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Relacionamento

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comunicação integrada

ISSN 2179-8796

OdontoSESC: solidariedade e cidadania

Ano 2 - N° 17 - Junho de 2012

www.odontomagazine.com.br

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Editorial Edição: Ano 2 • N° 17• Junho de 2012

Uma Odontologia com novas faces

Presidência & CEO Victor Hugo Piiroja e. victor.piiroja@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7501 Gerência Geral Marcela Petty e. marcela.petty@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7502

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iscute-se, cada vez mais, as novas faces da Odontologia, que vem demonstrando seu papel fundamental na saúde sistêmica da população, em que, dentro de suas especialidades já consagradas, insere a evolução da ciência, aumentando a atuação das mesmas em diversas situações. Atualmente, dois pontos muito comentados são a Odontologia Hospitalar e a Odontologia do Trabalho que, cada uma em seu campo, vem crescendo e englobando integralmente a Odontologia Moderna. Ambas as supracitadas trazem uma esperança da então desejada Medicina Oral, a ponto de valorizar cada vez mais a saúde da porta de entrada do nosso corpo: a saúde da boca. A Odontologia Hospitalar nos dá recursos para manter a saúde oral dos pacientes internados e/ou impossibilitados de frequentar a cadeira odontológica, no intuito de englobar as especialidades odontológicas em uma só atuação, evitando infecções e complicações oriundas da maior propensão desses pacientes imunodeprimidos. Além disso, o atendimento odontológico no âmbito hospitalar vai provocar uma gradativa melhora no quadro de pacientes, antes comprometidos, muitas vezes por infecções oportunistas, e que agora estas poderão ser prevenidas com uma manutenção periódica da saúde bucal, diminuindo, consequentemente, a demanda ambulatorial pós-internação. No outro ponto das novidades odontológicas, podemos considerar a grande conquista da profissão com a Odontologia do Trabalho, que vai, ao mesmo tempo, beneficiar empresas e funcionários, além da nossa classe, obviamente. Essa especialidade irá reunir, de forma completa, a obrigação do empregador em exigir exames de admissão e de periodicidade, o cuidado com a saúde bucal por parte dos seus empregados. Além disso, permitirá a esses mesmos empregados um maior e melhor acesso às orientações e tratamentos odontológicos periódicos, o que deve, sem dúvida, favorecer ambas as partes. Por fim, essa especialidade vai proporcionar aos cirurgiões-dentistas e seus profissionais auxiliares um novo e enorme campo de atuação dentro da profissão. Dessa forma, podemos concluir que a Odontologia mostra sua força e seu constante crescimento nas questões da prevenção e promoção de saúde, novos e importantes paradigmas já ancorados na moderna maneira de pensar e agir do profissional que, sem dúvida, independente da especialidade, é o principal fator do sucesso de qualquer segmento e de qualquer campo de atuação.

Marketing Ironete Soares e. ironete.soares@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7500 Financeiro Rodrigo Oliveira e. rodrigo.oliveira@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7761 Designer Gráfica Débora Becker e. debora.becker@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Web Designer Robson Moulin e. robson.moulin@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7509 Sistemas Wander Martins e. wander.martins@vpgroup.com.br t. +55 (11) 4197.7762

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Publicidade - Gerente de Contas Vivian Ceribelli Pacca e. vivian.pacca@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7769

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Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506

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Conselho Científico Alice Granthon de Souza, Augusto Roque Neto, Danielle Costa Palacio, Débora Ferrarini, Diego Michelini, Éber Feltrim, Fernanda Nahás Pires Corrêa, Francisco Simões, Henrique da Cruz Pereira, Helenice Biancalana, Jayro Guimarães Junior, José Reynaldo Figueiredo, José Luiz Lage Marques, Júlio Cesar Bassi, Lusiane Borges, Maria Salete Nahás Pires Corrêa, Marina Montenegro Rojas, Pablo Ozorio Garcia Batista, Regina Brizolara, Reginaldo Migliorança, Rodolfo Candia Alba Jr., Sandra Duarte, Sandra Kallil Bussadori, Shirlei Devesa, Tatiana Pegoretti Pintarelli, Vanessa Camilo, Wanderley de Almeida Cesar Jr. e William Torre .

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A Revista A Odonto Magazine apresenta ao profissional de saúde bucal informações atualizadas, casos clínicos de qualidade, novas tecnologias em produtos e serviços, reportagens sobre os temas em destaque na classe odontológica, coberturas jornalísticas das mais importantes feiras comerciais e eventos do setor, além de orientações para gestores de clínicas. É uma publicação da VP Group voltada para profissionais de odontologia das mais diversificadas especialidades. Conta com a distribuição gratuita e dirigida em todo território nacional, em clínicas, consultórios, universidades, associações e demais instituições do setor. Odonto Magazine Online s. www.odontomagazine.com.br Tiragem: 37.000 exemplares Impressão: HR Gráfica

Diego Michelini Membro do Conselho Científico

Alameda Amazonas, 686, G1 - Alphaville Industrial 06454-070 - Barueri – SP • + 55 (11) 4197 - 7500 www.vpgroup.com.br 4

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Sumário

Junho de 2012 • Edição: 17

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20

Reportagem

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Entrevista

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Editorial

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Programe-se

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Notícias

14

Odontologia Segura

16

Produtos e Serviços

20

Odontologia Integral Antroposófica

pág.

Saúde bucal em casa

24

Daniel Boklis 

28

Espaço equipe

40

Vamos fazer um 5S?

Relacionamento

34

Ponto de vista

42

OdontoSESC: solidariedade e cidadania

Claudia Cotrim Dias

Colunistas Liderança

38

Odontogeriatria

46

Wanderley de Almeida Cesar Jr.

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30

Manutenção da estética rosa em implante imediato Mirian Mayumi Inoue Sakuma, Murillo Sucena Pita, Fábio Afrânio de AguiarJúnior Manoel Martin Júnior, Carlos Marcelo Archângelo, Daniela Garcia Nesello e Carlos Alexandre Bertoncelo

Augusto Roque Neto

6

Técnica cirúrgica reconstrutiva e condicionamento de tecido mole para otimização de resultados estéticos com implantes osseointegráveis Fabiano Ribeiro Cirano, Luiz Carlos Magno Filho, Alexandre Conte, Fernando Hayashi, Hsu Shao Feng e Marcio Zaffalon Casati

Qualidade de vida e saúde bucal

36

Líquem Plano Oral (LPO) Marcos Antonio Sampaio

Danielle Palacio

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Casos Clínicos

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Normas para publicação

Os artigos e as entrevistas são de inteira responsabilidade do autor e/ou entrevistado, e não refletem, obrigatoriamente, a opinião do periódico.

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Programe-se

Junho

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X Encontro Internacional da Academia Brasileira de Osseointegração ABROSS 2012

19° Congresso Odontológico Riograndense

14 a 16 de junho de 2012

O evento é um dos maiores encontros científicos e educacionais da Odontologia na América Latina. Seu público tem uma média de 7.000 profissionais do segmento odontológico, especialistas ou não, com interesse em trocar experiências, discutir o mercado de trabalho, tendências e se atualizar com as novas técnicas e produtos odontológicos.

Em junho de 2012, os especialistas em reabilitação oral com implantes terão acesso a um evento Premium, um encontro para implantodontistas que fazem questão de estar um passo a frente nesse campo. A décima edição do encontro oferecerá seis módulos temáticos, apresentados por sete pesquisadores internacionais, especialmente convidados, além de 30 especialistas brasileiros de reconhecida competência.

São Paulo - SP

www.encontrosabross.com.br

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Sessão Geral e Exposição da Associação Internacional sobre Pesquisa Dentária - IADR 2012 20 a 23 de junho de 2012

A IADR faz sua exposição em 2012 com as mais recentes pesquisas dentárias. Debatendo sua história, mercado do setor, problemas do cotidiano do profissional entre outros assuntos que serão reunidos para debater com o público nacional e internacional.

IV Congresso Internacional de Odontologia de Fortaleza - Ceará

11 a 15 de julho de 2012

12 a 15 de setembro de 2012

A comissão científica está se esmerando na montagem da grade com temas inovadores e palestrantes de renome. Serão cursos nacionais e internacionais das diversas especialidades focados no tema central. Os eventos contarão também com fóruns, módulos, workshops, conferências, temas livres e a novidade dos e-pôsteres, todos abertos aos congressistas.

Fortaleza – CE

www.abo-ce.org.br

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Congresso Internacional de Implantologia

Porto Alegre - RS

www.abors.org.br

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Agosto 12º Congresso de Odontologia do Rio Grande do Norte

13 a 15 de setembro de 2012

O terceiro evento, organizado pela Faculdade de Odontologia, Faculdade de Odontologia de Bauru e Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, todas da USP, aceita trabalhos até o dia 1º de junho de 2012.

Bauru – SP

www.fob.usp.br

23 a 26 de agosto de 2012

Com o tema “Impacto da Tecnologia na Prática Odontológica” rompem-se as fronteiras entre campos científicos, buscando necessidades de reorientação da atenção à saúde, através da ampliação da promoção e prevenção, articulando-as com as ações curativas e reabilitadoras.

1º Congresso Brasileiro de Halitose 14 e 15 de setembro de 2012

Pela primeira vez os grandes de nomes da Halitose reunidos em um só Congresso. O evento é promovido pela ABHA.

Fortaleza – CE

Natal – RN

www.abha.org.br

www.aborn.org.br

Rio de Janeiro - RJ

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dentalresearch.org

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Congresso Internacional de Odontologia da Amazônia 27 a 30 de junho de 2012

Os profissionais de saúde bucal ficarão por dentro das novas técnicas e conceitos da Odontologia.

FDI Annual World Dental Congress 29 de agosto a 01 de setembro de 2012

A programação aborda os principais temas e preocupações dos cirurgiõesdentistas. Alguns dos mais renomados profissionais de saúde bucal do mundo estarão reunidos durante o congresso.

Hong Kong – China

www.fdicongress.org

Manaus - AM

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abo_am@vivax.com.br

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13° Congresso de Odontologia do Espírito Santo

Setembro VII Congresso Alagoano de Odontologia

3º Congresso Internacional de Odontologia do Mato Grosso do Sul 18 a 21 de setembro de 2012

A 3° edição do Congresso Internacional de Odontologia de Mato Grosso do Sul promovido pela ABO – Associação Brasileira de Odontologia -, integra, desde a primeira edição, o calendário oficial dos mais importantes eventos Odontológicos do País.

Campo Grande - MS www.aboms.org.br

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18º Congresso Brasileiro de Ortodontia 27 a 29 de setembro de 2012

O evento reunirá renomados profissionais da Odontologia que apresentarão as técnicas mais recentes.

06 a 08 de setembro de 2012

O evento visa diversificar a Odontologia através do marketing.

Desde 1970, com 17 edições já realizadas, o Congresso Brasileiro de Ortodontia da SPO congregou mais de 27 mil participantes, somados cerca de 600 empresas expositoras e milhares de visitantes ao longo desses mais de 40 anos de existência.

Vitória – ES

Maceió - AL

São Paulo - SP

28 a 30 de junho de 2012

www.aboes.org.br

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www.aboal.org.br

www.ortociencia.com.br/orto2012/

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Notícias Uma visão contemporânea da Odontologia

Aconteceu nos mês passado, entre os dias 09 e 11, a sétima edição do Ciclo de Conferências em Reabilitação Oral, Periodontia e Implantodontia – CROPI, um dos mais importantes congressos internacionais do estado de São Paulo para a divulgação das novas tecnologias da área Odontológica. O evento foi realizado no Hotel JP, em Ribeirão Preto - SP, e teve como objetivo o aprimoramento dos cirurgiões-dentistas e também a qualidade de vida e maior segurança dos pacientes. “Além do CROPI representar uma ferramenta que propõe o avanço na Odontologia, sendo de inegável importância para profissionais atuantes no mercado, o evento tem por objetivo expandir seu foco de utilidade também para os pacientes em geral, que conquistam mais recursos tecnológicos, segurança, rapidez e facilidade nos tratamentos odontológicos”, afirmou Dr. Ronaldo Silva, presidente do evento.

Presidente do CROPI, Dr. Ronaldo Silva e Presidente de Honra do VII CROPI, Dr. Elcio Marcantonio

Na edição de 2012, o CROPI recebeu 17 renomados profissionais do Brasil, EUA e Espanha em palestras e seminários ao longo dos

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três dias de evento. Além disso, 16 empresas fizeram parte da feira tecnológica e mais de 150 visitantes de todo o Brasil estiveram no CROPI. “Congresso e Feira excelentes, tanto pelo nível das palestras quanto com a possibilidade de crescimento e aprimoramento profissional. Divulgarei esse evento em minha cidade, com certeza”, disse Márcio Lesley, de Itaperuna, RJ. Segundo o Implantodontista Renato Cabus, de Maceió, AL, o congresso proporcionou aprimoramento com novos materiais e assuntos em primeira mão. “Por se tratar de um evento restrito aos especialistas, tivemos acesso aos professores de forma científica”, explica. O Brasil é o país com o maior número de dentistas do mundo, registrando 19% dos quase um milhão de profissionais de Odontologia. Segundo o Conselho Regional de Odontologia (CRO), Ribeirão Preto reúne pouco mais de dois mil dentistas registrados, figurando como polo nacional odontológico. Pensando no que a cidade representa neste cenário, o CROPI vem enfatizar a importância de aprimoramento para os profissionais atuantes na região. “Mais uma vez, o CROPI adotou postura de vanguarda e trouxe para Ribeirão Preto os temas mais atuais da Implantodontia, Periodontia e Reabilitação Oral, tornando-se cada vez mais uma referência científica para os profissionais da região. Uma das grandes tônicas do evento foi a utilização de tecnologias que outrora eram consideradas preciosismas, mas hoje em dia se tornaram grandes aliadas no dia-a-dia do cirurgião dentista, trazendo inúmeros benefícios para o profissional e para o paciente”, esclareceu Hugo Rosin, Diretor do Grupo DVI Radiologia Odontológica e Diretor de Comunicação da Associação Odontológica de Ribeirão Preto – AORP. O evento recepcionou um número considerável de participantes, que puderam agregar novos conhecimentos, avaliar e promover o intercâmbio dos grandes avanços científicos atuais, por meio de um seleto grupo de ministradores. www.implantologiaoral.com.br

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Notícias

Jaime Oide

Neodent apresenta nova filial

Jaime Oide

Um grande evento científico realizado no dia 17 de maio marcou a inauguração da nova filial Neodent, em São Paulo. Mais de 500 pessoas compareceram ao Centro de Convenções WTC para prestigiar o evento e assistir às conferências. A programação teve início com o presidente da Neodent, Dr. Geninho Thomé, que abordou o tema “Desafios e soluções da implantodontia moderna”. O Dr. Cícero Dinato discorreu sobre “Resposta biológica dos tecidos associada à seleção dos implantes protéticos”. Já o consultor científico Marcelo Baum demonstrou “O uso do CAD/CAM e cirurgia guiada para alcançar resultados previsíveis”. O tema “Insucessos com Cone Morse? Estabelecendo os limites e protocolos para o máximo resultado biológico e estético com estes implantes” foi apresentado pelo Dr. Carlos Araújo.

