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Litha, 2011 - Ano 1 - Edição nº3 - gratuita


Equipe BTW

Editora Chefe:

Lorenna Escobar

HPS 2*- Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR Coven Caldeirão de Cerridwen

Projeto Gráfico:

Artemis Absinto

Dedicada da Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR

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Colaboradores:

Ana Marques

Dedicada da Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR

Arida Diana

HPS 3*- Tradição Gardneriana, linha Olwen BR - Coven Vassoura Sagrada

Artemis Absinto

Dedicada da Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR

Baco Liber

HP 3*- Tradição Gardneriana, linha Olwen BR - Coven Vassoura Sagrada

Calliope Berkanna

Iniciada 1*- Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR - Coven Vassoura Sagrada

Brutus Lobão

HP 2*- Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR Coven Caldeirão de Cerridwen

Lorenna Escobar

HPS 2*- Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR Coven Caldeirão de Cerridwen

Simone Abraços

Iniciada 1*- Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR - Coven Caldeirão de Cerridwen

Mario Martinez

HP 3*- Tradição Gardneriana, linha Olwen - BR Coven Caldeirão de Cerridwen

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EDITORIAL por Brutus Lobão Chegamos à terceira edição da Revista BTW agradecendo aos Deuses por cuidarem com seu amor nos permitindo oferecer conteúdo de qualidade e confiança sobre British Traditional Wica em veículo digital de alcance e participação Internacional via Internet. Entramos na parte decrescente da Roda do Ano pelo dia de maior luminosidade. No auge dessa energia a promessa de frutificação e fartura, vitalmente importante para os dias cada vez mais sombrios que virão, quando a vida será completamente depositada numa semente de luz para renascer após a escuridão. Essas partículas de Wica Tradicional que viajam no espírito de nossos textos chegam aos buscadores como orientação e um farol em tempos de muita escuridão e cegueira espiritual. Os Poderosos Deuses Antigos avançam seu caminho por misteriosas trilhas de beleza aterrorizante, prazeres indescritíveis e o conhecimento mortal da vida que controla todas as transformações. Seguramente o buscador pressente a seriedade deste trabalho, e ilumina seus questionamentos que constroem a idéia refletida do que é BTW. Seu coração deve palpitar de desejo e o seu fôlego suspira por ouvir uma só vez as palavras da Deusa da Lua e das Estrelas: “Eu amo você; eu anseio por você,...” A vara erigida do Deus Chifrudo comanda o calor da vida, reúne e precipita perfumadas águas do céu, sopra amorosamente a pele macia e martela firme até as chamas. O leitor que acompanha essa terceira edição deseja ler o que deseja ser lido, que não haja mais demora. Um bom meio de verão a todos nós, vivendo sob os auspícios dos terríveis e maravilhosos Deuses Antigos.

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índice Litha O Deus de C hifres Wica e seus Dogmas Vivendo o Sacerdócio Deusa, Deus e a Iniciação Sacrifício Lammas Instrumentos do Ofício

06 08 10 14 18 22 26 28

Ocultismo: 32

- Hermetismo 32 - Botânica Oculta 34 - A Iluminação - O Sol 40

CARTA DO LEITOR Olá, eu gostaria de parabenizar todos os responsáveis por esse maravilhoso projeto que é a revista BTW. Cada edição me surpreende em relação ao nível da qualidade e seriedade dos assuntos abordados. Era exatamente o que nós, buscadores e estudiosos da Arte no Brasil estavamos precisando. Que essa iniciativa possa despertar o amor do Deus de Chifres e da Senhora da Lua nos corações dos buscadores sinceros. Abraços, Rafael Toledo.

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Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) – O Mistério das Cousas

litha O Auge do Deus de Chifres

por Ana Marques A vida é um ciclo. A Roda do Ano o ilustra e simboliza, para que possamos – vivenciando-a – viver os nossos ciclos internos e nos ciclos eternos da natureza. Todos nos dividimos em três fases, que se repetem infinitamente, de Vida x Morte x Renascimento. Vivemos e sonhamos e cremos e realizamos. Buscamos novos caminhos, trilhamos passos e nos dirigimos à sua conclusão. Nossa vida renasce todos os dias sob a Luz do Sol.

a vida em Beltane e, nesse momento, chegando ao seu Auge em Litha. Sucederam-se dias às noites longas de Yule que foram igualando-se conforme passamos por Imbolc, Ostara, Beltane. Porém, da mesma forma que o Deus cresce em sua força, os dias crescem em sua duração e em Litha temos o dia mais longo do Ano.

Um dia de grande Magia, em que a força do Deus – em sua plenitude – penetra a fonte de toda a Vida e distribui essa força a todos nós. A terra, como um todo, floresce em alegria e sonhos de colheitas e realizações generosas. O amor Sol esse que simboliza a fertilidade o Deus cresce está por toda parte, a alegria está que o Deus de Chifres traz em nosem todo canto. Basta estender as sas vidas. Aquele que é o Senhor da em sua força mãos, conectar-se ao calor e à luz, Fertilidade Absoluta faz o ciclo conpara que as bênçãos da união do tinuar, caminhando ele mesmo através da Casal Divino recaia sobre todos aqueles Roda que celebramos: nascendo em Yule, que os cultuam e celebram seus ritos. purificando o solo da vida em Imbolc, plantando as sementes em Ostara, fertilizando

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QUADRO: SATAN WILLIAM BLAKE

Para a Wica Tradicional, nesse momento nos defrontamos com o Deus da Fertilidade em todo seu poder, mas pronto para ceder seu lugar ao Terrível Senhor do Submundo e da Morte. Ele é sempre o mesmo e, sendo o mesmo, é sempre diferente, girando a Roda e os Ciclos de Vida e Morte em seu próprio corpo. O Deus que fenecerá é o mesmo que nos abrirá as portas do outro Mundo quando nosso tempo de descanso chegar, e é ainda aquele que regenerará nossos corpos para que possamos recomeçar. Em Litha, amamos e nos regozijamos no Amor dos Deuses por nós e por todas as criaturas vivas. Somos todos abençoados em alegria e esperança, porque a vida sempre recomeça e a colheita farta, plena daquilo que plantamos dentro e fora de nós, nos espera para logo mais. No entanto, no cerne de toda luz está a semente da escuridão. Assim o dia mais longo do ano precede a diminuição do Poder do Deus de Chifres, que começará lentamente a definhar daqui em diante. Esse declínio pode ser visto no mito do Rei do Carvalho e do Rei do Azevinho, um mito não tradicional na Wica Gardneriana mas que ilustra como o ano decrescente se sobrepõe ao ano crescente.

Aproveitemos assim o auge da Luz! Que os dias sejam luminosos, que as noites sejam quentes e que a vida seja plena para todos.

Nesse mito a Roda do Ano é dividida em o Rei Azevinho uma metade Clara e outra metade Escura. luta com o Rei Em Yule, o Rei CarvaCarvalho lho vence o Rei Azevinho, marcando a ascensão do poder solar e o retorno da Luz. Em Litha, o Rei Azevinho luta com o Rei Carvalho, simbolicamente tomando seu lugar e determinando o momento em que, após chegar ao ápice, o único caminho a ser seguido é para baixo. É a Morte na Vida e a Vida na Morte.

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FIGURA DE CERNUNNOS NO CALDEIRÃO DE GUNDESTRUP HTTP://PT.WIKIPEDIA.ORG/WIKI/FICHEIRO:DETAIL_OF_ ANTLERED_FIGURE_ON_THE_GUNDESTRUP_CAULDRON.JPG

Wica, entretanto é uma religião erótica e o Deus de Chifres intensifica esse poder, o poder do Fogo transformador é um de seus atributos. A Deusa é sua força oposta e juntos eles se complementam. São a força motriz da criação, a dualidade, as trevas e a luz, macho e fêmea, ativo e passivo, duro e macio, o quente e frio. Assim na Religião tomamos consciência desses aspectos e ampliamos nossos conceitos sobre as polaridades.

o deus de chifres por Lorenna Escobar O Deus das Bruxas é chamado de Senhor Chifrudo, o Senhor da fertilidade, o Deus de Chifres. Ele é associado como a força do Sol, É a representação da Virilidade, da Força Ativa da Natureza, Senhor da Morte, da Floresta e dos animais selvagens. Seu aspecto sombrio ensina a seus Sacerdotes que existe algo além, algo a ser descoberto, algo que somente a escuridão pode revelar – a Luz.

Nos grandes festivais da Antiga religião, os bruxos se reúnem para a celebração da roda do ano, a garantia de que melhores dias virão e que contêm as percepções das mudanças das estações, o ápice e declínio da força do Deus. Na primavera, Ele é vida, penetrante e forte; no inverno Ele é morte, frio e silencioso. Com isso nota-se que é Ele o tema central da Roda do Ano e a Wica como uma religião do Deus e da Deusa, pois um nada é sem o Outro e eles se complementam para fazer a roda girar.

Em Litha, um dos sabás das Bruxas, a representação maior da potência do Deus em sua maturidade e virilidade é representada pelo elemento fogo, cujo simbolismo é associada a Vara, na tradição Gardneriana. Entretanto também existem outras conotações quanto ao instrumento Ele oferece o seu poder em sua mágico, comumente utilizadas na totalidade, é quem doa sua seA Divindade bruxaria, visto no Athame ou mente, seu sacrifício, para novos Espada, que simboliza o princípio dias de glória e de vitória, ofere- solar deu a Sua ativo, como na carta do Mago no cendo crescimento e evolução. vida ao universo tarot de Marsella, a representaSeu sacrifício é representado pela ção do Jovem Deus que empunha semente, aparentemente morta, o seu poder fértil. e em meio a escuridão é capaz de se desenvolver em uma grande e forte árvore. Encontram-se, na história em geral, vários registros do culto ao Deus, em diverA Divindade solar deu a Sua vida ao unisas civilizações; são fragmentos dos atribuverso, ao sistema solar, ao planeta e aos tos desse mesmo Deus no Egito antigo, na mundos, mas o que muita gente confunde Antiga Grécia, Roma, Índia, Itália e entre é que isso para nós é apenas representado várias outras. Estes são conhecidos como como símbolos e que pouco significa para Pan, Hórus, Mitra, Varuna, Dionísio, Cerseus Sacerdotes.

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nunnos; chifres e serpentes são uma das mais sublimes formas de representá-lo e sua potência sexual. Diante disso percebemos as mesmas características do Deus supremo dos Wicas, mas seu nome é sagrado e secreto, sendo este revelado diretamente as suas sacerdotisas

o mesmo estágio alquímico de transformar chumbo em ouro. Os fragmentos dos ensinamentos da Wica é completa em si e multifacetada, pois o mistério da transformação é intrínseco, único e diverso. A contemplação da polaridade nos permite a contemplação do infinito. Alcançar uma das chaves da magia é constatar que, além das demais racionalizações, o Deus da Morte é também o Senhor e doador da Vida.

