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Mima, a casa em série completamente customizável. Já todos criticamos as nossas casas, ou por falta de espaço, ou pelas cores das paredes ou mesmo pela sua configuração, mas somos impedidos de fazer alterações devido a custos, ao tempo que tardam e à logística inerente.” A estrutura à base de alumínio, ferro, madeira, contraplacados e fenólicos é feita em Viana do Castelo, estando disponível a partir dos 43 700 euros: “A Mima surge como solução low cost alternativa, que possibilita que o sonho de ter casa própria volte a ser possível.

“A Mima House surgiu de um exercício de resposta àquela que seria a casa ideal para a sociedade atual e de acesso fácil a todos”. O engenheiro Miguel Matos e os arquitetos Mário Sousa e Marta Brandão questionaram-se “sobre o motivo pelo qual o processo de construção de uma casa continua a ser tão difícil, dispendioso e penoso e sobre o motivo pelo qual a arquitetura não segue ainda os passos da estandardização, como aconteceu com a indústria de vestuário, calçado, automóvel, aviação”. Assim surgiu em 2008 o conceito Mima, “uma casa que responde à procura generalizada por conforto, luminosidade, design e flexibilidade, mas que suprime os entraves da arquitetura tradicional, como o difícil acesso ao arquiteto, o tempo de espera nas diferentes fases e o elevado preço de construção”. Acresce que “ao contrário da arquitetura tradicional que uma vez construída exige grandes esforços para ser alterada, a Mima House oferece total flexibilidade, podendo alterar-se cores de paredes, composição de fachadas e layout do espaço interno da casa sem intervenção de técnicos especializados”. A Mima House “pretende ser flexível para poder acompanhar as constantes e rápidas mudanças de vida” e “a liberdade de

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intervenção dos clientes distingue a Mima dos outros préfabricados”, estando a casa “desenhada para que os utilizadores possam customizar cada detalhe da casa desde o início”. A equipa Mima quer que “os clientes saibam exatamente como vai ficar a sua casa” e fornecem toda a informação para que eles possam decidir: “Desde uma plataforma virtual 3D, onde podem simular todas as opções até a maquetes da casa que construíram na plataforma,

são tudo ferramentas ao dispor dos nossos clientes de forma livre e gratuita. Mas a particularidade principal da casa é a liberdade pós compra. Depois de construída, a casa continua a poder ser

Muitas das pessoas que nos contactam possuem terrenos de momento inutilizados e veem a Mima como alternativa rápida e simples para a sua rentabilização como casa de férias ou mesmo para alugar a turistas.” Apresentada em dezembro de 2011, a Mima tem sido bem acolhida, havendo várias solicitações internacionais: “Todos os contactos que tivemos foram decorrentes de publicações na internet ou em revistas. Nesta fase estamos a terminar as negociações com os nossos parceiros (todos portugueses) e vamos começar a produzir a casa que viajará brevemente para os diferentes mercados.” As perspetivas são bastante animadoras, “a julgar pela aceitação global que o projeto tem tido e as centenas de pessoas que nos contatam diariamente”.


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Empreendedor quer arrebitar o Porto Arrebita!Porto é o nome do projeto de reabilitação a custo zero que venceu o concurso FAZ Ideias de Origem Portuguesa, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Talento. O jovem arquiteto José Paixão vivia há 10 anos fora de Portugal e participou com o intuito de combater um problema que o chocava “pelo contraste com a realidade que conhecia nos outros países: o abandono dos centros das cidades”. Daí nasceu o Arrebita!Porto, baseado “num modelo colaborativo de reabilitação no qual todas as partes envolvidas ganham com a sua participação” e ganha­‑se também em termos sociais com a dinamização dos centros urbanos. Natural do Porto, “onde o problema do abandono é alarmante”, foi para esta cidade que concebeu o projeto, embora possa ser estendido a outras cidades. A ideia é pôr jovens arquitetos e estudantes de arquitetura de todo o mundo a reabilitar edifícios, ocupando­‑se do projeto e da sua execução, o que além de contribuir para “dinamizar e repovoar o centro da cidade”, também “constitui uma experiência formativa de cariz prático de enorme valor para a sua integração no tão competitivo mercado de trabalho”. Os estudantes internacionais e nacionais “vão viver em primeira mão o processo de execução de uma reabilitação, aprender os procedimentos de mestres e técnicos experientes, contactar com empresas e interagir com os decisores institucionais”. O projeto está numa fase de implementação piloto que testará o sistema colaborativo no contexto da reabilitação de um edifício devoluto, situado na Ribeira do Porto, explica José Paixão: “O objetivo é provar nesta fase primeira que este modelo inovador funciona, que é mesmo a custo zero para o proprietário e que todas as partes envolvidas ganham ao participar. A partir daí poderemos crescer em número de edifícios inter-