Dr. Geninho Thomé, presidente da Neodent, falou sobre os desafios e as soluções da implantodontia moderna.

A inauguração da nova Filial Neodent aqui em São Paulo é motivo de muito orgulho para todos nós Estrutura Com 390m2 de área privativa, a nova filial está instalada em um dos complexos empresariais mais importantes da capital paulista, o que contribui para o fortalecimento da marca Neodent. Uma equipe de 35 profissionais atua do atendimento interno e externo aos clientes, e a localização privilegiada facilita a entrega dos produtos, o que torna a logística mais rápida e eficaz. Repercussão “A inauguração da nova Filial Neodent aqui em São Paulo é motivo de muito orgulho para todos nós. Além de promover e difundir a ciência e o conhecimento, neste evento festejamos mais uma importante conquista em nossa trajetória de sucesso, que queremos compartilhar com todos os clientes e parceiros institucionais”, comentou Dr. Geninho. A filial Neodent São Paulo está localizada na Avenida das Nações Unidas, 12.399 – Brooklin, no Edifício Landmark, 8º andar – Salas 81 e 82A. O telefone para contato é o (11) 3728-2700. www.neodent.com.br

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Notícias

Divulgação 

Hospitalar: negócios em saúde

Foi uma excelente oportunidade para que a indústria fornecedora contate diretamente os profissionais da área odontológica e distribuidores, promovendo negócios e relacionamentos. O grande diferencial do evento é a total integração da feira com o setor da saúde. A OdontoBrasil permitiu que os profissionais de Odontologia pudessem vivenciar novas experiências. Juntas, Hospitalar e OdontoBrasil formam o maior evento de saúde da América Latina.

Divulgação 

Entre os dias 22 e 25 de maio, em São Paulo, 1.250 empresas expositoras, representando 34 países, ocuparam 82.000 m2 de exposição nos pavilhões do Expo Center Norte, para apresentar o que existe de mais inovador e eficiente no mundo para utilização em hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios. Para atender as crescentes demandas do setor de saúde no País, hospitais e estabelecimentos prestadores de serviços (públicos e privados), têm investido significativamente na modernização de equipamentos e ampliação de suas instalações. Parte desta expansão tem sido provida pela indústria brasileira de equipamentos médico-hospitalares, cujas vendas ultrapassaram R$ 10 bilhões em 2011, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Médico-Odontológica (ABIMO). A médica e empresária Waleska Santos, fundadora e presidente da Hospitalar, destaca que o evento é uma grande vitrine para apresentação de novidades em produtos, equipamentos e serviços, funcionando também como um fórum de debates na área de gestão e desenvolvimento do atendimento de saúde. “A Hospitalar Feira e Fórum reúne as marcas líderes e os grandes tomadores de decisão da cadeia da saúde. É uma plataforma de negócios e das discussões mais importante do setor”, destacou. Hospitalar e Odontologia Reunindo marcas líderes do setor, a OdontoBrasil 2012 (8ª Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Odontologia), que aconteceu simultaneamente à Hospitalar, ofereceu uma diversificada amostragem do que existe de mais novo em produtos, equipamentos e serviços para clínicas, consultórios odontológicos e laboratórios de prótese.

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Implantes Implantes PecLab PecLab Para apresentar soluções eu preciso saber quais as dificuldades que vocês enfrentam Roberto Caproni Marketing para dentistas Foi-se o tempo que um bom dentista precisava estar atualizado apenas com as novidades e tendências do seu setor. Hoje, a qualidade do atendimento e as técnicas para atrair e reter clientes são tão importantes para o sucesso do consultório quanto o conhecimento técnico. Quem afirma isso é o Dr. João Rubens Montenegro, coordenador do 4º Encontro – Gestão em Odontologia, que aconteceu durante a feira Hospitalar, em São Paulo. “A crescente competição profissional exige que os cirurgiões-dentistas também desenvolvam conhecimentos de marketing, para que possam atrair o público certo para o seu consultório. E nem sempre o especialista sabe como fazer isso”. Durante o evento foram apontadas novas abordagens na questão do atendimento e estratégias de marketing, tanto individuais, como corporativas e até mesmo governamentais, capazes de transformar o consultório ou a clínica odontológica num negócio sustentável para o profissional. “O profissional precisa perceber essa necessidade de especialização e estar preparado para atender adequadamente quem busca pela qualidade dos nossos serviços”, explicou Dr. Montenegro. O último dia do encontro contou com a presença do renomado DR. Roberto Caproni, especialista em saúde, marketing e mercado. O palestrante propôs um formato inédito: iniciou sua exposição abrindo espaço para as perguntas dos convidados. Durante toda à tarde, Caproni reforçou duas premissas – que definiu como básicas: a primeira é entender que o consultório de odontologia é uma empresa é o primeiro passo para obter sucesso; e a segunda é que atualmente a qualidade do atendimento e as técnicas para atrair e reter clientes são tão importantes para o sucesso do consultório quanto o conhecimento técnico. O 4º Encontro Gestão em Odontologia mostrou ao longo da programação novas abordagens de atendimento e estratégias de marketing individuais, corporativas e governamentais, capazes de transformar o consultório ou a clínica odontológica em um negócio sustentável para o profissional. Fonte: Hospitalar

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A Odontologia e a Aids Lusiane Borges Cirurgiã-Dentista pela UMESP. Formada em Biomedicina pela UNISA/UNIFESP. Especialização em Microbiologia pela Faculdade Oswaldo Cruz, São Paulo. Especialista Doutoranda em Controle de Infecção em Saúde pela UNIFESP. Coordenadora de Cursos para ASB/TSB (APCD, ABO e ALAPOS). Autora-Coordenadora do livro “AST e TSB – Formação e Prática da Equipe Auxiliar”,Editora Santos, 2012. Diretora-Presidente da Biológica Consultoria em Saúde. Diretora Científica da ALAPOS. Membro da OSAP (Organization for Safety and Asepsis Procedures). Consultora Científica da Oral-B, Sercon/Steris e Fórmula e Ação. lusianeborges@uol.com.br

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epidemia de Aids completou três décadas e, junto com ela ocorreram muitas conquistas e muitas perdas; e ainda respostas à epidemia, que mexeram com aspectos sociais, culturais, crenças religiosas e verdades científicas. A luta contra a Aids está longe do fim. As Nações Unidas divulgaram recentemente que cerca de 35 milhões de pessoas no mundo convivem com o vírus HIV, que pode causar a Aids. O novo balanço de soropositivos foi divulgado pela UNAIDS, braço da organização que mantém estatísticas e iniciativas sobre a doença. O número recorde, segundo a agência, deve-se ao prolongamento cada vez maior da vida de pessoas contaminadas, graças aos avanços nas terapias contra doença. Desde o início da epidemia, a Aids vem sofrendo mudanças importantes. O primeiro ciclo foi caracterizado pela infecção majoritária de homossexuais ou bissexuais masculinos. O segundo, marcado pelo incremento significativo da categoria usuário de droga injetável e da heterossexualização da epidemia. No terceiro, observamos um avanço acentuado de transmissão heterossexual e o crescimento nos casos de mulheres soropositivas e, em consequência, a ocorrência da transmissão vertical. No atual momento da epidemia, assiste-se um avanço da Aids nos adolescentes iniciados sexualmente e, principalmente, na terceira idade. No começo da epidemia, os pacientes, muitas vezes, não viviam mais do que dois anos após desenvolver a doença. Atualmente, os cientistas desenvolveram categorias de drogas que evitam a multiplicação do vírus HIV que, usadas em combinações conhecidas como “coquetel”, ajudam os pacientes a viverem por um período maior de tempo e com melhor qualidade de vida.

Manifestações bucais As manifestações bucais da infecção pelo HIV são frequentes e podem representar os primeiros sinais clínicos da doença. Podem ser indicadoras de comprometimento imunológico, minimizando o tempo de evolução da doença até a fase de Aids. Desde o início da epidemia, muitas manifestações bucais foram relacionadas à infecção pelo HIV. Diversos autores relatam que o estudo dessas manifestações bucais é fundamental para auxiliar o entendimento da epidemiologia da Aids.

Com o início da terapia antirretroviral altamente potente (HAART), pesquisadores verificaram a redução acentuada na ocorrência de infecções oportunistas, mas outras manifestações e complicações, relacionadas aos efeitos adversos causados pela HAART, tornaram-se muito frequentes, sendo as sialolitíases, as xerostomias, aumento volumétrico da parótida, os líquen planos, as pigmentações mucosas medicamentosas, as mucoceles, as rânulas e os hemangiomas. Mesmo assim, as manifestações bucais podem representar os primeiros sinais clínicos da doença, sendo indicadoras de comprometimento imunológico, do tempo de evolução da doença, como marcadores de infecção, como avaliadores da adesão dos pacientes aos esquemas terapêuticos, do diagnóstico precoce das infecções e indicadores da falência terapêutica. As DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) de notificação compulsória são Aids, HIV na gestante/criança exposta, sífilis na gestação e sífilis congênita. Para as outras DSTs não há um sistema de notificação, dificultando a sua visibilidade. As DSTs funcionam como cofator para transmissão do HIV, sendo que as úlceras orais e genitais facilitam e aumentam em 4,7 vezes a infecção; a gonorreia em 4,7 vezes; o herpes em 3,3 vezes; e a sífilis em três vezes. Importante ressaltar que o HPV é um importante facilitador em 3,7 vezes, e comprovadamente, é um dos grandes responsáveis pelo câncer em cavidade bucal. O cirurgião-dentista tem um papel importante no diagnóstico das manifestações oportunistas, na descrição clínica do paciente e no diagnóstico da infecção pelo HIV. Para tanto, deve o cirurgião-dentista estar treinado e capacitado sobre as intercorrências dessas patologias, sabendo diagnosticá-las e tratá-las a contento. Devemos ressaltar a importância vital que o Programa Municipal em DST/Aids tem junto aos Serviços de Saúde, pois com os seus 15 Centros de Atendimentos Especializados, compõe também no seu quadro de recursos humanos, cirurgiões-dentistas. A atuação direta junto a estes grupos de trabalho surtiu importantes frutos na área do conhecimento, sendo esses conhecimentos aplicados com a finalidade da promoção da saúde, bem-estar e melhorias na qualidade de vida, frente aos sofrimentos humanos. Até a próxima!

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Produtos e Serviços Restauração: acabamento e polimento Uma restauração só pode ser considerada concluída após o acabamento e polimento. Esse procedimento é de extrema importância para a restauração, com ele você pode garantir um aumento da lisura superficial e redução do acúmulo de placa bacteriana na região, reduzindo o risco de cárie secundária, além de manter a saúde gengival. O polimento das restaurações tem por objetivo fornecer uma superfície final mais polida, diminuindo a quantidade de porosidades, proporcionando um tecido periodontal saudável e a longevidade da restauração. A FGM oferece uma completa linha de acabamento e polimento para que suas restaurações possam chegar ao nível máximo de estética. O kit Diamond Master combina materiais para acabamento e polimento de restaurações, permitindo concluir o tratamento restaurador com muito mais refinamento. Os discos de lixa Diamond são utilizados para as etapas de acabamento inicial e pré-polimento da superfície. Os discos de feltro são excelentes para polimento e brilho final das restaurações. O kit ainda conta com uma pasta de polimento Diamond Excel, para deixar o trabalho com um resultado além de suas expectativas. www.fgm.ind.br

Saúde bucal na adolescência De forma clara e objetiva, a autora, Patrícia de Andrade Risso, procura integrar diferentes aspectos da temática envolvida no atendimento ao paciente adolescente, desde a epidemiologia até a genética, discorrendo por diversos temas clínicos. Risso define o adolescente e suas especificidades psicossociais e ambientais, além de apresentar as principais ações e programas de saúde pública e os aspectos éticos e legais do atendimento. Na obra Odontologia Integrada na Adolescência são abordadas as condições de saúde pública, como a cárie, o traumatismo dentário e as condições comportamentais que influenciam na saúde geral e oral, como a transmissão de doenças infecciosas por meio da cavidade oral e os transtornos alimentares. www.grupogen.com.br

Clareamento eficiente Cerca de 30% dos pacientes estão insatisfeitos com a cor dos seus dentes, mas muitos deles não sabem como é simples e seguro o procedimento de clareamento. A Nova DFL apresenta sua linha completa de clareadores dentais: Total Blanc Home e Total Blanc OFFICE. A linha Total Blanc Home apresenta como principais diferenciais o pH neutro, a presença dos dessensibilizantes Fluoreto de Sódio e Nitrato de Potássio na fórmula, um sabor agradável para o seu paciente, além de ser o único do mercado com seis seringas. Está disponível nas concentrações Peróxido de Carbamida 10% e 16% e Peróxido de Hidrogênio 6% e 7,5%. Já o Total Blanc Office trabalha com a técnica seringa-a-seringa com indicador visual de eficiência e é apresentado em um estojo com seis pares de seringas. Pode ser usado com ou sem fonte ativadora, sendo que, com a fotoativação, são necessárias apenas duas etapas de 12 minutos. Para assistir aos vídeos e obter mais informações, acesse www.totalblanc.com.br.

