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Raio X: Os 80 anos da Igreja de Cristo e sua História em Aratuba Ela é comumente chamada de Igreja de Cristo, mas isso pode confundi-la

com

uma

outra

denominação evangélica homônima fundada mais de 20 anos depois no Brasil pelo irlandês Thomas Campbell em 1956. Então para evitar equívocos é melhor chamá-la por seu nome completo que é IGREJA DE CRISTO NO BRASIL (ICB). E mesmo com um santo e patriótico nome continua nas margens das pesquisas historiográficas da religiosidade brasileira. Exemplo recente disso ver-se no artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional em sua edição nº 87 de dezembro desse ano que trouxe uma matéria de capa sobre os evangélicos com uma analise histórica e sociológica do fenomenal crescimento desse segmento no país conforme dados do último censo do IBGE. Apesar do artigo não especificar a Igreja de Cristo no Brasil, como fez com outras denominações protestantes, sua foto aparece na p. 36 com sua logomarca do globo e a cruz. Mas a verdade é que a Igreja de Cristo

no

Brasil,

mesmo

pequena tem uma grande e fascinante

história

para

os

sociólogos e estudiosos da religião. Afinal de contas se a maior denominação evangélica brasileira, a Assembleia de Deus, comemorou apoteoticamente seu centenário em 18 de junho de 2011; a Igreja de Cristo, celebrou no dia 13 de dezembro de 2012 o seu octogenário aniversário de fundação. E entre ambas as denominações existe uma estreita relação história e teológica, pois a Igreja de Cristo foi a primeira cisão assembleiana no Brasil. E como disse o pastor e sociólogo Alexandre Carneiro em sua tese de mestrado de Ciências Sociais, apresentada a UFC – Universidade Federal do Ceará, no ano de 1996, a Igreja


de Cristo no Brasil, “foi a terceira denominação pentecostal que se estabeleceu no país, a primeira denominação protestante a ser administrada por uma liderança totalmente brasileira e nordestina, e foi também a primeira igreja produto de uma dissidência dentro do pentecostalismo nascente no Brasil. Fundada em 1932, em Mossoró/RN, a Igreja de Cristo nasceu de uma cisão com a Assembleia de Deus, sob o signo de uma quádrupla discriminação: era protestante, pentecostal, nordestina e dissidente”. A fim de compreender melhor o texto dividimo-lo em partes: I) os protestantes no Brasil e a teologia reformada; II) a chegada do movimento pentecostal no Brasil; III) a origem da Igreja de Cristo e a salvação eterna; e IV) a chegada da Igreja de Cristo em Aratuba: sua introdução, oficialização, templo sede, desafios e a atual situação.

OS PROTESTANTES NO BRASIL E A TEOLOGIA REFORMADA Antes de compreendermos o que aconteceu em Mossoró/RN no dia 13 de dezembro de 1932 é preciso relembrar alguns fatos históricos para entender as razões da primeira divisão pentecostal ocorrida no nordeste brasileiro, após 20 anos da introdução do pentecostalismo no país. Com o estouro da Reforma Protestante na Alemanha no século XVI, o protestantismo espalhou-se mundo a fora e chegou em terras brasileiras, fugindo às perseguições religiosas que se espalharam na Europa. O francês Nicolau Durand de Villegaignon, interessado em conhecer o Novo Mundo chegou à Guanabara em 1555 e instalou-se na Ilha de Sergipe, que mais tarde, receberia seu nome. E assim o primeiro culto protestante no Brasil foi celebrado em 10 de março de 1557. Mas foi somente com a vinda da família


real ao Brasil em 1808 com a abertura dos portos e liberdade de culto que os protestantes penetraram e se instalaram no país. E a partir daí eles foram chegando: os Anglicanos(1816); os Luteranos(1824); os Metodistas(1835); os Congregacionais(1855); e os Presbiterianos(1859). Os últimos principalmente são herdeiros da teologia reformada, apelidada de calvinismo. Esse nome advém do teólogo João Calvino(1509-1564) e o ensino da predestinação, cuja soteriologia(doutrina da salvação) foi resumida no acróstico TULIP(tulipa é o nome de uma rosa na Holanda), cujo significado é: Total depravação, Uma eleição incondicional, Limitada expiação,

