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10 setembro 1951 – 15 janeiro 2013 Este livreto é uma homenagem a este grande poeta que fazia de sua vida uma poesia. O sangue que corria em seu corpo eram versos que se uniam para mostrar a beleza e grandeza de um universo de sonhos e de amor. Fique com Deus, meu irmão. José Feldman


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De todos os sonhos meus, realizei o mais fecundo: ser um Poeta de Deus e mandar versos pra o mundo! Ademar Macedo/ RN


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ÍNDICE Algumas palavras..................................................................................2 Trova de Ademar...................................................................................3 Entrevista com Ademar.........................................................................6 Setilha.................................................................................................19 O Vírus da Poesia................................................................................20 Cicatrizes............................................................................................22 Trovas.................................................................................................23 VERSOS DIVERSOS A minha cirurgia.................................................................................86 Um verdadeiro campeão......................................................................89 O meu eu criança................................................................................90 Primavera............................................................................................91 Madrugada..........................................................................................92 Poesia para o ano novo........................................................................93 Dalva, estrela mulher..........................................................................94 Paisagens do meu sertão... .................................................................95 Paisagens do meu sertão!....................................................................96 Se tiver que chorar... .........................................................................97 Um rosário de saudade........................................................................98 Ninguém mata o nosso amor...............................................................99 Paixão ardente...................................................................................100 O sertão é um poema... ....................................................................101 Sarau do canto do mangue................................................................102


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Falando de sertão... .........................................................................103 Três setilhas......................................................................................105 Homenagem ao dia do médico...........................................................106 Uma setilha.......................................................................................107 Uma pororoca de versos....................................................................108 Sou mutilado... ................................................................................109 Pesado é pedir perdão........................................................................110 O verso..............................................................................................111 Décima (perdão na eternidade)..........................................................112 Décima (sertão)..................................................................................113 Décima (poeta nordestino).................................................................114 Décima..............................................................................................115 Divagações em cordel........................................................................116 Fontes...............................................................................................125 Décima..............................................................................................126


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Ademar Macedo (O Homem atrás do Escritor, o Escritor atrás do Homem) Entrevista concedida pelo poeta potiguar para José Feldman, publicada no blog http://singrandohorizontes.blogspot.com.br ,em 26 de novembro de 2010. INFANCIA E PRIMEIROS LIVROS JF: Conte um pouco de sua trajetória de vida, onde nasceu, onde cresceu, o que estudou. AM: Nasci em Santana do Matos/RN, no dia 10 de setembro de 1951, aos oito anos fui morar em Zabelê, município de Touros também no Rio Grande do Norte, onde fiquei até 1963, quando mudamos para Natal, onde terminei o primário e através de uma seleção (concurso), em 1965 fui para o Ginásio Agrícola de Ceará-Mirim/RN; terminando o ginásio voltei para Natal onde fiz o Científico (naquela época) que era o 2º Grau. Em 1971 entrei Para o Corpo de Fuzileiros Navais, passei no 1º concurso para Cabo, fui cursar no Rio de Janeiro e nunca mais estudei. Voltei para Natal em 1980 e em 81 perdi uma perna num acidente. JF: Como era a formação de um jovem naquele tempo? E a disciplina, como era? AM: No Ginásio agrícola (que era um Internato) Sob o duro comando de Paulo


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Mesquita, o Diretor, um Oficial Reformado da Aeronáutica, eu tive a melhor aprendizagem da minha vida, lá era um verdadeiro quartel, mas até hoje eu agradeço pelos seus ensinamentos, principalmente no que tange a moral, dignidade, honestidade que me acompanham até Hoje! JF: Recebeu estímulo na casa da sua infância? AM: Perdi meu Pai muito cedo, aos 7 anos, minha infância foi um tanto difícil, mas minha Mãe e meu irmão mais velho nunca deixaram faltar nada, Inclusive o estímulo. JF: Quais livros foram marcantes antes de começar a escrever? AM: Confesso que nunca fui muito de ler...Lembro bem de “O Pequeno Príncipe” e alguns pouco mais. JF: Como foi que você chegou à poesia e às trovas? AM: Tudo começou após o meu acidente. Numa maneira de passar melhor o tempo, comecei a frequentar cantorias de viola, festivais de Violeiros, tudo o que dizia respeito a Poesia Popular, e por meu Pai ter sido Poeta, eu sentia correr nas minhas veias o sangue da Poesia e comecei a fazer algumas estrofes; e meus irmãos Francisco Macedo e Augusto Macedo (falecido) que já eram poetas, me disseram que eu levava jeito pra coisa! Eu, já poeta popular, conhecido em todo estado devido as minhas declamações nas rádios: (Rural de Natal, Rádio Poti e 98FM), fui convidado por José Lucas de Barros, que assistia as minhas


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declamações nas cantorias e nos festivais e por Joamir Medeiros, que me ouvia nas Rádios, para ingressar na ATRN (Academia de Trovas do R.G.do Norte), fui sabatinado e após uma comissão analisar as trovas feitas por mim, fui aprovado e lá estou desde 2004. SEUS TEXTOS E PREMIOS: JF: Você possui livros? Se sim, em que você se inspirou em seus livros? AM: Lancei o meu primeiro Livro em 1993: “...E DA DOR SE FEZ POESIA.” E tenho ainda os seguintes Livros (Em Parceria): “POESIAS EM QUATRO VERSOS”, “DOIS POETAS EM SETILHAS”, “UM DEBATE EM SETILHA AGALOPADA”, “NOS ARPEJOS DAS SETILHAS” e “UM ROJÃO EM SEXTILHA AGALOPADA”. Já prontos tenho: “SEXTETO EM SEXTILHAS”, “SEXTETO POTIGUAR”, “SEXTILHAS A QUATRO VOZES”, “TRÊS À MESA DA POESIA”, E em andamento: “NO COMPASSO DAS SETILHAS”. Editei um Cordel que intitulei: “DIVAGAÇÕES POÉTICAS” E tenho dois CDs declamando Poesias: “NA CADÊNCIA DA POESIA” e “O POETA E A RAPOSA”(Com minhas declamações ao vivo, na 98 FM) E tenho um Livro pronto esperando ajuda para publicação, que se chama: “...E DA POESIA SE FEZ O ABSURSO”, é um livro inspirado em ZÉ LIMEIRA, o Poeta do Absurdo. A inspiração para tudo isso veio, com certeza, da Natureza e do Sertão!


