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Two-Way Street

Lauren Barnholdt

créditos tradução e revisão: Grupo Shadows Secrets

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sinopse Há dois lados de todo fim de relacionamento. Esses são Jordan e Courtney, completamente apaixonados. Claro, eles eram um casal incomum na escola. Mas eles ficaram juntos; e funcionou. Eles até iam para a mesma faculdade, e dirigiriam meio país juntos procurando orientação. Então Jordan termina com Courtney—por uma garota que ele conheceu na internet. É tarde demais para mudar os planos, então a viagem começa. Courtney está com o coração partido, mas imagina que pode ser dura por alguns dias. La la la—essa é Courtney fingindo que não se importa. Mas, numa mudança estranha, Jordan se importa. E muito. Para começar, ele tem um ou dois segredos que não contou a Courtney. E eles têm tudo a ver com o motivo de eles terem terminado, porque eles não podem voltar, e como, apesar de tudo, esse casal está destinado um ao outro.

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Courtney - A Viagem Dia Um, 08h07

Sou uma traidora da minha geração. Sério. Tudo que ouvimos hoje em dia é que temos que ser mulheres fortes e defender a nós mesmas, e agora olha o que eu fiz. Eu deveria ser uma daquelas histórias da vida real da Seventeen1. Construí Minha Vida Em Torno De Um Garoto! E Agora Me Arrependo! É claro, isso não teria a intensidade emocional de alguma de suas histórias anteriores, tipo, Peguei DST Sem Fazer Sexo, mas mesmo assim é importante. — Você vai ficar bem — minha mãe diz, mexendo o café na pia. — De fato, você está agindo de forma um pouco ridícula. — Eu sou ridícula? Eu sou ridícula? — como ela pode dizer isso? Perdeu a cabeça? Não tem nada de ridículo ficar chateada por sair de viagem com seu ex-namorado, quando o dito ex-namorado quebrou seu coração e te abandonou por alguma vagabunda da internet. Embora eu realmente não possa dizer de fato que ela seja uma vagabunda. Mas tenho certeza que é. Quer dizer, dar golpes em caras na internet? Pensei que isso só era para quarentonas divorciadas que photoshopeiam suas fotos em um esforço para parecerem mais jovens e mais magras. Para não mencionar, o que ELE estava pensando? Um cara de dezoito anos que poderia ter qualquer garota que quisesse, tendo que recorrer a namoros pela internet? Mas talvez esse seja o problema com os caras que podem ter qualquer garota que eles querem. Uma nunca é suficiente. — Eu não disse que você era ridícula — minha mãe diz. — Eu disse que você estava agindo de forma ridícula. — Não tem realmente alguma diferença — digo a ela. — É como se alguém dissesse, Você está agindo como uma trapaceira, isso é porque você está trapaceando. O que significa que você é um trapaceiro. Como Jordan. Embora suponha que ele tecnicamente não é um trapaceiro, porque terminou comigo antes de começar a sair com a garota da internet. Na minha cabeça, eu ainda penso nele como um trapaceiro. Do contrário, ele só teria conhecido outra garota de que gostava mais, e isso não é tão dramático. — Courtney, você implorou e implorou para ir nessa viagem — minha mãe diz. 1

Uma revista americana para adolescentes.

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— E? — essa é a grande justificação dela para me chamar de ridícula? Ela está brincando? Adolescentes imploram e imploram por coisas o tempo todo: por argolas no nariz, tatuagens que dizem Badass2. Nunca uma boa ideia. Supostamente meus pais devem ser a voz da razão, me guiando para o caminho certo em todos os momentos. Eles estão obviamente loucos por ter concordado com este plano, em primeiro lugar. Quer dizer, no que eu estava pensando? Fazer planos, com meses de antecedência, para dirigir por mais de mil quilômetros até a faculdade com um garoto? Todo mundo sabe que a duração média de um relacionamento de colégio é mais curta que um episódio de TRL3. — Você é a mãe — digo. — Deveria saber que esta era uma ideia horrível. — Fico na esperança de que a culpa recaia sobre ela, mas isso não acontece. — Ah, por favor — diz ela, revirando os olhos. — Como eu poderia saber que ele ia terminar com você? Não sou vidente. Nem tampouco conheço os hábitos de salas de batepapo da internet. — Não era uma SALA DE BATE-PAPO — digo. — Era o MySpace. — Ninguém mais fica em salas de bate-papo. Embora o porquê de alguma garota querer sair com Jordan baseado em sua página do MySpace eu não consiga entender. A música que ele escolheu para seu perfil é, Let's All Get Drunk Tonight4, do Afroman. — Certo — minha mãe diz, tomando um gole de seu café. Meus pais estão tentando me ensinar algum tipo de lição. Não acham que seja certo que talvez tenham que pagar mais de quinhentos dólares por uma passagem de avião de última hora da Flórida para Massachusetts, quando fui eu quem os convenceu a me deixar ir nessa viagem. Além disso, minha mãe acha que essa coisa toda é mais como a típica angústia adolescente, uma dessas situações retratadas em uma sitcom5 adolescente que é resolvido em meia hora de risos e contratempos. Já sabe, onde a menina é abandonada, mas depois percebe lá no final do episódio que ela está melhor sem ele, e então fica com algum outro cara gato que é muito melhor pra ela, enquanto que o cara que partiu seu coração acaba sozinho, desejando tê-la de volta. O que definitivamente não está acontecendo aqui. De fato, está mais para o contrário. Jordan está se divertindo horrores com sua garota do MySpace, enquanto sou eu a que está sentada, desejando que eu o tivesse de volta. Suspiro e olho pela janela da cozinha, procurando pelo TrailBlazer de Jordan. São 8:07, e ele deveria estar aqui às oito, o que me faz pensar que: a) ele está atrasado; b) está agindo como um idiota e me deixando plantada; Ou; 2

Fodão, Durão, valentão, etc. Total Request Live. É um programa de clipes que passava na MTV dos Estados Unidos. Com 1 hora de duração. 4 Vamos Todos Ficar Bêbados Esta Noite. 5 Seriado cômico na TV 3

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c) ele se envolveu em um terrível acidente de carro que o deixou morto. A resposta mais provável é a A. (Fomos para o baile juntos, e a limusine teve que esperar em sua entrada da garagem durante meia hora. No final da noite, nos cobraram uma hora extra. Ele – leia-se: seus pais – pagou, mas mesmo assim.) Embora eu vá pela opção C. OK, talvez não a parte do morto. Só, tipo, uma perna quebrada ou algo assim. Quer dizer, seus pais sempre foram super legais comigo, e eu me sentiria péssima se eles perdessem seu filho caçula. Mesmo se ele fosse um mentiroso e trapaceiro. — Quer café? — minha mãe pergunta, o que é ridículo, porque ela sabe que não bebo café. Café dificulta o crescimento. Tenho apenas 1,55m, e ainda mantenho a esperança de que vou crescer mais alguns centímetros. Além disso, já estou bastante tensa. Ficar toda agitada com cafeína definitivamente não é uma boa ideia. — Não, obrigada — digo, olhando pela janela novamente. Sinto um nó crescendo na minha garganta e o ignoro. Ele não iria me deixar plantada, não é? Quer dizer, isso é fodido demais. Embora se fizesse, isso significaria que eu não teria que ir com ele. O que seria ótimo. Se ele me deixar plantada, meus pais não terão escolha a não ser me deixar reservar um voo para Boston. Que é o que eles deveriam ter me deixado fazer desde o primeiro momento. Respiro fundo. Só são três dias. Eu posso passar por isso, certo? Três dias não são nada. Três dias são... eu quebro a cabeça, tentando pensar em algo que dure apenas três dias. Férias de Natal! Férias de Natal duram dez dias e parece sempre passar voando. Três dias é apenas um terço disso. Além disso, eu tenho a coisa toda planejada nos mínimos detalhes. A viagem, quero dizer. De modo que a cada segundo estaremos fazendo alguma coisa. Claro, as férias de Natal são divertidas. E isto vai ser torturante. Meu pai entra na cozinha, vestindo um terno cinza e bebendo um shake de proteínas. Ele está cantarolando uma música da Shakira. Meu pai adora música pop. O que é estranho. Porque ele tem quase cinquenta anos. Embora ache que meu pai pode estar passando por uma pequena crise de meia idade, já que ultimamente tem sido levado a comprar roupas esquisitas. E eu suspeito que ele esteve usando autobronzeador, porque definitivamente ele parece um pouco laranja. — Bom dia — diz ele, indo até onde minha mãe está sentada na mesa da cozinha e plantando um beijo em sua cabeça. Ele abre o armário e tira uma caixa de cereal. — Dia — murmuro, não muito certa do que tem de tão bom nele. — Tudo pronto pra faculdade? — pergunta ele, sorrindo. — É, acho que sim — digo, tentando não soar muito como uma pirralha. Meu pai tem estado bem mais de boa sobre essa coisa toda da separação do que minha mãe. Ele Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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passou horas tentando me animar, dizendo que eu vou encontrar alguém melhor, que há mais peixes no mar, que ele nunca gostou do Jordan, etc. Além disso, me comprou um iPod novo e toneladas de roupas novas para a faculdade. Ele também me deu uma cópia de, Ele Não Está Tão Afim de Você6, o que me faz achar que ele pensou que seria encorajador. De fato, é um pouco encorajador, porque fala de como você não deve se contentar com um cara que não quer estar com você. Por outro lado, perceber que o cara que você gosta não está tão afim de você, não é muito bom para sua auto-estima. Além disso, eu estava lendo partes dele para minha amiga Jocelyn uma vez, e ela me interrompeu para dizer: — Na verdade, se você precisa de um livro como esse para te dizer que ele não está tão afim de você, provavelmente você não seja do tipo que seja capaz de realmente seguir em frente. — Ela não tinha intenção de dizer isso sobre mim, exatamente, mas ainda assim. — Nada do Jordan? — meu pai pergunta, derramando leite em seu cereal. — Claro que não — digo. — Ei, se ele não aparecer, então o quê? — Acha que ele não vai aparecer? — meu pai pergunta, levantando a vista. — Porque não iria? — Sei lá — digo. — Mas e se ele não aparecer? — esperança começa a surgir dentro de mim. Não tem jeito de que qualquer um dos meus pais possa ou queira me levar lá de carro. Nem sequer me sentirei mal pelo dinheiro que eles terão de gastar na passagem de avião de última hora, desde que são eles os psicopatas que estão me fazendo ir nessa viagem, em primeiro lugar. — Então o quê? — eu insisto. Mas ninguém tem que responder a isso, porque o som de cascalho rangendo lá fora, na entrada, chega através da janela. Olho para fora, e a luz refletida no para-brisas do TrailBlazer de Jordan atinge meus olhos. Algum tipo ridículo de rap está saindo a todo volume do carro, o que me deixa ainda mais irritada do que já estou. Odeio rap. Ele nem sequer escuta rap normal, como Jay-Z ou Nelly. Ele escuta rap hardcore7. (Palavra dele, não minha. Nunca usei a palavra hardcore na minha vida. Bem, até agora, mas só para citar Jordan). Ignoro a sensação estranha no estômago e corro pra fora para que eu possa gritar com ele por seu atraso. — Onde você estava? — exijo, enquanto ele sai do carro. — Bom te ver também — ele sorri. Ele está usando bermudas folgadas e uma camiseta azul marinho Abercrombie. Seu cabelo escuro está molhado, o que significa que ele provavelmente acabou de sair do chuveiro, o que significa que ele provavelmente acabou de acordar. — Me desculpe, eu estava arrumando minhas coisas, e depois tentava encontrar meus pais para que eu pudesse dizer adeus.

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O título em inglês é He’s Just Not That into You, é um livro de auto-ajuda. Eu traduzi o título por causa do filme baseado no livro que acabou ficando com o título assim no Brasil. 7 É um sub-gênero da música hip hop. É um rap com um som mais agressivo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Arrumando as coisas? Quem espera até o dia que está saindo para a faculdade para começar a arrumar suas coisas? Minhas coisas estão arrumadas há uma semana, empilhadas ordenadamente do lado de fora do meu quarto até que eu as transferi para a cozinha esta manhã. Quer dizer, o serviço de alojamento nos enviou uma lista do que levar. Aposto que Jordan não trouxe nada do que pediram. Não é que eu me importe. Se ele quer dormir em um colchão vazio, nojento e sujo porque se esqueceu de comprar lençóis extragrandes, para mim tanto faz. Eu superei Jordan totalmente. Essa sou eu, superando o Jordan. La, la, la. — Você não recebeu meu e-mail? — pergunto a ele. Três dias atrás enviei uma cópia de nosso itinerário de viagem. Foi muito curto, com uma linha de assunto que dizia simplesmente, Horário, e lia, Jordan, por favor, verifique a cópia em anexo do cronograma de nossa viagem. Atenciosamente, Courtney. Eu estava bem orgulhosa dele. Do e-mail, quero dizer. Porque era bem curto e frio. É claro que, levou a mim e a minha amiga Jocelyn cerca de duas horas para encontrar as palavras perfeitas, mas Jordan não sabe disso. Só deve pensar que sou muito importante para compor longos e-mails para ele, ou para perder tempo em um intercâmbio de mensagens. Não que ele tenha enviado um e-mail de volta. Mas isso foi obviamente porque fui muito fria. — Aquele sobre a viagem? — ele franze o cenho. — Sim, acho que sim. — Acha? — pergunto. — Court, você não pode planejar todos os minutos — diz ele. — Vai haver imprevistos. — Ele pega os óculos de sol que estão na sua cabeça e os desliza para baixo sobre os olhos. — Bom, tanto faz — digo. Felizmente tenho três cópias do itinerário de viagem, junto com instruções específicas do Map Quest, tudo impresso e preso juntos com clips. Vou dar a ele um, como referência. Começo a entrar em casa, e Jordan hesita. — Vai me ajudar com minhas coisas ou não? — pergunto. — Oh, sim, com certeza. — Levanto as sobrancelhas. — É claro — ele repete com mais ênfase. Ele me segue para dentro de casa, e sei que está olhando para minha bunda. Pervertido. — Jordan — meu pai diz, acenando. Jordan acena de volta, mas não diz nada. Espero que ele esteja com medo do meu pai. Se não estiver, deveria. Meu pai é meio que um cara grande. Não é que Jordan seja esquelético nem nada, De fato, é exatamente o oposto. Ele tem esses braços realmente incríveis que – ugh. Não vou pensar em nenhuma parte do mentiroso, traidor e sempre-atrasado corpo do Jordan, seja os braços ou outra coisa.

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— Animado por ir à faculdade? — minha mãe pergunta educadamente. Seu tom é reservado, o que me deixa feliz. Quando Jordan e eu estávamos juntos, ela sempre foi super legal com ele. Ela até poderia me fazer ir nessa viagem, mas é óbvio onde sua lealdade está. Espero que Jordan esteja desconfortável. Espero que esteja se contorcendo. Espero que esteja... — Sim, senhora — diz ele. O que é uma mentira total. Ele não poderia se importar menos. Quer dizer, ele nem sequer seguiu a lista do que a gente devia levar. — Não importa — digo, colocando as mãos nas têmporas como se não aguentasse mais. — Pode começar a carregar o carro? Não quero sair mais tarde do que já estamos. — Dou a Jordan um olhar afiado, que ele ignora, e logo aponto para ele a direção das minhas coisas, que estão empacotadas ordenadamente e empilhadas no chão da cozinha. — Jesus, Court — diz ele, olhando para o amontoado. — Você sabe que está indo só por quatro anos, certo? — eu o ignoro e puxo uma cópia do horário do meu bolso. — Estamos bem atrasados — digo, franzindo o cenho. Deveríamos ter saído há vinte minutos. Embora talvez se a gente não parar para o almoço e apenas dirigirmos direto, possamos compensar o tempo dessa forma. Ainda assim, não é bom começar tarde. Eu já me preparei para o tráfego e circunstâncias imprevistas, claro, mas ainda assim. Isso não deveria contar como circunstância imprevista. Uma circunstância imprevista é algo que você não pode evitar. E isto definitivamente poderia ter sido evitado. Jordan se abaixa e pega uma das bolsas que está no chão, perto dos meus pés, e ela roça contra o dedo do meu pé. — Ai — digo, pulando pra trás. — Cuidado. Estou usando sandálias. Ele sorri. — Desculpe, querida. — Ele vira e se dirige para o carro antes que eu possa responder. Inspiro profundamente. Não vou começar a brigar com ele. De jeito nenhum. Se eu começar a brigar com ele, ele vai saber que está me afetando, e eu não posso deixar que isso aconteça. A última coisa que preciso é que ele ache que estou mal porque ele terminou comigo. Passei as últimas duas semanas determinada a mostrar a ele que não me importo, e não vou estragar tudo agora. É claro que, é muito mais fácil fingir que não se importa com alguém quando não está com você, mas posso fazer isso. Só tenho que reunir todo meu autocontrole. Desencanada e desprendida é meu novo lema. Percebo que meu coração está batendo a um ritmo ridiculamente anormal, e respiro profundamente de novo. Posso fazer isso, digo a mim mesma. Começo a pensar em todos os caras gatos que vou conhecer na faculdade. Caras que leem livros de filosofia e bebem café. Caras que escutem música de verdade, como Mozart e Andrea Bocelli e até mesmo Gavin DeGraw. Qualquer coisa, exceto rap. Isso me faz sentir melhor, mas só por um segundo. Porque, vamos encarar: não importa o quanto você diga a si mesma que superou alguém, seu coração conhece a verdade.

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Jordan - A Viagem Dia Um, 08h37

Não posso imaginar por que Courtney está vestindo uma roupa tão apertada. As garotas normalmente usam saias curtas rosas de algodão e blusinhas apertadas quando saem de viagem na estrada? Eu vi esse filme ridículo da Britney Spears, Crossroads, e definitivamente não me lembro das garotas nesse filme usando roupas de vagabunda. Camisetas e calças confortáveis é o que elas usavam. Ela está fazendo isso em uma tentativa de me deixar louco? E ela vai agir como uma vaca o tempo todo? Não é minha culpa ter atrasado. Eu tive que arrumar minhas coisas, o que você pensaria que seria fácil – só jogar suas roupas, computador e CDs em uma mala, certo? Errado. Demorou uma maldita eternidade. Mas eu estava tentando me apressar – nem mesmo passei gel no cabelo, o que foi um sacrifício muito grande. Quando ele finalmente secar vou parecer Seth Cohen8 ou alguma merda assim. Meu celular toca enquanto estou carregando as coisas de Courtney para o portamalas da minha caminhonete e tentando não pensar sobre os próximos três dias. Respondo sem verificar quem está ligando. — Sim — digo, levantando uma bolsa rosa com alças longas até o porta-malas. Que diabos ela colocou aqui? Parecem pesos. — Ei — meu melhor amigo, B. J. Cartwright, diz, soando bem acordado, o que é surpreendente. B.J. nunca soa totalmente acordado. Especialmente desde que ele geralmente está ou de ressaca, ou bêbado, ou se preparando para ficar bêbado. — Ei — digo, sentando no porta-malas aberto. — E aí? — Notícias de última hora, cara — diz ele, parecendo nervoso. B.J. sempre tem notícias de última hora. Costumavam sempre envolver alguma garota com quem ele queria bater estaca9, mas pelos poucos meses passados, ele esteve saindo com a amiga de Courtney, Jocelyn. Ele ainda é o maior fofoqueiro que eu conheço e um de seus mais ocultos segredos é que ele é assinante da US Weekly10. — É por isso que você está acordado tão cedo? 8

É um personagem do seriado The O.C. Sim, é isso aí, uma gíria bem ofensiva referente a "ter sexo com alguém", enfim, no inglês é "bang". 10 É uma revista americana de fofoca de celebridade 9

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— Huh? Oh, não, não fui dormir ainda — diz ele. — Você esteve acordado a noite inteira? — pergunto, olhando para o meu relógio. — São nove da manhã. — Cara, a festa foi até as quatro — diz ele. — E depois todos nós fomos tomar café da manhã. Você perdeu um tempo bom pra caralho. A festa da noite passada foi uma espécie de último hurrah, uma despedida antes que todos se fossem para a faculdade, o que muitos estão fazendo neste fim de semana. Fiquei lá por um tempo, mas saí antes que as coisas ficassem realmente fora de controle. Eu sabia que precisava acordar cedo esta manhã, então não deixaria Courtney puta comigo por chegar atrasado. Olha quão bem acabou. — Então, quais são as notícias de última hora? — pergunto. — É sobre Courtney — diz ele, e eu sinto meu estômago afundar. — O que tem ela? — digo. — Ela está ficando com Lloyd — diz ele, e eu engulo em seco. Saca só. Lloyd é o melhor amigo de Courtney, esse completo joguete por quem Court esteve apaixonada desde, tipo, a sétima série. Bom, até que ela me conheceu. Supostamente assim que começamos a namorar, ela perdeu todos seus sentimentos por ele. Ou isso dizia. — Como você sabe? — pergunto, sem muita certeza de querer saber sobre isso. — Ouvi de Julianna Fields, que ouviu de Lloyd. — Quando? — Não tenho certeza — diz B.J. — Ela estava falando disso ontem à noite. Depois da festa, muito tarde. E depois, hum, Lloyd deixou um comentário no MySpace de Courtney na noite passada. — Bem, tanto faz — digo. Levanto-me, coloco o resto das bolsas no porta-malas da minha caminhonete, e o fecho com força. — Courtney pode fazer o que quiser. — Você está bem? — Estou bem — minto. — Obrigado por me deixar saber. — Legal — diz B.J. — Me liga mais tarde. Fecho o celular e respiro fundo. Tanto faz. Não é grande coisa. Quer dizer, eu terminei com ela. Tudo o que tenho que fazer é passar pelos próximos três dias. Três dias não é nada. Três dias são metade das férias de primavera. Férias de primavera passaram voando esse ano. Pensar nas férias de primavera me faz começar a pensar em férias, o que

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me faz começar a pensar em Courtney e eu em Miami, e no biquíni que ela usava, e no que aconteceu na praia... Para. Digo a mim mesmo. Acabou. Tomo fôlego de novo, e quando me viro o pai de Courtney está parado ali, segurando sua pasta em uma mão e uma xícara de café na outra. — Tudo pronto? — diz ele, sorrindo. Faço o melhor que posso para sorrir de volta, e resistir a urgência de socá-lo. — Parece que sim — digo. Sinto meus punhos cerrarem ao meu lado, e me obrigo a afrouxá-los. — Estamos bem claros, certo, Jordan? — diz ele. Inclina-se para perto de mim, e posso cheirar sua loção pós-barba. — Eu odiaria que essa viagem acabasse mal, com Courtney ficando distraída antes de seu primeiro dia de aula. — Eu não iria querer que Courtney ficasse transtornada, tampouco — digo, o que é verdade. O que não acrescento é que se seu pai não fosse tão imbecil, não haveria chance de Courtney descobrir qualquer coisa que a transtornasse em primeiro lugar. — Ótimo — diz ele, dando um tapinha no meu ombro como se fôssemos velhos amigos. — Fico feliz por estarmos na mesma página. — Ele me estuda por um minuto, mas não afasto o olhar. — Eu vou dizer a ela, você sabe. — É claro — digo, mesmo que ele esteja me dizendo a mesma coisa durante os últimos três meses. Ele hesita por um minuto, como se quisesse dizer outra coisa, ou como se estivesse esperando que eu o reassegurasse que não ia falar. Mas não vou fazer. Reassegurá-lo. Ou falar. Mas ele não precisa saber disso. — Tenham uma boa viagem — diz ele, finalmente, e logo sai da entrada. Depois que ele está fora de vista, inclino a cabeça contra a lateral da minha caminhonete e respiro fundo. Passei as duas últimas semanas levando a mim mesmo à completa loucura pelo fato de que, se não fosse pelo imbecil do pai da Courtney, e um segundo que mudou tudo, nós ainda estaríamos juntos. Mas em vez disso, não estamos, e Courtney me odeia. E quem poderia culpá-la? Ela acha que eu a troquei por uma garota que conheci na internet. Se ela soubesse o que realmente aconteceu, provavelmente me odiaria ainda mais. Porque a verdade é, Courtney e eu terminamos por uma razão fodida demais da qual ela não tem conhecimento, e tomara que nunca conheça. Não há garota da internet. Eu a inventei.

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Jordan - Antes 125 Dias Antes da Viagem, 21h02

Eu estaciono meu TrailBlazer na garagem do meu amigo B. J. e aperto a buzina. O nome verdadeiro de B. J. é Brian Joseph Cartwright, mas na sétima série todo mundo começou a chamá-lo de B. J. Nós todos tínhamos acabado de descobrir o termo boquete11 e pensamos que o apelido era super engraçado e legal. Ele ainda adora o nome e se recusa a responder a qualquer outra coisa, mesmo dos professores. B. J. sai da casa usando um body verde, sapatinhos de tricô verdes e um chapéu de duende. Eu estava menos preocupado com o que ele usava e mais preocupado com o fato de que ele se movia na velocidade de uma conexão discada. Nós estamos a caminho da festa de Connor Mitchell e eu não quero perder nem sequer um segundo dela. Ele abre a porta (devagar) e começa a sentar no banco do carona da minha caminhonete. — Qual é, cara? — ele pergunta. Ele bate a porta e reajusta o gorro verde em sua cabeça. — Que porra é essa? — eu pergunto. — Que porra é essa? — ele está confuso. — Essa coisa toda de duende — eu digo, rolando os olhos. Eu reajusto meu retrovisor lateral e saio de sua garagem de ré. — Eu não sou um duende! — ele diz, ofendido. — Eu sou um anão. — Você é um anão? — eu pergunto incrédulo. — Você está vestido como um duende. E eles não chamam mais de anão, eles chamam de pessoas pequenas. — Eu tiro os olhos da estrada e olho para ele rapidamente. É possível que ele já esteja bêbado? — Eu sou uma pessoa pequena, então — ele diz, soando como se não desse a mínima. — Mas sério, quem se importa? Eu vou ficar tão bêbado que isso não vai importar. — A única razão para ser um pouco estranho — eu digo devagar, sem querer irritálo, — é que não é uma festa à fantasia. Então eu não entendo por que você está fantasiado. 11

O termo em inglês é “blow job”, por isso B. J.

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— Não é uma festa à fantasia? — ele pergunta, soando confuso novamente. — Eu pensei que Madison tivesse dito algo sobre ir como uma líder de torcida. — Ele abaixa o vidro da janela, o que não faz sentido algum, já que o ar-condicionado está ligado. Eu não entendo por que as pessoas têm que abaixar os vidros de suas janelas quando o arcondicionado está ligado, uma vez que obviamente está mais quente do lado de fora do que dentro do carro. — Não — eu digo, — Madison é uma líder de torcida. Por que ela iria a uma festa à fantasia vestida como uma? — Ela disse que iria! — Ela disse que talvez ela não tivesse tempo de se trocar após o jogo e precisasse usar o uniforme na festa. — Madison Allesio é essa loira do segundo ano que está no tempo de estudos com B. J. e eu. Ela também é a razão de eu ir a esta festa hoje à noite. Bem, mais ou menos. Eu provavelmente iria de qualquer jeito, já que Connor Mitchell é conhecido por dar umas festas insanas. No ano passado, a metade da turma dos calouros estava sem blusa em sua piscina. Mas Madison esteve flertando comigo intensamente pelo último mês e ontem ela estava toda, Você vai para a festa do Connor, então eu posso ir para casa com você e transar com você? meio desse jeito. — Eu não dou a mínima — B. J. diz, sorrindo. — Eu estarei tão ferrado que eu não vou nem mesmo me importar. E eu sou um duende, e você sabe que duendes sempre são sortudos! Uhuul! — Ele bombeia suas mãos no ar num gesto de levantar o telhado. B. J. está sempre falando sobre quanta diversão ele terá, quando, na verdade, ele não tem nenhuma. Nós ouvimos a festa antes mesmo de chegar lá, um misto do que parece a principal corrente do rap. Jay-Z, 50 Cent, esse tipo de coisa. Impostores. Eu gosto do meu rap sujo e pesado, nada dessas besteiras de os quarenta melhores. Mas depois de beber algumas cervejas, eu tenho certeza que ficarei bem. Eu manobro o carro numa vaga de estacionamento na rua e sigo caminhando com B. J. para dentro da casa. Meia hora depois, eu estou começando a pensar que essa festa poderia explodir de verdade. B. J. me divertiu por um tempo, mas agora ele desapareceu na multidão em algum lugar após fazer um barril de cerveja levantar, e eu não fazia a menor ideia de onde ele estava. Eu estou sentado na sala de estar de Connor, decidindo se levanto ou não para pegar outra cerveja, quando senti um par de mãos tapando meus olhos. — Ei — uma voz feminina diz atrás de mim. — Advinha quem é? — ela está debruçada sobre mim agora e eu senti seu perfume. Eu posso dizer que é Madison pelo seu cheiro: bom e você gostaria de deixá-la nua imediatamente. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Eu não sei — eu digo, bancando o bobo. — Jéssica? — eu nem mesmo conheço nenhuma Jéssica. Eu sou um tipo de garanhão. — Não — ela diz, tentando soar magoada. — Jennifer? Jamie? — Nenhum nome com J — ela diz. Ela está mais perto agora e eu posso sentir seu peito pressionando a minha nuca. — Desisto — eu digo, estendendo as mãos para tirar as dela dos meus olhos. Madison faz bico e pôe a mão nos quadris. — É a Madison! — ela diz, bufando. Ela usa uma saia branca curta e um top rosa. Eu meio que esperava que ela estivesse em seu uniforme de líder de torcida, mas ela está gostosa do mesmo jeito. Seus longos cabelos loiros caem ondulados em suas costas. É tudo o que eu posso fazer para não pegá-la e levá-la à minha caminhonete comigo. — Ahhh, Madison — eu digo. — Eu estava procurando por você. — Não estava — ela diz, sorrindo. — Você nem mesmo sabia que era eu. Era isso que me deixava confuso sobre garotas como a Madison. Elas são gostosas, podem ter qualquer cara que quiserem e ainda assim elas gastam a maior parte do seu tempo tentando fazer os caras dizerem para elas que elas são gostosas. Isso não faz sentido. É como se elas não quisessem acreditar que elas são bonitas. Ou talvez elas fiquem excitadas por terem os homens dizendo isso o tempo todo. (Outra nota sobre garotas como Madison: Elas são boas para transar, mas não são para namorar. Inevitavelmente, você se cansa de ouvi-las lamentar sobre se você acha ou não que elas são gostosas e elas têm que ir. E mais, se você namorar uma garota como Madison, você corre o risco de realmente começar a gostar dela e então ela vai acabar te largando por algum outro cara novo que diga o quanto ela é bonita, porque ela está cansada de ouvir isso de você. O truque é brincar com seus egos o bastante para mantê-las por perto, mas não tanto que elas se tornem chatas. Por sorte, eu sou mestre nisso.) — Eu estava procurando você — eu repito. Eu tento parecer desinteressado e tomo um gole da minha bebida. — Você está gostosa. Eu examino a multidão atrás dela, ainda não olhando para ela. — Sério? — ela pergunta, parecendo satisfeita. Ela dá um pequeno giro e sua saia espalha-se em volta de suas pernas. Que são muito, muito bronzeadas. E muito, muito grandes. Eu tento não olhar, sabendo que se eu me deixasse ficar muito estimulado, eu não poderia continuar brincando. Hormônios são uma merda.

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— Então você nunca respondeu a minha mensagem no MySpace — eu digo e o rosto dela cora. Minha última mensagem no MySpace era sobre o quanto seus lábios pareciam incríveis e que eu não podia esperar para beijá-la. — Eu nunca recebi — ela diz, mas eu sei que ela estava mentindo. Ela olha para onde suas amigas estão do outro lado da sala. — Essa festa está tão chata. — Ela olha para mim de canto de olho e eu sei que é a minha deixa. — Você quer sair daqui? — eu pergunto. — Eu tenho a minha caminhonete. Ela dá de ombros, como se não se importasse. — Eu acho. Deixe-me apenas contar às minhas amigas. Madison sai e eu tento achar um modo de me distrair. Eu não posso esperar por ela quando ela voltar. Eu tenho que fazê-la trabalhar para isso um pouco. Eu sei que parece malvado e fodido, mas não é. É apenas como as coisas funcionam. Eu olho em volta para alguma situação que merecesse atenção, ou alguma garota que eu pudesse alegar depois que se aproximou de mim e não o contrário. E é quando eu vejo B. J. preso à perna de Courtney McSweeney.

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Courtney - Antes 125 dias antes da viagem, 21h43

Essa noite contarei para o meu amigo Lloyd que estou apaixonada por ele. Coisas importantes sobre Lloyd: 1. Ele tem sido meu amigo desde a sétima série, quando sentávamos perto em todas as aulas por causa dos nossos últimos nomes. Parecia que cada professor estava fazendo isso em ordem alfabética, então como eu sou McSweeney e ele é McPeak, nós estávamos sempre juntos. Quando fomos para o ensino médio e pudemos escolher nossos próprios lugares, nós ainda sentávamos juntos. Era como uma regra. 2. Desde o primeiro dia da sétima série, eu me apaixonei por ele. Minha amiga Jocelyn diz que você não pode estar apaixonada por alguém se: a. ele não sabe disso; b. ele não sente o mesmo; c. você nunca o beijou, andou de mãos dadas com ele ou fez algo mais do que ser amiga dele. Mas isso não faz sentido para mim, porque, alô, isso é chamado de amor platônico. Veja as pessoas nos filmes. Elas estão sempre dizendo, Eu estou apaixonada por você, quando elas nunca tiveram nenhum contato físico com outra pessoa. Físico é só físico, não significa nada. Além disso, eu contarei ao Lloyd como me sinto. A razão para eu não ter feito até esse momento foi porque eu não queria arruinar a amizade (isto é, eu tenho medo mortal de rejeição). Mas ultimamente, tem havido sinais. Lloyd tem me ligado todas as noites – definitivamente mais que o normal – e conversamos por horas ao telefone. E ele me ajuda com meu trabalho de matemática, mesmo quando eu fico totalmente confusa e leva vinte minutos para que possamos resolver um problema. Ele nunca fica impaciente comigo. Porém, eu tenho que fazer isso logo, porque Lloyd está indo para uma escola na Carolina do Norte e eu vou para uma escola em Boston, então nós precisamos estar namorando por alguns meses antes de eu ir para a faculdade. Dessa forma, estaremos preparados para um relacionamento à distância. Foi por isso que eu planejei contar a ele. Essa noite. Depois da festa. Que eu quero ser mais que amiga dele. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Eu até mesmo estou usando minha roupa Eu-vou-contar-ao-Lloyd-que-eu-o-quero, que consiste numa saia jeans bem curta e uma blusa branca apertada. Que não é o tipo de coisa que eu normalmente uso. Mas eu preciso fazer Lloyd parar de pensar em mim como uma amiga e começar a pensar em mim como alguém que ele quer namorar. Até agora, a noite não está indo como planejado. Primeiro, Lloyd disse que ele iria a essa festa, e até agora, eu não o vi. Segundo, minha amiga Jocelyn (que eu trouxe até aqui), está conversando com esse cara do terceiro ano por quem ela tem uma queda e me deixou aqui sozinha. Não é culpa dela, porque eu disse a ela que ficaria bem, já que eu pensei que Lloyd estaria aqui logo e eu estaria tão ocupada seduzindo-o que não precisaria de Jocelyn para me divertir de qualquer forma. Terceiro, e definitivamente o mais perturbador, é que nesse exato momento, há um cara vestido de duende com seus braços embrulhados em minhas pernas. Eu estou escandalizada com isso, mas estou tentando ser legal, porque eu acho que ele está bêbado. — Oh, hum, oi — eu digo, tentando retirá-lo gentilmente. — Você é, hum, um duende. — É por isso que eu não vou a festas. Porque coisas como essa sempre acontecem comigo. Eu sempre sou aquela que fica parada em algum canto, sozinha, com um cara vestido de duende babando na minha perna. — Eu não sou — ele diz, olhando para mim. — Eu sou um anão. — Eu dou uma boa olhada em seu rosto e percebo que é B. J. Cartwright. Ótimo. O cara mais louco na classe sênior está enrolado em minhas pernas. B. J. fez algumas coisas insanas, incluindo queimar nossos nomes e anos de classe no gramado do lado de fora das portas de entrada da escola. Ele quase foi expulso por isso, mas o quadro escolar decidiu abrandar já que ninguém se feriu. B. J. colocou camisinhas em todas as caixas de correio dos professores no Dia da Consciência do Sexo Seguro; forjou a competição escolar de dinheiro para que a nossa turma ganhasse e apareceu no Halloween como Hannah Baker, uma garota da nossa turma que foi presa durante o verão por prostituição. Ele usou balões como seios e tudo. — Um anão — eu digo, tentando me desembaraçar dele novamente, mas ele grudou bem forte na minha perna. — Isso é, hum, interessante. — Você sempre quis fazer isso com um anão, não é, Britney? — ele pergunta, lambendo seus lábios para mim. Oh, meu Deus. — Meu nome não é Britney — eu digo, esperando que talvez ele esteja procurando por alguém específico e, quando ele perceber que eu não sou ela, ele vá embora. — Eu sei que não — ele diz, rolando seus olhos. — Mas você se parece com ela. — Com Britney? — eu pergunto, confusa. As mãos dele parecem grudentas contra minha perna nua e eu xinguei-me por estar usando uma saia.

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— Sim — ele pronuncia indistintamente, olhando para mim maliciosamente. — Você se parece com Britney Spears. — Sério? — eu pergunto, satisfeita ao contrário do que eu imaginava. Então me ocorre que Britney passou por vários estágios de atratividade e me pergunto se ele quis dizer que eu pareço a Britney Gostosa ou a Não Tão Gostosa Britney, eu considero perguntar a ele para esclarecer, mas não tenho certeza se posso suportar a resposta. Ainda assim, ninguém nunca me disse que eu pareço uma celebridade. Na verdade, uma vez Jocelyn tentou me jogar para esse cara da internet e a primeira coisa que ele me perguntou foi qual era a celebridade que eu parecia. E eu disse a ele — Ninguém, eu pareço comigo mesma — o que, você sabe, era definitivamente meio chato. Porque mesmo que eu NÃO me pareça com uma celebridade, eu podia ter inventado algo ou apenas ter dado uma vaga ideia, como, Bem, eu tenho cabelo preto longo como Rachel Bilson, ou algo assim. Não que isso fosse funcionar de qualquer forma. O relacionamento com o cara da internet, eu quero dizer. Ele me disse que a celebridade que ele se parecia era Jake Gyllenhaal e eu nem mesmo perguntei isso a ele. Ele apenas respondeu voluntariamente. O que significava que ele estava morrendo para me contar, o que significava que ele era totalmente convencido. (Na verdade, eu provavelmente poderia lidar com um pouco de vaidade, mas eu acho que estava apenas assustada porque não há nenhum modo de eu me sentir confortável em sair com um cara que se parece com Jake Gyllenhaal. Isso não seria bom para a minha auto-estima). — Sim — B. J. diz. — Você se parece com Britney. — Ele levanta a mão e me cutuca na barriga. — Exceto pelo abdômen. — Seu rosto cai. Tudo bem então. — Hum, Britney tem filhos — eu digo. — E então seu abdômen, eu tenho certeza, está pior. — Ele considera isso, acena com a cabeça e depois lambe minha perna. Nojento. — Ok, você precisa parar com isso. — Eu tiro minha perna e tento acordá-lo, mas era mais difícil do que parecia. Apesar de estar vestido como um anão e ter andado de joelhos por toda a noite, B. J. tem 1,90m de altura e pesa provavelmente quase noventa quilos. Ele é pesado. Eu olho em volta procurando Jocelyn, mas não consigo encontrá-la em lugar nenhum. Típico. Ela me implora para vir à festa e depois me deixa no momento crucial, isto é, quando eu tenho um anão-duende grudado em minha perna. — Pare! — eu ordeno, me perguntando se eu poderia cravar o salto do meu sapato na barriga dele sem realmente machucá-lo. — Por quê? — ele pergunta. — Eu estou te ajudando com seu fetiche sobre anões. — Ele lambe minha perna de novo. Oh, eww. — Eu NÃO tenho fetiche com anões! — eu digo mais alto dessa vez, esperando que minha mudança de volume o ajudasse a entender a mensagem.

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— Ainda não. — Ele sorri para mim e eu estou prestes a cravar meu salto em sua barriga, sem me importar se isso causará danos permanentes ou não, quando Jordan Richman sai da multidão e levanta B. J. pelos cotovelos. — Tudo bem, sortudo — ele diz, removendo B. J. da minha perna, balançando-o e colocando-o numa posição seguramente distante. Oh, graças a Deus. Jordan deve ser realmente muito forte para conseguir levantar B. J. daquele jeito. Embora, quando ele o sentou novamente, B.J. ficou mole e caiu no chão, então talvez ele estivesse tão bêbado que não importava quão grande ele fosse. Tipo como quando você está na água, seu peso não importa. Talvez seja o mesmo quando você está bêbado. — Eu acho que já chega. — Qual é, cara? — B. J. pergunta a Jordan. Ele sorri para ele e reajusta o gorro verde em sua cabeça. — Nada — Jordan diz parecendo levemente entretido, — mas você não pode sair por aí transando com as pernas das pessoas. Ele rola os olhos. — Eu não estava transando com ela! — B. J. diz, ofendido. — Eu sou um anão. — Você não é um anão — eu digo, antes que eu pudesse me impedir. — Você está vestido como um duende. E eles não são mais chamados de anões, eles são chamados de pessoas pequenas. — Jordan sorri para mim. — Eu sou uma pessoa pequena, então — ele diz, soando animado. — Mas, sério, quem se importa? Eu estou tão bêbado que não importa. — Não é uma festa à fantasia — eu aponto. — Eu sei — B. J. diz tristemente. — Mas Madison disse que ela usaria seu uniforme de líder de torcida. — Mas ela não está usando — Jordan diz. Eu não entendo o que o uniforme de líder de torcida de Madison tem a ver com estar em uma festa à fantasia, mas eu sabia o suficiente para perceber que eles estavam falando de Madison Allesio. Parece que Jordan e ela são amigos. Há esse crescente rumor de que ela gosta de fazer sexo oral com Kool-Aid12. Algo do tipo, uh, diferentes sabores para garotos diferentes. Totalmente nojento, o que parece meio que o tipo do Jordan. Não que eu o conheça tão bem. Nós estamos na mesma turma de matemática e só. Mas uma vez eu o ouvi dizer no corredor antes da aula, discutindo com uma garota. Algo sobre como ela precisava parar de segui-lo por aí. E então ela disse que ele não poderia ter transado com ela se ele não queria uma namorada. Isso foi na verdade meio que um

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Uma bebida.

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escândalo da turma de matemática, porque a turma toda pôde ouvir tudo o que estava acontecendo. Finalmente, eu acho que ele apenas entrou na sala de aula enquanto ela gritava. Eu não pude ver a garota, mas depois eu descobri que era essa caloura chamada Katie Shaw e então eu realmente não me senti tão mal sobre a coisa toda, porque eu sei que, de fato, que ela transa com vários caras – incluindo Lloyd, com quem ela foi para a terceira base num cinema. De qualquer forma, a questão é, eu não estou surpresa que Jordan e Madison sejam amigos. Ele aparentemente gosta de garotas que crescem em transas e dramas. — Eu não ligo a mínima. — B. J. dá de ombros. — Eu sou um duende. E duendes. Têm. Sorte. — Ele bombeia suas mãos no ar num gesto de levantar o telhado. — Além disso — ele continua, sorrindo, — Britney gosta. — Ele sorri para mim de novo e depois ginga em seus joelhos. — Desculpe-me por isso — Jordan diz, sorrindo timidamente. — Ele fica louco quando está bêbado. Mas ele não faria nada. — Tudo bem — eu digo, me sentindo estúpida. — Aqui — ele diz, tirando um lenço de papel de seu bolso e o estendendo para mim. — Obrigada. — Eu seco a saliva de B. J. da minha perna e verifico minha pele para me certificar que não está ferida, ao mesmo tempo procuro em meu cérebro por doenças que podem ser transmitidas por mordidas. Eu não consigo pensar em nenhuma. Doença de Lyme13, talvez? Mas eu não acho que você possa pegá-la de outras pessoas, apenas de carrapatos. Eles deveriam concentrar em doenças transmissíveis por mordidas nas aulas de saúde, pois aparentemente tenho mais chances de ser mordida do que de perder minha virgindade. — De qualquer forma, é Courtney, certo? — Sim — eu digo, surpresa por ele perguntar. Ele devia saber meu nome. Nós estivemos na mesma turma de matemática avançada por quatro anos. Ele sorri para mim, seus olhos brilhando. — Desculpe, isso foi fraco. Eu sei o seu nome. Eu só tentava ser suave. Eu ri e ele também. — Você está aqui sozinha? — ele pergunta, olhando em volta. — Não — eu digo rapidamente, para que ele não pense que eu sou uma perdedora completa. — Minha amiga Jocelyn está aqui em algum lugar, mas eu perdi seu rastro.

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A doença de Lyme é uma doença causada pela bactéria espiroqueta Borrelia burgdorferi, transmitida por carraças.

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— Sim — ele diz. — Eu tentei manter um olho em B. J. quando ele começou a beber, mas é difícil com tantas pessoas aqui. — Eu posso imaginar — eu digo, tentando pensar em algo legal para dizer. Não que eu esteja interessada nele ou algo assim. Eu quero dizer, ele é fofo o suficiente, mas não é por isso que eu não consigo pensar em nada legal para dizer. Eu apenas tenho um problema com pequenas conversas. Minha amiga Jocelyn diz que eu sou muito quieta. Mas não é verdade. Eu apenas tenho a tendência a ficar assim com pessoas novas porque não gosto de falar primeiro. E se a outra pessoa não quiser ser incomodada? Eu me perguntei se devia perguntar ao Jordan se ele sabia que tipo de doenças podem ser transmitidas através da saliva. — Seja como for, você quer dançar? — ele pergunta, gesticulando para um lado da festa, onde todos estavam dançando um remix das 40 mais tocadas. — Oh, não obrigada — eu digo, tentando não parecer chocada. De jeito nenhum eu vou dançar nessa festa. Se algum dia ele me vir dançar, ele saberá por que. Eu não sou uma boa dançarina. Eu gosto de dançar, eu só não sou muito boa com isso. Eu gosto de manter minha dança confinada em meu quarto, onde eu posso fingir ser Christina ou Rihanna sem ninguém observando. — Oh — ele diz, parecendo confuso. Provavelmente nenhuma garota negou-se a dançar com ele antes. Ele olha para mim e eu percebo que ele espera uma explicação, algum tipo de razão para eu não querer dançar. — Eu dançaria — eu digo rapidamente, esperando que ele não pensasse que eu sou uma idiota e/ou partisse. Não é que eu esteja adorando falar com ele ou algo assim, mas eu não queria ser a única perdedora na festa que não estava falando com ninguém. Foi assim que eu acabei interpelada por um duende. — Mas minha perna está meio machucada. — Essa era uma mentira total. Além do fato que toda vez que eu penso no que acabara de acontecer, sinto minha perna meio nojenta, eu me sinto bem, na verdade. Quero dizer, B. J. não me mordeu nem nada. Ele só meio que me babou. O que era, você sabe, desagradável e tudo o mais, mas não machucava. — Oh, desculpe — Jordan diz, parecendo honestamente preocupado. O que me fez sentir mal. Mas eu prefiro lidar com a culpa de mentir sobre uma condição médica a lidar com a humilhação de ter que dançar na frente de todos aqui. — Você acha que precisa ir ao médico ou algo assim? — Oh, não, eu não acho que esteja tão ruim — eu digo, — mas eu provavelmente não deveria, uh, dançar ou algo assim. — Ok — ele concorda. Ele manteve-se procurando por cima dos ombros por algo (alguém? B. J.?), o que é meio distrativo.

