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TRUCKMOTORS

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

DEZEMBRO 2013

Nº 43 NOV/DEZ 2013 / JAN 2014

MERCADO

PNEUS

Volvo PENTA AMPLIA ATUAÇÃO NA AMÉRICA LATINA

BRIDGESTONE PROMETE GRANDES INVESTIMENTOS

MULHERES CAMINHONEIRAS

CHARME NA BOLEIA TRUCKMOTORS

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MERCADO

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MERCADO EDITORIAL

DIRETO DA REDAÇÃO

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Wallace Nunes Editor chefe

É com grande satisfação que anunciamos a volta do título Truck&Motors. A revista ficou inativa por alguns meses em razão de negociações contratuais, reestruturação de trabalho, bem como discussões sobre a nova estrutura editorial. A Truck, como todos a conhecem, tem nome nesse difícil e sério mercado especializado, mas infelizmente se perdeu por causa de seu “vai e vem”, onde não é preciso fazer “mea-culpa”, muito menos dizer o motivo por isso ter ocorrido. Garanto: essa oscilação acabou, estamos prontos e lhes apresento a nova proprietária da Truck&Motors. Somos a Sustentabilidade Editora, empresa com mais de cinco anos de experiência em publicações editoriais e que, na região ABC paulista, detém um case de sucesso chamado LEIA ABC. Essa revista mensal de atualidades circula nas sete cidades da região e se consolidou como um periódico que informa o leitor de maneira simples e coesa. Temos ainda outros títulos que vocês poderão ler e observar em nosso site: www.sustentabilidade.com.br. A absorção da Truck&Motors é importante para a empresa, fazendo-nos ter ainda mais responsabilidade e também humildade porque, nesse mercado tão competitivo em todos os sentidos, tudo isso é desafiador para nós. Para tanto, mudamos o projeto gráfico e a linha editorial da Truck&Motors. Confira e comente. Desde já agradeço por sua compreensão, peço-lhes desculpas e lhes desejo uma boa leitura! Wallace Nunes Diretor de Redação

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índice

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Logística Aluguel de galpões sofrem redução de preço Estradas Pesquisa da CNT mostra que 60% das estradas do país possuem problemas crônicos FENATRAN Saiba as últimas novidades da maior feira do setor Pneus Bridgestone ampliará investimentos em Camaçari Mercado Volvo Penta estará presente na COPA 2014 Motor Volvo Penta trabalha para ser líder

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Matéria de Capa Conheça um pouco sobre a rotina das mulheres caminhoneiras

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Ônibus O primeiro ônibus elétrico fabricado no Brasil

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A TruCK AGORA É DA SUSTENTABILIDADE

Diretor Executivo Alessandro Vezzá vezza@truckmotors.com.br Diretor Administrativo Giancarlo Frias Giancarlo@truckmotors.com.br Diretor Comercial Jader Reinecke Jader@truckmotors.com.br Diretor de Redação Wallace Nunes (MTB -55.803/SP) wallacenunes@truckmotors.com.br Editora Nani Soares (MTB 48.095/SP) Repórteres Camila Bevilacqua Lívia Sousa Revisão Camila De Felice Fotografia Camila Bevilacqua e assessorias Projeto Gráfico Antonio Albano Celso Cury

A revista TRUCK&MOTORS é uma publicação mensal produzida pela SUSTENTABILIDADE EDITORIAL Rua Macaúba, 82 Bairo Paraíso, Santo André Telefone: 11 4901 -4904

Mercedes apresenta seus novos diretores A Mercedes-Benz do Brasil apresenta em seu quadro novos diretores. Tudo começa pela comunicação. Luiz Carlos Moraes, de 54 anos, passa a ser responsável pelas atividades de assessoria de imprensa, relações públicas, responsabilidade social e comunicação interna, acumulando a nova função ao seu atual cargo de diretor de Relações Institucionais da companhia. A advogada Simone Krüger Frizzo se responsabilizou pela área financeira e Controlling, sendo nomeada diretora de Assuntos Tributários. Já o alemão Jochen Löhlein foi escolhido para área de Acconting da Daimler Buses.

Trabalhando com os seminovos

O programa de caminhões seminovos Viking completa 15 anos e celebra mais de 10 mil veículos comercializados no Brasil. Reconhecidos nacionalmente pela garantia de procedência e qualidade de fábrica, os seminovos Viking são muito procurados e valorizados no mercado de usados. “A Volvo foi pioneira na criação de uma estrutura dedicada para caminhões seminovos no Brasil”, comemora Bernardo Fedalto, diretor de caminhões do Grupo Volvo no país. “Somos atualmente a montadora que oferece o melhor programa de seminovos do Pais”, completa o diretor.

Vipal lança banda de rodagem A Vipal se voltou para o segmento industrial, onde lançou uma nova banda de rodagem VI600, moderna opção para aplicação em veículos industriais. O produto foi projetado para uso em empilhadeiras e guindastes. Batizado de VI600, proporciona maior poder de tração e resistência ao desgaste por abrasão. Segundo Eduardo Sacco, gerente de Marketing da empresa, “a VI600 foi desenvolvida com a alta tecnologia Vipal para que fosse mais leve e econômica. Isso gera maior rentabilidade nas operações de movimentação e armazenagem de materiais”.

Anfir não sabe se ABS será adiado para carretas

Simone Krüger Frizzo

Jochen Löhlein

Reprovações caem 43%

Levantamento feito pela Controlar, empresa que cuida da qualidade da frota na cidade de São Paulo, mostra que entre fevereiro e novembro o número de reprovações na inspeção caiu 43%. Foram 125.351 veículos reprovados em 2010, 108.492 em 2011, 89.552 em 2010 e 73.896 nesse ano. “Esses dados demonstram que, nos últimos quatro anos, a população da cidade de São Paulo se conscientizou da importância de manter os carros regulados e passou não apenas a contribuir para uma melhor qualidade do ar, mas também para uma melhor fluidez no trânsito”, afirma Marcos Brandão, diretor presidente da Controlar.

Procurada pela TRUCK&MOTORS, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) não soube dizer se a obrigatoriedade de freio ABS também será prorrogada para as carretas. O Governo Federal divulgará uma Medida Provisória (MP) adiando para 2016 a obrigatoriedade do novo freio e de airbags frontais em todos os veículos produzidos, que estava previsto para vigorar em janeiro. O ABS já é obrigatório (há um ano) em carretas usadas em CVCs para 57 toneladas ou mais. E, em 2014, passaria a ser também para os demais implementos. A decisão de adiar a medida se deve ao receio do governo de que, com o ABS, o preço dos carros suba muito a ponto de alimentar a inflação. E também a um pedido feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A entidade teme demissões no setor porque a Volkswagen anunciou o fim de produção da Kombi e do Gol G4 por não comportarem os novos acessórios.

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MERCADO LOGÍSTICA

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Preços de locação recuam 6,5% no 1º semestre Segundo pesquisa da Colliers International Brasil, projetos com melhor relação entre locação e preço seguem com destaque na decisão final de potenciais locatários.

Depósitos cada vez maiores estão se espalhando pelo país e os preços para aluguéis estão na média do que o mercado apresentou nos últimos dois anos.

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empresa de consultoria de soluções imobiliárias Colliers International Brasil realizou uma pesquisa sobre o atual cenário do mercado de condomínios logísticos e constatou queda de 6,5% nos preços de locação pedidos no encerramento do primeiro semestre de 2013. O crescimento de oferta e procura nas principais regiões brasileiras fez que o mercado demonstrasse maior flexibilização em relação aos preços

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pedidos de locação de condomínios logísticos. Projetos com melhor relação entre as variáveis (locação/preço) seguem com destaque na decisão final de potenciais locatários. Na região Sudeste, a média de preço ficou em R$ 20,75 m²/mês diante de R$ 20,90 m²/mês do trimestre anterior. Já no Sul, os preços diminuíram para R$ 18,60 m²/mês diante de R$ 19,00 m²/mês. O Centro-Oeste foi a exceção e apresentou aumento,

passando de R$ 16,00 m²/mês para R$ 17,00 m²/mês. As regiões Norte e Nordeste permaneceram com os mesmos preços pedidos do trimestre anterior: R$ 20,00 m²/mês e R$ 16,00 m²/mês, respectivamente. A absorção líquida, variável utilizada para medir a relação entre a área ocupada e a devolvida, fechou o trimestre em 196 mil m² positivos, apresentando decréscimo em relação ao trimestre anterior, que foi de 359 mil m². TM

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MERCADO ESTRADAS

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NOVIDADE? Pesquisa da CNT mostra que mais de 60% das rodovias do Brasil possuem problemas com sinalização, pavimentação e geometria da via.

