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Topics Magazin Um mercado em ascensão A prosperidade crescente e os bilhões investidos em infraestrutura e energia aumentam a necessidade de soluções adequadas de seguros.


BRasil

Um mercado em ascensão O maior país da América Latina avançou para o quinto lugar na economia inter­ nacional. A prosperidade crescente e os bilhões investidos em infraestrutura e ener­ gia aumentam a necessidade de soluções adequadas de seguros.

por Christian Garbrecht

O desenvolvimento econômico do Brasil, nas últimas duas décadas foi tão deslumbrante que, ocasionalmente, fala-se de “milagre brasileiro”. Como se explica esta ascensão extraordinária? Em 1982, durante a crise da dívida internacional, o Brasil ainda era um país em desenvolvimento, endividado ao máximo; várias reformas monetárias se fizeram necessárias. Somente em 1994, quando o Real foi introduzido como moeda a situação se estabilizou.

tante para atrair investidores estrangeiros para o país. O Brasil tem vantagem demográfica em comparação a outros países. A população que trabalha é muito maior do que a proporção de aposentados, aumentando a mobilidade social. Uma grande parte da população, que ainda possui renda muito baixa, tem perspectivas de melhorar sua situação.

Vários fatores influenciam o bom desenvolvimento econômico do Brasil. Após a última crise no final da década de 1990, o Brasil desenvolveu uma política econômica sólida e pôde implementar um equilíbrio entre a influência política e as forças de mercado. O mer­cado brasileiro concentrou-se no consumo interno e não foi fortemente afetado pela crise internacional dos últimos anos. O desenvolvimento e a implementação de programas sociais, bem como a estrutura política foram fatores determinantes para a geração de novos investimentos. Os serviços sociais e a tributação foram reformados em 1994 e novos esforços estão sendo feitos para tornar a administração mais eficiente. Embora o país seja marcado por grandes contrastes regionais e sociais, a unidade nacional não é questionada. O sistema político é estável sendo um pré-requisito impor-

Desde o final da década de 90, o Brasil registrou um desenvolvimento muito positivo. Assim, o crescimento econômico real, desde 2000, ficou em 4% ao ano em média. Além disso, o Brasil é um dos países que passou relativamente sem prejuízo pela crise financeira em 2009. O produto interno bruto (PIB) real encolheu em apenas 0,6%, enquanto o PIB global diminuiu em 1,9%. Conforme previsões, a tendência da economia é aumentar entre 2011 e 2020, em média de 5% a 6% anualmente. Além disso, o Brasil, a maior economia da América Latina, onde vive quase metade da população do subcontinente, também caminhou para ocupar internacionalmente o quinto lugar. Seu PIB, conforme a paridade do poder de compra, é o maior de todos os países da América, exceto Estados Unidos. Ele ultrapassa até mesmo o país industrial do Canadá. A taxa de desemprego atingiu 5,3% em 2010 e, com isso, o menor nível nos últimos oito anos. O consumo

Todos os índices econômicos apontam para cima

São Paulo é considerado o estado motor da economia brasileira. A cidade, que recebe o mesmo nome, possui cerca de 20,3 milhões de habitantes e é a 2ª maior cidade da América latina e a 3ª maior do mundo, depois de Tóquio e Cidade do México.

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Brasil interno da população relativamente jovem (ver gráfico relativo à demografia, página 6) permanece, portanto, ao lado da exportação como um dos propulsores de crescimento. A balança comercial é positiva, o Brasil exporta mais do que importa; em particular produtos agrícolas como soja, milho e café, cujos ­ reços já aumentaram significativamente neste ano. p

mentos Itaú BBA espera que os investimentos no ­Brasil, atualmente em 230 bilhões de euros, tripliquem até 2020, e espera-se que o desenvolvimento positivo se mantenha até 2020/2022. A classe média crescerá significativamente e com isso, aumentará a demanda por bens e serviços, bem como a necessidade de outras medidas de infraestrutura.

Apesar do crescimento dos investimentos privados, os projetos, que ainda são realizados no âmbito do PAC 1 e 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), são um motor essencial. O programa prevê investimentos de mais de 600 bilhões de reais (aproximadamente 275 bilhões de euros) que devem promover áreas que são essenciais para o desenvolvimento econômico contínuo, como infraestrutura, geração de energia e planejamento social urbano. Além disso, o governo se concentra em energias renováveis. De acordo com o PAC 2 (de 2011 a 2014), cerca de 89 bilhões de reais (40 bilhões de euros) devem ser injetados na construção de usinas hidrelétricas.

