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ASSOCIAÇãO brasileira de pilotos de helicóptero 7a EDIÇÃO out | nov | dez 2013

aw169 A investida da Agusta para 2014

Segurança de Voo O peso da meteorologia e das ferramentas METAR e SPECI abraphe.org.br

10ª Labace Infraestrutura entoa discursos da aviação executiva


A Go Air Escola de Aviação Civil tem a infraestrutura completa para o treinamento IFR em helicóptero. Com simulador de R22 homologado pela Anac e um Robinson R44 full IFR trainer, o aluno poderá adquirir a experiência necessária em simulador e em voo sob capota.


índice Editorial 04 Palavra do Presidente

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na internet

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Curtas 07 capa 08 10a labace 12 segurança de voo

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Executivo

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prevenção 22 Espaço ANAC

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Centro AIS de SP

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Seguro PCHV com DIT

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Saúde

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bom saber

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Editorial Esta sétima edição da ABRAPHE On Air se apresenta como uma interessante ferramenta de pesquisa para nossos associados e interessados no setor por concentrar um balanço do último ano e perspectivas para 2014 sob a óptica da empresa, do piloto e dos órgãos reguladores. Nesta edição, que agrega o mês de comemoração do Dia do Aviador e o final de 2013, fatos que sinalizam haver muito o que celebrar, a exemplo do crescimento do setor, investimentos em alta e novas contratações previstas, ao mesmo tempo que ficam evidentes impasses merecedores da atenção ao longo do próximo ano para que não travem o desenvolvimento seguro da asa rotativa no Brasil, especialmente no quesito infraestrutura. A ABRAPHE se mantém engajada e atenta para que o País, que detém a capital mundial do helicóptero, como mostra o estudo realizado com exclusividade pela Associação e relatado nesta edição, seja reconhecido também pela seriedade e comprometimento com o setor e os benefícios que ele traz a toda sociedade. Parabéns aviadores! Seguimos juntos neste voo! Que venha 2014! Boas Festas e Excelente Leitura a Todos!

DIRETORIA: Presidente: Rodrigo Duarte Vice - Presidente: Hoel Carvalho Secretária - Geral: Vera Berthault Diretor Administrativo Financeiro: Luciano de Oliveira Diretor de Associados: Eduardo Seehagen Diretor de Comunicação: Divaldo de Oliveira Diretor Técnico, Operações e Segurança de Voo: Isidoro Mekler Diretor de Instrução e Disciplina: Domingos de Souza Diretor de Relações Públicas: Ruy Flemming 1° Suplente: Marcelo Micchi Regional RJ: Gustavo Ozolins Regional BH: Theo Coelho CONSELHO FISCAL:

abraphe.org.br

Presidente: Geoci Leonar Barbosa 1° Conselheiro: Marco A. A. Infante 2° Conselheiro: André Danita Suplente: André Barão EQUIPE:

Capa

Fotografia: Divulgação

ERRATA GO AIR. Foi publicada equivocadamente no anúncio de contracapa da Go Air, na edição nº 06 da Abraphe On Air, a informação de voo certificação da ANAC na própria aeronave. No treinamento de voo por instrumento (IFR) para pilotos de helicóptero da Go Air, o aluno NÃO faz o voo de certificação da ANAC na própria aeronave.

ASSESSORA DE IMPRENSA E JORNALISTA RESPONSÁVEL: Carolina Denardi - Mtb 28205 Redação final e edição: Rodrigo Duarte e Carolina Denardi

Contato / Assinatura

DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO:

ABRAPHE - Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero

IMPRESSÃO:

Avenida Olavo Fontoura, 1078 - St. C - Lt. 07

NYWGRAF - http://www.nywgraf.com.br

Hangar da Go Air - Santana - São Paulo - SP - CEP 02012-021 Tel.: +55 11 2221-2681 | FAX: +55 11 2221-1348

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Ricardo Martins Willian Farias Roberta Gabriel

marciovillar.com.br


A PALAVRA DO PRESIDENTE

Os Desafios do Crescimento A aviação de Helicópteros é constantemente bombardeada por órgãos públicos e de defesa da cidadania levando sozinha a culpa por quase todos os problemas existentes nas cidades grandes. Muito se diz que os helicópteros causam ruídos insuportáveis ao convívio da população e que não deveriam voar sobre a cidade por representarem um risco à segurança das pessoas. Ora, sabemos que numa cidade grande como São Paulo ou Rio de Janeiro, os ruídos fazem parte de seu cotidiano. Não só os helicópteros que produzem barulhos. Os ônibus, caminhões, motos, carros com escapamentos abertos e com som alto tocando músicas dos mais variados gostos e estilos, também são importantes fontes geradoras de poluição sonora e muito mais difundidas entre os cidadãos. Mas por que os helicópteros levam a culpa? Quero crer que é por pura falta de informação, de conhecimento e, claro, pelos poucos profissionais que insistem em sobrevoar áreas com sérias restrições ao ruído, como, por exemplo, o Alto da Lapa. Dizer que os helicópteros estão sobrevoando a cidade gerando desenvolvimento, riqueza, salvando vidas, levando informação às pessoas ou até mesmo realizando sonhos parece ser muito difícil de ser compreendido por pessoas que já têm um pré-conceito sobre nossa aviação e somente enxergam um “brinquedo de rico”. Somos muito mais do que isso. Estamos muito além de ser um “brinquedo”. Os helicóp-

RODRIGO DUARTE PRESIDENTE DA ABRAPHE

teros podem ser a diferença entre um negócio ser gerado ou não, um compromisso ser cumprido ou não, empregos serem criados ou não, vidas serem salvas ou não. O que podemos esperar dessas demandas todas a que estamos sendo chamados é que as coisas certamente não podem mais ser como eram. Precisamos achar um ponto de equilíbrio entre a nossa atividade e o bom convívio com a população. Não estamos sozinhos e vivemos em uma comunidade onde o direito de um termina onde começa o do outro. Temos direitos sim, mas também temos deveres. Temos o dever de realizar nossas operações no menor incômodo possível à população. Helicópteros fazem barulho e disso todos não têm dúvida mas, pergunto: precisamos mesmo pousar em um heliponto da área central às 3 horas da manhã ou podemos nos deslocar para um helicentro ou aeroporto? Vejo que no futuro, provavelmente essa será a moeda de troca para que não sejamos inteiramente proibidos de sobrevoar as grandes cidades. Restrições devem vir. Esse é o preço de nosso sucesso e do crescimento de nosso mercado. Todos nós nos adequaremos às novas realidades que devem estar por vir. Foi assim com os Slot´s em Congonhas com os aviões, com o rodízio de nossos carros, com todos os locais que frequentamos e que possuem grande acúmulo de pessoas. Enfim, sobreviveremos... mas somente se cada um de nós fizer o seu papel!

