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ATUALIDADES 2007 – PROF RODRIGO BARBATI

I - POLÍTICA – MUNDO O novo secretário-geral da ONU O novo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) será o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Ban Ki-Moon. A escolha foi feita depois que os 192 países da Assembléia Geral ratificaram sua indicação em outubro de 2006. Ele assumiu o cargo no dia 1º de janeiro de 2007 e ficará no posto até dezembro de 2011. Ban Ki-moon será o oitavo secretário geral da ONU desde que foi fundada, há 61 anos. A Europa unificada Iniciado em 2004, com a admissão de antigos países comunistas na União Européia (UE), o processo de unificação do continente europeu foi reforçado a partir de 1º de janeiro de 2007 com a entrada da Bulgária e da Romênia no bloco. Com isso, a maioria dos ex-países comunistas do Leste e do centro da Europa que estavam sob a influência da extinta União Soviética fará parte do bloco europeu, do qual já participam Polônia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Lituânia, Letônia e Estônia (os três últimos países faziam parte da União Soviética).A admissão de Bulgária e Romênia na UE foi aprovada sob condições pelo Parlamento Europeu, que tem sede em Estrasburgo, na França. Os dois países só estarão plenamente integrados ao bloco se avançarem nas reformas já iniciadas. Mesmo assim, a decisão foi saudada pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, como um “êxito histórico” que fortalece o processo de “unificação da família européia”. Agora com 27 membros, a UE abriga uma população de 480 milhões de pessoas. O pedido de entrada de Bulgária e Romênia no bloco já tinha obtido, no início do ano passado, um parecer favorável da Comissão Européia. Mas, como destacava o parecer, a persistência de problemas em diversas áreas, o que dificultava o cumprimento dos princípios do Tratado da União Européia que deve ser respeitado por todos os membros do bloco, recomendava que se desse um prazo adicional para os dois países fazerem as mudanças necessárias, antes de sua admissão na UE. Pelo Tratado da UE, para se tornar membro do bloco, os países precisam garantir a estabilidade das instituições, respeitar o Estado de Direito e os direitos humanos e proteger as minorias. Na economia, eles precisam garantir a existência de uma economia de mercado, assegurar a concorrência, preservar as forças de mercado e praticar políticas fiscais prudentes. Essas exigências estimularam os antigos países comunistas a reformar suas estruturas políticas e suas instituições, respeitar os princípios democráticos e adotar programas de modernização econômica. Reunião de Cúpula dos Países do Mercosul Paraguai, novo presidente do bloco, terá de administrar as divergências entre os membros. O desfecho da Reunião de Cúpula dos Países do Mercosul expôs a saia justa vestida pelo Brasil nos bastidores de um bloco hoje mais político do que econômico. Na reunião de encerramento do encontro, na sexta-feira (19 de janeiro de 2007), no Rio, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi cobrado de forma constrangedora por quase todos os sócios do bloco. Além do presidente do Uruguai, Tabaré Vásquez, que exigiu mais justiça, com a correção das assimetrias do comércio com o Brasil, os representantes do Paraguai e Bolívia fizeram cobranças duras por uma política energética mais justa. Da cobrança de Duarte saiu um acordo bilateral com o Brasil, que permitirá um alívio de US$ 1 bilhão na dívida do Paraguai para financiamento da hidrelétrica Itaipu Binacional. Pleito antigo do governo paraguaio, o alívio agradou aos representantes do país que vai ocupar, até 2009, a presidência temporária do bloco. Na abertura do evento, Lula participou da cerimônia de transferência do comando para Nicanor Duarte, presidente do Paraguai. Na avaliação de especialistas, a tendência é que, a partir de agora, ganhem mais força justamente os temas de maior divergência entre os membros plenos (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), como o reforço do Fundo de Convergência Estrutural (Focen) e a flexibilização da Tarifa Externa Comum (TEC). As duas questões, que dividem Brasil e Argentina, são reivindicadas principalmente por Paraguai e Uruguai, justamente os que mais sofrem com as desigualdades do bloco. Na última reunião, que contou até com representantes da Guiana e do Suriname como observadores, os


discursos evidenciaram o descontentamento que prevalece entre os sócios mais pobres. Ao longo de quatro horas, caiu por terra todo o esforço da diplomacia brasileira nos últimos dias para montar um cenário capaz de convencer a opinião pública de que o bloco avança em favor de uma lenta, porém bem-sucedida, integração regional. Coube ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, muitas vezes de forma irônica, consolidar o tom definitivamente político do bloco. Ao ignorar, por sua vez, a condição de postulante a sócio pleno do bloco, o presidente da Bolívia, Evo Morales, aproveitou o encontro para cobrar do presidente brasileiro o aumento do preço do gás importado pelo Brasil daquele país. O presidente Lula, que chegou a irritar Morales por não tê-lo recebido no primeiro dia, confirmou um novo encontro com Morales, no próximo dia 14 de fevereiro, para negociar o preço do gás importado da Bolívia. "Queremos sócios e não patrões. Não queremos expropriar empresas mas sim entendemos que o estado tem que exercer o direito de propriedade sobre seus recursos naturais". Hugo Chávez governa por decreto na Venezuela A Assembléia Nacional da Venezuela aprovou na quarta-feira (31/01/2007), em sessão extraordinária realizada na praça Bolívar, em Caracas, uma lei que outorga poderes especiais ao presidente Hugo Chávez. A votação dos superpoderes de Chávez estava marcada para ontem, mas foi adiada para hoje para permitir a organização de uma sessão de votação especial, ao ar livre, na capital venezuelana. A medida, chamada Lei Habilitante, dura 18 meses e inclui a permissão de ação por decreto em 11 âmbitos legislativos. Entre os assuntos passíveis de decretos do governo estão a transformação das instituições do Estado, a participação popular, o exercício da função pública, o setor econômico e social, as finanças e tributos, e a seguridade cidadã e jurídica. A lei também permite que Chávez atue sobre o setor energético, fazendo mudanças no setor dos hidrocarbonetos e seus derivados, assim como no setor de gás e serviço elétrico. Além disso, Chávez poderá atuar nas áreas de ciência, tecnologia, segurança e defesa, além de tomar decisões no que diz respeito a infra-estrutura, transportes e serviços. O prazo de 18 meses foi estipulado para que Chávez possa esperar que a reforma da Constituição seja aprovada para então redigir as normas que estruturarão o Estado socialista que deseja implantar na Venezuela. De acordo com o jornal venezuelano "El Nacional", que cita fontes parlamentares, durante os primeiros meses, os decretos-lei redigidos pelo Executivo estarão adequados à Constituição de 1999. Em uma consulta popular para a aprovação das reformas da Constituição, alguns deputados apontaram que o prazo para as mudanças pode ser setembro de 2007. Assim, Chávez teria tempo suficiente para adequar a legislação ao modelo político que pretende implementar. No entanto, a previsão é que o instrumento legal relacionado com o novo sistema de Estado será promulgado até o final de 2007 ou o início de 2008. Segundo o parlamentar Dario Vivas, embora a nova lei dê poderes especiais ao chefe de Estado, o Palácio Legislativo prosseguirá em pleno exercício de suas atividades. Em sua opinião, qualquer tentativa de enxergar o contrário é uma maneira de tentar "manipular o povo venezuelano". A medida é parte de uma estratégia que centraliza o poder na figura de Chávez. O presidente afirmou que, em seu mandato, pretende retirar a autonomia do Banco Central da Venezuela, eliminar o limite de reeleições para a Presidência e formar um partido único a partir dos grupos que apóiam o governo. "A Lei Habilitante transforma o presidente da República da Venezuela em um imperador --o imperador Chávez", disse Teodoro Petkoff, líder de uma dividida oposição que fracassou em impedir o acúmulo de poder do presidente. Apesar do boom econômico que vive a Venezuela (em grande medida devido aos lucros com o petróleo), Chávez afirma que precisa de mais poder para acelerar sua "revolução socialista", que ele começou assim que assumiu o poder em 1999. Auxiliares do presidente prevêem que até 60 leis poderão ser implementadas por decretos. Com uma grande popularidade entre os mais pobres por seus gastos com escolas e clínicas médicas em favelas e vilas rurais (sustentados, mais uma vez, pelo petróleo), Chávez não deixou claro os detalhes de seu plano econômico para o país. Ações da bolsa de Caracas perderam mais de um quarto de seu valor desde que Chávez anunciou a nacionalização de empresas neste mês.

Sérvia rejeita plano para Kosovo Governantes sérvios rejeitaram o plano apresentado pela ONU, no início de fevereiro de 2007, em Belgrado e em Pristina, sobre o futuro de Kosovo, enquanto representantes da Província de maioria albanesa acolheram as propostas, afirmando que elas marcam o "início da fase final do processo rumo à


independência". O plano, desenhado pelo intermediador da ONU, Martti Ahtisaari, não menciona a palavra "independência" ou "soberania", mas permite que Kosovo estabeleça uma Constituição própria e que apresente sua candidatura para integrar organismos internacionais, direito normalmente reservado a Estados soberanos. O território está sob a administração da ONU há oito anos, desde a intervenção militar da Otan, a aliança comandada pelos Estados Unidos, em favor dos kosavores, vítimas de perseguição por parte de Belgrado. Governantes sérvios criticaram o plano, afirmando que ele é "injusto". Tomislav Nikolic, líder do partido vencedor das últimas eleições sérvias, o Radical, disse que um Kosovo independente levaria a Sérvia a declará-lo como "território ocupado". Ele afirmou que está pronto para começar uma nova guerra. Os radicais são os herdeiros do ditador Slobodan Milosevic, que morreu em Haia (Holanda) durante seu julgamento em tribunal internacional por genocídio nas guerras que se seguiram à implosão da antiga Federação Iugoslava, nos anos 1990. O presidente sérvio, Boris Tadic, também rejeitou o plano da ONU, afirmando que ele "abre possibilidades de independência"."A Sérvia e eu, como seu presidente, nunca aceitaremos a independência de Kosovo", afirmou Tadic. Segundo Tadic, a proposta "não menciona explicitamente a independência de Kosovo, mas também não menciona a integridade territorial da Sérvia". Apesar de afirmar que a proposta "não contém tudo que era esperado e pedido", os representantes de Kosovo receberam bem o plano da ONU e pediram independência. "O processo acabará logo e converterá Kosovo em um Estado independente com todas as garantias necessárias para todos os que vivem lá, sobretudo para a comunidade sérvia", afirmou o presidente de Kosovo, Fatmir Sejdiu. Os sérvios, cristãos ortodoxos, representam 7% da população da Província e há temores de que as propostas possam elevar tensões entre eles e a maioria étnica albanesa, muçulmanos seculares. O Departamento de Estado dos EUA classificou as propostas como "justas e balanceadas". A União Européia também saudou o novo plano, que prevê que a Província possa formar um Exército limitado, um Judiciário independente e possuir bandeira própria. De acordo com o documento, Kosovo continuará a ser governado por um "representante civil" estrangeiro, apontado pela União Européia e pela Otan. O plano não estipula uma data para que o poder seja entregue aos kosovares. Ahtisaari pediu que Sérvia e Kosovo conversem sobre suas propostas e apresentem sugestões. "Eu espero integrar ao plano soluções a que cada parte pode chegar, e então, finalmente submetê-lo ao Conselho de Segurança da ONU", disse Ahtisaari. O mediador da ONU afirmou que gostaria de apresentar as propostas em março ao órgão, que deve tomar a decisão final sobre a aplicação do plano. No Conselho de Segurança, o plano enfrenta mais um obstáculo para ser aprovado: a Rússia - que tem poder de veto- é aliada da Sérvia e rejeita a independência da Província. Hamas e Fatah disputam hegemonia na ANP A violência explodiu novamente entre os militantes do Hamas e do Fatah. Desta vez o cenário da tragédia foi a faixa de Gaza, território sob controle da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Parece difícil entender essa guerra protagonizada por dois partidos palestinos. Cenas de fuzilamento com exibição de corpos mutilados, invasão de prédios públicos e trocas de tiros entre militantes. De fato, o que está em jogo, mais que a luta pelo domínio territorial, é a disputa pela hegemonia palestina. Nessa queda-debraço entre os dois partidos, o ponto central do embate é o Estado de Israel. Mahmoud Abbas presidente da ANP e líder do Fatah, defende o diálogo com Israel com vistas a uma convivência pacífica. Ismail Haniyeh, líder do Hamas e premiê da ANP, opõe-se à negociação e é partidária da destruição do Estado judeu. Desde sua criação por Iasser Arafat em 1959, o Fatah defendia abertamente a destruição de Israel. Somente a partir de 1974, quando o líder palestino foi recebido nas Nações Unidas com honras de chefe de Estado, passou a trilhar o caminho da diplomacia. Após a assinatura do Acordo de Oslo em 1993, que lhe rendeu o Nobel da Paz, o líder do Fatah reconheceu o direito de existência de Israel e passou a defender por meio do diálogo a criação de um Estado para seu povo. O Hamas, Movimento de Resistência Islâmica, surgiu em 1987 por ocasião da primeira Intifada (rebelião, em árabe). Defende desde sua criação a destruição do Estado de Israel e o estabelecimento de um Estado teocrático na palestina histórica, ou seja, "do Mediterrâneo ao Jordão". Contrário ao Acordo de Oslo, que reconhece Israel, o Hamas se converteu num inimigo declarado do Fatah, recusando-se sistematicamente a aceitar as negociações com Israel. Rotulado pelos EUA e por Israel como terrorista, o Hamas responde com radicalismo e violência. Desde sua vitória nas eleições de janeiro de 2006, intitula-se o legítimo representante dos mais de 1 milhão de palestinos confinados na faixa de Gaza. No ímpeto de isolar e punir o Hamas que, referendado pelo voto, assumiu o controle da ANP, Israel e EUA enfraqueceram Abbas e o Fatah. Terrível equívoco que, além de vidas palestinas e israelenses, pode sacrificar o sonho e a esperança de uma paz definitiva para a região.


25 anos da Guerra das Malvinas Em 2 de abril de 2007, uma estranha comemoração ocorreu na cidade de Ushuaia, a capital da província da Terra do Fogo, na Argentina. Comemorava-se a fracassada invasão que aquele país promoveu às ilhas Malvinas/Falkland, 25 anos antes. Ao mesmo tempo, reafirmava-se a disposição argentina de retomar, agora por meios diplomáticos, essas ilhas que são um território administrado pelo Reino Unido desde 1833. Deixando de lado qualquer juízo de valor acerca da reivindicação argentina sobre as ilhas, que se localizam a 483 km de seu litoral sul, a história da Guerra das Malvinas merece de fato ser rememorada, pois ela encerra várias e importantes lições políticas, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Em termos nacionais, a Argentina de 1982 vivia sob uma ditadura militar, estabelecida por um golpe de Estado em 1976. O regime já estava desgastado, especialmente pela crise econômica a que arrastara o país. Nesse sentido, o ataque às ilhas foi uma forma de estimular o nacionalismo dos argentinos, angariando simpatias ao governo do general Leopoldo Galtieri e canalizando os descontentamentos para um inimigo externo, no caso os ingleses. A princípio, as ilhas eram um alvo fácil, pois não contavam com forças defensivas e a ocupação foi um verdadeiro piquenique. O que os militares argentinos não esperavam era que o Reino Unido, embora também enfrentasse problemas econômicos e na política interna, resolvesse revidar o ataque e lutar pelo que considerava um direito seu. Na época, o país era governado por Margaret Tatcher, a chamada Dama-de-Ferro, que já havia enfrentado uma ferrenha resistência interna, para retirar, com medidas duríssimas, a Inglaterra da crise em que vivia. Ela simplesmente não demonstrou o menor receio de recorrer a uma reação armada e despachou de imediato as poderosas forças navais britânicas para o Atlântico Sul.Resultado: dois meses depois, em 14 de junho, a bandeira do Reino Unido ou Union Jack tremulava sobre a cidade de Stanley, a capital das ilhas Falkland. Nos combates navais e aéreos, morreram 649 argentinos e 258 britânicos. Mas isso não foi tudo: a derrota militar acabou com qualquer prestígio da ditadura argentina, que enviou jovens recrutas mal equipados para um lugar inóspito, onde enfrentaram forças armadas bem preparadas e altamente profissionais. Irã anuncia urânio "em escala industrial" O Irã anunciou em abril/07 ter iniciado a produção de combustível nuclear "em escala industrial", acirrando sua área de atritos com os Estados Unidos, a União Européia e o Conselho de Segurança da ONU, que já votou duas resoluções contra seu programa atômico. O anúncio foi feito pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, na usina de enriquecimento de urânio de Natanz, localizada a 300 km ao sul de Teerã. Ele disse "anunciar orgulhosamente" que seu país passava a integrar o clube restrito dos que produziam o combustível. No ano passado, o regime islâmico anunciou estar enriquecendo urânio experimentalmente, por meio de 164 centrífugas. O principal negociador nuclear do Irã, Ali Larijani, disse ontem que já eram 3.000 os aparelhos instalados e que todos eles já haviam recebido o urânio sob a forma de gás para começarem a operar.Um diplomata local disse à agência Isna que inspetores da ONU poderiam confirmar o fato na visita que farão a Natanz, dentro de 20 dias. As instalações são subterrâneas para evitar a destruição durante eventual bombardeio americano ou israelense e têm espaço, segundo os iranianos, para 54 mil centrífugas. Caso disponham de 3.000, diz a agência Reuters, o país poderia teoricamente dentro de um ano juntar combustível o bastante enriquecido para produzir uma bomba atômica. Ahmadinejad disse que seu país não se curvaria às pressões para interromper o enriquecimento, reiterando ser esse um direito assegurado pelo TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear). Mas o organismo da ONU que faz o monitoramento do tratado, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), afirma que o Irã não deu garantias de que, conforme argumenta, pretende utilizar seus reatores apenas para a produção de eletricidade. Há duas pendências do Irã com o Conselho de Segurança, as resoluções 1.737 e 1.747. A primeira, votada em 23 de dezembro de 2006, proibia o país de importar componentes que pudessem ser utilizados em reatores e mísseis. A segunda, de 24 de março de 2007, proibiu o país de importar armas e vetou as operações externas do Banco Sepah, de propriedade estatal. O texto também prevê limitações para a concessão de vistos a funcionários do escalão técnico ligados direta ou indiretamente ao programa nuclear. No mês passado, o Irã qualificou as resoluções de "ilegais" e disse que limitaria sua cooperação com a AIEA. A 1.747 ainda estipulou que até o final de maio de 2007 o Irã deveria interromper toda atividade de enriquecimento de urânio. Ou seja, o oposto do que foi anunciado pelo Presidente Ahmadinejad. Al Qaeda reivindica ataques que mataram 23 na Argélia


A rede terrorista Al Qaeda reivindicou na quarta-feira 11/04/07 a autoria do duplo atentado que matou ao menos 23 pessoas em Argel. Um dos ataques -- supostamente uma ação suicida-- atingiu o prédio que abriga o escritório do premiê argelino Abdelaziz Belkhadem. A Organização Al Qaeda no Maghreb Islâmico assumiu a autoria das ações, de acordo com a rede de TV Al Jazeera. A autenticidade do comunicado não pode ser confirmada.

Boris Ieltsin e o fim da URSS O ex-presidente russo Boris Ieltsin, morto a 23 de abril de 2007, foi protagonista de um dos fatos mais importantes da recente história mundial: o fim da União Soviética. Esse Estado se originou da revolução socialista na Rússia, em 1917, e se estabeleceu em 1922, ao fim de uma longa guerra civil. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (CCCP, em russo) tornou-se uma federação de 15 repúblicas multiétnicas, sob supremacia russa. Foi o primeiro país do mundo a adotar esse regime políticoeconômico e, nesse sentido, um imenso laboratório onde se puseram a prova as teorias do socialismo científico. Porém, ao contrário do que preconizava Karl Marx, cujas idéias orientaram os socialistas russos, a revolução que deveria a acabar com a sociedade de classes e instituir uma utopia igualitária, a partir da ditadura do proletariado, transformou-se rapidamente na ditadura de um partido único, nas mãos de suas primeiras lideranças, Lênin e, depois, Stálin. Na União Soviética, partir da década de 1970, o planejamento econômico, pilar do regime socialista (por oposição ao livre-mercado) começou a dar sinais de esgotamento. O controle rígido da economia pela burocracia estatal gerou estagnação em vez de crescimento. O Estado determinava o que e quanto produzir, onde comprar matérias-primas, qual o preço das mercadorias e o salário dos trabalhadores. Aos poucos, o desabastecimento até de mercadorias de primeira necessidade tornou-se a regra da economia soviética. Nesse pano de fundo, em 1985, subiu ao poder Mikhail Gorbatchov, aos 54 anos de idade. Tratava-se de um governante muito jovem pelos padrões da burocracia soviética. Tratava-se também de um político que via necessidades de reformas para evitar o colapso de seu país. Gorbatchov procurou promover uma reestruturação ("perestroika", em russo) da economia, desmilitarizando-a e descentralizando-a. Introduziu elementos da economia de mercado na União Soviética, abrindo-a ao capital estrangeiro, promovendo privatizações e fechando empresas deficitárias. Nesse sentido, talvez tentasse repetir a Nova Política Econômica, com que Lênin, nos anos 1920, reintroduziu elementos capitalistas na economia soviética para preservar o regime. Ao contrário de seu ilustre antecessor, Gorbatchov promoveu simultaneamente uma abertura política, a que chamou de "glasnost" (transparência, em português). Com ela, restabeleceu-se o pluripartidarismo, aboliu-se a censura, e libertaram-se presos políticos, além de se incentivar a liberalização dos regimes dos países do Leste Europeu, onde a economia planejada também fracassava e a insatisfação popular aumentava dia a dia. No entanto, as medidas não foram suficientes para reverter a crise econômica do país e Gorbatchov começou a perder popularidade. Aproveitando-se disso, antigas lideranças do Partido Comunista aliados a chefes militares tentaram dar um golpe de Estado em agosto de 1991. Foi justamente Boris Ieltsin quem assumiu a liderança da população contra o golpe, entrincheirando-se no Parlamento soviético e mostrando-se determinado a resistir da maneira que fosse necessária. Diante dessa inesperada reação popular, os golpistas acabaram por libertar Gorbatchov que retomou o comando da União. Ieltsin, por sua vez, foi eleito presidente da Rússia, a principal das repúblicas soviéticas. Em momentos de ruptura, o ritmo dos acontecimentos históricos se aceleram: em setembro de 91, a Lituânia, a Estônia e a Letônia se proclamaram independentes da União Soviética. Em dezembro do mesmo ano, a Rússia, a Ucrânia e a Bielo-Rússia (atual Belarus) se reuniram numa Comunidade de Estados Independentes. Diante disso, na prática a União Soviética não existia mais. Gorbatchov renunciou e declarou a extinção da URSS no último dia do ano.

