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FEARLESS

Você já sentiu cobrança para produziR trabalhos explicitamente sobre gênero e sexualidade? tivas do que uma cobrança direta. Como eu trabalhava com publicidade antes eu tinha uma preocupação em me assegurar que a comunicação estava sendo feita de forma bem clara. Então quando comecei uma produção mais autoral a tendência foi tratar questões importantes de forma mais objetiva e figurativa. Mas acabava ficando uma coisa meio didática e óbvia, sem profundidade. Com o tempo fui percebendo que as linguagens que eu queria explorar demandam uma subjetividade formal maior, e que essas questões de identidade e afetividade acabam se manifestando de maneira mais orgânica no meu fazer artístico.

LARISSA: Sim, e essa cobrança vem mais de dentro que de fora. Sinto que precisamos, cada vez mais registrar essas vivências, jogar pro mundo e esperar, em troca, um diálogo honesto do espectador.

FERNANDA: Sim. A cobrança não necessariamente tem sido externa e direta e não houve muitas situações em que pessoas vieram me falar que eu deveria falar sobre o tema de forma mais explícita na minha obra. Porém, algumas vezes aconteceu de eu, por ser mulher lésbica, ser convidada a participar de eventos de arte com a temática de gênero ou LGBTQ+ e perguntaram se eu tinha alguma obra dentro disso. Simplesmente achei que minha obra não caberia, que não era o que queriam de mim. Porque o que essas pessoas esperam, de fato, é algo explícito, que choque, excite, que expresse lesbianidade em todas as pinceladas.

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TOUCH THIS SKIN

Fábio: Sim, mas foi mais um misto de autocobrança e projeção de expecta-

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FEARLESS Mag // Edição No2 - Touch This Skin  

Com três opções de capa, a segunda edição da FEARLESS traz questionamentos sobre o significado da arte LGTBQ+, a representatividade com pink...

FEARLESS Mag // Edição No2 - Touch This Skin  

Com três opções de capa, a segunda edição da FEARLESS traz questionamentos sobre o significado da arte LGTBQ+, a representatividade com pink...

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