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na internet

MAST BUMPING Atenção pilotos de aeronaves de duas pás: O fenômeno MAST BUMPING - ou colisão do rotor principal com o mastro - é algo que deve ser evitado a todo a custo durante o voo. Caso aconteça, dificilmente você sobreviverá para contar a história. Quando ocorre essa colisão, o mastro e o rotor principal são separados entre si e nada mais restará a ser feito. Esse fenômeno matou dezenas de pilotos militares durante a guerra do Vietnã quando eram largamente utilizadas aeronaves Huey e Cobra. O Mast Bumping é causado por uma ação incorreta do piloto para uma abrupta e inesperada mudança na ati-

Para mais informações assista o vídeo na Internet que possui tradução legendada feita pelo Cmte. Nicolau Saba

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tude do helicóptero. Essas mudanças podem ser ocasionadas por uma manobra com G-Negativo, falha do motor ou do rotor de cauda. Mas afinal, como evitar? Podemos evitar esse fenômeno realizando movimentos suaves e graduais no cíclico para a recuperação das atitudes anormais citadas acima. Aplicar o cíclico para o mesmo lado em que a aeronave começará a derivar poderá ser a única manobra possível para a saída dessa condição difícil, antes que ocorra o impacto do rotor e do mastro e sua catastrófica separação.

http://www. youtube.com/ watch?v=O2Q93HPSqT0


curtas

Parabéns Aviador A todos que fazem da ABRAPHE a maior associação de pilotos civis de helicóptero do mundo, representando mais de dois mil pilotos de helicóptero em todo o território nacional, nosso agradecimento e comprometimento com a disseminação de informação para a formação adequada, o aprimoramento constante e a segurança de voo. A Abraphe está à disposição dos pilotos e tem efetuado a atualização de todos os associados cadastrados para poder aprimorar ainda mais o serviço prestado. Piloto, atualize seu cadastro, contate-nos por email cadastro@abraphe.org.br, telefone (11) 2221 2681 ou faça-nos uma visita em nossa sede, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 09 às 17 horas.

Compartilhe No ar desde 05 de agosto, a Fan Page da Abraphe é o canal oficial da entidade no Facebook. A agilidade da mídia social com o cuidado de oferecer informação de qualidade aos fãs e usuários do Facebook motivou a mudança do perfil para a página. O engajamento tem sido crescente. São mais de 600 fãs e crescimento na marca dos 20% em acessos e envolvimento entre uma semana e outra. Acompanhe as informações, compartilhe, curta no Facebook: Abraphe – Associação Brasileira

de Pilotos de Helicóptero

Eletronic Flight BAG A ABRAPHE, juntamente com a IATA e a APPA foram as três únicas associações a participarem do evento realizado pela Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento do ICA- Instituto de Cartografia Aeronáutica, em novembro, no Rio de Janeiro. Na pauta do workshop, o EFB – Eletronic Flight Bag. Em sua apresentação, o presidente da Abraphe, cmte Rodrigo Duarte, chamou a atenção para a aplicação das inovações tecnológicas na asa rotativa, com vistas em contribuir com o piloto, favorecendo a segurança de voo. O evento restrito a convidados, contou ainda com a participação de empresas do setor e da ANAC. A apresentação estará em breve disponível no site da Abraphe, na Sala de Pilotos, acesse e confira.

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CAPA

AW169 A aposta da AgustaWestland para atender ao mercado brasileiro de transporte corporativo e privado. Parapúblico também será atendido pelo modelo, que junto ao AW189 prometem incrementar a expansão da empresa em solo nacional

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Foto: Divulgação

Além da linha de montagem, o plano é instalar no espaço um centro de treinamento, estoque de peças, áreas de trabalho e outros serviços de apoio, incluindo um heliporto dedicado. O projeto tem prazo para ser completado no final de 2014. O projeto é uma resposta para a demanda do mercado brasileiro e deverá atender à esperada introdução de significativos números de novos helicópteros AW189 e AW169. O modelo AW169 visa o mercado de transporte corporativo e privado, além do setor parapúblico, enquanto o AW189 é destinado principalmente ao mercado offshore de petróleo e gás. Segundo Daniele Romiti, diretor executivo da empresa, “o Brasil é um mercado em crescimento importante para a AugustaWestland, num momento em que nossos negócios crescem não só no Brasil, mas por toda a América Latina. As novas instalações permitirão que nós ampliemos nossa presença industrial com o potencial de montar helicópteros no Brasil, demonstrando nosso compromisso de longo prazo com a região e nossos clientes.” A grande sensação da feira, no entanto, foi o modelo AW169 que atraiu olhares e atenção especial. O helicóptero exposto é um mock-up similar aos protótipos que estão realizando voos de teste na sede da empresa, em Cascina Costa, Itália.

A AgustaWestland, uma empresa Finmeccanica, anunciou durante a Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition), realizada nos dias 14,15 e 16 de agosto, em São Paulo, que sua subsidiária AgustaWestland do Brasil passará por uma grande expansão. A empresa construirá suas novas instalações em São Paulo, que incluirão hangares de manutenção com espaço suficiente para acomodar uma linha de montagem final de helicópteros.

O AW169 é parte da família de helicópteros AgustaWestland da nova geração que inclui os modelos AW139 e AW189. Esses helicópteros todos possuem as mesmas características de alto desempenho e de segurança de voo, além de compartilharem o mesmo conceito do cockpit e filosofia de design. Esta abordagem irá proporcionar economia de custos reais nas áreas de treinamento, manutenção e suporte para os operadores existentes dos AW139 que adicionarem AW169 e / ou AW189 às suas frotas. Lançado em julho de 2010, o AW169 rapidamente encontrou o sucesso contínuo do mercado, com mais de 70 unidades encomendadas, até agora, de clien-

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Fotos: Carolina Denardi

CAPA

AW169 exposto na Labace 2013 atraiu olhares. Trata-se de um mock-up similar aos protótipos que estão realizando voos de teste na sede, em Cascina Costa

tes na América do Norte e América do Sul, Ásia, Oriente Médio, Europa e Austrália para uma ampla gama de missões em diferentes segmentos incluindo EMS, SAR, Parapúblico, transporte de passageiros, transporte offshore e utilitário. O AW169, com sua versatilidade da nova geração de helicóptero bimotor, foi concebido em resposta à crescente demanda do mercado para uma aeronave que oferece alto desempenho, atende todas as normas de segurança exigidas e tem papel multifunção. É o primeiro helicóptero com o projeto totalmente novo de sua categoria nas últimas décadas e é o único que vai atender a todos os requisitos de segurança mais modernos e exigentes.