Ieltsin

conseguiu manter-se à frente do governo russo até 1999, mas sua gestão destruiu a imagem heróica de estadista que adquirira com os acontecimentos que puseram fim a URSS. Exerceu o poder de maneira autoritária e populista, não conseguindo resolver os problemas da Rússia: pelo contrário, o país mergulhou no caos econômico e o crime organizado se desenvolveu intensamente. Enfraquecido no plano político e com a saúde abalada (também devido aos seus excessos alcoólicos que se tornaram notórios), Ieltsin renunciou em 31 de dezembro de 1999, nomeando para seu lugar

Vladimir Putin, que governa a Rússia autocraticamente até hoje. Com a garantia de que


não seria processado por seus desmandos, o líder da resistência de 1991, desapareceu de cena para entrar na história. Eleições na França Em 29/04/07, na volta às urnas valendo o cargo de presidente, confirmou-se a tendência conservadora dos eleitores. Novamente, a política mais social da esquerda foi escanteada. A plataforma de Nicolas Sarkozy, o novo presidente, é velha: linha dura com os imigrantes – leia-se xenofobia – e promessas de reforma do Estado ultrapaternalista, visando maior adequação da pouco competitiva economia da França; e o reparo das relações bilaterais com os Estados Unidos, que vêm enfrentando atritos sérios desde a invasão do Iraque, há quatro anos. Dessas promessas, é bem provável que Sarkozy só conseguirá aumentar a xenofobia. Mesmo assim, trazendo pouca novidade, embora maior sofrimento aos imigrantes. Nada mais deverá mudar no país que perde mercados, não consegue aumentar a oferta de empregos, afunda cada vez mais na dívida criada por seus programas sociais, e – insulto maior para uma nação que ainda se vê com a grandeza de um império – não será tratado como parceiro igualitário pela maior potência do planeta. Aos socialistas cabe lamber as feridas, deixar de ilusões e aproveitar o momento para recolher idéias efetivas para a reforma que a nação necessita. Nicolas Sarkozy não será o homem que mudará os rumos da França, mesmo porque não tem planos realistas e é pragmático o suficiente para saber que tentativas de mudanças de modus vivendi local costuma trazer revolta e perdas de eleições futuras. “A França, como um todo, não quer mudar. É profundamente reacionária, no sentido de manter seu estilo de vida intocável. E é justamente isso que está matando a economia e o próprio bem-estar social dos cidadãos”, diz Juan García Montoya, do Instituto de Relações Internacionais de Nova York. Montoya é analista dedicado aos assuntos franceses e vê em Sarkozy apenas a continuação da política do presidente que parte, Jacques Chirac. “Até mesmo a animosidade contra os americanos vai continuar em patamares altos, ainda que não atinja a emolição da época pré-invasão iraquiana”, diz. Ele e outros analistas prevêem que não haverá mudanças na rede assistencialista do Estado e que a mobilidade do setor trabalhista continuará congelada, como sempre. “A economia globalizada, para o bem ou para o mal, transformou o mundo e não perdoa mais modelos como o da França. O problema é que Sarkozy não é Margaret Thatcher e a França do ano 2007 não é a GrãBretanha dos anos 80. Ou seja: o país não deixará que se façam mudanças estruturais em sua economia e o novo presidente nem sequer tem a força para tentar empurrar o remédio goela abaixo do paciente”, diz Montoya. A paralisia econômica francesa enche a sociedade de frustrações. O modo de lidar com esta insatisfação é achar um bode expiatório. Para este papel sempre foram escalados os chamados “estrangeiros”, aqueles que imigraram, ou mesmo os que nasceram no território francês, mas têm tom de pele mais escuro: os pied noirs. “Nascí em Paris, meus pais são de Lyon e minha família imigrou da Argélia há 50 anos. Mesmo assim, não sou considerado verdadeiramente francês. E às pessoas como eu resta apenas o sistema pífio de ajuda social e seguro desemprego, sem que se consiga trabalho”, já explicara Alan Ksentini, um dos líderes das revoltas raciais juvenis iniciadas em 2005 nas periferias pobres de Paris. Enquanto não se criar trabalho para os milhões de Ksentini na França, a xenofobia só servirá mesmo como bandeira eleitoreira e a manutenção do status quo. Enquanto isso, no Palácio de Elysée, mudam-se as abelhas, mas o mel continua o mesmo. O fim da Era Blair na Inglaterra O Reino Unido tem uma tradição de autofagia com seus grandes líderes. Em julho de 1945, nas primeiras eleições gerais em dez anos, o eleitorado britânico resolveu tirar da Downing Street nº 10 o grande vitorioso da Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro conservador Winston Churchill, dando a vitória à oposição trabalhista. Em 1990, a cúpula do Partido Conservador derrubou, com uma moção de desconfiança, a primeira-ministra Margaret Thatcher, que em uma década de poder não apenas resgatara a Grã-Bretanha do declínio econômico como criara um novo paradigma macroeconômico mundial, o chamado neoliberalismo. Agora, quando o primeiro-ministro trabalhista Tony Blair completa dez anos no cargo, o país vive uma longa fase de prosperidade, queda no desemprego, sensíveis melhorias sociais e pacificação na convulsionada Irlanda do Norte. Mas Blair amarga um dos piores índices de aprovação da história britânica: apenas 22% dos seus concidadãos apóiam sua gestão. E tudo por causa do que talvez tenha sido a única grande decisão equivocada de seu governo: o apoio incondicional aos Estados Unidos e o envio de tropas britânicas ao Iraque, contrariando a imensa maioria dos britânicos. Em junho de 2007, o combalido líder trabalhista renunciou em favor do ministro


das Finanças, Gordon Brown. A chegada do então jovem Tony Blair ao poder, em 1º de maio de 1997, representou a primeira vitória do Partido Trabalhista desde 1976. “O Labour era praticamente um partido em extinção quando ele assumiu. Estamos falando de uma legenda que não ganhava uma eleição havia duas décadas e que, com Blair, pela primeira vez em sua história, obteve três mandatos consecutivos”, diz Chris Pierson, do Centro de Estudos em Política da Universidade de Nottingham. Logo no início de seu mandato, o dinâmico Blair conquistou corações e mentes britânicos ao convencer a família real britânica a se juntar ao povo nas homenagens à princesa Diana, morta em acidente automobilístico em Paris pouco depois da ascensão dos trabalhistas. O primeiro-ministro, que captou a comoção popular com a tragédia, cunhou a expressão “princesa do povo” e venceu as resistências da rainha Elizabeth II, que fez um pronunciamento à nação e concedeu a Diana funerais de Estado (o episódio é narrado no recente filme A rainha, de Stephen Frears, que deu o Oscar de melhor atriz a Helen Mirren, no papel de Elizabeth II). O governo de Blair também obteve um acordo de paz definitivo na Irlanda do Norte, onde o Reino Unido enfrentava a insurgência do Exército Republicano Irlandês (IRA) desde 1969, com mais de três mil mortos. O acordo de paz culminou num governo de unidade entre os adversários históricos Gerry Mulligham, líder do Sinn Fein, e Ian Paisley, líder dos protestantes unionistas. Por fim, a década trabalhista representou uma ruptura com o rígido monetarismo thatcherista, com aumento de investimentos em educação e saúde e a criação do salário mínimo. “O problema é que talvez a única grande decisão errada tomada por Blair (a participação na invasão do Iraque) poderá ser o sinônimo de seu legado”, conclui o professor Pierson. Restos mortais do engenheiro da Odebrecht são encontrados no Iraque O silêncio tomou conta de um apartamento da rua Santo Antonio, no centro de Juiz de Fora, em Minas, na segunda-feira 11/06. Neste endereço moram os pais do engenheiro João José de Vasconcellos Jr., seqüestrado enquanto viajava de Baiji para Bagdá, no Iraque, em 19 de janeiro de 2005. O senhor João, de 75 anos, e a senhora Lourdes, de 80, choram a morte do filho desaparecido há dois anos e cinco meses. Apesar de todas as evidências em contrário, eles ainda tinham esperança de encontrar o João vivo”, diz Isabel de Vasconcellos, irmã do engenheiro. A sensação de alívio se deve unicamente à possibilidade de, enfim, a família poder dar a João o mínimo: um enterro cristão. Dona Lourdes está inconsolável, mas agora poderá rezar para a alma do filho que morreu. Nos últimos anos, ela convivia com notícias falsas e que se desmentiam continuamente, de forma que era como se o filho morresse e renascesse várias vezes. Ninguém agüenta isso. O drama de todos os parentes começou a chegar ao fim há pouco mais de uma semana, quando o Exército americano comunicou à embaixada brasileira que “forças aliadas tinham recebido um corpo sem identificação, no Iraque, e que havia suspeita de que poderia ser o do João”, conta Isabel. Imediatamente, os restos mortais foram enviados para perícia através de reconhecimento de código genético na base de identificação dos Estados Unidos, no Kuait. Após a confirmação, a embaixada brasileira – que acompanhou o processo – emitiu certidão de óbito dia 11/06/07 e o repatriamento para o Brasil foi feito dois dias depois. João foi sepultado no cemitério Jardim da Saudade, em Juiz de Fora, na sexta-feira 15/06. Vasconcellos Jr. trabalhava na construção de uma usina termelétrica pela empreiteira Norberto Odebrecht, no Iraque. Seu desaparecimento foi noticiado em primeira mão no Brasil pelo colunista Cláudio Humberto, que, em seu site no dia 26 de março de 2005, informou que se encontrava em Brasília um ex-embaixador da Jordânia com documentos de Vasconcellos. Desde seu desaparecimento, em 19 de janeiro daquele ano, quando o carro em que estava a caminho do aeroporto foi atacado por um comboio, muitos movimentos foram orquestrados pela família, autoridades e personalidades brasileiras para localizar seu paradeiro. Não oficialmente, cogitou- se que o grupo de terroristas que assumia o atentado teria pedido R$ 400 mil à construtora para entregar o cadáver do engenheiro – o que não teria sido aceito – supostamente morto no momento da emboscada. Isabel faz questão de agradecer aos apelos humanitários gerados por brasileiros e também no Iraque para encontrar seu irmão. “Chegamos ao desfecho dessa tragédia graças às ações humanitárias realizadas. Agradecemos a todos”, disse ela. Guerra fria sobre o Ártico Em 2 de agosto de 2007, dois batiscafos russos, Mir 1 e Mir 2, retornam à superfície, após fincarem uma bandeira russa de titânio inoxidável na vertical do Pólo Norte, a 4.261 metros de profundidade. A bordo do Mir 1, Artur Tchilingarov, vice-presidente da Duma (parlamento de seu país) e renomado explorador polar, compartilha a descoberta: “Há cascalhos amarelados. Não se vê nenhuma criatura nas profundezas”. Antes de acrescentar: “Tocar o fundo do mar em uma profundidade dessas é como dar o


primeiro passo sobre a Lua”. Na superfície, alguns remoinhos agitam as águas negras e geladas. Se, do lado russo, não se esconde a alegria, outros atores da cena internacional manifestam uma indisfarçável irritação diante dessa política de fato consumado. O ministro canadense das Relações Exteriores, Peter Mackay, ironiza: “Não estamos no século 15. Não se pode percorrer o mundo, fincar bandeiras, e dizer: ‘Reivindicamos este território’” . E o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Tom Casey, acrescenta: “Hastear uma bandeira no fundo do mar não tem nenhum significado jurídico”.O Ártico é um mar cercado de terra: uma espécie de Mediterrâneo do Norte. Os dois pólos, o magnético e o geográfico, flutuam entre águas. Pilotada pelo Instituto Russo de Pesquisa Ártica e Antártica (IAARI), e realizada por ocasião do Ano Polar Internacional, que teve início em março deste ano, a expedição russa tinha uma dupla missão: observar as mudanças de temperatura, salinidade e velocidade das correntes e, principalmente, provar a continuidade desses fundos marinhos com a plataforma continental russa. Localizado em águas internacionais, o Pólo Norte pertence a todo o mundo — portanto, a ninguém. É regido pela Convenção Internacional do Direito do Mar, da Organização das Nações Unidas (ONU), que declara serem os fundos marinhos, situados além das jurisdições nacionais, “patrimônio comum da humanidade”. Assinada em 1982 e ratificada no final de 1994, essa convenção estabelece a soberania de um país, na superfície do mar, em 12 milhas marítimas (22,2 km), contadas a partir da costa. Também considera como sua zona econômica exclusiva (ZEE), incluindo os recursos submarinos, uma faixa maior, de 200 milhas (360 km). No entanto, essa zona pode ser ampliada se os limites externos da plataforma continental se estenderem mais além. Portanto, se conseguir demonstrar que a Dorsal Lomonosov – cadeia submarina de 2 mil quilômetros, que se estende sob o Pólo Norte, ligando a Sibéria à ilha canadense de Ellesmere e à Groenlândia – é geologicamente russa, Moscou poderá explorar esses fundos marinhos. Além do prestígio, da proeza científica e tecnológica, há substanciosos interesses econômicos e geopolíticos em jogo. Um estudo da agência governamental norte-americana US Geological Survey estima que 25% das reservas mundiais de hidrocarbonetos estão localizadas ao norte do círculo polar . Um novo eldorado, que os países costeiros – Rússia, Estados Unidos, Canadá, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Islândia – poderiam reivindicar e explorar, sob condição de que sua plataforma continental entre no jogo de extensão territorial. Durante muito tempo, a Rússia foi a única a tentar fazer valer os seus direitos. Em dezembro de 2001, Moscou já tinha formulado uma primeira petição à Comissão sobre a Delimitação da Plataforma Continental da ONU, que, por sua vez, requereu estudos complementares. Foram estes que resultaram no espetáculo Mir 1 e Mir 2. Até então, a comunidade internacional não via nenhum interesse econômico nessas imensidões geladas. Mas os recursos mundiais de gás e petróleo estão se esgotando, e o aquecimento do planeta torna o Pólo Norte potencialmente mais viável.

Protestos reúnem 30 mil contra governo de Mianmar Os manifestantes estão sendo liderados pelos monges da Aliança dos Monges Budistas da Birmânia, que protestaram pelo oitavo dia consecutivo, em setembro de 2007, contra o governo militar. O protesto está sendo considerado o maior nos últimos 20 anos. Pelo terceiro dia seguido, um grupo de monges tentou visitar a líder da oposição pró-democracia, Aung San Suu Kyi, que está em prisão domiciliar desde 2003. Como aconteceu no domingo, quando 20 mil pessoas saíram às ruas, os policiais impediram o encontro ao não permitirem que os monges passassem pelo cerco à casa da líder.De acordo com analistas, o futuro das manifestações é imprevisível. Até agora, os generais no poder não têm reagido, mas há receios de que se repita o episódio de violência ocorrido em 1988, quando o último levante pródemocracia terminou com a morte de 3 mil pessoas. Os monges são muito respeitados no país e qualquer ato violento contra eles poderia provocar revolta da população. O embaixador britânico em Rangoon, Mark Canning, disse que os líderes do país estão vivendo em um "território sem lei". "As demonstrações podem acalmar ou, então, provocar uma reação que poderia resultar num desatre", disse Canning, em entrevista à BBC. Durante os protestos desta segunda-feira, os monges carregaram cartazes pedindo reconciliação nacional e melhores condições de vida para o povo. Como parte dos protestos, os organizadores pedem que toda população de Mianmar pare para rezar em frente às suas casas durante 15 minutos, às 20h. Em um comunicado divulgado na sexta-feira passada, os monges prometeram continuar os protestos até conseguirem "varrer a ditadura militar do país". As manifestações em Mianmar começaram por causa do aumento nos preços dos


combustíveis no mês passado, mas agora os monges querem que o governo entregue o poder. Ativistas pró-democracia iniciaram os protestos contra o governo, resultando na prisão de dezenas. Os monges aderiram ao movimento quando soldados do governo usaram a força para acabar com um protesto pacífico na cidade de Pakokku, no dia 5 de setembro de 2007. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que os Estados Unidos estão "observando com muita atenção" os protestos e criticou o que chamou de "regime brutal" de Mianmar. "O povo de Mianmar merece mais que isso. Eles merecem ter o direito de viver em liberdade, como qualquer outro povo", disse Rice.

Nobel da Paz para Al Gore e para o painel da ONU para as alterações climáticas (IPCC) O Nobel da Paz foi atribuído na sexta-feira (12/10/07) ao antigo vice-presidente norte-americano Al Gore e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU pelos esforços para aumentar o conhecimento sobre mudanças climáticas. O comitê Nobel norueguês justificou a atribuição do prêmio “pelos esforços de recolha e difusão de conhecimentos sobre as mudanças climáticas provocadas pelo Homem e por terem lançado os fundamentos para a adoção de medidas necessárias para a luta contra estas alterações”. Na sua declaração, o comitê norueguês saudou o trabalho individual de Gore, salientando o fato de ter feito mais do que qualquer outro para criar um entendimento global sobre a necessidade de se adotarem medidas para impedir uma deterioração maior do clima. Já sobre o IPCC, o comitê louvou o trabalho à larga escala feito para criar um consenso mundial das medidas que precisam ser adotadas. O Nobel - um diploma, uma medalha de ouro e um cheque de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,08 milhões de euros) - será entregue aos dois premiados em Oslo em 10 de Dezembro, data do aniversário da morte do fundador do prêmio, o sábio e filantropo sueco Alfred Nobel, que inventou a dinamite.

Cristina Kirchner é eleita presidente da Argentina Com mais de 93% das mesas eleitorais apuradas, os números indicam que a peronista, senadora por

Cristina Fernandes de Kirchner, 54

Buenos Aires e primeira-dama , tornou-se nesta segunda-feira (29/10/07) a primeira presidente eleita da história da Argentina. Ela assume em 10 de dezembro, para um mandato de quatro anos, depois de uma campanha marcada pela apatia e de uma votação conturbada por atrasos e suspeitas de fraude. Até as 7h locais (8h de Brasília), Cristina

44,63% dos votos, contra 23,1% da oposicionista Elisa Carrió e 16,99% do exministro Roberto Lavagna. O resultado é suficiente para dar já no primeiro turno a vitória para tinha

a mulher do atual presidente, Néstor Kirchner. Cristina torna-se assim a primeira mulher eleita presidente na Argentina, país em que 30% dos eleitores declararam que jamais votariam numa candidata feminina. De 1974 a 76, o país havia sido governado por Isabelita Perón, que não foi eleita: assumiu após a morte do marido, Juan Domingo Perón. Na noite de domingo, bem antes de a apuração indicar sua vitória, a primeira-dama já havia se declarado vencedora. Em um discurso emocionado, antes mesmo da admissão de derrota dos demais candidatos, ela agradeceu os votos e conclamou os argentinos à união e disse que vai tentar manter o forte crescimento econômico, principal trunfo da campanha e do atual governo. Em um hotel no centro de Buenos Aires, Cristina falou e foi interrompida diversas vezes pelos aplausos de militantes. Elogiou e agradeceu diversas vezes a Néstor. Frisou que ganhou talvez com a maior diferença de votos entre o primeiro e o segundo colocado desde a redemocratização do país, em 1983. "Isso só aumenta minha responsabilidade." Uma das chaves da vitória foi o grande número de votos na província de Buenos Aires, o maior distrito do país e que concentra quase 40% dos mais de 27 milhões de eleitores, e onde foi eleito governador Daniel Scioli, atual vice-presidente. Apesar disso, Carrió venceu o pleito na capital com boa vantagem. A campanha de Cristina capitalizou os resultados econômicos do governo Kirchner, depois que ficou para trás o pior da crise do default de 2001, com um governo de perfil industrialista, taxas de câmbio altas para as exportações e um aumento anual de 9% do PIB. Porém, o futuro governo deverá enfrentar uma elevada inflação real de 15% a 20% (que, segundo os opositores, estaria sendo camuflada pelo governo com


objetivos eleitorais) e a possível queda dos investimentos. Analistas internacionais temem que o alto nível do gasto governamental, o câmbio, a inflação em alta e o vencimento de títulos públicos marcado para 2008 sejam armadilhas para a próxima administração.

II - POLÍTICA – BRASIL Arlindo Chinaglia vence eleição na Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2007. Por 261 a 243, em disputa acirrada, o petista derrotou o atual presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) no segundo turno. Votos brancos somaram 6. Estavam presentes 510 parlamentares. No primeiro turno, Aldo teve 175, Chinaglia 236 e Fruet 98. Votos brancos somaram 3 e estavam presentes 512 deputados. Em seu discurso antes da vitória, Chinaglia, sempre apontado como favorito na disputa, foi mais corporativo, saiu em defesa da Câmara e repetiu cinco vezes que não permitiria a intimidação da Casa. "Não posso conceber um Parlamento acuado, pautado por quem quer que seja", disse, sem apontar nomes, acrescentando que não aceitará generalizações e críticas injustas à Câmara. "Não vamos assistir passivamente ataques injustos à instituição e a um parlamentar. Quando alguém ataca o parlamento, mesmo sem intenção confessa, está atacando a democracia", proclamou. Ele tratou como assunto encerrado a série de escândalos que marcou a legislatura passada e o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A página da crise está virada, é da legislatura passada", afirmou. Indiretamente, Chinaglia saiu em defesa de deputados inocentados em processos de cassação de mandato na legislatura passada e disse que não aceitará críticas injustas ao Parlamento. "Não vamos assistir passivamente a ataques injustos", discursou. Outro ponto do discurso do petista foi a defesa da total autonomia do Poder Legislativo. "Quem disse que o governo manda aqui?", afirmou Chinaglia, que é líder do governo na Câmara. "Quem disse que o Executivo é superior ao Legislativo? Quem disse que o Judiciário tem o poder de legislar?", prosseguiu o candidato. No Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB) foi reeleito presidente com 51 votos, derrotando o senador José Agripino (DEM – ex-PFL), que obteve apenas 28 votos. Também foram registrados um voto nulo e outro em branco. TSE embaralha coalizão ao impor fidelidade partidária O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu em março de 2007, por seis votos a um, impor a fidelidade de filiação partidária para os políticos eleitos para os Legislativos em todos os seus níveis. Deputados que trocaram de sigla depois da eleição do ano passado correm agora o risco de perder o mandato, exceto se retornarem para as agremiações a que estavam filiados no dia do pleito. Desde a eleição de outubro passado, 36 deputados federais deixaram seus partidos de origem e já estão abrigados em outras legendas. Os grandes perdedores foram os oposicionistas PSDB, DEM (ex-PFL) e PPS. Juntas, as três legendas perderam 22 cadeiras na Câmara. O receptor mais bem sucedido até agora é o PR (fusão do PL com o Prona), cuja bancada cresceu 15 cadeiras na base da cooptação. Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com o apoio formal de 13 partidos, cujas bancadas somam 376 cadeiras na Câmara. Embora o número de deputados que trocaram de legenda seja relativamente pequeno na comparação com o total da aliança lulista, a decisão do TSE provocará grande desconforto. Cargos já foram prometidos a esses políticos. Ministros de siglas médias valerão menos politicamente, pois suas bancadas sofrerão algum enxugamento. Todos os 36 deputados federais adeptos do troca-troca partidário -e dezenas de outros pelos Estados, nas Assembléias Legislativas- estão com seus mandatos em risco. A decisão final, entretanto, depende de outra disputa judicial. O novo gabinete ministerial do presidente Luiz Inácio Lula O novo gabinete ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará sob forte influência de seu partido, o PT. No começo das negociações da reforma ministerial, o partido temia perder mais espaço nos ministérios com a criação da coalizão de governo que envolve 11 legendas, mas com a reforma quase completamente definida o que se vê é um PT bastante fortalecido. Do total de cargos do primeiro escalão à disposição dos partidos, 17 foram ocupados por petistas no segundo mandato. Relação de MINISTROS DE ESTADO do Gov LULA


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA Reinhold Stephanes Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República - GSI-PR Jorge Armando Felix Advocacia-Geral da União - AGU José Antonio Dias Toffoli Ministério da Educação - MEC Fernando Haddad Ministério das Relações Exteriores - MRE Celso Luiz Nunes Amorim Ministério da Saúde - MS José Gomes Temporão Ministério da Justiça - MJ Tarso Fernando Herz Genro Ministério da Cultura - MinC Gilberto Passos Gil Moreira Ministério do Meio Ambiente - MMA Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima Ministério da Fazenda - MF Guido Mantega Banco Central do Brasil - BACEN Henrique de Campos Meirelles Ministério da Previdência Social - MPS Luiz Marinho Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS Patrus Ananias de Sousa Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Sérgio Machado Rezende Casa Civil da Presidência da República - CC-PR Dilma Vana Rousseff Ministério do Trabalho e Emprego - MTE Carlos Roberto Lupi Ministério dos Transportes - MT Alfredo Pereira do Nascimento Ministério de Minas e Energia - MME Nelson José Hubner Moreira Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - MP Paulo Bernardo Silva


Ministério das Comunicações - MC Hélio Calixto da Costa Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC Miguel João Jorge Filho Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA Guilherme Cassel Ministério do Esporte - ME Orlando Silva de Jesus Júnior Ministério da Defesa - MD Nelson Azevedo Jobim Ministério da Integração Nacional - MI Geddel Quadros Vieira Lima Ministério das Cidades - MCIDADES Marcio Fortes de Almeida Secretaria-Geral da Presidência da República - SGPR Luiz Soares Dulci Controladoria-Geral da União - CGU-PR Jorge Hage Sobrinho Ministério do Turismo - MTur Marta Teresa Suplicy Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República - SRI/PR Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República - NAE/PR Roberto Mangabeira Unger Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República - SECOM-PR Franklin de Souza Martins Secretaria Especial dos Direitos Humanos - SEDH Paulo de Tarso Vannuchi Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - SEPM Nilcéa Freire Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca - SEAP Altemir Gregolin Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR Matilde Ribeiro Secretaria Especial de Portos - SEP Pedro Brito do Nascimento

