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PROFESSOR Humberto Araújo EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Antônio Carlos José Walber Renan Lima

CORPVS/Revista dos Cursos de saúde da Faculdade Integrada do Ceará. – v.1, n.1, (nov.2013). – Fortaleza: Faculdade Integrada do Ceará,2013. v.: il, 30 cm Trimestral ISSN 0000-0000 v.1, n.1, nov.2013 1.Saúde,Periódicos 2.Educação Física 3.Fisioterapia 4.Gestão Hospitalar I. Título II. Faculdade Integrada do Ceará. CDD 612


EDITORIAL Esta edição da revista trata-se de um trabalho acadêmico da disciplina de Projeto de Programação Visual: Design Editorial do curso Design Gráfico do turno da Noite. O mesmo tem a finalidade de nos ajudar a encontrar situações e resoluções de problemas em sua diagramação para que possamos criar um projeto gráfico completo e de fácil entendimento e que atenda todos o requisitos necessários para uma boa diagramação da revista. A revista é preferencialmente de leitura digital, mas podendo também ser impressa. Espero que todos gostem do projeto e boa leitura!


SUMÁRIO »»

Tratamento Fisioterápico em Pacientes Portadores de Constipação Intestinal »»

2 RESUMO;

»»

3 ABSTRACT

»»

3 INTRODUÇÃO;

»»

4 METODOLOGIA;

»»

5

»»

8 CONCLUSÃO

»»

8 REFERÊNCIAS

RESULTADOS E DISCUSSÃO;

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TRATAMENTO FISIOTERÁPICO EM PACIENTES PORTADORES DE CONSTIPAÇÃO INTESTINAL


Tratamento Fisioterápico em Pacientes Portadores de Constipação Intestinal Rebeca Soares Freire BarrozoI Caio Átila Prata Bezerra de SousaI Thiago Brasileiro de VasconcelosI Mirela MisiciII Roberto MisiciIII Vasco Pinheiro Diógenes BastosIV

RESUMO A constipação intestinal é um sintoma que acomete grande parte da população, sendo uma queixa frequente relacionada ao distúrbio do assoalho pélvico, devido à falta de evacuações diárias. Sendo muito incômoda para os portadores dessa disfunção provocando desconforto abdominal, distensão e podendo apresentar até dores abdominais. Este estudo tem como objetivo geral verificar a eficiência do tratamento de biofeedback e terapia manual em pacientes portadores de constipação intestinal e visa como objetivos específicos estudar os fatores que levam à constipação intestinal, detectar as alterações emocionais provocadas, observar os resultados após o tratamento com biofeedback, verificar os resultados após o tratamento com terapia manual. O presente estudo foi realizado no centro do Aparelho Digestivo. A amostra foi selecionada a partir dos indivíduos do sexo masculino e feminino que apresentaram constipação intestinal de acordo com Roma II ou frequência de evacuações por semana ou autoavaliação dos sujeitos. Foram excluídos indivíduos do sexo feminino e masculino que não se encontrarem acima de 18 anos de idade, que não estiverem nos critérios de inclusão acima citados, que faziam uso crônico de laxativos. A amostra foi dividida em dois grupos A (n=6) e B (n=6), os que realizaram somente tratamento com terapia manual e os que realizaram somente tratamento com biofeedback. Os pacientes foram submetidos a aproximadamente 2 meses de tratamento com uma frequência de 2 a 3 vezes por semana. Com os pacientes do grupo A, foi utilizada uma ficha de avaliação e foram submetidos às manobras de massagem abdominal, No grupo B foi utilizada a ficha de avaliação e foram submetidos ao tratamento com biofeedback. O sexo feminino foi preponderante nos dois grupos. No grupo A quanto ao tempo do início do distúrbio as respostas foram distintas entre elas desde 1 a 30 anos de distúrbio, no B variaram desde 6 meses a 40 anos de distúrbio. Quanto à percepção de alguma melhora após a evolução do tratamento, no grupo A e B 100% relataram melhora dos sintomas. Após o período de tratamento, 100 % dos pacientes do grupo A referiram que o distúrbio foi resolvido parcialmente, e no grupo B, 83% o distúrbio foi resolvido, enquanto 17% foram resolvidos parcialmente. A qualidade de vida melhorou para 100% dos participantes de ambos os grupos. Pode-se concluir que a massagem abdominal alivia alguns sintomas que se apresentam na constipação intestinal como, principalmente, flatulência, em seguida distensão abdominal e sensação de empachamento, melhorando, portanto, a qualidade de vida dos portadores dessa disfunção, sendo a resolução apenas parcial para a maioria dos participantes. O tratamento de constipação intestinal com biofeedback trouxe vários benefícios para a amostra selecionada, além da melhora dos sintomas, como da qualidade de vida, a resolução total do distúrbio, para a maioria. Constituindo-se, assim, uma alternativa de tratamento eficaz para os portadores de constipação intestinal. Palavras – Chave: Constipação intestinal. Terapia Manual. Biofeedback

