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FACULDADE INTERNACIONAL DE CURITIBA VERA REGINA DURLIN RU 196678

AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO

CAMPINAS 2010

FACULDADE INTERNACIONAL DE CURITIBA VERA REGINA DURLIN RU 196678

AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Internacional de Curitiba, .

como requisito parcial para obtenção do Título de Pedagogo.

CAMPINAS 2010

À minha mãe Maria Vitorelli, minha filha Thaís Busato, a meu marido Augusto Busato e a amiga Célia Avancini Pasquini aos quais, amo muito, pela paciência, força e estimulo. A minha amiga de curso Juliana Rodrigues do Polo de Jarinu/SP troca de aprendizagem e afetividade, embora virtual, tão presente, em nossa caminhada e pela minha Fé em Deus e no Universo.

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao corpo docente e discente das Instituições: EMEI Profª Hermínia Ricci, CEMEI Marília Martorano do Amaral, E. E. PROFº. Adalberto Nascimento, E. E. Dona Castorina Cavalheiro, E.E. Profª Cecília Pereira, Colégio Photon, Centro Educacional Laporte, Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora – LICEU, Kumon Alphaville, Escola Preparatória de Cadetes do Exercito de Campinas/SP – EsPECEX. Ao Gestor do Polo Campinas, a Coordenadora do Polo Campinas, a Tutoria Local, aos funcionários do Polo Campinas, colegas de curso e a todos os docentes e discentes da Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER e aos amigos em geral.

Escola é... ...o lugar que se faz amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, Programas, horários, conceitos... Escola é sobretudo, gente Gente que trabalha, que estuda Que alegra, se conhece, se estima. O Diretor é gente, O coordenador é gente, O professor é gente, O aluno é gente, Cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor Na medida em que cada um se comporte Como colega, amigo, irmão. Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados" Nada de conviver com as pessoas e depois, Descobrir que não tem amizade a ninguém. Nada de ser como tijolo que forma a parede, Indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, É também criar laços de amizade, É criar ambiente de camaradagem, É conviver, é se "amarrar nela"! Ora é lógico... Numa escola assim vai ser fácil! Estudar, trabalhar, crescer, Fazer amigos, educar-se, ser feliz. É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo. (Autor Desconhecido)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...........................................................................................06 2. AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO..........................10 2.1 AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM UMA ESCOLA MUNICIPAL.................................................... 13 2.2 AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO NO ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA ESTADUAL......................................................... 15 3. METODOLOGIA........................................................................................21 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................22 REFERÊNCIAS...............................................................................................28

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1. INTRODUÇÃO A afetividade é importante no desenvolvimento do ser humano, pois é através dos sentimentos, da emoção, dos desejos, e da vontade que o ser humano impulsiona sua conduta. Justifico a escolha deste tema a partir do entendimento que em cada estágio de desenvolvimento existe a construção de determinadas estruturas de inteligência que são necessárias para que a criança se desenvolva para o estágio seguinte. Quando ocorre uma desordem afetiva e a falta de estímulos adequados, pode ocorrer um atraso nesse desenvolvimento, já que as estruturas de inteligência, necessárias para o pleno desenvolvimento da criança não se desenvolvem plenamente. Para Piaget (1954/1994, p.288), “toda conduta, seja qual for, contêm necessariamente estes dois aspectos: cognitivo e o afetivo”. Nos estágios e pesquisas feitas no decorrer do curso deparei-me com situações problema no âmbito da afetividade e autoestima. Conforme Moran (2007, p.166), Cada vez me convenço mais de que na educação o incentivo, o apoio é mais importante que a cobrança, o controle. Quando conseguimos motivar, incentivar o aluno, ele aprende sem nós, ele aprende sozinho, ele corre atrás do que precisa. (MORAN, 2007, p.166)

Refletindo sobre os tempos atuais em que estamos na era da aparência, os valores precisam ser mudados, precisamos valorizar o crescimento do individuo, aceitando sua evolução com contradições, mas de maneira coerente e verdadeira. Através do carinho e da trajetória do aluno que passa a ter segurança e confiança, gerando então mais amor e afetividade para com os outros e para com a vida. Devido esse pressuposto surgiu a vontade de criar ou colaborar com novas expectativas ou conhecimentos que abordem esse assunto. Considera-se que o afeto é de fundamental importância na construção da inteligência, isto é, a afetividade corresponde aos sentimentos, às emoções, aos desejos, às vontades e aos valores, que dão o suporte às ações. À medida que a criança estiver afetivamente perturbada por qualquer razão e, por isso, encontrar-se ansiosa, triste, desanimada, com baixa autoestima, entre outros, o desenvolvimento geral dela poderá ser atrasado, já que suas preocupações infelizes canalizam as suas energias.

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Em cada estágio de desenvolvimento existe a construção de determinadas estruturas de inteligência que são necessárias para que a criança passe para o estágio seguinte. Quando ocorre uma desordem afetiva e a falta de estímulos adequados, pode ocorrer um atraso nesse desenvolvimento, já que as estruturas de inteligência, necessárias para o pleno desenvolvimento da criança, não se desenvolvem plenamente. Toda aprendizagem está impregnada de afetividade – ou ao menos, deveria estar, já que ocorre a partir das interações sociais, num processo interrelacional. Pensando, especificamente, na aprendizagem escolar, a trama que se tece entre os atores do espaço escolar: alunos, professores, conteúdo escolar, livros, escrita, entre outros, não acontece puramente no campo cognitivo. Existe uma base afetiva permeando essas relações. As experiências vividas em sala de aula ocorrem a princípio, entre os indivíduos envolvidos, no plano externo (interpessoal). Através da mediação, elas vão se internalizando (intrapessoal), ganham autonomia e passam a fazer parte da história individual. Essas experiências também são afetivas. Os indivíduos internalizam as experiências afetivas com relação a um objeto específico. Segundo Piaget (1954 / 1994, p. 288), O aspecto cognitivo e afetivo tem influência mútua, uma vez que um não pode funcionar sem o outro, sendo indissociáveis. Em sua visão, não é possível separar, na ação, ambas as dimensões, ou seja, em toda conduta, seja qual for, contêm necessariamente estes dois aspectos: o cognitivo e o afetivo. (PIAGET, 1954/1994, p. 288).