Apesar de todas as tendências satisfatórias, o governo deve manter alguns desafios e com equilíbrio político econômico, reduzir as disparidades sociais e regionais sem regulamentar demais as empresas. O combate à alta da inflação, que em 2010 quase atingiu o valor máximo da curva prevista, também deve ser priorizado (consulte fig. 1), em 2010. Medidas como o aumento das taxas de juros e limitação do orçamento público tiveram que ser tomadas para neutralizar os efeitos desta alta.

Os próximos eventos esportivos, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, darão um impulso adicional. Só para esses eventos, são esperados no Rio de Janeiro, nos próximos cinco anos, investimentos de cerca de 35 bilhões de euros. Os investimentos vindos do estrangeiro têm aumentado continuamente graças às boas condições atuais. O banco de investi-

O setor de seguros se expande O Brasil é o maior mercado de seguros da América Latina com aproximadamente 40% do total do prêmio bruto subscrito, seguido por México, Argentina e Colômbia. Ele cresce continuamente e suas taxas são substancialmente mais elevadas do que as taxas de crescimento do PIB, que sempre – com exceção de 2009 – são em torno de 5% (ver também fig. 2). Os especialistas preveem um crescimento real do mercado de seguros para os anos até 2016 de mais de 6% na média anual para seguros de bens e acidentes, e de cerca de 17% para a área de seguros de vida. São

Fig. 1: Curva de inflação de 2006 a 2015e 6,5 em porcentagem

A taxa de inflação foi relativamente elevada nos últimos anos, mas o governo está tomando medidas para controlá-la.

6,0

e: valor esperado 5,5

Fonte: IPEADATA

5,0

4,5

4,0

3,5 2006

2

2007

2008

2009

2010

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2011

2012e

2013e

2014e

2015e


Brasil 132 companhias de seguros (status: final de 2010) a ­ tivas no Brasil, principalmente de seguradores mistos. O mercado brasileiro de seguros apresenta uma alta concentração. As dez maiores empresas não-vida abrangem mais de 80% do prêmio de mercado. Em comparação a Europa e a Ásia, a proporção do setor de seguros do PIB, no Brasil, é baixa; comparado a outros mercados latino-americanos, o país encontra-se no meio termo. Os especialistas partem de uma “idade de ouro” do mercado de seguros: Eles preveem que a penetração de mercado passará de 3,8% para 6,5% do PIB em todos os setores nos próximos 7 anos. As reformas econômicas e os programas do governo estimularam significativamente o setor não-vida nos últimos anos crescendo em quase 50% entre 2005 e 2009. Para os próximos seis anos são esperados prêmios adicionais de aproximadamente 3 bilhões de euros. O aumento de renda e uma maior consciência da população quanto aos riscos promoverão o crescimento do setor de seguros. Até mesmo os negócios na área de seguros de vida estão crescendo, principalmente, devido à alta demanda da nova classe média. Os produtos para este grupo-alvo, que conta com mais de 30 milhões de clientes potenciais, devem acelerar o crescimento do mercado nos próximos anos.

Liberalização do mercado de resseguros O mercado de resseguros no Brasil foi dominado durante 69 anos pelo ressegurador estatal IRB (Instituto de Resseguros do Brasil S.A.) As empresas de resseguros estrangeiras podiam operar apenas como retrocessionários do IRB. Em janeiro de 2007, foi assinada a lei que decretou a abertura do mercado. A partir de 2008, com algumas restrições, também para outros resseguradores. (veja também entrevista, página 8). A lei entrou em vigor em abril de 2008. Os objetivos da liberalização foram, entre outros, modernizar o setor de seguros, bem como aumentar a capacidade de resseguros disponíveis e incentivar os investimentos no País. A expansão do setor de seguros é essencial para o crescimento contínuo do país já que, grande parte dos projetos de infraestrutura somente poderão ser executados com a proteção deste setor. Resseguradores estrangeiros puderam então operar no mercado brasileiro, desde 2008, de três diferentes formas: como um “ressegurador local”, “admitido” ou “eventual”. Resseguradores locais devem ser sociedades estabelecidas no Brasil. Produzem demonstrações financeiras independentes, que se adaptam às regulamentações de supervisão e solvência e dispõem de um capital mínimo exigido aplicado no País. Estas empresas não podem operar como segurador primário.