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Compósito cinco estrelas O LuxaCore Dual é um compósito dual indicado para preenchimento, cimentação de pino de fibra de vidro e reconstrução de munhão. O produto possui uma ótima fluidez e homogeneidade, assim como uma excelente resistência à compressão. Apresenta uma dureza final semelhante com a da dentina. LuxaCore Dual permite uma aderência e um acabamento perfeito. Além de ser muito estético e radiopaco, é de mistura automática. A aplicação é direta, proporcionando economia de tempo e de material. www.dmgdobrasil.com.br

Inovação no processo de esterilização A autoclave Tempel veio para inovar o processo de esterilização de materiais em clínicas odontológicas, médicas, veterinárias, de estética, salões de beleza, laboratórios e body piercing. De fácil manuseio, os cirurgiões-dentistas de todo Brasil podem contar com um produto de alto desempenho, que possui vantagens, como: comando digital; display de cristal líquido com iluminação de led; placa eletrônica microcontrolada; menor consumo de energia; alarmes sonoros para: descarga do vapor manutenção e monitoração; seis ciclos de esterilização; secagem com porta fechada e secagem extra; válvula de segurança na parte posterior; puxador ergonômico e capacidade para até quatro bandejas e 18 itens de segurança. Conta também com software de controle de esterilização em modelos de 12 e 21 litros, de alumínio e inox, permitindo extrair relatórios através da porta USB. O software de controle de esterilização mantém registros de cada ciclo realizado. Estes registros são importantes para comprovar que os instrumentais e materiais foram devidamente esterilizados, que garantem mais segurança para o proprietário da autoclave, pacientes, clientes e órgãos de fiscalização de saúde. www.tempel.ind.br

Bráquetes prescrição M.B.T. Max O lançamento da Morelli possui alta tecnologia e, além da precisão de ângulos e torques, a tecnologia MAX impõe resistência e segurança pela construção em corpo único. Essa construção oferece bráquetes com design arredondado, confortáveis, com grande capacidade de colagem e totalmente precisos nas medidas. Fornecido em embalagens de um e cinco casos. www.morelli.com.br

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Odontologia Integral Antroposófica A Odontologia Antroposófica foi denominada, para fins de oficialização, de Odontologia Integral Antroposófica (OIA), por utilizar a abordagem interdisciplinar, interpretação analítica e visão sistêmica embasada nos conceitos antroposóficos pautados nas leis científicas da metodologia fenomenológica de Johann Wolfgang von Goethe. A proposta baseia-se na salutogênese, cujos tratamentos incluem as terapias externas, euritmia, terapia artística e outros, com ênfase em orientações e medicamentos naturais, ampliando os recursos para a promoção da saúde bucal. A Revista Odonto Magazine procurou Célia Regina Lulo Galitesi*, presidente do IDEIA. e coordenadora do curso de formação em Odontologia Antroposófica, para informar pontos chaves sobre o tema.

Por: Célia Gennari

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s fundamentos da Medicina Antroposófica surgiram na Europa, no início do Século XX, a partir do trabalho conjunto de Dra. Ita Wegman, Rudolf Steiner e um grupo de médicos por eles liderados, com estudos que, por sua vez, foram influenciados pela pesquisa de Johann Wolfgang von Goethe. No Brasil, a Odontologia Integral Antroposófica – OIA nasceu de um processo de emancipação, originado na década de 1990 para suprir as exigências dos cirurgiões-dentistas que cursavam a formação médica antroposófica na Associação Brasileira de Medicina Antroposófica, e que pleiteavam curso de formação específico, estruturado, com fundamentos, prática odontológica e reconhecido. Para que a emancipação e o desenvolvimento desta área seguissem com parâmetros e com os devidos critérios, o programa do curso foi então elaborado com vistas a cumprir tais quesitos e burocracias ocorridos de 1994 a 2001. Todas as decisões e encaminhamentos, que culminaram na resolução desse processo, foram feitos sob o conhecimento, orientação e aval do Goetheanum**. A partir de então, existem diretrizes próprias vigentes para a citada formação. Por meio do Instituto de Odontologia Integral Antroposófica – IDEIA***, reconhecido e habilitado pela Medizinische Sektion am Goetheanum (Seção Médica no Goetheanum) – Suíça, é ministrado capacitação e emitido certificação aos profissionais que cumprem a formação completa na área, dentro dos critérios e parâmetros da grade curricular avalizada para tal. A iniciativa em conjunto assegura a continuidade e a qualidade das formações odontológicas antroposóficas do Brasil, em consonância com o exterior. Devido a essa organização e desenvolvimento, cirurgiões-dentistas de outros países da América Latina, como Argentina, Chile e Equador, aderiram ao programa, do qual Célia Regina Lulo Galitesi contribuiu ativamente, desde o início. Diferente do que se imagina, a Odontologia Convencional e a Antroposófica vivem em harmonia, pois “os cirurgiões-dentis-

tas são formados pela visão acadêmica, fazem o juramento de Hipócrates e em tese buscam um bem comum”, explicou Célia Regina Lulo Galitesi, que acrescentou: “o que ocorre é que a cosmovisão antroposófica amplia e aprofunda a compreensão sobre o conhecimento da natureza humana, o que se faz necessário, justamente para que se complemente a ciência acadêmica e não haja conflito, mas sim, que retrate fielmente a realidade factual da natureza”. Célia Galitesi tem observado que existe um grande interesse dos profissionais de saúde por esta linha de abordagem. Para ela, os profissionais da saúde não querem mais se nutrir de relações fragmentadas, distantes da possibilidade de cura e os pacientes atuais querem ser vistos como um ser integral. No entanto, no Brasil, a expansão do movimento odontológico antroposófico e a busca pela oficialização ocorre desde 2002 e continua ativo por meio de dentistas antroposóficos integralmente formados que são membros representantes da OIA, que participam nas Comissão de Terapêuticas Integrativo-Complementares – CTICs nos Conselhos Regionais de Odontologia – CROs em diversos Estados. O curso de formação em Odontologia Antroposófica ministrado pela associação IDEIA, responsável pelo ensino, pesquisa e divulgação dessa prática odontológica aos cirurgiões-dentistas, cumpre esta laboriosa função de preparar, capacitar e certificar o cirurgião-dentista para atuar nesta área, de modo que consiga ampliar seus recursos terapêuticos e seu arsenal medicamentoso para cuidar de seus pacientes por esta abordagem mais individualizada.

O dente tomado à imagem do homem integral A Odontologia Integral Antroposófica – OIA desenvolve-se trabalhando com visão sistêmica, interdisciplinar, relacionando as gêneses de fenômenos arquetípicos que se manifestam em diferentes exemplares da natureza e se processam numa cor-

* Cirurgiã-dentista, em São Paulo. Clínica geral. Especialista em ortopedia funcional de maxilares. Membro da Comissão das Terapêuticas Integrativo-Complementares do CROSP. Autora de livros, entre eles, “O Dente à Imagem do Homem”. Contato: lulogalitesi@uol.com.br. ** Goetheanum é a sede mundial do movimento antroposófico, localizado em Dornach, Suíça. Seu nome é uma homenagem a Johann Wolfgang von Goethe. O Goetheanum original foi projetado por Rudolf Steiner. *** O Instituto de Odontologia Integral Antroposófica – IDEIA – associação que congrega os cirurgiões-dentistas e é responsável pelo ensino, pesquisa e divulgação dessa prática odontológica. Para saber mais, acesse: www.odontologiaantroposofica.com.br.

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A humanização da Odontologia está vinculada à edificação de novas relações entre o paciente e o profissional.

respondência de tempo e espaço sob a influência dos meios terrestre e cósmico. Para a compreensão disto, toma o estudo de correlatas gêneses: cosmogênese, embriogênese, odontogênese para fundamentar as relações entre sistemas e, então, favorecer a real compreensão das origens de cada disfunção, parafunção e mesmo as patologias bucais, vistas também pelo âmbito da salutogênese. A humanização da Odontologia está vinculada à edificação de novas relações entre o paciente e o profissional. Para Célia Galitesi existem condições fundamentais para que isso se estabeleça: que o paciente, dentro de suas possibilidades, seja interativo ao tratamento, que colabore com mudanças de maus hábitos e de antigos paradigmas. E, por parte do cirurgião-dentista, seu profissionalismo deve se somar aos conhecimentos que lhe concedam a noção da constituição integral do paciente, considerando não só o conhecimento estritamente biológico, como também as forças regenerativas e a capacidade de autogestão que habita o ser humano em sua mais autêntica realidade. Cresce a cada dia a demanda de pacientes que procuram por tratamento odontológico onde sejam reconhecidos como indivíduos considerando seu Eu e onde o tratamento específico passa a ser uma terapia que promove um maior equilíbrio, que pela saúde bucal favoreça sua saúde como um todo. Neste sentido a OIA traz benefícios tanto para os cirurgiões-dentistas quanto para o paciente. Dentre eles: » Promove uma abordagem humanística com consciência interativa entre profissional-paciente, sem prescindir da atenção à funcionalidade e à estética.

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» Os procedimentos mais sutis, menos invasivos e não menos eficazes, diminuem sofrimentos, aumenta a segurança e torna o atendimento mais agradável. » Agrega benefícios ao tratamento com propostas salutogênicas, que incluem mudanças de hábitos, trabalho interdisciplinar entre saúde e educação, com método próprio. » O emprego adequado das medicações naturais, antroposóficas resultam em menos efeitos colaterais e apoio às não recidivas. » Atua nas disfunções do aparelho mastigatório em consonância com o todo, isto implica em melhora geral. » Contribui para o aprimoramento da Odontologia somando à visão científica acadêmica a visão complementar por meio da Odontologia Antroposófica. A Odontologia Integral Antroposófica parte do princípio que nutrição, meio ambiente, educação (pedagogia), medicamentos e até a qualidade de pensamentos que cultivamos, interferem na dentição, tanto quanto o excesso de estímulos sensoriais, que consomem cedo demais parte da energia vital que deveria estar sendo empregada na consolidação dos dentes, citou Dra. Célia Lulo Galitesi. Segundo Rudolf Steiner, as forças utilizadas para pensar são da mesma natureza das que formam e fortalecem os ossos e os dentes. A qualidade dos estímulos recebidos também contribui para a formação da cavidade oral e dentes. “Ao começar a andar, por exemplo, com a gradual maturação neural e muscular, com a conquista da posição ereta e o trabalho sobre a coluna vertebral, a criança está simultaneamente exercitando o masseter,

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Reportagem um músculo facial que é um dos mais fortes do ser humano e diretamente ligado à conformação da arcada dentária”, explicou. Portanto, dentro dessa linha de raciocínio, o uso de andadores, para apressar ou “facilitar” o caminhar da criança, pode ser visto como um “fragilizador” das forças da vontade, lembrando que: “o andar prepara os caminhos nervosos da fala, que por sua vez, prepara os caminhos da elaboração do pensar”, e é com a troca dos dentes que ocorre a transformação do pensar. O desenvolvimento da dentição, que se inicia na vida intrauterina, acontece correlato ao desenvolvimento motor e ao processo de mudanças no comportamento que está relacionado com a maturação do sistema nervoso central em interação com o processo educacional, que inclui: ambiente, estímulos ao desenvolvimento da criança e cuidados higiênico dietéticos profiláticos. “Cada paciente odontológico é um ser que traz um caminho evolutivo, que passa pela formação harmônica do pensamento, do sentimento e da vontade”, disse a cirurgiãdentista. Por isso, para ela, o cirurgião-dentista pode também ser um facilitador de saúde integral. Qualidade de vida, para Célia Galitesi, não é garantia de não adoecimento; mas pode dar garantia ao bem-estar e, consequentemente, à conquista ou reconquista de um estado de saúde. “A qualidade de vida passa pelo cultivo de bons hábitos, tais como: adequada nutrição, manutenção de ritmos salubres de sono-vigília, de higiene bucal diária, exercícios físicos frequentes – de acordo com a individual capacidade física, bem como o cultivo de bons pensamentos, sonhos e planos para o futuro, e, sobretudo, ter percepção e prazer na integração de si próprio com o meio ambiente e com a sociedade”, lembrou. Também por meio de um tratamento dentário da OIA é possível diagnosticar ou modular traços dos quatro temperamentos: sanguíneo, melancólico, colérico e fleumático, posto que muitas interpretações são passíveis de checagem até na forma dos dentes e características das arcadas. Célia Galitesi comentou que não se limita a relacionar padrões de comportamento com os biótipos, pois a ideia central não é classificar para estigmatizar o paciente em um “tipo” definido ou num padrão de comportamento pré­ estabelecido, e sim compreender e discernir o que está exacerbado naquele momento. Na anamnese, dentro da abordagem do paradigma salutogênico, o foco terapêutico é o indivíduo e não a doença. Para a OIA, o conceito de prevenção não se limita a impedir que o indivíduo entre em contato com a doença, na medida em que visa “prepará-lo”, através de um processo de autogestão, fortalecendo-o de dentro para fora, incluindo seu mundo de convicções, percepções, senso de coerência e sua capacidade resiliente. “A capacidade humana de lidar com conflitos se fortalece de um modo geral nesta interação”, comentou. Deste modo, existe sempre um ganho na superação de uma doen­ça, mesmo no caso de uma tendência a formação de cáries. “A aplicação de selantes, aplicação de flúor, bochechos diários com colutórios a base de antimicrobianos de ação antisséptica e outros, precisam ser procedimentos individualizados. Do contrário, se ficarmos presos a procedimentos clínicos exclusivamente ‘exteriores’, relativizamos o conceito de prevenção”, advertiu. A terapêutica medicamentosa antroposófica dá um bom suporte no que se refere a tratamento individualizado, pois em linhas gerais, visa estimular a constituição para que esta vença a doença por si mesma, ao invés de somente dar ao organismo uma ajuda externa. Na Odontologia, quase todos os procedimentos são invasivos, ao ponto do dentista ser denominado cirurgião-dentista. Os

