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SETEMBRO-OUTUBRO . 2010


ACTUALIDADE

Maronesa quer aumentar vendas em 30% APICULTURA PÁG 06 A 11

OLIVAL & AZEITE PÁG 12 A 16

MAQUINARIA NEW HOLLAND APRESENTA T8 PÁG 18 A 22

HORTICULTURA CEBOLA: UMA CULTURA DE CUIDADOS

PÁG 25 E 26 CENOURA CADA VEZ

MAIS

UNIFORME

PÁG 30 E 31 UVA SEM GRAINHA

CENTRAIS

CASTANHA

A Cooperativa Agrícola de Vila Real, Entidade Gestora da marca Carne Maronesa - DOP, quer recuperar, durante este ano, o volume comercializado em 2007, ou seja 1.800 carcaças certificadas, o que representa um aumento de cerca de 30% em relação às vendas actuais. O mercado prioritário continua a ser o consumidor final e a restauração de “gama alta” da região de produção. De forma a alcançar estes objectivos, a Cooperativa Agrícola de Vila Real, através do seu Agrupamento de Produtores Carne Maronesa-DOP, está a desenvolver um projecto de promoção e divulgação, deste produto de alta qualidade, com a finalidade de informar melhor o consumidor final sobre a qualidade e variedade dos produtos comercializados, assim como sobre os pontos de venda autorizados e controlados, na comercialização da carne certificada. Com uma facturação anual a rondar 1.400 mil euros de Carne Maronesa, a Cooperativa Agrícola de Vila Real desempenha um importante papel a nível económico e social, pois é a entidade que garante o escoamento da

PÁG 36 A 45

CINEGÉTICA CAMPEONATOS DE STO. HUBERTO PÁG 46 E 47 CERTIFICAÇÃO DA PERDIZ VERMELHA DE MÉRTOLA PÁG 48 RECOLHA DE RESÍDUOS DE EMBALAGENS DE PRODUTOS FITOFARMACÊUTICOS

quase totalidade da produção dos agricultores regionais. Actualmente existem na região cerca de mil e quinhentos criadores de animais da Raça Maronesa reconhecidos. A criação destes animais destaca-se por ter um modo de produção amigo do ambiente, que faz um uso equilibrado do solo e da água e contempla a exploração de espécies vegetais autóctones. A dieta dos animais adultos é constituída por produtos cultivados, ervas e arbustos naturais dos terrenos baldios ou prados privados, o que garante a excelência da qualidade do produto final. ESTATÍSTICAS

Superfície de milho de regadio mantém-se nos 88 mil hectares pelo segundo ano consecutivo

Encharcamento dos solos nalgumas regiões condiciona produtividade da batata de regadio

A superfície de milho de regadio deverá rondar os 88 mil hectares, valor idêntico ao de 2009 e ao mais baixo das últimas duas décadas. Para esta situação contribuíram os valores pouco atractivos pagos aos produtores, bem como as dificuldades observadas na realização dos trabalhos de sementeira, consequência da saturação hídrica dos solos causada pelas elevadas precipitações acumuladas.

Na batata de regadio o encharcamento observado nalguns terrenos atrasou as plantações e impediu o eficaz controlo das infestantes, condicionando o desenvolvimento dos tubérculos e, consequentemente, a produtividade da cultura, perspectivando-se assim uma ligeira quebra de produtividade (-5%) face a 2009.

Milho de Sequeiro e arroz apresentam desenvolvimento vegetativo normal

Quebra na produção de batata de sequeiro ronda os 20%

Apesar do intenso calor durante o mês de Julho não ter, de um modo geral, beneficiado as culturas arvenses de sequeiro, as condições climatéricas registadas ao longo do ciclo vegetativo do milho de sequeiro, têm favorecido o normal desenvolvimento da cultura, pelo que se prevêem produtividades na ordem dos 1570 kg/ha, o que corresponde a um aumento de 5%, face a 2009.

A produção de batata de sequeiro deverá registar uma quebra de 20%, resultado quer da diminuição das áreas plantadas devido às intensas chuvas de Fevereiro e Março, quer das quebras de produtividade, apresentando os tubérculos, de um modo geral, calibres reduzidos.

PÁG 60

ENTREVISTA PRESIDENTE DA AGROBIO PÁG 62

FONTE: INE – BOLETIM MENSAL – JULHO 2010

Propriedade: Voz do Campo, Editora Lda. Sede: Trav. do Matadouro, Bloco B, 2-A, R/c Esq.º, 6000-306 Castelo Branco, Portugal, Tel. +351 272 324 585, Fax. +351 272 324 586 Editor: Paulo Martins Gomes Redacção/ Repórteres: Fátima Pereira (redactora chefe); Paulo Gomes; Maria João Henriques; Hendriler Francis Amador; redaccao@vozdocampo.pt; reportagem@vozdocampo.pt; vozdocampo@vozdocampo.pt Edição On-line: www.vozdocampo.pt Direcção Comercial/Publicidade: Maria João Henriques; publicidade@vozdocampo.pt; comercial@vozdocampo.pt; reportagem@vozdocampo.pt; Tel. +351 272 324 585; Fax. +351 272 324 586 Agronegócio: agronegocio@vozdocampo.pt. Direcção Geral/Administração: Paulo Martins Gomes; administracao@vozdocampo.pt Dep. Assinaturas: Adriana Barbosa de Souza; assinaturas@vozdocampo.pt Dep. Contabilístico: Albinúmero, Lda. Artes Gráficas: Fátima Pereira Paginação: Fátima Pereira; Paulo Gomes Estagiária: Mónica Gomes Colaboraram nesta edição: Associação de Apicultores do Nordeste, STIHL, Sandra Marques, Pedro Basto, José Martino, Associação de Criadores de Porco Alentejano, Carnalentejana S. A., Valorfito Periodicidade: Bimestral Assinaturas: 1 ano (6 edições) 25 EUR. Estrangeiro 35 EUR; 2 anos (12 edições) 40 EUR. Estrangeiro 50 EUR. Registo no ICS: 120363 Empresa Jornalística: 220362 Depósito Legal: 115126/97 Contribuinte: 505903210 Impressão: FIG - Rua Adriano Lucas, 3020-265 Coimbra Preço: 5,00 Euros (Iva inc. à taxa de 5%) Tiragem média por edição: 15.000 Exemplares.

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SETEMBRO-OUTUBRO. 2010


ACTUALIDADE

Em época de comemoração de mais um aniversário resolvemos constatar a evolução de algumas empresas nossas parceiras nos últimos anos. Não perca esta viagem de sucessos mas com muita engenharia para contornar os muitos obstáculos. Passado, presente e futuro, encontre os vários tempos nas nossas páginas azuis.

Colheita generosa de maçã em França

Este ano vai ser colhido um milhão quinhentos e oitenta mil toneladas de maçã em toda a França, segundo as primeiras estimativas da Associação Nacional de Maçãs e Peras. Apesar de representar menos 4% em relação ao ano anterior, aquela Associação considera-a uma colheita generosa. A colheita de 2010 oferece uma maçã atraente e todos os profissionais estão de acordo sobre a qualidade epidérmica das maçãs, sem nenhum defeito. França é o primeiro fornecedor de maçã para o mercado português, com uma quota de 30% do mercado em 2009. O nosso país representou 25 mil toneladas nas exportações francesas na campanha 2009/2010, sendo a Golden, e a Granny Smith as principais variedades exportadas. Registe-se ainda que Portugal é um grande consumidor de maçã com 30,9 kg por ano e habitante.

Cinco anos depois da sua constituição as ZIF estão perfeitamente aceites O processo de criação das Zonas de Intervenção Florestal constitui-se como um modelo organizacional fundamental para ultrapassar as fragilidades de ordenamento e gestão que se fazem sentir, em particular nas zonas de minifúndio. A sua aceitação e adesão pelos proprietários e técnicos florestais foram inquestionáveis, sendo prova inequívoca disso o facto de terem sido constituídas 127 ZIF de Norte a Sul do país. A constituição das ZIF marca apenas o início de uma longa e profunda alteração na forma de uso e gestão do território e não um fim por si. Urge então continuar o trabalho desenvolvido e rapidamente encontrar formas de ultrapassar os actuais constrangimentos. Estas foram as principais conclusões aprovadas em plenário no final do primeiro Encontro Nacional de Entidades Gestoras de ZIF que teve lugar em Agosto, na vila de Mação. Mas, para fazer valer estas ideias, considera-se essencial garantir, rapidamente, a continuidade dos apoios do Fundo Florestal Permanente, promover uma reestruturação profunda das medidas de apoio do PRODER, bem como criar um observatório /comissão de acompanhamento dos processos de criação e funcionamento das ZIF.

OUTUBRO 08 a 10: Lusoflora (Santarém) 09 e 10: Terra Sã 2010 – 1.ª Feira Nacional de Agricultura Biológica e Biodiversidade (Lisboa) 14 a 17: Feira dos Gorazes (Mogadouro) 20 a 23: Fimap / Ferralia (Porto) 22 a 24: Vinipax (Beja) 22 a 24: Feira da Caça (Mértola) 29 a 31: Feira da Castanha (Sernancelhe) 29 a 31: Rural Castanea (Vinhais) 29 a 1 Nov.: Norcaça, Norpesca & Norcastanha (Bragança) 30 a 7 Nov.: Festa da Vinha e do Vinho (Arruda dos Vinhos) Internacional 06 a 08: 06 a 08: 06 a 09: 11 a 15: 12 a 15: 14 a 16: 14 a 16: 20 a 22: 20 a 23:

Sommet de l’Elevage (Clermont-Ferrand – França) Macfrut (Foggia – Itália) Agrosalon (Moscovo – Rússia) Agroprodmash (Moscovo – Rússia) Horti Fair (Amsterdão – Holanda) Inter Agro Business Monchengladbach – Alemanha) Congresso Int.de Porco Mediterrâneo (Cordoba-Espanha) Iberflora (Valência – Espanha) Elmia Agriculture Machinery & Cultivation (Jonkoping – Suécia) 20 a 23: Moldagrotech (Moldávia) 20 a 23: Earmer – Máquinas e Equipamentos de Sementeira (Moldávia) 23 a 26: Agrotech Thessaloniki 27 a 30: Agri Indo (Jacarta – Indonésia) 27 a 29: Expobioenergia (Valladolid – Espanha) 28 a 31: Saver – Espaços Verdes, Máq. e Equip. (Madrid – Espanha) 31 a 2 Novembro: Garden + Landscaping (Emirados Árabes Unidos – Dubai) N OVEMBRO 06 e 07: Feira da Castanha (S. Pedro de Castelões – Vale de Cambra) 06 e 07. Feira do Mel e da Castanha (Lousã) 06 e 07: Feira da Castanha (Carrazedo de Montenegro - Valpaços) 12 a 14: Festa do Castanheiro / Feira da Castanha (Marvão) 26 a 01 Dez: Feira do Montado (Portel) Internacional 04 09 10 16 16 25 30 30 30

a 06: Interpoma 2010 (Bolzano – Itália) a 12: Agroforum (Kiev – Ucrânia) a 14: Eima (Bolonha – Itália) a 19: Eurotier (Hannover – Alemanha) a 19: BioEnergy Decentral (Hannover – Alemanha) a 29: Agrama (Berna – Suíça) a 2 Dez.: Vinitech (Bordéus – França) a 2 Dez.: Sifel (Agen – França) a 4 Dez.: Agromek (Herning – Dinamarca)

Preencha com maiúsculas e envie para: Voz do Campo Editora Lda. | Trav. do Matadouro, Bloco B, 2 A, R/Ch Esq.º | 6000-306 Castelo Branco Nome: Morada: Código Postal:

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APICULTURA

Mel da Terra Quente com predomínio do rosmaninho Autoria:

“Mel da Terra Quente” – DOP (Denominação de Origem Protegida)abrange 10 concelhos: Mirandela, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Vila Nova de Foz Côa e Valpaços, estimando-se em 450 os apicultores instalados nesses concelhos. A Cooperativa de Produtores de Mel da Terra Quente, CRL, e a Associação dos Apicultores do Nordeste dispõem, respectivamente, de 64 e 120 associados. Com sede social em Mirandela, distrito de Bragança, são estruturas importantes tanto no apoio directo aos apicultores através de técnicos especializados, como na extracção do mel com recurso à sua unidade industrial situada no Cachão, como na orientação à comercialização. Ambas as estruturas associativas abrangem os concelhos de Mirandela, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros e Vila Flor, constituindo a Zona Controlada da Terra Quente, onde

é assegurado, através do PAN – Programa Apícola Nacional - o apoio e controlo sanitário aos efectivos apícolas dos apicultores existentes nesses concelhos, abrangendo cerca de 280 apicultores e 21 mil colmeias. Entretanto, a Cooperativa aguarda por parte da Direcção Geral de Veterinária a aceitação do pedido de alargamento da sua área de intervenção para o concelho de Torre de Moncorvo, o que tornará a Zona Controlada a segunda mais importante a nível nacional. A Associação é detentora da marca “Mel da Terra Quente” – DOP (Denominação de Origem Protegida), que abrange 10 concelhos - Mirandela,

Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro (do Distrito de Bragança), Vila Nova de Foz Côa (Distrito da Guarda) e Valpaços (Distrito de Vila Real), estimando-se em 450 os apicultores instalados nesses concelhos. No mel DOP, a sua comercialização pode ser feita tanto pela Cooperativa, como pelo produtor a título individual, quer ainda por uma entidade terceira com quem qualquer um dos anteriores estabeleça contrato. A Cooperativa deu um apoio importante na candidatura dos apicultores ao Programa de Produtos de Qualidade – Mel da Terra Quente (DOP), no âmbito do PRODER, tendo sido beneficiado com ajudas 92 apicultores (com um total de 20.086 colónias). Procedeu-se no ano apícola transacto ao preenchimento e lançamento informático de 214 declarações de existência (para além de ter feito 20 registos iniciais de actividade, 7 fechos de actividade, três reinícios de actividade, 60 pedidos de alteração às declarações, e 28 deslocações de apiários). A produção anual de mel na Terra Quente ronda as 400 toneladas, predominando mel de rosmaninho (lavanda stoechas) temos também produções de mel de amendoeira (prunus sp), mel de castanheiro (castanea sativa), mel de melada de carvalho, azinheira e sobreiro (Quercus sp), entre outras. Cerca de 20 apicultores já dispõem de unidades de produção primárias registadas na DGV.

I Congresso Ibérico de Apicultura em Abril do próximo ano O Instituto Politécnico de Castelo Branco vai ser anfitrião do I Congresso Ibérico de Apicultura, calendarizado para os dias 14, 15 e 16 de Abril de 2011 nas instalações da Escola Superior Agrária. É também promovido pela Melbandos – Cooperativa de Apicultores do Concelho de Mação, Meltagus – Associação de Apicultores do Parque Natural do Tejo Internacional e pela Pinus Verde – Associação de Desenvolvimento. 6

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É mais uma prova do reconhecimento do grande potencial da apicultura para o desenvolvimento local e regional. A data limite para submissão de resumos é 15 de Outubro, podendo os trabalhos ser para apresentação oral ou na forma de poster. Os tópicos disponíveis são: polinização e flora apícola, sanidade apícola, produtos da colmeia, gestão e desenvolvimento apícola, bem como apicultura e OGM.


APICULTURA

Estratégico do ponto de vista do aproveita

Tal como no resto da União Europeia, em Portugal o sector apícola é uma actividade tradicionalmente ligada à agricultura. É, normalmente, encarada como um complemento ao rendimento das explorações, existindo, contudo, uma pequena minoria de apicultores para os quais a apicultura é a base das receitas da exploração. De uma análise bastante abrangente pode concluir-se que o mel, enquanto principal produto directo da apicultura nacional, constitui um produto estratégico do ponto de vista de um aproveitamento integrado do espaço rural. O PAN anterior foi elaborado com precauções acrescidas no sentido de Caracterização genérica da actividade apícola N.º de apicultores N.º de apiários N.º de colónias

Retirado de: Programa Apícola Nacional: Triénio de 2011-2013. Elaborado pelo Grupo de Acompanhamento ao PAN, em estreita colaboração com as entidades oficiais e a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal que o constituem.

(*) Acrónimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Treats)

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2007

2010

Variação

15 267 32 685 555 049

17 291 38 203 562 557

+13% +17% +1,4%

Análise SWOT(*) do Sector Apícola Nacional

uma estruturação do sector apícola nacional, melhoria da produção e comercialização dos produtos da apicultura, através da profissionalização do sector e de novos incentivos à concentração da oferta. Esse programa tinha ainda intenção de alcançar uma maior eficácia da execução, face a períodos anteriores de programação. A avaliação efectuada permite concluir que tais pressupostos são ainda válidos e oportunos e que os três anos de aplicação foram insuficientes para a adaptação dos operadores e da própria administração às alterações de paradigma então preconizadas. A abordagem ao novo período de programação tem por base a continuidade do programa anterior, possibilitando mais tempo de aplicação e amadurecimento, utilizando a experiência adquirida para efectuar adequações nas acções/medidas preconizadas, quer em matéria de concepção quer de operacionalização e controlo, nomeadamente, no que respeita a simplificação administrativa, relação custo/benefício e selectividade da atribuição dos apoios face aos objectivos do programa e em respeito pelo enquadramento regulamentar aplicável.

Da análise da distribuição regional de apicultores verifica-se que existe uma forte dispersão da actividade apícola pelo território nacional, todavia, é na região Centro que se concentra a maior percentagem de apicultores (38%).

Conclusão: um acréscimo significativo do número de apicultores e apiários, um ligeiro aumento do número de colónias.

Os apicultores detêm em média 2,21 apiários e 32,5 colónias. Significa que entre os apicultores portugueses existe uma taxa de profissionalização (mais de 150 colónias) muito reduzida. Os apicultores não profissionais representam 96,6% do total.

Número de apiários por apicultor

PONTOS FORTES U ma

percentagem muito elevada de efectivo concentrada num reduzido número de apicultores.

F orte implementação regional das organizações de apicultores, existência de técnicos com formação e com vontade de intervir no circuito de comercialização. Excelente potencial natural da subespécie autóctone (Apis mellifera iberensis), embora com necessidade de melhoramento.

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zonas controladas que representam 56 concelhos.

Localização das principais explorações apícolas no Interior do país, em áreas pouco sujeitas à pressão humana. Acréscimo significativo da área de culturas e pastagens em Modo de Produção Biológico.

O mel é um produto estável e seguro, fácil de enquadrar num sistema de rastreabilidade. Aumento significativo de licenciamentos. Existência de centrais meleiras dedicadas à extracção, embalamento e distribuição de mel.

