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Revista Brasileira de TECNOLOGIA e NEGÓCIOS de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis o p i n i ã o Capa Guia Estudante.pmd

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Ano X • setembro 2008 • Número 61 (Suplemento Guia do Estudante) • www.tnpetroleo.com.br

Dicas para uma carreira promissora

de Alberto Machado, diretor executivo da Abimaq e coordenador de MBA da FGV

Guia do

ESTUDANTE

Nesta edição

A importância da energia em nossas vidas A história do petróleo O ciclo do petróleo no Brasil Biocombustíveis As profissões Lista dos cursos Programas de Trainee

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Entrevista exclusiva

José Renato Ferreira de Almeida, coordenador executivo do Prominp

A ponta do iceberg


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sumário

setembro 2008 • Número 61 (Suplemento Guia do

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Estudante)

Entrevista exclusiva com José Renato Ferreira de Almeida, coordenador executivo do Prominp

A ponta do iceberg

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A importância da energia em nossas vidas

do petróleo 20 A29 história O ciclo do petróleo no Brasil

36 Biocombustíveis 39 Etanol 45 Gás Natural

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As profissões setembro 2008 • Número 61 (Suplemento Guia do Estudante) Fotos: Stock.xcng e Roberto Rosa

59 Lista dos cursos 61 Programas de Trainee seções 03 editorial 62 feiras e congressos

63 opinião TN Petróleo Estudante

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editorial editorial

Rua do Rosário, 99/7º andar Centro – CEP 20041-004 Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel/fax: 55 21 3852-5762 www.tnpetroleo.com.br tnpetroleo@tnpetroleo.com.br DIRETOR EXECUTIVO Benício Biz beniciobiz@tnpetroleo.com.br DIRETORA DE NOVOS NEGÓCIOS Lia Medeiros (21 9781-3110) liamedeiros@tnpetroleo.com.br EDITORA Beatriz Cardoso (21 9617-2360) beatrizcardoso@tnpetroleo.com.br SUBEDITOR Victor Abramo (21 8881-3605) victor.abramo@tnpetroleo.com.br EDITOR DE ARTE, CULTURA E VARIEDADES Orlando Santos (21 9491-5468) REPÓRTER Cassiano Viana (21 9187-7801) cassiano@tnpetroleo.com.br RELAÇÕES INTERNACIONAIS Luiz Felipe Pinaud (21 9841-9638) lfelipe@tnpetroleo.com.br DESIGN GRÁFICO Benício Biz (21 3852-5762) beniciobiz@tnpetroleo.com.br PRODUÇÃO GRÁFICA E WEBMASTER Laércio Lourenço (21 3852-5762) webmaster-tn@tnpetroleo.com.br Marcos Salvador (21 3852-5762) marcossalvador@tnpetroleo.com.br FOTOS Aílton Santos (21 9992-2108) REVISÃO Sonia Cardoso (21 3502-5659) DEPARTAMENTO COMERCIAL José Arteiro (21 9163-4344) josearteiro@tnpetroleo.com.br Cristina Pavan (21 9408-4897) cristinapavan@tnpetroleo.com.br Leandro Silva (21 8130-2899) leandro@tnpetroleo.com.br ASSINATURAS David Lourenço (21 3852-5762/R.26) david@tnpetroleo.com.br CTP e IMPRESSÃO Walprint Gráfica DISTRIBUIÇÃO Benício Biz Editores Associados Os artigos assinados são de total responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores. TN Petróleo é dirigida a empresários, executivos, engenheiros, geólogos, técnicos, pesquisadores, fornecedores e compradores do setor de petróleo. ENVIO DE RELEASES Sugestões de temas ou envio de matérias devem ser feitos via fax: 55 21 3852-5762 ou pelo e-mail tnpetroleo@tnpetroleo.com.br

Filiada à

Educação é a base

A

afirmação é óbvia, mas não custa nada repetir, pois parece que muitos esquecem. Não pode ser suporte, escora, arrimo, pois tudo isso sustenta determinado peso. Tem que ser maior que isso: tem que ser base, fundamento. Sem educação a humanidade não avança... Não há justiça social nem desenvolvimento econômico sustentável se não há educação. Países que hoje despontam como as potenciais nações do futuro – quando ontem eram apontadas como subdesenvolvidas ou em desenvolvimento –, só poderão manter esta posição se mantiverem investimentos firmes em educação; se colocarem a educação como prioridade permanente. É o caso do Brasil, um dos integrantes da liga de países que emergem como novas lideranças: o Bric (conjunto de países que, além do Brasil, congrega Rússia, Índia e China). O termo foi criado em 2001 pelo economista Jim O’Neill, chefe da área de pesquisa da Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do mundo, com 139 anos de existência. O Brasil tem que fazer uma lição de casa básica para não ficar para trás: avançar na parte social, a despeito das melhorias que vem registrando no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Este indicador de qualidade de vida compara não somente as riquezas econômicas geradas por um país, mas também os níveis de alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade, entre outros fatores que influenciam a qualidade da vida. Subimos, em 2007, para a categoria de país com alto desenvolvimento humano. Mas somos lanterninhas: estamos na 70ª posição, que é o último desta categoria. O Brasil lidera em alguns aspectos: com mais de 2% de investimentos do Produto Interno Bruto (PIB) em tecnologia da informação é o líder do Bric no setor. É bom lembrar que o nosso PIB, de 1,3 trilhão de dólares, é maior que o da Rússia e o da Índia (com seus 1,1 bilhão de habitantes). Somos grandes exportadores: de minérios, alimentos, equipamentos. Exportamos até petróleo! E a nossa indústria é bem diversificada, destacando-se internacionalmente em vários setores – aviação, auto-

mobilismo, petróleo e gás, farmacêutica, siderurgia etc. Temos ainda um mercado financeiro moderno, estabilidade macroeconômica e uma democracia consolidada. Fatores que contribuíram para o Brasil alcançar, no primeiro semestre, o grau de investment grade, que nos coloca como um país confiável para investimentos externos. O que é reforçado pelo crescimento do PIB, de 6,1% no primeiro semestre de 2008. No entanto, continua a deficiência na educação do Brasil. No ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as 30 nações mais ricas (e que tem a China como observador), o Brasil está em 52° lugar entre os 57 países avaliados em quesitos como ensino de ciências, indicador de confiança, entre outros. Fica à frente dos demais parceiros do Bric... mas isso não é consolo. Este quadro tem que mudar. E um dos combustíveis para isso está justamente no setor de petróleo, nas expectativas de imensas reservas de óleo e gás no pré-sal, que está mobilizando a indústria mundial. Podemos até dobrar ou triplicar nossas reservas! Mas este petróleo não será retirado do subsolo e, se retirado, não irá promover o desenvolvimento sustentável caso não haja investimentos maciços em educação. qualificação de nosso capital humano – ou seja, da força produtiva, daqueles que fazem a economia andar. Não teremos como desenvolver novas tecnologias e processos, superar desafios, estabelecer novos paradigmas sem educação. Mais ainda em seu tratando de um setor em que a inovação é obrigatória, como o da indústria petrolífera. Sabemos que, para inovar, precisamos investir nas novas gerações, naqueles que vão conduzir o mundo no futuro próximo, pois nenhum país pode se considerar desenvolvido enquanto houver lacunas na educação. Todos temos um papel a cumprir neste processo. Inclusive a imprensa, uma vez que informação é a base da educação. Com este Guia do Estudante, a Benício Biz Editores quer dar uma pequena contribuição. Outras virão. Contem com a gente.

Benício Biz Diretor executivo da TN Petróleo

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entrevista exclusiva José Renato Ferreira de Almeida, coordenador executivo do Prominp

iceberg A ponta do por Cassiano Viana

O Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), criado pelo governo federal e que vai completar cinco anos em dezembro, tem mostrado que o setor viu, até agora, apenas “a ponta do iceberg de tudo o que está por vir”, na visão de seu coordenador executivo, José Renato Ferreira de Almeida. “O que estamos vivenciando agora é uma situação completamente diferente do que imaginávamos há cinco anos atrás. Temos que rever nossa atuação. Nem em nossas expectativas mais otimistas prevíamos tudo isso”, afirma. Ele se respalda em uma sólida trajetória no setor: engenheiro mecânico formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Renato atuou como gerente de Construção de Projetos Industriais e de Plataformas Offshore na Petrobras, além de ter gerenciado as áreas de meio ambiente da engenharia e de equipamentos e tecnologia da Petrobras Internacional (Braspetro).

A INICIATIVA JÁ SE comprovou ser fundamental para a consolidação da indústria de petróleo e gás do Brasil. E, a despeito de inúmeros desafios, tem procurado cumprir o seu principal objetivo, que é o de maximizar a participação da indústria nacional de bens e serviços, em bases competitivas e sustentáveis, na implantação de projetos de óleo e gás natural no Brasil e no exterior. Com esta experiência, o Brasil, acostumado a importar modelos estrangeiros, pode orgulharse de ser um exemplo para outros países em desenvolvimento e produtores de petróleo e gás natural. Afinal, além da qualificação profissional – fundamental para o setor – o programa promove a competi4

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tividade da indústria nacional, através de ações de capacitação industrial, tecnológica, de fomento à micro e pequena empresa, e estabelece mecanismos de financiamento de capital de giro para fornecedores e programas de implementação de redes e centros de excelência, dentre outras atividades. Em entrevista exclusiva à TN Petróleo, José Renato adianta o que está por vir: “Estamos entrando em uma nova era: saindo da fase de importadores para sermos exportadores de petróleo. E isto significa, certamente, que vamos entrar em uma fase muito próspera, e por um longo tempo. Resta estarmos devidamente preparados para ela.”

TN Petróleo – Qual a avaliação desses quase cinco anos de Prominp? José Renato Ferreira de Almeida – A partir dos anos 1980, com a crise do setor, houve uma redução significativa dos investimentos e conseqüentemente das encomendas de bens e serviços, e com isso, a indústria nacional perdeu muito de sua capacidade de produção. Ainda, com a abertura econômica do país, passou a enfrentar uma competição internacional para a qual não estava preparada. Assim, com a retomada dos investimentos, sobretudo no setor de petróleo e gás natural a partir de 2003, mostrou-se necessária uma ação para alavancar a participação da indústria nacional


A GERAÇÃO DE NOVOS EMPREGOS É CONSEQÜÊNCIA, ENTRE OUTRAS RAZÕES, DE UM CONJUNTO DE INICIATIVAS CRIADAS COM FOCO NO FORTALECIMENTO E COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA NACIONAL.

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entrevista exclusiva

O PROGRAMA TEM INVESTIDO NA QUALIFICAÇÃO DE PESSOAS E EMPRESAS, PARA

CAPACITÁ-LOS

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ATENDER AOS ALTOS PADRÕES EXIGIDOS PELO SETOR, DE FORMA A PODER ENFRENTAR OS TRADICIONAIS SUPRIDORES DO MER-

Parceiros do Prominp Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o Prominp conta com o apoio de parceiros de peso, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e associações de classe dos segmentos industriais relacionados ao setor, como a Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (Abce), a Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), a Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios (Abitam), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

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CADO MUNDIAL PARA A INDÚSTRIA DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL.

no fornecimento de bens e serviços, de forma competitiva e sustentável. Foi nesse contexto que o governo federal criou o Prominp. Naquela época, a previsão de investimentos do setor, no Brasil, era de US$ 35 bilhões em cinco anos. Hoje, a previsão para o período 20082012 é quase quatro vezes maior: R$ 128 bilhões de dólares – bem acima das projeções de 2003 para os cinco anos seguintes. Por outro lado, desde a criação do Prominp até junho deste ano, a participação da indústria nacional nos investimentos do setor de petróleo e gás aumentou de 57% para 75%. Esta elevação de conteúdo local resultou, nos últimos cinco anos, em cerca de US$ 8,3 bilhões de encomendas adicionais de bens e serviços no mercado nacional, gerando mais de 390 mil novos postos de trabalho pela indústria petrolífera no Brasil.

O Prominp é mais conhecido pela qualificação profissional, pelos cursos que realiza. No entanto, o programa vai além disso, não? A realização de cursos é apenas a parte mais visível do nosso trabalho. A geração de novos empregos é conseqüência, entre outras razões, de um conjunto de iniciativas criadas com foco no fortalecimento e competitividade da indústria nacional. O programa tem investido na qualificação de pessoas e empresas, para capacitá-los a atender aos altos padrões exigidos pelo setor, de forma a poder enfrentar os tradicionais supridores do mercado mundial para a indústria de petróleo e gás natural. No âmbito dos recursos humanos, foi estruturado o Plano Nacional de Qualificação Profissional (PNQP), com o objetivo de capacitar, por meio de cursos gratuitos, cerca de 112 mil profissionais até o final de 2009. O plano contempla 175 categorias profissionais, do nível básico ao superior, envolvendo quase 80 instituições de ensino em 17 estados, com investimentos da ordem de R$ 300 milhões. Mais de 25 mil alunos já tiveram seus cursos concluídos, e outros 17 mil estarão com cursos em andamento nas próximas semanas. A perspectiva é que até o final deste ano, cerca de 50 mil alunos tenham sido contemplados. E quanto às empresas brasileiras? Basicamente são desenvolvidas ações em duas frentes: 1) o desenvolvimento de fabricantes nacionais visando a substituição competitiva de importação; e 2) inserção de micro e pequenas empresas na cadeia de petróleo e gás natural. Com relação à primeira, estão sendo investidos pela Petrobras cerca de R$ 50 milhões em 24 projetos de desenvolvimento de equipamentos, considerados estratégicos, que atualmente não são produzidos pela indústria nacional. Quanto à segunda, temos o convênio da Petrobras com o


a ponta do iceberg

Sebrae para inserção de micro e pequenas empresas na cadeia de petróleo e gás natural, com projetos envolvendo 53 parceiros e 17 unidades de negócios da Petrobras, em 12 estados da Federação. Mais de 2,3 mil micro e pequenas empresas já foram beneficiadas pelo convênio, gerando um potencial de negócios de cerca de R$ 1,7 bilhão, em 33 Rodadas de Negócios realizadas de 2005 a 2008. O fomento às micro e pequenas empresas é fundamental para o crescimento do país. Vale também destacar as ações para financiamento de capital de giro para os fornecedores da Petrobras, os programas de implementação de redes e centros de excelência, e os estudos de competitividade da indústria nacional. Ou seja: o Prominp vai além da qualificação de mão-de-obra. No que diz respeito ao PNQP, é verdade que uma grande distorção de informações é a de que o Prominp garantiria emprego após a conclusão dos cursos? O Prominp se propõe a implementar cursos para melhorar a qualificação dos profissionais que serão contratados pelas empresas fornecedoras de bens e serviços para o setor de petróleo e gás. Temos atualmente um aproveitamento de cerca de 70% dos alunos treinados, mas nossa meta é atingir os 100%, uma vez que o emprego é demandado pelas empresas, de acordo com suas reais necessidades em face da evolução da implantação dos investimentos. Para isso, procuramos promover ações de aproximação dos profissionais qualificados com as empresas fornecedoras do setor de petróleo e gás natural. Temos um Banco de Currículos e promovemos reuniões periódicas com as empresas para apresentar as possibilidades de absorver a mão-de-obra já qualificada. Apesar de não haver garantia de emprego, todas as ações

são planejadas para que as pessoas estejam preparadas quando forem demandadas pelo mercado, quer seja nos quantitativos, especialidades e localidades de implantação dos projetos. Levando em consideração apenas o cenário de crescimento de investimentos da Petrobras, tudo indica que precisaremos de mais mão-deobra e que as possibilidades para as empresas são igualmente crescentes. Em um estudo de demanda prospectiva até 2015, que realizamos com a UFRJ, foram considerados três cenários de crescimento. No cenário de baixo crescimento, de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB), a indústria nacional iria precisar de 56 mil novos trabalhadores, até 2009. Em um cenário de alto crescimento, de 5% do PIB, no mesmo período, seriam necessários mais 70 mil trabalhadores, para suprir a demanda adicional de mão-de-obra, o que exigiria novos investimentos para o treinamento de pessoal. Por outro lado, mesmo sem ser conhecida a projeção do volume de recursos necessários para o desenvolvimento dos novos campos de produção e outros investimentos anunciados, todo o plano de investimentos da Petrobras deverá ser alterado. Haverá um crescimento considerável de obras. O valor do plano de investimentos para a área de E&P no Brasil, de cerca de US$ 63 milhões até 2012, deverá ser revisto, principalmente em função da entrada dos projetos de desenvolvimento da produção na camada pré-sal. Como traduzir então esses índices de investimentos em oportunidades? O objetivo do Prominp é trabalhar no sentido de que a nossa indústria possa capitalizar, estar preparada para capturar ao máximo essas demandas e oportunidades. O fornecimento dos bens e serviços é hoje o principal gargalo para as ope-

radoras de petróleo e gás. Ou seja, tem-se destacado que o principal gargalo não é mais o financeiro, mas sim a capacidade do mercado em suprir de modo adequado as demandas de bens e serviços do setor. Este quadro se torna ainda mais crítico com o crescente aquecimento verificado no mercado mundial de petróleo e gás. Para direcionar as ações do Programa, temos tido como ponto de partida a carteira de investimentos da Petrobras e das demais operadoras do setor, com a indicação dos projetos e seus cronogramas claramente definidos. Deste quadro derivam todas as necessidades de recursos humanos, de materiais e equipamentos, e em ações a serem implementadas com o objetivo de atender a uma determinada demanda objetiva de projetos, em um horizonte de cinco anos. Nossa abordagem de trabalho até hoje funcionou dessa forma. O que acontece é que agora, com as novas perspectivas do pré-sal e todas as suas conseqüências, além dos grandes projetos que estão sendo anunciados nas outras áreas – novas refinarias, ampliação e renovação de frota, novas sondas de perfuração, barcos de apoio etc. – temos um novo horizonte. Por isso, faz-se necessária uma releitura do que têm sido as premissas orientadoras das nossas ações, frente a este cenário de outra magnitude. Até hoje, temos tido uma nitidez de cenário, com projetos bem definidos. Porém, a partir de agora, as demandas deverão ser muito maiores. Mesmo que se possa ter uma idéia de sua (grande) dimensão, não se tem, ainda, maior nitidez deste cenário. Tudo indica que até agora foi a ponta do iceberg. Precisamos, então, olhar em outra perspectiva e ver o que tudo isso significa. Que tipo de movimento e de mobilização será preciso? Provavelmente, de outra natureza, de outra ordem, com outra dinâmica. Nós estamos justamente buscando avaliar TN Petróleo Estudante

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entrevista exclusiva

A GRANDE FORÇA MOTRIZ DE TODO ESSE PROCESSO, A CÉLULATRONCO, É A DEMANDA. SE VOCÊ NÃO TEM DEMANDA, NADA ACONTECE. É FUNDAMENTAL o que deve ser feito, pois as perspectivas são de mudança de patamar das demandas associadas aos futuros investimentos do setor de petróleo, que vinha tendo grande evolução, mas que passa por um crescimento exponencial, não apenas para o fornecimento doméstico de bens e serviços, mas também para oportunidades de exportação. A exportação para geração de receita, de superávit? Na verdade, a indústria procura a rota de exportação por várias motivações. Uma delas é o desenvolvimento de outros mercados para garantir a sustentabilidade desta indústria, diante, por exemplo, de uma eventual queda da demanda doméstica. Você desloca a produção para a exportação. Essa é uma primeira motivação. Porém, o fato de estar no mercado internacional também baliza a sua competitividade. Você passa a ter outras referências, e avalia a sua própria capacidade de ser competitivo; passa a ter referenciais muito próximos e objetivos. Não que hoje tenhamos, preponderantemente, um movimento baseado na exportação, até porque temos uma demanda interna muito aquecida para atender, Qual o perfil do fornecedor nacional? 8

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TRADUZIR ESSA DEMANDA EM TERMOS DE UMA CADEIA DE FORNECEDORES, VISÍVEL PARA TODOS.