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Telas tipo touch screen na cabine de pilotos

O AW169 incorpora diversas novas tecnologias que fornecem os mais altos níveis de segurança e benefícios operacionais para seus clientes. A nova geração de tecnologia é incorporada nos sistemas dos rotores principal e traseiro, motores, aviônicos, transmissão e sistema elétrico de distribuição. O AW169 é equipa-


Foto: Divulg ação

AW189 outra investida da Agusta para o mercado brasileiro, destinado principalmente ao mercado offshore de petróleo e gás

do com dois motores PW210 da classe de 1,000 shp que vão dar à aeronave a capacidade de operar Cat. A Vertical / Classe 1 até a temperatura ISA+20 ao nível do mar em seu peso máximo de decolagem. Novas tecnologias incluem capacidade de modo APU e telas tipo touch screen na cabine de pilotos. O AW169 deverá começar a ser produzido em 2014. Há mais de 190 helicópteros civis da AugustaWestland operando no Brasil, em tarefas de transporte corporativo, offshore e em segurança. No segmen-

to offshore, cerca de 30 aeronaves AW139 prestam apoio à indústria de petróleo e gás do Brasil, enquanto que mais de 140 modelos AW109 e GrandNew (bimotores leves) operam no mercado de transporte corporativo e VIP.

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10ª labace

Frota de helicópteros cresce 14% em 2012 As baixas temperaturas registradas durante a 10ª edição da Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition) não intimidaram as 14 mil pessoas que visitaram o Aeroporto de Congonhas entre os dias 14 e 16 de agosto. Organizada pela ABAG - Associação Brasileira da Aviação Geral, a maior feira da aviação executiva da América Latina, segunda maior do mundo, perdendo apenas para a americana, organizada pela NBAA (National Business Aviation Association), reuniu 180 expositores e apresentou uma área externa com 68 aeronaves, incluindo a apresentação ao mercado nacional de modelos de até U$ 65 milhões. Saldo positivo para os principais fabricantes do mundo, que marcaram presença na Labace e comemoraram vendas de helicópteros e aviões durante o evento.

Discurso Afinado Na abertura do evento, o desempenho da aviação executiva em 2012, retratada no Anuário Brasileiro da Aviação Geral, deu o tom no discurso dos organizadores no sentido de olhar para a aviação executiva

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Foto: Ana Rita Aranha

Força da aviação executiva entoa discurso por infraestrutura aeronáutica

como importante ferramenta para o crescimento e o desenvolvimento do País. O presidente da ABAG, Eduardo Marson, destacou os desafios da aviação executiva no Brasil com destaque para a concessão de áreas aeroportuárias, tema caro para a aviação geral e o acesso da aviação executiva à infraestrutura aeroportuária. “Uma série de reivindicações do segmento foram levadas ao ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, mostrando como as concessões de áreas aeroportuárias podem afetar o setor. Pedimos a manutenção do espaço para a aviação geral nos principais aeroportos,


Principais fabricantes do mundo apontam o mercado brasileiro como representante de uma boa fatia das vendas anuais

FROTA SP - ESTUDO EXCLUSIVO ABRAPHE A ABRAPHE lançou com exclusividade na Labace estudo oficial sobre a frota de helicópteros em São Paulo, o que comprova que a capital do Estado é, também, a capital mundial de helicópteros. O levantamento considerou frota e número de operações por asa rotativa no País e nas principais capitais mundiais. São Paulo com mais de 400 aeronaves registradas e com a maior quantidade de operações diárias: em torno de 2000 pousos e decolagens/dia é a maior frota de helicóptero por cidades do mundo.

Kahn Foto: Marcelo

Cerca de 14 mil pessoas estiveram em Congonhas durante os três dias de evento

Abag

As cidades de Nova Iorque, nos Estados Unidos e Tóquio, no Japão, cidades de maior similaridade com São Paulo nas operações por helicóptero, ocupam respectivamente a segunda e terceira posição no ranking. Os dados utilizados pela Abraphe foram disponibilizados pelas entidades representativas dos principais polos de aviação por asa rotativa do mundo – FAA (Federal Aviation Administration), dos Estados Unidos; Canadian Civil Aircraft, do Canadá; MLIT (Ministry of Land, Infrastructure, Transport and Tourism), do Japão; CAA (Civil Aviation Authority), do Reino Unido; Deutscher Aero Club e Gleitschirm und Drachem fliegen in Deutschland, da Alemanha e Departamento de Infraestrutura, Transporte e Desenvolvimento Regional da Austrália, além dos dados mundiais da IHST (International Helicopter Safety Team) e da ANAC (Agência Nacional da Aviação Civil) e do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), que respondem respectivamente pelo registro de aeronaves e movimentação do espaço aéreo nacional. Os dados considerados são de 2012.

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Frota em crescimento

Durante o evento, o estande da ABRAPHE se manteve movimentado com a presença de pilotos, empresários, jornalistas especializados e autoridades interessadas na troca de informação e nos trabalhos em andamento pela entidade, o que resulta das ações da ABRAPHE nos últimos anos de se consolidar como interlocutora da aviação por asa rotativa junto aos órgãos reguladores e governamentais.

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Foto: Marcelo Kahn Abag

a construção de terminais dedicados nestes aeroportos, e ainda, em conjunto com a SAC (Secretaria de Aviação Civil) queremos desenvolver um projeto para atender, com a aviação geral, as cidades não servidas regularmente pelas companhias aéreas comerciais”, disse Marson.


Como na edição anterior, o presidente da ABRAPHE, cmte Rodrigo Duarte, reencontrou líderes nacionais da aviação brasileira engrossando o coro da ABAG com argumentos técnicos e estudos que contribuam na discussão dos desafios e problemas de infraestrutura do setor no sentido de encontrar soluções eficazes que não barrem o desenvolvimento seguro da aviação por helicóptero no País. (Mais da Abraphe na Labace na página 13). Em números, o Brasil registra taxas de crescimento muito maiores que as do resto do mundo e, se falarmos em valores, a frota de 13.895 aeronaves foi avaliada em US$ 13,3 trilhões, uma valorização de 16% em relação ao ano anterior. Além do crescimento da frota da aviação geral em 6,7%

em 2012, percentual 0,3% maior que o registrado no ano anterior, os dados da terceira edição do Anuário traz como destaques, quando as aeronaves são separadas por tipo, o aumento da frota de jatos (+ 16%), de helicópteros (+ 14%), aviões turboélices (+11%), aeronaves convencionais (+ 4%) e os anfíbios, capazes de pousar em terra e água (+ 16%). Para o próximo ano, o evento vai acontecer entre os dias 12 e 14 de agosto, com uma mudança: a Labace será de terça a quinta e não mais de quarta a sexta-feira, seguindo cada vez mais a tendência de feira do segmento, com alta qualidade de visitantes e grande volume de negócios. Mais informações em www.abag.org.br.

