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Encontro

A mensagem do céu para toda a terra Após um trimestre de estudos em que nos detivemos no primeiro livro do Antigo Testamento (Gênesis) aqui, na revista COMPROMISSO, voltamo-nos agora para o primeiro livro do Novo Testamento, cuja mensagem será alvo de nossa reflexão, meditação, recordação e, mais do que isso, renovação de nosso aprendizado e ampliação de nosso compromisso ético com a mensagem de Cristo, conforme apresentada pelo Evangelho de Mateus. Do passado para o presente – O texto de Mateus principia com o resumo da genealogia de Jesus, demonstrando que a criança que nasceu em Belém é, de fato, o Cristo anunciado pelos profetas e cuja história remonta aos tempos primevos da criação de Deus. Segundo o Evangelho de João, ele estava no princípio com Deus, na eternidade. No Apocalipse, o mesmo João reitera essa verdade dizendo que Jesus é o alfa e o ômega, ou seja, o princípio e o fim. Para Mateus, Jesus é também o Deus que age na história, de geração em geração, do passado para o presente. No presente – O Deus da história é o Emanuel, Deus-conosco, Deus que intervém na história humana para manifestar o reino dos céus aos desgovernos e injustiças da terra. Mateus, portanto, revela Jesus como o Deus presente, aquele a quem o profeta João Batista dá testemunho de que ele é verdadeiramente o Cristo. Continua o evangelista mostrando Jesus presente na história, tanto nos grandes como nos singelos problemas da condição humana. Assim, ele enfrenta os poderes do mal, chama discípulos para sua seara, profere a maior mensagem já pregada (o Sermão do Monte), cura doenças e restaura vidas, convive com pobres e pecadores, ressuscita mortos, liberta endemoninhados, alimenta multidões com o pão material e com o ensino da Palavra, interfere na natureza, enfrenta opositores, submete-se voluntariamente à morte por amor aos pecadores, é sepultado e ressuscita triunfalmente dentre os mortos para a glória da vida, para a salvação de toda a criação. Jesus é Deus que faz história, que age na história e se mantém presente na história hoje. Do presente para o futuro – O Deus presente traz a mensagem da plenitude de vida do céu para toda a terra. Ao subir aos céus ele comissiona seus seguidores, sob o poder do Espírito Santo, a darem prosseguimento a esta missão evangelizadora de proclamar, de ensinar, de praticar a vontade de Deus entre todas as pessoas da terra. O Deus da história nos convoca a dar prosseguimento hoje, efetivamente, a esta tarefa missionária iniciada por Cristo. Desde o presente rumo ao futuro até o final dos séculos com a volta gloriosa de Jesus. Que este trimestre de estudos bíblicos sob a perspectiva de Mateus nos faça ser mais ativos na história aprendendo com o exemplo de Cristo, o Deus que se fez presente ontem, se faz presente hoje e se fará presente sempre. 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡1


COMPROMISSO ISSN 1984-7475

LITERATURA BATISTA Ano CVII – Nº 426 – Abr.Maio.Jun. 2013

COMPROMISSO destina-se a adultos (36 a 64 anos), contendo liçþes para a Escola BĂ­blica Dominical. Os adultos de 65 anos em diante podem, obviamente, usar esta revista, mas a CBB destina a eles a revista REALIZAĂ‡ĂƒO, cuidadosamente preparada para a faixa etĂĄria da terceira idade Publicação trimestral do Departamento de Educação Religiosa da Convenção Batista Brasileira CNPJ (MF): 33.531.732/0001-67 Registro nÂş 816.243.760 no INPI Endereço Caixa Postal, 39836130 Rio de Janeiro, RJ Tels.: (21) 2157-5557 7HOHJUiĂ€FR²%$7,67$6 (OHWU{QLFR²OLWHUDWXUD#EDWLVWDVFRP 6LWH²ZZZEDWLVWDVFRP Direção Geral SĂłcrates Oliveira de Souza

Coordenação Editorial 6RODQJH&DUGRVRGH$EUHXG¡$OPHLGD (RP/16897)

Redação Clemir Fernandes Silva Produção Editorial 6WXGLR$QXQFLDU 3URGXomR*UiĂ€FD :LOO\$VVLV3URGXomR*UiĂ€FD Distribuição EBD-1 Marketing e Consultoria Editorial Ltda. 7HOV  ‡ (PDLOSHGLGRV#HEGFRPEU

Nossa missĂŁo: “Viabilizar a cooperação entre as igrejas batistas no cumprimento de sua missĂŁo como comunidade localâ€?

QUEM ESCREVEU ²3U2VZDOGR/XL]*RPHV-DFREpEDFKDUHOHP7HRORJLDSHOR Seminårio Teológico Batista do Sul do Brasil (1979-1982). Convalidação do curso teológico pela Universidade Metodista de São Paulo (2009). Mestrando em MissioORJLDSHOR6RXWKHDVWHUQ%DSWLVW7KHRORJLFDO6HPLQDU\86$)RLPLVVLRQiULRQDÉIULFD do Sul (1993-1994; 1999) pela Junta de Missþes Mundiais da CBB. É professor no 6HPLQiULR7HROyJLFR%DWLVWD6XO)OXPLQHQVH9ROWD5HGRQGD5-$UWLFXOLVWDGR-RUQDO %DWLVWD$WXDOPHQWHpRSDVWRUWLWXODUGD6HJXQGD,JUHMD%DWLVWDHP%DUUD0DQVDVXO do Estado do Rio desde 2000. É casado com Eliane Pitzer Jacob com quem tem três ÀOKRV$QD&DUROLQH FDVDGD /DULVVD+HOHQDH/XL])HOLSH ,PDJHQVXWLOL]DGDVQHVWDHGLomRZZZV[FKX‡ZZZGLJLWDOIUHHSKRWRVFRP‡ZZZPRUJXHÀOHFRP

2 ‡ COMPROMISSO‡2T13


Sumårio Sumårio Estudos da Escola Bíblica Dominical ,QWURGXomRDRWULPHVWUH²Mateus: O Evangelho do Rei

7

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Variedades ĂˆQIDVHGRDQR²Defesa de crianças e adolescentes: duas sugestĂľes prĂĄticas

4

+LQRGRWULPHVWUH²“Se eu posso hoje o bem fazerâ€?

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3. MissĂľes Mundiais

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Ênfase do ano

Defesa de crianças e adolescentes: duas sugestões práticas Jesus é o grande defensor de crianças e adolescentes. O conhecido texto bíblico em que ele “briga” com seus próprios discípulos por causa das crianças é paradigmático e, por isso, tem muito a nos ensinar. Ele assume a causa das crianças sem voz e sem vez, as acolhe plenamente abençoando-as com sua presença e apoio efetivo e, além disso, transforma seus discípulos com seu ensino e grande exemplo de abraçar e valorizar aqueles de quem a sociedade não dava valor. No contexto em que vivemos, marcado por abusos e desrespeito a crianças e adolescentes, o que podemos fazer para efetivamente abençoá-las a exemplo de Jesus? Sei que há muitas maneiras e nossas igrejas já desenvolvem várias tarefas, sobretudo no contexto da Escola Bíblica Dominical. Porém, mais atividades assemelhadas podem ser praticadas. Aqui faremos duas sugestões de atividades que podem ser desenvolvi4 ‡ COMPROMISSO‡2T13

das por você, sua classe, sua igreja, seus amigos, sua família. Uma é mais simples e a outra mais complexa, mas ambas possíveis de serem realizadas. 1 Mutirão de oração em favor

de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social – Mobilizar e motivar pessoas a participarem deste esforço que pode acontecer, inclusive, nos cultos de sua igreja ou contexto de sua família. Reunir dados sobre a situação de crianças em vulnerabilidade social. Realizar a campanha de oração intercalando os dados com os momentos específicos de oração. Sugerimos a data de 7, 8 e 9 de junho, quando acontece campanha semelhante em mais de 100 países, o Mutirão Mundial de Oração em favor de crianças e adolescentes. Para mais informações sobre esta campanha e como participar: www.bolanarede. org.br


2 Mobilização contra a explora-

ção sexual de crianças e adolescentes – Este Ê um grave problema que pode acontecer com qualquer criança, inclusive no ambiente da família e no contexto da igreja. Conhecer este problema e buscar parceiros para a defesa de crianças adolescentes Ê um compromisso essencialmente cristão a exemplo do próprio Jesus. Assim como o Mutirão de oração, esta atividade acontece tambÊm hå vårios anos e envolve igrejas, sociedade civil, entidades públicas etc. Sugerimos realizar algo semelhante em seu bairro ou cidade ou se juntando a quem jå promove esta marcha. Ela acontece geralmente em 18 de maio. Conheça e participe. Mais informaçþes em www.bolanarede.org.br

Seja de fato um seguidor de Jesus, no estudo de sua Palavra e na prĂĄtica de seus ensinos. Faça como Jesus, "brigue" pela defesa de crianças e adolescentes. Tema: 'HVDĂ€DGRVDVHUSDGUmRQD valorização da nova geração ĂŠnfase: 'HVDĂ€DGRVDVHUSDGUmRQD valorização e no cuidado da criança e do adolescente Divisa:´(GXTXHDFULDQoDQRFDPLQKR HPTXHGHYHDQGDUHDWpRĂ€PGDYLGD QmRVHGHVYLDUiGHOHÂľ²3URYpUELRV Hino do trimestre: “Se eu posso KRMHREHPID]HUÂľKLQRGRHinĂĄrio para o culto cristĂŁo

Clemir Fernandes Imagem: Morgue File

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Hino do trimestre

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Introdução ao trimestre

Mateus O Evangelho do Rei O Evangelho de Mateus é a mensagem do Rei que, sendo Deus, se manifestou em carne e osso, revelando o seu grande amor por nós. É o Evangelho da soberania de Deus Pai sobre a vida das pessoas e sobre toda a natureza. Ele começa revelando o Emanuel (que quer dizer: Deus conosco – 1.23) e termina com “eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”

(28.20). Ele revela a soberania de Deus na história e nos exorta dizendo: e “este evangelho do reino será pregado por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim” (24.14). Há algumas informações relevantes visando a nossa compreensão de todo o Evangelho para a comunidade de hoje. Trataremos a situação ambiental, o propósito, a mensagem, a data e o autor.

Jesus e seus discípulos – Gravura de Gustave Doré

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SITUAÇÃO AMBIENTAL E PROPÓSITO É muito relevante conhecer o contexto, bem como o propósito do livro para nos situarmos na compreensão do texto e sua mensagem. Leitura, interpretação e aplicação são três princípios básicos para uma compreensão madura da Escritura e consequente testemunho cristão. Um erudito do Novo Testamento nos dá uma dica interessante nesta direção. “Na década após a Primeira Guerra Judaico-Romana, a igreja à qual Mateus escreveu ficou algures entre a sua origem judaica e o que mais tarde se tornou uma igreja totalmente gentílica. Essa igreja ainda não estava preparada para admitir a sua separação do judaísmo, embora possa ser que o judaísmo a tivesse repudiado. Pelo menos, a igreja de Mateus ainda estava interagindo com o judaísmo (17.24-27; 23.1-12; 24.9). O cristianismo estava rapidamente se tornando menos judaico e mais gentílico. Os cristãos judeus precisavam compreender o significado da lei e do templo (agora em ruínas) para si mesmos, tanto quanto o seu relacionamento com os gentios convertidos. Os cristãos gentios precisavam entender a natureza da liberdade em respeito à Lei de Deus. Ambos os grupos precisavam compreender a relação do cristianismo com o judaísmo”.1 O Evangelho de Mateus tanto distancia quanto interage entre a sinagoga e a igreja. Mateus conhece as sinagogas como 8 ‡ COMPROMISSO‡2T13

sinagogas do judaísmo farisaico (4.23; 9.35; 10.17; 12.9; 13.54; 23.34) exceto em 4.23. Cada ocorrência do termo “sinagoga deles” é redacional, é obra editorial de Mateus. Marcos conhece a expressão (1.23,39), mas Mateus enfatiza.2 Os debates com o farisaísmo dão a entender um relacionamento contínuo, embora restringido. Mateus afirma a validade contínua da lei, tão importante para os fariseus. O que o aparta deles é a sua declaração de que em Cristo se encontra uma melhor compreensão da lei (5.21-48; 9.13; 12.3,5,7; 16.6,11) e o seu verdadeiro cumprimento, em contraste com o mau entendimento e uso errado da lei por parte dos fariseus (9.4; 15.1214; 22.18; 23.2). Mateus vê Jesus como cumprindo a lei, mas descobrindo a sua verdadeira intenção, dando a ela obediência plena, expressa por fim no amor, que se dá em serviço sacrificial.3 Um dos principais propósitos de Mateus era argumentar que o verdadeiro judaísmo tinha o seu cumprimento em Cristo, e não no judaísmo farisaico centralizado em Jâmnia, cidade hoje denominada Yavneh (um concílio rabínico (farisaico) realizado no final do primeiro século d.C. e início do segundo d.C., que procurou, sob a direção do rabino Yochaman ben Zakai, dar um rumo ao judaísmo após a destruição do templo de Jerusalém). Jesus Cristo é apresentado como “Filho de Davi, Filho de Abraão” (1.1.), e Mateus mostra como as alianças com Abraão e Davi se cumpriram em Jesus. A genealogia e nascimento


e narrativas da infância de Jesus (1-2) são construídas de tal forma a mostrar que Jesus é Filho de Davi, mas também Filho de Deus, em quem as alianças com Abraão e Davi são cumpridas.4

Jesus é o Rei (4.17). Este reino de Deus esperado é marcado por quatro características no Antigo Testamento: justiça (Jr 23.5,6), paz (Ez 34.23-31), estabilidade (Is 9.7) e universalidade (Zc 9.10).

A MENSAGEM DE MATEUS

Jesus é o Filho de Deus. O professor Jack Kingsbury, citado por Stott, argumenta que o “Filho de Deus” é, na mente de Mateus, o título mais importante dado a Jesus. É quase sempre usado por outros a respeito de Jesus: pelo Diabo ou demônios: 4.3,6; 8.29; pelos inimigos de Jesus, em acusação ou zombarias: 26.63; 27.40,43; por Mateus, os discípulos ou outros em confissão de fé: 2.15; 14.33; 16.16; 27.54; pelo próprio Deus: 3.17; 17.5; 21.37.

Qual era a mensagem deste que foi cobrador de impostos, odiado pelos judeus? Considerando a sua experiência com Jesus, qual a mensagem que Mateus transmite a nós hoje? Jesus é o cumprimento do Antigo Testamento. A mais importante passagem nesta conexão é 5.17-20. Há outras correlações: 12.15-21 (Isaías 42.1-4); 8.16,17 (Isaías 53).

Réplica do segundo templo, do período de Cristo – Imagem: Wikipédia

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Como título, ele tem três correlações: com Israel (Ex 4.22; Os 11.1; Mt 2.15; com a realeza (2Sm 7.13,14; Sl 2.7); com a deidade (Mt 11.25-27). Jesus é o Mestre, o Cristo: 23.10; 18.15-35; 16.18; 18.17. Jesus é o Salvador, o Filho do homem: 20.27,28; 26.28; 1.21. O Evangelho de Mateus é certamente o do Rei que governa, como indicamos anteriormente. Mas este Rei é diferente dos outros. Ele não governa com autoridade distante nem vive em esplendor pessoal. Ele se assenta num trono e julga as nações (25.31ss), mas somente porque “tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (8.17, citando Isaías 53.3,4). Ele governa como um servo, não com poder, mas com compaixão, não com autopromoção, mas com total abnegação. Este é o coração pulsante da mensagem do Evangelho de Mateus – mensagem que o arrastou da vida de ganância e egoísmo para a vida de serviço deste Rei”.5 DATA E AUTOR Embora este Evangelho receba ocasionalmente data entre as décadas de 80 e 90 do primeiro século, o fato de a destruição de Jerusalém ser ainda considerada um acontecimen10 ‡ COMPROMISSO‡2T13

to futuro (24.2), parece exigir uma data mais recuada. Alguns pensam que Mateus foi o primeiro Evangelho a ser escrito (por volta do ano 50 d.C.), ao passo que outros discordam alegando que só foi escrito na década de 60 d.C.6 Quem era Mateus? Era um cobrador de impostos judeu. Chamado também de Levi por Marcos e Lucas (Mc 2.14; Lc 5.27-29). Jesus lhe disse: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu (9.9). Ele chama a si mesmo de publicano (10.3). Ele experimentou uma conversão revolucionária. Somente Mateus se refere ao ensino direto de Jesus sobre o pagamento de imposto (17.24-27). Segundo Stott, há três características importantes do Evangelho de Mateus que podem ser delineadas a partir da sua experiência de conversão: 1) Ele aprendeu o que é misericórdia e perdão (Mt 6.12; Lc 11.4); 2) Ele desenvolveu uma nova visão do Rei (Mt 22.16; Mc 3.6); 3) Ele descobriu um novo dom de ensinar: sua narrativa estruturada; seu uso do Antigo Testamento; sua preocupação acerca dos fariseus e seu estilo narrativo.7 Este é o Evangelho de Mateus, inspirado pelo Espírito Santo, revelado a um homem que seguiu e serviu a Cristo, trazendo para nós um manancial de vida e testemunho cristão para a glória de Deus. _____________________ Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob


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NOTAS 67$**)UDQNIntrodução ao Evangelho de Mateus. Comentário Broadman. Rio de Janeiro: Juerp, 1982. Vol. 8. 2 Ibid. 4 Ibid. 67277-RKQHomens com uma Mensagem. São Paulo: Editora Cristã Unida, 1996. 5<5,(&KDUOHV%tEOLD $QRWDGD²Introdução ao Evangelho de Mateus. São Paulo: Ed. Mundo Cristão, 1991. 67277-RKQHomens com uma Mensagem. São Paulo: Editora Cristã Unida, 1996.

OBRAS CONSULTADAS /2&.<(5+HUEHUWTodas as parĂĄbolas da BĂ­blia. 9ÂŞ ReimpressĂŁo. SĂŁo Paulo: Editora Vida, 2009. MEYER, F. B. ComentĂĄrio bĂ­blico devocionalÂ?(GLomR0LQDV*HUDLV(GLWRUD%HWk nia, 1992. 5<5,(&KDUOHVBĂ­blia anotada. 1ÂŞ Edição. SĂŁo Paulo: Editora Mundo CristĂŁo, 1991. 67$**)UDQNComentĂĄrio BĂ­blico Broadman. 1ÂŞ Edição. Rio de Janeiro: Juerp, 1982. Vol. 8. 67277-RKQHomens com uma mensagem. 1ÂŞ Edição. Campinas: Editora CristĂŁ Unida, 1996. 7$6.(559*Mateus â&#x20AC;&#x201C; Introdução e comentĂĄrio. 1ÂŞ Edição. SĂŁo Paulo: Editora Mundo CristĂŁo e Ediçþes Vida Nova, 1980. 7+,(/,&.(+HOPXWMosaico de Deus. 1ÂŞ Edição. SĂŁo Leopoldo: Editora Sinodal, 1968.