Número de colónias por apicultor

120

8 100 7 6

80

5 60

4 3

40

2 20

1 0

Norte

Centro

Lisboa e Vale do Tejo

Fonte: DGV - Dados de Março de 2010

SETEMBRO-OUTUBRO. 2010

Alentejo

Algarve

RA Açores RA Madeira

0 Norte

Centro

Lisboa e Vale do Tejo

Alentejo

Algarve

RA Açores RA Madeira

Fonte: DGV - Dados de Março de 2010


APICULTURA

aproveitamento integrado do espaço rural Do néctar ao mel A primeira fase da transformação do néctar em mel ocorre no préestômago das abelhas, através de uma acção enzimática (adição de enzimas) que contribuem para o desdobramento da Mel

Criação de Rainhas

Enxames

Produtos da colmeia

sacarose em frutose e glicose. A segunda fase, designada por trofilaxia, consiste na passagem do mel sucessivamente de umas abelhas para outras: depois da obreira-sugadora ingurgitar para a sua bolsa de néctar uma quantidade de néctar suficiente, outra obreira vai ingurgitá-lo por sua vez, Cera para depois o regurgitar para a língua de outra abelha. O néctar vai passando Pólen de abelha em abelha até ficar,

pela continuação da acção enzimática, concentrado em açúcares simples: por cada passagem pela bolsa de uma obreira, o que ainda resta de néctar sofre uma transformação graças à acção de uma diastáse, que consiste essencialmente em transformar a sacarose em frutose e glicose, açúcares directamente assimiláveis pelo nosso organismo. Depois de ter sido concentrado e transformado, o néctar passa a mel, sendo cuidadosamente depositado pelas obreiras nos alvéolos da colónia ou cortiços, que as abelhas vão ventilar, para eliminar o excesso de humidade e proceder à sua operculação (selagem dos favos). Tal como o pólen também o mel é usado na alimentação das abelhas.

Apitoxina Própolis Geleia Real

Polinização

Em Portugal, e no que respeita aos produtos apícolas que não mel, a sua oferta é reduzida, com a indústria a abastecer-se sobretudo de produtos importados. continua na página seguinte

9 denominações de origem protegida = 2,4% da produção O mel é o produto mais importante da colmeia e em Portugal existem nove Denominações de Origem Protegidas, as quais demonstram um crescente interesse por parte dos apicultores numa aposta de qualidade com consequências não só ao nível da dinamização económica das zonas rurais em que se inserem, mas também da própria dinamização do mel. Da análise da evolução dos dados disponíveis mais recentemente (2006 e 2007), relativos ao número de produtores, colmeias e quantidades certificadas constata-se que: - a produção nacional de méis DOP tem vindo a confirmar o aumento já verificado no triénio anterior, embora de forma menos expressiva, mas continua a apresentar um peso muito reduzido no computo global da produção nacional de mel (cerca de 2,4% em 2007).

Caracterização de méis com nomes protegidos - 2006-2007

Produto

Número de apicultores

Número de colmeias e cortiços

Produção kg

2006

2007

2006

2007

2006

2007

85

102

5500

5000

40000

30000

Mel da Terra Quente

7

3

877

385

3404

4706

Mel das Terras Altas do Minho

6

7

600

650

6200

7147

Mel de Barroso

58

81

3911

4966

57000

65000

Mel do Parque de Montesinho

115

161

9600

10674

36186

59232

3

3

430

420

3000

3000

274

357

20918

22095

145790

169085

Mel da Serra da Lousã

Mel dos Açores Total

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APICULTURA

(Cont. da página anterior)

Comercialização

Consumo

Um dos factores condicionantes que se tem verificado no sector apícola é a falta de concentração da produção com vista à comercialização. A grande maioria dos agrupamentos de produtores em actuação no domínio da apicultura tem como principal objectivo a prestação de serviços aos associados (sobretudo a nível de assistência técnica), com reduzida expressão ao nível da comercialização e pouca interferência em termos de capacidade negocial (falta de dimensão, falta de planeamento estratégico, insuficiente conhecimento do mercado). As centrais meleiras são estruturas de extracção e/ ou embalamento de mel das organizações de produtores, ou seja, de carácter colectivo.Desempenham um papel importante no que respeita à concentração da produção nas organizações de produtores, bem como na capacidade destes em colocar os seus produtos no mercado com marca própria.

Conclusões de um estudo realizado no âmbito do PAN para aferir sobre o consumo de mel pelas famílias portuguesas conclui que estas, maioritariamente, adquirem o mel junto dos produtores (40%) na região de onde é originário. À excepção das famílias de Lisboa, a maioria prefere mel da própria região e gasta em média, 20 euros por ano, o que representa aproximadamente 35 milhões de euros. As famílias portuguesas são apreciadoras de mel e valorizam-no sobretudo porque consideram que o mesmo faz bem à saúde. Contrariamente à maioria dos produtos alimentares, as marcas de mel não são muito valorizadas, não deixando de ser uma mais-valia o facto do mel português ser certificado. Segundo os entrevistados no estudo, as carcaterísticas de um bom mel são sobretudo a textura e o paladar e em menor grau a cor e a origem do mel.

Sanidade & Alimentação

Máxima eficácia contra a varroose: 99,5%. Máxima segurança para as abelhas e para os consumidores: ausência de resíduos no mel e na cera. Revolucionário sistema de libertação progressiva de amitraz, permanecendo activo durante 8 a 10 semanas. Molécula única, eficaz em casos de resistência cruzada entre piretróides (flumetrina, fluvalinato, tau-fluvalinato). Líder no mercado Espanhol e Francês. 2009: tratamento de eleição contra a varroose pela OIE e pela AFSSA. 2010: tratamento de eleição, recomendado por Consultores Apícolas (Jornadas Técnicas Apícolas, Fev.2010).

Complemento proteico, vitaminado, enriquecido com minerais e FOS. As proteínas, vitaminas e minerais aliviam de forma imediata as faltas de aporte exterior e são imediatamente assimilados pelas abelhas e larvas, devido à sua solubilidade. A conjugação de proteínas com frutooligossacarídeos (FOS) contribui para a protecção anti-infecciosa e para o reforço do sistema imunitário das abelhas. Fornece às abelhas os nutrientes que não encontram na Natureza, nem nos xaropes fabricados a partir de açúcares refinados. Indicado na Primavera para um bom arranque; no Verão, para compensar a escassez de alimento e no Outono para uma boa postura. Permite um crescimento harmonioso das colónias.

Para mais informações contactar: IBERIL– Pç. Francisco Sá Carneiro, 7 – 5º Esq.; 1000-159 LISBOA T. 21 843 68 50/ 91 243 77 20/ 91 662 53 83 – F. 21 840 32 17 – E-mail: saudeanimal@iberil.pt

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APICULTURA

Apicultura Nacional reúne em Penamacor Em conjunto com a MEIMOACOOP, a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal vai organizar o XI Fórum Nacional de Apicultura, nos próximos dias 29, 30 e 31 de Outubro de 2010, em Penamacor. A 9ª edição da Feira Nacional do Mel realiza-se de 29 a 31 de Outubro, novamente em paralelo com o Fórum Nacional de Apicultura. Desde 2002 que este evento se tem vindo a afirmar como o espaço privilegiado de mostra da qualidade e excelência dos produtos da apicultura nacional. Reconhecido pelos diversos operadores da fileira apícola

nacional como ponto de encontro, local de realização de negócios e mostra das mais recentes tecnologias e equipamentos disponíveis para a actividade é uma oportunidade para dar a conhecer produtos ou divulgar serviços. À semelhança das suas anteriores edições, estarão disponíveis a todos os interessados workshops que abrangem as mais actuais temáticas do sector apícola. Assim, este ano serão abordadas as seguintes temáticas: Produção de Pólen, Implementação de HACCP em Melarias, Polinização de Culturas e os Aromas e Sabores do Mel.

XI FÓRUM NACIONAL DE APICULTURA - PROGRAMA SÁBADO – 30 DE OUTUBRO DE 2010 08:30 - 09:30 INSCRIÇÕES, DISTRIBUIÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO

E RECEPÇÃO AOS PARTICIPANTES 09:30 - 10:00 SESSÃO DE ABERTURA 10:00 - 12:30 PAINEL DE DEBATE: DESAFIOS FUTURO

DA APICULTURA NACIONAL MODERADOR: DR. ANTÓNIO CABANAS– VEREADOR DA CÂMARA MUNICIPAL DE PENAMACOR PROGRAMA APÍCOLA NACIONAL 2011/2013 – GABINETE DE PLANEAMENTO E POLÍTICAS PROGRAMA APÍCOLA NACIONAL 2011/2013: MEDIDA 2A – DIRECÇÃO GERAL DE VETERINÁRIA INVESTIGAÇÃO SOBRE A ORIGEM DA MORTALIDADE DE COLMEIAS EM ESPANHA – DR. MARIANO HIGES PASCUAL – CENTRO AGRÁRIO DE MARCHAMALO COMERCIALIZAÇÃO E MERCADO DO MEL – ARMANDO DIAS – DIRECTOR DE COMPRAS DA COOPLISBOA INTERVALO PARA CAFÉ ANTES DO DEBATE ALMOÇO LIVRE 14:30 -18:30: RESULTADOS FINAIS DOS PROJECTOS DE INVESTIGAÇÃO

APLICADA EM APICULTURA – PAN 2008-2010 MODERADOR: DR. MANUEL MARTINS LOPES M ARCELO 14:30 -14:50 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS PROJECTO “PRAMELHOR – PRODUÇÃO DE RAINHA AUTÓCTONES MELHORADAS” P R O F . D R . A N T Ó N I O M A N U E L M U R I L H A S – UNIVERSIDADE DE ÉVORA 14:50 -15:10 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DO PROJECTO “EFICÁCIA DA PRÓPOLIS NO CONTROLO LOQUE AMERICANA” PROF. DR. MIGUEL V ILAS BOAS – CIMO – ESCOLA 15:10 -15:40 SUPERIOR AGRÁRIA DE BRAGANÇA – IPB APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DO PROJECTO “PERFIS DE AROMA NO MEL” P ROF .ª D R .ª M ARGARIDA G ONÇALVES – FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA – FCT/UNL PAUSA PARA CAFÉ 16:30 -16:50

“PADRÕES GEOGRÁFICOS DE DIVERSIDADE GENÉTICA DA ABELHA MELÍFERA EM PORTUGAL” PROF.ª DR.ª MARIA ALICE PINTO – CIMO – ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE BRAGANÇA – IPB 16:50 -17:10 “ESTUDO DAS CERAS NACIONAIS” P ROF . D R . F ERNANDO MILHEIRO NUNES – UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO 17:10 -18:10 DEBATE 18:10 -18:30 ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS COM LEITURA DAS CONCLUSÕES

IX FEIRA NACIONAL DO MEL - PROGRAMA 17:00 20:30 23:00

SEXTA-FEIRA - 29 DE OUTUBRO INAUGURAÇÃO OFICIAL DA FEIRA JANTAR DE PRESIDENTES ENCERRAMENTO DA FEIRA SÁBADO - 30 DE OUTUBRO

09:00 - 19:30 XI FÓRUM NACIONAL DE APICULTURA - SALÃO DA JUNTA 09:30 20:30 23:00

Serviços Prestados Formação Profissional Certificada · Elaboração de Candidaturas e Projectos ao IFAP e PRODER· Extracção/ Comercialização de Mel · Comercialização de Produtos Agrícolas, fitofármacos e afins · Transformação/Comercialização de Queijo · Assistência Técnica aos Apicultores · Detentora do Livro Genealógico da Raça Churra do Campo.

10:00 18:00

DE FREGUESIA DE PENAMACOR ABERTURA DA FEIRA JANTAR CONVÍVIO COM ENTREGA DE PRÉMIOS DOS CONCURSOS E ANIMAÇÃO ENCERRAMENTO DA FEIRA DOMINGO - 1 DE NOVEMBRO ABERTURA DA FEIRA ENCERRAMENTO DA FEIRA

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OLIVAL & AZEITE

Só as melhores Safras são escolhidas pela Terra Premium

Quinta Vale do Conde tem compromisso com a terra Quinta Vale do Conde é uma marca recente mas proveniente da secular propriedade Casal de S. Pedro de Vale do Conde, situada na região de Trás-osMontes. Nas mãos da família há várias gerações, Lúcia Gomes de Sá resolveu enveredar por um novo projecto, sustentado na criação da marca para garantir e defender a qualidade e especificidade do azeite no mercado. Consciente de que seria incapaz de concorrer no mercado pela quantidade, a empresária apostou seriamente numa produção altamente qualificada, comercializando apenas azeite virgem extra com Denominação de Origem Protegida “Azeite de Trás-os-Montes e Alto Douro”. Há ainda uma percentagem de produto escoada como Azeite Biológico. Necessariamente mais caro que a média, este azeite destina-se a um consumidor mais informado que está disposto a pagar o valor de um produto de características específicas. Prova dessa aceitação são os vários prémios obtidos nos concursos onde o produto tem entrado. O mercado tem estado em expansão, essencialmente por via da exportação, e Pub.

para países como a França e Bélgica, prevendo-se para breve também entrar nos Estados Unidos. Certo e sabido é que para fazer um bom azeite o grande investimento começa no olival. Neste caso são cerca de 150 hectares com uma excelente exposição solar com as especificidades do solo xistoso e um microclima agreste, com elevadas amplitudes térmicas e baixos níveis de pluviosidade. Na maior parte o olival é trabalhado em regime de protecção integrada, havendo ainda uma pequena área em regime biológico. Prevê-se a plantação de mais 1200 oliveiras de variedade madural, totalizando então 2700 árvores. Importa referir ainda que há 30 hectares que só daqui a cinco anos estarão com uma produção significativa, antecipando-se para essa altura uma produção total de cerca de 400 toneladas/ano.

TIPOLOGIA : Azeite virgem-estra – 0,3% acidez máx. CLIMA : Região seca com uma grande variação de temperaturas. ÁREA DE OLIVAL: 150 hectares. VARIEDADES: verdeal transmontana (60%); madural (20%) e cobrançosa (20%), todas regionais. PROCESSO DE APANHA: Manual e Vibração mecânica. LABORAÇÃO: Extracção a frio, no próprio dia ou dia seguinte à apanha. ENGARRAFAMENTO: Garrafa “Dórica” vidro verde antiqúe 500ml. Lata de 5l.

Nota de Prova: Azeite meio frutado, com uma mistura de aromas a verde e maduro. Uma complexidade própria de flores e frutos no nariz. Na boca predomina o picante sobre o amargo. Espiga verde, amêndoa verde. Com corpo e persistência. Azeite muito equilibrado, com mistura de varietais verdeal, madural e cobrançosa.

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Exportação - Esta parece ser a grande meta que o sector oleícola português necessita atingir! Após dez anos a prestar serviços a lagares de azeite e a escutar as dificuldades das empresas que trabalham com este produto em Portugal, a Consulai (empresa de consultoria no sector Agrícola e Agro-alimentar) decidiu criar a Terra Premium, com o objectivo de levar os excelentes azeites produzidos em Portugal até aos mercados que melhor os valorizam. O trabalho de BackOffice, que durou cerca de onze meses e durante o qual foram delineados e estruturados os planos de negócios, de marketing e comercial, permitiu abordar os agentes económicos e as pessoas certas no mercado internacional, explica o directorgeral da empresa, Pedro Falcato. A marca umbrella escolhida é “Safra”, porque apenas se seleccionam as boas colheitas, ou “safras” como se diz quanto à colheita da azeitona em algumas regiões. Para acompanhar neste projecto, a Terra Premium seleccionou três lagares de Cooperativas de Olivicultores, de três regiões diferentes do país, com as quais mantém uma relação estreita e de confiança: Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Casa Branca e Cooperativa Agrícola de Vidigueira foram as eleitas.


MAQUINARIA AGRÍCOLA

Novo tractor Gama T8 apresentado em Itália

2010 termina em New Holland Agriculture tem novo presidente A CNH Global N. V. anunciou a nomeação de Franco Fusignani como presidente e director executivo da New Holland Agricultural Equipment, substituindo Barry Engle, que deixou a CNH para perseguir outros interesses. Fusignani traz consigo uma vasta experiência a nível internacional e um impressionante registo de resultados. Acredita-se que impulsionará ainda mais o crescimento da New Holland Agriculture em todo o mundo, apoiado por uma forte estratégia de investimento contínuo em novos desenvolvimentos e uma excelente rede de concessionários e serviços de apoio.

A apresentação da nova gama de tractores T8, foi o ponto alto de uma jornada de dois dias (14 e 15 de Setembro) que a New Holland proporcionou em Turim, Itália, a cerca de 300 jornalistas da área agrícola de todo o mundo. A revista Voz do Campo esteve presente e pôde ainda participar em várias acções de campo destinadas à experimentação e explicação técnicas dos novos modelos e equipamentos, visitar as instalações fabris assim como uma exploração agrícola piloto energicamente independente graças à produção de Biogás.

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Nova numeração das séries A estratégia de numeração da New Holland utiliza dois elementoschave relacionados com a categoria da gama do tractor e a potência máxima com Gestão de Potência do Motor (GPM). · A primeira letra, T, e o dígito que se segue, 7, 8 ou 9, indicam a categoria da gama do tractor: quanto maior for o número, maior o tractor. · Os três dígitos seguintes representam a potência máxima com Gestão de Potência do Motor. Nome do modelo

Gama

T7.270 T8.390 T9.670

T7 T8 T9

Potência máxima com Gestão de Potência do Motor 269 cv 389 cv 669 cv

A nova imagem gráfica do capô realça a nova abordagem de numeração, na medida em que o número da potência máxima com gestão de potência do motor será incluído com a placa prateada da marca comercial da New Holland e o logótipo amarelo da marca. Esta alteração será introduzida aquando do lançamento de novos produtos, as gamas de tractores existentes manterão os seus nomes e números actuais.


MAQUINARIA AGRÍCOLA

Cada vez mais limpos

mina em grande O início da era da vindima inteligente Seguindo uma tradição de excelência e inovação com mais de 35 anos, a New Holland revoluciona uma vez mais o universo das vindimas e lança uma série totalmente nova de seis modelos de vindimadoras de elevado rendimento, proporcionando aos grandes produtores vinícolas uma alteração completa da forma de gerir as operações de vindima e a actividade vinícola. As vindimadoras BRAUD são sinónimo de colheitas da melhor qualidade desde que foram inicialmente introduzidas em 1975. Actualmente, a nova série Braud 9000 tira partido destes antecedentes compostos pelo sistema de sacudidura SDC com fixação flexível de vara, um sistema de cesto inigualável e verdadeira versatilidade multifunções, acrescentando novas características

como o sistema transportador e aspiradores de maiores dimensões, que melhoram a limpeza, e a melhor separadora-desengaçadeira integrada, proporcionando aos produtores de vinho um sistema completo e avançado, e no entanto fácil de gerir, que permite tornar realidade qualquer projecto vinícola de qualidade.

