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– Encontrei meus antigos colegas. Eles iam para a escola vestindo seus belos uniformes. Eu vestia apenas trapos e roupas sujas. Quando me perguntaram por quê eu saí da escola, me senti uma boba e comecei a chorar. Tudo parecia tão injusto. Naquele momento, me decidi. De alguma maneira, eu voltaria para a escola! Prateep entregava à mãe a maior parte do dinheiro que recebia, porém sempre economizava um pouco para ela também. Depois de trabalhar no cais por quatro anos, Prateep conseguiu economizar o bastante para pagar uma escola noturna barata na cidade. – Meu sonho se realizava! Eu estudava à noite e trabalhava no cais do porto de dia. Vivia quase sempre cansada e dormia no ônibus no caminho de ida e volta da escola. Primeira escola! Durante os anos no porto, Prateep conheceu muitas crianças que trabalhavam e tinham uma vida difícil. Nenhuma tinha certidão de nascimento. Prateep pensou que isso era muito injusto. Aos 16 anos, ela decidiu inaugurar sua própria escola! – Eu e minha irmã

Um sex to da las . Oito m populaç ão mundia l mora em ilhões de las vivem milhões d na Tailând favee crianç a ia s tailande tunidade sas não tê . Três de ir à es m c ola . Muita a oportrabalhar s são obri ep g ad as a na prostitu elo menos 3 0 .0 0 0 crianç as iç ão. Para vivem a pobres , P rateep e a judar estas crianç a su s Prateep F oundation a organizaç ão Dua ng , a DPF, fa zem o seg uinte: • 2.500 c rianças po b res recebe para pode m ajuda fin rem frequ anceira entar a es • Nas 15 cola . creches d e P rateep, as leite e alim cri entação n utritiva , alé anças recebem médico e m de trata dentário g mento ratuito. • Uma esc ola para c ri a nç a vas. As fam ílias não tê s com dificuldades au m condiçõ mand ar se es econôm ditius filhos p ara as esc icas de cializadas olas caras para crian e espeças surda de audiçã s e com p o. roblemas • Dois lare s para as c rianças m m a s d e ag ais vulnerá ressão, ab veis uso ou c o drogas, on m problem , vítide elas tê a s com m um a no • C onstro va c h a n c e em bibliote . c a s em vilare crianças p jos e apóia ara que po m as ssam estu especial é dar. Um ap oferecido o io à s meninas pos s a m o , para que bter algum e a renda e no vilarejo assim, perm las . Se a s me a n nec er in correm gra as deixare m sua vila nde risco de termina • O “Banc natal, r na prosti o d o s Po b tuição. res' pobres, q ue não tem empresta dinheiro a os m c o bancos tra mo obter e dicionais. mpréstimo ais • A 'Estaç s nos ão d e R ád io dos Pob crianças s res' permit e façam o e que a s uvir.

 TEXTo: ANDRE AS LÖNN FOTO: PAUL BLOMGREN

O pior dia Um dia, porém, quando Prateep tinha dez anos e acabara de concluir a quartasérie, sua mãe disse que eles não tinham mais condições de mantê-la na escola. – Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Eu não conseguia parar de chorar. Primeiro, Prateep começou a trabalhar em uma fábrica de fogos de artifício, depois em uma fábrica de panelas. Nos dias em que as fábricas não precisavam de sua mão de obra, ela trabalhava no cais. – Eu raspava a ferrugem dos navios de carga. Como era pequena, eu tinha que rastejar debaixo do convés e limpava compartimentos estreitos difíceis para um adulto ter acesso. Era assustador e perigoso, pois não tínhamos nenhum equipamento de segurança. Às vezes, depois de trabalhar o dia todo, o capataz nos dizia que teríamos que continuar à noite também. Muitas crianças usavam drogas para aguentar o trabalho. Algumas noites, eu também usei. Eu me sentia doente, mas, ao menos, ficava acordada. Numa manhã, no caminho para o porto, aconteceu algo que transformou totalmente a vida de Prateep.

No primeiro dia, 29 crianças vieram à escola de Prateep, em pouco tempo havia mais de cem.

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po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  
po Prateep Ungsongtham Hata, Thailand  

Prateep Ungsongtham Hata nasceu em Klong toey, a maior favela de Bangkok. quando tinha dez anos, ela retirava ferru- gem dos navios do porto...