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Houve uma pausa e eu tomo um gole da minha soda num esforço para parecer ocupada. Eu finalmente localizo Jocelyn do outro lado da sala, onde ela está sentada num sofá de couro gigante, conversando com um cara diferente do outro pelo qual ela originalmente me deixou. Ela me olha e ergue a sobrancelha, tipo, Qual o problema? Eu tento telegrafar de volta, Absolutamente nada! Mas ela me dá um olhar de Sim, certo. Eu sei que ela está pensando em Lloyd. — Ei — Jordan diz, olhando em volta novamente. O que ele está procurando? Talvez ele perdeu algo. Ou talvez alguém roubou algo dele e agora ele está procurando por quem quer que levara. Ou talvez ele queira se certificar que seu amigo anão esteja bem. — Como está sua perna agora? — Bem, obrigada — eu digo sem pensar. — Bem melhor. — Ótimo — ele diz. — Recuperação milagrosa. — Ele tira da minha mão a bebida que estava segurando e a coloca na mesa próximo a nós. — Então você pode dançar. — Oh, não — eu digo em pânico. — Eu não acho que estou pronta para isso. — Colocar um mix de iTunes de Destiny’s Child e dançar no seu quarto enquanto finge ser a Beyoncé é uma coisa. Realmente dançar na frente de pessoas da escola é outra coisa. E mais, e se eu ficar toda suada ou cair ou algo assim? E então depois, Lloyd falaria, Você sabe o quê, Courtney? Eu sairia com você, exceto que nessa noite eu vi você parecendo uma coisa desajeitada e suada. Eu terei que dispensá-la. Eu não acho que esteja preparada para arriscar minha chance de felicidade com Lloyd em uma dança. — Qual é? — Jordan diz, pegando minha mão. — Você vai ficar bem. — Ele olha para mim e sorri, e eu hesito. — Eu não sei dançar — eu confesso, optando pela verdade. — Eu serei gentil — ele promete e antes que eu pudesse protestar, ele me arrasta para a pista de dança.

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Courtney - A Viagem Dia Um, 09h02

— Então — digo, colocando o cinto de segurança e me acomodando no carro. — Agora que estamos completamente atrasados e vamos perder a orientação... — deixo a frase no ar, esperando que ele reconheça seu erro. Seu erro, você sabe, que vamos perder a orientação e acabar nos dando mal na faculdade por causa disso. Quem sabe o que poderia acontecer se não tivéssemos orientação? Poderia ser ruim. Poderíamos acabar perdidos e confusos por quatro anos, destruindo nosso futuro porque perdemos algumas informações vitais que foram passadas exclusivamente durante a orientação. — Não vamos perder a orientação — diz ele, puxando o espelho retrovisor para baixo e verificando seu reflexo. — Oii? Poderia gastar menos tempo se arrumando e mais tempo, tipo, realmente dirigindo? — seu cabelo está uma bagunça. Desgrenhado, como se acabasse de sair da cama. Na verdade é meio que bonitinho. Mas eu não vou perder a faculdade só porque ele não teve tempo de arrumar o cabelo. Ou porque é bonitinho. Já perdi bastante do meu amor próprio. — Tipo, tudo bem — diz ele, fazendo uma imitação muito boa da minha voz. Ele sorri e puxa os óculos de sol que está em sua cabeça para os olhos. Liga o carro, que estala e para, e eu olho para ele em alarme. — Brincadeira — diz. Ele pisca e dá partida no carro. Ugh. Que besta! Como ele pode brincar em um momento como este? Quer dizer, mesmo se ele não está preocupado pelo fato de que vamos perder nossa orientação, ele ainda deveria estar afetado de que estamos indo nesta viagem e que nós terminamos. Há silêncio por alguns minutos enquanto ele sai da entrada da minha casa. Coloco a mão na minha bolsa e tiro meu livro, determinada a ignorá-lo. Estou lendo O Apanhador no Campo de Centeio pela milionésima vez, pensando que ele é: 1. engraçado; 2. sobre um menino que enlouquece, então não me sinto tão mal sobre mim mesma, e;

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3. não vou ter que me preocupar com compreendê-lo, desde que eu já o li um milhão de vezes. Eu me afundo mais no assento e o empurro para trás. — O que está lendo? — Jordan pergunta educadamente. — Como se você se importasse — bufo. Eu não acho que já tenha visto Jordan pegar um livro em sua vida. Eu alcanço e diminuo o volume do CD player do carro, que estava tocando algum tipo de rap ridículo. — Não posso me concentrar no livro. Ele dá de ombros. — Ei — digo, ao perceber que ele não está dirigindo pelo caminho certo. — Você não está indo pelo caminho certo. — Oh — diz ele. — Sim, eu sei. Pensei que poderíamos pegar café da manhã. — Ele diz isso como se não soubesse que vai me irritar, o que me irrita ainda mais do que se ele tivesse dito em tom de desculpas. — Mas eu tenho uma programação — digo, tentando não começar uma briga tão cedo no jogo. A última coisa que quero é tirá-lo do sério. — E já estamos atrasados. — Mas estou com fome. — Bem, você deveria ter comido antes de sair — digo. Se ele não estava tomando café da manhã, então o que estava fazendo? — Eu te disse — ele diz, — estava arrumando minhas coisas. — Bem, não importa — digo. — Você deveria ter planejado corretamente. — Olha, podemos parar bem rápido no Johni's Dinner — ele diz. — Podemos pegar a rodovia dali mesmo, e nem vamos sair muito do nosso caminho. — Sim, mas já estamos atrasados — digo, agitando o itinerário na frente de seu rosto. — Assim, nós devíamos, na verdade, tentar ganhar tempo, não ficar mais atrasados. — Olha, se a gente não parar agora, só vamos ter que... — o som de seu celular toca, o interrompendo. Ele o programou para tocar Sir Mix-a-Lot's Baby Got Back, que é muito brega, porque essa música é muito 1999. E ele nem mesmo gosta de bundas grandes. Acho que não. A menos que eu tenha uma bunda enorme e não saiba disso. Ele checa o identificador de chamadas brevemente e depois abre o telefone. Ele tem um daqueles telefones que também é um mini computador e reprodutor de mp3. É claro. Seus pais compram tudo para ele.

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— Ei — diz no fone, olhando para mim pelo canto do olho. Ele me pega olhando para ele, e eu me viro, me esticando até o banco de trás. Eu remexo em uma das minhas bolsas pelo CD que gravei ontem à noite. — Não, já estamos a caminho — diz Jordan, soando tenso. Provavelmente é sua garota do MySpace. Não sei exatamente o nome dela, ou qualquer coisa sobre ela, mas isso não é por falta de tentar. Eu procurei seu perfil no MySpace dele obsessivamente, mas não consegui encontrar nada. Você pensaria que ela teria deixado um comentário para ele ou algo assim, certo? Mas logo pensei que talvez ele tenha imaginado que eu iria procurar, então ele disse a ela para não deixar. Ou os deletou. E então, justo quando eu estava começando a realmente ficar obcecada, ele mudou a idade de seu perfil para 14, assim ninguém podia vê-lo. MySpace tem essa regra, onde se você tem catorze ou menos, seu perfil automaticamente fica privado, e somente as pessoas que você tem como amigo pode vê-lo. Então Jordan mudou sua idade e depois me tirou da sua lista de amigos! O que foi realmente uma coisa horrível de se fazer quando você pensa nisso, porque foi, tipo, um verdadeiro ato de agressão. Quer dizer, uma coisa é me deixar por outra garota, mas me bloquear no MySpace? Isso é grosseiro. Ele me bloqueou no MSN também. E eu nem mesmo podia ir e inventar um nome falso, porque ele tinha todos que não estavam em sua lista de amigos bloqueados. Mas sei que ela é de Tampa14 (a nova garota, quero dizer), e que ela vai pra Faculdade de Boston. Que supostamente é como ela o encontrou. Ela estava procurando perfis de MySpace das pessoas que iam para a faculdade de Boston. Estou surpresa que ele não tenha oferecido a ela uma carona. Como eu imagino a nova namorada de Jordan (Uma Ilusão Psicótica, por Courtney Elizabeth McSweeney): 1. Ela é loira. Eu tenho cabelo escuro e pele clara. (Apesar de viver na Flórida, eu tenho a tendência de queimar quando me sento no sol, o que é uma droga, porque todo mundo na escola está sempre bronzeado. Pelo menos em Boston, não vou ter de me preocupar com isso.) Ela também tem olhos azuis e pele escura. Ela se parece com uma daquelas meninas do Laguna Beach15. Não tenho ideia do porque acho isto, porque uma vez estávamos assistindo Laguna Beach juntos e Jordan me disse que pensava que todas as garotas desse programa pareciam iguais. Suponho que esse é o porquê imagino que ele me deixaria por alguém que era totalmente meu oposto, e isso inclui fisicamente; 2. Ela tem uma tatuagem de uma borboleta ou algum tipo de desenho rosa na parte inferior das costas. E usa muito jeans de cintura baixa; 3. Ela gosta de música pop, e adora ir dançar. Em minhas fantasias alucinadas, ela e Jordan estão sempre indo para farra. Ela é também um dos piores tipos de meninas, dessas 14

Cidade do estado da Florida. Laguna Beach foi um reality show americano que documentava a vida de diversos adolescentes em Laguna Beach, Califórnia. 15

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que todos os caras querem e ficam babando, mas é completamente digna de confiança e nunca faz nada por trás das costas de seu namorado; 4. Ela é rica; 5. Ela não é virgem, e ela e Jordan fazem por todo o lugar. De fato, ela quer fazer tantas vezes que Jordan nem mesmo consegue acompanhá-la. Ele está cansado o tempo todo. Ela sempre está arrancando as roupas e se atirando nele. Acho o CD na minha bolsa e mexo ali um pouco mais, tentando fazer de conta que estou procurando algo mais. A última coisa que quero é ele achando que estou escutando sua conversa com Mercedes (imagino que seja o nome dela), apesar de ser totalmente o que estou fazendo. — OK, legal — diz ele. Fecha o telefone e o deixa cair no console, entre nossos assentos. Eu mexo um pouco mais, me perguntando quanto tempo era o bastante para virar de volta sem ser óbvia. Pelo menos não disse, eu te amo, quando desligou. Embora talvez eles geralmente digam, mas ele não quis dizer isso na minha frente, já que temia que eu ficasse psicótica com ele ou algo assim. O que eu não teria feito. Ficar psicótica, quero dizer. Pelo menos não em voz alta. — O que está procurando? — pergunta ele. Embora possa ser um pouco cedo demais para eles estarem dizendo eu te amo um ao outro, não é? Quer dizer, eles só estão juntos há duas semanas. O pensamento de Jordan dizendo, eu te amo para outra garota me faz sentir como se quisesse vomitar. Eu me sento de volta rapidamente, segurando o CD. — Isso — digo a ele. Então meu telefone começa a tocar, e eu o ignoro, por que: 1. Acho que é rude falar pelo telefone celular quando você está no carro com alguém, e como quero me reservar ao direito de dar um sermão em Jordan sobre isso no futuro, não acho que eu deva ser hipócrita agora; 2. É provavelmente Jocelyn, chamando para me perguntar se estou bem, e ela vai fazer um milhão de perguntas, e não serei capaz de falar realmente com ela, porque só vou ser capaz de dar respostas monossilábicas, como sim e não e Jordan, obviamente, vai saber que estamos falando dele, caso contrário, porque eu estaria dando respostas monossilábicas? I Will Survive de Gloria Gaynor vem do meu telefone, e eu me xingo por não trocar meu ringtone antes desta viagem. Tão ridiculamente estúpido. Procuro pela minha bolsa o telefone, mas na hora que o encontro, ele para de tocar. E então começa novamente. — Vai atender ou o quê? — Jordan pergunta, parecendo irritado.

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— Sim — digo, — como, aliás, eu estou. — O que não faz sentido, porque cinco segundos atrás eu não ia atender, mas isso foi antes de I Will Survive sair do meu telefone, e agora eu quero que Jordan pense que estou bem, e que eu realmente gosto de música dos anos setenta. E sei que atender ao telefone vai aborrecê-lo, o que eu realmente, realmente quero fazer. Essa viagem está me deixando mentalmente exausta, e nós ainda nem cruzamos as linhas estatais. — Olá! — digo animadamente, sem verificar o identificador de chamadas. — Courtney? — Lloyd pergunta, soando como se acabasse de acordar. — Ei — eu digo, meu coração afundando. Loyd vai fazer ainda mais perguntas do que Jocelyn faria, e não há nenhuma maneira de que ele vá me deixar sair com respostas de sim ou não. Não é que Lloyd seja intrometido por natureza, nem nada. É só que ele vai estar super preocupado com o que está acontecendo comigo e Jordan. — Pensei que você me ligaria antes de sair — diz ele, bocejando. — Eu ia — digo, — mas era tão cedo, pensei em te deixar dormir. — Então, como vai? — pergunta ele. — Está no carro? — eu aperto o botão para baixar o volume no meu telefone, assim Jordan não será capaz de ouvir qualquer coisa da parte da conversa de Lloyd. Quem sabe que tipo de coisas constrangedoras ele estará propenso a dizer. — Hm, ahãm — digo, — estou. — Olho para Jordan do canto do olho. Ele está olhando para frente, suas mãos agarrando o volante. — Ele está agindo como um idiota? — Lloyd pergunta. — Uh, não, não realmente — digo, enquanto Jordan se estica e aumenta o volume do CD player em uns cinco níveis, tornando extremamente difícil ouvir Lloyd por cima do rap. — Provavelmente seja um pouco difícil para você falar agora, hein? Com ele aí e tudo mais? Você acha? — Sim, mais ou menos. — OK, bem, me ligue de volta mais tarde. Quando você estiver em uma parada de descanso ou algo assim. — Eu vou — prometo. Lloyd hesita, como se quisesse dizer outra coisa, mas então desliga.

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— Pode, por favor, parar com esse rap? — digo, fechando meu celular e o deslizando de volta na minha bolsa. — Era Lloyd? — pergunta Jordan, tentando parecer indiferente. Ele nunca gostou de Lloyd, principalmente porque no espírito de total honestidade da relação, uma vez cometi o erro de dizer a Jordan sobre a queda gigantesca que eu costumava ter por Lloyd. Tenho. Tive. Merda. A coisa é, a primeira noite que Jordan e eu saímos, eu estava pronta para dizer a Lloyd que estava a fim dele desde o ensino fundamental. E então algumas, uh, circunstâncias se puseram no caminho, e as coisas não saíram exatamente conforme o planejado. Mas então, Jordan teve que ir e me deixar por essa garota estúpida da internet, e Lloyd estava sendo tão solidário sobre a coisa toda, e aí na noite passada quando Lloyd e Jocelyn se aproximaram para dizer adeus, eu estava ficando toda nostálgica, e comecei a pensar como as coisas teriam sido se nunca tivesse conhecido Jordan. Você sabe, se Lloyd e eu tivéssemos acabado juntos. O que foi uma coisa realmente estúpida de começar a pensar, já que nunca se deveria começar a pensar no que poderia ter sido, e também nunca se deveria começar a pensar em outro menino quando você está arrasada com algum outro. Embora Jocelyn diga que a única maneira de esquecer alguém é ficar com alguém mais. Então comecei a pensar que talvez isso fosse verdade, e talvez eu precisasse ter encontros só para conseguir aquele jerk16 fora do meu sistema, porque, vamos enfrentar, Jordan foi meu primeiro namorado de verdade, e quem termina com seu primeiro namorado de verdade? Sim, ninguém. De qualquer forma, para encurtar a história, eu estava me sentindo nostálgica e Jocelyn foi embora mais cedo porque deveria ter o carro de sua mãe em casa lá pelas onze, e então era apenas Lloyd e eu, e logo antes de ir ele me deu um abraço de despedida, e eu o beijei. Eu sei. E então, em vez de se afastar, ele me beijou de volta, e isto se transformou em uma grande sessão de amassos, e quando ele foi embora, comecei a chorar, porque acabou que: 1. ficar com Lloyd foi estranho, e de modo nenhum como pensei que seria; 2. eu deveria ter ficado com ele antes, porque talvez então, e eu o teria superado bem antes; 3. acontece que a melhor maneira de esquecer alguém NÃO é ficar com outra pessoa, porque depois que Lloyd foi embora, senti falta de Jordan mais do que nunca. De qualquer jeito, agora é totalmente estranho, porque não sei o que vai acontecer em seguida. Especialmente desde que Jordan e eu pretendemos parar na Carolina do Norte amanhã para visitar Lloyd (ele está tomando um voo para CN ainda hoje), e o irmão de Jordan, Adam, que também vai para a escola em Middleton. Acho que em algum 16

Jerk quer dizer tanto “idiota” como “arrancar/puxar”, então ela faz esse joguinho com a palavra jerk dizendo que ela quer “aquela arrancada/ aquele puxão” fora do sistema dela, ao mesmo tempo se referindo a “aquele idiota” Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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momento Lloyd e eu vamos ter que conversar sobre a gente ter ficado, o que vai ser estranho. Ou talvez nós apenas nunca mencionemos isso de novo. Coisas assim acontecem o tempo todo, certo? Pessoas ficam, e logo percebem que foi um erro, e uma vez que seria muito estranho falar sobre isso, simplesmente não falam. — O que Lloyd está fazendo acordado tão cedo? — Jordan pergunta, sorrindo afetadamente. — Nada — eu estalo. Aperto o botão no estéreo e tiro o CD que está no player, que tem Gangsta Mix do Jordan escrito nele com marcador preto. Reviro os olhos e o substituo por meu CD. Wide Open Spaces das Dixie Chicks enche o carro, e Jordan revira os olhos. — Acostume-se com isso — digo, voltando para o meu livro. — Estamos escutando country. — Meio a meio — diz ele, sorrindo. — A música nesta viagem será meio a meio. — Ceeerto — eu digo. — Assim como nosso relacionamento, né? Ele não diz nada, mas quando passamos pela lanchonete, ele continua dirigindo.

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Jordan - Antes 125 Dias Antes da Viagem, 21h53

Courtney McSweeney está se esfregando em mim como estivesse em um vídeo número um do TRL. Chego ao redor e a puxo para mais perto de mim, nossos corpos se balançando ao som da música. Ela parece surpresa, mas pressiona seu corpo mais forte contra o meu. Ela é sempre tão tranquila em matemática. E definitivamente não se veste assim na escola. Pego o olhar de Madison do outro lado do cômodo e rapidamente olho para outro lado, como se eu tivesse esquecido quem é ela. Não estou sendo um idiota. Bem, ok, talvez esteja, mas isto é só um meio para o fim. O fim, é claro, conseguir Madison ficando comigo. — Ei — digo, me afastando de Courtney. — Quer uma bebida? — ela empurra o cabelo para longe do rosto e sorri. — Claro. — Ela se dirige para onde os coolers estão e eu a sigo. Sério, ela realmente não se veste assim na escola. Estou tendo um momento bem difícil em não encarar sua bunda. — O que quer beber? — pergunto, buscando em um dos coolers. O gelo deixa minhas mãos frias. — Tem refrigerante, cerveja... e é isso. — Vou tomar uma cerveja ― diz ela, soando insegura. Torço a tampinha de uma Corona e entrego a ela. Ela toma um gole. — Então — eu digo. A música está meio alta, e de repente percebo que agora vou ter que ser espirituoso e encantador para que Courtney pareça se divertir, assim fazendo Madison achar que estou flertando com ela. — Então — diz ela. Ela mexe com a borda de sua cerveja e olha para seus sapatos. Ótimo. Tão sociável esta garota. — Já começou a tarefa de matemática? — pergunto a ela, achando que é um assunto seguro. — Sim, na verdade já terminei — diz ela. Levanto minhas sobrancelhas e ela ruboriza. ― Só porque essa é a nota que estou preocupada. — Sério? — franzo o cenho. — Como assim?

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— Cálculo está me fazendo escorregar por alguma razão — diz ela. — Então tento terminar minhas coisas mais cedo, e então mando meu amigo Lloyd revisar. Ele é um gênio total da matemática. — Parece que sim, com um nome como Lloyd — bufo. Não estou tentando ser mesquinho, só engraçado, mas ela parece magoada. — Uow — digo. — Só brincando. — Está tudo bem — diz ela, olhando para longe. Pego o olhar em seu rosto, porém, o que me faz pensar que ela está, provavelmente, dormindo com ele. Ou gostaria que estivesse. — De qualquer forma — ela continua, — eu tenho que manter minha média em matemática alta, então me asseguro de terminar as tarefas mais cedo, assim meu amigo tem tempo de revisá-las. — Qual é o grande problema? — pergunto. — Você está na lista de espera ou algo assim? — todo mundo sabe que as notas que estamos recebendo agora realmente não têm efeito sobre o que acontece conosco. Até agora, as aplicações para as faculdades estão finalizadas e enviadas, e você está dentro ou não está. É surpreendente que alguém vá para a aula. Tomo mais um gole da minha cerveja e tento fingir que não percebo Madison me observando. — Não — diz ela. — Vou para Universidade de Boston. — Não brinca — eu digo, — eu também. — De repente tenho um pensamento horrível. ― Eles estão verificando as notas do nosso último ano? — Não sei — diz ela. — Só estou nervosa por causa dessa coisa com o garoto da UNC . — Dou um olhar em branco. Ela suspira. — Aquele garoto da UNC, não ouviu falar? Ele foi aceito e logo totalmente ignorou todas suas aulas. Eles retiraram sua aceitação desde que suas notas ficaram bem ruins. 17

— Tenho certeza que eles só tentavam fazer dele um exemplo — digo. — Quer dizer, sério. Eles não vão te expulsar da BU18 só porque sua nota em matemática é ruim. — Não tenho certeza se é verdade ou não, mas ela me parece do tipo que se preocupa com cada pequena coisa. E não posso a deixar parecer transtornada. Preciso parecer feliz, e como se eu estivesse bem perto de entrar em suas calças, o que assim, me deixará muito mais perto do meu objetivo principal, que é Madison. — De qualquer maneira — digo, decidindo que é hora de começar a fazer meu movimento. — Você é gatinha demais. Tudo o que tem que fazer é enviar a eles uma foto, e tenho certeza que eles não vão se importar se você se der mal em cálculo. — Ela ruboriza e eu a alcanço e toco seu braço. Com o canto do olho, vejo Madison deixar sua bebida e começar a se aproximar de nós. Sim. Missão cumprida.

17 18

UNC: University of North Carolina- Universidade da Carolina do Norte. Boston University- Universidade de Boston

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Antes que chegue aqui, porém, um cara usando uma camisa pólo listrada – alguém ainda realmente usa camisa pólo? – se aproxima de Courtney. — Ei — ele diz, tocando seu cotovelo. — O que está acontecendo? — Ei Lloyd — ela diz, seu rosto iluminando. Ah, o infame Lloyd. Ele parece como se fosse bom em matemática. Mas o que ele está fazendo aqui? Quer dizer, além de obviamente estar na festa. Madison pega sua bebida de volta e finge não olhar para mim. Merda. — Quem é esse? — Lloyd pergunta, me avaliando. — Este é Jordan — diz Courtney. — Ele está na minha sala de matemática. — Ele está na minha sala de matemática? Que tal eu só estava me esfregando nele como se não tivesse conseguido nada em meses? É bom saber onde estão suas lealdades. Tomo mais um gole da minha cerveja. — Ei — diz Lloyd, me olhando. — O que está rolando? — Não muito, cara — digo, me perguntando quando ele vai sair. Ele está estragando o plano. Tento parecer entediado em um esforço para fazê-lo ir embora. Não funciona. — Eu ainda tenho que te dar uma carona para casa, certo? — pergunta ele a Courtney, me olhando pelo canto do olho. Qual é o problema desse cara? Ele parece como se estivesse a um segundo de bater um taco de beisebol nos meus joelhos. Ou querendo fazer. Eu me pergunto se é assim como começam os seriais killers. Não era o Unabomber19 muito bom em matemática? — Certo — Courtney diz, lançando um olhar para mim, também. Tomo mais um gole da minha Corona. Ei, eles não têm que se preocupar por mim. A última coisa que preciso é ela esperando que eu a leve para casa. Como eu disse, ela é bem bonitinha, e seu corpo de matar, mas tenho a vista em algo mais. — Então, George, você é do penúltimo ano? — Lloyd pergunta, e eu reviro os olhos. Que joguete. Conheço caras como ele. Caras que mantém um monte de garotas ao redor, provocando-as, mas nunca realmente saindo com elas. Inclusive eles ficam zangados se alguém mais tenta fazer um movimento. O que eu não estou tentando fazer. Mas quando ele me chama de George, quase quero, já que eu sei que ele sabe meu nome. Um comentário não-tão-sutil. Legal, Lloyd. — Estou no último ano — digo, e deixo por isso mesmo. Há um silêncio embaraçoso.

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Theodore John Kaczynski, mais conhecido como “Unabomber” é um matemático norte-americano escritor e ativista político, condenado a prisão perpétua na sequência de uma série de atentados à bomba. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Então, ouça — digo, observando Madison pelo canto do olho. — Preciso voltar para meus amigos, mas foi legal dançar com você, Court. — Com você também — diz ela, e por um segundo, quase não faço o que estou prestes a fazer. Porque ela parece uma garota legal. Mas então vejo Lloyd me dando um olhar assassino, e posso dizer que Madison está me observando, então vou em frente. Dane-se, se eu vou para o inferno, será por ficar com Kendra Carlson na festa de formatura de seu irmão no verão passado e depois nunca ligar para ela de novo. — Então, posso pegar seu número? — digo, tentando parecer encabulado, como se não tivesse certeza que ela me daria. Ela parece chocada por um minuto, então eu acrescento rapidamente, — ah, me desculpe, vocês dois estão... — olho dela para Lloyd, embora eu saiba que de forma alguma eles estão juntos. Os olhos de Lloyd escurecem. Isso é o que você consegue por me chamar de George, Garoto Pólo. — Hum, não — diz Courtney, parecendo ainda mais confusa. — Não, eu não posso ter seu número? — digo, sorrindo para ela novamente. — Não, não estamos juntos — diz ela, mais vigorosamente desta vez. — E sim, você pode ter meu número. — As sobrancelhas de Lloyd se levantam pela surpresa. Será que ele realmente achava que ela ia dizer não só por causa dele? É óbvio que ela quer ele, mas qual é. Ela não está tão desesperada assim. Qualquer garota que dança do jeito que ela dança não vai ficar sentada esperando por um cara chamado Lloyd. Courtney toma uma caneta e papel da pequena bolsa presa ao redor de sua cintura e escreve seu número. Faço um grande show ao colocá-lo na minha carteira, apesar de não ter intenção de usá-lo. Isto é na sua maior parte para Madison me ver fazendo, embora mais tarde direi a ela que Courtney e eu ficamos em dupla para um projeto na escola, e eu só estava dançando com ela para ser agradável, e peguei o número dela para que pudéssemos trabalhar na tarefa. Ela não vai saber se é verdade ou não, mas, novamente, isso é parte da diversão. — Prazer em te conhecer, Lloyd — digo, olhando diretamente para ele. — E eu te ligo — digo a Courtney. — Mais tarde — diz ela, e penso brevemente sobre o que vai acontecer na escola na segunda-feira, quando eu me desfizer dela. Felizmente, ela se senta do outro lado da sala na aula de matemática. E não parece psicótica, o que sempre é um extra. Garotas psicóticas são um pé no meu saco. No ano passado beijei uma caloura na festa da piscina e ela não soltou minhas bolas por seis meses. Esse é o porquê minha política agora é não psicóticas, e não calouras. A coisa das calouras, obviamente, é fácil de evitar, enquanto que as psicóticas apresentam um pouco mais de problema. Não é como se as garotas andassem por aí com um sou louca estampado em seus peitos.

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Decido me dirigir ao redor da festa pelo caminho mais longo, e me aproximar sorrateiramente de Madison por trás. Quão demais seria isso, eu fazendo com ela o mesmo truque que ela fez mais cedo? Mas quando faço meu caminho através da multidão para onde Madison e seus amigos estão, o único ali é B. J. Seu chapéu de duende está manchando de cerveja e ele está sentado no chão, parecendo desanimado. — Cara — digo, me agachando ao lado dele. — Você tá legal? — Sim — ele diz tristemente. — Eu tô legal. Só bêbado. — Que droga. — Sim — ele concorda. — Ei, você não notou onde Madison Allesio e seus amigos foram, não é? — Não tenho certeza — diz ele, com uma aparência pensativa. Ele franze o cenho, tira o chapéu de duende da cabeça, e o torce nas mãos. — Acho que disseram algo sobre ir à casa do Jeremy Norfolk. ― Merda. Jeremy Norfolk também estava dando uma festa esta noite, e, aparentemente, Madison e seus amigos se mandaram enquanto deveriam me esperar. Estou impressionado a despeito de mim mesmo, e um pouco excitado. Qualquer garota que me abandona enquanto estou no processo de deixá-la com ciúmes é quente. — Quer ir no Jeremy? — pergunto a B. J. Ele olha para mim, seus olhos vidrados e a frente de sua roupa de duende encharcada de cerveja. — Sim — acena com a cabeça. — Cara, você tá acabado — digo. — Não vai a lugar algum, a não ser para casa. Vamos lá. ― Tento ajudar B. J. a se levantar sem realmente ficar muito perto dele. De jeito nenhum quero sair com a Madison cheirando como um duende bêbado. Vinte minutos mais tarde, depois de conseguir café em um drive-thru para B. J. e levá-lo para casa, decido parar na minha casa para reaplicar minha colônia e matar um pouco de tempo. Não posso deixar Madison pensando que eu me mandei depois dela assim que percebi que ela tinha ido embora. Há um carro desconhecido na entrada. Meu pai está fora da cidade, então assumo que é um dos clientes de minha mãe – ela é uma advogada, e às vezes quando está no meio de um caso grande, leva clientes para casa. Abro o porta-luvas e tiro um chiclete, estourando-o na minha boca só no caso de eu cheirar a álcool. Só tomei umas duas cervejas, mas a última coisa que preciso é parecer embriagado e desordeiro na frente da minha mãe e um de seus clientes. — Mãe! — eu chamo, me movendo pelo vestíbulo, e tentando calcular quanto tempo minha mãe estaria de pé e trabalhando. Ela tem um sono pesado, e nossa casa é

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grande o suficiente para que se minha mãe estiver dormindo, eu totalmente poderia trazer Madison aqui comigo mais tarde. — Estou em casa. Ouço um pouco de tumulto e sussurros vindos da sala de estar. Viro a esquina, e é aí quando vejo. Minha mãe. No sofá, com sua blusa desabotoada. Tem um cara ao lado dela, SEM a camisa. E não é meu pai. Por um segundo, eu só fico ali. — Jordan — minha mãe diz, ajeitando o cabelo. Ela fecha a blusa. — Não pensei que você estaria em casa até muito mais tarde. — Obviamente — digo, avaliando o cara com quem ela está. Ele não parece envergonhado. Em vez disso, parece quase satisfeito. Ninguém se move. Só esperamos, sem dizer nada. — Tá tudo bem — digo finalmente. Eu me viro e volto para a porta. — Na verdade eu ia voltar a sair de qualquer maneira, então... ― deixo nisso, sem muita certeza do que deveria dizer. — Você não tem que ir — diz o cara. Ele se levanta do sofá. — Eu já estava saindo de qualquer maneira. — Eu sei que não TENHO que ir — digo, me virando, — eu moro aqui. — Jordan... — minha mãe começa, mas me viro em meus calcanhares e saio para o meu carro. Bato a porta da minha caminhonete e subo o volume da música. Alto. Sento ali por um segundo, esperando minha mãe vir correndo atrás de mim, para explicar, para me dizer que foi um estranho mal entendido. Mas ela não vem. Depois de uns minutos, baixo a música e saio da entrada de casa. Não tenho ideia para onde estou indo ou o que vou fazer. Não estou mais com estado de ânimo para perseguir Madison, e B. J. definitivamente está fora de combate por essa noite. E todos meus outros amigos provavelmente estão na festa do Jeremy. Dirijo sem rumo por alguns minutos, e então me lembro do número de Courtney McSweeney, escrito em um pedaço de papel na minha carteira.

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Courtney – Antes 125 Dias Antes da Viagem, 23h37

Então eu amarelei. Sobre contar ao Lloyd, quero dizer. Mas não foi mesmo minha culpa, porque quando nós deixamos a festa, nós encontramos Olivia Meacham do lado de fora e ela estava toda para cima do Lloyd em uma daquelas maneiras, eu estou deixando claro que você pode transar comigo se você quiser. O que eu jamais poderia compreender. Como garotas podiam fazer aquilo, quero dizer. Eu estou sempre apavorada por dar a um menino uma ideia que eu posso gostar dele, então eu compenso em demasia fingindo que eu não gosto. Como essa noite, por exemplo. Eu realmente queria dançar com Jordan. Mas eu hesitei por que: 1. Eu pensei que fosse parecer estúpida. O que eu provavelmente pareci, mas esperançosamente todo mundo estava muito bêbado para notar; 2. Eu não queria que ele pensasse que eu o queria. Porque eu não quero. Eu quero Lloyd. Mas a questão é, não importa quem seja, um cara que eu goste ou um cara que eu não goste, eu não quero que eles achem que eu gosto deles. Seja como for. Havia Olivia Meacham, usando uma saia de brim desfiada que eu experimentei uma vez em Hollister com Jocelyn e então vetei porque era muito curta, e uma frente única que mostrava sua barriga. Custou-me, oh, sei lá, cinco anos para tomar coragem para sequer pensar em falar para Lloyd que eu gosto dele. Olivia transferiu-se para nossa escola por volta do natal e três meses depois ela está praticamente fazendo sexo oral nele nessa festa. De qualquer forma, Lloyd começou a cantar Olivia e a próxima coisa que eu me lembro é que ela estava no carro conosco e Lloyd nos dava uma carona para casa. E Lloyd me deixou em casa primeiro. O que foi um pouco estranho, uma vez que ele fez toda a produção para ter certeza que eu iria para casa com ele, quando esse nem mesmo era o plano, para começar. Mas eu não sou idiota. Eu sei que você sempre deixa primeiro aquele que está segurando vela. Então aqui estou eu, em casa, sozinha e isso é uma grande decepção. Eu realmente queria contar a ele. E eu nem posso lamentar sobre isso com Jocelyn, porque ela não está atendendo seu telefone ou respondendo minhas mensagens de texto.

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E com certeza ninguém está no MSN, porque todo mundo ou está dormindo ou saiu. Eu baixo algumas músicas do iTunes e então decido ver se Jordan tem um MySpace. Não porque eu goste dele ou algo assim. Mas porque eu estou curiosa. Jordan Richman, eu digito na barra de pesquisa e o perfil dele aparece na tela. A música que ele escolheu é, Vamos todos ficar bêbados esta noite do Afroman. Encantador. Eu rolo por suas fotos. Uma dele na escola, saindo da quadra, uma dele com seu irmão, Adam, que eu reconheço porque ele era um aluno do último ano quando nós éramos calouros. E algumas de Jordan com garotas. Sério, ele tem tipo umas dez fotos dele com garotas. As garotas não perdem a cabeça por estar na página dele com um monte de fotos de outras garotas? Eu me pergunto. Aperto o botão voltar e verifico seus amigos. 789 amigos. Completamente o tipo popular, esse Jordan. Eu tenho 117. Rolo pelos comentários. Parece que ele e Louca loucaa Madison estão flertando muito no MySpace. Eu vou e volto nos perfis deles, lendo-os. O que você está usando? Jordan perguntou a ela. Por que você não vem aqui e eu te mostro, Madison respondeu. Piada. Eles não podiam pensar em nada melhor do que isso? Que fraco. Meu celular toca e eu o pego, esperando que fosse Jocelyn me retornando. Mas o identificador de chamadas mostra um número que eu não reconheço. — Alô? — Court? — É a Courtney — eu digo, segurando o telefone com meu ombro e rolando pelas fotos de Madison, a maioria das quais a mostravam fazendo bico para a câmera e usando roupas de banho. E ela não estava na praia ou na piscina em nenhuma delas. — Ei — a voz diz, soando nervosa. — É o Jordan. — Oh — eu digo. — Hum, oi. — Eu fecho o navegador, me perguntando se de alguma forma ele viu que eu estou no seu perfil e me ligou agora para me pedir para parar de persegui-lo. — Você não estava dormindo, estava? — Não, de modo algum — eu digo. — Eu acabei de chegar em casa. — Legal — ele diz e então fez silêncio. — Então, hum, o que você está fazendo? Voltando da festa? — oh, sim, realmente ótimo. Obviamente ele está voltando da festa ou ele não estaria me ligando. É por isso que eu nunca tive um namorado. Porque enquanto outras garotas estão usando frentes únicas Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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e deixando mensagens de paquera nos perfis do MySpace dos outros, eu estou falando pérolas como, Então, hum, o que você está fazendo? — Dirigindo por aí — ele diz. — Eu deixei B. J. em casa e então ia para essa outra festa, mas não estou com humor para isso. — Legal — eu digo. — Mas por que você está dirigindo por aí à... — eu olho o relógio, — meia-noite? — Sei lá — ele diz, soando confuso. — Apenas pareceu apropriado. — Hum, ok — eu digo. — Então — ele diz. — Onde você mora? — Onde eu moro? — eu digo, caindo na cama. — Jordan, eu não posso te dizer isso! Tecnicamente, você é um estranho. — Eu não sou um estranho — ele diz. — E além do mais, se eu não souber onde você mora, eu não posso buscar você. — Me buscar? — eu digo, engolindo. — Sim — ele diz. — Para tomar café da manhã comigo. — Como você sabe que eu estou com fome? — pergunto, pensando sobre as fotos dele no perfil do MySpace e me perguntando se todas aquelas garotas receberam um convite para tomar café da manhã, também. Eu me pergunto se essa era uma daquelas competições estranhas que os garotos têm. Como essa coisa que eu li sobre os garotos da faculdade que inventam esses jogos para ver quem consegue dormir com a garota mais fantástica. Era realmente, realmente nojento. Talvez Jordan e seus amigos tenham algum tipo de competição de fotos no MySpace. Se ele acha que vai tirar uma foto nossa, ele está enganado. — Bem, você está? — Morta de fome, na verdade. — Eu estou com fome. Mas isso não significa que eu vá tomar café da manhã com ele. Quero dizer, alô? Não é assim que as pessoas são perseguidas e mortas? Elas escapam no meio da noite para encontrar algum cara sobre quem elas não sabem nada a respeito e a próxima coisa que você sabe é que ninguém mais ouve falar delas de novo. — Então está tudo resolvido — ele diz. — Onde você mora? Eu hesito. — Courtney? — ele diz. — Por favor? — e alguma coisa na forma que ele disse meu nome me faz pensar que ele realmente, realmente quer que eu vá. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Eu suspiro e pego o jeans que está no chão. — Mil duzentos e trinta e cinco, Whickam Way — eu digo. — E é melhor você pagar. **** — Estava tão bom — eu digo uma hora depois, empurrando meu prato. — Eu não consigo acreditar que comi tanto pela manhã. Definitivamente não foi uma boa ideia. — Ahh, tudo bem — ele diz. Ele se debruça e usa seu garfo para cortar um pedaço de panqueca que sobrou no meu prato. Ele enfia na boca. — Como você pode querer comer mais alguma coisa? — eu digo. Ele comeu três panquecas amontoadas com morango e creme de chantily, três pedaços de bacon, três salsichas, batatas fritas, e agora ele está comendo o que sobrou da minha comida. — Eu estou com fome. — Ele dá de ombros e pega a conta que a garçonete deixou sobre a mesa. Ele tira uma nota de vinte de sua carteira. — Quanto eu devo? — pergunto. Pego minha bolsa e procuro minha carteira. — Não — ele diz. — Não se preocupe com isso. — Não — eu digo. — Absolutamente não. Eu não vou deixar você pagar. — Por que não? — ele pergunta, cortando outro pedaço de panqueca para ele. — Eu forcei você a sair de casa à meia-noite, é o mínimo que eu posso fazer. — Você não me forçou — eu digo. Ele dá de ombros. — Bem, que seja. Eu vou pagar. — Obrigada — eu digo, colocando minha carteira de volta em minha bolsa e repentinamente me sentindo envergonhada. Eu sei que brinquei com ele no telefone sobre ele pagar, mas mesmo assim. Isso significa que foi um encontro? Quem vai a um encontro à meia-noite com um cara que encontrou numa festa? É muito estranho. É assim que as coisas funcionam? As garotas escolhem caras aleatoriamente e então vão a encontros com eles? Eu acho que sim, uma vez que Olivia Meacham atraiu Lloyd essa noite em dois segundos. Apesar de que, tecnicamente, Jordan me escolheu, não o contrário. — Então — Jordan diz, levantando-se. — O que você quer fazer agora? — O que eu quero fazer agora? Hum, no caso de você não ter notado, são uma da manhã. — E? — ele diz, sorrindo. — É cedo. Oh, a menos que seus pais precisem de você em casa, ou algo assim. — Oh, não — eu digo. — Nada disso. — A verdade é que meus pais ficariam felizes por eu ter saído. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Meu pai, especialmente. Ele está sempre tentando me fazer sair mais, ao invés de apenas ficar em casa, fazendo trabalhos da escola ou jogando no computador. — Meus pais confiam totalmente em mim — eu digo a Jordan. Eu me debruço sobre a mesa e tomo um gole do meu chocolate quente, depois pego dois envelopes de açúcar do recipiente sobre a mesa e despejo-os na minha xícara. — Isso é por ter sido santinha pelos primeiros dezoito anos da minha vida. Eles se recusam a acreditar que eu possa fazer algo de errado, então eles me deixam fazer o que eu quiser. — Então você construiu a confiança deles num ponto em que eles nem mesmo consideram a ideia da filha deles mandar mensagens de texto enquanto ela deveria aprender cossenos, certo? Eu quase cuspi meu café. — Ei — eu digo, — como você sabe disso? — eu passo quase toda a aula de matemática mandando mensagem de texto para Jocelyn, uma vez que ela tem tempo vago. Eu normalmente entendo bem matemática por ter lido os capítulos na noite anterior e Lloyd ainda revisa todos os meus trabalhos, então não é como se eu estivesse mesmo perdendo alguma coisa. Mas como Jordan sabe disso? — Eu fico em um ângulo perfeito para ver você tirar seu telefone — ele diz, sorrindo. — Você faz isso bem disfarçadamente, escondendo-o sob o bolso do seu moletom com capuz. O qual, a propósito, você sempre coloca exatamente antes da aula de cálculo, para que você possa mandar mensagens de texto. — Todo mundo manda mensagens de texto na aula — eu digo, dando de ombros. É estranho saber que ele me observava, que ele sabe algo sobre mim. Graças a Deus ele não sabe exatamente sobre o que eu falo com Jocelyn nas mensagens de texto, porque acredite em mim, ele enlouqueceria. Vamos apenas dizer que as palavras Lloyd e sexo são muito usadas. Não que eu esteja transando com Lloyd. Ou queira transar. Eu apenas gosto de falar sobre isso. Muito. — Enfim — eu digo, enquanto a garçonete chega e joga o troco em nossa mesa, — obrigada pelo café da manhã. Jordan deixa $5 na mesa e coloca o resto do dinheiro de volta em sua carteira. Então ele dá boas gorjetas. Isso é quente. — Então, o que você quer fazer agora? — Jordan pergunta, levantando-se. — O que eu quero fazer agora? — eu digo. Checo meu relógio. — Bem, uma vez que temos menos de vinte e um, acho que nossas escolhas são casa ou casa. — Super Wal-Mart está aberto — Jordan diz, segurando a porta aberta para mim. — E eu ouvi que eles estão tendo uma liquidação de moletons. Você poderia comprar outro. Você sabe, para ajudar na sua matemática.

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— Oh, sim, ótimo plano — eu digo. — Em nosso primeiro encontro você me leva para tomar café uma hora da manhã e depois para o Super Wal-Mart. Que romântico. — Ele parece desconfortável por um segundo. — Não que seja um encontro ou algo assim — eu acrescento rapidamente. — Eu estava só brincando. — Oh, meu Deus, eu poderia ter sido mais idiota? Quem diz isso? Referir-se a uma ligação aleatória de um garoto que ela nem mesmo conhece como um encontro? Isso não é um encontro. Encontros são quando o cara liga para você com dias de antecedência para marcar algo e aparece na sua casa, conhece seus pais e então te leva a algum lugar. E todo mundo sabe que você nem mesmo deve aceitar um encontro para o fim de semana depois de quarta-feira, porque então você pareceria desesperada, certo? Ou é na quinta-feira? Que seja; a questão é, isso não era um encontro. Na verdade, eu não tenho certeza do que seja. Se eu não descobrisse nenhuma definição melhor eu diria que é uma ligação para ter sexo. Ligações para sexo sempre acontecem à uma da manhã. Mas com ligações para sexo você não deveria ter direitos? Tipo, o ponto numa ligação para sexo é ficar nu no mesmo momento, não ficar enrolando com formalidades como jantares e encontros. A menos que isso seja uma ligação para sexo, e eu não saiba. E Jordan está tentando me enganar para ficar nua me levando para tomar café da manhã primeiro, para depois, quando eu disser, Isso é uma ligação para ter sexo! ele poderá dizer, Não, não é, nós tomamos café da manhã. — Então — Jordan diz uma vez que estamos na rua. — Você realmente vai para casa? — Sim — eu digo, pensando nos comentários do MySpace que ele e a Louca Maddy trocaram menos de vinte e quarto horas atrás. — Eu realmente devo ir para casa. — Por um segundo, eu espero que ele vá me convencer a voltar a esse lugar, ou pior, estacionar o carro no estacionamento do Super Wal-Mart para que pudéssemos andar sem destino. Quero dizer, por que mais ele me convidaria para sair? Como eu disse, não é um encontro e se isso não era uma ligação para ter sexo, então que diabos era? Ele estaciona em minha garagem. — Tem certeza que você mora aqui? — ele pergunta, deslizando o carro para a garagem, mas mantendo o motor ligado. — Absoluta — eu digo. Tiro as chaves da bolsa. — Eu tenho chave e tudo. — É que a caixa de correio diz Brewster, e seu último nome é McSweeney. Então eu tenho que me certificar que você não está envolvida em nenhuma atividade ilegal, onde eu possa ser implicado por ter saído com você esta noite. — Que tipo de atividade ilegal? — pergunto. — Invadir casas de pessoas para dormir? — Bem, poderia ser qualquer coisa — ele diz, recostando-se em seu assento e fingindo parecer pensativo. — Esse poderia ser seu quartel-general para seu grupo do tráfico de drogas. E todas aquelas mensagens que você manda na aula de matemática Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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estão relacionadas aos negócios e devem ser enviadas durante o oitavo período por causa do fuso-horário de certos países da América do Sul. — Sim, eu sou totalmente traficante de drogas — eu digo, revirando meus olhos. — Estou surpresa que seu amigo B. J. não te contou sobre mim, ele é o meu maior cliente. — Touché — Jordan diz, sorrindo. — Não, mas sério, a verdade não é assim tão suspeita — eu digo, olhando para longe por um segundo. — Eu tenho um último nome diferente dos meus pais. — Oh — ele diz. — Eu estou um pouco desapontado que seja algo tão normal. — Talvez eu te conte sobre isso algum dia — eu digo, abrindo a porta. Embora se você realmente quer saber a verdade, você não vai querer ir embora. O que é loucura. Quero dizer, este é Jordan Richman. Ele realmente não faz o meu tipo. Na verdade, eu não sou o tipo dele. Ele gosta de garotas como Olivia e Madison, garotas que são super confiantes em volta de garotos e que têm uma lista de conexão para dar suporte. Minha lista de conexão é mais ou menos assim: 1. Beijei o primo de Jocelyn, Justin, durante a festa de aniversário dela na sétima série num jogo da verdade. Ele estava com os lábios oleosos. Nenhuma língua foi envolvida. 2. Nona série – fui a dois encontros com Paul Gilmore (uma vez no cinema e uma vez a um jantar no restaurante do pai dele, o que eu não tenho certeza que realmente conte, uma vez que ele não teve que pagar). Feito (beijar de língua) durante cada encontro, o que era um pouco vergonhoso, já que em uma das vezes estávamos no cinema e na outra na cozinha do restaurante do pai dele. 3. Passei uma parte do último ano saindo com Blake Letkowski, embora ele nunca tenha sido meu namorado. Ele fumava. Ele não prestava. Mas ele beijava muito bem. Jordan retira seu cinto de segurança e sai do carro. — Deixe-me levar você até a porta — ele diz. — Oh, não, tudo bem — eu digo, pulando para fora antes que ele pudesse protestar. A última coisa que eu quero é algum momento estranho na minha porta, onde ele tentasse conseguir entrar em minha casa para que ele pudesse tentar desvirginar-me. Eu viro e olho para ele no carro novamente. — Obrigada novamente pelo café da manhã, Jordan. — O prazer foi todo meu — ele diz. — Então, hum, vejo você na escola na segunda-feira — eu digo, percebendo que é verdade. Eu ia vê-lo na escola na segunda-feira. O que é estranho. Pensar em vê-lo na escola, quero dizer. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Até mais — ele diz e bate a porta do carro. Ele espera até que eu esteja segura dentro de casa antes de ligar o carro e tirá-lo de minha garagem. Eu o observo da janela de minha sala de estar, perguntando-me o que diabos acabou de acontecer e como eu terminei saindo para tomar café da manhã com Jordan Richman.