O caso Renan Calheiros


Apesar dos sinais de desgaste, na manhã da quarta-feira 20/06, Renan chegou ao Senado ainda confiante de que teria votos suficientes no Conselho de Ética para aprovar o arquivamento do processo contra ele por quebra de decoro. Terminou o dia atordoado. Ao final da noite, Renan reuniu os aliados que ainda lhe restavam e seus assessores e constatou: "Não tenho mais o controle disso. Fui traído. É uma guinada e tanto para quem até o início da semana julgava ter sob controle o desfecho da crise. Aliados de Renan admitem que os ventos viraram contra o presidente do Senado como conseqüência dos seus próprios erros. “Renan montou uma armadilha para ele mesmo", comentou um de seus aliados. O erro maior foi a idéia de apresentar provas contrárias para buscar enterrar a denúncia. O ônus da prova é de quem acusa. E quem acusou Renan de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar Mônica Veloso não apresentou qualquer prova disso. Ao mostrar suas contra-provas, Renan inverteu o processo. A tarefa passou a ser atestar a veracidade dos documentos que ele próprio apresentou. Se Renan vier a ser cassado, será por conseqüência de algum papel que saiu das suas próprias gavetas. A falta de uma solidariedade mais explícita do governo, especialmente do presidente Lula, dá a impressão a Renan de que o Palácio do Planalto o considera rifado e trama a sua sucessão. O senador quer resistir. Não pretende renunciar ao cargo porque, sem os poderes da presidência do Senado, estará ainda mais fraco para enfrentar o processo de cassação. E não pretende renunciar ao mandato porque pela lei, com o processo aberto no Conselho de Ética, ficaria oito anos sem poder ocupar cargo público. Renan usará os meios de que dispõe para essa briga - e ela será longa. No Conselho de Ética, o processo dura 60 dias, prorrogáveis por mais 60. Se os senadores concluírem que houve quebra de decoro, ele segue para a Comissão de Constituição e Justiça. Aprovado, o pedido de cassação vai a voto em sessão secreta no plenário. Para cassar serão necessários 49 dos 81 votos. Contados todos os prazos, portanto, a questão levará pelo menos três meses para ser legalmente resolvida, mas pode ser esticada por outros três com facilidade. Se a esperança de encerrar o caso no Conselho de Ética ficou mais distante, o presidente do Senado pode ganhar a causa no plenário - ou pela omissão de alguns, que não dariam quórum para sua cassação, ou pela expectativa de que tão longo tempo até o voto final arrefeça o impacto das denúncias. Assim, não deixa de ser irônico que há 16 anos, depois que Renan denunciou a corrupção no governo Collor, o então presidente respondeu usando uma camiseta onde se lia: "O tempo é o senhor da razão." Morte do Senador Antonio Carlos Magalhães Uma das principais lideranças da política nacional, o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) morreu na sexta (20/07/07), aos 79 anos, no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo. Segundo nota divulgada pela assessoria do Incor, ACM morreu às 11h40 "em decorrência de falência de múltiplos órgãos secundária à insuficiência cardíaca". Amado e odiado, ACM sempre esteve próximo do poder federal. Foi aliado do regime militar pós-1964 e do tucano de Fernando Henrique Cardoso e apoiou Lula na eleição de 2002. Senado rejeita cassação de Renan Calheiros

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi absolvido do pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar. Em sessão fechada e marcada por tumultos, os parlamentares foram contra a recomendação do parecer dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) pela cassação do senador, acusado de ter despesas pessoais bancadas com recursos de um lobista da empreiteira Mendes Júnior. Contudo, Calheiros ainda terá de responder por outros dois processos no Conselho de Ética. A sessão no Senado foi aberta após um tumulto entre deputados e seguranças do Senado. A confusão começou quando o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) tentou entrar em plenário e foi jogado contra a porta de vidro pelo segurança. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) reagiu em defesa do Gabeira. Houve empurra-empurra entre os seguranças e deputados. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski havia concedido, hoje de madrugada, uma liminar que permitia o acompanhamento da sessão por deputados. À tarde, a decisão foi levada ao plenário do tribunal, onde foi confirmada por 6 votos a 4. Além da acusação levada a julgamento , no Senado, o presidente da Casa é alvo de outros dois processos no Conselho de Ética. Em um deles, Renan é acusado de favorecer a empresa cervejeira Schincariol junto ao fisco. No outro, ele é acusado de possuir rádios em nome de laranjas. Há ainda uma


quarta acusação, de participar de esquema de recebimento de propinas no Senado, mas essa não teve processo aberto no Conselho. Relatório da CPI do Apagão Aéreo livra Anac O relatório final da CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados, divulgado em setembro de 2007, não pede o indiciamento de nenhum diretor ou ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No documento, o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), pede ao Ministério Público Federal que abra um processo investigatório para “aprofundar a investigação” e “determinar com precisão a responsabilidade dos membros da Anac” em relação ao caos aéreo. Segundo o relator, o processo investigativo tem entre os objetivos a apuração do suposto uso de um documento que não teria valor legal para liberar a pista do aeroporto de Congonhas para aviões de grande porte. E também o uso de passes livres por integrantes da Anac. “Esse relator entendeu que deveria encaminhar ao Ministério Público Federal pedido para instaurar processo investigatório para aprofundar a investigação e determinar com precisão a responsabilidade coletiva dos membros da Anac, quando da ocorrência dos fatos em destaque no relatório, bem como de funcionários envolvidos na elaboração da norma”, ressaltou Maia. Na avaliação dele, há indícios de improbidade administrativa, obtenção de vantagens indevidas e utilização de documentos falsos em processo judicial. Ao justificar a decisão de não pedir o indiciamento de ninguém da agência, Maia afirmou que não tinha elementos suficientes para isso. E sofreu ataques da oposição. O deputado Vic Pires (DEM-PA) disse que o documento era “frouxo”. “Esse relatório é de uma frouxidão que eu nunca vi na minha vida”, disse. Irritado, ele questionou por que o relatório pede o indiciamento dos dois pilotos do Jato Legacy, que se chocou com o avião da Gol, em 29 de setembro do ano passado, e também dos quatro controladores que trabalhavam no momento do choque, e livra a ex-diretora da Anac, Denise Abreu. “Isso é uma das maiores pizzas dessa CPI. Não podemos permitir uma coisa dessas ”, disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB). Crise faz Renan se afastar da presidência do Senado Isolado por antigos aliados e no limite da pressão política, Renan Calheiros (PMDB-AL) licenciou-se em 11/10/07 da presidência do Senado por 45 dias. Em pronunciamento feito na TV, disse querer se defender dos processos que enfrenta no Conselho de Ética sem ser acusado de uso do cargo. O afastamento ao qual Renan, 52, relutava até o dia 10/10 à tarde foi resultado de ampla costura envolvendo líderes dos principais partidos, amigos do senador e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB). O Palácio do Planalto chancelou a saída, considerada fundamental para diminuir a tensão na Casa e iniciar as negociações para votar a prorrogação da emenda da CPMF. A partir de 15/10, o primeiro-vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), assume a cadeira de Renan. Ele disse ter como primeira missão "pacificar" a Casa.

I - ECONOMIA

Brasil registrou novo recorde na balança comercial em 2006 Os números divulgados em 2007 confirmam que em 2006, o Brasil registrou novo recorde na balança comercial. O valor do saldo foi de US$ 46 bilhões, 3,05% superior ao obtido em 2005. O comportamento dos dois componentes da balança, no entanto, foi bastante distinto. As exportações (US$ 137 bilhões) cresceram 16,2%, enquanto as importações (US$ 91 bilhões) aumentaram 24,2% em relação ao ano anterior, o que gerou um aumento de 19,3% na corrente de comércio. Em relação às exportações, as três categorias de produtos registraram valores recordes históricos. Na comparação com 2005, as exportações de manufaturados somaram US$ 74 bilhões, com aumento de 15,6%, pela média diária. Os produtos básicos registraram vendas de US$ 40 bilhões, com crescimento de 16,9% e os semimanufaturados, US$ 19 bilhões, com aumento de 23,3%. O aumento das exportações foi bastante influenciado por produtos básicos ou manufaturados de pouco valor agregado. Os setores “petróleo e derivados” e “açúcar e álcool” foram os que mais contribuíram para a expansão das exportações em 2006. As exportações de petróleo e derivados cresceram 44,4%, em 2006 sobre 2005, gerando acréscimo de divisas de US$ 3,9 bilhões. O aumento da produção


nacional e os preços externos favoráveis elevaram as exportações do setor. Com relação ao setor “açúcar e álcool”, a contribuição foi de US$ 3,1 bilhões, sobressaindo o crescimento nas vendas de álcool (+111,2%) e de açúcar (+58,6%). Por mercados de destino, houve crescimento para todas as regiões econômicas, com destaque para: Oriente Médio (+35,7%); Aladi, exceto Mercosul (+28,8%); África (+26,0%); Mercosul (+20,4%); Europa Oriental (+17,9%) e União Européia (16,0%). Ou seja, os maiores aumentos das exportações ocorreram, sobretudo, para regiões não tradicionais, mostrando que a diversificação de mercados tem sido um dos fatores importantes para o incremento das exportações brasileiras. Os principais países de destino continuaram sendo: 1º - Estados Unidos (US$ 24,7 bilhões), 2º - Argentina (US$ 11,7 bilhões) e 3º - China (US$ 8,4 bilhões), apesar de suas participações relativas terem diminuído. Durante todo o ano, verificou-se um processo de concentração do setor exportador brasileiro, ainda que no 2º semestre isto tenha ocorrido em menor ritmo do que no 1º. Nos primeiros seis meses de 2006, saíram do mercado exportador 1.150 empresas, enquanto no 2º semestre, 905 empresas deixaram de atuar como exportadoras. Isto foi conseqüência não só da valorização do real frente ao dólar, como também do fato de serem empresas novas, de pequeno a médio porte, sem tradição exportadora, cujas vendas ao exterior são, realmente, esporádicas. Em relação à importação, todas as categorias de produtos registraram crescimento em 2006, na comparação com 2005: bens de consumo (+42,6%), combustíveis e lubrificantes (+28,2%), bens de capital (+23,9%) e matérias-primas e intermediários (+20,8%). Apesar de o maior crescimento ter se verificado em bens de consumo, sobretudo em automóveis, que tiveram expansão de 187,2%, a maior participação foi das categorias “bens de capital” (20,7%) e “matérias-primas e intermediários (49,6%), que juntos representaram 70,3% da pauta e apresentaram uma perda de 1,9 %.” Entre os mercados fornecedores, ampliaram-se as compras de todas as regiões. Por ordem decrescente de variação, Aladi (+41,7%), Ásia (+36,8%, sendo que +50,4% da China) e Europa Oriental (+29,6%). Outro indicador do bom desempenho das exportações brasileiras é a comparação da taxa de crescimento das exportações do Brasil com as do mundo. De acordo com o Banco Central, a previsão é de um aumento de 15,1% das exportações mundiais (em valor) em 2006, enquanto que as vendas externas brasileiras ampliaram-se a uma taxa maior, 16,2%. Cabe registrar que este comportamento positivo das exportações brasileiras vem ocorrendo desde 2003, apesar do fato de que, de 2006 para 2005, a participação do Brasil sofreu uma pequena redução. Fonte: Secretaria de Comércio Exterior – SECEX Comércio externo: Brasil vende menos a ricos Pela primeira vez na história, o Brasil exportou mais a países em desenvolvimento do que a países desenvolvidos. No ano passado, o valor das exportações do Brasil para os países em desenvolvimento somou US$ 67,8 bilhões. Para os desenvolvidos, US$ 67,2 bilhões. Do total de US$ 137,5 bilhões exportados pelo país no ano passado, praticamente a metade, 49,3%, destinou-se aos países em desenvolvimento, e 48,9%, para os desenvolvidos. O restante, 1,8%, é de "operações especiais", como consumo de bordo em navios e aviões. Em 2005, os países ricos respondiam por 50,6% das exportações brasileiras, e os em desenvolvimento, 47,7%. Para analistas, os principais motivos para a mudança são: 1) os países em desenvolvimento estão crescendo e comprando mais, principalmente alimentos e produtos básicos, importantes itens da pauta exportadora; 2) os países ricos protegem seus mercados a muitos desses produtos; 3) os produtos manufaturados que o Brasil exportava mais aos ricos perderam mercado pelo real forte. O país tem condições de atender a diversos mercados, ao contrário de países dependentes de um produto, como Chile (cobre), Venezuela (petróleo) e Rússia (gás). Apesar da mudança, as vendas aos países desenvolvidos também cresceram: US$ 7,4 bilhões de 2005 para 2006. A dos países em desenvolvimento cresceu mais: US$ 11,4 bilhões. Mesmo assim, os EUA continuam sendo o país que mais compra do Brasil. No ano passado, comprou um total de US$ 24,4 bilhões, 36,4% do total destinado aos desenvolvidos. Entre os países em desenvolvimento, o maior comprador do Brasil foi a Argentina, que importou, em 2006, US$ 11,7 bilhões, o que representa um crescimento de 400% em relação a 2002. Logo depois vem a China, com US$ 8,4 bilhões, 233,3% a mais do que quatro anos atrás. Em terceiro veio o México, com US$ 4,4 bilhões.

Risco-país em queda


O termo risco-país foi criado em 1992 pelo banco americano JP Morgan para permitir, a seus clientes, condições mensuráveis de avaliação da capacidade de um país quebrar. A partir dela, gestores de fundos decidem investir em um determinado país ou papel de uma empresa de risco semelhante. A taxa é medida em pontos e calculada a partir de uma cesta de títulos negociados no mercado. Cada ponto significa 0,01 ponto percentual de prêmio acima do rendimento dos papéis da dívida dos EUA, considerada de risco zero de calote. Ao dar 200 pontos a um país - taxa alcançada pelo Brasil em janeiro de 2006-, o mercado mostra que para assumir o risco brasileiro o investidor estrangeiro 'merece' um prêmio de 2,00 pontos percentuais de rendimento acima do que paga um papel americano semelhante. Títulos desvalorizados significam que o investidor com coragem para comprá-los terá ganhos maiores, caso a dívida seja honrada, claro. Basta comparar os ganhos esperados com os proporcionados pelos títulos americanos, os mais seguros do mundo, e está calculado o risco-país, que mais parece o "medo-credor". O risco de 200 pontos alcançado pelo Brasil em janeiro de 2007 foi o menor da história, mas isso não é garantia de que se manterá neste patamar ou em queda. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) O governo federal lançou um ambicioso plano de crescimento que marca, de fato, o início do segundo mandato de Lula em janeiro de 2007. Mas o cumprimento das metas depende do entusiasmo da iniciativa privada, da chancela irrestrita do Congresso e de um ambiente externo favorável. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) lista 300 obras prioritárias e acena com R$ 504 bilhões de investimentos públicos e privados em quatro anos. Não há detalhes sobre de onde sairá todo o dinheiro - R$ 67,8 bilhões virão do Orçamento da União, a fatia que o Executivo de fato controla. O plano estima um crescimento anual de 4,5% neste ano e 5% nos três seguintes, quase o dobro da média do primeiro mandato e visto com desconfianças pelo mercado e até no governo. Ante 23 governadores, Lula pediu apoio e prometeu defender a disciplina fiscal e a democracia. Empresários e trabalhadores consideraram as medidas tímidas. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) foi lançado com um ambicioso plano de investimentos (R$ 504 bilhões em quatro anos), um conjunto tímido de medidas fiscais e metas de crescimento da economia (4,5% neste ano e 5% nos três seguintes) vistas com desconfiança pelo mercado e até por economistas do governo. Elaborado para destravar a economia incentivando investimentos públicos e privados, o êxito pleno do PAC depende da confirmação das projeções otimistas do governo. Sem ela, o PAC pode não ser um fracasso, mas dificilmente o governo atingirá o volume de investimentos previsto e terá de alterar suas metas fiscais: chegar a 2010 com o tamanho da dívida pública em relação ao PIB em 39,7% (hoje em 50%) e um déficit público nominal de apenas 0,2% (3% hoje). Enquanto o governo espera crescimento de 4,5% neste ano, o mercado crê que não passe de 3,5%. Nos anos seguintes, ao invés de 5%, a média do mercado prevê 3,5% em 2008, 3,6% em 2009 e 3,84% em 2010. Além de considerar as projeções de crescimento muito otimistas, o mercado viu com desconfiança o discurso de "consistência fiscal" brandido no Palácio do Planalto. A expectativa era de medidas mais ousadas na área. O governo, porém, só divulgou duas medidas de controle de gastos já conhecidas e que dependem de aprovação no Congresso: a que limita o aumento das despesas com pessoal dos três Poderes e a que estabelece uma política de reajuste do salário mínimo. A prorrogação da CPMF e da DRU (instrumento que permite desvincular gastos) será discutida à parte. As mudanças do PAC constam em oito medidas provisórias, três projetos de lei, dois projetos de lei complementar e oito decretos. Em outro ponto importante na área fiscal, a Previdência Social, o governo se limitou a criar um fórum para tentar encontrar uma reforma consensual. Diante do ceticismo, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o aumento de gastos públicos com obras e o corte de imposto para estimular a economia não comprometerão a política de equilíbrio fiscal. Segundo ele, mesmo reduzindo o superávit primário de 4,25% para 3,75% do PIB para elevar os investimentos públicos, será possível manter a redução do tamanho da dívida pública em relação ao PIB. Para Mantega, a situação agora é bem mais favorável porque a inflação está sob controle e a gestão fiscal tem sido marcada por controle rígido dos gastos. Além disso, Mantega disse que o governo realmente vai baixar, se for necessário, o superávit primário (economia para pagar juros da dívida) para 3,75% por conta do aumento dos projetos incluídos no PPI eles passaram de 0,2% para 0,5% do PIB. Esse aumento dos projetos do PPI, por sinal, é que vai garantir boa parte dos investimentos públicos nos próximos quatro anos. Dos R$ 503,9 bilhões previstos no período, o total de investimento do Orçamento da União é de R$ 67,8 bilhões. O restante vem de gastos de Estatais, setor privado e até de pessoa física. Os investimentos de R$ 504 bilhões previstos no PAC equivalem a mais de 12 vezes os R$ 39,7 bilhões investidos pelo governo Lula no primeiro mandato


apenas com recursos orçamentários. E é menos que os R$ 439,247 bilhões gastos com o pagamento de juros do setor público no primeiro mandato.

Presidente Lula fecha acordo com Morales para reajustar o gás da Bolívia O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cedeu à intensa pressão do colega boliviano, Evo Morales, e avalizou em fevereiro de 2007 o aumento do preço do gás da Bolívia vendido à Petrobras. Lula falou que a concessão foi uma "generosidade", negando que o Brasil seja "imperialista". Já Morales, que havia ameaçado não vir ao encontro se não saísse com um aumento nas mãos, prometeu que "nunca faltará gás ao Brasil" e que irá "cumprir contratos" com a Petrobras. Pelo acordo, a Petrobras passará a pagar um valor adicional pela mesma quantidade de gás comprado hoje. A justificativa é o fato de o gás fornecido pelo país vizinho, por conta de sua composição química, produzir uma quantidade de energia maior do que a necessária para o uso industrial feito no Brasil. Na previsão do governo boliviano, o aumento será de cerca de US$ 100 milhões por ano, o equivalente a um reajuste de 8% no valor total que foi pago no ano passado. Cálculos do Ministério de Minas e Energia do Brasil indicam aumento de custo menor, entre 3% e 6%. Pelo acordo, o preço do gás não será reajustado, mas a Bolívia receberá mais pelo gás que o Brasil não usa e não pagava até agora. É como se o preço estivesse subindo de US$ 4,20 por milhão de BTU (British Termal Unit, medida de energia) para entre US$ 4,33 e US$ 4,54, dependendo da estimativa. A Bolívia queria receber o mesmo pago pela Argentina: US$ 5. A divulgação das perdas do Brasil causou constrangimento na entrevista coletiva dos ministros Silas Rondeau (Minas e Energia) e Carlos Villegas (Hidrocarbonetos, Bolívia) e por José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras. O Brasil insistia que não era possível quantificar o aumento de custos. Após várias perguntas dos jornalistas, o ministro boliviano finalmente informou um número -US$ 100 milhões por ano - e foi aplaudido por membros da delegação da Bolívia. Quando Villegas fez menção de sair da mesa, Rondeau disse, pegando em seu braço, que daria uma resposta que gostaria que ele ouvisse. E repetiu que não era possível determinar o aumento de custos. As mudanças promovidas por Morales já produziram queda abrupta do lucro da Petrobras na Bolívia. A alta dos impostos, implantada em maio, provocou redução no lucro de R$ 250 milhões, em 2005, para R$ 57 milhões, no ano passado. Em outro item do acordo, menos complicado, o preço do gás comprado pela usina termelétrica de Cuiabá (MT) foi reajustado em 253%. Com isso, a usina vai gerar energia mais cara, e o consumidor brasileiro pagará a conta, com um reajuste extra de, em média, 0,2% na tarifa de energia. O reajuste dá uma receita adicional de US$ 44 milhões por ano à Bolívia. Com o reajuste do preço do gás e a assinatura de novos contratos de exploração, em outubro de 2006, resta agora negociar a transferência do controle acionário das duas refinarias da Petrobras para o Estado boliviano, conforme previsto no decreto de nacionalização. Villegas já disse que esse processo estará concluído até maio de 2007. Para esclarecer os impactos da negociação, Rondeau convocou nova entrevista, sem a presença do colega boliviano, para a sede do ministério. Explicou que os acertos foram feitos durante todo o dia. A exigência da Bolívia era um reajuste do preço do gás para US$ 5 por milhão de BTU, preço pago pela Argentina. "Nós argumentamos que a Argentina não fez os mesmo investimentos que o Brasil fez na Bolívia", disse Rondeau. Segundo ele, com o acerto, ficou garantido que o suprimento de gás para o mercado brasileiro não será afetado pelas recentes medidas tomadas pelo governo boliviano para dar prioridade ao seu mercado interno. Ainda segundo Rondeau, o acordo se justifica por questões "geopolíticas": "Não queremos ter uma país ao lado com problemas". Acordo do etanol com os EUA Os presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva chegaram a um acordo tácito para jogar para segundo plano a delicada questão da taxação do álcool combustível brasileiro nos EUA: como a lei que estabelece essa taxação vence naturalmente em 2009, basta ter paciência até lá. Sendo assim, nem Bush precisou se desgastar com o Congresso e os produtores agrícolas norte-americanos, admitindo publicamente a discussão do fim da taxação, nem Lula teve que transformar a questão num ponto de discórdia e de enfraquecimento da visita de Bush. Pela lei em vigor, os EUA taxam o álcool combustível brasileiro em R$ 0,30 por litro, além de 2,5% de imposto alfandegário. Como 2,5 bilhões dos 3,5 bilhões de litros que o Brasil exportou no ano passado foram para o país, o peso é considerado enorme. No memorando de entendimentos sobre biocombustíveis assinado pelo ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) e a secretária de Estado Condoleezza Rice, que tomaram café da manhã juntos, os temas


relacionados com comércio doméstico e tarifas devem ser tratados "em outros foros multilaterais, regionais e bilaterais". Segundo Amorim, isso significa que os subsídios e as tarifas dos EUA sobre o álcool poderão ser discutidas, por exemplo, no âmbito de negociações mais gerais na OMC (Organização Mundial do Comércio). No memorando de março de 2007, os dois países se comprometem a cooperar com o "desenvolvimento de recursos energéticos baratos, limpos e sustentáveis" e estabelecem a difusão dos biocombustíveis em três níveis: bilateral, com terceiros países e global. No primeiro nível, o bilateral, os países "devem avançar na pesquisa e no desenvolvimento da tecnologia para biocombustíveis". Também foi formalizada a intenção de trabalho em conjunto para levar a tecnologia do etanol a outros países, previamente selecionados "por meio de estudos de viabilidade e assistência técnica que visem a estimular o setor privado a investir em biocombustíveis". Segundo o memorando, EUA e Brasil devem iniciar a os trabalhos de expansão da tecnologia pela América Central e pelo Caribe, inclusive porque o Brasil já tem acordos nessa área com a Jamaica e El Salvador. Citado duas vezes por Bush no primeiro discurso do presidente norte-americano e chamado de "querido" por Lula no segundo discurso, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse depois que o Brasil tem várias vantagens sobre os EUA na área do etanol, inclusive uma área plantável que permite o país desenvolver a produção sem afetar o plantio de alimentos nem ferir o ambiente.