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carta-frete é um documento que a transportadora emite para o caminhoneiro autônomo como forma de adiantamento pelo frete. Ao recebê-lo dessa maneira, o caminhoneiro tem de procurar um posto que aceite trocar a carta-frete daquela transportadora. Em geral, os postos de combustíveis que trocam carta-frete só o fazem se a transportadora estiver credenciada junto a eles e se o caminhoneiro gastar um determinado percentual do valor da carta-frete no posto. Quanto à diferença entre o valor da carta-frete e o valor gasto no posto, o caminhoneiro a recebe em dinheiro e/ou em cheque pré-datado, o qual ele terá de trocar mais adiante. Ou seja, quanto menor o percentual gasto pelo caminhoneiro no posto, maior a parcela da carta-frete que o posto deverá “bancar” com recursos próprios. Para cobrir esses custos financeiros, é comum os postos tratarem a venda de diesel na carta-frete como sendo uma venda a prazo e, portanto, praticarem preço superior nessa modalidade. Alguns postos de combustíveis efetuam a troca de cartas-frete diretamente com a transportadora, o que os obriga a manterem dinheiro em caixa para financiarem as operações até o recebimento das transportadoras. Carlos Gil, gerente do Posto Cristal III, situado no quilômetro 431 da BR-386, em Nova Santa Rita/RS, explica que, para “bancar” as cartas-frete que troca, precisa ter em caixa, em dinheiro, pelo menos 1/3 de todo o volume da venda de combustíveis (diesel, gasolina e álcool), o que acarreta um custo financeiro muito alto. Seu posto efetua a troca direta para 70 transportadoras cadastradas, trabalhando com prazos de recebimento que variam de 15 a 30 dias (O Carreteiro, 2008).

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Além disso, ao efetuar a troca da carta-frete diretamente com a transportadora, o posto incorre em custos operacionais para efetuar a cobrança junto a ela e aumenta sua exposição ao risco, pois a transportadora pode demorar a pagar ou simplesmente não pagar. No entanto, a partir de agora seu posto já pode se servir da melhor solução do mercado relacionada à troca de cartas-frete em termos de liquidez e segurança. Clique aqui para entrar em contato conosco e saber como a Rodofretex pode lhe oferecer ao mesmo tempo liquidez imediata e segurança na troca de cartas-frete, ou, se preferir, ligue para +55 43 3028-5025. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou que, a partir do dia 15 de maio, vai passar a multar os transportadores que utilizarem a carta-frete como forma de pagamento no transporte rodoviário de cargas. O mecanismo está proibido em todo o país desde o dia 23 de janeiro desse ano. Os pagamentos agora serão feitos por meio eletrônico, como estabelece a Resolução nº 3.658, de abril de 2011. Atualmente, 12 empresas estão habilitadas para gerenciar o sistema que consiste, basicamente, em depósitos e saques em conta bancária. Esse novo sistema vai permitir que o governo faça o recolhimento do Imposto de Renda (IR) e de outros encargos sociais. Para José Araújo “China” da Silva, presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), a fiscalização deve ser intensa. “Foi uma grande vitória conseguir a aprovação do projeto que proíbe a carta-frete. Só assim os caminhoneiros terão uma renda formal, o que é bom para todos. Mas é preciso ficar em cima de quem desrespeita o pagamento eletrônico.”

De acordo com a nova regra, o contratante que pagar o frete de forma diferente àquela exigida pela agência reguladora deverá ser multado em 50% do valor total de cada viagem paga de forma irregular – mínimo de R$ 550 e máximo de R$ 10,5 mil. O transportador autônomo também será punido se utilizar a carta-frete, com o pagamento de multa de R$ 550 e podendo ter seu Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) cancelado. A carta-frete é um papel informal, não fiscalizado pelo governo e utilizado há mais de 50 anos no Brasil. Os caminhoneiros recebem o documento como forma de pagamento e, na maioria dos casos, ele é trocado nos postos de combustíveis por dinheiro, com descontos. O presidente Lula quer pôr fim a uma prática de 50 anos no Brasil. Ilegal, a concessão de carta-frete, dada como meio de pagamento por transportadoras a caminhoneiros, tira dos livros oficiais R$ 44 bilhões. Por ser um documento sem nenhuma legislação, esse sistema de pagamento foge da fiscalização por parte dos poderes públicos. Por conta disso, as transações não são passíveis de controle fiscal, facilitando a prática de “caixa 2” e sonegação de encargos sociais e impostos. Lula assinou na última sexta-feira (11) a emenda que inclui na lei do transporte rodoviário de cargas (Lei nº 11.442/2007) a proibição do uso da carta-frete. A medida foi publicada na segunda-feira (14) no Diário Oficial. Trata-se da primeira legislação regulamentando como deve ser efetuado o pagamento do frete no transporte rodoviário brasileiro. Segundo a lei, o pagamento agora poderá ser feito “por meio de crédito em conta de depósitos mantida em instituição bancária ou por outro meio de pagamento regulamentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”. “A ideia é trazer uma regulamentação ampla”, diz Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT. “Não podemos partir do pressuposto de que todo caminhoneiro tenha uma conta bancária; então, o cartão (ou outro meio de pagamento) é um instrumento importante que devemos privilegiar”, diz Figueiredo.

Para se ter uma ideia, o governo brasileiro registra como movimentação de frete em relação a caminhoneiros apenas R$ 16 bilhões por ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto uma pesquisa da consultoria Deloitte indica um volume de R$ 60 bilhões. Daí o “sumiço” dos R$ 44 bilhões. O não pagamento de impostos ocorre das duas partes. Primeiro, da pessoa jurídica que contrata o caminhoneiro e que deve recolher na fonte imposto de renda sobre os rendimentos pagos aos prestadores de serviços. Já o caminhoneiro, além de imposto de renda, também deve fazer o recolhimento do INSS, Sest e Senat. E nada disso acontecia... Benefícios Dentre outros benefícios, os meios eletrônicos de pagamentos trazem a possibilidade da participação dos caminhoneiros em programas do governo direcionados à classe, constituída hoje por aproximadamente 1,19 milhão de transportadores autônomos. “Atualmente eles encontram dificuldade em obter financiamento em programas como o Procaminhoneiro, para a renovação da frota, porque não conseguem comprovar renda”, conta José Araújo “China” da Silva, presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam). Foi, inclusive, na proposta de adequação do Procaminhoneiro enviada pela Unicam ao governo no ano passado que a entidade incluiu a questão do fim da carta-frete. Além da questão tributária, a carta-frete infringe leis do Código Penal, uma vez que é emitido um título sem permissão legal. Viola também as leis de Defesa do Consumidor, por conta da prática de venda por parte dos postos de gasolina conveniados pelas transportadoras para descontarem a carta-frete. Segundo China, cobra-se o preço a prazo do diesel, cerca de R$ 0,15 a R$ 0,20 a mais por litro do combustível a vista. “A carta-frete impede que o caminhoneiro possa escolher estabelecimentos que ofereçam melhores condições, já que são as transportadoras que fazem o convênio com os locais de troca”, diz China. TM

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MERCADO EVENTOS

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FENATRAN 2013

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magine-se numa feira onde todos os expositores dizem que são os melhores em todos os quesitos em que se fabricam. Pois é, assim foi a Fenatran 2013 (Feira Nacional dos Transportes) que, realizada a cada dois anos, mostra as novidades do setor. A novidade real mesmo foi seu crescimento,

bem como discussões importantes. O número de expositores e ocupação foram recordes, chegando a 370 empresas divididas numa área total de 130 mil metros quadrados, onde passaram 62 mil visitantes compradores durante os cinco dias de exposição, algo em torno de 10% de crescimento em relação à edição anterior.

Líder mundial na fabricação de freios para veículos comerciais, sistemas de estabilidade, controle de suspensão e transmissão, a Wabco quer se tornar referência pela inovação.

O assunto mais discutido no evento foi a renovação da frota nacional, cujos dados informam que está com média de idade de 20 anos - um perigo! Todas as principais montadoras de veículos pesados prepararam novidades relacionadas às novas tecnologias, sustentabilidade, além de focarem na maior segurança, conforto e redução dos custos operacionais. Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), destacou o crescimento do setor. “Graças ao programa Inovar Auto, já são R$ 75 bilhões de investimentos garantidos pela indústria automobilística para o período entre 2013-2017”, disse. Além disso, fez um apelo para que o Programa de Sustentação do

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Investimento (PSI), em vigor desde 2009, seja permanente. O governador do Estado, Geraldo Alckmin, aproveitou a ocasião para destacar a questão da renovação de frota com o programa Renova São Paulo, que teve seu projeto piloto na Baixada Santista e hoje funciona em todo o Estado. “O Renova São Paulo encaminha o veículo antigo, com mais de 30 anos de uso, para a reciclagem, ajudando caminhoneiros e frotistas a terem acesso a caminhões novos, mais tecnológicos e modernos, além de ajudar o meio ambiente”, declarou. A importância do setor na região foi outro ponto forte em seu discurso, já que 45% da indústria brasileira de caminhões encontra-se em São Paulo. Alckmin ainda frisou a questão da

produção sustentável e destacou os investimentos feitos em infraestrutura rodoviária estadual. “Anuncio o término próximo do rodoanel Leste e, em seguida, do Norte. O primeiro liga o ABC a São Paulo e o outro, o maior aeroporto do Brasil ao porto de Santos. Também haverá melhorias na Rodovia Anchieta e no trevo da baixada santista”, revelou. O governador também enfatizou a questão da segurança para caminhoneiros e frotistas, relembrando o programa de combate ao roubo de carga no Estado de São Paulo. “Todas as Delegacias de Investigações Gerais (DIGS) do Estado apurarão e ajudarão a prevenir o roubo de carga. Temos de prender desde o assaltante ao receptor de carga roubada”, disse.