I

Fisioterapeuta. Graduação pela Faculdade Integrada do Ceará (FIC);

II

Fisioterapeuta. Graduada pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR);

III

Médico. Mestrado em Educação em Saúde Universidade de Fortaleza. Docente do curso de Fisioterapia da Faculdade Integrada do Ceará (FIC);

IV

Fisioterapeuta. Doutor em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará. Docente do curso de Fisioterapia da Faculdade Integrada do Ceará (FIC).

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ABSTRACT The intestinal constipation is a symptom which affects the majority of population, being frequency a complaint related to pelvic floor disorders due to absent of daily evacuation. Being very inconvenience to patients who haves this dysfunction aggravating discomfort abdominal, distension and even present abdominal pains. This study has a general objective to verify the efficiency of biofeedback treatment and manual therapy in constipation patients and propose like specific objective to detect the emotional alterations aggravated, observe the results after the biofeedback treatment, and verify them after the manual therapy treatment. The actual study was realized in digestive system center. The sample was selected from male and female sex who presented constipation according to Roma II or evacuation frequency by week or self evaluation of individuals. Individuals of male and female sex were excluded who haven’t got over 18 years, weren’t in criteria of inclusion mention before and used chronic laxatives. The sample was divided in two groups A (n=6) and B (n=6) who realize only manual therapy and biofeedback treatment. The patients were submitted approximately 2 months of treatment with frequency of 2 to 3 times for week. With the patients of group A was used an evaluation form and were submitted to treated of abdominal massage, in group B was used an evaluation form and were submitted to biofeedback treatment. The female sex was preponderant in both groups. In group A about the years which the disturb begin the results were different among them since 1 to 30 years of disturbance, in B diversified since 6 months to 40 years of disturbance. Concerning perception to better before the evolution of treatment, in group A and B 100% related the improvement of symptoms. After the period of treatment, 100% of patients of group A refereed that the disturbance was resolved partly and group B, 83% the disturbance was resolved, while 17% was resolved partly. The life quality got better to 100% of participation of both groups. We can conclude that the abdominal massage relieves some symptoms which present in constipation such as: flatulence mainly, after abdominal distension and postrandial epigastric fullness, to getting better the life quality of patients, been the resolution only partial to majority of participants. The constipation treatment with biofeedback brought several benefit to the selection sample, beyond the improvement of symptoms such as life quality, total resolution of disturbance to majority. Constitute therefore an effective alternative of treatment to who has constipation. Key words: Intestinal Constipation. Manual Therapy. Biofeedback