Irresistível

graça

e

Perseverança dos santos. Já outros protestantes como os metodistas, por

exemplo,

não

criam

nesse

sistema e eram chamados de arminianos. O adjetivo provém de Jacó Armínio(1560-1609) que negou a doutrina da predestinação conforme apresentada por Calvino e seus seguidores. A CHEGADA DO MOVIMENTO PENTECOSTAL NO BRASIL Mas se na Europa do século XVI explodiu a Reforma Protestante na América no início do século XX irrompeu o Movimento Pentecostal. Num “balcão abandonado”, na Rua Azuza, de Los Angeles, em 1906, liderado por um negro o fenômeno da glossolalia, ou “línguas estranhas”, tornou-se contagiante e mundialmente conhecido. Desse movimento participaram os suecos Gunnan Vingren e Daniel Berg, fundadores da Assembleia de Deus no Brasil. E os pentecostais em grande maioria, rejeitaram a teologia reformada e adotaram o arminianismo como sistema doutrinário, sem se aterem aos termos pejorativos e problemáticos de “calvinistas” e “arminianos”. Antes mesmo dos missionários suecos fundarem a Assembleia de Deus( uma cisão da Igreja Batista) em Belém do Pará no ano de 1911; outro grupo religioso por aqui já conhecia o “falar em línguas”, através do italiano Louis Francescon que um ano antes, 1910 em São Paulo fundou a


Congregação Cristã no Brasil(uma cisão da Igreja Presbiteriana), popularmente conhecida como “Igreja do Véu”. Mas embora os adeptos da Congregação Cristã não fossem aguerridos na evangelização, o mesmo não se podia dizer dos assembleianos. Vingren e Berg espalharam rapidamente de norte a sul do Brasil a mensagem pentecostal.

A ORIGEM DA IGREJA DE CRISTO E A SALVAÇÃO ETERNA Logo nos primeiros anos da Assembleia de

Deus

em

Belém,

Manoel

Hygino

de

Souza(1903-1975) converteu-se ao evangelho ao ouvir Gunnan Vingren. Ele tornou-se um dos obreiros alunos da primeira escola bíblica realizada em Belém entre 04 de março a 4 de abril

de 1922. Manoel Higino

de Souza

(“Manequinho”), nasceu em Angicos, no sertão do Rio Grande do Norte e era filho de José Hygino de Souza e Maria Joaquina de Souza e irmão de Luiz Hygino de Souza. Era um homem humilde, de aparência simples, porém eloquente no falar. Destacou-se tanto na evangelização que aos 17 anos tornou-se ministro da Assembleia de Deus. Foi evangelista e compositor de hinos da Harpa Cristã e pastoreou a Assembleia de Deus em Natal de 1922 a 1924. E foi ele também quem secretariou a primeira Convenção das Assembleias de Deus no Brasil no ano de 1930. Sobre isso diz o livro História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, p. 27: “Alternaramse secretariando as sessões da primeira Convenção Geral os pastores Manoel Leão e Manoel Higino de Souza”. A mesma obra chega a citá-lo como um dos principais obreiros nacionais da denominação tamanha era sua influência e notoriedade. Porém ao chegarmos nas páginas 75 e 120 do mesmo documento sua exclusão da igreja em 1933 é mencionada juntamente com seu irmão em 1936, dizendo que “Em seguida, a Convenção homologou a exclusão do pastor Luiz Higino, que arquitetara com o já afastado Manoel Higino a criação da Assembleia de Cristo.” Para se ter uma ideia do que isso significou basta dizer que dos 38 a 40 hinos nas


