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O DE BATE DIÁRIO DE M AC AÉ

EDIÇ ÃO ESPECIAL

198 ANOS DE M AC AÉ

SE X TA-FEIR A , 29 DE JULHO DE 2011

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MACAÉ TORNOU-SE UMA DAS MAIORES POTÊNCIAS DO PAÍS

A

história da emancipação de Macaé teve início em 1813 quando, em homenagem a Dom João VI, recebeu o nome de Vila de São João. De acordo com informações do secretário de Acervo do Patrimônio Histórico, professor Ricardo Meirelles, ele nunca esteve no município para receber a honra. O município foi crescendo ano após ano e prosperou e em 1846, Macaé deixou de ser uma simples vila que vivia no regime monárquico para viver no regime republicano. No entanto, de acordo com o historiador Ricardo Meirelles, isso ocorreu em 1874, quando o município passou a ser uma comarca, com Justiça e Fórum. “Por algum tempo a cidade ficou estacionada, pois apesar de ter entrado no regime republicano, ainda vivia com hábitos da monarquia. Vale ressaltar que nessa época o forte da nossa economia era a cana de açúcar e na ocasião tínhamos até o Porto de Imbetiba para escoar a produção”, informou. Apesar de ter a permissão de viver em um regime republicano, o município de Macaé passou a ter uma estrutura política com prefeito e com a existência da Câmara Municipal, em 1899, pois segundo os registros históricos da época, existia um pouco de resistência para se colocar em prática o regime republicano. A história registrou como o primeiro prefeito de Macaé, o juiz de Direito, João Francisco Moreira Neto. No entanto, segundo o historiador Ricardo Meirelles, essa informação ainda está sendo verificada se é verídica ou não. O professor Ricardo Meirelles informa que havia uma certa desavença entre Alfredo Backer e Nilo Peçanha que não aceitava muito os símbolos utilizados na época pela república. “Em 1910, por ordem do governador também conhecido na época como presidente da província, Alfredo Backer, se Macaé não utilizasse a organização proposta pela república seria punido e não teria nenhum ofício, bem como pedidos solicitados de melhoria”, contou.

Outro fato marcante na história do município foi a vinda do presidente Washington Luiz em Macaé. Macaense, ele esteve presente em 1927 na inauguração da usina de luz em Glicério, onde o evento contou com a presença de ilustres políticos da época. O historiador conta que figuras ilustres na história do Brasil estiveram em Macaé, como o imperador Dom Pedro II, o filho de Duque de Caxias e Álvaro Marins, desenhista conceituado na época que fez várias revistas e caricaturas. Além do aspecto político, o historiador Ricardo Meirelles destaca que Macaé sempre foi muito importante para economia do país. “Nossa cidade passou por todos os ciclos econômicos. O açúcar, café, criação de gado e agropecuária.

Nós sofremos também em 1929, quando aconteceu a grande crise mundial com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque que afetou o mundo todo. Na ocasião, o presidente Getúlio Vargas determinou que várias plantações de café fossem queimadas e Macaé também sofreu com essa ordem”, destacou. Macaé, depois de tantos fatos históricos que marcaram a sua trajetória de emancipação, ainda continua crescendo e recebendo pessoas de todo o mundo, principalmente com a implantação da Petrobras no município no ano de 1978. E da antiga Macaé, pacata e de histórias curiosas, hoje quem vive aqui pode viver em uma cidade onde o antigo convive com a modernidade em perfeita harmonia.

Macaé, depois de tantos fatos históricos que marcaram a sua trajetória de emancipação, ainda continua crescendo e recebendo pessoas de todo o mundo(...)

INÍCIO DA COLONIZAÇÃO O início da colonização da

a saquear o litoral. Com a

Área ocorreu em 1627, quando

expulsão dos jesuítas, a partir

de Macaé foi, por muitos

novo impulso na economia

a Coroa Portuguesa concedeu

de 1759, a região passou

anos, o cultivo da cana de

de Macaé. Hoje, a rodovia

aos Sete Capitães, militares

a receber novos imigrantes,

açúcar, que respondeu por

desempenha a função de

portugueses que lutaram na

proporcionando o surgimento

um crescimento demográfico

ligação entre ambas.

expulsão dos franceses da

de novas fazendas e

expressivo nos séculos XVIII

Baía de Guanabara, as terras

engenhos, o que motivou

e XIX. O município chegou

a economia do município se

entre o Rio Macaé e o Cabo de

sua emancipação, o que

a desempenhar o papel de

fundamentava na produção

São Tomé. O núcleo inicial de

se deu com a edição de

porta de entrada e saída do

da cana de açúcar, do café,

Macaé progrediu apoiado na

Alvará de 29 de julho

Norte Fluminense, favorecido

na pecuária e na extração

economia canavieira, em torno

de 1813, sob o nome de

pela ligação com Campos

do pescado. No período

da antiga Fazenda dos Jesuítas

São João de Macaé, cujo

dos Goytacazes, através da

republicano, a cidade foi

de Macaé (1630), constituída

território foi desmembrado

construção do canal Macaé-

mantida como sede do

de engenho, colégio e capela

dos atuais municípios de

Campos, com 109 quilômetros

município de Macaé, embora

situada no Morro de Santana.

Cabo Frio e Campos. Sua

de extensão, para auxiliar o

tenha sofrido várias alterações

Até fins do século XVII,

instalação deu-se em 25 de

escoamento da produção, que

na malha distrital. Os distritos

no entanto, os esforços de

janeiro de 1814. No período

era transportada até o Rio de

de Conceição de Macabu

colonização de Macaé não

imperial, a vila evoluiu

Janeiro a partir do Porto de

e Macabuzinho vieram a

surtiram efeito, mantendo a

rapidamente, favorecida pela

Imbetiba, chegando a operar,

constituir o município de

cidade desprotegida. Em 1725,

posição geográfica e maior

até 1875, com cinco barcos

Conceição de Macabu, em

piratas franceses chegaram a

acessibilidade ao Norte

a vapor. A partir desta data,

1952; Carapebus e Quissamã

se estabelecer no Arquipélago

Fluminense, passando à

o transporte da produção

ganharam autonomia

de Santana, de onde passaram

categoria de cidade em 1846.

regional se fez a partir de via

municipal mais recentemente.

O alicerce da economia

férrea, o que provocou um

Até o início do século XX,


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ORIGEM DO NOME MACAÉ POSSUI DUAS VERSÕES

A

Para o professor Ricardo Meirelles, a versão mais correta origem do nome do município de Macaé possui duas versões. A informação foi passada pelo seria realmente a do “Rio dos Bagres”, uma vez que o município secretário do Acervo do Patrimônio Histórico, o possuía muitos peixes da espécie do bagre que por muitos historiador Ricardo Meirelles. A primeira versão defendida anos foi encontrado com fartura nos mares macaenses. Ele acrescentou ainda que a afirmação por alguns historiadores é de que o nome “Outra curiosidade dele é baseada em sua própria vivência da cidade teria origem de uma palmeira de que, nos anos 60, pescava-se muito que dava um fruto, como uma espécie de que a gente pode na atual Avenida Presidente Sodré coco, chamada macaba doce. ressaltar é que na também conhecida como Rua da Praia. Nos livros pesquisados disponíveis no bandeira de Macaé A bandeira de Macaé foi desenhada município há pouca informação detalhada sobre a origem real do nome Macaé. podemos observar as por Darwin Silveira Pereira e significa a formosura e a majestade e traz a No entanto, na Biblioteca Municipal, a duas figuras, a macaba dimensão especificada na gráfica que informação encontrada é de que existe um doce e também os de acordo com os registros históricos acordo entre tupinólogos de que o mais acompanhava o projeto elaborado pelo provável é que o termo provenha do popular dois bagres” desenhista e realmente representa as e delicioso “coco de catarro”, ou seja, do fruto da macabaíba, a imponente “Phoenix Dactylifera”, que sobre duas versões aceitas que originaram o nome de Macaé que são o desenho de uma palmeira macabayba, estilizada com um campo azul ornamenta a bandeira da cidade. Já a outra versão seria de que o nome de Macaé teria seus frutos e ainda os bagres, um de cada lado da bandeira. Ricardo Meirelles informou ainda que o historiador macaense origem dos índios Goytacás, para denominar o rio deste nome que significaria “Rio dos Bagres”. Essa espécie Antônio Alvarez Parada, aceitou as duas possibilidades. No de índios era conhecido como guerreiro, robusto e alto e entanto, ele enfatiza que a versão do bagre é mais densa e é possuíam a pele mais clara do que os Tupinambás, tribo que uma prova viva de que os índios habitavam as terras de Macaé. “Tem uma pesquisa que foi realizada por especialistas, segundo os estudiosos também teria habitado o município. De acordo com dados registrados pelo IBGE, o nome teria que comprovam a existência desses índios. No entanto, há a possibilidade de que seja de outra tribo. Mas, infelizmente origem de “miqui é”- Rio dos Bagres. não temos como comprovar pois os estudos ainda não foram mais aprofundados e concluídos”, conclui.

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VISITA DE D. PEDRO II MOVIMENTA MACAÉ E CONCEDE TÍTULO DE VISCONDE

M

acaé, teve, em toda sua história, ilustres cidadãos, até um Presidente da República, porém um deles também merece destaque, José Carneiro da Silva, condecorado pelo Imperador Dom Pedro II, durante sua primeira visita a cidade, em 1847, como Visconde de Araruama. Para entender a importância do título e também a nomeação pelo Imperador, é preciso remontar o fato. Aos 21 anos, o monarca D. Pedro II realizou uma viagem ao norte do Rio de Janeiro para inspecionar a construção do canal Macaé-Campos. Como a viagem da capital para Campos dos Goytacazes era muito longa, paradas eram necessárias para descanso e reabastecimento dos mantimentos levados durante o trajeto. Uma dessas paradas era Macaé, uma pequena e nova cidade na época que, ao receber a notícia da vinda do Imperador, tentou fazer o melhor para recebê-lo. Quando chegou à cidade, D. Pedro II hospedou-se na casa de Francisco Domingues de Araújo, apontada pelos textos históricos como a mais luxuosa residência de Macaé. Durante sua visita, o Imperador concedeu o tradicional rito monárquico de “beija-mão” que consistia em a população ir ao encontro do soberano líder da nação e beijar sua mão. Após esse ritual, o Imperador realizou um passeio a cavalo pelas ruas da cidade, sendo muito saudado pelos moradores de Macaé. Durante sua estadia em Macaé, o Imperador também participou de uma audiência na Câmara Municipal. Durante a passagem de D. Pedro II pela cidade, um cortejo o seguia, dando vivas pela sua estadia em Macaé. Por onde passava, o monarca escutava e via a alegria do recebimento da visita imperial por parte dos moradores da cidade. Após esse dia na cidade, D. Pedro II seguiu para a propriedade de José Carneiro da Silva, já Barão de Araruama desde 1844, onde foi recebido pela família de Carneiro da Silva com grande festa, por estar recebendo a autoridade máxima do Império. Depois de passar a noite no local, no dia seguinte, o monarca seguiu viagem rumo a Campos. Quando já estava em Campos, em 15 de abril de 1847, D. Pedro II resolveu conceder vários títulos de nobreza. A João Carneiro da Silva, irmão de José, o Imperador concedeu o título de Barão de Ururaí. Para o Barão de Araruama, D. Pedro II o tornou Visconde com Grandeza, sendo assim, o primeiro macaense a receber esse título de nobreza. Após essa primeira viagem a Macaé, D. Pedro II ainda visitou a

cidade mais duas vezes, em 1875 e por último, no ano de 1877. Outros moradores da cidade também ganharam títulos de nobreza neste dia, como tenente-coronel Joaquim de Souza Meirelles, fazendeiro, foi agraciado como Comendador da Ordem de São Bento de Aviz, de Cristo e da Rosa. Já o presidente da Câmara Municipal de Macaé, Henrique Coelho Antão, Francisco Domingues de Araújo, José Leite Guimarães e Jacome Prospero Ratton, passaram a ser Cavaleiros da Ordem de Cristo. Por último, Manoel Domingues de Araújo, foi condecorado como Cavaleiro da Ordem da Rosa. Porém, não foi somente pela hospedagem que o Barão virou Visconde, José Carneiro da Silva sempre foi um personagem influente na política da região. Nascido em Quissamã, no ano de 1788, serviu no regimento das milícias, chegando ao posto de tenente-coronel, participando da luta pela independência do Brasil. Após esse período de guerra contra Portugal, Carneiro da Silva tornou-se chefe da 14ª legião da Guarda Nacional. Em 1837, conseguiu a aprovação pelo governo provincial de sua proposta de construção de um canal que permitisse o transporte de açúcar de Campos até o porto de Imbetiba em Macaé. Logo após receber, através de um decreto imperial, o título de Barão de Araruama, assumiu a empreitada das obras que se iniciaram oficialmente em 1º de outubro de 1844, durando até 1861. José Carneiro da Silva não ficou restrito somente ao comércio e a política, foi também um intelectual autodidata que realizou observações científicas e publicou ensaios filosóficos. Segundo historiadores, apesar de ter recebido apenas a educação fundamental, o que era comum à época, ficou conhecido entre os intelectuais do Rio como um homem culto, que lia em francês e latim, e que possuía conhecimentos profundos de filosofia, história e geografia. A família do Visconde de Araruama não foi influente somente nos séculos passados. Seu ramo político perdurou até os dias atuais. Um exemplo claro disso, foi o primeiro prefeito de Quissamã, antes distrito de Macaé. Após sua emancipação, o primeiro prefeito da cidade, eleito em 1989, foi Octávio Carneiro da Silva, bisneto de João Caetano Carneiro da Silva, que por sua vez, foi filho do Visconde de Araruama. Nessas histórias é possível observar a natureza da região de ter relevância no cenário nacional. Seja com uma visita do Imperador ou com títulos de nobreza concedidos a alguns moradores da cidade.