Como símbolo de força e resistência, uma relação tradicional ao carvalho com o Deus Thor (para o povo germânico) pois é uma árvore imponente e de grande longevidade. O carvalho foi uma árvore sagrada Eu vejo o Deus de Chifres como um deus para povos antigos, era a árvore de Zeus cósmico, a suprema divindade masculina para os Gregos. Outra árvore sagrada li(ou ativa) do universo, totalmente igual e gada ao Deus é a Figueira, uma árvore que complementar à Deusa. Mas dele é simboliza a abundância e a imorta“e Ele ensina o poder do vigor e dela é a magia da lidade, é uma árvore que brota e se renova no verão. a Ela todos os sabedoria; Ele é onipotente enquanto Ela é onisciente, e juntos Eles são a seus mistérios O pilar central da Wica está intiTotalidade, o Duo Divino que vive na da morte” Natureza e se manifesta no cosmos.” mamente ligado a enunciação dos gêneros e polaridades, do qual é Lady Delia fundamento para o desenvolvimento do culto. O porque disso vem tanto da litur Na magia, as manifestações pelas gia, quanto da magia sexual relacionados a operações devem permitir um fluxo de Arte sendo considerada um dos maiores poder de um pólo ativo masculino para o mistérios da Arte. Toda a experiência máreceptivo feminino e estabelecer então um gica, dentro do contexto dos pólos oposfluxo divino – a comunhão com os Deuses. tos é sentida como sagrada. Nestes atos de magia, não existe prazer e nem existe dor, então o Sacerdote subÉ uma tarefa muito difícil escrever somerge no oceano ínfimo, no túnel escuro, bre o Deus de Chifres sem falar da Deusa, a consciência e a individualidade se perde quando no tema central da Teologia Wica, e se converte no Todo. Os Deuses cora Carga da Deusa mostra que a própria rem por todas as coisas, são imanentes e Deusa desce ao submundo para confronsublimemente transcendentes a todas as tar a morte “e Ele ensina a Ela todos os coisas. seus mistérios da morte”. O tema da morte, dentro da religião, faz lusão à morte Tudo procede desse fogo eternamente iniciática, é como morrer para um estilo vivo e tudo deve voltar ao mesmo fogo de vida profano, acompanhado de um repara surgir de novo em um processo cirnascimento espiritual. O Deus da Wica é o cular de nascimento e destruição. Senhor que está além dos portões da MorHeráclito te, encontrar este Deus significa se ligar ao centro de tudo. Ele é a força do minotauro dentro do seu próprio labirinto. Representa o início do processo de transformação,

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QUADRO: BASPHEMER WILLIAM BLAKE

Wica e seus dogmas A Lei do Tríplice Retorno

por Calliope Berkanna Tudo no Universo é energia e essa energia está em constante movimento (tudo é vibração). Uma ação ou um desejo é uma forma de energia vibrante e que de acordo com o Princípio de Ação e Reação (causa e efeito) toda energia gerada vai e retorna a sua fonte de origem. Em outras palavras, tudo o que desejarmos voltará para nós triplicado e nessa mesma vida. O grande problema com esse dogma, é que é preciso ser um Iniciado para compreendê-lo, já que ele está intimamente ligado aos Mistérios Ancestrais. A Lei do Tríplice Retorno aparentemente é o Dogma da Arte mais conhecido, o que não quer dizer que seja o mais compre-

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endido. Como dito no texto anterior, na Wica os Dogmas são compreendidos pelo Iniciado a partir de uma experiência espiritual profunda. Eles passam a fazer parte da sua sabedoria, o Iniciado os aceita como uma verdade incontestável. Dessa forma, o Iniciado compreende a Lei Tripla. É comum vermos no meio não tradicional que a Lei Tripla é muitas vezes confundida com o conceito oriental de Karma, ou com um poema chamado Wiccan Rede, ou até tida como o único dogma de uma religião não dogmática. O que posso dizer é que nenhum desses conceitos se aplica a Lei Tripla. A Lei Tripla não é o único Dogma da Arte dos Wica, nem o mais importante. Existem outros Dogmas, sobre os quais falaremos mais adiante, e todos são igual-


mente importantes. Seu conceito faz parte Toda ação, boa ou má, irá gerar uma reda tradição oral da Arte, e é necessário ação do Universo, que pode ser recebida ser um Iniciado, um Wica para comprenesta ou em outra vida. Ação e reação, endê-la. Explicar um Dogma para um não causa e efeito, dar e receber. A causa é iniciado é como tentar explicar as cores primária; o efeito é secundário. Dar é a para um cego. O não iniciado não os vivenação, receber é a reação inevitável. Tudo cia, logo não tem como os compreender. que recebemos, em quantidade e qualidaKarma pode parecer chegar perto, de, estaria condicionado ao que A Wiccan Rede demos. Toda uma vida voltada mas ainda não é esse o conceito. para o bem, na próxima encarparece se O conceito de Karma se confunnação será recompensada, caso tratar de um diu com a Lei do Retorno a partir contrário será amaldiçoada. Mais do momento em que a Arte pas- código de ética uma vez, as boas ações serão feisou a ser difundida. Não há religião tas em prol de uma recompensa ocidental que exemplifique bem esse Dogfutura, mesmo que seja em uma próxima ma, pois tais religiões possuem um deusvida, e essas boas ações estarão mais uma -pai-todo-poderoso que recompensa os vez corrompidas pelo egoísmo. bons e pune os maus, então uma boa ação resulta em uma recompensa e uma má A famosa sentença “faze o que tu queres ação, em castigo divino. Como ninguém se não prejudicas ninguém” é uma interquer ser castigado, as boas ações acabam pretação de um poema atribuído a Doreen sendo corroídas pelo egoísmo e pela gaValiente, conhecido como Wiccan Rede, nância. Vistas dessa forma, as boas ações que diz “Eight words the Wiccan Rede já não parecem tão boas... fulfill, An it harm none do what ye will”. Aparentemente é uma releitura da Lei de Sendo o Karma um conceito oriental e Thelema, “Faze o que tu queres há de ser Wica uma religião ocidental, é difícil que o todo da lei”. A Wiccan Rede parece se coexistam. São culturas distintas. A Lei tratar de um código de ética, mas se interdo Karma refere-se ao conceito de ação pretado literalmente não pode ser praticae reação, um conceito muito semelhante do. Tornou-se um clichê, uma frase que é à Lei Newtoniana que diz “para toda forrepetida sem ser compreendida. ça de ação, existe uma força de reação”.

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crescimento, pelo desprendimento, tudo isso e muito mais faz parte do caminho do Iniciado. Mago: Você tem obedecido a Lei. Mas observe bem, que quando receberes o bem deverás fazê-lo retornar triplicado.

QUADRO: DESTINO JOHN WATERHOUSE (1900)

Aidan Kelly - Conteúdo público do Livro das Sombras Gardneriano

A Rede não é uma interpretação da Lei Tríplice, mas algo distinto, não tradicional. Se interpretado dentro de uma visão cristã tem um significado totalmente diferente da interpretação feita por um Iniciado na Arte Antiga.

Não existe energia boa ou energia ruim, existe energia bem ou mal direcionada. Quaisquer que sejam essas energias, elas sempre retornam à sua fonte de origem. É como jogar um seixo rolado em uma poça d’água. Assim que o seixo cai na água provoca ondulações concêntricas que se expandem até atingir as bordas da poça. Se fosse um lago, poderíamos imaginar que essas ondulações poderiam atingir uma das bordas e retornar ao ponto atingido pelo seixo. Esta é uma boa metáfora sobre a Lei do Tríplice Retorno.

Quando colocamos uma energia em “Faze o que tu queres” movimento, seja ela bem ou mal direcionão deve ser interpretado é um lembrete de nada, ela retornará para nós, mas porém como um convite à anarquia, mas um convite a agir que vivemos em mais forte, pois esse Dogma nos diz que tudo o que colocamos em movimento guiado pelo seu verdadeicomunidade retorna para nós triplicado. ro Eu, pela sua verdadeira Vontade, destituída de Ego. Eu acredito que se você é um membro Descobrir o seu verdadeiro propósito e iniciado da Arte e prestou juramento, e praticá-lo Fazer aquilo que é certo conspor qualquer razão começa a praticar ciente das consequências. “Se não prejumagia negativa de qualquer tipo, a magia dicas a ninguém” é um lembrete de que negativa irá ricochetear sobre você, três vivemos em comunidade. Não estamos sovezes, porque você quebrou seu juramenzinhos e isolados, interagimos com o meio to. E por que uma lei tripla? A resposta à nossa volta, com outras pessoas, animais está novamente no juramento que foi feie plantas. Essa interação inclui alguns sacrito diante do altar da Deusa Tripla. Assim, fícios, o que é benéfico para uns pode preo retorno será uma vez para a Deusa, judicar outros. A todo momento, a alegria, outra para o receptor da magia negativa a dor, a doença, a saúde, tudo isso acone a terceira para você mesmo. tecerá independente da sua vontade. Agir consciente e de forma responsável reduz Patricia Crowther – Sacerdotisa Gardneriana os prejuízos para os outros e para si mesmo, além de exigir uma dose de disciplina A Lei Tríplice é um compromisso iniciáe honra. É uma busca pelo equilíbrio, pelo tico Wicano. Segundo HP Baco, em uma

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de suas citações, “quando alguém é iniciado, essa pessoa é levada e apresentada aos Guardiões e o seu nome mágico da Arte é revelado. Esse é o primeiro passo na união que está prestes a acontecer. Dali por diante, o iniciado é “protegido” e cuidado. Essa união serve também como salvaguarda, pois todo ato de magia praticado por um Wica é observado uma vez em e notado pelos Guardiões.” Para que essa espécie, uma união aconteça corretavez em espírito mente aqueles que são iniciados na Wica fazem e uma vez em um juramento e tomam necessidade consciência de que tudo o que fizerem voltará três vezes. Portanto a Lei Tríplice só é válida para aqueles que prestam um juramento diante dos Deuses.

Lei Tripla, uma boa ação deixa de ser feita em busca de algum agradecimento ou recompensa, para ser feita apenas por ser a coisa mais certa a fazer. Então a energia bem direcionada irá atingir outras pessoas, as influenciando a perpetuar essa energia e refletindo ela de volta a você de alguma forma. A Lei Tripla é um assunto polêmico sobre o qual não se consegue falar muito. Nem sempre os textos encontrados sobre ela, mesmo quando escritos por bruxos iniciados, condizem com a verdade. Acredito que isso aconteça para não traírem os Juramentos Iniciatórios, não apenas por ser algo que necessita ser vivido e sentido, não explicado, para ser compreendido.

Uma pergunta interessante seria o motivo de o retorno ser triplo. Três é um número muito significativo na Wica. Três são as fases da Lua, três são os graus de Iniciação, três vezes o sino é tocado, enfim, são vários os simbolismos usados pelos Gardnerianos para o número três. Rick Johnson diz que o retorno é triplo por ser uma vez em espécie, uma vez em espírito e uma vez em necessidade. Ou seja: a energia originada por sua ação retornará a você no nível físico, no espiritual e no mental. Há várias interpretações para isso, porém o real significado apenas pode ser compreendido após ser experimentado por um Iniciado. O conhecimento e meditação desta Lei e dos demais Dogmas ensejam a tomada de consciência de nossa responsabilidade conosco, com quem e o que nos cerca, com os compromissos que firmamos e suscitam que nossas condutas pessoais devam ser regradas pelo equilíbrio. Nossas palavras devem emitir a verdade e nossos atos devem corresponder às nossas falas, refletindo o respeito e consciência em relação à vida e aos superiores. Ao compreender a QUADRO: ESTUDO PARA CÍRCULO MÁGICO JOHN WATERHOUSE (1886)

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vivendo o sacerdócio ‘Depoimentos da Alta Sacerdotisa’

por Arida Diana O Amor do Sacerdote e da Sacerdotisa Você pode vir a eles por alguns momentos e então ir embora e fazer o que quer que você faça; o amor deles não muda. Você pode negá-los para eles mesmos ou para si mesmo e então amaldiçoá-los para qualquer um que ouça; o amor deles não muda. Você pode tornar-se a mais deprezível das criaturas e Então voltar para eles; o amor deles não muda. Você pode tornar-se inimigo dos próprios deuses, e então voltar para eles; o amor deles não muda. Vá para onde você for, fique por quanto tempo desejar e então volte para eles; o amor deles não muda. Abuse de outras pessoas, abuse de si mesmo; abuse deles e então volte para eles; o amor deles não muda. Eles nunca vão criticar vocês. Eles nunca vão minimizar você; Eles nunca falharão com você; porque para eles você é tudo e eles são nada. Eles nunca vão decepcionar você. Eles nunca vão ridiculizar você; eles nunca vão falhar com você. Porque para eles, você é da mesma natureza que o Deus e a Deusa, para ser servido, e eles, são seus servos. Não importa o que te aconteça, não importa o que você se torne, Eles sempre esperarão por você. Eles conhecem você; Eles servem você; eles amam vocês. O amor deles por você, neste mundo sempre em mutação, não muda. O amor deles, amado, não muda. Poema de Lady Olwen BUCKLAND, Raymond. “O Livro Completo da Bruxaria do Buckland’. Ed. Gaia, pg.83.