Fig. 2: Crescimento do mercado de seguros 160 em bilhões de reais

O mercado de seguros (prêmios brutos emitidos) alcançou significativamente maiores taxas de crescimento nos últimos anos como o PIB (2006: 4,0; 2007: 5,7; 2008: 5,1; 2009: 0,2; 2010: 7,5; 2011e: 7,5).

140 120 100

Seguro primário (não-vida) Seguro primário (vida) Seguro primário (total) e: valor esperado

80 60

Fonte: IPEADATA

40 20 0 2006

2007

2008

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Energia renovável em avanço O Brasil depende de fontes renováveis, como a força eólica e hidráulica, para a produção de energia. A Munich Re está envolvida em alguns grandes projetos em curso. Seguem alguns exemplos:

Usina Hidrelétrica Santo Antônio no Rio Madeira

Parques eólicos de Bom Jardim da Serra e Água Doce

Usina hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu

Atualmente, está sendo construída uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo no noroeste do estado de Rondônia. Com uma capacidade de 3.150 MW e um volume de investimento de mais de 10 bilhões de reais, é um marco para o uso da força hidráulica no norte do Brasil. Em 2015, após sete anos, a construção deve estar concluída e 44 turbinas bulbo estarão instaladas. A extensão das operações de construção é impressionante, o rio deve ser desviado para que as instalações possam ser erguidas (veja foto abaixo).

No Brasil existem muitas áreas que são perfeitas para a instalação de turbinas eólicas. A crescente demanda de uma forma renovável de eletricidade pode assim ser satisfeita. No final de 2010, o Brasil registrou uma capacidade de geração de energia eólica de 930 MW, um número que, comparado com o volume global de 194,4 GW, ainda é baixo. No entanto, o programa PAC do governo pretende quadruplicar a capacidade de geração deste tipo de energia em médio prazo.

O Brasil investirá, através do programa PAC, em médio prazo, um total de 50 bilhões de euros em usinas hidrelétricas. O maior projeto é a barragem de Belo Monte, que gerará uma potência de aproximadamente 11.000 MW tornando-se a terceira maior usina deste tipo no mundo.

Devido ao seu conhecimento técnico, a Munich Re em São Paulo foi consultada em 2008 sobre qual seria a melhor forma de ressegurar este risco. A cotação do projeto foi um desafio devido às dimensões, aos termos e às condições especiais necessárias. A cobertura refere-se a ativos tangíveis de aproximadamente 5,5 bilhões de euros durante a fase de construção; danos financeiros, como resultado de uma perda repentina de bens segurados, estão cobertos com 705 milhões de euros. Havia a intenção de se assegurar as instalações desde o início das operações para não haver lacunas na cobertura. Após uma análise profunda em um curto período, a Munich Re pôde desenvolver uma solução adequada, que foi bem recebida tanto pelos segurados quanto pelos investidores do projeto. A Munich Re assumiu uma parcela de liderança no risco e acompanha o andamento das operações de construção atenciosamente com seus engenheiros locais.

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Projetos importantes que devem contribuir para isso são os parques eólicos de Bom Jardim da Serra e Água Doce no sul do estado de Santa Catarina. O complexo consiste em quatro ou seis parques eólicos que gerarão uma potência de 91,9 MW ou 125,8 MW, com um total de 148 turbinas eólicas. O valor do seguro equivale a mais de 500 milhões de euros, dos quais 80% são cobertos pela Munich Re.

Depois de muitos anos e projetos, a construção foi iniciada em abril de 2011 e deve estar concluída em 2019. O investimento total é de mais de 7 bilhões de euros e o valor segurado equivale a 10 bilhões de euros. Após longas negociações, devido à complexidade do projeto e ao tempo de execução de mais de oito anos, a Munich Re assumiu a cobertura da fase de construção como ressegurador líder. .

O Rio Madeira no noroeste do estado de Rondônia. Aqui, a usina hidrelétrica de Santo Antônio está sendo construída atualmente.