IBGE divulga nova série de PIB até 2005 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou na quarta-feira (21/03/07) os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) nacional do período de 1995 a 2005 sob uma nova metodologia de cálculo. Com revisão, PIB brasileiro em dólar sobe para 10º do mundo. A Taxa de investimento fica menor entre 2000 e 2005 na nova série do IBGE. De acordo com as novas séries divulgadas, o PIB, em geral, aumentou. Em 2005, por exemplo, o PIB estimado na nova série foi de R$ 2,148 trilhões - pela primeira vez, o valor supera 2 trilhões - e ficou 10,9% acima do valor estimado na série anterior. O crescimento do PIB de 2005 em relação a 2004 foi reajustado para 2,9%, enquanto na série antiga havia sido de 2,3%. O Instituto também divulgou os novos valores do PIB de 2000 a 2004. Em 2000, a variação do PIB foi revista para baixo: na série antiga, o crescimento havia sido de 4,4%, reajustado para 4,3% agora. Em 2001, o índice de 1,3% de aumento do PIB foi mantido. Em 2002, o novo índice de variação do PIB cresceu de 1,9% para 2,7%. Em 2003, os valores também subiram, de 0,5% para 1,1%. Em 2004, o aumento do reajuste do PIB subiu de 4,9% para 5,7%. O PIB, que é a soma de bens e serviços produzidos pelo País, agora é calculado de maneira mais precisa. Foram incorporadas pesquisas anuais de indústria, comércio, serviços e construção, com informações mais recentes e amplas. Esta série passa a incorporar, integralmente, as pesquisas anuais do IBGE, as informações anuais da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), agregado por código da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE), os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2003, o Censo Agropecuário 1996 e, ainda, atualiza conceitos e definições introduzindo as últimas recomendações das Nações Unidas e de outros organismos internacionais. Dentro da nova metodologia do IBGE, os dados dos anos de 2000 até 2003 são definitivos. Para 2004 os dados são considerados semi-definitivos, por não incorporarem as informações da DIPJ e, para 2005, são preliminares, por terem sido estimados pela soma dos trimestres. No fim de 2007, serão divulgados os dados definitivos de 2004 e 2005, e revista a série trimestral de 2006. O PIB revisto de 2006 foi divulgado pelo IBGE no dia 28 de março. O resultado preliminar apontava um aumento de 2,9% no crescimento da economia no ano passado, revisto, ficou em 3,7% em 2006. Gol compra a Nova Varig O empresário Constantino de Oliveira Júnior, presidente da Gol, tem apenas 38 anos. Mas construiu, nos últimos seis anos, a segunda maior companhia aérea do País e entrou para o seleto grupo de bilionários do planeta. Nos últimos seis meses, Constantino Jr. desceu ao inferno e voltou aos céus, como convém à biografia dos grandes empreendedores. No dia 29 de setembro de 2006, um avião da Gol com 154 pessoas a bordo mergulhou para a morte em Mato Grosso, derrubado por um jato Legacy que voava na contramão. É o pior que pode acontecer a qualquer companhia aérea. Mesmo assim, a empresa seguiu adiante e continuou crescendo. Na quarta-feira 28/03/07, Constantino Jr. fechou a compra da nova


Varig, por US$ 320 milhões (R$ 660 milhões). De uma só vez, tirou da jogada a chilena LAN – que queria fincar asas no Brasil – e ganhou musculatura para ameaçar a liderança da TAM. Petrobras, Ultra e Braskem compram o Grupo Ipiranga O telefone tocou na sala de Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, um dos acionistas controladores do Grupo Ipiranga e presidente da Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), na tarde de sexta-feira 16/03/07. Do outro lado da linha, um executivo do Banco Pátria, instituição paulista especializada em aquisição de empresas, tinha boas notícias. Confirmava a proposta formal de compra da Ipiranga pelas gigantes Petrobras, Ultra e Braskem. Ali começava a maratona de dois dias de reuniões para fechar o negócio, envolvendo cerca de 80 pessoas, entre sócios e executivos. No domingo (18/03), os números monumentais vieram a público: o Ipiranga foi vendido por US$ 4 bilhões (R$ 8,3 bilhões), numa das maiores transações já feitas no País. Com 74 anos de existência, o Ipiranga é o segundo maior distribuidor nacional de combustíveis, com 4.240 postos. Também atua na área petroquímica. Em 2006, faturou R$ 31 bilhões e lucrou R$ 534 milhões. Tão grande quanto as cifras envolvidas no negócio foi a repercussão no mercado. Recordes dos ativos brasileiros em 2007 A volta do feriado de páscoa (9/4/07) foi de recordes para os ativos brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em um patamar nunca antes atingido (46.854 pontos), após registrar valorização de 0,45%. O risco-país desceu aos 156 pontos pela primeira vez na história, com queda de 4,9%. Além disso, conseguiu chegar ao fim do dia abaixo do Embi+ (que é a média do risco dos países emergentes, que ficou ontem em 157 pontos). No fim de 2006, o risco brasileiro registrava 192 pontos, enquanto a média dos emergentes estava em 169 pontos. Isso mostra que o Brasil apresentou rápida melhora nos últimos meses. No ano, o risco do Brasil recuou quase 19%. Calculado pelo Banco JP Morgan Chase, o risco-país reflete o comportamento dos títulos da dívida externa dos países. Quanto menor o risco menor o temor dos investidores em relação ao governo dar calote em sua dívida. A estabilidade econômica do Brasil, somada a um cenário internacional favorável, tem empurrado o indicador de risco para baixo. "É a primeira vez que o risco brasileiro se equipara à média dos emergentes", diz Alex Agostini, economista da consultoria Austin Rating. Mas apesar da rápida queda, o risco brasileiro segue acima do de países como México (90 pontos) e Peru (118 pontos). O dólar também recuou ontem, 0,39%, indo a R$ 2,025 -valor que não atingia desde março de 2001. Esse clima favorável foi instigado pelos dados melhores que o esperado apresentados pelo mercado de trabalho americano na sexta-feira (6/4), quando não houve negócios no mercado financeiro devido ao feriado. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve alta mais modesta, de 0,07% ontem. Em Tóquio, o índice Nikkei saltou 1,48% e voltou aos níveis praticados antes da crise desencadeada pela Bolsa de Xangai em 27 de fevereiro. Os números positivos do mercado de trabalho dos EUA sinalizaram que a economia do país pode estar melhor do que os analistas supunham. Assim, aumentaram as expectativas de que pode demorar mais para ocorrer a retomada da queda dos juros americanos. "A boa evolução do mercado de trabalho reforça a idéia de que o Fed [banco central dos EUA] mantenha a taxa de juros inalterada por mais tempo. Dessa forma, mantemos nossa visão de que a redução da taxa de juros norte-americana para 5% anuais ocorrerá apenas na última reunião do ano", avaliou, em relatório, o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco. Os juros americanos estão atualmente em 5,25% anuais. Durante o pregão de ontem, A Bovespa chegou aos inéditos 47.239 pontos. Os pontos da Bolsa oscilam de acordo com o valor das ações. O fato de a Bolsa estar com pontuação recorde mostra que as ações listadas no mercado acionário brasileiro nunca valeram tanto. As companhias listadas na Bovespa encerraram a semana passada valendo R$ 1,67 trilhão. Com o cenário externo favorável e o risco-país brasileiro em queda, analistas avaliam que o dólar pode romper o piso dos R$ 2 . Para isso, terá de recuar cerca de 1,25%. No mês, o dólar registra desvalorização de 1,70% diante do real. No ano, a queda acumulada chega a 5,24%. Como o Banco Central tem intervindo apenas com compras de dólares das instituições financeiras, sem uma turbulência externa o real tende a continuar se apreciando. "Não temos piso para a taxa de câmbio. A tendência do dólar é para baixo, tendo tudo para romper os R$ 2 nos próximos dias", afirma Agostini. Para mudar a rota do câmbio, profissionais do mercado afirmam que o BC teria de mudar sua postura. Ofertar contratos de "swap cambial reverso" (títulos que têm o efeito de compras de dólares no mercado futuro) é a opção mais lembrada pelos analistas como forma de conter a apreciação do real.


O novo alcoolduto de 1.150 km Um ambicioso projeto nacional está para sair do papel para reforçar a infra-estrutura do biocombustível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou recentemente que o governo dará a partida na construção do alcoolduto que ligará o terminal da cidade goiana de Senador Canedo à refinaria de Paulínia, em São Paulo. “O alcoolduto vai sair, porque ele está no Programa de Aceleração do Crescimento e, até 2010, nós teremos que ter o duto passando por essa região”, disse Lula na cidade mineira de Uberaba. A tubulação se estenderá por nada menos que 1.150 quilômetros e nela serão usadas 180 mil toneladas de tubos de aço carbono – metal leve e resistente utilizado como matériaprima na fabricação de bicicletas. Para construir o gigantesco duto, o governo pretende investir R$ 500 milhões. A construção levará em torno de dois anos e, depois de concluída, a tubulação será capaz de transportar até seis bilhões de litros de álcool. O empreendimento segue o plano estratégico da Petrobras, segundo o qual ela deixa de ser apenas uma petrolífera e passa a ser uma empresa de energia. “Não estamos focando apenas em petróleo e gás, mas em outras energias renováveis, como álcool e biodiesel”, diz Paulo Roberto Costa, diretor da área de Abastecimento e Refino. O alcoolduto será um marco dessa nova fase. O presidente do Sindicato das Indústrias de Álcool de Goiás, Igor Montenegro, dá a exata dimensão da importância que tem a obra: “O custo de transporte até o porto, com o alcoolduto, chega a ser 16 vezes menor que o transporte rodoviário.” O projeto deverá levar à duplicação da produção sucro-alcooleira de Goiás até 2013. Os produtores de Minas Gerais também nutrem uma grande expectativa quanto ao alcoolduto: a tubulação deverá atravessará 200 quilômetros do subsolo mineiro. “Essa obra é indispensável para sustentar o crescimento da produção do Estado”, diz Luiz Custódio Cotta Martins, presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool de Minas Gerais (Siamig) – hoje o álcool exportado é transportado para o porto em caminhões. “É um contrasenso gastar óleo diesel para carregar álcool”, diz ele. Segundo a Petrobras, o empreendimento vai contribuir para o aumento da competitividade no mercado externo e o desenvolvimento de outras regiões do Brasil além de São Paulo, que é a principal produtora de cana-de-açúcar. A obra só se tornará realidade, porém, depois que o Japão confirmar o seu propalado interesse na importação do etanol brasileiro. Isso deve acontecer nos próximos meses quando será firmada uma parceria entre a Petrobras, a trading japonesa Mitsui e o setor privado. O acordo prevê que serão construídas 40 destilarias de álcool, em Goiás, Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tudo com financiamento da Mitsui. Os usineiros cederão as terras e produzirão a cana-de-açúcar e a Petrobras fará a distribuição através do alcoolduto. Em dezembro último, a empresa brasileira e a estatal japonesa Nippon Alcohol Hanbai criaram a empresa Brazil-Japan Acohol para avaliar o potencial do álcool brasileiro no mercado do Japão, país onde a mistura de 3% de álcool à gasolina já é permitida pela legislação. A expectativa é que os japoneses tenham capacidade de absorver 1,8 bilhão de litros por ano. Na cerimônia realizada no Rio de Janeiro na quarta-feira 2, quando foi assinado o protocolo de intenções para a construção do duto, Paulo Roberto Costa disse que a Petrobras deverá exportar até o fim de 2007 cerca de 250 milhões de litros de álcool combustível, cinco vezes mais que o volume exportado em 2005. Logo que tiver o sinal verde dos japoneses, a Petrobras abrirá estudos na região onde passará o duto – os técnicos avaliam a viabilidade da construção de um ramal até a cidade paulista de Ribeirão Preto, região que concentra 80% da produção nacional do combustível. Só então a construção será iniciada. Estima-se que serão necessários pelo menos dez mil homens para a empreitada. O próprio presidente Lula é um dos avalistas deste projeto. As soluções tecnológicas adotadas no Brasil para expandir o biocombustível estão atraindo o interesse até mesmo de quem tem mais intimidade com o mundo cyber. No final do mês passado, Larry Page e Sergei Brin, criadores e proprietários do Google, a marca mais valiosa do mundo, estiveram na cidade paulista de Piracicaba para conhecer a tecnologia de produção de combustíveis renováveis. Bill Gates também mandou emissários de uma de suas empresas, a Pacific Ethanol, para avaliar a possível compra de usinas brasileiras e estudar a possibilidade de construir destilarias de álcool. A intenção de Gates seria investir US$ 200 milhões para criar um canal de exportação para o mercado americano. O novo e monumental alcoolduto que ligará Senador Canedo a Paulínia é apenas a primeira de uma série de grandes projetos no âmbito do biocombustível. Itaipu a nova grande dor de cabeça do Brasil Depois de Evo Morales, agora é a vez do presidente do Paraguai, Nicanor Duarte. Mas o que está em jogo é um bem maior que as refinarias disputadas pelo líder boliviano – é a usina de Itaipu. Ao


inaugurar duas unidades geradoras da hidrelétrica, em Foz do Iguaçu, o presidente Lula deparou com um movimento paraguaio para desestabilizar as relações entre os dois países. “É preciso buscar um grande consenso para revisar os termos do Tratado de Itaipu, em busca de eqüidade”, cobrou Duarte. Trocando em miúdos, os vizinhos querem ganhar mais do que o Brasil paga pelo excedente de energia da usina. Pelo Tratado de Itaipu, assinado há 34 anos e vigente até 2023, cada país tem direito a 50% da energia produzida, mas o Paraguai consome apenas 6% de sua parte – o suficiente para suprir 95% de sua demanda. O restante, por contrato, só pode ser vendido ao Brasil. No ano passado, pelos 44% gerados e não consumidos pelos sócios, o Brasil pagou US$ 373 milhões. O grande artífice do movimento contra o Brasil chama-se Fernando Lugo, que aparece com 40% dos votos para a disputa presidencial paraguaia no ano que vem. Lugo aprecia o estilo de Morales e anima sua campanha com a revisão do Tratado de Itaipu. “Nossa reivindicação é que se faça justiça”, disse Ricardo Canese, coordenador da Campanha Nacional pela Soberania Energética e cabo eleitoral de Lugo, que também critica o “imperialismo brasileiro”. Nessa mesma linha, o maior jornal do país, o ABC Color, publicou uma série de editoriais atacando o Brasil. Até agora, os nossos diplomatas têm dito que os paraguaios “não mordem” como os bolivianos. Mas não é isso o que pensam os partidários de Lugo. O plano nuclear do Governo Lula No longínquo 1947, dois anos depois da detonação das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, os Estados Unidos – que detinham o monopólio nuclear, mas ainda não tinham descoberto reservas de urânio significativas – apresentaram na ONU o “Plano Baruch”, pelo qual se propunha a desapropriação de todas as jazidas de minerais radioativos do mundo, que ficariam sob controle “internacional”. O objetivo desse plano era “corrigir as injustiças da natureza”, que proporcionara materiais radioativos a quem não tinha tecnologia e os negara a quem a tinha. O representante do Brasil na Comissão de Energia Atômica da ONU, almirante Álvaro Alberto, pioneiro do programa nuclear brasileiro, desmontou a idéia ao dizer que concordava com a tese de corrigir as “injustiças da natureza” desde que o plano fosse estendido às demais riquezas minerais, como petróleo e carvão. Sessenta anos depois, com o Brasil na sexta posição no ranking mundial de reservas de urânio, o sonho do almirante de tornar o País autosuficiente em energia nuclear para fins pacíficos volta a ser uma possibilidade real. A decisão do presidente Lula de reiniciar a construção da usina nuclear de Angra III não apenas retoma uma obra que estava paralisada há 21 anos para fazer frente à nova ameaça de apagão no médio prazo. A nova central nuclear, cuja conclusão custará R$ 7,2 bilhões e deverá entrar em funcionamento em 2013, se insere numa concepção estratégica de médio e longo prazo. O Brasil, que nos últimos 30 anos aprendeu, a duras penas, a dominar o ciclo de enriquecimento de urânio, passará a enriquecê-lo em escala industrial para abastecer o complexo nuclear de Angra dos Reis. Hoje, o urânio brasileiro é enriquecido no Canadá e na Europa, porque ainda não temos escala. Por volta de 2013, quando Angra III estiver concluída, o Brasil será um dos quatro países do mundo com auto-suficiência no ciclo nuclear, desde a extração de urânio, passando pelo refinamento e chegando à construção de usinas. Hoje, somente os Estados Unidos, a Rússia e a China têm as reservas minerais e a tecnologia nuclear. As demais potências atômicas, como França e Reino Unido, não possuem matéria-prima. “Temos reservas de urânio, tecnologia para processá-lo e para fazer a usina”, argumenta o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. “Portanto, não usar essa fonte de energia é um atestado de burrice.” Além de Angra III, pelo menos mais quatro usinas deverão ser construídas pelos próximos governos. Na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que na segunda-feira 25 decidiu por 9 a 1 retomar a construção da usina, a entidade aprovou também o Plano Nacional de Energia 2030, que prevê um total de até oito novas usinas nucleares, dependendo da disponibilidade de outras fontes de energia. Aliás, as quatro novas usinas não serão idênticas às duas últimas da família Angra, compradas da Alemanha durante a década de 70 e que têm capacidade de geração de 1.350 MW. As novas usinas terão reatores com capacidade de 1.000 MW, e devem sair por US$ 2,5 bilhões a unidade, menos da metade do que custará Angra III. A retomada de Angra III estava na pauta do CNPE desde 2002. Sempre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi contra. O argumento reflete convicções ideológicas de parte significativa do movimento ambientalista mundial, que se opõe, por princípio, à energia nuclear, como se ainda vivêssemos nos tempos sombrios da guerra fria e das ameaças do Dr. Strangelove. “Com relação à opção nuclear, somos contra, não aceitamos”, repetia Marina em todas as reuniões. Outros ministros, como a própria Dilma Rousseff, ex-Minas e Energias, também eram contra, mas por razões econômicas. O que mudou de lá para cá? Primeiro, a percepção de que o País terá um apagão em breve se não aumentar a oferta de energia, principalmente se crescer mais de 4% ao ano, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo, os custos de geração de energia hidrelétrica aumentaram, porque há exigências de licenciamento ambiental. Isso criou até um conflito entre o governo e o Ibama por causa de uma suposta demora na concessão de licenciamento para duas hidrelétricas no rio Madeira.

A crise do mercado imobiliário nos EUA


Os mercados ao redor do mundo estão preocupados com o setor imobiliário nos Estados Unidos, que atravessou um boom nos últimos anos. O medo principal é sobre a oferta de crédito disponível, já que, há algumas semanas, foi detectada uma alta inadimplência do segmento que engloba pessoas com histórico de inadimplência e que, por conseqüência, podem oferecer menos garantia de pagamento --é o chamado crédito "subprime" (de segunda linha). Justamente por causa do alto volume de dinheiro disponível ultimamente, o "subprime" foi um setor que ganhou força e cresceu muito. A atual crise, assim, é proporcional à sua expansão. Como os empréstimos "subprime" embutem maior risco, eles têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos e bancos em busca de retornos melhores. Estes gestores, assim, ao comprar tais títulos das instituições que fizeram o primeiro empréstimo, permitem que um novo montante de dinheiro seja novamente emprestado, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Também interessado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos. Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito). No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso o pessimismo influencia os mercados globais. O estopim para a tensão mundial foi justamente uma notícia vinda da Europa, de que o banco francês BNP Paribas, um dos principais da região, havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias nos EUA. A instituição alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos. O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos imobiliários. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. Os investidores, então, começaram a ficar preocupados com o tamanho do prejuízo. Principalmente porque ninguém sabe, até hoje, quanto os bancos e fundos de investimento têm aplicados nesses créditos de alto risco. E o caso do Paribas sinalizou que esses problemas e medos haviam atravessado as fronteiras. Esse desconhecimento geral começou a provocar o que se chama de crise de liquidez (retração do crédito) no sistema financeiro. Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular --quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Para socorrer os mercados financeiros e garantir que eles tivessem dinheiro para emprestar, os principais bancos centrais do planeta --o BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o Banco do Japão, além de entidades da Austrália, Canadá e Rússia-- intervieram e liberaram bilhões de dólares em recursos aos bancos. O medo é que com menos crédito disponível, caia o consumo e o diminua o crescimentos das economias. Como a crise americana provoca aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --ou seja, oferta elevada--, os preços dos papéis caem.

IV - SOCIEDADE A evolução econômica das mulheres As mulheres já são 44% da população economicamente ativa do Brasil, segundo a Organização Internacional do Trabalho. Em uma década, 10,7 milhões de brasileiras ingressaram no mercado de trabalho. Seu poder crescente terá um impacto cada vez maior no desenvolvimento do País. Um estudo realizado em 2006 pelo Fórum Econômico Mundial concluiu que, quanto maior é a participação das mulheres na vida econômica de um país, mais desenvolvido ele é. Ou seja, lugar de mulher é na economia. Isso não significa que a função delas seja gastar o salário do companheiro. Ao contrário, elas conquistaram tamanha liberdade que, pela primeira vez no mercado brasileiro, existem mais cartões de crédito nas carteiras das mulheres do que nas dos homens. Atualmente, 50,2% dos 81 milhões de cartões estão em mãos femininas. Elas devem gastar R$ 86,4 bilhões neste ano com o dinheiro de plástico, de acordo com levantamento da Itaucard. “A mulher aprendeu a usar melhor o cartão do que o


homem”, diz Fernando Chacon, diretor de cartões do Banco Itaú. Em média, as mulheres gastam R$ 87 por mês no cartão, abaixo dos R$ 91 computados na média geral. Este é um reflexo de que elas ainda não têm salários iguais aos dos homens, mesmo quando estão na mesma posição hierárquica – as estimativas são de uma diferença de quase 20% a favor deles. Quando se junta toda a força de trabalho, a distância é maior ainda. No ano passado, os ganhos médios anuais das brasileiras foram de R$ 4,1 mil, pouco mais da metade dos R$ 7,9 mil obtidos pelos trabalhadores do sexo masculino. “A renda ainda não acompanhou o ingresso maior da mulher na economia”, diz Francisco de Moraes, chefe do Departamento de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Há um longo caminho pela frente para a equiparação financeira entre os gêneros e o crescimento dos tailleurs em meio aos ternos masculinos na direção das empresas. Levantamento com 97 companhias do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) mostra que 15% das mulheres têm cargo de diretoria e apenas 5% são vicepresidentes e presidentes. “Para atingir determinados cargos, as mulheres se esforçam mais, precisam provar um pouco mais que são competentes”, diz Chieko Aoki, presidente do Blue Tree Hotels e do Grupo de Mulheres Líderes (Lidem). Chieko se desdobra administrando hotel, cuidando do lar e presidindo o Lidem. É uma vantagem delas: a versatilidade e a facilidade de adaptação a muitos afazeres simultâneos. “A mulher corporativa trabalha em equipe e ainda toma conta da casa e cria os filhos sem culpa”, diz Viviânne Martins, responsável pela área de compras da Bayer. No mercado financeiro, elas já marcam presença há alguns anos. Em 2004, o fim do pregão a viva-voz acabou com um dos últimos redutos predominantemente masculinos da Bovespa. As negociações eletrônicas não distinguem o sexo dos operadores e elas invadiram as mesas das corretoras. Tornaram-se peças- chave nas estruturas e já são um terço dos profissionais de investimento. Trouxeram consigo características incomuns até então: tranqüilidade e sensibilidade para atender os clientes. A tradicional gritaria das mesas diminuiu. “As mulheres deixaram o ambiente de trabalho mais silencioso”, diz Roberto Lee, diretor da Win, serviço da Alpes Corretora. Não era para menos. “A mulher é mais ponderada. E os homens se controlam mais com a nossa presença”, conta a operadora Marcela Sieradzki. Será muito bom para o Brasil se a evolução do papel da mulher na economia continuar a ocorrer. Os estudos do Fórum Econômico Mundial mostram que elas já têm acesso semelhante ao dos homens em áreas como saúde e bem-estar, mas precisam avançar mais em participação e oportunidade econômica e em participação política. As atuais limitações nessas áreas impedem um nível maior de desenvolvimento, já que uma boa parte da população economicamente ativa não está sendo aproveitada. A Reforma Sindical Uma revolução silenciosa vem sendo tramada na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O presidente Lula enviará ao Congresso uma medida provisória que irá legalizar as centrais sindicais do País. A iniciativa será festejada com um almoço no Palácio da Alvorada que reunirá antigos inimigos sindicais CUT, Força Sindical, CGT, SDS, entre outras. A primeira pergunta que vem à cabeça é: o que a decisão muda no dia-a-dia dos 27 milhões de trabalhadores com carteira assinada? Nada. Pior: nos contracheques desses trabalhadores, a cobrança do imposto sindical continuará sendo obrigatória. Isso significa um sugador que engole cerca de R$ 1 bilhão anuais, assim distribuídos: 60% entre 15 mil sindicatos, 15% entre as federações e 5% para incontáveis confederações. O Ministério do Trabalho (MT) abocanha os restantes 20%. A novidade da vez é o aparecimento de mais uma boca para comer esse bolo: as centrais sindicais. Elas serão alimentadas com metade da fração destinada ao MT. Estimase que esse montante atinja R$ 100 milhões. Nos bastidores do sindicalismo, o texto presidencial vem causando um certo frisson. É que, ao legalizar as centrais, Lula poderá, involuntariamente, estar empurrando a CUT para escanteio, a central que ele ajudou a construir e que hoje é a maior do Brasil e da América Latina, com quase 3.500 sindicatos. Isso porque várias tendências da entidade estão rachando para formar novas centrais. Afinal, a central nascida do combativo sindicalismo do ABC dos anos 80 está, desde a posse de Lula, fazendo o papel de vidraça. "Eles estão perdidos, não sabem se defendem ou criticam o governo", diz José Maria de Almeida, do PSTU. Fundador da CUT ao lado de Lula, José Maria hoje coordena o Comlutas, uma entidade que reivindicará o status de central. Ligada ao PSTU, a Comlutas arrastou das fileiras da CUT cerca de 200 sindicatos. Outra sangria será provocada em breve por militantes da Corrente Sindical Classista (CSC), grupo ligado ao PCdoB que controla cerca de 500 sindicatos. As mudanças também atingem a Força Sindical, que tem 1.800 sindicatos filiados. Ela perderá sua vice-liderança para a novíssima União Geral dos Trabalhadores (UGT), sigla que nasce com 1.011 sindicatos, cumprindo com facilidade as exigências do decreto presidencial que exige que as centrais terão que contar com pelo menos 5% de entidades em sua base. Já as atuais confederações


estão agrupadas na chamada Nova Central. Com a legalização das centrais, estima-se que, até o final do ano, apenas seis das 18 centrais existentes sobreviverão.