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SEGURANÇA DE VOO

O PESO DA METEOROLOGIA PARA O VOO METAR e SPECI são duas boas ferramentas para avaliação meteorológica.

Um voo seguro sempre se inicia com um planejamento adequado considerando todos os fatores que envolvem uma operação aérea. Dentre esses fatores, a meteorologia tem um importante peso para o voo. Saber as condições atuais do tempo, suas variações e probabilidades de mudanças podem ser a diferença entre um voo seguro ou um terrível acidente. Com a facilidade de acesso às informações aeronáuticas via telefone, internet e data-link a bordo de aeronaves é inaceitável ouvir de pilotos de que não sabiam o que iam encontrar durante um voo.

A ordem dos elementos, a terminologia, as unidades e as escalas usadas na confecção dos códigos METAR e SPECI são detalhadas no MCA 105-10 e disponível para consulta no site www.aisweb.aer.mil.br no item Publicações.

Duas boas ferramentas para avaliação meteorológica são respectivamente o METAR e o SPECI.

Essas mensagens já existem há muito tempo e são utilizadas em caráter mundial com pequenas alterações pontuais entre cada país de acordo com as necessidades locais. Todos os pilotos tiveram a chance de se familiarizar com as informações desde o início de suas carreiras no curso de Piloto Privado.

Por definição, METAR é o informe meteorológico regular de aeródromo, utilizado para a descrição completa das condições meteorológicas localmente observadas. É reportado em intervalos regulares de uma hora.

Veja na página 18 um quadro resumido com algumas siglas utilizadas no Brasil nessas mensagens e sempre consulte as informações meteorológicas pertinentes ao seu voo.

Estar sempre um passo a frente na cabine é fundamental para aumentar o nível de segurança a bordo e manter a integridade dos passageiros e do helicóptero que voamos.

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O SPECI é o informe meteorológico especial de aeródromo. É utilizado para a descrição completa das condições meteorológicas quando ocorrer uma ou mais variações significativas nas condições meteorológicas entre os intervalos das observações regulares (METAR).


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TABELA ICAO 4678 QUALIFICADOR

FENÔMENO DE TEMPO

INTENSIDADE OU PROXIMIDADE

DESCRITOR

PRECIPITAÇÃO

Leve

MI Baixo

DZ Chuvisco

BC Banco

RA Chuva

PR Parcial (cobrindo parte do aeródromo)

SN Neve

DR Flutuante

SG Grão de Neve

BL Soprada

IC Cristais de Gelo

SH Pancada

PL Pelotas de Gelo

TS Trovoada ou Raios e Relâmpagos

GR Granizo

Moderada – Sem Sinal

+ Forte

VC Nas Vizinhanças

FZ Congelante

GS Granizo Pequeno e/ou Graos de Neve

Seriedade para voar pelo céu e sustentabilidade para crescer com os pés no chão: esse é o Helicidade. Um novo horizonte para São Paulo.

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www.helicidade.com.br


OBSCURECEDOR

OUTROS

BR Névoa Úmida

PO Poeira/Areia em Redemoinhos

FG Nevoeiro

SQ Tempestade

FU Fumaça

FC Nuvem em Funil (Tornado ou Tromba d´agua) SS Tempestade de Areia

VA Cinzas Vulcânicas

DS Tempestade de Poeira

DU Poeira Extensa SA Areia HZ Névoa Seca

Junto com esses códigos ainda temos as condições de vento, visibilidade, altura da base e cobertura das nuvens, temperatura do ar e do ponto de orvalho e ajuste de altímetro. A abreviatura RMK indica o início de informações adotadas localmente que não são adotadas em caráter internacional. Destacamos também a abreviatura COR que é utilizada quando as mensagens são corrigidas após sua divulgação.

EXEMPLOS: METAR SBSJ 250100Z 14003KT 4000 –RA BR SCT007 BKN015 19/18 Q1019 SPECI SBSJ 250123Z 18010KT 1200 +TSRA BKN012 18/18 Q1019

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EXECUTIVO

INVESTIMENTO DE U$ 3,2 mi EM NOVO HELICÓPTERO DEVE AUMENTAR FATURAMENTO DA HELIMARTE Empresa de táxi aéreo há 14 anos no mercado aumenta sua frota e possibilidade de novos contratos São Paulo tem hoje a maior frota de helicópteros do mundo ultrapassando Nova York. São 411 aeronaves registradas e cerca de 2.000 pousos e decolagens por dia, enquanto NY conta com 140 aeronaves. O aumento deste número se deve a pequenas e

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Da esquerda para a direita, Alexandre Davi e o sócio, cmte e proprietário da Helimarte, Jorge Bittar, felizes com a aquisição

O novo helicóptero irá potencializar os serviços da Helimarte. “A chegada da aeronave fará com que possamos fechar novos contratos e ainda ter disponibilidade de helicópteros para voos turísticos, que têm tido crescente aumento. No mercado de táxi aéreo é raro se ver aquisição de máquinas zero. Os investimentos são altos e a maioria opta por comprar equipamentos usados. Nós preferimos colocar nossos passageiros em aeronaves novas em folha, isso dá muito mais credibilidade. Pensamos acima de tudo em segurança, mas o conforto vem junto”, afirma Jorge Bitar Neto, fundador da Helimarte.

médias empresas que fazem questão não só de aumentar sua frota, mas também poder proporcionar um melhor serviço a seus clientes, é o caso da Helimarte, empresa de táxi aéreo no mercado há 14 anos. A empresa fez um investimento de U$ 3,2 milhões na aquisição do novo helicóptero modelo Esquilo B2 – PR-JJB com capacidade para cinco passageiros. A aeronave foi adquirida em abril pela empresa e recebida oficialmente durante coquetel no dia 10 de outubro no hangar I da Helimarte, localizada no Campo de Marte. Estiveram presentes no evento secretários de governo e gestores de contratos, além de empresários de diversos setores para prestigiar a nova compra que irá ajudar a aumentar o número de contratos da empresa.