Farmácia Antroposófica No Brasil, a medicação antroposófica é validada pela Anvisa; oficialmente reconhecida, desde 24 de julho de 2007 pela Resolução 465 – D.O.U.16/08/2007 – págs. 95/98. Ela é regulamentada em diversos Países da Europa. Os medicamentos são obtidos a partir de substâncias da natureza: mineral, vegetal ou animal. Portanto, não há medicamento antroposófico sintético ou obtido de uma planta geneticamente modificada, ou com processo de cultivo a base de agrotóxicos, herbicidas sintéticos ou fertilizantes químicos. O cultivo é orgânico ou biodinâmico, e a observância ao momento mais adequado para a semeadura e para a colheita interfere no potencial terapêutico. Para a Dra. Célia Galitesi, além das prescrições alopáticas, o cirurgião-dentista tem que adquirir o conhecimento e o devido preparo para proceder às indicações das medicações antroposóficas, tanto das tinturas como das dinamizadas e diluídas. “Na prática, a responsabilidade é maior, pois permite ao profissional dirigir a medicação para o paciente tanto em seu nível físico como em níveis mais sutis de sua constituição”, informou.

menos invasivos em relação ao corpo físico são os cuidados higiênico-dietético-profiláticos, tais como: alimentação balanceada - preferencialmente orgânica\biodinâmica\integral - que favorecem a formação de ossos e dentes fortes; cuidados com os ritmos, como o de sono e vigília, que é especialmente importante para a capacidade regenerativa não só das afecções bucais, mas de um modo geral; atividades físicas regulares, que em última instância liberam endorfina e favorecem o bem-estar, sobretudo, atividades culturais, artísticas, sóciointegradoras, pois segundo Steiner, tornar-se saudável, são, inteiro, significa integrar-se. Com relação à atuação terapêutica por meios menos invasivos, utiliza-se uma gama de aportes pela atuação conjunta com diversas áreas, que algumas vezes não são restritas ao ‘universo’ antroposófico. “Podemos interagir com as demais áreas integrativo-complementares bem como áreas que comungam dos mesmos princípios. Entretanto, frequentemente, interagimos com as áreas igualmente ampliadas pela Antroposofia, entre elas: Psicologia, Medicina, Pedagogia Waldorf e Pedagogia Curativa; na Fonoaudiologia: a reorganização neurofuncional, as terapias artística e externas, a massagem rítmica, Nutrição, Quirofonética, Euritmia Curativa, com trabalhos biográficos, que visam cuidar e harmonizar o ser humano como um todo”, concluiu citando que existe um Comitê Ibero Americano Multidisciplinar Antroposófico de todas essas áreas (mais informações podem ser obtidas por meio do site www.odontologiaantroposofica.com.br).

“Cada paciente odontológico é um ser que traz um caminho evolutivo, que passa pela formação harmônica do pensamento, do sentimento e da vontade”

Célia Regina Lulo Galitesi

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Entrevista

Saúde bucal em casa O atendimento odontológico domiciliar, antes oferecido aos idosos com dificuldades de locomoção e aos pacientes com necessidades especiais, ganha espaço no mercado para levar saúde e bem-estar para todas as pessoas que não podem comparecer ao consultório. Por: Vanessa Navarro

Daniel Boklis  Cirurgião-dentista. Formado pela Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Especialização em Pacientes com Necessidades Especiais - UNICAMP. Estágio em cirurgia e traumatologia - Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Aperfeiçoamento em Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa - FIOCRUZ. Serviço de Atendimento Domiciliar - Prefeitura Municipal de Campinas, desde 2004. Auxiliar de pesquisa em Endodontia. Atualização em Saúde Coletiva - FOP - Unicamp. Dentista de Saúde da Família - Prefeitura Municipal de Campinas, desde 1990.

Odonto Magazine - Quando o atendimento bucal domiciliar passou a ser praticado no Brasil? Daniel Boklis - Inspirado no médico da família, que começou há décadas, o atendimento odontológico domiciliar começou recentemente, uma vez que só agora fabricam equipamentos portáteis e miniaturizados. Este atendimento cresce no Brasil para o conforto dos pacientes com dificuldades de locomoção ou para pessoas com aversão aos consultórios tradicionais. Adaptaram-se os materiais em pequenas unidades (até a cadeira vira uma maleta) e com eles realizam-se a maioria dos tratamentos: de restaurações, próteses até cirurgias. Só falta um aparelho de raios-X portátil, o que ainda não é autorizado pela Anvisa. Os profissionais cobram uma taxa de visita e os procedimentos custam cerca de 70% a mais que nos consultórios tradicionais. Odonto Magazine - Quando o home care dental é indicado? Daniel Boklis - Ao receber alta do hospital, o paciente vai para casa, continua o tratamento médico e libera vagas nos hospitais, sempre concorridas. Ao chegar ao lar, depara-se com uma situação nova, cuja família, às vezes desestruturada, não dá conta da nova demanda e precisa de ajuda. Muitas vezes, os cuidadores informais, parentes e amigos, não são treinados para receber o paciente. Alguns não conseguem sequer escovar adequadamente os dentes do ente querido, por não terem sido orientados por um profissional, deteriorando as condições de saúde bucal e agravando as condições gerais do paciente.

O home care dental é indicado em vários casos, entre eles: » Paciente com dificuldades de locomoção. » Pacientes com aversão aos consultórios tradicionais. » Pessoas que sofrem com fobias (trânsito, assalto, dentista). » Comunidades isoladas (índios) ou não. » Idosos em asilos ou executivos sem tempo de ir ao consultório. » Crianças agitadas ou com alguma patologia neurológica. » Pacientes vítimas de AVC de tronco. » Pessoas politraumatizadas. » Pacientes traqueotomizados. » Pacientes vítimas de síndromes (de Down, de Werdinig Hoffmann, etc.). » Pacientes com Mal de Parkinson e Alzheimer em estágios mais avançados. » Pacientes que saíram de cirurgias de grande porte e que necessitam de cuidados tanto no hospital quanto em casa para se recuperarem. » Pacientes com artroses, artrites, cardiopatias, vítimas de paralisia cerebral, deformidades congênitas, senilidade, esclerose lateral amniotrófica, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), câncer em estado avançado, enfim, inúmeras patologias. » Por fim, pessoas que estejam acamadas e impossibilitadas de ir até um consultório odontológico. Odonto Magazine - Quais são os principais procedimentos

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Entrevista

Este atendimento cresce para o conforto dos pacientes com dificuldades de locomoção ou para pessoas com aversão aos consultórios tradicionais

realizados neste segmento da Odontologia? Daniel Boklis - Os procedimentos mais comuns são: profilaxia, raspagem, restaurações, próteses e extrações - desde que haja colaboração por parte do paciente. Odonto Magazine - Quais são as principais dificuldades encontradas pelo profissional de saúde bucal nesta modalidade de atendimento odontológico? Daniel Boklis - Grande parte dos profissionais da saúde não sabe da importância dos dentes e as consequências dos problemas que ocorrem na cavidade bucal e na saúde geral do paciente. » Existe a falta de recursos humanos especializado, ou seja, profissionais que tenham perfil para trabalhar neste ambiente mórbido. » Falta de colaboração dos familiares para execução de higiene bucal. » Condição insalubre das residências. Relações deterioradas entre familiares para decidir quem vai cuidar do paciente. Odonto Magazine - Quais pensamentos filosóficos e tecnológicos ainda precisam ser empregados para que exista total eficiência no atendimento odontológico domiciliar? Daniel Boklis - Temos que citar frases de impacto que estimulem a percepção dos profissionais da saúde desta importância: » A saúde começa pela boca (mastigação, digestão). » 60% das endocardites bacterianas são provenientes das infecções bucais. » A doença se cura pela boca (alimentação saudável e medicação). » Diabetes descompensa mediante infecção bucal. » Infecção urinária de repetição = origem na boca. » Infecção do canal pode provocar septicemia (infecção generalizada). » Tudo isso dificulta a realização de cirurgia de urgência. » Pneumonias, encefalites e até meningites podem advir de foco infeccioso na cavidade bucal. Odonto Magazine - Quais são os profissionais que precisam estar envolvidos nos procedimentos? Daniel Boklis - Existem quatro possibilidades: Primeira: um dentista sozinho. Segunda: um dentista + um auxiliar em saúde bucal (ASB) para

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auxiliar o dentista no campo operatório. Terceira: um dentista + um técnico em saúde bucal (TSB) para preparar o paciente através de profilaxia, remoção supragengival do tártaro e do biofilme para ser atendido. Quarta: um dentista + um auxiliar ou técnica de enfermagem ou enfermeira para auxiliar o dentista e preparar o paciente para o procedimento odontológico através de aspiração, higiene íntima (fezes e urina), proteção de escaras, verificação de pressão, saturação de oxigênio, controle de glicemia e do monitoramento dos aparelhos que o paciente está conectado, etc. Odonto Magazine - Quais são os fatores bucais que podem complicar e/ou comprometer o atendimento odontológico domiciliar? Daniel Boklis - Vários fatores podem comprometer o atendimento, como placa bacteriana, tártaro, gengivite, periodontite, cárie dentária, abscesso periodontal, retração gengival, enfim, falta de cuidados de higiene bucal. A falta de envolvimento da família, a ausência de estrutura psicológica dos cuidadores informais e a escassez de recursos financeiros para contratação de cuidadores formais também podem interferir. Odonto Magazine - Qual é a importância da avaliação psicossocial do paciente? Daniel Boklis - Essa avaliação só é possível se o paciente estiver em uma fase de conectividade com o mundo exterior. Caso esteja consciente, o aspecto psicossocial fica comprometido, devido à baixa autoestima, levando ao quadro de depressão - que normalmente se desenvolve nesses casos. O paciente, muitas vezes, tem o desejo de morrer para não dar “trabalho” à família. Muitas vezes não quer tomar medicação. No aspecto social, vizinhos, parentes e até membros da igreja que ele frequentava prestam solidariedade, compartilhando a dor da família e, muitas vezes, ajudando a cuidar deste paciente. Sob o aspecto econômico, a família, muitas vezes fragilizada financeiramente, não consegue atender todas as demandas do paciente, criando uma rede de ajuda financeira, onde tentam suprir a carência de medicamentos e demais insumos. Odonto Magazine - Como o profissional de saúde bucal deve agir para monitorar a continuidade do tratamento? Daniel Boklis - Após uma minuciosa anamnese, planejamento e tratamento para o caso, deve-se preparar o (s) cuidador (es) para realizar uma higiene bucal adequada. O profissional de saúde bucal deve retornar a cada dois ou três meses, dependendo do caso, para a reavaliação e a manutenção de procedimentos preventivos. Muitas vezes o cuidador não tem condições de realizar os procedimentos preventivos por meios de higiene bucal efetiva. Daí, surgem os cuidadores formais ou informais ou se constitui uma rede de ajuda. Odonto Magazine - A Odontologia do segmento domiciliar está preparada para o iminente crescimento da população idosa? Daniel Boklis - Com toda sinceridade, não. Muitos profissionais não foram preparados ou não se interessam por este tipo de atendimento. Primeiro porque é exigido um perfil de profissional para enfrentar um ambiente hostil. O profissional adentra na intimidade do paciente, percebe como ele vive e o relacionamento com a família. As faculdades não preparam para isso, e ainda não existe especialização voltada para o atendimento domiciliar.

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Vamos fazer um 5S?

Danielle Palacio Cirurgiã-Dentista. Interlocutora de Saúde Bucal do Instituto Israelita de Responsabilidade Social da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Especialista em Saúde Coletiva. Mestranda em Saúde Coletiva. Coordenadora do módulo de Saúde Bucal da Especialização em Saúde da Família e Comunidade do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein. Docente da Equipe Biológica.

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5S é uma ferramenta que foi desenvolvida por donas de casa no Japão e que hoje é aplicada em diversas situações e ambientes para alcançar melhorias e maior qualidade. A indústria e várias empresas se utilizam dessa prática em seu ambiente organizacional, e essa técnica muito pode agregar ao nosso espaço odontológico. É possível e bem-vindo fazermos um 5S no nosso local de trabalho, a fim de torná-lo mais agradável, prático, seguro e produtivo. O 5S é um conjunto de ações realizadas, de preferência, em equipe. Cada S têm um significado e um tipo de ação vinculada, descrita no quadro. As ações descritas têm alguns objetivos práticos e, comprovadamente influenciam, de forma positiva, o clima dos locais onde são aplicadas, bem como na qualidade das ações que são desenvolvidas nesses locais. Veja alguns desses objetivos:

» Melhoria do ambiente de trabalho, pois ele se torna mais leve e agradável. » Prevenção de acidentes ocupacionais, uma vez que os processos e situações estão organizados de maneira a minimizar possíveis riscos da prática diária. » Eliminação de desperdícios, através do uso consciente dos recursos e implementação de medidas simples de usar racionalmente os recursos naturais. » Redução de custos, gerada a partir da otimização do uso dos recursos e de tendermos a ser mais racionais com o uso dos insumos. » Desenvolvimento do trabalho em equipe, principalmente quando a ESB desenvolve o 5S em conjunto e se automotiva para mantê-lo por mais tempo. » Incentivo à criatividade: sempre surgem ideias novas de fazer as mesmas coisas de forma mais prática e objetiva e novas formas de organização.

Significado dos 5S Japonês Seiri Seiton Seiso Seiketsu Shitsuke

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Inglês Sorting Systematyzing Sweeping Sanitizing Self-disciplining

Português Senso de organização, uso e liberação de espaço físico. Senso de ordem e arrumação. Senso de limpeza. Senso de padronização, asseio e saúde. Senso de autodisciplina e disciplina da equipe.

Significado na prática Separar e fazer correto descarte. Ordenar e identificar. Limpar sempre. Revisões periódicas. Motivação contínua.

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Espaço Equipe » Melhoria das relações humanas, pois ambientes organizados, limpos e devidamente identificados promovem naturalmente um maior respeito ao espaço de cada pessoa e favorece a boa prática diária. » Melhoria da qualidade de produtos e serviços como consequência final de tudo já mencionado. Agora que você já conhece o 5S, vamos colocá-lo em prática, organizando os arquivos e prontuários, checando estoques e as datas de validade dos insumos. Vamos tirar do ambiente tudo que não tem uma função prática e deixar os espaços de trabalho com apenas o que é necessário à mão. Identificar corretamente materiais, kits clínicos, bandejas e tudo mais que diz respeito a nossa prática é uma boa maneira de deixar o ambiente organizado. Determinar o local exato e mais conveniente de cada coisa dentro do consultório também faz parte dessa ação, vislumbrando uma melhora dos processos que fazem parte da sua rotina. Estabelecer um hábito de limpeza frequente, separar o lixo, reciclar e achar novas funções para o que já temos também faz parte das medidas que podemos fazer. Periodicamente, deverá ser feita uma revisão de tudo. A motivação deve existir para que todos mantenham o ambiente limpo, arrumado e agradável. O 5S pode ser feito na sua casa, no consultório e até mesmo no seu computador. Tenho certeza de que as donas de casa japonesas não sabiam que a técnica que estavam colocando em prática para organizar suas vidas seria tão utilizada e uma grande aliada para melhoria da qualidade de diversos lugares.

