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www.odontomagazine.com.br

Entrevista

Atendimento diferenciado aos nefropatas

Caso Clínico

Ponto de Vista

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comunicação integrada

ISSN 2179-8796

O uso indiscriminado de medicamentos na Odontologia

Ano 2 - N° 18 - Julho de 2012

Previsibilidade na transformação do sorriso

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Editorial

A quantas anda a nossa Odontologia?

S

omos, por natureza, um povo otimista e ufanista. Temos as praias mais bonitas, as mulheres mais belas, o melhor futebol do mundo, o maior piloto de F1 de todos os tempos. E, por aí vai... Em relação a nossa profissão, este sentimento é compartilhado. Orgulhamo-nos de atender muitos pacientes estrangeiros em nossos consultórios, tendo a referência de melhor tratamento, adestramento, qualidade e um fator estético inigualável. Nestes últimos anos, a Odontologia passou por uma importante transformação, de um incremento de escolas e profissionais nos anos 1980 e 1990 para hoje uma realidade bem mais modesta. Temos escolas com poucos alunos e algumas não estão abrindo novas turmas. Com menos alunos, a maioria das escolas diminui a quantidade de horas curriculares, tendo como consequência um menor número de professores. Com a diminuição da carga horária, as disciplinas são condensadas, com menor conteúdo programático ministrado. Como sabemos, a “nossa” Odontologia sempre se pautou por uma formação básica bastante completa, com as áreas básicas tendo um peso importante na formação profissional, fator atualmente não muito observado. Hoje, com a rapidez que as informações acontecem, o profissional fica tentado a fazer seu dia a dia mais rápido e se entrega, muitas vezes, às técnicas não tão ortodóxicas. É muito frequente em cursos, palestras e hands on, o cirurgião-dentista se preocupar com o material, instrumental que foi utilizado, sendo um prato cheio para as empresas. Estamos nos preocupando muito com o “know how” e nos esquecendo, principalmente, do “know why”! Como sempre falamos, veja em um congresso as palestras de técnicas de qualquer especialidade, quantos participantes estão presentes e quantos estão em uma sala com palestras sobre assuntos básicos. Geralmente, estes cursos são oferecidos, mas não acontecem por um número muito pequeno de interessados. Com certeza, sempre teremos profissionais que se destacarão, não só no Brasil, como internacionalmente, porém, o diferencial de nossa profissão foi a qualidade não só das “estrelas”, mas sim da atuação e da qualidade de serviços dos dentistas em seu dia a dia. Afinal, sabemos que as batalhas são ganhas pela ação dos soldados de frente, e não só pela ação de seus comandantes. Daí poderemos novamente falar do “Estado da Arte de nossa Odontologia”. Um grande abraço e bom segundo semestre!

Edição: Ano 2 • N° 18• Julho de 2012 Presidência & CEO Victor Hugo Piiroja e. victor.piiroja@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7501 Gerência Geral Marcela Petty e. marcela.petty@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7502 Marketing Ironete Soares e. ironete.soares@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7500 Financeiro Rodrigo Oliveira e. rodrigo.oliveira@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7761 Designer Gráfica Débora Becker e. debora.becker@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Web Designer Robson Moulin e. robson.moulin@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Sistemas Wander Martins e. wander.martins@vpgroup.com.br t. +55 (11) 4197.7762 Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506 Publicidade - Gerente de Contas Vivian Ceribelli Pacca e. vivian.pacca@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7769 Conselho Científico Alice Granthon de Souza, Augusto Roque Neto, Danielle Costa Palacio, Débora Ferrarini, Diego Michelini, Éber Feltrim, Fernanda Nahás Pires Corrêa, Francisco Simões, Henrique da Cruz Pereira, Helenice Biancalana, Jayro Guimarães Junior, José Reynaldo Figueiredo, José Luiz Lage Marques, Júlio Cesar Bassi, Lusiane Borges, Maria Salete Nahás Pires Corrêa, Marina Montenegro Rojas, Pablo Ozorio Garcia Batista, Regina Brizolara, Reginaldo Migliorança, Rodolfo Candia Alba Jr., Sandra Duarte, Sandra Kallil Bussadori, Shirlei Devesa, Tatiana Pegoretti Pintarelli, Vanessa Camilo, Wanderley de Almeida Cesar Jr. e William Torre . A Revista A Odonto Magazine apresenta ao profissional de saúde bucal informações atualizadas, casos clínicos de qualidade, novas tecnologias em produtos e serviços, reportagens sobre os temas em destaque na classe odontológica, coberturas jornalísticas das mais importantes feiras comerciais e eventos do setor, além de orientações para gestores de clínicas. É uma publicação da VP Group voltada para profissionais de odontologia das mais diversificadas especialidades. Conta com a distribuição gratuita e dirigida em todo território nacional, em clínicas, consultórios, universidades, associações e demais instituições do setor. Odonto Magazine Online s. www.odontomagazine.com.br Tiragem: 37.000 exemplares Impressão: HR Gráfica

Augusto Roque Neto Membro do Conselho Científico

Alameda Amazonas, 686, G1 - Alphaville Industrial 06454-070 - Barueri – SP • + 55 (11) 4197 - 7500 www.vpgroup.com.br 4

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Sumário

Julho de 2012 • Edição: 18

pág.

18

Reportagem

22

Entrevista

4

Editorial

8

Programe-se

10

Notícias

14

Odontologia Segura

16

Produtos e Serviços

18

Odontologia Veterinária: competência do médico ou do dentista?

pág.

Atendimento diferenciado aos nefropatas Nathalie P. M. de Rezende

26

22

Espaço equipe

38

Equipe interdisciplinar: qualidade no tratamento das DTMs e da dor orofacial

Relacionamento

32

Ponto de vista

Operação Sorriso

42

O uso racional de medicamentos Alice Granthon de Souza

Gestão

36

Odontologia do Esporte

48

Plínio Augusto Rehse Tomaz

pág.

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Previsibilidade na transformação do sorriso Weider Silva, Lêndiel Olímpio de Sousa, Gil Montenegro e Tarcisio Pinto

Hsu Shao Feng, Luiz Carlos Magno Filho e Paulo Sergio Kozara

6

Reconstrução óssea de maxila atrófica utilizando a técnica de enxerto ósseo homólogo particulado modificada Gino Kopp

Colunistas 34

Passo a passo do protocolo clínico de retentores reforçados com fibra de vidro Paulo Vinícius Soares, Fabrícia Araújo Pereira, Lorraine Vilela de Souza, Giovana Milito, Bruno Rodrigues Reis, João Vitor Soares e Michelle Pereira Costa Mundim

Marina Montenegro Rojas

28

Casos Clínicos

34

50

Normas para publicação

Os artigos e as entrevistas são de inteira responsabilidade do autor e/ou entrevistado, e não refletem, obrigatoriamente, a opinião do periódico.

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Programe-se

Julho 19° Congresso Odontológico Riograndense 11 a 15 de julho de 2012

O evento é um dos maiores encontros científicos e educacionais da Odontologia na América Latina. Seu público tem uma média de 7.000 profissionais do segmento odontológico, especialistas ou não, com interesse em trocar experiências, discutir o mercado de trabalho, tendências e se atualizar com as novas técnicas e produtos odontológicos.

Porto Alegre - RS

Setembro VII Congresso Alagoano de Odontologia 06 a 08 de setembro de 2012

O evento visa diversificar a Odontologia através do marketing.

Maceió - AL

www.aboal.org.br

***

IV Congresso Internacional de Odontologia de Fortaleza - Ceará

***

Agosto 4° Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Endodontia SBENDO 02 a 04 de agosto

As inscrições já estão abertas e a programação da grade científica já pode ser consultada. No dia 01 de agosto de 2012 irá acontecer uma reunião para discussão sobre Graduação e Pós-graduação do Brasil, com a presença de grandes autoridades do ensino.

*** Salvador – BA

www.sbendobahia.com.br

12º Congresso de Odontologia do Rio Grande do Norte 23 a 26 de agosto de 2012

Com o tema “Impacto da Tecnologia na Prática Odontológica” rompem-se as fronteiras entre campos científicos, buscando necessidades de reorientação da atenção à saúde através da ampliação da promoção e prevenção, articulandoas com as ações curativas e reabilitadoras.

A comissão científica está se esmerando na montagem da grade com temas inovadores e palestrantes de renome. Serão cursos nacionais e internacionais das diversas especialidades focados no tema central. Os eventos contarão também com fóruns, módulos, workshops, conferências, temas livres e a novidade dos e-pôsteres, todos abertos aos congressistas.

Fortaleza – CE

www.abo-ce.org.br

***

Congresso Internacional de Implantologia

Desde 1970, com 17 edições já realizadas, o Congresso Brasileiro de Ortodontia da SPO congregou mais de 27 mil participantes, somados cerca de 600 empresas expositoras e milhares de visitantes ao longo desses mais de 40 anos de existência.

São Paulo - SP

www.ortociencia.com.br/orto2012/

***

O terceiro evento é organizado pela Faculdade de Odontologia, Faculdade de Odontologia de Bauru e Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, todas da USP.

Bauru – SP

www.fob.usp.br

***

1º Congresso Brasileiro de Halitose 14 e 15 de setembro de 2012

Pela primeira vez os grandes de nomes da Halitose reunidos em um só Congresso. O evento é promovido pela ABHA.

***

FDI Annual World Dental Congress 29 de agosto a 01 de setembro de 2012

A programação aborda os principais temas e preocupações dos cirurgiões-dentistas. Alguns dos mais renomados profissionais de saúde bucal do mundo estarão reunidos durante o congresso.

Hong Kong – China

www.fdicongress.org

16º Congresso Internacional de Odontologia da Bahia 27 a 30 de outubro de 2012

Renomados professores nacionais e estrangeiros farão parte do conclave, sem descuidar da parte referente à indústria e comércio especializados, mostrando a tecnologia de ponta para uso clínico e cirúrgico.

Salvador - BA

www.cioba2012.com.br

***

Novembro II Congresso Internacional de Auxiliares e Técnicos em Saúde Bucal 03 e 04 de novembro de 2012

O evento é totalmente dedicado à equipe auxiliar.

São Paulo – SP

www.ciatesb.com.br

***

Fortaleza – CE

www.abha.org.br

***

www.aborn.org.br

Outubro

13 a 15 de setembro de 2012

Natal – RN

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27 a 29 de setembro de 2012

12 a 15 de setembro de 2012

www.abors.org.br

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18º Congresso Brasileiro de Ortodontia

3º Congresso Internacional de Odontologia do Mato Grosso do Sul 18 a 21 de setembro de 2012

A 3° edição do Congresso Internacional de Odontologia de Mato Grosso do Sul promovido pela ABO – Associação Brasileira de Odontologia -, integra, desde a primeira edição, o calendário oficial dos mais importantes eventos Odontológicos do País.

5º Congresso Internacional de Odontologia de Santa Catarina 22 a 26 de novembro de 2012

O evento reunirá renomados profissionais da Odontologia que apresentarão as técnicas mais recentes.

Florianópolis - SC

www.abosc.com.br

Campo Grande - MS www.aboms.org.br

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Notícias

Odontomóvel Camaçari completa um ano O Odontomóvel Camaçari, consultório odontológico móvel mon montado sobre uma van Ford Transit, completou um ano de funcionamento na cidade baiana. O projeto, uma parceria da Ford com a Prefeitura Municipal de Camaçari, atendeu aproximadamente 400 crianças em escolas públicas das áreas urbanas, rurais e da orla da cidade, onde a marca mantém seu complexo industrial e centro de desenvolvimento do produto no Nordeste. Nesse período, o Ford Odontomóvel Camaçari realizou mais de 700 restaurações, contribuindo para preservar a saúde e a autoestima das crianças. “Muitas crianças têm vergonha de sorrir porque perderam os dentes devido a cáries. Esse é um trabalho surpreendente porque o resultado é imediato”, diz Francisco Júnior, dentista responsável pelo programa. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010, a cárie dentária continua sendo o principal problema de saúde bucal dos brasileiros. A situação melhorou entre 2003 e 2010. Na idade de 12 anos, utilizada mundialmente para avaliar a situação em crianças, a doença atingia 69% da população em 2003 e diminuiu para 56% em 2010. Em Camaçari, ações inovadoras estão sendo desenvolvidas para enfrentar esse problema, o que levou a cidade a figurar como o único município baiano premiado pelo Conselho Federal de Odontologia. A cidade recebeu o Prêmio Brasil Sorridente 2011, em virtude do CEO – Centro de Especialidades Odontológicas, do consultório Odontomóvel da Ford e da expansão dos serviços odontológicos nas Unidades de Saúde da Família. A cidade ficou em 11º lugar entre os municípios brasileiros com população entre 50.001 e 300 mil habitantes que tiveram melhor desempenho na área de saúde bucal em 2011. Saúde e educação O Odontomóvel Camaçari é um consultório odontológico moderno, montado sobre uma van Ford Transit modelo furgão e com equipe formada por um dentista, uma auxiliar e um motorista. Ele percorre as escolas da rede municipal e, além de consultas, promove ações preventivas e educativas de saúde bucal para crianças de quatro a oito anos de idade.

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A unidade está preparada para realizar procedimentos, como profilaxia, curetagem, raspagem, aplicação de flúor, restaurações, evidenciação de placa bacteriana e palestras educativas. Os estudantes atendidos também recebem um kit de higiene com escova, pasta e fio dental. “É uma experiência nova. Eu nunca tinha trabalhado com crianças nessas condições e tenho muita satisfação de fazer parte desse processo de mudança. Aqui a gente não restaura só dentes, mas a autoestima das crianças também”, diz Francisco Júnior. O Odontomóvel Camaçari atua exclusivamente no município. A iniciativa nasceu do projeto Sorrindo com a Ford, patrocinado pela Ford Caminhões, que criou o primeiro Odontomóvel no ano 2000 para atendimento gratuito de caminhoneiros e pessoas da comunidade nas estradas do Brasil. Nesses 12 anos, o consultório odontológico montado sobre um caminhão Ford Cargo 815 já atendeu mais de 40.000 caminhoneiros e 11.000 pessoas da comunidade em 270 municípios brasileiros. Ele percorreu cerca de 420.000 km e também realizou ações educativas e palestras para mais de 82.000 crianças e distribuiu mais de 135.000 kits de higiene bucal em todo o Brasil.

