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FEARLESS

o significado de

“ARTE LGBTQ+” EDIÇÃO No02

texto e colagens Giovana Macedo Artistas sempre refletem em suas obras sua relação com o mundo que os cerca. Desde a pintura renascentista até o ready made, a forma do artista de se relacionar com o seu momento histórico e sua experiência de vida invariavelmente reverberam em seu trabalho. Seja essa relação política, como foi com os artistas do dadaísmo, ou emocional, como foi com os artistas do romantismo, a experiência de vida daquele que faz arte está sempre impregnada em seu trabalho como uma impressão digital. Filósofos da arte contemporânea defendem, inclusive, que o artista é um filtro e a arte é a realidade filtrada por este indivíduo, não apenas uma representação de seu tempo, mas uma sublimação da realidade pelo artista. Desta forma, um artista não precisa pintar um homem chorando para propor uma experiência de reflexão sobre a tristeza – a arte é muito mais subjetiva que isso, e, no século XXI, após a popularização da fotografia, a influência da pop art, é cada vez menos interessante que o artista seja naturalista, e filósofos da arte contemporânea como Herbert Marcuse defendem que a beleza da arte reside na sua capacidade de transfiguração, em que a forma se torna conteúdo e não por uma representação “verdadeira” ou “correta” do real. Por que então se espera de artistas LGBTQ+ que produzam arte explicitamente sobre sexualidade e gênero para que essas questões sejam colocadas em pauta? Por que quando são organizadas exposições que abordam sexualidade só se colocam obras diretas, explícitas, que são praticamente retratos de um estereótipo de sexo que se criou no imaginário coletivo? E, por que ainda, muitas dessas obras são feitas pelas mãos de artistas homens heterossexuais e cisgêneros?

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FEARLESS Mag // Edição No2 - Touch This Skin  

Com três opções de capa, a segunda edição da FEARLESS traz questionamentos sobre o significado da arte LGTBQ+, a representatividade com pink...

FEARLESS Mag // Edição No2 - Touch This Skin  

Com três opções de capa, a segunda edição da FEARLESS traz questionamentos sobre o significado da arte LGTBQ+, a representatividade com pink...

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