Brasil Os resseguradores “admitidos” precisam de uma filial no país, não subscrevem negócios localmente e não geram nenhum balanço local próprio. É necessário o depósito de 5 milhões de dólares americanos como garantia na custódia e uma classificação de “rating” de, no mínimo, BBB. A terceira forma de resseguradores, os “eventuais”, está registrada, mas não há nenhum escritório local e os contratos de resseguros no Brasil são aceitos no exterior. Uma classificação mínima de “rating” BBB e um capital mínimo de 150 milhões de dólares americanos são necessários para obtenção do registro. Além disso, a sede desta empresa não pode ser em países onde o imposto de renda seja inferior a 20% ou os direitos de propriedade não sejam publicamente verificáveis. Desde a abertura do mercado, 97 empresas de resseguros foram registradas no Brasil, subdivididas nestas três categorias. Munich Re no Brasil A presença da Munich Re no Brasil estende-se desde muitos anos, o que proporcionou um profundo conhecimento do mercado. A relação de negócios com o Brasil começou em 1951, e em 1997 estabeleceu-se um escritório de representação no país, “Münchener Rück do Brasil Serviços Técnicos Ltda”. Graças a isso, pudemos nos registrar, em 2008, como o primeiro “ressegurador local” com capital estrangeiro. O estabelecimento da subsidiária foi uma consequência de nossa confiança no desenvolvimento positivo do país e da nossa estratégia a longo prazo para a América Latina. “Na época, a fundação foi um trabalho realmente duro”, diz hoje, o Sr. Kurt Müller, CEO da filial local (ver entrevista, página 8). Com 172 milhões de euros de volume de prêmio em 2010, a Munich Re do Brasil tornou-se o maior ressegurador com capital estrangeiro no Brasil.

No Brasil, a Munich Re oferece a mais ampla gama de soluções em resseguros. Também atuamos em setores que ainda não foram totalmente desenvolvidos localmente, como na agricultura, em vida ou na área da saúde. Como um dos maiores líderes mundiais na área de prevenção de riscos, temos soluções sob medida para os mais complexos riscos. Devido ao nosso conhecimento do mercado local, aliado ao nosso já reconhecido know how internacional, podemos oferecer a nossos clientes soluções de ponta, não apenas na área de subscrição, mas também nas áreas de contabilidade de resseguros e solvência, além de desenvolvimento de novos produtos customizados à necessidade de cada cliente. Os seguros técnicos foram desde o início um dos focos das nossas atividades no Brasil. Por isso, estamos envolvidos em alguns dos maiores projetos de infraestrutura (ver quadro à esquerda). Graças ao “know how” da nossa equipe local de subscrição (contrato e facultativos) e ao fato de termos localmente também um departamento de sinistros, temos a estrutura necessária para apoiar nossos clientes nesses grandes projetos. Assim, podemos não só oferecer suporte na cotação e disponibilizar capacidade, mas também atuar como consultor durante a fase de construção e prevenção de riscos e danos. >> Para obter mais informações sobre nossas atividades nos diversos segmentos, consulte: www.munichre.com.br

Nosso especialista: Christian Garbrecht é r­ esponsável, na Munich Re em São Paulo, por Controlling e Risk Management. cgarbrecht@munichre.com

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Brasil

Terra de diversidade Tão distantes entre si, como do Cabo Norte para Gibraltar: cerca de 4.300 quilômetros devem ser percorridos caso você queira cruzar o Brasil nos pontos mais largos de leste a oeste ou de norte a sul. Com aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o quinto maior país do mundo ocupa quase a metade do continente sul-americano; ele se estende de 5 graus de latitude norte até 34 graus de latitude sul. Não é de se admirar que o país, bem como seu povo, sejam muito heterogêneos.

Simbólico: O fundo verde da bandeira significa a abundância de florestas, o losango amarelo significa os depósitos de ouro, o azul significa o céu noturno sobre o Rio e as estrelas brancas, os 27 estados. A faixa cita o lema “Ordem e Progresso”.