MEIO AMBIENTE Aquecimento global e o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática Apresentado no dia 2 de fevereiro de 2007, em Paris, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) mais confirmou hipóteses do que revelou surpresas. Há 90% de certeza de que o aquecimento global é causado pelas atividades humanas, que seus efeitos no clima já começaram e que continuarão pelos próximos séculos, ainda que haja um corte nas reduções dos chamados gases estufa, que provocam o efeito conhecido pelo mesmo nome. O relatório, porém, traz dados mais consistentes e realistas que o da última versão, datada de 2001, pois os modelos de análise do clima foram bastante aprimorados nesses últimos anos. Com isso, uma questão particularmente preocupante para o Brasil tornou-se evidente: a dos extremos climáticos, que se caracterizam por pancadas de chuva violentas alternadas por longas secas, ondas de calor e furacões. A questão é especialmente grave no Brasil, um país já marcado por muitos extremos climáticos, o que implica em secas, enxurradas, deslizamentos de encostas, inundações e vendavais, os quais certamente irão se intensificar. Por isso, eles têm o potencial de perturbar a vida dos brasileiros tanto ou mais do que o aumento de temperatura propriamente dito. São exemplos de extremo climático o furacão Catarina, evento raro em território nacional, que prejudicou agricultores e desabrigou famílias no sul do país em 2004, e ainda a seca na Amazônia em 2005, que levou a região a apresentar o menor índice pluviométrico em quase meio século. Sem falar na maior temperatura já registrada na história do país: 44,6º C na cidade de Bom Jesus (PI), também em 2005, e as inundações em Minas Gerais e São Paulo neste início de 2007. Tanto os extremos climáticos quanto o aquecimento estendem seus efeitos para o campo econômico. Os sintomas dessa crise ambiental atingem diretamente a agricultura. A redução nos lucros do agronegócio, que responde por mais de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) poderá causar prejuízos de até 10% à riqueza nacional, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (CEPEA/Esalq), de São Paulo. A entidade alerta para o fato de que em 2006 a safra de soja diminuiu em mais de 10% em relação ao ano anterior por causa do clima seco. Os prejuízos econômicos, no caso, não se limitam à somente à própria diminuição dos grãos, pois a soja faz parte de várias cadeias alimentares de animais criados no Brasil, sendo a base de rações de aves e suínos. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade estadual de Campinas (Cepeagri/Unicamp), também no Estado de São Paulo, revela que, num cenário mais pessimista, as safras dos principais grãos cultivados no Brasil podem cair pela metade no próximo século. Responsável por 5% do PIB do agronegócio brasileiro, o café seria o produto mais prejudicado, com queda de 90% na produção. O grão deixaria de existir para sempre nas zonas tradicionais de cultivo, como o Oeste paulista, para ser produzido somente em regiões do território nacional com temperaturas mais amenas, como o Paraná e o Rio Grande do Sul. Se pesquisas como essas são efetivamente assustadoras, por outro lado, elas são simultaneamente uma forma de combater os problemas. O estudo do Ceagri/Unicamp cruza as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática com o zoneamento de risco climático das cinco principais culturas agrícolas do Brasil (café, arroz, milho, feijão e soja), de modo a prever o quê, quando e onde se pode plantar diminuindo os prejuízos por causa do clima. Isto é, a pesquisa permite avaliar que zonas seriam aptas para o plantio das culturas selecionadas, se houvesse um aumento de 1,5º C, 3º C, ou 6º C, determinando em que áreas de cultivo o aquecimento global faria as temperaturas ultrapassarem os limites de cada um desses produtos, provocando queda na produção. Desse modo, o projeto do Ceagri/Unicamp, que também conta com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pode antever e propor soluções que reduzam a perda de 70% da área agrícola do Brasil. Mas os caminhos que os cientistas da Embrapa apostam para adaptar a agricultura brasileira aos novos cenários climáticos são o melhoramento genético e a substituição de culturas. É preciso desenvolver, num primeiro momento, espécies mais resistentes ao calor, num segundo plano, espécies que possam aumentar a limpeza da atmosfera, como a produção de matéria-prima para a bioenergia. Líder mundial do uso de biocombustível como fonte de energia para o transporte, o Brasil pode até lucrar com a crise, uma vez que a União Européia, por exemplo, já decidiu ter 10% de sua frota de carros movida a álcool até o ano de 2020. O que o país não pode é ficar de braços cruzados: precisa urgentemente reduzir a emissão de gases estufa,


principalmente a partir da diminuição das queimadas, que representam 75% das emissões, segundo dados da ONG WWF-Brasil (World Wildlife Fund/Fundo Mundial para a Natureza). O Brasil está entre os 10 maiores países poluidores do planeta. Tsunami nas Ilhas Salomão Um tsunami atingiu cidades e aldeias das Ilhas Salomão, no Pacífico Sul, após forte um terremoto de 8,1 graus na escala Richter, de acordo com sismólogos. O tremor foi registrado às 7h40 de segunda-feira – 02/04/07 - (17h40 de domingo, em Brasília) e teve como epicentro uma área de 350 km ao noroeste da capital, Honiara, com uma profundidade de 10 km, segundo o US Geological Survey e o Observatório de Hong Kong. Pelo menos 15 pessoas morreram. "Algumas aldeias foram completamente devastadas", segundo Fred Fakari, presidente do Conselho Nacional das Catástrofes do arquipélago. "Temos informações de 15 mortos, em sua maioria perto de Gizo, capital da província ocidental, mas não tenho notícias sobre o balanço das outras ilhas", afirmou o primeiro-ministro da região, Alex Lokopio. Mais cedo, o Centro de Alerta dos Tsunamis no Pacífico havia lançado um alerta para Ilhas Salomão, Austrália, Indonésia, Papuásia Nova Guiné, Vanuatu, Nauru, Nova Caledônia, Tuvalu e Ilhas Marshall. O centro havia avisado que "um terremoto desta magnitude pode provocar um tsunami devastador capaz de alcançar em alguns minutos as costas da região próxima ao epicentro". O arquipélago de Salomão, 2.575 km a leste da Austrália, tem pouco menos de 500 mil habitantes distribuídos em dezenas de ilhas. O Bolsa-Floresta Primeiro, eram somente os ecologistas a falar sobre as questões ambientais e, especificamente no Brasil, a insistir na mesma tecla de preservação da Amazônia - alguns deles eram até rotulados de maçantes, mesmo porque, em toda causa em seu início, os ativistas são mais passionais, menos racionais. Depois vieram os artistas e o tema ecologia foi se popularizando. Finalmente, na luta ambiental e principalmente na corrida pela redução de gases poluentes que formam a grande estufa a sufocar a Terra entraram empresários e banqueiros, a comunidade científica em geral e a classe política. É nesse terceiro estágio que o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), coloca-se pioneiramente no Brasil. No Dia Nacional do Meio Ambiente, ele sancionou a primeira Lei Estadual de Mudanças Climáticas e o Projeto de Fundo Ambiental. As duas iniciativas, inéditas, têm o objetivo de proteger um dos raros santuários ambientais que ainda restam no mundo: a Floresta Amazônica. A sua vital importância deve-se à vegetação que absorve a umidade do oceano Atlântico e assim mantém a estabilidade do clima e do regime de chuvas da América do Sul até o leste da Cordilheira dos Andes. É ela também que regula a quantidade de gás carbônico presente na atmosfera. O governador Eduardo Braga cria a primeira Lei Estadual de Mudanças Climáticas. Um carro que rode 20 km por dia emite anualmente 1,87 tonelada de CO2. Para neutralizar essas emissões é preciso plantar nove árvores a cada ano. O Estado do Amazonas possui 33% da área da Floresta Amazônica e o reflorestamento de áreas destruídas representa poderosa arma contra os efeitos do aquecimento global. A nova lei ataca o problema da vegetação na raiz: cria mecanismos fiscais e financeiros para incentivar a redução dos impactos ambientais e abre caminho para que as empresas reduzam a emissão de CO2 - sistema chamado carboneutralização. "Isso é inédito no Brasil", diz Braga. A lei estipula uma cota máxima de emissão de carbono (ainda a ser calculada) para fazendeiros e grandes indústrias da região. Caso alguém ultrapasse essa cota, terá de compensar o extra através de reflorestamento. Quem porá a mão na enxada é gente contratada pelo governo e quem arcará com os custos é o infrator. "Estou combinando preservação ambiental com geração de renda, trabalho e desenvolvimento. É disso que a região precisa para crescer em bases sustentáveis", diz o governador. Apenas com companhias situadas no Amazonas, Braga estima arrecadar US$ 100 milhões - o que dá a noção do quanto se emite poluentes além de limites toleráveis. Em uma segunda etapa, vai ao Exterior para convencer as indústrias, que poluem demais por lá, a compensarem os seus excessos investindo aqui - ou seja, também no reflorestamento da Amazônia. "Arrecadarei US$ 1 bilhão até 2010", diz ele. Para se ter uma idéia da importância da nova lei de compensação por cotas quando o assunto é reflorestamento, vale lembrar que são necessárias seis árvores para compensar o que um carro polui em um ano. Mais ainda: uma árvore absorve anualmente, em média, três toneladas de dióxido de carbono, enquanto uma pequena queimada pode emitir 350 toneladas de poluentes. Finalmente, árvores novas são vitais porque elas têm os seus "pulmões" funcionando muito bem e, assim, absorvem aproximadamente 5,5 toneladas de CO2 por ano - enquanto as mais adultas, com os "pulmões" já um pouco "cansados", absorvem 1,5


tonelada. Pequenas queimadas emitem 350 toneladas de dióxido de carbono. O mercado de crédito de carbono poderá gerar US$ 30 bilhões ao Brasil até 2012. Os recursos desse Fundo de Carboneutralização serão aplicados em quatro grandes segmentos: fiscalização, apoio à produção sustentável, desenvolvimento social (melhoria na educação e na saúde) e criação do Bolsa Floresta que destinará mensalmente R$ 50 a cada família que combater o desmatamento. Para isso, o Amazonas possui atrativos para fazer parcerias com o setor privado e um deles é a parcela de áreas intocadas na chamada Amazônia Continental: 68 milhões de hectares. Nessa conta estão incluídas as unidades de conservação (estadual e federal) e as terras indígenas. Para atrair empresas e bancos locais ao Bolsa Floresta e ao fundo de reflorestamento, o governo criará uma espécie de selo verde. "Trata-se de um instrumento de marketing capaz de diferenciar um produto aos olhos do consumidor, principalmente no Exterior", diz Braga. É dessa forma que o Amazonas inaugurará um novo período na história da preservação do ambiente. Afinal, cuidar da nave-mãe Terra é um compromisso não só dos "pilotos", mas de toda a "tripulação".

A polêmica sobre a transposição das águas do São Francisco Faz 189 anos que o sertanejo ouve uma idéia milagrosa que depende de São Francisco. A esperança desse povo sofrido é acabar como uma desgraça que já vitimou cerca de três milhões de pessoas: a falta d'água. Dessa parte do Brasil, 25 milhões de pessoas migraram para outros Estados, num êxodo de proporções bíblicas. Uma dessas vítimas da falta d'água foi o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que montou em 1953 na caçamba de um caminhão pau-de-arara com a sua mãe, Lindu, e seus irmãos. Lula foi um dos sertanejos que cresceram ouvindo dizer que a transposição das águas do rio São Francisco seria a solução para todas essas mazelas. Uma idéia que surgiu quando o Brasil ainda era Reino Unido a Portugal e Algarves, governado por Dom João VI. Seis projetos foram tentados ao longo desses quase dois séculos - mas nunca saíram do papel. Lula resolveu enfrentar de vez as resistências. Em Cabrobó, no sertão pernambucano, 47 homens do Exército trabalham na abertura do primeiro canal da propalada transposição, até há pouco enroscada em impedimentos judiciais e na oposição de um sem número de organizações não-governamentais. Em uma semana de trabalho, já estavam demarcados os pontos da primeira parte dos 740 quilômetros de canais projetados para levar água do Velho Chico ao semi-árido de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. É o maior negócio do governo federal. Até 2010, a previsão é de que a obra consuma pelo menos R$ 6,6 bilhões. Por enquanto, porém, tudo não passa de um grande ensaio. As licitações para a contratação das empreiteiras que sucederão o serviço dos militares e serão encarregadas de executar mais de 80% do projeto estão atrasadas. São mais de 110 propostas. O processo deve levar mais um mês. Isso se não houver nenhuma contestação de resultado, o que é praticamente improvável em se tratando de um serviço bilionário. O megaprojeto divide opiniões, mas a verdade é que há um certo exagero. Existem outros entraves para operar o milagre de São Francisco com que sonha o presidente Lula. A Controladoria Geral da União ordenou que não seja aberta a proposta da Gautama, a construtora que patrocinava a máfia da Navalha e que se habilitou para concorrer a um dos 14 lotes em que a obra foi dividida. Isso põe a licitação em risco porque a própria Gautama, mais tarde, pode tentar na Justiça anular o processo. Enquanto as empreiteiras não vêm, o Exército capina pasto e demarca os pontos onde vai ser escavado o primeiro canal. Avançar, não pode. Faltam ainda o biólogo e o engenheiro florestal para avalizar o desmate das primeiras porções de caatinga. O aquecimento global e o derretimento no Ártico Mesmo divergindo sobre as causas do fenômeno, a comunidade científica é unânime: o Ártico está derretendo. Segundo um estudo do Arctic Climate Impact Assessment (ACIA), publicado em 2004, 4,988 milhões de km2 de geleiras – quase 60% da superfície do Brasil – desapareceram ao longo dos últimos 30 anos. Em perspectiva, o desaparecimento das geleiras permitirá a exploração de jazidas de petróleo e minérios (diamante, ouro, prata, cobre, chumbo, zinco) hoje inacessíveis. Um potencial formidável emerge das profundezas. É ainda mais atraente por se situar em zona geopolitica muito mais estável do que o Oriente Médio. Em teoria, o Ártico pode oferecer um meio de contornar a Organização dos Países Exploradores de Petróleo (OPEP) e garantir às nações costeiras sua própria segurança energética, além da possibilidade de atender à crescente demanda de países emergentes como a China


e a Índia. A zona reivindicada por Moscou forma um triângulo de 1,2 milhões de km2, ligando Murmansk, Tchukota e o Pólo Norte. Nessas águas, repousariam, virgens, mais de 10 bilhões de toneladas de hidrocarbonetos – o equivalente às reservas do Golfo Pérsico. Os Estados Unidos, que estimavam produzir apenas 30% de seu consumo de petróleo em 2015 – contra 70% produzidos hoje –, preparam-se para apresentar um requerimento a fim de estender sua zona costeira por 600 milhas (965 km), a partir do litoral do Alasca. Porém, um “iceberg” de porte bloqueia seu caminho: eles não ratificaram a Convenção do Mar da ONU, sem a qual qualquer reivindicação territorial é inadmissível. É por isso que o governo George W. Bush apressa-se em fazer dessa ratificação uma prioridade.Enquanto isso, uma expedição norte-americana tomou o rumo do Pólo Norte. E outra, norte-americano-norueguesa, explora a Dorsal de Gakke, situada entre a Sibéria e a Groenlândia. Em 12 de agosto, a Dinamarca enviou uma equipe de cientistas para tentar provar que a Dorsal de Lomonosov é uma extensão da Groenlândia. Essas operações também integram a agenda do Ano Polar, sob a nobre justificativa de reforçar a pesquisa científica e desenvolver a cooperação internacional. O interesse científico é real. Mas o interesse econômico é ainda mais. Aliás, a última cúpula do G-8 foi bem clara, ao reunir, em uma mesma sessão de trabalho, a discussão sobre as mudanças climáticas e a utilização dos recursos naturais. Outro desafio importante, ainda relativo ao aquecimento do planeta: a abertura progressiva de novas vias de comunicação. A navegabilidade na Passagem do Noroeste, ao longo das costas canadenses, reduziria em 7 mil km a rota entre a Europa e o Japão, e em 8 mil km o trajeto entre os Estados Unidos e a China. Portanto, todos os olhares estão voltados para ela. Entretanto, a Passagem do Noroeste é, hoje, objeto de conflito: a União Européia e principalmente os Estados Unidos contestam a soberania do Canadá sobre ela. Washington considera esse canal, que se insinua entre as ilhas canadenses e liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, uma rota marítima internacional de livre navegação. Ottawa sustenta que ele faz parte de suas águas territoriais e defende com unhas e dentes tanto a sua “soberania” quanto “a proteção ao meio ambiente”.

SEGURANÇA Massacre na Universidade Virginia Tech A tragédia do estudante que matou 32 pessoas no campus da Universidade Virginia Tech e se suicidou, em abril de 2007, não é a primeira com essas características. Ela aconteceu na mesma semana de abril em que os Estados Unidos lembravam o oitavo aniversário de atentado semelhante à escola de Columbine. Haviam se passado quase 41 anos desde o agosto de 1966, em que Charles Whitman subiu em uma torre de observação na Universidade do Texas, abriu fogo e matou ao menos 16 pessoas. Todos os assassinos estudavam nas instituições que atacaram. Na Virginia Tech, o sul-coreano Cho Seung-Hui, 23 anos, usou duas pistolas: uma Glock de calibre 9 mm e uma Walther de calibre 22, adquiridas legalmente. Tiroteios aleatórios acontecem em outros países, como Austrália, Reino Unido e Alemanha, não apenas em escolas, mas em parques, shopping centers, lugares públicos. No Brasil, em São Paulo, um universitário atirou contra a platéia de um cinema, feriu dezenas de pessoas e assassinou três, em 1999. As instituições de ensino parecem ser o alvo preferido para esses ataques: A da Virginia Tech foi a 41ª chacina desse tipo nos Estados Unidos, e a mais grave até agora. Operação navalha Uma semana após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentar seu balanço dos primeiros 100 dias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), descobriu-se que já atuava no Brasil uma quadrilha especializada em desviar para o ralo da corrupção as verbas desse plano idealizado para permitir ao País um pulo no seu desenvolvimento. Na manhã da quinta-feira 17/05/07, a Polícia Federal desbaratou a organização criminosa composta de 49 pessoas, dedicada a fraudar licitações de obras do Orçamento nas áreas de infra-estrutura, especialmente transportes e energia. Em pouco mais de 12 horas, 47 pessoas do esquema estavam presas. As falcatruas começaram na cidade de Camaçari, na Bahia, e se


estenderam por dez Estados, sugando verbas dos ministérios de Minas e Energia, Integração Nacional, Cidades e Transportes. O modus operandi assemelha-se muito ao praticado pelos sanguessugas, que roubavam recursos na área da saúde. Novamente, há uma empreiteira que comanda a quadrilha. Outra vez, há assessores de ministérios empenhados em liberar as verbas. De novo, governadores e prefeitos envolveram- se para dirigir licitações e beneficiar a empreiteira. A diferença, agora, está no tamanho dos peixes graúdos envolvidos. Nunca tantos políticos foram incriminados numa operação policial: dois prefeitos, um governador, um ex-governador, três parentes de governadores e ex-governadores, mais altos funcionários de ministérios. A importância das credenciais desses personagens é suficiente para se imaginar a gravidade dos próximos desdobramentos do escândalo, nos Estados e no governo federal. A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, tão logo tomou conhecimento do tamanho do esquema e do peso dos envolvidos tratou de emitir um sinal de alerta. Disse que essas prisões devem servir de exemplo a todos aqueles que acreditam na impunidade. O envolvimento do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), e do seu antecessor e aliado, José Reinaldo Tavares (PSB), pode provocar uma reviravolta política no Estado. O mesmo corre o risco de acontecer em Alagoas, onde caiu toda a cúpula da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado, indicada pelo PMDB. O mesmo PMDB do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos principais protagonistas do governo de coalizão liderado pelo presidente Lula. O chefe da nova quadrilha, Zuleido Veras, dono da Construtora Gautama Ltda., é amigo de Renan há mais de 30 anos. Políticos como a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, receberam doações de campanha da Gautama. Por muito pouco, a Operação Navalha não terminou com a prisão de um governador em pleno exercício das suas funções. A PF pediu a prisão preventiva de Jackson Lago, que acabou negada pela ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon. O que aparece, porém, nas escutas telefônicas feitas pela PF é muito grave para Lago, e pode acabar servindo como motivação para um possível processo de impeachment. Dois sobrinhos do governador, Alexandre Maia Lago e Francisco de Paula Lima (conhecido como Paulo Lago), aparecem nos grampos negociando uma propina de R$ 240 mil. Em troca, conseguiriam que irregularidades na obra de uma ponte fossem ignoradas e que se liberasse para a Gautama R$ 2,9 milhões. A máfia dos caça-níqueis Na matemática da polícia paulista, as máquinas de caça-níqueis chegam à incrível marca de 300 mil espalhadas pelo Estado e alimentam um esquema criminoso que movimenta mais de R$ 18 milhões por mês, apenas com a distribuição de propinas. Trata-se de uma cifra surpreendente que só veio à tona por causa de um banal acidente de trânsito envolvendo o carro do advogado Jamil Chokr. Ele é defensor dos donos de casas de bingos e em seu automóvel foram encontradas peças de caça-níqueis, relatórios de pagamentos e R$ 27 mil em envelopes destinados a 29 distritos e delegacias seccionais de São Paulo. Um verdadeiro mapa da corrupção, que dias depois era comprovada em telefonemas grampeados oficialmente pela Polícia Federal. A maior parte do dinheiro fica com o delegado titular. Outra parte, menor, vai para o delegado assistente e outra igual retorna para o “recolhe”. O relatório entregue aos deputados identifica o advogado Chokr como um dos muitos emissários que atuam no Estado. Nas investigações ainda preliminares feitas pelos deputados Vanderlei Siraque (PT) e Major Olímpio Gomes (PV), a campeã em arrecadação de propina é a 1ª delegacia seccional, no centro da capital. Por ali passariam cerca de R$ 1 milhão a cada 30 dias. O relatório esmiúça o esquema em detalhes: segundo o documento com mais de dez páginas impressas, o dono do bingo paga R$ 10 ao investigador pelo selo que permite a utilização do caça-níquel e R$ 50 para ter a permissão de uso sobre cada máquina. Os policiais também faturam sobre cada cartela de bingo. Nos cálculos de Major Olímpio, deputado e oficial da Polícia Militar, um delegado titular que participa da rede criminosa e permanece por dois anos numa das delegacias mais visadas pode se considerar um homem rico. Cada máquina de caça-níquel gera para cada delegado envolvido cerca de R$ 350 por semana. Porém, como são milhares de máquinas, o faturamento é altíssimo. As máquinas são previamente programadas e oferecem uma possibilidade de apenas 5% a 10% para o jogador. O documento entregue aos parlamentares mostra uma outra faceta pouco conhecida, mas não menos lucrativa. Durante operações de apreensão dos caça-níqueis, os policiais retiram três estruturas básicas das máquinas – o roteiro, a placa de jogo e o chicote. Sem isso, as máquinas jamais funcionariam. O problema é que o material apreendido acaba sendo vendido a outros bingos, de outras regiões. Estima-se que cada conjunto dessas peças seja comercializado por R$ 650. Material para ser investigado não falta. Os deputados, no entanto, temem que as apurações feitas pela Corregedoria da Polícia acabem atingindo apenas os “recolhes”. Marginais da CLASSE MÉDIA


Em 1997, a Unesco reuniu cientistas, políticos e estudiosos em Utrecht, na Holanda, para discutir como lidar com a violência entre crianças, adolescentes e jovens em escolas européias. Um dos primeiros problemas do grupo foi chegar a um acordo sobre o que identifica alguém violento. Termos como “comportamento indesejável” ou “antisocial” e atitudes “politicamente incorretas” apareceram para descrever jovens “normais” e sem aparentes tendências à delinqüência, mas que, um dia, fizeram algo gravíssimo. Dez anos depois, essas questões permanecem desafiando pais, escolas e governos. O que leva jovens com família, dinheiro e acesso à boa educação a se comportarem como bárbaros sem motivo aparente? Este é o debate no qual o Brasil se envolve após tomar conhecimento de que um grupo de garotos da classe média alta carioca espancou covardemente uma empregada doméstica que estava sozinha em um ponto de ônibus, na madrugada do domingo 24/06/07. Até então, eles eram considerados “mimados”, “arrogantes”, segundo vizinhos e colegas de faculdade que não quiseram se identificar. Agora são criminosos.