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MERCADO MERCADO

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Randon e Rossetti, duas das maiores empresas de implementos, têm plena confiança no crescimento das vendas para os próximos dois anos.

Mercado: investimentos e parcerias A edição desse ano serviu como oportunidade para empresas como a RodoLinea, fabricante paranaense de implementos rodoviários, apresentarem suas novidades e projetos ao mercado de caminhões. A primeira mudança começou em outubro do ano passado, quando a sede da companhia foi transferida de Curitiba para o município de Jaguariaíva. “Isto ocorreu por dois motivos: primeiro porque a cidade não tinha experiência no polo metalúrgico, e sim madeireiro; e porque a estrutura industrial era alugada, não nos pertencia”, disse Felipe Hübner, diretor geral da RodoLinea. Com a nova localização, a estimativa é de que a companhia produza 800 mil implementos rodoviários até o final de 2013 e fature R$ 75

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milhões no mesmo período. Já para 2014, a meta é alcançar um ganho de R$ 134 milhões e 1.333 unidades fabricadas para importação e exportação. “A nova unidade está atingindo o nível de maturidade e já estamos nos preparando para esse aumento”, frisou Hübner. No item produtos, o principal lançamento da RodoLinea foi o Basculante de Alumínio, feito em parceria com a empresa italiana Menci. Apesar de não ter um número exato, o diretor estima que 3% dos produtos fabricados pela companhia contenham a substância que, segundo ele, ganhará um investimento ainda maior nos próximos anos. “Vamos aumentar o uso do alumínio. O produto agrega valor, principalmente àquilo que é transportado”, explicou. Além da Menci, a RodoLinea firmou parceria com a Noma, com o objetivo de aproximar as duas em-

presas nos aspectos industrial e operacional. “Comprar concorrentes não agrega. Esse é um conceito diferente dentro do setor de implementos rodoviários e, nesse caso, está dando certo”, afirma Felipe Hübner. No entanto, as áreas comerciais e as assistências técnicas das companhias continuam sendo independentes. A justificativa seria pelo fato de a Noma também ter ingressado na produção de implementos rodoviários feitos em alumínio. Alumínio e implementos Localizada em Sarandi (PR), a companhia presidida por Marcos Noma apresentou três produtos na Fenatran: o o Basculante de Alumínio, o Silo Rodoviário e os Tanques Inox. Desenvolvido nos moldes 8x2, o Basculante de Alumínio é mais leve, carrega uma tonelada a mais de car-

ga e, segundo Marcos Noma, apresenta menos custo e menor consumo de combustível. Já o Silo Rodoviário tem como vantagem um ganho de 10% a 15% no tempo de descarga, além de trazer a tecnologia EBS – um avanço do conhecido sistema ABS. Para as linhas de Tanque Inox, as novidades ficam com a suspensão 100% pneumática e a grande capacidade líquida. Além da RodoLinea, a Noma se juntou à Associação Brasileira de Alumínio (Abal) para a fabricação da carroceria aberta 100% em alumínio voltada aos caminhões truck, o que resultou na carroceria mais leve da categoria, com capacidade de carga de 23 toneladas de peso bruto total. “Mesmo com as crises e a escassez da substância no mercado, a indústria do alumínio está muito presente e atuante e seu consumo tem aumentado”, lembrou o engenheiro Marcelo Gonçalves, coordenador da Abal. “O alumínio representa cerca de 30% no setor de transporte mundial. Em nível nacional, esse número chega a 22%”, completou. Além dos novos produtos, a Noma divulgou ainda suas projeções para os próximos anos, que engloba a construção de uma unidade fabril em Tatuí (SP), já iniciada. “Com esse investimento, pretendemos dobrar a capacidade de produção até o segundo semestre de 2015”, afirma o presidente Marcos Noma. Para o ano seguinte, a expectativa é aumentar as vendas em 10%, fechando 2014 com aproximadamente 8.500 implementos comercializados, concentrar-se no mercado agrícola e ainda ampliar a rede de distribuição da companhia – hoje com 55 lojas –, que deve chegar a 59 unidades.

Sistemas de prevenção Outra empresa que trouxe novidades para essa edição da Fenatran foi a Wabco, fornecedora global de tecnologias e sistemas de controle para a segurança e eficiência de veículos comerciais. Pioneira na implantação de freios ABS no Brasil, a empresa apresentou inovações que aumentam a segurança e eficiência, além de produtos e serviços para o mercado de reposição. Entre as maiores novidades estão o sistema de freios eletrônico (EBS) – ABS aprimorado que permite a evolução para outras tecnologias, interagindo com outros sistemas – para semirreboques e o sistema de prevenção de tombamento. O programa Semirreboque inteligente é um conjunto modular de 40 funções baseadas em inovações e avanços tecnológicos que garantem maior eficiência, segurança e facilidade nas operações. Alinhada com

as novas demandas do mercado, a empresa também apresentou um conjunto de tecnologias verdes que permitem ao caminhão uma economia de combustível superior a 10%, além de redução nos custos operacionais ao longo da vida útil. Já o sistema de prevenção de tombamento é uma das funcionalidades eletrônicas mais inovadoras apresentadas pela empresa nessa edição da Fenatran. Sua tecnologia inteligente mantém o equilíbrio de caminhões e ônibus em curvas perigosas. Germano Collobialli, gerente de Treinamento e Assistência Técnica e coordenador de aplicação de produtos Wabco para semirreboques e veículos off-road, explicou que com o sistema ligado um caminhão em uma curva acentuada, a cerca de 50 km/h, não desgarra os pneus do asfalto, independentemente do peso da carga. “O teste foi realizado com o mesmo caminhão, mas com o

Tecnologia à toda prova: Sascar é uma companhia desenvolvedora de softwares de segurança para caminhões que promete novidades.

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MERCADO EVENTOS

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sistema desligado e o veículo claramente desgarra do piso, dando início a um processo de tombamento”, diz. Sobre a importância da lei que torna obrigatórios os freios ABS em todos os veículos do país a partir de 2014, Reynaldo Contreira, presidente da Wabco para a América do Sul, explicou que o ABS foi introduzido na Europa em 1981 e trazido para o Brasil pela empresa. “Desde sua inclusão, o sistema ABS reduziu em 60% as fatalidades (mortes) em acidentes na Europa. É uma tecnologia de suma importância para a segurança de motoristas e terceiros”, explica. Há mais de 50 anos no Brasil, a Wabco atende às principais montadoras como Volvo, Scania, Ford, Rodolinea, Agrale, Noma, Guerra, Fachinni e até mesmo a DAF, que acabou de chegar ao país. “Hoje, 80% do faturamento brasileiro vem de sistemas montados inteiramente aqui”, declara Reynaldo. Fundada há cerca de 150 anos, fornece para os principais fabricantes mundiais de veículos comerciais, como caminhões, ônibus e semirreboques.

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Montadoras As novidades das montadoras foram os investimentos e as criações de soluções de auxílio ao motorista e ao caminhoneiro. A Mercedes-Benz do Brasil anunciou investimentos de R$ 1 bilhão para as fábricas de caminhões e ônibus de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG). O montante será aplicado, em 2014 e 2015, em pesquisa e desenvolvimento de produtos e tecnologias, nacionalização de componentes e modernização de áreas de produção. No início do mês, o grupo já havia anunciado R$ 500 milhões para a construção de uma fábrica de automóveis em Iracemápolis (SP), com início de operações previsto para 2016. O anúncio foi feito pelo presidente mundial da divisão de Caminhões, Stefan Buchner, que disse ser esse o maior investimento do grupo alemão num país atualmente. “Um em cada quatro caminhões que produzimos é feito no Brasil”, informou. O País é o maior consumidor de veículos comerciais da marca, seguido pela Alemanha. Buchner disse ainda que a montadora é responsável pelo maior plano de investimentos do setor, destinando R$ 2,5 bilhões ao Brasil de 2010 a 2015. A Mercedes é a maior fabricante brasileira de veículos comerciais. Em vendas, é líder no segmento de ônibus e vice-líder em caminhões. Buchner ressaltou que a meta é recuperar a liderança em caminhões, perdida para a MAN/Volkswagen há dez anos. “Pode parecer conversa, mas nós vamos trabalhar todos os dias para cumprir o que prometemos.”

