Revista Comemorativa do Centenário de Ir. Margarida

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1920

Irmã Margarida com 1 ano de idade

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Revista Tô em Foco | Dezembro.2020


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Sumário 3

100 palavras para descrever um centenário

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Sumário

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Editorial

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Irmã Margarida, Mensageira do Amor Divino

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Mensageiras do Amor Divino

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Família

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Amigos

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Bispos, padres e seminaristas

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Biblioteca

Minha História

Biografia

Mensagem

Dom da vida celebrado em décadas

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100 Anos de Muita História

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2020: Celebração do Centenário!

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Música

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Irmãs Mensageiras do Amor Divino – História

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Oração Vocacional

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Reze! Pense e decida!


Conselho editorial: Irmã Lucimar - M.A.D., Madre Kátia - M.A.D., Irmã Eliana - M.A.D., Irmã Bruna - M.A.D. e Irmã Maria Rita - M.A.D.

Expediente Tô em Foco Fábrica de Revistas contato@fabricaderevistas.com.br 41 99961-6203 / 99647-2764

Produção e edição: Tô em Foco Fábrica de Revistas

www.fabricaderevistas.com.br Fotografia: Sandro Oliveira

Fotos de arquivo: Acervo das Irmãs Mensageiras do Amor Divino

Projeto gráfico: Aldemir Batista Editora Exceuni

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I NTELIGENTE R ESPONSÁVEL M ULHER DE FIBRA A LEGRE M ENSAGEIRA A TUAL R ISONHA G ENEROSA A LICERCE DA CONGREGAÇÃO R ETIDÃO I NTEGRA D ISCRETA A MA VIAJAR, AMA VIVER Noviça Giovanna Pereira de Oliveira

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Editorial

dissera o filósofo Antístenes, que a “Gratidão é a memória do Coração”. E este é o sentimento que a equipe de redação da revista tem para com a homenageada: Ir. Maria Margarida. Nossa coirmã que chega aos seus 100 anos de vida, e sendo estes bem vividos. Por este motivo, somos gratas à Trindade Santa pelo dom desta vida em nosso meio. Nosso coração se enche de alegria, em poder compartilhar com você, caro leitor, a história centenária da Ir. Margarida. Nestas páginas não contêm apenas uma biografia, estórias, anedotas, homenagens, lembranças e recordações, mas nela está um século de existência. Celebrar este Jubileu é celebrar a gratidão por uma vida partilhada na família, na Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino, na Igreja e pelo Reino de Deus. Esta é a intenção desta revista, rememorar, fazer memória destes 100 anos, a fim de celebrar juntos os frutos que Deus nos possibilita partilhar, pois tudo aquilo que se faz memória se eterniza em nosso coração. Obrigada por partilhar conosco esta memória viva! Boa leitura! Pela equipe, Irmã Maria Rita da Silva, M.A.D.

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Irmã Margarida, Mensageira do Amor Divino “A vida é o imenso laboratório para atenção, a sensibilidade e o espanto que nos permite reconhecer em cada instante, por mais precário e escasso que esta seja, a reverberação de uma fantástica presença: os passos do próprio Deus”. (José Tolentino Mendonça)

Esta frase retirada do livro “A mística do Instante”, me inspira a contemplar o “Mistério de uma vida”, cem anos de “perder-se no todo”. Quanto mais a pessoa busca sabedoria de Deus e os conhecimentos da ciência, mais se torna apta para acolher cada momento da vida como único, sem espanto e desespero. Serenidade, uma das virtudes clássicas das mulheres do povo de Deus, que conquistaram seus espaços por enfrentarem a vida de modo sério e sereno. É muito bom escrever sobre a Irmã Maria Margarida, pois vive, no cotidiano da vida sendo pessoa humana, silenciosa, estudiosa, profunda; não se consegue ir além do que reflexões verdadeiras. Convivendo nestes 36 anos de Congregação, ouvi sempre falar da Irmã Margarida, uma mulher que nunca nunca se expôs, seja para o excesso, seja para a escassez, como se averigua nas vidas, nunca foi “oito ou oitenta”. O equilíbrio a colocou sempre como grande conselheira e amiga da nossa Fundadora Me. Felicy. Foi indicada como a primeira Coordenadora de comunidade na Congregação e algumas até o dia de hoje a chamam: Irmã superiora por este dado histórico. Uma mulher trabalhadora, lecio-

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Madre Kátia e Irmã Margarida

nou muito tempo e sustentou parte da Congregação e depois de aposentada sempre foi a benfeitora número um da Casa Mãe, sua aposentadoria sempre pagou água e luz desta casa. Nossos escritos publicados nunca foram para as gráficas sem passar pelas mãos de Irmã Margarida, quem nos indicava era nossa Fundadora e as Superioras Gerais. Os desafios que ultrapassou foram inúmeros, muitas provas de fogo, mesmo assim nunca desistiu! Contemplar um século de vida é pertencer à história do mundo de uma forma mais profunda, autêntica e rara. Neste ano de 2020, que nos assola com a Pandemia, o vírus que disseminou o mundo, transformando nosso

estilo de vida, não nos impediu que cada dia 10 do mês, celebrássemos seu centenário, na simplicidade e alegria. Sua vida é Dom, é um PRESENTE para Deus e para as Mensageiras do Amor Divino, todos os escritos que estão colocados nesta revista são a sua pessoa. Agradeço suas palavras de incentivo e exortação durante os anos de minha missão como Superiora Geral, sempre foram palavras certas e de amparo. Certamente o jeito de Maria, além de ter no seu nome, os traços da Mãe de Jesus está presente na sua vida consagrada. Viva este século de 1920 a 2020! Viva Irmã Maria Margarida Pereira, M.A.D. Me. Kátia Regina Segateli, M.A.D. Superiora Geral das Irmãs Mensageiras do Amor Divino


Minha História Ir. Maria Margarida Pereira

Vai Mensageira Vai Luz divina interceder se de Jesus tu queres ser... (estrofe da poesia Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida,M.A.D.)

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Biografia

Pai, mãe e avô materno da Irmã Maria Margarida

Aparecida, 11 de janeiro de 2020

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pós vários, já antigos e insistentes pedidos de Ir. Eliana, vou tentar escrever minha autobiografia. Nasci dia 10 de dezembro de 1920, na fazenda Bom Jardim, no bairro de Bonfim, então município de Guaratinguetá (SP). Sou filha de Maria de Lourdes Novaes Pereira (faleceu com 76 anos de idade) e era natural da cidade de Pinheiros (SP). Meu pai se chamava Manoel Pereira da Silva Junior (faleceu com 86 anos de idade), era natural do bairro do Bonfim, município de Guaratinguetá (SP). Meus pais eram casados na Igreja e no Civil, eles tiveram 5 filhas e eu sou a primeira. Minhas irmãs se chamam Irene Pereira da Silva (2ª filha), Nelly Pereira Chaves (3ª filha- falecida), Lucy Pereira Braga (4ª filha - falecida), Daisy Pereira Torres (5ª filha- falecida). Meus avós maternos foram: José da Silva Novaes e Tereza de Freitas Novaes, ambos da cidade de Pinheiros (SP). Eles eram primos de família tradicional da região.

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Meu avô paterno: Manoel Pereira da Silva era português e veio para o Brasil com o pai que era oficial da Marinha Mercante Portuguesa. No Rio de Janeiro pegou febre amarela e quando chegou o dia do navio voltar para Portugal não pôde embarcar, pois estava doente e a febre amarela era contagiosa. Eu suponho que foi nessa vez que ele ficou internado na Beneficência Portuguesa, hospital do Rio de Janeiro e do qual ele tinha com muita consideração um diploma de sócio. Veio para o Bonfim, em Guaratinguetá (SP), com um tio que se chamava José Pereira Barbosa. Esse tio foi quem construiu a Igreja do Bonfim, onde fui batizada. Quando meu avô faleceu, eu tinha 14 anos. Minha avó paterna chamava-se Margarida Maria de Jesus, brasileira, fora criada pelos padrinhos, em Pindamonhangaba (SP).


Igreja de Nosso Senhor do Bonfim onde a Irmã Maria Margarida foi batizada

Batismo Fui batizada na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, paróquia rural de Roseira (SP), Diocese de Taubaté (SP), no dia 26 de dezembro de 1920. A cerimônia foi presidida pelo Padre José Benedicto da Silva, CSsR, sendo meus padrinhos meu avô materno, José da Silva Novaes e minha avó paterna, Margarida Maria de Jesus. E registrada no cartório de registro civil de Guaratinguetá “sendo declarante o próprio pai”, como consta no documento, dois meses depois.

Crisma Fui crismada no dia 25 de maio de 1924, na mesma Igreja em que fui batizada, Capela rural de Nosso Senhor do Bonfim, paróquia de Roseira (SP), Diocese de Taubaté (SP), hoje pertence à arquidiocese de Aparecida. Minha madrinha de crisma se chamava Ottília Pereira da Silva. Quando eu recebi o Sacramento da Crisma, tinha 03 anos de idade incompletos. Fui crismada por um Missionário Redentorista, Pe. Thiago Klinger, CSsR (alemão). Na época já existia o bispado de Taubaté (SP), mas o bispo não andava a cavalo, e para chegar à Igreja do Bonfim pela estrada mais curta dava 8 km da estação ferroviária. Então, ele não fazia crismas nas Capelas, e para isso dava faculdade aos Missionários Redentoristas que moravam em Aparecida (SP).

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Hino da minha 1ª Eucaristia Vinde, vinde Oh meu Jesus Habitai meu coração Neste dia tão ditoso Da 1ª Comunhão Aceitai Jesus amado Nossas ternas orações Derramai as vossas graças Hoje em nossos corações.

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Primeira Eucaristia

L

ogo no início do ano escolar, passei a frequentar o preparatório para a Primeira Comunhão na Igreja de São José, em Guaratinguetá (SP), Diocese de Taubaté (SP), que fora dos Frades da Ordem Franciscana Menor e hoje, o local é estacionamento da Santa Casa de Misericórdia. Frequentei o Catecismo dessa Igreja e o Oratório Festivo do Colégio Nossa Senhora do Carmo, das Irmãs Salesianas, ainda por algum tempo. A catequese era com aula diária, e seguia o “Catecismo da Doutrina Cristã”. Como eu entrei em uma turma já iniciada, decorei facilmente todas as lições anteriores, e passei para a preparação dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia. No final do mês de maio, fizemos exames orais (provas) com os frades, responsáveis da Igreja São José. As datas das Primeiras Comunhões, na época me parecem que seguiam as da paróquia de Santo Antônio. Os freis daquele tempo foram Frei Antonino, delicado, pacífico, e conhecido como um santo, e Frei Celestino, também de grandes virtudes, porém era bravo e tínhamos medo dele. A minha Primeira Eucaristia foi em uma missa solene no dia 1º de junho de 1930, um domingo, festa em que se comemorava o encerramento do “mês de Maria”, que neste ‘ano caiu no sábado, e era dia útil. Minhas catequistas foram D. Lourdes Viana e D. Nenê Morais, ambas professoras. D. Nenê tinha uma escolinha particular “meio” jardim de infância, na própria casa, na Rua Moraes Filho, a escola era conceituada e bem paga, na cidade. A Igreja era de um antigo Colégio São José, dos Franciscanos, que depois compraram casa, terreno e construíram o convento e Igreja de Nossa Senhora das Graças, na Rua Vigário Martiniano, 68, onde ainda, com reformas, existe. É convento, portaria, salas, etc. Nesse endereço eu Primeira Eucaristia - Irmã Margarida em destaque morava com meus avós “Seu Manoel e D. Margarida”, para frequentar o terceiro ano primário da Escola Modelo de Guaratinguetá, hoje parece-me que é “Instituto de Educação” Conselheiro Rodrigues Alves. Minha avó ia às rezas e me levava, eu ia com muito gosto. Tenho bem nítidas recordações desse dia da minha primeira eucaristia. Minha mãe veio do Bonfim, especialmente para a festa. Após a missa, às 7h da manhã, o programa de costume na época era tirar fotografia que naquele tempo era “coisa importante” com fotógrafo profissional contratado e depois café no salão de festas. À tarde, imponente procissão na Paróquia de Santo Antônio, e que nós tomamos parte. O que me ocorre de especial da tarde, foi que isto me acontece até hoje – pés muito difíceis de acomodarem com calçados - o sapato branco fabricado especialmente numa oficina do “Braz Verona” me causava dor aguda no joanete. Então, escondido de minha mãe e da tia Nina que se responsabilizara pela minha “toalete”, calcei o tênis próprio das aulas de ginástica, e saí antes, para acompanhar a procissão da tarde. E como estava usando o vestido branco e longo, nunca esqueci que as duas nem desconfiaram. Esse início da minha vida cristã, só Deus sabe o valor dela. Ainda por algum tempo, frequentei a catequese da Igreja São José e comecei a alternar com a do Colégio do Carmo das Irmãs Salesianas. Revista Tô em Foco | Dezembro.2020

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Primeiros anos de estudo Minha mãe era professora do bairro, e comecei a frequentar a escola, situada ao lado da residência, muito cedo, e aos seis anos já era alfabetizada. A “futura matemática”, alcancei nota no ano seguinte já com 07 anos. Aos nove anos de idade, fui matriculada no 3º ano do Curso Primário da então Escola Normal de Guaratinguetá, residindo com meus avós paternos que moravam na cidade.

Aparecida 1937 Lembrança da 5ª série Dezembro 1939 - professorandos

Estudo e Profissão Em 1932, com a Revolução Constitucionalista, meus avós se mudaram para Pindamonhangaba (SP), passei o fim de ano na casa de uma prima de minha mãe. Em 1933, fui residir como pensionista no Colégio Nossa Senhora do Carmo. Um sarampo violento – ameaça de tuberculose que na época era o “espanto” da juventude - me fez perder o ano de ginásio. No Colégio do Carmo, permaneci por mais um ano e meio e passei a residir numa pensão de estudantes – feminina, como era exigência de meu pai. Mesmo morando ali, nunca perdi missas e era de comunhão frequente. No tempo de pensionista no Colégio, frequentei as aulas de religião e tomei parte em funções na capela, que eram sempre muito organizadas. De acordo com a nossa idade, muitas vezes levamos certas práticas em brincadeiras, o que seria a longo tempo expor aqui. Assim mesmo, acho que valeram. Uma reforma de ensino, abrindo ginásio em grande parte dos colégios, levou-me ao Colégio Bom Conselho, de Taubaté, onde cursei a 4ª série ginasial. Lá conheci e fiz parte da Ação Católica, como Jecista (Jovem estudante) que marcou minha vida religiosa, e a vocação que havia em germe e não era conhecida. Voltei à Guaratinguetá para concluir o curso ginasial e os dois anos do Curso Profissional do Professor. Durante esse tempo, fiz parte da Ação Católica e frequentei a cidade como era na época.

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Formatura em 1939

Irmã Maria Margarida com 18 anos ao lado de sua amiga Maria Aparecida

Nesses tempos, sem deixar a comunhão frequente, fiz parte da minha classe da escola e do grupo de meninas de bom comportamento na cidade. Foi um período de escolhas e acompanhando a transformação do mundo em guerra. Concluindo o curso, ingressei no magistério como substituta no Grupo Escolar de Roseira, onde morei um ano. De lá mudamos para Guaratinguetá (SP) e passei a ser substituta no Grupo Chagas Pereira, em Aparecida (SP), e escolas rurais de Guaratinguetá por dois anos.


Censura Postal - Secreto Entrei para a Censura Postal no ano de 1943, com 23 anos de idade, após prova escrita que deveria ser de pelo menos cem palavras. O meu tema foi: “Consequências Políticas e Sociais da grande guerra”. E tradução de um trecho em espanhol. Fui aprovada para o serviço de Censura Postal – secreto, em São Paulo, que durou até o fim da II Guerra Mundial, em 1945. Liamse as cartas e se havia qualquer desconfiança de código ou notícia que era proibido sair do país, ou se cortava o trecho ou se transferia a carta para a outra seção (havia vários setores dentro dos Cor-

reios que eram chamadas de seção). Não me lembro se simplesmente as cartas eram queimadas ou se devolviam aos remetentes. O turno de trabalho era de 8h e quando necessário, se fazia mais 3 horas no período noturno. Trabalhei por dois anos e era um cargo de confiança, no trabalho tínhamos um armário para guardar as coisas pessoais, mas ninguém revistava os funcionários nem na chegada nem na saída. Deixei o trabalho porque encerrou o serviço de Censura Postal, pois a guerra tinha chegado ao fim. O correio registrava quem quisesse continuar em outra seção. Nes-

ta nova fase de escolhas, optei pela minha profissão, o magistério primário do estado de São Paulo. Lecionei em escolas rurais de Terra Roxa, região de Jaboticabal (SP), Cedro, litoral sul do estado – Santos; Sapesal; região oeste, bairro dos Pilões, em Guaratinguetá (SP), Itaquaquecetuba (SP), Mogi das Cruzes (SP). No ano seguinte, prestei novo concurso e realizei o Curso de Aperfeiçoamento de Professores no Instituto de Educação Caetano de Campos. Ao final deste, vim para o Grupo Escolar Comendador Salgado, em Aparecida, onde permaneci até a aposentadoria em 1967.