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QUADRO: ECO E NARCISO JOHN WATERHOUSE (1903)

Embora nós sejamos como todas as pessoas, nem todas tendem a ser como nós. A vida Sacerdotal é muita complexa, envolvente e para poucos. Não pretendo falar da iniciação em si, mas sobre momentos em meus percursos na Tradição Gardneriana, onde a sabedoria e o amor são exatamente o final de toda a jornada. Portanto muitos não entendem o sacerdócio e suas responsabilidades diante do caminho, porque vivem cegos perante o mundo, egocêntricos demais para enxergar no outro a plenitude do verdadeiro amor. A Wica é a arte dos sábios, não queremos ser melhores e maiores que a humanidade, mas temos que ser por excelência melhores em nós mesmos e para aqueles que amamos. O treinamento de uma Alta Sacerdotisa inclui exatamente o desapego e a entrega absoluta ao mistério da vida. Não há negociações nesta jornada. Então, muitas pessoas perguntam: ‘o que existe neste caminho?’ E eu respondo: ‘Amor e Morte’. Quando fiz um texto sobre o amor, muitos responderam-me falando como era bonito a vida sacerdotal, contudo, quan-

tas destas pessoas tiveram a verdadeira coragem de se entregar para aquilo que consideravam ser belo e virtuoso?! Como todos sabem, a Alta sacerdotisa não nasce completa e formada, desenvolvemos o despertar em nosso interior, daquilo que os nossos chamam de poder pessoal, entretanto, sob um foco específico no ofício dos Wica, ou, em nossa corrente negra, ou, a corrente da Deusa, onde G. Gardner notifica que: Deve-se entender com clareza que nem todas as mulheres são consideradas representantes da Deusa. Apenas aquelas que são reconhecidamente jovens, adoráveis, carinhosas, generosas, maternais e afáveis. Enfim, as que possuem todas essas qualidades, que podem ser resumidas em uma única palavra: “doçura”. Elas devem ser ideais para o homem; de forma que sejam merecedoras de receber o espírito da Deusa quando invocado. E, ele continua: ... Ela deve ser firme, fiel e calma, caso contrário ela não estará apta para receber a Deusa. Se ela for mal-humorada,

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‘O Significado da Bruxaria’ - Gerald Gardner, p.127

Então temos a certeza que para sermos o exemplo para os nossos iniciados e dedicados temos que nos comprometer a sermos tudo isso. Em outras palavras: virtuosos. Quantas vezes nos deparamos com situações que testam o nosso comprometimento. Quantas vezes acordamos de madrugada com um telefonema de um membro do nosso grupo com alguma dificuldade, e temos de saber conduzí-lo. Quantas vezes estamos abertos a auxiliar, a ouvir, a rir, a chorar, a chamar a atenção daqueles que pelo convívio aprendemos a amar. Quantas vezes, muitos vão embora sem ao menos agradecer pela atenção recebida, não um, mas, dezenas de vezes, às vezes por anos à fio.

QUADRO: JACOBS LADDER WILLIAM BLAKE

egoísta e mesquinha, certamente nunca receberá essa bênção divina. A Nossa Senhora da Bruxaria tem um elevado ideal adiante; ela deve ser entusiasmada e gentil e ser sempre a mesma pessoa. De qualquer forma, elas sempre receberão a honra e o respeito que as bruxas dedicam a todas as mulheres, mas para receber as mais elevadas honrarias, ela deve ser merecedora.

sermos mágicos de circo, tirando coelhos da cartola em nossos Sabás. Não estamos aqui brincando de faz-de-conta, tão pouco de RPG. Nosso tempo é precioso, um prêmio por nossas antigas promessas, pois acreditamos que reencarnamos perto das pessoas que amamos, para continuarmos um trabalho que não é apenas sagrado, mas, Divino.

A vida de uma Alta Sacerdotisa ainda representa aquilo que é mais sublime e mais sutil: a ligação entre o mundo dos homens e dos Deuses. Ela representa o mistério Vários acreditam que somos apenas feminino, o poder de sedução, a consoramigos, e que temos em comum apenas te do Deus de Chifres, a que desperta o a mesma fé. Mas, não somos desejo no coração do homem. Neste amigos! Somos sacerdotes. não somos momento, não somos casadas, nem E como sacerdotes não nos namoradas de ninguém, somos a parapegamos somente aos valo- amigos! Somos ceira divina. E ainda representamos res humanos, estamos aqui lesacerdotes. a força da magia, o poder místico, a vando aquilo que acreditamos noite, a lua, a soberania. Em nossos ser sagrado, tecendo um caminho que os treinamentos, aprendemos a governar envelhos de clã fiaram. tre os mundos, a sublimar a natureza, a enxergar além da noite, a viver em virtudes, a Não estamos aqui para irmos à festinhas, ser simples, humilde, generosa, a ser plena. boates ou a barzinho da esquina. Não estamos aqui para sermos psicólogos, anaAprendemos a acompanhar os ciclos da listas e ou psiquiatras, muito menos para vida e da morte, a morrer quando é pre-

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QUADRO: A DAMA DE SHALOTT JOHN WATERHOUSE (1888)

ciso, a gerar quando é necessário e a amar eternamente. Somos aquilo que os nossos ancestrais acreditavam. Somos responsáveis pelas colheitas, pelas marés, pela magia. Somos aquelas que mantêm viva a Arte. A profundidade do treinamento de uma Alta Sacerdotisa inclui a firmeza de caráter e a serenidade impassível, a força da palavra, a certeza da decisão, a fidelidade a Arte. Somos aquelas que transmitem a tradição rigorosamente em nossos sabás e esbás, que permite a continuidade de nossa história. Somos aquelas que se preocupam com a evolução espiritual do outro, e que faz o que for preciso para que a Arte sobreviva. Estamos aqui para aprender e para evoluir, de sermos dignas do poder emprestado de nossa divindade.

Altas Sacerdotisas Gardnerianas que fizeram e ainda fazem a nossa história reviver: Lady Olwen – Última das Sacertoditas de Gardner, herdeira do museu, Rainha Bruxa responsável pela iniciação de grande parte dos gardnerianos da atualidade, inclusive da linhagem de nossos covens. Mulher com grande firmeza, acreditava firmemente que seu poder era emprestado pelos deuses e o usou de forma íntegra e responsável durante a sua vida. Anne Tyler – Alta Sacertotisa responsável pela iniciação de meu Alto Sacerdote, Mário Martinez, e segundo suas palavras era uma pessoa muito especial, muito firme e muito sábia. Lady Cibele - Alta Sacerdotisa do Coven do Caldeirão de Cerridween e Rainha Bruxa responsável por ceder todo o seu amor incondicional e pelos belos momentos de pura sabedoria para a minha formação. E de outras linhagens: Patricia Crowther, Louis Bourne, Doreen Valiente, Rae Bone, Dafo e entre todas as outras que contribuiram e contribuem com seus exemplos.

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a deusa, o deus e a iniciação por Mario Martinez A humanidade é muito esquecida. Ainda mais, quando lhe é oferecido algum conforto em detrimento do que é penoso. O termo iniciação, atualmente, tornou-se perturbador, uma vez que perdeu todo o seu significado verdadeiro, para assumir uma feição grotesca e populista. Perdeu-se, portanto, a chave ancestral, o caminho necessário para promover o que é preciso, ou seja, a transformação radical do eu interior, sua morte e renascimento. Os modernos buscadores estão muito satisfeitos em deitarem-se num berço confortável, no qual não existe a premissa do sacrifício. Ao observarmos o mundo que nos cerca, e a tão proclamada Natureza metamorfoseada numa Deusa florida e benevolente, podemos ver, desde que estejamos engajados num verdadeiro processo iniciático, que iniciação baseia-se na real destruição e aniquilação daquilo que é superficial em

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nós mesmos, na morte do ego como elemento filtrador da percepção, da própria vida e morte. Esse é um dos sagrados e secretos significados da Roda do Ano, atualmente totalmente incompreendida pelos neo-pagãos. Vida e morte pressupõem crescimento e declínio, expansão e recolhimento, e nosso renascimento precisa se sobrepor a tudo o que acreditamos ser importante na nossa vida leiga: educação, família, vida social e religiosa, tudo que termina por criar uma máscara, ou melhor, um casulo que nos fecha da realidade, construindo um modo de ser padronizado e robótico. Atualmente, a Deusa tornou-se esse casulo, quando ao contrário, deveria ser a coadjuvante no processo de destruição das ilusões e das trevas. Talvez isso deveu-se principalmente à mentalidade puritana dos anos 50/60, quando a Wicca surgiu no cenário mundial, e que teima em continuar oprimindo inconscientemente o pensamento ocidental.


REPSETTAÇÃO DE INICAÇÃO NA VILA DE MISTÉRIOS DE POMPÉIA AFRESCO DE POMPÉIA

A Deusa tinha tudo para representar o desejo humano de equilíbrio com a Natureza, embora dissociada do Deus de Chifres essa visão seja completamente irreal. O Deus de Chifres foi sendo paulatinamente descartado pelo puritanismo, culminando hoje em dia na figura de um ser assexuado e até mesmo andrógino, mas totalmente inoperante quando sabemos que é ele quem opera a transformação radical dentro da sua natureza selvagem (e da nossa). O equilíbrio buscado acabou sendo perdido e hoje assistimos a uma Wicca banalizada por crianças e adultos pudicos e castos à moda cristã. Trata-se do resultado da entrada de centenas de pessoas no paganismo e na Wicca, completamente despreparadas, incentivadas pela leitura de autores populares e sedentos de lucros materiais. Entretanto, é o Deus de Chifres o responsável pelo renascimento, pela ressurreição do espírito e sem ele o que teremos não passará de uma prática vazia e sem sentido.

Tornou-se inacreditável que os manuais modernos de Wicca, mais parecendo com livretos de auto-ajuda, declarem que basta a leitura dessa literatura medíocre para encontrar-se a verdadeira sabedoria e tornar-se um iniciado. Isso levou alguns autores e acadêmicos, como Ronald Huttos, a crerem que esse raso e puritano paganismo fosse mesmo uma invenção de românticos modernos. Mas aonde está a sabedoria ancestral, aonde se oculta a chave que permite a entrada nos portais que foram abertos para nossos ancestrais? Nessa Wicca moderna e teatral, repetitiva e veiculada por Cunningham, Farrar, Buckland e outros? Dificilmente. Mesmo porque nenhuma iniciação poderá jamais ser minimizada até um extrato comercial e racional padronizado. Os wiccans modernos, ao transgredirem as normas e preceitos interiores, lograram perder o contato com as verdadeiras raízes tradicionais. Aliás, eles mesmos se denominam de ‘primos pobres’, e com

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PINTOR: WILLIAM BLAKE *não foi descoberto o nome do quadro e o ano de publicação”

está condicionada pelo moralismo judaico-cristã o, e isso é um problema sem volta. Num contexto em que a própria nudez é descartada por tal massificação, soterrada e condicionada, oculta na psique e no espírito, percebemos que nenhuma transformação real poderá se processar entre o vulgo. Até porque é no sexo e na morte que a nudez se mostra como elemento de transformação da consciência.

toda razão. A sabedoria ancestral está em se operar uma verdadeira transformação radical interior. E para isso, o mundo exterior com seus apelos não é o caminho. Transformação exige o que próprio nome diz - mudanças; mudança radical no modo de vida, mudança total nas nossas relações com o mundo, um rompimento definitivo com o ego. E é exatamente isso que não vemos em nenhum dos líderes modernos da neo-Wicca, deturpada em todos os seus fundamentos.