O Governo do RJ adota a estratégia do confronto As facções de traficantes do Rio de Janeiro explodiram os planos de Segurança Pública de sucessivos governadores fluminenses – de Leonel Brizola ao casal Garotinho (primeiro ele, depois a mulher, Rosinha), passando por Moreira Franco, Marcello Alencar e Benedita da Silva. Desde o início desse processo, na década de 80, não se via uma ação policial com índice de aprovação semelhante ao da mega-operação realizada no Complexo do Alemão a poucos dias da abertura do Pan. “Temos recebido manifestações de apoio”, comenta o governador Sérgio Cabral (PMDB).Mesmo os questionamentos sobre como foram mortas 19 pessoas no conflito não o fazem mudar de rumo. “As comissões de direitos humanos da Assembléia Legislativa e da OAB estão fazendo seu trabalho legítimo. Eu estou fazendo o meu, que é combater o crime”, diz. Na avaliação do governador, o atual estágio da criminalidade não permite evitar o confronto. A operação foi a primeira iniciativa visível da estratégia traçada por Cabral, apoiada em dois pilares: livrar a Segurança Pública da influência dos políticos e efetivar a integração com o governo federal, que cedeu três mil homens da Força Nacional de Segurança (FNS) e liberou R$ 1,6 bilhão para obras no Alemão. A guerra ao tráfico foi declarada e o plano para as próximas batalhas já está traçado. A tarefa de levar adiante o combate ao crime está a cargo do gaúcho José Mariano Beltrame, escolhido por Cabral para comandar a Secretaria de Segurança Pública. Delegado federal, ele é um dos responsáveis pela elaboração do sistema de inteligência que hoje a PF usa em suas elogiadas operações. “Me guio pelo que as investigações indicam”, diz ele. Foi assim que ele elegeu o Complexo do Alemão como primeiro grande alvo. “Nosso trabalho apontou que o coração do Comando Vermelho está ali”, explica. Os possantes aparelhos de escuta localizados no terceiro andar da secretaria continuam monitorando os criminosos do Alemão e novas operações podem ocorrer no local. Quanto a futuras ações policiais na Rocinha, na Mangueira ou no Complexo da Maré, anunciadas pela imprensa, o secretário indica que uma surpresa está por vir. Ele reconhece que a decisão do governador de despolitizar o trabalho policial foi muito importante. Antes, políticos de vários níveis escolhiam comandantes de batalhões da PM, tinham os oficiais como “subordinados”. Desde janeiro, isso mudou. “Um prefeito do interior reclamou comigo: ‘O senhor tirou o meu comandante.’ Respondi: ‘Tirei o seu comandante e coloquei o meu’”, conta Beltrame. A integração com o governo federal é outro ponto fundamental. De acordo com Beltrame, sem a ajuda da FNS o resultado da ofensiva no Alemão não teria sido o mesmo. Mas a parceria entre Lula e Cabral vai bem mais longe. Na segunda-feira 02/07, o presidente esteve no Rio para anunciar a liberação de R$ 1,6 bilhão para a reurbanização do Alemão e mais R$ 2,2 bilhões em outros investimentos sociais no Estado.

TRANSPORTES Aviação Civil: órgãos responsáveis pelo tráfego aéreo no Brasil O atraso das aeronaves e o controle do tráfego nos céus do Brasil, os quais têm ocorrido freqüentemente desde a metade do ano de 2006, acabaram sendo batizados de "apagão aéreo" uma referência ao "apagão" de fato, a crise de energia elétrica de 2001-2002. Sobre o tema, definido, relevante e urgente, talvez ainda venha a ser instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Independentemente disso, o público em geral tem sido bombardeado incessantemente pela mídia com uma série de informações e siglas sobre as entidades ligadas à questão (Anac, Infraero, Cindacta, Decea, etc.). Portanto, não há dúvida de que vale fazer um sobrevôo sobre


todas elas, para deixar mais claro o que são e fazem cada uma dessas instituições. Para começar, todas elas respondem ao Ministério da Defesa, que exerce a direção superior das Forças Armadas, divididas em três Comandos, Marinha, Exército e Aeronáutica. Este último, evidentemente, é o mais diretamente relacionado aos órgãos de que se vai falar em seguida. Lcp nº. 97/99: Segundo a Lei Complementar nº. 97, de 9 de junho de 1999, que dispõe sobre as normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas, compete à Aeronáutica, entre outras atribuições, as especificadas em três das quatro primeiras alíneas do artigo 18, transcritas a seguir: 1) Orientar, coordenar e controlar as atividades de aviação civil; 2) Prover a segurança da navegação aérea; 4) Estabelecer, equipar e operar, diretamente ou mediante concessão, a infra-estrutura aeroespacial, aeronáutica e aeroportuária. A alínea 3 se refere à política aeroespacial e, portanto, não vem ao caso aqui. Pois bem, para dar conta dessas missões, o Comando da Aeronáutica dispõe de órgãos que lhes são subordinados e/ou vinculados e dos quais se vão destacar em seguida os mais importantes no que se refere ao nosso tema. Antes disso convém esclarecer que os órgãos subordinados têm caráter militar e se inserem na hierarquia da Força Aérea Brasileira (FAB), enquanto os órgãos vinculados - isto é, que têm vínculos, ligações - são entidades civis. Controle do espaço aéreo: O controle do espaço aéreo é a parte da infra-estrutura aeronáutica que se refere a garantir a fluidez, a regularidade e a segurança da circulação aérea no país. Isso implica o gerenciamento da movimentação de aeronaves, tanto militares quanto civis, no espaço aéreo de responsabilidade do Brasil. Para realizar esse trabalho, existe um Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab), que tem como seu órgão central o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que é o responsável pelo planejamento, regulamentação, cumprimento de acordos, normas e regras internacionais relativas à atividade de controle do espaço aéreo. Ao mesmo tempo, o departamento também se responsabiliza pela operação, atualização e manutenção de toda a infraestrutura de meios necessários à comunicação e navegação aérea, nacional e internacional, que circula no espaço aéreo brasileiro. O Decea incorpora as atividades multidisciplinares de gerenciamento de tráfego aéreo, meteorologia, comunicações, informações aeronáuticas, inspeção em vôo, cartografia, tecnologia da informação, formação e aperfeiçoamento dos recursos humanos para o sistema, bem como a logística de implantação da infra-estrutura e manutenção de auxílios à navegação aérea, aproximação e pouso. Cindacta: Ao Decea estão subordinados os Cindacta - Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo -, cada uma das unidades que tem como missão a vigilância e o controle da circulação aérea geral, bem como a condução das aeronaves da FAB que zelam pela soberania do espaço aéreo brasileiro, na área definida como de sua responsabilidade. O sistema é composto por quatro unidades, responsáveis pelas seguintes áreas: Cindacta 1 (Brasília): Quadrilátero Rio de Janeiro - São Paulo - Belo Horizonte - Brasília; Cindacta 2 (Curitiba): Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), Mato Grosso do Sul e parte sul de São Paulo; Cindacta 3 (Recife): Região Nordeste e área oceânica que separa o Brasil da África e da Europa; Cindacta 4 (Manaus): Região Amazônica. Aeroportos e regulamentação: Já a infra-estrutura dos aeroportos é de responsabilidade específica da Infraero - Aeroportos Brasileiros, uma empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa. Ela administra 67 aeroportos, 81 unidades de apoio à navegação aérea e 32 terminais de logística de carga. Entre os aeroportos encontram-se desde os maiores do país até alguns tão pequenos que sequer recebem vôos comerciais regulares - é o caso de aeroportos cuja função é representar a soberania nacional em áreas longínquas. Quanto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ela tem como finalidade regular e fiscalizar as atividades de aviação civil, bem como adotar as medidas necessárias para o atendimento do interesse público. Além disso, é sua missão incentivar e desenvolver a aviação civil, a infra-estrutura aeronáutica e aeroportuária do país. Originada a partir do antigo Departamento de Aviação Civil (DAC), a Anac é uma autarquia especial, com independência administrativa, com personalidade jurídica própria, patrimônio e receitas próprias para executar atividades típicas da administração pública, que requerem, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. A Anac está vinculada ao Ministério da Defesa e tem como funções: a) manter a continuidade na prestação de um serviço público de âmbito nacional; b) preservar o equilíbrio econômico-financeiro dos agentes públicos e privados responsáveis pelos diversos segmentos do sistema de aviação civil;


c) zelar pelo interesse dos usuários e consumidores; d) cumprir a legislação pertinente ao sistema por ela regulado, considerados, em especial, o Código Brasileiro de Aeronáutica, a Lei das Concessões, a Lei Geral das Agencias Reguladoras e a Lei de criação da Anac. É a ela que os passageiros devem se reportar no que se referem aos problemas que têm agitado os aeroportos brasileiros nos últimos tempos. Controladores de vôo pedem perdão por motim A ABCTA (Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo), entidade que representa os controladores de vôo militares, recuou no desafio à cúpula da Aeronáutica e pediu "perdão à sociedade brasileira" pelo motim realizado do último dia 30/03/07, que provocou a paralisação do tráfego aéreo em todo o país. "Que o dia 30 de março seja lembrado como 'um grito de socorro aos Controladores de Tráfego Aéreo' e não como uma simples rebelião de militares. Pedimos perdão à sociedade brasileira e paz para voltarmos a executar com maestria nosso trabalho", afirma a ABCTA, em nota divulgada no site da entidade nesta quinta-feira. O recuo dos controladores militares ocorre um dia após o presidente Lula anunciar o fim da crise aérea, dizendo que "os aeroportos brasileiros vão encontrar paz e normalidade, não apenas na Semana Santa, mas daqui para a frente". Lula também disse ontem que "as pessoas precisam aprender que, no regime democrático, o respeito às instituições e à hierarquia é fundamental". Fazendo eco às palavras do presidente, os controladores reafirmam na nota de hoje o respeito às "bases do militarismo: hierarquia e disciplina". Os controladores amotinados agora enfrentam inquéritos policiais militares por insubordinação. Na sexta-feira 30/03, o motim começou com a paralisação de 200 controladores de vôo no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e ganhou a adesão de controladores de outros Estados. As decolagens acabaram paralisadas em todo o país. A cúpula da Aeronáutica resolveu prender os militares insubordinados, mas foi desautorizada pelo presidente Lula, que resolveu negociar com os amotinados. Por meio do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o governo comprometeu-se a aceitar as exigências dos amotinados: iniciar a desmilitarização do controle aéreo e evitar punições contra os grevistas. Na segunda-feira, Lula voltou atrás nos seus compromissos assumidos com a categoria e entregou o caso à cúpula da Aeronáutica. Ao mesmo tempo, a Justiça Militar abriu inquérito policial militar para investigar os controladores. O acidente com o avião da TAM O maior acidente da história da aviação brasileira, envolvendo o vôo 3054 da TAM, ocorreu na terçafeira (10/07/07), um avião Airbus A320 da TAM, com 187 pessoas a bordo, não conseguiu pousar no aeroporto de Congonhas e explodiu após bater no prédio da TAM Express, matando cerca de 200 pessoas. Os números sobre o acidente com o jato da TAM superam os relacionados ao desastre ocorrido no final de setembro de 2006 com o Boeing da Gol, que se chocou contra um jatinho da Embraer durante o vôo 1907, matando 154 pessoas.

SAÚDE Medicamento Arcoxia é barrado nos EUA O conselho da FDA (a agência reguladora de medicamentos e comida dos EUA) rejeitou ontem, por 20 votos a 1, o pedido da farmacêutica Merck para comercializar a pílula Arcoxia, usado como analgésico e antiinflamatório, no mercado americano em abril/07. O argumento é que o remédio pode aumentar riscos de doenças coronarianas. O medicamento é hoje o antiinflamatório de poder analgésico mais vendido no Brasil em sua categoria, largamente indicado no tratamento da artrite, por exemplo. Ele é da mesma classe do Vioxx, retirado do mercado em 2004 por causa do risco de complicações cardiovasculares. Há ainda pelo menos três outras drogas de ação semelhante no mercado. Segundo a FDA, só nos EUA a Arcoxia poderia causar 30 mil infartos por ano. "Trata-se do maior desastre de saúde pública em potencial", diz David Graham, médico-conselheiro da agência americana. Nas farmácias brasileiras, a apresentação de 120mg do Arcoxia, com quatro comprimidos, é vendida, em média, por R$ 34. O medicamento é comercializado hoje em outros 62 países, além do Brasil. A FDA afirma que a


Arcoxia tem três vezes mais chances de induzir um infarto que drogas da mesma classe. Depois de uma bateria de testes com 34 mil pacientes que sofrem de artrite nos EUA, a FDA avalia que a substância "etoricoxib" não é mais eficaz no alívio da dor e aumenta a pressão arterial. O conselho da FDA não tem poder de veto, apenas recomenda ou não a liberação de uma nova droga no mercado. Historicamente, a agência segue a orientação dos conselheiros. A decisão final sai até o fim do mês. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve se pronunciar hoje sobre a decisão do FDA. Para a Merck, os riscos da Arcoxia não são maiores que os do diclofenaco, remédio amplamente usado em todo o mundo como antiinflamatório. O fabricante diz que 21 milhões de americanos que sofrem de artrite precisam de uma nova droga no mercado. "Já era esperado. Eram medicações com farmacologia similares. Com isso era provável que o Arcoxia tivesse o mesmo efeito colateral sobre o aparelho cardiovascular que o Vioxx. Mas aparentemente o perigo está no uso crônico. O uso dele é muito disseminado na medicina", afirma Danilo Possídio, endocrinologista. Para o clínico-geral Joel Tedesco, do Hospital das Clínicas de São Paulo, a substituição do Vioxx pelo Arcoxia foi "trocar seis por meia dúzia". "É um sucesso de marketing absoluto, especialmente nos consultórios dos dentistas e dos ortopedistas", avalia o médico. Tedesco disse acreditar que o Brasil seguirá a orientação do FDA. A dengue completa 25 anos no Brasil Erradicada na década de 1950, ressurgiu com toda força em 1982. Desde então, atingiu centenas de milhares de pessoas em todo o País e, na sua variante hemorrágica, levou à morte 350 doentes. Diante de um bombardeio regular, embora muitas vezes desorganizado, dos órgãos de saúde, o mosquitinho Aedes aegypti, o transmissor do vírus da doença, mostra que, apesar de pequeno, é forte e não tomba com qualquer golpe. Nos dois primeiros meses de 2007, o número de casos foi 25,64% maior em relação ao mesmo período de 2006. Dados parciais indicam que 190 mil brasileiros já tiveram a febre no primeiro trimestre deste ano. No ápice da atual infestação, o País, constrangido pela falta de estrutura, viu pacientes com os dolorosos sintomas da doença esperarem até 15 horas para ter atendimento médico em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o Estado mais atingido, com 55 mil doentes. A doença continuou em ascensão até o final de maio, quando caíram a temperatura e a velocidade com que o mosquito se multiplica. Tudo indica que o ano fechará com um número maior de casos do que o registrado em 2006 – 345.922 doentes e 71 óbitos por dengue hemorrágica, a forma mais grave da doença.

Governo quebra patente de medicamento anti-AIDS Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou em 04/05/07 a primeira quebra de patente de um medicamento no Brasil -o Efavirenz, do laboratório americano Merck Sharp&Dohme, usado no tratamento da AIDS -e ameaçou repetir a medida com outros fabricantes se considerar que os preços praticados são injustos. O governo pretende importar cópias não-patenteadas do remédio, fabricadas por três laboratórios da Índia, e estima economizar US$ 30 milhões em 2007 com a troca. Diz que não há perda de qualidade ou risco de desabastecimento. Após a cerimônia, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) disse que no momento não há outros remédios sob ameaça de licenciamento compulsório. Para ele, o país continuará tendo "uma relação aberta, transparente e franca" com todos os laboratórios fornecedores e garantiu que não há uma lista de "próximos" para o licenciamento compulsório. Na realidade, o licenciamento afeta duas patentes, a do Efavirenz (expira em 2012) e a de um componente do processo de fabricação (2016). O licenciamento vale até 2012 mas pode ser prorrogado. O governo não poderá comercializar os remédios importados dos laboratórios indianos Ranbaxy, Cipla e Aurobindo. Poderá apenas distribuí-los em seus programas de saúde. O governo tentou pressionar a Merck a reduzir o preço do Stocrin (nome de marca do Efavirenz) de US$ 1,59 para US$ 0,65 (comprimido de 600mg). As negociações começaram em novembro de 2006. Em 24 de abril de 2007, portaria declarou o "interesse público" do remédio. Na sexta passada, houve uma contraproposta de 30%, que não foi considerada "séria". A exigência era 60%. A ameaça de quebra já rendeu descontos em dois antiretrovirais (que inibem a multiplicação do HIV). Em 2001, José Serra (PSDB), então ministro, ameaçou quebrar a patente do Nelfinavir da Roche. Em 2003, Humberto Costa (PT) usou a mesma estratégia com o Kaletra, da Abbott. O Efavirenz é distribuído hoje a cerca de 75 mil


pacientes gratuitamente, e o custo programado antes da quebra da patente era de US$ 42 milhões. Em seu discurso, Lula disse que o governo tomou todos os cuidados na elaboração da medida a fim de evitar uma punição por parte da OMC (Organização Mundial do Comércio). O Brasil sustenta que a patente continua respeitada porque haverá pagamento de 1,5% de royalties para Merck -exigência que consta do acordo Trips, de propriedade intelectual, da OMC para casos de licenciamento compulsório em situações de emergência nacional ou interesse público. O governo diz que países desenvolvidos também já fizeram o licenciamento compulsório. Seria o caso da Itália, que quebrou patente de três remédios (para hipertrofia de próstata, enxaqueca e um antibiótico). No caso de antiretrovirais, Tailândia, Malásia, Indonésia e Moçambique já quebraram patentes, mas houve retaliações. Lula e Temporão também criticaram governos passados, sem citar nomes, pela "destruição da indústria farmo-química de base" durante o final dos anos 80 e os anos 90.