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Notícias SIN investe em equipamento inédito no mundo Há nove anos no mercado, a empresa acaba de investir na compra de um equipamento inédito, o Torno Shütte NC7-32. Fabricado na Alemanha, o super Torno é capaz de produzir o equivalente ao que cinco equipamentos comuns produzem. “O Torno produz um implante a cada 40 segundos, o que corresponderá a um aumento de 10% na nossa produção”, explica Roger Miyake, diretor comercial e de marketing da SIN. O equipamento, que pesa 12 toneladas, possui 3 metros de altura e 1,70 de largura, e é o único no mundo destinado à implantodontia. “Escolhemos esse equipamento após a demanda de vendas aumentar consideravelmente. Com este investimento poderemos atender esta demanda crescente”, completa Miyake. A SIN integrou-se ao fundo Southern Cross Group em 2010 e com isso ampliou a capacidade de investimentos. Agora a empresa passa por um processo de reestruturação comercial, visando manter o ritmo de crescimento em relação a 2011, com 30% para este ano. www.sinimplante.com.br

Mais recursos para a saúde bucal

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou a portaria que reajusta o repasse de recursos para implantação e custeio de Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). Com o reajuste, os recursos para custeio terão impacto financeiro de R$ 35 milhões ao ano. Atualmente, o Ministério da Saúde repassa R$ 92 milhões ao ano para o custeio dos CEOs. Com a assinatura da portaria, estes recursos serão de R$ 132 milhões ao ano. Para a implantação dos CEOs, o reajuste é de 50%. O objetivo é financiar a adequação das unidades e a compra de equipamentos. De acordo com a tabela da Coordenação Geral de Saúde Bucal, do Ministério da Saúde, para os CEOs com até três cadeiras odontológicas (tipo I), o recurso aumentará de R$ 40 mil para R$ 60 mil. Já os centros com quatro e seis cadeiras (tipo II) passarão a receber R$ 75 mil, sendo que hoje o valor é de R$ 50 mil. Para os CEOs com mais de sete cadeiras (tipo III), o incentivo, que é de R$ 80 mil, chegará a R$ 120 mil. Além do incentivo para a implantação das unidades, o Ministério da Saúde definiu um aumento de 25% para o custeio dos CEOs. Com a nova regra, o recurso repassado mensalmente para unidades do tipo I passará de R$ 6,6 mil para R$ 8,2 mil, enquanto que o incentivo para o CEO tipo II aumentará de R$ 8,8 mil para R$ 11 mil. O financiamento das unidades do tipo III será elevado dos atuais R$ 15,4 mil para R$ 19,2 mil. Estes recursos são repassados mensalmente para

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manutenção e compra de materiais necessários ao funcionamento de cada centro. O ministro assinou a portaria durante sua participação na cerimônia de abertura do 28º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do 9º Congresso Brasileiro de Saúde, Cultura de Paz e Não Violência, em Maceió (AL). A medida entrará em vigor quando o texto for publicado no Diário Oficial da União. “O aumento dos recursos para o custeio dos CEOs garante aos brasileiros o direito a uma dentição adequada e acesso aos tratamentos bucais”, afirmou Padilha ao assinar a portaria. Integração Segundo a Coordenação Geral de Saúde Bucal, os CEOs poderão fazer parte da Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência, que está sendo criada dentro do Plano Viver Sem Limite, do Governo Federal. As unidades, que formarem parte da rede, receberão 25% a mais de incentivos de custeio para atuarem como referência no atendimento odontológico aos portadores de deficiência e pacientes com necessidades especiais. Cerca de 420 centros podem ser incorporados nesta rede até o final de 2013, de acordo com previsão da Coordenação de Saúde Bucal. Atualmente, existem 890 CEOs no país. Fonte: Agência Saúde

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Odontologia Segura

Gripe A: um assunto atual Lusiane Borges Cirurgiã-Dentista pela UMESP. Formada em Biomedicina pela UNISA/UNIFESP. Especialização em Microbiologia pela Faculdade Oswaldo Cruz, São Paulo. Especialista Doutoranda em Controle de Infecção em Saúde pela UNIFESP. Coordenadora de Cursos para ASB/TSB (APCD, ABO e ALAPOS). Autora-Coordenadora do livro “AST e TSB – Formação e Prática da Equipe Auxiliar”,Editora Santos, 2012. Diretora-Presidente da Biológica Consultoria em Saúde. Diretora Científica da ALAPOS. Membro da OSAP (Organization for Safety and Asepsis Procedures). Consultora Científica da Oral-B, Sercon/Steris e Fórmula e Ação. Membro do Conselho Científico da Odonto Magazine. lusianeborges@uol.com.br

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té o mês passado, mais de 16 milhões de brasileiros foram vacinados, o equivalente a 65,5% da meta da campanha, que pretende atingir 24,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos, trabalhadores da saúde, crianças que tenham entre seis meses de vida e dois anos, além de gestantes e indígenas. Dos que já receberam a vacina, os idosos são maioria (10,7 milhões). A dose trivalente imuniza contra gripes sazonais e a influenza A (H1N1), popularmente conhecida como “gripe suína”. A mesma vacina também pode ser encontrada em laboratórios particulares, onde podem recorrer as pessoas fora do grupo priorizado pela campanha. Nestes locais, a vacina pode ter grande variação de preço, de R$ 50 a R$ 120,00.

rias de uma pessoa contaminada são transmitidas para outra por meio da fala, da tosse, do espirro ou pelo toque, levando o agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz do receptor.

Contra quais gripes a vacina protege? Para 2012, a vacina influenza é trivalente. Isto é, composta por três vírus inativados: vírus similar ao vírus influenza A (H1N1), vírus similar ao vírus influenza A (H3N2) e vírus similar ao vírus influenza B/Brisbane. Ela protege contra as formas mais comuns da gripe nesta temporada e contra o vírus da gripe A (conhecida popularmente como “gripe suína”).

Posso ficar gripado (a) depois de me vacinar? Não, isso é um mito. A vacina contra a influenza contém vírus mortos ou apenas pedaços dele que não conseguem causar gripe. Na época em que a vacina é aplicada, circulam diversos vírus respiratórios diferentes, que podem não ser o da gripe em questão, e as pessoas podem acabar infectadas por não estarem ainda imunizadas. A pessoa pode também pegar um resfriado, já que a vacina não protege contra resfriados.

O que é influenza? A “influenza” é o nome científico do vírus da gripe. É uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. É de alta transmissão, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais, comuns no outono e inverno. Gripe e resfriado é a mesma coisa? Não. A gripe é uma doença grave, contagiosa, causada pelos vírus Influenza (tipos A, B e C). O resfriado é menos agressivo e de menor duração, causado pelo Rhinovírus (com seus vários tipos), sendo que a transmissão entre as pessoas se dá por meio das vias respiratórias. Os sintomas da gripe muitas vezes são semelhantes aos do resfriado, que se caracterizam pelo comprometimento das vias aéreas superiores, congestão nasal, coriza, tosse, rouquidão, febre variável, mal-estar, dor no corpo e na cabeça. Mas, enquanto a gripe deixa a pessoa de cama, geralmente o resfriado não passa de tosse e coriza. A vacina não protege contra resfriados. Quais são os meios de transmissão dos vírus da gripe e do resfriado? A transmissão ocorre quando as secreções das vias respirató-

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A vacina tem alguma contraindicação? A vacina não é recomendada para quem tem alergia à proteína do ovo, isto é, entre aqueles que já apresentaram forte reação alérgica pelo menos duas horas depois de comer ovo. Esse tipo de alergia é bastante rara. A vacina também é contraindicada para quem já teve reações adversas à doses anteriores a um dos componentes da vacina. Nestas situações, recomenda-se passar por avaliação médica para saber se pode ou não tomar a vacina.

Quanto tempo leva para a vacina fazer efeito? Em adultos saudáveis, a detecção de anticorpos protetores se dá entre duas a três semanas após a vacinação e apresenta, geralmente, duração de seis a 12 meses. Fora do período da campanha é possível me vacinar? Sim, mas a vacinação não poderá ser feita pelo SUS. Após a campanha só serão vacinadas a população prisional e pessoas que apresentem condições clínicas específicas. Pessoas com doenças crônicas podem se vacinar? Sim, mas com apresentação de receita médica. Em alguns casos, como os de pacientes com doenças neurológicas, é aconselhável a busca de avaliação médica antes de efetuar a vacinação. Quanto tempo após a vacinação eu posso doar sangue? O doador de sangue fica inapto para fazer a doação pelo período de um mês, a partir da data que foi vacinado contra a Influenza. Depois do prazo, pode fazê-la.

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Produtos e Serviços Dentes mais brancos Sorriso apresenta a nova linha Sorriso Xtreme White, que chega para atender aos anseios dos consumidores mais jovens da marca. O lançamento é composto por duas variantes de gel dental em sabores refrescantes – hortelã e menta fresca – que contém uma fórmula exclusiva que atua desde a primeira escovação. O uso regular do gel dental remove as manchas e previne o amarelamento, além de devolver o brilho e o branco natural aos dentes. A nova linha também disponibiliza a escova de dentes, que possui cerdas de borracha de diferentes tamanhos, alcançando os cantos mais difíceis da boca e ajudando a remover as manchas dos dentes, maximizando o efeito do gel dental. Dados divulgados pela Nielsen revelam que para os brasileiros, a segunda maior preocupação com a estética é ter dentes mais brancos. Segundo o diretor de Marketing de Sorriso, Bruno Siqueira, “a marca identificou uma nova oportunidade de mercado e investe em produtos voltados para o segmento cosmético, com foco em uma comunicação diferenciada para consumidores mais jovens, que estão cada vez mais preocupados com a aparência”. O lançamento da linha aposta ainda em embalagens inovadoras e metalizadas, com um novo formato de bisnaga que permite que o gel dental seja colocado na vertical. www.colgate.com.br

Barra Articulada Dentoflex

Visando uma solução prática e rápida para confecção de uma barra para protocolo, onde o profissional possa obter uma solução confiável e diminuir o tempo de entrega da prótese, a Dentoflex apresenta a mais nova opção para confecção de barra para protocolo: a Barra Articulada Dentoflex. Fabricada em titânio ASTM F136 comercialmente puro, a barra articulada é totalmente ajustável nos seus três eixos de movimento (horizontal, vertical e lateral), de acordo com a distância entre os implantes instalados. A barra possui extensores com êmbolos na sua parte interna, e estes se movimentam no sentido horizontal, permitindo assim que esta barra obtenha um tamanho maior ou menor em extensão, conforme, uma vez mais, a distância apresentada entre os implantes instalados. Os êmbolos podem ser facilmente curvados para obter um melhor direcionamento sobre a curvatura do arco da mandíbula e/ou maxila. O fato de a barra articulada ser montada sobre miruscones (minipilar) permite uma adaptação passiva na inserção da prótese do tipo protocolo. www.dentoflex.com.br

Diagnóstico do câncer bucal

A MM Optics lançou no mercado o Evince, aparelho com tecnologia 100% nacional capaz de diagnosticar em tempo real contaminações e lesões, como o câncer e outras doenças do aparelho bucal. Atualmente, o câncer bucal é o quinto tipo com maior incidência na população brasileira, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em 2010, a entidade registrou 14 mil novos casos da doença no País, dos quais 71% foram detectados em homens. Até a chegada do Evince ao mercado, o diagnóstico deste tipo de câncer era feito através de biopsia, método invasivo e que muitas vezes provoca dores aos pacientes. “Conseguimos desenvolver um equipamento que detecta o câncer bucal e outras patologias odontológicas de maneira não invasiva e bastante seletiva. O Evince utiliza-se de luz LED ultravioleta para reconhecer lesões por fluorescência óptica. Isso ocorre em tempo real, então, a avaliação e o diagnóstico tornamse extremamente rápidos e precisos”, comenta o diretor industrial da MM Optics, Fernando Mendonça Ribeiro. Conforme explica Ribeiro, a principal inovação do equipamento está na detecção de doenças bucais impossíveis de serem vistas a olho nu. “Atualmente a maior parte do diagnóstico dessas patologias, com exceção do câncer, é feito a olho nu, o que abre espaço para possíveis equívocos”, completa o diretor industrial da MM Optics. Além do câncer bucal, o número de doenças e infecções odontológicas detectadas pelo Evince é extenso. Cáries incipientes, placa bacteriana, herpes labial, mucosite, aftas, existência de microtrincas nos dentes, retração gengival e desmineralização do esmalte dental estão entre as patologias detectadas com precisão pelo equipamento da MM Optics. www.mmo.com.br

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Produtos e Serviços Medicina bucal No Brasil é comum o serviço odontológico ser separado do serviço médico. Os locais de atendimento são diferentes e até mesmo os convênios são diferenciados. Mas, esse quadro está mudando. Em abril deste ano foi aprovado, por unanimidade no Congresso Nacional, o Projeto de Lei 2776/08, que torna obrigatória a presença de cirurgiões-dentistas nas UTIs. Mas para que essa ação seja eficaz, o profissional da Odontologia precisa conhecer a rotina do hospital. Atenta a este cenário, a editora Santos, integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional, lança o primeiro livro atualizado que capacita os profissionais odontológicos no ambiente hospitalar. A última obra sobre este assunto foi lançada, no Brasil, há aproximadamente 30 anos. Medicina Bucal: A Prática na Odontologia Hospitalar foi escrito pelo mestre e doutor em Patologia Bucal, Paulo Sérgio da Silva Santos, e pelo cirurgião-dentista, Luiz Alberto Valente Soares Junior. A obra aborda questões centrais sobre medicina bucal e de que forma melhorar o atendimento em ambientes hospitalares. O autor Paulo Sérgio ressalta que o principal objetivo do livro é aproximar o cirurgião-dentista da realidade no ambiente hospitalar. “Esta obra é uma importante fonte de estudo para capacitar residentes e profissionais do segmento e, consequentemente, dar um passo importante na melhoria desse atendimento”, afirma o especialista. Estudos mostram que a pneumonia hospitalar, que se instala após 48 horas da internação do paciente, é responsável por 10% a 15% de todas as infecções adquiridas em hospitais, e de 20% a 50% dos óbitos dos pacientes. Ainda de acordo com a pesquisa, essa infecção é decorrente de higiene bucal deficiente em pacientes hospitalizados, especialmente os internados em UTIs. “É importante que a responsabilidade pela prestação de cuidados de saúde bucal seja compartilhada com todos os profissionais de saúde – médicos e cirurgiões-dentistas – em um processo cuidadosamente organizado. Os cuidados com a saúde bucal podem melhorar a saúde geral e a qualidade de vida de pacientes internados”, afirma Paulo Sérgio. www.grupogen.com.br 100 95 75