Embora os fenômenos afetivos sejam de natureza subjetiva, isso não os torna independentes da ação do meio sociocultural, pois se relacionam com a qualidade das interações entre os sujeitos, enquanto experiências vivenciadas. Dessa maneira, pode-se supor que tais experiências vão marcar e conferir aos objetos culturais um sentido afetivo. Nesse sentido, foi desenvolvido um texto teórico visando colaborar com o desenvolvimento do educador e como ferramenta para quem for utilizar como referencial para entender a importância de se trabalhar a afetividade no espaço escolar.

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Como metodologia, foi escolhida a abordagem qualitativa de investigação, através de pesquisa bibliográfica de autores diversos sobre a afetividade na relação professor-aluno. As bibliografias serviram de embasamento teórico para compreender e discorrer sobre o referido tema para o desenvolvimento deste trabalho. A apresentação do tema é embasada em autores e documentos pesquisados / consultados, analisando suas colocações e finalizando com os pontos principais do decorrer da pesquisa, acrescentando outros autores pertinentes ao assunto. A pesquisa para desenvolver o presente trabalho de conclusão de curso tem como objetivo geral refletir sobre a importância da afetividade e autoestima no relacionamento professor-aluno, criando análises na interatividade da aprendizagem; bem como objetivos específicos; Investigar a postura do professor diante das dificuldades no relacionamento com os alunos; analisar o planejamento pedagógico do professor no que ele favorece a afetividade na aprendizagem das atividades realizadas em classe; diagnosticar entre afetividade e autoestima na falta de interesse da escola e analisar os vínculos entre o professor e aluno que podem influenciar na construção da autoestima. O descaso no ato de lecionar e aprender atinge a maioria das salas de aula, pois o relacionamento dos educadores e educandos tornou-se um problema inconsciente. Conforme coloca Silva (2005), O professor não deve preocupar-se somente com o conhecimento através da absorção de informações, mas também pelo processo de construção da cidadania do aluno. Apesar de tal, para que isto ocorra, é necessária a conscientização do professor de que seu papel é de facilitador de aprendizagem, aberto às novas experiências, procurando compreender, numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tentar levá-los à auto-realização. De modo concreto, não podemos pensar que a construção do conhecimento é entendida como individual. O conhecimento é produto da atividade e do conhecimento humano marcado social e culturalmente. O papel do professor consiste em agir com intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a atividade construtiva para assimilação. (SILVA, 2005).

Desta maneira observa-se que a cultura e a sociedade estão intrinsecamente ligadas com o trabalho do professor em seu relacionamento com o aluno.

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ABREU & MASSETTO (1990, p.115), afirma que: É o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade. (ABREU & MASSETTO, 1990, p.115)

Enfim, a afetividade na relação entre professor e aluno depende, essencialmente, do ambiente criado pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua competência de ouvir e refletir o nível de inclusão dos alunos.

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2. AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR- ALUNO O avanço da globalização no mundo inclui o ser humano em um espaço de alta rivalidade e seletividade. O profissional de educação procura adaptar-se desenvolvendo competências que gerem uma melhor aceitação às novas culturas e valores. Cada profissional deve ter claramente definido o seu papel nesse contexto social, onde esta relação aqui considerada passa a ser alvo de pesquisas, na busca do diálogo, do livre debate de idéias, da interação social e da diminuição da importância do trabalho individualizado. A relação professor-aluno concebe um valor a mais na investigação da praticidade, afetividade e eficácia no preparo do aluno para o mundo. Afetividade é a energia que pulsa no ser humano em suas relações para com o mundo, com pessoas e objetos. Envolve toda sua expressão tanto quando interioriza ou quando se exterioriza. Há uma relação direta entre a inteligência e a afetividade. O individuo passa por diversas fases em seu desenvolvimento, cada estágio que percorre necessita de estruturas de inteligências para passar para o estágio seguinte. Se por acaso ele se encontrar triste, preocupado, ansioso, poderá ocorrer um atraso em seu desenvolvimento, pois ele necessita de estímulos adequados, de energias positivas para então poder gerar seu pleno desenvolvimento. Há uma série de obstáculos no âmbito escolar: a formação intelectual valoriza mais o conteúdo oral e textual, separando razão e emoção. O professor não costuma ter uma formação emocional, afetiva. Por isso, tende a enxergar mais os erros do que acertos dos educandos. A falta de valorização profissional também interfere na autoestima, pois se os professores não desenvolvem sua própria autoestima, ou seja, se não se dão valor, se não se sentem bem como pessoas e profissionais, não poderão educar num contexto afetivo. Ninguém dá o que não tem. Por isso, é importante organizar atividades de sensibilização e técnicas de autoconhecimento e autoestima, com gestores e professores, a princípio. Ter aulas de psicologia para autoconhecimento e com especialistas em orientação psicológica.