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Solidariedade e cidadania Criado em 1999, o OdontoSESC vem de encontro às necessidades de saúde bucal da população brasileira. Desenvolvido pelo Serviço Social do Comércio – SESC e espalhado por todos os estados, o projeto visa atender à clientela de baixa renda. Por: Vanessa Navarro

Anderson Furtado Dalbone Cirurgião-dentista. Especialização em Saúde Pública. Odontólogo Sanitarista do Serviço Social do Comércio Departamento Nacional há 11 anos. Coordenador Nacional do Projeto OdontoSESC. Cirurgião-dentista da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Vasta experiência nas áreas de planejamento, acompanhamento e avaliação de programas e projetos de saúde.

Odonto Magazine - Quem foi o responsável pela viabilização do OdontoSESC? Anderson Furtado Dalbone - O OdontoSESC foi idealizado pelo Sr. Presidente do Conselho Nacional do SESC, Antonio Oliveira Santos, e concebido pelo Departamento Nacional do SESC. O projeto teve início em 1999, na cidade de Esperança, na Paraíba.

» Promover o intercâmbio técnico dos profissionais de saúde das localidades, acerca da promoção da saúde e da biossegurança. » Desenvolver parcerias com órgãos e instituições para a rea­ lização de trabalhos conjuntos e programas específicos em benefício das comunidades locais.

Odonto Magazine -  Quando o SESC percebeu a necessidade de um projeto direcionado a saúde bucal brasileira? Anderson Furtado Dalbone - A Odontologia se constitui em uma das áreas programáticas do SESC, desde o final da década de 1940. Desde então, tem ampliado e alinhado sua proposta de ação às demandas por atenção em saúde bucal de sua clientela do comércio de bens, serviços e turismo, seus dependentes e sociedade brasileira em geral. Avaliando o perfil epidemiológico da população brasileira e a imensidão territorial de nosso país, o SESC elaborou uma estratégia que viabilizasse a itinerância de suas ações, ampliando a abrangência.

Odonto Magazine -  Quem são as pessoas beneficiadas pelo projeto? Anderson Furtado Dalbone - Comunidades de baixa renda, situadas no interior dos estados e também na periferia dos grandes centros urbanos. Dentre as comunidades visitadas, a prioridade no atendimento volta-se aos grupos ou famílias em situação de vulnerabilidade social, de todas as faixas etárias.

Odonto Magazine -  Quais são os principais objetivos do OdontoSESC? Anderson Furtado Dalbone – Eis os principais objetivos do Projeto OdontoSESC: » Estender os serviços de Odontologia prestados pelo SESC nas suas Unidades Fixas ou clínicas odontológicas, às comunidades, preferencialmente, de baixa renda, localizadas nas cidades do interior e na periferia dos centros urbanos. » Programar ações voltadas à educação, prevenção e promoção de saúde bucal. » Promover o engajamento dos diversos setores da sociedade nas ações desenvolvidas. » Sensibilizar a comunidade para a importância da saúde bucal.

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Odonto Magazine -  Como foi realizada a pesquisa para atribuir o número de unidades móveis em cada estado brasileiro? Anderson Furtado Dalbone - A pesquisa foi realizada localmente, por intermédio de cada Departamento Regional do SESC. Esta considerou aspectos relacionados ao perfil epidemiológico em saúde bucal de cada estado brasileiro e indicadores sociais, tais como o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, dados oriundos dos Censos e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD e o conhecimento das equipes acerca das condições sociais de seu estado. Odonto Magazine -  É possível identificar quais regiões brasileiras necessitam de mais atenção à saúde bucal? Anderson Furtado Dalbone - Tendo por objetivo aumentar a abrangência de suas ações de atenção em saúde bucal para o maior número de estados brasileiros e para o maior número de municípios possíveis, o SESC dispôs de 50% de suas unidades do Projeto

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A Odontologia se constitui em uma das áreas programáticas do SESC, desde o final da década de 1940

OdontoSESC nas regiões Norte e Nordeste, regiões onde, reconhecidamente, os indicadores sociais retratam maior gravidade. Confirmando esse cenário, a recente pesquisa do Ministério da Saúde – SB Brasil 2010 apontou para um ligeiro aumento do índice CPO aos 12 anos de idade na Região Norte, no período entre 2003 e 2010, diferente de todas as regiões do país, que tiveram declínio em seus resultados. Odonto Magazine -  Quem são os profissionais de Odontologia atuantes dentro de cada unidade móvel? Anderson Furtado Dalbone - A equipe é composta por dentistas, auxiliares de saúde bucal, agentes de educação em saúde, artífices de manutenção e auxiliares de serviços gerais. Composta minimamente por 10 profissionais, a equipe agrega profissionais do SESC a outros oriundos das prefeituras das cidades visitadas pelo Projeto, numa perspectiva de troca de experiências e conhecimento e, consequentemente, de atualização profissional. Odonto Magazine -  Quais são os principais atendimentos rea­lizados? Anderson Furtado Dalbone - O Projeto realiza ações de natureza clínica e educativa. Suas ações clínicas estão centradas na atenção básica, de baixa complexidade. A unidade dispõe de estrutura onde são possíveis procedimentos de clínica geral, dentística, periodontia, cirurgia oral menor, endodontia, dentre outras. Sua proposta educativa visa um olhar integral sobre os indivíduos, onde ações de saúde bucal são complementadas por observação das principais demandas iminentes em cada comunidade. Temáticas transversais, tais como sexualidade, saúde visual, dengue, doenças tropicais, alimentação saudável, dentre outras, fazem parte do dia a dia da atuação das equipes.

Odonto Magazine -  Qual é a política utilizada na realização da triagem para concretizar os atendimentos? Anderson Furtado Dalbone - A triagem é realizada em conjunto com as prefeituras parceiras. O OdontoSESC volta seus esforços às famílias em maior situação de vulnerabilidade social, tendo, dentre seus vários espaços de atuação, escolas, igrejas, associações de moradores, entre outros. Essa seleção leva em consideração aspectos voltados aos determinantes sociais da saúde, as condições e estilo de vida das comunidades visitadas. As consultas são realizadas com horário marcado, sendo a humanização um dos princípios fundamentais do trabalho desenvolvido. Interessados devem buscar informações diretamente em cada unidade móvel do Projeto OdontoSESC.

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Projeto OdontoSESC pronto para promover a saúde bucal

Odonto Magazine -  Quais são as estratégias adotadas para oferecer o perfeito entendimento ao conteúdo educativo oferecido pelo OdontoSESC? Anderson Furtado Dalbone - A concepção do projeto adota como eixo norteador principal a promoção de saúde, utilizando de práxis que traga como premissa a construção do conhecimento, considerando a experiência de vida, saberes e valores das comunidades assistidas. As principais metodologias empregadas, são oficinas, formação de agentes multiplicadores de saúde, palestras, eventos comunitários, etc. Odonto Magazine -  O projeto conta com apoio de empresas públicas e/ou privadas? Anderson Furtado Dalbone - O OdontoSESC tem sua atuação custeada pelo SESC, com a parceria operacional das prefeituras das cidades visitadas. O projeto não conta com o apoio de quaisquer empresas públicas ou privadas. Odonto Magazine - Existem dados estatísticos que apontam a melhoria da qualidade de vida aliada à saúde bucal da população brasileira atendida pelo projeto? Anderson Furtado Dalbone – Anualmente, o OdontoSESC rea­ liza cerca de 400.000 consultas e 600.000 atendimentos em ações educativas. Considerando a metodologia itinerante, seus principais indicadores que possibilitam apontar o êxito do Projeto são de cunho qualitativo. Podemos citar alguns: » Capacitação dos profissionais integrantes das redes locais de saúde, visando a continuidade do trabalho iniciado pelo Projeto OdontoSESC. » Capacitação dos agentes comunitários de saúde sobre o tema saúde bucal, para que estes venham a incluir essa abordagem nas visitas domiciliares realizadas junto às famílias. » Implantação de Programas de Promoção de Saúde Bucal nas

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escolas das redes municipais em diversas localidades no país. » Inserção da “saúde bucal” no conjunto de temas transversais adotados nos currículos escolares em alguns municípios, baseando-se nos parâmetros curriculares nacionais sugeridos pelo MEC. » Utilização das unidades móveis como campo de estágio, frequentemente reconhecidos como curriculares pelas instituições de ensino, estreitando os vínculos destas para com o SESC e garantindo o seu reconhecimento junto à classe odontológica e suas entidades representativas. » Estabelecimento de parcerias com instituições voltadas ao bem-estar social, com vistas ao desenvolvimento de ações em saúde. » Criação de fóruns de discussão sobre educação em saúde bucal, com a participação ativa das comunidades, possibilitando um maior controle social sobre as ações desenvolvidas. » Adoção, pelos serviços de saúde das prefeituras municipais, das rotinas de biossegurança e de protocolos de promoção de saúde bucal utilizadas nas unidades do OdontoSESC. » Reformulação de serviços de Odontologia do setor público em algumas localidades, tanto nas questões de ordem técnicooperacional como naquelas de ordem estrutural. Odonto Magazine -  Como o OdontoSESC pretende atuar para reverter o presente quadro da saúde bucal brasileira? Anderson Furtado Dalbone - Atuando enquanto modelo para a sociedade, fomentando esforços em prol da saúde bucal dos brasileiros. Por meio da itinerância, o OdontoSESC vem alcançando, ao longo de seus 13 anos de existência, localidades onde os habitantes jamais tiveram acesso à atenção odontológica, nunca estiveram diante de um dentista. Mais que uma ação social, o OdontoSESC tem se constituído em uma ação de solidariedade e cidadania. Uma ação para o Brasil, pelo Brasil e principalmente, para os brasileiros. Parafraseando nosso slogan “Ajudando o Brasil a sorrir”.

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Qualidade de vida e saúde bucal

Claudia Cotrim Dias Graduada em Odontologia. Especialista em Odontogeriatria. Atualização em Gerontologia. Professora dos cursos de Auxiliar e Técnico em Saúde Bucal na Odonto Delta System – ODS. Proprietária de consultório particular na zona norte de São Paulo.

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que pensamos quando ouvimos falar de qualidade de vida, assunto tão em evidência nos dias de hoje? Saúde? Trabalho? Amizade? Amor? Segurança financeira? O tema qualidade de vida ligada à saúde oral foi tema de minha monografia do curso de especialização em Odontogeriatria. Minha opinião sobre o assunto mudou bastante, desde então. A cena que aparecia na minha cabeça era a de um alquimista escolhendo alguns ingredientes em uma prateleira, colocando-os em um recipiente de vidro, um por um, cuidadosamente, na dose e ordem exatas, esperando obter o resultado ideal de sua “poção”. Cada ingrediente que ele escolhe traz em sua embalagem instruções precisas quanto à dose, o modo de aplicação, as interações, etc. Ansioso, o “cientista” observa o aspecto da mistura: verde indica que a poção pode ser tomada e que boa qualidade de vida será o seu efeito; fumaça acinzentada demonstra tendência ao exagero na quantidade de algum ingrediente; fumaça preta indica que definitivamente a poção está inadequada e que não deve ser ingerida! Não seria bom se esse fosse o caminho para obtermos boa qualidade de vida? O que a ciência faz, nada mais é do que tentar demonstrar como e explicar porque a poção às vezes se mostra verde e às vezes preta, com todas as nuances entre ambas as cores, ou seja, compreender porque alguns indivíduos têm melhor qualidade de vida do que outros. Uma das ideias da atualidade é que a saúde bucal interfere na qualidade de vida das pessoas. Apesar de ser um conceito subjetivo e de difícil definição, qualidade de vida tem sido medida e a ciência está tentando demonstrar (ou afirmando conseguir) que ela é afetada, positiva ou negativamente, por uma infinidade de variáveis, incluindo a saúde bucal do indivíduo. Foi aqui que a minha ideia do poder do alquimista/cientista começou a mudar. Como eu posso construir uma teoria se o meu objeto (o paciente) é sempre singular e inédito? Como medir qualidade de vida relacionada à saúde bucal em um objeto que sempre muda? Como tabelar a melhor prótese,

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o melhor material para a restauração, o melhor momento da cirurgia, ou, nos idosos, o melhor método de ensino de higiene oral? Não acredito que haja instrumentos possíveis, mesmo quando tentam usar métodos qualitativos. Essa foi a minha tentativa de mestrado que acabou ficando em aberto, pois me perdi nos resultados. Hoje, estou tentando unir as áreas das humanidades com a da nossa ciência para tentar chegar a alguma conclusão, mas confesso que estou pendendo para a impossibilidade dessas medidas: as variáveis são muitas, as mudanças dentro do tempo são infinitas. O meu pensamento lógico aceita que alterações na saúde bucal podem levar a pneumonia por aspiração, infecções generalizadas, endocardite bacteriana, isolamento social, depressão, desnutrição e suas consequências, sem falar do mais óbvio, a dor e o desconforto. Percebo também a influên­ cia da saúde geral sobre a saúde bucal, ou seja, o caminho inverso: osteoporose e osteoartrose dificultando a higienização bucal; efeitos colaterais e interações medicamentosas (anti-hipertensivos, antidiabéticos, anticonvulsivos, antidepressivos, entre outros) que podem afetar a mucosa bucal, acarretando dor, inflamações e extremo desconforto; efeitos diretos de doenças crônicas, como diabetes ou de tratamentos como a radio e quimioterapia no tratamento do câncer; etc. São muitas as alterações bucais que podem diminuir a qualidade de vida de um indivíduo saudável, portanto, poderíamos concluir que um dos ingredientes que devem ser adicionados à nossa poção é a saúde bucal, juntamente com tantos outros, igualmente importantes. A dúvida sobre essa lógica começou com outra linha de pensamento, que foge da filosofia oficial do cartesianismo e segue mais a linha espinosana, pedindo humildade frente à nossa imensa ignorância. Essa dúvida não está tão deslocada quanto possa parecer, já que a própria ciência está questionando seus métodos e resultados de pesquisas: ontem isso era bom, hoje não é mais, amanhã poderá ser novamente! Quem ou o quê mudou? Tudo mudou! Eu, você, o paciente, o ingrediente. O mundo mudou e continua mudando, sempre.