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Esterilização em foco A Tiny Mini-incubadora Tempel foi desenvolvida para a importante função da observação dos ciclos de esterilização em autoclaves a vapor, com a utilização de indicadores biológicos. A mini-incubadora conta com características de funcionamento e previne quanto aos cuidados que devem ser realizados para que obtenham resultados satisfatórios no processo de incubação, bem como obter o aumento da vida útil do seu equipamento. Diferenciais apresentados pelo equipamento » Capacidade: cinco indicadores biológicos simultâneos para monitorar ciclos de esterilização a vapor. » Alta precisão de temperatura. » Abertura para aplicação de termômetro (conferência de temperatura de incubação). » Ciclo: 48 horas. » Temperatura de incubação: 57ºC. » Garantia de 12 meses. O equipamento conta com abertura central para inserção de termômetro para monitoramento da temperatura e led indicador de temperatura de incubação, que alterna entre períodos de ligado e desligado, indicando ao usuário que a Tiny Mini Incubadora atingiu 57ºC. Este processo visa o controle da infecção feita com os indicadores biológicos para esterilização a vapor. Caso o indicador controle não dê positivo, é possível que possa existir algum problema com o lote de fabricação dos indicadores, com o seu armazenamento, com sua autoclave ou ainda com a incubadora. www.tempel.ind.br

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Odontologia Veterinária: competência do médico ou do dentista? A Odontologia Veterinária é área de competência do médico veterinário ou do dentista? Com um pouco de informação essa polêmica pode acabar. Por: Célia Gennari

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egundo Dr. Marco Antonio Gioso, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – FMVZ-USP, é natural que ocorra certa discussão, pois a área de Odontologia ainda é nova. Os veterinários, que praticamente negligenciaram os procedimentos odontológicos até a década de 1990, começaram a contar com a ajuda de dentistas para a resolução de casos clínicos ou experimentação. Os dentistas, como profissionais solidários, auxiliaram de maneira ética nesse desenvolvimento. Mas, hoje, os veterinários estão capacitados a atuarem na área. Pois, para ele, entre as especialidades em expansão apontadas como as áreas mais promissoras na Medicina Veterinária, estão os segmentos de Fisioterapia, Oncologia, Docência, Marketing e Odontologia. O professor citou a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia (EUA), como exemplo, onde existe, há muitos anos, residência em Odontologia para médicos veterinários, na qual ele teve a oportunidade de exercer a atividade por quase dois anos. Ele lembrou que outros hospitais, incluindo particulares, possuem esse tipo de programa para veterinários. Para se ter uma ideia, em 2013, acontecerá a 22ª edição do Congresso Europeu de Odontologia Veterinária (22 nd European Congress of Veterinary Dentistry) em Praga, na República Checa. Trata-se de um encontro educativo e científico de médicos veterinários e outros profissionais que têm interesse em Odontologia animal, Medicina oral e cirurgia oral. O evento vai combinar com o 12 º Congresso Mundial de Veterinária Dental (12 th World Veterinary Dental Congress). Dr. Gioso percebe que há grande procura pelos veterinários e estudantes de todo o Brasil, por cursos de Extensão Universitária em Odontologia, incluindo dentistas da área humana. “Mensalmente recebo a visita de dentistas interessados em lidar com animais”, comentou. Entre as razões principais, a de cunho científico, vem de profissionais que são professores ou

pós-graduandos e que querem proceder a experimentos com animais. A outra é de interesse financeiro. Segundo Dr. Gioso, no entanto, é ilusão acreditar que a Odontologia Veterinária possa render grandes lucros aos dentistas da área humana. Ele exemplificou a seguinte situação: um proprietário, caso tivesse seu animal operado por um dentista, teria também que arcar com os custos do anestesista: o veterinário. Os custos seriam altos e o retorno pequeno. “Essa foi uma das razões que fez os dentistas americanos abandonarem a área”, argumentou. Aprendizado e competências A lei que regulamenta a profissão do médico veterinário é a Lei Federal de nº 5.517, a qual deixa claro que “...é de competência privativa do médico veterinário o exercício da clínica dos animais”, porque tal profissional sabe, como veterinário, proceder a uma enterotomia em equino, cão, gato etc.. “Poderíamos fazê-la na espécie humana, mesmo estando em uma cidade em que não houvesse médico habilitado? As intervenções oftálmicas em animais deveriam, então, ser feitas por médicos oftalmologistas?”, questionou. Para isso, ressaltou que existem leis regulamentando as profissões e protegendo a sociedade. Para quem fez o curso de Odontologia (Humana) da Faculdade de Odontologia da USP, terminado em 1999, nos idos de 1989, quando não havia professores veterinários debruçando-se sobre o assunto, Dr. Gioso vivenciou que o aluno aprende os procedimentos totalmente voltados ao ser humano, sendo incompetentes a exercê-los em animais. “Para que o veterinário pudesse entender o manejo de um animal, teve que aprender anatomia das várias espécies, fisiologia, farmacologia, parasitologia, nutrição, semiologia, clínica, cirurgia, etc, que muito diferem do homem”, argumentou. Por volta de 70% do curso de Odontologia humana não tem

* Dr. Marco Antonio Gioso é médico veterinário especializado em Odontologia Veterinária pelo AVDC dos EUA, formado pela FIA em Marketing, coach de executivos, palestrante e professor doutor livre docente do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – FMVZ-USP e conselheiro da ABOV – Associação Brasileira de Odontologia Veterinária.

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aplicação prática em veterinária. Como exemplo, grande parte das matérias baseia-se nas lesões cariosas (e consequente tratamento restaurador ou profilático), as quais são pouco frequentes nas espécies domésticas. Também as próteses, ortodontia, cirurgias maiores e patologia bucal, são de pouca valia em Odontologia veterinária, ao menos na experiência do Dr. Gioso e na daqueles veterinários especialistas com os quais conviveu nos EUA. Uma boa medida, segundo ele, são as residências, estágios de longa duração em hospitais, escolas e clínicas, no Brasil ou exterior. “Precisamos dos dentistas? Indubitavelmente, sim. No entanto, esse relacionamento interprofissional deve alicerçar-se na lei e principalmente na ética”, explicou. Hoje contamos com curso de especialização, como o da USP, quando o profissional médico veterinário terá todo conteúdo necessário para sua especialidade. “Há 10 anos, estes cursos não existiam”, lembra o Prof. Gioso, criador do primeiro curso. O veterinário pode solicitar o dentista para alguma intervenção, mas no intuito de adquirir determinados conhecimentos que, por questões de evolução da profissão, ele não obteve na escola. E o dentista deve saber seu papel relevante do ponto de vista de externar seu conhecimento ao veterinário, que

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adaptará ao animal e procurará aperfeiçoá-lo por meio de cursos específicos que existem por todo o país e por meio da atual e crescente literatura da especialidade. Como exemplo, citou o “Journal of Veterinary Dentistry”. Para ele, no entanto, esse encontro não deve se tornar rotineiro, pois o fato de o veterinário servir meramente como anestesista de um médico, dentista ou outro profissional, o desagrada. Em São Paulo, o Centro Odontológico Veterinário – Odontovet realiza exclusivamente intervenções odontológicas e pertence a dois veterinários. O PROVET realiza atendimento de casos odontológicos, desde sua formação, há quase 20 anos, e foi inclusive a primeira no hemisfério sul do planeta, e a segunda clínica exclusiva em Odontologia do mundo, sendo fundada em 1994, na Capital de São Paulo. “Temos vários profissionais atuando na área que militam na clínica particular, desenvolvendo trabalhos na especialidade, em vários estados brasileiros”, disse. Na Europa existe uma associação que congrega especialistas, assim como na Espanha, Austrália, Canadá, França, Inglaterra, Japão, Áustria e outros. No Brasil, em 2002, foi fundada a Associação Brasileira de Odontologia Veterinária – ABOV, do qual o Dr. Marco Antonio Gioso, de São Paulo/SP, foi o primeiro presidente e hoje, em sua quarta gestão, é membro consultivo. Entre outras finalidades ela quer estimular o treinamento odontológico adequado de estudantes, pesquisadores e docentes em faculdades ou instituições de pesquisa; organizar e promover reuniões, seminários, encontros, cursos, congressos de âmbitos regional, nacional ou internacional, visando o aprimoramento técnico-científico de seus associados, além da campanha de saúde oral anual. O modelo americano para se conseguir um título de especialista na área funciona da seguinte forma: o veterinário americano recebe o título de especialista em cirurgia geral, odontologia, cardiologia, anestesiologia, etc, dados pelos Colégios destas especialidades. Com algumas variações, conforme o caso, exige-se um tempo mínimo de graduação (em Odontologia, são cinco anos), fotografias, filmes e tudo que prove que a clínica/hospital é equipada com os mais modernos aparelhos, um mínimo de casos atendidos nos últimos anos (500 para Odontologia), currículo e um orientador que já tenha o título. Não se exige mestrado ou doutorado. Toda documentação e centenas de dólares são enviados ao Colégio, que após alguns meses de análise envia a resposta ao interessado informando se o mesmo está ou não apto a realizar os exames que variam de dois a três dias. Podem ser escritos, orais e práticos. O interessado arca com todas as despesas inclusas e, no de Odontologia, ainda, leva consigo todos os materiais e instrumentais, como fotopolimerizador, amalgamador, resinas, instrumentos cirúrgicos, canetas. Eles fornecem apenas o aparelho de radiografia e os animais. A taxa de repetência é alta, chegando a 70% no de Odontologia. Há três chances em cinco anos nesta especialidade. O veterinário que é aprovado pode, a partir de então, utilizar o termo “especialista”. Hoje há uma demanda enorme por eles nos Hospitais Veterinários. Segundo Dr. Gioso, nos EUA não existe o receio de perder um cliente ao encaminhar um caso, pelo contrário, “muitos clientes já sabe o que significa ter seu animal atendido por um veterinário especialista, inclusive buscando hospitais que os contratam”. No Brasil, há os que querem dar o título aos veterinários que têm apenas o Mestrado ou Doutorado. Será que esse título

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Histórico da Odontologia Animal Em 1976, foi criada nos EUA, a “American Veterinary Dental Society”, na cidade de Michigan. Em 1987 e 1988, foram criados a “Academy of Veterinary Dentistry” e o “American Veterinary Dental College” – AVDC. Esse último outorga o título de especialista em Odontologia Veterinária, após uma série de requisitos e exames teóricos e práticos, inclusive para brasileiros. O início das especialidades ocorreu nos EUA na década de 1960 e, no Brasil, desde os anos de 1980.

permite caracterizar o conhecimento do veterinário como especialista? Dr. Gioso não acredita nisso. Posição das Associações quanto às funções A Associação Americana de Medicina Veterinária (American Veterinary Medical Association – AVMA), análoga ao Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV, já abordou o tema em plenária e reportou o seguinte: a limpeza, ajuste, grosamento, extração ou reparo dos dentes de animais é função de um médico veterinário, pois requer diagnóstico e tratamento, e demanda conhecimentos de anatomia, fisiologia, comportamento, medicina interna, neurologia, patologia, cirurgia, anestesiologia, matérias que fazem parte do treinamento de um aluno de medicina veterinária. A Associação Americana de Clínicos de Equinos – AACE posicionou-se quanto ao tema, após plenária em 1995, reportando que: a Odontologia Veterinária é prática da medicina veterinária e não deve ser realizada por ninguém mais que um médico veterinário licenciado (com um número do CRMV análogo, aqui nos EUA) ou um technician (técnico ou enfermeiro que também é licenciado, e fez curso específico de três a quatro anos em escola oficialmente reconhecida pela AVMA; escolas essas que não existem de maneira análoga no Brasil), desde que esse esteja sob supervisão de um médico veterinário. A Associação Britânica de Medicina Veterinária (British Association of Veterinary Medicine ), análoga ao AVMA, ou CFMV, também, afirma que é ilegal a qualquer pessoa que não um médico veterinário, realizar qualquer ato cirúrgico no Reino Unido. Mas, a Associação Britânica de Médicos Veterinários de Equinos (British Association of Equine Veterinarians) sugeriu que o grosamento de pontas dentais não é um ato cirúrgico e que pode ser efetuado por um leigo, desde que tenha recebido treinamento adequado. Todavia, a extração ou qualquer outro tratamento bucal é ato ilegal. Essa resolução remonta, no entanto, de 1966, quando não existiam práticos com o interesse que hoje ocorre. De qualquer forma é difícil, de acordo com Dr. Gioso, acumular provas concretas e cabíveis contra quem segue ou não as leis, uma vez que os proprietários não têm a intenção de denunciar aos conselhos, pois o preço cobrado pelo prático é inferior ao do veterinário e mesmo quando há erros, deparam com a questão dos contratos de seguro de animais de grande valor. O fato é que, se um procedimento resultar em danos ou morte do animal, as empresas de seguro não cobrirão qual-

quer valor se esse prejuízo tiver sido realizado por pessoa não qualificada, podendo assim, comprometer o contrato efetuado por toda a vida do animal. No Brasil, já existem esses práticos atuando, embora em número ainda pequeno. Por lei, é vetada a atuação de tais práticos, mesmo que sejam dentistas ou outros profissionais. “É, de minha opinião, inaceitável o fato de alguém alcunhar-se de dentista de equinos, uma vez que esse título deve ter caráter oficial, e não é de meu conhecimento que exista qualquer entidade oficial, do tipo CFMV, CFO, MEC, que o forneça na atualidade”, disse Dr. Gioso, que desenvolve estudos e atende casos na área odontológica também de grandes animais. Dr. J. Geoffrey Lane, veterinário do Reino Unido e da Universidade de Bristol, lembra que deverá existir cooperação entre o profissional e o prático, para o melhor bem-estar do animal. Dr. Gioso compartilha da ideia do Dr. Lane, mas que o prático tenha o treinamento adequado e seja supervisionado por um médico veterinário. “Afinal, se estudamos a vida toda para poder receber o título de médico veterinário e temos nossa competência vigiada pelos órgãos oficiais e respondemos pelos nossos atos profissionais, é justo que alguém, após alguns meses de curso e uma prova, obtenha um título de especialista?”, questionou.

Associação Brasileira de Odontologia Veterinária Animal A ABOV tem por finalidade congregar os médicos veterinários e acadêmicos de Medicina Veterinária interessados pela especialidade, visando ao estudo, ao ensino e à pesquisa da Odontologia Veterinária e de domínios afins; estimular o treinamento odontológico adequado de estudantes, pesquisadores e docentes em faculdades ou instituições de pesquisa; organizar e promover reuniões, seminários, encontros, cursos, congressos de âmbitos regional, nacional ou internacional, visando ao aprimoramento técnico-científico de seus associados; estimular o intercâmbio de informações com entidades congêneres, nacionais ou estrangeiras, de âmbito médico-veterinário, médico, de estomatologia e Odontologia ou correlato, e com a sociedade em geral (público leigo), especialmente visando à progressão da Odontologia Veterinária ou desta comparada; promover a defesa dos interesses de seus associados, isolada ou conjuntamente com outras entidades, especialmente a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais, a Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, o Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária, Associação Brasileira de Dermatologia Veterinária e o Conselho Federal de Medicina Veterinária, por suas regionais; conceder, segundo a legislação pertinente e vigente, o título de especialista na área afeta; e representar e prestar serviços técnico-científicos e periciais, remunerados ou gratuitos, junto a órgãos públicos e privados em assuntos ligados à Odontologia Veterinária.