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Courtney - A Viagem Dia Um, 11h56

Nós não dissemos uma palavra um para o outro pelas últimas duas horas. Eu estou faminta, mas eu não podia admitir isso agora, uma vez que eu deixei bem claro que não queria comer antes. Mas sério, eu poderia sair para comer um hambúrguer. Um enorme, pingando maionese e ketchup. Eu estive virando páginas do Apanhador no Campo de Centeio pelas últimas duas horas sem na verdade ler nada daquilo. Eu sei, ridículo. A coisa boa é que uma vez que eu já li esse livro tantas vezes, não importa, porque eu já sei o que vai acontecer. Meu CD ainda está tocando. Essa é a terceira vez que está repetindo e eu já estou ficando enjoada das músicas. Mas eu calculo que se Jordan está fazendo um esforço para ser legal, eu não vou desligá-lo. Quero dizer, é ouvir esse CD o tempo todo ou colocar um CD de rap e isso não vai acontecer. É meio estranho, estar no carro e não dizer nada um para o outro. É como um tipo de filme de suspense. Ou como estar num universo alternativo, onde nós não somos realmente Jordan e Courtney, mas outras pessoas que não se falam. Meu estômago ronca muito alto e eu vejo Jordan mostrar um sorriso forçado. Mas não para provocar. Mais num estilo, não é fofo? Por um segundo, eu sinto uma forte dor em meu estômago, quase como se eu fosse chorar, mas então eu começo a ficar um pouco louca. Ele não tem o direito de fazer cara de, isso não é fofo? para mim. — Que seja — eu digo. — Como se seu estômago nunca tivesse roncado. — Só é engraçado — ele diz. — Eu não vejo por quê. — Porque obviamente você está com fome e, apesar disso você não disse nada porque está com medo de não manter o itinerário, porque se nós passarmos nem que seja só um pouquinho, você vai achar que perdeu ou algo assim. E você odeia perder. — Isso não é verdade — eu digo, mesmo sendo totalmente verdade. Bem, mais ou menos. Não é que eu pensasse que teria perdido, é só que eu não quero dar a ele a satisfação de pensar que ele está certo. Além disso, o itinerário dizia que iríamos parar em uma hora e meia e eu certamente podia esperar até lá. Eu não vou pensar nisso. La, la, la. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Não vou pensar em hambúrgueres. — É verdade — ele diz sem rodeios. — Você prefere morrer de fome a me dar razão. — Que seja — eu digo. — Eu não estou com tanta fome. Dois minutos depois, ele estaciona em uma parada de descanso. — Aqui — ele diz, colocando o carro na vaga. — Agora tecnicamente você não cedeu e mesmo assim nós podemos comer. — Ele ri, seus olhos castanhos brilhando. — E eu também estou com fome. Eu quase protesto, mas ao invés disso eu só tiro o cinto de segurança e deslizo para fora do carro. Sinto como se quisesse chorar de novo, o que era tão, tão ridículo. Quero dizer, não é como se estivéssemos juntos por tanto tempo. Quatro meses não são nada. Quatro meses são como, menos do que um monte daqueles realities shows da TV. E aquelas pessoas vivem juntas. E então provavelmente nunca mais conversam. Além disso, e as pessoas que se divorciam? Como pessoas que são casadas a dez ou quinze anos e depois nunca mais se falam? Algumas delas até mesmo se casam novamente. E então alguém fala, Ei, o que aconteceu com seu primeiro marido, Harry? E elas falam, Oh, Harry, sim, eu me esqueci dele. Não tenho certeza. Acho que ele deve estar circulando por algum cassino em Vegas. As pessoas vêm e vão, entram e saem da vida de outras pessoas como se não fosse nada. Então eu não sei por que isso deve ser um problema. Eu sigo Jordan, o que é muito estranho. Eu não posso caminhar perto dele, porque isso é muito, você sabe, coisa de casal, mas andar atrás dele é estranho também, porque parece que eu não estou andando ao lado dele de propósito, o que pode fazê-lo acreditar que ele realmente está me afetando, o que eu definitivamente não quero. Que ele me afete, quero dizer. Ou que ele pense que está. Porque obviamente ele está me afetando. Quando entramos, ele se dirige à fila do Burger King, e eu vou ao Sbarro. Na verdade, eu também quero Burger King, mas de jeito nenhum eu ficarei naquela fila gigantesca com ele enquanto tentamos conversar. Ou pior, ficar lá apenas em silêncio. Eu trouxe meu livro comigo, então esperançosamente enquanto estivermos comendo, eu poderei ler e ele poderá comer e olhar para o chão. Eu peço um calzone20 de salsicha antes de perceber que eu poderia ter pedido a salada de frango grelhada, uma vez que agora que eu não tenho namorado, eu preciso me certificar de não ficar gorda. Eu tenho comido bastante ultimamente e com o peso que ganhamos no começo da faculdade praticamente garantido, eu preciso me certificar de pelo menos fazer algum esforço para comer de forma saudável. Se eu não me conhecesse Calzone é um prato da culinária italiana, muitas vezes referido como uma pizza recheada. Consiste em um disco de massa igual à da pizza, redondo, dobrado ao meio formando uma meia-lua e recheado com queijo mussarela, parmesão ou ricota, molho de tomates, verduras ou legumes e carnes processadas como lingüiça, presunto ou lombo defumado. 20

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tanto, eu começaria a pensar que estou grávida, por causa de toda a comida que eu tenho comido. Mas eu sei que não estou, porque Jordan e eu nunca realmente fizemos. A única vez que eu cheguei perto de fazer foi em Miami, logo antes de terminarmos. Pensar nisso me faz sentir nojo, e eu quase vomitei meu calzone de salsicha numa lata de lixo que estava próxima a mesa. Mas então percebo que se eu não comer nada, Jordan vai querer saber por que e então o que eu vou dizer? Porque estou chateada demais por você ter terminado comigo para comer. Eu acho que não. Apesar da enorme fila do Burger King, Jordan já está sentado na mesa quando eu chego e então eu sento em frente a ele. — Ei — ele diz, desembrulhando seu hambúrguer. — O que você escolheu? — Calzone de salsicha — eu digo, colocando o canudo na minha coca diet. Eu pego minha bolsa e tiro meu livro. — Você está brincando, não é? — Jordan diz, elevando suas sobrancelhas. — Não — eu digo. — Eu realmente pedi um calzone de salsicha. — Por que eu brincaria sobre isso? — Falo do livro — ele diz. Ele dá uma mordida em seu hambúrguer e lambe os lábios. Eu desvio o olhar rapidamente, porque uma onda de calor começa entre as minhas pernas e sobe pelo meu corpo. Que ridículo. Eu ficar excitada só por assisti-lo lambendo seus lábios. Especialmente porque ele é um idiota. — O que tem? — Você vai ler seu livro durante o lanche? — Sim, esse é o plano — eu digo. — Ridículo — ele diz, dando de ombros. Ele abre sua soda e toma um bom gole. Jordan nunca usa um canudo. Ele diz que é porque ele não consegue beber soda o suficiente desse jeito. Eu costumava achar isso fofo. Aparentemente eu ainda acho, porque eu continuo ficando excitada só de olhar para ele. — Por que isso é ridículo? — eu pergunto, franzindo a testa. — É só um pouco rude. — Ele dá de ombros novamente. — É, eu não acho que devêssemos entrar numa conversa sobre o que é rude ou não — eu digo. — Ou quem é mais rude. Porque eu sinto que venceria essa discussão. — Ele se mexe em sua cadeira desconfortavelmente. Bom. Eu corto um pedaço do meu calzone e jogo em minha boca. Eu olho para o meu livro e tento me concentrar nas palavras.

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De repente, o celular de Jordan começa a tocar Baby Got Back de novo. Ele olha o identificador de chamadas, franze a testa e então manda a ligação para a caixa postal sem atender. — Não deixe de atender por minha causa — eu digo. — Isso não me incomoda. — Eu pensei que incomodasse — ele diz. — No carro, você agiu como se incomodasse. — Bem, não me incomoda aqui — eu digo, mastigando e engolindo, mesmo que o calzone tenha um gosto engraçado na minha boca. — No carro, você não devia falar no telefone, mas aqui tudo bem. Além disso, eu estou lendo. — Eu me forço a dar outra mordida no calzone, e viro a página do meu livro. — Não era importante — ele diz. — Que seja. — Dou de ombros. — Se fosse, eu teria atendido — ele diz. Ele dá outra mordida em seu hambúrguer. E lambe os lábios novamente. Meu estômago dá uma sacudida. — Bom — eu digo. — Porque eu espero que você não deixe de atender a ligação de sua namorada só por minha causa. — Merda. Merda, merda, merda. Por que eu disse isso? Por que eu trouxe a temida palavra com N? Ela ecoa a nossa volta, como um eco. Namorada, namorada, namorada. Nós nunca falamos sobre a nova namorada dele. Na verdade, desde que terminamos, nós não conversamos sobre nada. Ok, fique calma. La, la, la, fingir que eu não disse nada. — Não era minha namorada — ele diz, olhando diretamente para mim. Eu treino manter minha cara completamente inexpressiva. Como se eu estivesse num daqueles torneios de pôquer e houvesse milhões de dólares em jogo, e se meu rosto denunciasse minhas emoções, então eu perderia tudo. Eu olho em frente. Penso em coisas que não me deixem emotiva. Hum. Provas de espanhol. Baseball. Sapatos rosa. Na verdade, eu amo sapatos rosa. — Oh — eu digo, porque alguém precisava dizer alguma coisa. — Eu só quero que você saiba que não tem que deixar de atender por minha causa. Se, você sabe, ela acabar ligando. — Eu sou tão doce. — Obrigado — ele diz, parecendo confuso. — Você não está com fome? — ele olha para meu calzone de salsicha e, uma vez que eu não quero que ele pense que eu perdi meu apetite por pensar na namorada vulgar dele, eu como a coisa toda, mesmo que tenha um gosto desagradável. A salsicha parece borracha e o queijo tem gosto de plástico. — Uau — Jordan diz. — Você realmente está com fome.

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— Sim — eu digo, tomando um grande gole da minha bebida. — Ótimo calzone. — Não. E então eu faço algo tão ridículo, mas não posso me conter. É uma daquelas coisas que você sabe que não deve fazer, mas você tem que fazer. Tipo como na formatura, quando eu gastei cinquenta dólares para fazer as unhas (aquelas de acrílico, realmente fofas, que parecem de verdade se você comprar as caras), e enquanto Jocelyn e eu estávamos no banheiro reaplicando nosso batom, uma das minhas unhas parecia um pouco solta, então eu a tirei com uma lixa de unha. Foi uma ideia estúpida, porque eu tive que passar o resto da semana com uma unha faltando. Mas não pude me conter. E é exatamente assim agora. — Então — eu digo, — como vão as coisas? Você sabe, com, hum, sua namorada? — eu tento dizer como se eu estivesse perguntando por que quero que ele seja feliz, mas tenho medo que tivesse parecido mais como se eu estivesse bisbilhotando. Como já comi todo o meu calzone, eu tomo um gole da soda para parecer indiferente. — Bem — ele diz, mexendo-se em sua cadeira. — Bom — eu digo. — Fico contente. — Meu estômago embrulha e eu não sei se é a comida gordurosa ou o fato de pensar em Jordan com outra garota. — É — Jordan diz. — E, uh, eu acho, você e Lloyd? — O quê? — eu digo. — Você e Lloyd — ele diz. — Vocês têm algo agora? — É — eu digo, — nós temos algo agora. — Oh. Meu. Deus. Eu não consigo acreditar que disse isso. Eu e Lloyd não temos nada. Bem, eu acho que temos tanto quanto alguém que transa com alguém em seu quarto. Oh, meu Deus. Sou uma piranha? Eu acho que sou uma piranha. Quero dizer, quem deixa um cara qualquer levantar sua blusa quando está apaixonada por outra pessoa? Não que Lloyd seja realmente um cara qualquer. Quero dizer, eu o conheço desde sempre. E desejo-o pelo mesmo tempo. Então talvez seja bom eu tirá-lo do meu sistema. Porque como eu disse, dar uns amassos em Lloyd foi… estranho. Mas talvez seja só porque nós não estamos acostumados um ao outro. Eu não tenho muito com o que comparar isso, exceto por Jordan. E a primeira noite que eu e ele demos uns amassos foi estranho, porque foi tão casual. Mas depois melhorou. Os amassos, quero dizer. Porque nos acostumamos um ao outro. Talvez Lloyd e eu apenas tenhamos que nos acostumar um ao outro? — Espere — eu digo. — Como você sabe que Lloyd e eu temos algo? — B. J. me contou — ele diz.

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— Como B. J. sabe? — pergunto, esfregando minhas têmporas com os dedos. Estou começando a me sentir tonta. É assim que as celebridades sentem-se ao ter seus segredos salpicados nos tablóides e perguntando-se como diabos todo mundo descobriu? — Eu acho que Lloyd deixou algum tipo de comentário em seu perfil no MySpace — Jordan diz, dando de ombros, — isso levou B. J. a acreditar que vocês tinham alguma coisa. Eu não chequei meu MySpace desde ontem a noite, antes de deixar Lloyd tocar-me. Embora não tenha sido exatamente toque. Foi mais como… sei lá, carícia? Eww, isso soa tão indecente. E não foi. Indecente, quero dizer. Só não foi incrível, como era com Jordan. Lloyd estava meio que tentando, como se ele não tivesse certeza do que estava fazendo. Não que eu soubesse. Soubesse o que eu estava fazendo, exatamente. Além disso, você acharia que Lloyd tomou o comando, uma vez que eu sei que ele não é virgem e eu sou. Embora não por escolha minha. Eu comecei a pensar sobre aquela noite em Miami com Jordan novamente e eu realmente me senti tonta. — O que dizia? — eu pergunto, tentando fazer o lugar parar de rodar. — O que dizia onde? — Jordan pergunta, franzindo a testa. Ele dá a última mordida em seu hambúrguer e lambe seus lábios novamente. Ele não pode PARAR DE FAZER ISSO? Sério, quanto uma pessoa pode lamber seus lábios? — O que dizia o comentário no MySpace? — eu tomo um pequeno gole da soda num esforço para acalmar meu estômago. Não é isso que se espera que a soda faça? Acalmar seu estômago? Na verdade, eu acho que é só ginger ale21. Insípido ginger ale. — Você não sabe? — Eu não estive online desde ontem à noite — eu digo. — Meu laptop já estava empacotado. — Eu quis dizer isso para provocá-lo, como se eu tivesse tudo empacotado e ele não, mas saiu como se eu estivesse em pânico. — Não tenho certeza. — Jordan dá de ombros e amassa o papel em que seu hambúrguer estava embalado. Ele não tem certeza? Ele não tem certeza? Isso é ridículo. Como ele pode não ter certeza? Assim que B. J. disse, Lloyd deixou um comentário no MySpace de Courtney e eu acho que eles tem algo, Jordan devia ter dito, Por quê? O que dizia? É o que eu teria feito. — Oh. — Meu estômago está queimando agora, mas eu ignoro. — Bem — eu digo, ficando de pé. Eu estico meus braços sobre minha cabeça como se eu não tivesse nenhuma

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Ginger Ale é um refrigerante comum nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, feito à base de gengibre.

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preocupação no mundo. — Vou ao banheiro e então vamos voltar para a estrada, tudo bem? — Claro. — Ele fica de pé e começa a recolher o lixo de nossa mesa e colocar na bandeja. Eu ando em direção ao banheiro, mas assim que estou fora da visão de Jordan, eu pego meu celular e ligo para Jocelyn. — Alô — ela diz, soando fraca. — Oi! — eu digo. —Sou eu. — Oh — ela diz. Há um barulho abafado na linha, como se ela estivesse rolando de um lado para o outro. — Você estava dormindo? — eu digo. — Sim — ela murmura. — Oh — eu digo. — Bem, ouça, eu preciso que faça algo para mim. — O quê? — Você precisa verificar minha página no MySpace para mim. — Eu olho sobre meu ombro, com medo que Jordan pudesse se dirigir ao banheiro quando terminasse de recolher o lixo e me visse de pé do lado de fora, falando no telefone. Eu entro rapidamente no banheiro só para garantir, contando que podia falar lá dentro com a mesma facilidade e fora de suspeitas. — Agora? — Jocelyn pergunta, suspirando. — Querida, ninguém deixou nenhum comentário para você esta manhã, acredite em mim. É muito cedo para isso. — Ela boceja. — Foi ontem à noite — eu digo. — Lloyd deixou um comentário para mim na noite passada. — O quê?! — ela grita, soando completamente acordada. Eu ouço outro som abafado, e então o som de seu computador carregando o sistema operacional. — O que dizia? — Eu não sei — eu digo, tentando não ficar irritada com ela, uma vez que ela é meu único link com a internet. — É por isso que estou pedindo para você ver. — Há uma fila no banheiro que dá para a porta e para o corredor, e eu passo por ela, atrás de uma mulher e seu bebê. Ela tem uma linha rosa em seu cabelo. A mulher, não o bebê. — Como você sabe que ele te deixou um comentário? — ela pergunta alegremente. — Court, isso é tão quente, o que você acha que diz? — Eu não sei — eu digo. Meu estômago começa a fazer barulho novamente. — Provavelmente algo como, Ei, me diverti saindo com você esta noite, ou algo desse tipo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Talvez tenha algo a ver com você ir encontrar com ele amanhã — ela diz. — A que horas sai o voo dele hoje? — Eu acho que a uma da tarde — eu digo. — Ele deveria chegar a Middleton por volta de três ou quarto. — Só para sua informação, eu acho que é meio fora de moda vocês pararem para visitá-lo — ela diz. — Quero dizer, ele estará na faculdade por um dia. Você poderia estar mais desesperada? — Eu não vou apenas vê-lo — eu digo. — Jordan vai ver seu irmão e Lloyd apenas descobriu isso e decidiu que seria legal me encontrar. — O irmão de Jordan, Adam, será um veterano na Universidade de Middleton, e ele esteve na Carolina do Norte neste verão para um estágio. Quando Lloyd descobriu que pararíamos no caminho para Boston, ele pensou que seria legal se pudéssemos ficar juntos para que eu tenha a chance de ver onde ele vai estudar. — Mas ele convidou você antes de vocês saírem, certo? — Jocelyn pergunta. — Então era coisa de amigo. — Oh, meu Deus — eu digo. — Talvez Lloyd tenha percebido que sair comigo foi um grande erro e não queira mais que eu vá. Talvez seu comentário no MySpace diga algo como, uau, eu não posso acreditar que eu estivesse tão excitado que isso aconteceu essa noite, mas eu espero que você não tenha atribuído significado a isso. Talvez não seja uma boa ideia você vir me visitar, afinal. — Não — Jocelyn diz, sua voz baixa e regular, como se ela estivesse falando com algum tipo de doente mental. — Porque B. J. contou a Jordan que o comentário de Lloyd fez parecer que vocês tinham algo. Oh. Certo. Eu respiro fundo. — Ok — Jocelyn diz. — Está carregando. Espere, estou digitando o endereço de sua página. — O som dela teclando veio pela linha. — Ok, vamos ver… Oh, aqui está. — O que diz? — eu quase grito. A velha senhora e duas pessoas a minha frente na fila viram-se e me olham feio. — Não enlouqueça — ela diz, o que nunca é bom, porque se alguém tem que introduzir o que estão dizendo com não enlouqueça, você provavelmente vai enlouquecer. — Apenas. Leia — eu digo. — Ok. — Ela limpa a garganta como se ela fosse fazer uma apresentação verbal. — Diz, Oi linda. Eu tive meus melhores momentos com você esta noite – sério, foi incrível. Mal posso

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esperar para vê-la amanhã e conversar sobre o que isso significa. Graças a Deus pelas milhas grátis por ser um viajante frequente, certo? Durma bem, Courtney Elizabeth. Por um momento, eu não consigo falar. Lloyd obviamente acha que temos algo. O que quase certamente não tínhamos. O que significa que amanhã, eu precisarei dizer a ele que não temos nada, enquanto tento fingir para Jordan que temos, porque eu disse a ele que tínhamos. — Court? — Jocelyn está dizendo. — Você está aí? — Sim, estou — eu digo. E então, antes que eu pudesse entrar no banheiro, eu vomito o chão todo.

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Courtney - Antes 123 Dias Antes da Viagem, 12h23

— Não — Jocelyn diz, tomando um gole de seu leite achocolatado e me fitando por cima da mesa do refeitório. — Isso não vai acontecer. — O quê? — pergunto, tentando soar inocente. Acabei de contar a Jocelyn sobre minha noite com Jordan, e ela está agindo como se fosse uma enorme má ideia. O que provavelmente é. Mas só se eu gostasse dele. E eu não gosto. — Não vai começar a morrer por Jordan Richman — ela diz. — Não vou deixar isso acontecer. — Não estou morrendo por ele! — digo. Abro o pacote de molho de queijo azul que veio com a minha salada e o despejo sobre a alface no meu prato. Nem estou com muita fome, mas preciso de algo para me manter ocupada, de modo que eu não revele a maneira que estou me sentindo, que talvez eu possa ter uma quedinha por Jordan. O que é insano. Porque Jocelyn está certa. Isso é simplesmente ridículo. — Bom — Jocelyn diz, parecendo satisfeita. Ela toma outro gole de seu leite achocolatado, então alcança e pega um pepino da minha salada. Ela o estala em sua boca. — Mas é um pouco estranho que ele te ligar assim — franze o cenho. — Embora seja mais estranho ele não ter tentado nada. — O que você quer dizer? — pergunto. — Bem, é só que se um cara te chama tarde da noite assim, geralmente isso significa que ele quer algo físico. Então para ele não tentar nada é meio estranho, sabe? — A não ser que ele pensou em ficar comigo, e então quando ficou sóbrio, me achou repulsiva e decidiu não fazer. — Ele estava bebendo? — Na verdade não. Jocelyn revira os olhos. — Então não faz sentido. De qualquer forma, por que ainda estamos falando disso? — Não tenho ideia. — Porque não consigo parar de pensar nele, e foi um pouco decepcionante quando ele não me ligou ontem. OK, até eu posso ver que isso é bastante Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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ridículo. Quer dizer, ele não é meu namorado. Nem mesmo é um ficante. Então, ficar desapontada porque ele não ligou no domingo, é simplesmente estúpido. Acho que eu deveria atribuir isso como uma coisa ao acaso, um desses acontecimentos esquisitos que ninguém consegue explicar exatamente. Como círculos nas plantações. Ou aquela senhora que foi atingida por uma bola de falta no jogo dos Yankees, e quando foi fazer o exame, ele revelou que encontraram um tumor, e se ela não tivesse feito o exame, teria morrido. — Bom — diz Jocelyn, parecendo satisfeita. — Mas... — digo lentamente, girando um pedaço de alface com meu garfo. — Mas o quê? — berra Jocelyn. — Não há mas! — ela agarra minha mão e me impede de girar. — Querida, não! — ordena. — Ele é roubada. Não é certo para você. — Eu sei — digo. — Você está certa. Definitivamente. — Franzo o cenho. A coisa é, quando estávamos juntos, ele parecia certo para mim. Nada como eu realmente achava que ele fosse. Mas talvez seja apenas uma tática, algo que ele faz para fazer as garotas o quererem. Faz sentido quando você pensa nisso – ele deve fazer alguma coisa para conseguir que todas essas garotas se apaixonem por ele. Deve envolver lisonjeá-las, para fazê-las pensar que ele é um cara legal. Mas não cairei nessa. Vou ser forte e não me render a seu psicótico jogo mental. — Não fale mais com ele — diz Jocelyn. — Não o olhe, não ligue para ele, não o persiga via online. — Não vou — digo, não mencionando o fato que chequei seu perfil do MySpace umas trezentas vezes ontem, e fiquei secretamente satisfeita em ver que Madison Allesio deixou um comentário que ele nunca respondeu. — Falo sério, Courtney — diz ela. — Não vá ficar toda psicótica por algo que não é nada de mais. — Você está totalmente certa — digo. E ela está. Ficar toda afetada por um cara que definitivamente não significa nada é realmente estúpido. Especialmente desde que já estou afetada por Lloyd, onde também não está rolando nada de mais, e ainda por cima está ficando com a garota que conheceu na festa do Connor. Ao contrário de Jordan, Lloyd me ligou ontem para me contar como passou a mão na Olivia no banco de trás de seu carro. As coisas na minha vida amorosa não estão indo bem. — Além disso, e Lloyd? — Jocelyn pergunta, como se estivesse lendo minha mente. Ela pega um tomate cereja do meu prato e o coloca na boca. Sem dizer uma palavra, estendo a ela meu garfo e ela dá uma garfada na minha salada. Jocelyn é uma daquelas pessoas que está sempre tentando perder peso sem comer e depois compensam comendo do prato dos outros. — Está ficando com Olivia. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Aff — diz Jocelyn, revirando os olhos. — Dou duas semanas. — Sim, talvez — digo. Madison Allesio está passando, ladeada dos dois lados por garotas de sua equipe de torcida. Engulo em seco. — Tenho um escândalo acontecendo — Jocelyn anuncia. — Oh Deus — digo. — Eu quero mesmo saber? — Sim — diz Jocelyn. — Você quer saber. — Ela morde o lábio. — Mas você não pode ficar brava comigo por não ter contado antes. — Jocelyn gosta de reter seus escândalos. Tipo, ela gosta de esperar uns dias antes de dizer a alguém o que está acontecendo. No ano passado, quando ela terminou com Kevin Scott, com quem namorava há dois anos, ela não me disse por uma semana. Eu só pensei que tinham tido uma grande briga, pois não os via juntos na escola. Aprendi a não levar para o pessoal. É só como ela é. — Não vou — digo. Pergunto-me se o fato de que Jordan Richman me ligou do nada na mesma noite em que eu deveria dizer a Lloyd que gostava dele seja algum tipo de sinal. Que Jordan e eu deveríamos estar juntos. Ou que Lloyd e eu não deveríamos. Ou que eu realmente devo estar com Lloyd. Embora, essa última não faz sentido, já que, porque Lloyd ficaria com a Olivia sendo que ele e eu deveríamos estar juntos? É por isso que acreditar em sinais nunca é uma boa ideia. São tão terrivelmente confusos. — OK — diz ela. — Lembra como na noite de sábado você tentou me ligar bem tarde, mas eu não atendi? — Sim — digo. Ao contrário de Jocelyn, gosto de dissecar e analisar qualquer drama em que estou envolvida imediatamente. Assim que cheguei em casa da saída com Jordan no sábado à noite, liguei para ela. — E lembra que eu não atendi? — diz ela. — Sim. — E lembra que não retornei sua chamada até as quatro da manhã? — Sim — digo. — E lembra como você disse que estava dormindo, mas nós conversamos assim mesmo, por que... — Jocelyn! Sim, eu lembro, eu estava ali, agora desembucha. — Bem — diz ela lentamente. Ela torce uma mecha de seu cabelo castanho claro em torno de seu dedo. — Foi porque eu estava ficando com alguém. — Sério? — digo. — Era Mark? Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Não — diz ela. Espero. Silêncio. — Ok — digo. — Vai me dizer quem era? — Não sei — diz ela. — Jocelyn! — É constrangedor! — diz ela. Ela puxa meu prato para mais perto dela e come mais um pouco da minha salada. — Por quê? — digo. — Quer dizer, quão ruim pode ser? — É muito ruim — diz ela, parecendo pesarosa. — Não pode ser tão ruim como o fracassado do Blake Letkowski — digo. Blake Letkowski é esse garoto com quem dei uns amassos no ano passado quando estávamos trabalhando juntos em um projeto de ciências. O garoto era a maior furada. Fumava, bebia, fazia comentários racistas... mas adorei beijá-lo. Seja quem for com quem Jocelyn ficou, não pode ser tão ruim quanto Blake Letkowski. Silêncio. — Jocelyn? — Sim? — E então? — puxo meu livro de matemática da bolsa que estava aos meus pés, esperando que fingir indiferença vá fazê-la desembuchar. — E então, o quê? — pergunta ela, franzindo o cenho. — Ele é melhor que o fracassado do Blake Letkowski? — Sim. Definitivamente melhor. — Melhor, o que significa mais de um escândalo, ou melhor, sugerindo que não é tão ruim? — pergunto. — Acho que depende de como você vê — diz Jocelyn lentamente. Ela toma um gole de seu leite achocolatado. Jocelyn sempre bebe leite com chocolate na hora do almoço. Leite achocolatado especial com baixo carboidrato, em recipientes de dose individual especial que ela compra antes da escola todas as manhãs no Mobil da esquina. — O que você quer dizer? — digo. Você pensaria que eu estaria ficando entediada dessa conversa, já que ela está, tão obviamente, me enrolando, mas surpreendentemente, não estou. Quero saber com quem ela ficou. — Quer dizer, você acha que é bom que eu tenha ficado com alguém pior do que Blake Letkowski, ou você vai ser compreensiva? Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Então quem quer que seja, é pior do que Blake. — Courtney! — O QUÊ? Ela respira fundo. — Deixa pra lá, não vou te dizer. — Tudo bem. — Finjo estar absorvida no meu problema de matemática. Após alguns segundos, posso notar que ela está ficando impaciente, mas eu cedo primeiro. — Só me diga! — Não! — Vou descobrir. — Ninguém vai descobrir. — Por que não? — Porque não vou contar a ninguém. — E se ele contar para alguém? — Ele não vai. — Por que não? — Porque nós dois dissemos que não iríamos contar a ninguém. — Ah, tá, porque isso sempre funciona. Caras que dizem que não vão contar a ninguém com quem ficaram, sempre mantêm suas bocas fechadas. — Ela está calada. — Mas tanto faz — digo, dando de ombros e voltando ao meu livro de matemática. — Se você não quer contar pra sua melhor amiga no mundo inteiro com quem ficou, bem, então... — Eu deixo no ar. — Não é que eu não queira te dizer — diz ela. — É só que não quero ser julgada. — Quando foi que eu julguei você? — digo, revirando os olhos. — Sou a pessoa menos crítica que existe. — Bem — diz ela, de modo pensativo. Ela pega mais um pouco de salada. — Quando me juntei ao jornal no ano passado porque Dan Carlio estava, você meio que me julgou. — Isso foi diferente — digo. — Ele estava fazendo uma lavagem cerebral em você. — No final do penúltimo ano, Jocelyn ficou envolvida por esse sem noção, que era um desses tipos ativistas e literários. Ele estava sempre tentando usar o jornal da escola para promover seus ideais políticos. Jocelyn começou a fugir da escola para ir a protestos Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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ambientais e quase perdeu seus créditos por causa de todo o tempo que perdeu. E mais, Dan era realmente assustador, e se referia a Jocelyn como sua pequena soldado. Esquisito. — Ele não estava! — Jocelyn diz. Ela está horrorizada. — Jocelyn, ele fez você entrar no Partido Verde. — E? — E, você sabe ao menos o que o Partido Verde é? — Tem a ver com Ralph Nader22 — diz ela, orgulhosa de si mesma. — Que seja. Silêncio. — Então, me diga. — Ok. — Estou esperando. — Você não pode rir. — Não vou. — Não pode dizer nada. — Não vou. — B. J. Cartwright. Silêncio. — Diga alguma coisa! — ela grita. — Você me disse para não dizer! — digo. — Então não vou. — B. J. Cartwright. Puxa. Isso é... perturbador é realmente a única palavra que posso encontrar, mas não posso dizer isso a Jocelyn. Porque eu disse a ela que não iria julgar. Além disso, Jocelyn toma os ataques para as pessoas com quem está envolvida como um ataque pessoal a si mesma. Então se eu dissesse: Wow, Jocelyn, isso é perturbador, ela tomaria isso como: Wow, Jocelyn, você está perturbada. O que pode ou não ser verdade, mais ainda assim. — Bom, por não dizer nada, você está dizendo muito. Penso cuidadosamente. — Bem — digo lentamente. — Por que não me conta como isso aconteceu?

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Ativista. Defensor dos direitos dos consumidores.

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— OK — diz ela ansiosamente. Empurra o prato de salada vazio longe dela. — Bem, você sabe como eu estava tentando flertar com Mark, certo? — Certo. — Bem, B. J. estava meio que perto dele, e nós começamos a conversar. Tento pensar em como perguntar se isso foi antes ou depois que B. J. se enganchasse na minha perna como uma espécie de cão no cio, sem dizer exatamente: Ei, Jocelyn, isso aconteceu antes ou depois que B .J. se enganchasse na minha perna como uma espécie de cão no cio? — Aí começamos a conversar, e então mais tarde ele me ligou e me convidou para ir à festa do Jeremy, e então... não sei, na verdade. Acabamos em sua casa. — Ela para. — Dando uns amassos — acrescenta, no caso que eu não tenha entendido. — OK — digo lentamente. — E agora o quê? — Dã — diz ela. — Agora eu o evito. — Bom plano. — Pauso. — Por que mesmo? — Porque, oi, é B. J. Cartwright! Embora — diz ela pensativa, — ele beijava muito bem. Ecaaaa. O sinal toca, anunciando o fim do almoço, nós jogamos nossas bandejas fora e nos dirigimos pelo corredor, eu para Biologia Avançada, e ela Escrita Criativa. — Agora — diz ela, enquanto paramos em seu armário no caminho. — Estamos claras sobre essa coisa toda do Jordan, certo? — ela gira o dial para a direita. — O que você quer dizer? — pergunto. — Não tente falar com ele ou qualquer coisa assim — diz ela. — Ignore-o. Ele é furada, Courtney. — Totalmente — digo. — Mas e se ele disser oi para mim primeiro? — Não — diz ela. — Bem, se ele disser oi primeiro, você pode dizer um oi. Mas isso é tudo. — Ela me agarra pelos ombros e me olha diretamente nos olhos, como se eu estivesse saindo para batalha. — Está claro? — Totalmente claro.

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Jordan - Antes 123 Dias Antes da Viagem, 14h18

Courtney McSweeney está agindo como se eu não existisse. Estamos sentados na aula de matemática, eu estou olhando ela mandar mensagem em seu celular através de seu moletom Abercrombie rosa, e estou começando a ficar um pouco irritado. Nem uma palavra. Ela nem sequer olhou para mim. Levanto minha mão enquanto a Sra. Novak está corrigindo o dever de casa. — Sim, Jordan? — pergunta ela. — Tenho uma pergunta sobre o número dezenove — digo, coisa que não é verdade. Nem mesmo sei qual é o número dezenove, mas não importa. A Sra. Novak não sabe disso, e com um pouco de sorte isso vai fazer Courtney olhar para mim. Mas ela não olha. Só continua mandando mensagem. Percebo que estou muito, muito irritado, o que é estranho. Eu não fico irritado quando as garotas me dão o fora, especialmente se eu não tenho interesse nelas. — Qual é a sua pergunta, Jordan? — a Sra. Novak pergunta, olhando-me com desconfiança. Geralmente eu não levanto a mão em matemática. Geralmente não levanto a mão em qualquer aula. Não é que eu não saiba as respostas. Só acho desnecessário. — Podemos repassar todo o problema? — pergunto. — Courtney e eu estávamos discutindo que essa tarefa estava um pouco complicada. — Claro — a Sra. Novak diz, e começa a repassar o problema. Courtney continua mandando mensagem, ainda não me olhando. Qual é o maldito problema dela? Na verdade, qual é o meu maldito problema? Eu até mesmo me certifiquei de entrar na sala de aula justamente quando o sinal tocava, apenas no caso de que ela tivesse intenção de conversar. Uma vez no segundo ano, fiquei com uma garota (uma caloura, imagina só) que estava em cinco das minhas aulas. Foi um pesadelo. Toda vez que eu entrava na classe, ela estava sentada na minha mesa, esperando por mim, para que pudéssemos bater um papo antes que o sinal tocasse. É assim como ela chamava – bater um papo.

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— Só quero bater um papo — ela dizia. Só que sua ideia de bater um papo consistia nela me fazendo perguntas ridículas como: Você nunca fica cansado de usar sapatos? Já que você é um garoto e não tem muitas opções? Aprendi que se você está em uma classe com uma garota que você não quer falar, você entra furtivamente enquanto o sinal toca. Dessa forma, você evita ter que interagir com ela. Mas Courtney nem sequer olhou para mim. Nem uma vez. Mesmo quando eu mencionei o nome dela. Assim, quando o sinal toca comunicando o fim do período e do dia escolar, espero até que ela saia da sala e então caminho atrás dela, puxando seu capuz. — Ei — digo, quando ela se vira. — Oh — diz ela, parecendo surpresa. — Ei — ela muda sua bolsa para o outro ombro. — O que tá rolando? — Não muito — digo, tentando manter uma conversa leve. — Então, é assim que você costuma tratar os caras que te pagam uma refeição? Ela sorri. — O que você quer dizer? — Ignorando eles. — Eu sorrio de volta para mostrar a ela que não estou incomodado por isso. — Eu não estava te ignorando — diz ela, mostrando seu celular. — Estava ocupada mandando mensagens de texto. — Bem, longe de mim interromper qualquer que seja o negócio secreto no qual você estava trabalhando. Chegamos a seu armário agora, e ela começa a girar a combinação. Ela está mordendo o lábio enquanto faz, e de repente tenho o desejo de chegar mais perto e mordêlo por ela. Seu lábio. Não seu armário. Deus, estou perdendo a cabeça. — Então — diz ela, deslizando alguns livros em sua bolsa. Quando ela faz isso, me lembra que o dia escolar acabou e que agora eu deveria ir para casa. E isso me envia um leve pânico. Depois de deixar a casa da Courtney na noite de sábado, dirigi por um tempo (OK, muito tempo), e na hora que cheguei em casa, era quatro da manhã, o carro do patife tinha ido embora, e minha mãe estava dormindo. Dormi até umas sete (bem, eu revirei na minha cama) e então busquei café da manhã no Dunkin's Donuts e comecei a dirigir. E dirigir. E dirigir. Dirigi até as onze, chamei B. J. e passei o dia na casa dele, ajudando-o a curar sua ressaca e jogando no Xbox. Acabei ficando em sua casa, e esta manhã, parei na minha casa só quando tive certeza que minha mãe já tinha ido trabalhar para tomar um banho rápido e trocar de roupa.

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A segunda-feira, até agora, tem sido um dia normal na escola, mas eu estou mal. Eu me sinto exausto, mas pela primeira vez, não estou ansioso para chegar em casa e dar meu cochilo de segunda a tarde. Não quero ir para casa. Agora. Ou nunca. A outra coisa que percebo é que quero sair com Courtney. Agora mesmo. — Ei — digo, inclinando-me contra seu armário e dando a ela meu sorriso mais encantador. — O que vai fazer agora? — Ir para casa — diz ela, deslizando a mochila sobre os ombros e batendo a porta do armário. — Quer sair um pouco? Comer alguma coisa ou algo assim? Um olhar de surpresa atravessa seu rosto, e ela franze o cenho. — Não posso — diz ela com firmeza. Dá meia volta e começa a caminhar para longe de mim. O que, é claro, só me faz querer ir atrás dela. Eu agarro sua mochila e puxo, virando-a. — Porque não? — dou um sorriso forçado. — Por quê? — diz ela. — Não — eu digo, suspirando. — Por que não? — o que há com essa garota? — Quero dizer, porque você quer ir comer alguma coisa comigo? — ela coloca a mão no quadril, como se estivesse me desafiando. Ela está usando uma pequena pulseira de correntinha prateada e ela desliza para seu pulso. — Porque estou com fome? — digo. Obviamente a melhor resposta não é: Porque peguei minha mãe tendo um caso e não quero ir para casa. Além disso, não é como se eu estivesse mentindo. Estou com fome. E quero sair com ela. E mais, porque ela está me desafiando? Quem diz merda como essa? Ela se vira e começa a caminhar de novo. — Courtney! — agora estou literalmente correndo atrás dela, fazendo meu caminho pelo corredor e entre a multidão de pessoas saindo por hoje. — Sim? — ela se vira. — Qual é seu problema? Se você não quer ir é só dizer. — Não quero ir — ela cruza os braços. — Tá bom — digo. — Então isso é tudo o que precisava dizer. — Dou meia volta e começo a andar pelo corredor. — Jordan! — ela chama atrás de mim, e eu quase não paro. Mas ela diz meu nome de novo, e eu me viro.

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— Olha — ela diz. — Sinto muito. Tem sido um dia estranho. Isso é tudo. — Ela morde o lábio. — Se você ainda quiser ir... — Não se sinta como se tivesse que me fazer algum tipo de favor — digo, ainda um pouco zangado. — Não é grande coisa. Se não quer ir, não quer ir. — Não — diz ela, empurrando o cabelo para longe do rosto. — Eu quero ir. Mas eu pago. — Tudo bem — digo, dando de ombros. — Então vamos. Meia hora depois estamos sentados na minha caminhonete, comendo comida drivethru do Taco Bell. Eu queria ir a um lugar de verdade, mas ela fez questão que comêssemos fast food. Essa garota é realmente estranha, porque ela nem mesmo me deixou levá-la para DENTRO do restaurante, e ao invés insistiu em comer no meu carro. — Então — digo, — valeu por me ignorar hoje. — Eu não estava te ignorando — diz parecendo desconfortável. Ela se mexe no assento. — Só não estava prestando atenção. — Certo — digo. Dou uma mordida no meu Taco Supremo e dou uma olhada nela. Mal tocou sua comida. Além disso, ela continua me dando todas essas respostas monossilábicas. Esforço-me para encontrar algo a dizer que vá forçá-la a se engajar em uma conversa comigo. — Então — digo. — Me fala sobre seus pais. — Meus pais? — pergunta ela. — É. Porque você não tem o mesmo sobrenome que eles, se e como eles estão envolvidos em todo o esquema de tráfico de drogas, qualquer neuroses que eles possam ter, se você os odeia, etc. — Na verdade isso não é tão escandaloso — diz ela. — Então se eu te disser, poderia estragar tudo. Talvez eu deva manter em segredo assim você vai achar que sou misteriosa e interessante. — Eu já te acho misteriosa e interessante — digo, tomando um gole do meu refrigerante. — Você acha? — ela se vira para mim, e o sol brilhando através do meu para-brisa acerta seu cabelo e ilumina seu rosto. Ela sorri. — Por quê? — Por que o quê? — digo. De repente me sinto estranho. Pela primeira vez, percebo que estou em um carro com uma garota. Não só isso, mas acabo de ser impactado ao notar que Courtney é muito gata. Não gata do jeito que Madison é, com suas roupas reveladoras

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e enormes quantidades de batom, mas gata no sentido de... sei lá. Apenas gata. Um pacote completo de guloseimas. — Por que sou misteriosa e interessante? — ela pergunta, soando exasperada. — Oh — digo. — Porque você me ignorou em matemática hoje. E nunca ninguém me ignora. Ela revira os olhos. — Ah tá. Nunca ninguém te ignora. — Bem — digo, olhando para ela de soslaio. — Às vezes as garotas me ignoram. Mas é só porque elas querem que eu ache que estão me ignorando, para que assim eu vá querer elas. — Talvez elas estejam te ignorando porque não querem você — ela dá de ombros. — Talvez elas estejam apenas estranhando pelo fato de que você basicamente as ignorou pelos quatro anos do ensino médio e então, começou a levá-las a drive-thrus ao azar e restaurantes em horas estranhas. — Exceto que eu não costumo levar garotas a drive-thrus ao azar e restaurantes em horas estranhas. — Onde você costuma levá-las? — ela está sorrindo para mim agora, e eu sorrio de volta. — Para o banco de trás — brinco e o sorriso desaparece de seu rosto. — Whoa — digo, — é brincadeira. — Essa garota é muito complicada. — Relaxa, Court. Ela morde um pedacinho de seu taco e olha pela janela. — Então — digo. — Seus pais? Qual é o lance? — Meu pai não é meu pai biológico — diz ela, dando de ombros. — Ele me adotou no ano passado, mas eu decidi manter meu sobrenome. Não queria ter que passar pelo incômodo de mudá-lo, mas poderia em algum momento. — Isso é legal — digo, esperando que ela não pergunte sobre meus pais e como é o lance com eles. De jeito nenhum nós precisamos nos meter no fato de que minha mãe está traindo meu pai. — Seu pai é um cara legal? — Sim — diz ela. — Ele é ótimo. Esteve casado com minha mãe desde que eu tinha três anos, assim que não conheço outra coisa, sabe? — Legal. — Mordo o último pedaço do meu taco e jogo a embalagem amassada no saco vazio. — Assim o que devemos fazer agora, Court? — Por que você continua me chamando de Court? — pergunta ela. — Porque — digo, dando de ombros. — É meu novo apelido carinhoso para você. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Ao contrário de seu velho apelido carinhoso? — Sim, meu velho apelido carinhoso — digo, fingindo que estou escrevendo uma mensagem para alguém em um celular. — Garota Estranha do SMS. — É um risco, mas dá certo. Ela se estica e me empurra de brincadeira, e bloqueio sua mão. Percebo de novo o quão bem cheira, e engulo em seco. De jeito nenhum vou começar a me envolver com Courtney McSweeney. É insano. — Você está flertando comigo? — pergunto. — Não — ela parece chocada e volta para o seu lado do carro. — Não mesmo. — Você totalmente estava. — Querido — diz ela, virando-se para olhar para mim. — Se eu estivesse flertando com você, você saberia. Ela levanta as sobrancelhas para mim, e eu percebo que ela está provavelmente dizendo a verdade. Se ela estivesse flertando comigo, eu provavelmente saberia. Também estou muito, muito excitado. Uma hora depois, estamos na sessão de DVDs da Barnes & Noble, debatendo se Laguna Beach é ou não um bom programa de TV. Eu de alguma forma consegui convencê-la a entrar na livraria comigo, o que não foi tão difícil já que é bem ao lado do Taco Bell. — Eles são como manequins falantes — diz Courtney, balançando a cabeça. — Não tenho ideia de como você poderia remotamente estar interessado neste programa. — Eu não disse que estava interessado nele — digo, revirando os olhos. Isso é uma mentira. Assisto o tempo todo. — Que noite da semana passa? — ela pergunta, levantando as sobrancelhas. — Quarta-feira — eu digo sem pensar. Ela sorri presunçosamente. — Isso não quer dizer nada! — protesto. Ela desliza o DVD de Laguna de volta na prateleira e se vira. — Tanto faz — ela dá de ombros e começa a caminhar em direção aos filmes de Ação/Aventura. — Todo mundo sabe que Laguna Beach passa nas noites de quarta-feira! Tudo que você tem que fazer é ligar na MTV por meio segundo. Há comercial o tempo todo. — Tudo bem — diz ela novamente, dando de ombros. — E daí se eu assisto? — digo a ela, — é o que é.