primeiras edições da Harpa Cristã de autoria do casal Higino (Manoel Hygino e sua esposa Elvira Seabra Souza) e uns 14 do “Saltério” foram todos retirados após sua exclusão, pois acreditava-se que eram composições do “herege Manequim”. E afinal de que heresia ele era culpado? Consistia na crença da salvação eterna do crente ou como se diz no clichê popular “o crente uma vez salvo, salvo para sempre”. Tal expressão ainda hoje é mal entendida. É somente uma maneira de dizer que “a perseverança não é a causa da salvação e, sim, sua consequência”, tipo assim “se você tem a salvação não perde, se perde é porque nunca teve”; ou ainda simplesmente uma forma de expressar o que a própria convenção da Assembleia de Deus em 1931 disse: “os salvos pelo Senhor permanecem fiéis até o fim; os convencidos por pouco tempo ficam na congregação dos santos”. Essa doutrina é chamada de Perseverança dos Santos ou mais apropriadamente Preservação dos Santos. É a letra P do acróstico TULIP da teologia reformada já citada e por essa razão os pastores fundadores da Igreja de Cristo no Brasil(inicialmente chamada de Assembleia de Cristo) eram chamados de calvinistas, apesar de Manoel Hygino de Souza(1903-1975); Eustáquio Lopes da Silva(1915-1968) e João Vicente de Queiroz(1906-1997), sendo os dois últimos da cidade de Quixadá, nunca terem lido Calvino ou os cânones de Dort.

A CHEGADA DA IGREJA DE CRISTO EM ARATUBA O último dos fundadores a falecer, João Vicente de Queiroz era um ativo evangelizador nos municípios do Ceará e no ano de 1931 conheceu Manoel Higino de Souza de quem assimilou a doutrina da justificação pela fé de que o genuíno crente é salvo eternamente. É esse o motivo de sua saída da Assembleia de Deus e não por discordar dos costumes conservadores assembleianos como alguns pensam. Até porque o próprio João Queiroz desejou uma vez colocar uma placa no pé de castanhola de sua casa contra a entrada de “homens cabeludos e mulher de calça comprida”. Segundo depoimento da senhora Vandira Medeiros dos Santos, residente em Fortaleza,


João Queiroz vinha até Aratuba na década de 70 para ministrar Santa Ceia para sua família. O pai dela, o sr. Raimundo Siqueiro de Medeiros, pertencia a Igreja de Cristo no Brasil e realizava na época cultos na calçada dos correios da cidade serrana já que o mesmo era o telegrafista do município. Porém os trabalhos da Igreja de Cristo em Aratuba seriam oficializados somente em 27 de dezembro de 1997 num culto realizado no extinto Instituto Pedagógico Professora Maria Júlia, localizado à rua Gervásio Colares. Mas antes disso muitos cultos foram celebrados no sítio Mundo Novo, a uns 6 km da sede do município. O primeiro culto naquela comunidade aconteceu no dia 24/08/1997 no pequeno grupo escolar, Cândido Paiva Vasconcelos que funcionava como sub-congregação dado a quantidade de participantes. Um documento da secretaria da igreja apresenta uma lista de 57 nomes de pessoas pertencentes à denominação, sendo 42 adultos e 15 crianças naquela localidade em 1997. Entre 24 de agosto de 1997 até o final do ano são registrados 19 cultos semanais, tendo o de maior frequência 125 pessoas em 21/09/97; e o de menor com 50 pessoas em 14/12/97. A escolha do Mundo Novo envolvia o apoio da família Paiva já que o fundador da ICA - Igreja de Cristo em Aratuba, é

o

presbítero

José

Menezes

Paiva(Dedé). Por lá o trabalho ia crescendo e formando-se grupos de louvores de jovens, crianças e adultos. E com a ajuda de Glaucy, Charles e Vanda até um transporte existia para trazer os irmãos para a sede do município aos domingos; e em contrapartida o casal Pedro Elder

e

Isaura

assembleianos,

Batista,

ex-

conduziam

os

irmãos da sede para os cultos no Mundo Novo aos sábados. Isaura Batista, convertera-se na Assembleia de Deus na gestão do pastor João Ferreira Filho (1992-2002), mas deixou essa denominação após discordância


consuetudinária com a liderança. Foi nesse tempo que Isaura e seu esposo Pedro Elder juntamente com os casais Marta Colares e Lázaro Matos; Maria Bernardino de Souza(Léa) e Francisco Cardoso de Souza(Zuil), foram convidados pelos líderes Alexandre Carneiro e Déde para participarem de um encontro de casais na Igreja de Cristo em Fortaleza. E posteriormente a esse encontro planejou-se a implantação da denominação no município, fato ocorrido algum tempo depois.