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Atendimento diferenciado aos nefropatas Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, 5% da população brasileira sofrem com alguma disfunção renal, ou seja, 10 milhões de pessoas no Brasil. Esses pacientes precisam de atenção redobrada, e essa atenção inclui o tratamento bucal diferenciado. Por: Vanessa Navarro

Nathalie P. M. de Rezende Mestre e Doutora em Patologia Bucal pela FOUSP. PósDoutoranda em Patologia Bucal. Professora do Curso de Especialização em Odontologia para Pacientes Especiais da FUNDECTO.

Odonto Magazine - Como o profissional de saúde bucal pode reconhecer o paciente nefropata? Nathalie P. M. de Rezende - O profissional de saúde bucal deve ter em mente que existem diversos tipos de pacientes nefropatas, e que estas patologias de base são muito diferentes entre si. Entre as nefropatias, podemos citar as nefropatias congênitas e as adquiridas, que muitas vezes levam à insuficiência renal, que pode ser aguda ou crônica. A insuficiência renal possui diversos métodos de tratamento, que incluem tratamento medicamentoso, diálise, hemodiálise e, como última opção, o transplante renal, que melhora bastante a qualidade de vida do paciente, mas não a sobrevida. O cirurgião-dentista deve, através de uma anamnese detalhada, colher toda a história médica do paciente, com dados sobre a evolução da doença, medicações em uso, e presença de comorbidades, sendo as duas mais comuns nestes pacientes a hipertensão arterial e o diabetes. Durante o exame físico devemos identificar manifestações ligadas a estas alterações como edema das extremidades, de pálpebras, presença de fístula artério-venosa, hálito urêmico, coloração pálida de pele e mucosa. Exames complementares como hemograma, ureia e creatinina ajudam na identificação de anemias e na avaliação da função renal. Odonto Magazine - Quais são as alterações bucais apresentadas pelos pacientes nefropatas? Nathalie P. M. de Rezende - Os pacientes portadores de insuficiência renal crônica possuem uma restrição de ingesta de lí-

quidos. Este fato geralmente está relacionado à xerostomia, que acaba levando ao aumento no número de cáries, principalmente cervicais e radiculares. Outra manifestação que pode acometer estes pacientes é a estomatite urêmica. Pacientes pediátricos e com insuficiência renal crônica apresentam um maior número de dentes com hipoplasia de esmalte. Já pacientes transplantados renais e que fazem uso de drogas imunossupressoras como a ciclosporina e de anti-hipertensivos, como bloqueadores de canais de cálcio, podem apresentar hiperplasia gengival medicamentosa. Odonto Magazine - Existe um protocolo de atendimento odontológico para esses pacientes? Nathalie P. M. de Rezende - Não há um protocolo odontológico para estes pacientes, principalmente porque a maioria deles apresenta mais de uma doença de base. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados em determinados casos. Em pacientes com Insuficiência Renal Crônica e que realizam hemodiálise, devemos realizar o tratamento odontológico em dias alternados aos da hemodiálise, por três fatores: risco de sangramento aumentado após a hemodiálise (devido à veiculação de heparina durante a mesma), desequilíbrios eletrolíticos e cansaço do paciente (a hemodiálise dura aproximadamente quatro horas). Se estes pacientes possuem fístula arteriovenosa para a hemodiálise, deve-se considerar a realização de profilaxia antibiótica prévia aos tratamentos odontológicos invasivos. Nestes casos, opta-se pela veiculação de vancomicina, um antibiótico não dia-

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Entrevista lizável, na hemodiálise do dia anterior ao procedimento odontológico. Nestes pacientes nunca devemos aferir a pressão arterial no braço com a fístula arteriovenosa, pois podemos danificá-la. Quanto à terapêutica, devemos evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroidais, salicilatos e tetraciclina. Caso os pacientes possuam outras comorbidades como a hipertensão arterial e o diabetes, devemos também aferir a pressão arterial e a glicemia capilar previamente aos procedimentos odontológicos. Odonto Magazine - Como é possível evitar infecções odontológicas no decorrer do tratamento dentário do paciente nefropata? Nathalie P. M. de Rezende - As infecções odontológicas podem ser evitadas, em primeiro plano, através de exames dentários de rotina e tratamento odontológico que vise à remoção de focos infecciosos e a manutenção da qualidade da saúde bucal. Em pacientes que apresentam quadros de xerostomia, a utilização de saliva artificial auxilia na umidificação da mucosa, impedindo que restos alimentares fixem-se sobre os dentes, auxiliando na autolimpeza, e mantendo o pH bucal, fato este que auxilia também na prevenção de infecções fúngicas, como a candidíase. Pacientes transplantados renais tendem a apresentar um maior número de infecções, principalmente fúngicas e virais, que devem ser diagnosticadas o mais precocemente, por meio de exames físicos minuciosos e tratadas de maneira eficaz. O uso de drogas sistêmicas nestes casos, principalmente o de antifúngicos, pode provocar interações medicamentosas com imunossupressores, como a ciclosporina e a azatioprina, e, portanto, devem ser prescritas em conjunto com a avaliação médica. Odonto Magazine - O bom relacionamento com o nefrologista que atende este paciente é imprescindível para realizar um tratamento odontológico seguro e eficaz. Quais são os passos a serem seguidos pelo cirurgião-dentista? Nathalie P. M. de Rezende - O contato com o médico responsável é imprescindível para o tratamento odontológico de todo paciente portador de doenças sistêmicas crônicas. É importante que o cirurgião-dentista solicite, por escrito, o histórico médico do paciente, com o diagnóstico correto da nefropatia em questão, as comorbidades presentes no paciente, medicações em uso e estado atual do paciente. Com estas informações em mãos, o cirurgião-dentista poderá realizar o plano de tratamento adequado a cada paciente. Odonto Magazine - Como o profissional de saúde bucal pode auxiliar na programação de atendimento odontológico alternado com as possíveis sessões de hemodiálise? Nathalie P. M. de Rezende - Pacientes realizam hemodiálise as terças, quintas e sábados, ou às segundas, quartas e sextas. O atendimento odontológico aos pacientes que fazem hemodiálise deve ser realizado em dias alternados aos da hemodiálise. As cirurgias devem ser evitadas as segundas (no primeiro grupo de pacientes) e aos domingos (segundo grupo), pois nestes dias a uremia tende a estar bastante elevada, aumentando o risco de sangramento transoperatório. Caso haja necessidade da prescrição de um antibiótico (para cirurgia, tratamento endodôntico ou periodontal), solicitamos ao médico que veicule vancomicina durante a hemodiálise. Este antibiótico não é dializável e possui efeito por cerca de cinco dias. O tratamento odontológico que necessite de cobertura antibiótica deve ser programado e realizado neste período, a fim de aproveitarmos a cobertura antibiótica e evitarmos a prescrição de outro ciclo de antibióticos.

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Odonto Magazine - Como avaliar a necessidade de intervenção medicamentosa durante o atendimento odontológico? Nathalie P. M. de Rezende - O tratamento medicamentoso durante o tratamento odontológico varia de acordo com a situação sistêmica do paciente. De modo geral, em pacientes com insuficiência renal crônica não prescrevemos anti-inflamatórios não esteroidais e tetraciclinas, por serem drogas de metabolização e excreção renal. Também não prescrevemos salicilatos ou outras drogas antiagregantes plaquetárias, pois a uremia que estes pacientes apresentam também possui efeito antiagregante plaquetário. No caso de dor, podemos optar pela prescrição de paracetamol, e caso seja necessário o uso de uma droga anti-inflamatória, optamos pelo uso de corticoide, em baixa dosagem, em dose única diária pela menor quantidade de tempo possível. Já nos pacientes transplantados renais, poucos são os relatos de dor, fato explicado pelo uso contínuo de corticoides pela grande maioria dos pacientes. Especial atenção deve ser dada à prescrição de drogas que interagem com os imunossupressores, avaliando-se a dose e duração do tratamento. Odonto Magazine - O paciente nefropata pode se apresentar debilitado física e emocionalmente. Como o cirurgião-dentista pode auxiliar nas questões psicológicas? Nathalie P. M. de Rezende - Quando falamos de pacientes especiais, muitas pessoas dizem: “para tratar estes pacientes é preciso muita paciência”. Este fato é verdade, mas não isolado. Além de paciência e tempo disponível para consultas mais longas, precisamos também de conhecimentos. A principal arma que temos dentro do tratamento odontológico, além dos conhecimentos específicos, é a capacidade de criarmos um vínculo de confiança com o paciente, para que o tratamento transcorra da maneira mais tranquila possível. Nestes pacientes isso se dá através de consultas sem pressa, onde o principal foco é a saúde. O cirurgião-dentista que sabe perguntar, identificar, e conversar sobre a doença de base do paciente, assim como explicar a ele o que é necessário para o correto tratamento odontológico nestes casos, com certeza consegue um vínculo com este paciente, auxiliando não só no tratamento odontológico, mas na saúde geral. Mas, vale ressaltar que não somos psicólogos, nem profissionais habilitados para tratar psicologicamente estes pacientes. Cabe a nós identificar alterações de comportamento nestes pacientes e encaminhá-los aos psicólogos, terapeutas e psiquiatras para o tratamento em questão. Odonto Magazine - Como o cirurgião-dentista deve proceder caso haja a necessidade de uma intervenção odontológica mais invasiva? Nathalie P. M. de Rezende - No caso de tratamentos cirúrgicos, devemos solicitar a estes pacientes exames complementares, como hemograma completo, coagulograma completo, ureia e creatinina. No caso de pacientes que também apresentam diabetes, solicitamos também glicemia em jejum e hemoglobina glicada. Os exames solicitados devem ser então avaliados, principalmente no que diz respeito à anemia, alterações de tempo de sangramento e funções renais. Nos pacientes com insuficiência renal crônica, optamos por fazer a cirurgia sempre no dia após a diálise, quando o paciente, em teoria, encontrase mais estável. Para pacientes transplantados renais, a observação de neutropenia nos exames de sangue é importante, e é um fator a ser levado em conta para a realização de terapia e/ ou profilaxia antibiótica.

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Equipe interdisciplinar: qualidade no tratamento das DTMs e da dor orofacial

Marina Montenegro Rojas Cirurgiã-dentista. Membro da Diretoria da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD Pinheiros) e da Coordenação do Projeto Odontocomunidade – CIOSP. Cirurgiã- Dentista do Programa Saúde da Família da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Docente da Equipe Biológica nos Cursos para Auxiliares - APCD e ABO. Consultora em Odontopediatria do site “multiplos.com.br”. marinamr2006@gmail.com

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em, nas outras edições sempre abordamos questões referentes à equipe auxiliar, ao comportamento e postura profissionais, à atualização e capacitação constantes, relacionamento interpessoal, mas não podemos nos esquecer de ampliar nosso olhar em relação aos pacientes e, portanto, ampliar nossa equipe, interagir com outras áreas. Cada vez mais se fala e se estuda sobre alterações na ATM (articulação temporomandibular) e dor orofacial. A disfunção temporomandibular (DTM) afeta ligamentos, ossos e músculos da face, dentes e estruturas de suporte dentário. Tem origem multifatorial, relacionada aos hábitos parafuncionais, como bruxismo, morder lábios e objetos, roer unhas, mastigar chicletes, alterações posturais, maloclusão ou pode apresentar fatores emocionais, como estresse, depressão e ansiedade ou fatores físicos, como trauma. Alguns medicamentos podem induzir ou agravar essa situação. Pode ser assintomática ou não, causando dor e desconforto na região da boca, face, cabeça, ouvido, pescoço ou ainda artrite, artrose, deslocamentos de disco, limitação de abertura de boca. O paciente muitas vezes não associa um problema oclusal e/ou postural com suas cefaleias, DTM ou dores faciais e, geralmente, a coluna cervical é fator desencadeante para tais. Infelizmente os pacientes procuram atendimento quando a dor ou outro sintoma já interfere na sua vida, muitas vezes com estágio avançado do problema. Submetem-se a avaliação médica de várias especialidades e exames diversos de alto custo, sem chegar a um diagnóstico preciso. O correto diagnóstico é fundamental para um adequado plano de tratamento, de modo integral, visando redução da dor, restabelecimento da função muscular e articular, além de resgatar qualidade de vida ao paciente. Assim, história médica e dentária completa, exame clínico detalhado intra e extrabucal e radiografias adequadas ou outros exames complementares são necessários. É interessante visualizar os episódios mais

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marcantes em sua vida, a fim de estadiar o momento em que se desencadeou a dor ou problema. Há sinais clássicos, como desgastes dentais, lesões de abfração (desgaste na cervical), língua e mucosa jugal edentadas. Cabe ao cirurgião-dentista especializado o controle das dores orofaciais, identificando fatores contribuintes, desencadeantes e perpetuantes. Tratamentos conservadores e pouco invasivos são sempre a primeira escolha. Embora não exista cura para a DTM, há diversos métodos para reduzir consideravelmente os sintomas: educação/ conscientização do paciente e autocuidado, relaxamento e controle do estresse, redução ou remoção de hábitos parafuncionais e interferências oclusais, restaurações, anti-inflamatórios e miorrelaxantes, placas de mordida/bruxismo para alívio da dor, relaxamento, equilíbrio neuromuscular, ortodontia, reabilitação oral e, em casos raros e específicos, cirurgia. Eletroestimulação transcutânea (TENS), ultrassom, laser, massagens, frio, calor, analgésicos, antidepressivos, ansiolíticos, fitoterápicos e infiltrações musculares podem ser realizadas para alívio inicial da sintomatologia dolorosa. Os múltiplos fatores etiológicos ainda podem interagir entre si, apresentando diferentes formas e manifestações, sendo imprescindível a atuação inter/multidisciplinar, com fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, cirurgião-dentista especialista em DTM e dor orofacial, ortodontia, prótese, cirurgia bucomaxilofacial ou acupuntura, médico clínico, fisiatra, psiquiatra, entre outros. Muitos pacientes com cefaleias apresentam sinais e sintomas de DTM, que podem estar presentes ou não em outros problemas. Algumas doenças reumatológicas, como artrite reumatoide, fibromialgia, entre outras, apresentam repercussões na ATM, assim como muitas “dores de ouvido” não são de origem otorrinolaringológicas, e sim devido a problemas articulares. Em algumas cefaleias, principalmente as tensionais,