MAN/VW Ao todo, os principais fabricantes de caminhões e ônibus têm planos de investir aproximadamente R$ 5 bilhões até 2016. A MAN segue com o plano iniciado em 2009 de aportes de R$ 1 bilhão, mas, por enquanto, desistiu de ter uma nova fábrica. “O Brasil é um dos mercados mais interessantes do mundo para nós”, ressaltou Andersz Nielsen, presidente mundial da MAN Caminhões e Ônibus. IVECO A Iveco, do Grupo Fiat, vai aplicar R$ 900 milhões no período 2012-2014 (30% de todo o aporte que a companhia fará nos mercados onde atua) e trabalha para estar entre as três maiores fabricantes do país. “A concorrência nos obriga a ser criativos, usarmos tecnologias mais alinhadas com o que tem lá fora e não temos medo de enfrentá-las”, disse Marco Borba, vice-presidente da Iveco, ao falar sobre a chegada de novas fabricantes. A marca detém atualmente 9% de participação das vendas totais. SCANIA Rentabilidade máxima para o cliente. Esse foi o conceito apresentado pela Scania que permeia todas as soluções da marca representada na linha Streamline. A fabricante sueca também apresentou o novo R 620 8x4, com capacidade máxima de tração de 250 toneladas, e o novo P 310 6x4, com redutor nos cubos (sucesso de vendas da Linha Off- Road 2013). Outra atração foi o caminhão-show Streamline R 620 V8 equipado com algumas das mais altas tecnologias que a Scania pode oferecer globalmente. Além dos 12 veículos, estão em exposição três motores, um deles movido a etanol, e o público pode interagir com o estande. Aumento nas vendas

Pesos-pesados: montadoras multinacionais apostam no Brasil como global player na aquisição de caminhões fabricados no país.

As empresas do setor esperam para esse ano um mercado de 150 mil caminhões, 12% acima do registrado em 2012. Para 2014, as apostas variam de estabilidade a crescimento de 6%. Há grande ansiedade dos executivos sobre o anúncio das novas regras para o Finame, programa federal de financiamento usado em 60% a 70% das vendas do setor. Hoje, o juro mensal é de 4%, mas há receios de que essa taxa suba, o que pode mudar as previsões de vendas.

Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, trabalha com um mercado próximo a 165 mil caminhões em 2014, enquanto seus pares falam em 150 mil a 160 mil. A Ford vai investir R$ 670 milhões no país até 2015. Entre os destaques da Fenatran há o Atego Econfort, da Mercedes, primeiro semipesado a receber câmbio totalmente automatizado. A Volvo mostra o FH 16 750, o maior caminhão vendido na Europa (tem capacidade para 250 toneladas),

que será importado e custará R$ 1 milhão. Também tem o primeiro caminhão movido a gás natural, enquanto a Scania expõe seu caminhão a etanol. A DAF apresenta seu primeiro caminhão brasileiro, o XF 105, que começou a ser produzido em Ponta Grossa (PR) neste mês. A Fiat lança o Uno Furgão e a nova Fiorino, ambos feitos na plataforma do Uno, em substituição aos modelos feitos na base do Mille, que sai de linha. TM

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MERCADO MERCADO

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Bridgestone INVESTIRÁ US$ 63 milhões EM CAMAÇARI

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pós anunciar a ampliação da capacidade de produção em suas fábricas de Santo André (Brasil) e em Wuxi (China) – no início de novembro -, a maior empresa produtora de pneus do mundo reportou ao mercado nessa segunda-feira, 16, novos aportes para a ampliação da produção de pneus de passeio e caminhões leves na fábrica baiana de Camaçari.

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Em Santo André, no ABC Paulista, a empresa vai aplicar US$ 14 milhões para duplicar a capacidade de produção de pneus agrícolas até julho de 2015. Em Wuxi, na província de Jiangsu (China), o aporte é de US$ 116,5 milhões e vai elevar a produção de pneus voltados para veículos de passeio para até 22.600 unidades/dia, a partir do segundo semestre de 2016. Em Camaçari, a empresa destinará a soma de US$ 63 milhões em uma ação que visa a ampliar a produção para mais de 10.000 unidades/dia, gerando 100 novos empregos diretos na planta fabril baiana. O aumento da produção está previsto para o início de maio de 2015, com a unidade produzindo 2.100 pneus radiais para carros de passeio (PSR) e para caminhão leve (LTR) adicionais – elevando a capacidade total de produção para mais de 10.000 pneus por dia. “Estamos investindo em segmentos chaves do mercado e a crescente demanda por pneus de alta performance e para o segmento de caminhões leves/SUV será a primeira a se beneficiar desse aumento de capacidade”, diz em nota Ariel Depascuali, presidente da Bridgestone no Brasil. A expansão da produção de pneus da Bridgestone em Camaçari reforça o crescimento da cadeia automotiva local, que bateu recordes de vendas de veículos no Brasil, e espera-se continuar essa tendência de crescimento para os próximos cinco anos. “As recém-chegadas fábricas de automóveis no país, o contínuo investimento das montadoras já instaladas e o Programa Inovar-Auto são indícios de que esse mercado tem um potencial a ser explorado. Tanto o mercado de equipamento original quanto o de reposição deverão permanecer aquecidos”, afirma Lino Beltrami Neto, diretor industrial da Bridgestone em Camaçari. TM

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MERCADO MERCADO

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É PENTA!

Volvo Penta presente nos estádios da Copa 2014 Marca aposta no mercado de motores industriais.

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Volvo Penta, divisão de motores marítimos e industriais do Grupo Volvo, está ampliando seu foco de atuação na América Latina. A marca é líder no segmento de motores marítimos de lazer no Brasil e, desde o início deste ano, está concentrando esforços também no mercado de motores industriais de grande porte, de 13 a 16 litros. “O Brasil é um mercado de grande potencial. A evolução sócio econômica do país demanda por maior automatização nos segmentos agrícola, industrial e de infraestrutura, o que gera o aumento da necessidade de geração de energia”, explica João Zarpelão, diretor de motores industriais da Volvo Penta South America. Os modelos da marca são indicados para geradores de energia, irrigadores, bombas de incêndio e picadores, entre outros. O mercado brasileiro de motores industriais de grande porte é de cerca de 20 mil unidades por ano. De janeiro a outubro, a Volvo Penta já comercializou 407 motores industrais na América Latina: 280 para o Brasil e outros 127 para outros países. “Nossa meta é ser o parceiro profissional preferido de empresas que forneçam esses tipos de produtos”, afirma Zarpelão. Para atingir essa meta, a Volvo Penta aposta em relações comerciais com empresas que atuam nesse mercado, como a Stemac, líder no segmento de geradores de energia no país. Os motores da marca já equipam os geradores Stemac de dois estádios que vão receber jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena Beira Rio, de Por18 TRUCKMOTORS

to Alegre; e a Arena Amazônia, em Manaus. Além disso, os aeroportos de Natal, Brasília e Guarulhos também terão geradores de energia equipados com motores Volvo Penta. Pela robutez e baixo consumo de combustível, os motores industriais Volvo Penta são indicados, especialmente, para aplicações que exigem alta disponibilidade e uso contínuo, como grandes shows, trabalhos em lugares remotos sem acesso à energia elétrica e operações de construção e mineração. Os motores são importados da Suécia. Para atender à demanda por assistência técnica e de atendimento aos clientes, a Volvo Penta planeja utilizar a mesma estrutura da Volvo Construction Equipment no país, formada por uma rede de 33 pontos de atendimento espalhado s pelo interior e litoral. “Podemos aproveitar a estrutura já existente pelas características e similaridade dos negócios”, destaca Zarpelão.TM

“O Brasil é um mercado de grande potencial. A evolução sócioeconômica do país demanda por maior automatização”, explica João Zarpelão.

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MERCADO FROTA

MERCADO

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Metade

Vendas de caminhões caem 13,4% em novembro

da frota está envelhecida Entidades e montadoras discutem entraves à criação do Plano Nacional de Incentivo à Renovação da Frota de Caminhões, o qual ainda não saiu do papel e está com pelo menos 20 anos de uso.

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epresentantes do setor de transporte e empresários pedem incentivos do Governo Federal para a renovação da frota de caminhões do Brasil. Há oito anos o setor briga pela aprovação de um plano nacional. O Brasil possui uma frota de caminhões estimada em um 1,5 milhão de unidades e, desse número, pelo menos 50% têm 20 anos ou mais de uso. Substituir esses veículos antigos por novos é um dos maiores desafios do setor. Para, literalmente, derrubarem o tempo de uso desses caminhões, três Estados saíram na frente do Governo Federal e lançaram programas de incentivo à troca do veículo. O Rio de Janeiro lançou há três meses um projeto onde prevê a redução da idade média dos caminhões licenciados no Estado de 17 para 12 anos. Poderão participar do programa tanto empresas de transporte quanto trabalhadores autônomos. Como incentivo para a troca, o governo do Rio de Janeiro dará isenção de ICMS no momento da compra. Para fazer parte do projeto, será necessário provar que o caminhão virou sucata, o que pode ser feito através da venda para recicladoras certificadas. Em Minas Gerais, já foi encaminhado para a Assembleia Legislativa do Estado um projeto de lei que vai isentar os caminhões novos do pagamento do IPVA durante 10 anos. Poderão participar do

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Iveco, com seus modelos Hi-Way, conquistou cerca de 10% do mercado nacional e pretende crescer mais a partir de 2014.