O Brasil é dividido em 26 estados e um distrito federal (Distrito Federal do Brasil), subordinado diretamente ao governo federal. A maioria dos 195 milhões de habitantes vive no sul e sudeste em torno das metrópoles São Paulo e Rio de Janeiro. É também nestas cidades que bate o coração industrial do país. No norte, muito menos povoado, a riqueza natural desempenha um papel essencial na economia local. Os recursos naturais são imensos. Alguns dos produtos de exportação mais importantes do Brasil, além de máquinas e minério de ferro, provêm da agricultura, como é o caso do café, cacau, frutas tropicais, soja e açúcar. Cerca de 40% das exportações agrícolas brasileiras vão para a União Europeia e pouco menos de um quinto para os Estados Unidos. Graças à suas enormes áreas de cultivo, o Brasil poderia se tornar o provedor de uma população mundial crescente.

Estrutura populacional Crescimento da população

Pirâmide etária 2010

210 milhões de habitantes

100 Anos 90

200

80

190

70

180

60

170

50

160

40 30

150

20

140 130

mulheres

0 1985 Anos

1990

1995

2000

2005

2010e 2015e

Atípica: A estrutura etária do país possui ainda a forma de pirâmide. Uma imagem que a maioria dos países industrializados mal conhece. Quase 60% da população têm menos de 30 anos. 6

homens

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10 8 6 4 2 0 2 4 6 8 10 População em milhões

Fonte: CELADE – Centro Latino­ americano y Caribeño de Demografía

Manaus


Potencial hidrelétrico Abundância de água: O Brasil é o lar do Amazonas, com cerca de 6.448 km de comprimento e um abastecimento de água de 209.000 metros cúbicos por segundo, o maior sistema fluvial do mundo; 20% de toda a água doce do planeta flue aqui. A área de floresta tropical em torno do Amazonas é considerada o “pulmão da Terra” e abriga a maior biodiversidade do mundo. No leste do país, na fronteira com a Argentina, passa o Iguaçu. Suas cataratas denominadas “Garganta do Diabo” (foto à direita) superam claramente as cataratas do Niágara. Elas consistem em 20 grandes e 255 pequenas cachoeiras que se arrastam por quase três quilômetros. Os enormes recursos hídricos do país também devem ser cada vez mais usados no futuro para produção de energia limpa.

Nação entusiasta por esportes

Belém

Estabelecimento de recordes: O entusiasmo dos brasileiros por esportes é notório. O recordista da Copa do Mundo oferecerá o próximo evento internacional importante em 2014 e as reformas/ construções dos estádios estão em pleno a ­ ndamento.

São Luis Fortaleza Teresina

Natal Recife Maceió

Salvador Brasília

Belo Horizonte

São Paulo

Rio de Janeiro

Brasília: A clássica capital planejada por Oscar Niemeyer foi construída em um período de 3 anos durante a década de 60. A cidade tem apenas cerca de 2,2 milhões de habitantes.

Curitiba

Porto Alegre

Norte e Sul, cidade e país Desproporcional: Cerca de 80% dos brasileiros vivem em cidades. A maioria deles mora na costa do Atlântico. No Distrito Federal e no estado do Rio de Janeiro, 300 pessoas compartilham um quilômetro quadrado. A densidade populacional nas regiões montanhosas do Norte bem como na região Amazônica é, algumas vezes, de apenas três habitantes por quilômetro quadrado.

Rio de Janeiro: Por quase 200 anos, até 1960, o Rio foi a capital do país. Devido à sua localização geográfica, o turismo tem aqui alta prioridade como fator econômico. São Paulo: A área metropolitana é a região com a densidade populacional mais elevada. Devido à industrialização, a população duplicou nos últimos 40 anos para cerca de 20,3 milhões.

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Brasil

Soluções sob medida para o maior canteiro de obras do mundo O Brasil está crescendo. Kurt Müller, CEO da filial em São Paulo, vê muito potencial no mercado brasileiro desde que as condições econômicas e regulamentares permaneçam estáveis. Desde 2006 Kurt Müller está em São Paulo e vivenciou intensamente a mudança em primeira mão. Antes disso, o engenheiro trabalhou para Munich Re no Japão e na África do Sul.