Existem vários níveis de fornecedores, mas esses níveis nem sempre são claramente visíveis. Por exemplo: a Petrobras contrata determinada empresa para construir uma plataforma. É ela que tem o contrato direto com a Petrobras. Porém, para cumprir este contrato, a empresa deverá ir ao mercado para comprar tubos, válvulas, conexões, bombas etc. Por sua vez, as empresas que fornecem estes equipamentos também têm seus subfornecedores de componentes, que possuem seus sub-subfornecedores de aço, tintas, materiais primários etc. É uma grande cadeia produtiva. Até onde essa cadeia é visível? Na medida que você estimula a compra do primeiro nível, estimula todo o res-

tante desta cadeia. E o importante é que todos estejam devidamente preparados para ser um fornecedor desta cadeia de suprimento. No âmbito do micro e pequeno fornecedor, tem sido desenvolvido um importante trabalho com o Sebrae – com os grandes, não é necessário um trabalho tão direto. São duas dinâmicas diferentes. Com o Sebrae, a partir do conhecimento da cadeia de demanda de bens e serviços são identificadas as oportunidade para as pequenas e micro empresas. A seguir, identificam-se as habilidades e qualificações requeridas, bem como os atributos técnicos, legais e financeiros para a empresa se habilitar a ser fornecedora do setor. A partir daí, o Sebrae prepara o plano de capacitação da empresa, de forma equivalente à capacitação das pessoas em nosso programa de qualificação profissional. Por outro lado, com as empresas de maior porte são implementadas ações de desenvolvimento de produtos, o que envolve questões também relativas à inovação. Para tanto, são levantados os itens a serem desenvolvidos, identificado o fabricante a ser desenvolvido, passando então para a fabricação e validação de protótipos. São os projetos de substituição competitiva de importação os que têm sido uma das possibilidades de atuar na preparação de nosso parque industrial para suprir as demandas do setor. Com isso, o portfólio da indústria do país cresce. Tudo de acordo com a demanda, certo? Claro. A grande força motriz de todo esse processo, a célula-tronco, é a demanda. Se você não tem demanda, nada acontece. É a demanda, a necessidade de bens e serviços que vai fazer você preparar pessoas, motivar a indústria a fazer investimentos, se mobilizar e estar preparada, pois nem sempre é visí-


a ponta do iceberg

vel pelas empresas as suas potenciais oportunidades, como fornecedores, para atender determinada demanda anunciada. É fundamental traduzir essa demanda em termos de uma cadeia de fornecedores, visível para todos. De um lado, temos a Petrobras tornando públicos os seus novos projetos, refinarias, plataformas, barcos de apoio etc. Uma gama de demandas apresentadas. As demandas devem ser divulgadas. É preciso passar para o mercado esse tipo de informação. A partir do diagnóstico da carteira de projetos e da capacidade produtiva é possível

dispor de tempo para atender a tudo da maneira mais adequada. Cada empresa deve se aproximar de sua associação. A pequena empresa deve procurar o Sebrae, por exemplo. Essa é a maneira de estar acompanhando, de ter informação atualizada sobre o que está acontecendo. Uma vez conhecida a demanda, é preciso ter os mecanismos para que tal oportunidade seja aproveitada. Queremos uma indústria competitiva. Qual o diagnóstico da demanda no país, dentro do que o Prominp aca-

A contrapartida

Foto: Banco de Imagens Petrobras

O compromisso das empresas também é fundamental para o sucesso do programa.

O

empresariado precisa se unir ao governo, à Petrobras e às associações de classe, investindo na capacitação de mão-de-obra para o setor de petróleo e gás. Esse foi o apelo praticamente unânime dos conferencistas do workshop ‘Os desafios para a indústria nacional frente às demandas do setor de Petróleo e Gás’, evento realizado pelo Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e

Gás Natural (Prominp), dia 2 de julho, no auditório do BNDES. “O empresário brasileiro não pode correr atrás da mão-de-obra somente na hora em que estiver com o contrato na mão”, afirmou o gerente executivo de Exploração e Produção Pré-Sal da Petrobras, José Miranda Formigli Filho. “Precisa, desde já, somar esforços e recursos, de forma a garantir que terá pessoal qualificado para executar seus contratos.” O

bou detectando nestes quase cinco anos? Uma de nossas principais atividades é mapear as demandas e a capacidade de atendimento da indústria, identificando os gargalos relacionados à qualificação profissional, à infra-estrutura industrial e ao fornecimento de materiais e equipamentos. Na vertente de desempenho empresarial, o Prominp está desenvolvendo um amplo estudo de competitividade da indústria brasileira, que analisa o desempenho de 18 setores da indústria nacional, comparativamente aos similares inexecutivo lembrou que o mercado de petróleo e gás está aquecido e as condições macroeconômicas são muito favoráveis à expansão projetada até 2012, o que representa uma garantia adicional aos negócios futuros no setor. O gerente executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro José Barusco Filho, lembrou que a revisão do Plano Estratégico da Petrobras 2009-2013, que será concluída em agosto e divulgada em setembro, vai incluir investimentos futuros em refinarias e na estruturação do Plano de Desenvolvimento Integrado do Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos, o que representará um impulso significativo em recursos e na demanda futura por máquinas, equipamentos e pessoal. “O mercado tem de estar capacitado para absorver essa nova demanda. Os contatos com federações de indústrias, com entidades como a Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo) e com instituições de ensino, como o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), já estão em curso. As empresas serão bemvindas.” TN Petróleo Estudante

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entrevista exclusiva

ternacionais de classe mundial. O estudo indica, para os setores de desempenho abaixo do desejável, as ações necessárias para a sua equiparação aos padrões mundiais de competitividade. Assim, a partir de um grande diagnóstico dos principais recursos necessários, ao longo do tempo, para a implantação dos projetos planejados, são identificadas as lacunas e gargalos relacionados à qualificação profissional, infra-estrutura industrial e fornecimento de materiais e equipamentos. Feito isso, procuramos implementar um conjunto expressivo de ações com o objetivo de equacionálas. Com base neste diagnóstico é possível desenvolver ações de preparação de pessoas e empresas para atender aos altos padrões exigidos pelo setor. Sem riscos de se superestimar ou subestimar a demanda? Uma das principais características do Prominp é que as suas ações são estruturadas a partir das reais necessidades de bens e serviços, associadas aos investimentos do setor, nas regiões do país onde os mesmos irão ocorrer, para evitar, por exemplo, o deslocamento de mão-de-obra. As demandas são muitas e bem diferentes de região para região. Foi pensando nisso que foram criados os Fóruns Regionais, que através da atuação dos vários atores regionais, como os governos estaduais, as federações das indústrias, as entidades de ensino, o Sebrae, trabalham para identificar e atender às necessidades locais. Como o Prominp afere sua atuação, por exemplo, no que diz respeito à participação da indústria nacional? O principal indicador dos resultados do Prominp é, sem dúvida, a evolução da participação da indús10

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tria brasileira nos projetos do setor de petróleo e gás natural. Desde a criação do programa, a participação da indústria nacional cresceu de 57% em 2003 para 75% no primeiro semestre de 2007, representando um valor adicional de US$ 8,3 bilhões em bens e serviços contratados no mercado doméstico e a geração adicional de 390 mil postos de trabalho neste período. Contudo, os nossos estudos sobre a competitividade da indústria nacional indicam que, ainda que dispondo de capacidade para o atendimento da demanda atual, o mesmo não se verifica para o atendimento da demanda futura. Assim, temos identificadas cinco rotas para a adequação do parque fabril nacional frente as demandas futuras do setor de P&G: 1) a ampliação da capacidade produtiva dos setores já competitivos; 2) o desenvolvimento da competitividade dos setores de média competitividade; 3) o incentivo à entrada de novas empresas nacionais; 4) o incentivo à associação de empresas nacionais com empresas estrangeiras; e 5) a instalação de empresas estrangeiras no país. Por outro lado, as medidas de enforcement de uma política de conteúdo local podem: a) ser requisitos constantes nos contratos de concessão; b) nos contratos de financiamento; ou c) ser iniciativa da própria operadora. O que muda com o anúncio de novas descobertas no pré-sal? Nossa expectativa e esforços serão para atender às novas demandas da indústria nacional, que certamente surgirão diante do potencial descoberto, que é estimulante para todos os que trabalham na cadeia produtiva do setor de petróleo e gás. As reservas representarão um acréscimo substancial na produção atual e, por isso, será essencial a ampliação dos esforços de qualifi-

cação de mão-de-obra especializada, para ampliar a capacidade competitiva do setor energético. Temos agora uma situação completamente diferente do que tínhamos em 2003. Nem mesmo nos cenários mais otimistas imaginávamos o que iria acontecer. Por exemplo, fizemos em 2005 um estudo de competitividade com o Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em que foram desenhados três cenários, de baixo, de médio e de alto crescimento. Projeções feitas antes do pré-sal. Para se ter uma idéia da distorção do que tínhamos na época e hoje, projetávamos o preço mais elevado de petróleo em US$ 95. E já ultrapassamos os US$ 140! Então, todos os parâmetros que elaboramos em 2005, mesmo os mais otimistas, são tímidos diante das atuais perspectivas. Estamos falando de um novo mundo, mesmo olhando apenas para três novas descobertas, como Tupi, Júpiter e Carioca. Estamos falando em demandas em outra escala, muito maior. Ou entendemos isso ou perdemos o tal do ‘bonde da História’. Em contrapartida, as expectativas para as tradicionais regiões de produção offshore, Golfo do México, Mar do Norte e Ásia é de que estas províncias petrolíferas não apresentem um crescimento significativo de produção nos próximos anos, mas sim uma produção estacionária, ou mesmo decrescente, como e o caso do Mar do Norte. Assim, sabe-se que o futuro está na produção offshore no chamado Atlântico Sul, na costa do Brasil e costa oeste da África. Então, estamos entrando em uma nova era: saindo de um período de importadores para sermos exportadores de petróleo. É uma demanda ainda maior. E isto significa, certamente, que vamos entrar em uma fase muito próspera, e por um longo tempo. Resta estarmos devidamente preparados para ela.


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energia

A importância da

ENERGIA em nossas vidas Quando se fala em energia, a primeira coisa que vem a nossa mente é estarmos falando de energia elétrica ou de combustíveis. Nada mais natural, uma vez que todas as nossas atenções estão voltadas para as questões energéticas com as quais o mundo vem se defrontando nas últimas décadas, porém não podemos esquecer que a energia é um insumo indispensável não apenas ao desenvolvimento econômico, mas as nossas vidas. Afinal, tudo é energia!

Foto: Keystone

por Fernanda Romero

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E

nergia é desenvolvimento. Se sustentável, ou não, é outra discussão. Mas sem energia as coisas não se movem, e sem movimento não há vida. O uso da energia, no século XX, estruturou a lógica e o raciocínio do homem nas mais variadas línguas; mudou o sentido dos negócios e encaminhou a humanidade para a maior revolução até então já vista: a globalização. Desde a primeira revolução industrial, quando o carvão mineral substituiu a lenha como fonte dominante, as energias fósseis se tornaram vetores centrais do industrialismo, tanto como combustível das máquinas a vapor, como insumo central para a fabricação de ferro. A energia das máquinas foi pouco a pouco substituindo o trabalho humano, dos animais e aquele obtido a partir das energias renováveis – como a biomassa e a energia eólica. As matérias-primas obtidas a partir de energias fósseis foram substituindo as naturais, principalmente a madeira. Esse processo de uso das energias fósseis se intensificou muito com o advento da segunda revolução industrial, iniciada por volta de 1950, com a instauração de novas fontes energéticas como o petróleo, o gás natural e a hidreletricidade etc. As sociedades humanas dependem cada vez mais de um elevado consumo de energia para sua subsistência. Para isso, foram sendo

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Foto: Nilton Rolin, Itaipu Binacional

Foto: Keystone


energia

Configuração da matriz energética no Mundo

Configuração da matriz energética no Brasil

Fonte: Ministério das Minas e Energia, 2008

desenvolvidos, ao longo da história, diversos processos de produção, transporte e armazenamento da mesma. A partir de 2000 até 2030, a demanda projetada de energia no mundo aumentará 1,7% ao ano, quando alcançará 15,3 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP, ou toe, na sigla internacional, em inglês) por ano, 14

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de acordo com o cenário base traçado pelo Instituto Internacional de Economia (Mussa, 2003). Em condições ceteris paribus – ou seja, se tudo permanecer sem mudança –, os combustíveis fósseis responderão por 90% do aumento projetado na demanda mundial, até 2030. A matriz energética mundial tem participação total de 80% de

fontes de carbono fóssil, sendo 36% de petróleo, 23% de carvão e 21% de gás natural. O Brasil se destaca entre as economias industrializadas pela elevada participação das fontes renováveis em sua matriz energética. Isso se explica por alguns privilégios da natureza, como uma bacia hidrográfica contando com vários rios de planalto, fundamental para a produção de eletricidade (14%), e o fato de ser o maior país tropical do mundo, um diferencial positivo para a produção de energia de biomassa (23%). Em nosso planeta encontramos diversos tipos de fontes de energia. Elas podem ser renováveis ou esgotáveis. Por exemplo, a energia solar e a eólica (esta última obtida com os ventos) fazem parte das fontes de energia inesgotáveis. Por outro lado, os combustíveis fósseis (derivados do petróleo e do carvão mineral) são encontrados em quantidade limitada, podendo acabar caso não haja produção e consumo racionais. No Brasil, a maior quantidade de energia elétrica gerada provém de usinas hidrelétricas (cerca de 95%). Em regiões rurais e mais distantes das hidrelétricas centrais, têm-se utilizado energia produzida em usinas termelétricas e, em menor escala, a eletricidade gerada por energia eólica. A estrutura geológica do Brasil é privilegiada em comparação com a de outros países. O potencial hidrelétrico brasileiro é elevado, as possibilidades de obtenção de energia usando a biomassa como fonte primária são enormes, e a produção de petróleo e gás natural vem aumentando gradualmente. Para atingirmos a plena auto-suficiência energética precisamos lançar mão de uma política energética com planejamento


e execução bem direcionados. No setor petrolífero, o Brasil já alcançou a auto-suficiência na produção, mas ainda precisa importar óleo porque nossa capacidade de refino não dá conta da demanda.

Foto: Banco de Imagens Stock.xcng

a importância da energia em nossas vidas

Principais fontes de energia Energia Hidráulica – a mais utilizada no Brasil em função da grande quantidade de rios em nosso país. A água possui grande potencial energético e, quando represada, este fator aumenta. Utiliza-se a energia hídrica no Brasil em grande escala, devido aos imensos mananciais de água existentes. Numa usina hidrelétrica existem turbinas que, na queda d’água, fazem funcionar um gerador elétrico, produzindo energia. Embora a implantação de uma usina provoque impactos ambientais, na fase de construção da represa esta é uma fonte considerada limpa. Em 1994, o país possuía potencial hidrelétrico de mais de 260 mil MW, e a capacidade nominal instalada de produção encontrava-se na casa dos 60 mil MW de energia elétrica. Desse total, 90% eram obtidos em usinas hidrelétricas e 10% em termelétricas. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina possuem usinas termelétricas graças à disponibilidade de carvão mineral, o que torna baixos os gastos com transportes. Há usinas termelétricas também em São Paulo, por apresentar duas vantagens: o custo de instalação de uma usina termelétrica é bem menor do que o de uma hidrelétrica, e a localização de uma usina hidrelétrica é determinada pela topografia do terreno, enquanto uma termelétrica pode ser instalada em locais mais convenientes. Atualmente, no estado de São Paulo muitas usinas de açúcar e álcool usam a queima de bagaço da cana como

fonte primária para a produção de energia, o que faz com que tais usinas sejam auto-suficientes em energia. A maior usina hidrelétrica do Brasil é a de Itaipu (Foz de Iguaçu) com capacidade para gerar 12.600 MW. O maior potencial hidrelétrico instalado no Brasil encontrase na bacia do rio Paraná. Essa bacia drena a região onde se iniciou efetivamente o processo de industrialização brasileiro, e por isso conseguiu receber mais recursos em infra-estrutura. Mas, o

maior potencial disponível do país está nos afluente do rio Amazonas, na Amazônia brasileira, onde o pequeno adensamento de ocupação humana e econômica não atraiu investimentos. Durante a década de 1970 e o início da década de 1980, o setor energético teve grande impulso. A partir das duas crises mundiais do petróleo (1973 e 1979), a produção de energia elétrica passou a receber grandes investimentos, por se tratar de fonte alternativa ao combustível fóssil. A política

Aneel

de; mediar os conflitos de interesses entre os agentes do setor elétrico e entre estes e os consumidores; conceder, permitir e autorizar instalações e serviços de energia; garantir tarifas justas; zelar pela qualidade do serviço; exigir investimentos; estimular a competição entre os operadores e assegurar a universalização dos serviços. A missão da Aneel é proporcionar condições favoráveis para que o mercado de energia elétrica se desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME). Foi criada pela Lei 9.427 de 26 de dezembro de 1996. Tem como atribuições regular e fiscalizar a geração, transmissão, distribuição e comercialização da energia elétrica, atendendo às reclamações de agentes e consumidores com equilíbrio entre as partes e em beneficio da socieda-

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Energia Fóssil – aquela formada a milhões de anos a partir do acúmulo de materiais orgânicos no subsolo. A geração de energia a partir destas fontes costuma provocar poluição por utilizar a combustão como fonte de gera16

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ção – e esta contribui para o aumento do efeito estufa e o aquecimento global. Isto ocorre principalmente nos casos dos derivados de petróleo (diesel e gasolina) e do carvão mineral. Já no caso do gás natural, o nível de poluentes é bem menor.

riais orgânicos (esterco, restos de alimentos, resíduos agrícolas). O gás metano produzido é usado para gerar energia. Energia Eólica – gerada a partir do vento. Grandes hélices são instaladas em áreas abertas – os movimentos delas acionam turbinas que produzem a energia elétrica. É uma fonte limpa e inesgotável, porém, ainda pouco utilizada. Energia Nuclear – o urânio é um elemento químico que possui muita energia. Quando o núcleo é desintegrado, é liberada enorme quantidade de energia. As

Energia Solar – ainda pouco explorada no mundo, em função do custo elevado de implantação, é uma fonte limpa, ou seja, não gera poluição nem impactos ambientais. A radiação solar é captada e transformada para gerar calor ou eletricidade. Energia de Biomassa – é a energia gerada a partir da decomposição, no curto prazo, de mate-

Foto Angra 2: Eletronuclear

governamental estabeleceu como prioridade a construção de grandes usinas. Quando analisamos seus aspectos técnicos, essas obras são polêmicas e questionáveis. Usinas com grande potencial exigem a construção de enormes represas, o que pode causar sérios danos ambientais, além de exigir a instalação de uma extensa, sofisticada e caríssima rede de transmissão de energia, que em alguns casos chega a se estender por um raio de mais de 2.000 km. Alguns ambientalistas argumentam que a construção de pequenas e médias usinas ao longo da área atendida pelos grandes projetos de extensão mineral e siderúrgicas causaria um impacto ambiental menor, e diminuiria as perdas na transmissão da energia.

Foto: Keystone

Foto: Banco de Imagens Stock.xcng

energia


a importância da energia em nossas vidas

usinas nucleares aproveitam esta energia para gerar eletricidade. Embora não produza poluentes, a quantidade de lixo nuclear é um ponto negativo. Os acidentes em usinas nucleares, embora raros, representam grande perigo. Energia Geotérmica – nas camadas profundas da crosta terrestre existe alto nível de calor. Em algumas regiões, a temperatura pode superar 5.000°C. As usinas podem utilizar este calor para acionar turbinas elétricas e gerar energia. Ainda é pouco utilizada. Energia Gravitacional – gerada a partir do movimento das águas oceânicas nas marés. Possui custo elevado de implantação e, por isso, é pouco utilizada. Especialistas em energia afirmam que, no futuro, esta será uma das principais fontes de energia do planeta.

Energia do Hidrogênio – é considerada como uma das potenciais energias do futuro, visto que sua matéria-prima (H2) é o elemento mais abundante do universo. Este tipo de recurso energético consegue conciliar as vantagens das energias renováveis e não renováveis exploradas hoje em dia, tem a vantagem de não ser poluente e de não se esgotar, como as energias renováveis, e tem enorme valor energético, superior ao das energias não renováveis. Parece estranho dizer que um elemento tão simples possa ser uma forma de energia tão valiosa, mas suas características como pouca massa, grande quantidade de energia e a sua utilização junto a célula a combustível permitem maior vantagem sobre as fontes de combustíveis atuais. Para utilização do hidrogênio

como fonte de energia é necessário o seu uso junto a uma célula de combustível. O Brasil, apesar de estar começando a desenvolver a tecnologia de célula a combustível em um número maior de atividades públicas e privadas, já apresenta uma experiência considerável nesta área, embora ainda seja insignificante, em termos quantitativos, e a maior parte dos estudos direcionados para o setor petrolífero e atividades de indústrias químicas na produção de peróxido de hidrogênio, por exemplo. Atualmente, as linhas de pesquisas do hidrogênio para aplicações em células a combustível estão focadas na produção de hidrogênio por eletrólise, na reforma do etanol e do gás natural e no armazenamento de hidrogênio em metais, denominado ‘hidreto’.