Lembranças do Tempo de Estudante Na época de colégio, como toda adolescente, tive um pretendente chamado Atos e minha colega Helena escreveu um “poema” para mim. 1933 - Colégio do Carmo com as pensionistas

Escola Conselheiro Rodrigues Alves, em Guaratinguetá com alunos do segundo ano normal

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Poema Morena baixa gordinha, De olhos grandes escuros A passos firmes seguros Para o futuro caminha.

Foi lendo os três Mosqueteiros Que Atos a impressionou Passaram-se anos inteiros E esse herói nunca olvidou.

Eis das Camélias a dama, E um mosqueteiro de fama Tudo pode acontecer. Poema escrito pela Helena, colega da Irmã Maria Margarida

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Música Eu não tenho uma música preferida, mas me recordo que uma vez, estava em um exame de música na escola – Curso Profissional do Professor e havia uma banca examinadora. Estavam presentes nesta banca a professora de Música D. Romualda, professora de Sociologia D. Lucilla e a professora de Trabalhos Manuais D. Lídia. Sei que “a professora de música me protegia”. Quando comecei a prova, a professora de trabalho falou: “É desafinada”! Escutei, fechei a boca! E a professora de música percebendo que eu tinha parado de cantar, falava: “Continua, Margarida, continua”! Do meu jeito eu continuei a cantar, e deu para tirar nota na média. Antes de ingressar no grupo das Mensageiras do Amor Divino tocava acordeom, mas não dei continuidade.


Lembrança de Infância Nos tempos que moramos na Fazenda Bom Jardim, algumas vezes por ano, passávamos alguns dias na cidade para compras, tratamentos de dentes, algum trabalho referente à escola... Mamãe não dispensava “visitar” Nossa Senhora, em Aparecida. Nós, minha irmã Irene e eu, nos nossos 6 anos mais ou menos, o importante para nós era ir ver de perto a imagem de São Vicente Mártir, que tinha sido colocado sob o altar central há pouco tempo e alguém lá da roça tinha dito que o cabelo do santo crescia. E voltávamos decepcionadas, pois o cabelo sempre estava igual e está até hoje.

Irmãs de Margarida: esquerda para a direita (em pé) Lucy, Margarida, Nelly, (sentadas) Daisy e Irene

Vocação Difícil pensar quando começou minha história vocacional. Ainda bem nova, eu me encantava com uma fotografia de duas primas, que foram dominicanas, e que, por sinal, morreram com mais de noventa anos. Uma vez falei a uma salesiana que queria ser aspirante, ela respondeu que era melhor terminar o curso, eu estava na segunda série ginasial. Continuei por todo o tempo admirando a vida religiosa, observei vários estilos, mas... Estive a ponto de tratar um casamento o que não aconteceu por absoluta oposição de minha mãe, e hoje acho que a proteção de Deus “funcionou”. Tive outro pretendente sério, eu mesma desisti. Quando trabalhei na Censura Postal dos Correios, um de meus colegas se interessou por mim. Ele tinha casa no Jardim América, em São Paulo e era bem financeiramente e queria casar comigo. Então, marcou para eu conhecer a mãe dele que iria passar no trabalho. Quando che-

Irmã Maria Margarida com 14 anos

gou o horário em que a mãe dele iria chegar, em vez de sair pela porta da frente, eu saí pelos fundos dos correios e deixei os dois me esperando. Eu não tive coragem de enfrentar a mãe dele. No dia seguinte, ele não me cum-

primentou e nunca mais nos falamos e eu fiquei em paz. Isso foi divertido. Meu pai estava de acordo, pois ele queria que eu casasse, mas eu não queria. Desde o tempo do colégio religioso, de Salesianas e Irmãs de São José, fui sempre dedicada à prática, e depois de adulta à ação Católica, que iniciei no Colégio Bom Conselho de Taubaté. Dei aulas de religião nas escolas primárias onde lecionei, e avulsas em outras classes, a convite dos responsáveis. Fui membro da Ação Católica, das associações dos Santos Anjos e das Filhas de Maria. O que mais me marcou foi a Ação Católica que parece que no Brasil nem existe mais. Durante os anos de vida profissional, morei em vários pontos do Estado de São Paulo até que, de volta a Guaratinguetá, em 1953, conheci o Padre Eduardo Henrique Moriarty, CSsR e por influência dele, acabei entrando para as Mensageiras do Amor Divino. Revista Tô em Foco | Dezembro.2020

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Início do Grupo das Mensageiras do Amor Divino Em 1954 iniciou-se em Aparecida o então grupo das Mensageiras do Amor Divino. Pelo fato de lecionar no mesmo Grupo Escolar da fundadora Felicidade de Lourdes Braga (Felicy), com quem me relacionava, além de colega no magistério, em atividades relativas a trabalhos paroquiais – hoje quase impossíveis de fazer um paralelo – comecei a frequentar a sede. Fui a primeira “leiga” a pernoitar na sede, a fim de, na manhã seguinte, realizar a Consagração a Nossa Senhora, orientada pelo Padre Eduardo Henrique Moriarty, CSsR (fundador), isto ainda em 1954. Frequentei a casa durante este primeiro ano, vindo aos domingos para palestras que a fundadora, Dona FeliOito primeiras irmãs - Da esquerda para a direita, em pé Margarida, Luiza, Josefina, cy, fazia aos domingos para grupos de Núbia, Madre Felicy, Pe.Eduardo. De joelhos: Rosária, Paulina e Terezinha - 1955 moças. Eu levava convites para os retiros que ela organizava na sede do então Asilo dos Velhos, que era na esquina da Rua Barão do Rio Branco, onde funcionou como seminário e atualmente (2020) é o Colégio Milenium.

Ingresso no Grupo das Mensageiras do Amor Divino

Onze primeiras irmãs Mensageiras do Amor Divino

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Contra grande maioria, após muita oração, duas horas de Adoração ao Santíssimo na Capela da Matriz de Santo Antônio, em Guaratinguetá (SP) resolvi dar o passo, contra quase todos e ingressei no grupo das Mensageiras do Amor Divino. Aos 16 dias de fevereiro de 1955, em lágrimas, deixando na mesma situação, minha irmã e meus pais em pranto, vendo minha mãe desmaiar pela primeira vez em minha vida, tomei um táxi no portão de casa, e uns quase 30 minutos depois, ingressei chorando na casa das Mensageiras do Amor Divino. Fui recebida pelo Pe. Eduardo, que acabava de celebrar uma cerimônia de entronização de Nossa Senhora Aparecida, na sala de visitas, que ainda por algum tempo serviu de capela e que hoje (2020) está na Casa Mãe. Nessa data fui a oitava a ingressar no grupo. Vivi todo o desenvolvimento do grupo até chegar à Congregação das Mensageiras do Amor Divino, e fui da primeira turma, conhecido como o grupo de onze irmãs, a pronunciar os votos perpétuos.


Votos Particulares No dia 25 de fevereiro de 1955 (sexta-feira), dia de Nossa Senhora, fiz os votos particulares. Esses votos eram orientados pelo diretor espiritual; fazia-se uma preparação (não me recordo se a preparação era igual para todos), e depois a gente fazia os votos, não recebia nenhum símbolo, apenas lia a fórmula.

Onomástico Fiz o compromisso dois dias depois do ingresso na casa e recebi o nome de Maria Margarida de Jesus Eucarístico. Meu Onomástico é “Jesus Eucarístico”, que para mim foi surpresa, deu-me muita alegria, porque sem nunca dizer nada era o nome que muitas vezes, se um dia eu fosse “consagrada”, era o que desejei.

Votos Perpétuos

Dia a dia do pequeno grupo das Mensageiras Hoje, aos noventa e nove anos e meio, não me lembro de muitos pormenores. Mas me recordo que a troca de residência, a diferença de horários, levantava-se às quatro e meia e após oração da manhã, tinha-se uma meditação de trinta minutos e a missa era no Asilo dos Velhos (não sei mais se o nome era bem esse) que era ao lado Santa Casa de Misericórdia. Após o café, na sala, iniciava-se o dia de trabalho e orações, que

era intenso. Eu continuei minha vida profissional no Grupo Escolar Comendador Salgado, que ainda por muitos anos funcionou no bairro da Aroeira, e para onde se ia de bonde, que fazia a ligação GuaráAparecida e tinha ponto quase em frente da nossa casa. Eu lecionava no terceiro período, das 14 às 17 horas. Embora em Aparecida já houvesse boa assistência aos pobres, era grande o número de pedintes

nas ruas, tínhamos muito movimento na portaria e se atendia todo o tipo de problemas. Nos poucos tempos vagos, ocupava-se com a preparação de catequese, preparação dos retiros que já estavam começando a acontecer, até então no Asilo, além da distribuição de um pensamento para reflexão que Padre Eduardo formulava cada semana, leitura espiritual e aulas de catecismo em casa. Eu entrava em tudo isso. Revista Tô em Foco | Dezembro.2020

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Apesar de mais duas professoras no grupo, ainda dei aulas de complementação para algumas das nossas, pois não havia exigências de preparo mais do que curso primário, e foram aceitas algumas que nem tinham este completo, entre elas a Ir. Rosária de Souza (cofundadora das Mensageiras do Amor Divino) e que nunca se esqueceu disso. Assim se passaram os primeiros anos. A saúde algumas vezes se abalou, e até foi interpretada como “psicológico”, o que eu soube depois do diagnóstico do médico e tratamento prescrito. Neste período, aconteceu o desenvolvimento do “grupo” e eu tive parte ativa, por força das circunstâncias. Acompanhei a Madre na primeira visita dela ao Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, em São Paulo, quando ele prometeu terreno e o acompanhamento do grupo por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira. Em todo o período que se seguiu, estive presente a maior par-

Me. Felicy e Irmã Margarida

te das reuniões, e durante a construção da Casa Mãe, tive que exercer funções “administrativas” que antes nunca me passaram pela cabeça. Mesmo na casa alugada, tive parte ativa nos retiros, que na época ainda eram os tradicionais. Com a expansão e até a aprovação do Pio Sodalício, passei rapidamente pelas comunidades de Belo Horizonte, Ponta Grossa e São Paulo. Em 1967, aposentei-me do Magistério Estadual e fui para o primeiro pensionato que as Mensageiras tiveram em Curitiba (PR).

PENSEI EM DESISTIR Certo dia, no primeiro ano, por algum motivo eu quis ir embora, pensei em pegar um táxi, pois havia um ponto de táxi perto de casa, não tinha dinheiro, mas mamãe pagaria a corrida. Todo dia havia dois, três carros parados no ponto de táxi e naquele dia, não tinham ninguém, nenhum carro. Entrei em casa, encontrei a D. Felicy e ela me consolou. A Felicy precisava ir resolver algumas coisas em São Paulo e eu disse: “Pode ir que eu fico segurando as ‘pontas.’” E permaneço até hoje.

Época em que morava em Curitiba/PR Nessa cidade permaneci até 1971, passando pelos pensionatos, Cúria Metropolitana, Arcebispado e Casa Nossa Senhora do Mossunguê. A minha antecessora era pessoa de muita capacidade na área da catequese, tinha organizado e coordenava o trabalho pastoral arquidiocesano. Tive que assumir responsabilidades que, olhando agora para “a retaguarda”, chego a lembrar que Padre Eduardo tinha uma frase que muitas vezes funcionou: “A obediência faz milagres”.

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Tanto a pastoral arquidiocesana como as condições sociais e especialmente de Curitiba, passavam por mudanças. Os pensionatos femininos para apartamentos de grupos. Não tendo casa própria, em poucos anos, passamos por três, estas também alugadas, e em bairros diferentes, sendo que as duas últimas já eram também para residência das irmãs que trabalhavam em uma papelaria que o Padre Eduardo comprou para nós, com esperança de ser outro meio de sustento.

Em Curitiba – 1971


No ano que moramos no Bigorrilho, com pensionato, íamos à Missa na paróquia de Nossa Senhora das Dores – Igreja dos Passarinhos, cujo pároco tinha umas tantas gaiolas de canários ao redor e parece-me,não me lembro bem, até dentro da Igreja.

No tempo de só pensionato, dei aula de religião grátis, em escolas particulares. Na paróquia de São Francisco de Paula, tomei parte, por mais ou menos um ano, como assistente, não me lembro bem o nome “técnico”, da Legião de Maria. Como eu nunca fui uma pessoa criativa, só acompanhei os apostolados que a minha antecessora, Irmã Elizabete deixou, a Legião de Maria. Foi única e durou pouco, porque mudei de residência e tive que assumir novos trabalhos. Assim, com a saída da Irmã Elizabete, que coordenava a pastoral catequética, e, acho eu, que além da papelaria não estar dando o resultado financeiro necessário para nossas despesas por várias circunstâncias, o que seria longo demais enumerar aqui e fiquei só na pastoral arquidiocesana. A coordenação da Catequese ficou com a vice (creio eu) uma leiga, Sra. Monserrat, e eu entrei de auxiliar. No ano que moramos no Bigorrilho, com pensionato, íamos à Missa, na paróquia de Nossa Senhora das Dores – Igreja dos Passarinhos, cujo pároco tinha umas tantas gaiolas de canários ao redor e parece-me não me lembro bem, até dentro da Igreja. A decoração do altar e a lista das intenções pelos mortos também eram de dúzias – inesquecíveis. Essa Igreja até hoje é conhecida como “a Igreja dos Passarinhos”. Desse endereço, não me lembro mais a rua nem o número. Então, passamos para o Batel, Avenida..., onde já havia uma comunidade de nossas irmãs que trabalhavam na pastoral da arquidiocese. Dessa comunidade, comecei também a visitar o presídio, penitenciária femi-

nina e casa do menor, de Piraquara. Com o encerramento da papelaria, e a mudança de arcebispo em Curitiba, pouco tempo durou esta situação. Foi nomeado arcebispo de Curitiba em substituição a Dom Manoel da Silva Vieira Delboux, seu bispo auxiliar, Dom Pedro Marchetti Fedalto, que desde a chegada das Mensageiras do Amor Divino, em Curitiba, conhecia seus trabalhos e se tornara mesmo amigo e digo assim, seu protetor. Pouco tempo depois, Dom Pedro convidou o grupo que trabalhava no Departamento de Catequese e residia num apartamento da arquidiocese, na paróquia de Santa Terezinha, para uma residência antes ocupada pelo motorista de Dom Manoel, e estava vaga. Essa casa que tinha o endereço na Rua Dr. Keller, e comunicação além da residência do arcebispo, com a Cúria Metropolitana. Como nesse tempo eu estava nesse grupo, passei a residir nesse endereço, muito próximo da Paróquia de São Vicente, das Igrejas do Rosário e da Ordem. Além de missa diária na Capela do Arcebispado, facilitou muito para nós a participação em horários que o trabalho no recinto da Cúria exigia nossa presença. Aí funcionavam também além dos cursos e reuniões do Departamento de Catequese, os dos religiosos, porque o recinto da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), nem sempre comportava todos, e passei a ser recepcionista e responsável pela ocupação da sala e a fazer parte do grupo “mentor” do Departamento de Catequese, que com a saída de Ir. Elisabete passou a ter coordenação de um trio, uma Revista Tô em Foco | Dezembro.2020

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leiga, um irmão Lassalista e um padre Vicentino. Nunca tive muita memória para datas, mas me lembro que a arquidiocese passava por mudanças. Novo arcebispo, novo chanceler da cúria, e estava-se em experiência do Vaticano II. Foi um tempo, hoje recordo por causa de ter que deixar no papel, rico de experiências pastorais e de “Mensageiras Hoje, 20 de maio de 2020, do Amor Divino”. A Cúria com 99 anos escrevendo não funcionava em fim não por minha vontade de semana. Foi quanespontânea, mas por quase do fiz as mais variadas exigência da Madre Geral experiências, visitanIr. Kátia Regina Segateli, do a serviço da cateque conseguiu envolver até quese, paróquias de bairro e interior próo arcebispo, vejo-me na ximo. situação de agradecer à Uma vez, não me memória que ainda tenho, lembro em que bairnão de lembrar, mas de ro, um pouco antes da colocar no papel muitas missa, o pároco, que recordações. Muitas vezes só me lembro que era falei brincando: “Falo muito estrangeiro, parece-me bem da vida alheia, mas da que francês me disse: “Você minha não.” é que vai fazer a homilia.” Eu levei um susto, protestei, ele reafirmou: “É você mesma!” Entreguei-me ao Espírito Santo e fiz a homilia, que depois da missa ele me afirmou: “Ótima”. Hoje reflito: “O dever é uma oração.” Nele, Deus está. (Reflita um pouco sobre isso). Este tempo valeu de aprendizagem, pois devia estar presente em todos os cursos, da catequese e de religiosos. Ainda à parte da vida espiritual, olhando para trás, acho que foi útil. Aprendi e recordei bastante do que me seria útil para o trabalho e vida espiritual, pois por circunstâncias de troca de funcionários

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no edifício da Cúria, fui chamada a ser secretária do chanceler e responsável pelo funcionamento do salão onde se realizava grande parte das reuniões das muitas associações, grupos, pastorais, de Curitiba (PR). Este período foi rico de experiências, tanto em trabalho como vida espiritual. ESPIRITUALIDADE Tive a oportunidade de aprender, e conhecer muitas pessoas que me ajudaram na vida espiritual, e digamos profissional: padres esclarecidos, leigos dedicados cujo exemplo até hoje me edificam, e, sobretudo, tanto em pessoas como em circunstâncias que me ensinaram que minha consagração foi para valer. Recordo-me que assumi sem prévia preparação um tríduo de catequese, em uma cidadezinha do interior, que nem me lembro mais o nome. Passei três dias lá. Fui muito bem aceita, e tudo correu muito bem. Alguns dias depois, soube que a impressão do pároco foi: “Ela deu três dias de retiro”. Fiquei contente, porque afinal, a nossa congregação é para retiros. Hoje, 20 de maio de 2020, com 99 anos escrevendo não por minha vontade espontânea, mas por quase exigência da Madre Geral Ir. Kátia Regina Segateli, que conseguiu envolver até o arcebispo, vejo-me na situação de agradecer à memória que ainda tenho, não de lembrar, mas de colocar no papel muitas recordações. Muitas vezes falei brincando: “Falo muito bem da vida alheia, mas da minha não.”