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Eu acho duvidoso quando ouço colegas dizendo não usar mais amálgama no consultório, acreditando em pesquisas claramente direcionadas para a venda de novos materiais. Um olhar mais atento sobre aquele paciente em particular, naquele momento, em sua condição econômica e social singular, com a saúde geral e mental que cultivou durante sua vida, poderia modificar qualquer diagnóstico e plano de tratamento. Todos os materiais e técnicas disponíveis têm seu espaço e tempo, e devem ser considerados em nosso planejamento. No entanto, eu penso que os ingredientes mais importantes ainda são a sabedoria e a humildade para ouvir o nosso objeto de interesse naquele momento e naquela circunstância específica: o nosso paciente. Um exemplo que aconteceu com um paciente nosso na APCD Central demonstrou isso com muita clareza: idoso de 76 anos de idade, alfabetizado, com deficiência auditiva grave, cognição normal, “fumante” de quatro cigarros por dia, com hipertensão arterial (medicado), cáries inativas de raiz, periodontite moderada, higiene oral ruim, muitas perdas dentárias. Após o tratamento periodontal e melhora sensível na higienização (mesmo com grande dificuldade de nos comunicarmos), percebemos um emagrecimento visível no paciente e uma tristeza que não era comum a ele (apesar da dificuldade auditiva, ele tornou-se conhecido de todos na clínica devido à sua alegria). Decidimos não seguir com o planejamento das próteses (fixa e removível) considerando seu estado de humor. Quando fomos explicar isso a ele, antes de começarmos ele mesmo nos pediu esse adiamento, porque não se sentia em condições de higienizar as próteses como já sabia que teria que fazer. Conversando um pouco mais, des-

Hoje, estou tentando unir as áreas das humanidades com a da nossa ciência para tentar chegar a alguma conclusão cobrimos que o médico, na tentativa de controlar melhor sua PA que estava oscilando, o proibiu de fumar e de consumir sal, que era comum nas “churrascadas” que oferecia à família. Entrou em depressão e em risco de desnutrição. O cigarro e o sal estão na coluna dos vilões que diminuem a qualidade de vida? Claro que sim! A depressão e a desnutrição também! E agora? Dá para inserir esses ingredientes na tabela do que é bom ou ruim e entregar para o paciente? Quem sabe um livro de autoajuda com a lista dos 10 melhores tratamentos odontológicos para melhorar sua qualidade de vida? Talvez dê para colocar o paciente no gráfico de estatísticas de morte por tristeza e desnutrição. Não podemos ignorar estatísticas e probabilidades: elas nos dão um norte. Mas, o conceito de qualidade de vida não deveria ser mais uma ditadura que alguns nos impõem. Ele pertence somente ao paciente. É único, singular e mutável.

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O segredo para lidar com pacientes complicados

Wanderley de Almeida Cesar Jr. Clínico de consultório privado em tempo integral. Especialista em Dentística Restauradora FOB – USP. Especialista com MBA em Marketing - CESUMARPR. Trainer em PNL – Programação Neurolinguística, INAP – RJ. Mestre em Odontologia Restauradora FORP – USP. Coordenador dos cursos de Odontologia Estética do INSBES – Instituto Sul Brasileiro de Ensino Superior. Professor assistente do curso de especialização em Oclusão e DTM do Instituto Ravel de Ensino Superior. Membro credenciado da SBOE - Sociedade Brasileira de Odontologia Estética. Criador do DLA – Dentistry Leadership Academy, primeiro e único treinamento de liderança e coaching do mundo para dentistas. Professional e Self Coach formado pelo IBC com certificação pela European Coaching Association e Global Coaching Community. Analista comportamental Assesment (FINEP e UFMG). Especialista em Psicologia Evolucionista das Necessidades Humanas pela Matrix University. wanderleyjr@bs2.com.br

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estes 18 anos de dedicação integral a Odontologia, atendendo pacientes, dia após dia, observei que a maioria deles está cada vez mais exigente e sabe o que quer. Há outro grupo de pacientes, um pouco mais desafiador, que quer resultados e respostas rápidas para tudo e não tolera respostas superficiais. Outro grupo, este agora realmente difícil, é o de pacientes desconfiados e que querem mandar em você. Essa turma compara você com outros profissionais, faz cotação e talvez pode até estar passando por situações difíceis, ou está com dificuldades psicológicas. Alguns pacientes estão prontos para consultar o PROCON ou o advogado perante um mínimo deslize do profissional. Provavelmente você já atendeu gente assim, não é mesmo? Pode ser que você tenha tido experiências muito desagradáveis de stress. Uma das causas de algumas situações como essas é que talvez as suas respostas não estejam sendo capaz de desafiar alguns comportamentos dos clientes que são apoiados muitas vezes em crenças equivocadas. Por outro lado, é importante salientar que muitas vezes determinadas reações do paciente são respostas a pontos que não foram bem esclarecidos e combinados com antecedência (antes do início do tratamento), e isso é falha do profissional e da clínica. Vamos supor que o dentista realmente fez o dever de casa e o paciente é quem não está em um bom dia, ok? O segredo está em questionar crenças reais. Para chegar ao âmago de possíveis distorções sobre o que o paciente esteja pensando sobre o tratamento, não bastam adivinhações ou expor diversas teorias odontológicas para impressioná-lo, é ne-

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cessário um método eficaz de perguntas poderosas baseadas nas ciências comportamentais. Isso é realizado para então descobrir realmente o que o paciente quer. Um dos métodos são grupos de perguntas para você se comunicar com eficácia com os pacientes em situações desafiadoras. Vamos estudar este método exaustivamente no curso DLA - Dentistry Leadership Academy: O Segredo dos Dentistas Vencedores. Vou dar uma dica como isso funciona e como utilizar. Vamos supor que um paciente complicado te desafie da seguinte forma: “Tenho pressa no meu tratamento! Acho que vocês estão me enrolando! Nunca tem horário para me atender nesta droga de lugar!” Geralmente, a maioria dos colegas iria se intimidar ou ‘engolir sapo’, ou ainda, tentar colocar panos quentes, o que é uma atitude parcialmente correta. É necessário que o paciente seja muito bem atendido e a situação resolvida. Entendemos também, que a comunicação eficaz é primordial para que o dentista lidere o tratamento. Na relação paciente x profissional, a direção dos trabalhos deve ser guiada pelo dentista, e isso é um fato extremamente importante para o sucesso do tratamento e da relação. No caso ilustrado acima, o dentista com o tom de voz claro e equilibrado poderia dizer ao paciente: “O assunto aqui não é sobre fazer o seu tratamento com pressa, mas sobre fazer o seu tratamento com calma e qualidade, para que você fique feliz com o resultado. Afinal, o senhor nos procurou por causa da qualidade ou da velocidade?” Neste caso, nós conseguimos desafiar a relevância da crença, direcionando totalmente o foco para outro assunto. Isso dá um ‘nó’ na cabeça da pessoa e freia, instantaneamente, a raiva do

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Coluna - Liderança

sujeito, pois ele tem que parar para pensar! Outra forma de desafiar o pensamento irado do paciente seria: “O senhor está me dizendo que nunca tem horário nessa droga de lugar? Nunca mesmo?” Isso faz o paciente parar por segundos e pensar: “É verdade... Nunca não, já fui atendido várias vezes aqui” e talvez possa refletir rapidamente: “Nossa chamei o consultório do cara de droga de lugar.” Esses são apenas dois padrões dos 30 que vamos estudar no curso DLA - O Segredo dos Dentistas Vencedores. Amigos, a minha visão com o DLA é formar uma elite de profissionais com uma missão e uma razão irresistível, que será capaz de impulsionar, naturalmente, seus pacientes e clientes a mais forte e plena satisfação de suas necessidades. Tenho a absoluta convicção que se você tomar essa decisão será um início

de uma nova fase profissional. Tudo começa com você e com a sua decisão de aceitar o convite à expansão da sua identidade. Eu tenho dedicado minhas noites e madrugadas formando e reformulando este curso e escrevendo colunas e artigos. Tenho absoluta convicção que nós, dentistas, merecemos ser felizes e termos muito mais sucesso. Nós dedicamos nossa vida a um trabalho de arte, ciência e missão. Arte, pois recebemos o dom do trabalho manual; ciência, pois Deus nos emprestou sabedoria; e missão, pois por nossas mãos, vidas são transformadas. Espero, sinceramente, que você faça o que for preciso, talvez o impossível, para estar aqui conosco e celebrarmos uma nova fase em nossas vidas profissionais. Até a próxima! Que Deus abençoe suas mãos, proteja seus olhos e fortaleça sua coluna! Abraço fraterno!

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Coluna - Odontogeriatria

Saúde bucal na melhor idade

Augusto Roque Neto Formado pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo – FO - USP. Especialista em Dentística Restauradora. Mestre em Clínicas Odontológicas pela FOUSP. Professor adjunto das disciplinas de Oclusão e Anatomia Dentária; Odontologia Restauradora I e II da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP.

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lá pessoal! Na minha primeira coluna sobre a Odontogeriatria vamos considerar algumas das mais importantes características que o profissional (que atende ou pensa em atender) deve apresentar. A primeira característica é ser uma pessoa calma, ou que consiga manter a calma nas diversas situações. Essa característica assemelha-se muito ao Odontopediatra. Geralmente o paciente idoso sabe, como poucos, descobrir o nosso ponto fraco. É muito comum trazer-nos presentinhos e, mais comum ainda, dá-los às nossas secretárias - afinal são elas que os marcam ou os encaixam nas consultas. É um meio de suborno “oficial” de idosos. Sempre os tratamos com muito cuidado e quase sempre deixamos eles tomarem as rédeas da situação. Temos de levar em conta que, na maioria dos casos, são pessoas solitárias e carentes de atenção. E adivinha quem eles vão pegar para “amigo fiel” e depositário de suas confidências? O seu ombro amigo! É preciso avaliar que o nosso tempo e o consultório são muito valiosos. Claro que devemos dar atenção e carinho aos nossos pacientes, porém, temos que, às vezes, trabalhar. E o paciente idoso geralmente faz o papel de dengoso e, na maioria das vezes, dobra-nos a sua vontade. Outra característica do Odontogeriatra é que este deve ser um generalista e entender muito bem a Odontologia como um todo. O nosso “velhinho” vem com muitos tratamentos efetuados, por diversos profissionais nas mais diversas especialidades ou tipos de clínicas. E os tratamentos foram efetuados com uma visão clínica diferente, e muito, da atual. Como

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exemplo, temos a extensão preventiva adotada até o final dos anos 1980. Então nossos achados são os mais variados possíveis, precisamos de muita atenção ao estado bucal de nosso paciente idoso. Um grande conhecimento das disciplinas básicas da faculdade, entender o envelhecimento do paciente como um todo, então histologia, farmacologia e suas inter-relações, afinal o nosso paciente quase sempre utiliza uma polifarmácia para todos os seus problemas reais e quantas vezes imaginários. Avaliar e compreender a involução de todo aparelho mastigatório, anatomia e, com certeza, ter noções de otorrinolaringologia, fonoaudiologia e fisioterapia, afinal o tempo e os cuidados que foram tomados, ou que não foram, apresentam-se agora de uma maneira mais efetiva. E quanto ao cirurgião-dentista? Quem se preocupa conosco? O profissional nesta especialidade geralmente é mais instável na parte psicológica, a frequência de perdas é consideravelmente grande. Não só a perda por falecimento do(s) paciente(s), mas até pela perda da faculdade de locomoção por parte deste, e ou outras limitações físicas e principalmente psicológicas, o quadro de demências é elevado neste grupo de pacientes. Acreditamos que a ajuda de terapia e auxílio psicológico é de fundamental importância para que o C.D. possa continuar, não só a sua rotina de atendimentos, mas, e principalmente, da sua vida particular, que deve ser tão ou mais importante que a sua vida profissional. Pensem bem sobre o tema! Um grande abraço e até a próxima!

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Caso Clínico

Líquem Plano Oral (LPO)

Marcus Antonio Sampaio Cirurgião-dentista graduado pela FORPUSP. Atuante nas áreas de Periodontia e Implantodontia. Especialista em Periodontia. Membro da Equipe de Professores do Curso de Periodontia da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD de Ribeirão Preto.

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LPO é uma doença inflamatória crônica com diferentes tipos clínicos. As mais comuns são as formas reticular e erosiva. A causa ainda está no campo especulativo, mas sugerese tratar de uma doença autoimune, mediada por linfócitos T que têm como alvo os ceratinócitos basais. Inflamações, trauma mecânico ou agentes tóxicos podem afetar a homeos­tasia epitelial. O aumento da apoptose pode levar a uma diminuição da espessura epitelial, e isto a refletir na atividade da doença¹. Apresenta-se com diversos aspectos clínicos. A presença simultânea de mais de um tipo de lesão é comum. A forma erosiva está associada com dor moderada à intensa, em relação aos procedimentos de higiene oral e alimentação. A forma reticular apresenta aspecto característico de estrias esbranquiçadas. Estas lesões muitas vezes se modificam quanto ao tipo clínico e extensão, com o passar dos anos. Trata-se da doença mucocutânea mais comum dentre as manifestações gengivais. Pode estar associada a um desconforto significativo. Tem sido demonstrado possuir potencial pré-maligno, embora ainda seja um aspecto controverso. É importante o exame regular de acompanhamento e instituir um regime terapêutico por meio de um rígido controle de placa. Nos casos de persistência da dor, geralmente por lesões atróficas e ulceradas, o tratamento antifúngico e até corticosteroides tópicos, são indicados².

na área gengival (figura 1). Pelo critério clínico adotado, foi realizado tratamento cirúrgico através da técnica clássica de enxerto gengival livre removido do palato (mucosa mastigatória normal), visando unicamente o aumento de tecido queratinizado ao redor dos dentes e implante³. Como resultado, pode-se observar que além do ganho em largura, espessura e o recobrimento das retrações nos elementos 44 e 45 (implante), obteve-se também acentuada melhora no quadro clínico do LPO com acompanhamento de um ano (figura 2). Desta forma, concluímos que o resultado também foi benéfico para o LPO, embora este tratamento não seja indicado para esta patologia.