EDUCAÇÃO 40 anos da UNICAMP Ao receber, dias atrás, os calouros aprovados no último vestibular, o reitor da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, José Tadeu Jorge, antes do tradicional “bom dia”, disparou: “Bem-vindos à melhor universidade brasileira.” Alguns podem achar exagero, mas o fato é que os resultados obtidos pelos estudantes e acadêmicos liderados por Tadeu Jorge, todos em plena comemoração do 40º ano letivo da instituição, merecem reconhecimento. O campus de quase dois milhões de metros quadrados, no distrito de Barão Geraldo, a 12 quilômetros do centro de Campinas, abriga 15% da pesquisa universitária brasileira e 10% da pós-graduação nacional. A média anual de teses e dissertações defendidas é de 2,1 mil e 96% de seus professores possuem título de doutor. Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação Fernando Haddad lançaram, na terçafeira (24/04/07), o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), chamado PAC da Educação. Entre as medidas previstas está a adoção de um índice de qualidade da educação básica, o Ideb, que mede não só o resultado dos estudantes em provas, mas também os níveis de evasão e aprovação. Os números do Ideb, para todo o Brasil, serão divulgados ainda nesta semana. Outra medida prevista é a ampliação do acesso ao ensino superior, com incentivos financeiros para que as universidades federais abram mais vagas. Lula disse que o PDE é um "passo gigantesco" para a melhoria do ensino e que irá "ficar no calcanhar" de assessores e de Haddad, para que o plano seja implantado. No discurso, Lula disse que "não é inadequado" fazer associações entre o PDE e o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). "Os dois são complementares. PAC e PDE são anéis de uma mesma corrente a favor da construção do País", afirmou. A prioridade do PDE é a educação básica, que vai do ensino infantil ao ensino médio, além de medidas para melhorar os indicadores de qualidade nos nove anos do ensino fundamental. Segundo o presidente, o PDE irá permitir a definição de um piso salarial para o magistério. Ao lançar o plano no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o PDE permitirá ainda um acesso mais democrático à universidade, ampliar em 100 mil o número de bolsas do ProUni, modernizar o ensino técnico, reduzir as taxas de analfabetismo e garantir qualificação do magistério. O presidente ressaltou a importância de melhorar as condições de trabalho dos 2 milhões de professores que atuam nos diversos graus de ensino. Ressaltou que o governo ouviu centenas de educadores durante o processo de elaboração do PDE. "A educação só pode melhorar se for melhorado todo o conjunto, e o PDE prevê interferências profundas na educação básica, na educação tecnológica e no ensino superior". Lula observou ainda que o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) deverá aumentar em dez vezes os investimentos federais nas áreas mais carentes do ensino. Ao concluir o seu discurso, o presidente observou que é preciso repensar o ensino e não apenas disponibilizar recursos. ONG começa a produzir laptop de US$ 176 para estudantes A organização sem fins lucrativos Um Laptop por Criança (OLPC, na sigla em inglês) autorizou em 2007 o início da fabricação em larga escala de notebooks especiais com baixo custo e que serão dados a estudantes de países em desenvolvimento. Os computadores, chamados XO, serão vendidos aos governos desses países, que deverão cedê-los a alunos para ser usados em iniciativas educacionais. As


máquinas devem começar a ser distribuídas em massa às crianças em outubro deste ano."Ainda temos que criar alguns programas, mas este é um grande passo para nós", disse à BBC Walter Bender, diretor de desenvolvimento de softwares da OLPC.A organização - que havia dito anteriormente que o projeto só seria viável se pelo menos três milhões de notebooks fossem encomendados -, não revelou quais países compraram os primeiros computadores.A demanda mundial de XOs nos primeiros 12 meses de operação do projeto é estimada em 25 mil a 50 mil computadores, segundo informações do site da OLPC. Atualmente, os XOs têm um custo de US$ 176 (cerca de R$ 334), embora o objetivo final da organização seja vender os computadores aos governos por US$ 100 (R$ 190).Lançado em 2002 pelo fundador do Laboratório de Mídias do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Nicholas Negroponte, o OLPC recebeu muitas críticas desde então. O fundador da Microsoft, Bill Gates, apontou problemas no design do computador, em especial a falta de um disco rígido e a tela "minúscula". Outros críticos questionaram a utilidade de laptops em países com necessidades mais urgentes - como melhor saneamento básico, distribuição de água e assistência de saúde. A resposta de Negroponte às críticas é que "trata-se de um projeto educacional, não de laptops". Essa visão foi compartilhada pelo exsecretário-geral da ONU Kofi Annan, que disse em 2005 que o XO é uma "expressão de solidariedade global" que iria "abrir novas frentes" na educação infantil. O Brasil é um dos países que participam da iniciativa. Em dezembro, universidades e outras organizações do país receberam do Ministério da Educação 60 unidades do laptop para testes, e desde então foram iniciados trabalhos para a introdução do XO em escolas de São Paulo e Porto Alegre. No país, o projeto foi batizado de Um Computador por Aluno. Os computadores serão produzidos em Taiwan, mas em novembro do ano passado Negroponte anunciou que os servidores que serão usados mundialmente no projeto ficarão no Brasil. Argentina, China, Egito, Índia, Nigéria e Tailândia também se dizem comprometidos com o projeto.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA A nova corrida espacial Os russos voltaram a olhar para a Lua. Depois que o Parlamento daquele país liberou uma verba anual de US$ 1,7 bilhão para a exploração do cosmos, a agência Roscosmos apertou o botão de ignição para novamente decolar o seu programa espacial. Estamos entrando em 2007. A Rússia já pensa em 2008, quando a primeira de cinco sondas robotizadas chegará à órbita lunar, numa prévia do lançamento da primeira base permanente de pesquisas em 2012. A notícia caiu como uma bomba na Agência Espacial Americana (Nasa), que continua a investir fortunas no desenvolvimento de espaçonaves que pousarão na Lua em 2010. “Apesar de termos menos dinheiro, nosso programa é mais eficiente que o americano”, diz Igor Panarin, um dos mais altos oficiais da Roscosmos. Engana-se quem acredita que nessa disputa só existem dois competidores. A China já colocou três astronautas em órbita e acaba de construir um foguete capaz de levar uma cápsula até a Lua. O lançamento está previsto para meados de abril e a aventura só terminará no ano que vem com o envio de uma missão tripulada. Mais concretamente, na semana passada, os indianos cobriram de orgulho o primeiro-ministro, Atal Bihari, ao colocarem quatro satélites no espaço. E, além de EUA, Rússia e China, agora até o Japão, reticente em despender dinheiro em missões espaciais, anunciou que vai entrar na corrida lunar. Por que, depois de tantas décadas no ostracismo, a Lua volta a ser o centro das atenções? Eis a resposta: se no começo tudo era apenas curiosidade e demonstração de força, agora a explicação mais imediata é bastante pragmática. Trata-se da quantidade de produtos que podem ser desenvolvidos na Terra a partir da tecnologia espacial: o teflon, o velcro, os aparelhos de ginástica das academias, entre outras centenas de mercadorias vendidas em lojas e supermercados, são alguns exemplos. Mas há outra causa, pelo menos para Rússia e China, pressionadas pelos efeitos da poluição decorrente do consumo excessivo de combustíveis fósseis: é o interesse pela exploração do subsolo lunar, rico em hélio-3, elemento químico que poderá girar os reatores de fusão nuclear gerando energia limpa e livre do lixo radioativo.Em meio a todos esses interesses, a Nasa patina em suas próprias decisões. Em dezembro do ano passado ela anunciou que seus ônibus espaciais serão aposentados e que a espaçonave que os substituirá, batizada de Ares, será uma versão moderna das antigas cápsulas da geração Apollo, aquela que levou o homem à Lua em 1969. Elas estavam esquecidas desde 1973, quando o governo americano decidiu investir na construção de uma espaçonave capaz de realizar não uma, mas diversas viagens ao espaço – os chamados ônibus


espaciais. O problema com as Apollo era que, por serem cápsulas, elas realizavam uma única viagem ao espaço e ficavam imprestáveis quando regressavam à atmosfera terrestre. Dessa vez, porém, o desafio para os americanos é maior. Não se trata apenas de fincar uma bandeira no solo lunar, mas, isso sim, de estabelecer bases de exploração. “Cada vez mais a presença humana está sendo expandida para fora dos limites da Terra”, diz Scott Horowitz, um dos administradores da Nasa. Depois de gastar cerca de US$ 250 bilhões em ônibus espaciais e na arquitetura da estação Espacial Internacional, a agência terá de desembolsar mais US$ 200 bilhões para reinventar o programa Apollo. Falando friamente, a Nasa hoje corre atrás de um enorme prejuízo. Embora os investimentos americanos (na casa dos US$ 16 bilhões anuais) façam os recursos de seus concorrentes parecerem mesada de criança, a potencialidade de seus competidores não é nada desprezível. Ao longo da história, os russos fizeram tanto quanto os americanos e gastaram muito menos. É por isso que, recentemente, os dirigentes da Nasa adotaram uma política de diplomacia e voltaram a consultar antigos aliados em busca de parceria financeira. A Agência Espacial Européia (ESA) foi a primeira a ser procurada, mas há um obstáculo a ser vencido: desde que foram relegados a um segundo plano, os europeus passaram a ignorar os EUA e focaram-se na pesquisa de Marte. Outro ponto desfavorável para os EUA é que os europeus nunca tiveram tantas opções de parceiros como têm agora. E suas relações com os russos da Roscosmos vai de vento em popa. Quando o programa dos ônibus espaciais da Nasa foi encerrado após o acidente do Columbia, em 2003, a Rússia passou a dar carona aos astronautas europeus. Agora, a ESA retribui o favor e planeja colaborar com a Roscosmos no programa de construção de uma nova espaçonave. “O ressurgimento da Rússia coloca a Europa numa situação confortável”, diz Laurence Nardon, diretor do Instituto de Relações Internacionais de Paris. “Isso permite que a Europa jogue dos dois lados.” Também a Rússia está nessa confortável posição de poder optar nesse jogo – e, assim, além dos laços com a européia ESA, ela também flerta com a China. E faz tempo. No início da década de 90 os dois países assinaram um acordo pelo qual a China compra a tecnologia das naves russas Soyuz. O resultado é que em 2003 o primeiro taiconauta (nome dos astronautas chineses) foi ao espaço e no ano passado os chineses colocaram em órbita uma centena de satélites. “A velocidade que eles deram a seu programa espacial é espantosa”, diz Anatoly Perminov, diretor da Roscosmos. Prova disso é que até 2010 o governo chinês planeja levar um robô à Lua que retornará à Terra com amostras do solo de nosso satélite. A idéia, na verdade, não é nova. Mas é certo que, por enquanto, Rússia e China são os dois países que mais têm condições de viabilizar financeiramente a parceria desse projeto nessa nova corrida à Lua. O novo foguete brasileiro Um novo foguete com a bandeira brasileira pintada em seu corpo alaranjado e de fabricação 100 por cento nacional será lançado da base de Alcântara, no Maranhão, uma das melhores plataformas do mundo (com 620 quilômetros quadrados). O evento tem três funções: duas atendem às áreas tecnológica e científica, a terceira delas vai ao ar para redimir Alcântara de uma série de três lançamentos anteriores, todos fracassados - no último deles, em 2003, o foguete explodiu no chão, causou 21 mortes e transformou a plataforma em sucata carbonizada e retorcida. Não há uma pessoa envolvida na missão de julho de 2007 que não garanta, no entanto, que desta vez a base perderá o estigma de micada - e nesse rol contam-se cerca de 300 especialistas europeus e americanos que estão chegando ao Brasil para assistir ao lançamento. Expectativa e torcida na contagem regressiva, o fato é que o Centro de Alcântara merece ser valorizado: Motivo: a sua proximidade com a linha do Equador (dois minutos e 18 segundos de latitude sul) dá-lhe uma posição privilegiada em relação ao movimento de rotação da Terra e isso facilita o impulso dos foguetes - o que implica, além de segurança, a economia de 30% de combustível no instante do lançamento. Mais: o regime de chuvas geralmente bem definido e ventos em limites plausíveis fazem com que o lançamento de foguetes seja possível, praticamente, em todos os meses. Comprovar o avanço da tecnologia brasileira nesse setor e colher informações para pesquisas científicas são as principais funções desse foguete construído pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço. Batizado VSB-30, sairá do solo para permanecer 20 minutos no espaço, na Missão Cumã II, a 287 quilômetros de altitude - beirando assim a fronteira entre a atmosfera da Terra e o universo extraterrestre. Ele, o foguete em si, tem cinco metros de comprimento, chegando a 12 metros se forem contados também os seus módulos propulsores. "A nossa tecnologia evoluiu muito", diz o coordenador da Agência Espacial Brasileira, engenheiro Raimundo Mussi.


ARTE E CULTURA A) EXPOSIÇÕES

Mostra sobre Da Vinci Mostra sobre o gênio do Renascimento reúne 150 peças entre invenções, esboços, estudos e reproduções de telas. O italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) figura bem acima da grande maioria dos mortais. Isso talvez explique a abrangência de suas habilidades: em 67 anos de vida, Da Vinci distinguiu-se como filósofo, pintor, engenheiro, arquiteto, anatomista, cientista, inventor e estrategista. Ele era um observador incansável da natureza e valeu-se de seus princípios em suas criações. Entre elas, o avião, a bicicleta, o helicóptero, o submarino, o automóvel, a metralhadora, a catapulta e o canhão. Como pintor, foi um dos maiores. Sua obra Mona Lisa, que se encontra no Museu do Louvre, em Paris, é o quadro mais conhecido e visitado do mundo. Já o afresco A última ceia, pintado no mosteiro Santa Maria delle Grazie, em Milão, carrega o título de “o mais reproduzido”. É com pretensões de decodificar esse rico universo que a mostra Leonardo da Vinci – a exibição de um gênio, com 150 peças inspiradas em seu legado, chegou a São Paulo na Oca do Parque Ibirapuera, a partir de 1º de março de 2007. Celebrando Niemeyer no Memorial

Para comemorar os 18 anos do Memorial da América Latina e proporcionar uma melhor compreensão do trabalho do arquiteto Oscar Niemeyer, cujo centenário está sendo comemorado em 2007, a Divisão de Oficinas Culturais do Memorial da América Latina está promovendo durante o mês de abril palestras e oficinas culturais para estudantes de arquitetura e de artes, e também para crianças. Os temas que estarão sendo abordados nas próximas palestras e oficinas são: “Oscar Niemeyer: Arquitetura e Cidade” -- oficina multidisciplinar a cargo do professor Rodrigo Queirós, da USP; “Memorial 18 Anos”, tema que será revisitado em desenho, modelagem e gravura pelos artistas plásticos Ulysses Bôscolo e Luiz Bayon; e para completar o ciclo “Oscar Niemeyer e o Memorial da América Latina: a idéia e a obra”, dirigida por Rodrigo Queirós, o curador da mostra em cartaz e um dos maiores especialistas na obra do mestre carioca da arquitetura. Exposição das Gravuras de Goya no MASP São Paulo é a primeira cidade da América a receber a coleção completa da instituição financeira espanhola Caixanova, que depois segue para Buenos Aires, Cidade do México, Miami e Nova Iorque. Nada menos que as quatro séries completas das gravuras de Francisco de Goya (1746-1828), reunindo 218 obras, serão exibidas no Museu de Arte de São Paulo - Masp, na exposição Goya: As gravuras da Coleção Caixanova. A mostra, uma parceria da Caixanova e do Instituto Cervantes, em cartaz de 18 de março a 20 de maio de 2007, vem conferir uma nova dimensão às comemorações do aniversário de 60 anos do Museu, dando a São Paulo o privilégio de inaugurar uma mostra que correrá pelo continente. É a primeira vez que a Coleção Caixanova é exposta fora da Espanha. Segundo o curador Teixeira Coelho, que desde setembro vem reformulando a gestão curatorial do Museu, os paulistanos ainda terão muitas novidades até dezembro. Para ele, contudo, a exposição das gravuras de Goya - que nunca foram exibidas no Brasil desta forma - já pode ser considerada a maior realização do Museu no primeiro semestre do ano. Contando com o apoio da financeira espanhola Caixanova em colaboração com o Instituto Cervantes, o Museu apresentará as quatro séries completas das gravuras de Goya: Os caprichos, Desastres da guerra, Tauromaquia e Proverbios ou disparates. Reunindo quase 30 anos de trabalho, o material pertence à Coleção Caixanova, considerada uma das mais importantes da Espanha, com 5.000 obras.

Exposição Itaú contemporâneo


No início da arte moderna, obras muito inovadoras costumavam escandalizar o público – e davam o que falar. Agora, na abertura da exposição Itaú contemporâneo, em São Paulo, foram dessa vez os próprios artistas que se sentiram chocados – o público, ao contrário, adorou. Motivo do espanto: em um dos segmentos da mostra dedicado a trabalhos abstratos, telas de 25 pintores, entre eles Paulo Pasta, Tomie Ohtake e Arcangelo Ianelli, foram expostas não nas paredes, mas no chão da Galeria Itaú Cultural. Os visitantes, por sua vez, aprovaram e gostaram dessa nova forma de se ver uma exposição – que se trata da maior revolução de espaço e de cenário promovida no Brasil. A autora da ousadia é a diretora de teatro Bia Lessa, duramente criticada e até ameaçada de ser processada pelos expositores. Ela se explica: “Como as obras são muito conhecidas, evitei colocá-las na parede porque seriam vistas em apenas 20 segundos. Na posição horizontal elas podem ser admiradas como se isso estivesse acontecendo pela primeira vez.” Reações como essa são comuns na trajetória de Bia, que recusa o título de cenógrafa – ela diz que o que faz é concepção espacial. Vale lembrar que, quando Bia mergulhou santos barrocos num mar de flores roxas e amarelas na Mostra do redescobrimento, a crítica alegou que o efeito visual comprometia a visão das obras – embora também naquela ocasião o público tenha aprovado a sua idéia. O fato é que hoje a busca de um visual de forte impacto vai se impondo não apenas em exposições, mas também no teatro, em óperas, musicais e até desfiles de moda. E é inegável que tais novidades seduzem o público.

B) Literatura O HOMEM-BIBLIOTECA: Uma mostra de mapas históricos no Instituto de Estudos Brasileiros, na USP, apresenta ironicamente atrás de uma porta uma frase do banqueiro Edemar Cid Ferreira, que montou a coleção hoje sob a guarda da universidade graças a uma decisão judicial: “A cultura é um abre-alas. A gente vem atrás fazendo negócio.” Ao lado (só quando a porta está aberta), frases sobre o significado de colecionar de Gilda de Melo e Sousa, de seu marido Antonio Candido e dos bibliófilos Rubens Borba de Moraes e José Mindlin. A presença de José Mindlin é significativa porque marca uma trajetória oposta à de Edemar, pelo menos no quesito abre-alas. Colecionador de livros desde os 13 anos, Mindlin se notabilizou como empresário à frente da MetalLeve, uma empresa de autopeças que foi um símbolo da indústria automobilística. O fabricante de pistões não se interessava pela cultura para fazer negócios. Antes fazia negócios para poder, entre outras coisas, ler e colecionar livros. Hoje com 92 anos, Mindlin tem uma vida intensa. Vai a até três lançamentos numa noite e cuida da transferência de quase metade de sua biblioteca, a coleção Brasiliana, para a Universidade de São Paulo (as obras de construção do prédio, que vai abrigar a biblioteca Guita e José Mindlin e o Instituto de Estudos Brasileiros na USP já estão em andamento). E continua a fazer planos — um deles, o de recontar em livro a história da MetalLeve; outro, de freqüentar, uma ou duas vezes por mês, os chás da Academia Brasileira de Letras — em 2006, ele se tornou imortal, ocupando a cadeira que foi de Josué Montello. SOBRE FORMIGAS E CIGARRAS: Antônio Palocci entende de Lula. E Lula ouve Palocci. Bastariam essas duas razões para ler o livro Sobre formigas e cigarras, que foi escrito pelo ex-ministro da Fazenda e chega agora às livrarias. Nele, Palocci dá sua versão para a avalanche de denúncias que enfrentou, faz inconfidências e revela bastidores do governo que ajudou a construir. O mérito maior do livro, porém, é outro. No texto, Palocci traz à superfície um Lula pouco conhecido. É o presidente ortodoxo em matéria de economia, que jamais troca o certo pelo duvidoso, e que, se estivesse na fábula de La Fontaine, que dá título ao livro, seria uma operosa formiga – nunca uma cigarra. Num dos trechos mais interessantes, Palocci conta como Lula definiu metas estreitas de inflação, mesmo quando alertado para as conseqüências que isso traria na política de juros. CARTAS ESCRITAS PELO CAPITÃO CARLOS LAMARCA: Iara Iavelberg tinha o rosto lindo, a cabeça brilhante e o coração revolucionário. Era a musa da esquerda brasileira em 1969, quando um capitão do Exército, Carlos Lamarca, desertou de armas em punho para se tornar comandante da Vanguarda Popular Revolucionária, a VPR. Logo tombaria de encantos por Iara. A paixão do capitão pela guerrilheira virou lenda entre a intelectualidade pátria, nossa melhor versão de Tristão & Isolda ou de Garibaldi & Anita. Há 35 anos ambos, Lamarca & Iara, morreram nas mãos dos militares. Caíram na Bahia, em locais e datas distintas. O que poucos sabem é que Lamarca deixou um diário como legado, redigido durante seu exílio na caatinga baiana. São 39 trechos, redigidos entre 8 de julho e 16 de agosto de


1971 (um por dia), endereçados a Iara. O diário é um documento singular. Os textos se parecem muito mais com uma longa lírica romântica do que com registros racionais de um revolucionário. Guardam impressionante paralelo com as cartas da revolucionária alemã Rosa Luxemburgo a Leo Jogiches, onde ela discute a revolução, mas dedica-se principalmente a falar do amor colossal que sente pelo amante. Nas cartas de Lamarca, como nas de Rosa, há trechos marxistas, mas os pontos fortes desse documento são as declarações de amor que revelam o imaginário do nosso mais conhecido guerrilheiro. A britânica Doris Lessing ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2007 A escritora britânica Doris Lessing ganhou na quinta-feira (11/10/07) o Nobel de Literatura 2007, um prêmio que recompensa uma obra vasta, variada e marcada pelos cenários da África e a causa feminista. O júri descreveu Doris Lessing em um comunicado como "a narradora épica da experiência feminina, que, com ceticismo, ardor e uma força visionária sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio". Doris Lessing completará 88 anos no dia 22 de outubro. Desde o início da premiação em 1901, ela é a 11ª mulher a receber o Nobel de Literatura. Nascida no território da Pérsia, atualmente Irã, em 1919, quando seu pai era capitão do Exército britânico, Doris May Taylor viveu parte da juventude na então Rodésia (atual Zimbábue), o que marcou sua obra. Ex-membro do Partido Comunista britânico, do qual se afastou em 1956 após a repressão da rebelião húngara, é comparada freqüentemente com a francesa Simone de Beauvoir por suas idéias feministas. "The golden notebook" ("O caderno dourado"), de 1962, sua obra-prima, conta a história de uma escritora de sucesso em forma de diário íntimo. Para o Comitê Nobel, este livro "é uma obra pioneira do movimento feminista e pertence ao grupo de obras que mudaram a forma de ver as relações homem-mulher no século XX". Sua juventude, passada entre vários continentes, a inspirou a produzir sua primeira saga, escrita de 1952 a 1969: os cinco volumes de "Filhos da Violência". Entre outras de suas principais obras figuram "The Grass is Singing", "The good terrorist", sobre um grupo de revolucionários de extrema-esquerda, "Andando na Sombra", "Regresso para casa" (1957), onde denuncia o apartheid na África do Sul, "O quinto filho", "Debaixo da Minha Pele da Companhia das Letras" e "Andando na Sombra". A escritora sempre soube explorar todos os estilos, sem hesitar em uma incursão no mundo da ficção científica com os cinco volumes da série "Canopus em Argos: Arquivos", escrita entre 1979 e 1983, e entre os quais se destaca "Shikasta". Nesta saga, Lessing imagina o mundo depois de um conflito atômico e fala dos antagonismos entre os princípios feminino e masculino, assim como de colonialismo e de catástrofes ecológicas. Em 1984 Doris Lessing fez uma brincadeira com os meios literários ao lançar "Diario de uma boa vizinha" sob um pseudônimo (Jane Somers). Sua própria editora, que não conhecia a verdadeira identidade da autora, se recusou a publicar o livro. Doris Lessing vive atualmente na periferia de Londres e, nos últimos anos, se dedicou principalmente às obras de ficção científica. O Nobel de Literatura é acompanhado por um prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,08 milhão de euros) e será entregue em 10 de dezembro, em Estocolmo, durante a tradicional cerimônia na presença da família real.