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CHARLES DARWIN

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ENCONTRA REFÚGIO EM CONCEIÇÃO, ENTÃO TERRITÓRIO MACAENSE

U

ma visita ilustre marcou o nome de Macaé no Exausto, o cientista encontrou em desenvolvimento da Teoria da Evolução das Conceição de Macabu as condições Espécies. Pai do Evolucionismo, o cientista inglês favoráveis para se recuperar e seguir Charles Darwin, em expedição ao Brasil, escolheu Conceição viagem. Darwin permaneceu em Conceição de Macabu, na de Macabu, então território macaense, época território de Macaé, como seu refúgio de repouso para desde a noite de 12 até 19 seguir sua viagem por 12 municípios de abril de 1832, hospedado fluminenses. A passagem de Darwin por na Fazenda Sossego. Em outro Macaé, em abril de 1832, inclui relatos relato, ele cita seu apreço pelas do próprio cientista, relembrados belezas naturais da cidade. recentemente, em 2008, através do projeto Caminhos de Darwin, que refez A passagem de Charles Darwin pelos diferentes o trajeto percorrido pelo evolucionista países por ocasião de sua inglês em sua visita ao Rio de Janeiro. viagem ao redor do mundo foi objeto de diversas pesquisas, entre elas o “(...) Dormimos na Venda do Mato, projeto Caminhos Darwin. Em 2009, comemorou-se o bicentenário de seu duas milhas (3,2 km) ao sul da foz do rio nascimento e os 150 anos do lançamento do livro Origem das Espécies pela Macaé. Senti-me indisposto a noite toda. Seleção Natural. Muitos desconheciam a importância da sua estada no Brasil Não foi preciso muita imaginação para para o desenvolvimento da sua teoria ou sequer sabiam de sua passagem por figurar os horrores de adoecer em um terras brasileiras em 1832. país estrangeiro, incapaz de pronunciar observou o pai do Com apenas 23 anos recém-completos, Darwin conheceu o Brasil, em sua uma só palavra e de obter ajuda médica evolucionismo, segundo segunda parada após deixar a Inglaterra. Ele avistou os rochedos de São Pedro (...)”, escreveu Charles Darwin, em manuscrito publicado. e São Paulo em 16 de fevereiro e Fernando de Noronha no dia 20 de fevereiro. seu diário de bordo, revelando o seu Depois seguiu para a Bahia e daí para o Rio de Janeiro, onde chegou em 4 de desconforto quanto ao desgaste da abril e partiu em 5 de julho. Além da atual Capital, o trajeto de Charles Darwin viagem e dificuldade de comunicação. pelo Estado do Rio incluiu cidades como Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Barra de São João, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito e Itaboraí, encerrando em Niterói.

"(...) Deixamos Sossego, cruzamos o rio Macaé e dormimos na Venda de Mato. À noite, caminhei pela praia e desfrutei da vista de uma arrebentação alta e violenta”


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1866 - o ano Em QUE macaÉ GanHoU o sEU

PrimEiro tEatro D

o apogeu ao processo de decadência. De acordo com relatos históricos, a implantação do Teatro Santa Isabel - o primeiro da cidade, foi fruto de uma iniciativa da população da época. A construção do prédio data de 1864 a 1865 e a inauguração em 7 de janeiro de 1866. A história começa em 12 de agosto de 1864, quando um grupo ligado às atividades cênicas e que lutavam pelo progresso da cidade se juntaram e fundaram nesta mesma data a Sociedade Philo - Scenica Macahense que tinha à frente o Dr. Constantino José Gonçalves. A principal meta do grupo era a construção de um teatro, e para isso foi criado um quadro de sócios proprietários que participavam com cotas estipuladas em dez mil réis. Antes da criação dessa sociedade os espetáculos teatrais que ocorriam na cidade ficavam restritos a apresentações em residências amplas ou salões de usos diversos. Após alguns meses de criação da Sociedade Philo, em 15 de outubro foi lançada a pedra fundamental da obra para comemorar o consórcio da Princesa Isabel com o conde d`Eu. Ainda segundo a história, o espaço recebeu o nome de “Santa Isabel” em homenagem a princesa e tal fator resultou em algumas confusões, pois acreditava-se que a Alteza Imperial teria vindo a Macaé para a inauguração, no entanto não há nenhuma documentação que comprove a informação. A peça de estreia do Teatro foi feita por amadores da própria cidade por meio da Sociedade Philo, com o drama de Burgain, em quatro atos, “Os Três Amores”.

De acordo com o subsecretário de Acervo e Patrimônio Histórico de Macaé e professor de história, Ricardo Meirelles grandes peças foram apresentadas no Santa Isabel, entre elas “O Homem do Princípio ao Fim”, com a atriz Fernanda Montenegro e Sérgio Brito e a peça “Lampeão de Gás”, com Vanda Lacerda. “Foram duas peças de sucesso, a primeira foi um sucesso nacional com a participação de uma das grandes estrelas do teatro nacional, que é a Fernanda Montenegro e a segunda que foi uma peça policial, na época grande sucesso no Rio. Ambas no final dos anos 60”, explicou. Atualmente o prédio encontra-se totalmente descaracterizado em virtude das diversas reformas e acréscimos sofridos. No entanto, de acordo com Ricardo Meirelles, existe uma parte do prédio que está intacta. “É a parte onde os atores passavam para chegar até o palco. Essa não foi afetada pelas reformas”, explicou.

O Teatro foi inaugurado em 7 de janeiro mesmo sem a obra estar totalmente concluída e após um tempo, passou a ser utilizado também como cinema, recebendo o nome de Cine-teatro Santa Isabel

a concorrÊncia E o que foi um grande sucesso

passou a ser considerado

Já o Cine Taboada

começou a perder o seu

de qualidade de filme de

conquistava seu público

espaço na cidade com a

faroeste e para prender a

com filmes de amor e com

inauguração do Cine Teatro

população passou a oferecer

grandes atores. “Eram

Taboada, em 1936. Segundo

filmes em série, com

plateias diferentes, o Taboada

Ricardo, com a chegada

exibições às quartas-feiras e

atendia a uma classe e o

do Taboada, o Santa Isabel

aos domingos.

Santa Isabel, a outra”, disse.


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motta coQUEiro: EXEcUÇÃo QUE FEZ HistÓria no BrasiL

A

história de Manoel da Motta Coqueiro é rodeada de mistérios e chama uma grande atenção porque muitos dizem que ele teria sido o último enforcado no Brasil, em agosto de 1855, mas de acordo com o historiador e atual subsecretário de Acervo e Patrimônio Histórico de Macaé, Ricardo Meirelles, depois de Motta Coqueiro mais duas pessoas foram enforcadas. “A única diferença é que essas duas pessoas não eram conhecidas publicamente como ele”, ressaltou. Para contar mais um pouco desta história intrigante e rica em detalhes, o historiador abriu as portas do Solar dos Mellos para a equipe de reportagem do Jornal O DEBATE, onde mostrou grande conhecimento sobre o assunto. Ricardo contou que Motta Coqueiro vivia do que plantava e colhia em sua fazenda. Ele era casado com Úrsula das

Segundo o professor Ricardo Meirelles, Motta Coqueiro não teria sido o último enforcado no Brasil

FiLHa dE coLono EnGraVida dE motta coQUEiro

Virgens Cabral e possuía cinco vastas propriedades rurais, entre elas, a fazenda do Bananal, situada no atual município de Conceição de Macabu, que na época fazia parte da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, que hoje conhecemos como Macaé. Motta Coqueiro e Úrsula eram quase sempre listados entre os fazendeiros ricos de Macaé, mas Meirelles ressalta que mesmo assim, o casal não estava entre os mais importantes da região. Em 1847 eles foram convidados a participar de uma festa realizada em Quissamã, onde Motta Coqueiro chegou a cumprimentar o Imperador Dom Pedro II. A festa foi feita para 300 convidados, o que para a época era considerado um número muito grande. O que chamou a atenção, foi que Motta Coqueiro foi convidado para a ocasião, mesmo não sendo um dos grandes fazendeiros do município.

coLono dE motta coQUEiro E FamÍLia assassinados Em 1852, numa noite chuvosa, o colono Francisco

disse se foi ele ou não, simplesmente não se defendeu da

Com o fim do tráfico

teve um caso amoroso com

Benedito e toda sua família foram mortos a golpe de

acusação. Este mistério, esta coisa enigmática é que dá o

negreiro e a Lei Eusébio

Motta Coqueiro, e após

facões por um grupo de bandidos, escapando somente

sabor a essa história”, disse Ricardo.

de Queirós, assim como

este envolvimento ela ficou

Francisca, a filha grávida. Além da

vários outros fazendeiros

grávida.

chacina, os criminosos ainda colocaram

da época, Motta Coqueiro

Sabendo do que havia

fogo na casa. Ricardo Meirelles contou

Segundo Meirelles, o que foi especulado na

“Foram ao todo, oito pessoas assassinadas, sendo o colono, sua esposa e mais seis filhos, três adolescentes e três crianças”

época foi a possibilidade de ter sido sua esposa Úrsula, a mandante do crime, já que se sentiu

iniciou a prática do regime

acontecido, o pai de

também que naquele dia chovia bastante

de parceria com colonos

Francisca buscou vantagens

e o fogo não se alastrou, o que provocou

livres. Em uma de suas

junto ao patrão, pedindo

um cenário chocante, onde os corpos

fazendas foi chamado

dinheiro por conta da

não

para trabalhar o meeiro

gravidez de sua filha. A

ficando expostos. “Foram ao todo, oito

Francisco Benedito da

partir deste momento, vários

pessoas assassinadas, sendo o colono, sua esposa e mais

quando foi transferido para Campos dos Goytacazes.

Silva, que levou sua família

conflitos surgiram entre os

seis filhos, três adolescentes e três crianças”, detalhou.

Fazendeiros de Campos e pessoas da mesma

junto. O que se sabe é que,

dois. Francisco chegou a

uma das filhas do colono, que se chamava Francisca

foram

totalmente

queimados,

traída e não aceitava o que o marido havia feito. Mesmo assim, Motta Coqueiro foi preso como principal suspeito dos assassinatos. “Para intensificar ainda mais todo esse mistério, é que ele teve a possibilidade de fuga

Após o crime, Motta Coqueiro foi considerado

classe social de Motta queriam fazer com que ele não fosse

agredir Motta Coqueiro com

o mandante da chacina e era chamado de monstro,

punido e deram a ele a oportunidade de fugir, pegando um

a ajuda de amigos.

ficando conhecido como “A Fera de Macabu”. “O mais

navio para sair do Brasil, mas ele se recusou e ficou preso

impressionante disso tudo é que, ele em nenhum momento

aguardando o julgamento.

1855: condEnaÇÃo E EXEcUÇÃo Em PraÇa PÚBLica Em agosto de 1855, Motta

situado o Colégio Estadual Luiz

que Macaé teria 100 anos

comprove isto, Ricardo disse

Coqueiro foi julgado e

Reid. Ricardo contou que Motta

de não progresso. “Por conta

ainda que é provável que o

condenado pelo crime. “Muitas Coqueiro saiu da Rua Dr. Télio

desta lenda, muitas pessoas

corpo de Motta Coqueiro tenha

coisas estranhas aconteceram

Barreto, onde ficava o Paço

acreditam que de fato esta

sido enterrado nos arredores

em seu julgamento, uma delas

Municipal, foi andando com

maldição deu certo. Quando

onde hoje é o Cemitério de

foi o fato de que escravos

a Guarda Vigilante até o local

a Petrobras chegou na cidade,

Santana. “Essa história, assim

nunca poderiam testemunhar

de execução e foi enforcado

coincidiu com os 100 anos.

como muitas outras é muito

contra os seus senhores,

em praça pública, na presença

Mas se pegarmos a história

rica, mas infelizmente temos

mas no julgamento dele

de milhares de pessoas. “Uma

de Macaé, antes da Petrobras,

uma população bastante

uma das escravas de Motta

condenação dessas naquele

já havia um progresso cultural

modificada. A grande maioria

Coqueiro testemunhou contra

tempo era uma coisa muito

e econômico acontecendo.

não é mais original de Macaé,

ele, o que contribuiu e muito

exposta, um acontecimento

Mas não adianta provar

e a história acaba ficando

para sua condenação”, disse

onde todos tinham que

com a história, porque a

mais apagada. Neste ponto

Ricardo Meirelles.

comparecer”, disse.

história que o povo cria é mais

de vista, perdeu um pouco da

interessante do que

sua força lendária, como tinha

a verdadeira”.

para os antigos macaenses”,

Após ser condenado, Motta

Muitos dizem que, antes

Coqueiro voltou a Macaé para

de ser enforcado, Motta

a execução, que aconteceu na

Coqueiro teria jogado uma

Praça da Luz, onde hoje está

maldição na cidade, dizendo

Embora não tenha nenhuma documentação que

completou o historiador Ricardo Meirelles.