2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;11


EBD 1

7 de abril

“O Guia que há de apascentar o meu povo” A primeira vinda de Cristo ao mundo Texto bíblico ²0DWHXVH² Texto áureo²0DWHXV

Segunda Mateus 1.1-10

Terça

DIA A DIA COM A BÍBLIA Quarta Quinta Sexta

Mateus 1.11-17

Mateus 2.1-12

Mateus 1.18-25

A manifestação de Cristo ao mundo revela o amor de Deus. A vinda de Jesus, nascido de mulher, sob a lei, para resgatar os que estão debaixo da lei é a verdade pura do evangelho. Veremos nesta exposição a genealogia de Jesus; o milagre do seu nascimento; a alegria, o júbilo dos sábios do Oriente; a reação violenta de Herodes, o Grande, e a fixação da residência de José, Maria e Jesus em Nazaré, onde o menino trabalhará com o pai na carpintaria até iniciar o seu ministério. A GENEALOGIA (Mt 1.1-17) O nosso objetivo nesta exposição bíblica é tratar a revelação de Jesus Cristo, o Rei. Ele, sendo Deus, entrou na história na pessoa de Jesus. A ge12 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Mateus 2.13-15

Sábado

Domingo Mateus 2.19-23

nealogia define muito bem a sua humanidade. Genealogia vem do grego geneseos, que quer dizer "origem, natividade, nascimento, existência, vida". As 14 gerações (grego: geneai), no versículo 17, denotam a veracidade histórica de Jesus Cristo, pois no passado obscuro, Deus escolhera uma família, a de Abraão, e, mais adiante, outra família dentro da família abraâmica, a de Davi, para ser o veículo pelo qual seu Filho entrasse no mundo. A nação judaica foi fundada e protegida por Deus, através dos séculos, para salvaguardar a linhagem dessa família. A genealogia, como está em Mateus, é abreviada. Omitem-se alguns nomes. São 42 gerações que cobrem dois mil anos. Dividem-se em três partes, de 14 gerações, talvez para ajudar a memória: a primeira, cobrindo mil anos; a segunda, 400 anos; e a


terceira, 600 anos. São três grupos de 14. No terceiro grupo, entretanto, nomeiam-se só 13 gerações, dando-se a entender evidentemente que Maria seria a décima-quarta. Não era comum nas genealogias judias aparecerem os nomes de mulheres. A mulher não era considerada uma pessoa para tal responsabilidade. Ela não exercia direitos legais. Era simplesmente possessão do seu pai ou do seu esposo, e era obrigada a fazer o que eles quisessem. Na sua ação de graça matutina, o judeu agradecia a Deus por não tê-lo feito gentio, escravo ou mulher. A simples presença de nomes femininos em uma genealogia é um fato extraordinário. Então, Jesus derruba a barreira que separa o judeu do gentio; o homem da mulher e o santo do pecador (Barclay: 22,23). Ele não veio chamar justos, mas pecadores ao arrependimento (Mc 9.13). A opinião comumente aceita é que Mateus dá a linhagem de José, mostrando que Jesus é o herdeiro legal das promessas feitas a Abraão e a Davi; e Lucas dá a linhagem de Maria, mostrando a descendência física de Jesus, "Filho de Davi segundo a carne" (Rm 1.3). Em Mateus 1.16, a expressão "da qual" mostra que a utilização do feminino singular no grego não deixa dúvidas de que Jesus nasceu apenas de Maria, e não de Maria e José. Esta é uma das evidências mais fortes para o nascimento virginal de Jesus. A ge-

nealogia de Maria, de acordo com a prática judaica, dependia do esposo. Estas genealogias, registradas mais detalhadamente em 1Crônicas 1 a 9, formam a espinha dorsal dos anais do Antigo Testamento, preservadas cuidadosamente através dos séculos. O MILAGRE DO NASCIMENTO DE CRISTO (Mt 1.18-25) O nascimento do Senhor Jesus Cristo revela o milagre da entrada do eterno dentro do nosso tempo. O mistério é revelado na história. Maria, no período do noivado em que aguardava coabitar com José, foi engravidada pelo Espírito Santo. José e Maria foram preparados pelo Senhor para a concepção de Jesus (1.20,21). Ele é da semente da mulher que veio para salvar os seres humanos (Gn 3.15; Mt 1.21). O texto sagrado é muito esclarecedor quando revela em 1.18, que, "estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo". É importante destacar que Maria passou com Isabel, sua prima, os três meses seguintes à visita que lhe fez o mensageiro celeste. Quando voltou a Nazaré e José soube do seu estado, este deve tê-lo levado a uma perplexidade estranha. Era, porém, um homem íntegro e justo, dispondo-se a resguardar a repu2T13 ‡ COMPROMISSO ‡13


tação de Maria do que ele supunha ser uma desmoralização pública ou coisa pior. Foi quando o anjo apareceu-lhe e explicou tudo (1.19-24). Podemos informar que a intenção evidente de Mateus foi mostrar que Cristo tivera uma origem sobrenatural. OS SÁBIOS FICAM IMPRESSIONADOS (Mt 2.1,2, 9-12) Mesmo sendo considerados homens sábios, eles saíram da Babilônia ou de países mais além, região onde a raça humana teve a sua origem, terra de Abraão e do cativeiro judaico, onde muitos judeus ainda viviam. Eram homens que pertenciam à classe de pessoas ilustres, eram conselheiros de reis. Talvez, estivessem familiarizados com as escrituras judaicas e sabiam da expectação existente pelo Rei ou pelo Messias. Certamente, eram homens de elevada posição social, pois tiveram acesso à presença de Herodes. Geralmente são mencionados como "três magos", mas as Escrituras não dizem quantos foram. Provavelmente foram mais de três, ou pelo menos vieram com uma comitiva de dezenas ou centenas de pessoas, como medida de segurança, visto que não seria seguro um pequeno grupo viajar milhares de quilômetros de desertos infestados de malfeitores. A chegada deles a Jerusalém foi bastante espetacular para alvoroçar a cidade inteira. 14 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Eles sabiam a quem buscavam. Herodes ficou alarmado (2.2,3). O rei convocou os religiosos e lhes indagou onde nasceria o Messias. A resposta foi imediata. Herodes chama os sábios, os questiona, enviando-os a Belém. A estrela que viram no Oriente parou sobre onde estava o menino Jesus (2.79). "Esta estrela, vista pelos magos, foi, sem dúvida, um fenômeno distinto, uma luz sobrenatural que, pela direta revelação de Deus, foi adiante deles e indicou-lhes o lugar exato; anúncio sobrenatural de um nascimento sobrenatural" (Halley, p. 370). Os sábios do Oriente experimentaram um grande e intenso júbilo ao verem a estrela (2.10). O texto grego usa o superlativo para expressar o sentimento desses homens diante de Jesus. Eles o adoraram e ofereceram o melhor que tinham dos seus tesouros: ouro, incenso e mirra. "Os primeiros pais da igreja entendiam o ouro como símbolo da divindade de Jesus; o incenso, da sua pureza; e a mirra, de sua morte, uma vez que era usada para embalsamar" (Ryrie, p. 1.184). Após a visita ao menino Jesus, os sábios fizeram a vontade de Deus, retornando para a Babilônia. A REAÇÃO DE HERODES (Mt 2.3-8, 16-18) Uma pergunta que nos vem à mente é: por que Herodes, o Grande, reage


negativamente ao nascimento de Jesus Cristo? Porque ele representa toda a artimanha satânica que se manifesta no humanismo do rei. Herodes era um homem megalomaníaco, com sede de poder e um inimigo do reino de Deus. Uma razão fundamental para o comportamento de Herodes era a sua origem. Os Herodes eram uma linhagem edomita de reis que, sob o governo romano, dominavam a Judeia pouco antes da aparição de Cristo. Herodes, o Grande, 37–3 a.C., subiu ao trono e o conservou por meio de crimes bárbaros, pois matou até sua esposa e dois filhos. Era cruel, astuto e de sangue frio. Foi ele quem matou os meninos de Belém, num esforço para eliminar Cristo. Seu filho, 33 anos mais tarde, matou João Batista (Mc 6.14-29), e escarneceu de Cristo (Lc 23.7-12). Herodes era descendente de Esaú, que odiava os judeus. Com a perseguição empreendida por Herodes, José e Maria fogem com o menino para o Egito (2.13-15).

IMAGENS DA VIDA SIMPLES QUE CRISTO LEVAVA EM NAZARÉ (Mt 2.19-23) Após a morte de Herodes, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito e ordenou a sua volta para a terra de Israel. José obedeceu e foi para as regiões da Galileia (v. 19-22). Mateus não menciona que José e Maria tivessem residido anteriormente em Nazaré. Sabemos isto de Lucas. Diz o texto (v. 23) que Jesus será chamado nazareno. Provavelmente nazareno é um sinônimo para desprezível ou desprezado, já que Nazaré era o lugar mais improvável para a residência do Messias. Tudo nos leva a crer que Jesus trabalhou com o seu pai na carpintaria até o tempo de realizar a sua missão como Salvador, como aquele que veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28).

APLICAÇÕES PARA A VIDA 1 $SUHQGHPRVTXHRQDVFLPHQWRGH&ULVWRIRLXPPLODJUH'HXVVHLPSRUWDFRPD gente. Ele nos ama profundamente. Você tem falado deste amor às pessoas? 2 $ YLQGD GRV ViELRV GR 2ULHQWH SDUD WHVWHPXQKDUHP R QDVFLPHQWR GH -HVXV UHYHOD D XQLYHUVDOLGDGH GR HYDQJHOKR 9RFr HVWi FRPSURPHWLGR FRP D SUHJDomR GR HYDQJHOKRGH&ULVWRjVQDo}HV"

2T13 ‡ COMPROMISSO ‡15


EBD 2

14 de abril

“Percorria Jesus toda a Galiléia” O preparo para a missão Texto bíblico ²0DWHXVH‡Texto áureo²0DWHXV

Segunda

Terça

Mateus 3.1-7

Mateus 3.8-12

DIA A DIA COM A BÍBLIA Sexta Quarta Quinta Mateus 3.13-17

Mateus 4.1-11

Neste estudo enfocaremos o ministério de João Batista, profetizado em Isaías 40.1-3. Um homem comprometido com o Senhor Jesus, a sua revelação e com a ética do reino de Deus, realizando o batismo de arrependimento. Veremos a sua simplicidade e a envergadura do seu ofício em ser o precursor e aquele que batizou o Senhor Jesus Cristo no Rio Jordão, inaugurando o seu ministério. Foi nesse contexto do batismo que a Trindade de Deus se manifestou de forma gloriosa. Mais adiante estudaremos a tentação de Jesus, na sua humanidade, quando ele foi levado pelo Espírito ao deserto. Ato contínuo, o Mestre chama os seus primeiros discípulos para cumprirem a missão do reino de Deus. 16 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Mateus 4.12-17

Sábado

Domingo

Mateus 4.18-22

Mateus 4.23-25

QUEM FOI JOÃO BATISTA? (Mt 3.1-4) João Batista era um homem de Deus, profeta do Senhor, levantado para anunciar a vinda do Senhor Jesus Cristo e participar da inauguração do seu ministério como Salvador. A sua história está ligada à profecia de Malaquias (4.1-6). Filho de Zacarias e Isabel. Ele era idoso e ela, além de idosa, era estéril. Mas como diz Lucas 1.37: “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”. Após o chamado período interbíblico – entre o Antigo e o Novo Testamento – que durou cerca de 400 anos antes de Cristo, sem profecia, aparece João Batista da parte de Deus apontando para o Cristo que haveria de se manifestar em carne ( Jo 1.14,


29). João era um homem simples, que vivia no deserto da Judeia, usando vestes de pelos de camelo e um cinto de couro, alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre (Mt 3.4). Um homem do povo, muito sério com as coisas de Deus, intrépido e ousado na pregação acerca do reino de Deus, enfatizando o arrependimento e a confissão de pecados. O CONTEXTO DE JOÃO E A SUA MENSAGEM (Mt 3.5-10) Sob o domínio de Roma, a Palestina – ambiente histórico-cultural de João – vivia uma tensão entre o domínio implacável do império romano e a libertação deste domínio. Havia muitos traumas e feridas no povo judeu. Tentativas de libertação foram frustradas e líderes, que se intitulavam messias e seus seguidores, foram massacrados por Roma. Era um ambiente hostil. Os grupos judaicos, as religiões de mistério, cobradores de impostos, governadores, militares e políticos corruptos dominavam num contexto de sofrimento do povo. Os publicanos cobravam mais impostos que deviam, tendo o apoio dos soldados que extorquiam a nação sofrida. Havia o jugo do tradicionalismo religioso, os pesados impostos e o fato de viver debaixo de um poder estrangeiro. Sabemos que a religião como sistema contribui com toda a sorte de corrupção, ferindo

princípios éticos, adulterando valores. A história comprova estas realidades. “João, o último dos profetas de Israel, fora comissionado para proclamar uma mensagem semelhante e mais maravilhosamente evangélica. O reino de Deus estava para ser imediatamente manifestado em Israel em sua plenitude na pessoa e obra de nenhum outro senão o próprio Messias. Para esta grande chegada as pessoas precisavam preparar o caminho em seus corações” (Tasker, p. 37). A SUBMISSÃO DE CRISTO AO BATISMO (Mt 3.11-17) Após o seu belíssimo testemunho acerca de Jesus Cristo (v. 11,12), João se prepara para batizá-lo no Rio Jordão. Fico pensando que privilégio, que honra para um homem batizar o Rei dos reis e Senhor dos senhores! Que honra João poder servir a Cristo Jesus! O Senhor Jesus solenemente se dirigiu para fazer toda a vontade do Pai (v. 13). O texto diz que João dissuadia ou "tentava impedir" Jesus para que fosse o contrário. A resposta do Mestre está intrinsecamente ligada à sua missão (v. 15). Batizado, Jesus saiu logo da água, e os céus se abriram e o Espírito de Deus, como pomba, desceu sobre ele (v. 16). Que imagem impressionante! Após a descida do Espírito, o Pai fala do seu prazer na vida do Filho, na sua obediência (v. 17). A Trindade de Deus se manifesta de modo claro e inequívo2T13 ‡ COMPROMISSO ‡17


co, impressionante, sendo um lenitivo para o nosso coração. O batismo de Jesus nos remete para uma profunda reflexão acerca da nossa missão como seus discípulos. Como Jesus, devemos ser obedientes, humildes, submissos e prontos para o sofrimento, pois somos suas testemunhas. Um estudioso, falando sobre o batismo do Senhor, diz que "ele estava aceitando a sua missão. Como membro do seu povo e parte da humanidade, ele toma sobre si os pecados deles, e no batismo ele os atira de sobre si com santa ira, dedicando-se ao mesmo tempo à sua santa vocação". O batismo de Jesus simboliza morte, sepultamento e ressurreição. No nosso batismo, somos identificados plenamente com ele. O SIGNIFICADO DA TENTAÇÃO DE JESUS (Mt 4.1-11) Logo após o batismo, Jesus é levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo (v. 1). O segundo Adão, perfeito, sem pecado, agora é submetido a uma prova na sua humanidade. O inimigo usa de sofisma como utilizou no Éden. A expressão "se és Filho de Deus" ocorre duas vezes no texto (v. 3 e 6). De acordo com o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, Jesus foi submetido a três tentações: carnal (v. 3); espiritual (v. 6) e total (v. 8,9). O diabo usou a Palavra de Deus de forma errada à semelhança de muitos hoje. 18 ‡ COMPROMISSO‡2T13

A sua interpretação era maldosa, perversa e destruidora. Jesus, porém, usa a Palavra de Deus de forma correta, uma interpretação precisa, contextualizada, verdadeira e construtiva em sintonia perfeita com o Pai e o Espírito Santo. O diabo tenta tirar Jesus da sua missão, mas Jesus o vence respondendo magistralmente (v. 4-7,10). Jesus deixa claro para o diabo a veracidade da sua missão em glorificar o Pai na salvação do ser humano perdido. Ele substanciou o seu ministério mostrando que o homem deve viver de toda a Palavra de Deus; não deve tentar o Senhor Deus e a ele deve dar o seu culto racional, a sua adoração sincera. Ser Filho de Deus para Jesus não era transformar pedras em pães, nem se jogar do pináculo do templo e nem ser dono de todos os reinos do mundo. Ele tem todo o domínio. A sua fome de 40 dias e 40 noites não era de pão e nem de poder, mas de fazer toda a vontade do Pai. “Em Jesus, que era o Filho inteiramente obediente a Deus, devia ser visto em perfeição tudo o que Israel, chamado por Deus do Egito para ser seu filho, devia ser, mas que nunca havia sido, por causa de sua desobediência” (Tasker, p. 41). Impressiona-me a coroação da obediência de Cristo e a derrota do diabo. Os anjos servem um banquete para aquele que foi obediente até à morte e morte de cruz sendo depois exaltado pelo Pai (Fp 2.8-11).


O INĂ?CIO DO MINISTĂ&#x2030;RIO DE JESUS â&#x20AC;&#x201C; O CHAMADO DOS PRIMEIROS DISCĂ?PULOS (Mt 4.12-25) ApĂłs vencer o diabo, Jesus retirou-se para a Galileia. Mudou-se de NazarĂŠ, onde fora criado, e foi para Cafarnaum, onde realizaria seu ministĂŠrio para cumprir o que fora dito pelo profeta IsaĂ­as (9.1,2). Ali prega o arrependimento e a proximidade do reino dos cĂŠus (v. 16,17). Na sua caminhada junto ao Mar da Galileia, viu dois irmĂŁos, SimĂŁo, chamado Pedro, e AndrĂŠ, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Esta chamada estĂĄ em Marcos 1.16-20 e um texto mais completo em Lucas 5.1-11. Jesus os chama para servi-lo (v. 18,19). A resposta deles foi imediata (v. 20). Jesus chama mais dois, JoĂŁo e Tiago, filhos de Zebedeu (v. 21), que respondem prontamente (v. 22). No

texto de Lucas, a chamada Ê precedida por uma pesca milagrosa, pois eles haviam trabalhado toda a noite e nada haviam apanhado. Neste texto, AndrÊ não Ê mencionado. A lição preciosa Ê que Jesus chamou pescadores de peixes para se tornarem pescadores de homens. Aqui estå a essência do evangelho de Jesus Cristo (Lc 19.10). No versículo 23 aparecem três verbos no gerúndio: ensinando, pregando e curando. Eles fazem parte do conteúdo programåtico do ministÊrio do Senhor Jesus. Na sinagoga, ele alcançava muitos judeus. Fora dela, havia muitos estrangeiros doentes, acometidos de vårias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunåticos, paralíticos. Ele curou a todos. E em todas as regiþes da Palestina as multidþes o seguiam (v. 24,25). Jesus tem o mesmo poder hoje. Infelizmente, hå muitos exageros, enganos e charlatanismo em nome de Jesus.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 &RPR-RmR%DWLVWDWHQKDPRVDFRQVFLrQFLDGDQRVVDPLVVmRGHH[DOWDUDR 6HQKRU-HVXV&ULVWRVHMDPTXDLVIRUHPDVFRQVHTXrQFLDV

2 $YLGDGH-RmR%DWLVWDpXPH[HPSORTXHQRVPRWLYDDYLYHUQHVWHPXQGRGH vaidades, futilidades e excentricidades, sendo relevantes. João nos ensina a servir a Cristo sendo coerentes em todo o nosso procedimento, fazendo toda a diferença.

