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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO LESTE DE MINAS GERAIS CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL JORNALISMO

O JORNALISMO PÚBLICO NO JORNAL DA CULTURA

Wiliam de Paula

Coronel Fabriciano Novembro 2007


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Wiliam de Paula

O JORNALISMO PÚBLICO NO JORNAL DA CULTURA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UnilesteMG, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo.

Orientador: Sávio Tarso Pereira da Silva

Coronel Fabriciano Novembro 2007


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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO LESTE DE MINAS GERAIS – UNILESTEMG CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL HABILITAÇÃO: JORNALISMO MONOGRAFIA

O JORNALISMO PÚBLICO NO JORNAL DA CULTURA WILIAM DE PAULA Monografia submetida à Banca Examinadora designada pelo colegiado do Curso de graduação em Comunicação Social – Jornalismo do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UnilesteMG), em 27 de novembro de 2007, como parte dos requisitos para a obtenção do título de bacharel em Comunicação Social, habilitação Jornalismo. (X) Monografia aprovada com a nota 100. (

) Aprovada, mas com a condição que se incorporem nos exemplares definitivos as

modificações sugeridas pela banca examinadora até __________ dias a contar a data da defesa ( ) Reprovada Por: _______________________________________ PROF. SÁVIO TARSO PEREIRA DA SILVA ORIENTADOR – UNILESTEMG _______________________________________ PROF. PAULO DA ROCHA DIAS EXAMINADOR – UNILESTEMG

_______________________________________ PROF. LUÍZ ANTÔNIO DA SILVA EXAMINADOR – UNILESTEMG


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DEDICATÓRIA

Dedico essa pesquisa aos professores que, desde o início de minha história discente construíram os caminhos do conhecimento e me mostraram novas possibilidades. Junto a eles esse trabalho é dedicado à minha família que sonhou com esse momento e para isso não mediram esforços, com dedicação especial de meus pais.


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AGRADECIMENTOS

A gratidão desse período importante obra de minha história fica eternamente a Deus pela providência, à minha família pela presença e a todos os professores que entraram nas salas de aula da escola e de minha vida. Aos incontáveis amigos que participaram de momentos de múltiplas emoções e à confiança de todos que acreditam em meu trabalho. Agradeço em especial ao professor orientador, o mestre Sávio Tarso, por acreditar e participar de meus primeiros passos na vida profissional, e aqui com essa pesquisa, fruto de nossas preocupações ante as formalidades acadêmicas. A todos os demais professores que empenharam seu conhecimento junto a meus olhares para o mundo. Ao Professor Doutor Paulo da Rocha Dias pela partilha do conhecimento e visão da vida.

E ante a todos os mestres e doutores, à minha mãe, Maria Lucinda, professora das primeiras partes do alfabeto soletradas e vidente das primeiras linhas construídas em minhas mãos trêmulas.


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RESUMO

Essa pesquisa é resultado de uma investigação da prática jornalística conhecida como jornalismo público, ou jornalismo cívico, uma nova possibilidade da prática jornalística criada por acadêmicos e redatores norte-americanos no início da década de 90. Essa espécie de jornalismo tem nesse trabalho o telejornal Jornal da Cultura como seu objeto de observação, com um estudo da qualidade da pauta existente na produção da emissora paulista que objetiva comprovar a existência do jornalismo público e suas principais características frente às emissoras comerciais. Assim encontra-se também uma discussão sobre os fundamentos da televisão pública como suporte propício para esse jornalismo para o cidadão, com uma respectiva abordagem dos estudos relativos à cidadania e democratização da informação e dos meios de comunicação. Palavras-chaves: Jornalismo público, cidadania, televisão pública, TV Cultura.


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ABSTRACT

This research is result from a investigation from practice journalistic acquaintance as journalism public , or journalism civic , a one new possibility from practice journalistic maid for academics and editors north-americans into the beginning from decade of 90. This variety of journalism have in that I work the TV Cultura from the Jornal da Cultura as your object of observation , with a study from quality from with a study from quality from rule existing on production from broadcasting station inhabitant of the state of S達o Paulo what object aver the existence of the journalism public and his principal characteristics front emitters commercials. Such she meets - if also only one discussion on the subject of the fundamental from television set public as support promising about to this journalism about to the citizenship , with a respective approach from the studies relative citizenship and democratization from information and from the mediums of communication. Key-words: Public Journalism, citizenship, public television, TV Cultura.


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SUMÁRIO Introdução .............................................................................................................................. 10 1 Jornalismo Público: o cidadão é notícia ............................................................................ 13 1.1 TV e cidadania, uma audiência consciente ............................................................ 14 1.2 Conceito que nasce para o cidadão ......................................................................... 15 1.3 Diferencial pelo suporte ...................... ...................................................................21 1.4 A pauta pública no Jornal da Cultura .............................................................. .... ..23 2 Uma proposta em pauta nas redações 2.1 Dos suportes ao público.......................................................................................... 27 2.2 A TV Pública e a experiência da TV Cultura ......................................................... 28 2.3 A agenda dos cidadãos............................................................................................ 35 3 A cidadania em pauta 3.1 A discussão na prática ........................................................................................... 39 3.2 Qual cidadão fala no Jornal da Cultura? ................................................................ 41 4 Conclusão ............................................................................................................................ 47 5 Referências Bibliográficas .................................................................................................. 50


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INTRODUÇÃO A comunicação se constitui em sua prática como objeto de constantes estudos à medida da evolução das sociedades que recebem e concebem o processo. De forma mais específica, o jornalismo se apresenta nas possibilidades pragmáticas com amplos métodos no processo de “mediação social”, ou seja, uma constante evolução nas expressões narrativas, estéticas e abordagens que demandam novos elementos na apuração e apresentação dos fatos públicos. Nessa última variável é que se encontra a preocupação do estudo apresentado. A pesquisa monográfica se ocupa em observar a prática jornalística conhecida como Jornalismo Público, movimento com início nos Estados Unidos no fim da década de 1980 e início dos anos 90, considerado atualmente entre os teóricos da comunicação, como Nelson Traquina, “o mais importante movimento jornalístico norte-americano desde o ‘novo jornalismo’ da década de 1960” criado por Tom Wolfe1. Suas concepções fundam-se nas necessidades dos indivíduos concebidos enquanto cidadãos com direitos e deveres no processo noticioso, como agentes da pauta jornalística que contemple as reais necessidades do cidadão na discussão e abordagens de assuntos pertinentes à manutenção do organismo social. A observação do jornalismo público tem como objeto o telejornal da TV Cultura de São Paulo chamado Jornal da Cultura. Uma produção que se declara pautada no público nos diversos aspectos. O movimento ainda é pouco debatido no universo acadêmico brasileiro, haja vista pela reduzida biografia específica e artigos relacionados. Mas entre seus fundadores, são numerosas as publicações com análises científicas e debates em um universo vasto, além de centenas de descrições de projetos práticos do jornalismo público. A diversidade de nomenclaturas também nos mostra como os norte-americanos se preocuparam em interpretar e construir o novo entendimento desses métodos de comunicação. Jornalismo cívico, jornalismo cidadão, jornalismo comunitário, jornalismo de serviço público, são apenas alguns dos títulos criados por teóricos práticos que se ocuparam dos estudos. Além de se constituir uma nova possibilidade de pesquisa, é crescente a abordagem de comunicação pública na América Latina, na atualidade. A TV Cultura tem declarado por meio de seus editores e publicações nos últimos anos esse propósito. Nesse contexto também estão 1

Escritor norte-americano que se encontra entre os fundadores do “jornalismo literário”, chamado de novo jornalismo em sua obra Radical Chique e o Novo Jornalismo (1963).


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novas ações de televisão pública, suporte essencial na produção de um jornalismo cívico, como discutimos na pesquisa. A Telesur, emissora criada em 2006 na Venezuela com retransmissão para os países vizinhos, é um exemplo, com concessão pública e objetivo declarado de mostrar a diversidade cultural na América Latina. Ela apresenta noticiários pautados nos fatos que constroem o cotidiano político, social e cultural da região, não mostrados nas grandes emissoras de televisão comerciais. Paralelo a essas ações observamos o debate em voga da televisão pública brasileira. Com a TV Brasil o governo federal quer democratizar as produção televisiva e conseqüentemente o acesso à informação com o jornalismo público. O debate acerca da democratização da comunicação e as novas demandas do profissional jornalista nesse universo sempre estiveram presentes como objetos de estudos, leituras e debate no período da graduação, sendo agora aprofundados com o Trabalho de Conclusão de Curso. Como e por que fazer um jornalismo público na atual sociedade de consumo da informação? A partir desse questionamento se desenvolve a problemática da pesquisa que, com um estudo do movimento jornalístico, as práticas sociais contemporâneas e na observação da cobertura no Jornal da Cultura se revela como alternativa profissional e social. O trabalho foi organizado hipoteticamente no cumprimento do jornalismo público no telejornal da TV Cultura, onde deveria se encontrar para tal uma pauta com os elementos da prática jornalística como o debate, a reflexão, análise e contexto, com um pluralismo de vozes, tudo verificado no universo da televisão pública da Fundação Padre Anchieta2. Para isso, usamos, primeiramente, análises qualitativas de nosso material, com uma busca dos elementos citados para comprovar a qualidade do jornalismo público supostamente praticado no telejornal analisado. Apresentada em três capítulos, a pesquisa tem como base metodológica a análise de produtos audiovisuais pelo método da semana construída, pelo qual as amostragens são organizadas a partir de uma coleta de dois meses do programa selecionado aleatoriamente por seus seis dias de apresentação. A decupagem, ou seja, a transcrição do conteúdo de todas as amostras e classificado dentro das técnicas e qualificações de edição e montagem no jornalismo televisivo, permitiu a identificação dos elementos elucidativos para a comprovação das hipóteses em questão.

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Organização jurídica legal mantenedora das emissoras de rádio e televisão Cultura bem como outras iniciativas culturais no Estado de São Paulo.


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No primeiro capítulo é discutido o contexto do surgimento do jornalismo público nos Estados Unidos, partindo das novas demandas sociais principalmente no entendimento da cidadania. Conceito, este último, amplamente concebido nas sociedades constituídas democraticamente, com uma abordagem de seu surgimento entre os norte-americanos e as conclusões de seus idealizadores para compreender os fundamentos e emergência desse “novo jornalismo”. Ainda no primeiro capítulo, encontra-se a descrição da televisão pública, universo de maiores possibilidades para um jornalismo com atenção à cidadania. Essa descrição foi construída também com os estudos de pesquisadores brasileiros como Cremilda Medina e Regina Mota que observam os fenômenos comunicativos sociais e complementam o discurso. Nesse universo o jornalismo público é apresentado como uma nova possibilidade na produção da informação, como um rompimento com o agendamento da grande mídia comercial, que na informação um produto de consumo. E para finalizar a discussão acerca da pauta pública, principal preocupação nessa primeira parte do trabalho, são apresentados os dados referentes à presença da pauta no Jornal da Cultura, com quadros de identificação de cada elemento em todas as pautas das amostragens. No segundo capítulo trata-se de aprofundar no estudo da televisão pública e seu modelo de gestão, com a relação da produção ao suporte acompanhado pelo cidadão, onde a TV Cultura é descrita em sua concepção de jornalismo como uma emissora pública. Na seqüência encontra-se a análise e classificação dos elementos da pauta pública, com o desenvolvimento das práticas apontadas como premissas dessa pauta. Após essa análise é levantada a questão da agenda dos cidadãos fundamentada no produto noticioso do telejornal. No último capítulo é retomado o estudo da cidadania e relaciona-se o conceito para as políticas públicas de comunicação e a democratização da informação. Assim retorna-se à discussão da cidadania no Jornal da Cultura, e para isso, a preocupação se voltou para o estudo das fontes, ou seja, identificar qual o público participa no conteúdo informativo da TV Cultura em meio à sua proposta do jornalismo público. As entrevistas da amostragem foram divididas, primeiramente, como fontes autorizadas e anônimas. Das fontes anônimas a pesquisa se voltou para a identificação do cidadão nessa pauta, e assim permitiu-se argumentar melhor sobre o público no programa.