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o tratamento conjunto do neurologista com um especialista em DTM e dor orofacial é mais eficaz. Há casos em que um otorrino ou reumatologista complementam a equipe. A fonoaudiologia avalia postura, tonicidade, mobilidade, funcionalidade da língua e musculatura orofacial no repouso e na respiração, mastigação, deglutição e fala, além de dores ou sintomas e alterações vocais e auditivas. A psicologia identifica possíveis fatores psíquicos e comportamentais, como estresse, ansiedade e traumas, que podem aumentar a atividade muscular, gerando espasmo e fadiga, prejudicando a harmonia do sistema. Além disso, muitos pacientes apresentam depressão e baixa autoestima, dificultando o convívio social, familiar e profissional. A fisioterapia examina possíveis alterações posturais e sintomatologia que acarretam distúrbios de tônus muscular e motricidade cervical e facial, assim como dores articulares. Associada ao tratamento odontológico, traz resultados positivos, utilizando técnicas de relaxamento da musculatura facial e cervical, mobilizações articulares e teciduais e correção postural. A acupuntura promove o alívio rápido da dor e o relaxamento muscular, trazendo bem-estar e conforto, além da função mandibular. É tão efetiva quanto às placas oclusais, principal-

mente se associada a outras formas de tratamento. A terapia ocupacional busca recuperar a função humana, melhorar ações motoras e mentais, reabilitar através de atividades específicas, restabelecer o indivíduo em sua totalidade, seja no aspecto físico, mental ou social, para que alcance o nível máximo de funcionalidade e independência. A DTM é uma condição e não uma doença, e deve ser controlada mais do que curada. Qualquer tratamento deve ter sempre um caráter funcional, por isso é importante entender os vários tipos de alterações e a variedade de fatores etiológicos. A equipe precisa perceber que, para cada diagnóstico há um tratamento apropriado, com diversas atuações, e não uma única solução. Além disso, é de suma importância o paciente acreditar, confiar e cooperar com o tratamento, independente do tipo e dos profissionais envolvidos. Cabe à equipe auxiliar, seja de qualquer área, interagir com os demais profissionais, ter consciência da complexidade de cada indivíduo, de cada paciente e saber o quanto são importantes em uma equipe, tanto no vínculo com o paciente como na organização, no atendimento em si e no próprio relacionamento interpessoal com os demais colegas de trabalho.

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Devolvendo sorrisos Um número incalculável de pessoas no mundo são acometidas pela fissura labiopalatal. Somente no Brasil, estima-se que cerca de 280 mil pessoas apresentam a deformidade. A Operação Sorriso visa reverter esse triste quadro, oferecendo cirurgias corretivas gratuitas para crianças em mais de 50 países. Por: Vanessa Navarro

Elisa Maria Campos

Diógenes Rocha Cirurgião-Plástico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Membro do Conselho Multidisciplinar de Saúde da Operação Sorriso.

Odonto Magazine - Como e quando surgiu a Operação Sorriso? Diógenes Rocha - Em 1982, o cirurgião norte-americano Dr. Bill Magee e sua esposa, Kathy Magee viajaram para as Filipinas com um grupo de médicos voluntários para reparar lábios e palatos das crianças com fissura. Quando chegaram lá, descobriram  centenas de crianças  devastadas  pelas deformidades  e, embora  tenham ajudado muitas delas, os voluntários  foram obrigados a dizer não para a maioria  dos que os tinham esperança para transformar suas vidas. Assim, o casal Magee  viu a necessidade  de oferecer um suporte para essas pessoas, e fundaram a Operação Sorriso com esse intuito, de reunir corações generosos do mundo inteiro dispostos a transformar vidas. Odonto Magazine - A ONG realiza programas humanitários por todo o Brasil e em mais 59 países. Quais são as medidas utilizadas para determinar a prioridade de ação do projeto? Diógenes Rocha - Baseamo-nos em três pilares, ainda que flexíveis, para determinar os locais onde levaremos a equipe médica. Essencialmente, priorizamos regiões carentes, com atendimento geralmente precário para fissurados, onde haja pacientes ainda não operados em número significante, que a maioria necessite de atendimento primário e com deficiência de profissionais locais habilitados para este atendimento. Procuramos não apenas atender as demandas dos locais aonde vamos, mas aproveitar a força de trabalho especializada que levamos para fornecer treinamento educacional aos profissionais locais e estimular a autossustentabilidade no atendimento aos fissurados da região. Mais do que fazer a cirurgia, queremos ver as crianças reinseridas na sociedade, estudando, arrumando emprego, dando o primeiro beijo e com a autoestima recuperada. A meta da Operação Sorriso é de sempre desenvolver parcerias para gerar essa capacidade de atendimento na região.

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Odonto Magazine - Quais são os profissionais envolvidos nas ações da Operação Sorriso? Diógenes Rocha - Todos são voluntários, e no programa de atendimento participam: cirurgiões-plásticos, anestesistas, pediatras, clínicos gerais, intensivistas, dentistas, fonoaudiólogos, psicólogos, geneticistas, enfermeiros, assistentes sociais, fotógrafos, biotécnicos e a equipe de coordenação e suporte. Além destes, existem os profissionais e voluntários locais que participam dos cuidados de logística para o agendamento, transporte, alojamento e cuidados gerais com os pacientes e com os acompanhantes. Odonto Magazine - A ONG já realizou mais de 200 mil cirurgias para corrigir fissuras labiopalatinas. Quais são as outras ações do projeto direcionadas para as crianças que sofrem com lábio fissurado? Diógenes Rocha - Além do tratamento em si, existem os programas educacionais, onde são ministrados cursos e treinados profissionais das diferentes áreas no atendimento aos pacientes fissurados. Trabalhamos com grupos estudantis, formando voluntariado e interesse pela causa em diversas universidades do Brasil. Orientamos famílias e reencaminhamos para os hospitais que tratam fissura ao longo do ano, para que tenham acesso ao tratamento o quanto antes. Fazemos advocacy, levando a causa para a sociedade, conseguindo espaços para mobilizar a população e o setor público na luta para que nenhuma pessoa viva com uma deformidade facial que é plenamente corrigível. Em muitos casos, uma vida é transformada em cerca de 50 minutos de cirurgia. Como a fissura aparentemente não causa morte física, tende a ser deixada como secundária nos atendimentos e planos da saúde pública. Mas não faz sentido ainda não termos capacidade de atendimento para todas essas pessoas, hoje estimadas em cerca de 280 mil no país.

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Silvio Romero

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Odonto Magazine - Quais problemas psicossociais podem ser apresentados por uma criança portadora de fissura labiopalatina? Diógenes Rocha - São muitos. Desde o nascimento, o fato de o filho ser portador de deformidade facial já causa grande impacto nos familiares, gerando constrangimento e sentimento de culpa, mesmo não sendo os familiares responsáveis pelo aparecimento da fissura. Sem tratamento, a presença da deformidade facial visível, as alterações na fala, na maioria das vezes ininteligível, geram graves repercussões para o desenvolvimento e integração da criança na sociedade, interferindo, principalmente, no seu desenvolvimento escolar. Mesmo quando operada, porém com resultados insatisfatórios, os estigmas da fissura labiopalatina, como cicatrizes labiais visíveis, deformidades do nariz, fala fanhosa, por vezes redução da audição, dentes e arcadas dentárias comprometidas, face retruída são fatores que geram sérios problemas para o desenvolvimento e integração social desta criança junto à sociedade. Os problemas psicossociais gerados pela fissura são relevantes e devem ser alvo de atenção, desde o nascimento, junto aos pais, e principalmente durante toda a fase de desenvolvimento da criança. Odonto Magazine - É possível apresentar a redução no índice de crianças portadoras de fissura labiopalatina no Brasil após 15 anos de atuação da ONG? Diógenes Rocha - O aparecimento da fissura labiopalatina é de natureza não bem conhecida, sendo considerada como de cau-

sas multifatoriais, onde vários fatores podem interferir no processo de formação da face nas primeiras semanas de gestação, desde os genéticos e, principalmente, os ambientais. Não tendo uma causa bem definida, é difícil uma atuação preventiva. Entretanto, nos programas assistenciais da Operação Sorriso, além do tratamento em si da deformidade, a participação de geneticistas, colhendo amostras genéticas dos pacientes e familiares, e dos demais profissionais, levantando conjuntamente dados das condições nutricionais e das doenças nas famílias e comunidades atendidas, contribui, com toda certeza, para um melhor entendimento da formação da deformidade, bem como na redução do índice de aparecimento da mesma. Através da parceria com o Projeto Genoma Humano, da USP, geneticistas viajam conosco para todos os programas humanitários do Brasil e colhem material genético para estudo. Assim, ampliamos o conhecimento das causas e trabalhamos em busca da informação científica. Até então, o tema era pouco estudado, essas estatísticas sequer são conhecidas no nosso país. Os números que temos são de uma estimativa da Organização Mundial de Saúde. Odonto Magazine - O projeto conta com o auxílio de voluntários. Quais são as exigências apresentadas para fazer parte dessa corrente do bem? Diógenes Rocha - O projeto é essencialmente desenvolvido com a participação de voluntários vindos de diversas partes do país, como também de voluntários das comunidades locais. No mundo, temos hoje, mais de 5 mil profissionais cadastra-

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dos para viajar, ajudando a transformar sorrisos. No Brasil nossa base de voluntários contém cerca de 200 profissionais. Para se cadastrar, basta entrar no site www.operacaosorriso. org.br e seguir as recomendações. O processo de cadastramento inclui o envio de documentos, treinamento e a aprovação para garantir a qualidade do atendimento dentro dos protocolos internacionais da organização. Odonto Magazine - Todos os envolvidos, seja profissional de saúde ou voluntário, recebem treinamentos periódicos? Diógenes Rocha - Sim. Os profissionais de saúde principalmente. Precisam possuir certificações adequadas e participar dos cursos ministrados pela Operação Sorriso. Começam como observadores, para conhecer protocolos, técnicas e o funcionamento de um programa humanitário, passam por uma avaliação e, só então, podem viajar para participar integralmente. Parece muito, mas todo cuidado é pouco para garantir a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes. Não se pode brincar com a vida das pessoas, e segurança é nosso protocolo número 1. Além disso, não queremos apenas oferecer atendimento/técnico, mas atendimento humanitário, com amor, atenção, alegria, otimismo. Os voluntários se enfeitam, colocam antenas, asas, penduram bolas pelo hospital. Queremos tornar a experiência da transformação em algo positivo, para que o paciente seja o primeiro a acreditar que ele merece ter um sorriso perfeito, como todos nós. Odonto Magazine - A ONG conta com o auxílio financeiro de órgãos públicos e/ou privados? Diógenes Rocha - Dependemos sempre de auxílio financeiro. Sem dinheiro ninguém faz nada. A Operação Sorriso tem custos com passagens, hospedagem, materiais utilizados no programa, logística de carga, alojamento para famílias, alimentação para a equipe, etc. Nosso dinheiro provém majoritariamente de empresas socialmente responsáveis, como Fnazca, Abbott, Ethicon Johnson & Johnson, Colgate, entre tantas outras. Além disso, recebemos doações de cidadãos que também desejam transformar a realidade em que vivemos e colaboram da melhor forma que podem como investimento nessa transformação. Nossa parceria com governos se restringe à permissão da Secretaria de Saúde para atuação nos estados

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e apoio para realizar logisticamente o projeto. Até o momento, não envolve nenhum tipo de repasse financeiro. O mais importante é ressaltar que temos extrema consciência da responsabilidade do controle financeiro e prestação de contas para a sociedade como um todo e, principalmente, para nossos doadores, pessoas que acreditam no nosso trabalho. Por isso apresentamos nossos balanços e contas no site e fazemos questão de trabalhar com transparência e profissionalismo. Somos auditados todos os anos pela Terco Grant Thorton e publicamos os resultados para consulta pública. Odonto Magazine - Como deve agir o profissional de saúde bucal interessado em ingressar no programa médico-humanitário? Diógenes Rocha - Nos programas assistenciais sempre há a participação de um cirurgião-dentista, de preferência com formação em Ortodontia. Na triagem todos os pacientes passam por seu exame e avaliação. Este profissional avalia as condições gerais da saúde bucal do paciente, orienta tratamentos odontológicos e ortodônticos para serem feitos no domicílio por profissionais locais - às vezes não familiarizados com os problemas dos fissurados- desenvolvendo, portanto, uma função também educacional regional. Nos pacientes que vão ser operados o cirurgião-dentista aproveita a anestesia geral, entra em campo cirúrgico e executa as exodontias que ele indicou na triagem. Infelizmente, devido à exiguidade de tempo do programa, não há possibilidade de outros tratamentos odontológicos. Está em andamento um planejamento para que, aproveitando a vinda destes pacientes e, principalmente, familiares de regiões carentes (onde se sabe da carência de cuidados odontológicos locais), aproveite-se a estadia durante o programa cirúrgico e desenvolva um programa de orientação aos cuidados gerais com a saúde bucal e, quem sabe mesmo, tratamentos odontológicos mais simples para beneficiar pacientes e familiares. O profissional de saúde bucal interessado em participar deve se inscrever no site www.operacaosorriso.org.br, em “como ajudar” e, em seguida, receberá as recomendações para as próximas etapas. Quem não puder ajudar viajando, pode ajudar como doador, como voluntário arrecadador ou como multiplicador, ajudando a divulgar os programas e encaminhando pacientes.

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Ponto de Vista

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Ponto de Vista

O uso racional de medicamentos

Alice Granthon de Souza Cirurgiã-Dentista. Implantodontista.

