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CIĂŠNCIA INDIE

PROCURANDO PARCEIROS ESPACIAIS Nova descoberta traz duvidas: Estamos sozinhos no universo?

Entrevista

Curioso

Leitores fazem perguntas ao Astrofisico Gustavo Porto de Melo

Nao e so uma boa memoria que os elefantes possuem. Colunista discute curiosidades sobre o animal. 1


EXPEDIENTE Editora e diretora responsável Willian Amaral Redação: Galieleu e Folha de S.Paulo Revisão: Fernanda Maria Editora de arte: Viviane Fushimi Assistente de arte: Renata Publicidade Gerente administrativa: Nathália de Oliveira (financeiro@ editoraindie.com.br) Atendimento ao leitor e assinaturas: (11) 3333-3333, assineciencia@editoraindie.com. br Publicidade em Taubaté (12) 5555-5555 Gráfica: Nonononno Distribuição exclusiva no Brasil (bancas): Lincoln Santiago CIÊNCIA INDIE – REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA é uma publicação mensal da Editora Indie Rua Professor Nelson Campelo, 202 - Centro - Taubaté - SP, 12010700 Tel.: (12) 1111-1111 – Fax: (12) 2222-2222 CULT ON-LINE www.twitter.com/revistaciencia www.facebook.com/revistaciencia Matérias e sugestões de pauta redacao@revistaciencia.com.br Cartas cartas@revistaciencia.com.br

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EDITORIAL Qualquer um em toda a sua vida, irá se questionar quanto a uma coisa: Estamos realmente sozinhos no universo? Existem vida além da terra? Embora a resposta ainda esteja longe de ser descoberta, cientistas buscam evidências que nos indiquem a possiblidade de primos distantes convivendo em outro planeta. A reportagem principal da Ciência Indie discute uma dessas evidencias: o planeta mais parecido com a Terra já encontrado. O que isso muda para nós? Praticamente nada. O planeta se encontra a milhares de anos-luz de distância e análises aprofundadas são impossíveis. É um passo gigantesco para a ciência porém, que acumula dados de análises feitas com os satélietes, que podem mostrar um padrão de existência desses planetas. E talvez, uma descoberta mais concreta não esteja tão longe assim.A descoberta também traz mais patrocinadores de pesquisas científicas, que olham com desdém para pesquisas de astronomia. Ciência Indie busca discutir de maneira reflexiva e da melhor forma esses assutnos. Trazemos ainda uma entrevista com um pesquisador imortantíssimo da Astronomia brasileira que comenta se estamos sozinhos no universo. Uma curiosa matéria sobre elefantes também pode surpreender vocês. Tudo isso com a linguagem da revista de ciência mais lida no Brasil, aproximando a produção científica nacional e internacional do cotidiano das pessoas.

Willian Amaral Editor-Chefe

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A Semana Ver muita pornografia pode ser prejudicial ao cérebro, sugere estudo Pesquisadores alemães encontram relação entre passar muito tempo vendo pornografia e redução de matéria cinzenta

Cientistas podem ter encontrado uma maneira de teleportar dados Isso significa que a era da computação quântica está mais próximaz, e talvez chegue a nossa disposição antes do que pdíeamos imaginar.

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Entrevista A ideia da existência de vida extraterrestre é completamente científica

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esta quinta-feira, 22, tivemos uma entrevista com o astrofísico Gustavo F. Porto de Mello. Professor da UFRJ, Gustavo respondeu a questões relacionadas a zonas habitáveis e a possibilidade de haver vida no espaço. Várias questões pertinentes foram levantadas - e as respostas foram bastante interessantes.

Os cientistas procuram formas de vida dentro do que conhecem no nosso planeta. Mas os planetas, em sua maioria, tem condições muito diferentes do nosso planeta Terra. Será que a vida lá existente também não seria diferente, e de certa forma imperceptível a nós? Assim como temos animais que enxergam mais cores ou tem um olfato muito mais apurado do que o dos seres humanos. O que vocês pensam sobre? (Pergunta da leitora Ingrid Adachi) GUSTAVO - Esta é uma questão relevante. Existem argumento físicos e químicos muito fortes de que a complexidade estrutural e processual da vida só pode ser obtida pela química do carbono baseadaem água líquida. Há especulações sobre possíveis vidas alternativas, mas nada ainda foi

comprovado. Nesse sentido, o mais provável é que a vida extraterrestre poderia sim, ter bastante diversidade, mas dentro de um paradigma carbono/água. Pelo que me lembro, já descobrimos formas de vida aqui na Terra não-baseadas em carbono. Talvez, silício, se estou lembrado. Como a química precisa de um solvente (líquido), papel cumprido pela água aqui na Terra, o mesmo não poderia ocorrer com o metano líquido de Titan? (Pergunta do leitor Roni Adame) GUSTAVO - Não descobrimos ainda vida baseada em qualquer coisa que não seja carbono e água. Solvente e químicas alternativas são teoricamente possíveis... mas permanecem especulação. Sobre isso, leia o livro do bi-