Eu tenho medo do termo empregado atualmente pelos neo-pagãos, ao definirem tudo isso como uma espécie de panteísmo. Isso não é bruxaria, e muito menos Wicca. Tal panteísmo moderno, saboreado e consumido pela classe média e empurrado garganta abaixo dessa gente pelos livrecos de auto-ajuda pseudo wiccans - temos hoje em dia até a Wicca Reiki - é desalentador para nós iniciados. Isso não traz nenhuma contribuição consistente para o cenário pagão atual. Ao contrário, afasta as pessoas diametralmente do objetivo iniciático, que é promover uma metamorfose profunda em nosso interior. Gostaria de saber onde está o necessário renascimento, veículo de um crescimento espiritual? Renascimento não pode acontecer ou existir dentro desse casulo engessado e inventado pela Wicca New Age pública e superficial.

Quando tocamos em determinaO que a Wicca ensinava - e aindos assuntos, mesmo pelas bordas, o mundo da ensina - nos meios iniciáticos uma vez que não podemos trair nosexterior com tradicionais, é o que podemos so compromisso iniciático e nossos chamar de “via da mão esquerda”, seus apelos não juramentos, verificamos uma comque começou a ser destruída tão pleta falta de conhecimento a reslogo o próprio Deus de Chifres é o caminho peito dos fundamentos da religião e foi descartado como imoral, seldos mistérios. Então, para dar uma vagem e arcaico, em detrimento de um cocara de algo consistente, percebemos que lorido culto ecológico e de fácil aquisição essa Wicca new age se mascara sob uma pela massa. Entretanto, na minha visão de capa de coisa antiga, de uma Antiga Relitudo isso, foi até bom que isso acontecesgião revivida nas praças públicas, sempre se. Mesmo porque essa massa de interesna total contra-mão do que seja qualquer sados não poderia nunca aceitar os preprocesso de despertar espiritual. Aonde se ceitos verdadeiros da Arte, uma vez que encontra a profundidade necessária para

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promover o despertar espiritual, a saída das trevas para a luz? O agente dessa transformação interior, sempre foi e sempre será o Deus de Chifres. Devido ao pudor moderno, o Cornífero e seus fundamentos não conseguiram preservar a chave sagrada iniciática. Ele é perturbador em essência porque nos joga sem piedade de encontro à nossa natureza primitiva e animal. Mas sem ele, não existe nenhuma iniciação, não existe transformação alguma. Desse modo, Wicca tornou-se um passatempo de ociosos, uma fuga do tédio cotidiano, uma brincadeira infantil. Ninguém mais sabe o que é realmente o Sabá, e quando se lê alguma coisa nos registros da Inquisição, se descartam tanto a excitação sexual quanto a liberação da mesma para promover uma libertação anterior como abominações geradas pela ignorância. Acredito mesmo ser quase impossível reverter tal situação, calcada no moderno hedonismo consumista que embotou a inteligência de modo irreversível.

QUADRO: A HAMADRYAD JUOHN WATERHOUSE (1895)

Uma reflexão urgente se impõe. Falta humildade na aceitação de que qualquer tipo de movimento de massa não é religioso. E isso pode ser provado pelo fracasso das religiões de massa ortodoxas. Querer transformar a Wicca num espelho de tais religiões, é levá-la ao fracasso e ao mesmo poço.

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o sacrifício por Baco Liber Palavras possuem significados diversos. Elas nos atraem por suas colocações, expressões e significados. Despertam questões que muitas vezes se mantém vivas, contudo, adormecidas em nosso entendimento mais profundo, em nossas sabedorias ancestrais. Destes, nossos antigos já sabiam, que uma grande soma das forças mágicas lançadas em feitiços, sempre foi oriunda da expressão vocalizada, ou dos chamados encantamentos.

entendimento dos povos caçadores-coletores diante do mundo era respondido pela crença no mito, e, diante disto, as divindades possuíam para os mesmos o lugar primário em status e significância. Oferecer aos mesmos era agradecer por suas dádivas em reciprocidade. Culturalmente, e, sob um contexto pré-cristão, a afirmação das adorações era acometida pelo uso integral do sacrifício, ou do ‘sacro-ofício’. Aludindo através deste o presenteio pelo presenteio, como em um aniversário, conduzido como uma troca, que em suma pode ser observada sob todas as trocas que nos cerca, este era o verdadeiro sentido desta palavra, elucidando o límpido ato de oferta. Doação é seu o significado, e para entender o mesmo, deve-se entender o verdadeiro desejo do querer, que só existe quando é permeado pelo Amor. Sob o Amor, o mesmo se torna sagrado em sua essência, pois diferente disto, o propósito não alcança o ato, e, o seu significado se perde. Doação é troca, presenteio. Na comida se doa e se troca; ao respirar se troca, ao ir em direção ao desejado existe a doação; no sexo; no trabalho; nas escolhas, ou, em tudo, tudo existe o Sacrifício. Escolhas são feitas a todo instante, e, sob as mesmas, algo é sacrificado. Quando decidimos por algo, outro se perde. Não diferente do citado acima, trocar o tempo que se tem para algo, por outro, é exemplo desta ceifa, outra mostra de um sacrifício.

Como meus antigos mestres me diziam: ‘palavras tem poder, e, sua vontade é quem lhes dá este poder, que lhes confere sentido e significado’. Esta carga impregna o feito mágico oral, cria neste um veículo em potencial para a efetivação deste feito mágico. Não diferente, um significado deturpado pode impregnar o sentido de seu uso. ‘Sacrifício’, quando ouvido, nos remonta O Medo mora na ignorância e no a um instante solene, o da manidesconhecido. Quando não conhecepulação do verdadeiro significado Doação é seu mos algo não o controlamos, não o desta palavra, para a política de uma nova religião que necessitava o significado possuímos pela visão torpe de nosso ego, e, logo, o evitamos e tememos. de difusão em sua empreitada sob Existem mistérios maiores dos quais terras frescas. não podemos dominá-los em sua essênNa antiguidade pagã a doação verdadeicia, mas, apenas aceita-los. Os Mistérios ra, em espontaneidade pura, se igualava Sombrios, como os ligados à Morte, nos ao maior ato de amor para com algo. O confrontam em contraponto àquilo que

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QUADRO: NINFAS ENCONTRAM A CABEÇA DE ORFEU JUOHN WATERHOUSE (1905)

conhecemos neste plano material, a Vida. O sentido maior no sacrifício, quando acometido pelo temor da morte de algo, é esta troca, ou, a permissividade da morte pela vida, antônimos que se complementam, como a dualidade das grandes divindades na Arte.

Deus cristão tem chifres e pés bifurcados: é o antigo deus celta. A bruxaria da França medieval, e até o século XVII, apresenta, portanto duas formas distintas: a vontade deliberada do sacrilégio para com a religião nova e oficial e a permanência desesperada da religião antiga e “derrotada”. Ora, a mesma confusão não existe na Inglaterra, pelo menos semanticamente: sorcerer e sorcery estão ligados a mesma origem latina e significam o sacrilégio voluntário, as missas negras e as trevas do cristianismo. ‘O Deus Chifrudo Ressurge na Inglaterra’ - George Langelaan Fonte: Revista PLANETA – Junho 1973, n°10.

Lembremo-nos, em exemplo de contracensos, que no chamado ‘Êxodo’, descrito no início de antigos testamentos cristãos, existia a evidência do desejo de um deus que ordenava a imolação de cordeiros, e a sequente pintura com o sangue do mesmo nas portas de todo aquele que quisesse manter vivos os primogênitos de famílias escravas no Antigo Egito. Morais hipócritas?! Ou senso político?!

O Sacrifício tomou proporções diversificadas pelo desenvolvimento da humanidade e do conceito de civilização no ocidente, permeando-se em aspectos que Teses observadas pelas pesdecorreram pautados sob a conduta de quisas das ciências humanas, sacrifício um mundo cristianizado, donde, bem e em principal as da antropoloreligioso gia, descrevem substituições mal, vigoravam como pontos religiosos de uma visão única de mundo. Bem animal em do objeto sacrificial à partir da e mal ritmando pecados e beneficies, da humanidade, onde, culturas evolução manipulando pensamentos e ações o humano, como objeto primápara o alcance de uma liberdade irreal. ancestrais rio em culturas tribais antigas, Aqui, firmou-se o pensamento: “O que como a Asteca, a Celta e a Grenão é do nosso pensamento, é infame e ga, foi lentamente substituído por animais, herege e, deve ser condenado”. Neste moà medida em que a própria pecuária se mento antigos deuses se tornaram novos desenvolvia. A figura do sacrifício religiodemônios, e, o pensamento vigente maniso animal em culturas ancestrais como as pulado pela eclesiástica cristã tencionou o africanas focalizam com primazia esta pasato do Sacrifício como assassinato. sagem, enquanto, as religiões mais novas introduziram em seus ritos a presença de Na Idade Média, os feiticeiros eram simulacros como o pão e o vinho para coradoradores do Diabo. Mas não se tratava responderem à dádiva sacrificial do sangue aí, do Satã das Escrituras, do Lúcifer exe da carne. pulso do paraíso. O inimigo medieval do

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Ritos e afins eram realizados em uma antiga sociedade, firmada por sua herança cultural, sob a orientação da troca com o divino para obter a abundância em sua subsistência. Os Celtas realizavam nos períodos da primeira colheita ou em Lammas, o ritual do conhecido atualmente por ‘o Homem de palha’, como oferta e oferenda às Divindades da Terra e do Céu. Culturas e religiões mais primitivas produziram um desenvolvimento em relação à oferta, ou ao sacrifício, lançando à frente os animais, em lugar dos sacrifícios humanos, assim por sua vez, as religiões de cunho moderno, suprimiram a oferta animal, pela oferenda vegetal, substituindo, sangue e carne, por sangria e massa vegetal. ‘Notas sobre Lammas’– Baco Liber

Para os Wica o Sacrifício interpreta o Mito Maior do Senhor sacrificado na colheita, representado posteriormente pelo chamado Bode Expiatório, visto na antiga bruxaria como o Crânio animal posto na Estaca em dada fase de nossa Roda Anual. Como há algum tempo já havia postado: Com exceção do uso do Crânio humano como forma de ‘retorno’ e contato com os antigos de nosso Clã, assim como a clara demonstração deste como sendo um veículo para alguns de nossos Mistérios, não podemos nos esquecer do uso de alguns Crânios animais que são largamente utilizados em nosso ofício. Uma herança que pensamos ter sido possivelmente adquirida pela Wica Gardneriana através das práticas e influências nórdicas e escandinavas. Onde alguns destes eram postos em estacas como meio de amaldiçoar pessoas e propriedades, assim, como para neutralizar energias negativas e sortilégios direcionados aos mesmos. ‘Notas sobre Lammas’ – Baco Liber

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O Sacrifício realizado pelo Senhor de Chifres na teologia Wicana é observado em diversos rituais, é assim representado por objetos específicos nos cultos, como Martinez bem exemplifica: Nos ritos de 2º grau é essa a posição adotada pelo Deus em seu aspecto de Senhor do Submundo e o crânio com os ossos cruzados estarão sobre o altar. Talvez esse costume de usar o crânio como representação divina nos tenha sido legado desde a Época Paleolítica. Durante esse período da História, nossos antepassados costumavam pintar ossos com ocre vermelho. Muitos crânios foram descobertos com pigmentos dessa cor. Seguidores dos caminhos tradicionais saberão que nesses casos, os caminhos misteriosos se confundiam, e Mistérios da Transformação e Mistérios do Sangue caminhavam juntos. E ele consolida: Ossos pintados de ocre vermelho estão magicamente relacionados com a ressurreição, com o sangue e com a vida. Na Wica tais simbolismos se sobrepõem aos da imutabilidade, da rigidez e da solidez. É interessante como o crânio pode assumir significados aparentemente antagônicos, dependendo da natureza dos mistérios. Assim, temos a fluidez, a vida e o renascimento por um lado, e por outro lado temos a estagnação, a morte e a imutabilidade.