Hoje a Helimarte conta com dois hangares próprios no Campo de Marte, em São Paulo. Juntos, os dois espaços comportam as 14 aeronaves da frota da empresa, 10 helicópteros, com capacidade de 1 a 6 passageiros e 4 aviões, com capacidade para 4 a 9 passageiros. “Com a nova aquisição nossa frota vai de 9 para 10 helicópteros, o que nos dá chance de contratar novos pilotos”, afirma Jorge. O setor de helicópteros no Brasil teve um aumento de 20% ao ano na média dos últimos cinco anos. São mais de 3,7 mil pilotos de helicóptero em operação e média anual superior a 300 licenças emitidas para Piloto Comercial de Helicóptero (PCH) nos últimos três anos. “O número de pilotos disponíveis com preparo necessário para voo é grande e queremos absorver esta demanda, estamos avaliando a possibilidade de novas contratações para o primeiro semestre de 2014”, finaliza Bitar.

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Prevenção

EVENTO DA HELIBRAS ALERTA PARA CUIDADOS BÁSICOS QUE REDUZEM OS RISCOS DE ACIDENTES Segurança operacional começa na concepção do produto e vai até o pouso final

A Helibras promoveu, entre os dias 24 e 25 de setembro, a primeira edição da Jornada de Segurança Operacional Helibras, que enfocou as medidas de prevenção a acidentes. Operadores e pilotos de helicópteros formaram o público-alvo desse encontro, que teve a presença de cerca de 300 pessoas. A abertura do evento, realizado na Universidade Anhembi Morumbi, foi feita pelo presidente da Helibras Eduardo Marson, que falou sobre a importância de as empresas participarem das iniciativas que visam incentivar e disseminar o conhecimento e as boas práticas em relação à constante melhoria dos níveis de segurança de voo. Iniciando as palestras, o Tenente Coronel Raul Moreira Neto, chefe do Seripa IV, abordou a filosofia SIPAER. A entidade desenvolve um sistema de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos civis e militares, alertando para os fatores que indicam a possibilidade de ocorrência de acidentes, os quais, se observados, podem auxiliar na prevenção. “Em todos os nossos processos de investigações, percebemos que nenhum acidente é novo ou se resulta de uma causa exclusiva. São vários os eventos e os precedentes que alertam o piloto para o risco, por isso é muito mais fácil prevenir do que remediar um acidente”, explicou o Tenente Coronel.

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Eduardo Marson, presidente da Helibras, destaca a importância de as empresas participarem das iniciativas que visam incentivar a segurança de voo

Fotos: Helibras/ Ricardo Durand


Jean -Marc Pouradier vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Eurocopter alertou os pilotos e proprietários sobre os riscos de customizações feitas por terceiros, fora dos padrões de qualidade e especificações técnicas dos fabricantes.

Mas um risco ou um perigo pode ser evitado muito antes de chegar ao piloto. A visão do fabricante em relação à segurança foi o tema da palestra do gerente de Qualidade Corporativa da Helibras, Francisco Bonnani. Ele alertou para outra questão de muita importância: a conformidade e a qualidade, desde a execução do projeto de um helicóptero até a perfeita manutenção. Qualidade e segurança corporativa podem ser muito subjetivas, pois se espera que essa área seja responsável por determinar, estabelecer e prover as necessidades e expectativas de clientes. “Na verdade, além de todo esse conceito, é a área da Qualidade que pode identificar e evitar possíveis riscos garantindo eficácia, desempenho e constantes melhorias para o helicóptero”, disse Bonnani.

namento da EFAI – Escola de Pilotagem, dirigida por ele. O objetivo dessa instituição é aumentar a conscientização dos proprietários e operadores de helicópteros a respeito da ligação existente entre formação inicial, formação avançada e nível de segurança da operação. O comandante explicou a importância de o piloto receber o treinamento para situações emergenciais, como pousos sem pedais, sem hidráulico, com manete de combustível fora da posição voo e autorrotações reais com o motor desengranzado até o toque e a parada completa da aeronave no solo.

O dia a dia da segurança Para avaliar e gerir melhor o que fazer já durante uma operação cotidiana, foi ministrada palestra sobre Treinamento de Emergências e Gestão de Riscos para pequenos operadores. “Pilotar não é só entrar no helicóptero, receber as informações da torre e levantar voo. É essencial

Em sua apresentação, o Comandante Bosco discorreu sobre o conceito de trei-

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Comandante Geraldo Cesar Barbosa Junior, da Mar1 Consultoria Aeronáutica foi um dos palestrantes

que o profissional conheça profundamente o manual da aeronave, saiba qual a sua capacidade e o seu desempenho, planeje os detalhes do trajeto e faça regularmente os relatórios de riscos para que possam ser estudadas formas de controle”, ressaltou o Comandante Geraldo Cesar Barbosa Junior, da Mar1 Consultoria Aeronáutica. No segundo dia da Jornada, o tema do direito criminal nas atividades aéreas foi abordado em palestra realizada pelo juiz federal Marcelo Honorato. Ele apresentou os artigos da lei e as penas que podem ser imputadas a responsabilidade de pilotos, operadores e proprietários de aeronaves. O juiz ainda mostrou alguns casos específicos que envolveram acidentes reais no Brasil e como foram os trâmites jurídicos e as responsabilidades. A plenária também foi palco para a participação internacional de Jean-Marc Pouradier, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança de Voo da Eurocopter. Sua palestra procurou alertar os pilotos e proprietários sobre os riscos de se ter uma baixa customização do helicóptero ou customizações que são feitas por terceiros, fora dos padrões de qualidade e especificações técnicas dos fabricantes.

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Da Helibras, participaram ainda dois especialistas que trouxeram assuntos de interesse do público. Sílvio Frank, instrutor do Centro de Treinamento, abordou os riscos envolvidos com a operação de helicópteros quando a Altitude Densidade não é considerada. Falou sobre como esse fator pode contribuir para acidentes e como deve ser calculado, mostrando os gráficos e cálculos que os pilotos devem considerar nos seus planejamentos de voo. Por sua vez, o piloto de testes Rogério Holzmann trouxe para os participantes uma visão geral do voo de teste após manutenção. Falou dos requisitos e operações que devem ser seguidos quando da execução desse tipo de voo, citou a avaliação que deve ser executada em voo ou no solo, com os rotores girando, as condições operacionais da aeronave após uma inspeção periódica, uma troca de componentes principais, ou até uma intervenção de manutenção importante. A Jornada de Segurança Operacional Helibras teve o apoio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), da ABRAPHE, do International Helicopter Safety Team (IHST) Brasil, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), além da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, que cedeu o espaço para as palestras.


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espaço anac

REGULAR PARA CRESCER Em sete anos de ANAC foram emitidas mais de cinco mil licenças para pilotos de helicópteros nas categorias de Piloto Privado (PPH), de Piloto Comercial (PCH) e de Piloto de Linha Aérea (PLH). A expedição de licenças para a categoria de Piloto Privado (PPH), por exemplo, quase triplicou até o final de 2012, com aumento de 293,58%, passando de 187, em 2006, para 736, em 2012. Ao mesmo tempo, a frota brasileira de helicópteros dobrou desde 2006, saltando de mil aeronaves de asa rotativa para duas mil até agora.