A OFICIALIZAÇÃO DA IGREJA DE CRISTO EM ARATUBA

Durante a oficialização do trabalho da Igreja de Cristo no município em 30/12/1997, aconteceu o primeiro batismo em águas no sítio Mundo Novo na propriedade do Sr. Luciano Pinto com a imersão de 07 catecúmenos. O segundo batismo se daria no ano seguinte em 31/07/1998 com 08 batizandos. A noite com a presença de pastores

e

Fortaleza,

presbíteros Rio

Grande

de do

Norte, São Luiz do Maranhão e outros enorme

estados

com

caravana

de

uma 90

pessoas, tomou posse o jovem


Francildo Gomes como primeiro dirigente da Igreja de Cristo em Aratuba. Tratava-se de um jovem solteiro, seminarista recém formado, educado e gentil que esteve a frente do trabalho durante 07 meses com pouca experiência e muitos desafios. E como ele mesmo falou: “Aos 17 anos tive a honra de ter a confirmação do chamado de Deus ao assumir o pastorado da Igreja de Cristo em Aratuba. Fui o primeiro obreiro da Igreja de Cristo em Aratuba e, a citada igreja também foi minha primeira experiência pastoral”. As caravanas vinham sempre visitar a nova congregação em Aratuba e o pastor Alexandre Carneiro mensalmente celebrava o culto de ceia. Mas logo percebeu-se que o prédio da Escolinha Maria Júlia era inadequado com ausência de cobertura e as reuniões foram transferidas provisoriamente para uma garagem do comerciante Pedro Elder Barbosa, na rua Cel. Augusto Cordeiro

enquanto

os

planos da construção do templo caminhavam pra realização. Com a saída do

jovem

Francildo

Gomes, o pastor Carlos veio

substituí-lo

e

permaneceu nos anos 1998 e 1999. Ele ficou conhecido por um programa feito nos fins de tarde numa radiadora instalada na quadra poliestiva da cidade onde se ouvia hinos e mensagens evangelísticas. Tempos depois solicitou sua saída para cuidar da saúde de sua esposa. Pastor Carlos iniciou a compra do terreno para construção do templo e foi sucedido pelo pastor Benedimar Barbosa Amorim (1999-2002), que inaugurou a Casa de Oração da Igreja de Cristo, localizada à Rodovia Julio Coacy Pereira, no final de 2001. Durante seu pastorado Benedimar Amorim teve tensões com a Assembleia de Deus no município de Aratuba, pois existe nos arquivos dessa igreja uma carta datada de 17/04/2000 endereçada ao Templo Central em Fortaleza e assinada pelo pastor Benedimar denunciando os assembleianos de “em suas reuniões, como quem pesca em aquário alheio, ou passarinheiro que prendem as criaturas para lhes endeusarem.” Na carta o referido pastor chama a atitude


da Assembleia de Deus em procurar tirar pessoas da Igreja de Cristo de “egolatria” e “templolatria”. Provavelmente a “chamada templolatria” era porque existia até então apenas o templo da Assembleia de Deus na cidade de Aratuba.

O TEMPLO, OS DESAFIOS E A ATUAL SITUAÇÃO DA IGREJA. A construção do templo da Igreja de Cristo foi se mobilizando e para o arranjo de um

templo

moderno

foram

empreendidos muitos esforços como: doações de voluntários de Fortaleza conseguidas pelo irmão Dedé; ajudas de Dra. Vilauva Lopes, então secretária de

saúde

do

município;

advogado Portela; Neurilene e esposo; Senilma que muito ajudou para a construção do templo; a realização de um show gospel do cantor Carlos Rilmar na quadra esportiva da rua José Ivan Santos; a apresentação do testemunho do ex-padre José Barbosa de Sena Neto no dia 20/03/1998 no Clube Municipal onde foi ouvido por muitos católicos que inclusive poderiam adquirir o livreto “Confissões Surpreendentes de um ex-confessor” com seu testemunho e razões da saída do sacerdócio romano; e a definitiva doação de recursos financeiros de missionários americanos, intermediados por um presbítero da Igreja de Cristo em Fortaleza, Alcy Mota tornando finalmente possível a concretização da sonhada Casa de Oração da Igreja de Cristo de Aratuba e sua inauguração no ano de 2001 em cuja ocasião estava presente o pastor Carlos Queiroz, filho do fundador João Vicente de Queiroz. Durante a construção do templo sede um detalhe curioso merece destaque: o pedreiro responsável era o sr. Antônio Miguel da Silva, um exassembleiano que chegou a ocupar o diaconato na igreja de onde saiu por discordâncias com a liderança local. Na data de 18/10/02 a ICA - Igreja de