3 Jesus foi tentado e venceu a tentação utilizando as Escrituras. Pela prĂĄtica da Palavra somos mais que vencedores. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;19


EBD 3

21 de abril

"Ora a teu Pai que está em secreto" Diretrizes para o viver cristão Texto bíblico²0DWHXVD‡Texto áureo²0DWHXV DIA A DIA COM A BÍBLIA Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

Sábado

Domingo

Mateus 5.1-16

Mateus 5.17-32

Mateus 5.33-48

Mateus 6.1-18

Mateus 6.19-34

Mateus 7.1-14

Mateus 7.15-29

Temos nesta porção das Escrituras o chamado Sermão do Monte – o código de ética do reino de Deus. Jesus trabalha aqui especialmente as intenções do coração. Trata-se do conteúdo de uma vida feliz que é fazer a vontade de Deus. A vida no reino de Deus é governada pelo Rei. Somos seus súditos. Fomos criados e redimidos em Cristo para a obediência, desafiados a construir toda a nossa vida sobre a Rocha. Que o Espírito Santo nos auxilie na leitura, na interpretação e na aplicação deste texto inspirado. AS BEM-AVENTURANÇAS – O CARÁTER DO CRISTÃO (Mt 5.1-12) São oito "sinais principais da conduta e do caráter cristãos, especialmente em 20 ‡ COMPROMISSO‡2T13

relação a Deus e aos homens, e as bênçãos divinas que repousam sobre aqueles que externam estes sinais" (Stott, p. 11). A palavra grega para bem-aventurados é makarioi que revela o estado de pessoas felizes, que experimentam o gozo e a alegria que são divinos. Os humildes de espírito (v. 3) são aqueles que reconhecem a sua pobreza espiritual ou a sua falência espiritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus, e nada merecemos além do seu juízo. Os que choram (v. 4), Stott diz que são “felizes os infelizes a fim de chamar a atenção para o surpreendente paradoxo que contém”. A verdade é que existem lágrimas cristãs e são poucos os que a vertem. Os mansos (v. 5) são os que agem de maneira “gentil”, “humilde”, “atenciosa” e, portanto, exercem autocontrole, sem a qual estas qualidades são impossíveis (Stott, p. 32).


Fome e sede de justiça (v. 6). Estes são os que Deus satisfaz. A justiça na Bíblia tem pelo menos três aspectos: o legal, o moral e o social. A justiça legal é a justificação, um relacionamento certo com Deus. A justiça moral é aquela conduta que agrada a Deus. A justiça social é a pregada pelos profetas e trata da libertação do homem da opressão. Cristo satisfaz os três aspectos. Os misericordiosos (v. 7). É a qualidade de serem misericordiosos e terem compaixão dos outros, pois eles também são pecadores (Stott, p. 38). Os limpos de coração (v. 8). Os limpos de coração são os íntegros, livres da tirania de um “eu” dividido (Tasker). Só Jesus Cristo, entre os homens, foi absolutamente limpo de coração, foi inteiramente sem malícia (Stott, p. 40). Os pacificadores (v. 9). A sua vida é conduzida pela paz com Deus, consigo e com o próximo. Portanto, reconciliadora. Os perseguidos por causa da justiça (v. 10-12). Stott sabiamente nos alerta que “a perseguição é simplesmente o conflito entre dois sistemas de valores irreconciliáveis”. A nossa resposta é o versículo 12. INTERPRETANDO A LEI PARA O REINO – A INFLUÊNCIA E A JUSTIÇA DO CRISTÃO (Mt 5.13-48) Nos versículos 13 a 16, o Senhor faz duas afirmações acerca do nosso testemunho. Ele utiliza dois elementos essenciais à vida: sal e luz. O cris-

tão deve ser sal e luz. São metáforas para revelarem a nossa influência neste mundo. Plínio já dizia que nada é mais útil do que “o sal e o sol” (sale et sole). O sal serve para dar sabor, conservar ou preservar, purificar e revelar a sua influência. A luz foi feita para brilhar. Stott diz: “Para ter eficácia, o cristão precisa conservar a semelhança com Cristo, assim como o sal deve preservar a sua salinidade”. Não podemos ser sal sem sabor, sem salinidade, pisado pelos homens. Que lástima, comenta A. B. Bruce, “de salvadores da sociedade a material de pavimentação de estradas!” Somos a luz do mundo (v. 14-16). Não podemos ficar escondidos entre as quatro paredes do templo. A nossa luz deve brilhar. “O sal e a luz têm uma coisa em comum: eles se dão e se gastam, e isto é o oposto do que acontece com qualquer tipo de religiosidade egocentralizada” (Stott, p. 56). Jesus não veio revogar a lei, mas cumpri-la (v. 17). Ele diz que tudo se cumprirá (v. 18). Ensina que a lei deve ser vista à luz dele mesmo. Os discípulos devem viver a retidão no coração, além da letra (v. 20). Nos versículos 21 a 48, o Mestre enfatiza que o homem é julgado pela intenção do coração. Nutrir um sentimento raivoso por alguém ou falar palavras ofensivas significa estar sob o juízo de Deus. "O ato de homicídio propria2T13 ‡ COMPROMISSO ‡21


mente dito tem suas raízes na ira, hostilidade ou desprezo por outrem". Olhar para uma pessoa com intenção impura já adulterou ou se prostituiu com ela. Não preciso jurar, mas dizer sim, sim; não, não. A palavra do cristão deve ser autêntica. Não devemos nos vingar, mas caminhar a segunda milha; não resistir ao perverso. A orientação de Jesus é muito sábia para o nosso bem. Sobre o amor ao próximo, o Mestre nos exorta a amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem. São verbos que denotam ordem e ordenam o nosso coração. Aqui temos um resumo: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (5.48). A PIEDADE NO REINO: AMOR, ORAÇÃO E JEJUM (Mt 6.1-18; 7.7-12) O primeiro versículo é muito bem interpretado por A.B. Bruce: “Devemos mostrar quando tentados a esconder e esconder quando tentados a mostrar”. A contradição aqui é apenas verbal, não substancial em relação à expressão de Jesus “para que vejam as vossas boas obras”. Dar esmolas, orar e jejuar devem ser atitudes discretas (6.4). Quanto à oração pessoal, além de ser na intimidade do quarto, no secreto da comunhão com Deus, Jesus nos dá um modelo de oração que contempla a santidade de Deus; o seu reino; a 22 ‡ COMPROMISSO‡2T13

sua vontade em todas as dimensões; o seu suprimento para os discípulos; o perdão; o perigo da tentação e a soberania de Deus (6.5-15). No texto de 7.7-11, Jesus ensina que devemos pedir, buscar e bater. Ele usa os verbos no imperativo. Declara a disposição do Pai em nos atender, comparando o coração mau do pai humano com o coração amoroso do Pai do céu. No versículo 12 temos a chamada lei áurea: Tudo o que queremos que as pessoas nos façam devemos fazer a elas. UM CORAÇÃO PARA O REINO – A AMBIÇÃO DO CRISTÃO (Mt 6.19-34) Jesus ensina claramente a diferença entre o tesouro da terra e o tesouro do céu. Há uma grande diferença de natureza. Completando seu ensino, ele faz a ligação do coração com o tesouro. Em seguida, Jesus fala da condição dos olhos (v. 22,23). A diferença entre os olhos bons, onde há luz, e os olhos maus, onde há trevas. O nosso olhar é produto da condição do nosso coração. Os olhos são a janela da alma. Em seguida, Jesus, no versículo 24, fala que não podemos servir a dois senhores. Ou o homem serve a Deus ou às riquezas. Há muitos que estão buscando a teologia da prosperidade. A vida do cristão deve ser simples, sem ansiedade, stress. Jesus nos chama a atenção para o perigo da ansiedade.


A nossa vida ĂŠ muito mais importante do que a preocupação pelo comer, vestir e beber. Ele sugere uma terapia: olhar para a natureza tĂŁo bela. A nossa prioridade ĂŠ o reino de Deus e a sua justiça, e teremos o necessĂĄrio para vivermos com contentamento. O segredo ĂŠ viver cada dia, aproveitando muito bem cada oportunidade. OS PADRĂ&#x2022;ES DE JULGAMENTO NO REINO â&#x20AC;&#x201C; OS RELACIONAMENTOS DO CRISTĂ&#x192;O (Mt 7.1-6, 13-29) NĂłs nĂŁo somos o critĂŠrio ou o padrĂŁo de julgamento do prĂłximo (v. 1-5). Os que julgam serĂŁo julgados. Como posso ver o cisco no olho do outro se tenho um pedaço de madeira no meu? Este ĂŠ o ensino de Jesus. NĂŁo devemos insistir com aqueles que rejeitam e fazem chacota do evangelho de Cristo (v. 6). Eles nĂŁo sabem o valor, a riqueza da mensagem Ă  semelhança do porco que nĂŁo sabe o valor de uma pĂŠrola.

O homem estĂĄ diante de duas portas: a estreita, que conduz Ă  vida eterna; e a larga, que leva Ă  morte eterna. Jesus nos alerta para o perigo dos falsos profetas que enganam o povo. Por fora sĂŁo ovelhas, mas por dentro sĂŁo lobos devoradores. Fazer a vontade de Deus deve ser o centro da vida. Teremos muitas surpresas no dia do juĂ­zo (v. 22,23). Aqueles que sĂŁo do Senhor ouvem a sua Palavra e a praticam sendo comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha e resistiu Ă s duras tempestades da vida. Os que ouvem e nĂŁo praticam sĂŁo comparados a um homem imprudente que construiu a sua casa sobre a areia ou sobre um solo batido, sem alicerce. Na tempestade, o estrago foi muito grande (v. 24-27). O SermĂŁo do Monte termina com as multidĂľes maravilhadas e Mateus reconhecendo que Jesus falava com autoridade inquestionĂĄvel.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 7HPRVQR6HUPmRGR0RQWHRFyGLJRGHpWLFDGRUHLQRGH'HXV6RPRVFLGD GmRVGRFpXHGDWHUUDHSRULVVRSUHFLVDPRVVHUREHGLHQWHVDHVWHFyGLJRHDJLUPRV responsavelmente. 2 Jesus nos ensina que o nosso interior transformado deve gerar açþes transformadoras nesta sociedade corrupta e perversa. Como sal e luz, somos ordenados a LQĂ XHQFLDUDVRFLHGDGH$PXGDQoDYHPSHODWUDQVIRUPDomRGRFRUDomR$rQIDVHGH -HVXVpTXHRSHFDGRHVWiQRVPRWLYRVQRFRUDomR2VLPSOHVIDWRGHROKDUHGHVHMDU jĂĄ caracteriza o ato de pecar. 3 $YLGDGHXPDSHVVRDTXHRXYHHSUDWLFDD3DODYUDGH'HXVpFRPRXPDFDVD FRQVWUXtGDVREUHDURFKDTXHUHVLVWHDWRGDVDVWHPSHVWDGHVGDYLGD 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;23


EBD 4

28 de abril

“O Filho do homem tem autoridade” Os primeiros embates do Filho de Deus Texto bíblicoo.BUFVTFtTexto áureo – Mateus 9.6

Segunda

Terça

Mateus 8.1-17

Mateus 8.18-34

DIA A DIA COM A BÍBLIA Quarta Quinta Sexta

Sábado

Domingo

Mateus 9.1-13

Mateus 9.27-34

Mateus 9.35-38

Mateus 9.14-17

O texto de Mateus 8 e 9 é muito desafiador. Ele trata de curas, poder sobre a natureza criada pelo Pai, poder sobre os demônios, poder para perdoar, a questão do jejum, poder sobre a morte e a necessidade urgente de se pregar o evangelho genuíno ao ser humano perdido. Vamos estudar a pessoa e a obra de Cristo fazendo a sua intervenção em todas estas situações no contexto do reino de Deus. Jesus agirá poderosamente para curar, ressuscitar, domar a natureza, libertar os cativos, perdoar pecados e nos desafiar à prática da pregação do seu evangelho aos pecadores sem salvação. 24 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Mateus 9.18-26

AS CURAS EFETUADAS POR JESUS (Mt 8.1-17, 28-34; 9.1-8, 19-22, 27-34) O Senhor Jesus, na sua missão, cura as pessoas começando por um leproso, rejeitado pela sociedade. A lei levítica trazia regulamentações detalhadas sobre a lepra, e era dever dos sacerdotes ver que fossem obedecidas. Os leprosos eram considerados impuros, física e cerimonialmente, vivendo fora da comunidade (ver Levítico 13); e quando eram curados, a ação de graças por sua purificação tinha que ser acompanhada por ofertas sacrificiais (Tasker, p. 69). O leproso se aproxima de Jesus e


reconhece o seu poder (8.2). O Senhor curou aquele homem e o recomendou a não alardear e a mostrar, como era previsto na lei cerimonial (Lv 14.1-32), ao sacerdote para servir de testemunho ao povo. Jesus veio cumprir a lei. Outra experiência de cura foi a do servo do centurião romano. Esse oficial, muito bem aceito na comunidade judaica, chama Jesus de Senhor (8.8) e se humilha para solicitar a cura do seu servo. Sendo autoridade, ele se submeteu à autoridade de Jesus (v. 9). Jesus se admirou da fé robusta daquele homem (v. 10). O Senhor revela a universalidade do evangelho (v. 11,12). Depois disso, o Senhor disse ao homem: “Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado” (v. 13). O Senhor agora cura a sogra de Pedro e liberta possessos cumprindo a profecia de Isaías (v. 17; Is 53.4), põe à prova os que desejam segui-lo (v. 1822) e propõe as condições essenciais (v. 20,22). Jesus enfrenta uma grande tempestade no Mar da Galileia (8.23-27). Eram comuns tempestades como essas, com ondas de 2 a 3 metros de altura. Durante a tormenta, o Mestre dormia. Os discípulos, apavorados, o acordam e clamam por proteção. Jesus se levanta, os repreende e ordena ao mar que se acalmasse (v. 26). Quantas vezes ficamos aflitos pelas circunstâncias e nos esquecemos de que Jesus está conosco! Os endemoninhados de Gadara vêm ao encontro de Jesus. A tempes-

tade no mar ilustra muito bem a tormenta maligna dentro desses homens (8.28-34). Eles trouxeram pavor para aquele lugarejo, onde se criavam porcos, detestados pelos judeus que tinham no porco um animal imundo e proibido (Lv 11.7; Dt 14.8). O mais importante para nós é o poder de Jesus não só sobre a natureza, mas sobre os demônios. Os resultados desse embate foram a libertação dos homens possessos, sendo os espíritos mandados para uma manada de porcos que se precipitou despenhadeiro abaixo causando “prejuízo” aos seus criadores e a rejeição a Cristo. Aquela comunidade incrédula considerava mais importante uma criação de porcos do que a libertação de vidas preciosas. Aqui um princípio secular nefasto: coisas e animais são mais importantes que pessoas. O Mestre foi para o outro lado do Mar da Galileia, para Cafarnaum, e ali curou um paralítico (9.1-8). Por ser o Deus encarnado, lhe perdoou os pecados e o curou (v. 2). A mudança foi radical, pois o leito que o levava agora é carregado por ele (v. 6,7). As multidões ao vê-lo curado, glorificaram a Deus (v. 8). Mais tarde, Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: "Segue-me". Imediatamente, ele se levantou e o seguiu (v. 9). Vemos aqui uma chamada irresistível. Jesus chama um homem ocupado com as coisas deste mundo para se ocupar integralmente com as coisas do reino de Deus. 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡25


Mateus promove uma festa em sua casa e convida Jesus e seus discípulos (v. 10-13). Os religiosos fariseus questionam com os discípulos de Jesus o comer com os “publicanos” e “pecadores” (v. 11). A resposta do Mestre foi fenomenal (v. 12,13). O reino de Deus é o reino dos doentes em tratamento, dos rejeitados, onde há perdão e festa. Só entram os que confiam no mérito de Cristo. Jesus não veio chamar os que se acham sãos, perfeitos, obedientes a uma cartilha legalista, que confiam no sistema religioso que enfatiza o desempenho, mas os que necessitam de médico, que precisam da misericórdia, que nada possuem de si mesmos. Questionado com relação ao jejum pelos discípulos de João Batista (v. 14), Jesus ensina que a sua presença dispensa o jejum (v. 15). Utiliza duas ilustrações: pano velho, pano novo; odre velho e vinho novo. Tasker diz que “as duas ilustrações com que esta passagem termina indicam a percepção de Jesus, cada vez mais definida, de que havia incompatibilidade entre o velho Israel, paralisado pela justiça própria e sobrecarregado de vãs regulamentações, e o novo Israel humilhado pela consciência do pecado e voltado com fé para Jesus, o Messias, a fim de obter perdão. A velha vestimenta não aguentaria o remendo novo. O vinho novo do perdão messiânico não seria conservado nos velhos e remendados odres do 26 ‡ COMPROMISSO‡2T13

legalismo judaico”. Tem muita gente trazendo práticas judaicas, do legalismo judaico, para dentro de nossas igrejas. A VITÓRIA SOBRE A MORTE (Mt 9.18, 23-31) Após dizer as verdades aos discípulos de João, Jesus é abordado por um chefe de sinagoga chamado Jairo, pois a sua filha havia falecido (v. 18). No caminho para a casa de Jairo, com os seus discípulos, o Senhor encontra uma mulher que tinha hemorragia durante 12 anos e não havia médico que a curasse. Ela toca a orla da veste de Jesus (v. 20) porque dizia consigo mesma: “Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada” (v. 21). O texto diz que Jesus se volta e vendo-a, disse-lhe: “Tem bom ânimo, filha, a tua fé de salvou” (v. 22). E a mulher ficou curada. Após esse milagre, Jesus chega à casa de Jairo para ressuscitar a sua filha de 12 anos, de acordo com Marcos e Lucas (v. 25). Termina o desespero e começa a esperança. Jesus é a ressurreição e a vida. A doença e a morte são vencidas pelo seu poder. Este mesmo Cristo perfeito cura dois cegos e um mudo endemoninhado (9.27-33). As multidões ficam maravilhadas com o poder de Jesus sobre a enfermidade e os demônios (v. 33). Os fariseus blasfemam contra ele (v. 34).


O DESAFIO DA MISSĂ&#x192;O (Mt 9.35-38) Jesus percorria cidades, povoados, vilarejos ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades (v. 35). HĂĄ trĂŞs verbos aqui que aparecem no gerĂşndio. A ideia ĂŠ que Jesus tinha essas prĂĄticas como estilo de vida. O Senhor via as multidĂľes com compaixĂŁo. O seu coração fervilhava de amor e perdĂŁo, graça e aceitação, justiça e verdade. Ele via as multidĂľes cansadas, exploradas, aflitas, doentes, como ovelhas que nĂŁo tĂŞm pastor (v. 36). Que sensibilidade tremenda tinha o Senhor Jesus! Ele nĂŁo queria julgar as multidĂľes, mas salvĂĄ-las. NĂŁo satisfeito, Jesus revela um diagnĂłstico triste: â&#x20AC;&#x153;A seara ou o cam-

po, na verdade, ĂŠ grande, mas os trabalhadores sĂŁo poucosâ&#x20AC;? (v. 37). Ao mesmo tempo em que o Mestre revela o diagnĂłstico, mostra a solução e no imperativo, isto ĂŠ, numa ordem: â&#x20AC;&#x153;Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua searaâ&#x20AC;? (v. 38). A igreja deve orar intensamente para que mais obreiros se apresentem para servirem nas suas diversas ĂĄreas. VocĂŞ estĂĄ pronto a servir a Cristo dentro das condiçþes impostas por ele? AlguĂŠm disse com muita sabedoria que â&#x20AC;&#x153;Deus nĂŁo chamou pessoas extraordinĂĄrias para um trabalho comum, mas pessoas comuns para um trabalho extraordinĂĄrioâ&#x20AC;?. Ă&#x2030; uma honra, um privilĂŠgio ser chamado para o ensino, a pregação e a cura de pessoas. O trabalho a ser desenvolvido, o perfil do trabalhador e as condiçþes serĂŁo magistralmente apresentadas por Jesus em Mateus 10.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 Ă&#x2030;ramos imundos, mas Cristo derramou o seu precioso sangue para nos limpar e nos tornar aceitos pelo Pai, apenas pela sua graça. 2 4XDQWDVYH]HVSDVVDPRVSRUDĂ Lo}HVHQmRFUHPRVTXH-HVXVHVWiFRQRVFR (OH QmR QRV JDUDQWLX DXVrQFLD GH DĂ Lo}HV PDV SURPHWHX HVWDU FRQRVFR QR PHLR delas. 3 Jesus tem poder sobre as enfermidades e os demĂ´nios trazendo cura e liberWDomR(OHQmRYHLRFKDPDUMXVWRVPDVSHFDGRUHVDRDUUHSHQGLPHQWR2VVmRVRX RVTXHVHFRQVLGHUDPMXVWRVHPVLPHVPRVQmRSUHFLVDPGHPpGLFR2VGRHQWHV ²DTXHOHVTXHQmRWrPPpULWR²SUHFLVDPGHPpGLFR2UHLQRGH'HXVpXPUHLQRGD aceitação, do perdĂŁo e da festa.

