Livro Aratuba

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ARATUBA ONTEM E HOJE HISTÓRIA E CONSCIENCIA DE UM MUNICÍPIO SERRANO

Dedicatória Prefácio e Agradecimento I – O Conhecimento de Nosso Passado a. Ari Cunha, Heródoto Coiteense b. Henrique Germano e os Documentos de Coité c. Uma Periodização da História Aratubense II – O Primeiro Livro Sobre Nossa História e sua Polêmica III – A Formação Histórica do Município 1. A Freguesia de Coité 2. A Vila Santos Dumont 3. O Município de Aratuba a. Território e Altitude b. Gentílico e População IV – A Formação Religiosa do Município 1. Catolicismo a. A Paróquia São Francisco de Paula, Párocos e Capelas b. Pe. José Barbosa Magalhães e as Palmeiras Imperiais Centenárias c. O Congresso, o Padre e o Hino Eucarístico de 1945 d. As CEBs e os párocos José Maria e Moacir Cordeiro e. A Polêmica da Transferência da Estátua do Cristo 2. Protestantismo a. A Chegada dos Protestantes b. As Denominações e Rupturas c. O Culto Ecumênico de 2012 d. O Projeto do Dia do Evangélico e suas Controvérsias e. Os Paraprotestantes e outros fenômenos religiosos V – A Formação Política e Social do Município 1. As Eleições Municipais e seus Gestores a. As Eleições dos Anos 1982 e 1983 b. Eleição de 1996: Batistas e Santos Unidos c. Eleição de 2004: Bem-ti-vi, Andorinha e Corrupião d. Eleição de 2008: Pavão, Andorinha e Bem-te-vi e. Eleição de 2012: Pavão e Bem-te-vi 2. A Educação Ontem e Hoje Posfácio: Aratuba dos meus sonhos Sobre o Autor Exercícios Práticos Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Dedicatória

Aos aratubenses do meu coração: A minha amada esposa Neurynha, encontro inesperado e amor improvável que se tornou uma realidade incrível; Aos meus dois filhos: João Wesley e Caio Gabriel, pérolas que Deus me deu; Aos meus pais: Maria de Fátima(in memorian) e Gilvan Martins; Aos meus avós paternos: Raimundo Marques (in memorian) e Osmarina Martins; e aos avós maternos: Luiz Gonzaga (in memorian) e Maria José (D. Zeza); As minhas tias: Maria Lúcia e Silvia Helena. E ao aratubense ou aratubano: de berço ou de coração; de ontem, de hoje ou de amanhã; de perto ou de longe; que sonhou e não viu a realização do sonho ou que viu sem sonhar; que cantou sem encantar ou que encantou sem se esforçar; que esteve no palco diante da plateia ou que esteve somente na plateia; que pisou no mesmo chão que o enterrou ou que plantou no mesmo chão que o pisou; e aos filhos que foram tratados como “forasteiros” ou aos forasteiros, honrados como “filhos”, nunca se esqueça que você fez parte dessa história e mesmo que seu nome não conste nas páginas desse ingrato volume é somente ausência de registro e não ausência de personagem.

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APRESENTAÇÃO E AGRADECIMENTO A existência da vida se dar num processo histórico dinâmico. A descoberta da escrita pelo homem possibilitou o registro de sua história para memória e conhecimento da posteridade. E essa descoberta dividiu tradicionalmente o mundo em pré-história e história. O registro não faz história, mas conta os fatos do passado de uma forma mais segura e nos permite interpretá-los à luz do conhecimento disponível. Um velho adágio latino já dizia: “verba volant scripta manent” - palavras voam, escritos ficam. Todo povo tem sua história para contar independentemente de sua nacionalidade, raça, cor ou religião. O registro dessa história imortaliza seus feitos e esclarece suas origens, tornando público e acessível ao conhecimento de todos, as influências, costumes, crenças e cultura de uma gente na caminhada histórica da vida. Conosco não é diferente. A história de Aratuba contada pelos antigos e registrada de maneira espessa em pequenos, porém importantes documentos, recebe agora uma ampliação, atualização e claro, uma interpretação sujeita a revisões. Em suas mãos está um livro que simultaneamente é um registro da história do município com base nas evidências testemunhais escritas, orais e nas memórias vivas. O material é exposto de forma clara, objetiva e didática e por isso mesmo está enriquecido com quadros, fotos, mapas, notícias e documentos antigos e recentes. Escrevi com a consciência que fatos do passado podem ser definitivos, mas a sua análise não. As conclusões aqui serão com o tempo revisadas ou até refutadas. A história é uma ciência que repousa no tempo e não na eternidade. Diferente dos profetas e apóstolos, o historiador não é canônico. No dia 29 de março de 2013 Aratuba completa 56 anos de emancipação política. Em 2012 foi a primeira vez que os aratubenses comemoraram nessa histórica data conforme a lei nº 3.563 de 29 de março de 1957 que nos desligou de Pacoti. Politicamente ainda somos um município jovem e carecemos de muita aprendizagem, principalmente numa vivência harmoniosa na diferenciação entre política pública e partidária. Historicamente somos mais maduros e herdeiros de tradições e costumes centenários que precisam de preservação e adaptação para novos contextos sociais. Desde 2012 escrevo artigos no portal do aratuba online, abordando aspectos da historicidade local. Muito do que está aqui é uma reformulação desses artigos vestidos agora numa roupagem linguística própria de um livro histórico. Todo o conteúdo da presente obra se divide em seis capítulos. No primeiro falo sobre o conhecimento de nosso passado e nele destaco as contribuições importantes de Ary Cunha e Henrique Germano, o primeiro pelo histórico de 1945; e o segundo pela descoberta de antigos artigos sobre Coité na Biblioteca Nacional de Brasília em 2012. E ainda apresento uma periodização da história aratubense. No segundo capítulo tem-se a polêmica do primeiro livro escrito sobre a história de Aratuba; no terceiro a formação histórica do município; em quarto a formação religiosa e por último a formação política. Cada capítulo é acompanhado de seus subtemas ligados ao tema central. No final encerro com um posfácio com o texto “Aratuba dos meus sonhos...” Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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O presente livro é uma pequena e modesta contribuição na pesquisa historiográfica local e representa a superação de dificuldades ao longo desse percurso, pois apesar dos entraves, minha pesquisa resultou num volume bem maior cuja versão simplificada ora publico. Em outro momento oportuno lançarei a obra completa num formato comum de livro. Enquanto isso, achei necessário uma prévia publicação online para auxiliar professores, alunos e cidadãos no mês do município. O portal www.aratubaonline.com fez isso no inicio de março para servir como ferramenta de pesquisa científica e apoio pedagógico aos professores da rede pública municipal. Sua publicação pretende preencher uma lacuna no Ensino Fundamental. Os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais valorizou a história local no currículo do Ensino Fundamental, principalmente nas séries iniciais. E como em Aratuba os descritores de 2011 enfatizaram à história do município nos Ensino Fundamental I e II tornou-se necessário um material didático que auxilie os professores e alunos nesse processo ensino-aprendizagem. E como o objetivo é ajudar principalmente aos professores e estudantes, inclui um encarte com exercícios prático com 50 questões. As atividades podem ser aplicadas em sala de aula, trabalho de pesquisa ou nas avaliações bimestrais a critério de cada escola e professor. E os benefícios vão além dos muros escolares. Conforme a necessidade todos poderão se beneficiar com o conteúdo. Concursos municipais como o de 2006 realizado pelo INEPAS – Instituto Nordestino de Educação, Políticas Administração e Sociais S/S LTDA, e o processo seletivo para agentes de trânsito de 2012 são exemplos da necessidade de dominar conceitos históricos locais. Agradeço aos amigos, leitores e incentivadores, mas não posso deixar de registrar o nome do escrivão de cartório, Carlos Henrique Germano pela fantástica e providencial descoberta de documentos coiteenses do século XIX que semelhante a uma candeia iluminou mais nosso passado. É impossível não mencionar o redator do Aratuba Online, Valber Lima, pelo apoio e plena cooperação nas ideias e designer tanto dos artigos do Raio X como do livro. Sem ele o projeto não seria realidade. Não posso esquecer jamais de minha esposa, Neurynha Gomes que teve muita paciência pelas minhas ausências logo no primeiro ano de nosso casamento, contribuindo com digitações, scaneamento de fotos e pesquisas para que eu executasse todas as atividades literárias. E por fim aos meus sogros Neuto Pinheiro e Maria José(Deda), pelo aconchego nos finais de semana em sua casa onde conclui o livro na calma e tranquila varanda de sua residência no sítio Silva. Alguém já disse acertadamente que por trás de um livro existem muitos autores e eu não nego o credito a todos os amigos e conhecidos pelas apostilas, monografias, artigos de jornais e revistas, entrevistas, dicas e ideias sem as quais não seria possível escrever esse pequeno volume. Anões intelectuais como eu precisam dos ombros de gigantes para enxergar mais longe e melhor os horizontes da história. Anseio por uma história consciente que gere uma consciência histórica local conforme o título sugere. Escrevi esse livro com a mesma crença do renomado historiador Gilberto Cotrim: “Estudar História é adquirir consciência do mundo. Consciência do que fomos para transformar o que somos.” É com esse sentimento que comemoro os 56 anos de emancipação política de minha terra. Gildo Gomes Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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I. O Conhecimento de Nosso Passado a. Ari Cunha, Heródoto Coiteense O Álbum do Congresso Eucarístico de 1945 é um documento não paginado, mas se contarmos suas folhas serão 42 páginas que contam a história de um dos maiores eventos católicos no município. A festa religiosa aconteceu nos dias 29 de dezembro de 1945 a 1º de janeiro de 1946. Foram quatro dias intensos de adoração ao “Deus-hóstia”. Todos os preparativos, desenvolvimento e acontecimentos principais do congresso serão abordados no capítulo III. Aqui detenho-me apenas no documento em si. O “Álbum Comemorativo do 1º Congresso Eucarístico de Aratuba”, como ficou conhecido estava pronto no dia 7 de julho de 1946. Na guisa de encerramento, padre Evaristo de Melo diz que a incumbência da feitura e construção do álbum coube a uma congressista de Fortaleza chamada D. Edite Pinto. Essa informação é importante, pois Edite Pinto participou do congresso sendo uma testemunha ocular dos fatos relatados. O álbum é composto de vários documentos independentes que se complementam. Entre eles temos o primeiro relato da história do município intitulado de “Resumo Histórico de Aratuba”, escrito por Ari Cunha. E dessa forma o álbum tornar-se importante não apenas do ponto de vista religioso, mas também historiográfico. E tal importância se reveste mais ainda pelo conhecimento ocular e estudos históricos do autor Ari Cunha, afinal na introdução de seu trabalho ele mesmo diz que “residindo nessa localidade há quase seis lustros, venho neste longo período de tempo acompanhando a evolução desta vila, estudando sua história deste o início de sua fundação.” Temos aí então o testemunho de um homem que ao escrever o primeiro histórico aratubense já vivia por aqui há quase trinta anos e dedicara-se ao estudo da história local desde sua fundação. E é por essas duas razões, testemunho ocular e estudo histórico que considero Ari Cunha, nosso primeiro historiador, embora ele mesmo escreveu “sem a pretensão de historiador”. Apesar de poucos o conhecerem mas Ari Cunha é na verdade o Sr. Arlindo da Cunha Medina que nasceu em Pernambuquinho – Pacoti, daí o motivo dele expressar que residia há quase trinta anos na vila coiteense. Em Aratuba temos em sua homenagem a Avenida Arlindo Medina. Ele era casado com a professora Francisca Colares Pereira Medina (D. Tica), os avós de José Clementino Neto (Tadeu). Era um pesquisador incansável, registrava a genealogia das famílias coiteenses e formou-se em química. No Almanaque Administrativo Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (1891-1940), seu nome é citado no Coité como o responsável pela Fabrica de vinagre e vinho Arlindo Cunha & Cia e ainda era junto com João Albuquerque e José Silveira o Guarda-Livros da vila. Todos os relatos aratubenses depois de Ari simplesmente copiaram dele ou de outros que utilizaram suas informações. Em alguns pontos alteraram o que ele registrou. Por exemplo, ao falar sobre o nome Coité Ari escreve no singular: “Seu primitivo nome era Coité, proveniente de sua frondosa árvore ali existente...”. O uso do singular corresponde justamente ao que lemos no registro da sesmaria. Lá é dito que Teodósio de Pina e Sylva “descobriu um Brejo que nasce da serra de Baturité na parte do poente onde tem a dita serra uma abra que mostra a pedra de cor amarela cujo Brejo se chama pela língua do gentio Cuhité, e tem o Brejo um pé grande de Cuhité...”. A versão do nome Coité devido “a frondosas árvores”, no plural e Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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existentes nas redondezas da primeira casa de taipa da família Pereira apareceu nos histórico de Izilda Barbosa e da Escola Joacy Pereira nos anos de 1982 e 1984 respectivamente. Claro que semelhante aos relatos posteriores Ari centraliza nossa história na oligarquia Pereira. Mas o nome Coité dado a região é bem antes da chegada dos Pereiras na serra, afinal de contas Teodósio de Pina chegou por aqui quase 100 anos antes do capitão João José Pereira. Ari é o “Heródoto Coiteense”, mas semelhante ao Pai da História, ele cometeu alguns equívocos historiográficos. Sua visão é totalmente centralizada na chegada da família Pereira em 1828. É possível entender isso no contexto religioso do congresso, pois as terras da paróquia foram doadas pelos Pereira. Porém ao citar o início da vida religiosa no município ele data de 1866, quando na verdade três anos antes, precisamente em 07/09/1863, o capitão João José Pereira e sua esposa, Antonia Maria da Conceição, doaram as terras a São Francisco de Paula. E um equívoco maior de Ari foi dizer que “por volta do ano de 1888 chegou aqui o Frei Casemiro, missionário que iniciou a construção da atual matriz, a qual tem passado por muitas reformas”. Essa informação é historicamente problemática, pois se Frei Casemiro iniciou a construção da matriz em 1888, a Paróquia não poderia celebrar seu centenário em 1884. Frei Casemiro chegou não em 1888 e, sim, 1869. Talvez Ari tenha se confundido com os freis que chegaram em Coité no ano de 1888. E assim o lapso da data de Ari foi passando desapercebidamente e está presente hoje em trabalhos como o Histórico de Izilda Barbosa(1982); e o Histórico da Secretária de Educação(1995). Ari não menciona as fontes bibliográficas de sua pesquisa. Cita a casa de Leopoldo Pereira Martins, e na época mestre Leopoldo tinha uns 60 anos, ainda assim não diz que o entrevistou. São quase três décadas de vivência na vila, e Ari certamente teve contatos com muitas pessoas antigas e como pesquisador teve acesso quem sabe aos documentos paroquiais. Porém dificilmente saberemos as fontes usadas no primeiro histórico de Coité. Ainda assim seu esforço é valiosíssimo para a sua e nossa época e faz de seu trabalho historiográfico o primeiro do gênero e de Ary o nosso primeiro historiador merecendo assim o epíteto de “Heródoto Coiteense”. b. Henrique Germano e os Antigos Documentos de Coité Uma grande reviravolta sobre o passado aratubense aconteceu no ano de 2012. Numa pesquisa pessoal em busca de seus antepassados para construção de sua árvore genealógica, o escrevente substituto do Cartório Reginatto Coelho (antigo cartório Lima Batista), Henrique Germano da Silva acabou por descobrir documentos do século XIX sobre a vida coiteense ao acessar o site da Biblioteca Nacional de Brasília. Como ele mesmo disse “sem querer acabei descobrindo sobre Aratuba (ainda com nome de Coité). Fiquei muito alegre, porque continham relatos e informações daquilo, que Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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só ouvia pelos mais velhos, sem muitas provas. Há informações de escravos fugindo, troca de delegado, horários e dias das malas postais (correios), nomeações de intendentes “prefeitos”, dramas, discórdias entre famílias, nomeações de professores, verbas cedidas para reformas e construções de estradas, descrições de pessoas importantes suas viagens a capital, e seus afazeres; quem eram os comerciantes, agricultores, produtores, criadores e construtores.” Os documentos trazem a lume fatos relevantes de nossa história e servem como fontes de pesquisa para historiadores, professores, alunos e cidadão interessados no resgate de nosso passado. Um artigo escrito sobre a importância desse achado encontra-se no site www.aratubaonline.com postado em 1º de dezembro de 2012. Essa descoberta é de grande importância documental para a história do município. São os documentos públicos mais antigos sobre a história de Aratuba quando ainda era Coité, uma vila de Baturité e por isso mesmo o Coité de Baturité. Até o momento Henrique Germano já coleciona mais de 400 folhas de jornais com notícias, anúncios, artigos, cartas e notas que incluem nas colunas noticiarias fatos da vila coiteense. Entre os periódicos os jornais Constituição, Pedro II, O Cearense, Estado do Ceará, Gazeta do Norte e Libertador dentre outros, incluindo o Almanaque Administrativo e Industrial do Rio de Janeiro(1891-1940). c. Uma Proposta de Periodização da História Aratubense Não é fácil periodizar história nenhuma, seja universal ou local como é o nosso caso. Nunca vi uma periodização da história de Aratuba. E toda periodização será sempre discutível ante as múltiplas interpretações dos fatos históricos. Espero que a proposta apresentada aqui seja pelo menos didática para ajudar aos professores e estudiosos do assunto. A proposta é baseada nos momentos mais relevantes de nossa história e está dividida em quatro períodos: 01) Período de Colonização e Freguesia; 02) Período Distrital; 03) Período de Vila e 04) Período de Emancipação Política. 

Período de Colonização e Freguesia - 1738 a 1883

É o período da chegada dos primeiros colonizadores e habitantes de Coité e o desenvolvimento da freguesia como uma povoação religiosa católica. Acontece desde a chegada de Teodósio de Pina em 1738 pelo Canindé, a família Pereira pelo Baturité em 1829 e a existência e desenvolvimento da Freguesia da Paróquia São Francisco de Paula do bispado do Ceará. 

Período Distrital - 1883 a 1890

Coité passa a ser distrito pela lei provincial nº 2062, de 10 de dezembro de 1883. Os outros distritos de Pindoba e Tope aparecem em 1911. Um mapa do início do século XX mostra apenas os distritos de Coité e Pindoba, dando a Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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entender que o distrito de Tope veio depois. Hoje oficialmente o município tem apenas o distrito do Pai João e a cidade de Aratuba pela lei municipal nº 270/2007 de 05 de fevereiro do mesmo ano, tem 03 bairros: Cel. João José Pereira; Leopoldo Pereira Martins e o bairro Consuelo Lima, antigo Mussu. 

Período de Vila - 1890 a 1957

O decreto estadual nº 35 de 1º de agosto de 1890 elevou Coité a categoria de Vila. A inauguração da vila ocorreu em 12 de agosto, um dia após a inauguração da Vila de Mulungu conforme o jornal Libertador na edição de 25 de agosto de 1890. E a instalação aconteceu em 16/08/1890. 

Período de Emancipação – 1957 em diante

Até o ano de 1957 Aratuba pertencia ao município de Pacoti. Mas pela lei 3.563, de 29 de março de 1957, assinada pelo então governador Paulo Sarasate, Aratuba é emancipada e passa desde então a escolher seus representantes políticos.

Referências Bibliográficas FARIAS, Aírton de. História do Ceará, dos índios a Geração Cambeba. Tropical editora 1997 ALVES, Joaquim. História das Secas. Fundação Waldemar Alcântara, 2003 Câmara Municipal, lei nº 270/2007

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II. O PRIMEIRO LIVRO SOBRE ARATUBA E SUA POLÊMICA Muitas pessoas de Aratuba repetem o velho jargão de que nossa historia não tem registros e por isso é difícil reconstruí-la, embora o primeiro livro sobre história do município contrarie essa alegação logo na introdução ao afirmar “não foi difícil resgatar a história das origens de Aratuba, porque muita coisa ficou escrita e estudos foram feitos em cima dos velhos documentos...” Realmente temos os tomos paroquiais, o álbum do Congresso Eucarístico, jornais antigos, documentos das CEBs, atas e registros de igrejas evangélicas, históricos, trabalhos acadêmicos e até mesmo um site mórmon que contem os livros de batizados e casamentos de Coité entre janeiro de 1884 a janeiro de 1943 no site www.familysearch.org. Portanto há realmente “velhos documentos” de nossa história como disse Neri, porém os estudos sérios de resgate histórico local ainda são escassos. O primeiro livro sobre a história de Aratuba foi lançado perto dos 54 anos de Emancipação Política do Município, no ano de 2011, pelo padre Neri Feitosa intitulado “De Cuhyté (Sesmaria) a Aratuba”. O autor baseouse principalmente no pequeno Histórico da antiga Escola de 1º. Grau José Joacy Pereira (hoje Escola de Ensino Médio José Joacy Pereira), escrito no ano de 1984 em homenagem a Festa do Centenário da Paróquia São Francisco de Paula. A obra de Neri é a primeira do gênero histórico e de grande importância documental para o município de Aratuba, salvo alguns senões historiográficos que comentei no artigo “A “Inês” de Pe. Neri não “morreu” – uma análise literária de Cuithé (sesmaria) a Aratuba”, publicado no portal www.aratubaonline.com em 04 de janeiro de 2012. E como a análise já foi feita, pretendo agora deter-me somente num detalhe desconhecido por muitos que gerou uma polêmica do livro durante sua escrita e publicação. Ao escrever seu livro padre Neri contou com a colaboração de um aratubense, o sr. Raimundo Nonato Pereira Martins, o conhecido “Piloto”, como co-autor da obra. Piloto é um experiente e veterano funcionário público que já exerceu por anos funções na Ematerce, Prefeitura e Câmara Municipal. Já Neri Feitosa nasceu na região dos Inhamuns, na localidade de Arneiroz, na época, distrito de Tauá. Foi ordenado ao sacerdócio em 03/12/1950 e é padre há mais de 60 anos. Atualmente reside em Canindé e é Vigário Paroquial de lá desde 1982. É autor de vários opúsculos literários. Há 29 anos fundou o Instituto Memória de Canindé com várias monografias escritas por ele mesmo. TornouEsta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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se um grande defensor da memória, trabalho e reabilitação do controvertido padre Cícero Romão Batista e chegou a receber uma medalha de ouro em Juazeiro. Seu opúsculo “De Cuhyté (Sesmaria) a Aratuba”, é um pequeno trabalho de 35 páginas. Nos adendos ao livro o autor afirma que passou dois meses em Aratuba a serviço da paróquia e percebeu que por aqui não havia um registro histórico do município. Ao empenhar-se nessa tarefa, Neri segundo suas próprias palavras “comeu um pão amargo”, pois conforme disse, as autoridades lhe receberam com reservas e não concederam as informações necessárias. Pe. Neri diz que entregou uma prova gráfica de sua obra ao prefeito municipal e esperou ainda quinze dias antes da impressão dos originais e não recebeu nenhuma resposta do mesmo. Mas após a impressão, o pároco informa que as reclamações apareceram. Em suas próprias palavras: “aí vieram às reclamações e delas zangadas e deseducadas, porque não botei isso e aquilo, exatamente isso e aquilo que procurei e me negaram.” Não se sabe quem cometeu a falta de educação com padre Neri ou como de fato o episódio se deu, pois o ex-prefeito Júlio César numa resposta em e-mail contrapõe-se a afirmativa de Neri e disse que nunca tomou ciência de tal episódio no município. Em palavras ipsis litteris o ex-prefeito diz: “Além dos equívocos apontados por você, com tanta propriedade, o texto do Pe. Neri comete uma grande injustiça para comigo, enquanto Prefeito de Aratuba. NUNCA FUI PROCURADO PELO PE. NERY OU POR QUEM QUER QUE SEJA para apoiar, com informações ou apoios outros, de qualquer natureza, para a realização da obra literária. NAO É VERDADE QUE RECEBI A PROVA DO LIVRO, quer seja do Pe. Neri ou de quem quer que seja. Sequer sabia que estava sendo feito um livro em Aratuba. Tomei conhecimento da existência do texto, quando fui procurado pela Profa. Adilea, Secretaria de Educação do Município, que me relatou o episódio da não citação do processo de Nucleação das escolas de Aratuba. Não sei a que atribuir à menção de que as autoridades do município o receberam com reservas, pois nunca fui procurado e, portanto, não poderia tê-lo recebido, para tratar do assunto. Após ler atentamente sua analise e, para que não passe à história, tão grave injustiça, solicito que, na devida oportunidade, seja publicado o registro aqui apontado, POR SER A EXPRESSÃO DA VERDADE!” Essa resposta do ex-prefeito é por causa das palavras de padre Neri Feitosa nos adendos de seu livro quando ele expressa que: “Fui passar dois meses em Aratuba a serviço da Paróquia e julguei bom contribuir com o povo numa produção literária de cunho histórico, porque vi a carência nesse setor, em uma serra de turismo. Comi um pão amargo neste afã, porque as pessoas competentes, em pontos estratégicos oficiais para fornecer informações, recebiam-me ariscas, reservadas, medrosas, como seu eu fosse um jornalista em busca de matéria para um suelto contra as autoridades constituídas. Essas próprias autoridades constituídas furtaram-se a informar, quando tive o cuidado de entregar ao nobre chefe do poder executivo uma prova gráfica do trabalho, para apreciação e complementação. A gráfica esperou quinze dias para imprimir as originais e nenhuma resposta recebi até hoje. Impresso o trabalho, com telefone do autor, Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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aí vieram as reclamações e delas zangadas e deseducadas, porque não botei isso e aquilo, exatamente isso e aquilo que procurei e me negaram. Felizmente o Padre Claudio e o Padre Douglas, do governo espiritual, trouxeram-me dados excelentes da sala da história da Prainha. Hoje publico estas notas pra imprimir uma página “póstuma” que me enviaram; “póstuma”, digo, para aceitar o dito popular “Inês é morta!” e também para dar conhecimento do texto legislativo que criou a paróquia.”(Grifos meus). O que se sabe mesmo é que no dia 18 de fevereiro de 2011, Neri recebeu um ofício da Secretária de Educação Básica, a professora Adiléa Farias que cordialmente solicitava a retificação do texto do item 5, página 19, para inclusão das escolas nucleadas do município mencionadas no mesmo comunicado. Ainda assim tudo indica que padre Neri não ficou satisfeito, pois nos adendos ele chama esse acréscimo de “uma página póstuma que me enviaram”, e acrescenta, “póstuma”, digo, para aceitar o dito popular “Inês está morta!”. Tal expressão lembra a tragédia camoniana, os Lusíadas, da pobre Inês de Castro que após morta foi coroada rainha. Neri refere-se ao que não tem mais jeito, pois sua obra já fora publicada, apesar de num esforço nobre incluir nos exemplares não vendidos as solicitações governamentais. Reconheço a importância histórica do escrito de padre Neri para nossa terra, principalmente em tornar público o registro documental da sesmaria e nos adendos disponibilizar o texto que criou a Paróquia de Coité, além de deixá-lo xerocada em letra manual em repartições públicas da cidade. Mas apesar dos aspectos positivos, a“Inês” (livro) de padre Neri não “morreu” (não ficou historicamente satisfatório), porque a obra é não tanto uma história do município e, sim, mais uma história centralizada na paróquia. O texto é meio descontextualizado e cheio de cortes e às vezes se parece mais com um simples relato do que uma interpretação acurada dos fatos e acontecimentos locais. Mas claro não se pode exigir muito de quem passou apenas dois meses na construção e pesquisa de um trabalho literário que requer fôlego e tempo, pois como disse o próprio Neri “um livro é como uma casa de morada: tem sempre o que retocar”. Mesmo o estudo de Neri detendo-se mais na Paróquia São Francisco de Paula, pois praticamente metade de sua obra destaca o catolicismo romano local, ainda assim não analisou alguns problemas histórico-cronológicos dos padres e seus paroquiados em Aratuba. Sua lista dos párocos de Aratuba nas páginas 10,11 e 12 não preenche e nem explica as lacunas históricas. Por exemplo, se contarmos os párocos de Aratuba a partir da lista do Álbum do Congresso de 1945, padre Claúdio será o de nº 31. Na lista de Neri ele é o de nº 28. Há registro de frei Cirilo de Bérgamo como pároco de Aratuba por Ari Cunha no Álbum do Congresso e ele não é citado nas outras listas como aquela publicada por padre Claúdio em 2009 e nem mesmo na de Neri de 2011. No ofício que enviei ao Revmo. Pe. Claúdio Pereira em 07/12/11 apresento a fundamentação dessa pesquisa e solicito seu parecer sobre tal questão. Até hoje não recebi sua resposta. Porém, além de Neri não resolver essas questões do catolicismo aratubense, é historicamente grave a total Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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ausência das outras manifestações religiosas do município, principalmente sobre a religião protestante oficialmente estabelecida em 1982, mas com presença histórica desde 1960 no município. Pelo título da obra ela deveria ser uma história do município, incluindo sua multiplicidade religiosa e não centralizar-se apenas num relato paroquial. Sou um protestante há mais de duas décadas e mesmo assim no presente volume o católico não verá a omissão de sua religião. Pode haver erros e ao serem detectados devem ser reparados, mas não pequei na omissão.

Referências Bibliográficas AGOSTINHO, Santo. Confissões. Editora Martin Claret, 2005. BARBOSA, Izilda. Histórico de Aratuba. Trabalho datilografado, 1982 Disponível em <> http://www.youtube.com/watch?v=pSKAsPMEMgg. Vídeo de Padre Neri Feitosa no You Tube. Acesso em 05/12/2011 Disponível em <>http://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/presbiterio/padres-diocesanos/pe-neri-feitosa/. Acesso em 07/12/11 FEITOSA, Neri. Adendo aos livros Origem de Canindé e De Cuithé(Sesmaria) a Aratuba. Gráfica e Editora Canindé, 2011 FEITOSA, NONATO. Neri e Raimundo Pereira Martins. De Cuithé(Sesmaria) a Aratuba. Gráfica e Editora Canindé, 2011. JOACY, Escola Pereira. Festa do Centenário da Igreja Matriz São Francisco de Paula, 1984. Trabalho datilografado para fins de dramatização. RIBEIRO, TÚLIO. Claúdio e Demitri. Entrevista no jornal O Povo. Disponível em<>http://www.opovo.com.br/app/opovo/cadernosespeciais/santificados/2011/05/14/noticiassantificados,2241000/entusiasta-dafe.shtml. Acesso em 01/12/2011.

