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Ano 5 • No 81• Maio/2018

81 ISSN 2238-5711

www.revistadigitalsecurity.com.br

Referência em tecnologia para o mercado de segurança eletrônica

Entrevista BRUNO GOUVÊA CEO DA GIGA SECURITY BY MULTILASER

Exposec 2018

O ECOSSISTEMA IOT TOMA CONTA DO MERCADO DE SEGURANÇA

CRIADO NO BRASIL PREPARADO PARA

O MUNDO!

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Editorial

Início de um

T

erminada a Exposec, é hora de fazer o balanço do evento. Não apenas as empresas participantes contabilizam os contatos, os números e as propostas, mas o próprio evento coloca no papel os seus erros e acertos. Números recordes de público, de expositores e de negociações devem ser apresentados como os pontos positivos da feira. Mas isso é praxe em qualquer evento de grande porte, e com a Exposec não há de ser diferente. O que interessa, além disso, são as novas ideias, as novas sementes que o evento plantou e, nesse aspecto, há sim o que se comemorar. Foi exatamente durante os pré-eventos que encontramos o grande tesouro da feira de segurança mais conhecida do país. A programação da Exposec 2018 destacou, através de debates e da presença de grandes profissionais do setor, o lançamento oficial do comitê de IoT (Internet of Things), além da continuidade dos debates do comitê de Portaria Remota. São temas há muito fomentados por aqueles que acompanham as áreas técnicas da segurança eletrônica e pela ABESE. Esses comitês ganharam ainda mais força com as reuniões dos grupos de trabalho que aconteceram durante a Exposec. Os encontros serviram para dar as diretrizes básicas de como esses segmentos vão atuar durante o resto do ano. Ali foram debatidos os assuntos e conteúdos das verticais de Portaria Remota e IoT com o objetivo de fomentar novas ideias e auxiliar o mercado a trabalhar da melhor maneira com elas. Graças aos seus esforços, o Comitê de Trabalho de IoT formado dentro da associação passou a integrar a Câmara de IoT, ligada ao Ministério de Ciências e Tecnologia e Telecomunicações (MCTIC). Com essa conquista, o grupo começa a participar ativamente do Plano Nacional de IoT. O plano Nacional de IoT terá um prazo de 5 anos para cumprir a sua função de acelerador do setor no Brasil. O comitê de IoT da ABESE será o interlocutor entre a Câmera de IoT do MCTIC e o mercado de segurança. Dessa forma, o mercado de segurança terá um órgão oficial para expor suas necessidades no âmbito federal, uma reivindicação das mais antigas desse segmento no Brasil. Caberá ao comitê angariar novos participantes e doutrinar o seu público sobre as novas tecnologias do mundo de Internet das Coisas e de suas tecnologias habilitadoras. A Câmera de IoT, por sua vez, promete desemperrar o processo e facilitar acessos antes considerados intransponíveis. Os dois temas não são novos, longe disso. Já estavam em pauta nas rodas de conversa de quem acompanha o mundo da segurança há pelo menos dois anos. A abertura de um novo canal de interlocução com o apoio da ABESE e de um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia para discutir IoT e outras tecnologias é uma demonstração do desejo de se fazer mais e caminhar rumo ao futuro a passos certos. No entanto, vale um alerta: as conquistas são dignas de comemoração, porém só vão funcionar na prática se o governo e as empresas do setor fizerem cada um a sua parte. Vamos aguardar por um futuro promissor.

Redação Publisher

Eduardo Boni (MTb: 27819) eduardo.boni@vpgroup.com.br Editor Assistente

Gustavo Zuccherato gustavo.zuccherato@vpgroup.com.br Coordenador Editorial

Flávio Bonanome flavio.bonanome@vpgroup.com.br

Arte Flavio Bissolotti flavio.bissolotti@vpgroup.com.br

Comercial contato@vpgroup.com.br

Presidente & CEO Presidência e CEO

Victor Hugo Piiroja victor.piiroja@vpgroup.com.br Financeiro Rodrigo Gonçalves Oliveira rodrigo.oliveira@vpgroup.com.br Atendimento Jessica Pereira jessica.pereira@vpgroup.com.br Digital Security Online www.revistadigitalsecurity.com.br

Tiragem: 22.000 exemplares Impressão: Gráfica Mundo

Eduardo Boni Publisher

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Al. Madeira, 53, cj. 91, 9º andar - Alphaville Industrial 06454-070 - Barueri, SP – Brasil + 55 (11) 4197 - 7500 www.vpgroup.com.br


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Sumário

produtos e serviços

Pelco by Schneider Electric

pg10 Fabricante lança analíticos com deep learning em parceria com a IBM

Bosch e Genetec

pg10 Empresas fortalecem criptografia ponta-a-ponta de videovigilância

CASE STUDY

São Paulo Expo

pg26 Como parte do projeto de expansão em modernização finalizado em 2016, o empreendimento recebeu um novo sistema avançado de detecção e alarme de incêndio

Mercado

Segurança pública

pg12 BNDES destinará R$ 5 bilhões para investimentos no setor pg12 Prefeitura de Campinas autoriza instalação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento em segurança na cidade

entrevista

Cidades seguras

Bruno Gouvêa

pg30 CEO da Giga Security by Multilaser

Eventos

Exposec 2018 pg 14 A 21ª edição do maior evento de segurança eletrônica do Brasil representou o início da uma nova era no mercado

Com a ambiciosa meta de triplicar seu tamanho em dois anos, a fabricante de sistemas de segurança eletrônica está apostando em uma nova estratégia de expansão de portfólio para atender projetos de qualquer porte

Conferência Tecvoz 2018 pg 20 Inauguração do novo showroom e as novas ofertas de soluções LPR verticalizadas e em nuvem

APAS Show pg 22 Muito mais que a instalação de dispositivos de segurança, evento demonstrou que mercado varejista demanda tecnologias que auxiliam no planejamento, auditoria e prevenção de perdas

Seminário de Segurança ABRASCE pg 24 Discutindo as melhores práticas e inteligência em shopping centers 6

ARTIGO

Os desafios da tropicalização de softwares no Brasil pg33

agenda

pg34


95% Similar

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Banco de dados

Poder de processamento

Deep Learning

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL O FUTURO DA SEGURANÇA ELETRÔNICA

Reconhecimento Filtragem de Facial Falsos Alarmes

Contagem de Pessoas

Algoritmos Estruturados

Busca e Comparativo de Pessoas

Mais segurança e mais inteligência ao seu alcance.


Produtos e Serviços Pelco by Schneider Electric

Fabricante lança analíticos com

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Pelco by Schneider Electric anunciou uma aliança tecnológica com a IBM para criar o “Pelco Analytics Powered by IBM”, uma solução de tecnologia de inteligência artificial com deep learning integrado de hardware e software VMS da Pelco. O sistema identifica padrões de movimento e comportamento que ajudam cidades e empresas a mitigar riscos e reduzir custos operacionais por meio de processos aprimorados. Além disso, os analíticos podem analisar rapidamente grandes volumes de vídeo arquivados para identificar pessoas e objetos, diminuindo drasticamente o tempo necessário para análises forenses de vídeo. “Forneceremos novas soluções baseadas em IVA (análise de vídeo inteligente) da IBM para cidades, aeroportos e escolas, utilizando monitoramento automático de zona, detecção facial e reconhecimento de objetos para alertar os responsáveis por situações que exigem ação”, explica Robert Beliles, diretor de marketing da Pelco by Schneider Electric. A interface do usuário do sistema de gerenciamento de vídeo para análise será otimizada, com base na solução, para fornecer uma experiência de usuário superior. As novas eficiências oferecidas pelo VideoXpert VMS da Pelco e pelo Pelco Analytics Powered by IBM permitirão que cidades e outras grandes organizações comerciais e públicas gerenciem vídeos de milhares de

câmeras, analisem padrões de movimento e comportamento e façam alterações em processos e políticas. “Nossa aliança estratégica com a IBM baseia-se na missão da Pelco de aproveitar todo o potencial do vídeo para garantir que as imagens recebam avaliação, atenção e ação adequadas”, disse Jean-Marc Theolier, CEO da Pelco by Schneider Electric. “Ao integrar totalmente e alavancar a experiência da IBM em deep learning e algoritmos, criaremos ambientes empresariais, escolares e urbanos mais eficientes e seguros, com o objetivo final de tornar o mundo um lugar melhor para trabalhar, viver e aprender”. DS