4 O Mestre teve compaixĂŁo ao ver o povo perdido em seus delitos e pecados. 'HYHPRVRUDUSDUDTXHR6HQKRUHQYLHPDLVWUDEDOKDGRUHVSDUDDVXDVHDUD 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;27


EBD 5

5 de maio

â&#x20AC;&#x153;Quem nĂŁo segue apĂłs mim nĂŁo ĂŠ digno de mimâ&#x20AC;? Jesus prepara seus seguidores para a missĂŁo Texto bĂ­blico ²0DWHXVHÂ&#x2021;Texto ĂĄureo²0DWHXV DIA A DIA COM A BĂ?BLIA Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

SĂĄbado

Domingo

Mateus 10.1-22

Mateus 10.23-42

Mateus 11.1-6

Mateus 11.7-19

Mateus 11.20-24

Mateus 11.25-27

Mateus 11.28-30

O nosso texto versa sobre a escolha dos discĂ­pulos, a sua lista completa, as instruçþes, as admoestaçþes, os estĂ­mulos, as dificuldades e a recompensas no cumprimento da missĂŁo do reino de Deus. AlĂŠm da escolha dos discĂ­pulos, temos o envio por parte de JoĂŁo dos seus discĂ­pulos a Jesus, as cidades impenitentes e a revelação de Jesus aos humildes, bem como o seu convite aos que estĂŁo cansados e oprimidos para os aliviar em si mesmo. Busquemos a orientação do EspĂ­rito Santo para compreendermos e vivermos este ensino precioso do Mestre. A ESCOLHA (Mt 10.1-4) O Senhor Jesus, tendo chamado os 12, deu-lhes autoridade sobre os espĂ­ritos imundos para os expelir e curar toda sorte de doenças e enfermidades 28 Â&#x2021; COMPROMISSOÂ&#x2021;2T13

(v. 1). Em seguida, temos a lista completa dos seus discĂ­pulos. De acordo com Ryrie, o discĂ­pulo ĂŠ alguĂŠm que ĂŠ ensinado por outrem; ele ĂŠ um aprendiz em sofrimento. Nos Evangelhos, a palavra ĂŠ usada com frequĂŞncia â&#x20AC;&#x201C; discĂ­pulos de MoisĂŠs ( Jo 9.28); de JoĂŁo Batista ( Jo 3.25) e de Cristo. Judas ĂŠ um exemplo de um discĂ­pulo nĂŁo-salvo de Cristo, e houve outros que o abandonaram ( Jo 6.66). Jesus agora os instrui para a missĂŁo do reino de Deus. O DETALHAMENTO DA MISSĂ&#x192;O QUE OS DISCĂ?PULOS RECEBERIAM (Mt 10.5-42) Temos agora as instruçþes para os 12, as admoestaçþes, os estĂ­mulos, as dificuldades e as recompensas.


1 As instruções para os 12 (10.515). Jesus, a princípio, define o público para o qual os discípulos deviam se dirigir (v. 5,6) e ordenou que pregassem a proximidade do reino de Deus, ou da soberania de Deus no coração do homem pelo evangelho. Jesus usa alguns verbos no imperativo indicando extrema relevância do seu poder diante das carências do povo sofrido (v. 8). Que nada faltará a eles se forem fiéis no trabalho diligente (v. 9,10). Define também a casa onde eles devem ficar a partir dos critérios de boas-vindas, de receptividade amorosa e a bênção da paz sobre essa casa. Ordena o juízo para a casa e a cidade que rejeitarem a mensagem do reino de Deus (v. 11-15). 2 As admoestações (10.16-23). O Senhor Jesus os alerta para os perigos que passam aqueles que o seguem, o custo alto dos que o amam – o sofrimento – mas os encoraja dizendo que o Pai, pelo Espírito Santo, ministrará poder a eles para falarem conforme a sua vontade e faz promessas (v. 22). 3 Os estímulos (10.24-33). A

ordem de Jesus é acompanhada de estímulos para o exercício da missão do reino. O Senhor volta a falar da perseguição implacável dos religiosos judeus, bem como da sociedade idólatra e secular. Os discípulos não deviam temer os que matam o corpo, mas não podem matar a alma

(v. 28). Deviam ter muita coragem, ousadia, confessando-o diante dos homens (v. 32). 4 As dificuldades (10.34-39). O Mestre nunca escondeu dos seus discípulos as lutas, dificuldades e obstáculos no cumprimento da missão do reino. Ele esclarece que a sua manifestação causaria divisão nos lares. Alertou-os acerca dos inimigos do reino na própria casa dos que o seguissem (v. 34-36). Jesus não tinha prazer nesta divisão, mas era uma situação irreversível, considerando a rejeição do evangelho do reino. Nos versículos 37 a 39, ele fala de prioridade. Sendo ele a prioridade, os familiares ficariam em plano secundário. Se ele é a minha primazia, devo amá-lo de todo o coração, alma e entendimento. Isto significa que Jesus é muito mais importante que eu mesmo (v. 39). Paulo tinha esta convicção quando disse aos gálatas: “Não mais eu, mas Cristo” (2.20), bem como aos filipenses: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (1.21). 5 As recompensas (10.40-42). O Mestre agora fala sobre a honra dos que o seguem. Todos aqueles que recebem os seus discípulos, o recebem também. Não é isto maravilhoso? O versículo 41 é magistral, pois fala do valor dos discípulos de Jesus. Vale a pena seguir e servir a Cristo pelo que ele é. 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡29


A PERGUNTA DE JOÃO BATISTA (Mt 11.1-19) Após suas instruções aos 12, o Senhor Jesus partiu dali para ensinar e pregar nas cidades. Depois das instruções teóricas, Jesus mostra na prática como fazer. Neste contexto, João Batista está preso e faz uma pergunta intrigante (v. 3). A resposta de Jesus está nos versículos 4 e 5, que revelam os sinais da sua divindade. Em seguida, Jesus dá um testemunho belíssimo de João. Vale a pena ler o texto e meditar nele (v. 7-15). A vida de João contrasta em muito com a vida dos religiosos, daqueles que diziam que o último profeta tinha demônio (v. 18). Aliás, Jesus e João eram rejeitados pela aristocracia judaica, comprometida com o tradicionalismo. O SOFRER DE CRISTO PELAS CIDADES PERDIDAS, PELAS PESSOAS SEM DEUS (Mt 11.20-24) Jesus condena as cidades de Corazim, Betsaida, Cafarnaum, dizendo que Tiro e Sidom, Sodoma e Gomorra, teriam menos juízo do que elas (v. 24). O diagnóstico de Jesus era perfeito. Ele conhecia muito bem o coração dos que viviam nessas cidades, tanto no Antigo Testamento quanto na sua época. As ricas e iníquas cidades de Tiro e Sidom são denunciadas muitas vezes no Antigo Testamento. Mas Je30 ‡ COMPROMISSO‡2T13

sus afirma que, se elas tivessem tido o privilégio de testemunhar um feito do Messias como o de alimentar milagrosamente grande multidão, coisa que provavelmente se deu em campo aberto perto de Betsaida, o orgulho delas teria se derretido, e o seu genuíno arrependimento teria se mostrado nos sinais externos da lamentação e do jejum. Por conseguinte, a sorte delas será mais afortunada do que a de Corazim e Betsaida quando vier o juízo. A importante cidade de Cafarnaum, situada na costa do Mar da Galileia, pela qual passava a grande estrada de Damasco ao Mediterrâneo, achava-se segura e próspera, satisfeita e autossuficiente. Foi tentada a dizer – é o que Jesus deixa entrever pela forma da pergunta que ora lhe dirige (v. 23) – aquilo que Isaías retratou como sendo dito por Babilônia: "Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus e exaltarei o meu trono (...) subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo" (Tasker, p. 95,96). Jesus condena essa cidade pela dureza do coração e pela incredulidade. Como Jesus vê as cidades hoje? A RAZÃO DA EXULTAÇÃO DE CRISTO E O SEU JUGO (Mt 11.25-30) Este é um dos muitos textos preciosos da Bíblia. Ele só foi registrado por Mateus. Fala da revelação de Deus por meio do seu Filho Jesus aos pequeninos, aos simples (v. 25). O mistério


foi revelado Ă queles que o Pai determinou descortinar em sua soberania (v. 26). HĂĄ uma relação Ă­ntima entre o Pai e o Filho (v. 27). Jesus ĂŠ categĂłrico quando declara que â&#x20AC;&#x153;Todas as coisas me foram entregues por meu Paiâ&#x20AC;?. Aqui temos a autoridade delegada pelo Pai ao Filho para cumprir todo o seu propĂłsito na histĂłria da salvação. A soberania de Deus Pai ĂŠ muito destacada neste texto. Com base em sua autoridade delegada pelo Pai, Jesus agora faz um convite a todos os que estĂŁo cansados e sobrecarregados e oferece o seu alĂ­vio (v. 28). AlĂŠm disso, no versĂ­culo 29, ele usa dois verbos no modo imperativo: tomai e aprendei. Ele se caracteriza como manso e humilde de coração que oferece descanso aos que confiam nele.

Ele assevera que o seu jugo Ê suave e o seu fardo Ê leve (v. 29). O jugo de Jesus não Ê obediência a uma lei externa, mas primordialmente lealdade a uma pessoa, que capacita o discípulo a fazer alegremente, e, portanto, facilmente, e sem a sensação de que estå pelejando debaixo de um pesado fardo, o que aquele pessoa quer que ele faça. Onde quer que exista uma relação entre o discípulo e Jesus, (seu) jugo Ê suave, e o (seu) fardo Ê leve. AlÊm disso, o caminho da vida que ele deseja que os seus discípulos sigam Ê a sua própria vida (Tasker, p. 97). Aqui temos claramente a revelação de Deus, o diagnóstico da condição humana e a solução pela obra de Cristo. Ele nos convida a descansarmos nele. Isto quer dizer: confiarmos em sua maravilhosa graça.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 -HVXVFKDPRXRVVHXVGLVFtSXORVHOKHVGHXRUGHQVHVWDEHOHFHQGRRSURJUD PDGRUHLQRHQyVVRPRVFKDPDGRVDFXPSULORGHIRUPDREHGLHQWH(QIUHQWDPRV muitos obstĂĄculos no cumprimento da missĂŁo de evangelizar e fazer discĂ­pulos, mas R6HQKRUQRVJDUDQWLXVXDSUHVHQoDHVXD3DODYUD 2 -RmR%DWLVWDpXPH[HPSORSDUDQyVGHTXHPVDEHRVHXOXJDUQRUHLQRGH 'HXV7LQKDXPDFRQVFLrQFLDDPDGXUHFLGDQDVXDVXEOLPHWDUHIDGHSUHSDUDURFD PLQKRSDUDDUHYHODomRGR6HQKRU-HVXV6LJDPRVRVHXPRGHOR 3 -HVXVUHYHORXDVXDFRPXQKmRSOHQDFRPR3DL(P&ULVWRWHPRVLQWLPLGDGH com o Pai. Ela deve ser renovada todos os dias. 4 Jesus faz o maior de todos os convites aos cansados e oprimidos. Somos portadores deste belĂ­ssimo e sempre atual convite. Precisamos ir a todos os lugares SRVVtYHLVSDUDOHYDUPRVRHYDQJHOKRGH&ULVWRDRVFDQVDGRVHRSULPLGRVSHORGLDER para que sejam libertos e salvos. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;31


EBD 6

12 de maio

â&#x20AC;&#x153;Ă&#x2030; chegado a vĂłs o reino de Deusâ&#x20AC;? A metodologia de ensino do Mestre Texto BĂ­blico²0DWHXVHÂ&#x2021;Texto ĂĄureo²0DWHXV DIA A DIA COM A BĂ?BLIA Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

SĂĄbado

Domingo

Mateus 12.1-21

Mateus 12.22-37

Mateus 12.38-50

Mateus 13.1-23

Mateus 13.24-35

Mateus 13.36-53

Mateus 13.54-58

O Mestre sempre teve o melhor mĂŠtodo de ensino. Ele sempre falou ao coração do ser humano morto em seus delitos e pecados. Na sua didĂĄtica, ele sempre priorizou a vida humana. Para ele, a pessoa ĂŠ muito mais importante do que coisas e sistemas. A festa com os doentes ĂŠ muito mais relevante do que estar com religiosos. Ele utilizou as parĂĄbolas para comunicar os valores do reino de Deus. A sua metodologia sempre estimulou o ser humano a viver para o alto, para dentro e para o outro. Estas sĂŁo as dimensĂľes do seu evangelho. O ENSINO DE JESUS SOBRE A GUARDA DO SĂ BADO (Mt 12.1-8) Jesus sabiamente responde ao tradicionalismo acusador quando ele e 32 Â&#x2021; COMPROMISSOÂ&#x2021;2T13

os seus discĂ­pulos estavam colhendo espigas e as comendo no sĂĄbado (v. 1,2). Para os fariseus, Jesus e os seus discĂ­pulos estavam agindo ilicitamente. O Senhor responde citando o exemplo de Davi e os seus companheiros quando estavam com fome, alĂŠm dos sacerdotes que violavam o sĂĄbado (v. 3-5). Ele enfatiza que ĂŠ maior que o templo e ĂŠ Senhor do sĂĄbado (v. 6-8). â&#x20AC;&#x153;Se Davi tinha direito de "violar" a lei, assim, com mais razĂŁo, tinha direito o Filho do grande Davi, e maior do que este â&#x20AC;&#x201C; o Messiasâ&#x20AC;?. Jesus usa o profeta Oseias (6.6) para ensinar que a misericĂłrdia ĂŠ mais importante do que o tradicionalismo religioso. Somos filhos de um Deus misericordioso e nĂŁo legalista. Que o sĂĄbado foi feito por causa do ser humano e nĂŁo vice-versa. O mais importante para nĂłs


é que Jesus é Senhor do sábado, das regras legalistas e que as pessoas estão em primeiro lugar em qualquer escala de valores. O ENSINO ACIMA POSTO EM PRÁTICA NA CURA DO HOMEM DE MÃO ALEIJADA (Mt 12.9-21) Jesus entra na sinagoga e encontra lá um homem com uma das mãos seca. Era um aleijado. Os fariseus, não satisfeitos com a resposta anterior de Jesus sobre o sábado, perguntam se é lícito curar aquele homem nesse dia. Jesus responde com uma pergunta (v. 11). Jesus os coloca em xeque: o que é mais importante: tirar uma ovelha do buraco no sábado ou curar um homem no sábado? Jesus deixou claro que uma pessoa vale muito mais do que uma ovelha. Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem (v. 12). Ele curou aquele homem e os religiosos, enfurecidos, planejavam matá-lo (v. 13,14). A religião é fria, insensível e extremamente legalista, violenta e implacável. O evangelho, por sua vez, aquece o coração, é sensível, gracioso, manso e perdoador. OUTROS ENSINOS SOBRE O VIVER CRISTÃO (Mt 12.22-50) O Senhor, neste texto, revela alguns dos seus preciosos ensinos. Ele cumpre a profecia de Isaías 42.1-4, que enfatiza o seu ministério de alcance mundial; cura um endemoninhado cego e mudo,

é acusado de expulsar os demônios pelo maioral dos demônios chamado Belzebu (Beelzeboul é a forma correta para o termo empregado aqui, sendo o príncipe dos demônios – v. 24); Ele os rebate dizendo que "todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si não subsistirá" (v. 25). Jesus os exorta dizendo que expulsa os demônios pelo Espírito Santo e aí é chegado o reino de Deus sobre vocês (v. 28). Dá instruções preciosas quanto à nossa luta contra as forças espirituais do mal. Agora, ele trata acerca da blasfêmia contra o Espírito Santo (v. 31,32). Blasfemar contra o Espírito Santo é rejeitar a pessoa e a obra de Cristo. É o pecado da incredulidade e da rejeição veemente. "O pecado descrito é o de blasfêmia deliberada e arrogante, chamando de obra do diabo aquilo que inequivocamente é obra de Deus" (Stagg, p. 189). É quando o homem repele a ação do Espírito em sua vida para crer em Jesus Cristo como Salvador e Senhor, convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo e morrer nesta condição (Jo 16.8-11). Sabemos que o viver cristão só é possível pelo Espírito. Jesus, muito sabiamente, discorre sobre a árvore e seus frutos (v. 33-36), dando uma dura lição aos religiosos judeus que produziam frutos maus, chamando-os de raça de víboras, de gente traiçoeira e perversa. Em seguida (v. 38-42), eles pedem um sinal. Aqui eles são modelo dos que vivem 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡33


pelas emoções. A resposta de Jesus foi muito objetiva ao citar o sinal do profeta Jonas. Semelhantemente, Jesus deixa entrever aqui, Jonas, figuradamente falando, foi "levantado dos mortos" para desincumbir-se da obra para a qual Deus o chamara (Tasker, p. 105). Então, Jesus usa o sinal de Jonas para testemunhar a sua morte e a sua ressurreição para cumprir a missão. Mateus insere a história da visita que a mãe e os irmãos de Jesus lhe fizeram neste ponto da sua narrativa para esclarecer que nem toda a geração de Jesus era má (v. 46-50). Alguns mostraram que eram obedientes à vontade de seu Pai. Estes eram a sua família. A família de Deus são aqueles que fazem a sua vontade. AS PARÁBOLAS DO TEXTO E SEUS ENSINOS (Mt 13.1-50) O Mestre narra oito parábolas e as explica (v. 1-50). Todas as parábolas revelam a natureza e o caráter do reino de Deus. Começamos com a parábola do semeador (v. 1-9). Somos semeadores espalhando a semente do evangelho no coração do ser humano. A semente cai à beira do caminho, no solo rochoso, entre espinhos e em boa terra. O Senhor utiliza o contexto da agricultura da região da Palestina. Utiliza a natureza para ensinar coisas espirituais. A semente deve ser lançada e os resultados não são da nossa alçada. A seguir, ele conta a parábola do joio e do trigo. No meio da lavou34 ‡ COMPROMISSO‡2T13

ra de trigo há joio. Ele se parece com o trigo, mas não é trigo. Mas precisa esperar a colheita para fazer a separação. O trigo é útil para alimentar o ser humano. O joio é inútil e deve ser queimado. Não sabemos quem é trigo e nem quem é joio, mas o Senhor sabe perfeitamente. A parábola do grão de mostarda mostra que o grão é o menor de todos, mas se torna uma pequena árvore onde as aves do céu se aninham nos seus ramos. Assim é o reino dos céus, uma pequena semente, mas que se torna habitat para os que se achegam. O reino dos céus é comparado ao fermento que ensina o alcance do reino dos céus. As parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor mostram a riqueza incalculável do reino de Deus. A parábola da rede ensina a variedade de pessoas que entram no reino, mas haverá o juízo quando os anjos separarão os maus dentre os justos (v. 48-50). APLICAÇÃO DAS PARÁBOLAS PARA HOJE Gostaria de iniciar aqui com a pergunta dos discípulos: por que lhes falas por parábolas? A explicação está no contraste entre os duros de coração, incrédulos, e os de coração sensível, crédulos (v. 13-17). Aqui também destacamos a extrema relevância da soberania de Deus, dos seus propósitos em Cristo.