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É preciso ações para que alunos e professores despertem sua autoconfiança, sua autoestima; que acreditem em si, respeitando-se; que entendam, sintam e aceitem o valor pessoal e o dos outros. Adquirindo esta percepção, terão facilidade de aprender e comunicar-se, do contrário, sem essa base de autoestima, alunos e professores não estarão inteiros, plenos para interagir e se debaterão como opostos, quando deveriam ver-se como parceiros. Neste âmbito, o atendimento psicológico educacional tem como objetivo realizar a avaliação do desenvolvimento cognitivo (estruturas de inteligência) e do desenvolvimento afetivo da criança e, a partir dos resultados obtidos, executar um plano de intervenção (estimulação) por meio de materiais diversificados e jogos, visando favorecer o desencadeamento do processo de equilibração cognitiva e o desenvolvimento afetivo da criança. Resgatar a autoestima é o primeiro passo para atingir o objetivo. É necessário que o aluno se sinta capaz e também saiba que o professor acredita e investe nele. O modo como se enxerga o aluno é essencial para o sucesso da aprendizagem. Quando não julgamos e tentamos apenas nos aproximar do aluno, estaremos colaborando para seu crescimento e desenvolvimento. Dar uma boa aula é obrigação de todo professor, mas se ele dedica um tempo específico para o aluno, como por exemplo, para atender uma dificuldade, isto é sublime, e sua conduta passa a ser um exemplo de que se importa com o aluno, fazendo com que se conheçam mais, respeitando sempre seus anseios e ritmos. Segundo Vallejo (1999, p. 95), “quando esperamos ou desejamos muito de um aluno, somos diferentes com ele, e de muitas maneiras, e esse tratamento diferente contribui eficazmente para a motivação e o rendimento do aluno”. A atitude do professor influencia na vida do aluno e vice-versa. A relação professor-aluno é fundamental no processo de ensino, estando intimamente vinculada à organização da instituição escolar, cuja função principal (explícita) é veicular o saber sistematizado, e a organização usual dessa instituição é a transmissão desse saber. (Pura Lúcia Oliver Martins, 2006, p.48). Na relação pedagógica, o que se aprende não é tanto o que se ensina (conteúdo), mas o tipo de vínculo professor-aluno que se dá na relação.

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Leite (2002, p.135), diz: Em síntese, percebe-se que a afetividade está presente em todas as principais decisões de ensino assumidas pelo professor, constituindo-se como fator fundante das relações que se estabelecem entre os alunos e os conteúdos escolares. A natureza da mediação, portanto, é um dos principais fatores determinantes da qualidade dos vínculos que se estabelecerão entre o sujeito e o objeto de conhecimento. (LEITE, 2002, p. 135).

No contexto atual, é necessário que a escola procure comprometer-se não apenas com o desenvolvimento cognitivo do aluno, mas principalmente com seu desenvolvimento sócio emocional. Concordo com as palavras de Mello (2004, p. 18), onde esta nos diz que “não dá para ensinar pensando apenas na cabeça do aluno, pois o coração também é importante”. Encontra-se nas escolas alunos perdidos, descontentes, em sua maioria com a vida, esses chegam à escola trazendo uma bagagem negativa e encontram dentro desta, geralmente, uma energia negativa passando essa transferência para a sala de aula. Para Wallon (1975, p.135), As emoções têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. A emoção causa impacto no outro e tende a se propagar no meio social, a afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano. (WALLON, 1975, p. 135)

Deve-se dar oportunidade ao aluno de tomar decisões e resolver conflitos, reforçando com positivismo suas condutas, colocando limites claros e ensinando a prever as consequências. Ensinar a resolver seus próprios problemas e a aprender com seus erros e atitudes de uma forma positiva. Contudo, é preciso deixar de lado as críticas que nada constroem. Os insultos não favorecerão a autoestima do aluno. Em lugar, por exemplo, de dizer “você é um bagunceiro, seu caderno parece um lixo!”, melhor dizer “não gosto de ver seu caderno tão bagunçado, me deixa muito triste!”. Assim, estará demonstrando que o que não agrada é a desordem do caderno e não o aluno.

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2.1 Afetividade na relação professor-aluno na educação infantil em uma escola municipal. A respeito da relação afetividade e autoestima entre o professor e o aluno em Estágios Supervisionados realizados anteriormente no decorrer do Curso de Pedagogia, foi observado que a caracterização da afetividade nas EMEIs começa no portão de entrada. Vygotsky (1991, p. 33), influenciado pelo materialismo dialético de Marx e Engels, advogava que o contexto social, que é histórico, exerce grande importância no desenvolvimento das funções superiores humanas: Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social. (VIGOTSKY, 1991, p. 33)

As produções culturais individuais e coletivas permitem o incremento da capacidade humana do relacionamento em suas diversas formas. Os profissionais da Educação ignoram o fato de que a cultura é um signo, que para ter significado para o ser humano precisa ser manipulado, afetiva e cognitivamente aceito, assim, que ele desfrute da beleza e suavidade do seu cotidiano. A recepção aos alunos começa no portão de entrada, cada aluno foi recebido e acompanhado pelos professores. O professor demonstrou seu afeto pelo aluno através do sorriso, do abraço, do beijo que fez toda diferença no decorrer de sua estadia na escola. Já em sala, foi organizada uma roda em que os alunos sentaram em círculos e conversaram com a professora de maneira informal, iniciado com uma oração e depois um a um contou o que aconteceu com eles no período que estiveram fora dali, e, no final, cantaram uma música de agradecimento e boas vindas. Os alunos da EMEI são de três a cinco anos e onze meses, havendo uma sala diversificada, com alunos em várias fases de desenvolvimento, porém, incluídos no mesmo espaço. As crianças fazem parte de todas as aulas planejadas, mas cada uma responde a seu tempo. Na sala de aula, os alunos foram colocados em cantinhos, sorteados por eles mesmos com a mediação do professor, para atividades planejadas.