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energia

Relatório de Energia da BP 2008

O RELATÓRIO ANUAL de estatísticas do setor de energia da BP para 2008, apresentado em julho deste ano, aborda a alta dos preços, o crescimento econômico e a demanda de energia, o mercado de óleo (crescimento do consumo, desenvolvimento do mercado, desafios do suprimento etc.), e outros combustíveis (gás, carvão, energia nuclear e renováveis). No que diz respeito ao consumo, o relatório aponta que o mundo está consumindo óleo mais rápido do que se está encontrando, mesmo com grandes reservas. O aumento dos preços afeta não apenas as operadoras, mas também, obviamente, o consumidor. A médio prazo, considera-se que a era da energia barata acabou. O consumo global cresceu, cerca de um milhão de barris por dia. A explicação para esta subida está nas economias emergentes que têm distorcido o mercado em nível mundial. Os preços do petróleo estão subindo há seis anos consecutivos, que é o maior período de crescimento de preços da história desde 1861. Há dez anos o petróleo de Brent custava 11,36 dólares o barril e desde 2003 o preço do óleo cru já aumentou 300%. Em 2007, o preço do Brent aumentou 63% dos 59 para os 96 dólares o barril, no que foi o maior aumento no período de um ano civil desde 1999. A BP explica esta subida com o controle da produção por parte da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), com o crescente controle estatal da produção e limitações ao investimento privado em algumas regiões do mundo, o que afetou a oferta de petróleo, e com o declínio natural da produção dos países da OCDE. Do lado da procura aumentou a pressão por parte dos países emergentes (Índia e Chi-

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Foto: Banco de Imagens BP

Alta dos preços, crescimento econômico e demanda de energia

na), sobretudo porque os preços dos combustíveis são subsidiados, não sofrendo os consumidores a pressão da alta dos preços. O relatório considera que os especuladores não tiveram grande influência na subida dos preços. A BP refere que não é possível estabelecer uma relação causal entre a especulação financeira e o aumento do preço do petróleo, mas que apesar dos mercados financeiros não terem capacidade para fazer subir os preços, têm capacidade para ampliar essa tendência. Apesar da falta de elasticidade da oferta ser uma das razões apontadas para a subida dos preços, a BP menciona que a situação em relação às reservas não é tão grave como por vezes se supõe. Segundo os dados da BP, as reservas provadas de petróleo têm aumentado mais do que o consumo anual, existindo ao ritmo do consumo de 2007, reservas de petróleo para 42 anos, reservas de gás para 60 anos e de carvão para 133 anos. • O consumo de energia dos chineses aumentou 7,7%;

• O consumo de energia primária no mundo aumentou 2,4% em 2007 • O consumo mundial de petróleo aumentou 1,1% em 2007. O crescimento do consumo foi forte nos países exportadores de petróleo. • Aumento de 6.5% no consumo de gás natural dos Estados Unidos. • Os chineses representam 52% no crescimento do consumo mundial de energia em 2007. • O carvão é o combustível que mais cresceu em consumo durante os últimos cinco anos. • O consumo de gás subiu 3,1% em 2007, ligeiramente acima da média de 10 anos. Os Estados Unidos representou este maior crescimento tanto na produção quanto no consumo. Ainda sobre o estudo estatístico da BP, o comércio global de GNL cresceu 7,3%, no ano passado. O Egito produziu 5,2 milhões de toneladas da commodity no primeiro semestre de 2008, mas têm potencial para 6,1 milhões de toneladas. O país árabe usou a maior parte do produto para consumo doméstico. No período, a Nigéria produziu oito milhões de toneladas, cerca de 72% de seu potencial.


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12/9/2008, 21:29

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petróleo

PETRÓLEO A palavra petróleo vem do latim petroleum, petrus, pedra e oleum, óleo, do grego pet???a???(petrelaion) óleo da pedra. por Fernanda Romero

Foto: Keystone

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ma das principais fontes de energia no planeta Terra nos tempos modernos, o petróleo tem seus primeiros registros históricos há 4000 anos a.C., quando apareceram as primeiras exsudações e afloramentos no Oriente Médio (onde estão algumas das maiores reservas do mundo). Há diversas teorias a respeito do surgimento do petróleo no mundo, porém a mais aceita é a de que ele surgiu do acúmulo de restos orgânicos de animais e plantas (plâncton marinho e lacustre; algas, diatomáceas, peixes, moluscos, plantas superiores, etc.) no fundo de lagos e mares, sofrendo transformações químicas ao longo de milhares de anos. O betume (também chamado de pez natural) foi o primeiro hidrocarboneto usado pelos povos da Mesopotâmia, do Egito, da Pérsia e da Judéia, na pavimentação de estradas, calafetação, aquecimento e iluminação de casas, bem como lubrificantes e até laxativo. Trata-se de uma mistura sólida, pastosa ou mesmo líquida de compostos químicos que aflora naturalmente, mas que pode ser obtida em um processo de refino. O uso bélico (óleo inflamado) começou na era cristã, pelos árabes, que o utilizavam ainda na iluminação. Há registros de que o petróleo de Baku, no Azerbaijão, já era produzido em escala comercial, dentro dos padrões da época, quando Marco Pólo viajou pelo norte da Pérsia, em 1271. A história do petróleo no mundo começa na Pensilvânia (EUA), em 1859, onde o primeiro poço de petróleo foi descoberto. Ele foi encontrado em uma região de pequena profundidade (21 m), ao contrário das escavações realizadas hoje, que chegam a milhares de metros. Em princípio era extraído apenas o querosene para iluminação, mas com o advento da indústria automobilística (Ford fabrica o primeiro modelo em 1896) e do avião, somado à sua utilização nas guerras, tornou-se o principal produto estratégico do mundo moderno. As maiores cem empresas do nosso século estão ligadas


Foto: Keystone

PETRÓLEO NO MUNDO PAÍS/REGIÃO América do Norte América Sul/Central

PRODUÇÃO* 2007

Variação 2006-2007

13.665

- 0.5%

CONSUMO* 2007 25.024

Variação 2006-2007 0.4%

6.633

- 3.6%

5.493

5.0%

Europa e Euroásia

17.835

1.5%

20.100

-2.0%

Oriente Médio

25.176

-1.8%

6.203

4.4%

África

10.318

3.2%

2.955

4.6%

7.907

0.3%

25.444

2.3%

81.533

-0.2%

85.220

1.1%

Ásia/Pacífico TOTAL MUNDIAL *Milhões de barris/dia

Fonte: BP

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Coronel Drake (com barba) em frente ao seu primeiro poço de petróleo, na Pensilvânia, EUA.

ao automóvel ou pelo petróleo. E os nomes de John Rockeffeler (que fundou a Standard Oil em 1870), Paul Getty, Leopold Hammer, Alfred Nobel, Nubar Gulbenkian e Henry Ford tornaram-se mundialmente conhecidos por estarem associados ao petróleo ou ao automóvel. A seguir, uma breve cronologia do petróleo. 1859 – O coronel Drake perfura o primeiro poço de petróleo na Pensilvânia, com 21 m de profundidade. 1868 – John Rockfeller cria a Standard Oil. A empresa deu origem a gigantes, como Exxon, Mobil e Chevron. 1876 – O estado da Califórnia começa a produzir petróleo e a Rússia passa a exportar. A cotação nesta época está em torno de US$ 45,58. 1904 – É criada a Anglo-Persian, que no futuro se 22

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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

petróleo

transformaria na British Petroleum. Quatro anos depois, a empresa descobre petróleo no Irã. 1922 – A Shell descobre um poço gigante de Maracaibo, na Venezuela. 1948 – Descoberto poço gigante na Arábia Saudita. Começa a recuperação após a Segunda Guerra Mundial. As cotações do petróleo estão em torno de U$ 15,59. 1951 – Acontece a primeira crise do petróleo devido à nacionalização dos poços da British Petroleum no Irã pelo ministro Mossadegh. 1956 – Deslancha-se a segunda crise do petróleo, com a nacionalização do Canal de Suez pelo então presidente do Egito, Gamal Nasser. Inglaterra e França intervêm militarmente na região e Israel avança sobre o Monte Sinai. 1960 – Fundação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pelos países árabes, em Bagdá. 1967 – Dá-se a terceira crise do petróleo, decorrente da

Guerra dos Seis Dias, entre Israel e países árabes vizinhos. 1969 – É descoberto petróleo no Mar do Norte. 1973 – A quarta crise do petróleo provoca o chamado “primeiro grande choque” com a Guerra do Yon Kippur. O preço nominal do barril saltou de U$ 2,90 para U$ 12. No ano seguinte, acontece o embargo ao petróleo árabe aos EUA e Europa e as cotações chegam a U$ 44,45 o barril. 1979 – Quinta crise do petróleo, que causou o “segundo grande choque”, provocado pela revolução iraniana e a Guerra Irã-Iraque. Preço sai de U$ 13 para U$ 34 o barril. 1989 – O petroleiro Exxon Valdez derrama 40 mil m³ de óleo no Alasca, um dos maiores desastres ecológicos do setor. 1990 – Iraque invade o Kuwait e gera a sexta crise do petróleo. 1998 – A crise financeira da Ásia resulta em sérios problemas econômicos.


Foto: Divulgação

Exxon Valdez

O preço do petróleo vai para U$ 15,20 o barril. 2005 – Cotação chega a níveis recordes e atinge U$ 70,85 o barril, com a passagem do furacão Katrina pelo Golfo do México, nos EUA, e pelo crescimento econômico da China. 2006 – A cotação do barril do petróleo manteve-se acima de U$ 70 a partir de abril, atingindo o recorde de U$ 78, em maio, em função do conflito entre Israel e o Hezbollah, no sul do Líbano. Outros fatores, como a crescente tensão entre Estados Unidos, Coréia do Norte e Irã também influenciam no preço do óleo no mundo. 2007 – O preço do barril do petróleo atinge, em setembro, novo recorde, cotado acima dos 90 dólares na Bolsa de Nova York. A alta do petróleo é impulsionada por temores em relação ao fornecimento do produto, associados às tensões na fronteira da Turquia com o Iraque e pela desvalorização do dólar frente ao euro. A cotação do barril já vinha sendo crescente desde agosto, com a crise das hipotecas imobiliárias de alto risco nos Estados Unidos (o subprime). 2008 – Novo recorde: o preço do barril do petróleo é cotado a US$ 140,00.

Natureza e origem O petróleo é uma substância oleosa, inflamável, menos densa que a água, com cheiro característico e de cor variando entre o negro e o castanho escuro. Embora objeto de muitas discussões no passado, hoje se tem como certa a sua origem orgânica, sendo uma combinação de moléculas de carbono e hidrogênio. Admite-se que esta origem esteja ligada à decomposição dos seres que compõem o plâncton – organismos em suspensão nas águas doces ou salgadas tais como protozoários, celenterados e outros – causada pela pouca oxigenação e pela ação de bactérias. Estes seres decompostos foram, ao longo de milhões de anos, se acumulando no fundo dos mares e dos lagos, e, por serem pressionados pelos movimentos da crosta terrestre, transformaram-se na substância oleosa que é o petróleo. Ao contrário do que se pensa, o petróleo não permanece na rocha onde foi gerado – a rocha matriz – mas desloca-se até encontrar um terreno apropriado para se concentrar. Estes terrenos são denominados ‘bacias sedimentares’, e estas são formadas por camadas ou lençóis porosos de areia, arenitos ou calcários. O petróleo aloja-se ali, ocupando os poros rochosos como forma de “lagos”. Ele se acumula, formando jazidas. Ali são encontrados o gás natural, na parte mais alta, e petróleo e água nas mais baixas. A natureza complexa do petróleo é resultado de mais de 1.200 combinações diferentes de

hidrocarbonetos. E ele pode ocorrer nos estados: sólido – asfalto; líquido – óleo cru e gasoso – gás natural. O petróleo constitui a principal fonte de energia na atualidade. O fato de o petróleo ser um recurso esgotável, aliado ao seu elevado valor, fizeram com que o combustível se tornasse um elemento causador de grandes mudanças geopolíticas e socioeconômicas em todo o mundo. Além de servir como base para a fabricação da gasolina, principal combustível para os veículos automotores utilizados no mundo, também resulta em vários outros produtos, como nafta, querosene, lubrificantes, etc. Por ser a principal fonte energia do planeta, o petróleo já foi motivo de algumas guerras. Entre elas, têm destaque a Primeira Guerra do Golfo, a Guerra Irã-Iraque, a luta pela independência da Chechênia e, a mais recente, a invasão do Iraque por tropas norte-americanas, em 2003. Sem dúvida, a existência de petróleo é sinônimo de riqueza e poder para um país. O combustível se tornou ainda mais valorizado após a criação, no Oriente Médio, da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que nasceu com o fim de controlar preços e volumes de produção. Hoje, os dez maiores produtores de petróleo do mundo são: Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos, Irã, China, México, Canadá, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Noruega.

Bacias sedimentares As rochas sedimentares são derivadas de restos e detritos de outras rochas preexistentes. TN Petróleo Estudante

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petróleo

Brasil, devido ao baixo potencial de nossas bacias em terra na comparação com as jazidas descobertas em águas profundas.

Condições para formação

Distribuição dos blocos de exploração de petróleo, de acordo com a Nona Rodada de Licitações, ANP.

O intemperismo faz com que as rochas magmáticas, metamórficas ou sedimentares estejam constantemente sendo alteradas. O material resultante é transportado pela água, pelo vento ou pelo gelo e, por fim, depositado como um sedimento. Deve haver, então, uma compactação ou cimentação do material para ele se transformar em rocha sedimentar. O Brasil possui 6.430.000 km² de bacias sedimentares, dos quais 4.880.000 km² em terra e 1.550.000 km² em plataforma continental. No entanto, para a formação de petróleo é necessário que as bacias tenham sido formadas em condições muito específicas. Em geral, são áreas em que sucessões espessas de sedimentos marinhos foram soterrados a grandes profundidades. 24

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Grande parte dos hidrocarbonetos explorados no mundo inteiro provém de rochas sedimentares. Se se falar em idade, praticamente 60% provêm de sedimentos cenozóicos, pouco mais de 25% de depósitos mesozóicos e cerca de 15% de sedimentos paleozóicos. No Brasil, a maior parte da produção está ligada a sedimentos mesozóicos. Existem dois tipos de bacias petrolíferas: onshore e offshore. Onshore – quando a bacia é terrestre. São originadas de antigas bacias sedimentares marinhas. Offshore – quando a bacia está na plataforma continental ou ao longo da margem continental. Quase todas as bacias petrolíferas brasileiras encontrase offshore. A exploração de petróleo onshore é reduzida no

Inicialmente deve haver a matéria orgânica adequada à geração do petróleo. Este material orgânico deve ser preservado da ação de bactérias aeróbias. O material orgânico depositado não deve ser movimentado por longos períodos. A matéria orgânica em decomposição por bactérias anaeróbias deve sofrer a ação de temperatura e pressão por períodos longos. O início do processo de formação do petróleo está relacionado com o início da decomposição dos primeiros vegetais que surgiram na Terra. Grande parte dos compostos identificados no petróleo é de origem orgânica, mas até que a matéria chegue ao estado de extração são necessárias condições especiais – e o ambiente marinho reúne tais condições. No ambiente marinho está a plataforma continental, a região que mais produz matéria orgânica. Os mares rasos também podem receber grande aporte de matéria orgânica. Embora semelhante ao carvão quanto à composição (hidrocarboneto), o petróleo possui certas características especiais: por ser fluido pode migrar para além de sua fonte geradora e acumular-se em estruturas sedimentares. O petróleo em geral ocorre em rochas sedimentares depositadas sob condições marinhas. Os egípcios utilizavam o petróleo como um dos elementos para o embalsamamento de seus mortos, além de empregarem o betume na união dos gigantescos blocos de rochas


das pirâmides. No continente americano, os incas e os astecas conheciam o petróleo e, a exemplo dos povos da Mesopotâmia, o empregavam na pavimentação de estradas. O petróleo aproveitado pelas civilizações antigas era aquele que aflorava à superfície do solo. Uma das peculiaridades do petróleo é a migração, ou seja, se ele não encontrar formações rochosas que, por serem impermeáveis, o prendam, sua movimentação no subsolo será constante, com a conseqüente possibilidade de aparecer à superfície. A partir de 1920, os transportes terrestres, marítimos e aéreos passaram a consumir quantidades cada vez maiores do novo combustível. Já em 1930, surgiu a indústria petroquímica, tendo como base o petróleo na produção de numerosos equipamentos, objetos, produtos, etc. Nessa época, o subproduto indesejável passou a ser o querosene, então pouco utilizado. Apenas com o advento dos aviões a jato, em 1939, esse combustível voltou a ser consumido em grande escala. Dessa forma, a indústria de refino teve grande impulso, garantindo o abastecimento de milhões de veículos e o funcionamento dos parques industriais. A gasolina passou a ser o principal derivado do petróleo, enquanto ocorria uma ampliação do sistema de estradas, exigindo mais asfalto. Em 1938, 30% da energia consumida no mundo provinham do petróleo. Mas as duas crises sucessivas do petróleo (1951 e 1956) levaram a uma reconsideração da política internacional em relação a esse produto, e os países dependentes

No alto, batimetria das Bacias de Santos, Campos e do Espírito Santo. Logo abaixo, exemplo de uma seção sísmica.

do petróleo intensificaram a busca de fontes de energia alternativas. Microorganismos marinhos (chamados plânctons), na ausência de oxigênio, se transformaram, ao longo de milhões de anos, nos constituintes do petróleo (hidrocarbonetos, animais, tioálcoois, etc.). Comercialmente, existem dois tipos de petróleo: o leve (de onde é tirada a gasolina) e o pesado (com maior proporção de querosene e óleos combustíveis). O petróleo leve tem maior cotação no mercado mundial, por causa do elevado consumo de gasolina.

O petróleo possui uma mistura de compostos orgânicos, na qual predominam os alcanos. É a mais importante fonte de energia (através da queima dos alcanos) e constitui a matériaprima da indústria petroquímica, responsável pela manufatura de milhares de produtos de consumo diário, tais como: plásticos, adubos, corantes, detergentes, álcool comum, acetona, gás hidrogênio, etc. As maiores reservas de petróleo (mais de 50%) mundiais estão nos países banhados pelo Golfo Pérsico. Os lençóis petroTN Petróleo Estudante

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líferos ocorrem em cavidades que podem atingir até 7.000 m de profundidade, no continente ou em plataformas submarinas. Juntamente com o petróleo encontra-se água salgada e gás natural (sob pressão).

Foto: Banco de Imagens Petrobras

Foto Reduc: Ailton Santos

petróleo

Migração e reservatórios Chamamos de ‘migração’ o caminho que o petróleo faz do ponto onde foi gerado até onde será acumulado. Devido à alta pressão e temperatura, os hidrocarbonetos são expelidos das rochas geradoras, e migram para as rochas adjacentes. A partir da migração é que o petróleo terá chances de se acumular em um reservatório e formar reservas de interesse econômico. A migração ocorre em dois estágios: • Migração primária: movimentação dos hidrocarbonetos do interior das rochas fontes e para fora destas; • Migração secundária: em direção e para o interior das rochas-reservatórios. 26

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A próxima etapa é a acumulação. Devido a falhas estruturais no subsolo, ou então devido a variações nas propriedades físicas das rochas, o processo de migração é interrompido e os hidrocarbonetos vão se acumulando nas rochas-reservatórios, as quais devem ser porosas e permeáveis, pois o petróleo pode ser encontrado nos espaços existentes nestas rochas, e ele só poderá ser extraído se a rocha for permeável. A rocha, ou conjunto de rochas, que deverá ser capaz de aprisionar o petróleo após sua formação, evitando que ele escape, são as ‘armadilhas’.

Derivados do petróleo Todos derivados de petróleo passam por processos básicos de refino em destilação atmosférica e a vácuo, conhecida como ‘destilação fracionada’ e dividem-se em diversas categorias como: • Lubrificantes que vêm da betuminosa: os óleos minerais, graxos, sintéticos. • Combustíveis à base de gasolina, óleo diesel, óleo combustível, querosene de aviação, gases naturais. • Insumos para petroquímica: nafta, gasóleo. • Outros: solventes, asfalto, coque, parafinas.


Os derivados mais conhecidos são: gás liquefeito (GLP) ou gás de cozinha, gasolinas, naftas, óleo diesel, querosenes de aviação e de iluminação, óleos combustíveis, asfalto, lubrificantes, combustíveis marítimos, solventes, parafinas e coque de petróleo.

Também conhecidas por ‘trapas’, são estruturas geológicas que permitem a acumulação de óleo ou gás. São as rochas ou conjunto de rochas que deverão ser capazes de aprisionar o petróleo após sua formação, evitando que ele escape. A armadilha ideal deve apresentar: 1. Rochas-reservatório adequadas, ou seja, porosidade entre 15% e 30%; 2. Condições favoráveis para a migração do petróleo das rochas-fonte para as rochasreservatório (permeabilidade das rochas); 3. Um selante adequado para evitar a fuga do petróleo para a superfície.

Refino Apesar de a separação da água, óleo, gás e sólidos produzidos ocorrer em estações ou na própria unidade de produção, é necessário o processamento e refino da mistura de hidrocarbonetos provenientes da rochareservatório, para a obtenção dos componentes que serão utilizados nas mais diversas aplicações (combustíveis, lubrificantes, plásticos, fertilizantes, medicamentos, tintas, tecidos, etc.). As técnicas mais utilizadas de refino são: 1. destilação, 2. craqueamento térmico, 3. alquilação 4. craqueamento catalítico.

Foto: Banco de Imagens Petrobras

Armadilhas do petróleo

Plataforma fixa alto-elevatória

Exploração

Transporte

O ponto de partida na busca do petróleo é a exploração, atividade em que se realizam os estudos preliminares para a localização de uma jazida. Para identificar a localização do petróleo e decidir qual a melhor forma de extraí-lo de poços em terra ou no mar, o homem usa conhecimentos de Geologia e Geofísica. A reconstrução da história geológica de uma área, por meio da observação de rochas e formações rochosas, determina a probabilidade da ocorrência de rochas-reservatórios. A utilização de medições gravimétricas, magnéticas e sísmicas permite o mapeamento das estruturas rochosas e composições do subsolo. A definição do local com maior probabilidade de um acúmulo de óleo e gás tem por base a sinergia entre a Geologia, a Geofísica e a Geoquímica, destacando-se a área de Geoengenharia de Reservatórios.

Pelo fato de os campos petrolíferos não serem localizados, necessariamente, próximos dos terminais e refinarias de óleo e gás, é necessário o transporte da produção por embarcações, caminhões, vagões ou tubulações (oleodutos e gasodutos).