Na parĂĄbola do semeador, a semente do evangelho encontra vĂĄrias reaçþes ou os diversos solos. O que importa ĂŠ semear com amor, oração e confiança no Senhor, descansando em sua fidelidade. O trabalho de convencimento no coração do ser humano ĂŠ do EspĂ­rito Santo. Na parĂĄbola do joio, o agricultor sĂł verĂĄ a diferença entre ele e o trigo quando fizer a colheita. Ă&#x2030; importante ressaltar que, na colheita, o joio estĂĄ com suas raĂ­zes presas na terra (apego Ă s coisas materiais); ele fica ereto (ĂŠ arrogante) e nĂŁo tem fruto (ĂŠ estĂŠril). O trigo, por sua vez, tem suas raĂ­zes soltas da terra (nĂŁo se apega Ă s coisas materiais); se inclina (se humilha); e tem seus cachos cheios de grĂŁos (dĂĄ fruto). Aqui ĂŠ a grande diferença entre os que nĂŁo sĂŁo e os que sĂŁo do Senhor. NĂŁo nos enganemos: hĂĄ muito joio por aĂ­.

Na paråbola do grão de mostarda, podemos aprender a humildade do reino de Deus. Deus usa as coisas pequenas para fazê-las grandes. Ele confunde as coisas grandes por meio das pequenas. O reino de Deus atrai e Ê útil aos que creem. Na paråbola do fermento, aprendemos a exercer a nossa influência onde quer que estejamos permeando toda a sociedade com o evangelho de Cristo e influenciando a sociedade com o estilo de vida do Mestre. Nas paråbolas do tesouro e da pÊrola, aprendemos que precisamos renunciar às coisas de menor valor pelas de maior valor. Pagar o preço da renúncia, da obediência. Paulo considerou tudo como perda, como sem valor ou esterco por causa do grande valor de Cristo, por causa da sublimidade do seu conhecimento (Fp 3.7-9).

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 -HVXVpPXLWRPDLVLPSRUWDQWHGRTXHRViEDGRRGRPLQJRRXTXDOTXHUUHJUD religiosa ou civil. NĂłs nĂŁo seguimos uma tradição religiosa, mas Cristo. 2 $FXUDGHXPKRPHPpPDLVLPSRUWDQWHGRTXHWUDGLomRUHOLJLRVD3UHFLVDPRV YDORUL]DU DV SHVVRDV PXLWR PDLV GR TXH VLVWHPDV GR TXH WUDGLomR 2 RUJDQLVPR p mais importante do que a organização. 3 $EODVIrPLDFRQWUDR(VStULWR6DQWRpTXDQGRDSHVVRDUHMHLWDRHYDQJHOKRGH &ULVWR$LQFUHGXOLGDGHFDXWHUL]DDPHQWHHLQVHQVLELOL]DRFRUDomR'HYHPRVSUHJDU D3DODYUDGH'HXVDRKRPHPPDVDRPHVPRWHPSRVDEHPRVTXHHODHQFRQWUDUi YiULRVVRORV2VHUKXPDQRpUHVSRQViYHOSHORTXHHVWiVHQGRVHPHDGRHPVXDYLGD Oremos pela conversĂŁo genuĂ­na das pessoas. 4 $VVLPFRPR-HVXVIRLUHMHLWDGRHP1D]DUpQyVSRGHPRVVHUWDPEpP$TXHOHV que querem viver piamente Jesus Cristo padecerĂŁo perseguiçþes. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;35


EBD 7

19 de maio

â&#x20AC;&#x153;Partindo os pĂŁes deu-os aos discĂ­pulosâ&#x20AC;? Os sinais da divindade e poder de Jesus Texto bĂ­blico ²0DWHXVHÂ&#x2021; Texto ĂĄureo ²0DWHXV DIA A DIA COM A BĂ?BLIA Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

SĂĄbado

Domingo

Mateus 14.1-12

Mateus 14.13-21

Mateus 14.22-36

Mateus 15.1-10

Mateus 15.11-20

Mateus 15.21-28

Mateus 15.29-39

Este texto ĂŠ uma narrativa de con- cunhada e amante e a filha desta que trastes. A tristeza da morte de JoĂŁo era fĂştil e louca, para matar JoĂŁo BaBatista contrasta com a alegria da Atista. FALTOU EBD A7 permissĂŁo de Deus diante de multidĂŁo ao ter pĂŁes e peixes multipli- toda esta articulação maligna tem cados por Jesus e da mulher cananeia um propĂłsito: ser glorificado na vida que teve a sua filha curada por Jesus. de JoĂŁo, um homem Ă­ntegro, humilJesus revela os sinais da sua di- de, coerente e corajoso. As pessoas de vindade andando sobre o mar e ma- Deus sĂŁo assim. JoĂŁo Batista denunnifestando todo propĂłsito do Pai ciou veementemente o pecado do rei. com a sua consciĂŞncia de missĂŁo. Ele nĂŁo era um mascote, mas um proAtentemos para o que o EspĂ­rito nos feta de Deus. Os que tramaram fuensina pela vida e obra de Jesus Cris- tilmente a sua morte semearam para to, nosso Senhor. receberem o duro juĂ­zo de Deus. A cabeça de JoĂŁo foi cortada e oferecida num prato Ă  jovem fĂştil e insana. A MORTE DE JOĂ&#x192;O BATISTA JoĂŁo perdeu a cabeça fĂ­sica, mas nĂŁo (Mt 14.1-12) a sua coerĂŞncia. Os seus discĂ­pulos Temos aqui uma trama bem ar- vieram certamente com muita tristeticulada entre Herodes Antipas, o za levar o corpo daquele que era um tetrarca da Galileia, Herodias, sua exemplo de vida santa. 36 Â&#x2021; COMPROMISSOÂ&#x2021;2T13


OS SINAIS DA DIVINDADE DE JESUS (Mt 14.13-33; 15.32-39)

glorificado. Aprendemos com este texto que temos uma responsabilidade de ajudar os que mais precisam e Após saber da morte do seu pre- fazê-lo com profundo amor cristão. cursor, o Senhor Jesus se retira num Não é uma opção, mas uma ordem de barco para um lugar deserto a fim de Jesus dar de comer aos pobres e mais ficar a sós com o Pai (v. 13). As multi- carentes. dões o seguiram por terra. Ao desemDepois deste milagre, Jesus insistiu barcar, vendo uma grande multidão, com os discípulos que fossem na frencompadeceu-se dela e curou os seus te e subiu ao monte para orar sozinho. enfermos. Que cena lindíssima! Jesus Na quarta vigília da noite, foi enconestava exausto e os discípulos, preo- trar-se com os seus discípulos que escupados, sugere ao Senhor que despe- tavam no barco açoitado pelas ondas ça as multidões para que pudessem ir porque o vento era contrário. Jesus esàs aldeias comprar alguma coisa para tava andando sobre o Mar da Galileia. comer. A resposta de Jesus foi direta: Ao verem Jesus, os discípulos ficaram “Não precisam retirar-se; dai-lhes, aterrados e achavam que era um fanvós mesmos, de comer”. A resposta-de- tasma e, tomados de medo, gritaram. safio do Mestre foi tremenda. Os dis- Jesus se identificou e os acalmou e os cípulos disseram que só tinham cinco encorajou. Pedro quis fazer um teste pães e dois peixes. O SenhorFALTOU já sabia A EBD com o7Mestre se oferecendo para ir ter o que ia fazer. Ele sempre sabe. Nós com ele andando sobre o mar. Jesus o é que não sabemos ou achamos que convida e ele começa a andar sobre as sabemos por nós mesmos. O Senhor águas na direção do Senhor. Mas, com usa uma estratégia (v. 18,19). Ele to- a força do vento, Pedro teve medo mou os cinco e dois peixes e ergueu e, começando a submergir, gritou: os olhos ao céu e os abençoou. Todos “Salva-me, Senhor!” Jesus o repreencomeram e se fartaram. Ainda sobra- deu: "Homem de pequena fé, por que ram 12 cestos de pães. E eram cerca duvidaste?" Pedro não passou no tesde cinco mil homens, pois mulheres te. Ele olhou para as circunstâncias e e crianças não eram contados. Foi um não para Jesus. Somos assim também. milagre. Jesus pode multiplicar os Precisamos confiar na suficiência de nossos poucos recursos se tivermos Cristo Jesus. Os discípulos que estafé e trabalharmos diligentemente. O vam no barco fizeram uma profissão pouco nas mãos do Mestre pode ser de fé (v. 33). Em Genesaré, muitos transformado em muito para que se foram curados pelo poder de Jesus (v. cumpra o seu propósito e o Pai seja 34-36). 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡37


CUIDADOS COM O TRADICIONALISMO (Mt 15.1-20) Jesus está em Jerusalém. Nesta cidade importantíssima para o judaísmo, alguns fariseus e escribas perguntaram a Jesus: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? (v. 1). Jesus responde fazendo uma pergunta muito pertinente? Por que vocês transgridem o mandamento de Deus de honrar pai e mãe por causa da sua tradição? Esta questão fez lembrar o pensamento do teólogo luterano Jaroslav Pelikan: “Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem”. Jesus não rejeita a tradição, mas o tradicionalismo. Este último era o caso dos religiosos judeus. Notamos que, nos versículos 5 e 6, Jesus condena de forma veemente a desculpa dos religiosos judeus de se eximirem da responsabilidade com o pai e a mãe a pretexto de dizerem: “É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim”. Ele diz claramente: “Invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição”. Jesus agora toca num ponto essencial que é a hipocrisia – a incoerência entre o que está no coração e o que se fala, se expressa ou se vive (v. 7-9). Era uma palavra do profeta Isaías no capítulo 29.13. Deve sempre haver coerência entre o que cremos e o que praticamos; entre o que sentimos e o que vivemos. A boca deve ser sem38 ‡ COMPROMISSO‡2T13

pre o resultado do coração. É por ela que devemos verbalizar quem somos. Mais adiante, o Senhor Jesus começa a tratar de outro assunto que é a contaminação do homem. Não é o que entra que contamina o homem, mas o que sai da sua boca (v. 11). Jesus trata a questão essencial: a espiritualidade e a ética. As pessoas realmente espirituais, que possuem uma espiritualidade bíblica, vivem a ética bíblica. Não são compartimentos estanques ou separados. Jesus esclarece de forma magistral nos versículos 19 e 20 toda a gênese do comportamento humano. Enquanto os religiosos judeus – os tradicionalistas – estavam preocupados com a aparência e com a prática do lavar as mãos (sabemos que isto é necessário por causa da saúde, mas não define a espiritualidade e a ética de ninguém), Jesus coloca a relevância do interior, do coração, que define o caráter do ser humano. Enquanto a religião como sistema focaliza o exterior e a aparência, o evangelho, por sua vez, enfatiza o interior. Por trás de toda ação existe a motivação. Há coerência no evangelho. Há coerência no cristão genuíno, nascido de novo. O APARENTE POUCO CASO COM A MULHER CANANEIA (Mt 15.21-28) Esta mulher é um exemplo de fé genuína. Ela tinha uma filha horrivel-


mente endemoninhada. Imaginemos o sofrimento desta mãe (v. 22). Ele clama a Jesus e o chama de Filho de Davi. Pede compaixão. AlÊm de Jesus não respondê-la, os discípulos sugerem que ela seja mandada embora. Jesus compartilha no versículo 24 a prioridade da sua missão. A mulher insistiu (v. 25). Jesus, no versículo 26, fala, mais uma vez, da prioridade de se pregar a Israel, mas a mulher pede as migalhas, as sobras do pão dos israelitas. Esta foi uma palavra de fÊ, de confiança no Messias (v. 27). Jesus reconhece a fÊ daquela mulher por sua sinceridade e perseverança. Jesus curou a filha da mulher cananeia (v. 28). Podemos aprender com

esta mulher a fÊ, a perseverança, a sinceridade e a humildade. Jesus quer ver estas qualidades em nós. O Senhor cura coxos e cegos (v. 31). Posteriormente, ele multiplica os pães e peixes pela segunda vez (v. 32-39). Aquela multidão estava três dias com Jesus e sem comer direito. Aqui, são sete pães e alguns peixinhos (v. 34). Jesus deu graças e os partiu. Todos foram alimentados. Sobraram sete cestos. Foram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças. O nosso Deus, em Cristo Jesus, Ê o Deus da ampla suficiência. Nada falta àqueles que o amam e o temem de todo o coração, com todas as suas forças.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 -HVXVSHUGHRVHXSULPRHXPJUDQGHDPLJR-RmR%DWLVWD$RVDEHUGD morte de JoĂŁo, o Mestre se retirou para um lugar deserto. Ă&#x2030; muito difĂ­cil perder DPLJRV$QRVVDUHDomRGHYHVHUVHPSUHGHJUDWLGmRD'HXVSRUDPLJRVWmRFKH gados. 2 -HVXVPXOWLSOLFRXSmHVHSHL[HVSDUDXPDPXOWLGmRIDPLQWD$VVLPFRPR HOHDOLPHQWRXDTXHODPXOWLGmRVRPRVFKDPDGRVDUHSDUWLURSmRItVLFRHRSmR espiritual com os famintos. 3 -HVXVQRVHQVLQDTXHRTXHFRQWDPLQDRVHUKXPDQRQmRpRTXHHQWUD PDVRTXHVDL$UHOLJLmRHVWiPXLWRSUHRFXSDGDFRPDDSDUrQFLDPDVRFULVWLD nismo autĂŞntico estĂĄ focado no coração, nas suas intençþes e na totalidade da YLGD 'HYHPRV SHGLU DR 6HQKRU TXH WUDWH R QRVVR FRUDomR H WUDQVIRUPH WRGD D nossa vida. 4 $ PXOKHUFDQDQHLD FXMDĂ&#x20AC;OKD HVWDYD HQGHPRQLQKDGDp XP H[HPSOR GH KXPLOGDGHVLQFHULGDGHSHUVHYHUDQoDHIp4XHR3DLQRVIDoDDVVLP

2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;39


EBD 8

26 de maio

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” O prenúncio do fim

Texto bíblico²0DWHXVH‡Texto áureo²0DWHXV DIA A DIA COM A BÍBLIA Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

Sábado

Domingo

Mateus 16.1-4

Mateus 16.5-12

Mateus 16.13-23

Mateus 16.24-28

Mateus 17.1-13

Mateus 17.14-23

Mateus 17.24-27

Este texto revela duas coisas muito importantes: a divindade de Jesus e o compromisso do seu discípulo. Jesus enfrenta os fariseus e saduceus; ouve a confissão de Pedro, prediz a sua morte e ressurreição por duas vezes. Na sua divindade, Jesus experimenta a transfiguração, a metamorfose com os seus discípulos mais chegados – Pedro, Tiago e João – bem como o testemunho da lei e dos profetas com a presença de Moisés e Elias. A lei e os profetas testificam da pessoa e obra de Jesus. Temos muitas lições praticas de valor permanente para aprendermos neste texto inspirado. 40 ‡ COMPROMISSO‡2T13

RAZÕES PARA UM MILAGRE (Mt 16.1-4) Esse encontro com Jesus, empreendido pelos religiosos fariseus e saduceus, faz lembrar que existem três tipos de pessoas no mundo: As que vivem pelo sentimento, representadas pelos judeus (eles pedem sinal); as que vivem pelo pensamento representadas pelos gregos (eles buscam sabedoria) e as que vivem pela fé representadas por aqueles que creem na suficiência da obra de Cristo. A base bíblica está em 1Coríntios 1.22-24. Os religiosos judeus tentaram fazer uma “pegadinha” com Jesus (v. 1). Jesus


usou a meteorologia para levá-los à reflexão (v. 2,3). Jesus os alertou acerca do sinal de Jonas (v. 4), e os incluiu na geração má e adúltera. O “FERMENTO DOS FARISEUS” ESTÁ PRESENTE HOJE? (Mt 16.5-12) Há uma dificuldade por parte dos discípulos de compreenderem o ensino do Mestre. Ele os alerta para o perigo do fermento dos fariseus e dos saduceus (v. 12). Enquanto eles estavam preocupados com o pão para se alimentar, Jesus os adverte sobre a pequenez do foco deles: o pão material (v. 8). Jesus lhes recorda de dois milagres dos pães para uma multidão de cinco mil homens, fora mulheres e crianças que não eram contados e outra de quatro mil (v. 9). O evangelho de Cristo não precisa de aditivos. Notamos em nossos dias o evangelho sendo "turbinado" ou ‘"ditivado" de estranhíssimas doutrinas e ensinos perniciosos. Vivemos uma verdadeira histeria judaica com objetos da religião como arca, dias santos e outros rituais. É como colocar o vinho novo em odres velhos. O evangelho dentro do sistema religioso judaico, centrado no tradicionalismo e legalismo. A LEI DA CRUZ E VOCÊ (Mt 16.13-28) Na contramão das intenções judaicas, do mero tradicionalismo religio-

so, Jesus pergunta a seus discípulos o que o povo da Palestina diz quem ele é (v. 13). As respostas do povo são: Elias, João Batista, Jeremias ou algum dos profetas (v. 14). Agora, o Senhor pergunta aos discípulos (v. 15). Pedro, proativo, responde categoricamente: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. No versículo 17, Jesus chama Pedro de bem-aventurado ou feliz porque não foi ele, mas o Pai quem revelou a resposta. Jesus Cristo é a base, o fundamento da igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (v. 18). Ele promete a Pedro dar as chaves do reino dos céus para exercer uma função disciplinadora (v. 19). Jesus os advertiu que não dissessem que ele era o Cristo (v. 20). Em seguida, o Senhor começa a discorrer acerca do seu sofrimento, do cumprimento da missão que lhe foi dada pelo Pai (v. 21). Pedro o chama à parte e começa a reprová-lo pela exposição do Senhor ao sofrimento e tenta dissuadi-lo do caminho da cruz (v. 22). No parágrafo anterior, o Senhor revela a Pedro quem é, mas agora é Satanás quem fala por Pedro e o Mestre, como lhe é peculiar, discerne e repreende o inimigo que fala pelo apóstolo (v. 23). O nosso grande perigo é cogitarmos das coisas dos homens em detrimento das coisas de Deus (v. 23). Jesus magistralmente ensina que o seu discípulo deve negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo (v. 24). Enfatiza que quem quiser salvar 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡41


a sua vida e preservar-se, vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por amor a ele há de achá-la ou preservá-la para a vida eterna (v. 25). Jesus ensina sabiamente que a vida é muito mais importante do que as riquezas deste mundo (v. 26) e que retribuirá a cada um segundo as suas obras (v. 27). No versículo 28, Jesus deixa claro que alguns dos seus não morreriam antes de vê-lo ressurreto. O MELHOR ENTENDIMENTO DA TRANSFIGURAÇÃO (Mt 17.1-13) Antes de comentarmos a transfiguração de Jesus, precisamos destacar a expressão “seis dias depois”, que se refere ao intervalo entre a confissão de Pedro em Cesareia de Filipe e a transfiguração de Jesus. Esta referência tão exata de tempo é rara nos Evangelhos. Sabemos que a confissão de Pedro (Mt 16.16) tem tudo a ver com a revelação da divindade de Jesus no Monte da Transfiguração. O alto monte é identificado por tradição posterior como sendo o monte Tabor, mas o Hermom é o mais provável, pois fica mais perto de Cesareia de Filipe, cerca de 22km, e se levanta a uma altura de 3.000 metros. Diz o texto que ele foi transfigurado (v. 2). Segundo os estudiosos da língua grega, a palavra para transfigurado é metamorfose, que significa transformar, alterar-se, mudar de uma 42 ‡ COMPROMISSO‡2T13

figura terrestre para uma sobrenatural’. Segundo Ryrie, "a transfiguração ofereceu aos discípulos uma antevisão da exaltação futura de Jesus e da vinda do reino" (Ryrie, p. 1.209). Jesus estava acompanhado de Pedro, Tiago e João como quando Moisés subiu ao monte santo levando consigo Arão, Nadabe e Abiú (Ex 24.1). Moisés viu a glória do Senhor e a "pele do seu rosto brilhava por ter falado com ele" (Ex 34.29). Na transfiguração, o rosto daquele que é maior do que Moisés brilhou, não com glória refletida, mas com a glória semelhante aos raios do sol. Somente Mateus registra que o rosto de Jesus resplandecia como o sol, que as suas vestes se tornaram brancas como a luz, e que uma nuvem luminosa (literalmente "uma nuvem de luz") os envolveu. Mas, como no Sinai, é a voz divina falando desde a nuvem, em si mesma um sinal da presença divina, que desperta o temor no coração dos apóstolos. "Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo" (Tasker, p. 130,131). Moisés e Elias representam o testemunho da Lei e dos Profetas acerca da glória de Cristo, da sua divindade. O próprio Senhor disse em Lucas 16.16: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele”.


