE ORIENTADORA EDUCACIONAL

“O pai se sente seguro para tocar a rotina quando sabe que o filho está na escola, com conhecidos.”

SP tem atividades especiais para crianças Museus e espaços culturais oferecem oficinas, contação de histórias e shows, entre outras atrações Para os pais que não contam com escolas que funcionam durante este mês há diversos locais na metrópole paulista que terão programação especial para as férias das crianças. Além das atrações ao lado, há

açõesrecreativasemdiversosespaçosculturais dacidade.NaCasa das Rosas (telefone: 3288-4477), a programação deste mês tem oficinas artísticas, shows e contação de histórias. Já o Teatro de Dança (telefone: 2189-2555) oferece um cardápio vasto de espetáculos e até mesmo aulas gratuitas de dança. Antes de sair de casa, não se esqueçadeconsultarhorário,endereço, preço e faixa etária das atrações,essencialquandosetrata de crianças. / M.M.

Alegria. Alunos do Colégio Renovação, que vai funcionar em julho, fazem festa do pijama com direito à guerra de travesseiros R$ 550. Para os pais, mais importa que a quantia cobrada é a tranquilidade de que os filhos estejam bem cuidados, em um ambiente conhecido. “Eu sempre procurei colégios que tivessem esse esquema de férias, porque só consigo tirar uma semana de folga em julho”,afirma a gerente de serviços Grazielle Martinez,de35anos.Seufilho,Lucas, de 3 anos, fica uma semana comela,umacomcadaavóeoutra no Santa Amália. “Os horários da escola nas férias são mais ou menos os mesmos, o que é ótimo.” Transformar o espaço. Passar as férias de julho dentro da escola pode ser confortável para os pais, mas como se sentem as crianças? Para fazer com que elas esque-

çam que estão no mesmo lugar onde passam o ano inteiro estudando, as escolas abolem o uniforme,flexibilizamhorários,promovematividadesinterativasfora da escola e evitam mantê-las dentro da sala de aula. “Procuramos usar toda a infraestrutura, promovendo atividades em toda a área da escola”, explica Leila Bohn, coordenadora do Atelier Arte e Expressão da Escola Viva, na zona sul. Brincadeiras corporais, artesanatos com diversos materiais, jogos de quintal e aulas de teatro costumam fazer parte do cronograma de julho das escolas. “Queremos que eles (os alunos) olhem de um jeito diferente para esse mesmo espaço que estão acostumados. É um ritmo mais mágico e lúdico, para dar

esse gostinho de colônia férias para eles”, conta Maria Santina Parente, orientadora educacional do período integral do Colégio Nossa Senhora Aparecida, outra escola da zona sul. tras crianças, mesmo que sejam os colegas do dia a dia escolar, também é considerado benéfico pelos pais. Mas as escolas afirmam que também incentivam as famílias a passarem tempo com os filhos. “Existe um incentivo da nossa parte para que essas criançastenhamfériasforadaescola também”, afirma Luciana Guimarães,psicopedagogadaescola infantil Adolphe Ferrière, no Morumbi, que conta com aulas de crochê, costura, tapeçaria, culinária e jardinagem.

As escolas também oferecem atividades com propostas socioeducativas. No caso do Colégio São Luís, os alunos do ensino médio têm a oportunidade de vivenciar o cotidiano de trabalhadoresrurais.Eles fazemuma viagem a Montes Claros, norte de Minas Gerais, onde passam uma semana na casa de uma família ajudando nos afazeres e convivendo com a comunidade. “Nossos alunos aproveitam as férias para se sensibilizar com a realidadedo outro.Nesse caso, o ‘outro’ é o lavrador pobre, que planta para subsistência”, afirma Iracy Gomes, coordenadora do projeto. “Queremos que eles saiam da cultura urbana e sintam orgulho em transformar esse período de férias em algo que vão levar para o resto da vida.”

MARIANA CHAMA-19/5/2010

EVELSON DE FREITAS/AE-25/3/2009

Cidadania. O convívio com ou-

OPÇÕES DE MUSEUS WERTHER SANTANA/AE-7/5/2010

● Museu

do Futebol:

Em dias determinados serão oferecidas atividades pedagógicas sobre futebol, como um quiz interativo e a construção de um totem simbólico com os principais lances da história do esporte. Telefone: (11) 3664-3858.

DIRCEU RODRIGUES-16/3/2010

● Museu da Língua Portuguesa:

Aos sábados, domingo e feriados serão realizadas visitas monitoradas. A exposição Menas, o Certo do Errado, o Errado do Certo vai até o dia 18. Telefone: 3326-0775.

● Museu

da Casa Brasileira:

Nos dias 17, 24 e 31, das 14h30 às 17 horas, são realizadas oficinas gratuitas de férias, com atividades lúdicas sobre arquitetura, design, urbanismo e paisagismo. As vagas são limitadas. Telefone (11) 3032-2499.

Catavento:

A exposição Planeta Inseto: Biodiversidade, que ocorre entre os dias 6 e 22, é uma mostra interativa com atrações que explicam a importância dos insetos no ecossistema. Site: www.cataventocultural.org.br/mapas.asp.

ENTREVISTA TASSO MARCELO/AE-4/2/2010

Marcelo Cortes Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ

‘Escola tem de parecer boa aos olhos do aluno’

de pula para 78%, com renda de R$1,6 mil. No entanto, o jovem parece não enxergar isso. Ele não vê essa ligação com o mercado de trabalho, não vê isso como motivação. Isso se deve, em grande parte, ao caráter generalista do ensino médio, que tenta fazer e ensinar muita coisa, mas não consegue. ● Por quê?

Na quinta-feira, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino fundamental e médio do Brasil a cada dois anos. Em escala de 1 a 10, o Ideb revelou crescimento pífio do ensino médio, que recebeu nota 3,6 – 0,1 a mais que na edição anterior, de 2007. Os estudantes dos anos iniciais e finais do fundamental receberam, respectivamente, 4,6 e 4,0. Para o especialista em economia da educação Marcelo Côrtes Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio (FGVRJ), falta foco a essa etapa da educação. Segundo ele, a resposta está no ensino profissionalizante – Neri coordenou, para o Instituto Votorantim, a pesquisa A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho, divulgada no início do ano. Reportagem do Estado na edição de ontem mostrou que

“não querer comparecer” às aulas foi o segundo principal motivo de ausências entre os estudantes do ensino médio. O Estado conversou com o especialista sobre as possíveis razões para o Ideb do ensino médio não avançar no mesmo ritmo que os anos iniciais e finais do ensino fundamental. ● Por que o ensino médio não atrai os alunos?

O principal problema é a falta de interesse. Seja para justificar os índices de evasão ou os motivos que os estudantes usam para explicar suas faltas. ● Mas por que isso ocorre?

É uma questão, como sempre, de políticas públicas. Costumase pensar que boa educação é ter a melhor escola possível, com o melhor prédio, a melhor infraestrutura e os melhores professores e funcionários trabalhando. Mas não é só isso. Temos de pensar também no pro-

Porque o estudante não vê a coerência que estudar física e química pode ter em sua vida. Ele não compreende o que esse conteúdo pode trazer em termos práticos. Além disso, o tempo de permanência na escola é muito curto. Uma jornada diária de quatro horas é pouco. Ele aprende pouco e não tem o interesse pelo conhecimento motivado.

QUEM É ✽ Marcelo Neri é economistachefe do Centro de Políticas Sociais, vinculado à Fundação Getulio Vargas (CPS/ FGV). É Ph.D. em economia pela Universidade de Princeton e mestre em economia pela PUC-Rio. Atuou como pesquisador na Diretoria de Estudos Sociais do Ipea e é membro ativo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

● Qual solução você enxerga para esse quadro?

Constatação. Neri: ‘Ensino profissionalizante é bom caminho’ blema da oferta de vagas. E, isso resolvido, temos de criar demanda para essa oferta. ● Como assim?

Para um estudante de 15 anos realmente querer estar dentro de uma escola, ela tem de parecer boa aos olhos dele e aos olhos de quem lá estuda. A falta

de interesse não está ligada somente à questão financeira, de falta de investimento ou do estudante mais pobre não ter dinheiro para ir e vir da escola todos os dias. É um problema intrínseco ao ensino médio brasileiro. Já está enraizado. ● Mas como podemos motivar

essa demanda a se interessar pela escola?

Existe um paradoxo econômico dentro de tudo isso. Pesquisas comprovam que quem conclui o ensino fundamental tem 68% de chance de ser empregado com uma média de salário de R$ 700. Para quem finaliza o ensino médio, essa empregabilida-

O ensino profissionalizante é um bom caminho. Mas também não serve para todos. Uma mudança do conteúdo que é dado no ensino médio também seria bom. No caso da educação profissional, o primeiro passo é mudar a visão que as pessoas têm dela, de que é uma educação de segunda classe. / M.M. NA EDIÇÃO DE AMANHÃ, O ‘ESTADO’ PUBLICA OS DADOS REGIONAIS DO IDEB, POR ESTADOS E MUNICÍPIOS.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

estadão.com.br

CALORENTO Animais do zoológico de Roma, como o chimpanzé (Pan troglodytes) Pippo, estão ganhando sorvetes dos tratadores para enfrentar o forte calor do verão europeu.

PIER PAOLO CITO/AP

}

PLANETA

JOTAFREITAS

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Tom Zé,

1.

CANTOR, COMPOSITOR E JARDINEIRO

Como começou sua boa relação com o meio ambiente?

Quando era criança, no meu mundo a ética estava presente em todas as atitudes. Só para dar uma ideia, Irará (na Bahia) tinha 3 mil almas e essa população era a mesma há cem anos, ninguém podia prescindir de ninguém. E meu pai era então um ecologista.

2.

Como seu pai lhe orientava?

Eu me lembro que uma vez estava resfriado e lavei rosto com água quente, não

tinha água encanada. Meu pai disse: “Enquanto você está gripado você usa, mas quando parar a gripe, não fique viciado em tomar banho quente.” Eu tomei banho frio até vir para São Paulo, com 32 anos. E vejo agora a Sabesp fazer propaganda de que pode vender à indústria água de qualidade não potável para fazer coisas que não precisam de água potável. E toda sextafeira os zeladores lavam chão com

água potável, meu Deus do céu!

3.

Vida A27

Como economiza água?

Lembro que o Telê Santana dizia aos jogadores de futebol para jogar água e desligar o chuveiro para passar sabão. Eu passava sabão com chuveiro ligado. Telê Santana dizia isso e nunca me esqueci. Na infância tinha uma vida tão íntima e tão respeitada com a natureza, então tenho alguma coisa de cuidado com ela. Além disso eu sou jardineiro do meu prédio. Agora fui promovido, ganho um salário mínimo e meio.

Leia. Aldo Rebelo analisa mudanças no Código Florestal estadão.com.br/planeta

Landim Dominguez, professor da Universidade Federal da Bahia, como as ondas são geradas pelos ventos, a direção e a intensidade delas também deve mudar, alterando o transporte de sedimentos ao longo da costa, causando erosão. / AFRA BALAZINA, ANDREA VIALLI e LUCIANA ALVAREZ

Caravelas. Cidade baiana já sofre com a erosão costeira AQUECIMENTO GLOBAL

Erosão costeira deve aumentar no NE Nos últimos 50 anos, o mar avançou mais de 200 metros sobre a planície costeira de Caravelas, na Bahia, o que levou à

destruição de manguezais. Essa erosão costeira atinge diversas regiões do Nordeste, e deve se agravar com as mudanças climáticas. O aquecimento global, além de elevar o nível do mar, pode alterar a distribuição dos ventos. Segundo José Maria

“A peça produzida por Aldo Rebelo (...) é premeditadamente contrária ao patrimônio florestal, não consulta a população da floresta, nem o setor produtivo da floresta, nem os que estudam a floresta.” Marcio Santilli DO INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA)

EPITACIO PESSOA/AE-30/10/2010

MIRA OBERMAN/AFP

CRONOLOGIA

Vazamento dura meses 20 de abril Explosão Acidente na plataforma Deepwater Horizon, localizada a cerca de 80 quilômetros da costa da Louisiana, no Golfo do México, causa a morte de 11 funcionários da empresa British Petroleum.

22 de abril Vazamento Petróleo começa a vazar do poço ligado à plataforma, que

Banho. Pelicano capturado na costa da Louisiana é lavado para retirar óleo que cobre penas

Desastre ameaça aves quase extintas Pelicanos-marrons estavam se recuperando nos últimos anos, mas vazamento de petróleo no Golfo do México é nova ameaça à espécie FORT JACKSON, LOUISIANA

Por mais de uma década, as centenas de pelicanos-marrons que faziamninhonos manguesaoeste da Ilha Queen Bess eram prova de que uma espécie à beira da extinção conseguira se recuperar. A ilha era um dos três locais na Louisiana onde esses pássarosforam reintroduzidos depois que pesticidas quase provocaram seu extermínio nos anos 60. Mas, no dia 29 de maio, esses pássaros, com suas penas cobertas por lama grossa, foram levados para um centro de reabilitação em Fort Jackson. São as vítimas mais recentes do desastre da Deepwater Horizon. E dezenas deles foram levados para outros centros de recuperação. Seis pelicanos foram trazidos paraFortJacksone,comoosvisitantes observavam, os pássaros estavam imóveis nas gaiolas improvisadas; parecia que a lama os tinha congelado. Eram tratados em aposentos aquecidos por encarregados que vestiam uma roupa de proteção. “Os pelicanos estão em péssima condição”, disse Dorg Inkley, cientista da National Wildlife Foundation, preocupado que o vazamento de petróleo possa acabar com a recuperação dos pássaros na Louisiana. As imagens de pássaros cobertos de petróleo – pelicanos, mergulhões do norte, gaivotas e outros–sãoumalembrançainquietante do desastre do Exxon Valdez, há 21 anos. E, nas últimas semanas, elas se tornaram o mais vívido símbolo dos danos provocados pelas centenas de milhares de barris de óleo cru derramados no Golfo do México desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril.Desdequecomeçouo vazamento,centenasdepássarosafetados foram catalogados, mui-

tos mortos, mas alguns ainda vivos e encharcados de óleo. Mas o pelicano-marrom, por causa de sua história de recuperação, tem um significado especial. Esses pássaros eram tão comuns que adornam a bandeira do Estado. Eram companheiros frequentes dos pescadores, que compartilhavam das suas águas e admiravam sua habilidade para localizar peixes à distância e mergulhardegrandesalturaspara recolhê-los com seus bicos. Na virada do século 20, observadoresestimavamqueapopulação de pelicanos-marrons na Louisiana chegava a 50 mil. Mas, em 1961, nenhum casal foi localizado ao longo de toda a costa do Estado, de acordo com a Guarda Costeira. Como outras subespéciesdo pelicano-marromencontradas na Califórnia, os pássaros locaisforamseveramente atingidos por DDT e outros pesticidas, que afinavam as cascas dos seus ovos, esmagados quando adultos se sentavam sobre eles. Em 1968, a Louisiana trouxe os pássaros de uma colônia de sobreviventes na Flórida e os reintroduziunacostasuldoEstado em três pontos. Um deles era a Ilha Queen Bess, que se tornou morada de um dos últimos casais de reprodução, disse Kerry ● Tragédia sem fim

75

dias é quanto dura o vazamento da plataforma Deepwater Horizon

60 mil

barris de petróleo por dia é a projeção mais pessimista do volume que vaza do poço; a mais otimista é de 35 mil barris/dia

St. Pe, diretor do Programa Nacionalde Estuários deTerrebonne e Barataria. Ospássaros tiveramdificuldades de adaptação. Os pântanos da região e a Ilha Queen Bess eram afetados pelos diques do Mississippi e pelos canais abertos pelas petroleiras. Isso até 199o, quando um projeto para restauração da costa financiou uma barreira rochosa em torno da ilha, estabilizando-a. A colônia de pelicanos começou a crescer. Em 2009, os pelicanos-marrons saíram da lista de espécies em perigo de extinção. Mas o vazamento de óleo pode mudar isso. Como todas as aves,ospelicanos sãomuito sensíveisaoóleo,disseMelanieDriscoll, diretora de preservação de aves da Louisiana Coastal Initiative. O óleo os impede de regular a temperatura do corpo, deixando-os sujeitos a superaquecimento. O óleo também envenena os peixes dos quais eles se alimentam e se infiltra nos ovos. Dano aparente. O dano era apa-

rente no centro de salvamento doInternationalBirdRescueResearch Center, da BP e de autoridadesfederais.Muitosdospássaros estavam tão cobertos de óleo que não conseguiam ficar de pé. Os encarregados os limpavam comtoalhas,davamfluidos epeixe e os colocavam em gaiolas. Na manhãseguinte,teveinícioalimpeza, com água e detergente. Até agora, mesmo os mais encharcados de óleo sobreviveram. Se não tivessem sido tratados imediatamente, teriam se afogadoouperecido.“Muitosdelesvão desaparecer”,disseMelanie. Mas a preocupação dela é que, um número muito maior de pelicanos em breve será levado ao centro. “Poderemos ter uma centena. E esse número pode chegar a milhares.”

afundou após a explosão.

10 de maio Tentativa frustrada Após tentativa fracassada de conter o vazamento, a BP usa um submarino operado por controle remoto para jogar solventes no mar.

18 de maio Desastre ao vivo Imagens ao vivo do vazamento de petróleo passam a ser exibidas continuamente no site da empresa. Mais de 300 mil pessoas assistiram ao vídeo em apenas uma noite.

27 de maio Moratória da exploração O presidente Barack Obama anuncia a interrupção de novas perfurações para a prospecção de petróleo no golfo e prorroga por mais seis meses uma moratória para a exploração de petróleo na costa do Atlântico dos EUA, autorizadas em março.

10 de junho Desastre publicitário A BP compra termos de busca em inglês nos sites de pesquisa Google e Yahoo! relacionados ao desastre.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Presença crescente

Infraestrutura

Cenário favorável

Atuação dos chineses no Brasil vai da agricultura ao software

Fiat exporta carro por rodovia para fugir de portos brasileiros

Indústria e comércio começam o segundo semestre com ritmo aquecido de atividade

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estadão.com.br

MARCIO FERNANDES/AE

Economia & NEGÓCIOS

Aquisições brasileiras no exterior superam compras de múltis no Brasil De janeiro a maio, as companhias nacionais investiram US$ 11,16 bilhões, enquanto os estrangeiros trouxeram US$ 10,68 bilhões para o País Raquel Landim

Na semana passada, a siderúrgica Gerdau comprou as ações que ainda não detinha na Ameristeel por US$ 1,6 bilhão. Quinze dias atrás, o frigorífico Marfrig levou a Keystone por US$ 1,26 bilhão. Esses são os dois lances mais recentes da retomadada internacionalização das empresas brasileiras. As multinacionais verdeamarelas estão aproveitando o real forte e as pechinchas oferecidas no pós-crise para ir às compras. Osempresários brasileirosadquiriram mais concorrentes no exterior que os estrangeiros no Paísneste iníciode ano.Dejaneiro a maio, as companhias nacionais investiram US$ 11,16 bilhões em aquisições ou no aumento de sua participação em companhiasdasquais jáeramsócias. O valor superou os US$ 10,68 bilhões que os estrangeiros trouxeram ao País para aquisições.OsEstadosUnidos setornaramoprincipalalvo eabsorveram 40% dos investimentos (excluídos paraísos fiscais). O cálculo exclui as transferências entre matrizes e filiais. O investimento direto é a soma da compradeparticipaçõesnocapital e de empréstimos inter-companhias.Parao presidenteda Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, “as aquisiçõesnãosãoummovimentotático,masestratégicodasempresas nacionais no exterior”. A única vez que os brasileiros compraram mais empresas no exterior que agora foi em 2006, quando a Vale adquiriu a canadense Inco por US$ 18 bilhões. A magnitude da transação distorce os dados, o que torna a virada atual inédita. Em 2004, os brasileiros investiram US$ 6,64 bilhões em aquisições no exterior. Comexceçãode2006, orecorde foi em 2008, com US$ 13,9 bilhões – pouco acima do obtido em cinco meses deste ano. As aquisições no exterior demonstram a robustez das empresas brasileiras no pós-crise, mas são mais um fator de pressão nas contas externas do País, que devem terminar o ano com déficit de cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Oportunidade. Em fevereiro, a

petroquímica Braskem comprou a divisão de polipropileno da americana Sunoco por US$

7 8 9 10 11 12

DIVULGAÇÃO –28/8/2006

em 2001. Com destaque para cimento e metais, a empresa está presente em 22 países. Um conjunto de motivos impulsiona a internacionalização das empresas brasileiras. Segundo o gerente do projeto de internacionalização da Fundação Dom Cabral, Sherban Leonardo Cretoiu, as companhias estrangeiras perderam valor de mercado na crise. Além disso, a valorização do real aumentou o poder de compra dos brasileiros. Outro fator é a consolidação provocada pela crise, com o surgimento de grupos como Itaú Unibanco e Brasil Foods (Sadia e Perdigão) que vão buscar o exterior.

Oferta hostil. Para aproveitar asboasoportunidades,asempresasbrasileirasestãomaisagressivas.AfabricantedemáquinasRomi fez uma oferta hostil pela americana Hardinger. O conselho da companhia americana resiste, mas os executivos da Romi estão fazendo uma peregrinação de conversas com os acionistas. Na primeira tentativa, tiveram 38% de adesão. Estenderam o Aço bruto. Pátio da Gerdau Ameristeel Cambridge, no Canadá: metade do faturamento da Gerdau vem do exterior prazo e já conseguiram, 48%. O presidente da Romi, Livaldo Aguiar dos Santos, explica que precisa de 66% para completar a GLOSSÁRIO INVASÃO VERDE-AMARELA aquisição. “Nossa oferta hoje é de US$ 10 por ação, mas estamos ● Participação no capital dispostosaconversarcomoconl Investimentos no aumento de participação ou na compra de novas empresas selho da Hardinger.” A Romi Nos dados do BC, participaEmpresas brasileiras no exterior Janeiro a maio Empresas estrangeiras no Brasil Janeiro a maio tem 90% de seu faturamento no ção de capital é o investimenEM MILHÕES DE DÓLARES EM MILHÕES DE DÓLARES Brasil. Com a Hardinger, cairia to destinado a compra de no11.157 para 45%. 10.680 35.000 35.000 vas empresas ou aquisições A internacionalização ganhou 30.000 30.000 de mais ações. A definição é 25.000 25.000 fôlego este ano, mas começou há a mesma para o investimento 6.254 20.000 20.000 bastante tempo. A Gerdau foi 4.545 brasileiro no exterior e para o 15.000 15.000 19.906 uma das pioneiras em 1980 e hoestrangeiro no País 10.000 10.000 je obtém metade do faturamen5.000 50.00 197 to no exterior. “Buscamos parti0 0 ● Empréstimos 2004 2009 2009 2010 2004 2009 2009 2010 cipaçãoemmercados-chave,amintercompanhias Distribuição do investimento brasileiro no Países que mais receberam pliando a atuação nas Américas São remessas de recursos investimentos do Brasil em 2010* exterior por países selecionados** e ocupando espaços na Europa e entre matrizes e filiais. Pona Ásia”, diz o diretor-presidenEM PORCENTAGEM dem ser repatriações ou emte da empresa, André Gerdau Jo37,4% 1º EUA préstimos. Não caracterizam hannpeter. Em 2008, a Gerdau 18,9% 2º França ANO ARGENTINA DINAMARCA ESPANHA EUA HOLANDA PORTUGAL URUGUAI aumento de capital ou novas adquiriu uma fatia da mexicana 16,6% 3º Holanda 2001 15,24 0,14 14,25 13,08 4,94 6,25 30,69 aquisições Corso Controladora e aprovei5,5% Portugal 4º 2002 13,42 0,07 24,49 17,43 3,08 9,92 18,50 touacriseparaelevarsuapartici4,4% Chile 5º 2003 12,84 0,08 13,97 17,86 5,78 8,40 28,35 ● Investimento Direto pação na espanhola Sidenor. 4,2% Dinamarca 6º 2004 12,78 0,00 21,13 20,00 8,37 6,87 16,57 Investimento Brasileiro DirePara os especialistas, 2009 foi 3,0% Argentina 7º 2005 11,62 0,00 18,13 23,55 16,02 4,75 12,86 to ou o Investimento Estranapenas uma interrupção na ten2,7% Venezuela 8º 2006 6,89 33,00 13,52 13,45 10,68 3,13 5,93 geiro Direto é a soma entre dência de internacionalização. 1,9% Japão 9º 2006 7,71 22,52 13,01 19,88 6,75 4,18 6,27 participação no capital e emPesquisa da Fundação Dom Ca1,5% Espanha 10º 2008 9,67 14,02 14,30 28,99 6,77 3,13 6,92 préstimos intercompanhias bral com 41 companhias indicou *Fluxo, excluindo paraísos fiscais de janeiro a maio **Estoque, excluindo paraísos fiscais que apenas uma não tem planos FONTE: BANCO CENTRAL ELABORAÇÃO: SOBEET INFOGRÁFICO/AE de expandir suas operações no 350 milhões. “Entramos na crise Os objetivos da Braskem com tem contrato de fornecimento tunidades da crise foi a Votoran- exterior este ano. com dinheiro em caixa. O que é a internacionalização são ga- denaftacomaPemex.“Asaquisi- tim,queadquiriu 21,3%daportucrise para uns, é oportunidade nharescalaeteracessoamatéria- ções vão continuar, porque os guesa Cimpor em janeiro, após paraoutros”,dizovice-presiden- prima. É por isso que a empresa planos são passar de oitava para feroz briga com os concorrentes Estados Unidos são alvo das tederelaçõesinstitucionais ede- prevê investir US$ 2,5 bilhões quinta petroquímica do mundo Camargo Correa e CSN. Foi o úl- multinacionais brasileiras senvolvimento sustentável da em um polo petroquímico no até 2020”, disse Lira. timo lance de um processo de Pág. B3 Braskem, Marcelo Lira. México até 2015. A Braskem já Outra que aproveitou as opor- ida para o exterior que começou


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

CELSO MING celso.ming@grupoestado.com.br

Desalento global

U

ma onda de desalento varreu os mercados em consequência da fraca amarração das resoluções tomadas na última cúpula do Grupo dos 20 (G-20)e,maisdoqueisso,daincapacidade demonstrada pelos senhores do mundodearticularumapolíticadesaída do atual estágio da crise. Prevaleceu a regra do cada um por si. Cada país europeu, por exemplo, vai definir seu cronograma de ajuste fiscal, não importando se a redução do consumo e das importações pode prejudicar a recuperação dos vizinhos. Foi o acordo possível diante das divergências irreversíveis entre os interesses dos Estados Unidos e os interesses da Europa. Os Estados Unidos pregavam um aumento das despesas públicas que possibilitassem a recuperação das exportações.

AEuropadefendeuum ajustefiscalimediato, não importando o nível de recessão que pudesse provocar. O ponto de vista europeu é perfeitamente defensável, tanto para o interesse comum da área do euro como para o de seus líderes, a Alemanha e a França. Adotar o velho receituário da austeridade e do aperto fiscal, numa situação de enorme alargamento do déficit público e do alastramento da dívida, tem por objetivo ficar em melhores condições com os credores para a inevitável rolagem da dívida. Do ponto de vista das lideranças europeias, a partir do momento em que apresentarem uma ficha inquestionável, melhores serão as condições que terão para liderar o processo de tomada de decisão em direção a uma política fiscal substancialmente mais coordenada do que a que se viu até agora na União Europeia.

MERGULHO COTAÇÃO DO EURO EM DÓLARES 1,500 1,450 1,400 1,350 1,300

1,255

1,250 1,200 1,150

1º JAN

2 JUL

FONTE: BROADCAST

INFOGRÁFICO/AE

OsEstadosUnidospretendiamocontrário. Pretendiam que a União Europeia seguisse um plano alentado de aumento de despesas, não importando se os índices de endividamento ficassem temporariamente insuportáveis. E esse

Editorial econômico

ponto de vista corresponde apenas aos seus próprios interesses. O resultado disso é claramente uma recuperação econômica bem mais lenta – ou, então, o que os analistas internacionais já vêm chamando de duplo mergulho(doubledip)–,quepode viracompanhada de uma deflação. Se isso acontecer, o impacto sobre as receitas públicas será enorme na medida em que os principais impostos incidem sobre os preços e preços crescentemente mais baixosprejudicamaarrecadação ecomplicam o desempenho da estratégia baseada no aperto fiscal. A pergunta óbvia consiste em saber o que acontecerá com a economia brasileira se prevalecer o diagnóstico do duplo mergulho. Em princípio, nada de especial. A economia brasileira continuará suas exportações para o Mercosul e para a China, com o impacto possível sobre os preços. A atual administração vai terminandoeaeconomia brasileiravai passar por um período de desarrumação, pela excessiva expansão das despesas públicas e pela existência de uma carteira inadiável de projetos trilionários. O novo governo terá muita coisa a colocar em ordem, mas conta com uma vantagem, a de que a economia mundial não deverá provocar grandes estragos ao setor produtivointerno.Tomara,mesmo,que seja mais uma marolinha.

CONFIRA ● CPMF

europeia

Ontem o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, avisou que Alemanha e França vão defender a criação de uma espécie de CPMF, apenas para ser aplicada na área do euro. “Junto com meu colega francês, eu vou pedir à Comissão Europeia nos próximos dias para apresentar uma proposta de regulamentação europeia para um imposto sobre transações financeiras”, afirmou o ministro. ●O

contexto do fracasso

As declarações de Schäuble vieram no contexto do fracasso da última reunião de cúpula do Grupo dos 20 (G-20), realizada no final de semana passado, em Toronto, no Canadá, que rejeitou toda iniciativa de taxar os bancos. ● Amadurecer

o assunto

O Reino Unido também não mostrou entusiasmo pelo novo imposto e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem estudado a adoção de uma nova taxação, admite que a ideia ainda precisa de mais amadurecimento.

Opinião

Indústria investe mais e eleva a renda do pessoal

E a dívida só cresce...

Entre 2007 e 2008, segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA), doIBGE,houveexpressivo aumento tanto do número de estabelecimentos industriais (+10,8%)quantodaremuneraçãomédia do pessoal empregado. São sinais dedinamismodaindústria, comindicadoressuperioresaosdocrescimento do PIB. O Brasil tinha, em 2008, 310 mil indústrias,com7,8milhõesdeempregados, comparativamente às 279 mil indústrias,com7,4milhõesdefuncionários, em 2007. Em média, o número de empregados por companhia diminuiu de 27 para 25, mas o total de ocupados na indústria cresceu 5,5%. Ainda maior foi o crescimento dos gastos com pessoal (16,1%), indicando melhora da remuneração média da mão de obra industrial. Osmaisbeneficiadosforamosfuncionários das indústrias com mais de 5 empregados, incluindo as de grandeporte:asvagascresceram4,9%,enquantoosgastoscompessoalaumentaram 16%. Isso contribuiu para o aumento de 17,5% dos custos diretos de produção, em que também são computados os das matérias-primas. Nos pequenos estabelecimentos foram criadas 64 mil vagas e os gastos com pessoal cresceram apenas 1%.

✽ ●

Nas pequenas indústrias, provavelmente nas que se constituíram em 2008, houve redução, na média, do número de empregados. AsRegiõesSudeste eSulresponderampor80,5%doPIBindustrialbrasileiro – indicando elevada concentração –, mas, enquanto a participação doSulsubiu de18,3% para20,7%,a do Sudeste caiu de 62,2% para 59,5%. Qualquer tendência de desconcentração, mesmo modesta, é positiva, poisrepresentadiminuiçãodasdisparidades regionais. Por ordem de importância para a produçãoindustrial,aindústriadealimentossedestaca em11 das27unidades da Federação, seguindo-se a indústria extrativa, em 6 Estados. Evidenciou-se, assim, o peso dos itens deconsumodemassaedascommodities no setor. A seguir aparecem os segmentos de metalurgia, couros e calçados e fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, cada qual predominando em dois Estados. Em São Paulo, o mais importante é o da fabricação de veículos, reboques e carrocerias – ou seja, itens de alto valor agregado. Numa perspectiva de longo prazo, destaca-se a alta de 18%, entre 2007 e 2008, dos investimentos em ativos imobilizados, indicando que a indústria se preparou para elevar a capacidade de produção. Isso explica o relativo equilíbrio entre oferta e procura numa fase de crescimento rápido.

SUELY CALDAS

N

o Brasil a palavra amortização desapareceu do dicionário. Quer deixar o credor feliz, avise-o que vai rolar, não amortizaradívida.Querverdevedorsofreréfazê-lopagarjurosindefinidamente, torná-lo refém do credor e dos juros. Como quem enxuga gelo. Dívida é feita para rolar, não para pagar – é frase que encantaosouvidosdosbanqueiros,que lucram cobrando juros. Mas no Brasil, seo devedor é o governo, a frase é igualmente bem-vinda, porque os governos preferem usar as sobras do Orçamento com gastos que lhes deem dividendos políticos e eleitorais a amortizar dívida e reduzir despesas com juros. Por isso a dívida pública não para de crescer.SegundooBancoCentral(BC), entre dezembro de 2006 e maio de 2010, a dívida bruta saltou 49%, de R$ 1,336 trilhão para R$ 1,991 trilhão, e hoje equivale a 60,1% do PIB. Logo, logo ultrapassaR$2trilhões.Jáadívidalíquida aumentou só 29%, de R$ 1,091 trilhão para R$ 1,407 trilhão, e, em maio, era 41,4% do PIB. Mas, se é a mesma dívida, porque nãoevoluem iguais?É queo governoLulaandaexagerandonosdribles estatísticos, com empréstimos a bancos públicos e estatais não incorporadosnadívidalíquida.Seusasseoconceito de dívida bruta, que embute essas

operações e hoje é mais respeitado no mundo, constataria que a brasileira, equivalente a 60,1% do PIB, é bem mais elevada do que a média de 43% do PIB dos países emergentes. Veja os dribles pelos números do BC: ● Em dezembro de 2006 os créditos do governo federal junto ao BNDES somavam R$ 9,953 bilhões. Em maio de 2010 deram um salto impressionante de 2.012%, para R$ 210,229 bilhões. Ou seja, o BNDES passou a ser financiado com endividamento do Tesouro, em três operações que somaram R$ 202,5 bilhões, não saíram do Orçamento, não foramvotadaspeloLegislativo,premiaramosetorprivadocomjurossubsidiados e o contribuinte pagou a conta. ● Em dezembro de 2006 os créditos do governo a bancos oficiais (Banco do BrasileCaixaEconômica)somavamR$ 12,343 bilhões. Em maio de 2010 eram R$ 230,101 bilhões, um salto extraordináriode1.816%.Novamente,édívidado Tesouro financiando o setor privado com juros subsidiados. ● Com isso os créditos dribladores sãozero,nadívidalíquida,ejárepresentam 22% da bruta. Asaúdefinanceiradeumpaísémedidaporindicadoreseconômicos,comoo tamanho da dívida e sua capacidade de pagamento. E débitos só diminuem amortizando seu estoque. Ao reduzir suadívida, o paíspaga juros maisbaixos em empréstimos externos e é bem avaliado como receptor de investimentos produtivos. Ou seja, além de progresso econômico, amortizar a dívida alivia a despesacomjuroseopaísrespiraasen-

sação de não estar jogando dinheiro fora. Mas há momentos apropriados para reduzir a dívida. É quando a economia cresce,o emprego e arendaprosperam, a receita tributária dispara e sobra dinheiro no Orçamento. Erafinalde2005,eaeconomiavoltou acrescer, navegandona boa maré mundial.FoiquandoogovernoLulaarquitetou um plano de ajuste fiscal de longo prazoqueimplicavatambémamortizar sua dívida. Preparado pelo ex-ministro daFazendaAntonioPalocci eoatual do Planejamento, Paulo Bernardo, o plano deveria durar dez anos e tinha por metas reduzir gastos do governo, garantir superávits primários crescentes, amortizar a dívida e abrir caminho para um crescimento econômico livre de riscos. Mas a ideia foi bombardeada pela hoje candidata do PT, Dilma Rousseff, que desqualificou o plano dos ministros, o classificou de “rudimentar” e disse que o presidente Lula não o aprovaria. Em outubro de 2005 o superávit primário estava em 6,1% do PIB, acima da meta de 4,25%. Gastar e reduzir o superávit virou questão de honra para a ministra. E aí o governo repetiu o que sabe fazerbem:gastarmal.Assobrasdosuperávitforamaplicadasnumaoperaçãotapa-buracos nas estradas, que as chuvas de verão trataram de destruir dois mesesdepois.Paloccicaiu,Dilmaganhoua briga, o governo seguiu gastando mal e pagando juros que só crescem. ✽ JORNALISTA E PROFESSORA DA PUC-RIO E-MAIL: SUCALDAS@TERRA.COM.BR

Panorama Econômico ROBERTO LAVAGNA

BARACK OBAMA

JOHN LIPSKY

EX-MINISTRO ARGENTINO DE ECONOMIA

PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS

VICE-DIRETOR-GERENTE DO FMI

“A resistência europeia ao avanço das negociações comerciais com Mercosul não é problema para o bloco sul-americano.”

“Estamos lutando (governo)para acelerar a recuperação e manter o crescimento econômico de todas as formas possíveis.”

“Ainda existem consideráveis riscos de uma retração na economia, decorrentes da frágil perspectiva para a zona do euro.”

COMÉRCIO EXTERIOR

UE vai denunciar a Argentina na OMC A primeira rodada de negociações entre o Mercosul e a União Europeia terminou na sexta-feira, em Buenos Aires, com o anúncio oficial da UE de denunciar a Argentina à Organização Mundial de Comércio por restringir as importações locais de alimentos europeus. “Vamos levantar esta questão junto ao Conselho da OMC”, disse o dire-

tor-geral adjunto de Comércio europeu, João Aguiar Machado. PETRÓLEO

Repsol investigará vazamento de 2009 Um tribunal espanhol abriu processo para investigar se a empresa de energia Repsol foi responsável por vazamentos de petróleo ao realizar perfurações no Mediterrâneo no ano passado, informou ontem o jornal El Pais.

ESCÂNDALO

“Estamos num momento muito especial. Com o avanço dos novos projetos, esperamos um crescimento de 9% do PIB do setor este ano.” PAULO SIMÃO PRESIDENTE DA CÂMARA BRASILEIRA DE INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

TV CHANNEL/AFP

● Ranking

Herdeira da L’Oréal nega pressão

O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial em número de IPOs no primeiro semestre

Liliane Bettencourt, herdeira da L’Oréal, negou ontem, em entrevista à tevê francesa, ter sofrido pressão para se desfazer de parte de sua fortuna. Liliane, de 87 anos, assegurou que JeanFrançois Banier, acusado pela filha da herdeira, Françoise Bettencourt-Meyers, de ter se aproveitado de sua mãe para obter presentes avaliados em cerca de

US$ 3,8 bi € 1 bilhão, não a pressionou. As declarações foram feitas no dia seguinte ao início de um processo iniciado por Francoise alegando que Liliane não tem condições de administrar a fortuna de € 17 bilhões.

foi o total arrecadado com as ofertas públicas iniciais (IPOs, pelas iniciais em inglês)

US$ 2,82 bi foi o levantado pela OSX, do empresário Eike Batista


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Estados Unidos tornam-se alvo de multinacionais brasileiras As multinacionais brasileiras estão se aventurando além do seu “quintal”, a América Lati-

Empresários querem acordo de bitributação Comaretomadadosinvestimentosno mercado americano,cresce a pressão dos empresários por um acordo de bitributação entre Brasil e Estados Unidos. Esse tipo de acordo elimina a cobrança de impostos em ambos os países e impede tratamento tributário discriminatório. Em2007,ospresidentesbrasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e americano,GeorgeW.Bush,assinaram um comunicado em que se comprometiam a aprofundar a discussão sobre o tratado, mas até agora não houve avanços. “Ainda tem discussões técnicas, mas o assunto está maduro. Falta vontade política”, disse o diretor executivo da Coalizão de Empresas Brasileiras em Washington, Diego Bonomo. Uma das principais resistências está na Receita Federal, que teme perder arrecadação, porque os investimentos dos EUA no Brasil ainda são superiores aos brasileiros no mercado americano. Com o tratado em vigor, cada empresa só pagaria impostos em seu país de origem. Os empresários argumentam que a diferença está diminuindo e, com o aumento dos investimentos brasileiros no exterior, a tendência é de equilíbrio. Em 2000, para cada US$ 1 que o Brasil investiu nos EUA, os americanos colocaram US$ 22 no País. Em 2008, foi US$ 1 para US$ 4. Agrande ambiçãodo setorprivadoéumtratadodeinvestimentos, que seria um segundo passo. Esse assunto é ainda mais polêmico, porque permite que empresas estrangeiras processem os governos. Liderançasempresariaisargumentam que um tratado de investimentos também pode ser benéfico para o Brasil. Tradicionalmente, os EUA são um país aberto, com custos de transações baixos. Mas com a crise tornaram-se mais reticentes. O JBS, por exemplo, enfrenta forte oposição no Congresso.

na. Os Estados Unidos, o maior mercado do mundo, tornou-se o alvo dos investimentos verde-amarelos. Nos primeiros cinco meses

desteano,40%dofluxo deinvestimentos brasileiros diretos foi para os EUA. O cálculo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da

dos funcionários no exterior, o frigoríficoJBScomeçou aexpansão internacional pela Argentina, mas consolidou o processo nos EUA. A empresa é hoje o maior processador de carne do mundo depois de adquirir ícones americanos: a Swift (2007) e a Pilgrim’s Pride (2009). “O investimento nos Estados Unidoséumreflexodamaturidade das empresas brasileiras, que

foram ganhando musculatura”, disseogerentedeinternacionalização da Fundação Dom Cabral, Sherban Leonardo Cretoiu. “A experiência das empresas brasileiras vai permitindo voos mais altos. Ter uma unidade no mercadoamericano dástatusinternacional para a empresa”, acredita o CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

O sonda preparou um festival com a maior variedade de queijos e vinhos. Venha degustar estas ofertas. vinhos

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Raquel Landim

Globalização Econômica (Sobeet) exclui paraísos fiscais. Aparticipaçãoamericanacresceuàmedidaqueosvizinhosperderam espaço. Em 2001, quase metade (46%) dos estoques de investimentosbrasileiros estava na Argentina e no Uruguai. Em 2008, caiu para 17%. No mesmo período, a participação dos EUA subiu de 13% para 29%. Com 84% nas vendas e 64%

Economia B3

Vinho português Dão Meia Encosta Tinto 750 ml

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Paraísos fiscais. Hoje o que

tramita no Congresso do Brasil é um acordo de troca de informaçõestributárias.OsEUAsónegociam esse tipo de documento com paraísos fiscais, mas aceitaram discutir o assunto a pedido do governo brasileiro. “Se for aprovado, éumprimeiro passo gigantesco”, diz o presidentedaseçãobrasileiradoConselho Brasil-Estados Unidos, Henrique Rzezinski. Ele disse que a discussão avançou e o setor privado trabalha para conseguir a aprovação ainda este ano. O CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico, afirma que muito dinheiro dos investidores brasileiros chega nos EUA via paraíso fiscalporfaltadeacordos.Segundoele,éumdosfatoresqueexplicam o expressivo investimento brasileiro nas Ilhas Cayman. O único mecanismo que regulao comérciobilateral entre Brasil e Estados Unidos é o Sistema Geral de Preferência (SGP), que reduz tarifas de importação para alguns produtos brasileiros no mercado americano. Mas tratase de um benefício, que pode ser retiradoaqualquer momentopelo governo dos EUA. /R.L.

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2

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● Cobrança

DIEGO BONOMO DIRETOR EXECUTIVO DA COALIZÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS EM WASHINGTON

“Ainda há discussões técnicas, mas o assunto está maduro. Falta vontade política (sobre o acordo de bitributação entre Brasil e EUA que foi assinado em 2007 mas não houve avanços)”

ABC • ÁGUA BRANCA • BOAVISTA SHOPPING • CIDADE DUTRA • EDGAR FACÓ • JAÇANÃ • MARIA CÂNDIDA • PARQUE DA MOOCA • PENHA • POMPÉIA • SÃO JOSÉ DOS CAMPOS • TATUAPÉ • TREMEMBÉ • VILA CARRÃO • VILA RIO Ofertas válidas até 08/08/2010 ou enquanto durarem nossos estoques. Ofertas válidas somente para as lojas acima. GARANTIMOS A QUANTIDADE MÍNIMA DE 10 UNIDADES POR LOJA. Para prestarmos melhor atendimento, nos reservamos o direito de limitar, por cliente, a quantidade dos produtos anunciados. São proibidas a venda e a entrega de bebidas alcoólicas a menores de 18 (dezoito) anos (art. 81, II do Estatuto da Criança e do Adolescente). APRECIE COM MODERAÇÃO. Fica ressalvada eventual retificação das ofertas veiculadas. Fotos meramente ilustrativas. Aceitamos os seguintes vales-alimentação: SABESP Supermercado - Top Premium - IMPORTANTE: VR Alimentação, Sodexho Pass Alimentação, Ticket Alimentação, Visa Vale Alimentação, Planvale Alimentação, Verocard, Sorocred e Bônus Alimentação: aceitamos só na modalidade CARTÃO ELETRÔNICO. Consulte os endereços das lojas no site

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B4 Economia %HermesFileInfo:B-4:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

AMIR KHAIR ✽ ●

Índice de Gini. Sem dúvida ocorreram avanços nestes últimos anos no desenvolvimento econômico e social e sucesso no enfrentamento da crise. O índice deGini,queserveparaavaliaradesigualdade de renda, estava estagnado em 0,60 até 2001, vem caindo linearmente, devendo estar próximo de 0,53 neste ano. Ele varia de zero a um. O zero é a igualdade absoluta, sem diferenças entre os cidadãos. A última Pesquisa do Orçamento Familiar (POF) 2008/2009,comprovouisso.Resta,contudo, muito por fazer para remover/ abrandar os entraves da distribuição de renda e tributária. Seguem algumas sugestões. 1) Ampliar políticas de redistribuição de renda, com continuidade de aumento do SM acompanhando a evolução do PIB, ampliação do valor destinado ao Bolsa Família e outros programas de inclusão social, através de priorização orçamentária e gestão mais eficiente dos recursos. O maior nível do SM reduz as diferenças salariais, empurra para cima oconjuntode saláriosda basedapirâmide social e injeta recursos na economia. A ampliação do Bolsa Família e outros programas de inclusão social permitem melhorcondiçãodevida paraimportante parcela da população de baixa renda. 2) Adequar as taxas de juros (Selic e ao tomador) a níveis internacionais. A redução da Selic diminui despesas do governo federal e estimula os investimentos privados. A redução das taxas de juros beneficia empresas e consumidores, favorecendo o crescimento. Para isso: a) impor limite ao impacto fiscal da política monetária; b) diferenciar as exigências de depósito compulsório de acordo com as taxas de juros cobrados pelos bancos; c) continuar a política de expansão dos bancos oficiais na oferta de crédito com taxas de juros menores. 3)Reduzir o custodevida doscomponentes mais importantes do orçamento familiar: alimentação, habitação, transporte coletivo, concessionárias (energia elétrica, telefone, água e esgoto e gás de cozinha) e remédios. Na alimentação é importante a aproximação logística entre o produtor agrícola e o consu-

akhair@amirkhair.com.br

Entraves ao desenvolvimento

I

midor, reduzindo custos de intermediação, melhorando a renda no campo e beneficiando consumidores. Na habitação, programas exitosos como Minha Casa, Minha Vida devem ter continuidade. No transporte coletivosãonecessáriosinvestimentosmaciçosemtransportes demassa, como o metrô e redução dos custos do diesel, desoneração tributária e crédito barato para compra de ônibus. Para as despesas com concessionárias, estabelecer estruturas tarifárias com maior progressividade. Nos remédios de uso popular, ampliar a gratuidade e a logística de acesso. 4) Reduzir/zerar as alíquotas dos tributos indiretos (ICMS, PIS, COFINS, ISS e IPI) para bens e serviços deconsumopopular,mediantetransparência do peso de cada tributo no bem ou serviço ofertado. Compete aosgovernadoresdeEstadoadesoneração do ICMS, responsável por cerca da metade da tributação sobre o consumo. É fundamental o papel da mídia nessa questão. 5) Reduzir os preços ex-refinaria e margens de distribuição para óleo diesel e gás de cozinha (GLP) e eliminar a tributação da Cide. Compensar essas reduções via ampliação do consumo e elevação de preços de outros derivados do petróleo (subsídio cruzado). O diesel tem peso relevante para o transporte coletivo e de cargas. Sua redução diminui custos de locomoçãoedefretes,comcontribuição importante à queda da inflação. 6) Ampliar os estímulos à produção agrícola, via crédito, seguro de safra e preços mínimos, para garantir maior oferta de alimentos. 7) Reduzir a inflação para preservar o poder aquisitivo das camadas de menor renda. Para isso, além das medidas sugeridas, adotar rigoroso controle sobre os setores com poder de formação de preços (como no caso dos minérios de ferro e aço), evitando choques de oferta, e adequar tarifas/quotasdeimportaçãoeexportação para maximizar a oferta interna de produtos. Caso o próximo governo dê sequênciaaessaspolíticas,o País poderá crescer a taxas superiores a 7% ao ano, sem riscos de inflação e com maior justiça social.

licitante se sinta prejudicado. Se isso ocorre, o que é frequente, a demora da decisão judicial pode ocasionar que a obra fique só no papel.

mportantes entraves para o desenvolvimento do País estão na distribuição de renda e na incidência tributária sobre ela. Apenas 1% dos brasileiros mais ricos detém uma renda próxima dos 50% mais pobres. Quem ganha até dois salários mínimos (SM) paga 49% dos seus rendimentos em tributos e quemganha30SM,paga26%.Ofortalecimento do mercado interno passa pelo enfrentamento destes entraves. No confronto internacional, apesar de avanço nos últimos anos na distribuição de renda e na incorporação de novos consumidores, a posição do País quanto a esses entraves deixa a desejar. Isso cria um peso ao Estado para arcar com elevado déficit social tendo recursos limitados para isso, devido ao insuficiente nível de produção e consumo existentes. Junto com a baseda pirâmide social éprejudicada a maioria da população e as empresas, pois poderiam produzir e lucrar mais expandindo seus negócios. Não compete ao setor privado resolver esses entraves, mas ao governo (Executivo e Congresso) e para issodeve atuar para propiciar melhores condições de vida à população de menor renda. Existem divergências quanto à estratégia de ataque a esses entraves. Alguns defendem que o crescimento econômico deva vir através de menor consumo para gerar poupança e permitir maior investimento. Com maior investimento cresce a produção e o emprego. Afirmam que para garantir crescimento sustentável de 5% ao ano é necessário investimento de 22% do Produto Interno Bruto

(PIB). Na questão tributária defendem a simplificação do sistema para reduzir os custos de administração tributária das empresas ea reduçãoda cargatributária, que beneficia a todos. Outros defendem que o maior nível de consumo é que cria as condições para o crescimento dos investimentos. E que os investimentos são gerados, principalmente, pelas empresas, com os lucros ampliados pelo maior consumo. Põem em dúvida a necessidade de 22% do PIB em investimentos para crescer 5% ao ano, pois durante 30 anos, de 1951 a 1980 o investimento foi de 19,2% do PIB e o crescimento 7,4% ao ano, com produtividade inferior à atual. A Confederação Nacional da Indústria prevê que neste ano os investimentos atinjam 19,4%doPIB. Defendemamelhordistribuição na sociedade da carga tributária e vinculam sua redução à da despesa com juros no setor público. Nos últimos 15 anos a carga tributária foi de 30,8% do PIB, os juros 7,5% do PIB, sobrando 23,3% do PIB (30,8 menos 7,5) para o setor público desempenhar suas funções. Na zona do euro, no mesmo período, a sobra foi de 42,5% do PIB. Desde 2004 foi ganhando força dentro do governo a corrente que defende a expansão do consumo como melhor estratégiapara criaras condiçõesnecessárias ao desenvolvimento econômico e social. Para isso foram adotadas políticas, com destaque para elevação do SM, Bolsa Família, crédito consignado e plano habitacional para rendas médias e baixas. Apostou-se que a reação das empresasseriafavorávelbuscandoaproveitar a oportunidade criada por um maior mercado interno e os investimentos viriam em consequência. É o que está ocorrendo.

Infelizmente, na distribuição da carga tributária, nada mudou. Historicamente as propostas de reforma tributáriapassaramaolargodaquestãodajustiça tributária. Focaram a simplificação do sistema, como se isso conduzisse à redução da carga tributária. Propostas de melhor distribuição da carga tributária sobre os que pagam as contas do governo, ou não saem do Executivo, ou se saem,morremnoCongressoounoJudiciário. Outra questão que merece reflexão é o considerado baixo índice de investimentos do setor público não estatal, da ordem de 3% do PIB. Não creio que o governo, via Tesouro, seja o melhor caminho para elevar o índice de investimentos do País. O foco para ampliar investimentos deve ser nas empresas, que respondem por 90% deles e o governo

Propostas de melhor distribuição da carga tributária ou não saem do Executivo, ou morrem no Congresso optou nessa direção com o PAC e o BNDES. Vale destacar que as obras de interesse público, ligadas à infraestrutura e logística são feitas pelo setor privado via regime de concessão. Os recursos para essas obras públicas vêm das empresas, de participação do BNDES como acionista ou financiador e dos fundos de pensão estatais. A parcela de recursos do Tesouro da União, dos Estados e dos Municípios é pequena neste conjuntoesujeitaatodasortedeemperramentos burocráticos pelo crescente cipoal legislativo. A lei nº 8.666 de 21/06/93, que regula as licitações, é um dos principais entraves burocráticos e fonte de demanda judicial, caso algum

2º semestre começa com ritmo forte Apesar de pequenas reduções nas perspectivas de crédito e emprego, o nível de atividade pode ser comparado ao período pré-crise

l Expectativas para o trimestre em relação ao período imediatamente anterior EM PORCENTAGEM DOS EMPRESÁRIOS LEGENDA

59 52

6

6

10

IR 4

R

2

Investimento 54

Emprego

33

29

31

LH

3

1

9 52 54 56

PRAZO, LIMITE, TAXA DE JUROS

7

Condição do crédito

ME

CO

3º TRI.

19

38

AM

OR

33

PL

32

37

IAR

FONTE: PESQUISA SERASA EXPERIAN DE EXPECTATIVA EMPRESARIAL

comércio e do setor de serviços revela que há pequenas reduções nas expectativas em relaçãoaocrédito,empregoeinvestimentos a cada trimestre, mas o cenário ainda é muito favorável. Em dezembro, 6% dos empresáriosachavam queascondições de crédito no primeiro trimestre de 2010 seriam piores em relação ao anterior. No segundo trimestre, essa fatia subiu para 15%

e no terceiro trimestre para 19%. Em contrapartida, a fatia dos que acham que as condições de crédito vão se manter ou melhorar em relação ao trimestre anterior é ainda muito elevada. Essa parcela era de 85% no primeiro trimestre, caiu para 85% no segundo trimestre e está em 81%. Com relação ao emprego, que é um indicador de como vai se comportar a atividade, os resul-

NT

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15

MA

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D E M IT

1º TRI. 2º TRI.

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C

Serasa Experian com cerca de mil executivos da indústria, do

PEQUENO AJUSTE

R

Ajuste. Pesquisa Empresarial

Em casa. A Cromex, que produz pigmentos, inicia julho com 30% do faturamento em casa

TE

fabricante de filmes flexíveis para embalagens, registra aceleração nas encomendas para o segundo semestre, entre 5% a 8%, na comparação com o primeiro semestre. José Ricardo Roriz Coelho, presidente da empresa, conta que começou julho com 20 dias de pedidos em carteira, o que é muito positivo. “O segundo semestre será bem melhor que o primeiro. O que preocupa é a exportação”, diz Roriz. Os filmes flexíveis são usados principalmente nas embalagens de alimentos e bebidas. Com a Copa do Mundo, as vendas de refrigerantes e salgadinhos crescem e há perspectiva de forte reposição dos produtos. “Nãovejodesaceleração”,afirma o presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. Ele observa que a perspectiva é de que a produção industrial feche o ano com aumento de 8%. No primeiro semestre, o crescimento deve ter oscilado entre 8,5% e 9%, calcula.

AN

Essecenário já aparece nasencomendas. Mal começou julho e aCromex,quefabricaconcentrados de cor e aditivos para plásticos usados pelas indústrias de eletrodomésticos, automobilística, entre outros setores, tem 30% do faturamento do mês na sua carteira de pedidos. Cesar Ortega, diretor comercialdaempresa,contaqueencerrou o primeiro trimestre com crescimento da produção de 32% em relação ao ano anterior. Essa taxa já foi menor no segundotrimestre(26%).Paraoterceiro trimestre, ele acredita que, apesar da base de comparação mais forte, a velocidade do crescimentodeveseacelerarporcausadasazonalidademais fortepuxada por datas importantes, como o Dia das Crianças e o Natal. Com duas unidades de produção, Ortega decidiu iniciar neste mês umterceiro turno na fábrica da Bahia. Com a instalação de uma nova máquina, ele vai ampliar 1.800 toneladas mensais a sua capacidade mensal. O Grupo Orsa, um dos maio-

Mais encomendas. A Vitopel,

A DI A R

FGV indica que a disposição de comprar bens duráveis é crescente. Em junho, o indicador de intenção de adquirir bens duráveis para os próximos seis meses cresceu pelo quarto mês seguido. No mês passado, 15,1% dos consumidores pretendiam ampliar as compras e 27,3% diminuir. Em maio, 14,1% dos consumidores planejavam aumentar as compras e 28,1% reduzir. “A confiança do consumidor continua subindo e o ajuste nos bens duráveis deve durar apenas um trimestre (o segundo)”, afirma o superintendente da FGV, Aloisio Campelo. Ele diz que o indicador começa agora a se distanciar de seu nível médio histórico.

6

● Sondagem do Consumidor da

M

Crédito e imposto. Com a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) integral para carros e eletrodomésticos e a elevação da taxa de juros, fabricantes de bens duráveis pisaram no freio em abril. Mas a evolução positiva do crédito de longo prazo e da renda, nos últimos meses, deve contrabalançar o efeito negativo da alta dos juros e do IPI no consumo.

Cresce a disposição de consumo

IGUAL

A indústria e o comércio iniciam o segundo semestre com ritmo forte de atividade, apesar de reduçõesmarginaisdosegundopara o terceiro trimestre, apontam duas pesquisas de opinião feitas com empresários. O temor do superaquecimento do primeiro trimestre, quandoo PIB cresceu 2,7% ante o último de 2009 e 9% na comparação com igual período do ano anterior,ficouparatrás,dizemoseconomistas. Mas eles ponderam quea atividade econômicasegue em nível elevado, comparável aos bons momentos pré-crise. A produção prevista da indústria para três meses subiu em junhopelosegundomêsconsecutivo, aponta a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformaçãoda FundaçãoGetúlioVargas (FGV). No mês passado, 44,4%das cercademil indústrias consultadas apostavam numa produção maior para o período de junho a agosto. Em maio, essa participação era de 40,5% e, em abril, de 38,4%, quando houve uma forte retraçãoemrelação aomês anterior (45,1%). Os resultados são comparáveis porque estão livres dasoscilaçõessazonais,quenormalmente ocorrem de um mês paraoutro.“Mantém-seaexpectativa de desaceleração do ritmo de atividade, mas a evolução do indicadorsinalizaqueamagnitude esperada para a desaceleração já foi mais intensa”, diz o superintendenteadjunto deCiclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.

MARCIO FERNANDES/AE

res do segmento de embalagens de papelão ondulado, que é um bomtermômetrodoritmodeatividade, também começou julho com crescimento de encomendas. Segundo o presidente do Grupo, Sergio Amoroso, o aumento nos pedidos deste mês é da ordem de 4% sobre junho. Com 100% da produção voltadapara omercadodoméstico,direcionado para embalagens de eletrodomésticos da linha branca, alimentos, e produtos de higieneelimpeza,aempresatrabalha hoje à plena carga. Amoroso contaqueencerou oprimeiro semestre comcrescimento de 20% na comparação com igual período de 2009. Para este semestre, como a base de comparação é mais forte, ele prevê crescimento entre 3% e 4%. “Há uma acomodaçãodo ritmo de atividade.”

PIOR

Márcia De Chiara

TR

AT AR

62 56 62

38 34

INFOGRÁFICO/AE

tados são mais robustos. Em dezembro de 2009, 4% das empresas informaram que pretendiam demitir no primeiro trimestre. Esse resultado subiu para 6% no trimestre seguinte e se manteve nesse patamar neste trimestre. Jáafatiadeempresasquepretendemcontrataroumanteros quadros estava em 96% no primeiro trimestre e desde o segundo trimestre se mantém em 94%.


%HermesFileInfo:B-5:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

ROBSON FERNANDJES/AE–5/3/2010

Construção vive novo milagre econômico Entre 2003 e 2008, valor total das obras do setor teve crescimento real de 60% Renée Pereira

Uma nova onda de investimentos públicos e privados renovou os ânimos da construção civil, que tem batido recordes de produção e emprego mês a mês. Depois de atingirem o fundo do poço na depressão financeira dos anos 80 e 90, agora as construtoras comemoram um novo “milagre econômico”, a exemplo do que ocorreu na década 70. Entre 2003 e 2008, o valor totaldas obras dosetorteve crescimento real (descontada a inflação) de 60% – bem acima dos 26,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. O forte movimento foi impulsionado especialmente pela retomada das construções para o setor público,cujo avançofoide 69,5%,conforme dados do Instituto Brasi-

leiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os projetos da iniciativa privada, que respondem pela maior parte do volume total de obras (56%), cresceram 54,6%. Toda cadeia da construção civil representa 9% do PIB total do País (só a construção civil, 5%). Emboranadécadade70essaparticipaçãotenha atingido 15%,hoje o volume total de obras é muito maior, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria

Entre 2008 e 2009, o faturamento das construtoras apresentou crescimento nominal de 60%, segundo levantamento do setor divulgado pela revista ‘O Empreiteiro’

da Construção (Cbic), Paulo Simão. “Estamos num momento muito especial. Com o avanço de novos projetos, esperamos um crescimento de 9% no PIB do setor este ano.” O executivo comenta que o ProgramadeAceleraçãodoCrescimento (PAC), uma espécie de grife do atual governo que anda mais devagar que o necessário, ajudou a fortalecer o ressurgimento da construção civil, sufo-

Volume de obras EM BILHÕES DE REAIS

PRIVADAS

FATURAMENTO EM BILHÕES DE REAIS

TOTAL

73,82

94,04

100,01

110,68

128,05

43,12

53,23

58,32

7%

3,7

51,32

30,71

47,14

63,54

2009

4,5

67,63

41,68

2002

4,9

154,13

76,73

2004

2005

1,9

1,9 1,3

2006

2007

tem participação na Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, administra a concessão da Rodovia Dom Pedro I (SP) e é controladora da Braskem, maior petroquímica do País. A Camargo tem participação na indústria de cimentos e detém participação expressiva em importantes empresas do setor elétrico, como a CPFL. A Andrade Gutierrez é uma das sócias da operadora de celulares Oi. “A busca por novos mercados deve aumentar ainda mais nas próximas décadas com novas concessõesdeserviçospúblicoseParcerias Público-Privadas (PPPs)”, diz Endo. Ele tem razão. A Mendes Júnior, que nos últimos anos ficou foradesse movimento, já faz planos de explorar algumas áreas, como a concessão de rodovias, energiaelétricaesaneamentobásico. “Agora é o momento oportuno para entrar nessas áreas”, diz o vice-presidente de mercados da Mendes Júnior, Sérgio

PARTICIPAÇÃO NO PIB

86,50

0,9

1,3 0,9

2008

NORBERTO CAMARGO ODEBRECHT CORRÊA

ANDRADE GUTIERREZ

QUEIROZ GALVÃO

1,1

1,0

0,9

0,6 0,1

2003

9%

CRESCIMENTO ANUAL ATÉ 2013

2,8

OAS

DELTA

0,2 CARIOCA

0,1 GALVÃO

0,9

0,1

0,2

WTORRE

GAFISA

INFOGRÁFICO/AE

Construtoras investem na diversificação das atividades

A retomada da construção civil no Brasil tem sido acompanhada deum movimentodediversificação das atividades das empresas. Ao contrário do passado, hoje elasnãoqueremserapenasaempreiteira da obra. Elas querem construir, fazer a manutenção e administrar os ativos, afirma o sócio da consultoria KPMG, Maurício Endo. Segundoele, daquipara afrente a tendência é que esse tipo de negócio se fortaleça cada vez mais dentro dos grupos construtores. Hoje há grandes nomes da construção liderando negócios bilionárioscomoenergia,telecomunicações e saneamento, entre outros segmentos. A Odebrecht, por exemplo,

mos dois anos, o faturamento da companhia quase dobrou. O mesmo ocorreu com a Galvão. Só em 2009, as receitas da companhia avançaram 106%, de R$ 1 bilhão para algo em torno de R$ 2 bilhões. “O resultado foi influenciado especialmente pelo setor de óleo e gás, que cresceu 130%na empresa”, afirma o diretor da Galvão, Guilherme Eustaquio Barbosa. Entreaslíderes dosetor–Ode-

Ranking dos maiores PÚBLICAS

FONTES: IBGE, BNDES E CBIC

Além da construção, elas lideram negócios em energia, telecomunicação e saneamento, entre outros segmentos

cado durante os anos 80 e 90. “Apesar das críticas, o programa foi um indutor do crescimento”, afirma a consultora da FGV Projetos, Ana Maria Castelo. Um exemplo da retomada do setor é a construtora Mendes Júnior, que comandou o milagre econômico na década de 70 e se afundou nas chamadas décadas perdidas. Segundo o vice-presidente de mercados da empresa, Sérgio Cunha Mendes, nos últi-

AVANÇO DA CONSTRUÇÃO

40,82

● Ranking

Impulso. Obras do trecho sul do Rodoanel, que também receberam recursos do PAC

Cunha Mendes. Segundoele,aempresa temalgumas propostas de prefeituras para atuar na área de saneamento básico. “Além disso, estamos olhando com cuidado as oportunidadesnoRodoanelde SãoPaulo e algumas PPPs de estádios, além de portos.” Outro plano da empresa é entrar no mercado de habitação a partir de 2011. A Galvão já entrou nessa onda de diversificação de negócios. Hoje a empresa investe em três segmentos: saneamento, onde participa de uma PPP com a Sabesp e outras prefeituras, energia elétrica e infraestrutura para a área de óleo e gás. Segundo o diretor Guilherme Eustaquio Barbosa, a empresa tem uma divisão para investimentos no setor naval. “No momento,estamosnafasedepreparação de terreno para a instalação de um estaleiro no País. Isso pode ocorrer em parceria com grupos nacionais ou estrangeiros”, afirmou o executivo. / R.P.