Bosch e Genetec

Empresas fortalecem criptografia

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Genetec e a Bosch estão fortalecendo a cibersegurança na integração dos seus sistemas através do uso de criptografia na comunicação e certificados de autenticação. Agora todas as comunicações de rede entre as câmeras Bosch e o Genetec Archiver e Security Center recebem uma chave de autenticação que permite ao sistema verificar a legitimidade dos componentes, como câmeras ou unidades de armazenamento e visualização de clientes, assegurando que uma infraestrutura de confiança seja construída antes do início das trocas de dados na rede. Todas as câmeras IP da Bosch têm um Módulo de Plataforma Confiável (TPM) integrado para armazenar com segurança as chaves criptográficas utilizadas para autenticação. Todas as operações necessárias para autenticação e criptografia são realizadas exclusivamente pelo TPM, enquanto os dados de vídeo criptografados são enviados da câmera para o Genetec Archiver, utilizando o Protocolo de Transporte Seguro em Tempo Real (SRTP). Como o Genetec Security Center se integra ao Active Directory, o gerenciamento de usuários pode ser monitorado e centralizado no nível do Windows. Assim como os usuários individuais, os grupos do Active Directory também podem ser sincronizados com o Security

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Center, enquanto os novos usuários herdarão automaticamente os privilégios existentes na plataforma já definidos para estes grupos. Vale ressaltar que as senhas ainda são essenciais para a segurança, mas o Genetec Archiver vai além e também usa um certificado de cliente (que pode ser assinado por um terceiro de confiança e instalado na fábrica) para autenticação da câmera IP Bosch. Além disso, apenas as atualizações de firmware aprovadas pela Bosch serão aceitas e todas as operações criptográficas serão executadas somente dentro do exclusivo TPM integrado. Os certificados de autenticação são menos vulneráveis aos hackers, razão pela qual a Genetec os utiliza para o gerenciamento de softwares e clientes do Security Center. Os sistemas de gerenciamento de vídeo interagem diretamente com as câmeras Bosch utilizando certificados de autenticação e, como os dados armazenados ficam criptografados e são transmitidos por meio do protocolo SRTP, a confidencialidade e a proteção dos mesmos são garantidas. Assim, o uso do SRTP em toda a infraestrutura de segurança por vídeo permite que os clientes criem uma rede multicast confiável, além de obterem segurança e boa escalabilidade de rede ao mesmo tempo. DS


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Mercado Segurança pública

BNDES destinará R$ 5 bi

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Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a criação do Programa BNDES de Apoio a Investimentos em Segurança Pública (BNDES Pro-Segurança Pública). Com dotação orçamentária de R$ 4 bilhões, o programa vai financiar a aquisição de equipamentos para as forças policiais de segurança pública de estados, municípios e do Distrito Federal. A iniciativa soma-se ao montante de R$ 1 bilhão da linha Finem Segurança Pública, voltada a projetos estruturantes, como a implantação de presídios e ações de monitoramento e inteligência. O volume se refere aos desembolsos previstos para 2018. Os projetos voltados à segurança dispõem de R$ 42 bilhões do BNDES até 2022. Os equipamentos financiáveis serão aqueles considerados pelo Ministério da Segurança Pública (MSP) como prioritários para as atividades de segurança dos entes públicos. Além de viaturas, constam de uma lista preliminar itens como coletes balísticos, miras holográficas, armas de choque, entre outros. As especificações desses equipamentos, que deverão ser novos e de fabricação nacional, ou importados sem similar nacional, ficarão a cargo do MSP, que também vai estimar a demanda dos estados, municípios e do Distrito Federal e realizará pregão eletrônico para registro de preços. Concluído o pregão, os entes públicos que aderirem à ata de registro de preços poderão pleitear financiamento do BNDES. O BNDES Pro-Segurança Pública será operado no âmbito do BNDES Finame, na modalidade indireta automática — ou seja, com repasse de recursos do Banco via agentes financeiros. O custo financeiro do programa será formado pela Taxa de Longo Prazo (TLP) e spread de 0,9% a.a. do BNDES — o menor oferecido pelo Banco — mais a taxa de intermediação financeira e a remuneração do

agente financeiro, que é negociada caso a caso com o repassador. O programa tem vigência prevista até o final de 2019 e prazo para pagamento de até 84 meses, com período de carência de até dois anos. A participação do Banco será de até 100% do custo dos itens financiáveis. Em fevereiro deste ano, o Governo Federal anunciou o Programa Nacional de Segurança Pública, que, entre outros objetivos, busca viabilizar novos investimentos dos entes da federação em segurança. O BNDES cumpre um papel específico nesse programa, estando previstos financiamentos a investimentos que contribuam para a redução dos índices de criminalidade no território nacional, entre eles, iniciativas ligadas a monitoramento e inteligência (cidades inteligentes), projetos de infraestrutura física e de gestão no sistema prisional e sistematização e análise de dados sobre segurança pública. DS

Cidades seguras

Prefeitura de Campinas autoriza instalação

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Huawei assinou no começo de maio a autorização para o início do projeto com câmeras inteligentes na área de segurança pública da cidade de Campinas. O projeto é fruto de uma parceria da companhia com o CpqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) e a prefeitura do município, que disponibilizará seu ambiente urbano para a instalação de um laboratório vivo de pesquisa e desenvolvimento. “O mais importante é estabelecermos um padrão para a construção de uma cidade mais segura. Campinas pode ser um modelo

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de desenvolvimento de cidades seguras para todo o Brasil e América Latina”, reforçou o presidente da Huawei na América Latina, Zou Zhilei. O presidente da Huawei do Brasil, Yao Wei, também participou do evento. A Huawei já implementou e desenvolve um projeto de cidades inteligentes em Águas de São Pedro, no interior do estado de São Paulo, mas essa parceria focada em segurança pública em uma cidade de grande porte como Campinas certamente resultará em melhorias significativas nas ofertas de produtos da companhia. DS


Eventos Exposec 2018

Os primeiros passos da “IoTização” A Exposec 2018 representou, de uma vez por todas, que a segurança fará parte de um ecossistema integrado muito maior no futuro por Gustavo Zuccherato

Veja a cobertura completa da Exposec em nosso portal www.revistadigitalsecurity.com.br

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etênios. Uma palavra bastante estranha para se começar um texto que analisa uma feira de tecnologia. Mas, calma, eu explico: trata-se de uma teoria derivada da antroposofia que diz que a vida é separada em ciclos de sete anos. Embora haja controversas e muita discussão acusando a antroposofia de ser uma pseudo-ciência, podemos visualizar algumas fases diferentes na nossa forma de pensar e nos relacionarmos com o mundo ao longo de nossa vida. Falando em Exposec, em 2018, a feira chega à sua 21ª edição e embora possa ser só uma coincidência - representou o início de uma nova era. Na teoria dos setênios, o ciclo que se inicia aos 21 anos, representa o fim do amadurecimento do corpo e a fase do crescimento mental e espiritual. Podem até me chamar de doido, mas o paralelo pode ser feito, sim, com o evento e o mercado de segurança. Até o ano passado, víamos números de um setor que crescia em níveis muito superiores à média nacional. Mesmo em época de plena crise, as taxas de crescimento desaceleraram, mas o mercado não se retraiu. Para este ano, a expectativa é de um crescimento de 8%, segundo dados da ABESE - Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança, mais do que o dobro dos 3% de crescimento do PIB brasileiro, estimado pelo Banco Central. Com isso, além do fortalecimento das empresas nacionais, as grandes fa-

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bricantes e desenvolvedoras de sistemas e soluções de segurança de todo o mundo vieram para território brasileiro. Não há dúvidas, o “corpo” - ou núcleo - da indústria da segurança já está por aqui. Por outro lado, já não basta apenas fornecer um sistema de CFTV, controle de acesso, alarme ou combate à incêndio isolado e que faz apenas suas funções básicas. Como um mantra do setor, agora, tudo passa a oferecer inteligência e integração facilitada entre os dispositivos, pensando também em soluções para problemas específicos, fomentadas por diversas opções de conectividade e plataformas que dão base para a inevitável Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês). Vemos, então, a mudança da mentalidade do setor, característica do terceiro ciclo do setênio. Em pelo menos seis expositores da Exposec era possível ver um pequeno adesivo ao lado dos dispositivos com as inscrições “Telit is in it”. Para quem não conhece, a Telit é uma das maiores fabricantes de componentes e fornecedora de serviços para conectividade IoT do mundo, mostrando que o mercado já busca os melhores fornecedores de tecnologia para atender essa demanda. Os grandes lançamentos na feira seguiram essa mesma mudança de mentalidade: mais do que equipamentos e dispositivos, os destaques sempre ficavam com as plataformas que fazem a integração e automações de sistemas através da internet.