Em 2011a oferta Tier 4A será mais ampla Juntamente com o seu parceiro de desenvolvimento de motores, a Fiat Powertrain Technologies, está actualmente a introduzir uma gama de motores altamente eficientes em termos de combustível, produtivos e em conformidade com as normas Tier 4A, que oferecem custos de exploração mais baixos. No início de 2011, a New Holland apresentará a oferta Tier 4A

A New Holland Agriculture está totalmente empenhada em fornecer soluções inteligentes que tornam a exploração agrícola mais eficiente, respeitando ao mesmo tempo o ambiente. A solução Tier 4 escolhida está perfeitamente em harmonia com esta filosofia. Além disso, a Marca não a considera apenas um requisito legal, mas um papel fundamental a desempenhar pelos fabricantes de maquinaria agrícola a fim de salvaguardar o ambiente rural para as futuras gerações. A posição de Líder de Energia Limpa da New Holland baseia-se em elementos fundamentais para o respeito pelo ambiente, incluindo o biodiesel, as normas Tier 4, o tractor a hidrogénio NH2™ e o conceito de Exploração Agrícola Energeticamente Independente.A New Holland é internacionalmente reconhecida como pioneira no uso de combustíveis renováveis, e foi o primeiro fabricante a oferecer compatibilidade com o biodiesel para os seus produtos, em 2006. Durante os últimos cinco anos, foi efectuada mais investigação sobre as aplicações agrícolas do biodiesel e, actualmente, 85% de toda a gama de produtos da New Holland pode trabalhar com biodiesel a 100%. O revolucionário e premiado tractor a hidrogénio NH 2 ™ no conceito de Exploração Agrícola Energeticamente Independente permite que os agricultores desfrutem de uma total autonomia de combustível, satisfazendo todas as suas necessidades em termos de combustível. A New Holland está actualmente em processo de estabelecimento de primeira exploração agrícola piloto Energeticamente Independente junto da sede da Marca em Turim, Itália.

com 20 tractores e 6 modelos de ceifeiras-debulhadoras. A solução Tier 4A da Marca oferece hoje aos seus clientes a tecnologia do futuro, na medida em que a New Holland utilizará também a tecnologia SCR para satisfazer os ainda mais rigorosos regulamentos Tier 4B relativos a emissões que entrarão em vigor em 2014.

Sobre as tecnologias New Holland em conformidade com as normas Tier 4A consultar edição Março - Abril da Revista Voz do Campo - pág. 6

continua na página seguinte

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MAQUINARIA AGRÍCOLA O conceito de Exploração Agrícola Energeticamente Independente concentra-se na capacidade das explorações agrícolas produzirem electricidade a partir de fontes naturais com baixo impacto ambiental. O conteúdo altamente inovador do projeco fez com que fosse incluído entre os melhores da indústria “2015 - Novas Tecnologias made in Italy”, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Económico italiano. Exploração agrícola piloto Energeticamente Independente junto da sede da New Holland em Turim, Itália

s nologie in Tech a tr r e Pow mpresa s é a e uisa, by Fiat ie e g d a lo o m n s pesq Tech Motore ada à ertrain ic w d res e o e P d t - Fia da e de moto a z a li d n ia e c A FPT v e po esp ução e ,6 do Gru imento, prod a de 2 lv o e cerc es d õ desenv s õ e s . l s a is u m is o an trans , t r a n s m u a p r o d u ç ã milhões de s 14 s ,4 f á b r ic a de C o m a e motores, 2 n á r io s , 2 2 rede sd é f u n c io o e u m a T 0 milhõe 0 P 0 F . 0 es, a s, 2 ig a ç ã t ís s l a e p ia v d 0 e e ix o n in 0 ível mu s de is de 1 c e n t r o ores em ma s actores a n ed rtante revend is impo a m s o um d ertrain. do pow

Novos Tractores Gama T7 Em conformidade com as normas Tier 4A para uma maior eficiência agrícola, produtividade e flexibilidade

A gama T7 accionada pelo motor Nef SCR de 6,7 litros da FPT para conformidade com as normas Tier 4A oferece maior desempenho e eficiência. Foram adicionados quatro modelos de distância curta entre eixos a esta nova linha para uma gama mais ampla. A comprovada transmissão de variação contínua Auto Command da New Holland, fabricada internamente, na Antuérpia, para precisão de funcionamento e

economia de combustível. O apoio de braços SideWinder™ II vencedor de vários prémios para um funcionamento ergonómico e um controlo intuitivo absolutos do sistema de condução automática totalmente integrado. Relação peso/potência de 28,3 kg/cv líder na sua classe. Manobrabilidade e versatilidade líderes do segmento. Impressionante caudal hidráulico de até 140 litros/minuto.

Gama T9 Um novo conceito para a agricultura intensiva

Rustler 120 A New Holland lançou o seu veículo utilitário 4WD no mercado do Reino Unido, sinalizando uma nova era na Task Utility Vehicle (UTV), desempenho e versatilidade. New Holland oferece o Rustler 120 em dois modelos: um para a estrada e outra para o uso off-road, permitindo que os operadores para optimizar a vida profissional - qualquer que seja a tarefa (alimentação do gado, consertar cercas ou inspeccionar as culturas...). Em cima disto, o Rustler 120 também oferece uma opção atraente em actividades de lazer, como caça, pesca e golfe, com a disponibilidade de pintura de camuflagem. 20

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Escolha da estrutura padrão com um máximo de 557 cv ou de uma estrutura sólida com um máximo de 669 cv para uma flexibilidade total. Conforto excelente para o operador, com níveis de ruído reduzidos na cabina para aumentar a produtividade. O premiado apoio de braços SideWinder™ II oferece excelência ergonómica e controlo intuitivo do sistema de condução automática totalmente integrado. Os motores Cursor 9 e 13 SCR da Fiat Powertrain Technologies para

conformidade com as normas Tier 4A relativas a emissões permitem obter custos de exploração significativamente mais baixos. Melhor desempenho hidráulico da sua classe com um máximo de 428 litros/ minuto. Estrutura robusta para possibilidades excepcionais de lastragem. Transmissão robusta e comprovada. Múltiplas opções de pneus, incluindo compatibilidade com pneus Super Single para modelos de estruturas padrão.


MAQUINARIA AGRÍCOLA

T8 redefine os tractores de elevada potência A gama T8, florão da New Holland, foi concebida para revolucionar a agricultura com o conceito compacto de grande distância entre eixos. Este feito é resultado de uma profunda investigação levada a cabo em cooperação com os clientes para garantir uma produtividade máxima e eficiência agrícola. Esta arquitectura revolucionária do tractor concilia a estabilidade do transporte de um design de grande distância entre eixos com a manobrabilidade dos tradicionais tractores de cultivo em linha para propor aos clientes uma máquina verdadeiramente universal. Além disso, a nova gama T8 oferece aos clientes uma total experiência New Holland,

com um design distintivo, funcionamento intuitivo, qualidade e fiabilidade. O hidráulico dianteiro de metal fundido totalmente integrado melhora ainda mais a versatilidade e garante uma manobrabilidade excepcional. O novo modelo, fornecido com soluções engenhosas que permitem melhorar a eficiência agrícola, é perfeito para grandes empresas agroalimentares, empreiteiros e grandes produtores leiteiros; além disso, é o parceiro ideal para as famosas ceifeirasdebulhadoras rotativas e convencionais, a gama de ensiladoras de forragem FR e as enfardadeiras BB de grandes fardos quadrados da New Holland.

O mais potente tractor Tier 4A SCR do seu segmento com custos de exploração mais baixos

A tecnologia SCR utilizada para conformidade com as rigorosas normas Tier 4A relativas a emissões foi desenvolvida em parceria com a Fiat Powertrain Technologies. Um elemento fundamental do sistema SCR é o AdBlue/DEF, a solução que é injectada no sistema de póstratamento para neutralizar as emissões nocivas de gases de escape produzidos durante a combustão. Este transforma-as em água e azoto, ambos existentes naturalmente no ambiente. A tecnologia SCR oferece grandes vantagens em termos de desempenho. Os motores Cursor 9 SCR beneficiam de 273 a 389 cavalos-vapor de potência máxima com Gestão de Potência do Motor graças ao sistema de Gestão de Potência do Motor da New Holland,

que ajusta continuamente a potência do motor para perfeita adaptação às condições de trabalho reais através de uma detecção inteligente da tomada de força, das cargas hidráulicas e de transmissão. A introdução deste motor altamente eficiente e da avançada tecnologia pós-tratamento na gama T8 oferece aos clientes uma redução de 17% nos custos globais de exploração graças a um melhor consumo do combustível e intervalos de revisão 100% mais longos. Por cada euro gasto no AdBlue, os utilizadores economizarão sete euros em combustível. Ao optarem pela tecnologia SCR na gama T8, os clientes da New Holland investiram numa solução para as emissões e num tractor rentável.

Líder em vários sectores

Apresentação do sistema de transmissão contínua na Agroglobal’10

Com uma forte presença na última edição da Agroglobal (ver página seguinte) a New Holland quis mostrar ao público as suas últimas novidades para a agricultura, particularmente em equipamentos destinados às grandes culturas, como o milho, por exemplo. Num espaço de 800 m 2, teve em exposição um elevado número de tractores da gama de maior potência, juntamente com uma importante representação de equipamento forrageiro, encabeçada pela ceifeira CR9070 e da picadora de forragem FR9060. Os visitantes do stand New Holland puderam ainda comprovar a comodidade da cabina de modelos como o T7000 Auto CommandTM (Tractor do Ano 2010) e o modelo T6090 Grande. Também na zona destinada à Agricultura de Precisão foi exposta a oferta de produtos GPS e autoguiamento da New Holland. Realizaram-se demonstrações práticas colocando um sistema EZ Steer num dos tractores em trabalho, mostrando assim as respectivas vantagens na redução de custos e aumento de produtividade.

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GERAL

Agroglobal lança questões para o futuro da agricultura portuguesa e europeia Produzir alimentos ou bens públicos? Sob o lema “Agricultura – De Novo Prioridade Económica Nacional” a Agroglobal’10 - Feira do Milho e das Grandes Culturas – marcou irremediavelmente o panorama das grandes feiras agrícolas nacionais. Numa tónica totalmente diferente do que até agora se fazia em Portugal, a Agroglobal introduziu o conceito de demonstração no terreno, levado muito a sério, com largos hectares preparados para que as máquinas e os equipamentos pudessem mobilizar, semear, plantar, pú “É quase certo blic qu pulverizar, colher, triturar, transportar, entre uma imos, ambientais ee os apoios aos portânc ia maio sociais vão a bens até ago muitas outras operações possíveis. r do qu s ra.” e a que sumir têm tid Francis No Mouchão da Fonte Boa, Valada do o co Avill ez no S eminári Ribatejo, no Cartaxo, reuniram-se as grandes o “PAC - pós 2 013” marcas de máquinas e equipamentos agrícolas, sementes, agro-químicos, fertilizantes, regas – furos, energia, veículos e serviços que quiseram mostrar ao as PAC m volumoso público quais as suas mais recentes novidades. ão é a , n o d a a s u ca merc s nto do está em Já na agenda dos políticos nacionais, a Agroglobal, “O que e funcioname a a atingir-no os d omeç que teve este ano apenas a sua segunda edição, também os mod lobalização c spera.” á g ltura, onde a a muito discutiu os grandes temas da agricultura portuguesa, o “Agricu al?” maneir a n eminári m u e n d to o S oridade nacio in P te a ri nomeadamente “Agricultura de novo prioridade p evin vo S o n o d e n d Arma económica nacional?” e “PAC – Pós 2013”, debatidos em mesas redondas com algumas das individualidades do sector e que contaram sempre com plateias repletas e atentas. A organização, da responsabilidade da empresa “Apesa r de Valinveste, faz um balanço positivo avançando que a partir da PAC pós 2tudo, o enquadra me 013 um av de agora a periodicidade do evento passará a ser bianual. p ro iso claro deé favorável, conmto d u z ir que é p a ra precis público a lé m s”. dos b o ens João M achado no Sem inário “PAC pós 201 3”

dia que po r coisa uesa era io p a ug que ra port al, basta “Acho gricultu n cer à a ridade nacio dessas o aconte ri as novo p as últim óficas.” e m d r ra e fo s e str u ta q a o c ara ido ra, olhar p e têm s gricultu des qu inário “A cional?” a m d e ri S o ri o a n p ridade n Neves s ésar da João C

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Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

Novo produto para tratamento na pós-colheita Numa época de alterações profundas no sector dos tratamentos pós-colheita com a não inclusão da DIFENILAMINA no anexo I, a sua consequente retirada do mercado, e com as constantes revisões em baixa dos LMR(1) dos produtos aplicados, a Nutea de Portugal, Lda, empresa pioneira nos tratamentos póscolheita em Portugal, vem uma vez mais introduzir um produto inovador, neste caso o FRUITFOG - I, produto fabricado pela FOMESA FRUITECH S.L. e distribuído em Portugal para tratamento de peras e maçãs pela NUTEA DE PORTUGAL, LDA.

DOSE: Uma lata de 600g de fumigeno por cada 25 toneladas de fruta.

INTERVALO DE SEGURANÇA: 30 dias entre a aplicação do produto e a venda ou consumo das peras e maçãs tratadas. Distribuído por: Nutea de Portugal, Lda Rua D. Dinis, n.º 85 - Delgada - 2540-626 Roliça Tel. 262 602 330 | geral@nuteaportugal.com www.nutea.pt

FRUITFOG - I Lata fumigena para tratamentos Fungicida em pós-colheita de maçãs e peras.

MODO DE UTILIZAÇÃO E DOSES:

UTILIDADE :

Determinar a quantidade de fruta a tratar, utilizar o número de latas necessárias segundo a dose recomendada, agitar energicamente a lata, retirar o adesivo da parte superior, introduzir o rastilho e acender. Não aproximar a lata de materiais inflamáveis. Fechar a câmara hermeticamente. Os locais tratados devem permanecer fechados durante pelo menos 24 horas após a aplicação.

Lata fumigena fungicida à base de 25 % de IMAZALIL para tratamento em pós-colheita de maçãs e peras em câmaras de conservação frigorífica,controlando os principais fungos responsáveis pela podridões causadas em pomóideas : Penicillium spp, Phomopsis spp, Gloesporium spp,... etc.

VANTAGENS: Facilidade e rapidez de aplicação sem necessidade de máquinas para a sua aplicação; Eliminação das águas residuais existentes com a utilização dos métodos tradicionais; Redução da contaminação ambiental provocada pelo uso dos Drencher’s; Permite efectuar re-tratamentos para uma conservação a mais longo prazo; Permite manter, sem afectar a sua eficácia, o LMR abaixo do permitido, ajustando a dose de tratamento e efectuando retratamentos. APV Nº 0178 concedida pela DGADR (1) LMR - Limites Máximos de Resíduos

Pub.

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a l o b ce

SANIDADE

Uma cultura de cuidados - Co

CONTROLO As infestantes competem com a cultura por nutrientes, água e luz. O efeito desta concorrência manifesta-se numa redução do vigor das plantas, numa diminuição da produtividade e da qualidade, bem como na interferência destas nas operações de colheita. É no período de emergência das infestantes, quer em relação à emergência das plantulas de cebola quer no pós-transplante das plantas de cebola, que ocorre a maior magnitude desta concorrência, condicionando gravemente o desenvolvimento da cultura na proporção

DAS

INFESTANTES

directa da densidade populacional das plantas infestantes. Por outro lado as infestantes são hospedeiros alternativos para doenças e insectos, e durante os períodos chuvosos podem manter a humidade elevada em torno das plantas de cebola, contribuindo deste modo para uma maior incidência de doenças foliares, nomeadamente o míldio e a podridão. Daí que o seu controlo seja crucial na cultura da cebola, uma vez que esta cultura não tolera a competição promovida pelas infestantes no período do seu

desenvolvimento, como já referido anteriormente. Por outro lado as infestantes que emergem no final do ciclo da cultura, não afectando sobejamente o rendimento desta, poderão influenciar na incidência de doenças e na qualidade da colheita, para além de incrementar o banco de sementes de infestantes, que irão dificultar o seu controlo nos anos seguintes (a título de exemplo, uma planta infestante pode produzir de 2 mil a 200 mil sementes, em média, dependendo da espécie e das condições de crescimento).

Para fazer face a este desafio a Bayer CropScience homologou recentemente o Totril®, um novo herbicida resultado da investigação da empresa, selectivo para as culturas da cebola e do alho-francês e de grande eficácia para as principias infestantes dicotiledóneas. Neste contexto, Totril® constituirá certamente uma considerável mais valia para todos os produtores de cebola e alho-francês, porque é:

CARACTERÍSTICAS Totril®, é um herbicida de contacto absorvido pelas folhas cujo princípio activo é o ioxinil.

Formulação: Concentrado para emulsão (EC) com 225 g/l de ioxinil (na forma de octanoato). Grupo químico: Benzonitrilina Dose: 1,5 l a 2 l / ha Classificação Toxicológica, Ecotoxicológica e Ambiental: Xn, N Intervalos de Segurança: 7 dias em cebola e 14 dias em alho-francês.

Protecção Integrada: Autorizado o seu uso. Embalagens: 1 l

MODO DE ACÇÃO O Totril® (ioxinil), pertence à família química dos nitrilos, inibindo a fotossíntese no fotossistema II. É um herbicida de contacto absorvido quase exclusivamente pelas folhas. Devido à limitada translocação que apresenta, a sua eficácia é máxima quando as infestantes estão no início do seu SETEMBRO-OUTUBRO . 2010

desenvolvimento, razão pela qual as aplicações deverão ser em pós-emergência precoce. O aparecimento dos sintomas de fitotoxicidade nas infestantes verifica-se passadas algumas horas a alguns dias depois, dependendo esta variação das condições climáticas. Por norma, em infestantes muito jovens os sintomas surgem passados dois dias, apresentando-se a jovem planta totalmente necrótica e consequentemente morte.

ESPECTRO DE ACÇÃO O Totril® controla com eficácia um conjunto significativo de infestantes dicotiledóneas (folha larga) susceptíveis de causar sérios problemas competitivos na fase inicial de desenvolvimento, quer da cultura da cebola quer da cultura do alhofrancês, sendo elas: Amaranthus blitoides (Bredos), Amaranthus retroflexus (Moncos-de-perú), Chenopodium album (Catassol), Datura stramonium (Figueira-do-inferno), Polygonum aviculare (Sempre-noiva), Polygonum persicaria (Erva-pessegueira), Raphanus raphanistrum (Saramago) Solanum ningrum (Erva-

moira) e Sonchus oleraceus (Serralha-macia). O Totril® não tem qualquer controlo nas infestantes gramíneas.

CONDIÇÕES DE APLICAÇÃO Aplicar em pulverização 300-400 l/ha de calda, a baixa pressão, sendo ideal 400 l/ha de calda evitando o escorrimento. No sentido de diminuir o risco de arrastamento (deriva) dever-se-á evitar pressões superiores a 2kg/cm2. Não aplicar Totril® se as culturas estiverem sob condições adversas tais como stress hídrico, crise de transplantação, encharcamento do solo e outras. Proceder à aplicação em pós-emergência precoce das infestantes (3-5 folhas) e quando a cultura estiver no estádio fenológico das 4 folhas verdadeiras. É no período de maior incidência solar (11,00h – 15,00h) que a concentração das ceras nas folhas da cebola e do alho-francês atinge o seu máximo, sendo este o momento óptimo de aplicação do Totril® incrementando a sua selectividade.