Caso clínico No presente caso, o paciente J.E.M., de 65 anos, apresentou como queixa principal certo desconforto durante a higienização oral caseira e clinicamente uma faixa estreita e fina de gengiva inserida juntamente com o quadro típico de LPO

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Figura 1 Pré-operatório

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Caso Clínico

O LPO é uma doença inflamatória crônica com diferentes tipos clínicos Figura 2 Pós-operatório

Referências 1. Brant JMC, Vasconcelos AC, Rodrigues LV. Role of Apoptosis in Erosive and Reticular Oral Lichen Planus Exhibiting Variable Epithelial Thickness. Brazilian Dental Jounal 2008; 19(3):179-185.

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2. Lindhe J, Lang NP, Karring T. Tratado de Periodontia Clínica e Implantodontia Oral – 5ª. Ed. Guanabara Koogan; 2010. 3. Joly JC, Carvalho PFM, da Silva RC. Reconstrução Tecidual Estética. Artes Médicas. São Paulo; 2010.

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Caso Clínico

Técnica cirúrgica reconstrutiva e condicionamento de tecido mole para otimização de resultados estéticos com implantes osseointegráveis

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Fabiano Ribeiro Cirano

Fernando Hayashi

Coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista – UNIP. Professor Titular da Disciplina de Periodontia da Universidade Paulista – UNIP.

Professor do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista – UNIP. Professor Titular da Disciplina de Periodontia da Universidade Paulista – UNIP.

Luiz Carlos Magno Filho

Hsu Shao Feng

Professor do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista – UNIP.

Professor do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista – UNIP.

Alexandre Conte

Marcio Zaffalon Casati

Professor do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista – UNIP. Professor da Disciplina de Periodontia da Universidade Paulista – UNIP.

Professor do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista – UNIP. Professor Titular da Disciplina de Periodontia da Universidade Paulista – UNIP.

a última década, ocorreu um aumento substancial na utilização de implantes osseointegráveis para reabilitação protética tanto de pacientes parcialmente como totalmente edêntulos1. O grande objetivo da implantodontia é restabelecer a função. No entanto, hoje em dia, a questão estética e a satisfação do paciente não podem ser separadas e devem ser levadas em consideração desde o momento do planejamento inicial até a finalização do caso. Para alcançar um resultado estético satisfatório e evitar turbulências no decorrer do tratamento, desgastando a relação com o paciente, um minucioso diagnóstico deve ser realizado para identificar quais casos podem ser mais favoráveis, ou não, para atingir um prognóstico ideal. Desta forma, é imprescindível estabelecer um plano de tratamento adequado e listar quais as possibilidades terapêuticas para alcançar uma melhora estética2. É bom lembrar que jamais devemos prometer ao paciente a estética perfeita, pois sabemos que isso é praticamente impossível de ser atingido. Temos que explicar que atingir a perfeição é muito difícil e que existem muitos fatores que podem contribuir para que o caso não fique perfeito, principalmente na reabilitação da região anterior de maxila. Acreditamos que existam cinco fatores principais que devem ser levados em consideração no momento do diagnóstico, para que se possa prever um resultado estético satisfatório. São eles: volume ósseo, posicionamento tridimensional do implante, espaço interoclusal adequado, biótipo periodontal e volume de tecido mole adequado.

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Além disso, outro fator importantíssimo deve ser levado em consideração. Este não dependerá de manobras técnicas ou respostas biológicas, mas sim da sensibilidade do profissional em saber escutar seu paciente, saber quais são suas expectativas em relação ao tratamento, controlando o fator ansiedade de forma tranquila e sem gerar falsas expectativas. O objetivo deste relato de caso clínico foi orientar o cirurgiãodentista no planejamento reabilitador da região anterior de maxila e demonstrar, por meio de técnicas cirúrgicas reconstrutivas e de condicionamento de tecido mole, alternativas para a correção das deformidades dento-alveolares.

Caso clínico Paciente AS, 23 anos, compareceu ao Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade Paulista-UNIP ministrado pela equipe do Prof. Dr. Fabiano Ribeiro Cirano (Professores do Grupo APOIO) apresentando ausência do incisivo central superior direito (figura 1). Foi realizada uma anamnese minuciosa, onde não foram relatadas quaisquer doenças de base que poderiam impedir o procedimento cirúrgico. Além disso, foram solicitadas radiografia panorâmica e tomografia computadorizada (TC) para complementação diagnóstica e planejamento do caso. Os cortes tomográficos mostraram uma deformidade óssea em espessura na região do elemento 11, impossibilitando a instalação de implante naquela área. Diante desta situação, foi proposta, previamente, a instalação do implante, uma cirurgia reconstrutiva da região por meio da técnica de enxerto em bloco autógeno, tendo como área doadora a região de sínfise mandibular.

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Caso Clínico Cirurgia reconstrutiva A paciente foi medicada uma hora antes do procedimento cirúrgico, onde foram administrados por via oral 2 g de Amoxicilina (quatro cápsulas de 500 mg) e 8 mg de Dexametasona (dois comprimidos de 4 mg). O procedimento foi realizado sob anestesia local (Mepiadre – Mepivacaína 2% + Vaso-constritor: Epinefrina 1:100.000; Nova DFL; Rio de Janeiro, Brasil). Após a comprovação da efetividade anestésica, uma incisão ligeiramente voltada para lingual no rebordo residual foi realizada na área receptora, seguida de duas incisões relaxantes. Um cuidadoso descolamento dos tecidos foi realizado até a porção mais apical da área receptora (figura 2). O preparo do leito doador foi realizado através de uma incisão curvilínea distante de 10 a 15 mm da gengiva inserida na mucosa vestibular de canino a canino, a fim de expor as fibras da musculatura do mento. Uma segunda incisão oblíqua foi realizada, rompendo a musculatura até o periósteo, seguido de um descolamento mucoperiostal, expondo o tecido ósseo. Após a mensuração do tamanho do enxerto necessário para o correto restabelecimento da espessura óssea, osteotomias foram realizadas na área doadora para delimitação e remoção do enxerto (figura 3). Seguiu-se, então, o preparo do leito receptor por meio de descorticalização e aplainamento dos blocos ósseos. Optou-se em realizar a fixação de dois blocos na área receptora, a fim de obter uma melhor adaptação do enxerto ao leito, visto que a região do defeito era muito irregular (figura 4). Para finalizar, um preenchimento com osso bovino mineral (GenOx Inorg Esponjoso – Baumer – São Paulo, Brasil) foi realizado em toda área enxertada. Antes do fechamento da área receptora, verificou-se uma tensão excessiva no retalho, sendo necessária a realização do relaxamento do mesmo, a fim de permitir um correto recobrimento da região enxertada (figura 5). Já na área doadora, iniciou-se a sutura nos planos musculares mais profundos, seguida de sutura contínua na mucosa oral. A paciente foi orientada a seguir com a antibioticoterapia (Amoxicilina 500 mg – 1500 mg/dia, divididas em três doses), anti-inflamatório (Nimesulida 100 mg – 200 mg/dia divididas em duas doses) e analgésico (Paracetamol 750 mg

– 3000 mg/dia, divididas em quatro doses). Após quatro meses, foi solicitada nova TC, onde foi possível observar um aumento do volume e da densidade óssea da área enxertada. Além disso, foi possível observar o restabelecimento do correto contorno ósseo da região, o que permitiu o planejamento do posicionamento do implante em local adequado. A paciente foi submetida à cirurgia de instalação do implante sob anestesia local. Foi realizada uma incisão na crista do rebordo, seguida de incisão sulcular e interpapilar nos elementos dentais adjacentes. A seguir, foi realizado o descolamento dos tecidos e a remoção dos parafusos de fixação do enxerto, dando início às perfurações para a instalação do implante (figura 6). Após a instalação do implante, pode-se observar uma correta relação tridimensional do mesmo com os dentes adjacentes e o tecido ósseo. Além disso, foi registrado um torque de instalação de 45 N e estabilidade primária de 68 ISQ observada no aparelho OsstellTM (Osstell AB, Göteborg, Suécia) (figura 7). Diante das informações obtidas, foi indicada a técnica de estética imediata para o restabelecimento estético da paciente (figura 8). Decorridos sete dias de pós-operatório, a paciente compareceu a clínica com ótima reparação tecidual e sem queixas de dor na região. Após três meses, foi iniciado o condicionamento da mucosa peri-implantar (figura 9). Nas semanas seguintes, a paciente foi acompanhada semanalmente até se observar a correta relação dos tecidos peri-implantares com a coroa provisória e os elementos dentais adjacentes (figura 10).

Figura 1

Figura 2

Paciente apresentando ausência do incisivo central superior direito.

Exposição do leito receptor.

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Caso Clínico É imprescindível estabelecer um plano de tratamento adequado e listar quais as possibilidades terapêuticas para alcançar uma melhora estética

Figura 3 Remoção do enxerto.

Figura 6 Início das perfurações: correto posicionamento tridimensional.

Figura 4

Figuras 7a e 7b

Fixação do enxerto.

Verificação da estabilidade primária.

Figura 5

Figura 8

Sutura da área receptora.

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Instalação da coroa provisória imediata.

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Figura 9

Figura 10

Início do condicionamento tecidual.

Término do condicionamento tecidual.

Discussão

tegráveis ainda representa um grande desafio na prática clínica diária. É muito importante que o profissional esteja atento aos fatores que possam influenciar no resultado final do caso. Além disso, é fundamental que o cirurgiãodentista saiba realizar um correto diagnóstico com um planejamento adequado, tenha destreza técnica para realizar o que foi planejado e saiba lidar com a expectativa do paciente, devido ao grande apelo estético da reabilitação de regiões anteriores.

Quando falamos em reabilitação estética com implantes osseointegráveis, o primeiro fator que devemos levar em consideração é saber qual a condição da região a ser rea­ bilitada. De modo que, para atingirmos resultados estéticos satisfatórios é necessário haver uma criteriosa avaliação do caso, estabelecendo assim, um prognóstico ao paciente 3 . No caso descrito, pode-se observar que a paciente apresentava na região do elemento 11 uma severa perda óssea, que levou também a uma perda de tecido gengival importante. Nestas situações, torna-se indispensável a utilização de técnicas reconstrutivas para ganho de tecido ósseo 4 . Além disso, outros fatores importantes também foram avaliados no primeiro contato com a paciente. Autores 3 relataram cinco fatores que devemos levar em consideração em reabilitações estéticas envolvendo implantes: posição relativa do dente, forma do periodonto, biótipo periodontal, forma dos dentes e posição da crista óssea. Em áreas estéticas, o posicionamento correto dos implantes é um pré-requisito fundamental para alcançar um resultado satisfatório, permitindo uma biomecânica favorável, sem danificar tecidos ou gerar danos às estruturas vizinhas ao sítio cirúrgico e permitindo um correto perfil de emergência à prótese implantossuportada 2,5 . Outro passo importante a ser realizado em reabilitações estéticas é a fase de personalização do provisório. Dessa forma, realiza-se um condicionamento tecidual, com o intuito de modelar os tecidos moles peri-implantares para que se consiga um contorno tecidual ideal 6 e um perfil de emergência com aspecto semelhante ao dente natural 7. Desta forma, obedecendo a todos os critérios relatados na literatura em relação ao planejamento e a execução do caso, aumentam as taxas de sucesso, permitindo um correto restabelecimento funcional e principalmente estético em regiões anteriores reabilitadas por meio de implantes osseointegráveis.

Conclusão A reabilitação de áreas estéticas com implantes osseoin-

Referências 1. Chiapasco M, Gatti C. Implant-retained mandibular overdentures with immediate loading: a 3- to 8-year prospective study on 328 implants. Clin Implant Dent Relat Res. 2003;5(1):29-38. 2. Jivraj S, Chee W. Treatment planning of implants in the aesthetic zone. Br Dent J. 2006 Jul 22;201 (2):77-89. 3. Kois JC. Predictable single-tooth peri-implant esthetics: five diagnostic keys. Compend Contin Educ Dent. 2004 Nov;25 (11):895-6. 4. Aghaloo Tl, Moy PK. Which hard tissue augmentation techniques are the most successful in furnishing bony support for implant placement? Int J Oral Maxillofac Implants. 2007;22 Suppl:49-70. 5. Buser D, Martin W, Belser UC. Optimizing esthetics for implant restorations in the anterior maxilla: anatomic and surgical considerations. Int J Oral Maxillofac Implants. 2004;19 Suppl:43-61. 6. Goldberg PV, Higginbottom FL, Wilson Tg. Periodontal considerations in restorative and implant therapy. Periodontol 2000. 2001;25:100-9. 7. El Askar y AS. Multifaceted aspects of implant esthetics: the anterior maxilla. Implant Dent. 2001;10 (3):18291.

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Manutenção da estética rosa em implante imediato Mirian Mayumi Inoue Sakuma Graduada pela Universidade Estadual de Londrina. Fellow na Universidade de Extremadura, Badajoz-Extremadura-Espanha, em Cirurgia Bucomaxilofacial no Hospital Infanta Cristina. Especialista em Prótese Dentária pelo Centro de Educação Continuada em Odontologia- INTEGRALE/UNICSUL. mirian.sakuma@hotmail.com

Murillo Sucena Pita Especialista em Prótese Dentária pelo Conselho Federal de Odontologia – CFO. Mestre em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Doutorando em Reabilitação Oral pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP.

Fábio Afrânio de Aguiar Júnior Especialista em Prótese Dentária pelo Conselho Federal de Odontologia – CFO. Mestre e Doutorando em Reabilitação Oral pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP.