Caminhões com mais de 10 anos de utilidade ainda são comuns no país.

programa todos os proprietários com caminhões com 30 anos ou mais. A expectativa é que o projeto de lei seja aprovado ainda esse ano e passe a valer a partir de janeiro de 2014. Já o Estado de São Paulo possui um programa de incentivo e conta com uma agência específica de financiamento, com juros zero para o motorista. Na mira das renovações estão os caminhões da fase P7, também chamados Euro5. Além de permitirem melhor desempenho nas atividades diárias das estradas, esses novos caminhões possuem sistema que reduz significativamente as emissões de gases poluentes. TM

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mês de novembro teve um duro golpe para o mercado de caminhões, que vinha apresentando fortes altas mensais nos emplacamentos de veículos em comparação com 2012. Além de cair 13,4% em relação a outubro desse ano, com 11.707 unidades licenciadas contra 13.533 caminhões comercializados no mês anterior, novembro também teve queda de 6,8% quando comparado com o mesmo período do ano passado, sendo que em 2012 foram vendidos pouco mais de 12,5 caminhões. A culpa pelo resultado pode ser colocada, em parte, nos feriados de novembro. “Tanto o feriado da Proclamação da República como o do Dia da Cons-

ciência Negra impactaram na queda das vendas, mesmo que o segundo não tenha sido nacional”, diz Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave. No entanto, no mercado de caminhões, os feriados não são o único motivo da retração. Em outubro, foram vendidos em média 615 veículos por dia, enquanto em novembro ocorreram 585 emplacamentos diários, número 4,8% abaixo do mês anterior. Há um fator, porém, a ser comemorado por todas as fabricantes: 2013 já é um ano melhor do que 2012 em termos de vendas. O acumulado do ano chegou a 141.184 unidades em novembro e está acima dos 139.853 emplacamentos de

todo o ano passado. No acumulado do período, de janeiro a novembro, 2013 esteve a 12,7% acima de 2012. E uma marca em especial pode comemorar o mês de novembro: a Mercedes-Benz. A alemã ultrapassou a MAN Latin America no número de vendas em novembro, conquistando 28,07% de market share contra 24,78% da concorrente (somando as vendas de caminhões Volkswagen e MAN). A Scania também subiu posições na participação de mercado e agora ocupa o terceiro lugar, com 14,35%. Em seguida vem a Volvo, com 12,62%, a Ford, com 11,55%, e a Iveco, com 7,47% das vendas. Outras marcas somam 1,16% de share. TM TRUCKMOTORS

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MERCADO MERCADO DE TRABALHO

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Mulheres na pista

Território masculino

Elas trabalham dirigindo caminhões com carga pesada sem perder a feminilidade.

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Fotos Camila Bevilacqua

á quem associe a profissão de caminhoneiro exclusivamente aos homens, mas aos poucos as mulheres se destacam nesse cenário de viagens longas e veículos pesados. A maioria começa não apenas por causa da paixão pela direção, mas também devido ao incentivo do pai, marido ou irmão que, em alguns casos, chegam a ensinar o ofício às mulheres da sua vida. Conta Elisabeth Lima de Souza, 52 anos: “Quando eu tinha 10 anos, meu irmão mais velho puxava madeira para as fábricas de papel e celulose e eu adorava aquilo. Aos 11, aprendi a dirigir e logo comecei a pegar a chave do caminhão para manobrar. Eu não sabia nada e minha mãe achava que eu ia desistir por conta da dificuldade. Que nada! Eu persisti, ele me ensinou e, aos 18 anos, com a carta de motorista em mãos, já comecei a trabalhar”. Já Patrícia Concheski, 37 anos, está há 14 anos na labuta por conta do exemplo do pai e das aulas do marido.

Caminhoneiras ainda são poucas no Brasil; o interesse cresce depois que há incentivo da família.

A rotina Alguns adesivos nas traseiras dos veículos avisam: “Sem caminhão, o Brasil para”. Afinal, eles transportam tudo aquilo que é necessário para a economia andar e a gente sobreviver - de comida a combustível. Por consequência, caminhoneiros e caminhoneiras fazem da estrada o seu lar para entregar produtos aos destinos mais longínquos. ”Cheguei a passar três meses fora de casa, rumo ao Nordeste”, conta Elisabeth, que mora em Santa Catarina. Atualmente, ela fica no máximo dois dias fora, pois cumpre trajetos mais curtos, transportando matéria-prima para eletrodomésticos. Mas e a casa, como fica? “Meus filhos já são casados e não moram comigo; nos fins de semana, meu marido me ajuda com aquela faxina completa!”. Durante os outros dias, ele lava roupa, limpa a casa, cozinha e faz até bolos deliciosos. “Só reclamo da louça suja”, diverte-se Elisabeth, que tem em comum com outras mulheres que seguem a mesma profissão a aversão à maçante rotina doméstica. É o caso de Ivana do Carmo, 41 anos, que conta com a ajuda de uma secretária do lar. Na lida há mais de 20 anos, ela carrega em seu caminhão-tanque querosene, peróxido, asfalto... Medo das cargas perigosas? Nenhum! O que a assusta mesmo é a área de serviço: “Eu não gosto de ver nada sujo, mas também não gosto desse tipo de tarefa. O que amo mesmo é voltar para casa o mais rápido possível para dar um beijo no meu filho de 12 anos”, conta. 22 TRUCKMOTORS

Família, filhos e amor Assim como em qualquer ramo, há caminhoneiras casadas, com ou sem filhos, solteiras e separadas. O ofício não é empecilho para viver relações completas. “Quando conheci meu marido, ele estava dentro de um caminhão, sempre passando em frente à minha casa. Decidida, não sosseguei enquanto não o namorei. E depois não sosseguei enquanto não aprendi sua profissão, coisa com a qual ele concordou na hora. Passamos a viajar juntos, um atrás do outro e, nas paradas nos postos de abastecimento, dormíamos no meu caminhão, que era mais organizadinho, mais limpinho. Os amigos tinham uma ponta de inveja, pois estavam sem suas mulheres e ele podia ficar comigo”, conta Patrícia. Ivana foi casada, já namorou depois da separação e se o homem certo apa-

recer, está decidida a dizer sim outra vez, desde que ele seja companheiro e, acima de tudo, fiel. Mas ela garante que a paquera não rola na estrada. “Estamos ali a trabalho”, conta. Suas companheiras de profissão concordam e torcem o nariz quando as coisas não saem dessa forma. “Meu sonho é que as mulheres entrem nessa profissão por amor, e não para conquistar liberdade, sair e namorar. As pouquíssimas que fazem isso envergonham nossa classe”, garante a veterana Elisabeth, casada, que acredita que o relacionamento é construído com confiança e respeito, e que tem três filhos todos com mais de 18 anos, que dirigem seus caminhões e, no passado, viajaram muito com a mãe na boleia, especialmente nas férias escolares.

As caminhoneiras garantem que não há preconceito. “Nossos colegas nos respeitam e até ensinam novos truques”, ressalta Patrícia. “Só uma vez fui ultrapassada e xingada por um outro caminhoneiro na estrada”, lembra Elisabeth. “Teve até perseguição e bate-boca em um posto de gasolina. Mas essa foi a única vez”. Embora elas devam impor respeito, a vaidade não fica de lado. Só as roupas que não são tão femininas, pois é preciso estar confortável para dirigir, explicam. Decotes estão fora de questão, assim como saias e blusas mais justas. A dupla jeans e camiseta é a maior tendência entre elas, mas o porta-luvas sempre leva uma nécessaire com batonzinho, creme para as mãos e protetor solar. “Adoramos conhecer novas cidades, ouvir música sertaneja e pensar na vida ao volante, sem deixar de ficar bonita, né?”, arremata Ivana, caminhoneira feliz e com muito orgulho. As caminhoneiras da matéria, junto a outras nove colegas, foram homenageadas pela empresa paranaense Tortuga, fabricante de câmaras de ar. Elas emprestaram suas imagens e suas histórias para o kit de agenda, calendário e cartão temático da empresa. TM

TransZero, companhia de transportes que trabalham para as montadoras, foi pioneira em oferecer empregos para mulheres TRUCKMOTORS

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MERCADO LOGÍSTICA

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Governo anuncia medidas para escoamento da supersafra Em vigor até fevereiro do próximo ano, evitarão congestionamentos nos acessos a rodovias e portos.