Cristo em Aratuba, emite um convite para a consagração do obreiro Francisco Antônio Miguel da Silva que será o sucessor do pastor Benedimar Barbosa Amorim. Apesar do convite não especificar o grau da ordenação eclesiástica, refere-se ao presbiterato, visto que no mesmo ano ao participar da 34ª Assembleia Geral do Conselho Regional Leste e Oeste-Ce da Igreja de Cristo no Brasil, em Limoeiro do Norte, ocorrido nos dias 04 a 06 de julho de 2002, a ata de nº 33 diz no seu final que o diácono Antônio Miguel indicou Aratuba para sediar o próximo encontro que foi aprovado por unanimidade dos presentes. Esse encontro aconteceu nos dias 17 a 18 de outubro de 2002, ocasião da ordenação anunciada no convite. O pastorado de Antônio Miguel compreende os anos de 2002 ao final de 2003, pois nos registros das atas ele desligou-se da Igreja de Cristo em 20/12/2003. Ora como a Igreja de Cristo tem teologia e governo

diferente

da

denominação de onde Antônio Miguel saiu foi uma questão de tempo para o desentendimento. E parece que tudo começou num projeto do departamento de jovens em 2003 que pretendia realizar coreografias(danças), esportes e lazer, apresentado ao conselho pelos diáconos Antônio Aiustrong Paz Paiva, Francisco Gilailson Queiroz Menezes e o cooperador Francisco dos Santos Correia. O projeto não teve o apoio do pastor que manifestou por escrito uma resposta biblicamente fundamentada num texto anônimo, posteriormente descoberta sua autoria, sendo de Pedro Hugo Pereira Neto. Entretanto em meio aos desafios Antônio Miguel diz sobre seu pastorado na Igreja de Cristo que “guardo boas recordações daquela época de aprendizado e de muito trabalho com os irmãos. Aprendizado este que foi de grande importância e fundamental na minha trajetória como servo do Senhor Jesus Cristo.”


Nesse ínterim, o pastor com

Gleide fortes

Farias,

laços

na

Igreja de Cristo já que é descendente fundadores,

de veio

em

2003 como professor do SEIC

Seminário

Evangélico da Igreja de Cristo fundado nos anos 70

pelos

pastores

Geneton Queiroz e Valfredo de Medeiros para melhor qualificar os obreiros do estado cearense. Como Gleide Farias havia concluído a pouco tempo seu bacharelado em teologia no Seminário Teológico Pentecostal do Ceará, foi enviado para Aratuba a fim de lecionar num núcleo do SEIC com 15 alunos matriculados. Utilizando-se de material da ETAD – Escola Teológica da Assembleia de Deus foram ministrados mais de 10 módulos vindo depois a fechar devido carências financeiras. E em meio às tensões que a Igreja de Cristo vivia na época, o professor Gleide Farias torna-se o novo pastor da Igreja de Cristo no período de 2004-2010. Em suas próprias palavras Gleide Farias resume seu pastorado ao dizer “Meu serviço ministerial na I.C.A. teve prós e contras, mas usando as palavras do Apostolo Paulo, procurei com zelo cumprir com o que o Senhor havia me chamado a fazer.” Entre os prós o crescimento do trabalho, abertura de novas portas de evangelização, formulação de estatuto, início da construção do templo no Mundo Novo e a realização em 2005 da 47ª Assembleia Geral do Conselho Regional da Igreja de Cristo; e entre os contra a metodologia da implantação da visão celular que chocou-se com a direção local da igreja e parece ter sido o motivo de sua saída. Uma carta aberta de 26/04/2008, assinada pelo presbítero Gilailson Queiroz dizia um “não aos métodos de administração utilizados pelo Pr. Antônio Gleide Farias.” Atualmente à Igreja de Cristo em Aratuba trabalha em “grupos familiares”, porém numa metodologia diferente do que era feito assim


como acontece nas igrejas de Maraponga do pr. Pedro Aragão e no Centro, em Fortaleza, na igreja do pastor Robério Barreto.