COMARCA DE CONTAGEM – 2ª VARA DA FAZ. PÚB., FALÊNCIAS, CONCORDATAS E REG. PÚB.-EDITAL DE LEILÃO–LEI N.º 11.101/2005 - FALÊNCIA DE UNISA UNIÃO IND. DE BORRACHA S/A - PROCESSO. Nº 0079.96.005870-3 – A Dra. Giovanna Elizabeth Costa de Mello Paiva, Juíza de Direito da 2ª Vara da Faz. Pub., Falências, Concordatas e Reg. Pub. da Comarca de Contagem, Estado de Minas Gerais, na forma da lei, etc... FAZ SABER a todos quanto o presente edital virem ou dele conhecimento tiverem, nos termos do artigo 140, inciso I c/c art. 141, inciso I da Lei 11.101/2005, que no dia 06/08/2010, às 14 hs, no Salão do Trib.do Júri do Fórum Dr. Pedro Aleixo, Pc.Tiradentes, 155, Contagem/MG, o leiloeiro oficial DILSON MARCOS MOREIRA, com a presença do Adm. Judicial, do Comitê de Credores e do rep. do Ministério Público, trará a público a venda dos bens da sociedade falida a quem oferecer o maior valor dos bens arrecadados da Massa Fal.de UNISA União Ind. de Borracha S/A, CNPJ n.º 17.266.529/0001-54, não inferior ao apresentado na aval. dos autos nº 0079.96.005.870-3, conf. decidido na Assembléia Geral de Credores, realizada em 21/02/2008. Segue relação dos bens imóveis:1-1.1-Mat.nº 47.359, Lv 2, Fl 01 e 02 do Cart. do Reg. de Imóveis de Contagem/MG. - Imóvel Const. pelo domínio útil de terreno na Cidade Ind. de Contagem/MG, representado pelo Lt. 1, qt. 46, com área de 3.050m², 5 m na Av. III, a partir da divisa com o Lt. 02, 42m na Pc. E, 70m na Av. IV, 35m na divisa com o Lt. 17, e fechando o polígono 100m na divisa com o Lt. 02. Penhora nos autos Carta Prec. 0130-7/95 – 4ª Vara Cível de Contagem; Credor: UNIBANCO – União Nac. dos Bancos, Pr.: 0079.95.009.829-7; Credor: Faz. Púb. do Est.de Minas Gerais, Pr.s: 0079.98.009.768-1, 0079.97.020.574-0, 0079.97.018.341-8, 0079.99.008.008-1, 0079.97.003.287-0 e 079.99.036.953-4; Credor: Faz. Pub. do Est.de Goiás, Pr.: 079.02.031.418-7. Arrolamento de bens e direitos pela Faz. Nac.. Mandado de penhora expedido nos Autos nº 0079.06.290.387-1, do Juízo da 1ª Vara da Faz. Pub. Mun.de Contagem, prenotado sob o nº 296.005, aos 15/07/2008. Imped. judicial - Credor: 3ª Vara do Trab. de Contagem-MG, Pr.: 00012-2005-031-03-00-9 (Adailton G.Silva +397).1.2Mat.nº 53.356, Lv 2 , Fl 01 e 02 do Cart. do Reg. de Imóveis de Contagem/MG. - Imóvel const. pelo Lt 5 e parte do Lt 6 do qt 46, Cidade Ind. de Contagem/MG, com área aprox. de 3.640m², com medidas e conf.: “32m P/ R. 04, 72m na divisa com Lt.s 16 e 17, e 82 na faixa da Cemig, fechando o polígono. Hip. – credor: Banco do Brasil S/A, origem: Cédula de Crédito Ind. nº 91/00003-3 (1º lugar) e nº 94/00200-2 (2º lugar). Penhora – credor: Faz. Pub. de Minas Gerais, Pr.s: 0079.98.009.768-1, 0079.97.020.574-0, 0079.97.018.341-8, 0079.97.003.287-0, 0079.99.036.953-4; Arrolamento de bens e direitos pela Faz. Nac.. Imped. judicial - Credor: 3ª Vara do Trab. de Contagem-MG, Pr.: 00012-2005-031-03-00-9 (Adailton G.Silva +397).1.3-Mat.nº 47.663, Lv 2, Fl 1 e 2 do Cart. do Reg. de Imóveis de Contagem/MG. Imóvel: Pt. LT. 16, Qd 46, área aprox. de 3.017,00m², na Cidade Ind. Cel. Juventino Dias, neste Município, tendo a seguinte desc.: Inicia no ponto A, no alinhamento da Av. IV, a 120m da esq. da pc. E com essa Av. ponto esse na divisa com o Lt. 17. Com o rumo de aprox. 31º NE e distância aprox. 70m em linha reta, confrontando com o Lt. 17 alcança o ponto B, do qual com aprox. 90º de deflexão à dir. e aprox. 28m em linha reta alcança o ponto C. Defletindo à dir. com aprox. 64º30' e seguindo por 55,00m em linha reta, alcança o ponto D. Com aprox. 25º15' de deflexão à dir. e seguindo por aprox. 20m em linha reta, alcança o ponto E, no alinhamento da Av. IV. Seguindo por esse alinhamento no sentido da pc. E por uma distância aprox. de 51,50m, alcança o ponto A, do início desta descrição, abrangendo parte do Lt. de terreno 16, do qt.46, perfazendo uma área aprox. de 3.017,00m², conf. planta CTG-DTPA-0073, nos arq. CDI-MG. Penhora nos autos Carta Prec. 0130-7/95 – 4ª Vara Cível de Contagem; credor: INSS, Pr.s: 0079.95.026.095-4; Faz. Púb. do Est.de Minas Gerais: 079.98.009.768-1, 0079.97.020.574-0, 0079.97.018.341-8, 079.97.003.287-0, 079.99.036.953-4. Imped. judicial - Credor: 3ª Vara do Trab. de Contagem-MG, Pr.: 00012-2005-031-03-00-9 (Adailton G.Silva +397). Arrolamento de bens e Direitos pela Faz. Nac..1.4-Mat.nº 74.371, Livro nº 2, Fl.s nº 01, 02, 03 e 04 do Cart. do Reg. de Imóveis de Contagem/MG – Imóvel Const. pelo Lt. 17, do qt. 46, com área de 3.500,00m², aprox. medindo 50m na face da Av. IV, 70m na divisa com os Lt.s 1 e 2; 50m na divisa com o Lt. 5, e, finalmente, fechando o polígono 70m na divisa com o Lt. 16, do referido qt. 46, Lt. esse localizado na Cidade Ind. De Contagem. Penhoras – credor: Banco Mercantil do Brasil S/A, Pr.: 024.95.014.431-1); Faz. Púb. do Est. De Minas Gerais, Pr.s: 0079.98.009.768-1, 0079.97.020.574-0, 0079.97.018.341-8, 0079.97.003.287-0, 079.99.036.953-4. Imped. judicial - Credor: 3ª Vara do Trab. de Contagem-MG, Pr.: 00012-2005-031-03-00-9 (Adailton G.Silva +397). Arrolamento de bens e Direitos pela Faz. Nac.. Hip. – Banco Hercules S/A, Contrato de abertura de crédito nº 94/50059/3, em primeiro lugar. Valor da aval. R$ 4.354.000,00. 2–Mat.18.109, Ficha 01 do Reg. de Imóveis da 4ª Circun. da Comarca de Curitiba-PR. Identificação do Imóvel: Lt. 11,qd 86, da Planta Faz. Boqueirão, em Curitiba, medindo 14,46m de frente para a R. Anne Frank, por 50m de fundos de ambos os lados, de forma retangular, limitando-se de um lado com o Lt.12, de outro com o Lt.10 e nos fundos com o Lt. 25, todos da mesma planta,área de 723m², indicação fiscal 86-068-011.000, Const. de um barracão destinado a comércio e serv. gerais, em alvenaria com área de 413,81m², sito na R. Anne Frank, 4891. Penhora - credor: Banco Real S/A, Pr. 632/95. Arresto – credor: Município de Curitiba, Pr.s: 65.905/2005, 69.156/2006, 70.851/2007. Valor da aval. R$ 260.000,00. 3 – Mat. 10.150, Lv. 2, Fl.s 1 e 2 do 1º Cart. de Reg. de Imóveis de Araraquara – SP. Imóvel Lt. 133, qd 7 do Loteam. “Jd. Imperador”, da cidade de Araraquara, com frente para a R. Império, de forma irregular, medindo 13,24m de frente; 13,20m na linha dos fundos, onde divide com o Lt. 135; 18,99m da frente aos fundos, de um lado, onde divide com a R. Imp. Julio Cezar, com a qual faz esq., por 30m da frente aos fundos, do outro lado, onde divide com o Lt. 134, havendo um canto quebrado de esq., em curva, que mede 18,14m. Cadastro: 19.114.001. Imped. judicial: Credor: 3ª Vara do Trab. de Contagem-MG, Pr.: 00012-2005-031-03-00-9 (Adailton G.Silva +397). Valor da aval. R$ 60.000,00. 4-Mat.9.224, do Reg. de Imóveis da 3ª Circun. de Goiânia-GO. Imóvel: Lt. de terras para Const. urbana de nº 3, da qd 46, situado na Av. Vera Cruz, no Loteam. Jd Guanabara,Goiânia-GO, com área de 409,92m², medindo: 13,664m de frente, p/Av. Vera Cruz; 13,664m de fundo, pela R. Belo Horizonte; 30m pelo lado esq. dividindo com o Lt. 2; e, 30m pelo lado direito, dividindo com o Lt. 4. Valor da aval. R$ 130.000,00.5– Mat. 9.225, do Reg. de Imóveis da 3ª Circun. de Goiânia-GO. Imóvel: Lt. de terras para Const. urbana de nº 4, da qd 46, situado na Av. Vera Cruz, no Loteam. Jd Guanabara,Goiânia/GO, com área de 409,92m², medindo: 13,664m de frente, p/Av. Vera Cruz; 13,664m de fundo, dividindo com a R. Belo Horizonte; 30m pelo lado esq. dividindo com o Lt. 03; e, 30m pelo lado dir., dividindo com o Lt. 05. Valor da aval. R$ 130.000,00.6–Mat.9.226, do Reg. de Imóveis da 3ª Circun. de Goiânia-GO. Imóvel: Lt. de terras para Const. urbana de nº 5, qd 46, situado na Av. Vera Cruz, no Loteam. Jd. Guanabara, Goiânia/GO, com área de 409,92m², medindo 13,664m de frente, p/Av.Vera Cruz; 13,664m de fundo, dividindo com R. Belo Horizonte; 30,00m pelo lado esq., dividindo com o Lt. 04; e, 30m pelo lado direito, dividindo com Lt. 6. Valor da aval. R$ 130.000,00.7–Mat. 9.227, do Reg. de Imóveis da 3ª Circun. de Goiânia-GO. Imóvel: Lt. de terras para Const. urbana de nº 6,qd 46, situado na Av. Vera Cruz, no Lt. Jd. Guanabara,Goiânia/GO, com área de 409,95m², medindo: 13,665m de frente, p/Av. Vera Cruz; 13,665m de fundo, dividindo c/a R. Belo Horizonte; 30m pelo lado esq., dividindo com o Lt. 05; e 30m pelo lado direito, dividindo com o Lt. 7. Valor da aval. R$ 130.000,00. E para que chegue ao conhecimento de todos os interessados, expedi e assino o presente edital que será publicado e afixado no lugar conforme determinado pela legislação vigente. Eu, Inez Teixeira de Paula Freitas, Escrivã Judicial, mandei digitar e assino. Contagem, 21 de junho de 2010, MM. Juíza Dra. Giovanna Elizabeth Costa de Mello Paiva.

Economia B5

brecht,CamargoCorrêaeAndrade Gutierrez –, o movimento não poderia ser diferente. Entre 2008 e 2009, o faturamento das empresas apresentou um crescimento nominal acima de 60%, segundorankingdarevistaOEmpreiteiro. “Quase tudo que é investido no País é processado pela construção civil. Então, se a economiacresce,os investimentos ocorrem e o setor se desenvolve”, afirma o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan. Se o desempenho foi bom até agora, o que vem pela frente é ainda mais animador, avaliam os executivos das construtoras. Só os eventos esportivos (Copa do Mundo, de 2014, e Jogos Olímpicos, de 2016) e o Pré-Sal vão exigir investimentos de US$ 339 bilhões, além dos R$ 33 bilhões do trem-bala, entre Rio e São Paulo. Combasenessesdados,oBanco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fez uma projeção (conservadora para os números do setor) de crescimento médio anual de 7% entre 2010 e 2013. O segmento de moradias e construções industriais vai crescer 9% ao ano e a construção pesada, 6%. As empresas, porém, preveem avançarbem mais. “Nossa previsão é manter um crescimento de 25% ao ano nos próximos 10 anos”, afirma Barbosa, da Galvão. No caso da Mendes, o avanço será um pouco menor: entre 10% e 15%. Segundo eles, um dos principais desafios para manter esse ritmo da atividade está na mão de obra especializada, que hoje já é um problema. Além disso, tradicionalmente osetoréenvolvido emirregularidades em processos licitatórios, que paralisam obras. Conforme relatório do Tribunal de Contas da União, em 2009 foram fiscalizadas 211 obras públicas, que podem evitar perdas de R$ 1,3 bilhão para os cofres do Estado. Em2008,153obras foramfiscalizadas, com perdas potenciais de mais de R$ 2 bilhões.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Lobby do etanol ganha ‘aliados’ nos EUA Desastre no Golfo do México e corte de gastos públicos podem ser úteis para acabar com tarifa para importado e com subsídio ao produto local JASON REED/REUTERS-6/12/2007

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE WASHINGTON

O lobby do setor brasileiro do etanol encontrou dois reforços inusitados para sua meta de abrir o resistente mercado americano. Diante do maior desastre ambiental dos Estados Unidos – o derramamento de cerca de 35 mil barris diários de petróleo no Golfo do México ao longo dos últimos 65 dias –, o presidente americano, Barack Obama, abraçou a bandeira da energia renovável e da redução da dependência de petróleo. Como resposta ao déficit público do país, o discurso em favor do corte nos gastos públicos da ala mais extremista do Partido Republicano, o Tea Party, deu força à eliminação dos subsídios locais. “O velho argumento de que a abertura do mercado americano de etanol só vai beneficiar o Brasil caiu por terra”, afirmou Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). “O desastre no Golfo do México abriu a discussão interna sobre se vale a pena a exploração de petróleo em águas profundas nos Estados Unidos e o incentivo à ampliação do uso do biocombustível.” Os novos “aliados” serão úteis para os dois objetivos de curto prazo do setor sucroalcooleiro do Brasil. O primeiro é acabar com a tarifa específica de importação de etanol, de US$ 0,54 por galão, que torna inviável a exportação brasileira ao mercado americano. O segundo objetivo é acabar com o subsídio de US$ 0,45 a cada galão de etanol (de milho) adicionado à gasolina nos Estados Unidos, que vigora desde 1978 e inflaciona o preço do produto no mercado. Essa conta al-

Envolvimento com Irã quase derruba etanol ● A iniciativa do Brasil de envol-

ver-se na questão nuclear iraniana quase custou todo o trabalho do lobby do setor sucroalcooleiro para abrir o mercado americano. Por conta do ativismo da política externa do presidente Lula, o setor perdeu apoio da poderosa bancada judaica no Congresso, que defende a redução da dependência do petróleo árabe. Teria perdido ainda mais se o governo brasileiro tivesse insistido na exportação de etanol para o Irã. Essa não é a única atitude de Brasília que está causando problemas comerciais nos Estados Unidos. Fontes do Departamento de Estado avaliaram que o Brasil fez mal ao aceitar o acordo com Washington que suspende retaliações contra produtos americanos – o resultado da condenação da Organização Mundial do Comércio aos subsídios dos EUA ao algodão. Essas fontes explicam que o Brasil poderia ter colaborado com a Casa Branca se tivesse aplicado retaliações sobre bens e propriedade intelectual. / D.C.M.

Ajuda. Cada galão (3,785 litros) de etanol de milho adicionado à gasolina recebe do governo dos EUA subsídio de US$ 0,45 cança US$ 6 bilhões ao ano. “O real debate, nos Estados Unidos, é sobre o fim do subsídio. Não é sobre a tarifa. A questão é: quem vai pagar essa conta?”, afirmou Jank. Pato manco. A vigência de ambos os instrumentos termina em 31 de dezembro. A Unica acredita que, com alguma dificuldade,poderá convencer oslegisladores americanos a acabar com a tarifa e o subsídio. A agendado Congresso, entretanto, se-

Obama destina US$ 2 bi para energia solar WASHINGTON

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem que seu governo destinará US$ 2 bilhões a dois projetos solares que serão divididos entre a empresa americana Abound Solar Manufacturing e a

espanhola Abengoa. Obama fez o anúncio em seu discurso semanal dos sábados, no qual assinalou que serão criados3,6milpostosdetrabalhoentre as duas companhias na construçãoe1,5milempregospermanentes.Em seu discurso, o presidente não especificou que por-

rá curta por causa das eleições legislativas marcas para o dia 2 de novembro. Com espaço entre 3 de novembro e 31 de dezembro, os parlamentares tenderão a construir o chamado “pato manco”, um projeto de lei volumoso, que englobará os mais diferentes temas pendentes. No “pato manco”, a Unica tanto pode conseguir o fim da tarifa e/ou do subsídio, como ver ambos renovados por mais um período. Um dos projetos já

centual cada companhia receberá para seus respectivos projetos, mas a Abengoa construirá uma das maiores plantas solares domundo no Estado do Arizona, que permitirá a criação de 1,6 mil vagas na construção e, quando for concluída, fornecerá energia elétrica a 70 mil casas. “Após ver companhias que constroem no exterior, é uma boa notícia que tenhamos atraído uma empresa estrangeira para criar trabalhos aqui nos Estados Unidos”, assinalou o presidente americano. Obama destacou que 70% dos

em circulação no Congresso, que reúne outras propostas, prevê a extensão da subvenção por cinco anos. Outras cinco propostas trazem a eliminação dos dois instrumentos. Recentemente, o próprio senador Chuck Grassley, republicano de Iowa, reconheceu que nunca foi tão difícil renovar a tarifa sobre o etanol. Batalha. Além disso, ainda há a expectativa de que a tramitação de uma nova lei de Energia,

componenteseprodutos queserão usados na construção da plantaserãofabricadosnos EstadosUnidos, oque permitirá“impulsionaro emprego”eas comunidades “em todos os Estados”. Uma vez completado o proje● Desastre ambiental

A explosão de uma plataforma operada pela petrolífera BP, em 20 de abril no Golfo do México, matou 11 pessoas e iniciou o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

de lobby montado em Washington, a entidade busca a confiança dos assessores dos parlamentares e aliados entre os diferentes grupos da sociedade civil. Nessa lista, entram os preocupados com as finanças públicos, os contrários ao protecionismo, os ambientalistas, os criadores de animais, os frigoríficos, os fabricantes de ração animal e até mesmo as petroleiras que estão investindo na produção de etanol no Brasil, como a Shell e a Total.

to, esta será a primeira planta solar de grande escala nos Estados Unidos, que armazenará energia para seu uso posterior, inclusive durante a noite. Por sua parte, a Abound, que tem sede no Estado do Colorado, fabricará painéis solares avançados para duas novas plantas, que permitirão a criação de mais de 2 mil postos de trabalho na construção e 1,5 mil empregos permanentes. A companhia já começou a construção da primeira planta, que ficará no Colorado, enquanto a segunda será construída em

uma fábrica vazia da Chrysler em Indiana. Os projetos fazem parte do PlanodeRecuperação Econômica que o governo americano iniciou em 2009 para atenuar a crise econômica, com investimentos de US$ 787 bilhões, centrado em aumentar as despesas em infraestrutura,acriação de empregos e cortes tributários. O presidente americano garantiu que seu governo está lutando “para acelerar a recuperação e manter o crescimento econômicodetodasasformaspossíveis”. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

rolar compromissos de mais de € 400 bilhões que venceram na quinta-feira, com empréstimo do Banco Central Europeu (BCE) por três meses, renovando o que vencia de um ano. Pediram menos do que se previa, mas as tensões continuam.

ALBERTO TAMER ✽ ●

impulsionada especialmente por Obama na última semana, venha a trazer incentivos maiores ao consumo de etanol no país, entre outras fontes alternativas. A ampliação da demanda inevitavelmente levaria à abertura do mercado americano. Os senadores envolvidos nessa discussão, entretanto, ainda falam línguas diferentes sobre cada detalhe. Nessa batalha, a Unica preferiu adotar uma estratégia de guerrilha. Com um escritório

at@attglobal.net

Um acusa o outro. A União Europeia

Desemprego é risco lá fora

A

notícia ruim deste fim de semana não é a derrota do Brasil, não. Mas os indicadores negativos de emprego nos Estados Unidos e na Europa. Eles confirmam maior desaceleração nos dois blocos que representam em torno de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e do comércio mundial. Com mais desemprego, não há recuperação e crescimento. Não é a dupla recessão, que está distante ainda, mas é o caminho que precisa ser evitado para evitá-la. Para os otimistas, a questão não é mais crescer, mas não afundar. Está bom se não piorar. Para os realistas, algo de muito sério e urgente precisa ser

feito pelos governos para reverter esse quadro. O que será difícil pois não se vê decisão política. “A recuperação econômica (iniciada, nofim do ano passado) não pode se sustentar sem a ajuda do governo”, afirma SungWonSohn, economistanaUniversidade da Califórnia. Sem estímulo ao mercado de trabalho, não há aumento de consumo, investimento, produção. Números sofríveis. Nos Estados Uni-

dos foram criados 83 mil empregos em junho – os otimistas aplaudem –, mas as demissões chegaram a 125 mil. Mesmo assim, o índice de desemprego recuou de 9,7% em maio para 9,5% em junho. Como?Simplesmente porqueécalcula-

do com base na força de trabalho, que também se contraiu 0,3%. O índice nessas circunstâncias não significa muito. Na zona do euro a taxa se “estabilizou” em 10% da força de trabalho. Em maio, foram criados apenas 35 mil empregos. E só não foi pior por causa da leve reação do mercado de trabalho na Alemanha,quenãodevecontinuardiante do corte de gastos anunciados pelo governo. A economia alemã continua dependendo de exportações para a zona do euro, que definha; para os Estados Unidos, que crescem menos; e para a China, que reage, avança no mercado europeu e se protege. Esta semana, houve certo alívio: os grandes bancos europeus conseguiram

acusaos Estados Unidos pela origem da crise. Os Estados Unidos acusam os europeus por não terem reagido a ela como deveriam, desde o início, e por estarem agravando ainda mais a situação agora ao refrear a economia com cortes prematuros. Isso pode levar o mundo a uma dupla recessão. Os dois estão certos, mas isso não resolve nada. O imobilismo diante do alto nível do desemprego – fator essencial na recuperação – está pondo tudo a perder. No Brasil. Aqui, nada parecido com o

que ocorre lá fora. A taxa de desemprego aumentou de 7,3% para 7,5% em maio, mas não preocupa, afirma o relatório semanal da Mendonça de Barros Associados. “A nossa perspectiva é que, daqui para frente, o crescimento do mercado de trabalho pode perder um pouco do ímpeto, mas mesmo assim continuarábom.“Porcontadisso,podemos ter taxas de desemprego em média

em torno de 7,1% neste ano”, diz Sergio Vale, economista-chefe da empresa. Ele lembra que em 2009 era de 8,1%. A tendência é de que a taxa médiadedesempregodevecairnopróximo ano para 6,6% e salvos os riscos de sempre. Pode-sever que não énada comparável com o que acontece lá fora. E isso porque a renda real, mesmo crescendo menos por causa da inflação, que reduz o poder de compra das famílias, deve registrar uma alta de 6% neste ano. Futuro. Na crise iniciada em fins de 2007, os Estados Unidos perderam 7,2 milhões de empregos. Destes, 3,7 milhões no primeiro semestre do ano passado. Nós perdemos 2 milhões. Nos seis primeiros meses deste ano, reconquistaram 590 mil empregos; nós estamos próximos de 1 milhão. Lá e na Europa, o desemprego aumenta. Aqui, recua. Estamos certos em investir no aumento da renda e do mercado interno. Os Estados Unidos demoraram muito e a Europa não fez nada. O custo fiscal desse esforço preocupa, mas o desafio atual foi superado. Resta o futuro que começa depois de outubro.

Saiba todos os segredos e dicas de como beber e comer bem.

Toda quinta no Estadão.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Economia B7 TIAGO QUEIROZ/AE–25/1/2009

Festa. Imigrantes comemoram o Ano Novo Chinês no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo. Mais de 200 mil chineses vivem hoje no Brasil, 80% deles na capital paulista

Chineses no Brasil vão muito além da Rua 25 de Março Nova geração de imigrantes chineses atua em vários setores da economia brasileira, que vão do software à agricultura Raquel Landim

Yim King Po chegou ao Brasil de navio, aos nove anos, vindo de Hong Kong. Tinha 13 anos quando o pai faleceu e precisou assumir suas tarefas: vender de porta em porta enxoval derenda chinesa para mães ansiosas. Ele estudou engenharia na Universidade de São Paulo (USP), trabalhou em banco, mas sempre quis montar um negócio. Teve agência de viagem, bar, importadora, mas nada dava certo. Hoje,aos51anos,Yimjogagolfe com a alta sociedade paulistana. Sua empresa, a YKP, patrocina o campeão brasileiro do esporte,RonaldoFrancisco.Fornecedora de sistemas de software para empresas como Toyota ou Merck, a YKP fatura R$ 50 milhões por ano, emprega 300 pessoas e ocupa cinco andares de um prédio no Brooklin, área nobre de São Paulo. “O Brasil é o país da oportunidade. Quem quer trabalhar, vai longe”,disseYim.Eleéumexemplo de uma nova geração de chineses que aliou o espírito empreendedor da terra natal com o recente crescimento da economia brasileira. São empresários, médicos e advogados cujas atividades vão muito além da importação de bugigangas da Rua 25 de Março,regiãodecomérciopopular da capital paulista. Vivem hoje no País cerca de

200 mil chineses. Mais de 80% em São Paulo. Boa parte está no Centro, nos bairros da Liberdade,doBrásetrabalhacomimportação de produtos chineses – algumasvezesdeformailícita.Ainda é comum a máfia chinesa cobrar propina dos pequenos comerciantes recém-chegados, que mal falam português. Mas muitos chineses que estão no Brasil progrediram, aproveitando o incremento do comércio entre os dois países. “A China se transformou no maior produtor de manufaturas do mundoeissotrouxeoportunidades para os imigrantes chineses no mundo todo”, diz Fernando Ou, presidente da Câmara Brasil – China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE). Prosperidade. Boa parte do su-

cesso se deve à dedicação das famílias chinesas, que priorizam a educação e fazem questão que os filhos estudem nas melhores universidades brasileiras. Melhorar de vida é obsessão para os chineses, cujos celulares e placas de carros possuem muitos números oito – o numeral tem o mesmosom da palavraprosperidade em mandarim. Alguns se transformaram em empresários de renome como Shan Ban Shun, fundador da ElevaAlimentosehojeumdosmaiores acionistas individuais da BR Foods(fusão entreSadia ePerdigão), ou o dono do Moinho Pací-

● Visão

YIM KING PO DONO DA YKP

“O Brasil é o país da oportunidade. Quem quer trabalhar, vai longe”

PAUL LIU DIRETOR DA FORTUNE CONSULTING

“No Brasil, é muita terra e pouca gente. Ao contrário da China, onde tem muita gente e pouca terra”

fico, Lawrence Pih. Pih nasceu em Xangai e chegou ao Brasil com 8 anos. Seu pai, PihHaoMing,estabeleceu-seprimeironoRiodeJaneiro,maspreferiu mudar para São Paulo, porque se identificava mais com o intensoritmodetrabalhodacidade. De família abastada, o pai adquiriu uma frota de caminhões e, mais tarde, optou pela produção de farinha de trigo. O filho fez doutorado em filosofia nos Estados Unidos, mas voltou ao País em 1966 para tocar os negócios. Em 2012, a imigração chinesa no Brasil vai completar 200 anos. Os primeiros imigrantes vieram da colônia portuguesa de Macau e chegaram ao País para plantar chá onde hoje é o bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Foram trazidos por Dom Pedro I, que estava preocupado com o

aumentodopreçodochápraticado pela Inglaterra. Depois de um longo intervalo, a imigração foi retomada nos anos 50, quando oschinesesfugiramdocomunismo depois que Mao Tsé-tung tomou o poder na China em 1949. ParachegaraoBrasil,os chineses viajavam mais de 45 dias de navio. Vinham atraídos pela disponibilidade de terra agricultável. “No Brasil, é muita terra e poucagente.AocontráriodaChinaondetem muitagente e pouca terra”, diz Paul Liu, diretor da Fortune Consulting. Algunschinesesfizeramfortuna no interior do País. É o caso de Ma Shou Tao. Economista e administrador,Ma emigrou com a família para o Brasil. Em São Paulo, começou a vida como comerciante de lâmpadas chinesas, mas logo percebeu que o futuro do País estava na agricultura. Chegou a Carazinho, no Rio Grande do Sul, sem qualquer experiência no cultivo. “Os imigrantes alemães eram os amigos do meu pai e ensinaramochinês aplantarsoja”, conta o filho Jônadan Ma, braço direito do pai nos negócios. O primeiro plantio da família foi feito em120hectaresdeterraarrendados. Ma Shou Tao prosperou no Sul, mas acompanhou a expansão da soja no Cerrado e mudouse para o Triângulo Mineiro. Hoje o Grupo Boa Fé (a família é protestante fervorosa) planta 3 mil hectares e é dono da empresaGood Soy, que vende soja para consumo humano. Trocas culturais. Todos os en-

trevistados pela reportagem falam bem o português, mas ainda têmsotaque.Oidiomaéumabarreira importante para os chineses, e muitos convivem apenas na comunidade. Ainda assim, trocas culturais com os brasileiros ocorrem. Habilidosos na cozinha, os chineses dizem que inventaram o pastel. Nas décadas de 60 e 70, eram donos da maioria das pastelarias de São Paulo. A acupuntura também chegou ao País pelas mãos de especialistas chineses e conseguiu adeptos até se tornar uma especialidade médica reconhecida.

AYRTON VIGNOLA/AE

Representantes. Wang, Tang e Ou, da Câmara Brasil-China O doutor e mestre em artes marciaisYipFuKwanfundou aAssociação de Medicina China e Acupuntura do Brasil e a Associação Zhong-Yi-Yao de Medicina Chinesa do Brasil. Ele chegou ao País em 1973, com 28 anos, e conta que só começou a trabalhar como médico depois de curar a sogra de um colega alemão. Hoje, Yip possui um consultório e um centro de artes marciais no bairro de Moema, em São Paulo, e maioria de seusclientes ébrasileira. “O Brasil é um país novo e precisa dos meus conhecimentos”, diz. Nocoraçãodo bairrodaLiberdade,orestauranteChi Fuéponto de encontro da comunidade chinesa. A reportagem almoçou comida típica com Fernando Ou,presidentedaCâmaraBrasilChina, e Tang Wei, secretário

Na zona sul de São Paulo, missa é rezada em mandarim O padre Pedro Siao fugiu do comunismo na China e veio para o Brasil, onde ajudava os imigrantes chineses a se instalarem Na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, existe uma igreja católica chinesa, onde a missa é rezada todos os dias em português e em chinês por sacerdotes vindos da China. Nas paredes, estão lado a ladoensinamentosdeJesusCris-

to e do filósofo Confúcio escritos em mandarim. O padre Pedro Siao é um dos responsáveis pela construção da igreja. Ele fugiu da China em 1949,quandoMaoTsé-tungproibiu o culto religioso. Depois de uma passagem pela Itália, chegou a São Paulo em 1957. Osacerdoteconta querecebia os imigrantes chineses no porto de Santos e os ajudava a encontrar moradia, trabalho e escola para os filhos. Emocionados com a ajuda, alguns se conver-

tiam. “Batizei muitos chineses”, lembra. O catolicismo não é comum na China, onde predomina o budismo e cresce o protestantismo. EmSão Paulo, tambémhá templos budistas e protestantes da comunidade chinesa. Hoje, aos 86 anos, o padre Pedro não para e, com ajuda da comunidade, inaugurou uma escolaparacriançaschinesasnoMosteiro deSão Bento, centro de São Paulo. O lugar foi escolhido porque está próximo dos bairros da Liberdade, do Brás e da Rua 25 de

PAULO LIEBERT/AE

Devoção. Padre construiu igreja para comunidade chinesa

executivo. A dona do restaurante não fala português e, envergonhada, não quis dar entrevista. Tang é um jovem e cheio de ideias novas para a comunidade chinesa. Chegou ao País em 1988, com 19 anos. Três anos depois, ainda com dificuldade para escrever em português, foi aceitonaFaculdadedeDireito doLago São Francisco da USP, uma das mais tradicionais e disputadas do Brasil. Ele participa de um time de futebol só de chineses e conta queosjogadores“nãotêmhabilidade, mas muita força de vontade”. Naturalizado brasileiro, foi candidato a vereador em 2008 e teve só 4 mil votos, mas pretende voltar a concorrer. “Falta um representante da comunidade chinesa na Câmara de Vereadores de São Paulo”, diz.

Março, onde vive a maior parte da comunidade chinesa. Na Vila Olímpia, os padres têm outra escola para 150 crianças. O sacerdote esbanja saúde, masandapreocupadocomacontinuidade do seu trabalho. RecentementefoiàChinae“importou” dois padres e duas freiras mais jovens. Siaoédevoto deNossa Senhora Aparecida, que conheceu quando chegou ao Brasil. Ele conta que só conseguiu construir o templo com a ajuda da padroeira. “Quando acabou o dinheiro,fui a(cidadede) Aparecidaerezeiparaela.Logoemseguidarecebioutradoaçãoeterminamos a igreja.” / R.L.


B10 Economia %HermesFileInfo:B-10:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Entrevista ✽

‘Salto dos emergentes é um evento histórico’

✽ Economista da Universidade Yale, nos Estados Unidos, acredita que a trilha de crescimento que vem sendo

Robert Shiller

‘RISCO DE UM DUPLO MERGULHO NOS PAÍSES RICOS É DE MAIS DE 50%’ Fernando Dantas / RIO

TAMI CHAPPELL/REUTERS

C

● Alguns dos maiores economistas do mundo estão radicalmente divididos entre propor mais impulso fiscal, ou, pelo contrário, ajuste fiscal. Qual a sua visão?

Esse é um problema que a Economia tem sofrido durante toda a sua história: os economistas não concordam. E isso se torna impactante em momentos de crises internacionais. Aconteceu exatamente o que você mencionou na Grande Depressão, com o mesmo tipo de debate. Passaram-se 80 anos para a gente pensar sobre o assunto, e voltamos de novo à mesma divisão. ● Por que isso acontece?

Nos anos 30, já diziam que a Economia não é uma ciência. E eu acho que há de fato algo inerente ao nosso objeto de estudo que torna difícil

QUEM É ROBERT SHILLER ECONOMISTA

✽ Nascido em 1946, em Detroit, Shiller é graduado em Economia pela Universidade de Michigan, com mestrado e doutorado pelo MIT. É professor da Universidade Yale desde 1982, além de fundador e principal economista da empresa de investimentos MacroMarkets LLC.

Mantenho uma posição parecida com a do Paul Krugman. Acho que seria um bom momento para um novo e grande pacote de estímulo fiscal, porque vejo a confiança vacilando exatamente agora. Se tivermos um duplo mergulho recessivo, isso pode provocar um estrago de longa duração. Agora, essa é uma opinião que vem do meu instinto. Não estou dizendo que a teoria econômica dê sustentação a ela. ● E como o sr. vê a opinião da corrente contrária de economistas, que defende o ajuste fiscal nos países ricos?

Resgate. Para Shiller, estímulos deveriam ter sido mais potentes reduzi-lo a uma ciência, mesmo que, em alguns aspectos, sejamos científicos. Para mim, todo o problema atual é o de restaurar a confiança. E este é um fenômeno psicológico. É difícil para alguém dedicado a estudar mercados e preços analisar essa coisa psicológica. Torna-se uma questão de opinião. Se você está deprimido, e você conversa com dois psicoterapeutas diferentes, eles podem chegar a conclusões muito diferentes também. Isso, como a Economia, não é inteiramente uma ciência. ● De que confiança o sr. está falando?

É a que faz os consumidores quererem gastar e as empresas investirem e contratarem, mas é também a confiança nos outros e no ambiente geral, que faz as pessoas tomarem decisões e confiarem em que serão bem-sucedidas. A confiança pode ser excessiva, e levar a uma bolha como a que tivemos, ou deficiente, como agora. É uma questão de fazer com que as pessoas traba-

“O problema é que a situação dos negócios e do emprego nos Estados Unidos não está melhorando, e isso realmente tem um efeito negativo na confiança.” “O Brasil é uma grande força econômica, e vive um momento positivo muito forte. Aliás, eu já investi num fundo de ações brasileiras, com bom resultado.”

lhem de forma produtiva e entusiástica. O problema é que a situação dos negócios e do emprego nos EUA não está melhorando, e isso realmente tem um efeito negativo na confiança.

Bem, talvez seja o caso para a Grécia. O dilema inicial que você descreveu parte do fato de que as pessoas estão perdendo os seus empregos e nós temos de parar com isso. Talvez o governo possa tomar dinheiro emprestado e contratá-las, ou gastar em atividades que farão com que sejam contratadas – talvez funcione. Mas, se perdurar por muito tempo, então o governo endivida-se demais. ● Os temores sobre a situação fiscal, portanto, também têm fundamento?

Eu escrevi o Animal Spirits com o Akerlof em 2009, e nesse livro éramos bastante favoráveis ao estímulo, porque achávamos que a queda na confiança em função da crise global poderia ser severa e devastadora. Então, tinha de se aplicar um estímulo poderoso exatamente naquela hora, antes que as pessoas fixassem a sua atenção nos problemas, o que mina a confiança.

A crise grega causou uma comoção. A Grécia se tornou um país de falsas promessas, onde o governo dizia que todo mundo poderia se aposentar com vencimentos integrais com pouco mais de cinquenta anos - não me lembro exatamente os detalhes. E as pessoas passaram a achar que aquilo era um direito, e a não votar em ninguém que não garantisse aquele tipo de direito. O problema é que as contas não fechavam. De qualquer forma, o caso grego aumentou os temores em relação às dívidas nacionais em geral.

● Isso foi feito?

● O que se pode fazer, então?

Acho que os governos dos principais países andaram metade do caminho que recomendamos. Não fizeram um estímulo tão forte quanto o que pedimos, mas houve um esforço admirável, coordenado entre vários países. Ele ajudou a restaurar a confiança, mas não a tempo de evitar que o estrago econômico acontecesse. E porque o estrago aconteceu, a confiança votou a ser abalada – que é o grande problema agora. Na verdade, acho que houve restrições políticas o tempo todo a que se fizesse um estímulo fiscal ainda mais forte. Talvez mesmo quando, no governo Bush, o secretário de Tesouro ainda era o Henry Paulson, ele e o Ben Bernanke (chairman do Federal Reserve, banco central americano)quiseram fazer um forte pacote de estímulo, mas não puderam.

Talvez não haja mesmo nenhuma solução fácil, que não levante preocupações. É um pouco como um médico que trata um paciente com doença de coração. Ele usa uma droga, o estímulo fiscal, que começa a ter feitos colaterais em outro órgão, a preocupação com as dívidas. Então, escolhas têm de ser feitas. Talvez seja melhor tratar o coração e aceitar as consequências. Porque não há nenhuma outra droga. É mais ou menos esse o ponto em que estamos hoje na política fiscal.

● Mas qual a sua posição naquele deba-

te – o sr. defende mais estímulos fiscais?

● Mas, hoje, o sr. ainda acha que mais estímulo fiscal vai resolver?

● Na Alemanha, onde também não se nota qualquer preocupação com a solvência pública, o governo está decidido a apertar o cinto. O que o sr. acha?

Os alemães, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, têm sido muito conservadores em termos fiscais. É uma boa coisa, por um lado, que eles não sejam como a Grécia. É isso que faz com que eles estejam numa posição que lhes permite salvar a Grécia. A Alemanha tem grande respeito pela ordem e uma burocracia eficiente, como em nenhum outro país no mundo. E, como resultado, tem sido um país de baixa inflação. Então, acho que é uma espécie de hábito mental que eles têm, e que serve muito bem em diversas ocasiões, mas não exatamente agora. Eles deveriam relaxar um pouco. ● O sr. mencionou o risco de um duplo mergulho na economia americana. Qual a probabilidade de que aconteça?

Para o economista americano, considerado um dos 100 mais influentes mundo, falta de confiança na economia nos países ricos pode levar a um novo período recessivo

onhecido como um dos principais estudiosos da influência da psicologia humana nos mercados, o economista americano Robert Shiller teme que a confiança abalada de trabalhadores e empresas nos Estados Unidos leve o país a um “duplo mergulho recessivo” – isto é, a mais um período de crescimento negativo, depois de o país já ter saído do pior momento da crise global de 2008 e 2009. Para Shiller, as chances do duplo mergulho, nos Estados Unidos e na Europa, estão hoje acima de 50%. Considerado um dos 100 mais influentes economistas do mundo, Shiller é professor da Universidade Yale e autor de best-sellers econômicos como Exuberância Irracional e o mais recente Espírito Animal: Como a Psicologia Humana Impulsiona a Economia e a sua Importância para o Capitalismo Global, escrito com o prêmio Nobel de Economia George Akerlof. Para Shiller, os pacotes iniciais de estímulo fiscal (aumentos dos gastos do governo) coordenados pelos principais países, em reação à crise global, deveriam ter sido mais potentes. Por não terem tido impacto suficiente, eles permitiram que a confiança no mundo rico ficasse abalada pelo alto desemprego e pelas más perspectivas econômicas. E o risco da falta de confiança é o de levar ao “duplo mergulho”. Shiller junta-se a outro prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, na defesa de um novo pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos – a maior polêmica econômica da atualidade, que coloca no campo oposto, favorável ao ajuste fiscal e à contenção dos gastos nos países ricos, vários economistas também de primeira linha, além das equipes técnicas de instituições como o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Diferentemente de Krugman, porém, Shiller diz que a sua defesa de mais impulso fiscal não é sustentada pela teoria econômica, já que a principal razão seria a de recuperar a confiança dos agentes econômicos, o que está mais para o imponderável da psicologia. A seguir, a entrevista, feita por telefone:

seguida pelas economias emergentes é um evento histórico. Para ele, esse processo não vai ser paralisado pela crise e deve prosseguir por décadas.

● Há esse risco de efeito colateral nos Estados Unidos?

Nesse momento, não se nota que temores sobre a capacidade do governo americano de repagar sua dívida estejam empurrando para cima as taxas de juros dos títulos do Tesouro. Na verdade, as taxas de juros estão muito baixas. Então, não acho que seja hora de nós nos preocuparmos com isso.

Acho que há uma boa chance, mas é preciso saber o que entendemos por duplo mergulho. Minha definição do conceito são duas recessões que não têm, entre elas, um período de retorno à normalidade. E uma possível definição de normalidade é a taxa de desemprego de longo prazo, por mais de 27 semanas, não ultrapassar 1%. Nesse momento, ela está em 4,4%. É uma alta recorde e está aumentando. É isso que está pesando na confiança. Há pessoas de meia-idade, com família para sustentar, perdendo seus empregos. E elas não veem nenhum perspectiva de conseguir trabalho. Se conseguirem, é com salário muito mais baixo. A preocupação é que as pessoas parem de gastar, e isso nos colocará numa situação ainda pior. ● Mas que probabilidade o sr. atribui precisamente ao cenário de duplo mergulho?

Há algum tempo, eu dizia que era 50% de chances, e hoje acho que é um pouco mais do que isso. Mas prefiro não dar um número. ● Como o sr. analisa a boa reação dos países emergentes à crise global, e qual o risco para eles de um eventual duplo mergulho?

O efeito da crise atingiu todas as regiões do mundo. Tipicamente, perderam-se uns dois pontos porcentuais de crescimento anual. Assim, se havia emergentes crescendo a 5%, 7%, a situação não ficou tão ruim para eles. Acho que, se EUA e Europa caírem num segundo mergulho recessivo, a história se repetirá os emergentes continuarão crescendo, mas num ritmo menor. ● O sr. é, então, relativamente otimista em relação aos emergentes?

Vivemos um notável período da história humana, no qual o iluminismo econômico parece estar conquistando a maior parte do mundo. As pessoas, em diferentes lugares, como os emergentes, estão aprendendo a respeitar os mercados. Elas não estão necessariamente a favor de livre mercado em tudo, mas parecem respeitar o bom senso empresarial. Isso também é verdadeiro no Brasil, com o Lula. Quando ele foi eleito, as pessoas estavam preocupadas, achavam que ele era esquerdista demais e que isso não seria bom para economia. Mas ele foi pragmático e deixou os neg��cios funcionarem. ● A crise econômica não colocou em xeque esse modelo pró-mercado?

Havia sim essa preocupação de que, por causa da crise, as pessoas fossem abandonar o capitalismo. Mas eu não acho que isso esteja acontecendo. As novas regulações financeiras que estão surgindo, em função da crise, parecem causar interferências no mercado que são pequenas. Voltando aos emergentes, acho que a trilha de crescimento na qual eles engrenaram é realmente um evento histórico. É um processo que não vai ser descarrilado por essa crise, e que deve prosseguir por décadas. ● E como o sr. vê as perspectivas do Brasil?

Eu tenho sido muito otimista em relação ao Brasil desde que visitei o país alguns anos atrás. Minha impressão é a de que o Lula está tendo uma boa gestão e de que há muito potencial. O Brasil é uma grande força econômica, e vive um momento positivo muito forte. Aliás, eu já investi num fundo de ações brasileiras, com bom resultado.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Economia B11 DIVULGAÇÃO

Aguardando embarque. Pátio de veículos da Ford, em porto privado da montadora perto da fábrica de Camaçari, na Bahia: inaugurado há 5 anos, terminal já movimentou 500 mil veículos

Fiat exporta carro por terra para fugir de portos do País Infraestrutura portuária ruim atrasa entregas, eleva custos de transporte e dificulta entrega de veículos para a América do Sul Cleide Silva

Diariamente, 12 carretas com 10 automóveis cada partem da fábrica da Fiat em Betim (MG) para um percurso de 3,2 mil quilômetros. Atravessam São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, quase sempre enfrentando estradas ruins, até chegar ao destino, a Argentina. São 10 dias, entre viagem e trâmites alfandegários. Por navio, levaria de 25 a 30 dias, boa parte por causa da falta de infraestrutura dos portos nacionais. Desde o início do ano, a Fiat

exporta modelos como Palio e Uno para a Argentina, seu maior cliente externo, por rodovias. Também traz o Siena, produzido em Córdoba. Além do ganho em tempo, a operação garante maior integridade à carga. “Na operação marítima precisamos carregar e descarregar os veículos oito vezes”, diz Eduardo de Souza Antunes, supervisor de operação e serviços logísticos. “Por carreta, são só dois movimentos, de carga e descarga.” Num momento em que tenta recuperar terreno perdido no ano passado, quando as exportações caíram 35% ante 2008, a in-

Falta da letra ‘s’ retém comboio por 2 semanas Transporte terrestre tem custo igual ao marítimo, mas é mais rápido. Já o aéreo é 4 vezes mais caro e por isso pouco usado Usarrodovias para exportarprodutostambémtemseustranstornos, não só pelos riscos de acidentesnasestradas,maspela burocracia ao atravessar fronteiras. Há duas semanas, um comboio de dez ônibus da Marcopolo que seguem rodando para o Chile está retido em Uruguaiana, fronteira com a Argentina. O diretor comercial para o mercado internacional, Paulo Andrade, explica que a aduana detectou uma divergência na identificaçãodomodelodosônibus (Andare Class). “Por erro de digitação, faltou uma letra ‘s’ na fatura”, diz. “Os fiscais não aceitam a troca da fatura e, como a empresa foi autuada, precisa esperar até que eles definam uma solução, o que não tem prazo.” A Marcopolo exporta ônibus por via terrestre para Argentina, Chile, Bolívia, Peru e Uruguai. Para o Peru, um trajeto de 5 mil quilômetros, a viagem dura uma semana. Por via marítima, levaria de 25 a 30 dias. Os custos com transporte, segundo Andrade, são equivalentes, mas o ganho maior é no prazo de entrega. Para destinos como África e Oriente Médio, a empresa usa os portos de Itajaí, Santos e Rio Grande. “Como os ônibus não são embalados, é muito comum chegaremdanificados,com arranhões e batidas”, diz Andrade. O presidente da Associação NacionaldosFabricantes deVeículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, vê o quadro dos portos e da logística do País como “desanimador, quando o norte do nosso futuro depende

dústria automobilística se depara com o antigo problema da falta de infraestrutura e burocracia nos portos brasileiros. Paralelamente,enfrentadificuldades para receber produtos importados, também num período de crescimento de encomendas. A Ford eliminou as dificuldades com um porto privado na Bahia, o único da montadora no mundo. Instalado próximo à fábrica de Camaçari – responsável por70%dasexportaçõesdamarca –, o porto, inaugurado há cinco anos, já movimentou 500 mil veículos. “Uma das vantagens é não ter de enfrentar o congestio-

namento dos portos públicos”, afirma Edson Molina, diretor de logísticada Ford América doSul.

PARA ENTENDER

Alternativa. A General Motors

buscou alternativa intermediária. Investiu R$ 30 milhões em uma central de logística no Porto de Suape (PE), onde recebe o modelo Agile produzido na Argentina para ser revendido no Norte e Nordeste. Antes, os carros vinham pelo porto do Rio Grande do Sul e demoravam dez dias para chegar à região, prazo que caiu à metade. Futuramente,deverãodesembarcaremSuape os modelos Malibu e Camaro, importados dos EUA e Canadá. “A infraestrutura e as operações portuárias não têm crescido na mesma proporção que o nosso comércio internacional”, lamenta Paulo Andrade, diretor para o mercado internacional da Marcopolo, fabricante gaúcha de ônibus que exporta 35% de suaprodução– 3mila5milveículos/ano. “Passamos por momento crítico e damos espaço aos asiáticos que têm logística e custo menores que os nossos.” Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a logística no Brasil representa 16% do Produto Interno Bruto (PIB). Em países competitivos, não ultrapassa 10%. O preço do frete

Estudo do Banco Mundial classifica o Brasil em 34.º lugar em competência logística portuária na comparação com outros países. No quesito logística como um todo, que reflete a competitividade do país, o Brasil está na 126.ª posição. No ano passado, as montadoras exportaram 475,3 mil veículos, ante 734,6 mil em 2008. Neste ano, até maio, foram 288,1 mil, 78,6% a mais que no mesmo período do ano passado. do Brasil para a América do Sul é mais caro do que da Coreia para o México e o Chile. Antunes ressalta que a posição geográfica da Fiat dificulta o uso de portos, mas vê vantagem no fato de a fábrica poder despachar caminhões de acordo com as necessidades diárias. Se fosse usar navios, seria preciso reunir grande quantidade de veículos. Ele diz ainda que a operação rodoviária só é vantajosa se o caminhão que leva carros do Brasil voltar carregado com o modelo fabricado na Argentina. Quando não é possível, a saída é recorrer aos portos de Santos e do Rio.

Segundo Antunes, o ganho principal pela via rodoviária é o menor tempo para o produto chegaraocliente, customais baixo e menos risco na movimentação dos carros. O Siena que vem daArgentinaécolocadonacarreta em Córdoba e levado ao porto de Buenos Aires. Lá, é descarregado num pátio e depois levado para o navio. Quando chega ao Brasil,vaiparao pátio,depoispara a cegonha e,finalmente, é descarregado na fábrica. “O risco de avarias é enorme”, diz. Disputa por espaço. O porto

da Ford foi construído pelo governo da Bahia e cedido em concessãodeusocomo partedas negociaçõespara ainstalação dafábrica no Estado, em 2001. Está a 35 km do complexo de Camaçari e serve também para importação de veículos da marca. O pátio tem capacidade para 6 mil veículos. Os modelos que são produzidos em São Bernardo,noABC,eexportadosviaPorto de Santos, disputam espaço no pátio com outras empresas. O mesmo ocorria quando a Ford usava o porto de Salvador. “A fila para entrar levava até dois dias”,dizMolina.“Nonossoportoésóotempodeliberaçãoaduaneira, de até quatro horas.” A Ford transporta cerca de 2 mil veículos em cada embarque.

Freelander 2

www.landrover.com.br

Um legítimo Land Rover, um grande negócio.

da competitividade”. Segundo ele, com o real forte, as empresas precisam de ganho de escala e cortedecustos paracompetir internacionalmente,mas os entraves prejudicam o desempenho. “O pior é que não é uma questão momentânea.” O executivo ressalta que há uma série de ações previstas pelo PAC, mas teme que a maioria não saia do papel. Via aérea. Outra alternativa pa-

ra a exportação é utilizar a via aérea, mas, por ser a mais cara, só é adotada em casos de urgência. Recentemente, importadores do Equador recorreram a aviões para levar 40 chassis de ônibus da Mercedes-Benz, operação não muito comum pelo porte das peças. Todo o processo levou menos de uma semana. Por navio, seriam cerca de 20 dias só em trânsito, apesar de a fábrica em São Bernardo estar próxima a Santos.“Onaviodá avoltapelaAmérica do Sul, entra no canal do PanamáparadepoisseguiraoEquador”, informa Carlos Garcia, gerente de vendas de exportação. “Santos está saturadoe outros portos estão entupidos, por isso a única alternativa para distribuir produtos no Mercosul é por caminhão”, diz Mário Milani, presidente da autopeças Sogefi/ Filtros Fram, de São Bernardo. Segundo ele, parte do engavetamento atual em Santos se deve “mais ao que está chegando do que ao que está saindo”. Milani conta que, este ano, a Sogefi recorreu “um par de vezes” ao transporte aéreo, para não atrasar entregas. “O custo é quatro vezes maior do que o frete marítimo”, diz. / C.S.

(1)

Controle eletrônico de tração Controle de frenagem em curvas

Partida start-stop

Sistema de som para 6 CDs com entrada auxiliar

Câmbio automático de 6 velocidades com trocas sequenciais

Motor 6 cilindros 3.2L de 233 cv

Controle dinâmico de estabilidade

Sistema Terrain ResponseTM

9 air bags

Caltabiano

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Intercar

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Ribeirão Preto/SP

Moema

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Morumbi

3953-5000

(17) 3201-7200

(19) 3751-4100

5643-8484

(13) 3202-4040

Santana

São José do Rio Preto/SP

Campinas/SP

Santo Amaro

Santos/SP

3095-8585

(16) 3965-7000

5054-6000

3068-8580 3755-1011

(1) Condições disponíveis para o modelo Freelander 2 versão S, ano/modelo 10/10. Financiamento no plano leasing com entrada de 50% (R$ 58.940,11) + 35 parcelas de R$ 1.736,83 e 01 parcela residual (balão) de R$ 17.592,03. Total efetivo da operação de R$ 137.321,19. Taxa nominal de 1,34% a.m. e de 17,32% a.a. Oferta válida até 15/07/2010. Valor à vista do modelo R$ 115.900,00. Taxas inclusas na operação. Crédito sujeito a aprovação. Fotos meramente ilustrativas. Se beber, não dirija.


B12 Economia %HermesFileInfo:B-12:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

JIM O’NEILL

Agora todos nós dependemos da China YURI GRIPAS/AFP

N

o último artigo que escrevi paravocês,pareciaclaroparamimque, salvopelasmedidas ocasionais adotadas pelas autoridades econômicas ocidentais para punir o setor financeiro, tudoparecia correr bemrumo àrecuperação global. Todos os nossos úteiseconfiáveis indicadoresdo Goldman Sachs apontavam para cima, e estávamos tranquilos dentro do nosso otimismo em relação à recuperação mundial. Nesse contexto, continuamos fazendo correções para cima nas nossas previsões do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Há apenas duas semanas, modificamos as projeções para este ano, e agora esperamos um crescimento superior a 8% do PIB, comparado a uma recuperação mundial de 5%. Bem, hoje em dia, dois meses são muito tempo para o setor financeiro. De repente, enquanto passamos de junho para julho, alguns desses indicadoresjánão parecemtão espetaculares. Nosso indicador de estresse financeiro sistemático (GS FSI) vem se deteriorando consideravelmente desde maio. Embora não esteja próximo da sombria situação de 2008, voltou a níveis que não eram vistos desde os picos ocasionais da década de 90. Além disso, nossas medidas das condições financeiras tornaram-se mais apertadas em muitos lugares importantes, principalmente nos Estados Unidosena China.Essesdoisíndices constituem indicadores antecedentes do crescimento global bastante confiáveis. Além disso, o nosso indicador global, o GLI, dá mostras de ter chegado ao seu pico. Portanto, subitamente, e em particular depois da reunião dos G-20 em Toronto, as coisas parecem um poucodiferentesnomundo.Écompreensívelquemuitospaíses,especialmente a Grã-Bretanha, cujo governo foi eleito recentemente, e a Alemanha, extremamente cautelosa em relação às questões fiscais, esperem que o seu desejo de dureza com as contas

O Brasil exibe inúmeros sinais de uma vitalidade à qual sua população não está acostumada

Previsão. EUA, de Obama, vão dar contribuição menor à expansão global públicas se torne o novo mantra global. Na realidade, porém, eles deveriam torcer para que os outros países não fossem tão determinados. E, na verdade, talvez Grã-Bretanha e Alemanha secretamenteestejamgostandoqueasua paixão não seja compartilhada, nem venha a ser compartilhada em breve por Washington.Se todos os membrosdo G-20 endurecessemaestratégiafiscalaomesmo tempo em que a Grã-Bretanha adota uma política rigorosa, dificilmente conseguiriam obter melhor crescimento para todos eles – e talvez nem mesmo para qualquer um deles. O que contribui que essa situação aconteça são as crescentes evidências quea Chinaestá reduzindo seu ritmo de crescimento. Essa semana, baixamos nossas previsões do PIB da China pela primeira vez desde a crise de 2008. Ago-

Brasil atende aos critérios para estar na zona do euro Em 1992, o Tratado de Maastricht (Holanda) estabeleceu critérios rigorosos para os países que quisessem participar do seleto clube que adotaria o euro. Hoje, com a crise na Europa e a ascensão dos países que já foram chamados de “subdesenvolvidos”, o Brasil supera nações europeias em quase todos os indicadores econômicos usados como referência para adoção da moeda única regional. Estudo da Pezco Consultoria, elaborado a pedido do Estado, mostra que, em quatro dos cinco critérios de convergência que o Banco Central Europeu (BCE) usa para avaliar os países do euro, o Brasil está em situação melhor ou igual a pelo menos um país-membro do bloco (veja infográfico). Apenas no quesito “taxa nominal de juros” o País está em posição pior do que toda a zona do

ra projetamos um crescimento real do PIB de “apenas” 10,1% para o ano, em comparação aos recentes 11,4%. Isso acontece num momento em que o índice chinês dos gerentes de compras (que éumindicador antecedentedoPIB)baixou para 52,1% em junho, e as evidências mostram que as medidas destinadas a conter o boom imobiliário podem estar funcionando. Muitas pessoas, principalmente asque gostamdedescobrir bolhas, consideram essas evidências e a mudança da nossa previsão de crescimento como novos sinais de que a aceleração da China depois da crise global do crédito não passou de mais um período temporário de crescimento excessivo artificialmente induzido. Muitos suspeitam que essa possa ser a primeiradeuma sériedefreadas da China, e que a nova “locomotiva” mundial

Portanto, é crucial observar como a China trabalha na tentativa de reduzir “um pouco” o ritmo do seu crescimento, mas sem anular a mudança que a crise global produziu em direcionar a expansão para sua demanda interna. E a importânciadessaquestãose aplicatantoa empresas alemãs comoBMW, Audi, e Mercedes, quanto para as principais universidades ou escolas privadas da Grã-Bretanha, ou para os produtores de commodities do Brasil. EstiverecentementeemMuniqueonde encontrei representantes das principais empresas sediadas na cidade. Saí das reuniões convencido de que o que ocorre na China é mais importante para Munique do que o que acontece no resto da Europa. Se a China administrar suadesaceleraçãodemaneirainadequada, será pior para eles do que qualquer problema financeiro na Grécia. E estou no time dos que acham que seráumalívio seaChina conseguirfrear sua economia em disparada, e quanto mais rápido eles conseguirem trazê-la para a faixa de 8% a 10%, melhor será. Comisso, qualquermodesta pressão inflacionária que por acaso se tiver reavivado cederá, os preços dos imóveis voltarão a níveis mais estáveis, e o salto para frente continuará. Se por alguma razão, o aperto aplicado for excessivo, ou se eles precisarem continuar a apertar, ou se não forem capazes de impedir que a desaceleração se torne mais dramática, então terei de mudar de ideia. Voltando para a situação dos EUA, a evidência econômica é mais assustado-

ra,epodeexplicarporqueopresidente Obama e seus assessores continuam com uma visão sobre a questão fiscal diferente daquela do primeiroministro britânico, David Cameron. Apesar do nosso otimismo global no ano passado, permanecemos bastante cautelosos a respeito dos EUA, prevendo que os problemas passados da bolha da habitação e da debilidade da poupança interna enfraqueceriam o consumo durante algum tempo. O que preocupa é que os indicadores do mercado residencial voltaram a se mostrar fracos, mais até do que imaginávamos. E, o mais importante, alguns outros setores, antes vigorosos, estão mostrando sinais de fraqueza. A pesquisa mensal dos gerentes de vendas da indústria para o mês de julho apresentou um declínio considerável, e todos os componentes mais significativosdosestoques,assimcomoosnovospedidos,mostraramtendências pouco agradáveis. Foram divulgados também sinais de recuo das encomendas aos exportadores, e os pedidos de salário-desemprego semanais nos EUA, que constituem um considerável indicador antecedente do desemprego, aparentemente voltaram a uma tendência de alta. Achoquepodemosesquecer apossibilidade de que ocorra tão cedo qualquer aperto fiscal ou monetário nos EUA. Pelo contrário, não devemos descartar a possibilidade de maior afrouxamento. Analisando a década passada, cerca de 60% do crescimento mundial originou-se da China ou dos Estados Unidos. Acreditamos que na próxima década, embora a contribuição americanapara aexpansão globaldeva continuar significativa, será menos importante do que a da China e dos outros Brics. O que é evidente é que se os EUA permanecerempersistentementelutando contra essas dificuldades, e a China se tornar uma grande decepção, isso não será uma boa notícia para todos nós. Suspeito que a austeridade fiscal preconizada pelo novo secretário do Tesouro da Grã-Bretanha, George Osborne, não é algo que ele haveria realmente de querer que seu colega americano, Timothy Geithner, adotasse–ecertamentenãonocurtoprazo. Acho que as autoridades brasileiras podem desejar o mesmo, com a aproximação de suas eleições. Além disso, acredito que seus líderes esperam que nossa convicção de que a Chinaconseguirácontrolar suadesaceleração, e tirar os pés do freio, seja correta. /TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA ✽ ECONOMISTA-CHEFE DO GOLDMAN SACHS

SOTAQUE EUROPEU

PARA LEMBRAR

l País só não “entraria” no euro por causa das taxas de juros

Tratado criou formalmente a União Europeia

Taxa de juros de longo prazo

Déficit das contas públicas

Inflação em 12 meses

EM PORCENTAGEM

EM PORCENTAGEM DO PIB

EM PORCENTAGEM ATÉ MAIO DE 2010

Alemanha

2,7

Luxemburgo

0,7

Irlanda

-1,9

Holanda

3,0

Finlândia

2,2

Holanda

0,4

Finlândia

3,0

Alemanha

3,3

Portugal

1,1

França

3,1

Brasil

3,3

Alemanha

1,2

Áustria

3,2

Áustria

3,4

Finlândia

1,4

Bélgica

3,3

Malta

3,8

Itália

1,6

Eslováquia

3,8

Itália

5,3

Áustria

1,7

Eslovênia

3,8

Holanda

5,3

Malta

1,8

Itália

4,0

Eslovênia

5,5

Chipre

1,8

Espanha

4,1

Bélgica

6,0

Espanha

1,8

Malta

4,1

Chipre

6,1

França

1,9

euro. O estudo compila dados do BCE e do Banco Central do Brasil.

Chipre

4,6

França

7,5

Eslovênia

2,4

Irlanda

4,9

Portugal

9,4

Bélgica

2,5

Portugal

5,0

Espanha

11,2

Luxemburgo

3,1

Menos desequilíbrio. Para ado-

Grécia

8,0

Grécia

13,6

Brasil

5,2

Brasil

12,4

Irlanda

14,3

Grécia

5,3

País supera europeus em quase todos os indicadores para adoção da moeda única Sílvio Guedes Crespo

se revelará uma grande decepção. Na minha opinião, essa é a mais importante projeção que devemos fazer, seja em relação à Grã-Bretanha, ao Brasil, aos EUA e a muitos outros países. Recentemente, chequei nossos pressupostos para 2050 em relação aos Brics para os próximos 40 anos. Na próxima década, os números que estão implícitosnanossavisãosobreaChinasão realmente cruciais para todo o mundo. Previmos um aumento do PIB da China em torno de US$ 7,5 trilhões. A China, se estivermos certos, criará, ao longo dessa próxima década, quase duas outras Chinas. Essa mudança equivalerá, na realidade, a todo o aumento possível do PIB dos EUA e dos outros três países dos Brics juntos. Se estivermos certos, a China se tornará para muitos a mais impressionante história econômica que já existiu, como alguns já consideram que ela seja. Se estivermos errados, o mundo será um lugar com desafios muito difíceis, principalmente para os que vivem numa austeridade doméstica que eles próprios se impuseram.

tar o euro, foi exigido que os países mantivessem a dívida pública bruta em patamar de, no máximo, 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009, no entanto, apenas seis países da região ficaram dentro desse limite. Na média, a dívida das nações que usam o euro atualmente corresponde a 78,8% do PIB do bloco, número pior que o do Brasil, onde essa proporção é de 62,8%. Na Alemanha é de 73,2%; na França, de 77,6%; na Grécia e na Itália, supera 115%. Outro critério para enquadramento na zona do euro é o resultado fiscal (diferença entre receitas e despesas do setor público). No Brasil, esse dado é deficitário, mas em comparação com o atual momento crítico da Europa, o País até passa a

Assinado em 7 de fevereiro de 1992, o Tratado de Maastricht criou formalmente a atual União Europeia. O acordo criava metas de livre movimento de produtos, pessoas, serviços e capital entre os países do bloco. Um dos pontos principais do tratado dizia respeito à união monetária entre os países europeus, com o estabelecimento de metas econômicas a serem cumpridas por todos os países-membros até a adoção do euro, em 1999. Inicialmente, foram 11 os países a entrar na chamada zona do euro: Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha, Áustria, Irlanda e Finlândia.