O crescimento constante desse segmento ao longo desses anos e a busca por novos aperfeiçoamentos na área de licenças e habilitações fizeram com que a ANAC publicasse, em 2012, o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil n° 61 (RBAC n° 61/2012). O regulamento trouxe e ainda prevê diversos aper-

feiçoamentos para a emissão de licenças, especialmente aos pilotos de helicópteros e interessados na profissão. Com a finalidade de prorrogar as exigências dos cursos de PP e de PLA para a realização de exames teóricos, entre outras modificações, foi emitida a Emenda n° 01 do RBAC n° 61, em vigor desde junho deste ano. Outra inovação implementada para os pilotos de helicópteros, e que deve ser revista para se adequar aos novos treinamentos IFRH, foi a publicação da IS n° 61002A de 2012, que aborda as orientações para instrução e exame de proficiência para concessão, revalidação e requalificação de habilitação IFRH em aeronaves não certificadas para voos IFR. Essa IS regulamenta o voo de instrução para IFRH em ambiente simulado. Na prática, podemos con-

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siderar a equivalência ao “voo sob capota” que é adotado nas aeronaves de asa fixa. O treinamento IFR simulado, expedido pela IS 61-002A, foi implementado para a obtenção de licença de PCH, conforme o RBAC n° 61, entretanto, a norma ainda não fornece subsídios suficientes para o check IFRH, o que deve ser modificado. Outro ponto incluso na revisão é a “restrição VFR” que aparece para as habilitações de tipo de helicópteros. Tendo em vista esses pontos, a ANAC deve publicar nos próximos meses uma revisão da IS 61-002A, que também contará com um detalhamento da instrução e do exame de proficiência em helicópteros “sob capota”, com esclarecimentos sobre a aprovação de helicópteros para treinamento IFR e orientações sobre o uso do espaço aéreo. Essa possibilidade de realizar a instrução IFR em helicópteros certificados somente para voos VFR certamente tornará mais acessível à obtenção da habilitação IFRH para os pilotos e futuros pilotos de helicóptero, uma vez que os custos de operação dessas aeronaves são menores. Além disso, os procedimentos que serão estabelecidos pela nova IS será um importante passo para garantir que o treinamento recebido pelos pilotos que optem por esse tipo de instrução possuam um padrão de qualidade e segurança. Ciente da necessidade de aprimoramento do processo de certificação do pessoal da aviação civil, a ANAC instituiu o tema como um de seus 11 projetos prioritários. Esses projetos Prioritários fazem parte do Programa de Fortalecimento Institucional (PFI), que tem como objetivo preparar a ANAC para o futuro. Os projetos prioritários consistem em ações estratégicas que visam proporcionar ganhos significativos para a atuação da Agência. Cada projeto possui um gerente, uma equipe e um diretor patrocinador.  O projeto de Otimização da Certificação de Pessoal da Aviação Civil é patrocinado pelo diretor-presidente da ANAC, Marcelo Guaranys.

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SRPV Por Carlos Roberto TRANNIN – 1º Ten QOEA SIA

O CENTRO AIS DE SÃO PAULO (CAIS): A QUEBRA DE UM

PARADIGMA

A situação das Salas AIS do Brasil não fugiu desse contexto. Assim, atualmente existem cerca de 126 Salas AIS no país, sendo 60 Salas na esfera do Departamento de Controle do Espaço Aéreo - DECEA (civis e militares) e 66 Salas da INFRAERO, atendendo a média mensal de 103.200 contatos (referentes aos anos 2010/2011/2012). Com o credenciamento do uso do telefone e a disponibilidade das informações aeronáuticas e meteorológicas na Internet, o usuário, em sua maioria, optou pelo não comparecimento às Salas AIS. Em algumas salas o atendimento telefônico atingiu a expressiva cifra de

Percentual de Salas x Percentual do Serviço Prestado

Percentagem do Total

A origem da Sala AIS de Aeródromo decorreu da necessidade de pilotos e de aeronavegantes terem um local para obtenção das informações disponibilizadas por esse serviço. Assim, o paradigma original da Sala AIS foi originalmente concebido como o local ideal onde os pilotos poderiam obter informações, planejar seus voos e submeter seus planos de voo, tendo em vista a tecnologia da primeira metade do século XX. Portanto, quanto maior o número de Salas AIS, melhor seria o serviço prestado e maior seria a segurança de voo. Dessa forma, nações como os Estados Unidos da América criaram mais de 400 Salas AIS em seu território (Chamadas Flight Service Station - FSS). Aconteceu, porém, que ocorreram avanços na 60% Tecnologia da Informação (TI) e nas Telecomunicações que faci50% litaram o acesso aos 40% bancos de dados, re30% volucionaram os ser20% viços de atendimento 10% em geral e que não fo0% ram adequadamente SALAS explorados pelos serSERVIÇO viços AIS no mundo.

18 Salas Categoria A 21 Salas Categoria B 24 Salas Categoria C 63 Salas Categoria D 14%

17%

19%

50%

49%

27%

13%

11%

Fonte: MSG NR. 14/OANO/4537 – DECEA, 2012

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Fonte: MSG NR. 14/OANO/4537 – 01/03/2012 – DECEA - ( Dados referentes a média mensal de 2009/2010/2011)


90% de todo o serviço prestado ao usuário. Com isso, as atividades das Salas AIS no Brasil ficaram centradas na função ARO (Centro de Notificação de Serviços de Tráfego Aéreo), pulverizadas em cerca de 130 números telefônicos espalhados pelo país. O atendimento das Salas AIS dos principais centros ficou congestionado, gerando muitas reclamações dos usuários, enquanto surgiu um potencial ocioso na maioria das salas, conforme quadro a seguir:

Fonte: The Transition From The Federal Aviation Administration; To Contractor-operated Flight Service Stations: Lessons Learned. USA. 2007

Crédito: PPGS101 Pilot Ground School, TX

Flight Station Service Forth Worth, Texas, EUA

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SRPV Em respostas a esses desafios, diversos países signatários da OACI - Organização da Aviação Civil Internacional centralizaram e modernizaram o serviço de atendimento ao plano de voo, quebrando o paradigma da Sala AIS como o local ideal para atendimento ao usuário, reduzindo drasticamente a estrutura desse serviço para poucas unidades ou, no limite, um único centro de atendimento por telefone e Internet. Diante do panorama exposto, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) está repensando todo o modelo de serviço prestado. Como consequência, o Serviço de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP) implantou o primeiro Centro de Atendimento ao Plano de Voo do Brasil no Departamento de Controle do Espaço Aéreo de São Paulo (DECEA-SP), no Aeroporto de Congonhas: o Centro AIS (CAIS) - órgão por intermédio do qual o usuário presencialmente, por telefone, por fac-símile ou, ainda, pela Internet (em implantação vigente) pode apresentar seus planos de voo e respectivas mensagens de atualização. Foto do autor – 25/09/13

