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Kea “não existe”nascimento, por isso

KEA

rtidão de – Eu não tenho ce diz Kea. a escola comum, um a ir nunca pude que prove bres não têm nada Muitas crianças po considera, por isso não são que elas nasceram “existem” para ndesas. Elas não das cidadãs taila s, que outras têm os seus direito as autoridades e , negados. crianças usufruem

fugiu do homem malvado Quando Kea ficou órfã, ela foi mal tratada no vilarejo onde vivia. Ela fugiu para a cidade, entrou para uma gangue e, aos 8 anos, foi condenada a três anos de reclusão numa prisão para jovens. Quando Kea tinha onze anos, sua “madrasta” a vendeu por 50 dólares a um homem. Um tempo terrível a esperava. Hoje, porém, Prateep ajudou Kea a construir uma vida nova.

N

uma cidade próxima ao nosso vilarejo, encontrei outras crianças abandonadas, que se tornaram meus amigos. Morávamos na favela. Cuidávamos uns dos outros e os amigos passaram a ser minha família. Muitas vezes, acabávamos brigando com outras gangues da região. Uma vez, minha melhor amiga esfaqueou uma menina, que ficou gravemente ferida. Quando a polícia perguntou quem tinha feito aquilo, eu disse

que tinha sido eu. Eu adorava minha amiga e ela tinha sua própria família. Eu não tinha ninguém para sentir minha falta se eu fosse presa. A polícia acreditou em mim e fui condenada a três anos de reclusão numa prisão escola para meninas. Eu nunca pensei que a pena seria tão comprida! Como eu só tinha oito anos, era a mais jovem de todas as internas e as mais velhas tomavam conta de mim. Na verdade, o lugar não era bem uma escola, era mais uma

prisão. Não tivemos uma única lição em três anos. Vendida por 50 dólares Quando eu saí da prisão para meninas, retornei aos meus amigos. Alguns dias, porém, eu me sentia tão triste e sozinha que comecei a cheirar cola para esquecer. Um dia, uma mulher e sua fi lha se aproximaram para conversar comigo. Ela disse que era a segunda mulher do meu pai e que vinha me procurando desde que ele morreu. Finalmente, parecia que a minha vida ia melhorar! Um dia, um amigo da minha “madrasta” veio nos visitar. Ele morava perto de Bangkok e disse que precisava de uma doméstica. Minha madrasta sugeriu que eu o acompanhasse e trabalhasse para ele alguns meses para ajudar a trazer dinheiro para

a família. Pensei que estava tudo bem, pois eu sabia que voltaria para casa em breve. Antes de partirmos, o homem deu a minha madrasta 2.000 baht (50 dólares) adiantados. A principio, eu não achei nada estranho, mas logo depois entendi que tinha sido enganada. Logo que chegamos na casa do homem, ele se transformou em uma pessoa rude. Havia um muro bem alto em torno da casa, que parecia assombrosa quase como uma prisão. Eu fiquei com muito medo. Havia outras meninas da minha idade dentro da casa, mas fui proibida de falar com elas. No inicio não entendi que tipo de lugar era aquele, mas depois de um tempo descobri que todas as noites outros homens vinham visitar as outras meninas. Eles entravam nos quartos e forçavam as meninas a fazer coisas nojentas com eles. Até 49

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po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  
po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  

Prateep Ungsongtham Hata nasceu em Klong toey, a maior favela de Bangkok. quando tinha dez anos, ela retirava ferru- gem dos navios do porto...