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— Ridículo é o que é. São como extraterrestres. — OK — digo, mudando de tática. — Assiste The O.C? — Totalmente diferente — diz ela. — Oh meu Deus, nada a ver! — digo. — É a mesma coisa. Só que um é escrito para televisão e o outro é reality show. — The O.C é completamente diferente — diz ela. — Porque apesar dos personagens serem ricos e materialistas, eles pelo menos tem conversas inteligentes. Eles têm questões. Dilemas. Debates! Humm. Ela tem um ponto. Estou tentando pensar em um bom debate de Laguna que não envolva a situação na mídia de Kristin Cavallari/Nick Lachey. Meu celular toca antes que eu posso pensar em um, e eu o tiro do bolso. É B. J. Hesito. Provavelmente seja rude atender, mas Courtney não vai querer sair comigo para sempre, então é bom apostar que em algum momento, eu vou precisar ir no B.J. para evitar ir para casa. Nesse caso, atender ao celular é meu maior interesse. — Você se importa se eu atender? — pergunto. — É meio que importante. — Sem problema — diz, voltando aos filmes. Ela se ajoelha para dar uma olhada em algo na prateleira de baixo e a parte de trás de sua camiseta sobe, mostrando suas costas. Eu engulo. — O que tá pegando? — digo, abrindo meu celular e me afastando alguns passos de Courtney. — Cara, a coisa tá feia — diz B.J. soando como se a coisa estivesse feia. — O que é? — Acabei de sair do ginásio, sabe? — B.J. fica todos os dias com a equipe de futebol para se exercitar, então estou supondo que ele está se referindo a isso. — Sim — digo. — Então, quando saio da escola, está Jocelyn, no estacionamento, com Krista Crause e Tia Biddlecome. — Ok — eu digo, já começando a ficar entediado com essa história. Estou um pouco contrariado com o lance todo do B. J. com a Jocelyn, já que depois que peguei café para ele na outra noite e o levei para casa, ele acabou indo para a festa do Jeremy de qualquer maneira. Assim, enquanto eu pegava minha mãe traindo meu pai e agia de modo insano sobre Courtney McSweeney, B.J. estava se divertindo sem mim. Tento dar uma espiada nas costas a mostra de Courtney de novo, olhando ao redor do display de DVDs do Star Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Wars. Ainda está inclinada. Ela tem uma bela bunda. Eu me pergunto que tipo de roupa íntima ela usa, se é uma tanga, ou talvez aquelas calcinhas tipo shortinho. Alguma coisa rendada, talvez. — E ela me ignora! — B.J. diz. Courtney se inclina ainda mais. Sua camisa se desliza mais acima de suas costas. Tento calcular quão perto preciso estar para conseguir a melhor vista sem que ela ouça minha conversa. É loucura estar tendo esses pensamentos sobre ela? Provavelmente. Quer dizer, supostamente eu deveria estar com a Madison. É só que é divertido estar com Courtney por perto. Ela afasta minha mente de toda merda que está acontecendo em casa. O que é bom. — Alô?! — B.J. pergunta do outro lado da linha. — Sim — digo, engolindo. — Jocelyn te ignorou. — Não posso acreditar! — diz ele. — Isso é um saco, mano. — As garotas são um saco — digo, dando de ombros. — Você gosta dela? — Não mais — diz ele, não soando como se falasse sério. — Não se ela vai agir desse jeito. — Ela tá brincando com você — digo. — Só a ignore também. — Mas não quero ignorar ela, droga —B. J. diz. — Quero ficar com ela de novo! — Eu sei — digo, suspirando. — Mas se ela vai dar uma de fria, a última coisa que você quer é dar um de Psicopata Bundão Obcecado. Um empregado da Barnes & Noble, um jovem em um avental verde com orelhas furadas quase esbarra em mim. — Desculpe — digo. — Onde você tá? — B.J. pergunta desconfiado. — Na livraria. — Na livraria? Que porra tá fazendo? — Estou, uh, olhando os livros — digo. — E deveria voltar a fazer isso. Te ligo mais tarde. — Quem está com você? — B.J. pergunta. Droga. — O que você quer dizer? — eu pergunto, tentando infundir na minha voz tanta inocência quanto possível. Ele suspira. — Quem. Está. Aí. Com. Você? Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Estou sozinho — minto. Por que acabei de mentir? Odeio mentira. Não confio em mentira. Mentir só te coloca em problemas. Manipular situações é uma coisa, mas mentir é outra. Minha teoria (especialmente com as garotas), é que se você não mente, você não pode ser responsabilizado por qualquer coisa ruim que venha abaixo. Caso em questão: Quando fiquei com a Jana Freeze no verão passado. Eu disse a ela que não queria uma namorada, e que ia ficar com outras pessoas. Ela ficou totalmente puta quando beijei Michelle Tessiro no fim de semana seguinte. Mas sério, não foi minha culpa. Porque ela sabia do acordo, e escolheu se colocar nessa situação. Sei que estou soando como um sem-vergonha. Mas não sou. — Você tá sozinho? — B.J. pergunta, incrédulo. — Que porra tá fazendo? — Eu te disse — digo, tentando não perder a paciência, já que na verdade é minha culpa por ter mentido para ele. — Estou olhando os livros. — Cara, isso é bizarro — diz ele. — Tudo bem — digo. — Estou com Courtney McSweeney. — Courtney McSweeney? — B.J. pergunta, como se eu tivesse acabado de anunciar que estou em um encontro com Mischa Barton. — Para que diabos? — Não sei — digo, percebendo que é verdade. — Que seja — B.J. diz. — Talvez você possa perguntar a ela sobre Jocelyn para mim? — Perguntar o que sobre Jocelyn? — Pergunta qual é o lance. Elas são amigas. — Ele suspira como se não pudesse acreditar no meu óbvio ridículo por não entender o plano. O que é realmente preocupante para mim, porque se o B.J. está dizendo algo que não estou entendo, isso significa que minha cabeça está completamente fodida. — OK — concordo. — Mas não a deixe saber que eu quero saber — ele instrui. — Claro que não. — Não assinalo que esperar que eu pergunte a uma garota que mal conheço sobre como sua amiga se sente por B.J. sem realmente dizer o porquê quero saber, vai ser uma coisa muito difícil de fazer. — Té mais — B.J. desliga antes que eu possa fazer planos com ele para mais tarde. Merda.

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Courtney se aproxima virando no canto, carregando o DVD da primeira temporada de Laguna Beach. Ela o segura no alto e sorri para mim. — Acho que vou dar uma segunda chance. — Deveria — digo, tirando a caixinha azul do DVD de sua mão e conferindo a parte de trás. O que não há para gostar neste programa? Garotas gostosas. Rolos. Quem precisa de conversas inteligentes e debates? De qualquer forma, tudo se resume a querer uns aos outros. Assim que as pessoas deveriam apenas ter um rolo e seguir em frente. — Então... — diz ela, pegando ele de volta. — Provavelmente eu deveria ir para casa. — Oh — digo, um pouco surpreso. Geralmente, não são as garotas que terminam os encontros comigo. Não que isto seja realmente um encontro. É mais como um passeio. Eu a sigo até a caixa registradora, onde ela compra o DVD de Laguna Beach. Definitivamente não é um encontro. Porque se fosse um encontro, eu estaria pagando. E nós estaríamos ficando. E isso definitivamente não vai acontecer. Meia hora depois, estamos nos beijando no meu carro.

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Jordan - A Viagem Primeiro Dia, 12h36

Eu estou indo ao banheiro para ver por que Courtney demora tanto quando eu a vejo debruçar-se e vomitar todo o chão. É muito ruim, um grupo de blocos marrons e líquido verde. Eu sabia que aquele calzone de salsicha não parecia bom. — Court — eu digo, correndo para ela. — Você está bem? Ela olha para mim, seus olhos injetados de sangue, e então se debruça e vomita de novo. Eu pego seu celular de sua mão, desligo o telefone na cara de quem quer que ela estivesse conversando sem me incomodar em dizer nada e conduzo Courtney pela fila do banheiro feminino (que estão todas olhando – elas nunca viram ninguém vomitar antes?) e para dentro do banheiro. — Jordan — ela diz, debruçando-se contra meu ombro. — Você não pode entrar no banheiro feminino. Quatro mulheres na pia me olham boquiabertas. — Tudo bem — eu digo para elas. — Eu estou apenas ajudando minha amiga. Ela não está se sentindo muito bem. — Nós não somos amigos — Courtney diz, e então vomita de novo dentro de uma das pias próxima a parede. Dizer que o cara que está cuidando de você não é seu amigo não é o melhor passo a dar, mas eu deixo passar já que ela está obviamente em apuros. Eu tiro o cabelo dela de seu rosto. — Você tem uma presilha de cabelo? — eu pergunto a ela, ignorando os olhares das mulheres nas pias. Qual o problema delas? Elas não estão vendo que ela está doente? Você pensaria que elas estariam zombando de mim, agitadas por eu estar tão obviamente preocupado que arriscaria uma viagem ao banheiro feminino. Talvez seja um novo tipo de crime, garotos fingindo ser amigos de garotas aleatórias que ficaram doentes nas paradas para descanso, para que eles possam se enfiar nos banheiros femininos e dar uma espiada... Eu olho em volta. Para mulheres de meia idade lavando suas mãos. Courtney me passa sua bolsa e eu procuro nela uma presilha de cabelo. Maquiagem, notebook, espelho… por que garotas precisam de tantas coisas? Eu tiro o cabelo de Courtney de seu rosto, tentando segurá-lo em um rabo-de-cavalo. Sua pele macia contra minha mão.

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— Deixe-me fazer isso — Courtney diz, tirando a presilha de mim. Seus dedos esfregam-se nos meus e meus batimentos cardíacos aumentam novamente. Deus, eu a quero tanto. Ela puxa seu cabelo para trás, depois se debruça sobre a pia de novo e vomita uma última vez, silenciosamente. Eu esfrego suas costas até que seu corpo para de tremer. — Você está bem? — eu digo. — Sim — ela diz. Ela agarra os lados da pia tão forte que as articulações de seus dedos estão ficando brancas. — Eu estou bem. Eu só odeio vomitar. — Você ficaria aqui sozinha por um momento? Eu vou buscar uma garrafa de água para você. — Ok — ela diz, não soando exatamente como se ela quisesse dizer isso. Eu olho o banheiro. O chão está sujo e há toalhas de papel e papel higiênico espalhados sobre o chão. Cheira exatamente como você pensa que um banheiro de beira de estrada cheiraria. — Na verdade — eu digo. — Por que você não vem comigo? Nós pegaremos um pouco de água para você, e então você pode se sentar na traseira da minha caminhonete. Um pouco de ar deve te fazer sentir melhor. — Ok — ela concorda e começa a andar de forma não estável em direção à porta do banheiro. Eu coloco meu braço em volta dela como antes, mas ela me descarta. — Eu estou bem.

Dez minutos depois, ela sentava com seus pés balançando sobre a lateral da traseira aberta da minha caminhonete, bebendo água devagar e parecendo um pouco melhor, embora ainda pálida. — Eu devia ligar para Jocelyn — ela diz. — Eu estava falando com ela quando comecei a vomitar. Senti-me aliviado por ela não estar falando com Lloyd, o que é completamente ridículo. Courtney e eu terminamos e não importa o quanto eu ainda queira estar com ela, isso não vai acontecer. E ela merece alguém que a faça feliz. Se Lloyd fizer isso por ela, eu fico feliz com isso. Meu telefone começa a tocar no meu bolso e eu verifico o identificador de chamada. O pai de Courtney. O filho da puta não vai me deixar em paz. Ligando a cada cinco minutos. — Eu vou atender — eu digo a Court. — Você vai ficar bem por alguns minutos? Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Sim — ela diz. — Eu vou ligar para Jocelyn para que ela não fique preocupada. Eu caminho seguramente para fora do alcance de Courtney e então abro meu telefone. — O quê? — eu digo. Ele pode ter me feito terminar com Courtney, mas até onde eu sei, o poder que ele tem sobre mim acaba aí. Bem, não é exatamente verdade. Porque ele continua me ligando. — Não é um jeito legal de atender ao telefone, Jordan — ele diz, soando cordial. — Sim, bem, eu não estou exatamente no meu melhor humor nesse momento — eu digo. — Oh, e por que isso? — ele pergunta, soando satisfeito. — Porque você continua me ligando. — Eu só quero me certificar que tudo está bem — ele diz. — Que a viagem está prosseguindo seguramente. — Sim, tudo está bem — eu digo, sem mencionar o fato que Courtney passou dez minutos vomitando em uma pia. — Jordan, você sabe que eu não estou tentando ser um saco sobre isso — ele diz, suspirando. — Sim, poupe-me — eu digo, observando Courtney de onde eu estava. Ela parece muito pequena e realmente pálida. — Eu não estou — Mr. Brewster diz. — Eu apenas quero que Courtney seja feliz e eu realmente acho que essa é a melhor forma de conseguir. E Jordan, eu acho que você sabe que contar a Courtney o que aconteceu realmente não vai servir a nenhum propósito real. A não ser fazê-la me odiar, eu penso comigo mesmo. E isso é verdade. Se eu dissesse a Courtney o que eu sabia, ela me odiaria ainda mais do que ela odeia agora. E tê-la me odiando porque ela pensa que eu a troquei por outra garota é muito melhor do que tê-la me odiando pelo que eu sei. — Bem, você não tem com o que se preocupar — eu digo, engolindo. — Eu não vou dizer nada. — Obrigado — Mr. Brewster diz. — Eu realmente aprecio isso, Jordan. E eu vou dizer a Courtney. Mas ao meu tempo. — Que seja — eu digo. Eu bato o telefone e respiro fundo. Depois de alguns segundos, eu viro e me dirijo à caminhonete. Eu não posso esperar até essa viagem terminar.

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Courtney – A Viagem Dia Um, 13h47

Vou vomitar de novo. — Vou vomitar de novo — eu digo a Jordan, sentindo ascender em minha garganta. Nós estamos novamente na rodovia agora, e ele sinaliza e move-se rapidamente para o lado da estrada. Eu abro a porta e me inclino para fora, vomitando no pavimento. Isso é tão nojento. Sério. Eu odeio vomitar. Eu tenho essa fobia. Eu sou bem cautelosa para não vomitar e, até hoje, eu não vomitava desde a quarta série. Quarta série! Faz quase oito anos. É uma fobia real. Vomitar, quero dizer. Eu sei que ninguém gosta de vomitar, mas está provado que algumas pessoas realmente têm medo disso. Como eu. E algumas celebridades. Matthew McConaughey, eu acho. — Você está bem? — Jordan pergunta, e eu sinto sua mão em minhas costas. — Sim, estou bem — minto, secando minha boca nas costas das mãos. Grosso, grosso, grosso. Aposto que a garota do MySpace nunca vomitou enquanto eles estavam juntos. Aposto que eles estavam muito ocupados transando para comer qualquer coisa que pudesse deixar seu estômago nauseado. — Tem certeza? — Jordan pergunta. — Você não parece bem. — Oh, obrigada — eu digo, batendo a porta. Jordan me passa um guardanapo. — Uh, aqui — ele diz, — você deve querer secar sua boca. Pego o guardanapo e viro de costas, secando a baba de minha boca. Eu já mencionei que isso é realmente nojento? Eu jogo o guardanapo na lixeira e empurro a cadeira de volta, reclinando-a completamente. Na verdade é bem fácil se enganar para não vomitar. Você apenas deita, perfeitamente parada e reta. Fecha seus olhos e tenta não se mover. — Ei, Court? — Sim? — pergunto, tentando não mover minha boca no caso de mandar algum tipo de onda para o meu estômago. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Ouça, eu acho que talvez devêssemos nos registrar em algum hotel — ele diz, soando hesitante, como se não quisesse me chatear. — Você obviamente está doente, e você precisa descansar. — Eu estou bem — eu digo. — E, além disso, isso bagunçaria a programação.— Ele é louco? Nós já estamos atrasados graças a sua demora essa manhã. Mais o tráfego. Mais as longas filas do banheiro nas paradas. Mas meu enjoo. — Tem certeza? — ele diz. — Por que eu vi uma placa a poucos quilômetros atrás de um Days Inn23. — Isso. Bagunçaria. A. Programação. — Ok — ele diz, olhando para mim de canto de olho. — Tem certeza? — SIM. — Claro que eu tenho certeza. Eu não vou deixar o vômito me impedir de chegar à faculdade a tempo. Três quilômetros depois, depois de termos de parar o carro na beira da estrada mais três vezes para que eu pudesse vomitar, ele atravessa a estrada pegando a próxima saída e segue a placa que diz DAYS INN. Eu não o impedi. Então isso é realmente estranho. Jordan registrar-se no Days Inn, que é uma parada completa e totalmente não programada e o recepcionista presumir que nós queríamos um quarto. O lugar é tipo sombrio (o recepcionista pergunta por quanto tempo queríamos o quarto e eu penso que ele diria horas), e há algumas garotas vestidas com pouquíssima roupa esperando do lado de fora. O que é estranho, porque eram 4 da tarde. Definitivamente não tarde o suficiente para prostituição. Embora talvez eu tenha sido condicionada pela mídia a pensar que prostitutas apenas aparecem depois de meia-noite. Como aquele especial que eu vi sobre prostitutas que frequentavam as paradas de caminhão. Eles as chamavam de lot lizards24 e elas só saíam à noite. — Sim — diz Jordan. — Nós ficaremos com um quarto. — Não — eu digo. — Nós ficaremos com dois. O cara olha nervosamente para cada um de nós. — Não, não vamos — Jordan diz, virando-se para olhar para mim. Eu estou esparramada em uma das cadeiras da entrada, que é realmente um saguão. Eu tenho vômito em minha camisa, meu cabelo está saindo do rabo-de-cavalo e, no caminho para cá, eu quase caí e Jordan teve que pegar minha bolsa.

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Rede internacional de hotéis de nível médio e popular. Expressão americana usada para prostitutas que frequentam os locais de parada de caminhoneiros.

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— Court, você está doente. Eu não vou deixar você sozinha. — Tudo bem — eu digo. — Mas duas camas. — Claro — Jordan diz, rolando seus olhos. Claro que seriam duas camas. Eu esqueci por um momento que Jordan tinha namorada. Uma que ele obviamente amava o bastante para me deixar por ela, o que significava que de jeito nenhum o pensamento de dividir uma cama comigo tivesse passado pela cabeça dele. Pela primeira vez, eu me pergunto o que a namorada dele pensava do fato de Jordan estar aqui, em uma viagem comigo. Ela provavelmente é uma daquelas garotas super-seguras que são todas confiantes em seu relacionamento. Que chato. Conversas Sobre Mim Que Jordan Teve Com Sua Namorada (Uma Fantasia Enganosa por Courtney Elizabeth McSweeney): Jordan: Então, eu estou preso a ir nessa viagem com Courtney. Mercedes: OK. Jordan: Como você já sabe, nada irá acontecer. Mercedes (começando a tirar suas roupas para que ela e Jordan possam transar): Eu sei. Jordan: Você quer transar de novo? Nós terminamos há apenas duas horas. Mercedes (subindo nele): Sim. (Pausa.) Essa garota Courtney ou qualquer que seja o nome dela, ela não é bonitinha, é? Jordan: Não. Mercedes: Bom. Jordan ergue nossas malas e começa a andar pelo corredor. — Quarto 103 — ele diz, lendo o cartão que o recepcionista deu a ele. Concentro-me em caminhar pelo corredor sem desmaiar, uma vez que o chão parece girar. Observo meus pés (que estão dentro de sandálias roxas muito fofas) enquanto eu movia um em frente ao outro, tentando não perder o controle. Um. Dois. Passo. Passo. Ha, como aquela música da Ciara. Eu adoro quando você um, dois passos. Embora eu não ache que Ciara estivesse tentando se manter ereta enquanto caminhava pelo corredor de um hotel com seu ex-namorado, que ela ainda ama, quando escreveu essa música. Eu acho que Ciara estava em festas e se divertindo e tendo todos os tipos de coisas boas que não tinham nada a ver com náusea ou viagens de carro horríveis. Eu me recosto na porta enquanto Jordan desliza o cartão de plástico no sensor eletrônico que nos leva ao nosso quarto. Uma luz verde brilha e ele segura a porta para eu Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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entrar. Eu passo por ele, e enquanto faço, meu peito roça no dele, e por um segundo, eu perco a respiração, mas então eu passo por ele e acaba. Eu deslizo em uma das camas e deixo minha bolsa cair no chão. Quem quer que estivesse no quarto antes deixou o ar-condicionado no máximo volume e ficou bom. Eu estou quente. Eu reclino na cama e fecho meus olhos. — Você está bem? — Jordan pergunta, caindo subitamente na outra cama. — É — eu digo. — Estou bem. Ele pega o controle remoto no chão e liga a TV. O som da ESPN sai retumbando dos alto-falantes. Pego minha mala do chão e me dirijo para o banheiro sem dizer a ele aonde ia. Eu tomo um banho longo e gelado, depois coloco um short rosa de pijama e um top preto. Me sinto muito melhor. Tiro meu celular da bolsa. Três chamadas perdidas. Meu pai. Jocelyn. E Lloyd. Merda. Lloyd. Eu quase me esqueci dele. Que seja, eu não vou pensar nisso agora. La, la, la. Só vou ligar de volta para Jocelyn. Eu disco o número do celular dela. — Ei — eu digo quando ela responde. — Você me ligou? — Sim — ela diz. — Eu queria saber como você está se sentindo. Eu ouço o som de buzinas de carro ao fundo. — Uh, Joce? — pergunto. — O que você está fazendo? — Eu estou seguindo B. J. ao McDonald’s — ela diz, soando satisfeita. — Seguindo B. J. ao McDonald’s? — eu repito em silêncio. Ela não pode falar sério. Quem faz isso a não ser Veronica Mars? — Sim — ela diz. — Eu estou seguindo-o para ver se ele vai à casa de Katelyn. — Quem? — Katelyn Masters. Em quem ele deu uns amassos no primeiro ano? — Por que ele estaria indo ver Katelyn Masters? — pergunto, confusa. — Porque ela deixou uma mensagem para ele que foi um meio-flerte, e então hoje ele estava muito vago sobre o que ele estava fazendo. Então eu me dirigi a casa dele e esperei do lado de fora até ele sair. E agora ele está no McDonald’s, e eu vou segui-lo para onde mais ele for. — MySpace realmente será responsável por qualquer um que perder a cabeça. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Você não teme que ele te veja? — Não, na verdade não — ela diz. — Eu estou ficando bem atrás dele, e, além disso, eu estou no carro da minha mãe. — Por que você está no carro da sua mãe? — Jocelyn tem um carro perfeitamente bom, um Honda Civic preto, o qual seus pais compraram para ela poucos meses atrás, como um presente antecipado de formatura. — Dãã — ela diz. — Porque eu não quero que ele perceba que estou seguindo-o. — Ei, Joce? — eu digo, tentando soar gentil. — Não seria mais fácil se você perguntasse para ele onde exatamente ele estava indo? — Courtney — ela diz, suspirando em exasperação. — Eu não posso perguntar a ele! Ele vai pensar que eu não confio nele. — Você obviamente não confia. — Idiota! — Jocelyn grita. — Desculpe, um cara tentou me cortar enquanto virava na Home Depot25. O que você estava dizendo? — Não lembro — eu digo, assustada pela raiva repentina de Jocelyn no trânsito. — Oh, certo, sobre B. J. e eu. Como eu não confio nele. — Por que você iria querer ficar com alguém em quem você não confia? — Eu não iria. Mas e se eu o enfrento nisso e acaba não sendo verdade, e ele termina comigo porque ele acha que eu não confio nele? — Mas você não confia! — Verdade. — Ela considera isso. — Mas pode ser só psicose minha. — Provavelmente. Mais buzinas de carro soam. — Eu tenho que ir – eu acho que B. J. está saindo do drive-thru, e não quero perdê-lo. — Eu te ligo mais tarde — eu digo, desligando. Eu olho para o telefone e penso em ligar para Lloyd, mas então eu o deslizo para dentro da minha bolsa. Eu lido com isso mais tarde. Quando eu volto para o quarto, Jordan está sentado na cama, trocando entre um torneio de pôquer e um jogo de baseball.

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Rede de lojas americanas que vende ferramentas e instrumentos de construção usando a sigla "faça você mesmo"

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— Ei — ele diz. — Você está bem? — Sim — eu digo a ele. — Eu estou bem. — A verdade é, eu não sei se estou bem ou não. De repente, eu me sinto totalmente exausta, como se não pudesse nem me mexer. Arrasto-me para a segunda cama, puxo as cobertas e agarro um dos travesseiros do alto da cama. Eu coloco-o no fundo. Eu gosto de dormir ao contrário nas camas. Além disso, o modo como o quarto está montado, a TV está mais perto do fundo da cama, então faz sentido. Não que eu quisesse assistir pôquer. Mas eu não me importaria de ver o jogo de baseball. — Quem está jogando? — eu pergunto a Jordan. Meus olhos parecem realmente pesados, e minha garganta arranhando por vomitar tanto. — The Devil Rays e os Yankees — ele diz suavemente, olhando para mim. Eu encontro seu olhar por um segundo, e então desvio o olhar. Jordan e eu passamos quase todas as noites desse verão assistindo os Devil Rays na TV. E em um dos nossos primeiros encontros, nós fomos a um jogo. Que seja. Não vou pensar nisso. — Você quer assistir outra coisa? — ele pergunta. — Não — eu disse, meus olhos fechando. — Eu estou muito, muito cansada. — Sim — ele diz. — Você provavelmente devia descansar um pouco. — Provavelmente — eu digo. Eu devo ter dormido em uns dois minutos, porque a próxima coisa que eu lembro é de abrir meus olhos e o relógio mostrar 4 da manhã. O que significava que eu dormir por quinze horas. Meu estômago está oco e cansado, como se tivesse passado por uma provação. Que eu acho que passou. Deixo meus olhos se ajustarem à escuridão do quarto. E então percebo que Jordan está ao meu lado, dormindo, seus braços em volta de mim, nossas pernas enroladas sob o cobertor.

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Jordan – Antes 123 Dias Antes da Viagem, 16h30

Estou tentando beijar Courtney McSweeney. Se você tivesse me perguntado há seis meses se algum dia eu ficaria com Courtney McSweeney, eu teria dito não, absolutamente não. Mas aqui estou eu, tentando fazê-la me beijar. Estamos estacionados na frente de sua casa, sentados no meu carro, e de alguma maneira eu a puxei para perto de mim antes que ela pudesse sair do carro. O que ela me deixou fazer. Mas então, quando fui beijá-la, ela virou a cabeça. — Não vai rolar — diz ela, sua voz abafada contra meu peito. — Por que, não? — pergunto, imaginando se eu a subestimei. Talvez ela seja uma jogadora, uma dessas garotas que te faz trabalhar por isso. O estranho é, eu geralmente entro no jogo, mas pensar em Courtney brincando com minha cabeça, é decepcionante por alguma razão. — Porque — diz ela. — Uma vez que você cruza essa linha com alguém, não dá pra voltar atrás. — O que você quer dizer? — pergunto. Por que ela iria querer voltar atrás? Eu beijo bem pra caramba. Ou pelo menos foi isso que me disseram. — Quero dizer que uma vez que você beija alguém, todas essas outras coisas vem junto, querendo ou não. — Não necessariamente — digo. Estou acariciando o cabelo dela agora, e tudo o que ela teria que fazer é mover seu rosto uns dois centímetros, e incliná-lo para cima, e estaríamos nos beijando. — Qual é — ela diz. — Isto traz todos os tipos de drama com os quais você nunca lidaria se só ficassem como amigos. — Não é verdade. — Tento puxá-la para mais perto, o que não funciona realmente, porque ela já está tão perto. — Eu tive lances que não terminaram em nenhum tipo de drama. — Absolutamente nenhum? — Não. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Sem corações partidos? — Não. — Sem trotes telefônicos psicóticos? — Não. — Sem sentir como se quisesse vomitar e/ou matar seu novo namorado? — Não. — Diga o nome de uma garota com quem você ficou e que ainda sejam amigos. — Não. — Isso é o que eu pensava — diz ela presunçosamente. Embora sua presunção não faça sentido aqui, porque eu acho que ela realmente quer me beijar. Caso contrário, porque ela estaria se inclinando contra mim desse jeito? — Você me enganou — digo. — Diga, então. Me dê o nome de uma garota com quem você ficou e que ainda sejam amigos. — Isso não tem que ser dramático — digo, ignorando seu pedido. — Pode ser só sobre... o momento. — Não sou boa com o momento — diz ela. — Estou sempre preocupada com o que vai acontecer depois. — Você deveria parar de se preocupar — digo. E então abaixo e inclino seu rosto para o meu, e eu a beijo. Ela não se afasta. Sua boca está na minha, nossas línguas estão juntas, e minhas mãos estão em seu rosto. E é muito, muito bom. Ela se afasta primeiro, e inclinamos nossas cabeças juntas. — Isso foi bom — digo, sorrindo. — Isso foi um erro — ela diz, sorrindo de volta. E então ela sai do meu carro e vai pra sua casa sem olhar para trás.

Quando chego na minha casa, quinze minutos depois, minha mãe está sentada na mesa da cozinha. Tanto por esperar lá fora e me esconder até que eu tivesse a coragem para confrontá-la. Ela está usando um conjunto de suéter roxo e uma saia cor de creme. O que é estranho. Porque ela parece... normal. Não como se ela estivesse fodendo com algum cara qualquer no sofá que ela e meu pai escolheram para o aniversário deles. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Jordan — diz ela, levantando-se e alisando a saia. Ela olha nervosamente para mim e eu afasto o olhar. ― Escute, devemos conversar. — Não sei se nós temos qualquer coisa pra falar — digo simplesmente. Estou tentando descobrir a melhor maneira de trabalhar isto ao meu favor. Estou zangado. — Nós temos — ela diz. — Sente-se. Puxo uma cadeira da mesa da cozinha e sento desleixadamente na sua frente. — Do que você quer falar? — Eu olho para ela, e de repente, estou muito, muito assustado. É algo em seu rosto. Porque aqui está a coisa: até este momento, eu achava que era uma coisa de uma vez só. Talvez ela e um cliente estivessem trabalhando até tarde e se deixaram levar. Eles começaram a beijar, eu entrei, e ela o enviou para casa depois de voltar à razão. É assim como as coisas funcionam normalmente, não é? Eu me amaldiçoo por assistir Laguna Beach ao invés de aprender lições de vida valiosas em The OC. — Acho que precisamos conversar sobre o que aconteceu aqui na outra noite. ― Ela morde o lábio de novo e olha ao redor nervosamente. — O que tem? — Jordan, eu realmente, realmente preciso que você não conte nada sobre o que aconteceu a seu pai até que eu tenha uma chance de falar com ele. — Você não pode estar falando sério — digo. — Até parece que não vou contar pro pai. — Ela deve estar delirando. Será que ela realmente acha que eu guardaria esse segredo enorme do meu pai? Como ela pode sequer esperar que eu faça isso? — Jordan — ela diz, — eu tenho o direito de ser capaz de contar a ele em meu próprio tempo, do meu próprio jeito. — Ela puxa a barra de sua saia nervosamente. — Essa é a única maneira em que seremos capazes de resolver isso. — Que seja — digo, indo para a geladeira e pegando uma Coca-Cola da porta lateral. — Vou ficar fora disso. Na verdade, nem ligo mais. Eu a deixo de pé na cozinha e vou para o meu quarto, onde passo as próximas duas horas escutando rap no meu iPod e pensando sobre a sensação de beijar Courtney McSweeney.

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Courtney – A Viagem Dia Dois, 04h07

Fiquei ali por um segundo, não muito certa do que deveria fazer. Quero dizer, Jordan está na mesma cama comigo. Envolvido ao meu redor. Uma parte de mim quer gritar, empurrá-lo, dar a louca e, possivelmente chutá-lo nas bolas. Mas a sensação é boa. Estar perto dele. E percebo que provavelmente nunca vou estar tão perto dele novamente. Nunca. Então, talvez eu deva apenas me render por um momento, segurando esta última coisa. Posso sentir seu peito se movendo perto de mim, subindo e descendo com sua respiração, e seus braços sentem-se fortes ao meu redor. Meu estômago ronca, provavelmente porque está vazio. Que saco. Sei que não posso comer nada, porque se eu fizer, vou acabar ficando doente de novo. Empurro a mão de Jordan do meu ombro. Acerta minha cabeça. Ótimo. Por que ele está na cama comigo? É possível que eu tenha entrado em algum tipo de estranho estado delirante por causa de minha aparente intoxicação alimentar e agarrado e puxado ele pra cama comigo? Talvez tenha sido uma fuga26. Aprendemos sobre isso na aula de psicologia. Estou horrorizada. Empurro seu braço para cima e sobre minha cabeça, tentando não acordá-lo. A última coisa que quero é que ele seja ciente do fato de que estamos nesta posição. Talvez tenha acontecido naturalmente. Como nos filmes, quando os rapazes e as garotas sempre adormecem não percebendo que estão se enrolando um ao redor do outro. Talvez seja essa a forma de nossos corpos nos dizerem que somos feitos um para o outro. Ou talvez eu, tipo, tenha atacado ele ou algo assim. Preciso sair desta cama. Deste hotel. Desta viagem. Definitivamente não é bom pro meu estado mental. Pego meu telefone do criado-mudo ao lado da cama. Retiro-me rapidamente do emaranhado que é Jordan, e vou para o banheiro. Verifico minhas chamadas perdidas. Quatro delas. São todas de Lloyd. Maravilha. Eu me pergunto se quatro da manhã é muito tarde/cedo para ligar para ele. Na verdade, esse poderia ser o momento perfeito, porque dificilmente ele vai estar acordado. Então eu posso deixar uma mensagem rápida, tipo Obrigado por me ligar, mas eu estava doente e dormindo, assim eu não teria que realmente falar com ele. Sou tão brilhante. 26

Um estado de amnésia.

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Aperto o botão na minha agenda telefônica ao lado do seu nome e escuto enquanto ele toca. Ring... Ring... — Alô? — diz ele, parecendo cansado. Ótimo. Que tipo de idiota atende ao telefone às quatro da manhã? Em dia de ir pra faculdade, nada menos! Por acaso ele não tem orientação? Dane-se. Isto é tão ridículo. Quer dizer, eu fiquei com ele, isso não é o fim do mundo. As pessoas ficam o tempo todo. E então você simplesmente lida com isso. Fala sobre isso. Resolve isso. Este é Lloyd. Ele é meu amigo. Não um psicótico. Ele é Lloyd. Respiro fundo. — Oh, oi — digo. — Sinto sua falta. — Oh. — É a única coisa que posso pensar em dizer. Não tenho que dizer isso de volta, não é? Quer dizer, não é como quando alguém diz eu te amo e você é tipo obrigado a dizer também, mesmo se você não queira. E eu sinto falta dele. Um pouco. Embora eu realmente não saiba como você pode sentir falta de alguém que viu uma noite atrás. Quero dizer, normalmente, não nos vemos todos os dias. Então é meio estranho ele dizer que está sentindo minha falta, pois apesar de que vamos estar longe na faculdade, nada realmente mudou ainda. — Que horas são? — Escuto o som dele se movendo em sua cama. — Hum, quatro da manhã — digo. — Estou tão feliz que você tenha retornado minha ligação — diz ele. — Estava preocupado com você. — Sim — digo. Silêncio. — Então, escuta, realmente não posso falar muito tempo, porque estou no banheiro e não quero acordar o Jordan. — Por que você acordaria o Jordan? — pergunta ele, soando confuso. — Porque ele poderia me escutar falando, e então acordar. E ter de lidar com ele enquanto está acordado durante as horas normais é sofrimento suficiente para mim. — Estou assumindo que Lloyd vai gostar do fato de que estou dizendo algo ruim de Jordan, mas minha declaração tem o efeito oposto. Lloyd surta. — Vocês estão ficando no mesmo quarto? — pergunta ele. De repente, ele soa bem acordado, e há mais barulho do outro lado da linha, como se estivesse sentando e prestando atenção. De repente, sinto como se estivesse em algum episódio muito estranho de Além da Imaginação, onde Lloyd me quer e eu não quero ele, Jordan terminou comigo, estou em um quarto de hotel mal iluminado, e são quatro da manhã. Mas não é. É a vida real. Muito estranho. — Sim, estamos ficando no mesmo quarto — digo tentando soar despreocupada. — Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Mas há duas camas, e só foi porque havia apenas um quarto. — Agora estou mentindo para o Lloyd. Sou uma mentirosa. ― Havia só um quarto? — Lloyd pergunta incrédulo. Aparentemente uma mentirosa muito ruim. — Sim — digo. — Sinto muito, Court — diz ele. — Você está bem? Tendo que ficar no mesmo quarto que ele assim? — Sim, está tudo bem — digo. — Estou aguentando. — Bom. — Sim — digo. — Então, de qualquer forma, você parece bem cansado, então deveria deixar você ir. Eu te ligo amanhã, antes de chegarmos aí e te aviso quando... — Hoje — diz Lloyd. — Hoje o que? — pergunto. Minha cabeça está começando a doer, e não tenho certeza se é porque estou conseguindo algum tipo de exaustão por intoxicação alimentar, ou se é por causa do estresse da viagem. — Você estará aqui hoje, tecnicamente — diz Lloyd. — Porque são quatro da manhã? — Oh — digo. — Certo. Silêncio. — Você tem certeza que está tudo bem? — Lloyd pergunta. — Sim — eu digo. — Está tudo bem. —É o Jordan? Ele tentou alguma coisa? — Uh, não — digo. — Ele não tem. Tentado alguma coisa, quero dizer. Ele tem namorada. — Não menciono o fato de que acabo de acordar com os braços do Jordan envolvidos ao meu redor. Porque obviamente foi algum tipo de equívoco estranho, algo que aconteceu enquanto estávamos dormindo. — Como se isso fosse impedi-lo. — Lloyd bufou. Não, sério, ele bufou. O cara que beijei noite passada está bufando. — Vocês estavam juntos quando ele começou a ficar com sua nova namorada, então eu não me admiraria nada, Courtney. Quero salientar que (supostamente) Jordan não me traiu, mas realmente, qual é o ponto? Lloyd vai acreditar no que ele quiser. E seja o que for, ele provavelmente está certo. Jordan provavelmente me traiu. Sinto-me começando a ficar transtornada, e respiro fundo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Ok, bem, vou voltar a dormir — digo para Lloyd. — Vou te ligar amanhã pra você saber como estamos progredindo. — OK — diz Lloyd. — Sinto sua falta, Courtney, e mal posso esperar pra te ver. — Sim, eu também — digo, e logo desligo antes que ele possa dizer mais alguma coisa. Deslizo meu celular de volta na minha bolsa e me arrasto de volta para o quarto. Subo em outra cama, aquela que Jordan não está, fecho os olhos e tento dormir.

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Courtney – Antes 107 Dias Antes da Viagem, 16h05

— Pare de ficar com ele — Jocelyn diz. — Vai ficar ruim. — O que você quer dizer? — eu pergunto, franzindo a testa. — Exatamente o que eu disse. Você gosta dele, Court. E isso não é bom. — Eu não gosto dele — eu digo, rolando meus olhos. — Nós só estamos, você sabe, ficando. Eu beijei Jordan pela primeira vez há algumas semanas atrás e depois de alguns dias tentando terminar com ele, e ele sendo muito persistente, nós temos ficado bastante ultimamente. E por bastante, eu quero dizer, hum, bastante. Tipo, nós estamos juntos em cada segundo que não estamos na escola. E mesmo quando estamos na escola, estamos nos correspondendo por mensagens de texto. Ou ficando durante o almoço ou durante nossos tempos vagos na biblioteca. Ou passando bilhetes nas aulas de matemática. Não era tão ruim assim, entretanto. Eu quero dizer, estamos quase terminando a escola. Então não é como se nós tivéssemos toneladas de trabalhos que deveríamos estar nos concentrando ou algo assim. — Você gosta dele — Jocelyn diz. — Eu posso dizer pela forma que você fala com ele. E isso não é bom. Quando as pessoas começam a gostar das pessoas, é quando alguém pode se machucar. — Eu não vou me machucar — eu digo, dando de ombros. Nós estamos sentadas na sala da casa de Jocelyn, assistindo meu conjunto de DVD’s de Laguna Beach e conversando sobre nada. — Apenas tome cuidado, é só o que eu estou dizendo. — Você não devia falar — eu digo, pegando um travesseiro do meu lado do sofá e jogando nela. — Totalmente diferente — ela diz. — Eu nem de longe estou tão emocionalmente envolvida com B. J. quanto você está com Jordan. — Eu não estou emocionalmente envolvida com Jordan — minto. A verdade é, eu meio que estou. Emocionalmente envolvida com ele, quero dizer. No começo, era só Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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diversão. Eu gostei de beijá-lo e estar perto dele e segurar sua mão. Mas então se transformou em algo diferente. Eu converso com ele. Eu conto coisas a ele que nunca disse para ninguém, como sobre como eu tenho medo de tudo ser diferente quando eu for para a faculdade e não ser mais esperta e terminar expulsa e meus pais me renegarem. — Bem, que seja — Jocelyn diz. Ela pega o controle e aumenta o volume da TV. — Apenas tome cuidado, Courtney. Porque ele definitivamente não está emocionalmente envolvido com você.

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Jordan – Antes 99 Dias Antes da Viagem, 18h07

Eu acho que estou emocionalmente envolvido com Courtney McSweeney. Isso não é um bom plano por algumas razões. Eu faço questão de nunca me envolver emocionalmente com ninguém. Envolvimentos emocionais são complicados. Eles terminam com corações partidos e perseguição. Não que eu já estive em um fim desses, ou seja, ser aquele que estava perseguindo ou que ficou com o coração partido. Mas eu já vi muitas garotas emocionalmente envolvidas comigo e nunca foi uma situação boa. Envolvimentos emocionais são para pessoas realmente idiotas, ou pessoas que são muito, muito mais velhas e podem lidar com coisas confusas como envolvimentos emocionais. Também, Madison Allesio agora está me perseguindo. Quando eu digo perseguindo, eu quero dizer em valores relativos. Ela desistiu do trabalho duro e agora está deixando bem claro que ela quer transar. Ela está fazendo isso ao deixar mensagens no MySpace e no celular que dizem eu quero transar. O estranho é que isso não deveria ser exatamente um problema. Porque eu nem mesmo quero transar mais com ela. O que é a razão pela qual eu deveria. Porque se eu não fizer, significa que eu estou emocionalmente envolvido com Courtney. E isso não pode acontecer. Era nisso que eu estava pensando enquanto dirigia até a casa de Courtney para fazer a tarefa de matemática. Nós normalmente fazemos nossa tarefa de matemática juntos em seu quarto, o que nos permite resolver um problema de matemática e então namorar por alguns minutos. Então ela para e diz: — Jordan, nós realmente temos que fazer o trabalho — e nós resolvemos mais dois problemas e namoramos de novo por um tempo. Leva muito mais tempo fazer a tarefa desse jeito, e apesar disso, parece que o tempo passa muito mais rápido. A outra coisa que me assusta sobre a situação com Courtney é que eu obviamente estou passando muito tempo lá num esforço para evitar o que está acontecendo em minha casa. Minha estratégia, como com a maioria das coisas, tem sido negação e fuga. Eu apenas nego e fujo. O estranho é que meus pais não parecem notar. — E aí? — Courtney pergunta quando eu chego a sua casa. — Nada demais — eu digo. Ela se inclina para mim enquanto eu passo por ela entrando na casa e eu aspiro seu cheiro. Ela cheira tão bem. Como… Eu não sei exatamente. Como Courtney. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Duas horas depois, nós estamos namorando em sua cama. Nossos livros de matemática estão no chão. Minhas mãos estão em seu cabelo e em seu rosto e sob sua blusa em suas costas. Sua língua está em minha boca e eu a quero demais. — Espere — ela diz, afastando-se. Ela tira seu cabelo do rosto e olha para mim de forma séria. — Eu não sei o que está acontecendo aqui. Ela senta e arruma sua blusa. Uh-oh. Isso não é bom. Soa como se fosse ocorrer uma conversa. Conversas, em regra, não são boas. Normalmente significam que algo ruim vai acontecer. Quando coisas ruins acontecem, eu gosto que elas simplesmente aconteçam. Por que perder tempo falando sobre elas? Ou sobre a possibilidade que existe delas acontecerem? De novo, negação e fuga realmente são uma ótima estratégia e salva a todos de um monte de problemas. — O que você quer dizer? — pergunto. Beijo seu pescoço num esforço para distraíla. — Sua pele é tão suave. — Jordan — ela diz, afastando-me. — Pare. Sério. Uou. Ok. Eu me afasto dela e me recosto na parede atrás de sua cama. — Eu só… — ela para. — Eu não quero ser uma menina típica, mas eu preciso saber o que está acontecendo. — Ok — eu digo devagar, incerto do que dizer. Não que eu esteja sendo forçado a encarar o assunto, mas porque eu realmente não sei o que dizer a ela. Eu já estive nessa situação várias vezes antes. Normalmente, as garotas não são muito ruidosas sobre isso. Você pode apenas meio que dizer que elas chegarão ao ponto onde elas vão pressionar você por uma resposta sobre o que vai acontecer. Elas querem que você seja seu namorado, não apenas um cara para sexo casual. Está bem, eu não posso culpá-las. Sou meio que um bom partido. Normalmente, eu digo a elas que eu não estou a fim disso. Algumas vezes elas me odeiam. Algumas vezes nós continuamos saindo (embora nunca seja a mesma coisa). Mas dessa vez, eu percebi que não quero dizer a Courtney que eu não quero ser seu namorado. Na verdade, eu quero ser seu namorado. Se for disso que ela está falando. — Do que você está falando? — Pergunto. — Não sei — ela diz devagar. Ela olha para a cama e passa seu dedo em volta de uma flor azul em seu edredom. — É só, quero dizer, eu não preciso que você seja meu namorado ou algo assim. — Oh. — Mas eu... Quero dizer, o que exatamente está acontecendo?

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— Bem — eu digo, passando minha mão pelo meu cabelo. — Eu não sei. Eu adoro passar o tempo com você e eu adoro estar perto de você. Eu percebo que ela está a dois pés de mim e aquilo me deixa nervoso. Eu estendo a mão e toco a sua e começo a desenhar pequenos círculos com meu dedo indicador em sua palma. Eu tento puxá-la para perto de mim, mas ela resiste. — Só parece meio estranho passar todo esse tempo junto e fazer todas as coisas que estamos fazendo sem saber exatamente o que está acontecendo. — Ela morde o lábio. Eu me debruço e a beijo. — Jordan, sério — ela diz, afastando-me. — Ok — eu digo, recuando. — Desculpe. Então, o que você quer? Vamos ficar juntos. Eu e você. — Eu a beijo novamente. Não posso evitar. — Seja minha namorada. — Jordan, estou falando sério — ela diz. Ela rola seus olhos e me afasta. — Eu também. — Eu a puxo para perto e olho em seus olhos. — Vamos ficar juntos. Ela encosta sua cabeça na minha. — Você realmente quer isso? — Ela pergunta. Ela inclina sua cabeça em direção à minha. — Sim — eu digo. — Porque você não deveria dizer isso a não ser que, você sabe, você realmente queira. Eu não quero que você pense que tem que fazer isso. — Eu não sinto como se tivesse que fazer qualquer coisa — eu digo. Eu aproximo um pouco meus lábios dos dela. — Ok — ela diz. — Então… Eu a beijo então, e ela finalmente para de falar.

Três horas depois, nós finalmente terminamos nossa tarefa de matemática. Eram dez problemas. Dez problemas levaram três horas para que terminássemos. Já são dez da noite. Eu não vou ter tempo de terminar o resto do meu trabalho de casa. Eu espero que ter uma namorada não complique a minha habilidade de manter minhas notas altas. Ha. — Eu tenho que ir — eu digo, tentando me desenrolar do corpo de Courtney. Nós estamos deitados em sua cama, nos beijando, e eu não consigo parar. É como se eu estivesse fisicamente incapacitado de ficar longe dela. — Ok — ela diz, sem se mover. Ela fecha os olhos por um segundo e eu tento memorizar sua aparência, seu cabelo estirado no travesseiro, seus lábios levemente

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separados. Ela suspira e sai da cama, então estende a mão e me puxa. Eu a puxo para perto de mim e a beijo novamente. — Eu te levo até a porta — ela diz quando se afasta. — Ok. — Eu pego minhas coisas, empurro tudo dentro de minha bolsa carteiro preta e desço as escadas com Courtney. Enquanto entramos na cozinha, a porta de trás abre. — Pai? — Courtney pergunta. Merda. O pai de Courtney esteve numa viagem de negócios nas últimas semanas, então eu não tive que conhecê-lo. Eu odeio conhecer pais. Pais, em regra, não gostam de mim. Eles acham que eu sou um criminoso que está tentando deflorar suas preciosas filhas. O que geralmente é o caso. Mas não nesse caso. Embora eu não fosse me importar em deflorar Courtney, eu estou contente com todos os amassos. Talvez nem mesmo seja deflorar. Nós ainda não tivemos toda a conversa de Você é virgem? A porta de trás se abre e o pai de Courtney entra. — Você chegou! — Ela se lança nele e o agarra num abraço. Vai ser duplamente desastroso, porque Courtney e seu pai são super-próximos. O que significa que ter sua aprovação é a chave do nosso relacionamento. Eu uso o tempo de reunião deles para ajeitar minhas roupas e passar os dedos em meu cabelo. Eu espero que não esteja parecendo que eu acabei de dar uns amassos na filha dele. — Jordan — Courtney diz. — Venha conhecer meu pai. — Ela hesita, ainda segurando sua mão. — Prazer em conhecê-lo, senhor — eu digo, estendendo minha mão. Eu olho direito para ele pela primeira vez e então paro. Porque o pai de Courtney é o cara em quem minha mãe estava dando uns amassos no sofá.

— Deixe-me entender isso direito — B. J. diz algumas horas depois, recostando-se no banco. Nós estamos no Denny’s, fazendo nosso lanche de tarde da noite e eu acabei de contar para ele toda a história sórdida. Tudo. Minha mãe. Courtney. Seu pai. Tudo. — Courtney agora é sua namorada. — Certo.