vencionados e replicar o projeto a outras cidades necessitadas como Lisboa ou Coimbra e talvez internacionalmente.” As empresas participam “através da doação, no quadro do regime de mecenato social, de materiais, equipamentos e serviços”, esclarece o arquiteto, acrescentando que “a sua colaboração é fundamental para a resolução deste problema que aflige tantas cidades e populações e constitui um enorme

exercício de responsabilidade social”. Isto porque “o problema visado toca diretamente a sensibilidade da maioria da população e a participação de todos e em particular das empresas numa solução de inovação social é publicamente muito estimada e valorizada”. José Paixão revela que há diversas empresas interessadas: “ Muitas tomaram a iniciativa de nos contactar, dada a atenção mediática gerada pelo projeto. Partilham da nossa consciência da gravidade do problema do abandono urbano e querem associar­‑se a uma solução solidária, colaborativa e interinstitucional.” As empresas podem assim “deduzir dos impostos o valor majorado dos materiais, equipamentos e serviços que doarem; aumentar a liquidez pagando impostos em espécie, possivelmente com excedente em stock; familiarizar futuros profissionais internacionais com a utilização prática dos seus produtos; diferenciar­‑se da concorrência com uma parceria exclusiva para cada setor”.

De acordo com José Paixão, a Câmara Municipal do Porto também acolheu com muita recetividade o projeto: “Constituiu­‑se desde logo como parte ativa na agilização do seu processo de implementação na cidade. O projeto­ ‑piloto terá como alvo um edifício camarário e a colaboração dos organismos municipais será fundamental para o sucesso do seu impacto social. A Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo desempenha um papel instrumental no apoio ao licenciamento e fiscalização da reabilitação e a Fundação Porto Social será a host institution que nos dará a estrutura física e legal para podermos trabalhar.” A Universidade do Porto é também parceira: “A recetividade por parte dos professores de arquitetura e engenharia a este projeto tem sido extremamente encorajadora. Os professores identificam­‑se com o problema e querem fazer parte da solução. Por um lado para participar na criação do impacto social e por outro porque o projeto Arrebita!Porto constitui igualmente uma oportunidade especial para a valorização das universidades e dos cursos. Ao colaborarem na supervisão das reabilitações, os professores ganham casos de estudo em que demonstram processos, técnicas e soluções e os seus alunos adquirirem todo um leque de competências e conhecimentos práticos que diferenciam a sua educação. Em parceria, todos saem a ganhar, e a cidade acima de tudo.” O projeto arranca com dois grandes momentos, assinala o autor da ideia: “O primeiro é já esta primavera quando chegar a primeira equipa de cinco estudantes internacionais para começar os trabalhos de levantamento e conceção do projeto e o segundo, em setembro, quando finalmente se der início à obra de reabilitação. Este será o primeiro de muitos anos a arrebitar o Porto.”