INTRODUÇÃO A constipação intestinal é um sintoma que acomete grande parte da população, sendo uma queixa frequente relacionada ao distúrbio do assoalho pélvico, devido à falta de evacuações diárias, que segundo Polden; Mantle1, ocorre após as refeições na maioria dos adultos sadios. Sendo assim, muito incômoda para os portadores dessa disfunção provocando desconforto abdominal, distensão e podendo apresentar até dores abdominais. Na maioria dos casos, há alteração do estado emocional do paciente que muitas vezes se torna irritável, tensos, nervoso até mesmo pelo fato de haver uma protusão abdominal que o torna desconfortável. Para Silva2 outro fator que interfere na constipação são as circunstâncias em que se é levado a reprimir o desejo de evacuar, não evacuar em recintos públicos ou não fazê-lo para não interrom-

per uma atividade em curso. Quando esse comportamento se torna rotineiro pode determinar a abolição do reflexo autonômico que avisa da necessidade de evacuar e daí vem a constipação. Acometendo mais mulheres, crianças, idosos (>65 anos), grávidas e pessoas em pós-operatório ou no puerpério. O tratamento na maioria dos portadores ocorre de forma tardia, principalmente, pelo constrangimento do paciente para procurar ajuda e por não conhecer os tratamentos. As formas de tratamento da constipação vão desde regularidade e reeducação do hábito alimentar, terapia comportamental, terapia manual, biofeedback, eletroterapia até cinesioterapia. Segundo Shelly3, as deficiências do assoalho pélvico são tratadas frequentemente com medicações ou cirurgias. Entretanto, os fisioterapeutas tornam-se cada vez mais participativos na reabilitação dessas deficiências, provavelmente

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por causa dos bons resultados obtidos com esse tipo de tratamento. Com a necessidade de aprofundar os conhecimentos sobre a constipação intestinal, que acomete grande parte da população, onde na maioria das vezes não há outra alternativa à não ser interações medicamentosas e devido a existência de poucos estudos sobre a intervenção fisioterapêutica, surgiu o interesse em pesquisar sobre os tipos de tratamento, especificamente, o biofeedback e terapia manual, com o intuito de verificar a eficácia entre as técnicas. Tendo como objetivo geral verificar a eficiência do tratamento de biofeedback e terapia manual em pacientes portadores de constipação intestinal e como objetivos específicos estudar os fatores que levam à constipação intestinal, detectar as alterações emocionais provocadas pela constipação intestinal, observar os resultados após o tratamento com biofeedback, verificar os resultados após o tratamento com terapia manual.

METODOLOGIA Estudo de caráter descritivo, exploratório, intervencional e longitudinal com estratégia de análise quantitativa dos resultados apresentados. Realizado no Centro do Aparelho Digestivo, localizada a Rua Padre Valdevino, 1740. A coleta de dados foi realizada de fevereiro a abril de 2007, conforme aprovação do projeto pelo comitê de ética em pesquisa da Faculdade Integrada do Ceará (046/06). A amostra foi selecionada a partir dos indivíduos do sexo masculino e feminino que apresentaram constipação intestinal, de acordo com Roma II ou frequência de evacuações por semana ou autoavaliação dos sujeitos, que procuraram atendimento no Centro do Aparelho Digestivo. Foram incluídos os indivíduos do sexo masculino e feminino com idade acima de 18 anos, que apresentarem constipação intestinal de acordo com Roma II, frequência de evacuações por semana e autoavaliação e que aceitaram participar da pesquisa mediante a assinatura de um termo de consentimento informado. Em relação à frequência, foram considerados constipados aqueles que relatarem menos de três evacuações por semana nos últimos três meses. A autoavaliação foi baseada no relato do indivíduo em referir se era ou não constipado nos últimos três meses.