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— E duas horas depois que vocês dois, crianças loucas, chegaram à conclusão que são almas gêmeas, você descobriu que sua mãe está fodendo com o pai dela. — Certo. — Eu nem mesmo me irrito com a linguagem rude de B. J. Eu estou além disso. — Cara, essa é merda é fodida. — Ele pega uma batata frita e mergulha no ketchup. — O que você vai fazer? — Eu tenho que contar a ela — eu digo. Silêncio. — Certo? — Certo — B. J. diz, soando incerto. — Por que você parece incerto? — Eu não pareço — ele diz, soando ainda mais incerto que antes. — Sim, parece! — Bem, é só uma daquelas coisas que parecem boas na teoria, mas pode não ser realmente necessária. — Ele tira o canudo de sua bebida e joga na mesa, depois toma um grande gole de sua soda direto do copo. No momento correto, a garçonete vem e repõem sua soda. — Obrigada — B. J. diz, sorrindo para ela. — De nada — ela diz, olhando para mim. — Você quer algo? — Não, obrigado — eu digo, levemente irritado por ela estar interrompendo. — Tem certeza? — ela insiste. — Sobremesa? Café? — Não, estou satisfeito — eu digo, desviando o olhar e torcendo para ela entender a mensagem. — Oooh, quer saber? — B. J. diz, parecendo excitado. — Eu vou querer um pedaço daquela coisa de morango, aquela com todo o chantilly? Eu resisto a vontade de arremessar-me pela mesa e estrangulá-lo. — Ok, — ela concorda. — Sorvete de baunilha? — Claro — B. J. diz. Ele dá de ombros. — Pode fazer. — Trarei duas colheres. Assim que ela limpa a área, B. J. toma outro gole de sua soda. Ele recosta-se na cadeira e dá um grande arroto.

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— Enfim — eu digo, tentando não perder o controle. — Você poderia me dizer por que eu não deveria contar a ela? — Cara — B. J. diz. Ele coloca um cubo de gelo na boca e começa a mastigá-lo. — Cara o quê? — Espera — ele diz. — Estou tentando pensar em como dizer isso. Ótimo. Vamos ficar aqui o dia todo. — Não tente pensar em como dizer — eu digo. — Apenas diga. — Tem certeza? — Sim! — Você provavelmente não vai ficar tanto tempo assim com ela. — Ele dá de ombros. — Então não há razão para contar para ela. — Jesus, diga-me como você realmente se sente. — Você disse para só dizer! — Eu sei, eu sei — eu digo. Eu debruço-me sobre a mesa e esfrego minhas têmporas com meus dedos. Talvez B. J. esteja certo. Talvez eu não devesse contar a ela. Talvez eu possa esperar mais um pouco até descobrir como me sinto em relação a ela e então poder decidir se conto ou não a ela. Eu realmente gosto de Courtney, eu gosto muito dela, eu não quero ficar com mais ninguém, mas eu sou volúvel. E se eu contar para ela e isso arruinar sua vida? E se ela não devesse saber disso, e se não contar a ela, de outra forma ela nunca descobriria? Não é como se minha mãe estivesse planejando casar com o pai dela. Eu não acho, de qualquer forma. — Cara, você está se estressando com isso? — B. J. pergunta. — Não me assuste. — Por que isso te assustaria? — Porque você nunca se estressa. A garçonete retorna com um prato enorme de torta de morango, sorvete e chantilly. Ela coloca duas colheres. — Eu fiz uma porção dupla — ela diz, sorrindo. Ela lambe os lábios e passa as mãos por seu avental apertado. Amável. Meu mundo está desmoronando e uma garçonete qualquer está fazendo piadas de ménage. Ela afasta-se, balançando seus quadris de um lado para o outro. Se eu não estivesse tão fodido neste momento, eu provavelmente estaria excitado.

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— Cara — B. J. sussurra, debruçando-se na mesa. — Ela quer um ménage a trois conosco? — Provavelmente. — Uau. — Seus olhos arregalam-se. — Não que eu fosse aceitar. Sem ofensa, irmão, mas seria muito fodido. — Ele dá uma mordida na torta de morango. — Isso é uma delícia. Experimenta. — Não, obrigado — eu digo. Eu de repente fiquei sem fome, e o cheeseburger e as batatas que eu acabara de devorar parecem pesar em meu estômago. — Você precisa esfriar — B. J. diz. Ele tem chantilly por toda a boca. Eu estendo um guardanapo para ele sem dizer uma palavra. Ele sorri com vergonha e limpa sua boca. — Por agora, você não pode se preocupar com isso. A última coisa que você vai querer é deixar Courtney assustada por nada. E se você decidir que vai virar algo sério, você sempre poderá contar para ela depois. — E se ela perguntar por que eu não contei antes? — Você pode dizer a verdade. Que você quis ter certeza que você sabia o que estava acontecendo entre vocês, e entre seus pais, antes de fazer qualquer coisa psicótica. Eu encaro B. J. sem acreditar. Como pode alguém tão idiota na maior parte do tempo de alguma forma ser capaz de dar um conselho tão bom? Talvez seja porque ele pensa num nível muito simples na maior parte do tempo, que ele não fica em dificuldade em questões como emoções e manipulação. Ele apenas descobre a melhor forma de lidar com a situação, e então faz isso. — Boa ideia — eu digo. — Obrigado. — Sem problemas. — Ele sorri para mim com a boca cheia de morango. — Mais alguma coisa que eu possa pegar para vocês? — A garçonete diz, aparecendo em nossa mesa. — Apenas a conta — eu digo. — Obrigado. Ela rasga o bloco devagar e coloca-o na mesa em frente a mim. — Se precisar de mais alguma coisa, eu sempre posso acrescentar. — Ela sorri de novo, vira-se em seu salto e afasta-se. — Você podia tanto pegar ela — B. J. diz. Eu pego a conta. $15.65. Carrie, diz no fundo. Ligue para mim, gato! 555-0181. Seguido de uma carinha sorrindo. Eu jogo uma nota de $20 na mesa e deixo a conta onde está. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Jordan - A Viagem Dia Dois, 11h37

Provavelmente entrarei em uma briga com Lloyd quando chegarmos a Middleton. Faz tempo que quero fazer isso, e eu não poderia ser culpado por partir para cima dele. Ele nunca levou a relação que eu tinha com Courtney a sério. Mesmo quando estávamos juntos o tempo todo, ele ainda lançava pequenas indiretas. Caso em questão: Uma noite, quando Lloyd, Court, eu, B.J., Jocelyn, e algumas outras pessoas estavam saindo, Courtney decidiu que queria pedir comida e Lloyd era todo: — Oh, Courtney, você sempre tem que pedir comida enquanto estamos assistindo baseball. — O que pode ter sido verdade. Mas foi o jeito que ele disse que me tirou do sério. Foi como se ele falasse sobre comida, mas ele basicamente estava dizendo, Jordan, conheço Courtney melhor do que você, e poderia transar com ela se quisesse. Enfim, estamos no carro a caminho de ver o meu irmão, Adam, e Lloyd em Middleton, e Courtney está agindo como se fosse véspera de natal. Ela já está praticamente tirando a roupa. Não sou estúpido. Sei que algo disso é atuação, algo que ela provavelmente está fazendo para me irritar, mas mesmo assim. Eles ficaram. Tem que ter algo aí, ou então ela é uma atriz do caramba. Até agora, ela me perguntou como está seu cabelo cerca de cinco milhões de vezes. Está usando uma saia flippy preta e um top preto. Seu cabelo está em marias-chiquinhas, o que você poderia pensar que seria meio bobo, mas nela fica realmente uma graça. Quase nunca vi Courtney vestida assim. Geralmente ela não é tão... reveladora. — Meu cabelo está bom? — pergunta de novo, puxando pra baixo o visor e checando-se no espelho. — Sim — digo, por entre dentes cerrados. — Seu cabelo está bom. — Desculpe se estou sendo chata — diz ela, tirando um brilho labial de sua bolsa e passando nos lábios. — Estou nervosa. — Compreensível — digo, observando-a pelo canto do olho. Ela tem a melhor boca. Olho para frente de novo, mantendo meus olhos na estrada. — Estou morrendo de fome — ela anuncia. — Vamos parar para tomar café da manhã ou algo assim?

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— Você acha que isso é inteligente, com seu estômago e tudo mais? — a última coisa que preciso é Courtney vomitando sobre meu carro de novo. Não que eu tenha me importado ontem. Eu realmente gostei de cuidar dela. Mas as coisas são diferentes agora. Ontem ela estava linda e vulnerável. Envolveu suas pernas ao meu redor na cama, e me puxou para perto dela durante a noite. Agora ela está vestida como uma vagabunda e pensando em ter relações sexuais com Lloyd. Então me perdoe se não estou correndo pra segurar seu cabelo para trás. Deixe Lloyd fazer essa merda se ela está tão afim dele assim. — Estou com fome. — Ela dá de ombros e tira o CD do player e o joga no banco de trás. Aperta o botão do rádio por satélite e muda para estação country. — Fique a vontade — digo, revirando os olhos. Meu celular começa a vibrar no meu bolso e faço meu melhor esforço para ignorá-lo. — Seu celular está tocando — Courtney diz prestativamente. — Obrigado — digo. — Deveria atender. — Ela começa a cantarolar junto com a música no rádio, algo sobre os últimos dias de alguém na terra e tirando proveito deles. Estou a ponto de enlouquecer escutando essa merda de rádio country. Country é tão deprimente. Há músicas lentas demais. Porque estou aguentando essa merda? É o meu carro. Eu estou dirigindo. Eu deveria poder ouvir a merda que eu quisesse. Especialmente agora que ela está transando com o Lloyd. Deixe que ele aguente essa droga de música country, e seu vômito. — Tudo bem — digo. — Eu vou. — Tiro meu celular do bolso e faço um grande show ao atendê-lo. — Alô? — digo, soando otimista, e como se estivesse feliz por estar no telefone. Decidi fingir que é minha namorada imaginária. Foda-se fingir ser legal. — Ei — B.J. diz. — O que tá rolando, querida? — digo, tentando olhar para Courtney pelo canto do olho sem que ela perceba que é isso que estou fazendo. Ela está remexendo na bolsa, provavelmente procurando mais maquiagem, assim ela pode se arrumar para o Lloyd. — Querida? — B.J. pergunta. — Jordy, eu não tinha ideia que você se sentia assim sobre mim. Tenho que te avisar, porém, que estou muito comprometido em um relacionamento. — Sim, sinto sua falta também. — Courtney começa a passar pelas estações de rádio. Bom. Espero que ela esteja abalada. Espero que perceba que se não estivesse ficando com o Lloyd, eu a deixaria escolher qualquer música que quisesse escutar. E que eu não estaria fingindo falar com minha namorada falsa.

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— Estou supondo que sou sua namorada falsa? — B.J. pergunta, suspirando. É um milagre que ele tenha compreendido. Geralmente ele não é o melhor com coisas que não são soletradas para ele. — Claro, benzinho — digo. Tento não pensar no fato que estou falando com B.J. como se estivéssemos apaixonados. B.J. tem mais de 1.90 de altura e pesa quase 100 quilos. Não é alguém com quem você queira pensar em ser íntimo. Com o canto do olho, vejo Courtney tirar seu iPod da bolsa e enfiar os fones nos ouvidos. Não estou engolindo essa. Sei que a coisa não está ligada. Até parece que ela não quer me ouvir conversar com minha nova namorada. — Olha, me desculpe te incomodar quando você está obviamente ocupado com, uh, coisas importantes — B.J. diz. Ele soa sarcástico. — Mas se lembra alguns meses atrás, quando catamos aquele baseado para o Brian Turner? — Mais ou menos — digo, me perguntando se seria ir longe demais chamar B.J. de ursinha ou schmooper27. Quero que Courtney esteja com ciúmes, mas tampouco quero que ela pense que sou um boboca. O que é realmente um saco, já que, você sabe, fui eu quem terminou com ela. — Pagamos por isso, certo? — Sim — digo. Há alguns meses compramos um pouco de baseado para a festa de Brian Turner. Este foi um processo longo e prolongado, já que o primeiro cara de quem nós deveríamos pegar não estava onde ele deveria estar, e então esse cara chamado Gray Poplaski, de alguma forma acabou vindo junto, apesar dele ser meio que um joguete, disse que ele conhecia outro cara que provavelmente nos conseguiria um pouco. O que me irritou, porque nem mesmo gosto muito de maconha. Enfim, nós finalmente encontramos uns caras de aparência bem duvidosa, e a conseguimos, mas toda a experiência foi estranha. — Acha que alguém soube sobre isso? — B.J. pergunta, soando nervoso. — Soube sobre o quê? — pergunto, tentando imaginar porque eu diria isso a minha namorada falsa. Talvez se ela perguntasse, Acha que alguém soube sobre isso? querendo dizer, Acha que alguém soube sobre a gente transando na cama dos meus pais? ou algo assim. Espero que Courtney seja esperta o suficiente para deduzir que isso é o que provavelmente está acontecendo. Eu me pergunto se seria ir longe demais se eu pegasse e dissesse, Você quer dizer sobre o estilo cachorrinho que fizemos? — Sobre a maconha que compramos! — B.J. diz, soando exasperado. Ele esteve soando bastante exasperado comigo ultimamente. O que, como eu disse antes, realmente me preocupa. Porque se B.J. acha que você não pode acompanhar, isso provavelmente significa que você está na merda. 27

Expressão americana usada sentimentos amorosos e ternos. Excessivamente sentimental.

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— Como quem? — Não sei — diz, baixando a voz. — Como seu bando. — Como o bando de quem? — percebo que provavelmente não serei capaz de continuar fingindo que estou falando com minha namorada falsa por mais tempo, então eu finjo um bip de chamada em espera. — Tenho que ir — digo a B.J., também conhecido como minha namorada falsa (M.N.F). — Alguém tá ligando. — Finjo mexer no celular por um minuto. — Alô? Oh, oi, B.J. — Olho para Courtney, esperando que agora ela pense que eu estava no telefone com minha namorada falsa até que B.J. ligou. — Já terminou? — B.J. pergunta, soando irritado. — Acho que sim. — De qualquer maneira, seu bando — diz B.J. — Poderia estar atrás de mim. — Bando de quem? — repito, esperando que Courtney não perceba que aparentemente estou tendo a mesma conversa que eu estava tendo com minha namorada falsa com B.J. — Daqueles bandidos de quem a gente comprou! — B.J. diz. Estou começando a ter uma dor de cabeça. — Estou começando a ter uma dor de cabeça — digo. — Olha, acho que alguém esteve me seguindo — B.J. diz. — E a única coisa que posso pensar é que isso poderia ter algo a ver com aquela maconha que compramos. — Alguém está seguindo você? — pergunto. — Onde você está? — eu me junto à rodovia, e tento lutar através do tráfego. Eu realmente deveria colocar meu telefone no viva voz, mas obviamente não posso, porque então Court saberia que estive falando com B.J. e não com M.N.F. Tenho um fone de ouvido no porta luvas, mas isso implicaria me aproximar por cima de Courtney. Ou pedir para ela passá-lo para mim. — Estou dirigindo para academia — diz. — E tem um carro atrás de mim, entrando e saindo do tráfego. Acho que o vi ontem, também. — Você está sendo paranoico. — Um Jetta vermelho no meu lado esquerdo vira de repente para minha faixa, e eu desvio para evitar bater. Meu celular cai no chão. Merda. Eu tateio pelo chão enquanto tento colocar meu carro de volta em sua faixa. Isso é extremamente perigoso. —… e atirar em mim ou algo assim — B.J. está dizendo na hora que coloco o celular de volta no ouvido. — O quê?

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— Que diabos está acontecendo aí? Minha merda está prestes a EXPLODIR, e você fazendo algum tipo de maldito jogo! — diz ele. — Espera um segundo. — Coloco o celular no meu colo. — Courtney — digo docemente. — Você poderia alcançar dentro do porta-luvas e me entregar meus fones de ouvido? Ela me ignora e finge estar ouvindo seu iPod. — Court? — digo, levantando a voz. Das profundezas do celular no meu colo, eu posso ouvir fracamente B.J. dizendo. — Alô? Você tá aí? Jooorrrddaannn! — eu viro o celular, para abafar a voz de B.J. — COURTNEY! — Someee hearts just get luucccky sometimesss28 — ela canta, sua voz totalmente desafinada. Estou no meio de três faixas de tráfego de alta velocidade, tendo um amigo no celular que está, obviamente, perdendo a cabeça, estou fingindo telefonemas, e estou ouvindo minha ex-namorada, por quem continuo apaixonado, cantar música country. Realmente, realmente, preciso sair dessa viagem. — Court — acotovelo-a. Ela me ignora. Acotovelo com mais força. — O QUÊ?! — ela grita, tirando os fones de ouvido. — O que você quer? — Você pode alcançar o porta-luvas e me entregar os fones de ouvido, por favor? — pergunto. Do meu celular chega o som fraco de B.J. gritando. Eu o pego e abaixo o volume. Courtney suspira e alcança dentro do porta-luvas como se fosse um enorme fardo. Faz um grande show vasculhando entre as coisas até que localiza os fones de ouvido. Que rainha do drama. Ela os entrega para mim. — Obrigado, querida — digo, e pisco para ela. Ela revira os olhos e coloca os fones de seu iPod de volta nos ouvidos. Como se realmente estivesse ouvindo. — ESSA MERDA TÁ FODIDA! — B.J. está gritando, uma vez que consigo colocar os fones de ouvido. — Desculpe, estou aqui — digo. — O que estava fazendo? — Estava pegando os fones de ouvido para poder falar com você — digo. — Agora, o que está acontecendo? 28

Alguns corações só dão sorte às vezes. Aqui ela está cantando a música “Some Hearts” da Carrie Underworld.

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— Eu. Estou. Sendo. Seguido. Como eu disse antes. — Tem certeza? — pergunto. — Sim — diz ele. — Tem um carro me seguindo. Ele me seguiu ontem, também. Provavelmente são aqueles bandidos do negócio das drogas. Ou talvez aqueles filhos da puta que nós derrotamos de Westhill29. — Talvez você devesse chamar a polícia — digo. — Não vou — responde indignado. — Não tenho medo de uma gangue. Ou algum time de futebol de merda. Vou ligar para alguns dos meus caras. — OK — digo incerto. — Te ligo — diz ele e depois desliga. — O que está acontecendo? — pergunta Courtney do assento passageiro. Ah, agora ela esta interessada. — Nada — digo. — B.J. acha que está sendo seguido. Ela parece assustada. — Oh — diz ela. — Uh, por quem? — Não tem certeza. — O que ele vai fazer? — Chamar a polícia, acho — digo, dando de ombros. De jeito nenhum vou dizer sobre a violência das gangues e o fato que compramos drogas. Ela surtaria, especialmente porque estávamos juntos na época. Um olhar preocupado cruza seu rosto, mas ela não diz nada. — Será que podemos, POR FAVOR, parar e comer alguma coisa? — ela pergunta cinco minutos depois. — Estou morrendo de fome. Quero fazer um comentário sarcástico sobre como ela quer comer assim vai ter energia para sua eminente maratona de sexo com Lloyd, mas não faço. Também quero salientar que a programação não cita este tipo de parada, mas que seja. — Nossa, Jordan — diz ela. Tira seu brilho labial da bolsa e começa a passar nos lábios. — Você poderia ser um motorista pior? Eu agarro o volante e me concentro em não perder a calma. Decido que passivoagressivo é minha nova tática. Mas cinco minutos depois, quando Courtney me olha incisivamente enquanto chegamos à próxima saída, sinalizo e saio da estrada.

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Aqui ele provavelmente está se referindo a uma escola.

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Jordan – Antes 77 Dias Antes da Viagem, 18h07

O pai de Courtney está de olho em mim. Estamos jantando em um restaurante grego, e posso dizer que ele quer me matar. Ok, ele não quer me matar, mas ele sabe que eu sei que ele está transando com a minha mãe. — Você tem que provar o souvlaki30 — diz Courtney, estendendo a mão por cima da mesa e pegando a minha. Eu seguro sua mão, tentando não pirar. Jesus, isso é estranho. Definitivamente está no meu top 10 de coisas que não quero nunca mais fazer. Número três: Jantar com sua namorada e o pai dela, quando o dito pai está tendo um caso extraconjugal com sua mãe, e sua namorada não sabe. Isto realmente devia ser algum tipo de lista no Letterman31. Dez Coisas Que Você Nunca Pensou Que Podia Acontecer, Mas Deve Tentar Evitar a Todo Custo. — Soa bem — digo. Não tenho a mínima ideia do que é souvlaki. Parece nojento. Mas vou experimentar, porque o pai de Courtney está aqui, e ele é da Grécia, e eu estou tentando passar uma boa impressão. — Espero que você esteja com fome, Jordan — diz ele, sorrindo para mim do outro lado da mesa. Essa é a outra coisa estranha. Ele está agindo como se nada estivesse errado. Eu me pergunto se talvez ele não tenha ideia de quem eu sou. Mas isso seria impossível. Ele sabe meu sobrenome. E ele me viu na noite que entrei e o encontrei apalpando minha mãe. Talvez ele não saiba o sobrenome da minha mãe. E talvez naquele dia ele estivesse tão decidido a transar com ela que realmente não se lembra da minha aparência. Talvez eles não se falaram desde então. Talvez eles terminaram. — Estou faminto, senhor — digo. Courtney revira os olhos ao meu lado. É claro que vou me dirigir a ele como senhor. Tenho que puxar o saco dele por várias razões, nada menos que, apesar de eu não ter dito a ela ainda, eu acho que estou apaixonado pela sua filha. O pai de Courtney (Me chame de Frank, ele disse quando chegamos aqui – Frank! Rá! Sem chance!) gesticula para o garçom e começa a falar com ele em grego. Eu me pergunto

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Souvlaki é um tipo de fastfood comum na Grécia, consiste em espetinhos grelhados de pequenos pedaços de carne e vegetais. 31 Aqui ele faz uma referência ao “Top TenList” do programa “Late Show With David Letterman” do apresentador David Letterman. É uma lista com as dez melhores, geralmente respostas às perguntas sobre notícias de celebridades ou política, sempre em tom humorado. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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se eles estão falando sobre me levar para fora e acabar comigo. No entanto, não acho que haja máfia na Grécia. Os Sopranos são definitivamente italianos. — Ele está pedindo as entradas — diz Courtney, como se estivesse lendo minha mente. Ela está usando uma saia preta e uma camisa rosa de manga comprida, e quando ela se inclina para perto de mim, posso ver o sutiã preto que está vestindo por baixo. Apesar de todo estresse, sinto-me começando a ficar excitado. O garçom se vira para mim e me pergunta em um forte sotaque grego o que eu gostaria. Peço o souvlaki já que Courtney o recomendou, e desde que ela disse, eu já sei como pronunciar. — Salada? — o garçom pergunta, sorrindo. Ele deve ter uns vinte e dois e parece estar em muita boa forma, mas eu sei que poderia lidar com ele. Se as coisas chegassem a isso. — Sim, por favor — digo, calculando que salada é segura. Salada é boa. A salada é apenas alface. Com molho. Embora essa talvez seja algum tipo de salada grega fedorenta. Ainda assim, alface grega é melhor que alguma merda desconhecida. Eu nunca pensei em mim como um comedor exigente, mas agora percebo que isto é basicamente porque subsisto de hambúrgueres e pizzas a maior parte do tempo. Provavelmente vou morrer antes de fazer trinta. — Whachuleekfeetaumbladreez? — diz o garçom. Pelo menos, é o que parece que ele diz. Quem diabos pode dizer com seu sotaque? Courtney e seu pai olham para mim com expectativa. Merda. — Que tipo de molho você tem? — pergunto, orgulhoso de mim mesmo por deduzir que provavelmente foi isso que ele perguntou. — Não — diz Courtney, apertando minha mão e tentando não sorrir. — Ele perguntou se você quer queijo feta. Na sua salada. Eles só têm um tipo de molho aqui, o molho grego da casa. — Oh — digo, dando de ombros. — Claro, vou pegar o feta. — Não tenho nem ideia do que é queijo feta. Courtney e seu pai fazem seus pedidos, e o garçom recolhe os menus e sai. — Então — o pai de Courtney diz. Ele pega um pedaço de pão sírio e o mergulha em algum tipo de creme que está ao lado. Ele o estala na boca e mastiga. Não tenho ideia de como o cara pode estar tão calmo, dado o que está acontecendo no momento. — Ouvi que você está indo para BU, Jordan. — Sim, senhor — digo. Pergunto-me de quem ele ouviu isso – Courtney ou minha mãe. Embora não tenha certeza de quão confortável minha mãe deve se sentir falando da minha vida agora, desde que não falei com ela nas últimas semanas. Por tudo o que ela Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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sabe, eu descartei a ideia de ir à BU e decidi ir para Las Vegas e me transformar em um jogador profissional de pôquer. — Isso é maravilhoso — diz Frank, sorrindo como se fosse tudo menos isso. Ele me odeia. O garçom coloca nossas saladas na nossa frente, e percebo muito rapidamente que a coisa inteira do queijo feta foi um erro terrível. Ele parece nojento e tem um cheio horroroso, como meias velhas. E está em pedaços. Não gosto de nada que está em pedaços. Pedaços me lembram de coisas desagradáveis. Como vômito. — Jordan está se especializando em contabilidade — diz Courtney, em um esforço para me fazer ficar bem. Na verdade, estou em aberto, mas estou inclinado à contabilidade. Não tenho ideia do porque, além de que meu pai é um contador, e sinto que preciso fazer algo para deixá-lo feliz agora que se revelou que minha mãe está traindo ele. — Bom — diz Frank. Ele come um pouco de sua salada, incluindo um pedaço de feta. — Este queijo é incrível. Como está sua salada, Jordan? — Está muito boa, obrigado — digo. E está muito boa. Exceto pelo queijo. E exceto pelo fato de que não tenho apetite. — Você não está comendo o queijo — diz Frank acusadoramente. E você está fodendo minha mãe, quero dizer de volta. Mas não faço. Pego um pouco do queijo. Ele se desfaz na minha boca. Eu tento engoli-lo sem prová-lo, como uma pílula, e quase engasgo. — Você está bem? — Courtney pergunta, me entregando minha água. — Sim — digo. — Estou bem. — Então me conte mais sobre essa viagem a Miami — ele diz, olhando diretamente para mim. — Courtney disse que vocês dois estão planejando ir no próximo mês. — Sim, senhor — digo, tentando transmitir nessas duas palavras que vamos apenas passear, e não transar. O que é verdade. Não espero nada de sexo. Nem sequer um pouco. Ok, então eu ficaria feliz se acontecesse, mas não estou planejando isso. Courtney é virgem. Até onde eu sei, ela quer continuar virgem. Pelo menos por um tempinho, de qualquer maneira. — E onde você vai ficar? — pergunta ele, olhando para mim atentamente. — O melhor amigo do meu pai da faculdade tem uma casa ali — digo, perguntando-me se ele vai me dar sermão sobre o fato de que não haverá nenhuma supervisão dos pais. — E ele vai para a Europa no verão, e me permite usar a casa quando eu quiser. — Que generoso dele. Parece que vai ser uma viagem divertida — diz ele, disparando-me um olhar sobre a mesa que basicamente significa: Se você colocar a mão na Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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minha filha, vou atirar em você. O que realmente não é justo, já que ele se sente livre para apalpar minha mãe em qualquer oportunidade. — Sim, senhor — digo. Pareço um disco riscado. — Já volto — diz Courtney. Ela empurra a cadeira da mesa e se levanta. — Aonde você vai? — pergunto, de repente em pânico. Porque ela me deixaria sozinho com seu pai. Courtney é louca? — Ao banheiro — diz ela. Ela me beija na testa e logo desaparece. Uma vez que a área está limpa, Frank olha para mim como se eu fosse um pedaço de chiclete em seu sapato. — Ouça, Jordan — diz ele. — Esta situação será tão difícil como você decidir fazê-la. — O que você quer dizer? — pergunto. Quem ele pensa que é? Algum tipo de assassino ameaçador? Ou o Dr. Phil, advertindo-me que tenho meu destino em minhas mãos? Empurro o queijo feta em torno da minha salada com meu garfo, resistindo a tentação de jogá-lo nele. — Quero dizer que isto não tem de ser um problema — diz. Ele limpa os lábios com o guardanapo e o coloca sobre a mesa. — Não tenho nenhum problema com você, Jordan. Não tenho nenhum problema com você vendo minha filha. O único problema que vamos ter é se você decidir não ser discreto. Decidir não ser discreto? Esse cara é de verdade? A palavra discreto soa tão grosseira, como algum tipo de anúncio para prostitutas. Eu poderia não estar muito feliz com a minha mãe agora, mas ela definitivamente não é uma prostituta. — Não sei do que você está falando — digo, só para ser um babaca. Começo a tirar o queijo feta da minha salada e vou soltando-o no meu prato de pão. — Sim, você sabe — diz ele simplesmente. — E quero que você saiba que eu serei aquele que vai dizer a Courtney e sua mãe o que está acontecendo. Não você. — Você parece muito seguro disso — digo, continuando a jogar o queijo feta no prato de pão, cravando cada pedaço e fingindo que é a cabeça de Frank. — Estou — diz ele. — Porque se Courtney descobrir através de você, vou me certificar de que você nunca a veja novamente. Inferno, não terei que me certificar disso. Ela vai te odiar por manter isso em segredo dela durante tanto tempo. Não digo nada, porque sei que ele está certo. Tive minha chance de dizer a Courtney quando descobri que era seu pai que estava tendo um caso com minha mãe, e não disse. E agora, porque ela tinha essa ideia pré-concebida de que eu era uma espécie de babaca, se eu digo a ela agora, vai sair como se eu fosse um babaca. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Mas talvez... talvez se eu mantivesse minha boca fechada, se eu não dissesse a ela que eu sabia, se seu pai eventualmente dissesse, poderíamos enfrentar isso juntos. Poderíamos ajudar um ao outro através disso. — Como quiser — digo. — Não vou dizer a ela. — Bom — diz Frank. Ele pega mais um pouco de sua salada e lambe o molho dos lábios. — Realmente acho que esse é o melhor caminho. — Ei — diz Courtney, voltando à mesa. — O que perdi?

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Antes – Jordan 76 Dias Antes da Viagem, 10h10

— Eu acho que posso estar apaixonado por ela — Eu digo a B.J. no nosso tempo vago na quinta de manhã. É o último dia de escola e nós estamos sentados na biblioteca, revisando nossa matéria para a nossa final de Biologia Avançada. — Você não está apaixonado por ela — B. J. diz. Ele recosta-se em sua cadeira e esfrega suas têmporas. — Eu estou — eu digo. — Eu estou apaixonado por ela. Eu não disse isso a ela ainda, mas estive pensando nisso. — É verdade, também. Nos últimos dois meses nós ficamos muito próximos e no último mês, eu comecei a pensar nisso. Houve ainda algumas vezes, especialmente quando nós desligamos o telefone à noite, ou quando eu saía de sua casa que eu quis dizer isso. Mas eu não disse ainda, porque não estou certo se ela sente o mesmo e não quero assustá-la. — Isso é loucura — B. J. diz. —Você não pode estar apaixonado por ela. — Por que não? — Por muitas razões — B. J. diz. Eu tento lembrar-me que esse é o mesmo cara que se vestiu de duende na noite que ele ficou pela primeira vez com sua namorada. — Tipo? — Vocês não transaram ainda. — E? — E, sexo é muito importante num relacionamento — ele diz. — Como você vai saber se a ama se você não transou com ela? — Isso não merece uma resposta — eu digo. O estranho é, mesmo sem ter transado com Courtney, eu não pensei muito sobre isso. Quero dizer, eu penso em transar com ela, claro, e eu definitivamente quero, mas eu não pensei muito no fato de nós não termos feito ainda. É apenas algo que eu calculo que vá acontecer quando tiver que acontecer. Courtney é virgem, então eu obviamente não vou apressar nada.

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— Ok — B. J. diz. Ele recosta-se em sua cadeira e estica seus braços atrás dele. — Que tal o fato de que você não devia se envolver com ela? Cara, o pai dela está fodendo com a sua mãe. Se ela descobrir que você escondeu isso dela, você está fodido. — Tenho certeza que ela entenderá — eu digo, certo desconforto aparecendo em meu estômago. Ela não entenderá. Courtney tem essa coisa sobre confiança. E se ela souber que eu menti para ela, ela vai terminar comigo imediatamente. — Cara, você tem que contar a ela — B. J. diz. — Eu jamais esconderia algo assim de Jocelyn. Eu resisto ao desejo de revirar meus olhos. B. J. e Jocelyn ficaram mais ou menos na mesma época que Courtney e eu, mas por alguma razão, eu fico super irritado quando ele tenta indicar que os relacionamentos são iguais. Pelo que eu sei, ele e Jocelyn transam bastante. Tipo, todos os dias. Em alguns casos, mais de uma vez. Eles passam muito tempo juntos, mas eles não fazem realmente nada. Exceto sexo. Eu nunca os vi nem mesmo conversando. A não ser que eles estejam marcando de se encontrar mais tarde para transar. O sinal toca e nós saímos em fila da biblioteca e vamos para o corredor. — Eu sei que tenho que contar a ela — eu digo. — Mas o pai dela está me ameaçando. — Não tenha medo daquele bundão — declara. — Você quer que eu vá conversar com ele? — Não — eu digo. — Eu vou resolver isso. Mas ao deixar B. J. no corredor e entrar para fazer minha prova final de Inglês, eu não tinha nenhuma ideia de como fazer isso.

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Courtney – Antes 76 Dias Antes da Viagem, 12h23

— Você transou com ele? — pergunto a Jocelyn, tentando não cuspir minha Sprite. Por que ela esperaria até eu beber um gole do refrigerante para anunciar que transou com B.J. está além da minha compreensão. Talvez porque seja o último dia de aula. Então ela sente a necessidade de começar o verão com uma grande confissão. — Quando isso aconteceu? — Você quer dizer, quando foi a primeira vez? — ela pergunta, franzindo a testa. — Foi mais de uma vez? É possível que ela queira dizer que foi mais de uma vez em uma noite? Os meninos não precisam de tempo para, hum, recarregar? Não que eu realmente saiba muito sobre isso. Quero dizer, sobre a recarga. Ou sexo em geral. — Sim — ela diz, depois se inclina conspirando, uma vez que estamos na cafeteria e tal. — Eu acho que posso estar um pouco viciada nisso. Ótimo. Minha melhor amiga é uma viciada em sexo. E não é só, ela está viciada em transar com B. J. o que é uma imaginação que eu estou tentando manter fora de minha mente. Não que B. J. seja feio ou algo do tipo, mas mesmo assim. É o B.J. — Bem — eu digo. — Eu vou transar com Jordan. — Courtney! — Jocelyn exclama. Seus olhos arregalam-se e ela coloca na mesa o garfo, que ela usa para comer as batatas fritas da minha bandeja. Eu não faço a menor ideia do por que ela simplesmente não as pega e come, mas ela não fará. Ela fura-as com o garfo e depois as mergulha na pequena xícara de ketchup que veio com meu almoço. — O quê? — pergunto. — Você não pode transar com Jordan. — Por que não? — pergunto. — Na verdade, eu posso. Quero dizer, meu corpo é capaz de fazer isso. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Eu acho que é, de qualquer forma. Embora eu realmente li em algum lugar que se você não transar por um tempo, sua virgindade é restaurada e pode ser difícil para transar novamente. Não que seja meu caso, uma vez que eu nunca transei. Mas talvez se você esperar muito, fique mais difícil para fazer. Mas isso é loucura, certo? Além disso, eu tenho dezessete anos, não trinta. — Bem, claro que seu corpo é capaz de transar — Jocelyn diz, revirando seus olhos. Ela joga seu cabelo sobre seu ombro e estuda-me seriamente. — Courtney, você não pode desfazer isso. Não é como comprar uma camisa nova. — Eu sei disso — eu digo, revirando meus olhos. — E a questão é, isso não me assusta. Não mesmo. Eu quero ficar com ele. Eu o amo. — Oh, meu Deus — Jocelyn diz. — Você o ama. — Não, não amo — eu digo, como se o pensamento de estar apaixonada por alguém fosse tão ridículo. O que, de certa forma, meio que é. O estranho é que antes de conhecer Jordan, eu meio que pensava que nunca iria me apaixonar. Tipo, nunca mesmo. Apenas parecia totalmente absurdo que eu encontrasse um cara que se apaixonasse por mim e cuidasse de mim e tudo o mais. Mas eu encontrei. Eu estou apaixonada por ele. — Você está! — Jocelyn diz. — Está apaixonada por ele. Se não estivesse, nem sequer estaria pensando em dormir com ele. Droga. Isso é o que acontece quando você tem uma amiga que conhece você muito, muito bem. Você não pode fugir fingindo ser alguém que não é. — Ele ama você? — ela pergunta. — Eu não sei — eu digo devagar, pensando no assunto. — Eu acho que sim. — Achar não é bom o suficiente, Court — ela diz. — Você realmente quer dormir com alguém que você não sabe se te ama? — Não é assim — eu digo, franzindo a testa. — Eu o amo. Não é o suficiente? — Na verdade, não — ela diz. — É uma grande decisão, Courtney. Você tem que estar totalmente certa que é isso que você quer. Porque isso é para sempre. — E você e B. J.? — eu pergunto. — Como é certo para vocês? Soou como um padrão duplicado de sexo. Como ela tem permissão para fazer isso e eu não? Eu não vou dizer nada, mas às vezes eu pergunto-me se ela e B. J. ao menos gostam um do outro de verdade. Eles nunca fazem nada além de beber e namorar. E agora, aparentemente, transar. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Situações diferentes — ela diz. Ela puxa um tubo de gloss labial de sua bolsa e demarca os lábios. — Quer um pouco? — ela pergunta, esticando o tubo para mim. — Ficaria muito fofo em você. Eu pego e passo um pouco em meus lábios, impressionada pelo fato que ela pudesse intercalar falar de sexo e falar de gloss labial. Como ela pode ser tão indiferente? Isso acontece depois que você transa? Você simplesmente fala sobre isso como se não fosse nada? Isso me deixa nervosa por alguma razão, pensar que algo que é tão sério agora pode terminar não sendo nada no futuro. Embora eu ache que isso seja previsto. Como, veja as garotas de Sex and the City. Elas fazem isso o tempo todo. — Como pode ser diferente? — eu rolo o gloss labial em meus lábios, perguntandome se isso me faria beijável. —Porque nós somos pessoas diferentes — ela diz. — Eu não sei se você consegue separar o físico do emocional. — Por que eu iria querer fazer isso? — pergunto, franzindo a testa. Quem faz isso? Separa o físico do emocional? Eu acho que os sociopatas, talvez. E eu acho que Jocelyn está agora alegando que faz isso também, embora eu nunca a considerei uma sociopata. — Porque se você não separar, você pode acabar se machucando muito, muito — ela diz. — Ouça, eu não estou tentando te desencorajar. Mas você precisa ter certeza de que é isso que você quer fazer. — É — eu digo. E eu realmente acho que seja. Eu quero transar com o Jordan. E quando eu for para Miami mês que vem, eu vou transar.

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Courtney - A Viagem Dia Dois, 13h31

— Não me ouviu? — eu sibilo no celular. — Ele está começando a falar sobre chamar a polícia. — Não entendo como isso pode ter acontecido! — Jocelyn está irritada. — Eu fui tão cuidadosa. — Bem, aparentemente você não foi, porque ele disse a Jordan que alguém esteve seguindo ele desde ontem, e que ele ia chamar a polícia. — Estou no TrailBlazer de Jordan em um Burger King perto da nossa rota. Jordan está lá dentro usando o banheiro e comprando comida pra gente. Eu disse a ele que queria esperar no carro porque está chovendo, mas na verdade eu queria ligar pra Jocelyn e avisá-la sobre a revelação de B.J. — Você tem que parar — digo. Eu olho pela janela de trás para ver se Jordan já está saindo do restaurante, mas não o vejo. — Parar agora mesmo. — Eu não posso parar ainda! — Jocelyn diz. — É muito cedo. Talvez eu pudesse pedir emprestado o carro da minha irmã... Ele disse como sabia que alguém estava seguindo ele? Talvez eu só tenha que mudar minha técnica. — Eu não sei como ele descobriu. — Você pode perguntar a ele? — Perguntar a quem? — Jordan! — Não, eu não posso perguntar a ele! O que eu diria? Você pode me dizer como B.J. descobriu que estava sendo seguido? Porque era Jocelyn, e ela precisa saber se precisa trocar de carro ou apenas mudar sua técnica de perseguição. — Oh, meu Deus. Jocelyn está delirando. É exatamente por isso que ficar com alguém não é uma boa ideia. Uma vez que você cruzou essa linha te leva simplesmente à loucura. Você começa a fazer coisas que pessoas normais nunca, nunca fariam. Onde diabos Jordan está com a comida? Estou com fome de novo. O que é estranho. É possível que desde que estive vomitando ontem o dia todo eu esteja tentando comer comida suficiente para dois dias? Hmm. — Talvez não haja nada acontecendo — digo. — Talvez B.J. só esteja indo nos Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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lugares que ele diz ir. — Courtney! — Jocelyn ofega. — Por favor, me diga que você não é tão iludida assim! Os garotos nunca estão fazendo exatamente o que eles dizem que estão fazendo. — Por que não? — digo. — Talvez alguns estejam fazendo exatamente o que dizem que estão fazendo. Ela bufa. — Ouça, faça o que puder — diz ela. — E me conte se o B.J. voltar a ligar. Desligo o celular e apoio a cabeça contra o apoio. Estamos cerca de duas horas de distância de Middleton e Lloyd, o que está me deixando nervosa. Estou tentando dar uma de super animada na frente de Jordan, enquanto que por dentro sinto que vou explodir. Não faço ideia de como isto vai terminar. A porta do motorista abre e Jordan entra no carro, fazendo malabarismos com um porta bebidas e dois sacos de comida. Eu pego um dos sacos de sua mão. — Obrigado — diz ele. Coloca o outro saco cuidadosamente entre nós, puxa meu refrigerante pra fora do porta bebidas, e o entrega para mim. — Você precisava de dois sacos? — pergunto incrédula. Dou uma espiada dentro e inalo o cheiro do alimento. Cheira bem. E gorduroso. Adoro gordura. Gordura me faz feliz. Só vou comer metade da minha comida, no entanto. Só metade. Assim meu estômago não vai ficar todo pesado. — Não, mas houve uma confusão, e de alguma forma tenho o pedido de outra pessoa, também. Ele dá de ombros, e puxa para fora um recipiente de batatas fritas. — Você disse a eles? — pergunto sem pensar. — É claro que eu disse — diz ele, revirando os olhos. — Eles me deixaram ficar com ele. — Certo. Aposto que Mercedes ou qualquer que seja seu maldito nome, não questiona a moral de Jordan quando se trata do fast food que dão a ele. — Bom — digo com indiferença, dando de ombros. O celular de Jordan começa a tocar Baby Got Back novamente, e ele o ignora. — Não vai atender? — pergunto. — Não — diz ele alegremente. Ele abre um recipiente de frango empanado e abre o pacote de mostarda com mel que vem com eles. Odeio mostarda com mel. Parece uma ideia péssima. Mel e mostarda juntos. Quem poderia gostar disso? — Você não tem que se sentir estranho em atender — digo. — Já disse. — Não estou — diz. Ele pega um frango empanado e o embebe na mostarda com Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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mel. Algo sobre isso me deixa triste. Porque todas as pequenas coisas sobre ele, como o jeito que ama mostarda com mel e o jeito que ele sempre se esquece de mandar colocar queijo no meu hambúrguer, já não é mais meu. É estranho que tudo pode ser o mesmo, que ele pode continuar gostando de mostarda com mel, e ainda assim tudo é diferente. — Então, uh, a coisa toda do B.J. — digo, tentando me distrair da minha iminente tristeza. Mostarda com mel não é uma boa razão pra ficar chateada. Órfãos da África, motoristas bêbados matando pessoas inocentes, ou mesmo eu não entrando em uma escola de segurança (para mim era a do estado da Flórida) são todas boas razões para ficar chateada. Molho de frango empanado definitivamente não. Tento não pensar nisso, e ao invés me concentro no fato de que Jocelyn é louca. — Que coisa do B.J? — ele coloca a mão dentro do saco e tira um guardanapo. Limpa a mão com ele e o coloca no colo. — Sobre ele chamando a polícia ou algo assim. Você acha que ele realmente vai fazer isso? — Não sei. — Seu celular começa a tocar de novo, e minha tristeza pela mostarda com mel de repente vira aborrecimento porque ele não vai atender a chamada. Porque não vai atender? Ou é porque ele está tentando parecer bacana por não atender ou está tentando proteger meus sentimentos. Será que ele realmente acha que estou assim tão mal pelo rompimento? Quer dizer, eu estou, mas não lhe dei nenhuma razão para pensar que eu esteja. Dei? Quebro a cabeça, tentando determinar se tem algum jeito de ele saber o quão mal estou. — Vai atender o celular? — eu rosno. Ele coloca a mão no bolso, tira ele, e faz um grande show ao desligá-lo. Reviro os olhos. — Tanto faz. Ouça, precisamos falar sobre o cronograma. — Nosso cronograma agora está completamente ferrado. Era para estarmos na Carolina do Norte agora. — O que tem ele? — Tá todo bagunçado. Precisamos reavaliar. — Não está tão bagunçado. — Ele dá de ombros. — Vamos estar em Middleton até a noite, e vamos sair amanhã. É óbvio que não vamos poder visitar muito tempo, mas não estaremos tão longe assim do cronograma. De repente, sou atingida por uma ideia brilhante. Talvez eu possa convencer Jordan de que não podemos parar em Middleton, porque ISSO VAI NOS FAZER ATRASAR PARA A ORIENTAÇÃO. Isso seria perfeito. Eu poderia ligar para o Lloyd, dizer a ele que não poderemos ir porque estamos muito atrasados em nosso cronograma, e então eu não teria que lidar com a coisa toda. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Bem — digo lentamente, fingindo que estou pensando nisso. — Talvez a gente não deva parar. — O quê? — Jordan pergunta, franzindo o cenho. Ele pega outro frango empanado e o mergulha no molho de mostarda com mel. Resisto a tentação de me esticar, tirá-lo de suas mãos e jogá-lo pela janela. Mostarda com mel obviamente não é bom para meu estado mental. — Só estou dizendo que com o cronograma do jeito que está e tudo mais, poderia ser melhor se só dirigíssemos direto. — Mas isso não vai nos atrasar tanto. Se a gente não parar, vamos estar adiantados na verdade. Deus, porque ele está sendo tão besta? E desde quando ele é um perito em cronograma? Ele nem sequer leu a maldita coisa. Realmente precisa contradizer tudo o que digo? — Além disso — continua ele, — pensei que você ficaria feliz em ver Lloyd. Certo. — Estou — digo. — Mas precisamos manter o cronograma também. — Essa deveria ser uma explicação perfeitamente razoável. Quero dizer, ele sabe que eu preciso ter tudo completamente sob controle. Meu celular toca antes que possa chegar a uma resposta melhor, e eu checo o identificador de chamadas. Lloyd. Ótimo. — Não vai atender? — Jordan pergunta, sorrindo. — É claro — digo, revirando os olhos. — Ei — digo ao celular. — E aí? — Eu acho que E aí? é uma frase neutra e muito boa pra dizer a Lloyd sob essas circunstâncias. Tipo, eu poderia totalmente me ver dizendo isso a um namorado, assim Jordan será convencido de que algo realmente está acontecendo com Lloyd, mas ao mesmo tempo, também é algo que você pode dizer a um amigo, assim Lloyd não vai ficar todo, Oh, wow, Courtney deve estar apaixonada por mim. — Ei — diz Lloyd. — Faz tempo que estou tentando te ligar. — Sério? — digo, tentando soar inocente, eu sei que ele tentou ligar. Só que desliguei meu celular. — Sim — diz ele. — Ficou indo direto para o correio de voz. — Não sei por que — digo. — Está chovendo aqui, então... — Está chovendo onde? — diz ele, parecendo confuso. — Onde estamos — digo, tentando soar deliberadamente vaga. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— O que isso tem a ver? — Poderia estar interferindo com a recepção do meu celular. — Não acho que tenha a ver com isso, Courtney — diz ele. Bem, dã. Por que a chuva interferiria com a recepção do meu celular? — Não sei — digo de novo. Jordan se ajeita no banco ao meu lado e toma um gole alto de refrigerante. — Você não soa bem — diz Lloyd. — Jordan está te dando trabalho? — Uh, não — digo. — Não está. Jordan para com uma batata frita a meio caminho da boca. — Não estou o que? — pergunta ele, franzindo o cenho. Balanço a cabeça para ele e levanto a mão, tentando agir como se não fosse importante. O qual, fiel ao que está acontecendo, só faz com que ele queira saber mais. — O que ele disse? — Jordan exige. Ele estende o braço e desliga o rádio. — Nada — eu gesticulo com os lábios para ele, e volto a ligá-lo. Ele desliga. Eu ligo. — Para com isso — digo. — O que está acontecendo? — Lloyd pergunta de novo pelo celular. — Nada — digo a Lloyd. — Só estamos tendo um pequeno problema com o rádio. Você sabe, por causa da tempestade. — Vocês estão ouvindo rádio? — Bem, não agora — digo, o que é verdade. Jordan desliga novamente, e agora ele está manobrando o corpo, tentando se aproximar de mim para que ele possa ouvir o que Lloyd está dizendo. — Não agora o quê? — Lloyd pergunta. — Não estamos ouvindo rádio agora — digo. — Porque estamos tendo problemas com ele por causa da tempestade. Jordan tem satélite. — Imaginava — Lloyd bufa. Lloyd odeia o fato de que Jordan é uma espécie de mimado. O que realmente não faz sentido, porque o próprio Lloyd é muito mimado. De fato, seus pais acabaram de comprar um Mustang novinho em folha para sua formatura. O qual ele não pode nem mesmo usar, já ele que não pode ter um carro na escola. Então agora, seu carro novinho em folha está estacionado na garagem, provavelmente sendo usado por ninguém. Eu me pergunto se Lloyd deixaria Jocelyn dirigir seu carro. Seria difícil B.J. reconhecer. — De todo jeito — eu digo, — deixarei você agora, mas vou ligar quando nos Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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aproximarmos. Jordan, vendo que a conversa estava prestes a terminar de qualquer maneira, se estende e aumenta o volume até quase o nível máximo. O rap ressoa dos alto-falantes. Eu me estico e muito calmamente desligo o rádio. — Jordan — eu digo, — será que você poderia parar de aumentar a música desse jeito quando estou no celular? Eu realmente agradeceria. — ALÔ? — Lloyd diz bem alto, agora que o rádio está desligado. — Sim — digo. — Desculpe por isso. — Não entendo porque vocês estão ouvindo música — Lloyd diz. — O que você quer dizer? — Pensei que você estava temendo essa viagem — diz ele. — Estava — digo. O que isso tem a ver com ouvir música? — Estava? No tempo passado? — Lloyd pergunta, soando muito como um namorado ciumento. Não sou estúpida. Sei que Lloyd não está com ciúmes de mim, em si, mas sim pelo fato de que estou com Jordan. — Não — digo. — Não estou me divertindo nesta viagem. — Ainda continuo temendo ela, apesar de não fazer sentido, porque não há nada mais a temer, desde que de fato estou no meio dela. — Você não está se divertindo? — Jordan pergunta, parecendo surpreso. — Por que ele parece surpreso? — Lloyd pergunta. — Estou passando um péssimo momento nessa viagem — digo para Lloyd. O que não é exatamente mentira. Quer dizer, eu gastei uma boa parte dela com intoxicação alimentar, ouvindo Jordan falar com sua nova namorada, lidando com o fato de que Jocelyn possivelmente vai conseguir uma ordem restritiva contra ela, e ouvindo rap. Tem sido péssimo. — Agora vou te ligar quando chegar perto. — Mal posso esperar pra te ver, Court — diz Lloyd, sua voz suavizando. — Estou animada pra ver você também — digo, uma pontada de culpa levantandose em mim enquanto percebo que isto pode não ser exatamente verdade. Mas eu não sei se é exatamente uma mentira, também. Afinal de contas, mesmo se essa coisa toda de ficar não der certo, Lloyd sempre foi meu amigo. Então, vai ser legal vê-lo e sair com ele. Desligo o celular. — Está passando um péssimo momento? — Jordan pergunta, parecendo ferido.