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JF: Como definiria seu estilo literário? AM: Como escrevo poesia popular nordestina, o estilo predominante é o Cordel. JF: Dentre os livros escritos por você, qual te chamou mais atenção? E por quê? AM: É muito difícil um Pai amar os seus Filhos de maneira diferente, assim é com os Livros; no entanto, para mim, o Livro onde mais eu me inspirei, onde estão as melhores poesias É: “UM DEBATE EM SETILHA AGALOPADA”. JF: Qual a sua opinião a respeito da Internet? A seu ver, ela tem contribuído para a difusão do seu trabalho? AM: Basta dizer que os livros em parceria (DEZ) foram todos feitos pela Internet, Por exemplo: “TRÊS À MESA DA POESIA”, Zé Lucas me mandou a sua estrofe, eu respondi e enviei as duas para o Professor Garcia, que por sua vez, me respondeu e as enviou para Zé Lucas e assim sucessivamente até chegar 150 estrofes. VEJAM AS TRÊS PRIMEIRAS: 01 - Zé Lucas Com Ademar e Garcia vou pelejar desta vez, enchendo a taça dos versos com carinho e lucidez, para que o vinho sagrado


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das musas dê para os três. 02 - Ademar Vou beber com honradez uma taça todo dia, e eu peço a Deus neste verso talento e sabedoria, e que este vinho sagrado me embriague de poesia. 03 - Prof. Garcia Eu vou beber todo dia para afastar o meu pranto, deste vinho que embriaga e nunca me causa espanto, porque o vinho do verso tanto é puro quanto é santo. JF: Tem prêmios literários? AM: Eu já fui premiado em 21 Cidades de diferentes estados da nossa federação; mas estas premiações foram todas em Concursos Nacionais de Trovas. Tive também alguns Prêmios em “Poesia” apenas aqui no meu Estado.


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CRIAÇÃO LITERÁRIA : JF: Você precisa ter uma situação psicologicamente muito definida ou já chegou num ponto em que é só fazer um “clic” e a musa pinta de lá de dentro? Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? AM: Esta eu vou responder com uma Trova e uma estrofe apenas: “Vi à luz de lamparina, em inspirações imerso que a musa se faz menina para brincar no meu verso.” “Na inspiração do poeta sinto um pouco de magia, porque toda estrofe minha me fascina e me extasia; e em cada verso que faço vou mastigando um pedaço do pão da minha poesia.” JF: Você projeta os seus textos? Ou seja, você projeta a ação, você projeta o esquema narrativo antes? Como é que você concebe os textos? AM: Não projeto nada, os versos nascem assim...de repente.


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JF: Você acredita que para ser poeta ou trovador basta somente exercitar a escrita ou vocação é essencial? AM: A poesia é um dom divino, nenhuma escola ensina você se tornar Poeta...O Poeta já nasce feito! A PESSOA POR TRÁS DO ESCRITOR : JF: O que o choca hoje em dia? AM: A violência. (que é a falta de Deus no coração das pessoa...) JF: O que lê hoje? AM: Livros de Poesias... JF: Você possui algum projeto que pretende ainda desenvolver? AM: Divulgar a poesia nas escolas... JF: De que forma você vê a cultura popular nos tempos atuais de globalização? AM: Com a mesma visão de sempre...Falta de apoio para a edição de Livros e Etc...


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CONSELHOS PARA OS ESCRITORES : JF: Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? AM: Que tenha muito amor pelo que faz e muita Fé. Quem sabe, um dia você encontre uma porta aberta! JF: O que é preciso para ser um bom poeta ou/e trovador? AM: ...Apenas Inspiração. JF: Gostaria de acrescentar mais alguma coisa? Outros trabalhos culturais, opiniões, crítica, etc. AM: Queria apenas agradecer esta oportunidade que me foi dada, para que eu pudesse aqui, da forma mais sincera, me desnudar poeticamente perante todos vocês... JF: Se Deus parasse na tua frente e lhe concedesse três desejos, quais seriam? AM: Seriam apenas de agradecimentos por tudo o que Ele tem feito na minha vida... Resumindo: Nunca quis ganhar fama nem cartaz, sou feliz no papel que desempenho,


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sou um homem de fé, temente a Deus, não reclamo do peso do meu lenho nem de tudo na vida que padeço... Eu já tenho até mais do que mereço e me sinto feliz com o que tenho! JF: Para finalizar, um poema e trovas de sua autoria que possui um carinho especial. POESIA Há sorriso que fere e que magoa e há pranto que comove e traz alento, e os que trazem a dor e o sofrimento deixam marcas no rosto da pessoa; e por mais que este pranto não lhe doa deixará para sempre uma seqüela, que se faz cicatriz no rosto dela maculando esta dor que não termina; se tiver que chorar feche a cortina, quando for pra sorrir, abra a janela. TROVAS: Fiz minha casa de barro ao lado de uma favela.


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Lá fora, eu sei, não tem carro, mas tem amor dentro dela!... Após causar desencantos e nos fazer peregrinos, a seca faz chover prantos nos olhos dos nordestinos! O grande desmatamento, por ganância ou esperteza, põe rugas de sofrimento no rosto da natureza... Quando a inspiração lhe acena, o bom Trovador se expande. Numa Trova tão pequena, faz um poema tão grande! Quem se entrega a solidão e dela se faz refém, anda em meio à multidão mas não enxerga ninguém! Numa combatividade, cheia de brilho e de glória,


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saber perder, na verdade, é também uma Vitória! Na Floresta, a “derrubada” deixa em minha alma seqüela, pois a dor da machadada dói mais em mim do que nela. Ademar Macedo ainda complementa mais sobre ele: UM POUCO MAIS DE MIM: Como eu relatei no início, Eu Sou um Fuzileiro Naval (Reformado) perdi uma perna num acidente no ano de 1981, desde então me entreguei de corpo e alma a Poesia. Em 2006 tive um câncer no intestino, me operei no dia 09/05/2006, no Rio de Janeiro; fiz 52 Quimioterapias e 25 Radioterapias, terminei o tratamento no dia 20 de Outubro do mesmo ano, e como DEUS é Maravilhoso acredito que eu já esteja Curado, pois eu Estou sendo acompanhado aqui em Natal pela Liga contra o Câncer através de exames feitos de 6 em 6 meses, e agora em Setembro último fiz uma Colonoscopia e havia um pólipo que foi retirado para fazer a biópsia e deu o seguinte resultado: “ausência de malignidade no material Examinado” E Deus, na sua misericórdia, além do dom da Poesia deu-me também a Cura. E hoje a minha vida é regida pelo AMOR, pela ALEGRIA e pela FÉ, e são baseados nesses temas que nascem a inspiração para as minhas poesias e Graças ao nosso bom DEUS e a minha FÉ, é que estou hoje aqui


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contando a minha história... Em Versos: Guardei todos momentos que passei de ternura, de carinho e de amor, momentos que na vida mais gozei e os momentos que mais eu senti dor. O momento feliz da minha vida, quando Deus curou em mim uma ferida, que os médicos diziam não ter jeito, e apesar de hoje eu ser um mutilado, guardo sempre as lembranças do passado pra curar as feridas do meu peito!... A minha poesia é Santa porque é Deus quem a projeta, pois ele mesmo é quem planta no coração do poeta; pois todos os versos meus vêm lá da mansão de Deus como se fosse uma luz; são escritos com emoção pela minha própria mão, mas seu autor, é Jesus!...