Foram excluídos indivíduos do sexo feminino e masculino que não se encontraram acima de 18 anos de idade, que não estiveram nos critérios de inclusão acima citados, os que faziam uso crônico de laxativos, os que não aceitaram participar da pesquisa e os que não apresentaram o termo de consentimento livre e esclarecido assinado. Como estratégia e instrumento de coletas de dados, a amostra foi dividida em dois grupos: grupo A (n=6) que realizou somente tratamento com terapia manual, e o grupo B (n=6) que realizou somente tratamento com biofeedback. Os procedimentos fisioterápicos foram realizados pela fisioterapeuta responsável pelo Centro do Aparelho Digestivo, tendo, ainda, como suporte técnico, um médico especialista em coloproctologia o qual é responsável pelo Centro do Aparelho Digestivo. Para os pacientes do grupo A, foi utilizada uma ficha de avaliação elaborada pelo pesquisador enfocando o tempo do distúrbio, as alterações provocadas e o grau de melhora dos sintomas após o tratamento. Esses pacientes foram submetidos às manobras de massagem abdominal, entre elas manobras de deslizamento superficial, manobras de deslizamento profundo no sentido do cólon ascendente, transverso e descendente, manobras de petrissage no cólon nessas 3 porções, manobras de amassamento palmar alternado sobre todo o abdômen e manobras de vibrações. No grupo B foi utilizada a mesma ficha de avaliação. Esse grupo foi submetido ao tratamento com biofeedback que é definido como um equipamento usado para mensurar efeitos fisiológicos internos ou condições físicas das quais o indivíduo não tem conhecimento, sendo um método eficaz na reeducação e no fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, foram submetidos a exercícios que promovem a contração e reeducação dos músculos do assoalho pélvico, através uma sonda anal e eletrodos de eletromiografia de superfície acoplada a um software, que fornece gráficos das contrações do assoalho pélvico e dos grupos sinérgicos. Os pacientes foram submetidos a aproximadamente 2 meses de tratamento com uma frequência de 2 a 3 vezes por semana. Para análise e tabulação dos dados, foi feita uma análise descritiva dos dados, através do programa Microsoft Office Excel sendo apresentados os resultados em forma de gráficos e tabelas.

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O estudo seguiu os aspectos éticos que envolvem a pesquisa com seres humanos, como garantia da confidencialidade, do anonimato, da não utilização das informações em prejuízo dos indivíduos e do emprego das informações somente para os fins previstos na pesquisa4,5.

RESULTADOS E DISCUSSÃO A amostra da pesquisa foi constituída de 12 pessoas com idade media de 53 anos, variando de 27 a 90 anos, sendo 92% (n=11) do sexo feminino e 8% (n=1) do sexo masculino. Sendo dividida em 2 grupos, grupo A e grupo B. O grupo A com uma amostra de 6 pacientes com idade media de 41 anos variando de 27 a 68 anos, sendo 100% (n=6) da amostra do sexo feminino, submetidos ao tratamento de massagem abdominal. O grupo B com uma amostra de 6 pacientes com idade media de 65 anos, variando de 48 a 90 anos, sendo 83% (n=5) do sexo feminino e 17% (n=1) do sexo masculino, submetidos ao tratamento com biofeedback. Como se pode evidenciar o sexo feminino foi preponderante nos dois grupos, pois de acordo com Silva2 ,as mulheres são mais acometidas, bem como, o início do distúrbio pode surgir desde uma idade mais avançada, no caso de idosos, como em crianças. Todavia, Ramos; Oliveira6 destacam que é normal a constipação em idosos devido a diminuição da motilidade colônica, sendo na verdade uma condição de perda importante da qualidade de vida. No grupo A, quanto ao tempo do início do distúrbio as respostas foram distintas entre elas desde 1 a 30 anos de distúrbio. No grupo B este início variou desde 6 meses a 40 anos de distúrbio. No entanto, Gus; Halpen7 atribuem a causa da constipação em jovens a distúrbios de motilidade, sendo uma das principais causas o hábito de ignorar repetidamente a urgência de evacuar, devido principalmente a evacuações dolorosas e recusa em abandonar suas atividades de lazer, abolindo involuntariamente o estímulo evacuatório. A retenção de fezes no reto permite a maior absorção de água, formando um bolo fecal cada vez mais duro e ressequido, portanto, mais difícil de ser eliminado, criando, assim, um ciclo vicioso. Além de estar relacionado com os hábitos de vida da criança, também pode ser um padrão adquirido desde a época da retirada das fraldas e pode

contribuir para o aparecimento dos distúrbios emocionais e psicológicos. Quando questionados sobre a constituição da alimentação, tanto o grupo A quanto o grupo B, o percentual de respostas referente à ingestão de fibras foi menor, respectivamente 50% e 33% (Tabela 1). Dados esses já destacados por Mahan; Stump8 que afirmam ser a causa da constipação intestinal a ausência de fibras na dieta. Tabela 1 – Distribuição dos dados de acordo com a alimentação no grupo A e B.