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III – A FORMAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICÍPIO Um documento do governo do estado chamado de Maciço de Baturité – Plano de Desenvolvimento Regional data a colonização de Aratuba no ano de 1738 com Teodósio e Inácio Loiola Leitão ambos vindo do sertão de Canindé. Isso não é de admirar porque a capitania do Ceará (antigamente Siará) foi colonizada somente no século XVII devido a hostilidade dos índios ou as constantes secas ou a falta de atrativos econômicos como razão mais lógica. Por isso mesmo a ocupação do Maciço de Baturité, no interior da capitania cearense esquecida, claro se deu tardiamente. Dois anos após a chegada de Teodósio em 1740, os irmãos Arnáu, Sebastião e Cristovão Holanda, juntos com Manoel Ferreira da Silva habitaram temporariamente a serra coiteense. O registro da Sesmaria1 de Teodósio de Pina e Sylva data de 14 de novembro de 1736. Dizer que o processo de povoamento de Aratuba começou na primeira metade do século XIX, no ano de 1828, com a chegada do Capitão José Antonio Pereira, natural de Cascavel-Ce que comprou a faixa Sul da Serra de Baturité ao Sargento José Saraiva é desconsiderar os registros e fatos históricos. A influência da família Pereira é muito grande e forte no município, mas eles não foram os primeiros a subirem a serra. Nossa colonização começa pelo lado de Canindé e não Baturité. E quando analisamos isso do ponto de vista das estiagens fica mais compreensível o início por Canindé. O ano anterior a chegada de Teodósio de Pina, 1737, é um tempo de seca. E como disse o historiador Joaquim Alves sobre a história das secas no Ceará: “Esgotados todos os recursos das preces, começam as procissões e os cilícios. os animais definham e morrem de inanição e os povos se retiram seja para o Cariri, e outros pontos da Ibiapaba, seja para as serra de Baturité e Aratanha, seja para as praias do mar”. Isso explica como os irmãos Francisco Julião de Góis e Targino José de Góis chegaram a Coité vindo do Rio Grande do Norte na grande seca de 1845. A serra de Baturité era um dos lugares de refúgio durante as secas fosse no estado ou fora dele. Mas a família Pereira não veio em tempos de secas. Ao chegar aqui em 1829 com 10 escravos vinha com objetivos empreendedores, até porque o café já estava introduzido na cultura serrana e despontava como um dos grandes investimentos econômico. O historiador Airton de Farias chega a afirma que “De início, a cafeicultura estava reduzida a pequenas áreas, no “fundo de quintal”, para consumo caseiro. Entretanto, com sua penetração em Baturité (no ano de 1824) e os bons preços no mercado, a procura tornou-se mais significativa, de forma que em 1846 já constava na lista das exportações cearense, sendo comercializado para outras províncias (Piauí, Paraíba, 1

Sesmaria. Pedaço de terra devoluta ou abandonada que é tirada de um presumido proprietário para ser entregue a um agricultor sesmeiro. Princípio trazido e adaptado do Brasil pelos portugueses. Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações Ltda. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia) do País e até para fora do Brasil.” E dessa forma se entende quando Ari Cunha cita o capitão João José Pereira derrubando grandes matas para o plantio de cafezais, canaviais e fruteiras no Coité. E a presença de escravos estava voltada para a cultura do café ou da cana-de-açúcar. Ou seja, Teodósio de Pina em 1738 fugindo da seca não necessitava de escravos, mas a família Pereira com objetivos econômicos em 1829 precisava da mão de obra escrava. Em Coité havia escravos além desses dez mencionados na chegada da família Pereira. Em notas do jornal O Cearense de 1846 o senhor Luiz Rodrigues Samico anuncia que ninguém fizesse negócio com três escravas de Luiz José da Costa, morador do Coité de Baturité de nomes: Maria cabra, 17 anos; outra Maria cabra, 15 anos; e a escrava Gonçala criola de 13 anos. E esse mesmo Luiz José da Costa é personagem de uma tragédia noticiada na edição do mesmo jornal de 15 de novembro de 1846 numa ocorrência de brigas e mortes envolvendo escravo. Luiz José Costa com dois filhos e um escravo armados tomam satisfação com Ignacio Vietal de Negreiros, e isso resultou na morte do escravo de Luiz José e de um irmão de Negreiros. Um filho de Luiz José foi vitima de um tiro quase mortal. O caso teve tanta repercussão que um reforço policial foi solicitado para Coité pois dizia-se que Luiz José ameaçava entrar na vila para matar seus desafetos. Percebe-se então que uns 17 anos após a chegada dos Pereiras existiam outros escravos e donos de escravos além daqueles do capitão João José Pereira. Coité foi também um lugar de libertação e fuga para os escravos. A carta da escrava Anacleta Roza de B. Paiva, publicada no jornal Libertador em 4 de maio de 1886, dois anos antes da Lei Áurea onde ela se dirige ironicamente ao seu exsenhor Cel. Paiva dizendo “em sua casa passei bem: almoçava pau, jantava peia, e merendava chiqueirador. Além disso você andou dando-me uns beliscões e me fazendo umas promessas que nunca cumpriu.” E sobre sua vida atual ela diz: “E eis-me aqui na terra do café sobre a proteção do grande libertador Antônio Cruz, do Coité.” Alguém pode alegar que a carta não cita explicitamente o Coité, de Baturité. E nem precisa a menção de “terra do café” e a citação de frutas como bananas e abacates, já diz tudo. O erro é concluir a partir dessa carta que os escravos no Coité viviam bem com base na experiência da escrava Anacleta Rosa. Prova disso é um anúncio de 1877 de fuga de uma escrava de Baixa Grande, no Coité. E como sabemos no Brasil o trabalho pesado, maus tratos e castigos impiedosos faziam os escravos fugirem das propriedades de seus senhores. O anúncios dizia que uma escrava de 24 anos havia fugido com uma escravinha, sua filha de 6 anos. As características da escrava Mariana de 24 anos era baixa, cheia de corpo, cor de mulata a cabra clara, cabelos crespos e não cortado, olhos regulares, nariz chato, boca pequena, beiços grossos, peitos grandes e pés pequenos. A escravinha de 6 anos foi descrita com cabelo cortado, olhos grandes e bonitos e boca pequena. Segundo o anúncio quem encontrassem as escravas poderiam entregar ao dono ou ao Sr. Manoel Conrado em Baturité; na Capital Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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ao Srs. Farias e Sobrinho; e na Pendência ao Srs. Epifanio e Filho que seria bem recompensado. O dono das escravas era o Sr. José de Sant’Anna Coelho. A fuga aconteceu em 1877, seis anos após a aprovação da Lei do Ventre Livre ou Lei “Rio Branco” como era conhecida. Essa lei de 1871 declarava livres os filhos das escravas nascidos a partir de então. As mães escravas poderiam ficar com seus filhos até os 8 anos de idade. Depois disso ou eram libertos com indenização do governo ou trabalhavam até os 21 anos para conseguirem sua liberdade. Será que pelo fato da criança já está com seis anos e perto dos 8 a escrava Mariana sabendo que iria ficar longe de sua filha resolveu fugir com ela na primeira chance que teve? 01. A Freguesia e Vila de Coité A antiga Coité, era religiosamente uma província da Paróquia São Francisco de Paula, do bispado do Ceará. Politicamente ficou na condição de povoado até 1889, ano do fim do império brasileiro e início do período republicano. No ano seguinte, em 12 de agosto de 1890, Coité passa a ser considerada uma vila através do decreto de nº 35, de 1º de agosto do mesmo ano. Como Vila, Coité passou a ser politicamente assistida por um intendente (cargo equivalente ao de prefeito). Diz-se que o primeiro intendente foi Cel. Raimundo Pereira, residente no sítio Limoeiro e tinha como seu assessor o Sr. Vicente Gondim. O artigo 1º do decreto da vila dizia que os limites seriam os mesmo do estabelecimento quando foi decretado Coité como Distrito de Paz. Esse decreto se deu em 21 de outubro de 1964, promulgado pela Assembleia Legislativa Provincial conforme edição do jornal O Cearense em 04 de dezembro de 1964. Porém outra lei estadual a de nº 550 de 25 de agosto de 1899 extinguiu a posição de Vila de Coité e anexou seu território ao município de Baturité. Antes disso o jornal Cearense, edição de 24 de março de 1891 noticiou que por decreto de 21 de março daquele ano “o município de Coité da comarca especial de Baturité passou a pertencer ao termo e comarca de Canindé.” Posteriormente Coité foi elevado a Vila novamente, mas extinto de novo pelo decreto estadual nº 1156 de 04 de dezembro de 1933 onde agora se torna distrito Santos Dumont e seu território passa a ser anexado ao município de Pacoti. E depois pelo decreto lei estadual nº 1114, de 30 de dezembro de 1943 o distrito Santos Dumont passa a denominar-se de Aratuba. É um período onde o desenvolvimento econômico é notório. Um fato fatídico dessa época ilustra isso. O jornal Constituição de 1882 noticia um desastre que vitimou o próprio fazendeiro João Francisco Pereira Balthazar. Ao se aproximar de um tonel de aguardente e ao acender uma vela para verificar o nível do líquido no recipiente, ocorreu uma explosão que matou o fazendeiro. Apesar do fato lamentável entende-se que a plantação de cana-de-açúcar desenvolvia-se em grande escala no Coité. Além da cana, o café é outro destaque econômico. O Almanaque Administrativo e Industrial do Rio de Janeiro (1891-1940) cita João Colares, José de Aquino Pereira, Cel. João José Pereira, Júlio de Paula Pereira e Raymundo Colares como exportadores de café do Coité. 02. A Vila Santos Dumont O decreto estadual de nº 1156 de 04 de dezembro de 1933 além de extinguir a Vila de Coité denomina de Distrito Santos Dumont anexando-o ao município de Pacotí.

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Com o sucesso do 14-bis do brasileiro e aviador Albert Santos Dumont, em 23 de outubro de 1906, seu nome tornou-se reconhecido nacionalmente. Vilas e propriedade foram batizadas com seu nome. Supõe-se que foi daí a denominação de Vila Santos Dumont numa homenagem tardia. Mas percebese manobras políticas que impedem a já almejada emancipação. Coité sai dos domínios políticos de Baturité e fica subordinada a Pacoti. Na época era comum batizar vilas e propriedades com o nome do brasileiro. Nos registros cartoriais várias propriedades do Maciço do Baturité recebiam a designação de Santos Dumont, como atesta os registros do Cartório de Pacoti: “Registro 17. Livro de nº 3 Fls. 7 Santos Dumont – Fazenda Sabiaguaba no rio Cangati Valor oitocentos mil réis – 800$000 Santos Dumont – Denominação “Canto” Arisquinho. Nove partes de terras de plantar com cafeeiros, frutíferas e uma casa de taipa coberta de telhas, tudo em comum outros herdeiros no sítio “Canto” e Arisquinho, circunscrição de Santos Dumont, deste termo parte de terra essas transferidas por herança Luiz Gervásio Colares avó dos transmitentes. Pacoti, 20 de novembro de 1935 (Livro de Tomo do Cartório de Pacoti ) 03. O Município de Aratuba Em 1954, Raimundo Pereira Batista, representando Aratuba torna-se vereador e José Joacy Pereira torna-se prefeito. Havia desejo e movimento para que Aratuba alcançasse sua independência e elegesse vereadores e prefeitos de e para seu próprio município. E anos depois pela lei nº 3.563 de 29 de março de 1957, Aratuba, desmembra-se de Pacoti e tornar-se um município emancipado. A lei de 29 de março de 1957 foi decretada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Paulo Sarasate, mas por um equívoco histórico comemorou-se até 2011 na data de 25 de março de 1959 como data da instalação oficial do município. A estranheza histórica se deu por se comemorar no 25 de março de 1959 e contar os anos de emancipação a partir de 1957. Foi devido a essa confusão histórica que a Câmara Municipal de Aratuba aprovou em 2012 a devida adequação. Nesse ano o então prefeito Júlio César Lima Batista enviou ao poder legislativo municipal a mensagem de nº 003/2012 no dia 20 de março de 2012 dizendo que “por um equívoco histórico a data de Emancipação Política de nosso município se comemorou, até ano passado, no dia 25 de março.” No Projeto de Lei nº 003/2012, também do dia 20 de março de 2012 “atribui o dia 29 de março como o Dia do Município e dá outras providências”. O Art. 2º diz que “Fica decretado feriado municipal o dia 29 de março de cada ano, devendo funcionar neste dia, somente as atividades essenciais de conformidade com as responsabilidades e atribuições das Secretarias municipais.” O Projeto de Lei discutido pelos vereadores após ouvirem as explicações do professor Gildo Gomes, convidado pelo presidente daquela Augusta Casa foi aprovado por unanimidade no dia 27 de março em sessão ordinária da Câmara Municipal. Algumas pessoas questionaram a mudança da tradicional data do 25 para o 29 de março, alegando que a Semana do Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Município resolveria questão, mas logo percebeu-se que a solução não era tão simples assim. Existe uma enorme diferença entre o 25 e o 29 de março para a história de Aratuba já que as datas pertencem a anos diferentes. Cinco argumentos principais são apresentados para a data de 29 de março de 1957: 1.

A data de 25 de Março é sempre datada nos documentos do ano de 1959 e se partirmos daí Aratuba não teria 56 anos de emancipação em 2013 e, sim, 54 anos. E caso adote-se essa data histórica todas as comemorações estarão atrasadas em dois anos;

2.

Somente se contarmos de 29 de março de 1957 é que teremos 56 anos de emancipação em 2013. É um cálculo matemático simples;

3.

Por um descuido histórico adotou-se o 25 de março de 1957(?) como data tradicional do município. É estranho fazer o cruzamento numa data histórica usando o ano de 1957 e o dia e mês do ano de 1959. Essa estranheza é tão grande que, já que o 25 de março é a data da “instalação oficial” então mesmo que essa data fosse de 1957, e não é, ainda assim seria incorreta porque é data de instalação e como sabemos deveria vir depois da lei de emancipação;

4.

A Assembleia Legislativa aprovou a emenda constitucional do deputado Lula Morais no dia 1º de dezembro de 2011. A data é dia 25 de março como o dia da abolição da escravidão no Ceará. A mudança do 25 para o 29 de março em Aratuba faz o município ter seu próprio feriado e sua própria data histórica.

5.

No dia 03 de outubro de 1958 (uma sexta-feira) foram realizadas eleições gerais no Brasil. Nos registros oficiais do Tribunal Eleitoral Regional do Ceará consta o nome de José Clóvis Lima como prefeito eleito na primeira eleição de Aratuba no dia 03 de outubro de 1958. Se considerarmos a data de 25 de março de 1959, então além do município não ter hoje 56 anos de emancipação significa também que Clóvis Lima já fora eleito e exercia seu mandato antes da emancipação.

A data de 29 de março não é novidade nos meios de comunicação. Há tempos sites e blogs governamentais ou particulares informam e parabenizam Aratuba no 29 de março e não no 25. Exemplos: o site www.ibge.gov.br que cita a lei estadual nº 3.563, de 29-03-1957 que desmembra Aratuba de Pacoti; o site www.aprece.org.br, que afirma o mesmo. O site www.ceara.com.br diz que o Dia do Município é (29/03), o mesmo faz o site www.programadorochinha.com.br . E aqui é interessante porque é uma entrevista com o prefeito de Aratuba em 2011 quando o município comemorou sua emancipação em 25 de março, mesmo assim o site informa o Dia do Município como 29 de março. E por último, o blog do jornalista Marcellus Rocha em cearaenoticia.blogspot.com onde o mesmo parabenizava Aratuba pelo seu aniversário no dia 29 de março. Lá ele dizia: “TERÇA-FEIRA, 29 DE MARÇO DE 2011. Parabéns Aratuba.”

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As objeções da existência de várias datas para a emancipação do município não convence. Citam-se os dias 20, 25, 29 e 31 de março. A resposta não é difícil. Sobre o 25 já explicamos anteriormente. Acerca do dia 20 basta você saber que é a mesma lei de nº 3.563 que é a lei de 29 de março de 1957. Um histórico de 1998 diz que Aratuba “readquiriu sua autonomia distrital, acrescida do título de Cidade conforme Lei 3.563, de 20 de março de 1957, ocorrendo sua instalação a 25 de março de 1959.” É por isso que até mesmo o site www.programadorochinha.com.br que cita o 20 de março de 1957 diz que o Dia do Município é 29 de Março, porque a Lei 3.563 é de 29 de março. Já sobre o 31 de março é porque após a Lei 3.563 de 29 de março de 1957 foi publicada no Diário Oficial no dia 30 e a instalação do município se deu no dia 31. Ora, a Lei da Emancipação é de 29 de março, pois foi por essa lei e nessa data que Aratuba desmembrou-se de Pacoti. É o marco histórico da nossa emancipação e independência política. Entretanto existe uma data nunca citada sem explicação que é data de 02/02/1957 - 18 de dezembro de 1969 na bandeira do município.

Referências Bibliográficas FEITOSA, NONATO. Neri e Raimundo Pereira Martins. De Cuithé(Sesmaria) a Aratuba. Gráfica e Editora Canindé, 2011. Eleições 1958 – Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Seção de Estatísticas Eleitorais – TER/CE. Fortaleza, agosto de 2001. Aratuba Governo de Todos – Prefeitura Municipal de Aratuba – Júlio César, 1998. Mensagem de nº 003/2012 do Prefeito Municipal Júlio César Lima Batista Projeto de Lei de nº 003/2012 do Prefeito Municipal Júlio César Lima Batista Jornais da Biblioteca Nacional de Brasília. http://diariodonordeste.globo.com Acessado em 06/03/13

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O Território e Altitude

Com a lei nº 3.563 de 29 de março de 1957 decretada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Paulo Sarasate, foram fixados os limites territoriais do município, e desse ato surgiram problemas territoriais com o vizinho Canindé, ao Oeste. E assim nossas áreas territoriais às vezes se contrapõem. Um mapa do PAT/Plano de Ação Turístico Maciço de Baturité, com base no IBGE de 2000 informa que a Área Territorial de Aratuba é de 165 km². Mas um mapa do Serviço Geológico do Brasil de 1998 apresenta uma configuração cartográfica bem diferente e menor. Já o IBGE no censo de 2010 mostra Aratuba com uma área de 115 Km². Para os alunos que brincam que Aratuba de tão pequena não aparece no mapa, o “pequeno pontinho” no Estado ficaria ainda menor na cartografia cearense se essa informação territorial do IBGE fosse correta. Brincadeiras a parte esse é um assunto sério e é preciso entendê-lo, pois mexe com os índices populacionais que por sua vez envolvem menor ou maior recursos para o município. Quando os limites territoriais do município foram estabelecidos pela lei anteriormente citada, já fazia um tempo que Aratuba era distrito de Pacoti e nesse tempo os limites com Canindé no lado Sul era com a estrada Itapiuna–Canindé até o rio Marés. Depois de 1957 com a emancipação por força da lei os limites entre os dois municípios foram fixadas pela encosta da serra, ou seja, pela ladeira de Marés, que corresponde entre o Videl e Urubu. Isso significa que as pessoas que moram na Parada e Vídel que sempre se sentiram histórica e economicamente ligadas a Aratuba atendidos em saúde, educação, transporte e investimento de estradas pelo município serrano e não por Canindé, desde então passaram a ser legalmente contados como canindeenses. E é assim que são vistos nos censos brasileiros. Muitos esforços já foram empreendidos para resolver esse impasse sem sucesso e a razão disso segundo o ex-prefeito Júlio César é que “a legislação que trata de limites territoriais no Brasil está parada, em tramitação no Congresso Nacional. Somente através de um plebiscito consultando a população de Aratuba e de Canindé é que a questão poderá ser resolvida. Intermediada pela APRECE, em duas tentativas, estive como Prefeito reunido com o Prefeito de Canindé, para resolver o assunto através de acordo, o que, infelizmente não foi possível.” E se não bastasse os problemas limítrofes do lado Oeste, temos ao Norte com o nosso vizinho Mulungu algo mais preocupante com os dados do último censo 2010. Aqui trata-se dos impasses das coordenadas cartográficas dos antigos mapas da SUDENE que não correspondem em detalhes com a moderna precisão dos GPS(Sistema de Posicionamento Global), cujas coordenadas são estabelecidas por satélite. Essas informações precisas são usadas pelo IBGE nos censos e como acaba Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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havendo distorções entre os marcos territoriais da lei e os do GPS, então esses marcos mudam e prejudica os municípios, o que aconteceu em Aratuba no IBGE 2010. Na época o prefeito Júlio César fez a observação e reclamou ao Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) que prometeu uma revisão para corrigir os equívocos, mas ate o momento não o fez. Isso é grave porque a região da Pindoba é histórica e legalmente de Aratuba e não de Mulungu. Apesar do IBGE colocar Aratuba com 115 km² de área territorial, isso está equivocado, pois o IPECE num estudo de 2011 diz que o município tem 142 km² de área. Aratuba é uma palavra indianista com vários significados. O mais aceito é o tradicional “abundância de pássaros”, ou “ajuntamento de pássaros”, da língua tupi e tal significado atualmente se mistura com a política local devido os partidos políticos se identificarem com pássaros como Pavão, Bem-Te-Vi e Andorinha. E como em Aratuba diz-se que “tudo vira política”, o uso de uma simples camisa com imagem de pássaros na semana do município como aconteceu em 2012, faz alguns pensarem mais nos partidos políticos que no significado etimológico da palavra. Dessa forma os outros significados tornamse alternativas saudáveis. Os outros significados são menos conhecidos como aquele registrado pelo famoso romancista José de Alencar em seu livro Ubirajara, obra considerada irmã de Iracema. Lá é dito: “Aratuba que se compõe de àra – o sol e, tuba, infinito do verbo coub – estar deitado. Vem a ser a significação leito do sol, aplicado pelos índios à montanha do poente, onde o sol se esconde no seu ocaso.” E assim segundo a pena alencarina, Aratuba quer dizer “Leito do Sol”, ou seja, “lugar onde o sol dorme”. Estudiosos da etimologia dizem ainda que Aratuba vem de “ara” (lugar alto) + “tyba” (muito), cujo real sentido seria “Lugar Muito Alto”. Bem, sobre a “abundância de pássaros”, ninguém duvida. Enormes bandos de pardais, andorinhas e outros pássaros cantam e encantam nosso amanhecer. Até mesmo as avoantes aos milhares ocupam em certas épocas muitos hectares de nosso território para desovamento como noticiaram os jornais O Povo e Diário do Nordeste em 2005. Sobre o significado de “Leito do Sol”, numa ênfase poética, basta vislumbrar o dormir do sol ao entardecer aratubense e você concordará com o conceito alencarino. Que é um “lugar muito alto”, a própria topografia comprova, afinal Aratuba está entre as cidades mais altas do Estado, apesar das muitas informações discordantes nesse sentido ao ponto de documentos e sites considerarem Aratuba a cidade mais alta do Ceará. Mas tal informação não é confirmada oficialmente conforme o quadro a seguir.

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Quadro da altitude de Aratuba Fonte de Informação

Altitude

Conclusão

Folder do Dept. de Cultura, 2005

986 metros

Cidade mais alta do Ceará

Folder do Dept. de Cultura, 2012

986 metros

Cidade mais alta do Ceará

Site Guaramiranga Informa

915 metros

Cidade mais alta do Ceará

Blog Natureza e Cultura de Sara Café Aguiar

945 metros

Cidade mais alta do Ceará

IPECE – Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará

830 metros

Não é a cidade mais alta do Ceará

Wikipédia, Enciclopédia Livre

945/830 metros

É e Não é a cidade mais alta do Ceará

Site Altitudes Brasileiras

865,7 metros

Não é a cidade mais alta do Ceará

PAT – Plano de Ação Turístico – Maciço de Baturité

840 metros

Não é a cidade mais alta do Ceará

Medição dos alunos da UECE em agosto de 2012

820 metros

Não é a cidade mais alta do Ceará

das

Cidades

Percebe-se que os informes locais e sites ou blogs ligados à região ou a Aratuba defendem a cidade como a mais alta do Ceará com uma altitude sempre acima dos 900 metros. Entre esses dados há até mesmo muito exagero como a de 986 m, pois o Pico do Mússu em Aratuba tem um pouco mais de 1000 metros e para quem conhece ele está muito acima da cidade. Já os dados governamentais de órgãos oficiais ou sites de estudo específico colocam Aratuba bem abaixo dos 900 metros. O próprio IPECE apresenta Aratuba com 830 metros de altitude. O interessante com esse dado do IPECE é que o antigo Almanaque Administrativo e Industrial do Rio de Janeiro (18911940), já indicava Coité com uma altitude de 830 metros do monte coco. No Ceará a cidade de São Benedito tem 903.8 metros e Guaraciaba do Norte é a campeã com 909,1 m de altitude. 

Gentílico e População

Com o topônimo Aratuba veio o gentílico aratubense e aratubano aos habitantes. Gramaticalmente tanto um como o outro são corretos, mas a preferência é o aratubense como se constata numa simples consulta num glossário. O Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, por exemplo, diz: “aratubense adjetivo e substantivo de dois gêneros relativo a Aratuba CE ou o que é seu natural ou habitante”. Mas alguns sites governamentais registram o gentílico aratubano como acontece nos sites da Aprece e IBGE. E até em documentos antigos como o do Congresso Eucarístico de 1945 aparece Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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às expressões: “povo aratubano” e “família aratubana”. No entanto apesar de aratubense e aratubano serem linguisticamente corretos, tem-se a preferência pelo primeiro e a rejeição histórica do segundo. Isso porque em Aratuba por muito tempo rejeitou-se terminantemente o aratubano por questões culturais que sobrepujam o aspecto gramatical. É uma antiga história que envolve as pessoas do sexo masculino por associarem o aratubano como negação da masculinidade. Por isso ainda hoje, com menos intensidade, é comum alguns homens, afirmarem que são aratubenses e não aratubanos. E essa rejeição cultural já resultou em brigas e confusões nos bares e botecos da localidade e conta-se até que um cidadão aratubense terminou seu noivado porque sua noiva o chamou de aratubano. E em termos quantitativos quantos são os aratubense? A primeira contagem da população de Aratuba remonta ao inicio do século XIX. O Almanaque Administrativo e Industrial do Rio de Janeiro (1891-1940) informa que Coité tinha 21.500 habitantes. Para nós é um número surpreendente já que nunca ultrapassamos os 13 mil nos censos oficiais do IBGE. Apesar de não ser datado especificamente, como cita o pároco José Barbosa de Magalhães pressupõe então que aconteceu em seu paroquiado entre 1908 a 1916. Isso nos leva a entender que o “censo” de 1922, no primeiro paroquiado do Pe. Gerardo Plácido Broders¹ quando ele de casa em casa contou os habitantes de Coité, refere-se apenas as residências da sede porque 461 pessoas é um número muito baixo. Oficialmente o primeiro censo aconteceu em 1970 e desde então a população vem aumentando e diminuindo num ritmo que acompanha os problemas territoriais já comentados. O quadro seguinte fará você compreender melhor o desenvolvimento populacional de Aratuba. POPULAÇÃO DE ARATUBA 1922 - 2010 ANOS

1922

1970

1980

1991

1995

1996

2000

2007

2009

2010

População

461

10.558

12.430

10.578

9.813

11.523

12.359

12.129

12.478

11.410

Urbana

.........

850

1.070

1.510

1.690

..........

2.157

3.042

...........

3.769

Rural

.........

9.708

11.360

9.68

8.123

..........

10.202

9.087

...........

7.760

Homens

202

5.481

6.410

5.586

.........

...........

6.419

6.211

...........

5.823

Mulheres

259

5.077

6.020

4.992

.........

...........

5.940

5.892

..........

5.706

Explicação das Fontes: Para o ano de 1922 usei os registros de dados não oficiais do padre Gerardo Plácido Broders. Para os demais usei o IBGE nos censos de 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010. Os anos de 1995, 1996, 2007, 2009 são estimativas. Utilizei ainda os sites da Funceme, Ipece e da Uol Notícias Censo 2010.

Observando esse quadro concluímos que: 01) Existe uma variação na contagem populacional de Aratuba meio estranha do tipo: ela cresce de 1970 a 1980 e diminui de 1980 a 1990 e depois volta a crescer entre 1990 e 2000; e volta de novo a diminuir no censo de 2010 e confirma a estimativa de 1996; Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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02) Somos um município ruralista apesar de um progressivo processo de urbanização nas últimas décadas como tem ocorrido no Brasil e no mundo. Isso direciona as políticas públicas que embora voltadas para todos, devem principalmente atender as necessidades básicas da grande parcela da população que vive em sítios e comunidades, cercados por problemas na agricultura, pecuária, recursos hídricos, economia, estradas, saúde e educação; 03) Com exceção dos dados não oficiais do Pe. Gerardo Plácido Broders no ano de 1922, em todos os censos do IBGE os homens são sempre maioria em Aratuba, porém essa maioria que alcançou uma diferença de 594 homens a mais em 1991, no censo de 2010 eles são 117. E isso não significa que os homens vivam mais, pois segundo dados do SARGSUS – Sistema de Apoio ao Relatório de Gestão, numa estimativa da população de 2010 em sexo e faixa etária as mulheres são maioria a partir dos 50 anos e chegam à velhice em maior número. E isso é confirmado pelo Perfil Básico dos Municípios do Ceará feito em 2011 pelo IPECE – Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. O SARGSUS ainda diz com base no censo de 2000 que Aratuba tem uma predominância da cor parda com 6.711 pessoas; em segundo a cor branca com 4.150; depois os negros com 1.066; os indígenas com 98; os amarelos com 45 e cerca de 289 pessoas não declaram sua cor; 04) E por último percebe-se que o crescimento da população urbana que era de 850 pessoas em 1970, passou para 3.789 em 2010 o que deve chamar a atenção dos gestores públicos municipais, pois atrelado a esse crescimento urbano tem-se o inchaço da cidade gerando problemas sociais nas áreas de moradia, saneamento, eletrificação, saúde, educação e geração de emprego e renda. Em síntese, Aratuba é a terra da “abundância de pássaros”, “Leito do Sol”, ou “Lugar muito alto”, localizada na região do Maciço do Baturité numa altitude de 830 metros a nível do mar, estando entre as cidades mais altas do Ceará com uma área de 142 km² e uma população atual de 11.410 aratubenses. Notas ¹ O Primeiro paroquiado de Gerardo Plácido Broders se deu entre fevereiro de 1922 a dezembro de 1925 e o seu segundo paroquiado de agosto de 1928 a abril de 1930. Ele realizou o recenseamento no ano de 1922. Um documento da paróquia diz que “o vigário fez o recenseamento de casa em casa, área de sua jurisdição, encontrando 202 homens e 259 mulheres.” A expressão “área de sua jurisdição”, deve referir-se apenas a sede pois “o vigário fez” dar a entender que ele realizou a contagem sozinho de casa em casa na vila Referências Bibliográficas FEITOSA, NONATO. Neri e Raimundo Pereira Martins. De Cuithé(Sesmaria) a Aratuba. Gráfica e Editora Canindé, 2011. Eleições 1958 – Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Seção de Estatísticas Eleitorais – TER/CE. Fortaleza, agosto de 2001. Aratuba Governo de Todos – Prefeitura Municipal de Aratuba – Júlio César, 1998. Mensagem de nº 003/2012 do Prefeito Municipal Júlio César Lima Batista Projeto de Lei de nº 003/2012 do Prefeito Municipal Júlio César Lima Batista E-mail do prefeito Júlio César Lima Batista ao autor do artigo http://altitude.entrecidadesdistancia.com.br http://naturacult.blogsport.com.br http://www.guaramirangainforma.com.br http://wwwaltitude.entrecidadesdistancia.com.br IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – www.ibge.com.br Informativo Aratuba Construindo a Cidadania – Prefeitura de Aratuba, 2010 Informativo Aratuba Pertinho do Céu – Prefeitura de Aratuba, 2005 Ipece – Instituto de Pesquisa e Estratégica Econômica do Ceará – www.ipece.ce.gov.br Secretaria de Saúde do Município Um aspecto do espaço urbano de Aratuba: A historicidade da Paróquia São Francisco de Paula. Manuscrito de pesquisa científica apresentado na cadeira de Fundamentos da Geografia, na UECE, no ano 2000 pelos professores do Grupo Corujão. ALENCAR, José de. Ubajara, Editora Virtual Books Online M&M Editora Ltda, p.63.

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MAPA DO MUNICÍPIO DE ARATUBA Dados Geográficos de Aratuba (Mapa/PAT, 2000)

MULUNGU Souza

Silva Ca na bra va

CANINDÉ

Ca noes Outeiro

Jap ão Oitis

Serra Verde Tope Olho d ’Água

Serra gem

Ced ro

Ba ixa Grande do Tope Sa nta Rita

Ga meleira

Flexeira Pa raiso

Tam anduá

Aning as

Sã o Leop oldo

Urucu Ca c hoeira

Vead o Seco

Rég io

CAPISTRANO

Sa ntana

Ca ntinho Monte Serra do

Ca ja zeiros Ca beç a de Onç a PINDOBA Ma ta s

Ba rreiros

Jac a randá de Cim a Ca rdoso

Pa u d ’Arc o

Fernandes Ca ip ora Água Boa

Covic o Pé de Serra

Ca na bra va I

Sede

Serrotão

Lim ã o

Ba na na l

Ba ixa Grande La meiro

Côc o

Ba la nç a

Oriente

MUNDO NOVO

Três Palmeiras

Lim oeiro

Flexeira

Brejo d a Serra

Sã o José Bb rejo de Ba ixo Ca nto

Bura co

Belmonte II Ca m ará

Olho d ’Água Serrote do Meio Jatobá

Bura co

Contenda s

Sa nto Ângelo

Boa Vista da Sorte La jes Va za nte

Aca rap e Sã o Bento

Ca m arão

Juriti Pa u d ’öleo

Ma rés

Sa lga do

Urubu Arac aju

Tenete

Vertente

Quatro Boc as Boa Água

PAI JOÃO

Belmonte I Pendanga s

Serrinha d e Baixo

Ba rrig ud a Jard im dos m elos Jard im

Jurem a

Serrinha d e Cim a

La gôa do Jard im

         

Área: 142 Km²(IPECE, 2011) Microrregião; Serra de Baturité. Altitude: 840m Latitude: 4º 25’ Longitude: 39º 03’ Zona Eleitora: 89ª Comarca de Mulungú Distância de Fortaleza: 132 km População: 11.410(Censo de 2010, IBGE). Limites: ao Norte-Mulungú; ao Sul-Itapiúna; a Leste-Capistrano e a OesteCanindé.

Jard im de Ba ixo

ITAPIÚNA

Fonte: PAT/Plano de Ação Turístico. Muniz.Arquitetura+Ubanismo+Consultoria

IV– A FORMAÇÃO RELIGIOSA DO MUNICÍPIO 01. Catolicismo Na oficialização da religião católica na Freguesia de Coité um fato curioso ocorrido com a família Pereira em 1866, resulta no aceleramento na construção da capela que se tornaria tempos depois a Matriz de São Francisco de Paula, padroeiro do lugar. Quando o capitão Francisco de Paulo Pereira no ano de 1866 veio visitar seu primo e cunhado Capitão João José Pereira, o mesmo adoece de uma febre ao chegar em Coité. O acontecido deixou todos preocupados pela frugalidade do lugarejo e a distância de uma unidade hospitalar para assisti-lo. Mas, o anfitrião em sua fé católica fez um voto a São Francisco de Paula, prometendo-lhe que se o parente recebesse a graça da cura, mandaria construir uma capela de invocação a São Francisco de Paula no terreno já doado pelo então capitão João José Pereira em 02 de setembro de 1863 ao mesmo santo. Sobre isso os relatos históricos divergem em pormenores. O livro do padre Neri (2011), por exemplo, conta que o voto foi do próprio capitão Francisco de Paulo Pereira e outros estudos dizem que o voto foi realizado pelo seu primo e anfitrião, o capitão João José Pereira O nome do enfermo também muda, ora Francisco de Paulo Pereira e Francisco de Paula Pereira. Ary Cunha, nosso primeiro historiador, registra o nome do capitão de Francisco de Paulo Pereira e o nome do santo como São Francisco de Paula, porém os históricos da professora Izilda (1982); da Escola Joacy (1984) e o livro de padre Neri registram o nome do capitão como Francisco de Paula, o nome do santo. Essa visão passa a ideia errada que a escolha do santo para a paróquia da freguesia de Coité foi devido a promessa e cura do enfermo que tinha o mesmo nome do santo.

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A visão histórica mais coerente, é a de que o nome do capitão enfermo era Francisco de Paulo Pereira e o voto pela cura fora realizado pelo Capitão João José Pereira, preocupado com a saúde de seu primo e cunhado, conforme o Álbum do Congresso. Afinal de contas o Capitão e sua esposa Antônia Maria da Conceição, donos do sítio Coité, doaram no ano de 1863, cerca de 100 braças de terra, em quadra a São Francisco de Paula2 com a intenção de ser construída uma capela de veneração ao santo, ou seja, mesmo que o nome do enfermo visitante fosse Francisco de Paula Pereira não foi devido a esse fato que a paróquia recebeu tal nomeação religiosa. A escolha do santo padroeiro não foi por causa da enfermidade do parente, mas tal episódio serviu para acelerar a construção da capela já intencionada três anos antes da visita do parente e já com o nome de São Francisco de Paula. Como percebemos o padroeiro do lugar seria São Francisco de Paula independente da febre do capitão Francisco de Paulo Pereira que não tinha o mesmo nome do santo, e mesmo que tivesse não muda a interpretação defendida aqui e nem tira a religiosidade e devoção católica de sua família. Desconheço como realmente se deu a escolha do padroeiro São Francisco de Paula, sabe-se porém que na data de 1884 a criação da Paróquia de São Francisco de Paula na Freguesia de Coité seria a 10ª paróquia com esse nome no Brasil. a. A Paróquia São Francisco de Paula seus Párocos e Capelas Apesar de Ari Cunha no Álbum do Congresso Eucarístico afirmar que o desenvolvimento religioso deu-se em Aratuba por volta de 1866, pois certamente refere-se ao ano do voto do capitão João José Pereira, a doação para construção da capela com o nome do santo São Francisco de Paula já fora doada três anos antes, em 1863, pelos proprietários João José Pereira e sua esposa Maria da Conceição. “A história registra que em sete de setembro de 1863, João José Pereira e sua mulher, Antônia Maria da Conceição, proprietários do Sítio Coité, doaram parte do mesmo, com as dimensões de cem braças de terras, em quadro, a São Francisco de Paula, a quem desejavam edificar uma casa de oração ou capela, onde pudesse ser praticado os atos religiosos por parte dos familiares dos patronos e mais residentes nas proximidades. O ato não teve formalidades burocráticas, mas a escritura particular foi apresentada em 15 de julho de 1919, para autenticação, no Cartório Joaquim da Silveira Marinho, em Baturité, centro administrativo de toda a região.” (Leonardo Mota, Sala de História do Seminário da Prainha, citado por Pe. Neri Feitosa em De Cuhyté(Sesmaria) a Aratuba p.05).