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uso indiscriminado de medicamentos em Odontologia é uma realidade. Muitos fármacos são prescritos sem indicação específica, tanto por um hábito cultural de prescrição medicamentosa quanto por desconhecimento dos cirurgiões-dentistas em farmacologia. Inseridos nesta cultura, os pacientes não aceitam comparecer a uma consulta odontológica ou médica sem receber uma prescrição, por acreditar que não foram diagnosticados de forma correta ou tratados de acordo com esse diagnóstico. Assim, muitos profissionais acabam sendo induzidos pelos pacientes a prescrever desnecessariamente. É notório que pouca relevância é dada à farmacologia durante a formação do cirurgião-dentista. Se, por um lado, anamnese e exames bem feitos levam a um diagnóstico exato de uma determinada patologia, por outro, tal dado não terá significância alguma sobre a prescrição se o profissional não tiver conhecimento sobre a função, posologia e indicação dos fármacos. Estudos mostram que as classes de medicamentos mais prescritas pelos cirurgiões-dentistas são os antibióticos, anti-inflamatórios não-esteroidais e analgésicos, em ordem de frequência. O maior desafio, atualmente, em relação à prescrição indiscriminada de medicamentos na Odontologia é combater o uso equivocado de antimicrobianos. Calcula-se que entre 10 e 50% das prescrições de antimicrobianos ambulatoriais sejam equivocadas, sejam elas por erro de diagnóstico ou erro na escolha do antibiótico. Sabe-se que os antibióticos devem ser prescritos com indicação, seleção e posologia corretas, pois seu uso abusivo tem efeitos adversos, tais como a resistência microbiana. Esta resistência refere-se às cepas de micro-organismos que conseguem se multiplicar em presença de concentrações de antimicrobianos mais altas do que as ingeridas pelos pacientes. O uso indevido dessas medicações acaba selecionando bactérias resistentes ao antibiótico, trazendo um problema de proporções elevadas não só para o paciente envolvido, mas também para o meio em que ele é inserido. As taxas de resistência variam de acordo com a dependência do consumo local de antimicrobianos. O uso apropriado de antimicrobianos significa utilizá-los com

indicação correta, dose, tempo ou intervalo e, principalmente, duração total, corretos. É consenso que antimicrobianos sistêmicos só devem ser selecionados caso o paciente apresente sinais e sintomas infecciosos e não apresentando somente edema, vermelhidão e calor local, que são sinais de inflamação. Ou caso o paciente aponte alguma condição que indique o uso de profilaxia antibiótica, de forma a evitar endocardite bacteriana, como exemplo, próteses valvares, endocardite prévia ou cardiopatias congênitas. Outro equívoco que acontece na hora de prescrever, é a seleção de antimicrobianos para infecções de etiologia viral, pois é de conhecimento geral que antibióticos não têm atuação em patógenos de origem viral ou fúngica, apenas bacteriana. Outra realidade a que estamos inseridos é a automedicação por parte dos pacientes. Visto que as próprias farmácias e indústrias farmacêuticas incentivam esse comportamento por questões, obviamente, financeiras, não podemos controlar o acesso dos pacientes a estas medicações. Cabe a nós informálos de que, ao se automedicarem, podem gerar gastos sem recompensas e, assumir, muitas vezes, a responsabilidade por uma intoxicação, ou por selecionar drogas sem efetividade para o problema em questão. No que diz respeito ao nosso papel, como profissionais de saúde e atuantes diretos na modificação dessa realidade, cabe ressaltar a nossa importância nesta mudança de comportamento: não nos deixar inserir num ciclo vicioso que se inicia com pacientes ávidos por uma medicação milagrosa (que resolva todos os sinais e sintomas de maneira rápida, barata e indolor), gerando prescrições equivocadas por parte dos cirurgiões-dentistas que acabam resultando em pacientes multirresistentes. Tivemos ajuda para modificar esse quadro em 2011, quando a ANVISA decretou que antimicrobianos só devem ser prescritos com receita controlada. Essa medida nos auxilia a focar nossa atenção cada vez mais na necessidade e importância de controlar essas medicações. Caso não haja mudança nesse paradigma, a conta desse problema será paga por nós mesmos, enfrentando casos que seriam de solução simples, mas que começam a apresentar complicações, pois a medicação de escolha não pode ser administrada.

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Coluna - Gest達o

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Coluna - Gestão

Gerenciar pessoas, a arte esquecida Plínio Augusto Rehse Tomaz Cirurgião-Dentista. Master em Empreendedorismo e Inovação (B.I International). Pós-graduação em Marketing (ESPM), com especialização em Saúde Pública (Unaerp) e Administração Hospitalar (IPH). Conferencista internacional. Articulista de jornais e revistas voltados aos profissionais de saúde. Professor de diversas instituições de ensino. Diretor da Tomaz Gestão e Marketing. plinio@tomazmkt.com.br

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lgumas coisas são, de fato, mais críticas e determinantes para o sucesso ou insucesso de uma empresa do que para outras. Uma destas coisas essenciais, muitas vezes negligenciadas, é a equipe de trabalho, isto é, seus funcionários. Segundo pesquisas, cerca de 47% dos dentistas brasileiros trabalham sozinhos, acumulando tarefas, como abrir porta, atender telefone, lavar instrumentais, etc. Aos cuidados com este assunto vamos aqui chamar de Gestão de Pessoas. A inabilidade em recrutar, selecionar e manter uma boa equipe pode ser fatal para os resultados. Pessoas constituem o principal ativo da empresa, daí a necessidade de nos tornarmos mais atentos a elas. Todos os funcionários (coloque-se neste papel, e comprovará que o que digo é verdade) fazem investimentos nas empresas para as quais trabalham, dedicando a elas esforço, responsabilidade, comprometimento, compartilhando riscos, etc, na expectativa de receberem retorno desses investimentos, isto é, salários, incentivos financeiros, crescimento profissional, desenvolvimento de uma carreira, reconhecimento público, etc. Na medida em que o retorno é bom, a tendência é manutenção (ou aumento) do investimento. Simples assim. A Gestão de Pessoas de uma empresa pode ser feita por um departamento ou, no caso de consultórios e clínicas, apenas por um conjunto de coisas importantes para se pensar, definir e atuar. De qualquer forma, os objetivos desta área podem ser assim resumidos: » Ajudar a empresa/profissional a alcançar seus objetivos e realizar sua missão, ou seja, cumprir seu papel e atingir metas. » Reconhecer e premiar as pessoas por tarefas bem realizadas e metas alcançadas. As pessoas melhoram seu desempenho ao perceberem justiça nas recompensas que recebem. Torne claros os objetivos e o modo como eles são medidos. » Aumentar a competitividade da empresa, ao ampliar a produtividade e eficiência da equipe, empregando melhor suas habilidades e competências.

» Aumentar a satisfação de todos com o trabalho. Pode soar estranho para alguns, mas resultados extraordinários só acontecem quando (e se) os empregados estão felizes. Eles devem sentir que estão na função certa e que estão sendo tratados equitativamente. Trabalho é boa parte de nossa (e deles) identidade pessoal. As pessoas despendem a maior parte de suas vidas no trabalho, e isto requer uma estreita identidade com o trabalho que fazem. Empregados insatisfeitos tendem a pedir demissão, faltar com frequência e render pouco no trabalho. » Manter ótimo ambiente e experiência no trabalho, ou seja, conferir um estilo de gerência adequado e dar algum grau de autonomia para que possam tomar decisões. Além disso, elementos, como clima organizacional, temperatura agradável, estabilidade de emprego, carga horária decente fazem parte desta experiência. » Manter regras de funcionamento interno e políticas éticas. Por motivos que deveriam ser óbvios, as pessoas não devem ser discriminadas e seus direitos básicos devem ser garantidos, tanto como pessoas quanto como funcionários. » Trabalho em equipe. Lembre-se que seus funcionários são seres humanos diferentes entre si, com personalidades distintas e possuidores de conhecimentos, habilidades e capacidades diferentes. É a soma de talentos que leva uma empresa ao sucesso, e isso requer a capacidade destas pessoas trabalharem juntas. As pessoas podem ampliar ou reduzir sua dedicação e comprometimento com você e com os resultados que espera, dependendo da maneira como elas são tratadas em termos de respeito e de estímulos. Somente poderemos crescer e prosperar se formos capazes de envolver e motivar a equipe. Quando estamos verdadeiramente voltados às pessoas isso, se transforma em cultura organizacional, ou seja, na forma como esse valor se reflete em ações práticas no dia a dia. Como você tem feito sua Gestão de Pessoas? Pense nisso!

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Coluna - Odontologia Esportiva

Importância dos protetores bucais na prática das artes marciais Hsu Shao Feng Especialista, Mestre e Doutor em Periodontia. Professor Doutor do Curso de Atualização e Especialização em Implantodontia Unip.

Luiz Carlos Magno Filho Especialista em Estomatologia. Especialista em Implantodontia. Mestrando em Periodontia pela Unip.

Paulo Sergio Kozara Especialista em Endodontia. Participante do Programa de Pós-Graduação da UNIFESP. Coordenador da Pós-Graduação em Odontologia da FMU. Cirurgião-Dentista em UTI.

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tualmente, tem-se observado um aumento no número de praticantes de artes marciais no país. Isso se deve muito a um aumento expressivo na divulgação, através da mídia, de eventos relacionados às artes marciais, por exemplo, o Ultimate Fighting Championship (UFC). Além disso, o Brasil, historicamente, é considerado um território muito fértil para o nascimento de grandes mestres de diversas modalidades das artes marciais. Com o aumento na prática dos esportes de luta, surge também um aumento no número de lesões que podem acometer a região maxilofacial. Para a prevenção de tais acidentes, a utilização de protetores bucais torna-se indispensável para praticantes de qualquer tipo de arte marcial, visto que imprevistos podem acorrer até mesmo em um treinamento leve. A função básica do protetor bucal é a proteção contra impactos frontais, prevenindo lesões que possam acometer a cavidade bucal, por exemplo, lacerações gengivais, fraturas dos ossos maxilares e fraturas dentais. Além disso, um estudo mostrou que indivíduos que utilizavam protetores bucais durante a prática esportiva apresentavam um menor risco de concussão cerebral após um choque1. Para podermos entender melhor quais são os tipos de protetores, vantagens e desvantagens de cada um deles, daremos um panorama geral sobre este tema até certo ponto polêmico. Vocês podem estar me perguntando: “Então, qual seria o melhor tipo protetor bucal?” Para responder esta pergunta, temos que saber, primeiramente, quais são os pré-requisitos básicos na escolha de um protetor bucal que proporcione realmente a manutenção da integridade física do atleta2. » O protetor deve permitir a capacidade de o atleta respirar pela boca. » Ser estável em atividade que exija alto vigor físico. » Proteção dos dentes anteriores e posteriores. » Proteção contra forças transmitidas aos ossos maxilares (maxila e mandíbula) e o crânio. » Interferência mínima com a fala. » Custo acessível ao usuário.

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» Facilidade de reprodução, se perdido ou danificado. » Ser grande o suficiente para não ser ingerido. Além disso, autores3 ressaltaram que a espessura ideal do protetor na região anterior deve ser de 3 mm, já na porção oclusal (parte de baixo do protetor) espessura de 2 mm e na região apoiada no palato (céu da boca) de 1 mm. Ainda, a flange vestibular deve se estender 2 mm para superior (acima) da gengiva vestibular. Nossa intensão, por meio deste artigo, será apenas informar os princípios básicos para a escolha do melhor protetor bucal, vantagens e desvantagens de cada um dos tipos, independentemente de fabricantes ou centros especializados na confecção dos produtos. Hoje, podemos encontrar três tipos de protetores bucais disponíveis no mercado: protetores de stock, protetores termoplásticos pré-fabricados, protetores customizados4. Os protetores de stock são aqueles confeccionados em tamanhos pré-determinados, ou seja, existem certos padrões de medidas que são seguidos para fabricação do protetor. Os materiais utilizados para sua confecção podem variar de acordo com o fabricante, mas, no geral podem ser utilizados o poliuretano ou um copolímero de acetato de vinil ou até etileno. Uma grande desvantagem deste tipo de protetor é que ele não oferece proteção efetiva em esportes de grande contato, por exemplo, o MMA (mix martial arts) e o muay thai. Desta maneira, os atletas podem ficar muito expostos aos traumas, que podem gerar consequências mais grave5.

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Coluna - Odontologia Esportiva fatores, como a intensidade do golpe, o tipo de protetor e o material em que o mesmo foi confeccionado7. Estudos demostraram que protetores confeccionados a base de etileno de acetato de vinila, mais conhecido como EVA, apresentaram propriedades físicas superiores a outros materiais utilizados na confecção de protetores. Pela sua conformação não rígida e disposição em camadas, o EVA proporcionou uma melhor absorção e dissipação de forças geradas durante o trauma, diminuindo o risco de lesões mais graves8,9. No entanto, mesmo com protetores bucais eficazes confeccionados com materiais de alta resistência e durabilidade utilizados nos dias de hoje, a busca por materiais mais modernos é sempre constante. Pesquisas vêm sendo realizadas na busca de um material que possa dar maior conforto, segurança e durabilidade para os protetores bucais4. Portanto, para a prevenção de lesões que possam acometer praticantes de artes marciais, tanto na região maxilofacial como em outras partes do corpo, é importante que o atleta esteja sendo acompanhado por uma equipe de mestres responsáveis. Além disso, é fundamental que o atleta esteja utilizando, mesmo em treinamentos, um protetor bucal adequado para a atividade física realizada naquele momento. Com este breve relato, esperamos ter contribuído para esclarecer algumas dúvidas sobre a importância na utilização de protetores bucais durante a prática de esportes de contato, como as artes marciais. Caso sujam outras dúvidas, estaremos à disposição para esclarecê-las.

Referências 1. Andreasen JO.Traumatic Injuries of the Teeth. 2nd ed. Copenhagen: Munksgaard, 1981. 2. Blonstein JL, Cutler R, Mason M. Mouth and jaw protection in contact sports. Brit J Sports Med 1977;11: 75-77. Outro tipo de protetor bucal muito comercializado é o protetor termoplástico. Este modelo de protetor bucal também é conhecido como “boil and bite”; traduzindo para o português, ferver e morder. Ou seja, o protetor é aquecido em água quente e imediatamente colocado na boca, em seguida o atleta faz movimentos de sucção com os lábios para modelar o protetor de acordo com a anatomia dos dentes. Por esse motivo, este tipo de protetor bucal não possui espessura de material suficiente para proporcionar uma efetiva proteção contra golpes mais potentes4. Por fim, podemos encontrar no mercado, os protetores bucais customizados (feitos sobre medida para cada atleta). Estes protetores são confeccionados através de uma moldagem realizada por um cirurgião-dentista, onde é obtido um modelo de gesso com uma cópia fiel, tanto dos tecidos duros (dentes e rebordo alveolar) como dos tecidos moles (mucosa e gengiva). A partir daí, o modelo é enviado para um laboratório de prótese e, então, será confeccionado o protetor, seguindo a anatomia bucal do atleta. Dentre os modelos de protetores bucais apresentados, os customizados são os que apresentam melhor adaptação, ficando mais estáveis durante a prática esportiva e com melhor grau de proteção contra impactos6. Para entendermos melhor a importância do uso de protetores bucais, temos que entender o mecanismo pelo qual ele nos protege. Quando o atleta sofre um impacto na região frontal da face, as forças resultantes deste impacto devem ser dissipadas através dos protetores bucais. No entanto, o quanto dessa energia resultante do golpe será dissipada irá depender de alguns

3. Scott J, Burke FJT, Watts DC. A review of dental injuries and the use of mouthguards in contact team sports. Br Dent J 1994;176:310–4. 4. Patrick DG, van Noort R, Found MS. Scale of protection and the various types of sports mouthguard. Br J Sports Med 2005;39:278–281. 5. Widmer RP. The normal development of teeth. Aust Fam Physician 1992;21(9):1251–61. 6. DeYoung AK, Robinson E, Godwin WC. Comparing comfort and wearability: custom-made vs self-adapted mouthguards. J Am Dent Assoc 1994;125:1112–7. 7. Patrick DG, van Noort R, Found MS. Evaluation of laminated structures for sports mouthguards. Key Eng Mater 2002;221– 222:133–44. 8. Bulsara YR, Matthew IR. Forces transmitted through a laminated mouthguard material with a Sorbothane insert. Endod Dent Traumatol 1998;14:45–7. 9. Westerman B, Stringfellow PM, Eccleston JA. Forces transmitted through EVA mouthguard materials of different types and thickness. Aust Dent J 1995;40(6):389–91.