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Quero então quando eu morrer, feito em letras garrafais, aquela minha poesia que me deu nome e cartaz; e escrito, seja onde for: – Eis aqui um trovador que morreu feliz demais! Abraços Fraternos: Ademar Macedo.


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O VÍRUS DA POESIA Poesia é a minha paz, meu mundo, meu universo; um mar de sabedoria onde eu vivo submerso; é minha alimentação, é meu sustento, é meu pão feito de rima e de verso... A partir da madrugada é esse o meu dia a dia: já de caneta na mão recebo uma epifania, cuja manifestação é trazer-me inspiração pra eu fazer minha poesia... A poesia é minha luz, é meu santo e meu altar, feijão puro com farinha que eu tenho para almoçar; ela é minha própria vida é meu lar, minha guarida meu sol, meu céu e meu mar!


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Ao ver poesias aos montes nascendo em minha vertente, tive um “derrame” de rimas nas veias da minha mente e um maravilhoso “infarto” eu tive ao fazer o parto do derradeiro repente!...

Quero então no meu jazigo, feito em letras garrafais, aquela minha poesia que me deu nome e cartaz; e escrito, seja onde for: - eis aqui um trovador que morreu feliz demais! Quem carrega, como nós, o vírus da poesia, tem no sangue uma plaqueta que se altera todo dia, aumentando a quantidade e pondo mais qualidade nos versos que a gente cria.


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TROVAS A distância nos redime se a saudade nos escolta; ir pra longe é tão sublime como sublime é a volta!


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Adotei o isolamento, feito um ermitão qualquer. Pra fugir do casamento e das manhas de mulher!... A justiça incompetente, por um deslize qualquer, toma o dinheiro da gente e dá todo pra mulher!… Almoço e janto poesia. E neste meu universo, mastigo um pão todo dia amanteigado de verso. A lua, de vez em quando fica um pouco sem brilhar, para ficar “espiando” dois pombinhos namorar! A lua, sem empecilho, desfilando, linda e nua, deixa também o seu brilho “nas poças d’água da rua”!


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A Lua, que a noite ronda com o seu lindo clarão, é a lamparina redonda que ilumina o meu sertão!


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A mais triste solidão que os seres humanos têm é abrir o seu coração… Olhar…e não ver ninguém! Amar… verbo transitivo que em qualquer conjugação traz um novo lenitivo para o nosso coração! Amigos que valem ouro, nós deveremos mantê-los guardados qual um tesouro para nunca mais perdê-los! A minha Paz desejada tá nos versos que componho; no cantar da passarada e na beleza de um sonho!… A minha sogra, assanhada, no barracão da mangueira, foi muito mais apalpada do que laranja na feira!...


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Amores na mocidade sempre deixam cicatrizes, marcas de dor e saudade no peito dos infelizes… A minha sogra, assanhada, no barracão da mangueira, foi muito mais apalpada do que laranja na feira!… À noite, as brisas divinas dão som aos seus movimentos; e, "na Lua," as bailarinas dançam a valsa dos ventos... Ao criar os Trovadores onde o verso prolifera; para adorná-lo com flores, Deus criou a primavera! A pergunta é meio louca, mas, conhecendo o roteiro; quero é dar beijo na boca… “Vida boa é de solteiro”!


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Após causar desencantos e nos fazer peregrinos, a seca fez chover prantos nos olhos dos nordestinos! Aquela mão estendida é Nau que ainda trafega no mar revolto da vida que a própria vida renega...

A “solidão” me parece, ser um conforto sem fim… quando um grande amor me esquece; “Ela” se lembra de mim.


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As rosas tem seus floridos que a “natura” se apodera, dando beijos coloridos no rosto da primavera! Assim que começa o dia, envolto em profundo enlevo, sinto o cheiro da poesia em cada verso que escrevo. A vida escreve-me enredos com finais que eu abomino. Meus sonhos viram brinquedos nas mãos cruéis do destino… Cada verso que componho, nele, eu conto um sonho meu; todos nós temos um sonho… E cada um que conte o seu! Caiu meu muro de arrimo; sinto fraqueza… E, aos oitenta, nem com Viagra eu me animo, só se der cobra em noventa!


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Causa-me espanto o coqueiro; algo de bom ele tem‌ Mas, sendo torto ou linheiro, nunca deu sombra a ninguÊm! Chega a causar agonia, uma visita sacana, que vem pra passar um dia, passa mais de uma semana!


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Coloquei a foto errada. Viram logo os menestréis… Como eu vou subir escada Se me falta um dos meus pés? Com certa preponderância eu impus esta verdade: Quem inventou a distância não conhecia a saudade!... Com minha alma amargurada, envolto em meu sofrimento, passo inteira a madrugada jogando versos ao vento… Com minha alma enternecida, confesso com todo ardor; Deus me deu dois dons na vida: ser “Pai” e ser “Trovador”!… Com o dom que Deus lhe envia, no riso o palhaço aflora um semblante de alegria… Que ele só sente por fora!


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Como quem faz sua escolha, disfarçando o desatino, alterei folha por folha do livro do meu destino! Com os temas mais dispersos, eu mesmo me fiz enchente numa enxurrada de versos jorrando da minha mente… Com sua língua de trapo disse, ao ser mandado embora: – É moleza engolir sapo, o duro é botar pra fora! Construí dentro de mim, com minh’alma enternecida, um teatro onde, por fim, pude encenar minha vida!… Da Bebida fiquei farto, bebendo, perdi quem amo; hoje bebo no meu quarto as lágrimas que eu derramo.


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Da fonte que jorra o amor, Deus, na sua imensidão, faz jorrar com todo ardor as carícias do perdão. Da ingratidão praticada eu tirei uma lição: Perdoar, não pesa nada, pesado…É pedir perdão! Das colheitas dadivosas que Deus deixa nos caminhos, uns curvam-se e colhem rosas, outros, só colhem espinhos… Debruçado sobre a mata, o luar, tal qual pintor, pinta as folhas cor de prata e pinta o chão de outra cor. De maneira indefinida, por amar e querer bem; vou dividir minha vida com a vida de outro alguém!


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De nada eu sinto ciúme, nem mesmo da mocidade; pois hoje eu sinto o perfume da flor da terceira idade!… Depois do beijo, um aceno, e, sofrendo em demasia, bebo doses de um veneno que a sua ausência me envia. Depois que chove na mata, a lua, de luz acesa; pinta as folhas cor de prata com tintas da Natureza. Descobri no envelhecer, em meus momentos tristonhos, que eu não tive, em meu viver, nada mais além de sonhos!… Descobri no envelhecer que a musa que me enaltece não deixa o verso morrer, pois musa nunca envelhece!


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Desde o tempo de menino vi o quanto eu sou machão; pois meu lado feminino é um tremendo sapatão!

De sonhar eu não me oponho nem sequer me desiludo. Quem faz de “Paz” o seu sonho, já fez metade de tudo!…


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De um olhar triste, alquebrado, desse meu filho que é “mudo”… eu vejo, mesmo calado, seus olhos dizerem tudo! Deus, demonstrando poder, quando a mulher engravida, transforma a dor em prazer na celebração da vida!