SANIDADE

dos - Controlo das infestantes e do míldio CONTROLO Há dois grupos de doenças que poderão ocorrer com alguma frequência: o das doenças inerentes aos bolbos e raízes (fusariose, bolores, podridão do bolbo e o Phoma terrestris) e o das que ocorrem nas folhas como a alternariose, a podridão cinzenta, a estenfiliose e o míldio. Relativamente ao 1º grupo (doenças dos bolbos e raízes), com o uso de variedades resistentes de cebola e promovendo-se rotações culturais, consegue-se actualmente minimizar os seus efeitos. Quanto ao grupo de doenças de incidência foliar , apesar de haver maneios culturais que auxiliam a sua prevenção, tal como um adequado equilíbrio nutricional que evita os excessos de azoto na cultura e

DO

MÍLDIO

fomenta não só o acesso ao fósforo disponível (facilitador de um bom enraízamento) como ao potássio e cálcio promotores da activação de vários sistemas enzimáticos e de uma melhor estrutura das paredes celulares, fortalecendo a estrutura da planta) por vezes, só com o recurso a tratamentos fitossanitários se poderá ter sucesso. A acção nefasta do míldio da cebola que em determinado período do ano (MaioJunho) condiciona o desenvolvimento desta cultura em determinadas regiões do nosso país, é um dos exemplos. A primeira evidência do míldio da cebola (Peronospora destructor) é a de uma mancha alongada amarelada e branco-acinzentada tendente a roxo para a zona nuclear da

mancha, na superfície das folhas mais velhas. O tecido foliar em crescimento torna-se verdepálido, em seguida amarelo e finalmente entra em colapso apresentando as típicas necroses da acção do míldio. O míldio desenvolve-se muito rapidamente a partir de uma infecção inicial que, com a subsequente libertação de esporos, se torna numa epidemia se as condições de temperatura e humidade forem favoráveis, isto é, se o número de horas de humectação das folhas for de 1,5 a 7 horas e a temperatura estiver entre os 27º C e os 8º C. Habitualmente, no sentido dos ventos dominantes, observa-se na cultura grupos de plantas com manchas amareladas sendo estes os primeiros sintomas da disseminação de um ataque de míldio.

Como resultado da investigação da Bayer CropScience e da optimização das formulações surgidas no combate ao míldio, o novo produto Melody® Cobre representa uma nova geração de um fungicida penetrante, apresentando-se como uma mistura estratégica entre o iprovalicarbe (aminoácido amido carbamato) e o multisite oxicloreto de cobre (ião cobre), homologado para as culturas da vinha, batata, tomate, alface e cebola, contra fungos da classe dos oomicetas, nomeadamente míldios.

CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS Nome comum: iprovalicarbe & oxicloreto de cobre Família química: aminoácido amidocarbamato & ião cobre Composição: 40,6% cobre & 8,4% iprovalicarbe Formulação:Grânulos dispersíveis em água (WG) Concentração (Dose): 150g/hl (1,5kg/ha) Intervalo de Segurança: 7 dias em alface e cebola ao ar livre e tomateiro de estufa; 14 dias em batateira; 20 dias em tomateiro ao ar livre e 28 dias em videira.

MODO DE ACÇÃO - BIOLÓGICO O iprovalicarbe representando a família dos aminoácidos, apresenta uma forte acção fungistática sobre oomicetas a qual é conseguida através da inibição da germinação dos zoósporos, do crescimento do tubo germinativo, do crescimento das hifas e da esporulação (excepto na libertação dos zoósporos). Sob o ponto de vista biológico, iprovalicarbe possui ainda uma acção preventiva contra a doença resultante da inibição completa da infecção e curativa, se a infecção se tiver iniciado entre 24 a 48 horas (dependendo das condições climáticas) o que corresponde a cerca de 25% do período de incubação. Apresenta também uma muita boa acção anti-esporulante. Deve no entanto ser usado preventivamente. O cobre é um fungicida de superfície ou contacto que é transportado na forma de complexo com os aminoácidos. Desloca-se tanto no floema como no

xilema, sendo as concentrações particularmente elevadas no sistema redicular ou nas folhas mais velhas onde podem inclusivamente formar depósito.

MODO DE ACÇÃO - BIOQUÍMICO O iprovalicarbe apesar do seu mecanismo de acção ainda não ser totalmente conhecido, sabe-se que por um lado influencia o metabolismo proteico do fungo, nomeadamente, conduzindo a uma redução no teor de aminoácidos livres contidos no micélio e por outro lado altera as proporções relativas de aminoácidos nas proteínas, não conduzindo no entanto a qualquer inibição na síntese destas. O iprovalicarbe mesmo quando presente em concentração sub-fungistáticas tem influência no processo de síntese das paredes celulares do fungo. Apesar de não ter tido acção directa na sínteses de glucano celulose, origina a desorganização da estrutura de micro fibras celulósicas. Em consequência, as hifas e os outros orgãos do fungo são anormalmente deformadas conduzindo à sua morte. Sabe-se também que ao contrário das estrobilurinas o iprovalicarbe não afecta a respiração dos zoosporângios, a emergência dos zoósporos ou o transporte de electrões nas mitocôndrias. Não interfere significativamente no metabolismos dos ácidos nucleicos (ex. fenilamidas), nem no metabolismo dos lípidos ou na síntese de glucano/celulose (ex. triazóis e morfolinas). Os catiões de cobre, por seu lado, são essenciais como micronutrientes das plantas. Fazem parte de muitos enzimas que catalizam os processos de oxidação e redução na cadeia respiratória das plantas,

além de serem fundamentais para a sintese da clorofila.

MANEIO DAS RESISTÊNCIAS O iprovalicarbe e o cobre são, não só, substâncias activas pertencentes a famílias químicas distintas, como também, possuem um modo de acção complementar, fazendo, por isso, que o Melody ® Cobre para além de exercer uma forte acção sobre fungos oomicetas seja um produto particularmente interessante para o estabelecimento de estratégias de anti-resistência contra o míldio das diferentes culturas para as quais está homologado. Deve, no entanto, ser seguida uma estratégia anti- resistência, pelo que a Bayer CS estabeleceu para o iprovalicarbe e suas misturas, as seguintes recomendações: Não efectuar mais do que 3 tratamentos por campanha com este ou outro fungicida com o mesmo modo de acção (fungicidas CAA, amidas do ácido carboxílico). O Melody® Cobre não deverá ser aplicado nos locais onde se comecem a verificar faltas de eficácia do produto. Utilizar Melody® Cobre preventivamente no combate ao míldio. Com um perfil toxicológico e ecotoxicológico favorável é igualmente considerado uma boa alternativa em programas de protecção integrada, estando incluído nas listas Oficiais de Produção Integrada. Autoria: Pedro Pinto Basto - Gestor de Produto - Bayer SETEMBRO-OUTUBRO . 2010


HORTICULTURA

A “família” Vilmorin continua a crescer

Edição 2010 da Plataforma Internacional de Alface Como vem sendo habitual, a cada dois anos, teve lugar em La Menitré, onde tem sede a Vilmorin, em França, uma visita técnica com clientes à plataforma de alfaces que ali se encontra. Durante dois dias de Open Days houve ainda oportunidade de visitar a Fábrica e o Laboratório de Tecnologia de Sementes. Interlocutores tão diversos como produtores, viveiristas e técnicos tiveram oportunidade de observar e seleccionar variedades de tipologias tão diversas como alfaces Batavias, alfaces Lisas, Folhas de Carvalho, Icebergs, Multifolhas, Romanas, Lollo Rosso e Babyleaves. Na visita houve oportunidade de observar o “caminho”

Autoria: Sandra Marques

Além das variedades comerciais presentes como Lirice, Abbice e Pitice, há a destacar para a campanha de Primavera/Verão a BVP9124, alface de tipologia aberta, com frisado médio, compacta, com peso médio de 550-600g, com uma base semi-cónica muito limpa e atraente na caixa. Esta variedade possui alta resistência a míldio (Bl 1-27) e a pulgão (Nr0).Tem aptidão para consumo em fresco e em 4ª gama pois apresenta as folhas praticamente todas do mesmo tamanho e bom rendimento.

percorrido pela semente desde a sua entrada na Fábrica ao embalamento final e expedição passando pelo Laboratório de Tecnologia de semente. Foi uma excelente oportunidade de observar e entender as diferentes apresentações de sementes que a empresa disponibiliza para o mercado profissional e pelo qual tem reconhecimento a nível internacional. A semente VILROB que permite um excelente posicionamento durante o processo de sementeira e limita o número de duplas ou falhas. A SPHERA que permite ao viveiro uma sementeira precisa e a VILSEED que optimiza a densidade de sementeira em campo e apresenta uma boa qualidade germinativa.

Em alfaces lisas duas variedades já ensaiadas em Portugal despertaram grande interesse – BRP 6621 e BRP30191, com alta resistência ao míldio e ao pulgão, e com muito boa apresentação. A primeira para mercado em fresco e a segunda com dupla aptidão. A gama de Mini-Romanas conta com mais uma variedade comercial – Habanera, com cor verde brilhante e dupla aptidão – fresco e indústria.

A gama de icebergs continua a crescer igualmente com quatro variedades já comerciais: Antartica e Kirkenia direccionadas para o mercado inglês de fresco e indústria, e Corwallia e Siplia, Bl 1-26 e com alta resistência a pulgão.

Em batavias vermelhas houve uma variedade que despertou interesse para desenvolver em Portugal, já que de momento não existe na gama comercial uma variedade deste tipo, a BVP A 6857.

Comice (Bl 1-26) e Exquise (Bl 1-27), duas variedades comerciais em Portugal há já alguns anos também se encontravam na plataforma, prova da estabilidade das variedades Vilmorin que se mantêm na gama durante vários anos. 26

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HORTÍCOLAS

Mecanização da colheita rentabiliza cultura Com objectivo de analisar a cultura do pimento face a novas tecnologias de produção, nomeadamente a utilização da mecanização na colheita, realizou-se um Dia de Campo nos terrenos agregados à Organização de Produtores, Hortas de Santa Maria, em Salvaterra de Magos. Presentes estiveram as casas de sementes e de fitofármacos, os produtores e a indústria, todos visando o objectivo de preparar a cultura para a mecanização, dada a crescente escassez de mãode-obra, assim como de expandi-la dado revelar-se muito aliciante. Georgina Rodrigues, técnica agrícola da Hortas de Santa Maria, reconhece que há aspectos a melhorar a nível de operações culturais e para isso foi lançado o desafio às empresas de fitofármacos para apresentarem um

herbicida homologado destinado à cultura. Para as empresas de sementes o desafio é obterem variedades com maturação homogénea. Neste Dia mostrou-se como fazer a cultura em linha simples, usando a mesma tecnologia de produção do tomate. Para a Hortas de Santa Maria a cultura do pimento é significativa e nos últimos anos tem havido aumento de áreas e melhorias em termos culturais. Agora os produtores estão muito receptivos à mecanização da cultura até porque podem ser aproveitados os equipamentos usados na cultura do tomate. Para já ainda não está definido se será a organização de produtores ou a indústria a adquirir a máquina, mas nunca será uma máquina para cada produtor, tendo em conta que o país inteiro faz 800 a 1000 hectares anuais.

Exclusivamente para indústria O pimento produzido pelos associados da Hortas de Santa Maria destina-se exclusivamente à indústria de congelação, neste caso a Dardico, para quem o pimento é a principal cultura na campanha de Verão, representando cerca de 40% da laboração da fábrica, conforme avança Luís Domingos, técnico agrícola da empresa. Para dar garantias aos seus clientes a Dardico acompanha a cultura desde o primeiro passo, daí estar envolvida com a produção na escolha dos melhores processos produtivos mas também das variedades, elemento fundamental que deve possuir determinadas características adaptáveis à colheita mecânica. Há um trabalho muito estreito com as casas de sementes SETEMBRO-OUTUBRO . 2010

na obtenção desse tipo de variedades mas sabendo-se que é um processo muito demorado. Até lá vão-se alterando formas de trabalhar visando a redução de custos. Nos últimos anos a empresa não tem verificado aumento do número de produtores, bem pelo contrário. Mas, por seu turno, tem crescido a área

unitária de cada um deles, cada vez mais profissionais. Quanto à última campanha é definida como muito difícil em todos os aspectos. Foi preciso reduzir área e preços, o que não é fácil quando existe uma estrutura de produtores que tem a cultura estabilizada nas rotações. Depois, em termos climatéricos, também foi um ano difícil, com muita chuva na implantação da cultura, criando dificuldades na instalação e na desinfecção dos solos, operação extremamente importante no controlo de infestantes e de algumas doenças, que, quando não realizada, aumenta os custos de produção. Em resultado não se esperam produções tão boas como as atingidas no ano anterior, que foi de super produção.


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Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

Uma a uma, todas uniformes na grossura, pes Desde que mudou para as actuais instalações, no início deste ano, a PrimoHorta (Sociedade de Produtores de Hortícolas) viu a sua capacidade de trabalho duplicada, o que lhe dá margem para que a área de produção venha a crescer, tendo em conta o facto do nosso país ainda importar uma grande percentagem da cenoura que consome, isto segundo José Pedro Gonçalves e Isabel Ferreira, respectivamente sócio-gerente e directora geral da empresa. Apesar de parecer simples este objectivo esbarra com vários entraves, desde a dificuldade dos produtores conseguirem terrenos para fazerem a rotação de solos, de acordo com a protecção integrada, até à concorrência, sempre feita por via do preço. Ainda assim estes entraves não assustam os produtores nem a PrimoHorta que os acompanha na íntegra para que chegada a fase de comercialização seja possível obter todas as certificações exigidas pelos mercados mais rígidos. Aliás, cerca de 50% da produção da PrimoHorta é exportada, precisamente porque no estrangeiro mais facilmente lhe reconhecem a qualidade que o consumidor português ainda descura, muito por falta de informação. Tem crescido a exportação para a Alemanha e realizaram-se já algumas experiências positivas com alguns países africanos de língua oficial portuguesa. Os responsáveis recordam igualmente contactos com países nórdicos, onde o produto foi muito bem acolhido mas que o seu encarecimento por via do transporte para já não viabilizou.

É uma cultura totalmente mecanizada no campo e dentro da própria central, onde se investiu fortemente em novos equipamentos, nomeadamente para lavar, polir, calibrar, pesar e embalar a cenoura. Os novos calibradores escolhem a cenoura pela grossura e comprimento, obtendo-se lotes muito mais uniformes, importante para responder às crescentes exigências do mercado em relação a esses pormenores. 30

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ÁREA

DE

PRODUÇÃO (ASSOCIADOS)

Ano

hectares

2005

185

2009

259

EVOLUÇÃO DA CULTURA Passou do método convencional para protecção integrada, por sua vez conferindo-lhe mais qualidade, para além da segurança alimentar. Tal conseguiu-se através de formação dada aos agricultores e com o acompanhamento técnico do departamento agrícola da PrimoHorta. Ano após ano também tem havido preocupação de seleccionar as melhores variedades, mais adaptáveis à região e que obviamente tragam mais aproveitamento para os agricultores.


Pub.

Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

ura, peso e comprimento

Dados de Produção Em termos líquidos, no ano 2005 comercializaram-se cerca de 12 mil toneladas de cenoura. No ano 2009 já foram 21 mil toneladas, considerando a média de 30% de refugo, produziram-se 26 mil. Este ano a produção ultrapassou já as 16 mil toneladas. A cenoura de refugo destina-se à alimentação animal.

Produtores são muito profissionais Com vontade de crescer e procurar novos mercados a PrimoHorta quer dar continuidade ao trabalho que vem desenvolvendo e acima de tudo manter os actuais clientes satisfeitos. Os 14 produtores associados têm respondido a todos os requisitos e é com muito orgulho que a empresa fala de um grupo muito coeso, que cresceu em conjunto, conhecendo muito bem a cultura e que só não produz mais quando é impedido por falta de terreno. Importa dizer que a empresa trabalha também com alguns produtores não associados quando necessário e, nesse caso, élhes prestado todo o apoio e acompanhamento como se fossem. Por outro lado a PrimoHorta recorda que quando entrou no mercado “já havia muita cenoura à venda” por isso quis diferenciarse por via da qualidade. Tem instalado um sistema de rastreabilidade que lhe permite saber a qualquer momento a proveniência de qualquer cenoura, possuindo igualmente várias certificações, o que obviamente encarece o produto. Quando se olha para um mercado apenas regulado pelo preço, a concorrência deixa de ser leal, daí que a empresa peça mais intervenção às entidades reguladoras. “Não temos qualquer receio da concorrência desde que funcionemos em pé de igualdade e o nosso maior problema é precisamente exigirmo-nos o que outros operadores não exigem a si mesmos”, sustenta Isabel Ferreira. SETEMBRO-OUTUBRO . 2010


OPINIÃO

Crise económica de Portugal:

Uma oportunidade para construir uma nova política para a sua agricultura? Autoria: José Martino (Eng.º Agrónomo ) www.josemartino.blogspot.com

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Há cerca de um ano, Setembro de 2009, visitei as propriedades de um potencial interessado em apresentar uma candidatura aos apoios do ProDeR investimento. Registei a sua história: em 1988 instalou-se como Jovem Agricultor, deixando a sua profissão de empregado de escritório, investindo 25 mil contos (125 mil euros) em instalações pecuárias para 12 vacas leiteiras, assumindo os cinco hectares das terras de família. Mais tarde teve que tomar a decisão se ampliava a exploração (nunca conseguindo atingir a escala mínima para ser competitivo por falta de terra disponível para área forrageira), ou vender as vacas e a quota leiteira. Decidiu terminar com a exploração leiteira e mostrou-se satisfeito com a decisão, pois vendeu a quota leiteira e as vacas por preços muito altos, “pico da procura”, e escapou à actual crise desta fileira. Passou para a produção de bovinos de engorda em part time (conseguiu emprego como funcionário público) e nesta altura chegou à conclusão que a actividade que desenvolve, alia a limitação de escoamento do produto por escassa dimensão na actividade à curta margem bruta, o que se traduz em deficiente SETEMBRO-OUTUBRO . 2010

rentabilidade. Questões que levanta este exemplo paradigmático de muitos portugueses que investiram na agricultura com as ajudas europeias: O Ministério da Agricultura não deveria ter uma POLÍTICA ESPECÍFICA para o desenvolvimento da Agricultura Portuguesa? O que se aprendeu com a experiência de 24 anos de ajudas europeias, quanto a economias de escala para ganhos de rentabilidade e acessos a mercados internacionais, desenvolvimento económico sustentável das fileiras a médio/longo prazo, etc. etc.? Estas reflexões vêm a propósito de um artigo do “The Economist” publicado no Caderno de Economia do jornal Expresso, 18 de Setembro de 2010, cujo título é: “Como alimentar o mundo” e Subtítulo “Milagre Agrícola A sabedoria convencional emergente sobre a agricultura mundial é pessimista. Mas há uma alternativa”. O artigo começa assim: “O mundo está a cultivar uma nova colheita pujante: o “agropessimismo” ou o medo que a humanidade não consiga alimentar-se senão através da destruição do ambiente”. Elenca os problemas da agricultura actual e dá exemplo do

Brasil que em 40 anos desafiou o domínio dos cinco grandes exportadores mundiais de produtos alimentares (EUA, Canadá, Austrália, Argentina e Europa). “Ainda mais espantoso do que o seu sucesso, foi a forma como foi atingido”. O Brasil com receio de não conseguir importar os produtos alimentares suficientes para a sua população decidiu alargar a sua produção interna obtendo sucesso pela, importação de modelos tecnológicos de outros países tendo-os adaptado pelo uso da investigação científica, promoção da dimensão das explorações agrícolas acima do limiar das economias de escala para cada actividade, utilização de capital intensivo, abertura ao comércio mundial e novas tecnologias agrícolas. Na minha opinião, Portugal com a crise económica que vive neste momento, deveria estudar e utilizar o método do Brasil, aplicando-o com as devidas adaptações à realidade nacional e mudar o paradigma do desenvolvimento da sua agricultura assumindo uma política agrícola própria. Será pedir demasiado aos responsáveis políticos do governo e da oposição que tracem uma nova política própria para a agricultura portuguesa?


Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

Nota-se um incremento no consumo de u

A aposta na sofisticação do produto e na melhoria da qualidade do mesmo vai dar bons resultados mesmo apesar da insegurança marcada pelos actuais tempos de crise. Pode parecer uma incoerência investir-se agora na qualificação de produtos, mas, como a tendência natural é inversa, o empresário acredita que cada vez mais o seu produto terá espaço no mercado.

A plantação de vinhas na Herdade do Vale da Rosa, em Ferreira do Alentejo, teve início pela mão do pai do seu actual administrador, no longínquo ano de 1965. Já então eram vinhas para produção de uva de mesa que entraram no mercado da exportação alguns anos mais tarde, nomeadamente para Inglaterra, Bélgica e Alemanha. Este esforço intenso na exportação levou também à instalação de equipamentos frigoríficos que permitiam a conservação da uvas e a respectiva comercialização extemporânea. Foi uma “época de ouro” para a empresa, dadas também as restrições à importação existentes no nosso país, mas interrompida pela ocupação das terras aquando da 34

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Revolução. A família Silvestre Ferreira emigrou para o Brasil, onde não demorou a implantar um projecto semelhante, no Estado do Paraná. Com a devolução de parte das propriedades no Alentejo a família dividiu-se e o patriarca voltou a Portugal enquanto que António Silvestre Ferreira continuou no Brasil. Em 1999, por motivos de doença de seu pai, regressa a Portugal , herdando a propriedade onde estão instaladas as uvas. Naturalmente, ao assumir o negócio em Portugal procura alguns dos antigos contactos comerciais, nomeadamente em Inglaterra, apercebendo-se que por essa altura

o país apenas importava uvas sem grainha. Embora no Brasil já tivesse trabalhado com esse produto, em Portugal era inexistente, obrigando a um trabalho de raiz em busca das melhores variedades e mais adaptáveis à região. É um trabalho que decorre há dez anos, sem interrupção, a dada altura em parceria com uma empresa californiana especializada nestas variedades de uva e hoje principal fornecedora da Herdade. Aos 100 hectares de vinha herdados somam-se já mais 130, dos quais 60 estão situados noutra propriedade onde António Silvestre constituiu uma sociedade com um amigo. Mas, todas as uvas são comercializadas pela Vale da Rosa.


Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

mo de uvas sem grainha A cada ano que passa notase um incremento no consumo das uvas sem grainha , levando o empresário a acreditar que dentro de poucos anos serão essas as uvas mais consumidas em Portugal, à semelhança do que tem acontecido noutros países europeus. Na produção, Portugal não tem estado muito vocacionado para a uva de mesa, apresentando-se a Herdade do Vale da Rosa como caso único a trabalhar ao mais alto nível, com estufas, produção fora de época e uma mão-de-obra que em média ronda as 300 pessoas visto ser preciso muito trabalho de campo com vista a obter um produto de tão alta qualidade. É uma produção que requer muita tecnologia, implicando para tal um elevado investimento. A organização da empresa acaba por ser também fora do tradicional, muito centrada na conquista de mercados estrangeiros. É uma estrutura muito pesada, ligada a assessores internacionais que regularmente visitam as instalações, trabalhando também com muitos técnicos de nível superior. Face a esta estrutura pesada é necessário procurar economia de escala e a ideia é aumentar a área de plantio.

Produção toda em área coberta A produção é toda em área coberta, sendo que as uvas mais precoces são feitas em estufa, forçando o seu desenvolvimento, no sentido de antecipar a produção. As uvas tardias, por seu turno, são todas cobertas com rede e depois com plásticos, mas com o objectivo de as atrasar, para além de as proteger. Assim sendo, a Vale da Rosa tem uma vindima que se estende por quatro meses e meio. A área ainda não está toda em plena produção mas conseguem-se já cerca de quatro mil toneladas de uva por ano, sendo o potencial de produção de cerca de seis mil. Neste seguimento, já estão a desenvolver-se esforços para que o produto possa estar mais tempo disponível e ainda este ano serão instaladas novas estufas, ainda mais sofisticadas que as actuais e que permitirão dar início à produção mais cedo (início de Junho). Ao mesmo tempo está a ser feito um projecto de câmaras frigoríficas para conservar as uvas . Concluídos estes projectos a Vale da Rosa terá uma proposta alargada para os vários mercados, com produto disponível durante sete meses no ano.

Empresa sente-se acarinhada pelo país Sobre o mercado nacional, António Silvestre Ferreira reconhece que a marca Vale da Rosa já tem um grande prestígio e toda a aposta realizada tem colhido os seus frutos. A empresa sente-se acarinhada tendo recebido vários políticos nos últimos anos e no último 10 de Junho o seu administrador até foi condecorado com a Comenda de Mérito Agrícola, pelas mão do Presidente da República. Acredita que o que está a fazer na sua empresa é o que forçosamente a região virá a fazer de futuro porque tem condições e know-how para o fazer, sobretudo agora com as oportunidades proporcionadas pela água de Alqueva. Aliás, na visão do empresário, dentro de pouco tempo, com Alqueva, o Alentejo passará a ser uma região muito importante a nível europeu na produção frutícola, não encontrando razões para a continuada importação massiva de alimentos.

Apartado 111 7900-909 Ferreira do Alentejo (t)+351 284 739 933 (f)+351 284 739 932 (e) geral@valdarosa.com (w)www.herdadevaledarosa.com

António Silvestre Ferreira recebe a Comenda de Mérito Agrícola SETEMBRO-OUTUBRO . 2010

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CASTANHA

Seis toneladas de castanha consumidas em dois dias

Um filão a explorar! Embora por natureza o Alentejo não seja uma região produtora de castanha, as particulares condições geomorfológicas de Marvão permitem que a cultura ali se desenvolva, concedendo ao fruto um sabor muito particular. Tipicamente é uma castanha de pequena dimensão, destacando-se a variedade Bária que por ser temporã é colocada no mercado a preços bastante interessantes. Além disso, a castanha produzida nas encostas da Serra de S. Mamede beneficia da Denominação de Origem “Castanha de Marvão” em valorização da diferenciação. Há muitos anos atrás a castanha era o principal alimento da população mas, com a introdução da batata e a alteração dos hábitos alimentares, foi perdendo significado. Há já quem lhe chame “ouro O lançamento da verde” e pode vir a ser uma Festa do Castanheiro importante matéria-prima de - Feira da Castanha, exportação para o Norte da há 26 anos, acabou Europa, Brasil (...). por despoletar um interesse concelhio, depois regional e agora até nacional, sendo hoje um marco importante para este produto e para a própria região em termos turísticos. A partir deste marco passou a reapreciar-se um produto que estava praticamente esquecido. Na mesma altura em que decorre a Feira da Castanha/Festa do Castanheiro, sempre no segundo fimde-semana de Novembro (12 a 14) a autarquia de Marvão organiza também a Quinzena Gastronómica da Castanha e um Concurso de Doçaria de Castanha, fazendo a ligação entre produção, consumo e distribuição. Pelo facto de 36

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todos os restaurantes do concelho servirem pratos com base na castanha, acabou por potenciar o interesse na produção e na regeneração dos soutos tradicionais e mais recentemente, num projecto nacional designado de Refcast, no qual Marvão se inclui. Esta valorização está a recuperar o próprio artesanato feito a partir da castanha (da sua casca) promovendo o aproveitamento total em termos comerciais e artísticos. De acordo com a explicação do vereador da Câmara Municipal de Marvão, José Manuel Pires, o Refcast engloba um valor total na ordem dos 80 milhões de euros tendo o município de Marvão 2,5 milhões de euros de investimentos previstos. Decorre tudo muito lentamente mas os produtores do concelho de Marvão responderam ao repto e hoje há muitos a fazer plantação de novos soutos, perspectivando-se que na campanha do próximo ano seja já introduzida alguma mecanização na apanha, tornando o produto mais competitivo. Toda a orgânica do projecto está sediada na Cooperativa Agrícola de Porto Espada que, em conjunto com a autarquia, está a desenvolver esforços para a instalação de uma câmara de frio, equipamento indispensável para a conservação da castanha uma vez que esta tem uma curta durabilidade.

Quanto à Feira, a grande novidade deste ano é que vai ter mais um dia. A razão é simples, já que o evento atrai anualmente inúmeros turistas, se durar mais um dia também são mais refeições que se servem e mais dormidas que se vendem. À semelhança das últimas edições o evento irá incluir palestras sobre a vertente produtiva e a organização vai desafiar também as duas dezenas de produtores de vinho do concelho a juntarem-se à Festa. O que começou por ser um simples magusto, com um caldeirão de castanhas assadas à porta da Vila, hoje enche todas as ruas e faz de Marvão um verdadeiro parque temático. Em dois dias chegam a consumir-se seis toneladas de castanha.

Outros eventos As Quinzenas Gastronómicas acontecem ao longo do ano e impulsionam Marvão como destino turístico. Estes momentos de promoção ajudam a potenciar a actividade agrícola e a actividade económica em virtude da movimentação criada nos muitos restaurantes concelhios: Quinzena Gastronómica do Azeite Quinzena Gastronómica do Cabrito e do Borrego Quinzena Gastronómica do Bacalhau Feira da Gastronomia Quinzena Gastronómica Marroquina Quinzena Gastronómica da Castanha No início do mês de Outubro teve lugar mais uma edição da Al-Mossassa (fundação em árabe), um Festival Islâmico, realizado em parceria com Badajoz e que homenageia o fundador de ambas as localidades, Ibn-Maruan. O II Forum Marvão cujo tema principal foi o relançamento da candidatura de Marvão a Património Mundial da Unesco. Dada a grande singularidade de Marvão, que já está a ser aproveitada turisticamente, pode ser uma mais –valia ainda maior.


CASTANHA

Cacovin promete novo impulso à DOP Castanha da Terra Fria Sem produção própria, a empresa Cacovin – Agroindústria está capacitada para recolher os produtos agrícolas do concelho de Vinhais, nomeadamente a castanha que é o mais expressivo. Aliás, de acordo com o gestor da empresa, Carlos Silva, o município de Vinhais é um dos grandes produtores nacionais de castanha, responsável por oito a nove mil toneladas. Grande parte da castanha é da variedade longal, apta para se consumir fresca ou transformada, com a indústria a ser o principal destino. Já a judia, outra variedade expressiva, é maioritariamente consumida fresca, nos mercados do litoral e alguma exportação para o Brasil. Embora inserida na Denominação de Origem Protegida Castanha da

Terra Fria, a castanha de Vinhais por enquanto ainda não retirou daí grandes dividendos. Esta falta de interesse deve-se em grande parte ao facto de até agora não ter havido ainda problemas com a comercialização. Carlos Silva acredita que quando a linha de recepção e transformação de castanha da Cacovin estiver concluída será possível “dar um empurrão” para acrescentar mais algum valor ao produto. No campo a produção tem crescido, com plantação de novos soutos e nalguns casos até com introdução de novas variedades, trazendo uma maior riqueza ao concelho. O maior problema da região continua a ser a apanha, ainda manual quase na totalidade visto orograficamente ser uma

região muito acidentada, onde só nos soutos mais recentes é possível recorrer à mecanização. Desde início que do projecto da Cacovin também faz parte a criação de uma linha de recepção e tratamento de cogumelos silvestres. Ainda não é possível a concretização uma vez que, sendo altamente perecíveis, os cogumelos necessitam de condições de frio, ainda não disponíveis, mas previstas para 2012.

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São as melhores em cada frasco de “Conservas Maruán” Com um passado de mais de 75 anos mas sempre ligado à transformação de frutos e hortícolas, entre outras actividades industriais, hoje a empresa Nunes Sequeira, S.A. está empenhada num projecto global de transformação de produtos certificados com Denominação de Origem Protegida, ou que possam vir a obter essa certificação, oriundos da região onde está inserida. É na aldeia de Santo António das Areias, no concelho de Marvão, que está sediada a empresa e respectivas unidades fabris. A vasta experiência na transformação de azeitonas, picles, pimentos ou tremoços foi canalizada para um projecto global sob alçada da marca “Conservas Maruán”- nome árabe do fundador da Vila de Marvão - onde apenas cabem produtos de alta qualidade e destinados a um público restrito já que são necessariamente mais caros. Do lote dos eleitos faz parte a azeitona das variedades regionais galega e cordovil, o pimento assado com azeite e alho, da variedade morrone, a Castanha de Marvão e a Cereja de S. Julião, estes dois com Denominação de Origem Protegida e mais recentes no projecto. Falando sobre a castanha o administrador da empresa, José Boto, admite que é uma produção expressiva para o concelho embora nem sempre comercializada com as mais-valias que merece. Anualmente a empresa transforma entre três a quatro mil frascos deste fruto. O desenvolvimento de novos produtos dentro deste projecto tem sido feito na área das azeitonas onde, mesmo dentro da linha gourmet, é possível obter produto mais barato. 38

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CASTANHA

Castanha de S. Pedro de Castelões, fácil de descascar e doce no paladar Espaço de paisagens e riqueza natural invejável, a freguesia de S. Pedro de Castelões, no concelho de Vale de Cambra, já foi fortemente marcada pela produção de castanha. Com o declínio que se apoderou dos soutos e da cultura, em 2006 a Junta de Freguesia local decidiu lançar a Feira da Castanha, no sentido de revitalizar o sector. Jorge Costa, presidente da Junta, defende acerrimamente este investimento uma vez que esta castanha é um fruto de grande qualidade, muito apreciada, fácil de descascar e doce no paladar. Para cumprir tal objectivo, logo na primeira edição do evento foram distribuídas centenas de pequenos castanheiros, perspectivando-se que dentro de meia dúzia de anos estejam já em produção, não só para haver produto para a Feira como para vender noutros canais. Na freguesia por enquanto não há grandes soutos, mas sim árvores um pouco espalhadas pelas propriedades. Esta pequena dimensão faz também com que não haja uma comercialização propriamente dita. Embora se chame Feira da Castanha, o evento que vai encher S. Pedro de Castelões nos próximos dias 6 e 7 de Novembro, conta também com a presença de outros produtos da terra. Importa dizer que a freguesia tem muitas associações e esta é uma forma delas poderem dinamizar-se e conseguirem mais alguns recursos através das tasquinhas, sobretudo com pratos gastronómicos baseados em castanha. Além disso, há um espaço próprio para o artesanato, também já estão representados alguns equipamentos, totalizando entre 60 a 70 participantes.

Plantação de um castanheiro

Dia 5 - Novembro – Sexta-Feira 10:30 h - (Magusto para crianças das escolas da Freguesia) 21:00 h - Palestra com o tema “ O Castanheiro e a Castanha nas suas várias vertentes” Dia 6 - Novembro – Sábado 8.30 h Manhã - Feira de Agora com produtos, Locais, Regionais e Nacionais; Almoço - A nossa Gastronomia, de “comer e mais querer” nas barracas das colectividades; Tarde - Feira de Produtos cultivados e fabricados na nossa terra e de origem nacional; 14:30 h Abertura Solene com a presença das Autoridades Civis e Religiosas 15:00 h Animação com Fanfarras da Freguesia; 18:00 h Concurso da melhor Castanha; Jantar - Por mãos habituadas ao que de melhor se faz nesta terra, temos a comida caseira nas barracas das Associações participantes; 20:30 h Animação Musical

Dia 7 - Novembro – Domingo Manhã - Continuação da venda e compra de produto naturais da nossa terra ou região; Almoço - Nas barracas das Associações é servido o que de melhor se cozinha nas terras de Castelões e Cambra; Tarde - Continua a Feira da Castanha, com venda de tudo, que é da nossa terra; 15:00 h Animação Folclórica e Etnográfica; - Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio – Braga - Grupo Folclórico Etnográfico de S. Pedro de Castelões

Além da castanha são comercializados todos os produtos da terra SETEMBRO-OUTUBRO . 2010


CASTANHA

Campanha é curta mas escoamento não é problema Um Verão muito seco e com pouca chuva faz antever uma campanha com alguma quebra na produtividade. Os castanheiros apresentam os ouriços uniformemente distribuídos, sem sobrecarregamentos, esperando-se bons calibres e boa qualidade, embora com pouca produção, o que supostamente irá repercutir-se num preço mais elevado. É deste modo que o sócio-gerente da Frusantos, António José Santos caracteriza a actual campanha de castanha, um dos produtos trabalhados pela empresa, além da batata de consumo, batata de semente, cebola, cereja e maçã. A castanha é proveniente da Beira Alta e de Trás-osMontes, regiões afectas a Denominações de Origem Protegida que para já não têm tido grande impacto. O consumidor procura em primeiro lugar a variedade martainha e depois a judia, sendo as restantes comercializadas para a indústria ou para mercados secundários a preços mais acessíveis. Refira-se que a campanha é muito curta, com dois picos de consumo, a época dos Santos e o São Martinho, valendo o facto da gastronomia portuguesa estar cada vez mais a usar este fruto na confecção de inúmeros pratos, revelando-se mais uma forma dos produtores obterem rendimento. A Frusantos recolhe a castanha ou recebe-a directamente nas suas instalações e a partir daí o fruto passa pela calibragem, triagem, esterilização, embalagem e posterior comercialização. Esta é feita na ordem dos 70% para o mercado nacional e a restante para a Europa, Brasil, Canadá e Estados Unidos. Até agora o escoamento não tem sido problema, garantindo estabilidade e boas perspectivas ao produtor que, por seu lado, tem inovado Acção de promoção numa grande superfície

No top da tecnologia A nível de projectos, a empresa Frusantos, de Sernancelhe recorda que há dois anos abriu uma filial em Samora Correia, onde processa a distribuição dos produtos e que funciona como central de embalamento para as grandes superfícies. Este ano investiu-se num calibrador e numa linha de limpeza da castanha, procurando sempre estar no top da tecnologia para satisfazer os clientes. Já para a unidade de Ferreirim também está prevista para breve uma melhoria da qualidade das instalações. Pub.

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CASTANHA

Investimento de três milhões e meio de euros Com instalações já viradas para o futuro, a empresa AgroAguiar, em Vila Pouca de Aguiar, cumpre toda a legislação alimentar com as suas estruturas adaptadas à actividade de agro-indústria. O investimento recente em máquinas de última linha permite uma melhor preparação dos produtos uma vez que a empresa não só comercializa em fresco como também transforma. Com vocação para trabalhar os diferentes produtos da região, destacase a castanha Parceria com o Politécnico de Bragança e Universidade do Minho Em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança e a Universidade do Minho a AgroAguiar candidatou-se a um projecto de inovação, já aprovado e em andamento, que visa estudar os melhores métodos para conservação da castanha. “Entendemos que a pareceria com as universidades é essencial para continuarmos a evoluir e a inovar os nossos produtos”, sustenta o gerente da empresa, Rodrigo Reis. Com uma componente comercial muito forte, a empresa reconhece que é ao produto transformado que vai buscar mais valor acrescentado e por isso mesmo é aí que aposta seriamente. Rodrigo Reis lamenta a situação ainda muito comum de outros virem a Portugal comprar matéria-prima barata que

depois transformam e para cá exportam por falta de agro-indústrias nacionais capazes de fazer esse aproveitamento. Exportação, desenvolvimento de novas linhas de mercado Neste momento a AgroAguiar fornece quase todas as grandes superfícies no mercado interno. No entanto, a gerência tem feito algumas viagens ao exterior precisamente para aumentar a quota de exportação, por entender que por esta via conseguirá melhor remuneração dos produtos. Países como os Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Espanha, Brasil e Alemanha já consomem produto da AgroAguiar. Uma aposta na produção própria Outra tónica a acrescentar é a produção própria da AgroAguiar, com investimento também na plantação de soutos. Este ano instalaram-se já 25 hectares na Serra da Padrela, em plena zona de Denominação de Origem Protegida com o mesmo nome, ao abrigo de um acordo com o Conselho Directivo de Baldios de Lagoa, traduzido no arrendamento de terrenos. Entende que desta forma é mais fácil controlar os preços e aumentar as margens de lucro, já que os custos serão certamente inferiores em relação à compra directamente ao produtor. Todavia, a empresa continuará a comprar aos produtores pois precisa de muitas toneladas de castanha.