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edidas voltadas à melhoria do escoamento da safra foram anunciadas nessa quarta-feira (11), em Brasília pelos ministros César Borges (Transportes), Antônio Andrade (Agricultura) e Antonio Henrique da Silveira (Secretaria de Portos). Durante o anúncio, foram relatadas ações estratégicas de curto, médio e longo prazos que trarão impactos positivos nos processos de escoamento da safra agrícola, armazenagem e trâmites burocráticos para a libe24 TRUCKMOTORS

ração das cargas. O pacote contém uma série de medidas que deverão ser adotadas até fevereiro de 2014 para evitar novos congestionamentos nos acessos à Baixada Santista e ao porto de Santos, especialmente durante os meses de escoamento da safra. A curto prazo, o ministro César Borges destacou a conclusão, em fevereiro do próximo ano, do trecho de 760 quilômetros entre Guarantã (MT) e Miritituba (PA), da BR 163. Entre as medidas de médio e longo prazos, ele citou a concessão da BR

163/MT, trecho leiloado em novembro, que trará melhorias significativas para o escoamento de grãos. No próximo dia 17 de dezembro, mais um trecho da BR-163, agora no Mato Grosso do Sul, será leiloado. Entre as medidas adotadas pelo Governo Federal, o ministro da Agricultura Antônio Andrade salientou ações como a abertura dos portos durante 24 horas para agilizar o escoamento da carga e evitar filas de caminhões nas estradas, a ampliação da capacidade de ar-

mazenagem privada e pública para atender os quase 200 milhões de toneladas previstos pela Conab, além de disponibilizar R$ 25 bilhões para financiamentos nos próximos anos, pelo Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014, sendo R$ 5 bilhões por ano com juros de 3,5% ao ano e prazo de 15 anos para pagamento para a iniciativa privada. Na armazenagem pública, serão investidos R$ 500 milhões para melhorar e ampliar a capacidade de armazenagem, passando do atual 1,96 mi-

lhão para 2,81 milhões de toneladas. “A competência e a competitividade do setor, que podem resultar numa safra de aproximadamente 200 milhões de toneladas, no período 2013/2014, criam necessidades que precisam ser enfrentadas pelo governo. E é isso que estamos fazendo ao apresentar um pacote de soluções para escoar a grande produção brasileira de grãos”, destaca Antônio Andrade. O governo também vai criar um sistema para sincronizar a chegada de caminhões no porto de Santos. O

objetivo é evitar filas nas estradas e engarrafamentos na época de embarque da safra, que começa em fevereiro e atinge o pico nos meses de março, abril e maio. De acordo com o ministro da Secretaria Especial de Portos, Antonio Henrique Silveira, o sistema, que deve entrar em fase de testes em dezembro, prevê que o caminhão só poderá entrar no porto de Santos quando a embarcação que receber a carga já estiver lá. Para isso, será criado um sistema de agendamento, operado pela Secretaria de Portos. TM TRUCKMOTORS

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MERCADO DE TRABALHO

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Concessionárias aguardam circular do BNDES para voltar a vender caminhões

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ezembro foi o último mês para as concessionárias de caminhões do país apresentarem propostas de negócios pelo Finame PSI (incluindo Procaminhoneiro). A torcida do mercado é para que, antes do primeiro dia útil de 2014 (2 de janeiro), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenha publicado a circular com as novas regras do programa. Caso contrário, o varejo começa o novo ano sem sua principal ferramenta de vendas. No dia 11 de dezembro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou em entrevista que os juros do PSI sobem de 4% para 6% em 2014. As condições de participação máxima foram alteradas para as pequenas empresas, de 100% para 90%, e para as grandes, de 90% para 80%. Somente no Procaminhoneiro, voltado para os motoristas autônomos, foi mantida a possibilidade de se financiar 100% do veículo. O receio das concessionárias é de que o BNDES demore a publicar a circular com as novas regras. “Em agosto do ano passado, tivemos a notícia de que os juros do PSI caíram de 5,5% para 2,5%. Todo o mundo achou maravilhoso. Acontece que o governo só foi formalizar essa medida em 20 de setembro. 26 TRUCKMOTORS

Ficamos um período grande sem poder vender”, recorda Fernando Xavier Mourão, gerente comercial da Konrad Paraná (concessionária Ford), de Maringá. O medo dele é que essa história se repita. Para Mourão, o aumento da taxa foi positivo porque deve atiçar o apetite dos agentes financeiros em realizar as operações pelo PSI. Segundo ele, nem metade dos negócios apresentados aos bancos pela concessionária foi aprovado em 2013. A rentabilidade do negócio foi encarada pelos bancos como pequena diante dos riscos. O gerente diz que a grande expectativa é quanto à modalidade de operação que o BNDES autoriza em 2014, informação que deverá constar da circular a ser publicada. Ele explica que são duas possibilidades: simplificada ou convencional. “No modo convencional, o banco pega toda a documentação e manda para o BNDES, que a analisa e autoriza o faturamento. No simplificado, é o banco que autoriza o faturamento e depois manda a documentação para o BNDES”, afirma. No primeiro caso, a concessionária pode levar até 90 dias para receber o dinheiro. Já no modo simplificado, esse prazo é de, no máximo, dois dias.

De acordo com Mourão, na maior parte do ano de 2013, o BNDES deixou a critério dos agentes financeiros o modo a ser operado. Só agora, no final do ano, passou a exigir o formato convencional. Bradesco e Itaú trabalharam na forma simplificada e o Banco do Brasil, na convencional. “Demorando até 90 dias para liberar o pagamento, já aconteceu de clientes nossos desistirem do negócio. E a gente teve de deixar o caminhão reservado para ele”, explica. Na Auto Sueco São Paulo (concessionária Volvo), o PSI é responsável por 95% dos negócios, segundo Luis Gambim, diretor comercial. Ele espera que a circular seja publicada até o início do ano porque, do contrário, o mercado ficará parado. “O ministro já sinalizou com as taxas, a gente espera que a circular saia no Diário Oficial nos próximos dias”, afirma. Para ele, a taxa de 6% é “muito boa”, mas o fim da possibilidade de se financiar 100% do bem aos frotistas preocupa. “As grandes empresas só poderão financiar 80%. Isso significa que, a cada 10 caminhões comprados, têm de pagar dois à vista”, declara. Para compensar essa desvantagem, Gambim acredita que o Banco Volvo, assim como os das outras montadoras, fi-

A Luvep Linhares está localizada no km 160 da BR 101. O Grupo Luvep é formado por quatro concessionárias: duas no Espírito Santo, em Viana e Linhares, e duas na Bahia, em Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista.

nanciará a parte que o BNDES não desembolsará. O diretor também espera que o spread bancário aumente com a nova taxa para incentivar os agentes financeiros a apostarem no PSI. “Os bancos reclamam que hoje ganham entre 1% e 1,5% (no programa do BNDES). Eles querem pelo menos 3%”, afirma. Segundo ele, num financiamento pelo CDC, o spread bancário é de cerca de 7%. TM TRUCKMOTORS

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MERCADO

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A companhia estreia no Brasil a partir de 2014 com os modelos extrapesados XF 105, os semipesados CF e LF e ainda traz a Super Space Cab que é, segundo eles, “a maior e mais espaçosa cabine” da marca. Sempre com o motor Paccar MX de seis cilindros em linha e 12,9 litros, em versões de 410 e 460 cv. O torque é de 203,9 e 234,5 kgfm, respectivamente, disponíveis entre 1.050 e 1.510 rotações. Uma configuração mais forte, com 510 cv, é aguardada para 2014.

Holandês-americano feito no Brasil DAF lança no Brasil o caminhão XF 105 e mostra que quer competir em pé de igualdade com as montadoras há tempos estabelecidas no país.