Dom Pedro Fedalto, nosso arcebispo de quem conservo excelentes recordações, me facilitou sempre tempos e pagamentos quando esta parte era condição, para cursos, retiros. Ainda nesse período, tive a graça de conhecer as monjas de Sion e Beneditinas, dos Mosteiros de Belém e do Encontro, ambientes que nos levaram à oração. O Belém, na estrada de Paranaguá/PR, e mais distante, não era possível frequentar, mas o Encontro, em bairro do perímetro urbano, tornou-se “nossa segunda casa”, na expressão da priora Madre Maria Chantal, ainda hoje (21 de maio), segundo as informações que tenho, vive com 104 anos, no novo mosteiro, em município vizinho a Curitiba. No “Mosteiro do Encontro”, fiz a experiência que não julgava que seria capaz, é questão de tentar dias de isolamento e silêncio. Es-

Encontro de Experiência com Deus”, que atualmente figura no anuário da arquidiocese de Aparecida sob o título de “Oficinas de Orações.” Foi uma descoberta, “a segunda da minha vida.

Foto: Patryck Madeira

Dom Pedro Fedalto

crevendo este, me lembro sempre de uma frase da Madre Chantal, uma vez que cheguei, entrei na capela fazendo o possível para não ser vista ela veio ao meu encontro

e eu disse: “Interrompi sua oração!” E ela respondeu: “Nada interrompe a minha oração!” Guardei esta lição: “Fazer da vida uma oração e fazer da oração vida.”

Momentos que Marcaram Em 1976, fiz um retiro que me marca até hoje, o “Encontro de Experiência com Deus”, que atualmente figura no anuário da arquidiocese de Aparecida sob o título de “Oficinas de Orações.” Foi uma descoberta, “a segunda da minha vida”, a primeira no Colégio Bom Conselho, em Taubaté (SP), durante o retiro anual das alunas, pois até então, eu nunca tinha sido orientada para oração espontânea e oração mental; só para pedir ou agradecer alguma graça. Ainda no primeiro período de trabalho no arcebispado, apesar do comentá-

rio de Monsenhor Falarz, chanceler do arcebispado: “Por que nessa idade? Esses cursos?” Com quase 60 anos enfrentei um vestibular de faculdade e sem nenhuma preparação. Não sei qual foi a média, mas parece que o resultado foi considerado aprovado, pois não teve nenhum zero, e realizei um curso de dois anos de “Ciências Religiosas”, na Universidade Católica, hoje PUC de Curitiba, no período noturno. Consegui realizá-lo, cursando os dois anos e me foi de muita utilidade em trabalhos seguintes. Revista Tô em Foco | Dezembro.2020

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Itália Saúde Nem sempre tive uma saúde invejável, mas graças a Deus foi suficiente para chegar até aqui. Tive algumas doenças como: bronquite, sarampo, colite, apendicite, colesterol alto, reumatismo, câncer de pele (duas cirurgias sob o queixo), glaucoma – com cirurgia no olho direito várias alergias, anemias, surdez (atual). Consegui depois de Mensageira do Amor Divino muitas consultas, exames e tratamentos gratuitos, que se fosse pagar, não teria condições.

Sempre tive vontade de conhecer a Europa, castelos antigos e morar na Itália era a oportunidade. Chegou o dia da minha viagem para a Itália. Então, fui para a casa da Madre Felicy, em São Paulo, que me levou ao aeroporto de Campinas para que eu embarcasse com destino ao Rio de Janeiro. Chegando ao Rio, soube que o avião que vinha do Chile, no qual eu iria viajar, estava com 13 horas de atraso. Passei a noite no aeroporto do Rio de janeiro. Eu devia chegar em Roma pela manhã ou à tarde, mas cheguei uma hora da madrugada. “Coitada da Irmã Terezinha Santos e da Irmã Bernadete que ficaram me esperando”. Morei na Itália três anos e meio, em Graffignano VT – cidade de 3.500 habitantes na época. Havia prefeitura, posto médico, escola de 1º e 2º grau, farmácia, um castelo em construção, um pouco diferente dos arredores, polícia e algumas exigências de comércio, diferentes das nossas. Cheguei um pouco antes do Natal e já estava bem frio, o avião que me levou atrasou quase um dia, mas afinal, era tempo de começar a nova experiência. Fui muito bem recebida, e procurei me ajustar ao ambiente e às pessoas.

Roma 1985, próximo a Praça São Pedro

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Irmãs: Cecília, Margarida e Terezinha, na praça de São Pedro em 1985

Fiz boas amizades, fui catequista, Ministra da Eucaristia nas missas e a encarregada de levar comunhão aos “reumáticos” e doentes que não podiam ir à Igreja. Aprendi a língua o suficiente para fazer leitura na Igreja, conversar sem muito desembaraço e dar aulas de catecismo. Fiz o que pude para manter bom relacionamento com todos. Fiz boas amizades, era convidada para festas, o que mais me marcou foi a convivência com o povo, além de ver as antiguidades, costumes, castelos.

Ir. Margarida e Ir. Terezinha Santos, em Roma


Graffignano Itália 1995

Roma 1985

Dobbiaco 1986 Dobbiaco 1986

Dobbiaco 1986

Dobbiaco 1986

Itália

Viterbo 1986 Euvira e sobrinha Zeli

Graffignano Italia 1995 Na Igreja, em S. Michele - Teverina, Itália 1987

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Viagem a Lourdes – França

Nunca pensei que fosse algo capaz de me levar por algumas horas “fora deste mundo”.

Civitavecchia 1987 – Embarque para Lourdes

F

iz uma viagem inesquecível a Lourdes, na França. Nunca pensei que fosse algo capaz de me levar por algumas horas “fora deste mundo”. Só por esta visita valeram os três anos de Itália. Além da parte espiritual, que é “diferente”, a viagem também valeu de trem, parece-me que 14 horas até lá. AUXILIAR NA FORMAÇÃO Retornei da Itália, chegando antes do

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meio-dia, em Aparecida, no dia 16 de junho de 1988. Foi minha primeira transferência em que fui consultada se gostaria de trabalhar em determinada função. Após um mês de férias, assumi a função de auxiliar de mestra de aspirantes. Aos poucos fui me inteirando na vida da casa, que era intensa, substituindo quando necessário, servindo de companhia em viagens, atuando de várias formas – menos de ser a responsável. Trabalhei muito nos Retiros do Amor Divino.


Trabalho na Arquidiocese de Aparecida

Santuário Nacional de Aparecida

P

osso dizer que praticamente sempre morei em Aparecida, porque sempre estive de uma forma ou de outra ligada à Casa Mãe. De 1956 a 1967, enquanto professora na Escola Comendador Salgado, a Casa Mãe foi minha residência oficial. Por duas vezes fui transferida, mas por exigência do magistério estadual, tive que retornar. Das minhas lembranças do meu primeiro período, em Aparecida anterior a 1967, foi marcante, pois fui catequista na capela do São Roque, hoje paróquia. Não sei quantos foram os meus catequizandos mas, sempre encontro alguns, mas de tantos, só um segundo eu sei, é “consagrado”. O diácono permanente Afonso dos Santos Albino, natural do bairro da Aroeira onde ainda vive e em atividade nas paróquias de Santo

Antônio e de São Roque. Além dos muitos e variados afazeres, alguns até fora das minhas capacidades, sempre estive ligada de uma forma ou de outra, a esta “Casa Mãe”. Voltei oficialmente para Aparecida, em 1989, ao retornar da Itália. Passados mais de um ano que retornei da Itália, fui admitida para trabalhar na Cúria da Arquidiocese de Aparecida, no dia 01 de outubro de 1989. Trabalhei por 10 anos. Exercia a função de Secretária da Cúria, trabalhava no período da tarde, das 13h às 17h. Os três primeiros anos de trabalhos foram realizados no 4º andar da Torre do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Mas, como o Santuário é uma Igreja independente dentro de uma diocese, Dom Aloísio Lorscheider

providenciou a mudança do escritório, transferindo para o Seminário Bom Jesus. Meu trabalho era atender as pessoas, fazia pesquisas nos livros antigos e atuais, de certidões de batismo, casamento, aprovação de nacionalidade, requerimentos de dispensa para fins canônicos, ou seja, documentações diversas e também fazia anotações de acontecimentos, como ordenações, etc. Lembro-me que na época o governo facilitou muito a Nacionalidade para descendentes de estrangeiros, e foi um tal de procurar nos livros os sobrenomes dos avós estrangeiros e eu gostava de procurar, era até divertido. Trabalhei com a Jaqueline por um bom tempo, fizemos boa amizade, graças a Deus, me dei bem com todos. Revista Tô em Foco | Dezembro.2020

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Transferência para a Comunidade Betânia No dia 30/3/2017, vim para a Casa Betânia, por escolha própria, quando se dá a notícia de uma reforma na janela do meu quarto, que achei que iria se tornar inabitável em caso de chuvas. Esta transferência já era desejada pela comunidade, que se preocupava com as escadas da Casa Mãe. E aqui estou... Enquanto Deus quiser. Hoje, dia 21/07/2020, relato que nos últimos dois meses, caí duas vezes, sem tontura prévia e feri a cabeça. Fui parar na Santa Casa de Misericórdia, em Aparecida, fiquei um dia inteiro em observação, após dois pontos no corte e fui dispensada. Mais ou menos um mês depois, sofri outra queda, para a minha

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surpresa, pois estava apoiada na enfermeira, dessa vez levei quatro pontos na cabeça. No dia seguinte, de ambulância, fui fazer exame em Taubaté, acompanhada pela Irmã Sandra Cristina Paulo. O resultado do exame: vertigem, cérebro em ordem. Estou sob cuidado de alguma das funcionárias ou das irmãs da comunidade para não perder a hora do remédio. Desde 1991, após cirurgia para não perder o olho, não enxergo com a vista do lado direito e a falta de audição é progressiva. E me dizem: “É bom não escutar muita coisa que não resolve.” Hoje, consigo caminhar, tenho memória fraca, mas lúcida. Nenhuma enfermidade à vista. “Por tuas

graças Senhor, cantemos hinos de amor”. E aqui estou na “Casa Betânia”, desejando que Deus conceda a cada uma, um tempo ainda de vida, saúde e santidade. “Entregue-se nas mãos Dele”. Até pouco tempo, dei aulas, ajudei as estudantes em alguns trabalhos. Colaborei também nos Retiros do Amor Divino com palestras. Nunca assumi lideranças, mas fiz muita companhia para as irmãs motoristas, em viagens e saídas para trabalhos dos retiros. Sempre estive presente nos Capítulos Gerais Eletivos da Congregação, seja como capitular de direito ou na preparação da mesma. No VI Capítulo compareci como convidada, e no VII já não consegui estar presente.


A primeira Irmã Mensageira do Amor Divino a viver um século. Este século se cumpre no dia 10 de dezembro de 2020

Deus me conservou, passei por várias doenças sem nunca precisar ficar hospitalizada. Várias vezes permaneci algumas horas e até pernoitei, mas por causa de outra doente. Acompanhei o desenvolvimento da Congregação desde o primeiro ano. Fui a oitava a ingressar oficialmente no grupo. Vivi, em Aparecida, São Paulo (capital), Belo Horizonte (MG), e Ponta Grossa (PR) por tempos provisórios. Tive morada, além de Aparecida, por tempos mais longos, como Curitiba (PR), União da Vitória (PR) e Graffignano, na Itália. Nunca escolhi trabalho, aceitei o que me foi determinado e fiz o que pude, enquanto minhas forças permitiram. Hoje, enxergando quase bem do lado esquerdo e cego do direito, após cirurgia para não perder o globo ocular, ainda consigo me movimentar, andar em casa sem apoio e fazer alguma atividade. Colaborei nas revistas das Mensageiras, na primeira fiz questão de não aparecer meu nome. Desta vez, é a última! Por isso desejo as melhores bênçãos de Deus, muitos anos alegres, felizes e santos a todos.

Foto: Thamara Gomes

Irmã Margarida, a Irmã centenária

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Transferências da Ir. Margarida Datas importantes: 16 fev de 1955: Início no grupo das M.A.D.s 18 dez de 1957: Ponta Grossa (PR) 2 jul de 1958: Belo Horizonte (MG) 16 fev de1959: Aparecida (SP) 2 jul de1967: Curitiba (PR) Jan de 1971: Curitiba (PR) Jan de 1979: Aparecida (SP) 1983: Até julho, à disposição da Me. Geral Ago de 1983: União da Vitória (PR) Dez de 1984: Itália até junho de 1988 1988 - 2020: Aparecida (SP)

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Mensagem Viva intensamente o momento atual. O futuro não nos pertence – o que o passado deixou de bom seja sempre motivo para nossa ação de graças, que é intenção que devemos ter sempre e não é lembrada tanto quanto devia – a própria vida é a maior graça (17-6- 2020). O tônico conselho é o de sempre: cumpra o momento presente, nas mãos de Deus o futuro não nos pertence, o passado “se foi.” Pense um pouco o que será possível ser melhor, entregue o futuro nas mãos de Deus. Reflita, pense nisto: “Há planos? São possíveis? Pai, nas tuas mãos entrego...” Ir. Maria Margarida, M.A.D.

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Uma Margarida de um Século 32

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75 ANOS

DOM DA VIDA CELEBRADO EM DÉCADAS

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75 ANOS

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80 ANOS

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90 ANOS

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Cem Anos de Muita História Comecemos essa história do zero Onde Deus caminhava pensativo e sério Estava disposto a criar suas obras com muito amor Assim, logo brotou no jardim, uma linda flor Alegre e emocionado com sua mais nova querida Encheu-se de inspiração e a chamou de: Margarida. O tempo foi passando e deixando sua marca Margarida “crescia em sabedoria, estatura e graça” Deus era sempre presente em sua vida Pois deixava-o agir em tudo o que fazia Na família, na escola, no meio dos amigos e conhecidos No trabalho, na igreja, no apostolado e vizinhos Margarida, mulher, filha, neta, afilhada És tanto, és muito, és agraciada Vida, nós sabemos que não lhe falta Mas histórias e vivências, nem todas as ouvimos em uma só aula E como será que foi então? A experiência do chamado a vocação? Bom... história longa e comprida Para contar precisaria de, pelo menos, mais 100 vidas Mensageira do Amor Divino escolheu ser Piedade, Alegria e Zelo Apostólico soube bem viver Virtudes não lhe faltam É mulher de fibra e de muita “garra” Grande Operária da Missão Sendo Flor, se tornou forte alicerce da Congregação Apaixonada, Fiel, Corajosa Sensata, Alegre, Bondosa Discreta, Atual, Inteligente Aprendeu ser comunidade no meio da gente Palavras, neste momento, me deixam só Falar da querida “Margô” me dá um nó Muitos sentimentos bons me invadem Por saber que desta história, fizemos parte Cem anos caminhados com muito vigor Junto com Maria e o seu Filho, no Divino Amor. Noviça Giovanna Pereira de Oliveira

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2020: Celebração do Centenário!