Tópicos: Sr. Müller, o mercado de resseguros no Brasil foi aberto há três anos. Por que o país se decidiu por uma abertura após um monopólio de décadas? O que motivou esta decisão? Kurt Müller: Para promover o desenvolvimento econômico do país, o governo brasileiro tem privatizado várias empresas estatais desde o início dos anos 90. Já em 1998 iniciou o programa que introduziu a abertura progressiva do mercado de resseguros. Esperava-se que isso levasse a uma modernização do setor de seguros, com a ampliação da gama de produtos e know how internacional que as empresas estrangeiras poderiam trazer. Além disso, pensava-se em aumentar a atratividade para investimentos estrangeiros. O que mudou desde então? Como resultado da abertura gradual, existem hoje 97 resseguradores nas três categorias existentes. A lei de resseguros prevê que 40% de um resseguro seja ofertado a uma empresa de resseguros local. Resseguradores internacionais que estabeleceram filiais locais, como a Munich Re, podem participar nos primeiros 40%.

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A Munich Re foi registrada em 2008 como a primeira resseguradora local com capital internacional. Como isso aconteceu? Munich Re esteve ativa por várias décadas no Brasil. Falava-se na década de 90, que poderia se chegar a uma abertura e reagimos antes. Em 1997, foi aberto um escritório de serviços em São Paulo, oportunamente sob a liderança do atual presidente da Munich Re, Sr. Nikolaus von Bomhard. Na época, éramos principalmente retrocessionários do IRB. Porém, com a abertura do mercado, poder-se-ia esperar mais. No entanto, em contraste com outras empresas, permanecemos no local. Assim, em 2007, pudemos agir rapidamente. Quando a lei da abertura foi aprovada de maneira relativamente inesperada, fomos a primeira resseguradora internacional a apresentar nosso pedido à autoridade de supervisão. Em apenas três meses, estávamos registrados. Hoje, somos o maior ressegurador local depois do IRB. Na sua opinião, quais foram os ­fatores-chave para o sucesso? Todos os recursos possíveis foram ativados. Na época, a fundação foi um trabalho realmente duro; tivemos de criar, entre outros, os departamentos de subscrição para os diversos

segmentos e a estrutura de emissão de relatórios. Nosso escritório contava, na época, com 20 colegas locais e naturalmente, não poderíamos conseguir isso sozinhos. Sem o suporte da administração, uma estratégia clara e a estreita colaboração com colegas de Munique, isso não teria sido possível. O que mudou para os seguradores brasileiros desde a abertura? A abertura ainda coloca todo o mercado perante grandes desafios. Até 2007, foram claramente definidas as condições para a colocação dos negócios e o IRB assumiu um grande volume dos trabalhos administrativos dos seguradores. Eles tiveram então que estabelecer os departamentos de resseguros, recrutar os profissionais adequados, criar knowhow, desenvolver diretrizes ou mesmo adequar seus sistemas de TI para poder corresponder aos parceiros de negócios internacionais. Além disso, a concorrência é muito pronunciada, uma vez que muitos corretores penetraram no mercado.


Brasil Como a Munich Re pôde ajudar seus cedentes a lidar com esses desafios? E como vai continuar a fazê-lo? Estamos extremamente ativos desde o início. Ficou claro para nós que os nossos cedentes precisam, além de capacidade, principalmente de know-how, não apenas na subscrição, mas também na contabilidade e/ou nas finanças. Com base na nossa experiência, podemos ajudar, especialmente, as empresas menores ou especializadas em determinados segmentos. Apoiamos as maiores seguradoras, particularmente em projetos de grande porte e complexos. Como os nossos funcionários já estavam familiarizados com o mercado brasileiro e ao mesmo tempo tinham acesso à rede internacional da Munich Re, pudemos fornecer esses serviços imediatamente. Nossa feira de resseguros no ano passado atingiu um número grande de visitantes e, naturalmente, também realizamos seminários no Brasil e convidamos nossos clientes para treinamentos em Munique. Existem também cooperações no desenvolvimento de produtos? De fato. Um fator determinante para a abertura do mercado foi justamente o desejo pela introdução de produtos mais modernos no setor de seguros. Por exemplo, atualmente estamos trabalhando para estabelecer o seguro de viagem no Brasil para um cliente. Em quais setores os serviços da Munich Re são mais procurados? O Brasil, no momento, é provavelmente o maior canteiro de obras do mundo! Por um lado, programas nacionais de estímulo econômico para expandir vastamente a infraestrutura, por outro, devido aos eventos esportivos programados para 2014 e 2016. Também os investimentos em energias renováveis são imensos. Podemos apoiar em todas as linhas de negócios, dando suporte facultativo e ressegurando riscos técnicos complexos e de grande porte. Aqui, o seguro de garantia também é importante.