GRUPO A Alimentos

F

%

Frutas

5

83%

Verduras

4

67%

Fibras

3

50%

Frutas

3

50%

Verduras

4

67%

Fibras

2

33%

Nenhuma das opções

1

17%

GRUPO B

Quando questionados sobre a ingestão de líquido, pacientes do grupo A, responderam que ingerem menos de 1L, 17% (n=1); ingerem 1L, 17% (n=1); ingerem até 2L 33% (n=2) e mais de 2L 33% (n=2). No grupo B, responderam ingerir menos de 1L, 17% (n=1), ingerem 1L, 50% (n=3); ingerem até 2L, 17% (n=1) e ingerem mais de 2L, 17% (n=1). Esses dados condizem com que Santos Júnior9 destaca que, qualquer perturbação que reduza a absorção intestinal sobrecarrega o cólon que pode absorver até 5 litros de água por dia. Se a entrada de líquido no ceco excede esse volume produzirá diarréia; ao contrário, excessiva absorção de água provocará a formação de fezes ressecadas, viabilizando a constipação. Onde Silva2 relata que a ingesta reduzida de água e sucos determina a constipação por um menor aporte de água ao intestino grosso. Com sua capacidade de absorção intacta, o colo irá ressecar as fezes tornando-as endurecidas e difíceis de ser eliminadas. Ao analisar a resposta sobre a prática de atividade física, no grupo A 50% (n=3) não realizam atividade física, 33% (n=2) praticam caminhada e

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17% (n=1) praticam musculação (Gráfico 1). Já no grupo B, 50% (n=3) praticam caminhada e 50% (n=3) não realizam atividade física (Gráfico 1).

Gráfico 1 - Distribuição dos dados de acordo com a prática de atividade física no grupo A e B.

Silva2 afirma que o sedentarismo e a imobilidade determinam a constipação mesmo que não se saiba por quais mecanismos isso acontece. Pois segundo Santos Júnior10, as atividades físicas na forma de exercícios diários são coadjuvantes na reconquista da função intestinal normal. Quando se refere à vontade de evacuar e a frequência a que vai ao banheiro, 50% (n=3) dos pacientes do grupo A responderam que sempre vão ao banheiro ao sentir vontade de evacuar e 50% (n=3) responderam que vão somente às vezes. No grupo B 67% (n=4) responderam que sempre vão ao banheiro e 33% (n=2) vão ao banheiro às vezes. Observa-se que a metade (grupo A) ou maioria (grupo B) sempre vai ao banheiro ao sentir vontade de evacuar não deixando ocorrer o que Polden; Mantle1 explicam sobre a continência das fezes, quando afirmam que no adiamento ou supressão do desejo, o reto inverte o peristaltismo através da estimulação do esfíncter anal voluntário e as contrações do assoalho pélvico, de forma que o material fecal seja afastado do ânus. Ao questionar sobre as situações em que é inibido o desejo de evacuar, 67% (n=4) das respostas do grupo A foram que se tornam inibidos quando se encontra em um lugar desfavorável. O restante das respostas variou entre está ocupado em alguma atividade e não deseja interromper e sempre que não se encontra em casa. No grupo B, 50% (n=3) das respostas foram que essa inibição ocorre sempre que não se encontram em casa, o restante se dividiu em 33% (n=2) estão ocupados em alguma atividade e não desejam interromper e 17% (n=1) quando se encontram em um lugar desfavorável (Tabela 2). Tabela 2 - Distribuição dos dados de acordo com as situações que inibem o desejo de evacuar no grupo A e B. Grupo A Situações de inibição