No mesmo Álbum do Congresso Eucarístico tem-se uma informação historicamente equivocada. Lá é dito que “Por volta do ano de 1888 chegou aqui o Frei Casemiro, missionário que iniciou a construção da atual matriz...”(grifo meu). Ora, o inicio da construção da Igreja Matriz é do ano de 1869, e é claro que a data de Ari Cunha está errada pois caso a construção da matriz tivesse inicio em 1888 então a Paróquia São Francisco de Paula não poderia ter comemorado o seu centenário em 1984, pois dessa forma o inicio de sua construção se dera quatro anos depois da data de sua existência oficial. O erro de registro continua em outros históricos. É uma diferença de 19 anos. Caso ele estivesse certo, todas as datas históricas da paróquia seriam revistas. 2

Francisco de Paula (1416 – 1507). Religioso Italiano. Franciscano, fundou a Ordem dos Mínimos, que se tornou conhecida pela austeridade. Assistiu a Luis XI da França em sua morte. Canonizado em 1519, festejado em 2 de abril. Enciclopédia Britânica do Publicações Ltda. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Segundo o Pe. Neri Feitosa, a Paróquia de São Francisco de Paula foi criada pelo Alvará Régio nº 2062 de 10 de dezembro de 1883, considerada a data do nascimento da paróquia. Porém, como a provisão canônica deu-se em 9 de janeiro de 1884, então esse ano é contado como a data oficial de sua criação. Com o desenvolvimento do município e a criação das comunidades, o catolicismo descentralizase e constrói capelas junto ao povo onde agora além de cultuarem a São Francisco de Paula como padroeiro do município cultuarão também o padroeiro da sua própria localidade. As primeiras capelas que compunham a Paróquia São Francisco de Paula foram Capela da Imaculada Conceição (Pindoba); Capela de Santo Antônio (Tope); Jesus Maria e José (Cantinho); Nossa Senhora da Conceição (Boa Vista); São Raimundo Nonato (Sítio); Santa Terezinha(Pai João, antigo Saco); Santo Antônio (Ipueira dos Targinos, atualmente Nossa Senhora de Fátima); Nossa Senhora Divina Pastora (Patronato, na sede antes de sua extinção) e Coração de Jesus (Paraíso). Tempos depois, outras capelas foram construídas como Capela Nossa Senhora Aparecida (Aningas); Capela Nossa Senhora de Fátima (Balança); Capela Nossa Senhora de Fátima (Barreiros); Capela Nossa Senhora da Conceição (Cajueiro); Capela Nossa Senhora de Fátima (Coquinho); Capela São José (Fernandes); Capela Santa Luzia (Jurema); Santo Antônio (Santo Antônio); Capela São João (São João); Capela Nossa Senhora de Fátima (Serrinha de Baixo); Capela Nossa Senhora de Guadalupe (Serrinha de Cima); Capela Nossa Senhora da Conceição(Três Barras), Capela Santa Felicidade (Urubu); Capela São Francisco de Assis e a Capela de Santa Rita (Marés). E em todo esse tempo quantos e quais padres a Paróquia de Aratuba já teve? Não é uma resposta fácil como parece a primeira vista. As fontes históricas, as listas dos párocos e a cronologia do paroquiado de cada um dará respostas diferentes a pergunta. Por exemplo, serão 22 padres pela lista de Ary Cunha no documento do Congresso ou 31 a partir de outra lista no mesmo documento ou ainda 28 pelo livro do Pe. Neri. Sem contar que Vicente de Paulo Araújo Matos citado no Álbum como vigário de Aratuba, não consta na lista do Pe. Neri (2011), e nem na lista do Pe. Claúdio Pereira (2009) como vigário da Paróquia São Francisco de Paula. E assim os critérios adotados pela igreja necessitam de melhor explicação. Frei Cirilo de Bérgamo é outro exemplo de pároco listado por Ari Cunha, mas sem constar em nenhuma outra lista dos padres de Aratuba. No livro “De Cuhyté (Sesmaria) a Aratuba”, o autor Pe. Neri Feitosa, listou a relação dos párocos de Aratuba. A lista trás o nome de cada pároco e o período cronológico de seu paroquiado, porém não resolve os questionamentos em torno do assunto. Existem umas cinco listas diferentes dos párocos de Aratuba sendo que no Álbum do Congresso Eucarístico de 1945, duas são citadas, claro não cronológicas e com os párocos anteriores ao Pe. Francisco Evaristo. A primeira aparece no Resumo Histórico de Aratuba de autoria de Ari Cunha; e a segunda é uma homenagem a todos os ex-vigários formando um acróstico de seus nomes com as palavras Grata Homenagem, incluindo também uma homenagem póstuma. Outra lista aparece no Histórico de Aratuba, organizado por Maria Izilda Lima Barbosa, em 1982; uma quarta Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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aparece na pesquisa da Escola Joacy Pereira, para uma dramatização em Baturité em homenagem ao Centenário da Paróquia em 1984; e a quinta é a lista de Pe. Cláudio Pereira, em 2009, durante as comemorações dos 125 anos da Paróquia. Comparando as datas das listas citadas anteriormente com as datas e lista do livro de Pe. Neri Feitosa percebe-se discrepâncias e contradições. A título de exemplo, temos a variação da grafia dos párocos tipo Mauro Braga ou Mauro Brag ou Mauro Braz; Policarpo Cornélio ou Policarpo Cornélius; Plácido Broders ou Plácido Broderes ou Plácido Brodeos ou ainda Plácedio Brodeses. Sem contar os nomes completos diferentes dos padres nos documentos como: Francisco Assis Monteiro ou Francisco de Assis Castro Monteiro; Enéas Lima ou Enéas Lemos de Lima ou ainda Enéas Soares de Lima; Maximiniano Pinto da Rocha ou Francisco Maximiniano Pinto da Rocha ou ainda Marximiniano Pêuto da Rocha; Melquíades Augusto de Souza ou Melquíades Mourão de Matos; João Batista de Abreu ou João Teixeira de Abreu; Enéas Lemos de Lima ou Enéas Soares de Lima; José Francisco de Sousa ou José Teixeira de Souza ou ainda José Terceiro de Souza; e Antônio de Souza Nepomuceno ou Antônio de Oliveira Nepomuceno entre outros. Para resolver essas dúvidas consultei os tomos paroquiais de batizados e casamentos assinados pelos párocos de Aratuba e vi como eles assinavam de próprio punho. Na lista a seguir aparece os nomes de todos os principais párocos da Paróquia São Francisco de Paula sem incluir os auxiliares devido às discrepâncias históricas. A escrita do nome é conforme encontrei nos registros paroquiais da forma que o pároco assinava. Quanto à duração do paroquiado apresento as datas variáveis encontradas nas várias listas. Nº

Nome do Pároco

Tempo de Paroquiado

01. Pároco Francisco Rodrigues Monteiro

01/01/1884 a abr/maio de 1887

02. Pároco Sebastião Augusto de Menezes *

Maio a ago/set de 1887

03. Pe. Melquíades Augusto de Souza

Set de 1887 a jan/fev de 1889

04. Pe. Irineu Pinheiro Bezerra de Menezes

Fev de 1889 a Nov de 1898

05. Pe. Vicente Pinho Teixeira

Nov de 1898 a jun de 1899

06. Pe. Macário Bezerra de Arrúda

Jun de 1899 a maio de 1901 ou jul de 1899 a abril de 1901

07. Pe. Joaquim Franklim Gondim**

Maio de 1901 a mar/abril de 1902

08. Vigário João Teixeira de Abreu

Set de 1906 a mar/abril de 1908

09. Pe. José Barbosa de Magalhães

Abril de 1908 a nov/dez de 1916

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10. Vigário Maximiano Pinto da Rocha

Dez de 1916 a jan/fev de 1922

11. Pe. Gerardo Plácido Broders

Fev de 1922 a nov/dez de 1925

12. Pe. Eneás Lima

Dez de 1925 a nov/dez de 1926

13. Pe. José Celestino SJ

Dez de 1926 a agosto de 1928 ou dez de 1925 a nov de 1926

14. Pe. Gerardo Plácido Broders

Agos de 1928 a mar/abril de1930

15. Pe. Felipe Pinheiro SJ

Abril de 1930 a nov/dez de 1931

16. Pe. Francisco Assis Monteiro

Dez de 1931 a nov/dez de 1934

17. Pe. José Terceiro de Sousa

Dez de 1934 a dez de 1938 ou dez de 1934 a Nov de 1935

18. Pe. Antônio Nepomuceno

Dez de 1935 a dez/jan de 1943

19. Frei Amadeu Laumoun, O.F.M***

Jan de 1943 a jan de 1944

20. Frei Policarpo Cornélio

Jan de 1944 a fev/mar de 1945

21. Pe. Francisco Evaristo de Melo

Março de 1945 a jan de 1948

22

Fev de 1948 a jan/fev 1949

Pe. Mauro Herbster

23. Pe. Flávio Retumba P. Monteiro

Fev de 1949 a jan/fev de 1950

24. Pe. Dionísio Mosca de Carvalho****

Fev de 1950 a agosto de 1964 ou a janeiro de 1967

25

Fev de 1967 a dez de 1969 ou a fev de 1973

Pe. José Maria Cavalcante Costa

26. Pe. Moacir Cordeiro Leite

Jan/fev de 1970/1973 a jan/fev de 2002

27. Pe. José Eudásio do Nascimento da Cruz 15 de fev de 2002 a fev de 2008 28. Pe. Antônio Cláudio Pereira de Oliveira

Fev de 2008

Notas *O Jornal Gazeta do Norte, de Fortaleza, na edição 72, de 2 de abril de 1888 diz que “por provisões de 23 e 26 de março foram reconduzidos nos cargos de vigário: da freguesia de Coité, o revd. Sebastião Augustos de Menezes; do Saboeiro, o revd. Irenêo Pinheiro Bezerra de Menezes.” Esse jornal em 15 de novembro do mesmo ano o padre Sebastião Augustos de Menezes, “virtuoso vigário de Coité”, é congratulado pelo seu irmão, Antônio Augusto de Menezes ter concluído o curso de medicina e agora chamado de Dr. Antônio Augusto de Menezes. ** Antes de Pároco Franklim Gondim assinar o livro de batizado existe a assinatura do padre Benedito Araújo Lima somente uma vez em 15/07/1901 *** Ordem dos Frades Menores **** Apesar de não ser contado entre os párocos de Aratuba, Neri diz que “padre Vicente de Paulo Araújo Matos, pároco de Capistrano e encarregado provisoriamente de Aratuba...” Ele participou do congresso eucarístico da Paróquia de 1945 com uma comitiva de Capistrano. Segundo o livro “Formação Histórica de Capistrano 1890 a 1984”, do prof. Arthur Pinheiro, Vicente de Paulo foi pároco de Capistrano durante janeiro de 1944 a junho de 1947. A pesquisa do grupo Corujão(2000) chega a afirmar que após o paroquiado do Pe. Vicente de Paulo Araújo Matos em Aratuba, “seguiram-se vários párocos, até que tomou posse... padre Dionísio Mosca de Carvalho”.(Grifo meu). Talvez esses vários párocos sejam o Pe. José Bezerra Filho que assina o livro de batizado entre 04/02/1945 e 06/03/1945; e os vigários cooperadores: Frei Gregório Renner ofm que assinou entre 08/10/1943 e 06/11/1944; e Frei Patrício Lembert ofm que assina o livro entre 29/11/1944 e 03/02/1945. Claro que as vezes existiam batismo, sem a assinatura dos padres nos livros como é caso dos batismo entre 30/06/1901 e 15/09/1901 ****O trabalho acadêmico do grupo Corujão(2000) afirma que a posse de padre Dionísio Mosca de Carvalho aconteceu em 04 de agosto de 1949.

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b. Pe. José Barbosa Magalhães e as Palmeiras Imperiais e Centenárias No Histórico da Escola Joacy (1984), registrase a apresentação de uma dramatização na cidade de Baturité. Os alunos naquele momento realizaram uma homenagem póstuma e pediram um minuto de silêncio pelos párocos de Aratuba e apresentaram o busto do Pe. José Barbosa de Magalhães. Padre Zezinho como era conhecido foi um homem voltado para o ensino e que por isso mesmo a antiga CNEC em Aratuba recebeu o nome de Centro Educacional Monsenhor José Barbosa em sua homenagem. A Palmeira Imperial como ficou conhecida no Brasil é um planta solitária, de tronco colunar e cujo palmito é exposto volumosamente no seu topo. Ela é originária das Antilhas e do norte da Venezuela. No Brasil o primeiro exemplar de seu gênero foi plantado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro por D. João VI em 1809 e recebeu a designação imperial devido o Brasil Império com a vinda da família real. Outros a chamam de palmeira-caribenha e palmeira-realsul-americana, devido suas origens. A Palmer Mater, ou Palmeira Mãe, como foi chamada, tornou-se a mãe de todas as demais palmeiras plantadas em solo brasileiro. No século XIX a plantação dessas palmeiras era comum no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Conta-se que mudas eram distribuídas aos súditos e a palmeira tornou-se assim “símbolo do Império”. Em Aratuba, elas chegaram no período republicano o que deixa de lado aquela imagem de poder monárquico ligado ao trono imperial. Em Coité o único poder que elas representam é a religiosidade católica por estar em frente à Igreja Matriz e ter sido plantada por um padre cujo busto está no museu do município. A primeira vista perguntar se as palmeiras de Aratuba são centenárias parece algo irrelevante porque todo mundo refere-se a elas como centenárias, portanto tornou-se expressão corriqueira e comum. O problema é que a data do plantio das palmeiras envolve controvérsias, tornando a pergunta de grande importância para a história local. Sabe-se que foi o pároco José Barbosa de Magalhães quem as plantou. Documentalmente os históricos de Izilda Barbosa(1982) e o histórico da Secretaria de Educação (1995) dizem isso acrescentando que foram 17 palmeiras ao todo, restando apenas cinco, sem mencionar a data da plantação. E só aí já temos um probleminha nos dois relatos, porque dizem o mesmo quando no espaço de tempo entre 1982 a 1995, dois cidadãos aratubenses já haviam plantado e cuidado de mais uma palmeira no centro da praça – a menor e mais nova delas. O fato do padre plantar 17 palmeiras e restar 05 explica-se pelas pragas como ácaros, brocas e cupins tão comuns nessa vegetação além de doenças que comprometem seu desenvolvimento e longevidade. A “podridão do topo”, por exemplo é muito frequente nas palmeiras do Ceará e no Piauí. A professora Regina Magna num estudo de documentos paroquiais em 2005, fez menção das palmeiras, com a data de plantação no ano de 1908. Até então essa data não havia aparecido Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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nos escritos. Claro que as memórias vivas já afirmavam isso. Dona Albertina Lima, de 99 anos, por exemplo, diz que padre Zezinho Magalhães plantou-as no ano de 1905, o que é perto do seu paroquiado que começou em 1908. Já outros como Manoel Pereira Martins(Seu Manoel do Bar), 87 anos diz que padre Zezinho as plantou em 1915, próximo do fim do paroquiado em 1916. E assim o assunto tornou-se um pouco mais complexo em responder a indagação simplesmente fazendo um mero cálculo matemático. Mas se alguém duvidar dos históricos pela sua recentidade, tem-se testemunho mais antigo. O Álbum do Congresso Eucarístico de 1945 diz em sua capa que “As palmeiras que o estimado Padre José Barbosa Magalhães fincou em pleno coração da Coité saudosa de seu paroquiado distante – e que hoje são o mais belo ornamento daquela praça.” Em outra parte do mesmo documento numa Saudação a Aratuba, a congressista Edite Pinto fala das “tradicionais palmeiras, que lembram o querido Pe. Zezinho.”. No álbum do congresso há também um poema intitulado “Palmeiras de Aratuba” dedicado ao Clérigo J. Nilson que deve ser o seminarista José Nilson Oliveira Lima, o primeiro pároco filho de Aratuba. O autor do poema de nome F.E.C. de Barros Leal escreveu-o na data de 27/02/46 na cidade de Fortaleza. O segundo estrofe do poema diz “Viveis há já trinta anos, diz a fama, E desde então ardeis cor de Esperança!”. Pela linguagem do autor percebe-se que as palmeiras tem 30 anos conforme se acreditava na época. Mas se elas foram plantadas em 1908 então não tinha 30 anos em 1946 e, sim, 37. É intrigante o mesmo documento citar o plantador das palmeiras sem uma data precisa já que o próprio José Barbosa Magalhães estava presente no congresso de 1945. E mais, pelo poema o padre plantou as palmeiras no último ano de seu paroquiado, o que parece improvável. Assim ao sair o padre deixou pequenas mudas plantadas e ao visitar Aratuba em 1945 para o congresso elas já eram “colossais palmeiras” como diz o terceiro verso do primeiro estrofe do citado poema. Afinal, elas foram plantadas no ano de 1908 ou em 1916? E quantos anos realmente têm as palmeiras de Aratuba? Partindo do testemunho documental, no caso o poema de 1946 as palmeiras terão hoje 97 anos. A questão é que o paroquiado de Pe José Barbosa Magalhães se estende de abril de 1908 a novembro ou dezembro de 1916¹ e assim a pergunta se as palmeiras imperiais de Aratuba são centenárias depende se elas foram plantadas no início ou no final de seu paroquiado, ou seja, nos anos de 1908 e 1916 respectivamente. E isso dependerá também de qual testemunho histórico escrito seja considerado, se o documento mais antigo (o poema no Álbum do Congresso) que coloca uma data mais recente na plantação das palmeiras(1916) ou o documento mais recente (estudo da professora Regina Magna) que coloca uma data mais antiga(1908). Digo recente, mas a professora Magna realizou estudos nos tomos da própria Paróquia. Elas só serão centenárias se a data de 1908 estiver correta, caso não ainda completarão 100 anos. E isso, é claro, as palmeiras grandes porque a menor, plantada por Maria Eliane Silva Cavalcante (esposa do Peixoto) e Raimundo Martins Monteiro (Pituca) é desde a década de 80.

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Há quem alegue que as palmeiras de Aratuba são mais antigas ainda, pois ouviram contar de antigos que Leopoldo Pereira as plantou há muito tempo. Como prova cita-se o tamanho das palmeiras nas fotos do Congresso de 1945. Nelas as palmeiras já são enormes, mas nesse caso teriam apenas 30 ou 38 anos, dependendo de sua plantação em 1908 ou 1916. Para se ter uma ideia de tal argumento a Palma Mater, ou palmeira mãe porque dela descende todas as palmeiras imperiais no Brasil, passou 163 anos para chegar aos 38,70m entre 1808, ano de sua plantação e 1972 quando um raio a destruiu. Porém tal comparação não é argumento definitivo visto que as diferentes condições de clima e solo influenciam no crescimento dos vegetais. Além do mais a palmeira atinge em média 30 metros, com 62 cm de diâmetro, podendo alcançar até os 50 m. No caso de Leopoldo Martins, os testemunhos dizem que ele ajudou ao pároco no cuidado com as palmeiras. Em 1908 Leopoldo tinha 28 anos e em 1916 estava com 36. Manoel Pereira Martins(Seu Manoel do Bar), 83 anos diz que tanto Leopoldo Pereira como seu tio Paulo Pereira Martins ajudaram o padre Zezinho no plantio. Particularmente acredito que o escrito da professora Regina Magna, o testemunho vivo de Dona Albertina Lima justificam a plantação no ano de 1908 e assim as palmeiras são centenárias. A razão é porque é mais provável acreditar que o padre José Barbosa Magalhães (Zezinho) tenha plantado no início do seu paroquiado (1908) do que no último ano que aconteceu em 1916. Mesmo que o poema de 1947 diga “Viveis há já trinta anos”, o autor não é preciso na data, pois ele completa o verso com “diz a fama”. Parece que é um arredondamento, pois de fato as palmeiras tinham na época uns 37 e hoje com 105 anos. Mas insisto em afirmar que parece. Acredito que são centenárias, mas caso não sejam, todos poderão afirmar isso com certeza a partir de 2015 ou 2016. NOTAS ¹ Sobre o fim do paroquiado de Pe. José Barbosa Magalhães existe uma pequena discrepância histórica se aconteceu em novembro ou dezembro de 1916. O Histórico do Joacy(1984); e o Livro do Padre Neri(2011) citam dezembro de 1916; já a lista de padre Claúdio Pereira(2009) menciona o mês de novembro. Mas todos os documentos disponíveis afirmam que seu paroquiado começou em abril 1908. Referência Bibliográfica <>http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?php=S0009-67252010000100011&script=sci_arttext. Acesso em 02/03/12 <> www.cnpat.embrapa.br/cnpat/cd/jss/acervo/Ct_152.pdf. Acesso em 02/03/12 <>http://pt.wikipedia.org/wiki/Palmeira-imperial acesso em 28/04/11 ARATUBA, Paróquia de. Álbum do 1º. Congresso Eucarístico de Aratuba, 1945. BARBOSA, Izilda. Histórico de Aratuba. Trabalho datilografado, 1982 Exposição Histórico Cultural da Escola Maria Júlia em 25 e 26 de março de 2010. REGINA, Magna. A Religiosidade de Aratuba. Trabalho não publicado, 2005.

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c. O Congresso, o Padre e o Hino Eucarístico de 1945 

O Congresso

O 1º Congresso Eucarístico de Aratuba aconteceu no período de 29 de dezembro de 1945 a 1º de janeiro de 1946, numa idéia lançada pelo pároco Francisco Evaristo de Melo que trabalhou incansavelmente para a concretização do mesmo. Sua realização foi considerada um verdadeiro milagre pelos fiéis católicos pela importância e o tamanho do evento religioso. Como diz o documento do próprio congresso era um plano arrojado e as despesas eram muito elevadas, calculadas no final da festa num valor de Cr$ 30.000,00(Trinta Mil Cruzeiros). Levando-se em consideração as condições sociais da paróquia e o contexto socioeconômico da localidade era realmente uma quantia financeira exorbitante. Mas as ajudas não faltaram. D. Belica Oliveira Lima e D. Cássia Silveira Lima se comprometeram em custear a limpeza e pintura da igreja. D. Maria Barbosa Pereira (D. Doca), cedeu seu casarão para recepcionar o Revmo. Sr. Arcebispo D. Antônio de Almeida Lustosa e uma grande comitiva de párocos e seminaristas que participariam da festa. Outras pessoas também cederam suas residências para hospedar os congressistas e entre elas citam-se os senhores Odilon Colares, Dique Lessa, Raimundo Lobato Sampaio e José Pinto Magalhães. O Sr. João Cordolino Pereira ofereceu a madeira para a instalação da Praça do Congresso. Emetério Campos Colares disponibilizou o seu motor para aumentar a iluminação da igreja e do altar. Nemésio Lima deixou praticamente todos os seus afazeres para dedicar-se a festa. O capitão Newton Lima prestou grande trabalho na segurança pública durante os dias do congresso. Adriano Lopes, prefeito de Pacoti, compareceu ao congresso e prestou relevantes serviços. O Sr. Clot Tobias, sub-prefeito de Aratuba esforçou-se para o bom andamento dos preparativos do congresso e o Sr. Raimundo Viana contribuiu com grandes somas para despesas do Congresso, sem contar o trabalho das famílias de Aratuba que empreenderam esforço para a realização e participaram ativamente da grande festa. Várias comissões foram formadas para o bom andamento do congresso: Comissão central que cuidava das questões materiais e morais; Comissão de recepção e hospedagem que resolvia os problemas de organização do congresso; Comissão de propaganda e de arrecadação do tesouro espiritual que incluía as 75 catequistas da paróquia que cuidavam do bom desenvolvimento do congresso; e a Comissão de ornamentação e organização em geral que cuidava de muitas atividades ajudando o vigário. As fotos da época mostram muita gente participando do congresso e o Álbum informa que o escudo distribuído, uma espécie de distintivo usado pelos católicos somou um total de Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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mais de mil. No recinto da Praça do Congresso havia lugares para 1.200 pessoas sentadas que deveriam apresentar seu ingresso. O ingresso era concedido gratuitamente para quem desse uma esmola superior a cinco cruzeiros ou quem comprasse o escudo do congresso. Durante os dias da festa missas foram dedicadas à juventude, as crianças e as famílias em geral. Foram muitas as orações, cânticos, devoção, confissões e homilias pelos párocos e pelo Arcebispo Metropolitano D. Antônio de Almeida Lustosa. Numas das homilias o Revmo. Antônio Pequito instruiu as crianças para suas almas se conservarem puras e longe das falsas ideologias. Entre essas falsas doutrinas o padre citou o comunismo, a maçonaria e o mundanismo pecaminoso. O próprio arcebispo D. Antônio de Almeida fez uma grande campanha contra o comunismo no Ceará, embora muitos padres fossem acusados de serem comunistas como o próprio Pe. Evaristo de Melo era pelos seus opositores em Aratuba. Pergunta-se se o sermão de Pe. Antônio Pequito contra o comunismo era tanto uma advertência à população aratubense quanto uma indireta no próprio pároco. A primeira opção parece a mais coerente. A própria presença do arcebispo no congresso aumentava ainda mais a posição da igreja contra a ideologia marxista. O jornal O Nordeste de 12/Jan/1947 registra as palavras do bispo cearense de forte apelação contra o comunismo: “Os comunistas sempre foram e serão inimigos da Igreja. Nunca poderíamos aconselhar os eleitores que sufragassem um candidato pelos comunistas amparados.” 

O Padre

Apesar de acusado de comunista sabe-se que Pe. Evaristo era um fiel ministro da igreja e seguia as orientações de seu bispo, por isso a acusação é altamente improvável. Parece que as perseguições movidas contra ele eram reações de outras atitudes tomadas pelo pároco. A senhora Albertina Farias Lima (Dona Albertina) destaca que o pároco Evaristo de Melo aconselhava aos pais sobre a responsabilidade de ensinarem os seus filhos e matricularem-nos no catecismo e que o mesmo tinha um grande cuidado com as crianças ao ponto de fundar um campo de futebol perto da matriz onde elas se divertiam após a instrução catequética. Uma pesquisa da professora Regina Magna, diz que padre Evaristo “construiu um campo de futebol num terreno, onde hoje é a Câmara Municipal, com o objetivo de proporcionar algum lazer para a população masculina, desviando-os da bebedeira...” O padre pregava contra o alcoolismo e até havia um documento que impedia os comerciantes de venderem bebida alcoólica após as 19 horas. Portanto havia Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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conflitos entre o vigário e os comerciantes envolvendo princípios e interesses econômicos, até porque os comerciantes não obedeciam à proibição da venda de bebidas. O livro De Cuhyté (Sesmaria) a Aratuba, diz sem detalhes que Pe. Evaristo de Melo foi perseguido por 15 homens que foram até a cidade de Mulungú para o insultarem. Esse fato se deu nas eleições de 1947, dois anos após o congresso, sob a acusação de padre comunista. Os revoltosos, comerciantes e aliados do subprefeito da época, foram armados com cassetes e pronunciaram duras palavras contra o vigário. O episódio levou-o a se afastar da sede municipal, concentrando seus trabalhos paroquiais nas capelas da zona rural e na paróquia de Mulungú. O resultado desses acontecimentos foi a suspensão das missas dominicais e dias santos durante quatro meses em Aratuba até decisão em contrário do arcebispo Dom Antônio de Almeida Lustosa. A saída definitiva de Pe. Evaristo criou um período conturbado para a fé católica, gerando desconfiança e uma prolongada ausência de um padre fixo na Paróquia de Aratuba. Tempos depois o padre Flávio Retumba registrou “notei a fé do povo, espírito de religião que leva ao sacrifício. Certa desconfiança para com minha pessoa”. E mesmo na época de Pe. Flavio o movimento de bebidas combatido por Pe. Evaristo ainda continuava causando problemas no município e gerando frieza e indiferença espiritual a mensagem do evangelho nas pessoas. Tudo indica que Padre Francisco Evaristo de Melo, idealizador do 1º Congresso Eucarístico da Paróquia de Aratuba, incentivador do catecismo, que restabeleceu a cruzadinha¹, o iniciador do projeto do Patronato e um exímio ensinador da doutrina católica, será sempre lembrado pelas perseguições que sofreu dos comerciantes e políticos locais pelo combate ao alcoolismo e divergências políticas, pichado inclusive como um padre comunista, acusação contraditória, pois a igreja católica estava na época fortemente engajada justamente contra a ideologia marxista. Um outro padre destacado como participante da festa era o clérigo José Nilson de Oliveira Lima (irmão de Nemésio Lima) que tornou-se o primeiro sacerdote filho de Aratuba. José Nilson nasceu em 05 de junho de 1922, na vila de Coité. Filho de Isabel Oliveira Lima com o latifundiário Adolfo da Silveira Lima, atual nome da praça da cidade. José Nilson começou a estudar teologia ainda jovem e obteve a sua ordenação sacerdotal em 30 de novembro de 1947, aos 25 anos de idade. Ele morreu em 15 de abril de 2010 aos 88 anos, vítima de falência múltiplas de órgãos. No ano de sua morte a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou a resolução nº 615 de 22 de dezembro de 2010 que institui a Medalha Padre José Nilson de Oliveira Lima. O artigo1º da lei reza: “Fica instituída a Medalha Padre José Nilson de Oliveira Lima, destinada a homenagear cidadãos do Estado que se destaquem em áreas de atividades socioculturais, profissionais ou religiosas, em favor do Estado”.

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O Hino

No dia 26 de março de 2012 na abertura da Semana do Município um grupo de alunos católicos da Escola Professora Maria Júlia cantaram o Hino do Congresso Eucarístico e pela primeira vez na história local explicou-se aos presentes que tratava-se de um hino da paróquia e não do município como sempre convencionou-se chamá-lo nos momentos cívicos municipais. Um exemplo disso aconteceu na inauguração do CEI – Centro de Educação Infantil de Marés em 10 de fevereiro de 2012 quando o referido hino foi cantado como Hino do Município, inclusive ao lado dos hinos do Ceará e do Brasil. Tal designação de Hino Municipal é aceito pela igreja, pois o título dado a música no livro de cântico da paróquia em 2005 é HINO DE ARATUBA. É no mínimo estranho à igreja aceitá-lo como hino municipal, já que no próprio Álbum do Congresso seus títulos são: “Nossa terra é custódia de luz” e “Aratuba a cantar se levanta”. A canção tornou-se símbolo musical do 1º Congresso Eucarístico da Paróquia. Porém para entender a razão do poder público municipal cantar essa música religiosa como se fosse o hino do município e como um prefeito tentou oficializá-lo no mesmo ano que a Igreja Católica o colocou no seu livro de cântico com o título de Hino do Município, é preciso compreender um pouco sua história. O hino “Aratuba a cantar se levanta” é o grande marco musical do Congresso Eucarístico de 1945. Sua letra é do Clérigo Manuel Edmilson e música do Dr. Alfredo de Oliveira. A importância e contribuição histórica dessa melodia eucarística é que a expressão “Aratuba a cantar se levanta” serviu para tornar o nome mais popular, pois era então um nome novo para o povo e assim ajudou na mudança Coité-Santo Dumont-Aratuba. Sua influência religiosa católica foi tamanha que passou a ser cantado popularmente como Hino do Município principalmente nos festejos cívicos municipais e quase foi aprovado como Hino de Aratuba pelo Poder Legislativo. A mensagem de nº 008/2005 enviada pelo prefeito José Wolner Santos no ano de 2005 pedia a Câmara a sua oficialização. A mensagem de nº 008/2005 do prefeito Wolner Santos enviada ao poder Legislativo, em seu artigo 1º solicitava aos vereadores que oficializassem o hino do congresso como Hino do Município de Aratuba, sem mencioná-lo como um hino religioso católico. Em 2005 o município completava seu 46º Aniversário de Emancipação Política, e por não possuir um hino, o prefeito achou por bem oficializar o hino do congresso já cantado há décadas nos festejos municipais. O artigo 4º da Lei Orgânica do Município afirma que: “São Símbolos do Município a Bandeira e o Hino Municipal”. Aratuba tem uma bandeira, mas não um hino. Porém os vereadores não poderiam aprovar uma música religiosa eucarística como um hino do município para solucionar a questão. O hino do Congresso é uma Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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música de caráter exclusivamente religiosa e não cívica, e que expressa em sua letra à crença no dogma católico da transubstanciação. O hino “Aratuba a cantar se levanta”, tem uma letra doutrinariamente católica e por isso não pode constituir-se num hino municipal. Os próprios relatos da igreja afirmam que o hino é: “...de estilo popular e religioso, prima pelo bom gosto poético. É uma consagração de amor ao Deus dos Altares, e uma profissão de fé eucarística... a vibração do sentimento piedoso em louvor ao Deus-Hóstia. Ora, como o hino era uma expressão musical de um congresso eucarístico e a Eucaristia, segunda a teologia católica, é a mudança intrínseca da natureza do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo, o hino então diz em seu coro:“...que por nós num milagre de amor, pequenino se fez na hóstia santa...”. Para você entender a diferença damos o seguinte exemplo: na Igreja Católica o padre diz ao distribuir a hóstia: “o corpo de Cristo”; numa Igreja Evangélica o pastor dirá: “símbolo do Corpo de Cristo”. O local onde o padre celebra a missa é o Altar, pois a expressão evoca o sacrifício; entre os evangélicos o mesmo local se chamará Púlpito e lembra não sacrifício e, sim, pregação, exposição da sagrada escritura. Há portanto uma grande diferença entre um culto protestante e uma missa católica. E como o município tem uma pluralidade religiosa e presença marcante de evangélicos constituiria um desrespeito a aprovação desse projeto de lei. No dia 22 de março de 2005 os vereadores reprovaram por unanimidade o projeto que intencionava oficializar o hino do congresso eucarístico como Hino de Aratuba por entenderem sua inconstitucionalidade após as explicações da vereadora Adriana Silva Leitão. Tanto a Comissão de Justiça e Redação como a Comissão de Educação, Cultura e Meio Ambiente emitiram parecer desfavorável ao Projeto de Lei por entenderem que o hino é de caráter religioso e representa a fé do povo católico local e como tal deve ser cantado na igreja como expressão de fé dessa agremiação religiosa e não como expressão cívica da população aratubense envolta em diversos credos.

NOTAS ¹ Congregação fundada por Pe. Evaristo para rapazes de 12 a 14 anos com reunião toda 5ª feira de cada mês conduzindo em pé uma fita amarela.