ENSINOS DA CONFISSĂ&#x192;O DE UM HOMEM DE POUCA FĂ&#x2030; (Mt 17.14-21) Depois da experiĂŞncia no monte â&#x20AC;&#x201C; uma experiĂŞncia de contemplação da glĂłria de Cristo, da sua divindade cuja tendĂŞncia era de acomodação tipificada pelas trĂŞs tendas sugeridas por Pedro â&#x20AC;&#x201C; eles descem e encontram a multidĂŁo. Enquanto eles tiveram uma fĂŠ fortalecida no Monte da Transfiguração, embaixo, na planĂ­cie, os outros nove discĂ­pulos sĂŁo totalmente incapazes de curar um rapaz epilĂŠptico. Tasker diz que "no

relato de Mateus, o pai do menino vem diretamente a Jesus, ajoelha-se diante dele e lhe pede que tenha piedade do seu filho sofredor, um lunĂĄtico com tendĂŞncias suicidas, que os discĂ­pulos de Jesus, o pai assinala, nĂŁo conseguiram curar". A experiĂŞncia com o Senhor Jesus na sua glĂłria revelada nas Escrituras deve necessariamente nos conduzir Ă queles que Jesus ama e nos ordena a levar-lhes o seu evangelho. A glĂłria de Cristo e o sofrimento do ser humano nĂŁo sĂŁo excludentes, mas convergentes. O menino foi liberto para a glĂłria do Messias.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 -HVXVQRVDOHUWDSDUDGLVFHUQLUPRVRVVLQDLVGRVWHPSRVHDROKDUPRVSDUDR VLQDOGH-RQDVTXHLQGLFDDVXDPRUWHHUHVVXUUHLomRSHORVHUKXPDQRSHUGLGR 2 Muitas vezes, como os discĂ­pulos, nĂŁo compreendemos o ensino de Jesus. Ele nos alerta para o perigo das doutrinas legalistas e judaizantes que estĂŁo por aĂ­, que dĂŁo ĂŞnfase a sinais, aos sentimentos.

3 $ FRQĂ&#x20AC;VVmR GH 3HGUR QRV HQVLQD D QHFHVVLGDGH GH UHDĂ&#x20AC;UPDUPRV R QRVVR compromisso com Cristo vivendo e ensinando a sua doutrina. Cada um de nĂłs deve OHYDUDVXDFUX]FRPR-HVXVHQVLQRX/HYDUDFUX]pFRPSURPHWHUVHGLDULDPHQWHFRP R6HQKRUGDQGRXPH[XEHUDQWHWHVWHPXQKRGRVHXDPRU 4 $WUDQVĂ&#x20AC;JXUDomRGH-HVXVQRPRQWHHRPHQLQRHQGHPRQLQKDGRQRYDOHQRV ensinam que devemos ter equilĂ­brio entre a nossa devoção, nossa contemplação da grandeza, divindade de Jesus e o nosso serviço a ele, servindo Ă s pessoas, tendo compaixĂŁo dos que sofrem.

2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;43


EBD 9

2 de junho

Perdoar setenta vezes sete Ensinos fundamentais para os discĂ­pulos Texto bĂ­blico ²0DWHXVHÂ&#x2021;Texto ĂĄureo²0DWHXV

Segunda

Terça

Mateus 18.1-6

Mateus 18.7-14

DIA A DIA COM A BĂ?BLIA Quarta Quinta Sexta Mateus 18.15-27

Mateus 18.28-35

Nestes dois capĂ­tulos veremos a diversidade dos ensinos de Jesus. Trataremos de humildade, do cuidado com o uso dos membros do nosso corpo para que nĂŁo sirvam ao pecado e escandalizem, e buscarmos aqueles que estĂŁo perdidos. Consideraremos a importância de perdoar aqueles que erram contra nĂłs, valorizar o casamento como instituição criada por Deus, abençoar as crianças Ă  semelhança de Jesus, e considerar o Senhor muito mais importante do que as riquezas. HUMILDADE, TROPEĂ&#x2021;OS E OVELHA PERDIDA (Mt 18.1-14) A primeira coisa que nos ĂŠ ensinada neste texto bĂ­blico ĂŠ a necessidade de conversĂŁo, e esta manifestada sob a 44 Â&#x2021; COMPROMISSOÂ&#x2021;2T13

Mateus 19.1-12

SĂĄbado

Domingo

Mateus 19.13-22

Mateus 19.23-30

forma de uma humildade como a de uma criança. Os discípulos de Jesus se aproximam e lhe fazem uma pergunta muito interessante: Quem Ê, porventura, o maior no reino dos cÊus? (v. 1). O Mestre chama uma criança e a coloca no meio deles (v. 2,3). Jesus usa o verbo converter e o liga com as atitudes de uma criança. Então, o salvo pela graça tem as mesmas características de uma criança: simplicidade ou humildade, pureza, sinceridade, fragilidade e confiança. Em seguida, o Senhor Jesus fala de tropeços ou escândalos usando mais uma vez as crianças como alguÊm muito frågil, dependente (v. 6). Observemos que nos versículos 7-9, Jesus trata do perigo e prejuízo dos escândalos ou tropeços, bem como a necessidade de darmos bom testemunho com o nosso corpo. Os membros do nosso corpo devem ser totalmente


enfraquecidos e submissos ao nosso espírito dominado pelo Espírito Santo. Isto significa dizer que os membros do nosso corpo não devem ser usados para envergonhar o evangelho, mas para o seu testemunho poderoso e eficaz no mundo. Entraremos no céu por causa do que Cristo fez por nós na cruz e na ressurreição. O mérito é todo dele. A referência aos anjos no versículo 10 quer dizer que os anjos têm um ministério, entre outros, especial de cuidar dos que herdam a salvação (Hb 1.14). Mas a sua principal atividade é adorar ao Senhor, conforme Isaías 6.3. Jesus faz uma afirmação muito preciosa no versículo 11 e a ilustra nos versículos 12 a 14. Compare com 1Timóteo 2.1-4. PACIÊNCIA E COMPREENSÃO (Mt 18.15-27) O Mestre trata magistralmente uma questão fundamental seja na vida pessoal, seja na coletiva, que é a necessidade de disciplina. A sua fundamentação está no seu caráter. A disciplina pressupõe confrontação, testemunho e desligamento (v. 15-17). Os publicanos e pecadores não eram aceitos na comunidade da época. Nos versículos 18-20, temos o poder da disciplina cirúrgica, isto é, desligar aquele que não compartilha do consenso cristão do rol de membros da igreja.

Jesus garante a sua presença no meio daqueles que estão reunidos em seu nome. Onde há coerência entre o crer nele, o viver sob ele e para ele, aí a sua presença está garantida (v. 20). Pedro, ao ouvir o ensino do Senhor, faz uma pergunta pertinente usando o que ele havia aprendido no judaísmo (v. 21). Jesus responde estabelecendo o seu principio (v. 22). Não há limite para o perdão porque é a graça de Deus que opera em nós. É neste contexto que Jesus conta uma parábola chamada “O credor incompassivo” (v. 23-35). “Somente podemos receber o perdão libertador se o passamos adiante de imediato. Estes dois pontos: "Perdoa-nos as nossas dívidas", e "assim como nós também perdoamos aos nossos devedores" são inseparáveis. O perdão é comparável ao bastão levado pelos desportistas numa corrida de estafeta. É preciso passá-lo à mão do outro; se continuarmos correndo sozinhos, segurando-o desesperadamente com certeza seremos derrotados. Este bastão existe para ser passado adiante. O credor incompassivo comete o erro de ignorar esta regra elementar, provocando assim a sua própria ruína” (Thielicke, p. 208). O QUE JESUS ENSINA SOBRE O DIVÓRCO (Mt 19.1-12) A partir de uma pergunta dos fariseus (v. 2), o Senhor Jesus ensina o princípio do casamento no reino de 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡45


Deus. Se por qualquer motivo o homem judeu podia dar carta de divórcio para sua mulher, Jesus ensina que não é assim no reino. Ele ensina que o casamento é um projeto de Deus, sendo uma união física, emocional, ética e espiritual entre um homem e uma mulher, macho e fêmea, para viverem até que a morte os separe (v. 6). Neste assunto, temos muitas dificuldades nas igrejas, mas precisamos ser firmes a partir do ensino da Palavra de Deus. “A questão do divórcio, além do seu valor intrínseco, revestia-se de especial importância para os fariseus que vieram provar a Jesus que o assunto os dividia. O seguidores de Hillel (líder de uma escola de interpretação judaica) permitiam ao homem servir-se de qualquer pretexto para o divórcio, e os de Shammai (líder de uma outra escola) afirmavam que só se podia admitir o divórcio em caso de adultério. Jesus, ao responder, superou a expectativa dos rabinos assim como a das regras civis, pelas quais Moisés permitiu divórcio legalizado à pessoa que, moral e religiosamente, já estivesse separada do cônjuge. Ele raciocinou pelos princípios morais que Deus dotara o mundo ao criar o ser humano. A intenção de Deus não era só que as pessoas casadas ficassem juntas, mas também que houvesse plena união do corpo e espírito em amor. Jesus não proibiu o segundo casamento da parte inocente, no caso de adultério (v. 9). O projeto 46 ‡ COMPROMISSO‡2T13

original de Deus é que o casamento dure até que a morte separe os cônjuges. Nos versículos 11 e 12, o Senhor reconheceu o valor do celibato quando assumido para melhor servir a Deus. Tinha, entretanto, que ser voluntário. É o Senhor que capacita a pessoa para esta vocação (1Co 7.7). O celibato imposto por decreto não é apoiado pela Palavra de Deus. JESUS ABENÇOA AS CRIANÇAS (Mt 19.13-15) Este texto está nos Evangelhos de Marcos e Lucas. Jesus tinha especial atenção para com as crianças. Os pais trouxeram os seus filhos para serem abençoados por Jesus. Nós devemos fazer o mesmo. Orar por eles em todo o tempo. Como os discípulos, há muitos hoje que não têm paciência com as crianças e as repelem (v. 13b). Jesus ordenou que eles deixassem as crianças chegarem até ele (v. 14). Precisamos trazer as crianças a Cristo Jesus para o receberem no coração. Ele declarou que as crianças pertencem ao reino dos céus. Antes, o Senhor já havia falado sobre isso ensinando aos discípulos que deviam ter as atitudes delas. Há uma identificação das qualidades da criança com as qualidades exigidas do cidadão do reino de Deus.


OS ENSINOS SOBRE A RIQUEZA (Mt 19.16-30) O jovem rico procura Jesus com uma pergunta na mente, chamando-o de Mestre (v. 16). Jesus responde com uma outra pergunta do coração (v. 17). O Senhor, sabendo das suas intençþes, lembra-o de alguns mandamentos (v. 18,19). No versículo 20, ele responde positivamente e faz uma indagação. O Mestre mostra a insuficiência da lei para resolver o seu problema que era muito sÊrio. A lei aponta para Cristo, mas não salva. Aquele jovem vivia a religião, mas não o evangelho. O seu coração estava nas riquezas e não no Senhor. A sua pergunta foi a partir de sua curiosidade. Ele achava que praticando a religião e vivendo a sua vida centrada na riqueza lhe bastavam. Estava mais preocupado com a sua aparência do que com o seu coração. Voltando ao versículo 20, concluímos que o essencial para ele era a centralidade de Cristo (era o que lhe

faltava) em sua vida e nĂŁo as riquezas. A indicação de Jesus para ele no versĂ­culo 21 revela o coração do evangelho â&#x20AC;&#x201C; o homem ĂŠ muito mais importante do que bens. A resposta dele foi se retirar triste porque era dono de muitas propriedades (v. 22). NĂŁo ĂŠ possĂ­vel servir a Deus e Ă s riquezas (Mt 6.24). O Senhor deve ser sempre a PRIORIDADE. Interpretando a experiĂŞncia do jovem rico para os seus discĂ­pulos, o Senhor Jesus alerta sobre o perigo das riquezas (v. 23-30). Declara que hĂĄ muita dificuldade e uma quase impossibilidade de um rico entrar no reino dos cĂŠus (v. 23,24). Jesus usou uma hipĂŠrbole deliberada. A intenção era representar a salvação de um homem rico como nada menos do que um milagre, possĂ­vel apenas para Deus. HĂĄ um diĂĄlogo entre Jesus e os discĂ­pulos sobre salvação, renĂşncia e recompensa. Jesus ensina que nada ĂŠ impossĂ­vel para Deus e que os obedientes receberĂŁo a sua recompensa (v. 27-30).

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 8PDFDUDFWHUtVWLFDEHPYLVtYHOQDYLGDGRFRQYHUWLGRpDVXDKXPLOGDGH 2 $RTXHHUUDGHYHPRVFRQIURQWDUFRPDPRUHQR6HQKRUWUDEDOKDUSDUDDVXD UHFXSHUDomR3HUGRDUDTXHOHVTXHQRVRIHQGHPpXPDRUGHP1yVSHUGRDPRVFRP o perdĂŁo de Deus em Cristo. 3 2FDVDPHQWRpXPSURMHWRGH'HXVXPDLQVWLWXLomRLQGLVVRO~YHOHTXHGHYH KRQUDUjTXHOHTXHRFULRX 4 $VVLPFRPR-HVXVDEHQoRRXDVFULDQoDVYDORUL]DQGRDVGHYHPRVID]rORWR dos os dias. 5 2QRVVRFRUDomRQmRGHYHHVWDUQDVFRLVDVPDWHULDLVPDVQR6HQKRU(OHpD nossa verdadeira riqueza e nossa primazia. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;47


EBD 10

9 de junho

"O Filho do homem veio para dar a sua vida" Chegada de Jesus a JerusalĂŠm Texto bĂ­blico ²0DWHXVHÂ&#x2021;Texto ĂĄureo²0DWHXV DIA A DIA COM A BĂ?BLIA Segunda

Terça

Quarta

Quinta

Sexta

SĂĄbado

Domingo

Mateus 20.1-19

Mateus 20.20-34

Mateus 21.1-11

Mateus 21.12-22

Mateus 21.23-27

Mateus 21.28-32

Mateus 21.33-46

Veremos nestes dois capĂ­tulos que a salvação nĂŁo ĂŠ merecimento humano, mas graça de Deus; que estar Ă  sua direita ou Ă  sua esquerda de Jesus ĂŠ atribuição do Pai; Jesus curou dois cegos em JericĂł; entrou triunfalmente em JerusalĂŠm; purificou o templo; amaldiçoou a figueira infrutĂ­fera e enfatizou a sua morte na cruz pelo homem perdido. SALVAĂ&#x2021;Ă&#x192;O NĂ&#x192;O Ă&#x2030; MĂ&#x2030;RITO HUMANO, MAS GRAĂ&#x2021;A SOBERANA DE DEUS (Mt 20.1-16) Este texto ĂŠ impressionante, pois expĂľe de maneira precisa a graça soberana de Deus versus o mĂŠrito do homem. O reino de Deus ĂŠ um reino de fĂŠ e nĂŁo da supremacia da razĂŁo; de iniciativa de Deus e nĂŁo do ser humano (2Co 5.15-20). 48 Â&#x2021; COMPROMISSOÂ&#x2021;2T13

O reino do cĂŠu ĂŠ semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Ele ajustou o salĂĄrio dos primeiros trabalhadores em um denĂĄrio por dia e mandou-os para a plantação (v. 1,2). Esse valor era o salĂĄrio mĂ­nimo diĂĄrio dos soldados do impĂŠrio romano. Saindo pela terceira hora, isto ĂŠ, Ă s 9 horas da manhĂŁ, viu na praça outros que estavam desocupados. â&#x20AC;&#x153;A praça pĂşblica era ponto de reuniĂŁo para os que nĂŁo tinham serviço, bem como operĂĄrios avulsosâ&#x20AC;? (v. 3). O proprietĂĄrio saiu tambĂŠm perto da hora sexta (ao meio- dia) e da hora nona (15 horas); e ao â&#x20AC;&#x153;pĂ´r-do-solâ&#x20AC;?, Ă s 18 horas. A expressĂŁo undĂŠcima hora (v. 9) que, atualmente, num mundo de precisĂŁo mecâni-


ca, equivaleria a “cinco para as seis”. Foi nesse horário que ele encontrou outros desocupados. Todos receberam o mesmo salário, conforme o combinado. É interessante notar que no acerto do salário no final do expediente os últimos foram os primeiros a receber. Então, o fato de os últimos auferirem em primeiro lugar mostra que os judeus, os primeiros recebedores da chamada divina, não seriam os primeiros a receptar o galardão final, pois a salvação não vem pela herança racial, nem humana, mas da generosidade e graça divinas (v. 15). Do mesmo modo, a salvação, em si, é algo tão precioso, que não existe salvação de primeira classe, distinta de alguma outra classe inferior de salvação. Deus é soberano em todas as suas decisões (v. 16). JESUS PREDIZ A SUA MORTE E RESSURREIÇÃO (Mt 20.17-19) Causa-me devoção toda a vez que leio acerca da maneira consciente com que Jesus falava da sua morte e da sua ressurreição. Ele destaca três atos da sua paixão: zombaria por parte dos romanos; sofrimento (açoites) e a morte por crucificação (v. 19). No final, ele revela a sua vitória sobre a morte, ressuscitando ao terceiro dia.