Distribuição Os produtos finais das estações e refinarias (gás natural, gás residual, GLP, gasolina, nafta, querosene, lubrificantes, resíduos pesados e outros destilados) são comercializados com as distribuidoras, que se incumbem de oferecê-los, na sua forma original ou aditivada, ao consumidor final.

Unidades de produção (plataformas) Fixa – plataforma com estrutura de sustentação fixa sobre o solo marinho, cujas pernas são estaqueadas no fundo do mar. TN Petróleo Estudante

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petróleo

Foto: Banco de Imagens Quip

FPDSO (floating, production, drilling, storage and offloading) – plataforma flutuante de produção de petróleo e gás, perfuração, armazenagem e transbordo da produção. Esta descrição aplica-se também ao FPSO, exceto quanto à perfuração (drilling). FPS (floating production system) – sistema de produção flutuante, cuja denominação pode se aplicar a uma plataforma semi-submersível.

Esta estrutura pode ser metálica, chamada ‘jaqueta metálica’, ou de concreto. A profundidade no local de posicionamento da plataforma não supera os 100 a 120 m. O Brasil possui diversas plataformas fixas, com jaqueta metálica, como em Enchova e Garoupa. Fixa alto-elevatória (jack-up rig) – plataforma com estrutura de sustentação que se apóia sobre o fundo marinho, mas que possui altura variável. Tem limite de profundidade ditado pelo comprimento das pernas de sustentação. A plataforma flutua até seu local de posicionamento, quando as pernas de sustentação descem até o fundo do mar, posicionando a estrutura. Este tipo de plataforma pode executar operação de produção e perfuração, ou ambos. FPSO (floating, production, storage and offloading) – plataforma flutuante em um casco modificado de um navio, em geral um petroleiro. Representa uma unidade de produção de petróleo flutuante, com unidade de armazenamento, unidade de processamento e sistema de transbordo (transfe28

TN Petróleo Estudante

Foto: Stéferson Faria, Petrobras

FPSO P-53

Semi-submersível – plataforma na qual a superestrutura está apoiada sobre conjunto de flutuadores que ficam pouco abaixo do nível do mar. Podemos exemplificar com as plataformas P-20, P-25, P-26, P-51 e P-52. Pode realizar operações de produção de hidrocarbonetos, processamento e offloading (transferência do óleo), mas não de armazenagem. Não possui limites de profundidade até o fundo do mar, pois flutua na superfície.

rência) do petróleo produzido. Também podem ser construídos navios especificamente para este objetivo. Nas bacias sedimentares brasileiras há muitos exemplos de FPSOs operando, tais como as P-34, P-43, P-48, P-50 e P-53.

Sonda de perfuração (semisubmersible drilling, drillship) – plataforma ou navio usado para realizar perfurações no solo marinho (offshore), objetivando verificar a existência de hidrocarbonetos, delimitar campo, etc. Possui uma torre de perfuração, na qual os componentes são montados para a realização da operação.

FSO (floating, storage and offloading) – plataforma flutuante cuja única diferença quando comparada à FPSO é não produzir hidrocarbonetos, somente os armazena e promove seu transbordo (transferência para navios aliviadores ou dutos).

Spar – plataforma flutuante apoiada sobre um ou mais cilindros metálicos. Uma estrutura metálica poderá complementar este cilindro. Possui sistemas de produção, processamento e transbordo. Poderá possuir risers rígidos.

A semi-submersível P-52


O ciclo do petróleo no Brasil

Foto: Banco de Imagens Petrobras

Foto: Banco de Imagens Petrobras

E

m 1938, foi perfurado o primeiro poço de petróleo em território nacional. Foi no município de Lobato, na bacia do Recôncavo Baiano. Com a criação do Conselho de Nacional de Petróleo (CNP), o governo passou a planejar, organizar e fiscalizar o setor petrolífero. Em 1953, Getúlio Vargas criou a Petrobras e instituiu o monopólio estatal na extração, transporte e refino de petróleo no Brasil; monopólio exercido até 1995. Com a crise do petróleo, em 1973, houve a necessidade de se aumentar a produção interna para diminuir a importação de petróleo, mas a Petrobras não tinha capacidade de investimento. O governo brasileiro, diante dessa realidade, autorizou a extração por parte de grupos privados, através da lei dos contratos de risco. Se uma empresa encontrasse petróleo, os investimentos feitos seriam reembolsados e ela se tornaria sócia da Petrobras naquela área. Caso a procura resultasse em nada, a empresa arcaria sozinha com os prejuízos da prospecção. Foram feitos dez contratos com empresas nacionais e

P-2, o primeiro navio-sonda a operar na Bacia de Campos

estrangeiras, mas nenhuma achou petróleo. Desde 1988, com a promulgação da Constituição Federal, esses contratos estão proibidos, o que significa a volta do monopólio de extração da Petrobras. Em 1995, foi quebrado o monopólio da Petrobras na extração, transporte, refino e importação de petróleo e seus

derivados. Desde então, o Estado pode contratar empresas privadas ou estatais que que riam atuar no setor. Possuindo 13 refinarias, 11 delas pertencentes à União, o Brasil ainda precisa importar óleo refinado. O petróleo sempre é refinado junto aos centros, ou seja, próximo aos grandes centros consumidores, isso ajuda a diminuir os gastos com transportes. Em 1973, o Brasil produzia apenas 14% do petróleo que consumia, o que nos colocava numa posição bastante frágil e tornava a nossa economia suscetível às oscilações externas no preço do barril. Já em 1999, o país produzia cerca de 62% das necessidades nacionais de consumo. Essa diminuição da dependência externa relaciona-se à descoberta de uma importante bacia petrolífera em alto-mar, na plataforma continental de Campos, litoral Norte do estado do Rio de Janeiro. Hoje essa bacia ainda é responsável por mais de 65% da produção nacional de petróleo. Ainda na plataforma continental, destacam-se os estados de Alagoas, Sergipe e Bahia, que juntos são responsáveis por cerca de 14% da produção do TN Petróleo Estudante

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Foto: Stéferson Faria, Petrobras

Foto: Banco de Imagens Petrobras

petróleo

petróleo bruto. No continente, a área mais importante é Mossoró, seguida do Recôncavo Baiano. Mais da metade do petróleo consumido no Brasil é gasto no setor de transporte, cujo modelo de desenvolvimento é o rodoviarismo. Essa opção é a que mais consome energia no 30

TN Petróleo Estudante

transporte de mercadorias e pessoas. Por isso há a necessidade de o país investir em transportes ferroviários e hidroviários, para diminuir custos e o consumo de uma fonte não renovável de energia. A sociedade atual ou sociedade da informação é extremamente dependente do petróleo

para o seu desenvolvimento. Como se trata de um combustível fóssil e, portanto, de uma fonte de energia não renovável, suas reservas estão se esgotando pouco a pouco. Apesar dos sérios impactos causados ao meio ambiente, sua alta viabilidade econômica faz com que ele continue sendo explorado. Após a quebra do monopólio da Petrobras, surgiram diversos novos players na exploração. Criou-se, então, em 1998, Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão subordinado ao Ministério de Minas e Energia, encarregado da regulamentação das atividades de exploração, refino, armazenagem, transporte e consumo de petróleo. Em suma, a história do petróleo no Brasil pode ser dividida em quatro fases distintas: 1. Até 1938, com as explorações sob o regime da livre iniciativa. Neste período, a primeira sondagem profunda foi realizada entre 1892 e 1896, no município de Bofete, estado de São Paulo, por Eugênio Ferreira Camargo. 2. Nacionalização das riquezas do nosso subsolo, pelo governo federal e a criação do Conselho Nacional do Petróleo, em 1938. 3. Estabelecimento do monopólio estatal, durante o governo de Getúlio Vargas que, a 3 de outubro de 1953, promulgou a Lei 2004, criando a Petrobras. Foi uma fase marcante na história do nosso petróleo, pelo fato de a Petrobras ter nascido do debate democrático, atendendo aos anseios do povo brasileiro e defendida por diversos partidos políticos. 4. Flexibilização do monopólio, conforme a Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997.


Foto: Stéferson Faria, Petrobras

Auto-suficiência A decreto de nacionalização de Evo Morales, presidente da Bolívia acabou ofuscando as comemorações do governo brasileiro pela auto-suficiência em petróleo no Brasil, anunciada 10 dias antes, em 21 de abril de 2006, durante o início das operações da plataforma P-50, na Bacia de Campos, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estrutura é a maior em operação no Brasil, acrescentando à produção nacional 180 mil barris de petróleo diariamente. Unidade flutuante do tipo FSPO (produz, processa, armazena e escoa o óleo e o gás), a P-50 responde sozinha por 11% de todo o óleo extraído no país. Além de produzir petróleo, a plataforma tem capacidade de comprimir seis milhões de metros cúbicos de gás natural e de estocar outros 1,6 milhão de barris de petróleo. Problemas na plataforma, porém, atrasaram em dois meses a tão sonhada autosuficiência sustentada. A estatal

fechou o ano com produção de quase 2 milhões de barris por dia – 200 milhões a mais que o consumo médio do país, de 1,8 milhão de barris por dia. De acordo com o conceito adotado pela Petrobras, a autosuficiência é conquistada a partir do momento em que há disponibilidade de petróleo produzido nos campos nacionais em volume igual ou superior ao consumo e à capacidade de refino do país para atender à demanda do mercado brasileiro.

Pré-Sal – Uma longa história Tupi. Este é o nome informal do campo de petróleo que colocou os holofotes da indústria internacional de petróleo sobre o Brasil. Na seqüência vieram Júpiter e os demais campos do chamado pré-sal: Parati, Carioca, Bem-te-vi e Caramba, entre outros, por enquanto. O pré-sal, é uma área que se estende por 800 km, do Espírito Santo a Santa Catarina, e pode conter bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Somente no campo de Tupi, na bacia de

Santos, a reserva estimada pela estatal é de entre 5 e 8 bilhões de boe. O Brasil tomou conhecimento da chamada camada do présal em novembro de 2007, quando a Petrobras veio a público informar sobre a descoberta do megacampo de Tupi, na Bacia de Campos. Mas o potencial desta nova fronteira exploratória já tinha sido objeto de reportagem na revista TN Petróleo, que em 2002 entrevistou o geólogo e especialista em sísmica Márcio Rocha Mello, dono da HRT, empresa que desde aquela época vem aprofundando os conhecimentos sobre o assunto através de pesquisas baseadas na última palavra em tecnologia da sísmica com imagens em 3D (modelagem composicional 3D de sistemas de petróleo). Na entrevista de 2002, Rocha Mello abordou as pesquisas feitas no pré-sal, e adiantou, com base nos estudos realizados pela HRT, o que viria a ser confirmado cinco anos depois, com o anúncio da descoberta do Campo de Tupi. TN Petróleo Estudante

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petróleo

Iara

“Todo o futuro de exploração de petróleo no Brasil foi anunciado naquela reportagem da TN Petróleo”, assegura ele.

Sobre o campo Rocha Mello explica que a função do sal é segurar o petróleo. Segundo ele, trata-se de uma camada impermeável, que funciona como se fosse uma tampa. E quando não está fraturada, segura todo o óleo debaixo dela. Por coincidência, explica, a rocha que gera todo o petróleo das bacias de Santos, Campos e Espírito Santo está debaixo do sal. “Dessa forma, todo o petróleo que descobrimos antes do pré-sal escapou por falhas ou fraturas dessa camada, e se depositou nos reservatórios do pós-sal, como acontece na Bacia de Campos. Nas áreas em que o sal está intacto, todo o óleo está guardado. Há alguns anos 32

TN Petróleo Estudante

as pessoas diziam que o principal problema eram as condições físicas desses reservatórios ultraprofundos. Que seria preciso atravessar uma camada muito espessa de sal e que a temperatura seria muito alta, talvez até superior a que possibilitasse a preservação de hidrocarbonetos”, explica. O geólogo diz que, na opinião dessas pessoas, o que estivesse lá embaixo estaria destruído. Outras diziam que no pré-sal havia a rocha que gerou o óleo, mas não tinha a rocha-reservatório. Mas depois da primeira perfuração, a duras penas, descobriu-se que se tratava de um paradigma infundado, porque o sal não só é selante, mas também tem uma condutividade muito grande de calor, permitindo que lá embaixo fique mais frio. E por ser flexível, age como se fosse um colchão, e não permite que a

pressão seja transmitida para as outras camadas. “Essa formação tem quase 2.000 km, e se estende desde o Espírito Santo a Santa Catarina. Isso quer dizer que existe uma área de 2.000 km onde as mesmas condições geológicas de Tupi podem se repetir várias vezes, e que podemos descobrir mais dois, três, quatro, seis ou mais campos como o de Tupi sem nenhum problema”, assegura Rocha Mello.


Foto: Bia Cardoso

2003/2007 – Exploração Levantamentos sísmicos, interpretação dos dados geológicos e perfuração de poços exploratórios. Nessa etapa foi feita a estimativa da quantidade de petróleo que pode ser extraída em Tupi: 8 bilhões de barris Março de 2009 – Teste de longa duração - Um dos itens da fase de avaliação da descoberta, em que se analisam as características do reservatório. Está prevista uma produção de 30.000 barris por dia durante o teste. Ao final, será feita a Declaração de Comercialidade, atestado de viabilidade econômica a ser entregue à ANP.

2010 – Plano de desenvolvimentoDimensionamento da infraestrutura e da logística de produção do petróleo e do gás encontrados, com a instalação das primeiras plataformas, naviostanque, dutos e terminais. Dezembro de 2010 – Projetopiloto- Verificação da viabilidade da produção em larga escala. A previsão é produzir 100 mil barris por dia nessa etapa. 2012 – Produção- Escoamento do produto, desde o poço até o terminal, para a comercialização do petróleo e do gás - com as refinarias ou o comércio internacional. Estima-se que Tupi chegue a produzir 500 mil barris por dia.

Ilustração: Banco de Imagens HRT

Um longo caminho

DADOS GERAIS BM-S-11 (Área do Tupi): • Reservatórios: carbonáticos de origem microbial • VREC: 5 a 8 bilhões barris de óleo equivalente (boe) • Profundidades dos reservatórios: 5.000 a 6.000 m • Temperatura do óleo no reservatório: 64 ºC • Camadas de sal com até 2 mil metros de espessura • Qualidade do óleo: 28o API • Razão Gás-Óleo: 220 m³/m³ • Viscosidade: 1,14 cP • Teor de CO2 no gás: 8 a 12% • Baixo potencial para asfaltenos TN Petróleo Estudante

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ANP A AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP), implantada há dez anos pelo Decreto 2.455, de 14 de janeiro de 1998, é o órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural, e a dos biocombustíveis no Brasil. Autarquia federal, vinculada ao Ministério das Minas e Energia, a ANP é responsável pela execução da política nacional para o setor energético do petróleo, gás natural e biocombustíveis, de acordo com a Lei do Petróleo (Lei 9.478/1997). A ANP regula, ou seja, estabelece regras por meio de portarias, instruções normativas e resoluções; contrata – promove licitações e celebrar contratos em nome da União com os concessionários em atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural; fiscaliza – as atividades das indústrias reguladas, diretamente ou mediante convênios com outros órgãos públicos. Entre outras atribuições, a ANP: promove estudos geológicos e geofísicos para identificação de potencial petrolífero, regula a execução desses trabalhos, organiza e mantém o acervo de informações e dados técnicos; realiza licitações de áreas para exploração, desenvolvimento e produção de óleo e gás, contrata os concessionários e fiscaliza o cumprimento dos contratos; calcula o valor dos royalties e participações especiais (parcela da receita dos campos de grande produção ou rentabilidade) a 34

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Foto: Ailton Santos

petróleo

serem pagos a municípios, a estados e à União; autoriza e fiscaliza as atividades de refino, processamento, transporte, importação e exportação de petróleo e gás natural; autoriza e fiscaliza as atividades de produção, estocagem, importação e exportação do biodiesel. Também autoriza e fiscaliza as operações das empresas que distribuem e revendem derivados de petróleo, álcool e biodiesel; estabelece as especificações técnicas (características físicoquímicas) dos derivados de petróleo, gás natural e dos biocombustíveis e realiza permanente monitoramento da qualidade desses produtos nos pontos-de-venda; acompanha a evolução dos preços dos combustíveis e comunica aos órgãos de defesa da concorrência os indícios de infrações contra a ordem econômica. No exercício de suas funções, a ANP atua como promotora do desenvolvimento dos setores regulados. Colabora, assim, para a atração de investimentos, aperfeiçoamento tecnológico e capacitação dos recursos humanos da indústria, gerando crescimento econômico, empregos e renda. A ANP firmou-se também como um centro de referência em dados e conhecimento sobre a

indústria do petróleo e gás natural: mantém o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), realiza pesquisas periódicas sobre qualidade dos combustíveis e sobre preços na comercialização desses produtos, e promove estudos sobre o desenvolvimento do setor. E atua nos segmentos de exploração e produção (upstream). Nesse segmento, a ANP administra e fornece dados técnicos sobre bacias sedimentares; promove estudos para delimitar áreas para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural; realiza as licitações para a concessão daquelas áreas; e fiscaliza o cumprimento dos contratos de concessão, que estabelecem duas fases: 1. Exploração: em um período de dois a oito anos, as empresas vencedoras das licitações adquirem estudos, buscam petróleo e gás e avaliam se suas eventuais descobertas são comercialmente viáveis; 2. Produção: se o concessionário considerar comercial uma descoberta, submeterá à ANP um plano de desenvolvimento, com sua visão das potencialidades do campo, sua proposta de trabalho e previsão de investimentos para, em seguida, iniciar a produção propriamente dita.


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biocombustíveis

Biocombustíveis por Fernanda Romero

O

s biocombustíveis são fontes de energias renováveis, derivados de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar, plantas oleaginosas, biomassa florestal e outras fontes de matéria orgânica. Em alguns casos, os biocombustíveis podem ser usados tanto isoladamente, como adicionados aos combustíveis convencionais. Como exemplos, podemos citar o biodiesel, o etanol, o metanol, o metano e o carvão vegetal.

Biodiesel

Foto: Geraldo Falcão, Petrobras

No que tange ao biodiesel, apenas recentemente esse biocombustível entrou na agenda do governo brasileiro. Apesar da primeira patente do biodiesel no mundo ter sido registrada em 1980, por um professor da Universidade Federal do Ceará, apenas em dezembro de 2004 é que foi lançado, em caráter oficial, pelo governo brasileiro o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. A introdução do biodiesel na matriz energética brasileira foi estabelecida pela Lei 11.097 de janeiro de 2005, que determinou, até 2007, a adição voluntária de 2% de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor final; já a partir de 2008, essa adição de 2% passou a ser obrigatória. A mistura de 5% de biodiesel ao óleo diesel será voluntária no período de 2008 até 2012, passando a ser compulsória a partir de 2013. O uso do biodiesel traz muitos benefícios associados à redução dos gases de efeito estufa, e de outros poluentes atmosféricos, tais como o enxofre, além da redução do consumo de combustíveis fósseis. Porém, no processo de fabricação, vários resíduos e subprodutos industriais são gerados e estes podem, quando adequadamente geridos, contribuir para a viabilidade econômica da produção de biodiesel. Esses resíduos de natureza líquida e sólida possuem potencial para uso na indústria de alimentos e para a nutrição animal, bem como na indústria químico-farmacêutica, mas há uma grande carência de estudos de análises de viabilidade técnica e financeira, que possam apontar as melhores alternativas de custo-benefício para o processamento e tratamento desses resíduos, os quais podem agregar valor e reduzir os custos de produção de biodiesel, com o aproveitamento e venda destes produtos e seus derivados.

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Conforme já foi dito aqui, o biodiesel é um combustível menos poluente que o diesel tradicional. Apesar de também haver emissão de CO2 (e nenhum outro resíduo nocivo ao meio ambiente), estudos apontam índices de emissão de CO2 até 80% menores em relação ao diesel de petróleo. Graças a essa característica, ele se torna uma opção não agressiva ao entorno ambiental. O que faz do biodiesel um combustível renovável é o fato de que todo o CO2, emitido na queima no motor, seja capturado pelas plantas e utilizado por elas durante o seu crescimento e existência. Estas mesmas plantas serão utilizadas mais tarde como fonte para a produção de novos biocombustíveis, por esse motivo, chamados de ‘energias renováveis’.

Biomassa Apesar de ser, nos dias de hoje, o centro de atenção de alguns setores, a biomassa já é conhecida e utilizada pela humanidade há muito tempo. Durante milhares de anos foi a única fonte de energia disponível à população, uma vez que não havia conhecimento científico para a exploração de outros recursos. Em um fogão à lenha ou em uma fogueira, a madeira queimada é um combustível de biomassa. Outro fator importante é o volume cada vez maior de lixo produzido no mundo. Este lixo pode ser aproveitado na geração de energia e sua utilização contribui para amenizar vários problemas ao mesmo tempo: diminuir o nível de poluição ambiental, provocar a contenção do volume de lixo das cidades e aumentar a produção de energia. Exemplos

Foto: Banco de Imagens Petrobras

O biodiesel e o meio ambiente

práticos disso são as sobras de casca de arroz, que geram energia para a indústria gaúcha, a queima do bagaço da cana-deaçúcar para a geração de vapor para produção de energia elétrica. Também é fato que algumas cidades do mundo já utilizam parte de seu lixo urbano para produzir energia elétrica.