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Deus vendo que não tem fim essa fé que me conduz, deixou cair sobre mim uma cascata de luz! Do fogo no matagal, na fumaça que irradia, vejo um câncer terminal no pulmão da ecologia!... Do meu jeito apaixonado, envolvente, terno, mudo… Faço um apelo calado, onde os olhos dizem tudo! Em busca de ser feliz, e em prol do amor de nós dois, quantos atalhos que eu fiz… Mas só chegava depois! Em humor não me destaco, mas, por pura peraltice; mesmo não sendo macaco, vou fazendo macaquice.


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Ela fez comigo um voto prometendo se casar; olhem bem para esta foto… Morri de tanto esperar! Em inspirações, imerso, fiz do sol o próprio guia para conduzir meu verso


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nos caminhos da poesia! Entre os atos de bonança e meus pecados mortais, quando eu botar na balança, Deus sabe quais pesam mais!‌

Envolto numa utopia, num devaneio sem fim, vivo hoje uma fantasia que eu mesmo inventei pra mim.


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Essas gotas maculadas, itinerantes no rosto, são as lágrimas magoadas que dão vida ao meu desgosto.

Esses meus versos doridos que estão bem perto do fim, são retratos coloridos


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que eu mesmo tirei de mim…

Eu aprendi a perder mesmo sem haver perdido, também aprendi vencer “sem humilhar o vencido!”


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Eu já velho, semimorto, para me manter de pé, fiz de Deus meu próprio porto onde ancorei minha fé! Eu, numa peça que fiz no palco da minha Fé, fiquei deveras feliz… Fui aplaudido de Pé!


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Eu ouvi de um cidadão brincalhão, sagaz, afoito: -Melhor ser um cinquentão do que morrer aos dezoito…! Eu que já nasci Poeta, digo-lhe nesta obra prima: meu coração só se aquieta depois que eu faço uma rima!


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Eu, que nunca pude tê-las… Que é um sonho do menestrel; sonhei enchendo de estrelas, meu barquinho de papel! Eu sinto a brisa do vento como se fosse magia, soprando em meu pensamento os versos que Deus me envia… É terapeuta da mente, mestre maior do saber… O Livro é o melhor presente que alguém pode receber.


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Eu, num desejo medonho, quis tê-la, mas nunca pude… Transformar desejo em sonho, foi minha grande virtude! Eu sou qual um jangadeiro que a fé no peito tatua… Num barco sem paradeiro, sua esperança flutua. Fazendo um comparativo, o amor supera a paixão… Sentimento imperativo que nasce no coração! Fiz a “pergunta ao espelho” que para não me ofender : disfarçou, ficou vermelho e não quis me responder! Fiz do quarto um santuário, pus sua foto no andor e rezei um novenário para louvar nosso amor!


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Fiz minha casa de barro ao lado de uma favela. Lá fora, eu sei, não tem carro, mas tem amor dentro dela!... Fui reviver meu passado na casa que pai morou… Um velho espelho quebrado, foi tudo o que me restou! Hoje na terceira idade, eu, de amores já vazio, voltei ao mar da saudade para ancorar meu navio. Igualmente aos nossos pais, nos cabelos brancos temos as impressões digitais dos anos que já vivemos. Inimigo do trabalho, é meu primo, o “Paraíba;” seu emprego é no baralho: buraco, truco e biriba.


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Já quase louco de amor, envolto num triste enlevo ponho toda a minha dor no papel…quando eu escrevo! Lágrimas, águas em fugas, que num trajeto indolente, deixam escritos nas rugas, os sofrimentos da gente… Lágrimas, fuga das águas por um riacho inclemente que numa enchente de mágoas inunda o rosto da gente!


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Lembranças deixam feridas que nascem na alma da gente. Que tenham elas nascidas no passado‌ ou no presente! Mesmo em momentos tristonhos, carregada de lamentos, navega cheia de sonhos a Nau dos meus pensamentos!‌


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Mesmo que a paixão desabe disto eu não sentirei medo, o mundo inteiro já sabe que eu sempre amei em segredo! Mesmo sentindo os rancores, de um mar de dor que me escolta, eu, afogando essas dores, nada impede a minha volta! Meu momento mais doído foi perder quem tanto adoro, por isso eu choro escondido para ninguém ver que eu choro! Minha mente é qual jazida onde o verso prolifera.. De poesia eu pinto a vida com cores da primavera! Muda-se a cor preferida, troca-se a corda do sino, muda-se tudo na vida… Mas não se muda o destino.


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Na construção do desgosto de um casamento desfeito, criei rugas no meu rosto e pus mágoas no teu peito…


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2013 51

Na “derradeira viagem” que nós faremos decerto, busco, com fé, a passagem para ver Jesus de perto! Na minha dor, pus de pé, com esperanças sem fim, a Fortaleza de fé que existe dentro de mim.


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Não acredito em trapaça, o livre arbítrio eu imponho; não há destino que faça eu desistir do meu sonho. Não se estresse nem me agrida, ouça a voz do coração. Deixe que o Tempo decida quem de nós dois tem razão!...


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Não tem ateu que me cale pregando o que fez Caim, e nem desgosto que abale a Fé em Deus, que há em mim! Na transposição mais nobre, podemos, sem qualquer risco, matar a sede do pobre com as águas do São Francisco!... Na vida o que me conforta, está nesta frase bela: “Deus jamais fecha uma porta, sem que abra uma janela”! Nenhuma voz é afinada e de entonação tão bela, igual a da passarada que canta em minha janela… Nessa ausência tão sofrida que a separação impôs; vejo o grande mal que a vida fez na vida de nós dois.


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Ninguém calcula essa dor no coração dos mortais… Quando a saudade é de amor, a dor é cem vezes mais !


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Ninguém disfarça o carisma… Quem o tem, sempre o conduz, sem saber que tem um prisma refletindo a sua luz. No instante da despedida, arquivei no pensamento a tristeza da partida e a dor do meu sofrimento. No momento em que eu nascia, Deus, usando o seu poder, pôs o vírus da poesia nas entranhas do meu ser. No momento em que eu nascia Deus colocou no meu ser, um mundo de fantasia, de poesia e de prazer… Nos momentos mais tristonhos chega a musa da poesia, torna reais os meus sonhos num mundo de fantasia.


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Nos poemas que componho, de beleza quase extrema, eu ponho em verdade um sonho dentro de cada poema! Nossa cultura se entende nas lições que eu mesmo tive: o saber a gente aprende, a cultura a gente vive. Numa beleza suprema, por entre o céu e entre o mar, Deus escreveu um poema nas entranhas do Luar… Numa caminhada inglória, com minha alma enternecida; pude ver a minha história no retrovisor da vida. Numa combatividade, cheia de brilho e de glória, saber perder, na verdade, é também uma vitória!


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2013 57

Num afago em seus cabelos, num carinho em sua face, vi que, através de desvelos, um grande amor também nasce…

Numa imensidão de Paz, com imagens que Deus cria, a natureza se faz musa da minha poesia.


Ademar Macedo: Um Universo de Versos Diversos

2013 58

Num desespero medonho, acordei quase enfartando, pois vi no melhor do sonho que a sogra estava voltando! Num devaneio qualquer, feito de sonho e de imagem, no seu corpo de mulher fiz a mais linda viagem.


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2013 59

Num sonho eu me fiz refém, ao viver uma emoção que o próprio sonho a retém na mente e no coração… O Carnaval irradia prazeres aos foliões, mas o melhor da folia está em nossos corações!


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2013 60

O Deus que fez lago e monte, que fez céu, mar, noite e dia, fez do poeta uma fonte por onde jorra poesia... Oh, Mulher! Quando partiste, só você não percebeu; seu coração ficou triste… Muito mais triste que o meu!


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2013 61

O pantanal se engalana, mas eu mesmo desconfio; que até a própria chalana sente ciúmes do rio.


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2013 62

O papel que eu desempenho na poesia, não tem preço; pelos amigos que eu tenho… Ganho mais do que mereço! O tempo austero e sisudo põe na memória da gente o alzheimer que apaga tudo do vídeo tape da mente! O tempo, já quase em fuga, para aumentar meu desgosto, fez nascer mais uma ruga entre as rugas do meu rosto! O tempo, qual sanguessuga, para aumentar meu desgosto, fez nascer mais uma ruga entre as rugas do meu rosto! O vencedor tem que ter alguns tropeços por meta, para só depois obter uma vitória completa!


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2013 63

O vento da minha Fé, de maneira enternecida, sopra, mas deixa de pé as dunas da minha vida! O vício sempre nos joga numa dor que nos revolta: – ver um filho usando droga, numa viagem sem volta! Para alcançar a pujança, basta-me ter, sem fadigas, a força e a perseverança do Trabalho das formigas!… Para alcançar o perdão, não há fronteira ou entrave: a porta do coração não tem ferrolho nem chave. Para contar sua história, a pobre cigana cria uma verdade ilusória que ela mesma fantasia!


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2013 64

Para os sem fé, os tristonhos, a vida deles termina sem sequer colher os sonhos que a própria fé nos ensina… Partiste deixando a dor, e eu talvez não me acostume a viver sem seu amor, seu carinho e seu perfume! Passam sempre em meu portão, trazendo um fardo de dor, crianças que não têm pão, pedindo “um pão por favor”!...


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2013 65

Perdão, palavra bonita que se pede, que se implora; palavra que é muito dita… Mas, só da boca pra fora! Pela insensatez da idade e pelo que o amor requer, choro, às vezes, de saudade fingindo outra dor qualquer!


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2013 66

Pelas “coisas” que fazia, vive o malandro enjaulado; usando de noite a dia o seu “pijama listrado”. Perdido, pois, nas rotinas, nos labirintos da dor, encontrei entre as ruínas pedaços do nosso amor… Perdi minha mocidade, toda hombridade que eu tinha… Vivi sua identidade em vez de viver a minha! Plantei um pé de tomate e fiz tanta adubação, que ele está dando abacate, alho, cebola, e melão... Política, era a vizinha. Ela trocou por Brasília todos empregos que tinha… Menos o bolsa família.


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2013 67

Por agir sem ter cautela um grande mico eu paguei: beijei uma magricela; não era a sogra… Era um gay!…


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2013 68

Por conhecer meu valor, mesmo já no envelhecer, vou em busca de outro amor… Não tenho tempo a perder! Por minha fé ser tamanha, pude remover enfim, pedaços de uma montanha que tinha dentro de mim... Por seu próprio desatino, tem gente que se maldiz pondo a culpa no destino por não ter sido feliz! Por ter a lingua de trapo, disse, ao ser mandado embora: - É moleza engolir sapo... o duro é botar pra fora! Por ter uma fé suprema não sofrerei agonia… Se eu sinto uma dor extrema, dou-lhe injeções de poesia!


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2013 69

Por ver o sonho desfeito de um grande amor, de verdade, na varanda do meu peito eu vi nascer a saudade… Posso jurar (não é finta): eu não temo pesadelos, pois fiz da saudade a tinta para pintar meus cabelos… Preso e longe do seu lar, canta o pássaro inocente, no intuito de amenizar a dor que ele mesmo sente! Pra poder me atazanar, por vingança ou por castigo, minha sogra vem morar parede e meia comigo!… Procuro sempre crescer mesmo enfrentando empecilhos, mostrando em meu proceder, exemplos para os meus filhos…


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2013 70

Quadro de extrema beleza, de cor verde e cor de anil, onde a própria natureza pinta o mapa do Brasil!… Quando a inspiração lhe acena, o bom Trovador se expande. Numa Trova tão pequena, faz um Poema tão Grande! Quando a inspiração me envia a um cenário de beleza, eu dou beijos de poesia na face da natureza! Quando a sonhar eu me ponho, vejo de forma extremada, que das ilusões do sonho não restou-me quase nada! Quando de um amor me aparto, em tristezas me esparramo: bebo sozinho em meu quarto as lágrimas que eu derramo!


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2013 71

Quando o amor se consolida, mesmo que vire rotina; termina tudo na vida... Mas esse amor não termina!… Quando se manda um bilhete para alguém que a gente gosta, se faz logo um balancete, quando não vem a resposta! Quando uma paixão soterra mágoa e dor nas cicatrizes, deixa uma marca que ferra o peito dos infelizes…


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2013 72

Quase toda madrugada, Já vendo os raios do dia, busco um verso à minha amada numa fonte de poesia… Quase toda madrugada, Já vendo raiar o dia, faço um verso à minha amada num orvalhar de poesia…


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2013 73

Quem o livre-arbítrio prega caminha contra a verdade. Pois eu não creio em quem nega a si mesmo…a Liberdade! Quem semeia de verdade, tendo o amor como receita, colhe frutos à vontade no fim de cada colheita! Queria ao fim da jornada, na manhã do meu adeus, ver o brilho da alvorada na luz dos olhos de Deus! Que venham chuva e calor, que os ventos desçam ou subam, pois ninhos feitos de amor tempestades não derrubam… Retratando sua história, o pobre cigano cria uma verdade ilusória que ele mesmo fantasia!


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2013 74

Saudade… dor cruciante que nos maltrata demais; palavra sempre constante nas Trovas que a gente faz!

Se a inspiração me inebria, com temas, os mais dispersos; mato a sede de poesia na eterna fonte dos versos…


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2013 75

Se a vida é apenas passagem quero que me façam jus; na minha última viagem deixem que eu veja Jesus! Sedento dos teus abraços, num desejo que é só nosso, quero correr pra os teus braços, mas de muletas... Não posso!… Sem galinha cabidela, sem ter arroz nem feijão, hoje eu botei na panela meu sapo de estimação!… Sempre quando a noite nasce, traz, na escuridão dos campos, a luz que Deus pôs na face dos pequenos pirilampos… Sempre que eu vou me deitar acompanhado na cama; já que eu sei que vou tirar... – Pra que botar o pijama?