ENTENDENDO O PEDIDO DA MÃE DE TIAGO E JOÃO (Mt 20.20-28) À luz do texto anterior, este pedido revela a falta de compreensão do que seja a vida cristã. As pessoas têm uma visão muito pequena do que seja o reino de Deus, pois buscam vantagens pessoais. A Teologia da Prosperidade tem o seu fundamento no egocentrismo, na natureza de Adão. Ser cristão não é buscar o pódio, mas viver intensamente a simplicidade de Cristo neste mundo. A resposta de Jesus ao pedido da mãe de Tiago e João é sábia e inteligente (v. 23, 26-28). “O grego lutron significa preço de libertação – o dinheiro pago em favor de um escravo para que este possa sair livre. Cristo se deu por nós (Is 53.6; 2Co 5.21). É o sacrifício de Cristo que nos salva e não o martírio dos homens, muito embora, como Tiago, morram em prol do evangelho”. O reino de Deus não é um reino de senhores, mas de servos. Só há um Senhor. Alguém disse que o grande homem no mundo é servido por muitos, mas o grande homem no reino serve a muitos. ATENÇÃO DE JESUS AOS CEGOS (Mt 20.29-34) “Somente Mateus nos informa que Jesus curou dois cegos, curando, talvez, um deles quando saía da velha Jericó e o outro quando entrava na nova Jericó (Mc 10.46; Lc 18.35)”. Os dois cegos de Jericó nos ensinam lições muito 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡49


relevantes. Como deficientes visuais, alijados pela sociedade, eles clamam a Jesus confiando no seu amor e na sua compaixão. A palavra que me encanta neste texto é “comovido” (v. 34). O que sensibiliza Jesus deve nos comover. AS LIÇÕES DA ENTRADA TRIUNFAL DE JESUS EM JERUSALÉM (Mt 21.1-11) Jesus chega a Betfagé (casa do figo, Lc 19.29), ao Monte das Oliveiras, planeja a sua entrada em Jerusalém (v. 1-3) e a profecia se cumpre na sua vida (v. 4,5; Zc 9.9). Começa aqui o relatório da última semana da vida humana de Jesus que, sendo Rei, montou num jumentinho que ainda não tinha sido usado e entrou na cidade de Jerusalém a caminho da cruz. A multidão o aclamava colocando as suas vestes e os ramos de árvores no seu caminho, dizendo: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas" (v. 9). Esta expressão hosana significa salva, por favor que, por fim, veio a ser uma simples expressão do júbilo religioso. A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO E O ENSINO DA FIGUEIRA INFRUTÍFERA (Mt 21.12-22) Ao entrar no templo, o Senhor Jesus depara com os cambistas que utili50 ‡ COMPROMISSO‡2T13

zavam o santuário de maneira profana. Não tinham percepção da grandeza do Senhor e da sua casa, da sua glória. Podemos perceber hoje que em muitas igrejas se faz do santuário um lugar de vantagens pessoais, de arrecadação de somas vultosas de dinheiro a partir da teologia de mercado. Estive numa igreja destas, onde o pastor tirou dinheiro do povo seis vezes durante um encontro de uma hora e meia. A intervenção de Jesus é malcompreendida por muitos hoje, inclusive por muitos membros de igreja. O Mestre, usando o seu poder e autoridade, agiu com firmeza e determinação em toda a vontade do Pai. Definiu o valor do santuário, o seu uso correto e o chamou de “casa de oração”. Isto contrasta com o covil de salteadores. O templo como casa de oração honra ao Senhor e serve às pessoas. Como covil de salteadores, o envergonha e se serve das pessoas. O coração dos cambistas, dos comerciantes inescrupulosos, não estava no Senhor, mas no lucro. Mas Jesus utiliza adequadamente o templo para curar cegos e coxos que vinham a ele (v. 14). O Senhor usa o átrio externo do santuário – onde era permitido os cegos e os coxos ficarem – como um hospital para curar feridos físicos e emocionais, mortos em seus delitos e pecados. Neste texto (v. 15-17), encontramos o louvor dos meninos na contramão dos cambistas e religiosos. Jesus está aparentemente citando o Salmo 8.2.


A experiĂŞncia com a figueira ilustra muito bem a situação espiritual do povo de Israel â&#x20AC;&#x201C; uma nação infrutĂ­fera apesar de todas as vantagens de que dispunha. Como igreja hoje nĂŁo podemos ser omissos mas dar frutos sempre. Em qualquer estação (v. 20-22). A AUTORIDADE DO REI (Mt 21.23-27) Voltando ao templo, o Senhor Jesus ĂŠ questionado pelos principais sacerdotes e anciĂŁos do povo quanto Ă  sua autoridade. Ele os responde utilizando a autoridade do batismo de JoĂŁo. â&#x20AC;&#x153;Na verdade, Jesus se recusa a aceitar o direito alegado pelos lĂ­deres de examinĂĄ-loâ&#x20AC;?. â&#x20AC;&#x153;Cristo coloca a liderança da nação num dilema, perguntando-lhes que teste aplicariam no caso de JoĂŁoâ&#x20AC;? (v. 25). O Senhor Jesus nĂŁo estava interessado em defender a sua autoridade. Tudo o que ele possuĂ­a, e ele mesmo dizia, era recebido do seu Pai.

A PARà BOLA DOS LAVRADORES MAUS (Mt 21.28-46) Iniciamos com uma pequena paråbola contada por Jesus (v. 28-32), quando um homem que tinha dois filhos mandou-os trabalhar na vinha. O primeiro disse que iria, mas não foi. O segundo, disse que não iria, mas, arrependido, foi. O Senhor pergunta qual dos dois fez a vontade do Pai. A resposta foi: o segundo. Podemos dizer que o primeiro representa Israel e o segundo, os gentios (v. 32). A paråbola dos lavradores maus trata da infidelidade de Israel ao maltratar e matar os profetas, quando estes lhes foram enviados (v. 33-46). Por fim, o Messias foi mandado e eles o mataram. A interpretação de Jesus Ê precisa (v. 42,45). No versículo 44, o Senhor estabelece o juízo de Deus sobre os que rejeitaram e mataram o seu Filho. Hå uma conexão entre as paråbolas (v. 31,32,43) para mostrar a grande oportunidade que Deus deu a Israel e ele desperdiçou por causa da sua infidelidade.

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 $SDUiERODGRVWUDEDOKDGRUHVHQVLQDTXHDVDOYDomRQmRpPpULWRKXPDQRPDV graça de Deus por meio de Cristo. 2 $FRQVFLrQFLDGDPRUWHGR6HUYR6RIUHGRUFRQWUDVWDFRPRSHGLGRGDPmHGH 7LDJRH-RmR4XDOpDJUDQGHOLomRSDUDQyV" 3 $VVLPFRPR-HVXVFXURXDTXHOHVGRLVFHJRVGH-HULFyHOHQRVFXURXGDFHJXHL ra espiritual pelo seu poder. Ele tem toda a autoridade em todo lugar. 4 $HQWUDGDWULXQIDOGH-HVXVHP-HUXVDOpPDSXULĂ&#x20AC;FDomRGRWHPSORDĂ&#x20AC;JXHLUD HVWpULOHDSDUiERODGRVODYUDGRUHVPDXVUHYHODPDDomRHDUHDomRGRVHUKXPDQR na sua incredulidade. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;51


EBD 11

16 de junho

“Ele não é Deus de mortos e sim de vivos” O sermão profético de denúncia e crítica aos líderes religiosos Texto bíblico²0DWHXVH‡ Texto áureo ²0DWHXV

Segunda

Terça

Mateus 22.1-14

Mateus 22.15-33

DIA A DIA COM A BÍBLIA Quarta Quinta Sexta Mateus 22.34-46

Mateus 23.1-12

Neste texto bíblico vamos abordar os preciosos ensinos de Jesus sobre o convite para as bodas ou festas; a pegadinha que os religiosos tentam fazer com Jesus sobre o imposto ser pago a César, ao império romano; a condenação imposta por Jesus àqueles que utilizam a revelação de Deus para condenar implacavelmente as pessoas e não ensinam a graça de Deus, o evangelho, que liberta o que crê. O ENSINO DA PARÁBOLA DAS BODAS (Mt 22.1-14) Mais uma vez Jesus toca fortemente na rejeição da nação judaica ao plano do Pai para salvá-la. Neste texto, Jesus ensina que o reino dos céus é comparado a uma festa ou celebração de casamento do filho do rei (v. 1,2). 52 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Mateus 23.13-22

Sábado

Domingo

Mateus 23.23-28

Mateus 23.29-39

O rei determina (soberania) aos seus servos que saiam pelo reino e chamem os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir (v. 3). O rei enviou outros servos para convidar outras pessoas (v. 4). Ele deu ordem aos seus empregados para que contassem o que tinha na celebração (v. 4). Mais uma vez houve recusa na forma de indiferença e violência (v. 5,6). A reação do rei foi de ira, levando-o a enviar suas tropas que incendiaram a cidade (v. 7). Ele declarou que a festa estava pronta, tudo estava arrumado, mas os convidados não eram dignos (v. 8). O soberano agora abre a sua festa e manda os seus servos convidarem a todos que encontrarem pelo caminho. Eles trouxeram maus e bons e encheram o salão de festas (v. 10). En-


trando o rei, para ver os que estavam à mesa, notou um homem que não estava devidamente trajado ou com veste nupcial. O rei mandou os seus servos o tirarem da festa, o amarrarem, lançando-o fora (v. 13). "Muitos serão chamados, mas poucos escolhidos". Muitos chegam em nossas igrejas, mas poucos são realmente salvos (v. 14). Há muitos que estão nas celebrações, mas poucos estão preparados, vestidos adequadamente para a festa. É o que Jesus diz em Mateus 7.21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. AS RESPOSTAS DO REI AOS RELIGIOSOS JUDEUS (Mt 22.15-33) Aqui notamos que Jesus responde aos herodianos – a seita de Herodes; aos saduceus e aos fariseus, bem como é interrogado por estes. Os herodianos tinham uma filosofia: “a paz a qualquer preço”, pois defendiam uma convivência pacífica com Roma. Pois bem, eles tentam pegar Jesus na questão dos impostos, perguntando ao Mestre se era lícito pagar tributo a César ou não. Jesus responde: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. A resposta de Jesus os emudeceu e eles se retiraram (v. 22).

Este é um princípio fundamental em nossas relações. Somos cidadãos do céu e da terra. Os princípios do reino dos céus é que norteiam a nossa cidadania na terra. Excelentes cidadãos do céu são excelentes cidadãos da terra. Devemos ser liberais na entrega dos dízimos e das ofertas (Mt 23.23) e pagarmos os nossos impostos com honestidade. Não à infidelidade na mordomia cristã e não à sonegação, à corrupção. Os crentes devem ser o exemplo em tudo, inclusive na denúncia da corrupção e todo pecado social também instalado nas estruturas públicas e privadas. Ser cidadão exemplar do reino dos céus significa, muitas vezes, ir contra a ordem injusta do reino da terra. Os saduceus utilizaram uma situação cultural para tentar fundamentar o princípio deles de que não existe ressurreição dos mortos. A mulher ficou viúva de sete maridos. A pergunta deles foi: “Na ressurreição, ela será esposa de qual deles?” (v. 28). A resposta magistral de Jesus está no versículo 30. Além de responder sabiamente, Jesus faz uma apologia da ressurreição nos versículos 31,32. Vale a pena meditar neles. Sabendo os fariseus que Jesus havia calado os saduceus, se reuniram em conselho e fizeram a seguinte pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Jesus respondeu: Amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento e ao 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡53


próximo com a si mesmo (v. 37-39). Ainda disse: Destes mandamentos dependem a lei e os profetas (v. 40). Agora o Senhor Jesus interroga os fariseus quanto à sua posição em relação ao Messias, de quem é filho (v. 42). Davi, foi a resposta dos fariseus. Jesus argumenta que Davi é pai, mas o Messias ou o Cristo é seu Senhor (Salmo 110.1 com os versículos 44,45). Então, “o Messias era ao mesmo tempo descendente humano de Davi e seu divino Senhor”. Ele é o Deus-homem, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14). O SERMÃO CONDENATÓRIO (Mt 23.1-12) Neste parágrafo, o Senhor Jesus faz uma série de condenações das atitudes dos escribas e fariseus a partir de uma análise muito pertinente. Disse Jesus: eles se assentam na cadeira de Moisés (v. 2); agem com incoerência: ensinam certo, mas vivem errados (v. 3); impõem fardos pesados e difíceis de carregar (v. 4); praticam suas obras para serem vistos (v. 5); gostam do pódio (v. 6); apreciam ser ovacionados pelo publico (v. 7). O Mestre agora orienta os seus discípulos, fazendo uma distinção entre eles e os religiosos judeus. Que deviam considerá-lo como Mestre, vivendo como irmãos. Chamar Deus de Pai e a ele, Cristo, de guia. Servirem a partir da humilhação (v. 8-12). 54 ‡ COMPROMISSO‡2T13

ACUSAÇÕES CONTRA A CLASSE DOMINANTE (Mt 23.13-39) Aqui temos alguns “ais” proferidos por Jesus em relação à condição moral e espiritual dos escribas e fariseus. Eles estavam sendo obstáculos para que os homens chegassem ao reino dos céus (v. 13). Há pessoas que estão na igreja, mas não no reino. Dão um péssimo testemunho do evangelho, afastando pessoas de conhecerem a Cristo. Os escribas e fariseus eram exploradores de viúvas (v. 14). “Usavam sua posição como juristas para arranjar pendências contra viúvas ricas ou para fazer com que lhes legassem suas propriedades”. Eram especialistas em fazer prosélitos (seguidores) da religião judaica, tornando-os filhos do inferno duas vezes (v. 15). Eles eram mercenários, interessados no dinheiro do povo e guias de cegos (v. 16-22). Davam o dízimo sem a justiça, a misericórdia e a fidelidade. O mais importante é entregar o dízimo a partir de um coração justificado, misericordioso e fiel (v. 23). Os religiosos judeus eram chamados guias de cegos. Eles coavam um mosquito e engoliam um camelo – uma linguagem metafórica usada por Jesus para dizer que eles viam um pequeno defeito nas pessoas e as julgavam, e não enxergavam as grandes falhas em suas vidas (v. 24). Esses religiosos judeus estavam mais preocupados


com o exterior, com a aparência do que com o interior. O sistema religioso vive com base na aparência, mas o evangelho trabalha com o coração. O Senhor Jesus jå havia tido um embate com os religiosos no capítulo 15, versículos 13 a 20 (vale a pena examinar este texto). O diagnóstico de Jesus acerca deles e seu sistema sempre foi preciso. O grande perigo Ê a demagogia em qualquer ambiente, mas no ambiente religioso Ê pior ainda. Os líderes religiosos judeus usaram de demagogia ao serem confrontados por Jesus com relação à morte dos profetas do passado. Eles se eximiram de qualquer culpa, mas Jesus os acusa de serem filhos dos que mataram os profetas. Se os profetas vivessem na sua Êpoca seriam mortos por eles (v. 29-32). Neste embate, Jesus os chama de serpentes, utilizando mais uma vez uma metåfora, ressaltado a sua natureza må, traiçoeira e letal (v. 33).

Agora, Jesus coloca uma profecia de que eles â&#x20AC;&#x201C; religiosos judeus â&#x20AC;&#x201C; matarĂŁo profetas e mestres, açoitando-os em suas sinagogas e perseguindo-os implacavelmente. Ele os adverte que cairĂĄ sobre eles todo sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel atĂŠ o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que eles mataram entre o santuĂĄrio e o altar (v. 34-36). Nos versĂ­culos 37,38, Jesus faz uma acusação a JerusalĂŠm dominada pelos religiosos perversos, mas, ao mesmo tempo, revela o seu grande amor pela cidade. Ele faz uma afirmação segura no versĂ­culo 39, que deve ser comparada com Zacarias 12.10. Ă&#x2030; impressionante este texto! SerĂĄ que este sermĂŁo acusatĂłrio de Jesus, seguindo a rica tradição profĂŠtica do Antigo Testamento, nĂŁo se aplica perfeitamente a muitos lĂ­deres de nossas igrejas e denominaçþes hoje?

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 $UHMHLomRDRHYDQJHOKRpHVSHUDGD'HYHPRVWHVWHPXQKDUHPWRGRRWHPSR FRPPXLWDRUDomR1mRQRVFDQVHPRVGHOHYDUDVHPHQWHDRVFRUDo}HVHR6HQKRU a farĂĄ germinar. 2 6RPRVFLGDGmRVGRFpXHGDWHUUD&RPR-HVXVHQVLQRXGHYHPRVYLYHUFRPR FLGDGmRVGHOiHGDTXL$VQRVVDVDo}HVDTXLGHYHPVHUQRUWHDGDVSHORVHQVLQRVGHOi 3 3UHFLVDPRVWHUPXLWRFXLGDGRFRPRVLVWHPDUHOLJLRVRTXHpLPSODFiYHOHPVHX MXOJDPHQWR(OHpERQLWRSRUIRUDPDVSRGUHSRUGHQWUR-HVXVFRQGHQRXGHIRUPDYHH mente a atitude dos religiosos judeus que escravizavam o povo com regras e mais regras. 4 -HVXV FRQGHQD DTXHOHV TXH OHHP D %tEOLD H DWp PHGLWDP QHOD PDV TXH D usam para acusar implacavelmente as pessoas a partir de uma religiosidade oca, legalista e perversa. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;55


EBD 12

23 de junho

“As minhas palavras não passarão” Ensinos escatológicos de Jesus Texto bíblico ²0DWHXVH‡Texto áureo ²0DWHXV

Segunda

Terça

Mateus 24.1-14

Mateus 24.15-28

DIA A DIA COM A BÍBLIA Quarta Quinta Sexta Mateus 24.29-41

Mateus 24.42-51

Estes dois capítulos falam de dores, grande tribulação, a manifestação mais abundante do mal e necessidade do cristão se preparar, de vigiar em todo o tempo. O Senhor nos deixou dons e talentos para os multiplicarmos na caminhada do reino. É certo que seremos recompensados. No final, temos o grande julgamento. Todos os seres humanos serão julgados em Jesus Cristo (At 17.30,31). O PRINCÍPIO DAS DORES (Mt 24.1-28) Temos aqui o sermão que considera as últimas coisas a ocorrer no contexto do final dos tempos. De uma maneira singular, Jesus inicia falando sobre o princípio de dores acompa56 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Mateus 25.1-13