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1. JORNALISMO PÚBLICO: O CIDADÃO É NOTÍCIA O jornalismo, como prática social, se encontra sempre envolto às transformações da sociedade da qual se ocupa de narrar. Seus anseios e necessidades são fatores de constante evolução, com novos lugares para os personagens que demandam novos olhares dos comunicadores, processo que se insere nas transformações das práticas e organização social em novos espaços públicos. A história mostra que a tecnologia e as idéias, por exemplo, modificam periodicamente esses anseios e necessidades dos sujeitos. Nesse contexto, a televisão se tornou nos últimos 50 anos no Brasil o suporte de comunicação mais acessível e abrangente para um país de extenso território e cultura diversa. Em função disso, o grande debate em voga refere-se à democratização da televisão. A prática de uma televisão pública toma cada vez mais espaço no debate social que aponta para a necessidade de uma democratização na comunicação de um modo global. As discussões perpassam, necessariamente, pelo domínio das emissoras de concessão comercial, que têm em suas produções o imperativo da audiência, anseio tratado de forma diferente em uma emissora de caráter público. Nessa, segundo seus produtores, a qualidade dos produtos deve ser primeira preocupação ante aos índices de audiência. Embora essas emissoras privadas tenham assumido cada vez mais o discurso de “uma responsabilidade social frente ao país”, como aponta a pesquisadora Regina Mota3 (2004), elas não contemplam a necessidade do telespectador enquanto cidadão e participante do processo de comunicação. Mota diz que “a televisão brasileira se mostra totalmente surda a qualquer tipo de interação que não seja a pesquisa de audiência e busca da satisfação do gosto médio” e conclui que “não há qualquer tipo de interesse pela demanda, qualificada ou não, que possa vir de indivíduos ou de grupos mais ou menos organizados” (MOTA, 2004, p. 2). Nesse universo, esta pesquisa não tem sua análise pautada na discussão concessionária da televisão, mas em uma produção jornalística, embora oriunda da corporação, que contemple uma pauta cidadã e diferenciada para novas demandas sociais. A preocupação está em olhar para outras possibilidades da produção de conteúdos informativos com maior profundidade social, algo que seja instrumento de crescimento desta. Visto que a proposta é 3

Maria de Paula Regina Mota é graduada em Comunicação Social pela PUC-Minas, conhecida por suas pesquisas sobre a televisão brasileira, principalmente nos que diz respeito à televisão pública. Esse trabalho, chamado Uma pauta pública para a televisão brasileira, faz parte de sua pesquisa a respeito da “TV Pública no Brasil: a construção de um projeto ético e estético”. Suas análises partem do processo de enunciação – o modelo de concessão e gestão das TV’s – para o enunciado, no caso a pauta pública. O trabalho foi apresentado na Intercom.


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conhecer um jornalismo comprometido com o cidadão que possa se tornar prática independentemente da natureza legal do canal televisivo. 1.1 TV e cidadania, uma audiência consciente Os primeiros movimentos com as idéias de direitos são datados das revoluções burguesas, a exemplo da Revolução Francesa no século XVIII, embora diferente dos princípios dos direitos e participação, mas pensado com as bases do chamado Estado de Direito. Mas a verdade é que o próprio conceito de cidadania foi criado em meio a um processo de exclusão. Para Leandro Karnal, dizer quem era ou não cidadão tornarase uma forma de garantir os privilégios de uma minoria e evitar a possibilidade da participação da maioria. A cidadania foi excludente na Grécia clássica e nos EUA e França do Século das Luzes (SILVA; SILVA, 2005, p. 49)

Segundo os historiadores, essas concepções só foram institucionalizadas como práticas de cidadania no século XX. A Declaração Universal dos Direitos do Homem realizada em 1948 pelas Nações Unidas é um marco importante para as sociedades democráticas preocuparem com uma nova organização social. Os cientistas sociais apontam que, a partir do início dos anos 80, surgiram novas compreensões acerca da cidadania. Um pensamento chamado por Evelina Dagnino4 de “nova cidadania”. Uma luta, principalmente dos movimentos sociais organizados no Brasil por direitos e igualdades de participação no processo democrático de construção da esfera pública. Tais organizações sociais se conscientizaram de seus direitos passaram a exigir seu espaço no processo de manutenção dessa esfera, isso a partir de sua “experiência concreta” nesse corpus social, o direito que se une à participação para formar o conceito cívico, uma luta por direito à igualdade e a diferença, como conclui a pesquisadora. Dessa forma, a cidadania implica em maior participação no processo informativo. Essa nova preocupação com a cidadania se deu ainda em momentos importantes da história mundial e brasileira. Foi na década de 1980 que o mundo assistiu à crise socialismo e sua instituição consumida na queda do Muro de Berlim,

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Evelina Dagnino é organizadora da obra Anos 90: Política e sociedade no Brasil. O trecho citado é de sua autoria na publicação que reúne uma análise e relato da emergência dos movimentos sociais no Brasil e toda a discussão a respeito da cidadania.


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com um novo discurso para a democracia, um processo que teoricamente demanda a participação dos agentes sociais na composição de seu espaço. A questão da cultura democrática assume um caráter crucial no Brasil e na América Latina como um todo. Esta é uma sociedade na qual a desigualdade econômica, a miséria a fome, são aspectos mais visíveis de um ordenamento social presidido pela organização hierarquica e desigual do conjunto das relações sociais: o que podemos chamar de autoritarismo social. (DAGNINO, 1994, p. 104).

Como um processo da praxe cidadã, que implica em ações concretas, o Brasil passa por um importante momento de institucionalização da cidadania garantia de sua promoção. Em 1988 é apresentada à nação uma nova Constituição Federal, cujo texto contempla um amplo discurso dos direitos sociais e, para sua contemplação, impulsiona uma maior abrangência dos meios de comunicação, como relata a então diretora de programação da TV Cultura: A partir de 1992, com a expansão e abrangência nacional, a TV Cultura repensou a estratégia da grade de programas. Precisou buscar novas fontes de produção nas regiões, valorizando a diversidade cultural do país, identificar e dar espaço a novas vozes, que mais tarde viria a constituir as bases do novo jornalismo da televisão pública. (OTONDO in RINCÓN, 2002, p. 280–281).

Toda essa discussão culmina com as necessidades observadas na imprensa norteamericana para um jornalismo cívico, comprometido com o cidadão. Modelo apresentado como uma proposta editorial de uma prática na produção de informações que contempla um jornalismo acessível à pluralidade de grupos e organismos sociais com uma abrangência de vozes e um caráter substancialmente educativo e cidadão. Uma comunicação realizada pela agenda do público. 1.2 Conceito que nasce para o cidadão O Jornalismo Público é um conceito criado pelos americanos no fim da década de 80, um questionamento da prática do jornalismo informativo produzido; em um momento de crise no consumo de produtos jornalísticos no país. O sinal vinha das bancas que não registravam grandes vendagens dos periódicos impressos e, segundo levantamento das empresas de comunicação, o público relatou que não se sentia noticiado com a falta das questões que julgava necessariamente vigentes para informar e analisar.


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Os teóricos da comunicação Nelson Traquina e Mário Mesquita (2003), organizaram em Lisboa uma pesquisa acerca do Jornalismo Público. Em seus relatos sobre o contexto da imprensa norte-americana ele aponta que a prática veio como meio de questionamento do status quo do jornalismo. (...) Em 1973, 23% das pessoas inquiridas indicaram que tinham ‘muita’ confiança nos media, a percentagem desceu para 14% em 1983 e apenas 10% em 1994. Igualmente em 1994, 63% das pessoas inquiridas indicaram que as empresas jornalísticas são freqüentemente influenciadas por pessoas e organizações poderosas (FITZSIMONS; McGILL apud TRAQUINA, 2003, p. 9).

A partir de conclusões a respeito das reclamações do público, observou-se que esse procurava informações da sua realidade geográfica mais próxima e contextualizada ao seu cotidiano. Para sobrepor ao problema, os editores realizaram um resgate das funções sociais da comunicação, um compromisso com o leitor enquanto ser político que necessita de olhares responsáveis para seu cotidiano. Entre as motivações estava que “o jornalismo pode e deve ter um papel de reforço da cidadania, melhorando o debate público e revendo a vida pública” (ROSEN apud TRAQUINA, 2003, p. 9). Essa prática do jornalismo teve seus primeiros experimentos entre professores, pesquisadores e jornalistas estadunidenses. Data-se de 1988 a primeira experiência com esse tipo de jornalismo, com o Columbus Ledger Enquirer da Geórgia, segunda aponta Traquina (2003), com uma sondagem popular e a elaboração de uma “agenda do cidadão”, ou seja, um levantamento dos assuntos dos quais os leitores gostariam que fossem aprofundados pelo jornalismo. Dois anos mais tarde, no Estado do Kansas, David Merritt, editor chefe do Wichita Eagle, iniciou a experiência pública em seu periódico. O editor, criador da expressão Jornalismo Público5, se tornou referência na construção da nova prática da comunicação nos Estados Unidos. O jornalismo cívico que Merritt defende envolve as seguintes mudanças: ir para além da missão de dar notícias para uma missão mais ampla de ajudar a melhorar a vida pública; deixar para trás a noção do ‘observador desprendido’ e assumir o papel de ‘participante justo’; preocupar-se menos com as separações adequadas e mais com as ligações adequadas; conceber o público não como consumidores, mas como

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Embora Merrit tenha chamado de Jornalismo Público, o movimento também foi apontado como “Novo Jornalismo” nos Estados Unidos. Nelson Traquina lista que a prática também recebeu o nome de “jornalismo comunitário”, “jornalismo de serviço público” e “jornalismo cívico”, além de encontrarmos a denominação “jornalismo cidadão” em artigos. Isso se deu em decorrência das muitas pesquisas realizadas pelos norteamericanos.


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atores da vida democrática,tornando assim prioritário para o jornalismo estabelecer ligações com o cidadão (TRAQUINA, 2003, p. 13).

Há de se citar que o jornalismo público decorre de estudos que, embora não utilizem denominações para novas práticas, fomentaram o surgimento de questionamentos quanto às práticas jornalísticas ao longo dos acontecimentos sociais. Historicamente, o jornalismo público tem raízes datando do início do século XX, quando John Dewey propôs a sua noção de imprensa livre numa democracia. A herança do jornalismo público pode ser traçada desde a Teoria da Responsabilidade Social e à Comissão Hutchins de 19476, até à campanha crucial de 1988, que foi um importante catalisador para o nascimento do jornalismo público. Estes desenvolvimentos comparam-se com e bebem da evolução da filosofia social, do utilitarismo, das idéias de Habermas e de Arendt, e dos comunitários (COLEMAN in TRAQUINA; MESQUITA (Org.), 2003. p. 60).