F

Grupo B %

F

%

Quando está ocupado em alguma atividade e não deseja interromper

2

3%

2

3%

Sempre que não se encontra em casa

1

7%

3

0%

Quando se encontra em um lugar desfavorável

4

7%

1

7%

Portanto Silva2 afirma que não evacuar em recintos públicos ou não fazê-lo para não interromper outra atividade em curso, são as situações corriqueiras que determinam esse comportamento negativo, e quando esse comportamento torna-se rotineiro, pode determinar a abolição do reflexo autonômico que avisa da necessidade de evacuar e daí vem à constipação. De acordo com Guyton; Hall11, uma causa frequente da constipação são os hábitos irregulares, desenvolvidos por toda uma vida de inibição dos reflexos normais de defecação. Relacionado aos dias sem evacuação, no grupo A 50% (n=3) dos participantes da pesquisa passam mais de 5 dias, 33% (n=2) 4 dias e 17% (n=1) 3 dias sem evacuar. No grupo B, 50% (n=3) passam 2 dias, 17% (n=1) 3 dias, 17% (n=1) 4 dias e 17% (n=1) 5 dias sem evacuar (Gráfico 2). Sendo considerado por Mahan; Stump (1998), que três evacuações em um dia ou evacuações a cada dois ou três dias estão dentro da variação normal. Gráfico 2 - Distribuição dos dados de acordo com a quantidade de dias sem evacuação no grupo A (Gráfico da esquerda) e Grupo B (Gráfico da direita).

No entanto, uma forma padronizada internacionalmente para diagnosticar constipação, segundo Oliveira et al.12, baseia-se nos critérios de Roma II para constipação, que são compostos por seis sintomas: menos de três evacuações por semana, esforço ao evacuar, presença de fezes endurecidas ou fragmentadas, sensação de evacuação incompleta, sensação de obstrução ou interrupção da evacuação e manobras manuais para facilitar as evacuações. São considerados, portanto, constipados aqueles que apresentam dois ou mais desses sintomas, no mínimo em um quarto das evacuações, referidos por pelo menos três meses (não necessariamente consecutivos), no último ano embora possam ser considerados os últimos três meses. Ao se verificar o que mais incomoda no distúrbio no grupo A 50% (n=3) dos pesquisados res-

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ponderam abdômen distendido, enquanto 33% (n=2) responderam sensação de empachamento e 17% (n=1) responderam sensação de empachamento associado a abdômen distendido. No grupo B, 50% (n=3) responderam sensação de empachamento, 33% (n=2) responderam sensação de empachamento associado a abdômen distendido e 17% (n=1) responderam abdômen distendido. Sendo que para Morais;Maffei13, uma das complicações é a distensão abdominal, fato detectado nos dois grupos, tendo o grupo A uma maior prevalência. Em relação às alterações observadas no distúrbio, para os participantes do grupo A foi irritabilidade em 50% (n=3) das respostas, alteração de humor em 50% (n=3) das respostas, cefaléia em 33% (n=2) e aparecimento de acnes 17% (n=1) das respostas (Tabela 3). No grupo B as respostas de alteração de humor foram de 50% (n=3), irritabilidade 83% (n=5), (Tabela 3) evidenciando, portanto que as alterações de humor são frequentemente encontradas, prejudicando o interesse destas pessoas pelo trabalho e pelo lazer, como afirma Gus; Halpern7. Tabela 3 - Distribuição dos dados de acordo com as alterações observadas no distúrbio no grupo A e B. GRUPO A Alterações

F

%

Alteração de humor

3

50%

Irritabilidade

3

50%

Cefaléia

2

33%

Aparecimento de acnes

1

17%

GRUPO B Alteração de humor

3

50%

Irritabilidade

5

83%

Quanto ao questionamento sobre a ingestão de medicamento relacionado ao distúrbio de constipação intestinal, no grupo A 67% (n=4) responderam que tomam medicamento e 33% (n=2) responderam que não tomam. Já no grupo B, 67% (n=4) responderam que tomam medicamento e 33% (n=2) tomam medicamento às vezes. Sendo para Mahan; Stump8 uma das causas da constipação mais comuns é a perda do tônus da musculatura intestinal tal como o uso crônico de laxativos.