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HosPitaL sÃo JoÃo Batista:

Uma HistÓria Para sE PrEsErVar

O

“O Velho Hospital, por todos esses anos, tem prestado serviços que a pena humana não poderá descrever.”

hospital da Irmandade São João Batista possui 139 anos O escritor macaense Antonio Alvarez Parada relatou em um dos de existência e muita história para ser preservada pelos seus livros: “Se da grandeza do bom lusitano surgiu a Casa de Caridade, macaenses. Localizado na região central da cidade, ele nessa mesma bondade ela tem se mantido até hoje, com o auxílio de ocupa um quarteirão da Praça Veríssimo de Melo e foi fundado pelo seus dirigentes, de seu dedicado corpo de médicos e da eficiência das lusitano Antônio Joaquim D´Andrade. freiras que lhes prestam serviços. O Velho Hospital, por todos esses De acordo com dados registrados pelo acervo do hospital, Antônio anos, tem prestado serviços que a pena humana não poderá descrever.” veio morar muito jovem na Vila de São João Batista de Macaé, Provedor da Casa de Caridade de Macaé há 21 anos, o médico onde viveu até a sua morte. Ele montou um pequeno negócio para Leandro Mattos, lembra ainda que o hospital realizava atendimento vender cuscuz nas ruas da cidade, onde ganhou médico de toda a população que morava no entorno da o apelido de “Casculeiro” e passou a chamarcidade, sempre oferecendo os melhores recursos da se Antônio Joaquim D´Andrade Casculeiro, no Os registros históricos informam ainda que a Irmandade de São medicina que existiam na época. entanto, sem nenhuma degradação da imagem João Batista de Macaé, foi idealizada para administrar o Hospital Casa Pessoas que despontam no cenário político, empresários, do honrado português. de Caridade que nasceu no dia 22 de maio de 1872, em solenidade atletas, entre outros, nasceram no São João Batista. Ele ressalta A história conta que no mês de novembro presidida pelo Juiz Municipal, Dr. Carlos de Souza Silveira, nomeado ainda que o Hospital São João Batista sempre foi pioneiro de 1862, como ainda estava solteiro, procurou para Macaé a pedido do Duque de Caxias, conforme relata em carta. em intervenções cirúrgicas inéditas no município, como um cartório para registrar em seu testamento, O primeiro Provedor eleito para coordenar a Irmandade foi o Dr. Bueno, a videolaroscopia, artroscopia, artroplastia de quadril e de a quantia de dois contos de réis que fossem homenageado com o nome de rua no bairro da Imbetiba. ombro, bariátrica (redução de estômago), bucomaxilofacial, depositados no Banco do Brasil. O dinheiro foi A partir dessa data, o hospital começou a funcionar e cresceu e intervenções cardiácas em adultos e crianças. deixado com o objetivo principal de dar início atendendo a muitos moradores de Macaé e região circunvizinhas. Além disso, o provedor Leandro Mattos ressalta que a construção de uma Casa de Caridade com a A partir de 1º de agosto de 1954, passou a contar com o apoio das o Hospital São João Batista também foi o pioneiro na finalidade de socorrer principalmente os mais religiosas pertencentes a Associação das Filhas de Maria do Horto. implantação da UTI Neo Natal e Câmera Hiperbárica, necessitados do município. As primeiras irmãs que chegaram ao município para realizar o utilizada no tratamento de pacientes que possuem feridas Em dezembro de 1867 foi lançada a pedra atendimento aos doentes foram as irmãs Maria Leocádia, Maria do que não cicatrizam provocadas, por exemplo, por úlceras fundamental da obra do futuro hospital que Carmo e Maria Inocência. varicosas e serviço de oncologia. atenderia mais tarde a população macaense, Atualmente o Hospital João Batista conta com 170 onde ocorreu muitos nascimentos e outros leitos, 420 funcionários. São realizadas uma média de procedimentos médicos na época. 450 cirurgias mensais.


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BEnEdito LacErda: considErado Um dos

maiorEs GÊnios da mÚsica BrasiLEira

M

acaé deu origem a diversas personalidades ilustres no mundo da política e da cultura, como por exemplo, o músico Benedito Lacerda. O município completa 198 anos, com muita história de personalidades ilustres. A cidade não poupou qualidade em termos de talento para o país, especificamente nas áreas política, cultural e musical. Instrumentista e compositor, Benedito Lacerda nasceu no dia 14 de março de 1903 e residiu no bairro Imbetiba. Aos oito anos de idade começou a aprender flauta. Iniciou as atividades musicais, em sua cidade natal, como integrante da Banda Nova Aurora. Aos 17 anos, mudouse para o Rio de Janeiro, onde residiu no bairro Estácio. Para garantir o sustento, em 1922 ingressou na Polícia Militar, onde podia também continuar sua atividade musical, participando, de 1923 a 1925, da banda do batalhão. Para o sustento da família, Benedito Lacerda tocava em cinemas, bares, emissoras de rádio, residências, mas isto não lhe dava retorno suficiente para suportar com tranquilidade as despesas com o aluguel e suprir as necessidades de um chefe de família. Por isso, passou por momentos de sérias dificuldades chegando até mesmo a morar no porão de uma casa, no bairro do Catumbi.

Foi parceiro musical de Aldo Cabral, Herivelto Martins, Bide, Ataulfo Alves, Wilson Batista, Ary Barroso, entre outros. Não podemos deixar de comentar a famosa dupla que formou com Pixinguinha, no início da década de 40. Destacou-se também pelas marchinhas de Carnaval e pela atuação como fundador da União Brasileira de Compositores e dirigente da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música. De acordo com o subsecretário de Acervo e Patrimônio Histórico, Ricardo Meirelles, conta-se que Benedito apareceu em um momento em que, mais uma vez, Pixinguinha sofria com suas dívidas. Já fazendo sucesso com a música Jardineira, Benedito Lacerda lhe ofereceu parceria. Sem muita opção, Pixinguinha aceitou, tendo de abrir mão de sua flauta para tocar o saxofone”, comenta. O historiador destaca também que Benedito acabou sendo seu principal parceiro, ficaram juntos mais ou menos cinco anos, de 1946 a 1950, tempo suficiente para gravar 15 discos. “A dupla se separou porque Benedito teve de fazer a campanha política de Ademar de Barros, em São Paulo. Com isso, todo o lucro foi até que satisfatório, permitindo a Pixinguinha pagar a maior parte de suas dívidas. E Pixinguinha tirou a conclusão de que foi bom ter trocado a sua flauta pelo saxofone”, lembra. Para Ricardo Meirelles, Benedito foi um homem vivo, inteligente, atento, pontual e sagaz. Macaé é uma cidade rica de cultura, cujas histórias de vida são motivos de orgulho para os que nasceram e para os que vieram morar no município” relata.

HEranÇa dEiXada Por BEnEdito Naquela década, Benedito

determinado grupo de amigos

Nogueira, no qual o 'bico'

ser muito especial pois vai unir o

costumava tocar em um bar,

batizou o local com o nome

fez a abertura, primeiro CD

que Macaé tem de mais bonito,

atrás do Mercado de Peixe de

'Bico da Coruja', onde com o

do Bico da Coruja, shows de

o choro e a cidade”, finalizou.

Macaé. Atualmente, conhecido

passar do tempo começou

artistas aqui no Bico: Henrique

como 'Bico da Coruja', é um

a ser solicitado para se

Cazes, grupo Abraçando

música, o Bico da Coruja

expoente do samba e do

apresentar em eventos.

Jacaré, Matutos de Cordeiro,

já existe há 28 anos. É lá

O bar virou referência

Cristina Buarque, Ronaldo

que o proprietário Wallace

ótimo lugar para se apreciar

de boa música e bom papo,

do Bandolim, Zé da Velha/

recebe os músicos da cidade,

uma música de boa qualidade.

amigos e clientes começaram

Silvério”, disse.

que se encontraram para

E tudo isso se deve ao seu

a propor projetos musicais,

fundador, Wallace Agostinho,

aproveitando o clima do

incentivo para muitas pessoas

O grupo de sambistas e

que descobriu na necessidade

lugar. “Foram iniciados

que começaram a tocar em

chorões frequentam o lugar

do ganha pão um novo estilo

aqui diversos, dentre os

Macaé. Muitos projetos

religiosamente todas às quartas-

de vida e um lugar de difusão

quais podemos destacar: O

musicais começaram aqui,

feiras. O curioso é que o bar

da música.

Corredor Cultural Benedito

direta ou indiretamente. Nossa

fica localizado na Rua Benedito

Lacerda, parceria com

ideia agora é expandir, levar

Lacerda, nome do macaense

sem ter por objetivo tocar

Sentrinho em shows, inclusive

uma estrutura e fazer um

considerado um dos maiores

profissionalmente, um

de nosso mestre maior João

chorinho em qualquer lugar. Vai

‘chorões’ de todos os tempos.

chorinho, considerado um

Segundo Walace, mesmo

“O Bico da Coruja foi um

Local famoso pela boa

brincar com os instrumentos.


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Estrada dE FErro: marco da Economia T

odo o escoamento da produção da Cana de Açúcar da região era feito através de embarcações saindo do Porto de Imbetiba. Com a construção e entrega da Estrada de Ferro Macaé/Campos, o processo passou a ser realizado através do transporte ferroviário. O primeiro trecho da ferrovia, com 33 quilômetros de extensão, entre Imbetiba e Carapebus, passando por Macaé, foi inaugurado no dia 10 de agosto de 1874. Em 14 de junho de 1875 foi inaugurado o trecho até Campos dos Goytacazes, totalizando 96,5 quilômetros de extensão. A inauguração da ferrovia resultou na maior rapidez e menor custo de operação, o que conduziu ao rápido declínio da importância do canal Campos-Macaé, que entrou em decadência. Segundo o historiador Ricardo Meirelles, a Estrada de Ferro, também chamada de E.F., fez com que houvesse uma mudança muito grande em relação ao trabalho de produção e o deslocamento do que se produzia. “Isso porque o trem, sem dúvida nenhuma, era um transporte muito mais seguro, possibilitando transportar uma quantidade muito maior do que as embarcações suportavam. Além disso, o serviço era feito com maior rapidez e mobilidade, fazendo com que o porto fosse entrando num período de decadência, perdendo sua força, deixando de ser então, o centro econômico, já que toda produção açucareira era transportada via porto”, explicou.

A chegada da Estrada de Ferro resultou no enfraquecimento do porto e o fortalecimento da economia

Meirelles ressalta ainda que essa mudança chamou a atenção para duas possibilidades naquela época, a manutenção do porto e ao mesmo tempo o escoamento pela ferrovia. “A ferrovia era uma novidade, algo que tinha uma grande força no que diz respeito ao transporte, principalmente quando se falava de segurança. As navegações sempre foram

muito sujeitas a chuva, tempestade, apresentando um risco muito grande. Já com o trem, a probabilidade de acidente era muito menor. A partir deste momento começou a se jogar uma confiança e um investimento muito grande na ferrovia, onde não só era possível escoar a produção basicamente de açúcar, mas também fazer o transporte”, detalhou o historiador.

Ricardo disse ainda que, até bem pouco tempo atrás a ferrovia era a principal alternativa. “Até a década de 60 a ferrovia era que nos ligava a Campos e ao Rio de Janeiro. Porque não tínhamos uma estrada que pudesse nos conduzir com segurança até o Rio, sendo que uma viagem naquele período chegava a durar de cinco a sete horas”, completou.


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a macaÉ do

PrEsEntE E do FUtUro

M

acaé chega aos 198 anos se transformando a cada dia. Hoje, é uma das principais economias do nosso estado, com um crescimento de 600% nos últimos dez anos. O número de habitantes triplicou desde a década de 70. São mais de 200 mil moradores, muitos vindos de outros estados e países - 10% são estrangeiros - atraídos pelo desenvolvimento do município. O estado do Rio é a capital energética do Brasil. Somos responsáveis pela produção de mais de 80% do óleo e de 40% do gás natural do país. E Macaé é uma parte muito importante desse processo. A cidade vai se beneficiar da exploração da camada do pré-sal, de onde deverão ser extraídos cerca de 80 bilhões de barris de óleo leve nos próximos anos. Temos em nosso território 60% das novas reservas. O desafio do nosso estado e de cidades como Macaé é aplicar esses recursos de forma a promover cada vez mais o desenvolvimento econômico e social da

Sérgio Cabral Governador do Estado do Rio de Janeiro

população como um todo. Em Macaé, esse futuro já faz parte do presente. Como marca do nosso governo, a parceria com o governo federal e com os municípios vem transformando a cidade. Vamos implementar, por exemplo, na linha férrea que corta a área urbana da cidade, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para o transporte de passageiros. A nossa expectativa é de que o projeto comece a ser testado no primeiro semestre do ano que vem. Serão R$ 25 milhões investidos pelo município, mais R$ 47,8 milhões de recursos federais e o nosso governo será responsável por toda a consultoria técnica. Outro exemplo de ação para a melhoria na qualidade de vida da população está na solução de problemas antigos, como o abastecimento de água. A demanda dos moradores foi atendida com a inauguração, há pouco mais de um ano, do novo trecho de duplicação da adutora de água bruta. Com isso, a produção de água saltou de 450 para 600 litros por segundo, ampliando o fornecimento diário para a região em mais de 13 milhões de litros. Mais uma vez, a parceria entre o nosso governo, por meio da Cedae, com investimento de R$ 15 milhões, e a prefeitura, que forneceu as máquinas para a execução da obra, foi fundamental para melhorar a vida das pessoas. Mais de 100 mil moradores foram beneficiados. Portanto, a nossa forte política de investimentos no interior do estado atrai indústrias e gera mais emprego, renda e desenvolvimento. É assim, com o trabalho de todos e parceria efetiva, que estamos ajudando a fazer de Macaé uma cidade cada vez melhor, como a sua população merece.