Dessa forma, os editores começaram a produzir pautas que contemplassem uma proposta mais relacionada com interesses públicos, classificando também como jornalismo cidadão. Essa experiência se estendeu entre os americanos com diversas outras experiências práticas, deixando o jornalismo impresso e tomando o universo radio– televisivo que, segundo Coleman (2003), chegou aos telejornais estrangeiros em 1994 na Grã-Bretanha, pelo jornal Independente do Chanel-4. No Brasil temos o Jornal da Cultura da TV Cultura de São Paulo que se apresenta como uma mediação que garante o direito e participação do cidadão na produção. Nesse universo, o interesse público se relaciona à proximidade e à tematização dos produtos informativos quanto à sua relevância para o bom funcionamento do organismo social. Dessa forma, a pesquisadora Regina Mota (2004) aponta que “o debate deveria ser pautado na perspectiva de seus interesses, assim como são pautados os temas da saúde, da educação, do transporte ou dos benefícios sociais”. Essa nova demanda de uma comunicação que sobreponha às formas rotineiras, massivas e que supere um produto jornalístico com fortes interesses comerciais, que é apresentada como oportunidade de se conduzir o jornalismo para um serviço que consiga transformar as relações de consumo à cidadania. Entenda-se como de um conteúdo jornalístico massivo a difusão de informações de forma genéricas, ou seja, com tratamento igualitário independente de seu contexto. O famoso comentário dos telespectadores ao dizer 6

“A teoria da responsabilidade social surgiu nos Estados Unidos, adotada pela Comissão Hutchins, que, em 1947, produziria o famoso relatório A free and responsible press, no qual, entre outras coisas, recomendava que a imprensa deveria proporcionar ‘um relato verdadeiro, completo e inteligente dos acontecimentos diários dentro de um contexto que lhes dê significado’. Assim, já não bastaria apenas relatar o fato verdadeiramente: ‘agora tornou-se necessário relatar a verdade sobre os fatos’” (MORETZSOHN, 2000).


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que todos os noticiários falam da mesma forma, ou que um único programa parece falar de uma única coisa. Uma efemeridade noticiosa analisada por autores, como Ciro Marcondes Filho (1984), como parte de uma necessidade de informação que é suprida somente em curto prazo, para que essa demanda seja sempre recorrente aos sujeitos, e continua dizendo que “o valor de uso não pode de nenhuma maneira ser tão alto (por exemplo, por meio da crítica estrutural, estímulo ao pensamento crítico ou orientações da ação), que incite no leitor atividades que levem à mudança do sistema existente”. (MARCONDES FILHO, 1984, p. 110). Tais elementos, descritos como impraticáveis pelo autor, são exatamente os que fazem parte da proposta de um jornalismo voltado para o cidadão, comentados por David Merrit. Numa sociedade de indivíduos dispersos e abarrotados com informação descontextualizada, uma vida pública efetiva precisa ter uma informação relevante que é partilhada por todos, em um lugar para discutir as suas implicações. Somente jornalistas livres e independentes podem – mas habitualmente não conseguem – providenciar essas coisas. Do mesmo modo, a vida pública efetiva requer a atenção e o envolvimento de cidadãos conscienciosos, que só eles podem providenciar. Por outro lado, se as pessoas não estão interessadas na vida pública, eles não têm qualquer necessidade dos jornalistas nem do jornalismo (MERRITT apud TRAQUINA, 2003, p.12).

Cremilda Medina (1978), em obra preliminar à discussão norte-americana do Jornalismo Público, realiza uma análise dessa sociologia da informação partindo do advento da sociedade industrial. Para a pesquisadora, a industrialização trouxe novas demandas para o processo de difusão da informação, uma vez que os avanços tecnológicos demandados pela industrialização fariam da informação “mais um produto do sistema econômico que está na base”. (p.16). Segundo Medina, a indústria da informação é pensada nas leis do mercado de oferta e demanda, “a produção e os produtos têm de refletir uma atenção permanente quanto às expectativas do consumidor, o que numa democracia se conceitua como Direito à Informação e Direito de Opinião”. (ibidem, p.138). Como produto do neoliberalismo, a notícia do repórter a serviço dos padrões jornalísticos da objetividade, imparcialidade, do jornalista transcritor da realidade, se isenta da análise e do compromisso social. No jornalismo público o jornalista se ocuparia de forma diferente, com um envolvimento real com a comunidade na qual atua como um a “agente político”, segundo Rosen (2003), sem a separação a fim de se pensar nas ligações, principalmente na formação, pois “o jornalismo público tem êxito quando fortalece a capacidade da comunidade política de se compreender a sim mesma, de saber dialogar e fazer suas escolhas” (Ibidem). Esse


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gatekeeper7 faria “uma seleção regulada pelos interesses do consumidor”. (MEDINA, 1978, p.20). Ela propõe ainda – em diálogo possível com a temática pesquisada – que essa objetividade deveria se relacionar com a subjetividade do público. Com as análises apresentadas, pode-se relacionar a prática do Jornalismo Público como método de promoção da autonomia informativa do cidadão, entendido como participante desse processo. E a discussão continua com Marcondes (1984), ele organiza um estudo sobre a imprensa e sua relação com o processo do capitalismo. Nele, o autor descreve, a partir dos estudos do alemão Jürgen Habermas, que a circulação das notícias está diretamente relacionada com a circulação de mercadorias. Uma Necessidade da sociedade capitalista na difusão dos fatos que a reforça. Dessa forma, “a reportagem produzida de forma empresarial, está sujeita por isso às mesmas leis do mercado, a cujo surgimento ela deve sua própria existência”. (HABERMAS apud MARCONDES FILHO, 1984, p.13). Uma discussão que, embora esteja em uma corrente crítica da comunicação, se completa ao relacionar com a funcionalidade da imprensa estudada nessa pesquisa. E Traquina inclui o jornalismo público nessa realidade: O movimento reafirma as responsabilidades sociais do jornalismo numa era mercantilista onde mesmo nas salas de redação das empresas jornalísticas os ditames do dinheiro influenciam cada vez mais as decisões editoriais (MCMANUS apud TRAQUINA, 2003, p. 16).

Mota vai dizer que esse conteúdo genérico, sem análise, sem participação dos atores sociais seria “uma quase ausência de passado e futuro nas pautas”, não contemplado com a promoção da alteridade, ou seja, uma legitimação do outro. (MOTA, 2004, p. 6). Dessa forma, o grande diferencial de um jornalismo público seria a promoção de uma agenda dos cidadãos, termo que dialoga os norte-americanos8. E nessa proposta, Mota apresenta uma pesquisa realizada em seu artigo quanto à tematização e interesse público, assim descreve que por unanimidade, os entrevistados disseram que “o Jornalismo Público, além de informar, deve levar à reflexão, a uma mudança de comportamento e mentalidade” (p. 9). 7

O Gatekeeper é uma teoria da notícia elaborada pelo norte-americano David White (1950) em que atribui aos jornalistas o título de “porteiros” da notícia, uma análise no processo de seleção da notícia. Esses determinam o que julgam importante para o público. 8

Nelson Traquina (2003, p. 12-13) cita Jay Rosen, teórico do jornalismo público nos Estados Unidos que narra a experiência do editor Rich Oppel do Charlotte Observer em 1992 na cobertura das eleições presidenciais. O jornalista realizou uma sondagem e elaborou uma lista de temas prioritários, o que chamou de “agenda dos cidadãos”.


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Essa funcionalidade da imprensa, pesquisada anteriormente por Harold Lasswell (1948)9 no que diz respeito à vigilância e responsabilidade dos meios de comunicação, retorna quatro décadas depois aplicada na preocupação do jornalista em identificar um problema no organismo social e se empenhar a mudá-lo. O discurso de uma coresponsabilidade do jornalista para a manutenção do organismo social é prática da profissão, uma retórica que parte do princípio de uma espécie de prestação de serviços ao narrar os acontecimentos públicos. Isso apresentado como uma das identidades do profissional da comunicação social, por meio de um compromisso com a sociedade. A proposta de Merrit se fundamentava na conscientização dos cidadãos para a escolha dos candidatos mais envolvidos com seus problemas locais, a “democracia participativa” na perspectiva do editor se trataria de uma relação híbrida entre jornalismo e democracia. Isso seria um via de duplo sentido, uma vez que usaria a imprensa a ir ao encontro de seu caráter cívico e à necessidade do leitor em se identificar como agente social descrito nas páginas dos jornais aos quais não atribuía a credibilidade necessária. Com essa relação voltamos e resumimos a discussão do Jornalismo Público entendido como uma prática de uma comunicação pluralista, acessível, próxima das comunidades e compromisso com o cidadão, com um enriquecimento cultural. Pelo qual os fatos são tratados com maior profundidade, de forma que motive a mudança e mobilização com uma pauta que cumpre as exigências das minorias sem se preocupar fundamentalmente com a audiência, mas com a qualidade do que é produzido, com a substituição das fontes oficiais pela voz do cidadão. Acredita-se na importância do Jornalismo Público como meio de mudar as relações do público com a informação que se torna cada vez mais um produto de consumo, o que retira um elemento da mídia que é a funcionalidade na manutenção do organismo social. Omar Rincón (2002) afirma que “o mercado não pode criar vínculos entre os sujeitos. Os intercâmbios são meramente formais, geram apenas frustração ou satisfação, mas nunca sentido. O mercado não pode gerar inovação social, pois trabalha unicamente com a rentabilidade.” (RINCÓN, 2002, p.45).

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Harold Lasswell se tornou um dos principais teóricos da comunicação em sua obra “A estrutura e a função da comunicação na sociedade”. O Funcionalismo da comunicação estaria em três obrigações que seriam a de informar, educar e interpretar a realidade social com uma transmissão da herança cultural.


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1.3 Diferencial pelo suporte Se nos Estados Unidos diversos órgãos de imprensa assumiram uma pauta pública em seus periódicos, com rejeição por outros, no Brasil não se vê uma declaração dessa linha editorial de forma clara nos veículos de comunicação. A exceção fica por conta da TV cultura de São Paulo, emissora que declara um Jornalismo Público no em seus telejornais. Como uma TV pública, ou seja, não vinculada diretamente ao mercado através do financiamento publicitário desse, não tem o compromisso com o mesmo. Embora não seja via de regra para o Jornalismo Cidadão, a emissora possui proposta privilegiada para assumir essa linha editorial, sendo assim a primeira a assumir pensar em uma pauta diferenciada no jornalismo, como descreve a então diretora de programação da emissora Teresa Monteiro Otondo (2002)10. A partir de 1992, com a expansão e abrangência nacional, a TV Cultura repensou a estratégia da grade de programas. Precisou buscar novas fontes de produção nas regiões, valorizando a diversidade cultural do país, identificar e dar espaço a novas vozes, que mais tarde viria a construir as bases do novo jornalismo da televisão pública. (OTONDO in RINCÓN, 2002, p. 280-281)

A diferença do canal está em sua concessão de caráter público, ou seja, teoricamente não dependente do mercado comercial para sua manutenção e com gestão independente. O governo provém grande parte da subvenção que custeia a programação da emissora, sendo essa administrada por um conselho gestor composto por membros de diversas instituições em instâncias variadas. É por lei uma fundação de direito privado, o que garante sua autonomia administrativa e independência política diante do Estado (...) ao contrário dos canais comerciais ou regionais, a TV Cultura, pela sua própria natureza jurídica distinta e única no panorama televisivo da América Latina, pode ser pensada como uma televisão a serviço do cidadão e desenvolver uma programação destinada a ser o seu público. (OTONDO in RINCÓN, 2002. p. 275).

Nesse universo de trabalho da TV Cultura se encontra o Jornal da Cultura, objeto de estudo nesta pesquisa. A proposta editorial desse telejornal é o tratamento público dos fatos, a partir dos conceitos do jornalismo cívico. A proposta de pauta e cobertura do telejornal é fundamentada no caráter de políticas públicas de comunicação, seguindo critérios de sua 10

Teresa Montero Otondo é jornalista e começou a trabalhar na TV Cultura em 1993, como assessora de projetos especiais da Presidência e depois como chefe do Departamento de Documentários. Desde 1998 está à frente do Departamento de Relações Internacionais, desenvolvendo um projeto de integração latino-americana e de defesa da televisão pública e da programação de qualidade no âmbito internacional.


