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– Aqui não aprendemos apenas a ler e escrever. Também aprendemos a cultivar verduras e a cozinhar, conta Kea.

Adultos deveriam aprender sobre os direitos da criança! – Aqui, com Prateep, aprendemos muito sobre os direitos da criança. Eu acho muito bom, mas na verdade são os adultos que deveriam aprender sobre nossos direitos. São eles que têm que saber o que é certo e o que é errado, já que são eles que nos prejudicam, diz Kea.

então, eu só tinha que ajudar na limpeza, mas vivia com muito medo e não conseguia dormir. Fuga para sobreviver! Uma noite, o homem que me comprou veio até o meu quarto e disse: 'agora é hora'. Ele tentou fazer coisas feias comigo, mas eu me recusei. Então, ele começou a me bater com um fio elétrico por todo o meu corpo – no meu rosto, nas minhas pernas e costas. Depois desse dia, ele e outros homens vinham ao meu quarto com frequência. Eu tentava me defender, mas não era fácil. Eu só tinha onze anos. – Uma noite, após três meses naquela casa, eu me cansei. Conversei com Pun, que se tornou minha amiga. Decidimos que iríamos fugir na manhã seguinte, enquanto todos dormiam. – Silenciosamente, nós rastejamos até o muro. Eu subi nos ombros da Pun, já que

eu pesava menos, e escalei até o outro lado. Então, abri o portão pelo lado de fora e nós corremos em fuga. – Tínhamos dinheiro suficiente para pegar o ônibus até Bangkok. – Nós fomos até uma feira. Estávamos ali paradas, quando a polícia se aproximou. Eles ficaram desconfiados porque tínhamos marcas roxas e machucados por todo o rosto depois de tantas surras. Quando eles perguntaram o que houve, eu comecei a chorar e contamos nossa história. – Tivemos sorte, pois os policiais eram gentis e tomaram conta de nós. Como eu não tinha família, tive que ficar com a polícia alguns dias. Mais tarde, entrei em contato com Prateep que prometeu cuidar de mim. Ela me deu uma segunda chance na vida. Ganhei um lar e posso até frequentar uma escola! 

Direitos da Criança na Rádio das Crianças! – Os adultos não costumam escutar as crianças na Tailândia. Eles só nos dão ordens sem se preocupar sobre o que pensamos, diz Duang, 14 anos. Em Klong Toey, porém, muitos adultos escutam a rádio comunitária das crianças, que ensina a eles o que são os direitos da criança. Certamente, os adultos nos levam mais a sério quando falamos na rádio! diz Duang às gargalhadas. Em criança não se bate! Cerca de 130.000 pessoas moram em Klong Toey, então a rádio de Jib, Som e Duang tem uma grande audiência! – O rádio é legal porque alcançamos muitas pessoas ao mesmo tempo. Eu sei que muitas crianças no meu bairro apanham. Através do nosso programa de rádio, podemos explicar a todos em Klong Toey, de uma forma simples, que está errado bater em crianças, diz Som, 13 anos.

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09-03-26 12.43.46

po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  

Prateep Ungsongtham Hata nasceu em Klong toey, a maior favela de Bangkok. quando tinha dez anos, ela retirava ferru- gem dos navios do porto...

po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  

Prateep Ungsongtham Hata nasceu em Klong toey, a maior favela de Bangkok. quando tinha dez anos, ela retirava ferru- gem dos navios do porto...