Vantagens da biomassa na produção de energia Como principais vantagens da biomassa em relação aos combustíveis fósseis, na produção de energia, podemos listar as seguintes: • Ser fonte de energia limpa e renovável; • Causar menor corrosão nos equipamentos; • Os resíduos emitidos pela sua queima não interferem no efeito estufa. Ao contrário, partindo do ponto extremo da erradicação das emissões, por exemplo, de SO 2 (dióxido de enxofre), torna-se mais fácil reparar a situação;

• Ser uma fonte de energia, descentralizadora de renda – qualquer pessoa dona de um pouco de terra pode plantar vegetais que servem como fonte de biomassa; • Reduzir a dependência de petróleo por parte de países subdesenvolvidos, servindo também, dessa forma, como descentralizadora de poder; • Diminuir o lixo industrial. Pequenos produtores que utilizariam restos de produção como fonte de biomassa para geração própria de energia. Por exemplo, madeireiras que utilizem resíduos (serragem e restos de madeira) que antes virariam lixo; • Ter baixo custo de implantação e manutenção.

Processo de transformação da energia Por meio da fotossíntese, as plantas transformam a energia proveniente da luz do sol em energia química, que mais tarde pode ser convertida em calor, combustível ou TN Petróleo Estudante

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biocombustíveis

eletricidade. Quimicamente, a fotossíntese é representada de acordo com o esquema abaixo: 6H2O + 6CO2 + energia solar = C6H12O6 + 6O2 Se o processo de transformação da biomassa em energia for executado de maneira eficiente e controlada, a queima resultará em água (H2O) e dióxido de carbono (CO2), além da própria energia. Por isso, a biomassa é considerada uma fonte totalmente renovável e, se empregada da forma correta, não poluente. Produzida de modo eficiente, a biomassa também pode representar uma parcela significativa da energia total gerada em um país. Hoje, utilizam-se sobretudo quatro formas de conversão da biomassa em energia:

• Pirólise: com esta técnica, a biomassa é exposta a altíssimas temperaturas sem a presença de oxigênio, visando acelerar a decomposição da mesma. O que sobra da decomposição é uma mistura de gases (metano/CH4, monóxido de carbono/ CO e dióxido de carbono/CO2), líquidos (óleos vegetais) e sólidos (basicamente carvão vegetal). • Gaseificação: assim como na pirólise, aqui a biomassa também é aquecida na ausência do oxigênio, gerando como produto final um gás inflamável. Este gás ainda pode ser filtrado, para a remoção de alguns componentes químicos residuais. A diferença básica em relação à pirólise é o fato de a gaseificação exigir menor temperatura e resultar apenas em gás.

• Combustão: a queima da biomassa é realizada a altas temperaturas na presença abundante de oxigênio, produzindo vapor a alta pressão. Este vapor em geral é utilizado em caldeiras ou para movimentar turbinas. É uma das formas mais comuns hoje em dia, e sua potência situa-se na faixa de 20 a 25%. • Co-combustão: esta prática propõe a substituição de parte do carvão mineral utilizado em uma termelétrica por biomassa. Desta forma, reduz-se bastante a emissão de poluentes (principalmente dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, responsáveis pela chuva ácida). A faixa de desempenho da biomassa encontra-se entre 30 e 37%, sendo por isso uma opção bem atrativa e econômica.

O H-BIO É UM DIESEL que utiliza fontes renováveis na sua composição (óleos vegetais como os de mamona, girassol, soja ou dendê), mas tem as características físico-químicas finais semelhantes às do óleo diesel mineral. O H-BIO não é capaz de reduzir as emissões dos veículos diesel, mas é renovável e tem ciclo fechado de emissões dos gases do efeito estufa. Entretanto, produz menos óxidos de enxofre, que provocam chuvas ácidas. Desenvolvido e patenteado pela Petrobras, o H-BIO consiste em inserir o processamento de matéria-prima renovável no esquema de refino de petróleo e permitir a utilização das instalações já existentes. O óleo vegetal ou animal é misturado com frações de diesel de petróleo para ser hidroconvertido em Unidades de Hidrotratamento (HDT), que são empregadas nas refinarias, principalmente 38

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para a redução do teor de enxofre e melhoria da qualidade do óleo diesel, ajustando as características do combustível às especificações da ANP. Principais vantagens: • Permite o uso de óleos vegetais de diversas origens; • Não gera resíduos a serem descartados; • Incrementa a qualidade do óleo diesel, diminuindo o percentual de enxofre; • Complementa o programa de utilização de biomassa na matriz energética, gerando benefícios ambientais e inclusão social; • Flexibiliza a composição da mistura (carga) a ser processada na HDT e otimiza a utilização das frações de óleo diesel na refinaria; • Perspectiva de minimização de testes veiculares e laboratoriais, sendo o produto final o próprio diesel, já utilizado pela frota nacional;

Foto: Banco de Imagens Petrobras

H-BIO: o diesel verde da Petrobras

• Requisitos normais de manuseio e estocagem. A decisão da Petrobras em adicionar óleo vegetal ao diesel contribui para o programa de biodiesel do governo e o biodiesel em geral, na medida que os produtores têm um comprador a mais para suas oleaginosas. Embora a Petrobras tenha sinalizado que utilizará apenas óleo de soja. Apenas entre 2009 e 2011 teremos ampla distribuição deste combustível.


Foto: Keystone

Etanol E

levado à categoria de ‘celebridade energética’ pela disparada dos preços do petróleo e pela necessidade de se desenvolver fontes renováveis de energia diante do risco de exaustão dos combustíveis fósseis, o etanol (álcool derivado da canade-açúcar) é, na verdade, um velho conhecido dos brasileiros. Há 33 anos, mais exatamente no dia 14 de novembro de 1975, como resposta à crise mundial do petróleo que dois anos antes abalara o mundo, e por meio de um decreto presidencial, o Brasil começava a fazer história no setor de biocombustíveis, com o Programa Nacional do Álcool (PróÁlcool), criado com o objetivo de estimular a produção de álcool e reduzir o volume de importação de petróleo. Aos poucos, porém, os preços do petróleo entraram em queda, junto com os benefícios concedidos pelo governo brasileiro para o setor. A este panorama adverso para o processo produtivo em es-

cala comercial, ainda há uma cotação recorde do açúcar no mercado internacional, o que determinou o naufrágio do programa alternativo, até hoje considerado a mais audaciosa iniciativa para substituir a gasolina queimada diariamente por milhões de veículos automotores. Mais de três décadas depois, o Brasil vive uma nova expansão dos canaviais, com o objetivo de oferecer, em grande escala, o combustível alternativo não só para o mercado interno, mas também para a exportação. A principal diferença é que, desta vez, o movimento não é comandado pelo governo, mas por decisão da iniciativa privada, certa de que o álcool terá cada vez mais um papel determinante na matriz energética mundial.

Etanol e cana-de-açúcar Etanol e álcool etílico são sinônimos. Ambos se referem a um tipo de álcool constituído por dois átomos de carbono, cinco átomos

de hidrogênio e um grupo hidroxila. Ao contrário da gasolina, o etanol é uma substância pura, composta por um único tipo de molécula: C2H5OH. Na produção industrial do etanol, o tipo hidratado é o que sai diretamente das colunas de destilação. Para produzir o etanol anidro é necessário utilizar um processo adicional que retira a maior parte da água presente ali. Hoje, cerca de 80% da produção brasileira de etanol se destina ao uso carburante, enquanto 5% vão para uso alimentar, perfumaria e alcoolquímica. Os 15% restantes são exportados. O etanol anidro é utilizado na produção da gasolina C, única que pode ser comercializada no território nacional para abastecimento de veículos automotores. Utiliza-se o etanol hidratado no abastecimento de veículos automotores. É o álcool encontrado nos postos de abastecimento, para os veículos a álcool ou com motor flex-fuel. A cana-de-açúcar é originária da Ásia, e foi trazida ao Brasil por Martim Afonso de Souza, por volta de 1530. De início, o principal pólo de produção nacional foi a região Nordeste. Com o tempo, a cultura foi expandida para outros estados, inclusive São Paulo, que responde hoje por cerca de 60% da safra brasileira. Embora tenha outras aplicações, a cana é empregada como matériaprima para a produção de açúcar e álcool. Três tipos principais de açúcares são produzidos a partir do caldo da cana: o açúcar cristal, açúcar demerara/vhp (very high polarization) e o açúcar refinado (granulado e amorfo), dependendo do mercado. São ainda produzidos o etanol anidro e o etanol hidratado, destinados ao uso TN Petróleo Estudante

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Foto: Banco de Imagens Petrobras

biocombustíveis

carburante, ao uso de perfumaria, de bebidas e para a álcoolquímica. Açúcar e etanol são vendidos nos mercados interno e externo. A partir de 2005, a venda de energia elétrica pelas usinas começou a crescer. Esse produto tem chances de crescer com mais rapidez que os outros nos próximos anos.

Combustível verde Entre as vantagens apontadas para o uso do álcool combustível estão a menor dependência de combustíveis fósseis importados, a menor emissão de poluentes, pois grande parte dos poluentes resultantes da queima do combustível no motor são reabsorvidos, e os resíduos das usinas reaproveitados na lavoura e na indústria. Essa conta inclui ainda a criação de empregos no campo, colaborando para a diminuição do êxodo rural e do crescimento desordenado das grandes cidades.

Tecnologia de ponta De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de cana em 2007/08 foi estimada em 40

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528 milhões de toneladas, representando um aumento de 11,2% ante a safra anterior. Desde os tempos do Proálcool até os dias de hoje, a evolução tecnológica foi marcante e os principais itens que merecem destaque são: melhoramento genético, mecanização agrícola, gerenciamento agrícola, controle biológico de pragas, reciclagem de efluentes e práticas agrícolas.

Campo de provas O Brasil tem funcionado como um enorme campo de pesquisas para o aprimoramento do uso do etanol como combustível. Desde os tempos do Pró-Álcool, milhões de veículos movidos exclusivamente a álcool foram produzidos no país. Apesar de o etanol ter um conteúdo energético menor que a gasolina pura, apresenta vantagens como a elevada octanagem, que o torna adequado para uso como combustível. Na prática, os veículos que utilizam apenas etanol apresentam melhor desempenho (maior potência e torque) e vida útil do motor mais longa que os equivalentes a gasolina. Por outro lado, o consumo aumenta de 20% a

30%, dependendo das características do veículo. Em termos ambientais, os benefícios do etanol em relação aos combustíveis fósseis são superiores, porque as emissões de gases de escapamento e vapores de combustível são menos tóxicas e porque o dióxido de carbono (CO2 – principal responsável pela intensificação do efeito estufa) emitido durante o processo de produção do produto pode ser absorvido pela cana-de-açúcar por meio da fotossíntese. O etanol da cana-de-açúcar é melhor para o meio ambiente do que o de milho porque o processo de produção deste último inclui a queima de combustíveis fósseis. Já a cana-de-açúcar é beneficiada a partir da queima do próprio bagaço. Segundo o especialista Roberto Schaeffer, do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, para cada quilo de álcool de milho produzido são emitidos de 500 gramas até 900 gramas de CO 2. No caso da cana, a emissão é de 100 gramas. O etanol também é usado em instalações industriais para geração de energia térmica e elétrica, e como matéria-prima para a geração de hidrogênio, mais tarde utilizado em sistemas com células de combustível. O trabalho realizado no Brasil é particularmente importante porque mostrou a possibilidade de se atingir níveis de produção muito significativos com custos competitivos.

Mercado potencial Por ter experiência de mais de 30 anos com um programa de biocombustível que ainda hoje é modelo para muitos países, por ser o maior produtor e consumidor de etanol combustível no mundo e por apresentar a maior


A questão tecnológica Para ocupar de fato o papel de liderança na criação e desenvolvimento de um mercado global de biocombustíveis, capitaneado pelo etanol de cana-deaçúcar, o Brasil precisa vencer grandes desafios. E o maior deles está, justamente, na raiz do processo de produção do álcool combustível: como elevar de modo radical a produtividade de nossa lavoura canavieira, para mais do que duplicar nossa produção atual de etanol, sem que isso signifique o aumento desmedido da área plantada com cana, nem a invasão de tradicionais regiões dedicadas ao plantio de alimentos. Na ponta de lança deste esforço tecnocientífico sem precedentes na história do país estão o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Universidade de Campinas (Unicamp), ambos de São Paulo. Graças ao trabalho destas duas instituições, o Brasil ocupa, hoje, a dianteira no desenvolvimento de tecnologias capazes de

Foto: Divulgação UNICA

capacidade de expansão da produção deste combustível renovável, o Brasil apresenta-se com importantes vantagens em um futuro mercado internacional de etanol combustível. A necessidade de importação do etanol combustível por um grupo de países – que representam 71,5% do consumo de gasolina e 51% da produção atual de etanol no mundo – se traduz numa imperdível oportunidade de o Brasil se tornar o principal fornecedor mundial entre 2012 e 2025, com um mercado potencial de quase 20 bilhões de litros de etanol em 2025. Os principais mercados seriam Japão, China e Estados Unidos, diz a pesquisa da Unicamp.

melhorar muito a produtividade alcançada, além de tornarem a colheita mais eficiente, mais segura e menos poluente – inclusive por eliminar as queimadas, um dos pontos mais controversos da cultura canavieira.

Álcool de terceira geração A última palavra em tecnologia canavieira visando o aumento da produtividade é a utilização do bagaço e da palha que sobram após a colheita, que até pouco tempo eram jogados fora e representavam mais uma despesa para os produtores. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, hoje as usinas utilizam parte do bagaço para a co-geração de energia elétrica, o que resulta em redução de custo, pois deixam de comprar a energia de concessionárias. Às vezes, como têm muito ba-

gaço, chegam a vender o excedendo, e aí obtêm lucro. Mas o que está sendo pesquisado, no momento, e que segundo a CTC muitos chamam de “álcool de terceira geração”, é o aproveitamento total do bagaço e da palha através de um processo de hidrólise ácida ou enzimática. Isso deverá estar em uso dentro de cinco ou dez anos, elevando a produção. Outra linha de pesquisa é o desenvolvimento de variedades transgênicas, o que ainda não existe no Brasil. De acordo com estudiosos da Unicamp, a hidrólise (ácida ou enzimática) de materiais ligocelulósicos em geral, e especificamente de bagaço da cana, é uma das melhores alternativas para o aumento de produção de etanol. A consolidação de uma tecnologia de hidrólise no setor sucroalcooleiro trará consigo, TN Petróleo Estudante

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Foto: Banco de Imagens Stock.xcng

biocombustíveis

dizem os técnicos do Projeto Etanol, “o atrativo de aumentar a produção do álcool combustível sem requerer um aumento da área plantada”. Ainda segundo o estudo da Unicamp, não menos importante é o fato de que a hidrólise vai permitir um aproveitamento mais racional da cana-de-açúcar, melhorando a eficiência energética do processo para gerar excedentes de bagaço, recuperando o resíduo da colheita (palha) e eliminando as queimadas.

Bioetanol O etanol de lignocelulose (bioetanol) é um combustível renovável produzido a partir de resíduos agroindustriais, como o bagaço de cana. O processo de fabricação de etanol a partir de resíduos vegetais divide-se em quatro etapas: • Pré-tratamento ácido do bagaço de cana – Nesta etapa, há o pré-tratamento do bagaço de cana, quando se adota o processo de hidrólise ácida bran42

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da, onde no reator o resíduo é submetido à quebra da estrutura cristalina da fibra do bagaço de cana e a recuperação de açúcares mais fáceis de hidrolisar. • Deslignificação – É retirada a lignina, complexo que dá resistência à fibra e protege a celulose da ação de microorganismos, porém, apresenta grande inibição ao processo fermentativo.

Proinfa

Outro aspecto institucional relevante para o setor é o Programa Nacional de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). O programa tem por objetivo a diversificação da nossa matriz energética, a partir do aumento da participação das fontes renováveis de energia. É dado enfoque na co-geração a partir de resíduos de biomassa, nas Pequenas Centrais Hidrelétricas e na Energia Eólica.

• Fermentação – Na terceira fase, o líquido proveniente do pré-tratamento ácido, rico em açúcares, é fermentado pela levedura Pichia stipitis adaptada para ser utilizada nesta fermentação. O sólido proveniente da etapa de deslignificação rico em celulose, também é tratado: ele passa por um processo de sacarificação (transformação em açúcares) por meio de enzimas e é fermentado pela levedura Sacharomyces cerevisiae, o mesmo fungo utilizado na fabricação de pães. A Petrobras ainda estuda as enzimas mais eficazes para este processo de fabricação, testando enzimas disponíveis no mercado e pesquisando novos preparados enzimáticos. • Destilação – Na etapa final, ambos os líquidos provenientes das diferentes fermentações são destilados. O produto desta destilação é o etanol, que possui as mesmas características daquele fabricado a partir da cana em processo industrial.


Álcool Na química, o álcool recebe o nome genérico de substâncias que têm grupos hidroxila (-OH) ligados a um átomo de carbono, mas para nós brasileiros é um velho companheiro e representa para os economistas a não-dependência do mercado externo de combustíveis à base de petróleo. Para os cientistas e ambientalistas é o chamado ‘combustível verde’. O álcool que produzimos é o etanol, vindo principalmente da cana-de-açúcar, mas outros álcoois, gerados a partir de diversas matérias-primas, também são alternativas interessantes. Fonte renovável de energia, sua queima em motores a explosão é menos poluente, se comparada com a queima dos derivados do petróleo. As primeiras experiências com a utilização do etanol em motores do ciclo Otto datam do início do século XX. Em 1912, alguns veículos foram com ele movimentados, em caráter experimental. Em 1931, o governo brasileiro autorizou a utilização do álcool em mistura à gasolina, em

Pró-Álcool

proporções entre 2% e 5%, respeitada a disponibilidade regional do produto. Em 1961 esse intervalo de mistura foi elevado para de 5% a 10%. Paralelamente ao processo das crises do petróleo, ao tempo em que o setor sucroalcooleiro acumulava ganhos de produtividade, as cotações do petróleo reassumiram trajetória ascendente (flutuando na casa dos US$ 25,00/barril entre 2000 e 2002). Com esses preços mais elevados e maior carga tributária sobre o combustível fóssil, o álcool recuperou sua atratividade, em especial nas bombas das regiões produtoras. Isso motivou a indústria automotiva a investir no desenvolvimento de um novo padrão tecnológico, o já citado flex-fuel. Esse novo padrão tecnológico entroniza o consumidor, que passa a decidir, soberanamente, sobre qual combustível deve abastecer seu carro, com base em considerações econômicas, ambientais e de desempenho do veículo. O Brasil é o país mais avançado, do ponto de vista tecnológico, na produção e no uso do

O álcool foi uma solução brasileira como alternativa ao hidrocarboneto, diante da segunda crise mundial do petróleo, no final da década de 1970. O PróÁlcool, projeto criado pelo governo federal como incentivo à produção deste combustível, gerou incentivos fiscais que reduziram impostos para a compra de veículos movidos a álcool. Foi o primeiro programa bem-sucedido de substituição, em larga escala, dos derivados de petróleo. Foi desenvolvido para evitar o aumento da dependência externa de divisas quando dos choques de preço do petróleo. De 1975 a 2000, foram produzidos cerca de 5,6 milhões de veículos a álcool hidratado. Acrescido a isso, o Programa substituiu por uma fração de álcool anidro (entre 1,1% a 25%) um volume de gasolina pura consumida por uma frota superior a 10 milhões de veículos a gasolina, evitando, assim, nesse período, emissões de gás carbônico da ordem de 110 milhões de toneladas de carbono (contido no CO ), a importação de cerca de 550 milhões de barris de petróleo e, ainda, uma economia de divisas da ordem de 11,5 bilhões de dólares.

etanol como combustível, seguido pelos EUA, e, em menor escala, pela Argentina, Quênia, Malawi e outros. A produção mundial de álcool aproxima-se dos 40 bilhões de litros, dos quais presume-se que até 25 bilhões de litros sejam utilizados para fins energéticos. O Brasil responde por 15 bilhões de litros deste total. O álcool é utilizado em mistura com gasolina no Brasil, EUA, União Européia, México, Índia, Argentina, Colômbia e, mais recentemente, no Japão. O uso exclusivo de álcool como combustível está concentrado no Brasil. O álcool pode ser obtido de diversas formas de biomassa, sendo a cana-de-açúcar a realidade econômica atual. Investimentos portentosos estão sendo efetuados para viabilizar a produção de álcool a partir de celulose, sendo estimado que, em 2020, cerca de 30 bilhões de litros de álcool poderiam ser obtidos desta fonte, apenas nos EUA. O benefício ambiental associado ao uso de álcool é enorme, pois cerca de 2,3 t de CO 2 deixam de ser emitidas para cada tonelada de álcool combustível utilizado, sem considerar outras emissões, como o SO2. Apesar do pioneirismo de ter uma indústria tecnicamente qualificada, com os menores custos e um grande potencial para aumento da produção, alguns desafios estão colocados e exigem uma ação planejada e conjunta do governo federal com o setor privado. O primeiro, e talvez o maior dos desafios, diz respeito às dimensões do mercado mundial de combustíveis. Embora com apenas metade da cana o Brasil consiga substituir mais de 40% da gasolina consumida internamente, a produção mundial de etanol ainda é insignificante. TN Petróleo Estudante