Eventos Exposec 2018

A PPA, por exemplo, montou uma pequena sala em seu estande para mostrar o Spirit, um dispositivo que integra segurança e automação residencial para controle via aplicativo. “Não é mais somente um alarme ou um sistema para abrir e fechar portões. Trata-se, realmente, da automatização completa de uma residência”, ressaltou Gilberto Castilho, supervisor técnico da companhia. “Podemos integrar até 32 dispositivos entre sensores de abertura de porta, infravermelho, comando de potência para acionar qualquer dispositivo eletrônico, controle de iluminação, entre outros. Estamos agregando cada vez mais dispositivos ao equipamento para que ele possa atender uma maior gama de soluções dos nossos clientes”. Em uma concorrência direta com a PPA, a JFL Alarmes esteve na Exposec com solução semelhante. Além da apresentação da linha completa de automatizadores de portões que agora fazem parte do portfólio da empresa após a aquisição da RLG no final de 2017, o destaque ficou para o Active-32 Duo junto à nova versão do app Active Mobile. “Essa central trabalhará com todo o sistema de segurança do cliente, seja CFTV, alarme ou cercas elétricas, por exemplo, de forma que, em um único aplicativo, o usuário poderá acessar, trabalhar e programar todo o sistema de segurança eletrônica”, disse Fernando Mota, diretor comercial da JFL. O mesmo pode-se dizer da Intelbras. Sempre com um dos maiores estandes da feira, claro que a empresa trouxe lançamentos para todas as suas linhas de produtos como CFTV com câmeras 4K, controle de acesso com videoporteiros e fechaduras biométricas, sinalização, detecção e alarme de incêndio com nova repetidora e blocos de iluminação, e energia com uma linha completa de sensores de presença e nobreaks. No entanto, o destaque da marca foi o pré-lançamento do Intelbras Guardian, um novo aplicativo que permitirá integrar os produtos e programar automações. “De início, o Guardian integrará o sistema de CFTV com o alarme, mas já estamos em desenvolvimento com futuras integrações de controle de acesso, sistemas de energia, PGM e alarme”, ressalta Henrique Fernandez, diretor da divisão de Segurança Eletrônica da Intelbras. “O objetivo é fazer com que o usuário não tenha que utilizar o app. Basta configurá-lo, colocar o celular no bolso e o sistema vai ser inteligente o suficiente para alertar quando for necessário utilizá-lo”. Especializada em portarias remotas, a Kiper também projetou novas soluções para mais etapas da cadeia de segurança para esta vertical de condomínios, trazendo mais conveniência. Na Exposec, foram apresentadas cinco novidades: o controle remoto e um to-

tem veicular e de pedestres para controle de acesso; a integração do CFTV dentro da plataforma Kiper para acesso das imagens pelos moradores; a integração com automação do condomínio; e o Kiper Locker, um armário monitorado que facilita a entrega de encomendas. “O zelador recebe a correspondência e, via aplicativo, pode escolher o tamanho do compartimento, o condomínio, o número do apartamento e o morador que deve recebê-la. O compartimento se abrirá e, quando for fechado, o morador receberá uma notificação e poderá buscar a encomenda de forma automática, através da leitura do QR Code no armário”, explicou Odirley Felício da Rocha, diretor comercial da empresa. Foco na eficiência e em processos A estratégia também se reflete nas desenvolvedoras de software voltados para centrais de monitoramento. Integrando dispositivos de terceiros, empresas como Digifort, Seventh e Fulltime lançaram recursos, funcionalidades e plataformas que permitem automações e maior facilidade de uso para aumentar a eficiência dos operadores. Além da sua série de parceiros de integração e módulos inteligentes, a Digifort destacava o Alarm Monitor, um sistema de controle de central de alarme integrado à plataforma VMS. “Todos os eventos são recebidos via Contact ID ou placas I/O e todos os alarmes disparam eventos dentro da interface do VMS. Assim, quando um alarme é disparado, o sistema automaticamente exibirá a imagem de uma câmera com todas as tratativas relacionadas àquele evento em uma única tela”, explica Julio Cesar de Andrade, gerente de projetos da empresa. A Seventh, por sua vez, lançou as versões 6.5 do D-Guard e 4.0 do Situator, trazendo melhorias na interface dos sistemas VMS e PSIM, respectivamente. Ricardo Reibnitz, gerente comercial de projetos da Seventh, explicou que, agora, “toda a configuração pode ser realizada via uma interface web, onde o operador terá acesso à um dashboard com todas as informações dos sistemas, os servidores conectados, o status, o link de conexão, entre outros, para saber se o sistema está funcionando de acordo com o que foi planejado ou não”. Evoluindo de um aplicativo para uma solução completa de gestão 100% em nuvem, o FullArm da Fulltime permite a integração, acompanhamento e tratamento de eventos de alarme, associados à outros sistemas de segurança como CFTV e controle de acesso, com possibilidade de automações e interações com o usuário-final através de app. “O sistema mostra, com grau de prioridade, em uma única tela para o operador, os alarmes que foram acionados, já com o contato para ligação, o vídeo em tempo real do local, um pré-alarme para verificação se foi um disparo verdadeiro e todas as tratativas e providências a serem tomadas”, explica Jean Frabetti, consultor comercial externo da Fulltime. “O intuito do FullArm é canalizar o tempo e facilitar o trabalho do operador e da central de monitoramento, permitindo que eles prestem um atendimento melhor ao cliente podendo oferecer uma solução diferenciada incluindo, por exemplo, nosso software de rastreamento”. Infraestrutura virtualizada Como a nuvem é indispensável nesse novo ambiente de IoT, algumas empresas estão apostando nela para estabelecer um novo modelo de negócio. A Tecvoz, por exemplo, participou da Exposec destacando a mudança na sua política comercial com o Tecvoz Nuvem e as novas plataformas de LPR em nuvem focadas em verticais específicas, como estacionamentos e condomínios. “Nós criamos alguns modelos para trazer atratividade financeira para o nosso instalador. Um pequeno exemplo é um plano para condomínios, que permite ao instalador atender também os próprios con-

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Eventos Exposec 2018

FullArm integra app e plataforma de gestão em nuvem para facilitar atendimento de alarmes

Nova central de alarme e automatizadores RLG foram destaques da JFL Alarmes

Linha Spirit da PPA permite uma automação residencial completa incluindo alarmes, controle de acesso e energia.

dôminos, oferecendo acesso às imagens das câmeras”, destacou Herberthrisch Quezada, responsável pela plataforma. Sob o tema “Oi Nuvem, Tchau DVR e Servidores”, a Camerite chamou bastante atenção na Exposec com um dos maiores estandes e uma ação inédita, onde o CEO da empresa, Cristian Aquino, passou com um rolo compressor por cima de alguns DVRs antigos. Em relação aos avanços da plataforma da companhia, estão as novas capacidades de análise inteligente, como contagem de pessoas, veículos e LPR diretamente em nuvem. Baixo custo e facilidade para usuários residenciais Se por um lado há toda essa evolução da integração entre os sistemas, por outro, fica evidente que os dispositivos se tornarão cada vez mais acessíveis aos usuários. Pensando nisso, nesta Exposec, a Intelbras fortaleceu a linha Mibo com a nova iC7S, uma câmera 360º com resolução FullHD (1080p) que também funciona como uma central de alarme com suporte para até 32 dispositivos sem fio, como sensores de presença e de abertura, controle remoto e sirene. “Um dos grandes diferenciais da câmera iC7s são as funções ‘Auto Tracking’, que ao identificar a presença de alguém, automati-

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camente acompanhará esta pessoa por todo percurso; e ‘Sensor Trackin’ que ao detectar a ativação de um dos sensores, direcionará a câmera ao invasor, tornando todo processo de monitoramento mais dinâmico”, explica Diego Serra, gerente de Segmento Segurança Home & Office da Intelbras. De acordo com Henrique Fernandez, diretor do segmento de Segurança Eletrônica da Intelbras, em breve, a câmera terá armazenamento na nuvem. “É uma câmera muito inovadora”, destaca Fernandez. “A iC7s será comercializada em um kit por R$ 999 com um controle remoto e um sensor de abertura de porta”. Quem também começa a seguir um caminho semelhante é a Hikvision com o lançamento da linha HikHome. Com modelos de 1 e 2 MP, áudio bidirecional, compressão H.265+ e entradas para cartões microSD, as novas câmeras surgem em formatos bullet, dome, fixa e PTZ com conexão Wi-Fi para disponibilizar acesso às imagens através de um aplicativo. Como diferencial, a linha também conta com modelos de NVRs que possuem armazenamento de 1 TB embarcado e antenas Wi-Fi para gerar uma rede fechada própria para os sistemas de segurança. No Brasil, as câmeras devem ser comercializadas, a princípio, apenas através da rede de distribuição já estabelecida da Hikvision, com preços sugeridos ao usuário-final a partir de R$ 350.