Logo sabemos que o Sacrifício do Velho Em uma nota final, decidi introduzir aqui Cornudo, está relacionado aos Mistérios um texto meu sobre um instrumento que da Transformação, e logo, aos próprios sempre me traz grandes reflexões sobre Mistérios Agrícolas, com a germinação da este tema, e, me fazendo recordar sobre semente e a posterior reencaras diversas estórias dos Wica, nação. Os Mistérios do Sangue o Sacrifício do onde, diante das perseguições assim como os Sexuais também entregamo-nos ao sacrifício não Velho Cornudo partilham desta senda, onde não só da fala para não delatarmos se pode haver nem vida e nem recompanheiro de clã em perigo torno sem que se passe por ambos. Aqui mortal, mas, de nós mesmos, lançandomantenho uma rápida notificação do tema -nos na pira ardente para manter viva noscom um pequeno texto de Martinez que sa crença na Arte dos Sábios. Diante desdescreve a transformação vivenciada e retas memórias e meditações recobro-me presentada pelo Chifrudo como Deus Cedeste instrumento peculiar, o Açoite. E, a real Sacrificado: partir deste interiorizo sua imagem como o absoluto sacrifício, o sacrifício por aquilo Esses Mistérios na bruxaria compreenque amamos. E assim consolido: dem os antigos cultos aos mortos, com os respectivos ritos do crânio; os ritos do Ele concretiza em nós o que não podecaldeirão; os antigos Mistérios Agrícolas liria ser afirmado como uma moral convengados aos ritos da fermentação, também cional, por que em todo rito ao receberligados ao culto da Morte. mos a flagelação, nos ajoelhando perante o altar, às deidades e aos nossos compaOs Mistérios da Transformação estão nheiros de congregação, estamos sendo, associados ao mundo subterrâneo, aos além de apenas purificados, nós mesmos! mitos da germinação e da posterior pasDeste modo, o açoite está além das consagem da alma para o reino da morte. venções humanas, e seu ofício nos conecOs Mistérios Agrícolas marcam o ciclo sata à face de nossas próprias sombras, do grado da Roda do Ano e estão ligados de qual nós irremediavelmente sempre tenperto aos Mistérios do Sangue e do Sexo. tamos escapar. Logo ele nos permite, desSua origem é incerta, mas, podemos intuir ta forma, assumimos por completo nossa que surgiram junto com o aparecimento verdadeira personalidade mágica, com o da agricultura. A representação mais conosso ‘eu’ mundano morrendo simbolicamum do Mistério é a do Deus Cereal samente sob a repetitiva flagelação do Açoicrificado, que é transformado em pão e te da Morte. Pode-se assim haver neste comido no Sabá. Esse rito foi usurpado tipo de comparação, alguma espécie de pelo cristianismo posteriormente, mas to“sacrifício” (de nosso ego, ou das preotalmente deturpado em sua essência. cupações de nossa mente consciente), ou a entrega daquilo que pode com certeza Os ritos dos Mistérios da Transformaacarretar dor. Se assim o for, este semção nos conscientizam do eterno ciclo de pre servirá para nos mostrar o verdadeiro vida, morte e renascimento, e o sacrifício aprendizado nas Tradições Misteriosas, do deus cereal é uma troca na qual o que em que a vida na qual fazemos parte, existe de melhor é devolvido ao útero da não é apenas uma flor bela e cheirosa, e, Mãe, o que proporcionará um retorno se a olharmos mais abaixo veremos que das qualidades oferecidas para benefício ao pega-la estamos em consequência nos da comunidade. espetando em seus longos espinhos. ‘Mistérios da Transformação’ - M. Martinez

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O Festival de Lugh, o Deus do Fogo, também conhecido como Lughnasadh, ou Lammas, período da primeira colheita do ano para os povos pagãos. Como tantas outras datas importantes para os pagãos que foram cristianizados, esse período é conhecido como a benção de novos frutos ou a multiplicação dos Pães na religião cristã. Na Wica, lammas é o momento da partilha dos frutos que foram outrora “plantados”, é um dos Sabás cuja simbologia é universalmente infinita, mostra de forma subliminar os ciclos da vida e da morte e a importância do sacrifício. Este festival está intimamente ligado ao culto do Deus de Chifres como senhor da Morte, como estágio temporário de recolhimento e de mudanças.

lammas por Lorenna Escobar

Ele resume em si mesmo a união que deve ser mantida entre a humanidade e a Natureza. Ele é o próprio símbolo da esperança: afirma que a sabedoria do homem pode se aliar às forças instintivas e emocionais da Natureza.

Este rito está ligado aos mistérios agrícolas, representado no ciclo da Roda do Ano como um momento em que começamos a perceber e a “colher” os frutos de tudo o que foi “plantado”, reconhecemos as “ervas daninhas”, o início e preparação para a introspecção e o desenvolvimento.

Os Celtas durante o período da primeira colheita ofereciam um “Homem de palha” que era disposto como oferenda e onde se Willian Anderson ateava fogo como representação do sacrifício para que as “colheitas” desse período Um feriado para celebrar o início fossem boas, fazendo um alelo ao da colheita, o primeiro pão feito de transformação da morte sacrifício poder com o trigo novo. Para dar graças e do Fogo. Comunidades primárias pelo que foi dado e antecipar a para que as exigiam sacrifícios de vidas humaabundância ainda por vir. Um alívio nas, corrompendo, talvez, todo o a partir do trabalho duro. Os dias “colheitas” significado do ritual, o que ocorre são longos e cada hora de Luz é fossem boas geralmente por tentativas racionais preciosa. O campo seria ocupado da compreensão dos mitos. E endo alvorecer ao crepúsculo, ceifar tão cada sociedade fazia a composição de o feno, debulhar o trigo, decepar a cana, seus ritos, elaborando variações de cada colher o milho, afagar a terra e se lambuépoca. zar de mel. Os Wicas ainda guardam essa grande festa em meio as suas tradições. A origem desse festival é incerta, nossos

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antepassados acreditavam que podiam libertar a essência da força vital do Deus, comumente conhecido como a morte do Rei Sagrado ou Rei Sacrificado, e libertavam o sagrado espírito interior e através da distribuição de sua carne e de seu sangue, uniam-se a terra e o paraíso, renovando todo o Reino. É evidente que muito desses mistérios são reservados aos Altos Sacerdotes, o Clero da religião Wicana, contudo posso dizer que grande parte dos Mistérios da Transformação, do Sangue e do Sexo estão intrinsecamente ligados. Esses mistérios estão associados ao que chamamos de submundo, aos antigos mitos agrícolas da germinação, a passagem da alma para o reino da morte. Os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado.

THE BURNING MAN FESTIVAL HTTP://WWW.LIMBOZONE.COM/FESTIVALS/BURNING-MAN-FESTIVAL/

Lévi-Strauss

A representação mais comum no paganismo é a do Deus Cereal sacrificado, que é transformado em pão e comido no Sabá de Lammas. Muitas comunidades ancestrais acreditavam que o touro, símbolo de força e fertilidade (O Deus), sacrificado em forma de ritual, podia estabelecer uma relação com os Deuses, contudo pode-se observar que os grandes animais eram preferenciais para esse tipo de cerimônia, mas também o bode, o cervo e o carneiro fazem um alelo às práticas mais tradicionais que envolvem o ato do sacrifício, e todos estes possuem intrínsecas ligações com o Deus de Chifres. O sacrifício do Deus, por vias dos mistérios da Arte, está submetido à morte e ressurreição, a Deusa garante seu renascimento, pois ela é a Mãe universal. Algumas vezes essa união é mencionada no mito de Lugh como casamento sacrificial. Em meio as espigas e a cevada Eu nunca vou esquecer aquela noite feliz Soube que o seu coração era todo meu Amei-a verdadeiramente Beijei-a e beijei-a de novo Entre os cumes de cevada Brincando sobre Esse estreito E fazendo lã Para mim Foi na noite da primeira colheita Quando as espigas de milho estavam bonitas Sob a luz serena da lua, num céu sem nuvens Tive um momento com Annie O tempo voou, com descuidada atenção Até que, entre a escuridão e a madrugada Com persuasão pequena ela concordou Para ver-me através da cevada. Robert Burns

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instrumentos do ofício A FACA DE CABO NEGRO De punhal a Athame

por Artemis Absinto e Calliope Berkanna Um Athame é um instrumento BTW específico para a Iniciação. Ele é consagrado e o poder é passado para ele no ato da Iniciação. De outra forma, ele é uma faca comum. M. Martinez

Os Instrumentos do Ofício são objetos de poder utilizados durante os rituais e manuseados pelos Iniciados, dotados de simbolismos que auxiliam nos trabalhos mágicos realizados dentro do Círculo. Todos os Instrumentos devem ser reais, no caso do Athame e da Espada, devem ser armas de verdade. Tais lâminas devem ser

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forjadas em ferro ou aço e possuir corte e fio duplo, pois são armas de defesa e ataque. Depois de consagradas essas armas tornam apropriadas para operar a magia, capazes de afetar outros planos de realidade. Ao se utilizar quaisquer Instrumentos para o Ofício deve-se ter em mente o valor da sua importância e o poder que os mesmos contêm. Quando devidamente consagrados, tais Instrumentos adquirem uma magnitude de poder e, quando manuseados corretamente por um membro do Coven introduzido nos Mistérios, conduzem tal poder e auxiliam nos trabalhos mágicos. O cuidado e o manuseio dos Instrumentos são muito importantes, e o uso consciente dos Instrumentos cortantes é um ponto que merece uma análise ainda mais


profunda. Para estar dentro de um Círculo Mágico é necessário ser responsável o suficiente para portar uma arma afiada, caso contrário, a pessoa poderá estar no lugar errado e acabar gerando algum ferimento em um dos integrantes do Círculo. Em um Rito é preciso ter toda atenção, concentração e alerta, e muito treinamento e dedicação são exigidos para atingir este grau necessário. Todo o cuidado deve ser tomado para não ferir alguém. A faca de cabo negro da Arte é o Athame, um instrumento religioso do Ofício Wicano utilizada durante os rituais para consagração, invocação e banimento. Possui duplo gume e é uma arma mágica poderosa capaz de atuar sobre energias dos planos superiores.

Com o Athame nas mãos somos levados a lembrar do caminho que escolhemos percorrer e do qual não desviamos, apesar das dificuldades. É a arma mágica da Bruxa, usada para lançar o círculo e subjugar e controlar os Elementos. Há três ferramentas de trabalho que são essenciais e nada pode ser feito sem elas; ou seja, algo para cortar e apunhalar, algo com que bater e algo para amarrar. ‘A Bruxaria Hoje’ - Gerald Gardner, p. 111

ele é o separador entre as trevas

A faca de cabo preto que é a arma tradicional das bruxas chama-se Athame. Ela é usada para lançar e atrair o círculo mágico e para controlar e banir espíritos. ‘Enciclopédia da Bruxaria’ - Doreen Valiente

O Athame tem o poder da discriminação, de delimitação, da ação calculada, de traçar linhas, fazer escolhas e executá-las rapidamente. Através de seu uso podemos sentir o poder da nossa inteligência, sabedoria e coragem moral. Concede força para agir segundo o que cremos ser correto, mostra o poder de nossa mente para influenciar e também a da responsabilidade para não usar tal poder de forma leviana.