INFOGRÁFICO/AE

impressão de estar em situação confortável. Enquanto aqui o déficit público corresponde a 3,3% do PIB, na zona do euro a média é de 6,2%. Entre os países do bloco, só estão em posição melhor Luxemburgo (déficit de 0,7%) e Finlândia (2,2%). A Alemanha e a Áustria estão no mesmo patamar que o Brasil. Na Grécia e na Itália, o déficit público passa de 115% do PIB. Em relação ao câmbio, o Banco Central Europeu verifica se os países analisados mantiveram “margens normais de flutuação” do câmbio, por pelo menos dois anos, “sem ter procedido a uma desvalorização

em relação ao euro”. O Brasil se encaixa nesses critérios, apesar de o real ter caído bastante durante a crise financeira internacional. “Desvalorizações por causa de movimentos de mercado são toleráveis, como em 2008, em que o mundo inteiro estava volátil”, afirma Frederico Turolla, sócio da Pezco e professor na Fundação Getúlio Vargas. O que o BCE reprova são decisões deliberadas do governo de desvalorizar a moeda. O critério do câmbio só vale para novos países que desejam adotar o euro. O BCE acompanha a economia desses países em seu Relatório de Conver-

gência, cuja última edição foi publicada em maio passado. Tropeço nos juros. Apesar de ter superado a fase da hiperinflação, o Brasil ainda está pior do que a Europa no controle de preços. O índice oficial de inflação do País, o IPCA, marcou alta de 5,2% nos últimos 12 meses. Na zona do euro, só a Grécia está em situação parecida, com inflação de 5,3% no período. A média da região está em apenas 1,6%. Mas é na taxa de juros que o País realmente tropeça. Títulos prefixados da dívida pública de longo prazo, com vencimento em dez anos, eram nego-

ciados no dia 24 de junho com um retorno de 12,4% ao ano. Na Europa, nem a Grécia está em situação parecida. Mesmo com a desconfiança dos investidores em relação à capacidade da Grécia pagar sua dívida, os papéis ali negociados oferecem juros de apenas 8% ao ano. Todos os demais países da zona do euro estão dentro da meta explicitada no Relatório de Convergência, de juros nominais de 6% ao ano para papéis prefixados. Portugal, o segundo com pior desempenho na região, paga juros de 5%. A Alemanha é quem está em melhor situação, com taxa de 2,7%.


%HermesFileInfo:B-13:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Economia B13 WERTHER SANTANA/AE

Pearson negocia compra do Anglo, diz ‘FT’ Grupo britânico, dono do jornal ‘Financial Times’, seria um dos três interessados em um dos maiores grupos educacionais brasileiros O Pearson, grupo editorial e de informação digital que controla o jornal ‘Financial Times’, está na briga pela compra do Anglo, grupo de educação brasileiro especializado em cursos preparatórios para o vestibular, com unidades próprias e parcerias com escolas em todo o País – em que fornece material didático e metodologia de ensino. SegundonotíciadopróprioFinancial Times, mais duas empresas estariam interessadas no negócio. O Anglo negou que esteja à venda. Mas, segundo o jornal, fontespróximasdizemque aempresa teria sido avaliada pelo banco de investimentos Credit Suisse por até R$ 600 milhões, e que ofertas eram esperadas dentro de semanas. De acordo com as fontes do FT, as ofertas viriam abaixo do valor proposto e não haveria certeza quanto ao fechamento do negócio. Os outros interessados no sistemaAnglo, segundoojornal,seriam o Grupo Abril e a editora espanholaSantillana,queteminteresseemse expandirnaAmérica Latina. O grupo que conseguir fazer a aquisição poderia exportar o sistema Anglo. Pearson, Santillana e Abril não comentaram o assunto. O Pearson está com um caixa

● Consolidação

US$ 2,5 bi

é quanto o setor de educação pode movimentar em fusões e aquisições nos próximos dois anos, nas contas da consultoria Hoper

30%

é quanto os 15 maiores grupos do ensino superior detêm dos 3,9 milhões de alunos matriculados. Há cinco anos, esse porcentual não chegava a 20%

4

dos 5 maiores grupos educacionais privados do Brasil estão ligados a fundos de private equity

reforçado. De acordo com o FT, o grupo deve receber cerca de US$ 2 bilhões, excluindo impostos,da vendadoInteractive Data Corporation, empresa fornecedora de dados e análises para o mercado financeiro, vendida em maio. Segundo a presidente do Pearson, Dame Marjorie Scardino, os recursos seriam destinado ao crescimento orgânico e aquisições, especialmente em mercadosemergentes,ondeareceita do grupo cresceu de US$

304 milhões para US$ 648 milhões desde 2005. A companhia também esteve perto de fechar outra grande aquisição no Brasil, segundo as mesmas fontes. O grupo e outras empresas mantiveram conversas sobre a compra total ou de uma fatia do Sistema EducacionalBrasileiro (SEB), quecontrola escolas e oferece sistemas de educação. A empresa tem um valor de mercado de R$ 715 milhões.Mas,deacordocomasfontes, Chaim Zaher, principal acionista do SEB, estava indeciso sobre a estrutura de um possível acordo. O Pearson tem evitado investimentos minoritários sem possibilidade de ter o controle. Interesse. Nos últimos anos, o mercado educacional no Brasil entrou no radar dos investidores. Grupos de private equity têm demonstrado interesse no setor, principalmente no ensino superior. Hoje, entre os cinco maioresgruposeducacionaisprivadosdoBrasil,quatroestãoligados a fundos de private equity. A ofensiva dos fundos teve início há sete anos, quando o Pátria Investimentos comprou parte da Anhanguera Educacional. A Estácio, do Rio de Janeiro, tem participação do GP Investimentos. A americana Laureate, que

Preço. O Anglo teria sido avaliado pelo Credit Suisse em R$ 600 milhões, segundo o jornal no Brasil controla a Universidade Anhembi Morumbi, tem como acionista o fundo de private equity americano Kohlberg KravisRoberts(KKR),umdosmaiores do mundo. O fundo Advent comproupartedaKrotonEducacional no ano passado. Por enquanto, a única exceção entre as

cinco maiores é a Unip, do empresário João Carlos Di Genio. A entrada dos fundos acelerou a consolidação do setor. SegundoaConsultoriaHoper, especializada em educação, hoje os 15 maioresgruposdosetor concentram 30% dos 3,9 milhões de alunos do ensino superior. Há cinco

anos, o porcentual não alcançava 20%. Nas contas da consultoria, o setor pode movimentar US$ 2,5 bilhões nos próximos dois anos em fusões e aquisições.Como aumento daconcorrênciae a queda narentabilidade média,asinstituiçõesqueremganhar com a economia em escala.

Jornais de Murdoch passam a cobrar por conteúdo online

executivos acusaram o gigante das buscas de “cleptomania” e de “parasitismo”, por incluir conteúdo da News Corp. nas páginas do Google News. Quando questionado por que os executivos da News Corp. não optaram por simplesmente remover suas páginas do índice de buscas do Google – uma operação técnica relativamente simples –, Murdoch disse que tal medida estava nos planos. “Acho que chegaremos a isto, mas somente quando começarmos a cobrar”, disse.

LONDRES

O bilionário da mídia Rupert Murdoch, dono do grupo News Corp., começou na semana passada a colocar em prática o que já vinha defendendo há tempos: o fim dos conteúdos livres de jornais na internet. Desde sextafeira, o diário britânico ]The Times – com sua edição dominical, Sunday Times – está cobran-

do pelo acesso ao site e pelos conteúdos online. O preço é de pouco mais de € 1,00 por dia, ou cerca de € 2,50 pela semana toda. Há, porém, uma promoção de lançamento do serviço, em que todos que se registrarem terão direito, mediante o pagamento de € 1,00, ter acesso aos sites durante um mês. Além disso, o Times tem uma edição para iPad que custa

cerca de € 12,00 por mês. Nova fase. A experiência no

Reino Unido faz parte da proposta de Murdoch de cobrar pelos acessos aos sites de todos os jornais que ele controla – são mais de 170 no mundo. Um dos jornais da News Corp., o The Wall Street Journal, já tem uma experiência bem-sucedida na cobrança de conteúdos online.

Outro jornal de economia, o britânico Financial Times, que pertence ao grupo Pearson, tambémjá aboliu os conteúdoscompletamente livres. E um outro gigante da mídia mundial, o americano The New York Times, deve começar a cobrar pelo conteúdo na internet a partir do ano que vem. No ano passado, Murdoch comprou uma briga com o gi-

ETHEVALDO SIQUEIRA ✽ ●

esiqueira@telequest.com.br

Cinco bilhões de celulares

O

mundo quebrou na semana passada a barreira dos 5 bilhões de celulares em serviço, segundo previsão daUniãoInternacionaldeTelecomunicações(UIT).A expansãodatelefoniamóvelnomundotemsidoimpressionante: em 30 anos, saltou de poucos milhares para os atuais 5 bilhões de celulares. Desde janeiro de 2009, alcança a média de 1,5 milhão de novos aparelhos por dia. Ou de 548 milhões por ano. Nenhum outro meio de comunicação tem crescido com a rapidez do celular em escala mundial, pois, em 30 anos, ele alcançou a marca de 5 bilhões de acessos. O computador, em 32 anos, não atingiu 1,9 bilhão de usuários. A televisão, em 63 anos, chega a apenas 1,8 bilhão. A internet, 1,8 bilhão em 20 anos. Trinta países já têm mais celulares do que habitantes. A Itália tem 178 acessos móveis por 100 habitantes.

Portugal, 155. Os países escandinavos, mais de 130. A Argentina, 118. O Brasil deverá superar a densidade de 100% antesdenovembrodesteano.Eatédezembro, poderá quebrar a barreira dos 200 milhões de celulares em serviço. Com 185 milhões de celulares em serviço,emjunho de2010,o Brasil éo quintomercadodomundoemtelefoniacelular. Aliás, entre os cinco maiores mercado de celular, quatro deles são países do grupo Bric. Confira, leitor: 1) China, com 777 milhões de celulares; 2) Índia, 584; 3) Estados Unidos, 293; 4) Rússia, 212; 5) Brasil, 179 milhões (dados estatísticos de março de 2010). O nascimento. Ao longo de meu trabalho profissional, tive a oportunidade de ver o nascimento da primeira geração (1G)docelularemtrêsmomentoshistóricos. O primeiro deles foi uma demonstração pública da nova telefonia sem fio que testemunhei na Suécia, em junho

de 1981, quando acompanhava a visita do então ministro das Comunicações do Brasil, Euclides Quandt de Oliveira. Tive, então, a oportunidade de testar umtelefonecelularveicular,transportável, que pesava mais de 8 quilos e cuja bateria não garantia mais do que 30 mi-

Com 185 milhões de celulares em serviço, o Brasil é o quinto mercado do mundo nutos de conversação. Fiz ligações locais e internacionais de dentro de um micro-ônibus e, depois, de um barco, navegando entre as muitas ilhas do arquipélago de Estocolmo. Num segundo momento, em outubro de 1981, testemunhei a inauguração do sistema de telefonia celular da Arábia Saudita – que, praticamente, só servia à família real. Não me esqueço do impacto que me causou a experiência de usar um telefone celular naquela época, ao fazer liga-

gante das buscas pela internet Google. Ele afirmou que planejava remover os textos de seus jornais do buscador, para encorajar os usuários a pagar pelo conteúdo online. Em entrevista à rede australiana Sky News, ele disse que os jornais de seu império midiático consideravam bloquear completamente o serviço de buscas do Google. Murdoch e seus principais

/ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

ções em pleno deserto da Arábia, a mais de 30 quilômetros de Riad. Liguei para minha casa, em São Paulo, para redação do Estadão e contei a novidade. Naqueles tempos, falar ao telefone no meio de um deserto era quase ficção.Masaligação estavalímpida,perfeita. O terceiro momento aconteceu dois anos depois, no dia 13 de outubro de 1983, quando pude testemunhar, em Chicago, a inauguração do primeiro sistema comercial de telefonia celular de primeirageração(1G)dasAméricas,pela antiga AT&T, com a novíssima tecnologiaAMPS(siglapretensiosadeAdvanced Mobile Phone System).

Em julho de 1998, eram privatizadas as 10 operadoras celulares do Sistema Telebrás, juntamente com as concessionárias fixas: Telemar (hoje, Oi), Brasil Telecom (hoje integradaàOi),TelefônicaeEmbratel.Apartir daí, superando as expectativas mais otimistase ambiciosas, a telefonia celular tem crescido a taxas impressionantes: 5,8 milhões de celulares no dia da privatização (29-07-1998); 47 milhões, em 2003. Em janeiro de 2007, o País quebrava a barreira dos 100 milhões. Em junho de 2010, já eram 185 milhões. Brasília tem hoje mais de 160 celulares por 100 habitantes; Salvador, 143.

Brasil, 1990. O celular só chegou ao

Terceira geração. O Brasil vive ho-

Brasil em 1990, com a inauguração dos sistemas de Brasília e da cidade do Rio de Janeiro. Na fase inicial desses sistemas, os aparelhos ainda eram do tipo veicular, e não os pequenos celulares portáteis que só chegaram em 1992. Na cidadedeSãoPaulo,diversasaçõesjudiciais atrasaram as licitações e a implantaçãodatelefoniamóvel,quesófoiinaugurada em 6 de agosto de 1993, pela Telesp Celular. O crescimento da base instalada foi explosivo a partir da privatização da Banda B, em 1996. Em São Paulo, a antiga operadora BCP (antecessora da Claro) instalou e pôs em operação 1 milhão de acessos móveis, em apenas 9 meses. Um recorde mundial para a época. E com a tecnologia digital TDMA (de Time Division Multiple Access). Nascia, então, no Brasil o celular de segunda geração (2G).

je a fase de expansão do celular de terceira geração (3G), que oferece banda larga, com protocolo IP, acesso à internet em velocidades de até 3,6 Megabits por segundo (Mbps) e centenas de aplicativos. No final de maio de 2010, já eram 13,3 milhões de celulares 3G, com acesso em banda larga. Até o final de 2011, todos os municípios do País deverão estar cobertos pela telefonia celular 3G. O sucesso representado por esses númerosnãosignifica, absolutamente, que tudo vá às mil maravilhas. Três problemas básicos precisam ser resolvidoscomurgência.Àsoperadorascabemelhoraro padrãode atendimento dos usuários. Ao governo, desonerar as tarifas da brutal carga tributária(43%)efortalecero poder fiscalizador da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).


B14 Economia %HermesFileInfo:B-14:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

AUDITÓRIO (PARQUE DO IBIRAPUERA) ETERNIZADO PELO FOTÓGRAFO DANIEL KLAJMIC

P O U C A S C O I S A S S Ã O PA R A S E M P R E

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Habitat

Revolução de 32

Tragédia no Nordeste

Mansões alugadas para baladas infernizam bairros residenciais

78 anos depois, cidade lembra heróis em ruas, túnel e obelisco

O diário dos bombeiros paulistas que foram para Alagoas ajudar as vítimas das chuvas

Pág. C4

Pág. C5

Pág. C7

Metrópole estadão.com.br

CULTURA. A cidade como inspiração

AILTON CRUZ/AE

C1 %HermesFileInfo:C-1:20100704:

Em 30 anos, três gerações de super-heróis e vilões, na página C3 }

SP vira polo mundial de criação de HQs Filipe Vilicic

De São Paulo saem as histórias dos heróis mais famosos domundo. O desenhista do Super-Homem, Renato Guedes, estudou na escola de quadrinhos Quanta, na Vila Mariana. Em Perdizes está outro centro de formação: a Impacto, de onde saiu gente que trabalha nas duas maiores editoras americanas, Marvel e DC. Essa turma ainda frequenta bares da Praça Roosevelt, a Lapa, sede do Estúdio Mauricio de Sousa, e Pinheiros, onde está a principal agência do gênero. Esse grupo que ganhou fama lá fora não arreda o pé da cidade. “Mudar para cá foi fundamental para a evolução da minha carreira”, diz o baiano Ig Guara, de 27 anos, que chegou na metrópole há três anos e trabalha para a Marvel (do Homem de Ferro, do X-Men). “Foi aqui que consegui oportunidades, virei amigo de outros profissionais.” Ele mora em Pinheiros, próximo da agência Art&Comics, que vende seu trabalho no exterior, e éprofessorda Quanta.“São Paulo ainda me ajuda a pensar em histórias, traços.” A ilustração que ele fez com exclusividade para o Estado (veja na C3) é prova disso. “Nela mostrei uma das coisas de que mais gosto na cidade: o lado cosmopolita. Na Avenida Paulista, você cruza com japoneses, estrangeiros, gente de todo tipo.” Para o artista, ótimo material de referência para desenhar. Gerações. O paulista de Ilhabe-

la Amilcar Pinna, de 31 anos, sonhava em trabalhar na capital paulista. “Sempre quis ser desenhistae, aos18anos,mematriculei num curso na Quanta com meu ídolo, o Roger Cruz (um dos principais nomes do ramo no País). Durante um ano, viajava durante seis horas em um ônibus para fazer as aulas.” Há sete anos, ele se mudou para São Paulo. Já colaborou com grandes editoras internacionais e trabalhou ao lado do ídolo em uma revista dos X-Men. “E me inspiro em cenas da cidade para criar histórias.” Pela escola da Vila Mariana, aliás, passaram nomes das três geraçõesdedesenhistaspaulistanos que estouraram no exterior. IgeAmilcar integram aterceira e mais nova leva. “Só que foi graças a nós que eles encontraram lá fora um cenário receptivo ao brasileiro”, conta Marcelo Campos, dono da Quanta e um dos integrantes da primeira geração. História. A exportação começou timidamente, no fim dos anos1980, comCamposeseucolega Watson Portela. Na década seguinte, ganhou força com nomes como Roger Cruz (que foi o principal desenhista das revistas X-Men) e Ivan Reis (que faz Lanterna Verde, da DC). E agora se consagrou, com mais de20 artistas colaborando regularmente com editoras americanas e europeias, disputando prêmios e com fãs no mundo inteiro.

● Prêmios

Os paulistanos Gabriel Bá e Fábio Moon, ao lado do gaúcho Rafael Grampá (que mora em São Paulo), foram os primeiros brasileiros a ganhar o Eisner Awards, o Oscar das HQs, em 2008

7 8 9 10 11 12


C2 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-2:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

ALÔ, SÃOPAULO

25° 11°

0mm 0%

TER 6/7

26° 11°

0mm

QUA 7/7

25° 11°

0mm

Aracaju Belo Horizonte Brasília Boa Vista Belém Campo Grande Cuiabá Curitiba Florianópolis Fortaleza Goiânia João Pessoa Macapá

19°/23° Abaixo de 19°

Franca 12°/25°

Ribeirão Preto

S. J. do Rio Preto

12°/29°

15°/29°

0%

Araraquara 10°/28°

Presidente Prudente 15°/29°

Bauru

Piracicaba

12°/28°

Sol/chuva Ensolarado Sol Sol/chuva Sol/chuva Ensolarado Ensolarado Ensolarado Ensolarado Sol/chuva Ensolarado Sol/chuva Sol/chuva

NO

São Paulo 11°/25°

11°/28°

Sol/chuva Sol/chuva Sol/chuva Sol Sol Sol Sol/chuva Sol Ensolarado Chuvoso Sol/chuva Sol Sol/chuva

CP

NE

12nós

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Ubatuba

SO

Guarujá Santos

L

9°/25°

SE

14°/27°

13°/26° 11°/25°

Cananeia

4 Domingo

5 Segunda

6 Terça

9h47 14h38 19h24

0h21 10h49 15h30 20h13

5h58 11h45 16h32

1,0 0,5 1,0

10°/25° rente ria Céu claro

www.estadao.com.br/sms

Nublado

Parcialmente nublado

1m

S

Iguape

Receba por sms a previsão de onde você está

Pancadas de chuva

Chuva

0,7 1,1 0,5 1,0

Chuva com trovoadas

7 Quarta

0,7 1,1 0,6

0h36 6h15 12h39 17h43

Cena da Cidade

listana e se surpreende com o crescimento da cidade. Infraestrutura. Quando foi morar nos EUA, São Paulo ainda não tinha metrô. “Há uma infinidade de prédios novos, moderníssimos. Se me deixassem sozinho no centro, ficaria perdido.”

‘Se me deixar só no centro, fico perdido’

Noite. O pianista também per-

Conhecido como um dos precursores do samba-jazz, o pianista e compositor paulista Dom Salvador, de 71 anos, vive nos Estados Unidos desde 1973. Músico do River Café, em Nova York, ele se apresentou na terça-feira no Sala do Professor Buchanan’s. Nascido em Rio Claro, iniciou a carreira em São Paulo, aos 14 anos. Uma vez por ano, quando vem à metrópole, passa grande parte do tempo com familiares, mas guarda boas lembranças da noite pau-

cebeu um “salto” na vida noturna da cidade. “Na minha época, a noite já era bem movimentada, mas melhorou muito. Há várias casas de jazz e artistas de boa qualidade se apresentando, com casas superlotadas todas as noites.” Sonho. “Gostaria de me apre-

sentar na Sala São Paulo. É uma das acústicas mais sofisticadas do mundo. Ainda não estive lá, mas já vi fotos do interior da sala e alguns amigos que estiveram lá comentaram que é um dos teatros mais sofisticados do mundo.”

AINDA EM RITMO DE COPA A animação do brasileiro com o Mundial não acabou. Ontem, cerca de 800 pessoas dançaram Wavin’ Flag, a música-tema da disputa na África do Sul, na Praça da Sé, com direito a coreografia ● WERTHER SANTANA/AE

/ ANA BIZZOTTO

Seus Direitos CARRO BLINDADO Perda da garantia

Tenho um Ford Fusion 2008 blindado, com 10 mil km rodados. Levei-o à concessionária autorizada, porque percebi barulho no motor. O consultor disse que os 3 coxins do motor precisavam ser trocados, mas, pelo veículo ser blindado, o carro não tinha mais direito à garantia. Liguei para a Ford e a funcionária perguntou se eu blindara o carro numa autorizada. Depois disse que não há blindadoras autorizadas pela empresa e, por isso, não tinha mais direito à garantia. Respondi que essa informação tem de se tornar pública, pois afeta milhares de brasileiros. A maioria dos carros Fusion é blindada e quem faz revisão no veículo (supostamente gratuita, mas por R$ 800) não sabe que perdeu a garantia! Exigi que o conserto fosse feito na garantia e uma lista do que tenho direito depois de blindar o carro, mas tudo recusado. DIANA M. NASSER / SÃO PAULO Rodrigo Lentz, da Ouvidoria da

35.129 09.403 08.953 82.319 45.055

Informe-se

As cartas devem ser enviadas para consumidor. estado@grupoestado.com.br, pelo fax 3856-2940 ou para Av. Engenheiro Caetano Álvares, 55, 6˚ andar, CEP 02598-900, com nome, endereço, RG e telefone, e podem ser resumidas

não afeta a parte mecânica, já que, no caso, o problema apresentado seria o motor e sua fixação no veículo e o coxim. O coxim tem a função de fixar e absorver a vibração do motor. Se fosse problema de freio, por exemplo, até se poderia questionar se seria cabível a perda da garantia. A falta de informação e a negativa para o conserto, com a perda da garantia do veículo, violam o Código de Defesa do Consumidor. A Ford tem a responsabilidade de manter a garantia do veículo, assim como a empresa que fez a blindagem tem a obrigação de entregar um termo escrito com as garantias de sua alçada, pós-blindagem. A leitora deve notificar a Ford e a empresa de blindagem, dando prazo de 48 horas para manifestação. Se a Ford mantiver a sua recusa, ela deve ingressar em juízo para ter sua garantia de volta.

Ford, informa que o veículo mencionado não se enquadrou no processo de garantia pelo fato de a blindagem afetar diretamente o componente danificado. O manual do Proprietário, Garantia e Manutenção descreve que a perda garantia ocorre: se o veículo for submetido a abusos, sobrecargas ou acidentes; se a estrutura técnica ou mecânica do veículo for modificada com a substituição e adição de componentes, peças, acessórios ou equipamentos originais por outros, ou de especificações diferentes, mesmo que essa modificação tenha sido realizada por um Distribuidor Ford, tais como alarme, rádio entre outros, onde se subentende que a modificação foi realizada a pedido do cliente, por sua conta e risco.

A leitora diz: A atitude da Ford é injusta e inadequada à realidade do País.

Maria Inês Dolci é coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste)

Análise: Esse caso demonstra que falta informação clara e suficiente a respeito da blindagem e de suas consequências. No manual deveria constar expressamente que a blindagem implica perda da garantia de algumas peças. Entendo que a blindagem

Loterias 1˚ Prêmio 2˚ Prêmio 3˚ Prêmio 4˚ Prêmio 5˚ Prêmio

GRAVIDEZ EM RISCO Erro e burocracia

detectado um problema na bexiga. Meu urologista indicou remoção cirúrgica urgente. Entrei em contato com meu plano de saúde, a SulAmérica, para pedir prévia de reembolso, e me foi informado que o prazo para resposta seria de 5 dias úteis. Após 2 dias, recebi um e-mail dizendo que faltava meu exame de próstata! Transcorridos 5 dias, entrei em contato com a seguradora, que disse que, como havia nova solicitação, seriam necessários mais 5 dias (a nova solicitação era a informação de que eu não precisava de um exame de próstata!). Transcorrido o prazo, não recebi resposta e liguei para fazer uma reclamação. Soube então que eu deveria esperar outros 5 dias úteis! Acho um absurdo ter de aguardar por causa de um erro da seguradora, enquanto passa o tempo e eu corro risco de saúde, sem contar o risco que meu bebê irá correr se eu esperar muito para fazer a cirurgia. VANESSA FERRAZ / SÃO PAULO

Estou grávida e, durante um exame ultrassonográfico, foi

A SulAmérica informa que, antes de ser notificada pelo Estado, as questões apontadas pela sra. Va-

nessa já haviam sido resolvidas. A companhia esclarece ainda que, em contato com a segurada, foi confirmado o recebimento da prévia de reembolso, bem como explicado o equívoco quanto ao exame solicitado.

A leitora confirma: A empresa, após 3 semanas sem respostas, decidiu entrar em contato comigo, solucionando o caso. Análise: O prazo de atendimento às solicitações feitas pelos consumidores às empresas de planos de saúde deve constar de forma expressa dos contratos e deve ser fixado de forma a atender às suas necessidades. A atitude da seguradora de prorrogar o prazo de resposta à leitora, mesmo diante dos inúmeros equívocos cometidos, demonstra seu total desrespeito e desinteresse com as demandas de seus clientes. Se a demora causada pela empresa de assistência médica privada tiver causado ou causar danos comprovados à leitora ou ao seu bebê, poderá ser ajuizada uma ação de indenização contra a empresa. Julius Cesar Conforti, advogado, é membro da American Health Lawyers

ATENÇÃO: Até as 23h15, o site da Caixa Econômica Federal não havia divulgado os resultados dos sorteios de ontem da Mega Sena, Lotomania, Loteria Federal e Quina. Confira os resultados oficiais no site www.caixa.gov.br

30/6/10 R$ 250.000,00 R$ 27.000,00 R$ 14.300,00 R$ 12.000,00 R$ 10.060,00

0,9 0,5 1,2 0,6

18°/25° 20°/28° 18°/27° 20°/31° 17°/24° 17°/18° 20°/24° 20°/26° 19°/26° 15°/25° 6°/15° 17°/23° 20°/34° 13°/21° 11°/26° 20°/35° 14°/17° 26°/31° 17°/20° 17°/26° 19°/35° 15°/27° 23°/31° 8°/14° 10°/15° 22°/30° 24°/27° 15°/27° 18°/34°

Volume de chuva (mm) Probabilidade de chuva (%)

Na metrópole

FEDERAL Nº 04462

0 Assunção +6 Atenas +5 Barcelona +5 Berlim +5 Bruxelas Buenos Aires 0 -1,5 Caracas -2 Chicago +5 Estocolmo +5 Genebra Johannesburgo +5 Lima -2 Lisboa +4 Londres +4 Los Angeles -4 Madri +5 México -2 Miami -1 Montevidéu 0 Moscou +7 Nova York -1 Paris +5 Roma +5 Santiago -1 Sydney +13 Tel-Aviv +6 Tóquio +12 Toronto -1 Washington -1

11°/25°

Itapeva

Dom Salvador, pianista e compositor paulista que vive em NY

Fuso Mín./Máx.

20°/28° 22°/34° 23°/29° 23°/33° 10°/25° 22°/34° 23°/30° 22°/34° 15°/30° 20°/25° 23°/30° 22°/35° 16°/26°

N

12°/23°

Sorocaba

Maceió Manaus Natal Palmas Porto Alegre Porto Velho Recife Rio Branco Rio de Janeiro Salvador São Luís Teresina Vitória

22°/28° 12°/24° 10°/26° 24°/32° 24°/32° 17°/30° 19°/34° 6°/22° 13°/24° 24°/30° 14°/29° 23°/31° 24°/32°

Mín./Máx.

TÁBUA DE MARÉS: Porto de Santos

10°/24°

Ourinhos

assa de ar seco

Tempo

2°/20°

12°/27°

S. J. dos Campos

AR SECO NA MAIOR PARTE DO BRASIL ma massa de ar seco ainda cobre ão aulo deiando o tempo firme com sol e sem chuva nos primos dias. o fim da semana a nebulosidade aumenta com a passaem de uma frente fria pelo mar primo da costa paulista.

Mín./Máx.

C. do Jordão

Campinas

11°/25°

Cheia 25/7 (22h38)

Poente 17h33

NOITE

NO MUNDO

Tempo

0%

0%

TARDE

NAS CAPITAIS

24°/27°

15°/28°

0mm

MANHÃ

28°/32°

Votuporanga

25° 9°

Crescente 18/7 (7h11)

Probabilidade de chuva

Acima de 32°

Na capital

Nova 11/7 (16h41)

Nascente 6h49

Volume de chuva

PRÓXIMOS DIAS EM SP O tempo não muda, com sol e sem chuva. A temperatura fica amena à noite e sobe de dia.

SEG 5/7

Minguante 4/7 (8h31)

PREVISÃO PARA HOJE EM SÃO PAULO Domingo de sol e baixa umidade à tarde

MILIONÁRIA Nº 04461 1˚ Prêmio 2˚ Prêmio 3˚ Prêmio 4˚ Prêmio 5˚ Prêmio

83.488 42.773 34.723 57.431 76.637

26/6/10 R$ 1.000.000.00 R$ 32.000.00 R$ 27.000.00 R$ 14.300.00 R$ 12.720,00

QUINA Nº2335

2/7/10

Quina (Acumulou)

R$ 4.420.689,75

LOTOFÁCIL Nº544 1º/7/10 Oito apostadores acertaram as 15 dezenas e vão receber R$ 131.506,97 02 04 05 07 08

Quadra (138)

R$ 3.722,00

Terno (9.185)

R$ 79,88

09

11

13

14

15

78

18

19

21

23

24

07

19

72

75

MEGA SENA Nº1192 Sena (Acumulou)

30/6/10 R$ 4.057.292,71

Quina (34)

R$ 33.493,09

Quadra (2.691) 17

20

R$ 604,53 49

52

57

59

Sena (Acumulou)

4 de julho de

1910 Realisou-se hontem, nesta capital, com toda a imponência, uma grande manifestação anti-clerical, organisada pelos republicanos e socialistas. Na manifestação tomaram parte cerca de 70.000 pessoas, entre as quaes muitas mulheres de todas as classes sociaes. Muitos estandartes de sociedades liberaes abriram o préstito que apresentava um belíssimo aspecto.

estadão.com.br Blogs. Leia mais notas no blogs.estadao.com.br/cem-anosatras/

18

28

07

22

2/7/10 R$ 3.991.349,73

30

Sena 2.˚ sorteio (0) Quina (23) Quadra (1.738)

06

Há um Século

SERVIÇO: O Estado publica diariamente as loterias. Fique atento ao número e à data de realização dos sorteios.

DUPLA SENA Nº877 14

CORPO DE BOMBEIROS: 193 OU WWW.CCB.POLICIAMILITAR.SP.GOV.BR POLÍCIA MILITAR: 190 OU WWW.POLICIAMILITAR.SP.GOV.BR POLÍCIA CIVIL: 197 OU WWW.POLICIA-CIV.SP.GOV.BR DISQUE-DENÚNCIA: 181 (SP) OU (011) 3272-7373 SPTRANS: 0800-771-0118 (BILHETE ÚNICO E CARTÃO FIDELIDADE) ITINERÁRIOS DE ÔNIBUS: 156 DEFESA CIVIL: 199 PROCON: 151 SABESP: 195 AES ELETROPAULO: 0800-727-2196 COMGÁS: 0800-011-0197

33

41

R$ 0,00 R$ 5.207,05 R$ 65,62

32

38

49

LOTOMANIA Nº1049 30/6/10 20 acertos (Acumulou) R$ 1.514.809,99 03 07 13 14 18 22

31

41

42

51

58

67

70

48 76

80

85

89

95

00


Cidades/Metrópole C3

%HermesFileInfo:C-3:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

CULTURA. A cidade como inspiração REPRODUÇÃO

Cosmopolita. Ig Guara chegou a São Paulo há apenas três anos e destaca as facetas multiculturais da metrópole em sua obra; desenhos foram feitos com exclusividade para o ‘Estado’

Em 30 anos, 3 gerações de vilões e super-heróis

do Curtume, 745, Lapa

l Rua General Góis Monteiro, 521, Perdizes. Tel.: 5072-6161

Ministro Ferreira Alves, 48, Pompeia. Tel.: 3676-0796

l Praça

Franklin Roosevelt, centro

Av. Francisco Matarazzo

LAPA

BARRA FUNDA

Av .S

Quanta Fundada em 1997 como Fábrica de Quadrinhos, a escola mudou de nome em 2002. É um dos principais centros de formação da área. Profissionais em ascensão, a exemplo de Renato Guedes, que desenha o Super-Homem, estudaram lá. E renomados como Ivan Reis e Joe Prado dão aulas

ALTO DE PINHEIROS

Rua Hei

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Av Lim. Brig. Far a ia

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JARDIM PAULISTA

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BELA VISTA

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Dr. José de Queirós Aranha, 246, Vila Mariana. Tel.: 3214-0553

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l Avenida Diógenes Ribeiro de Lima, 753, Pinheiros

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Art&Comics Agência responsável por exportar, desde os anos 1980, vários talentos. Roger Cruz, Marcelo Campos, Ivan Reis, entre outros, passaram por lá

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PERDIZES

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POMPEIA

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Impacto Quadrinhos Escola de desenho, pintura, modelagem e tem até cursos especializados no mercado norte-americano. O quadrinista Klebs Junior, colaborador de editoras como Marvel (a do Homem-Aranha), é sócio e um dos professores

l Rua

Av. S um

l Rua

Praça Roosevelt Lá está a loja HQ Mix (número 142), onde ocorrem lançamentos e palestras, o Espaço Parlapatões (número 158) – em dezembro, um grupo de desenhistas, como Rafael Grampá, fez um trabalho coletivo no local, e vários bares onde a turma se reúne

Cachalote Loja especializada que tem entre os sócios o desenhista Rafael Coutinho (filho do cartunista Laerte)

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“A Art&Comics é a responsável por iniciar esse fluxo para o exterior”, aponta o desenhista Marcelo Campos, pioneiro nessetrabalho.Em1988,foiconvidado a fazer testes para fora. Um ano depois, começou a colaborar com três pequenas editoras americanas. “Em 1991, fui o primeiro a ingressar em uma grande editora dos Estados Unidos”, recorda. Nocaso,aDC,deBatman, SuperHomem e companhia. No mesmo ano, ele assumiu o título da Liga da Justiça. Campos destaca que naquela épocanão seconfiava no profissional brasileiro. “Achavam que não cumpriría-

Mauricio de Sousa Pelo estúdio do criador da Turma da Mônica passaram quadrinistas que ganharam fama no exterior. Caso de Ivan Reis, hoje contratado da DC Comics (Super-Homem, Lanterna Verde). “Foi lá que aprendi, aos 16 anos, a ser profissional”, diz Reis. “É um lugar que dá oportunidades para iniciantes.”

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Center (Rua Chico Pontes, 1.500, Vila Guilherme; ingressos na porta a partir de R$ 15), promete agradar aos fãs de quadrinhos. De sexta a sábado e entre os dias 16 e 18, terá palestras e stands que oferecerão 150 mil revistas com descontos de 20% a 80%. Serão dez toneladas de gibis com preços a partir de R$ 1. “Só pudemos pensar na Comic porque o setor cresceu muito em São Paulo”, diz Jorge Rodrigues, dono da loja Comix, nos Jardins, e organizador da feira e da Fest Comix, que ocorre em outubro. “O sucesso dos artistas brasileiros é um dos motivos.” / FV

POR ONDE OS DESENHISTAS ANDAM

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● A primeira Comic Fair, no Mart

Com GPS. Ivan Reis mostra como seria o cotidiano de um herói na capital paulista

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Feira em SP oferece 150 mil revistas com descontos

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O paulista Ivan Reis, nascido em São Bernardo do Campo, na GrandeSãoPaulo,éumdosprincipaisnomesdoboomdequadrinistas brasileiros no exterior. Contratado pela DC Comics, é o desenhista oficial do Lanterna Verde há quatro anos e, antes, trabalhou por dois anos com o Super-Homem. No próximo dia 23,Reisdisputa,nosEstadosUnidos, o Eisner Awards, considerado o Oscar do gênero. Desde 2007, os brasileiros têm marcado presença anualmente nessa disputa. Paulistanos participaram das últimas trêsúltimasedições.“Quandovirei desenhista profissional, com 13, 14 anos, não achava que um dia poderia desenhar personagens desse porte”, conta Reis. “Hoje a moçada já começa com esse foco. Isso porque mostramos para eles que é possível.” Aos 34 anos, Reis faz parte do que os quadrinistas chamam de segunda geração de desenhistas – atualmente, já há uma terceira. É um pessoal que começou a ganharespaçonomercadointernacionalnosanos1990.Nocasodele, foi em 1995, quando ilustrou uma história de terror para a editora americana Dark Horse. Na época, ele era ilustrador do estúdio de Mauricio de Sousa (da Turma da Mônica), na Lapa. “Muitos começaram lá”, comenta. “E tive a chance lá fora com a agência Art&Comics, que era perto do Mauricio.” Reis fez testes com a agência, que conseguiu trabalhos para ele nos Estados Unidos. Menos deum anodepois,parou dedesenhara Mônica e passoua sededicar aos super-heróis.

De cima. Robin Hood, personagem desenhado por Sam Hart, observa São Paulo

Prédios e caveiras. Amilcar Pinna, em ilustração inspirada pela cidade

Av .P

Na década de 1980, era difícil o trabalho; hoje, desenhistas têm fama internacional

INFOGRÁFICO/AE

mos prazos, não faríamos como pediam.Além disso,nãohaviainternet e mandávamos tudo por fax, falávamos por telefone.” Por esses motivos, não era tão fácil conseguir trabalho. “Com o tempo, provamos que somos bons”, afirma. “Isso abriu portas para que a nova geração não pas-

sasse pelos mesmos empecilhos e fosse bem recebida.” Novos. Depois de Campos, vie-

ram Ivan Reis, Roger Cruz e outros. Para ter mais receptividade no mercado americano, eles mudavam os nomes. João Prado, por exemplo, virou Joe Prado.

Capital de giro é quando o investimento na Pós volta como aumento de salário.

Roger Cruz é Rogério da Cruz. “Hojeobrasileiro éreconhecido e nem precisamos mais alterar nossos nomes”, diz Amilcar Pinna (que se chama Amilcar mesmo), da terceira e nova geração. O sucesso também tornou possívelapublicaçãodepersonagens e histórias de novatos no

exterior. Como faz Gabriel Bá, FábioMoon,RafaelGrampá.“Esse também será meu próximo passo. Mostrarei histórias urbanas inspiradas em São Paulo”, diz Amilcar. / FILIPE VILICIC

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

estadão.com.br

O ÚLTIMO BAILE DO IMPÉRIO

HABITAT A VIDA NAS CIDADES

A Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, abrigou o último baile do Império. Patrocinada pelo imperador d. Pedro II, a festa ocorreu em 9 de novembro de 1889, sete meses após a inauguração do castelo

Online. Siga o caderno no Twitter @metropole_oesp

TUMURAFAEL NEDDERMEYER/AE

TIRE SUAS DÚVIDAS

Como fazer a reclamação 1. Quando é possível reclamar de barulho no Psiu? É possível reclamar de barulho no site da Prefeitura (sac. prefeitura.sp.gov.br/), pelo número 156 ou na praça de atendimento da subprefeitura de seu bairro. Vale destacar, porém, que essa via só costuma ser útil contra barulhentos frequentes, como bares, casas noturnas e igrejas. Não é possível reclamar de barulho em residências.

2. A Polícia Militar pode interceder nesses casos? A Polícia Militar (telefone 190) pode fazer um papel de mediador entre os dois lados, mas não tem como multar nem pode entrar na residência para abaixar o volume. É possível ir até a delegacia fazer um termo circunstanciado por “perturbação do sossego”.

Tumulto no Morumbi. Polícia Militar foi chamada para interceder em balada no sábado da semana passada: fila de carros em local estritamente residencial

Festas em mansões tiram o sono de bairros residenciais Por até R$ 55 mil, imobiliárias e proprietários alugam imóveis para baladas barulhentas no fim de semana em ruas nobres de São Paulo Rodrigo Brancatelli

Conheça Anderson Costa Freitas. Baixinho, falante, desempregado de 31 anos, morador do bairro de Santana, que cruza a cidade nos fins de semana para vender doces e cigarros com seu tabuleiro de madeiraemdanceteriasdazona sul. Anderson tem chicletes por R$ 3, isqueiros por R$ 5, dropes por R$ 4. Figurinha

carimbada na porta de baladas da Vila Olímpia e do Itaim-Bibi, Anderson agora simboliza uma nova tendência que vem fazendo barulho na noite de São Paulo. Literalmente. Na madrugada do último domingo, ele e outros dois vendedores de balas estavam na porta de um luxuoso sobrado no Morumbi. Apesar de ocorrer em um bairro estritamente residencial, a cena é simplesmente caótica –

carros por todos os lados, estacionados em fila dupla; manobristas correndo de um lado para o outro; música eletrônica alta e dezenas e dezenas de jovens quepagaramatéR$ 250 de entrada. “Desde o começo do ano tenho vindo nessas festas fechadas,omovimento éótimo,dápara fazer um troco bom”, diz Anderson. “É uma balada como outra qualquer.” Com o grande número de ca-

sas vazias em bairros nobres como o Morumbi e Pacaembu que não conseguem ser vendidas no mercado,cadavezmaisimobiliáriaseproprietáriosestãoalugando os endereços para festas de particulares.Por R$ 15 mil, épossível fazer uma festança em um sobrado amarelo no Morumbi. Por R$ 20 mil, aluga-se por dois dias uma mansão no Alto da Lapa com 3.500 metros quadrados de área. Já por R$ 50 mil, o endereçopode ser no Pacaembu, com piscina e o dobro da metragem. Quem sofre com isso são os vizinhos, que não conseguem ter sossego, mesmo ligando para a subprefeitura ou para a Polícia Militar. Reclamações. “De mês em mês fazem uma festa aqui na casa do lado. Eu já liguei dezenas de vezes para todas as instâncias. Sou um colecionador de protocolos, mas nada adianta”, reclama o designer gráfico Maurício Molina, morador do Jardim SãoBento,nazona norteda capital. “O Psiu (Programa de Silêncio Urbano) diz que não pode fazer nada e a PM até vem, mas logo que a viatura vai embora a músi-

O MAPA DO BARULHO ● Morumbi: As mansões mais procuradas ficam nas Ruas Malvinas, Albertina de Oliveira Godinho, Jabuticabeiras e Jabebira ●

Butantã: Rua Francisco

Perroti ●

Pacaembu/ Consolação:

Ruas Itabaquara, Traipu, Avaré e Teodoro Ramos

ainda maior porque a legislação é falha e repleta de lacunas. O Plano Diretor da cidade define como horário de silêncio em zonas residenciais o período das 22 às 7 horas. Mas o Psiu não pode atuar em residências,apenasemestabelecimentos comerciais. Já a Polícia Militar pode até fazer papel de mediador, mas não tem como multar, muito menos entrar na casa para abaixar o volume. Licença. As festas só preci-

Perdizes: Rua Aleixo Jorge

Lapa: Rua Bernardino de Sena

ca alta volta. Aqui em casa temos dormido à base de protetores de ouvido.” Segundo a Polícia Militar, de 2006 a 2010, os casos de “perturbação do sossego” cresceram 226% pelas ruas de São Paulo. As reclamações feitas por moradores que não conseguem dormir por culpa do barulho do vizinho crescem de 392 em média durante a semana para 1.118 de sextafeira a domingo. O problema é

sam ter licença da Prefeitura se houver venda de ingresso. Mas, se os fiscais não estiveremnolocaldemadrugadaparaflagrar airregularidade, não haverá multa nem lacração. “A gente chegaaoponto deter deficar xeretando antes na internet para ver se tem alguém anunciandofestaaquinobairro e poder avisar a Subprefeituracomantecedência”,reclama Marisa Rodrigues, moradora do Morumbi. “Ou seja: não só não conseguimos dormir, como também temos de fazer o trabalho para o poder público.”

FABIO MOTTA/AE

Stand up paddle: do Havaí às praias cariocas Pedro Dantas / RIO

É um surfista ou um jangadeiro? Quem olha pode confundir, mas é inegável que cresce o número de pessoas remando em cima de pranchas nas praias cariocas. Trata-se do stand up paddle, esporte do Havaí e sério candidato a sensação do próximo verão. A modalidade é praticada em prancha de epóxi e PVC – deaté 11pés, mais larga egros-

sa que as de surfe – e um remo levedefibradecarbono.Oobjetivo é se equilibrar com ou sem ondas, remar e relaxar. O esporte já tem adeptos do Leme ao Pontal, mas são nas águas calmas do Posto 6, em Copacabana,queosiniciantesseencontram para as primeiras aulas e tombos. “Meu pai foi surfista nos anos 1960. Ele viu pela primeira vez alguém praticando, há dois anos, e me ensinou. Tivemos a ideia de abrir uma escoli-

Mundo Urbano Na Indonésia, cemitério de luxo recebe até casamentos Às 8 horas de uma quarta-feira, um milionário industrial da Indonésia sai de casa para nadar e correr. Seria uma cena comum, não fosse o local escolhidoparaasatividadesfísicas o cemitério mais luxuoso do país asiático. Com área equivalente a 464 campos de futebol, o San DiegoHillsMemorialParkéinspirado em cemitérios dos EstadosUnidos– incluindo olocal onde estão os restos mortais

nha”, conta Eduardo Laucas, de 30 anos. A curiosidade atrai cariocas e turistas, que pagam R$ 60 por uma hora de aula. Quem se torna praticante pode gastar até R$ 4 mil em equipamentos. A triatleta Fernanda Keller se apaixonou pelo esporte. “Há dois anos, eu vi no Havaí uma pessoa remando eexperimentei. Acho uma terapia e sempre vou remar quando a praia está muito cheia.”Ela contaqueno arquipélago americano os praticantes

descem as ondas gigantes com o stand up paddle. Não é preciso ser uma “ironwoman” para praticar o esporte. No ano passado, a canadense e moradora do Rio Sandra Filippov, de 37 anos, viu um homem remando em Copacabana e ficou curiosa. Fez a primeira aula no mesmo dia. E hoje entra sozinha no mar com sua prancha e seu remo. “Eu me bronzeio e curto o visual. É possível até ver o Cristo de dentro d’ água.”

Esporte. Pranchas mais largas e grossas que as de surfe

Iuri Pitta

de Michael Jackson –, mas superou seus modelos. Além de piscina e pista de cooper, o cemitério tem restaurante, um lago artificial para passeios de barco a remo e heliponto. Há até espaço para festas de casamento. O local foi aberto há três anos, aproveitando o aumento do poder aquisitivo da população, em especial das classes mais altas. De 2007 para cá, 14 mil jazigos foram vendidos. O sucesso da iniciativa pode ser avaliado pelo preço dos jazigos. Os mais simples, com capacidade para um só corpo, custavam US$ 400 e hoje não saem por menos de US$ 1 mil. E, como os hotéis de luxo, o cemitério tem jazigos especiais: um dos mais caros foi vendido recentemente por US$ 872 mil.

BOBBY YIP/REUTERS

MÚSICA URBANA

Havia um piano no meio da rua

locais como o Parque do Ibirapuera e a Praça da Sé. NYT

DIVERSÃO Toda semana, o inglês Luke Jer- Uma escorregada a ram via as mesmas pessoas em caminho do trabalho uma lavanderia, sempre em siAções de marketing viral lêncio. Um dia, resolveu podem ser uma levar um piano, comegrande brincadeiçou a tocar e viu a ra. Que o digam interação entre TEM A REDE DE os alemães de elas. Veio daí a inspiração para o pro- METRÔ DE BERLIM, Berlim, que enQUE COMEÇOU A contraram um jeto Play Me, I’m SER CONSTRUÍDA grande escorregaYours. Jerram leva EM 1902 dor em uma escaaté 60 pianos para as da da estação de meruas de uma cidade e trô sob a Praça Alexandeixa os instrumentos à der. A ação da Volkswagen, disposição de quem quiser tofoi batizada de Fast Lane e car. O tour por Nova York acaba amanhã e Londres é o próxi- pode ser vista no YouTube. mo destino do projeto, que pas- Alguém se habilita a fazer o sou por São Paulo em 2008, em mesmo na Estação Sé?

145 km

Parque dos dinossauros Construído para a Olimpíada de Pequim, o Estádio Ninho de Pássaro será o Parque dos Dinossauros no verão chinês. As atrações do Dino Dream Park incluem réplicas em tamanho real, como a do tiranossauro


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Reportagem Especial ✽

Cidades/Metrópole C5

História

Na quinta, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) promove o Seminário sobre a Atualidade da Revolução Constitucionalista de 1932, com debates e exposição de fotos. As inscrições são gratuitas. Informações: (11) 3040-6541/ 6542

A Revolução Constitucionalista de 1932

REPRODUÇÃO

A guerra de São Paulo pela democracia Em 9 de julho de 1932, paulistas se ergueram contra a ditadura. Perderam a batalha, mas mudaram a História

Combate. Tropas constitucionalistas da Revolução de 32 enfrentam a aviação militar da ditadura Vargas no Vale do Paraíba: histórias de heroísmo, apesar do desequilíbrio de forças José Maria Mayrink

errota militar, vitória política. Os paulistas que se levantaram contra a ditadura de Getúlio Vargas foram vencidos nos campos de batalha, mas a Revolução Constitucionalista de 1932, que custou cerca de mil mortos dos dois lados, depois de 87 dias de combates, impôs suas ideias e plantou sementes para a conquista de seu principal objetivo, a democratização do País. “Entrego o governo de São Paulo aos revolucionários de 1932”, declarou o presidente da República, em agosto de 1933, ao nomear interventordo Estado o engenheiroArmando de Salles Oliveira, um dos líderes civis da conspiração que levantou São Pauloem defesade umanova Constituição. O conflito se iniciou no dia 9 de julho, quando o coronel Euclides Figueiredo assumiu o comando das operações do movimento, sob as ordens do general Isidoro Dias Lopes, um dos chefes da Revolução de 1924, na revolta dos paulistas contra o presidente Artur Bernardes. “Está vitorioso, em todo o Estado, omovimentorevolucionáriode caráter constitucionalista”, anunciou a manchete de O Estado de S. Paulo, namanhãdodia10,domingo,iniciando a extensa e entusiasta cobertura que faria até 29 de setembro, quando os exércitos combatentes assinaram um armistício. “Por que homens sérios como os líderes da Revolução embarcaram nessa luta,tendo certeza de que não poderiam vencer?”, pergunta escritorehistoriadorHernâniDonato,autor de A Revolução de 32, lembrando o empenho de revolucionários como

D

Julio de Mesquita Filho que insistiram naguerra,acreditandoainda numavitória, quando os chefes militares optaram pela rendição. O coronel Euclides Figueiredo também achava que havia possibilidade de obter, senão a vitória, ao menos resultados satisfatórios pela causa. Responsabilizado pela derrota, pelo fato de não ter avançado logo com as tropas para o Rio, o coronel culpou os políticos. Ele não foi adiante, conforme alegou, porque recebeu ordem de aguardar o general Bertholdo Klinger, que viria de Mato Grosso com 6 mil homens. O general desembarcou em São Paulo com meia dúzia de oficiais. Estudioso do movimento, o advogado Antônio Penteado Mendonça, neto de Antônio Mendonça e sobrinho-neto dos Mesquita, conspiradores e combatentesde 1932, interpretaadecisãoradical dos civis como uma imposição das circunstâncias políticas. “Eles não tinham como vencer, mas também não tiveram como não embarcar na Revolução, um acidente de percurso na história de São Paulo”, disse Mendonça, depois de lembrar como Getúlio Vargas tentou esvaziar politicamente o Estado e como tratou de desarmar o aliado que, em 1930, apoiou sua ascensão ao poder. Na avaliação do jornalista Antônio Carlos Pereira, autor de Folha Dobrada, históriadaRevoluçãopublicadapeloEstado em 1982, os paulistas acreditaram na vitória pelo menos até a segunda quinzena de julho, quando ainda se esperava que o coronel Figueiredo avançasse para o Rio, onde teria a adesão de unidades do Exército. “Boa parte dos líderes acreditou até quase o final”, afirma o historiador José Alfredo Vidigal Pontes, autor do livro 1932, o Brasil se Revolta (Editora Terceiro Nome, 2004), atribuindo a confiança na vitória, sobretudo entre os soldados, à propaganda constitucionalista de jornais e rádios. A esperança de derrotar as tropas governistas, apesar de evidente

Cidade lembra heróis em ruas, túnel e monumento Prédio construído com sobra de ouro doado para soldados constitucionalistas reproduz na fachada as 13 listras da da bandeira do Estado Além do Obelisco do Ibirapuera, o monumento erguido em homenagemaos ex-combatentes de1932, São Paulo lembra a luta contra as tropas da ditadura e seus heróis com nomes

de ruas e edifícios. A Avenida 9 de Julho e o túnel também chamado de 9 de Julho. O prédio da Assembleia Legislativa se chama igualmente 9 de Julho. Mais difícil é a identificação histórica de um edifício localizado no Largo da Misericórdia, entre as Ruas Direita e Boa Vista, imediações da Praça da Sé, que foi construído pela Santa Casa com o ouro de joias doadas para sustentar a luta. Daí o nome do prédio: Ouro para o bem de São Paulo. “Edifício singular na paisagem urbana do centro histórico, distingue-se por evocar, no desenho da

desproporção de forças, era tão grande que, até o fim, não deixaram de se apresentar voluntários para a luta. Segundo Donato, entre 48 mil e 55 mil homens se inscreveram nos postos de alistamento para combater ao lado de batalhões da Força Pública (atual Polícia Militar) e de contingentes do Exército. Voluntários. A mobilização foi geral.

Formavam-se batalhões nas cidades do interior, onde milhares de inscritos se aglomeravam nas estações à espera de condução para a capital. Muita disposição, mas faltavam treinamento, armas e munições. Não havia fuzis para todos, ou eram fuzis velhos e descalibrados. Em 15 de junho, quando os primeiros tiros foram disparados na região do Túnel, divisa de São Paulo com Minas, os paulistascontavam com20milvoluntários, 13 mil soldados da Força Pública e 3.612 homens do Exército. Até o fim do conflito,teriamsidoalistados60mil voluntários – ou 200 mil, segundo alguns historiadores –, mas nunca mais de 40 mil tiveram condições de lutar. Além do desequilíbrio de forças, São Paulo enfrentou a contrapropaganda do governo que considerou separatista o movimento pela constitucionaliza-

ção do País, uma aspiração nacional. A ditadura de Vargas divulgou também que,sobadireção doitaliano“presidente Matarazzo”, os paulistas iam expulsar os nordestinos de seu território. Essa invenção levou Ceará, Paraíba e Bahia a recrutar voluntários para combater os constitucionalistas. Não foi fácil desfazer a mentira, porque de fato havia um pequeno grupo radical do PartidoRepublicanoPaulista(PRP)quedefendia o separatismo. Cercado pelas forças federais e impedido de comprar armamento no exterior, São Paulo inovou. Engenheiros da Escola Politécnica fabricaram balas, obuseus e – seu maior feito – trens blindados. Na retaguarda, mulheres ocupavam na indústria as vagas deixadas peloshomens queestavam nastrincheiras e confeccionavam, em casa ou em oficinas de costura, milhares de fardas, ataduras e perneiras para os soldados. Os jornais publicavam apelos para a doação de binóculos e arrecadação de ouro para a guerra. “As centenas de milhares de brasileiros envolvidos na luta confrontaram-se em 64 combates principais e em outros tantos de menor envergadura”, escreve Donato. O Governo Provisório, que tiDIVULGAÇÃO

No front. Soldado paulista socorre companheiro no campo de batalha

fachada, a Bandeira das 13 Listras do Estado de São Paulo”, descreve o arquiteto Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Projeto do Escritório Severo e Villares, datado de 1939, foi executado pelo Escritório Camargo e Mesquita. No fim do conflito, os líderes da Revolução de 32 doaram à Santa Casa de São Paulo o saldo do ouro doado pela população. Os heróis Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, que morreram metralhados num protesto contra a ditadura em 1932 e inspiraram a sigla M.M.D.C – à qual se somou depois o A de Alvarenga, a quinta vítima – são nomes de ruas no bairro do Butantã. A data de sua morte também é lembrada pela Avenida 23 de Maio, que liga o centro da cidade ao Ibirapuera.

SERGIO NEVES/AE

nha 24 aviões militares para enfrentar a aviação constitucionalista, de apenassete aparelhos civismal adaptados, chegou a mobilizar 350 mil homens e 250 canhões. Em 22 de agosto,no céude Cruzeiro,focodoconflito no Vale do Paraíba, ocorreu o primeiro combate aéreo do País, entre dois aviões paulistas e dois federais. “As infantarias suspenderam o combate para acompanhar o espetáculo”, registra Donato. A força aérea governista bombardeou Campinas e outras cidades do interior e do litoral. Num hotel do Guarujá,SantosDumontteriaassistido a um bombardeio de Cubatão e porisso seteria enforcado,desgostoso com o emprego militar de seu invento.Em14dejulho,oEstadopublicou uma mensagem de Santos Dumont que apoiava os constitucionalistas e fazia um apelo à união nacional. São Paulo lutava sozinho, apesar deterrecebidomanifestações desolidariedade de simpatizantes de sua causa no Rio Grande do Sul, em Minas, em Mato Grosso e na Amazônia, com movimentação militar. Houve ainda protestos de estudantes contraogovernoemSalvador,Belo HorizonteeRio.Aesperadaadesãodegaúchos e mineiros não se concretizou. Após a rendição paulista, os principais líderes da Revolução de 1932, civis e militares, foram presos e exilados.Entreeles,osirmãosJulioeFrancisco Mesquita, Antônio Mendonça, Guilherme de Almeida, Paulo Duarte, general Bertholdo Klinger, generalIsidoroDiasLopesecoronelEuclides Figueiredo. Retornaram um ano depois, quando Getúlio decretou a anistia. A convite do novo interventor,depoiseleitogovernador,Armando de Salles Oliveira, seu cunhado, Julio de Mesquita Filho coordenou em 1934 a criação da Universidade de São Paulo (USP), antigo sonho seu e de outros revolucionários.

POEMA ●

Voluntário paulista

Paulo Bonfim

Ouro para o Bem de SP. Prédio erguido no Largo da Misericórdia

Em Cunha deixei meus olhos O rosto de minha noiva Em Buri ficaram as mãos A carícia decepada Em Eleutério meus lábios O riso da mocidade Em Sapecado meus pés Os caminhos sem retorno Em Vila Queimada a chama Do sonho dos 20 anos Em Cruzeiro o corpo em cruz Aguarda a ressurreição No Rio das Almas sou alma A bênção de minha mãe Do túnel renascerei O voluntário paulista


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

10 mulheres são mortas por dia no País Presente no Mapa da Violência 2010, média registrada nos últimos dez anos fica acima do padrão internacional; motivação geralmente é passional NILTON FUKUDA / AE-19/6/2010

Bruno Paes Manso

Em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil. Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Elas morrem em número e proporção bem mais baixos do que os homens (92% das vítimas), mas o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional. O índice se mantém em patamaresquaseconstantes nos últimos anos, apesar de registrar ligeira queda – era 4.022 em 2006 e baixou para 3.772 em 2007. Os resultados são um apêndice, ainda inédito, do estudo Mapa da Violência no Brasil 2010, do Instituto Zangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus). Os números mostram que as taxas de assassinatos femininos no Brasil são mais altas do que as da maioria dos países europeus, cujos índices não ultrapassam 0,5 caso por 100 mil habitantes, mas ficam abaixo de nações que lideram a lista, como África do Sul (25 por 100 mil habitantes) e Colômbia (7,8 por 100 mil). Algumas cidades brasileiras, como Alto Alegre, em Roraima, e

CASOS QUE GANHARAM DESTAQUE

AS PIORES Cidades - Brasil 1º Alto Alegre (RR) 2º Silva Jardim (RJ) 3º Tailândia (PA) 4º Serra (ES) 5º Jaguaré (ES) 6º Montemor (SP) 7º Macaé (RJ) 8º Viana (ES) 9º Amambai (MS) 10º Rio Branco do Sul (PR)

por 100 mil 22,0 18,8 17,8 17,4 15,3 15,2 15,2 15,0 15,0 14,9

Silva Jardim, no Estado do Rio, registram índices de homicídio de mulheres perto dos mais altos do mundo (veja o ranking). Em 50 municípios, os índices de homicídio são maiores que 10 por 100 mil habitantes. Em compensação,maisda metadedas cidades brasileiras não registrou uma única mulher assassinada em cinco anos. Outro contraste ocorre quando são comparados os Estados brasileiros. Espírito Santo, o primeirolugar noranking, temíndices de 10,3 assassinatos de mulheres por 100 mil habitantes. No Maranhão é de 1,9 por 100 mil. “Os resultados mostram que a concentração de homicídios no Brasil é heterogênea. Fica difícil encontrar um padrão que permita explicar as causas”,

Cidades - SP 1º Montemor 2º Itapecerica da Serra 3º Miracatu 4º Cosmópolis 5º Caraguatatuba 6º Mairiporã 7º Iguape 8º Diadema 9º Itapevi 10º Caçapava

por 100 mil 15,2 11,9 9,8 9,3 9,1 7,3 7,1 7,1 6,6 6,5

afirma o pesquisador Julio Jacobo Wiaselfisz, autor do estudo. São Paulo é o quinto Estado menos violento do Brasil, com índicede2,8por100 milhabitantes. Mas a taxa é alta se comparada à de Estados americanos, como Califórnia (1,2) e Texas (1,5). “Quanto mais machista a cultura local, maior tende a ser a violênciacontraamulher”,dizapsicólogaPaula LicursiPrates,doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo,ondeestudahomensautores de violência.

Missa. Homenagem à advogada Mércia Nakashima var as mulheres a denunciar crimes de violência doméstica, garantindo medidas de proteção para a mulher e punições mais duras e rápidas contra agressores. Mas a nova lei não impediu o assassinato da cabeleireira Maria Islaine de Morais, morta em janeiro diante das câmeras pelo ex-marido, alvo de oito denún-

cias. Nem uma série de outros casos que todos os dias ganham as manchetes dos jornais. Ainda são raros os estudos de casos que analisam as motivações de assassinos que matam mulheres. De maneira geral, homens se matam por temas urbanos como tráfico de drogas e desordem territorial e os crimes

Janeiro de 2003

Outubro de 2008

Janeiro de 2010

Maio de 2010

Cirurgião Farah Jorge Farah mata a amante Maria do Carmo

Eloá Pimentel é morta pelo exnamorado em cativeiro no ABC

Cabeleireira Maria Islaine Morais é vítima do ex-marido

Advogada Mércia Nakashima é morta e jogada em represa

Motivação. Para aumentar a visibilidade do problema e intimidaraação dosagressores, aaprovação da Lei Maria da Penha, em 2006, foi comemorada pelas entidades feministas por incenti-

Tiago Dantas/ JORNAL DA TARDE

Caso Bruno JOSE PATRICIO/AE

Copa Bruno. Crianças são as maiores fãs do jogador, que nos últimos três anos organizou torneio de futebol na cidade

NA CIDADE NATAL, O GOLEIRO É REI Moradores de Ribeirão das Neves duvidam do envolvimento de Bruno Fernandes no sumiço de ex-amante

Falecimentos Marina Pompeo de Camargo Barretto – Aos 88 anos, era viúva de Antônio Carlos Barretto. Deixa os filhos Antônio Carlos e Carlos Eduardo, noras e netos. O corpo será trasladado hoje, às 12 horas, da Beneficência Portuguesa para o Crematório da Vila Alpina. Filinha Gonçalves Crisci – Aos 82 anos, era viúva de Francisco Frabicio Crisci. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério Metropolitano Primaveras. Nilma Bastos Pereira – Aos 44 anos, era viúva de Genivaldo Alves dos Santos. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério Parque dos Ipês. Onofre de Oliveira – Aos 90 anos, era casado com Maria Batista de Oliveira. O enterro foi no Cemitério Metropolitano Primaveras. João Batista Martins Aguiar – Aos 63 anos, era casado com Ildete de Matos Aguiar. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério Parque dos

ocorrem principalmente nas grandes cidades. Mulheres são mortaspor questõesdomésticas emmunicípiosdediferentesportes. “No caso das mulheres, os assassinos são atuais ou antigos maridos, namorados ou companheiros, inconformados em perder o domínio sobre uma relação que acreditam ter o direito de controlar”, explica Wânia Pasinato Izumino, pesquisadora do Núcleo de Estudo da Violência da USP. Em um estudo das motivações de 23 assassinatos contra mulheres ocorridos nos cinco primeiros meses deste ano e investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP), em 25% dos casos o motivo foi qualificado como torpe. São casos como negativas de fazer sexo ou de manter a relação. Em 50% das ocorrências,omotivo foiqualificado como fútil, como casos de discussões domésticas. Houve 10% de mortes por motivos passionais, ligados a ciúmes, por exemplo, e 10% relacionado ao uso ou à venda de drogas. “Por serem ocorrências domésticas, às vezes a prevenção a casos como esses são mais difíceis”, afirma a delegada Elisabete Sato, chefe da divisão de Homicídios do DHPP.

M

enino pobre que se tornou conhecido no Brasil inteiro, o goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, de 25 anos, é um ídolo em Ribeirão das Neves, sua cidade natal, na região metropolitana de Belo Horizonte. Lá, ninguém acredita que ele esteja envolvido no desaparecimentodaex-amante ElizaSamudio, de 25 anos. “O pessoal aqui está revoltado com essa história. O Bruno não seria capaz de uma coisa dessas”, diz a professora Patrícia Fortunato, que o conhece desde criança. “Minha lista de suspeitos só tem um nome: Bruno”, rebate o delegado Edson Moreira. O goleiro é descrito como uma pessoa de personalidade forte e temperamento explosivo. Mulherengo e festeiro, também é lembrado pela lealdade à família e aos amigos, principalmente os que o acompanharam durante a infância na Vila Santa Matilde, a “favelinha”. As demonstrações de riqueza e caridade são constantes. Nos últimostrêsanos,ojogadororganizouumtorneio beneficente de futebol na cidade. Na edição 2009 da Copa Bruno, 12 equipes

participaram. Para dar o pontapé inicial, o goleiro chegou de helicóptero, que pousou no círculo central do estádio. “Issoaquiestavacheiodegente. Quando o helicóptero chegou,ficoutodo mundogritando e acenando para ele”, lembra o zelador do campo, João Marcelino Onorato. Outras cenas que lembram a passagem de um superstar pela cidade são narradas pela gari Rosângela Bernardino. “Quando ele está em Minas, passa de carro (BMW) buzinandoe a criançada vai atrás”, diz a ex-vizinha. Neto da aposentada Cecília Andrade, João Vitor, de 3 anos, é um dos garotos da Vila Santa Matilde que querem ser Bruno. “Ano passado, quando veio aqui, o Bruno perguntou para o João o que ele queria de Natal. No outrodia, voltou aquicom um celular com TV e tudo.” Para comemorar o primeiro título nacional da carreira, emdezembro, alugou um ônibus para levar os amigos da “favelinha” a seu belo sítio no Condomínio Turmalina, em Esmeraldas, cidade vizinha. Justamente o que virou o centrodainvestigaçãosobre odesaparecimento de Eliza.

Para publicar anúncio fúnebre: Balcão Iguatemi – Shopping Iguatemi 1a - 04, tel. 3815-3523 / fax 3814-0120 – Atendimento de 2ª a sábado, das 10 às 22 horas, e aos domingos, das 14 às 20 horas. Balcão Limão – Av. Prof. Celestino Bourroul, 100, tel. 3856-2139 / 3857-4611 / fax 3856-2852 – Atendimento de 2ª a 6ª das 9 às 19 horas. Só serão publicadas notícias de falecimento/missa encaminhadas pelo e-mail falecimentos@grupoestado.com.br, com nome do remetente, endereço, RG e telefone

Girassóis. Antonio Batista de Souza – Aos 62 anos. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério Parque dos Girassóis. Sebastião Tavares de Miranda – Aos 56 anos, era casado com Dilma Acácio Miranda. Deixa dois filhos. O enterro foi no Cemitério Metropolitano Primaveras. MISSAS Manuel Cardoso – Amanhã, às 11 horas, na Igreja São José, na Rua Dinamarca, 32, Jardim Europa (7º dia). Dr. Antonio Carlos Haddad – Amanhã, às 12 horas, na Catedral Metropolitana Ortodoxa, na Rua Vergueiro, 1.515, Paraíso (7º dia). CEMITÉRIO ISRAELITA DO BUTANTÃ Margit Mezei – Hoje, às 10 horas Q 238 - Sep. 65 - S M (Matzeiva). David Raphael Eliezer – Hoje, às

10h30 horas Q 408 - Sep.106 - S R (Matzeiva). Regina Goldstein Garbarz – Hoje, às 10h30 horas Q 391 - Sep. 55 S R (Matzeiva). Alberto Politi – Hoje, às 11 horas - Q 380 - Sep. 95 - S R (Matzeiva). Jonas Salomão Korkes – Hoje, às 11 horas - Q 106 - Sep. 05 - S I (Matzeiva). Hasia Kirsztajn – Hoje, às 11 horas - Q 406 - Sep. 61 - S R (Shloshim). Henoch Rubin – Hoje, às 11 horas

- Q 335 - Sep. 120 - S O (Shloshim). Nathan Lerner – Hoje, às 11 horas - Q 402 - Sep. 34 - S R (Shloshim). Mary Zilberleib Kuperman – Hoje, às 11h30 horas Q 48 - Sep. 86 - S D (Matzeiva). Rosa Abramvezt – Hoje, às 12 horas - Q 268 - Sep. 03 - S L (Matzeiva). Szlama Debski – Hoje, às 12 horas - Q 375 - Sep. 55 - S R (Matzeiva). CEMITÉRIO ISRAELITA DO EMBU Rachela Lindenbojm – Hoje, às 11 horas - Q 79 - Sep. 33 - S D (Yurtzait).

Empresário dançava e cantava tango O empresário Antonio Royo Franco era apaixonado por tango. Visitou Buenos Aires maisde30vezes.Cantavaedançava – muito. Ficou amigo de

vários cantores famosos, como Lucho Gatica e Carlos Yanes. Mas ele não se limitava à Argentina. Em São Paulo, fundou O Clube do Tango do Brasil, que se reunia toda semana. Era a forma que encontrava para prestigiar e ajudar o trabalho de músicos desconhecidos. Dono de uma empresa de auditoria, ele também eraum pioneiro. Na década de 1970, usou um computador para criar um dos primeiros escritórios de processamento de dados na área de contabilidade – e prestar serviço. Dia 29, aos 82 anos.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Cidades/Metrópole C7

Solidariedade FOTOS: BOMBEIROS DO ESTADO DE SAO PAULO

25 de junho. Bombeiro faz buscas com ajuda de cão farejador

26 de junho. Bote é utilizado para resgates em rios

27 de junho. Em meio a escombros, os botes de resgate

28 de junho. Bombeiros da equipe paulista carregam donativos em helicóptero para levá-los a duas localidades isoladas pela chuva, onde também prestaram atendimento médico

O DIÁRIO DA AJUDA NO NORDESTE Equipe de 32 bombeiros paulistas registra a dificuldade para chegar às cidades destruídas pelas chuvas em Alagoas

Cristiane Bomfim

O

dia em que veículos 4x4 não conseguiram vencer a lama e foram substituídos por mulas na entrega de cestas básicas. Quando cães farejaram corpos de animais em decomposição. O domingo em que bombeiros conseguiram levar ajuda a famílias isoladas por mais de uma semana. A rotina dos 32 bombeirosdeSãoPauloenviadosaAlagoas há 11 dias para ajudar os municípios do Estado atingidos pelas fortes

chuvas no dia 19 de junho é registrada toda noite em um diário eletrônico. Os relatos são escritos na base do grupo montada em Maceió, distante 30 minutos de Branquinha, uma das cidades mais atingidas e ponto inicial deajuda. “Fiqueiimpressionado.Parece que a cidade foi atingida por um tsunami”, resume o capitão responsável pela missão, Henguel Ricardo Pereira. Tambémsãoenviadasparaocomandodacorporaçãofotosdascidadesdestruídas, dos trabalhos de busca e reconstruçãoedapopulaçãolocal.“Cho-

1º de julho. Trabalho de recuperação de trilhos de trem destruídos

ro todo dia. A equipe também tem chorado muito. Esse trabalho é uma lição de vida porque é muito sofrimento. São famílias destruídas, muitas pessoas desaparecidas, doentes, com fome. Isso dá mais vontade de trabalhar, mas a gente sabe que não pode fazer tudo”, diz Pereira. Como exemplo, ele conta que, na quinta-feira passada, enquanto trabalhava na reconstrução de uma ponte em Branquinha, uma menina aparentando 10 anos perguntou se ele já havia encontradosuamãe. “Disse queestava

procurando. Ela pediu para eu não desistir. Mas, infelizmente, não dá mais para encontrar alguém vivo.” Buscas. Os bombeiros de São Paulo foram os primeiros a chegar a Branquinha, nos dias 23 e 24 de junho. São os responsáveis pelas buscas aquáticas em oito municípios – além de Branquinha, Murici, Messias, Rio Largo, Santa LuziadoNorte, Satuba,JacuípeeCampestre, como diz o diário do dia 25: “Cientes de que até o momento não havia sido realizada qualquer opera-

ção de busca por via aquática pelos demais órgãos antes da nossa chegada, distribuímospatrulhasembarcadaspara reconhecimento do Rio Mundaú.” Quatro cães farejadores – Jade, Conan, Bela e Milka – ajudam no trabalho de localização de corpos. “Foi dada continuidade às buscas de corpos, com o auxílio dos cães. As edificações vistoriadasforammarcadas comas iniciaisSP...”, diz relatododia 29.Atésexta-feira passada, os bombeiros haviam encontrado três corpos. Um deles, de um homem, foi achado no dia 28. “Durante as operações de buscas que estavam sendo realizadas na região conhecidacomoLagoado Mundaú,foilocalizado um corpo de um homem aparentando 40 anos, que foi conduzido ao órgão competente para identificação e demais providências.” No dia 27, a equipe teve mais trabalho que o previsto para entregar cestas básicas aos desabrigados, por causa de umachuvaquedurouodiatodoeimpediuqueaté carroscomtração4X4 prosseguissem nas estradas enlameadas. “O uso de helicóptero foi descartado por todos os órgãos procurados, em razão da baixa visibilidade e a chuva forte... Ficou acertado o empréstimo de mulas, para que pudéssemos cumprir a missão”, diz o diário. No dia seguinte,conseguiramchegardehelicóptero a duas localidades isoladas. O efetivo dos bombeiros em Alagoas é de 1.238pessoas– cercademilestãotrabalhando nas regiões alagadas.

Relojoaria de luxo é assaltada no Shopping Ibirapuera Em 24 horas, duas joalherias são invadidas em SP; loja no Shopping Tijuca, zona norte do Rio, também foi roubada Diego Zanchetta Bruno Ribeiro

Pelo menos sete homens armados com metralhadoras invadiramarelojoariaS. Rolim,noShopping Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, por volta das 19h45 de

ontem. Após roubar uma coleção de relógios Rolex, o grupo fugiu pelas escadarias com armas nas mãos. Houve gritaria. Ninguém ficou ferido. A relojoaria S. Rolim fica no 2.º andar e vende produtos de até R$ 30 mil de marcas como Mont Blanc e Tag Heuer. De acordo com testemunhas, os ladrões, vestidos de terno, foram direto aomostruáriodosrelógiosdeluxo, avaliados em R$ 300 mil. A ação durou poucos minutos. O grupo se dividiu – uma parte correu pelas escadarias até a saí-

da principal do shopping e a outra entrou com metralhadoras em punho na loja C&A, que também possui escadas para o piso inferior. “Foi tudo muito rápido. Vi os caras correndo e os seguranças atrás deles”, disse um comerciante,quenãoquisseidentificar. Na fuga, sete relógios caíram e foram recuperados. O shopping informou que os seguranças acompanharam o grupo até a saída, mas, como regra, são proibidos de intervir em situações que coloquem a vida dosclientes emrisco. A adminis-

tração nega que tenha havido tumulto na hora do crime. As imagensdocircuitodesegurança serão entregues à polícia. Procurada, a S. Rolim não quis sepronunciar.Atéas 22h30,policiais ainda colhiam informações no interior da loja. Apenas uma funcionária estava no local no momento do crime. Foi o segundo estabelecimento assaltado por homens fortemente armados em São Paulo em menos de 24 horas. Na sextafeira, às 20h15, pelo menos cinco criminosos entraram na joalhe-

ria Dacam, instalada no Carrefour, no km 11,5 da Rodovia Anchieta,Sacomã, também na zona sul. A ação durou cerca de 15 minutos. Testemunhas disseram que o grupo fugiu em três motos e um carro. O valor roubado não foi informado. Até as 23 horas de ontem, ninguém foi detido. Tiffany. A polícia prendeu, por

voltadas15horasdeontem,Reginaldo Antonio da Silva, de 33 anos, o sexto suspeito de participação no assalto à joalheria Tiffany do Shopping Cidade Jar-

dim, na zona sul de São Paulo, em 16 de maio. Ele foi encontrado em casa, em São Mateus, na zona leste, após denúncia anônima. Segundo a Polícia Militar, ele confessou a participação no crime. O grupo roubou cerca de R$ 1,5 milhão em joias. Rio. Dois homens armados ren-

deram os funcionários da CL Joias,no 2.º piso doShopping Tijuca, zonanorte do Rio, por volta das 16 horas de ontem. Ninguém ficou ferido. O shopping, que funcionou normalmente, informou que a quantidade de joias roubadas foi pequena e que colocará as imagens do circuito de segurança à disposição da polícia.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

PAULISTÂNIA UMA CIDADE E SUA GENTE

.RTER R F Ó P E R R OTO

F

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ESPECIAL FÉRIAS As férias de inverno são tema do próximo FotoRepórter Especial. Mande sua foto até 29 de julho para o e-mail fr@estadao.com.br. As melhores serão publicadas no dia 1º de agosto.

HUSSEIN, DO DESIGN ÀS REZAS VOLTADAS A MECA Aos 36 anos, o empresário muçulmano é nome conhecido de arquitetos, artistas, grafiteiros e designers. E agora investe em galeria, álbum de figurinhas e carros

SERGIO CASTRO/AE DIVULGAÇÃO

Berço. Estúdio usou carrinho de transporte como base da peça SERGIO CASTRO/AE

Galeria. Empresário na casa vizinha, comprada para exposições TIAGO QUEIROZ/AE

Personalizado. Houssein Jarouche e seu Mini Cooper com o teto grafitado pela dupla Mulheres Barbadas Valéria França

O

jovem empresário Houssein Jarouche, de 36 anos, costuma ser visto nos Jardins, zona sul de São Paulo, com um de seus oito carros antigos. Entre eles há um Mini Cooper, preto e branco, com o teto todo grafitado pela dupla Mulheres Barbadas – Henrique Lima e Julio Zukerman, eleitos pela revista inglesa Computer Arts como os mais influentes do mercado. Housseiné amigodosgrafiteiros, assim como de vários artistas plásticos, arquitetos e designers que fazem par-

Histórias da garoa PAISAGEM URBANA

Victor Dubugras e o palimpsesto Uma lembrança que sempre me vem à cabeça quando penso na imensidão de São Paulo é a definição sobre a cidade que ouvi do professor Benedito Lima de Toledo: palimpsesto. A palavrinha define o que se fazia antigamente com os papiros: raspava-se a escrita anterior para que sobre o mesmo “papel” se voltasse a escrever – com resultado pior. É o que ocorre aqui: um incessante redesenho de mapas, arquitetura, modos de vida. Outro dia, guiado por Toledo, fui ler sobre Victor Dubugras. Entre outras obras, ele criou a Ladeira da Memória, monumento estudado pelo professor em livro que bem traduz palimpsesto:

te, digamos, de uma facção alternativa, na qual ele se encaixa bem. Boina de tricô, camiseta, jeans e várias tatuagensno braço,oempresáriomuçulmano não toma bebida alcoólica e ora cinco vezes ao dia, como pedem os costumes tradicionais de sua religião. Poressaturmadeartistasdespretensiosos, porém talentosos, ele vem sendo considerado uma espécie de mecenas moderno, um incentivador do design nacional. “Houssein é um empresário que investe no conteúdo”, elogia Guto Requena, arquiteto e professor do Istituto Europeo Di Design (IED). O artista plástico Abdiel Vicente, de

35 anos, apresentou ao empresário um projeto de produção de caçambas pequenas, como se fossem objetos de arte. “A ideia era chamar a atenção para a questão do lixo e lembrar ao paulistanodaimportânciadareciclagem”,conta Vicente. Detalhe: teria de ser vendido a preço acessível.Nãoseriaparaganhardinheiro, mas para conscientizar o público. Houssein gostou da ideia. Apoiou e comercializouasminicaçambasna Micasa, loja de design que tem na Rua Estados Unidos, nos Jardins. O projeto foi além. A dupla se juntou a outros artistas para customizar uma

Figurinhas. Álbum traz imagens de peças fundamentais do design caçamba de verdade, em tamanho natural, que hoje está exposta na Casa Cor, no Jockey Club, na zona sul. Ali vemsendocolocadotodoolixo reciclável do evento para depois ser leiloada. O dinheiro arrecadado vai para uma ONG. “Projetos como esse batem com aminha ideiadedesign”, diz Houssein, como é mais conhecido no meio. “O design não precisa custar uma fortuna. Ele tem uma função no espaço e pode ser acessível.” Com esse foco em mente, desde que abriu a Micasa, o empresário agregou ao negócio outras pontas de trabalho. Nos fundos da loja, por exemplo, abriu

A casa do lado. Antes do Estúdio, há

dois anos, Houssein comprou a casa vizinha para abrigar um espaço de exposição e performances batizado de Do Outro Lado do Muro. No primeiro andar, um dos quartos foi totalmente grafitado pela dupla Mulheres Barbadas. No térreo, uma instalação com cabos e iluminação especial dá ares de galeria ao local. “Costumolevar meusalunosda pósgraduação para visitar a Micasa, porque a loja reúne de peças nacionais de designers desconhecidos a marcas internacionais importantes, como a inglesa Established & Sons”, diz Requena, que se refere ao espaço como se fosse um museu. “A Micasa é diferente dasoutras lojas, quevendemmuito design de Milão e esquecem do resto do trabalho do mundo.” Houssein diz que as portas da loja estão abertas às visitas. “Quero divulgaro design”, conta.“Cheguei até apublicar um álbum de figurinhas com peças-chavedeartistasfamosos.Éimportante ter referências.” Mas isso não quer dizer que ele não se preocupe com as vendas. Comerciante. Filho de libaneses, ele tem o comércio nas veias. O pai começouno ramomoveleiro,naRuaJurubatuba, em São Bernardo do Campo, um corredor de lojas disputado como a Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. E foi lá que começou a Micasa. “Ninguém da minha família acreditava no negócio.” Mas, quando a loja surgiu, não havia nada parecido na região. “Vendia um design acessível e passei a receber arquitetos famosos da capital, como João Armentano.” O sucesso foi tamanho que a loja veio para os Jardins. E lá continua, oferecendo peças de R$ 40 a R$ 40 mil. Agora, Houssein anda rondando a Rua Conselheiro Carrão, no centro, em busca de um casarão. “Quero montar um espaço para as minhas festas”, conta. Uma iniciativa pressionada pelos vizinhos, cansados das reuniões do empresário, que vão até 10 da manhã. “Adoro São Paulo”, diz. “Meus melhoresamigossão judeus.Isso nãoaconteceria em outra cidade do mundo.”

estadão.com.br

Pablo Pereira

São Paulo: Três cidades em um século. Dubugras é figura importante no cenário paulistano, conhecida no meio acadêmico, mas praticamente ignorada pela cidade. Fora o Largo da Memória, pouco dele se manteve. Amantes da obra do arquiteto encontram cada vez menos referências dele na paisagem paulistana. A professora Sylvia Ficher, da UnB, que escreveu sobre o francês (foto) em livro de um outro cobra no assunto, Nestor Goulart Reis, diz: “No art nouveau, Dubugras equipara-se, além de Gaudí, a outros grandes como Horta, Guimard e Mackintosh, conforme inquestionavelmente demonstram algumas de suas criações mais inspiradas e infelizmente não construídas, como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (1904) ou a Prefeitura de Niterói (1908), além de uma longa série de residências em São Paulo.”

o Estúdio 20.84, montado para pesquisar e formular objetos desenvolvidos a partir de materiais reciclados e de pesquisa tecnológica, que garanta a qualidade. O Estúdio projetou, por exemplo,umberço cujaestruturaéumcarrinhodetransportedemercadorias.“Levei um desses em casa”, conta Houssein,quetem umfilho, Aly, deumanoe meio, com a estilista Adriana Barra. Também bolou uma luminária baseadanomodelodeplástico usadoemmecânicas.

blogs.estadao.com.br/blog-da-garoa

TRÊS PERGUNTAS

‘Hágrande descaso como patrimônio’ Dubugras. Art nouveau paulistano

Casarão. Um Dubugras que foi trocado pelo Edifício Baronesa de Arary na Av. Paulista com a Rua Peixoto Gomide

Qual a relevância da Dubugras? Sylvia Ficher – Não há muito a comentar. Quase tudo foi demolido... Onde hoje está o Conjunto Nacional, na

Avenida Paulista, havia uma das mais belas realizações dele. Há Dubugras preservados? SF – Tanto quanto eu saiba, há apenas os pousos do Caminho do Mar, a estação de Mairinque e umas duas ou três casas em São Paulo. Em Salvador, a Escola de Medicina (no Pelourinho), que foi restaurada há pouco. São Paulo se preocupa com seu patrimônio histórico? SF – Infelizmente, há um grande descaso com o patrimônio urbano. Os espaços mais importantes da cidade são enfeados constantemente, sem cuidados. É o que aconteceu com a Praça da Sé, quando da construção do metrô. E com o Vale do Anhangabaú, com a destruição do que havia sobrado do projeto de Bouvard (1910) e a desfiguração do Viaduto do Chá. Se nem os cartõespostais da cidade são respeitados, imagine o resto...


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010 ANO XXIV – Nº 8051

Caderno2

Pasta & Bossa

Chiara encontra Jobim. Pág. D11

DOMINGO G

MIKO HE/DIVULGAÇÃO

7 8 9 10 11 12

TASSO MARCELO/AE

Flávia Guerra / PARIS

MODA

FRAGMENTOS DE

http://www.estadão.com.br

A partir de pedaços de porcelana, o artista chinês Li Xiaofeng cria uma camisa polo especial para a famosa marca francesa do crocodilo

Quinta-feira, eliminação da seleção francesa na Copa do Mundo. No nobre bairro Paris 01, escritório de Christophe Chenut, vicepresidentedagrifeLacoste,atelevisão já mostrava outra partida: o francêsNicolasMahutenfrentandooamericanoJohnIsnernotorneio de tênis de Wimbledon, em jogo que já durava três dias. AcamisaqueMahutvestia:Lacoste. “Sei que estamos fora do campo, mas na quadra continuamosnadisputa.Estapartidanunca vai terminar e veja quem joga pela camisa do crocodilo?”, brincou Chenut enquanto conversavacom oEstado, semtirar oolho daTV.Esperançoso,antesdotérmino da batalha (após 11 horas e cincominutos,quederamàpartidao título de maislonga dahistória do tênis), o CEO mostrava o anúnciojápreparadocasoMahut vencesse: ‘Parabéns! O Espírito do Crocodilo ainda está vivo.’ Mahut perdeu. A França estava fora da taça mais uma vez em apenas uma semana. Mas daí a achar que o ‘espírito do crocodilo’ seria apagado? Ao contrário. Umdia depois, em plena noitede sexta-feira de um forte verão europeu, o Museu de Artes e Ofícios de Paris exibia, em vez de ‘obras de arte’, a nova polo da grife, a Porcelain Polo. Criada pelo artista chinês Li Xiaofeng, a ‘polo de porcelana’ traz a clássica camisa criada em 1927 pelo tenista René Lacoste emversãoorientalbem-humorada. Peça-símbolo da edição 2010 da série Holiday Collector’s, projeto que já convidou nomes como os irmãos Campana e o cantorMichaelStipe,doR.E.M,aPorcelain Polo é formada por centenas de pedaços de porcelana chinesa. Ganhou lugar de honra em meio às obras de arte do museu. Leia depoimentos de Li Xiaofeng sobre a peça que criou. Pág. D3

}


D2 Caderno2 %HermesFileInfo:D-2:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

seleção da semana* DIVULGAÇÃO

LAFAYETTE & OS TREMENDÕES Studio SP: Rua Augusta, 591, Tel: (55 11) 3129-7040. Sexta, 9. R$ 25, Show à 1 h (às 23 h, abertura com o DJ Tatá Aeroplano).

EMÍLIO SANTIAGO Quando: sexta-feira e sábado, às 22 horas. Onde: Citibank Hall. Avenida dos Jamaris, 213, Moema, telefone 2846-6232. Quanto: de R$ 60 a R$ 130 MARCOS ARCOVERDE/AE

OS NOVOS REIS DO IÊ-IÊ-IÊ Até 1964, era mais comum o uso do piano no emergente rock internacional – era o instrumento que aparecia na música de Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard, por exemplo. Em 1964, o órgão pede passagem, e começa a pulsar na música de grupos como The Animals, e mais tarde The Doors, Procol Harum, Rascals, Zombies. Na MPB, quasesimultaneamente, umbravopioneiro enxertavaoórgãonamúsicabrasileira,primeiro,deErasmo Carlos, em 1964. Depois, Roberto Carlos ouviu e também quis (está em História de Um Homem Mau, faixa doseu discode1965, RobertoCarlosCanta para a Juventude). Em seguida, a Jovem Guarda foi inteirinha contaminada. O nome do autor da proeza: Lafayette Coelho Vargas Limp. Que, em carne, osso e dedos, aos 67 anos, é o convidado dessa boa curtição sonora chamada Lafayette & os Tremendões. Ideia do guitarrista Gabriel Thomaz (dos Autoramas), que jun-

tou Renato Martins (guitarra), André Nervoso (guitarra),MelvinFleming (contrabaixo)eMarcelo Callado (bateria), Érika Martins (vocal), membros de bandas como Acabou La Tequila, Carbona, Canastra, Penélope, para o rega-bofe. Cantando canções jovem-guardistas como O Pão Duro (de Getúlio Cortes), É Papo Firme, Esqueça e Você Não Serve Pra Mim (Roberto Carlos), O Pica Pau (Erasmo Carlos), Pareo Casamento (Wanderléa), Vou Botar Pra Quebrar (Silvinha) e Um

Grande Amor (Jerry Adriani), eles têm revigorado um feeling de época com charme e elegância. São os novos Reis do Iê-Iê-Iê, com um reforço de peso no órgão Hammond. Tocam o repertório que gravaram no disco As 13 Super-Quentes de Lafayette & Os Tremendões (selo Arterial Music, gravadora Rob Digital), lançado em 2009. É um sexteto imbuído da mais nobre intenção, a de fazer o povo dançar, e sua presença na neobalouçante Rua Augusta é digna de nota. / JOTABÊ MEDEIROS

ARDITTI QUARTET Quando: quinta (8), às 21 h. Onde: Sesc Vila Mariana. Teatro. Rua Pelotas, 141, 5080-3000. Quanto: R$ 5 a R$ 20. Na quarta (7), em Campos do Jordão

SHREK PARA SEMPRE Nome original: Shrek The Final Chapter. Direção: Mike Mitchell. Gênero: Animação (EUA/ 2010, 93 minutos). Censura: Livre.

REPERTÓRIO LA MÍNIMA Quando: À La Carte, qui. 21h; sex. 21h30. A Noite dos Palhaços..., sáb. 21h e dom. 19h. Onde: Teatro Cl.Yáconis. Av. do Café, 277. Quanto: R$ 30 e 15

DIVULGAÇÃO

DUAS CHANCES Para certas atrações, não vai ser preciso este ano subir a serra até Campos do Jordão e prestigiar o Festival de Inverno. O quarteto inglês de cordas Arditti, por exemplo, toca lá na quarta e, no dia seguinte, no Sesc Vila Mariana. / JOÃO LUIZ SAMPAIO

Festa-baile. O lendário Lafayette e seus pupilos

SÓ NO SAMBALANÇO Para comemorar os 40 anos de carreira, Emílio Santiago teve a feliz ideia de homenagear Ed Lincoln, “o rei dos bailes”, figura fundamental em sua decolagem como cantor, nos anos 1970. Emílio foi crooner da orquestra de Lincoln e agora rende tributo ao mestre com um álbum cheio de suingue, Só Danço Samba, o primeiro por seu selo Santiago Music. O cantor vai interpretar na íntegra o repertório de sambalanço do CD e outras pepitas do gênero na sexta-feira e no sábado. As cadeiras vão sacudir. / LAURO LISBOA GARCIA

SANDRA CINTO Quando: De 6/7 a 1/8, ter. a dom., 11 h/20 h. Onde: Instituto Tomie Ohtake. Avenida Faria Lima, 201, telefone 2245-1900. Quanto: Grátis

CARLOS GUELLER/DIVULGAÇÃO

OGRO EM CRISE Em sua quarta aventura, o simpático Shrek quer voltar a ser o ogro assustador que foi um dia. É aí que ele decide fazer um pacto com um persuasivo comerciante. Mas é enganado e vai parar em uma realidade paralela, onde não é conhecido e passa a ser caçado. Nem mesmo sua amada Fiona sabe quem ele é. Preparem-se para fortes emoções. / ELIANA SILVA DE SOUZA

EVERTON BALARDIN/DIVULGAÇÃO

PALHAÇOS MODERNOS

IMITAÇÃO DA ÁGUA

O premiado grupo La Mínima volta com dois espetáculos imperdíveis do repertório: À La Carte, quintas e sextas, e A Noite dos Palhaços Mudos (foto), aos sábados e domingos. Repare no ritmo cômico apurado do elenco. / DIB CARNEIRO NETO

Uma narrativa poética e arrebatadora em torno dos mares, em instalações com pinturas, desenhos e barquinhos de papel, se faz na mostra Imitação da Água, que a artista Sandra Cinto inaugura no Instituto Tomie Ohtake. / CAMILA MOLINA

FLAVIA GUERRA/AE

mesa para dois Flavia Guerra / LONDRES

TATA AMARAL A CINEASTA PAULISTANA FOI MOSTRAR ANTÔNIA NA SEMANA PASSADA EM LONDRES E, NUM RESTAURANTE DE LÁ, CONTOU QUE PREPARA SEU QUARTO LONGA

● Antônia foi um caso de sucesso no Brasil. Além do filme, virou série na TV. Mostrar o filme agora, anos depois, em Londres, faz com que você o veja sob outra perspectiva?

Sim. Antônia foi um projeto que nasceu de forma tão natural que, aos poucos, ganhou atenção internacional. Londres é uma cidade que adoro, que sempre visitei, ainda que rapidamente, para conferir exposições, ir a restaurantes interessantes... É muito especial mostrar um filme aqui. A sessão aqui foi muito interessante. O público, ainda que pequeno, tinha grande interesse nos temas levantados pelo

longa. Havia gente que estuda e que pensa cinema. ● Você sente interesse crescente do público estrangeiro pelo cinema brasileiro?

res exuberantes e lutadoras.Na plateia do Barbican havia representantes de comunidades da periferia de Londres. A questão humana é sempre universal.

Com certeza. Desde a Retomada, nosso cinema está cada vez mais internacional.

● Você se prepara para filmar

● Como está a carreira do filme

São Paulo é uma cidade cuja realidade é difícil de ser contada, pois tudo muda muito de bairro para bairro. Mas não sei se saberia contar uma história fora de São Paulo. Sou muito paulistana. Nasci no Centro, cresci e vivo em Pinheiros. Para mim, explorar as nuances da cidade é

no exterior?

Integrou festivais como Berlim, Toronto... Foi lançado no cinema nos Estados Unidos com 20 cópias e investimento de 380 mil dólares. Em seguida, entrou no circuito de DVDs pela Netflix. É uma história de mulhe-

QUE

novo longa em janeiro. Passa-se também em São Paulo? Tem vontade de filmar em outro lugar?

sempre um desafio. E este novo filme, o Hoje, é assim também. Passa-se na Galeria Metrópole, na Avenida São Luís. ● Este será o primeiro longa da Tangerina Filmes, produtora que você fundou com sua filha, Caru. É bom fazer cinema em família?

É ótimo, mas sempre difícil. Fundamos a Tangerina há 3 anos, mas o fluxo não é suficiente para pagar todos os custos. É preciso um mix. Faço também TV. E adoro. Em 2009, fiz o Trago Comigo para a TV Cultura e produzi um documentário. Agora, alem do Hoje, vou produzir um curta dirigido por ela.

● QUEM

●O

Tata Amaral

Ostras e vinho branco

● ONDE

Wright Brothers - Londres

Diretora de Um Céu de Estrelas, Através da Janela e Antônia, que também virou seriado de TV, Tata agora se prepara para rodar Hoje, em janeiro

Tata aproveitou o verão inglês para experimentar as ostras e os camarões do Wright Brothers. Para acompanhar, vinho branco e pães.

No tradicional Wright Brothers (www.wrightbros.eu.com), ela conversou sobre a sessão de Antônia no Cinema of Brazil Music and Rhythm, do Barbican


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Caderno2 D3

estilo* MIKO HE/DIVULGAÇÃO

Ateliê misto. Li em ação: “Eu gostava de moda porque ia a festas, mas nunca havia pensado nela como forma de expressão. E hoje vejo que, sem notar, eu já estava inventando moda, sim.”

ESCULTURAS PRONTAS PARA VESTIR

Com porcelana e fios de prata, fez-se a união entre a tradição milenar chinesa e um famoso item do vestuário moderno Flavia Guerra / PARIS

Em tempos pós-modernos, em que o técnico da seleção brasileira veste Alexandre Herchcovitch, em que desfiles são inspirados em obras de artistas e fotógrafos,otrabalhodeestilistasganha exposições em museus e a arte vira objeto de consumo fashion,discutirasfronteirasentre as áreas parece assunto ultrapassado. “Tanto porque está tudo misturado. E tudo muda a todo momento. Vejo meu filho usando a mesma polo que meu pai usava. E os dois estão na moda”, rebateu Christophe Chenut, vice-presidente da Lacoste, à pergunta do Estado sobre se seria possível ainda hoje definir se moda é arte e vice-versa. O artista chinês Li Xiaofeng, que antes de ser convidado pela LacosteparacriaraPorcelainPolo “só se interessava pela moda porque gostava de ir às festas”, concorda: “Em 2004, quando tive a ideia de me ‘vestir’ com minhas esculturas, foi uma forma depoderlevarmeutrabalhoaga-

lerias que expunham o trabalho cidiu vestir a camisa de sua arte de outros artistas. Era uma per- performática até ser convidado formance, uma maneira de ser pela Lacoste para criar a Porcenotado. Nunca havia pensado na lain Polo muita água e muita termoda como forma de expressão. ra passaram por suas mãos. E hoje vejo que, sem notar, estaMuralista formado pela Cenva inventando moda, sim.” tral Academy of Fine Arts de PeA pedido da grife, Li criou uma quim, Li se enveredou pela arte camisa protótipo de porcelana e de criar esculturas com pedaços umaoutra‘polo impressa’.Desta de porcelana. Mas os cacos que última, 20 mil formam suas obras exemplares senão são porcelana rão produzidos comum. Li compra “SIM, EU TINHA e vendidos em a matéria-prima a PRECONCEITO EM várias lojas da quilonosmercados grife pelo munlocais. Muitas veRELAÇÃO À MODA”, do. Unindo seu zessãorelíquiasenDIZ LI XIAOFENG trabalho aos contradas em escaconceitosdagrivações dos milhafe, concebeu uma espécie de hí- res de canteiros de obra que se brido, que traduz com maestria espalham pela capital da China e o espírito atual da sinergia entre datam da dinastia Ming (1368 a asáreas.Símbolodauniãodatra- 1644), da Qing (1644 a 1911), entre dição europeia, da importância outras. “Com esses cacos, formo da arte e do mercado oriental, a novaspeças,queganhamocon‘polo de porcelana’ une a tradi- tornodevestidostradicionais ção milenar do artesanato chi- chineses,camisaseatéunifornês ao design da moda francesa mes militares”, contou ele. paraformarumíconecontempoFios de prata. Para costurar râneo de moda e arte. DesdeaprimeiravezqueLide- essas ideias, o artista usa fios de

prata, que garantem mobilidade e leveza às esculturas. “O corpo humano e sua relação com a arte sempre me interessaram. É um prazer poder tocar e absorver as energias que os artesões ancestrais deixaram nesses cacos. Levei anos para encontrar a fórmula perfeita entre forma e movimento. Costumava costurá-las com fios de bronze, mas a prata, logoestematerialqueeratãousado na antiga China, acabou sendo o metal ideal.” Não é por acaso também que a Polo Porcelain ‘versão para vestir’ traz pedaços de porcelana com figuras de bebês e da flor de lótus. Mas, em vez de confeccioná-la em porcelana, Li trabalhou sobreumprotótipodigital emtamanho real. “Literalmente, fui colandoospedaçosazuis ‘delouça virtual’, anteriormente fotografados, em um fundo branco. Foram 251 cacos para o modelo feminino e 304 para o masculino. Para completar, golas azuis. Acho que ficou bacana o jogo entre as figuras dos bebês, da flor de lótus e o crocodilo da Lacoste”, afirmou Li. Entreos temas que ilustravam as louças chinesas, Li explicou sua escolha: “São dois símbolos

lo é o ícone da Lacoste. Manter o frescor desse item não é tarefa fácil”, analisou Chenut.

QUEM É LI XIAOFENG ARTISTA PLÁSTICO CHINÊS

✽ Formado em muralismo pela Central Academy of Fine Arts de Pequim, Li decidiu ser escultor e hoje é mundialmente reconhecido por seu trabalho de confecção de ‘roupas’ com fragmentos de porcelana das dinastias Tang, Song, Yuan, Ming e Qing. Artista residente da conceituada Red Gate Gallery em Pequim, foi convidado para criar uma camisa polo de porcelana para a anual Holiday Collector’s Series, especial da Lacoste.

importantes da nossa cultura. A flor de lótus nasce na lama e simboliza pureza e força. Já os bebês eram sinal de que as famílias desejavam saúde para as crianças. Como a taxa de mortalidade era muito alta na época, pintar as louças com figuras de bebês era uma tradição e um desejo.” É esse desejo de prosperidade e força que a marca busca quando desafia artistas como Li a criar algo novo com base em uma fórmula tradicional. “Apesar de variarmos nosso leque de atuação, de ter criado as linhasfemininas, infantis, acessórios, entre outros,acamisapo-

HONORÁVEL ARTE ●

● De pesquisa Para melhor entender como os pintores ancestrais trabalhavam, Li começou a pesquisar e comprar fragmentos da antiga porcelana chinesa. Com a ‘coleção’ que reuniu, acabou tendo a ideia de criar o primeiro casaco e nunca mais parou.

Do Mao

A primeira ‘escultura vestível’ de Li foi um ‘terno de Mao Tsétung’, criado em 2004 com fragmentos de porcelana que o artista guardou após terminar série sobre a pintura paisagística chinesa em aquarela.

● De vestir Após passar por museu de Paris, a Porcelain Polo vai à Red Gate Gallery em Pequim. A versão ‘consumível’ da peça, também de autoria de Li, chega às lojas da grife, em edição limitada (20 mil), no segundo semestre. No Brasil, só 100 unidades serão vendidas na filial da marca, na Rua Oscar Freire.

● Da China Li Xiaofeng constrói, sobre forro de couro com cacos de porcelana costurados com fios de prata, roupas, vestidos e camisas que simbolizam as mudanças sociais e econômicas vivenciadas pelos chineses.

Releituras. A simbólica peça já foi copiada e ganhou várias releituras de grifes e estilistas pelo mundo. “Muita gente nem associa a polo à Lacoste. Há quem ache que foi outra grife que a inventou. Há também uma geração que chamamos de ‘perdida’ porque simplesmente não inclui a camisa em seu guarda-roupa”, disse o CEO. Foi de olho na geração ‘perdida’e nas outras a serem conquistadas que a grife criou a Holiday’s Collector Series. Ao agregar o chamado ‘desejo de moda’ às outras áreas, como design (no caso dos Campana), música (Michael Stipe), cinema (quando Pedro Almodóvar assinou a criação), entre outras, a grife não só dialoga com seu público como também fala com um novo mercado consumidor. Li também espera dialogar comnovasmentes agora que‘entroupara o mundo fashion’. “Como artista, tinha preconceito em relação à moda, mas conheci melhor a filosofia da grife e vi no desafiode criar umapolo a possibilidade de falar com muita gente, ao mesmo tempo. Fico imaginando todos os 20 mil que poderão vestir uma obra minha, ainda que uma camisa, ao mesmo tempo. Para mim, esse é poder da moda.”

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA GRIFE LACOSTE


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

JOÃO UBALDO RIBEIRO

SEGUNDA-FEIRA LÚCIA GUIMARÃES MATTHEW SHIRTS

TERÇA-FEIRA ARNALDO JABOR

QUARTA-FEIRA ROBERTO DAMATTA

QUINTA-FEIRA LUIS FERNANDO VERISSIMO

SEXTA-FEIRA IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO MILTON HATOUM

A. K. TASHIMA/FOTOREPÓRTER/AE

A ilha e a tecnologia

A

qui na ilha, não temos ficado indiferentes à questão do uso da tecnologia nas Copas. Aliás, ao contrário do que insinuam maledicentes, Itaparica sempre foi muito ligada à tecnologia de ponta, apesar de circunstâncias frequentemente desfavoráveis, como no meu tempo de menino, em que só tínhamos energia elétrica do escurecer até as dez da noite. Não nos deixávamos abater e nos esforçávamos para absorver da tecnologia tudo o que era possível. Por exemplo, assistíamos ao funcionamento da bomba de gasolina a manivela do posto de Waldemar, o único da ilha. Era um programaço, com os números rodando e barulhinhos de ficção científica pontuando a função. Dava para encher a manhã inteira, quando não havia uma pelada a disputar. Além disso, muitas das coisas que, fora da ilha, parecem novidades aqui já são fartamente conhecidas, desde os antigos. Gabam-se os americanos, por exemplo, de terem mandado um homem à Lua, façanha, aliás, de que muita gente boa duvida. Houve quem assistisse à tal chegada na televisão, mas, como sintetizou admiravelmente Waltinho Filósofo, o fundador da Escola Filosófica do Sorriso de Desdém, “ninguém viu lua nenhuma, só viu um

sujeito de escafandro”, de maneira que o ceticismo parece ter razão, fazendo jus, os tais americanos embusteiros, a um vasto sorriso de desdém. Itaparica não mandou homem nenhum à Lua, mas fez melhor, como confirmarão os que, da mesma forma que eu, ouviram da boca do próprio finado Lamartine a celebrada narração dos foguetes. Nessa época, começo do século 20, Lamartine, ainda mocinho, já se notabilizava por seu talento e esmero na confecção dos melhores foguetes de todo o Recôncavo Baiano. Cada foguete seu era uma obra de arte individual, até mesmo na fabricação da pólvora, que não era comprada na mão de forne-

“Não solte mais seus foguetes, que estão me furando o céu. Seu criado, Pedro Apóstolo.” cedores, mas feita e temperada por ele mesmo, segundo uma fórmula secreta dos portugueses, que descobrira numa escavação junto à fortaleza de São Lourenço. Não tinha mãos a medir em encomendas de festas de santos, inaugurações, feriados, comícios, grandes casamentos, grandes aniversários e tudo mais que exigisse foguetório de alta qualidade. Eram esplêndidos foguetes, daqueles cuja carga explosiva sobe amarrada a uma vareta ou taquara, chamada de flecha.

E não foi assim que, já coberto de glória pirotécnica, Lamartine resolveu dar um capricho extra, na confecção dos foguetes para a festa cívica do Sete de Janeiro, data magna da ilha e da nacionalidade. Mas a decepção foi geral, quando foguete após foguete subia e sumia no espaço. Nem se ouviam as explosões, nem as flechas caíam de volta no chão. Chabu total, impensável fiasco? Estaria Lamartine desmoralizado? Ele próprio confessava aos ouvintes que chegara a duvidar,aacharquetinhaerradono preparo dos foguetes. Bem, de fato, tinha, como se viu logo em seguida, só que o erro fora por exagero na mistura da pólvora, rompante natural da juventude, que ele agora compreendia. Porque, na hora em que já ia desculpar-se com o prefeitoe as outrasautoridades presentesna festa, finalmente caiu umaflecha, que se cravou no chão, bem junto a eles.

Sóque nãoera apenas a flecha, haviaum papel espetado nela. Conferiram, era um bilhete. O bilhete dizia o seguinte: "Prezado Lamartine, não solte mais seus foguetes, que estão me furando o céu. Seu criado, Pedro Apóstolo.” A mesma coisa pode ser dita de outros avanços, que para nós não são nem tão avanços assim, como as comunicações eletrônicas. De novo, vem à tona o nome de Waltinho Filósofo, que criava pombos-correios extraordinários, os quais não só levavam cartas, como procuravam os números das casas dos destinatários, tomavam recibo e só faltavam vender selos. Um desses pombos, de acordo com alguns testemunhos, foi alistado na Força Expedicionária Brasileira e serviu com distinção na Itália, onde, por sinal, montou pombal com uma pomba romana e morreu de morte natural, condecorado e cercado

SÁBADO MARCELO RUBENS PAIVA MARIA RITA KEHL

DOMINGO LUIS FERNANDO VERISSIMO JOÃO UBALDO RIBEIRO DANIEL PIZA

de grande consideração. Como se vê, ninguém pode nos ensinar nada em matéria de tecnologia, nem o nosso conservadorismo, quanto a seu uso no futebol, pode ser atribuído a um pretenso atraso. No bar de Espanha, a discussão sobre o tema vem ocupando as atenções e a opinião mais ouvida é que o futebol está gravemente ameaçado em um de seus principais fundamentos, nomeadamente o juiz ladrão. A convicção de quase todos é de que, sem o juiz ladrão, torcer vai ficar muito difícil. O sempre respeitado parecer de Toinho Sabacu, conhecido por seu equilíbrio, foi o primeiro a manifestar-se. – Por exemplo – disse ele – que seria da torcida do Bahia, se não fosse o juiz ladrão? A indagação suscitou imediata indignação da parte da torcida atingida, até porque todo mundo sabe que Sabacu é Vitória. Somente a interferência de Zecamunista é que restaurou a harmonia. Sem o juiz ladrão, nada seria da torcida do Bahia e nada seria da torcida do Vitória, argumentou ele. Era a dialética mais uma vez em ação, funcionava para qualquer time. Sim, senhores, onde ficaria o torcedor que vê seu time derrotado, se não pudesse botar a culpa no juiz? E o pênalti não marcado, o falso impedimento, o tiro de meta que vira escanteio, o cartão amarelo mal aplicado? – Mas não se enganem, não – advertiu ele, para finalizar. – Se ninguémreagir, esse pessoal da tecnologia vai acabar inventando uma máquina para botar no lugar do juiz. E a Copa vai terminar sendo um torneio de videogame, é o que eles querem.

Dança. Espetáculo ALESSANDRO BIANCHI/REUTERS

Alastair Macaulay THE NEW YORK TIMES HANOVER, NEW HAMPSHIRE

O gramado central do Dartmouth College nesta cidade, cercado por belos edifícios e pináculos antigos de tijolo vermelho, forma um arquetípico câmpus universitário da Nova Inglaterra. Um desses edifícios, o Hopkins Center for the Arts, de 1962, sem quebrarotom idílico,aindaparece relativamente moderno como arquitetura e isso continua no seu interior. O Hop tornouse um dos líderes na encomenda de trabalhos de dança moderna. Nos três últimos anos, houve estreias mundiais de Merce Cunningham, Paul Taylor, e outros. Para nenhuma outra companhia, porém, uma temporada em Dartmouth é realmente uma volta para casa como para a Pilobolus. Há 39 anos, quando o corpo discente era totalmente masculino, essa cia. surgiu de um curso de dança moderna ministrado por Alison Chase, e o Hopkins Center foi uma das razões para os jovens que formaram a Pilobolus Dance Theater escolherem estudar aqui em primeiro lugar. As imagens expressivas da poesia acrobática da Pilobolus – alternadamente biológicas, burlescas e edênicas – fizeram dela um novo gênero. A biblioteca da faculdade abriga o extenso arquivo da companhia – que inclui filmes, fotografias, notas e mais –, que também revela a rapidez com que a sua arrecadação de bilheteria cresceu: nos anos 1970 apenas, de US$ 300 (por performancesemoutrauniversidade da Nova Inglaterra) a US$ 25 mil (por uma temporada no Sadler’s Well em Londres). A biblioteca também está exibindouma pequenaexposição para homenagear Jonathan Wolken, um dos dançarinos-coDesafio. Delicado equilíbrio em pura ousadia

SENTINDO-SE EM CASA EM TERRITÓRIO ESTRANHO A Pilobolus mostra sua poesia acrobática em novo trabalho

Tsu-Ku-Tsu. Delicadeza exótica em obra de Alison Chase

reógrafos fundadores e diretores artísticos de longa data da companhia, cuja morte em junho pôs em xeque uma questão: a Pilobolus conseguirá sobrevivera seuscriadores? A cia. dedicou apresentações deumfimdesemana no Hop à memória de Wolken. Mas o principal evento do programa foi um novo trabalho, Hapless Hooligan in ‘Still Moving’, criado pelo cartunista Art Spiegelman e o coreógrafo Michael Tracy, outro dos diretores artísticos de longa data da Pilobolus, em colaboração com os dançarinos do grupo. É obviamente uma novidade. Em nenhuma outra parte eu vi esse tipode superposiçãoes-

tonteante de cartum, filme, teatro de silhueta e dança viva. E, no entanto, ele também utiliza, e rejuvenesce, aspectos da Pilobolus que estão lá desde o começo: a lógica de sonho, o toque burlesco, a sensação de liberação física que só às vezes é altamente sexual, e o desafio à categorização. A Pilobolus sobrevive nesta peça e evolui. Chaplin. Hapless Hooligan in

‘Still Moving’ inclui também a morte de sua personagem central. Hapless (ou Hap) remete à velha personagem americana de cartum, Happy Hooligan, mas também ao papel que Charles Chaplin muitas vezes interpretou e ao Petruchka do balé. Ele é um inocente errante, o Camaradinha que ama mas cuja garota é perseguida também por um homem duas vezes o seu tamanho e propenso à agressão. Mas nós também vemos Hap no despertar da consciência e, como Orfeu, no reino da morte. É uma história fabulosamente

maluca em tom caricatural. no contexto que é como se estiSpiegelman poderia ter con- vessem nos dando um vislumtado a história toda em termos bre fugidio do funcionamento de cartum. Isso, porém, teria interno do universo. sido uma peça menor e mais O movimento e a dança levam simples. Aqui, a vida de Hap é a história a outros níveis, com a continuamente apresentada heroína subindo semesforço pacom um show em performan- ra ficar de pé sobre os ombros do ce, com múltiplas camadas de homem, num efeito de cartum. realidade. A história é contada Quando ela e Hap morrem, há como um cartum esqueletos e um e encenada pelos diabo dançandançarinos como HAPLESS HOOLIGAN tes e outras casilhuetas. Vemos madas de realiFOI CRIADO PELO os bailarinos em dade.Étudomo3-D em segundo vimentoleve,seCARTUNISTA ART plano e enxertos co, rápido. SPIEGELMAN de um gênero em Parte do praoutro. Silhuetas e zer da produção cartuns aparecem no mesmo é a música, que é, como tantas quadro e interagem. trilhas musicais da Pilobolus, Em certo ponto, dançarinos uma colagem. Se estendendo de vivos parecem estar lançando ErikSatie aYma Sumac,elamansombras em movimento na te- tém a comédia. Minhas únicas la do fundo – até se evidenciar reservassão aumpequeninomoque essas silhuetas na verdade mento em que Spiegelman paretêm vida própria. Numa gran- ce ser autorreferente e um final de cena, a tela sobe para reve- sóbrio quando poderia ser de lar luzes, aparelhos e persona- transcendência teatral. gens. O efeito é tão revelador Na Hop, Hap foi seguido por

Gnomen, coreografado em 1997 porWolken e RobbyBarnett, outropai fundador ediretor artístico do grupo. É um belo exemplo de acrobacia apresentada como poesia “piloboliana” transformadora, e um soberbo encerramento do programa. Os dois seguiram o intervalo e vieram como um grande alívio após os três primeiros itens, Redline (2009), Rushes (2007) e Walkyndon (1971): três obras de arte distintas, mas parecendo fracas. Transcendência. Embora a Pilobolussempre tenha sidopopular, teve muitos adversários – “É tão imaturo!” observou certa vez um amigo – e essas três palavras me fizeram ver por quê. Mas Hapless Hooligan transcende esse aspecto por ser elaboradamentearrebatador. E Gnomen vaidireto ao coraçãodoimaginário da Pilobolus, que se apresenta de 12 de julho a 7 de agosto no Joyce Theater, em Nova York. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Caderno2 D5

Literatura. Evento

FESTA DE PARATY: DIA DE COMPRAR INGRESSO Tabucchi cancelou participação na Flip e será substituído por Ferreira Gullar

PROGRAMAÇÃO Dia 4/8 (quarta) 19 h - Abertura Fernando Henrique Cardoso Luiz Felipe de Alencastro (debatedor) 21h30 - Show de abertura

Raquel Cozer INGRESSOS Quando Das 10 h de amanhã até 3/8 (a partir de 4/8 só na bilheteria da Flip em Paraty) Pela internet www.ticketsforfun.com.br (o site

também disponibiliza os endereços de pontos de venda no País) Por telefone 4003-0848 (número nacional; de seg. a sáb. das 9 h às 21 h; amanhã a venda começa às 10 h) Preços

Show de abertura: R$ 40 Mesas literárias e abertura (Tenda dos Autores): R$ 40 Transmissão ao vivo das mesas literárias (Tenda do Telão): R$ 10 Casa da Cultura (ingressos só em Paraty, na Flip): R$ 10

Dia 7/8 (sábado) Edu Lobo Renata Rosa Marcelo Jeneci Quarteto de Cordas da Academia da Osesp

10 h - Mesa 11 Terry Eagleton 12 h - Mesa 12

Dia 5/8 (quinta) 10 h - Mesa 1 Moacyr Scliar Ricardo Benzaquen Edson Nery da Fonseca 12 h - Mesa 2

Colum McCann William Kennedy 15 h - Mesa 13 Ferreira Gullar 17h15 - Mesa 14 Robert Crumb Gilbert Shelton 19h30 - Mesa 15 Lou Reed

Dia 8/8 (domingo)

DENIS BALIBOUSE/REUTERS

Começa amanhã, às 10 h, a venda de ingressos para a 8.ª Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorre de 4 a 8 de agosto. O prazo para efetuar a compra pela internet,portelefoneounospontos de venda (veja nesta página) vaiaté3/8,masasmesasmaisconcorridas na Tenda dos Autores costumam ter entradas esgotadas nas primeiras horas. A corrida mais acirrada deve ser por doisnomesoff-literatura,ocartunista Robert Crumb e o músico Lou Reed. Entre escritores, Salman Rushdie, que esteve na Flip em 2005, e Isabel Allende tendem a ter grande procura. E um dos mais fortes nomes literários, Antonio Tabucchi, cancelou participaçãoanteontem.Serásubstituído por Ferreira Gullar. Cientedascostumeirasdificuldades encontradas pelo público –noanopassado,ositedaIngresso Rápido saiu do ar minutos após o início das vendas –, a Flip trocou de fornecedor. A venda agora será pela Tickets for Fun, que, segundo Josephine Bourgois, coordenadora-geral do evento, tem “um número de call centers mais bem dimensionado”. “Comprar ingresso para a Flipésempreumaexperiênciadifícil.Aempresacomquetrabalhamos por dois anos não fornecia critériosdequalidadeideais.”Ela nãocrê,noentanto,queamudança vá sanar todos os problemas: “Temos a garantia de que o site não sairá do ar. Mas a demanda é

Alberto da Costa e Silva Maria Lucia P. Burke Angela Alonso 15 h - Mesa 8 William Boyd Pauline Melville 17h15 - Mesa 9 A.B. Yehoshua Azar Nafisi 19h30 - Mesa 10 Salman Rushdie

Off-literatura. O músico norte-americano Lou Reed é um dos convidados mais aguardados muito forte nas primeiras horas para o número de lugares (850 na Tenda dos Autores), então sempre haverá certa dificuldade.” Para que os usuários enfrentem menos problemas durante a compra,elarecomendaquesecadastremcomantecedêncianosite da Tickets for Fun e que anotem os números das mesas a que

querem assistir. Nos pontos de venda, serão distribuídos nas filas “cardápios” com a programação para que os clientes não percam tempo no caixa. Segundo Josephine, a mudança de fornecedor e alterações nos valores dos serviços de outros fornecedores tiveram influência no aumento no preço

Toda sexta no Estadão.

dos ingressos da Tenda dos Autores, de R$ 30 para R$ 40. A Tenda do Telão continua com ingressos a R$ 10. “O que poucos sabem é que os ingressos para a Tenda do Telão nunca esgotam. Assistir às palestras de lá é uma experiência muito qualificada, Há mais lugares (1.200) e o ingresso é mais em conta.”

Lionel Shriver Patrícia Melo 15 h - Mesa 3 Reinaldo Moraes Ronaldo Correia de Brito Beatriz Bracher 17h15 - Mesa 4 Isabel Allende 19h30 - Mesa 5 Peter Burke Robert Darnton

Dia 6/8 (sexta) 10 h - Mesa 6 Robert Darnton John Makinson 12 h - Mesa 7

9h30 - Mesa Zé Kléber 11h45 - Mesa 16 José de Souza Martins Peter Burke Hermano Vianna 14h30 - Mesa 17 Wendy Guerra Carola Saavedra 16h30 - Mesa 18 Benjamin Moser Berthold Zilly 18h15 - Mesa 19 Convidados da Flip leem trechos de seus livros prediletos

Outras informações www.flip.org.br


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Astral

LEÃO 22-7 a 22-8

ESCORPIÃO 23-10 a 21-11

Quem está sempre com a razão perde sempre, também, a oportunidade de maravilhar-se com o que ainda desconhece. Estar sempre com a razão é o mesmo que recusar-se a conhecer mais, aventurando-se na vida.

Sempre esteve disponível para todos energia inesgotável e gratuita, mas desde que temos esta memória distorcida que chamamos história houve movimentos intencionais para obliterarmos esta consciência, já que com ela dispensaríamos os bancos, os governos e forças armadas, tudo de uma tacada só. As grandes potências gastam a maior parte dos recursos em orçamentos militares e precisam de bancos para isso. Imagine você se o mundo inteiro soubesse que pode alimentar todos os seus aparelhos e seu próprio corpo com energia limpa e gratuita. Todo esse orçamento mundial se tornaria inútil de uma hora para outra. Algo assim, inimaginável, está em andamento. Agora, imagine você também o desespero de quem prefere que a realidade distorcida continue.

Seja gentil principalmente com quem agir de forma grosseira e insultante, seja diferente daquilo que provoca irritação. Se você agir da mesma forma daquilo que insulta você, quem poderia distinguir qualquer diferença?

Enquanto a verdade do coração continuar fora da conversa, tudo continuará degringolando e exigindo que você disponha de sua energia vital para que a realidade não se desintegre. Fale com o coração e conhecerá a vida.

MÚSICA ERUDITA

FOTOGRAFIA

Passatempos

CLÁUDIO CRUZ FAZ CONCERTO GRATUITO HOJE EM PAULÍNIA

VISITA GUIADA COM MAUREEN BISILLIAT

Sudoku

PEIXES 20-2 a 20-3

Você não tem obrigação de explicar-se o tempo inteiro, mas se alguma pessoa pedir, será demonstração de gentileza e consideração você se esforçar para tornar claras as razões de seus atos. Não lhe parece?

Para jogar: Preencha com números de 1 a 9 os quadrados pequenos, as linhas verticais e horizontais. Não repita.

Nível Difícil

7 5 2

9

7 8

6

8 1

5 3

7 2

8 6

4

3 4 6

2 5

Solução

4

Prefira as adversidades, ainda que esta afirmação pareça insensata. É que só as adversidades terão força para você permanecer vigilante e continuar aprimorando-se para, assim, garantir uma verdadeira vitória.

3 8 6 9 1 4 7 2 5

Quadrinhos

Como encerramento, hoje, de sua exposição na Galeria de Arte do Sesi, a fotógrafa Maureen Bisilliat vai fazer às 16 h uma visita guiada com o público pela mostra. A exposição, aberta em março, reúne mais de 200 imagens selecionadas por Maureen em colaboração com curadores do Instituto Moreira Salles, que abriga o acervo da fotógrafa. Na mostra estão ensaios emblemáticos da fotógrafa como Pele Preta e sobre o Xingu; obras feitas a partir de referências literárias sobre os universos de escritores como Guimarães Rosa e Jorge Amado; além de fotografias de viagens. A Galeria de Arte do Sesi fica na Avenida Paulista, 1.313. Entrada gratuita.

SAGITÁRIO 22-11 a 21-12

6003248

Adrian Petrutiu, de Horácio Schaefer (viola) e Roberto Ring (violoncelo). No programa do concerto, serão apresentados o Quarteto n.º 1 para cordas em fá maior op. 18 de Beethoven, de 1799, e o Quarteto n.º 11 para cordas em fá menor op. 95 - Quarteto Serioso ou sério, escrito pelo compositor em 1810. O Theatro Municipal de Paulínia, com 1.367 lugares, fica localizado na Avenida Prefeito José Lozano de Araújo, 1551. Os interessados em mais informações sobre o evento, podem ligar para o telefone (19) 3933-2140. A apresentação terá duração prevista de 75 minutos.

VIRGEM 23-8 a 22-9

A razão não precisa opor-se sistematicamente à emoção. Quem souber combinar uma dose de cada um desses estados de espírito vencerá todas as contendas e abrirá passagem no meio das mais terríveis adversidades.

5 2 1 3 7 6 8 9 4

Como parte da série Solistas do projeto Concertos de Paulínia, o violinista Cláudio Cruz da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), realiza hoje, às 18 horas, apresentação gratuita no Theatro Municipal da cidade paulista. O programa será dedicado aos quartetos de cordas do compositor Ludwig van Beethoven (1770-1827). Cláudio Cruz, destacado violinista brasileiro, é há 20 anos o spalla da Osesp e tem se dedicado ainda, nos últimos anos, ao papel de regente de orquestras. Ele é o convidado especial do concerto de hoje e sobe ao palco ao lado do também violinista

GÊMEOS 21-5 a 20-6

AQUÁRIO 21-1 a 19-2

Você não precisa seguir estritamente dentro dos planos traçados no passado, as coisas mudaram e se tornou legítimo que você mude também. Isso não parecerá sensato, mas se a intuição confirmar, melhor seguir por aí.

7 9 4 5 2 8 6 3 1

O elemento surpresa é muito importante, mas não no sentido de criar estratégias complicadas para driblar seus adversários. Pense na surpresa que o mistério da vida apresenta a você como uma oportunidade de fazer ajustes.

Descansar é necessário, porém, muito mais importante será fazê-lo dentro das limitações atuais. Ou seja, descanse só o suficiente, rejeite a tentação de dedicar todo seu empenho para garantir só descanso.

6 7 8 4 3 1 2 5 9

TOURO 21-4 a 20-5

CAPRICÓRNIO 22-12 a 20-1

9 4 3 2 8 5 1 6 7

O inimaginável está em andamento Vênus e Netuno em oposição; a Lua atinge a fase quarto minguante no signo de Áries.

A civilização evolui graças ao sonho que as pessoas se atrevem a cultuar. Sem sonho não haveria evolução. Na próxima vez que alguém lhe pedir para afirmar os pés no chão, olhe com compaixão essa afirmação de ignorância.

1 5 2 7 6 9 3 4 8

astro@0-quiroga.com

LIBRA 23-9 a 22-10

Desconfie daquele pensamento que tenta convencer você de tudo estar sob controle. Ninguém controla absolutamente nada, houve momentos mais estáveis em que isso parecia possível, mas na atualidade nada disso acontece.

4 3 7 1 9 2 5 8 6

✽ ●

CÂNCER 21-6 a 21-7

2 6 5 8 4 7 9 1 3

QUIROGA

A alegria é apenas o instrumento essencial ao progresso e não um destino em si mesmo. Leve isso em conta para não incorrer no equívoco de gastar todos os seus recursos na busca frenética de prazer e alegria.

8 1 9 6 5 3 4 7 2

ÁRIES 21-3 a 20-4

7 1

Palavras Cruzadas Diretas

Minduim Charles M. Schulz

O melhor de Calvin Bill Watterson

© Revistas COQUETEL — www.coquetel.com.br

Frank & Ernest Bob Thaves Tempero Associada pipoca ção a qual pertencia Estribo (Anat.) Dom Pedro I quando regente

De (?): em diagonal Proteínas catalisadoras de reações químicas nos seres vivos

Fazer súplicas Cê-cedilha

O partido político dos "tucanos" (sigla)

Arma que destruiu Hiroshima em 1945

"Os olhos são o espelho da (?)" (dito) Contudo; entretanto Capital espanhola

Traje usado ao sair do banho

(?) de Chagas: tripanossomíase

O romance machadiano mais conhecido Origem do vento siroco Temperar

Antigo cemitério à volta de igrejas

El. comp. de "aerofagia": ar Famoso ponto turístico italiano

Antônio Olinto, escritor brasileiro Planeta estudado pela Voyager 2

T

Carbono (símbolo) Classificação universal do incesto

Homem exageradamente elegante

El. comp.: "igual" Dual (?), processador de dois núcleos (Inform.)

M

(?) Angelico, pintor sacro

Altar de sacrifícios (Ant.) Polvilho Tronco; linhagem (p. ext.)

"Ben-(?)", filme com Charlton Heston

Substância expectorada na bronquite aguda

Mamífero cetáceo amazônico que, segundo a lenda, seduz as mulheres

A Tecido de curativos (?) Lanka, país

Alimento produzido em apiários

Capital do Iraque

Dívida, em inglês

Membro do Quarteto Fantástico (HQ)

Articulações das falanges dos dedos Antônio Dias, pintor brasileiro

Nornoroeste (abrev.)

Ligeiros; velozes

Recruta Zero Mort Walker 3/due. 4/core. 5/amido — bagdá — dândi. 7/enzimas. 11/dom casmurro — torre de pisa.

BANCO

SOLUÇÃO M M E N R O R D O S S C O H M U M A N T O

B O M B A N U C L E A R

S R E M C A D A R D I R O C R O R R E

S R E A Ç O N A R GA Z E L I P M A S A L S M U A R A A M E N I S O D T O I S R A P I D E P

D A N D I T F R A V I E S

B A G D B A O T R O C T O A R B D U E R N O O S S A

Turma da Mônica Mauricio de Sousa

● Bem pensado

“O desenvolvimento humano só existirá se a sociedade civil afirmar 5 pontos fundamentais: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade.” Betinho


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Caderno2 D7

Cinema. Making Of Jeremy Kay / THE GUARDIAN

Recentemente,osfilmesdeWerner Herzog têm se aproximado perigosamente do cinema comercial. Seu filme de 2006 sobre aGuerradoVietnã, OSobrevivente, foi bem recebido, enquanto seu Vício Frenético foi lançado no mês passado e conquistou a admiração de todos. Será que o diretor alemão famoso por sua idiossincrasia decidiu se comportar? Longe disso. Seu mais novo filme, há pouco lançado no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, mostra que ele não abandonou a vanguarda da expressão artística. My Son, My Son, What Have You Done deixou perplexos muitos críticos americanos, mas enfeitiçou outros, que chamaram o filmede joia atormentada. Adaptada a partir da história de Mark Yavorsky, um ator de San Diego que em 1979 assassinou a própria mãe com uma espada que seria usada numa produção de Oresteia (por sua vez uma história de matricídio), o filme avança e recua no tempo. Herzog nos transmite a narrativa em fragmentos, alternando entre investigaçãopolicialeflashback,associando trechos deuma melancolia mortal a momentos de comédia do absurdo; há ecos de suas obras anteriores, como Aguirre – A Cólera dos Deuses e Também os Anões Começaram Pequenos. O filme foi alvo de intensas especulações antes mesmo do iníciodesuasfilmagens.Paracomeçar, o longa-metragem é o primeiro projeto conjunto de Herzog (o diretor) e David Lynch (produtor executivo). Havia também o elenco: Willem Dafoe, Chloë Sevigny e Michael Shannon, astro em ascensão que havia roubado a cena de LeonardoDiCaprioe KateWinslet em Foi Apenas um Sonho. E nãopodemosnosesquecerdatemática explosiva. Quando um amigo me convidou para acompanhar o último dia de filmagens nos EUA, foi difícil resistir.