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que esperar de uma montadora holandesa, cujos donos são americanos e que recentemente abriu uma fábrica no Brasil para produzir caminhões com grande robustez e durabilidade? Sim, essa é DAF, a qual, na Europa, é sucesso absoluto com sua marca consolidada que lhe garante uma grande fatia do mercado no continente mais velho do mundo. Dois anos depois de anunciar sua chegada, a DAF abriu uma fábrica em Ponta Grossa (PR) sem alarde e quer surpreender com uma estratégia agressiva para conquistar uma fatia importante do competitivo mercado nacional. “Até 2018 queremos ter 10% do mercado e é o começo de um relacionamento de longo prazo”, resume Marco Antonio Davila, presidente da companhia no Brasil. 28 TRUCKMOTORS

No mercado europeu, a DAF já é a segunda maior fabricante de caminhões, perdendo apenas para a Mercedes-Benz. Para ele, a estratégia não é arriscada. Muito menos quando comparado a exemplos de outras montadoras que demoraram anos para se consolidar no Brasil e, em poucos anos no país, detêm pouco mais de 6% de todo o mercado. “Pelo con-

trário, estamos certos de que traçamos uma boa estratégia e queremos incomodar muito mais”, diz Davila. Os caminhões (leia a ficha técnica ao lado), vistosos e confortáveis, lembram os pesados europeus, mas com rodagem e capacidade para enfrentarem a dura realidade das estradas brasileiras. A primeira fábrica da DAF fora da Europa é um dos resultados do investimento de US$ 320 milhões – cerca de R$ 970 milhões –, o qual também contemplou a construção de uma cadeia de fornecedores e a abertura das 20 primeiras concessionárias espalhadas pelo Brasil que darão suporte às unidades vendidas. O montante vem de recursos próprios do grupo Paccar, do qual a DAF faz parte com as lendárias norte-americanas Peterbilt e Kenworth. O caminhão, hoje, beira os 60% de nacionalização, suficiente para enquadrá-lo nas regras do Finame, o que permite condições de venda mais competitivas. A DAF optou por não importar caminhões prontos para a venda – apenas 20 unidades de teste foram trazidas para adequação dos componentes para os produtos brasileiros.

Motor Paccar O XF 105 chega nas variantes 6X2 e 6X4. O motor usa o sistema SCR, de redução catalítica dos gases de escapamento, para se enquadrar nas regras de emissão de poluentes Proconve P7, equivalente à Euro 5. Bloco e cabeçote são produzidos no Brasil e enviados à Holanda para montagem, de onde retornam prontos para a linha de montagem paranaense. Estabelecida aqui, a DAF deve produzir 10 mil caminhões por ano para abastecer os mercados nacional e latino-americano. Os preços ainda não foram definidos e os executivos da marca afirmam apenas que estarão na média do segmento. A ideia, pelo visto, não é oferecer um produto mais barato, mas investir em vantagens – como assistência remota ao motorista e um produto de finalização mais refinada ao comprador, o qual pagará valores semelhantes aos da concorrência. Por enquanto, a fábrica

produzirá o XF ao ritmo de 5 mil unidades anuais – a capacidade instalada é de 10 mil caminhões por ano –, até que a marca esteja mais estabelecida no mercado. Para o mercado brasileiro, a DAF fez modificações no XF. Além de ajustes no trem de força para suportar condições mais severas de uso, a fabricante incorporou o freio de carreta e preparou as cabines para receberem unidades de ar-condicionado de teto. A cabine, aliás, foi um dos pontos mais exaltados pela marca. O XF 105 estará disponível com as cabines Confort e Space e também com a cabine Super Space, que chegará ao Brasil em 2014. O propulsor é um PACCAR MX de 12,9 litros, desenvolvido em Eindhoven, na Holanda. Com claro foco no conforto do motorista, a DAF investiu bastante para suavizar o comportamento do caminhão, com um interior que não é luxuoso, mas que oferece alguns mimos aos tripulantes. Itens como ar-condicionado, vidros elétricos e controlador de velocidade de cruzeiro com comandos no volante são de série.

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Peso MERCADO

pesado de verdade

Volvo importa o FH16, o pesado mais potente da montadora sueca para alavancar suas vendas.

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Volvo aproveitou a Fenatran 2013 para trazer ao Brasil seu caminhão mais potente, o FH16. Com 750 cavalos, o caminhão faz parte da nova linha FH lançada recentemente na Europa, e é indicado para operações em que se exige grande performance do veículo, principalmente para o transporte de cargas indivisíveis, capaz de tracionar 200 toneladas de PBTC (Peso Bruto Total Combinado). “Trouxemos da Europa o mais potente e mais avançado caminhão nesse segmento para atender a uma demanda do mercado brasileiro de transportes”, declarou Roger Alm, presidente do Grupo Volvo América Latina. Segundo Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da montadora sueca, em razão da expansão econômica brasileira e do início de construção de grandes obras por todas as regiões do país nos últimos anos, o mercado local necessita cada vez mais de veículos com mais força, torque, durabilidade e produtividade. “É um caminhão excepcional, com muita potência e torque, direcionado para atender os transportadores que precisam de um caminhão com extrema capacidade de carga”, diz. O FH16, na configuração cavalo mecânico 8×4, é equipado com o consagrado D16G, um motor de 16 litros, 750 cv de potência e que alcança um torque de 3550Nm. “É uma invejável configuração, para atender com folga às rigorosas exigências dos transportadores que têm veículos especializados no carregamento de cargas indivisíveis, por exemplo”, afirma Álvaro Menoncin, gerente de Engenharia de Vendas da Volvo no Brasil. Quanto mais potência houver à disposição a baixas rotações no início do transporte de cargas pesadas, menor o esforço colocado sobre o motor e mais alta a eficiência em combustível. “Grande potência, alta tecnologia e um design inovador. Nós nos atrevemos a dizer que esse é o caminhão dos sonhos de todo transportador. Ele é único”, destaca o diretor de caminhões da Volvo. 30 TRUCKMOTORS

Preço Tecnologia e torque de peso-pesado tem preço: R$ 1 milhão é o valor mínimo estipulado pela montadora. Caro? Bernardo Fedalto diz que não. “O que é caro quando se fala em custo benefício? O mercado brasileiro tem condições de absorver esse caminhão.” Ele, no entanto, admite que o valor esteja alto por causa dos custos de importação, sobretudo dos impostos. “São altos (os impostos). No mercado europeu o valor não chega a isso, mas vamos vender esse caminhão aqui, sim!”, finalizou. “Com o Volvo FH 750 cv podemos oferecer um caminhão com o máximo de desempenho e eficiência em combustível”, complementa Alexander Boni, gerente de caminhões da linha F. O motor é otimizado para proporcionar alta potência e torque e a consagrada caixa de câmbio eletrônica I-Shift é de série. O caminhão vem equipado também com a direção elétrica VDS (Volvo Dynamic Steering), servo assistida hidraulicamente. É a mais avançada tecnologia de direção existente em transporte comercial, a qual torna muito mais fácil dirigir um caminhão pesado, com todo o conforto e a segurança possíveis.

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Exclusividade

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A cabine do FH16 traz o novo design da nova linha FH lançada recentemente na Europa, com detalhes únicos e exclusivos. Grade frontal e maçanetas cromadas, bancos com ajustes elétricos forrados em couro e teto solar são alguns dos itens de série nesse veículo. - Novo design da cabine - Novo painel - Câmera auxiliar de ré/manobras - Teto solar (sky window) - Freios EBS - Freios VEB + Retarder, alcançando 1.180 cv de potência - Faróis de xenônio - Suspensão de traseira eletrônica ECS - Geladeira - Maior espaço interno - Lanternas traseiras de LED - Cor exclusiva perolizada (preto FH16, mystic fjord pearl) - Máximo desempenho

O motor de 750 cv entrega 2.800Nm de torque já a 900 rpm. Depois disso, a curva de torque sobe rapidamente e atinge seu pico de 3.550Nm a 1.050 rpm, e esse elevado torque continua na faixa plana até 1.400 rpm. “Isso possibilita manter velocidades médias mais altas, mesmo nas subidas e inclinações mais íngremes, garantindo maior produtividade do transporte”, diz o gerente.

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MERCADO ÔNIBUS

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Estreia o primeiro ônibus elétrico produzido no Brasil Eletra, de São Bernardo do Campo, apresenta o E-Bus, com 80% de itens nacionais.

Ônibus elétrico já está em circulação pelo corredor de trólebus da região do ABC

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inda que a bateria, o principal componente do veículo, seja importada, os demais componentes, entre painéis, chassis e motor, foram desenvolvidos no Brasil. Com índice de nacionalização superior a 80%, começa a circular nas próximas semanas nas ruas de São Paulo aquele que é considerado o primeiro ônibus 32 TRUCKMOTORS

elétrico nacional. Fruto de um projeto experimental que conta com a parceria da Mitsubishi, o E-Bus é a aposta da montadora de ônibus Eletra para abrir as portas da produção nacional de veículos verdes de elevada capacidade de passageiros e quebrar paradigmas em relação à imagem dos ônibus barulhentos e poluentes movidos a diesel.