A melhor proximidade e justiça para com o produtor “Todo o produtor que nos vende a castanha sabe logo o que o produto vale pois é pago na hora. Conferimos qualidade e preço à chegada e nessa mesma hora o produtor leva para casa um cheque com o respectivo valor” explica o gestor. Para aferir da qualidade do fruto a empresa tem ao seu serviço três engenheiras especializadas em qualidade que para além de fornecerem o controlo à chegada implementam os sistemas necessários dentro das instalações que permitem controlar o produto até à hora de saída. Além disso também prestam apoio técnico directamente ao produtor, deslocandose aos soutos sempre que solicitadas pois é do interesse da AgroAguiar que o produto adquirido se encontre nas melhores condições possíveis até porque grande parte dos clientes são grandes superfícies com alto grau de exigência. Ambiciosos objectivos de futuro Com uma forte componente de inovação o investimento da AgroAguiar vai continuar, nomeadamente em componentes fabris de transformação de produtos para ir ao encontro daquilo que o mercado pede. “ O objectivo que eu tenho para a empresa é que nos próximos quatro a cinco anos se situe no grupo dos três principais intervenientes a nível nacional na área da castanha”, remata Rodrigo Reis.

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CASTANHA

Na AgroAguiar destaca-se a castanha A matéria-prima proveniente das três zonas do país que maior produtividade têm, nomeadamente da zona da DOP (Denominação de Origem Protegida) da Castanha da Padrela, da Castanha da Terra Fria e da Castanha dos Soutos da Lapa. Na fase inicial, para além do processo de calibragem, a castanha é rigorosamente seleccionada através de um processo de escolha por água, que garante antes do processo industrial um grau de não conformidade inferior a 2%. Esta castanha é comercializada em fresco e transformada dependendo da aptência das referidas DOP (Denomionação de Origem Protegida)

OUTROS

para uma ou outra aplicação. Com referência aos produtos transformados comercializa: Castanha pelada congelada; Castanha assada congelada; Castanha assada embalada em Atmosfera Modificada; Marron glacé; Castanha em Calda; Compota de Castanha.

PRODUTOS FRESCOS

NOZ A matéria-prima provém da região de Trás-os-Montes, nomeadamente dos concelhos de Bragança e Vinhais, sendo que as principais variedades comercializadas são as Cultivares Francesas, Franquette e Lara.

AMÊNDOA Neste caso a matéria-prima é oriunda da região do país responsável por 60% da produção nacional, essencialmente do concelho de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Vila Nova de Foz Côa, Freixo de Espada a cinta e Valpaços. As principais variedades comercializadas são as Portuguesas Parada, Casanova, Verdeal e Gêmea.

AVELÃ Viseu, área mais representativa do mercado nacional, fornece grande parte da matéria-prima. As variedades mais representativas são a Granada de Viseu, Molar, Comum e Butler.

FIGO A matéria-prima é oriunda da Região de Trás-os-Montes, mais concretamente dos Concelhos de Mirandela, Valpaços e Murça. As principais variedades comercializadas são a Doce, Branco, Bêbera e a Pingo de Mel. Comercializamos também o figo seco

MORANGO O morango (Fragaria, sp.) é o fruto do morangueiro, uma planta de renovação anual, pertencente à família da Rosáceas.

CEREJA A cereja é o fruto da cerejeira, planta da família da Rosáceas, originária da Ásia. Trata-se de um fruto pequeno, arredondado, de cor vermelha, polpa macia e suculenta. 42

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AMEIXA Ameixa Rainha Cláudia, nome científico Prunus Doméstica da família das Rosáceas teve origem na Europa.


CASTANHA

Produtos transformados

Linha Gourmet

CASTANHA PELADA CONGELADA

Os produtos são sujeitos a um processo de selecção inicial perante o cumprimento ou não das especificações contidas no manual de produção. Manualmente faz-se uma selecção dos que poderão apresentar defeitos. Segue-se então, o processo de embalagem e posteriormente rotulagem. Fazem parte da linha Gourmet:

A Castanha é sujeita a um processo automatizado de descasque e despelagem por vapor. Sofrendo na fase seguinte em processo de escolha e posterior congelação. Após congelação e selecção final é devidamente embalada e rotulada.

CASTANHA ASSADA CONGELADA A castanha devidamente seleccionada é sujeita a um processo automatizado de inserção de um corte na casca exterior, seguindo para um forno contínuo onde é assada, sofrendo posterriormente o descasque e subsequente congelação. Finalmente é sujeita a uma selecção sendo depois embalada e rotulada.

MARRONS GLACÉS

MORANGO O morango é congelado individualmente, ficando íntegros e separados uns dos outros após a embalagem. O princípio de funcionamento é baseado na expansão de um gás dentro de um túnel, onde os morangos são colocados separados sobre uma esteira e sofrem o processo de congelamento.

CASTANHA ASSADA EMBALADA EM ATMOSFERA MODIFICADA A castanha devidamente seleccionada, é sujeita a um processo automatizado de inserção de um corte na casca exterior, seguindo para um forno continuo onde é assada, sofrendo posteriormente o descasque e, após a selecção final, é devidamente embalada em atmosfera modificada e rotulada.

COMPOTA DE CASTANHA CASTANHA EM CALDA DOCE Para além dos frutos secos e dos derivados de castanha a AgroAguiar coloca ao dispor do cliente a comercialização de MEL MULTIFLORAL E MEL DE ROSMANINHO.

FRAMBOESA A framboesa é preparada da mesma forma que o morango. Em Trás-os-Montes, a produção de framboesa destina-se, na quase totalidade, à indústria da congelação. Pub.

www.agroaguiar.pt

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GERAL

Caça, Pesca e Castanha

Bragança junta áreas de referência num mega-certame Face à importância económica e social dos recursos naturais e produtos locais, como a caça, a pesca e a castanha, e entendendo que as autarquias devem contribuir para o reforço da animação económica, faz todo o sentido que o município de Bragança seja o promotor de um evento que valoriza esses recursos. A Norcaça e a Norpesca foram criadas com esse objectivo e, após oito edições, afirmou-se como a segunda maior feira do sector da caça e a primeira a nível da pesca. A Norcastanha foi criada com o objectivo de promover um produto local de grande importância económica e social para o concelho e para toda a região. O município de Bragança entendeu ter chegado a hora de a Norcastanha se associar à Norcaça, de modo a reforçar o impacto do certame a custos inferiores, o que constitui uma novidade na edição de 2010, agendada de 29 de Outubro a 1 de Novembro. A Feira integra um conjunto muito variado de actividades, das quais se destacam: Os concursos e exposições de castanha, de quadras populares e de pintura, entre outros; Provas, como as de pesca ou de Stº Huberto; Montaria ao javali; Demonstrações de técnicas de pesca, de cetraria ou de apanha mecânica da castanha, entre outras. A transmissão de conhecimentos técnicos e científicos, através do III Fórum Internacional dos Países Produtores de Castanha e do Seminário Norçaca & Norpesca, constitui outro dos pontos altos do certame. Além da diversa animação musical, a gastronomia será uma referência neste evento, quer no espaço da Feira, quer nos restaurantes da Cidade, onde decorre a Semana Gastronómica da Castanha, Caça e Pesca. Nestes dias, Bragança assume-se como a Capital Nacional da Castanha, Caça e Pesca, sendo obrigatória a visita a esta Cidade Transmontana. 44

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Condições naturais não chegam para manter sectores da caça e pesca A nível nacional Bragança identifica-se de forma singular com o sector da caça. Foi ali que se caçou o primeiro javali, o primeiro lobo e o primeiro veado, no que à caça maior diz respeito. É também em Bragança que se localiza a maior Zona de Caça Nacional da Lombada. Na caça menor, o município orgulha-se de continuar a ser um destino preferencial entre caçadores, nomeadamente os do Norte de Portugal. Mas, apesar das boas condições naturais para o desenvolvimento das várias espécies cinegéticas, regista-se, ao longo dos anos, um acentuado decréscimo da oferta, devido a vários factores que merecem uma reflexão mais atenta por parte de todos os agentes e intervenientes sob pena de este recurso de extrema importância económica e social da região se perder, alerta o vicepresidente da autarquia brigantina, Rui Caseiro. Já o sector da pesca tem estado esquecido no que toca à gestão e com diminutos investimentos a nível da produção. Muito há a fazer para criar condições de produção e tornar a região mais atractiva para este sector, já que dispõe de excelentes condições, nomeadamente os melhores rios para a pesca da truta e diversas albufeiras para pesca de outras espécies.

Terra Fria produz metade da castanha nacional O concelho de Bragança é um dos maiores produtores de castanha de todo o país, devido às características do solo e do clima, típicas da Terra Fria do Nordeste Transmontano, por si só responsável por metade da produção nacional, enquanto que Trás-os-Montes produz mais de 80%. Considerando as plantações de castanheiros, para fruto e madeira, que se têm registado nos últimos anos é de esperar, a médio prazo, um aumento significativo na produção de castanha. Além disso, o uso de variedades regionais é uma prática fundamental para a manutenção e valorização do sector, com a longal e a judia a dominarem no território em causa, sendo também as constituintes da Denominação de Origem Protegida Castanha da Terra Fria. Atendendo às alterações climáticas ocorridas na última década a cultura da castanha requer atenções redobradas, tornando-se imprescindível que os investigadores dediquem o tempo necessário para que o futuro da mesma seja acautelado, em prol da sustentabilidade de um significativo número de famílias.


CINEGÉTICA

Provas de Sto. Huberto juntaram os me Realizou-se no passado mês de Setembro o 12.º Troféu de Competência de Tiro da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP) e a 2.ª Taça de Portugal de Santo Huberto, no Campo de Tiro das Termas de Monfortinho, no concelho de Idanhaa-Nova e na Zona de Caça Turística da C i n e g e t u r- P e s o - To u l õ e s , respectivamente. Estiveram representadas 10 Federações de Norte a Sul do país e também a Região Autónoma dos Açores. Ambas as provas, organizadas pela CNCP e pela Federação de Caça e Pesca da Beira Interior (FCPBI), foram muito participadas e competitivas. O presidente da FCPBI, João Carlos Lourenço, recorda que quando organizou o primeiro campeonato, há

dez anos, os meios eram totalmente diferentes e muito mais escassos e mesmo assim foi possível levar a organização a bom porto, tal como aconteceu agora. Deixa uma palavra de agradecimento à autarquia de Idanhaa-Nova e à Associação Naturejo sem o apoio de quem não teria sido possível a realização mesmo com muita contenção de custos. Um dos objectivos da CNCP para o próximo ano será que a Competência de Tiro passe a designar-se Tiro aos Pratos, prova na qual os participantes terão de estar federados na Federação Portuguesa de Tiro. Já se sabe que em 2011 a Federação anfitriã do Campeonato Nacional da CNCP será a da Primeira Região Cinegética (Macedo de Cavaleiros).

Propôs-se um Campeonato Anual de Santo Huberto “Dr. Arménio Lança” A cerimónia de encerramento que para além dos participantes contou também com a presença de várias entidades oficiais como o Director Regional da Floresta da Zona Centro, Viriato Garcez em representação do Ministro da Agricultura, o Presidente da Câmara Municipal de Idanha-aNova, Álvaro Rocha, o Presidente da Junta de Freguesia de Monfortinho, António Cruz, o Director da Cinegetur, Augusto Borges de Almeida e o gestor responsável pela Zona de Caça Turística da Cinegetur, Manuel Batista. Foi o momento escolhido pelo presidente da CNCP, Vítor Palmilha, para anunciar a realização de um Campeonato Anual de Santo Huberto, denominado “Dr. Arménio Lança”, uma homenagem ao anterior presidente da Pub.

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CNCP, recentemente falecido. Falando sobre a época de caça a decorrer, João Carlos Lourenço recorda o início conturbado por causa da data de abertura à caça da rola, contestado pelos caçadores mas para já sem resposta. Queixa-se do excesso de burocracia e da falta de interesse dos sucessivos governos por este sector que representa muitas pessoas e movimenta vários milhões de euros. No caso concreto da Beira Interior é alarmante a situação que se vive em termos de furtivismo na caça maior, cada vez mais crescente e sem intervenção das entidades competentes. Soma-se um problema maior de saúde pública uma vez que a carne dos animais furtados acaba por ter sem qualquer controlo sanitário.


CINEGÉTICA

os melhores em Monfortinho 12.º Troféu de Competência de Tiro Classificação Colectiva

1. Federação de Caçadores do Algarve 2. Federação de Clubes de Caça e Pesca do Distrito de Viseu

3. OESTECAÇA – Federação das Zonas de Caça do Oeste Classificação Individual

1. Marco Afonso - Federação de Caça e Pesca da Beira Interior

2. Rui Arez - Federação de Caçadores do

Entrega do prémio à Federação de Caçadores do Algarve

Algarve

3. Sérgio Rodrigues - OESTECAÇA – Federação das Zonas de Caça do Oeste

2.ª Taça de Portugal de Santo Huberto Classificação Colectiva

1. Federação de Caçadores da 1.ª Região Cinegética

2. Federação de Caçadores do Algarve 3. Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral Classificação Individual

1. Diogo Silva - Federação de Clubes de Caça e Pesca do Distrito de Viseu

2. Fernando Silva – Federação de Caçadores do Algarve

3. Mário Brito - Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral

Diogo Silva (à esquerda) e Marco Afonso, (à direita), primeiros classificados individuais, respectivamente na 2.ª Taça de Portugal de Santo Huberto e no 12.º Troféu Competência de Tiro

FEDERAÇÕES PARTICIPANTES Federação Alentejana Caçadores Federação de Caçadores do Algarve Federação dos Clubes de Caça e Pesca do Distrito de Viseu Federação de Caça e Pesca da Beira Interior Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral Federação de Caçadores da 1ª Reg. Cinegética Fed. Caçadores de Entre Douro e Minho Federcaça Oestecaça Reg. Autónoma dos Açores

Entrega do prémio à Federação de Caçadores da 1.ª Região Cinegética

Pub.

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CINEGÉTICA

Certificação da Perdiz Vermelha de Mértola está em andamento Por tradição o município de Mértola é um território onde a perdiz vermelha encontra as condições ideais para se reproduzir e viver em estado selvagem, sendo vista pelo edil do município, Jorge Rosa, como a espécie rainha da caça menor e a mais procurada pelos caçadores. Além disso, nos últimos anos, as espécies de caça maior começaram também a ganhar relevância, fazendo deste um concelho com características naturais específicas que o tornam muito apetecível para a prática cinegética. Hoje o território cinegético está ordenado numa percentagem superior a 90% nas diferentes figuras criadas para o efeito. Daí resultou um aumento do número de espécies, visíveis até final da época venatória, bem como a melhoria da própria biodiversidade, sendo recorrente vislumbrarem-se agora alguns predadores que se julgavam extintos, como as águas, que voltaram a encontrar ali os requisitos para nidificarem. Neste enquadramento, a I Feira da Caça que a autarquia vai levar a cabo de 22 a 24 de Outubro, surge na estratégia traçada para revitalizar o concelho no que toca às questões cinegéticas e vai no sentido de fazer com que todos os caçadores, e restante público também, conheçam o concelho de Mértola como sendo de excelência para a prática cinegética. A escolha da data foi um factor

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muito importante, porque, ao contrário de outros eventos do sector, este realiza-se durante a época cinegética, possibilitando que paralelamente à visita, os caçadores aproveitem também para realizar uma jornada de caça. Sendo a primeira e dadas as valências do município em termos cinegéticos, acredita-se que muito rapidamente irá afirmar-se no calendário nacional de eventos. Do programa fará parte um colóquio, a realizar na sexta-feira, e versando sobre três temas principais, perdiz vermelha, lince ibérico e lei das armas. É neste mesmo caminho que se enquadra a certificação da Perdiz Vermelha de Mértola como espécie cinegética de grande valor acrescentado, com uma genética 100% pura e que nos dias de hoje pode ser caçada totalmente em estado selvagem. “Se é uma maisvalia natural, então tem de ser aproveitada para trazer outros ganhos ao município”. A certificação está a ser tratada com a Associação Qualifica, da qual Mértola é município fundador. O caderno de especificações técnicas está em fase de conclusão, prevendo-se para breve a submissão do pedido. Com esta certificação a perdiz vermelha sairá muito valorizada e, sabendo-se que neste mundo estão envolvidas pessoas “de boa condição financeira”, poderá ser um atractivo

para um público diferenciado que não se importa de pagar mais. Além disso, certamente a actividade trará uma nova dimensão à pequena economia local nomeadamente, por via do alojamento, restauração, produtos locais (...). Jorge Rosa considera que o grande defeito nesta actividade é que ainda não existe a cultura de proporcionar programas alternativos aos familiares/ amigos dos caçadores para que este quando se deslocam para determinada paragem a fim de caçarem, não o façam sozinhos e apenas num só dia. Ou seja, por via da actividade cinegética podem ser proporcionados vários planos de lazer e é precisamente nesse sentido que Mértola tem vindo a trabalhar. Quando questionado sobre a actividade em termos futuros, e já em jeito de conclusão, o edil mostra-se optimista quanto ao acto de caçar em si, bem como à procura e abate de espécies cinegéticas. Já no que respeita à legislação, aí sim, considera que poderia haver algumas alterações “porque parece que se encara o caçador como um potencial criminoso. Por outro lado, as organizações representativas do sector da caça , rivalizam entre si, não saindo daí nenhum benefício para quem representam nem para a actividade cinegética e muito menos será benéfica para a urgente simplificação de procedimentos que devem exigir”.


Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

O Porco Raça Alentejana Autoria: Associação de Criadores de Porco Alentejano (ACPA)

Pilar do abastecimento, em tempos longínquos chegou a estar em vias de extinção. Os últimos 25 anos foram de organização, apareceu o movimento associativo, implementou-se o Livro Genealógico, qualificaram-se os produtos e protegeram-se os nomes. A consequência imediata desta organização foi o crescimento efectivo em linha pura, a valorização dos espaços de montanheira e uma crescente consciencialização do produtor agro-pecuário para a importância da azinheira. A valorização e aumento do consumo de produtos tradicionais de qualidade, a multiplicação pelo Alentejo de indústrias e salsicharias que, por sua vez, geraram pequenas bolsas de emprego num Alentejo com tendência para

a desertificação, são muito importantes. A requisição de quadros especializados em várias áreas, desde a produção à transformação e ao marketing trouxe ao sector uma lufada de ar fresco e a fixação destas pessoas pelo interior contribui para o aumento e elevação dos valores culturais. Em volta do sector do porco alentejano, gravita um conjunto de jovens técnicos disponíveis para fazer mais lutas pelo interior, pela raça e pela evolução da região e do país. São disso exemplos, os quadros das associações, das empresas de certificação, das indústrias instaladas e muitos jovens empresários que levam explorações do porco raça alentejana e que fizeram a seu tempo as suas formações técnicas e que, no momento, a sua gestão também beneficia delas.