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A AntigA bússolA dAs embArcAções:

o “FArolito” dA PrAiA de imbetibA C

om uma história que começou em 1627, com a colonização portuguesa, Macaé preserva um rico patrimônio histórico, e um deles é o Farol de Imbetiba, também conhecido com Farol Velho ou Farolito. Construído em 1880 para atender as necessidades do Porto de Imbetiba, que funcionava como escoadouro da produção agrícola da Bacia de Campos e Macaé, o velho farol passou por uma restauração há 11 anos. Implantado sobre uma pedra à beiramar, o Farolito está localizado na Praia de Imbetiba, em frente a Ilha do Papagaio. Formado de pedra, o monumento possui uma escada externa de acesso ao seu interior, oferecendo uma boa paisagem aos visitantes. De acordo com o subsecretário de Acervo e Patrimônio Público, Ricardo Meirelles, o Farol de Imbetiba foi construído pela companhia Macaé Campos, quando operava a ligação férrea entre as duas cidades e marítima entre Macaé e a corte em conjunção. “Sendo assim, foi construído um acesso ao Farol, facilitando e estimulando a visitação”. Como símbolo turístico e cultural de Macaé, o Farol pode ser visitado pela Praia Campista,

através do acesso construído pela Petrobras que, também, realizou um tratamento paisagístico nas imediações do monumento. Conhecida também como a Praia do Farol, o local tem a extensão de 500 metros, água morna, transparente e areias grossas. O subsecretário de Acervo recorda, ainda, que a Praia da Imbetiba foi o point da juventude nas décadas de 70 e 80. “Muitos jovens se reuniam no Bar e Restaurante 860, no Redondo, Varandão, Mocambo, Pub, e no fim da noite, era no Trailler do Demerval que a turma se deliciava com o sanduíche, que marcou toda uma geração: o Bistrot”, destacou. Ricardo diz que o Bistrot ficou na saudade, e hoje a Praia da Imbetiba é a base do terminal marítimo de apoio às atividades da Petrobras. A orla vem sendo utilizada pelos praticantes de cooper e esportistas da natação “Academia

dos Anormais”, que todas as manhãs podem ser encontrados por lá. É um grupo da sociedade que se reúne para manter viva a história da Imbetiba”.

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mAcAÉ, berço de goVernAntes

do estAdo do rio de JAneiro

A

o longo dos 198 anos de história da cidade, personalidades de grande relevância nasceram em Macaé e despontaram no país. No ramo da política, o município tem grande histórico de personagens importantes que chegaram ao cargo de governador do estado, como Alfredo Backer e Feliciano Pires de Abreu Sodré. Backer, que nasceu em Macaé em 1851, formou-se em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro e exerceu a função no município por um bom tempo. Na cidade, o médico participou da fundação do Partido Republicano Fluminense, e também lutou em campanha abolicionistas durante o período do Segundo Reinado. Na área política, Alfredo Backer participou da Constituinte Fluminense no ano de 1892 e elegeu-se deputado estadual em 1892 a 1894, voltando ao cargo no ano de 1901 a 1903. Na administração de Nilo Peçanha, que era presidente do Rio de Janeiro, cargo equivalente ao governador dos dias de hoje, entre os anos de 1903 e 1906, Backer foi secretário-geral do estado, vereador e presidente da Câmara Municipal em Macaé, durante este período. Já no ano de 1905, Alfredo Backer foi eleito deputado federal e chegou ao cargo de “Alfredo Backer presidente do Rio de Janeifoi eleito deputado ro, no ano de 1906. Durante seu mandato, em 1910, federal e chegou ao o governador do Estado cargo de presidente do Rio, Alfredo Backer, do Rio de Janeiro, no criou a Prefeitura Municipal de Macaé, entregando ano de 1906” sua administração ao niteroiense Silva Marques. Segundo historiadores, a população macaense não teria aceitado essa imposição, impedindo a posse e levando o caso à Justiça, que impugnou o prefeito. Porém, esse não foi o único percalço durante o governo de Alfredo Backer, depois de enfrentar forte oposição chefiada pelo então vice-presidente e, após a morte do presidente eleito Afonso Pena, presidente da República, Nilo Peçanha, o governador acabou desalojado do palácio do governo em Niterói por forças do Exército, um dia antes de terminar seu mandato, em 30 de dezembro de 1910. Isso ocorreu, mesmo após uma parceria durante o governo de Nilo Peçanha no estado do Rio. Com isso, o governo de Alfredo Backer não foi fácil, até porque, segundo o ário de Acervo e Patrimônio Público de Macaé, Ricardo Meirelles, a Câmara de Vereadores não tinha uma boa relação com o governador e somente seguia Nilo Peçanha. “Existia esse atrito entre a Câmara Municipal e Alfredo Backer, até porque, o governador indicou o Silva Marques para o cargo de prefeito. Isso desagradou a todos em Macaé,

pois ele não era da cidade. Com isso, foram aceitar a indicação de Nilo Peçanha, que no momento era presidente da República, para Lobo Junior assumir o governo municipal. Isso só mostrava o quão enfraquecido era o governo de Backer”, concluiu. Antes de vir a falecer, Backer ainda exerceu o cargo de Senador no ano de 1935. O ex-governador, morreu aos 86 anos em 1937. Já com Feliciano Sodré, o governo foi mais tranquilo. Governador entre os anos de 1923 e 1927, seu governo coincidiu com o mandato de Washington Luiz como presidente da República. Como é de conhecimento, o 13º presidente era nascido em Macaé. Desta forma, segundo Ricardo Meirelles, exista uma só linha de governo neste período. “Durante o governo de Sodré, as coisas ficaram mais fáceis, pois as esferas de governo estavam em sintonia. Tal como hoje que a prefeitura, governo de estado e união tem a mesma linha política, na década de 20, dois “O presidente do macaenses estavam no poder. estado, Sodré, fora Washington Luiz era presidenum dos idealizadores te e Sodré governador. Para não esquecer, um dos prefeitos da Renascença deste período foi Francisco MiFluminense” randa Sobrinho”, afirmou. Para Meirelles, a população de Macaé tem que desmistificar um pouco a má impressão que tem contra Washington Luiz. “No ano de 1927 foi inaugurada a Estação da Luz, a forma de geração de energia elétrica que abastecia a cidade e era lá em Glicério. Nesta inauguração, o próprio Washington Luiz, junto com Feliciano Sodré, esteve na cidade. Desfilaram em carro aberto pela Avenida Rui Barbosa e pararam em frente a Câmara Municipal. Isso mostra que o presidente tinha sim boa consideração pela cidade, pois não tinha obrigação de vir nesta inauguração. Assim, a população pode perceber que mesmo tendo toda sua educação em São Paulo, não renegava as origens em Macaé”, disse. O presidente do estado, Sodré, fora um dos idealizadores da Renascença Fluminense - movimento que promoveu uma urbanização modernizadora e inaugurações de jardins e monumentos em homenagem a figuras de vulto da política fluminense ou nacional, sendo destaque o Monumento à República, na praça de mesmo nome, em Niterói. Desta forma, é possível perceber que o governador era claramente inspirado na modernização da cidade do Rio de Janeiro promovida anteriormente por Pereira Passos. Após ser governador, Sodré ainda elegeu-se como senador, igual a Backer. Por fim, o ex-governador faleceu no ano de 1945 com 64 anos.


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um esPAço mArcAdo PArA mudAr N

o ano de 1912, foi inaugurada em Macaé, a Fábrica de Fósforos Veado, na Avenida Rui Barbosa, hoje conhecida como Calçadão da Rua Direita. A Fábrica de Fósforos pertencia ao Coronel Antonio Martins da Costa, dirigida por ele e por seu genro, Dr. Paulino Monnerat, então Promotor Público. Naquele tempo, a fábrica proporcionava oportunidades de emprego a muita gente em Macaé, especialmente às mocinhas e meninos. O futuro do estabelecimento parecia promissor, quando em 1930, a grande empresa foi adquirida pela Companhia Brasileira de Fósforos, que procurava estabelecer um truste em todo o país. Segundo os historiadores, a Companhia já tinha a intenção de fechar a Fábrica de Fósforos Veado, pelo simples motivo de eliminar a concorrência e assim foi feito, a Companhia Brasileira ficou, inclusive, com a matéria prima e com a maquinaria. E para comemorar o fechamento da empresa, foi oferecido um banquete exatamente às 20h, para convidados

especiais como o governador da época, Oliveira Botelho e o seu vice, João Guimarães. Por algum tempo o enorme casarão ficou fechado, criando cupins e ratos, até que o Sr. Manoel Guilherme Taboada o adquiriu do Coronel Costa, pela importância de 35 contos de réis, que valeriam hoje cerca de R$ 2 milhões. O objetivo do capitalista português, há tanto tempo estabelecido em Macaé com sua empresa Taboada & Cia, e com “A Construtora”, era a construção do moderníssimo Cine-Teatro. O local, que por 18 anos foi casa da marca mais famosa de fósforos daquela época, deu lugar ao belíssimo Cine Teatro Taboada, também considerado um marco na cultura fluminense. Ainda segundo a história, a Fábrica de Fósforos funcionava do lado da Fábrica Lynce, cujos seus criadores foram o famoso Farrula, juntamente com Lacerda Agostinho. Nos dias de hoje, nas mesmas instalações funcionam as Lojas Americanas, paralelamente ao Hotel Palace, inaugurado em 1932.

CINE TEATRO TABOADA EM 1935 De acordo com o subsecretário As obras que deram origem

O arquiteto e construtor foi

Era um ambiente

Só em 1982, após quase 50

em frente ao Cine, notou que estava tudo fechado”, explicou.

de Acervo e Patrimônio

começaram em 1930, logo

Joaquim Murteira, e de acordo

extremamente bem

anos de funcionamento, o Cine

Histórico e professor de

após a venda da Fábrica. De

com informações, o ambiente

frequentado pelas autoridades

Teatro foi fechado, mas antes

história, Ricardo Meirelles, da

1932 para 1933, as obras foram era de extrema elegância e

e personalidades macaenses,

disso, o último filme exibido foi

a classe cultural de Macaé

Fábrica de Fósforos Veado,

finalizadas e no ano de 1935,

requinte, conhecido por toda

além das tradicionais famílias do

a “A Lagoa Azul”. Como contou

se revoltou e realizou uma

surgiu o Cine Tatro Taboada,

aconteceu a tão esperada

região por ser muito luxuoso,

município. Houve uma grande

Ricardo Meirelles, o local foi

manifestação na Praça

de estrutura bastante moderna inauguração do famoso

composto por inúmeros

visão dos investidores na cidade

fechado sem maiores motivos.

Washington Luís e marcando

para a época.

Cine Teatro Taboada, em

camarotes, um palco de 15

ao iniciarem a construção,

“O pipoqueiro chegava todos

presença em grande

um domingo de Páscoa”,

metros de abertura com 10

representando um grande

os dias como de costume, para

quantidade, estavam os

explicou o historiador.

metros de profundidade.

desenvolvimento para a cidade.

vender suas pipocas, e ao parar

jovens de Macaé.

“O local era de uma estrutura extraordinária.

Passado algum tempo,


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inAugurAdA A

AssociAção comerciAl e industriAl de mAcAÉ A

Associação Comercial de Macaé foi fundada em 9 de abril de 1916, pelo empresário Orlando Farrula, dono da fábrica de bebidas Lynce da época. A primeira reunião da diretoria da Associação foi realizada pouco tempo depois, no dia 13 de maio do mesmo ano, no salão da Sociedade Musical Nova Aurora. A entidade começou com 60 sócios-fundadores. Na época, muitos já haviam tentado fundar a Associação e após inúmeras tentativas frustradas, o Sr. Orlando Farrula entendeu que tudo é possível e aderiu à ideia.

SR. ORLANDO FARRULLA (Fundador da Associação) 1916

O espírito de associação entre aqueles que trabalham nos diferentes ramos de atividades foi constituída como regra geral e onde quer que existam as coletividades empreendedoras, máquinas formidáveis de progresso, o que são denominadas hoje, as associações.

FuNCIONAMENTO DA ASSOCIAçãO COMERCIAL Já em funcionamento na Avenida Rui Barbosa, a Associação passou a se desenvolver de maneira ainda mais rápida, prestando aos seus associados serviços relevantes, tais como: informações sobre o movimento comercial da praça e assuntos das repartições públicas. Naqueles tempos, a Estrada de Ferro Leopoldina era o único meio de transporte para os empresários. A estrada autuava os comerciantes que despachavam café em sacos frágeis, café mal seco, e outros produtos mal embalados. Também multavam e cobravam armazenagem quando os comerciantes não retiravam as mercadorias em tempo hábil.

A ASSOCIAçãO, SuA FuNçãO E SuA EFICÁCIA COMO ÓRGãO DAS CLASSES EMpRESARIAIS O espírito de associação entre aqueles que trabalham nos diferentes ramos de atividades foi constituída como regra geral e onde quer que existam as coletividades empreendedoras, máquinas formidáveis de progresso, o que são denominadas hoje, as associações. Foi isso que animou Orlando Farrula, grande personalidade da elite macaense, já que o comércio entre todas as classes laboriosas, é a mais difícil de se congregar.

Após a fundação, na data citada acima, pensou-se na construção de um edifício, o que para a época parecia um sonho, mas Manoel Ximenes, Paulino de Carvalho, Eduardo Gomes e outras personalidades daquele tempo, tomaram coragem e saíram a campo e conseguiram erguê-lo. A participação da Associação Comercial no crescimento da cidade começou a partir de 1920, quando a entidade conseguiu junto ao Governo Federal a reativação do Canal Macaé-Campos para o transporte de cargas. Naquele mesmo ano, por conta do grande

A pRIMEIRA SEDE pRÓpRIA No dia 23 de junho de 1923, foi inaugurada a primeira sede própria, juntamente com a agência do Banco do Brasil, e o evento aconteceu em grande estilo. O edifício era considerado uma obra gigantesca, porque foi imaginado quando os cofres sociais acusavam um saldo existente de pouco mais de 200 mil réis, e em menos de um ano, foi concluído, atingido o custo, de cerca de 47 contos de réis.

movimento, o Porto de Macaé teve seu cais aumentado em 30 metros. Em 1922, a entidade elaborou o sistema viário do município, considerando as regiões mais produtivas. O plano foi executado pelos poderes públicos, considerando os traçados sugeridos pela Associação. Um ano depois, a entidade já tinha a sua primeira sede própria. No mesmo ano, a Associação foi a responsável pela instalação da primeira agência bancária da cidade, cedendo para o Banco do Brasil o pavimento térreo de sua sede para o funcionamento da agência.

AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL A conquista da agência que se instalou simultaneamente com a sede social, em um dos departamentos do edifício especialmente reservado para tal fim, desde quando foi imaginada a construção do prédio. Para a época, o Banco do Brasil, livrou a população dos defeituosos sistemas coloniais do comércio primitivo, para uma fase de emancipação econômico financeira.

O CENTRO COMERCIAL DE MACAÉ O quarteirão, em primeiro plano, vai da Avenida Rui Barbosa, para a Conde de Araruama à Marechal Deodoro, teve por mais de 50 anos suas imagens capturadas pelo fotógrafo Aloísio de Sá Vasconcellos, o Lulu. Por intermédio dele, que a memória visual de Macaé não foi perdida, não foi sendo esquecida. Em janeiro de 1926, o calçamento das ruas começou a ser colocado, já em 1930, veio o Cine Teatro Taboada, mas sem início das obras. Ainda pela Avenida Rui Barbosa havia a redação de O Autonomista, prestigioso jornal do passado macaense, surgido em 1918, cujo diretor foi Dr. Américo Peixoto. Na sequência, entre outras casas, havia duas casas comerciais extremamente importantes: Ferragens da Família Franco e o Armazém de Ximenes, Santos & Cia, até atingir o bonito sobrado da sede da associação. Colado a ele o prédio de platibanda saliente da firma Ribeiro, Xavier & Lessa, na época parede-meia com o Café de Helano. Mais adiante se erguia o sobrado da loja de fazendas do Sr. Jorge Chaloub e ao fundo, no centro, bem destacada é vista a palmeira do jardim do Colégio Meirelles. Logo à esquerda, parte da Fábrica de Fogos Veado, propriedade de Antônio Fernandes da Costa, inaugurada em 1913 e em cuja área foi levantado o Cine Teatro Taboada e o Palace Hotel. Sendo centro comercial, nada há de estranhar no quarteirão haver a profusão de caminhões, mesmo dandolhes um movimento inusitado naqueles anos.


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conceição de mAcAbu suA históriA e emAnciPAção

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onceição de Macabu é um município localizado entre a serra e o mar na região norte do estado do Rio de Janeiro, constituído por serras de altitudes que oscilam de 300 a 989 metros. O nome “Conceição” deriva de Nossa Senhora da Conceição, nomenclatura esta que surgiu em outubro de 1855, quando Conceição de Macabu foi elevado a categoria de freguesia, com o nome de freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Macabu. Já o termo “Macabu” tem origem indígena: mak’a’bium, que designava uma palmeira de frutos doces, hoje conhecida como macaubeira ou como é mais provável, devido a suas fontes documentais, ter sido um apelido que os Sete Capitães deram ao rio Macabu, quando o encontraram em 7 de janeiro de 1634. A cidade tem cerca de 22.700 habitantes e é cortada pela rodovia estadual RJ-182. O município possui ainda um segundo distrito, Macabuzinho, distante 19 quilômetros da sede e com população estimada em 900 habitantes. História do município - Originalmente habitado por tribos indígenas nômades, o município foi parte da Capitania de São Tomé até ser doado em sesmaria para os Sete Capitães. Em 1759 os jesuítas foram expulsos. O início das grandes plantações gerou grande quantidade de escravos africanos. No século XIX, portos fluviais, a estrada Macaé-Cantagalo e o ramal ferroviário oriundo de Conde de Araruama (Quissamã) tornam-se vias de acesso à região contribuindo para o seu povoamento, crescimento econômico e evolução

política: freguesia em 1855 e primeira emancipação em 1891-1892. Durante esta época, ocorreu o caso da “Fera de Macabu”, uma história de crime, a partir da qual se iniciou o fim da pena de morte no Brasil. Em 1907, surge em Conceição de Macabu a primeira colônia de japoneses do Brasil. O século XX foi marcado pelo progresso com a fundação da Usina Victor Sence e da fazenda Modelo Venceslau Bello (Rego Barros).

Oliveira Soares (exerceu mandato de 13 dias, segundo determinação judicial; nas eleições municipais de 2008 recebeu 5068 votos sendo eleita para o mandato 2009-2013). Filhos ilustres: Ângela Maria (cantora); Caco Baresi (ator); Cleóbulo Faria (jogador de futebol); Demerval Barbosa Moreira (médico); Eliezer Gomes (ator); Nestor Gomes (senador); Policarpo Ribeiro (jogador de futebol).

EMANCIpAçãO DE CONCEIçãO DE MACABu O progresso teve reflexos políticos e Conceição de Macabu, quinto distrito de Macaé, uniu-se ao 10º distrito, Macabuzinho, originando um novo município, Conceição de Macabu, em 15 de março de 1952. O processo de emancipação foi por plebiscito popular, o primeiro do Brasil e único unânime até hoje. prefeitos: Coronel José da Natividade e Castro (1891 a 1892 - Primeira Emancipação); Rozendo Fontes Tavares (prefeito em dois mandatos); Francisco Barbosa de Andrade (Chico Tobias); João Barbosa Moreira (presidente da Câmara); Jorge Armando Figueiredo Enne; João Barbosa Daumas; Archimedes Custódio Barreto; Délcio Pontes Pacheco; Sílvio Soares Tavares; José Sebastião de Castro (prefeito em dois mandatos); Leopoldo Cesar da Silva; Ercínio Pinto de Souza; Nilo Siqueira (viceprefeito em exercício); Marcos Paulo Cordeiro Couto (presidente da Câmara); Cláudio Eduardo Barbosa Linhares (prefeito em dois mandatos); Lídia Mercedez

CuRIOSIDADES / CONCEIçãO DE MACABu FOI: Primeiro município do Brasil emancipado por plebiscito popular; único município emancipado por unanimidade; primeiro salto livre de paraquedas do estado do Rio de Janeiro; primeira colônia agrícola japonesa do Brasil: Fazenda Santo Antônio, em 1907; maior quilombo do Rio de Janeiro: Quilombo do Carucango; o mais famoso caso de condenação e execução da pena de morte no Império: a Fera de Macabu; Charles Darwin, naturalista inglês, autor da Teoria da Evolução das Espécies, visitou o município entre 13 e 19 de abril de 1832, hospedandose na Fazenda São José do Sossego; a Manteiga Macabuense é considerada uma das melhores do Brasil; a Usina Victor Sence (1913-1993) era a única a produzir acetona, butila e butanol a partir da cana-de-açúcar; foi capital do estado do Rio de Janeiro durante uma semana no governo de Geremias de Mattos Fontes (Geremias Fontes) em 1967; mais antigo abastecimento público de água - Caixa D’Água da Bocaina, 1877 - em atividade no Norte Fluminense.


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enerGia que veM da nossa serra A

história de Macaé também é marcada por sua importante contribuição na matriz energética brasileira a partir de 1950 com as usinas hidroelétricas de Glicério e Macabu. Até 1917, ruas e casas eram iluminadas por lampiões. Somente a partir desse ano foi que a prefeitura instalou um sistema de iluminação na cidade. A casa de força, com motor a óleo, ficava na Praça da Luz, onde hoje está o Colégio Estadual Luiz Reid. Com o potencial hidroelétrico descoberto na serra, investidores começaram a construir a primeira usina em Glicério em 1926, sendo colocada em operação na década de 40. Mas foi em 195o que Macaé ganhou status de geradora de energia com a entrada em operação da Usina Macabu, localizada no Frade, com sua história marcada por dificuldades e tragédias. Logo após o início das obras de Glicério, começaram os estudos para a instalação de uma nova usina. Foram escolhidos dois pontos: o primeiro entre Tapera e Sodrelância (Trajano de Morais) a 630 metros de altitude e o outro ponto no Frade, a 300 metros. Entre os dois pontos estava a serra de Crubixais, vencida por um túnel de 4.907 metros, levando água até as turbinas. Diversos trabalhadores morreram durante as explosões para a abertura do túnel.

A construção começou em 1939 com engenheiros brasileiros e japoneses. Entre os coordenadores do empreendimento estiveram Edmundo Franca Amaral e Hélio de Macedo Soares. Seus descendentes trabalharam na usina até o final do século passado. Com o início da Guerra o projeto foi interrompido pela primeira vez em 1941, quando os japoneses foram ‘expulsos’ do país. Um ano depois as obras recomeçaram e novamente paralisaram em 1947, dessa vez por falta re recursos. Retomadas no ano seguinte, as obras culminaram com a entrada em operações de duas turbinas no dia 11 de janeiro de 1950. Onze anos depois, fortes chuvas carregaram material sólido para o canal de fuga da usina entulhando-a até a borda e o rompimento do túnel causou o desmoronamento da encosta sobre a casa de máquinas de Macabu. As atividades na usina foram interrompidas em 4 de fevereiro de 1961. Um exército de incansáveis funcionários trabalharam 53 dias e noites sem parar e em 28 de março a usina entrou novamente em funcionamento. Hoje, as usinas de Glicério e Macabu pertencem a Quanta S/A, produzem energia para abastecer milhares de residências e mantém-se como um patrimônio histórico de grande valor para o município.

Macaé surge como forte geradora de eletricidade para o país

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WashinGton luÍs nasce eM Macaé e cheGa À PresidÊncia da rePÚblica

N

ão é só do petróleo que vem o reconhecimento de Macaé no cenário nacional. Antes de ser sede da Petrobras, a cidade foi berço do último presidente da chamada República Velha, Washington Luís Pereira de Sousa. O presidente nasceu em Macaé, no dia 26 de outubro de 1869 e segundo alguns dados históricos, proveniente de uma família rica da cidade. Durante sua adolescência, estudou no tradicional Colégio Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro, em regime de internato. Aos 22 anos, em 1891, Washington Luís graduouse pela Faculdade de Direito de São Paulo. No ano seguinte foi nomeado promotor público de Barra Mansa. Porém, ele não ficou muito tempo no cargo, já que decidiu atuar como advogado na cidade de Batatais, interior de São Paulo. Durante seu tempo em Batatais, Washington Luís iniciou-se na vida política. Em 1897 foi eleito Vereador da cidade, sendo também presidente da Câmara de Vereadores. Em 1898 e 1899 foi prefeito de Batatais. No ano de 1904, o macaense foi eleito deputado estadual por São Paulo, pelo Partido Republicano Paulista (PRP), participando da Constituinte paulista, que reviu a Constituição do estado. Já em 1906, Washington Luís abandonou o mandato para assumir a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública. Depois de ser eleito mais uma vez para o cargo de deputado estadual, o expresidente tornou-se prefeito de São Paulo por cinco anos, de 1914 até 1919. Continuando a sua trajetória política, Washington Luís foi eleito presidente do estado de São Paulo, em 1920, para um mandato de quatro anos. Depois de ser eleito senador por São Paulo, Washington Luís venceu eleição direta e assumiu o cargo de Presidente da República, em 15 de novembro de 1926, chegando assim ao principal posto político brasileiro. Durante o período em que o macaense esteve no poder, enfrentou diversas adversidades, tanto políticas quanto econômicas. Ao longo da década de 20, a República Velha, que também era chamada de República do café-com-leite, sofria um grande desgaste devido a posição contrária da classe média urbana da época, dos movimentos tenentista e operário e das oligarquias dissidentes. Logo no início do seu mandato, Washington Luís viu uma situação um pouco mais favorável, pois teve fim as rebeliões tenentistas, com o término da Coluna Prestes. Mas, mesmo assim, ele se negou a assinar o pedido de anistia aos envolvidos nos

levantes, inclusive aos “rebeldes de 1924” que deram origem à Coluna Prestes. Já no ano seguinte, com medo de outros possíveis levantes, Washington Luís criou a Lei Celerada, em 1927, que impunha censura à imprensa e restringia o direito de reunião, levando para a clandestinidade o Partido Comunista Brasileiro, que havia sido reconhecido pelo governo no início do ano. Com o cenário político mais controlado, pensou-se que tudo estaria bem, mas com a crise de 1929, iniciada com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, o preço do café, principal item de exportação do Brasil no início do século passado, caiu exponencialmente no mercado internacional. Desta forma, o café que representava 70% das exportações brasileiras, perdeu valor e consequentemente afundou o país em um crise, já que com a política de valorização do café, iniciada em 1906 com a assinatura do Convênio de Taubaté, o Brasil tinha grande reserva de café, tanto com os cafeicultores, quanto com o governo. Diante deste cenário, o governo estava em um turbilhão de problemas que foi agravado com a disputa pela sucessão presidencial. Mesmo enfraquecidos no cenário político brasileiro, Washington Luís e cafeicultores de São Paulo indicaram como candidato a eleição o paulista Júlio Prestes. Minas Gerais não concordava com essa escolha e junto com o Rio Grande do Sul lançou a candidatura de Getúlio Vargas, com o vice-presidente paraibano João Pessoa. O resultado da eleição terminou com vitória de Prestes, mas com suspeita de fraude. Para complicar ainda mais o cenário político, o vice de Vargas, João Pessoa, foi assassinado. Esse foi o estopim para um golpe contra o governo de Washington Luís. Militares se rebelaram nos quartéis e manifestantes tomaram as ruas do Rio de Janeiro, atearam fogo aos jornais fiéis ao Governo e exigiram a saída do presidente. Getúlio Vargas liderou uma conspiração e o presidente Washington Luís foi deposto em 24 de outubro de 1930, pelos chefes das forças armadas. Uma junta provisória de Governo assumiu o poder, composta pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha. O movimento ficou conhecido como “Revolução de 30”. Em 21 de Novembro de 1930, o presidente deposto embarcou para um longo exílio na Suíça, Portugal e Estados Unidos. Só retornou ao país em 1947 e não se envolveu mais em política. Dedicou-se ao estudo e a pesquisas históricas. Morreu em São Paulo em 04 de Agosto de 1957.


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Paulo henrique: uM Macaense que FeZ histÓria no Fla e vestiu a aMarelinha

S

e hoje o futebol macaense figura no cenário profissional nacional, ostentando um dos mais importantes estádios do Rio de Janeiro, muito se deve aos craques do passado, que com talento inquestionável fizeram da bola instrumento de superação. Das peladas amadoras da então pacata Princesinha do Atlântico para os principais campos pelo mundo afora. Assim baseia-se a carreira do macaense Paulo Henrique, lateral-esquerdo integrante do elenco canarinho que defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Ex-jogador do Flamengo e hoje técnico de futebol, Paulo Henrique certamente é um dos nomes que contribuiu para o desenvolvimento do esporte macaense. Nascido em Macaé no dia 5 de janeiro de 1943, Paulo Henrique Souza de Oliveira tem uma carreira respeitável no futebol. Revelado no Quissamã Futebol Clube, quando a cidade ainda era distrito de Macaé, o lateral-esquerdo despertou o interesse do Flamengo, onde fez história. Além de brilhar com a camisa Rubro-Negro, Paulo Henrique ainda passou por Botafogo, Bahia, Avaí e Bonsucesso, além de vestir a Amarelinha, tendo a oportunidade de disputar a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Paulo Henrique fez 13 jogos pela Seleção Brasileira (3 não oficiais) e fez parte do elenco que participou do Mundial da Inglaterra. O macaense foi titular da equipe então comandada pelo técnico Vicente Feola, Seleção Brasileira de 1966: Em pé, Fidélis, Zito, Gylmar, que estreou na Copa do Brito, Fontana e Paulo Henrique. Agachados, Jairzinho, Lima, Alcindo, Pelé e Amarildo.Mundo de 1966, contra a Bulgária, com a seguinte formação: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair, PAULO HENRIQUE; Denílson, Lima, Garrincha. Alcindo, Pelé e Jairzinho. O time canarinho não repetiu o feito de 1962 e caiu na primeira fase, com campanha de 3 jogos, uma vitória e duas derrotas. Apesar do desempenho frustrante dos então atuais campeões mundias, uma conquista pessoal está imortalizada para o ex-jogador: Paulo Henrique tem uma marca significativa em sua carreira, pois foi o jogador a substituir Nilton Santos em Copas do Mundo. A Enciclopédia disputou como titular as Copas de 1954 (Suiça), 1958 (Suécia) e 1962 (Chile). Coube ao então lateral do Flamengo sucedê-lo em 1966. Registro para lá de especial no currículo do ilustre macaense.

Mas foi na Gávea que Paulo Henrique marcou sua carreira no futebol. Ele fez parte de elencos inesquecíveis do Flamengo, onde atuou em 437 partidas, e jogou ao lado de craques como Silva Batuta, Almir Pernambuquinho, Zico (iniciando a carreira e no título de 1972), Paulo César Caju, Reyes, Doval, Carlinhos, Fio Maravilha, dentre outros ídolos rubro-negros. Em 1971, Paulo Henrique foi emprestado ao Botafogo e participou do time denominado selefogo, que apenas conseguiu o vice-campeonato carioca e brasileiro daquele ano. Dois anos mais tarde, a revelação do Quissamã, ao se aventurar em terras catarinenses, carimbou o título estadual pelo Avaí, em 1973. Como jogador, foi campeão carioca pelo Fla em 1963, 1965 e 1972, e campeão catarinense pelo Avaí, em 1973. Hoje, com 68 anos, casado e pai de 3 filhos, Paulo Henrique ainda respira futebol, agora como técnico. Atualmente, o ex-lateral da Seleção Brasileira comanda uma escolinha de futebol na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Como treinador, Paulo Henrique tem passagem especial pelo Quissamã, clube o qual foi revelado antes de ir para o Flamengo. Foi ele quem comandou o inédito acesso do Quissa à Segundona do Estadual, em 2009. Vale lembrar que um dos seus filhos, Paulo Henrique Júnior, herdou do pai a paixão pelo futebol. Ele atualmente trabalha nas categorias de base do Flamengo e comandou a garatoda rubro-negra no título da Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano.

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Petrobras escolhe Macaé e iMPulsiona

desenvolviMento econôMico

U

ma descoberta que mudaria definitivamente os rumos do país e impulsionaria de uma vez por todas o desenvolvimento sócioeconômico de Macaé. Há 35 anos, a Princesinha do Atlântico era escolhida para sediar a base administrativa da Petrobras: estava então estabelecida uma nova era regida pelos atrativos do Ouro Negro. Após a descoberta de acúmulo de óleo em um reservatório marinho nomeado Campo de Garoupa, em 1974, iniciava a exploração de petróleo na Bacia de Campos, exatamente no dia 13 de agosto de 1977, data que marca o início das atividades petrolíferas na região. O Sistema de Produção Antecipada de Enchova (SPA) representou para a Petrobras o primeiro marco tecnológico da produção de petróleo em mar, num trabalho em direção a águas cada vez mais profundas. Ao tornar possível o início da produção de óleo enquanto eram construídas as plataformas fixas, que depois seriam instaladas constituindo os sistemas definitivos, o SPA representou grande agilidade, flexibilidade operacional e economia para as operações no mar, já que reduziu o tempo gasto entre a descoberta de petróleo e o início da produção comercial.

No mesmo ano em que se iniciava a produção de petróleo na Bacia de Campos, o Governo Federal encontrava em Macaé as condições favoráveis para receber as instalações da base administrativa da Petrobras. A primeira sede instalada é a que liga a Praia Campista à Imbetiba, até hoje em atividade. Depois disso, o crescimento evidenciava a necessidade de novas instalações. Hoje, em Macaé, a Petrobras conta, além da sua primeira sede, com os terminais em Parque de Tubos e em Cabiúnas, além de prédios administrativos como no Viaduto e em Santa Mônica. A partir de 1977, com a chegada da Estatal, a então Princesinha do Atlântico, alcunha carinhosamente atribuída ao município cuja base da economia era pesqueira , estava fadada ao rótulo de Capital Nacional do Petróleo, como hoje, após 35 anos, Macaé é conhecida, por conta do atrativos do Ouro Negro. Passadas mais de três décadas, desde a descoberta de petróleo na Bacia de Campos, a realidade de Macaé acompanha o desenvolvimento do país, embora esbarre nas ambições de políticos e/ou burocratas de plantão que administram seus recursos.

Hoje, estimam-se que mais de 10 mil empresas do ramo de petróleo e gás do mundo inteiro estejam com base instalada no município

Hoje, estimam-se que mais de 10 mil empresas do ramo de petróleo e gás do mundo inteiro estejam com base instalada no município, o que coloca Macaé em posição para lá de favorável no que diz respeito à geração de empregos. Além disso, os recursos dos royalties - subsídios repassados aos municípios produtores como compensação aos impactos - representam grande parte da arrecadação total de Macaé: somente neste ano, o município já recebeu mais de R$ 260 milhões em royalties, sendo a parcela deste mês de julho exatos R$ 36.371.277,43 milhões. Da pesca ao óleo, de Princesinha do Atlântico à Capital Nacional do Petróleo. Macaé hoje é uma das cidades que mais crescem no país. De uma arrecadação total em torno de R$ 1,3 bilhões, o município deve recebe somente de royalties cerca 45% deste


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bacia de caMPos: tesouro brasileiro A Bacia de Campos é uma

então o grande marco que

bacia sedimentar com cerca

transformaria um sonho

de 100 mil quilômetros

brasileiro em realidade: no

quadrados, se estendendo

dia 13 de agosto de 1977 (há

do Espírito Santo (próximo

30 anos), a 124 metros de

à cidade de Vitória) até

lâmina d’água, era iniciada a

Arraial do Cabo, abrangendo

produção de petróleo na Bacia

treze municípios do litoral

de Campos. O poço escolhido

do Estado do Rio de Janeiro.

foi o 3-EN-1-RJS, no Campo

Formada há 100 milhões de

de Enchova (terceiro campo

anos, a partir do processo de

descoberto, depois de Garoupa

separação dos continentes

e Namorado), com vazão

sul-americano e africano, esta

superior a 10 mil barris diários

região acabou se tornando um

de óleo, através do Sistema de

“aterro natural” formado por

Produção Antecipada sobre a

sedimentos despejados pelo

plataforma semi-submersível

rio Paraíba do Sul no Oceano

Sedco 135-D.

Atlântico ao longo do tempo

valor, isto é, quase R$ 500 milhões anuais. Esta é a previsão para 2011. Isso sem falar das milhares de empresas nacionais e multinacionais que hoje têm base em solo macaense. Em apenas uma década, o número de empresas sediadas na cidade passou de menos de cinco mil para mais de 11 mil.

No entanto, à medida em que se desenvolve a economia, reflexos sociais configuram uma cidade de contrastes. Crescimento desordenado, falta de mão de obra local qualificada, ocupações irregulares, violência, corrupção e infraestrutura deficitária são aulguns dos principais problemas encontrados em Macaé, município cuja população chega a mais de 200 mil pessoas, segundo último censo do IBGE.

Para se ter uma ideia

que, sob variados níveis

do potencial da região, em

de pressão e temperatura,

média, são produzidos na

entrariam em processo de

Bacia de Campos 1,8 milhão

decomposição, originando

de barris de petróleo por

as reservas de petróleo e gás

dia. Segundo o gerente geral

natural, dentro de rochas

da Unidade de Operação

porosas no subsolo marinho.

de Exploração e Produção

Em 1974 então, a Petrobras

da Bacia de Campos, José

acabaria encontrando acúmulo

Aírton de Lacerda, os

de óleo num reservatório

números observados na BC

marinho que nomeou de

representam mais de 80%

Campo de Garoupa. Três

da produção nacional de

anos depois, acontecia

petróleo e gás.


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nova aurora coMPleta 100 anos

F

undada em 08 de Junho de 1873, a Sociedade Musical Nova Aurora - pioneira em Macaé iniciava a construção de um prédio onde pudessem ser realizados seus ensaios e reuniões. Em 1889, foi lançada a pedra fundamental da Sede e , no mesmo ano, foi iniciada a construção. Foram responsáveis pela obra o Eng. Joaquim Saldanha Marinho Filho, Antônio Maurício Liberalli e o construtor Sancho Baptista Pereira. O prédio foi constituído de apenas um pavimento com características ecléticas. Marcado pelo ecletismo arquitetônico e ainda hoje funcionando como sede da Sociedade Musical Nova Aurora, o edifício fica no fundo de um terreno cuja entrada é pela Av. Rui Barbosa (a mais movimentada do Centro de Macaé). Uma mureta e grades de ferro cercam-no, bem como a um jardim de onde sobressai a escultura de uma mulher aguadeira. Em dezembro de 1882, em decorrência de uma crise social, alguns dos nossos diretores (Joaquim Rosa, José Cyriaco, Luiz Quaresma e outros), deixaram a ainda jovem Nova Aurora e partiram para fundar a Sociedade Beneficente Lyra dos Conspiradores. Hoje, com a nossa co-irmã, trilhamos o mesmo caminho e vivemos os mesmos

sacrifícios em prol da sobrevivência das bandas de música de Macaé. Entre os vultos a quem devemos em nossa história estão Bento Martins da Costa, Luiz Reid, João Germino, Lafayete Dias, Álvaro Bastos, Waldir Azevedo e muitos outros. SOb a regência de Benedito Passos (Maestro Tinho), a Nova Aurora foi a bi-campeã do nosso Estado, e, em nível Nacional, no programa apresentado para todo o país, pela Rede Globo, ela ultrapassou os limites de Macaé para se tornar a banda de música do Rio de Janeiro. A Sociedade Musical Nova Aurora atualmente é presidida pela Sra. Maria Ignez do Patrocínio, e a Banda tem a regência do jovem maestro Hélio Rodrigues que foi o principal responsável pela modernização da Banda de Música. Hoje a banda constituída por quarenta músicos é denominada “Banda Sinfônica da Sociedade Musical Nova Aurora”. A Banda Sinfônica já se apresentou em várias cidades do Estado, inclusive na tradicional Sala Cecília Meireles e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, além de fazer concertos


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a histÓria e a educaÇÃo

deiXada Pelo ProFessor Macaense “tonito”

M

acaé completa 198 anos no próximo dia 29 de julho, com muita história de personalidades ilustres, entre elas, o professor Antônio Alvarez Parada. Macaense, nascido em 27 de dezembro de 1925, conhecido como Tonito, além de ensinar, era um cuidadoso colecionador, pesquisador e um ávido contador das histórias de sua cidade. Escrevia e editava livros, encontrando na imprensa um espaço privilegiado para a manifestação de ideias e opiniões sobre a cidade, o que o consagrou também como jornalista. Tonito começou a lecionar como professor no Ginásio Macaense e na Escola Profissional Ferroviária. Ministrava aulas de química, física e matemática. Mais tarde lecionou no Colégio Estadual Luiz Reid, onde trabalhou como professor até a data de sua morte, em 15 de março de 1986. No início de 1986, Tonito sofreu problema cardíaco e precisou se internar para fazer cirurgia no coração. Após a operação e a recuperação, o professor planejava ir para Niterói visitar seus familiares e depois voltar para Macaé. Cinco dias depois, Tonito recebeu alta médica e na hora da despedida, logo na saída do hospital, passou mal, teve uma trombose e morreu na hora. Segundo o subsecretário de Acervo e Patrimônio Histórico, Ricardo Meireles, Tonito era bem humorado, tranquilo, tinha uma visão de mundo muito boa. “Ele amava

a profissão, mantendo um relacionamento muito positivo com os alunos. Além disso, Tonito nutria paixão por Macaé e pelo Fluminense Futebol Clube”, conta. Ricardo diz ainda que apesar dos 26 anos de sua morte, a presença do professor Tonito é muito forte na memória de exalunos. Engenheiros, arquitetos e professores (influenciados por ele) foram marcados pelo seu carisma. “Embora fosse professor de química, Tonito estudou a fundo a história de Macaé, pesquisando e buscando fatos que são referência para os estudiosos da cidade”, diz o subsecretário. De acordo com Meireles, a secretaria de Acervo e Patrimônio Histórico estará dando continuidade à obra de Tonito, através do lançamento do livro 'Cartas da Província'. “Só no jornal O DEBATE, ele publicou mil crônicas sobre a história da cidade”, lembra o secretário, lembrando que Tonito foi um pesquisador e não memorialista, pois fez uma pesquisa científica e não emocional. Ele acrescenta que escrever sobre Tonito é, de certa forma, fazer uma apologia a ele. “Um homem perfeito, adorado, professor exemplar, guardião da história e da memória de Macaé, um educador que ampliava suas atividades cotidianas pesquisando e registrando os acontecimentos que marcaram a história”, avalia Ricardo.

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a cidade que quereMos E Christino Áureo Deputado Estadual e Secretário de Estado.

stamos vivendo uma semana festiva na nossa Macaé. E não poderia ser diferente. 198 anos! Nossa quase bicentenária cidade tem inúmeros atributos e um conjunto de oportunidades, que fazem dela um destaque no Brasil e até mesmo fora dele. Mas é exatamente nesse momento que me pergunto: o que fizemos com aquele sentimento original de euforia e esperança? Quem viveu aquela época vai se lembrar das manchetes do noticiário estampando previsões maravilhosas sobre as descobertas e o futuro próspero e encantado que nos esperava. O futuro chegou! E com ele, algumas duras constatações da realidade. Riqueza não se distribui igualitariamente por passe de mágica. Aliás, grande parte dela é – literalmente - bombeada pra longe, ficando por aqui apenas as compensações. Compensações essas que atendem pelo nome de royalties-palavra inglesa,

hoje de domínio popular que acabamos incorporando ao nosso vocabulário, juntamente com pessoas de inúmeras nacionalidades e também oriundas de várias partes do Brasil. Todos nós formamos hoje um único povo. Sem essa de discriminação entre naturais e adotivos! Afinal, só há salvação, justamente, através da nossa união. Não há mais espaço para a soberba. Precisamos sim, da intensa cooperação com os demais níveis de governo. Se não fosse por nada, valeria o argumento de que somos um dos principais contribuintes para o fortalecimento dos tesouros do Estado e Nacional. Nada mais justo do que reivindicarmos de volta o nosso quinhão. Acontece que para fazer isso e começarmos, de verdade, a resolver nossos principais problemas saneamento, saúde, transportes, e até segurança pública - precisamos estar melhor preparados. Assim como o rio Macaé corre para o

mar, os recursos somente correm para onde existem bons projetos. E não adianta contar com a sorte! Aliás, alguém já disse que sorte é, na verdade, o encontro do preparo com a oportunidade. Nós não seremos perdoados se deixarmos passar essa que temos pela frente. Precisamos definir rapidamente qual cidade queremos ser no terceiro centenário. Aquela que perdeu a esperança, que vê com tristeza milhares de pessoas à margem, olhando para o passado e buscando culpados? Ou a verdadeira “Princesa do Atlântico”, reconciliada, ligada no futuro, revigorada, moderna? Quem sabe até promovida à condição de “Rainha”? A cidade que levará dignidade e paz a toda a sua periferia além de tornar-se uma das maiores referências de reestruturação urbana do país. Essa sim, metrópole do sonho possível e resgate daquela alegria que nunca deveria ter deixado o nosso coração. É possível, acredite! Juntos, podemos sempre mais.


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Quissamã conQuista sua emancipação

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história de emancipação político-administrativa de Quissamã começa por volta de 1952 quando aconteceu o primeiro encaminhamento à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de uma representação assinada por 1.166 eleitores reclamando a autonomia do então distrito de Macaé. No entanto, a resposta veio 38 anos depois e de 4º distrito de Macaé, Quissamã foi elevada a município. São 22 anos de lutas em prol da educação, da saúde, do

desenvolvimento econômico e turístico e de resgate da história do município. Em 1984 teve início o segundo e vitorioso movimento de emancipação. Em julho desse mesmo ano foi dado o início da montagem do processo que seria encaminhado a Alerj. Processo este que chegou a ser arquivado em 1986. Mas, por interferência do então vereador Jorge Pinto, hoje vice-prefeito de Quissamã, e

do deputado Cláudio Moacyr, o processo chegou ao seu término. Já em 4 de outubro de 1988, após intensa mobilização e muitas viagens à capital Fluminense, a Comissão de Assuntos Municipais aprovou o projeto de lei criando o município de Quissamã, que foi votado e aprovado por unanimidade em 18 de outubro. O plebiscito data de 12 de junho de 1988, quando é comemorado o aniversário da cidade. Já em 4 de janeiro de 1989 foi sancionado o projeto pelo governador da época, Moreira Franco. Essa sanção transformou-se na Lei de nº 1.419, que se tornou a certidão de nascimento do novo município, até que em 1º de janeiro de 1990 foram empossados o primeiro Executivo e o Poder Legislativo Municipal. Entre outros nomes que lutaram pela emancipação, estavam Francisco Pinto de Souza, Euclides Barcelos, Celso Carneiro da Silva, Beatriz Silva, Ana Francisco Silva, Jorge Pinto e Iberê Cardoso. O grupo adotou a forma de Comissão Pró-Emancipação e Iberê assumiu a preparação de um plano diretor propondo as ações a serem efetivadas. A importância do Engenho Central de Quissamã, no movimento Segundo consta no site institucional da cidade até o começo do Século XX, Quissamã conheceu um espetacular

desenvolvimento. No entanto, a partir da crise de 1929, vários fazendeiros se endividaram e acabaram perdendo suas terras em favor do Engenho Central de Quissamã, que monopolizou a economia local. Essa estagnação durou até a década de 70, com a criação do programa Proálcool e com a descoberta do petróleo na Bacia de Campos. Sendo assim, prevendo um crescimento econômico sem depender exclusivamente do engenho, a população se organizou para a tal sonhada emancipação e decidiu se separar do município de Macaé, por meio de um plebiscito. E com o descobrimento do petróleo na Bacia de Campos iniciou uma nova fase na história no município. O mesmo foi possibilitando diminuir as desigualdades sociais, melhorar a educação e a saúde e a expectativa de vida da população, em busca do desenvolvimento auto-sustentável principalmente através da agricultura e do turismo.


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carapebus:

de antigo distrito a cidade parceira no

desenvolvimento da região

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ntes de alcançar o status de Capital Nacional do Petróleo, tornando-se polo da região identificada como emirado do Rio de Janeiro, a história econômica e cultural de Macaé foi construída através da participação de antigos distritos que se transformaram em cidades, através do processo de emancipação, que atuam hoje em parceria para o desenvolvimento do Norte Fluminense. Dentro desse contexto “Macaé sempre histórico está Carapebus, antigo será parceria de distrito de Macaé que alcançou a emancipação administrativa e Carapebus (...)” política há 16 anos. Carapebus foi reconhecido como distrito de Macaé a partir de 1831, sendo o terceiro a alcançar a emancipação, seguindo os passos de Quissamã e Conceição de Macabu. O ato para consolidar a autonomia municipal aconteceu no Real Clube de Carapebus no qual foi desenvolvido um plebiscito no dia 13 de março de 1994, o resultado foi a favor da emancipação, por uma maioria esmagadora de 3497 contra 148 votos. Para oficializar, o Tribunal Regional Eleitoral aceitou o plebiscito em maio de 1995, e então instituiu definitivamente o município de Carapebus. A partir do final do século XVIII a cultura da cana-de-açúcar se tornou uma das principais atividades econômicas da região, com destaque

para fazenda São Domingos. A produção contribuiu com o processo de consolidação da economia de Macaé, o que contribuiu também com o desenvolvimento da autonomia de Carapebus. Mais tarde outras atividades foram inseridas, como a agropecuária e a pesca, a última ainda hoje é bastante difundida. Através do trabalho e da força de vontade da população, Carapebus marcou também um momento marcante da política do município, possuindo posição fundamental para o resultado de eleições, como as que garantiram a vitória dos ex-prefeitos Carlos Emir Mussi, ao lado de Salim Selem, uma de suas personalidades mais ilustres. Dezesseis anos após a emancipação, Carapebus e Macaé caminham juntos hoje com objetivo de garantir a defesa dos interesses dos municípios produtores de petróleo, trabalho que está diretamente ligado a

dinâmica econômica de exploração e produção da Bacia de Campos. “Macaé sempre será parceria de Carapebus. Apesar da emancipação, o nosso município ainda mantém uma aproximação muito grande com a Capital Nacional do Petróleo, justamente pelas questões econômicas que envolvem as atividades de exploração e produção. Parabéns ao município por mais um aniversário”, apontou o prefeito de Carapebus, Amaro Fernandes.


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complexo universitário

simboliza avanço na formação

profissional A

lém de ser conhecida mundialmente como a Capital do Petróleo, Macaé está se tornando referência para a educação superior. Atualmente, mais de 60 cursos de graduação são oferecidos no município, sendo 16 gratuitos por meio do Complexo Universitário que abrange a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) e a Faculdade Professor Miguel Ângelo da Silva Júnior (Femass). Em virtude da demanda de graduandos e ofertas de cursos, o secretário de Educação, Guto Garcia informou que na próxima semana terá inicio a obra dos novos prédios do Complexo. “Macaé está se tornando um polo universitário com cursos gratuitos e de qualidade oferecidos a toda população. E com a implantação dos cursos já atuais e os previstos para os próximos anos, os estudantes não precisam deixar a cidade em busca da qualificação”, enfatizou. Ainda segundo Guto, o Complexo conta com, aproximadamente, 2.400 estudantes, sendo 1.200 pela UFRJ, 800 pela Femass e 400 pela UFF. Em entrevista concedida ao Jornal O Debate, para este especial, o Diretor do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (Nupem) e grande responsável pela implantação da UFRJ na cidade, Francisco Esteves falou da grande conquista. De acordo com ele, tudo começou nos anos de 1980 quando um grupo de pesquisadores que estudava as lagoas costeiras da região e em um acampamento às margens da Lagoa de Imboassica percebeu a presença cada vez mais intensa da indústria do Petróleo. E em meio a descoberta elaboraram um projeto de pesquisa

para possibilitar a realização de estudos ecológicos na região. O primeiro projeto elaborado foi o Ecolagoas (Ecologia de Lagoas Costeiras) que teve início em 1992, sob o patrocínio da Petrobras. “Este projeto, que hoje conta com o patrocínio do Ministério de Ciência e Tecnologia e do governo do Estado do Rio de Janeiro, possibilitou os recursos para as pesquisas pioneiras não só sobre a ecologia das lagoas da região como também para reformar um depósito de ração, disponibilizado pela prefeitura de Macaé, localizado no Parque de Exposição Latiff Mussi e desta forma surgiram as primeiras instalações do Nupem”, explicou o professor. Ainda segundo Esteves, até 2008 a UFRJ se fazia presente no município apenas por meio do Nupem. Já a partir de março deste mesmo ano, a unidade acadêmica diante do grande sucesso científico e da abrangência das ações de seus pesquisadores que atuavam no município, criou o campus UFRJ Macaé e a cidade então passou a contar com o primeiro campus da maior universidade federal do país, fora do Rio. “Assim pode se dizer que o Nupem foi o embrião que deu origem ao campus UFRJ Macaé, ou seja, um excelente embrião que teve na pesquisa a extensão de seus fundamentos”, ressaltou. Os cursos de graduação oferecidos atualmente na instituição são: ciências biológicas, química, nutrição, enfermagem, farmácia, medicina, engenharia civil, engenharia mecânica e engenharia de produção. E em breve passará a ser oferecido também o de ciências sociais aplicado. “Com a implantação desse curso e de grupos temáticos voltados para pesquisa nestas áreas, o campus Macaé passará a ter algumas das áreas mais relevantes do conhecimento como ciências biológicas, ciências da saúde, exatas e humanas”, pontuou Esteves. A unidade também oferece os primeiros cursos de pós fora do Fundão. São eles, Meio Ambiente e Conservação e Biofármacos. “A criação desses cursos no campus Macaé só foi possível porque hoje

já existem laboratório de alto padrão, no que diz respeito a equipamentos e a pessoal qualificado e alguns desse laboratórios colocam a cidade na rota dos centros de pesquisas mais avançados do Brasil, a exemplo do laboratório de Biologia Molecular e de Ecologia de Águas”, finalizou o professor.