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Diversificam diariamente entre os diferentes cantinhos de atividades com massinha de modelar, jogos e brincadeiras. A professora, assim, estimula o trabalho em grupo, a socialização e a afetividade. A avaliação foi realizada individualmente e em grupo. Quando os alunos terminam suas atividades em seus cantinhos, guardam os objetos, limpam suas mesas, e em sua volta, daquilo que deixou cair (como papel recortado, massinhas, ponta de lápis, entre outros). Wallon (1975) ressalta que, A criança muitas vezes necessita negar e opor-se ao adulto. Por isso, obviamente, durante essa fase da criança fazem-se presentes além dos afetos positivos, também os entendidos como negativos (a raiva, tristeza, ciúme, inveja, dor e tantas outras). (WALLON, 1975)

Observei o comportamento agressivo dentro da sala de aula, nos momentos do parque, na hora do recreio, entre crianças de três a seis anos de idade, ativas desrespeitando educadores e mesmo seus coleguinhas resolvendo essas questões através de tapas, chutes, mordidas, gritos e frases tipo, eu te odeio! Em sua maioria esses educandos de maneira globalizada, fazem um uso indevido da mídia televisiva, pois os pais trabalham fora deixando seus filhos em casa, ora na televisão, ora no videogame, ou pela falta de paciência, tolerância, sem critérios de escolhas ou limites de programação, em troca da comodidade e ou opção. Os programas geralmente possuem as crenças relacionadas ao poder; tem poder o mais forte, o mais violento e agressivo. Observe-se, por exemplo, a figura dos heróis, que representam o bem nos filmes e desenhos americanos: como são sempre indestrutíveis, fortes, violentos, destruidores do inimigo, capazes de vencerem sozinhos, movidos por desejo de vingança, por ódio ou por revolta, os maiores vilões. A necessidade de encontrar um herói existe no ser humano e principalmente no mundo infantil e no inconsciente de todo sujeito, onde seus primeiros heróis são seus pais, pois acreditam que eles são os mais fortes e lindos. A criança sente-se importante buscando um herói ao qual se identifique, o poder de herói dá a criança à coragem para lutar contra as dificuldades internas e externas.

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Na criança pequena na fase dos três aos seis anos, considera-se normal uma pequena agressividade, estando ela em fase de desenvolvimento e não sabendo lidar com suas emoções, sentimentos, necessidades, sensações, com sua energia individual e coletiva e nem se expressar totalmente. Porém, mesmo essa agressividade precisa ser dirigida e educada, para que a criança sinta-se de maneira satisfatória segura do afeto, para reconhecer suas emoções e sentimentos, aprendendo sobre eles e sobre como administrá-los. Não é um bom caminho ignorar a atitude agressiva da criança e nem tomar atitudes niveladas restringindo o educando, disputando poder de igual para igual. O processo de educar, de ensinar, de criar laços verdadeiros de afeto e cumplicidade é algo que leva tempo, que não se impõe e nem se consegue através da força, das chantagens ou da manipulação e muito menos através dos excessos do poder. Isto exige um trabalho em conjunto de educadores e pais com disposição e capacidade de usar o poder de forma amorosa para resolver conflitos, por isso à necessidade de que “trabalhem” suas emoções e seu lado religioso (espiritual). Enxergo um cenário em que professor e alunos abracem os papéis de flor e abelha, onde o conhecimento é o mel, tal como imaginado por Gibran (1970, p. 69): “(...) o prazer da flor é entregar o mel à abelha. Pois, para a abelha, uma flor é uma fonte de vida. E para a flor, uma abelha é mensageira de amor. E para ambas, a abelha e a flor, dar e receber o prazer é uma necessidade e um êxtase”. Portanto a escola e os professores devem resgatar o aspecto afetivo mostrando ao aluno que ele é capaz, que tem qualidades, que pode realizar várias atividades com prazer, incentivando o desenvolvimento das responsabilidades de maneira positiva, criando alguns compromissos e exigindo, num clima de participação e interação o cumprimento por parte do aluno.

2.2 Afetividade na relação professor-aluno no ensino médio de uma escola estadual. O professor, do século XXI, necessita ser um mediador no acesso a informações, procura estar sempre atualizado para proporcionar um conhecimento real e produtivo a seus alunos.

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Trabalha como um bom amigo que auxilia o sujeito a descobrir o mundo e seus problemas, seus fatos, suas injustiças e suas solidariedades, de forma que o aluno possa caminhar com liberdade de expressão e, consequentemente, de ação. Em contrapartida, o aluno deve respeitar o ambiente escolar e valorizar o professor, sabendo aproveitar a magia do momento, o encantamento do aprenderensinar-aprender. Logo, o professor hoje ensina o aluno a aprender e a ensinar a outrem o que aprendeu. Todavia, não se trata aqui daquele ensinar passivo, mas do ensinar ativo no qual o aluno é sujeito da ação, e não sujeito-paciente. Enfim o professor agora é o mediador e como tal precisa ser autodidata, integrador, comunicador, questionador, criativo, colaborador, eficiente, flexível, gerador de conhecimento, difusor de informação e comprometido com as mudanças deste novo mundo. Assim deve ser a relação professor-aluno, o aluno precisa aprender a aprender e o professor precisa aprender a reaprender sempre. Rego (2001) nos mostra que, Os postulados de Vygotsky parecem apontar para a necessidade de criação de uma escola bem diferente da que conhecemos. Uma escola em que as pessoas possam dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar saberes. Onde há espaço para transformações, para as diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a criatividade. Uma escola em que os professores e alunos tenham autonomia, possam pensar, refletir sobre o seu próprio processo de construção de conhecimentos e ter acesso a novas informações. Uma escola em que o conhecimento já sistematizado não é tratado de forma dogmática e esvaziado de significado. (REGO, 2001)

Na sala de aula do Ensino Médio, os alunos participaram de várias atividades, em grupo e individual. Foi necessária uma diversificação de cada professor, quanto ao conteúdo, ele precisa conhecer seus alunos, saber de seus interesses, dificuldades, ansiedades e sonhos. Não que ele vá trabalhar com conteúdos diferentes a cada aluno, mas que ele vá integrar em seu currículo, concepções de trabalho, como por exemplos, dinâmicas, jogos, teatros, para que o desenvolvimento do aluno caminhe no progresso da sua totalidade.

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O exemplo disso, o Projeto Anhumas, movimentou a capacitação de professores, alunos estagiários, parcerias com institutos, onde ocorreu a integração de disciplinas, quebra de paradigmas, professores abertos a uma nova realidade além dos muros escolares, transformando o aluno em cidadãos críticos. Assim sendo, o professor que assume sua profissão transmite para o aluno esta confiança, desabrochando nestes sentidos, e transformando os sonhos em realidades vivenciadas. Observado o aspecto ambiental da escola salientou-se que a educação no ensino médio da escola estadual observada não traz prazer algum; a sala acabada, com carteiras em pedaços, vidros muitas vezes quebrados, o quadro velho e mal cuidado, influi negativamente nas relações professor / aluno / aprendizagem causado pelo ambiente hostil. Segundo Falcão (1986), A forma como se arranja a sala de aula reflete, ainda, a concepção de aprendizagem daquele que ensina: cadeiras enfileiradas, com alunos um atrás do outro, indicam que se espera apenas atenção aos ensinamentos do mestre, sem conversas entre colegas nem confronto de idéias. Quando a sala é viva, isto é, quando se muda em função da tarefa, ela evidencia uma distinta concepção do significado de aprender e interagir, ou seja, mostra-se um ato dinâmico, estimulante e instigante do qual todos querem e devem participar. (FALCÃO, 1986)

A maneira tradicionalista com que até hoje se encontra nesta escola, com carteiras enfileiradas prejudicam sobremaneira a relação professor-aluno, alunoaluno em sua aprendizagem. Saltini (2002, p.15), acrescenta: As escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elas têm contribuído em demasia para construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de símbolos e de dores. (SALTINI, 2002, p. 15)

Cautelosos à significação de uma aprendizagem expressiva, podemos começar a pensar sobre a diferença entre educação, ensino, instrução e treinamento, a partir dos meios multimídias. A era tecnológica na qual o mundo encontra-se plugado e globalizado de tal forma que o profissional de hoje não deve ser mais o melhor da "turma", ou do bairro, ou da sua cidade, nem mesmo do seu país, mas sim o melhor do mundo.

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Igualmente, a educação não pode meramente ignorar os avanços dessa nova era tecnológica deve sim acompanhar as mudanças e aproveitar os benefícios dessa nova realidade. A educação se dá de várias formas e contextos; em casa, na escola, na rua e na igreja. Ao falarmos que fulano não tem educação, pois entrou em sala de aula após o início da mesma - sem pedir licença à professora, estamos nos referindo à educação dos pais, à educação de casa, à educação informal. Todavia, quando - ao procurar um emprego - exige-se do candidato o diploma de ensino médio, e este não o tem, diz-se que não tem a educação necessária, a educação formal. Desse modo, nota-se que há várias teorias em torno do que seja educação. Nessa concepção Nérici (1993) diz: Educação é o processo que visa a revelar e a desenvolver as potencialidades do indivíduo em contato com a realidade, a fim de levá-lo a atuar na mesma de maneira consciente (com conhecimento), eficiente (com tecnologia) e responsável (eticamente) a fim de serem atendidas as necessidades e aspirações da criatura humana, de natureza pessoal, social e transcendental. (NÉRICI, 1993).

O Ser Humano integra-se à comunidade de forma ativa e participativa, preservando assim tanto os seus interesses como os da comunidade em que vive. Assim, a educação contemporânea tem que atender igualmente aos interesses do indivíduo e da comunidade. Quanto ao ensino é entendido como resultado da educação. Conforme Nérici (1993) Ensino é o processo que visa a modificar o comportamento do individuo por intermédio da aprendizagem com o propósito de efetivar as intenções do conceito de educação, bem como habilitar cada um a orientar a sua própria aprendizagem a ter iniciativa, a cultivar a confiança em si, a esforçar-se, a desenvolver a criatividade, a entrosar-se com seus semelhantes, a fim de poder participar na sociedade como pessoa consciente, eficiente e responsável. (NÉRICI, 1993).

O conhecimento é a informação interpretada, relacionada e processada. Logo, podemos partir para a diferença entre ensino, instrução e treinamento. A informação é encontrada rapidamente através do avanço tecnológico, mas só passará a ser de conhecimento se esse for bem instruído, direcionado por um profissional da educação que irá ajudá-lo a compreender que nem tudo que ele lê transformar-se-á em conhecimento, pois nem tudo que existe na rede é de qualidade e de relevância educacional.

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O ensino confunde-se então com conhecimento e instrução; por esse prisma, confunde-se com a função do educador atual que é de facilitar a aprendizagem do educando. Treinamento nos faz lembrar a teoria de condicionamento de Skinner na qual o educando é estimulado a aprender a partir da repetição de exercícios, seguida de recompensa. A tecnologia atenta a comunicação da informação, mas o papel do professor é fundamental para auxiliar o aluno a construir o conhecimento. O professor que trabalhar mais como um facilitador será insubstituível e inesquecível, como a figura da primeira professora. Os demais que não aderirem a essa nova realidade correm o risco de serem substituídos por uma máquina. Nas relações internas da escola observa-se que o tratamento dado as pessoas são diferentes, inclusive os alunos, que não são estimulados a colocarem seus pontos de vista e ou colaborar ou participar de decisões da escola. Abreu e et al (1990, p.115), afirmam que É o modo de agir do professor em sala de aula, mais do que suas características de personalidade que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade. (ABREU E ET AL, 1990, p. 115)

O autoritarismo que começa através da hierarquia na figura do diretor vai pelos corredores da escola mantendo-se instalado e perpetuando nas salas de aula. Conforme diz Freire (1996, p.96), [...] o professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. (FREIRE, 1996, p. 96)

Observamos inovações todos os dias e a cada minuto que se expandiu o número de profissionais com diferentes funções na educação. Uma variedade de professores faz parte do universo, professor tradicional, aquele que professa; o educador, aquele que educa e o instrutor, aquele que instrui, geralmente, soa à tecnicismo esta nomenclatura, mas, no fundo é o que se tem na verdade; instrutores de informática, e não professores ou educadores de informática. Educadores que somos devemos aproveitar os recursos que o século XXI nos proporciona sem esquecer a finalidade do uso.

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Segundo Freire (1996, p. 96), O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas. (FREIRE, 1996, p. 96).

Enfim, a educação deve ter sempre uma visão humanitária e progressista e visar sempre à construção de um cidadão crítico, autônomo e seguro de seu espaço nesta sociedade, a fim de que possa reivindicar os seus direitos com a responsabilidade de seus deveres. Rangel (1992, p.78) destaca que: Acreditamos que a escola deve se ocupar com seriedade com a questão do “saber”, do “conhecimento”. Se um professor for competente, ele, através do seu compromisso de educar para o conhecimento, contribuirá com a formação da pessoa, podendo inclusive contribuir para a superação de desajustes emocionais. (RANGEL, 1992 p. 78)

Portanto, a influência do professor extrapola os contornos da formação acadêmica e está essencialmente na relação professor-aluno, na maneira como aborda os alunos, no modo de esquematizar neles uma visão positiva de seu potencial, na profunda confiança da competência de cada ser à sua frente, na maneira como age para não ridicularizá-los e não humilhá-los, e leva em conta sua dignidade como ser humano.

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3. METODOLOGIA Para a realização deste Trabalho de Conclusão de Curso foi escolhida a abordagem qualitativa de investigação por meio de acervos bibliográficos, de diferentes autores, sobre o tema afetividade na relação professor-aluno. Através de conversa informal em (02) duas escolas públicas de Campinas/SP situadas em diferentes pontos, com docentes da Educação Infantil e do Ensino Médio, sobre a opinião a respeito da relação professor-aluno a partir de seus consentimentos, considerando a aproximação que se estabelece com o objeto de pesquisa de modo interpretativo, em relação às suas colocações. Segundo André e Lüdke (1986, p. 112), “os pesquisadores qualitativos preocupam-se com os processos e não apenas com os resultados e o produto. [...] os dados são coletados e depois interpretados”. Para Triviños (1987, p. 40), “essa técnica de entrevista possui a vantagem da presença do pesquisador, favorecendo o participante de expressar todas as perspectivas de modo livre e espontâneo, contribuindo com a ampliação dos dados”. Para Silva e Menezes (2001, p. 20): A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem. (SILVA E MENEZES, 2001 p. 20).

As referências bibliográficas servirão de bússola para percorrer os caminhos já traçados por conceituados pesquisadores e o que disseram sobre o referido tema. Portanto as pesquisas bibliográficas, juntamente com os dados coletados na entrevista objetivam a conclusão do presente trabalho.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Quando começamos a nos incluir com o nosso meio sociocultural é que iremos ter consciência das coisas que giram ao nosso redor. Começamos então a dar importância e significado as coisas do nosso Universo, aprendemos a agir dentro do contexto social em que estamos inseridos, criando novos conceitos, onde a linguagem fornece as formas de organização do real, que constituem a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Num apropriado comentário de Chardelli (2002): A todo momento, a escola recebe crianças com auto estima baixa, tristeza, dificuldades em aprender ou em se entrosar com os coleguinhas e as rotulamos de complicadas, sem limites ou sem educação e não nos colocamos diante delas a seu favor, não compactuamos e nem nos aliamos a elas, não as tocamos e muito menos conseguimos entender o verdadeiro motivo que as deixou assim. A escola facilita o papel da educação nos tempos atuais, que seria construir pessoas plenas, priorizando o ser e não o ter, levando o aluno a ser crítico e construir seu caminho. (CHARDELLI, 2002).

Portanto o afeto é de fundamental importância na construção da inteligência, isto é, a afetividade corresponde aos sentimentos, às emoções, aos desejos, às vontades e aos valores, que dão o suporte às ações. Logo, a afetividade na relação entre professor e aluno depende, essencialmente, do ambiente criado pelo professor, da relação empática com seus alunos, de sua competência de ouvir refletir o nível de inclusão dos alunos. Todavia é essencial que o professor hoje ensine o aluno a aprender e a compartilhar a outrem o que aprendeu. Não se trata aqui daquele ensinar passivo, mas do ensinar ativo no qual o aluno é sujeito da ação e não sujeito-paciente. O professor agora é o mediador e como tal precisa ser autodidata, integrador, comunicador, questionador, criativo, colaborador, eficiente, flexível, gerador de conhecimento, difusor de informação e comprometido com as mudanças deste novo mundo. É o professor que assume sua profissão e transmite para o aluno esta confiança, desabrochando nestes sentidos e transformando os sonhos em realidades vivenciadas. Observado o aspecto ambiental da escola salientou-se que a educação no ensino médio da escola estadual observada não traz prazer algum pelas condições da infraestrutura apresentada.

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A maneira tradicionalista com que até hoje se encontra a escola, com carteiras enfileiradas prejudicam sobremaneira a relação professor-aluno, alunoaluno em sua aprendizagem. A definição de uma aprendizagem significativa começa a nos fazer pensar sobre a diferença entre educação, ensino, instrução e treinamento, a partir dos meios multimídias. A era tecnológica na qual o mundo encontra-se plugado e globalizado de tal forma que o profissional de hoje não deve ser mais o melhor da "turma", ou do bairro, ou da sua cidade, nem mesmo do seu país, mas sim o melhor do mundo. Igualmente, a educação não pode, meramente, ignorar os avanços dessa nova era tecnológica, deve sim acompanhar as mudanças e aproveitar os benefícios dessa nova realidade. A educação se dá de várias formas e contextos; em casa, na escola, na rua e na igreja. Ao falarmos que fulano não tem educação, pois entrou em sala de aula após o início da mesma - sem pedir licença à professora, estamos nos referindo à mudança de valores da família par a escola. O autoritarismo que começa através da hierarquia na figura do diretor vai pelos corredores da escola mantendo-se instalado e perpetuando nas mais nefastas salas de aula. Barros (1996, p. 34): afirma que: A escola precisa permitir à criança a observação e a ação espontânea sobre o ambiente físico, bem como favorecer o intercâmbio com outras crianças e adultos. O clima da sala de aula é decisivo para o desenvolvimento da criança. (BARROS, 1996 p. 34)

Na realidade, a prática docente possui um artifício não só significativo na relação professor/aluno, mas decisiva em todo o processo. A arrogância docente e a "garantia" que o mesmo possui de seu conhecimento ilimitado são suficientes para produzir um aprendizado equivocado uma vez que este acredita que a culpa é somente do aluno quando os resultados diferenciam de suas expectativas. Sem sombras de dúvidas de que o professor, desde a educação infantil até o ensino médio, estabelece um dos pilares na formação e no desenvolvimento de pessoas aptas a perceber o mundo e dele compartilhar como sujeitos competentes.

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Contudo a afetividade na relação professor aluno da educação infantil em uma escola municipal na Cidade de Campinas norteia com degraus crescentes uma pedagogia

construtiva,

interacionista,

mas

que

muitas

vezes

precisa

ser

tradicionalista. A globalização mistificou os paradigmas da educação, pois a necessidade de se conhecer e reconhecer o todo para todos, para um relacionamento real, está longe de receitas, longe de verdades. O Profissional da educação desdobra-se para conceber ensinamentos novos, não para novos saberes e sim para novas maneiras de ensinar, instruir e cuidar do educando. O educando traz do mundo em que vive vícios, maneiras, modos de agir e se expressar, muitas vezes não condizentes com sua idade ou até mesmo com sua conduta. A família não se coloca em seu lugar, e muitas vezes fazem vistas grossas para compensar suas ausências. Cabe então ao educador colocar disciplinas, regras, valores, dar amor, carinho. Este educador de hoje embora a teoria repita que ele não pode fazer de sua aula uma terapia, raras são às vezes em que ele não se torna também um terapeuta. O educador de hoje precisa estar “atento” com as mudanças de comportamento de seu aluno, ele precisa lidar com este aluno que vem de casa com problemas sérios e extravasa na escola com professores e alunos. O planejamento escolar e o plano de aula passam a ser diversificados, com metodologias inovadoras que mexam não apenas com o desenvolvimento da criança, mas também com seu desenvolvimento espiritual para que nesta busca os tornem menos ansiosos, menos frustrados, menos agressivos, mais criativos, mais amorosos, mais centrados e seguros de si. Educador – terapêutico - precisa buscar a alma de cada ser com o qual se depara em sala de aula, para dar luz em sua vida. Ele precisa amar sua profissão, para que desabroche este educador humano que o coloque diante do próximo como a si mesmo. Para o adolescente não é diferente, o professor, hoje autodidata, tem que estar inovando, a cada instante ele tem que ser o melhor para conseguir dar de si o que o outro busca, precisa acima de tudo estar bem consigo mesmo.

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A relação professor-aluno no ensino médio de uma escola estadual na cidade de Campinas/SP, assim se depara nos dias de hoje, com os requisitos da globalização mundial. Ele precisa ser mais que um “terapeuta” educador, ele precisa ser um Professor que tenha conhecimentos atualizados, mas acima de tudo ele precisa ser amigo, sem ser inimigo de si mesmo. Quero dizer com isso que o professor de hoje para relacionar-se com seu aluno adolescente, precisa aprender a ensinar, instruir, treinar, amar, ser amigo, acima de tudo ouvir, trocar, compreender, mas precisa saber colocar regras, disciplinas, dar liberdade sem libertinagem. Ele precisa ser “O CARA”, mas um eterno aprendiz. E o adolescente de hoje “o educando”, precisa saber ouvir, saber olhar, amarse para poder amar, aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer, aprender a ser. O Ensino Médio consta com uma defasagem em frequências escolares, os alunos, ora deixam as escolas, por vários motivos, ora pela necessidade de trabalhar para seu sustento, ora por bandidagem, ora por problemas pessoais ou as drogas. A afetividade do aluno do Ensino Médio é diferente em salas de aulas do período da manhã e do período noturno. Encontramos uma defasagem de alunos no período Noturno. O período da manhã geralmente é frequentado por alunos, em sua maioria, com situações mais estáveis financeiramente, mas muitas vezes, cheios de carências afetivas, problemas de agressividades, drogas. As mudanças estão ocorrendo gradativamente no universo escolar quanto à relação professor aluno. A necessidade de conter a agressividade acaba por mascarar a educação tradicionalista com disciplinas mais rígidas. Com uma frequência maior, famílias vêm conhecendo não apenas o diretor, o coordenador, o orientador da escola, mas o conselho tutelar. A necessidade de uma conscientização por parte da família em trabalhar valores, em buscar e colocar disciplinas, em buscar a identidade. A relação professor-aluno do educando do ensino médio é marcada na sua rotina diária por altos e baixos de alunos e professores em busca de seu espaço, mas principalmente de egos estereotipados e confusões mal interpretadas por ambas as partes.

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A afetividade na relação professor-aluno em ambas as etapas, precisa de parcerias, precisa de união. Não apenas o aluno, a criança, o educando, o adolescente, o jovem, que vai a escola e sim a família. Não é a criança apenas que necessita de um herói e sai em busca de superheróis, de sua identidade e muitas vezes são adotadas, na esquina de casa, no banco da praça, no banheiro da escola, nos shoppings, nas igrejas, mas também “dentro” de casa. A falta de valores, de diálogos, arrasa a família brasileira, que vem sofrida, necessitada, pela troca, do prato de comida, pois falta na maioria deles o essencial “o amor” e por consequência o dinheiro, e gera a violência em seus vários tipos. A maioria destes jovens, destas crianças nasceu em berços problemáticos onde a troca de valores, criou outros valores desconhecidos e valorizados pelos seus

pais,

que

se

desvalorizam

inconscientemente

e

ou

muitas

vezes

conscientemente. Os olhos destas crianças enxergam no dia a dia, vícios, desajustes que dentro do próprio “LAR” é natural, porque então não levar aos coleguinhas, porque não agir da mesma maneira, porque o professor (a) briga comigo? Os adolescentes acostumados com os “manos” e suas gírias, querem a liberdade e acreditam nesta verdade, inclusive que a “maconha”, por exemplo, é tão normal quanto um remédio para dor de cabeça e que necessitam disso e muitos deles já dizem que os pais são dependentes e nasceram assim. O comodismo diante das situações para ser o melhor, não o melhor aluno e sim o melhor amigo dos “manos”. Todavia os professores precisam ser “terapeutas” para lidar com todo tipo de situações que existe em suas salas de aulas e alem dos muros da escola. A pedagogia apenas não lhe fornece todos os requisitos para lidar com todas as situações problemas. As novas tecnologias, o celular, por exemplo, que vem sendo o maior índice de indisciplinas nas escolas, começa a serem barrados, pelo mau uso dentro de sala de aula, usos estes, como a gravação de alunos em acontecimentos inesperados ou esperados por eles na escola, sala de aula, ou mesmo o simples tocar do telefone dentro da sala. O respeito ao professor deixa a desejar, mas o respeito aos alunos também deixa a desejar.

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Desta maneira coloco que as parcerias com pais, psicólogos, enfim uma equipe de voluntários, ou mesmo contratados especialistas para ajudar a solucionar os problemas dentro da escola ajudaria com certeza a relação professor aluno. A pesquisa observada na relação professor aluno principalmente do ensino médio revela situações delicadas e contraditórias do cotidiano do professor. O Curso de Pedagogia à distância nos torna crítico em observações e também nos traz a oportunidade de vivências em estágios e pesquisas, onde procuramos aprender soluções para problemas do cotidiano da afetividade na relação professor aluno. A dificuldade encontrada para realização deste trabalho é a aceitação para pesquisas da formação do professor no Curso de Pedagogia a Distância de uma Faculdade sem o Convênio com a prefeitura e com Escolas Estaduais. Outra dificuldade diz diretamente a minha pessoa e a todas que se encontram na desvantagem de ainda não estar na área docente e não possuir o magistério. A superação destas dificuldades nos leva a refletir ainda mais sobre a questão do magistério em nível médio e a reformulação do ensino Superior no Curso de Pedagogia à distância. A escolha do tema Afetividade engloba vivências na relação professor-aluno observadas durante o Curso em diversas escolas da cidade de Campinas/SP e com a utilização do instrumento como conversas informais e diário de bordo. Sendo assim escolhi duas destas escolas para a finalização de meu trabalho. Portanto este trabalho serve para que educadores e educandos reflitam a respeito do seu papel na escola e na sociedade, alem de repensar inclusive o papel do aluno no universo da sala de aula.

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