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Depressão e Graça – Capítulo 4

Quando as tribulações nos derrubam Wilson Porte Junior


Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Filipenses 1.21

O apóstolo Paulo também passou por depressão. Sabemos, pelas suas epístolas, que a vida de Paulo não foi um “mar de rosas”. Há momentos em que ele afirma que, para ele, o morrer seria lucro, mas, que enquanto vivo estivesse, seu viver seria Cristo (Fl 1.21). Em sua segunda carta aos coríntios, no capítulo quatro, Paulo afirma que, em sua caminhada neste mundo, passou por muitas tribulações, muitas provações. Todavia, Paulo deixa claro que, em todas elas, nunca se sentiu destruído, desanimado ou desamparado. Por quê? Porque Paulo se via como um vaso de barro, cheio de imperfeições, cheio de rachaduras por conta dos tombos da vida. E Paulo nos conta de como esse vaso era cheio de um tesouro. Deus era o tesouro que enchia a vida de Paulo. O valor de Paulo estava em Deus, Aquele que o enchia. E isso fez com que Paulo não se sentisse desamparado ou desanimado em meio às provações.

Depressão e Graça – Capítulo 4

Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; 2 Coríntios 1.8-9


No início de sua segunda carta aos Coríntios (2Co 1.8-9), Paulo fala de um momento de grande sofrimento e da lição que ele lhe trouxe. Ele chega a ponto de desesperar da vida. Mas Paulo não fala de sua experiência apenas para lamuriar-se de uma situação da vida. Paulo quer dar força aos seus leitores. Ele deseja dar uma lição de encorajamento. Quer compartilhar conforto. O foco de suas palavras está no propósito de Deus de dar conforto àqueles que estão vivendo dias de desespero na vida (e da vida). Alguns entendem até que, quando Paulo diz que “até da própria vida desesperou”, que esteja mostrando tendências suicidas. Não creio quechegue a tanto. Não foi esse o objetivo de Paulo ao escrever essas palavras, e sim, demonstrar a graça de Deus no sustentar daqueles que passam por tribulações na vida, tribulações que fazem com que eles não consigam enxergar uma saída à sua frente. Esta era uma lição preciosa para seus leitores. Não sabemos o que ocasionou tal tribulação. Paulo só diz que ela aconteceu na Ásia enquanto ele esteve lá. Foi, provavelmente, algo que havia ocorrido recentemente, logo após ele ter escrito e enviado a primeira epístola aos coríntios. Ocorreu, possivelmente, em Éfeso ou nos arredores da cidade. Os detalhes dessa situação são desconhecidos. Pelo que percebemos, Paulo enfrentou algo que o fez acreditar que seu ministério havia acabado. A tribulação foi algo que estava além de suas próprias forças. E essa tribulação o desencorajou extremamente. A palavra grega que Paulo usa para expressar seu desespero foi exaporeo cujo significado mais preciso na língua grega seria “estar totalmente perdido, estar totalmente desprovido de recursos, renunciar toda a esperança, estar em grande desespero”. Era assim que Paulo estava. Você já se sentiu assim? Em meio à uma situação

Depressão e Graça – Capítulo 4


na qual você se sente totalmente perdido, sem saber o que fazer, e totalmente desprovido de recursos que possam lhe ajudar a sair daquela situação? Situação que faz com que você se sinta sem esperança, sem chão, sem uma única saída, desesperado, sem nenhum caminho à sua frente por onde prosseguir? Foi assim que Paulo se sentiu. É nessa situação que muitos encontram a entrada para a depressão. Essas são as tristes boas-vindas para muitos que hoje se encontram em depressão. Daqui tiramos lições preciosas para nossas vidas. Deus nos mostra que o Seu propósito é dar conforto àqueles que vivem dias de desespero. Quer você viva uma vida temente a Deus, quer não, você não está livre dessa situação. A única diferença é que, cheio de Deus, cheio da presença de Deus em sua vida, será muito mais fácil atravessar esse momento difícil. Por isso, Paulo fala da preciosidade de viver cheio desse tesouro. Também aprendemos com Paulo que tais situações na vida nada mais são do que ferramentas que Deus usa para que deixemos de confiar em nós mesmos, para que abandonemos a autoconfiança, a autoglorificação, o orgulho, a teimosia, e o achar que somos o que somos por méritos próprios. Nas palavras do próprio apóstolo: “portanto, já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”.

Depressão e Graça – Capítulo 4

E, por fim, aprendemos que, quando nos enchemos dEle e passamos a confiar somente nEle e não mais em nós, ou nos homens, que Ele nos toma em seus braços e nos leva em segurança, paz e alegria até o final de nossa vida. Sem Ele não há esperança. Jesus Cristo é a única esperança! Agarre-se a Ele para que em toda a sua vida você possa ver Deus abrindo caminhos onde não parece haver nenhum. Busque-O enquanto você pode encontrá-lo! Busque-O mais do que você já tem buscado e o Deus da Paz certamente lhe envolverá com Seus mais preciosos cuidados e conforto.


Depressão e Graça - Capítulo 4