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Caso Clínico

Passo a passo do protocolo clínico de retentores reforçados com fibra de vidro Paulo Vinícius Soares

Giovana Milito

Professor Adjunto II de Dentística e Materiais Odontológicos FOUFU. Professor Efetivo do Programa de Pós-graduação FOUFU. Coordenador de Graduação FOUFU. Especialista em Dentística. Mestre em Reabilitação Oral. Doutorado em Clínica Odontológica. paulovsoares@yahoo.com.br

Mestranda em Reabilitação Oral – FOUFU.

Fabrícia Araújo Pereira

João Vitor Soares

Especialista em Dentística. Mestre em Reabilitação Oral.

Graduado em Odontologia.

Lorraine Vilela de Souza Especialista em Endodontia. Mestre em Reabilitação Oral.

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entes tratados endodonticamente são mais enfraquecidos quando comparados com dentes hígidos, principalmente pela destruição coronal da cárie dentária, fraturas, restaurações anteriores e acesso endodôntico. A reabilitação de dentes tratados endodonticamente, com redução de 50% ou mais da altura total da coroa clínica, é requisitada por meio da indicação prévia de retentores intrarradiculares1. Dentre os retentores intrarradiculares, destaca-se a eficiência de núcleos moldados e fundidos, por sua adaptação no interior do canal radicular e simplicidade técnica de confecção e cimentação. Nas últimas décadas, os sistemas de retentores pré-fabricados têm sido desenvolvidos e tornaram-se opção clínica na reabilitação de dentes com extensas destruições da porção coronária do elemento dental. Nesta opção há necessidade de reconstrução da porção coronária com material polimérico, e o uso de resinas compostas micro ou nano híbridas torna-se necessário. Estes retentores são divididos em pré-fabricados reforçados com fibra e pré-fabricados metálicos. Os últimos apresentam a desvantagem de não mimetizar mecanicamente a estrutura dentinária e não apresentam interação química com a interface adesiva e com o núcleo de preenchimento de resina composta. Estes fatores associados com a retenção mecânica rosqueável na dentina favorecem fraturas catastróficas radiculares (figura 1). O uso de retentores reforçados com fibra de vidro permite a reabilitação de raízes enfraquecidas estruturalmente, devido, principalmente, a formação de interface adesiva com a dentina2, e comportamento biomecânico similar a dentina radicular permitida pela interface polimérica pino/adesivo/cimento/ dentina3,4. Devido à variedade de materiais poliméricos e cri-

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Bruno Rodrigues Reis Especialista em Dentística. Mestre em Reabilitação Oral. Doutorando em Materiais Dentários – FOUSP.

Michelle Pereira Costa Mundim Graduada em Odontologia. Mestre em Reabilitação Oral.

ticidade da técnica adesiva, o protocolo de adesão destes retentores é diversificado na literatura. No entanto, a qualidade de hibridização da estrutura dentinária, verificação constante da qualidade de energia luminosa dos aparelhos fotoativadores e tratamento correto da superfície do pino de fibra são fatores fundamentais para o sucesso da retenção adesiva e longevidade clínica da restauração4-6. Há diversas opções de agentes fixadores adesivos, divididos em fotoativáveis, quimicamente ativáveis e duais. A intensidade de energia luminosa mínima para fotoativação segura de cimentos resinosos fotodependentes é de aproximadamente 850 mW/cm2 4. Os aparelhos LED’s, de primeira e segunda geração, e lâmpadas hálógenas com longo período de uso não atingem esta intensidade luminosa. Nestes casos, a manutenção periódica dos aparelhos fotoativadores é necessária e a cimentação com agentes adesivos e cimentos resinosos totalmente químicos é opção clínica. O objetivo deste relato de caso é destacar as etapas principais da fixação de retentores pré-fabricados reforçados com fibra, enfatizando as etapas de cimentação química, independente de fotoativação e construção do núcleo de preenchimento com resina composta.

Caso clínico Paciente M.A.S., gênero feminino, compareceu à clínica integrada de graduação do Hospital Odontológico, Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia, relatando a queda do sistema de retentor metálico-fundido e coroa metalo-cerâmica do elemento 12. Na figura 2 observase o aspecto inicial do elemento 12 com redução extensa da

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Caso Clínico porção coronária. Observa-se enfraquecimento das paredes proximais e manchamento radicular, consequências de múltiplas substituições empregando núcleos metálicos fundidos. Indicou-se a reabilitação deste elemento, empregando cimentação totalmente química de retentor reforçado com fibra de vidro e reconstrução coronária com resina composta para confecção de preparo para coroa total. Foi realizado preparo do conduto radicular para pino Exacto n. 2 (Angelus Ind., Londrina, Paraná, Brasil) translúcido, utilizando broca do Sistema Exacto em baixa rotação. Observe a manutenção de aproximadamente 5,0mm de guta-percha no terço apical. Prova clínica do pino após isolamento absoluto (figura 3). Foi realizado condicionamento da estrutura dentinária com ácido fosfórico 37% (Angelus) por 15s. Injetar o ácido fosfórico, iniciando na porção mais profunda radicular, reduzindo as chances de bolhas (figura 4). Posteriormente, foi aspirado o excesso de ácido fosfórico com sugador endodôntico, lavar interna e externamente com água empregando seringa endodôntica durante pelo menos 15s. Remover excesso de umidade com cones de papel absorvente. Observe, com atenção, a extremidade dos cones para detectar remanescentes de ácido fosfórico (figura 5). Na sequência, aplicou-se com micro-brush o Primer do Sistema Adesivo Fusion Duralink (Angelus). Aguardou-se 60s para evaporação do solvente, removendo os excessos de primer com cone de papel absorvente. Em seguida, aplicou-se, com outro micro-brush, o Catalizador do Sistema Adesivo Fusion Duralink (Angelus). Os excessos foram removidos com cone de papel absorvente. Aguardou -se quatro minutos para reação de polimerização da camada adesiva (figura 6). Neste intervalo de quatro minutos, realizouse tratamento da superfície do pino de fibra de vidro com o protocolo descrito a seguir, objetivando a exposição superficial de maior quantidade de fibra de vidro sem o comprometimento estrutural do pino4. » Imersão em Peróxido de Hidrogênio 24% por 60s. » Lavagem por 60s com spray ar/água. » Secagem. » Aplicação de Silano (Angelus) – aguardando 60s de volatilização total. » Aplicação de camada de Adesivo Fusion Duralink na porção coronária do pino – Fotoativação por 40s.

Foi manipulado o cimento de presa química Cement-Post (Angelus), seguida de inserção do cimento com lima, espalhando nas paredes do conduto radicular. Inserção do pino de fibra envolvido com cimento resinoso. Remoção dos excessos de cimento com micro-brush (figura 7). Na figura 8 observa-se a reconstrução da porção coronária com resina composta nano-híbrida Ice (SDI Ind., Austrália) cor OA2. Inserção incremental envolvendo o remanescente dental e retentor, planejando geometria do preparo para coroa total e opacificando a base escura da raiz. Fotoativação de cada incremento de resina composta por 40s. Na figura 9 pode-se visualizar o aspecto inicial e o aspecto final do preparo para coroa total. Neste momento, cabe ao profissional a adequação do preparo de acordo com o tipo de material constituinte da coroa total, ou seja, infraestrutura metálica, empregando pontas diamantadas 2214 e 2215, ou infraestrutura de cerâmica reforçada, empregando pontas diamantadas 2135 e 4138.

Figura 1 Fratura catastrófica de pré-molar restaurada com resina composta retida por retentro intrarradicular metalico pré-fabricado rosqueável. A - Região de interação deficiente da interface metal/resina composta. B - Região da fratura radicular intensificada pelo tipo de pino.

Figura 2 Aspecto inicial da raiz do elemento 22. Observe a reduzida espessura das paredes proximais e a altura de 2,0mm do remanescente dental, importante para resistência do conjunto dente/pino/coroa.

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Caso Clínico

Figura 3 Radiografia Periapical – 5,0mm guta-percha remanescente apical, adaptação da broca do sistema Exacto e prova do pino.

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Figura 4

Figura 5

Condicionamento da estrutura dental.

Remoção do excesso de ácido fosfórico, lavagem e controle da umidade.

Figura 6

Figura 7

Hibridização da estrutura dental, aplicação do Primer e Catalizador e remoção dos excessos.

Aplicação do cimento resinoso químico.

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Caso Clínico

Figura 8 Reconstrução da porção coronária – núcleo de preenchimento prévio ao preparo.

Figura 9 Aspecto final da porção coronária e preparo.

Conclusões Pode-se concluir que, a hibridização da estrutura dental e cimentação adesiva totalmente química são opções reabilitadoras relevantes em situações clínicas, onde o fator profundidade e qualidade da unidade ativadora influenciam negativamente na qualidade de união da interface pino/cimento/dentina radicular.

Referências 1. Ross IF. Fracture susceptibility of endodontically treated teeth. J Endod 1980; Mar,6(1):560-5. 2. Soares CJ, Soares PV, de Freitas Santos-Filho PC, Castro CG, Magalhaes D, Versluis A. The influence of cavity design and glass fiber posts on biomechanical behavior of endodontically treated premolars. J Endod. 2008 Aug;34(8):1015-9. 3. Menezes M, Queiroz EC, Soares PV, Faria-e-Silva AL, Soares

CJ, Martins LR. Fiber post etching with hydrogen peroxide: effect of concentration and application time. J Endod. 2011 Mar;37(3):398-402. 4. Schwartz RS, Robbins JW. Post placement and restoration of endodontically treated teeth: a literature review. J Endod 2004; Oct,30(2):289-301. 5. Faria e Silva AL, Casselli DS, Ambrosano GM, Martins LR. Effect of the adhesive application mode and fiber post translucency on the push-out bond strength to dentin. J Endod 2007;Apr,33(3):1078-81. 6. Silva NR, Castro CG, Santos-Filho PC, Silva GR, Campos RE, Soares PV, Soares CJ. Influence of different post design and composition on stress distribution in maxillary central incisor: Finite element analysis. Indian J Dent Res. 2009 Apr-Jun;20(2):153-8.

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Caso Clínico

Reconstrução óssea de maxila atrófica utilizando a técnica de enxerto ósseo homólogo particulado modificada

Gino Kopp Cirurgião-Dentista. Especialista em Implantodontia. Especialista em Periodontia. Coordenador dos cursos do Instituto Kopp. Diretor Científico do Kopp. Criador da técnica de enxerto ósseo homógeno particulado modificada. Criador do Sistema Friccional de Implantes. ginokopp@hotmail.com

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surgimento do implante dental trouxe a necessidade de corrigir defeitos ósseos para sua instalação em posição mais adequada para confecção da prótese implanto suportada. Existem várias técnicas descritas na literatura para a correção destes defeitos. Os melhores resultados são obtidos com osso autógeno, porém, existem vários aspectos que dificultam a sua aplicação, como: região doadora intra ou extrabucal, quantidade de osso, morbidade pós-operatória, habilidade técnica do operador, tempo de procedimento, lesões vasculonervosas, etc. A técnica com osso homólogo em bloco também apresenta alguns aspectos que trazem muitos questionamentos, apesar da disponibilidade de material e da ausência de necessidade de remoção óssea de região doadora do paciente. Os questionamentos mais comuns se referem ao tempo de consolidação do enxerto ao leito ósseo de 10 a 12 meses, a revascularização do enxerto e ao tempo de acomodação do enxerto na região receptora. No Brasil existe uma norma que regulamenta o funcionamento de banco de tecidos musculoesquelético, considerando a necessidade de garantir que, os tecidos musculoesqueléticos a serem utilizados em transplantes sejam captados, avaliados, processados, estocados e disponibilizados dentro de padrões técnicos e de qualidade que a complexidade do procedimento requer para sua distribuição1. Petrungaro e Amar2 demonstraram a eficácia e segurança do enxerto ósseo alógeno, contornando importantes e limitações (tamanho e localização) inerentes aos enxertos autógenos, levando em consideração as complicações que possam existir com a coleta de osso autógeno e que podem ser evitadas.

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Del Valle e colaboradores3 ressaltaram que o osso mais indicado para enxertia é o autógeno, e uma alternativa para sua substituição é o osso homólogo. Suas características em longo prazo têm resultados semelhantes, embora a enxertia com osso homógeno tenha um índice de reabsorção maior. Rocha e colaboradores 4 relataram que o emprego do osso homógeno tornou as cirurgias mais rápidas e menos traumáticas do que quando utilizado o osso autógeno, pois não houve a necessidade de acesso cirúrgico para remoção do osso de uma área doadora. Levandowsky5 relatou que apesar da segurança proporcionada pelo osso autógeno para a correção de defeitos alveolares é constante a busca de alternativas que eliminem ou diminuam a morbidade de uma segunda região operada. Contar e colaboradores6 demonstraram que o osso fresco congelado pode ser um material de êxito como enxerto para o tratamento de defeitos maxilares. Técnicas cirúrgicas adequadas favorecem para que esse osso seja utilizado com segurança em regiões que serão implantadas, sendo uma alternativa adequada aos enxertos autógenos. Nossa prática clínica, superior a 20 anos de experiência com diferentes técnicas de enxertias, sendo 11 anos dedicados ao enxerto homólogo, demonstrou que a técnica de bloco com osso homógeno tem reabsorção maior, se comparada ao do osso autógeno, devendo-se usar volumes maiores e mais espessos para compensar essa reabsorção. Em 1996, preocupados com as dificuldades geradas por este tipo de intervenção, durante o processo de um enxerto em bloco com osso homólogo na região do segundo pré na mandíbula

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Caso Clínico - que para perfeita adaptação do bloco necessita de muita escultura e dispensa-se muito tempo - decidimos colocar em prática a técnica do osso particulado modificado. O procedimento foi realizado sem o uso de parafusos de fixação e membrana. Esperamos seis meses para reabertura. Nesta oportunidade, verificamos o sucesso do enxerto. Ganhamos a largura necessária para instalar os dois implantes na região. Sequencialmente, passamos a aplicar a técnica em defeitos pequenos e, mais tarde, em casos mais extensos, como uma maxila completa. Considerando estes pressupostos, apresentamos um caso clínico onde a técnica de enxerto de osso homólogo particulado modificado foi aplicada. As vantagens observadas foram: tempo de execução reduzido, facilidade técnica, ausência de morbidade, ótima adaptação do enxerto e volume suficientemente obtido.