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concessão pública. Dessa forma, o telejornal, como toda a programação, é proposto por seus idealizadores fundamentado nas políticas públicas de comunicação, com um tratamento dos fatos de forma didática e educativa, com espaço para vozes não oficiais a fim de criar uma proximidade com a comunidade e atingir a diversidade cultural. O jornalismo da TV Cultura traz debates, noticiários e entrevistas, agenda cultural e esportiva. Tem um compromisso inadiável com o público: contar histórias das pessoas, sem cair nas armadilhas dos interesses privados, do mercado ou políticopartidários. Estórias relacionadas à vida (meio ambiente, qualidade de vida, ciências, tecnologia, saúde), ao desenvolvimento da cidadania (políticas públicas, serviços, informações úteis e explicações sobre as decisões do governo), ao enriquecimento cultural (artes, cultura popular, criação, grandes espetáculos), para começar. (Ibidem, p. 282).

Essa relação com o público é anunciada pelos responsáveis do programa jornalístico que apontam que A sua finalidade é se comunicar, aproximar-se das comunidades, identificar lideranças em todo o estrato social e provocar necessária interatividade, espelhando e dando voz aos que em geral não têm acesso aos meios. Essa é a base do jornalismo da televisão pública, que desde 2000 começou a ser implantado na TV Cultura. (Ibidem, p. 275-276).

Todo esse contexto propositivo do Jornalismo Público, visto por sua concepção nos Estados Unidos e sua aplicação na realidade brasileira da TV Cultura irá se constituir a partir de premissas elementares dessa concepção cívica do jornalismo. Essa comunicação deverá ser pautada nas necessidades e formação da cidadania em seus interlocutores, que devem se sentir parte do processo informativo. Para isso, o debate, reflexão, a análise dos fatos devem ser elementos da prática do jornalista que busca o cumprimento dessa proposta, com a preocupação em se compor de uma pluralidade de opiniões à luz da diversidade de sua audiência. O debate por uma visão filosófica seria a submissão de um uma temática à análise de pessoas que se ocupam em observar os acontecimentos relacionados. A partir dos questionamentos à luz dos fatos devem-se elaborar propostas de condução das aflições sociais e solução da demandas públicas. No jornalismo público constitui-se pelas temáticas inerentes à formação do cidadão, as quais, segundo Mota (2004) seriam a saúde, educação, transporte e benefícios sociais, uma abordagem enraizada nas questões locais e na realidade social dos indivíduos. Nesse olhar, o jornalismo não deveria se limitar em seus mitos de objetividade e imparcialidade, com um noticiar dos fatos, mas ocupar-se em debater os problemas do


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público, “reconhecendo suas frustrações frente ao sistema político e ocupar-se delas”. (ÁLVAREZ, 2000, p.201). Em contraponto, a autora deixa uma indagação para justificar uma nova pauta: Que benefícios trazem para a sociedade as notícias que exploram a violência, os crimes, as mortes, as tragédias ou a perversão, mostradas como contingência, tratadas como fatos brutos e lançadas, muitas vezes sem qualquer análise, sobre o telespectador? (MOTA, 2004, p. 5)

A preocupação com os fatos públicos devem se fazer presentes no telejornal também à exemplo da conclusões de Omar Rincón quanto à televisão pública. O pesquisador aponta que “cabe à televisão pública assumir os grandes temas das sociedades contemporâneas, como a justiça, a paz, os direitos humanos, a convivência” (RINCÓN, 2002, p. 336). Os programas informativos e de debate deverão recolher a diversidade de pontos de vista relevantes de cada sociedade (...) Evitar a manipulação informativa e expressar a diversidade política, religiosa, étnica, de gerações, de gênero e regiões de um país, são os fatores chave que diferenciam uma televisão pública de uma televisão governamental e do viés próprio dos canais privados. (CIFUENTES in RINCÓN, 2002, p. 148).

Esse debate deve se apresentar de forma relacionada à reflexão dos fatos. A exposição dos fatores que permitem entender o universo de enunciação dos acontecimentos locais. A proposta da prática do jornalismo público está em dar tratamento mais aprofundado aos fatos, com uma indagação dos fatos, deve “procurar mudança, mobilização e o fortalecimento das relações sociais, com fontes alternativas e ouvir as pessoas” (OTONDO in RINCÓN, 2002, p. 282). Isso culminaria, como constata Mota (2004), na mudança de comportamento e de mentalidade dos telespectadores. Para constatar a existência e qualidade desse Jornalismo Público no Jornal da Cultura, todas as matérias dos seis programas que compõem a “semana construída” foram submetidas à uma análise. São 76 matérias avaliadas quanto à pauta, mais especificamente na verificação de sua temática segundo critérios de uma pauta pública apontados por Regina Mota. 1.4

A pauta pública no Jornal da Cultura

A partir da observação dos seis programas decupados foi possível uma melhor compreensão da pauta pública e, a partir de critérios pré-estabelecidos, a classificação dessas


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notícias por sua temática e elementos que a compõem. As análises das pautas do Jornal da Cultura revelaram que a saúde foi tratada em apenas uma matéria da amostragem, o que representa 1,3% de seu total de matérias. A educação e cultura foram mostradas em 11 pautas, com percentual de 14,5%. Questões ligadas ao transporte ocuparam 4% da pauta do Jornal da Cultura com três matérias. Os índices mais representativos ficaram com os direitos sociais dos quais 13 matérias se ocuparam de tratá-los, com 17%. Com uma matéria mais ficou a temática da justiça com 18,5% do telejornal. Para identificar o Jornalismo Público no Jornal da Cultura deve-se, primeiramente, conhecer em que fatos se pautam os jornalistas que constroem o noticiário. Conforme classificou Regina Mota, saúde, educação e cultura, transporte, direitos sociais e completamos com Omar Rincón, que acrescenta a justiça, deve tematizar uma pauta pública no jornalismo. A amostragem do Jornal da Cultura revela uma ausência desses temas. Veja-se que na primeira mostra, exibida no dia 7 de maio, segunda-feira, que possui dez matérias, somente duas delas vão contemplar com melhor preocupação com esses temas. Quando se apresentaram os números do crescimento da indústria automobilística se ouviu os fabricantes e revendedores com suas avaliações e conduziu-se a discussão para a classe trabalhadora, caracterizando uma questão de direitos sociais. A mesma linha temática foi tratada na seqüência com uma pesquisa entre idosos que revela índices de educação e saúde, questões de direitos sociais. Todas as demais matérias jornalísticas produzidas não se classificaram como relacionadas a uma pauta para o cidadão. A seqüência da “semana construída”, a terça-feira, 15 de maio, pode ser vista como a edição que mais se aproxima da proposta de um noticiário público. Oito de suas onze matérias se enquadram tematicamente em uma proposta cidadã de um noticiário. A primeira entrevista coletiva do presidente da república foi reportada com uma abordagem dos direitos sociais e questões públicas, com menor preocupação com assuntos eleitorais. Nesta amostra, todos os cinco temas públicos propostos são identificados ao longo do programa, com destaque para os direitos sociais e justiça, esse último tema de três matérias. Nestas três está a “CPI do Apagão Aéreo”, um julgamento do ex-presidente do BIRD por corrupção e uma escalada com outros fatos do dia no Brasil, e como justiça, o julgamento do caso da missionária americana assassinada no Pará. A justiça tratada em uma questão que é realidade de uma camada social, caso da aviação, de um fato de grande repercussão no Brasil com o extermínio paraense e um uma denúncia no Banco Interamericano de Desenvolvimento de interesse indireto para o país.


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O transporte e a saúde que também foram observados estavam nas duas matérias do discurso presidencial, visto assim que não foi uma preocupação em se preparar um trabalho específico. A quarta-feira da amostragem do Jornal da Cultura também apresentou um bom índice quanto à tematização da pauta. Das quatorze matérias apresentadas sete são públicas, mas direcionadas em apenas três dos temas, com saúde e transporte na ausência do discurso. Os direitos sociais se destacam como assunto de quatro pautas, com destaque para o dia de protestos organizado em todo o país e o relato dos principais, dentre eles a ocupação da Universidade de São Paulo por estudantes e as manifestações contrárias no campus. Uma boa matéria cidadã foi trabalhada no anúncio da mudança tarifária da telefonia brasileira, onde os direitos do consumidor foram aprofundados. Na quinta-feira, dia 31 de maio, em seis matérias são identificadas uma pauta pública em um total de treze apresentadas. Educação e cultura são tratadas em três delas com os protestos na USP, a avaliação das notas do Exame Nacional da Educação (Enade) e ao mostrar um projeto cultural que leva música clássica para escolas públicas em São Paulo. Verificamos ainda os direitos sociais evidenciados na burocracia dos bancos em liberar processos de restituições financeiras da poupança e na apresentação de ações por parte do governo federal para a segurança pública, uma resposta ao relatório abordado no Jornal da Cultura na semana anterior. A justiça aparece na pauta do dia com o famigerado caso de corrupção no senado com Renan Calheiros, e ainda no projeto de segurança do governo. No programa do dia 6 de junho, os direitos sociais não aparecem em nenhuma matéria, mas justiça tem cinco pautas. A política é assunto com a corrupção no senado e o julgamento do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, tema que se completa com as apurações do acidente aéreo com o avião da Gol na acusação dos controladores de vôo e na investigações da máfia dos jogos no Rio de Janeiro. Nesse dia o transporte foi tratado com a aviação, mesma matéria da Comissão Parlamentar de Inquérito na investigação do acidente, e ainda nos congestionamentos na capital paulista no dia, com ressalva para a temática como pauta do dia. Educação e cultura voltam com a suíte da ocupação na Universidade e com uma exposição fotográfica em São Paulo que mostra os americanos durante a depressão de 1929. Saúde não aparece no dia como fato noticiado. No sábado, dia 16 de junho, não prevalece uma pauta pública no Jornal da Cultura, com apenas cinco das treze matérias identificadas na tematização pública. Dessas cita-se, em educação e cultura, uma homenagem ao aniversário do escritor Ariano Suassuna e as visitas noturnas no zoológico paulista. Justiça traz o afastamento de policiais civis paulistas por


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corrupção e um comentário de estúdio a respeito. O noticiário internacional ocupou cinco matérias do dia. Quantitativamente derruba-se a hipótese que no Jornal da Cultura prevalece uma pauta pública jornalística. A análise revela a deficiência temática das notícias que compõem o noticiário. A discussão da pauta pública se estende no próximo capítulo com uma análise relativa à qualidade dessa produção observada na amostragem do programa informativo.


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2. UMA PROPOSTA EM PAUTA NAS REDAÇÕES

2.1 Dos suportes ao público Diversas ações do poder público já assumem o discurso e a preocupação com um jornalismo acessível à pluralidade de grupos sociais e abrangência de vozes, com um caráter educativo e cidadão. Nesse universo encontra-se a recente Telesur, canal venezuelano de televisão e, no Brasil, os atuais debates sobre a Televisão Pública trazem consigo uma outra perspectiva. O maior país da América Latina em termos de economia e principalmente territorialmente vive a digitalização da transmissão televisiva, um processo que multiplicará pelo menos em quatro vezes a capacidade do espectro para os canais. Assim o espaço para novas vozes comunicacionais será aberto, o que necessitará de novas formas de pensamento em comunicação e uma variedade de públicos representados. O mercado demandará um domínio do processo de produção dessa prática jornalística que se aproxime das comunidades com voz à sua diversidade, que seja capaz de narrar as histórias das pessoas sem cair nos problemas do jornalismo comercial. Tais problemas são apontados na incessante busca pelos maiores índices de audiência com conteúdos questionáveis quanto à sua perenidade. Uma produção voltada para a pura e simples divulgação dos fatos sem a devida contextualização e a transformação deles em ações práticas de mudança social, como demanda o processo da cidadania. A TV Pública é o oxigênio que pretende sobreviver nessa salada mundial, que pretende sobreviver entre as imposições do Estado e do mercado. Para quê? Para tentar uma missão muito ‘singela’: a de promover a formação complementar e crítica do homem no exercício da sua condição de cidadão (LIMA in: CARMONA (Org.), 2003. p. 64).