Como na Europa, também no Brasil devem ser criadas novas diretrizes de solvência. O que vai mudar para as seguradoras? O Brasil desenvolveu seu próprio modelo de solvência. As novas regras, que se baseiam no conceito de Pillar I, serão introduzidas em etapas até 2012. Primeiro, elas preveem um capital variável, que é calculado com base nos riscos de subscrição, distribuição dos negócios das regiões e no montante retido por empresa. Outros fatores devem ser incluídos no cálculo, como o risco de crédito, de mercado, riscos legais e operacionais. As novas regras afetam mais fortemente as pequenas seguradoras bem como os seguradores monoliners. Porém, tanto seguradoras pequenas como grandes precisarão de mais capital. Não só as novas diretrizes de solvência, mas também o crescimento por si só aumentam os requisitos de capital. Então, até que ponto o resseguro pode oferecer alívio? Podemos oferecer soluções sob medida aos nossos cedentes. Um programa de resseguros desenvolvido sob medida libera capital, que pode ser usado para outros fins. Além disso, podemos aconselhar nossos clientes na modelagem de sua alocação de capital ou dar suporte com análises dinâmicas do portfólio e gestão da administração de ativos/passivos. O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Cerca de 30% da população brasileira trabalha diretamente na agricultura ou depende indiretamente dela. Como a Munich Re pode contribuir com o setor agrícola?

No entanto, este sistema ainda deve ser desenvolvido. Como o negócio é muito volátil, as companhias de seguro privadas não podem sustentar isso sozinhas. Portanto, a Munich Re apoia os modelos de uma Parceria Público-Privada (PPP). Esses mecanismos de transferência de risco operam com sucesso em outros países. O próximo passo para o Brasil seria o de introduzir um sistema abrangente de seguro de safra com um apoio financeiro garantido do governo, tanto em caso de prêmios quanto catástrofes. Aqui podemos oferecer nossa consultoria não apenas aos órgãos estatais, mas também apoiar nossos cedentes com capacidade e serviço de apoio, como análises de portfólios ou cálculos de PML (Perda Máxima Provável). O Brasil é hoje a quinta maior economia mundial. O Sr. acha que o extraordinário crescimento dos últimos anos continuará neste mesmo ritmo? O país foi marcado por um crescimento enorme de consumo interno da população jovem nos últimos anos. A economia está crescendo e a classe média está aumentando. Este crescimento será ainda mais estimulado pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos. A indústria seguradora pode beneficiar desde crescimento porque muitos projetos de construção serão implementados e a demanda por seguros de carro ou de vida deve aumentar. O outro lado da moeda é a inflação igualmente ascendente. A principal tarefa do novo governo é, portanto, evitar um superaquecimento da economia. Apesar de toda a euforia, precisamos estar atentos à evolução dos preços nos próximos anos.

De fato, a agricultura é um dos setores mais importantes no Brasil. Cerca de 25% da produção mundial de soja vêm do Brasil, e espera-se que a produção agrícola continue crescendo. No entanto, o seguro agrícola encontra-se ainda em uma fase muito inicial; apenas 11% da terra cultivada está segurada. Recentemente, o governo começou a subsidiar o prêmio para o seguro de safra.

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© 2011 Münchener Rückversicherungs-Gesellschaft Königinstrasse 107, 80802 München, Alemanha

TOPICS MAGAZIN

Ausgabe 2/2011

Este artigo foi retirado de: TOPICS MAGAZIN Edição 2/2011 Número de encomenda: 302-07023

Erdgas für Europa 1.124 Kilometer quer durch die Ostsee: Die Verlegung der Nord-Stream-Pipeline ist ein Megaprojekt mit vielen Risiken. SEITE 6

Brasilien Ein Markt im Aufwind

Lebensversicherung Innovationen als Wachstumsmotor

Haftpflicht Wenn Heilen zum Risiko wird

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Fonte Pág. Titel: Jane Sweeney/The Image Bank Pág. 4: Acervo Consórcio Construtor Santo Antônio – Beethoven Delano/BPSI Pág. 6: Getty Images/fStop Pág. 7: Getty Images Pág. 8: Gerhard Blank


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