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Foto: Claus Mayer, Petrobras

biocombustíveis

Gás natural E

ncontrado no subsolo, por acumulações em rochas porosas, isoladas do exterior por rochas impermeáveis, associadas ou não a depósitos petrolíferos, o gás é o resultado da degradação da matéria orgânica de forma anaeróbica oriunda de quantidades extraordinárias de microorganismos que, em eras pré-históricas, se acumulavam nas águas litorâneas dos mares da época. Essa matéria orgânica foi soterrada a grandes profundidades e, por isto, sua degradação se deu fora do contato com o ar, a grandes temperaturas e sob fortes pressões. ‘Gás natural’ (GN) é a designação genérica de um combustível de origem fóssil, formado pela mistura de hidrocarbonetos leves que permanecem no estado gasoso nas condições de temperatura e pressão, entre os quais se destaca o metano ( CH4), sendo

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encontrado na natureza em geral em reservatórios profundos no subsolo, associado ou não ao petróleo. A composição do gás natural pode variar bastante dependendo de fatores relativos ao campo em que o gás é produzido, processo de produção, condicionamento, processamento e transporte. Do mesmo modo que o petróleo, o gás natural é resultado da decomposição de matéria orgânica originada de grandes quantidades de organismos que existiam nos mares no período préhistórico. Os movimentos de acomodação da crosta da Terra causaram o soterramento dessa matéria orgânica a grandes profundidades e essa decomposição se realizou em ausência de ar, a grandes temperaturas e sob altas pressões. Tal e como é extraído das jazidas, o GN é um produto inco-

lor e inodoro, não é tóxico e é mais leve que o ar. Além disso, é uma energia livre de enxofre e a sua combustão é completa, liberando como produtos da mesma o dióxido de carbono (CO2) e vapor de água. Sendo tais produtos não tóxicos, o GN é uma energia ecológica e não poluente. Os tipos de GN são: GNV (Gás Natural Veicular) – uma mistura combustível gasosa, proveniente do gás natural ou do biogás, destinada ao uso veicular e cujo componente principal é o metano, observadas as especificações estabelecidas pela ANP. GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) – uma mistura de hidrocarbonetos líquidos obtidos em processo convencional nas refinarias, quando produzido a partir do petróleo cru. Pode ser também produzido a partir do gás natural, em unidades de processamento de gás natural (UPGNs). É popularmente conhecido como “gás de cozinha” pois sua maior aplicação é na cocção dos alimentos, mas também é utilizado em várias aplicações industriais e agrícolas. Em estado líquido, o GLP é mais leve do que a água e pode ser facilmente armazenado a uma pressão moderada. Em estado gasoso, ele é mais pesado que o ar, o que faz com que se concentre próximo do solo em caso de vazamento. Por ser invisível e inodoro, adiciona-se um odorizante não tóxico, como medida de segurança. Por sua facilidade de armazenamento, transporte, grande eficiência térmica e limpeza na queima, o GLP é muito usado em todo o mundo. Cerca de 85% do gás de um botijão encontram-se em estado líquido e 15% em estado gasoso, o que


Características de um sistema de GNL Um projeto de GNL é na realidade uma seqüência de atividades que vão desde o reservatório de gás até o usuário final. Reservas de gás – As reservas de gás para um projeto de

Foto: Keystone

garante espaço de segurança para manter a correta pressão no interior do recipiente. Pelo fato de permitir a redução de emissões de CO2, o GLP deveria ser seriamente considerado como um complemento ao gás natural nas políticas ambientais em áreas urbanas de grande concentração. GNC (Gás Natural Comprido) – todo gás natural processado em uma estação de compressão para armazenamento em ampolas ou cilindros, transportado até estações de decompressão localizadas nas plantas dos clientes industriais ou nos postos onde são dstribuídos para os consumidores. Gás canalizado – também conhecido como ‘gás de rua’, é produzido a partir da nafta, derivado do petróleo, por um processo industrial (reformação com vapor d’água), e distribuído nos centros urbanos, através das redes de distribuição das companhias estaduais de gás, para consumo predominantemente residencial. A maior parte dessas redes de distribuição já substituiu o gás de nafta pelo gás natural. GNL (Gás Natural Liquefeito) – o gás natural resfriado a temperaturas inferiores a -160°C para fins de transferência e estocagem como líquido. É composto predominantemente de metano e pode conter outros componentes, em geral encontrados no gás natural.

GNL terão que ser de grande porte, pois eles são empreendimentos vinculados a contratos de 20 a 25 anos – a existência destes contratos é o que, em geral, viabiliza o elevado esquema financeiro requerido pelo projeto. Considerando que 1 mtpa de GNL requer cerca de 1,4 bilhão de metros cúbicos de gás (bm³), teremos, para 7 mtpa em 20 anos, cerca de 200 bm³, a serem consumidos exclusivamente no projeto. Além da quantidade das reservas, o gás para GNL deverá ter um custo de exploração relativamente baixo. Este custo dependerá não apenas de uma si-

tuação geográfica razoável, como a distância a um porto que corresponda às exigências de armazenagem e embarque. Mais ainda, a qualidade do gás deverá ser tal que suas impurezas não signifiquem custos adicionais de processamento. Uma gigantesca e bem situada reserva como a de Natuna, na Indonésia, com mais de 5.700 bm³, ainda não foi explorada por conter cerca de 70% de gás carbônico. Tem-se como dado que um projeto de GNL não poderá consumir gás natural que custe mais de US$ 1,00/milhão de btu (mbtu). Na realidade, um bom número é a TN Petróleo Estudante

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biocombustíveis

Foto: Divulgação

Unidade de Liquefação

metade deste valor. Mesmo assim, os gastos com a exploração de gás (upstream facilities) para uma planta de 7 mtpa de GNL provavelmente se situarão entre 1 e 2 bilhões de dólares, mais próximos do segundo número se for exploração marítima.

Unidade de liquefação O elemento central de um projeto de GNL é a unidade de liquefação, onde a temperatura do gás natural é reduzida a -161º C, ponto em que ele se torna líquido, com uma redução de volume de cerca de 600 vezes. Esta instalação, construída em locais de bom calado (mínimo 14 m), em baía abrigada e o mais próximo possível dos campos produtores, compõe-se, basicamente, como se vê na figura a seguir, de uma uni46

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dade de tratamento, do conjunto de trocadores de calor e dos tanques de armazenagem. A unidade de tratamento destina-se a remover as impurezas existentes no gás vindo dos campos, como gás carbônico, enxofre, nitrogênio, mercúrio e água, além do condensado. O processo inclui a separação do GLP (propano e butano), que poderá ser vendido como produto final ou reinjetado no GNL. O conjunto de trocadores de calor, peça principal da liquefação, funciona segundo o mesmo princípio de um refrigerador doméstico. Um gás refrigerante (quase sempre uma mistura de metano, etano e propano) é pressurisado e em seguida expande-se através de uma válvula (efeito Joule-Thompson), extraindo calor

do gás natural que chega aos trocadores de calor. Há diferentes tipos de trocadores, mas quase todas as instalações dividem-se em conjuntos paralelos (LNG trains), capazes de liquefazer de 2 a 2,5 mtpa cada um. Os mais recentes “trens de liquefação” tendem a ter dimensões bem maiores, como a terceira unidade de Ras Laffan, no Catar, inaugurada em março/2004 com capacidade de 4,7 mtpa. O gás natural liquefeito é a seguir armazenado em tanques capazes de mantê-lo a -161ºC até o embarque. Em razão do elevado custo desta armazenagem, sua capacidade é calculada por sofisticados processos que levam em conta a produção da unidade, o número e tamanho dos navios, riscos de atraso e outras variáveis. O custo de uma instalação de liquefação, inclusive facilidades portuárias, tem variado constantemente com as inovações tecnológicas e as pressões de mercado. Hoje o investimento por tonelada de capacidade anual está na casa de US$ 275, o que significa que a planta dada como exemplo, de 7 mtpa, custaria US$ 1,92 bilhão.

Navios Os navios que levam o GNL das unidades de liquefação aos pontos de regaseificação dispõem de reservatórios isolados, capazes de suportar a temperatura do gás durante o transporte, não havendo refrigeração na viagem. Há uma perda que, mesmo nos mais moderno navios, vai a 0,1% ao dia. Além disto, o GNL é geralmente usado como combustível, e uma pequena parte volta com o navio para manter os tanques frios. Há dois tipos básicos de transportadores de GNL, o que armazena o gás em esferas (o tipo Moss Rosenberg), e os que têm


Ilustração Terminal Flutuante de Regaseificação: Petrobras

tanques nas posições convencionais de petroleiros (o tipo membrana, ou Technigaz). Ambos estão em operação e em construção, não havendo diferenças substanciais de custo inicial ou operação. A capacidade usual por navio é de 125 a 135 mil m³, que corresponem a 55 a 60 mil toneladas de GNL. Durante muitos anos os estaleiros japoneses dominaram a construção destes barcos, mas hoje eles estão sendo feitos também na Finlândia, Itália, França e principalmente na Coréia do Sul. Hoje a frota mundial hoje excede 120 navios em operação, e algumas dezenas em construção, a um custo por unidade da ordem de US$ 175 milhões.

Terminal de regaseificação Os terminais para desembarque do gás situam-se junto aos centros de consumo, em locais de águas profundas e abrigadas. Seus principais elementos são os tanques de estocagem e os regaseificadores, além dos equipamentos complementares. A capacidade dos tanques de estocagem pode ir de pouco mais que a carga de um navio (caso de Huelva, na Espanha, com 160 mil m 3 de armazenagem, para navios de 135 mil m3), até valores muito maiores, quando, além de absorver a carga dos navios, o terminal propõe-se a servir de balanceador de picos de consumo e estoque estratégico. Neste último caso está o terminal de Sodegaura, na baía de Tóquio, capaz de armazenar 2,7 milhões m3, 20 vezes a carga de um navio padrão. Os regaseificadores podem usar água do mar para reaquecer o GNL, ou vapor quando há uma termelétrica nos arredores, como é muito freqüente. Neste

caso, a expansão do gás ao se vaporizar poderá acionar turbinas, capazes de adicionar alguma potência à termelétrica. Há ainda uma possibilidade de usar o frio liberado na regaseificação para a indústria de alimentos. Os custos para construção de um terminal de regaseificação variam muito, como se deduz das diferenças na capacidade de estocagem. Um terminal na Turquia, para 255 mil m3, custou US$ 250 milhões, mas há planos para construir mais um terminal no Japão, com investimentos acima de US$ 2 bilhões. No caso que nos serve de exemplo, um sistema de GNL de 7 mtpa, o terminal de regaseificação ficará provavelmente acima de US$ 1 bilhão.

GLP no Brasil No Brasil, a utilização do GLP como combustível está ligada à

história do dirigível alemão Graff Zeppelin (foto), que transportava passageiros entre a Europa e a América do Sul, durante alguns anos no início do século XX. Por sua alta octanagem, o GLP era usado como combustível do motor desses dirigíveis. Na década de 1930, no Rio de Janeiro e em Recife, já se armazenava gás. Na mesma época o GLP começou a ser importado nos Estados Unidos, mas o número de consumidores do produto ainda era insignificante e somente depois da Segunda Guerra Mundial surgiu a segunda distribuidora de GLP no país e o consumo se expandiu. Em 1955, a Petrobras havia começado a produzir gás liquefeito de petróleo e cinco décadas depois, o Brasil está atingindo a auto-suficiência na produção de GLP, que assim passa a ser um produto 100% nacional. TN Petróleo Estudante

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recursos humanos

AS PROFISSÕES O SETOR DE PETRÓLEO E GÁS VEM EXPERIMENTANDO uma demanda crescente por recursos humanos qualificados. As oportunidades de emprego neste segmento do mercado de trabalho são muito promissoras. A mídia vem divulgando, freqüentemente, altos investimentos neste setor, através de programas que permitirão aumento nas áreas de exploração e produção e na capacidade de refino. Como conseqüência, existirá uma grande oferta de empregos diretos e indiretos. Para atuar na área de petróleo e gás, o profissional deve ser curioso e investigativo e, fundamentalmente, atualizado, sempre questionando o seu conhecimento contra as situações apresentadas, e não pode ter medo de números: quase tudo acaba sendo mensurado de alguma forma. Não podemos esquecer que o profissional tido como bom, em qualquer atividade, é aquele que apresenta resultados rápidos e com qualidade. Para chegar a esse ponto, o profissional precisa estar envolvido com o trabalho, mostrando capacitação, competência e compromisso. Os cursos visam capacitar profissionais para atuar em empresas do setor, através de uma abordagem ampla e diversificada. Mais da metade de todo o petróleo, e 70% de todo o gás do planeta, ainda estão para serem descobertos. A indústria do petróleo engloba todo o tipo de profissional e de atividades: técnicas, financeiras, tributárias, jurídicas, médicas etc. Dentre elas, sempre haverá colocação para os profissionais destacados pelo mercado. Ainda por muitos anos continuará sendo necessário explorar, produzir, refinar e transportar petróleo e derivados. Essas atividades garantirão, por si só, empregabilidade aos que estiverem preparados. Nesse sentido, o profissional pode esperar um mercado amplo e com capacidade de absorver os atualizados e bem formados. A empregabilidade dos profissionais especializados no segmento de petróleo e gás natural, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), é de quase 100%. Com remunerações que são até 30% maiores do que a média praticada no mercado, o segmento de petróleo e gás natural é um dos mais promissores do país e a maioria dos profissionais são provenientes de cursos de engenharia, geofísica e geologia. As faculdades, que possuem ofertas nas áreas, normalmente disponibilizam disciplinas específicas na graduação e pós-graduação para quem deseja se especializar. Os dez profissionais de nível superior mais demandados, até 2005, de acordo com a pesquisa da Organização Nacional da Indústria do Petróleo, foram: engenheiro de equipamentos (1.244); engenheiro de processamento (489); engenheiro de produção (396); geólogo de petróleo (369); engenheiro de perfuração de petróleo (221); geofísico de petróleo (196); químico de petróleo (142); comandante de embarcação offshore (103); engenheiro naval (93) e engenheiro de instrumentação (90). Os mais procurados de nível técnico serão: operador de utilidades (6.340); técnico químico de petróleo (455); desenhista projetista (410); técnico de exploração de petróleo (300); mergulhador (298); inspetor de equipamentos e instalações (257); auxiliar de plataforma (245); operador de transferência e estocagem (196); operador de veículo de operação remota (157); e técnico de suprimento (101). 48

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Foto: Roberto Rosa

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Engenharia de Petróleo O ENGENHEIRO DE PETRÓLEO é o profissional graduado em nível superior que trabalha com o estudo e a análise de jazidas de petróleo, bem como com projetos de extração e sua execução. É de responsabilidade desse profissional a determinação do potencial econômico da jazida, da produtividade, da viabilidade e das técnicas a serem utilizadas para a exploração. A coordenação e o acompanhamento desse processo e a elaboração de um plano de logística de transportes e abastecimento também são incumbências do engenheiro de petróleo. O profissional dessa área deve ter a consciência de que o ambiente do qual se está extraindo o petróleo deve ser preservado ao máximo, portanto deve ser realizado um planejamento estratégico de redução de danos. Apesar de se tratar de engenharia de petróleo, o profissional dessa área está habilitado a trabalhar com outros combustíveis, como gás natural. MERCADO DE TRABALHO – O mercado de trabalho para o profissional ligado à energia vem crescendo muito nos últimos anos, isso porque as recentes e constantes preocupações com as mudanças climáticas e com o aquecimento global fazem com que os governos busquem cada vez mais formas de energia que substituam o petróleo, além da busca pelo seu uso mais consciente. O setor sucroalcooleiro também tem sido muito beneficiado com esse processo de transição de combustíveis no qual mundo está entrando. O petróleo é um produto muito importante, tanto para a economia local quanto para a exportação, sendo seu preço estipulado por cotações internacionais. Salário médio inicial – R$ 2.000,00 O QUE VOCÊ PODE FAZER – O profissional de engenharia do petróleo pode trabalhar em empresas públicas ou privadas, de caráter nacional ou multinacional, e atuar nas mais diversas áreas do setor petrolífero, entre elas: Extração do petróleo – quando trabalha com todo o processo de extração, podendo atuar tanto na área de projetos quanto na área de execução; Pesquisas científicas – pode trabalhar no setor de pesquisas petrolíferas atuando na área de técni50

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Foto: Banco de Imagens Petrobras

recursos humanos

cas de extração, de refino, de transformação, bem como com a pesquisa e sua aplicação em indústrias de derivados de petróleo. Além disso, o profissional pode também atuar em pesquisas de outras formas de energia que tenham potencial de substituir a energia petrolífera, que é altamente poluente e não renovável. Nesse caso, o papel do profissional é buscar cada vez mais a sustentabilidade do crescimento, ou seja, buscar o desenvolvimento com base na preservação ambiental; Refino – pode trabalhar diretamente com o refino e a distribuição do petróleo nas suas mais diversas formas (óleo ou derivados). O CURSO – Para ser um engenheiro de petróleo é necessário diploma de graduação em curso superior de Engenharia de Petróleo, com duração média de quatro anos. O curso visa a habilitar o profissional para trabalhar em qualquer fase da extração desse combustível. Algumas das disciplinas que fazem parte da grade curricular são: projetos de engenharia de petróleo; tratamento de minerais; projeto, teste e análise de poços de petróleo; mecânica de fluídos aplicada a reservatórios e a engenharia de petróleo; geofísica aplicada a engenharia de petróleo; dutos de petróleo e gás, dentre outras. PRINCIPAIS ATIVIDADES – localizar e fazer a prospecção da área de jazidas de petróleo; analisar o potencial econômico, a viabilidade e as principais características geológicas da região; determinar a melhor técnica de extração do petróleo; elaborar o projeto de extração; definir toda a estrutura necessária; coordenar a execução do projeto; acompanhar todo o processo de extração; elaborar plano de logística de transporte, armazenamento e estocagem; acompanhar o processo de transformação dos combustíveis.