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O monopólio temporário

Apresentar ao mercado algo que não existe pode ser meio caminho andado para o sucesso, desde que se detete a necessidade ou o potencial do produto ou serviço. Como sublinha Milena Melo, da consultora de tendências We Find, “o empreendedor deve procurar criar um monopólio temporário”. Foi esse o caminho seguido por Hugo Silva e por Lúcia Encarnação: quando idealizaram a Cocktail Team, em 2003, Hugo tinha 24 anos e “um vasto historial na área das bebidas”, sendo embaixador e formador da Absolut Vodka, e Lúcia tinha 23 e estava no último ano da licenciatura em comunicação. “Fizemos um estudo de viabilidade económico­‑financeira para termos direito a um apoio do IEFP e em 2005 avançámos com a Cocktail Team”, recorda Lúcia, assinalando que a empresa continua a ser “a única de flair bartending acreditada pela Direção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho”. Não estamos a falar apenas de servir cocktails, mas de os criar e de os fazer acompanhar de animação e espetáculo. Essa novidade introduzida no mercado português valeu­‑lhes o estatuo PME Líder.

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Criar este negócio foi também superar uma prova de obstáculos, ressalva Lúcia: “Sabíamos que necessitávamos de trabalhar com uma marca de bebidas para começarmos a demonstrar o nosso valor. Agendámos reunião com um gestor de uma marca de bebida. Por três vezes agendámos a reunião, sempre desmarcada à última da hora. Na quarta vez que o senhor desmarcou o Hugo disse ‘amanhã estou aí às 10h’. E assim foi, conseguimos a confiança do gestor e ficámos com uma marca de bebidas. Durante dois anos tivemos oportunidade de mostrar o nosso valor. O facto de ter sido um enorme sucesso fez despoletar o interesse do mercado corporate pela Cocktail Team.” O arranque do negócio custou cerca de 35 000 euros. Com apenas cinco quadros fixos, a empresa alia serviço de bar

e animação, centrando todas as soluções para a área de bar, “desde aluguer de bares, copos, consumíveis, bebidas, gelo, frutas, e é claro, recursos humanos, que são a atração da festa”. Os empreendedores Hugo e Lúcia pensaram desde logo em quatro áreas de negócio: “Ainda a Cocktail Team estava na fase do projeto e já tínhamos decidido ter as quatro áreas de negócio, o raciocínio é lógico, fornecer solução chave­‑na­‑mão a quem está ligado ao setor das bebidas ou da restauração”, frisa Lúcia. Além do serviço de bar catering, muito requisitado, a empresa disponibiliza formação a “jovens que pretendem trabalhar em espaços noturnos, alunos de escolas hoteleiras e as próprias escolas, responsáveis de F&B (food and beverage), todos aqueles que estão ligados ao sector da restauração e público em geral que gosta de elaborar bebidas”. Lúcia informa que já passaram cerca de 700 alunos pela escola. “É importante referir que temos alunos que vieram das Canárias, Brasil, Suíça, Luxemburgo e França para receberem a formação da Cocktail Team. A formação é mesmo a área mais requisitada, o que se deve às “excelentes condições pedagógicas” da escola, assinala

Lúcia, exemplificando que possuem “um bar por aluno”, bem como “formadores experientes, reconhecidos e com vasto know­‑how”. A empresa também realiza eventos, em que “além da animação de


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bar, magia de bar e espetáculos de fogo, criamos bebidas exclusivas com a imagem do cliente presente na bebida”. Para complementar também fazem consultoria de bar, “com o objetivo de libertar o investidor através do apoio na gestão do serviço de bar de forma a maximizar os lucros de um bar, hotel ou discoteca”. A responsável de marketing da Cocktail Team informa que no que concerne ao serviço de bar catering os clientes são “empresas distribuidoras de bebidas, particulares para casamentos e festas e todo o tipo de empresas, desde Disney, Vodafone, Mercedes­‑Benz, enfim, mesmo todo o tipo de empresas”. Lúcia revela que em 2011 a área de eventos representou 40%, a formação representou 30%, o comércio de material 20% e a consultoria 10%. A empresa divulga os seus serviços “através do site, redes sociais, presenças em feiras, apresentações em universidades, escolas técnicas e ensino público e nos media”, que os solicita “graças ao conceito inovador”. A Cocktail Team faturou em 2011 “cerca de trezentos mil euros”, informa Lúcia, avançando que as perspetivas para este ano são animadoras: “Acreditamos que o cenário não será tão mau como o que se anuncia. Temos os cursos a lecionar em 2012 completos. No entanto, a Cocktail Team pretende apostar na internacionalização e estar presente no mercado espanhol, porque conta com pouca oferta nesta área e alguma procura, e provavelmente em Angola, de onde constantemente nos chegam contactos. Em ambos os países pretendemos desenvolver a área de formação de bar e serviço de bar catering com animação.”