Uma pauta pública está diretamente ligada à gestão da empresa de comunicação, direção que determina a construção do editorial informativo. Sabemos que existem, segundo o texto constitucional do Brasil, três sistemas de concessão de um veículo de comunicação: privado, estatal e público. Nessa pesquisa a atenção se volta para esse modelo público de permissão dado a uma emissora de televisão para apresentar sua programação, mas antes de discutir seus princípios, aponta-se para o fato de que toda rádio ou tele difusora é uma concessão do Estado à sociedade civil ou grupo organizado e assim, possui obrigações para com a nação para a qual se ocupa. Laurindo Leal Filho (1997), em sua obra que estuda o


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modelo britânico de televisão, descreve a realidade de diversos modelos de gestão pública em países europeus e, embora alerte a não existência de uma autonomia absoluta dos órgãos em relação ao governo, aponta a BBC de Londres como modelo de cumprimento de seu papel (p.20). A rede BBC – British Broadcasting Company – é formada pelas emissoras de rádio e televisão, com abrangência em todo o Reino Unido com sinal gratuito para todos os cidadãos. Fundada em 1923, seu sucesso está diretamente relacionado à gestão. O pesquisador conceitua como um dos princípios do serviço público, a universalidade de pagamento, no qual a organização deve ter todos os seus serviços pagos por todos os seus usuários. Cada residência que possui um aparelho e de televisão deve pagar uma taxa anual ao Estado para a manutenção do meio de comunicação. A idéia é que, assim como se paga para ter acesso a outros serviços públicos, como água ou correio, também se deve pagar pelos programas de rádio ou de televisão. A multiplicação das ofertas, mantidas pela propaganda ou por assinaturas, abalou a idéia de que o pagamento da licença para ver televisão ou ouvir rádio era inquestionável. Ainda assim ele é defendido sob o argumento de que é o único meio de evitar os riscos de quebra de independência que podem ser causados pela propaganda (na medida em que se pode submeter a programação às vontades dos anunciantes) e pela subscrição que gera o risco de acabar com a igualdade de acesso (LEAL FILHO, 1997, p.61).

Por outro lado, o cidadão é consciente quanto ao seu direito de ser contemplado nas pautas informativas em diversas instâncias. “O jornalismo é investigativo e questionador, sem a admissão de editorias de opinião ou coorporativos” (ibidem, p.62). É comum nas telas britânicas uma discussão permanente de seus direitos, com uma cobrança do cumprimento da proposta a qual se paga. 2.2 A TV Pública e a experiência da TV Cultura No Brasil a experiência que mais se aproxima de um trabalho de uma emissora pública vem da TV Cultura de São Paulo, com a Fundação Padre Anchieta como mantenedora jurídica da TV. Como um canal público, a TV Cultura se constitui como uma fundação de direito privado com autonomia administrativa e independência em relação ao Estado. Sua gestão é feita por um conselho formado por membros da sociedade civil a fim de garantir sua proposta e cumprir sua função pública. Ao contrário dos canais comerciais ou regionais, a TV cultura, pela sua própria natureza jurídica distinta e única no panorama televisivo da América Latina, pode


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ser pensada como uma televisão a serviço do cidadão e desenvolver uma programação destinada a ser o seu público. (OTONDO in: RINCÓN, 2002, p. 275)

Como fruto de uma gestão autônoma, a TV pública tem um compromisso com uma programação diferenciada. Ao tratar do conteúdo jornalístico, seu compromisso deve ser ainda maior, e como apontam Barbero, Rey e Rincón (2002), deve-se se concretizar “como lugar de realização de projetos de comunicação pluralista, diversa e de qualidade”. Os jornalistas públicos partem da premissa que é necessário reanimar o debate público, pois a informação por si só não é suficiente. É necessário interpretar o cidadão para que ele participe e se proponha a uma nova dinâmica de vida em sociedade, tendo na imprensa uma missão fundamental não só como mediadora, mas como espaço e mediação. As empresas públicas de comunicação difundem o jornalismo de reflexão e não de reflexo, como objetivo de aprofundar o conhecimento da realidade, proporcionando o desenvolvimento do espírito crítico e estimulando uma participação política e social ativa. É uma contribuição para que o cidadão seja o sujeito e não o objeto da história. (BARBERO; LIMA, 2002, p. 36)

A partir dessa discussão, implica a presença de outro elemento na pauta pública. A chamada pluralidade no processo de comunicação que se relaciona à abrangência do produto informativo e à qualidade e diversidade de vozes que são apresentadas. A pauta pública deverá ser concebida por uma diversidade de pontos de vista em relação aos fatos abordados, com uma abordagem que permita a identificação e proximidade da realidade do cidadão participante desse universo da notícia a ser interpretado. Uma programação, com o novo objetivo de informação plural, procura espaços de informação e discussão dos problemas sociais para avançar em direção a políticas nacionais para enfrentá-los, ao invés de pretendê-los usar a TV como propaganda ideológica partidária ou governamental. (FERNÁNDEZ in RINCÓN, 2002, p. 176).

Esse conteúdo jornalístico deve acompanhar os critérios da televisão pública. “Uma programação de qualidade nos gêneros da televisão pública está relacionada à pluralidade de opiniões, diversidade estética, modos de representação, elementos técnicos” (MAZZIOTI in RINCÓN, 2002, p. 214). Na descrição do Jornal da Cultura, conforme verificado no contexto da amostragem estudada em nossa pesquisa monográfica, o discurso da emissora é de um jornalismo público.


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O telejornal atende ao telespectador que, ao fim do dia, quer se informar sobre o noticiário, de forma didática e clara, como propõe o jornalismo público. Os destaques nacionais e internacionais serão apresentados por editores especializados em esporte, mundo, segurança pública e cultura. (Disponível em: <http://www.tvcultura.com.br/publicidade/tv_programaplano.asp?mediapgmid=31& cobertura=nac&mnem= > acesso em 27/04/2007)

A fim de verificar essa qualidade da pauta pública existente no Jornal da Cultura, a produção foi submetida a uma classificação quanto aos elementos de um jornalismo público segundo critério de Regina Mota. No quadro de análise as pautas serão verificadas quanto ao seu conteúdo, como a existência da reflexão, vista pelos comentários pós-reportagens, como forma de abordagem crítica e oportunidade ao público de olhar para os fatos por seus desdobramentos, para “levar a uma mudança de comportamento e mentalidade” (MOTA. 2004, p. 9). A análise como elemento de um jornalismo cidadão será identificada na presença de algum especialista no assunto tratado. O debate será apontado como elemento dessa pauta na diversidade de vozes e opiniões na narração dos fatos. E como último fator, a contextualização se dará nas suítes, ou seja, na cobertura contínua e acompanhamento nos desdobramentos dos fatos, como aponta Mota que essas pautas devem ser construídas com o passado e o futuro. Na primeira mostra, do dia 7 de maio e representada no Quadro 1, das cinco matérias tematizadas como pauta pública, apenas uma delas apresenta mais de um elemento. Na que trata da avaliação do governo quanto ao Programa de Aceleração do Crescimento, apresenta a reflexão, com um comentário político no estúdio, a análise vem em uma sonora do especialista da Associação Brasileira de Infra-estrutura. Na seqüência verifica-se que no anúncio dos bons números da indústria automobilística existe a o debate com o discurso do consumidor, presidente da associação dos fabricantes e dos trabalhadores através do sindicato da categoria. A terceira notícia relata uma pesquisa que mostra que o número de católicos no Brasil parou de decrescer, o que é feito com um off11 seguido da análise do especialista, feito com a coordenadora da pesquisa. A quarta matéria que fala do evento chamado Virada Cultural em São Paulo não apresenta nenhum dos quatro elementos do jornalismo público.

11

Nomenclatura usada para o texto televisivo narrado coberto por imagens.


30

Matérias

Elementos Jornalismo Público na Pauta

07/05/2007 - segunda-feira Pautas

Reflexão

Análise

Debate

Contexto

Lucro dos bancos

0

Índice das bolsas

0

Cientistas mostram imagem inédita de estrela

0

Governo avalia obras do PAC

x

Indústria automobilística tem altos índices

x

x

3

x

x

2

Pesquisa entre idosos da FGV Eleições na França Igreja Católica pára de perder fiéis

x

1

Petrobrás negocia refinarias na Bolívia Morte do Deputado Enéias Carneiro Virada Cultural em São Paulo 10 matérias

1

3

2

0

Quadro 1: Análise de elementos da pauta Fonte: Dados da pesquisa

O programa do dia 15 de maio continua apontando uma prática ainda tímida do jornalismo público, visto pelo Quadro 2. Das cinco matérias tematizadas, três vão apresentar os elementos, mas todas com apenas um deles. A entrevista coletiva do presidente da república vem acompanhada da reflexão realizada a partir do comentário de estúdio que analisa o fato. Não seqüência do programa é construída outra matéria ainda a partir da coletiva do dia, mas com outro enfoque, também seguida da reflexão no comentário. E por última no dia a notícia da “CPI do Apagão Aéreo” contém a análise ao ouvir um especialista da área. Matérias

Elementos Jornalismo Público na Pauta

15/05/2007 - terça-feira Pautas

Reflexão

Dólar chega ao menor valor em seis anos

Análise

Debate

Contexto

x

1

Índice das bolsas

0

Lucratividade do BB tem redução

0

1ª Coletiva de Lula em 2007

x

Serra e Aécio comentam Lula

x

Lula fala em assuntos polêmicos

x

CPI do Apagão Aéreo

1 x

2 1

x

1


31

Políticos aumentam os próprios salários

0

Presidente do BIRD é julgado por corrupção

0

Escalada fatos do dia

0

70 anos Real Gabinete Português Leitura (RJ)

0

11 matérias

3

2

0

1

Quadro 2: Análise de elementos da pauta Fonte: Dados da pesquisa

No dia 23 de maio, resultados do Quadro 3, 50% das pautas foram tematizadas como públicas, com seis verificadas por elementos do jornalismo público. Dentre elas duas se destacam, como na reportagem que aborda sobre a mudança na forma de cobrança do serviço telefônico. Essa matéria apresenta a análise, com a presença do especialista e o debate, com uma diversidade de vozes, destaque para o consumidor. A segunda reportagem de destaque é a que trata da diminuição na venda de livros atribuída às cópias em xerox. Mais uma vez a análise e o debate estão presentes, com ampla voz aos estudantes, público diretamente interessado no assunto. O contexto está presente em duas matérias, e outras duas apresentam uma o debate e outra a reflexão. Verificamos que a pauta sobre o dia de protestos no país, embora tematizada como pública, não vem acompanhada dos elementos de um jornalismo cidadão. Matérias 23/05/2007 - quarta-feira Pauta