A prótese de porcelana foi parafusada sobre os Minipilares R KOPP, com aperto dos parafusos a 32 Newtos. Ajustes oclusais foram realizados (figura 15). Passados seis meses de tratamento realizamos Rx panorâmico para verificação de resultados (figura 16). A figura 17 demonstra a espessura do rebordo durante o procedimento de enxertia e a figura 18 apresenta o estado clínico após a reabertura dos implantes osseointegrados. O paciente recebeu orientações de higiene e da necessidade de retornos periódicos para manutenção da prótese implanto suportada.

Caso clínico Exame clínico Paciente ASA 1, sexo feminino, 50 anos de idade. Clinicamente apresentava maxila desdentada com reabsorção muito acentuada devido à pequena espessura óssea vestíbulo-palatina e fibromucosa flácida à palpação. Portadora de prótese total superior (figura 1). Exame radiográfico Os exames radiográficos constaram de radiografia panorâmica, que evidenciaram translucidez pálato-vestibular do rebordo ósseo e acentuada pneumatização dos seios maxilares, que contraindicavam a instalação de implantes dentários (figura 2). Tratamento O paciente, após o planejamento, recebeu orientações pré e pós-operatória e as receitas com os medicamentos necessários para proteção e conforto físico. O tratamento proposto foi o de enxertia óssea maxilar total com levantamento bilateral dos seis maxilares, com osso do tipo homógeno, obtido do Banco de Tecidos Músculo-Esqueléticos do Hospital de Clínicas da Universidade do Paraná. A característica morfo-histológica do anel ósseo era corticomedular, retirado da tíbia (figura 3). O bloco recebeu toalete ósseo, foi particulado com o particulador tipo pilão da KOPP, obtendo-se dois tamanhos de partículas que, posteriormente, receberam o antibiótico Garamicina (figuras 4a, 4b). A incisão no local, feita palatinamente à crista gengival, recebeu duas incisões relaxantes na região distal próximo ao tuber. Após o descolamento cuidadoso mucoperiostal do retalho, distendemos o periósteo e iniciamos a condensação das partículas de osso sobre o leito receptor, de forma a acomodar e dar o volume necessário ao enxerto (figura 5 e 6). Acomodamos o retalho sobre o enxerto, suturamos com fio seda 4.0 (figura7) e aliviamos a prótese total. Oito meses após a enxertia, pedimos exame tomográfico para avaliação e marcamos a abertura para instalação dos implantes (figura 8). Oito implantes 4.3x11mm Friccionais KOPP foram instalados com sucesso, e a rolha óssea foi removida com trefina para exame histológico (figuras 9 e 10). Seis meses após, realizamos a abertura dos implantes e instalamos os Minipilares R Friccionais KOPP (figuras 11 e 12). Um mês após a reabertura, começamos a confeccionar a prótese de porcelana (figuras 13 e 14).

Figura 1 Aspecto inicial.

Figura 2 Radiografia inicial.

Figura 3 Osso Homólogo.

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Figura 4b Dois tipos de partículas obtidas.

Figura 4a Osso Homólogo sendo particulado em moedor tipo pilão.

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Figura 5

Figura 6

Rebatimento da fibromucosa com exposição do rebordo osso atrésico.

Acomodamento das partículas sobre o rebordo.

Figura 7

Figura 8

Sutura.

Tomografia.

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Caso Clínico

Figura 9

Figura 10

Remoção de rolha óssea para histológico.

Histológico.

Figura 11

Figura 12

Minipilares racionados no interior dos implantes friccionais KOPP.

Protetores de minipilares.

Figura 13

Figura 14

Cicatrização.

Prótese metal cerâmica.

Figura 15

Figura 16

Aspecto final.

Radiografia - seis meses após o tratamento.

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Caso Clínico

Figura 17

Figura 18

Rebordo ósseo atrésico inicial.

Abertura dos implantes após a instalação.

Discussão A maxila, quando apresenta reabsorção severa, impossibilita a instalação de implantes convencionais sem antes realizarmos a reconstrução com enxerto ósseo. Na região anterior da maxila desdentada é comum encontrar altura do rebordo alveolar preservada e reabsorção palato-vestibular. Na região posterior da maxilar desdentada temos a limitação da altura do rebordo devido à pneumatização dos seios maxilares. A reabsorção da maxila é acentuada com o uso de prótese total. Para restabelecer a arquitetura necessária à implantação, é comum recorrer aos enxertos ósseos nessa região7-10. O enxerto homógeno conta com as vantagens de não apresentar morbidade na área doadora, quantidade ilimitada para uso, diminuição do tempo operatório, ausência de cicatriz e diminuição das complicações relativas à cirurgia da área doadora11,12, os autores ainda indicam que as principais desvantagens do enxerto com osso homógeno são a maior imunogenicidade, menor capacidade de osteogênese e osteoindução, consolidação mais lenta, possibilidade de transmissão de doenças e maior taxa de infecção. A partir do caso apresentado, podemos verificar que os enxertos homógenos particulados servem como um arcabouço com propriedades osteocondutoras. Após a reabsorção parcial e remodelação ocorre a neoformação óssea. Neste tipo de técnica acreditamos que a revascularização é mais rápida e a união entre o leito receptor e o enxerto é obtido de maneira uniforme. O próximo passo deve ser o desenvolvimento de pesquisas a partir de amostras para histológico, verificando a qualidade de formação óssea em diferentes tempos de reabertura.

Conclusão Sabemos que o osso mais indicado para enxertia é o autógeno, e a alternativa para sua substituição é o osso homógeno. A correta utilização do osso homógeno pode nos trazer resultados excelentes. Pela nossa experiência clínica, a proposta desta nova técnica de enxertia com osso homógeno particulado modificada traz muitos benefícios ao paciente e ao profissional, devido a simplicidade de aplicação, diminuição de morbidade, redução de tempo e custo, ótima adaptação do enxerto e necessário volume obtido. Existe necessidade de maiores estudos sobre este nova técnica para esclarecer os mecanismos envolvidos na consolidação do enxerto. Acreditamos que o processo envolvido na neoformação óssea desta técnica de enxerto é a osteocondução, que deve ser

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mais bem avaliada, pois os resultados iniciais demonstram grande vantagem na aplicação.

Referências 1. Brasil. Portaria n.º 2.600/GM. Regulamenta o funcionamento de banco de tecidos musculoesqueléticos. Brasília, Ministério da Saúde, 2009. 2. Petrungaro, P.S.; AMAR, S. Localized Rigde Augmentation with Allogenic Block Grafts Prior to Implant Placement: case reports and Histologic Evaluations. Implant Dentristry. V.14, n.2, p.139-148, 2005. 3. Dell Valle, R. A.; Carvalho M. L.; Gonzalez, M. R. Estudo do comportamento de enxerto ósseo com material obtido dos bancos de tecidos músculo-esqueléticos. Revista de Odontologia da USP. V.18, n.2, p.189-94, 2006. 4. Rocha, L.R.S.; Rocha, F.A.; Moraes, J. R. Homoenxerto Ósseo Congelado: Relatos de Casos Clínicos. Implante News. V.3, n.6, 2006. 5. Levandowski J.R. e col. Utilização do osso alógeno em bloco para aumento de rebordo alveolar: revisão da literatura. Revista Implante News. V.5, n.1, p.51-57, 2008. 6. Contar, C. M. M. E col. Maxillary Ridge Augmentation With Fresh-Frozen Bone Allografts. J. Oral Maxillofac Surg. V.67, p.1280-1285, 2009. 7. Aracil, R.D.; Alonso, A.; Blanco, J.; Sanz, J.Utilização de osso congelado proveniente de bancos para enxertos prévios à colocação de implantes ósseo-integrados - estudo prospectivo de 3 anos (resultados clínicos e histológicos). Lisboa: Congresso Ibérico, 2003. 8. Renato Mazzonetto, Henrique Duque Netto, Frederico Felipe Nascimento, Enxertos Ósseos em Implantodontia. 1ª Edição/ 2012. 9. Scwartz Principios de Cirugía Autor/es: Brunicardi F. Año: 2005 - 5ta edicion Editorial: McGraw Hill Idioma: Español. 10. Soto C, Navas J. Banco de huesos y tejidos.Fundación. Cosme y Damián. Rev Colomb Ortop Traumatol. 1998 Ago; 12 (2): 124-28. 11. Garcia R.J.; Feofillof E.T. Técnicas de obtenção, processamento, armazenamento e utilização de homoenxertos ósseos, protocolo do Banco de Ossos da Escola Paulista de Medicina. Rev Bras Ortop. V. 31(11), p 895-903, 1996.

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Previsibilidade na transformação do sorriso

Weider Silva

Lêndiel Olímpio de Sousa

Especialista em Dentística. Especialista em Implantodontia. Professor do curso de Especialização em Implantodontia (ABO/ DF). Professor do curso de Especialização em Dentística e Prótese (ABO-TAG/DF). weidersilva@hotmail.com

Especialista em Dentística. Especialista em Prótese. Especialista em Implantodontia.

Gil Montenegro Mestre em Dentística.

Tarcisio Pinto Mestre em Dentística.

U

m belo sorriso tem sido o principal motivo pelo qual as pessoas procuram um tratamento odontológico, já que a estética vem adquirindo um papel cada vez mais importante na sociedade. Nesse contexto, o paciente procura um profissional para a modificação de sua aparência bucal, e não apenas para tratar um dente e manter um padrão de sorriso já existente, motivo pelo qual necessita de exame multidisciplinar de suas possíveis necessidades e, consequentemente, das alternativas de tratamento integrado. O planejamento interdisciplinar permite que as diversas áreas da Odontologia, dentro de uma mesma filosofia, trabalhem e alcancem os objetivos desejados, proporcionando não só a estética almejada pelo paciente, mas, principalmente, função e longevidade do tratamento.

Atualmente, diversas situações clínicas que necessitavam de resistência e/ou estética, e que, antigamente, só eram resolvidas com tratamentos protéticos invasivos, podem ser solucionados perfeitamente com materiais restauradores adesivos, com mínimo ou nenhum desgaste dentário. Outro recurso bastante utilizado nas reabilitações estéticas atuais é a cirurgia plástica periodontal prévia, onde é possível a correção do contorno gengival. Esta cirurgia é indicada, principalmente, para pacientes com linha de sorriso elevada. O presente caso clínico demonstra que por meio de um diagnostico multidisciplinar minucioso e de um planejamento prévio com fotografias, modelos de estudo, radiografias e guias cirúrgicos, é possível tornar as reabilitações complexas em procedimentos rápidos, previsíveis e seguros.

Figura 1

Figura 2

Aspecto inicial.

Avaliação da linha do sorriso.

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Caso Clínico

Figuras 3a e 3b Planejamento reabilitador e cirúrgico periodontal.

Figuras 4a, 4b e 4c Gengivoplastia realizada com guia cirúrgico periodontal.

Figura 5 Preparos para facetas cerâmicas.

Figura 6 Silicone por adição (Futura AD, nova DFL).

Figuras 7a e 7b Moldagem com fio afastador duplo.

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Caso Clínico Figura 9 Condicionamento com Alpha Etch (Nova DFL) 15 s e aplicação de adesivo Acqua Bond (Nova DFL) nos preparos antes da cimentação.

NORMAS PARA PUBLICAÇÂO A seção CASO CLÍNICO da ODONTO MAGAZINE tem como objetivo a divulgação de trabalhos técnico-científicos produzidos por clínicogerais e/ou especialistas de diferentes áreas odontológicas. Gostaríamos de poder contar com trabalhos originais brasileiros, produzidos por cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e médicos, para divulgar esse material em nível nacional por meio da revista impressa e pelo site: www. odontomagazine.com.br Os trabalhos devem atender as seguintes normas:

Figura 8 Moldagem de alta fidelidade.

1) Ser enviados acompanhados obrigatoriamente de uma autorização para publicação na ODONTO MAGAZINE, assinada por todos os autores do artigo. No caso de trabalho em grupo, pelo menos um dos autores deverá ser cirurgião-dentista. Essa autorização deve também dar permissão ao editor da ODONTO MAGAZINE para adaptar o artigo às exigências gráficas da revista ou às normas jornalísticas em vigor. 2) O texto e a devida autorização devem ser enviados para o e-mail: vanessa.navarro@vpgroup.com.br. As imagens precisam ser encaminhadas separadas do texto, em formato jpg e em altaresolução. Solicitamos, se possível, que o artigo comporte no mínimo três imagens e no máximo 30. As legendas das imagens devem estar indicadas no final do texto em word. É necessário o envio da foto do autor principal do trabalho. 3) O texto deve seguir a seguinte formatação: espaço entre linhas simples; fonte arial ou times news roman, tamanho 12. As possíveis tabelas e/ou gráficos devem apresentar título e citação no texto. As referências bibliográficas, quando existente, devem estar no estilo Vancouver. 4) Se for necessário o uso de siglas e abreviaturas, as mesmas devem estar precedidas, na primeira vez, do nome próprio. 5) No trabalho deve constar: o nome(s), endereço(s), telefone(s) e funções que exerce(m), instituição a que pertence(m), títulos e formação profissional do autor ou autores. Se o trabalho se refere a uma apresentação pública, deve ser mencionado o nome, data e local do evento. 6) É de exclusiva competência do Conselho Científico a aprovação para publicação ou edição do texto na revista ou no site.

Figuras 10a, 10b, 10c e 10d Facetas em cerâmica.

7) Os trabalhos enviados e não publicados serão devolvidos aos autores, com justificativa do Conselho Científico. 8) O conteúdo dos artigos é de exclusiva responsabilidade do(s) autor (res). Os trabalhos publicados terão os seus direitos autorais guardados e só poderão ser reproduzidos com autorização da VP GROUP/Odonto Magazine. 9) Cada autor do artigo receberá exemplar da revista em que seu trabalho foi publicado. 10) Os trabalhos, bem como qualquer correspondência devem ser enviados para: Vanessa Navarro ou Vivian Pacca – ODONTO MAGAZINE Alameda Amazonas, 686 – sala G1 Alphaville Industrial – Barueri-SP CEP 06454-070 11) Ao final do artigo, acrescentar os contatos de todos os autores: nome completo, endereço, bairro, cidade, estado, CEP, telefones e e-mail. 12) Informações: Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506

Figura 11 Aspecto final.

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Odonto Magazine 18 - Julho 2012  

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