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Recebemos ajuda das mães Mamãe, como é o céu? “Papai morreu antes de eu nascer e mamãe, quando eu tinha quatro anos. Já faz tanto tempo, que se não houvesse uma fotografia eu não me lembraria de como ela era. A foto é da minha tia, mas eu posso olhá-la de vez em quando. Eu e minha mãe somos muito parecidas e me sinto bem com isso, pois ela era muito bonita. Mamãe deixou alguns vestidos dela para mim. Não vejo a hora de poder usálos. Gosto de ter alguma coisa que tenha sido da minha mãe, mas ao mesmo tempo acho triste. Eu acredito que a mamãe esteja bem lá no céu. Tento falar com ela

quando eu rezo e sonho com o dia em que nós vamos nos encontrar novamente. O primeiro que eu vou dizer é “Jambo!' (Oi). Depois vou perguntar como ela está. Também vou lhe contar que sinto muitas saudades dela, mas que apesar de tudo vivo bastante bem. Vou lhe contar que as Dunga Mothers me ajudam a comprar o uniforme escolar e os livros, assim posso ir à escola, e que também me dão comida sempre que preciso.” Winnie Awino, 9

Papai era meu melhor amigo

Sem ajuda com as lições

“Papai morreu quando eu tinha nove anos, mas às vezes ainda choro quando vejo sua fotografia. Tenho muitas saudades dele. Juntos, nós plantávamos milho, cana-de-acúcar e outros vegetais. Conversávamos muito enquanto trabalhávamos. Se eu tinha algum problema na escola, sempre podia contar para ele e logo me sentia melhor. Depois de trabalhar na plantação costumávamos ir até o lago nadar. Era super divertido! Eu tenho tantas saudades. Papai era meu melhor amigo. Minha mãe está viva, mas está quase sempre doente. Tenho muito medo de que ela também morra e eu e meus irmãos fiquemos sozinhos no mundo...” Victor Otieno, 14

“Mamãe morreu quando eu era pequena, por isso não me lembro bem dela. Já o papai, morreu no ano passado e tenho muitas saudades dele. Adorava estudar com o papai. Ele me ajudava com os deveres, especialmente de matemática. Era muito bom para explicar coisas complicadas de uma forma que eu entendesse. Agora, ninguém me ajuda, por isso tenho dificuldade em acompanhar as aulas e fico atrasada em relação aos meus colegas. Não tenho nenhum objeto de recordação dos meus pais, o que é uma pena. Adoraria ter alguma lembrança, mas a mulher do papai levou tudo que era dele. A mesa, as cadeiras, as ferramentas, tudo...” Maritha Awuor, 13

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po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  
po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  

Prateep Ungsongtham Hata nasceu em Klong toey, a maior favela de Bangkok. quando tinha dez anos, ela retirava ferru- gem dos navios do porto...