ESTE CURSO EXISTE, com esta denominação, somente em algumas universidades. Trata-se do conjunto de técnicas usadas para a descoberta de poços e jazidas e para a exploração, produção e comercialização de petróleo e gás natural. O engenheiro de petróleo e gás atua em petroleiros, refinarias, plataformas marítimas e em petroquímicas. Com seus conhecimentos em engenharia, geofísica, mineração e geologia, ele trabalha na descoberta de jazidas de petróleo e também em poços de gás natural. É de sua responsabilidade desenvolver projetos que visem à exploração e à produção desses bens sem prejuízos ao meio ambiente nem desperdício de material. Além disso, cuida do transporte do petróleo e seus derivados, desde o local da exploração até a chegada na refinaria. Também pode atuar em consultorias ambientais e no setor de exportação e importação, fazendo pesquisas de preços de matérias-primas ou captando compradores. É preciso conhecer a legislação internacional que regula as atividades ligadas ao petróleo e seus derivados e, como a maior parte das empresas do setor é estrangeira, é necessário ter fluência em inglês. MERCADO DE TRABALHO – A descoberta de poços de gás natural no litoral paulista e a intenção de tornar o Brasil auto-suficiente em petróleo mantêm o mercado aquecido pelos próximos anos. É grande a procura por esse profissional em toda a cadeia produtiva (exploração, extração, técnicas de perfuração, distribuição e importação e exportação do produto). Companhias como Ipiranga, Shell e Petrobras são os maiores empregadores desse engenheiro. Empresas que fabricam equipamentos para o setor, como a Halliburton e a Schlumberger, também empregam boa parte da mão-de-obra. O estado do Rio de Janeiro concentra o maior número de empregadores. Em cidades litorâneas de São Paulo, Espírito Santo e Bahia, a demanda vem crescendo, o que gera boas perspectivas para os profissionais que desejam atuar nessas regiões. Salário médio inicial: R$ 2.000,00 O QUE VOCÊ PODE FAZER Comercialização – Atuar na venda do petróleo

aos compradores nacionais e internacionais e fazer pesquisa de preços de matériasprimas. Consultoria – Prestar serviços para empresas do setor para avaliar os riscos ambientais na exploração, produção e distribuição do produto. Desenvolvimento de equipamentos – Projetar e acompanhar a produção de novos equipamentos utilizados nas plataformas marítimas, nas petroquímicas e em refinarias. Pode atuar também na venda desses equipamentos. Exploração do petróleo e derivados – Decidir como será feita a perfuração dos locais para que o material seja retirado sem prejuízos ambientais nem financeiros. Procura de reservatórios – Traçar planos para a descoberta de jazidas de petróleo ou poços de gás natural, levando em consideração cálculos e características físicas de determinados espaços. Analisar a capacidade de produção dos novos reservatórios. Transporte e distribuição – Desenvolver e implantar projetos para o transporte de petróleo e derivados e gás natural desde os locais de exploração até a chegada nas refinarias e petroquímicas. Cuidar da distribuição do produto final até os postos e as indústrias. Foto: Banco de Imagens Petrobras

Engenharia de Petróleo e Gás

O CURSO – As aulas são recheadas de cálculos, principalmente nos dois primeiros anos. Estudase física, química, geologia, geometria, álgebra, lógica, estatística, mecânica e fenômenos de transporte. A partir do terceiro ano, entram matérias mais específicas, como fontes alternativas de energia, técnicas de exploração e refino do petróleo, prospecção de petróleo, matérias na indústria do petróleo, engenharia de reservatório, métodos de elevação, entre outras. Na grade curricular também há disciplinas ligadas à gestão do negócio, como marketing, empreendedorismo, gestão ambiental e direito internacional. Em algumas escolas, o curso é uma habilitação de Engenharia de Minas. Duração média – quatro anos. TN Petróleo Estudante

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É A ÁREA DA ENGENHARIA QUE cuida do projeto, da construção e da manutenção de embarcações e seus equipamentos. O engenheiro naval projeta a estrutura, os motores e os demais componentes de navios. Para isso, considera o uso a ser dado à embarcação, a quantidade de carga ou de passageiros a ser transportada, a distância a ser percorrida e o local de operação, se em rios, lagos, mares ou oceanos. Na construção, supervisiona os técnicos e os operários, verifica a qualidade da matéria-prima e os métodos de trabalho e acompanha toda a fabricação. Pode também gerenciar o transporte marítimo e fluvial, controlando o tráfego de embarcações e os serviços de comunicação. Outras áreas de atuação para esse profissional são lazer e esportes náuticos, a criação de animais marinhos e a exploração de recursos minerais do oceano, sobretudo o petróleo. MERCADO DE TRABALHO – O mercado voltou a crescer nos últimos três anos e existe demanda pelo profissional em todo o país. As melhores vagas se encontram em empresas de exploração de petróleo, como a Petrobras, que abre concursos para especialistas em gerenciamento de projetos. Para os próximos cinco anos, espera-se por novos navios e estaleiros no Brasil. Isso pode resultar na contratação do profissional para atuar em projetos, supervisão, inspeção, planejamento e gestão de operação. Firmas de engenharia offshore, consultorias e os setores logístico e militar também requisitam o bacharel. Os recém-formados encontram oportunidades em escritórios de projetos e classificadoras – empresas que certificam se as construções estão ou não de acordo com as normas internacionais. Além dos estaleiros, esses escritórios são os melhores empregadores do profissional. Salário médio inicial – R$ 3.000,00 O CURSO – O primeiro ano começa com as disciplinas básicas das engenharias, entre elas física, matemática e informática. A partir do terceiro têm início as matérias específicas, como tecnologia de construção e de materiais, hidrodinâmica, mecânica de fluidos e teoria do projeto de embarcações e sistemas oceânicos. Em aulas práticas de laboratório, o aluno constrói e testa 52

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Engenharia Naval

modelos e maquetes estruturais, não só de embarcações tradicionais como também de submarinos e robôs subaquáticos. O estágio no fim do curso é obrigatório. Duração média – cinco anos. O engenheiro naval é o profissional que desenvolve técnicas de execução que possibilitam a montagem, manutenção e reparo de embarcações, dos equipamentos e das instalações projetadas. As funções são próximas às do engenheiro mecânico, relacionadas com a indústria naval. É o responsável por projetos e construção de máquinas marítimas, motores e equipamentos mecânicos para embarcações. Pesquisa novas técnicas de manuseio de cargas de navios e guindastes, e técnicas de proteção e fortalecimento dos cascos dos navios contra impactos em sua estrutura. CURRÍCULO BÁSICO – Matemática, Física, Cálculo, Hidrodinâmica, Estrutura do Navio e Plataformas Oceânicas, Projeto do Navio, Tecnologia da Construção Naval. APTIDÕES DESEJÁVEIS – É necessária aptidão mecânica e numérica. ESPECIALIZAÕES POSSÍVEIS – Embarcações, Maquinário marítimo. CAMPOS DE ATUAÇÃO – Companhias de Navegação Fluvial ou Marítima, Estaleiros, Indústria Naval, Marinha.


A ENGENHARIA DE ENERGIA É UMA profissão nova. Os primeiros profissionais – graduados pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) – estão entrando no mercado em 2008 e têm como principais concorrentes economistas e engenheiros mecânicos e eletricistas. O engenheiro de energia lida com todas as formas de energia que compõem a matriz energética brasileira – seja ela renovável, como hídrica, solar, eólica ou de biomassa, seja não renovável, obtida de petróleo, carvão, gás natural ou material radioativo, como o urânio (usado em usinas nucleares). Na área pública, pesquisa e traça estratégias para o setor energético. Planeja, analisa e desenvolve sistemas de geração, transporte ou transmissão, distribuição e uso da energia. Avalia as necessidades de uma região ou setor e desenvolve projetos econômica e socialmente viáveis, sempre buscando soluções seguras e sustentáveis, que não agridam o meio ambiente. Além disso, ele coordena programas de contenção e uso racional da energia. Seu campo fundamental de trabalho inclui empresas de projetos de engenharia, como Promon e Setal, agências reguladoras, como Aneel, e organizações não governamentais. MERCADO DE TRABALHO – O empenho do governo federal em acelerar o crescimento econômico do país traz embutida a promessa de muito trabalho para o engenheiro de energia, sobretudo para quem trabalha com petróleo e biomassa (etanol e outros biocombustíveis). Os maiores empregadores são Petrobras, Eletrobrás, usinas de etanol e biodiesel e companhias de transporte de distribuição de gás natural como a Gasbol e a Congás. As melhores oportunidades estão nos estados de forte perfil industrial, como São Paulo,

Foto: Banco de Imagens Petrobras

Engenharia de Energia

Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os investimentos em usinas de etanol e biodiesel também criam boas chances de trabalho no interior de São Paulo e nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, locais onde há grande produção de cana-de-açúcar. Salário médio inicial – R$ 2.000,00 O CURSO – Três escolas oferecem a graduação na área, com duração média de cinco anos. As disciplinas básicas são matemática, física, informática e economia. Na parte específica, o curso aborda as áreas como eletricidade, combustíveis, potenciais hidráulicos, energia solar, térmica, nuclear e eólica. Esses temas estão concentrados em matérias que definem como gerar, distribuir e monitorar energia levando em conta aspectos ambientais, sociais e econômicos. Os alunos estudam também a legislação e as normas que regulam o setor. O QUE VOCÊ PODE FAZER Diagnóstico – Avaliar, selecionar e implantar o melhor tipo de energia – entre renováveis e não renováveis – e as melhores condições de uso. Planejamento energético – Planejar e coordenar o processo de implantação de usinas e analisar os impactos ambientais, sociais e econômicos relacionados ao local de instalação. Desenvolvimento de tecnologia – Criar ou melhorar equipamentos para geração, uso final do consumidor e para transformação de energia.

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A ENGENHARIA ELÉTRICA É O RAMO da engenharia que lida com o estudo e a aplicação da energia elétrica e do eletromagnetismo. A energia elétrica envolve a geração (usinas/ fábricas geradoras hidrelétricas, termelétricas, nucleares) e o transporte (linhas de transmissão de alta tensão), bem como a utilização nas residências, nas indústrias (controle e automação, máquinas elétricas, motores elétricos), nas telecomunicações (telefonia fixa e celular, rádio, televisão) e na informática, dentre outras aplicações. O engenheiro elétrico aplica técnicas e conhecimentos específicos nos campos da eletrotécnica (potência e energia) e da eletrônica, supervisionando, coordenando e orientando projetos. Telefone celular, microcomputadores, rádio e televisão, iluminação pública, estabilizadores de vôo e máquinas automatizadas são alguns dos produtos desenvolvidos pelo engenheiro eletricista. Ele trabalha também com a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica em usinas hidrelétricas ou indústrias. MERCADO DE TRABALHO – O engenheiro, com formação em engenharia elétrica, tem, nos dias de hoje, um campo de atuação bastante vasto. De forma geral e básica, esse engenheiro realiza atividades nas áreas de: Eletrotécnica – planeja, projeta, executa obras e opera os sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Projeta, planeja e opera plantas industriais. Eletrônica – projeta, desenvolve e realiza a manutenção de equipamentos nas áreas de áudio, vídeo, automação e controle de processos, comunicações, radar, sistemas computacionais e de processamento de sinais, bioengenharia e outras aplicações específicas. Telecomunicações – projeta e desenvolve equipamentos e sistemas destinados às comunicações de sinais analógicos e digitais. Modela e dimensiona os canais físicos de comunicações envolvidos com a transmissão e a recepção de sinais eletromagnéticos. Salário médio inicial – R$ 1.700,00 O QUE VOCÊ PODE FAZER Eletrônica – Projeto, construção e controle de qualidade e manutenção de todo e qualquer tipo 54

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Foto: José Caldas

Engenharia Elétrica

de equipamento ou sistema eletrônico. Atua também em áreas de sistemas de controle e automação, além de computação; Biomédica – Auxilia hospitais, clínicas e labarotórios na compra, adaptação e uso de equipamentos biomédicos; Microeletrônica – Projeta e desenvolve componenetes microeletrônicos; Potência e Energia – Projeta, constrói e realiza a montagem, operação e manutenção de instalações industriais, além de sistemas ou equipamentos de medição e de controle elétricos. Esta área é também conhecida como ‘eletrotécnica’ e abrange todas as etapas de geração, transmissão, distribuição e uso de energia elétrica; Telecomunicações – É o profissional responsável pela execução de projetos voltados para a expansão do sistema de telecomunicões. O CURSO – Tem duração de cinco anos, incluindo um estágio supervisionado obrigatório. O currículo inclui dois anos de matérias básicas de engenharia, como matemática, física e informática, além de economia e administração. Durante todo o curso o aluno terá sua carga horária dedicada a aulas em laboratórios, com o intuito de conhecer e interpretar fenômenos elétricos.


É O RAMO DA ENGENHARIA que gerencia os recursos humanos, financeiros e materiais para aumentar a produtividade de uma empresa. O engenheiro de produção é peça fundamental em empresas de quase todos os setores. Ele une conhecimentos de administração, economia e engenharia para racionalizar o trabalho, aperfeiçoar técnicas de produção e ordenar as atividades financeiras, logísticas e comerciais de uma organização. Define como integrar mão-de-obra, equipamentos e matéria-prima de forma a melhorar a qualidade e a aumentar a produtividade. Por atuar como elo entre o setor técnico e o administrativo, seu campo de trabalho ultrapassa os limites da indústria. O especialista em economia empresarial, por exemplo, costuma ser contratado por bancos para montar carteiras de investimentos. Esse profissional é requisitado, também, por empresas prestadoras de serviços para gerenciar a seleção de pessoal, definir funções e planejar escalas de trabalho. MERCADO DE TRABALHO – O mercado é promissor porque esse engenheiro é procurado por empresas de todos os setores, que visam a garantir a qualidade de seus produtos. Indústrias de bebidas, cigarros, automobilística e eletrônica, entre outras de grande porte, têm requisitado o engenheiro de produção para atuar no setor de logística, que inclui a distribuição de produtos e o suprimento de compras. Isso também ocorre cada vez mais em empresas do setor varejista e na agroindústria, que abre vagas em regiões interioranas. Na área de serviços, os bancos são os que mais contratam. Lá, os profissionais atuam no gerenciamento de carteira, na análise de investimentos e no mercado de ações. Com a descentralização industrial, o engenheiro de produção tem chances de colocação em todo o país, mas as melhores oportunidades estão no Sudeste e no Sul. Nas concessionárias que administram rodovias há boas chances. No Nordeste, o destaque é o pólo têxtil do Ceará. Salário médio inicial – R$ 2.000,00 O QUE VOCÊ PODE FAZER – O curso de engenharia de produção capacita o profissional

Foto: Banco de Imagens Petrobras

Engenharia de Produção

para atuar na organização, controle e aumento da eficiência e da qualidade dos processos. Assim como os profissionais das outras engenharias, o engenheiro de produção projeta, implanta, melhora e mantém os sistemas produtivos. A diferença está na abordagem sistêmica: a engenharia de produção lida com sistemas integrados de homens, equipamentos e materiais e não, com tecnologias ou com produtos, isoladamente. Um engenheiro de produção pode atuar em diversas organizações produtivas: empresas industriais e de serviços; indústrias dos ramos automotivo, da construção civil e de processos contínuos em geral, além de outras específicas, como mineração, siderurgia, cimento e química. Pode, ainda, desempenhar atividades na administração pública e na análise de investimentos, bem como atuar na organização, na logística e na gestão de serviços de apoio a eventos, esportivos ou artísticos. O CURSO – No começo, o curso enfoca as disciplinas básicas da engenharia, com bastante cálculo, como matemática, física, química e informática. Depois entram as matérias específicas de produção. Nos últimos anos acrescentamse administração e economia. Na etapa final, o aluno começa o estudo específico da habilitação escolhida. Além de manipular dados estatísticos, o aluno tem de aprender a calcular custos e a fazer orçamentos. Várias escolas oferecem o curso voltado para alguma habilitação específica, como mecânica ou civil. O curso tem duração média de quatro a cinco anos. TN Petróleo Estudante

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É A ÁREA DA ENGENHARIA LIGADA ao desenvolvimento e à aplicação de processos industriais que empregam transformações físico-químicas. O engenheiro químico cria e aperfeiçoa técnicas de extração de matérias-primas, bem como de sua utilização ou transformação em produtos químicos e petroquímicos, como tintas, plásticos, fármacos, têxteis, papel e celulose. Ele desenvolve produtos e equipamentos, gerencia sua operação e pesquisa tecnologias mais eficientes e menos poluidoras. Também projeta e dirige a construção, a montagem e o funcionamento de fábricas, usinas e estações de tratamento de rejeitos industriais. Pesquisa e implanta processos industriais não poluentes, aplicando conhecimentos de legislação, normatização e desenvolvimento sustentável. MERCADO DE TRABALHO – Nos últimos anos, os investimentos das indústrias, sobretudo as voltadas para exportação, fizeram surgir boas oportunidades de trabalho para o engenheiro químico. E, para os próximos anos, a expectativa é de mais emprego para esse profissional. Entre os diversos setores em que ele pode atuar, destacam-se o químico, o petroquímico, o de papel e celulose, o de alimentos e o farmacêutico. Neles, a maior demanda é por especialistas em processo industrial e projetos. As empresas que trabalham com reciclagem e as indústrias que têm preocupação com o reaproveitamento de materiais também oferecem boas oportunidades a quem atua na área de meio ambiente. As áreas de controle de processos, que demandam conhecimento de alta tecnologia, e de processos biotecnológicos em geral, valorizam cada vez mais o engenheiro químico. Os pólos industriais de São Paulo e do Rio de Janeiro são os principais empregadores, mas, como muitas indústrias químicas migraram para o interior do estado de São Paulo, crescem as chances de colocação nas regiões de Campinas, São Carlos e Rio Claro. Camaçari, na Bahia, é outro pólo de destaque para esse engenheiro. Salário médio inicial – R$ 1.800,00 O QUE VOCÊ PODE FAZER – O curso destinase à formação de profissionais para atuação tanto 56

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Foto: Banco de Imagens Stock.xcng

Engenharia Química

nos setores industriais quanto na prestação de serviços, nas áreas de pesquisa e desenvolvimento de processos químicos, projetos e controle de processos, produção e comercialização de produtos químicos. O engenheiro químico é o profissional que atua fundamentalmente na área de processos químicos, criando, projetando e operando instalações de produção e transformação de produtos químicos. Mas é também um profissional versátil capaz de atuar em áreas tão distintas quanto pesquisa, compras e vendas ou gerenciamento de equipes de trabalho. Hoje exige-se do engenheiro capacidade para atuar em diferentes níveis das organizações empresariais, do projeto à administração, passando até pelo acompanhamento da comercialização dos produtos e do suporte técnico aos clientes. O CURSO – Física, química e matemática estão presentes no currículo durante todos os cinco anos de curso. A partir do terceiro ano, essas disciplinas passam a ser aplicadas a processos físico-químicos, nos quais o aluno aprende a identificar as reações, a analisar e a purificar compostos químicos e a projetar equipamentos relacionados com as diversas transformações que ocorrem na indústria química. As aulas em laboratório, que ocupam boa parte da carga horária, são fundamentais para o estudante se familiarizar com os equipamentos industriais e se preparar para enfrentar problemas reais de uma linha de produção. O estágio é obrigatório. Algumas escolas oferecem formação específica em certas áreas, como meio ambiente ou celulose e papel.


Engenharia Geológica ou Geologia É A CIÊNCIA QUE ESTUDA a origem, a formação, a estrutura e a composição da crosta terrestre e as alterações sofridas no decorrer do tempo. O geólogo investiga a ação das forças naturais sobre o planeta e seus efeitos, como a erosão, a glaciação e a desertificação. Para isso, ele pesquisa e analisa fósseis e minerais e a topografia dos terrenos. Classifica rochas ígneas, sedimentares e metamórficas, que ocorrem tanto na superfície terrestre quanto no subsolo e no fundo do mar. Também localiza e acompanha a exploração de jazidas de minério, depósitos subterrâneos de água e reservas de petróleo e de gás natural. Faz parte de suas preocupações procurar evitar os danos que a exploração desses recursos possa causar ao meio ambiente. Elabora relatórios de impacto ambiental e analisa o terreno antes da realização de grandes obras, como túneis, barragens, reservatórios, usinas, estradas e aterros. MERCADO DE TRABALHO – O mercado de trabalho do geólogo está ligado aos altos e baixos da economia e à demanda mundial por petróleo. A crescente preocupação com os impactos ambientais tem feito com que essa profissão esteja em ascensão. Existem vagas para todos os formados e, em alguns casos, falta mão-de-obra qualificada para preenchê-las no Brasil e no exterior. As maiores oportunidades estão nas áreas de exploração de petróleo e de mineração, impulsionadas pelo anúncio feito pela Petrobras em 2007, da viabilidade econômica do maior campo de petróleo do país, o de Tupi, localizado na Bacia de Santos. Empresas púbicas, como a Petrobras e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, costumam abrir concurso para contratar esse profissional. Outra tradicional empregadora é a Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), que tem enviado muitos desses especialistas para o exterior. A maioria das vagas é para a região Sudeste, mas muitas empresas de mineração levam seus funcionários para trabalhar na região amazônica, no Centro-Oeste, Paraná, Rio Grande do Norte e em Sergipe. Quem trabalha no campo da geologia ambiental encontra boas chances de emprego em prefei-

turas de grandes cidades. A de São Paulo, por exemplo, teve recentemente vários projetos de planejamento urbano que contavam com geólogos especializados nessa área. Empresas de todo o Brasil que lidam com monitoramento para evitar vazamentos em postos de gasolina também contratam geólogos. Salário médio inicial – R$ 2.300,00 O QUE VOCÊ PODE FAZER Engenharia geológica – Para fazer o levantamento geológico e geotécnico de áreas para a construção de represas, túneis e estradas. Estudar a recuperação de áreas degradadas por atividades de mineração. Geofísica – Pesquisar os fenômenos elétricos, térmicos, magnéticos, gravitacionais ou sísmicos do planeta. Geologia ambiental – Planejar a ocupação de territórios e avaliar o risco geológico (erosões, enchentes e deslizamentos) a que essas regiões possam estar submetidas. Recuperar solos contaminados. Geologia do petróleo – Localizar e explorar reservas petrolíferas e de gás natural, dentro da área de recursos energéticos. Hidrogeologia – Descobrir depósitos de água subterrâneos e planejar sua exploração de forma a garantir a pureza das águas. Mineração – Localizar jazidas e estudar a viabilidade econômica de sua exploração. O CURSO – Começa com matérias básicas, como química, matemática, física e biologia, mas já no primeiro ano o aluno tem atividades de campo para se familiarizar com os conteúdos próprios da Geologia. Em seguida, entram no currículo algumas disciplinas específicas, como petrografia (descrição e análise de rochas), sedimentologia e paleontologia. A partir do terceiro ano, a ênfase é dada à formação profissional com aulas de geologia econômica, sensoriamento remoto, tratamento de minérios e geologia urbana, entre outras. Parte considerável da formação ocorre em aulas práticas extraclasse. Nos trabalhos de campo, o estudante faz mapeamentos e coleta material que será mais tarde analisado em laboratório. Em algumas escolas, exige-se, no último ano, um trabalho de conclusão de curso, que pode ser feito em campo ou em uma empresa, de acordo com o tema escolhido. Duração média do curso: cinco anos. TN Petróleo Estudante

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Geofísica É A CIÊNCIA QUE ESTUDA a estrutura, a composição, as propriedades físicas e os processos dinâmicos da Terra. O geofísico investiga os fenômenos elétricos, térmicos, magnéticos, gravitacionais e sísmicos do planeta. Com instrumentos especiais e leis da matemática, da física e da química, ele mede as forças que afetam a superfície, o subsolo e a atmosfera terrestre. Observa e calcula os movimentos do solo e do subsolo e pesquisa a origem e a atividade dos vulcões, a curvatura do planeta e outras características geofísicas do globo. Detecta e mede a intensidade de terremotos e maremotos, investiga a estrutura das formações rochosas e as propriedades físicoquímicas dos mares. Antes da construção de grandes obras, como represas, estradas e túneis, avalia a estabilidade do solo e localiza lençóis de água e jazidas minerais. Pode trabalhar também na prospecção de petróleo. MERCADO DE TRABALHO – Essa área encontra-se em ascensão e a demanda pelo profissional cresce ano a ano. As melhores oportunidades estão no setor petrolífero. Petrobras e empresas estrangeiras de exploração de petróleo costumam contratar o bacharel, que também é requisitado por prestadores de serviços dessas companhias. Nelas, trabalham no processamento de dados geofísicos. A Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, o Espírito Santo e o município de Santos, no litoral de São Paulo (principalmente após o anúncio da viabilidade econômica do campo de Tupi, o maior do país), são as regiões mais promissoras para o profissional. Quem preferir atuar no setor de mineração também encontra um campo em crescimento. A Amazônia e os estados de São Paulo, Minas Gerais e da Bahia concentram os mercados mais aquecidos. Nas empresas de engenharia e em construtoras que realizam grandes obras, como shoppings e barragens, é boa a oferta de trabalho para o especialista em construção civil. Nas prefeituras, em especial nas do Sudeste, também aumenta a procura pelo profissional com conhecimento de geofísica ambiental. Salário médio inicial – R$ 2.500,00 58

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Foto: Banco de Imagens Petrobras

recursos humanos

O QUE VOCÊ PODE FAZER Construção civil – Estudar as características do solo antes do início de uma obra. Localizar dutos de água e de gás para implantar novas tubulações em terrenos e loteamentos. Geofísica ambiental – Investigar a degradação do solo e a poluição de lençóis de água subterrâneos ou de superfície. Analisar o impacto ambiental de grandes obras, como estradas, túneis do metrô ou reservatórios de água. Geofísica fundamental – Desenvolver pesquisas nas áreas de geodésia (forma e tamanho da Terra), geodinâmica (deformações da crosta), geomagnetismo (campo magnético terrestre), geotermia (fenômenos térmicos que ocorrem no interior do planeta) e sismologia (abalos sísmicos). Geofísica e engenharia do petróleo – Levantar e analisar dados em busca de reservas petrolíferas e acompanhar sua exploração. Mineração – Coletar dados em campo e, depois, analisá-los e processá-los em laboratório e computadores para localizar reservas minerais. O CURSO – Matemática, física e geologia são a base do currículo. Entre as disciplinas profissionalizantes estão prospecção de água, de petróleo e de recursos minerais. O aluno deve se preparar para muitas aulas envolvendo computação e para exercitar os neurônios com cálculos e mais cálculos – eles estão presentes durante todo o curso. Há várias atividades práticas, tanto em campo quanto em laboratório. Elas são fundamentais na formação de profissionais aptos a trabalhar com monitoramento ambiental, na construção civil e na indústria do petróleo. Quem se interessa por esta última área, pode cursar também Engenharia de Petróleo e Gás. Duração média do curso – quatro anos.