_________________________________________________________________ Referências Bibliográficas Pe. Flávio Retumba, livro de tombo da Paróquia São Francisco de Paula. Ofícios de Francisco Gildo Alves Gomes, 2005 ARATUBA, Paróquia de. Álbum do 1º. Congresso Eucarístico de Aratuba, 1945. FEITOSA, NONATO. Neri e Raimundo Pereira Martins. De Cuithé(Sesmaria) a Aratuba. Gráfica e Editora Canindé, 2011. REGINA, Magna. A Religiosidade de Aratuba. Trabalho não publicado, 2005. Livro de Cântico da Paróquia São Francisco de Paula, 2005 Pareceres das Comissões da Câmara Municipal de Aratuba, Março de 2005 FARIAS, Airton. História do Ceará, dos índios a geração Cambeba, Fortaleza, 1997

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d) A Polêmica da Transferência da Estátua do Cristo Nas fotos antigas do Congresso Eucarístico percebe-se a ausência da estátua do Cristo em frente ao patamar da igreja, pois o monumento foi erigido no paroquiado de padre Dionísio Mosca. A bênção desse símbolo religioso se deu em 02 de dezembro de 1961. No ano de sua remoção em 2011 a estátua completaria 50 anos e não 40 como disseram várias pessoas em blogs e até na entrevista do Jornal O Povo. A autorização do padre Cláudio para transferência da estátua do Cristo de frente para trás da Igreja Matriz, causou polêmica e desagrado a muitos católicos. A revista da Prefeitura Municipal de Aratuba, de 2012 cita padre Claúdio dizendo que “o patamar do templo foi reformado com base em foto de 1946”. No Jornal O Povo, edição de 20/03/12, o pároco apresentou outras razões para a remoção da estátua: “O padre Cláudio Pereira, pároco da matriz de São Francisco de Paula, explica que a mudança precisou ser feita para melhorar o patamar da igreja, onde são celebradas missas campais. Ele conta que há o costume de celebrações ao ar livre na cidade e, por causa da localização da imagem, o palco era montado em local mais alto, dificultando a visão dos fiéis”. Na mesma matéria temos ainda visão de dois professores sobre o acontecimento, Carlos Bernardino e Gerson Castelo (Gersim). O professor Carlos Bernardino, um espírita, num prisma de valorização cultural é contra a transferência. “É um símbolo cultural da cidade, pequena e acolhedora. Quem chegava, logo via o Cristo na porta principal da igreja. Muita gente de fora tirava foto”, destacou Carlos Bernardino. Já o professor Gerson Castelo (Gersim), um católico, alegou vantagens econômicos. “O projeto de deslocamento da imagem era antigo, mas outros padres não tiveram coragem de fazer”. E que “antes era preciso montar palco de madeira, com aluguel de 1,5 a R$ 2 mil. Agora não tem mais esse gasto”. O descontentamento levou a população a realizar um abaixoassinado. Mas segundo padre Cláudio “Ele não chegou a receber o abaixoassinado, mas soube do movimento contra a mudança. Iniciativa, diz de um grupo evangélico”. Católicos afirmam que realmente realizaram o abaixo-assinado mas a transferência da estátua realizou-se tão rápido que impossibilitou a continuação e entrega do documento. A citação dos evangélicos como responsáveis do abaixo-assinado não tem confirmação por parte das igrejas, pois eram os menos interessados na questão. Sabese que o abaixo assinado realmente aconteceu e teve a iniciativa de católicos e não de evangélicos. Por fim a presença dos sete bispos da arquidiocese do Piauí numa missa de Ação de Graça em novembro, amenizou os ânimos religiosos na localidade e compreendeu-se que o pároco agiu em conformidade com seus superiores.

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Sobre a polêmica da transferência da Estátua do Cristo de Aratuba em frente à matriz podemos resumir um quadro explicativo da seguinte forma: A Estátua A Estátua tem 1,5 de altura e recebeu a bênção no dia 02/12/1961 e portanto, tinha 50 anos em 2011, ano da transferência. A existência da estátua em frente a Matriz se deu no paroquiado de Pe. Dionísio Mosca de Carvalho.

Motivos da Transferência

Os Argumentos a favor

Os Contra-argumentos

01)Foto de 1946;

01) A foto da matriz de 1946 mostra as festividades do Congresso Eucarístico com o povo em frente a Matriz sem a Estátua do Cristo;

01) A foto não pode ser usada como base pois a estátua não existia. O altarmonumento do Congresso Eucarístico de 1945 tinha um Cristo prateado de braços abertos. A estátua do Cristo substituiu essa imagem;

02)Melhora a visão dos fiéis durante celebrações de missas campais; 03)O projeto de deslocamento da imagem já existia; 04)Economia para paróquia de cerca de R$ 1,5 a R$ 2 mil reais; 05)O bispo aprovou a decisão do pároco;

02) Os católicos visualizam melhor os momentos litúrgicos das missas campais em frente a Matriz; 03)Os padres mais antigos não realizaram com medo da reação dos fiéis. Padre Cláudio cumpriu o que já era projetado; 04) A igreja economiza as finanças da paróquia, podendo utilizá-las em outros projetos; 05) O pároco agiu em conformidade com seus superiores;

02) As palmeiras também impedem a boa visualização e nem por isso são arrancadas; 03) Nesse caso párocos antigos como José Maria e Moacir Cordeiro sabiam do projeto e necessidade da transferência e como são vivos podem confirmar o projeto. Eles confirmam? 04) O aspecto econômico sobrepõe-se ao culturalreligioso ou vice-verso? A economia é um argumento mais contra que a favor; 05)Sabe-se que o cânone 23 da Igreja Católica adverte que uma tradição com mais de 30 anos vira direito e lei adquirido. A estátua estava ali a quase 50 anos

e) As CEBs e a luta pelo pobre e pela terra Pe. Evaristo não foi o único padre perseguido e acusado de comunismo na história dos paroquiados de Aratuba. Nas décadas de 60 e 70 os padres Zé Maria e Moacir serão também vítimas de perseguição e alvos da mesma pecha, embora num contexto histórico e ideológico diferente. Ambos estarão engajados aberta e corajosamente na luta contra os coronéis e em defesa dos pobres através das Cebs – Comunidades Eclesiais de Base¹, um movimento religioso católico de estudo bíblico comunitário, defesa dos direitos dos desfavorecidos e a distribuição de terras ao pequeno homem do campo e que por influência da Teologia da Libertação tomou um viés considerado comunista. Quando se fala em Comunidades Eclesiais de Base em Aratuba os nomes dos párocos José Maria Cavalcante Costa e Moacir Cordeiro Leite vem Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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logo a mente. É simplesmente impossível falar em Cebs em Aratuba sem citálos, se bem que o trabalho do último nessa área tornou-se referência não só em Aratuba, mas no Brasil inteiro. Mas as pequenas reuniões comunitárias começaram antes mesmo de padre Zé Maria. Numa entrevista feita pela professora Nely de Lima e Melo no ano de 1981, padre José Maria afirma: “Cheguei em Aratuba a 19 de fevereiro de 67. Eu trazia dentro de mim a certeza de que o caminho para começar um trabalho não era a partir da liturgia, não era alimentar a sacramentalização; não era fixar na sede e esperar que o pessoal viesse falar com o padre, mas ir ao povo: sair, visitar e conhecer o pessoal.” Com essa perspectiva e visão de estar perto do povo e conhecer sua realidade, padre José Maria saiu a visitar nos sítios. Na mesma entrevista ele chega a dizer: “E havia um sítio chamado Paraíso, onde havia um comecinho de reunião, por conta do meu antecessor.” Significa que mesmo timidamente as pessoas já se reuniam em Aratuba no sítio Paraíso no paroquiado de Dionísio Mosca Carvalho, o antecessor de padre José Maria que passou a frequentar essa localidade aos domingos à noite, ficando por lá até terça-feira, realizando reuniões e visitas familiares. Entretanto como disse o padre na entrevista esse trabalho durou um ano em discussão de ideias sem ações práticas. Na verdade todo o terreno das Comunidades Eclesiais de Base estava sendo preparado e o padre que iria abrir caminhos largos nesse processo de libertação dos pobres das mãos dos opressores chegou como auxiliar de padre José Maria na década de 70. Refirome ao reverendíssimo Pe. Moacir Cordeiro Leite. Padre Moacir Cordeiro Leite, nasceu em Papara, no município de MaranguapeCe, no dia 28 de outubro de 1937, filho do casal João Leite Ribeiro e Júlia Cordeiro Leite e apesar de não ser filho de Aratuba fez dessa terra seu quartel general com poderes além do religioso e chegando a influenciar nos destinos políticos do município. Tornouse sacerdote em 06/01/1966, um ano antes da chegada de Zé Maria em Aratuba, embora sua ordenação presbiterial se deu em 06/01/1960 na catedral de Fortaleza. Cursou o ginasial no Ginásio Anchieta, em sua terra natal e o Científico no Colégio Castelo Branco, da Arquidiocese, concluído em 1955. No mesmo ano e seguinte passou no Centro de Preparação de Oficiais de Reserva, em Fortaleza e começou a participar da JUC – Juventude Universitária Católica. Iniciou matemática na Faculdade dos irmãos maristas, também em Fortaleza. Seu 3º ano de filosofia e o restante do curso, Moacir fez no Seminário Regional em Olinda –PE. O livro Terra de Gente – Uma Historia de Emancipação no Ceará, de Ana Naddaf e Claúdio Lima no capítulo intitulado “E foi um padre quem puxou a briga”, registra as palavras de Padre Moacir: “A nossa luta começou porque os trabalhadores começaram a ser acuados pelos patrões.” Padre Moacir cita várias lutas contra esses padrões como um genro do prefeito de Itapiuna, conhecido como Bolívar, na Fazenda Jardim e uma luta contra um exsecretário de saúde do governo militar, o médico José Dorival Nunes Cavalcante (Dr. Dorival). E assim a luta de Pe. Moacir foi crescendo mundo Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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afora. No caso do Monte Castelo, por exemplo, ele descobriu que o pequeno agricultor pagava meia de algodão quando pela lei deviam pagar somente 10%. Moacir diz que o pessoal de Monte Castelo “fizeram uma leitura da Bíblia que dizia que quando se descobre que algo está errado, deve-se mudar logo e não se pode deixar para o amanhã. E eles traduziram isso na Bíblia e disseram para o padrão que não podia deixar para amanhã. E que não iam esperar mais um ano”. No final das contas eles foram expulsos das terras sem terem para onde ir. E a luta de padre Moacir e Zé Maria só aumentou. No final das contas caminhando, catequizando e acompanhando as audiências judiciais até que finalmente a vitória chegou. Moacir não teve mais sossego, as comunidades de Jaguaruana, de Califórnia e de Canindé batiam em sua porta, pois muita gente via nele um padre libertador. Sua personalidade era tão marcante no meio do povo que o Frei Carlos Merster quando escreveu “Um ensaio do reino”, falando sobre as Comunidades Eclesiais de Base da Paróquia de Aratuba para a Arquidiocese de Fortaleza, afirma que “nunca vi alguém ter uma liderança tão grande no meio do povo como o vigário. Ele é líder indiscutido na região toda. A sua liderança é tão grande, que ao perguntar a alguém qual a gasolina que movimenta a comunidade, alguém me respondeu: “É a gente fazer a vontade do padre Moacir.” A ele o povo atribui tudo o que de novo e de bom está acontecendo na vida deles. As mudanças todas para o melhor tem, para o povo a sua origem em Padre Moacir, o vigário. É uma liderança muito profunda, alimentada constantemente pela atitude do Pe. Moacir a favor do povo e com o povo”. Foram 32 longos anos de paroquiado no município, tornando padre Moacir um ícone, uma figura emblemática. E para quem pensa que somente no passado e por pessoas ignorantes ele era considerado um ser humano sem igual engana-se. Os professores do Grupo Corujão¹ disseram num trabalho acadêmico (2000) que “padre Moacir é um homem incomum.” Seu longo paroquiado porém trouxe desgaste para o catolicismo local. Quando foi lida a biografia do Revmo. Pe. Eudásio do Nascimento Cruz, na entrega do título de cidadão aratubense em 21/08/06 na Câmara Municipal, um dos pontos destacados de sua vinda para Aratuba foi a “Reconquista de irmãos e irmãs que desviaram sua fé para seitas protestantes, afastando-se do legado apostólico de N.S.J.C., que rejeitam os Sacramentos e as verdades teológicas contidas no Santo Evangelho”. Muitos afastavam-se da igreja por causa das homílias moacianas que misturava textos bíblicos com indiretas político-partidária. E se isso era verdade, ironicamente outras pessoas também abandonaram o credo católico decepcionados pelas atitudes liberais de seu sucessor que veio na missão de “reconquistar os irmãos e irmãs que desviaram sua fé para seitas protestantes...” Mas as CEBs não têm apenas pontos positivos. Por exemplo, Francisco Turriane, de São Paulo, postou recentemente no facebook uma foto de Aratuba do período da gestão Ivan Santos. E lá ele faz o seguinte comentário: “Fizemos parte de uma equipe do Projeto Rondon, que visitou Aratuba em janeiro de 1980... Nos confrontamos com uma realidade diferente. Por um lado o prefeito que queria modernidade (praça, posto de saúde, quadra, etc...), por outro as Comunidades Eclesiais de Base, com um trabalho com a população rural, que por seu lado, tinha conseguido construir um hospital, com médico (Urico) e dentista (estava de férias) de excelente Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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qualidade pago com dinheiro próprio. Sobre o posto a população que conversávamos acreditava ser obra desnecessária, pois o hospital supria - e muito - as necessidades de todos e os remédios mandados pelo estado - que estavam estocados na unidade - deveriam ser mandados para o hospital. Existia uma disputa mais do que explícita, entre as 2 facções políticas. Foi um aprendizado político muito importante para nós”. (Grifos meus) Os cebcistas se concentraram muito naquilo que os párocos diziam e o questionamento era mais externo que interno e dessa forma acabava por criar uma facção a se engajar politicamente ao lado de certas questões sem compreender todas as suas nuances e consequências político-partidárias envolvidas. Em sua carta de despedida no dia 15 de janeiro de 2002, Moacir diz que um dia voltará em definitivo para Aratuba. Na carta mencionou seu trabalho nas Cebs como um movimento pela reforma agrária, onde citou 20 fazendas que foram desapropriadas, num total de mais de 20 mil hectares de terras que pertenciam a 17 famílias e após desapropriação trouxe um benefício para mais de mil famílias. O Site da Arquidiocese expressa que em Aratuba, Moacir “Transformou a paróquia num galpão das Cebs e a casa paroquial, numa casa de todos. Com visitas e hospedagens nas casas simples e reuniões e celebrações debaixo de árvores.” E ainda acrescenta que “até hoje nada faltou para ele, não tem carro, não tem casa, não tem terra, não tem poupança, seu patrimônio é o povo.” E como a Paróquia de Aratuba teve um dos maiores número de assentamentos de terras no país, Moacir recebeu em 11.11.2010 na Assembleia Legislativa o 10º prêmio Direitos Humanos Frei Tito de Alencar. Atualmente Moacir se aposentou voltou para Aratuba, na fazenda Jardim cumprindo assim sua promessa na carta de despedida.

Referências Bibliográficas Síntese Biográfica do Pe. Diocesano José Eudásio do Nascimento Cruz Carta de Pe. Moacir Cordeiro Leite, 15 de janeiro de 2002 MERSTER, Frei Carlos. Um ensaio do Reino – Comunidades Eclesiais de Base da Paróquia de Aratuba. Facebook do Sr. Francisco Turriane.

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02. Protestantismo a. A Chegada dos Protestantes Em Aratuba os protestantes foram chegando no fim da década de 60 para o início da década de 70. Nesse tempo diz-se que o missionário Cícero Barbosa da Assembleia de Deus pregava o evangelho em Capistrano e Aratuba e aqui realizou um culto no dia 24 de agosto de 1972. Cícero Barbosa evangelizava essa região numa velha bicicleta cujo pneu dianteiro possuía 26 buracos remendados. Tempos depois outro crente, Raimundo Siqueiro de Medeiros, pertencente à Igreja de Cristo no Brasil, celebrava cultos na calçada dos correios de Aratuba, pois ele era o telégrafo do município. Segundo depoimento de sua filha, a senhora Vandira Medeiros dos Santos, residente em Fortaleza, nessa época o pastor João Queiroz vinha até Aratuba para ministrar santa ceia para sua família. Porém, foi somente no dia 17 de agosto de 1982, que o protestantismo implantou-se oficialmente através da igreja Assembleia de Deus – Ministério Templo Central. Em seguida surgiram outros segmentos religiosos, seja por rupturas ou por envio de missionários. Numa sequência cronológica seria assim: a) Assembleia de Deus – Ministério Templo Central (1982); b) Igreja Deus é Amor (1990) sem permanência; c) Assembleia de Deus Nova Esperança (1992); d) Congregação Cristã no Brasil (1993); e) Igreja de Cristo no Brasil (1997); f) Igreja Bíblica do Sousa (1997); g) Comunidade Edificando em Cristo(1999) h) Comunidade Cristã das Matas (1999); i) Igreja Assembleia de Deus Campus do Pici (2000) sem permanência;; j) Assembleia de Deus Aliança Cristã Missionária (2000); l) Assembleia de Deus Unidos em Cristo (2003); m) Assembleia de Deus Madureira (2005); n) Assembleia de Deus Cidade Nova (2008); o) Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Projeto Aratuba (2010); e p) Igreja Beth Shalom (2013); Em meio a isso temos ainda os paraprotestantes: Adventistas do Sétimo Dia (2004) e Testemunhas de Jeová (2007); e os outros fenômenos religiosos como o Espiritismo Kardercista (2009) e a Maçonaria (2005), embora não aceitem sua classificação como movimento religioso. b. As Denominações e Rupturas Teológica e historicamente o protestantismo após a Reforma do século XVI dividiu-se em igrejas reformadas (calvinistas) e igrejas arminianas. O primeiro advém do teólogo João Calvino e a doutrina da predestinação e o segundo por causa de Jacó Armínio que contestou e negou o conceito predestinalista apresentado por Calvino e seus seguidores. Em Aratuba somente a Igreja Bíblica do Sousa, a Igreja de Cristo e a Congregação Cristã no Brasil tem influência calvinista já que creem na doutrina da salvação eterna, segundo a qual o verdadeiro cristão perseverará até o fim de sua jornada seguro em Cristo. Dessas, a Igreja Bíblica não é pentecostal e as outras duas creem num pentecostalismo mais brando. Todas as outras denominações citadas seguem o arminianismo pentecostal com variações de compreensão e ênfase teológica até porque no Brasil os sociólogos dividiram o pentecostalismo em três momentos históricos chamados de “As Três Ondas do Pentecostalismo Brasileiro”. A Primeira Onda vai de 1910 a 1950 que é o período do pentecostalismo clássico com ênfase no batismo do Espírito Santo, cura, evangelismo pessoal, santificação e volta de Jesus, representado por Congregação Cristã no Brasil e a Assembleia de Deus. A Segunda Onda de Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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1950 a 1975 chamada de deuteropentecostalismo enfatiza curas, expulsão de demônios e cruzadas evangelísticas com as igrejas O Brasil Para Cristo, a Deus é Amor e a Igreja do Evangelho Quadrangular. E por último a Terceira Onda, chamada de neopentecostalismo do final da década de 70 até nossos dias. Essa corrente teológica crer na prosperidade e bênçãos materiais como aferidor da comunhão divina. São as igrejas Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça; e Renascer em Cristo. Em Aratuba a maioria das igrejas pentecostais estão ligadas historicamente a Primeira Onda, mas boa parte delas estão influenciadas teologicamente pela doutrina da prosperidade da Terceira Onda. Conheçamos um pouco da história e doutrina de cada uma na mesma ordem já exposta. 

Assembleia de Deus – Ministério Templo Central O trabalho evangélico em Aratuba, estabeleu-se oficialmente no dia 17 de agosto de 1982. Nessa data o evangelista Luiz Firmino de Andrade recebeu autorização de Emiliano Ferreira da Costa, pastor-presidente da antiga COMEADEC – Convenção dos Ministros Evangélicos das Assembleias de Deus do Estado do Ceará, hoje CONADEC – Convenção das Assembleias de Deus do Estado do Ceará. Luiz Firmino de Andrade ficou na incumbência de pastorear doze crentes na localidade de Baixa Grande, distante 4 km da cidade. Antes esse trabalho estava sob a responsabilidade do pastor Antônio Geraldo de Souza, pastor da Assembleia de Deus do vizinho Mulungú.

No início Luiz Firmino de Andrade, similar ao seu antecessor, celebrava cultos nas residências dos seguidores. Tempos depois construiu um templo na Rua Cel. João José Pereira s/n com 6,2 metros de frente e 16,0 metros de fundo. Após a compra do terreno em 08 de dezembro de 1982, realizou-se o lançamento da pedra fundamental. Conforme costume assembleiano uma Bíblia foi enterrada na presença de todos, inclusive autoridades municipais. Os seguidores presentes foram: Antônio Geraldo de Souza, pastor de Mulungú e considerado o fundador do trabalho em Aratuba; Raimundo Luciano Tomaz, Socorro Tomaz, Pedro Jerônimo, Chaquinha Barbosa Saraiva; e as autoridades Raimundo Pereira Batista, candidato a prefeito e Francisco Menezes, vice-prefeito do município. A inauguração do templo deu-se no dia 08 de maio de 1983. A inauguração foi presidida por Raimundo Mendes, pastor da Assembléia de Deus em Baturité que representou no ato o pastor presidente da Convenção Estadual, Emiliano Ferreira da Costa. Muitos evangélicos e líderes estiveram presentes como Antônio Geraldo de Souza, pastor da Assembleia de Deus em Mulungú; Severino de Melo, pastor da Assembléia de Deus em Pacoti; André Lopes, evangelista de Capistrano com uma caravana de evangélicos da Serra do Vicente; diácono João Alves de Oliveira, supervisor da congregação de Parque São José, em Fortaleza; e o diácono Evandro da Congregação de Demócrito Rocha, de Fortaleza.

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Em 09 de março de 1991 Luiz Firmino de Andrade saiu de Aratuba e a denominação tinha 111 crentes, sendo 78 membros e 48 congregados e foi pastorear a Assembleia de Deus na cidade de Boa Viagem. Em seu lugar assumiu o evangelista Antônio Miguel Coriolano. Antônio Miguel Coriolano, teve o seu pastorado interrompido no dia 25 de junho de 1992, num acidente de bicicleta na Rua Sebastião Monteiro de Araújo. No dia 12 de agosto de 1992 o pastor Oliveira Rocha, vindo de Fortaleza, tomou posse como novo pastor da igreja. Em sua gestão pastor Oliveira Rocha realizou um batismo em águas; reforma do tempo sede com novas pinturas nas portas; construção de um novo púlpito e ênfase no ensino da pratica do dízimo. Porém Oliveira Rocha saiu energicamente no final do mês de fevereiro de 1993 de Aratuba e a igreja ficou na vacância do cargo pastoral. Em 11 de abril do mesmo ano, o evangelista João Ferreira Filho, vindo da Cidade de Senador Sá, tomou posse como novo pastor. João Ferreira Filho, era irmão da senhora Bethe Ferreira, na época casada com Raimundo Gomes, importante e bem sucedido comerciante da cidade. Sua gestão foi a mais longa e próspera da história assembleiana aratubense. Numa década pastor João Ferreira Filho construiu muitas congregações e desbravou a região sertão num trabalho evangelístico dinâmico usando uma bicicleta como transporte deslocando-se da serra ao sertão semanalmente. As congregações construídas em sua gestão foram: Santo Antônio (12/04/1998); Fernandes (28/01/2000); Entre Rios(28/07/2001); Caiana(05/12/1998); e construções iniciadas em Canudos e Bom Princípio. E ainda construiu a nova sede da Assembléia de Deus de Aratuba, localizada na Rodovia Júlio Coacy Pereira, inaugurado no dia 19 de junho de 1999. Após 10 anos de pastorado João Ferreira Filho deixou a direção da Assembleia de Deus de Aratuba e foi para Amanarí. E no dia 13 de dezembro de 2003, o pastor Antônio Pinto Pedroza, vindo da cidade de Amanarí, tomou posse em Aratuba. O Culto foi celebrado pelo seu irmão, Raimundo Nonato, pastor da Assembleia de Deus em Quixadá. A gestão do pastor Pinto Pedroza foi meteórica em eventos e festas na história da denominação. Pastor Pedroza, organizou o ministério e ensinou muito sobre a hierarquia nas relações eclesiásticas. Continuou a construção dos templos em Canudos e Bom Princípio e iniciou o templo de Caiçara. Após sua saída pastor Elvis Alves assumiu o pastorado assembleiano em Aratuba no dia 11 de novembro de 2006. A gestão do pastor Elvis Alves caracterizou-se pela conquista da Casa Pastoral, antigo templo sede da Assembleia de Deus pertencente ao pastor João Ferreira Filho. Pastor Elvis Alves vendeu o terreno que a igreja possuía e mobilizou uma enorme campanha para conseguir o restante do dinheiro e comprar a casa ao pastor João Ferreira Filho, pelo valor de 35.000,00(trinta e cinco mil reais). Após compra foi feita uma escritura como prova de posse da casa pastoral como propriedade da Assembleia de Deus. Pastor Elvis Alves saiu em meio uma crise política da eleição de 2009 e resultou num período conturbado da história assembleiana aratubense com mudanças rápidas de pastores em curto espaço de tempo. Pastor Francisco Augusto Fraga (julho de 2009 a fevereiro de 2010); pastor Josué Batista (fevereiro de 2010 a dezembro de 2010); e pastor Francisco Pereira Gomes (dezembro de 2010 a março de 2011). E desde março de 2011 a igreja é liderada por Francisco Setúbal Monteiro que construiu e inaugurou um templo na comunidade de Baixa Grande em 17 de dezembro de 2011. Atualmente Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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constrói outro templo no Mundo Novo e elaborou um plano de reforma do tempo sede. 

Igreja Deus é Amor

A Igreja Deus Amor, fundada no Brasil em 1970 por Davi Miranda, exassembleiano, teve uma breve existência histórica em Aratuba. O irmão Hernandes da Assembleia de Deus – Ministério Templo Central saiu da igreja na época do pastor Luiz Firmino de Andrade e foi para a Igreja Deus é Amor. Os cultos se concentravam nos sítios e no final da rua Cel. João José Pereira onde se ouvia o famoso grito “queima Jesus” no ato da expulsão de demônios. A expressão tornou-se motivo de chacota no município. Não teve permanência e extingui-se tempos depois. 

Assembleia de Deus Nova Esperança

A denominação Assembleia de Deus Nova Esperança, próxima ao distrito do Pai João, surgiu em 1992, durante o pastorado de Francisco Serafim Gomes pastor da Assembleia de Deus Ministério Templo Central de Capistrano. Apesar da igreja em Nova Esperança pertencer territorialmente a Aratuba está ligada administrativamente a Capistrano. O templo foi construído em março de 1992 num terreno doado por Raimundo Macário e inicialmente chamada de Congregação de Quatro Bocas. Como ficava as margens de um rio foi preciso inicialmente construir uma ponte de madeira para dar acesso aos outros irmãos e pessoas que moravam do outro lado da margem do rio. Tempos depois com o aumento da membresia foi necessário aumentar o templo e isso aconteceu em 1994 e agora do outro lado do rio num terreno doado pelo irmão José Mateus. E desde então passou a ser chamada de Congregação Nova Esperança. Nesse tempo o pastor Francisco Walter Marinho estava a frente da igreja. Com o avanço do trabalho evangelístico uma reforma no templo foi realizado no ano de 2002 que teve colaborações do ex-prefeito de Aratuba, Júlio César Lima Batista, aumentando o templo para 18 metros de comprimento. Atualmente a congregação tem cerca de 90 membros e celebra cultos todos os dias no templo ou nas residências dos crentes ou pessoa que solicitam. O dirigente desde janeiro de 2008 é o presbítero Marcos Fábio Bendito da Silva, filho do pastor Antônio Benedito, fundador do trabalho no ano de 1992. Segundo o presbítero Marcos Benedito a igreja tem um bom relacionamento com a comunidade o que é bem diferente dos tempos de seu pai que chegou a ser ameaçado por homens armados com faca em punho durante a realização de cultos no início da década de 90. 

Congregação Cristã no Brasil

Em 2010 a Congregação Cristã no Brasil comemorou seu centenário no Brasil e como foi de forma tímida ao contrário da Assembleia de Deus em 2011 muitos nem perceberam. A origem da Congregação Cristã no Brasil, popular “Igreja do Véu”, devido as mulheres usarem véus durante a cerimônia de culto está ligada a figura do italiano Louis Francescon. Ele e seu companheiro Giacomo chegaram na Argentina em 1909 e aportaram em terras brasileiras em 8 de Março de 1910. Inicialmente fundaram em São Paulo e no Paraná uma igreja com umas vinte pessoas rebatizadas, oriundas de outras denominações evangélicas como batistas, presbiterianas, metodistas e apenas um católico. As pregações que se deram primordialmente nas colônias italianas, espalharam-se Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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posteriormente em todo o território brasileiro e assim estabeleceu-se a Congregação Cristã no Brasil. No município de Aratuba a CCB – Congregação Cristã no Brasil, está localizada no distrito do Pai João. Segundo o Sr. José Cândido de Oliveira, conhecido como Zé Nel, cooperador e responsável pelos cultos, da igreja no Pai João as atividades religiosas no município começaram em 1993 por um grupo de irmãos de Fortaleza. A quantia de membros não ultrapassa as 20 pessoas. Até pouco tempo os cultos aconteciam na residência de Zé Nel, aos sábados na “sala de oração” enquanto concluía-se o templo. Aliás, uma curiosidade no distrito de Pai João é que num raio de uns 400 m tem-se três templos religioso: um católico, outro da Assembleia de Deus e o templo da Congregação Cristã. A doutrina da Igreja do Véu é assim explicada por Zé Nel: “nós não fazemos culto fora da congregação porque o Senhor diz, está escrito na palavra não podemos fazer culto em meio de rua para ser visto pelos homens”. Ele afirmou ainda que a sua igreja é diferente de todas as outras no mundo e entre as diferenças citou: a mulher não pode cortar o cabelo e quando ela ora deve usar o véu; o homem não pode ter cabelo crescido; o homem não pode orar em pé e nem no meio da rua; o batismo pode ser celebrado em qualquer açude ou piscina, mas a oração somente nos templos; os membros não podem se envolver em política e não existe a prática do dízimo na Congregação Cristã no Brasil, embora claro existam outras formas de arrecadação financeira. 

Igreja de Cristo no Brasil

A Igreja de Cristo no Brasil, inicialmente chamada de Assembleia de Cristo, foi a primeira cisão assembleiana ocorrida em Mossoró-RN no ano de 1932. Manoel Hygino de Souza, o “Manequinho”(1903-1975) converteu-se ao evangelho ao ouvir Gunnan Vingren. Ele tornou-se um dos obreiros alunos da primeira escola bíblica realizada em Belém entre 04 de março a 4 de abril de 1922. Manoel Higino de Souza tornou-se culpado da heresia da salvação eterna. A doutrina consistia na crença de que “o crente uma vez salvo, salvo para sempre”. Tal expressão ainda hoje é mal entendida. É somente uma maneira de dizer que “a perseverança não é a causa da salvação e, sim, sua consequência”, tipo assim “se você tem a salvação não perde, se perde é porque nunca teve”. Essa doutrina é chamada de Perseverança dos Santos ou mais apropriadamente Preservação dos Santos. Era por essa razão que os fundadores da Igreja de Cristo no Brasil eram chamados de calvinistas, apesar de Manoel Hygino de Souza(1903-1975); Eustáquio Lopes da Silva(1915-1968) e João Vicente de Queiroz(1906-1997), sendo os dois últimos da cidade de Quixadá, nunca terem lido Calvino ou os cânones de Dort. A oficialização da Igreja de Cristo em Aratuba deu-se em 30/12/1997, quando aconteceu o primeiro batismo em águas no sítio Mundo Novo na propriedade do Sr. Luciano Pinto com a imersão de 07 catecúmenos. Nesse mesmo dia durante a noite o jovem Francildo Gomes foi empossado como primeiro dirigente da congregação.Tratava-se de um jovem solteiro, seminarista recém formado, educado e gentil que esteve a frente do trabalho durante 07 meses com pouca experiência e muitos desafios. As caravanas vinham sempre visitar a nova congregação em Aratuba e o pastor Alexandre Carneiro mensalmente celebrava o culto de ceia. Mas logo percebeu-se que o prédio da Escolinha Maria Júlia era inadequado com ausência de cobertura e as reuniões Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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foram transferidas provisoriamente para uma garagem do comerciante Pedro Elder Barbosa, na rua Cel. Augusto Cordeiro enquanto os planos da construção do templo caminhavam pra realização. Com a saída do jovem Francildo Gomes, o pastor Carlos veio substituí-lo e permaneceu nos anos 1998 e 1999. Ele ficou conhecido por um programa feito nos fins de tarde numa radiadora instalada na quadra poliestiva da cidade onde se ouvia hinos e mensagens evangelísticas. Tempos depois solicitou sua saída para cuidar da saúde de sua esposa. Foi o pastor Carlos quem iniciou a compra do terreno para construção do templo e foi sucedido pelo pastor Benedimar Barbosa Amorim (1999-2002), que inaugurou a Casa de Oração da Igreja de Cristo, localizada à Rodovia Julio Coacy Pereira, no final de 2001. Durante seu pastorado Benedimar Amorim teve tensões com a Assembleia de Deus no município de Aratuba, pois existe nos arquivos dessa igreja uma carta datada de 17/04/2000 endereçada ao Templo Central em Fortaleza e assinada pelo pastor Benedimar denunciando os assembleianos de “em suas reuniões, como quem pesca em aquário alheio, ou passarinheiro que prendem as criaturas para lhes endeusarem.” Na carta o referido pastor chama a atitude da Assembleia de Deus em procurar tirar pessoas da Igreja de Cristo de “egolatria” e “templolatria”. A construção do templo da Igreja de Cristo foi se mobilizando até sua inauguração em 2001 em cuja ocasião estava presente o pastor Carlos Queiroz, filho do fundador João Vicente de Queiroz. Durante a construção do templo sede um detalhe curioso: o pedreiro responsável era o sr. Antônio Miguel da Silva, um ex-assembleiano que chegou a ocupar o diaconato na igreja de onde saiu por discordâncias com a liderança local. Na data de 18/10/02 a ICA - Igreja de Cristo em Aratuba, emite um convite para a consagração do obreiro Francisco Antônio Miguel da Silva que será o sucessor do pastor Benedimar Barbosa Amorim. Apesar do convite não especificar o grau da ordenação eclesiástica, refere-se ao presbiterato, visto que no mesmo ano ao participar da 34ª Assembleia Geral do Conselho Regional Leste e Oeste-Ce da Igreja de Cristo no Brasil, em Limoeiro do Norte, ocorrido nos dias 04 a 06 de julho de 2002, a ata de nº 33 diz no seu final que o diácono Antônio Miguel indicou Aratuba para sediar o próximo encontro que foi aprovado por unanimidade dos presentes. Esse encontro aconteceu nos dias 17 a 18 de outubro de 2002, ocasião da ordenação anunciada no convite. O pastorado de Antônio Miguel compreende os anos de 2002 ao final de 2003, pois nos registros das atas ele desligou-se da Igreja de Cristo em 20/12/2003. Ora como a Igreja de Cristo tem teologia e governo diferente da denominação de onde Antônio Miguel saiu foi uma questão de tempo para o desentendimento. Nesse ínterim, o pastor Gleide Farias, com fortes laços na Igreja de Cristo já que é descendente de fundadores, veio em 2003 como professor do SEIC – Seminário Evangélico da Igreja de Cristo e tornou-se o novo pastor da Igreja de Cristo no período de 2004-2010. Em sua gestão o trabalho cresceu, abertura de novas portas de evangelização, formulação de estatuto, início da construção do templo no Mundo Novo e a realização em 2005 da 47ª Assembleia Geral do Conselho Regional da Igreja de Cristo. Sua saída foi motivada por divergência doutrinária e conflitos. Uma carta aberta de 26/04/2008, assinada pelo presbítero Gilailson Queiroz dizia um “não aos métodos de administração utilizados pelo Pr. Antônio Gleide Farias.” Atualmente à Igreja de Cristo em Aratuba trabalha em “grupos familiares”, sob o pastorado de Carlos Eduardo Castro desde 2010, auxiliado pelo presbítero Gilailson Queiroz. Em sua gestão a denominação fundou o CEIBEL - Curso por Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Extensão do Instituto Bíblico Eduardo Lane com 20 alunos onde o presbítero Gilailson é o coordenador-orientador. Pastor Carlos (Dudu) concluiu a construção do templo do Mundo Novo e realiza um trabalho descentralizador no município com a formação de grupos de estudos bíblicos nos lares. 