Um ano após o nascimento do projeto, o veículo articulado com 18 metros de comprimento e capacidade para 150 passageiros, que começou a ser montado há cinco meses, será entregue à concessionária Metra na operação do trecho de 12 quilômetros do Corredor ABD (Diadema-Brooklin). De hoje até a primeira quinzena de dezembro, o elétrico será testado no tre-

cho com lastros que simulam as quase 10 toneladas de passageiros que serão transportadas. No período, também serão avaliados os pontos de recarga rápida em instalação nos dois extremos da linha, na qual cinco minutos de carregamento já são suficientes para uma autonomia de 12 quilômetros. Após os testes de certificação, ele entrará em circulação regular. “A gente tem outros setores que estão interessados em veículos como esse, mas é preciso partirmos de um projeto inicial e bem executado como esse. É a primeira vez que um ônibus nacional elétrico vai circular no país. O desafio de agora em diante é produzir a bateria aqui. A Mitsubishi (Heavy Industries, subsidiária responsável pela parceria) já considera essa possibilidade, mas ainda há alguns desafios”, explica Iêda Maria Oliveira, gerente comercial da Eletra. Sem produção nacional de baterias, o E-Bus conta com três toneladas (ou 20% do peso total do veículo) de baterias importadas, que chegam 300% mais caras em relação ao valor de custo devido ao câmbio e impostos. Com um portfólio de veículos híbridos e trólebus, a Eletra, que é sediada em São Bernardo do Campo, diz que ainda não é possível estimar o custo do elétrico. Hoje, um híbrido ou trólebus da empresa está na casa de R$ 1 milhão. Mercedes-Benz (chassis), Induscar/Caio (carroceria) e WEG (motor elétrico) são outras empresas que participam desse projeto. Com baixo nível de ruído e sem fumaça, o elétrico é uma opção para melhorar os sobrecarregados corredores de ônibus. “Ele é fundamental para mudar esse conceito e transformar o entorno de um corredor em um lugar mais agradável.”

Motor compacto mostra maior desempenho do carro e ainda economia de energia comprovada

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MERCADO PAIXÃO

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Truck Lovers

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razer e paixão. Essas são as palavras que resumem os empresários amantes dos modelos antigos. Até criaram um grupo de adoradores – a Confraria de Gigantes ��� para passarem as respectivas experiências que tiveram ao longo do tempo. Os pesados – 30 no total – não são tão velhos (a média de idade beira os 60

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O passado não está apenas na memória dos empresários, donos de caminhões e ônibus com mais de 50 anos de uso. Eles compraram, reformaram e mantiveram verdadeiras relíquias ativas a um preço desconhecido.

anos de uso, quase o mesmo tempo de existência dos seus respectivos donos), mas estão em condições que beiram a perfeição. São GMC’s ano 1952. Num olhar rápido basta perceber que essas máquinas que foram “tops” no passado transmitem hoje a sensação de que seus donos passaram por experiências e construíram histórias que

Pequeno que é grande: colecionadores/empresários.

fizeram desses caminhões e desses caminhoneiros ícones e partes do desenvolvimento do Brasil na época. No início de outubro eles se juntaram e partiram em comboio para Bahia. Destino: Porto Seguro. Resolveram mais uma vez aventurar-se pelas estradas do Brasil numa viagem que ficará marcada para sempre na memória. Foram intrépidos. E quem

teve o privilégio de ver essa coleção de caminhões GMC’s rodando pelo asfalto em direção ao Nordeste novamente ficou maravilhado. As viagens já realizadas pelos membros dessa Confraria foram muitas, mas, em cada nova experiência de sentir o motor e o peso do caminhão no volante, a nostalgia se faz presente em todos os aspec-

Caminhões GMC: coqueluche do passado, circulam com desenvoltura.

tos. Beleza, design, luxo, agilidade e força: itens que, para época, eram quesitos essenciais para aquisição. “Chamávamos a atenção por onde passávamos. Estavam explícitas as emoções das pessoas. Muitas até choravam ao lembrarem de seus pais ou avós que, na época, possuíram um GMC com um ruído único que, de longe, você já reconhece o ronco

do motor Detroit de dois tempos”, conta Wagner Costa, empresário e fotógrafo oficial da viagem. Ele conta ainda que uns dos participantes, o Brenha, tinha o sonho de viajar de caminhão GMC até Porto Seguro. “Bastou dividir a vontade entre os amigos da Confraria dos Gigantes para que o desejo se tornasse realidade”, explica Costa.

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MERCADO PAIXÃO

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A viagem Sem prazo de chegada, todos acreditavam que a pressa seria o maior inimigo, e o passeio do primeiro trecho – da capital paulista a Penedo no Rio de Janeiro – durou 10 horas. “O GMC Vermelho 1952 do Osvaldo Strada teve uma avaria, problema no rolamento de roda. Na cidade recebemos ajuda do Alan, que também é um colecionador e que nos ajudou a consertar o caminhão”, disse Luiz Américo Ferreira Brenha, empresário do setor automotivo. No clima da viagem, todos começaram a desfrutar as sensações e situações com descontração e bom humor. Todos curtiram cada minuto. Brincadeiras e histórias vividas pelos motoristas/empresários quando jovens passavam a sensação de que eram quase crianças, pois fizeram um mergulho profundo nas lembranças de suas juventudes. De Penedo a Leopoldina, também no Rio de Janeiro, a parada para des-

canso aconteceu em um pátio de uma garagem de ônibus de um empresário local. Mais brincadeiras. Passaram a noite curtindo a paisagem e também a beleza dos caminhões. De Leopoldina, o próximo passo foi até Teófilo Otoni, em Minas Gerais. Da cidade mineira até Porto Seguro o grupo passou por mais alguns municípios, como Teixeira de Freitas e Eunápolis. Em Porto Seguro, mais diversão antes de tomar o caminho de volta. “Foram quatro mil ou mais quilômetros de viagem entre ida e volta”, explica Brenha. Segundo o empresário, eles adaptaram uma cozinha em um dos caminhões para se alimentarem sem problemas. Até o destino final foi realizada ainda uma parada em um posto de estrada para curtir mais o trajeto. “Era um verdadeiro desfile de caminhões antigos. Não havia como deixar de chamar a atenção dos transeuntes”, ressalta Wagner Costa.

Caminhoneiros estradeiros são em sua maioria empresários e executivos aposentados de empresas transportadoras

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MERCADO TECNOLOGIA

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O parceiro do caminhoneiro Rastreador deixa de ser coqueluche por causa da baixa dos preços; empresas exigem aparelho dos autônomos. O profissionalismo e o nível de conhecimento, aliados a um produto que atenda às necessidades do cliente, aumentaram muito nesse setor e podem ajudá-lo a reduzir consideravelmente os custos fixos de sua frota.

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função e a tecnologia são as mesmas, mas no mercado há diversas marcas. Atualmente, mais de 400 empresas oferecem aparelhos rastreadores para caminhões no Brasil, segundo dados do Centro de Experimentação e Segurança Viária (CESVI). O grande dilema de companhias no mercado é seguramente suprir demanda alta e diversificada que envolve tanto o transportador, o qual possui apenas um caminhão, quanto à empresa com frota, seja ela pequena, média ou grande. Outro fator que chama atenção é o preço. Há cerca de sete anos, basicamente só os frotistas buscavam adquirir um sistema de rastreamento, mas atualmente, com a melhora dos preços e das condições de pagamento, motoristas autônomos e pequenos transportadores passaram a ter acesso ao equipamento, cujo preço médio no ano de 2001 era de R$ 10 a R$ 12 mil, com mensalidades entre R$ 300 e R$ 400. “Hoje esse valor caiu pela metade”, explica Luiz Cláudio Ferreira, gerente de marketing da Onixsat.

Rádiofrequência

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Custos operacionais Os aparelhos buscam soluções que garantam a segurança do bem, melhorem a gestão do negócio e também contribuam para reduzir os custos operacionais. “Os motoristas estão cada vez menos resistentes, pois perceberam a importância do sistema para a operação de logística, segurança da carga, do caminhão e dele próprio. Além disso, a redução do preço e as melhores condições de pagamento aproximaram ainda mais os carreteiros dessa tecnologia”, afirma Ferreira. Apesar de os clientes buscarem equipamentos com a intenção de melhorar a administração de seus negócios, o fator segurança ainda é o principal motivo para a compra do sistema de rastreamento, garantindo que, entre os médios e grandes transportadores, a razão da aquisição do sistema seja a otimização da logística. “Sim, ainda é o fator preponderante para a aquisição do produto”, resume Obson Cardoso, diretor da Unidade de Rastreamento da Pósitron.

Isca retornável

As novas necessidades de mercado mudaram tanto o perfil quanto o motivo que leva o cliente a adquirir o rastreador. O equipamento deve garantir a segurança do bem contra o roubo e o furto de caminhões e de cargas, além de contribuir para o melhor gerenciamento da frota. O profissionalismo e o nível de conhecimento, aliado a um produto que atenda às necessidades do cliente, aumentaram muito nesse setor e podem ajudá-lo a reduzir consideravelmente os custos fixos de sua frota. Para acompanhar todas as mudanças, a Tracker do Brasil procura disponibilizar no mercado produtos que, segundo Marcelo Orsi, diretor de Marketing, atendam às exigências de cada cliente. Um deles, citado pela empresa, é o Tracker Monitor Plus, com tecnologia GPS/GPRS e radiofrequência que gerencia e monitora a frota. E, em caso de roubo ou furto, é possível rastrear o caminhão em lugares fechados como túneis, garagens, galpões e até subsolos.

Isca descartável

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MERCADO

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