Eventos Exposec 2018

O Kiper Locker pretende solucionar o problema de encomendas em portarias remotas

Plataforma Tranpo quer unir empresas contratantes com técnicos autônomos de todo o país.

A Camerite chamou atenção ao passar com um rolo compressor por cima de DVRs antigos para representar o início da era da Nuvem

Fortalecendo o setor Nesta nova realidade de Internet das Coisas, a própria ABESE aproveitou a Exposec para lançar o seu Comitê de IoT. Liderado por Robson Arantes, a iniciativa terá como objetivo fortalecer a discussão e o engajamento do setor de segurança neste tema. “O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações possui uma câmara específica sobre IoT e estamos buscando oficialmente uma cadeira para levar a representação do mercado e mostrar as tecnologias disrruptivas do setor”, destaca Selma Migliori, presidente da associação. “Essa é a função da ABESE, estar presente junto aos órgãos públicos e auxiliar no crescimento do setor de uma maneira mais ordenada, principalmente em um mercado ausente de qualquer tipo de regulamentação”. Não poderíamos deixar de citar também o espaço “Ilha de Startups ABESE”, inaugurado na Exposec 2018 fruto do Comitê de Startups recém-iniciado da associação. Entre soluções de analíticos inteligentes de áudio; controle de acesso; proteção para entrada e saída de condomínios e casas; e monitoramento online compartilhado, cabe o destaque para a Tranpo, uma plataforma que quer conectar os técnicos autônomos de todo o país com grandes e médias empresas contratantes do setor de segurança.

A empresa contratante emite uma O.S. (Ordem de Serviço) no sistema, que a envia como convite para o smartphone dos técnicos homologados para aquele serviço. Depois de aceito, via app, o técnico pode se comunicar, elaborar relatório, tirar fotos do serviço e finalizar o atendimento no cliente. Ao final do processo, o técnico é avaliado e a Tranpo posta a fatura, simplificando a gestão da contratante e prestadora. “Muitas vezes o cliente precisa de um profissional com conhecimento em determinada marca ou que possa atender em um local mais afastado dos grandes centros, como, por exemplo, no interior da Bahia”, explica Élinson Martins, diretor de operações da Tranpo. Do valor ofertado na O.S, 15% fica para a Tranpo, que atualmente faz uma média de 5 a 10 atendimentos por dia. “A meta é chegar em 300 O.S por dia até o final de 2018”, destaca. Organizada e promovida pela Cipa Fiera Milano, a Exposec 2018 reuniu cerca de 800 marcas expositoras e 45 mil visitantes entre profissionais e empresas de segurança. A próxima edição será realizada entre os dias 21 e 23 de maio de 2019, no São Paulo Expo. Toda a cobertura pode ser conferida em nosso portal www.revistadigitalsecurity.com.br e em nossa página do Facebook DS

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Eventos Conferência Tecvoz 2018

Novas ofertas de soluções A Conferência Tecvoz 2018 também marcou a inauguração do Centro de Soluções Tecvoz, em São Paulo por Gustavo Zuccherato

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Tecvoz realizou nos dias 23 e 24 de abril a Conferência Tecvoz 2018, com o objetivo de mostrar as mais recentes novidades e lançamentos da marca e inaugurar o seu novo showroom. “Nossa primeira missão foi a reconstrução do nosso showroom, transformando-o no Centro de Soluções Tecvoz. Reformamos a casa e deixamos ela pronta para que nos tornemos mais ativos com treinamentos e possamos receber os clientes para demonstrar todas as soluções que trabalhamos em funcionamento”, ressaltou Flávio Losano, gerente de marketing da companhia. “Basta entrar em contato com a empresa que um de nossos vendedores sempre estará disponível para agendar uma visita com nossos clientes”. No final de 2016, a empresa lançava a plataforma Tecvoz Nuvem, dando as bases para o que viria a se tornar sua abordagem para uso da nuvem como uma possibilidade de faturamento recorrente aos seus parceiros integradores. Agora, a companhia está seguindo um caminho semelhante com sua plataforma de inteligência e segurança para vias urbanas baseada em leitura de placas de veículos (LPR, da sigla em inglês), o TecJúpiter. O conceito de funcionamento é relativamente simples: utiliza-se uma câmera varifocal inteligente com lente de 6 à 22mm, conectada à um sensor de disparo. Assim, quando um veículo passar pelo campo de visão da câmera, ela tirará uma foto e enviará para o serviço em nuvem que fará a leitura automática da placa e relacionará data e hora de passagem e a situação do veículo, em caso de um alarme de furto ter sido configurado, por exemplo. A partir do TecJúpiter, então, é possível fazer toda a gestão destas informações e integração com outras fontes de dados. Visíveis através de relatórios em gráficos, mapas de calor ou pesquisas personalizadas, os dados ajudam na resolução de crimes e no planejamento de ações em regiões específicas. Uma vez que o TecJúpiter é uma plataforma voltada para órgãos públicos e, naturalmente, com um custo mais elevado pelas possi-

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bilidades que oferece, sua aplicação em projetos privados e fechados não fazia muito sentido - pelo menos até agora. De olho na oportunidade de mercado que se desenha a partir do Projeto de Lei 374/2017, do vereador de São Paulo Gilberto Nascimento (PSC), que torna obrigatório a instalação de câmeras de segurança com leitura de placa em estacionamentos comerciais privados, a Tecvoz está lançando o Tec Park. O sistema oferece quase todas as mesmas capacidades do TecJúpiter, com o diferencial de ter menus e campos específicos para esse tipo de aplicação. Alguns exemplos são a possibilidade de cadastrar o tipo de veículo como mensalista, especial (convênios) ou avulso; a indicação se está no fluxo de entrada ou saída; e registrar os valores cobrados no local. Com um preço mais competitivo em relação ao TecJúpiter, o Tec Park permite um planejamento de negócios mais eficiente, uma vez que fraudes podem ser detectadas com mais facilidade. “Quando o cliente cadastra o valor cobrado no estacionamento dentro da plataforma, o Tec Park automaticamente irá calcular quanto deverá ser o faturamento do local em relação à quantidade de veículos e a permanência deles lá”, explicou Renato Brandão, consultor de vendas da Tecvoz durante sua palestra de apresentação da ferramenta. “Além disso, como qualquer veículo que entrar no estacionamento deverá passar pelo LPR, mesmo que ele não seja cadastrado no sistema de gestão, ele será registrado pelas câmeras e aparecerá nos relatórios, evitando que funcionários burlem o sistema”. A plataforma Tec Park pode ser acessada a partir de qualquer browser web e personalizada com o logotipo do integrador parceiro ou da empresa contratante. Outra oferta semelhante é o TecCondomínio, voltado para as necessidades específicas de condomínios abertos ou fechados. A Conferência Tecvoz 2018 também contou com apresentações de Sérgio Procópio sobre a linha de câmeras inteligentes da Tecvoz e Herberthrisch Quezada, sobre as possibilidades de negócios a partir do Tecvoz Nuvem. DS


Eventos APAS Show 2018

Varejo demanda integração Muito mais que a instalação de dispositivos de segurança, APAS Show demonstrou tecnologias que auxiliam no planejamento, auditoria e prevenção de perdas por Gustavo Zuccherato

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Desenvolvido em parceria com a Ponfac, Gatetransfer da Gunnebo gera metadados para pesquisas avançadas

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á poucos eventos no Brasil que se igualam à grandiosidade da APAS Show. Ocupando todos os pavilhões do Expo Center Norte, em São Paulo, a feira e congresso de quatro dias chegam as cifras de mais de 70 mil inscritos, com mais de 700 marcas expositoras. Em meio ao mar infindável de gente e os mais diversos produtos para supermercados - de doces, pães e embutidos aos freezers, empacotadoras, gondolas, terminais de autoatendimento e softwares de gestão -, uma ou outra empresa de segurança aparece. Sendo um evento focado em clientes-finais, a abordagem é diferente do que é possível encontrar nos típicos eventos do setor de segurança. Na APAS, as empresas de segurança que participam são aquelas que atuam como integradoras para atender as necessidades específicas deste segmento - o que torna a feira um bom referencial para os profissionais que querem entrar e fortalecer sua atuação junto ao varejo. O exemplo mais claro é a Gunnebo. Com foco de atuação em formatar soluções para verticais específicas, a empresa é reconhecida como referência em utilizar sistemas de segurança para a prevenção de perdas. O seu carro-chefe é o Gatecash, uma ferramenta para monitoramento de pontos de venda (PDV). Baseado em um servidor dedicado, a solução integra câmeras e microfones no PDV ao sistema de automação e gestão comercial, permitindo a correlação entre as imagens com os eventos de leitura (ou não) dos produtos através de analíticos de vídeo rodados nesse servidor. É aí que parece estar a grande sacada para se diferenciar na atuação com sistemas de segurança neste segmento: possibilitar o acompanhamento e auditoria completa em toda a cadeia de processos de um ambiente varejista aproveitando sistemas e dados já disponíveis e incorporando novos dispositivos de segurança. É neste sentido que as empresas lançaram suas novas ofertas ao mercado durante a APAS Show. Tanto a Gunnebo quanto a Tyco Retail

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O CD Expert da Tyco Retail Solutions mostra os dados diretamente no fluxo de vídeo das câmeras

Solutions, unidade de negócio de serviços para varejo da fabricante Tyco, focaram em outra etapa da cadeia além do PDV: os Centros de Distribuição, Recebimento e Transferência de mercadorias. As novas soluções permitem associar as informações destes processos às imagens de videovigilância, permitindo o acompanhamento em tempo real ou a auditoria em caso de inconsistências. No lado da Gunnebo, a solução foi batizada de Gatetransfer. No da Tyco, CD Expert. Ambos são customizados segundo as necessidades do cliente e apenas exigem um servidor dedicado, podendo integrar infraestrutura de CFTV já existente. “Até agora, quando havia uma inconsistência de informações, o operador precisava assistir a gravação das imagens das câmeras de todo o período de recebimento para entender o que poderia ter ocorrido. Com o Gatetransfer, ele pode fazer pesquisas por filtro para identificar o momento exato que um produto específico entrou no estabelecimento”, explica Marcos Passarella, consultor de Desenvolvimento de Negócios da Gunnebo. Movimentando cerca de 5,4% de todo o PIB brasileiro em 2017, o setor supermercadista certamente é um dos potenciais de mercado mais bem vistos por qualquer empresa que atue com serviços de gestão de numerário e transporte de valores. Por isso, a tríade das gigantes desse segmento - Brinks, Prosegur e Protege - marcaram presença na APAS Show apresentando suas ofertas. Como é de se esperar, as empresas aproveitaram a oportunidade para exibir seus cofres inteligentes e todas as possibilidades de serviço que oferecem em torno dele e para além da gestão de dinheiro, incluindo a integração de sistemas de segurança com monitoramento remoto especializado. Todas as propostas das empresas na feira podem ser conferidas em nossa reportagem no site. Leia o QR Code disponível nesta página para ficar por dentro de tudo o que rolou sobre segurança para o segmento supermercadista na APAS Show 2018. DS


Eventos Seminário de Segurança ABRASCE

Discutindo as melhores práticas O Seminário de Segurança 2018 da ABRASCE reuniu mais de 200 gestores de segurança de shopping centers para dois dias de conhecimento e networking por Gustavo Zuccherato

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ais do que um local de compras, ao longo dos anos os shopping centers se tornaram um verdadeiro centro de convivência para a população de várias cidades brasileiras. Na mesma medida em que se reúne produtos, serviços, entretenimento e alimentação em um único ambiente para atrair milhares de consumidores todos os dias, crescem também as preocupações com a segurança dos visitantes. Para debater esse tema, há quatro anos, a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) promove o Seminário de Segurança, um evento de dois dias que discute as melhores práticas e principais preocupações que afligem os shoppings em nível nacional e internacional. Neste ano, o encontro aconteceu nos dias 24 e 25 de abril, no CENESP - Centro Empresarial de São Paulo, reunindo cerca de 200 tomadores de decisão em segurança de shopping centers de todo o Brasil. “Um dos principais objetivos desse evento é trazer networking para os gestores na área de segurança”, disse Cátilo Candido, diretor de assuntos institucionais da Abrasce. “Muitas vezes, os gestores ficam muito focados em sua operação e não tem a oportunidade de conhecer as boas práticas do shopping center vizinho que está passando pelos mesmos problemas que ele. Esse é uma forma de aproximá-los e permitir que aprendam uns com os outros”. Entre os assuntos debatidos durante o seminário, esteve a integração entre o poder público e privado no combate ao crime organizado, as práticas de segurança em shopping centers em caso de emergências, as estratégias de reputação em uma crise, gestão de pessoas e o retrato da violência no Brasil. Em paralelo, uma feira de exposição também reuniu empresas que prestam serviços e fornecem soluções no ramo de segurança para shopping centers. Além da óbvia presença das gigantes nacionais em serviços de vigilância e utilities, Gocil, Verzani & Sandrini e Segurpro vale o destaque para empresas que aproveitaram a oportunidade para mostrar como as tecnologias podem auxiliar também na inteligência de negócios.

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Fortalecendo sua presença em eventos de verticais específicas, a Intelbras foi uma dessas empresas. No evento, a fabricante destacava as capacidades de gestão integrada da plataforma Security Center Intelbras Edition já com o sistema Retail Sense, da parceira Genetec. “Estamos demonstrando funções de análise de vídeo que permitem contagem de pessoas, reconhecimento facial para verificar gênero e idade, controle de fluxo, mapa de calor”, disse Renan Antoniolli, executivo de vendas de soluções de software inteligentes da Intelbras. “Assim, a área de segurança consegue se unir com a área de marketing e focar os investimentos em um sistema único mais avançado que trará vantagens para as duas áreas”. Posicionada como uma consultoria em inovação, a NEOeX, por sua vez, exibia a sua plataforma Dashman Security Analytics, um sistema em nuvem que permite que os vigilantes subam informações de ocorrências através de um aplicativo. “Queremos que a tecnologia chegue ao mercado de forma prática, usual, democrática e mais econômica possível”, ressaltou Roberto Farina, CEO da empresa. “No aplicativo SSX, ofertado através de uma assinatura mensal, o vigilante terá acesso à sete ou mais campos de inserção de informações, como o tipo de ocorrência, o local, horário, o segmento da loja e um campo aberto não-estruturado que trabalha com machine learning para identificar o que foi escrito pelo agente de segurança e retirar informações e dados relevantes de lá”. Assim, em tempo real, os gestores podem acessar a plataforma e, de maneira bastante prática, em estilo drag-and-drop, ter uma visão abrangente sobre as operações de segurança do shopping. Em parceria com entidades públicas e privadas, no dia 25 de abril, aconteceu também o Simulado de Segurança no Shopping Eldorado, na Zona Oeste da capital paulista. O treinamento expõe na prática uma situação de extrema periculosidade com propósito de afirmar a importância da gestão e controle em momentos de crise, bem como a necessidade do treinamento. DS


Case Study São Paulo Expo

Preparada para Como parte do grande projeto de expansão e modernização finalizado em 2016, o São Paulo Expo recebeu um novo sistema avançado de detecção e alarme de incêndio

Fotos: Divulgação São Paulo Expo

por Gustavo Zuccherato

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onstruído em 1978, o Recinto de Exposições Sálvio Pacheco de Almeida Prado, hoje conhecido como São Paulo Expo, passou por uma total modernização ao ser concessionado à iniciativa privada em agosto de 2013. A GL Events Centro de Convenções S.A., vencedora da concorrência para concessão de uso e exploração do empreendimento por 30 anos, realizou ampla reforma e adequação da área. O espaço passou dos 40 mil m² para mais de 90 mil m² de área total de exposição com modulação para até 8 pavilhões, com um centro de convenções de 10 mil m² que pode ser dividido em até 34 módulos para eventos e congressos simultâneos e edifício garagem para 4,5 mil vagas, além de cerca de 6.500 vagas no entorno. A modernização abrangeu não somente a ampliação de espaço para eventos, mas também houve total readequação das infraestruturas de utilidade como ar condicionado, energia, água e segurança aos usuários, em um total investido de cerca de R$ 410 milhões. Com uma infraestrutura ampla e modernizada, o São Paulo Expo