Igreja Bíblica do Sousa

A Igreja Bíblica no Brasil começou com os missionários Horace Dale Murfim e sua esposa Ida Evelyn Green Murfim no ano de 1933. Eles vieram ao Brasil com a Missão UESA. Após aprender o idioma português, na Paraíba se transferiram para Sobral no Ceará, em1936, onde começou a igreja. Depois no ano de 1939, receberam licença para deixarem a entidade americana que os enviara ao Brasil. Fundou-se uma outra entidade que se estabelecia nos EUA e que no Brasil veio a chamar-se de SEB (Sociedade Evangelizadora Bíblica). Entre os anos de 1940 e 1950 a missão americana enviou Edgar e Joana Lieb, John e Leota Miller e Pedro Brooks. A missão cresceu e com o surgimento do liberalismo teológico, muitas igrejas não cederam permanecendo teologicamente conservadoras e por isso passaram a ser chamadas de Igrejas Bíblicas. No assentamento do Souza a Igreja Bíblica foi fundada em 12 de outubro de 1997 e por isso é chamada de Igreja Bíblica de Souza com mais de 30 membros, espalhados nos sítios Souza, Silva, Catolé e Lameirão. É administrada atualmente pelo pastor José de Jesus da Silva. Apesar dessa igreja existir no território do vizinho Mulungú, nos limites de Aratuba, mesmo assim há pessoas de Aratuba que fazem parte de sua membresia e em seus cultos há presença de pessoas de ambos os municípios, Mulungú e Aratuba. É uma igreja cessacionista que não crê na atualidade das línguas como evidência do batismo no Espírito Santo diferente das igrejas pentecostais. Seus cultos acontecem as quartas, aos domingos e os cultos dos jovens aos sábados no horário das 19 hs. 

Igreja Assembleia de Deus Campus do Pici

Essa igreja existiu durante o ano de 2001, no prédio onde hoje funciona a maçonaria em Aratuba. Um pouco mais de 20 pessoas participavam da denominação durante sua existência com o pastor Francisco Laureano da Silva antes de fechar suas portas. 

Comunidade Edificando em Cristo

O evangélico e médico Thomas Gregori veio no ano de 1999 para Aratuba a fim de trabalhar no PSF – Programa de Saúde da Família, época também que a Secretaria de Saúde, Dra. Maria Vilauva Lopes era também evangélica da Igreja Batista. Não tardou e ele fundou um movimento cristão com jovens e adolescentes no município chamado de Comunidade Edificando em Cristo. O sucesso do projeto chegou a enviar jovens de Aratuba para São Paulo a fim de estudar teologia e curso sobre a formação de líderes para evangelização. O trabalho cresceu tanto na sede como na zona rural, mas terminado a febre da novidade veio a diminuir posteriormente. No ano de 2009 a frequência arrefeceu bastante e muitos jovens deixaram a comunidade. As reuniões aconteciam num prédio central na rua Júlio Pereira onde hoje funciona a ADUC – Assembleia de Deus Unidos em Cristo. Atualmente a Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Comunidade Edificando em Cristo funciona na localidade das Matas com o nome de Comunidade Cristã das Matas com um bom numero de participantes da região e da sede do município. 

Comunidade Cristã das Matas

Com a existência da Comunidade Edificando em Cristo na sede no mesmo ano em 1999 um trabalho evangelístico surgiu simultaneamente na comunidade das Matas e recebeu o mesmo nome. Depois passou a se chamar Comunidade Missão Cristã e hoje chama-se Comunidade Cristã das Matas. Embora esse grupo evangélico não aprecie o uso de uma placa denominacional. Hoje a Comunidade Cristã das Matas tem cerca 60 membros entre crianças, jovens e adultos. A jovem Maria do Socorro Pinheiro Alves (Socorinha) é uma das dirigentes dessa comunidade cristã sob a orientação do médico e pastor Thomás Gregory, presente quinzenal ou mensalmente na região. Com o projeto de unificação das igrejas, a Comunidade Cristã das Matas ficou a margem da ideia apenas como visitante sem unir-se ao movimento. Entre os motivos alegados pela Comunidade Cristã das Matas não unificar-se a ADUC foi devido a questões financeiras, pois eles não aceitaram enviar todos os recursos para uma sede e sim, ser aplicados na própria localidade. É uma igreja que envolve-se em trabalhos sociais e tem estudo bíblicos acreditando que a Sagrada Escritura é a regra básica da fé cristã. Os cultos realizam-se aos domingos e discipulado de senhoras e rapazes nas segundasfeiras; na terça, oração; e na quarta estudo bíblico e oração e um trabalho na Pindoba na sexta-feira e discipulado das senhoras aos sábados. 

Assembleia de Deus Aliança Cristã Missionária

Apesar de aparecer o nome de Assembleia de Deus Cristã Missionária (ADCM) na internet, os membros dessa igreja dizem que sua denominação chama-se Assembleia de Deus Aliança Cristã Missionária (ADACM). Esse ministério tem sua sede no Rio de Janeiro sob a presidência do pastor Lindemberg da Silva. A denominação se localiza na comunidade de Serra Verde onde o trabalho fundou-se no ano 2000 pelo pastor Gutemberg Barbosa. Existem lá 22 membros, frutos do trabalho evangelístico de Gutemberg. Não é uma região fácil para os evangélicos, pois trata-se de uma área tradicionalmente católica. O pastor João Ferreira Filho da Assembleia de Deus Ministério Templo Central realizou por lá vários cultos na década de 90 sem nenhuma conversão dos moradores. Os cultos acontecem de segunda a domingo as 19:00 horas no templo em construção, existindo nele um quarto provisório para a prática de eventos religiosos até término da construção. Na quarta-feira várias pessoas se dirigem aos montes para louvor e oração ao Senhor. Aos poucos os cultos nas residências das pessoas são celebrados e assim o trabalho vai crescendo na localidade. Como se sabe a região de Serra Verde é um reduto de forte influência e tradição católica. Maria Verineide, evangélica da Igreja ADACM chegou a dizer: “Aqui é muito difícil pregar a palavra do Senhor, pois o povo aqui é muito católico, é católico demais”. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Os obreiros da ADACM realizam cultos também em outras localidades como Segredo, Canoés e Oitis. Pastor Gutemberg Barbosa se faz presente mensalmente nos cultos de Santa Ceia que geralmente acontece no terceiro sábado de casa mês. Nenhum obreiro tem autorização de celebrar o culto de ceia. Caso aconteça do pastor não comparecer uma nova data da ceia é marcada para sua celebração. Gutemberg Barbosa é um missionário ocupado pois dar assistência em Fortaleza e em Mossoró. Talvez seja por isso que o presidente Limdemberg da Silva comissionou o missionário Paulo Torres para assumir o trabalho em Serra Verde, segundo informe de um site. Mesmo assim Gutemberg Barbosa é querido pelos membros e continua a frente da Assembleia de Deus Aliança Cristã Missionária na região de Serra Verde. 

Assembleia de Deus Unidos em Cristo - ADUC

Historicamente sabe-se que a ADUC foi fundada no ano de 2003 pelo presbítero Antônio Miguel da Silva juntamente com o diácono Carlito Pereira Martins e seu filho Carlito Pereira Martins Júnior, o pregador Pedro Hugo Pereira Neto e Condismar Leandro que não compareceu a reunião, embora estatutariamente o artigo 1º mencione apenas o presbítero Antônio Miguel da Silva como fundador da igreja na data de 20 de dezembro de 2003. Todos eles foram membros da Assembleia de Deus Ministério Templo Central, sendo que Antônio Miguel e Carlito Pereira chegaram a ser diácono da denominação. Antes de Antônio Miguel fundar a ADUC, teve uma experiência pastoral na Igreja de Cristo que terminou em meio a divergências doutrinárias e administrativas, substituído depois pelo pastor Gleide Farias que tempos depois também saiu da Igreja de Cristo e juntou-se ao pastor Antônio Miguel na ADUC. O nome ADUC – Assembleia de Deus Unidos em Cristo apesar da versão que surgiu segundo o fundador de uma conversa com outro irmão que tinha desejo de fundar um ministério com esse nome. Um outro nome proposto foi Comunidade Evangélica Cristo Reina que não foi aceito. A versão que o nome ADUC veio de uma revelação divina não é confirmada por Antônio Miguel. Porém membros da Assembleia de Deus e Igreja de Cristo, denominações por onde Antônio Miguel passou pessoas acreditam que o nome é influências dos nomes dessas denominações. Nesse caso ADUCAssembleia de Deus Unidos em Cristo seria a junção dos termos Assembleia de Deus do Ministério Templo Central e Cristo da Igreja de Cristo em Aratuba e a palavra Juntos mostra a união daqueles que saíram de ambas as igrejas. Antônio Miguel da Silva, foi consagrado a pastor na data de (11/02/2006) por líderes da Igreja Assembleia de Deus do Ministério Seara de Deus, hoje Ministério Fortaleza com sede na cidade de Canindé. Na mesma ocasião o seu irmão Francisco Evandro Miguel, que também saíra da Assembleia de Deus Ministério Templo Central foi ordenado ao presbiterato juntamente com sua esposa, Francisca das Chagas que tornou-se diaconisa. Em sua história a ADUC destaca-se pelos eventos de Show Gospel que realiza em Aratuba. O primeiro em 2007, com a presença da cantora Alice Maciel e a Banda Pentecostal. Já o show evangélico de 2010 trouxe admiração e divergência. Admiração pela presença da banda Som e Louvor e divergência entre pastor Antônio Miguel e o padre Antônio Cláudio devido o som que segundo o padre atrapalhou a missa, apesar de que o culto na praça era da Igreja Assembleia de Deus Ministério Fortaleza e não da ADUC. Porém como em Aratuba o mês de dezembro é dedicado ao padroeiro São Francisco de Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Paula e o show gospel da ADUC acontece nas proximidades dos festejos o clima contribuiu religioso para o mal entendido. Padre Claudio chegou a pronunciar palavras duras contra os evangélicos na rádio comunitário e o pastor Antônio Miguel solicitou espaço para suas explicações. No mês de março de 2010, os pastores Thomas Gregori da Comunidade Edificando em Cristo, Antônio Miguel da Silva e Gleide Farias ex-pastor da Igreja de Cristo tentaram realizar uma experiência de união de igrejas. Mas o projeto não deu certo e resultou na transferência da ADUC para o prédio onde funcionava a Comunidade Edificando em Cristo que findou sua existência na sede e passou a concentrar-se na localidade de Matas. Atualmente a ADUC tem mais de 150 pessoas entre membros e frequentadores. 

Assembleia de Deus Cidade Nova – Ministério do Monte

O ministério Assembleia de Deus Cidade Nova iniciou no Rio de Janeiro há mais de 50 anos pelo pastor Manoel Ribeiro e a missionária Socorro Matos. Os mesmo convidaram pastor Ribamar e sua esposa para iniciar um trabalho evangelística em Coquinho, localidade de Aratuba. Eles foram ajudados por Francisco Ermano, filho do conhecido professor Francisco Barbosa Pereira, (Chico Ermano). Francisco Ermano, membro da igreja Batista, tornou-se um mantenedor e quando pode comparece na localidade de Coquinho para ajudar o pastor Ribamar Alves e sua esposa Silva Helena. A Assembleia de Deus Cidade Nova funciona na própria residência do pastor Ribamar Silva e foi fundado em 2008. Os cultos acontecem as quartas, sextas e aos domingos às 19:00 hs numa liturgia semelhante ao da Assembleia de Deus Ministério Templo Central. Na quarta têm-se cultos de oportunidades, na sexta um culto de estudo bíblico e pregações aos domingos. No culto de ensino e orientação cristã na sexta-feira ministra-se as lições bíblicas e as crianças se reúnem aos sábados pela manhã de 9 às 11 hs. A reunião dos jovens e adolescentes acontece aos domingos no período da tarde. A maior parte dessas crianças e jovens são pertencentes a famílias católicas que não fazem objeção dos filhos participarem dos estudos bíblicos na residência do pastor. Essa relação com as crianças e adolescentes já é uma conquista de Ribamar Silva. No início houve certa rejeição das pessoas da comunidade. O pastor e esposa contam que roupas do varal foram levadas e pedras lançadas em sua residência no momento dos cultos ou altas horas da noite. Hoje pastor Ribamar Silva tem acesso às residências nas visitas e aconselhamento as famílias. Atualmente mais de 10 pessoas aceitaram a fé evangélica e destes 05 imergiram as águas batismais, além dos frequentadores dos cultos. Ribamar e sua esposa Helena desenvolvem um trabalho de apoio as crianças e adolescentes na E.M.E.F. Professora Maria Júlia Pereira Batista. A denominação tem um projeto de construção de um templo cuja maquete está pronta. O terreno foi doado pelo professor Chico Ermano. A construção inclui um templo bem estruturado com casa pastoral e salas para escola bíblica dominical. 

Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Projeto Aratuba

O Ministério Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Projeto Aratuba, fundada no dia 27 de setembro de 2010 esse ministério tem pouco tempo no Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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município. O pastor presidente, Everton Maciel, comparece periodicamente aos cultos em Aratuba. Nesse ínterim a responsabilidade da congregação fica com o diácono Gutiane Alíbio Martins (Camurça). Os cultos acontecem tanto na sede do município como na zona rural. Na sede os cultos são na segunda-feira de oração, e os outros às quartas, sextas e aos domingos às 19 horas. Atualmente essa congregação funciona num prédio alugado na rua Boa Esperança s/n no Conjunto Habitacional e tem 25 pessoas como membros ativos da igreja. 

Igreja Ministério de Fortaleza Campo Aquiraz

A Assembleia de Deus Ministério Fortaleza chegou em Aratuba em 28 de março de 2010, data do lançamento da pedra fundamental para a construção do seu templo evangélico. A denominação é ligada a CIMADEC – Convenção das Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus Ministério de Fortaleza do Estado do Ceará, que por sua vez é nacionalmente filiada a CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. O responsável pela introdução desse ministério é sr. Flanilton Medeiros da Silva, presbítero ordenado e comissionado por seu ministério para realizar missões na localidade de Mundo Novo, em Aratuba, ajudado por sua esposa que é da região. Ele veio de Aquiraz e desenvolve um trabalho religioso no sítio do Mundo Novo. O terreno para construção do templo foi adquirido e se localiza no sítio Cajueiro, na Vila Nossa Senhora da Conceição. Essa localidade se concentra no Mundo Novo, região que já possui dois templos evangélicos, um da Igreja de Cristo no Brasil e outro em construção da Assembleia de Deus Ministério Templo Central. A região do Mundo Novo dista uns 6 km da sede com uma população de 2.413 pessoas segundo dados da Secretaria de Saúde do Município. A Assembleia de Deus Ministério Fortaleza tem 14 membros e seu trabalho evangelístico estrutura-se aos poucos. Os cultos concentram-se na localidade de Cajueiro com orações principalmente pelas manhãs. O pastor Flanilton Medeiros deseja cultos acessíveis aos membros das outras denominações para um relacionamento de fraternidade e comunhão entre os irmãos das diversas igrejas. 

Igreja Mundial do Poder de Deus

A Igreja Mundial do Poder de Deus é uma dissidência da IURD - Igreja Universal do Reino de Deus. A Revista Mundial sem limites, uma publicação oficial da igreja, informa que a Igreja Mundial foi fundada no dia 09 de março de 1998, na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, por Valdemiro Santiago de Oliveira (há publicações que registram seu nome com W). Valdemiro, um dissidente da Universal estabeleceu estratégias para arrecadar fundos financeiros como: ”Dízimo da Alegria”, “Carnê dos empresários” entre outros. Em Aratuba a Igreja Mundial do Poder de Deus foi fundada em junho de 2010 e pelas informações do obreiro José Carlos de Assis Ramos (Castelo) dela fazem parte cerca de 60 a 70 pessoas. Essa denominação chegou no município através de um grupo de pessoas que já assistiam na televisão os programas do Apóstolo Valdemiro Santiago da Silva. Entre eles o próprio Castelo, sua sogra e o ex-vereador Ivanildo Tavares (Perneta), que depois conseguiram alugar um prédio para o funcionamento dos cultos. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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O obreiro José Carlos (Castelo) disse que: “A Igreja Mundial está buscando a fé do povo, a fé que o nosso Deus é mesmo ontem e hoje. O nosso Deus continua vivo. A igreja pratica a buscar a ovelha e ganhar almas para Jesus e diz que o nosso Deus está vivo e ele opera milagre. Não é a toa que a Igreja Mundial é uma das que mais está apresentando mais milagre, testemunho de Jesus. Está conquistando os corações das pessoas e levando a fé cristã. É por isso que muitos hoje estão frequentando a Igreja Mundial do Poder de Deus porque leva o cristão a crer somente em Deus.” Os cultos da Mundial do Poder de Deus são realizados na sede e no sítio Tope. Na ausência do pastor os obreiros assumem os trabalhos, entre eles, o próprio Castelo, as irmãs Ritinha e Marta e o filho de Castelo, o Petson de 12 anos que é um obreirinho, um ajudante do trabalho. Entre as atividades do obreiro está a evangelização das pessoas e orações aos presentes no culto. Uma diferença entre a Igreja Mundial e as demais igrejas evangélicas referente ao governo eclesiástico é a atuação de pastores. Enquanto nas demais igrejas um pastor passa meses ou anos, na mundial ele poder passar apenas dias. É por isso que na Igreja Mundial do Poder de Deus em Aratuba de 2010 a 2011 já passaram uns 15 pastores, pois segundo creem um pastor permanente faz com que as pessoas criem apego aos homens e não a Deus. Essa não é a principal razão é apenas uma explicação fornecida por eles. Porém, existe uma enorme rotatividade de pastores na Mundial do Poder de Deus bem diferente das outras denominações existentes no município. Atualmente a Casa de Oração da Mundial do Poder de Deus se localiza na Rua Travessa José Aquino Pereira, em frente ao comércio do Edilson com cultos todos os dias. Em cada dia da semana há um culto diferente como: segunda-feira, oração da prosperidade; na terça-feira, oração do milagre urgente; quarta-feira do Senhor, buscar somente a Deus; quinta-feira, busca pela família; sexta-feira, espantar os espíritos malignos; sábado, busca por portas abertas; domingo consagração do Senhor ou domingo do Senhor. 

Igreja BethShalom

Essa é a mais nova denominação em Aratuba. Seu primeiro culto aconteceu em 11 dezembro de 2012 na Escola José Joacy. E nos dias 01 e 02 de fevereiro de 2013 oficializou-se no município com a inauguração do local de culto e a ordenação dos pastores Antônio Aiustrong Paz Paiva e Francisco Ernilson Martins Santos. O ministério BethShalom é uma igreja fundada em 06 de fevereiro de 1997 pelo casal de pastores Jorge Henrique e Fátima Félix. Pastor Henrique Jorge pertenceu ao Ministério da Assembleia de Deus Templo Central e graduou-se em teologia pelo IBAD – Instituo Bíblico das Assembleia de Deus em Pindamonhangaba-SP. A palavra hebraica Beth Shalom quer dizer “Casa de Paz”. Tanto Aiustrong Paz como Ernilson Martins foram membros e diáconos da ICA – Igreja de Cristo em Aratuba e já estavam cotados para serem ordenados ministerialmente na denominação no mês de outubro, data transferida depois para março. Aiustrong Paz seria presbítero e Ernilson Martins, evangelista. Essa decisão entretanto foi interrompida porque ambos enviaram ofícios no dia 07 de novembro desligando-se da Igreja de Cristo. A razão de tal atitude envolve divergências administrativas com a diretoria regional e local.

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Em meio às divergências administrativas um ano político-partidário de Aratuba como ocorreu em 2012, serviu como trampolim para esquentar ainda mais os problemas. Os diáconos Aiustrong Paz e Ernilson Martins foram licenciados para trabalharem na política e a diretoria da ICA decidiu que a igreja seria livre para escolhas partidárias sem interferências dos líderes da denominação durante a campanha partidária. Mas isso não evitou os problemas porque membros da ICA estavam durante a campanha eleitoral em partidos opostos. E esse contexto engrossou mais ainda os ânimos. Inicialmente o conselho da ICA tomou decisão de disciplinar os obreiros licenciados envolvidos na política partidária do município, mas após diálogo chegou-se a conclusão que não haviam motivos suficientes para tal medida. Com a saída dos dois diáconos da ICA suas famílias também se retiram e seguem os líderes que em contato com o pastor Jorge Henrique acabaram por fundar o ministério BethShalom composto hoje em Aratuba por 18 pessoas e que funciona na rua Júlio Pereira com culto de doutrina às quartas e de louvor e adoração aos domingos às 19 hs. E pela manhã aos domingos acontece escola dominical. c. O Culto Ecumênico de 2012 No ano 2012 no contexto do 55º aniversário de emancipação política de Aratuba aconteceu durante a programação cívica um culto ecumênico de ação de graça. Para esse evento a prefeitura contratou um cantor gospel assembleiano, Rildo Freitas. Muitos pastores e o padre da cidade estiveram presentes no momento religioso inédito de católicos e evangélicos juntos na história do município. Com a paródia “Um Milagre em Aratuba”, inspirada na música religiosa “Faz um Milagre em Mim” do cantor gospel Regis Danese, evangélicos e católicos cantaram: “Temos razões para comemorar a vitória da emancipação cinquenta e cinco anos já se passaram a cada ano mais conquistas surgirão. Precisamos de Deus irmãos, precisamos lutar pela paz. Nossa união vai fazer desenvolver nossa cidade é só crer.”(grifo meu). A música baseada num relato evangelístico entre Jesus e Zaqueu, Regis Danese transformou num hino de adoração e os evangélicos de Aratuba o retransformaram num hino ecumênico. Mas tanto católicos e evangélicos sabem que essa união é relativa e contraditória. Claro que o relacionamento entre católicos e protestantes, mesmo com tensões normais em instantes históricos é respeitável e pacífico no município de Aratuba e assim deve continuar. Porém o culto ecumênico de 2012 pode passar a impressão de uma unidade religiosa aratubense. Entretanto a distância teológica entre católicos e evangélicos desde a Reforma Protestante continua a mesma e é comparável a distância entre o céu e a terra. É a distância entre a salvação pela fé com as obras num esforço humano de Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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chegar a Deus pelos sacramentos e a salvação pela fé somente com base no exclusivo, perfeito e definitivo sacrifício de Cristo. Um culto ecumênico entre católicos e evangélicos é o mesmo que misturar água e óleo. Ambos sabem que ajuntamento de pessoas não é o mesmo que unidade cristã. Exemplo claro disso é o estatuto das denominações evangélicas e as declarações católicas. O estatuto da Igreja de Cristo em seu 4º artigo diz: “A Igreja de Cristo em Aratuba adotará durante sua existência a declaração doutrinária constante em anexo, parte integrante deste estatuto, como se nele transcrito”. Caso você consulte a declaração doutrinária perceberá que o catolicismo rejeita quase todas. No estatuto da ADUC – Assembleia de Deus Unidos em Cristo fica mais claro ainda quando o artigo 8º reza que os membros devem: “Rejeitar movimentos ecumênicos discrepantes dos princípios bíblicos adotados pela IGREJA.” Basta ler a confissão de fé dessa igreja no artigo 5º e você perceberá que a Igreja Católica não concordará. Já o pastor da Assembleia de Deus Ministério Templo Central foi coerente. Leu o estatuto da CONADEC, aos membros de sua igreja, principalmente o artigo 32º que diz “não manterá vinculo com movimentos ecumênicos...” Mesmo assim alguns estiveram presentes ao evento religioso. E não é só os evangélicos que rejeitam a união com os católicos o inverso também é verdade. A igreja católica é clara nas suas declarações sobre os evangélicos. Na leitura da biografia de padre Eudásio Cruz na Câmara Municipal em 21/08/06 para receber o título de cidadão aratubense, num trecho ler-se: “Reconquista de irmãos e irmãs que desviaram sua fé para seitas protestantes, afastando-se do legado apostólico de N.S.J.C., que rejeitam os Sacramentos e as verdades teológicas contidas no Santo Evangelho”(grifos meus). Significa que ao deixar a igreja católica e pertencer a uma igreja evangélica, o católico deixou de ser cristão porque agindo assim rejeitou os sacramentos e as verdades do Cristo. E era justamento isso o que um padre coiteense acreditava. Nonato Albuquerque no blog fortaleza.blogspot.com.br registra as palavras de padre José Nilson de Oliveira Lima que dizia: “as pessoas que deixam a Igreja Católica e procuram essas igrejas evangélicas, é que não tinham a verdadeira fé que se quer ao cristão católico”. E foi por isso mesmo que o agora papa emérito, Bento XVI, ainda cardeal orientou os fiéis católicos no Documento “Dominus Iesus” dizendo: "Por isso, os fiéis católicos, embora respeitando as convicções religiosas destes seus irmãos separados, devem abster-se de participar na comunhão distribuída nas suas celebrações, para não dar o seu aval a ambiguidades sobre a natureza da Eucaristia e, consequentemente, faltar à sua obrigação de testemunhar com clareza a verdade...”(grifos meus). Os irmãos separados são os evangélicos e a comunhão distribuída nas celebrações são os elementos da Santa Ceia, pão e vinho nas congregações evangélicas. E como esses elementos nunca são distribuídos ao católico que participa de um culto evangélico é uma forma de dizer que fiquem longe dos cultos protestantes. d. O Projeto do Dia do Evangélico e suas Controvérsias Para entender o Projeto do Dia do Evangélico que tramitou na Câmara Municipal primeiro quando foi rejeitado em 2011; e depois no ano seguinte ao ser aprovado, é necessário dividi-lo em três momentos históricos distintos: i) O projeto particular e espiritual da ADUC; ii) O projeto coletivo e social reprovado pela Câmara Municipal; e iii) O projeto coletivo e social aprovado pela Câmara Municipal. Os três quadros a seguir explicarão cada fase desse projeto. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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i)

Projeto Particular e Espiritual da ADUC

Nome

Projeto de louvor e adoração entregue ao ex-prefeito Júlio César Lima Batista no dia 27/11/2010 que o encaminhou a Secretaria de Cultura e Turismo para parecer e avaliação em 11/08/2010.

Proponente

Pastor Antônio Miguel da Silva

Objetivo

Solicita ajuda ao poder público para o show gospel do Grupo Som e Louvor. O projeto pede ajuda para aluguel de palco, som para banda, contrato do grupo gospel som e louvor e materiais de divulgação. O orçamento foi estimado em R$ 9.500,00(nove mil e quinhentos reais).

Proposta do Projeto

Aperfeiçoar o caráter dos jovens; orientar os jovens a respeito dos louvores a Deus; mobilizar a população jovem e adulta a respeito da profissão de fé cristã; orientar o cidadão de Aratuba sobre as formas de adoração ao Senhor Jesus; levar os jovens no que diz respeito a momentos de conversão e oração com Deus. No projeto original da Aduc não aparece nada de esportivo e cultural, mas essas características desaparecerão dos projetos seguintes marcados pela presença de momentos esportivos e culturais. Percebeu-se com a reformulação do projeto que para o colhimento das assinaturas entre evangélicos e católicos era preciso atrair as pessoas não com estudo bíblico e orações e, sim, atrativos esportivos e culturais.

Informações Adicionais

A maioria das pessoas desconhece o primeiro projeto, embrião do Dia do Evangélico depois que o prefeito municipal propôs ao pastor juntar as igrejas para o evento. Era um projeto basicamente protestante e enfatizava o estudo bíblico e a oração. Os participantes iriam estudar “a respeito dos louvores” (hinologia) “da profissão de fé” (teologia); e “as formas de adoração ao Senhor Jesus” (liturgia).

ii)

O projeto coletivo e social reprovado pela Câmara Municipal

Nome

Projeto de Lei de Iniciativa Popular/2010 para criação do Dia Municipal Aratuba marchando para Jesus.

Proponente

Antônio Miguel da Silva apresenta-se como representante das igrejas evangélicas. O início do projeto de Lei diz: “O Representante/Representação das Igrejas Evangélicas do Município de Aratuba, de acordo com a Lei Orgânica desta urbe em seu Art. 42, Parágrafo Único, submete a apreciação de V. Sia., o Projeto de Lei de iniciativa popular que assim se apresenta.” Apesar do parágrafo único do projeto dizer: “O Dia Municipal - Aratuba Marchando Para Jesus é um evento idealizado e organizado pelas Igrejas Evangélicas do Município de Aratuba numa parceria com as famílias”, a folha de colhimento das assinaturas do projeto dizia: “Nós da Assembleia de Deus Unidos em Cristo – ADUC, vimos através desta sensibilizar o povo de Aratuba para engajarem-se conosco...”

Igrejas Participantes

Assembleia de Deus Unidos em Cristo; Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério de Fortaleza e a Igreja Mundial do Poder de Deus;

Igrejas que rejeitaram o projeto

Assembleia de Deus Ministério Tempo Central e Igreja de Cristo no Brasil que enviaram ofícios ao poder legislativo municipal em 15/09/10 e 21/09/10 respectivamente.

Proposta do Projeto

Enfatiza as atividades esportivas e culturais como: torneios de futsal e voleibol – masculino e feminino; provas de atletismo; jogos de

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salão (damas, xadrez, tênis de mesa); palestras esportivas; à hora da saúde, dos cuidados pessoais, da consultoria jurídica e da doação. Em termos vagos e genéricos aparece as atividades espirituais tipo aconselhamento espiritual; evangelização em domicílio; momento ARATUBA MARCHANDO PARA JESUS e o Show de Louvor e Adoração”, que lembra o projeto particular original e é o que dele restou. Porque foi reprovado

A Comissão de Justiça e Redação da Câmara Municipal rejeitou sob duas alegativas: O pastor Antônio Miguel não representava as igrejas e não podia falar em nome delas como fez, pois nem todas concordavam; e constatou-se no documento assinaturas com abreviaturas de nomes e caligrafias repetidas conforme o ofício da Assembleia de Deus já alertava. O pastor Antônio Miguel enviou ofício ao presidente daquela casa e pediu desculpas pelo incidente das assinaturas e que não agiu por má-fé. E de fato foi uma questão de pressa e desorganização do projeto.

Informações adicionais

A data do Dia do Evangélico para o 4º sábado de novembro não tem qualquer relação histórica com os evangélicos locais a não ser proximidade dos shows que a Aduc já realizava no município no final de novembro. No 1º projeto, por exemplo, a data era 27 de novembro e foram colhidas 728 assinaturas. Mas isso não tem relação com a fundação da ADUC pois no Estatuto a data de sua fundação é 20 de dezembro de 2003.

iii)

O projeto coletivo e social aprovado pela Câmara Municipal

Nome

Projeto de Lei de Iniciativa Popular/2012 que trata da criação de uma semana específica para a culminância da realização de eventos culturais e espirituais das Igrejas Evangélicas de Aratuba e dá outras providências.

Proponentes

A Igreja Ministério Assembleia de Deus Filial São João do Meriti – RJ; Igreja Ministério de Fortaleza Campo – Aquiraz; Assembleia de Deus Unidos em Cristo – ADUC; Igreja de Crist em Aratuba; Igreja Pentecostal Assembleia de Deus – Ministério Fortaleza e Igreja Assembleia de Deus Cidade Nova

Igrejas Participantes

Todas as igrejas proponentes embora no colhimento das assinaturas apareçam mais duas igrejas: Igreja Assembleia de Deus Aliança Missionária e Igreja Comunidade Cristã das Matas.

Igrejas que rejeitaram o projeto

Assembleia de Deus Ministério Templo Central

Porque foi Aprovado

O Projeto Semana Municipal – Aratuba Marchando para Jesus foi aprovado em 27 de março de 2012 porque atendia aos requisitos legais e tem como objetivo trabalhar com as crianças, jovens e adultos para amenizar os problemas de violência familiar, ociosidade, uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas, gravidez precoce e as diversas ausências de valores que afastam o ser humano de Deus.

Informações adicionais

Os nomes da Igreja Assembleia de Deus Aliança Cristã Missionária e Comunidade Cristã das Matas não constam nos modelos do projeto aprovado. O Dia do Evangélico é um feriado municipal e ficou estabelecido na última sexta-feira de novembro de cada ano. Foram colhidas 562 assinaturas da população.

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A realização da primeira semana que culminou com o Dia do Evangélico em Aratuba no ano de 2012 teve uma tímida, mas importante contribuição social para o município. Tímida por ser num ano eleitoral e a prefeitura não repassou recursos para melhores palanques e bandas de shows gospel. Em Aratuba percebe-se um numero crescente de igrejas evangélicas e uma facilidade enorme de ser pastor. E que a lotação de crentes e pastores nos shows gospel e eventos públicos e midiáticos não significam melhores valores na sociedade, pois a violência, prostituição, droga e o alcoolismo crescem em maior proporção, e às vezes dentro do próprio círculo protestante. Nas últimas eleições igrejas evangélicas entrarem em crise no período de campanha político eleitoral e esses efeitos são sintomas da busca pelo poder e cargos de prestígio por aqueles que se intitulam de servos. Líderes religiosos são transferidos para outras cidades e denominações são fundadas no município em resultado das querelas político-partidárias. Com isso algumas denominações tornam-se alvos de candidatos que as visitam durante a campanha eleitoral na tentativa de trocarem votos por construções de templos e benefícios para líderes ou familiares. e. Os Paraprotestantes e outros fenômenos religiosos Teologicamente os mórmons, as testemunhas de Jeová e os adventistas são chamados pelos evangélicos de seitas e historicamente de paraprotestantes pelo fato de se parecerem com as igrejas protestantes originárias do Movimento da Reforma Protestante do século XVI. Mas só aparência, elas divergem em questões doutrinárias consideradas essenciais da fé cristã. Em Aratuba os mórmons já apareceram e há notícias deles no distrito de Pai João, mas sem existência permanente no município. Por outro lado as Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo Dia estão desde 2004 com uns 15 membros em Aratuba. Os adventistas estabeleceram-se aqui desde 2004 com uns 15 membros ativos. As Testemunhas de Jeová sempre visitaram o município com caravanas de muitos estudantes da Bíblia e desde o ano de 2007 eles têm permanência em Aratuba e aos domingos passam de casa em casa na distribuição de revistas da Sentinela e Despertai. 