ólogo americano Peter Ward” “Life as we do not know it”. Sensacional! Se houvesse alguma catástrofe na Terra e precisássemos partir para outro planeta imediatamente, haveria essa possibilidade com a tecnologia que temos atualmente? (Pergunta do leitor Lucas Rodrigues) GUSTAVO - Em princípio sim... Marte é o único destino razoável. Ou algum asteróide grande. Temos a tecnologia e os recursos para salvar a existência de nossa civilização, se realmente viesse uma crise dessa magnitude. Quais são as principais alterações que teríamos de fazer para que Marte se tornasse habitável? (Pergunta da leitora Iana Chan) 5


GUSTAVO - Teríamos que espessar a sua atmosfera pelo menos umas 50 vezes, e introduzir oxigênio. Essas são as questões fundamentais. Minha pergunta e procuramos ou somos procurados... da mesma forma que nós achamos inteligentes pode haver uma espécie superior ou inferior? (Pergunta do leitor Michel Martinez) GUSTAVO - Ambas as coisas. Emitimos sinais de rádio e TV que podem ser captador por quem possui a tecnologia. Se alguma civilização não muito distante possui este equipamento e já o apontou para o Sol, sabe que estamos aqui. Tenho uma opinião muito bem definida sobre a vida fora da Terra, e tenho a plena convicção que ela é um fato. Gostaria que você comentasse sobre o Paradoxo de Fermi, onde é conflitada a grande possibilidade da existência de vida fora da Terra com

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a total falta de evidências para a existência de tais civilizações. Acredito que uma das possibilidades dessa falta de evidências, esteja no fato de que as possíveis civilizações sejam muito mais avançadas que a nossa, e assim, não teriamos ‘’ nada a oferecer ‘’ a eles. Em outras palavras, eles nos veriam como uma civilização primitiva e por isso não faria sentido o contato. Talvez sejamos um ‘’ zoologico ‘’ para outras civilizações. Deixo claro que esta minha opinião não tem nenhum tipo de embasamento cientifico, apenas vejo como uma teoria, bem provável, ao meu ver (Pergunta do leitor Tarcísio Renan) GUSTAVO - A sua opinião é mais do que plausível. Existem explicações ainda mais exóticas para o chamado “Grande Silêncio”. Tudo que vc jamais quis saber sobre o tema está no livro “The Eerie Silence”, do cosmólogo Paul Davies. A verdade é que ainda não buscamos com a profundidade suficiente para podermos afirmar

algo, mas por outro lado a ausência de qualquer tipo de evidência sugere no mínimo que as civilizações extraterrestres seriam raras, ou - pior - de curta duração. Algo a se pensar... Hipoteticamente, seria possível utilizar pontes de Einstein-Rosen para “cruzar” parte do espaço tempo? O que o meio acadêmico tem a dizer atualmente sobre ssa teoria? (pergunta do leitor Luiz Roberto Dos Santos) GUSTAVO - A viagem à velocidade próxima da da luz ainda é tecnologicamente impossível... Nossos melhores motores não conseguem impulsionar uma nave espacial sequer a um milésimo da velocidade da luz. Uma viagem às estrelas mais próximas duraria milhares de anos. Precisamos de novas tecnologias...


Alô, alô, Kepler-186f! Terra na escuta!

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ausou furor na semana passada o anúncio da descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável em torno de outra estrela — o mais próximo que chegamos até agora de encontrar uma segunda Terra no Universo. Mas, para os pesquisadores do Instituto SETI, na Califórnia, esse mundo já gera entusiasmo há cerca de um mês. Foi quando os cientistas iniciaram o esforço para tentar captar sinais de rádio enviados de lá por uma possível civilização extraterrestre.

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A escuta é feita com o Allen Telescope Array, conjunto de radiotelescópios instalados no norte da Califórnia com o objetivo explícito de buscar sinais de inteligência alienígena no cosmos. Desde 2012, os pesquisadores têm apontado o ATA para diversas estrelas que abrigam planetas descobertos com o satélite Kepler. Não poderia ser diferente com a mais recente descoberta. “Por quase um mês, o ATA se concentrou no sistema Kepler-186, que tem um planeta do tamanho da Terra na zona habitável”, conta Elisa Quintana, pesquisadora do Centro Ames de Pesquisa da Nasa e do Instituto SETI. Ela foi a primeira autora do trabalho que reportou a descoberta, na revista “Science” da semana passada. “Até agora, todos os sinais que foram detectados podem ser atribuídos à tec-

nologia da Terra”, o que significa dizer que os cientistas infelizmente não encontraram nenhuma transmissão alienígena vindo de lá. “Até agora, nada, embora certamente continuaremos tentando”, diz Seth Shostak, astrofísico colega de Quintana na instituição de pesquisa privada dedicada à busca por ETs. AGULHA NUM PALHEIRO A ausência de sinais até agora de forma alguma implica que não tem ninguém por lá. Na verdade, ela é um ótimo lembrete do tamanho da dificuldade envolvida no contato com outras civilizações no cosmos. A estrela Kepler-186 e seus planetas estão a cerca de 490 anos-luz da Terra. Se levarmos em conta que a Via Láctea, nossa galáxia, tem diâmetro de 100 mil anos-luz, o planeta recém-desco-

Cientistas usam o Allen Telescope Array para procurar inteligência ET no planeta recém-descoberto!