Desde o ano de 2010 o diácono Carlos Eduardo Castro da Silva é o responsável pela direção da Igreja de Cristo em Aratuba, auxiliado pelo presbítero Gilailson Queiroz que também é o presidente do conselho fiscal regional. Em sua gestão a denominação fundou o CEIBEL - Curso por Extensão do Instituto Bíblico Eduardo Lane com 20 alunos onde o presbítero Gilailson é o coordenadororientador.

Pastor

Carlos(Dudu) concluiu a construção do templo do

Mundo

Novo

e

realiza

um

trabalho

descentralizador no município com a formação de grupos de estudos bíblicos nos lares. Assim como a ICB – Igreja de Cristo no Brasil tem o que comemorar nos seus 80 anos, por um pequeno movimento potiguar com poucas pessoas em Mossoró/RN em 1932, espalhou-se pelo Brasil e chegou a uma membresia de mais de 8 mil em 1995; saltando para 17 mil em 2001 e agora segundo o pastor Maildson Fernandes, presidente do Conselho da Diretoria Nacional da Igreja de Cristo são cerca de 40 mil membros para festejar o octogenário; semelhantemente a ICA – Igreja de Cristo em Aratuba no ano da fundação conseguiu arrolar 57 membros e agora em 2012 contam com 177, um significativo crescimento em meio aos desafios e desencontros.

É, os

membros da Igreja de Cristo no Brasil e em Aratuba estão celebrando seus 80 anos com o vigor daquele velho hino do fundador Manoel Higino, cujo titulo é SALVE TREZE DE DEZEMBRO...


Bibliografia ARAÙJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal, RJ CPAD, 2007 Arquivos da Secretaria da ICA – Igreja de Cristo em Aratuba. CARNEIRO, Alexandre de Souza. A Trajetória da luta pelo poder no pentecostalismo: o caso da Igreja de Cristo no Brasil. Tese de Mestrado em Ciências Sociais, UFC, 1996. DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, RJ CPAD, 2004 Entrevista com Antônio Gleide Farias em 11/12/12 Entrevista com Francildo Gomes em 19/12/12 (e-mail) Entrevista com Francisco Antônio Miguel da Silva em 19/12/12 Entrevista com Maria Isaura Batista Barbosa em 13/12/12 Histórico da Assembleia de Deus de Aratuba, tomo I (1982-2002.) PEREIRA, Djalma.Trabalho de Pesquisa sobre a História da Igreja de Cristo no Brasil, São Paulo, 1992 QUEIROZ, Carlos P. As faces de um Mito – A fascinante história de um cabra de Deus na terra do sol. Brasília: MZ produções, 1999. Revista Aliança – Edição comemorativa dos 80 anos da Igreja de Cristo no Brasil, Natal/RN julho de 2012 Revista de História da Biblioteca Nacional, edição nº 87, dez/2012

Este artigo é um encarte do portal www.aratubaonline.com

Aratuba - CE, 21 de dezembro de 2012.


FRANCISCO GILDO ALVES GOMES, nasceu em Aratuba no dia 07 de abril de 1976. Filho de Gilvan Martins Gomes e Maria de Fátima Alves Gomes. Casado com Maria Neuridete Alves Pinheiro Gomes. Pai de Caio Gabriel e João Wesley. É protestante há mais de duas décadas. Foi aluno da antiga CNEC e da Escola Joacy Pereira. Professor concursado do município e leciona desde 1995 disciplinas de História e Geografia. Considerado um homem serio e conhecido pela sua calma, seriedade e ética, aliado ao seu jeito simples e impactante de usar a palavra falada ou escrita, com clareza, objetividade e sério compromisso com a verdade.

Gildo Giomes

Contatos com o colunista:


ggalves1@hotmail.com Cel. (085)966389


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