INSTITuTO FEDERAl FluMINENSE (IFF) E os avanços no setor educacional no município não se remetem apenas às instituições já mencionadas acima, a Unidade de Ensino Descentralizada da Escola Técnica Federal de Campos que se transformou em Cefet e posteriormente, no atual Instituto Federal de Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), também é responsável por formar mão de obra capacitada e especializada na cidade. O IFF ganhou o seu espaço na Capital do Petróleo em 29 de julho de 1993 e as atividades escolares foram iniciadas em 30 de agosto do mesmo ano. O terreno de 51 mil m2 onde foi construído o prédio foi doado pela Prefeitura de Macaé, em 1987. Já as obras foram realizadas após um convênio firmado entre MEC / SEMTEC e a Petrobras. No início, a unidade oferecia apenas os cursos técnicos integrados ao ensino médio de Eletrônica e Eletromecânica, e tinha apenas 270 alunos. Atualmente, são oferecidos na instituição os cursos técnicos subsequentes de Segurança do Trabalho, Informática, Automação Industrial, Eletrônica e Eletromecânica, com duração de dois anos; os integrados ao Ensino Médio de Automação Industrial, Eletrônica e Eletromecânica; a graduação em Engenharia de Controle e Automação; o mestrado em Engenharia Ambiental e o curso de Eletrônica para a Educação de Jovens e Adultos

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macaÉ: alvo de empreendimentos e investimentos do governo federal N

os últimos dez anos, Macaé apresentou um crescimento de aproximadamente 600%. Segundo o presidente do Fundec (Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social de Macaé), Francisco Navega, este grande impulso leva a cidade a um perfil superior ao dos países árabes. Atualmente o município representa mais de 83% de todo petróleo e gás produzido no Brasil, o equivalente a 1,7 milhão de barris por dia. A perspectiva para o pós-sal é de que em 2015, esse número chegue a 3 milhões de barris, ou seja, um crescimento de mais de 50%. A presença do porto da Petrobras em Macaé é fundamental para todo esse crescimento. “A Petrobras, com todo o movimento no que diz respeito a petróleo e gás faz com que o município seja visto de forma positiva e de fato é atualmente uma grande potência. Nós somos o

14º país do mundo em reservas provadas de petróleo e gás, sem contar ainda com o pré-sal. Com o advento, o Brasil pode se tornar o 6º país do mundo em reservas testadas de petróleo. É certo dizer que para suportar tanto crescimento e a responsabilidade que chega junto com ele, há uma necessidade grande hoje de algumas políticas voltadas para a infraestrutura, mas tenho certeza de que o município conseguirá atender às expectativas de todo esse desenvolvimento”, declarou Navega. De acordo ainda com o presidente do Fundec, Macaé hoje possui mais de 12 mil CNPJ’s, muitos deles fazendo parte do imenso polo de petróleo e gás existente no município. “Por este motivo que a cidade é considerada como a Capital do Petróleo. As expectativas estão voltadas para o nosso município, por isso, é fundamental que os próximos governos tenham esta mesma visão, para que possam dar continuidade a este trabalho, deixando Macaé sempre no topo quando se fala em desenvolvimento e dinamismo”. RECuRSOS FEDERAIS Por se mostrar tão dinâmica e com um crescimento bastante acelerado, o Governo Federal não para de investir na cidade. Os recursos federais chegam para Macaé de uma maneira muito significativa, principalmente quando se fala da infraestrutura macaense. Hoje há a possibilidade da ampliação do Aeroporto, que recebeu 70 milhões para sua reformulação, a duplicação da RJ-106, PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Minha Casa Minha Vida e o VLT, aprovado em 47


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milhões de reais. “Mas isso tudo só foi possível em função de uma centralização dentro da Prefeitura de Macaé, através da Câmara de Gestão Permanente, onde se acompanha todos os procedimentos de repasse dos recursos, documentação, chegada dos recursos, distribuição e manutenção desses processos. Tudo feito com muito acompanhamento e cuidado”, contou Navega. Alguns repasses de verbas são obrigatórios, que vêm dos fundos de Educação, Assistência Social e Saúde. Francisco explicou também que, toda e qualquer verba que venha além do que já é imposto, a prefeitura tem que se encontrar com todas as contas em dia, e atualmente o órgão está apto a receber todas essas verbas. “Pode-se dizer que as contas do município já estão bem alinhadas, dando a possibilidade de recebimento de novos investimentos do Governo Federal. O trabalho da Câmara Permanente de Gestão está sendo muito bem feito, através de um processo de controle, administração e manuseio de todos os recursos”. Navega enfatiza que é impossível administrar Macaé hoje sem recursos estaduais e federais, e que o atual prefeito deixará para as próximas gerações os grandes convênios firmados através de parcerias com os governos federal e estadual, como a Delegacia Legal, UPA (Unidade de Pronto Atendimento), Hospital da Mulher, Prodesmar, modificações do 9º Grupamento de Bombeiro Militar, entre muitos outros. “No momento nos encontramos numa condição bastante tranquila e para o futuro aguardamos a duplicação da BR-101, não que necessariamente dependa de Macaé, mas sabemos como esta rodovia é importante para o

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município e o quanto ela precisa ser modificada, para dar mais segurança por quem passa por ela”. QuAlIFICAÇÃO PROFISSIONAl E GERAÇÃO DE EMPREGO Segundo Navega, Macaé hoje é considerada em termos de orçamento municipal, uma “Top 30”, ou seja, está entre umas das 30 maiores cidades do país. Com relação à qualificação profissional está entre as cinco maiores do Estado do Rio de Janeiro em carteira assinada. Além disso foi considerada pelo Índice Firjan, como a primeira cidade do Estado no índice de qualidade de vida, levando em consideração a qualificação profissional, saúde e educação. “Temos um polo universitário com mais de 15 mil alunos e a expectativa é de chegar no final do governo Riverton com mais de 20 mil estudantes, o que, sem dúvida, será mais um grande passo. Em termos de saúde a cidade também está muito bem amparada, com o Hospital da Serra, Hospital da

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Mulher, UPA, Hospital Público Municipal (HPM), além das Universidades de Farmácia, Enfermagem e Medicina”, disse. Todas as empresas que trabalham atualmente em Macaé, ou têm a sua área de qualificação interna, ou utilizam as instituições instaladas na cidade, como Cetep e Senai. Francisco Navega ressaltou ainda que o emprego no município é garantido, mas somente para quem tem qualificação. “A cidade consegue receber um número muito grande de pessoas que vêm de fora e dar oportunidades a elas. Basta se qualificar e estará empregado, sem dúvida alguma. Macaé é o segundo polo hoteleiro do estado, perdendo somente para a capital e também o segundo polo gastronômico, sendo o primeiro do interior. Sem contar que temos mais de 30 escolas de inglês na cidade. O avanço não para e é fundamental que todos se capacitem para acompanhar este desenvolvimento”, concluiu Francisco Navega, presidente do Fundec.

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de princesinHa do atlÂntico

À capital do petrÓleo: macaÉ no cenário mundial

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o longo dos seus 198 anos, Macaé construiu a sua imagem como potência econômica através dos espíritos de empreendedorismo e vanguardista de homens e mulheres que contribuíram com o processo de transformação de uma pacata e bucólica cidade, conhecida por suas belezas naturais como Princesinha do Atlântico, em um município com ar e rotina de metrópole, ganhando assim o reconhecimento como a Capital Nacional do Petróleo. Antes voltada a culturas rurais e da produção pesqueira, a economia do município seguiu todo o processo de evolução registrada no país, passando pelo desenvolvimento industrial, e alcançando atualmente a dinâmica produtiva do petróleo, considerada hoje como o segundo mecanismos de sustentação do mercado internacional financeiro. Apresentando o potencial turístico, muito explorado no passado, porém esquecido no presente, a cidade se viu obrigada a passar por um processo de transição econômica que impactou diversos setores ligados ao atendimento da sociedade, modificando a cultura, as raízes e a identidade de uma cidade que abriu as suas portas para o mundo. Impulsionada por vários anos pela atuação do comércio local, a economia passou a contar com a injeção de

investimentos milionários, atraídos pelo parque industrial capaz de abrigar milhares de empresas de diferentes nacionalidades, todas com os olhares atraídos pelas riquezas provenientes do fundo do mar. Ao ser considerada como polo de uma região denominada “Emirado do Petróleo” do Rio de Janeiro, ao concentrar em seu território a produção de mais de 80% do petróleo extraído em todo o país, Macaé alcançou um status restrito a poucas cidades do mundo: o de concentrar um orçamento calculado na casa dos bilhões. Toda essa riqueza acumulada pelos cofres públicos provém da atividade do petróleo que, através dos royalties (termo relacionado a compensação financeira referente aos impactos ocasionados pela atividade), e da Participação Especial, é capaz de proporcionar à administração da cidade cerca de R$ 500 milhões ao ano, segundo dados financeiros referentes ao exercício da gestão pública de 2010. Todo esse volume de recursos é capaz de alavancar também a arrecadação de impostos e taxas captadas pelo governo municipal, que ajudam a garantir um orçamento total de R$ 1,3 bilhão, conforme previsto pela Prefeitura para este ano. Se a cidade hoje é reconhecida pelo crescimento determinado pela dinâmica produtiva do petróleo, o que gerou assim uma série de problemas e desafios assumidos pela administração municipal, a projeção apresentada por


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especialistas para os próximos cinco anos é do registro de um novo “boom” de desenvolvimento, impulsionado através dos avanços na exploração do petróleo nas camadas do pré-sal, projeto que segue a passos largos através dos investimentos da Petrobras. E por falar na estatal brasileira, por concentrar um dos maiores parques industriais e logísticos do país, voltado ao setor offshore, Macaé seguirá atraindo grandes investimentos capazes de modificar até mesmo a realidade de todo o Estado do Rio de Janeiro. Através de uma nova projeção de investimentos anunciados pela Petrobras durante os próximos cinco anos, Macaé será capaz de atrair cerca de 60% do total de R$ 389 bilhões que serão aplicados pela estatal no segmento offshore, dentro e fora do país. Essa projeção representa também a atração de novas empresas, e de mais mão de obra qualificada, fortalecendo o potencial do município e reunir a população com um dos maiores poderes aquisitivos do Estado, capaz de garantir a evolução do comércio varejista e de outros setores, como a especulação imobiliária, a venda de carros e outros bens de consumo e serviços. “Sem dúvida Macaé entra em um dos seus grandes momentos econômicos. A nossa dinâmica do petróleo será capaz de bancar todos os investimentos propostos

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“Sem dúvida Macaé entra em um dos seus grandes momentos econômicos. A nossa dinâmica do petróleo será capaz de bancar todos os investimentos propostos para a evolução da exploração do pré-sal (...)”

para a evolução da exploração do pré-sal. Isso garantirá mais negócios para a nossa cidade, gerando também oportunidades de emprego para a população”, afirmou o presidente do Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico (Fumdec), Francisco Navega. Ainda com grande potencial para apresentar novas descobertas em águas profundas, Macaé busca agora um novo desafio: o de garantir a diversificação econômica. Através dessa proposta, incentivos para a aplicação de investimentos de pequenos e médios empresários em setores não ligados diretamente a indústria do petróleo estão sendo fomentados, o que garante a preservação do sistema econômico do município. “Esse é um desafio que todos os municípios produtores de petróleo enfrentam atualmente. A ideia de diversificar a economia diminui a dependência da cidade em apenas um segmento, garantindo a preservação de todo o sistema mesmo após a era do petróleo”, apontou Navega. Mesmo com todas as dificuldades, Macaé ainda busca a oportunidade de expandir ainda mais a sua imagem no cenário internacional.

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princesa ou rainHa “minHa terra É bonita como um pedaço de lenda” Vou contar uma história Da pequena cidade. Por ser a mesma pequena, Reinava fraternidade... Aldeia de pescadores Onde os Siris, Goiamus, Os peixes da água doce, Os bagres eram comuns Luz elétrica, um luxo! Alguns tinham lampiões, Para os pobres - lamparinas! A fumaça mal cheirosa Assaltava as narinas... Na fazenda Zé de Lima, Pequeno rio passava. Pescavam-se camarões, Lambaris, e até piabas... Na referida fazenda, Farinha de forno torravam... Beiju doce tapiocas, A casa grande lavavam... Vendiam o leite na hora, No curral, de manhãzinha Vinha direto da fonte Que era a teta da vaquinha. Amigos, narro esta história Porque bem perto eu vi A minha mãe trabalhando... Tudo isso eu vi. Vizinhos se reuniam

Noite clara de luar, Para cantar cada estória Os cabelos arrepiar: Era a mula sem cabeça, O menino sarará, Menino de perna só, Faziam, sim, as crianças De veras se assustar... Entre uma e outra história, Em ruínas em casarão Com várias correntes grossas Que serviam de prisão Ao negro escravo fujão; Bem ali, onde está localizado O mercado ABC., Próximo da estação. Contavam, Que quando a noite chegava Ninguém passava por lá; Os gemidos dos escravos, As correntes arrastadas Causavam pavor imenso Dos seus nervos abalar. Contavam muitas coisas outras Onde davam fazer ouvir: “O sapo que virou príncipe, Palácio ao fundo do mar construído em ouro e prata... Essas eram e encantar... E as brincadeiras de roda

As crianças a cantar: Ciranda, cirandinha, Vamos todos cirandar...” O burro guiava o bonde Nos tempos da Jocotó Figura bem popular. Faceira como ela só. Aldeia bem sossegada! Cadeia não havia, não. E para que delegado Sem malfeitores, ladrão? Terra em as lavadeiras Subiam o morro ligeiras, Pés descalços, ou então, Arrastando seus tamancos; Lata dágua na cabeça Mostrando sorriso franco. Macaé muito cresceu! Foi menina, adolescente, Atingiu maior idade; Foi plebéia, foi princesa, Tornou-se agora rainha Cidade que é tão minha! É rainha idolatrada! E continua bonita! De petróleo impregnada, Segue americanizada Com a cidade estilizada, Não mais se vê por aqui Correr na areia rosada:

Caranguejos, tatuís, Pequena concha rosada Que chamam samambís; Ontem se vestiu de chita, Hoje está estilizada. Agora veste com orgulho Trajes de seda rendada. Com o petróleo em Macaé, É estrela sim, Senhor! Na passarela, no Brasil, Mostra ao mundo o seu valor. Minha terra é tão bonita, sob o céu azul anil Num pedacinho de lenda na história do Brasil. Eis amigos, a história da aldeia que surgiu Tão alto, esplendorosa, porque muito evoluiu. Nasci na rua de Santana, na Arueira onde morei, Nos Cajueiros eu vivo. Foi aqui que me criei; Na terra que é minha casa, jamais pretendo esquecer; Meu refúgio nesta vida, enquanto aqui viver!

Leci Dias


Caderno especial O Debate-198 de macaé