Janeiro.2020

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Março.2020

Maio.2020

Junho.2020

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Julho.2020

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Agosto.2020

Outubro.2020 Setembro.2020

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Mensageiras do Amor Divino Vai Mensageira ...Sai pelo mundo a procurar de Deus o campo para semear... (estrofe da poesia Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida,M.A.D.)

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Querida Irmã Margarida, Parabéns! É com imensa alegria que celebramos o seu aniversário. A sua determinação, coragem e sabedoria, contribuiu para uma trajetória marcante na Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino. Sinto pela senhora um carinho e respeito profundo que cresceu com a nossa convivência. Muito obrigada pelos ensinamentos, dedicação e testemunho de vida. Receba as minhas orações pelo seu centenário. Que Deus continue abençoando sua vida, com muita paz, amor e saúde. Com estima, receba o meu abraço fraterno.

Irmã Lídia Maria Castanha M.A.D.

Homenagem especial pelos 100 anos de vida da Irmã Margarida Pereira, M.A.D Olá, minha querida Ir. Margarida, sinto-me feliz e honrada em participar desta especial homenagem, no dia de seu aniversário natalício, onde celebramos com muita alegria o centésimo ano de sua existência. Tenho um carinho imenso pela senhora, pois em toda a minha vida Mensageira, sempre tive a alegria de ter uma ótima convivên-

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cia e partilha de vida com a senhora. Especialmente nos momentos em que precisava de uma orientação ou esclarecimento de dúvidas, a senhora tinha toda paciência do mundo e sentia alegria em poder orientar-me e ajudar. Jamais esquecerei, quando a senhora soube que eu não estava bem, e viajou de Curitiba a Jacarezinho para dar-me seu apoio.

Naquele dia eu estudava para uma prova, pois estava terminando o segundo grau, e sentia-me desmotivada e não conseguia assimilar nada. A senhora sugeriu que saíssemos para um lugar tranquilo em contato com a natureza, assim conversaríamos um pouco e a senhora me ajudaria a estudar para a prova. E então fomos passar o dia na beira de um rio, próximo da cidade, onde


era gostoso ouvir o barulho das águas. Levamos lanche, café, frutas e panos para sentarmos. E neste dia, a senhora, além de devolver-me a confiança em mim mesma, com seus bons conselhos, ainda estudou comigo. E, eu fui fazer a prova a noite, na escola e tirei 10 na prova. No outro dia fui levá-la na Rodoviária para que voltasse a Curitiba, e ambas nos despedimos com lágrimas nos olhos. E assim, muitas outras vezes: sempre que nos encontrávamos partilhávamos a vida. Eu sempre dizia: Ir. Margarida é uma biblioteca ambulante, pois tem tudo em sua memória. Falávamos de qualquer tema e a senhora discorria sempre com muita sabedoria. Quando em 2010, festejaríamos os seus 90 anos, Ir. Maria Inês, incumbiu-me de organizar a sua festa. Mais uma vez senti-me honrada e muito feliz. Procurei saber da senhora a sua cor preferida e uma frase que seria aquela que sempre a senhora trazia como luz em sua vida. A senhora logo respondeu-me, minha cor preferida é a cor amarela. E a minha frase é: “Com a sombra da minha mão eu te cobri” (Is. 51,16), então escolhi a foto que fiz de uma linda orquídea amarela, escolhemos juntas a sua foto e fizemos o seu cartãozinho, no qual a senhora escreveu a mensagem atrás: “Uma das grandes enfermidades, é não ser ninguém para ninguém” de Madre Teresa de Calcutá. A sua festa foi organizada com muito carinho, no salão de festas

do Colegião, e a sua missa celebrada na capela interna, também lá. Procurei organizar tudo com motivos em amarelo. E a minha alegria foi quando a senhora veio agradecer-me, dizendo: “Parabéns pela organização, foi tudo muito lindo, minhas amigas saíram muito contentes”. Então minha querida Ir. Margarida, teria ainda muitas boas lembranças a partilhar, mas para não me alongar, prefiro agora agradecer o grande dom que é sua vida para todas nós Mensageiras do Amor Divino. Sua experiência de vida será sempre para cada Mensageira, uma luz, uma motivação a viver com amor e dignidade em busca da perfeição, vivendo intensamente o amor humano e fraterno, e assim seremos verdadeiras Mensageiras do Amor Divino. Receba meu grande abraço com muito carinho, sua fã.

Ir. Margarida, teria ainda muitas boas lembranças a partilhar, mas para não me alongar, prefiro agora agradecer o grande dom que é sua vida para todas nós Mensageiras do Amor Divino.

Irmã Cenira Rodrigues M.A.D.

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CASA DE RETIROS SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (CASA MÃE)

Madre Katia Regina M.A.D.

Para homenagear a Ir. Margarida, vamos usar a metáfora de uma casa; haveria muito o que escrever, principalmente esta Comunidade da “Casa Mãe”, mas tentaremos expressar a importância de Ir. Margarida para nossa Comunidade em algumas palavras. Primeira Superiora da Casa Mãe - é com carinho que lembramos da pessoa da Ir. Margarida. Estando nessa casa desde o início de tudo, auxiliando e trabalhando muito como professora para a construção deste edifício que, para nós, são mais do que paredes, mas a “Fundação” de nosso grupo. Assim como toda casa precisa de um alicerce, de uma fundação, Ir. Margarida, além de colaborar com seu trabalho e dedicação, ajudou a fa-

Irmã Bruna Maria M.A.D.

zer desta Comunidade o alicerce de nossa Congregação. Costumamos dizer que cada tijolinho desta casa é fruto de suor e lágrimas de nossas primeiras irmãs, que tanto se doaram e muitas assim como Ir. Margarida perseverantes na vida religiosa! Mais que falar da casa como construção física, igual foi a importância de Ir. Margarida na construção de comunidade, na vida fraterna, sempre sendo presença tranquila e agradável, e aqui podemos lembrar dos momentos comunitários no refeitório da comunidade, onde tantas vezes nos reunimos para conversas informais e descontraídas, acompanhadas de uma boa refeição, alimentando o corpo e a alma. O olhar da Ir. Margarida, sempre foi a partir de boas histó-

Irmã Lucia Natália M.A.D.

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Irmã Erika Maida M.A.D.

Irmã Eliana M.A.D.

Irmã Lucimar M.A.D.

rias e fazendo uma leitura inteligente do passado ao presente, mostrando-nos como olhar e viver a vida com fé e confiança em Deus. Muitas vezes a vimos ajudando nas grandes romarias, onde, após as refeições estava ela ajudando a secar louças, no seu ritmo, mas sempre presente, não subia para descansar enquanto houvesse serviço, um exemplo de piedade para nós. Agradecemos por tudo que Ir. Margarida fez por esta comunidade e esta casa! Homenageamos principalmente a pessoa que ela é, que na simplicidade de vida soube ser, uma grande Mensageira, sempre fiel e coerente, nos dá o maior exemplo de perseverança! Obrigada Ir. Margarida!!

Irmã Sebastiana M.A.D.


COMUNIDADE AMOR DIVINO PINDAMONHANGABA/SP Encerramos esta mensagem com um trecho do poema de Vinícius de Moraes. Madre Katia, Irmã Érika, Irmã Sebastiana, Irmã Lúcia Natália, Irmã Lucimar, Irmã Eliana, Irmã Bruna Maria

“O operário em construção” Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa - Garrafa, prato, facão Era ele quem os fazia Ele, um humilde operário, Um operário em construção. Olhou em torno: gamela Banco, enxerga, caldeirão Vidro, parede, janela Casa, cidade, nação! Tudo, tudo o que existia Era ele quem o fazia.

Partilha sobre a Convivência com a Irmã Margarida A vivência da vida religiosa de forma coerente e a vivência de fato como uma Mensageira do Amor Divino se manifesta nas pequenas coisas do dia-a-dia e de nossa história, como dizia nosso fundador “Tudo o que fizer faça-o por amor a Deus”, assim é o testemunho de Irmã Margarida em nossas vidas, sendo exemplo para nós nas pequenas (que são grandes) ações do cotidiano. Irmã Margarida era muito atenta na formação e nas orações e sempre foi muito pontual em todos os seus afazeres, nos recreios após o almoço e no jantar da época, inclusive aos domingos ia para a cozinha com a Madre. Na época uma formanda lia uma leitura espiritual, enquanto as demais irmãs e formandas estavam comendo. Nossa Irmã Margarida sempre foi uma pessoa muito aberta e atenta no cuidado com as formandas, quem nos dá um exemplo disso é a Irmã Regina que teve a Irmã Margarida como sua formadora e pode sempre contar com sua ajuda, pois ela era muito enérgica, mas sempre fiel a sua missão. Conta-nos também que Irmã Margarida, vestia um vestido comprido nos momentos de recreação e dançava valsa, e junto com as formandas inventava brincadeiras, fazendo desta época um período muito bom e inesquecível de convivência com Irmã Margarida. Realizando com amor seus apostolados, ela ia com as irmãs no trabalho pastoral no presídio em Curitiba e trabalhou na papelaria do Padre Eduardo e com seu jeito acolhedor, o povo sempre gostava muito dela e com ela não tinha pressa. Foi uma pessoa muito unida a Madre, tudo o que a Madre ia fazer consultava ela, inclusive participou do Conselho por muito tempo. Sempre teve muito cuidado com a biblioteca, e também com todas que conviveu, por isso, nos resta dizer: “obrigada!”

Ele, um humilde operário. Um operário que sabia Exercer a profissão.

Irmã Neuza Teixeira M.A.D.

Irmã Regina M.A.D.

Irmã Terezinha Ramos M.A.D.

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COMUNIDADE BETÂNIA - APARECIDA/SP Escritos sobre Irmã Margarida: uma mensagem para os 100 Anos Irmã Margarida, é uma pessoa simples, boa dedicada. Uma pessoa sempre alegre e muito orante. Que Deus sempre conceda a paz e muita saúde.

Foi professora por um bom tempo, sempre companheira nas partilhas em comunidade. Grande irmã de vida consagrada.

Irmã Emilia de Abreu - M.A.D. Ir. Maria da Glória R. Simões - M.A.D.

Uma pessoa de cabeça boa, muito comunicativa, alegre e espontânea. Irmã Elizete Perereira Barbosa - M.A.D.

Uma pessoa de Deus, sempre presente e orante, fiel e confiante. A vida é um caminho que se constrói nos pequenos gestos, cada passo uma conquista. Gentileza gera gentileza, todo bem que se faz ele volta. A paz nasce no coração e se perpetua por toda vida, nossa vocação é ser feliz, onde a vida nos fortalece em nossa vocação. Irmã Margarida, que o bom Deus a proteja e a conduza nos caminhos da paz, a conceda saúde e muita fé, em sua jornada como religiosa. Viva a vida, plante o amor, seja luz para todos a sua volta. Felicidades. Irmã Maria Jucilene Aleixo - M.A.D.

Fidelidade na Congregação, nas orações dos salmos, o santo terço. Testemunho de pobreza, no ter e no ser, como M.A.D. Pessoa que sabe viver a vida, sabe ser uma pessoa realizada, e vive como ela é, como Deus a fez. Que Deus a conserve com esta qualidade. Irmã Maria Glória Castro - M.A.D.

Irmã Margarida é uma pessoa de oração, contemplativa, uma pessoa alegre. Irmã Martinha Félix Kassinda - M.A.D.

Irmã Margarida é uma pessoa muito comunicativa e atenciosa para com todos, crianças, jovens e adultos. Uma pessoa livre em expressar seu ponto de vista, sempre de bem com a vida e bem humorada. Ama viver, é fidelíssima à vida de oração. Que Deus a fortaleça, neste mesmo vigor, em estar sempre voltada para Deus, muita saúde e muitas bênçãos de Deus. Irmã Lurdes Silva - M.A.D.

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Uma pessoa extraordinária e de uma inteligência fora do comum, pela idade. Muita atenta às necessidades das pessoas, principalmente para com suas irmãs. Irmã Julia Marin - M.A.D.

Fato notável chegar aos 80; fato notabilíssimo, chegar aos 100. Irmã Margarida, uma verdadeira testemunha do Amor Divino, demonstra sempre atenção, para com todos que a procuram. Irmã Margarida o seu exemplo é verdadeiro dom do Amor Divino. Irmã Maria Célia Cozitski - M.A.D.

Mulher cheia de virtudes, muito fiel, testemunha na fé. Dedicada e mulher de oração. Foi uma segunda mãe. Deus abençoe sempre.

Ir. Margarida é uma mulher que se realiza na consagração que fez. Prova disto é o seu bom humor! Ir. Sandra Cristina de Paulo - M.A.D.

Irmã Maria Odete Custódio - M.A.D.

COMUNIDADE SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS – ANGOLA Querida Irmã Margarida, Deus te fez feliz! Deus te fez fiel! Parabéns pela sua vida, que é dom e graça! Por isso queremos agradecer a Deus e à sua família por você existir na nossa história Afinal: 1- São 100 anos de vida; 2- 100 anos de graça; 3- 100 anos de fé; 4- 100 anos de Amor Divino; 5- 100 anos de experiência; 6- 100 anos de doação; 7- 100 anos de coragem; 8- 100 anos de testemunho; 9- 100 anos de sacrifício; 10- 100 anos de gratidão! Grande abraço.

Irmã Esther, M.A.D.

Irmã Elisa, M.A.D.

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COMUNIDADE SANTA BAKITA - ANGOLA Mensagem de Aniversário pelos 100 anos de vida da Irmã Margarida

Querida Irmã Margarida! Eis um grande pilar da Congregação e a da sociedade. Sua história de vida se desabrocha num longo percurso de tempo, sustentado pelas suas virtudes. E eis que a coragem, serenidade, a atenção pelos outros, são uma das virtudes que te definem. Mulher cheia de entusiasmo e lucidez. Celebrar 100 anos de vida, é fazer parte da história do mundo. É trazer em memória tudo o que seu coração proporcionou a ele, é também lembrar-se de todos que fizeram parte de sua vida e dos que cruzaram seu caminho. São tantas histórias, conquistas e batalhas vencidas porque sempre acreditaste na vida. Para nós M.A.D., a alegria é ainda maior por sabermos que, alguém tão rara e preciosa como você, faz parte da nossa Família Mensageira. Irmã Margarida, palavras nos escapam para podermos expressar o quanto é especial para nós, porém, saiba que a Missão de Angola em particular nós as Irmãs Angolanas, agradecemos imensamente por tudo o que tens sido para conosco. Na sua serenidade sempre soubeste nos acolher com amor, carinho e simplicidade. Com certeza tens um enorme carinho pela Missão de Angola. Gratidão. Lhe desejamos tudo de bom e do melhor! Que a celebração de seu centenário de vida deve marcar a memória de todos que contigo convivem. Deve ser um brinde pelos 100 outonos e 100 primaveras que conheceste. PARABÉNS!!! Que Deus a cumule de bênçãos e que a vida lhe ofereça sempre SAÚDE, SORRISOS e PAZ. Com carinho.

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Irmã Firmina Clara Cândido M.A.D.

Irmã Maria Alice Júlia de Oliveira M.A.D.