Elementos Jornalismo Público na Pauta Reflexão

Análise

Debate

Contexto

Dia de protestos em todo o país

0

Invasão na Hidrelétrica em Tucuruí

0

Escolha de novo ministro das Minas e Energia

0

Operação navalha

x

CPI da operação navalha

1 x

Brasil e Argentina usam moedas locais Muda cobrança telefônica

1 0

x

x

2

EUA testam armas no Golfo Pérsico

0

Cotação das bolsas

0

Anistia Internacional critica Brasil em segurança

x

Cópia de livros diminui vendas

x

1 x

2

Resultados no futebol Papa declara injustiças na América Latina

0 x

1


32

Mulher tenta vender fórmula da Coca-cola 14 matérias

0 0

3

3

2

Quadro 3: Análise de elementos da pauta Fonte: Dados da pesquisa

Na amostra de 31 de maio verificamos seis matérias como pauta pública, mas apenas quatro apresentam algum dos elementos. O destaque se dá na reportagem que trata do último dia para se pedir a restituição de perdas de poupança de um período da década de oitenta. Os bancos eram acusados de dificultar a liberação de documentos necessários para se recorrer, uma vez que se não acontecesse a reclamação, as empresas financeiras ficariam com o dinheiro. A matéria mereceu reflexão, com o comentário no estúdio, análise de um especialista e um amplo debate entre os cidadãos. A matéria que trata de medidas do governo para a segurança pública faz parte de um contexto e traz o debate com a entrevista dos que estão marginalizados quanto aos direitos sociais. Os protestos na Universidade de São Paulo nos dias da ocupação do prédio da reitoria também foram tratadas com a presença de debate e contexto, como podemos observar no quadro 4. Matérias

Elementos Jornalismo Público na Pauta

31/05/2007 - quinta-feira Pauta

Reflexão

Análise

Debate

Contexto

Calheiros interfere em processo

0

Protestos na USP

x

x

Microsoft apresenta novo computador Bancos dificultam processos

2 0

x

x

x

3

Mercado financeiro

0

Licenças para hidrelétricas (AM)

0

Vazamento de óleo no Chile

0

FIFA reelege presidente

0

Governo lança projeto de segurança pública

x

x

2

Giro de notícias pelo Brasil

0

Espanha vigia policiais com câmeras

0

1% cursos tem máxima ENADE

0

Música clássica em escolas públicas paulistas 13 matérias Quadro 4: Análise de elementos da pauta Fonte: Dados da pesquisa

x 1

2

1 3

2


33

As duas últimas amostras da semana, Quadros 5 e 6, deixam o Jornal da Cultura menos eficiente no que se refere ao jornalismo público. Na quarta-feira, dia 6 de junho os elementos do jornalismo estudado na pauta diminuem. Com sete matérias classificadas como pauta cidadã, apenas duas vão trazer o debate e o contexto simultaneamente. Isso nas matérias do processo contra um senador e nos desdobramentos das manifestações na USP. Com menor incidência de uma pauta pública com seus elementos está a amostra do sábado, dia 16 de junho. Apenas uma das cinco pautas tematizadas apresenta elementos públicos. A reportagem que tratava de afastamentos na Polícia Civil paulista por corrupção teve a opinião do especialista e ganhou um comentário no estúdio. As demais ficaram somente como tematizadas pela pauta, mas sem identidade. Matérias

Elementos Jornalismo Público na Pauta

06/06/2007 - quarta-feira Pauta

Reflexão

Análise

Debate

Contexto

Processo contra Calheiros

x

x

2

Manifestação na USP

x

x

2

Congestionamentos em SP

0

Manifestações contra G-8 na Alemanha

0

Mudança nos impostos tem super simples

x

x

2

Banco Central reduz taxa juros

0

Mercado financeiro

0

Comentário estúdio

x

x

2

CPI culpa controlador de vôo

0

PF ouve suspeitos da máfia dos jogos

0

Múmia mais velha do mundo é encontrada

0

Palocci é condenado em SP

0

Giro de notícias pelo país

0

Convocação seleção brasileira

0

Exposição fotográfica da depressão americana

0

15 matérias

1

2

3

2

Quadro 5: Análise de elementos da pauta Fonte: Dados da pesquisa

Matérias 16/06/2007 – sábado Pauta Afastamentos na Polícia Civil de SP

Elementos Jornalismo Público na Pauta Reflexão

Análise

Debate

Contexto 0


34

Comentário estúdio

x

x

2

Polícia mata traficantes em SP

0

PF analisa documentos de Calheiros

0

Conflitos na Colômbia

x

x

2

Conflitos no Oriente Médio

0

Relatório sobre desertificação no mundo

0

Gols do Campeonato Brasileiro

0

Liga Mundial de voleibol

0

Fórmula 1

0

Hipismo no Pan-americano

0

Homenagem a Ariano Suassuna

0

Visita noturna no Zoológico em SP

x

13 matérias

2

1

1

1 1

Quadro 6: Análise dos elementos da pauta Fonte: Dados da pesquisa

Com essa análise contraria-se a hipótese que a TV Cultura consegue cumprir uma pauta pública de comunicação com o Jornal da Cultura. Foi apontado hipoteticamente que, a emissora, por seu modelo de gestão, tem ambiente propício para a prática do jornalismo público, proposta anunciada em seu telejornal analisado. Com a classificação temática e dos elementos da prática jornalística, nota-se uma distância entre o discurso e o produto final noticiado. O Jornal da Cultura está longe de uma pauta pública plena por sua abordagem temática ainda pautada no agendamento da mídia, conforme conclusões no Quadro 7. Total de matérias

Elementos Jornalismo Público na Pauta Reflexão

Análise

Debate

Contexto

76

8

13

12

8

Percentual

10,5%

17%

16%

10,5%

Quadro 7: Totalização dos elementos do jornalismo público Fonte: dados da pesquisa

2.3 A agenda dos cidadãos O termo agenda dos cidadãos foi abordado ao longo de nossa revisão de literatura por Nelson Traquina (2003) e Regina Mota (2004). O assunto foi levantado ao se discutir fundamentos e características do jornalismo público. Essa agenda estaria relacionada aos


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assuntos que o público elegesse como suas reais prioridades a se discutir e reportar nos jornalismo, eleição realizada em diversas sondagens do jornalismo público nos Estados Unidos. As pesquisas acerca do agendamento da mídia tiveram suas primeiras conclusões no início da década de 1970 com a hipótese do agenda-setting12. A mídia apresenta ao público uma lista de fatos a respeito dos quais pode ter uma opinião a discutir (...) a asserção fundamental da agenda-setting é que a compreensão das pessoas em relação à grande parte da realidade social é modificada pelos meios de comunicação de massa (SHAW apud WOLF, 2005, p. 143).

No jornalismo público se realiza um agendamento positivo para contemplar o cidadão que participa da notícia. A mídia enquanto direcionadora dos temas na esfera pública passa a ser difusora das prioridades públicas e não mais a serviço de um sistema comercial e de interesse de poucos grupos. Com isso, ao dispor também do mesmo quadro de análises do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, foi possível realizar uma análise comparativa com o Jornal da Cultura quanto ao agendamento temático como elemento de reforço da verificação de nossa hipótese do jornalismo público na emissora de São Paulo. O segundo objeto de análise se dá em função do Jornal Nacional deter as maiores médias de audiência e sua origem de uma emissora de concessão comercial. Das dez pautas abordadas no Jornal da Cultura no dia 7 de maio, quatro coincidem com o Jornal Nacional. Na primeira as eleições na França mereceram uma nota com abordagem parecida, em segundo a violência que aconteceu em uma apresentação musical de um evento cultural paulistano. Nessa última observamos uma abordagem diferente entre as emissoras: na TV Cultura a qualidade e importância do acontecimento cultural da cidade foi sobreposta à violência que foi mostrada como um ato isolado, que além de narrar os atos criminosos, realizou um resumo de todas a programação da chamada Virada Cultural, diferente da Rede Globo que só mostrou o ato que foi chamado de “destruição por vândalos”. A terceira pauta repetida foi o balanço das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, o que foi coberto com uma nota no Jornal Nacional e uma reportagem no Jornal da Cultura. E por fim na amostragem do dia a visita do Papa ao Brasil 12

Hipótese dos pesquisadores americanos Maxwell McCombs e Donald Shaw (1972) criada a partir de uma pesquisa a respeito do agendamento da mídia na campanha presidencial norte-americana no ano de 1968. Os pesquisadores realizaram um levantamento quantitativo e qualitativo do material jornalístico veiculado pelos principais meios de comunicação americanos a fim de verificar a incidência e o poder da mídia em apontar os temas que eram de interesse público.


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motivou reportagens nos telejornais, com uma diferença na abordagem. No Jornal Nacional a preocupação foi em mostrar o esquema de segurança para o pontífice, diferente do Jornal da Cultura que apresentou uma pesquisa que aponta uma queda no número de católicos no país, uma pauta voltada para o cenário que o Papa encontraria no Brasil. Um dado que se destaca nessa amostra é que seis matérias de assuntos que não foram abordados no Jornal da Cultura, e que estão presentes no Jornal Nacional, têm sua motivação na violência ou tragédias. Apenas três pautas se repetem na mostra da terça-feira, dia 15 de maio. A entrevista coletiva do presidente Lula ganhou o mesmo tratamento jornalístico, com proximidade até na edição dos assuntos abordados, oportunidade em que o presidente respondeu a questionamentos polêmicos. As duas outras estiveram na queda de um avião bimotor na Via Dutra em São Paulo e o balanço do mercado financeiro no dia marcado pela queda histórica do valor da moeda americana. Nas 16 pautas do Jornal Nacional o destaque ficou por conta das relacionadas à justiça, com três, e corrupção, abordada em três matérias, temas vistos somente na matéria da “CPI do Apagão Aéreo” na linha de investigação como justiça. Na quarta-feira 23 de maio a quantidade de pautas dos dois telejornais coincide em 14, das quais oito se repetem. São assuntos da ordem do dia, como a Comissão Parlamentar da “Operação Navalha”, pronunciamento do papa Bento XVI, final da Copa dos Campeões da Europa de futebol, a escolha do novo ministro de Minas e Energia, a mudança da cobrança e tarifas no sistema telefônico, as críticas da Anistia Internacional à segurança pública ano Brasil e a ocupação da hidrelétrica de Tucuruí no Pará por manifestantes. Também se repetiu uma escalada que noticiou o chama “dia de protestos” no país, com a mesma cobertura das manifestações na USP, sindicatos e professores em São Paulo. No quarto programa da amostragem analisada o Jornal da Cultura apresentou 13 pautas, enquanto o Jornal Nacional falou de 20 assuntos diferentes. O agendamento no dia 31 de maio, no que diz respeito à repetição da pautas, continuou alto ao seguir os índices do dia 23. Sete pautas se coincidem, com seis delas na mesma abordagem, com diferença apenas em uma, na que se refere ao não fornecimento de extratos por parte dos bancos para a entrada de processos de correção na poupança. O Jornal da Cultura tomou partido dos consumidores com uma ampla reportagem seguida de comentário crítico aos bancos no estúdio, enquanto o Jornal Nacional abordou o fato com uma nota curta. Observamos que ambos possuem dois bancos privados diferentes como anunciantes em seus intervalos. No dia 06 de junho não foi possível realizar a verificação em função da falta da amostra do Jornal da Cultura. E em nossa última amostra, do sábado, 16 de junho, com 11


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pautas no Jornal da Cultura e 19 no Jornal Nacional, seis delas se repetem com a mesma abordagem. Destaque que na amostragem analisada é a primeira vez que violência13 no Jornal da Cultura, abordada a partir da segurança pública. Enquanto no Jornal Nacional o tema é tratado em cinco pautas ao longo da amostragem. Concluímos dessa análise temática que em três dias comparados do Jornal da Cultura e do Jornal Nacional, o agendamento é alto com média em torno de 50% das pautas. Nos outros dois dias o número não chegou aos índices mais esteve em 30% do noticiário. Com esses dados, nota-se que os assuntos da ordem do dia na política nacional e internacional se sobressaem nesse agendamento. Nossa discussão levantou que no jornalismo público a agenda do cidadão deve sobressair a essa agenda oficial da grande imprensa, mas com esses números não se identifica prioritariamente uma agenda do cidadão no Jornal da Cultura, com poucas exceções de abordagem, como a discussão da mudança tarifária na telefonia e a crítica aos bancos que dificultaram os processos indenizatórios dos consumidores. Ressaltamos ainda as pautas culturais que apareceram quatro vezes na TV Cultura contra duas na TV Globo.