É outro mundo. A grande batalha, que se constitui como o grande desafio desta gente, é garantir que o futuro do porco de raça alentejana se desenvolva no seu espaço natural, no seu habitat, ou seja, o montado. A varinha mágica tem três componentes: o extensivo, a alimentação e a genética. São inseparáveis e todas as outras formas são adulteradas. Daí, que o futuro passe pela consciencialização de que estas produções têm de ser conduzidas de forma equilibrada. Tem que garantir e promover o ambiente e tem que ser montada uma forma de divulgação desta realidade onde se promove o porco de raça alentejana versus montado.

O slogan “Coma presunto bolota e salve uma árvore”, deve ser interiorizado pela população em geral (Presunto de Barrancos DOP, Presunto e Paleta de Santana da Serra IGP, Presunto e Paleta de Campo Maior e Elvas IGP e Presunto e Paleta do Alentejo DOP)*. Não é possível, hoje, proteger e promover o montado nas suas múltiplas funções sem que haja uma forma de o rentabilizar para que possam pagar os custos de manutenção e se apresente com fonte de rendimento dos que lhe estão ligados. Daqui nasce outro slogan “Promova o Alentejo, promova as suas árvores, salve o ambiente em que todos vivemos”. * Presuntos com nome qualificado de bolota.

Pub.

Associação de Criadores de Porco Alentejano Rua de Armação de Pêra n.º 7 A 7670-259 Ourique SETEMBRO-OUTUBRO. 2010

Telf: 286 518 030 Fax: 286 518 037 E-mail: acpaourique@mail.telepac.pt


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PECUÁRIA

Para uma produção de leite mais eficiente A Intervet Schering-Plough, sediada na Alemanha, dedica-se à investigação, desenvolvimento, fabrico e comercialização de produtos de saúde animal. Tiago Teixeira, responsável pela Unidade de Ruminantes da Intervet Schering-Plough em Portugal, falou à Voz do Campo sobre um dos projectos da empresa, o Maxi-Leite. Voz do Campo: Como surge o Programa Maxi-Leite? Tiago Teixeira: O Programa Maxi-Leite surgiu em 2008, como um projecto de formação da ISP na área da qualidade do leite, para produtores e médicos veterinários. Com o desenvolvimento deste projecto, pretendemos ir ao encontro de umas das maiores carências na produção primária, que é a formação. VC: Quais são as principais características? TT: A Formação Maxi-Leite é uma abordagem muito completa à problemática das Mastites, a infecção da glândula mamária das Tiago Teixeira vacas e que é sem dúvida alguma, a patologia mais frequente nas conceitos concretos, como os pontos explorações leiteiras de todo o Mundo. chave da técnica de ordenha, ou formas Esta divide-se em vários capítulos: de prevenção das Mastites. Inclusive, - O que são as Mastites bovinas e a nalgumas grandes explorações leiteiras, sua classificação; já fizemos formações específicas para - Importância económica das a equipa de ordenhadores, servindo Mastites; como uma reciclagem de conhecimentos - Factores predisponentes para a e a identificação de práticas de trabalho ocorrência das Mastites; que devem ser melhoradas. - Técnica de ordenha; - Agentes que causam as Mastites; VC: Quais são as principais - Tratamento e prevenção das vantagens do Maxi-Leite? Mastites. TT: O Maxi-Leite distingue-se não só Ao longo destes capítulos é feita pela riqueza da informação transmitida uma explicação clara e muito focada mas essencialmente, na forma como é naquilo que mais interessa em feita. O grande objectivo destas transmitir aos produtores de leite formações sempre foi o de transmitir ideias, conceitos e informações VC: A que tipo de explorações se concretas, sempre de uma forma destina o Programa? simples e directa. Sempre procurámos TT: Destina-se a todo o tipo de falar a mesma linguagem do produtor e explorações produtoras de leite. ter a certeza que a mensagem era recebida e bem compreendida e por VC: Qual tem sido a adesão dos isso, não tenho dúvidas que este foi o produtores? segredo do sucesso do Maxi-Leite TT: A adesão tem sido extraordinária. Após já termos feito VC: Em que medida a prevenção das formações Maxi-Leite nas mais doenças dos animais está variadas zonas do país, somos cada vez relacionada com a segurança mais abordados pelos Médicos alimentar, tão importante nos dias Veterinários que nos solicitam de hoje? novas reuniões para relembrar TT: Cada vez mais na produção 52

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animal, temos que actuar a montante, ou seja, temos que actuar antes que as patologias apareçam, muito mais do que tratar, quando elas já estão a afectar os animais. Uma exploração moderna tem que investir mais em medidas de profilaxia e num maneio correcto para o funcionamento ideal da sua exploração e para a saúde dos seus animais do que poupar nestas áreas e gastar muito mais a tratar as diversas patologias que daí advêm e a tentar corrigir mais tarde, erros que muitas vezes são irremediáveis. Para além disto, as normas que regulam e limitam o uso de medicamentos em animais para consumo humano, nomeadamente os antibióticos, são cada vez mais rigorosas e restritivas. O uso dos mais diversos medicamentos vai ser cada vez mais limitado e apenas as explorações que já têm essa preocupação nos dias de hoje, poderão ser mais competitivas num futuro muito, muito próximo. VC: Para concluir, em que situação se encontra o Maxi-Leite? TT: Neste momento, já nos encontramos numa segunda fase do Maxi-Leite, na qual estamos a desenvolver, juntamente com os Médicos Veterinários assistentes das explorações, check-lists com a identificação dos pontos críticos na própria exploração, com especial destaque para todo o processo de ordenha. Desta forma, queremos assegurar-nos que os conhecimentos inicialmente transmitidos são postos em prática e que os resultados pretendidos vão ser alcançados. Mais do que tudo, a Intervet ScheringhPlough deseja contribuir para uma produção de leite mais eficiente nos produtores nacionais e tudo faremos para continuar a contribuir para esse desígnio.


VINHO & VINHA

Ministério prevê aumento da produção de vinho 20

Dia Europeu do Enoturismo celebra-se a 14 de Novembro

PERCENTAGEM DOS VALORES PREVISTOS PARA CADA REGIÃO

15 10 5

-25 -30

O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MADRP), prevê um aumento da produção vitivinícola em 13% face à campanha realizada no ano passado, o que significa um volume de 6,3-6,4 milhões de hectolitros.

Madeira

Açores

-20

Península de Setúbal

-15

Algarve

Alentejo

Lisboa

Tejo

Dão

Bairrada

Beiras

Douro

Beira Interior

-10

Trás-os-Montes

-5

Minho

0

Regista-se um crescimento da produção na maior parte das regiões vitivinícolas e uma quebra de produção nas regiões sujeitas a maior influência atlântica situadas a Sul do território do Continente (Península de Setúbal e Algarve) e também nas Ilhas.

Desde o ano passado comemorase, no segundo domingo de Novembro, o Dia Europeu do Enoturismo, nas cidades membro da Rede Europeia das Cidades do Vinho, entidade promotora, em paralelo com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho. Sempre com base na promoção dos territórios vitivinícolas, o evento pretende enaltecer a cultura e a tradição da terra, intimamente ligadas à identidade do vinho e a todos os produtos locais, como símbolos da qualidade de vida e embaixadores de cada região, e alcançar uma maior difusão internacional do turismo do vinho.

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SETEMBRO-OUTUBRO. 2010


EMPRESAS & NEGÓCIOS

Fundagrícola chega aos 50 anos “de pedra e cal”

Lado a lado com a agricultura da Co Foi no início da década de 60 do século passado que Mário Amaral Diamantino deu os primeiros passos para o que é hoje a Fundagrícola, Lda.. Estabeleceu-se por conta própria na cidade do Fundão, depois de alguma experiência adquirida numa empresa do mesmo ramo. Com um capital de 18 contos (80 euros) a empresa começou por ter representações de pequenas máquinas, já na altura prestando serviços de reparação de avarias de motores de rega, um equipamento fundamental a qualquer exploração agrícola. No final da década é solicitada para comercializar a marca de tractores agrícolas Massey Ferguson. À data a representação de um grande fabricante de tractores era sinal de grande prestígio e foi, aos olhos de Mário Diamantino, um grande impulso para o desenvolvimento da agricultura da região. Sobre a agricultura da Cova da Beira nos primeiros tempos da empresa, Mário Diamantino recorda que era muito pobre. Além disso, a emigração levou grande parte da força de trabalho humana, acabando por ser essa falta de mão-de-obra que incentivou o desenvolvimento da maquinaria agrícola. Passados 50 anos, o empresário vê a agricultura da Cova da Beira com muita tristeza e acredita mesmo que está condenada ao fracasso. Tal pode deduzir-se da quebra na facturação que começou a manifestar-se mais vincadamente de há três anos a esta parte.

actividade. Esta falta de rentabilidade está a manifestar-se de inúmeras formas, havendo inclusivamente muitos agricultores interessados na plantação de árvores (pinheiros, eucaliptos, sobreiros ...) em terras com condições óptimas para se cultivar quase tudo e com boa qualidade. “É antagónico porque todos os dias ouvimos notícias de que mais cedo ou mais tarde vai haver escassez de bens alimentares”. Neste cenário pouco optimista a fruticultura é uma excepção na região, onde ainda se encontram casos de sucesso e liderados por gente jovem. Crescendo com os melhores Regressando à empresa propriamente dita, a sua evolução e crescimento foram acompanhados por instalações condignas, criadas de raiz alguns anos mais tarde. Em meados da década de 70 entra também na empresa um dos filhos do fundador, Mário Manuel Amaral, hoje sócio e responsável pelo departamento comercial. Depois de ter trabalhado mais de 30 anos com a marca Massey Ferguson a parceria terminou e a empresa passou a representar a Same. O empresário fundador apresenta várias razões,

desde logo porque a marca que representava não avançou tecnologicamente, distanciando-se das marcas concorrentes, tinha falta de alguns modelos adequados à agricultura regional e os preços deixaram de ser competitivos. Entre as marcas disponíveis a Same foi a que ofereceu mais viabilidade, mantendo-se ainda hoje a parceria

Falta de rentabilidade da agricultura manifesta-se nas empresas paralelas Mesmo o Regadio da Cova da Beira, uma obra vista com bons olhos, é insuficiente para resolver os problemas já instalados. Além disso, os agricultores que acreditaram na obra aquando do seu início hoje já estão envelhecidos e na maior parte dos casos sem seguidores na actividade. É uma situação encarada como preocupante pela Fundagrícola pois é canalizada para as empresas directamente ligadas à 54

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Mário Amaral Diamantino, fundador da Fundagrícola

Mário Manuel Amaral, responsável pelo departamento comercial


EMPRESAS & NEGÓCIOS

Cronologia

da Cova da Beira Outros negócios A Fundagrícola começou por trabalhar com equipamentos Massey Ferguson mas quando esta entrou num ciclo descendente optou por outras marcas que tivessem produto idêntico. Criou um departamento específico para material de construção civil e mais tarde procurou outra marca de máquinas para movimentação de cargas, a Manitou. Esta também cresceu e hoje apresenta uma completíssima gama de todo o tipo de empilhadores. Também dispõe de equipamentos para movimentação de terras e máquinas especificamente destinadas à actividade florestal (gruas, reboques, destroçadores ...).

1960 – Mário Amaral Diamantino, torneiro mecânico de profissão, funda a empresa, que emprega nessa altura um único funcionário, dedicando-se ao comércio e assistência de máquinas para a agricultura. 1969 – É nomeada concessionária oficial Massey Ferguson exclusivo para 4 concelhos do distrito de Castelo Branco. Além dos tractores inicia também a comercialização de máquinas para movimentação de terras e cargas. 1970 – São inauguradas novas instalações, na periferia da cidade, com condições para a expansão das representações que detinha. Nesta década já emprega cerca de 40 funcionários. 1983 – Como consequência de um abrandamento significativo do negócio das máquinas agrícolas e industriais é criado um departamento para comercialização de automóveis Austin, Rover, MG e Land Rover. 1986 – A concessão automóvel é deslocada para instalações adequadas pertença da firma Sotabi, associada da Fundagrícola e os jovens Mário Manuel, na Fundagrícola, e Fernando Paulo, na Sotabi, incrementam nova dinâmica na empresa. 1995 – É nomeada concessionário oficial no distrito de Castelo Branco da prestigiada marca de empilhadores Manitou. 2001 – Devido ao abaixamento drástico nas vendas da sua representada Massey Ferguson provocado por preços pouco competitivos, falta de modelos vendáveis na zona concessionada e também porque a marca não evoluiu tecnicamente como o mercado o exigia, por opção da gerência cessou de comum acordo o contrato que detinha há 33 anos. Inicia a comercialização dos tractores Same, marca com modelos mais adequados e competitivos para tipo de agricultura da região. 2005 – Inicia a comercialização, para o distrito de Castelo Branco, das máquinas de movimentação de terras Doosan/Daewoo e Terex. 2006 – Inicia negociações para tomar por aluguer instalações na cidade de Castelo Branco, dada a importância significativa que a zona sul representa no volume de facturação. 2009 - Nomeada concessionária oficial Ammann-Yanmar e Terex no distrito de Castelo Branco, respectivamente, mini-escavadoras e retroescavadoras, cilindros, entre outras.

lações s insta

ntiga mesmo com toda as eçou. A do com tu e d n O dificuldades já mencionadas la. dagríco da Fun anteriormente. A empresa é A SAME é uma marca com detentora da concessão oficial para o uma gama de produtos muito diversificada, tanto a nível de potências distrito da marca Manitou, líder como vários tipos de equipamentos mundial em máquinas que têm aplicação dentro da mesma potência. Em em sectores de actividade tão variados constante modernização, quer por que vão desde a pequena à grande vontade da marca quer por exigência indústria, construção civil, bem como da Comunidade Europeia no que indústria alimentar. É um sector já com respeita à emissão de ruídos ou de gases bastante peso na facturação da e mesmo em termos de segurança, é Fundagrícola e com espaço para crescer uma das primeiras marcas já com ainda mais. As máquinas para movimentação tractores preparados para trabalhar de terras são igualmente um produto totalmente a biodiesel. Com as crescentes dificuldades da que faz parte do portefólio da empresa. De realçar ainda que a Fundagrícola actividade agrícola a empresa diversificou os seus negócios, hoje é o concessionário mais antigo de divididos em três ramos principais: Portugal da reputada marca de maquinaria para agricultura, pequenas máquinas Stihl, líder europeu movimentação de cargas e elevação de em motosserras, o que muito orgulha pessoas (empilhadores e plataformas) os empresários. e ainda equipamentos para Maquinaria evoluiu movimentação de terras (escavadoras, de forma abismal retroescavadoras...). Dispõe igualmente de material florestal e com Sobre a evolução da maquinaria menos expressão equipamentos para agrícola nos últimos 50 anos os limpeza urbana.

Aniversário dá descontos!!! Sem comemorações muito efusivas do seu meio século de actividade, a Fundagrícola preferiu virarse para os clientes e potenciais clientes tendo em marcha uma campanha de distribuição de panfletos porta a porta, em todo o concelho de Penamacor e parte do concelho do Fundão nos quais, para além de se dar informação sobre o cinquentenário também é fornecido o novo percurso para chegar à empresa já que foram feiras obras nas imediações que o tornam confuso. A apresentação deste panfleto nas instalações da empresa ainda é premiada com um pequeno desconto.

empresários reconhecem que tem sido muito significativa, quase abismal entre uma época e a outra, obrigando a empresa a acompanhar e apostar na formação dos seus técnicos. Aliás, o serviço de apoio técnico é uma das valias da Fundagrícola e passa tanto pelo aconselhamento na hora de aquisição dos equipamentos como pela reparação das máquinas no terreno, sendo cada vez menor o número de deslocações das máquinas para a oficina. SETEMBRO-OUTUBRO. 2010

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Evolução empresarial em época de mais um aniversário da Voz do Campo

CARNALENTEJANA D.O.P.

Nos finais de 1991, a situação em que se encontravam muitas explorações de bovinos alentejanos era bastante difícil. Para além da descida generalizada dos preços dos bovinos verificada em princípios de 1992, os produtores isolados no mercado tinham bastante dificuldade em escoar o seu gado, que normalmente atingia baixas cotações. Nesta altura, a circulação de bens e serviços era uma realidade bem patente que, seis anos atrás, antes da adesão à CEE, dificilmente aconteceria. Neste contexto, surgem aspectos positivos, mas também negativos, designadamente o surgimento de substâncias proibidas usadas para estimular o crescimento e a engorda dos animais, sendo esta uma das razões para a redução das cotações, muito por força dos intermediários. Devido aos custos de produção associados a uma exploração extensiva, em liberdade no pasto, a única forma de vender os animais seria através da redução das margens. Ora é precisamente aqui que um grupo de produtores se insurge, entendendo que deveriam ter um rendimento igual aos dos outros criadores, embora não pretendessem enveredar pelo lucro fácil, engordando os animais com recurso a substâncias químicas. 56

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É nesta altura que Fernando Carpinteiro Albino, actual Presidente do Conselho de Administração da Carnalentejana S.A., conjuntamente com outros criadores de bovinos da raça alentejana, sentiu a necessidade de conjugarem esforços no sentido de comercializarem os seus produtos de uma forma concentrada, ganhando dimensão e poder negocial. Perfazendo inicialmente um total de 33 interessados em reunir os esforços, havia que dar corpo a toda esta iniciativa. Perante o clima de pouca cooperação a que normalmente se associa o empresário português, este grupo apresentava uma vontade ímpar de fazer acontecer este projecto. Por um lado, porque havia uma ameaça generalizada que a todos afectava e, por outro, devido ao facto de serem empresários agrícolas de média e grande dimensão, perfeitamente cientes das vantagens em cooperar. Havia contudo um dilema que se deparava antes da constituição formal deste projecto: qual seria a forma jurídica a dar a esta organização. Entre as duas opções possível, a sociedade anónima e a cooperativa, a decisão pela primeira foi unânime devido à heterogeneidade de dimensão dos interessados, não havendo motivos para que as participações de cada um fossem iguais.

Tem hoje 153 produtores associados com o capital actual de 650.000,00 euros. Facturou em 2009 mais de 11 milhões de euros. Estamos presentes com uma vasta gama de produtos sempre actualizados nos principais pontos de venda das principais cadeias de distribuição com inúmeras provas de degustação e vendas nos principais certames agrícolas e festivais de música. A certificação do produto CARNALENTEJANA, D.O.P. pela Certi-Controlo e Certificação e o sistema de gestão da nossa Qualidade pelo Lloyd’s Register Quality Assurance de acordo com as Normas ISSO 9001:2008 e NPENISO 9001:2008 são a razão de ser da confiança que em nós deposita o consumidor. Foi assim criada a Carnalentejana S.A. por escritura pública de 1 de Junho de 1992, na qual participaram os 33 criadores de bovinos de raça alentejana pura, reunindo um capital de 118.150 euros.