COMUNIDADE SÃO PAULO APÓSTOLO - UNIÃO DA VITÓRIA/PR A Flor Margarida Ao percorrer o jardim do Senhor, eu comecei a olhar as diversidades das flores que lá existia. E dentre as diversidades encontrei uma flor preciosíssima que se chama Margarida por sua grandeza, delicadeza, simplicidade, beleza e ela está sempre aberta para Deus. Suas pétalas brancas que mostram sua pureza e a paz. No centro dela, o amarelo que mostra o brilho, o calor e o aconchego do Amor Divino. A flor cresceu, Margarida cruzou os mares levando a Mensagem do Evangelho com sua sabedoria, carinho, alegria, disponibilidade em servir por Amor. Ah, Ir Margarida! Como é bom e agradável conviver com a senhora! Essa flor que Deus nos deu! A senhora é um grande exemplo de vida para todas nós. Nós, Mensageiras do Amor Divino, somos felizes por termos a senhora como membro desta célula viva na Igreja. Neste seu centenário, só temos que agradecer a Deus e a Nossa Senhora Aparecida, pelo seu SIM. Irmã Margarida, celebrar 100 anos de vida é para poucos e a senhora chega a esta data com muita lucidez, alegria e vigor, a senhora é tão querida que lembra a flor Margarida. Obrigada por sua existência, que Deus a abençoe e derrame muitas bênçãos de saúde e paz. Parabéns! E viva o seu centenário!

Irmã Vera Alice - M.A.D.

Irmã Ivanete - M.A.D.

Irmã Marlene Inês - M.A.D.

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CONFERÊNCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL Ir. Margarida

100 anos de Amor Divino Estou profundamente emocionada ao escrever esta breve mensagem em homenagem à nossa querida Irmã Margarida... Que graça chegar aos 100 anos! Sim, digo 100 anos de Amor Divino, pois, com certeza, o Senhor a “escolheu desde o ventre materno” (cf. Jr 1,5) e a predestinou para ser, na Igreja, uma Mensageira do seu Amor. Ir. Margarida foi a 8ª companheira do grupo que surgia em Aparecida, no ano de 1954. Amiga da Felicy, pois ambas eram professoras, compartilhavam os mesmos ideais apostólicos e eram orientadas pelo Pe. Eduardo H.Moriarty, CSsR. O passo dado foi de extrema fé e coragem. Deixar a sua família com estabilidade financeira, elevada posição social na cidade de Guaratinguetá e profissão garantida pelo concurso do Estado de São Paulo, como professora, para entrar numa aventura tão incerta e tão pobre de recursos, deve ter exigido da jovem Margarida extremo desprendimento e confiança ilimitada no Senhor que a chamava. Desde muito tempo, a Ir. Margarida é a 3ª Mensageira. O Instituto teve o seu início com as três: Felicy, Rosária e Teresinha, porém, as outras quatro que se seguiram não perseveraram. Conviver com Ir. Margarida é uma delícia. Todos os anos que tive a alegria de viver na mesma comunidade, posso dizer que foi só de aprendizagens. Para mim, os melhores anos foram quando estivemos na Comunidade Coração de Jesus, em Curitiba. Eram longas as nossas conversas sobre a realidade do mundo, da igreja e da Vida Religiosa. A gente podia iniciar qualquer tipo de assunto, e a conversa fluía marcada pelo seu conhecimento, interesse e senso crítico. É assim até hoje. Um dos seus trabalhos, era arquivar tudo o que saía nos jor-

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nais sobre Igreja, Sacerdócio e Vida Consagrada, particularmente o que se referia à Arquidiocese de Curitiba. Diariamente, ela folheava os principais periódicos favorecendo-lhe conhecimento e atualização constante. Quem se beneficiava com isso éramos nós, membros da Comunidade. Até o dia de hoje, não deixa de ouvir as notícias pelo Rádio e não perde o jornal televisivo. Nunca vi Ir. Margarida ligada a novelas e programas vazios e sem conteúdo. Ir. Margarida trabalhava no Arcebispado. Ajudava nas correspondências do arcebispo Dom Pedro Fedalto, e atendia às audiências. A todos acolhia no seu jeito simples e muito cordial. Mesmo depois que saiu do Arcebispado e foi para a recém-iniciada comunidade da Casa de Retiros Nossa Senhora do Mossunguê (1977), as pessoas perguntavam muito pela Ir. Margarida. Eu sempre desejei fazer um curso superior e nos nossos inícios, dada a fragilidade financeira e uma mentalidade um tanto marcada pelo medo de perder os membros, poucas Irmãs tiveram a possibilidade de fazer uma faculdade. Nesse tempo, criei coragem e pedi à Madre Felicy para estudar. O desejo era estudar teologia ou psicologia. Na época, não haviam esses cursos para o período noturno e trabalhando o dia todo no Secretariado de Pastoral da Arquidiocese de Curitiba, não teria possibilidade. O que foi muito gratificante e animador foi o fato da Ir. Margarida não só me dar todo o apoio como se inscreveu também no vestibular da Universidade Católica do Paraná, no curso de Ciências da Religião. Ela foi uma grande companheira! Estudávamos juntas, comentávamos as aulas, fazíamos os trabalhos da faculdade. A diferença de nossas idades, trinta anos,

nunca foi obstáculo para um agradável convívio e comunhão de opiniões. Em tudo daí, graças. Louvo ao Senhor por essa preciosa vida. Louvo ao Senhor por tudo o que dela aprendi, particularmente sua sensibilidade, simplicidade e transparência. Parabéns Ir. Margarida! A senhora ajudou muito na minha caminhada. Agora, como Presidente da Conferência dos/as Religiosos/as do Brasil, elevo a Deus minha prece, em imensa gratidão por essa Consagrada que marca o chão da nossa história de M.A.D. e da Vida Consagrada. São poucos/as Religiosos/as que chegam a esta idade, com esta lucidez, serenidade e vivência profunda da espiritualidade. Louvo ao Senhor por pertencer a esta Família e ter convivido e estar convivendo com pessoas admiráveis, cheias de garra, entusiasmo e muito AMOR DIVINO. Louvo ao Senhor por nossos queridos Fundadores, Madre Felicy Braga, M.A.D. e Pe. Eduardo H. Moriarty, CSsR. Com eles tive a graça de viver por 51 anos, desde meu ingresso na Congregação de 1964 até 2015. PARABÉNS, IR. MARGARIDA! EM NOME DE TODOS/AS OS/AS CONSAGRADOS DO BRASIL, MEU ABRAÇO E VOTOS DE SAÚDE, PAZ E SANTIDADE. POR TUDO, DAMOS GRAÇAS!

Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro - M.A.D.


COMUNIDADE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO - BOM JESUS DA LAPA/ BA Uma Vida, uma bênção “A mão da Divina Providência escreveu a tua história”. Celebrar cem anos de vida e mais ainda na vida consagrada, representam muitos sins ao plano de Deus que foram sendo acompanhados com bênçãos cada um conforme a sua entrega à Divina Providência, deixando que Ele fosse construindo sua história nesta caminhada, na alegria, mas também vencendo desafios que aparecem para fortalecer a fidelidade nesta caminhada de fé. O difícil é compreender no momento certo o sentido dos desafios que também são estratégias de Deus. Por isso, o provérbio: começar é de muitos, mas perseverar é para poucos. A senhora soube ser a discípula fiel que foi aprendendo com o Mestre que a ressurreição virá pela cruz e não ser discípula de si mesma. Deixou que Deus interagisse em sua vida nesta longa etapa se entregando a vontade divina sem querer de volta a vida que livremente um dia ofertou a Ele. Depois desta longa caminhada de cem anos, posso afirmar que a senho-

Aspirante Lourdes - M.A.D.

ra, Ir. Margarida fez frutificar na fidelidade o que o Mestre ensinou: produziu “cem por um”. O salmo 90 diz que setenta anos vai a duração de nossas vidas, fato notável quando chega aos oitenta. Mas a senhora recebeu muito mais das mãos generosas de Deus. A sua história entremeada das maravilhas do Senhor da vida, que te acompanhou e acompanha nessa trajetória de sua vida, nos deixa confiantes na certeza de que Deus nos chama para mergulhar cada vez mais, na sua infinita misericórdia, para que na fidelidade e obediência à própria vida e vocação, a Divina Providência faz a nossa história acontecer para o seu reino e missão.

Irmã Ana Assunção - M.A.D.

A sua história de vida é um estímulo para nós; ultrapassou inúmeros desafios sabendo fazer escolhas na sabedoria e dedicação que te fez chegar a longevidade sendo presença de Deus nas diversas expressões do viver para Deus e para os outros cada dia na intensidade a vida recebida de presente e vivida com um espírito jovial, por isso o envelhecer foi coisa que nunca a interessou. Para nós Mensageiras, é motivo de ação de graças e gratidão a Deus Pai, que a dotou desta longevidade e partilhou conosco sua vida agraciada na fidelidade à Igreja e à Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino.

Tu és inspirada sempre na justiça divina, regada de oração e na Palavra de Deus Mensagem de fidelidade a Deus e a Congregação Amor sempre presente, por isso agraciada de longevidade Respondeu com seu sim nas alegrias e nas incertezas Generosidade aos irmãos e irmãs na caminhada Até os cabelos de sua cabeça estão todos contados Realizando a bondade em cada coração ao seu lado Imensa no desejo de ser sempre do Senhor da vida Dando o seu melhor na busca do ideal do Amor Divino Alegria levada na história de vida doada.

Irmã Ercília - M.A.D.

Irmã Maria de Fátima - M.A.D.

Irmã Neusa Batista - M.A.D.

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PEQUENA COMUNIDADE CORAÇÃO DE JESUS - VITORCHIANO / ITÁLIA Mulher Consagrada A Vida Cristã requer um chamado específico a partir do Batismo. E cada uma de nós ao ouvir o chamado ou convite para aproximarse parte em busca de um meio para concretizá-lo. É o que em Atos dos Apóstolos 16, 14-15 encontramos: “Depois de alguns dias em Filipos, num momento de busca de espaço para oração Paulo e Timóteo encontraram-se à beira do rio e eis que se deparam com mulheres que passam a escutá-los. Lídia uma delas, mulher temente a Deus, escutou atentamente. Pela graça de Deus foi aberto seu coração para atender e entender o que Paulo dizia”. A seguir sua adesão ao Evangelho, já batizada se dispôs a ajudá-los convidando-os a entrar em sua casa. Ora, uma evangelizadora não convida alguém à sua casa apenas para conhecer onde

mora, mas para que aquele que a convidou a conheça e daí possa contar com a eficaz presença da Divina Trindade que vive nesta casa. Nossa Irmã Margarida estava vivendo uma outra história. Jovem adulta, profissional, que se encantou quando do conhecimento da fundação de um novo grupo dedicado ao serviço da Igreja na vizinha cidade de Aparecida, tudo fez para aceitar o convite feito pela neo-fundadora Madre Felicy. Aceitou e da mesma forma que Lídia se dispôs ao serviço do Evangelho. Mulher culta e simples, sempre a serviço da história da Congregação através de seus dotes de escrivã. E gosta de partilhar a beleza de sua casa. Quantas vezes em recreios, momentos de lazer ou mesmo em viagens de Kombi pelo interior

Irmã Adriana Costa de Souza M.A.D.

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Irmã Terezinha Santos M.A.D.

de São Paulo quando viajávamos para o Paraná, sempre partilhava sua vida de professora, seus alunos, seus familiares e sua vida cristã neste meio com o seu testemunho cristão. Num tempo que a mulher era um tanto inexpressiva, foi corajosa ao assumir o seu novo estado de vida. A mulher bíblica se tornou cristã. Nossa querida Irmã Margarida, já cristã quis doar-se inteiramente e o fez com gratuidade e amor transmitido ao longo de sua vida tornando-se um forte pilar para a Congregação e para a Igreja. Sim, Irmã Margarida esteve sempre no meio do povo, sempre atendeu à voz do Senhor “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa” (Ap 3,20). Bendigamos a Deus pela sua vida entre nós!

Irmã Vera Maria da Silva M.A.D.


COMUNIDADE DE MENONGUE – ANGOLA Centenário da Irmã Maria Margarida Pereira Neste derradeiro momento, não há vocabulário propício para descrever este grande evento. Venho com esta frase, dizer que Deus lançou a semente do Amor Divino no coração da Irmã Margarida para ramificar o broto que crescia, isto é, com ajuda das 11 irmãs, exemplo de uma fé viva e muita coragem, apaixonada pela Vida Religiosa. O exemplo dela serve de mola impulsionadora para cativar as jovens que sentem o chamado de Deus para a Vida Consagrada. Em 2019, quando celebramos o seu aniversário em Aparecida, na Casa Mãe, ela dizia: “A perseverança ao Carisma – deve-se ao amor de Deus e à sua reciprocidade para os mais necessitados. Não sintam medo jovens, quando Deus tocar seus corações para o servirem na Vida Consagrada”. Ela foi uma mulher empenhada na construção de um ideal, na simplicidade do ser, mesmo com as dificuldades, mas com a graça de Deus, tornou-se uma brisa suave do Amor Divino. As pequenas coisas são a medida de uma grande alma, que é a medida das pequenas coisas. Assim foi a Irmã Margarida. Tudo isso ajudou a família Mensageira do Amor Divino a crescer, graças a fé das nossas 11 primeiras irmãs. Só tenho de agradecer a Deus por este tempo em que pude conviver e partilhar a vida desta grande mulher, exemplar, pessoa especial, dando o seu testemunho de vida religiosa, que ela nos proporcionou pela alegria, amor, delicadeza que coloca em cada trabalho, fazendo-o com cuidado e atenção. Não é muito o que nos ajuda, mas o pouco que torna pessoas corajosas e continuarei a aprender com estes exemplos. “Sou apenas um lápis nas mãos de Deus. É Ele quem me escreve” (Santa Teresa de Calcutá). Ir. Teresa Chitalala - M.A.D

Minha irmã querida, Cumpre-se nesta altura falar de alguém que pouco convivi, mas muito escutei o seu bom testemunho. Na realidade, o tempo foi muito curto de convivência, porém tenho em mente gravada a sua paciência, a generosidade em acolher a qualquer momento na humildade, principalmente saber escutar, explicar com calma e bondade. Posso dizer que estes foram os pontos que sempre me marcaram e aprendia nunca falar mal de alguém ou reclamar. É dever de cada uma, lembrar sempre o bem comum que está acima de todo o bem individual. Problemas, quem não os têm? Devemos viver para sermos discípulos daquele que nos chamou a viver o amor. Vivendo na fé e pela fé, é uma mulher consagrada pela fé, com a certeza e esperança na força do Amor Divino. Assim vejo e aprendi na pessoa da Irmã Margarida. Ir. Julia Conceição - M.A.D.