Testemunhas de Jeová e Adventistas do Sétimo Dia

Charles Tazze Russel é considerado o fundador das Testemunhas de Jeová. Russel saiu da Igreja Congregacional por causa da doutrina do inferno e foi para os adventistas. Em 1872 criou a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, depois Testemunhas de Jeová. Os Adventistas surgiram no início do século XIX quando o americano e fazendeiro William Miller num estudo mal direcionado da profecia de Daniel 8.14 marcou em 1818 a vinda de Cristo para 21 de março de 1843 e depois 22 de outubro de 1844, ambas previsões fracassadas. Apesar de seu arrependimento, as justificativas posteriores e a guarda do sábado deram origem ao Advento do 7 º Dia.

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CRENÇAS SEMELHANTES ENTRE AS TESTEMUNHAS E OS ADVENTISTAS Adventistas Consideram-se a única religião verdadeira e fora dela não há salvação. Testemunhas Adventistas Os escritos de Ellen G. White tem a mesma autoridade da Bíblia Testemunhas Os escritos do “Corpo Governante” tem a mesma autoridade da Bíblia Adventistas Veem as demais igrejas como parte da Grande Babilônia do Apocalipse Testemunhas Adventistas Marcaram a vinda de Cristo várias vezes como 1843, 1844 e outros Testemunhas Marcaram a vinda de Cristo diversas vezes como 1914, 1918, 1925 e outros Adventistas Não acreditam no inferno, o inferno seria a própria sepultura Testemunhas Adventistas Acreditam que Jesus e o Arcanjo Miguel são a mesma pessoa Testemunhas Adventistas São aniquilacionistas, isto é, a alma do ímpio não sobrevive após a morte. Testemunhas Adventistas Creem que Cristo voltou invisivelmente em 1844 surgindo à doutrina do “Santuário” Testemunhas Creem que Cristo voltou invisivelmente em 1914, surgindo à doutrina da “Parousia”

Espiritismo Kardecista

Entre os vários municípios do Maciço de Baturité, Aratuba tornou-se palco de cenas do filme “Bezerra de Menezes: o Diário de Um Espírito”, dirigido pelos cineastas cearenses Glauber Filho e Joe Pimentel com orçamento de 2 milhões e lançado no Brasil no ano de 2008 na data do aniversário do médium em 29 de agosto. O elenco foi formado por atores nacionais e cearenses. O “médico dos pobres” como ficou conhecido após receber um livro de presente de um amigo do famoso espírita francês Léon Hippolyte Dénizart Rivail (Alan Kardec) tornou-se adepto da doutrina espírita. Com o tempo ficou conhecido como o “Alan Kardec” brasileiro. Em Aratuba as manifestações espíritas do chamado espiritismo comum são de longa data. Residências de espíritas em sítios como de Baixa Grande, por exemplo, foram procuradas por pessoas em busca de cura ou alívio de problemas emocionais. Mas o espiritismo kardecista chamado de espiritismo científico estabeleceu-se no município com a fundação do Centro Espírita Jesus Bom Pastor no dia 22 de agosto de 2009 pelo professor Carlos Barnardino. O espiritismo kardecista tem entre seus pilares a crença nas doutrinas da reencarnação e mediunidade. Professor Carlos é um intelectual do município e que já apresentou os programas Caldo de Cultura e Coluna Semanal na rádio comunitária local Fm São Francisco de Paula 104.9. Em seu programa Coluna Semanal abordou assuntos de moral e ética, sistemas filosóficos e religiões antigas e ainda discorreu sobre esoterismo, cristianismo, rosacrucianismo e raustranguianismo. Numa entrevista concedida a alunos da Escola Maria em 2012 Carlos Bernardino definiu o espiritismo como uma “doutrina filosófico-cientifica de efeitos morais.” A parte moral, segundo Carlos Bernardino, tem base no evangelho de Cristo com uma interpretação diferente, numa abordagem racional. O Centro Espírita Jesus Bom Pastor de Aratuba faz parte tanto da Aliança Regional Espírita do Maciço de Baturité e já sediou um encontro no Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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município, como também se liga a Federação Espírita do Estado do Ceará. No Centro os trabalhos acontecem às sextas-feiras e aos domingos à noite e no sábado à tarde. Ainda é pouco frequentado pelos aratubenses, porém conforme disse o professor Carlos existe uma procura de palestras e livros por algumas pessoas interessadas na doutrina espírita. A “interpretação diferente”, citada pelo professor é na verdade uma interpretação oposta as doutrinas cristãs fundamentais apesar do espiritismo alegar que não contradiz o cristianismo. As correntes católicas e protestantes são ideologicamente contrarias a doutrina espírita. A interpretação do “Evangelho Segundo Alan Kardec” é inteiramente divergente do Evangelho Segundo Jesus e os Apóstolos. Na entrevista o Professor Carlos Bernardino diz estar surpreso pela pouca frequência ao Centro Espírita em Aratuba e sua surpresa justifica-se pelas últimas estatísticas do IBGE no Brasil. Os dados dos últimos censos brasileiros mostram um crescimento de 2,3 milhões de espíritas em 2000 para 3,8 milhões no censo de 2012. 

Maçonaria

A gênesis da maçonaria é um mistério. Laurentino Gomes disse acertadamente no livro 1822: “As origens da maçonaria se perdem nas brumas do tempo. Na falta de documentos, as informações tem mais o aspecto de lenda do que de realidade comprovável. Entre os maçons, acredita-se que as sociedades secretas seriam herdeiras dos símbolos e códigos dos antigos construtores do Templo de Salomão, em Jerusalém, ou mesmo das pirâmides do Egito.” Não sei quando começou historicamente a maçonaria mas acredito que não começou com o Templo de Salomão e isso porque no Grau Real do Arco do Rito de York o maçom aceita que o nome de Deus é JABULOM que até os três primeiros graus foi chamado de GADU. Segundo os estudiosos o nome JABULOM é uma junção de Javeh (Já representa Javé); Bul ou Baal (representa o antigo Deus cananita); e Om (representa Osíris, o deus-sol do Egito). E como o Templo de Salomão foi construído somente para expressar o nome de Javé então os outros estão excluídos. Em Aratuba a maçonaria iniciou-se pelo ato nº 179/2005 do dia 22 de setembro de 2005 quando foi criado o Triângulo Maçônico no Oriente de Aratuba. No documento são citados os nomes dos Irmãos João Evangelista de Sousa, Wladimir Felício de Araújo Costa, Walter Belchior Fernandes, Dário Pereira Bandeira, Adauto Aquino Pereira e Miguel Clenio de Oliveira. Esse ato foi assinado pelo Grão Mestre Nathaniel Carneiro Neto e pelo Secretário Geral Francisco Madeiro Bernardino. Numa lista dos atuais maçons de Aratuba da Loja 124 Germano machado Holanda, aparecem os seguintes nomes, os chamados 10 obreiros: Adriano Lopes de Vasconcelos, Átila Albuquerque Filho, Francisco de Assis Moura Pereira, Francisco Ferreira Uchoa, Hermenegildo Belarmino dos Santos, João Evangelista de Sousa, José Manoel da Silveira Neto, Paulo César Magalhães, Pedro Glauton Gonçalves Monteiro e Raimundo Wanderley Alves Filho. Apesar da maçonaria não se definir como religiosa e sim como uma sociedade secreta, suas características religiosas são claras como a crença no GADU – Grande Artífice do Universo. Um ateu não pode portanto ser um maçom. Claro que a maçonaria não tem um deus identificável, Gadu pode ser Alá, Jesus Cristo, Brahma, Osíris ou outros. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Tanto o catolicismo quanto o protestantismo são contrários à maçonaria, apesar de muitos padres e pastores serem maçons. No Congresso Eucarístico de Aratuba em 1945 o Revmo. Antônio Pequito citou a maçonaria como falsa ideologia em sua homilia. E até na política a maçonaria repercutiu no município. Nas eleições de 2008 alguns evangélicos não votaram por acreditarem que certo candidato tinha vínculos com a maçonaria. Historicamente não se pode negar as contribuições maçônicas na história brasileira e inclusive que os maçons ajudaram os evangélicos em alguns momentos quando perseguidos pela igreja católica como disse o pesquisador e apologista cristão Paulo Romeiro. Mesmo assim seus princípios são opostos ao cristianismo e consequentemente ao catolicismo e ao protestantismo.

Referências Bibliográficas BAALEN, Jan Karel Van. O Caos das Seitas. Imprensa Batista Regular, 1985. Desenvolvimento Religioso de Aratuba, trabalho acadêmico das alunas da Facete – Faculdade de Educação Teológica na área de Antropologia da Educação, 2010. Entrevista com Flailton Medeiros da Silva, presbítero da Assembleia de Deus Ministério Fortaleza no dia 14.08.11 Entrevista com Gutiane Alípio Martins, Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Projeto Aratuba no dia 19.08.11 Entrevista com José Cândido de Oliveira, cooperador da Congregação Cristã do Brasil no dia 22.08.11 Entrevista com José Carlos de Assis Ramos, obreiro da Igreja Mundial do Poder de Deus no dia 19.08.11 Entrevista com Lidiana Santos Souza, professora da Escola Dominical Infantil da Igreja de Cristo no dia 20.08.11 Entrevista com Marcos Fábio Benedito da Silva, presbítero da Assembleia de Deus Nova Esperança no dia 22.08.11 Entrevista com Maria Verineide Barbosa e Antônio Nunes Anastácio, esposa e 2º dirigente respectivamente da Assembleia de Deus Aliança Cristã Missionária no dia 21.08.11 Entrevista com Ribamar Alves e esposa Silva Helena, pastor e professora de Escola Dominical de crianças respectivamente da Assembleia de Deus Cidade Nova no dia 21.08.11 Entrevista de Carlos Bernardino aos Alunos do Julia em 2012 GOMES, Laurentino. 1822. RJ Nova Fronteira, 2010 http://luiscorreia.zip.net/arch2007-06-03_2007-06-09.html. ACESSADO EM 29/11/09 http://www.facebook.com/aratubace acessado em 02/03/13 Projetos de Iniciativa Popular do Dia do Evangélico em Aratuba cedidos pela Câmara Municipal do Município. Revista Defesa da Fé, Ano 2 nº 1, 1998 Site www.cacp.org.br – Centro Apologético Cristão de Pesquisas Site www.ibge.gov.br acessado em 02/03/13

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V. A Formação Política do Município 1. As Eleições Municipais e seus Gestores QUADRO DOS PODER EXECUTIVO MUNICIPAL DE 1959-2016 Prefeito

Gestão

Partido

Votos

José Clóvis Lima

1959-1962

UDN

-

José Albuquerque Pereira

1963-1966

UDN

-

Raimundo Pereira Batista

1967-1970

Arena 1

742

Francisco Pereira de Sousa Leão

1970-1972

Arena

888

Raimundo Pereira Batista

1973-1976

Arena

883

José Ivan Santos

1977-1982

MDB

1.520

Raimundo Pereira Batista (*)

1984-1988

PDS

1.958

João Leite Filho

1989-1992

PMDB

2.523

Dilson Araújo Freire

1993-1996

PSDB

2.403

Júlio César Lima Batista

1997-2000

PDT-PMDB

3.254

Júlio César Lima Batista

2001-2004

PV-PSD

3.945

José Wolner Santos

2005-2008

PV-PSDB

3.950

Júlio César Lima Batista

2009-2012

PR-PMDB

4.281

José Ivan Santos Neto

2012-2016

PSB

4.507

(*) Após anulação de eleição em 1982 uma nova eleição em 1983. Veja explicação mais a frente.

A 1ª eleição de Aratuba ocorreu em 3 de outubro de 1958(uma sextafeira). Pelo documento Eleições 1958 do Tribunal Eleitoral do Ceará, sabe-se que existiam no recém município emancipado 1.440 eleitores. Os votantes naquele ano totalizaram 1.384 com a menor abstenção da história, 56 eleitores. Aratuba fazia parte da 77ª zona que incluía os municípios de Pacoti, Guaramiranga e Mulungú. No documento consta o nome de José Clóvis Lima como prefeito eleito do partido da UDN sem menção do vice e nem a totalidade dos votos. Foram sete cadeiras de vereadores. No Brasil aconteciam eleições gerais. Em Aratuba os candidatos ao governo do estado, José Barroso teve 508 votos e Virgílio Távora 543, mas José Barroso foi vitorioso no Ceará. Clóvis Lima é o primeiro prefeito de Aratuba e ganha de Raimundo Pereira Batista com mandato de 1959-1963. Porém ao candidatar-se de novo em 1966 perdeu para Raimundo Pereira Batista. Em 07 de janeiro de 1963 aconteceu o primeiro referendo no Brasil com a pergunta: “Aprova o ato adicional que institui o parlamentarismo?”. Essa foi à solução que os militares chegaram com a renúncia da presidência de Jânio Quadros, pois ao se oporem a posse do vice-presidente João Goulart (Jango), considerado radical e esquerdista, decidiu-se em cumprir a constituição com o vice assumindo, porém seus poderes foram limitados pela criação do sistema Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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parlamentarista no Brasil onde o primeiro-ministro é quem governa. Em Aratuba compareceram 672 eleitores com 76 votando no SIM e 562 no NÃO. Na eleição municipal de 1970 não houve concorrente, pois dos 1.920 eleitores aptos a votarem somente 1.104 compareceram. Destes, 888 votaram em Francisco Pereira de Souza Leão, 27 votos foram nulos e 193 votos em branco. Num artigo publicado no portal www.aratubaonline.com em 15 de janeiro de 2013, são expostos a totalidade dos candidatos e votos do executivo e legislativo de 1958-2012. As eleições de 1992 e 2004 tiveram três candidatos. Na primeira a junção dos votos de Dr. Edilson e Zé Carlito ultrapassam em mais de 500 votos ao vencedor Dilson Araújo. A união seria vitoriosa. Já no segundo caso, mesmo a junção dos votos de João Leite e Paulo Sérgio, ainda assim perderiam para Wolner Santos com uma diferença de mais de 1.200 votos. A maior vitória eleitoral na história política de Aratuba. Entre os mandatos históricos temos: Raimundo Pereira Batista exerceu três mandatos políticos (1966-1970; 1973-1976; e 1984-1988); e seu filho Júlio César Lima Batista também exerceu 3 mandatos (1996-1999; 2000-2004; e 2009-2012). Somados equivalem a 24 anos de domínio político da família Batista. A única família que rivaliza é a família Santos com 22 anos de influência e domínio político: José Ivan como vice-prefeito nas gestões (19621966 e 1984-1988) e prefeito (1977-1982), seu filho Wolner Santos (20052008) e Ivan Neto Santos (2013-2016). Uma curiosidade histórica entre as duas famílias é a seguinte: Raimundo Batista com 47 anos derrotou Wolner Santos com 19 anos na eleição de 1972 com uma diferença de 338 votos; 40 anos depois, em 2012, Ivan Neto, filho de Wolner Santos com o nº 40 e aos 34 anos derrotou Júlio César, com 60 anos, filho de Raimundo Batista com uma diferença de 539 votos. 2. As Eleições de 1982 e1983 O livro “O Caso de Aratuba: Recursos Eleitorais” é desconhecido pela maioria dos aratubenses. A obra é meio enfadonha e apesar de pequena nem todos terminam sua a leitura. O autor é um renomado jurista cearense. Seu assunto central é a anulação do pleito de 1982 e a nova eleição de 1983 em Aratuba. E como trata-se de uma decisão da justiça eleitoral os termos técnicos e jurídicos são praticamente inevitáveis. É um livro dedicado a Júlio César Lima Batista, filho de Raimundo Pereira Batista, amigos do autor e advogado Aroldo Mota. Em Aratuba dias ou semanas após as eleições para prefeito os comuns e repentinos fogos dos vitoriosos fazem os perdedores imaginarem que as eleições foram anuladas. Tal costume remete-nos as lembranças históricas da anulação do pleito de 1982 e suas consequências político-partidárias no município. Antes precisamos entender o contexto político social das eleições Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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municipais de 1982 para então compreendermos porque as eleições de 15/11/82 foram anuladas e renovadas no ano seguinte, na data de 15/11/83. Em 1982 fazia 18 anos que o Brasil vivia no Regime Militar, golpe dado na gestão do presidente Castelo Branco em 1964 sob a ameaça que o país seria varrido pelo comunismo. Porém no ano de 1982 o regime vivia seus últimos momentos até porque nesse mesmo ano, pela primeira vez realizou-se no país eleições diretas para Governador e Senador. Um dos últimos militares, Ernest Geisel, com medo de perder a maioria no Congresso Nacional criou a figura do Senador Biônico e as sublegendas partidárias nos municípios. Era uma forma de agrupar as várias forças políticas que apoiavam o governo no estado e na federação. Isso significava que os partidos aliados do governo poderiam ter até três sublegendas, indicando assim 3 candidatos a prefeito, cada um com seu respectivo vice que somado seus votos competiriam com o partido de oposição, no caso o MDB (depois PMDB). O candidato mais votado das sublegendas seria o eleito pelo partido. Os quadros a seguir facilita você entender quem foram os eleitos na eleição anulada de 1982 e os finalmente eleitos na nova eleição de 1983 para os poderes executivo e legislativo no município. ELEITOS PARA O PODER EXACUTIVO NA ELEIÇÃO DE 1982 Candidatos do PDS Votos Candidatos do PMDB Votos Na sublegenda I: Raimundo Raimundo Nonato Martins e Pereira Batista e seu vice José seu vice João Leite Filho Albuquerque Pereira Na sublegenda II: Júlio de Paula Pereira e seu vice Adauto Aquino Pereira Na sublegenda III: Francisco Edilson Lessa Nogueira e seu vice Adriano Botelho Total de Votos 1.679* *Raimundo Batista ganhou com 1.679 votos numa eleição de 6.284 votantes aptos, onde 4.889 votaram. Não encontrei o total de votos do candidato Raimundo Nonato Martins.

ELEITOS PARA O PODER LEGISLATIVO NA ELEIÇÃO DE 1982 Candidatos Partidos Votos José Emetério Campos Colares PDS 276 Maria Nilda Colares Menezes PDS 247 Maria Marli Pereira PMDB 202 Pedro Elder Nogueira PDS 191 João Henrique de Sousa PDS 151 José de Freitas Filho PDS 168 Raimundo AIves Pereira PMDB 169 José Nunes da Silva PMDB 148 Isídio dos Santos PMDB 143

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ELEITOS PARA O PODER EXACUTIVO NA ELEIÇÃO DE 1983 Candidatos do PDS Votos Candidatos do PMDB Votos Sublegenda I Raimundo Pereira 928 José Martins de Sousa e seu 1.853 Batista e seu vice Raimundo vice João Leite Filho Cláudio M. Lima Sublegenda II: Jose Albuquerque 405 Pereira e seu vice Júlio de Paula Pereira Sublegenda III: Francisco Edilson 625 Lessa Nogueira e seu vice Adriano Botelho Soma dos Votos 1.950 ELEITOS PARA O PODER LEGISLATIVO NA ELEIÇÃO DE 1983 Candidatos Partidos Votos Maria Nilda Colares Menezes PDS 236 José de Freitas Filho PDS 206 José Josenir Sampaio da Silva PDS 183 José Rodrigues da Silva PDS 156 José Emetério Campos Colares PDS 155 Maria Marli Pereira Souda PMDB 302 Francisco Iacy da Silva PMDB 234 Antônio Carlos Pereira Filho PMDB 186 Raimundo Alves Pereira PMDB 164 A anulação da eleição de 15/11/82 foi motivada pela incineração das cédulas eleitorais por ordem da Dra. Juíza Eleitoral da 89ª Zona. Na época a lei determinava que as cédulas eleitorais deveriam ser incineradas caso não pairasse dúvidas na eleição. Porém a Dra. Dulce Maria Silva Braga, juíza eleitoral de Mulungu exigiu ao TRE em dezembro de 1982 a recontagem dos votos “sob suspeita de mapismo em favor de um candidato a vereador de Aratuba”. E o PMDB na ocasião representou contra o PDS alegando fraudes no alistamento eleitoral. Diante do impasse e do parecer do Procurador Regional Eleitoral, Dr. Fávila Ribeiro pela recontagem dos votos e já que isso era impossível devido a incineração das cédulas eleitoras ordenadas pela juíza, então o processo nº 147, classe IX, anulou as eleições de 15 de novembro de 1982 no município de Aratuba. O acórdão de nº 19.669 da lavra do jurista Jesus Xavier de Brito, termina salientando que: “Em face do exposto RESOLVE o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, sem discrepâncias de votos, nos termos do Parecer do Dr. Procurador Regional, conhecer de representação e declarar nula a eleição municipal de Aratuba – 89ª Zona Eleitoral-Ce. Sala das Sessões do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, em 2 de setembro de 1982. O partido vencedor, Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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PDS, inconformado não aceitou a decisão e recorreu ao TSE – Tribunal Superior Eleitoral que acabou no acórdão 7.673 em 11 de outubro de 1982 confirmou a decisão do TRE. No relatório do Senhor Ministro José Guilherme Villela que “pediu a anulação do pleito do município cearense de Aratuba”, alegando que foi cerceado o direito de fiscalização dos atos do processo eleitoral e a constatação do “mapismo”, após a apuração dos votos. Foi relatado as irregularidades do alistamento eleitoral na transferência de títulos e que para isso houve a participação de Raimundo Pereira Batista, candidato vitorioso nas urnas. Percebeu-se ainda na época um elevado índice de eleitores no município que atingiu 63%, acima das cidades mais desenvolvidas na região do Maciço de Baturité. E no dia das eleições as irregularidades apontadas e decisivas para a anulação da eleição foram os transportes de eleitores pelo PDS e os “rumores do desaparecimento de 300 cédulas da 15ª e 16ª seções, das quais se teriam servido João Batista Queiroz – membro da Junta Eleitoral e principal acusado da prática de “mapismo” – para cometer outro ato fraudulento consistente no “enxerto” de urnas.” O mapismo se deu na confecção dos votos para vereadores. Com a anulação da eleição os diplomas dos eleitos e empossados perderam sua validade e foram afastados. Com isso o Governador do Estado, Gonzaga Mota, do PDS pelo decreto nº 16.112 decretou intervenção no município de Aratuba. O vice governador, Adauto Bezerra, indicou Magalhães Neto, servidor de cargo comissionado da então Secretaria de Assuntos Municipais que assumiu as funções executiva e legislativa em Aratuba. O período de intervenção municipal durou de 09/09/83 até 08/01/84. E foi a partir daí que José Martins de Souza (Zé Carlito) assumiu por seis meses a prefeitura de Aratuba. Mas agora a história muda de rumo. Quando o Tribunal Regional Eleitoral marcou as novas eleições para 15/11//83, publicou a Resolução nº 38/83 onde “somente serão admitidos a votar os eleitores que hajam comparecido à eleição anulada, e os de outras seções que ali houverem votado.” Foram realizadas vários recursos de impugnação e recursos eleitorais na eleição de 1983. Primeiro os votos assinalados no verso das cédulas, ou seja, o eleitor assinava um X no candidato a prefeito e o nome ou número do vereador no verso da cédula. Nesse caso o grande número de analfabetos e a falta de orientação dos mesários para votar na parte interna da cédula, fez o PMDB impugnar os votos atrás da cédula. Segundo, por causa da eleição de 1982, o PMDB denunciou intempestivamente a transferência irregular de outros municípios e de Fortaleza e isso resultou na impugnação de eleitores no ato da votação bastando que o fiscal não conhecesse o eleitor. E em terceiro a impugnação total da 17ª sessão porque quatro eleitores teriam quebrado o sigilo de seu voto, mostrando aos presentes. Como as duas primeiras impugnações não foram aceitas pela Junta de Apuração da 89ª Zona, 255 Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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recursos eleitorais foram apresentados ao TRE. Já o pedido da impugnação da 17ª sessão pela quebra do sigilo do voto, mesmo que eles estivessem em envelopes separados, conforme determinava a lei, ainda assim a urna foi anulada pela Junta de Mulungu. E como na urna anulada Raimundo Pereira Batista tinha maioria de 92 votos, com sua anulação, o candidato José Martins de Sousa foi proclamado eleito pelo juiz de Mulungu com uma maioria de 13 votos. Nessa época o município estava sob intervenção e após recursos no TRE a diplomação e posse de José Martins de Sousa foi suspensa, atendendo o pedido de liminar do advogado Djalma Pinto. Em dezembro o Tribunal Regional Eleitoral retoma os trabalhos e julgou numa intensa maratona os 255 recursos. Porém o mais esperado e importante era o veredito sobre a 17ª sessão e o TRE percebeu que os quatro votos de quebra de sigilo estavam em separado conforme ordenava a lei e dessa forma e somente eles foram anulados e não a urna e assim o eleito é Raimundo Pereira Batista e não José Martins de Sousa. No entanto com o recesso do TRE as sessões passaram a ser extraordinárias e nesse período o PMDB impetrou mandato de segurança, junto ao Supremo Tribunal Eleitoral que anulasse todos os julgamentos do Tribunal Regional Eleitoral porque o mesmo não publicou, por estar em recesso claro, as pautas de julgamento no Diário Oficial. E com a decisão do TSE recomeça tudo. Novo julgamento para os 255 processos e o julgamento da anulação da 17ª sessão. José Martins então é diplomado e empossado em 08/01/1984. E de fevereiro de 1984 até 21/06/1984 o TRE julga tudo novamente agora com as pautas publicadas no Diário Oficial e o resultado como já era de esperar foi o mesmo e Raimundo Pereira Batista é finalmente eleito prefeito de Aratuba. a. Eleição de 1996: Batistas e Santos Unidos 1996 foi um ano político agitado em Aratuba. Estava em jogo à continuação do governo iniciado em 1989 com João Leite Filho ou então a mudança com Júlio César Lima Batista, filho de Raimundo Pereira Batista. Julio César era formado em administração e informática, com uma cara nova e com ligações ao Cambeba. Em sua campanha um computador pintado nas paredes anunciava a modernidade que aconteceria em Aratuba. A administração de Dilson Araújo Freire, sucessor de João Leite, segundo jornais locais deixou uma dívida R$ 167.157.77, incluindo uma folha de pagamento no valor de R$ 100.108,48 de atraso ao funcionalismo público. Dessa forma o município tornou-se um caos nos últimos meses da gestão. Era um ambiente propício para vitória de Júlio César Lima Batista. A campanha política de 1996 foi polêmica. A foto do governador estava com os candidatos João Leite Filho do PSDB e Júlio César Lima Batista da coligação PDT-PFL. Comícios, passeatas e cartas anônimas circulavam no município. Com o lema “Não Volte ao Passado”, o partido do PSDB tentava convencer à população para não retroceder os “avanços” conquistados. Voltar ao passado significava o retorno da família Batista ao poder. O governador Tasso Jereissati, do PSDB já havia derrubado os coronéis e instalado o “Governo das Mudanças”. E em Aratuba dizia-se que as “mudanças” precisavam continuar. Votar em Júlio César Lima Batista era voltar ao coronelismo de seu pai conforme diziam os adversários de Raimundo Batista. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Estratégico e inteligente, Júlio César uniu duas famílias politicamente rivais: os Batistas e os Santos. Raimundo Batista e Ivan Santos foram adversários políticos. E quando Raimundo Batista entregou o governo para João Leite em 1989, Ivan Santos era o vice de João Leite. Mas a ruptura de Ivan com João Leite durante a gestão fez a família Santos sentir-se injustiçada. A eleição de 1996 então era um momento histórico: Batistas e Santos unidos para por fim ao domínio Leite em Aratuba. Júlio César e Wolner Santos, filhos de pais politicamente rivais estabelecem uma aliança política. E a união resultou na vitória de Júlio César que implantou em 1997 a administração Governo de Todos. b. Eleição de 2004: “Bem-te-vi, Andorinha e Corrupião” A administração Júlio César Lima Batista começou com uma boa aprovação logo no primeiro ano de seu mandato. Uma pesquisa divulgada em agosto de 1997 mostrava um índice de 89,3% daqueles que aprovavam a administração com 14,7% muito boa; 57,3% boa e 17,3% regular para boa. As grandes obras e construções realizadas, principalmente das escolas nucleadas implantadas no município torna Júlio César admirado como administrador. E com isso ele cresce politicamente ao ponto de tornar-se ainda em 1997 Presidente da AMAB – Associação dos Municípios do Maciço de Baturité. E com a aprovação do projeto de reeleição no Brasil pela emenda constitucional nº 16 de 4 de julho de 1997, Júlio César tornar-se o primeiro prefeito reeleito no município. Ele concorreu nas eleições de 2000, contra seu próprio vice-prefeito, Edilson Lessa Nogueira. Ganhou com 3.945 votos contra 3.216. Na época as famílias Batista e Santos continuam politicamente unidas. É tanto que Wolner Santos a frente da Secretaria de Obras do município nas duas gestões de Júlio César, torna-se uma espécie de braço direito do prefeito e com bastante influência político-administrativa. Em 2001 uma pesquisa realizada no maciço de Baturité sobre a atuação dos prefeitos e publicada no Diário do Nordeste no mês de agosto apresenta Júlio César com um índice de aprovação menor que a pesquisa de 1997. Agora 64,17% dos entrevistados em Aratuba aprovavam a administração. Destes, 46,52% consideravam boa; 21,90% regular para mais; e 17,62% ótimo. Ainda assim com a continuação das obras e a melhora nos resultados da educação e saúde, inclusive com prêmios do Selo Unicef, a grande preocupação agora era a sucessão política nas eleições de 2004. Sem contar que nesse tempo o prestígio político de Júlio César cresce e ele se torna entre 2003-2004 o Presidente da APRECE – Associação dos Municípios do Estado do Ceará. E no meio disso um detalhe: o prefeito transfere seu título eleitoral para Fortaleza o que fez alguns pensarem que iria se candidatar a deputado estadual. Essa decisão esquentou os discursos eleitorais na campanha de 2004. Uma carta de padre Moacir Cordeiro Leite distribuída à população dizia que “o município está abandonado ao ponto do prefeito ter transferido seu título de eleitor para Fortaleza, não sendo mais eleitor aratubense.” Porém, mais complicado que a transferência do título era a decisão político-partidária na escolha do seu sucessor. Os eleitores dividiram-se em duas classes: os mais próximos a Júlio César e considerados elitizados, preferiam o vice-prefeito, Beto Norberto; já os mais afastados e socialmente menos favorecidos queriam Wolner Santos. O próprio Júlio César lutando para ser imparcial, tinha preferência pelo vice e não o secretário de obras. A decisão final coube a uma Assembleia Geral ocorrida no auditório do Centro de Treinamento da Paróquia. Uma multidão compareceu ao local. Os Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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dias anteriores a essa assembleia histórica foram de movimentação e campanha eleitoral dos pré-candidatos. E cada um teve que apresentar seu plano de governo para uma nova gestão tal era a certeza de vitória eleitoral com qualquer das escolhas decidida pelos membros. E na votação dos membros Wolner Santos ganhou e tornou-se o candidato a sucessão. Uma pesquisa de opinião pública eleitoral não divulgada confirmava o otimismo do sucessor de Júlio César. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Meta entre os dias 11 a 13 de agosto de 2004. Foram entrevistados no município 362 eleitores, com 169 do sexo masculino e 193 do sexo feminino nas regiões da Sede, Aningas, Baixa Grande, Barreiros, Mundo Novo, Calembre, Camarão, Coquinho, Jardim, Pai João, Pindoba, Salgado, Santo Antônio, Segredo, Serra Verde, Serrinha de Baixo, Cajazeiras, Canoés, Fernandes e Vazantes. Nessa pesquisa a popularidade de Júlio César era de 49,7% para boa; 20,2% regular e 22,9% ótima e 13% péssima. Por outro lado a pesquisa mostrava que com o apoio de Júlio César 64,6% dos eleitores votariam em qualquer candidato. Nessa mesma pesquisa e sem citar os nomes dos candidatos, Wolner Santos aparece com 48,1% e citando os nomes, sua preferência sobe para 54,1%. E em ambos os casos o nome de Beto Norberto mal aparece. O fato das comunidades de Tope e Marés ficarem de fora da pesquisa era para avaliar melhor o desempenho dos concorrentes. Com a decisão da candidatura de Wolner Santos começou uma campanha eleitoral que passou para a história de Aratuba com sete acontecimentos inesquecíveis: 1) A música de Wolner Santos, estilo Ivete Sangalo (Sorte Grande) “levantou poeira, Wolner ganha de primeira”, empolgou e fez muita gente dançar e pular; 2) A hilux de Wainer Santos (Peixoto), irmão do candidato a prefeito, pegou fogo na comunidade de Calembre durante a campanha política; 03) Os jovens se mobilizaram e realizaram um debate no prédio da antiga CNEC entre os candidatos a prefeito; 4) A praça “pelada” como era chamada pela oposição devido às árvores arrancadas na construção da nova praça e a transferência do título de eleitor do prefeito foram temas dos comícios, explorados pela oposição; 5) Os apitos nas ruas e comícios imitando os sons do bem-te-vi; 6) A primeira eleição onde todos os candidatos aparecem com apelidos de pássaros: Bem-ti-vi (Wolner Santos) Andorinha (João Leite) e Curropião (Paulo Sérgio); e 7) A foto de padre Moacir Cordeiro Leite num cartaz de propaganda política ao lado de seu irmão João Leite, o vice Edmar Júnior e de dr. Edilson. E por fim a vitória de Wolner Santos na convenção do partido e sua preferência nas pesquisas acabaram por se confirmar nas urnas no dia 03 de outubro de 2004 com um resultado eleitoral surpreendente. Wolner obteve 3.950 votos contra 1.638 de João Leite Filho e 1.076 de Paulo Sérgio. Numa interpretação prática a vitória de Wolner Santos sobre João Leite lembrava a ruptura Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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de seu pai como vice na gestão 1989-1992; e para Júlio César a derrota de Paulo Sérgio nas urnas era uma resposta as denúncias contra a sua administração. Na posse de 1º de janeiro de 2005 uma multidão em frente à prefeitura de Aratuba aguardava o momento histórico. Em seu discurso Wolner Santos destacou a competência e o trabalho de Júlio César e que faria tudo pra honrar o povo do município. Para muita gente ficou a impressão que o município teria dois prefeitos: Wolner Santos comandando Aratuba com o povo; e Júlio César em Fortaleza conseguindo projetos para a administração. Com o tempo surgiram os problemas administrativos, as divergências políticas, e aí o otimismo arrefeceu e a alegria foi embora. E no lugar da disputa “Bem-ti-vi”, “Andorinha” e “Corrupião”, aparece agora o “Pavão” que se une ao “Corrupião” e motiva o “Bem-ti-vi” a se unir com a “Andorinha”. c. Eleição de 2008: Pavão, Andorinha e Bem-te-vi A eleição de 2008 talvez tenha sido a mais tumultuada, agressiva e que mais causou estragos nos relacionamentos pessoais. Famílias e amigos cortaram laços de amizades por muito tempo e outros até para sempre. E o motivo era porque dois aliados, Júlio César e Wolner Santos desentenderamse, trocaram farpas e romperam a aliança política de 1996. A antiga rivalidade batistas e santos retorna no cenário político local. E a razão foi à candidatura para a próxima eleição onde ambos queiram ser o candidato. Nesse ano Wolner Santos escreveu um comunicado público endereçado aos “Amigos de Aratuba”. A carta não é assinada, mas termina com um abraço do amigo, Wolner Santos. Não recebe data, mas foi escrita e distribuída no ano de 2008. Nela Wolner explica a população que esteve junto ao prefeito Julio César desde 1996. E que no ano de 2004 cogitava-se seu nome para ser o candidato a prefeito, mas a preferência de Júlio César era o candidato Beto das Marés. Cita a pré-convenção e sua histórica vitória nas urnas com uma diferença de 1.232 votos sobre seus adversários. Afirma que Júlio César não votou nele, pois transferira seu título de eleitor, mas que Júlio César tornara-se novamente eleitor de Aratuba em 18 de maio de 2007 por incentivo do próprio Wolner. No dia seguinte, Wolner o procura em sua residência no sítio para perguntar se queria ser candidato e a resposta foi negativa. E numa reunião com as lideranças políticas ao ser perguntado sobre o mesmo assunto a resposta também continuava a mesma. Tempos depois, Wolner Santos desfiliou-se do PV e coligou-se ao PR por solicitação de Júlio César e isso aconteceu segundo a carta em 13/09/07. Posteriormente a estes acontecimentos segundo Wolner, Júlio César lançou-se candidato e assim não honrava os compromissos assumidos e não deixava o povo ter o direito de escolher o candidato. Ainda disse que Júlio César, depois de lhe enganar também estava enganando o povo de Aratuba com afirmações falsas do tipo que Wolner havia procurado um deputado para filiar-se ao PMDB ao que Wolner nega na carta e termina dizendo que quer ser sim candidato a prefeito de Aratuba com a decisão democrática do povo. A resposta de Júlio César não tardou e com um outro comunicado também entregue nas residências municipais com um “Ao Prezado(a) Amigo(a)”, rebateu a carta do prefeito Wolner Santos. A carta não é assinada, mas termina com “um abraço do amigo”, Júlio César Lima Batista. Similar a carta de Wolner não é datada, mas foi também distribuída no ano de 2008. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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A missiva começa mencionando a carta do prefeito Wolner Santos que foi distribuída a população e lida no programa do Rochinha, da rádio Fm Maior de Baturité. Na carta, segundo Júlio César, faziam-se graves acusações a sua pessoa. Diz que nunca enganou o povo de Aratuba e que seu “patrimônio material foi construído antes de ser prefeito” e nenhuma de suas contas foram desaprovadas, sendo que o próprio Wolner como secretário de obras por 08 anos atestava isso. Afirma ainda que a vitoria de Wolner foi consequência das gestões anteriores(1997-2000 e 2001 a 2004) e que seu empenho pessoal durante toda a campanha pedindo votos para Wolner foi mais importante que se tivesse votado nele. Afirma que Wolner estava sendo mal agradecido e que seu projeto para Aratuba era simplesmente pessoal. Na carta Júlio César confirma que afirmara varias vezes que era apenas um substituto, porém segundo ele sua mudança de pensamento foi que Aratuba não andou nos últimos três anos. E cita quatro razões porque lançou-se candidato a prefeito de Aratuba: 1) Pela solicitação e insistência da população e das lideranças comunitárias; 2) Por compreender, segundo ele, que o projeto político de Wolner Santos era de caráter pessoal; 3) Para dar continuidade ao projeto político iniciado em 1993 no município; e 4) Pelo fato de Wolner ter procurado em setembro de 2007, um deputado para obter recursos e o comando do PMDB de Aratuba e ser candidato a reeleição pelo mesmo partido. E diz que ouviu isso do próprio deputado. Em suas palavras “O Wolner se filiou ao PR mas pensou em mudar de partido. Desapareceu a confiança, uma das bases do relacionamento político.” E termina frisando que está firma em sua pré-candidatura a prefeito de Aratuba. Pronto. O rompimento estava feito. Wolner Santos mesmo tendo direito a candidatura pelo projeto da reeleição, não pode se candidatar a prefeito e se é verdade que ele tinha um projeto político pessoal o mesmo pode-se dizer de certos aliados de Júlio César que queriam voltar ao poder para desfrutar de regalias que a administração Aratuba Cada Vez Melhor não lhes dava. Um abaixo assinado foi realizado para que Wolner Santos tivesse o direito de candidatar-se. O documento dizia: “Nós abaixo assinado requeremos de Vsa. Lúcio Gonçalo de Alcântara presidente do Partido da República – PR do Ceará, uma audiência popular na cidade de Aratuba-Ce, a fim de discutirmos assuntos referentes ao pleito de 2008.” Foram colhidas umas 1280 assinaturas, mas não teve jeito, Júlio César foi o candidato do PV de 2008. No início pichações nas paredes de Aratuba mostravam “JC Traidor 19”. E dessa forma surgiu o “Pavão”. E pegou de vez, apesar do nome dado pelos opositores transmitia uma mensagem negativa - o orgulhoso simbolizado na plumagem dessa ave. A briga política agora é entre o “Pavão” (Júlio César) e o Bem-Te-Vi (Wolner Sntos), sendo que impedido de sua candidatura apoiou João Leite (Andorinha) como candidato; e Júlio César, sozinho buscou alianças comunitárias e o apoio de Paulo Sérgio (Corrupião). E dessa forma velhos amigos políticos que se tornaram temporariamente inimigos, voltaram a amizade política outra vez. E começa então a campanha mais quente da história política de Aratuba. Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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Nesse momento mais cartas aparecem direcionada a população. Primeiro uma carta de Pe. Moacir introduzida com “Queridos irmãos e irmãs de Aratuba”. A carta recebe uma assinatura eletrônica com um “abraço para vocês do irmão”, Pe. Moacir. Não é datada, mas foi distribuída no ano de 2008. Diferente das outras nessa aparece uma foto de Pe. Moacir. A carta foi escrita de Cascavel e o pároco se comunica aos munícipes destacando 13 pontos relevantes, no uso da expressão estrela de momentos marcantes da história aratubense. O número 13 era de propósito, afinal seu irmão era mais uma vez candidato e pelo Partido dos Trabalhadores(PT). No item 01 diz que está em Cascavel, mas não esquece Aratuba lugar onde a estrela começou a brilhar segundo ele a partir de 1968 com as reuniões das Cebs. Nos itens de 8 a11 Moacir cita o brilho da estrela em Aratuba com a eleição de Lula, a vitória de Cid que derrotou o esquema de Lúcio e ainda pelo “testemunho de Wolner Santos, não se dobrando aos caprichos egoístas de quem nunca esperou..” A expressão “não se dobrando aos caprichos egoístas de quem nunca esperou”, refere-se a atitude de Júlio César Lima Batista em não permitir que Wolner Santos concorresse as eleições de 2008. Padre Moacir termina dizendo que para a estrela continuar brilhando em Aratuba era preciso “levar o povo ao poder” e isso significaria na visão dele eleger naquele ano João Leite e Isabel Fernandes para prefeito e vice. No fim conclui que “Estes 13 pontos nos indicam caminhos que poderão unir a bela administração de Lula, passando por Cid e chegando até vocês para continuarmos na luta de construir a ARATUBA QUE SONHAMOS.” Uma outra carta na forma de Nota de Esclarecimento ao Povo de Aratuba veio de um ex-prefeito e adversário de Julio César que agora era seu aliado, Dilson Araújo Freire A carta começa e termina com o nome do autor, Dilson Araújo Freire, e encerra com “Atenciosamente, o amigo de sempre”, seguida do nome e data. Não é assinada, mas é datada em 19/09/2008, próximos as eleições. Nessa nota de esclarecimento aos aratubenses, Dilson Araújo, em 08 pontos, defende Júlio César das acusações, segundo ele de Wolner Santos, de que Júlio César iria anular o concurso público municipal. Dilson Araújo diz que como advogado foi procurado por várias pessoas injustiçadas por obterem as primeiras colocações e ainda assim não serem convocadas. E depois entrou com ação na justiça contra o prefeito que foi solicitado prestar os devidos esclarecimentos e após isso, segundo Dilson, os adversários políticos de Julio César o culpavam de querer anular o concurso público. Acrescenta que isso não era verdade e termina expressando “Digo isso como ex-prefeito e ex-adversário político que fui do Sr. Júlio César Lima Batista durante anos, e tenho a humildade e a decência de reconhecer que após a era Ivan Santos, dos prefeitos que passaram por esta cidade, foi o que mais fez pela nossa Aratuba.”