Autoria: Carnalentejana S.A.


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HORTICULTURA

Congresso Internacional de Horticultura

Rescaldo muito positivo

O Congresso Internacional de Horticultura juntou cerca de três mil e duzentos especialistas, originários de 110 países diferentes. Também as actividade paralelas foram muitos positivas, reflecte Luís Mira, presidente da INOVISA – Associação para a Inovação e o Desenvolvimento Empresarial, estabelecida dentro do Instituto Superior de Agronomia, que organizou o Horticultural Brokerage

Event, com o apoio da Agência para a Inovação (ADI). “Muitos participantes solicitaram-nos para não deixarmos cair a plataforma entre Congressos, que se realizam a cada quatro anos, por isso a Inovisa, em conjunto com a nova liderança da ISHS(International Society for Horticultural Science), a partir da base de dados de cerca de 700 pessoas, vai criar uma plataforma para transferência de tecnologia que estará disponível online”. Durante o Congresso em assembleia-geral da ISHC foi eleito o seu novo presidente, António Monteiro, professor no Instituto Superior de Agronomia. Durante a mesma assembleia foi anunciado que em 2014, realizar-se-á o 29.º Congresso, na cidade de Brisbane, na Austrália, em Agosto de 2014, sob o tema “Horticultura – sustentando vidas, subsistência e paisagens”.

Combate à Tuta absoluta AFFIRM pode ser usado até Novembro A Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural deferiu o pedido de autorização excepcional para utilização do produto AFFIRM no controlo de Tuta absoluta em tomateiro. A autorização anterior, que expirou a 14 de Agosto último, foi prolongada por mais 120 dias por se reconhecer a necessidade de prosseguir, ainda durante o ciclo cultural do tomateiro, o controlo desta praga de quarentena com os meios químicos e Pub.

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outros disponíveis. A recente introdução no território da traça do tomateiro (Tuta absoluta) veio trazer dificuldades acrescidas na protecção fitossanitária da cultura, porquanto se trata de uma praga polífaga e multivoltina de difícil controlo. Assim, carece de medidas fitossanitárias adequadas para o seu controlo e erradicação entre as quais a luta química, com recurso a fitofármacos onde se inclui o produto citado.

BREVES Gestão do Risco em Secas A mitigação e a preparação para as secas exigem novas aproximações que tornem efectivas as medidas a adoptar e que favoreçam a convivência com as secas, minimizando os seus impactos. Para isso é imprescindível um melhor conhecimento dos processos, a capacidade de estabelecer avisos aos utilizadores da água e a tomada de decisões em tempo útil. É para reflectir sobre essas matérias que o Centro de Engenharia dos Biossistemas e o Instituto Superior de Agronomia vão levar a cabo o workshop “Gestão do Risco em Secas – Métodos, Tecnologias e Desafios”, no próximo dia 11 de Novembro, na sala dos actos do ISA.

Identificação de Pragas e Doenças A Acção de Entomologia Agrícola: Identificação de Pragas e Auxiliares é a primeira acção de formação realizada no âmbito do protocolo celebrado entre o Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional e a Academia Bayer (Instituto de Formação Profissional acreditado pela DGERT). Está calendarizada para os dias 20, 21, 27 e 28 de Outubro e 3 e 4 de Novembro e será realizada na Escola Superior Agrária de Santarém. Destina-se a quadros técnicos superiores e médios, com responsabilidade ao nível do apoio técnico, bem como estudante e agricultores. A duração é de 36 horas de teórica e prática simulada.

Cientistas descodificam DNA da Maçã Uma equipa internacional de cientistas sequenciou o DNA da maçã “Golden Delicious” e descobriu a razão pela qual é tão diferente de outras variedades . Este facto vai agora possibilitar aos cientistas aplicar essas características, como o sabor, textura e cor em novas variedades. Fonte: Infonews COTHN


Investigação e industrialização na IV Gama

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GERAL

Está marcado para o próximo dia 19 de Novembro, no auditório do Inatel da Foz do Arelho o seminário sobre o tema IV Gama Hortofrutícola em Portugal: Investigação e Industrialização. O enquadramento deste seminário prende-se essencialmente com a necessidade de caracterizar o sector em Portugal: empresas produtoras, volumes, segmentos, tendências; fazer a síntese dos projectos de I&D que tiveram lugar nos últimos anos nesta área; orientação de futuros projectos de investigação aplicada para as necessidades das empresas. O objectivo final deste seminário será identificar necessidades de conhecimento e perspectivar o futuro através da discussão com as empresas do sector em Portugal.

Em satisfação do art.º 65 do Código das Sociedades Comerciais, vimos, na qualidade de gerentes/conselho de administração da Sociedade, apresentar o Relatório de Gestão respeitante ao exercício findo em FIM do Ano Fiscal, referindo os aspectos mais relevantes: O volume de negócios da empresa em 2009 foi inferior à do exercício anterior como se pode verificar pelo quadro seguinte. A actividade da empresa foi muito prejudicada pela conjuntura económica. Descrição

Exercício N

Exercício N-1

Venda de Mercadorias

223,81

410,76

Venda de Produtos

0,00

0,00

Prestações de Serviços

90.701,71

142.150,03

90.925,52

142.560,79

TOTAIS

RELATÓRIO DE CONTAS - EXERCÍCIO DE 2009

VOZ DO CAMPO, EDITORA LDA. | TRAV.MATADOURO, BL-B-2A| CASTELO BRANCO 6000-306 CASTELO BRANCO Contribuinte Nº. 505903210

Em termos de estrutura de ganhos e perdas a decomposição é a seguinte: Custos e perdas C.M.V.M.C. F.S.E. Impostos Custos com o pessoal Amortizações Provisões Resultados operacionais TOTAIS

Exercício N 0 47.453 427 47.899 5.400 0 -10.254 90.926

Exercício N-1 0 58.120 1.056 62.962 10.757 0 9.810 142.706

Proveitos e ganhos Vendas Prestação de serviços Variação de produção Subsídios a exploração Trabalhos para própria empresa Outros proveitos TOTAIS

Exercício N 224 90.702 0 0 0 0

Exercício N-1 411 142.150 0 0 0 145

90.926

142.706

Como se pode verificar os gastos da empresa tiveram uma redução relativamente ao ano anterior, tanto em relação os fornecimentos e serviços externos como em relação aos custos com o pessoal, mas tendo em conta que a empresa tem alguns gastos fixos, como por exemplo a renda do estabelecimento, a redução não foi suficiente para a empresa ter lucro com a actividade. Durante o ano de 2009 a empresa gerou um Resultado Líquido Negativo de 11.973,64 euros, para o qual propomos à Assembleia Geral Ordinária que o resultado líquido apurado seja lançado na conta de resultados transitados para eventual cobertura deste em exercícios futuros. A empresa tem a sua situação regularizada com o fisco e com a Segurança Social. O passivo da empresa situa-se dentro dos prazos normais de pagamento previstos. Castelo Branco, 1 de Março de 2010 A Gerência: Paulo Manuel Martins Gomes

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GERAL

VALORFITO

Sistema de recolha de resíduos de embalagens de produtos fitofarmacêuticos O VALORFITO é o sistema gerido pela SIGERU – Sistema Integrado de Gestão de Embalagens e Resíduos em Agricultura, Lda. e tem por objecto a recolha e encaminhamento para tratamento adequado dos resíduos de embalagem de produtos fitofarmacêuticos, no quadro da legislação aplicável. Este sistema integrado está licenciado apenas para embalagens primárias de produtos fitofarmacêuticos com uma capacidade inferior a 250 L / 250 kg, ou seja, as embalagens que estão em contacto directo com os produtos fitofarmacêuticos, e que por isso são classificadas como resíduos perigosos. O VALORFITO é a melhor opção para a gestão de resíduos de embalagens vazias deste tipo de produtos e devem fazer-se todos os esforços para cumprir as exigências do sistema. O agricultor deve informar-se junto do seu fornecedor ou directamente junto do VALORFITO*, sobre quais os locais - Centros de Recepção - autorizados a receber as embalagens vazias.

Funcionamento do VALORFITO: Os agricultores levantam sacos adequados à recolha nos locais de venda, aquando da aquisição dos produtos fitofarmacêuticos; Após consumir o produto: - as embalagens rígidas e com capacidade / peso inferior a 25 L / Kg de produtos destinados a preparação de calda, devem ser lavadas três vezes, inutilizadas, fechadas e colocadas nos sacos; - as embalagens rígidas de capacidade / peso superior a 25 L / Kg, de

produtos destinados ou não, a preparação de calda, não deverão ser lavadas, sendo completamente esgotadas do seu conteúdo e fechadas; - as embalagens rígidas e não rígidas de peso inferior a 25 Kg, de produtos não destinados a preparação de calda, não deverão ser lavadas, sendo completamente esgotadas do seu conteúdo e colocadas nos sacos; O armazenamento temporário dos resíduos de embalagem deve ser feito

A SIGERU / VALORFITO recorrerá aos serviços de operadores especializados e licenciados pela APA - Agência Portuguesa do Ambiente, para o levantamento e

nas explorações agrícolas, devidamente acondicionados nos sacos, nos mesmos locais onde armazenam os produtos; Nos períodos de recolha previamente divulgados pelo VALORFITO, os agricultores devem transportar e entregar esses sacos nos centros de recepção autorizados; Aquando da entrega dos sacos no centro de recepção, o agricultor receberá, se o solicitar, um documento comprovativo da entrega dos resíduos de embalagens.

encaminhamento destes resíduos dos centros de recepção para tratamento e posterior reciclagem ou valorização energética.

* Contacto VALORFITO – Tel: 214 107 209; Fax: 214 139 214; e-mail: valorfito@sigeru.pt ; web: www.valorfito.com 60

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AGRICULTURA BIOLÓGICA

Mercados de Rua combatem falta de informação

“Muita gente já ouviu falar de produtos biológicos mas se calhar não sabe muito bem o que são” Numa altura em que os problemas derivados de uma alimentação deficiente em frutas e legumes frescos estão na ordem do dia, a Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio) tem insistido na criação de Mercados Biológicos de Rua, onde é possível conhecer, provar e adquirir produtos de agricultura biológica, sobretudo nos grandes centros. Sobre estes e outros temas estivemos à conversa com o presidente da Agrobio, Jaime Ferreira. Voz do Campo: Comecemos pela pergunta base, o que é a agricultura biológica ? Jaime Ferreira: A agricultura biológica radica em ensinamentos tradicionais de produzir alimentos, mas também no desenvolvimento de técnicas, como a compostagem, no não uso de pesticidas de síntese e muito menos transgénicos. Em suma, é uma agricultura que produz alimentos saudáveis e amigos do ambiente. VC: Desde a criação da Agrobio, há 25 anos qual foi o 230 mil hectares desenvolvimento da 2 mil operadores agricultura biológica em Portugal? 1400 agricultores para outras zonas. A Agrobio JF: Hoje temos à volta de 230 pretende nos mil hectares de terreno em agricultura biológica, segundo números de 2007, próximos anos desenvolver localmente ocupados por duas culturas principais: as produções e dinamizar os pastagens e olival. Há cerca de dois mil agricultores para que eles possam operadores (toda a fileira) e, em ajudar a criar esses próprios mercados. números vagos, 1400 agricultores. Já o mercado dos produtos biológicos tem crescido 10 a 15% ao ano. Sente-se que a procura tem subido, mas não acompanhada pela produção.

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VC: Qual a razão dessa situação? JF: Acho que, tal como acontece na agricultura tradicional, muitas vezes os agricultores têm dificuldades no escoamento dos produtos. Ou seja, faltam canais de distribuição dos produtos de agricultura biológica, por isso a Agrobio aposta muito na ideia dos Mercados de Rua.

VC: O que é que distingue o produto oriundo deste modo de produção? JF: Normalmente o produto biológico é mais saboroso e de melhor qualidade que o convencional. Por detrás da aparência importa saber que um produto de agricultura biológica não tem resíduos tóxicos e a sua produção foi amiga do ambiente, porque não usou produtos químicos de síntese e consumiu menos combustíveis fósseis, entre outras razões.

VC: Esses mercados são localizados ou já estão espalhados pelo país? JF: Esta ideia acompanha um pouco a “litorização” do país, realizando-se onde há mais consumidores, não invalidando que venham a expandir-se

VC: O consumidor já está sensibilizado para essas questões? JF: A informação é um ponto essencial e há muita falta dela. Muita gente já ouviu falar de produtos biológicos mas se calhar não sabe muito bem o que

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são. Os Mercados da Agrobio têm um importante papel nesta divulgação. VC: Podemos falar em novas culturas em Modo de Produção Biológico (MPB) e qual tem sido a actuação da Agrobio nessa matéria? JF: A Agrobio sempre foi parceira e promotora de projectos de investigação, desenvolvimento e divulgação de agricultura biológica, um papel que tem tentado recuperar. Muito recentemente foi aprovado um projecto de demonstração e divulgação de arroz biológico nos estuários do Sado e Tejo. São Reservas Naturais, onde já se produz arroz, mas de modo convencional, altamente poluente. O projecto pretende promover a novidade que é o arroz biológico, associada a uma menor perda de biodiversidade. No final o objectivo é comercializar o arroz, mas prevê também a recuperação de uma unidade de descasque, associado ainda a uma componente turística, no caso a Herdade da Comporta, onde se montará uma loja para vender o produto.


EMPRESAS & NEGÓCIOS

Termoinox pondera produzir equipamentos para fabrico artesanal de cerveja A Termoinox – Indústria Metalúrgica iniciou a sua actividade no sector dos lacticínios, nomeadamente tanques para refrigeração de leite, recuperadores de calor de circuitos de refrigeração de leite (...) , entrando mais tarde no sector do vinho, fabricando depósitos e comercializando máquinas para vinicultura. Nesta evolução a empresa passou a fabricar também máquinas e equipamentos para queijarias artesanais, solucionando grandes problemas que essas unidades enfrentavam. A empresa, com sede em Oliveira de Azeméis, tem tido preocupação de diversificar a sua oferta e como tal produz também algumas peças direccionadas para o sector do mel, estudando neste momento a possibilidade de fabricar equipamentos para fabrico artesanal de cerveja, que na opinião do empresário Américo Bastos é um sector que ainda não está muito divulgado mas que com o tempo poderá vir a desenvolver-se. Aquilo que não produz na empresa adquire noutros locais para completar as diferentes gamas. E, embora a

empresa se encontre numa situação razoável a conjuntura negativa é bem evidente com clientes a não conseguirem o crédito necessário para liquidarem os equipamentos que encomendaram, criando uma situação imprevista de stocks. A primeira vantagem para o cliente ao adquirir o produto Termoinox é que, sendo uma empresa nacional, facilmente se adapta às solicitações, nomeadamente dos queijeiros,

deslocando-se às queijarias e trocando impressões com os clientes. Por outro lado, Américo Bastos refere-se aos preços que, em seu entender, são bastante competitivos. Nos sectores a desenvolver futuramente enquadra-se o do azeite, neste momento ainda muito residual e resumido apenas ao fabrico de alguns depósitos e à importação de máquinas como enchedoras ou capsuladoras.

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VINHA & VINHO

Sector está mais capacitado para responder às exigências de mercado A vitivinicultura é uma actividade fortemente enraizada no município de Borba, permitindo a muitas famílias daí retirarem o seu sustento de forma directa, assim como também desenvolver muita indústria, esteja a montante ou a jusante. Pode dizer-se que o sector cresceu, embora sem muito significado e talvez até seja mais correcto falar em transformação, com o sector a capacitar-se para responder às novas exigências do mercado. Ainda assim, a Adega Cooperativa de Borba, que representa muitos dos viticultores do município está a crescer e a construir novas instalações, inserida num grande projecto, que demonstra uma visão estratégica de crescimento em relação ao futuro, frisa o

vereador da autarquia de Borba, Humberto Ratado. Indirectamente, a autarquia tem tido a preocupação de divulgar o produto de inúmeras formas e, nos últimos anos, através de um certame muito vocacionado para o sector, que é a Festa da Vinha e do Vinho, este ano marcada de 6 a 14 de Novembro. Embora partindo do sector vitivínicola o certame não se desliga do turismo e do lazer, atraindo visitantes e no global consegue proporcionar um significativo volume de negócios, não só no próprio local mas também na sua envolvente. Para este ano a organização já tem um pavilhão multiusos totalmente

disponível e, dadas as circunstâncias orçamentais e toda a conjuntura que se vive, o município está a tentar trabalhar na sustentabilidade do certame. As restrições obrigam a uma redução dos gastos e o orçamento deste ano será reduzido em cerca de metade, mas assegurando o interesse na visita do certame. O vereador deixa bem claro que é aliciante ir a Borba provar os vinhos disponíveis na Festa, degustálos com a gastronomia alentejana que vai estar patente no evento por via de alguns restaurantes, dando aos visitantes a possibilidade de durante os vários dias de Festa conhecerem produtos diferentes, de várias gamas.

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“Quinta da Lapa Reserva 2008” - Melhor tinto português O vinho tinto da região do Tejo “Quinta da Lapa Reserva 2008” foi eleito o melhor vinho português na edição de 2010 do Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados (CNVE). Trata-se de um vinho produzido pela Agrovia – Sociedade Agro-pecuária, S.A., na Quinta da Lapa, situada no concelho de Azambuja. Adquirida por José Guilherme Jorge da Costa, em 1990, a propriedade tem vindo a ser remodelada com o arranque das vinhas velhas e 64

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plantação das castas tradicionais do Ribatejo e outras sobre as quais se desconhecia o comportamento e só agora começam a revelar as suas qualidades, conforme explica o enólogo residente, Carlos Sardinha. Para a empresa este prémio é acima de tudo um estímulo para continuar a trabalhar na linha definida pois “o vinho é muito bom mas foi feito para esse objectivo”. O galardão obtido destaca o vinho que mais pontuação obteve entre os cerca de 700 rótulos presentes na competição deste ano, que reuniu 250

personalidades do sector vitivinícola, com o objectivo de apurar os vencedores das 177 medalhas atribuídas. Ainda desconhecido do público, o “Quinta da Lapa Reserva 2008” vai apresentar-se no mercado com a maisvalia do prémio obtido e poderá destinar-se a restaurantes de gama média-alta. Aliás, os restaurantes são o principal destino dos produtos da Quinta da Lapa, que não trabalha com distribuidores. Santarém, Lisboa, Leiria, Ilhas e Angola são os principais mercados.


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Pedro Branco Serviços de Agricultura e Pecuária (Técnico de Gestão Agrícola)

Serviços -

Lot. do Pinhal de Cima Edifício do GAT - 6100 Sertã Telf. 274 603 077 | Fax. 274 603

Quinta das Relvas 6300-025 Aldeia Viçosa (Guarda) Tel. 271 920 170 Fax.271 920 179

Lavouras; Limpeza de Terrenos; Podas; Corte de Madeira; Colheita de Azeitona; Colheita de Frutos. Rua dos Olivais, n.º 27

Telm: 963 562 445

6060-511 S. Miguel D’Acha IDANHA-A-NOVA


SETEMBRO-OUTUBRO . 2010


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