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berto, como diria Fernando Vannucci, “é logo ali”. Ainda assim, com o poder de detecção concentrado no ATA, para que ele captasse uma transmissão vinda de lá, seria preciso que os alienígenas estivessem usando um transmissor 10 a 20 vezes mais poderoso do que o melhor que temos aqui na Terra — a antena gigante do Observatório de Arecibo, em Porto Rico. Em outras palavras, se houvesse uma civilização tecnológica em Kepler-186f, se eles tivessem uma antena de 300 metros de diâmetro (Arecibo tem 305), se eles soubessem que o Sol tem um planeta de porte similar ao deles na zona habitável e se decidissem usar essa antena para nos enviar um sinal, exatamente nas frequências em que estamos escutando, sabe o que nós ouviríamos? Nada. Rigorosamente nada. foto: FOLHA DE S. PAULO


KEPLER-186F

TERRA

C D BA

SOL

MARTE

Não é de surpreender, portanto, que, mesmo depois de mais de meio século de buscas, os pesquisadores envolvidos com a SETI (sigla inglesa para Busca por Inteligência Extraterrestre) não tenham encontrado ninguém até agora transmitindo de outras estrelas. Isso não significa que estejamos sozinhos no cosmos. Sugere apenas que encontrar outras civilizações é extraordinariamente difícil. Depende de sorte, tecnologia e muita, muita, muita paciência. Ainda assim, não há dúvida de que informações obtidas pelos astrônomos caçadores de planetas ajudam a guiar e focar essa busca. No mínimo, elas produzem alvos preferenciais para a escuta — sistemas planetários como o Kepler-186, que possivelmente abrigam pelo menos alguma forma de vida. A busca continuará sendo algo como procurar uma agulha num palheiro. Mas pelo menos o tamanho do palheiro pode ser significativamente reduzido nos próximos anos•

VENUS

TERRA

ENTENDA COMO FUNCIONOU A DESCOBERTA DO KEPLER 186-f Essa achado é resultado da análise de dados que foram coletados pelo Kepler entre março de 2009 e maio de 2013. Nesse período, os outros planetas descobertos eram muito grandes (o que seria um indício de sua composição gasosa) ou estavam perto ou longe demais da estrela mais próxima (o que dificultaria a existência de água na superfície). Ainda, os planetas anteriormente encontrados em zonas habitáveis eram 40% maiores do que a Terra. Por outro lado, o Kepler-186f tem uma diferença de apenas 10% com o nosso planeta. Além disso, os cientistas já sabem que o astro leva 130 dias para completar a órbita em torno de sua estrela e recebe um terço a menos de luz do que a Terra. Os pesquisadores também observaram que o Kepler-186f orbita uma estrela anã-vermelha, que é menor, mais fria e menos brilhante do que o sol. Ainda, sabe-se que o novo planeta – que, por causa das diferenças, está sendo considerado mais um primo do que um irmão gêmeo da Terra – está a 500 anos-luz de distância. 9


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CURIOSO

Elefantes têm três vezes mais neurônios que o homem Herton Escobar

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á imaginou o que aconteceria se você tivesse um cérebro do tamanho do de um elefante, três vezes maior do que o seu? Teoricamente, sua capacidade de memória e aprendizado seria três vezes maior. E sua inteligência, quem sabe, também. Isso, se a composição celular do cérebro dos elefantes fosse idêntica à nossa. Mas não é. Segundo um trabalho que acaba de ser publicado na revista Frontiers in Neuroanatomy, a composição celular do cérebro do elefante é surpreendentemente diferente da nossa. Apesar de ser três vezes maior e ter três vezes mais neurônios do que o cérebro humano, 97,5% dos 257 bilhões de neurônios do cérebro do elefante estão concentrados no cerebelo (uma estrutura que fica na base do cérebro, associada principalmente a funções de coordenação motora e equilíbrio), enquanto que o córtex, apesar de ter o dobro da massa, tem apenas um terço do número de neurônios do córtex humano (5,6 bilhões). “A descoberta dá força à hipótese de que as habilidades cognitivas superiores dos seres humanos, em comparação com os elefantes e outros mamíferos de cérebro grande, estão relacionadas ao maior número de neurônios no córtex cerebral, e não no

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cérebro como um todo”, escrevem os pesquisadores, liderados por Suzana Herculano-Houzel, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ), que utilizaram uma técnica desenvolvida no Brasil para “desconstruir” o cérebro de um elefante africano e comparar sua composição celular à de cérebros humanos. O trabalho foi desenvolvido em colaboração com Paul Manger, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul. Vale dizer que os elefantes não têm as mesmas habilidades cognitivas que nós, em termos de linguagem e raciocínio, mas são animais extremamente inteligentes e com uma “memória de elefante”, de fato, como se costuma dizer. Para um animal que tem apenas um terço dos neurônios que nós temos no córtex, eu diria que estão se saindo muito bem (melhor até do que muitos seres humanos)! Imagine só!


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