A

s reposições protéticas unitárias constituem um dos maiores desafios da Odontologia restauradora, porque além dos requisitos técnicos e biomecânicos, a restauração deve acompanhar as referências presentes nos dentes vizinhos naturais, tais como: a forma, o contorno, a textura superficial do esmalte e a cor (matiz) dos dentes. A arquitetura do sorriso se baseia em três elementos fundamentais: estética branca, estética rosa e estética vermelha1. A localização adequada dos tecidos gengivais em restaurações implantossuportadas depende da preservação da altura da crista óssea, sendo os tecidos duros principais determinantes no resultado estético2. A espessura do tecido mole peri-implantar é relatada como um fator importante na manutenção e estabilidade, tanto de tecidos duros quanto gengivais. Existem três fatores relacionados aos pilares protéticos ligados a resposta tecidual: forma, material e superfície. Pilares que permitam a acomodação de maior quantidade de tecido, por exemplo, intermediários em forma de tulipa e pilares com perfil de emergência reduzido na saída do implante (platform switching) permitem a preservação de osso na crista marginal e a consequente manutenção de tecidos moles espessos e sadios, criando a possibilidade de uma restauração com aparência mais natural3. A utilização de pilares com plataforma reduzida promove um reposicionamento da junção implante-intermediário para uma região mais interna à plataforma do implante. O aumento da distância entre o infiltrado inflamatório existente na região de junção e a crista óssea alveolar leva a uma diminuição do

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Manoel Martin Júnior Especialista, Mestre e Doutor em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Professor Doutor do Instituto Federal do Paraná – IFPR.

Carlos Marcelo Archângelo Especialista, Mestre e Doutor em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Professor Doutor do Instituto Federal do Paraná – IFPR.

Daniela Garcia Nesello Mestranda em Prótese Dentária. Especialista em Implantodontia e Endodontia. Professora do curso de Especialização e Aperfeiçoamento em Prótese Dentária da INTEGRALE/UNICSUL.

Carlos Alexandre Bertoncelo Especialista e Mestre em Prótese Dentária (Uningá). Doutorando em Dentística (Unopar). Professor do Instituto Federal do Paraná – IFPR.

processo de reabsorção óssea. Além disso, com a exposição da borda externa da plataforma do implante em toda a sua extensão, o tecido mole é fixado nessa região e haverá uma possível diminuição na quantidade de reabsorção óssea devido a uma redução do efeito inflamatório4,5. Este relato de caso objetiva demonstrar procedimentos que permitem obter um melhor resultado estético e funcional por meio de implante osseointegrado pós-exodontia e restauração unitária anterior.

Caso clínico A paciente T.J.S.A., leucoderma, 75 anos, sexo feminino, compareceu à clínica do Curso de Especialização em Prótese Dentária do Centro de Educação Continuada em Odontologia – Integrale/Unicsul (Londrina/PR) com sintomatologia dolorosa na região de incisivo lateral superior (figura 1). O exame radiográfico do dente comprometido revelou fratura da raiz e rarefacão óssea periapical. O tratamento proposto foi a exodontia e a restauração dentoalveolar num único procedimento. Medicações prescritas: Amoxicilina 500 mg, uma cápsula a cada oito horas por sete dias iniciando no dia anterior à cirurgia; Decadron 4 mg, administrando 8 mg uma hora antes da cirurgia; Spidufen 600 mg, diluído em água a cada seis horas por três dias enquanto houver dor, e o Periogard ou Noplak para lavar ou bochechar duas vezes ao dia durante dois minutos - após o desjejum e o jantar. Foi realizada anestesia infiltrativa de mepivacaína a 2 %, com norepinefrina, no fundo do vestíbulo e na região palatina do dente envolvido. Foi realizada uma exodontia criteriosa atra-

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Caso Clínico vés de um periótomo, visando à integridade das paredes ósseas remanescentes (figuras de 1 a 4). Foi instalado um implante Titanium Fix (Black Fix) 3,5 mm x 11,5 mm dentro de padrões ideais de posicionamento tridimensional6, visando à máxima preservação do arcabouço ósseo (figura 5). O implante teve um travamento apical de 45 Ncm. Realizou-se a confecção de provisório com dente de estoque (figura 6), cimentado com Temp Cem (Vigodent S/A indústria e comércio. Rio de Janeiro-RJ-Brasil) sobre munhão sólido apresentando platform switching, tomando-se cuidado de não deixar excesso dentro do sulco gengival. Aguardou-se quatro meses para total osteointegracão do implante. Foram feitas as remoções do provisório e do munhão sólido e instalado o transferente do implante para realização da moldagem (figura 7). Realizada a moldagem através da Técnica de Moldagem Única, onde foi inserido material leve diretamente na boca do paciente (figura 8) e em seguida a moldeira com material denso (Aquasil Easy Mix Putty, Dentsply Caulk, USA) (figuras 9 e 10). Colocou-se o análogo sobre o transfer (figura 11). O trabalho foi enviado para o Laboratório de Prótese Odontológica Romanini (Londrina/PR) para a confecção de intermediário personalizado, no intuito de melhorar o relacionamento da linha de cimentação e a margem gengival, além de fornecer adequado espaço para a coroa definitiva (figura 12). A paciente foi encaminhada ao respectivo laboratório para verificação da cor e confeccionou-se coroa definitiva em porcelana (E-max ceram). A prótese foi encaminhada do laboratório pronta para a instalação. Foi realizada a prova da coroa cerâmica para verificação de contatos proximais e oclusais antes da cimentação definitiva. A cimentação definitiva foi realizada com Rely X U100 (3M ESPE, Seefeld, Germany) (figura 13).

vestibular do local do implante8. A reabsorção óssea alveolar ocorre inevitavelmente após a extração dental9. O preenchimento do espaço entre a tábua óssea vestibular e o implante com enxerto ósseo de baixa velocidade de bioabsorção pode contribuir para a preservação alveolar10. No entanto, a simples preservação desse espaço para a formação de coágulo sanguíneo, como relatado neste caso, apresenta resultados satisfatórios e previsíveis, não havendo consenso na literatura quanto ao real benefício do uso de biomateriais11, 12. A principal desvantagem da colocação de implantes imediatos é a dificuldade de manipulação de tecidos moles para fechamento da ferida cirúrgica. Em 1998, Wöhrle13 propôs para este fim, a utilização de restauração imediata, obtendo selamento com reembasamento do provisório sobre o intermediá­rio. O autor sugeriu que a restauração promove suporte aos tecidos moles, evitando sua remodelação. Neste caso, foi determinante, para aperfeiçoar os resultados estéticos, a utilização de intermediários com o conceito de plataforma reduzida. Esta promove uma estabilidade de tecido duro, preserva a papila e o tecido mole circundante, evitando a reabsorção fisiológica da crista óssea relativa ao reestabelecimento do espaço biológico, obtendo excelentes resultados estéticos14, 15.

Relevância clínica A técnica de implantes imediatos apresenta menor número de procedimentos cirúrgicos, menor tempo de tratamento, reduz o trauma psicológico quanto à perda dental e pode reduzir a reabsorção óssea alveolar7. A preservação de estrutura óssea possibilita resultados estéticos importantes, como a presença de papilas mesial e distal, curvatura da mucosa vestibular, nível da margem gengival vestibular, cor e textura da mucosa

Figura 1 Raiz residual.

Figura 2 Exodontia.

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Figura 3

Figura 4

Raiz fraturada.

Alvéolo.

Figura 5 Instalação do implante.

Figura 6 Confecção do provisório.

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Figura 7

A arquitetura do sorriso se baseia em três elementos fundamentais: estética branca, estética rosa e estética vermelha

Colocação do transfer.

Figura 8

Figura 9

Moldagem com material leve.

Moldagem com material denso.

Figura 10

Figura 11

Moldagem única.

Análogo.

Figura 12

Figura 13

Pilar Personalizado.

Prótese definitiva cimentada. Pós-operatório - nove meses.

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Caso Clínico Conclusão A correta indicação e execução dos princípios cirúrgicos e protéticos tornam a técnica de implante e a restauração imediata altamente previsíveis, obtendo melhores resultados estéticos quando comparada aos implantes em alvéolos já cicatrizados.

Referências 1. Arita CA. Estética em implantes: o “momento mágico” do dente restaurando a estética rosa. Dental Press PeriodontiaImplantol. 2008;2(3):68-76. 2. Priest GF. The esthetic challenge of adjacent implants. J Oral Maxillofac Surg. 2007;65:2-12. 3. Polido WD.O que é platformswitching e que efeito terá na clínica de Implantologia? Rev. Dental Press PeriodontiaImplantol. 2008;2(3): 33-35. 4. Ferraz Júnior AML; Dias AL; Picinini LS, Oliveira RG. Perspectivas atuais no uso de implantes platformswitching: relato de caso clínico.Innov. Implant. J. Biomater. Esthet. 2009;4(3):91-95. 5. Lazzara RJ, Porter SS. Platform switching: a new concept in implant dentistry for controlling postrestorativecrestal bone levels. Int J Periodontics Restorative Dent. 2006;26 (1):9-17.

NORMAS PARA PUBLICAÇÂO A seção CASO CLÍNICO da ODONTO MAGAZINE tem como objetivo a divulgação de trabalhos técnico-científicos produzidos por clínicogerais e/ou especialistas de diferentes áreas odontológicas. Gostaríamos de poder contar com trabalhos originais brasileiros, produzidos por cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e médicos, para divulgar esse material em nível nacional por meio da revista impressa e pelo site: www. odontomagazine.com.br Os trabalhos devem atender as seguintes normas: 1) Ser enviados acompanhados obrigatoriamente de uma autorização para publicação na ODONTO MAGAZINE, assinada por todos os autores do artigo. No caso de trabalho em grupo, pelo menos um dos autores deverá ser cirurgião-dentista. Essa autorização deve também dar permissão ao editor da ODONTO MAGAZINE para adaptar o artigo às exigências gráficas da revista ou às normas jornalísticas em vigor. 2) O texto e a devida autorização devem ser enviados para o e-mail: vanessa.navarro@vpgroup.com.br. As imagens precisam ser encaminhadas separadas do texto, em formato jpg e em altaresolução. Solicitamos, se possível, que o artigo comporte no mínimo três imagens e no máximo 30. As legendas das imagens devem estar indicadas no final do texto em word. É necessário o envio da foto do autor principal do trabalho.

6. Belser U, Buser D, Higginbotton F. Consensus statements and recommended clinical procedures regading esthetics in implant dentistry. Int J Oral Maxillofac Implants 2004; 19 (suppl): 30-42.

3) O texto deve seguir a seguinte formatação: espaço entre linhas simples; fonte arial ou times news roman, tamanho 12. As possíveis tabelas e/ou gráficos devem apresentar título e citação no texto. As referências bibliográficas, quando existente, devem estar no estilo Vancouver.

7. Koh R, Rudek I, Wang HL. Immediate implant placement: positives and negatives. Implant Dent. 2010;19(2):98-108.

4) Se for necessário o uso de siglas e abreviaturas, as mesmas devem estar precedidas, na primeira vez, do nome próprio.

8. Belser U, Grutter L, Vailati F, Bornstein M, Weber H, Buser D. Outcome evaluation of early placed maxillary anterior singletooth implants using objective esthetic criteria: a cross-sectional, retrospective study in 45 patients with a 2- to 4-year follow-up using pink and white esthetic scores. J Periodontol. 2009; 80: 140–151. 9. Araujo MG, Lindhe J. Dimensional ridge alterations following tooth extraction. An experimental study in the dog. J ClinPeriodontol. 2005; 32 (2):212-8. 10. Nevins M, Camelo M, De PS, Friedland B, Schenk RK, Parma-Benfenati S, Simion M, Tinti C, Wagenberg B. A study of the fate of the buccal wall of extraction sockets of teeth with prominent roots. Int J Periodontics Restorative Dent. 2006;26 (1):19-29. 11. Esposito M, Grusovin MG, Polyzos IP, Felice P, Worthington HV. Interventions for replacing missing teeth: dental implants in fresh extraction sockets (immediate, immediate-delayed and delayed implants). Cochrane Database Syst Rev. 2010;8(9):CD005968. 12. Schwartz-Arad D, Chaushu G. The ways and wherefores of immediate placement of implants into fresh extraction sites: a literature review. J Periodontol. 1997b; 68(10):915-23. 13. Wöhrle PS. Single-tooth replacement in the aesthetic zone with immediate provisionalization: fourteen consecutive case reports. PractPeriodont Aesthetic Dent 1998; 10(9):1107-14.

5) No trabalho deve constar: o nome(s), endereço(s), telefone(s) e funções que exerce(m), instituição a que pertence(m), títulos e formação profissional do autor ou autores. Se o trabalho se refere a uma apresentação pública, deve ser mencionado o nome, data e local do evento. 6) É de exclusiva competência do Conselho Científico a aprovação para publicação ou edição do texto na revista ou no site. 7) Os trabalhos enviados e não publicados serão devolvidos aos autores, com justificativa do Conselho Científico. 8) O conteúdo dos artigos é de exclusiva responsabilidade do(s) autor (res). Os trabalhos publicados terão os seus direitos autorais guardados e só poderão ser reproduzidos com autorização da VP GROUP/Odonto Magazine. 9) Cada autor do artigo receberá exemplar da revista em que seu trabalho foi publicado. 10) Os trabalhos, bem como qualquer correspondência devem ser enviados para: Vanessa Navarro ou Vivian Pacca – ODONTO MAGAZINE Alameda Amazonas, 686 – sala G1 Alphaville Industrial – Barueri-SP CEP 06454-070 11) Ao final do artigo, acrescentar os contatos de todos os autores: nome completo, endereço, bairro, cidade, estado, CEP, telefones e e-mail. 12) Informações:

14. Serrano-Sánchez P, Calvo-Guirado JL, Manzanera-Pastor E, Lorrio-Castro C, Bretones-López P, Pérez-Llanes JA. The influence of platform switching in dental implants. A literature review. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2011; 16 (3):400-5.

Editora e Jornalista Responsável Vanessa Navarro (MTb: 53385) e. vanessa.navarro@vpgroup.com.br t. + 55 (11) 4197.7506

15. Canullo L, Goglia G, Iurlaro G, Iannello G. Short-term bone level observations associated with Platform Switching in immediately placed and restored single maxillary implants: a preliminary report. Int J Prosthodont. 2009 May-Jun; 22(3):277-82.

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Odonto Magazine 17 - Junho 2012