UM ASSASSINO À MESA COM

WERNER HERZOG O último dia de filmagens de My Son, My Son, What Have You Done nos EUA mostra que o diretor se mantém fiel à vanguarda da expressão artística DIVULGAÇÃO

de de Boston que apresentou ao amigo Herzog a história de Yavorski; os dois escreveram juntos o roteiro. “Este jovem sai de um ensaio da Oresteia, de Ésquilo, e mata a própria mãe”, disse Golder. “A história me pareceu intrigante, e assim contratei um detetive para encontrar o sujeito, e estabelecemos um relacionamento.”Yavorskifoicondenadoporhomicídioculposo.Posteriormente, um juiz o inocentou, aceitandoaalegaçãodeinsanidade,e ele foimandado a umhospitalde segurança.Depois delibertado, ele morreu em 2003. Herb Golder explicou que, no filme, McCullum vê-se desiludido com a vida e encontra consolonoteatro, queele acreditaconter a verdade genuína. “Trata-se na verdade da história de um jovem precoce que habitadoismundosesevêdeprimidopela artificialidadedo cotidiano. Ele começa a procurar um mundo em outro lugar, e a tragédia está no fato de isso resultar na morte de sua própria mãe.” A equipe decidiu encerrar o dia às 17h07.Todosfestejavamedistribuíam tapinhas nas costas uns dosoutros. Consegui alguns momentos com Shannon, que falava quase sem fôlego e caminhava como um maratonista reduzindo o ritmo após uma corrida. “Werner é um diretor lendário, e ele tem consciência disso. Ele sabe muito bem o que quer de uma cena”, revelou o ator.

China. Ele se afastou, e observei Herzog avançando para a saída em busca de um táxi. “Shannon ficará muito famoso depois deste filme”, disse-me ele com umamonocórdica e discretaafetação alemã. “Falei que o queria como astro deste filme e, como aquecimento, convidei-o para interpretar um pequeno papel em Vício Frenético.” Herzog contou que estava prestes a voar até Kashgar, China, para o segmen“Joia atormentada”. Grace Zabriskie, Michael Shannon e Chloë Sevigny: melancolia mortal com comédia do absurdo to final das filmagens de My Son, mas pediu que eu não mencionante. Quando ele começa a fil- e passam pelo ginásio do hotel, nasse a viagem até que ele tivesmar, torna-se totalmente con- onde um homem usando uma se garantido a obtenção das perQUEM SÃO Primeira cena. Em abril, quancentrado no que está fazendo.” máscara de oxigênio é visto cor- missões necessárias. do cheguei ao hotel Westin BoO diretor planejava fixar uma Estava claro que o dia seria rendo numa esteira. A máscara WERNER HERZOG DAVID LYNCH naventure, no centro de Los Anlongo. Que tomada era aquela, era necessária: Herzog o mante- câmera na cabeça de Shannon DIRETOR DIRETOR/PRODUTOR geles, a primeira coisa que penenquanto este caminhava por a oitava? “Décima terceira”, me ve ocupado por muito tempo. sei foi que aquele prédio era Ofilme contaa históriadeMc- um mercado agitado. “Estive lá corrigiu um assistente de prosimples demais para abrigar dução. Homens e mulheres Cullum de maneira não-linear. há muito tempo atrás, e sempre um filme que prometia tanto com fones de ouvido segura- Ficamos sabendo do matricídio quis voltar ao lugar para filmar mistério. A equipe estivera travam pranchetas e jogavam o pe- emquestãodeminutos.Odeteti- algumas cenas.” Olhando por cibalhando desde cedo para prema dos ombros à so do corpo de um pé para o ve de Dafoe vêparar a primeira cena. Herzog procura de um táoutro. Herzog, conservando a se envolvido, e a chegou ao meio-dia, vestindo boa aparência aos 60 anos, pare- polícia sitia o lar NARRATIVA ALTERNA xi, ele acrescencalças do Exército e um casaco tou: “Quis provar cia imune ao desconforto físico de McCullum, o INVESTIGAÇÃO esportivo preto, transmitindo algo com este filenquanto se reunia com o elen- que constitui o uma impressão de vigor e felicime: que é possível co, olhando pelas lentes da câ- principal núPOLICIAL E dade, como se tivesse acabado produzirumlongamera e movimentando o braço cleo de ação do FLASHBACK ✽ Werner Stipetic, nascido em ✽ Nascido no Estado de Montade chegar ao fim de uma viagem metragem de alto após a conclusão de uma toma- filme. Chloe inMunique, na Alemanha, no dia na, nos EUA, em 20 de janeiro pela Amazônia. calibre com meda para indicar que a cena teria terpreta a noiva 5 de setembro de 1942, afirma de 1946, David Keith Lynch, Na verdade, era exatamente o de McCullum. A cena que assisti nos de US$ 2 milhões. Na tela, o de ser filmada outra vez. ser sobretudo um “contador diretor de filmes como Veludo que havia ocorrido. Herzog tise passa em Toronto: depois de filme transmitirá a aparência de histórias”. Sempre associaAzul, Cidade dos Sonhos, A Química. “Corta!” Movimento ser demitido de uma produção de ter custado US$ 40 milhões. nha acabado de voltar de uma do ao novo cinema alemão e à Estrada Perdida, realiza agora, dos braços. “Corta!” Movimen- de Oresteia por desconcentrar É assim que se faz as coisas viagem à Bacia Amazônica, no temática complexa, cedo adona função de produtor executitodos braços. “Corta!”O carros- os demais envolvidos, Mc- quando surge uma crise no fiPeru, onde estivera filmando nutou o sobrenome artístico Hervo, seu primeiro projeto em sel deu volta após volta até que, Cullum volta ao hotel depois de nanciamento dos projetos cinema locação próxima de onde foi zog, com o qual se tornou coconjunto com o diretor Werner gradualmente, a química entre acompanhar um ensaio. filmado Aguirre quase 30 anos matográficos.” nhecido em filmes como O Herzog. Trata-se de My Son, eles começou a funcionar: Shanatrás. As imagens tinham de ser E quanto a Lynch? “GostaHerzog gosta de filmar com Enigma de Kaspar Hauser, My Son, que deixou muitos crínon, Grace e Kier se dissolve- táticas de guerrilha. O hotel lhe mos um do outro e nos respeitafeitas durante a época do ano Nosferatu e Fitzcarraldo. ticos americanos perplexos. ram, transformando-se em Mc- deu permissão para as filma- mos. Nós nos conhecemos a em que o nível do Rio UrubamCullum, sua mãe e seu professor gens, mas a equipe ainda teria partir de certa distância. Falei a ba se encontra em seu ponto de teatro, pairando ao nosso re- de convencer os hóspedes. Em ele que tinha um projeto, e ele mais profundo e traiçoeiro: nesta cena crucial, o personagem pa da morte. Mais tarde, a voz segue-os de perto num terno de dor numa solene união. Final- certo momento, durante a se- disse que deveríamos rodá-lo de Shannon, Brad McCullum pede a ele que mate a própria veludo roxo, com os olhos de mente, Herzog ficou satisfeito. gunda cena, correndo num sofá juntos, e concordei. E então reO diretor conseguiu a cena que atrás do fotógrafo como se esti- velei que seu nome seria incluí(adaptado de Yavorsky) obser- mãe.” Subitamente alguém gri- raio laser fixados no chão. va enquanto seus amigos mor- tou:“Ação!”Shannon,comos ca“Corta!”Ostrêsvoltamaopia- procurava.Para meuolhar de lei- vesse a bordo de um helicópte- do como produtor executivo.” rem num acidente na água. belos desgrenhados, de bigode e no e Herzog vai conversar com go, a tomada era exatamente ro, Herzog desviou da mobília e Um táxi se aproximou. Qual é a Enquanto Herzog se reunia paletó azul, levantou-se de um Shannon. Kier leva aos lábios idêntica às anteriores. Mas o di- mostrou vigorosamente o pole- ideia por trás de My Son, pergundiscretamente com a equipe no piano perto do bufê do café da uma garrafa d’água e conversa retor estava contente. gar a um transeunte, agradecen- tei. “Trata-se de uma história Parte da equipe fez uma breve do a ele por não interferir com de assassinato”, revelou ele, sorbufê de café da mamanhã. Grace com a equipe. Grace estuda seus nhã do hotel, entre Zabriskie, que já sapatos. Herzog os convoca no- pausa para o almoço. Outros co- os atores que avançavam em rindo levemente enquanto enempresários em trava no carro. “Uma bizarra TRAMA SE BASEIA NA trabalhou ou- vamente, e lá vão eles, de novo e meçaram a preparar a próxima sua direção. viagem de negótras vezes com de novo, mas desta vez o diretor cena no segundo andar, na qual Na recepção, encontrei Herb história de assassinato.” / HISTÓRIA REAL DE ciosefrequentadoLynch e inter- conversa com Grace enquanto os atores emergem do elevador Golder,professor daUniversida- TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL resde um simpósio ATOR QUE MATOU A pretou Sarah Shannon permanece ao piano, sobre patinação no Palmer em Twin com a cabeça baixa. Outra vez MÃE, EM 1979 gelo, Eric Bassett, Peaks, faz neste eles recomeçam, e novamente o sóciodeDavidLynfilme o papel da diretor os convoca para gravar ch nos últimos 10 anos, me dei- condenada mãe de McCullum. outra tomada. xou a par dos detalhes. Ela caminha até o filho. Os dois “Qual é a cena que estão gra“Uma pequena voz dentro da andam na direção dos elevado- vando?”, perguntei a um assiscabeça de McCullum diz a ele rese sobem até o segundo andar. tentededireção.“Elessobempeque não participe da viagem ao Udo Kier, que interpreta o pro- lo elevador”, revelou ele, acresrio. Ele segue o conselho e esca- fessor de teatro de McCullum, centando: “Werner é impressio-

Toda a dor e a opressão da revolução na China num romance único “Um retrato honesto da China durante a Revolução Cultural.” – The Observer

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D8 Caderno2 %HermesFileInfo:D-8:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

DIRETO DA FONTE SONIA RACY

Colaboração Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado. com. br Gilberto de Almeida gilberto.almeida@grupoestado.com.br Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado. com. br Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado. com. br

estadão.com.br/diretodafonte

ARQUIVO PESSOAL

JANETE LONGO/AE

Estranho amor

Responsabilidade social

AníbalMassaini, da Cinearte, que briga na Justiça com Xuxa pelos direitos de Amor, EstranhoAmor–filmeemqueaapresentadora aparece nua – enviou carta-reclamação ao STJ do Rio. “Foi um desrespeito o sitedotribunaldivulgarreportagem sobre uma sentença que ainda não foi publicada no Diário Oficial. E, pior, o fez de maneira parcial e falaciosa.”

● A Fundação Itaú Social comemora. A Olimpíada de Língua Portuguesa, feita em parceria com o Ministério da Educação, atingirá neste ano 99% dos municípios brasileiros.

Gilberto Gil comemorou aniversário, em Jequié, Bahia. Com Flora Gil e Marrone, parceiro inseparável de Bruno.

Na decisão, o desembargador negou pedido de suspensão de liminar, que devolveria à Cinearte o direito de relançar o filme da década de 80.

RODRIGO ZORZI

● O Centro de Estudos Universais e a Anhembi Morumbi abrem inscrições para curso de pós-graduação em Arte Integrativa, voltado para profissionais do terceiro setor, artes e educação.

Olho vivo O Sindicato dos Bancários, que tanto divulgou a Bancoop, continua propagandeando a Paulicoop, outra cooperativa habitacional que já tem processo na Justiça por problemas em suas obras. Ana Paula Junqueira em inauguração de restaurante.

Na edição de junho, a revista do sindicato traz anúncio que fala sobre entrada facilitada e melhor preço da região.

Holofote Antunes Filho surpreendeu. Avesso às mídias comerciais, aceitou gravar filme da SPTuris para divulgar a programação cultural de SP. Entra no ar nasegunda quinzenade julho.

Peso nas costas

MARINA MALHEIROS/AE

Charlô está a todo vapor. Ele, que trocou o terno e gravata do mercado de capitais para fazer patê e se tornou um dos principais banqueteiros do País, acaba de contratar mais três chefs franceses. Além disso, o restaurateur se envolveu com as letras. Sua revista Charlô

Elias Knobel, cardiologista, acaba de lançar o livro A Vida Por um Fio e Por Inteiro. Com fatos marcantes de seus 38 anos de trabalho em UTI.

chega ao segundo número, com tiragem de 15 mil exemplares distribuídos entre seus clientes. “Descobri uma forma gostosa de divulgar meu trabalho”, explica. O que não o impede de continuar nos livros. No segundo semestre, lança sua quarta obra sobre a arte de receber.

● A Plano 1 promove campanha de arrecadação de alimentos durante a Copa do Mundo entre seus 90 colaboradores. As doações serão destinadas à entidade Anjos da Noite.

Deuzeni Goldman e Bia Doria conferiram desfile de moda.

ARQUIVO PESSOAL

JANETE LONGO /AE

PAULO GIANDALIA/AE

● A Fundação Bradesco festeja. Está entre os 10 principais casos de sucesso apontados no livro e-Learning no Brasil - Retrospectiva, Melhores Práticas e Tendências. ● Cerca de 250 jovens da comunidade judaica participam de campanha de arrecadação de agasalhos para o Fundo de Solidariedade de SP. Hoje, em Higienópolis.

Intervalo

Silvana Tinelli, Bethy Lagardère e Omar Sharif. Direto de Beirute, na exposição de Nabil Nahas. 1

DENISE ANDRADE/ AE

MARINA MALHEIROS/AE

● O livro Projeto Velho Amigo, Corrente do Bem – 10 Anos está à venda na loja Casa Cor, com renda revertida para locais que abrigam idosos. ●

Joaquim Barbosa, ministro do STF, dá sinal de que não melhorou das dores na coluna. Em voo Brasília-São Paulo, sem conseguir se acomodar na poltrona, optou por viajar em pé, lendo um livro.

Zé Padilha viaja no final do mês para Los Angeles, onde finaliza Tropa de Elite 2. Por isso, a produção do próximo longa do diretor, Nunca Antes na História Deste País, sobre o mensalão, foi adiada.

● Ponto para a Fibria. É a primeira empresa do setor florestal do mundo a integrar o Carbon Disclosure Project – assessoria que atende companhias atentas aos problemas provocados pelas mudanças climáticas.

5

Mary Lou Paris antes de cumprimentar Mercadante na Cultura. 2

JUAN GUERRA/AE

JUAN GUERRA/AE

6

Zoe e Marko Brajovic na Pinacoteca. 3

SILVANA TINELLI

MARINA MALHEIROS/AE

DENISE ANDRADE/AE

nem tão pequenos... 1. Cão intelectual garantiu seu autógrafo em lançamento de livro. 2. Objetos pensados e colocados no universo de Shakespeare. 3. Até em Beirute a torcida era verde-amarela. Sem sucesso.

Para quem respira literatura e cultura.

4

7

Detalhes

Todo sábado no Estadão.

● O HSBC é a primeira entidade financeira de porte a atingir a cota exigida de pessoas com necessidades especiais.

4. Pulp Fiction invadiu o museu. 5. Clima de ansiedade nos bastidores do desfile.

6. Tudo pronto para o ator entrar engomado em cena. 7. Nada melhor do que exibir seus caprichos envoltos em algo que não se sabe o que é...


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

impressão digital*

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Alexandre Matias

WWW.FLICKR.COM//PEPA_QUIN/REPRODUÇÃO

O FUTURO DE FUTURAMA A VOLTA DO SCI-FI DE MATT GROENING Futurama voltou. A série de ficção científica do criador dos Simpsons, Matt Groening, foi lançada em 1999 e contava a história de Fry, um entregador de pizza que cai em uma máquina do tempo e vai parar no ano 3000. Menina dos olhos de Groening, a série, no entanto, não decolou. Durou quatro temporadas e depois foi cancelada. De 2003 até o ano passado, o desenho animado sobreviveu em quatro longas produzidos para o canal a cabo Comedy Central (considerados,

Caderno2 D9

Desde 2008. Matt De Lanoy recriou Nova Nova York em Lego em conjunto, a quinta temporada do desenho), sempre à sombra da possibilidade de terminar de vez. Isso quase aconteceu no início de 2009, quando foi lançado Into the Wild Green Wonder, que teoricamente seria o final da saga.

Não foi. Desde o início do ano passado Futurama deixou de ser uma série ameaçada de extinção para comemorar seu novo futuro – que começou na última quinta do mês passado, no próprio Comedy Central. Futurama não diz respeito

apenas ao mundo digital em que vivemos hoje. Passado no século 31, o desenho animado mistura referências nerds que vão de clássicos de ficção científica a terminologia de computadores. Por exemplo, num episódio em que seus personagens vão à Lua, eles são repreendidos por uma força policial chamada Moon Patrol, nome de antigo game do Atari. E as referências vão além das meras citações. Campanhas publicitárias de produtos fictícios passam em microssegundos atrás dos personagens – é preciso usar o botão do “pause” para conseguir pescar todas as piadas. Algumas, nem assim: os produtores do seriado criaram três idiomas e alfabetos alienígenas para incluir brincadeiras e piadas de duplo sentido em frases que passam rapidamente pela tela. E fazem o idioma Klin-

gon, criado em Jornada nas Estrelas, parecer brincadeira de criança – afinal seus criadores avisaram que não criarão livros didáticos para ensinar esses idiomas. Cabe aos telespectador decifrar e desvendar estes e outros mistérios. Talvez tenha sido este hermetismo e a torrente de referências subjetivas que tenham feito o seriado afundar em 2003. Mas é isso que o torna duradouro. No hiato entre o cancelamento e a reestreia, Futurama não morreu. Seguiu vivo firme e forte graças aos fãs. Um deles, o americano Matt De Lanoy, começou a construir uma versão da Nova Nova York (o cenário de Futurama) em Lego assim que anunciaram que a série iria terminar. Para sua – minha e de muitos fãs –, felicidade, ela voltou. E ele completou seu monumento ao século 31.

EFEITO COPA DO MUNDO

TWITTER CAIU JUNTO COM DUNGA

Não foi só Dunga quem caiu feio na sexta passada. “Estamos nos recuperando de um período de alta indisponibilidade”, avisou o blog do Twitter durante o jogo contra a Holanda. O site tem sofrido muito com a Copa – e quedas no sistema têm sido mais frequentes do que o habitual. A rede também foi dominada pelos brasileiros após o jogo de sexta, que puseram dez termos em português entre os assuntos mais discutidos no site.

Literatura. Entrevista “A tecnologia brota repentinamente ao nosso redor. E daí? Não vale um sorriso.” RICHARD BACH

HIPNOTIZANDO MARIA Autor: Richard Bach. Tradução: Ana Carolina Mesquita. Integrare Editora (152 págs., R$ 33,90).

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SABRINA BACH/DIVULGAÇÃO

A METAFÍSICA NO VOO DE UM AVIÃO E DE UMA GAIVOTA Best-seller desde os anos 1970, Richard Bach ainda crê na combinação da filosofia com reminiscências pessoais Ubiratan Brasil

Era 1959 e o então aspirante a escritor Richard Bach ouviu uma voz que parecia premonitória: “Voar, voar, voar”, dizia, martelandoomesmoverbo.Entorpecido, começou a escrever com fúria a história de uma gaivota que, pordesejaro vooperfeito, é marginalizadapeloseubando. Feérica, a escrita não agradou e o projeto, inacabado, foi arquivado. Foi só em 1970, quando já era piloto reserva da Força Aérea Americana, que Bach teve a visão definitiva, aquela que o incentivou a escrever o que se tornaria sua mina de ouro: Fernão Capelo Gaivota (Record). Inicialmente rejeitado por diversas editoras, o texto foi enfim publicado pela Macmillan e logo se tornou um fenômeno mundial, traduzido para vários idiomas e ameaçando a hegemonia de verdadeiros pilares da lista de bestsellers, como ...E o Vento Levou e O Pequeno Príncipe. Nascido em 1936, no Estado americanodeIllinois,RichardBachdescobriuofilãoaounirfilosofia com reminiscências pessoais, temperadoscomtoquesmetafísicos. Nessa linha, escreveu outros sucessos, como Longe É Um Lugar Que Não Existe e Ilusões, sedimentandoa paixão do públicoe a desconfiança da crítica, que torce o nariz para o que considera uma autoajuda mal disfarçada. No ano passado, lançou Hipnotizando Maria (Integrare Editora) em que uma mulher conta como um estranho apareceu em um avião ao lado do seu e a hipnotizouparaqueelaconseguissepousar em segurança, depois de uma emergência.Sobresuasexperiências, Bach respondeu às seguintes questões, por e-mail. ● Seus leitores gostam de histó-

TRECHO

“N

ão precisa gritar; o piloto os viu mais à frente. Tinha todo o tempo...

...do mundo para se desviar dos cabos de alta tensão... O avião sobrevoou-os com facilidade e voltou para a altitude anterior por sobre os campos vazios. Muito melhor, obrigado, disse o copiloto. Cuidado quando pensa em morte. Não são apenas os cabos de alta tensão, há torres de micro-ondas por aqui, armadilhas para aviões; lembrese de que não são as torres que vão apanhá-lo... ... são os cabos que seguram as coisas. Eu sei. Pare de pensar em morte, por favor, e cuidado com os cabos. Se quer voar baixo, preste atenção à paisagem, ajude-me um pouco aqui. rias baseadas em suas experiências pessoais.

Acho que o ser humano é uma criatura curiosa, ansiosa por saber como os outros encaram os mesmos desafios que estão ao nosso redor. Precisamos saber o que você fez quando este dragão apareceu, ou aquele outro. O que fez para domar estas criaturas, ou não fez nada e foi devorado? Não sei se somos únicos enquanto sociedade que compartilha de histórias neste planeta. No entanto, da manhã à noite não paramos de falar: “Deixe contar para você sobre a época em que parti da aldeia, anos atrás, e o que encontrei do outro lado do horizonte!” Ao ouvir estas histórias, agora sabe-

mos que podemos partir também; são muitos os caminhos que nos levam longe da aldeia, e um deles poderá ser o nosso, se quisermos. Cada um de nós tem histórias para contar, e como adoro ouvir as aventuras dos outros e de ler sobre suas escolhas e suas consequências pessoais, alguns leitores parecem gostar das minhas. Se não gostassem, agora, muito provavelmente, eu seria um mecânico de aviões num pequeno aeroporto do interior. Gostaria do meu trabalho, mas mesmo assim gostaria das histórias sobre a vida dos outros. ● Em uma época cada vez mais dominada pela tecnologia, qual a importância da metafísica?

A pergunta mais séria que podemos fazer a respeito do mundo em que vivemos é: “E daí?” A tecnologia brota repentinamente ao nosso redor, os videofones permitem que nos conectemos, as cabines de teletransporte nos levam instantaneamente a qualquer lugar. E daí? O que teremos para dizer ao chegarmos a Shangri-lá? As ferramentas eletrônicas são aquilo, nada mais. Como devemos usá-las para descobrir o que não sabíamos antes, e o que fizemos com o que aprendemos? No fim da nossa vida, poderemos olhar para trás e ver todos os contatos que foram fundamentais para nós, um sorriso aqui para mudar nosso caminho, nossa mão ali para tirar alguém da beira do abismo, a mão do outro que nos ajudou? Quando olharmos para trás, não será o holograma da mão estendida que lembraremos, mas da metafísica daquele sorriso. ● Que tipo de desafios o sr. enfrenta quando escreve?

Gosto de significados. O que

64 MIL EXEMPLARES VENDIDOS EM UM DIA Metáfora dos anos 1970, quando o trauma da Guerra do Vietnã incentivava a juventude a defenderapazà basede lisérgicos,Fernão Capelo Gaivota demorou para se tornar um sucesso – a primeira levou meses para se esgo-

tar. Foi só em 1972 que Jonathan Livingston Seagull tornou-se um fenômeno, chegando a vender 64 mil exemplares em um único dia, nos Estados Unidos. Baseado na força do amor e do perdão contra a opressão da

rotina, o livro recebeu uma inteligente versão em português, a começar pelo título – como Jonathan Livingston é o nome de um pioneiro aviador americano, optou-se por um similar de Portugal, Fernão. E, para com-

O autor. Para ele, a resposta para os maiores mistérios se encontra diante dos nossos olhos descobrimos que mudou a nossa maneira de pensar e portanto nossas vidas, daquele momento em diante? Então eu presto atenção no que pode me mudar, e por que eu mudei, na esperança de ser suficientemente medíocre, como todo mundo, e de que aqueles tempos de mudança sejam importantes também para os leitores. Eu fujo dos becos sem saída, dos ‘e daí’ que acabam em ‘Ah, nada...’ Me aborrece vasculhar um motor ou um vagão-restaurante parado nos trilhos. É preciso que meus trens se movimentem. ● Romancistas têm alguma obrigação moral para com os seus personagens e leitores?

pletar o nome triplo e representar o misticismo da gaivota, escolheu-se Capelo, que é o chapéu usado por capelães. A história inspirou um filme, de Hall Bartlett, em 1973, cujo maior destaque é a trilha sonora de Neil Diamond. Motivou também uma paródia escrita pelo humorista Carlos Eduardo Novaes, Cândido Urbano Urubu, lançada em 1975 pela Nórdica. / U.B.

Na minha opinião, os escritores só têm uma obrigação moral, para consigo próprios. Será este o maior presente que minha imaginação pode trazer às palavras sobre o papel? Será que os princípios por trás desta história funcionam para a minha vida, são práticos na vida de todos os dias, funcionam para os leitores que dedicam seu tempo precioso à leitura dos meus livros? Tenho um estranho sentido de família com os meus leitores espalhados por todo o mundo, devo a eles o melhor do meu espírito, o melhor da minha capacidade de apanhar um grande balão que está subindo. Nunca construirei para eles um navio de

chumbo, nem os empurrarei do penhasco: nossas vidas não têm sentido, não há nenhum escopo para nenhum de nós. Algum escritor me diz que seu livro vai para a lata do lixo lá pela página 20. ● Como é sua rotina?

Suponho que eu poderia ser mais solitário, mas não sei como. Vez por outra, dava palestras cobrando um preço alto. Não faço mais isso. Sou mais feliz voando com meu aviãozinho, falando aqui e ali com um círculo de amigos com menos de cinco pessoas. O melhor de mim está naqueles 20 livros, com mais alguns, espero, que virão.


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O ESTADO DE S. PAULO


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Caderno2 D11

Música. Lançamento

GAROTA DE ROMA, DE NOVA YORK E DO RIO Cantora Chiara Civello mostra 7752, CD em italiano, inglês e português

Épossívelquevocêjátenha ouvido algumas dessas músicas antes, em português. No CD 7752, elas estão em italiano. Trata-se do terceiro disco da romana Chiara Civello, parceira de Ana Carolina em 8 Storie, Dimmi Perche e Resta, canções que entraram também em Nove, o último trabalho da cantora mineira. Chiara gravou ainda I Didn’t Want, que Ana incluiu no CD/ DVD 9 + 1, em versão em português, além de parcerias com dois outros amigos feitos aqui, Antonio Villeroy e Dudu Falcão. A morena bonita de 35 anos, residente em Nova York e apaixonada pelo Rio, fala os três idiomas, e em seu disco há faixas cantadas em todos eles. Antes de conhecer Ana, Chiara praticamente só compunha sozinha, letra e música, em geral ao piano. Com ela, deu-se conta de que o processo criativo pode ser “engraçado, divertido, simples”. A cantora, que acabou por se tornar uma de suas grandes amigas no Brasil, também trouxeChiara,quevinhadeumtrabalho mais voltado a o jazz, para

um lado mais pop. É o que se ouve em 7752. O lançamento é pelo selo de Ana, Armazém, com distribuição pela Sony. “É uma coisa que a Chiara já tinha dentro dela, mas não havia aflorado”, crê Ana, que toca violão no CD e canta com ela Resta, a composição mais bonita das duas. “Em italiano, ‘resta’ é ‘fica’, ou seja, as mesmas palavras se modificam numa língua e na outra, o que torna tudo ain- Palpites felizes. Daniel Jobim e Chiara Civello, que diz: “O Brasil está no meu DNA. Nunca achei um lugar tão aconchegante” da mais enriquecedor.” Ana a descobriu em saraus de e carinhos, entre Chiara e Da- pore-mail.Elerespondiacomco- 2000, resolveu que sua carreira vida e dando um novas possibilidades à sua carreira. compositores, por intermédio niel, acompanhada pelo Esta- mentários muito delicados”, aconteceria em Nova York. Aconteceu. Gravou dois CDs Ela percorreu 7.752 quilômede Daniel Jobim, pianista neto do. Apresentado a ela em ple- lembra Chiara. “Eu palpitei váde Tom, e o primeiro da trupe de na Little Italy, em Nova York, rias vezes”, confirma o músico, num espaço de dois anos. Excur- tros de lá para cá, e daí saiu o amigos brasileipor Russ Titel- para quem a amiga já superou a sionou pelos EUA, pela Europa nome do CD. Chiara desembarros da italiana. man, produtor condição de turista ocasional e e pelo Japão. Recebeu elogios cou no Rio e caiu direto num enFoi Daniel quem norte-americano “está cada vez mais carioca”. da crítica e ouviu de Tony Ben- saio do Jobim Trio (formado por EM 2008, TROCOU a colocou na roque já trabalhou “Quando ela ficou triste com a nett que era “a melhor cantora Daniel, o violonista Paulo JoFRIO DE NY PELO da e a apresentou com Eric Clap- derrota da Itália na Copa, eu dis- de jazz de sua geração”. Aproxi- bim, seu pai, e o baterista Paulo para a galera (Duton, Paul Simon e se:AgoravocêvaitorcerpeloBra- mou-se de Burt Bacharach, e Braga).UmdeslumbramentopaVERÃO CARIOCA du, Villeroy, DulJames Taylor e sil!” (A entrevista foi dada antes da com ele compôs, graças à inter- rauma artistaquecomeçouaouE MUDOU TUDO mediação de Russ Titelman. vir português nas músicas de ce Quental, Jorque a apadri- derrota para a Holanda.) Em fevereiro de 2008, no frio Tom Jobim e que logo se tornage Vercillo). Em nhou, Daniel toagosto, Chiara abrirá o show de cou piano no primeiro CD dela, Mudanças. Chiara começou a do cruel inverno nova-iorqui- ria fã de Milton Nascimento, Ana no Citibank Hall, no Rio. Last Quarter Moon (2005), pro- tocar piano aos 5 anos, a cantar no, deprimida com o fim de um Caetano Veloso e Chico BuarNa semana passada, ela em- duzido por Titelman e lançado aos 16, e, aos 18, trocou a casa dos namoro, uma conversa por tele- que.“AchoquetenhopredisposipaispelosEstadosUnidos, aoga- fone com Daniel trouxe Chiara çãopara mesentir bem noBrasil, prestou sua casa, no alto do Jar- pelo selo de jazz Verve. dim Botânico, com atordoante Em 7752, Daniel foi uma espé- nharuma bolsaparaestudarmú- para o verão do Rio. A passagem está no meu DNA. Nunca, no vistapara a Lagoa, para umacon- cie de consultor. “Eu gravava em sicanaprestigiada BerkleeColle- aérea foi comprada num impul- mundo, achei um lugar tão aconversa cheia de abraços, beijinhos Nova York e mandava pro Dani ge of Music, em Boston. Em so que acabou mudando a sua chegante”, acrescenta. TASSO MARCELO/AE

Roberta Pennafort / RIO


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Guia. Cinema ESTREIAS O Pequeno Nicolau Le Petit Nicolas, França/2009, 91 min. Infantil. Dir. Laurent Tirard. Com Máxime Godart, Valérie Lemercier e Kad Merad. Baseado na história de René Goscinny (criador de ‘Asterix’) e Jean-Jacques Sempé, conta a história de Nicolau, um menino que tem medo de ser ignorado pelos pais quando suspeita que eles esperam um outro bebê. Livre. DUBLADO: Bourbon, Cidade Jardim, Cine Sabesp, Cine Tam, Cine Uol Lumière, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Metrô Santa Cruz. LEGENDADO: Belas Artes, Bourbon, Cine Sabesp, Cine TAM, Cine Uol Lumière, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural.

Vittorio de Sica – Minha Vida, Meus Amores Vittorio D, Itália/2009, 92 min. Documentário. Dir. Mario Canale e Annarosa Morri. Depoimentos de Clint Eastwood, Mario Monicelli, Ken Loach, Woody Allen e Mike Leigh. Traça a trajetória do cineasta italiano Vittorio de Sica, por meio do making of de seus filmes e depoimentos de colegas. Livre. Cine Bombril, Cine TAM, Cinesesc, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

★ ruim |

Brasil/2007, 72 min. Documentário. Dir. João Sodré, Maíra Bühler e Paulo Pastorelo. O filme retrata a vida de pessoas que moram ou trabalham perto do Minhocão, famosa via elevada paulistana. 10 anos. Espaço Unibanco.

Em Busca de uma Nova Chance The Greatest, EUA/2009, 99 min. Drama. Dir. Shana Feste. Com Carey Mulligan, Susan Sarandon e Pierce Brosnan. A família Brewer passa por uma grande perda: a morte do filho Bennett. A aproximação de Rose, ex-namorada de Bennett, representa mais um obstáculo que os Brewer têm de enfrentar. 12 anos. Bristol, Gemini, Pátio Paulista Playarte.

Brasil/2009, 100 min. Drama. Dir. Paulo Nascimento. Com Leonardo Machado, Fernanda Moro e Marcos Paulo. O filme retrata a Ditadura Militar brasileira através da história do estudante Boni, que decide se juntar à luta armada para protestar contra o regime opressor. 14 anos. Bourbon, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Abraço Corporativo ★★★ Brasil/2009, 75 min. Documentário. Dir. Ricardo Kauffman. O consultor de RH Ary Itnem busca a divulgar a Teoria do Abraço na mídia. Segundo ele, ela foi criada para combater uma doença chamada ‘inércia do afastamento’, causada pelo uso em excesso de novas tecnologias. Livre. Belas Artes.

Aproximação ★★★★

The Ghost Writer, Alemanha-EUA/2010, 128 min. Drama. Dir. Roman Polanski. Com Ewan McGregor, Pierce Brosnan e Tom Wilkinson. Um escritor é contratado para redigir um livro sobre as memórias de Adam Lang, primeiro-ministro da Inglaterra. Durante a pesquisa biográfica, contudo, ele descobre segredos do passado do político que podem colocar sua vida em risco. 12 anos. Belas Artes, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Gemini.

Esquadrão Classe A ★★

Disengagement, Alemanha-Itália-Israel-França/2007, 115 min. Drama. Dir. Amos Gitai. Com Juliette Binoche, Liron Levo, Jeanne Moreau. Após a morte de seu pai, Ana decide tentar encontrar a filha, que abandonou quando era adolescente. A busca a leva a Israel, no momento em que as tropas do país se retiram da Faixa de Gaza. 12 anos. Belas Artes.

The A-Team, EUA/2010, 121 min. Aventura. Dir. Joe Carnahan. Com Liam Neeson, Bradley Cooper e Jessica Biel. Quatro integrantes de grupo paramilitar escapam da prisão e passam a viver como mercenários. Baseado em série de TV dos anos 80. 12 anos. DUBLADO: Butantã, Interlar Aricanduva, Marabá, Pátio Paulista Playarte. LEGENDADO: Anália Franco, Bristol, Eldorado, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Plaza Sul, Santana Plaza.

Brilho de uma Paixão ★★★★

O Estudante ★★

Bright Star, Austrália-França-Reino Unido/2009, 119 min. Drama. Dir. Jane Campion. Com Abbie Cornish, Ben Whishaw e Paul Schneider. Baseado em uma história real, narra a história de Fanny, uma garota que se apaixona pelo poeta John Keats. 12 anos. Bourbon, Bristol, Cine Bombril, Cine TAM, Cine Uol Lumière, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Kinoplex Itaim, Reserva Cultural.

El Estudiante, México/2009, 96 min. Drama. Dir. Roberto Girault. Com Jeannine Derbez, Cuauhtémoc Duque e Pablo Cruz Guerrero. Chano, um homem de 70 anos, decide entrar na faculdade para estudar literatura. Lá, terá de conviver com jovens estudantes – e ser aceito por eles. 14 anos. Bristol, Cine UOL Lumière, Gemini.

Cartas para Julieta ★★ Letters To Juliet, EUA/2010, 105 min. Romance. Dir. Gary Winick. Com Amanda Seyfried, Gael García Bernal e Vanessa Redgrave. Em viagem à Itália, Sophie descobre que mulheres com problemas amorosos deixam cartas endereçadas a Julieta em um muro, pedindo conselhos. Sophie encontra uma mensagem escrita há cinquenta anos e decide ajudar sua autora a encontrar seu amor do passado. 10 anos. Anália Franco, Bourbon, Boulevard Tatuapé, Central Plaza, Cine TAM, Iguatemi, Gemini, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Pátio Higienópolis, Villa-Lobos.

Chico Xavier ★★ Brasil/2010, 125 min. Drama. Dir. Daniel Filho. Com Nelson Xavier e Tony Ramos. Baseado no livro de Marcel Souto Maior, o filme relata a vida de Chico Xavier. Admirado por muitos e contestado por tantos outros, ele escreveu 400 livros com cartas psicografadas. Livre. Cine Segall.

A Fita Branca ★★★★ Das Weisse Band – Eine Deutsche Kindergeschichte,Alemanha-Áustria-França-Itália/2009, 144 min. Drama. Dir. Michael Haneke. Com Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch. No ano de 1913, uma pequena cidade da Alemanha começa a presenciar estranhos eventos: um celeiro é incendiado, um médico cai em uma armadilha e duas crianças são sequestradas e torturadas. Cabe ao professor do coro infantil tentar entender esses mistérios. 16 anos. Belas Artes, Gemini.

Flor do Deserto ★★★ Desert Flower, Alemanha-Áustria-Reino Unido/2009, 120 min. Drama. Dir. Sherry Horman. Com Liya Kebede, Sally Hawkins e Craig Parkinson. Baseado no best-seller ‘Desert Flower’, conta a trajetória da modelo Waris Dirie, desde sua infância sofrida na Somália até a carreira de sucesso nos Estados Unidos. 14 anos. Belas Artes, Bristol, Cidade Jardim, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Kinoplex Itaim, Reserva Cultural.

DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Butantã, Continental, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Marabá, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Central Plaza, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Metrô Santa Cruz, Pátio Paulista Cinemark, Santana Plaza, Shopping D.

O Profeta ★★★★ Un Prophète, França/2009, 155 min. Drama. Dir. Jacques Audiard. Com Tahar Rahim, Niels Arestrup e Adel Bencherif. Malik El Djebena é condenado a seis anos de prisão. Na cadeia, recebe ordens e missões do líder de uma gangue. Mas Malik não quer apenas obedecer e começa a bolar seus próprios planos. 18 anos. Cine Bombril, Espaço Unib., Reserva Cultural.

Em Teu Nome ★★

O Escritor Fantasma ★★★★

EM CARTAZ

DIVULGAÇÃO

Elevado 3.5 ★★★

Quincas Berro D’Água ★★★

Toy Story 3. Woody, Buzz e Jessie vão para uma creche, nas garras de criancinhas agitadas Fúria de Titãs ★★ Clash of the Titans, EUA-Reino Unido/2010, 118 min. Aventura. Dir. Louis Leterrier. Com Sam Worthington, Ralph Fiennes, Liam Neeson e Gemma Artenton. O herói Perseu recebe a missão de salvar a Terra. Para isso, ele tem de lutar contra Hades, o deus do submundo. 14 anos. DUBLADO: Butantã, Central Plaza, Interlagos, Interlar Aricanduva, Metrô Itaquera, Metrô Tatuapé, Plaza Sul, Shopping D, SP Market. LEGENDADO: Eldorado (3D), Metrô Santa Cruz.

O Golpista do Ano ★★ I Love You Phillip Morris, EUA/2008, 102 min. Comédia. Dir. Glenn Ficarra e John Requa. Com Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro. Steven Russel resolveu assumir sua homossexualidade. Ele começa a exigir uma vida de mordomias e, para consegui-la, passa a agir como um golpista. Quando é preso, conhece Philip Morris, por quem se apaixona. Steven descobre, então, que é capaz de fazer loucuras por amor. 16 anos. Anália Franco, Bourbon, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Jardim Sul.

Hanami – Cerejeiras em Flor

Shutter Island, EUA/2009, 148 min. Drama. Dir. Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo. O detetive Teddy Daniels viaja até um hospital psiquiátrico – localizado em uma ilha – de onde uma perigosa assassina fugiu. Ao longo de sua investigação, porém, ele percebe que os médicos podem ser os verdadeiros vilões – e que ele pode ser uma vítima. E tem de tentar escapar (ou descobrir a verdade). 16 anos. Belas Artes.

A Jovem Rainha Vitória ★★★ The Young Victoria, EUA-Reino Unido/2009, 100 min. Drama. Dir. Jean-Marc Vallée. Com Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany. Vitória assume o trono da Inglaterra logo que atinge a maioridade. Como rainha, precisa enfrentar uma crise constitucional e lidar com seus sentimentos, divididos entre o príncipe Albert e o lorde Melbourne. 10 anos. Belas Artes, Bourbon, Cidade Jardim, Cine TAM, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Kinoplex Itaim, Pátio Higienópolis, Reserva Cultural .

Kick-Ass – Quebrando Tudo ★

★★★★ Kirschblüten – Hanami, Alemanha–França/2008, 127 min. Drama. Dir. Doris Dörrie. Com Elmar Wepper e Hannelore Elsner. Trudi fica sabendo que seu marido Rudi tem pouco tempo de vida. Mas, sem contar nada, ela decide fazer com que Rudi aproveite com alegria o tempo que lhe resta. Um incidente muda o curso da história. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex .

Kick-Ass, EUA/2010, 118 min. Ação. Dir. Matthew Vaughn. Com Nicolas Cage, Aaron Johnson e Clark Duke. Dave está cansado de sofrer injustiças nas ruas. Influenciado por histórias em quadrinhos, ele sai pela cidade, vestindo uma fantasia, para enfrentar bandidos. Quando suas imagens vão parar na internet, um grupo de pessoas decide se juntar a Dave na luta contra o crime. 16 anos. Central Plaza.

Homem de Ferro 2 ★★

Mademoiselle Chambon ★★★

Iron Man 2, EUA/2010, 124 min. Ação. Dir. Jon Favreau. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson, Mickey Rourke, e Samuel L. Jackson. Tony Stark enfrenta as consequências de ter revelado ao mundo que é o Homem de Ferro: o governo americano quer que ele entregue a armadura do super-herói. Enquanto isso, tem de lutar contra o russo Ivan Vanko, que também sabe construir armas. 12 anos. DUBLADO: Interlar Aricanduva.

França/2009, 101 min. Drama. Dir. Stéphane Brizé. Com Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain. Jean é um pai de família que tem uma vida tranquila. Mas isso muda quando ele se vê atraído pela professora de seus filhos, Mademoiselle Chambon. 12 anos. Reserva Cultural.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres ★★★ Män Som Hatar Kvinnor, Suécia/2009, 152 min. Suspense. Dir. Niels Arden Oplev. Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre. Baseado no best-seller de Stieg Larsson, o filme narra a história de um jornalista e uma detetive particular que precisam investigar o caso de uma garota que desapareceu há 36 anos. 16 anos. Belas Artes.

Ilha do Medo ★★★★

Mary e Max – Uma Amizade Diferente ★★★ Mary and Max, Austrália/2009, 93 min. Animação. Dir. Adam Elliot. O filme fala da amizade entre uma menina solitária de oito anos e um homem de quarenta anos que vive sozinho em Nova York. Livre. Belas Artes.

Medos Privados em Lugares Públicos ★★★★ Coeurs, França-Itália/2006, 120 min. Drama. Dir. Alain Resnais. Com Sabine Azéma e Lambert Wilson. As carências e fantasias secretas de um grupo de personagens, entre eles um corretor de imóveis apaixonado por sua colega de trabalho, um ex-militar

desempregado e em crise afetiva e uma jovem solitária adepta de encontros marcados por anúncios de jornal. 16 anos. Belas Artes.

As Melhores Coisas do Mundo

★★★★ Brasil/2009, 107 min. Drama. Dir. Laís Bodanzky. Com Francisco Miguez, Caio Blat, Paulo Vilhena e Denise Fraga. A história de Mano, um garoto que passa por experiências e confusões típicas da adolescência. Inspirado na série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloisa Pietro. 14 anos. Central Plaza, Cine Sabesp, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Interlar Aricanduva, Market Place, SP Market, Villa-Lobos.

Patrick 1.5 Patrick 1,5, Suécia/2008, 103 min. Comédia. Dir. Ella Lemhagen. Com Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson e Thomas Ljungman. Göran e Sven são um casal gay que decide adotar uma criança. Quando consultam a agência, escolhem Patrick, uma criança de um ano e meio. No entanto, por um erro na ficha do menino, Göran e Sven recebem, na verdade, um adolescente de 15 anos, com passagem pela polícia. 12 anos. Espaço Unib., Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Plano B ★★ The Back-Up Plan, EUA/2010, 106 min. Comédia Romântica. Dir. Alan Poul. Com Jennifer Lopez, Alex O'Loughlin e Michaela Watkins. Zoe cansou de esperar pelo homem perfeito e resolve fazer inseminação artificial. Mas, no mesmo dia que vai ao laboratório, ela conhece Stan e percebe que ele pode ser o homem por quem esperava. 12 anos. Boavista, Metrô Itaquera, Shopping D. LEGENDADO: Anália Franco, Bourbon, Bristol, Central Plaza, Cidade Jardim, Eldorado, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Metrô Santa Cruz.

O Preço da Traição Chloe, Canadá-EUA-França/2009, 99 min. Drama. Dir. Atom Egoyan. Com Julianne Moore, Liam Neeson e Amanda Seyfried. O relacionamento de Catherine e David vai bem, até que ela passa a suspeitar de que o marido a trai. Catherine decide, então, contratar uma garota de programa para seduzir David e testar sua fidelidade. 16 anos. Gemini.

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo ★★★ Prince of Persia: The Sands of Time, EUA/2010, 116 min. Aventura. Dir. Mike Newell. Com Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley e Alfred Molina. Injustamente afastado do trono, o Príncipe Dastan precisa recuperar o poder e proteger uma antiga adaga mágica, capaz de fazer o tempo retroceder. 12 anos.

Brasil/2010, 104 min. Comédia. Dir. Sérgio Machado. Com Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes e Vladimir Brichta. Quincas gosta de frequentar bares e bordéis. Quando ele morre, a família resolve ignorar suas farras e organizar um funeral tradicional. Mas os amigos de Quincas têm outro plano: levar o corpo para uma última noite de diversão. Baseado na obra de Jorge Amado. 14 anos. Espaço Unib., Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Rita Cadillac – A Lady do Povo

★★★ Brasil/2007, 77 min. Documentário. Dir. Toni Venturi. Mostra o dia a dia de Rita Cadillac com depoimentos de amigos e conhecidos da ex-chacrete. 18 anos. Espaço Unibanco.

Robin Hood ★★★ EUA/2010, 140 min. Aventura. Dir. Ridley Scott. Com Russell Crowe, Cate Blanchett e Mark Strong. Quando o rei Ricardo I morre em combate, seu irmão caçula, João, assume o trono da Inglaterra. Mas o novo governo é ineficaz, e o país é invadido pela França. O arqueiro Robin Hood e seus companheiros têm, então, de lutar para conter a invasão. 14 anos. DUBLADO: Continental. LEGENDADO: Cine Segall.

A Saga Crepúsculo: Eclipse The Twilight Saga: Eclipse, EUA/2010, 135 min. Romance. Dir. David Slade. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner e Dakota Fanning. Bella precisa fazer uma escolha: ficar com seu verdadeiro amor, o vampiro Edward, ou conservar a amizade com o lobisomem Jacob. As duas raças, porém, tem de esquecer suas diferenças para enfrentar a vampira Victoria e um exército de sanguessugas assassinos. 12 anos. DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Butantã, Campo Limpo, Center Norte, Central Plaza, Continental, Eldorado, Interlagos, Interlar Aricanduva, Itaim Paulista, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Lapa, Marabá, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Paulista Cinemark, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos, West Plaza. LEGENDADO: Anália Franco, Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Tam, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Pátio Paulista Playarte, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

O Segredo dos seus Olhos ★★★ El Secreto de sus Ojos, Argentina-Espanha/2009, 127 min. Drama. Dir. Juan José Campanella. Com Ricardo Darín e Soledad Villamil. Uma mulher é assassinada em Buenos Aires.

Cine. Salas. Horários Esta programação é de responsabilidade exclusiva dos exibidores e pode ser alterada à última hora. Confira pelo telefone antes de sair de casa + = também e menos = não haverá sessão

CINECLUBES E SALAS ESPECIAIS ★ Centro Cultural Banco do Brasil (70 lug.). R. Álvares Penteado,112, Centro. 3113-3651. Grátis e R$ 4. Emoção e Poesia: O Cinema de Yasujiro Ozu. Filmes e horários variados. ★Cinusp Paulo Emílio (100 lug.). Rua do Anfiteatro, 181,Colméia, Favo 4, Cidade Universitária. 3091-3540.O Cinema de Québec . Filmes e horários variados. ★ Cine Segall - Museu Lasar Segall (100 lug.). R. Berta, 111, V. Mariana. 5574-7322. De R$ 5 a R$ 10.Chico Xavier - L. - 14h30 / 17h00. Robin Hood 14a. - 19h20. ★ Cinemateca Brasileira - Sala Petrobrás (110 lug.), Sala BNDES (210 lug.). Lgo. Senador Raul Cardoso, 207, V. Clementino. 3512-6111. Grátis e R$ 8. Fábrica de Sonhos: 100 Anos de Cinema e Psicanálise (IPA). Filmes e horários variados. O Cinema de Québec . Filmes e horários variados. Roman Polanski. Filmes e horários variados. Imagens do Oriente - Clássicos do Cinema Egípcio. Filmes e horários variados. IV Mostra de Bollywood e Cinema Italiano. Filmes e horários variados. AUGUSTA, PAULISTA E JARDINS ★ Belas Artes R. da Consolação, 2.423, Cerq. César. 3258-4092. De R$ 8 a R$ 16. ● 1 (293 lug.). Pequeno Nicolau - L. 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 2 (245 lug.). Tudo Pode Dar Certo - 12a. - 14h30 / 16h30 / 21h00. O Escritor Fantasma - 14a. - 18h30. ● 3 (163 lug.). Aproximação - 12a.15h40. Os Homens Que Não Amavam as Mulheres - 16a. ✺18h10. A Ilha do Medo - 16a. 21h10. ● 4 (154 lug.). Mary e Max - 12a. - 14h00. A Jovem Rainha Vitória - 10a. ✺18h30. O Segredo dos Seus Olhos - 12a. - 16h00 / 20h30. ● 5 (97 lug.). Medos Privados em Lugares Públicos - 14a. 14h40. Abraço Corporativo - L. 17h00. Cineclube: O Homem Sem Passado - 14a. - 19h00. A Fita Branca - 12a. - 21h00. ● 6 (88 lug.). Flor do Deserto - 14a. 14h10 / 16h30 / 19h00 / 21h10. ★ Bristol - Playarte Av. Paulista, 2.064. 3289-0509. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (444 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20. Legendado 21h40. ● 2 (144 lug.).Eclipse - 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 3 (144 lug.). Ponyo - L. - 13h30 / 15h35. Eclipse 14a. - 17h41 / 20h21. ● 4 (177 lug.). Brilho de Uma Paixão - 16a. - 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 5 (133 lug.). Flor do Deserto - 14a. - 13h45 / 16h15 / 21h15. Em Busca de Uma Nova Chance - 12a. 18h45. ● 6 (242 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 7 (115 lug.). O Estudante - 14a. 16h45. Plano B - 12a. - 13h55. Príncipe da Pérsia 12a. - 18h55. Esquadrão Classe A - 14a. - 21h25. ★ Cine Bombril Av. Paulista, 2.073. 3285-3696. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 12. Sessão Folha: De R$ 5 a R$ 10. Poltronas numeradas. ● 1 (300 lug.). Brilho de Uma Paixão - 16a. - 14h40 / 17h10 / 21h30. Vittorio de Sica - Minha Vida, Meus Amores - L. - 19h40. ● 2 (100 lug.). O Profeta - 18a. - 14h00 / 18h20 / 21h10. Projeto Folha: Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. 16h50. ★ Cinesesc (326 lug.). R. Augusta, 2.075, Jd. Paulista. 3087-0500. De R$ 8 a R$ 12.Vittorio de Sica - Minha Vida, Meus Amores - L. - 15h00 / 17h00. Mostra: Takashi Miike Filme e horários variados. Cine clubinho - 11h00.

★ Espaço Unibanco R. Augusta, 1.475, Cerq. César. 3288-6780. De R$ 12 a R$ 18. 5ª R$ 8. ● 1 (268 lug.). A Jovem Rainha Vitória - 10a. 14h00 / 20h00. Patrik 1.5 - 12a. 16h00 / 22h00. Vittorio de Sica - Minha Vida, Meus Amores - L.18h00.● 2 (240 lug.). O Profeta - 18a.- 14h00 / 17h00 / 21h10. Solo - L. 19h50.● 3 (189 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L. 14h00 / 16h00. Legendado 18h00 / 20h00 / 22h00. ★ Espaço Unibanco R. Augusta, 1.470, Cerq. César. 3287-5590. De R$ 12 a R$ 18. 4 (107 lug.). Tudo Pode Dar Certo - 12a. 14h00 / 18h00 / 22h00. O Escritor Fantasma - 14a. 15h40 / 19h40. ● 5 (51 lug.). Rita Cadillac - A Lady do Povo - 18a. 14h30. Em Teu Nome - 14a. 16h00. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. ✺18h10. Quincas Berro D’Água - 14a. - 19h50. Elevado 3.5 - 10a. 21h50. ★ Gemini Av. Paulista, 807. 3289-3566. De R$ 14 a R$ 16. ● 1 (379 lug.). Cartas Para Julieta 14h00 / 21h20. O Preço da Traição - 16a. - 15h55. Em Busca de Uma Nova Chance 17h40. Tudo Pode Dar Certo 19h30.● 2 (379 lug. ). O Estudante 14h40 / 21h40. O Escritor Fantasma - 14a. - 16h30. A Fita Branca 19h00. ★ Reserva Cultural Av. Paulista, 900. 3287-3529. De R$ 13 a R$ 20. ● 1 (190 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 13h45 / 15h30. Legendado 19h35. Brilho de Uma Paixão 16a. - 17h20 / 21h20. ● 2 (161 lug.). Brilho de Uma Paixão - 16a. - 13h40. Mademoiselle Chambon 16h00. Mostra: Takashi Miike 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 3 (120 lug.). Flor do Deserto - 14a. 13h30 / 18h40. O Profeta - L. - 15h45 / 21h00. ● 4 (110 lug.). Flor do Deserto - 14a. - 15h10 / 21h30. A Jovem Rainha Vitória - 10a. 13h15 / 17h30 / 19h30. CENTRO ★ Marabá Av. Ipiranga, 757, Centro. 5053-6881. De R$ 9 a R$ 16. ● 1 (430lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h40 / 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. ● 2 (122 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 18h10 / 20h40. Esquadrão Classe A - dub. - 12a. - 13h10 / 15h40. ● 3 (133 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 4 (161 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h21 / 15h01 / 17h41 / 20h21. ● 5 (176 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. BAIRROS ★ Cine Sabesp (271 lug.). R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros. 5096-0585. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 12.O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 14h00 / 15h50 / 17h40. Legendado19h30. As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 21h30. ★ Itaim Paulista Av. Marechal Tito, 7.579. Itaim Paulista. 2571-7649. De R$ 4 a R$ 8.● 1 (187 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 2 (161 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ★ Kinoplex Itaim R. Joaquim Floriano, 466, Itaim Bibi. 3131-2006. De R$ 18 a R$ 23. 3D De R$ 26 a R$ 29. Poltronas numeradas. ● 1 (187lug.). A Jovem Rainha Vitória 10a. - 16h30 / 21h20. Brilho de Uma Paixão - 16a. 14h00 / 18h50. ● 2 (161 lug.). Plano B - 12a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h35. ● 3 (184 lug.). Eclipse - 14a. 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 4 (158 lug.). Cartas para Julieta - 10a. - 13h40 / 18h40 / 21h10. Flor do Deserto - 14a. - 16h00. ● 5 (321 lug.). Toy Story 3 3D dub. - L. - 13h20 / 15h50 / 18h20. Legendado 20h50. ● 6 (319 lug.). Eclipse - 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ★ Cine UOL Lumière - Playarte R. Joaquim Floriano, 339, Itaim Bibi. 3071-4418. De

R$ 15 a R$ 19.● 1 (195 lug.). Brilho de Uma Paixão 16a. - 14h00 / 19h00 / 21h30. O Estudante - 14a. 16h30. ● 2 (170 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L. 12h45 / 14h45 / 16h45. Legendado 18h45 / 20h45. SHOPPINGS ★ Anália Franco - UCI R. Regente Feijó, 1.739, Tatuapé. 2164-7790. De R$ 11 a R$ 17. (*) 3D De R$ 19 a R$ 23 . ● 1 (382 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 15h45 / 18h30 / 21h15. ● 2 (308 lug.). Eclipse - 14a. - 14h00 / 16h45 / 19h30 / 22h15. ● 3 (242 lug.). Eclipse - 14a. - 13h30 / 16h15 / 19h10 / 21h55. ● 4 (120 lug.). Plano B - 12a. - 12h10 / 14h25 / 18h40. Esquadrão Classe A - 12a. - 20h55. Ponyo - L. - 16h40. ● 5 (132 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 12h30 / 15h00. Legendado 17h30 / 20h00 / 22h30. ● 6 (239 lug.). O Golpista do Ano 16a. - 13h05 / 17h25 / 21h45. Cartas Para Julieta 10a. - 15h10 / 19h30. ● 7* (418 lug.). Toy Story 3 - 3D - dub. - L. - 12h00 / 14h25 / 16h50 / 19h15. Legendado 21h40. ● 8 (295 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h45 / 17h30 / 20h15. ● 9 (203 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 12h50 / 15h15 / 17h40 / 20h05 / 22h30. ★ Boavista R. Borba Gato, 59, Santo Amaro. 5547-6060. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (183 lug.). Eclipse - 14a. - 13h40 / 16h20 / 19h00 / 21h40. ● 2 (330 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 3 (118 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h20 / 17h00 / 19h40. ● 4 (95 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h30 / 16h45 / 19h15 / 21h30. ● 5 (95 lug.). Plano B - dub. - 12a. - 14h45 / 19h10. Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 16h50 / 21h15. ★ Bourbon - Espaço Unibanco R. Turiaçu, 2.100, Pompeia. 3673-3949. De R$ 16 a R$ 20. 4ª R$ 12. 3D R$ 22 a R$ 24. (*)Vip.● 1 (213 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. 13h40 / 16h10 / 18h40. Legendado 21h10. ● 2 (202 lug.). Eclipse 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 3 (202 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. - 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h10. ● 4 (213 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 5 (202 lug.). O Pequeno Nicolau dub. - L. 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00. Legendado 22h00. ● 6 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h30 / 18h00 / 20h30. ● 7 (122 lug.). Cartas para Julieta - 10a. - 13h10 / 15h20 / 19h40 / 21h50. Em Teu Nome - 14a. - 17h30. ● 8 (121 lug.). O Golpista do Ano - 16a. - 13h10 / 15h20 / 19h40 / 21h50. Ponyo - L. - 17h30. 3/7: 15 Anos e Meio - 14a. - 0h00. ● 9 (122 lug.). Plano B - 12a. - 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h30 / 21h40. ● 10* ( 62 lug.). Brilho de Uma Paixão - 14a. - 14h00 / 19h00. A Jovem Rainha Vitória 10a. - 16h30 / 21h30. ★ Bourbon - Espaço Unibanco Imax (327 lug.) R. Turiaçu, 2.100, Pompeia. 3673-3949. De R$ 22 a R$ 34. Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 14h00 / 16h30 / 19h00. Legendado 21h30. ★ Butantã - Playarte Av. Prof. Francisco Morato, 2.718, Butantã. 5053-6938. De R$ 10 a R$ 14.● 1 (220 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 2 (211 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 3 (140 lug.). Fúria de Titãs - dub. 14a. - 13h50. Esquadrão Classe A - dub. - 12a. 16h00 / 18h30. Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. 21h00. ★ Campo Limpo Estr. de Campo Limpo, 459 , 2º Piso. 5512-7596. De R$ 7 a R$ 14. (*) 3D De R$ 9 a R$ 18. ● 1 (238 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h30 / 18h00 / 20h30. ● 2 (298 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h30 / 17h00 / 19h15 / 21h30. ● 3* ( 354lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h15. ● 4 (356 lug.).Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 5 (328 lug.).Eclipse - dub. - 14a. - 14h15 / 16h45 / 19h15 / 21h45.

★ Center Norte - Cinemark Trav. Casalbuono, 127, V. Guilherme. 2252-2395. De R$ 14 a R$ 25. ● 1 (325 lug.).Toy Story 3 - 3D dub. L. - 11h00 / 13h40 / 16h20 / 19h00 / 21h30. ● 2 (256 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 3 (260 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 4 (224 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 5 (316 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ★ Centerplex Lapa R. Catão, 72, Lapa. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (291 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h30 / 16h00 / 18h20 / 20h40. ● 2 (151 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 13h10 / 15h50 / 18h30 / 21h15. ● 3 (151 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 14h30 / 17h10 / 19h50. ★ Central Plaza - Cinemark Av. Dr. Francisco Mesquita, 1.000, Ipiranga. 2914-7859. De R$ 11 a R$ 23. ● 1 (320 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 2 (361 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h10 / 15h40 / 18h10 / 20h40. ● 3 (152 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 4 (118 lug.). Fúria de Titãs dub. - 14a. - 11h10 / 13h35 / 16h15. Kick-Ass - Quebrando tudo - 18a. - 18h40 / 21h20. ● 5 (151 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. - 11h25 / 16h40 / 21h45. Cartas para Julieta - 10a. - 14h10 / 19h20. ● 6 (98 lug.). As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 15h00. Plano B - 12a. - 12h20 / 17h40 / 20h00 / 22h20. ● 7 (270 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 8(266 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 9 (278 lug.). Toy Story 3 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Legendado 21h40. ● 10 (486 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ★ Cidade Jardim - Cinemark - Salas Bradesco Prime Av. Magalhães de Castro, 12.000. 3552-1800. De R$ 37 a R$ 49. ● 1 (127 lug.). Eclipse - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30 / 23h30. ● 2 (97 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h10 / 13h40 / 16h20 / 19h10 / 21h40 / 0h10. ●3 (72 lug.). A Jovem Rainha Vitória 10a. - 15h00. Plano B - 12a. - 12h40 / 17h25 / 19h50 / 22h10. ●4 (82 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ★ Cidade Jardim - Cinemark Av. Magalhães de Castro, 12.000. 3552-1800 De R$ 18 a R$ 29.(*) 3D De R$ 25 a R$ 28. ● 5(181 lug.). Flor do Deserto - 14a. - 19h20 / 22h20. O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 12h55 / 15h00 / 17h10. ●6 (219 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ●7*(274 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h40. Legendado 21h10 / 23h50. ★ Continental Av. Leão Machado, 100, Pq. Continental. 3765-3774. De R$ 8 a R$ 14. Sessão Pipoca: R$ 6. ● 1 (360 lug.).Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 14h30 / 17h00. Robin Hood - dub. - 12a. - 20h30. ● 2 (380 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ★ Eldorado - Cinemark Av. Rebouças, 3.970, Pinheiros. 2197-7470. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (372 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 2 (265 lug.). Toy Story 3 - dub. 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 3 ( 265 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 4 (265 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 5 (265 lug.). Eclipse - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 6 (265 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 7 (187 lug.). Plano B - 12a. - 15h00 / 20h00. Esquadrão Classe A - 12a. 12h25 / 17h20 / 22h20. ● 8 ( 297 lug.). Toy Story 3 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Legendado 21h40. ● 9 (297 lug.). Fúria de Titãs 3D - 14a. 21h50. Fúria de Titãs 3D - 14a. - 11h25 / 14h00 / 16h40 / 19h20.

★ Frei Caneca Shopping - Unibanco Arteplex R. Frei Caneca, 569, Cerqueira Cesar. 3472-2365. De R$ 16 a R$ 20. 4ª R$ 12. 3D R$ 22 a R$ 24. ● 1 (268 lug.). Toy Story 3 - 3D - dub. - L. 14h00 / 16h30. Legendado 19h00 / 21h30. ● 2 (234 lug.). Eclipse 14a. - 13h50 / 16h20 / 19h00 / 21h40. ● 3 (181 lug.). Eclipse - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 4 (103 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00. Legendado 20h00 / 22h00. ● 5 (103 lug.). Hanami - Cerejeiras em Flor - L. 14h00. Flor do Deserto - 14a. 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 6 (125 lug.). O Golpista do Ano - 16a. - 14h10 / 16h20 / 22h00. Vittorio de Sica - Minha Vida, Meus Amores - L. - 18h30. Sempre Bela - 12a. ✺- 20h10. ● 7 (103 lug.). Brilho de Uma Paixão - 14a. - 14h00 / 19h00. A Jovem Rainha Vitória - 10a. - 16h30 / 21h30. ● 8 (103 lug.). As Melhores Coisas do Mundo - 14a. 14h20. Em Teu Nome - 14a.16h20. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. - 18h20. Quincas Berro D’Água - 14a. - 20h00 / 22h00. ● 9 (125 lug.). Escritor Fantasma - 14a. - 15h00 / 19h30. Patrik 1.5 12a. ✺- 17h30 / 22h00. ★ Iguatemi - Cinemark Av. Brig. Faria Lima, 2.232, Jd. Paulistano. 3815-8713. De R$ 18 a R$ 29. Poltronas numeradas. ● 1 (266 lug.). Toy Story 3 - 3D - dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h30 / 19h30. Legendado 22h00. ● 2 (129 lug.). Cartas para Julieta - 10a. - 12h10 / 17h20 / 22h15. A Jovem Rainha Vitória - 10a. - 15h00 / 19h45. ● 3 (131 lug.). Eclipse - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 4 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h30 / 18h10 / 20h40. ● 5 (140 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 21h50. ● 6 (172 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ★ Interlagos - Cinemark Av. Interlagos, 2.255, V. Inglesa. 5565-2570. De R$ 10 a R$ 15. (*) 3D De R$ 18 a R$ 21. ● 1 (201 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h55 / 14h30 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 2* (294 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h40 / 21h10. ● 3 (207 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 4 (208 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 5 (161 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. 12a. - 11h20 / 14h00 / 16h45 / 19h30 / 22h15. ● 6 (201 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ●7 (212 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 8 (197 lug.).Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 9 (125 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 12h35 / 15h00 / 17h25 / 19h55 / 22h20. ● 10 (119 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ★ Interlar Aricanduva - Cinemark Av. Aricanduva, 5.555, Aricanduva. 3444-2564. De R$ 10 a R$ 22. ●1 (176 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h45 / 22h15. ● 2 (177 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h00 / 13h50 / 16h55 / 20h05. ● 3 (192 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h00 / 13h50 / 16h55 / 20h05. ● 4 (133 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 11h20 / 13h30 / 15h50 / 18h20 / 20h40. ● 5 (134 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 6 (206 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h35 / 14h00 / 16h25 / 19h05 / 21h35. ● 7 (117 lug.).Esquadrão Classe A - dub. - 12a. - 17h20 / 22h30. As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 15h00. Homem de Ferro 2 - dub. - 12a. - 12h25 / 19h55. ● 9 (178 lug.). Toy Story 3 - dub. - 12a. - 12h35 / 15h05 / 17h35 / 20h00 / 22h25. ● 10* (520 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 12h20 / 15h15 / 18h05 / 20h45. ● 11 (239 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h30 / 17h30 / 20h30. ● 12 (237 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 13 (189 lug.). Toy Story 3 - dub. - 12a. - 12h05 / 14h45 / 17h15 / 19h50 / 22h20. ● 14 (268 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ★ Jardim Sul - UCI Av. Giovanni Gronchi, 5.830, Morumbi. 2164-7711.