Está relacionado ao quadrante Leste, o portal por onde a luz do Sol nascente entra no mundo todas as manhãs, o Quarto em que todos os trabalhos começam, a Primavera que traz consigo a luz que não se via no Inverno. De acordo com Gilberto Lascariz “ele é o separador entre as trevas do Inverno abaixo do círculo, no quadrante Terra, e a luz do elemento Ar acima, que ele anuncia diante de si cortando os dois mundos como o pensamento recorta, na substância inerte das sensações, os conceitos e ideias com que ilumina o mundo.” A Espada e o Athame são muito semelhantes, não apenas em suas relações, mas em seus usos e poderes. Tanto que alguns ocultistas costumam se referir ao Athame como a “Espada da Razão”. Talvez essa relação tenha surgido na Idade Média, quando nem todos poderiam possuir uma espada, comum apenas entre o Clero ou a Nobreza. Para não levantar suspeitas, um camponês podia ter um Instrumento mágico que se mesclasse aos utensílios domésticos, como um punhal. O metal característico para a sua confecção é o ferro, mas atualmente são forjados em aço inox ou carbono. O ferro possui o magnetismo como propriedade, assim é visto como um ótimo acumulador de

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energias vitais. Esse metal era considerado um presente dos Deuses, pois “caía do céu” através dos meteoros. Dessa forma é tido como um elemento de ligação entre os Planos, entre o mundo dos homens e o reino dos Deuses. Ao utilizar instrumentos de ferro, a Bruxa realiza essa ligação entre os Planos, abrindo um portal de comunicação. Por isso é possível traçar um Círculo com o Athame. Podemos refletir melhor sobre isso através das palavras do Alto Sacerdote Mario Martinez: Lançar um Círculo é recriar a ordem no caos, encontrando o ponto central onde se cruzam todas as direções. É por isso que um Círculo lançado está ‘entre mundos’, já que é lançado em volta do ‘eixo do mundo’ e assim se conecta com os Reinos inferiores e superiores. Não apenas as lâminas dos Instrumentos são forjadas em ferro, mas outros instrumentos também são feitos com esse metal devido às suas propriedades impressionantes. No caso do Athame, o ferro é utilizado por ter a capacidade de afetar os planos mais sutis de alguma forma. O formato da lâmina direciona não apenas o fluxo eletromagnético, mas o fluxo do pensamento do Iniciado. Se observarmos essas relações, compreendemos que é necessária uma grande habilidade para manejar esta arma e principalmente inteligência para usá-la sabiamente, com responsabilidade e precisão. É preciso estudar e praticar muito para estabelecer o espaço sagrado no qual os Deuses serão recebidos. Sendo o Athame um Instrumento específico da Tradição (pois há relatos de facas de cabo preto em outras tradições de bruxaria, mas apenas na BTW ela é chamada Athame), apenas um Iniciado em um rito tradicional, por um HP ou uma HPS investidos, o possui, fora isso sua

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faca de cabo preto será apenas um punhal.

QUADRO: VULCAON FORJANDO OS RAIOS DE JÚPITER RUBENS

Mesmo possuindo uma lâmina com corte, não se usa o Athame para cortar ou talhar. Como instrumento de projeção de atração da vontade, tem como função específica apenas cortar “energia”. Talhar e cortar são funções da Faca de Cabo Branco. Com ela moldamos e criamos os outros Instrumentos. O cabo do Athame deve ser feito de material natural, como madeira, chifre, osso ou marfim. Como deve ser preto, acredito que osso e marfim não sejam realmente apropriados, a não ser que estejam escurecidos de alguma forma. Em hipótese alguma ser feito de material sintético ou de cor diferente. A lâmina também não deve ser feita de outro metal ou material não cortante. Em lojas esotéricas é possível encontrar punhais feitos dos mais diversos materiais, a maioria sem corte e feito de material “não perigoso”. Fazer uso de tais punhais é perigoso por diversos motivos, pois leva o portador a ser descuidado e displicente, não apenas por manter o pensamento de que seu punhal não é capaz de ferir, ocasionando um certo desleixo no seu manuseio, mas pela falta de respeito com seu Instrumento do Ofício, com a Magia. Se não tem respeito o suficiente pelo que um Athame é e representa a ponto de usar uma réplica barata, como ter respeito por essa réplica? E como esperar respeito dos outros Planos ao utilizar um punhal que não tem efeito nos planos sutis? Torna-se arriscado fazer invocações e outras atividades mágicas com um punhal de brinquedo, pois os seres que habitam os planos sutis podem te tratar como uma “Bruxa” de brincadeira e começar a brincar também.

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ocultismo hermetismo por Brutus Lobão Old Gardner, no cáp. II do livro O Significado da Bruxaria (The Meaning of The WitchCraft), diz como os Wicas nos séculos passados, em circunstâncias de perseguição, principalmente, viveram contatos muito próximos com magos, cabalistas, astrólogos e praticantes de cerimoniais mágicos (sendo seu primeiro livro, fictício, Com o Auxílio da Alta Magia [High Magic’s Aid] sugestão rica de como esse intercâmbio possa ter ocorrido) conectando todos esses ramos de ciências ocultas à astrologia e à Cabala. E diz: Astrologia foi sempre respeitável; muitos homens de Igreja a praticaram, e a lei nunca os chateou. A idéia fundamental da astrologia é consagrada no famoso preceito de Hermes Trimegistus, da Tábua Smaragdine, ‘O que é abaixo é como o que é acima, e aquilo que é acima é como o que é abaixo, para a execução dos milagres da substância una.’ Gardner acrescenta, no cáp. II de O Significado da Bruxaria: Bruxas são inclinadas a sorrir para magistas eruditos, dizendo que eles nunca poderiam fazer muito sem uma bruxa para ajudá-los... Por que Gardner diz que a Bruxaria é tão essencial, ao ponto de que o magista erudito e armado com os fundamentos anti-

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QUADRO: ANCIÃO DOS DIAS WILLIAM BLAKE


gos de Hermes Trimegistos , e toda sorte de ciências, não pode fazer muito sem uma bruxa? Para entendermos o que um assunto pode ter com relação ao outro, buscamos as definições das duas partes. A Tábua Smaragdine é atribuída à Hermes Trimegistus, significando o Trimegistus que este possui as três partes de toda a sabedoria oculta, e que as três são apenas uma “verdade, sem engano, a certeza mais verdadeira”, a Operação do Sol, que une todas as oposições e constitui o destino, afastando toda a escuridão, sendo a força sobre todas as forças, todas as transmutações e o meio pelo qual foi criado o mundo, que supera todas as sutilezas e penetra toda a solidez. Tendo como pai o sol e mãe a lua, uma semente de fogo viaja nos vapores do ar, como um pássaro flamejante, e é cuidado pela terra. Pela Arte o sutil é separado do denso, e o fogo pode ascender da terra, de forma que desça novamente renovado, e assim tudo possa ser feito e ocultado no milagre da unidade que tem três aspectos: verdade, livre de engano, a certeza mais verdadeira.

hermetismo isso significa que elas concluíram a Grande Obra, e que canalizando os Deuses Antigos separam o sutil do denso e reúne-os novamente para a manifestação de todas as maravilhas. Essa ciência maravilhosa e oculta da unidade não é possível de ser passada aos magos, astrólogos, e estudantes do oculto hermetismo pelos livros e tratados. Toda quantidade de relações e símbolos que decorarado não é nada mais que um discurso incapaz de adivinhar ou executar os Antigos Mistérios do Amor, da Vida e da Morte, que continuam guardados dos profanos, sendo compartilhado apenas com os Iniciados no Círculo Mágico.

Por sua parte, a Wica Tradicional é uma religião pagã de Transcendência e Mistérios, iniciatória e sacerdotal, na qual ao longo de 3 graus da Arte o discípulo presta juramentos secretos e é instruído na Tradição secreta dos Antigos por exPor isso, quando as Wicas Wicas perimentação direta e treinamento disseram para Gardner que um presencial intenso e severo. Tradicionais são mago erudito pouco pode sem uma bruxa, elas provavelmente Que ligação pode haver entre uma Iniciadas nos estavam se referindo aos Antireligião Iniciatória de Mistérios, gos Mistérios que as Wicas viMistérios Wica Tradicional, o culto das bruvem dentro do Círculo Mágico xas, e a filosofia da Tábua Smaralgdine que e que revelam a elas as chaves de todos é tomado como base da astrologia, cabala, os conhecimentos ocultos, mesmo os here artes mágicas cerimoniais, e pela qual as méticos, do qual os magos, e ocultistas Wicas, segundo Gardner, dizem que um não Iniciados no Círculo Mágico, apenas magista culto pouco pode fazer sem uma conhecem como símbolos e fórmulas intebruxa? Wicas Tradicionais são Iniciadas lectuais sem capacidade de operá-los. nos Mistérios e em comparação com o

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Quíron - um ser mitológico meio homem e meio cavalo - o primeiro Boticário e Herborista da Humanidade. Ele, que era o grande detentor de todo o conhecimento sobre as propriedades curativas das Plantas, foi o responsável pela educação do filho de Apolo: Asclépio, o Deus da Medicina e da Cura (chamado também por Esculápio). Desde então, as Plantas e o seu poder curativo têm sido associados às Mitologias, às Lendas e aos Deuses. Segundo Paracelso, um notável Médico, Alquimista, Ocultista e Botânico do início do século XVI: “A Medicina se fundamenta na Natureza, a Natureza é a Medicina, e somente naquela os Homens devem buscá-la. A Natureza é o Mestre do Médico, já que ela é mais antiga que ele, e ela existe dentro e fora do Homem... porque os Mistérios das Divindades na Natureza são infinitos”.

botânica oculta AsPlantaseasInfluênciasPlanetárias

por Simone Abraços Talvez os maiores desafios da Humanidade sempre tenham sido a busca pela compreensão da morte e a cura de doenças e enfermidades do corpo. Desde os tempos mais remotos, o homem tem encontrado na Natureza, o seu sustento, suas vestimentas e tudo o que era necessário para sua sobrevivência e, através de muitas observações e experimentações, ele percebeu que as Plantas eram grandes fontes de cura para os males do corpo e, conseqüentemente, da Alma. Segundo Plínio, um célebre Enciclopedista romano da Antiguidade, foi o Centauro

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Ele ainda afirmava que na sua época, era impossível se dedicar à Medicina sem ter um profundo conhecimento sobre Astrologia e o Cosmos. Assim, através do ponto de vista ocultista, ele dizia que a saúde e as doenças dependiam do equilíbrio e da harmonia do Microcosmo (o Homem) e do Macrocosmo (o Universo). Algo muito interessante, é um ponto de concordância entre vários Médicos da Idade Média que dizia: “Para encontrar a causa de uma doença, a Medicina deveria estar atrelada aos saberes populares, à Alquimia, à Astrologia e à experiência prática”. Os saberes populares são aqueles transmitidos de geração em geração, baseados em crendices e com um conteúdo discutível. Essas pessoas, geralmente mulheres, acreditavam que a Natureza nos dava todos os sinais necessários para encontrarmos as respostas.


Vejam um exemplo dessas velhas crenças: a Sálvia (Salvia officinalis) possui uma folha com formato de língua e com uma textura vilosa-penugenta que muito se assemelha às papilas gustativas. Não coincidentemente, essa erva possui propriedades antiinflamatórias e antissépticas bucais, que combate de forma muito eficaz, as afecções bucais como aftas, gengivites e inflamações na língua. Outro bom exemplo é o Olho de Zeus ou de Júpiter (Sempervivum tectorum). Uma planta de folhas suculentas que possui um formato arredondado com um botão no centro – o que nos faz lembrar de um olho. Não precisamos nem dizer que essa pequena planta possui propriedades curativas para muitos tipos de oftalmias. Vale mencionar que, se o Olho de Zeus for colhido corretamente em uma quinta-feira (dia consagrado a ele, ou seja, ao Planeta Júpiter), as propriedades afrodisíacas da planta seriam ativadas – Zeus, um Deus totalmente suscetível às paixões e aos desejos da carne.

SALVIA http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Salvia_officinalis0.jpg

OLHO DE ZEUS http://en.wikipedia.org/wiki/File:CommonHouseleek.jpg

ta sonhava em conseguir - o sonho de vencer a Morte e alcançar a Imortalidade (ou pelo menos prolongar a vida além dos limites naturais e conhecidos pelo Homem).

