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FEARLESS

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TOUCH THIS SKIN

Existem, claro, contratos diversos que garantem que as produtoras não podem ser consideradas responsáveis por qualquer violência praticada no set, garantindo que as atrizes estão lá por livre e espontânea vontade, que aquilo é tudo consensual. Garantir um local mais humanizado, na qual as pessoas envolvidas recebam o mesmo pagamento, tem “liberdade” para dizer se estão desconfortáveis, um casting variado… todas essas coisas são maneiras de remediar um problema maior. Todas essas coisas tornam algumas produções pornográficas lésbicas menos violentas e excludentes que as outras, mas ambas partilham a exploração sexual de mulheres, o lucro baseado inteiramente no corpo feminino nu, sendo usado, exposto, vendido. A comercialização disso representa uma chaga social muito maior do que a pornografia em si, mas, se pudermos não colaborar com isso, retomar nosso poder sobre nossos corpos e aprendermos sexualidade, segurança e saúde sexual de maneira saudável, já estaremos fazendo algo para parar isso. Companhias extremamente lucrativas e que nos exploram sempre dão um jeito de cooptar movimentos sociais, e a pornografia com roupagem feminista, lésbica, inclusiva não é diferente –mas não podemos nos enganar, pornografia lésbica não tem nada de feminista.

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FEARLESS Mag // Edição No2 - Touch This Skin  

Com três opções de capa, a segunda edição da FEARLESS traz questionamentos sobre o significado da arte LGTBQ+, a representatividade com pink...

FEARLESS Mag // Edição No2 - Touch This Skin  

Com três opções de capa, a segunda edição da FEARLESS traz questionamentos sobre o significado da arte LGTBQ+, a representatividade com pink...

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