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Irmã Margarida, se fizermos uma retrospectiva do percurso da sua caminhada, concluiremos que a sua vida foi sempre abençoada pelo Senhor, recebeu muitas graças

Querida Irmã Margarida, celebrar um centenário natalício é uma grande dádiva de Amor de Deus Pai, autor de todos os dons, de modo particular, pelo dom da vida. É um momento especial de júbilo, de louvor à Santíssima Trindade por todos os benefícios recebidos. Toda a Congregação festeja, rejubila, canta, vibra de alegria, congratula-se com a Ir. Margarida, um dos pilares da Congregação, as maravilhas do Senhor realizadas em nós dizendo: “O Senhor operou-nos maravilhas, Santo é o Seu Nome!” (Lc 1, 49). E dizer com o Salmista: “Como agradeceremos ao Senhor por tudo quanto Ele nos deu?” (Sl 115, 12). Querida irmã, parabéns pelo seu centenário, pois muitos gostariam de culminar esta etapa, mas os desígnios de Deus são insondáveis, são chamados antes de atingirem a metade de um século... Por isso, gritemos de alegria, toquemos batuques, usemos todos os instrumentos musicais, tudo o que nos proporciona louvar e agradecer bem e melhor o nosso Deus. No ano 2009, quando tinha ido ao Capítulo, tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Através da sua simplicidade, generosidade e abertura, fez-me conhecer vários lugares turísticos lindos e de muita riqueza espiritual. Quando ela saía e, convidava-me e dizia: “vamos, aproveitar porque o teu tempo é limitado, poderás voltar à tua terra sem conhecer lugares de riqueza espiritual”. Por onde fôssemos, ela contava-me a história desde os tempos remotos à atualidade. E quando voltei ao Brasil, pela segunda vez, depois do sexênio, contou-me que já não podia sair, pois não a deixavam, mas para o seu bem... Em 2015, tinha notado algo que encantou-me e seduzi-me também. Todos os santos dias, os três: o padre Eduardo, fundador, na altura já doente, Ir. Rosária e Ir. Margarida, às 17 horas, rezavam o terço no quarto do padre. A exemplo da primeira comunidade cristã, eram assíduos à oração e unidos. Sabendo da impossibilidade do padre em deslocar-se, as duas iam ao encontro... este é um grande testemunho de vida que pude observar e outros. Irmã Margarida, se fizermos uma retrospectiva do percurso da sua caminhada, concluiremos que a sua vida foi sempre abençoada pelo Senhor, recebeu muitas graças: a principal é de ser a cofundadora da Congregação que tem o Carisma de IRRADIAR O AMOR DIVINO. Grande Privilégio! Sem desconsiderarmos também as circunstâncias difíceis que enfrentou ao longo da sua vida, mas acima de tudo, o amor a Cristo e aos irmãos, fez com que ultrapassasse tudo sem obstáculos. Hoje diz, como São Paulo: “Combati um bom combate, terminei a minha carreira e guardei a fé” (2 Tm 4,7). Ir. Amélia Jamba - M.A.D

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COMUNIDADE NOSSA SENHORA DO AMOR DIVINO - SENHOR DO BONFIM/BA Vida Deus é vivo, Deus nos chama à vida eterna. De ponta a ponta na Bíblia, um profundo sentido da vida em todas as suas formas, e um sentido muito puro de Deus, nos revelam que a vida, buscada pelo homem/ mulher com uma esperança incansável, é um dom sagrado, no qual Deus faz luzir seu mistério e sua generosidade (Vocab. Teologia bíblica Dufour SJ). Irmã Margarida, olhando esta definição dá para refletir o quanto somos importantes, o quanto sua vida é importante! Tudo isso, vem acontecendo na sua vida, desde aquele memorável dia 10 de dezembro de 1920, quando veio à luz, um pequenino ser que foi batizado com o nome de Maria Margarida Pereira; ser único; irrepetível e com uma missão determinada pelos desígnios de Deus e, que a senhora seguiu à risca. Muito me alegro de ter usufruído da sua companhia durante quatro anos. Quando cheguei para fazer parte, do então Pio Sodalício, em 10 de janeiro de 1962, depois de uma acolhida amorosa, fui apresentada à superiora da casa: Irmã Margarida. Na convivência, fui vendo que de superioridade, não havia nada naquela mulher; havia sim, muita educação, muita humildade, simplicidade, pobreza (por dentro e por fora) e convicção profunda do seu ser religioso, embora, como todo início, tudo o que

é novo traz certa insegurança. Pra mim, e creio que para as todas as minhas colegas de postulantado, essa postura de Irmã Margarida foi o suporte que procuro viver até hoje; sentia-se nela o respeito profundo pelas jovens que ali estavam, se preparando para a vida de Mensageira. Agradeço a Deus por ter convivido com a senhora, Irmã Margarida e, recebido a formação (também da Madre Felicy, é claro!) que eu precisaria para desempenhar, com a Graça de Deus, as missões a mim confiadas nestes 57 (cinquenta e sete) anos, de vida Mensageira. Algumas coisas que valem a pena lembrar: “Madre me mandou para Curitiba, para dar uma mãozinha no pensionato, no dia 02/07/62 e a senhora me deu um pijama de flanela, fiquei feliz e nunca me esqueci disso!” E ainda: aquele livro (meio fora de hora!) que a senhora me deu pra ler: “O Outro Caminho”, de João Mohana. Não me lembro a data, mas estava sendo preparada uma festinha; o “clima estava meio quente” e a senhora meio nervosa porque se não saísse a contento, quem iria escutar? Irmã Margarida... Irmã Marieta dizia: “gente, vamos rezar!” “São José protetor da vida Interrrrriô!” E Irmã Glória Simões, respondia: “fazei com que não fique com mais raiva do quetô!” Assim, só tenho a agradecer a Deus e a senhora. Um cheiro!

Irmã Inês Aparecida - M.A.D.

Irmã Maria Luiza - M.A.D.

Irmã Santina - M.A.D.

Pela Comunidade, Ir. Inês Aparecida da Silva, M.A.D

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COMUNIDADE LAR DIVINA PROVIDÊNCIA – ANGOLA Nossa querida Irmã Margarida, Neste ano Jubilar, completando um século, a comunidade tem apenas a dizer: “A vida não é fácil! Mas, há um motor chamado coração, um seguro chamado fé, e um condutor chamado Deus! Por isso, nossa irmã, saiba que te amamos muito! Feliz aniversário!” Imã Delfina - M.A.D.

Irmã Natália - M.A.D.

COMUNIDADE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – ANGOLA Querida irmã Margarida, Todas as certidões da vida fizeram moradia em seu coração. Por isso, Deus lhe concedeu a dádiva de uma idade tão invejável. Parabéns! Falar de Irmã Margarida, é falar da pequena semente que iniciava nascer na Igreja, de Jesus, com o nome de M.A.D. Ela é um exemplo de vida, para cada uma de nós. A sua serenidade, a sua dedicação quanto à formação das jovens da nossa família M.A.D e a organização de tudo é patrimônio da Congregação. Quem a conhece, respeita a sua maravilhosa caminhada e sabe que as suas lições práticas de vida dispensam dedicatórias. Feliz aniversário!

Irmã Carolina - M.A.D.

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Irmã Cecília Navange - M.A.D.

Irmã Verónica M.A.D.


COMUNIDADE AMOR DIVINO – ANGOLA Quando um ciclo se inicia, precisamos agradecer a Deus por nos ter concedido mais um ano de vida. Irmã Margarida completar um século de vida é pertencer à História do mundo de uma forma mais profunda, autêntica e rara. Hoje, a irmã alcança uma grande meta e nós nos alegramos convosco. Parabéns por celebrar 100 anos! A irmã tem tantas e boas histórias para nos contar que é até um privilégio escutar a vossa voz e tudo o que ela tem para nos dizer. És uma mulher e consagrada incrível porque a idade nunca revoltou. Irmã Margarida, as palavras são poucas para expressar o enorme amor que sentimos por vós, simplesmente agradecemos por aquilo que representas para nós, o vosso testemunho de vida. É por isso, que vos desejamos hoje e todos os dias da vossa vida de uma paz e beleza ímpares! Nunca percas esta juventude no olhar, até porque, envelhecer é algo que nunca vos interessou. Feliz Aniversário!

Irmã Adelina - M.A.D.

Irmã Avelina - M.A.D.

COMUNIDADE NOSSA SENHORA DO MOSSUNGUÊ - CURITIBA/PR

Uma Vida de Sabedoria Cem anos é um privilégio para poucos, mas atingir tal longevidade com a alegria e disposição é uma benção. O nome “Margarida” significa “pérola”, carrega consigo todo o simbolismo de valor e preciosidade das pérolas, um século de sabedoria, falamos de uma mulher determinada, proporcionando de uma forma simples e objetiva o caminho para a felicidade, através do amor, cari-

Irmã Marlene Pereira da Silva M.A.D.

nho, educação e muita fé em Deus. Este é o modo de como sempre foi a sua receita básica para ser feliz. Está aqui porque soube conduzir sua vida na escolha da paz, da paciência e da convicção de que com o amor tudo vence e com fé tudo alcança. Acreditamos que tudo isso é que a fez chegar até nossos dias. Aprendemos que, o segredo para se viver

Irmã Edna Rodrigues - M.A.D.

aos cem anos, deve ser no modo como se vive o dia a dia, sempre alegre com uma palavra amiga, um apoio e muita fé em Deus. Somos gratas por todas as partilhas que você fez, por toda a história que você contou, por todo caminho que trilhou, por todo escrito que você fez perpetuando com sabedoria a nossa história como Mensageiras do Amor Divino.

Irmã Maria Vicentina de Oliveira Sacramento - M.A.D.

Irmã Rita Emilia -M.A.D.

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COMUNIDADE NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE – ANGOLA Mensagem para Irmã Margarida Pereira Irmã Margarida é um grande pilar da Congregação e da sociedade em geral. É uma mulher serena, atenta a todos e a tudo. Irmã Margarida, nós te agradecemos por tudo que foste e és para cada uma de nós, em particular às irmãs angolanas, que com seu ser sereno, tranquilo e atenta, soubeste acolher-nos com todo carinho, amor e simplicidade. Neste ano em que festejamos o seu centenário, momento de muita bênção e sobretudo de Ação de Graças, queremos agradecer, mais uma vez, a sua entrega a Deus, à Igreja e à Congregação. Que o Senhor a cumule de bênçãos e a toda sua família. Parabéns, nosso grande pilar! Muitos abraços! Com amor à futura comunidade de Nossa Senhora da Natividade – Bié.

Irmã Antônia - M.A.D.

Irmã Fátima - M.A.D.

COMUNIDADE FRATERNIDADE SÃO JOSÉ – SÃO PAULO/SP Na diversidade de seus dons, os discípulos são chamados ao serviço à vida, na construção de um mundo novo, na qual é possível reconhecer a presença de Deus no meio da comunidade. Querida Ir Margarida, modelo de vida para cada Mensageira do Amor Divino! São cem anos de vida bem vividos e uma história de vida fantástica! A sua alegria é a nossa alegria! Cem anos não são cem dias! Alcançastes graças diante de Deus, porque soubestes e sabes viver os preceitos de nosso Senhor Jesus Cristo! Assim como está escrito em Deuteronômio: “Honre teu Pai e tua Mãe para que se prolonguem os teus dias cá na terra” (Dt 5, 17). Com certeza, não foram apenas anos de alegria, as tristezas também estavam presentes na sua vida, mas soubeste acolher na fidelidade e dis-

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ponibilidade cada finitude e mostraste em momentos de sua vida que: “Ser feliz não é ter uma vida perfeita mas sim, reconhecer que vale a pena viver”. Quanto Amor Divino foi plantado em cada lugar onde a senhora passou! Tenha certeza que no coração de cada formanda e de seus alunos a nível profissional, está germinando cada semente que lhe foi semeada. A nos-

sa alegria é imensa, glorificamos a Deus pelo seu centenário e pelo seu testemunho de fé, humildade e companheirismo, como discípula de Jesus dentro da congregação das M.A.D. Este é um grande exemplo que deixarás para todas nós. Feliz aniversário! Bênção de Deus, feliz o ventre que te concebeu e todos os membros de tua família.

Irmã Helena Rocha, M.A.D.; Noviça Filomena; Irmã Adélia, M.A.D.; e Noviça Rita de Cássia


COMUNIDADE NOVICIADO SÃO JOSÉ - PINDAMONHANGABA/SP Querida Irmã Margarida, A nossa comunidade formativa, Noviciado São José se alegra ao celebrar seu centenário de vida. Agradecidas pela sua vida pelo seu testemunho de fé e perseverança, louvamos a Deus. Como comunidade formativa não podemos deixar de agradecer tam-

Irmã Keli - M.A.D.

bém por sua contribuição para a formação da Congregação, pois, embora hoje nem todas nós tenhamos formação direta com a senhora, indiretamente acolhemos o aprendizado que a senhora partilhou com nossas irmãs que hoje nos auxiliam na formação. Estes ensinamentos ainda serão partilhados para gerações futuras através de cada uma de nós, de

Irmã Maria Rita - M.A.D

Noviça Bernarda

fato nos enriquece tê-la como nossa irmã. Louvamos a Deus com o coração cheio de gratidão por nos colocar no mesmo caminho, em busca do mesmo ideal: Irradiar o Amor Divino, pois como ensinou nossa Madre Fundadora “O Amor será nossa meta, nossa busca, motivo de nossa existência” (Me. Felicy).

Noviça Bernardeth

Postulante Eduarda

COMUNIDADE PAPA FRANCISCO – VILA RICA/MT Lembranças de uma comunidade Falar da Irmã Margarida é lembrar de momentos que tiram de nós sorrisos e gargalhadas. Momentos que, mesmo na correria do dia a dia, ficam marcados nos nossos corações com carinho e afeto. Irmã Margarida nos conquista pela sua originalidade, seu jeito de ser e viver. Seu amor por comunicar, conversar, ensinar, faz, com certeza, a maioria de nossas irmãs da Congregação, se recordarem de aulas que ela nos dava com muito esmero. Como num dia (partilhas de uma lembrança): “Irmã Margarida nos dava aula de Bíblia. E ao chegar na sala, nós formandas, pegamos um livro com fotografias da Itália e pedimos para que nos explicasse sobre aqueles lugares. Nisto, ela passou aquela aula toda falando daquele lugar, de suas experiências. Ao notar que não tinha, ainda, falado sobre a Bíblia, perguntou para nós que horas era aquela. Ao respondermos que já estava quase na hora do almoço, olhou para nós bem séria e disse: ‘Foram vocês que não me deixaram dar aula hoje!’. Mas, ela nem sabe que aquele dia, foi uma das melhores aulas que tivemos.” “Quando levei a Irmã Margarida na Missa, nos últimos dias ela tinha ido ao Santuário, mas resolvi levá-la na Paróquia São Roque, para ser um lugar diferente. Assim, ao voltarmos para casa, ela agradeceu muito por ter ido ali, pois fazia algum tempo que já não ia lá. E mais, me disse que gostava muito de passear, então, quando eu fosse sair que se lembrasse dela para que fosse junto comigo. Sorrimos juntas”. “Trago boas lembranças da Irmã Margarida, principalmente na formação inicial, onde dizia para sermos sempre atentas com as necessidades onde estivermos. Era exigente ao nos recordar isto. Ela gostava de torcer pelos jogos da Copa do Brasil e ainda, brigava com os jogadores que estavam jogando mal”. Somos gratas por tantos momentos. Somos gratas pela sua história. Somos gratas pela sua perseverança. Obrigada, Irmã Margarida, por tanto amor e dedicação, pela alegria e vocação. Especialmente, a nossa Comunidade de Vila Rica/MT, onde soube ser, mais do que nunca, apoio e incentivo para irmos adiante irradiar o Amor Divino.

Irmã Aparecida da Silveira M.A.D.

Irmã Terezinha Krasovisk M.A.D.

Noviça Giovanna

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COMUNIDADE JESUS MISERICORDIOSO - SACRAMENTO/MG Centenário de Vida. Louvemos a Deus pela vida exemplar da Irmã Margarida Pereira Cem (100) anos não são 100 dias de dedicação e empenho em todas as áreas, material, cultural e espiritual. Então toda a Congregação e cada uma de nós, só tem a ganhar com isso e agradecer a Deus por tê-la conosco. E se for da vontade de Deus que a conserve por mais tempo entre nós. Irmã Ana Francisca da Rocha – M.A.D.

Irmã Margarida, Louvo e agradeço a Deus pelo dom de sua vida, de quem a Providência Divina se serviu a fim de nos permitir estar aqui para agradecer os cem (100) anos de sua existência. Na vida há acontecimentos e datas que não podemos esquecer e no que diz respeito à sua vocação a vida Mensageira do Amor Divino, e muito mais se torna importante fazer memória principalmente como atitude de ação de graças pelo dom recebido. A nossa Congregação é abençoada e também as comunidades por onde passou pela sua presença e pelo seu trabalho, a sua sabedoria, pelos seus conselhos que sempre direcionam para o caminho certo. Festejar os cem anos de vida é ter a chance de fazer novas amizades, levar mais a mensagem do amor, ajudar mais na formação, nos ensinar a cada dia que vale a pena nos dedicarmos ao Reino de Deus, ser mais humildes, ajudar mais pessoas, ensinar novas lições etc. Com a senhora durante alguns anos vividos juntas pude perceber o verdadeiro despojar-se de si mesmo, para que no fim, se obtenha o tudo ofertado pelas mãos de Deus. É ser grata, e ser forte, destemida mesmo que o coração esteja partido pela dor. Sei que muitas emoções devem ser vividas hoje pelo seu coração de Mensageira que entregou sua vida de forma definitiva ao serviço do Divino. Parabéns Irmã Margarida, neste dia tão grandioso e novamente, que Maria, Mãe da Igreja plena do Espírito Santo lhe impulsione cada vez mais assumir sua vocação de Mensageira do Amor Divino entre nós. Com carinho, Irmã Cecília de Freitas M.A.D

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Compromisso Exemplo Maravilhosa Amor Nascimento Obediente Sabedoria Irmã Margarida foi e é uma mulher doada simples pronta a todas. Mulher inteligente e de respeito. Cem anos dedicados a Congregação e a Igreja. Mulher cheia de sabedoria, sempre foi disponível de abertura, nunca mediu esforços para ajudar as coirmãs, mulher de oração, poética, compreensiva. Irmã Helena Matos – M.A.D


COMUNIDADE NOSSA SENHORA DO MONTE CLARO - SÃO JOSÉ DOS PINHAIS/PR Homenagens à Irmã Margarida Ir. Margarida, Parabéns pela sua vida bem vivida entregue ao Senhor. Obrigada pelo testemunho entre nós como mestra que sempre é na vida consagrada. Eu, com carinho, me lembro do tempo que a senhora foi minha mestra de juniorato e me ensinou a amar a Congregação e a Igreja. Com a senhora tivemos ótimos animadores na Catequese, Vida Religiosa, Liturgia, Espiritualidade Afonsiana. Deus lhe pague.