Quanto à percepção de alguma melhora após a evolução do tratamento, no grupo A 100% (n=6) relataram melhora dos sintomas como a flatulência, segundo os seguintes relatos: “com a massagem diminui bastante os gases”, outros relatos como “logo após a massagem, sinto vontade de ir ao banheiro”, “quando a massagem é feita logo após uma refeição, sinto dor de barriga”, “com a massagem sinto que o intestino trabalha mais”, “sinto vontade de ir ao banheiro com mais frequência”, “sim, estou evacuando com mais facilidade, diminuição da flatulência e estou menos empachada”. No grupo B 100% (n= 6) relataram melhora dos sintomas após a evolução do tratamento com biofeedback. Pois segundo Latorre14, este tipo de treinamento dos MAP permite um maior controle sobre não só a força de contração muscular, mas também sua duração, além de permitir o treino de relaxamento da musculatura. Desta forma, o trabalho sobre os MAP pode ser mais amplo, uma vez que todo o ciclo de contração pode ser monitorado, da contração ao relaxamento e nova contração. Após o período de tratamento, 100% (n=6) dos pacientes do grupo A referem que o distúrbio foi resolvido parcialmente, entre alguns relatos: “sinto vontade, mas às vezes não sai nada”, “resolve quando faz a massagem”, “parcialmente, pois não dei sequência ao tratamento”. No grupo B, 83% (n=5) responderam que o distúrbio foi resolvido, enquanto 17% (n=1) o distúrbio foi resolvido parcialmente. Low; Reed15 comentam que o biofeedback é usado para dois propósitos gerais: condições em que se tenta o controle sobre alguma ação muscular ou movimento defeituoso e para controle de condições relacionadas ao estresse. Para o grupo A, a qualidade de vida melhorou para 100% (n=6) dos participantes, sendo mencionadas melhoras na sensação de empachamento, na liberação de gases e diminuição da distensão abdominal, como exemplo, tem-se: “estou bem melhor, não preciso mais usar medicação com frequência, me sinto bem mais confortável”. Proporção essa também adquirida no grupo B com as seguintes expressões mais variadas, entre elas: “me sinto muito bem”, “consigo evacuar sem problemas”, “quando sinto vontade, elimino com facilidade”.

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CONCLUSÃO Diante dos resultados apresentados, podese concluir que a massagem abdominal alivia alguns sintomas que se apresentam na constipação intestinal, como: flatulência, principalmente, seguida da distensão abdominal e sensação de empachamento, melhorando, portanto, a qualidade de vida dos portadores dessa disfunção, porém o distúrbio não é resolvido totalmente, sendo a resolução apenas parcial para a maioria dos participantes. Todavia, o tratamento da constipação intestinal com biofeedback, também proporcionou vários benefícios para a amostra selecionada, além de melhorar os sintomas e a qualidade de vida para todos os participantes, a resolução total do distúrbio para a maioria deles. Constataram-se os principais fatores que levam à constipação: a pouca quantidade

de fibras incluídas na alimentação, a ingestão de líquido até 2 L, as situações de inibição do desejo de evacuar, principalmente quando se encontra em um lugar desfavorável ou quando não se encontra em casa, inferindo que essas situações de inibição podem levar a inibição dos reflexos normais da defecação e à ingestão de medicamentos laxativos. Com o objetivo de mostrar a eficiência do tratamento fisioterápico, este trabalho conclui que a fisioterapia surge como meio de atenuar os sintomas e resolver o distúrbio da constipação intestinal, embora parcialmente para alguns pacientes, melhorando, assim, a qualidade de vida dos indivíduos portadores dessa disfunção. Demonstrando que a massagem abdominal e o biofeedback são tratamentos eficazes na constipação intestinal.

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