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recebe alguns dos maiores eventos da América Latina, incluindo o Salão Internacional do Automóvel, a CCXP - Comic Con Experience e a Exposec, o maior evento do setor de segurança eletrônica do Brasil. Seus ambientes modulares permitem a realização de diversas feiras e eventos ao mesmo tempo, resultando em uma média de até 250 mil visitantes por semana. Um projeto de modernização de grande porte como esse exigiu um trabalho conjunto entre diversas empresas com expertise consolidada em suas respectivas áreas. Toda a infraestrutura de combate a incêndio e elétrica do empreendimento foi feito pela Temon Engenharia, enquanto que o fornecimento e instalação dos sistemas de detecção e alarme de incêndio ficou por conta da Staefa Control System. O projeto de instalação dos sistemas de detecção e alarme de incêndio levou quatro meses, com conclusão em abril de 2016. “A Temon Engenharia nos escolheu por conhecer a experiência da Staefa Control System em sistemas de proteção contra incêndio e know how para soluções integradas desta magnitude, qualidade


Case Study São Paulo Expo

de trabalho e pontualidade”, ressaltou Gabriel Meduri, diretor comercial da Staefa. Para dimensionar o projeto, a empresa contratou a Ma2 Projeto e Gerenciamento. “A implementação da detecção e alarme de incêndio visou adequar todo o sistema às normas e leis atualmente vigentes, especialmente a NBR 17240”, disse Meduri. “Sistemas de proteção e combate a incêndio estão diretamente ligados a segurança e vida das pessoas, por isto a importância de uma implantação rigorosamente dentro das normas aplicáveis”. Com cobertura completa dos 90 mil m² de área de exposição, o São Paulo Expo representou um grande desafio por ter um pé-direito bastante alto, exigindo a instalação de detectores lineares específicos para garantir a detecção do menor sinal de fumaça. Diferentemente dos detectores de fumaça ópticos padrões, que geram o alarme a partir do momento que a fumaça entra dentro da câmara onde está o emissor e o sensor de infravermelho, os detectores lineares emitem um feixe que alcança distâncias de até 100 metros e que é refletido em um espelho e retorna ao detector. Assim, quando há a presença de fumaça, o feixe é interrompido e dispara o alarme. “Tivemos que lidar com ambientes amplos que determinaram o uso de detectores do tipo beam detector, adequados para esta situação. Praticamente 80% das instalações foram em alturas superiores a 10m, utilizando-se de plataformas elevatórias. Isto exigiu um planejamento rigoroso das instalações feito pela equipe de coordenação e obras da Staefa e sincronismo de nossa equipe de campo”, explicou

Todo o sistema de detecção e alarme de incêndio é controlado por uma única central Cerberus ECO da Siemens

Detectores ópticos funcionam a partir da refração do infravermelho dentro da câmara onde estão o emissor e sensor

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Módulo conectado ao sistema de combate à incêndio permite o monitoramento remoto para evitar falhas e programar manutenções preventivas

o diretor. “Nestas situações criticas nossa equipe de segurança do trabalho atua em período integral, orientando e supervisionando a implantação para garantia dos profissionais envolvidos”. Falando efetivamente nos equipamentos implementados, a Staefa optou pela linha Cerberus Eco da Siemens, fornecido diretamente pela fabricante para o projeto. “Os anos de experiência da Siemens em segurança contra incêndio, nos deu a confiança necessária para escolher a linha Cerberus ECO FS18. Uma das maiores vantagens são os conceitos simples de manutenção e operação a fim de manter a instalação e o comissionamento o mais rápido possível”. Para todo o projeto foi necessária apenas uma central de detecção e alarme de incêndio, com 4 laços. Ao todo, são 55 detectores lineares convencionais e outros 218 detectores ópticos, 69 detectores termovelocimétrico, 99 sirenes audiovisuais e 99 acionadores manuais, todos enderaçáveis. O sistema é completado por 79 módulos de monitor. “A compatibilização do projeto é um ponto de bastante atenção, principalmente porque dela temos a condição de extrair a documentação necessária para programação logica da central, que deve ser minunciosamente testada e aprovada”, reforçou Meduri. “Realizamos uma prova de conceito implementando os beam detectors, detectores linear de fumaça inteligentes e endereçáveis, indicados para proteção de áreas muito amplas com tetos altos e ou inclinados. A garantia de funcionamento do sistema está associada a uma boa engenharia de instalação, expertise Staefa”. Todo o cabeamento para conexão dos dispositivos está em tubulações dedicadas, separada das demais instalações do empreendimento. “O sistema de detecção e alarme de incêndio ainda pode ser interligado via protocolos seriais ou contatos secos a outros sistemas de automação predial, por exemplo, para permitir desligamentos e atuações sobre os sistemas elétricos e de ar condicionado, ou com CFTV para indicar o local das ocorrências, entre outros”. Embora haja essa possibilidade de interligação, o São Paulo Expo ainda não possui sistemas de videovigilância instalados na área de exposição e, portanto, não há uma central de monitoramento integrado. A Staefa realiza o acompanhamento dos sistemas implantados de maneira remota e presencial, de forma a programar manutenções preventivas e evitar potenciais problemas com falhas no sistema. Desde a implantação, garante Meduri, não houve nenhum incidente relacionado à problemas com incêndio. DS


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4ª Feira Internacional de Tecnologia, Inovação, Infraestrutura e Soluções para Templos e Igrejas

2018

Organização

13 A 15 DE JUNHO

Mídias oficiais


Entrevista Bruno Gouvêa - diretor da Giga Security

“Nossa meta é triplicar O primeiro ano de trabalho conjunto entre a Giga Security e a Multilaser resultaram em 40% de crescimento para a marca de segurança eletrônica e um portfólio de produtos muito mais amplo e de alto nível para atender projetos de qualquer porte. Entenda quais mudanças ocorreram e o que esperar da empresa no futuro nesta entrevista com Bruno Gouvêa, CEO da Giga Security by Multilaser

por Gustavo Zuccherato

Confira essa entrevista e outros conteúdo em vídeo em nosso site www.revistadigitalsecurity.com.br

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á pouco mais de um ano, duas grandes empresas brasileiras de produtos eletrônicos uniram forças: em março de 2017, a Multilaser anunciava a aquisição da Giga Security. Com mais capacidade de investimento, a fabricante de equipamentos de segurança expandiu seu portfólio e ganhou ainda mais escala. Para conferir a transformação que os 14 meses de trabalho conjunto trouxeram à empresa, a Digital Security foi até o escritório da Multilaser em São Paulo para conversar com Bruno Gouvea, CEO da marca Giga Security.

pliado, com mais de 100 pessoas livres para ir buscar negócios e fazer a empresa crescer. Nós temos a equipe de gestão da Multilaser cuidando de toda a parte mais burocrática, de infraestrutura, de fabricação, RH, financeiro, fiscal e logística; e o pessoal da Giga ficou focadissimo em fazer negócio, com a responsabilidade pelo desenvolvimento de produtos, sempre com o mesmo nível de qualidade Giga, e com o comercial e marketing, protegendo o canal de segurança e levando a marca Giga para cada vez mais lugares.

Digital Security: Como está o processo de integração das empresas e quais mudanças ocorreram na estrutura organizacional depois da aquisição? Bruno Gouvêa: Estamos juntos há um ano agora e foi um processo bem acelerado. Em um mês, a empresa já estava operacional dentro da Multilaser. No início deste ano, nós já conseguimos juntar o faturamento das duas empresas e crescer em mais de 40%. Montamos uma estrutura no qual o time Giga está bem am-

Digital Security: Os escritórios da Giga Security mudaram de localização? Bruno Gouvêa: O nosso time de desenvolvimento de produtos continua em Santa Rita do Sapucaí (MG). Alocamos o time dentro do INATEL, uma universidade de altissima competência de cidade que presta serviço para o mercado de desenvolvimento de tecnologia. As outras pessoas do comercial e marketing vieram junto com a gente para o escritório de Extrema (MG) e de São Paulo.