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Dilson tinha razão mas muitas pessoas não questionavam as grandes obras da administração de Júlio César e sim, o fato de não permitir a candidatura de Wolner Santos. Por outro lado, para Júlio César era uma questão de sobrevivência política, ou ele se candidatava naquele ano ou então sua figura política se tornaria uma lembrança do passado na memória dos aratubenses. A campanha foi cheia de acusações e surpresas. Comícios e carreatas de ambos os candidatos lotavam as regiões e a cidade. A internet bombou de acusações contra pavões e bem-te-vis. Aratuba tornou-se uma verdadeira arena com dois gladiadores e uma multidão de espectadores esperando o golpe final. E essa campanha passou para a história política de Aratuba por seis características inesquecíveis: 01) As bandeiras vermelhas do PT que tomaram conta da cidade e do município; 02) A perca de um pendrive com supostas informações sigilosas e tornou-se hilariantes ao ponto das pessoas perguntarem nas rodas de conversas: “alguém achou um pendrive aí?”; 03) As enormes carreatas e multidões nos comícios de João Leite apoiado por Wolner Santos a ponto de alguns eleitores de Júlio César duvidarem de sua vitória; 04) A pintura em paredes de residências de uma andorinha curvando-se ante o bem-te-vi mostrando artisticamente quem mandava; 05) As acusações de compras de votos e distribuição de dinheiro de ambos os partidos era o comentário do dia-a-dia; e 06) A utilização do símbolo do pavão para o partido de Júlio César Lima Batista. No fim Júlio César Lima Batista e Paulo Sérgio Pereira da coligação PR/PMDB/PSDB/PRTB e PPS ganharam de João Leite Filho e Isabel Fernandes da Silva do PT com 4.281 votos contra 3.484 d. Eleição de 2012: Pavão e Bem-Te-Vi A eleição de 2012 ferveu em Aratuba e não era pra menos, pois em certo sentido ela continuava a eleição de 2008. Era uma espécie de revanche. A família Santos ficara engasgada com a derrota de 2008 e queria mostrar que só perdeu porque o candidato era João Leite. Um texto num blog referindo-se ao Sr. Branca de Neve(Júlio César) dizia: “Agora quer dar uma de "Limpo", aguarde o que se faz aqui, aqui se paga. Seus prédios de areia começaram a desmoronar, aqueles que estão do seu lado começarão a correr e você se sentirá só, então você cairá em si, e entenderá o porque de tanto desprezo onde você entra hoje.”(Grifos meus). E mais uma vez Aratuba tornou-se um campo de guerra. Um blog de oposição a Júlio César anunciou isso com o som de uma música de faroeste americano por vários meses. Era a hora de sacarem as armas e ver quem era mais rápido no gatilho. Depois mudaram para a música “por debaixo dos panos” de Ney Matogrosso, denunciando erros da administração. 2012 foi uma campanha midiática, barulhenta e cheia de discussões na net e ao contrário das anteriores somente uma carta foi distribuída ao povo Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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aratubense. O texto veio do candidato do PR, Júlio César, refutando as acusações de ficha suja contra ele. A carta foi clara, direta, mas não explicou de modo convincente os questionamentos levantados A carta não é assinada, mas termina com o nome de Júlio César Lima Batista e é datada de 27 de agosto de 2012. Na breve carta ele afirma que em mais de 20 anos de cargos público nunca foi condenado pela justiça ou teve contas desaprovadas, ao contrário segundo ele de quem exerceu apenas um mandato e teve várias contas reprovadas. Com isso certamente referia-se ao seu antecessor. E a partir dessa premissa diz que a matéria jornalística de 18/12/2011 foi implantada e seu teor não é verdadeiro. A carta termina alertando as pessoas a não acreditar em mentiras e que com a ajuda de Deus e do povo ele venceria as eleições. Para entender melhor a carta basta lembra que no dia 13/07/2012 Júlio César postou no Aratuba Eleições 2012 que após o término do prazo de impugnações de candidaturas, ele estava ileso e após 11 anos e 6 meses de mandato públicos e vários anos em cargos da esfera estadual, termina dizendo “TENHO FICHA LIMPA., por isso me orgulho de ser político e querer continuar a ajudar Aratuba!!!”. Em resposta a isso no mesmo dia 13 de julho de 2012, um blog anômimo inicia uma série de artigos em 5 partes intitulado de “O Sr. Branca de Neve”. O título aliás fala de “Senhor” mas o texto menciona “Rapazinho” três vezes em referência a Júlio César. Bem, para quem estava prestes a completar 60 anos, a palavra “rapazinho” é inadequada, até porque quem escreveu deve ser mais novo que o denunciado. A expressão então não se refere à faixa etária e sim, desprezo, sarcasmo. Tanto o blog quanto o texto é tendencioso, esconde-se no anonimato, e às vezes mal escrito, mas isso não tira o valor de boas reflexões que de vez em quando se produziu ali. Wolner Santos não pode se candidatar devido a reprovação de suas contas nos anos de 2010, 2011 e 2012. Com isso lançou seu filho Ivan Neto para candidato. Assim como Paulo Sérgio também foi impedido legalmente de candidata-se e sua filha assumiu seu lugar na candidatura. O anúncio do nome de Ivan Neto fez os correligionários de Júlio César alegrarem-se, pois acreditava-se que as eleições estavam ganhas e a luta era para conquistar a maioria na Câmara Municipal. Mas com o passar do tempo, percebeu-se que a juventude, os novos eleitores e a massa pobre de Aratuba estava do lado do “menino” – como foi chamado Ivan Neto. O quadro a seguir mostra as semelhanças e diferenças entre os dois candidatos: Sobre Filiação

Partido legenda

Júlio César Lima Batista

José Ivan Santos Neto

Filho do ex-Prefeito Raimundo Pereira Filho do ex-Prefeito José Batista Wolner Santos e PR – Partido Republicano com o nº 22

PSB – Partido Socialista Brasileiro com o nº 40

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Experiência Política

Prefeito de Aratuba por três gestões; Presidente da AMAB – Associação dos municípios do Maciço de Baturité (1997); Presidente da APRECE – Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (2003-2004); Secretario do Governo do Estado (2005-2006)

Experiências de trabalho em campanhas políticas com seu pai; O início de uma real experiência como prefeito de Aratuba (2013-2016)

Escolaridade

Graduado em informática pela UFC; em Ensino administração de Empresas pela UECE; Completo e pós-graduado em gestão de cidades pela UNIFOR

Ocupação

Analista de Tecnologia e Informática da Agricultor ETICE, sucessora do SEPROCE onde ingressou em 01/09/1973 como programador de computadores e aprovado em concurso público.

Declaração de Bens em R$

529.238,31

Fundamental

15.000,00

A campanha eleitoral de 2012 passará para a história de Aratuba com algumas características que servem de lições e reflexões para todos: 01) Foi a mais barulhenta de todas as campanhas e na escola Maria Julia, por exemplo, aulas era atrapalhadas pelos carros de sons dos partidos políticos; 02) Pela primeira vez um site de campanha foi lançado pelo candidato do PR – Partido Republicano. O site foi ao ar em 06 de agosto de 2012 no endereço http://www.juliocesar22.com.br/. Lá o eleitor conhecia a biografia dos candidatos, material de campanha, jingle, as propostas para o município e, caso desejasse sugeriria ações e projetos. No site havia uma enquete onde as pessoas opinavam a prioridade da nova gestão. A enquete até o dia 07/10/12 num total de 608 participantes tinha o seguinte resultado: 32% cidadania e segurança; 30% esporte e juventude; 11% infraestrutura e urbanismo; 9% cultura e turismo; 6% desenvolvimento e recurso hídricos; 5% educação; 3% saúde; 2% assistência social e meio ambiente; e 0% administração e finanças; 03) Uma briga enorme qual comício era maior e fotos eram expostas na net constantemente; 04) O portal do aratuba online expôs para a população as imagens dos comícios dos partidos; 05) A presença de bandeiras azuis tomou conta da cidade e do município; 06) Filhos de candidatos a prefeito e vice entraram no jogo partidário devido a impossibilidade legal de seus pais se candidatarem; 06) O discurso foi muito apelativo, de um lado alegando-se pensões não pagas e do outro um eleitor postando no face uma mensagem no dia do aniversário do prefeito: “Vou dar um presente muito especial para o prefeito, vou dar uma passagem pra Àfrica! Obs.: Só de ida, na jumenturismo, a mais confortável viagem de jumento que existe!” 07) A página virtual do Aratuba Eleições 2012 iniciou com o pedido de ética, mas Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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chegou ao seu final com ameaças físicas entre os membros. Apesar do moderador tentar a calma e ética com o eliminação de quem não se comportava conforme as regras nem todos estavam satisfeitos com sua moderação. Um eleitor chegou a fazer uma convocação aos correligionários de seu partido que se retirassem da página, mas não foi atendido; 08) A juventude mobilizou-se nos comícios, uso de pulseiras e incentivo no face, mas não promoveu um debate entre os candidatos para votarem com base na razão e não na emoção; 09) Pelas fotos dos comícios percebia-se que a camada mais pobre estava no comício de Ivan Neto e a camada socialmente favorecida estava no comício de Júlio César e mais uma vez criou-se a dicotomia de prefeito dos pobre e prefeitos dos ricos; e 10) O distanciamento de padre Moacir e de deu João Leite fez a eleição ter um caráter apenas de “Pavão” e “Bem-Ti-Vi” com a ausência histórica das “Andorinhas”. O pensamento dominante era que Júlio César venceria, mas no dia da eleição as pesquisas do PR – Partido Republicano não se confirmaram e Ivan Neto ganhou com 4.507 votos contra 3.968 de seu adversário. O clima ficou tenso no município, pois para alguns o inacreditável aconteceu. E para outros o “império juliocesiano” chegara ao fim. E nesse fim alguns entraves prejudicaram o município. No último ano com as contrações exorbitantes a folha cresceu e a falta de planejamento deixou os funcionários sem receberem o mês de dezembro que se arrastou como um problema financeiro para as famílias. Júlio César recebeu a prefeitura pela primeira vez em 1997 com dívidas da gestão anterior e agora uns 16 anos depois a entrega também com dívidas ao seu sucessor. Nada diferente da velha política brasileira.

Fontes Bibliográficas Atas Gerais de Apuração do TRE dos anos 1958, 1963, 1966, 1970, 1972,1974, 1976, 1982,1988,1992,1996,2000, 2004, 2008 e 2012. Forças Vivas da Nação, Nossos Políticos, 1978 Jornal Diário do Nordeste, edição 07/01/03 MOTA, Aroldo. O Caso de Aratuba - Recursos eleitorais, 1985 Cartas de anos políticos de Aratuba

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3. A Educação Ontem e Hoje Em Aratuba a educação deu seus lentos e primeiros passos no período da Freguesia Coité. O Governo da Província do Ceará através da lei nº 1.684 de 2 de setembro de 1875 criava uma cadeira do sexo feminino em Coité, publicada no jornal Constituição na edição de 7 de setembro do mesmo ano. Mas o Gazeta do Norte em 21 de maio de 1885 anunciava “uma questão que se agita entre os professores de Coité e o inspetor escolar da respectiva paróquia.” Apesar de não sabermos do que se tratava e quem eram os professores envolvidos curiosamente o mesmo jornal no ano seguinte em 13 de março de 1886 anuncia a licença com ordenado de dois professores de Coité, o sr. João da Matta Cavalcante, responsável pela cadeira masculina e a sra. Izabel Samico Cavalcante, responsável pela cadeira feminina, ambos para tratamento de saúde, por um período de três meses, deixando substituto idôneo na vila. As provas de que os professores não ganhavam bem naquela época é o pedido da professora pública Izabel Samico Cavalcante de três meses de vencimentos para ser descontado pela quinta parte mediante fiança idônea como noticia o Libertador em 24 de outubro de 1890. Depois outra edição desse jornal de 20 de setembro daquele ano informa que os professores públicos João da Matta Cavalcante e Izabel Samico Cavalcante foram removidos de Coité para Pereiro. E o jornal Cearense de 8 de janeiro de 1891dizia que pelo decreto nº 129 de 31 de dezembro a normalíssima diplomada DD Adelaide Dutra, iria reger a cadeira feminina na vila de Coité. E em sua edição de 17 de março do mesmo ano menciona João Agostinho Soares como inspetor escolar da vila de Coité. Parece que os professores “Cavalcantes” eram leigos ao contrário da diplomada Adelaide Dutra. Em nossos históricos outros professores e escolas de Coité são citados como a Escola Pública de João Veridiano (1885); a Escola de Balduino Cabral (1886); a Escola do Mestre Rocha (1888); a Escola do Professor Edilard onde estudou o mestre Leopoldo Pereira Martins (1891); Escola Pública da Professora Dona Antônia de Castro e Silva (1989) e a Escola de Dona Elvira (1911). Diz-se que todas estas escolas se reuniram e formaram as escolas reunidas de Aratuba com as professoras D. Maria Quilda Gomes, D. Neiva Lima Guimarães, D. Francisca Pereira Colares e Nely Farias Lima. Esta escola funcionava sob a direção de D. Edinar Cordeiro Lima no prédio da antiga CNEC (hoje CEI Nely de Lima) com nome de Grupo Escolar Paulo Sarasate, construída em 1951, pelo deputado de mesmo nome. Mas com todo esse esforço a educação tinha muitas deficiências, principalmente na formação dos professores e a concentração das escolas na sede do município. O jornalista Paulo Maria de Aragão publica no jornal Nordeste em 9 de setembro de 1962 um texto que fala das belezas naturais de Aatuba, mas termina dizendo “Lamentável porém é a grande deficiência do ensino escolar, onde não encontramos uma única professora diplomada lecionando. Outra grande falta é o Patronato que se encontra de portas cerradas, pois o seu funcionamento concorria com grande desenvolvimento cultural. Muitas crianças ali, necessitam do ensino escolar. Neste sentido as autoridades competentes deveriam levantar as suas vistas, para que se evolua o ensino local.” Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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O mesmo jornalista, 4 anos depois, no dia 13 de março de 1966 publica no Gazeta o texto Aratuba: Um recanto esquecido da Serra, onde ele apresenta alguns dados da administração do prefeito José Albuquerque e cita a existência de 20 escolas construídas mas volta a frisar que não existem professoras diplomadas, apenas moças de boa vontade ensinando os aratubenses. A quantidade dessas escolas cresceram, principalmente nas gestões de Raimundo Pereira Batista(1967-1970; 1973-1976 e 1984-1988) e José Ivan Santos (1977-1981). Com o processo de nucleação, implantado na gestão de Júlio César Lima Batista (1997-2000 e 2001-2004) existiam cerca de 45 pequenas escolas rurais que foram transformadas em 8 escolas regionais. Mas antes do processo de nucleação escolar o município já tinha duas grandes escolas que atendiam o ensino fundamental e médio: O Centro Educacional Monsenhor José Barbosa (1967- 2001) que chegou a atender a mais de 1000 alunos. No portal www.aratubaonline você encontrará um artigo sobre a história dessa instituição em cinco partes publicados em 12 de março de 2012. E a Escola Joacy Pereira (antiga Escolas Reunidas, depois Paulo Sarasate), que recebeu o nome inicial de Escola de 1º Grau de Aratuba pelo decreto nº 11.493 de 17 de outubro de 1975 e posteriormente chamou-se de Escola de 1º Grau José Joacy Pereira em 9 de março de 1981 pelo decreto nº 331. Atualmente é a Escola de Ensino Médio José Joacy Pereira. Com a nucleação das escolas estava resolvido os problemas estruturais. Era preciso eliminar a figura do professor leigo. Um processo de formação de professores sempre esteve em curso no município, embora precário, mas cada gestor contribuiu no aprimoramento pedagógico. Prefeitos como Raimundo Pereira Batista (1967-1970; 1973-1976 e 1984-1988); José Ivan Santos (19771981); João Leite Filho (1989-1992) e Dílson Araújo Freire (1993-1996), adotaram ações políticas de capacitação dos professores de Aratuba. Eles entendiam que a qualidade da educação passa necessariamente pela qualificação profissional do magistério. Na gestão de João Leite Filho, por exemplo, a UECE – Universidade Estadual do Ceará se fazia presente no município na capacitação periódica dos docentes municipais. Seu sucessor, Dilson Araújo Freire, inclusive implantou o Curso “Agora Eu Sei” para erradicar a figura do professor leigo em Aratuba. O programa visava acabar com o professor sem formação de 1ª a 4ª série. Na época era comum professores sem o Ensino Médio completo, lecionarem no Ensino Fundamental. E outros ainda somente com o Ensino Médio ministrarem aulas no próprio Ensino Médio. O Curso de Habilitação de Professores não Titulados, mais conhecido como “Agora Eu Sei” da Secretaria de Educação Básica do Ceará, teve aprovação até 31.12.1999, pelo parecer nº 248/98. Esse programa utilizava módulos instrucionais produzidos pelo Centro de Ensino Tecnológico de Brasília – CETEB, sob a forma de ensino à distância, com uma parte sob tutoria em sala e o estudo do próprio professor em casa. E com o tempo alguns professores por conta própria cursaram a faculdade em outros municípios, antes mesmo da primeira turma da UECE em Aratuba no ano de 1999. Em 1997 entrou em vigor a lei nº 9424/96 de 24 de dezembro de 1996 que permitia a aplicação de 60% do magistério pelo FUNDEF – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, atualmente FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. Com Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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isso no ano seguinte realizou-se o primeiro Concurso Público Municipal Para Professores Polivalentes, por força da Lei nº 096/97 homologada em 20 de dezembro de 1997 no Diário Oficial de 30 de junho de 1997. Após aconteceu a nomeação dos aprovados, em 15.01.99 com Termo de Compromisso e Posse e Decreto nº 020/99 com Cargo de Professor Polivalente lotado na Secretaria de Educação Básica do município. Nesse concurso público, foram aprovados 57 candidatos. E assim a necessidade de professores habilitados e capacitados tornara-se mais visível e premente e os profissionais reivindicavam tal formação superior e permanente. Era preciso agora cumprir o artigo 62 da Lei Darcy Ribeiro nº 9394, de 20 de dezembro de 1996 que preceituava a formação superior de docentes para atuar na educação básica como requisito mínimo no exercício do magistério. Para cumpri-la o município celebrou convênio com a UECE – Universidade Estadual do Ceará, oportunizando aos docentes submeterem-se a um vestibular no dia 12.06.99 para cursarem faculdade no próprio município através do NECAD – Núcleo de Educação Continuada e à Distância. As vagas oferecidas ao município foram preenchidas e formou-se assim 45 formandos cujo resultado do vestibular foi anunciado pelo Secretário de Educação, Raimundo Araújo de Souza (Seleção) na radiadora da Paróquia São Francisco de Paula já que na época o município não dispunha de rádios comunitárias. O primeiro dia de aula na faculdade aconteceu em 21.07.99 no antigo auditório da Escola Maria Júlia. No momento cerimonioso o professor Gildo Gomes foi o orador da turma e coincidentemente tornou-se o orador na festa de colação de grau, pois o professor indicado para o pronunciamento falecera durante o curso e por isso mesmo a turma foi chamada de ISTÊNIO GOMES RAQUEL em homenagem ao célebre professor de matemática. No portal www.aratubaonline.com há um artigo em duas partes sobre os 10 anos dessa turma, cuja placa comemorativa encontra-se na Escola Professora Maria Júlia. A capacidade e desenvolvimento intelectual dos docentes do município foi pontuado por Solange Xerez que defendeu uma tese de mestrado em São Paulo na Universidade de São Marcos com o tema “Educação e Cidadania no Município de Aratuba” no mesmo ano da conclusão do curso no município. A autora ainda escreveu um livro sobre a mesma temática lançado pela Gráfica e Editora LCR em 2008. Em sua tese Xerex destaca a capacidade critica dos professores aratubenses: “Também graças a uma observação participante, e comparando Aratuba com outros municípios do Ceará onde ministrei aulas, principalmente Ipu que foi locus de outra pesquisa, posso assegurar que os professores de Aratuba se distanciam dos demais observados no que se refere às leituras teóricas, à criticidade em relação ao ensino aprendizagem, no planejamento das aulas, e principalmente na questão da auto-estima de desenvolver suas tarefas numa escola grande, com estrutura pedagógica e tecnológica...”(Dissertação de Mestrado, p. 81, grifo meu). Mas apesar dessa capacidade dos professores da rede pública municipal, os mesmos solicitaram em reunião ao Secretário de Educação do Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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município que retirassem questões de matemática do concurso de 2006. E a empresa contratada, o INEPAS – Instituto Nordestino de Educação, Políticas Administração e Sociais S/S LTDA, atendendo ao pedido da prefeitura municipal, extingui incrivelmente a matemática das provas dos professores de Aratuba e consequentemente de todas as categorias de nível superior. Um péssimo exemplo. Mas contraditoriamente o edital nº 013/2006 de 04 de maio de 2006 apresentava itens de matemática nas áreas de noções de estatística para os Secretários de Unidades Escolares e apresentava o nº de 10 questões de matemática para o professor do Ensino Infantil I. Foi o segundo concurso da administração Wolner Santos, sendo que o primeiro aconteceu no ano anterior, 2005. A novidade no segundo concurso foi a inclusão de questões sobre conhecimentos gerais e culturais do município de Aratuba. E com os avanços na área estrutural e formação pedagógica, dois outros momentos históricos educacionais destacam-se na história da educação de Aratuba. Esses dois momentos são até mesmo mais importantes que o projeto de Nucleação Escolar. E ao mesmo tempo são paradoxalmente envoltos de indagações entre a realidade conquistada e o efeito midiático. Os dois momentos são: a Erradicação do Analfabetismo de Aratuba na gestão de Júlio César Lima Batista no ano de 2004; e a Erradicação do Analfabetismo Escolar, na gestão de Wolner Santos no ano de 2005. A primeira foi celebrada em dezembro de 2004 e a outra em dezembro de 2005. Uma espécie de Natal sem analfabetismo popular e escolar de Aratuba. Em sua especialização de Gestão na UFC – Universidade Federal do Ceará, apresentada em 2005, o exprefeito Júlio César comenta sobre as duas conquistas nos seguintes termos: “Aspecto dos mais significativos conquistados, nos anos recentes, foi a erradicação do analfabetismo de adultos de 15 anos e mais. Através de uma ampla mobilização e participação popular, utilizando os instrumentos de descentralização gerencial da educação, do processo de intersetorialidade, através dos Agentes de Saúde, foi possível identificar e cadastrar todos os analfabetos do município. Essa estratégia exitosa permitiu, no espaço de oito meses, alfabetizar cerca de 2.400 pessoas ” (Júlio César Lima Batista, Nucleação de Escolas Publicas – A Experiência de Aratuba, 2005 p.40).

“É merecedor de destaque o fato das políticas públicas mencionadas e ocorridas no período 1997-2004, não sofreram descontinuidade. O atual prefeito José Wolner Santos, eleito pelo PV – Partido Verde para o período 2005-2008, tem dado prosseguimento ao processo de Nucleação das Escolas Públicas de Aratuba, bem como mantido e aperfeiçoado os mecanismo institucionais que asseguram a participação democrática na gestão do município. Exemplo significativo foi, ainda no ano de 2004, a administração do município ter identificado um percentual de crianças regularmente matriculadas na escola pública, que não sabiam ler nem escrever, fato que ocorre com frequência na escola pública brasileira. Já o atual mandato, o novo gestor adotou o mesmo método utilizado na alfabetização de adultos, o que possibilitou acabar de vez, com a chaga do analfabetismo em Aratuba.” (Júlio César Lima Batista, Nucleação de Escolas Publicas – A Experiência de Aratuba, 2005 p.45).

Muito dinheiro foi investido nessas conquistas. No primeiro caso o estado repassou 365.880,00 (Trezentos e sessenta e cinco mil oitocentos e Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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oitenta reais) ao município. E no segundo, a prefeitura de Aratuba investiu recursos no valor de 100.000,00 (Cem mil reais). A pergunta que fica é: a chaga do analfabetismo seja popular ou escolar foi erradicada de vez do município de Aratuba como disse Júlio César? Os dois prefeitos tinham razões de comemorar tanto essa conquista educacional? Os questionamentos apareceram em ambos os casos, mas a erradicação do analfabetismo em Aratuba foi o mais atacado talvez pelo impacto midiático que causou. A então Secretária de Educação do Estado, Sofia Lercher Vieira, chamou de Natal da Abolição, uma segunda abolição comemorada no natal de 2005 nos municípios de Itarema e Aratuba. Uma mídia para o governador Lúcio Alcântara claro. Mas não custou e no Diário do Nordeste de 6 de abril de 2005, o deputado Arthur Bruno aparecia questionando na Assembleia Legislativa a propaganda oficial do governo sobre a erradicação do analfabetismo em Aratuba. Ele citou os dados do pároco Moacir Cordeiro Leite sobre os livros de presença no hospital Pe. Dionísio. Padre Moacir enviou de Cascavel um comunicado ao Governador Lucio Alcântara. No ofício disse que ao visitar o Hospital de Aratuba constatou no livro de presença que dos 187 eleitores, 21 era analfabetos e que no boletim de atendimento da portaria entre janeiro e março daquele ano, das 1.843 pessoas, 103 eram analfabetas. A resposta de Júlio César ao governador foi enviada no dia 04 de abril de 2005, técnica, bem fundamenta e convincente, afinal confrontados com o censo do município, dos 103 analfabetos no boletim do Hospital, somente 30 deles haviam declarados que não sabiam ler ou escrever e dessa forma não podiam ser contemplados pelo projeto. Já a erradicação do analfabetismo escolar com o Programa “Caminhos Diferentes Para Alfabetização”, método da professora pernambucana, Damaris Flor, 1.213 crianças passaram a ler e escrever no município na faixa etária dos seis aos oito anos. O assunto foi destaque no jornal O Povo na edição de sexta-feira de 16 de dezembro de 2005 com um titulo menos midiático: Aratuba tem avanços na educação. 1.231 crianças é um número muito alto e por si denuncia a eficácia da educação municipal. O artigo nº 119 da Lei Orgânica diz que “O município atuará prioritariamente no ensino pré-escolar e fundamental na forma de erradicar o analfabetismo.” Porém os anos seguintes continuaram a mostrar as deficiências de leitura e escrita infantil-juvenil. Parece que a maior ação da administração Júlio César foi a tentativa de erradicação do analfabetismo popular; e a maior ação da gestão Wolner Santos foi igualmente a tentativa de erradicação do analfabetismo escolar. Mas essa erradicação ainda não aconteceu, mas ambos os gestores investiram porque acreditaram na possibilidade e tinham razão de comemorar porque embora o termo erradicação não seja realisticamente adequado, foi uma ação ousada, pesada e muito significativa social e educacionalmente no município.