C) CINEMA OSCAR - 2007 A 79ª cerimônia de entrega do Oscar foi a mais cosmopolita da história, com uma ampla representação de artistas de cinema de todo o mundo e uma acentuada presença hispânica, embora os prêmios mais importantes tenham ido para filmes americanos. Os vencedores foram: Direção de arte O Labirinto do Fauno; Maquiagem O Labirinto do Fauno; Curta de animação The Danish Poet ; Curta-metragem West Bank Story ; Edição de som Cartas de Iwo Jima ; Mixagem de som Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho ; Ator coadjuvante Alan Arkin por Pequena Miss Sunshine ; Longa de animação Happy Feet - O Pingüim ; Roteiro adaptado Os Infiltrados; Figurino Maria Antonieta ; Fotografia O Labirinto do Fauno; Efeitos visuais Piratas do Caribe: O Baú da Morte; Filme estrangeiro A Vida dos Outros (Alemanha); Atriz coadjuvante Jennifer Hudson por Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho ; Documentário de curta-metragem The Blood of Yingzhou District ; Documentário de longametragem Uma Verdade Inconveniente ; Trilha sonora Babel ; Roteiro original Pequena Miss Sunshine ; Canção Melissa Etheridge por Uma Verdade Inconveniente ; Montagem Os Infiltrados ;


Atriz Helen Mirren por A Rainha ; Ator Forest Whitaker por O Último Rei da Escócia ; Diretor Martin Scorsese por Os Infiltrados; Filme Os Infiltrados, de Martin Scorsese. SINOPSE DE FILMES

O Último Rei da Escócia: O filme mostra os acontecimentos reais na Uganda durante os anos 70, quando o ditador Idi Amin (Forest Whitaker, ganhador do Globo de Ouro e indicado ao Oscar por este papel) exercia seu poder. A história é narrada por meio do ponto de vista de seu médico pessoal. Estrelando: Gillian Anderson, James McAvoy, David Oyelowo, Kerry Washington, Forest Whitaker. Dirigido: Kevin Macdonald Cartola: Filmado com recursos digitais, o documentário conta, por meio de imagens de arquivo e depoimentos, a vida do sambista Cartola, um dos compositores mais admirados da música brasileira. Estrelando: - documentário Dirigido: Lírio Ferreira, Hilton Lacerda Ó Paí, Ó: No primeiro dia no carnaval baiano, os habitantes de um cortiço criam algazarra ao saber que a proprietária do prédio cortará o fornecimento d’água para acabar com a festa dos moradores. Estrelando: Lázaro Ramos, Stênio Garcia, Wagner Moura, Luciana Souza, Dira Paes, Érico Brás, Tânia Tôko, Emanuelle Araújo. Dirigido: Monique Gardenberg 300: Em 480 a.C., o Imperador da Pérsia, Xerxes (Rodrigo Santoro), envia seu exército para conquistar a Grécia. No entanto, a cidade grega de Esparta tem os melhores guerreiros de sua época e 300 deles estão escalados para lutarem contra os persas. A batalha é uma missão suicida para todos e servirá para que o resto do exército grego se prepare para a defesa da terra na próxima etapa. Estrelando: Gerard Butler, Vincent Regan, Lena Headey, David Wenham, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro, Tom Wisdom, Andrew Tiernan, Dominic West, Andrew Pleavin. Dirigido: Zack Snyder

O labirinto do fauno: Na década de 40 na Espanha pós-Guerra Civil, uma garota de dez anos se muda com a mãe grávida para uma área rural ao norte do país. Sua mãe acaba de casar com um coronel facista. Lá, a menina passa a viver entre um mundo fantástico de sua criação e a dura realidade. Estrelando: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Alex Ângulo, Roger Casamajor, César Bea. Dirigido: Guillermo Del Toro O CHEIRO DO RALO: Lourenço (Selton Mello) é dono de uma loja que compra objetos usados. Pouco a pouco, ele troca a frieza de negociar pelo prazer de explorar os clientes por meio de jogos, que procuram sua loja quando atravessam dificuldades financeiras. Ele passa a identificar as pessoas como se estivessem à venda, cada uma com uma característica ou um objeto que lhe é oferecido. Estrelando: Selton Mello, Silvia Lourenço, Flavio Bauraqui, Alice Braga, Leonardo Medeiros, Lourenço Mutarelli, Susana Alves. Dirigido: Heitor Dhalia UMA VERDADE INCONVENIENTE: A maioria conhece o político Al Gore somente pelo fato dele ter sido derrotado por George W. Bush na campanha eleitoral pela presidência dos EUA em 2000. Aqui, o cineasta mostra seus esforços de Gore a fim de alertar a população mundial em relação ao superaquecimento global Estrelando: Al Gore. Dirigido: Davis Guggenheim


A RAINHA: Após a morte da princesa Diana, a rainha da Inglaterra, Elizabeth II (Helen Mirren), se vê diante de um impasse: ela terá de lutar contra velhas tradições reais se não quiser perder o carinho de seu povo. O primeiro-ministro Tony Blair (Michael Sheen), recém-eleito na época da tragédia, terá a difícil missão de mudar a visão da rainha, que não aceita as divergentes e modernas opiniões de Blair, principalmente em relação às providências que deve tomar para o funeral de Lady Di. Estrelando: Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Syms. Dirigido: Stephen Frears Os infiltrados: O longa mostra a rivalidade entre a polícia de Boston e uma gangue de traficantes de drogas de origem irlandesa. Um dos bandidos é escolhido para se infiltrar no grupo de policiais, enquanto que um oficial é destacado para ser informante dentro da gangue. Estrelando: Matt Damon, Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Todd Peterson, Mark Wahlberg, Alec Baldwin. Dirigido: Martin Scorsese CAIXA 2: Rico banqueiro consegue R$ 50 milhões numa transação de investimentos em precatórios. Ele decide usar sua secretária, de quem é amante, como “laranja”. A situação se complica quando, ao fazer o depósito, um dígito errado faz com que o dinheiro caia na conta de uma mulher honesta e trabalhadora cujo marido acaba de ser demitido. Estrelando: Fúlvio Stefanini, Giovana Antonelli, Zezé Polessa, Daniel Dantas, Cássio Gabus Mendes, Thiago Fragoso. Dirigido: Bruno Barreto OS 12 TRABALHOS: Recém-saído da Febem, Heracles (Sidney Santiago) tenta superar seu passado em busca de um serviço honesto como motoboy. Para conseguir o emprego, o adolescente tem de realizar doze tarefas cruzando todos os bairros paulistas e suas armadilhas. Uma leitura contemporânea do mito de Hércules no caos urbano de São Paulo. Estrelando: Sidney Santiago, Flavio Bauraqui, Vera Mancini, Vanessa Giácomo, Francisca Queiroz, Cynthia Falabella, Cacá Amaral, Cacá Amaral, Lucinha Lins, Luiz Baccelli, André Luís Patrício, Eduardo Mancini, Ígor Zuvela, Luciano Carvalho, Thiago Moraes, Paulo Américo. Dirigido: Ricardo Elias Mostra de Cinema de Tiradentes Noel – poeta da Vila, do cineasta Ricardo van Steen, ainda não estreou nos cinemas, mas já é sucesso de público. Foi o júri popular, ou seja, o voto da própria platéia, que lhe conferiu o prêmio de melhor filme na Mostra de Cinema de Tiradentes, encerrada no sábado 27/03/07 em Minas Gerais. Trata-se de uma cinebiografia do sambista carioca Noel Rosa (1910-1937), de longe um dos mais geniais que o Brasil já teve. Com esse prêmio confirma-se, assim, o que já vinha ocorrendo desde o ano passado, quando Noel – poeta da Vila esteve entre os preferidos do público no Festival do Rio de Janeiro e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Com a perseverança dos que acreditam naquilo que fazem, Ricardo van Steen levou dez anos para realizar o seu trabalho e experimentou um gosto a mais ao receber a premiação nessa sua estréia em longa-metragem. Festival É Tudo Verdade Setembro de 2005, o Afeganistão faz as primeiras eleições legislativas em 35 anos. A jovem Malai Joya tenta terminar sua campanha política enfrentando ameaças de morte. Enquanto isso, no Chile, Michelle Bachellet, após uma trajetória de luta e resistência superando a tortura e o assassinato de seu pai que fora ministro de Salvador Allende, torna-se a primeira mulher presidente daquele país. Não muito longe dali, depois de fazer a vida em Israel, uma exilada boliviana volta à casa dos pais para reencontrar seus filhos. Além de valiosas abordagens sobre o papel da mulher no mundo contemporâneo, essas histórias são, também, contadas por mulheres. Inimigo da felicidade, de Eva Mulvad e Anja Al-Erhayem, A filha


do general, de Maria Elena Wood, e Uma mãe trabalhadora, de Limor Pinhasov, estão no 12º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade que, na quinta-feira 22/03/07, chegou à sua 12ª edição no Rio de Janeiro e em São Paulo. A polêmica gerada pelo filme "Tropa de Elite” Depois de toda a polêmica gerada pelas cópias piratas do filme "Tropa de Elite", as imagens oficiais do filme finalmente foram divulgadas. O longa-metragem de José Padilha, baseado no Batalhão de Operações Especiais da Polícia do Rio, o Bope, foi exibido pela primeira vez no Festival do Rio, no dia 20/09/07. Um dos roteiristas do filme, Rodrigo Pimentel contou que os atores, entre eles Wagner Moura, passaram por um duro laboratório para interpretar os policiais. Em entrevista, o ex-comandante do Bope disse que já pensa em transformar o filme numa minissérie para televisão, de dez ou 12 episódios. O ano em que meus pais saíram de férias' representará o Brasil no Oscar "O ano em que meus pais saíram de férias" foi a produção escolhida para tentar uma indicação na categoria de filme estrangeiro no Oscar. A produção de Cao Hamburger derrotou o favoritismo de "Tropa de elite", que havia estreado em apenas um cinema de Jundiaí antes de entrar nacionalmente em circuito, com o objetivo de concorrer à vaga. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura nesta quartafeira (26/09/07), no Rio de Janeiro. Uma comissão formada pelos jornalistas Ana Paula Sousa e Pedro Butcher, os cineastas Hector Babenco e Bruno Barreto e os críticos Rubens Ewald Filho e Leon Cakoff elegeram o título entre 18 que concorriam à vaga. A notícia da indicação foi dada a Cao Hamburger pelo canal Globonews. “É muito bom ter sido escolhido para representar o Brasil. Mas quero dizer que eu gosto muitos dos outros filmes que estavam concorrendo, são filmes com carreiras consistentes, e é uma honra fazer parte dessa nova onda do cinema brasileiro”, afirmou o diretor, ainda surpreso com a novidade. Questionado se ele acredita que o filme teria chances de concorrer efetivamente, Hamburger afirmou que pretende trabalhar o longa no exterior e que os distribuidores internacionais acreditam nas chances do longa. “Até mais que a gente”, confessou. Veja ao lado a entrevista com Cao Hamburger feita pela Globonews. “Independente de sermos escolhidos ou não pela Academia [para concorrer ao Oscar], é importante ter filmes de qualidade e com pegada diferente, é importante mostrar que o cinema brasileiro é bem feito e variado”, encerrou o diretor. "O ano em que meus pais saíram de férias" é o segundo longa de Hamburguer e retrata uma criança que viaja com os pais de Minas Gerais para São Paulo. Eles dizem que vão tirar férias e, por isso, deixarão Mauro (Michel Joelsas) na casa do avô (Paulo Autran, em participação especial) por um tempo. O motivo da separação temporária é que os pais de Mauro estão sendo perseguidos pelo regime militar. O pano de fundo do filme é a Copa do Mundo de 1970 e o tricampeonato da seleção brasileira de futebol. Os cinco indicados à categoria de filme estrangeiro serão anunciados no dia 22 de janeiro, e a cerimônia do Oscar ocorre em 24 de fevereiro. D) MÚSICA 25 anos da morte de Elis Regina Caixa de DVDs e relançamento do CD Falso brilhante e da biografia Furacão Elis mostram que a cantora está mais viva que nunca. As oscilações, ainda que em busca do perfeccionismo no campo profissional e de superação de um sentimento crônico de abandono no campo das relações pessoais, faziam de Elis Regina uma mulher atirada, ousada, inquieta, brigona, sensível, solidária, irreverente, boa amiga e, quase sempre, infeliz. No dia 19 de janeiro de 1982, no auge da fama e recém-separada de seu marido, o pianista e compositor César Camargo Mariano, veio a falecer.

Wagner Tiso: 40 anos de carreira Wagner Tiso está comemorando 60 anos de vida e 40 de carreira. O CD e DVD que lança para marcar ambas as datas reproduz um show histórico no Theatro Municipal carioca no qual estrelas como Milton Nascimento e Gal Costa mostram porque Tiso é popular sendo erudito. Compositor do eterno sucesso


Coração de estudante - que virou hino para a campanha das Diretas Já e pano de fundo para o cortejo fúnebre do presidente Tancredo Neves -, ele é autor de inúmeros arranjos que fizeram sucesso na voz dos principais intérpretes brasileiros. Os 80 anos de Tom Jobim Quando Frank Sinatra elogiava entusiasmado a bela e sutil melodia de "Dindi", naquele ano de 1967, estava reverenciando um mestre. Tom Jobim foi um dos maiores criadores de canções que o Brasil já teve e por essa razão Sinatra convidou-o para gravarem juntos. A qualidade do compositor de "Desafinado" (com Newton Mendonça) foi imediatamente reconhecida nos Estados Unidos, desde o surgimento da bossa nova, em 1958. No Brasil, o reconhecimento foi lento e gradativo, passando por vários percalços, que iam da simples ignorância e preconceito de críticos e jornalistas, a acusações de plagiário e deturpador da música brasileira mais "autêntica", o samba. "Carrego nas costas a cangalha de fazer música brasileira e ficam me acusando de querer ser estrangeiro", reclamou na época Tom Jobim. Se "Wave" é tema da novela das oito ("Páginas da Vida"), isso mostra que a obra do maestro tem hoje uma projeção nacional que nunca teve antes. Antonio Carlos Jobim morreu em 8 de dezembro de 1994. Completaria 80 anos em 25 de janeiro de 2007. Nesses 12 anos, desde sua morte, são incontáveis as gravações, homenagens, shows, programas especiais de rádio e TV e concertos que aconteceram para celebrar o autor de "Garota de Ipanema" (com Vinicius de Moraes). A música de Tom Jobim não é fácil. Os elementos que a constituem, melodia, harmonia e ritmo, são sempre elaborados, mas nunca cerebrais. A melodia da canção parece estar sempre bem aconchegada nos acordes dissonantes e nas sutilezas rítmicas que o maestro construiu, alimentado por influências tão díspares como os franceses Chopin e Debussy, jazzistas americanos e, principalmente, nomes fundamentais da música brasileira como Villa-Lobos, Pixinguinha, Ary Barroso, Garoto, Radamés Gnatalli, Dorival Caymmi.

RELIGIÃO A ressurreição do catolicismo A Igreja Católica brasileira está no centro de um movimento consistente e acelerado de retomada da sua força. O ponto alto da reação, que começa a devolver o entusiasmo a seus seguidores, é a visita do papa ao País, entre os dias 9 e 13 de maio de 2007, a primeira de Bento XVI a um país não europeu desde que ele assumiu o trono de São Pedro. A euforia do rebanho monumental, o maior da religião no mundo, estimado em 125 milhões de pessoas, é amplificada pelo anúncio da canonização de Frei Galvão como o primeiro santo brasileiro. Esses eventos fazem parte de uma cruzada evangelizadora feita com esforço e investimento de fiéis influentes, discussão teológica e, acima de tudo, trabalho diplomático nas altas instâncias de poder da Igreja, aqui e no Vaticano. Uma resposta à aparente incapacidade de modernização que, nos últimos anos, aumentou de forma preocupante a debandada de ovelhas. Em dez anos, seis milhões delas se desgarraram. E, basicamente, procuraram abrigo nos cultos fervorosos das igrejas evangélicas, que viram sua fatia de adeptos saltar de 6% para 10,6% da população do País entre 1991 e 2000. No mesmo período, os católicos encolheram quase dez pontos percentuais, de 83,3% para 73,8%. Quando a crise parecia inevitável, uma reação conduzida com brilhantismo pelo clero brasileiro permitiu a recuperação, culminando na festa que tomou conta do País neste semestre. ESPORTES Rio 2007 - Brasil tem melhor desempenho da história Em 24 de agosto de 2002, em reunião da Organização Esportiva Pan-Americana (Odepa), a cidade do Rio de Janeiro foi anunciada como sede da 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos. A partir daí, expectativas e dúvidas surgiram sobre a campanha que os atletas nacionais alcançariam diante da torcida e a capacidade do Brasil para receber bem a competição de grande porte. As questões foram respondidas nas últimas duas semanas, quando começaram os Jogos considerados pelo mexicano Mário Vázquez Raña, presidente da Odepa, "os melhores da história". No quadro de medalhas, o Brasil somou 161 conquistas, seu recorde. Antes de receber os Jogos Pan-Americanos, o Rio de Janeiro teve que reformar ou construir todos os locais de competição. Destacaram-se os remodelados Maracanã e


Maracanãzinho, o novo Estádio João Havelange e o Complexo Esportivo de Autódromo, composto pela Arena Olímpica, onde aconteceram as competições de basquete e ginástica artística, pelo Velódromo da Barra, para provas de pista do ciclismo, e pelo Parque Aquático Maria Lenk, que recebeu a natação, o nado sincronizado e os saltos ornamentais. Negativamente, destoaram os campos de beisebol e softbol, construídos na Cidade do Rock. O vento e a chuva danificaram os locais e diversas partidas foram canceladas, inclusive a que definiria o adversário dos Estados Unidos na final do softbol. Nas competições, os atletas brasileiros conquistaram 54 medalhas de ouro, 40 de prata e 67 de bronze, totalizando 161. Nos Jogos de Santo Domingo, em 2003, o País havia conquistado apenas 29 de ouro e 123 na soma geral, na melhor campanha até a deste ano. Das 47 modalidades disputadas, 41 tiveram brasileiros no pódio. O desempenho no Rio de Janeiro deixou o Brasil a apenas cinco títulos de Cuba, segunda colocada no quadro, atrás apenas dos Estados Unidos. Na disputa, os cubanos subiram ao pódio 135 vezes, menos que os atletas nacionais, mas o primeiro critério de classificação é baseado apenas na quantidade de ouros. Assim, o segundo lugar continua sendo uma meta que não é alcançada desde os Jogos de 1963, em São Paulo. Muitos atletas brasileiros destacaram-se da campanha histórica. A primeira medalha, de prata, foi conquistada por Poliana Okimoto, na maratona aquática. Diogo Silva, do taekwondo, garantiu o primeiro ouro. O último título veio no tênis, com Flávio Saretta. Porém, a grande figura brasileira nos Jogos do Rio de Janeiro foi Thiago Pereira. O nadador participou de oito provas e voltou com oito medalhas: seis de ouro, uma de prata e uma de bronze. A piscina do Parque Aquático Maria Lenk foi o local onde se pôde ouvir mais vezes o hino nacional, em 12 oportunidades. Além de Thiago, brilharam Rebeca Gusmão e César Cielo, com quatro medalhas cada. Depois da natação, o atletismo foi a modalidade com mais títulos brasileiros. Foram nove, com destaque para o tricampeonato do revezamento 4x100m, o segundo ouro de Maurren Maggi no salto em distância, o primeiro de Jadel Gregório no salto triplo e as dobradinhas, nos 1.500m e no salto com vara, com triunfos nas provas masculina e feminina. Homens e mulheres também sagraram-se campeões no handebol e no vôlei de praia, com Juliana/Larissa e Ricardo/Emanuel. No vôlei de quadra, a seleção masculina confirmou o favoritismo e garantiu o único título que faltava à geração comandada por Bernardinho. No torneio feminino, porém, a equipe nacional voltou a decepcionar ao perder uma final, desta vez contra Cuba. A rivalidade entre Brasil e a nação comandada por Fidel Castro nos Jogos PanAmericanos do Rio de Janeiro chegou ao seu clímax no judô. Na modalidade, os dois países conquistaram 13 medalhas em 14 categorias disputadas, mas o país caribenho obteve mais ouros: 5 a 4. O acirrado duelo teve seu lado negativo após a final da categoria até 52kg, na qual a brasileira Erika Miranda perdeu a medalha de ouro para a cubana Sheila Espinosa por uma decisão polêmica da arbitragem. Na ocasião, a torcida insultou os juízes e parte da delegação de Cuba trocou agressões com dirigentes brasileiros. Na ginástica artística, quem brilhou foi Diego Hypólito, ouro no solo e no salto sobre o cavalo e prata por equipes. Se os fãs da modalidade não puderam ver grande apresentação de Daiane dos Santos, machucada, conferiu o fortalecimento de um novo talento, o de Jade Barbosa, campeã no salto sobre o cavalo, bronze no solo e prata com a equipe nacional. Quando liderava a competição individual geral, a atleta de 16 anos, caiu das barras assimétricas, chorou, acabou no quarto lugar e emocionou os espectadores. No futebol, enquanto a seleção masculina, formada por jogadores Sub-17, caiu ainda na primeira fase, a feminina, comandada por Marta, a melhor do mundo, deu espetáculo, com o ouro, 100% de aproveitamento, 31 gols marcados e nenhum sofrido em seis partidas. Quem também mostrou desempenho brilhante foi a equipe de futsal, do ala Falcão, campeã com goleadas em todos os confrontos. O boxe pode ser considerado a modalidade que mais surpreendeu positivamente. Após dois terceiros lugares em Santo Domingo, os pugilistas brasileiros garantiram seis bronzes, uma prata e um ouro, com Pedro Lima, o primeiro título em 44 anos. No basquete, os Jogos de 2007 foram marcados pelo tricampeonato da equipe masculina e o adeus de Janeth às quadras com a medalha de prata, no feminino. Despedida também no tênis de mesa, esporte no qual Hugo Hoyama disputou seu último Pan-Americano. O atleta, porém, deixou o Rio de Janeiro com um título, por equipes, uma medalha de bronze, do torneio individual, e um recorde: com nove ouros, superou o exnadador Gustavo Borges e é, isoladamente, o maior vencedor brasileiro na história da competição continental. FONTES: UOL / IG/ TERRA/ VEJA-ONLINE/ ISTOE.

QUESTÕES DE CONHECIMENTOS GERAIS – TJ – 9/9/07


31. Em votação que coincidiu com o Dia Internacional da Mulher, o Parlamento (...) aprovou ontem o projeto que legaliza o aborto. (...) A descriminalização do aborto contou com o apoio de 59% dos eleitores que participaram de plebiscito no último 11 de fevereiro. Mas, como a abstenção foi maior que 50%, o tema voltou para a esfera parlamentar. O assunto já havia sido submetido em 1998 a um primeiro plebiscito. A maioria favorável ao aborto foi apertada, de 51%. Mas com uma abstenção de 68%, o resultado teve sua legitimidade contestada. Fizeram na época campanha pela abstenção partidos do bloco de centro direita, a hierarquia católica e entidades ligadas à igreja. (Folha de S.Paulo, 09.03.2007) A notícia refere-se (A) à França. (B) à Irlanda. (C) à Itália. (D) à Polônia. (E) a Portugal. 32. “Que triste para o povo brasileiro! Minhas condolências para esse povo que não merece isso. Um Congresso que repete como papagaio o que dizem em Washington. Que dano faz esse Congresso à causa da integração latino-americana. Que tristeza que dá!”, disse Chávez. (www.noticias.terra.com.br, 31.05.2007). A declaração do presidente venezuelano relaciona-se diretamente com (A) o requerimento aprovado pelo Senado brasileiro com um pedido para que o governo da Venezuela devolva a concessão ao canal RCTV. (B) as sanções econômicas propostas pela Câmara dos Deputados do Brasil contra a Venezuela na Organização dos Estados Americanos. (C) a polêmica decisão da Câmara dos Deputados do Brasil em não permitir a entrada imediata do Paraguai e do Equador no Mercosul. (D) a decisão do governo brasileiro em contestar junto à Organização Mundial do Comércio os subsídios a favor do petróleo venezuelano. (E) a condenação feita pelo presidente do Senado brasileiro a um novo mandato presidencial de seis anos para o dirigente venezuelano. 33. Menos de 1 ano após ter sido vendida em leilão por US$ 24 milhões, a nova Varig, ou a parte saudável da mais antiga companhia aérea brasileira, mudou de mãos nesta quarta-feira [28.03.2007], ao ser comprada (...) em operação que pode atingir US$ 320 milhões. ( www.ultimosegundo.ig.com.br/economia) A Varig foi comprada pela (A) TAM. (B) Lan Chile. (C) BRA. (D) Gol. (E) OceanAir. 34. Em maio desse ano, como desdobramento do assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira, Dorothy Stang, ocorrido em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu (Pará), (A) o fazendeiro Regivaldo Galvão, acusado de executar o crime, foi inocentado pelo Tribunal de Júri de Belém (PA), em virtude da ausência de provas e de erros processuais. (B) o Tribunal do Júri de Belém (PA) condenou o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura a 30 anos de prisão em regime fechado por ter atuado como um dos mandantes do crime. (C) o governo do Pará foi denunciado na Corte Interamericana de Direitos Humanos por não efetivar a prisão e o julgamento de todos os envolvidos nesse crime. (D) a ONG Terra de Direitos e a Comissão Pastoral da Terra denunciaram que as testemunhas de acusação do crime estão sendo intimidadas pela defesa dos acusados. (E) o Tribunal de Justiça do Pará anunciou o desaforamento para Brasília do julgamento dos acusados do crime, depois de denúncias da imparcialidade de parte do júri popular. 35. O Tribunal Supremo Eleitoral (...) confirmou nesta sexta-feira, 20, que 81,72% dos eleitores apoiaram na consulta do domingo uma Assembléia Constituinte para transformar as instituições do Estado e redigir uma nova Carta Magna. A audiência, promovida para anunciar a apuração oficial de resultados da consulta para a Constituinte – estimulada pelo presidente Rafael Correa –, ratificou os resultados anunciados antes, em que o “sim” teve 5.354.595 votos, enquanto os votos pelo “não”


somaram 814.323 votos, 12,43%. (oestadao.com.br, 20.04.2007) O processo constituinte citado no fragmento foi aprovado (A) na Bol铆via. (B) na Col么mbia. (C) no Equador. (D) no Peru. (E) no Uruguai.

Conhecimentos gerais fatos econômicos, políticos e sociais