De R$ 15 a R$ 20. (*)3D De R$ 21a R$ 24 . Poltronas numeradas.1* (249 lug.). Toy Story 3 - 3D - dub. - L. 12h00 / 14h25 / 16h50 / 19h15. Legendado 21h40. ● 2 (165 lug.). Esquadrão Classe A - 12a. - 12h30 / 15h25 / 20h55. Sex and the City 2 - 14a. - 18h00. ● 3 (191 lug.). Plano B - 12a. - 13h05 / 17h20 / 19h35 / 21h50. Ponyo - L. - 15h20. ● 4 (239 lug.). Eclipse 12a. - 12h30 / 15h15 / 18h00 / 20h45. ● 5 (228 lug.). Eclipse - dub. - 12a. - 13h25 / 16h10 / 18h55 / 21h40. ● 6 (228 lug.). Eclipse - 12a. - 14h10 / 16h55 / 19h40 / 22h25. ● 7 (177 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 12h20 / 14h50. Legendado 17h20 / 19h50 / 22h20. ● 8 (165 lug.). O Golpista do Ano - 16a. - 12h25 / 14h35 / 16h45 / 18h55 / 21h05. ● 9 (413 lug.). Eclipse - 12a. - 13h00 / 15h45 / 18h30 / 21h15. ● 10 (191 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h15 / 15h40 / 18h05 / 20h30. ● 11 (235 lug.). Eclipse - dub. - 12a. - 12h00 / 14h45 / 17h30 / 20h15. ★ Kinoplex Vila Olímpia R. Olimpíadas, 360, V. Olímpia, 3131-2006. De R$ 18 a R$ 23. (*)3D De R$ 26 a R$ 29. (*) VIP De R$ 37 a R$ 49. ● 1 (125 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h20. ● 2 (125 lug.). Esquadrão Classe A - 12a. - 14h10 / 19h10. Príncipe da Pérsia 12a. - 16h40 / 21h40. ● 3 (144 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 12h40 / 15h10 / 17h50 / 20h30. ● 4* (176 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 13h40 / 16h00 / 18h30. Legendado 21h00. ● 5 (189 lug.). Eclipse - 14a. 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 6* (98 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 7* (98 lug.). Cartas Para Julieta - 10a. - 17h10 / 21h50. Plano B 12a. - 14h50 / 19h30. ★ Market Place - Cinemark R. Dr. Chucri Zaidan, 920, V. Cordeiro. 3048-7405. De R$ 15 a R$ 28. Poltronas numeradas. ● 1 (201 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 2 (369lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 3 (261 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 4 (180 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h10 / 17h50 / 20h40. ● 5 (180 lug.). Plano B - 12a. - 17h25 / 19h45 / 22h05. As Melhores Coisas do Mundo - 14a. 12h35 / 15h00. ● 6 (217 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. L. - 11h40 / 14h10 / 16h40. Legendado 19h20 / 22h10. ● 7 (134 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. - 13h35 / 18h40. Cartas para Julieta - 10a. - 11h10 / 16h15 / 21h20. ● 8 (219 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ★ Metrô Santa Cruz - Cinemark R. Domingos de Morais, 2.564, V. Mariana. 3471-8070. De R$ 13 a R$ 25. ● 1 (210 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h50 / 14h30 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 2 (202 lug.). Plano B - 12a. - 15h00 / 17h20 / 19h50 / 22h15. Ponyo - dub. - 10a. - 12h20. ● 3 (268 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h10 / 17h45 / 20h20. ● 4 (206 lug.).Eclipse - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 5 (203 lug.). Eclipse - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 6 (206 lug.). Eclipse - 14a. 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 7 (260 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Legendado 21h40. ● 8 (230 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 9 (173 lug.). Fúria de Titãs - 14a. - 20h00 / 22h20. O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 11h20 / 13h20 / 15h40 / 17h50. ● 10 (345 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 11 (206 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 11h10 / 13h50 / 16h30 / 19h10. Legendado 21h50. ★ Metrô Boulevard Tatuapé - Cinemark Rua Gonçalves Crespo s/n, Tatuapé. 2295-4006. De R$ 10 a R$ 16. ● 1 (251 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h00 / 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h30. ● 2 (240 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 3 (373 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 4 (240 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h30 / 17h20 /20h20. ● 5 (193 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. - 15h00 / 20h05. Cartas para Julieta - 10a. - 12h40 / 17h40.


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O ESTADO DE S. PAULO CLASSIFICAÇÃO DOS FILMES

★★ regular | ★★★ bom | ★★★★ ótimo

Mas seu assassino é logo solto, por um erro da justiça. Vinte e cinco anos mais tarde, o policial Benjamín Espósito resolve retomar a investigação. 14 anos. Belas Artes.

Sempre Bela ★★★★ Belle Toujours, França-Portugal, 70 min. Drama. Dir. Manoel de Oliveira. Com Michel Piccoli e Bulle Ogier. Inspirado no livro de Joseph Kessel, o filme retoma os personagens Henri Husson e Séverine Serizy do longametragem ‘A Bela da Tarde’, de Luís Buñuel. Eles têm um encontro tenso anos depois de se conhecerem, devido a um segredo guardado por Henri. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Sex and the City 2 ★★

EUA/2010, 146 min. Comédia. Dir. Michael Patrick King. Com Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Kim Cattrall e Penélope Cruz. Samantha, Charlotte, Miranda e Carrie se sentem desgastadas pela suas vidas de casadas e responsabilidades maternas. Elas decidem, então, quebrar a rotina e viajar ao Oriente Médio. 14 anos. Jardim Sul, Pátio Paulista Cinemark, Pátio Paulista Playarte.

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Guia. Visuais

Brasil/2009, 72 min. Drama. Dir. Ugo Giorgetti. Com Antonio Abujamra. Homem de meia idade reflete sobre a cidade de São Paulo e o mundo atual – lugares nos quais se sente deslocado. Livre. Espaço Unibanco .

Toy Story 3 ★★★★ EUA/2010, 113 min. Animação. Dir. Lee Unkrich. Vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Michael Keaton e Joan Cusack na versão original. Quando o jovem Andy vai para a faculdade, decide doar seus brinquedos para uma creche. Woody, Buzz e os outros bonecos, então, têm de tentar escapar de um grupo de crianças destruidoras. Livre. DUBLADO: Anália Franco (3D), Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon (Imax – 3D), Bristol (3D), Butantã, Campo Limpo (3D), Center Norte (3D), Central Plaza (3D), Cidade Jardim (3D), Cine TAM (3D), Eldorado (3D), Frei Caneca Unibanco Arteplex (3D), Iguatemi (3D), Interlagos (3D), Interlar Aricanduva (3D), Itaim Paulista, Jardim Sul (3D), Kinoplex Itaim (3D), Kinoplex Vila Olímpia (3D), Lapa, Marabá (3D), Market Place (3D), Metrô Itaquera (3D), Metrô Santa Cruz (3D), Metrô Tatuapé (3D), Pátio Higienópolis (3D), Pátio Paulista Cinemark (3D), Penha, Plaza Sul (3D), Santana Plaza (3D), Shopping D (3D), SP Market (3D), Villa-Lobos (3D), West Plaza. LEGENDADO: Anália Franco (3D), Bourbon (Imax – 3D), Bristol (3D), Central Plaza (3D), Cidade Jardim (3D), Cine TAM (3D), Eldorado (3D), Frei Caneca Unibanco Arteplex (3D), Iguatemi (3D), Jardim Sul (3D), Kinoplex Itaim (3D), Kinoplex Vila Olímpia (3D), Market Place (3D), Metrô Santa Cruz (3D), Pátio Higienópolis (3D), Pátio Paulista Cinemark (3D), Santana Plaza (3D), Shopping D (3D), SP Market (3D), Villa-Lobos (3D).

Tudo Pode Dar Certo ★★★

Whatever Works, EUA/2009, 92 min. Comédia. Dir. Woody Allen. Com Larry David, Evan Rachel Wood, Ed Begley Jr. e Patricia Clarkson. Boris é um velho mal-humorado e acostumado a insultar as pessoas. Mas isso muda quando ele resolve abrigar uma menina de 21 anos em sua casa. 14 anos. Belas Artes, Espaço Unibanco, Gemini.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo ★★★★ Brasil/2009, 71 min. Drama. Dir. Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Construido de forma experimental, o filme usa imagens do Nordeste registradas em formatos variados para contar a história de um geólogo que faz uma viagem de trabalho, enquanto relembra seu amor. 14 anos. Cine Bombril, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex .

PAULO PINTO/ AE

Museu Afro Brasil O museu abre duas mostras. ‘O Haiti Está Vivo Ainda Lá. Bandeiras, Recortes e Garrafas Consagradas ao Vodu’ expõe cerca de 300 obras da arte religiosa haitiana, nas quais prevalecem cores vibrantes e miçangas. Em ‘Pérolas Imperfeitas’, David Glat expõe 16 fotografias em que registra conhecidas referências históricas e arquitetônicas de Salvador com efeitos distorcidos. Museu Afro Brasil. Pq. do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, 5579-0593. 10h/17h (fecha 2ª). Abre hoje, (4). Grátis. Até 29/8.

ÚLTIMO DIA O fotógrafo Nego Miranda percorreu o sul do Paraná registrando as construções em madeira que predominaram na região durante o fim do século 19 e boa parte do século 20. Entre as fotografias estão registros da igreja ucraniana Imaculada Conceição, construída em 1911, no município de Antônio Olinto. Caixa Cultural. Galeria Betetto. Pça. da Sé, 111, 3321-4400. 9h/21h. Grátis.

Luis Humberto, Fotógrafo O artista carioca ganha mostra com trabalhos realizados ao longo de 44 anos de carreira. Há desde imagens jornalísticas

de 50 obras, entre pinturas, aquarelas e desenhos, feitas entre 1820 e 1860 por François Biard (1798-1882) e outros artistas. Pinacoteca. Pça. da Luz, 2, Luz, 3324-1000. 10h/18h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 12/9.

Banca do Choro Músicos se reúnem aos domingos para tocar choros no Mercadão. Neste, roda do conjunto Brasil Trigueiro. Mercado Municipal Paulistano. Térreo. Portão 14. R. da Cantareira, 306, Centro, 3313-1518. Dom. (4), 12h. Grátis.

Garra e Paixão O fotógrafo Paulo Pinto, da Agência Estado, exibe seleção de imagens feitas durante a Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato de futebol. Restaurante Vegetariano Fulô. R. Haddock Lobo, 899, 3081-7769. A partir das 11h30.

Max Ernst – Uma Semana de Bondade A partir de recortes de ilustrações de livros e folhetins do século 19, Ernst (1891-1976) criou seres fantásticos. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 11h/18h (5ª, 11h/20h; fecha 2ª). R$ 15 (3ª, grátis). Até 18/7.

Viva Pagu

Igrejas de Madeira do Paraná Solo ★★★

Guia. Show

INAUGURAÇÕES

A exposição, que tem curadoria de Lúcia Maria Teixeira Furlani, traz cartas, manuscritos e fotografias inéditas da musa modernista Patrícia Galvão. Casa das Rosas. Av. Paulista, 37, 3285- 6986. 10h/22h (sáb. e dom., 10h/ 18h; fecha 2ª). Grátis. Até 8/8.

Caderno2 D13

Garra e Paixão. Imagens da conquista do pentacampeonato do cenário político federal até registros do cotidiano doméstico. Entre as séries estão 'Liturgia do Poder', 'Cerrado' e 'O Homem e o Espaço'. Caixa Cultural. Galerias Florisbela, D. Pedro e Michelon. Pça. da Sé, 111, Centro, 3321-4400. 9h/21h). Grátis.

Maureen Bisilliat: Fotografias Apaixonada pelo sertão e pelo agreste, a fotógrafa Sheila Maureen Bisilliat, de 78 anos, tem boa parte de seu trabalho inspirada por obras de escritores como Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e Euclides da Cunha. São 200 imagens. No domingo (4), às 18h, a fotógrafa fará uma visita guiada com os visitantes da mostra. Galeria de Arte do Sesi. Av. Paulista, 1.313, metrô TrianonMasp, 3146- 7405. 10h/ 19. Grátis.

EM CARTAZ Brecheret – Mulheres de Corpo e Alma A exposição tem 60 esculturas e 106 desenhos que revelam as figuras femininas retratadas pelo italiano radicado no Brasil. As peças foram feitas por Victor Brecheret (1894-1955) entre os anos 20 e 50, em materiais como mármore, bronze e terracota. MuBE. R. Alemanha, 221, Jd. Europa, 2594-2601. 10h/19h (fecha 2ª). Grátis. Até 25/7.

François Auguste Biard: o Indígena e o Olhar Romântico Durante o século 19, vários artistas viajantes voltaram suas atenções aos povos nativos do Brasil. A mostra reúne cerca

Guia. Teatro

Ouros de Eldorado: Arte Pré-Hispânica da Colômbia Peças do acervo do Museo del Oro, de Bogotá, revelam as avançadas técnicas de metalurgia e ourivesaria desenvolvidas pelos povos pré-hispânicos, que habitavam o atual território da Colômbia. São 290 artefatos de ouro e objetos arqueológicos. Pinacoteca. Pça. da Luz, 2, 3324-1000. 10h/18h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 22/8.

ARTE E PASSEIO Corpos – A Exposição A exposição tem 20 corpos e 250 órgãos reais, dissecados e conservados pela técnica de polimerização, que usa silicone emborrachado líquido. Oca. Pq. do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, 4003-5588. 10h/19h (sáb., dom. e fer., 9h/19h). R$ 30 (2ª e 3ª, R$ 20). Até 8/8.

Fresno, V.O.W.E, Hevo 84 e Strike O palco da casa de shows ficará pequeno neste domingo (4), quando quatro bandas da nova safra do rock brasileiro se apresentam. O grupo de Porto Alegre, Fresno, deve exibir músicas de seu próximo álbum, ‘Revanche’. HSBC Brasil (4.000 lug.). R. Bragança Paulista, 1.281, 4003-1212. Dom. (4), 18h. R$ 50/R$ 120.

Moska O carioca apresenta show intimista no formato voz e violão. No palco, ele toca faixas de vários álbuns de sua carreira, inclusive ‘Móbile’ e ‘Vontade’. Sesc Santana. Teatro (349 lug.). Av. Luiz Dumont Villares, 579, 2971-8700. Dom., 19h30. R$ 20.

Teresa Cristina O novo CD e DVD de Teresa Cristina, ‘Melhor Assim’, nem parece pertencer àquela garota tímida que cantava na noite da Lapa carioca. Com mais segurança e um bom repertório, este é o seu trabalho mais autoral. No repertório, Cantando’ e ‘Poesia’. Sesc Pompeia. Choperia (800 lug.). R. Clélia, 93, 3871- 7700. Dom., 18h. R$ 28.

ESPECIAL Hebraica Meio-Dia O projeto apresenta a Big Band da Santa, que mostra peças de Gilberto Gil e Baden Powell. Regência de Paulo Tiné. Hebraica. Teatro Arthur Rubinstein (523 lug.). R. Hungria, 1.000, 3818-8888. Dom. (4), 12h. Grátis.

Guia. Infantil JOÃO CALDAS/ DIVULGAÇÃO

REESTREIAS

desaparecida, um assassino e um psiquiatra. De Bryony Lavery. Dir. Marcio Aurélio. Com Joca Andreazza e Paulo Marcello. 90 min. 14 anos. Teatro Imprensa. R. Jaceguai, 400, 3241-4203. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 19h. R$ 30. Até 25/7.

A Noite dos Palhaços Mudos Uma dupla de palhaços mudos invade uma organização secreta – uma seita que prega a morte de todos os palhaços – para recuperar um nariz roubado. Baseada nos quadrinhos de Laerte. Concep. e atuação Cia. La Mínima. Dir. Alvaro Assad. 60 min. 12 anos. Teatro Cleyde Yáconis. Av. do Café, 277, V. Guarani, 5070-7018. Sáb., 21h; dom., 19h. R$ 30. Até 29/8.

O Grande Cerimonial Cavanosa é um homem que sonha todas as noites com um ‘rito tresloucado de amor’, até que encontra a Mulher-menina. Uma história de amor altamente alegórica. De Fernando Arrabal. Dir. Reginaldo Nascimento. Com Teatro Kaus. 100 min. 14 anos. Augusta. Sala Experimental (55 lug.). R. Augusta, 943, Consolação, 3151-4141. Sáb. e dom., 21h. R$ 30. Até 25/7.

Renato Russo O monólogo musical recria momentos da vida e da carreira do cantor Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana, que faleceu em 1996. Dir. Daniela Pereira de Carvalho. Com Bruce Gomlevsky. 120 min. 14 anos. Teatro Folha. Shopping Higienópolis. Av. Higienópolis, 618, Higienópolis, 3823-2323. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 20h. R$ 40/R$ 60. Até 15/8.

ÚLTIMO DIA A Alma Boa de Setsuan A Santíssima trindade desce à Terra à procura de uma alma bondosa. Elege a prostituta Chen Tê, recompensada em dinheiro. Ela precisa inventar um alter ego austero para continuar sendo boa. De Bertolt Brecht. Dir. Marco Antônio Braz. Com Denise Fraga, Ary França, Claudia Mello e outros. 110 min. 12 anos. Teatro Tuca (672 lug.). R. Monte Alegre, 1.024, Perdizes, 2626-0938. Dom., 19h. R$ 20/R$ 30.

Denise Fraga. Atriz diverte em A Alma Boa de Setsuan As Meninas Maitê Proença A conversa de duas garotas no velório da mãe de uma delas é o mote para que diversas mulheres ganhem vida no palco. De Maitê Proença e Luiz Carlos Góes. Dir. Amir Haddad. Com Vanessa Gerbelli, Clarisse Derzié Luz e outros. 80 min. 14 anos. Teatro Cultura Artística – Itaim (303 lug.). Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.830, Itaim Bibi, 3078-7427. Dom., 18h. R$ 60/R$ 70.

EM CARTAZ Anatomia Frozen A relação entre a mãe de uma garota

In On It Em uma cadeia de jogos internos, dois atores interpretam dez personagens, numa história ‘dentro’ da história. De Daniel MacIvor. Dir. Enrique Diaz. Com Emilio de Mello e Fernando Eiras. 60 min. 16 anos. Livraria Cultura. Teatro Eva Herz (166 lug.). Av. Paulista, 2.073, 3170-4059. 6ª e sáb., 21h; dom., 18h. R$ 40/R$ 50. Até 1/8.

Policarpo Quaresma O clássico romance ‘Triste Fim de Policarpo Quaresma’, de Lima Barreto, constrói uma fábula sobre as raízes da República brasileira, centrada na figura de um major obstinado em resgatar elementos da cultura nacional. Dir. e adapt. Antunes Filho. Com Grupo Macunaíma. 100 min. 12 anos. Sesc Consolação. Teatro (320 lug.). R. Dr. Vila Nova, 245, 3234-3000. 6ª e sáb., 21h; dom., 19h. R$ 20. Até 29/8.

TEATRO O Bobo do Rei Cansado, o rei decide dividir seu reino entre as três filhas. Cada uma recebe uma porção dos bens, de acordo com as declarações de amor que fazem ao pai. Com a Cia. Vagalum Tum Tum. 60 min. Rec. da produção e do Divirta-se: a partir de 6 anos. Teatro Alfa. Sala B (200 lug.). R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, S. Amaro, 5693-4000. Sáb. e dom., 17h30. R$ 24. Até 11/7.

João e Maria Na versão da Cia. Le Plat Du Jour, duas passarinhas famintas contam uma versão nordestina dos irmãos que se perdem na floresta. 50 min. Rec. da produção e

do Divirta-se: a partir de 3 anos. Teatro Jardim São Paulo (359 lug.). Av. Leôncio de Magalhães, 382, Jardim São Paulo, 2959-2952. Sáb. e dom., 16h. R$ 18. Até 25/7.

Festival de Férias do Teatro Folha A partir de hoje (4), espetáculo a cada dia: 3ª, ‘100 + Nem Menos’, com a Cia Noz de Teatro, Dança e Animação; 4ª, ‘O Macaco Juiz’, do grupo Luz e Ribalta; 5ª, ‘Filhotes da Amazônia’, do grupo Pia Fraus; 6ª, ‘Grandes Pequeninos’, com Jair Oliveira e Tânia Khalil; sáb e dom., às 16h, ‘Saltimbancos’, de Fezu Duarte; e às 17h40, ‘A Pequena Sereia’, de Isser Korik. 45 a 60 min. Shopping Pátio Higienópolis. Teatro Folha (305 lug.). Av. Higienópolis, 618, 3823-2323. 3ª a 6ª, 16h; sáb. e dom., 16h e 17h40. R$ 30 (R$ 20, A Pequena Sereia). Até 1/8.

Guia. Música Duo Audi-Tescarollo Carlos Audi (cello) e Hamilton Tescarollo (piano) interpretam Beethoven e VillaniCôrtes. Teatro do Sesi (456 lug.). Av. Paulista, 1.313, 3146-7405. Dom. (4), 12h. Grátis.

apresentação tem peças de compositores como Bach, Haendel, Mozart e Villa-Lobos. Museu Paulista da USP. Pq. da Independência, s/nº, Ipiranga. Dom. (4), 16h. Grátis.

Quinteto Café Tango Gilson Barbosa e Janaína Gargiulo Com Janaína ao piano e Gilson no oboé, a

No programa, música próprias e de Astor Piazzola, Pedro Assad e Gustavo Mazon. Museu da Casa Brasileira (230 lug.). Av. Brig. Faria Lima, 2.705, 3032-3727. Dom., 11h. Grátis.

Cine. Salas. Horários ★ Metrô Itaquera - Cine Box Av. José Pinheiro Borges, s/nº, Itaquera. 4005-9050.De R$ 9 a R$ 19. 3D R$ 21.● 1 (427 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h00 / 17h50 / 20h40. ● 2 (395 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h10 / 16h00 / 18h50 / 21h40. ● 3 (322 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. L. - 13h30 / 16h05 / 18h30 / 21h00. ● 4 (294 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 15h05 / 17h30 / 20h00. ● 5 (315 lug.). Eclipse - 14a. - 12h40 / 15h30 / 18h20 / 21h10. ● 6 (164 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. 14h10 / 16h30 / 18h45 / 21h15. ● 7 (208 lug.). Ponyo dub. - L. - 14h30. Plano B - dub. - 12a. - 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 8 (254 lug.). Príncipe da Pérsia dub. - 12a. - 13h40 / 16h15 / 18h55 / 21h30. ★ Metrô Tatuapé - Cinemark Av. Radial Leste, s/nº, Tatuapé. 2092-9237. De R$ 10 a R$ 23. ● 1 (273 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h30 / 22h10. ● 2 (149 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 3 (116 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 4 (184 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h20. ● 5 (107 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h50 / 15h20 / 17h50 / 20h20. ● 6 (103 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. 12h40 / 17h35 / 22h20. Príncipe da Pérsia - dub. 12a. - 15h00 / 19h50. ● 7 (189 lug.). Eclipse - 14a. 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 8 (252 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ★ Morumbi Cine TAM Av. Roque Petroni Junior, 1.089, Brooklin. 5189-4656. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 14. 3D De R$ 24 a R$ 26. ● 1 (248 lug.). Brilho de Uma Paixão - 14a. 13h30 / 19h40. Cartas para Julieta - 10a. - 16h00. Vittorio de Sica - Minha Vida, Meus Amores - L. 18h00. A Jovem Rainha Vitória - 10a. -22h00. ● 2 (207 lug.). Eclipse - 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 3 (246 lug.). Toy Story 3 - 3D - dub. - L. 13h30 / 16h00 / 18h30. Legendado 21h00. ● 4 (227 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 14h20 / 16h10 / 18h00 / 19h50. Legendado 21h40. ★ Pátio Higienópolis - Cinemark Av. Higienópolis, 646, Higienópolis. 3823-2875. De R$ 16 a R$ 27. ● 1 (113 lug.). Eclipse - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 2 (116 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 12h50 / 15h20 / 18h10 / 20h40. ● 3 (110 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 4 (96 lug.). Cartas para Julieta - 10a. - 12h40 / 17h20 / 22h10. A Jovem Rainha Vitória - 10a. 15h00 / 19h40. ● 5 (208 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 6 (217 lug.). Toy Story 3 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h40. Legendado 21h10. ★ Pátio Paulista - Cinemark R. Treze de Maio, 1947, Arco 501, Paraíso 3262-4065. De R$ 14 a R$ 27. ● 1 (216 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Legendado 21h30. ● 2 (214 lug.). Eclipse - 14a. 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 3 (214 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 4 (214 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h20 / 18h15 / 20h50. ● 5 (214 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 6 (178 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 11h40 / 14h30 / 17h05 / 19h50 / 22h20. ● 7 (158 lug.). Sex And The City 2 - 14a. - 11h50 / 17h45. Príncipe da Pérsia - 12a. - 15h00 / 21h10. ★ Pátio Paulista - Playarte R. Treze de Maio, 1.974. Paraíso. 5053-6934 . De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (265 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 4 (186 lug.). Esquadrão Classe A - dub. - 12a. - 18h10. Em Busca de Uma Nova Chance - 12a. - 14h00 / 16h05. Sex And The City 2 - 14a. - 20h40. ★ Penha R. Dr. João Ribeiro, 304, Penha. 2091-6300. De R$ 9 a R$ 14. ● 1 (120 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 2 (92 lug.). Príncipe da

Pérsia - dub. - 12a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. ● 3 (166 lug.). Eclipse - 14a. - 13h40 / 16h20 / 19h00 / 21h40. ● 4 (172 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00 / 16h15 / 18h30 / 20h45. ● 5 (260 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 6 (332 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h20 / 17h00 / 19h40. ★ Plaza Sul - Playarte Pça Leonor Kauppa, 100. - Jd. da Saúde. 5073-8642. De R$ 12 a R$ 22. ● 1 (140 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 16h30. Esquadrão Classe A 12a. - 21h30. Ponyo - dub. - L. - 14h20. Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 19h00. ● 2 (263 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 3 (140 lug.). Eclipse - 14a. - 13h21 / 16h01 / 18h41 / 21h21. ● 4 (140 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 5 (140 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 6 (234 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h21 / 15h01 / 17h41 / 20h21. ★ Santana Parque Shopping - UCI R. Conselheiro Moreira de Barros, 2.780 - Lauzane Paulista. 3131-2211. De R$ 11 a R$ 15. (*) 3D De R$ 19 a R$ 21. ● 1 (327 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 15h45 / 18h30 / 21h15. ● 2 (167 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 13h30 / 15h55 / 18h20 / 20h45. ● 3 (140 lug.). Plano B - 12a. - 15h10 / 19h55. Esquadrão Classe A - 12a. 12h40 / 17h25 / 22h10. ● 4* (217 lug.).Toy Story 3 3D - dub. - L. - 12h00 / 14h25 / 16h50 / 19h15. Legendado 21h40. ● 5 (217 lug.). Eclipse - 14a. - 12h30 / 15h10 / 17h50 / 20h30. ● 6 (140 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 12h30 / 15h00. Legendado 17h30 / 20h00 / 22h30. ● 7 (167 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h40 / 19h20 / 22h00. ● 8 (327 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h45 / 17h30 / 20h15. ★ Shopping D - Cinemark Av. Cruzeiro do Sul, 1.100, Ponte Pequena. 3326-9171. De R$ 12 a R$ 23. ● 1 (246 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 2 (291 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 3 (298 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h40. Legendado 21h10. ● 4 (351 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 5 (219 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 13h10 / 15h40 / 18h10 / 20h40. ● 6 (183 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 7 (231 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h20 / 18h30 / 21h30. ● 8 (130 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 11h20 / 13h55 / 16h30. Legendado 19h05 / 21h50. ● 9 (116lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h20 / 19h45 / 22h05. Ponyo - dub. - 10a. - 12h20. ● 10 (146lug.). Plano B - dub. - 12a. - 11h10 / 13h25 / 15h50 / 18h20 / 20h50. ★ SP Market - Cinemark Av. das Nações Unidas, 22.540, Jurubatuba. 5686-2595. De R$ 12 a R$ 24. ● 1 (163 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h10 / 13h40 / 16h15 / 18h45 / 21h15. ● 2 (156 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 3 (383 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 4 (254 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h00 / 13h45 / 16h45 / 19h35 / 22h20.● 5 (128 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. 17h20 / 19h45 / 22h10. As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 12h10 / 15h00. ● 6 (127 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 11h50 / 14h30 / 17h10 / 20h00. ● 7 (227 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 8 (328 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 9 (328 lug.).Toy Story 3 3D dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h10. Legendado 21h40. ● 10 (160 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 11 (282 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 12h40 / 15h10 / 17h40 / 20h20. ★ Villa-Lobos - Cinemark Av. das Nações Unidas, 4.777, Alto da Lapa. 3024-3851. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (271 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Legendado 21h30. ● 2 (105 lug.). Cartas para Julieta - 10a. - 12h10 / 17h20 / 22h15. As Melhores Coisas

do Mundo - 14a. - 15h00 / 19h40. ● 3 (129 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h00 / 16h40 / 19h25 / 22h10. ● 4 (163 lug.). Eclipse - 14a. - 11h25 / 14h25 / 17h25 / 20h25. ● 5 (163 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 6 (129 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 12h40 / 15h15 / 17h40 / 20h20. ● 7 (122 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ★ West Plaza - Playarte Av. Francisco Matarazzo, s/nº, Barra Funda. 5053-6935. De R$ 12 a R$ 16. ● 1 (175 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 2 (170 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. GRANDE S. PAULO BARUERI ★ Shopping Tamboré - Cinemark Av. Piracema, 669 (Km 22 da Rod. Castelo Branco). 4193-1826. De R$ 13 a R$ 25.● 1 (163 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h15. ● 2 (220 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 3 (327 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h55. Legendado 21h40. ● 4 (260 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 5 (131 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 6 (116 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 7 (116 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 8 (211 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 9 (240 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h20 / 18h10 / 20h55. EMBU ★ Cine Embu Plaza R. Domingos de Paschoal, 190, Centro. 4241-8623. De R$ 5 a R$ 10.● 1 (174 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 2 (161 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. GUARULHOS ★ Internacional Shopping - Cinemark Rod. Presidente Dutra, km 230 2425-0636. De R$ 11 a R$ 15. (*) 3D De R$ 19 a R$ 21. ● 1 (254 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h10 / 15h10 / 18h20 / 21h20. ● 2 (362 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 3 (265 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h20 / 18h10 / 20h40. ● 4 (435 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 5 (435 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ● 6* (407 lug.).Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h40 / 21h10. ● 7 (407 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 8 (202 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h15 / 14h40 / 17h10 / 19h45 / 22h15. ● 9 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 10h30 / 13h20 / 16h30 / 19h20 / 22h10. ● 10 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 11 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 12 (202 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 15h00 / 20h20. Esquadrão Classe A - dub. - 12a. - 12h20 / 17h40. ● 13 (202 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 14h30 / 17h05 / 19h40 / 22h20. Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar - dub. - 10a. - 11h55. ● 14 (202 lug.). Plano B - dub. - 12a. - 11h10 / 13h40 / 15h50 / 18h15. Flor do Deserto - 14a. - 20h50. ● 15 (185 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 10h50 / 13h15 / 15h45 / 18h35 / 20h55. ★ Bonsucesso Shopping Av. Juscelino Kubitschek de Oliveira, 429, Pimentas. 6484-9300. DeR$ 7 a R$ 10. ● 1 (181lug.). Fúria de Titãs - dub. - 12a. - 14h50 / 17h10 / 19h30 / 21h50. ● 2 (178lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h50 / 15h30 / 18h20 / 21h10. ● 3 (178lug.). Eclipse - dub. - 14a. 12h50 / 15h30 / 18h20 / 21h10. ● 4 (178lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 14h00 / 16h30. Esquadrão Classe A - dub. - 12a. - 19h00 / 21h30. ● 5 (167lug.). Robin Hood - dub. - 14a. - 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 6 (168lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00 / 16h20 / 19h10 / 21h30.

ITAPEVI ★ Centerplex Shopping - R. Leopoldina de Camargo, 260, Centro. 4005-9080. De R$ 5,50 a R$ 12. ● 1 (172 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 16h10 / 18h30 / 20h40. ● 2 (172 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h40 / 18h20 / 21h00. MAUÁ ★ Mauá Plaza Shopping Av. Antonia Rosa Fioravante, 3.270 - Lj. 127. 4519-4099/4444. De R$ 8 a R$ 14. 3D R$ 8 a R$18. ● 1 (297 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 2 (297 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 14h30 / 17h00 / 19h30 / 22h00. ● 3 (228 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h15 / 15h45 / 18h15 / 20h45. ● 4 (294 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h45 / 17h00 / 19h15 / 21h30. ● 5 (297 lug.).Toy Story 3 - 3D dub. L. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. MOGI DAS CRUZES ★ Centerplex - Mogi Shopping Center Av. Ver. Narciso Yague Guimarães, 1.001, Socorro. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (154 lug.). Eclipse 14a. - 14h45 / 17h30 / 20h20. ● 2 (154 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h20 / 16h40 / 19h10 / 21h30. ● 3 (232 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h10 / 19h00 / 21h50. ● 4 (96 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. 15h00 / 17h40 / 20h10. OSASCO ★ Kinoplex Supershopping Osasco Av. dos Autonomistas, 1.828. 3131-2006. De R$ 9 a R$ 16.(*) 3D R$ de 18 a R$ 22. ● 1 (248 lug.). Eclipse 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 2 (165 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 13h50 / 16h20 / 18h50 / 21h20. ● 3 (165 lug.). Esquadrão Classe A dub. - 12a. - 18h10. Plano B - dub. - 12a. - 15h30 / 20h50. ● 4 (166 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h40 / 15h10 / 17h50 / 20h30. ● 5 (459 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 6* (337 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 7 (248 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h20. ★ Osasco Plaza R. Antonio Agu, 300. 3682-3621. De R$ 8 a R$ 14. Sessão Pipoca: R$ 6. ● 1 (191 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 13h00 / 15h45 / 18h30 / 21h15. Deu a Louca nos Bichos - L. - 11h15. ● 2 (136 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 13h00 / 15h45 / 18h30 / 21h15. Alice No País Das Maravilhas - dub. - 10a. - 11h15. ● 3 (192 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h45 / 16h15 / 18h45 / 21h15. Percy Jackson e o Ladrão de Raios - dub. - 12a. 11h15. ● 4 (120 lug.). Alice No País Das Maravilhas dub. - 10a. - 14h00 / 16h30. Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 18h45 / 21h15. Lissi No Reino dos Birutas dub. - L. - 11h15. ★ Shopping União de Osasco - Cinemark Av. dos Autonomistas, 1.400 3651-9280/3684-0151 De R$ 11 a R$ 17. (*) XD De R$ 22 a R$ 27. ● 1* (362 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h40 / 16h20 / 19h10 / 21h50. ● 2 (147 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 3 (147 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 4 (191 lug.). Eclipse - 14a. - 13h30 / 16h30 / 19h30 / 22h25. ● 5 (191 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h20 / 17h50 / 20h20. ● 6 (140 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 15h00 / 20h40. Príncipe da Pérsia dub. - 12a. - 12h10 / 17h40. ● 7 (140 lug.). Plano B dub. - 12a. - 11h20 / 14h00 / 16h40 / 19h20 / 22h05. ● 8(247 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 145h0 / 18h00 / 21h00. ● 9 (247 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h30 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 10 (356 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. SANTO ANDRÉ ★ Grand Plaza Shopping - Cinemark Av. Industrial, 600. 4979-5078. De R$ 12 a R$ 22. ● 1 (245 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 19h20. Legendado 22h05. ● 2 (152 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h30

/ 22h20. ● 3 (152 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. 12a. - 12h25 / 15h00 / 17h50. Plano B - 12a. - 20h40. ● 4 (203 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h20 / 18h10 / 21h10. ● 5 (203 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 6 (203 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h30 / 17h30 / 20h30. ● 7 (203 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h30 / 17h30 / 20h30. ● 8 (152 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 9 (152 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 10 (203 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ★ Multiplex ABC - Playarte Av. Pereira Barreto, 42, Santo André. 5053-6936. De R$ 12 a R$ 22.● 1 (207 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 2 (205 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h21 / 15h01 / 17h41 / 20h21. ● 3 (217 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 4 (217 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 5 (206 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 16h30. Esquadrão Classe A - 12a. - 21h30. Ponyo - dub. - L. 14h20. Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 19h00. SÃO BERNARDO ★ Extra Anchieta - Cinemark R. Garcia Lorca, 301, Km 15,5 da Rod. Anchieta. 4362-4706. De R$ 11 a R$ 22. (*) 3D De R$ 19 a R$ 22 . ● 1 (137 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 14h25 / 19h20. Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 11h50 / 16h50 / 21h50. ● 2 (143 lug.). Eclipse - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 3 (235 lug.). Eclipse - 14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 4* (292 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h05 / 13h30 / 16h10 / 18h40 / 21h10. ● 5 (264 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 6 (224 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 7 (162 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ● 8 (110 lug.). As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 12h20 / 15h00. Eclipse dub. - 14a. - 18h30 / 21h30. ● 9 (167 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ★ Metrópole - Playarte Pça. Samuel Sabatini, 200, São Bernardo. 5053-6937. De R$ 10 a R$ 14. ● 1 (117 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 13h50. Esquadrão Classe A - dub. - 12a. - 16h00 / 18h30. Príncipe da Pérsia - dub. - 12a. - 21h00. ● 2 (214 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 3 (290 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20. SUZANO ★ Centerplex - Shopping R. Sete de Setembro, 555 - Arco 99, Centro. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (211 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 2 (212 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h30 / 17h30 / 20h30. ● 3 (208 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h40 / 16h10 / 18h40 / 21h00. ● 4 (174 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 17h00 / 20h00. ● 5 (174 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h30 / 18h30 / 21h30. CAMPINAS ★ Box Cinemas R. Jacy Teixeira de Camargo, 940, Campinas Shopping. (19) 3268-2288 / 4005-1717. De R$ 9 a R$ 21. ● 1 (427 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h00 / 17h50 / 20h40. ● 2 (395 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h10 / 16h00 / 18h50 / 21h40. ● 3 (322 lug.). Toy Story 3 3D - dub. - L. - 13h45 / 16h15 / 18h40 / 21h05. ● 4 (294 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 14a. - 13h15 / 15h50 / 18h30 / 21h15. ● 5 (315 lug.). Eclipse - 12a. 12h40 / 15h30 / 18h20 / 21h10. ● 6 (164 lug.). Quincas Berro D’Água - 14a. - 15h20 / 18h25 / 20h50. ● 7 (208 lug.). Plano B - 12a. - 16h40 / 19h00 / 21h20. Panyo - Uma Aventura que veio do Mar - dub. - L. 14h20. ● 8 (254 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 15h15 / 17h40 / 20h05. ● 9 (122 lug.). Kick-Ass - Quebrando Tudo - 18a. - 16h20 / 21h30. Esquadrão Classe A dub. - 12a. - 13h40 / 18h55. ● 10 (132 lug.). Fúria de Titãs - dub. - 14a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h25.

★ Galleria Rod. D. Pedro I, km 131,5. (19) 4005-9040. De R$ 5a R$ 15. ● 1 (230 lug.). Eclipse - 12a. - 14h00 / 16h40 / 19h20 / 22h00. ● 2 (230 lug.). Eclipse - dub. - 12a. 13h40 / 16h20 / 19h00 / 21h40. ● 3 (227lug.). Escritor Fantasma - 14a. - 14h05 / 16h35 / 19h05 / 21h35. ● 4 (227 lug.). Flor do Deserto - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h10 / 21h45. ● 5 (270lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 14h30 / 17h00/ 19h30. Legendado 21h50. ★ Shopping Iguatemi - Cinemark Av. Iguatemi, 777, FEAC. (19) 3251-1122. De R$ 12 a R$ 21. ● 1 (271 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 2 (269 lug.). Eclipse -14a. 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 3 (269 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h50 / 19h40 / 22h10. ● 4 (270 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h10 / 17h50 / 20h40. ● 5 (321 lug.). Toy Story 3 3D - dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Legendado 21h40. ● 6 (409 lug.). Eclipse -14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 7 (223 lug.). Eclipse -14a. 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 8 (223 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. - 12h20 / 19h55. Flor do Deserto 14a. - 15h00. Plano B - 12a. - 17h40 / 22h30. ★Topázio Cinemas - Shopping Prado Av. Washington Luiz, 2.480, Pq. Prado. (19) 3276-3610.De R$ 8 a R$ 13.● 2 (110 lug.). Eclipse -dub. - 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 3 (108 lug.). O Escritor Fantasma - 12a. - 14h10. O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus - 14a. - 16h40 / 21h10. A Riviera não é Aqui - 12a. - 19h10. ● 4 (110 lug.). Toy Story - dub. - L. - 15h00 / 17h20 / 20h00. JUNDIAÍ ★Maxi Av. Antonio Frederico Ozanãn, 6.000. 4521-6069.De R$ 13 a R$ 15. ● 1 (236 lug.). Plano B - 12a. - 17h10 / 19h15. Olhos Azuis - 16a. - 11h00. Fúria de Titãs dub. - 14a. - 14h50 / 21h20. ● 2 (248 lug.). Eclipse 14a. - 13h40 / 16h20 / 19h00 / 21h40. ● 3 (248 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h20 / 17h00 / 19h40. ● 4 (248 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00 / 16h15 / 18h30 / 20h45. ● 5 (341 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 6 (229 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 7 (245 lug.). Príncipe da Pérsia - dub. - 14a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. LITORAL SANTOS ★Praiamar Shopping - Cinemark R. Alexandre Martins, 80. (13) 3231-2889. De R$ 9 a R$ 20. ● 1 (235 lug.). Eclipse -14a. - 13h00 / 16h00 / 19h00 / 22h00. ● 2 (215 lug.). Eclipse -dub. - 14a. 12h30 / 15h30 / 18h30 / 21h30. ● 3 (228 lug.). Eclipse -14a. - 11h10 / 14h00 / 17h10 / 20h10. ● 4(399 lug.). Eclipse -14a. - 12h00 / 14h50 / 18h00 / 21h00. ● 5 (172 lug.). A Última Música - 10a. - 15h00. KickAss - Quebrando Tudo - 18a. - 12h20 / 17h15 / 19h40 / 22h10. ● 6 (171 lug.). O Golpista do Ano - 16a. 15h10 / 19h35. Plano B - 12a. - 12h50 / 17h20 / 21h45. ● 7 (325 lug.). Toy Story 3 - 3D - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h20. Legendado 21h50. ● 8 (245 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h20. ● 9 (289 lug.). Eclipse - dub. -14a. 11h30 / 14h20 / 17h30 / 20h30. ● 10 (237 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h40 / 15h20 / 17h50 / 20h40. ★ Cine La Plage Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 885, Centro. Loja 230(13) 3355-9057. De R$ 6 a R$ 12. ● 1 (128 lug.). Plano B - 12a. - 14h30 / 16h45 / 19h00 / 21h10. ● 2 (129 lug.). O Príncipe da Pérsia - 12a. - 14h00 / 16h30 / 18h50 / 21h15. ● 3 (143 lug.). Eclipse 14a. - 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. UBATUBA ★ Cine Porto (155 lug.). R. Milton Holanda Maia, 61, Praia do Itagua. (12) 3833-2066. De R$ 8 a R$ 10. ● 1 (155 lug.). Príncipe da Pérsia - 12a. - 16h20 / 18h40 / 21h00.


D14 Caderno2 %HermesFileInfo:D-14:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

VERISSIMO

SEGUNDA-FEIRA LÚCIA GUIMARÃES MATTHEW SHIRTS

D

QUARTA-FEIRA ROBERTO DAMATTA

QUINTA-FEIRA LUIS FERNANDO VERISSIMO

SEXTA-FEIRA IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO MILTON HATOUM

SÁBADO MARCELO RUBENS PAIVA MARIA RITA KEHL

DOMINGO LUIS FERNANDO VERISSIMO JOÃO UBALDO RIBEIRO DANIEL PIZA

Família Brasil

Picasso e Goya sob o sol a série Diálogos Impossíveis. Uma tarde, depois de um bom almoço, estirado numa cadeira preguiçosa no terraço da sua casa na Côte d’Azur, Picasso adormece e sonha que está no museu doPrado,em Madri,nafrente doquadro As Meninasdo Velázquez, eque ao seu lado está alguém que a princípio elenãoreconhece.Eleeooutrosãoas únicaspessoasnograndesalãodomuseu onde a pintura de Velázquez é o únicoquadro.Apintura deVelázquez é o único quadro no museu inteiro. Picasso julga reconhecer o homem ao seu lado, mas não tem certeza de que seja quem está pensando. – De onde eu conheço o senhor? – Talvez dos meus autorretratos... – Francisco Goya! – Em pessoa. Ou o que resta dela. E o senhor é... – Pablo Picasso. – Foi o que eu desconfiei. Mas nos seusautorretratososenhornemsempre é reconhecível... – É que eu nunca aceitei que os dois olhos não pudessem ser do mesmo

TERÇA-FEIRA ARNALDO JABOR

lado do nariz. – Mas eu deveria ter lhe reconhecido pelas fotografias. O senhor é uma das pessoas mais fotografadas do mundo. Eu o invejo. – Por ser tão fotografado? – Não. Por poder pintar os dois olhos no mesmo lado do nariz. E a boca onde quiser. E os pés no lugar das orelhas. Eu não tive essa liberdade. Fui um revolucionário na minha arte, mas não o bastante. Éramos reféns da anatomia. O senhor se libertou disso. – Me diga, o que o senhor acha desta ideia de esvaziar o Prado e deixar só As Meninas do Velasquez em exposição? – Acho justo. É uma maneira de dizer que, depois de Velázquez, toda a pintura é supérflua. –Masas suaspinturasnegras também foram banidas do museu, com todas as outras... – Est�� certo. Eu não as pintei para serem expostas. Foram pintadas nas paredes da minha casa, para só serem vistas por mim. São expressões da minha misantropia, do meu asco pela vida, da minha loucura final. Quem quer ver a sua degradação exposta em público?

– Elas são as pinturas mais poderosas e inquietantes jamais feitas. E olha que eu não sou de elogiar a concorrência. – O seu Guernica não fica atrás... – Obrigado, mas eu acho Guernica umaode à inutilidade daarte. Foielogiado como um libelo contra a estupidez humana, mas não impediu que outras “Guernicas” acontecessem, e a estupidez humana prevalecesse. Guernica foi apenas um aperitivo para Hiroshima. – Somos supérfluos de várias maneiras, além da que decretou o Prado. Todo artista é supérfluo. – Menos o Velázquez. – Menos o Velázquez. – Sabe, senhor Goya, muita gente já noscomparou,enotoucomonossastra-

jetórias são opostas. O senhor começou como pintor da corte, retratando a vida alegredaaristocracianaMadridosBourbons e acabou doente, num exílio amargo entre pinturas negras, sozinho e esquecido. Sua trajetória foi da frivolidade paraastrevas. Eu,aocontrário,fui ficando cada vez mais mundano, cada vez mais frívolo. Comecei como um artista de vanguarda incompreendido e acabei como uma celebridade internacional, uma das pessoas mais fotografadas do mundo, fazendo arte instantânea como criança. Apesar de velho, ainda tenho saúde e tesão pela vida. Agora mesmo, acabo de comer um peixe maravilhoso feito pela minha atual mulher... A sétima, se não perdi a conta.

– Por sinal, senhor Picasso, obrigado por sonhar comigo na sua sesta. A única maneira que eu tenho de voltar à vida, nem que seja só para rever As Meninas, é na imaginação dos outros. E, não sei se o senhor notou, no seu sonho eu não sou surdo, como fui durante grande parte da minha vida. Muito obrigado. – Olhe, senhor Goya! Que estranha luminosidade emana do quadro do Velázquez! O senhor não está vendo? – Não, eu... – Parece o sol. É a luz de um sol! Picasso acorda com o sol na sua cara. Pensa em chamar a mulher para lhetrazerumchapéu,masnãoselembra do seu nome.

SINOPSE DANIEL PIZA ✽ ●

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Site: www.danielpiza.com.br Blog: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza

O homem mediado BAPTISTÃO

E

mváriospontosdeJohannesburgo há demonstrações da televisão em 3D, inclusive uma sala de cinema improvisada no meio da Praça Mandela, no bairro de Sandton, com apresentador etudo.Obviamenteaapostaéconcentrada na sugestão de que assistir aos jogos de futebol será muito mais vibrante, mas também são mostrados programas sobre natureza, videoclipe da Shakira e outras coisas bonitas. Acima de tudo, o discurso promete “ultimateexperiences”.Esseéoadjetivoda moda, “ultimate”, e quer dizer que são experiências definitivas, insuperáveis, supremas.Éclaroquesabemosquedaqui a dois ou quatro anos o mesmo anunciante – como nos comerciais de sabão em pó, carros ou silicones – dirá que se superou. Mas tudo isso dá o que pensar sobre nossos tempos. Uma característica que percebo é justamenteessaprocuraporexperiências de alta intensidade emocional, ou melhor, sensorial. Vemos isso na onda de “esportes radicais”, de desafios cheios de adrenalina e serotonina como triatlos e escaladas. Vemos também em iniciativas culturais como uma “maratona de eventos” ao longo do fim de semana, ou longos shows ou baladas esticadas até o amanhecer com a ajuda de tônicos e outras substâncias. A própria indústria musical passou a se dedicar a levar espetáculos para todos os cantos do mundo, como o Brasil, já que elas e os astros não vivem mais dos CDs e não se pagam na internet. Contrariando os apocalípticos,assalasdecinemavoltaram,apoiadas em novas tecnologias, porque afinaloferecemumaexperiênciaqueasaladecasanãooferece(nenhum“home theatre” tem uma tela daquele tamanho e um áudio daquela qualidade). Já osgamesestãocadavezmaissofisticados,comainteraçãovirtual;você pode realmentesuarjogando tênisnoWii.E nos estádios de futebol, ou “arenas”, comose diz agora, há apelos a todos os sentidos:telões,restaurantes,lojas,diversões,“cheerleaders”, vuvuzelas...É como se ninguém pudesse se aquietar em nenhum momento. Não sou contra nada disso, e tenho curtidomuitodessascoisas.Aocontráriodoquedizamentalidadeclassemédiatradicional, tãoforte emtantos dos chamados intelectuais desta era pósutópica, a natureza humana não quer apenasestabilidade,rotina,segurança, conforto.Mesmoo mais caretaou reacionário dos cidadãos sofre por aquilo que não viveu – os lugares aonde não

foi,asposiçõesque seu(sua) companheiro(a)nãoquer,osassuntosqueignora,os jogos que não joga. Tolera-se razoavelmente que outros sejam mais ricos, bonitos ou inteligentes; o que dá inveja mesmo é que se divirtam mais, que façam mais coisas diferentes, que não tenham a mesma vidinha de emprego repetitivo e casamento castrador. Masaí éque entra oreversoda tendência. Essas experiências de limite, tão artificialmenteintensificadas, criam a ilusão de que só elas valem. Há algo de infantojuvenilnessacarênciadeexcitaçãocontí-

Experiências de limite, tão artificialmente intensificadas, criam ilusão de que só elas valem nua, assim como a contracultura parecia às vezes apenas o medo de assumir responsabilidades. Fala-se em “definitivo” comosefossetranscendenteousublime. Acontece que muitas das vivências mais transformadorasdoindivíduonãosãoassim, não precisam de tanto ruído e sentimentalismo. E o mais importante: uma experiência mediada, por mais cara ou refinada que seja a mediação, não substitui a experiência real. Sim, a arte faz uma simulação do real e permite que tenhamos a percepção de outras épocas, lugares e valores, mas todo grande artista sempresoubeque nenhuma linguagemé neutra.Esim,oqueaslinguagensaudiovisuais(cinema,TV)nosderamemconhecimento e liberdade (o muro de Berlim não teria caído sem a força das imagens) é subestimado, assunto ao qual voltarei, mas não chegam lá. Volto ao 3D: uma das imagens mostrava alguns ursos sob a neve no Japão, e a

definiçãoeratalquevíamosastexturasda pele e as formas do movimento (como nos replays em HD da atual Copa); mas parte da neve parecia cair num primeiro plano, muito próximo da vista, enquanto o urso e a outra parte da neve pareciam estar num segundo plano, o datela. Talvezessa sensaçãode camadasvisuais ainda seja superada, mas por enquanto elafuncionapelo detalhismo enasações de profundidade (mergulho da câmera ou algum objeto vindo na nossa direção). Ou então volto à mais tradicional tecnologia de imagem, a fotografia. Nenhumalenteconseguefazeroqueoolho consegue: captar com nitidez simultânea as diversas distâncias, sem desfocar um plano em benefício do outro. O olho emoldura e qualifica, mas tem vantagens técnicas impressionantes. Todasessasmediações,enfim,noscondicionam,criandoaideiadequesãoomáximoetirandootempodoscontatosdiretos e dos momentos silenciosos. Não à toa hácada vez maisdéficit de concentração. A realidade pode ser tediosa e frustrante muitas vezes, mas essas fugas mediadas–programadamentedesmedidas– são também um sintoma disso ou, ainda, oreforçamporcontraste.Descobrirquea realidade é e pode ser bem mais interessante,independentementedenossasvontades,é esse o eventoque podeser definidor. Definitiva, só a morte. Miniconto. Diana era uma menina de 13 anos quando, usando bermuda e tênis, entrou pela primeira vez numa loja chique, de grife, dessas que ficam num canto especial do shopping, cercadas de seguranças.Sentiu-seentrandonum“mundo novo e mágico”, como diria no twitter. Tudo era lindo, impecável, perfeito

como nenhum namorado poderia ser. Diante do balcão, entregando seu cartão de crédito dourado para a vendedora, Dianaviuumamulherdessasqueascolunas sociais chamam de “elegantérrimas”,commuitaclasse,personalidadee, claro, dinheiro, além de cabelos loiros pintados por algum mestre da tintura. E pensou: “Um dia serei como ela.” Começou a ler todas as revistas de moda, a imitar todas as celebridades, a estudaringlêsefazercursos.Emagreceu,passouasemaquiareusarsaltosaltos,começou a andar com as colegas ricas da esco-

A realidade pode ser frustrante, mas essas fugas mediadas são também um sintoma disso la, adotou um semblante impassível como o das garotas nas passarelas. Um dia, cinco anos depois, sua mãe decidiu sair daperiferiaeir termaisqualidadedevida nointerior.Foiopiordiadesuavida.Diana abandonou a ideia da faculdade, mas nãoodesejo deseraquelamulher queviu na loja. A ausência de um shopping na cidadezinhaaamargurava;omáximoque podia era ir a uma cidade vizinha e comprar numa dessas lojas de departamento. Não tinha amigas nem namorados; mal saía de casa. Roía as unhas, tinha calos nospés,nãoprecisavanemmaisfazerforça para emagrecer. O único prazer era comprar, era perseguir a completude do guarda-roupa.Seasrevistasdiziam“amodaéusarlaranja”,ela,quedetestalaranja, saía para caçar tudo que pudesse nessa cor.Trêsdiassemumacompraeraainfelicidade suprema. Quanto mais repetia uma peça, mais sentia precisar de outras. E mais se endividava.

Diana, agora, se diz “à espera de um milagre”. Quer se salvar da compulsão emquesemeteu.Querretomarasamizadeseosestudos, querdarumachanceaosgarotosmaissimples.Queraceitaraajudadospaiseliquidarasdívidas. E fez uma promessa: só voltará a comprar roupa depois de 20 de dezembro, quatro dias antes do Natal. Afinal, ninguém é de ferro. Por que não me ufano. O governo Lula inicia o último semestre do seu segundo e último mandato e as reflexõeseautocríticasaindanãoforamfeitas. Primeiro, da parte deles mesmos, de todos em torno do PT como muitos jornalistas que faziam entrevistas comintelectuaisda USP em defesa do “socialismo democrático” em oposição à “burguesia” e à globalização. Pois o governo Lula seguiu o receituário tucano de inflação baixa, programas sociais e câmbio livre e agora colhe crescimento acelerado, movido por empresas privadas, agronegócio e consumo. Nenhum rico perdeu nenhum centavo, e o Brasil está melhor. Justiçasocial sefazgerandoemprego. Segundo, da parte dos que diziam que, mesmo tendo mudado de opinião, Lula e sua equipe conduziriam a economia ao caos, a sociedade à divisão, etc. Ele deixou as decisões econômicas para a Fazenda e o BC, tomando partidodoúltimoquandohaviaconflito,jamaiscedeu atentaçõescomo ado terceiro mandato e investiu na imagemdosujeitoqueveiodebaixo.Políticas como a expansão do crédito foram bem-sucedidas. E os que o insultavam se viram calados pelos números. Nessapolarizaçãosemrealismo,como sempre, ficaram de fora questões como o conservadorismo irresponsáveldessegoverno,queconservouatitudes oligárquicas que atrasam o Brasil há séculos. Nisso estão a corrupção e a impunidade,ousodamáquinapública por patotas e corporações, a crescente carga tributária, o descaso com ações semvisibilidadeacurtoprazo,ademagogia contra a imprensa, a bazófia da ignorânciaquepõeassuntoscomoeducação e ciência em quinto plano. Mas quemsabeagora,viradaapáginadediscussões bizantinas, a sociedade lembre que há muito por fazer e criticar.

● Aforismo

sem juízo

É possível estar feliz sem ser feliz e vice-versa. Mas o ser quer continuamente os dois estados.


O ESTADO DE S. PAULO

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estadão.com.br

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

JUAN MABROMATA/AFP

Dia de ressaca

Caça controlada

Espanha avança

Desanimados, brasileiros deixam a África do Sul

Safáris se transformam em meio de preservação dos animais nativos da África

Vitória sem brilho sobre o Paraguai leva Fúria à semifinal

Págs. E6 e E7

Pág. E12

Pág. E4 CHRISTOPHE SIMON/AFP

Passeio. Alemanha faz gols de todos os jeitos e arrasa os argentinos

HUMILHAÇÃO Alemanha tem atuação de gala e tira a badalada seleção argentina da África com goleada por 4 a 0 Wilson Baldini Jr. ENVIADO ESPECIAL CIDADE DO CABO

PECADOS ARGENTINOS

Com equilíbrio tático, ótimo toque de bola e talento, a Alemanha eliminou a Argentina. Mais do que isso, humilhou o time do atual melhor jogador do mundo e do técnico mais falado na África do Sul. Fez 4 a 0, levantou o público no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, mandou os argentinos de volta para Buenos Aireseainda segarantiuna semifinalcomofavoritaaotítulo.AgoraenfrentaaEspanha, naquartafeira, às 15h30 (de Brasília). Nastribunas,festadaentusiasmada chanceler Angela Merkel e do meia Michael Ballack, fora da competição por contusão. Não eraparamenos.Nemomaisfanático torcedor poderia prever tamanha vitória. Decepção para Messi, que deixa a disputa sem fazer gol, e Maradona, que não conseguiu acertar a fraca defesa. O futebol coletivo dos europeus foi superior diante da tática suicida de El Diez de deixar Messi, que havia ido bem nas partidas anteriores, se virar sozinho contra a equipe alemã, liderada pelo grandalhão Mertesacker. A Alemanha começou impondo pressão sobre a Argentina. No primeirobomataque, Schweinsteiger cobrou falta e Müller se antecipou para fazer seu quarto golnacompetição eabrir ocaminho para a goleada. O dono do jogo passou a ser Schweinsteiger, que, sem marcação específica,semovimentoumuitoetrabalhou pelo dois lados do campo. AArgentinaesteveotempotodo acuada pela força da equipe

7 8 9 10 11 12

Argentina

Alemanha

Convocação

Maradona deixou bons jogadores fora da lista, como Riquelme ●

Defesa

O setor mostrou problemas. O técnico não os resolveu e, quando pegou um time mais forte, caiu ●

Messi

O craque jogou em mais de uma posição, nem sempre à vontade

alemã.Messi poucopegounabola, o que deixou o ataque praticamenteinativo.Oprimeiroescanteio a favor da Argentina só surgiu aos 18 minutos. Aos 23, a situaçãopoderiaterficadopiorpara os argentinos, se Klose tivesse completado com mais eficiência o passe de Müller dentro da área. Maradona, cuja característica maior foi não dar muita importância às questões táticas, acertou ao pôr Di Maria na direita do ataque. Com isso, bloqueou os avanços de Podolski e forçou as jogadas em cima do lateral-esquerdo Boateng, o ponto fraco da zaga alemã. Di Maria e Higuaín, assim, chegaram a finalizar contra o gol de Neuer. Um ● Nem tudo é tristeza

Os argentinos estão aborrecidos, claro, com a eliminação. Mas tem um motivo para festejar: não precisarão ver Maradona posar nu no Obelisco, em Buenos Aires, como prometera em caso de título.

0

4

dos artilheiros da Copa do Mundo,Higuaín ainda conseguiuempurrar a bola para as redes, mas a arbitragem anulou o gol corretamente – havia impedimento. O capitão Mascherano gritou com todos os companheiros antes de ir para o vestiário no intervalo. A Argentina voltou melhor no segundo tempo. Dominou até os 20 minutos, poderia ter empatado a partida, mas faltou o brilho deMessi. Apagado, o meia viu seus companheiros, não tão talentosos, tentarem superar a forte defesa alemã, sem sucesso. Frios, calculistas e também bons de bola, os alemães esperaram o momento certo para definir o jogo. Foram necessários não mais do que seis minutos e duas jogadas para que o vencedor fosse definido. As duas pela esquerda, setor que Maradona desprezou. Na primeira, Podolski passou para Klose: 2 a 0. Na segunda, Schweinsteiger só rolou para Friedrich: 3 a 0. E no fim houve tempo para mais um de Klose: 4 a 0, “fora o show”.

GOLS: Müller aos 3 do 1º tempo. Klose aos 23 e 44 e Friedrich aos 29 do 2º tempo. ARGENTINA (4-4-2): Romero; Otamendi (Pastore), Demichelis, Burdisso e Heinze; Mascherano, Maxi Rodriguez, Di Maria (Aguero) e Messi; Tevez e Higuaín. Técnico: Maradona. ALEMANHA (4-4-2): Neuer; Lahm, Mertesacker, Friedrich e Boateng (Jansen); Khedira (Kroos), Schweinsteiger, Özil e Müller (Trochowski); Klose e Podolski. Técnico: Joachim Löw. Juiz: Ravshan Irmatov (Usbequistão). Cartão amarelo: Otamendi, Müller, Mascherano. Público: 64.100 pagantes. Local: Green Point, na Cidade do Cabo.

Foi bem...

Foi mal...

Messi O grande destaque da Argentina teve atuação apagada e deixou o Schweinsteiger ataque isolado Municiou o ataque com eficiência e facilitou o caminho para a goleada

O CAMINHO ATÉ A FINAL Semifinal

FINAL

Semifinal

Quartas de final

Soccer City 11/7 15h30

Alemanha

4

Argentina

0

Paraguai

0

Espanha

1

Disputa de 1º e 2º colocados

Uruguai

Alemanha

Holanda

Espanha

Green Point Terça-feira – 15h30

Durban Quarta–feira 15h30

Disputa de 3º e 4º colocados

Nelson Mandela 10/7 15h30

Klose ameaça recorde de gols de Ronaldo CIDADE DO CABO

O atacante Miroslav Klose, com os dois gols marcados ontem na goleada sobre a Argentina, está a apenas um tento de igualar o feitode Ronaldoe se tornaro maior artilheiro das Copas do Mundo. Ele tem agora 14 gols – somando 2002, 2006 e agora – e empatou com seu compatriota Gerd Müller – que disputou os Mundiais de1970e 74.Müller foio artilheiro em 70, quando a Alemanha ficou com o terceiro lugar e em 74, ano em que foi campeã. O atacante se favoreceu ontem de ótima partida do meia Schweinsteiger que, sem marcação, fez o que Messi prometeu durante toda a Copa. O meia do Bayern de Munique foi o “dono do jogo” e deixou os jogadores de frente em boas condições de marcar. Klose chega a 4 gols na Copa da África e ainda tem dois jogos a fazer. / W.B.Jr.

PLACAR HISTÓRICO

maior goleada

em Copas a Argentina sofreu ontem. A maior foi em 1958, na Suécia: 6 a 1 para a Checoslováquia


O ESTADO DE S. PAULO

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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Maradona: ‘Foi o dia mais duro de minha vida’ El Diez mostra incrível abatimento, se contém para não chorar e compara derrota para Alemanha a soco de Muhammad Ali Wilson Baldini Jr. ENVIADO ESPECIAL CIDADE DO CABO

Na carreira de jogador, Maradona passou por todos os momentos de vitória e derrota. Na vida particular, esteve perto da morte, por causa do uso de drogas. Ontem, “El Diez” sofreu mais um revés importante. Maradona estavaarrasado naentrevista coletiva após a derrota para a Alemanha por 4 a 0, no Green Point Stadium, na Cidade do Cabo. O técnico da seleção argentina era o retrato da decepção. “Perto dos 50 anos (completa em 30 de outubro), sinto este momento como um soco de MuhammadAli. Sintopor tudoo

que construímos neste período juntos. Estou decepcionado como todos os argentinos.” Maradona revelou que pouco se falou no vestiário, após o jogo. “Era só tristeza.” O treinador se exaltouquandoperguntadosealguém na Argentina poderia estar feliz com a derrota da seleção. “Você está fazendo pressão? Está me pressionando”, perguntou ao repórter. “Não acho que algum argentinopossa ter gostado de ver a seleção perder.” O técnico argentino revelou que o gol logo aos três minutos de jogo quebrou o esquema preparadoparaapartida.“Oresultado do jogo não representa o que verdadeiramente aconteceu em campo. Tínhamos todos os pontos marcados para as bolas paradas, pois sabíamos que era um ponto forte da Alemanha. Mas aquele gol...”, disse, referindo-se ao primeiro, de Müller. Mesmo assim, Maradona encontrou feitos positivos de sua equipenesteMundial.“Nãocon-

NOCAUTEADO DIEGO MARADONA Técnico da Argentina

“Sinto por tudo o que construímos neste período juntos. Estou decepcionado como todos os argentinos” cretizamos um sonho, mas encontramos um caminho. Esse é o verdadeiro futebol argentino, jogado para a frente, que toca bem a bola. Estou convencido de que esse é o jeito certo de se jogar. Não se pode analisar apenas por um dia em que tudo de ruim aconteceu.” Pouco depois, Dieguito disse que “no futebol atual, o coletivo supera o individualismo”, o que explica, segundo ele, o mau futebol apresenta-

do por estrelas como Kaká, Cristiano Ronaldo e Rooney. Sobre o desempenho de Messi, Maradona questionou que ele tenha ido mal. “Por que Messi não fez um gol? Por que a bola subiu ou o goleiro foi o melhor em campo.” O treinador defendeu seu craque e não admitiu críticas. “Ele fez uma grande Copa. É estúpido dizer que ele não quer estar aqui, jogando por seu país. Isso acabou no futebol argentino. Hoje os jogadores podem estar milionários, mas atuam por amor. Não há mistérios ou brigas dentro do elenco.” AocontráriodeDunga,queentregou o cargo poucos minutos depois da eliminação para a Holanda, Maradona deu a entender quedevepermanecer no comando da seleção. “Preciso conversar com minha família e com os jogadores.” Se depender do apoio do capitão Mascherano, ele continua. “Não há motivos para mudar.” Tevez concorda: “Ele tem de continuar.” CÉZARO DE LUCA/EFE

Dois extremos. Klose comemora seu segundo gol na partida, o último da goleada, enquanto Messi não esconde a desolação JOHN MACDOUGALL/AFP

JEWEL SAMAD/AFP

Decepção. Maradona deve deixar a seleção Destaque. O bom Schweinsteiger em disputa com Mascherano

Dose dupla. Zagueiro Friedrich marcou Tevez e ainda fez gol

Messi volta para casa frustrando expectativa

“Papelão”, “vergonha” foram algumas das palavras gritadas porjornalistasargentinosnomomento em que Messi e outros jogadores passaram sem falar dar entrevistas. “Messi sabe que é o maior fracasso deste Mundial”, afirmouorepórterDaniloAvellaneda, do diário Clarín. Um outro jornalista,que nãoquisseidentificar, disse que Messi é um “"garoto mimado” que “só gosta de falar quando ganha”. CarlitosTevezfoi umdospoucos a falar após a derrota, juntamente com o capitão Mascherano, o lateral reserva Clemente Rodriguez e o lateral-esquerdo Heinze.O atacantesaiu emdefesa de seu companheiro. “Não é porque perdemos um

Craque do Barcelona chora no vestiário, não fala depois do jogo e é defendido por Tevez e Maradona CIDADE DO CABO

Considerado um dos grandes craques da Copa do Mundo antesdacompetiçãocomeçar.Messi não suportou a pressão de ter fracassado na Copa do Mundo

da África do Sul. O camisa 10 da Argentina chorou no vestiário, após a goleada sofrida diante da Alemanha, ontem, na Cidade do Cabo, pelas oitavas de final. Depois passou sério, olhando para frente, sem falar com a imprensa na zona de entrevistas após as partidas. Por certo, em sua cabeça, passaram as críticas por não conseguir atuar na seleção argentina como faz pelo Barcelona, equipe pela qual já conquistou todos os títulos possíveis.