Referências Bibliográficas CÉSAR, Júlio Lima Batista. Nucleação da Escola Pública – A Experiência de Aratuba, 2005 Comunicada de Julio César ao Governador Lucio Alcântara, 2005 Comunicado de Pe. Moacir ao Governador Lúcio Alcântara, 2005 Edital do Concurso Público Municipal de Aratuba de 2006 Folha de Aratuba, Ano 1, 1ª edição de 2006 GOMES, Gildo. Memorial de Formação e Prática Educativa,2002 Histórico da Escola José Joacy Pereira, anônimo. Histórico Escolar da UECE – Universidade Estadual do Ceará, 2003 IZILDA, Maria Lima Barbosa. Histórico de Aratuba, 1982 Jornais da Biblioteca Nacional de Brasília cedidos por Henrique Germano Jornal O Povo de 16/12/2005 Lei Orgânica do Município de Aratuba XEREX, Solange. Educação e Cidadania no Município de Aratuba. Tese de Mestrado apresentada em São Paulo na Universidade de São Marcos, 2002. XEREX, Solange. Educação e Cidadania, Ampliando os espaços de inclusão, 2008;

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VI – Posfácio: Aratuba dos meus sonhos No fim desse livro após escrever sobre a Aratuba de ontem (passado) e de hoje (presente), fiquei tentado a falar sobre a Aratuba de amanhã (futuro). Mas como esse é um trabalho historiográfico e não visionário, e as possibilidades de erros são maiores que jogar na loteria, então logo desisti da ideia. Quero apenas expressar a Aratuba dos meus sonhos... Sonho com uma Aratuba onde a ética e o respeito não se restringe apenas ao período de governo político, mas sobretudo seja patente no período de campanha político partidária quando amizades, coleguismo e até laços familiares são desfeitos; Sonho com uma Aratuba que valorize sua história, sua gente e suas tradições; e que a linguagem do nosso povo seja reflexo de suas leituras, meditações e diálogos de amigos e não frutos dos filmes e novelas que acabaram de assistir; Sonho com uma Aratuba onde o verde seja não apenas admirado, fotografado e pintado, mas acima disso preservado; Sonho com uma Aratuba onde os títulos de cidadão aratubense ou honrarias ao mérito sejam entregues a quem de fato contribuiu significativa e voluntariamente em nossa terra e não por amizades políticas e promoções baratas que em nada engrandecem o município; Sonho com uma Aratuba sem ecumenismo, pois isso é uma contradição lógica, mas com a existência do diálogo e o debate religioso para conhecer melhor a crença do outro e dessa forma compreendê-lo, ama-lo e respeita-lo; Sonho com uma Aratuba onde a não violência na escola, nas ruas e repartições públicas seja o resultado da paz que reina em cada lar e família; Sonho com uma Aratuba onde os cônjuges sejam fiéis, e se a infidelidade surgir que haja a confissão do ofensor e o perdão do ofendido; Sonho com uma Aratuba onde os discursos eloquentes a favor dos valores na sociedade não sejam apenas para agradar a plateia e adquirir fama, mas sobretudo frutos de convicções vividas à vista dos homens ou longe dela; Sonho com uma Aratuba onde haja mais gente nas bibliotecas que nas academias ou salão de beleza investindo mais na mente que no corpo; Sonho com uma Aratuba sem poluição sonora seja dos sons das igrejas ou clubes ou mesmo de carros com som ensurdecedor de músicas profanas ou religiosas; e que as igrejas, católica ou evangélica não apenas percebam quando sons atrapalham o momento de culto, mas quando o som delas mesmas tiram o sossego das famílias; Sonho com uma Aratuba onde os fiéis católicos e evangélicos confiram nas escrituras aquilo que é ensinado pelo padre ou pastor; que sejam semelhantes aos judeus de Beréia que conferiam o que o apóstolo Paulo ensinava; Sonho com uma Aratuba onde cada pessoa seja conhecida pelo seu nome e não por seu apelido; pelas suas ações e não por sua posição; pelas suas ideias

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e não por seu porte físico; pelos momentos do dia-a-dia e não instantes de heroísmo; pela sua constância no infortúnio e não no entusiasmo do sucesso; E por fim sonho com uma Aratuba onde se chore com os que choram e se alegre com os que se alegram; que se tome a bacia e a tolha para lavar e enxugar os pés do próximo; que use o lenço para enxugar a lágrima do outro mesmo quando está ensopado de seu próprio choro; que deseje e pratique o bem para o outro sem importar o quanto de mal tenha feito; e que sirvamos uns aos outros, pois Deus colocou-nos aqui para sua glória e serviço do próximo. Gildo Gomes

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Sobre o Autor FRANCISCO GILDO ALVES GOMES, nasceu em Aratuba no dia 07 de abril de 1976. Filho de Gilvan Martins Gomes e Maria de Fátima Alves Gomes. Casado com Maria Neuridete Alves Pinheiro Gomes. Pai de Caio Gabriel e João Wesley. É protestante há 23 anos. Foi aluno da antiga CNEC e da Escola Joacy Pereira. Entrou no magistério em 1995 lecionando no extinto Instituto Pedagógico Professora Maria Júlia, uma escola particular administrada pelas professoras Léa Bernardino e Isaura Batista. Foi Assessor de Comunicação nas duas primeiras gestões do prefeito Júlio César (19972004) e no início da gestão de Wolner Santos(2005-2006). Foi o redator dos textos do jornal informativo de Aratuba e comandou por 06 anos o programa “Notícia do Dia”, um do dos mais ouvidos noticiário do meio dia na Fm Liberdade. É professor concursado do município e ensina por mais de 14 anos na Escola Maria Júlia as disciplinas de Historia e Geografia. Exerceu a função de PCA – Professor Coordenador de Área, no ano de 2011. Solicitou seu retorno a sala de aula no ano seguinte. É graduado pela UECE (2002) para atuar no Ensino Fundamental e especialista em História do Brasil pela UVA (2011). É responsável pela coluna do Raio X no aratuba online desde início de 2012. Em 1998 Gildo Gomes, lançou “Os Inimigos da Cruz de Cristo”; e em 2007, escreveu “Conhecendo a Bíblia”. Em junho de 2003, causou impacto e polêmica no município em seu programa radiofônico A Bíblia Responde quando abordou o tema do Corpus Christi. O programa foi censurado pela direção da rádio. Sua atuação na escrita já resultou na ação decisiva para que os vereadores rejeitassem ou aprovassem projetos de lei como: o projeto de Lei nº 008/2004 que autorizava a oficialização do Hino do Município de Aratuba, reprovado por unanimidade em 22 de março de 2005; o projeto de Lei de Iniciativa Popular /2010, que criava o Dia do Evangélico no município, rejeitado pela maioria dos vereadores no mesmo ano e aprovado no ano seguinte. E a aprovação do dia 29 de março como dia oficial do Município de Aratuba, após envio de ofício ao ex-prefeito Júlio César Lima Batista em 29/04/11. Gildo Gomes é ousado sem perder a calma, seriedade e ética, aliado ao seu jeito simples e impactante de usar a palavra falada ou escrita, com clareza, objetividade e sério compromisso com a verdade.

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Hora de testar seus conhecimentos Exercícios práticos

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01. Sobre o aratubense e o aratubano um texto do professor Gildo Gomes, afirma que “Com o topônimo Aratuba originou-se os gentílicos aratubense e aratubano aos habitantes. Gramaticalmente tanto um como o outro são corretos, mas a predominância é o aratubense como se constata numa simples consulta a um glossário. O Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, por exemplo, diz: “aratubense adjetivo e substantivo de dois gêneros relativo a Aratuba CE ou o que é seu natural ou habitante”. Mas alguns órgãos governamentais registram o gentílico aratubano como acontece nos sites da Aprece e IBGE. E até em documentos antigos como o do Congresso Eucarístico de 1945 aparece às expressões: “povo aratubano” e “família aratubana”. No entanto apesar de aratubense e aratubano serem linguisticamente corretos, tem-se a preferência pelo primeiro e a rejeição histórica do segundo. Isso porque em Aratuba por muito tempo rejeitou-se terminantemente o aratubano por questões culturais que sobrepujam o aspecto gramatical. É uma antiga história que envolve as pessoas do sexo masculino por associarem aratubano a homossexual. Por isso ainda hoje, com menos intensidade, é comum alguns homens, afirmarem que são aratubenses e não aratubanos. E essa rejeição cultural já resultou em brigas e confusões nos bares e botecos da localidade e conta-se até que um cidadão aratubense terminou seu noivado porque sua noiva o chamou de aratubano.” Publicado no site aratubaonline www.aratubaonline.com.br em 21.05.12. Pelo texto deduz-se que o adjetivo aratubano foi rejeitado no passado pelos homens de Aratuba pela seguinte razão cultural:

( ) Em Aratuba as pessoas sempre foram preocupados com o português correto e acreditavam que aratubano era uma pronuncia errada aos habitantes do local; ( ) Depois que um homem terminou o noivado com uma mulher após ter-lhe chamado de aratubano as pessoas passaram a rejeitar o gentílico aratubense; ( ) Sites governamentais citam o habitante de Aratuba como aratubano mas os dicionários desmentem e dizem que o correto é aratubense; (

) O preconceito associado a sinonímia local de aratubano ao homossexualismo

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02. Obseve o mapa do seu município com a Rosa-dos-Ventos e indique a direção certa em que ficam os municípios que limitam com Aratuba. MULUNGU Souza

a) Ao norte Itapiúna, ao sul Capistrano, ao leste Canindé e ao Oeste Capistrano;

Silva Ca na bra va

CANINDÉ

Ca noes Outeiro

Jap ão Oitis

Serra Verde Tope Olho d ’Água

CAPISTRANO

Ca ja zeiros Ca beç a de Onç a PINDOBA

Serra gem

Ced ro

Ma ta s

Ba ixa Grande do Tope

Sa ntana

Ca ntinho Monte Serra do

Sa nta Rita Ga m eleira

Flexeira

Ca c hoeira Tam anduá

Aning as

Sã o Leop oldo

Jac a randá de Cim a Ca rdoso

Pa raiso

Vead o Sec o

Rég io

Uruc u

Ba rreiros

Pa u d ’Arc o

Fernandes Ca ip ora Água Boa

Covic o Pé de Serra

Ca na bra va I

Sede

Serrotão

Lim ã o

Ba na na l

Ba ixa Grande La m eiro

Côc o

Ba la nç a

Oriente

MUNDO NOVO

Três Palm eiras

Lim oeiro

Flexeira

Brejo d a Serra

Sã o José Bb rejo de Ba ixo Ca nto

Bura c o

Belm onte II Ca m ará

Olho d ’Água Serrote do Meio Jatobá

Bura c o

Contenda s

Sa nto Ângelo

Boa Vista da Sorte La jes Va za nte

Ac a rap e

b) Ao norte Mulungú, ao sul Itapiúna, a leste Capistrano e ao oeste Canindé;

Sã o Bento

Ca m arão

Juriti Pa u d ’öleo

Ma rés

Sa lga do

Urubu Arac aju

Tenete

Vertente

Quatro Boc as PAI JOÃO

Boa Água Belm onte I Pendanga s

Serrinha d e Baixo

Ba rrig ud a Jard im dos m elos Jard im

Jurem a

Serrinha d e Cim a

La gôa do Jard im Jard im de Ba ixo

ITAPIÚNA

c) Ao norte Mulungú, ao sul Itapiúna, ao leste Canindé, ao oeste Capistrano;

MULUNGU Souza

Silva Ca na bra va

CANINDÉ

Ca noes Outeiro

Jap ão Oitis

Serra Verde Tope Olho d ’Água

Sa ntana

Ca ntinho

d) Ao norte Canindé, ao sul Capistrano, ao leste Mulungú, ao oeste Itapiúna

Sa nta Rita Ga m eleira

Flexeira Pa raiso

Tam anduá

Aning as

Sã o Leop oldo

Uruc u Ca c hoeira

Vead o Sec o

Rég io

CAPISTRANO

Ma ta s

Ba ixa Grande do Tope Monte Serra do

Ca ja zeiros Ca beç a de Onç a PINDOBA

Serra gem

Ced ro

Ba rreiros

Jac a randá de Cim a Ca rdoso

Pa u d ’Arc o

Fernandes Ca ip ora Água Boa

Covic o Pé de Serra

Ca na bra va I

Sede

Serrotão

Lim ã o

Ba na na l

Ba ixa Grande La m eiro

Côc o

Ba la nç a

Oriente

MUNDO NOVO

Três Palm eiras

Lim oeiro

Flexeira

Brejo d a Serra

Sã o José Bb rejo de Ba ixo Ca nto

Bura c o

Belm onte II Ca m ará

Olho d ’Água Serrote do Meio Jatobá

Bura c o

Contenda s

Sa nto Ângelo

Boa Vista da Sorte La jes Va za nte

Ac a rap e Sã o Bento

Ca m arão

Juriti Pa u d ’öleo

Ma rés

Sa lga do

Urubu Arac aju

Tenete

Vertente

Quatro Boc as PAI JOÃO

Boa Água Belm onte I Pendanga s

Serrinha d e Baixo

Ba rrig ud a Jard im dos m elos

03) No dia 20 de março de 2012 o prefeito Júlio César Lima Batista enviou à Câmara Municipal de Aratuba o Projeto de Lei nº 003/2012 que “atribui o dia 29 de março como o Dia do Município e dá outras providências.”. O motivo que levou o executivo a enviar esse projeto e o poder legislativo a aprová-lo tomou como base as seguintes razões históricas: Jard im

Jurem a

Serrinha d e Cim a

La gôa do Jard im

Jard im de Ba ixo

ITAPIÚNA

( ) O município fora emancipado no dia 29 de março do ano de 1959 e por equívoco histórico desapercebido a comemoração dava-se até então no dia 25 de março do mesmo ano; ( ) O município fora emancipado no dia 29 de março de 1957 e por equívoco histórico desapercebido a comemoração dava-se até então no dia 25 de março do mesmo ano; ( ) O município fora emancipado no dia 29 de março do ano de 1957 e por equívoco histórico desapercebido a comemoração dava-se até então no dia 25 de março de 1959; ( ) O município fora emancipado no dia 20 de março de 1957 e por equívoco histórico desapercebido a comemoração dava-se até então no dia 29 de março de 1957

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04. Com base no quadro a seguir sobre a população do município de Aratuba, aponte as conclusões adequadas que podemos chegar e depois indique a sequência correta dos itens certos. POPULAÇÃO DE ARATUBA 1922 - 2010 ANOS

1922

1970

1980

1991

1995

1996

2000

2007

2009

2010

População

461

10.558

12.430

10.578

9.813

11.523

12.359

12.129

12.478

11.410

Urbana

.........

850

1.070

1.510

1.690

..........

2.157

3.042

...........

3.769

Rural

.........

9.708

11.360

9.68

8.123

..........

10.202

9.087

...........

7.760

Homens

202

5.481

6.410

5.586

.........

...........

6.419

6.211

...........

5.823

Mulheres

259

5.077

6.020

4.992

.........

...........

5.940

5.892

..........

5.706

Explicação das Fontes: Para o ano de 1922 usei os registros de dados não oficiais do padre Gerardo Plácido Broders. Para os demais usei o IBGE nos censos de 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010. Os anos de 1995, 1996, 2007, 2009 são estimativas. Utilizei ainda os sites da Funceme, Ipece e da Uol Notícias Censo 2010.

Observando esse quadro concluímos que: ( ) Existe uma variação na contagem populacional de Aratuba meio estranha do tipo: ela cresce de 1970 a 1980 e diminui de 1980 a 1990 e depois volta a crescer entre 1990 e 2000; e volta de novo a diminuir no censo de 2010 e confirma a estimativa de 1996; ( ) Somos um município mais urbano que rural com uma concentração populacional maior na sede do município, fenômeno esse que ocorre atualmente no mundo e no Brasil. Isso significa que os problemas sociais também estão mais presentes na zona urbana do município co maior índice de violência, fome, desemprego e moradia, educação e saúde; ( ) Com exceção dos dados não oficiai do ano de 1922, em todos os censos do IBGE os homens são sempre maioria em Aratuba, porém essa maioria que alcançou uma diferença de 594 homens a mais em 1991, no censo de 2010 eles são 117 no censo de 2010 o que significa que as mulheres superarão os homens num futuro próximo. ( ) O crescimento da população urbana que era de 850 pessoas em 1970, passou para 3.789 em 2010 o que significa um grande crescimento da população urbana.

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05. Nas eleições de 1988 uma música dizia: “Dr Edilson é bom demais em Aratuba ninguém faz o que ele faz. Eu gosto de tudo que ele faz porque o dr. Edilson é bom demais. A casa dele até parece um formigueiro, um dia inteiro gente entra, gente sai. O eleitor na sua casa bebe e come, vamos votar nesse homem que para o povo ele é um pai”. O autor dessa música política foi um ex-vereador chamado: ( ) Antônio Cavalcante de Freitas ( ) Antônio Inácio Barros ( ) Paulo Sérgio Pereira de Freitas ( ) José Martins de Sousa 06. Esse padre plantou as palmeiras imperiais em frente a matriz e uma escola no município recebeu o seu nome em sua homenagem. Seu nome é: ( ) Pe. José Maria Cavalcante Costa ( ) Pe. Moacir Cordeiro Leite ( ) Pe. José Barbosa de Magalhães ( ) Pe. Dionísio Mosca de Carvalho 07. A primeira denominação evangélica a estabelecer-se no município de Aratuba em 17 de agosto de 1982 foi a igreja: ( ) Assembleia de Deus Unidos em Cristo ( ) Assembleia de Deus Ministério Fortaleza ( ) Assembleia de Deus Templo Central ( ) Assembleia de Deus Cida Nova 08. Esses grupos religiosos são chamados de paraprotestantes porque tem doutrinas bem diferentes do protestantismo histórico. Em Aratuba estão presentes no há poucos anos. Esses grupos são: ( ) Mórmons e Maçonaria ( ) Espiritismo e Adventistas do Sétimo Dia ( ) Testemunhas de Jeová e Maçonaria ( ) Testemunhas de Jeová e Adventistas do Sétimo Dia 09. Foram padres que trabalharem nas CEBs – Comunidades Eclesiais de Base em Aratuba durante as década de 60 e 70 e por esse trabalhos muitas terras foram desapropriadas e os direitos do pequeno agricultor foram respeitados. Os padres foram: ( ) Francisco Evaristo de Melo e Dionísio Mosca de Carvalho ( ) José Barbosa de Magalhães e Gerardo Plácido Broders ( ) José Maria Cavalcante da Costa e Moacir Cordeiro Leite ( ) José Eudásio Cruz e Antônio Cláudio Pereira Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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10. Prefeito que introduziu o conceito de escola nucleada em Aratuba transformando as 45 pequenas escolas municipais em 08 grandes escolas espalhadas em regiões estratégicas do município. ( ) João Leite Filho ( ) Dilson Araújo Freire ( ) Júlio César Lima Batista ( ) Raimundo Pereira Batista 11. Esse prefeito foi beneficiado com a prorrogação de mais dois anos de mandato, ficando seis anos a frente da prefeitura municipal de Aratuba no período de 19771982. Seu nome é: ( ) José Ivan Santos ( ) José Albuquerque Pereira ( ) Francisco Pereira Leão de Sousa ( ) Raimundo Pereira Batista 12. É um senhor com mais de 80 anos e vive em Aratuba. Foi vereador da primeira gestão na história do município de 1958-1962 e ainda consegui se eleger em outras duas eleições. Seu nome é: ( ) José Rodrigues de Sousa ( ) José Martins de Souza ( ) José Edmar Júnior ( ) Romeu Gomes Paz 13. Aratuba é uma palavra indianista e tem vários significados, embora tradicionalmente os aratubenses só usem o mais conhecido. São significados do nome Aratuba, exceto ( ) “Abundância de Pássaros” ( ) “Terra do frio” ( ) “Lugar muito alto” ( ) “Leito do Sol” 14. O primeiro histórico sobre Aratuba foi escrito em 1945 para compor uma parte do Álbum do Congresso Eucarístico da Paróquia São Francisco de Paula. O autor desse histórico foi: ( ) Maria Izilda Barbosa ( ) Leopoldo Pereira Martins ( ) Ari Cunha ( ) Francisco Evaristo de Melo 15. Numa homilia do padre Antônio Pequito no Congresso Eucarístico de 1945 da Paróquia São Francisco de Paula ele exortou as crianças para que tivessem cuidado com três ideologias consideradas falsas. A alternativa correta é: ( ) Protestantismo, comunismo e espiritismo Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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( ) Mundanismo, protestantismo e comunismo ( ) Mundanismo, comunismo e maçonaria ( ) Espiritismo, protestantismo e comunismo 16. É uma denominação evangélica onde as mulheres usam véus durante a cerimônia religiosa e em Aratuba se concentra no distrito de Pai João. ( ) Assembleia de Deus Novo Paraíso ( ) Assembleia de Deus Nova esperança ( ) Congregação Cristã do Brasil ( ) Igreja de Cristo no Brasil 17. Foi o primeiro livro publicado sobre a história de Aratuba no ano de 2011. Seu autor é o padre Neri Feitosa que passou dois meses no município para essa finalidade. O título do livro é: ( ) Resumo da História de Aratuba ( ) De Cuythé(sesmaria) a Aratuba ( ) Aratuba Ontem e Hoje ( ) Histórico de Aratuba 18. A data oficial da criação da Paróquia São Francisco de Paula é: ( ) 10 de dezembro de 1883 ( ) 9 de janeiro de 1984 ( ) 15 de julho de 1919 ( ) 9 de janeiro de 1888 19. Esse pároco trabalhou muito em Aratuba e ficou conhecido por ser um grande educador. Foi professor no Seminário de Fortaleza. Em Aratuba uma escola recebeu seu nome e ainda existe um busto em sua homenagem no município. ( ) Pe. Joaquim Franklim Gondim ( ) Pe. João Teixeira de Abreu ( ) Pe. José Barbosa de Magalhães ( ) Pe. Francisco Maximiliano Pinto Rocha 20. Ele é o pastor idealizador do Projeto Dia do Evangélico em Aratuba que foi reprovado pela Câmara Municipal em 2011 e depois aprovado em 2012. ( ) Carlos Eduardo de Castro ( ) Antônio Gleide Farias ( ) Antônio Setúbal Monteiro ( ) Antônio Miguel da Silva 21. O hino “Aratuba a canta se levanta” foi o grande marco musical do Congresso Eucarístico de 1945. Sua importância histórica se reveste de tornar mais popular a expressão Aratuba por ser uma mudança recente do antigo Coité e da rápida experiência de Santos Dumont. O autor da letra do hino é: ( ) Padre Francisco Evaristo de Melo ( ) Clérigo Manuel Edmilson Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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( ) Padre Moacir Cordeiro Leite ( ) Dr. Alfredo de Oliveira 22. A influência da música eucarística do congresso católico de 1945 foi tão marcante que passou a ser cantada popularmente como Hino do Município principalmente durante os festejos cívicos municipais. Um projeto de lei enviado pelo prefeito em 2005 tentou reconhecer a música religiosa como hino municipal. ( ) A câmara aprovou por unanimidade ( ) A câmara rejeitou por unanimidade ( ) A câmara aprovou por 5 a 3 ( ) A câmara rejeitou por 5 a 3 23. Foi o primeiro prefeito eleito em Aratuba no ano de 1958 ( ) Raimundo Pereira Batista ( ) José Clóvis de Lima ( ) José Albuquerque Pereira ( ) Francisco Pereira Leão de Sousa 24. Uma mãe fez uma música para criticar o que ela chamou de “educação pau-dearara” em Aratuba. A letra da música dizia: “As cinco horas da manhã levanto pra estudar... eu vou no meio com 6 anos e dar vontade de chorar. Os ricos vão estudar pras banda de Batuirté e eu desço do pau-de-arará e mais três quilômetros a pé.” Essa crítica foi usada numa campanha política para ( ) Criticar a administração Júlio César que ainda usava transporte pau-de- arara para levar os alunos para escola; ( ) Criticar a administração Dilson Araújo Freire que usava transporte pau-dearara para levar alunos para a escola; ( ) Criticar a administração Wolner Santos que usava transporte pau-de-arara para levar alunos para escola; ( ) Criticar a administração de João Leite Filho que usava transporte pau-dearara para levar alunos para a escola; 25. Durante a leitura de sua biografia no ato do recebimento do título de cidadão aratubense foi dito que ele veio a Aratuba para reconquistar “os irmãos e irmãs que desviaram sua fé para seitas protestantes, afastando-se do legado apostólico de N.S.J.C., que rejeitam os Sacramentos e as verdades teológicas contidas no Santo Evangelho”. Essa foi a missão desse padre em Aratuba. ( ) Padre Moacir Cordeiro Leite ( ) Padre Eudásio Cruz do Nascimento ( ) Padre Antônio Cláudio Pereira ( ) Padre José Maria Cavalcante da Costa 26. Nas eleições de 1998 uma música dizia: “Dr Edilson é bom demais em Aratuba ninguém faz o que ele faz. Eu gosto de tudo que ele faz porque o dr. Edilson é bom demais. A casa dele até parece um formigueiro, um dia inteiro gente entra, gente sai. O eleitor na sua casa bebe e come, vamos votar nesse homem que Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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para o povo ele é um pai”. A música foi composta pelo então vereador Paulo Sérgio Pereira. Essa música exaltava a figura do médico Edilson Lessa Nogueira. A melodia retrata as eleições de: ( ) Nas eleições de 1983 quando Dr. Edilson Lessa era candidato pelo PDS na legenda 2 ( ) Nas eleições de 1998 quando Dr. Edilson Lessa era candidato pelo PDS ( ) Nas eleições de 1999 quando Dr. Edilson Lessa era candidato pelo PSDB ( ) Nas eleições de 2012 quando Dr. Edilson Lessa era vice-candidato pela coligação 27. Leopoldo Pereira Martins, conhecido como Mestre Leopoldo foi um cidadão aratubense centenário que viveu entre 1881 a 1981. Sua antiga casa ficava ao lado da Igreja Matriz e ele escrevia em seu caderno de anotações muitos fatos referente a história do município que infelizmente se perdeu. Hoje o pouco que sabemos foi registrado num histórico em que ele foi entrevistado. O nome desse documento é: ( ) Histórico da Escola Joacy Pereira de 1984 ( ) Histórico de Aratuba de Zilda Barbosa de 1982 ( ) Histórico da Secretaria de Educação de 1995 ( ) Histórico Resumido de Aratuba de Ari Cunha de 1945

28. Na década de 60 a Igreja Católica engajou-se na luta em defesa dos pobres num movimento que foi chamado de CEBs – Comunidades Eclesiais de Base. Nesse movimento dois padres se destacaram em Aratuba por se envolverem em defesa do pobre e oprimido. Os párocos cebecistas aratubenses são: ( ) Dionísio Mosca e José Maria ( ) Evaristo de Melo e Dionísio Mosca ( ) Jose Maria e Moacir Cordeiro Leite ( ) Eudásio Cruz e Cláudio Pereira

29. Em Aratuba os partidos políticos se identificam com pássaros como “Andorinha”, “Bem-Te–Vi” e “Pavão”. Nesse contexto político partidária podemos identificar algumas eleições como: ( ) Eleição de 1996 como Andorinha e Pavão ( ) Eleição de 2000 como Pavão e Corrupião ( ) Eleição de 2008 como Bem-Te-Vi e Corrupião ( ) Eleição de 2012 como Andorinha e Bem-Te-Vi 30. É o pastor responsável pela introdução oficial do protestantismo no município no ano de 1982 e na mesma década ele fundou em parceria com a Prefeitura Municipal uma pequena creche na comunidade da Baixa Grande para ajudar as crianças carentes. ( ) João Ferreira Filho ( ) Luiz Firmino de Andrade Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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( ) Antônio Geraldo ( ) Oliveira Rocha 31. O livro “De Cuhyté (Sesmaria) de Aratuba”, escrito por padre Neri Feitosa trouxe uma polêmica nos seus adendos por ter denunciado a falta de colaboração por parte das autoridades constituídas. No texto ele diz que entregou uma cópia ao chefe do poder executivo. Essa versão foi negada textualmente pelo prefeito da época que era: ( ) José Wolner Santos ( ) Júlio César Lima Batista ( ) Ivan Neto Santos ( ) Dilson Araújo Freire 32. O Álbum Comemorativo do Congresso Eucarístico, um documento não paginado conta a história de um dos eventos mais importantes da paróquia de Aratuba. Esse congresso aconteceu no período de: ( ) 25 de dezembro a 28 de 1945 ( ) 28 de dezembro a 31 de 1945 ( ) 30 de dezembro de 1945 a 02 de janeiro de 1946 ( ) 29 de dezembro de 1945 a 1º de janeiro de 1946 33. No álbum Comemorativo do Congresso Eucarístico, existe um poema chamado de “Palmeiras de Aratuba”, de autoria do filósofo F.E.C. de Barros Leal. Esse poema foi dedicado a um padre de Aratuba cujo nome era: ( ) Francisco Evaristo de Melo ( ) José Nilson de Oliveira Lima ( ) José Barbosa de Magalhães ( ) João Teixeira de Abreu 34. A Assembleia Legislativa aprovou a resolução nº 615 no dia 22 dezembro de 2010 que institui uma medalha de honra ao mérito aos cidadãos cearenses que se destacarem em áreas de atividades socioculturais, profissionais ou religiosas, em favor do Estado. Essa medalha recebe o nome de um padre filho de Aratuba. ( ) Pe. Moacir Cordeiro Leite ( ) Pe. Thiago ( ) Pe. Zacarias ( ) Pe. José Nilson de Oliveira Lima 35. Uma mãe fez uma música para criticar o que ela chamou de “educação pau-dearara” em Aratuba. Numa parte da letra da música dizia: “Tomara que o Edilson ganhe, tomara meu Deus tomara, pra acabar com essa maldita educação paude-arara”. A música foi composta por uma mãe eleitora de Dr. Edilson Lessa que mostrava os sofrimentos de seu filho que ia pra escola num pau-de-arara”. Essa música retratava as eleições de: ( ) Nas eleições de 1983 quando Dr. Edilson Lessa era candidato pelo PDS na legenda 2 Esta obra é de autoria e responsabilidade do Prof. Gildo Gomes e publicada pelo portal www.aratubaonline.com, e poderá ser utilizada para fins de pesquisa, proibida sua reprodução parcial ou total sem indicação de obra e autor.

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( ) Nas eleições de 1998 quando Dr. Edilson Lessa era candidato pelo PDS ( ) Nas eleições de 1999 quando Dr. Edilson Lessa era candidato pelo PSDB ( ) Nas eleições de 2012 quando Dr. Edilson Lessa era vice-candidato pela coligação 36. Ele escreveu o primeiro histórico do município intitulado de “Resumo Histórico de Aratuba”, escrito em 1945 e foi anexado no Álbum do Congresso Eucarístico e assinou sue nome como Ari Cunha, mas seu nome verdadeiro era: ( ) José Nilson ( ) José Barbosa ( ) Arlindo Medina ( ) Francisco Evaristo 37. O professor Gildo Gomes apresentou em 2012 uma proposta de divisão da história aratubense em quatro períodos identificados da seguinte forma: ( ) Período de Coité, Período Santos Dumont, Período de Aratuba e Período Atual ( ) Período de Teodósio, Período dos Pereiras, Período de Baturité e Período de Pacoti ( ) Período do Café, Período das Frutas, Período do Alho e Período das Hortaliças ( ) Período de Colonização e Freguesia, Período Distrital, Período de Vila e Período de Emancipação. 38. O primeiro livro publicado sobre a história de Aratuba foi lançado no ano de 2012 pelo padre Neri Feitosa que apesar de não ser filho de Aratuba contou com a ajuda de um aratubense chamado: ( ) Francisco Valber Lima ( ) Raimundo Nonato Pereira Martins ( ) Francisco Gildo Alves Gomes ( ) Regina Magna Martins 39. Para escrever seu livro padre Neri Feitosa utilizou-se de um histórico existente no município como fonte de consulta. O histórico utilizado pelo pároco foi: ( ) Histórico da Escola Joacy Pereira de 1984 ( ) Histórico de Aratuba de Zilda Barbosa de 1982 ( ) Histórico da Secretaria de Educação de 1995 ( ) Histórico Resumido de Aratuba de Ari Cunha de 1945 40. Os primeiros a chegarem na serra do Coite foram: ( ) Teodósio de Pina e Silva ( ) Capitão João José Pereira ( ) José Antônio Pereira ( ) Manoel Ferreira da Silva

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41. A lei nº 3.563 que desligou o município de Aratuba de Pacoti assinada pelo governador Paulo Sarasate e por isso mesmo a data de emancipação de Aratuba por essa lei é no dia: ( ) 29 de março de 1959 ( ) 25 de março de 1959 ( ) 25 de março de 1957 ( ) 29 de março de 1957 42. Segundo os dados do IPECE – Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará, o município de Aratuba não é a cidade mais alta do Ceará porque sua altitude corresponde a: ( ) 915 metros de altitude ( ) 830 metros de altitude ( ) 986 metros de altitude ( ) 945 metros de altitude 43. A estátua do Cristo transferida de frente para atrás da Igreja São Francisco de Paula aconteceu no ano de 2011 e como essa imagem segundo documentos católicos recebeu a bênção em 02 de dezembro de 1961 então é certo dizer: ( ) A estátua iria completar 50 anos no final do ano da transferência ( ) A estátua iria completar 40 anos no final do ano da transferência ( ) A estátua iria completar 45 anos no final do ano da transferência ( ) A estátua iria completar 55 anos no final do ano da transferência 44. Um dos pioneiros na pregação protestantes no município de Aratuba que se tem notícia foi um missionário que evangelizava a reigão numa bicicleta cuja pneu dianteiro possuía 26 buracos remendados. Seu nome era: ( ) Luiz Firmino de Andrade ( ) Antônio Geraldo de Souza ( ) Cícero Barbosa ( ) João Queiroz 45. O chamado Projeto de Lei de iniciativa popular de 2012 que trata da criação de uma semana específica para culminância de realização de eventos culturais e espirituais das igrejas evangélicas de Aratuba foi aprovado por unanimidade pela poder legislativo do município. A igreja evangélica que ficou fora do projeto foi: ( ) Assembleia de Deus Unidos em Cristo ( ) Assembleia de Deus Cidade Nova ( ) Assembleia de Deus Ministério Fortaleza ( ) Assembleia de Deus Ministério Templo Central

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Aratuba, 10 de Março de 2013

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