Irmã Margarida para mim, é um exemplo de vida, pela maneira que sempre enfrentou a vida de uma forma muito tranquila e trabalhadora. Acredito que sou uma das últimas formandas que tive o privilégio e a oportunidade de ter aulas com ela, sempre com aquela serenidade e com uma grande sabedoria para transmitir o seu conhecimento e com uma paciência incrível. Não sei como ela não ficava brava, porque muitas vezes dava um sono e acabava cochilando. Gostava muito de estar ao lado dela para ouvir suas histórias e as aventuras vividas desde o início de sua vida, e depois os primeiros anos que ingressou no convento. Sentia-me tão feliz quando ela me pedia para fazer a sua unha, cortar o cabelo; sentia uma grande confiança da parte dela para comigo. Podia até, de uma maneira tão simples, expressar minha gratidão por tudo aquilo que me passava com seu testemunho de vida e sua sabedoria que nos era transmitida com tanta coragem e ousadia. Tudo o que tenho a dizer é gratidão por tudo, pela sua vida doada e pelo seu testemunho de vida. Obrigada por fazer parte da minha história.

Irmã Júlia Francisca, M.A.D.

Irmã Conceição, M.A.D.

Irmã Margarida sempre foi uma figura emblemática para mim na Congregação! Sua presença marcante pela discrição, sua inteligência, a força de seu espírito disposto e seu amor ao conhecimento, sempre me chamou a atenção! Desde que cheguei no Aspirantado, em Pindamonhangaba, que ela faz parte de minha vida e formação. Como esquecer as aulas de Bíblia? Nunca!! Sempre gostei muito de história e irmã Margarida sempre incluía em suas aulas muitos fatos históricos de sua vida, o que tornava as aulas sempre convidativas e divertidas! Foi assim, através das aulas que fiquei sabendo de sua jornada como professora no Vale do Ribeira, que viajava de trem para lecionar, o mesmo trem que eu muitas vezes peguei para passear na juventude, foi assim que também fiquei sabendo que ela gostava de ir na praia do Costão, em Peruíbe-SP, para fazer piquenique, que por acaso é também minha praia preferida, pois Peruíbe, para quem não sabe, é minha terra natal! A aula sempre atrasava, pois sempre tinha uma história boa para contar e para ouvir! Quando entrei na faculdade de Teologia e tive minhas primeiras aulas de Bíblia, não fiquei surpresa em constatar o que eu já há muito superava naquelas aulas iniciais, pois afinal, irmã Margarida já havia me iniciado e muito bem, com seus conteúdos Bíblicos. Ela é sempre presente quando nos fazemos presente! Nos contagia com sua simplicidade e humildade e seu jeito de viver, é o que é sempre constante, serena e com uma presença espirituosa que nos contagia. Uma mulher admirável, além de seu tempo, mente ativa e coração jovial que nos faz querer estar sempre por perto! Vida longa à Irmã Margarida!! Irmã Maria de Lourdes Soares Gomes - M.A.D.

Querida Irmã Margarida. Minha gratidão a Deus é infinita por tê-la escolhido para ser SEU INSTRUMENTO no início de minha vida religiosa, transmitindo conhecimento histórico nas diversas aulas de minha formação inicial. Eram momentos especiais e únicos. Agradeço também, do fundo de meu coração, as muitas conversas incentivadoras que tivemos nos corredores da Casa Mãe, onde a senhora me disse inúmeras vezes em relação ao meu desejo em fazer psicologia: “não desista de seu sonho, Ir. Heloísa, porque eu me arrependo até hoje por não ter insistido com a Madre Felicy para fazer pedagogia! Vai em frente e lute por isso”! E quando nos encontrávamos por aí, a senhora sempre me perguntava: “Como estão os estudos? Como você está? E, não desista!” … Enfim, a senhora não faz ideia do quanto suas palavras me impulsionaram, me incentivaram e foram importantes para mim nesta conquista. Fizeram toda diferença nas diversas incompreensões e dificuldades que surgiram no decorrer da minha caminhada universitária. Gratidão a Deus por tudo que fez para mim, por ser uma pérola muito preciosa e bem lapidada nas mãos da Trindade Santa. Que Deus continue abençoando-a, conduzindo-a e iluminando-a a cada minuto de sua vida e CONCEDENDO A GRAÇA DA SAÚDE, AMÉM!! Um beijo muito especial em seu coração. Te amo! Irmã Heloísa Cristina Chagas - M.A.D.

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Família Vai Mensageira ...Corações ávidos de caridade, almas sedentas de santidade... (estrofe da poesia Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida, M.A.D.)

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Querida tia Maria Margarida, Apesar da distância, a senhora sempre fez parte de nossa vida e está sempre presente em nossos corações. Manoel Carlos, Maria Lúcia e Fernanda

Manoel Carlos, Maria Lúcia e Fernanda

Família da Irmã Margarida

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Recordações de Tia Maria Margarida Eu tenho memória desde criança da tia Maria participando ativamente da nossa vida mesmo morando sempre longe. Me lembro dos cartões de Natal dela e das vezes que a visitamos no convento. Em todas as visitas ela foi super carinhosa e atenciosa demonstrando conhecer particularidades sobre nós. Nunca vou me esquecer dela falando o nome da rua em que morávamos de cabeça, e perguntando coisas sobre as nossas vidas. Aprendi com ela a tomar um copo de água ao acordar. Sempre a tivemos como um exemplo de amor, atenção e fé. Falo aqui das minhas memórias que se somam às memórias de todos aqui em casa. Lívia cita momentos como os meus e já a mãe (Edna) e o pai (Cesar), citam esse amor demonstrado pela tia antes mesmo de eu nascer, como no tempo que estava na Itália e da sua volta ao Brasil. Assim, sempre soubemos que temos essa pessoa tão próxima de Deus rezando por nós. Essa certeza nos ajuda a seguir cheios de fé. Agradecemos por ter a tia Maria em nossas vidas.

Parabéns pelos seus 100 anos! A festa é sua, mas o presente é nosso!!! É um privilégio enorme, podermos ter convivido ao longo de tantos anos com essa mulher extraordinária! Certamente cada um de nós da sua família, tem guardado no coração momentos e lembranças especiais do convívio ao seu lado; e eu me sinto imensamente honrada em poder ser porta-voz de todos – são inúmeras e eternas as lembranças e marcas que a senhora deixou no meu coração! Obrigada pelo exemplo de mulher forte e corajosa, que escolheu como Razão de Vida o caminho do Amor ao próximo e dos ensinamentos de Cristo! Certamente seu exemplo está marcado no coração de todos nós, e seguirá sempre a nos guiar! Feliz Aniversário!!! Com todo nosso amor, em nome da nossa família, Ana Carolina

Texto de Cíntia Maia Braga (sobrinha neta) representando a família Maia Braga.

Da esquerda para a direita: Daisy, Irene, Margarida, Nelly e Lucy (sentados: mãe, Sra. Maria de Lourdes e sr. Manoel, pai)

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Pai, irmãs, tios, sobrinhos e primos da Irmã Margarida

Jane e sobrinhos (ex-aluna da Irmã Margarida) Parque Viterbo - 1986, Euvira e sobrinha Maria Zeli

Passeio em Parati/RJ

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“Temos tanto a admirar, tanto a aprender, tanto a sentir”

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stamos falando de amor, quando esse sentimento se chama Tia Maria. É querer ser espelho, é querer saber dançar, mesmo sem ter o privilégio de conhecer a escola Caetanos de Campos. É bailar com o coração, com o amor pelo próximo, aquela presença certa e fundamental nos encontros de família. Adoçar a vida? Tia Maria é o doce mais doce, das nossas festinhas tão marcantes e que cresci tendo a certeza, que tia Maria estaria lá. É puro, é humano, seja onde estiver, aqui no Brasil, na Itália, ou onde quer que passe. Aprender? Privilegiadas as crianças de alma pura que receberam lições de amor dados pela nossa Tia Maria. Maria, Maria é nome de quem se doa, de quem se dispõe a lutar pela igualdade, pelos menos favorecidos. É ter visão de anos de história e anos de trabalho, para entender que ser é fazer, ser é estar, ser é exemplo. Faça o que faz e o que diz tia Maria, ela deve ser o reflexo em todos nós, todos os dias. Por tê-la como minha tia-avó, quero poder tê-la como um pedacinho de mim, um pedaço que faz o bem, que dá amor. Hoje e sempre quero acordar e espalhar Tias Marias por onde for, parar o mundo e dizer: seja mais Maria! Renata Chaves da Fonseca – sobrinha neta da querida tia Maria Margarida

Renata, sobrinha da Irmã Margarida

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Amigos Vai Mensageira ... vai Mensageira ao teu irmão! leva-lhe alento ao coração... (estrofe da poesia Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida, M.A.D.)

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Irmã Margarida, Uma Autêntica Mensageira do Amor Divino

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ecebi, com alegria, o convite para escrever um depoimento em comemoração aos 100 anos de vida da Irmã Margarida. Para mim, é uma honra poder falar um pouco sobre esta pessoa tão iluminada e querida por todos. Trabalhei com a Irmã Margarida, na Cúria Metropolitana de Aparecida, entre os anos de 1992 a 2001. Ao chegar na Cúria (em 1992, a Cúria estava situada no 4º. Andar da Torre Brasília, no Santuário Nacional), fui apresentada à Dona Alice - que já está na glória do Senhor - e à Irmã Margarida, que ali trabalhava fazendo a compilação dos livros históricos da Arquidiocese, na pesquisa de certidões antigas e, também, no lançamento das notificações nos livros de batizados e casamentos. Logo no primeiro momento em que conheci a Irmã, fui conquistada pelo seu jeito meigo, divertido e amigável. Ao mesmo tempo, percebi que ela era uma pessoa com a qual eu poderia contar. O tempo foi passando e o meu carinho e admiração pela Irmã Margarida foram crescendo a cada dia. Adorava ouvir suas histórias, às vezes, divertidas, outras, tristes, mas todas traziam um aprendizado. Sua rica experiência de vida, sua maneira simples e descomplicada de encarar os problemas e sua profunda espiritualidade, me serviram de inspiração e contribuíram para meu crescimento pessoal. Como não se encantar pela Ir. Margarida? Pessoa que irradia felicidade e transmite paz a todos que estão ao seu redor? Ela tem a beleza e a pureza da flor do mesmo nome e um coração repleto do amor de Deus. Seu carisma, bom humor, bondade e doçura fazem da Irmã Margarida uma autêntica “Mensageira do Amor Divino”, que fez e faz da sua vida uma entrega total ao Senhor. Sinto-me feliz e privilegiada por ter desfrutado de sua companhia e pela oportunidade de expressar meu carinho, minha gratidão e meu louvor a Deus pela vida da Irmã Margarida. Querida Irmã Margarida, a senhora sempre teve e terá um lugar especial no meu coração e nas minhas melhores lembranças! Obrigada por tudo! Que a Mãe Aparecida a tenha sempre sob sua maternal proteção. Jaqueline Pereira

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A

inda no início de minha jornada, em meio a tantas procuras e descobertas, fui à capela do Sagrado Coração e deparei-me com uma mulher sorridente, calma e gentil. Convidou-me a sentar e ali rezamos o terço diante de Nossa Senhora. Antes de sair, me perguntou de onde eu era, a minha origem. “Daqui de Aparecida”, respondi. Ela sorriu e, acenando, revelou contente que éramos vizinhas; ela nascera em Guaratinguetá. Em seguida, ressaltou: “somos da Casa da Mãe”. Levantou-se, serena e disse: “É um privilégio e uma responsabilidade”. Com o passar do tempo, pude constatar e “experimentar” a cada encontro com a Irmã Margarida, seu equilíbrio, gentileza, acolhida tranquila, humor jovial e inseparável amabilidade, sem abrir mão de permanente senso de disciplina. Uma mulher que assumiu a história da própria vida. Ao longo dessa história, tinha paciência com as mais jovens e as ajudava a descobrir a Boa Nova de Deus em suas vidas; ajudando a perceber os sinais do chamado especial que o Senhor fazia. Ao lado da Madre Felicy, apresentava-se como suave escudeira; fraterna e gentil com as irmãs; acolhedora e inspiradora para as mais jovens. Mulher culta, educada, atenta, silenciosa e fiel. Sua presença discreta e sua intervenção em momentos críticos da história da Congregação marcaram o percurso da vida das Mensageiras. Não passa despercebido também o quanto a influência da Irmã Margarida foi relevante para as decisões dos Fundadores. Embora silenciosa e discreta, não se caracterizou por submissão passiva. Suas atitudes foram expressão de disponibilidade e prontidão para realizar à vontade de Deus. Vale salientar que a mola propulsora que impulsiona Irmã Margarida até hoje, é sua união ao Coração de Jesus e sua afeição profunda a Maria Santíssima. São os elementos que fundamentam a existência valiosa dessa Mulher de Deus. De idade avançada, que caracteriza o ocaso da vida, Irmã Margarida continua lúcida e fiel, uma referência para todos nós. Mulher consagrada dos nossos tempos; através de sua experiência espiritual, sua plena entrega ao Plano Divino, com toda a liberdade, foi escolhida por Deus para ajudar a dar vida à Congregação que, até hoje, cumpre sua missão de Mensageira do Amor Divino. Mesmo em meio às provações, Irmã Margarida encontra no Espírito Santo luz, força, capacidade de viver e enfrentar as vicissitudes que se apresentam no cotidiano. Sou grata ao Senhor por ter me concedido a honra e a alegria de ter convivido com Ir. Margarida e poder expressar com palavras a minha gratidão e admiração por essa mulher tão edificante. Nessa data significativa da comemoração dos 100 anos de existência de Irmã Margarida - 100 anos doados plenamente na realização do Projeto de Deus - essa filha eleita é digna de Ação de Graças e de nossa admiração, para a Glória do Pai. Sim: “É um privilégio e uma responsabilidade” estar ao lado desta consagrada ao Senhor, que ainda se doa nos plenos 100 anos de vida conosco!

“É um privilégio e uma responsabilidade”

Lucia Viera, ex-mensageira

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Margarida: mulher, religiosa, flor no nome e na vida “Para tudo há um momento, e um tempo certo para cada coisa debaixo do céu” (Ecl 3,1)

Irmã Margarida uma das cofundadoras das Irmãs Mensageiras do Amor Divino, soube em vida centenária viver plenamente o que diz esse versículo do Eclesiastes. Posso afirmar isso, pois Deus concedeu-me o privilégio de conviver com ela desde outubro de 1960, quando ingressei no então Pio Sodalício das Mensageiras do Amor Divino, vinda da zona rural com 18 anos e tendo concluído há 12 anos o terceiro ano em uma escola estadual no bairro em que residia. Meu primeiro convívio foi com a querida Madre Felicy e com a superiora da Casa Mãe Ir. Margarida Pereira, ambas formadoras das postulantes de então. Além dos trabalhos no Pio Sodalício Ir. Margarida lecionava em uma Escola Estadual, em Aparecida no que seria hoje ensino fundamental, na época era a única renda fixa mensal para a manutenção da casa (Irmãs e formandas). Claro que contávamos com grandes benfeitores brasileiros e norte americano, graças do fundador Pe. Eduardo Moriarty, CSsR. Desde bem jovem tive da Ir. Margarida como grande exemplo de: trabalho, tranquilidade, serenidade, oração, cultura. TRABALHO Como já mencionei, ela era a superiora da Casa Mãe, braço direito da Madre Felicy, lecionava no Estado, portanto Funcionária Pública; cuidava das formandas com aulas de formação religiosa, bíblica, teológica, Doutrina Social e ainda, ministrava aula de português, matemática, conhecimentos gerais para as formandas com bai-

xa escolaridade (entre elas eu). Em algum domingo ia para a cozinha preparar nossas refeições. Tinha ainda a incumbência de zelar pela saúde das formandas (ainda me recordo do armarinho de medicamento no refeitório grande, cuja chave ficava em seu poder). TRANQUILIDADE E SERENIDADE Irmã Margarida desempenhava todas essas funções com tranquilidade, competência e serenidade, tempo para cada coisa. Jamais nesses 60 anos de convívio (ora bem próxima, ora bem distante), nunca percebi e observei essa mulher se alterar ou “perder as estribeiras”. ORAÇÃO Em todos os momentos de oração em comunidade ela estava presente, (na época a primeira oração comunitária era às 05 horas da manhã). Muitas vezes a encontrei na capela junto ao Santíssimo em profunda oração. CULTURA Eu a chamo de “minha Enciclopédia”, pois quando ela trabalhava como formadora na Congregação com os LEMADs, Dirigentes do RAD, Paróquia, Missões e até Direção Espiritual era a ela que eu recorria e tinha sempre uma resposta, uma explicação, orientação, argumento, a indicação de um livro, um texto. Sempre atualizada nos assuntos da Igreja, como também em política, economia, sociedade em geral, com críticas e reflexões correntes e sempre atuais.