MÁ PONTARIA

CULPA É DE TODOS

7

CARLOS TEVEZ Atacante da Argentina

chutes

disparou o atacante Messi na partida contra a Alemanha

2

chutes

exigiram defesa do goleiro Neuer; outros 5 foram para fora

jogo, que somos um time de m...”, afirmou Tevez, que encontrou explicações pouco convincentes para a derrota. “A Alemanha não tem nenhuma estrela e

“Perdemos todos juntos. Se Messi não fez uma grande Copa, foi porque não o ajudamos mais” conseguiu a vitória. Isso aqui é um Mundial. Todos os resultados são possíveis.” A Copa da África do Sul será lembrada pelo fracasso de gran-

des jogadores. Antes do início do Mundial, uma revista europeia chegou a destacar Messi, Kaká, Rooney, Ribéry e Buffon em sua capa especial da competição. Passadas as quartas de final, nenhum desses jogadores renomados estão na disputa do título. O último a cair foi Messi, melhor jogador do mundo pela Fifa, não provou em campo o seu título. Nos cinco jogos que disputou não fez gol, protagonizou boas jogadas, mas deixou a competição frustrando as expectativas. Ontem fez poucas jogadas individuais, quase sempre fora da área. Nem nas cobranças de falta o craque foi perigoso. Ao final do jogo, recebeu um abraço de Maradona. / W. B. Jr.

REPERCUSSÃO PELO MUNDO

● “Uma porrada de Ali”. Assim resumiu Diego Maradona a derrota da Argentina diante da Alemanha, na principal frase citada pe-

lo diário esportivo ‘Olé’, de Buenos Aires. Segundo o jornal, ela indica a contundência do resultado, mas não reconhece os erros cometidos pela equipe argentina. O periódico deixa em dúvida o futuro de “El Diez” no cargo.

O ‘Clarín’, de Buenos Aires,se rende ao inesperado placar, com a manchete: “Humilhada, Argentina cai diante da Alemanha.” Foi

goleada por 4 a 0 por uma equipe que a superou com um plano de jogo inteligente, segundo análise do diário. O jornal também não esconde sua decepção com Messi, afirmando que “falhou a aposta na magia”.

● O conservador jornal argentino

‘La Nación’ não poupou críticas ao time de Maradona. “A Alemanha mostrou todas as falhas da

Argentina e nos deixou de fora da Copa”, estampou, em manchete. O periódico ainda destacou que “a seleção nunca pôde reverter a superioridade adversária” e lembrou o jejum de finais da seleção: 20 anos.


O ESTADO DE S. PAULO

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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

MARTIN MEISSNER/AP

Löw, que comandou a seleção alemã para chegar pela 12.ª vez a uma semifinal, mostrou-se muito orgulhoso de seus jogadores. “É um grupo determinado, concentrado e que está com uma fomeenormeportítulos econquistas”,disseotreinador, quefoiauxiliar de Jürgen Klinsmann na campanha do terceiro lugar há quatro anos na Alemanha. “Há muitotempodestaco acapacidade destes jogadores, mas pouca gente me ouviu”, afirmou, referindo-se às críticas que recebeu de parte da imprensa alemã. Löw considerou “formidável”

sua equipe conseguir fazer quatro gols em “um time tão experiente eforte como a Argentina”, mas destacou também o trabalho do setor defensivo. “Nosso plano para parar Messi foi totalmenteaprovado”, elogiou, ainda sem querer divulgar o substituto de Müller, que recebeu o segundo cartão amarelo e não poderá disputar a semifinal. “Tivemos um segundo tempo com muito equilíbrio, mesmo quando fomos atacados.” Os jogadores buscavam manter a política do “ainda não ganhamos nada”. “Nem consigo

acreditarque ganhamospor 4 a0 da Argentina. Mas precisamos pensar no próximo jogo, pois todos os times que têm condições de ficar com o título mundial”, disse o capitão Philipp Lahm. O meiaMüllerdestacouopodercoletivodaequipe.“Somosumgrupo homogêneo, em que um atua para o outro e pelo outro. Temos um extraordinário espírito de equipe.” Friedrich, autor do terceiro gol alemão, revelou que a “alegria”éimportante parao desempenho do time. “Isso torna o elenco mais unido. Existe tambémumgrandepoderdeconcentração, que nos deixa fortes nos momentosmaisdifíceis.”Ojogador do Hertha Berlim tratou de conter os ânimos. “Precisamos manter a calma e a lucidez neste momento inacreditável.”

Klose ressalta trabalho coletivo e minimiza recorde de gols

e amigo Gerd Müller (1970 e 1974) e está a apenas um de Ronaldo. “Estou muito feliz pelo dois gols, mas estou mais feliz ainda porque atingimos o nosso objetivo”, disse. O jogador, de 32 anos, minimizou seu feito, preferindo destacar o que seu antecessor conseguiu há quase quatro décadas. “Gerd fez 14 gols também, mas

em apenas duas copas do mundo. Eu já estou no meu terceiro Mundial”, disse o artilheiro da Copa de 2006, com cinco gols. Ele fez outros cinco na edição de 2002, na Coreia do Sul e do Japão. Gerd Müller foi o artilheiro da Copa de 70, com dez gols, e fez outros quatro no Mundial de 1974, ,quando a Alemanha se sagrou bicampeã. Ronaldo esteve

Alemães dizem ‘não acreditar’, e Löw tenta conter euforia Técnico considera o resultado ‘formidável’ e afirma que plano para neutralizar Messi foi ‘totalmente aprovado’ Wilson Baldini Jr. ENVIADO ESPECIAL CIDADE DO CABO

O técnico Joachim Löw tentou, e conseguiu, durante toda a entrevista coletiva manter a calma e conter a euforia pela espetacular goleada sobre a Argentina.

CIDADE DO CABO

A classificação para a semifinal é mais importante do que o feito histórico de se tornar o maior artilheiro de todas as copas. Foi

desta forma que o atacante Miroslav Klose reagiu após os dois gols marcados frente à Argentina.OjogadordoBayerndeMunique atingiu a marca de 14 gols, igualou-se ao compatriota, ídolo

E3

PARA LEMBRAR

Alemanha pode superar Brasil em número de finais A Alemanha está em uma semifinal de Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva e pela 12.ª vez em sua história. A seleção tricampeã (1954, 1974 e 1990) pode se tonar a que mais disputou finais de Copa do Mundo, alcançando oito oportunidades e superando o Brasil, que chegou sete vezes à decisão. A última vez que conquistou o título foi em 1990.

em quatro copas (1994, 1998, 2002 e 2006). Na primeira vez, não entrou em campo. O técnico Joachim Löw torce por seu jogador. “Uma marca individual é importante para a carreiradojogador.Kloseéumapessoa muito simples. Merece toda a sorte do mundo. Com ele indo bem, a seleção vai junto em busca do título.” / W.B.JR. JAVIER SORIANO/AFP

Comemoração. O treinador Joachim Löw abraça o atacante Lukas Podolski após a vitória que garantiu a Alemanha nas semifinais da Copa pela 12ª vez KAI PFAFFENBACH/REUTERS

Poder. Chanceler alemã, Angela Merkel, ao lado de Zuma, presidente sul-africano, não se contém nos gols alemães

Buenos Aires abalada, Berlim ensandecida Torcedores argentinos se desesperam com novo revés da seleção. Alemães lotam parque da capital para comemorar Pelas ruas de Buenos Aires, não era difícil perceber ontem a tristeza que mais uma derrota – já são 24 anos sem um título mundial – provoca nos torcedores. Os argentinos ecoaram a mesma decepção dos brasileiros com

● A empolgação alemã é refleti-

da pelo site do mais popular jornal do país. O sensacionalista ‘Bild’ não poupou pontos de ex-

um dia de atraso. A decepção tomou conta dos torcedores albicelestes no tradicional bairro da Recoleta, na capital argentina. No bar temático “Locos por el fútbol”. o engenheiro Tomás Lerma não escondeu seu sentimento: “Eu achei que desta vez a gente ia cortar essa onda de azar que carregamos desde 1986. Achei que com o Diego (Maradona), a coisa ia engrenar. Mas não foi possível. Esperaremos outros quatro anos”, disse.

clamação na capa de seu portal: “Estamos muito orgulhosos de vocês! Vocês são os maiores!” A seleção de Joachim Löw chegou desmotivada à África, mas a torcida já passa a confiar em título. “É inacreditável!”, diz o Bild.

MATT DUNHAM/AP

Euforia. Klose comemora gol com acrobacia

MARTIN ACOSTA/REUTERS

Outros dois torcedores, por outro lado, preferiram culpar o técnico, tratado como Deus por boapartedaArgentina:“Maradona é um estúpido!” Aumaquadradali,LucianoEspinola,estudantedeDireito,tentou ser ponderado: “Jogamos bem. Mas, a Alemanha jogou muitíssimo melhor. Agora a torcida é pelo Uruguai. É um país pequeno que merece uma grande vitória”, disse. Em Berlim. Se Buenos Aires era o retrato da decepção, a capital alemã aproveitou para antecipar em três meses a tradicional Oktoberfest. A cidade é a única das seis que abrigam fan fests da Fifa – além dela, Rio, Cidade do

México,Roma,PariseSydneyreceberam gigantes telões e estrutura para transmissão das partidas – em que a seleção do país ainda está na disputa da Copa.

● O jornal italiano, editado em Milão, abre espaço para a “tristeza de Maradona”, deixando também estampada a humilhação da

Argentina, que assistiu ao show de bola da Alemanha. “Facilitamos para a Alemanha. Estou me sentindo pior do que quando deixei o futebol” é a frase de Maradona destacada pela ‘Gazzetta dello Sport’.

Buenos Aires. Argentinos esperavam muito mais

DAVID GANNON/AFP

Haja cerveja! Berlim ainda está em festa

Osensandecidostorcedoresalemães aproveitaram. Mais de 350 mil pessoas lotaram uma região próxima ao Portão de Brandemburgo para acompanhar o clássi-

co com a Argentina. A chanceler Angela Merkel assistiu ao jogo no estádio da Cidade do Cabo. Estava exultante. “Foi um jogo incrível”, disse.

● Os espanhóis do ‘Marca’ colo-

do consolado pelo técnico. “Argentina, de Maradona, humilhada” foi a manchete usada pelo jornal. Para o periódico espanhol, “uma seleção argentina de mentira” acabou saindo do Mundial pela porta de trás.

caram na capa de seu site na internet a foto de Lionel Messi, meia-atacante do Barcelona, sen-


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Só dá ele Com cinco gols, Villa se tornou artilheiro isolado da Copa. Ele soma 43 com a seleção, a apenas um do recordista Raúl

59%

“Todos os adjetivos positivos que há são para esta seleção!”

da posse de bola

teve a seleção espanhola no jogo contra o Paraguai. Dominou os sul-americanos

Andrés Iniesta, meia da Espanha, eleito melhor jogador da partida contra o Paraguai

chutes

16

deu a Espanha na partida – 6 a gol. O Paraguai atacou menos: 9 tiros, 4 certos

JUAN MABROMATA/AFP BERNAT ARMAGUE/AP

Artilheiro. Villa foi decisivo mais uma vez

Sem brilho, Espanha iguala seu recorde Em jogo emocionante, a Fúria derrota o Paraguai e chega às semifinais como na Copa de 50, no Brasil Daniel Akstein Batista ENVIADO ESPECIAL JOHANNESBURGO

A Espanha vai ter de mostrar

mais futebol quarta-feira, em Durban,sequiser seguirsonhando com o inédito título mundial. Mesmocomuma atuaçãodiscreta, a Fúria já conseguiu números naÁfricadoSul queentrarampara sua história. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, em Johannesburgo, o atual time igualou a melhor campanha até aqui em Copas: o quarto lugar em 1950. Agora quer mais. O triunfo espanhol apagou

um pouco os erros da arbitragem. Caso o Paraguai se classificasse,o guatemalteco CarlosBatres deixaria o gramado sob mais críticas – Xabi Alonso havia marcado um gol de pênalti, anulado pelo juiz por invasão da área. Na segunda cobrança, Villar defendeu e, no rebote, cometeu pênalti não marcado em Fábregas. Mesmo com as falhas do apito, a Espanha passou à semifinal, mas teve dificuldade para jogar. E olha que o adversário não era tãopoderoso. Dias antesjáavisara que o favoritismo era todo da Fúria e em campo reforçou sua teoria ao se fechar e apostar apenas nos contra-ataques. A Espanha se complicou com a retranca. Não aproveitou nem as diversas bobeadas rivais. O técnicoGerardoMartinoiaàloucura ao ver os erros do grupo. Falhasque não serepetiram apenas uma vez. Foram ao menos cinco, que os espanhóis não conseguiam transformar em gol. A atual campeã da Eurocopa entrou em campo liderando as casas de apostas. A pressão ontem estava toda sobre ela. Empolgadapelavitória sobre Portugalnasoitavasdefinaleempurra-

PARAGUAI

0

ESPANHA

1

da pela torcida, a Espanha impôs seu ritmo desde o começo e tentou furar o bloqueio adversário no toque de bola, sem sucesso. O jogo foi fraco. O primeiro tempofoi dedar sono. As melhores chances foram criadas pelo Paraguai, nos contra-ataques e com o atacante Valdez – impedido, teve um gol bem anulado. A segunda etapa teve uns poucosminutosdeemoção.Tudocomeçou no pênalti cometido por PiquéemCardoso. Opróprio camisa 7 cobrou mal e consagrou Casillas.Nolanceseguinte, infla-

GOL: David Villa aos 38 minutos do segundo tempo. PARAGUAI (4-4-2): Villar; Verón, Da Silva, Alcaráz e Morel Rodriguez; Victor Cáceres (Barrios), Santana, Barreto (Vera) e Riveros; Cardozo e Valdez (Santa Cruz). Técnico: Gerardo Martino. ESPANHA (4-4-2): Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol (Marchena) e Capdevilla; Xabi Alonso (Pedro), Busquets, Xavi e Iniesta; Villa e Torres (Fabregas). Técnico: Vicente Del Bosque. Juiz: Carlos Batres (GUA). Cartão amarelo: Piqué, Sergio Ramos, Alcaraz, Victor Cáceres e Morel Rodriguez. Público: 55.359 pagantes. Local: Ellis Park, em Johannesburgo.

Foi bem...

Villa Espanhol se movimentou bastante e fez o gol da vitória, mostrando oportunismo

Foi mal... Cardozo Paraguaio teve chance de abrir placar do jogo, mas errou pênalti e seu time perdeu

mada pelas milhares de vozes em apoio, a Espanha foi para cima e Villa sofreu pênalti de Alacaraz. Xabi Alonso cobrou bem e a confusão se instalou com o gol anulado, a cobrança seguinte errada (Villar defendeu) e o novo pênalti não marcado. O gol só saiu no fim do jogo, quando Iniesta fez uma bela jogada, Pedro acertouatraveeVilla finalmente conseguiu balançar as redes. O suficiente para seguir.

“Não pode ser. Não posso acreditar” Larissa Riquelme, musa da Copa, triste com revés paraguaio JORGE SAENZ/AP

Jogadores espanhóis dizem que a Alemanha não assusta Seleção já bateu alemães na final da Eurocopa, dois anos atrás, mas também reconhece que rival é o melhor time do Mundial JOHANNESBURGO

A Espanha está pronta para enfrentar o melhor time da Copa 2010. É com este rótulo que os jogadores falam da Alemanha, adversária de quarta-feira pelas semifinais do Mundial. Jogar contra a equipe que fez quatro golsnaArgentinaontemnãocausa assombro em ninguém. Mas todos sabem que o cuidado deve ser redobrado – os alemães são bem mais perigosos que o Paraguai. “Vai ser um jogo histórico. Sabemos do potencial

da Alemanha, mas ela não nos assusta”, disse o zagueiro Piqué. “É o melhor time do Mundial”, reforçou o goleiro Casillas. Espanha e Alemanha reeditam o encontro da final da Eurocopa de 2008, vencida pelos espanhóis. “Foi há dois anos, não tem nada a ver. A Alemanha está bem e com a motivação em alta”, disse Iniesta, eleito pela Fifa o melhor jogador de ontem. “Eles estão fazendo um Mundial espetacular. Mas estamos bem e com esperança tremenda de dar um passo a mais.” O técnico Vicente Del Bosque espera uma melhor atuação daqui a três dias. “Não jogamos bem, mas temos recursos para encarar qualquer rival.” A chegada da Fúria à semifinal se deve principalmente a um jogador. Com Fernando Torres

PÉS NO CHÃO DAVID VILLA Herói espanhol

“Estou contente por fazer os gols até a semifinal. Já fizemos história. Mas ainda não ganhamos nada” sem inspiração, os gols do time tornaram-se responsabilidade de David Villa. E o atacante de 28 anos não decepciona a torcida. A média do atleta recém contratado pelo Barcelona em Mun-

diais é impressionante: quase um por jogo. Na Alemanha, em 2006, anotou três vezes nas quatro partidas que fez. E ao balançar as redes ontem chegou ao quinto gol na África do Sul - artilheiro isolado da competição. As principais jogadas da Fúria foramde Villa. Além dehabilidoso e rápido, o atacante mostrou ter também sorte. Estava no lugar certo quando o chute de Pedro acertou a trave – a bola caiu nos seus pés e ele a mandou certeira para as redes. A cada gol marcado e nova boa atuação,Villaécercadopelosjornalistas após o término do jogo. Não foge de nenhuma pergunta e atende a todos com atenção – não liga de repetir as mesmas palavras dezenas de vezes. E também dificilmente muda seu discurso, sempre agradecendo os companheiros por sua boa fase. “Estou contente por fazer os gols que ajudaram a Espanha a chegar à semifinal. Já fizemos história.Mas ainda não ganhamos nada. A final ainda não existe pra gente”, diz. / D.A.B.

Orgulhoso, Paraguai só reclama do juiz JOHANNESBURGO

O técnico Gerardo Martino reagiu com ironia ao ser questionado sobre a arbitragem. Para ele, a cobrançaerradadeCardosotambémdeveriatersido repetida,assim como o juiz Carlos Batres fez com a Espanha, alegando invasão de área. Afirmou também ter dúvidas sobre a existência do pênalti para o rival e disse que um espanhol deveria ter sido expulso. “Mas estou tranquilo, pois sei que amanhã (hoje) a Fifa vai nos pedir desculpas”, disse. OtreinadordeuadeusaoMundial com o sentimento de dever cumprido. Apesar de a Espanha ter dominado o jogo, afirmou ter ficado satisfeito com a atuação do time. “Jogamoscomocoraçãoeperdemos só no fim, depois de ter-

mos jogado de igual para a igual comumaseleçãoque foianúmero um do mundo por muito tempo”, conformou-se. Martino não quis apenas comentar o jogo final. Aproveitou para fazer um breve comentário de seu trabalho na seleção paraguaia. “Estou bastante orgulhoso, não tem outro jeito de ver o que se passou nesses quatro anos juntos.” Alguns jogadores mostravam mais abatimento do que outros após o revés. Principalmente Cardoso, que perdeu o pênalti que poderia ser o da classificação. “Mas ele vai entender que assim é o futebol e é impossível querer que ele não se sinta mal. Quem pega a bola pra cobrar o pênalti está sujeito a isso”, explicou. “Mas a responsabilidade (da derrota) é de todos.” / D.A.B.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

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MARCOS CAETANO

QUE O BRASIL JOGUE COM TIME AMADO POR SEUS TORCEDORES, COM UM TÉCNICO EXPERIENTE

Preparem-se, GansoeNeymar

4

5 minutos. Foi o que bastou para que a segunda era Dunga na seleçãochegasseaofim.Omaisdesolador foi o fato de, depois de um bom primeiro tempo, termos perdido por conta de problemas que a crônica esportivaeaopiniãopúblicase cansaramdeanunciar.A listadeproblemas esperadoségrande,masesta éamelhorhoraparacomentála. Ou talvez nem seja – mas eu simplesmente não posso deixar de colocar o dedo

numa ferida que dói tanto. Em primeiro lugar está a postura conservadoradaequipe. Contrariando80anosdefutebol brasileiro em Copas, Dunga optou por armar um time que, em vez de jogar sempre para cima, muitas vezes se fechava para sair em contra-ataques. Não há nada de errado nisso, para qualquer seleção do mundo. Mas é errado para o Brasil, que construiu sua história apostando no talento, na criação e na obsessão pelo gol. O segundo problema foi o mais anunciado de todos: Felipe Melo. Não conheço um jornalista esportivo que não tenha chamado atenção para seu desequilíbrio emocional sob pressão. E não deu outra. No momento mais crítico da partida, a aposta de Dungafez faltadura eaindapisoteouRobben. Cartão vermelhoe lá se foram nossas chances

dereação.OterceiroproblemafoiMichelBastos, outra aposta errada. No segundo tempo, o lateral levou um baile de Robben, apelou para a pancada e merecia ter sido expulso. Os gols holandeses saíram de lances pelo setor que ele deveria defender. Sua substituição foi acertada. Sua titularidade, um erro. Outro problema foi o jogo aéreo, que vinha nos causando problemas ao longo da competição e não foi corrigido a tempo de enfrentar os holandeses. O último e mais grave pecado de Dunga teve a ver com a escolha do elenco. O Brasil se revoltou com tantos craques que ficaram fora da lista de convocados para dar lugar a operários como Felipe Melo, Michel Bastos, Kleberson, Gilberto Silva, Josué e Ramires, sobretudo com Kaká e Luís Fabiano longe da melhor forma, como ficou compro-

vado ontem. O que mais nos fez falta? Alegria. Fica a lição para a Copa que vamos organizar. Que o Brasil jogue com um time amado por seustorcedores,comumtécnico muitoexperiente e que tenha como referência não apenas o Brasil de 1994 – mas o de todos os cinco títulos mundiais. Ganso e Neymar, preparem-se. A próxima Copa será todinha de vocês.

SUBSTITUIÇÃO Eliminação marca fim de ciclo para a maioria dos atletas do Brasil e início de reformulação da equipe para 2014 Sílvio Barsetti ENVIADO ESPECIAL JOHANNESBURGO

Aos poucos, a seleção brasileira vai passar por um processo de renovação,oqueédepraxe a cada quatro anos, toda vez que se encerra um Mundial. A derrota para a Holanda, anteontem,praticamente decretou o fim de um ciclo para alguns jogadores na equipe. Elespodematé atuar em alguns amistosos ainda este ano ou no início da próxima temporada, mas certamente não estarão no grupo da Copa de 2014, no Brasil. Os zagueirosLúcio eJuanestãonessa‘lista’,assimcomoolateralGilberto, o volante Gilberto Silva, o meiaKleberson eo atacante Luís Fabiano. O meia Kaká pode tambémterdisputadosuaúltima Copa. Mas, como é um jogador regrado,avessoabaladas e excessos, ainda é cedo para afirmar que não participará em campo da festa em 2014, quando estará com 32 anos. No seu caso, o maior adversário é uma lesão crônica no púbis com a qual terá de conviver. Se vários atletas tendem a deixar a seleção por causa da idade avançada, um deles vai seguir o mesmo caminho poroutromotivo.Nãoháespaço para Felipe Melo na equipe, pelo menos a curto e médio prazo, por causa de sua instabilidade emocional. O torcedor brasileiro vai guardar na memória por muitos anosaatitudeintempestiva do atleta no jogo com a Holanda, em Porto Elizabeth, quando foi expulso ao agredir um adversário nomomentoemqueaseleção tentava reagir. Não foi um gesto isolado de Felipe Melo. Num dos treinos da seleção, na África do Sul, ele teve um desentendimento com Kaká. No seu clube, a Juventus, da Itália, ele é famoso

NOVO TÉCNICO TERÁ O TRABALHO DE MONTAR NOVA EQUIPE, COM JOGADORES MAIS JOVENS DO QUE OS QUE FORAM À ÁFRICA

por seu descontrole que quase sempre resulta em entradas desleais ou discussões acirradas punidas com cartão amarelo ou com expulsão. O fracasso na África pode ter sido ainda a senha para que Josué e Julio Baptista não estejam nos planos do próximo treinador da seleção. Tiveram oportunidade e não renderam nada. São dois exemplos da ineficácia do conceito de “grupo fechado” que Dunga levou para a equipe, acreditando ter encontrado uma nova fórmula para ganhar o Mundial.

ELES ESTÃO DE SAÍDA

Safra. Uma debandada natu-

ral vai abrir espaço para os jogadoresquesurgemcomodestaque do futebol brasileiro há meses. Paulo Henrique Ganso, Neymar e AlexandrePato são no31 anos mes muito cotados para as dezenas de amistosos que a seleção JOGOS PELA SELEÇÃO jogará até 2014 – por ser anfitriã do Mundial, o Brasil nãovai disputaraseliminatórias. Pato chegou a ser convocadoporDunga algumas vezes, mas ficou fora da relação final. Poroutrolado,doisatletas com currículo na seleção, mas excluídos por Dunga na lista do Mundial sul-africano, Adriano e Ronaldinho Gaúcho, devemsepreocuparapartir de agora em ganhar jogos e títulos por seus clubes. Dificilmente vão estar no time de 2014. Adriano era favorito a umavaga no time.Naúltimahora, por causa de um série de escândalos na vida pessoal, perdeu o lugar para Grafite. O substituto de Dunga vai ter de trabalhar rápido. Em agosto, a seleção já vai fazer seu primeiroamistosopós-Copa,provavelmente nos Estados Unidos. Isso significa que uma nova convocação terá de ser feita daqui a mais ou menos 30 dias. Como não haverá tempo para mudanças radicais,muitosdosque forameliminados pela Holanda vão voltar a vestir a camisa da seleção nesse jogo. Depois, com o passar do tempo, tomarão outro rumo.

Juan

79

Kaká 28 anos

77

JOGOS PELA SELEÇÃO

Luís Fabiano 29 anos

40

JOGOS PELA SELEÇÃO

Ganso O meia santista de 20 anos cresceu em 2010, fez ótimo Campeonato Paulista, já mostra maturidade e deve ingressar logo na seleção principal

Neymar O atacante do Santos de apenas 18 anos é rápido, habilidoso e ainda finaliza bem com os dois pés

Alexandre Pato O atacante do Milan começou bem no Inter-RS há quatro anos e acabou não decolando como se esperava. Mas é novo (20 anos) e pode ir longe


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

ANTERO GRECO

O COMPORTAMENTO RUDE DE DUNGA COM A IMPRENSA MINOU TAMBÉM A SELEÇÃO

Energia desperdiçada

S

e a memória não me trair, foram 12 asentrevistasdeDungaqueacompanhei aqui nos últimos 31 dias. Em todas, senti desconforto. Sem exagero. As respostas agressivas deram o tom nessas reuniões com a imprensa. Se alguém lhe fizesse uma prosaica pergunta a respeito do tempo na África, tinha de volta alguma ironia, uma referência a suposta perseguição dos meios de comunicação de que se sentia alvo. O clima ficava pesado.

Em muitos momentos, como observador, num canto das salas onde ocorriam esses encontros – a maioria obrigatórios –, torcia para queDungasesoltasse,desseumbiconaamargura,espantasseosfantasmasque oatormentam desde os anos 90. Nada. Era uma declaração normal e uma botinada nos jornalistas, que elegeu como inimigos. Indistintamente. Jamais um gesto de simpatia, de aproximação,de armistícionessa guerra particular,íntima,que ele inventou talvez para justificar seus ressentimentoseincertezas.Nãoachoquedeva existir relação estreita, de amizade, entre profissionais de imprensa e técnicos, jogadores ou dirigentes. Mas a convivência cria, em muitos casos, pelo menos laços de cordialidade. Nem isso houve com Dunga. Nunca tive a pretensão de que se dirigisse a

mim com simpatia – aliás, o último e breve contato que tivemos foi na Alemanha, em 2006, quando comentou jogos para a Band. Foi um cumprimento-relâmpago. E só. Mas será que não havia ninguém, dentre as centenas de repórteres e comentaristas que seguiramaseleção, emquemconfiasse?Todos queriam ver sua caveira, como ele imaginou? Não houve complô. Ao contrário, percebi em vários colegas o desejo de que tudo seguisse trilha normal, sem conflitos. É verdade que Dunga sofreu críticas – muitas pesadas – até firmar-se como técnico. Porém, nada diferentes das que Leão, Luxemburgo, Felipão, Zagallo, Parreira não tivessem enfrentado também. Só que nenhum deles – alguns são cheios demelindres–acumuloutantoressentimento eportantotempo.Nemsefechouemummun-

do de desconfiança. Nenhum passou tristeza. Infelizmente foi o que senti de Dunga. Um homem sisudo, duro, que não se permitiu ser afável.Nãoescrevoistoporcorporativismo–a imprensa fez seu trabalho, cumpriu seu papel. Muito menos guardo mágoa ou algo do gênero. Com a idade, aprendi que sentimentos negativos sugam vitalidade.Semsedarconta,ao agir assim Dunga minou seu grupo em vez de reforçálo. Pena para todos.

antero.greco@grupoestado.com.br

No dia seguinte, novo pesadelo JONNE RORIZ/AE

Torcedores vaiam e xingam Dunga e os jogadores, que passaram a noite acordados após a derrota para a Holanda

CATARSE JULIO CESAR Goleiro, um dia após a derrota

“O primeiro tempo foi perfeito, o primeiro tempo foi perfeito...”

Jamil Chade

Muito choro e busca de uma explicação.Anoitedaseleçãobrasileira após a derrota contra a Holanda foi provavelmente a mais longa e dolorosa na carreira de muitos dos jogadores brasileiros. Na manhã de ontem, no saguão do hotel em que a seleção está hospedada em Port Elizabeth, Julio Cesar, Juan e Elano não disfarçavam o abatimento e as horas de choro, enquanto integrantes da comissão técnica mantinham um silêncio sepulcral. Até o irreverente chefe da delegação, Andrés Sanchez, preferia se calar. Do lado de fora, torcedores brasileirosquepassavampelolocal a pé ou de ônibus não perdiam a oportunidade para gritar ofensas em direção às janelas dos quartos dos jogadores. Os torcedores holandeses buzinavameprovocavam aopassar pelo hotel brasileiro. Os jogadoresnãotiveramsossegoparador-

PAULO WHITAKER/REUTERS

ENVIADO ESPECIAL PORT ELIZABETH

Manifestações. A delegação brasileira, com Dunga à frente, deixa o hotel em Port Elizabeth, onde torcedores fizeram protestos mir e tentar relaxar depois da derrota. Foi assim a noite toda, segundo relatos de um membro da delegação.

Enquanto desciam lentamente para o saguão do hotel, já perto do meio dia de ontem, depois de uma noite mal dormida, os jo-

gadores não escondiam a decepção. Vários buscavam explicações e se mostravam completamente inconformados.

Os jogadores brasileiros ainda tiveramde ver erever as cenas do jogo nas televisões instaladas nosaguãodohotel.Algunsprefe-

riam virar de costas para não ter de assistir novamente ao que ocorreu. Estrangeiros que reconheciam os jogadores no hotel faziam questão de tentar consolar a seleção. “Não é o fim do mundo. Vocês sairão dessa”, dizia uma indiana que se aproximou dos jogadores para pedir um autógrafo. Pessoas próximas aos jogadores relataram ao Estado que a noite foi de desespero entre alguns dos atletas que participaram da campanha na África do Sul, sem ainda conseguir compreender a eliminação depois de estar vencendo a Holanda por 1 x 0 no primeiro tempo e permitir a virada. “Foi a noite mais pesada que eu já vivi. Quase todo mundo só conseguiu dormir quando o dia estava raiando”, comentou umintegrantedacomissãotécnica da seleção.

PAULO WHITAKER/REUTERS–1/7/2010

Lúcio acredita que continua sendo útil à seleção Marcius Azevedo ENVIADO ESPECIAL PORT ELIZABETH

A eliminação precoce da Copa do Mundo não é o fim da linha para o zagueiro Lúcio na seleção brasileira. Pelo menos esse é o desejo do capitão do Brasil na África do Sul. Aos 32 anos, o atle-

tasecolocouàdisposiçãodopróximo treinador. “Meu objetivo é permanecer na seleção e fazer o melhor para o Brasil enquanto eu tiver qualidade e disposição”, afirmou Lúcio, que estará com 36 anos em 2014 e dificilmente disputará seu quarto Mundial. “Não vejo problema em lutar pelo meu sonho que é vencer pe-

la seleção”, afirmou o zagueiro da Inter de Milão. “Enquanto eu tivercomessaalegria,querocontinuar”, disse o zagueiro, reforçando o desejo. Mesmosem ter certezade que estará na próximaCopa do Mundo, a ser disputada no Brasil, ele não aceita se despedir com a derrotadiantedaHolanda.“Euacre-

dito que não vai ser a última vez que vou vestir a camisa da seleção”, disse o capitão, muito decepcionado pela eliminação nas quartas de final. Assim como ocorreu em 2006, fez questão de elogiar o grupo e também confortar os jogadoresmaisjovens.“Nósperdemos, mas falei para todos sonha-

rem, buscarem seus objetivos na seleção, nos clubes. A história não para por aqui. Que sirva de lição para darmos continuidade ao trabalho”, falou o capitão, do alto de sua experiência. Lúcio,assimcomonaCopaanterior, na Alemanha, foi um dos que jogaram bem mesmo com a eliminação precoce.

PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP

Lado emocional derrubou a equipe, dizem psicólogos De acordo com especialistas ouvidos pelo ‘Estado’, desequilíbrio partiu de Dunga e se disseminou para o elenco Ana Paula Garrido

Nem falta de qualidade técnica, nem de preparo físico. O grande problema da seleção brasileira foi o desequilíbrio emocional do grupo, segundo psicólogos ouvidos pelo Estado. “Tecnicamente, eles estavam bem, faltou equilíbrio emocional. Logo que o jogo terminou, vocêviaque aemoçãodeles estava no gargalo”, observou a psicóloga Daniela Zanuncini. O presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac, observou um quadro mais complexo, o da pirâmide – que, de um lado, tem a parte técnica, do outro, a

física e, na base, a emocional. “O Brasil tinha um lado técnico mediano,ofísicocomváriosproblemas de lesões e a base completamente desestruturada.” Tal constatação, porém, não veio a partir de apenas um jogo. Segundo eles, a queda do Brasil envolve uma série de fatores. A começar do comportamento do técnicoDunga.“Eleestavaabalado, alguém da família estava doente e isso gera uma perda emocional”, explicou Daniela. Daí vêm as atitudes inadequadas, conforme resume Cozac: “Tanto nas coletivas como no banco, ele dava claras evidências de que não tinha condições para assumir a seleção brasileira numa Copa do Mundo.” Outro fator foi a expectativa emcimadogrupoeaimpossibilidade de desapontar: a ansiedade de desempenho. “É a pior coisa quepodeacontecercomumindivíduo. Essa necessidade de cumprir uma meta te faz respirar me-

QUESTÃO DE CABEÇA JOÃO RICARDO COZAC Psicólogo do esporte

“O Brasil tinha um lado técnico mediano, o físico com vários problemas de lesões e a base (emocional) completamente desestruturada” nos e você não raciocina direito. A tendência é a perda de performance”, disse a psicóloga. Apesar de Dunga ter mantido quase a mesma escalação durante os 47 meses em que liderou a equipe, isso não significa que os atletas se conheçam realmente. “Mesmo uma família que se conheçahá4,10,30anosteráconflitos e, se não souber como lidar, terá problemas”, disse Daniela. O quadro poderia ser evitado com um trabalho preventivo de psicologia, como 20 das 32 seleções fizeram desde 4 anos antes da Copa, segundo os especialistas. “Mais uma vez, faltou apoio

Nervosismo. Robinho se irrita com holandês Arjen Robben

Luta. Lúcio: ‘Sonho continua’

psicológico,por puro preconceito e desinformação da comissão técnica”, reclamou Cozac. A última vez em que a seleção teve um suporte desse tipo foi em 2002, quando conquistou o pentacampeonato liderada por Felipão. De lá para cá, o grupo enfrentou problemas opostos, masamboscom soluçãoassociada ao trabalho emocional. “Em2006,faltoucomprometimento dos atletas e era necessário motivar, principalmente, os jogadores mais velhos à beira de encerrar a carreira”, disse o psicólogo.“Agora,o técnicofoicentralizador e, ao mesmo tempo, inseguro nas decisões, o que pode ter comprometido o resto do grupo.” Cozac aproveita para deixar um recado, em tom de apelo, para a Copa de 2014, que será realizada no próprio País e, por isso mesmo, sujeita a uma pressão enorme. “Haverá muito mais cobrança e o nível de estresse subirá.Porisso,émaisdoqueimprescindível que comece agora um trabalho de acompanhamento psicológico,tãologosejanomeado nova comissão técnica.” Para não repetir, pela terceira vez, o erro do futebol brasileiro de “considerar o trabalho psicológicouma fragilidade”.“Em vez de combater, prefere-se ocultar”, afirmou.


O ESTADO DE S. PAULO

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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Diário da Copa

DANIEL PIZA Baile germânico 29Aº DI

A

Alemanha fez o que veio fazendo em toda a Copa à exceção do jogo contra a Sérvia, onde entrou com pouca seriedade e terminou tendo Klose expulso. Botou correria sincronizada e qualidade técnica para cima da Argentina. O gol no começo, de bola parada, ajudou, mas, ao contrário do Brasil contra a Holanda, a Alemanha seguiu buscando o gol, ditando seu ritmo, focando na troca de passes constante e objetiva. Sem Ballack, que uma vez defini como um Raí piorado, o futebol praticado com prazer por Podolski, Schweinsteiger, Özil e Müller mostrou que um esquema organizado não tem nada a ver com um esquema engessado. A Argentina simplesmente não conseguia acompanhar aquela movimentação. Os melhores lances da Argentina

foram isolados, tentativas individuais de reverter uma partida que começou tão desfavorável à base de arranques e dribles. Na primeira metade do segundo tempo, chegou com perigo algumas vezes, apesar de Messi mais uma vez ter sido fominha e falhado nas finalizações (Craque que despreza a arte de fazer gols vai aos poucos deixando de ser craque). Mas, com o passar dos minutos, a Alemanha voltou a envolvê-la com trocas de bola pelas pontas, explorando todas as fraquezas defensivas da Argentina, principalmente pelo lado esquerdo do ataque. Foi um massacre: 4 x 0. E Klose, com dois gols, fica a apenas um de Ronaldo como o artilheiro das Copas. Decididamente, o Brasil não detém a única escola de bom futebol do mundo. Leio, por sinal, que o Brasil teve a

Diferente de 2006, Teixeira elogia ‘empenho do time’ Presidente da CBF criticou seleção há 4 anos, mas agora isenta elenco de culpa pela eliminação na África Robson Morelli ENVIADO ESPECIAL JOHANNESBURGO

Para Andrés Sanchez, chefe da delegação do Brasil na África do Sul, era fundamental dar uma resposta à nação sobre o fracasso do time na Copa. Era preciso um ponto final na história. Por

isso ele foi o maior incentivador, ainda no vestiário do Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, para que os jogadores enfrentassemocaminho tortuoso da zona mista, em que um batalhão de repórteres do mundo inteiro os esperava com perguntas de todos os tipos. Algumas certamente muito incômodas. Ninguém ficaria para trás. Os 23 jogadores de Dunga manteriam auniãoaté aúltima caminhada,a mais difícil de todas: a das explicações para a derrota. Antesde elessaíremdovestiário, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pediu a palavra. Fez

isso quando a maioria dos jogadores ainda estava chorando copiosamente, alguns em sua últimaCopa,outrosaindanaprimeira. Teixeira agradeceu o empenho do grupo, o comprometimento de todos durante os 44 dias de preparação e disputa e disse que a vida de todos ali não podia parar com aquele fracasso. Não cobrounada. Erapreciso levantar a cabeça e seguir. Ricardo Teixeira permanecerá na África do Sul por mais alguns dias. Sua preocupação se volta agora unicamente para o lançamento oficial da Copa de 2014, que será no Brasil. O even-

pior campanha desde 1990, quando o time liderado por Dunga dentro de campo fez aquele papelão. Nem em 2006, quando caiu nas quartas diante da França de Zidane, foi embora com tão poucos gols feitos e tantos sofridos. A culpa, claro, tem caído toda em Dunga e Felipe Melo, um pela convocação e conservadorismo, o outro pelo gol contra e expulsão. Mas os outros jogadores também têm parcela de culpa, inclusive o trio de ataque. Não adianta Kaká alegar dores, por exemplo; ficou bem abaixo do que podia não só fisicamente, mas também tecnicamente, não fez gol e não acertou arranques. Luís Fabiano fez três gols, mas um deles foi irregular e, mais importante, ele participou pouco dos jogos. Robinho fez dois gols e se saiu melhor na média, mas

to de transição de um Mundial para o outro acontecerá em Johannesburgo,nodia8,comapresença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Pelé e o ex-atacanteRomário,além deumasériede outrosilustresconvidados dofutebol do País. Nos próximos dias, Teixeira e o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, conversarão também sobre outra transição: a de Dunga. É preciso escolher o treinador para os amistososdosegundosemestre. Eoprimeiro já está marcado para agosto, contra os EUA. Um novo ciclo se abre na seleção. O presidente da CBF falou pouco. Preferiu poupar o grupo que estava destruído pelos cantos do vestiário. Como também estavaDunga, semprecomJorginho ao seu lado. Paiva comentou na manhã de ontem nunca ter visto tamanho sofrimento em seus 21 anos de carreira no mundo do futebol. A volta de ônibus do estádio para o hotel foi em silêncio absoluto. E assim tudo permaneceu atéojantar,todosjuntos.OgoleiroJulio Cesar se levantou da mesa e começou a agradecer a parti-

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desapareceu de novo na hora H. O pisão de Felipe Melo em Robben é a síntese dos problemas que essa seleção demonstrou, e não por acaso atravessou o mundo nas capas de jornais. Mas outra imagem igualmente triste é a de Robinho tentando dar bronca em Robben por supostamente ter caído sem motivo; só que ele foi claramente derrubado por Daniel Alves. O Brasil, como disse Cruyff, costumava gostar de jogar com a bola. Nessas duas imagens é o adversário quem está tratando bem a Jabulani. Eis o que se deve resgatar. estadão.com.br Blog. Acompanhe outras notícias e análises da Copa http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/

OS PRÓXIMOS PASSOS ●

Novo técnico

Copa América

A partir de agora, a CBF trabalha para a escolha de um novo treinador para a seleção brasileira, já que o contrato de Dunga está vencendo e não será renovado

A próxima competição oficial que a seleção disputará será a Copa América, marcada para o ano que vem, na Argentina, de 3 a 24 de julho

Amistoso

Sem Eliminatórias

O primeiro jogo que o Brasil realizará depois da Copa será contra os Estados Unidos

Como é sede do Mundial de 2014, o Brasil não precisará disputar as Eliminatórias

cipação de todos na competição. Houve mais choro, mais abraços, a última dose de incompreensão com o que havia acontecido horas antes, a derrota para a Holanda. Julio Cesar focou o bom primeiro tempo do time, com gol e pelo menos duas jogadas para acabar com o jogo. O restante foi fatalidade, tentou consolar os companheiros. Dunga também se encorajou paradizeralgumaspalavras.Preferiu ressaltar o resgate do “patriotismo”edoamordosjogadores em vestir a camisa da seleção brasileira. Seu último pedido foi

para que todos voltassem juntos para o Brasil e não se dispersassem comoocorreu após o fracasso na Alemanha, em 2006. Foi sua última alfinetada nas coisas deWeggis,palcodos treinospreparatórios do Mundial anterior. Ninguém dormiu depois. Todos permaneceram em seus quartos, conversando, vendo na tevê o vídeo teipe da partida, os melhores momentos mostrados àexaustão peloscanais de esportes da África. A maioria só conseguiu cochilar quando o sol de Port Elizabeth estava nascendo, por volta das 7 horas. PAULO WHITAKER/REUTERS–2/7/2010

Dedicação não faltou. De acordo com a CBF, desta vez não faltou determinação, disciplina e comprometimento por parte dos jogadores da seleção, e derrota ocorreu por circunstâncias do futebol

Próximo amistoso terá apenas ‘brasileiros’ CBF planeja que substituto de Dunga já faça a convocação para jogo contra os EUA, no dia 10 de agosto Luiz Antônio Prósperi ENVIADO ESPECIAL JOHANNESBURGO

A seleção brasileira embarcou ontem à noite no aeroporto de Johannesburgo com destino ao Rio de Janeiro. E só volta a se reunir sob nova direção dia 10 de agosto,noamistosocontraosEstados Unidos, em Nova York. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, deverá escolher um substituto para o técnico Dunga

antes de 20 de julho. E o novo treinadorvaiconvocarapenasjogadores que atuam no Brasil. A decisão de não chamar os atletas de clubes estrangeiros é da CBF. A maioria dos “estrangeiros” convocáveis estará de férias ou em pré-temporada com seus times europeus. Com esta iniciativa,aentidadeabreocaminho para a nova geração do futebol brasileiro entrar em campo. “Não podemos nos esquecer que a Copa de 2014 vai ser em casa. A responsabilidade da seleção será muito grande. Toda aquelapressão deganharno Brasil, isso tudo pesa no momento de a CBF dar os próximos passos com a equipe”, contou Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da entidade, ontem, antes de deixar Port Elizabeth com a delegação.

EDUARDO NICOLAU/AE–16/6/2010

Urgência. Ricardo Teixeira vai escolher técnico rapidamente RicardoTeixeiraainda nãodefiniu o novo treinador. Sua decisão só vai ser anunciada após o dia 13, provavelmente em São

Paulo. Mano Menezes, técnico do Corinthians, continua forte no páreo contra Luiz Felipe Scolari, líder das enquetes na inter-

net, e Leonardo, ex-técnico do Milan. Vanderlei Luxemburgo, doAtléticoMineiro, eMuricyRamalho, do Fluminense, correm por fora. Uma coisa é certa: está totalmente descartada a opção por um técnico com o perfil de Dunga. A CBF, apesar do balanço positivo da gestão dos últimos quatro anos, não quer mais dor de cabeça com a mídia pelo menos nospróximosquatroanos.Équase consenso na entidade que o treinador também deve ter lastro, boa bagagem, e não ser um inexperiente como Dunga. Seja qual for o eleito, o novo treinador terá de reconstruir a seleçãosem jogadores consagrados no exterior, pelo menos nessa primeira etapa. Dos que atuam no Brasil, Ganso e Neymar, do Santos, são nomes certos para a primeira convocação. Outros nomes relegados nesta Copa, estão bem cotados com

a CBF. Do São Paulo, Hernanes, Alex Silva e Miranda. O futebol gaúcho vem com Giuliano, meia do Inter, e o volante Adílson, do Grêmio. No Rio, Philipe Coutinho, meia do Vasco, também tem boas chances. Aconvocaçãoestáprevista para o dia 25, atendendo ao limite legal imposto pela Fifa. Mas, como a lista terá apenas jogadores declubes brasileiros, o prazo pode ser estendido até uma semana antes do jogo. Até o final do ano, a seleção deve disputar pelo menos mais cinco partidas. Sem participar das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa de 2014, por ser o país sede, o Brasil terá pela frente a Copa América em 2011 e a Copa das Confederações de 2013 em casa como competições oficiais.Oherdeiro deDungadeverá montar o novo time tendo como base uma infinidade de amistosos.


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

VERISSIMO

O BLATTER JÁ ACEITA A IDEIA DA TECNOLOGIA NO FUTEBOL. MAS AINDA TEM QUEM RESISTA

Depoisdo clorofórmio arece que o Blatter já aceita a ideia de recorrer à tecnologia para evitar erros como aquele chute do Lampard que bateu no travessão, entrou meio metro e não valeu. Mas ainda tem gente que resiste, por várias razões. A tecnologia desprestigiaria os árbitros. Interromperia as partidas e poderia criar mais controvérsias do que as que solucionaria. E a que parece ser a objeção principal: mudariao futebol, cujas regras se alte-

P

raram muito pouco desde o século dezenove, e cujo conservadorismo – com erros e tudo – faz parte do seu encanto. Em suma, o futebol perderia sua autenticidade, que inclui a falibilidade de juízes e bandeirinhas e a possibilidade de xingá-los por semanas. O que me lembrou uma história que contam sobre o C.S.Lewis, medievalista, filósofo do cristianismo, professor respeitado, mas que ficou famoso mesmo como autor de “As crônicas de Nárnia”. Certa vez Lewis participava de um seminário e ouvia pacientemente enquanto um estudante, querendo agradaraoeminente especialistaem históriaantiga, discorria sobre a superioridade da Idade Média, quando Igreja, Estado e sociedade compartilhavam uma ideia integrada do mundo e da vida, sobre a era moderna. O

moço lamentava não ter vivido então. Ao que Lewis perdeu a paciência e pediu para ele parar de dizer bobagens. – Feche os seus olhos – disse Lewis – e concentre sua alma sensível em como seria, exatamente, sua vida antes do clorofórmio. Monitor. Conceitos românticos sobre uma vida idílica num mundo pastoral, antes que a indústria e a ciência a conspurcassem, não levam em conta a ausência de qualquer forma de anestesia, salvo o porre ou o porrete. Além, claro, da ausência de esgoto, água corrente, eletricidade, penicilina e tele-entrega de pizza. Achar que a adoção de, por exemplo, um monitor de TV na beira do campo para o quarto árbitro ver se a bola entrou ou não entrou e avisar o juiz comprometeria a

pureza do jogo é um pouco como saber que já existeo clorofórmio enão usá-lo,porque sentir dor é mais autêntico. Agora, você também pode ver o futebol como um último foco de resistência antes que a tecnologia, que já domina o nosso cotidiano, também se aposse de todas as nossas vias de escape, como já acontece nos esportes americanos. Neste caso, é romantismo justificado.

Projeto de Pirituba será exibido à Fifa TIAGO QUEIROZ/AE–22/6/2010

Kassab chega à África na terça e pretende anunciar parceiros para a construção do estádio da abertura de 2014 Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL PORT ELIZABETH

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), desembarca nesta terça-feira em Johannesburgo com a possibilidade de anunciaroficialmenteaconstrução do novo estádio em Pirituba para receber o jogo de abertura da Copa de 2014. Segundo pessoas próximas às negociações, Kassab espera já poder anunciar quem pagará pela obra e os detalhes sobre o projeto. A Fifa confirma que, nesta semana, terá reuniões com representantes da Prefeitura para falar sobre o assunto e vai pedir pressa aos brasileiros para que as obras finalmente comecem. O anúncio final de Kassab só não é certeza porque ainda depende das negociações com a Fifa. Se o projeto que Kassab levar receber o sinal verde, o anúncio da nova arena poderá ocorrer na quinta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estiver na África do Sul para lançar o logo oficial da Copa de 2014. OEstádiodoMorumbifoivetado sob alegação de que não tinha projeto adequado nem garantia de financiamento por parte das autoridades públicas. Ainda que a exclusão do estádio tenha sido anunciada em conjunto pela Fifa e pela CBF, a entidade máxima dofutebolempurrouaresponsabilidade pela decisão à entidade presidida por Ricardo Teixeira. Nem a Fifa nem a CBF imaginam uma Copa do Mundo sem a cidade de São Paulo e, assim que o veto foi orquestrado, a Fifa insistiu que apenas aceitaria a exclusão do estádio paulistano se

Torcida pela arena. Região de Pirituba, na zona oeste de São Paulo, deve ter acentuada valorização com a construção do complexo multiuso um projeto viável fosse o substituto. O candidato natural era o complexo de Pirituba. Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol,chegou adarindicações ● Pendências

Além do financiamento da obra, a Prefeitura tem outros desafios para viabilizar o estádio em Pirituba. O projeto ainda não tem licença ambiental e é preciso melhorar o acesso ao futuro complexo.

‘Triste’, Lula reclama de J. Cesar e Felipe Melo Leonêncio Nossa ENVIADO ESPECIAL SAL, CABO VERDE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, ontem, que ficou em “depressão” com a derrota do

Brasil para a Holanda. Em tom de brincadeira, ele se candidatou ao cargo de técnico do time que disputará a Copa de 2014. “Vamos ver se o Ricardo Teixeira(presidentedaCBF) vaimeconvidarparasertécnico,ou bandei-

Garantia. A Prefeitura discute o formato de financiamento da obra, que tomaria como base uma parceria público-privada. Entre os investidores, parte importante viria do exterior. Para a Fifa, a Prefeitura teria de dar garantia financeira para a obra ser aprovada. No caso do Morumbi, o vice-presidente da Fifa, Julio

Grondona, indicou que a falta dessa garantia acabou convencendo a entidade de que não poderia contar com o estádio. NaFifa, anovela já tirou a entidade do sério. Ela quer garantias de que, se o estádio de Pirituba foraprovado,aslicitações, financiamento e obras sejam aceleradas e que pelo menos parte do trabalho comece em 2010. “Precisamos de um novo estádio. Não há alternativa”, disse Andrés Sanchez, presidente do Corinthians e chefe da delegação brasileira na Copa.

rinha”, disse. “Ninguém vai tirar de nós a Copa. Não vamos repetir 1950.” Lula ainda criticou aestrutura do futebol no Brasil e na Argentina e lamentou que os melhores craquesdocontinentesul-americano jogam na Europa. “A verdade é que o Brasil e a Argentina não jogam o melhor futebol”, avaliou. Na entrevista, ele admitiuque esperava fechar o giro pela África, no próximo dia 11, em Johannesburgo, com uma festa brasileira no Soccer City. “Acha-

va que o Brasil estava com cara de campeão. Não deu certo.” Ao lamentar a eliminação do Brasil, o presidente se queixou das falhas do goleiro Julio Cesar edovolanteFelipeMelo,emconversa informal com jornalistas. Contou que não conseguiu dormirbem apósaderrota. “Foi difícil dormir. Não estou bem, não. Vaidemorarmesesparamerecuperar”, disse o presidente. Embora tenha citado os dois jogadores nas reclamações, Lula evitouapontarculpadospelofra-

de como seria esse projeto. Segundo ele, a arena seria para 80 mil pessoas, com um dos maiores centros de convenções do mundo acoplado ao estádio.

PARA LEMBRAR

Queda do Morumbi foi duro golpe O Comitê de São Paulo para a Copa de 2014 apostava no Morumbi para a abertura da competição. Mas o São Paulo não cumpriu as exigências financeiras, de acordo com a Fifa, e, por isso, o estádio acabou

cassobrasileiro.Poupouatémesmo o técnico Dunga. Quando chegou à cidade de Sal,nanoitedesexta-feira,declarouqueDungafezumbomtrabalho à frente da seleção. Ontem, esforçou-se para demonstrar diplomacia ao ser questionado sobre a eliminação da Argentina com a derrota para a Alemanha por 4 a 0. “Estou muito triste”, comentou, sem, no entanto, segurar um sorriso de ironia. “Eu me definho fico triste quando cai um time do Mercosul.”

sendo excluído da disputa. Agora, a capital paulista tem de correr para buscar uma solução para não ficar fora da Copa. E o objetivo é receber a abertura. A Fifa e a CBF garantem que a maior cidade do Brasil fará parte do evento. A Prefeitura garante que dinheiro público não será usado na construção da nova arena.

CABEÇA QUENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Presidente da República

“Foi difícil dormir. Não estou bem, não. Vai demorar meses para me recuperar”

MIKE HUTCHINGS/REUTERS–2/7/2010

Fifa tira gol contra de Felipe Melo e dá a Sneijder JOHANNESBURGO

O Grupo de Estudos Técnicos (GET) da Fifa concedeu, ontem, a Wesley Sneijder a autoria dos dois gols da vitória da Holanda sobre o Brasil por 2 a 1, em jogo realizadoanteontem,pelasquar-

tas de final da Copa. O primeiro gol holandês havia sido creditado pelo árbitro japonês Yuichi Nishimura a Felipe Melo contra. Sneijder, com isso, chegou a quatro gols na Copa do Mundo. E Felipe Melo escapa de ter emsua história umgol contra emMundiais.Embora esselance tenha sido o menor dos problemas do jogo com a Holanda. Sua expulsão, ao pisar em Robben, certamente não será esquecida

tão cedo, pois foi decisiva para a precoce eliminação do Brasil na África do Sul. O GET, formado por ex-jogadoresetécnicos, éo órgãoencarregadopelaFifapararesolver dúvidas sobre lances como esse, e, após examinar a jogada do gol em vídeo, decidiu dar a Sneijder o crédito pelo gol. O holandês cobrou falta na área e Felipe Melo raspou de cabeça antes de a bola entrar.

Ficha limpa? Volante escapa de ter gol contra em Copa, mas expulsão não será esquecida


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2

confrontos

“Vai ser muito difícil. Mas agora vamos comemorar a classificação”

na história fizeram as seleções de Holanda e Uruguai, com uma vitória para cada lado

Diego Forlán, atacante da seleção uruguaia, falando sobre a Holanda, rival de terça, e mostrando o desejo de festejar, até hoje, a vitória sobre Gana

Desfalques Quatro jogadores não disputarão a semifinal por suspensão: De Jong e Van der Wiel pela Holanda e os uruguaios Fucile e Suárez

FRANCK FIFE/AFP

ENTREVISTA

Van Persie Atacante da Holanda

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL PORT ELIZABETH

Depois da vitória sobre o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo, o atacante Robin van Persie acredita que o caminho está finalmente aberto para que a Holanda conquiste seu primeiro título mundial. Após passar perto da consagração em 1974 e 1978, os holandeses agora creem que podem vencer. Deixaram no passado o “futebol total”, mas atuam de forma pragmática e eficiente. Van Persie conta que o time e ele mesmo estão crescendo na competição. “Viemos para ser campeões do mundo e nada vai nos

● Na partida contra o Brasil, a

seleção da Holanda foi dominada no primeiro tempo, mas acabou virando o jogo no segundo. Como você explica isso?

Começamos o jogo muito nervosos. Estávamos com medo e isso ficou claro em campo e no resultado. Nesse momento, o Brasil fez o gol e entramos em choque. Essa foi a verdade. O Brasil perdeu a chance de golear e liquidar a partida. Mais um gol teria fechado o jogo. ● O que ocorreu para que houves-

se uma virada?

gols

apenas sofreu a Holanda nesta Copa contra apenas 2 da boa defesa do Uruguai MICHAEL KOOREN/REUTERS - 1/7/2010

‘Ganhamos doBrasil.Agora, qualquercoisa podeacontecer’ afastar desse objetivo.” O polêmico atacante criou uma crise no time ao questionar uma substituição. Essa não foi a primeira polêmica de sua vida. Em 2005, chegou a ser posto na prisão por duas semanas, acusado de estupro. Van Persie acabou inocentado. Nesta Copa, chega às semifinais com apenas um gol marcado. Mas aposta que vai desencantar. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado.

3

E9

QUEM É ROBIN VAN PERSIE Idade: 26 anos Natural: Roterdã, Holanda Posição: Meia-atacante Altura: 1,84 m Peso: 71 kg Jogos pela seleção: 49 Gols pela seleção: 19 Clube atual: Arsenal (ENG) Carreira: O jogador, formado nas categorias de base do Excelsior, foi contratado pelo Feyenoord, em 2001, ainda antes de se tornar profissional. Em 2004, fechou com o Arsenal. Títulos: Copa Uefa 2001-02 e Copa da Inglaterra 2004-05

Virada marcante. ‘A vitória sobre o Brasil será um oxigênio fundamental em nossas aspirações’, afirma o confiante Van Persie Uma bronca geral do técnico sobre nós. Ele (Bert van Marwijk) e nós, jogadores, entramos em um acordo de que tínhamos realmente de trabalhar no nosso estilo de jogo e que não deveríamos nos intimidar com o Brasil. Foi isso que fizemos e fomos melhorando cada vez mais. Após o primeiro gol, o time enfim deslanchou. ● Felipe Melo foi expulso e o jogo

foi truncado. Você considera que os times foram violentos?

Não. O Brasil não foi violento. A expulsão de Felipe Melo foi normal e o lance poderia ter

ocorrido em qualquer jogo e com qualquer seleção. O que aconteceu é que o Brasil jogou duro, como vinha sendo seu estilo nesta Copa.

quer coisa agora pode acontecer. Viemos para vencer e estamos mostrando isso.

● Você foi alvo de uma polêmica depois de ter sido substituído no jogo contra a Eslováquia. A guerra de egos pode mais uma vez atrapalhar a Holanda na Copa?

● Em cinco jogos, você marcou apenas um gol. Isso não é pouco para um atacante da seleção que quer ser campeã?

Viemos para ser campeões do mundo e nada vai nos afastar desse objetivo. A vitória sobre o Brasil será um oxigênio fundamental em nossas aspirações. A motivação agora é muito grande. Ganhamos do Brasil. Qual-

Eu não estou satisfeito com minha atuação. Mas acredito que tenho duas chances ainda para mostrar meu futebol.

“Não viemos para chegar apenas às semifinais. Claro que é tudo muito legal, mas eliminamos apenas um dos favoritos ao título. Agora é que a disputa começa de verdade” Arjen Robben, astro da seleção holandesa DANIEL DAL ZENNARO/EFE

El Loco entra na briga por vaga após cobrança decisiva Irreverente, atacante agradece fato de Gana não conhecer seu estilo de bater pênalti que já deu título ao Botafogo Daniel Akstein Batista ENVIADO ESPECIAL JOHANNESBURGO

A união faz a força uruguaia. A união e a descontração. Sebastián Abreu não é titular e tem entradopouconosjogos,masoatacante do Botafogo personifica a alegria da seleção. Irreverente e

descontraído, não ganhou o apelido que vai junto ao seu nome à toa. Loco Abreu é pura loucura. E pode ganhar um lugar no time na semifinal contra a Holanda, terça-feira, na Cidade do Cabo, após a expulsão de Suárez na emocionante partida de anteontem, contra Gana, decidida nas cobranças de pênaltis. Ocamisa13 cobrouapenalidadefinalquecolocouaCelestenuma semifinal de Copa após 40 anos.Com uma “cavadinha”, enganou o goleiro ganês, Richard Kingson, e comemorou. Assim como fizera contra o Flamengo, no título carioca do Botafogo.

“Eu sempre bato assim e o pessoal me passa confiança”, disse. “Ainda bem que a internet não chegou a Gana, senão eles saberiam como eu bato”, brincou. Mas não é exagero fazer isso justo num momento decisivo? “Não foi uma loucura. Foi com categoria, uma demonstração de classe”, elogiou o técnico Oscar Tabárez. “Por que não pode baterumpênaltiassim? Euo felicito.”OmeiaArevalo, porém,admitiu que se assustou com a cobrança. “Ele é um filho da p...”, brincou. Loco Abreu não mostra sua forte personalidade apenas em

RODRIGO ARANGUA/AFP

Confiança. Abreu diz que sempre bate pênalti com ‘cavadinha’

campo. Fora dele, o atleta é responsávelpelamaioriadasbrincadeiras do grupo. Assim como Forlán, não desgruda de sua câmerae registratodos osmomentosdapassagemuruguaianaÁfrica do Sul. Empolgado pela campanha, Abreu sonha com o título, mas sem tiraros pés do chão.“Temos de seguir jogo a jogo e confiarmos na gente mesmo”, falou. Tabárezavisouque o timeestá pronto para fazer história e chegar a uma final após 70 anos, em busca do terceiro título. “A Holanda é um forte time, mas nosso grupo é compacto e unido”, afirmou,lembrandooespíritodaCeleste Olímpica: “Se existe uma esperança, temos de acreditar até o fim.”


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Tabelão ARTILHEIROS

O holandês foi declarado pela Fifa o autor do gol contra de Felipe Melo e só está atrás de Villa na artilharia

4Wesley gols

Sneijder

Rommedahl e Tomasson (DIN); Birsa, Koren e Ljubijankic (ESL); Millar e Iniesta (ESP); Kopunek (ESV); Bradley e Dempsey (EUA); Malouda (FRA); Boateng e Muntari (GAN); Salpingidis e Torosidis (GRE); Robben, Kuyt, Van Persie e Huntelaar (HOL); Upson, Defoe e Gerrard (ING); De Rossi, Iaquinta, Di Natale e Quagliarella (ITA); Endo e Okazaki (JAP); Blanco e Márquez (MEX); Yakubu (NIG); Reid e Smeltz (NZL); Alcaraz, Riveros e Vera (PAR); Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida, Liedson, Raul Meireles e Simão (POR); Jovanovic e Pantelic (SER); Fernandes (SUI) e Pereira (URU). Contra: Chu-young (COR) para a Argentina; Agger (DIN) para a Holanda.