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2013 76

Sem ter culpabilidade, eu vivo ainda os lampejos que você, nesta saudade faz brotar dos meus desejos. Sem ter escolha, a criança, pobre inquilina da rua, na sua desesperança, dorme sob a luz da lua! Se não puder dar um bolo, dê um pedaço de pão… A caridade é um tijolo da casa da salvação! Se não vês mais a saída, se estás perdido e sozinho… É nos atalhos da vida que a gente encontra o caminho! Se o livre-arbítrio é uma escolha, e, não vendo outra saída, arranquei folha por folha do livro da minha vida…


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2013 77

Se o verso se faz presente e a inspiração se irradia, abro o celeiro da mente onde armazeno poesia.


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2013 78

Se por piedade ou por pena, o casal NÃO se desfaz; vivem os dois triste cena… Onde nem pena tem mais!

Sinto ciúme, é verdade, quase morro de ciúme quando passas na cidade exalando o seu perfume!…


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2013 79

Sinto que aquela criança que nunca usou um fuzil, traz nas mãos toda esperança no futuro do Brasil… Sinto um dom que me extasia e uma inspiração sem fim, quando a musa da poesia passeia dentro de mim.


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2013 80

Só seu regresso conforta, mas já estou delirando… Sempre que alguém bata à porta penso que é você voltando! Sou matuto em alto astral e um velho muito ranzinza. Só festejo o Carnaval na quarta-feira de cinza! Sozinho nas madrugadas, em noites de solidão, ouço as notas magoadas das cordas de um violão. Sua ausência, por maldade, deixou, talvez, por vingança, um punhado de saudade dentro da minha lembrança! Tal qual um pequeno horto, sem plantação, sem jardim, sou Nau e procuro um porto que ainda espera por mim.


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2013 81

Tem cão que mora no morro, outro morando em mansão; porque nem todo cachorro leva uma vida de cão. Tenho fábrica de poemas e um galpão de fantasia. Sou desbravador de temas… Sou viciado em Poesia. Teve um chilique o Oscar ao ver seu filho, um nissei, ser o primeiro lugar numa passeata gay. Tive amores – não sei quantos Saudades tive, é verdade. Mas sei… derramando prantos, ninguém mata uma saudade! Toda dor deixa sequela, mas devido eu sofrer tanto, minha dor só se revela na angústia triste do pranto.


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2013 82

Todo mundo me cobrando, parece um alto relevo; a dívida vai aumentando, quanto mais pago, mais devo!

Trabalho só é bacana se tiver, por sua vez: uma folga por semana e férias de mês em mês!


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2013 83

Traz alentos, novas vidas, muda a cor da plantação; a chuva sara as feridas que a seca faz no sertão. Uma fé que não se abala, dai-me, Senhor, sem medida, para eu poder semeá-la pelos roçados da vida. Uma lição foi tirada do tribunal da paixão; perdoar, não pesa nada, pesado é pedir perdão!… Um desejo que me abrasa, no Ano Novo é ver os nobres, levando as sobras de casa para a casa dos mais pobres! Um monumento de luz fez-se em mim arquitetado na mensagem que Jesus disse ao ser crucificado.


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2013 84

Vejo sentadas no chão, trajadas de desamor, crianças comendo pão amanteigado de dor! Vendo o navio ancorado e o lindo sol quase posto, sinto, lembrando o passado, uns pingos d’água em meu rosto.. Versos já fiz – não sei quantos relembrando a mocidade. Hoje servem de acalantos para ninar a saudade. Vi à luz de lamparina, em inspirações imerso que a musa se faz menina para brincar no meu verso. Visita pra meter medo, que nem vassoura adianta, É aquela que chega cedo e só sai depois que janta!


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2013 85

Você pode acreditar no que eu digo pra você: Dívida é pra se pagar... mas quando se tem com quê!… Vou vender meus poemetos na feira, seja onde for, e comprar alguns espetos para espetar "julgador"!


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2013 86

VERSOS DIVERSOS A MINHA CIRURGIA... Ao doutor cirurgião Digo de forma direta, Não tenho doença alguma, O único mal que me afeta Eu vi na tomografia; É o acúmulo de poesia Na cabeça do poeta. Pra fazer uma drenagem Tiveram que me operar, E durante a cirurgia De tanto o médico drenar; Naquele lugar nascia Mais um pé de poesia Na cabeça de ademar. Vejam o que me receitaram Pra eu fazer a cirurgia:


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2013 87

Quatorze injeções de versos No lugar da anestesia E pra não sair do clima Trezentas gotas de rima Três vezes durante o dia. Aconteceu um fenômeno No centro de cirurgia. Quando operaram o poeta Que a minha cabeça abria; Antes de qualquer exame Aconteceu um derrame... De versos e de poesia. Disse o doutor abismado Oh! Meu deus que maravilha, Já estou contaminado Sinto em mim que o verso brilha; E depois da operação O grande cirurgião Saiu fazendo sextilha. O neuro cirurgião Falou de forma direta: Medicina é a profissão


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2013 88

Mas poesia é minha meta E disse, já no repente: – Eu mesmo daqui pra frente Só vou operar poeta!


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2013 89

UM VERDADEIRO CAMPEÃO Eu, que tanto corri na meninice, uso agora as muletas para andar, e chegarei ao pódio da velhice caminhando assim mesmo devagar, pois Deus ajuda a quem não se maldiz e eu sem medo nenhum de ser feliz, vou seguindo as estradas desta vida e não importa o troféu de campeão... Digo a todos vocês de coração: Eu já sou campeão nessa corrida!


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2013 90

O MEU EU CRIANÇA Um sonho que me extasia e me traz muita esperança, é ver livros de poesia nas mãos de toda criança. Confesso: tenho esperanças antes de ficar senil, de ver, nas mãos das crianças, o Futuro do Brasil! Paz, inocência e bonança, vamos ainda encontrar no sorriso da criança antes que aprenda a pecar. O meu EU sofreu mudança, uma mudança sem fim. Só não mudou a criança que eu fui e que vive em mim!


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2013 91

PRIMAVERA Pra o Poeta e Trovador que é onde o verso prospera, eu mando um buquê de flores que a natureza libera; e numa grande investida faço verso e pinto a vida com cores da primavera!


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2013 92

MADRUGADA... Com brilho quase uniforme, sem cansaço e sem estresse; a madrugada só dorme depois que o dia amanhece. Com minha alma amargurada, envolto em meu sofrimento, passo inteira a madrugada jogando versos ao vento... Testemunha verdadeira do meu mais triste fracasso, a madrugada é parceira das poesias que eu faço. Cheia de brilho e de encantos, loucamente apaixonada, a lua faz chover prantos nos olhos da madrugada.