Sábado

Domingo

Mateus 25.14-30

Mateus 25.31-46

nhadas de angústias profundas. Conduz os discípulos para verem toda a estrutura do templo que havia sido construído por Herodes, o Grande, entre 20 a.C. e 64 d.C., e destruído por Roma no ano 70 d.C. Os discípulos fazem uma pergunta (v. 3). Estavam ansiosos quanto ao fim dos tempos. O Senhor os alerta quanto aos enganadores (v. 4,5). Discorre sobre os futuros acontecimentos: rumores de guerras; nação contra nação e reino contra reino (v. 7). Prepara os discípulos para a realidade do sofrimento por causa do seu nome (v. 9). Alerta que haverá apostasia – abandono da fé (v. 10). Que a multiplicação da iniquidade produzirá frieza espiritual na igreja (v. 10,12). Aquele que perseverar até o fim será salvo (v. 13). O evangelho do


reino será proclamado em todo o mundo e então virá o fim (v. 14). Jesus declara que haverá a grande tribulação. Toda a igreja passará por ela. O que Daniel profetizou se cumprirá (v. 15). O texto (v. 16-26) tem duas vertentes: o período da invasão romana em 70 d.C., e os nossos dias. Jesus exorta quanto aos falsos profetas com as suas falsas "promessas" e a sua volta (v. 23-28). Neste precioso texto (v. 29-41), temos as características da sua vinda como sendo um referencial para os textos escatológicos. Veremos sinais na natureza (v. 29) e a sua manifestação visível acompanhada dos seus anjos, reunindo os seus escolhidos (v. 30,31). Em seguida, temos a metáfora da figueira (v. 32,33). “Esta geração” tem sido entendida como referência aos contemporâneos de Jesus e o que estava por ocorrer como a destruição do templo e de Jerusalém, que vem a acontecer em 70 d.C. Jesus afirmou que a sua Palavra é mais importante do que os céus e a terra (v. 35). O nosso coração deve descansar na sua Palavra. A sua vinda não pode ser datada. Ele virá de repente (v. 36). Só o Pai sabe. Jesus discorre sobre os dias que antecederam ao dilúvio para ilustrar a sua vinda (v. 37-41). A VIGILÂNCIA NECESSÁRIA (Mt 24.42-51) Os versículos 42 a 51 nos exortam a que vigiemos. O cristão deve estar

preparado para a volta de Cristo. Ele usa a figura do ladrão que não revela a hora que virá para roubar a casa. Devemos fazer sempre o melhor até que ele venha para nos buscar. O mais importante, porém, é a palavra de Jesus: “Bem-aventurado o servo a quem o Senhor, quando vier, encontrar trabalhando” (v. 46). OS ENSINOS DAS PARÁBOLAS DAS VIRGENS E DOS TALENTOS (Mt 25.1-30) As duas parábolas seguintes falam de prontidão e diligência. A parábola das virgens (v. 1-13) – “No tempo de Jesus, normalmente havia três estágios no processo matrimonial. Primeiro vinha o compromisso, quando era feito um contrato formal entre os respectivos pais da noiva e do noivo. A este seguia-se o noivado, cerimônia feita na casa dos pais da noiva, quando promessas mútuas eram feitas pelas partes contratantes diante de testemunhas, e o noivo dava presentes à sua prometida. "O homem e a mulher ficavam unidos um ao outro pela cerimônia de noivado, apesar de ainda não serem de fato marido e mulher; na verdade, tão obrigatório era o noivado que, se o homem morresse durante o período de sua duração, a mulher era considerada viúva; o cancelamento do noivado não era permitido; se, porém, acontecia tal coisa, era semelhante a 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡57


um divórcio". Finalmente, depois do transcurso de cerca de um ano havia o casamento, quando o noivo, acompanhado dos seus amigos, ia buscar a noiva na casa do seu pai e a levava em cortejo de volta para sua casa, onde se fazia a festa de casamento. É bem provável que seja este o cortejo que dez jovens da história são retratadas como indo encontrar, quer como damas de honra oficiais da noiva, quer como criadas do noivo, quer como filhas de amigos e vizinhos – não temos meios de sabê-lo”. É bom destacar nesta primeira parábola que ela se relaciona com parousia (manifestação) do Filho do homem. O noivo é a figura central. As dez virgens da história representam a igreja à espera do retorno do seu Senhor. Em que condição você está? A parábola dos talentos (v. 14-30) – Jesus começa esta parábola dizendo que o reino dos céus é semelhante a um homem que, ausentando-se do seu país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens para serem administrados. Foi isto que Jesus fez conosco. Estes foram dados de acordo com a capacidade de cada servo. A oportunidade deve ser aproveitada ao máximo para, acima de tudo, glorificar a Deus. Nesta parábola, os servos recebem do seu senhor os talentos (medida específica para metais e um talento variava entre 25 e 35 quilos de prata). Um recebeu cinco talentos; e 58 ‡ COMPROMISSO‡2T13

os outros, dois e um, respectivamente. Os dois primeiros trabalharam muito, aproveitaram as oportunidades e devolveram mais cinco e mais dois, respectivamente. O que recebeu um, o enterrou motivado pelo medo e pela timidez. Não trabalhou e nem aproveitou as oportunidades. Devolveu o mesmo que havia recebido. Os dois primeiros foram reconhecidos pelo senhor e chamados de servos bons e fiéis. O último, quando do acerto de contas, foi chamado de mau e negligente. Como diz F. B. Meyer, “Cristo está sempre vindo para ajustar contas. Cada vez que tomamos a ceia do Senhor, cada aniversário nosso que passa é como estar diante do tribunal de Cristo, que antecede o grande trono (2Co 5.10). Aqueles que receberam apenas um talento devem ser os mais cautelosos, visto que serão mais tentados a dizer: Já que só podemos fazer tão pouco, nada faremos. Aquilo que sabemos fazer melhor e que está mais de acordo com nossas circunstâncias, provavelmente, é o nosso talento. Se, sozinho, você não pode fazer muito, coopere com sua igreja, sob a orientação do seu pastor (v. 27)”. A VIDA ETERNA E O CASTIGO ETERNO (Mt 25.31-46) Todo o contexto anterior tem tudo a ver com este. Somos responsáveis por tudo o que fazemos. Paulo afirma esta verdade (Gl 6.7). Jesus conclui o capí-


tulo 25 ensinando e alertando para o juĂ­zo que virĂĄ. O que o ser humano foi em relação a Jesus Cristo certamente definirĂĄ a sua situação diante de Deus, o Pai (At 17.30,31). Vivemos um tempo em que as pessoas gostam do self-service (servindo-se a si mesmo). Ă&#x2030; estranho uma pessoa servir a outra sem remuneração. O Senhor Jesus pagou o preço para que servĂ­ssemos uns aos outros a partir do amor (1Co 13.4-8). Os "benditos de meu Pai" sĂŁo os que o amam e fazem a sua vontade. Os malditos sĂŁo os que vivem uma vida alienada do Senhor mesmo frequentando os templos. Teremos muitas surpresas naquele dia. No acerto de contas com o Rei, os que estiverem Ă  direita serĂŁo chamados para a intimidade com o Pai. Os que estiverem Ă  esquerda serĂŁo destinados para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos.

â&#x20AC;&#x153;Assim como nas parĂĄbolas anteriores das virgens e da riqueza confiada, neste quadro de grande julgamento nĂŁo ĂŠ tanto a prĂĄtica do mal que evoca a censura mais severa, como a completa negligĂŞncia da prĂĄtica do bem. Os pecados de omissĂŁo sĂŁo vistos como atĂŠ mais condenĂĄveis do que os pecados da comissĂŁo. A porta se fecha contra as virgens nĂŠscias por sua negligĂŞncia; o servo inativo ĂŠ posto fora como alguĂŠm que nĂŁo presta para nada por nĂŁo ter feito nada; e os da esquerda sĂŁo punidos severamente por deixarem de observar as muitas oportunidades que lhes foram dadasâ&#x20AC;?. Martin Luther King disse: â&#x20AC;&#x153;NĂŁo me impressiona o grito dos maus, mas, sim, o silĂŞncio dos bonsâ&#x20AC;?. Que recebamos do Senhor as seguintes palavras: â&#x20AC;&#x153;Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu senhorâ&#x20AC;? (Mt 25.23).

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 O cristĂŁo genuĂ­no tem certeza de que Cristo estĂĄ voltando. Este fato demanda a prontidĂŁo. Sabemos que sofreremos por causa do seu nome. O cerco estĂĄ se feFKDQGR4XDQGRYLHUDSHUVHJXLomRRVTXHVmRGR6HQKRUHVWDUmRSUHSDUDGRVSDUD RVRIULPHQWRHRJORULĂ&#x20AC;FDUmR 2 Jesus nos deixou dons e talentos e prometeu voltar para o ajuste de contas. O que temos feito com eles? 3 4XDQGR-HVXVYLHUVHSDUDUiRVERGHVGDVRYHOKDV2VTXHHVWLYHUHPHP&ULVWR DVRYHOKDV LUmRSDUDRFpXHGHVIUXWDUmRGDSUHVHQoDGR6HQKRUSDUDVHPSUH2V que nĂŁo estiverem em Cristo (os bodes) serĂŁo condenados e irĂŁo para o inferno, SDUDRWRUPHQWRHWHUQRPXLWRORQJHGR6HQKRU(PTXHFRQGLomRYRFrHVWi"9RFrVH importa com as pessoas perdidas sem Cristo? 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;59


EBD 13

30 de junho

â&#x20AC;&#x153;NĂŁo estĂĄ aqui, porque ressurgiuâ&#x20AC;? Morte e ressurreição de Jesus e desafios finais aos seus discĂ­pulos Texto bĂ­blico ²0DWHXVDÂ&#x2021;Texto ĂĄureo²0DWHXV

Segunda

Terça

Mateus 26.1-30

Mateus 26.31-56

DIA A DIA COM A BĂ?BLIA Quarta Quinta Sexta Mateus 26.57-75

Mateus 27.1-31

A morte e a ressurreição de Jesus sĂŁo pontos fundamentais da fĂŠ cristĂŁ. Nesta porção das Escrituras abordaremos a paixĂŁo do Rei que se entrega por nĂłs; o preço da traição; o sofrimento atroz do Messias, profetizado por IsaĂ­as 53, a sua morte vergonhosa por crucificação; a sua ressurreição; a missĂŁo de fazĂŞ-lo conhecido e a promessa de que ele estarĂĄ conosco atĂŠ a consumação dos sĂŠculos. A Ă&#x161;LTIMA PĂ SCOA (Mt 26.1-30) O Senhor se prepara para o seu sofrimento profetizado em IsaĂ­as 53. Os acontecimentos registrados em 26.1-5 se deram na quarta-feira. A pĂĄscoa era a antiga festa religiosa judaica que relembrava a libertação do Egito. 60 Â&#x2021; COMPROMISSOÂ&#x2021;2T13

Mateus 27.32-56

SĂĄbado

Domingo

Mateus 27.57-66

Mateus 28.1-20

CaifĂĄs, sumo sacerdote de 18-36 d.C., genro e sucessor de AnĂĄs, liderou uma reuniĂŁo para planejar a morte de Jesus (v. 3-5). O Mestre estĂĄ na casa de SimĂŁo, o leproso, Ă  mesa, inclinado, quase deitado, tendo como base um dos cotovelos. A mulher chegou por trĂĄs e ungiu a cabeça de Jesus (v. 6,7; Lc 7.36-50). Os discĂ­pulos interpretaram a atitude da mulher de uma forma tacanha (v. 8,9). HĂĄ tanta gente assim em nossas igrejas. Jesus lhes chama a atenção (v. 10) e faz uma interpretação extraordinĂĄria (v. 11-13). Aprendamos com ela. Judas inicia a triste histĂłria da traição, acertando o seu valor â&#x20AC;&#x201C; Trinta moedas de prata (v. 14,15). JĂĄ com o dinheiro da traição em mĂŁos, Judas procura agora o momento oportuno para


entregar o Senhor aos religiosos judeus (v. 16). Jesus faz uma pergunta aos discípulos (v. 17). Ele já havia acertado tudo para comer a páscoa com eles (v. 18-20). Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com eles e identifica o traidor (v. 20-25). Em seguida, o Senhor celebra a Ceia (v. 26-29), que é um memorial da sua morte e ressurreição. Ele faz uma belíssima promessa no versículo 29. Ao saírem dali, cantaram um hino e foram para o Monte das Oliveiras (v. 30). Provavelmente, cantaram parte dos Salmos 115-118, o tradicional Hallel (“Louvor”) da páscoa. O PREÇO DA TRAIÇÃO (Mt 26.31-56) Cristo fala da sua prisão e do seu sofrimento e a dispersão dos que o seguiam (v. 31). Fala da sua ressurreição e o encontro na Galileia (v. 32). Pedro se levanta e duas vezes promete fidelidade a Jesus (v. 33,35). No versículo 35, os outros discípulos dizem o mesmo. Jesus prediz a negação de Pedro (v. 34). O Senhor agora chega ao Getsemane (prensa de óleo ou azeite), no Monte das Oliveiras. É neste jardim que Jesus trava uma luta ferrenha entre fazer a sua vontade e a vontade do Pai (v. 39). Esta é a nossa luta diária, implacável. Jesus foi orar e quando se volta para os discípulos os vê dormindo (v. 40). O Mestre orou três vezes e três vezes os encontrou dor-

mindo (v. 40,43,45). Para os que estão dormindo, temos a exortação do Senhor (v. 41). Jesus é preso como um fora da lei, um bandido (v. 47-56). Não reagiu negativamente (v. 53-56). Todos os discípulos o deixaram e fugiram (v. 56). JULGAMENTO E CONDENAÇÃO (Mt 26.57-27.26) Jesus foi preso e Pedro o seguia de longe (v. 58). Os líderes religiosos buscavam um testemunho falso contra o Mestre, mas ele guardou silêncio (v. 59,63). Consideraram-no réu de morte (v. 66). Foi humilhado, cuspido, maltratado e esbofeteado covardemente (v. 67-68). Em seguida, Pedro foi identificado e negou que era discípulo de Jesus (v. 69-74). Após negar três vezes, o galo cantou (v. 74). Ao lembrar-se da palavra de Jesus que ele o negaria, Pedro chorou amargamente (v. 75). Jesus foi entregue ao governador Pilatos (27.1). Em seguida, Judas, sabendo da condenação de Jesus e tocado de remorso, atirou as trinta moedas no santuário e foi enforcar-se (v. 3-6). O dinheiro não foi aceito como oferta no santuário porque estava contaminado de sangue. Jesus é conduzido a Pilatos (v. 11-26). O governador reconheceu a inocência dele, mas o povo, liderado pelos líderes religiosos, resolveu crucificar o Senhor (v. 15-25). 2T13 ‡ COMPROMISSO ‡61


CRUCIFICAÇÃO, SEPULTAMENTO E RESSURREIÇÃO (Mt 27.26-28.15) Jesus inicia a sua Via Crúcis – o caminho da cruz, do sofrimento atroz em nosso lugar. Ele foi flagelado por um chicoteamento com flagrum – um chicote com várias tiras de couro crivadas de pedaços de osso ou metal. Os romanos usavam este método com os assassinos e traidores (v. 26). Levaram-no para o pretório, que era a residência de Pilatos em Jerusalém. Toda a coorte (entre 300 e 600 soldados) estava ao seu redor (v. 27). Líderes religiosos e a sociedade se uniram contra Jesus e o fizeram sofrer muito. Escarneceram dele e o espancaram (v. 29,30). Tudo ele suportou por nós. Em seguida, o levaram para ser crucificado (v. 31). “A crucificação era um método lento e doloroso de execução que os romanos haviam adotado dos fenícios. A vítima normalmente morria depois de dois ou três dias de sede, exaustão ou exposição ao sol, vento e clima. As mãos eram frequentemente cravadas à barra transversal, que era alçada e afixada à barra vertical onde os pés eram então cravados. Uma pequena tábua, sobre a qual o crucificado se assentava, sustentava o peso do corpo. A morte era ocasionalmente apressada por meio da fratura das pernas, mas isso não aconteceu com Cristo ( Jo 19.33)”. 62 ‡ COMPROMISSO‡2T13

Jesus estava muito fraco em função do sofrimento atroz que lhe impuseram. Simão Cireneu, de Cirene, capital da Cirenaica, no norte da África, foi obrigado a carregar a parte transversal da cruz. Finalmente, o levaram para o Gólgota, que significa Caveira (v. 33). Deram-lhe de beber vinho e fel, que era uma espécie de analgésico para aliviar as dores, mas Jesus não quis beber, preferindo enfrentar a morte com o pleno uso das suas faculdades (v. 34). Por cima da sua cabeça puseram uma escrita que tinha uma acusação: “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS” (v. 37). Para os soldados romanos, tal acusação significava insurreição. Pregado na cruz, Jesus é alvo de escárnio, zombaria e desprezo (v. 39-44). Da hora sexta (meio-dia) até a hora nona (três da tarde) houve trevas sobre toda a terra. Por volta da hora nona, o Senhor Jesus clamou em alta voz dizendo: Eli, Eli, lemá Sabactâni, que quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (v. 46). Foi nesse momento que o Pai virou as costas para o Filho porque ele se tornou fealdade ou feiura absoluta, se tornou pecado por nós (Is 53.1-4; 2Co 5.21). Jesus clamou outra vez com grande voz e entregou o espírito (v. 50). O Senhor Jesus não foi morto diretamente por alguém, tampouco foi vencido por processos naturais. Ele entregou o seu espírito. Meditemos em João 10.17,18.


Com a morte de Jesus, algumas coisas impressionantes aconteceram (v. 51-53). O rasgar do vĂŠu significa a abertura de um novo e vivo caminho pela obra de Jesus na cruz (Hb 10.20; Ef 2.11-22). O oficial romano e seus comandados, possuĂ­dos de temor, disseram: â&#x20AC;&#x153;Verdadeiramente este era Filho de Deusâ&#x20AC;? (v. 54). Estavam ali mulheres Ă­ntegras e servidoras que o acompanhavam desde a Galileia (v. 55,56). JosĂŠ de Arimateia, que era tambĂŠm discĂ­pulo, foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus e o governador mandou entregar (v. 58). Em seguida, tomou todas as providĂŞncias para sepultar Jesus (v. 59-66). No primeiro dia da semana, o Senhor ressuscitou (v. 1-6). O que ele havia prometido em 26.32 se cumpriu (28.7,10). Maria Madalena e a outra Maria tiveram a experiĂŞncia singular ao ver o Senhor ressuscitado (v. 9,10). Podemos notar nos versĂ­culos 11 a 15 a desonestidade dos religiosos judeus em relação Ă  ressurreição de Jesus.

MISSĂ&#x192;O DADA AOS DISCĂ?PULOS E A PROMESSA DE JESUS (Mt 28.16-20) Como Jesus havia determinado, os discĂ­pulos foram para a Galileia, regiĂŁo norte da Palestina (v. 16). Ao se apresentar diante deles, houve duas reaçþes: adoração e dĂşvida (v. 17). Estas palavras nĂŁo combinam. SĂŁo excludentes. A adoração ĂŠ fruto da certeza, da fĂŠ. Temos agora a chamada â&#x20AC;&#x153;Grande comissĂŁoâ&#x20AC;? (v. 18-20). Jesus deu uma missĂŁo a eles e a nĂłs tambĂŠm. O Senhor usa o absoluto: toda autoridade; todas as naçþes; todas as coisas e todos os dias. Jesus tem todo o domĂ­nio. Ele quer que sejamos obedientes no cumprimento da missĂŁo. Debaixo da sua autoridade, façamos discĂ­pulos, ensinando-os e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do EspĂ­rito Santo. Ă&#x2030; significativo lembrar que Mateus inicia com o Emanuel, Deus conosco (1.23), e termina com a promessa de Jesus: Estou convosco todos os dias atĂŠ a consumação dos sĂŠculos (28.20).

APLICAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES PARA A VIDA 1 Os sofrimentos de Jesus, antes da sua morte e ressurreição, devem nos levar a avaliar a nossa vida cristĂŁ. Todo o seu sofrimento nos mostra que o discĂ­pulo nĂŁo pPDLRUGRTXHVHX0HVWUHHQHPRVHUYRPDLRUGRTXHRVHX6HQKRU(PYH]GH UHFODPDUGRVQRVVRVVRIULPHQWRVSRUTXHQmRSHGLPRVGLVFHUQLPHQWRDR6HQKRUH agradecemos as liçþes aprendidas? 2 2 IDWR GH 3HGUR WHU QHJDGR TXH FRQKHFLD &ULVWR UHYHOD D QRVVD IUDJLOLGDGH QDWXUH]DKXPDQDFRQIXVDHDPDOGDGHGRFRUDomR1XQFDGHYHPRVGL]HUjamais". 3 Jesus nos deixou uma ordem para ser cumprida. NĂŁo transformemos a Grande comissĂŁo na Grande omissĂŁo. 2T13 Â&#x2021; COMPROMISSO Â&#x2021;63


64 ‡ COMPROMISSO‡2T13


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