Centro AIS São Paulo O CAIS inicia suas operações com quatro posições de atendimento ao plano de voo em uma central única: 2112-3450. Nesta fase inicial só estão sendo aceitos planos de voo originários do Campo de Marte, de Congonhas e dos helipontos da Terminal São Paulo na projeção da FIR Curitiba. Isso, por si só, já representa cerca de 400 contatos diários, mais de 10% do total dos atendimentos ao plano de voo

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realizados no país. Também estão sendo realizadas avaliações de desempenho, visando ao redimensionamento dos recursos humanos e a ampliação progressiva da sua área de abrangência. Simultaneamente, está sendo implantada a apresentação de plano de voo pela Internet no CAIS, ação que atenderá a uma grande aspiração do usuário e impactará a forma de recebimento de plano de voo no país. Foto do autor – 23/09/13

Operadora AIS Regina na recepção do primeiro Plano de Voo pela Internet no CAIS SP em 23/09/2013.

Em médio prazo também serão implantadas soluções em TELECOM com o alvo de gerenciar dados estatísticos para melhor servir ao usuário. No início da década de 80, o Conselho da OACI reconheceu que o sistema de controle do espaço aéreo mundial, em todos os seus aspectos, estava engessado no conceito da aviação dos anos 40 e 50. Constatou-se o seguinte cenário: de um lado um crescimento vertiginoso do tráfego aéreo e de outro lado o desperdício das potencialidades das tecnologias de satélites, computadores e novos meios de comunicações (OACI, Global Air Navigation Plan for CNS/ATM Systems. Doc 9750. 2002). Nesse contexto, o CAIS é um rompimento do paradigma de Sala AIS gerado nos anos 40 e 50. Sua implantação cria desafios novos a cada dia, gerando massa crítica para a prestação de um serviço melhor ao usuário e buscando trazer o plano de voo do Brasil ao estado da arte.


SEGURO PCHV

DIÁRIA POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA PARA PILOTOS Cobertura permite indenizar não apenas os casos de incapacidade permanente, mas situações de afastamento temporário por acidente ou doenças cobertas Focado em pilotos, copilotos, comissários e engenheiros de voo, o seguro de vida PCHV – Perda de Certificado de Habilitação de Voo – da Mongeral Aegon traz uma novidade para o mercado de aviação: cobertura de DIT (Diária por Incapacidade Tempórária). Essa cobertura complementa o produto PCHV permitindo indenizar não apenas os casos de incapacidade permanente, já previstos na versão anterior do produto, mas também situações de afastamento temporário causados por acidente ou doenças cobertas. A proteção de DIT chega para integrar o pacote oferecido a este segmento do mercado, que já contava com os serviços tradicionais de seguro de morte e perda de licença permanente. “Trabalhamos com foco em inovação para criar produtos com proteções específicas, que atendam às necessidades atuais do mercado. O PCHV é um exemplo disso. Além do seguro de vida, que é comum a diversos perfis, fomos buscar maneiras de atender a demandas de uma categoria profissional que possui características muito peculiares”, afirma Leonardo Lourenço, Superintendente de Marketing da Mongeral Aegon. “Oferecer produtos cada vez mais competitivos e flexíveis está em nosso DNA”, completa o executivo.

atender ao crescente número de profissionais da categoria no País. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o ano de 2012 apresentou um aumento de quase 53% na emissão de licenças para piloto privado em comparação ao ano anterior.

A Mongeral Aegon A Mongeral Aegon está entre as dez maiores seguradoras independentes do Brasil e é líder no mercado de fundos de pensão instituídos. Foi a primeira a estruturar o seu portfólio em coberturas individuais que permitem montar planos de acordo com o perfil do cliente, em vez de fazê-lo se adequar a um pacote pronto de benefícios que não necessariamente cobre da melhor maneira os riscos sociais a que está exposto. Atualmente, possui 55 sucursais em todo o território brasileiro, que servem de base para o trabalho de 4 mil consultores de benefícios parceiros. A empresa tem em seu DNA a ética, a inovação e o pioneirismo, e possui hoje mais de 700 mil vidas seguradas de todas as classes sociais, espalhadas pelo Brasil. Desde 2009, a empresa faz parte do Grupo AEGON, um dos dez maiores grupos seguradores do mundo, presente em mais de 20 países, com 25 mil funcionários e ativos de mais de € 450 bilhões (equivalente a mais de R$ 1 trilhão).

O Seguro de Vida PCHV da Mongeral Aegon está disponível em todo o território nacional, com objetivo de

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SAÚDE Por Vanessa Manga Misson Graciotti

RUÍDO,

O PERIGO SILENCIOSO Atualmente o RUIDO é um tema comum e muito discutido no dia -a- dia das pessoas, principalmente daquelas que trabalham diariamente no ruído, como os profissionais da aviação, indústrias, músicos, entre outros. Para mostrar a gravidade de ficar exposto a níveis de ruído intensos, lembramos que o Ministério do Trabalho exige proteção auditiva a indivíduos expostos a níveis de ruído acima de 85 dB e que também limita o tempo de exposição de acordo com a intensidade do ruído, por exemplo, para 95 dB de exposição o limite é 1 hora e 45 minutos; 110 dB apenas 15 minutos e 115 dB ,7 minutos. No trabalho, nas ruas, no lazer, ele está presente e sua presença é tão comum que não nos damos conta, mesmo quando em intensidades elevadas, isso porque nos adaptamos a ele. Este é o principal motivo de ser um risco silencioso. A nossa capacidade de adaptação nos permite permanecer no ruído por mais tempo que suportaríamos. Sem contar que além do ruído do trabalho e das ruas, permanecemos no ruído durante o lazer, ouvindo música em intensidade elevada, usando fones de música para praticar esportes ou nos trajetos de casa ao trabalho. O fato é que , atualmente, momentos de silêncio ou ambientes com tranquilidade sonora são raros.