Lista dos cursos IBP www.ibp.org.br Tel.: (21) 2112-9033/9034 cursos@ibp.org.br BIODIESEL – TECNOLOGIA, REGULAÇÃO E INVESTIMENTOS Duração: 30/10/2008 a 31/10/2008

PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO E NEGÓCIOS DO PETRÓLEO, GÁS E ENERGIA

Duração: 06/10/2008 a 08/10/2008

ASPECTOS COMERCIAIS DE COMBUSTÍVEIS DE AVIAÇÃO Duração: 07/10/2008 a 10/10/2008

ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE PROCESSAMENTO PETROQUÍMICO

GESTÃO DA LOGÍSTICA DE SUPRIMENTO DE PETRÓLEO E DERIVADOS

CURSO DE EXTENSÃO – SEGURANÇA OPERACIONAL EM PLATAFORMAS

ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE PETRÓLEO (ÊNFASE NA CONSTRUÇÃO DE POÇOS) Duração: 232 horas

Duração: 06/10/2008 a 08/10/2008

PETROLEUM EXPLORATION AND PRODUCTION Duração: 3 dias

MODERN WELL DESIGN Duração: 2 dias

GESTÃO DA INOVAÇÃO E ESTRATÉGIAS TECNOLÓGICAS NA INDÚSTRIA PETROQUÍMICA

Duração: 20/10/2008 a 22/10/2008

ASPECTOS OPERACIONAIS DA COMERCIALIZAÇÃO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS

Duração: 16/06/2008 a 18/06/2008

ENGENHARIA DE PETRÓLEO E GÁS

ESTÁCIO www.estacio.br Tel.: (21) 3231-0000 CURSO TÉCNICO DE TECNOLOGIA EM PETRÓLEO E GÁS Duração: 2 anos e meio

Duração: 3 dias

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PETRÓLEO E GÁS

CONHECIMENTOS BÁSICOS DE UM CAMPO DE PETRÓLEO – “UMA ABORDAGEM PARA PEQUENOS E MÉDIOS EMPRESÁRIOS”

Duração: 5 anos

PÓS-GRADUAÇÃO – LOGÍSTICA DE PETRÓLEO E GÁS Duração: 390 horas

Duração: 3 dias

GÁS NATURAL PARA ADVOGADOS Duração: 5 dias

Duração: 09/06/2008 a 13/06/2008

AVALIAÇÃO INTEGRADA DE RISCO DE BLOCOS EXPLORATÓRIOS

CURSO DE EXTENSÃO – SISTEMA DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO

AVALIAÇÃO DE FORMAÇÕES

Duração: 20/10/2008 a 21/10/2008

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E CRÉDITOS DE CARBONO

UGF (UNIVERSIDADE GAMA FILHO)

E-BUSINESS E GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTO – UMA SOLUÇÃO INTEGRADA

Duração: 08/09/2008 a 09/09/2008

Duração: 15/09/2008 a 19/09/2008

Duração: 195 horas

Duração: a definir

Duração: 3 dias

TRANSPORTE MARÍTIMO DE PETRÓLEO, DERIVADOS E GASES

ESPECIALIZAÇÃO EM TRATAMENTO DE DADOS NA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO

www.ugf.br Tel.: (21) 2599-7100 pos@ugf.br

DIREITO EMPRESARIAL E A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO

TÉCNICAS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DE E&P

Duração: 4 dias

Duração: 390 horas

Duração: 450 horas

PROTEÇÃO CATÓDICA EM PLATAFORMAS, EQUIPAMENTOS E DUTOS SUBMARINOS

VALOR EM EMPREENDIMENTOS DE E&P

PÓS-GRADUAÇÃO – GEOLOGIA E GEOFÍSICA DE POÇO EM RESERVATÓRIOS DE PETRÓLEO E GÁS Duração: 390 horas

GERENCIAMENTO DE NEGÓCIOS DE EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DE PETRÓLEO – COMO CONSTRUIR, GERENCIAR E CRIAR

PÓS-GRADUAÇÃO – GESTÃO DE PETRÓLEO E GÁS Duração: 390 horas TN Petróleo Estudante

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recursos humanos

PÓS-GRADUAÇÃO – ENGENHARIA DE PETRÓLEO E GÁS Duração: 390 horas

MB CURSOS COPPE/UFRJ www.mbcursos.com.br Tel.: (21) 22337580/ 25180774 atendimento@mbcursos.com.br PÓS-GRADUAÇÃO – MPB PETRÓLEO E GÁS

UNISUAM (CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA) www.unisuam.edu.br Tel.: (21) 3882-9797 isabelnascimento@unisuam.edu.br GEOLOGIA APLICADA AO PETRÓLEO E GÁS Duração: 360 horas

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TN Petróleo Estudante

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ALÉM DAS MAIS VARIADAS vagas de estágios que as empresas de petróleo e gás oferecem aos universitários, os programas de trainee também são boas e freqüentes oportunidades aos estudantes recém-formados nos cursos do setor. O intuito deste tipo de programa é que os estudantes se desenvolvam como líderes, por isso são submetidos a programas de treinamentos para que, em curto espaço de tempo, possam assumir cargos de chefia. Ao entrar numa empresa como trainee, o jovem tem a possibilidade de aprofundar seus conhe-

Foto: Stock.xcng

Programas de Trainee

cimentos sobre negócios, como estratégias, mercados, clientes e consumidores, etc. Além disso, poderá ampliar seu relacionamento com quase todos os setores da empresa e com a prática de diversas profissões. Trainee é uma das formas mais eficientes de se adentrar ao mercado de trabalho, e proporciona segurança, pois

se a pessoa entrou como trainee é porque querem que ela construa carreira dentro da empresa. Assim, a sorte está lançada, e tudo depende do desempenho durante este processo de treinamento. Eis algumas empresas do setor, que realizam anualmente este tipo de programa: Braskem – www.braskem.com.br Aker Solutions – www.akersolutions.com Petrobras – www.petrobras.com.br Vale – www.vale.com Shell – www.shell.com ALL – www.alltrainee.com Gerdau – www.gerdau.com Esso – www.esso.com

TN Petróleo Estudante

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feiras e congressos

Setembro 5 a 18 – Brasil Rio Oil & Gas 2008 Local: Rio de Janeiro Tel.: 55 21 2110-9000 Fax: 55 21 2220-1596 riooil2008@ibp.org.br www.riooilgas.com.br 19 - Brasil Workshop Low Cost FPSO Local: Rio de Janeiro Tel.: (+55 21) 2112-9080/9083 eventos@ibp.org.br www.ibp.org.br 21 a 24 – EUA SPE Annual Technical Conference & Local: Denver, CO Tel: 972 952 9393 Fax: 972 952 9435 spedal@spe.org 23 – Reino Unido Energy Institute Decommissioning Conference Local: Aberdeen Tel: + 44 (0) 20 7467 7106 Fax: + 44 (0) 20 7580 2230 hetheridge@energyinst.org.uk 29 de Setembro a 1 de Outubro - França ERTC Petrochemical Conference Local: Cannes Tel: +44 1737 365100 Fax: +44 1737 365101 events@gtforum.com 30 de setembro a 2 de outubro – Canadá International Pipeline 2008 Local: Calgary Tel.: 888-799-2545 or 403-209-3555. Fax: 403-245-8649. wesscott@ca.dmgworldmedia.com www.internationalpipelineconference.com

Outubro 5 a 8 – EUA Geological Society of America (GSA) Annual Meeting & Exposition Local: Houston, Texas Tel.: 303-447-2020 Fax: 303-357-1070 meetings@geosociety.org www.geosociety.org 8 - África do Sul 15th Annual Africa Upstream 2008 Local: Cidade do Cabo Tel: + 31 70 324 6154 Fax: + 31 70 324 1741 www.petro21.com/events/ index.cfm?id=346

7 a 10 - Canadá Canadian Offshore Resources Local: Nova Scotia Tel: 902-496-3183 amanda@otans.com 8 a 9 - Portugal IADC Drilling West Africa Local: Lisboa Tel: 713 292 1945 Fax: 713 292 1946 Email: conferences@iadc.org 8 a 10 - França International Gas Union Research Local: Paris Tel: +31 50 521 30 78 Fax: +31 50 521 19 46 igrc2008@gasunie.nl 13 a 15 - Alemanha ERTC Lubes and Additives Local: Berlim Tel: +44 1737 365100 events@gtforum.com 14 a 16 - Russia Oil & Gas Transportation in the CIS & Caspian Region Local: Moscou Tel: +44 (0) 207 067 1800 Fax: +44 (0) 207 430 0552 j.golodnikova@theenergyexchange.co.uk

28 a 30 - UAE Arab Oil & Gas Show Local: Dubai Tel: +971 4 3355001 Fax: +971 4 3355141 info@icedxb.com

Novembro 12 a 14 – Brasil Feira de Energias 2008 Local: São Paulo Tel.: 55 11 5521-6008 energias@latinevent.com.br www.latinevent.com.br 17 a 19 – Brasil 1º Congresso sobre Instalações Elétricas em Atmosferas Explosivas Local: São Paulo Tel.: (+55 21) 2112-9077 congressos@ibp.org.br www.ibp.org.br/ciaex

Dezembro 2 a 5 – Cingapura OSEA 2008 Local: Cingapura Tel.: +65 6738 6776 Fax: +65 6732 6776 www.osea-asia.com

19 a 22 – Brasil Brasil Onshore Local: Salvador Tel.: (+55 21) 2112-9080/9083 eventos@ibp.org.br www.brazilonshore.com.br

3 a 5 – Austrália Deep Offshore Technology International Conference & Exhibition Local: Perth www.deepoffshoretechnology.com

26 a 31 – Brasil 44º Congresso Brasileiro de Geologia Local: Curitiba, Paraná Tel.:/Fax: 55 11 3871 3626 fenasan@acquacon.com.br www.44cbg.com.br

3 a 5 – Malásia International Petroleum Technology Local: Kuala Lumpur Tel.: +971 (0)4 390 3540 Fax: +971 (0)4 366 4648 iptc@iptcnet.org

Para divulgação de cursos e/ou eventos, entre em contato com a redação. Tel.: 21 3852-5762 ou tnpetroleo@tnpetroleo.com.br

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TN Petróleo Estudante


opinião de Alberto Machado, diretor executivo de Petróleo, Gás, Bioenergia e Petroquímica da Abimaq e coordenador do MBA Gestão de Negócios em Petróleo e Gás, da Fundação Getúlio Vargas.

O

principal ativo de uma empresa é o seu capital humano. E a complexidade de formar o quadro de pessoal adequado às suas necessidades é diretamente proporcional à complexidade dos processos de cada empresa. No caso da indústria do petróleo e gás, essa regra não só se aplica como transcende os limites de uma única empresa, sendo válida para todo o setor. Por suas especificidades, esta área exige profissionais com conhecimentos na maioria das vezes não disponíveis em outras. Para entendermos o universo de nossa análise, torna-se necessário explicitar como funciona o setor: num primeiro nível estão as companhias de petróleo, responsáveis pela exploração e produção de petróleo, seu transporte, refino, comercialização e distribuição. Num segundo nível estão as empresas operadoras, prestadoras de serviços que são contratadas pelas empresas de petróleo para executar tarefas específicas, tais como: perfurar, fazer sísmica, transportar, prestar apoio logístico, enfim executar atividades inerentes à cadeia produtiva, sem, entretanto, se envolverem com a posse e a negociação do petróleo e de seus derivados. As empresas de petróleo quando executam suas operações diretamente ou por intermédio de suas operadoras contratadas desenvolvem seus projetos e empreendimentos utilizando outro tipo de empresas, as contratadas principais. Conhecidas como “epecistas” (neologismo utilizado no setor que vem da sigla em inglês EPC, ou seja, E de engineering, P de procurement e C de construction) representam o conjunto de empresas que são contratadas para executar o todo ou parte de um empreendimento, como uma plataforma ou uma unidade de refinaria. Como contratadas principais são também utilizados estaleiros, que são um tipo de “epecista” que constrói navios. Tais empresas são responsáveis por entregar o empreendimento pronto para a contratante operar. No nível seguinte estão as empresas de projeto de engenharia, normalmente contratadas pelas epecistas para executar o “E” – que significa o conjunto de projetos, básico e de detalhamento. Uma vez executados os projetos, começa a fase “P”, que se refere à compra dos materiais e equipa-

mentos necessários ao empreendimento e também às contratações dos diversos serviços envolvidos na construção e montagem, que constituirão o “C”. Por seu turno, as máquinas e equipamentos encomendados nos diversos fornecedores vão movimentar outro nível de engenharia, que é designado como engenharia de produto, e vão movimentar uma série de outras indústrias, responsáveis pelo suprimento de materiais, partes, peças, componentes e acessórios que vão compor as máquinas e equipamentos. Todo este cluster de empresas tem que ser respaldado por contratos, pagamentos, cuidados com a saúde, com a segurança, com a preservação do meio ambiente e ainda precisa contar com adequado suporte logístico e, obviamente, tudo tem que ser executado por pessoas. E o que essas pessoas têm em comum? Trabalham num mesmo setor, muitas vezes sem perceber esse fato – por estarem muito afastadas das atividades-fim –, e têm de estar muito bem preparadas. A quantidade de postos de trabalho que esta indústria gera é bastante significativa, pois um posto na operadora representa cinco ou mais nos estaleiros ou epecistas, 50 a cem nas fábricas de máquinas e equipamentos e de 500 a mil nas fábricas de materiais, partes, peças e componentes. Pela extensão dos produtos e serviços demandados, até mesmo para quem milita no setor há décadas, é muito difícil identificar todas as áreas envolvidas no setor de petróleo e gás e conhecer as fronteiras do conhecimento necessário. Isso nos permite imaginar o que se passa na cabeça de um jovem que está se graduando ou se preparando para ingressar em uma universidade. O mercado está aí, mas não é tão explícito assim. O setor de petróleo e gás é multifuncional, necessitando tanto de pessoas extremamente especializadas em uma atividade específica, como é o caso de um geofísico ou de um engenheiro de reservatórios, quanto em formações mais generalistas, encontradas na maioTN Petróleo Estudante

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Foto:Divulgação

Dicas para uma carreira promissora


opinião

ria dos segmentos da economia, mas que aqui requerem alguns conhecimentos adicionais. O que foi dito vale também para o nível da formação acadêmica, pois são igualmente necessárias pessoas desde a atividade mais operacional até o pós-doutorado ou ocupantes de altos cargos gerenciais. Há lugar para todos e todos são igualmente importantes. Nenhuma cadeia é mais forte que seu elo mais fraco. E como começar? Nossa profissão é algo com que convivemos pelo resto de nossas vidas. Às vezes mudando de área, às vezes mudando de setor, quase sempre progredindo, mas o mais importante é estarmos sempre fazendo aquilo de que gostamos. É claro que a remuneração é importante, mas tem que vir por meio de algo que também nos motive e nos empurre para a frente. Nesse aspecto, o setor de petróleo e gás é pródigo, pois permite que, na prática, sempre possamos encontrar uma atividade que se enquadre em nosso perfil, seja o profissional um médico, um soldador, um oceanógrafo ou um advogado, só para citar alguns exemplos. E o grande diferencial de um profissional do setor vem da conjunção de dois fatores: a instrução formal básica e especializada e a experiência adquirida. Nesse caso, não existe receita de bolo, mas os ingredientes estão disponíveis para cada um desenvolver sua própria receita. Nos dias de hoje, o diploma de terceiro grau é necessário, mas está longe de ser suficiente. O mercado exige cada vez mais profissionais especializados, cuja sofisticação da formação aumenta com a sofisticação dos processos envolvidos, sejam eles tecnológicos, humanos ou administrativos. O domínio de pelo menos a língua inglesa é fundamental. E aí começa mais um ponto de dúvida que aflige muitos jovens: terminei minha faculdade... e agora? Hoje em dia é comum a participação em concursos públicos e muitas pessoas seguem essa linha de raciocínio e investem no preparo para eles. Mas se tratando do setor privado? Que oportunidades oferece o momento? 64

TN Petróleo Estudante

Decisões básicas têm que ser tomadas de imediato: carreira técnica ou administrativa? Executiva ou de consultoria? Operacional ou conceitual? Projeto ou operação? São questões básicas e que precisam ser bem analisadas, pois dependem das características individuais e, infelizmente, nem todos dispõem das informações necessárias para tão importante decisão. Nesse caso, vale a pena começar procurando conhecer o setor e para tal existem diversas possibilidades de cursos oferecidos pelas tradicionais entidades de ensino e que podem representar um atalho nesse longo e complexo caminho decisório. Hoje existem cursos de especialização técnica, cursos de especialização gerencial, também conhecidos como MBAs, os mestrados profissionais e os doutorados – esses dois últimos antes apenas demandados para quem queria seguir carreira acadêmica, mas que hoje representam importante input para o progresso também nas atividades ligadas às empresas. E o setor de Petróleo e Gás? Todos os dias, tomamos conhecimento pelos jornais e mídia especializada de alguma notícia alvissareira sobre o setor no Brasil. Muitos ficam perplexos quando ouvem falar que estamos “boiando em uma extensa camada de petróleo”, que há uma “briga” entre estados e municípios pelos royalties, que o governo pensa em criar uma nova estatal para explorar o pré-sal, na “maldição do petróleo”, enfim, muitas pessoas se sentem, como se costuma dizer: “perdidas como cegos em tiroteio”. Em primeiro lugar, a informação é fundamental. As pessoas têm que se manter informadas e, como não é possível acompanhar todos os assuntos com o mesmo nível de detalhe, é importante buscar determinados nichos e acompanhá-los de perto. Também devemos participar ao máximo dos eventos. Existe uma grande quantidade de seminários, palestras e exposições, nos quais é possível encontrar pessoas, conversar, conhecer e ser conhecido. Por último, resta-nos juntar as peças e montar o quebra-cabeça de modo a tomar a decisão de qual o melhor caminho a seguir. Mãos à obra.


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Ano X • setembro 2008 • Número 61 (Suplemento Guia do Estudante) • www.tnpetroleo.com.br

Dicas para uma carreira promissora

de Alberto Machado, diretor executivo da Abimaq e coordenador de MBA da FGV

Guia do

ESTUDANTE

Nesta edição

A importância da energia em nossas vidas A história do petróleo O ciclo do petróleo no Brasil Biocombustíveis As profissões Lista dos cursos Programas de Trainee

12/9/2008, 21:46

Entrevista exclusiva

José Renato Ferreira de Almeida, coordenador executivo do Prominp

A ponta do iceberg

TN Petroleo Guia do Estudante 2008  

Suplento da Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis