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www.odontomagazine.com.br

Reportagem

Ponto de Vista O papel do Odontopediatra como educador

Ano 3 - N° 29 - Junho de 2013

Estresse e o seu efeito na saúde bucal

comunicação integrada

comunicação integrada


Editorial

O poder da ética

Edição: Ano 3 • N° 29 • Junho de 2013 Presidência & CEO Victor Hugo Piiroja e. victor.piiroja@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7501 Gerência Geral Marcela Petty e. marcela.petty@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7502 Financeiro Rodrigo Oliveira e. rodrigo.oliveira@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7761 Assistente Administrativo Michelle Visval e. michelle.visval@vpgroup.com.br Marketing Ironete Soares e. ironete.soares@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7500 Designer e Diretor de Arte Bob Nogueira e. bob.nogueira@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7521 Designer Gráfico Cristina Yumi e. cristina.yumi@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Web Designer Robson Moulin e. robson.moulin@vpgroup.com.br Mobile Cláudia Mardegan e. claudia.mardegan@vpgroup.com.br Analista de Sistemas Fernanda Perdigão e. fernanda.perdigao@vpgroup.com.br Sistemas Wander Martins e. wander.martins@vpgroup.com.br Editora Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506

É

uma grande honra escrever o editorial para esta conceituada revista, que nos leva à reflexão direcionada aos assuntos de interesse da classe odontológica. Falarei sobre ética, que é definida como conjunto de valores morais que orientam o comportamento humano. No mundo atual, presenciamos situações antiéticas em diferentes esferas da sociedade que, direta ou indiretamente, atinge-nos. Precisamos possuir personalidade e caráter para que não sigamos os maus exemplos. Para tanto, devemos zelar e promover o bom conceito da Odontologia, reconhecendo os problemas éticos que possam surgir nas relações pessoais e profissionais. Somos responsáveis pela formação do caráter dos nossos filhos, dos nossos alunos, dos nossos colegas, enfim, de toda a sociedade, pois somos parcelas de um todo. A ética irá guiar a conduta do homem, determinando seu caráter, altruísmo e virtudes. Os meios de comunicação ampliaram muito seu alcance, tanto em distância e em velocidade quanto em formas. Um velho ditado reflete sobre a palavra que é proferida não volta atrás, na atualidade, não só a palavra, mas postagens de mensagens em redes sociais têm poder ainda maior. Ética e moral podem ser confundidas, mas têm conceitos diferentes. A moral reporta ao conjunto de normas e regras definidas pela sociedade, que norteiam as ações e julgamentos estabelecidos pela sociedade. Povos podem possuir hábitos e costumes diferentes, que define, por exemplo, o que é certo e o que é errado e bom e mau. Esse conceito regula o modo de agir das pessoas. Precisamos nos manter íntegros, principalmente aquelas pessoas que ocupam cargos e têm acesso ao grande público. Devemos dar exemplo de valores éticos, por meio de discursos e ações, pois servirão de referência para a formação de caráter de outras pessoas. Refletindo no que foi comentado aqui, a ética sobre normas e regras comportamentais resultará na busca da preservação da dignidade dos seres humanos. Sejamos éticos! Façamos a nossa parte!

Publicidade - Gerente Comercial Christian Visval e. christian.visval@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7760 Publicidade - Gerente de Contas Victorio Rosa e. victorio.rosa@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7768 Conselho Científico Alice Granthon de Souza, Augusto Roque Neto, Danielle Costa Palacio, Débora Ferrarini, Diego Michelini, Éber Feltrim, Fernanda Nahás Pires Corrêa, Francisco Simões, Henrique da Cruz Pereira, Helenice Biancalana, Jayro Guimarães Junior, José Reynaldo Figueiredo, José Luiz Lage Marques, Júlio Cesar Bassi, Lusiane Borges, Maria Salete Nahás Pires Corrêa, Marina Montenegro Rojas, Pablo Ozorio Garcia Batista, Regina Brizolara, Reginaldo Migliorança, Sandra Duarte, Sandra Kallil Bussadori, Shirlei Devesa, Tatiana Pegoretti Pintarelli, Vanessa Camilo, Wanderley de Almeida Cesar Jr. e William Torre. A Revista A Odonto Magazine apresenta ao profissional de saúde bucal informações atualizadas, casos clínicos de qualidade, novas tecnologias em produtos e serviços, reportagens sobre os temas em destaque na classe odontológica, coberturas jornalísticas das mais importantes feiras comerciais e eventos do setor, além de orientações para gestores de clínicas. É uma publicação da VP Group voltada para profissionais de Odontologia das mais diversificadas especialidades. Conta com a distribuição gratuita e dirigida em todo território nacional, em clínicas, consultórios, universidades, associações e demais instituições do setor.

Francisco Xavier Paranhos Coêlho Simões

Membro do Conselho Científico

Odonto Magazine Online s. www.odontomagazine.com.br Tiragem: 37.000 exemplares Impressão: HR Gráfica

Alameda Amazonas, 686, G1 - Alphaville Industrial 06454-070 - Barueri – SP • + 55 (11) 4197 - 7500 www.vpgroup.com.br Junho de 2013

3


Sumário

Junho de 2013 • Edição: 29

pág.

18 22

3

Editorial

6

Programe-se

8

Notícias

10

Odontologia Segura

12

Produtos e Serviços

8

Reportagem

Estresse e o seu efeito na saúde bucal

pág.

Entrevista

28

A lesão não cariosa Mônica Romero

26

28

Relacionamento

RNL: excelência no atendimento ao dentista

38

Leidivino E. Silva

Reabilitação oral estética e funcional de pacientes com severa perda de dimensão vertical

Ponto de vista

Carlos Gil, Marcio Katsuyoshi Mukai e Cláudio Akira Yamaguchi

O papel do Odontopediatra como educador

42

Silvia Chedid 32

Gestão

34

Pacientes especiais

36

Liderança

46

Plínio Augusto Rehse Tomaz

Reabilitação de músico idoso e trombonista com prótese total e implantes Alexandre de Alcântara

José Reynaldo Figueiredo

50

Wanderley de Almeida Cesar Jr.

pág.

Junho de 2013

Ortodontia lingual e sua viabilidade atual Henrique Bacci

Colunistas

4

Casos Clínicos

36

Normas para publicação

Os artigos e as entrevistas são de inteira responsabilidade do autor e/ou entrevistado, e não refletem, obrigatoriamente, a opinião do periódico.


Programe-se

Junho

XXI Congresso Brasileiro de Estomatologia e Patologia

3rd Neodent International Congress

XXI Congresso Internacional de Odontologia do Pará

Em julho de 2013, a SOBEP realizará seu congresso anual na acolhedora cidade de Salvador. Com sua característica itinerante, passando por todas as regiões do país, o evento anual acontecerá, desta vez, na capital do estado da Bahia, conhecida por sua importância histórica e cultural. A tradição de elevada qualidade acadêmica associada ao clima agradável e profícuo das discussões científicas e à descontração nos momentos de confraternização, característicos dos eventos da nossa sociedade, farão parte do XXI Congresso Brasileiro de Estomatologia e Patologia Oral.

27 a 29 de junho de 2013

Salvador – BA

13 a 15 de junho de 2013

Com o tema central “História, Ciência e Inovação”, o congresso faz parte da programação alusiva aos 20 anos de fundação da Neodent.

Curitiba – PR

www.neodentcongress.com.br

***

Renomados profissionais discutem sobre o futuro da Odontologia no Brasil e no mundo.

Belém – PA

www.abopa.org.br

***

10 a 13 de julho de 2013

O CIORJ - Congresso Internacional de Odontologia do Rio de Janeiro é o ponto de encontro dos dentistas e profissionais da saúde bucal no Rio de Janeiro. O evento traz os últimos trabalhos de pesquisa, novidades tecnológicas e produtos para cuidados com a saúde bucal, ortodontia e estética.

Rio de Janeiro - RJ www.ciorj.org.br

***

I Encontro Carioca de Odontologia para Pacientes Especiais O encontro, que acontece no Congresso Internacional de Odontologia Rio de Janeiro (CIORJ), abordará temas atuais, como o uso da toxina botulínica. Outro assunto de grande interesse, como a palestra sobre sedação oral, será abordado pelo Professor Eduardo Dias de Andrade. O evento contará com a presença do ilustre presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes Especiais, Dr. João Ferreira.

Rio de Janeiro – RJ www.ciorj.org.br

Junho de 2013

***

Agosto

XII Congresso Internacional de Odontologia do Paraná – CIOPAR 19 a 21 de setembro de 2013

O evento contará com palestras nacionais e internacionais ministradas pelos mais renomados profissionais de saúde bucal.

Curitiba - PR

www.ciopar.com.br

***

IN - Latin American Osseointegration Congress 25 a 28 de setembro de 2013

Sob a presidência de honra de Per Ingvar Brånemark, o IN 2013 deverá reunir cerca de 5.000 especialistas de todo o Brasil e dos demais países latino-americanos.

São Paulo – SP (11) 3566-6205

16 a 18 de agosto de 2013

21º Congresso Internacional de Odontologia do Rio de Janeiro - CIORJ

12 de julho de 2013

www.estomatologiabahia.com.br

Jornada Odontológica Sul Rio-grandense – JOS

Julho

6

17 a 20 de julho de 2013

Setembro

Um número muito grande de associados e de colegas manifestou-se favoravelmente a nova fórmula para a Jornada. Grande também é a satisfação das autoridades da Serra Gaúcha com a realização do evento. Estão sendo programadas reuniões paralelas tratando do Ensino e da Pesquisa no nosso País.

Serra Gaúcha – RS www.abors.org.br

***

XXII Congresso Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial – COBRAC 20 a 24 de agosto de 2013

O evento contará com renomados cirurgiões brasileiros e estrangeiros, de riquíssima contribuição científica mundial, discutindo sobre o que há de mais novo na especialidade. Serão abordados os temas: cirurgia dento-alveolar, trauma maxilofacial, enxertos ósseos, distracção osteogênica, cirurgia ortognática e estética facial, patologia oral e maxilofacial, ronco e apneia do sono, cirurgia da ATM, cirurgia endoscópica, navegação e novas tecnologias.

Rio de Janeiro – RJ www.cobrac2013rio.com.br

***

Outubro 9º Congresso Internacional da ABOR 09 a 12 de outubro de 2013

A Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial – ABOR promoverá o 9º Congresso Internacional da ABOR, no Centro de Convenções de Natal (RN), que estima ter um público de 2.500 participantes. Nesse sentido, o evento objetiva promover o intercâmbio científico entre os pesquisadores, educadores e profissionais nacionais e internacionais que atuam nessa área, possibilitando a troca de experiências e inovações.

Natal - RN

www.congressoabor2013.com.br

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13º Congresso Internacional de Técnicos em Prótese Dentária 11 a 13 de outubro de 2013

Renomados palestrantes e expositores compondo o maior e mais respeitado evento científico voltado à Prótese Dentária. Um evento imperdível para você, técnico em prótese dentária e cirurgiãodentista.

São Paulo – SP

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Notícias

Mozart Latorre

Odonto Magazine no Prêmio CROSP de Jornalismo

O CROSP, reconhecendo a importância da divulgação da saúde bucal na imprensa, anunciou os melhores trabalhos jornalísticos sobre o segmento odontológico. A Comissão Julgadora avaliou os candidatos de acordo com a classificação de cinco grupos: Jornalismo (jornais, revistas e sites – grande imprensa), Reportagem (televisão e rádio – grande imprensa), Educação em Saúde, Mídia Especializada (veículos voltados aos profissionais) e CROSP Cidadão (publicação sem fins lucrativos). Os vencedores foram anunciados durante Sessão Solene de Posse dos Conselheiros, realizada em 16 de maio, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com a presença do Governador de São

Paulo, Geraldo Alckmin, do Coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Dr. Gilberto Pucca, do presidente do Conselho Federal de Odontologia, Dr. Ailton Morillas Rodrigues, do Presidente do CROSP, Claudio Yukio Miyake, além de lideranças de entidades odontológicas e de outras áreas da saúde. A entrevista intitulada “Saúde Bucal do Índio Brasileiro”, realizada pela editora Vanessa Navarro e publicada na edição de fevereiro deste ano, contou com a brilhante participação da entrevistada Dra. Zaira Zambelli Taveira, cirurgiã-dentista da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, e ocupou o terceiro lugar no segmento Mídia Especializada. A intenção da entrevista foi enfatizar o comportamento do profissional de saúde bucal frente ao atendimento do índio brasileiro. “Fico muito feliz de conquistar tal reconhecimento. Amo a minha profissão e amo, ainda mais, a fusão do Jornalismo com a Odontologia. Edito a Odonto Magazine com todo o carinho e profissionalismo possíveis. É indescritível essa sensação. Entre tantos trabalhos de tantos colegas renomados, o meu ocupou um lugar no ‘pódio’”, comemora a jornalista Vanessa Navarro. “Estamos muito orgulhosos com esta premiação. A missão da Odonto Magazine é levar aos profissionais de saúde oral o melhor conteúdo editorial, e o prêmio comprova que estamos no caminho certo”, completa o Presidente da VP Group – Comunicação Integrada, Victor Piiroja. Da redação

Respiração e saúde oral Alergias, sinusite, rinite, desvio de septo, problemas respiratórios podem causar obstrução das vias aéreas superiores e levar algumas pessoas a adotar a respiração ‘pela boca’. Geralmente, esse comportamento vem da infância e pode ter desdobramentos na saúde oral do paciente, resultando em um desenvolvimento anormal da face e da arcada dentária, sorriso gengival, dentes tortos e gengivite. Na opinião do Dr. Luciano da Silva Carvalho, da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas), os pais devem prestar atenção na reincidência de doenças respiratórias que acometem seus filhos e na forma como estão respirando – principalmente durante o sono. “É importante reparar se a criança tem alguma dificuldade em permanecer com os lábios fechados, se emite sons pelo nariz enquanto dorme, ou, ainda, se dorme com a boquinha aberta. Caso as crises respiratórias sejam muito frequentes, é necessário um acompanhamento mais cuidadoso tanto por parte de um médico, quanto de um ortodontista, já que isto poderá comprometer o desenvolvimento de importantes estruturas ósseas da face e das arcadas dentárias.” De acordo com o especialista, o crescimento ideal do rosto das crianças é bastante influenciado por uma boa respiração nasal. “Quando o problema não é tratado desde o início, o rosto pode crescer fino e alongado. Muitos tratamentos cirúrgicos podem ser evitados com um adequado acompanhamento ortodôntico e a utilização de aparelhos que estimulem o crescimento facial e ampliem os seios nasais, favorecendo a respiração. Notamos, também, que o tratamento para a respiração bucal melhora significativamente a qualidade de vida do paciente e seu comportamento, sua autoestima, seu nível

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de energia e até mesmo o desempenho escolar”. O cirurgião-dentista alerta para as crises respiratórias que se acentuam nesta época do ano, por conta da variação de temperatura, e se estendem até a primavera. Carvalho faz outro alerta: “Crianças com problemas respiratórios, sejam temporários ou crônicos, devem evitar ambientes que favoreçam a proliferação de ácaros e fungos, além de pelos de animais, poeira e pó, ou mesmo alguns tipos de alimentos. Casos de alterações estruturais, como os desvios de septo, também devem ser tratados o quanto antes com médicos especialistas (otorrinolaringologistas)”. www.apcd.org.br


Notícias Especialização em Estomatologia Até o dia 08 de agosto, o Centro Universitário Senac está com inscrições abertas para cursos de pós-graduação lato sensu na área de Odontologia. A novidade no portfólio da área é o curso de Estomatologia, que será ofertado no Senac Tiradentes, em São Paulo, capital. A especialização tem como objetivo preparar dentistas estomatologistas para atuarem na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças que se manifestam na cavidade da boca e no complexo maxilomandibular, como hiperplasias, leucoplasias, papilomas, nevus pigmentado, aftas, herpes, cistos e câncer bucal. Durante o curso, os alunos participam de aulas teóricas e práticas ministradas na moderna clínica odontológica da instituição, equipada com microscópios eletrônicos, laser de baixa potência; sistema de radiografia digital; equipamento para sedação consciente; equipamentos para monitoração de parâmetros fisiológicos do paciente; monitores LCD interligados em rede; além de sistema de captação e transmissão de imagens. Além do novo curso de Estomatologia, a instituição oferece, ainda, especializações em Dentística, Periodontia, Implantodontia e Ortodontia. www.sp.senac.br/posgraduacao

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Odontologia Segura

Atualizando conceitos e práticas de controle de infecção Lusiane Borges Biomedicina - UNISA / UNIFESP. Odontologia – UMESP. Especialização em Microbiologia – Faculdade Oswaldo Cruz. Especialista em Controle de Infecção em Saúde – UNIFESP. MBA em Esterilização - FAMESP. PósGraduanda em Prevenção e Controle de Infecção em Saúde – UNIFESP, São Paulo. Coordenadora de Cursos de ASB/TSB desde 2000. Membro do Conselho Científico da Odonto Magazine, São Paulo. Autora-coordenadora do livro “AST e TSB – Formação e Prática da Equipe Auxiliar”. Consultora em Biossegurança em Saúde – Biológica. Consultora Científica da Oral-B, Fórmula & Ação, Sercon/Steris e outros. Representante do Brasil na OSAP (Organization for Safety, Asepsis and Prevention), EUA. Responsável pelo site www.portalbiologica.com.br.

N

esta edição abordaremos pontos fundamentais a serem atualizados na prática da clínica odontológica, a fim de garantirmos a saúde do nosso paciente e o sucesso de procedimentos invasivos.

Qualidade da água Quando pensamos em água no atendimento clínico odontológico, normalmente nos remetemos à água que vai à boca do paciente por meio da caneta de alta rotação, seringa tríplice, jato de bicarbonato e similares. É importante ressaltar um detalhe ignorado pela maioria. A água de último enxágue do instrumental de Cirurgia, Periodontia, Endodontia, Implante e demais procedimentos invasivos deve ser, no mínimo, filtrada. Infelizmente, a potabilidade da água que temos em nossa torneira não é confiável. Prova disso são as resoluções, cada vez mais rígidas, para serviços hospitalares em relação à qualidade da água de último enxágue do instrumental cirúrgico. Muitos podem se perguntar: mas, o instrumental cirúrgico que é enxaguado com água contaminada e/ou infectada não será esterilizado em autoclave? E a autoclave não é testada com integradores e indicadores biológicos, conforme exigência da legislação sanitária? Sim! Porém, existem endotoxinas liberadas na morte microbiana. São “cadáveres de bactérias gram negativas”, presentes no instrumental já esterilizado e que causam um fenômeno denominado reação pirogênica. Esta reação pode complicar significativamente o pós-operatório do paciente, colocando sua recuperação e integridade em risco. Portanto, na clínica odontológica devemos ter, no mínimo, um filtro de carvão ativado na saída de água da torneira de lavagem de intrumental. Este deve ser periodicamente limpo e revisado.

Instrumental oxidado É muito comum nos depararmos com pontos de oxidação no instrumental de uso diário. Essa situação é gravíssima! Sinal vermelho e indica que o instrumental está condenado e não pode ser mais utilizado.

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O grande vilão da oxidação do instrumental não é a autoclave, como a maioria argumenta. Na verdade, a prática equivocada da limpeza do intrumental acarreta mais de 80% das situações de oxidação do instrumental. O primeiro ponto a se repensar é a condição de insumos para a lavagem do instrumental, que não dever ser similar à lavagem de louça. É muito comum encontrarmos na pia de lavagem de instrumental palha de aço, esponjas, materiais adstringentes e detergentes domésticos utilizados, normalmente, na pia de cozinha. Inicialmente, uma ressalva à importância da utilização do detergente enzimático na lavagem do instrumental, que garante a remoção da matéria orgânica, evidentemente, quando associado à limpeza mecânica. O segundo ponto é o desconhecimento total da função da camada passiva do aço do instrumental. Ela protege o metal e garante a limpeza, facilitando a remoção de matéria orgânica, considerada a inimiga número 1 da esterilização. Quando utilizamos a palha de aço e produtos adstringentes, como “sapólio”, para a lavagem de instrumental, removemos a camada passiva do aço e o condenamos à oxidação, comprometendo a esterilização. Assim, material oxidado significa risco no processo de limpeza e, obviamente, na esterilização. Estudos demonstram que a matéria orgânica “protege” micro-organismos patógenos de esterilização, mesmo em autoclaves validades e testadas constantemente com integradores químicos e indicadores biológicos. Um último ponto a ser considerado é a utilização equivocada do soro fisiológico na “limpeza” do instrumental. É importante orientarmos nossa equipe a cerca do “efeito oxidante” do soro fisiológico, sendo incompatível seu contato permanen­te com a camada passiva de aço do instrumental. Finalmente, sugiro uma séria reflexão a cerca dos pontos abordado, já que demandam modificações simples, porém, fundamentais para garantirmos a saúde de nosso paciente. Até a próxima!


Odontologia Segura

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Produtos e Serviços Escovas apaixonantes A edição especial da escova Curaprox de 5460 cerdas é uma alternativa inusitada para manter o sorriso do casal ainda mais saudável e unido no Dia dos Namorados. Escovar os dentes e cultivar o amor são atitudes diárias que podem manter o sorriso e fortalecer o relacionamento do casal. Por isso, com os corações ainda mais apaixonados e entrelaçados nas respectivas escovas de dente, a edição especial da Curaprox 5460 é mais uma maneira de dizer “Eu te Amo” e cuidar da saúde oral, com escovas que formam um único coração apaixonado. Esse conceito de “corações apaixonados até na hora de escovar os dentes”, foi lançado na Europa no “Valentines Day”, porém, as cores e a apresentação eram diferentes. “O modelo atual é exclusividade do Brasil. As cores são mais vivas e alegres, aliadas à alta qualidade das escovas, com cabo oitavado que possibilita naturalmente a utilização na angulação correta de 45º. São 5460 cerdas ultramacias que garantem eficiência na desorganização da placa bacteriana de forma totalmente atraumática, sem agredir o esmalte dos dentes”, descreve o cirurgião-dentista e professor, Mestre e Doutor em Odontologia da UNIBAN, Dr. Hugo Lewgoy. www.curaprox.com.br

Dentsply Brasil lança Precise SX O novo silicone de condensação hidrofílico de extra performance apresenta alta tecnologia, praticidade, facilidade de uso e alta fidelidade de cópia. A moldagem é uma das etapas do tratamento protético na qual todos os passos devem ser seguidos rigorosamente. A obtenção de um molde perfeito, com riqueza de detalhes, pode ser comprometida por diversos fatores relacionados à técnica empregada e à qualidade do material escolhido. Neste último quesito, a Dentsply pode atuar diretamente a seu favor. Precise SX, o silicone de condensação lançado pela Denstply, promete ser o grande nome no mercado de materiais de moldagem. Com uma combinação perfeita de praticidade de técnica, extrema precisão e hidrofilia incomparável, a fórmula do Precise SX facilita a produção de moldes de alta fidelidade, com maior riqueza de detalhes em relação aos concorrentes. O novo silicone da Dentsply é indicado para moldagens de alta precisão de coroas unitárias, próteses fixas, inlays e onlays, utilizando as técnicas de passo único ou de dupla moldagem. Precise SX já pode ser encontrado nas principais dentais do país e também no programa de benefícios Vantagens Reais Dentsply, no site www.VantagensReais.com.br.

Implantodontia moderna O iChiropro é o primeiro motor cirúrgico a agregar grande quantidade de tecnologia em um único modelo. Ele possui design inovador, agregando um tablet, que substitui o painel com botões. Essa inovação torna a interface mais agradável e intuitiva ao usuário, facilitando seu uso e aumentando a produtividade. Desta maneira, todos os controles, como irrigação, torque, velocidade, iluminação, entre outros podem ser ajustados simultaneamente, facilmente no mesmo painel. O motor possui um controle eletrônico de torque e velocidade que permite ajuste de torque preciso com uma casa decimal. O torque e velocidade são mostrados em tempo real durante o tratamento, e esta precisão é fundamental para que sejam possíveis os tratamentos com implantes imediatos e carga imediata. Este controle também permite que componentes protéticos sejam instalados de forma segura, evitando fadiga ou afrouxamento das conexões protéticas. Por meio do tablet, novas funcionalidades foram acrescidas ao motor cirúrgico. No painel é possível criar perfis de até 10 usuários, assim os ajustes realizados por cada usuário são salvos para posterior uso. O produto já possui, pré-definidos, os principais sistemas de implantes do mercado com as respectivas sequências de brocas, com velocidades e torque indicados pelos fabricantes. Estas sequências podem ser personalizadas, de acordo com as necessidades de cada usuário, situação clínica, permitindo que sejam salvas para posteriores usos. Desta forma, podem-se ter sequências criadas para implantes cônicos ou cilíndricos, áreas de osso muito medulares e até mesmo personalizações para osteotomias para elevação de seio maxilar ou remoção de enxertos em bloco. O iChiropro permite salvar, consultar e imprimir os dados relativos ao tratamento realizado em cada paciente. Mais informações podem ser obtidas por meio do site http://ichiropro.com/Portuguese?noCookie=0.

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Produtos e Serviรงos

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Produtos e Serviços Contra a placa bacteriana Oral-B traz para o Brasil dois novos produtos da família Pro-Saúde Clinical Protection, uma linha desenvolvida em parceria com dentistas e reconhecida por sua excelência em cuidados bucais: o creme dental Controle da Placa e a escova Pro-Flex. O novo Oral-B Pro-Saúde Clinical Protection Controle da Placa oferece tecnologia superior, que ajuda a combater a placa e a prevenir que ela reapareça. Sua fórmula exclusiva oferece uma limpeza superior graças à combinação de dois componentes principais: fluoreto estanoso e fluoreto de sódio, que agem contra os micro-organismos que causam placa e criam uma barreira que impede a reprodução dos germes. Além de reduzir significativamente a placa e ajudar a prevenir o seu reaparecimento, o creme auxilia no combate às cáries e ao tártaro, previne contra gengivite, branqueia os dentes, removendo manchas da superfície, refresca o hálito e protege contra hipersensibilidade dentinária. Complementando a linha, a marca traz a escova Oral-B Pro-Saúde Clinical Protection Pro-Flex, com dois lados flexíveis, que se ajustam individualmente aos dentes e gengivas para melhor remoção da placa bacteriana. Usados juntos e regularmente, os novos produtos promovem até 24 horas de proteção contra a placa bacteriana. www.oralb.com/brazil

Linha colorida Indusbello Pensando no bem-estar promovido pelo uso das cores nos ambientes da saúde e na fácil identificação dos instrumentais médicos, odontológicos e hospitalares, a Indusbello lança sua nova campanha “Dê mais vida ao seu consultório”. A campanha é uma forma de promover a nova linha de produtos coloridos da empresa, que, além de prezar por uma maior variedade de escolhas para os profissionais que buscam personalizar seus ambientes de trabalho, também oferece benefícios aos pacientes como o alívio da tensão, a distração durante os procedimentos e uma recuperação mais eficaz. Dentre os instrumentos que compõem a campanha, estão disponíveis: abridores de boca, estojos para aparelhos móveis e moldeiras, marcadores de instrumentos, cubas para misturas químicas, espátulas, tamboréis, potes dappen e bandejas. A empresa tem planos para incrementar a linha com outros produtos. www.indusbello.com.br

Funcionalidade e sofisticação A linha Infinity da marca destaca-se pelo design e elegância, com produtos ergonômicos tanto para o dentista quanto para o paciente. Alinhados com os padrões internacionais de biossegurança, os equipamentos da linha Infinity possuem posições de trabalho programáveis, incluindo uma específica para cuspir, além de volta a zero automático. O conjunto odontológico também inclui cabeceira multiarticulada, braço direito escamoteável, movimento do encosto que acompanha a linha do acetábulo e dreno automático de vapores de água no sistema de ar. Para facilitar o atendimento, o equipamento conta com botão stop e a posição de emergência, que garantem a oxigenação cerebral do paciente em caso de emergência, e o sistema antiestresse. O equipamento Infinity PRO acompanha o Kit Profissional NSK, aspirador de alta potência HVE (High Vacuum Evacuation), micromotor elétrico, ultrassom piezoelétrico e sistema touch de acionamento na bandeja e no módulo auxiliar, fotopolimerizador sem fio, seringa tríplice, acionamento de água da cuba temporizado e monitor LED. O Thermo Confort, sistema de água aquecida a 35 ºC na seringa tríplice da bandeja, está incluso no conjunto entregue pela marca aos profissionais de todas as regiões do Brasil. www.olsen.odo.br

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Produtos e Serviços Força, controle e eficiência Alcançar movimentos dentários previsíveis sempre foi um objetivo primordial na Ortodontia, e a evolução dos materiais têm permitido inúmeras possibilidades. Com isso, a Invisalign® apresenta o novo material de alinhadores, o SmartTrack, um produto altamente elástico que fornece força suave e, ao mesmo tempo, mais constante, a fim de melhorar o controle dos movimentos dentários. Durante oito anos, a Align Technology, em seu programa de pesquisa e desenvolvimento, trabalhou constantemente para desenvolver um novo material dos alinhadores o SmartTrack. Este será aplicado em todos os tratamentos Invisalign®, sendo mais confortável de usar e mais fácil de inserir e remover, mantendo a mesma clareza e estética do alinhador anterior. Esse novo material de alinhador Invisalign® emprega uma força constante nos dentes, com melhor adaptação ao uso e por um período de duas semanas, ele é muito mais eficiente do que o material anterior. No ambiente oral, os materiais comuns de alinhadores perdem a energia com o passar do tempo, devido à temperatura e umidade. Um estudo piloto com 1.015 pacientes Invisalign® mostrou melhora significativa no controle dos movimentos dentários, com um nível de significância de 99,9%. Os levantamentos comprovam que, com esta nova tecnologia do SmartTrack, a Invisalign® continua a oferecer praticidade conforto e segurança aos pacientes, sempre propondo ciência em cada sorriso. A ótima notícia é que o aparelho Invisalign® pode ser usado por pacientes das mais variadas faixas etárias, desde adolescentes, até pacientes da terceira idade. Prático e higiênico, o alinhador promove a correção da arcada dentária de forma gradual até o fim do tratamento, sendo substituídos por um novo alinhador a cada 15 dias. Os resultados podem ser percebidos no prazo de seis meses a um ano do início do tratamento. Todos os alinhadores são desenvolvidos com animação computadorizada 3D nos laboratórios Align Technology, nos Estados Unidos. www.invisalign.com.br

Novidades para cuidados bucais A edel+white, empresa suíça do segmento odontológico, apresenta novidades para os cuidados bucais diários. A escova Soft Acu + Tension apresenta pressão reduzida na hora da escovação, graças ao design inspirado na medicina chinesa. O cabo flexível, parecido com uma asa, absorve a pressão na palma, protegendo os dentes e as gengivas contra a força desnecessária. As cerdas cônicas de Konex microfinas também são um diferencial desta escova, pois penetram facilmente nos espaços entre os dentes e gengivas, permitindo uma limpeza completa. Em geral, é recomendada para pessoas com problemas nos dentes e gengivas, causados pela pressão excessiva, grupos de risco de cáries e gengivas irritadas. As interdentais profissionais são caracterizadas por sua flexibilidade e durabilidade do seu cabo compacto, que oferece uma empunhadura antideslizante. O fio de liga forte revestido proporciona estabilidade suficiente até para as escovas mais finas. O design do cabo com o pescoço inclinável sustenta também o núcleo do fio. As escovas, que são recomendadas para a limpeza profissional dos espaços interdentais, estão disponíveis em cinco tamanhos, são mais duráveis e fáceis de usar, graças a um núcleo de alta resistência e design com inclinação exclusiva. Além disso, o revestimento suíço da escova permite a utilização em implantes, pontes e aparelhos. A fita dental encerada desliza de forma fácil e suave entre os espaços interdentais para uma limpeza completa. A fita, especialmente revestida, não corta as gengivas e os dedos. Com design diferente das fitas dentais no mercado, é principalmente recomendada para aqueles que não têm o hábito de utilizar fio dental no dia a dia, e que buscam um produto suave e prático. Indicado para espaços estreitos ou normais entre os dentes. Opções de sabor ultrarrefrescante de menta e colorida. O limpador de língua é feito com material especialmente macio e delicado para a pele, garantindo uma remoção suave e eficiente das bactérias da superfície da língua. A maciez e o design flexível o diferenciam em relação a outros produtos similares no mercado, prevenindo irritações na língua. www.edel-white.com

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Estresse e o seu efeito na saúde bucal

Pesquisas apontam que o estresse pode causar doenças periodontais quando associado à má higienização bucal. O cirurgiãodentista pode considerar aliar seu tratamento odontológico à mudança comportamental do paciente - mesmo que trabalhe em parceria com psicológos. Por: Viviam Santos

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estresse está cada vez mais presente na sociedade moderna e pode causar, além das desordens psicológicas, desordem no organismo – levando à enxaqueca, problemas cardiológicos, etc. Nas desordens do organismo, podese incluir a saúde bucal. O estresse pode estar diretamente ou indiretamente relacionado aos problemas bucais – desde as aftas, que surgem quando o sistema imunológico está baixo, até às doenças periodontais. Há alguns estudos que relacionam o estresse “crônico” com tais doenças bucais, enquanto outros relacionam as causas do estresse a essas doenças – quando o paciente tem hábitos que influenciam na saúde bucal, como fumar, ou quando deixa de manter adequadamente a higiene bucal. Ou, ainda, em alguns casos, quando o organismo reage ao estresse, afetando, indiretamente, a saúde bucal. Estudos epidemiológicos realizados em animais no ano de 2008, na Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontaram relação entre as doenças periodontais e o estresse. Isso após estudos anteriores em animais e epidemiológicos sugerirem que o estresse pode alterar o estabelecimento e a progressão da doença periodontal. O estudo deu origem à tese de doutorado de Daiane Cristina Peruzzo*. Intitulada “Impacto do estresse na doença periodontal”, a tese, realizada na mesma faculdade, aponta que, o estresse em associação com a má higiene bucal aumenta as chances do desenvolvimento de doenças periodontais. À época, Peruzzo concluiu em sua tese, dentre outros fatores, que “os estudos em humanos analisados na revisão sistemática, demonstraram, em maioria (57,1%), um desfecho positivo entre estresse/fatores psicológicos e doença periodontal. Sendo assim, pode ser observado que há uma importante inter-relação entre os fatores psicossociais e as doenças periodontais”. Após estudo, Peruzzo concluiu pós-doutorado relacionando a Periodontia e Implantodontia na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, onde atualmente continua em clínica, é docente e pesquisadora. A profissional também atua como professora colaboradora da FOP - Unicamp. A doutora reafirma, atualmente, que o estresse crônico tem repercussão na saúde bucal, pois ele pode atuar de duas maneiras: pelo modelo comportamental ou pelo modelo biológico. “O modelo comportamental é quando os indivíduos tendem a piorar seus hábitos, de modo a influenciar negativamente na saúde periodontal, negligenciando a higiene oral, aumentando o consumo de cigarros e ingerindo bebidas alcoólicas, além de haver o descontrole de diabetes, mudança de

dieta, entre outras coisas”, afirma. Já o modelo biológico é o que é gerado no corpo do paciente, devido a este estresse crônico. “Neste caso há um aumento na liberação de hormônios, dentre eles, o cortisol, que gera alterações no organismo e leva à redução do fluxo salivar, alteração da circulação gengival e às alterações na resposta imune-inflamatória dos tecidos bucais”, acrescenta a doutora. De acordo com ela, o modelo biológico do estresse crônico pode ser detectado clinicamente “por meio de sangramento e inchaço das gengivas, retração gengival, perda óssea que pode levar à mobilidade dos dentes, aumento de lesões de cárie e mau hálito”. Os hábitos, como fumar cigarro e consumir álcool, estão indiretamente relacionados ao estresse. “O hábito de fumar é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e progressão da doença periodontal, pois facilita a proliferação de bactérias patogênicas e reduz as células de defesa presentes nos tecidos gengivais”, alerta. Paralelamente, o consumo de álcool age pela alteração do comportamento, onde os indivíduos passam a descuidar da higiene bucal, da sua alimentação e da saúde como um todo. “Esses fatores, associados aos possíveis efeitos do estresse, podem levar a um aumento na progressão e severidade das doenças periodontais, bem como lesões de cáries”, acrescenta Peruzzo. A doutora explica que, em resposta ao estresse, algumas mudanças fisiológicas decorrem da ativação do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), enquanto outras, da ativação do eixo Hipotálamo­ Pituitário-Adrenal (HPA) – os quais também foram citados em seu estudo de 2008. “A ativação desses sistemas resultam na liberação de hormônios, os quais vão agir sobre a glândula adrenal, responsável pela produção de cortisol e catecolaminas. Estas substâncias regulam uma série de funções corporais, incluindo efeitos na modulação do sistema imune, responsável pelas defesas do organismo. Essa modulação, que altera o equilíbrio do sistema imune, causa predisposição a uma maior progressão e severidade de doenças imune-inflamatórias, incluindo a doença periodontal. Associado ao efeito biológico, a má higiene bucal propicia acúmulo de bactérias na cavidade bucal que são a causa primária de cárie e doenças periodontais”. Na ordem biológica, ainda, outra consequência do estresse pode ser a halitose. “Um dos principais vetores causadores da halitose é a redução do fluxo salivar, e o estresse pode produzir esse efeito. Desta forma, a halitose pode, sim, estar relacionada tanto ao estresse como a medicações que são utilizadas para o tratamento das desordens psicológicas”, diz.

* Daiane Cristina Peruzzo possui especialização em Periodontia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre e Doutora em Clínica Odontológica, na área de concentração em Periodontia pela FOP - Unicamp. Concluiu Pós-Doutorado relacionando Periodontia e Implantodontia na Faculdade São Leopoldo Mandic – Campinas (SP). Atualmente atua na clínica e é professora e pesquisadora da Faculdade São Leopoldo Mandic e professora colaboradora da FOP - Unicamp. No mestrado, trabalhou com pesquisas voltadas para Halitose e, no Doutorado, para a relação dos fatores de risco, dentre eles o estresse, com as doenças periodontais.

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Precisamos quebrar os paradigmas de que o médico enxerga o paciente sem boca e o cirurgião-dentista enxerga uma boca sem corpo Apesar de tais constatações, Peruzzo afirma que o estresse é capaz de causar essas alterações no metabolismo, mas na ausência da placa bacteriana, não consegue por si só desencadear a doença periodontal. “Isso significa que, mesmo na presença de estresse, se o indivíduo tiver cuidados adequados com a higiene, não há desenvolvimento de doença periodontal”, lembra. Mesmo que haja a identificação do estresse relacionado com a doença periodontal no paciente, a doutora afirma que não é possível quantificar se tais doenças são apenas relacionadas ao estresse: “Existem os vieses de confusão, que são outras variáveis que podem interferir na expressão da doença, por exemplo, fumo, diabetes, etc. Desta forma, fica difícil quantificar o quanto que a variável do estresse, isoladamente, pode interferir na expressão da doença”.

Dentista e psicólogo Independentemente do fato de o dentista não conseguir identificar se o problema bucal é relacionado diretamente ou não ao estresse, segundo Peruzzo, sempre que ele diagnosticar um paciente com este problema, estes devem receber uma atenção diferenciada. “O dentista tem o dever e a responsabilidade de buscar a causa dos problemas”, diz. Ela lembra que só o estresse não causa problemas na cavidade bucal, se for realizado um adequado acompanhamento relacionado a uma higiene bucal satisfatória e manutenção da saúde periodontal. Desta forma, o dentista deve orientar o paciente para que ele tenha conhecimento dos possíveis danos causados pelo estresse, da importância dos cuidados com a higiene bucal, da necessidade de tratamento periodontal e, muitas vezes, da necessidade de uma abordagem multidisciplinar com um profissional capaz de tratar desordens psicológicas.

O dentista não tem formação psicológica para saber identificar que o paciente está sofrendo estresse e qual tipo de estresse é esse, para tratar o problema desde seu início – e para, consequentemente, conseguir tratar por completo a causa final na saúde periodontal. Entretanto, quando o dentista identificar uma desordem psicológica mais severa, deve encaminhar o paciente a um tratamento psicológico especializado para atrelar seu tratamento odontológico. “O dentista não tem formação acadêmica para diferenciar os tipos de estresse e para tratar isso, mas diante de uma anamnese, uma entrevista com o paciente bem detalhada, consegue identificar a presença de desordens psicológicas neste paciente e observar a necessidade de trabalhar associado a um profissional especializado”, afirma a cirurgiã-dentista. Quando o estresse é identificado pelo dentista, através da anamnese ou conversas com o paciente, Peruzzo aconselha considerar duas situações diferentes em relação a tal paciente: aquele que chega ao consultório com saúde bucal e o paciente que já chega com algum grau de doença periodontal – como a gengivite ou periodontite. “Nos casos de saúde, devemos informá-lo sobre a possibilidade de alterações relacionadas ao estresse na cavidade bucal e orientar sobre a necessidade de cuidados específicos relacionados à placa bacteriana. Nos casos em que os pacientes já chegam com algum grau de doença periodontal, deve-se realizar o tratamento dessas doenças com atenção especial à higiene bucal do paciente”, indica. Em ambos os casos, para ela, tais indivíduos devem fazer consultas de “manutenção mais frequentes para melhor resultado do tratamento e prevenir o agravamento das doenças bucais”. Quando o problema psicológico afetar a saúde bucal e o paciente não conseguir lidar com sua higiene bucal e idas constantes ao consultório odontológico, o dentista não conseguirá aplicar um tratamento odontológico que resolva os problemas bucais por completo – devendo de fato, então, realizar uma abordagem em conjunto com um profissional da saúde mental. “Neste caso, o dentista assume o seu papel em relação aos cuidados com a saúde bucal e o profissional da saúde mental será responsável por assumir os cuidados necessários para ajudar o paciente em relação aos seus problemas de ordem psicológica”, recomenda. Para associar o tratamento bucal com outros profissionais, como psicólogos e outros da saúde, é preciso lembrar, primeiramente, que o paciente deve ser visto como um todo. “Precisamos quebrar os paradigmas de que o médico enxerga o paciente sem boca e o cirurgião-dentista enxerga uma boca sem corpo! Precisamos entender os pacientes na sua integralidade, respeitando suas ansiedades, medos e expectativas. Adicionalmente, devemos perceber que os pacientes estressados devem ser vistos de uma maneira diferenciada, entendendo as repercussões do estresse na saúde bucal e possibilitando um tratamento diferenciado”, finaliza.

“O dentista não tem formação acadêmica para diferenciar os tipos de estresse, mas diante de uma anamnese detalhada, consegue identificar a presença de desordens psicológicas”

Daiane Cristina Peruzzo

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A lesão não cariosa A entrevista com a Dra. Mônica Romero, especialista em Periodontia e Dentística, apresenta os aspectos clínicos e epidemiológicos da erosão dental. Por: Vanessa Navarro

Mônica Romero Cirurgiã-dentista. Especialista em Periodontia e Dentística. MBA em Gestão e Controle de Infecção Hospitalar.

Odonto Magazine – Quais são as características das lesões causadas por erosão? Mônica Romero - O termo “lesão não cariosa” (LNC) se refere à perda de tecido dentário na região do limite amelo-cementário, sem envolvimento bacteriano. A região cervical apresenta um menor diâmetro coronário que, somado às características vítreas do esmalte, tornam o limite amelo-cementário mais vulnerável aos agentes abrasivos erosivos e à sobrecarga oclusal (flexão máxima = abfração). O limite amelo-cementário é considerado uma região singular de interação dos tecidos dentários mineralizados (esmalte, cemento e dentina) e está localizado em um microambiente, que envolve o periodonto de proteção e sustentação. Macroscopicamente, o LAC delimita a coroa anatômica coberta por esmalte e a raiz anatômica coberta por cemento. Os autores Eduardo Katchburian e Victor Arana, no livro Histologia e Embriologia Oral (2004) relataram que a relação cemento/esmalte no LAC pode ser apresentada em três situações: a- cemento recobrindo parte do esmalte (60% dos casos), b- cemento e esmalte encostando borda a borda (30%) e c- esmalte e cemento não se encontrando e deixando, portanto, uma faixa de dentina exposta (10%). Por isso, quando há perda de tecido nesta região (esmalte), é grande a chance de haver hipersensibilidade. Muitos são os autores que falam sobre uma classificação das lesões não cariosas, mas por ser uma doença multifatorial, é difícil haver um consenso. J.O. Grippo ainda cita que o termo erosão é erradamente usado, sendo mais indicado o uso do termo “corrosão” para estes tipos de lesão. Assim, descreve que as lesões não cariosas podem ocorrer devido a dois ou mais processos, classificados, como: 1- erosão-corrosão, 2abrasão-corrosão, 3- abrasão-abfração e 4- biocorrosão-abfração. Para isso, é interessante definir os termos abrasão, erosão e abfração. Abrasão é o desgaste patológico do tecido dentário duro por meio de processos mecânicos anormais que envolvem

substâncias ou objetos estranhos introduzidos na boca e que entram em contato com os dentes, como o excesso de escovação, o uso de dentifrícios abrasivos, uso de palitos e/ou escovas interdentais. Erosão dentária é definida como a perda irreversível de estrutura dentária devido a um processo químico decorrente da atuação de ácidos cujo pH é inferior a 4,5, causando dissolução da hidroxiapatita, assim como da fluorapatita constituintes do esmalte dentário. Como exemplos, podemos citar a ingestão de medicamentos, dieta ácida, refluxos, vômitos, alcoolismo, gravidez. Abfração foi definida por J.O.Grippo, em um artigo publicado no Journal Esthetic Dentistry, em 1991, como sendo a perda patológica de substância dentária dura por forças biomecânicas. Essas lesões ocorreriam devido à flexão e à fadiga final do esmalte e da dentina em um local distante do ponto de carga (região cervical dos dentes). Depois das definições, torna-se claro a dificuldade de obter uma classificação definitiva e da dificuldade de determinar apenas uma causa para as LNC (doença multifatorial). Torna-se imprescindível uma excelente anamnese para confrontar com os sinais clínicos (tipo e localização das lesões) para determinar, mais precisamente, um tratamento individualizado deste problema. O uso de magnificação torna-se imprescindível para uma melhor avaliação clínica. É importante ressaltar que não existe uma faixa etária mais atingida. Para a doença acontecer, basta termos a associação de dois ou mais fatores relacionados anteriormente. Odonto Magazine – Qual é a opinião da senhora em relação à utilização de inibidores de proteoses para a prevenção da erosão dentinária? Mônica Romero - Os estudos sobre o uso de inibidores de proteases ainda estão em desenvolvimento, mas seu uso pode es-

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Entrevista tar relacionado à mudança de pH da região cervical e também às mudanças da película adquirida. Odonto Magazine – Como alguns aspectos nutricionais podem estar associados à erosão dentinária? Mônica Romero - A erosão extrínsica é causada por ácidos por origem exógena. Na anamnese, devemos questionar sobre as preferências alimentares dos pacientes, para poder orientá­los sobre a ingestão de alimentos, como vinagre, suco de limão, bebidas esportivas, refrigerantes, alguns tipos de chás, assim como a melhor hora do dia para realizá-la. O profissional deve estar apto a discutir sobre a composição e o pH dos alimentos consumidos, assim como relacionar sua ingestão ao comportamento do paciente. Esportes, como natação, fazem com que o paciente entre em contato diretamente com o cloro, que potencializa a erosão. Com a “geração-saúde” houve um aumento de ingestão de bebidas do tipo isotônicas e de seguidores de dietas a base de limão ou vinagre que, quando ingeridos em momentos de baixa salivação, aumentam também a erosão dentária. Odonto Magazine – Além da erosão extrínseca, existe também a, não menos conhecida, erosão intrínseca, que é causada por ácido gástrico ou regurgitação decorrente de problemas médicos ou psicológicos. Como o cirurgião-dentista deve agir para realizar um atendimento de qualidade junto aos outros profissionais de saúde envolvidos? Mônica Romero - Na última década houve um aumento do estresse da população, elevando os quadros de doenças gástricas, como gastrite nervosa, hérnia de hiato associadas à regurgitação e ao refluxo gastro-esofágico. Além disso, houve também um aumento de doenças psiquiátricas, como anorexia nervosa e bulimia, doenças estas, difíceis de serem identificadas apenas com uma simples anamnese. É preciso ir além, conquistando a confiança do paciente para poder conversar sobre estas doenças, relatando o prejuízo nas superfícies dentárias e ressaltando a importância do tratamento multidisciplinar com os médicos psiquiatras e gastroenterologistas, assim como ajuda psicológica e de nutricionistas. Odonto Magazine – Qual é a importância da escolha do material restaurador no caso de erosões dentinárias? Quais são as soluções estéticas mais indicadas? Mônica Romero - A escolha do material restaurador é de extrema importância para as restaurações de lesões não cariosas. Devemos conhecer suas propriedades físicas, como dureza, resiliência, coeficiente de expansão térmico. É importante ressaltar que estas lesões são de rápida progressão, pois a dentina exposta se degrada em pH 7 (normal) e não só quando temos um pH ácido, portanto, ela precisa ser recoberta. O material de escolha deve ser estético, biocompatível e com as propriedades físicas próximas do dente (dentina). O material que mais se assemelha com estas características é o ionômero de vidro, que é o único material aprovado pela Organização Mundial de Saúde. Além disso, ele tem várias destas propriedades e ainda a capacidade de liberação de flúor presente em sua composição, em situações de queda de pH oral (propriedade de lixiviação). Sua desvantagem é não poder ser deixado sem cobertura no meio oral, para isso devemos usar a técnica do sanduíche (ionômero de vidro + resina compos-

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ta). Devemos colocar atenção para a realização da técnica correta, com o uso de isolamento absoluto, pois estes materiais, resina composta e ionômero de vidro requerem atenção para sua execução. O uso de materiais cerâmicos piora em muito o aparecimento das LNC, por serem extremamente duros em relação à estrutura dental, não absorvendo a força oclusal, transmitindo-a diretamente para a região cervical e aumentando a chance de fratura de esmalte nesta região. Deve-se lembrar, ainda, de tratar as outras possíveis causas do aparecimento das LNC, como a indicação de tratamento ortodôntico, exercícios de relaxamento, controle da dieta, uso de bochechos de flúor, ajuste oclusal por acréscimo e/ou desgaste oclusal, assim como o uso de placas interoclusais. A restauração destas lesões deve estar baseada nos conceito da Filosofia Minimamente Invasiva, onde a preocupação maior deve ser a preservação dos tecidos dentários e a não propagação da doença com a conscientização do paciente do problema existente.

Odonto Magazine – Atualmente, existem pesquisas científicas e/ou trabalhos em andamento sobre o tema? Mônica Romero - Este é um tema extremamente importante para estudo, pois sua incidência está aumentando muito. Muitos estudos ainda devem ser realizados, tanto na área de materiais dentários, como também na Neurologia, Nutrição, motivando a multidisciplinaridade envolvida em assunto tão complexo.

Odonto Magazine – Pesquisas indicam que a erosão dentinária também pode estar relacionada com a hipersensibilidade dentinária. Essa informação procede no âmbito odontológico? Mônica Romero - Sim. Quanto maior a lesão/desgaste, maior a exposição de túbulos dentinários e, portanto, maior a chance de dor. Mas, nem todos têm dor na presença de LNC. O motivo que ocasionou a lesão influencia diretamente na evolução/progressão da cavidade propriamente dita. Quanto mais lenta a progressão da lesão, maior a chance da formação da dentina reparadora, que oblitera os túbulos dentinários da região, diminuindo a chance de dor e retardando a visita ao consultório, impossibilitando o diagnóstico precoce das LNC.

Odonto Magazine – Como o dentista deve proceder para conscientizar seus pacientes sobre a importância de manter a saúde do esmalte dos dentes? Mônica Romero - A conscientização do paciente deve ser feita caso a caso, já que a doença é multifatorial, dependendo dos hábitos de cada um. Após a detecção e da avaliação do tipo das lesões e da quantidade de faces desgastadas, deve-se conversar com o paciente sobre cada um dos fatores que, possivelmente, o levaram à doença. Começa-se a discutir sobre hábitos alimentares e seu controle, oferecendo medidas alternativas.

Deve-se conscientizar também o paciente sobre hábitos parafuncionais e suas resultantes sobre a superfície dentária. E, principalmente, deve-se orienta-lo sobre a importância do diagnóstico precoce destas lesões, já que é uma doença de rápida progressão, conscientizando-o da importância do aumento da frequência dos números de retorno ao consultório odontológico.


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Relacionamento

Excelência no atendimento ao dentista Com mais de duas décadas de existência, a RNL aposta no segmento Dental, promovendo um relacionamento saudável e de confiança com os cirurgiões-dentistas de todo o Brasil. Por: Vanessa Navarro

Leidivino E. Silva Diretor Presidente da RNL Comércio e Serviços.

Odonto Magazine - Como e quando surgiu a RNL? Leidivino E. Silva - A RNL surgiu em 1991, prestando serviços de personalização em produtos de higiene bucal e nacionalizando produtos de higiene para empresas multinacionais. Atualmente, mantém as mesmas atividades, incrementando o atendimento ao dentista com os demais produtos utilizados em seus consultórios. Contamos com uma estrutura de 1.300 m² em Santana do Parnaíba, região metropolitana de São Paulo. Os nossos funcionários são treinados e capacitados a vender e esclarecer todas as dúvidas dos nossos clientes. Contamos com profissionais experientes, éticos e educados. Nosso principal diferencial está no profissionalismo. Odonto Magazine – Há 22 anos no mercado, a RNL é uma empresa que busca sempre a eficácia e a eficiência no atendimento ao cliente. Qual é a principal missão da empresa? Leidivino E. Silva - A principal missão da empresa é buscar, constantemente, a excelência no atendimento ao cirurgiãodentista, com qualidade, bons preços, sempre superando as expectativas dos profissionais de saúde bucal. Odonto Magazine – Como a empresa trabalha para garantir a excelência no atendimento e a fidelização dos clientes? Leidivino E. Silva - A empresa trabalha com muito treinamento para todos os colaboradores e treinamentos específicos aos novos colaboradores, elevando, desta maneira, o nível de atendimento de toda a equipe de vendas. A fidelização do dentista é conquistada com a qualidade do atendimento como um todo.

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Odonto Magazine – A empresa apostou, recentemente, no segmento Dental. Sabe-se que esse mercado exige grandes diferenciais. Quais são as estratégias adotadas em relação às compras de equipamentos e entregas? Leidivino E. Silva - Cada uma das fases do processo comercial requer tratamento específico. As técnicas de compras e vendas são abordadas distintamente, para que o beneficiado seja sempre o nosso cliente. Acreditamos, ainda, que o dentista faz suas aquisições não somente pelo preço, mas também pela qualidade do atendimento, desde seu primeiro contato com a Dental, até a recepção e utilização dos produtos adquiridos. Odonto Magazine – Como o senhor avalia a importância da Dental para o profissional de saúde bucal? Leidivino E. Silva - A Dental é a extensão do consultório do dentista. Ele irá sempre buscar as melhores condições de atendimento, e isto quer dizer, ter tudo que ele precisa para seu uso diário, com excelência no atendimento pessoal e/ou por telefone, preço competitivo e rapidez na entrega. Odonto Magazine – A RNL Dental já adentrou ao mercado trabalhando com marcas altamente reconhecidas pelos profissionais de saúde bucal. Quais são as medidas utilizadas para determinar a prioridade das ações de vendas? Leidivino E. Silva - A definição das medidas de prioridade das ações de vendas é tomada de acordo com o que o mercado está procurando no momento. Entendemos, ainda, que os fabricantes dos produtos os quais comercializamos têm papel significativo na nossa decisão, principalmente quando apresentam novidades no segmento odontológico.


Relacionamento

A principal missão da empresa é buscar, constantemente, a excelência no atendimento ao cirurgião-dentista

Odonto Magazine - A ANVISA determinou uma série de normas de segurança no que diz respeito à venda, armazenamento e transporte de equipamentos. Como a RNL Dental se porta mediante os princípios estipulados? Leidivino E. Silva - As atribuições da ANVISA, em nosso segmento, são definidas no sentido de manter a qualidade

dos produtos da saúde, desde a compra pela Dental até sua chegada aos consultórios. Essas ações, também, são parte da cultura de nossa empresa, portanto, estamos alinhados com a ANVISA na logística de armazenagem e distribuição de todos os produtos que comercializamos.

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O papel do Odontopediatra como educador

Silvia Chedid Mestre e Doutora em Odontopediatria. Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares. Especialista em Ortodontia pelo Centro de Estudos, Treinamento e Aperfeiçoamento em Odontologia. Especialista em Ortodontia. Membro da Roth Williams Center Brasil. Membro da Diretoria da Associação Paulista de Odontopediatria – APO. Membro do grupo de estudos da Sociedade de Pediatria de São Paulo – SPSP. Coordenadora do Centro Internacional de Ensino e Pesquisas Avançadas em Saúde – CIEPAS. Autora da obra “Ortopedia e Ortodontia para a Dentição Decídua: Atendimento Integral ao Desenvolvimento da Oclusão Infantil”, da Editora Santos, do Grupo Editorial Nacional (GEN).

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ão há saúde sem qualidade de vida e a qualidade de vida está inserida na prevenção e promoção de saúde. A primeira imagem que se apresenta quando se pensa em prevenção é a de uma criança, pois ela apresenta um enorme potencial de prevenção e promoção de saúde. Assim, a devida orientação aos pais é fundamental. Promoção da saúde implica em orientação, informação e, principalmente, em educação. O Pediatra e o Odontopediatra desempenham papéis importantes no sentido de estimular e promover a instalação de bons hábitos gerais de higiene, que poderão prevenir problemas futuros. Orientar para a saúde significa educar para a instalação de bons hábitos. Desta forma, o Odontopediatra pode educar e orientar sobre medidas preventivas referentes à saúde oral, desde o pré-natal odontológico, onde são realizadas orientações de higiene bucal da gestante e do futuro bebê. Para que a gestante vivencie um período gestacional livre de problemas bucais, deve realizar visitas periódicas ao consultório e precisa seguir as devidas orientações quanto a sua higiene bucal. No pré-natal odontológico receberá, também, toda a informação quanto ao desenvolvimento das arcadas do bebê e de como contribuir positivamente para o seu desenvolvimento. Os pais e, principalmente, a mãe, são os maiores agentes de saúde que a criança poderia ter, quando bem orientados e bem informados. O papel do Pediatra e do Odontopediatra é crítico nesta fase de orientação aos pais, para que possam contribuir no estabeleci-

mento de condutas e hábitos de higiene a serem tomados em família. Pais de primeiro filho estão, via de regra, muito motivados e estimulados a iniciar novas rotinas e novos procedimentos devido à chegada do bebê. Durante o pré-natal odontológico, logo após o nascimento e durante as diferentes fases de crescimento da criança, as visitas regulares ao Odontopediatra podem impactar positivamente na prevenção de cárie dental, oclusopatias infantis, dentre outros problemas da cavidade oral. Educar em saúde implica em estar atualizado com os avanços científicos e tecnológicos e, constantemente, manter o paciente e os profissionais de saúde informados e atualizados também. Muitas vezes a desinformação profissional permite que inadequações e orientações imprecisas sejam realizadas. O processo de reeducação é mais difícil, porém, também deve ser realizado quando necessário. O uso de dentifrícios fluoretados em Odontopediatria é um bom exemplo de educação em saúde oral. A informação e educação da população quanto aos benefícios do flúor no dentifrício devem ser bastante enfatizadas pelo Odontopediatra, que deve intensificar a orientação de seu uso adequado para prevenir cárie dental. O benefício dos dentifrícios fluoretados está bem estabelecido na literatura. O Odontopediatra deve conhecer estas informações para que possa orientar e educar com segurança seus pacientes. No caso de oclusopatias infantis, prevenção e educação também é o melhor tratamento. A prevenção da instalação de hábitos não nu-

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Ponto de Vista

Pais informados e bem orientados são os maiores agentes preventivos e aliados na efetivação da saúde oral e geral de seus filhos

tritivos ou nocivos é o melhor tratamento ortopédico e ortodôntico que a criança poderia receber. Educar e informar são fundamentais para o processo de desenvolvimento de hábitos saudáveis. Assim, novamente, não há prevenção sem educação. A prevenção de problemas oclusais na infância implica em uma ação multiprofissional, inter ou transdisciplinar, que também deve existir dinamicamente para um atendimento integral ao desenvolvimento da dentadura decídua. Especialistas em Pediatria, Otorrinolaringologia, Neurologia, Enfermagem, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia e Odontologia (especialistas em Odontopediatria, ortopedia funcional dos maxilares e ortodontia) poderão integrar conhecimentos e ampliar o foco da visão na clínica. Esta amplitude de visão e conhecimento inclui também os familiares ou cuidadores que passam a ter participação no processo decisório e eletivo de procedimentos que contribuirão, significativamente, para o desenvolvimento da oclusão saudável. Pais informados e bem orientados são os maiores agentes preventivos e aliados na efetivação da saúde oral e geral de seus filhos. Além disso, estando informados, podem participar nas decisões terapêuticas e, como corresponsáveis, influírem positivamente nos resultados. Assim, um olhar profissional atento pode promover saúde e problemas relacionados ao desenvolvimento orofacial da criança, onde a orientação, educação e pequenos procedimentos podem minimizar disfunções e, ainda, redirecionar o crescimento e desenvolvimento natural da criança. Entendendo o funcionamento das estruturas orofaciais e ampliando a visão clínica para as diferentes áreas de atuação das especialidades de saúde, é possível identificar os pequenos desvios de normalidade precocemente e proceder aos devidos encaminhamentos e, quando necessário, realizar procedimentos em um trabalho conjunto. A maior conscientização, por parte dos pais, e maior nível de informação a que possam ter acesso, torna viável atuações precisas e pertinentes durante esta fase tão importante. Podemos destacar que intervenções preventivas para crianças muito pequenas são um grande desafio no sentido da necessidade de um condicionamento comportamental. Esta questão é evidente para a maioria das especialidades apresentadas, em especial, para Ortopedia e Ortodontia. Crianças que visitam consultórios odontológicos ou pediátricos desde cedo e que, em geral, passaram por experiências positivas tendem a ser pacientes de fácil manipulação. Na maioria das vezes, a atenção e adequação do procedimento ao universo da criança, através de explicação de todos os passos a serem realizados, é suficiente para sua cooperação. Isto é sempre esperado quando não há perspectivas de dano real, dor ou desconforto maior do que a sua capacidade de superação possa suportar. Quando lidamos com crianças difíceis, é muito impor-

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tante identificar a causa das manifestações desfavoráveis, seja na criança ou em seu contexto familiar. Quando este condicionamento não é suficiente, muitas vezes é importante identificar nos pais ou em experiências anteriores as causas das condutas desfavoráveis. O trabalho integrado com psicólogos tem nos mostrado que uma abordagem maior com os pais é muito mais produtiva do que com a criança, propriamente dita. Na maioria dos casos, a criança de difícil condicionamento tem nos pais ou situações familiares a causa do problema. O acesso aos pais nem sempre é possível ou viável, e há muitas técnicas que os profissionais especializados utilizam que ajudam muito na abordagem familiar e no tratamento. Os traumas dentários durante a fase de dentadura decídua são outro grande desafio educativo para a prevenção de problemas para a dentadura permanente. Há necessidade de maiores informação ao Pediatra e aos familiares de como proceder em relação às situa­ ções de trauma dental. O Odontopediatra, novamente, tem um espaço de atuação como educador para as condutas de urgência. As dores de cabeça durante a infância têm sido cada vez mais frequentes, bem como problemas de DTM e Bruxismo. Várias causas podem estar associadas a este problema. O Bruxismo, comum durante a fase de dentição decídua ou mista, dores articulares, deficiência visual, sinusites também podem estar relacionados entre si. A mastigação desempenha um papel muito importante no desenvolvimento da oclusão e crescimento das arcadas. O processo educativo dos pais e das crianças para manterem um padrão mastigatório bilateral e vigoroso também é educativo, porque implica em estabelecimento de hábitos e instituição de rotinas. Sabemos que nos dias atuais, a mastigação perdeu muito de sua função natural, devido à mudança das consistências dos alimentos oferecidos às crianças e menor tempo dedicado ao ato de mastigar. Com isso, a função mastigatória das crianças sofreu alterações que vêm trazendo prejuízos para as arcadas. O Odontopediatra, juntamente com o Nutrólogo e outros profissionais, deve interceder, educativamente, no estabelecimento de uma mastigação adequada e que contemple todas as diferentes consistências dos alimentos. As demandas atuais mudaram os papéis desempenhados pelos pais. Os profissionais da saúde devem adequar as orientações à realidade de cada família. Sem dúvida, unido aos vários profissionais da saúde, este comprometimento junto ao paciente é compartilhado e as responsabilidades também. No final, todos são beneficiados pela realização de um bom trabalho e pela promoção de saúde com qualidade de vida. A participação do Odontopediatra neste contexto vem crescendo e sua contribuição como educador para a promoção de saúde, também.


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Coluna - Gestão

A voz do cliente sempre importa Plínio Augusto Rehse Tomaz Cirurgião-Dentista. Master em Empreendedorismo e Inovação (B.I International). Pós-graduação em Marketing (ESPM), com especialização em Saúde Pública (Unaerp) e Administração Hospitalar (IPH). Conferencista internacional. Articulista de jornais e revistas voltados aos profissionais de saúde. Professor de diversas instituições de ensino. Diretor da Tomaz Gestão e Marketing. plinio@tomazmkt.com.br

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estas últimas semanas, recebi quatro solicitações muito parecidas de colegas: todos queriam saber um pouco mais sobre tipos de pesquisas que podem ser feitas com pacientes ou como aplicá-las com êxito. Resolvi, então, escrever este artigo sobre o tema. Entendo que há três tipos de pesquisas que podemos realizar no consultório.

Exploratória Chamo assim aquele tipo de pesquisa mais ampla, que visa conseguir uma espécie de fotografia do atual nível de satisfação de seus clientes com relação aos serviços que vem prestando, bem como sobre suas instalações, equipe, atendimento, etc. O questionário é mais amplo e deve ser entregue em mãos por sua funcionária, pedindo a colaboração de cada paciente quanto a fornecer respostas precisas: “O senhor poderia nos ajudar com esta pesquisa? Ela é muito importante para que possamos conhecer o que nossos clientes pensam e melhorarmos nossos serviços”. A pesquisa exploratória pode ou não ser identificada, mas deve ser sempre devolvida em uma urna lacrada, ou seja, sem a necessidade de devolver preenchida para a recepcionista, que também é objeto da avaliação. Deve ser feita uma vez a cada um ou dois anos com uma amostra equivalente ao movimento de duas ou três semanas de pacientes.

Avaliação final de tratamento Esta pesquisa deve ser feita sempre que um paciente concluir seu tratamento, no mesmo momento final, antes de ir embora. Ela serve para observar possíveis inconsistências e pontos negativos na percepção do cliente sobre o tratamento pro-

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priamente dito, incluindo aqui a experiência de agendar, ir ao consultório semanalmente, esperar para ser atendido e, principalmente, com a satisfação com os resultados obtidos com o tratamento. Verifique se as expectativas foram atendidas e, em caso negativo, atue rapidamente para reverter à situação. A avaliação final de tratamento deve ser sempre identificada, mesmo porque merecerá resposta direta para agradecer o tempo dedicado às respostas e a todas as orientações, sugestões ou reclamações feitas ali. Deve ser devolvida em envelope que pode, inclusive, não ser fechado.

Avaliação contínua A avaliação contínua é aquela usada para perguntar coisas do dia a dia ou fazer a voz do cliente ecoar dentro da clínica o tempo todo. É de uso diário, contínuo... Geralmente é um papel pequeno (meia folha sulfite, por exemplo) com apenas uma pergunta e um espaço para comentários, sugestões ou reclamações. Fica disponível na sala de espera, juntamente com uma urna. O cliente poderá ou não se identificar. Esta pergunta única deverá ser sempre fechada, ou seja, cuja resposta seja do tipo sim/não ou uma alternativa entre duas, e deverá ser mudada a cada mês (ou outro período maior ou menor que este, conforme necessidade) e pode ser, por exemplo: “Com qual cor devemos pintar a fachada: azul claro ou azul mais escuro?”; “Você gostaria que fizéssemos parceria com o estacionamento do Zé, que fica a 200 metros da clínica, mas com 50% de desconto para nossos clientes?”; ou ainda “Quanto ao uniforme das recepcionistas, você prefere os desenhos A ou B?”, etc.


Coluna - Gestão

A avaliação contínua é aquela usada para perguntar coisas do dia a dia ou fazer a voz do cliente ecoar dentro da clínica o tempo todo

Importante: lembre-se somente de perguntar e oferecer alternativas que lhe agradam, ou seja, não pergunte se a cor deverá ser verde ou vermelha se apenas a vermelha será implantada se for a escolhida pelos clientes. Só apresente opções positivas. Lembre-se ainda de que a avaliação contínua deverá ser sempre respeitada e apresentada ao cliente em termos de ação direta. Informe as respostas recebidas e faça o que propôs fazer na pesquisa do mês anterior. Fazendo isso por alguns meses seguidos você vai sentir o quanto o cliente é capaz de influenciar os processos internos de sua clínica e o quanto você pode crescer e obter bons resultados com isso. Sucesso!

inovação para uma vida saudável

Dê um click nos seus procedimentos. Você sabia que fotografia odontológica também serve como um documento? Além de ser fundamental para a prática de procedimentos, uma boa fotografia também funciona como referência para artigos científicos, item de portfólio e registro de acompanhamento dos pacientes. Fotografe seus procedimentos com qualidade.

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Coluna - Pacientes Especiais

Ensino em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais José Reynaldo Figueiredo Cirurgião-Dentista. Doutor em Odontologia Social. Mestre em Odontologia Legal e Deontologia. Especialista em Odontopediatria e em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. Vice-presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (ABOPE). Membro do Conselho Científico da Revista Odonto Magazine.

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Relatório Global sobre Deficiência da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Banco Mundial foi publicado em junho de 2011. Não houve surpresas para aqueles que, como nós, trabalhamos neste campo, no entanto, mostrou que a proporção de pessoas com deficiência está aumentando e, agora, representa um bilhão de pessoas - 15% da população global (era 10% na década de 1970), com 4% dessa população enfrentando sérias dificuldades incapacitantes. Os dados referentes ao censo brasileiro de 2010 dão conta de 45 milhões de pessoas com deficiência, que perfazem quase 24% de nossa população, maior, como se vê, que a média mundial. A Dra. Margaret Chan, diretora-geral da OMS, disse que “é preciso fazer mais, para quebrar as barreiras que segregam as pessoas com deficiência”. A discriminação na área da saúde foi destacada como uma das questões mais “chocantes” do relatório. Apesar de um forte movimento pelos direitos dos deficientes - este primeiro relatório mundial oficial mostra que as pessoas com deficiência têm três vezes mais chances de não receberem cuidados de saúde do que para outras pessoas, sendo o grupo das pessoas com deficiência intelectual com maior probabilidade de encontrar dificuldades no acesso aos serviços. As pessoas com deficiência estão sujeitas a desigualdade em saúde bucal, tanto em termos de prevalência de doença como pelas condições clínicas gerais. Essas pessoas vivem com problemas moderados e funcionais graves, relacionados com a deficiência, e uma grande parte delas vai exigir cuidados especiais em Odontologia em algum momento de sua vida. Estima-se que 90% de pessoas que necessitam desses cuidados especiais podem ser capazes de acessar o tratamento em uma unidade de atendimento local, primário. A prestação de tais cuidados primários só é possível por meio da educação e formação de dentistas. A literatura sugere que é vital para a equipe odontológica desenvolver as habilidades necessárias e ganhos de experiência no tratamento de pessoas com necessidades especiais, a fim de garantir o acesso à prestação de cuidados de saúde bucal. Educação em cuidados especiais em Odontologia, em todo o mundo e não apenas no Brasil, pode ser melhorado pelo desenvolvimento de uma disciplina acadêmica e clínica reconhecida e fornecendo diretrizes curriculares internacionais baseadas a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF, OMS). Dada a rápida evolução demográfica das populações em todo o mundo, profissionais de Odontologia do futuro precisam ser

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capazes de responder aos desafios colocados pela paisagem que se descortina com essa evolução. É de responsabilidade das instituições de ensino superior garantir que, na qualificação, seus graduandos sejam competentes e confiantes para responder de uma forma adequada a estes desafios. Em resposta às solicitações dos educadores de todo o mundo, a Comissão de Educação iADH (International Association for Disability and Oral Health), formada por Alison Dougall (Irlanda), Gabriella Scagnet (Argentina), Shelagh Thompson (País de Galês) e Clive Friedman (Canadá), iniciou o desenvolvimento de uma orientação curricular de graduação em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais por meio de um processo de consenso envolvendo os principais especialistas nessa disciplina de 32 países. Do Brasil, participaram a Dra. Leda Mugayar, a Dra. Danielle Vieira Ferreira e este que vos escreve. Este documento, lançado no Congresso da iADH, em outubro de 2012, em Melbourne, Austrália, com a proposta curricular, fornece resultados para uma aprendizagem baseada em evidências, projetado para ser centrado no aluno e com a flexibilidade para ser facilmente incorporado aos currículos de uma Odontologia contemporânea. Muitas das competências essenciais em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais são transferíveis em todo o currículo e incentivam uma abordagem focada no paciente. Prevê-se que haverá adaptações, este currículo estará sujeito a melhoria da qualidade com base na avaliação contínua e feedback, tornando-se um currículo dinâmico. O projeto de aprendizagem foi planejado para ser facilmente adaptado em conformidade com os perfis de competências, bem como para atender às exigências dos órgãos reguladores profissionais em todo o mundo. O documento também inclui metodologias educacionais de acompanhamento e avaliações adequadas, que formam a base da aprendizagem ao longo da vida dos profissionais. Educadores em cada país devem usar os resultados obtidos em suas disciplinas para projetar o conteúdo de seus próprios programas, de acordo com as necessidades locais e/ou diretrizes curriculares. As principais instituições internacionais já estão incorporando o ensino e a aprendizagem em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais dentro de seus currículos, a fim de proporcionar aos alunos os conhecimentos, habilidades e atitudes que atendam às necessidades de saúde bucal desses grupos. Infelizmente, esse quadro ainda não é visível no Brasil, com raríssimas exceções.


Coluna - Pacientes Especiais

Entre as competências para a formação do aluno na disciplina, estão: » Domínio 1: o escopo da Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. » Domínio 2: acessibilidade à saúde bucal para as pessoas com deficiência e outros grupos especiais. » Domínio 3: consentimento livre e esclarecido para pessoas (e seus cuidadores) que necessitam de cuidados especiais. » Domínio 4: as habilidades de comunicação na área. » Domínio 5: impacto das deficiências, incapacidades e condições sistêmicas sobre a saúde e funções bucais. » Domínio 6: manejo clínico de pacientes que necessitam de cuidados especiais em Odontologia. O currículo proposto pela iADH incentiva o aluno e os professores dentro das faculdades a adotar os princípios da Classifi-

cação Internacional de Funcionalidade (OMS). Adotar a CIF na prática educativa facilita a compreensão da funcionalidade do ser humano e de suas incapacidades. Avaliação e feedback são a chave para o desenvolvimento dessas habilidades, atitudes e comportamentos que são essenciais na conclusão do ensino de graduação e procura incentivar a aprendizagem ao longo da vida profissional. Vários métodos podem ser utilizados para avaliar os resultados dessa aprendizagem do currículo de graduação, mas irá variar de acordo com as escolas de graduação em Odontologia. O site da iADH vai se tornar um recurso útil e eficaz para auxiliar os educadores e vai incentivar o ensino centrado no paciente nesta área emergente da Odontologia. Se você quiser saber mais sobre o currículo proposto pela iADH, é possível fazer o download em: www.iadh.org.

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Coluna - Liderança

Marketing em Odontologia funciona? Wanderley de Almeida Cesar Jr. Especialista e Mestre em Dentística. Diretor da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética - SBOE. Criador da DLA - Doctors Leadership Academy, entidade que ministra cursos de gestão, estética, liderança e coaching em Odontologia. www.universidadedla.com.br

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ocê já fez propagandas? Fez anúncios? Já deu entrevistas? Muito bom! Mas, cuidado! Estou dizendo isso, pois é possível que você não esteja preparado para atender a expectativas dos pacientes que vieram “educados” pela mídia. Quem já não entrou em um restaurante persuadido pela bela propaganda, pela estrutura ou ainda sentiu-se atraído pela novidade de um novo restaurante na cidade e, chegando lá encontrou um péssimo atendimento? O mesmo pode acontecer conosco. Você já teve a experiência de receber no consultório pacientes que vieram atraídos por alguma propaganda e que fizeram orçamento e não voltaram mais? Isso pode ter acontecido por várias causas. Uma das causas poderia ser que: o paciente recebeu um balde de água fria bem em cima da sua expectativa. Imagine se no anúncio da sua clínica você colocou algo, como: “Um atendimento personalizado para você e para a sua família”. E quando o paciente chega à clínica, a atendente mal fala um bom dia e o trata friamente. O que eu quero dizer é que se você optar por fazer uma mídia forte e agressiva em uma área específica em que quer fortalecer, tenha “café no bule”. Ou seja, tenha a absoluta certeza que você poderá oferecer isso para o seu paciente. Se você quer se fortalecer no mercado pelo preço, será mais difícil, mas é possível, desde que se tenha um bom volume de clientes. Mas, para isso, tenha realmente um preço competitivo! Se você quer se fortalecer como grande implanto-

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dontista, foque e seja bom nisso! Se você quer ser ”o cara” da estética, cuidado com os implantes em áreas anteriores, pois um resultado mediano poderá denegrir a imagem que você pretende construir. Entenda que um paciente, quando procura a sua clínica, algo o atraiu. Pode ter sido uma propaganda bem feita, uma indicação ou um cartão que você entregou. Procure saber o que fez com que ele procurasse você. Descobrindo isso, o caminho está aberto para você trabalhar todo o seu marketing pessoal em cima da necessidade real do paciente. Aí funciona! Agora, se você agir no “escuro”, sem saber o que fez com que ele te procurasse e ainda fizer a mesma coisa para todos os pacientes e atendê-los da mesma forma, você correrá um sério risco de jogar um balde de água na necessidade específica do seu paciente. E se essa necessidade não foi atendida logo no primeiro encontro, o paciente não voltará mais. A situação se tornará ainda mais desagradável se ele foi impactado por uma propaganda e quando chegou ao seu consultório não foi atendido conforme esperava. Neste caso, o marketing funcionará contra você. Levo comigo, desde 1996, uma frase de Bill Dorfman, um dos dentistas que me inspirou a trabalhar com estética: “Dê ao seu paciente o que ele quer e não o que ele precisa”! Que Deus abençoe suas mãos, proteja seus olhos e fortaleça a sua coluna! Um grande abraço!


Coluna - Lideranรงa

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Caso Clínico

Reabilitação oral estética e funcional de pacientes com severa perda de dimensão vertical Carlos Gil Professor Titular do Departamento de Prótese da Faculdade de Odontologia – FOUSP. Coordenador do curso integrado de Reabilitação Oral da ffo-fundecto. Professor da especialização em Prótese Dentária semanal da ffo-fundecto.

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restabelecimento da dimensão vertical de oclusão (DVO) e nivelamento do plano oclusal em portadores de próteses removíveis, associadas ou não a próteses fixas e próteses totais, é quase uma rotina no dia a dia do especialista em reabilitação oral. A perda da DVO é resultado de um grande desequilíbrio oclusal, onde não apenas a perda dos dentes pode ser o fator responsável, como também as parafunções, dentre elas, o bruxismo. Além disso, a grande maioria dos pacientes, apesar de ser alertada sobre as manutenções e controles periódicos, não segue tais recomendações profissionais e passa anos utilizando as próteses sem qualquer tipo de controle (figuras 1 e 2). Nesse sentido, quando procuram o profissional para a confecção de novas próteses, o caso geralmente se apresenta em uma situação bastante agravada no aspecto da relação maxilomandibular. Com isso, todo um trabalho de restabelecimento de DVO, nivelamento de plano oclusal e prévio preparo de boca precisa ser realizado, a ponto de se executar novas próteses. A não observância desse aspecto resulta em trabalhos mal sucedidos, com desgaste, tanto do profissional, quanto do paciente.

Caso clínico O seguinte caso clínico se trata de um paciente do sexo masculino de 50 anos de idade, que procurou o curso de especialização em Prótese da FFO, queixando-se da estética e da função que suas próteses ofereciam. Tratava-se de um caso superior Classe III de Kennedy - modificação 1 com a presença dos elementos dentais 17, 11, 21, 22 e 27. No arco inferior, o paciente apresentava uma Classe II - modificação 1 com a presença dos elementos dentais 35, 33, 32, 31, 41, 42, 43 e 44. Clinicamente, o paciente apresentava um grande desequilíbrio oclusal, uso de próteses antigas, desgastadas, mal adaptadas e mordida profunda com severo desgaste dos dentes anteriores inferiores, o que nos levou a conclusão de que houve uma importante perda de dimensão vertical (figura 2). Na anamnese verifi-

Marcio Katsuyoshi Mukai

Professor do curso de integrado de Reabilitação Oral da ffo-fundecto. Doutor em Prótese Dentária pela FOUSP.

Cláudio Akira Yamaguchi

Professor do curso de integrado de Reabilitação Oral da ffo-fundecto. Doutor em Prótese Dentária pela FOUSP.

cou-se um perfil psicológico de muita ansiedade e estresse ocasionados, provavelmente, pelo tipo de profissão. O caso descrito dificulta qualquer tipo de reabilitação oral, por isso a importância de um planejamento criterioso, onde a montagem dos modelos em articulador é sempre de grande valia. Aspectos radiográficos relevantes a serem notados no caso são: elementos dentais remanescentes com satisfatório nível de inserção óssea, à exceção do dente 35, que apresentava apenas um terço de inserção, bolsas periodontais profundas e mesialização para o espaço protético do 34. Tal condição clínica nos levou a condenar tal dente que seria utilizado como um pilar direto da futura prótese parcial removível (PPR). Sendo assim, o elemento dental 33 passou a ser o pilar direto da PPR. Observou-se, também, presença de tratamento endodôntico nos dentes 11, 22 e 44, com núcleo metálico fundido e coroa metaloplástica no 11. Os demais apresentavam restaurações em resina composta e dentes 21 e 22 com coroas metaloplásticas (figura 3). O tratamento iniciou-se com a montagem do caso em articulador semiajustável (ASA) através da confecção de um plano de orientação superior e registro de dimensão vertical de oclusão através do compasso de Willis (figura 4). Estabelecida a DVO ideal, prosseguiu-se com a confecção de núcleos metálicos fundidos e provisórios nos dentes 11, 21, 22, 33 e 44. As próteses removíveis antigas foram aproveitadas como próteses provisórias por meio de reembasamento e nivelamento do plano oclusal com resina acrílica ativada quimicamente, ajustando-se a curva de spee e monson, de acordo com o plano de orientação utilizado para a montagem em ASA. Realizado o preparo prévio de boca, iniciou-se o preparo específico dos elementos pilares e confecção de próteses fixas unitárias metalocerâmicas nos dentes 31,41 e 42 e fresadas no 33, 32, 43 e 44 para receberem a futura PPR no eixo de inserção determinado inicialmente no delineador. Optou-se por uma PPR a grampos no caso inferior, visto que a necessidade

Caso clínico realizado durante o curso de especialização em Prótese Dentária - semanal, que acontece na ffo-fundecto, instituição conveniada à Faculdade de Odontologia da USP. (www.fundecto.org.br)

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Caso Clínico

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Característica inicial da prótese.

Radiografia para avaliação do caso.

Estruturas remanescentes.

Perda da DVO.

Estruturas remanescentes.

PPR superior finalizada.

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Caso Clínico

Figura 7

Estrutura metálica da PPR superior.

Figura 9

PPR inferior instalada.

estética não se fazia presente (figura 9). Já no arco superior, as coroas dos dentes 11, 21 e 22 foram ferulizadas e fresadas para o acoplamentos de encaixes resilientes ASC 52 da CNG (figuras 5, 6 e 7). A indicação dos encaixes se justificou pela necessidade estética do caso, que apresentava como retentores diretos anteriores, os dentes 11 e 22. Nos posteriores 27 e 17 foram planejados grampos circunferenciais simples de Ackers (figura 8). Outro fator que contribuiu muito no âmbito estético foi o processamento caracterizado das bases das próteses removíveis por meio da técnica Tomaz Gomes de caracterização de gengiva.

Conclusão Nesse caso clínico foi possível verificar que o trabalho protético restabeleceu a função do paciente, corrigindo proteticamente a posição dos elementos, a correta DVO e melhorando de forma significativa a estética a um custo menor, se comparado aos outros tipos de reabilitação (figura 10). Por fim, uma placa de mordida miorrelaxante foi instalada no arco superior, devido ao diagnóstico de severo bruxismo constatado na anamnese. Tal aparelho permitirá uma maior longevidade da reabilitação e um prognóstico mais favorável.

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Figura 8

PPR superior com grampo circunferencial simples de Ackers.

Figura 10

Caso finalizado.

A aceitação do paciente frente a um tratamento reabilitador com prótese removível foi indicada e aceita, uma vez que a associação de prótese fixa com removível, por meio de encaixes, possibilitou a eliminação dos grampos metálicos, objeto de repulsa por parte dos pacientes no que diz respeito a esse tipo de prótese.

Referências 1. Gil C. Prótese parcial removível: preparo de boca e sua aplicação clínica. São Paulo: FOUSP;1993[4]. 2. Galhardo APM, Mukai MK, Pigozzo MN, Mori M, Gil C, Laganá DC. Reabilitação oral por meio de prótese parcial removível associada à Barra de Dolder: uma visão interdisciplinar. RPG Rev Pós Grad. 2008;15(1):71-6. 3. Mukai MK, Sanae C, Yamaguchi CA, Galhardo APM, Mori M, Gil C. Utilização de overlay removível como meio de determinação da dimensão vertical de oclusão na reabilitação oral. Rev Assoc Paul Cir Dent. 2009;63(5):384-8. 4. Mukai MK, Gil C, Costa B, Stegun RC, Galhardo APM, Chaccur DC, Fukuda ACCS, Kammerer BA. Restabelecimento da dimensão vertical de oclusão por meio de prótese parcial removível. RPG Rev Pós Grad. 2010;17(3):167-72.


Caso Clínico

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Caso Clínico

Ortodontia lingual e sua viabilidade atual

Henrique Bacci Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial. Atendimento e pesquisa exclusivamente por meio de aparelhos estéticos (Ortodontia Lingual e aligners), em Ribeirão Preto (SP). Autor do livro “Ortodontia Lingual: O Segredo por Trás do Sorriso”. Conferencista no Brasil e América Latina em Congressos e Cursos de Pós-graduação.

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ma parte considerável dos pacientes adultos não se submete ao tratamento ortodôntico, porque não se sente à vontade portando os aparelhos fixos convencionais. Partindo da premissa que a principal queixa dos pacientes adultos esteja relacionada com o alinhamento dos dentes, somando-se à evolução das técnicas ortodônticas com aparelhos fixos linguais e dos alinhadores transparentes removíveis (aligners), o interesse pelos aparelhos considerados “invisíveis” (ou, mais propriamente, mimetizados) é factível e ascendente. A Ortodontia Lingual é uma técnica de correção ortodôntica em que os braquetes são fixados na face lingual com o intuito de preservar ao máximo a estética do paciente, sendo que os primeiros relatos de tratamentos realizados com esses aparelhos datam da década de 1970. Nesse contexto, a fase laboratorial assume importância em Ortodontia Lingual e sempre foi alvo de intensa discussão, pois existe uma infinidade de métodos, grande parte deles derivados do CLASS (Custom Lingual Appliance Set up Service). O sistema laboratorial CLASS, por sua vez, baseia-se na construção de um set up ortodôntico, de um arco ideal e da customização da base dos braquetes linguais por meio da adição de uma camada em resina composta. Ainda hoje, a confecção do set up ortodôntico é um procedimento que permanece norteando a maioria dos sistemas laboratoriais linguais, até mesmo aqueles mais recentemente idealizados. Em 2009, o autor introduziu para o sistema laboratorial de colagem indireta de braquetes linguais Bacci Bonding System (BBS), método que se fundamenta na adaptação dos braquetes linguais de base anatômica (In-Ovation L, Dentsply GAC) em sua posição padrão (fundo da fossa lingual), sem a utilização de set ups or-

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todônticos ou equipamentos especiais. O método foi detalhado no livro “Ortodontia Lingual: o Segredo por Trás do Sorriso”, e vem sendo adotado por especialistas em Ortodontia no Brasil e na América Latina. Um caso clínico em que os parâmetros do método laboratorial BBS são utilizados é apresentado neste trabalho.

Caso clínico A paciente R.M.S., sexo feminino, 25 anos e 10 meses de idade, compareceu ao consultório apresentando como queixa principal a estética do sorriso, mais especificamente, o aspecto assimétrico na vista frontal da face (figuras de 1 a 4) e dores crônicas na musculatura facial. Ela apresentava uma mordida cruzada com desvio postural do lado esquerdo, atingindo desde o canino até o segmento molar, o que explicava a exposição assimétrica dos dentes ao sorrir. Como parte do plano de tratamento, foi realizada a expansão superior unilateral direita com auxílio de um aparelho quadri-hélix de ativação assimétrica e uso de elásticos cruzados do lado direito. Logo após, aparelhos fixos linguais, transferidos à boca da paciente pelo método laboratorial BBS foram utilizados na arcada superior e inferior (figuras 5 e 6) para efetivar todas as manobras de alinhamento, nivelamento e controle de torque, até os movimentos de finalização necessários para adequação da estética e funcional. Todo o tratamento foi camuflado, o que caracteriza a excelência estética possível com o aparelho lingual. O caso foi solucionado em apenas 20 meses de tratamento ativo. A recuperação do equilíbrio muscular contribuiu, significantemente, para a remissão das dores faciais (figuras de 7 a 10).


Caso ClĂ­nico

Figuras de 1 a 4 Imagens iniciais.

Figuras 5 e 6

Paciente com o aparelho lingual.

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Caso Clínico

Figuras de 7 a 10

Resultado final obtido em 20 meses de tratamento.

Discussão A técnica laboratorial BBS, apresentada no presente artigo, não utiliza a customização da base dos braquetes linguais e é conduzida pelo próprio ortodontista, o que reduz os custos do tratamento de forma significativa. Sua filosofia fundamenta-se em reduzir expressivamente o número de fases laboratoriais, e é baseada no preciso posicionamento dos braquetes da base anatômica, seguindo uma tabela da altura, especificamente elaborada para a técnica lingual. Destaca-se a utilização de sistemas autoligáveis interativos (consagrados pela Ortodontia convencional) e de braquetes de baixíssimo volume, o que amplia o conforto e propicia melhores condições de higiene, fatores imprescindíveis para aceitação do tratamento pelo paciente.

Conclusões A técnica lingual é um meio de tratamento ortodôntico indicado para as situações em que o paciente procura por total discrição para resolução dos problemas de maloclusão e da estética do sorriso. Como essa preocupação é cada vez maior, deve-se considerar que o interesse de profissionais e pacientes pela técnica deva aumentar expressivamente nos próximos anos. Nesse contexto, resta destacar os principais avanços que fazem com que a técnica lingual seja incorporada à rotina do profissional: os sistemas de braquetes autoligáveis com propriedades interativas, a compreensão dos aspectos biomecânicos e, efetivamente, a utilização de métodos laboratoriais realizados

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in house, ou seja, na própria clínica do ortodontista, como no caso clínico apresentado.

Referências 1. Bacci H. Sistema Laboratorial em Ortodontia Lingual: Bacci Bonding System (BBS). Rev Virtual Acad Bras Odont (RV AcBO). 2009 Jul. [Acesso em 09/07/2009]. Disponível em <http://www.acbo.org.br/revista/biblioteca/bbs/bbs_ artigo.pdf>. 2. Bacci, H. Ortodontia Lingual: o Segredo por Trás do Sorriso. Nova Odessa: Ed. Napoleão; 2011, 238 p. 3. Geron S. El posicionamento de los brackets en ortodoncia lingual: revisión crítica de diferentes técnicas. Ortod Clin. 2001; 4(3): 136-41. 4. Maltagliati, LA. Análise dos fatores que motivam os pacientes adultos a buscarem o tratamento ortodôntico. R Dental Press Ortodon Ortop Facial. Maringá; 2007; 12(6): 54-60. 5. Navarro CF, Perez-Salmerón J, Scott H, Desarrollo del bracket In-Ovation L de GAC. In: Echarri P, Takemoto K, Scuzzo G, Fillion D, Geron S, Kyung H-M et al. Nuevo Enfoque en Ortodoncia Lingual. Madrid: Ripano S.A.; 2010. p. 329-33. 6. Segner, D.; Ibe D. Light Wire Lingual Orthodontics: Biomechanical Considerations. In: Scuzzo, G.; Takemoto, K. Lingual Orthodontics: a New Appoach Using STb Light Lingual System & Lingual Straight Wire. Berlin: Quintessence Publishing; 2010. cap. 5, p. 29-37.


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Caso Clínico

Reabilitação de músico idoso e trombonista com prótese total e implantes

Alexandre de Alcântara Cirurgião-Dentista. 17 anos atendendo músicos soproinstrumentistas. Diploma de Honra ao Mérito pela Ordem dos Músicos do Brasil, Conselho de São Paulo. Autor do livro “O Cirurgião-Dentista frente a AIDS”, Pancast, 1996. Responsável pela proposta que levou o Conselho Federal de Odontologia a aprovar, por unanimidade, o parecer 717/2012, que reconheceu o músico sopro-instrumentista como um paciente que requer tratamento especial, pertencente à Especialidade da Odontologia para Pacientes Especiais. Autor de inúmeros artigos para sites e revistas especializados em música.

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m 2012, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) entendeu que o músico de sopro é um paciente especial e que requer atenção especial por parte dos cirurgiões-dentis-

tas. A proposta de um atendimento a um músico de sopro é conservá­lo em condições de saúde bucal adequada e manter o paciente exercendo sua função profissional. Neste caso veremos que com simples procedimentos, podemos obter sucesso nesta proposta.

Caso clínico Paciente S.G.S, 87 anos, músico de sopro, trombonista (toca o instrumento de sopro chamado trombone), apresentava uma prótese fixa de sete elementos, sustentada em apenas duas raízes comprometidas, o 12 e o 23 (figura 1) e associada a uma prótese parcial removível bilateral sobre atachment. A prótese apresentava mobilidade, e na radiografia panorâmica apresentava indicação de extração das raízes pilares. Mas, o paciente conseguia tocar com a prótese e não tinha a intenção de removê-la, e o mesmo relatava que quando ela “caísse” daria um jeito (figuras 2 e 3). No antagonista, o paciente usava uma parcial removível bilateral com boa sustentação nos dentes remanescentes. Apesar de apresentarem erosão acentuada, eles não possuíam mobilidade e nem indicação de extração (figura 4). Foi explicado ao paciente que a situação das raízes era irreversível e que esperar a queda da prótese não seria o melhor procedimento, já que era possível que houvesse a colocação imediata de um implante no alvéolo remanescente após a retirada da raiz, para ajudar na sustentação da prótese. O paciente questionou se conseguiria continuar tocando durante os procedimentos e se havia riscos em relação a sua idade. Após as orientações, o paciente foi encaminhado para exames clínicos com o seu Geriatra e também para a tomada de uma tomografia computadorizada da região anterior superior.

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Com a aprovação médica, o paciente solicitou que não retirasse todas as raízes de uma vez, e que o tratamento fosse feito por etapas e, assim, ele teria tempo de se adaptar aos procedimentos e adquirir confiança para continuar tocando ou, então, caso não se sentisse à vontade, pararia de tocar. Para fazer essa transição, foi decidido moldar o paciente antes da cirurgia. Foi solicitado ao técnico em prótese que fizesse uma réplica em acrílico do conjunto prótese fixa e prótese parcial removível, e a mesma seria reembasada no ato cirúrgico com coe-soft. Assim que o técnico encaminhou a réplica, foi realizado o procedimento com a extração da prótese e da raiz do 12 (figuras 5 e 6). Imediatamente, após a extração, foi inserido um implante conexão AR, diâmetro 5,0, comprimento 13, conforme indicação prévia, dada pela tomografia (figuras 7 e 8). Após a instalação do implante, a prótese réplica foi reembasada com coe-soft, solicitando o retorno em uma semana. Após a cicatrização e a retirada dos pontos, o paciente passou a se adaptar com a réplica e, com ajuda de creme fixador, conseguia tocar seu instrumento, o que, definitivamente, o deixou seguro sobre o procedimento e sua continuidade, mesmo sendo músico de sopro. Assim, antes da extração das demais raízes remanescentes, foi confeccionada uma prótese total simples, para o paciente ter mais conforto e função mastigatória até o término do tratamento (figuras 9, 10 e 11). O maior cuidado que tivemos foi o de manter a proximidade da prótese nova com a réplica, lingualizando um pouco os dentes anteriores para acomodação do bocal ao tocar o instrumento (figuras 12,13 e 14). Apesar da idade, vale a pena lembrar que a vida útil de um músico de sopro está diretamente relacionada à sua saúde geral, ou seja, se ele estiver em condições, ele poderá tocar em idades avançadas, como neste caso. E assim, após algumas semanas de ajuste, o paciente já estava conseguindo tocar o instrumento com naturalidade (figuras 15, 16, 17 e 18).


Caso Clínico

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Prótese fixa associada a parcial removível bilateral.

Vista oclusal da prótese fixa antiga do paciente.

Aspecto do alvéolo quando da extração da raiz do 12.

Oclusão do paciente antes do tratamento.

Prótese parcial removível bilateral e dentes anteriores em boa função.

Prótese removida juntamente com a raiz comprometida do 12.

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Caso Clínico

Figura 7

Expansor para melhor adaptação do implante.

Figura 9

Implante Conexão posicionado.

Aspecto do rebordo após o uso de coe-soft.

Figura 10

Figura 11

Figura 12

Vista lateral da prótese total definitiva.

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Figura 8

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Vista frontal da prótese total definitiva.

Prótese total posicionada.


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Apesar da idade, vale a pena lembrar que a vida útil de um músico de sopro está diretamente relacionada à sua saúde geral, ou seja, se ele estiver em condições, ele poderá tocar em idades avançadas, como neste caso

Figura 13

Figura 14

Vista do perfil do paciente com a PT posicionada.

Paciente movimentando o lábio para verificar a estabilidade da PT.

Figura 15

Figura 16

Posicionando o bocal para procurar possíveis interferências.

Paciente soprando o bocal.

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Caso Clínico

NORMAS PARA PUBLICAÇÂO A seção CASO CLÍNICO da ODONTO MAGAZINE tem como objetivo a divulgação de trabalhos técnico-científicos produzidos por clínicogerais e/ou especialistas de diferentes áreas odontológicas. Gostaríamos de poder contar com trabalhos originais brasileiros, produzidos por cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e médicos, para divulgar esse material em nível nacional por meio da revista impressa e pelo site: www. odontomagazine.com.br Os trabalhos devem atender as seguintes normas: 1) Ser enviados acompanhados obrigatoriamente de uma autorização para publicação na ODONTO MAGAZINE, assinada por todos os autores do artigo. No caso de trabalho em grupo, pelo menos um dos autores deverá ser cirurgião-dentista. Essa autorização deve também dar permissão ao editor da ODONTO MAGAZINE para adaptar o artigo às exigências gráficas da revista ou às normas jornalísticas em vigor.

Figura 17

Visão lateral direita do perfil do paciente e com o bocal posicionado.

2) O texto e a devida autorização devem ser enviados para o e-mail: vanessa.navarro@vpgroup.com.br. As imagens precisam ser encaminhadas separadas do texto, em formato jpg e em altaresolução. Solicitamos, se possível, que o artigo comporte no mínimo três imagens e no máximo 30. As legendas das imagens devem estar indicadas no final do texto em word. É necessário o envio da foto do autor principal do trabalho. 3) O texto deve seguir a seguinte formatação: espaço entre linhas simples; fonte arial ou times news roman, tamanho 12. As possíveis tabelas e/ou gráficos devem apresentar título e citação no texto. As referências bibliográficas, quando existente, devem estar no estilo Vancouver. 4) Se for necessário o uso de siglas e abreviaturas, as mesmas devem estar precedidas, na primeira vez, do nome próprio. 5) No trabalho deve constar: o nome(s), endereço(s), telefone(s) e funções que exerce(m), instituição a que pertence(m), títulos e formação profissional do autor ou autores. Se o trabalho se refere a uma apresentação pública, deve ser mencionado o nome, data e local do evento.

Figura 18

Visão lateral esquerda do perfil do paciente e com o bocal em posição.

6) É de exclusiva competência do Conselho Científico a aprovação para publicação ou edição do texto na revista ou no site.

Conclusão

7) Os trabalhos enviados e não publicados serão devolvidos aos autores, com justificativa do Conselho Científico.

Para um músico de sopro, tocar seu instrumento é, muitas vezes, mais importante do que sua saúde bucal. Cabe a nós convencer este paciente de que podemos lhe proporcionar um bom tratamento e as condições necessárias para que ele continue tocando seu instrumento e ganhando seu sustento. Com paciência e conhecimento conseguimos motivar o paciente e, assim, obter êxito no tratamento.

Referências 1. Andreassen JO, Andreassen FM. Fundamentos de traumatismo dental. 2.ed. São Paulo: Artmed; 2001. 2. Araujo MG, Lindhe J. Dimensional ridgealterationsfollowingtoothextraction. An experimental study in the dog. J ClinPeriodontol. 2005 Feb;32(2):212-18. 3. Joly JC, Caralho PFM, Silva RC. Reconstrução tecidual estética procedimentos plásticos e regenerativos periodontais e peri-implantares. Artes médicas 2010. 4. Salama H, Salama M. The role oforthodonticextrusiveremodeling in theenhancementof soft and hard tissue profiles prior toimplantplacement: a systematic approach tothe management ofextraction site defects. Int J Periodontics Restorative Dent. 1993 Aug;13(4): 312-33.

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8) O conteúdo dos artigos é de exclusiva responsabilidade do(s) autor (res). Os trabalhos publicados terão os seus direitos autorais guardados e só poderão ser reproduzidos com autorização da VP GROUP/Odonto Magazine. 9) Cada autor do artigo receberá exemplar da revista em que seu trabalho foi publicado. 10) Qualquer correspondência deve ser enviada para: Vanessa Navarro - Odonto Magazine Alameda Amazonas, 686 – sala G1 Alphaville – Barueri - SP CEP: 06454-070 11) Ao final do artigo, acrescentar os contatos de todos os autores: nome completo, endereço, bairro, cidade, estado, CEP, telefones e e-mail. 12) Informações: Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506 Publicidade - Gerente de Contas Victorio Rosa e. victorio.rosa@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7768


Odonto Magazine nº 29 - Junho/2013  

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