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Essa discussão acerca da violência é realizada aqui, embora não seja elemento de análise, em virtude das considerações realizadas por Regina Mota (2004) que tem na ausência do tema uma característica de uma emissora pública e uma pauta conseqüente, que segunda a pesquisadora, notícias relacionadas à violência são comuns no noticiário televisivo. Como a TV Cultura sugere em seu manual de redação, não se vê noticiar os atos violentos cotidianos no Brasil com freqüência, como assassinatos, assaltos, salvo quando o acontecimento implica em outros desdobramentos. Existe uma preocupação da emissora em não banalizar a violência com a exaltação dos fatos, alertado em seu manual que “o telejornalismo de uma rede pública deve ser pautado pelo respeito à ética e à moral” com o sensacionalismo tratado como “o posto da finalidade do trabalho jornalístico, que é servir à comunidade através da correta informação”. O manual da emissora explica o tratamento da segurança pública e a visão do repórter na reportagem policial, diz que “a cobertura desses casos deve ser seletiva e reduzida a simples registro no noticiário, a não ser em casos que adquiram notoriedade e permitam uma análise mais profunda da violência”. (Manual de redação TV Cultura, p. 55 e 57).


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3. A CIDADANIA EM PAUTA 3.1 A discussão na prática jornalística A cidadania é expressão encontrada no discurso de diversos setores da sociedade, incorporada como meio de ação em suas atividades políticas. Comum nos movimentos sociais emergentes das décadas de 70 e 80 na América Latina essa discussão ganhou espaço na comunicação,

setor

estratégico

na

construção

de

uma

sociedade

organizada

democraticamente, mesmo período dos primeiros debates sobre o jornalismo público. A cidadania se relaciona à consciência dos indivíduos enquanto seres munidos de direitos civis e políticos no organismo social em que vivem. Como discutimos no primeiro capítulo desse estudo, o cidadão compreendeu, principalmente organizado em grupos de múltiplas expressões e bandeiras, que sua relação social se vincula com a igualdade e à “noção de direitos”, como estudou Evelina Dagnino (2003), que “requer a constituição de sujeitos sociais ativos, definindo o que eles consideram ser os seus direitos e lutando pelo seu reconhecimento (...) uma estratégia dos excluídos” (DAGNINO, 2003, p. 112). Vamos nos ater no direito de participação dos diversos conceitos e discussões encontrados nos estudos de cidadania. Uma participação que se reforça com o advento da democracia no mundo e em especial na América Latina que tem início no período da década de 80. Os dois conceitos se relacionam nos discursos dos direitos sociais, como as políticas públicas nos direitos civis, das quais o direito à informação aparece. Nesse debate, a pesquisadora Cecília Peruzzo (2002) escreve que para o exercício pleno dessa cidadania, além das conquistas dos direitos básicos para a vida, seria necessária a existência de sujeitos ativos no processo de comunicação, principalmente a comunicação pública, em um processo igualitário. Cabe-lhe exercer: primeiro, seus direitos de isonomia – acesso igualitário à informação, aos canais de expressão, à educação, à riqueza e ao conhecimento acumulado pela humanidade; segundo os direitos da isegoria – manifestar-se e debater os temas de interesse social através dos meios de comunicação social (PERUZZO, 2002. p. 85).

Retoma-se a discussão de uma cidadania que se realiza na participação, acesso e práticas dos indivíduos. E, se é apontada como um direito, necessariamente deve vir acompanhado de ações, conhecidas como políticas públicas de comunicação, que compreende essa ação comunicativa como “um processo de integração social democrática (...) mediante a


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qual as pessoas compartilham voluntariamente suas experiências sob condições de acesso livre e igualitário, diálogo e participação” (BELTRÁN apud GOMES, 1997, p. 106). A atenção para as políticas públicas de comunicação foi preocupação preliminar ao advento da consciência do cidadão, emergentes no Brasil e América Latina no período de transição das décadas de 60 e 70, decorrentes das relações de dependência e dominação social dessas sociedades, conforme estuda Pedro Gilberto Gomes (1997). A cidadania na comunicação está no direito à informação que se dá de forma plena, como conclui Dagnino (1994) em seu conceito de nova cidadania de um modelo liberal, deixa no centro da importância “a reivindicação de acesso, inclusão, membership, ‘pertencimento’ (belonging) ao sistema político na medida em que o que está de fato em jogo é o direito de participar efetivamente da própria definição desse sistema” (DAGNINO, 1994, p. 109). Nas discussões da televisão e comunicação para os cidadãos a informação é objeto principal de análises. O processo informativo cidadão deve ser pensado na ótica do público, com uma cobertura particular no “ponto de vista dos cidadãos”. O cidadão é um ser humano que sabe que não sabe, e por essa razão busca informação, assistindo às notícias; também busca conhecer seus direitos e quer ter a possibilidade de exigi-los. O bom cidadão, por outro lado, quer conhecer os seus deveres e procura instâncias de participação. Por isso, está interessado na denúncia do que é ruim, nos caminhos para solucionar os problemas e no reconhecimento do que é positivo. (...) A partir daí surge um estilo profissional da televisão pública: curioso, inquieto, informado, honesto, confiável, interessante, atento à denúncia, sensível para o reconhecimento. (FUENTES in RINCÓN, 2003, p. 149).

Falar desse cidadão requer outro debate das liberdades. O pensamento é construído por Renita Coleman (2003) a partir dos conceitos de esfera pública do alemão Jurgen Habermas. Os questionamentos estão não simplesmente nos deslocamentos da esfera privada para a esfera pública, mas a passagem do ator público individual para um pensamento comunitário. No jornalismo público seria trazer a comunicação para contemplar os atos e anseios dos grupos para a construção de suas identidades no cenário da democracia, organização presente na sociedade ocidental de forma predominante. A autora justifica que “a comunidade existe para os indivíduos” (p. 68). Coleman constrói um pensamento em que os direitos inerentes à cidadania são fatores de construção de indivíduos com sabedoria e informação, o que implica na liberdade individual que tem conseqüências na mitológica liberdade de imprensa, uma vez que civicamente o jornalismo se tornaria uma representação comunitária.


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3.2 Qual cidadão fala no Jornal da Cultura? “Uma programação de qualidade nos gêneros da televisão pública está relacionada à pluralidade de opiniões, diversidade estética, modos de representação, elementos técnicos” (MAZZIOTTI in RINCÓN, 2002, p.214). Essa premissa é uma das que sustentam um discurso do jornalismo público, com a promoção da agenda do cidadão, da cobertura que perpasse os interesses comerciais com os índices de audiência e prime pela qualidade do produto informativo. Um jornalismo de interesse público e a serviço do cidadão em sua concepção de direitos e participação, que nasce de uma das vertentes da comunicação social que é de se comprometer pela transformação social como instrumento de construção da cidadania, elementos do jornalismo cívico. Por essas características encontradas nos experimentos desse “novo jornalismo”, como classificam seus percussores norte-americanos, realizar-se-á uma verificação de um importante e determinante elemento na construção da reportagem no jornalismo. Trata-se agora de identificar as vozes que aparecem nas pautas do Jornal da Cultura como outro fator de identificação do jornalismo de interesse público que a emissora declara ao anunciar o telejornal. Barbeiro e Lima (2002) escrevem que “o jornalismo público busca fontes alternativas e autônomas de saber para fundamentar as reportagens” (p.37). Para nosso estudo é de interesse identificar quais os personagens falam no Jornal da Cultura e qual o seu lugar na construção da notícia que o serve como co-participante do processo. Por isso submeteremos as pautas das amostras a mais uma análise para identificar a quantidade e qualidade das vozes, um estudo das fontes usadas nas matérias, uma vez que elas “possuem papel fundamental, operam uma pré-canalização das notícias, temática e enfoque dos temas” (BARROS FILHO, 1995, p. 189). Para isso, usa-se duas categorias para classificar as fontes: massa e cidadão. Os critérios aqui estabelecidos têm como base os estudos da pauta jornalística de Nilson Lage (2003), nos quais classifica as fontes como oficiais, oficiosas e independentes. Fontes oficiosas são mantidas pelo Estado; por instituições que preservam algum poder de Estado, como as juntas comerciais e os cartórios de ofício; e por empresas e organizações, como sindicatos, associações, fundações etc. Fontes oficiosas são aquelas que, reconhecidamente ligadas a uma entidade ou indivíduo, não estão, porém, autorizadas a falar em nome dela ou dele, o que significa que o que disserem poderá ser desmentido. Fontes independentes são aquelas desvinculadas de uma relação de poder ou interesse específico de cada caso (p.63).


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Mas antes disso, todas as pautas do Jornal da Cultura foram observadas com suas fontes e definidas como autorizadas – oficiais, aquelas que falam em nome da organização, governo – e anônimas – aquelas que, a princípio não mantêm vínculos diretos como as oficias. Constatou-se que de 125 sonoras usadas nos seis programas da semana construída as fontes autorizadas predominam na pauta do telejornal, conforme percentual do Gráfico 1, calculado pelo tempo das entrevistas.

Fontes Autorizadas e Anônimas Anônimas 19%

Autoriza das 81%

Gráfico 1: Qualidade das fontes Fonte: Dados da pesquisa

Com esses primeiros dados concluí-se que as fontes oficiais comprometem a qualidade do jornalismo público no Jornal da Cultura, visto pelo elevado percentual que retira uma das mais recorrentes características de uma pauta pública, a pluralidade de vozes. Valério Fernández (2002)14 aponta que “informação multifocal, ou seja, a discussão de pontos de vista e interesses divergentes, passam a ser um condição para a compreensão da realidade e para a operacionalidade política” (FERNÁNDEZ in RINCÓN, 2002, p. 176). Após essa verificação continua-se a investigação somente com as entrevistas consideradas de fontes anônimas que, embora sejam minoria, constituem um material de pesquisa para outra verificação quanto à pluralidade de vozes. Esse material é classificado como massa e cidadão, conceitos que serão compreendidos antes das análises. O termo massa é entendido por diversas facetas de acordo com o contexto empregado ao se relacionar ao público. Mas estas compreensões convergem para pontos comuns entre os pesquisadores, que entendem em linhas gerais, que não se trata de um grupo específico da

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Valerio Fuenzalida Fernández, chileno, produtor de TV, conhecido por suas contribuições para o trabalho da televisão como estratégia de desenvolvimento e ainda como protagonista social, especializado em pesquisa de recepção de audiência. Em 1990 passou a fazer parte da equipe administrativa da “Televisión Nacional de Chile” (TVN) e atualmente trabalha como Chefe da Área de Estudos Qualitativos na Diretoria de Programação. Estudou na Escola de Artes da Comunicação da Universidade Católica do Chile; durante vários anos trabalhou na CENECA e na CPU como pesquisador especializado no processo de recepção da TV pela audiência.


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sociedade, sem distinção de classes sociais, desenvolvimento econômico, marcada por multiplicidade cultural, ou seja, uma heterogeneidade social no que diz respeito à cidadania, mas uma homogeneidade comportamental, ou seja, ações de massa. Herbert Blumer (1977) confirma a classificação adotada em nossa metodologia que a massa é composta por indivíduos anônimos (...) O que mais interessa para elucidar a metodologia é que “existe pouca interação ou troca de experiência entre os membros da massa. Em geral encontram-se fisicamente separados e, por serem anônimos, não dispõem da oportunidade de se misturar como fazem os participantes de uma multidão (...) possui uma organização frágil e não é capaz de agir de forma integrada e com a unidade que caracteriza a multidão (p. 176-178).