solicita a surpresa e no gabinete do chefe diz que vem da parte dos seus colaboradores para o engraxar, mas faz tudo menos engraxar os sapatos”. As surpresas são feitas por animadores, músicos ou outros artistas sempre contratados para o momento, esclarece José Maia. A tabela de preços oscila entre os 75 e os 550 euros, mas não há um teto máximo, já que dão “inteira liberdade aos clientes para proporem uma qualquer ideia que tenham em mente e que posteriormente será orçamentada”. Não faltam exemplos do dinamismo dos empreendedores lusos. Milena Melo considera que “Portugal está a saber acompanhar as novas tendências no que se refere a criar negócios inovadores. Nestas páginas poderá conhecer o casal que se mudou da cidade para a aldeia mais portuguesa de Portugal, Monsanto, sediando aí um projeto

de turismo, alguém que aproveitou o subsídio de desemprego para erguer um negócio que comercializa brindes para empresa feitos a partir de cortiça, dois jovens que trouxeram a primeira empresa de flair bartending para Portugal e os arquitetos que criaram uma casa prefabricada, que é feita em Viana do Castelo para ser exportada para vários pontos do mundo. Para muitos é a realização de um sonho antigo, para outros é o ponto final de um pesadelo como o do desemprego ou o de um emprego que não satisfaz. Fundamental é que haja paixão pelo que se vai fazer, advoga Milena Melo: “Abrir um negócio só porque se quer ganhar mais pode ser um mito. Ganhamos em função da nossa capacidade de produzir, de faturar. A motivação deve estar relacionada com a paixão pessoal de fazer melhor numa atividade de que se gosta.” 

Adaptação constante ao mercado A própria We Find é um exemplo da obrigatoriedade de adaptar o modelo de negócio ao mercado: “Começámos por tentar vender newsletters com ideias de negócios no setor do turismo, mas percebemos que não havia abertura do consumidor para pagar isto. A informação tem valor, mas para quem interessa nesse momento. A nossa informação tinha valor, mas não nos moldes em que a estávamos a fornecer.” Foi assim que perceberam que o mercado precisava de informação por medida: “Passámos a direcionar a nossa pesquisa para responder a problemas específicos de empresas ou de empreendedores. Criámos ainda outra área, que consiste em pesquisar modelos de negócio com futuro para pessoas que queiram abrir a sua empresa”. A We Find faz uma entrevista ao investidor para perceber os seus interesses e vai à procura de ideias de negócio com pernas para andar, que se ajustem ao perfil do cliente. Posteriormente apresenta algumas sugestões ao clien-

te, que depois selecciona duas ou três: “Depois investigamos mais aprofundadamente cada uma delas. Adaptamo­‑las ao mercado português. Propomos sempre negócios diferenciadores. Têm que ser monopólios temporários. Finalmente, cabe ao empreendedor decidir.” Sem avançar detalhes, Milena Melo revela que algumas empresas estão a ser incubadas com a ajuda da We Find. A consultora também intervém no lançamento de novas áreas de negócio de empresas, como aconteceu com a manicure biológica introduzida pelas lojas de cosméticos Organii, ou com o código de conduta de empresas para a utilização das redes sociais, criado por iniciativa da We Find, em parceria com a sociedade de advogados Pedro Raposo e Associados. Mais recentemente, a We Find iniciou­ ‑se também na comunicação, sobretudo no que diz respeito à gestão de páginas de marcas ou empresas no Facebook e também à produção de ações para transmitir determinada mensagem.

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Revista Actualidade  

Artigo da Revista Actualidade - Economia Ibérica sobre empreendedorismo

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