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2013 93

POESIA PARA O ANO NOVO Hoje eu pedi para o povo, em preces e em orações, muita paz neste Ano Novo, muito amor nos corações, e fiz pra Deus uma carta, pedindo uma mesa farta para o faminto comer. Mandei essa carta em nome daquele que passa fome e que não sabe escrever!


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2013 94

DALVA, ESTRELA MULHER... Pela luz do pirilampo e pelo brilho do sol, pela beleza do campo e pela cor do arrebol, por um orvalho caindo por uma flor se abrindo e pelos trĂŞs filhos meus; Por minha perna amputada, por Dalva ser minha amada... Muito obrigado, meu Deus!


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2013 95

PAISAGENS DO MEU SERTÃO... Uma velha rezadeira um “véi” fazendo cigarro, um pote velho de barro e aquela boa parteira; um chá com erva cidreira pra qualquer inflamação, o relâmpago e o trovão e a tarde toda chuvendo; isso é mesmo que está vendo paisagens do meu sertão.


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2013 96

PAISAGENS DO MEU SERTÃO! Um forró numa latada numa plena Sexta-feira, um bebum no meio da feira topando em toda calçada; uma velha na almofada com um birro em cada mão, prestando muita atenção naquilo que vai fazendo; isso é mesmo que está vendo paisagens do meu sertão.


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2013 97

SE TIVER QUE CHORAR... Há sorriso que fere e que magoa e há pranto que comove e traz alento, e os que trazem a dor do sofrimento deixam marcas no rosto da pessoa; e por mais que este pranto não lhe doa deixará para sempre uma seqüela, que se faz cicatriz no rosto dela maculando esta dor que não termina; se tiver que chorar feche a cortina, quando for pra sorrir, abra a janela.


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2013 98

UM ROSÁRIO DE SAUDADE Mãe deixou um rosário de saudade pendurado por cima do meu peito, as orações, não rezei nem a metade pois rezar pra saudade não dá jeito. Quando vejo o rosário eu vejo ela e a saudade que hoje eu sinto dela é, para mim, uma dor e um mistério; pois sempre que eu visito a sua cruz tenho visto as pegadas de Jesus junto a cova de mãe, no cemitério.


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2013 99

NINGUÉM MATA O NOSSO AMOR... No sertão eu nasci e fui criado e amar será sempre o meu destino, como todo poeta nordestino, sou da vida, um eterno apaixonado; cada verso que eu faço é inspirado nas belezas do meu interior, como amante e fiel agricultor eu cheguei a seguinte conclusão: não há seca que torre o meu sertão nem macumba que acabe o nosso amor.


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2013 100

PAIXÃO ARDENTE... Esse amor que foi plantado nas entranhas do meu ser, há tempos foi sepultado mas insiste em não morrer, e numa paixão ardente o fruto desta semente deixou meu ser em fracassos e, sem forma e sem medida, ocupou em minha vida quase todos os espaços.


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2013 101

O SERTÃO É UM POEMA... Deus na sua magnitude, fez do sertão um palácio, deixou escrito um prefácio na parede do açude; disse da vicissitude da flor e do gineceu, de um concriz que se escondeu nos garranchos da jurema, o sertão é um poema que a natureza escreveu.


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2013 102

"SARAU DO CANTO DO MANGUE" Esta noite será inesquecível; e você que se faz aqui presente vai ouvir poesias de alto nível seja ela declamada ou no repente; porque esse é o nosso objetivo, fazer da poesia um lenitivo onde o poeta inspirado se irradia, e com versos correndo em nosso sangue com certeza, esta noite aqui no mangue vai haver um dilúvio de poesia!


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2013 103

FALANDO DE SERTÃO... Pra retratar o sertão em sete versos apenas, mergulho na natureza busco inspirações serenas e qual um grande pintor para a obra ter mais valor, crio minhas próprias cenas! Eu vendo uma flor se abrindo me causa muita emoção, também vejo encantamento nos giros de um foguetão; minha emoção continua quando a noite eu vejo a lua iluminando o sertão. O chiado da porteira, a debulha de feijão, uma caçada de peba, uma noite de São João; a coalhada na tigela jumento, cavalo e sela, são coisas do meu sertão.


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2013 104

O sertão me ensinou mais a gostar dos cantadores; do pobre homem do campo, aprendi sentir as dores; imitar os passarinhos e correr pelos caminhos sentido o cheiro das flores. De uma forma doedeira guardo na imaginação, as brincadeiras de roda numa noite de São João; vivo cheio de saudade morando aqui na cidade com saudades do sertão!…


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2013 105

TRÊS SETILHAS... O poeta já vem com a verve feita por Deus Pai nosso mestre e criador; alguns nascem com a mente de aprendiz outros tantos já nascem professor, e Deus vendo chegar a minha vez, com a bênção sagrada Ele me fez: Fuzileiro, Poeta e Trovador. Escorado no topo da muleta, eu me fiz um poeta e trovador; meu passado de atleta e de boêmio para mim, não foi nada alentador; mas depois do meu trágico acidente, encontrei na poesia e no repente o remédio eficaz pra minha dor. Como prova de amor, maior do mundo, Cristo morre por nós, os pecadores. Vejo ainda no manto de Maria os vestígios de suas próprias dores; e, dotado de toda perfeição, pra falar deste amor e do perdão Deus criou os poetas Trovadores.


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2013 106

"HOMENAGEM AO DIA DO MÉDICO" O médico é obra divina, que de maneira aguerrida, estudou, fez medicina para salvar nossa vida. Não quer ver ninguém sofrer, e se acaso acontecer do doutor ficar doente; por vocação, por amor ele esquece a própria dor pra curar a dor da gente!…


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2013 107

"UMA SETILHA" Deus pintou o cen谩rio mais bonito nos neur么nios que tem na minha mente. Com o brilho das luzes da poesia me ensinou a fazer verso e repente; me deu todas as dicas sobre a rima e depois de fazer esta obra-prima deu ao mundo um poeta de presente.


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2013 108

UMA POROROCA DE VERSOS. Eu jรก nasci inspirado Com o dom que Deus me deu E em cada cabelo meu Tem um verso pendurado. A Deus eu digo obrigado Por este grande presente; Sangra em mim diariamente Com os temas mais dispersos A pororoca de versos Na cachoeira da mente.


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2013 109

SOU MUTILADO... Guardei todos momentos que passei de ternura, de carinho e de amor, momentos que na vida mais gozei e os momentos que mais eu senti dor. O momento feliz da minha vida, quando Deus me curou de uma ferida, que os mÊdicos diziam não ter jeito; e apesar de eu ser hoje um mutilado, guardo sempre as lembranças do passado pra curar as feridas do meu peito.


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2013 110

'PESADO É PEDIR PERDÃO' Errar, é do ser humano e todos podem errar; mas, saiba que perdoar é divino, é soberano. Não deixe que um ato insano lhe amargure o coração, perdoe-me, e me estenda a mão pra ser, por mim, apertada; perdoar não pesa nada, pesado é pedir perdão!