Dessa forma, todas as entrevistas com fontes que, embora não sejam oficiais, trazem algumas representações de grupos ou especialistas que são ouvidos para fazer comentários ou observações acerca do fato tratado foram relacionadas como massa. Outra característica dessa identificação das fontes está no comprometimento delas em se envolver com suas histórias particulares, pois ao contrário do cidadão ou povo, realizam análises e comentários gerais, massivos. O cidadão também pode ser entendido como povo, conceito mais usado nos jargões

jornalísticos para identificar as fontes. Em um princípio universal, o cidadão é entendido como um conjunto de indivíduos com direitos e deveres em uma sociedade democrática, um conjunto de pessoas que vivem em uma determinada sociedade e fazem parte de uma nação. No contexto do jornalismo público seriam pessoas mostradas no exercício de seus direitos com sua história de vida, que seriam suas particularidades no fato noticiado. O cidadão constituído nos conceitos apresentados nos capítulos anteriores, inseridos na nova cidadania que implica em participação nos processos comunicativos, encontra-se como esse povo como “um conjunto de pessoas que vivem em sociedade”, conforme define o Dicionário de Conceitos Históricos (SILVA, K. V. & SILVA, M. H., 2005, p. 272). Foram enquadrados como cidadão todos os depoimentos colhidos junto a anônimos, visto que foram divididas em autorizadas e anônimas inicialmente, e como cidadão estariam as fontes ouvidas como partes do processo noticiado a partir de sua experiência concreta com a realidade. Como cidadãos estão pessoas abordadas nas ruas, filas, enfim, aquelas ajudam a construir o discurso com sua experiência, com sua história particular em reivindicações coletivas. Nessa divisão os dados mudam a favor do Jornal da Cultura, com exceções somente nas duas primeiras amostras da segunda e terça-feira, representadas nos Gráficos 2 e 3.


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Nesses dias o cidadão obteve menor espaço em relação à massa ou ambas não apareceram, como no dia 15 de maio onde os repórteres usaram somente de fontes autorizadas em suas matérias.

Segunda-feira 05/ 05/ 2007 Cidadão 36%

Massa Gráfico 2: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa

Terça-feira 15/ 05/ 2007 Massa 0%

Cidadão 0%

Gráfico 3: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa

As outras quatro edições da amostra trazem outras conclusões acerca da participação do cidadão, onde esse tipo de fonte aparece de forma absoluta em relação à massa, chegado a ter somente cidadãos em uma delas, dados melhores exemplificados nos Gráficos 4, 5,6 e 7; e na Gráfico 8 que nos mostra a totalização.

Quarta-feira 23/ 05/ 2007 Massa 29%

Cidadão 71%

Gráfico 4: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa


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Quinta-feira 31/ 05/ 2007 Massa 10% Cidadão 90%

Gráfico 5: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa

Quarta-feira 06/ 06 Massa 22%

Cidadão Gráfico 6: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa

Sábado 16/ 06

Massa 0%

Cidadão 100%

Gráfico 7: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa

Totalização Massa 19%

Cidadão


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Gráfico 8: Qualidade das vozes Fonte: Dados da pesquisa

Assim, conclui-se que o cidadão fala mais no Jornal da Cultura que as massas, com um predomínio considerável, verificados nas matérias construídas principalmente para reforçar os discursos conduzidos na pauta da reportagem. As histórias das pessoas aparecem como comprovação das abordagens, sem nenhuma interferência opinativa desse cidadão com experiências que contrariem o assunto, conforme pesquisa Ciro Marcondes (1984, p.137-138) acerca do que chama “função de reforço”. Mas a presença dessa voz do cidadão fica comprometida se voltarmos aos dados anteriores que mostram uma predominância das fontes autorizadas nas reportagens. Fator que nos permite reprovar definitivamente uma classificação de pauta pública, jornalismo público ou até mesmo uma atenção aos interesses dos cidadãos no Jornal da Cultura. Os princípios fundamentais dessa prática do jornalismo estudada nessa pesquisa não foram encontrados no telejornal que assim se expressou no contexto da coleta e observação das amostras. A comparação com a amostragem do Jornal Nacional do mesmo período revela que no telejornal da Rede Globo os índices das fontes autorizadas se aproximam quantitativamente, sendo 13% de fontes anônimas e 87% do tempo com o uso das fontes autorizadas.


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4. CONCLUSÃO Pesquisar o Jornalismo Público no Jornal da Cultura possibilitou uma evolução científica e prática oriunda da descoberta de novas possibilidades na comunicação. A discussão do Jornalismo Público está em voga entre os norte-americanos de forma significativa na academia e nas redações dos diversos suportes. A partir disso, a ocupação do profissional em conhecer a nova possibilidade está diretamente relacionada ao processo de democratização da comunicação, motivo de debates públicos em diversas instâncias. A pesquisa, ao investigar a TV Cultura e seu trabalho jornalístico, permitiu primeiramente elucidar os formatos de um importante suporte de comunicação estudado ao longo da graduação, a televisão. E assim realizar uma análise de importantes produtos jornalísticos de notável importância para os cidadãos brasileiros: o Jornal da Cultura e o Jornal Nacional. E de forma mais importante, a motivação central na pesquisa, a oportunidade de compreender os fundamentos de uma prática da comunicação cidadã, embora de poucas experiências no Brasil e ainda reconstruída nos diversos contextos de produção, sejam geográficos, culturais ou econômicos. Como declaram os pesquisadores, um jornalismo ainda pouco entendido, mas com centenas de projetos bem sucedidos entre seus fundadores. A partir desse universo, a investigação contrariou consideravelmente a hipótese de pesquisa, o qual apontava que o Jornal da Cultura conseguia cumprir uma pauta pública no jornalismo que seria uma opção na difusão da informação em meio à indústria da notícia. Mas a primeira conclusão foi que a pauta no telejornal da emissora paulista é padrão, porque não se encontram nela assuntos diferenciados em relação à agenda pública e em especial comparação ao Jornal Nacional. Uma vez encontrada a mesma pauta predominante nas amostras, verificou-se a forma que se desenvolve na reportagem. A busca dos elementos apontados como necessariamente predominantes no jornalismo público, como a análise, debate, reflexão e contexto revelou a deficiência na cobertura que deveria contemplar as necessidades do cidadão. O tom informativo de uma pauta padrão de uma emissora de concessão comercial mostrou que o tratamento dos fatos poderia ser mais socialmente comprometido, visto pelo dado comprovado que o tempo médio das matérias se compara ao Jornal Nacional com seus produtos, tempo que deveria ser dedicado ao desenvolvimento dos elementos acima descritos. Para isso, as matérias deveriam ocupar maior espaço de tempo com seus desdobramentos, comentários e contextualização.


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E, por fim, a investigação das vozes permite a conclusão de uma fonte estereotipada em relação à comprovação dos discursos do repórter, que se mostra despreparado para a prática do jornalismo proposto pela emissora se comparado ao trabalho entre os criadores nos Estados Unidos. Esse se faz um elemento essencial em uma televisão pública com um jornalismo assim proposto, a pluralidade de vozes, a acessibilidade do cidadão ao meio que lhe é de direito, ao considerar a premissa de que a pauta deve ser conduzida pela demanda dos cidadão. Com a missão de interpretar os acontecimentos e informá-los a esse vasto público, o jornalismo pluralista deve ser aquele que retrate as diversas camadas sociais, que consiga dar conta, com alteridade, dos acontecimentos que constroem uma sociedade. O jornalismo que não narre os acontecimentos políticos, de dentro dos prédios públicos, a cultura, somente dos palcos, e outros, mas da interpretação e interferência dos cidadãos nesse processo que começa nesses atores sociais. Tudo isso ligado a uma multiplicidade de vozes que deve se realizar em diversas instâncias do processo enunciativo, para assim contemplar essa funcionalidade pública ou cívica da comunicação. Mas a pesquisa não se esgota na presente investigação. Como fenômeno em construção, o jornalismo público já é estudado no Brasil com suas particularidades, apontado com características próprias, sem cópias dos Estados Unidos. Essa conclusão deixa o campo de pesquisa amplamente aberto para novas investigações científicas. Uma investigação sobre o desenvolvimento do jornalismo público no Brasil voltado para a etnografia da imprensa, a fim de identificar o trabalho realizado na TV cultura e suas fundamentações econômicas, teóricas, práticas e sociais para o trabalho. Outra possibilidade de desdobramento na pesquisa está na investigação das forças que incidem sobre o Jornal da Cultura, ou seja, os fenômenos que comprometem a direção das pautas enquanto televisão pública. Uma outra observação conclusiva é de fundamental importância para a prática do jornalismo no Brasil. Como parte do que foi problematizado na forma de fazer uma comunicação pública em meio à imprensa comercial, principalmente na concorrência com as audiências, que determinam na angariação de recursos financeiros para sua manutenção, a prática do jornalismo público diminui o orçamento do departamento de jornalismo. As novas práticas permitem uma fuga da factualidade, instantaneidade, apontados como típicos do jornalismo informativo e efêmero produzido como produto de consumo. Todas as conclusões da pesquisa monográfica, além da comprovação de dados, podem ser vistas na prática da TV Cultura. As amostras analisadas foram gravadas, conforme


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explicado, nos meses de maio e junho de 2007. No dia 24 de setembro de 2007 a emissora estreou um novo formato no Jornal da Cultura que busca cumprir aquilo que anunciavam de forma deficiente. Conforme declarou o coordenador do núcleo de jornalismo da TV Cultura, Paulo Leandro, em artigo produzido na página eletrônica do Comunique-se15. Como entrevistado ele justifica as mudanças no telejornal para trabalhar com pautas mais plurais, com reflexão e aprofundamento dos fatos narrados. O novo formato do programa revela a preocupação dos responsáveis pelo cumprimento da chamada pauta pública. Na amostras gravadas nos dias 18 e 29 de outubro de 2007, as produções se mostram completamente diferentes das anteriores. As mudanças começam nas pautas, as quais são trabalhados assuntos diferentes da agenda do dia. Educação, saúde, meio ambiente, políticas e direitos sociais são os principais assuntos encontrados, todos com pequenas reportagens ou pouco off, mas seguidos de um especialista no estúdio que não possui mais o âncora anunciador das matérias, mas dois mediadores dos debates e aprofundamento dos fatos. As notícias da ordem do dia são mostradas em infográficos que precedem os intervalos ou em uma rápida escalada ao longo do programa. Por essas observações, mesmo sem uma análise mais detalhada das novas amostras, encontra-se uma nova experiência na construção do jornalismo público na TV Cultura. Uma prática que, conforme apontado, está a ser reeditada em diversos contextos, mas com objetivos comuns, a atenção à formação do cidadão e democratização da informação usada na formação política e social dos indivíduos na esfera pública que se mostra participativa e representada no universo da informação. Contudo, é possível propor novas preocupações para a melhor compreensão dessa prática de comunicação. Percebe-se que, no decorrer da investigação, existe um confronto entre informação e reflexão, ou seja, um excesso de produtos informativos no universo televisivo com pouca reflexão dos fatos visto a conclusão desse trabalho que sugere a metodologia do jornalismo público como nova perspectiva para contemplar as necessidades de um público diverso. Com uma demanda pequena, a informação super ofertada teria a necessidade de da reflexão como meio de facilitar sua recepção. Assim fica aberto o olhar para novas pesquisas quanto à reflexão na pauta que excede em informação cada vez mais apontada como objeto de consumo perecível na memória social. 15

O Portal Comunique-se é um endereço virtual brasileiro totalmente voltado para profissionais de comunicação. reúne artigos escritos diariamente por profissionais da comunicação.


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O jornalismo público no Jornal da Cultura