Então, seguindo esse raciocínio, se uma planta tivesse uma folha, flor ou fruto com formato de coração, ela conseqüentemente teria propriedades cardiotôniEra necessário ascender aos Sete cas – aquelas que reforçam, re- essa pequena Degraus (Sete Iniciações) para finaltardam e regularizam as funções e planta possui mente completar a Grande Obra e os batimentos cardíacos. Hoje em saborear os Frutos e suas delícias dia, já temos comprovação de que propriedades (“O Jardim das Delícias”, o Jardim a grande maioria desses conhecicurativas Alquímico). Então, no início de sécumentos populares tem fundamenlo XVI, surge a figura de Paracelso, tos e está correta. o maior representante da Medicina Química - que era a união da Alquimia com as A Alquimia Botânica, que podia ser depropriedades terapêuticas das Plantas. senvolvida e aplicada à Medicina, consistia em produzir a “Essência Soberana”, e esta Sempre com o auxílio transmutador deveria ser devidamente empregada na do calor do Sol ou do Fogo, através dos cura das doenças. Processos Alquímicos é possível extrair a “Quintessência” da substância escolhida – Ela era o Ouro, o Elixir do vegetal, a tão o que para nós, é a de origem vegetal que buscada Pedra Filosofal que todo Alquimisimporta.

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A Quintessência, também chamada de Arcano ou Bálsamo, é uma substância fixa, incorruptível, imortal e incorpórea, que modifica, reestrutura, restaura e conserva os corpos. Esse Bálsamo é o Azeite Essencial dos vegetais; não o azeite vulgar, mas algo muito mais sutil – ele é o veículo do Corpo Astral. Respeitados estudiosos da Idade Média, afirmavam que cada Planta possuía um Espírito e que este, atribui à elas uma vida, personalidade, sensibilidade e aptidões semelhantes às dos Seres Humanos - elas nascem, respiram, se alimentam, se desenvolvem, crescem, sofrem influências, amadurecem, se reproduzem, envelhecem e morrem. A Antiga Astrologia A Astrologia se refere ao estudo dos Corpos Celestes e a forma como eles influenciam e afetam os três reinos : animal, vegetal e mineral. Na Idade Média, foi considerada como uma Ciência - a “Mãe de todas as Ciências” - e era uma disciplina obrigatória nas Universidades (principalmente nas Universidades de Medicina). Com o desenvolvimento científico na Europa, por volta do século XVII, e com a descoberta a Astrologia de outros novos Planetas entrou em - aqueles que eram visíveis declínio apenas através de Instrumentos de Observação - a Astrologia entrou em declínio e foi dissociada da Medicina. Atualmente, a Astrologia Moderna – bem diferente da Antiga Astrologia - foi reduzida a simples previsões de jornais e revistas. Infelizmente, ela – na sua forma original está caminhando para o mesmo destino que teve a Alquimia: o esquecimento.

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A Astrologia e as Plantas Antigamente, pela falta de Instrumentos de Observação mais sofisticados e potentes, apenas Sete Planetas eram conhecidos - visualizar a olho nu, só era possível até Saturno. Então temos: Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus, Saturno e o Sol. Apesar de sabermos que a Lua e o Sol não são Planetas, eles são considerados com tal na Antiga Astrologia. Se existem relações entre o Microcosmo (pequeno mundo, o Homem) e o Macrocosmo (o grande mundo, o Universo), onde o primeiro pode ser considerado um reflexo reduzido do segundo, podemos concordar com nossos Antepassados quando eles diziam que ao estudar os Astros seria possível conhecer o Homem e estudando o Homem, seria possível conhecer um pouco mais sobre os Astros – “Assim como é em cima, é embaixo”.


Os Corpos Celestes refletem e enviam Ondas Eletromagnéticas pela própria luz de reflexão dos Planetas. Assim, essas forças agem sobre as Plantas, suas características e o seu desenvolvimento; a época de semeadura, de plantio, de colheita e de poda; o Homem, sua personalidade e o seu comportamento; o Corpo Humano, suas funções fisiológicas e enfermidades; a água, os Oceanos e as marés; a gestação e o ciclo menstrual nas mulheres; etc. e esses são apenas os principais entre vários outros exemplos. Através de muito estudo, persistência e observação, os Árabes foram os primeiros a fazer associações entre as Plantas e os Planetas. Perceberam que, conforme a trajetória do Sol e o ciclo dos Planetas na Esfera Celeste, as propriedades terapêuticas e nutritivas de algumas Plantas se acentuavam mais evidenciando todo o seu potencial. Então, com a associação da Medicina aos saberes populares, à Alquimia, à Astrologia e à experiência alcançada através da prática, não tardou muito para que notassem que as Plantas possuíam Virtudes Mágicas. Botânica Oculta é o estudo das Propriedades Mágicas das Plantas e das Ervas. É ter o conhecimento e o domínio da utilização das forças ocultas que existem nos vegetais. Quem nunca ouviu falar que a Arruda (Ruta graveolens) e o Alho (Allium sativum) são amuletos naturais e plantas de proteção? Que a Rosa (Rosa sp) e o Manjericão (Ocimum basilicum) são plantas ideais para atrair o amor? Que folhas de Louro (Laurus nobilis) dão sorte no jogo e atraem dinheiro? Que o Trigo (Triticum spp) traz prosperidade? Que a pimenta (Capsicum spp) espanta a inveja, mandinga e o mau-olhado?

VERBENA http://en.wikipedia.org/wiki/File:Eisenkraut,_Passau.JPG

Vamos citar um exemplo muito conhecido: a Verbena (Verbena officinalis). A Verbena é uma Erva que sempre esteve ligada à Bruxaria e às Artes Mágicas por ter como principais Virtudes Ocultas, a Adivinhação e a Proteção. O Povo Celta a utilizava em uma bebida - uma “Infusão Divinatória” - antes de prever o futuro e lançar sortilégios; os Gregos a utilizavam para confeccionar Coroas e Guirlandas de Proteção em seus Rituais; as Bruxas a utilizavam para afastar o cansaço durante os Sabás; já os Espanhóis a consideravam uma planta milagrosa que tinha o poder de afastar qualquer perigo. Para que a Planta tenha suas propriedades medicinais e ocultas multiplicadas, principalmente se o objetivo for Mágico ou curativo, velhos ensinamentos nos ditam algumas regras antes de manipulá-las: *A Purificação: devemos evitar alimentos indigestos e não podemos comer nenhum tipo de carne nesse dia. Devemos tomar um banho com ervas e sal para limparmos

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nossos corpos de qualquer tipo de energia maléfica que influencie as Virtudes da Planta. O Sal é um agente natural purificador e desinfetante, e um banho de água salgada equivale a 03 dias de jejum. As Ervas utilizadas no banho devem ser frescas e específicas para limpeza e purificação. A Meditação e o descanso são recomendados algumas horas antes.

Isso é fruto de um conhecimento muito antigo guardado entre famílias e passado de geração em geração. É obtido através de muitos anos de observação e prática e exige muita dedicação e sensibilidade. As horas e os dias (os sete dias da semana) astrologicamente corretos são aqueles em que os Planetas atuam mais fortemente sobre determinados vegetais para que estes possam alcançar todas as suas Virtudes plenas. Então temos :

*Momento da Colheita: existem horas e dias astrologicamente corretos (não pode estar chovendo e o céu deve estar *A Lua influencia principalmente sereno). São os momentos em que As Plantas na primeira hora da segunda-feira os princípios terapêuticos e oculLunares são e age sobre as folhas das Plantas. tos se tornam mais ativos. Antes As Plantas Lunares são frias, leido corte, devemos pedir licença ao frias tosas, calmantes, com odor sua“Espírito” da Planta e Invocações e ve, com flores brancas ou claras e Encantamentos específicos devem ser feisão muito utilizadas na Bruxaria. Exemplo: tos. A Erva deve ser cortada, com um InsGardênia. trumento apropriado apenas para essa finalidade, em um único golpe para que seus *Marte influencia na primeira hora da princípios ativos não sejam prejudicados. terça-feira e age sobre o caule e o tronco. As Plantas regidas por Marte possuem saEntão perguntamos: “Como é possível bor amargo, odor picante, são espinhosas alguém saber disso?” e causam irritação e ardor ao tocá-las. Ex.:

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Pimenta, Alho, Urtiga e Eufórbia. *Mercúrio influencia na primeira hora da quarta-feira e age sobre a semente e a casca. As Plantas Mercurianas possuem sabor misto, odor penetrante, flores pequenas e de cores variadas. Ex.: Verbena.

Sol, geralmente possuem flores amarelas ou alaranjadas, são aromáticas e com frutos agridoces. Ex.: Girassol, Açafrão, Alecrim e o Carvalho.

Não era à toa que as Antigas Bruxas preferiam colher e utilizar Plantas e Ervas nascidas em Cemitérios. Além do lado oculto *Júpiter influencia na primeira hora da e mágico, elas sabiam que era uma terra quinta-feira age sobre o fruto. As Planque continha material orgânico riquíssimo tas regidas por esse Planetas são grande em nitrato e sais de amoníaco. Esses come frondosas, possuem sabor suave e doce, postos tinham a capacidade de multiplicar com odor inodoro e algumas possuem frua quantidade de nutrientes e alcalóides dos tos. Ex.: Sândalo. vegetais, favorecendo assim, o potencial máximo do vegetal. Normalmente essas *Vênus influencia na primeira Plantas eram colhidas ao entardecer hora da sexta-feira e age sobre as horário (após uma longa exposição ao Sol, flores. As Plantas Venusianas têm de maior as Plantas ficavam carregadas com a sabor doce e agradável, odor fino sua energia) ou na calada da noite, na influência primeira hora da madrugada – hoe leve, são oleosas e algumas possuem flores abundantes. São afro- planetária rário de maior influência planetária. disíacas e muito utilizadas em Magia Sexual. Ex.: Rosa e Açucena. Hoje sabemos que elas tinham um conhecimento muito vasto e profundo so*Saturno influencia na primeira hora de bre as propriedades terapêuticas e Oculsábado e age sobre a raiz. Suas Plantas são tas das Plantas e não temos dúvidas de que de aparência taciturna, com flores acinzenelas sabiam que o Reino Vegetal estava intadas e contornos sinistros, com proprietimamente ligado aos movimentos dos Pladades narcóticas, odor desagradável e com netas na Esfera Celeste. frutos ácidos ou venenosos. As Plantas regidas por Saturno geralmente preferem ambientes sombrios. Ex.: Heléboro-Negro, Meimendro-Negro e Cipreste. *E finalmente o Sol, que influencia na primeira hora do domingo. As Plantas Solares precisam de calor e da luminosidade do

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A iluminação - o sol por Ana Marques Belo e luminoso o Sol a todos encanta. Ele nasce e o terror noturno desaparece, a depressão vira pó e a face se colore. Ao encararmos, seu brilho nos pega de surpresa e, saindo da sombra, por instantes somos quase cegados. Aos poucos podemos enxergar novamente e eis que sentimo-nos embriagados: a luz está em todo canto! Por instantes nos sentimos maiores, mais cheios de energia e fortes diante deste Arcano. Sua força nos instiga à frente, para lutarmos, compreendermos, crescermos. Não existem medos sob o Sol, não nos dominam mais os preconceitos, nem mesmo reconhecemos qualquer receio. Tudo é luz, claridade, alegria, felicidade e bem aventurança. Torna-me grande como o sol, para que eu te possa adorar em mim. ‘O Eu profundo’ - Fernando Pessoa

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Felizes e confiantes caminhamos em direção ao Sol. Escutamos algumas vozes inaudíveis nos fazendo advertências, mas nos abstemos de ouvi-las. A fascinação é maior que a prudência e como Ícaro, que voava com asas feitas por seu pai Dédalo com de penas de aves e cera, ignoramos os conselhos de nosso interior para nos inebriarmos diante de uma sensação de falsa liberdade. Tal qual ele, nos aproximamos demais do Sol e seu calor derrete a cera de nossas asas, desfazendo-as e, nos jogando de volta a Terra. O sol queima o que toca. O verde à luz desenverdece. Seca-me a sensação da boca. Nas minhas papilas esquece. ‘Poesias Inéditas’ - Fernando Pessoa


O mesmo poeta que quer “ser grande como o sol” escreveu que o “o sol queima o que toca”. Essa é a incoerência da verdade: os Arcanos tem duas faces. Tudo na natureza é ambíguo por ser amoral. A água que lava também afoga, a brisa que refresca faz parte do tufão, a terra que nos alimenta com seus frutos nos soterra numa avalanche e, por último, o fogo que aquece pode queimar. O poder primordial do Sol é o fogo e é esse o poder que vamos analisar. Quando falamos do sol, o associamos a férias, lazer, diversão. Inúmeras qualidades são lembradas para representá-lo e, mesmo que o sertão brasileiro esteja aí para nos lembrar que esse astro não é tão complacente assim, parece que fazemos questão de esquecer. No entanto, os gregos já definiam a ambiguidade do Sol no deus que o personificava: Apolo.

sões do mito, apoderou-se do dom de profecia da sacerdotisa de Píton e obrigou-a a servi-lo. Cedeu o dom da profecia à Cassandra – princesa de Tróia – para depois, ao ser rejeitado, despojá-la da credibilidade junto às pessoas. Quando Agamenon foi assassinado pela esposa Clitemnestra, exigiu de Orestes a vingança contra a própria mãe; no entanto depois de consumado o crime, não o protegeu das Erínias (deusas da vingança divina), que o perseguiram pelo crime do matricídio. Coube à Atena a incumbência de interceder por ele no momento em que se achava tomado do mais completo desespero. Por isso tudo, Apolo nos mostra a face clara e negra do deus Sol, aquele que “germina o solo, e também fenece a plantação”. Dentro de seu simbolismo, encontraremos a luz que exalta as sombras, obrigando-nos a ver que qualquer espécie de “unanimidade” não passa de uma ilusão. Para reconhecer o claro, necessitamos do escuro. Com isso, para que o feito diário de Apolo, de iluminar a Terra com sua carruagem de fogo solar, possa ser reconhecido, é preciso que antes a escuridão da noite o tenha precedido. Não por acaso, a mãe de Apolo era Leto, a deusa da Noite: a dualidade estava contida na própria relação Mãe x Filho.