A preocupação com seus malefícios é constante por parte de estudiosos, empregadores e programas como o PSIU atuante no município de São Paulo. A necessidade de diminuir a poluição sonora é urgente, entretanto extremamente difícil em um mundo altamente tecnológico e com evolução rápida. Estudos comprovam os males causados por exposição ao ruído, tanto auditivos quanto extra auditivos. Os problemas auditivos como perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados (PAINPSE) e seus sintomas como zumbido, dificuldade de entendimento de fala, entre outros são 100% possíveis de serem prevenidos com a utilização efetiva de um bom equipamento de proteção individual. Os efeitos extra auditivos como cansaço, dores de cabeça, irritabilidade, alterações hormonais, cardíacas e até impotência sexual também se beneficiam com o uso de protetores auditivos. Os sintomas extra auditivos são grandes responsáveis por distração e má qualidade de vida, aumentando a possibilidade de erros e acidentes no trabalho e no dia a dia. Além de medidas educacionais e medidas no ambiente são necessárias medidas individuais de proteção, que acabam sendo mais acessíveis e mais rápidas para proteger do ruído intenso. Sabemos que os profissionais da aviação necessitam de proteção auditiva, mas ao mesmo tempo precisam ouvir, pois ouvir e compreender as informações sonoras é vital em suas atividades.

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ou mais, sem risco de super proteção, pois possui filtros que fazem cortes de determinadas frequências, permitindo a comunicabilidade. Na cidade de São Paulo atualmente cerca de 900 profissionais de diferentes áreas estão usando esta nova tecnologia. No Aeroporto Campo de Marte alguns pilotos de helicóptero da Policia Civil, Policia Militar e pilotos comerciais, além dos pilotos da Força Aérea Brasileira e, segundo relatos, o conforto e a possibilidade de comunicação são impressionantes. O Dr. Fabio Sampaio, delegado de polícia, relata que este protetor diminui o ruído do ambiente porém não altera o som da fala. “Consigo conversar a curta distância sem escutar o barulho do ambiente inerente a um aeroporto. Quando estou voando com este novo protetor não preciso mais elevar o volume da fonia interna e nem dos outros rádios para perfeita compreensão, ao contrário de quando usava meu outro protetor de espuma”. Outro diferencial do Custom PLug, além de ser moldado em poucos minutos, é ser o único protetor qualificado individualmente na orelha do usuário, pois possui um software que registra a quantidade de atenuação do protetor dentro do canal auditivo do usuário. Portanto, após moldado e qualificado o usuário recebe seu protetor exclusivo e com a certeza de qualidade e segurança. Pensando na necessidade cada vez maior de proteger do ruído sem perder a capacidade de comunicação, não só no ambiente de trabalho, mas no dia-a-dia, nas ruas, no lazer, chega ao mercado uma nova tecnologia em proteção auditiva, o Custom Plug.

Ideal para as pessoas que precisam se proteger sem deixar de ouvir.

O Custom Plug é um protetor moldado individualmente em cada orelha, portanto extremamente confortável, com capacidade mínima de atenuação de 23 dB chegando até a 39 dB

Este protetor foi aprovado por fonoaudiólogos especialistas em audiologia, estudiosos e atuantes na saúde do trabalhador. Mais informações em www.customplug.com.br.

Vanessa Manga Misson Graciotti é diretota da Communicare Saúde, fonoaudióloga especialista em Audiologia e Aprimomento em Saúde do Trabalhador do Instituto de Estudos Avançados da Audição-IEAA e Sonomax Techinician – Implementadora Custom Plug.

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Bom Saber Postado por Bob Sharp em Autoentusiastas

CEGUEIRA DE MOVIMENTO

Até cerca de três décadas atrás, esta técnica de cabeça numa rótula & olhos se movimentando era a única maneira de avistar outros aviões por perto. Hoje os pilotos contam com radares, mas a velha técnica ainda tem utilidade. Para uma pequena demonstração da cegueira de movimento, acesse o link abaixo da imagem que aparece nesta página. É a mesma demonstração usada para pilotos em treinamento nas salas de aula antes mesmo que cheguem perto de um avião. Ao clicar no atalho, vê-se um conjunto de cruzes azuis sobre um fundo preto. Há um ponto verde piscante no centro e três pontos amarelos fixos à volta dele.

Nas batidas em que um carro que seguia rapidamente atinge um mais lento saindo de uma via transversal, os motoristas dos carros rápidos geralmente afirmam não terem visto o veículo vindo da direita ou da esquerda. Eles não estão mentindo, apenas não viram realmente o outro veículo, mesmo à plena luz do dia. O fenômeno (que diz respeito aos motoristas do carro Se fixarmos o olhar no ponto verde mais rápido) é chamado de Cegueira de Movi- http://www.msf-usa.org/motion.html que alguns segundos, os pontos amaremento. É incrível, mas é verdadeiro e preocupante. los desaparecerão aleatoriamente, isolados ou em pares, ou os três de uma vez. Na verdade, os pontos amaOs pilotos militares recebem instrução sobre cegueirelos estão sempre lá. ra de movimento durante seu treinamento porque ela ocorre em velocidades mais altas e, até certo ponto, isto Observe os pontos amarelos por algum tempo para ceré aplicável a motoristas também, especialmente aos de teza de que não foram parar em algum lugar. carros mais velozes. Desse modo, se você dirige, leia o Pode-se alterar a cor de fundo ou a rotação do conjunto que segue com atenção: clicando nos botões apropriados. As observações do auOs pilotos são instruídos a alternar o olhar entre varrer tor sob o conjunto giratório são educativas. o horizonte e o painel de instrumentos quando em voo e Assim, se estivermos dirigindo em alta velocidade numa nunca fixá-lo mais que alguns segundos num único obrodovia e se fixarmos o olhar na estrada à frente, não vejeto. Eles são ensinados a manter a cabeça como se ela remos um carro, um scooter, uma moto, uma bicicleta, estivesse montada numa rótula e a movimentar os olhos uma vaca ou mesmo um ser humano vindo de um lado. continuamente. Isso porque quando se está em movimento, fixar o olhar num objeto por algum tempo faz a Pedestres, Pilotos de aviões e visão periférica sumir. Essa é a razão desse fenômeno helicóptero cuidado redobrado! ser chamado de cegueira de movimento. Inverta a cena mostrada. Se estivermos atravessando Para os pilotos de caça essa é a única maneira de sobreviver no ar, não apenas durante um combate aéreo, mas também sob as ameaças de tempos de paz como as colisões no ar.

uma estrada a pé e um carro rápido vier se aproximando, há 90% de chance de que o motorista não esteja te vendo, pois a visão periférica dele pode estar zerada. E poderemos estar naquela zona cega! Texto adaptado para a Abraphe OnAir. Versão na íntegra com comentários em http://autoentusiastas.blogspot.com.br/2013/01/ cegueira-de-movimento.html

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- Illustration : Marie Morency

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Abraphe On Air 7ª Edição  
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