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COMPORTAMENTO

A mágica da arrumação e Isso me traz alegria se tornaram campeões de venda. Alívio e liberdade são sensações descritas por aqueles que põem em prática as técnicas dela. “A Marie Kondo transcende o aspecto da organização. Ela faz refletir sobre nossa relação com o mundo material e nossos hábitos de consumo, mostrando que podemos ser felizes convivendo com pequenas e poucas coisas. Para ela, a síntese do bem-estar em casa está em nos livrarmos de tudo o que não transmita identificação”, observa a semioticista Clotilde Pérez.

de autoconhecimento”, explica a personal organizer Ingrid Lisboa, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, vice-presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade e integrante do corpo docente da pós-graduação em Consultoria de Imagem e Estilo do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Para ela, o estresse gerado pelo ambiente desordenado se incorporou em nossa rotina, de tal maneira que nos acostumamos a produzir bagunça. “Embora espaços organizados economizem tempo, as pessoas estão habituadas a exigir demais do cérebro, fazendo-o dar voltas até identificar uma roupa ou localizar um documento”, analisa a personal organizer.

ORGANIZAÇÃO E AUTOCONHECIMENTO

DESCARTE E PROCRASTINAÇÃO

Num mundo onde a oferta de produtos não tem limites, a organização espacial se tornou um exercício psicológico. “Organizar a casa é estabelecer critérios e refletir sobre o que é relevante, desencadeando um processo

“Descartar o que não usamos é o ponto número um do processo de organização”, orienta Ingrid, que defende que vencer o apego material é o passo mais desafiador para estabelecer ordem no lar. “Não vai ler a revista? Digitalize o conteúdo que interessa ou catalogue-o num envelope plástico. O livro não tem mais por que estar ali? Doe a quem precisa”, recomenda. Muitas vezes se procrastina a decisão de descartar — reação comum a tarefas desafiadoras, chatas ou longas. Em alguns casos a procrastinação está mais relacionada à capacidade de controlar impulsos e emoções do que à gestão do tempo. “Mente quem afirma nunca ter protelado uma tarefa por causa de uma distração qualquer. Mas vale ressaltar que uma coisa é procrastinar e outra é ser um procrastinador. Este perfil é mais complicado, pois limita a capacidade do indivíduo e impede-o de produzir”, nota Ingrid.

CLOTILDE PÉREZ SEMIOTICISTA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

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© Jennifer Koo

UM BANHEIRO, MIL CREMES A médica dermatologista Adriana Awada tem o hábito de procrastinar e de deixar acumular objetos. Há nove anos, quando se mudou para o atual apartamento, conheceu Ingrid. “Estava à procura de alguém que me auxiliasse com a mudança, e ela me foi recomendada. Coloquei todos os meus pertences em sacos e malas, entreguei à Ingrid e fui trabalhar. Ao retornar, encontrei o apartamento em perfeita

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