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Entrevista Bruno Gouvêa - diretor da Giga Security

Digital Security: Como está estruturada a equipe de Pesquisa e Desenvolvimento das soluções de segurança da Giga Security e como ela se relaciona com os engenheiros da Multilaser? Bruno Gouvêa: Na nossa história, já participamos do grupo francês Somfy, onde aprendemos bastante com eles a como desenvolver produtos com qualidade europeia. Ainda hoje, seguimos o mesmo processo e forma de fazer produtos. Esse time com essa expertise está dentro do grupo Multilaser, que também nos ensinou bastante sobre “timing”, porque esse mercado de eletrônicos é bem rápido. Unimos o melhor dos dois mundos. Além disso, também ganhamos uma estrutura internacional. Hoje, são mais de 100 pessoas em laboratórios e na parte de compras lá fora para que a gente consiga trazer o que há de melhor no mundo todo para o Brasil. Digital Security: Quais mudanças ocorreram na política de relacionamento com os canais Giga após a aquisição pela Multilaser? Bruno Gouvêa: Sempre tivemos um respeito muito grande ao canal de segurança, seja um distribuidor, integrador, instalador ou revenda, e mantemos essa confiança e esse respeito desde o primeiro dia junto com a Multilaser. Sabemos que a Multilaser é uma marca que está em todos os cantos do Brasil, por vários canais diferentes, mas a Giga é uma marca comercializada no canal de segurança eletrônica. Esse é o nosso foco e o mercado já reconheceu isso, tanto que a gente já cresceu bastante dentro do canal de segurança. Isso é muito importante para gente. Digital Security: Já houve um aumento no número de canais que a Giga está trabalhando após a aquisição e qual o tipo de novos canais vocês buscam? Bruno Gouvêa: Nós estamos ampliando o número de distribuidores, integradores, instaladores, revendas e monitoramentos, mas sempre respeitando e trabalhando com o canal de segurança eletrônica. Estamos trazendo uma nova área, onde vamos buscar grandes projetos e vendas com alto valor agregado, através de uma linha high-end de CFTV IP, com resolução de 4 MP, WDR, Full Onvif e compressão H.265 Ultra. Buscamos integradores que conseguem vender esse nível de valor e serviço no mercado também, mas sempre dentro do mercado de segurança eletrônica. Digital Security: Dentro da organização da Giga Security, como vocês pretendem atender esse canal? Bruno Gouvêa: Temos nossos distribuidores e estamos buscando oferecer esses produtos para eles, buscando cada vez mais distribuidores que tenham também expertise nessa área de produtos com valor-agregado. Digital Security: A Giga está expandindo seu portfólio e apostando em novas linhas de produtos, como os vídeo-porteiros residenciais, sensores de presença, fechaduras e travas, microfones para CFTV e cabos, ou seja, está começando a se desenhar como uma provedora de equipamentos ponta-a-ponta para segurança. Essa foi uma exigência após a compra pela Multilaser? Bruno: Na verdade, quando as empresas se juntaram, nós decidimos que seríamos muito maiores. Nossa meta é triplicar o tamanho da Giga em dois anos e uma das pontas que estamos puxando para crescer é ampliar o leque de produtos. Já temos um canal de distribuição de segurança bastante grande em todos os cantos do Brasil e estamos trazendo para esse canal todos os produtos que se vendem dentro de uma distribuidora. Am-

Estamos trazendo uma nova área, onde vamos buscar grandes projetos e vendas com alto valor agregado, através de uma linha high-end de CFTV IP, com resolução de 4 MP, WDR, Full Onvif e compressão H.265 Ultra

pliamos e renovamos nossas linhas de CFTV, via cabo coaxial e IP; controle de acesso, com travas e outros acessórios; interfonia residencial incluindo videoporteiros; entrando em cabeamento e energia para CFTV; sensores e centrais de alarme. Estamos expandindo em todos os produtos que são comercializados dentro de um distribuidor de segurança eletrônica, por opção de crescimento mesmo. Uma das grandes forças da Multilaser é justamente essa variedade de produtos e estamos trazendo essa estratégia também para a marca Giga. Digital Security: A competição influenciou nessa tomada de decisão de querer fornecer a infraestrutura ponta-a-ponta de segurança? Bruno Gouvêa: Acho que é um caminho natural aqui dentro. São mais de 3 mil produtos na Multilaser e uma das forças é esse leque amplo de produtos. Uma vez que o time Giga está solto para ir fazer negócio, para desenvolver mais produto, para trazer mais cliente, abrir essa linha de produtos faz muito sentido e traz uma competitividade muito maior, de forma que não ficamos dependendo só de uma linha e conseguimos crescer em todas as linhas de produto. Digital Security: Quais tendências tecnológicas a Giga Security considera mais promissoras? Bruno Gouvêa: Na área de CFTV nós vemos o aumento da resolução e a melhoria da qualidade da imagem, para ver cada vez mais detalhes da cena e conseguir resolver cada vez mais casos, trazendo mais segurança com isso. Além disso, há a questão da baixa luminosidade, onde estamos trazendo ao mercado as câmeras Sony Starvis que permitem captar imagens em cores até mesmo com uma única estrela brilhando no céu. Também há o aumento da compressão, pulando do H.264 para o H.265 e não meramente o padrão, mas a compressão com inteligência artificial. Entendemos que um pouco de inteligência artificial na compressão gera resultados ainda maiores. Na segurança, é inevitável o mundo IP e a integração dos equipamentos e estamos investindo forte nisso.

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Entrevista Bruno Gouvêa - diretor da Giga Security

Digital Security: A Giga tem uma parceria consolidada com a Sony para usar sensores da marca em alguns de seus modelos de câmeras. A empresa pretende estabelecer outras parcerias OEM para suas linhas de produtos? Bruno Gouvêa: Sim, pretendemos. Temos um trabalho muito sólido e de longa data com a Sony. Desenvolvemos as câmeras e compramos os componentes diretamente da Sony, de forma que conseguimos ter um nível de qualidade e procedência muito boa. Mantemos essa parceria e ampliamos com a linha Starvis. Temos uma parceria muito forte também com a Seagate. Todos os discos rígidos que colocamos em nossos DVRs e que vendemos avulso no mercado, são HDDs da Seagate da linha Skyhawk que é focada em segurança. Além dessas duas parcerias, pretendemos trazer uma nova parceira para a mesa, que já é uma parceira da Multilaser, que é a Intel. Queremos trazer uma linha de segurança com muita inteligência e a Intel está saindo na frente, com um chip pronto para fazer análise de imagens com aprendizagem profunda (deep learning), fruto da aquisição da Movidius. Estamos conversando com eles e, nos próximos meses, já devemos disponibilizar esse vídeo analítico para nossas linhas high-end voltados para grandes projetos e corporações. Digital Security: Como uma empresa essencialmente brasileira consegue competir com as gigantes de tecnologia mundiais dado que as capacidades de investimentos e atualização tecnológica deles tendem a ser maiores do que aqui no Brasil? Bruno Gouvêa: Me lembro de uma vez em que estava conversando com o Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, e ele me contou uma história sobre como eles conseguiam competir e como a Multilaser se tornou uma gigante no mercado brasileiro, com mais de R$ 2,1 bilhões de faturamento. Ele me disse que levavam em consideração um tripé, baseado em

Queremos trazer uma linha de segurança com muita inteligência e estamos em negociação com a Intel, que está saindo na frente com em um chip pronto para fazer análise de imagens com deep learning, fruto da aquisição da Movidius