Apolo, irmão gêmeo de Ártemis (deusa da Lua) e filho de Leto e Zeus, nasceu auxiliado pela irmã (e contraparte) sendo alimentado com ambrosia e néctar. Devido a isso, logo depois, desvencilhou-se dos panos que o prendiam e tornou-se um homem. Venceu a serpente Píton, que a mando de Hera perseguia sua mãe, O Sol é o responsável pela vida na Tarô Mitológico – O Sol e estabeleceu seu santuário Terra, detentor do poder de fazer Representado pelo Deus Apolo, em Delfos. Apolo é o deus esse arcano é caracterizado germinar, da mudança das estações, com os adjetivos do astro: senhor da profecia, da luz, calor, de uma das formas de marcação do alegria, inspiração, artes. E sua dualidade está presente da música e do conhecimentempo. Através de sua mudança lenta no fato que Apolo também to. Era também considera- era o deus da morte súbita. e constante no céu, nos aproximado o deus da morte súbita, mos do ciclo de nascimento/morte/ da mesma forma que era o curandeiro que renascimento vivido por toda a natureza. aliviava as dores e as doenças. Apenas no momento em que iluminamos nosso inconsciente, retirando-o da somO deus tanto podia ser condescendente bra escura do que nos negamos a ver, como impiedoso. Quando estabeleceu seu nosso ser realmente começa o estágio de santuário em Delfos, segundo algumas verencontro consigo mesmo. Nossas carac-

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terísticas rejeitadas, nossos desejos reprimidos e nossos sonhos inconfessáveis precisam ser compreendidos, eles precisam ser paridos. Não podemos esquecer que “parir” tem como sinônimo “dar à luz”. É preciso reconhecer e aceitar quem somos, para que então possamos examinar à luz da consciência os inúmeros aspectos que nos compõe. O Sol, como ilustrado na carta do Tarot of the Old Path, tem a forte conotação de libertação quando mostra um homem e uma mulher saudando o sol num local sagrado (Stonehenge), parecendo felizes em vê-lo, em estar debaixo de seus raios mornos que lhes dão nova vida. O sol dessa figura contém em cada raio um signo astrológico, formando a roda completa: o Todo. A ave de fogo, na frente da carta parece unir o casal dentro de sua consciência recém conquistada, como se guardasse a entrada que dá acesso à iluminação.

cia. Em sua concepção original, a ciência nasceu para trazer a luz, na escuridão da ignorância do ambiente que o cercava, em que o homem vivia. No entanto, da mesma maneira que o sol, o que ilumina gera a sombra e, com isso, aos conhecimentos acumulados foi adicionada a arrogância da verdade absoluta, o que propiciou que a ética e a preservação do meio fossem deixadas de lado, em nome do progresso. A ciência que devia iluminar, também começou a cegar. A ciência é feita pelos homens, da mesma maneira que as religiões, os países, as cidades e as vilas. Os homens deixam-se cegar pelo orgulho dos próprios feitos, ignorando tudo mais à sua volta, e a ideia de que a vida é uma teia, de que todos estão interligados, e que a ação de um irá repercutir diretamente na vida de todo o Universo. O processo de individuação, de crescimento, requer muita energia e determinação. Não basta querer o processo, é preciso estar disposto a passar por ele e a vivê-lo; como diz Rachel Pollack, “o esclarecimento é uma experiência, não uma idéia”1. Apenas falar, meditar ou planejar não adianta mais, fizemos esse processo completo no Arcano anterior, “A Estrela”. O Arcano “O Sol” necessita de movimento para que seja concluído, ele é constituído de fogo e esse é o elemento por excelência da ação, da purificação, da transmutação. Nesse momento, as atitudes são exigidas como parte da jornada.

A ciência, em analogia com O Sol, vem trilhando um caminho do desvendamento dos mistérios inexplicáveis, buscando as causas de cada um dos fenômenos que aterrorizaram nossos antepassados. Exatamente por isso, ela foi combatida ferozmente como heresia pelas religiões dominantes, quando começou a retirar da Terra seu status de “Centro do Universo” e, consequentemente, do Homem o status de “ápice da criação”. Galileu Galilei foi excomungado como herege por afirmar que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário, como se acreditou durante muito tempo. Para não morrer na fogueira, teve que se retratar diante do Tribunal do Santo Ofício. Foram necessários anos, e um início de rompimento do homem com a religião (O Renascimento) para que fosse dada à ciência sua devida importân-

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O sol é o responsável pela energia que efetiva a germinação das sementes, sem ele a vida não existiria. Mas é preciso que a Terra esteja pronta para ele: sem que haja o que fecundar, sem que a natureza esteja presente, forte e saudável, tudo que o Sol irá fazer será encher o solo de rachaduras e a paisagem de desolação. A paisagem áriRachel Pollack – Livro Setenta e Oito Graus de Sabedoria – Vol. I – Editora Nova Fronteira 1


da do Nordeste brasileiro confirma isso, o Saara também. Sem equilíbrio, qualquer força natural será incapaz de gerar a vida. Sem que equilibremos a nós mesmos, o Arcano “O Sol” estará impossibilitado de nos fazer renascer, precisamos estar prontos para ele, para o trabalho que nos fará plantar dentro de nós as sementes do que queremos ser, em detrimento do que queriam que fôssemos. Temos que respeitar a nossa natureza interior, de forma que ela floresça e tenha equilíbrio, para ser iluminada sem ser carbonizada. O adágio popular que diz: “Por mais longa e escura que seja à noite, o sol volta sempre a brilhar”. Conhecidíssimo, encerra em si uma verdade óbvia: as trevas são apenas prenúncio da luz, e a luz é o complemento das trevas. Se estivermos envolvidos pela escuridão, buscaremos a luz. Se estivermos repletos de luz, necessitaremos da escuridão. Na noite, em seu silêncio e calmaria, criamos nossos sonhos, repousando nossos corpos e recuperando nosso espírito. Durante o dia, libertamos os sonhos criados para que se concretizem, unindo a energia do sol à nossa própria energia pessoal. É preciso utilizar a libertação que esse arquétipo nos traz. Essa imagem tem representação perfeita no Tarô Waite, que mostra uma criança libertando-se dos muros, cavalgando o cavalo branco rumo à liberdade completa. Essa criança representa aquele que, consciente de quem é em todos os aspectos, sente-se confiante e livre para sair ao mundo, adquirindo as experiências que a vida tem a lhe oferecer. Os girassóis,

plantas solares, reforçam a energia que a carta contém, mostrando que o tempo é propício e que tudo em volta está impregnado de energia. Sabendo utilizá-la, comprazendo-se em aceitar a si mesmo, não desperdiçando energia com disfarces inúteis, que nada acrescentariam ao nosso caminho, essa energia não se esgota. Quando desejamos partir para descobrir o mundo, para viver a nossa própria vida, sem permitir que a interferência alheia venha nos dizer qual deve ser nosso destino, estamos fazendo um trato com o Universo de que estaremos acrescentando a ele experiências e vivências reais, plenas de ser. Estaremos recebendo a energia do sol, utilizando-a para fertilizar nosso interior e nos dispondo ao trabalho necessário para que possamos nascer e dar frutos; para que, enfim, sem medo, fitemos o sol que desponta no horizonte sem que fiquemos escondendo partes de nós que não desejamos ver expostas. Para que todo nosso ser, luzes e sombras, possa se tornar Uno, entregando-se ao prazer de estar vivo. Porque só sente o verdadeiro prazer, o ser completo. E o menino com o brilho do sol na menina dos olhos Sorri e estende a mão entregando o seu coração Eu entrego o meu coração E eu entro na roda e canto as antigas cantigas de amigo irmão As canções de amanhecer lumiar a escuridão ‘De Volta ao Começo’ - Gonzaguinha

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eu sou girassol A maturidade mágica através do conhecimento do EU, o movimento que esplandece e avisa que é o momento de explorar, resplandecer a luz interior, então chegar mais perto dos Deuses. O Sol somos nós. Crescidos, iluminados, quando em alguns momentos somos imensidão e Nada. A perfeita comunhão em apenas um insight, o tempo não existe e tudo pode durar apenas um segundo. Descobre-se as influências da Vida e o alcance da liberdade, o impulso para o governo da Alma. Com vigor das possibilidades e das concretizações enfrentamos o cotidiano e aprendemos a cada instante como um renascimento de idéias e de conceitos acordados e prontos para batalha; Somos como um bebê que quando aprende a dizer a primeira palavra, se torna astuto e perseverante. O Sol aquece os dias e ilumina a Lua à noite. O homem ousado conheceu a fórmula e fabricou pedaços de sol na Terra – O Fogo. Se conseguimos partilhar dos segredos dos Deuses, porque não conseguimos tomar o Leme de nosso próprio destino? Mas, cuidado com os Monstros, cuidado com as Sombras, procure sempre o Equilíbrio! Não adianta ver o sol brilhar e continuar dormindo, é o momento de ver a Roda para girar, movimente-se, ACORDE! Busque pelos sonhos, Viva! Plante sementes, desenvolva projetos, AME!

próxima edição A revista BTW é publicada quatro vezes ao ano e seu objetivo é informar, esclarecer e desmistificar origens, dogmas e práticas da Wica Gardneriana e mostrar que os ensinamentos de Gerald Gardner ainda estão vivos e florescendo no seio dos covens tradicionais. Esta revista é aberta a comunidade em geral, caso desejem publicar algum artigo enviar para btw.revista@gmail.com com o assunto “artigo”. Será nos reservado o direito de resumir e editá-los para maior clareza, estilo, gramática e/ou precisão. Participe da seção Carta do Leitor e envie suas opiniões, dúvidas e sugestões. É só enviar para o endereço btw.revista@ gmail.com com o assunto “carta do leitor”. Não deixe de visitar os sites: http://wiccagardneriana.net/ http://vassourasagrada.com.br/ É a profundidade das raízes que preserva a árvore. Gerald B. Gardner

Não nos responsabilizamos pelo conteúdo dos artigos publicados.

Lorenna Escobar 45


BTW - Wica Tradicional Britânica (3ª edição)  

Chegamos à terceira edição da Revista BTW agradecendo aos Deuses por cuidarem com seu amor nos permitindo oferecer conteúdo de qualidade e c...

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