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— Podemos não falar? — digo. Abro meu saco de comida e tiro uma batata frita — Por que não? — pergunta, soando ferido de novo. — Agora nem mesmo podemos conversar? — Não. — Mordo um pedaço da batata frita, que agora está fria. Surpreendentemente, por alguma razão, isto faz com que fique com um gosto melhor. Amo fast food. Tomo um gole da minha Coca-Cola diet e como outra frita. — Nós não podemos conversar, nunca, pelo resto da viagem? — Sim, podemos conversar pelo resto desta viagem, não sou estúpida. Eu sei que seria impossível não falar pelo resto da viagem. — Então o que você está dizendo é que podemos conversar, mas não podemos? — Olha, não é tão difícil de entender — digo. — Podemos falar sobre coisas normais, como a rota que estamos tomando, o cronograma, o dinheiro do pedágio, etc. Mas não, tipo, um bate papo. — Estas batatas fritas estão tão boas. Tiro um pacote de ketchup e procuro um lugar para espremê-lo. Odeio ketchup direto nas fritas. Eu definitivamente gosto de mergulhar elas. Jordan me passa seu container vazio de frango empanado sem uma palavra, e eu aperto o pacote de ketchup nele. — Obrigada — digo. — Então agradecer está permitido? — pergunta ele. — Jordan, para. Você sabe o que quero dizer. — Oh, me desculpe — diz ele. Parecendo chateado. Por que ele está chateado? — Por que está chateado? — pergunto. — Não estou chateado. — Bem, você parece chateado. E soa chateado. — Bem, não estou. — Ok — digo, sabendo que ele está. Jordan nunca pode admitir quando está com raiva. Não sei por quê. É como essa coisa, onde se ele admite pra você que está com raiva, ele perde ou algo assim. Apesar de eu achar que ele é assim apenas comigo. Ou talvez com as garotas. Eu me pergunto se ele é assim com sua nova namorada. — Só acho que você não deveria ouvir cada coisinha que Lloyd te diz pra fazer — diz ele. — Não ouço — digo. — Ok — ele diz, não soando como se falasse sério. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Sério, não ouço. Só acho que seria melhor se não falássemos muito. — Dou de ombros. — Por causa do Lloyd. — Dá pra desencanar dessa coisa do Lloyd? — Por quê? — Porque eu já te disse, não tem nada a ver com Lloyd. — Bem, é um pouco estranho que você estava bem até que falou com Lloyd, e agora, de repente você não quer falar comigo. Eu bufo. Ele realmente acha que estávamos bem esse tempo todo? Ele não notou o fato de que existe essa tensão muito estranha entre a gente, devido ao fato de que me deixou há duas semanas por outra garota? — O quê? — ele exige. — Nada — digo. — Acho que é meio engraçado você achar que estamos bem. — Não vejo porque não podemos estar — diz ele. — As pessoas se separam e viram amigos, Court. — Verdade — digo. — Mas eu realmente não quero ser sua amiga. — Isso é verdade. Eu não quero ser sua amiga. Quero ser sua namorada ou nada. Sinto um nó crescendo na garganta e tomo um gole do meu refrigerante em uma tentativa de empurrálo de volta para baixo. Posso sentir Jordan olhando para mim, então abro o saco de fast food e tiro meu Whopper32. Retiro o papel e dou uma mordida no hambúrguer. Ele se lembrou do queijo dessa vez. Olho para o hambúrguer e imediatamente começo a chorar.

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Sanduíche do Burger King.

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Jordan - A Viagem Dia Dois, 13h50

— Cara, é Jocelyn — digo, olhando por cima do ombro nervosamente, só esperando por Courtney sair do Burger King. Essa viagem poderia ser mais fodida? Sério. Courtney explode em lágrimas, algo sobre o queijo em seu hambúrguer (o que eu sei que lembrei, porque eu sabia que se não tivesse lembrado, ela iria surtar). Ela correu pra dentro do Burger King chorando, e eu fiquei do lado de fora do banheiro, gritando com ela e parecendo um monstro. Ela ficou me dizendo para ir embora, então eu finalmente fui, e agora estou esperando no carro ela sair. O estranho é que tudo em que posso pensar é naquela música do Digital Underground, aquela com a letra, I once got busy in a Burger King bathroom33. Acho que a tenho em um CD-mix aqui em algum lugar. — Não é a Jocelyn — B.J. diz, suspirando. — É o Jordan. Cara, tenta fazer um truque melhor que esse. Você não soa nada como ela. Além disso, seu número apareceu no meu identificador de chamadas. — Não — digo, sentindo como se estivesse vivendo em uma espécie estranha de realidade alternativa. — Jocelyn é a pessoa que está te seguindo. — Por que Jocelyn seria a pessoa que está me seguindo? — B.J. pergunta, soando completamente confuso. Mais uma vez, estou impressionado por sua habilidade de ser muito perspicaz e inteligente sobre algumas coisas e então totalmente sem noção sobre outras. Talvez ele seja um daqueles sábios idiotas. — Porque ela quer saber onde você está indo, obviamente — digo. Estico o pescoço para dar uma olhada no Burger King. Ainda nenhum sinal de Courtney. Vou lhe dar mais cinco minutos, e então vou voltar lá. O que há comigo e o banheiro das mulheres? — Por que ela quer saber pra onde estou indo? — B.J. pergunta, soando ainda mais confuso. — Espera aí, como você sabe disso? — Porque Courtney estava fazendo umas perguntas sobre quem estava te seguindo, e que eu deveria tentar te convencer a não chamar a polícia, porque isso provavelmente não era nada. — E? 33

Trecho da música ‘The Humpty Dance’.

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— E, obviamente, ela estava dizendo isso porque é Jocelyn, e elas não querem que você chame a polícia e a coloque em problemas, e/ou descubra que é ela. — Você acabou de dizer e/ou? Não respondo. — Mas por que Jocelyn estaria me seguindo? — B.J. pergunta novamente. — Ela sabe aonde vou. Eu digo a ela a cada segundo onde estarei. Eu registro. — Talvez ela não acredite em você — digo. — Talvez ela esteja te seguindo porque ela quer se assegurar de que realmente você está onde diz estar. — Isso é ridículo — diz B.J. — Por que eu iria mentir sobre onde vou? — Ela não confia em você — digo. — Eu tenho que ir. — Por que ela não confiaria em mim? — ele exige. — Sou totalmente digno de confiança. Tento não salientar que B.J. não só tende a ser pego fazendo coisas e então mentindo sobre elas, mas também tem uma personalidade extremamente impulsiva, que faz ele fazer coisas no calor do momento. Como se vestir como um anão. Ou trair sua namorada. Não que B.J. já tenha traído Jocelyn. Não que eu saiba, pelo menos. — Ouça — digo. — Eu tenho que ir. Mas definitivamente é Jocelyn. Você deveria falar com ela. — Hmm — B.J. diz, soando inseguro. Quero ser um bom amigo, mas realmente não posso lidar com isso agora. Fecho o celular e me dirijo para dentro para resgatar Courtney do banheiro das mulheres pela segunda vez em vinte e quatro horas.

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Courtney – Antes 33 Dias Antes da Viagem, 18h57

— Essa casa — eu digo, — é incrível. — Eu tiro uma soda da geladeira, abro, e entorno metade do seu conteúdo em meu copo. Não consigo acreditar que estou em Miami. Parece exótico por alguma razão, só de dizer isso. — É impressionante — Jordan diz, sentando-se perto de mim no bar. Eu passo meu copo para ele e ele toma um gole da minha bebida. — Então, como é esse lugar que iremos essa noite? — pergunto. Jordan, B. J., Jocelyn, e eu vamos à praia, depois sairemos para jantar e eu quero ter certeza que estarei vestida apropriadamente. — Como assim? — Jordan pergunta. Ele devolve minha soda. — Quero dizer, devo me arrumar ou o quê? — Eu comprei esse incrível vestido preto que eu não posso esperar para que Jordan me veja com ele. Ele tem uma saia leve, enrugada e um decote nas costas. — Você não precisa se arrumar — ele diz. — Mas você pode se arrumar se quiser. — E depois? — eu digo, inclinando-me para perto dele. — O que vamos fazer depois? — O que você quer dizer? — ele pergunta, sorrindo. Ele se move na cadeira e chega mais perto de mim. — Quero dizer, vamos a uma boate ou algo assim? — Um clube? — Jordan joga sua cabeça para trás e ri. — Você quer ir a uma boate? — Claro — eu digo. — Por que eu não deveria? — Um, porque você não sabe dançar? Hmm. É verdade. Mas eu queria dançar essa noite. — Nós estamos em Miami — eu digo. — Não é isso o que as pessoas em Miami fazem? Além disso, eu sei dançar um pouquinho. Ele ergue as sobrancelhas. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— É minha novidade — eu digo. — Dançar é minha novidade. — Oh, sério? — Ele inclina-se para mais perto de mim e coloca sua testa contra a minha. — Desde quando? — Jordan — eu digo, — você está tentando me dizer que eu danço mal? — Não — ele diz. — Claro que não. — Bom — eu digo. — Eu preciso te lembrar que minha dança foi o que atraiu você da primeira vez? Ele inclina a cabeça para o lado e me beija levemente nos lábios. — É verdade — ele diz. — Você é uma dançarina muito gostosa. — Eu sei — eu digo. — E essa noite eu serei uma máquina de dança. — Ok — ele diz, beijando-me de novo. — Mas você terá que prometer que não dançará com mais ninguém. — Mais ninguém? — eu digo. Eu entorto minha cabeça de lado, fingindo pensar. — Mas e se um garoto realmente muito bonito me pedir para dançar com ele? — Não — ele diz. Ele me beija novamente, um pouco mais vigorosamente de novo. — Eu quero você toda para mim. — E quanto às garotas? — pergunto, sorrindo. — Posso dançar com garotas? — Só se eu puder assistir — ele diz, sorrindo. — Eww — eu digo. — Você é nojento. — Eu o empurro brincando, mas ele agarra meus braços, e desta vez, eu o beijo. Ele corresponde ao meu beijo e suas mãos estão em meu cabelo e em meu rosto. — Nós temos que parar — ele diz, depois de alguns minutos, afastando-se. Mas eu não posso evitar pensar sobre o que aconteceria se nós não parássemos, se nós só continuássemos nos beijando, se nós apenas continuássemos e não parássemos. — Eu não quero — eu digo, tentando puxá-lo para perto de mim de novo. — Nós temos que parar — ele diz, dando-me outro beijo leve nos lábios. — Nós não temos que fazer nada — eu digo. Ele ri. — Nós deveríamos ir à praia — ele diz. — Com B. J. e Jocelyn, lembra? — Sim — eu digo, suspirando. — E se não formos, eles provavelmente vão acabar se matando.

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— Verdade — eu digo. — Eu não quero ser responsável pelas mortes de nossos amigos. — Então vamos — ele diz. Ele coloca as mãos para cima e eu coloco minhas palmas nas dele. — Mas depois — ele sussurra com a voz rouca, — você é minha. Você não tem ideia, eu penso. Eu o sigo alegremente, subindo as escadas aonde Jocelyn e B. J. esperavam.

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Jordan – Antes 33 Dias Antes da Viagem, 19h07

— Sério, eles realmente tem praias de nudismo aqui — B. J. diz, sorrindo. Ele usa um short camuflado e uma camisa que dizia, Oi! Você vai fazer. — Perfeito — Jocelyn diz, tirando a frente única rosa que ela usava e expondo o topo de seu biquíni branco. — Então você não verá problema se eu fizer topless. — Problema nenhum — B. J. diz, sorrindo novamente. — Ótimo — Jocelyn diz. — Então você não terá problema com todos os caras da praia olhando para mim. — Ela cruza seus braços no peito com uma expressão satisfeita em seu rosto. B. J. franze a testa e Courtney e eu nos olhamos nervosamente. B. J. e Jocelyn são, na melhor das hipóteses, voláteis. Eles tinham suas esquisitices entre eles que tendiam a revelar-se em momentos horríveis. Na festa de formatura, eles entraram numa briga horrível na limusine sobre Katelyn Masters, uma garota que B. J. costumava sair no primeiro ano. No meio da discussão, B. J. foi trocar a estação de rádio e Jocelyn gritou, — Se você tocar aquela música eu vou quebrar a merda dos seus dedos! — Eu estava começando a acreditar que Jocelyn era louca, embora Courtney afirme que seja apenas algo que B. J. traz à tona em Jocelyn, que normalmente ela é sã. — Você não devia expor seus seios para todos os caras na praia — B. J. diz. Estamos todos em Miami, na casa de um amigo do meu pai, de pé no quarto que eu e Courtney compartilhávamos. Nós nos aprontávamos para ir à praia, e então B. J. fez a observação sobre os seios dela, o que obviamente pôs um nó no plano. — Por que não? — Jocelyn diz. — Você está tão atento em ver os seios de outras pessoas e tão excitado sobre as praias de nudismo. — Então? — B. J. pergunta. Ele tira o boné de baseball que usava de sua cabeça e joga na cama, o que não era um bom sinal. Em minha experiência, quando B. J. começa a remover qualquer peça de vestuário, só pode levar a coisas ruins. — Na verdade — eu digo, — é uma praia privada, então provavelmente não haverá tantas pessoas em volta. — Então vamos! Você tem protetor solar? — Courtney pergunta brilhantemente. Ela tira uma garrafa de Coppertone de sua bolsa e joga um pouco na mão dela. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Eu não! — eu digo. — Eu não tenho protetor solar! — eu estou quase gritando. Eu faço parecer ser uma ferramenta, mas é o que precisa ser feito se queríamos salvar a situação. De outra forma, Jocelyn e B. J. brigariam a noite toda e arruinariam nossa boa vida. — Jocelyn? — Courtney pergunta, segurando a garrafa. — Você precisa de protetor solar? — Sim — Jocelyn diz calmamente. — Na verdade, eu preciso. — Oh, graças a Deus. A situação difundiu-se. Placar um para Jordan e Courtney. — Aqui está — Courtney diz, segurando a garrafa. Jocelyn pega, quando coloca a mão em suas costas, desamarra seu biquíni e começa a espalhar a loção em seus seios nus. — Jesus! — B. J. grita. — Que merda você está fazendo? Courtney olha para mim e eu rapidamente tiro os olhos dos seios de Jocelyn. — Estou me aprontando para a praia! — Jocelyn diz. Eu vou para o outro lado da cama e olho para a parede. A última coisa que eu preciso é ver os seios nus da melhor amiga da minha namorada. Isso podia definitivamente não ser bom, especialmente porque ela era também a namorada do meu melhor amigo, essa coisa toda está ficando muito incestuosa, com o pai de Courtney transando com minha mãe e tudo. — Um, eu acho que devíamos ir — Courtney sussurra em minha orelha. — Provavelmente uma boa ideia — eu digo. — Então, nós estamos indo — Courtney anuncia, quando B. J. grita, — COLOQUE ISSO DE NOVO IMEDIATAMENTE! Nós saímos do quarto (NOSSO quarto, eu devo acrescentar – B. J. e Jocelyn tem seu próprio quarto, mas claro que eles elegeram começar sua exposta briga no nosso) e fomos para a praia. Uma vez que estamos assentados na areia, Courtney e eu olhamos um para o outro e começamos a rir. — Eles estavam tão fodidos — eu digo, encostando-me a minha toalha. O sol começa a se pôr, o que significa que provavelmente não há tanta razão para protetor solar. — Boa tática de desvio com o protetor solar — eu digo. — Obrigada — ela diz, sorrindo. Ela usa um biquíni roxo e óculos de sol pretos, e eu estendo a mão e tiro os óculos de sol dela. — Venha cá — eu digo, puxando-a para perto de mim. — Estou tão feliz que não somos eles — Courtney diz, aninhando-se em meu braço. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Você acha? — eu digo, beijando o topo de sua cabeça. — Eles são tão loucos — ela diz. — Eles não são honestos uns com os outros. É como se eles quase curtissem bagunçar com a cabeça do outro. Há uma sensação de mal estar em meu estômago quando ela diz a palavra honesto e eu tento ignorá-la. — Sim — eu digo. — Eles são idiotas. — Não como nós — ela diz, pressionando-me para baixo na areia. Ela fica em cima de mim e começa a beijar meu pescoço. — Whoa, whoa — eu digo, afastando-me. Seus cabelos longos deslizam em meu peito. — Você quer transar na praia? — Não há ninguém em volta — ela diz, e eu levanto minha cabeça e olho para a praia. Ela está certa. Caminhando logo abaixo, havia um cara velho passeando com seu cachorro, mas eles iam na direção oposta da nossa. Ela começa a me beijar novamente, na boca dessa vez, e minhas mãos estão em seu cabelo e rosto. De vez em quando, ela se afasta e olha para mim, e seus olhos são a coisa mais bonita que eu já vi. Então de repente, ela olha para mim atentamente e sussurra algo, e eu estou tão preso nela que não ouço o que é. — O que você disse? — eu murmuro nos cabelos dela. Ela desliza seu corpo saindo de cima de mim e se assenta perto de mim. — Eu disse que queria ficar com você — ela diz no meu peito. — Você está comigo — eu digo. — Não, quero dizer, eu quero fazer amor com você — ela diz, e meus olhos arregalam-se. Whoa. — Whoa — eu digo. Eu me apoio em meus cotovelos e olho para ela. — Court, isso é… — Eu sei — ela diz, sorrindo. — Eu sei que é grande coisa e tudo o mais. E Jordan, eu tenho pensado nisso, eu realmente tenho. — Eu acredito nela, também. Ela definitivamente é um tipo analítico de garota, e eu sei que ela não trataria algo como isso negligentemente. — Tem certeza? — pergunto, pasmo. Não é que eu não quisesse. Acredite em mim, eu quero. Tem vezes em que Courtney e eu estamos fazendo nosso trabalho de matemática e dando uns amassos que eu sinto como se fosse ficar louco desejando-a tanto. Mas todas as vezes que sequer falamos sobre isso, ela deixou bem claro que não estava pronta. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Sim — ela diz. — Tenho certeza. — Ela franze a testa. — Você não quer? — Claro que eu quero — eu digo de verdade. — Bom. — Ela começa a me beijar de novo, e sua língua está na minha boca e ela tem um gosto tão bom, e eu posso sentir seu corpo pressionar contra o meu e estou tão excitado que eu quase perco minha cabeça. — Espere — eu digo. — Você quer fazer aqui? — Como isso está acontecendo? Em algum lugar ao longo da linha, Courtney tornou-se uma maníaca sexual e agora quer transar na praia. — Se você quiser — ela diz. — Você não quer que a sua primeira vez seja numa praia — eu digo. — Eu não ligo, contanto que seja com você — ela diz, seu rosto corado. Ela começa a beijar meu pescoço. — Ei Jordan? — Ela se afasta e olha diretamente para mim. — Sim? — Eu amo você. — Ela olha em meus olhos, e espera que eu diga o mesmo e eu quero dizer. Eu sinto isso. Eu realmente a amo. Mas então eu começo a pensar no pai dela, e de repente, eu não posso dizer isso. Eu não devo dizer isso. — Obrigado — eu digo, engolindo. Um olhar de confusão cruza o rosto dela e, por um segundo, eu não achei que fosse conseguir fazer isso. Mas eu tiro os olhos dela antes que eu estivesse preso demais nesse momento. — Nós devíamos entrar. — Ela sai de cima de mim, e eu ainda não olho para ela, porque eu sei que não conseguiria aguentar seu olhar. — E ver como Jocelyn e B. J. estão. — Eu fico de pé e tiro a areia de meu short e começo a andar em direção a casa. E depois de um segundo, eu posso ouvir Courtney me seguindo.

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Courtney - A Viagem Dia Dois, 14h37

Estou tendo um ataque de nervos em um banheiro qualquer de um Burger King. Isso é inquietante por alguns motivos, não menos que o fato de que está acontecendo em um banheiro. Quer dizer, um ataque de nervos a qualquer momento não é algo pelo que alguém deveria estar entusiasmado, mas ter um, em um banheiro público, sem dúvida é duplamente inquietante. E nem mesmo é como um daqueles banheiros públicos legais que se vê na TV, com atendentes, hortelã para o hálito, e toalhas de verdade com monograma. É um banheiro do Burger King. E não um particularmente limpo, também. Pego um pouco de papel higiênico do rolo e assoou o nariz ruidosamente. A parte mais desagradável de tudo isso é que estou sentada no vaso sanitário enquanto faço isso. Porque não há nenhuma tampa nos vasos sanitários. Assim que estou realmente sentada no vaso. Sem a roupa abaixada, é claro. Quem sabe que tipo de germes nojentos está se transferindo para a minha saia. Provavelmente vou ter que queimá-la depois disso. O que é horrível, porque eu nunca a usei antes. Na verdade, a única razão por eu usar ela agora é porque eu queria que Jordan pensasse que estava vestindo para Lloyd. O que é realmente um saco. Não sei se perdi minha sanidade, mas não é uma boa sensação. Jogo o papel higiênico com minha meleca dentro do vaso e dou descarga. Só preciso respirar fundo. A viagem está pela metade. Isso deveria me fazer sentir melhor, mas realmente, não faz. Isso me faz sentir pior, porque os últimos dois dias pareceram uma vida inteira. Saio do cubículo e começo a lavar as mãos na pia. O banheiro está deserto, o que é bom porque seria embaraçoso alguém me ver com este aspecto – olhos vermelhos de chorar, mancha de ketchup na minha linda camisa nova, e meu cabelo uma bagunça devido eu ter passado as mãos nele no cubículo em uma tentativa de não tocar nada infestado de germes. — Court? — a voz de Jordan vem de fora do banheiro. — O quê? — digo, tentando colocar para fora, como se não tivesse acabado de sair correndo de seu carro chorando e entrado no banheiro. — Você está bem? — Sim — digo. — Estou bem. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Ok — diz ele. Há uma pausa. — Foi... você está com raiva por causa da comida? Podemos ir a outro lugar. Ele acha que eu comecei a chorar por causa de hambúrgueres de fast food. Ele não pode ser tão estúpido, pode? Ele obviamente sabe que estou chateada com ele, e só está tentando ser legal. Ótimo, pena. Justo o que preciso. — Não, a comida estava boa — digo. — Acho que só estou um pouco nervosa por ver Lloyd. — Por que você ficaria nervosa com isso? — pergunta ele, parecendo confuso. Boa pergunta. — Não nervosa por vê-lo — digo. Molho um papel toalha e o uso para limpar meu rosto. É áspero e meio nojento, mas suporto o desconforto momentâneo para poder parecer humana de novo. — Nervosa porque não o vejo há um tempo. — Você o viu há apenas dois dias — diz. Jogo o papel toalha fora, puxo um pouco a camisa para baixo para que a mancha de ketchup seja menos perceptível, e saio do banheiro. Ele está encostado na parede, com o cabelo molhado da chuva, e está muito, muito bonitinho. E parece muito, muito preocupado comigo. Não vou chorar de novo. — Sim, bem, quando se está apaixonado por alguém, dois dias pode parecer uma eternidade. — Lanço meu cabelo desafiadoramente sobre meu ombro e começo a caminhar em direção a porta. Minha tentativa de arrogância é ofuscada pelo fato de que os sapatos que estou usando (lindos flip-flops34 de roxo brilhante com borboletas neles) estão encharcados de chuva, e então toda vez que piso, meus sapatos esguicham. — Então, espere, agora vocês estão apaixonados? — Jordan pergunta, parecendo confuso. — Sim — digo de forma definitiva. — E desde que você realmente se preocupa com sua nova namorada, tenho certeza que entende como dois dias sem ver alguém realmente podem parecer um longo tempo. — Sim — ele diz, não parecendo muito certo. — Mas Court, eu realmente duvido que você esteja apaixonada por Lloyd. — Não importa Jordan — digo. — Não quero soar como uma pirralha nem nada, mas realmente você não me conhece mais. Sou uma nova mulher. Estamos no estacionamento agora, e abro a porta de seu TrailBlazer e me movo para o assento passageiro. Ele entra e liga o carro. Coloco meu cinto de segurança e decido que é hora de uma nova atitude. Sem mais choro. 34

Modelo parecido com nossas Havaianas.

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— Vamos para Middleton — digo. — Mal posso esperar pra chegar lá! Jocelyn liga duas horas depois, enquanto estamos presos no trânsito. Estou olhando uma revista que comprei em uma parada de descanso e lendo um artigo sobre o que fazer se você levar um fora. Na verdade não está me ajudando muito, porque tenho certeza absoluta de que é uma sátira. O artigo, não a revista. Basicamente diz que uma vez que um cara te dá um fora, você deveria deixar de se preocupar com o que ele pensa de você e que não deveria tentar negar seus impulsos psicóticos, porque não é natural. Diz que se você sente que tem que persegui-lo, você totalmente deveria. Se você quiser entrar em sua conta de e-mail, faça. Atacá-lo do carro? Perseguir sua nova namorada? Totalmente permitido. É bem assustador, na verdade. O artigo, quero dizer. Abro meu celular. — E aí? — digo, jogando minha revista no chão. Totalmente superei meu colapso nervoso. Você acharia que me sinto bem com isso, mas não. Por alguma razão, isso me inquieta, como o fato de que superei tão rapidamente significa apenas que algo pior está por vir. É como se eu estivesse em alguma espécie de negação. — Então, ele não estava saindo com Katelyn — diz Jocelyn, parecendo presunçosa. O que não faz sentido, porque, para soar presunçosa, você tem que estar certo sobre alguma coisa. E desde que Jocelyn pensava que B.J. estava traindo ela, e agora ela descobriu que ele não estava, ela não deveria soar presunçosa. Ela deveria soar envergonhada. — Como você sabe? — pergunto. — Ele me pegou perseguindo ele — diz ela, despreocupadamente. — Ele te pegou? — pergunto, imaginando o porquê dela não estar mais brava. Sinto Jordan se mexer em seu assento ao meu lado. Eu olho para ele com desconfiança e quando ele pega meu olhar, nervosamente ajusta o espelho retrovisor. — Sim, me pegou — Jocelyn suspira. Ouço o som de respingos ao fundo, e música. Música alta. — Onde você está? — pergunto. — Em uma festa na piscina — diz ela. — Espera aí — digo, aumentando o volume do meu celular numa tentativa de ouvila acima do barulho no fundo. — Como você acabou em uma festa na piscina? — Hailie Roseman me convidou — diz simplesmente. — Então B.J. nos trouxe aqui. — Não — digo. Ela está bêbada? — Quero dizer, como você foi de perseguir B.J., ser pega, para terminar na festa na piscina de Hailie Roseman? — Eu nem sequer acho que Jocelyn é amiga de Hailie Roseman, uma júnior com quem sempre suspeitei que Jordan Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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ficasse, apesar de constantemente ele negar. — Oh — diz Jocelyn. — Isso é na verdade porque estou ligando. — Dã. — Olha, B.J. descobriu que eu estava perseguindo ele porque Jordan disse que era eu. — Oh, sério? — digo. — Ele disse que era você? — Jordan se mexe no assento de novo, então se estica e começa a passar pelos canais à satélite. Ele pigarreia. — Sim — repete Jocelyn. — Jordan disse a ele. — E como Jordan sabia? — Acho que ele descobriu porque você estava dizendo a ele para dizer a B.J. que não chamasse a polícia. — Sério? — digo, contemplando esta revelação. — Mm-hmm — diz Jocelyn. Mais respingos. — Mas ouça, essa não é a melhor parte. — Qual é a melhor parte? — pergunto, não vendo realmente o que havia de tão bom na primeira parte. Jordan olha para mim com curiosidade. Rá. Como se eu fosse dar uma pista pra ele sobre o que está acontecendo. Gosto de fazê-lo suar. Além disso, já que o tráfego não está se mexendo, não é como se ele pudesse fazer alguma coisa sobre o fato de que estou deixando ele desconfortável. Ele só tem que se sentar ali. — Então, depois que B.J. me pegou e eu confessei, tivemos uma conversa bem longa — diz Jocelyn. Sua voz soa meio arrastada, como se estivesse bebendo. Mais respingos e música de fundo. Adoro o fato de que meus amigos estão livres tendo uma festa de fim de verão com bebidas, piscina e música, e eu estou presa na viagem do inferno. Tão injusto. — Isso é ótimo, Joce — digo. Dizendo a verdade. — Você e B.J. deveriam ser capazes de falar das coisas mais abertamente. Acho que vai te ajudar a se sentir mais confortável com a situação. — Portanto, ouça — diz ela, parecendo um pouco nervosa. — Tenho que te contar uma coisa que ele me disse. Ele me contou para que assim eu sentisse como se pudesse confiar mais nele. — Quer dizer como um segredo? — Sim — diz ela, parecendo nervosa novamente. — Exatamente como um segredo. — Eu quebro a cabeça pensando que tipo de segredos B.J. poderia ter. Uma ficha criminal? Não, ele não manteria isso em segredo. Quando queimou nosso anuário escolar no gramado da escola e quase não se formou, ele se gabou disso pra quem quisesse ouvir, inclusive duas garotas, que ele nunca conheceu e que nos ouviu falar disso numa noite em uma barraca de sorvete. Uma DST? Nah, Jocelyn estaria pirando. E ela não parece assustada. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Ok — digo, me perguntando como ela poderia pensar que é uma boa ideia dar início a sua nova relação de confiança com seu namorado me dizendo um segredo que ele disse a ela para não contar. Mas não lhe digo isso, porque meio que quero saber o segredo. — Agora sei que provavelmente não é a melhor ideia te contar, sabe, desde que agora estamos tendo uma comunicação aberta e honesta, baseados na confiança e respeito mútuo — diz ela, soando um pouco como o Dr. Phil. É difícil levá-la a sério, porém, porque mesmo que ela esteja falando como se entendesse da ladainha de psicólogo que ela está vomitando, eu ainda posso ouvir os sons da festa ao fundo, incluindo uma voz masculina que está gritando, — VAMOS NOS FODER! — uma e outra vez. Isto está sendo recebido por gritos de — Woooo! — Então por que você está? — pergunto. — Espera — diz ela. — Vou entrar na casa, está ficando muito barulhento aqui. — Ok — concordo. Abaixo o vidro da janela. — O que você está fazendo? — pergunta Jordan. — O ar condicionado está ligado. — Quero um pouco de ar — digo a ele. — Como é possível você querer um pouco de ar? — pergunta ele, franzindo a testa. — O ar condicionado está ligado. Está mais quente do lado de fora do que aqui. — Eu não disse que estava com calor — digo. — Eu disse que precisava de um pouco de ar. — O sujeito no carro próximo a nós aparentemente está tão farto do trânsito que saiu de seu carro e estava mexendo em seu porta-malas. Ele surge com o que parece um Travel Scrabble35, e parecendo satisfeito, bate seu porta-malas, fechando-o. — Não posso acreditar que nos esquecemos de trazer nossos jogos de viagem — diz Jordan, suponho que pensando que é engraçado. — Alô! — grito no celular. Sem resposta. Quanto tempo leva pra chegar à casa de alguém? Ainda posso ouvir os sons da festa ao fundo, então eu sei que ela não desligou. Talvez ela deixou cair o celular. — Alôôôôô! — grito de novo, pensando que talvez ela vá me ouvir e voltar. — Por que está gritando? — Jordan pergunta. — Porque Jocelyn me colocou em espera e não voltou ainda. — Bem, há outra pessoa no carro. Então tente não gritar. — Oh, sinto muito — digo. — Meus gritos estão te incomodando? — Bem, sim — diz ele. — Além disso, não é como se você estivesse morrendo de 35

Um jogo de palavras cruzadas.

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pressa para que ela volte ao telefone, certo? Você não está fazendo nada de importante. Estamos presos no trânsito. — Uau — digo. — Você é tão astuto, Jordan. Adoro o quão totalmente perspicaz e bom você é na interpretação das situações. Ele olha para longe e então eu grito, — ALÔÔÔÔÔÔ! — no celular mais uma vez. — Ah, oi — Jocelyn diz, soando ofegante. — Desculpe por isso. Não consegui descobrir como abrir a porta de trás, então tive que caminhar todo o caminho ao redor da casa e isso levou um tempo. — Quero perguntar por que ela simplesmente não falou comigo enquanto caminhava, ou pelo menos pegou o telefone para me dar um informe sobre a situação, mas não pergunto. — De qualquer forma... — digo. — Sim, de qualquer forma estou dentro agora. — Bom. — Sim. — Então... — Ah certo! O segredo. Ok, portanto sei que provavelmente não deveria estar te dizendo. — Provavelmente não — concordo. — Mas antes de chegarmos nisso, quem era que estava gritando vamos nos foder toda hora? Só por curiosidade, quero dizer. — Oh, era B.J. — diz ela. — Ele tá se embebedando essa noite. — Eu acho que isso é um grande sinal de que eles estão celebrando sua recém-descoberta relação de confiança se embriagando e contando os segredos um do outro, mas não digo isso. Não sou ninguém para julgar o relacionamento de alguém. — Oh, ok. — Enfim, eu sei que não deveria dizer, mas a razão porque vou, é porque é meio que sobre você. Bem, indiretamente, de qualquer maneira. E eu quero ser leal a B.J., eu realmente quero, mas você é minha melhor amiga, e se você descobrisse por outra pessoa, e então descobrisse que eu sabia e não te disse, você provavelmente ficaria puta. E as garotas estão acima dos pênis, sabe? — Tudo bem — digo, começando a ficar preocupada. Não gosto de Jocelyn encontrando segredos que tenham a ver comigo e B.J., porque inevitavelmente eles vão envolver Jordan. E o fato de que eu acabara de ter um ataque de nervos em um banheiro público me deixa muito nervosa sobre meu estado mental.

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— Ok — diz ela. — B.J. me disse que Jordan inventou a garota do MySpace. — O que você quer dizer? — pergunto. Meu coração está batendo muito rápido, de repente, me pergunto se Jordan pode ouvi-lo. — A garota que ele supostamente conheceu no MySpace? Pela qual ele te deixou? Ele não te deixou por ela. Ele a inventou. — Por que ele faria isso? — pergunto. — Não tenho ideia — diz ela, mas mesmo quando ela está dizendo isso, eu sei a resposta. Ele fez isso como uma desculpa para terminar comigo. Ele sabia que seria mais fácil se ele tivesse um motivo concreto, algo que pelo menos me daria algum tipo de resposta. E esse tempo todo, eu estive me fazendo sentir melhor pensando em atributos horríveis para a nova namorada de Jordan, dizendo a mim mesma que ela era uma vagabunda, e que um dia ele iria perceber o erro enorme que cometeu. A verdade é, ele simplesmente não me ama.

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Jordan - A Viagem Dia Dois, 17h06

Courtney está me deixando muito nervoso. Qualquer que seja a merda que está acontecendo em sua conversa telefônica não pode ser boa. Já me dei conta que ela sabe que avisei B.J. sobre toda a coisa de Jocelyn, o que me deixa um pouco irritado. Quando eu disse a ele, era para que ela não entrasse em problemas, não para que ele pudesse ir e dizer como descobriu. Ele deveria saber que ela ia voltar e dizer a Courtney. O que ele estava pensando? O tráfego avança lentamente alguns centímetros à frente, e Courtney se senta ao meu lado em silêncio. Quando chegamos à Middleton vinte minutos depois, a vibração no carro não está muito melhor. Eu queria que Courtney apenas falasse comigo e me dissesse o quão irritada está, mas isso obviamente não vai acontecer. Adicione isso ao fato de que tenho quatro chamadas perdidas no celular, todas do pai de Courtney, que eu definitivamente decidi que é o mais louco filho da puta que eu conheço. Sério, ele tá com os parafusos soltos. Eu costumava pensar que talvez B.J. fosse a pessoa mais louca que eu conhecia, mas agora percebo que B.J. só faz coisas loucas, e que há uma clara diferença entre agir como louco e ser louco. E o pai de Courtney é o último. Já que estamos presos no trânsito, e Courtney está me dando o tratamento do silêncio, eu pensei em um grande plano para nosso tempo na Carolina do Norte. Consiste de uma parte: Ficar longe de Courtney e Lloyd, e sair com meu único irmão. Isso vai ser um pouco problemático, já que não estou certo de como Courtney vai se sentir sobre eu apenas largando-a as portas de Middleton. Se é que tem portas. Dirijo o carro para o estacionamento de visitantes e o desligo. — Bem — digo. — Acho que é isso. — O que você quer dizer? — pergunta ela, franzindo a testa. — Quero dizer que acho que isso é tudo. Aqui é onde nos separamos. — Nos separamos? — ela pergunta, e poderia ser minha imaginação, mas por algum motivo, ela parece quase em pânico. — Sim, você sabe — digo. — Nos separarmos, deixamos um ao outro, vamos em direções diferentes. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Por que faríamos isso? — ela morde o lábio e olha pela janela do carro. — Por que não faríamos? Tenho certeza que você quer passar algum tempo a sós com Lloyd, e francamente, eu não quero ficar perto dessa merda. — Ops. Eu não deveria ter dito isso alto. A última coisa que preciso é que ela pense que eu a quero de volta. Apesar de que quero. Na verdade, não é verdade. Eu nunca quis terminar com ela. Mas que seja. Semântica. — Lloyd e eu não somos exatamente melhores amigos, se você sabe o que quero dizer. Ela acena. Provavelmente está pensando sobre a época em que Lloyd e eu quase entramos numa briga. — Então! — digo alegremente. Tiro as chaves da ignição. — Vou abrir a parte de trás para que você possa tirar suas coisas. — Ótimo! — diz. Ela tira seu celular e faz uma grande representação ao colocá-lo no silencioso. Suponho que assim ela e Lloyd não serão interrompidos enquanto estão se pegando. — Só certifique-se de fechar a caminhonete quando tiver terminado — digo. Pego minha mochila preta detrás e a deslizo no meu ombro. — Isso é tudo o que você tem? — pergunta. — Quero dizer, isso é tudo o que você vai levar? Pra passar a noite? — Sim, isso é tudo o que vou levar pra passar a noite — digo. — Bem, tenho muito mais do que você — diz incisivamente. Se ela acha que vou ajudá-la a levar as coisas dela, está redondamente enganada. Gosto de me considerar um cara legal, mas ponho um limite em ajudar minha ex-namorada a levar suas coisas até o dormitório de um cara. Isso é loucura. Sobretudo porque é óbvio que ela está pensando em dormir com ele. — É claro que você tem muito mais do que eu — digo. — Você é uma garota. Mas leve seu tempo para pegar tudo o que precisa. Só certifique-se de fechar quando tenha terminado. Encontro você aqui amanhã as oito, e voltaremos à estrada, tudo bem? — Sim, ok — diz ela, não soando lá muito ok. Uma expressão de dor passa brevemente por seu rosto enquanto me afasto, e é quase o suficiente para me fazer virar, mas então penso em Lloyd e no comentário do MySpace, e continuo andando. **** Meu irmão, Adam, vive em um quarto individual em Gluster Hall, onde ele é um RA . Não somos muito próximos, e não tenho certeza do por que é assim. Acho que 36

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Resident Assistant é aquele que supervisiona aqueles que vivem em uma residência universitária ou local de residência em grupo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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poderia ter algo a ver com fato de que fomos tão mimados ao crescer, que fez fácil não ter que interagir. Meus pais nos compravam tudo – aparelhos de videogames, DVDs, celulares, brinquedos, tudo o que queríamos. O que significava que não havia muito tempo para nos sentar juntos, lendo livros ou passeando, fazendo trincheiras e tentando nos divertir com jogos imaginários. Bato na porta e ele a abre usando boxer e uma camiseta. — Cara — diz Adam, entrecerrando os olhos para mim. — Tá me tirando? — Se você conhecesse meu irmão, saberia que isto não é muito estranho. Ele fala bastante assim, perguntas ao azar que não fazem sentido. Tá me tirando é um de seus favoritos. — E aí, mano? — pergunto, e penso em puxá-lo para um abraço. Não somos no geral muito sentimentais, mas ele é meu irmão e não o vejo faz um tempo. Antes que possa decidir se isso seria apropriado, pego o cheiro de maconha vindo do seu quarto. Eu olho para ele de novo. Ele está com os olhos injetados de sangue, e tem um meio sorriso no rosto. Isso é simplesmente ótimo. O idiota está alto. — Cara, tá me tirando? Logo agora? — ele repete. — Uh, não — digo. — Acho que não. Mas é, uh, bom te ver. — Percebo que ele está bloqueando a porta, então dou um passo pra mais perto dele, em uma tentativa de mostrar minha intenção de realmente entrar em seu quarto. Embora tenha certeza que assim que entrar ali, vou começar a receber o efeito da maconha. Ele ainda não se move para fora do caminho, e eu choco com ele desajeitadamente. Pela primeira vez, percebo que ele não está usando sapatos. Sei disso porque piso no seu pé. — Você não vai entrar — diz ele, colocando sua mão em cima. — O que você quer dizer? — pergunto confuso. — Por que não me disse sobre a mamãe? — pergunta ele, e percebo que ele não está apenas alto, mas zangado. Loucamente, assustadoramente zangado. Seus olhos estão com aros vermelhos de raiva, não apenas do baseado. Pensei que um baseado te deixasse suave. — O que você quer dizer com dizer a você sobre mamãe? — pergunto, indo automaticamente para o modo evitar-e-negar. — Sobre mamãe tendo um caso, sobre como ela está deixando papai por outro — diz ele, e desta vez ele bate seu punho contra a porta. Dou um passo para trás. — Eu não sabia — digo baixinho, o que é apenas uma meia mentira. Eu sabia que ela estava tendo um caso, mas eu não sabia que ela ia deixar meu pai. De repente, sinto como se alguém tivesse me dado um soco no estômago.

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— Isso é não é verdade — diz, apoiado no batente da porta. — Isso não é verdade e você sabe disso. Ela me disse que você sabia. Ela me disse que você os flagrou. — Sim — digo. — Mas eu não sabia que ela ia deixar papai por causa disso. Ela agiu como se não fosse grande coisa, como se fosse uma coisa ao azar que ia parar. — Na verdade, eu sabia que isso não era verdade. Minha mãe disse isso para mim, mas era muito óbvio que não era o que estava acontecendo. Achei que talvez ela só precisasse de tempo para terminar isso, quero dizer, vamos encarar. O pai da Courtney é um desgraçado filho da puta. Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas sabia que havia uma chance de que ele poderia estar fazendo isso difícil para minha mãe do jeito que estava fazendo minha vida difícil. — Então por isso fica tudo bem o fato de não ter me dito? Jesus, Jordan! — ele passa os dedos pelos cabelos e me olha como se não pudesse acreditar na minha evidente estupidez. — Não era assunto meu para dizer — digo. — Era para ela dizer a papai, não era minha função. — Você está certo — diz ele. — No começo. Mas essa merda vem acontecendo há meses, Jordan. Você sequer ia dizer a alguém? — De repente, ele parece muito coerente, e não como se ele estivesse fumando maconha, o que me assusta. Meu irmão é um pouco maior do que eu, mas não é que eu ache que ele queira brigar comigo. Estivemos em brigas antes. Nada grave, apenas pequenos arranhões que começaram por algo bobo e chegavam ao ponto onde nós cairíamos numa luta um com o outro. Mas agora, nem sequer parece que suas palavras são motivadas pela raiva. É outra coisa – quase como ódio. — Não sei se eu ia dizer a alguém — digo. — Isso é ótimo — diz Adam e então bate a porta na minha cara. Fico parado ali por um minuto, olhando para a porta e tentando me acalmar. Então, pego minhas coisas e volto para o meu carro. Quando chego lá, Courtney e sua bagagem se foram.