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2013 111

O VERSO O verso é tal qual o manto que eu me cubro todo dia, meu corpo é uma poesia que tem verso em todo canto; tem versos até no pranto que por mim é derramado, eu tenho versos guardado que a natureza me deu; e em cada cabelo meu tem um verso pendurado!...


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2013 112

DÉCIMA (PERDÃO NA ETERNIDADE) Para alcançar o perdão no reino da eternidade, vão pesar meu coração na balança da verdade; pra saber a quantidade dos meus erros capitais, entre os pecados mortais e meus atos de bonança, quando eu botar na balança Deus sabe quem pesa mais!…


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2013 113

DÉCIMA (SERTÃO) No sertão tem poesia, tem o preá no serrote tem mocó dando pinote e tem cabra dando cria; tem coalhada na bacia tem fogueira de São João, tem festa de apartação tem porteira e passadiço; quem nunca viu tudo isso não sabe o que é sertão!


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2013 114

DÉCIMA (POETA NORDESTINO) No sertão eu nasci e fui criado e amar será sempre o meu destino, como todo poeta nordestino, sou da vida, um eterno apaixonado, cada verso que eu faço é inspirado nas belezas do meu interior, como amante e fiel agricultor eu cheguei a seguinte conclusão: não há seca que torre o meu sertão nem macumba que acabe o nosso amor.


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2013 115

DÉCIMA Vou abrir a bodega da cultura a as entranhas fecundas do juízo e dizer para o povo hoje é preciso que este mote está à minha altura; pois eu sou simplesmente a criatura que Deus irá deixar para semente, e por ordem do pai onipotente, não há mote nenhum que eu não dê jeito; vou abrir a cancela do meu peito pra passar a boiada do repente.


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2013 116

DIVAGAÇÕES EM CORDEL. Quem carrega, como nós o vírus da poesia, tem no sangue uma plaqueta que se altera todo dia, aumentando a quantidade e pondo mais qualidade nos versos que a gente cria. No meu verso, dia a dia eu busco a minha obra-prima; sei que é difícil encontrá-la, mas nada me desestima, e quando a inspiração brota no meu verso já se nota metrificação e rima. Nunca fiz uma obra-prima nesse campo que trafego, sem um pingo de ambição grande desejo eu carrego; sei que não é utopia, neste mundo de poesia... quero ser grande, não nego!


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2013 117

Não sou grande mas me apego aos versos que eu mesmo faço, seja para um grande público ou sozinho em meu terraço; seja noite ou seja dia, pois, para fazer poesia jamais eu sinto cansaço. O caminho que hoje eu traço no qual me tornei atleta, foi Deus que determinou a poesia como meta; agradeço ao onipotente, pois só depois do acidente eu me descobri poeta! Eu que já nasci poeta, nas asas do verso eu vou no sertão buscar saudade pois foi lá que ela ficou; nesta saudade eu mergulho, sentindo um enorme orgulho do sertanejo que sou.


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2013 118

O meu sertão me ensinou a gostar dos cantadores; do meu pobre homem do campo aprendi sentir as dores; imitar os passarinhos e correr pelos caminhos sentido o cheiro das flores. A mente dos cantadores entre as outras sobressai, porque o nosso poeta no verso não se retrai; dele faz acrobacia, dá cangapé na poesia e a poesia não cai! De mim o sertão não sai; guardo na imaginação as brincadeiras de roda numa noite de São João; vivo cheio de saudade morando aqui na cidade com saudades do sertão!... Os meus sonhos sempre vão


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2013 119

nas asas que o verso cria; na minha imaginação ele cresce e se irradia; toma beleza e formato, faz um passeio abstrato e pousa em minha poesia. Tal qual uma fantasia eu guardo algo que não finda, é a minha inspiração que vem mansamente e linda; mesmo com ajuda dela, a minha estrofe mais bela eu mesmo não fiz ainda. A poesia nos brinda com um manto de beleza, nos inventos que ela cria com tamanha ligeireza, nasce assim em nossa mente enviados de presente pela própria natureza. Meus versos faço na mesa e de caneta na mão.


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2013 120

Não faço versos na hora como os vates do sertão. Quem faz versos de improviso hospeda no seu juízo os anjos da inspiração. Tudo Deus pôs no sertão para o pobre desfrutar: manga madura no pé, batata para arrancar; fava e mel de jandaíra, curimatã e traíra pra o sertanejo pescar. Agora eu quero falar das coisas da natureza, que mostra pato e marreco nadando na correnteza; e ainda tem o pavão, que das aves do sertão é a que tem maior beleza. Vejo um quadro de beleza surgindo no horizonte, e logo depois que o sol


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2013 121

se deita por trás do monte... Envolto nessa penumbra a minha alma se deslumbra bebendo versos na fonte. Com a mão em minha fronte, Deus, que tudo faz e cria, colocou na minha mente talento e sabedoria; e com bênçãos do Universo, fez uma fonte de verso por onde jorra poesia... De versos e de poesia minha fonte não se esgota. Concursos que eu participo sempre tiro boa nota; fabrico o verso na mente e boto coisa em repente que outro poeta não bota... Mesmo no fundo da grota eu bendigo a minha sorte; ter nascido nordestino no Rio Grande do Norte;


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2013 122

e pela fé que eu detenho pelo grande Deus que eu tenho, não devo temer a morte! Tenho Fé e tenho sorte e é profunda a minha fonte. Escrevo sobre as estrelas e as pedras que tem no monte... sobre o povo favelado e aquele que é deserdado que mora em baixo da ponte! Nasceu em mim uma fonte que é um mar de inspiração; o verso faz um translado da mente pra minha mão... quando é poesia de amor, passa seja como for nas veias do coração! Eu sinto que a inspiração tem um pouco de magia, pois toda estrofe que nasce me fascina e me extasia; e em cada verso que faço


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2013 123

vou mastigando um pedaço do pão da minha poesia. Eu sinto em minha poesia, um galho se balançando, o vôo de uma gaivota, um orvalho gotejando; coisas que não estou vendo... estou somente escrevendo o que Deus está ditando! Nos versos que eu vou criando fantasio os meus desejos: pinto o céu de muitas cores com infinitos lampejos; trago a chuva pra o sertão encho de milho e feijão os silos dos sertanejos! Realizo meus desejos seja em setilha ou quadrão, no meu teclado da mente faço toda afinação, e sem choro e sem lamento vem ao mundo outro rebento


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2013 124

trazido por minha mão. Envolto na inspiração que Deus mandou lá do céu, como vate Santanense trovador e menestrel; do jeito que o verso emana, escrevi numa semana: “Divagações em Cordel”...


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Fontes: HTTP://singrandohorizontes.blogspot.com.br) HTTP://poesiaemtrovas.blogspot.com.br HTTP://recantodasletras.com.br


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Ademar Macedo (1951 - 2013)