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produto bom e de qualidade, produto no estoque, e produto no preço certo. A partir daí, com muito trabalho, com muita humildade, durante um longo período de tempo, vamos conquistando nosso espaço e a empresa vai crescendo e conquistando cada vez mais clientes. Foi assim que aconteceu no mercado de cartuchos de impressora, de pendrives, tablets e muitos outros que a Multilaser entrou e virou líder de mercado. É assim que vamos conquistando nosso espaço, com uma equipe bem humilde, que consegue trabalhar duro, e todo mundo cresce junto. Esse é o ponto. Digital Security: Você sempre foi uma pessoa muito ativa nas redes sociais, tentando estabelecer um relacionamento direto e orientar pessoalmente os instaladores que trabalham com a marca Giga. Como a aquisição pela Multilaser, colocando a marca Giga como uma parte de uma estrutura muito maior, impactou nesse relacionamento? Bruno Gouvêa: Eu adoro estar em contato com o cliente sem filtros, porque sempre tem várias etapas na cadeia de valor e acaba filtrando um pouco a mensagem. Eu gosto de ouvir do instalador, do integrador e do monitoramento, quais são as dores que eles estão sentindo, onde há oportunidade para crescer, para que consigamos tomar decisões e agir rápido para que a gente consiga crescer rápido também. Junto da Multilaser, na verdade, esse relacionamento melhorou muito porque eu cuidava de outras áreas dentro da empresa e agora a gente está focado em desenvolver produto, comercial e marketing para fazer crescer tudo isso. Tirando produção, logística, assistência técnica e suporte técnico debaixo da nossa gestão, conseguimos salvar bastante tempo para buscar mais negócios. Digital Security: Qual a meta de crescimento da Giga Security para 2018 e quais ações estão sendo tomadas para alcançar esses números? Bruno Gouvêa: Já crescemos mais de 40% até agora,estamos esperando crescer 60% esse ano. Pretendemos triplicar o tamanho da empresa em dois anos: uma meta bastante ambiciosa e agressiva, que já está acontecendo e que estamos superando nossas metas. Para isso, ampliamos demais nossos serviços para o mercado. Estamos com três vezes mais vendedores e treinamento em campo, porque sabemos da importância dos profissionais da área de segurança estarem bem treinados, bem capacitados para trabalharem com nossos produtos. Além disso, estamos investindo quatro vezes mais em marketing e pegando carona na marca Multilaser. A Multilaser está com uma campanha nacional do seu novo celular que tem um impacto estimado em mais de 60 milhões de pessoas Brasil afora. É um alcance bem grande e, como a marca virou Giga Security by Multilaser, nós conseguimos aproveitar todo esse investimento feito no consumidor-final, em marketing de massa e trazer também para a marca Giga. Digital Security: Quais mudanças ocorreram nos treinamentos e certificações técnicas da Giga Security após a aquisição pela Multilaser? Bruno Gouvêa: Estamos com muitos mais treinamentos. Normalmente, vamos até o cliente, juntamos instaladores, integradores, monitoramentos, revendas e treinamos tecnicamente e comercialmente os profissionais sobre nossos produtos. Também continuamos com os treinamentos online e atendemos o Brasil todo desta forma. Temos um plano de, nos próximos anos, fazer também um treinamento na fábrica. DS


Artigos

Artigos

Inteligência Artificial

Hardening de rede

Os desafios da tropicalização de softwares no Brasil por Matheus Torres*

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osso país tem dimensões continentais e tal característica traz desafios na tecnologia de base em nossa infraestrutura. Alguns deles são exemplificados nas questões mais presentes no trabalho com monitoramento e segurança digital, que são: Como padronizar um sistema único de monitoramento? Como criar uma topologia de rede adaptada a todas as realidades? Como garantir uma conexão de internet estável? Como instalar um software de reconhecimento facial que atenda todas essas demandas? Nosso trabalho com Facewatch começou tentando responder essas perguntas. Por se tratar de uma ferramenta difundida no Reino Unido e usada em larga escala, a realidade na qual ela foi idealizada está bem distante da nossa. E isso não se dá pela qualidade do equipamento ou acesso aos melhores fornecedores. É bem verdade que as flutuações de câmbio influenciam em equipamentos melhores. Mas ainda assim temos, hoje, bons fornecedores nacionais que atendem ao pré-requisito de um sistema que é homologado por todos os principais órgãos de segurança da comunidade europeia, como Interpol, MI-6 e NCSC. Sendo assim, fica a dúvida; qual é o maior desafio do nosso mercado? Sem dúvida, é a mão de obra qualificada. Devido à quantidade de fornecedores de baixa qualidade e por ainda existirem clientes que fazem sua escolha baseada no preço, e não na qualidade do sistema, nós encontramos uma gama variada de instalações e equipamentos defasados. Lidar com essa realidade foi o principal desafio na implantação e validação do software no Brasil. Procuramos explicar para o cliente que pagar menos de início pode não ser a melhor opção a longo prazo, pois essa conta terá que ser refeita diversas vezes e em pouco tempo, quando há defasagem da tecnologia. Acompanhar o ritmo do que a indústria tecnológica desenvolve é praticamente impossível. Por isso, o ideal é que se invista na tecnologia de base, em um bom cabeamento, bons conectores e boa conexão. Assim torna-se possível fazer atualizações quando necessário e ter um bom serviço. Quando se lida com reconhecimento facial, é relativamente fácil encontrar câmeras que atendam aos pré-requisitos de resolução e protocolos de vídeo. A dificuldade está na infraestrutura para essa instalação, de forma que hoje podemos afirmar, com toda certeza, que 80% do nosso trabalho de adaptação está nessa esfera. Mesmo com esse cenário desafiador, a Retina teve êxito nesse processo de “tropicalização” dos serviços e hoje é a única empresa atuando fora do Reino Unido com o Facewatch. Nossos clientes são pioneiros em uma tecnologia que aponta diretamente para o futuro e nosso objetivo é ganhar o mercado apostando nesse tipo de parceria e flexibilidade. Temos expertise e certeza de que estamos preparados para todos os tipos de clientes, com os mais variados tipos de infraestrutura. Para lidar com as dificuldades temos desenvolvido soluções mó-

veis, visando uma realidade plug and play que garanta velocidade à primeira etapa de prova de conceito. Também temos procurado entregar o Facewatch já em uma instância, mesmo que inicial, que possa abrir as portas para projetos maiores. Atualmente a segurança compartilhada é algo necessário para nosso país e o Facewatch é a ferramenta definitiva no auxílio das forças policiais e dos entes privados. Cabe à Retina continuar se especializando em vencer os desafios que aparecem do lado de cá dos trópicos e é o que continuaremos fazendo. DS

* Matheus Torres é CEO da Retina Monitoramento e Segurança Digital

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Agenda

JUNHO Ciab Febraban 12 a 14 de junho São Paulo/ SP O Ciab Febraban é o maior evento da América Latina para o setor financeiro, no que diz respeito à tecnologia e segurança de dados. Este ano, cerca de 130 empresas participarão do encontro, trazendo novidades que vão garantir a segurança e eficiência dos sistemas bancários e agências. www.ciab.org.br

IFSEC Internacional 19 a 21 de junho Londres Este evento reúne toda a rede de consumidores de segurança eletrônica. Entre eles estão os usuários finais que procuram pelas mais recentes tecnologias e melhores práticas para proteger seus negócios; os instaladores e integradores, que chegam interessados em descobrir os melhores produtos para seus clientes e consultores que desejam atender a seus clientes oferecendo o que há de melhor em termos de tecnologia. E também os fabricantes e distribuidores interessados em educar ao mercado sobre as mais recentes tecnologias. O IFSEC International é um dos maiores eventos para o mercado de segurança mundial. A força de seu relacionamento e colaboração com as associações de liderança, órgãos governamentais, parceiros de pesquisa, provedores de formação e especialistas em educação permite que o encontro reúna mais de 27.000 visitantes e cerca de 650 expositores de mais de 100 países para discutir o futuro da indústria de segurança. www.ifsec.co.uk

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Church Tech Expo 26 a 28 de junho São Paulo / SP A Church Tech Expo reúne o melhor das tecnologias de áudio e vídeo para templos, igrejas, locais de pregação e adoração. Exposição, palestras técnicas e workshops cobrem os segmentos de sonorização, mixagem, captação em vídeo, projeção, gravação, edição e transmissão. Participe e conheça o que há de mais inovador no setor. Aprenda com exemplos práticos como ampliar e otimizar as suas instalações ao lado dos principais fornecedores, integradores, consultores do mercado nacional e mundial. Entenda como e onde investir para ampliar o alcance de sua mensagem. O evento é destinado a líderes e representantes de religiões, membros de ministérios, equipes técnicas e de projeto, operadores de áudio e vídeo, e todos os envolvidos com áudio, vídeo, segurança e iluminação em templos e igrejas. www.churchtechexpo.com.br

JULHO Security Exhibition & Conference 25 a 27 de Julho Sydney – Austrália O Exhibition & Conference Segurança é um evento essencial para entrar em contato om novos produtos e inovações e se conectar com o melhor da indústria, além das mais recentes formas de gerenciamento inteligente de ameaças. Reunindo os principais especialistas de segurança locais e internacionais, a Conferência de Segurança ASIAL também vai discutir as mudanças de estratégias para combater as ameaças à segurança e os desafios enfrentados pelas empresas, do governo e da comunidade em geral. www.securityexpo.com.au


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A revista Digital Security se diferencia dos outros veículos do setor por oferecer um panorama completo do mercado, com notícias, análises,...

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