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Courtney - A Viagem Dia Dois, 17h19

Eu posso fazer isso. Eu posso fingir que gosto de Lloyd. Eu já estive em jogos de escola antes. Bem, não desde o ginásio, e mesmo então era apenas uma pequena parte que estava relacionada para entrar no coro. Nós não tínhamos nada nesta linha ou qualquer outra coisa. Mas mesmo assim. Eu tive que atuar em minhas expressões faciais. Eu estive parada do lado de fora do dormitório de Lloyd por uns dez minutos, minha bolsa de camping rosa pendurada em meu ombro e meu celular em minha mão. Eu quis ligar para ele, realmente quis, mas por alguma razão não pude. Tecnicamente, eu não podia entrar no prédio a menos que ele descesse para me pegar, uma vez que eles têm um tipo de sistema de cartão magnético para entrar nos dormitórios. Eu acho que é por questões de segurança, embora houvesse dois estudantes que adoram ajudar que se ofereceram para me colocar dentro. É demais para dormitórios seguros. — Courtney? — eu viro e lá está Lloyd, parado atrás de mim. — Oh! — eu digo. — Oi! Eu estava quase ligando para você. — Eu levanto meu celular para provar o que estava dizendo. Não era como se eu estivesse mentindo. Eu realmente estava quase ligando para ele. Ou pelo menos, eu estava quase tentando ligar para ele. E esforço deve contar para algo. — Eu desci, no caso de você não conseguir achar o dormitório. — Ele embrulha seus braços em volta de mim e eu me apoio em seu corpo. — Estou tão feliz que esteja aqui — ele murmura no meu cabelo. Eu enterro meu rosto em seu pescoço e tento me fazer sentir algo, qualquer coisa por ele. Eu transporto meu cérebro para todas as coisas que eu adoro sobre ele enquanto eu o desejei pelos últimos seis anos. Seus braços, que eu sempre pensei que eram realmente notáveis, agora pareciam... eu não sei, duros. Hum. Eu costumava passar muito tempo pensando em beijá-lo. Mas agora que eu o beijei de verdade, eu não conseguia mais pensar em como seria, porque eu já havia feito isso. E não era exatamente ruim, mas também não era bom. Nada como beijar Jordan. — Estou feliz por estar aqui também — eu digo, meio que querendo dizer isso. Eu não sei o que irá acontecer com Lloyd e eu, mas estar fora daquele carro só pode ser uma coisa boa. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Vamos levar suas coisas para dentro — Lloyd diz. Ele pega minha bolsa de camping rosa e eu o sigo para o dormitório. Duas horas depois, eu me sinto como se quisesse me matar. Tudo começou quando eu vislumbrei o armário de Lloyd. Por alguma estranha razão, Lloyd deve ter decidido que quando ele desempacotasse suas coisas, seria uma boa ideia começar pelas roupas. Na verdade, não todas as suas roupas, mas só suas camisas pólo. Então, agora seu quarto estava totalmente vazio, mas seu armário, que estava aberto, tinha todas essas camisas pólo penduradas nele. Por alguma razão, isso me parecia estranho. Eu continuo pensando naquela vez que Jordan chamou Lloyd de Menino Pólo por acidente em minha frente. Eu estava no telefone com Jordan, e eu apertei o botão para atender a outra linha, e quando eu voltei, Jordan disse, — Era o Menino Pólo? E eu fiquei tipo, — Quem? E Jordan disse, — Nada. Aparentemente ele e B. J. chamavam Lloyd de Menino Pólo e ele acidentalmente deixou isso escapar. Ele pensou que eu ficaria irritada, mas eu não fiquei. Daquela vez, eu realmente achei isso muito, muito engraçado. Mas agora, olhando para todas aquelas camisas penduradas no armário de Lloyd, havia algo de... perturbador nisso. Ele não gostava de nenhuma outra camisa? Ele nem mesmo tinha outras camisas? Eu pensei tê-lo visto numa camiseta uma vez. Quando estávamos na mesma aula de ginástica. — Então, eu vi que você desempacotou todas as suas roupas — eu digo, correndo minha mão pela fileira de camisas em seu armário. — É — ele diz. Ele se mexia na cama e eu sabia que deveria provavelmente ir sentar perto dele, mas eu estava com medo que se fizesse, ele pudesse começar a tentar me beijar ou coisa assim, e eu realmente, realmente não queria que isso acontecesse. Eu esperava que talvez se eu saísse com ele um pouco mais, eu começaria a me sentir mais confortável. Essa era, apesar de tudo, a primeira vez que nós saíamos desde que ficamos. E ficar com ele não podia ter sido tão ruim. Quero dizer, durou um tempo. Nós ficamos por pelo menos uma hora ou duas e eu não consigo me ver fazendo isso se fosse muito, muito ruim. — Legal — eu digo. Por alguma razão, eu não podia parar de olhar para as camisas dele. Ou tocá-las. Eu estava, tipo, acariciando as camisas dele nesse momento. Mais e mais, como algum tipo de perversão por camisas. — Venha sentar-se — Lloyd diz, batendo numa parte da cama próximo a ele. — Ok — eu digo de maneira incerta. Eu me sento perto dele. — Então, o que você quer fazer essa noite? — Ele toma minha mão na dele e entrelaça seus dedos com os meus. Eu não sabia o que fazer. Eu não tinha nenhum plano. Eu lembrei que Jordan sairia conosco, pelo menos por um tempo, e que eu teria que fingir Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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estar interessada em Lloyd quando na verdade eu não estava. Mas agora, eu percebi que era a coisa mais ridícula que eu já sequer pensei em minha vida. Jordan e Lloyd não gostam um do outro. Por que nós sairíamos todos juntos? — Uh, eu não sei — eu digo, olhando em volta do quarto. Eu percebo que deveria dormir aqui essa noite, e de repente, eu sinto como se fosse vomitar. — Talvez apenas ficar aqui — Lloyd diz. Seu dedo indicador agora fazendo círculos nas costas da minha mão. Eu tento tirar a mão sem que ele notasse, mas eu acho que ele pensou que eu estava acariciando sua mão, porque ele agarra a minha. Forte. Normalmente, eu gosto de caras que sabem o que estão fazendo, mas isso parece, um, meio estranho. — Ou talvez nós pudéssemos ir a algum lugar — eu digo. — Como cinema. — Na verdade, espera, má ideia. Visões de cinemas escuros e Lloyd esfregando minha mão definitivamente não me fazem sentir confortável. — Cinema parece bom — ele diz. Sua boca estava contra meu pescoço agora, e eu posso sentir sua respiração enquanto ele fala. O que você pensaria que seria uma boa sensação, mas por alguma razão, agora eu pensava em Lloyd como o Menino Pólo, definido apenas por suas camisas pólo, e então, sua respiração agora se transforma na respiração pólo. Eu definitivamente estava prestes a ter outro colapso. — Ou! — eu digo. — Você poderia me mostrar o campus. — Um tour soava bom. Um tour soava bem seguro, algo que crianças do ensino médio faziam com seus pais. Algo que precisávamos estar de pé para fazer. Embora eu supunha que pessoas beijavam e davam amassos (e transavam?) de pé. Mas isso seria público. Então estaria limitado. — Você realmente quer ver o campus agora? — Lloyd pergunta. Ele vira minha cabeça na direção da dele e me beija. Ele está me beijando. Nesse momento, a língua dele está na minha boca. Eu correspondo seu beijo. Não parece horrível, mas não parece certo também. É como se não tivéssemos química em nosso beijo ou algo assim. — Lloyd — eu digo, interrompendo o beijo. — Eu acho que devíamos ir a algum lugar, quero dizer, nós temos a noite toda para... — eu tento descobrir uma maneira de dizer dar uns amassos sem na verdade dizer dar uns amassos quando eu de repente percebo que não tenho que dar uns amassos nele. Jordan já foi. Eu não precisava fingir que eu queria dar uns amassos em Lloyd. — Desculpa — Lloyd diz, falando em meu pescoço. — Eu não quero que você ache que eu só quero ficar com você. — Oh, ok — eu digo. De certa forma, na verdade seria melhor se ele só quisesse dar uns amassos. Porque então, quando eu dissesse a ele que isso não poderia acontecer, ele Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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não ficaria tão chateado. Não seria como se houvessem sentimentos envolvidos ou algo assim. Ele ficaria tipo, — Oh, ok, eu vou encontrar outra garota para dar uns amassos. La, la, la. — E então nós poderíamos ser amigos novamente. Amigos que já se beijaram. E deram uns amassos. E então se visitam na faculdade, onde alguém decidiu que eles não querem mais dar uns amassos. Hmmm. — Porque eu realmente gosto de você, Courtney — ele diz. — Eu nunca disse isso a você, mas quando você estava com Jordan, eu percebi que eu tive sentimentos por você todo esse tempo. — Oh. — Ótimo. Eu olho para Lloyd, e de repente, eu me sinto uma pessoa horrível. O que eu estou fazendo? Bagunçando a cabeça de meu melhor amigo para que eu possa deixar um cara que inventou uma namorada falsa com ciúme? É completa e totalmente insano. É como se eu nem mesmo soubesse mais quem eu sou. — Lloyd, ouça — eu digo. — Eu não posso ficar aqui. — O que você quer dizer? — ele diz, parecendo confuso. Ele tomou minha mão novamente. — Eu só não posso ficar aqui — eu repito. Eu me sinto sufocada. Eu penso em Jordan inventando a garota do MySpace, e estar aqui com Lloyd, e eu não posso aguentar. Eu preciso sair daqui. Imediatamente. — No que você está pensando? — ele diz. — Isso — eu digo, gesticulando. — Eu apenas… eu não posso. Eu te ligo mais tarde. — Eu pego minha bolsa, ergo sobre meus ombros. Eu preciso sair. Rápido. Lloyd grita por mim, mas eu o ignoro, e uma vez que eu estava do lado de fora, eu me sinto muito melhor. Eu respiro fundo. Aquela era a coisa certa a fazer. Eu não podia ficar lá, especialmente depois dele me dizer que gostava de mim. Teria sido cruel. E horrível. Mas agora eu percebo que eu não tenho nenhum plano. Eu não sei para onde ir, onde ficar, ou o que fazer. Eu me dirijo ao carro de Jordan, calculando que pelo menos fosse uma localização central. E talvez ele estivesse lá por alguma razão, e eu poderia conseguir uma desculpa para passar a noite no quarto de seu irmão. Mas quando eu chego onde o carro de Jordan está estacionado, ele não está lá. E seu carro também não.

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Jordan - A Viagem Dia Dois, 18h43

Eu estou sentado em um motel descendo a Rua de Middleton, contemplando minha vida quando meu telefone toca. É B. J., e eu quero ignorar, mas pelo que eu sei, ele está em alguma festa e ele pode estar precisando de ajuda. Não que houvesse muita coisa que eu pudesse fazer da Carolina do Norte, mas mesmo assim. Ele pode estar em coma alcoólico, ou algo assim. E mais, se ele não estiver em nenhum tipo de problema, eu vou xingá-lo por dizer a Jocelyn que eu disse a ele que era ela que o seguia. Como pode ser que eu esteja fora de casa e ainda assim esteja em todo esse drama? Eu passei a última meia hora no computador no salão, na página de Courtney no MySpace, lendo o comentário que Lloyd deixou para ela, e depois passando por TODOS os comentários dela, tentando achar alguma pista do que aconteceu exatamente. Eles transaram? Eu chequei a página dele também, mas ela não deixou nenhum comentário para ele desde que eles deram uns amassos. Embora suficientemente preocupante, ele mudou seu status de relacionamento de solteiro para em um relacionamento, o que é ligeiramente suspeito. A era da informação é tão psicótica – sem o celular e a internet, eu estaria livre de dramas neste momento. — Sim — eu digo ao telefone, torcendo para que meu tom transportasse a ideia que eu estou irritado, mas ainda o ajudaria se ele estivesse morrendo. — Qual é, cara? — B. J. pergunta. Ele não soava como se estivesse em coma alcoólico. Eu tiro meus sapatos com um chute e sento na cama do quarto de hotel. Eu odeio quartos de hotel. Há algo de irreal neles, e temporário, como se você estivesse num tempo emprestado ou algo assim. — Nada — eu digo, certificando-me de me manter breve. — Ouça — B. J. diz. — Estou bêbado. — Ok. — Ele está falando, o que quer dizer que ele não pode estar tão bêbado. Então provavelmente ele está ligando para desculpar-se. Estou irritado que ele não tenha ligado até estar bêbado, mas eu acho que desculpas de uma pessoa bêbada é melhor que nenhuma. — Preciso te dizer uma coisa — B. J. diz, soando nervoso. Eu penso em dizer a ele que eu já sei, mas decido que era mais divertido fazê-lo contorcer-se por um tempo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Oh, é? O que seria? — Eu pego o controle remoto e ligo a televisão. Essa é outra coisa sobre os quartos de hotel. Você precisa pagar 10 dólares para pedir filmes. Filmes deviam vir com o quarto de hotel. Deveria ser um bônus, como a piscina. — Primeiro, deixe-me dizer que eu sinto muito, muito mesmo — B. J. diz. — Uhum — eu digo. Eu passo pelos canais, perguntando-me se o jogo dos Devil Rays está passando na TV na Carolina do Norte. Eu mudo para a ESPN, mas por alguma razão, eles passavam o jogo dos Cardinals, o que não faz sentido, já que o Cardinals joga em St. Louis, e Tampa é bem mais perto da Carolina do Norte que St. Louis. Eu espero a pequena barra na parte inferior da tela aparecer para atualizar-me sobre o jogo. — E eu quero que você saiba que eu não estava pensando quando eu fiz isso. É que Jocelyn realmente me pegou pelas bolas. — Ok — eu digo, suspirando. Tampa perdia de 4x0 para os Yankees. Malditos Yankees. Na verdade, eu estou satisfeito pelo jogo não está sendo transmitido, porque se eu estivesse assistindo, eu ficaria irritado. — Então — B. J. diz. — Uh, a questão é, que eu meio que contei para Jocelyn sobre a garota do MySpace. — Pausa. — Mas não se preocupe, ela não vai contar para ninguém — ele acrescenta rapidamente. — Você contou a ela o que sobre a garota do MySpace? — pergunto, suspirando. Essa garota do MySpace estava realmente começando a ser um pé no saco. É impossível lembrar o que eu disse às pessoas sobre ela. Não era tão simples como dizer a Courtney que eu tinha uma nova namorada. Eu precisava dizer a outras pessoas também, para confirmar. Na verdade, o único que sabia a verdade sobre tudo era B. J. Eu não planejei bem o suficiente essa garota do MySpace – eu deveria ter escrito todas as suas características, para que eu pudesse manter um registro do que eu disse para quem. Eu me perguntei se eu deveria encenar um rompimento no MySpace. — Eu contei a Jocelyn sobre ela — B. J. repete. — Sim, B. J. — eu digo, forçando-me a manter-me paciente porque ele está bêbado. — Mas o que você disse a Jocelyn sobre a garota do MySpace? — Aposto cinquenta dólares que o que quer que ele tenha contado a Jocelyn, Courtney já sabe. Aquelas duas contam tudo uma para a outra. — Eu disse a ela a verdade sobre a garota. Sobre como você a inventou. — Tenho certeza que eu entendi errado. — Tenho certeza que eu entendi errado — eu digo, colocando a televisão no mudo. B. J. não era tão estúpido. Ele não faria algo tão ridiculamente estúpido. Faria? Eu penso em todas as coisas estúpidas que B. J. já fez no passado, e de repente, me sinto mal.

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— Agora, não fique fora de si — B. J. diz, soando nervoso de novo, porque eu tenho certeza que eu soei como se estivesse prestes a foder com tudo. — Jocelyn disse que nunca contaria a Courtney. — E você acreditou nela? — eu pergunto incrédulo. — Você está brincando comigo neste momento? — acrescento, pegando a frase emprestada de meu irmão. — Elas contam tudo uma para a outra! Tudo! Courtney provavelmente sabe o tamanho do seu pau! B. J. respira fundo. Não tenho certeza se porque eu estou gritando ou porque Courtney deve saber o tamanho de seu pau. Provavelmente um pouco dos dois. — Não posso acreditar que você contou a ela! — De repente, eu estou irado. Essa raiva incontrolável vinha sobre mim, e eu penso que é tudo – a coisa toda com meus pais, meu irmão me chutando de seu dormitório, estar em um maldito quarto de hotel quando os Devil Rays estão perdendo para os Yankees, a situação toda com Courtney e a garota do MySpace… Eu estou irritado. Mais do que eu já estive em toda a minha vida. E naquele momento, o pai de Courtney decidiu aparecer na minha chamada em espera. — O quê! — eu digo quando atendo a outra linha. Eu nem mesmo me preocupei em dizer a B. J. para esperar. Ou ele vai perceber ou vai pensar que eu desliguei na cara dele. De qualquer modo está bom para mim. — Ei — Frank diz. Ele sempre age como se fôssemos melhores amigos, o que poderia ser a coisa mais chata sobre ele. — O que você quer? — Eu só quero verificar, ver como a viagem está indo — ele diz. — Eu tentei ligar para o celular de Courtney, mas ela não está atendendo. — Acabou — eu digo, sem perceber o que significava até as palavras saírem de minha boca. — O que acabou? — ele pergunta, soando confuso. — Vou contar a verdade para ela. — E com isso, eu desligo as duas ligações, fecho o telefone e saio do motel para encontrar Courtney.

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Courtney - A Viagem Dia Dois, 19h29

Não sei mais o que fazer, então eu me dirijo para o dormitório do irmão do Jordan, Adam. Talvez eu pudesse dizer a eles que Lloyd e eu brigamos. Ou que ele me propôs casamento, e quando eu disse que não estava pronta para casar, me expulsou de seu quarto. Hmm. Vai ser um desafio, tentar chegar a uma explicação que faça sentido a respeito do porque eu não tenho onde dormir essa noite. O prédio de Adam tinha o mesmo sistema de passar cartão que o de Lloyd, mas por alguma razão, não há pessoas entrando e saindo. Talvez o prédio de Lloyd seja tipo um prédio de festas, onde as pessoas estão apenas indo e vindo o tempo todo. E o prédio de Adam é o prédio de estudos, e todos os alunos estão em seus quartos estudando. Uma garota em uma blusa sem mangas rosa e toneladas de delineador sobe os degraus, tento segui-la para o prédio, mas ela se vira e me dá um olhar mortal. Eu sou uma mestra em olhar mortal (eu o aperfeiçoei ainda mais para esta viagem), mas essa garota é muito, muito boa. ― Você não pode entrar sem seu cartão ― diz ela. ― Esqueci meu cartão ― digo. ― Esqueceu? ― ela joga o cabelo sobre o ombro. ― Sim ― digo. ― Esqueci no meu quarto. ― Não é problema meu ― diz ela e começa a fechar a porta. ― Vá ao centro estudantil e consiga um temporário. ― E então ela fecha a porta na minha cara. Deus, eu espero que ela não lidere as tours para os estudantes potenciais por aqui. Quem iria querer vir para essa faculdade? Até o momento sei de três pessoas que querem. Lloyd, Adam, e Blusa Rosa. Lloyd está zangado comigo porque não vou ficar com ele, Blusa Rosa foi uma vaca comigo, e uma vez, o irmão de Jordan disse que ele deveria terminar comigo porque eu não tinha seios. Este lugar é tão legal. Tiro meu celular, que por algum motivo está em modo silencioso. Oh. É de quando eu fiz toda aquela cena colocando ele no silencioso quando Jordan me deixou aqui. Assim Lloyd e eu poderíamos dar uns amassos em paz. Respiro fundo e penso no que vou dizer. Algo para fazer parecer que abandonei Lloyd? Mas então percebo que todo esse tempo, Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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este jogo todo que venho fazendo sobre a coisa de Lloyd é algo inútil. Porque eu esperava deixar Jordan com ciúmes usando Lloyd para fazê-lo raciocinar – ou seja, que se desse conta que a Mercedes do MySpace era uma vagabunda total, enquanto eu, por outro lado, era tão obviamente desejável e incrível que estava seguindo em frente a velocidade da luz. Mas agora que sei que a garota do MySpace é inventada, isso não faz sentido. Ele só não gosta de mim. Ou me ama. Por isso, não importa se eu tenho um namorado ou não, porque ele não se importa. Sinto que vou chorar, então ao invés de ligar para Jordan, sigo as indicações para o centro estudantil e peço uma limonada rosa, que bebo enquanto estou sentada em um banco do lado de fora e tentando descobrir quanto tempo tenho até que fique muito escuro e me veja forçada a fazer algo. Meu celular toca. É meu pai. ― Ei ― digo, tentando soar como se tudo estivesse bem. Não devo soar como se estivesse presa sem lugar algum onde passar a noite depois de ser atacada no dormitório de Lloyd. OK, não atacada realmente. Mais como abordada. Mas mesmo assim. Não posso deixar que meu pai saiba que não tenho onde dormir. ― Ei querida ― diz ele, e algo em sua voz me deixa nervosa. ― O que há de errado? ― pergunto. ― Ouça, Courtney ― diz ele. ― Tenho algo que preciso te dizer.

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Jordan – Antes 17 Dias antes da viagem, 18h23

― Vou terminar com ela esta noite ― digo a B.J. Nós estamos no telefone, e estou esperando Courtney vir a minha casa. ― Não posso continuar com isso. É ridículo. ― Ok ― diz B.J., incerto. ― Mas não entendo porque você não pode simplesmente dizer a ela. ― Eu poderia dizer a ela ― digo. ― Mas a coisa é, B.J., e se ela nunca precisasse descobrir? E se essa coisa com o pai dela e minha mãe segue seu curso, e o que ela não sabe não vai machucá-la a menos que eu diga? ― Bem ― B.J. diz, ― se ela nunca vai descobrir, então porque vai terminar com ela? Não vai machucar ninguém. Especialmente se ela vai começar a ceder. Não desista de uma gata pronta pra ação só pra acabar na pior depois. ― Ele soa convencido. ― Nem vou responder isso ― digo, me inclinando para trás na cadeira e correndo os dedos pelo cabelo. ― Isso vai ser ruim. ― Pode crer ― diz B.J. ― Espero que ela não seja do tipo psicopata. ― Obrigado ― digo sarcasticamente. ― Você é um bom amigo. ― Ei, estou aqui pra você, irmão ― diz. ― Mas acho que você está cometendo um erro. ― Ela me ama ― digo. ― E eu não posso estar com alguém que me ama quando estou mentindo pra ela. Prefiro tê-la me odiando por pensar que sou o típico homem babaca, do que por esconder algo tão importante dela. ― Ela sabe que vai acontecer? ― B.J. pergunta. ― Eu disse a ela que precisávamos conversar esta noite ― digo, engolindo o nó na garganta. ― Então, acho que sim. ― Você é um homem melhor do que eu, cara ― B.J. diz. ― E que a força esteja com você. ― Ele desliga, e eu olho para meu telefone, incrédulo, em parte pelo fato de que, minha conversa com B.J. ter acabado significa que vou ter que lidar com toda essa coisa de Courtney, e em parte porque meu melhor amigo está citando Star Wars quando estou no meio da maior crise romântica da minha vida. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Cinco minutos depois, Courtney bate na porta do meu quarto. ― Entra ― digo, colocando uma mensagem de ausência no meu MSN que simplesmente diz, ausente. ― Ei ― ela diz. Está usando short vermelho e branco quadriculado e um top vermelho de alcinhas. Posso ver as alças do sutiã, e seu cabelo está penteado em um desses rabo de cavalo/coque desleixado que as garotas sempre usam. Ela está sexy. ― Oi ― digo, não me movendo da cadeira do computador. Ela se senta na minha cama e me olha com expectativa. As coisas entre Courtney e eu não tem sido as mesmas desde que voltamos de Miami. Eu a estive evitando um pouco e ela tem estado distante comigo, também. Uma vez que eu não disse, te amo, a ela, e uma vez que ela deixou claro que estava disposta a dormir comigo e eu não tomei uma atitude quanto a isso, tem sido estranho entre a gente. ― Ouça ― diz ela. ― Não sei o que está acontecendo com a gente, mas estou começando a me sentir muito mal com isso. ― Ela morde o lábio, e eu afasto o olhar. Se eu tiver que olhar pra ela, não vou ser capaz de fazer isso. E isso precisa ser feito. ― Não quero que você se sinta mal, Court ― digo com sinceridade. ― E eu não quero que as coisas sejam estranhas entre a gente. ― Sinto muito por Miami ― diz ela. ― Eu não deveria ter te pressionado pra fazer sexo comigo, e não deveria ter dito que te amo. Eu só... só... eu só me deixei levar pelo momento, e sinto muito. Eu quero tanto tomá-la nos braços e dizer que está tudo bem, que eu a amo também, mas não posso. Afasto o olhar e não digo nada. ― Mas não tem que mudar nada ― ela se apressa. ― Não é grande coisa. Quero dizer, eu não preciso que você sinta o mesmo por mim. Tudo pode voltar ao que era antes, não tem que ser diferente. Não tem que mudar. ― No entanto, isso muda as coisas, Courtney ― digo, ainda não olhando para ela. ― Muda. ― Só muda se decidirmos que tem que mudar ― ela diz. Uma nota de preocupação se arrasta em sua voz, como se ela soubesse que isso é algo que não pode ser reparado, mas é por um motivo diferente do que ela pensa, e isso está me matando. ― Não importa para mim, Jordan, sério. Eu só quero voltar ao jeito que as coisas eram antes. ― Não posso ― digo simplesmente. ― Courtney, na praia eu percebi que não quero estar preso nesse momento. Quero poder ser jovem e ter encontros com outras pessoas. ― Oh, meu Deus. Eu realmente estou soando como um tio velho e chato que está tentando convencer alguém de que eles deveriam ter encontros enquanto podem. ― Você quer sair com outras pessoas? ― pergunta ela, sua voz um pouco embargada. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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― Não sou uma pessoa de relacionamentos ― digo, dando de ombros. Ainda não consigo olhar para ela, porque sei que se olhar, eu colocarei tudo a perder. Há um momento de silêncio, uma pausa, e espero que ela comece a gritar, ou talvez me implorar pra mudar de ideia, ou comece a chorar ou algo assim. Mas em vez disso, ela se levanta da cama e sai pela porta. De certa forma, é quase pior do que uma grande cena. Porque agora, provavelmente, ela nunca vai querer falar comigo novamente. Espero até que ouço a porta da frente da minha casa fechar antes de me render e começar a chorar.

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Jordan - A Viagem Dia Dois, 20h03

— Onde está Courtney? — Pergunto quando Lloyd abre a porta, sem me importar com qualquer educação. Eu sabia que estava prestes a entrar numa briga com Lloyd a qualquer momento nessa viagem. Era inevitável. Eu pensei que talvez eu pudesse evitar se eu não o visse, mas agora, quando ele abriu a porta de seu quarto com um sorriso enorme em seu rosto, eu quero rasgá-lo. Seu rosto, quero dizer. — Bem, bem, bem — Lloyd diz, inclinando-se contra o batente da porta. —Qual é, Jordy? Lloyd é um idiota por realmente achar algumas vezes que ele é mais legal que eu. O que é ridículo. Especialmente porque ele está usando uma blusa pólo. Você não pode ser mais legal que ninguém, principalmente eu, usando uma camisa pólo. — Onde está Courtney? — repito. — Por quê? — Ele pergunta com suspeita, estreitando os olhos. — Se você veio para fazer uma daquelas coisas de último minuto onde você corre para salvá-la, você está um pouco atrasado. — Ele sorri. Ele realmente está sorrindo para mim. Terminei com esse cara. O empurro para fora do caminho e entro em seu quarto. Ela não está lá. — Ela não está aqui — eu digo. — Bom trabalho, Capitão Óbvio — ele diz. Ele cruza o quarto e senta em sua mesa. —Onde. Ela. Está? — Pergunto. Pergunto-me o que aconteceria se eu o socasse. Eu estou tão irritado com todo mundo nesse momento que o pensamento de entrar em uma briga com Lloyd realmente me assusta. Eu não sei se conseguiria parar de socá-lo. Nós provavelmente entraríamos com tudo nessa briga e a segurança do campus viria e me prenderia. — Eu não sei — Lloyd diz, dando de ombros. — Eu suponho que ela tenha ido procurar você. — Por que ela iria me procurar? Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Porque ela saiu, e uma vez que ela não conhece ninguém aqui, eu suponho que ela esteja procurando você — ele diz, revirando seus olhos. Esse cara é real? —Você a deixou ir? — eu pergunto. — Por que você faria isso? — Eu não sei — ele diz. — Ela ficou um pouco fora de si e eu percebi que ela precisava de seu espaço. — Você é um idiota — eu digo, empurrando-o ao passar e saio. Eu puxo meu celular do meu bolso e disco o número dela, mas ela não atende. Merda. Onde ela foi? Eu volto para a caminhonete e disco seu número no caminho, torcendo para ela tê-lo ligado novamente. E então de repente, eu a vi. Ela está sentada num banco perto de onde eu estacionei o carro. Ela está segurando o celular na mão, apenas olhando para ele. O que é estranho, porque eu estava tentando ligar para ela. Seu telefone está tocando em sua mão, e ela o ignora. — Court! — Eu grito. Eu começo a andar em direção a ela e ela ergue o olhar. Seus olhos azuis encontram os meus e, de repente, eu paro. Por que eu posso dizer que ela sabe. — Ei — eu digo, caminhando até ela. Ela olha para cima, e o olhar que ela me dá é horrível. Há lágrimas em seus olhos. — Courtney — eu digo. — Deixe-me explicar. — Deixá-lo explicar? — Ela joga sua cabeça para trás e ri do absurdo disso. — Sim, ótimo, isso seria interessante. Vá em frente e explique. — Eu não fiz isso para mentir para você — eu digo. — Eu quis proteger você. Eu não sabia que era seu pai, eu não... — Ótimo trabalho protegendo-me, Jordan — ela diz, cortando-me. — Eu pareço ter tido meus sentimentos poupados por você? Ela levanta sua bolsa e a joga sobre o ombro, como se fosse partir. Eu levanto a mão e seguro seu braço. — Não me toque! — ela diz, puxando seu braço com violência. — Court, por favor, escute… — eu começo a dizer. — Não — ela diz, ficando de pé. — Eu terminei. Ela começa a afastar-se. — Court! — Eu grito. — Aonde você vai? Mas ela não responde.

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Jordan – Antes 13 dias antes da viagem, 15h30

Eu saía do shopping quando vi o pai de Courtney entrando. Eu tento sair do caminho para evitá-lo, mas ele já me viu e eu não quero dar a ele a satisfação de me ver virando. — Sr. Brewster! — Eu digo alegremente. — Jordan — ele diz, acenando para mim. — Parece que você teve um bem sucedido passeio ao shopping. A forma como ele disse indicava que eu estivera em um pequeno passeio idiota, enquanto ele trabalhara duro o dia inteiro. O que provavelmente é verdade. Eu estive em Abercrombie por mais de uma hora e gastei mais de quatrocentos dólares. Tudo no cartão de crédito de minha mãe. Bem feito para ela. — Eu tive um passeio bem sucedido — concordo. — Abercrombie — ele diz, lendo na bolsa no mesmo tom que ele usou antes. Processe-me se eu preciso de terapia de compras. Essa coisa toda de terminar com Courtney está me deixando louco e comprar me faz sentir melhor. Estou me transformando numa garota. E mais, eu amo o sentimento que eu tenho quando o cartão de minha mãe passa na máquina. — Sim — eu digo. — Você parece que podia ir lá, também. Era para ser um insulto, como se ele não tivesse senso algum de moda, mas ele não entendeu. — Oh, hoje não — ele diz. — Estou aqui para aprimorar meu plano do celular e então eu tenho que voltar ao escritório. — Bom para você — eu digo, resistindo ao desejo de golpeá-lo. — Boa sorte com isso. Eu passo por ele e me dirijo ao estacionamento, mas ele me chama. — Ouvi que você e Courtney terminaram — ele diz. — Fiquei triste por isso.

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— Tenho certeza que sim — digo sarcasticamente. — Agora, Jordan, isso não é justo. Eu nunca quis causar dor a você ou a Courtney. — Não é nada demais — minto. — Courtney e eu não terminamos por sua causa. Nós terminamos porque eu encontrei outra pessoa. A última coisa que eu quero é dar ao pai de Courtney a satisfação de pensar que ele foi a causa do nosso término. Além disso, toda essa coisa de terminar com Courtney saiu do controle – eu inventei uma nova namorada. Uma namorada falsa, alguém que eu supostamente conheci no MySpace. Fiquei cheio de todo mundo perguntando por que nós terminamos e eu calculei que ter uma namorada falsa fosse uma razão melhor do que eu não sei. E mais, ajudou-me quando fiquei tentado a ligar para Courtney e implorar para voltar com ela. — Bem, isso é ótimo — Sr. Brewster diz. Ele olha em seu relógio e olha sobre meu ombro para o shopping. — Eu devo ir andando. — Claro — eu digo. Idiota. — Eu espero que não seja um problema para você viajar para a escola sem Courtney. Talvez sua nova namorada possa ir nessa viagem com você? É um caminho terrivelmente longo para percorrer sozinho. — O que você quer dizer? — Pergunto, franzindo a testa. Court e eu planejamos viajar de carro para Boston juntos para a escola, e eu pensei que ainda estivesse de pé. De fato, não é verdade. Eu estou torcendo para que ainda esteja de pé, mas eu estou com medo de me aproximar dela para perguntar uma vez que, a) ela não falaria comigo, e b) se eu trouxesse esse assunto ela poderia me dizer que estava cancelado. — Bem, eu supus que você não iria mais nessa viagem. Eu não falei com Courtney sobre isso ainda, mas... — Oh, não — eu digo. — Nós vamos juntos. — Sério? — ele ergue as sobrancelhas surpreso. — Courtney sabe disso? — Eu ainda não falei com ela — eu digo. — Mas nós vamos. Repentinamente eu percebo o quanto eu quero ir nessa viagem. Que essa pode ser minha última chance de passar um tempo com Courtney. E que, uma vez que já estava planejada, não seria tão suspeito se nós fôssemos. — Jordan, não tenho certeza de que esta seja a melhor ideia — ele diz. — Courtney já está passando por um monte de coisas com a separação e... — Nós vamos — eu digo. — Você diz a ela que nós ainda vamos. E se você não disser, bem... Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Eu deixo minha voz morrer, e vejo um momento de pânico cruzar seu rosto. Porque agora que Courtney e eu terminamos, ele não tinha mais nenhum poder sobre mim. Eu poderia dizer a ela qualquer coisa que eu quisesse. E com isso, eu viro, dirijo-me a meu carro e dirijo para casa com meus quatrocentos dólares em mercadorias de Abercrombie na caminhonete e os Beastie Boys no rádio.

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Courtney – Antes 13 dias antes da viagem, 18h00

― Eles estão me fazendo ir naquela porra! ― grito ao telefone. Por regra geral, não costumo dizer a palavra com P, mas isso definitivamente justifica. ― Hum, certo ― diz Jocelyn, parecendo confusa. ― Você quer desabafar um pouco? ― Não, não realmente ― digo. Me jogo na cama, estico o braço e aumento o ar condicionado que está na minha janela. Gosto do meu quarto frio. Meus pais estão sempre reclamando da conta de luz, mas dane-se. Se eles vão me fazer sofrer, eu posso totalmente fazê-los sofrer também. ― Então não posso te ajudar ― diz Jocelyn simplesmente. Ouço vozes no fundo. ― Onde você está? ― pergunto. ― Na praia ― diz ela. ― Com B.J. Quer vir? ― Não, obrigada ― digo. Porquê, porquê, por que meus pais fariam algo assim? Por que ainda eles me fariam ir nessa viagem? Eu meio que posso entender minha mãe, mas meu pai? Ele odeia Jordan! Eu até mesmo ofereci pagar minha passagem de avião, do meu dinheiro da formatura, mas nãão. A ironia de tudo isso é que B.J. e Jocelyn, que deveriam ser as crianças do pôster para relacionamentos disfuncionais, estão indo bem. Estão juntos ali, namorando, provavelmente fazendo sexo na praia, enquanto que Jordan e eu, que NUNCA SEQUER BRIGAMOS, estamos separados. ― Então, o que seus pais estão fazendo você fazer? ― Jocelyn pergunta. ― Estão me fazendo ir à viagem com Jordan! Disseram que é tarde demais para conseguir uma passagem, e que eu preciso aprender a assumir a responsabilidade por minhas ações, e desde que planejei essa viagem, devo ir. ― Dizer as palavras em voz alta me deixa com tanta raiva que começo a socar o botão do ar condicionado, apesar de já estar tão alto quanto ele pode ir. ― Você está falando sério? ― Jocelyn diz. ― Courtney, eu sinto muito. ― Provavelmente vamos acabar matando um ao outro ― digo, ainda batendo no ar condicionado. Bang. Bang. Meu dedo está começando a ficar um pouco dolorido, mas por Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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alguma razão, isso está me fazendo sentir melhor. Talvez só porque não há mais ar fresco saindo, não significa que a potência não está aumentando, portanto, fazendo a conta de luz ficar mais alta, portanto, ferrando meus pais. ― Sim ― diz Jocelyn. ― Provavelmente. ― Muito obrigada ― digo. ― Não posso acreditar que eles fariam algo assim comigo. Só tenho dezessete anos! Desde quando eu deveria assumir a responsabilidade por minhas ações? ― Sei lá ― diz Jocelyn. ― É um saco, mas ei, você provavelmente vai aprender muito. ― Aprender muito! ― grito, abandonando o ar condicionado e enterrando minha cabeça no travesseiro. ― Não fique toda profunda comigo agora, Jocelyn. ― Só estou dizendo ― diz ela. ― Normalmente, as coisas duras que você está obrigada a enfrentar te fazem aprender bastante. ― Não quero aprender ― digo. ― Já sei o suficiente. ― Às vezes você não tem escolha ― diz Jocelyn, e há algo em seu tom de voz que me deixa desconfortável.

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Courtney – A Viagem Dia Dois, 20h45

Nunca estive tão zangada na minha vida. Meu coração está batendo a três milhões de batidas por segundo, e estou consumida pela raiva. E agora, estou descontando no cara da recepção do Motel Bellevue, o qual está tentando me dizer que não pode registrar a menos que tenha identificação indicando que tenho dezoito anos. ― Mas eu acabei de te dizer ― digo, tentando manter minha voz calma. ― Minha identidade foi roubada. Tudo o que tenho é dinheiro, que por sorte estava no meu bolso, e posso usar para pagar o quarto. ― Eu aceno com o dinheiro de emergência que meu pai me deu apenas no caso de que algo desse errado na viagem. Se isso não constitui algo errado, não sei o que faria. ― Eu entendo senhora ― diz ele. ― Mas é a política do motel. ― Bem, isso é ótimo! ― grito como algum tipo de louca. ― Vou dormir lá fora, então, enquanto espero que a minha família venha me buscar. E enquanto estou lá fora, vou chamar alguns jornais locais e dizer a eles que tipo de estabelecimento vocês tem aqui. ― Olho seu crachá. ― Parece bom, Scott? Ele parece nervoso por um segundo, provavelmente não por causa da minha ameaça de chamar a mídia, mas sim porque acho que está tendo a ideia de que eu poderia ser um pouco instável. Provavelmente acha que estou a cerca de dois segundos de voltar aqui e explodir o lugar. ― Deixe-me ver se há alguma forma do computador contornar a verificação de identidade ― ele diz, apertando alguns botões. Cinco minutos mais tarde, estou a caminho do quarto 205. Odeio meu pai, odeio Jordan, odeio até a mim mesma, porque Jocelyn me avisou que ele era furada. Eu sabia que ele era furada. E eu fui nessa de qualquer maneira. O que não é coisa que costumo fazer. Não fico presa no momento. Analiso tudo até a morte. Jogo seguro. E a primeira vez que tomo o risco, olha o que acontece. Acabo vagando em torno de um campus universitário na Carolina do Norte, de coração partido, e sem ter para onde ir. Tiro meu celular para apagar as chamadas e a tela diz que tenho dezoito chamadas não atendidas. A maioria delas é do meu pai, que desliguei quando ele me disse que Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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estivera traindo minha mãe nos últimos seis meses. ― Tenho algo a dizer para você, Courtney ― ele disse, e eu me sentei no banco, pensando que talvez fosse dizer que estava doente, ou que minha mãe estava doente, ou que algo ruim aconteceu com minha avó. Porque ele tinha aquele tom em sua voz, o tom que as pessoas usam quando sabem que tem que dizer algo ruim e estão temendo. ― O que é? ― eu disse, meu coração no meu estômago e meu estômago na garganta. ― Estou tendo um caso ― ele disse, e por um breve segundo, pensei que ele queria dizer que estava dando uma festa ou algo assim. Como aquelas pessoas no reality show da MTV My Super Sweet 16. Eles estão sempre se referindo a festas de aniversário como casos. Então achei que talvez meu pai estivesse planejando uma festa, ou que talvez ele estivesse dando uma para mim. Mas então me lembrei que eu já tive uma festa de formatura, uma bem grande, na verdade, e que, se meu pai fosse dar uma festa, ele definitivamente não soaria tão sério. ― Um caso? ― perguntei. ― Sim ― ele disse. ― Eu estive traindo sua mãe durante os últimos seis meses. ― Eu não podia acreditar na forma como ele estava dizendo isso, quase parecia uma espécie de piada. Ele estava usando palavras tão horríveis. Caso. Trair. Era como se isso fosse verdade, ele estaria tentando suavizar o golpe um pouco. ― Ok ― eu disse, sem saber o que deveria fazer com esta informação. ― Sinto muito por te dizer isso agora ― disse ele, soando como se falasse sério. ― Eu não queria te aborrecer com isto enquanto você está se preparando para começar a faculdade. ― Ele suspirou. ― Sei que isso é a última coisa com que você deveria ter de lidar, e sinto muito por isso, Courtney. ― Por que você está me dizendo agora? ― perguntei. ― Porque Jordan disse que ia te dizer se eu não dissesse ― disse ele. ― E eu sabia que você precisava ouvir isso de mim. ― Meu coração saltou no meu peito. ― Como é que Jordan sabe disso? ― perguntei, querendo saber quanto Jordan teria ouvido isso. Como ele descobriu? Estivemos nessa viagem nos últimos dois dias. Ele havia recebido um telefonema de alguém que descobriu? ― Jordan já sabe há algum tempo, Courtney ― meu pai disse. ― Ele me pegou com a mãe dele há alguns meses. ― Você está tendo um caso com a mãe do Jordan? ― Estou surpresa porque a mãe de Jordan é tão... não sei. Ela é como um advogado de alta potência, totalmente o oposto da minha mãe, que é mais glamurosa. Mas talvez esse seja o problema. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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― Sim ― meu pai disse, suspirando. E então eu desliguei o celular. Na cara do meu pai. Apertei o botão vermelho no celular, como se tivesse acabado de ter uma conversa normal que terminou com um, te vejo em breve, amo você! ou alguma outra despedida agradável. Mencionei que estou zangada? Estou zangada com meu pai por pensar que podia esconder algum assim de nós. Estou brava porque ele achou que eu não poderia lidar com isso, porque achou que eu iria desmoronar. Estou zangada por que ele foi tão egoísta que sentiu a necessidade de esconder as coisas de mim, só para não ter que lidar comigo estando puta ou chateada. Mas acima de tudo, estou furiosa com Jordan. Estou furiosa que ele não me disse o que sabia, que não sentiu em momento algum que poderia ser honesto comigo. Estou furiosa que ele sentiu que precisava me proteger, quando nunca lhe dei qualquer indicação de que era fraca. Sinto que estou naquele reality show de Joe Schmo, onde acabou que todos os participantes, exceto um, eram atores pagos. Sinto-me como Joe Schmo. Courtney Schmo, para quem todo mundo está mentindo. Tomo um banho e coloco um pijama, em seguida, passo as próximas sete horas no meu quarto de hotel, assistindo Celebrity Countdowns no E! Estou começando a me sentir um pouco melhor, exceto por um momento durante a contagem regressiva para as vinte e cinco loiras mais quentes, quando percebo que algumas das pessoas na contagem não são loiras naturais. O que parece como se elas estivessem trapaceando. E sendo MENTIRORAS. ENGANOSAS, MENTIROSAS, LOIRAS. Às quatro da manhã, ligo para Jordan. ― Alô? ― diz ele, soando bem acordado. Ouço o som da TV em segundo plano, então sei que não está dormindo em seu carro. Tento pensar no pior lugar possível que teria uma TV. Cadeia? O porão de um serial killer? Tento desejar que ele esteja ali. ― Oh, oi ― digo, como se fosse perfeitamente normal ligar para ele às quatro da manhã. ― Estive tentando te ligar ― diz ele. Acabei de ligar meu celular, e enquanto ele está dizendo isso, ouço os bips de notificação das minhas chamadas não atendidas. Cinquenta e seis chamadas perdidas de Jordan. Dez do meu pai. Seis de Jocelyn. Nenhuma de Lloyd. Que idiota. Embora não sei o que é pior. Não ligar nenhuma vez, ou ligar cinquenta e seis vezes. ― Sério? ― digo. ― Não devo ter ouvido. ― Courtney, onde você está? Me deixe ir buscar você. Precisamos falar sobre isso. ― Não vou te dizer, e não precisamos falar sobre isso ― digo tentando soar como uma imbecil. ― Só estou ligando para me assegurar de que você ainda planeja dirigir o resto do caminho para a faculdade comigo amanhã. ― Pensei um pouco sobre isso, e decidi que tenho duas opções: Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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1. Ir para a faculdade com Jordan, chegando lá a tempo. Uma vez na faculdade, seguir o plano anterior de ignorá-lo e conhecer fabulosos namorados universitários. 2. Não dizer a Jordan onde estou, encontrar outro jeito de ir da Carolina do Norte para Boston, o que muito provavelmente envolveria ligar para o meu pai para saber como conseguir uma passagem de avião, trem ou algo assim. Isso na verdade poderia não ser tão ruim assim, exceto que tenho a má sensação de que meu pai poderia voar até a Carolina do Norte e insistir em me acompanhar para Boston ele mesmo. De qualquer forma, eu estaria atrasada para a faculdade. E eu não passei por tudo isso para chegar atrasada na orientação. ― Courtney, para ― diz Jordan. ― Você está agindo como louca. Agora me diga onde você está e eu vou te buscar, e poderemos conversar. Podemos até começar a dirigir de novo se você quiser. ― Não estou agindo como louca ― digo, apesar de que totalmente estou. Embora ache que tudo é relativo. Descobrir que seu pai está traindo sua mãe com a mãe de seu exnamorado, e que seu ex-namorado sabia e não queria te dizer, a ponto de até inventar uma garota do MySpace, é muito traumático. Então, ligar para alguém às quatro da manhã provavelmente não é a pior coisa que eu poderia fazer para lidar com isso. ― E, além disso ― digo, ― por que iríamos começar a dirigir as quatro da manhã? ― Jordan na condução é questionável em um bom dia, um lugar onde o sol está brilhando e não há trânsito. ― Porque sei que você está preocupada em chegar lá a tempo ― diz ele, soando como se isso fosse óbvio. ― Ainda vamos chegar lá a tempo ― eu digo, uma sensação de pânico começando em meu estômago. ― Nós ainda temos doze horas para chegar lá. ― Eu sei ― ele concorda. ― Nós ainda vamos chegar a tempo, mas pensei que poderia fazer você se sentir melhor se saíssemos logo. Desde que já estamos atrasados. ― Mas não estamos atrasados ― digo exasperada. ― Planejamos ficar na Carolina do Norte até amanhã. ― Olho para o relógio. ― Bem, tecnicamente hoje, já é quatro da manhã. ― Oh ― diz ele. ― O que você saberia se tivesse lido a porcaria do itinerário que eu te dei. ― Eu perdi ― diz ele. ― É claro que sim ― digo. ― O que isso quer dizer? ― Exatamente o que eu disse! Que não me surpreende você ter perdido o itinerário, Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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desde que você não tinha nenhum interesse em qualquer tipo de itinerário para esta viagem! ― Bem, talvez agora eu tenha ― diz ele, soando indignado. ― Talvez agora você o quê? ― pergunto. Ele está assistindo ESPN ao fundo. Posso ouvir a musica do Sports Center pelo telefone. Eu me pergunto se os seriais killers têm TV a cabo. Provavelmente. Um monte de seriais killers são pessoas totalmente normais, com empregos, amigos e todos os canais pagos. ― Talvez agora eu me importe com o itinerário da viagem ― diz ele, sua voz firme. ― Bem, que seja ― digo despreocupadamente. ― Escute, não liguei para brigar com você. ― O que é meio que mentira. Eu meio que liguei para brigar com ele. Ou pelo menos, para acordá-lo, o que obviamente não funcionou, já que ele está acordado às quatro da manhã como algum tipo de psicopata. Embora eu esteja acordada às quatro da manhã também, então suponho que se estou usando esse argumento, sou uma psicopata também. Mas isso nós já sabíamos. ― Então por que ligou? ― Eu liguei ― digo suspirando, ― para me certificar que ainda vai me dar carona para a faculdade amanhã. ― Porque eu não iria? ― pergunta ele. ― Não sei ― digo. ― Porque houve alguns acontecimentos estranhos hoje, e então eu pensei que se você tivesse decidido me tirar dessa viagem, conviria a você me avisar para que eu possa fazer um arranjo alternativo. ― Eu acabei de usar a palavra conviria em uma frase. Isso definitivamente não é bom. Finalmente estou tendo um colapso. ― Não estou te tirando da viagem ― diz ele. ― Bom. ― De fato, eu gostaria de retomar a viagem agora mesmo ― diz ele. ― Então me diga onde você está, irei buscá-la e nós voltamos à estrada. ― Não ― digo. ― Estou cansada. E se você tivesse seu itinerário de viagem, saberia que não estamos programados para sair até as oito. E são apenas quatro. Portanto, temos mais quatro horas de sono. ― Mas não estamos dormindo ― ressalta. ― Bem, eu estaria ― digo. ― Se você me deixasse desligar o telefone. ― O que é, obviamente, uma mentira. ― Tudo bem ― ele diz. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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― Tudo bem ― digo. ― Espera! ― E agora o que? ― Court? Não digo nada. ― Você está aí? ― Sim, estou aqui ― digo. ― O que é? ― Eu te amo. ― E então ele desliga o telefone.