5 gols: Villa (ESP); 4 gols: Vittek (ESV), Higuaín (ARG), Sneijder (HOL), Müller e Klose (ALE). 3 gols: Forlán (URU); Luís Fabiano (BRA); Gyan (GAN); Donovan (EUA); Suárez (URU). 2 gols: Robinho (BRA); Hernandez (MEX); Tevez (ARG); Podolski (ALE) Holman (AUS); Honda (JAP); Eto’o (CAM); Elano (BRA); Chung-yong e Lee Jung-soo (COR); Kalu (NIG); Tiago (POR). 1 gol: Khumalo, Mphela e Tshabalala (AFS); Cacau e Özil (ALE); Demichelis, Heinze e Palermo (ARG); Cahill (AUS); Maicon e Juan (BRA); Drogba, Yaya Toure, Romaric e Kalou (CDM); Beausejour e Gonzalez (CHI); Ji Yun-nam (CON); Ji-sung e Park Chu-young (COR); Bendtner,

CARL DE SOUZA/AFP

Primeira fase GRUPO A

MÉXICO

URUGUAI

FRANÇA

África do Sul 1 X 1 México

11/6

Uruguai 0 X 0 França

11/6

África do Sul 0 X 3 Uruguai França 0 X 2 México

França 1 X 2 África do Sul

22/6

México Uruguai França

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

GRÉCIA

12/6 12/6

Argentina 4 X 1 Coreia do Sul

17/6

Grécia 2 X 1 Nigéria

17/6

Nigéria 2 X 2 Coreia do Sul

22/6

Grécia 0 X 2 Argentina

22/6

Argentina Nigéria Coreia do Sul Grécia

GRUPO C

INGLATERRA

COREIA DO SUL

Argentina 1 X 0 Nigéria

17/6 22/6

NIGÉRIA

Coreia do Sul 2 X 0 Grécia

16/6

México 0 X 1 Uruguai

África do Sul

ARGENTINA

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

GRUPO D

EUA

ARGÉLIA

Inglaterra 1 X 1 EUA

ESLOVÊNIA

ALEMANHA

AUSTRÁLIA

SÉRVIA

GANA

12/6

Sérvia 0 X 1 Gana

13/6

13/6

Alemanha 4 X 0 Austrália

13/6

Eslovênia 2 X 2 EUA

18/6

Alemanha 0 X 1 Sérvia

18/6

Inglaterra 0 X 0 Argélia

18/6

Gana 1 X 1 Austrália

19/6

Eslovênia 0 X 1 Inglaterra

23/6

Gana 0 X 1 Alemanha

23/6

Argélia 0 X 1 Eslovênia

EUA 1 X 0 Argélia Inglaterra EUA Argélia Eslovênia

Austrália 2 X 1 Sérvia

23/6

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

Alemanha Austrália Sérvia Gana

GRUPO E

HOLANDA

JAPÃO

CAMARÕES

Holanda 2 X 0 Dinamarca

14/6

Japão 1 X 0 Camarões

14/6

Holanda 1 X 0 Japão Camarões 1 X 2 Dinamarca Dinamarca 1 X 3 Japão Camarões 1 X 2 Holanda Holanda Japão Camarões

23/6

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

Pintura da Copa

GRUPO F

DINAMARCA

Dinamarca

MARTIN MEISSNER/AP

ÁFRICA DO SUL

GRUPO B

ITÁLIA

PARAGUAI

NOVA ZELÂNDIA ESLOVÁQUIA

Itália 1 X 1 Paraguai Nova Zelândia 1 X 1 Eslováquia Eslováquia 0 X 2 Paraguai

19/6

14/6 15/6

Eslováquia 3 X 2 Itália

24/6

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

Itália Paraguai Nova Zelândia Eslováquia

GRUPO G

Segunda fase

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

Oitavas de final

Quartas de final

EUA

1

Gana

2

FINAL

Semifinal

C. DO NORTE

C. DO MARFIM

ESPANHA

PORTUGAL

SUÍÇA

HONDURAS

CHILE

11/7 15h30

1(2)

Espanha

21/6

Green Point Terça-feira – 15h30

Espanha 0 X 1 Suíça

Portugal 7 X 0 Coreia do Norte 21/6

Espanha 2 X 0 Honduras

21/6

Coreia do Norte 0 X 3 Costa do Marfim 25/6

Suíça 0 X 0 Honduras

25/6

Chile 1 X 2 Espanha

25/6

Portugal 0 X 0 Brasil Brasil Coreia do Norte Costa do Marfim Portugal

25/6

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

Espanha Suíça Honduras Chile

1

Holanda

Brasil 2 X 1 Coreia do Norte 15/6

Chile 1 X 0 Suíça

C. do Sul

16/6

16/6

●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●● ●●●●●●●●●

Brasil

3

Chile

0

Holanda

2

Eslováquia

1

Argentina

0

Alemanha

4

Disputa de 1º e 2º colocados

Alemanha

Honduras 0 X 1 Chile

Brasil 3 X 1 Costa do Marfim 20/6

2 Uruguai

15/6

Costa do Marfim 0 X 0 Portugal

Uruguai

Quartas de final

Soccer City Gana

GRUPO H

Semifinal

Uruguai 1(4) BRASIL

Galeria. Acompanhe imagens do Mundial http://esportes.estadao.com.br

24/6

Paraguai 0 X 0 Nova Zelândia 24/6

24/6

estadão.com.br

A instável defesa da Argentina não foi páreo para a eficiência da máquina alemã. O experiente Demichelis tentou evitar o pior contra a seleção do jovem Khedira. O confronto dos cabeludos acabou em tristeza para os fãs do tango.

20/6

Itália 1 X 1 Nova Zelândia 20/6

19/6

● Cabelos em pé

Brasil

1

Holanda

2

Disputa de 3º e 4º colocados

Durban Quarta-feira – 15h30

Nelson Mandela

Oitavas de final

México

1

Argentina

3

Alemanha

4

Inglaterra

1

Paraguai 0(5) Paraguai

0

Espanha

1

Japão

0(3)

* Decisão nos pênaltis

10/7 15h30

Espanha

1

Portugal

0

Vuvuzela brasileira A voz dos leitores do estadão.com.br

“O Brasil perdeu, mas não saiu humilhado. A Argentina, porém, apanhou feio. Vá para casa, Maradona, e fique quietinho” ●

Stephan

“Messi, o bebê da Argentina e melhor do mundo, se despediu da Copa do Mundo sem gol nenhum” ●

Rogerio

“Cadê a arrogância argentina? Tomaram de 4. Essa Copa é a mais surpreendente de todos os tempos” ● Murilo

POLÍTICA E FUTEBOL

BALANÇA, MAS NÃO CAI

JAPÃO

PORTUGAL

Fifa sobe o tom com governo da Nigéria

Fabio Capello segue na seleção inglesa

Dois argentinos cotados para assumir a seleção

Federação satisfeita com papel na Copa

A polêmica em torno da medida anunciada pelo governo da Nigéria de suspender a seleção por dois anos fez a Fifa engrossar as críticas. O porta-voz da entidade, Nicolas Maingot, afirmou que a Nigéria será suspensa de competições internacionais caso o governo não recue. O representante do país no comitê executivo da Fifa, Amos Adamu, chega amanhã ao país para tentar mediar uma solução para o impasse.

A Federação da Inglaterra anunciou que o técnico italiano Fabio Capello (foto), que comandou a seleção na Copa, permanece à frente da equipe. O treinador, que dirige o time desde 2008 e recebe o mais alto salário entre os colegas no Mundial (cerca de R$ 19,3 milhões por ano), afirmou que a decepção na África do Sul é motivação para uma boa Eurocopa em 2012, na Polônia e Ucrânia. “Posso assegurar aos torcedores que já estamos concentra-

O Japão parece estar atrás de um toque portenho para a seleção. Segundo o jornal Nikkan Sports, dois treinadores argentinos são os mais cotados para assumir o lugar de Takeshi Okada após a eliminação nas oitavas, frente ao Paraguai: José Pekerman (foto), que comandou a Argentina em 2006, e Marcelo Bielsa. Este, no entanto, está mais longe: os chilenos já fazem campanha para que ele permaneça, após levar a seleção às oitavas nesta Copa.

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, elogiou o desempenho da seleção portuguesa. Ele ressaltou que Portugal perdeu para o atual campeão europeu, a Espanha, por um placar mínimo – e ainda por cima irregular. A pressão pela demissão do técnico Carlos Queiroz cresceu nos últimos dias, mas o dirigente rejeita a hipótese. “Isso está completamente fora de questão”, afirmou.

dos para conseguir a vaga”, disse. Ele também deve promover uma renovação para os próximos anos na seleção inglesa. “Vamos procurar colocar novos jogadores”, afirmou o técnico.


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E11

APENAS UMA HORA DEPOIS DA ELIMINAÇÃO DA COPA, DUNGA JÁ ERA UM PASSADO DISTANTE

UGO GIORGETTI

Vocação nacional

V

i o jogo contra a Holanda num lugar cheio de gente. Muitos jovens espalhados pelas mesas, alegres, profundamente alegres, antes do jogo.Havianorecintopelomenosdoisdesses instrumentos cujo nome me soa vagamente pornográfico, as tais vuvuzelas. Os instrumentistas, que tinham por objetivo arrebentar meus tímpanos de qualquer maneira, se ocultavam estrategicamente pelo ambiente e eu não conseguia identificá-los. Não que isso pudesse fazer alguma diferença. Provavelmente me limitaria a lhes lançar um olhar de desprezo que eles, com toda certeza, ignorariam e voltariam a fazer soar suas vuvuzelas. O fato é que tudo ia bem, o Brasil marcou e o caminho

para a semi final estava aberto. O que me chamava a atenção, porém, era o incrível ardor patriótico dos jovens da torcida. Vibravam como não me lembro de ter visto algo semelhante em nenhuma Copa anterior. Se desesperavam, gritavam alucinados, possessos. Quando o Brasil marcou foi uma loucura. E aalegriacontinuouatéo fimdoprimeirotempo. No segundo, como todos sabem, foi só sofrimento. A garotada em meu redor estava indo quase às lágrimas, roía as unhas, perto de arrancar os cabelos. Finalmente, o pior. O juiz apita e o Brasil estava fora da Copa. Pensei em sair rapidamente do ambiente para não presenciar cenas que poderiam me incomodar, de choro convulsivo para cima. Dei graças a Deus por nada estar acontecendo. Pensei que era apenas o primeiro momento do choque e que logo depois viriam as lamentações e, quem sabe, as tragédias pelo desgosto e pela desilusão. Fui caminhando pela rua, cheguei à Paulista e nas aglomerações que vi ainda não havia nada de tão alarmante. Desci para o centro e decidi almoçar.

No restaurante, calmo e tranquilo, nenhum vestígio do jogo. Os garçons pareciam em outro país. De repente, entram duas pessoas vestidas com as cores da seleção. Estranhamente não pareciam muito devastadas. Fiquei observando-as durante o almoço e vi que comiam com grande apetite, conversando animadamente. Não fossem os uniformes e em nada lembrariam os fanáticos torcedores das vuvuzelas. Saíàruadepoisdoalmoçoecomeceiacaminhar. Nos bares, as pessoas se aglomeravam tomando suas cervejas e dando risadas. Uma hora depois de o Brasil perder da Holanda tudo parecia esquecido e, no centro de São Paulo, havia a paz de um dia de sol, de inverno ameno, com as pessoas gozando o clima. Onde tinha ido parar aquele fervor patriótico? Comeceiapensarsobreo brasileiro àluz do que via diante de mim. Pessoas ainda vestidas comascoresnacionaisbebericandoepapeando descontraidamente. E então algo me passou pela cabeça. Eu tinha tomado por patriotismo uma outra coisa. Não era patriotismo,

era apenas a alegria de um dia de feriado, em que ninguém ia trabalhar. Claro, havia a seleção, bem entendido. Mas não era importante. O importante era não ir ao trabalho e poder zanzar alegremente pelas ruas e gozar da tarde de céu azul. Pensei, e fiquei orgulhoso disso, que nossa vocação nacional não é para ser uma potência. Não é para entrar no clube dos poderosos da Terra, mas para ser feliz. E,afinal,oqueéafelicidadesenãovagabundear tranquilamente, sem pensar em coisas que só complicam a existência e fazem mal ao fígado? Dunga já era passado distante uma hora depois da derrota.

Tênis

Serena garante o tetra em Wimbledon Americana conquista o 13º Grand Slam de sua carreira com vitória incontestável sobre a russa Vera Zvonareva LONDRES

Depois do 5.º título do Aberto da Austrália, em janeiro, Serena Williams garantiu mais um Grand Slam em 2010. Ontem, a americana de 28 anos se tornou tetracampeãdoTorneiodeWimbledon, ao vencer com facilidade a russa Vera Zvonareva por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/2. A líder do ranking feminino passou a ser 6.ª maior vencedora deGrandSlamsdahistória–conquistou 13, tendo triunfado cinco vezes em Melbourne, superando a compatriota Billie Jean King, com 12. “É, Billie, te alcancei!”,brincouSerena,falandopara a ex-tenista que assistiu o jogo na tribuna real – a amiga devolveucomumsorrisoeumtchauzinho. “É notável estar na companhia de tantas grandes jogadoras. E 13 é o meu número de sorte.” Serena ainda venceu o US Open em três oportunidades e ganhou Roland Garros uma vez. Cabeça de chave número um

FESTA E DECEPÇÃO SERENA WILLIAMS Tenista americana

“Acho que nunca saquei tão bem. A cada vez que piso nesta quadra, meu saque melhora” VERA ZVONAREVA Tenista russa

“De fato, não pude fazer o meu melhor porque Serena simplesmente não permitiu” do torneio, Serena precisou de apenas 67 minutos para arrasar suarival. Maisuma vez, demonstrou porque é considerada uma das melhores tenistas de todos os tempos. A americana fez nove aces e quebrou três vezes o saque da rival russa. Em sete jogos, não perdeu um único set. Mais impressionante do que nunca em seus fortes saques, Serena

ALASTAIR GRANT/AP

conseguiu um total de 89 aces, recorde no torneio, alguns com velocidade superior a 200 km por hora. “Acho que nunca saqueitão bem”, admitiu, orgulhosa. “Mas, a cada vez que piso nesta quadra de grama, meu saque melhora.” Já Zvonareva, que disputou sua primeira final de Grand Slam, não conseguiu repetir as boas atuações como as que garantiramasvitóriasdiantedasérvia Jelena Jankovic e da belga KimClijsters. “De fato, não pude fazero meu melhorporqueSerena simplesmente não permitiu”, admitiu a russa de 25 anos, que, mesmo com a derrota, voltará a fazer parte do top 10 da ATP – ela deve assumir a 9.ª colocação. Presentinho. Serena usou uma

gargantilhadairmãVenus,eliminada nas quartas. O adereço foi umaespéciedeamuleto.Pelaprimeira vez, Serena derrotou uma adversária na final em Wimbledon que não fosse sua irmã mais velha. “Ela me emprestou para queeuvencesse. Agora nãosei se eu quero devolver...” A vitória de ontem aumentou a supremacia das Williams no torneio inglês – elas venceram nove das últimas 11 edições.

Rainha da grama. No 4º título, Serena não perdeu nenhum set e fez 89 aces em sete jogos

AS ÚLTIMAS CAMPEÃS ● ● ● ● ● ●

2010: Serena Williams 2009: Serena Williams 2008: Venus Williams 2007: Venus Williams 2006: Amelie Mauresmo 2005: Venus Williams

● ● ● ● ● ●

2004: Maria Sharapova 2003: Serena Williams 2002: Serena Williams 2001: Venus Williams 2000: Venus Williams 1999: Lindsay Davenport

Nadal, a um passo de repetir melhor ano da carreira Número 1 do mundo está na sua 2ª decisão de Wimbledon e pode levar 8º título de Grand Slam apenas com 24 anos LONDRES

Rafael Nadal está convencido a igualar nesta temporada seus resultados de 2008, ano em que chegou ao posto de número 1 do mundo e provou para o mito Roger Federer que poderia assom-

brá-lo em qualquer superfície. Depois de recuperar a coroa de Roland Garros, o espanhol hoje, às 10 horas (de Brasília), tem a chance de conquistar sua segunda taça de Wimbledon. Tomas Berdych é o único que ainda pode detê-lo na empreitada. “Não gosto muito de fazer comparações”, diz Nadal, que curte mesmo é estar em quadra e nãofalando.“Cadaanoécompletamente diferente. Mas, para mim, é incrível estar na final. A vitória sobre o (britânico Andy) Murray na semifinal foi uma das

mais difíceis da minha carreira.” Nadalfoioúnico ateroprivilégio de bater Federer na final de Wimbledon, exatamente em 2008. Agora poderá tornar-se o único espanhol a conquistar dois títulos na grama do All England Club – o único compatriota a deter um troféu é Manolo Santana, em 1966. Seria, ainda aos 24 anos de idade, seu oitavo título de Grand Slam – o recorde pertence ao suíço, 16 taças. Ano passado o espanhol que agora parece imbatível nem sequerjogouemWimbledon.Uma

GLYN KIRK/AFP

ALASTAIR GRANT/AP

Em alta. Nadal é favorito contra Berdych, a surpresa checa

Jogo Rápido CAMPEONATO BRASILEIRO

Palmeiras e Santos em campo para amistosos Com o auxiliar técnico Murtosa no banco, o Palmeiras enfrenta hoje o XV de Piracicaba, às 16h, no estádio Barão de Serra Negra, em Piracicaba. “Ainda é cedo para prever o que vai acontecer, por isso vamos aproveitar esses amistosos para conhecer

melhor o grupo”, diz Murtosa. Já o Santos pega a Ferroviária, às 16h, em Araraquara, sem Paulo Henrique Ganso, que se recupera de artroscopia no joelho. Outro desfalque é Léo, que ficará fora por três semanas por causa de lesão na coxa esquerda. No Corinthians, Ronaldo pode ser a surpresa no amistoso de quarta-feira contra o Comercial, no Mato Grosso do Sul. Paulo André, que teve seu empréstimo estendido, será o companheiro de zaga de William – Chicão segue se recuperando de lesão na coxa direita. Em fase final de recuperação, Rodrigo Souto e Miranda trabalham em dois períodos e devem ser liberados pelos médicos do São Paulo no início da próxima semana.

NÚMEROS

● ● ● ● ● ●

1998: Jana Novotna 1997: Martina Hingis 1996: Steffi Graf 1995: Steffi Graf 1994: Conchita Martinez 1993: Steffi Graf

tendinite nos joelhos impediulhe de defender o título em Londres e prejudicou a segunda metade de sua temporada. “É muito especial quando você passa por momentosdifíceiseconsegueretornar ao topo, mais saboroso.” Só que o checo Berdych, que já bateuFedereremWimbledoneste ano, faz sua primeira final de Grand Slam – estreou em semifinais recentemente, um mês atrás, em Roland Garros. Definitivamente, não está disposto a perderaoportunidade de seconsagrar com vitórias sobre os dois maiores mitos da atualidade na grama. “Vou tentar fazer o mesmo que fiz contra o Federer”, afirmou. “Ainda tenho muito a mostrar no último jogo.”

Melhor na tv VÔLEI

197

DIVULGAÇÃO/FIVB

● FUTEBOL

ciclistas largaram ontem na 97ª Volta da França – a edição será a última do heptacampeão Lance Armstrong. O espanhol Iban Mayoz foi o primeiro a sair para o prólogo, de 8,9 km, em Roterdã.

AMISTOSO Santos x Ferroviária

16h / SPORTV CAMPEONATO DO NORDESTE Vitória X Botafogo-PB

14h30 / ESPORTE INTERATIVO Náutico X Fortaleza

17h / ESPORTE INTERATIVO

10ª

etapa da Fórmula Indy será disputada hoje em Watkins Glen. O líder do campeonato é o australiano Will Power, com 274 pontos. O melhor brasileiro é Helio Castroneves, em 4.º lugar com 251 na temporada.

TÊNIS

WIMBLEDON Final masculina

Brasil bate a Coreia do Sul

10h / SPORTV2

Dante (C) foi o maior pontuador da seleção brasileira na vitória por 3 sets a 1 (27/25, 25/21, 22/25 e 25/13), na madrugada de ontem, pela Liga Mundial. O ponteiro marcou 22 vezes.

● VÔLEI LIGA MUNDIAL Sérvia x França

15h15 / SPORTV2


O ESTADO DE S. PAULO

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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

COPA 2010

Reportagem Especial

O ESTADO EM MBOMBELA ●

Lourival Sant’Anna (TEXTOS) Evelson de Freitas (FOTOS) ENVIADOS ESPECIAIS

ÁFRICA SELVAGEM TRANSFORMA SAFÁRIS EM MEIO DE PRESERVAÇÃO Caça controlada de animais nativos faz crescer turismo, receita e desenvolvimento local na savana

N

oBrasil,asreservasecológicas são territórios teoricamente intocáveis, nos quais atividades econômicassãoproibidas.Comohágentemorando dentro delas e no seu entorno, e é impossível fiscalizar seus imensosterritórios, todo tipo deatividade ocorre de forma ilegal e predatória. Na África do Sul, no lugar de reservas há 19 parques nacionais, dos quais o Estado retira arrecadação e as comunidades,empregos. Cometem-secrimes ambientais, mas numa dimensão muito menor. Nos parques nacionais, o governo entrega concessões para empresas privadas operarem hotéis, safáris, restaurantes e lojas, que vendem não só produtos industrializados, mas também peças de artesanato feitas pelas comunidades locais. De acordo com Reynold Thakluli, gerente de relações institucionais do South AfricanNationalParks,órgãodoMinistério do Meio Ambiente, menos de 20% dos gastos com manutenção são bancados pelo governo e 80% provêm das atividades privadas. Mas a iniciativa privada não atua só nos parques públicos. Centenas de reservas privadas surgiram a partir dos anos 40 na África do Sul, em geral em áreas contíguas ou próximas aos parques nacionais, aproveitando seus ecossistemas e o fluxo de turistas que eles atraem. Fazendas de gado e de ovelhas deram lugar a ranchos de safári. Muitas se consolidaram em cooperativas, formando as chamadas “conservancies”. Parte dos fazendeiros mudou de negócio, da agropecuária para o ecoturismo. Parte arrendou suas terras paraempresáriosdosetor.Hoje,muitos deles já estão na segunda ou terceira geração de filhos e netos de fazendeiros convertidos para o setor do turismo. E o movimento continua,commuitasfazendas sendovendidas ou arrendadas para safári. Segundo Grant Hine, presidente da Associação de Guias de Campo da África do Sul, o setor emprega 50 mil guias. Desses, entre 85% e 90% trabalham para empresas privadas. Os salários variam US$ 133 a US$ 1.066. Os safáris eram tradicionalmente negócio de brancos. O governo tem estimuladoacontrataçãodemoradores das áreas em torno das reservas, pagando pelo seu treinamento nas cerca de cem empresas credenciadas. Como resultado, entre 35% e 40% dos guias formados atualmente pela associação são negros, diz Hine. Os parques nacionais empregam diretamente 4,5 mil pessoas, além dos estagiários e dos empregos indiretos. Só no Kruger Park, o maior dos parques nacionais (19 mil km²), em Mbombela, são 1.885 funcionários permanentes, 202 temporários e 64 estagiários. Esses são os funcionários do governo. Além deles, há os

Atrações. Girafas, zebras, hipopótamos, macacos e gazelas fazem a alegria de turistas e caçadores; contraste com o modelo de reservas do Brasil

Traficantes e caçadores ilegais ameaçam conservação ● Os parques nacionais sul-africanos

não têm os problemas usuais das reservas brasileiras, como garimpo, extração de madeira e pesca ilegais. Seu desafio são as quadrilhas de caçadores clandestinos e traficantes de chifres de rinoceronte e de carne de antílopes. No caso dos chifres, elas atingem a sofisticação do narcotráfico, empregando helicópteros, armas e munições soníferas, de uso

empregados das oito empresas que mantêm hotéis dentro do parque e das três que operam restaurantes, lojas e áreas de piquenique. O número de visitantes do parque subiu 7,8% no último ano. Os hotéis estavam praticamente todos lotados nas férias de inverno. Quem passa a noite no parque paga uma “taxa de conservação” de US$ 21,33 ao governo. Os visitantes quevãopassaro dia,muitos delesmoradores das comunidades locais, não pagam a entrada. Um pouco menor que o Estadode Israel, e com o mesmo formato alongado, o Kruger parece um país. Cada hotel corresponde a uma cidade no seu mapa, queindica os animais mais frequentes nas suas imediações. O último censo, feito em 2005, mostra um aumento na população de muitas espécies de animais. Os elefantes, por exemplo: de 7.454, em 1980, passaram para 12.470; as girafas, de 4.122 para 6.700; e os rinocerontes brancos, que chegaram perto da extinção no fim do século 19, saltaram de 598 para 6.940. Nos safáris, é fácil encontrar famílias de leões nas estradinhas que cruzam o parque. Elefantes, girafas, zebras, rinocerontes, hipopótamos, búfalos e várias espécies de antílopes são vistos facilmente durante o dia.

controlado para veterinários. De janeiro para cá, cerca de 100 rinocerontes foram mortos nos parques nacionais. Em todo o ano passado, haviam sido 122, o que indica um crescimento. Os criminosos imobilizam os rinocerontes com os soníferos – ou com munição convencional –, arrancam seus chifres e os abandonam a uma morte lenta e dolorosa. Este ano foram presos 25 suspeitos. O marfim do chifre tem diversas aplicações. No Oriente Médio, é usado nos cabos de punhais e facas de luxo. Na China e noutros países asiáticos, é moído, e o pó utilizado em remédios tradicionais. / L.S.

Isso também ocorre nas reservas privadas. Até 2002, havia seis fazendas de gado onde hoje existe a reserva Thanda (“amor”, em zulu). O empresário sueco da área de telefonia, Dan Olofsson, foi comprando as terras, que hoje somam 14 mil hectares, num investimento de US$ 53,3 milhões. Hoje, ela tem 14 leões, 15 rinocerontes pretos e 21 brancos, pelo menos 14 leopardos, 16 hienas, 18 elefantes e 130 búfalos. A reserva emprega direta e indiretamente 130 pessoas, mantém projetos sociais que envolvem 200 mil pessoas da comunidade e recebe 3 mil visitantes por ano, que pagam US$ 667 por noite. Parte da renda vai para a fundação do rei zulu Goodwill Zwelithini, onde fica a reserva. “É um negócio lucrativo, considerando que os donos se hospedam com amigos a cada dois ou três meses”, diz o gerente da reserva, Pierre Dalvaux. “Não há caça, e quando temos animais em excesso, fornecemos para outras reservas.” Proibida em todos os parques nacionais, a caça é permitida, de forma controlada, em reservas privadas. Apesar

de seu aspecto brutal, a caça também tem impulsionado a criação de reservas e a expansão do número de animais. Os preços variam, mas, em média, para caçar um leão paga-se US$ 67 mil; um leopardo,US$10 mil;umrinocerontebranco, US$ 87 mil. Assim, as reservas podem gerar lucros matando poucos animais e criando espaço para muitos. Richard Sowry, policial ambiental no Kruger Park, defende a “caça sustentável” como forma de preservar o meio ambiente. Sowry conta que trabalhava na reserva privada Klaserie. Em todo o ano de 2001, foram caçados na reserva dois leões, dois elefantes e cinco búfalos. Isso deu para sustentar a reserva, que tinha cerca de 100 leões e 400 elefantes, e ainda gerar lucros, garante o policial–um doscerca de300quepatrulham o Kruger. Sowry diz que uma reserva de safári apenas para fotografar pode degradar o meioambientesegerarlixosemdestinação adequada, se não tiver tratamento deesgotooucausar excessivaaglomeração de veículos. “O importante é que as reservas sejam administradas de forma sustentável, independentemente de serem para caça ou não.” Harriet Davies-Mostert, diretor científico do Endangered Wildlife Trust (Fundo da Vida Selvagem em Risco), enumera “aspectos positivos da indústria da vida selvagem”: aumento na distribuiçãoeabundância dosgrandes herbívoros; recuperação de várias espécies emrisco,comobontebok(antílope),zebra da montanha do cabo e rinoceronte branco; redução dos rebanhos e da degradação do solo que eles causam. Muitos acordos entre reservas, tanto estatais quanto privadas, têm derrubado as cercas que as separam, aumentando a quantidade e a qualidade de vida dos animais – além de sua atratividade e lucratividade. Assim como as cercas, caem os tabus que impedem o desenvolvimento sustentável.

ONDE FICA Mbombela

BOTSUANA NAMÍBIA

Pretória Johannesburgo

302 km

LESOTO

OCEANO ÍNDICO

ÁFRICA DO SUL

0 km 300

N INFOGRÁFICO/AE

A FAUNA NO KRUGER População estimada das principais espécies de animais selvagens no maior parque da África do Sul: Guepardos Cachorros-do-mato Leopardos Leões Hienas Javalis Cob-untuosos Girafas Kudus Rinocerontes brancos Gnus Elefantes Zebras Búfalos Impalas

200 350 1.000 2.000 2.500 2.280 3.200 6.700 6.700 6.940 12.000 12.470 21.100 31.060 101.000

* CENSO DE 2005

Números de visitantes em 2009:

1.429.904 Número de empregados:

2.151 FONTE: KRUGER PARK


O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

aliás,

Era dele o Nobel Obama levou o prêmio. Mas Dr. Mukwege era o favorito. Pág. J8

CLEBER PASSUS/AE

J1

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A SEMANA REVISTA estadão.com.br

BRIAN SNYDER/REUTERS

Culpa de São Pedro? Pode-se creditar a destruição à violência das águas. Pode-se esperar que chova dinheiro para acudir os necessitados. Pode-se fazer uso político da tragédia. Mas, diz a urbanista Fátima de Gusmão Furtado, da Universidade Federal de Pernambuco, pode-se evitar esse cenário com políticas simples, como saneamento, coleta de lixo, drenagem, preservação das margens dos rios, conserto de pontes. “Nem sempre o que falta no Brasil é obra, mas conservação da obra.”

ENTREVISTA ❘ Pág. J4

Cheia. Rio Una cobre a cidade de Palmares (PE)

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J2 aliás %HermesFileInfo:J-2:20100704:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

HUMOR TUTTY

tuttyvasques@estadao.com.br

ambulatório da notícia

As espiãs de vida fácil

O

s órfãosda Guerra Fria voltaram a suspirar essa semana com a prisão em Nova York da jovem espiã russa acusada de usar seus encantos de mulher fatal, e ainda por cima ruiva, para seduzir funcionários do governo e empresários americanos. Buscava, diz a Polícia Federal dos EUA, “segredos íntimos” parao Kremlin. A história de Anna Chapman mexeu especialmente com a libido dos meninos que cresceram no Brasil a partir do final dos anos 40 – e até meados da década de 60 – lendo as histórias de Giselle Montfort, a Espiã Nua que Abalou Paris, clássico do onanismo moreno do pós-guerra. Giselleera uma espéciede Bruna Surfistinha a serviço da Resistência Francesa na cama de oficiais nazistas, uma devassa idealista na Paris ocupada. Le-

TUTTY VASQUES ESCREVE TODOS OS DIAS NO PORTAL, DE TERÇA A SÁBADO NO METRÓPOLE E AOS DOMINGOS NESTE CADERNO.

vava sobre a garota de programa brasileira que virou best-seller mais recentemente a vantagem de ter suas histórias escritas pelo jornalista David Nasser, que inventou a personagem atendendo a um apelo do chefe, Assis Chateaubriand, para salvar da ruína o jornal carioca Diário da Noite. Narrada na primeira-pessoa, “a espiã nua que abalou Paris” fez da publicação um sucesso juvenil e ganhou vida própria numa série em pocket book celebrizada por mais de dez anos nas bancas pelas ilustrações eróticas de Benício. Boa parte dos leitores da época não só achava que Giselle era real como dizia que ela vivia ainda em Paris o anonimato de seu heroísmo carnal. Nisso, a loura que David Nasser inventou é completamente diferente da ruiva que o FBI apresentou ao mundo, com direito a link para o perfil da espiã no Facebook. Ninguém acredita nessa história. O vizinho brasileiro de Anna Chapman em Manhattan “achava que a russa fosse uma prostituta de luxo”. Pode ser processado por isso quando os serviços de inteligência dos EUA perceberem, enfim, o equívoco que estão cometendo. Não existem espiãs de vida fácil!

Vice garotão

Bebê piquete

Entreouvido numa rodinha de tucanos na sede do PSDB em São Paulo: “Esse Índio da Costa é sobrinho do Kassab!” Nada a ver, né?

A greve na USP fez história em matéria de movimentos sociais no Brasil: piquete em creche, francamente, eu nunca tinha ouvido falar. A PM teve o bom senso de não intervir!

Tem pra todas Não está rolando nada profissionalmente entre Jânio Quadros Neto e a rainha Elizabeth. Só porque deu na coluna da Sonia Racy que eles estiveram juntos em Londres – pronto! –, a Madonna, de quem ele é “conselheiro especial”, teve uma crise ridícula de ciúmes! Pode?

Revolta natural Num encontro informal com artistas em São Paulo, Dilma Rousseff disse que, quando criança, sonhava ser bailarina. A frustração pode tê-la levado à luta armada.

O cara! Gilmar Mendes voltou ao noticiário em grande estilo! A liminar que anula a Lei Ficha Limpa para o senador Heráclito Fortes deve ter a mesma repercussão popular dos habeas corpus que o ministro concedeu ao banqueiro Daniel Dantas.

Frases

Esporte típico “O Brasil é o país da pole dance!”, disse Silvio Berlusconi, que descobriu o esporte dia desses na suíte presidencial de um hotel em São Paulo.

Sorte de estadista O presidente sírio Bashar Assad teve mais sorte que Lula em sua passagem por Havana. O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há quatro meses, sobreviveu à visita.

O céu é o limite Nem ONU, nem Banco Mundial! O prefácio que Lula assina em livro de Aloizio Mercadante pode ser o primeiro passo do presidente rumo à ABL.

Melhor não! O que faz o Tribunal Superior Eleitoral que não estabelece desde já multa pesada para o uso de vuvuzelas na atual campanha eleitoral?

Semáforo TOM LOVELOCK/REUTERS

“Entendo que muitos queiram dizer que sou um poste, mas isso não me transforma num poste” DILMA ROUSSEFF, candidata do PT à Presidência, no programa Roda Viva, da TV Cultura, em resposta às críticas de adversários que a chamam de “poste” por sua suposta falta de carisma

“Não estou aqui pregando para pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar” JOSÉ SERRA, candidato do PSDB à Presidência, brincando que o seu vice, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), só tem uma namorada e não tem amantes. “Também não precisa exagerar, o que tem que ser é uma coisa discreta”, disse Serra

BAPTISTÃO/AE

“Desfecho da insólita novela do vice de Serra: índio do DEM destrona cacique do PSDB” “Sou simpático, rico e velho. Casar comigo pode parecer um ótimo negócio” SILVIO BERLUSCONI, premiê da Itália, em entrevista à Folha, sobre seu sucesso com as mulheres

JILMAR TATTO, deputado federal (PT-SP), sobre a disputa em torno da indicação do vice de José Serra

“Sou um pedófilo asqueroso” JOHN SIDNEY DENHAM, padre católico australiano, admitindo o assédio sexual a 25 meninos. Pelos crimes, Denham passará 20 anos na prisão

“Ela é culpada de tudo. Deve pagar à Uniban pelos prejuízos que a universidade teve” VICENTE CACCIOCI, advogado da Uniban, descartando acordo com a ex-aluna Geisy Arruda, que exige indenização por danos morais. “Ela provocou uma exposição da instituição, dando a impressão de que é uma instituição brutal”, disse Caccioci

“Ainda vou rir disso tudo” ,

BRUNO FERNANDES goleiro do Flamengo, suspeito de estar envolvido no desaparecimento da ex-namorada Eliza Samudio

ROGER FEDERER TENISTA

Pela primeira vez em oito anos, o tenista suíço não disputará a final do torneio de Wimbledon. Na quarta, ele foi eliminado pelo tcheco Tomas Berdych, caindo para o 3º lugar no ranking mundial. JONNE RORIZ/AE

OBRA NA RODOVIA DOS IMIGRANTES

A construção de um túnel na Rodovia dos Imigrantes não tem mais data para sair do papel. O Tribunal de Contas do Município barrou a obra depois de achar 64 irregularidades no projeto. REPRODUÇÃO

“O Dunga está cantando: ‘Eu vou, eu vou... Pra casa agora eu vou’” ,

CAROLINE CELICO esposa de Kaká, repercutindo em seu Twitter uma piada sobre o técnico da seleção

ALMAPBBDO AGÊNCIA DE PUBLICIDADE A Almap ganha o prêmio “agência do ano” do Festival de Cannes, tornando o Brasil o maior vencedor desta categoria com um total de seis leões. A DM9 e a F/ Nazca Saatchi também já levaram o título.

O que passou DOM. 27/6 Bomba esvazia terminal do aeroporto de Cumbica O terminal 1 do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo, é isolado pela polícia durante quase quatro horas por causa de uma bomba. Ela foi deixada no local por um assaltante que levou R$16 mil do estacionamento do aeroporto. O bandido rendeu a supervisora do estacionamento quando ela passava nos caixas recolhendo o dinheiro depois da troca de turno. Entregou um bilhete para a funcionária no qual dizia ter espalhado bombas pelo aeroporto e carregava uma delas numa sacola. O homem deixou a bolsa com o explosivo e fugiu. O Grupo de Ações Táticas Especiais foi acionado e removeu a bomba do local.

SEG. 28/6 Candidato a governador no México é assassinado O candidato a governador do Estado de Tamaulipas Rodolfo Torre (foto), do Partido Revolucionário Institucional (PRI), é morto em emboscada perto do aeroporto de Ciudad Victoria. Além de Torre, o deputado esta-

dual Enrique Blackmore Smer e quatro guarda-costas foram também foram mortos no ataque. O governo do México acredita que a morte de Torre pode estar ligada à guerra entre os cartéis de Los Zetas e do Golfo, que atuam no Estado de Tamaulipas. Torre estava na frente nas pesquisas de intenção de voto e sua morte se deu a menos de uma semana das eleições para governador – que ocorrem nesse domingo. Seu irmão Egidio Torre Cantú se apresentou na quarta-feira como candidato substituto pelo PRI.

TER. 29/6 Imóvel vazio do centro terá IPTU mais alto A Câmara Municipal de São Paulo aprova lei que autoriza a sobretaxação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para imóveis desocupados no centro. O proprietário que não comprovar o uso do apartamento ou casa terá que pagar 15% a mais de IPTU e ainda poderá sofrer desapropriação. Os bairros afetados pela lei são Sé, República, Santa Cecília, Barra Funda, Cambuci e Mooca. A medida visa a conter a especulação imobiliária nessas regiões e diminuir o déficit habitacional em São Paulo.

Tarifa de trem-bala RJ–SP custará no máximo R$ 199 O Tribunal de Contas da União fixa um teto de R$ 199 para a tarifa máxima a ser cobrada dos passageiros do trem-bala no trajeto Rio de Janeiro–São Paulo. O edital da obra, que tem um orçamento é de aproximadamente R$ 30 bilhões, será lançado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres em até 15 dias. Grupos coreanos, japoneses, chineses, espanhóis, franceses e alemães já manifestaram interesse pela obra.

QUA. 30/6 Funcionários da USP encerram greve Reunidos em assembleia em frente à reitoria, funcionários da USP votam pelo fim da greve que já durava 57 dias. O Sindicato dos Trabalhadores da USP aceitou acordo proposto pela reitoria de pagar, em quatro dias úteis, os salários cortados dos servidores, caso a greve fosse suspensa. A direção da universidade se comprometeu ainda a reabrir as negociações para discutir o reajuste de 5% pedido pelos funcionários.

Propaganda de alimento gorduroso terá alerta Segundo resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, propagan-

VALERY HACHE/AFP

das de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal e de bebidas com baixo teor nutritivo serão obrigadas a veicular frases de advertência sobre os males à saúde quando consumidos em excesso. A medida é uma estratégia para tentar melhorar a alimentação do brasileiro e reduzir a obesidade.

QUI. 1º/7 Liminar do STF permite ficha-suja O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes concede liminar para o senador Heráclito Fortes, suspendendo os efeitos da Lei da Ficha Limpa. Pela lei, o senador não poderia se eleger por ter sido condenado pelo Tribunal de Justiça do Piauí por uso de publicidade de obras públicas para promoção pessoal. Na sexta-feira, o STF suspendeu a aplicação da lei à deputada estadual Isaura Lemos (PDTGO), que teria se apropriado dos vencimentos dos salários de funcionários de seu gabinete. Para o ministro Dias Toffoli, a lei não se aplica no caso da deputada, pois ela não foi condenada por órgão colegiado.

Naomi é intimada a depor em tribunal internacional Um tribunal internacional intima a modelo britânica Naomi Campbell (foto) a testemunhar no julgamento do

ex-presidente da Libéria Charles Taylor sobre um diamante bruto que ele supostamente teria lhe presenteado em 1997. Os promotores querem usar o testemunho de Naomi para provar que Taylor negociou os chamados “diamantes de sangue”, extraídos em zona de guerra e cuja venda financia a guerrilha em Serra Leoa.

SEX. 2/7 Brasil perde para a Holanda e é eliminado da Copa Apesar de ter começado bem com um gol de Robinho aos 9 minutos do primeiro tempo, a seleção brasileira perde de 2 a 1 para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo. O volante Felipe Melo marcou gol contra, permitindo o empate da Holanda, e minutos depois acabou expulso por pisar com violência no jogador holandês Robben. A Holanda agora prossegue no Mundial e vai enfrentar o Uruguai na terça-feira.

EXPEDIENTE EDITORA EXECUTIVA: LAURA GREENHALGH. EDITORA: MÔNICA MANIR. EDITORES ASSISTENTES: CHRISTIAN CARVALHO CRUZ E IVAN MARSIGLIA. REPÓRTER ESPECIAL: FLAVIA TAVARES. REPÓRTER: CAROLINA ROSSETTI. PREPARADOR DE TEXTOS E REVISOR: ROBERTO MUNIZ. DIRETOR DE ARTE: FÁBIO SALES. EDITORA DE ARTE: ANDREA PAHIM. EDITOR ASSISTENTE DE ARTE: JAIRO RODRIGUES. DESIGNER: ADRIANO ARAUJO


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Casamento abalado

aliás J3

Sob pressão do DEM e diante do risco de desmonte da própria candidatura presidencial, o PSDB entrega o posto de vice-presidente na chapa de José Serra ao deputado federal Antonio Índio da Costa (RJ). A união valerá ao tucano 3 minutos a mais no rádio e na TV.

QUARTA, 30 DE JUNHO

SERGIO CASTRO-DIDA SAMPAIO-LEONARDO SOARES/AE

E se o vice tiver de assumir? Quando isso ocorre a sociedade precisa estar preparada, cobrando dos partidos critérios mais responsáveis na definição de nomes

JOSÉ ÁLVARO MOISÉS

I

nesperado,surpreendente, autofágico e até “pastelão” – é como o episódioda escolha dovice deJosé Serra, candidato do PSDB à Presidência, foi classificado por diferentes colunistas políticos que preferiram, na maior parte das vezes, tratar mais dos efeitos eleitorais da escolha do candidato do que do papel potencial dessafigurainstitucional que,podendochegarà chefia do Estado, sem ser passível de demissão, pode ser tão decisiva para a governabilidade e a estabilidade democráticas como em duas experiências recentes no Brasil. Antes de discutir a competência, a experiência política, a pergunta sobre como escolher os vices de Serra, Dilma e Marina foi examinada com referência a critérios estritos: capacidadedeagregarapoioeleitoral;ampliação do tempo de TV; e potencial de captação derecursosparaascampanhaseleitorais.Michel Temer foi escolhido devido à capilaridadeecapacidadedoPMDBdeaumentarotempo na TV da candidata do PT; Índio da Costa porque garantiu a sobrevivência da aliança do DEM com o PSDB; e Guilherme Leal, de Marina, por sua identidade empresarial. Oscritériosmencionadossãocompreensíveisdopontodevista da estratégiados partidos de competirem e conquistarem o poder, mas são insuficientes quanto a algo que hoje se discute nas democracias consolidadas: quanto as escolhas dessa natureza atendem às expectativas e preferências dos eleitores. A cultura política brasileira, no entanto, reserva o lugar de maior relevância do sistema de governo ao titular da Presidência, dei-

Nem uruguaio nem Lázaro QUINTA, 1º DE JULHO

Cacifes. Temer foi escolhido pela força do PMDB; Índio, para garantir a aliança com o DEM; e Leal, por ser empresário xando quase fora da luz o seu substituto em caso de morte, deposição ou impedimento, ou mesmo de sucessão. Mas tanto no período democrático interrompido pelo regime militar como na transição para a democracia,em1985, coubeaos substitutosdeVargas depoisdeseusuicídio,Jâniodepoisdarenúncia, Tancredo depois da agonia e Collor após seu impeachment administrarem, com maior ou menor sucesso, as crises políticas potencializadaspela saídadecena dospersonagens principais. Café Filho (1954–55), João Goulart (1961–64), José Sarney (1985–89) e Itamar Franco (1992–94) substituíram os presidentes eleitos e governaram em condições que, por vezes, puseram em cheque a continuidade e a qualidade da democracia. Café Filho e Jango foram depostos porque não conseguiram articular seus programas de governo com os interesses políticos em conflito (o que,decertomodo,preparouogolpedeEstadode1964).SarneyeItamar,comvisõesdiferentes quanto à governabilidade, tiveram melhor sorte enfrentando os desafios de crises econômicas e sociais herdadas do regime militar. Seus sucessores foram eleitos livre-

mente e, qualquer que seja a avaliação de seus governos, a responsabilidade de ambos quanto a esse resultado é reconhecida. Nos últimos 16 anos, os vice-presidentes só assumiram o governo quando os titulares viajarame, embora sejam conhecidasas diferenças de perfil entre Marco Maciel e José Alencar – o primeiro mais discreto, o segundo mais ativo no debate dos rumos do governo –, são notáveis as tendências de mudança do papel institucional dos vices. Isso não se deve apenas ao fato de a Constituição de 1988 ter reservado a eles participação no Conselho da República (encarregado de zelar pela estabilidade das instituições e exame de intervenção federal, estado de defesa e de sítio) e no Conselho de Defesa Nacional (incumbido de opinar sobre declaração de guerra e paz, uso do território para fins de segurança e defesa nacional, etc), mas também à maior complexidade do governo e ao novo papel do país no cenário internacional. Os vices passaram a ser mais ouvidos pelos presidentes e até ocuparam ministérios importantes. Por isso, a pergunta que os norte-americanos começaram a se fazer, há alguns anos,

Obama deixa que diplomatas e investigadores se encarreguem do caso dos espiões russos presos nos EUA enquanto continua tratando com Moscou de assuntos que considera mais importantes

THE NEW YORK TIMES/WASHINGTON

iraramopaletóepularamemcimadoshambúrgueres, falando de tudo, de comércio internacional,degeopolítica e até de suas famílias. De tudo, menos dos espiões que o governo de um deles havia escondido em umacasaapoucosquilômetrosdalieogoverno do outro estava prestes a prender. A prisão de uma rede de supostos espiões russos não só desbaratou uma operação extremamentesigilosaquevinhasendorealizadahavia anos nosEUA, mas afetou, em parte, a iniciativa do presidente Barack Obama de transformar o relacionamento entre os dois países.Otimingdas prisões,poucomenosde 72 horas depois da visita do presidente Dmitry Medvedev à Casa Branca, frustrou a equipe de Obama. Mas enquanto os promotores montavam o processo, Obama decidiu que não deixaria que os fantasmas do século 20 atrapalhassem seus objetivos no século 21. OgovernoObamaanunciou naquarta-feira que não expulsaria os diplomatas russos e não manifestou indignação por seu suposto parceiro estar espionando. O plano de Obama é ignorar em grande parte a questão, publicamente, deixando que diplomatas e in-

T

✽ JOSÉ ÁLVARO MOISÉS É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA DA USP E ORGANIZADOR DO LIVRO DEMOCRACIA E CONFIANÇA – POR QUE OS CIDADÃOS DESCONFIAM DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS (EDUSP)

“Juan Lázaro”, um dos 11 presos nos EUA sob suspeita de espionar para a Rússia, admite que trabalhou para Moscou. Casado com a jornalista peruana Vicky Peláez, também presa, ele confessou ainda que não é uruguaio nem se chama Juan Lázaro.

Espionagem absolvida PETER BAKER

passou a contar também no Brasil: os presidentes podem se sair bem com vices inoperantes? Tanto Nixon, com o chamado Kitchen Debate, de seu período, como Clinton, com a atribuição de funções a Al Gore no encaminhamento do Acordo de Livre Comércio da América do Norte responderam negativamenteaessa pergunta.No Brasil,no entanto, apesar dos indícios de mudanças, a cultura política resiste a superar a imagem dosvicescomo“homensdopresidente”,desconhecidos do eleitorado e meio marginalizados por não serem eles que recebem os votos dos eleitores. O problema, no entanto, como ocorreu em momentos decisivos, é que o País pode precisar dos vices e, quando isso ocorrer, a sociedade precisa estar mais bem preparada, inclusive, cobrando dos partidos critérios mais responsáveis de definição de nomes.

vestigadores se encarreguem dela enquanto ele continua com os assuntos que considera mais importantes. “Gostaríamos de chegar a um nível de tal confiança entre os EUA e a Rússia que ninguémpensasse em recorrerao serviço secreto para descobrir coisas que não descobriria por outros canais”, disse Philip Gordon, secretário de Estado adjunto para a política com a Rússia. “Aparentemente ainda não chegamos lá. Não acredito que alguém nesta sala esteja chocado com essa descoberta.” Mas o escândalo dos agentes russos poderá levar os críticos a afirmar que Obama tem sido excessivamente otimista quanto a sua capacidade de reformular uma relação há muito tempo carregada de suspeitas e interesses conflitantes. O episódio poderá complicar os esforços de Obama para convencer oSenadoa aprovaronovo tratadode controle de armas que negociou com Medvedev. “Teremos de reformular nossa visão rósea da Rússia e conscientizar-nos de que ela não é uma aliada confiável”, afirmou o senador Christopher S. Bond, do Missouri, principal representantedabancadarepublicananacomissãodeinteligênciadoSenado.Referindose à antiga estratégia do presidente Ronald Reagan, Bond disse: “Temos de nos relacionarcomeles. Masnãohaviaumgrande presidenteque disse‘confiem, mas verifiquem’?”. Mesmo que Obama consiga superar as dúvidasarespeito dotratado,o escândalorevelou os limites do novo relacionamento. O caso “não deverá comprometer a reformula-

ADAM HUNGER/REUTERS

Ponto. Em Cambridge, a residência de um casal detido ção das nossas relações porque ambos os lados investiram muito no sucesso desse programa”, afirmou Angela E. Stent, ex-funcionária do Conselho Nacional de Inteligência, atualmente na Universidade Georgetown. “Mas ele deve nos lembrar que as relações russo-americanas continuam sendo uma parceria em campos específicos sempre que persiste o legado da Guerra Fria.” O problema para Obama está em parte no fato de que seu desejo de redefinir a relação foi interpretado erroneamente como um esforço para redefinir a própria Rússia, disse Samuel Charap, acadêmico do Center for American Progress. “Serve para lembrar que, na realidade, a Rússia é sempre a Rússia

e Putin é sempre Putin.” Não deve surpreender se os dois países ainda usam agentes para se espionarem, duas décadas depois do fim da Guerra Fria. Mesmo aliados próximos como Israel foram apanhados espionando aqui. A história recentemostraqueWashingtoneMoscouconseguiram deixar para trás esses episódios quando seus governos estavam determinados a cuidar de outras questões. George W. Bush enfrentou esse desafio na sua presidência, com a prisão de Robert Hanssen,agentedoFBI apanhadotrabalhando para a Rússia. Na ocasião, Bush expulsou 50 diplomatas russos e Moscou fez o mesmo com50diplomatasamericanos.Mastrêsmeses mais tarde ele se reuniu com Putin, então presidente,edeclarouterconhecidoumparceiro ideal com o qual poderia trabalhar. Este caso deveria ser mais fácil de resolver sem expulsões porque o suposto foco de espionagemaparentementenãoconseguiuentrar em nenhum ponto importante da segurança nacional. Os líderes russos parecem interessados em minimizar o caso. Embora Moscouinicialmenteafirmasse queasacusações eram “infundadas”, o Ministério do Exteriorretiroupouco depoisessa avaliação do seu site e confirmou que os suspeitos eram cidadãos russos. Putin disse que as autoridadesamericanasperderamocontroleao realizarasprisões,masdepoisminimizouoepisódio afirmando que as relações “não sofrerão”. O comentário russo sugeria em grande parte que as prisões foram uma iniciativa de forças obscuras no governo americano para minar a estratégia de redefinição de Obama. Em um telefonema entre Serguei Prikhodko, assessor de política externa de Medvedev, e o general James L. Jones, assessor de Obama para a segurança nacional, o russo enfatizouqueMoscouqueriaresolveraquestão sem comprometer as mudanças positivas do relacionamento entre os dois países. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


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DOMINGO, 4 DE JULHO DE 2010

Na fila dos desesperados QUARTA, 30 DE JUNHO

Desabrigados das enchentes de municípios alagoanos reclamam da burocracia das prefeituras e da Defesa Civil na distribuição de alimentos. A Secretaria de Assistência Social de Branquinha admite que só quem tem cadastro vai receber cesta básica.

ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM

solo: qualquer financiamento deveria estar condicionado ao plano diretor das cidades. Não basta dizer que falta fiscalização para retirar a população que vive em áreas de risco. É preciso dar alternativas razoáveis para que elas os desocupem. E outra questão que precisa ser levantada neste momento é a dos comitês de bacia: os rios são vasos comunicantes e precisam ser gerenciados em conjunto. Temos uma boa legislação a respeito, mas há bacias no Nordeste sem nenhum comitê para controlá-las. Repito: a gestão das cidades e das bacias hidrográficas tem peso maior no que está ocorrendo hoje do que a falta de obras de infraestrutura ou uma suposta mudança climática inesperada. ● Quando uma catástrofe como essa acontece, a pressão política sobre as administrações aumenta?

Na verdade, não. Essa situação é uma tragédia e uma tristeza para as populações, mas para as administrações, nem tanto. Primeiro, porque é fácil dizer que “a culpa é de São Pedro, que mandou chuva demais”. Segundo, as autoridades locais dizem que precisam urgentemente de apoio e ganham visibilidade para sua demanda. E, quando a verba federal chega, sem licitação, em caráter de urgência – declara-se logo que é calamidade pública – isso pode ter grandes vantagens políticas. A situação só vai se reverter quando as populações locais tiverem instrumentos e consciência política para responsabilizar as autoridades. ● Nem em ano eleitoral isso melhora?

Águas que rolam. Cheia do Rio Canhoto, em São José da Laje (AL): ‘Uma tristeza para as populações, mas para as administrações, nem tanto’

Estiagem de competência Em vez de grandes obras, uma gestão mais eficiente das cidades teria evitado a tragédia em Alagoas e Pernambuco

IVAN MARSIGLIA

Entrevista Fátima de Gusmão Furtado COORDENADORA DO LABORATÓRIO DE ESTUDOS PERIURBANOS (LEPUR) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)

A

o final da derrota do Brasil para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo o presidente Lula mandou avisar que estava triste, mas “ficou pior quando viu a situação em Alagoas e Pernambuco, atingidos pelas chuvas”. De fato, nas últimas semanas, mesmo com a bola rolando na África do Sul, o País acompanhou chocado a tragédia das enchentes que mataram pelo menos 51 pessoas e deixaram cidades inteiras arrasadas no Nordeste. Calamidade que, no entanto, sugere a urbanista Fátima Ribeiro de Gusmão Furtado, coordenadora do Laboratório de Estudos Periurbanos (Lepur), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), incomoda politicamente menos do que parece prefeitos e governadores das áreas afetadas. É no contexto de calamidade pública que “as autoridades locais dizem precisar de apoio e ganham visibilidade para a sua demanda”, alerta a professora, que fez doutorado na Universidade de Londres em 1996. Uma demanda expressa em verbas federais sem licitação. Entretanto, para essa paraibana de 53 anos, criada no Recife, “o problema é mais de gestão que de obra”. No caso, o planejamento necessário do homem para enfrentar as chuvas que São Pedro manda todos os anos – e cada vez mais fortes. Na entrevista a seguir, Fátima Furtado diz que o flagelo das águas que atinge hoje a região historicamente conhecida pelas secas poderia ter sido evitado, com obras básicas de saneamento, um controle mais rigoroso das encostas e uma administração responsável das bacias hidrográficas. ● O que a tragédia das enchentes em Pernambuco e Alagoas revela sobre o desenvolvimento urbano dessas regiões?

Muita coisa. E a mim, pessoalmente, não surpreende que tenha ocorrido. Foi inusita-

DEPOIMENTOS DE VÍTIMAS DA CHUVA

do apenas pela violência da enxurrada. Mas o fenômeno das enchentes, conhecido nas cidades que são cortadas por rios, passa a ser trágico por conta da má qualidade da gestão das áreas ribeirinhas e de outros serviços infraestruturais das cidades. ● A que tipo de problema a sra. se refere?

A questão principal é o uso do solo nas margens dos rios e nas encostas. A Zona da Mata, tanto de Alagoas como de Pernambuco, é uma área de muitas chuvas, de precipitações fortes que às vezes se concentram em um espaço de tempo menor, causando inundações. Mas seus efeitos são maximizados por problemas evidentes de gestão das cidades: se você não controla a construção de moradias nessas áreas, se não cuida da conservação da cobertura vegetal ou permite o acúmulo de lixo, por exemplo. ● Falou-se muito nas barragens que transbor-

daram, intensificando a força das águas. Foi um fator determinante?

Ainda se procura saber qual foi o papel dessas barragens na tragédia. Mas não vejo grande relação. Recife é uma cidade que fica na foz de um rio e sofreu com inundações seriíssimas durante anos, até a construção de barragens que diminuíram a vulnerabilidade da cidade. O que chama a atenção agora é a quantidade de barragens e de pontes destruídas. Claro que isso fala da violência e do volume das águas, mas também leva a questionar a qualidade dessas obras de engenharia. Mais de cem pontes arrastadas? Começo a desconfiar... É preciso avaliar como foram projetadas essas obras, se elas previam esse tipo de situação ou se o problema foi de má conservação. ● A sra. tem um trabalho dedicado aos resíduos urbanos. A questão do lixo teve influência na extensão dos estragos?

Sim. Houve claramente, nessas áreas ribeirinhas, um problema de má gestão de resíduos municipais. O lixo, quando não bem coletado, é jogado nas encostas, escadarias e canaletas – até porque a coleta em áreas muito inclinadas tende a ser bastante precária. E esse lixo é prejudicial de duas ma-

neiras: mata a cobertura vegetal que segura o solo e, principalmente quando molhado, coloca muito peso na encosta. Por isso, tende a provocar deslizamentos que de outra forma não ocorreriam. ● Quais são as grandes obras estruturais de que o Nordeste necessita para fomentar seu desenvolvimento urbano?

Eu não diria que são grandes obras, mas obras básicas de saneamento: esgotamento sanitário, coleta de lixo, abastecimento e drenagem de águas pluviais. Desses quatro serviços fundamentais, o abastecimento d’água é o que temos em melhor situação hoje. Em termos de prioridade, colocaria primeiro o esgotamento sanitário e a drenagem, seguidas de perto pela coleta de lixo. ● Há quem critique uma certa cultura clientelista nessas cidades, que tendem a aguardar a ‘verba federal’ em vez de tomar iniciativas para o desenvolvimento urbano.

Certamente. A Constituição determina quais são as competências de cada ente federativo. A questão da drenagem e da limpeza urbana são de responsabilidade municipal. Já o abastecimento d’água varia – aqui no Nordeste tende a ser feito pelo governo estadual. Já as grandes obras estruturais e a política habitacional, por exemplo, ficariam a cargo do governo federal. É preciso uma postura mais proativa de todas essas instâncias e não ficar passivamente aguardando que chovam verbas federais. O Ministério das Cidades tem políticas públicas e, no caso de situações extremas como a que atingiu o Nordeste agora, também foi feito um plano federal de prevenção de inundações. Mas o problema é mais de gestão do que de obra. ● Por quê?

Primeiro, não adianta fazer as obras se elas não forem bem conservadas. Precisamos criar a cultura da conservação nas cidades e nos Estados. Manter obras não traz vantagem nenhuma, pouquíssima visibilidade. Então os governos constroem e deixam acabar. Uma gestão melhor viria evitar o custo da eterna reconstrução de obras. E ter uma política habitacional vinculada à gestão do

Eventos com essa gravidade têm uma repercussão grande nas comunidades e, em ano eleitoral, é claro que as sensibilidades ao clamor popular são maiores. O que me preocupa mais é o momento fora do período eleitoral, em que os administradores não são instados a tomar as medidas de prevenção que poderiam evitar esse tipo de catástrofe. A inação política em tempo de calmaria é a mais danosa. ● As imagens do presidente Lula sobrevoando a região e sendo recebido como o homem providencial a socorrer o povo nordestino correram o País. Como evitar a utilização política desses flagelos?

O que existe hoje em termos de representação política no País não estimula a criação de canais para que a população possa se manifestar ou fiscalizar os recursos em um momento de urgência como esse. Tampouco existe uma cultura do cidadão nordestino cotidianamente se envolver com a gestão da cidade onde vive. A necessidade de gestão de seus próprios problemas é tão grande que ele termina por não participar. Se você pega o plano de prevenção de inundações do governo federal vai ver que, do recurso orçado originalmente, o que foi efetivamente usado é irrisório. O orçamento fala de uma disponibilização de recursos, mas uma parte ínfima é executada – às vezes menos de 10%. Além disso, a distribuição desses recursos é concentrada em certos Estados segundo parâmetros políticos – deixando de lado justamente aqueles que qualquer estudioso do assunto aponta como mais problemáticos. ● Se o regime de chuvas está efetivamente mudando no Nordeste, já existem fóruns de discussão para o problema urbano nesse novo contexto?

A questão do clima, que estamos discutindo tanto dentro do Lepur como em outros fóruns acadêmicos e do governo, ainda se dá muito no nível das intenções e de propostas de mudança para a legislação. Em termos de ações efetivas, é muito pouco. Há variáveis demais envolvidas no debate, que mudam da Zona da Mata para o agreste, de uma cidade grande para uma pequena. Então, precisam ser tratadas no varejo, daí a dificuldade. A gente sente, até o cidadão comum percebe, que esse regime de chuvas está mudando. Mas o que isso significa em termos práticos na gestão das cidades? Para começar, as escalas são muito diferentes: quando os climatologistas falam no médio prazo estão pensando em 300 anos. Para a gestão de cidades, médio prazo é a metade de um mandato, dois anos. Há uma discrepância também entre as informações climáticas regionais, referindose por exemplo à América do Sul, e sua tradução, digamos, no clima do Recife ou de Maceió. Esse esforço de compreensão das consequências locais dos fenômenos globais ainda está engatinhando, embora seja premente: vamos ter que acelerá-lo porque a natureza vai obrigar.

BRANQUINHA (AL)

SANTANA DO MUNDAÚ (AL)

Ana Paula Silva sobre a morte do pai

Ladjane Lopes, vendedor, comparando catástrofes

“Lá de cima do mirante a gente só via a luzinha do celular que ele usava como lanterna. De repente, o prédio da rodoviária começou a ceder e a gente só ouvia meu pai gritando por ajuda”

“Foi uma tragédia, com as casas caindo, o povo gritando, o medo tomando conta. Lembrei dos tsunamis e do terremoto no Haiti”


O ESTADO DE S. PAULO

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aliás J5

FOTOS: GUGA MATOS/JC IMAGEM

Nordeste não virou mar, virou tsunami É verdade que estava chovendo, havia chovido, mas daí a se transformar num rio de lama e luto, ninguém nem desconfiava

RAIMUNDO CARRERO

F

oi o padre de Palmares (128quilômetrosdoRecife, na Zona da Mata de Pernambuco) quem deu o aviso: Corram que vem água por aí.Muita.E não era profecia de Antônio Conselheiro nem anúncio do fim do mundo, era verdade. Verdade nua e crua, como se diz por aqui. Verdade cruel. Mal fechou a boca e o Rio Una arrebentou, num barulho de fazer inveja a carro elétrico no carnaval. Quem viu, quem viu mesmo de perto, disse que lembrava um tsunami. Conversa, que comparação mais louca: porque também nunca ninguém daqui viu um tsunami de perto. Que, aliás, não se vê de muito perto, nem guarda lembrança. Vai junto com as águas para as profundas e nunca mais. Quer dizer, dizem, não é? Mas quem disse ao padre? Foi o moderníssimo celular. Em plena missa? Pois é, em plena missa. Que deve ter sido uma surpresa para os paroquianos: o padre interrompendo a celebração para atender: “Quem é? Diga aí!” Ele quem disse. Ele, o sacerdote. Disse assim: o padre de Catende (142 quilômetros do Recife, também na Zona da Mata) havia telefonado avisando que vem água por aí, água muita, estourando. E as pessoas já saíram da igreja com água cobrindo os pés. É verdade que estava chovendo, havia chovido, mas daí a se transformar num rio de lama e luto ninguém nem sequer desconfiava.

Houve um tempo, sim, em que as águas subiam as margens, avançavam pelos terreiros, molha um pouco aqui, molha uma pouco ali, e só. Coisa de somenos. Quemnãofoiláeviuasimagenspelatelevisão ficou impressionado. Algo verdadeiramente arrebatador: as águas violentas rolavampelaCachoeira doUrubu(zonaturística de Pernambuco, perto da cidade de Bonito) com um vigor de mar sangrando e despejando pânico. No Recife, os estragos foram menores porque há um trabalho permanente da defesa civil da prefeitura. Mesmoassim morreram nove pessoas em desabamentos em áreas do subúrbio. Os desabrigados foram colocados em escolas e edificações públicas. Mas esse é apenas um quadro mínimo – talvez ilustrativo – do que viria a acontecer no Nordeste numa semana de terror. Tão acostumada com as secas, a região atravessou um momento de dor e agonia; frio, fome e sede. Noutros tempos, era capaz de sair uma procissão nadando para pedir o fim das chuvas a Deus, que haveria de colocar a mão no queixo, pensando: “O que é que eu faço? Mando seca, reclamam, mando chuva, reclamam também, esse povo não se contenta com nada”. É claro que chuva faz bem, mas tudo na medida exata. Também não precisa exagerar. E exagerou tanto que 57 pessoas morreram, mais de 100 mil ficaram desabrigadase centenas perderamascasas,asroças, os animais. Cidades inteiras foram transformadas em pó. Literalmente. Palmares e Barreirosvãorecomeçarnosalicerces.Estãoisoladas, quase. Pontes caíram, estradas foram destruídas,plantações devastadas. Também perderam roupas, imóveis, utensílios. Há, é claro, explicações científicas para o fenômeno que, além das mortes, deixou 26

Solidariedade. Populações atingidas não ficaram sequer com as roupas do corpo. O Nordeste está nu

Ainda mais desproteção Proposta de novo Código Florestal estimula desmatamentos ilegais e ocupação irregular de margens de rios e morros. E a população carente fica mais exposta

ANDRÉ LIMA

E

xatamente um mês depois do Dia Mundial do Meio Ambiente, a bancada ruralista na Câmara dos Deputados, capitaneada pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP),vaiapresentar amanhã uma propostapara alterar o Código Florestal brasileiro em acordo com o governo federal e com grandes produtores rurai