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Jordan - A Viagem Dia Três, 07h56

— Cara, desculpe — B. J. diz. — É tudo minha culpa. — Não é sua culpa, de verdade — eu digo, suspirando. — É minha culpa. Eu montei essa situação, então eu não posso ficar irritado com você quando eu preciso lidar com as consequências. — Estou em meu quarto de hotel, no telefone com B. J., e acabo de relatar as atividades desta noite. — Bem, veja pelo lado positivo — ele diz. — Pelo menos agora você não tem que se preocupar que ela descubra. Ela já sabe. — É, isso me faz sentir bem melhor — eu digo sarcasticamente, olhando em volta do quarto para ter certeza de que não estou me esquecendo de nada. Courtney e eu deveríamos voltar para a estrada em breve. Embora ela não me ligasse desde a ligação das quatro da manhã de hoje, então quem sabe. — Eu só quis dizer — B. J. insiste, — que talvez agora você possa consertar as coisas. — O que você quer dizer? — pergunto, sentando na cama. Para piorar, eu desenvolvi uma dor de cabeça terrível, e fui forçado a comprar um pacote de aspirinas na recepção, o que me custou cinco dólares. — Quero dizer que você não tem nada a perder agora — B. J. diz. — Você pode tentar voltar com ela sem se preocupar com o pai dela e toda essa merda. Vocês podem realmente lidar com o que está acontecendo, ao invés de lidar com uma merda de mentira. — É — eu digo, suspirando. — Talvez. Mas ela estava com muita raiva na noite passada. — O alarme de chamada em espera toca. — É ela — eu digo. — Boa sorte — B. J. diz. Eu aperto o botão. — Você vai me dizer onde você está? — pergunto. Eu abro o pacote da aspirina e entro no banheiro para pegar um copo d’água. Eu sinto como se estivesse de ressaca, apesar de não estar. — Você está vindo me buscar nesse instante? — ela pergunta, toda autoritária.

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— Sim, Courtney, estou saindo agora — digo a ela, suspirando. É difícil equilibrar um copo de água, a aspirina e meu telefone nesse banheiro estreito de hotel. — Agora você pode me dizer onde você está? — Deixe-me ouvir você saindo de verdade — ela exige. — Eu não vou dizer onde estou até você realmente partir. — Como diabos você vai saber que eu estou partindo? — pergunto. Eu deixo cair uma aspirina na pia. — Merda — eu xingo, agarrando-a antes que ela escorresse pelo ralo. — O que está havendo? — Courtney pergunta. — Nada — eu digo. — Agora você vai me dizer onde você está? — Eu olho a aspirina e me pergunto quantos germes estão nela e se eu morreria só de colocá-la na minha boca. Eu me pergunto o que é pior – ter uma dor de cabeça ou tomar essa aspirina ruim. — Eu quero ouvir você partindo — ela diz. — De novo, como você vai me ouvir partindo? — Eu definitivamente preciso dessa aspirina se ela for agir dessa forma o dia inteiro. — Eu quero ouvir a porta se fechar atrás de você. Eu bato a porta do banheiro. — Pronto — eu digo. — Agora me diga. — Como vou saber que essa não foi só a porta do banheiro? — ela pergunta com suspeita. — Não tem como você saber — eu digo. — Mas foi você que veio com esse critério de como saber que eu estava realmente partindo, então não fique chateada se seu método não é infalível. — Eu abro a torneira e lavo minha aspirina, calculando que uma aspirina lavada é melhor do que uma que não foi lavada. Além disso, se não fosse por Courtney, eu provavelmente nem mesmo teria pensado duas vezes sobre os germes. Ela tinha essa necessidade incomum de ambientes livres de germes e eu acho que passou para mim. — Eu posso ouvir a água correndo! — Courtney diz. — Inacreditável! Embora eu não possa dizer que estou surpresa, uma vez que você provou que é totalmente não confiável. — Ei, você sabe algo sobre germes nas pias? — Eu olho para a aspirina interrogativamente. Eu realmente, realmente queria aquela aspirina. — O que você quer dizer? — ela pergunta. — Eu deixei uma aspirina cair na pia e eu queria saber se tem problema tomá-la.

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— Por que você não pode simplesmente jogá-la fora e pegar outra? — ela pergunta, irritada. — Porque eu comprei um desses pacotes de viagem que só tem duas pílulas dentro — eu digo, ainda olhando para a aspirina ofensiva. Que seja. Eu a jogo em minha boca com uma quantidade abundante de água. — Compre outro pacote de viagem — ela diz. — Eu não tomaria. Provavelmente tem esperma nela. — Por que teria ESPERMA nela? — pergunto, chocado. Eu abro a boca e olho no espelho, mas já era tarde. Eu já engoli. — Porque eu vi uma exposição uma vez sobre quartos de hotel, e eles estavam todos cobertos por esperma — ela diz. — Ótimo — eu minto. — Comprarei outro pacote de viagem. Agora eu realmente estou indo, então me diga onde você está. — Eu estou no Motel Bellevue — ela diz. — É… — Eu sei onde é — eu digo, suspirando. Nós estávamos no mesmo maldito hotel. Esse tempo todo, nós estivemos no mesmo prédio. — Eu encontro você lá fora em dois minutos. — Eu desligo meu telefone e me olho no espelho, perguntando-me o que era mais provável – eu morrer de germes de banheiro de hotel ou Courtney me perdoar um dia.

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Courtney - A Viagem Dia Três, 11h13

Eu não posso acreditar que ele engoliu aquela pílula nojenta. (Como se não fosse totalmente óbvio.) Eu não posso acreditar que ele estava no mesmo hotel que eu. Eu não posso acreditar que ele disse que me ama. Eu não posso acreditar que eu ainda esteja nessa viagem. Nós estamos no carro de Jordan, na estrada, e nós não falamos nada por três horas. A sensação nesse carro não é exatamente ruim. É quase um alívio, como se um monte de tensão tivesse sido liberada e agora nós pudéssemos apenas dirigir. — Eu tenho que ir ao banheiro — eu anuncio. — Ok — Jordan diz. Meia hora depois, nós paramos para descanso. Eu estou começando a odiar paradas para descanso. Eu sinto como se tivesse passado metade de minha vida em paradas de descanso. Ou em paradas para ir ao banheiro. Eu uso rapidamente o banheiro, e tento não pensar em quantas vezes estive usando banheiros públicos ultimamente. Embora Jordan tenha tomado aquela aspirina, ele deveria definitivamente estar mais preocupado com seus germes do que eu. E boa sorte para ele conseguir beijar alguém na faculdade. Eu vou dizer a todo mundo que ele tomou uma pílula infestada com esperma. Nojento. Eu lavo minhas mãos e enxugo com um rolo de toalhas de papel com aspecto suspeito, percebendo que enxugar minhas mãos com toalhas de papel grossas era melhor do que não enxugá-las. Meu telefone toca. Jocelyn. — Ei — eu digo, equilibrando o telefone contra meu ombro e jogando a toalha de papel na lata de lixo transbordando. — Courtney, B. J. acabou de me contar o que aconteceu — ela diz. — Eu sinto muito, muito mesmo. Você está bem? — Eu estou bem — eu digo, suspirando. Eu me olho no espelho sobre a pia. Meus olhos estão um pouco injetados de sangue e meu cabelo um pouco bagunçado, mas a não ser isto, eu não pareço alguém cujo mundo está desabando.

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— Você quer conversar sobre isso? — Tenho certeza que irei querer, em algum momento — eu digo. — Mas agora, eu só quero me livrar dessa viagem e de Jordan. Eu estou tão chateada, Joce. — É — ela diz. — Eu entendo, mas é... — ela para. — Mas é o quê? — pergunto. — Não me diga que você está do lado dele. — Que traidora. — Não, eu não estou do lado dele — ela diz. — Só estou dizendo que você deve lembrar que as coisas não são totalmente preto e branco, Court. — É, bem, é preto e branco que ele mentiu para mim. — Eu me sinto começando a ficar irritada de novo. Eu tiro uma escova de minha bolsa e começo a ajeitar meu cabelo. Agora que sou solteira novamente, eu preciso parecer gostosa. Tão gostosa que os garotos sinceros da faculdade irão me querer. — Você sabe que foi ele quem insistiu para vocês irem nessa viagem? — Jocelyn pergunta. Eu paro de me pentear. — Ele insistiu? — É — Jocelyn diz. — Seu pai não queria que você fosse. Mas Jordan o convenceu. — Como você sabe disso? — eu pergunto suavemente. — B. J. me disse. — Mas por que Jordan iria querer fazer isso? — Porque ele queria passar um tempo com você. — Eu não digo nada. — Ouça — ela diz, — eu não estou dizendo que o que ele fez é certo, Court. Só estou dizendo para não virar as costas para as coisas só porque está ferida. Tente ao menos pensar no lado dele da história. — Ela desliga e eu deslizo meu telefone de volta em minha bolsa. Quando saio do banheiro, eu quase bato em Jordan, que estava encostado na máquina de refrigerante. — Cuidado — eu digo, revirando meus olhos. — Eu quase bati em você. — Courtney — ele diz, pegando minha mão. Eu puxo de volta. — Eu quero conversar sobre isso. — Nós não vamos conversar sobre nada — eu digo, caminhando em direção à saída. — Nós já falamos o suficiente sobre isso. — Nós nem mesmo falamos sobre isso — ele diz, me seguindo.

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— E já é o suficiente — eu digo. E é mesmo. Eu não quero falar sobre isso. Eu não quero lidar com isso. Meu telefone começa a tocar novamente e eu checo o identificador de chamada. É meu pai. — Ignore — Jordan diz. Nós estamos no estacionamento agora, parados próximos ao carro dele. Eu olho para ele. — Ignore — ele diz novamente. — Eu devo ignorá-lo, mas você espera que eu fale com você? — eu digo, cruzando meus braços. Não faz sentido. Um é tão ruim quanto o outro. — Sim — ele diz. — Por quê? — pergunto. — Porque ele é seu pai, e ele sempre será seu pai, então ele pode esperar — ele diz. — Mas se nós não lidarmos com isso agora, nós acabaremos numa situação que não poderá ser consertada. — Já não pode mais ser consertada — eu digo, sentindo meus olhos começar a lacrimejar. É por isso que eu não quero falar sobre isso. Porque eu não quero ter que lidar com isso nesse momento. Eu não quero chorar. Eu não quero ficar angustiada. Eu estou gostando do sentimento tão dormente, tão confortável, tão esquivo que eu estou tendo agora. — Não pode — ele diz. — Courtney, eu amo você. — Não diga essas coisas — eu digo, virando e tentando abrir a porta de sua caminhonete. Mas estava trancada. — Não é justo. — O quê? — ele pergunta, me estudando. — O que não é justo? Dizer a você como eu me sinto? — Abra a porta para mim — eu digo, determinada a não ter um ataque de nervos. — Não — ele diz. — Eu quero falar sobre isso. Eu não digo nada, porque eu sei que se disser, eu começo a chorar. E eu não quero dar a ele a satisfação de me ver chorar. Nós ficamos lá por um minuto, eu em frente à porta do passageiro de sua caminhonete, de costas para ele, ele parado atrás de mim, segurando as chaves. Finalmente, ele abre a porta. — Obrigada — eu digo, me lançando no carro. Apenas mais doze horas e essa viagem estará terminada. Eu deito minha cabeça contra a parte de trás do assento e rezo para conseguir dormir.

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Jordan - A Viagem Dia Três, 19h45

Courtney não me diz uma palavra pelo resto da viagem. Dirigimos quase direto por Boston, parando apenas para ir ao banheiro e para pegar lanches em um posto de gasolina. Pelas últimas seis horas ou mais, ela dorme, provavelmente porque não fez noite passada. Nem eu, mas por mais louco que seja não me sinto cansado. ― Court ― digo, quando nós finalmente entramos no estacionamento da frente da escola. ― Chegamos. ― Mmmm ― diz ela, abrindo os olhos lentamente. Estou meio que esperando que ela não acorde, assim terei uma desculpa para tocá-la, para gentilmente chacoalhá-la até que acorde, mas ela esfrega os olhos e se senta. Há uma multidão de pessoas circulando, pais, estudantes, todos tentando encontrar seus dormitórios. Jesus Cristo. Parece a maldita Estação Central. Imaginei que chegar aqui tão tarde iria nos poupar da maior parte da loucura, mas aparentemente não. ― Como foi o cochilo? ― pergunto. Ela está linda, o cabelo desgrenhado pelo sono, sua bochecha vermelha de onde foi pressionada contra o assento. ― Pode me ajudar com as minhas coisas? ― Courtney pergunta, ignorando minha pergunta. Ela se estica para o banco de trás, pega seu blusão, e o coloca. ― Sim ― eu digo. ― Court, ouça, eu não... ― Jordan ― diz ela, levantando a mão. ― Não posso lidar com isso agora. ― Mas se nós não... Ela abre a porta do carro e salta para o estacionamento. Depois de um segundo, abro a parte de trás da minha caminhonete, e então a sigo para a parte de trás do carro. Uma loira alegre segurando uma prancheta e usando uma camisa pólo marrom emerge da multidão antes que tenhamos a chance de começar a descarregar qualquer uma das coisas. ― Olá! ― diz ela. ― Sou Jéssica, parte de seu comitê de orientação de boasvindas. Precisam de ajuda para encontrar seu dormitório? ― Não, obrigada ― diz Courtney. ― Sei onde é meu dormitório. Eu o assignei durante meu tour no outono. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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O rosto de Jéssica cai, mas se recupera rapidamente. Ela se vira para mim. ― E você? ― Ela me dá um sorriso deslumbrante. ― Não, obrigado ― digo. ― Tô de boa. ― Abro a parte de trás da minha caminhonete, enviando a Jéssica uma mensagem silenciosa para ir embora. Quero ser capaz de falar com Courtney antes de irmos por caminhos separados, e Jéssica está estragando o plano. ― Bem ― diz ela, agindo como se estivéssemos cometendo um erro enorme ao não aceitar sua ajuda. ― Aqui estão seus pacotes de boas-vindas, mapas, etc. ― Ela nos entrega a cada um uma pilha enorme de papéis. Courtney e eu pegamos obedientemente, embora saiba que vou perder metade dessa merda até amanhã. ― Alguma pergunta? ― Não ― diz Courtney. Ela começa a bater o pé. ― Não ― digo. ― Então me deixe explicar um pouquinho para vocês sobre como funciona nosso plano de refeições. Vocês não tem que se preocupar sobre isso essa noite, é claro, porque... ― Ouça ― começa Court. ― A gente disse que não queria ouvir nada disso. ― Ela dá um passo em direção a Jéssica. Whoa. Ela deve estar realmente zangada se está cortando a mina do comitê de orientação. Ela não era tudo sobre conseguir orientação? ― Hum, Jéssica, ouça ― digo, decidindo intervir antes que a coisa fique fora de mão. Não posso deixar Courtney brigar com alguma menina no estacionamento, não importa o quão quente seria. ― Nós tivemos uma longa viagem, nós dois estamos cansados e de mau humor ― Courtney levanta as sobrancelhas, ― e só queremos chegar aos nossos quartos. Então, obrigado, de verdade, por toda sua ajuda, mas a gente te procura se precisarmos de algo. ― Ok ― Jéssica diz, ainda parecendo incerta. Ela abre a boca como se estivesse prestes a dizer algo mais, olha para Courtney, e então muda de ideia. Ela se vira e desaparece na multidão. Courtney puxa uma mala azul para fora da caminhonete e a deixa na calçada. ― Obrigado, Jordan, por me salvar da garota assustadora da orientação ― recito. Ela me ignora e continua a descarregar suas coisas. OK, então aparentemente tentar aliviar o clima não é o caminho a seguir. Checado. Decido tentar fazer uma conversa normal. ― Você tem um monte de coisas, ― tento. ― Sério. ― Coloco uma caixa enorme no estacionamento. ― O que você tem aqui? ― Meus livros ― diz ela. Recolhe seu cabelo em um rabo de cavalo, e então desliza um laço de cabelo ao redor dele com a outra mão. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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― Por que você traria livros para a faculdade? ― pergunto a ela. ― Você sabe que eles dão livros, certo? ― Quero dizer isso como uma piada, mas ela me dá um daqueles olhares, um daqueles olhares você nunca vai me entender, assim que decido que seria melhor eu manter a boca fechada até terminarmos de descarregar tudo. Passamos a próxima meia hora fazendo viagens de ida e volta pro seu quarto do dormitório. Eu meio que tinha a esperança de que ela quisesse arrumar as coisas, talvez me deixar ficar por perto um pouco, mas ela só deposita as coisas em uma pilha no chão, provavelmente para lidar com isso depois. Sozinha. Percebo que uma vez que terminarmos de descarregar as coisas, terei que sair. Então tomo meu tempo, mas resta pouco, e finalmente, tudo está no quarto de Courtney. ― Obrigada ― diz ela. Está de pé da porta do seu quarto e eu estou no corredor, e ela começa a fechar a porta. ― Court, vamos falar sobre isso? ― pergunto, colocando a mão na porta para que ela não possa fechá-la. Bem, ela pode fechar. Só que não sem quebrar minha mão. Hmm. Pensando bem, deixo cair minha mão. ― Não ― diz ela. ― Não vamos. ― Entendo que você está furiosa ― digo. ― Mas quero falar sobre isso, fazer você entender. ― Já entendo ― diz ela simplesmente. Dá de ombros. ― Você está chateada agora ― digo, começando a ficar frenético. ― Eu sei disso. Mas você só precisa de um tempo, acho. Tirar um tempo de mim e da viagem. Você está cansada. ― Percebo que uma vez que sair desse quarto, não terei nada pelo que esperar. Nenhuma viagem com Courtney. Não irei vê-la todos os dias em matemática. É o fim. Estamos na faculdade agora. ― Vamos tomar café amanhã. Antes da orientação. Sei que você não quer perder. ― Sorrio para ela então, para fazê-la saber que está tudo bem, que estou fazendo uma piada. ― Jordan ― diz ela. ― Por favor, vai embora. E então ela fecha a porta.

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Courtney - Depois Um Dia Depois da Viagem, 09h03

O primeiro dia de faculdade é nublado e cinzento, o que não é um bom presságio. Começos ruins e tudo isso. Sou uma grande crente no fato de que o clima do dia pode totalmente ditar como o dia vai ser. Até agora (pelo menos por hoje), esta teoria foi provada. Primeiro, eu tenho dezoito novas mensagens esperando por mim no meu correio de voz quando acordo esta manhã. Jocelyn (Estou preocupada com você, me ligue quando estiver pronta), minha mãe (Courtney, querida, quero que você me ligue quando ouvir isso), meu pai (me liga, precisamos conversar), Loyd (foi um pouco estranho a forma como você saiu, Courtney, estou bravo e preocupado), e, finalmente, Jordan (Courtney, por favor me liga, eu te amo). Apago todas elas, então percebo que é uma péssima ideia, tudo que fiz foi limpar meu correio de voz e me deixar disponível para receber novas mensagens. Segundo, minha companheira de quarto ainda não chegou então eu estou caminhando sozinha para o café da manhã de orientação. Em todo o caminho, tudo que vejo são grupos de dois, três, cinco, oito. Parece como se todos teem amigos, menos eu. O que já é ruim o suficiente. Mas agora que estou aqui, percebo que não conheço ninguém. Nem uma única pessoa. Bem, exceto Jordan, mas eu realmente espero não encontrá-lo hoje. Ou nunca mais. Na minha vida. Pego um prato da pilha do final da mesa do buffet e o carrego com ovos, panquecas e frutas. Imagino que se não vou falar com ninguém, então vou ter que me manter ocupada comendo. Muito. Gostaria de ter trazido meu livro. Mas então eu não teria parecido como a perdedora que teve que trazer um livro para o primeiro dia de faculdade? Se eu soubesse que navegar pela paisagem social da faculdade ia ser tão maluco, eu nunca teria tido tanta pressa para chegar aqui. Pego um suco de laranja da mesa de bebidas, e com muito cuidado faço meu caminho para o final de uma mesa vazia. Mas uma vez que coloco as coisas, sou parada por um garoto vestindo uma camiseta preta e um par de jeans. ― Uh-oh ― diz ele, balançando a cabeça. Parece visivelmente alterado, como se alguém acabasse de dizer que seu cachorro está doente, ou que ele foi mal em um teste. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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― O que há de errado? ― pergunto. ― É só que... ― ele suspira. ― Você está sentada na mesa que o comitê de orientação deve se sentar. ― Oh ― digo. ― Sinto muito. ― Pego meu prato e começo a me levantar. Tinha que ser eu a sentar em um lugar que não deveria. Eu me viro e olho o refeitório, mas as mesas encheram-se rapidamente e não há outra vazia. O que significa que vou ter que sentar com outra pessoa. Um estranho. Tento decidir entre uma mesa cheia de garotas que parece como se elas tivessem saído de uma capa de revista, ou duas garotas sentadas sozinhas, com cerca de vinte piercings entre elas duas. As garotas com piercing provavelmente seriam mais agradáveis, embora as garotas da revista pareçam que sabem o que acontece de legal por aqui. Embora, Deus poderia estar tentando pregar uma peça em mim por julgar as pessoas por sua aparência, e poderia ser o contrário. ― Temo que não seja tão fácil ― diz o cara da orientação. Ele suspira de novo e passa os dedos pelo cabelo curto loiro. ― O que não é? ― pergunto. Uma garota vestindo uma blusinha azul sem mangas com lantejoulas se senta com as garotas da revista, pegando o último assento. Merda. ― É só que se você senta em uma mesa que não deveria durante a orientação, é uma infração disciplinar. ― Ele começa a folhear os papeis em sua prancheta. ― O que você quer dizer, uma infração disciplinar? ― pergunto engolindo em seco. Isso é simplesmente ótimo. Meu primeiro dia de aula – na verdade nem sequer é aula oficialmente, só orientação – e já estou em problemas. Eu me pergunto quantas infrações disciplinares pode se ter antes de te expulsarem. E se isso irá para o meu registro permanente. Eu achei que na faculdade era suposto se ter mais liberdade. Aparentemente não, se você entra em problemas só por se sentar à mesa errada. ― Qual é o seu nome? ― o cara pergunta. ― Courtney ― digo. ― Courtney McSweeney. ― Sou Ben ― diz ele, estendendo a mão. ― Prazer em conhecê-la. ― Ele pisca. ― Espera ― digo, estreitando os olhos. ― Estou realmente em problemas? ― Não ―ele diz, rindo. ― Você não está em problemas. ― Então você estava apenas brincando comigo? ― Sim ― diz ele. ― Mas só porque queria saber seu nome. ― Ele sorri e agora que não estou preocupada sobre infrações disciplinares, percebo pela primeira vez como ele é bonitinho. Alto, loiro, olhos verdes, e um sorriso muito bonito. ― OK ― digo. ― Então agora você sabe meu nome. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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― Eu sei ― diz, balançando a cabeça. ― E você sabe o meu. ― Ele inclina-se para mais perto de mim. ― Agora, eu não deveria fazer isso, mas, você quer tomar café da manhã comigo? Normalmente não deixamos que os calouros se sentem na mesa da orientação, mas eu tomei todo esse tempo falando com você, e agora não restam praticamente nenhum assento. ― Ele aponta para o refeitório lotado. ― Claro ― digo. ― Vou sentar com você. ― Ele puxa uma cadeira para mim, mas eu hesito. ― Ei, Ben? ― pergunto. ― Sim? ― Você escuta rap? ― Rap? ― pergunta ele, parecendo confuso. ― Não. Rock alternativo. Por quê? ― Nada ― digo. Sento-me na cadeira que ele ofereceu e Ben se senta ao meu lado.

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Jordan – Depois Um Dia Depois da Viagem, 09h23

Courtney está sentada com um cara. Um cara que está no comitê de orientação. Quão vulgar é isso? Dar em cima de calouros quando você é do comitê de orientação. É como dar em cima de alunos quando se é professor. Definitivamente não é legal. — Ei — eu digo, virando para meu colega de quarto, um cara do Queens chamado Ricardo. Ricardo é um cara legal, um daqueles caras que você pode dizer que sempre saberá o que está acontecendo. O que significa que em algum momento nesse semestre, nós provavelmente estaremos em problemas, mas, ei, esse é o preço que se paga. — O que há hoje à noite? — Vai ser louco — Ricardo diz. Ele pega um pedaço de torrada e mergulha em seus ovos quase crus. Não havia ovos quase crus no bufê, mas Ricardo enganou um dos cozinheiros para fazer para ele. — Não há pessoas de turmas mais avançadas no campus ainda, exceto pelo comitê de orientação, o que significa que serão só calouros. Ele sorri para mim e me dá um olhar de quem reconhece a situação. Eu finjo saber do que ele está falando, embora eu não tivesse ideia. Ricardo tinha algum conhecimento estatístico relativo a calouras dando? Eu espio Courtney, onde ela agora parece escrever seu telefone num guardanapo para o cara. — Defina louco — eu digo. — Dezenas de garotas, toneladas de bebidas — ele diz. — É como o pontapé inicial oficial das festas de faculdade. E as garotas aqui — ele acrescenta, olhando em volta da sala de jantar, — são inacreditáveis. Ele está certo, também. As garotas são incríveis. Muito mais gostosas do que as do ensino médio. E há muitas delas para escolher. Eu me afasto da mesa por um segundo, tiro meu celular e disco o número de Courtney. — Ei — eu digo no telefone. — Eu só quero te dizer que eu terminei. Eu não quero fazer nada com você, então você não terá que se preocupar com isso. Eu não vou mais ligar para você. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Eu desligo o telefone com um click contente e começo a pensar sobre o que eu usaria na festa. — Então essas garotas irão até lá conosco — Ricardo diz mais tarde naquela noite. Ele está parado em frente ao espelho, passando gel no cabelo. Pelo que posso dizer, Ricardo passa bastante tempo em frente ao espelho. — Você, meu amigo — ele diz para seu próprio reflexo, — é espada. — Que garotas? — eu pergunto. Eu estou mexendo na minha mala, tentando encontrar uma camisa limpa para usar na festa. Um dos problemas em empacotar minhas coisas tão tarde foi que eu não tive tempo para me preocupar se minhas roupas estavam limpas ou não. Então, eu tinha um monte de roupas sujas na minha mala, que era o porquê eu não me importei em colocá-las em meu armário ou pendurá-las. Por que dobrálas quando terei que lavá-las do mesmo jeito? — Essas garotas que eu conheci em um dos quebra-gelos da orientação — ele diz. A classe inteira de calouros passou a tarde jogando jogos idiotas para quebrar o gelo, como, três verdades e uma mentira, num esforço para todos se conhecerem. — Gostosas? — eu tiro uma blusa preta de botões de minha mala e cheiro. Definitivamente não. Jogo de volta na mala. — Demais — ele diz. — Elas são colegas de quarto, amigas do ensino médio. É sempre bom quando as garotas são amigas. Ricardo pega uma garrafa de colônia de seu armário e coloca um pouco. — Jesus, essa droga é forte — eu digo, chegando para trás. — É a nova colônia de Diddy — ele diz. —É um imã de bocetas total. — Oh. — De qualquer forma — ele diz, passando mais um pouco. — Eu percebi que podemos ir com Chelsea e Krista, começar o trabalho de base. E então se não funcionar, nós podemos descartá-las quando chegarmos. Esse cara é bom. Eu seguro uma camisa azul de mangas compridas perto do meu nariz. Não era a melhor, mas eu vou usá-la. Eu a coloco sobre minha cabeça, deslizo meus pés nos meus Timberlands, e sento na cama. — A que horas isso vai começar? — Já são onze. — Geralmente as coisas não começam até por volta das onze — Ricardo diz. Ele está fazendo caras estranhas para ele no espelho, empurrando seus lábios como um peixe. — O que você está fazendo? — Eu pergunto a ele. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Me aprontando. — O que foi isso com seus lábios? — Eu li sobre isso numa revista. Supostamente deixa seus feromônios correndo, então as garotas querem você. — Legal. Meu colega de quarto é uma pessoa insana. Eu não tenho muito tempo para pensar nisso, de qualquer forma, porque alguém está batendo na porta. — As garotas — Ricardo diz, abrindo a porta. — Entrem, entrem. Ele as conduz para dentro do quarto. Para uma pessoa insana, Ricardo definitivamente conhece suas mulheres. Elas são loiras com seios grandes. Uma está usando a mais curta saia que eu já vi, e a outra está usando um top que expõe sua barriga. Eu percebo que não saí com mais ninguém desde que fiquei com Courtney. E agora que Courtney e eu terminamos, eu posso sair com uma dessas garotas. Talvez as duas. Eu me sinto começando a ficar excitado. — Eu sou Jordan — eu digo. — Chelsea — uma delas diz. — Krista — a outra diz. Eu nunca serei capaz de diferenciá-las. Nós vamos para a festa, e Ricardo deixa tudo mais fácil para mim ao juntar-se a mais alta (Krista, eu acho), e então eu fico para trás e começo a conversar com Chelsea. Eu estou começando a pensar que por toda a esquisitice de Ricardo, ele e eu iríamos nos entender. Diferente de B. J., ele tem jogo. Ricardo obviamente sabe a primeira regra para um encontro duplo, que é quando dois caras saem com duas garotas, você imediatamente fica em pares num esforço para que as garotas saibam que ficar é definitivamente esperado. Chelsea e eu temos a pequena conversa obrigatória no caminho para a festa. Eu descubro que ela é de Boston, uma graduanda de educação elementar, e gosta muito, muito de festas. Eu sei isso porque ela diz, Você gosta de festa? e eu digo, Sim, eu acho, e ela disse, Bem, eu gosto muito, muito de festa. Quando chegamos à fraternidade, as festividades estão a todo o vapor. Há pessoas em todos os lugares – do lado de fora, do lado de dentro, na entrada, no gramado. Parece que a classe de calouros inteira está aqui. Eu pego dois copos de cerveja do barril e os levo para onde Chelsea está esperando por mim na porta. — Aqui — eu digo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Obrigada. Ela toma alguns goles. Whoa. Essa garota não brinca em serviço. — Então, em que território você está? — Pergunto. — Eu moro fora do campus — ela me diz, e então sorri. A tira de seu sutiã está a mostra. Vermelho. Gostosa. — Não — eu digo. — Como você conseguiu isso? — Meus pais pagam por tudo — ela diz. — Eles se sentem culpados por nunca estarem por perto, então eles compensam tentando me dar tudo o que eu quero. — Isso soa gentil — eu digo, me perguntando se ela me daria pistas de como eu usaria aquela situação a meu favor. Meus pais já me dão quase tudo o que eu quero, mas fazer minha mãe se sentir culpada era bastante interessante. Conversamos mais um pouco e bebemos ainda mais, e meia hora depois, eu estou bastante bêbado. Eu não posso parar de olhar para a tira do sutiã dela. Essa garota é seriamente gostosa. Eu me pergunto se é porque ela é uma garota da faculdade. Mas aquilo realmente não faz sentido, visto que a poucos meses atrás, ela não estava na faculdade, e era improvável que ela estivesse se transformado numa gostosa em apenas alguns meses. — Ei — ela diz, reclinando-se em mim. — Nós podemos provavelmente sair agora, se você quiser. Seus lábios estão a poucos centímetros dos meus, e eu posso sentir meu corpo respondendo ao dela. Ela cheira como cerveja e perfume e algo sexy. — É — eu digo, recostando-me nela. — O que você tem em mente? — Poderíamos ir para minha casa — ela diz. — Ir para sua casa? — Pergunto. — É — ela diz. — E assistir alguns filmes. Eu tenho uma TV tela plana e dezenas de DVDs. Por alguma razão, o rosto de Courtney pisca em meu cérebro, mas eu o tiro de lá. Foda-se Courtney, penso. Essa garota é gostosa. A coisa com Courtney está terminada. Eu tomo outro gole de minha bebida, calculando que se eu pudesse ficar um pouco mais bêbado, eu ficaria bem. — Isso soa bom — eu digo. — Deixe-me apenas avisar Ricardo.

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Eu começo a passar pela multidão, e finalmente encontro Ricardo perto do barril com seus braços em volta de uma morena. Eu estou impressionado. Qualquer um que vem a uma festa e fica com uma garota diferente da que ele trouxe, tinha que ter um jogo sério. — Estou indo — eu digo. — Estou voltando ao apartamento de Chelsea. — Meigo — ele diz. — Legal, cara. Eu pego você mais tarde. Mas quando eu viro, eu vejo Courtney no canto, conversando com aquele cara que ela estava na orientação. Ela está encostada na parede, e ele se inclina para sussurrar algo em seu ouvido. Ela joga sua cabeça para trás e ri, seu cabelo caindo pelo rosto. Meu estômago parece estar em minha garganta e então alguém entra na minha frente, bloqueando minha visão. — Ei — Chelsea diz, agarrando meu braço. — Aqui está você. Eu me perguntava por que você demorava tanto. Ela se recosta em mim novamente. — Você está pronto para ir? Eu posso sentir a respiração dela em minha orelha, e seu peito contra meu ombro. — Desculpe — eu digo a Chelsea. — Eu… Eu não posso ir com você. E então eu saio da festa, desço a rua e volto para meu dormitório.

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Courtney – Depois Dois Dias Depois da Viagem, 01h53

Eu chego em casa depois da minha primeira festa da faculdade e encontro uma mensagem de voz de Jordan no meu celular. Ele a deixou de manhã, mas eu deixei o celular no quarto o dia inteiro, num esforço para não ter que lidar com ninguém. Eu terminei, dizia a mensagem. Eu não quero mais nada com você, então você não tem que se preocupar com isso. Ótimo, penso. Eu não tenho que me preocupar com você. Na verdade, eu estive numa festa com Ben, o cara que eu encontrei na orientação. O cara mais velho que não ouve rap e que saiu comigo para comer pizza mais tarde. Embora seus amigos sejam um pouco atrevidos. Um entornou cerveja na mão e depois a secou em meu suéter. E eu acho que Ben deve ter rido. Mas tenho certeza que foi de outra coisa. E depois, na pizzaria, eu tive que pagar. Mas que seja. Eu não sou materialista ou algo assim. Eu não preciso de caras que paguem para mim. E, além disso, nem foi tanto dinheiro assim. Embora Ben e seus amigos tenham pedido queijo extra sem nem me perguntar, o que custou mais dois dólares. Mas que seja. A questão é, eu fui para uma festa de faculdade. E eu encontrei garotos. Melhor, garotos maduros. Eu não preciso mais de Jordan. Minha liberdade recém-descoberta podia me fazer sentir bem, mas ao invés disso, eu estava começando a ficar irritada. Do que ele estava falando, ele terminou? Eu é que terminei com ele. Eu que decidi nunca mais falar com ele novamente. Não o contrário. A porta de meu quarto abre e uma garota com cabelos castanhos na altura do ombro entra. Ela está usando uma saia jeans fofa e uma blusa com capuz azul-marinho com um zíper na frente. — Ei! — Ela diz. — Você deve ser Courtney. Eu sou Emma. — Ela estende sua mão, e eu a aperto. —Eu cheguei tarde aqui, meu vôo atrasou. — Oh — eu digo, olhando em volta do quarto. Eu estava tão ligada na mensagem ridícula que Jordan deixou que eu nem mesmo percebi que havia no quarto as coisas de mais alguém. Havia roupas no outro guarda-roupas, um computador na outra mesa e a outra cama estava feita.

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— Desculpe, tudo bem eu deixar aqui todas as minhas coisas? — Emma pergunta, parecendo preocupada. — Eu ainda não tive a oportunidade de desempacotar tudo porque eu não queria perder a orientação e eu tentei tirá-las do caminho, mas… — Oh, não, tudo bem — eu digo. — Não estão no caminho. — Oh, ok — ela diz, parecendo confusa. — Desculpe— eu digo, percebendo que eu não estou sendo a colega de quarto mais amistosa. — Meu ex-namorado maluco acabou de me deixar uma mensagem que realmente me irritou. — Sério? — ela diz, parecendo interessada. Ela cai subitamente em sua cama e deita de cabeça para baixo, com seus pés no travesseiro. — Qual o problema? — Ele fez algo para mim realmente ruim — eu digo. — E eu disse a ele para se mandar. — Emma afirma com a cabeça. — E agora… Agora ele me deixa uma mensagem dizendo, eu não vou te ligar de novo. — Ok… — Emma parece confusa. Minha colega de quarto acha que eu sou louca. — Como se fosse ideia dele que a gente parasse de se falar! Isso é ridículo! É insano! É… — Eu sinto como se ficasse cada vez mais louca. — Você está com seu manual de estudante? — Pergunto a ela. Ela estende a mão e o puxa de sua cabeceira. — Obrigada. — Eu abro na letra R e deslizo meu dedo pela lista até chegar no nome de Jordan. Ótimo, ele não está tão longe daqui. — Estarei de volta em alguns minutos — eu digo. — Ok — Emma diz novamente, ainda soando incerta. Eu caminho pelo corredor e saio pela noite. Eu não me importo que sejam duas da manhã. Eu não me importo que seu colega de quarto possa estar dormindo. Já está na hora de alguém ensinar para Jordan que ele não pode simplesmente tratar as garotas assim, constantemente usando-as para seus próprios propósitos. Eu tenho que defender meus interesses. Quando eu chego ao seu dormitório, eu posso ouvir a música que vem de dentro. Rap. Claro. Bato na porta. Alto. Eu espero que ele receba uma reclamação por barulho e seu RA o expulse da faculdade. —Jordan! — Eu digo. —Eu preciso falar com você. Eu ouço um som murmurante e, por um segundo, eu perco um pouco da raiva. E se ele estiver com uma garota? E se ele me deixou aquela mensagem para fazê-lo sentir melhor, para me certificar que acabou, para que ele não tivesse que se sentir mal se ele pensasse que estava me traindo? E se ele achar que eu sou a maluca? Eu acho que aparecer em seu quarto às duas da manhã não é a melhor forma de combater isso, mas tanto faz. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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Eu bato na porta mais forte. — Eu sei que você está aí! — Eu estou praticamente gritando. Ele abre a porta. — Ei — ele diz. — Você está sozinho? — É, por quê? — Eu não sei — eu digo. Cruzo os braços. — Primeira noite de faculdade e tal. Esperava que você fosse querer batizar o quarto. — É, bem, eu esperava tirar a noite de folga, me ajustar à faculdade devagar. Diferente de você. — Ele parece irritado. — O que você quer dizer com isso? Uma porta se abre do outro lado do corredor e um cara com cuecas boxer cinza coloca a cabeça no corredor. — Ei — ele diz. — Vocês poderiam falar mais baixo? Eu estou tentando dormir. — Desculpe — Jordan diz. Ele faz um sinal em minha direção, como se dissesse Garotas malucas, o que se pode fazer com elas? — Nem tente — eu digo. — Isso é culpa sua e você sabe disso. — O que é minha culpa? — ele pergunta. — E se você vai ficar gritando comigo, quer entrar? Eu não acho que os meus vizinhos queiram ouvir isso. — Não — eu digo, jogando minhas mãos para cima irritada. — Eu não quero entrar. — Então por que você veio aqui? — ele pergunta, cruzando os braços. Ele está usando uma camisa branca e um short preto e vermelho. Parece que ele estava deitado na cama. Não. Devo. Deixar. A. Gostosura. Dele. Me. Distrair. — Eu vim aqui — eu digo, — por causa daquela mensagem ridícula que você deixou na minha secretária eletrônica. — O que havia de tão ridícula? — Ele pergunta. — Era o que você queria, certo? Que eu te deixasse em paz. — Sim — eu digo. — Eu queria. — Queria? Ou quer? — Quero! — Eu digo. — Eu não quero mais nada com você. — Então por que você veio até aqui?

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— Por que! — Eu digo, jogando minhas mãos para cima ante sua óbvia estupidez. — Porque eu queria ter certeza que você sabia que essa decisão foi minha. — Qual? — Ele franze a testa. — A decisão de não nos falarmos mais. Foi minha decisão. — Cruzo meus braços e bato meu pé. — Claro — ele diz. — Como você disser. — Foi. — Ótimo. — Ótimo! Eu viro as costas e começo a andar pelo corredor, mas ele grita atrás de mim, — Cuidado com seu João Veterano, aqui. — Quem? — O cara que você esteve em cima o dia inteiro. Eu engulo. Como ele sabe disso? — Como você sabe disso? — Pergunto. — E eu não estive em cima dele o dia inteiro. — Bem, que seja — ele diz. — Apenas tenha cuidado. A porta do outro lado do corredor abre novamente e o mesmo cara coloca a cabeça para fora. — Sério — ele diz, soando realmente irritado. — Desculpe, cara — Jordan repete, baixinho. Ele olha para mim. — Olha, você quer entrar? Porque para alguém que não está falando comigo, você certamente parece ter muito a dizer. — Tem mesmo — o cara do outro lado do corredor concorda. — E você devia entrar e conversar sobre isso. Se não eu não vou conseguir dormir. — Tudo bem — eu digo. Passo empurrando Jordan e entro em seu quarto. Ele fecha a porta atrás de mim. O quarto dele é um pouco menor do que o meu e ele ainda não desempacotou as coisas dele. Seu edredom está jogado em sua cama e parece que ele estava deitado sobre o edredom. Provavelmente porque ele não colocou lençóis grandes na mala. Ele senta na cama. — Quer sentar? — Ele pergunta, apontando para sua cadeira. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Não — eu digo. Eu fico de pé no meio do quarto. Nenhum de nós diz nada. Finalmente, ele suspira. — Você não pode continuar fugindo das coisas, Court. — Eu não estou fugindo — eu digo. — Só porque eu não quero lidar com você, não quer dizer que eu estou fugindo das coisas. — Oh, sério? — Ele diz. — Você falou com seu pai? — Não. — Lloyd? — Não. Ele ergue uma sobrancelha para mim. — Isso não significa que eu esteja fugindo das coisas — eu digo. — Só significa que eu não quero falar com ninguém nesse momento. — Você está falando comigo — ele diz. Eu não digo nada. — Courtney, eu preciso saber se existe uma chance. Se você pode me perdoar, se há… — Ele para de falar e eu olho para ele. Ele está me olhando com uma expressão confiável em seu rosto e eu posso ouvir em sua voz que ele realmente quis dizer isso. Como na primeira noite que ele me chamou e quis sair por aí e não fez nenhum sentido para mim, mas eu pude ouvir em sua voz que ele realmente queria. — Não posso — eu digo, sacudindo a cabeça. — Você mentiu para mim, Jordan. Se você me amasse, você não teria feito isso. — Não é sempre preto no branco, Courtney — ele diz, passando os dedos pelo cabelo. — Não é. — Para mim é — eu digo. Meu coração está batendo rápido neste momento e eu posso sentir a adrenalina correndo pelo meu corpo. — Eu jamais teria feito o que você fez comigo. — Talvez não — ele diz. — E eu não estou tentando dizer que o que eu fiz está certo. Mas eu perdi o controle. Eu estou apaixonado por você. Eu pensei que você fosse me odiar. Pensei que você fosse me culpar por não ter te contado. Eu tinha acabado de descobrir que minha mãe estava traindo meu pai. Isso foi foda, Court. Então ele olha para mim e eu sinto algo abrandar-se dentro de mim. — Você não lidou com isso da maneira certa — eu digo e posso dizer que vou começar a chorar. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Agora eu sei disso — ele diz. Ele dá um passo para mais perto de mim, e nesse momento, eu não recuo. — E eu queria ter lidado com isso de maneira diferente. E queria ter visto através de toda a insanidade e apenas te contado. Mas eu não quero cometer esse erro de novo. Eu quero falar sobre isso. Ele está perto de mim agora, e ele estende sua mão e coloca os braços em volta de mim. — Eu estou muito angustiada neste momento, Jordan — eu digo a ele, sendo honesta pela primeira vez. — Você me deixou angustiada. Com tudo. Terminando comigo, me escondendo coisas. — Eu sei — ele diz. — E sinto muito. Eu não fiz isso de propósito, Court. Eu não poderia aguentar sequer pensar em você me odiando, então eu escolhi não lidar com isso. Mas eu não vou mais fazer isso. Eu vou tratar disso. Nós temos que tratar disso. — Como? — Pergunto, e seus braços estão em volta de mim agora, e eu estou chorando e meus olhos deixam pontos molhados em sua camisa, mas ele não recua. — Fazendo o que tiver que ser feito — ele diz simplesmente. — Você sabe… Quero dizer, você sabe o que eles vão fazer? Sobre essas coisas? Meu pai e sua mãe? Eu recuo por um segundo e olho para ele, sabendo que qualquer que fosse a resposta, não seria boa. — Não tenho certeza — ele diz. Ele hesita. — Minha mãe contou para meu irmão que ela vai largar o meu pai, mas eu não sei se ela realmente pensou nisso, ou se ela realmente vai fazer isso. Eu aceno com a cabeça. — Nós vamos superar isso — ele diz, puxando-me para perto novamente. — Eu não sei — eu digo. — Eu não sei se um dia vai voltar a ser igual. — Tudo bem — ele diz. — Você não sabe isso, eu quero dizer. Mas se houver pelo menos uma chance, então eu quero tentar. Então eu olho para ele e vejo o quão machucado ele está. Penso no quão terrível deve ter sido para ele descobrir que sua mãe estava traindo seu pai, e mais terrível ainda que ele sentisse que não podia me contar. Penso sobre como as pessoas cometem erros e como eu menti para ele sobre a coisa do Lloyd, e como emoções e corações partidos e amor podem realmente foder a sua cabeça. Mais que tudo, penso em como é estar com ele e como, se havia uma forma de ficarmos juntos, eu não poderia ter medo de descobrir. Então ele me beija, suavemente nos lábios, e eu me reclino em seu corpo. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Você vai ficar bem, Court — ele sussurra em minha orelha e eu sei que ele está falando sobre a coisa com a minha família, não sobre ele e eu. — Eu sei — eu digo. — E eu queria que você soubesse também. Você não pode sempre me proteger de tudo. Eu posso ser forte também, você sabe. — Agora eu sei — ele diz. — E não é isso que importa? Ele me olha então e nós nos beijamos e suas mãos estão no meu corpo. Nós caímos em sua cama e ele se afasta por um segundo para olhar para mim. — Eu te amo, Court — ele diz. — Eu também te amo. E então ele me abraça até eu adormecer.

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Courtney – Depois Dois Dias Depois da Viagem, 10h01

— Oi — minha colega de quarto diz na manhã seguinte quando volto para o nosso quarto. Ela está sentada em seu computador, mexendo no MySpace. – Imagino que as coisas tenham ido muito, muito bem ou muito, muito mal. — O que você quer dizer? — eu pergunto. — Bem, você não voltou ontem à noite. O que significa que ou você fez as pazes com seu namorado, ou você não fez as pazes com ele, e passou o resto da noite andando pelas ruas, procurando problemas. Ou agarrada com algum outro cara qualquer. Ou se acabando de chorar em um beco. Eu dou uma risadinha. — Foi... bem, vamos apenas dizer que eu estou sendo cautelosamente otimista. — Bom — ela diz, sorrindo. — Cautelosamente otimista é bom. — Ei — eu digo. — Desculpe por ontem à noite. Eu não sou louca, Juro. Só tenho um monte de coisas acontecendo na minha vida. — Não é um grande problema — ela diz. Ela desliga o computador e pega sua bolsa. — Estou indo para o escritório de ajuda financeira, porque eles erraram alguma coisa nos meus formulários. — Ela rola os olhos. — Mas você quer tomar café da manhã juntas? Nós podíamos nos encontrar lá pelas onze? Você pode me contar sobre a noite passada. — Claro — eu digo. — Eu tenho alguns telefonemas pra fazer agora, então isso é perfeito. — Beleza. — Ela sorri. Quando a porta fecha atrás dela, eu pego meu celular e inspiro profundamente. Eu tenho que ligar para Lloyd. Eu tenho que ligar para minha mãe, meu pai, e Jocelyn. Eu disse a Jordan que ele tinha de parar de me proteger, e agora eu tenho que parar de me proteger. Eu decido ir logo com isso, me jogar de cabeça, fazer a ligação mais difícil primeiro. Eu disco o número do trabalho do meu pai. O sol está brilhando pela janela, jogando listras de luz no chão. Traduzido por Grupo Shadows Secrets

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— Oi — eu digo quando ele atende. — Sou eu.

Fim

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