Terezinha Guimarães

Como já disse que vivi na zona rural do bairro do Bonfim, município de Aparecida/SP, nas Paróquias de Sant’Ana de Roseira, Ir. Margarida também teve suas raízes no mesmo bairro, na fazenda do sr. Manequinho Pereira, pai de nossa Margarida onde ela, seus pais e suas irmãs viveram bom tempo. Viva essa mulher forte, embora apresente fragilidade, incansável em sua tranquilidade. Cuidava bem de sua alimentação. Me recordo sempre que quando ela lecionava chegava no convento, nós já tínhamos almoçado. Infalivelmente ela aquecia seu almoço e fazia “um ovo pochê”, após o almoço indispensável cafezinho. Após 6 décadas de convivência, tenho um grande amor, respeito, carinho, admiração por essa Mensageira do Amor Divino. Demos graças e glória a Deus pelo seu centenário. V iva Irmã Margarida, Flor do Vale!!! Homenagem da ex-Mensageira - Terezinha Guimarães

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Irmã Margarida: cem anos, um século inteiro de vida!

36.500 dias, 876.000 horas, 52.560.000 minutos

Irene Mendes

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I

rmã Margarida, sinto alegria em escrever, para a senhora, celebrando esse aniversário! Em alguns desses dias convivemos, celebramos o mistério de nossa fé e vida, discernimos obstáculos, distração e perigos na caminhada rumo ao Reino Definitivo. Irmã Margarida, guardo, com gratidão eterna, algumas experiências. Seu testemunho de humanidade solidária, naquilo que Deus ia nos pedindo, mesmo nas adversidades. Fizemos nosso melhor no que Deus foi nos apontando com a luz da fé, no seguimento consciente do Mestre Jesus e na força do Espírito Santo e, buscando existencialmente ser fiel ao Carisma da Congregação. Certamente sua memória, também, elencou pontos específicos. Ir Margarida, celebrar cem anos é muito importante! Para você e para nós Igreja, em especial na Congregação das Mensageiras do Amor Divino, na qual você viveu grande parte desses anos. CEM ANOS: BODAS DE JEQUITIBÁ, representa uma verdadeira conquista. Com tudo aquilo que isto significa, desde o seu SIM ao chamado que Deus lhe fez e faz, em cada fase de sua história, até chegar neste dia jubiloso! Quero lhe dizer que para mim é uma grande honra poder escrever, pois sei o quanto significa a fidelidade no SIM continuado no tempo, passando pelas alegrias e também pelas dificuldades ligadas aos desafios de ser, crescer, servir ou às fragilidades humanas na resposta que se deve dar. A senhora, Irmã Margarida, chegou até aqui com a sua resposta cotidiana a Deus, a vida e às pessoas a quem serviu com destacada generosidade.


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Aceite esta homenagem! Também em unidade com tantas pessoas, que certamente queriam consigo estar.

osso afirmar que é motivo de um saudável orgulho saber que a vitória é sua, mas é também de todos nós, da nossa Igreja a qual você ama e serve. É uma alegria, que não nos será tirada, celebrar com alguém que amamos, com quem combatemos o bom combate, guardamos a fé, conseguiu chegar a tanto na vida e no serviço que Deus lhe confiou. Com gratidão rogamos a Deus para que lhe conceda seguir ainda em frente nesta mesma doação generosa até quando Ele o permitir. Desde fevereiro de 1966, quando a conheci, posso testemunhar que foi grande a sua dedicação à Igreja, servindo-a, com esmero, nos inúmeros encargos que pela Congregação lhe foram confiados, sem medir esforços. Gostaria de estar presente nesta celebração, mas não o posso fazer por causa das limitações impostas pela atual pandemia. Aceite esta homenagem! Também em unidade com tantas pessoas, que certamente queriam consigo estar. Queremos exaltar o Pai do Céu pelo seu sim que animou tantas vidas, pela condução de tantas jovens a Cristo, muitas, na etapa mais decisiva de suas vidas. Agradecer por seus inúmeros serviços prestados. Enfim, agradecer cada oração feita pela senhora “no silêncio do quarto”, onde só o Pai vê e, por meio delas, soube fazer chegar os seus benefícios a tantos necessitados, no Mistério de seu Amor Divino. Irmã Margarida, muito obrigada por tudo! É muito bom tê-la habitando meu ser, é muito bom ter você como amiga e como irmã! GRATIDÃO! Só quero sentir gratidão, entender a vida como ela é. Nossa convivência foi um aprendizado, de cada momento uma nova chance de crescer no ser, para servir melhor. Gratidão, porque esse é o combustível da vida, agradecer as coisas que nos fazem bem. Hoje eu só quero sentir gratidão, porque sem isso eu continuaria nas sombras e me perderia dentro de mim em coisas que não me fazem evoluir. Irmã Margarida, obrigada por tudo!! Também peço perdão pelas dificuldades que lhe causei. Irene Mendes, ex-mensageira

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A Expressão Viva da Serenidade

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im, seria essa a definição que eu daria à Irmã Margarida. Mulher serena, e nessa definição elencaria umas dezenas de características marcantes. Em primeiro lugar, mulher convicta e segura de sua consagração a Deus, fazia todos perceberem seu compromisso com os votos de castidade, pobreza e obediência, uma pessoa de oração. Irmã Margarida, quando não estava em uma atividade, poderiam procurá-la e iriam encontrá-la na capela em oração, meditando ou lendo algum livro de santos da Igreja, tanto que, sempre que conversava com as pessoas, tinha no repertório uma frase de um santo para ilustrar ou alicerçar a conversa; mulher observadora, nunca opinava sem antes observar diversas facetas da questão, enquanto os outros falavam, ela, sem pressa, acompanhava cada detalhe com seu olhar

Na vida comunitária entre as irmãs, era sempre a mesma, com seu jeitinho encantador com todas as características e virtudes já citadas

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esperto e, às vezes, alguém por curiosidade dizia: “fala Irmã Margarida!” E ela respondia: “depois...” Sabia ouvir, virtude essa tão rara nos dias de hoje. DISCRIÇÃO E quando então emitia a sua ideia, selava as diversas opiniões e as possíveis diversidades e controvérsia de maneira sutil, acompanhada de uma humildade e sabedoria notável. Humildade essa, que nunca percebi Irmã Margarida querer estar em destaque em alguma função, mesmo quando sua contribuição era indispensável, queria sempre estar nos bastidores para observar, apoiar e contribuir com tudo, acompanhava sempre como uma águia esperta sobrevoando todos os recantos sem interferir, mas pronta se alguém precisasse. Muito organizada, principalmente em se tratando de arquivos e documentários e por ser calma, a Congregação confiava muito a ela essa função, era na verdade, a confidente e conselheira da fundadora da Congregação, Madre Felicy. Isso eu observava e quantas e quantas vezes conversavam por horas e, com plena certeza, era sobre decisões a serem tomadas para a condução de certa missão, e ali estava com sua sabedoria a Irmã Margarida, sensata, discreta e sábia, tudo que uma pessoa precisa para ouvir a voz de Deus em momentos decisivos. ESPIRITUALIDADE Na missão evangelizadora da Congregação, tinha conhecimento e acompanhava de perto ou de longe todos os processos de caminhada, estava sempre pronta a elaborar planejamento de trabalho, organizar rotina de desenvolvimento; temas a serem desenvolvidos, bastava dizer a ela

o objetivo, já apresentava o roteiro, era meu braço direito nesse quesito, na coordenação diocesana de catequese onde era necessário desenvolver vários temas para cursos e preparação para iniciantes e veteranos, apostilas. Era também ela quem me ajudava a escolher pessoas para compor a equipe diocesana da catequese e ensino religioso nas escolas. Entretanto, seu envolvimento direto era com os Retiros do Amor Divino. O primeiro ato para preparar o Retiro do Amor Divino era a formação da equipe e, em seguida, o desenvolvimento do retiro que tinha uma espiritualidade celestial, conduzia esses retiros de forma tão suave que os retirantes se embebiam tão profundamente do clima, que nesses dias se dizia que o Espírito Santo estava pairando com todos os dons sobre aquele lugar, o clima era tão profundamente espiritual que mesmo na cozinha, nos momentos mais intensos não havia barulho, tal era a condução que essa mulher de Deus trazia para suas ações. Ela gostava muito de dar a primeira palestra no retiro que era: “Amar a Deus a única coisa necessária.” E nesse tema, já colocava as pessoas em abertura de coração a ação do Espírito Santo. MEDITAÇÃO No outro dia, “Maria” era a palestra apresentada por Irmã Margarida, nessa palestra me lembro muito bem, o objetivo dela não era mostrar a importância de Maria como Mãe de Deus, mas como serva do Espírito Santo, aquela que cumpriu a vontade de Deus. A sua voz mansa e seus passos curtos na frente da plateia, ilustravam como um pano de fundo as palavras sábias e profundas sobre “Mariologia.” Na vida comunitária entre as irmãs, era sempre a mesma, com seu jeiti-


nho encantador com todas as características e virtudes já citadas, mas a predominância era o chamar as irmãs à oração, à meditação e não importava a hora em que chegássemos da missão, lá estava ela esperando na capela, sem dizer nada, era como se dissesse: “venha para cá, Ele te espe-

Ela gostava muito de dar a primeira palestra no retiro que era: “Amar a Deus a única coisa necessária.

ra!” No silêncio, fazia acontecer na comunidade a harmonia necessária entre as diferenças, era compassiva ao corrigir, segura ao exigir, determinada ao conduzir, nunca nos deixava sem orientação ou sem respostas, sempre pronta a conversar. Me marcou a competência que tinha de motivar as irmãs para a missão no mundo secular entre os “leigos” e ao mesmo tempo, trazê-las para vivência da vocação religiosa e espiritualidade. Acredito sinceramente que foi essa atitude que me levou a perceber que eu confundia missão com vocação, e que eu amava era a missão, mas não tinha vocação para vida religiosa. Observando tudo isso, tomei a decisão e ela foi um exemplo para mim de vida religiosa e missão. No entanto, essa seriedade era sempre surpreendida por uma piada inteligente e engraçada, que talvez por ela ser tão na dela a tornava super apropriada e sabia a hora certa para descontrair e levar todos a sorrir e como era muito dedicada à leitura, sempre contava histórias e anedotas quando necessário,

Irmã Margarida, sensata, discreta e sábia, tudo que uma pessoa precisa para ouvir a voz de Deus em momentos decisivos

pois todas as ações dessa serva de Deus eram pensadas para edificar. Parabéns Irmã Margarida, Deus dá vida longa a quem tem vida de doação. Te amo sempre. Muito obrigada! Luzibeth F. Ribeiro, ex-mensageira

IRMÃ MARIA! MINHA PRIMEIRA PROFESSORA, NO JARDIM DE INFÂNCIA DO GRUPO ESCOLAR COMENDADOR SALGADO, BAIRRO AROEIRA, APARECIDA-SP

N

aquela época, eu tinha 7 - 8 anos de idade. Isto em 1954 – 1955. Em 1964 1965 com 18 anos, fiz alistamento militar na Escola de Especialistas da Aeronáutica em Guaratinguetá, onde trabalhei por 8 anos. Neste período de 1969 a 1970, prestei serviço na Obra Social Nossa Senhora de Loreto, como motorista de um jipe para atender à Irmã Margarida nas visitas da Obra Social Nossa Senhora de Loreto aos funcionários civis que prestavam serviços na Escola de Especialistas de Aeronáutica. Foi muito prazeroso poder rever e atender à minha primeira professora após tantos anos. Irmã Maria que carinhosamente a chamávamos de Irmã Margarida e hoje, de Tia Maria. Feliz Aniversário! Saúde, paz e prosperidade com as bênçãos do Senhor Jesus Cristo e a Mãezinha Querida Nossa Senhora Aparecida! Um forte abraço! Marco Dias e família

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Bispos, Padres e Seminarista Vai Mensageira ...Ensina o amar ao bom Jesus e a abraçar a sua Cruz... (estrofe da poesia Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida, M.A.D.

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Irmã Margarida, Flor do Vale Com o cântico do Magnificat nos lábios e o Te Deum no coração, estamos celebrando, neste 10 de dezembro de 2020, os cem anos de vida da Irmã Margarida Pereira, um dos primeiros pilares da Congregação das Mensageiras do Amor Divino, fundada em Aparecida. Alegremo-nos com tantas graças.

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r. Margarida é “Flor do Vale”, porque nasceu no abençoado Vale do Paraíba, terra de milagres, de santos, de santuários. Terra do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, terra de São Frei Galvão, terra da Fazenda da Esperança, terra marcada por congregações religiosas, masculinas e femininas. Flor, porque Margarida é uma flor que significa: inocência, paz, bondade, afeto, jovialidade. Esta flor se fecha durante a noite e abre quando o sol nasce. Pertence à família girassol que tem um nome bem popular “bem-me-quer, malmequer”. Em alguns lugares e culturas, se coloca a coroa de margaridas sobre a cabeça dos noivos. A margarida também tem força medicinal para cura da visão, de feridas, da febre alta. Na língua inglesa margarida significa “Daisy”, flor do dia, olhar do dia, claridade, luz, pérola. As características da flor margarida evocam a beleza e a lu-

minosidade da querida Irmã Margarida, centenária Mensageira do Amor Divino. Ela sempre girou em torno do Sol que é Jesus Ressuscitado e sua vida iluminou as pessoas e os lugares onde viveu, trabalhou e evangelizou. Aos cem anos, Irmã Margarida não perdeu a jovialidade do coração, a beleza do sorriso, a fineza no relacionamento e a elegância espiritual. Eis a bela Flor do Vale! Irmã Margarida vive numa Congregação que tem por Patrono o Sagrado Coração de Jesus, devoção divulgada por Santa Margarida Maria Alacoque. Ainda mais, são suas protetoras Santa Margarida da Escócia e Santa Margarida de Cortona. Assim, nossa “Flor do Vale” torna-se, ainda mais, bela e resplandecente. Com tantas flores, a Igreja e a vida religiosa transformam desertos em jardins. Exultemos com todos que cuidam da Mãe Terra e da Querida Amazônia, ambas nossa Casa Comum.

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Como vimos, o nome “Margarida” é muito significativo. Santa Margarida de Cortona ficou órfã ainda pequena. Era uma moça prendada e cobiçada. Viveu com um certo homem rico por nove anos. Ele foi morto num assalto. Margarida encontrou o cadáver dele já em estado de putrefação. Neste momento, foi tocada pela graça de Deus. Procurou a Igreja, preparou-se para uma confissão geral e iniciou uma vida nova através de jejuns, penitência, humilhações. Dormia no chão e seu travesseiro era uma pedra. Alimentava- se só de pão e água. Meditava diariamente a Paixão do Senhor. Depois de 23 anos de penitência, faleceu santamente. Santa Margarida da Escócia era descente de família nobre. Casouse com o Rei Malcom III, da Escócia. Tiveram 8 filhos. A rainha Margarida alcançou a graça da conversão do marido, educou os filhos na fé. Fundou mosteiros, aplicou a reforma gregoriana no reino, influenciou na vida da Igreja para a superação dos escândalos do clero. Seu amor pelos pobres, órfãos, doentes e estrangei-

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ros era incondicional. Sentava-se à mesa com eles, lavava as feridas, cuidava da roupa e da saúde. Chegou a ter em sua volta 300 pessoas necessitadas de saúde e vida digna. Construiu hospitais para estes seus filhos e vendeu objetos pessoais muito preciosos para manter sua ação caritativa. Santa Margarida Maria de Alacoque teve experiências místicas desde os 8 anos de idade. Sendo órfã foi educada pelas Irmãs Clarissas. Portadora de uma doença grave, foi curada milagrosamente. Jesus lhe pedia reparação pelas ingratidões, desprezos, frieza, irreverências que ofendiam seu Sagrado Coração. Santa Margarida tornou-se a grande divulgadora do amor ao Sagrado Coração de Jesus. No seu tempo, havia uma corrente espiritual chamada jansenismo. Propagava o medo de Deus, o castigo divino, o juízo severo de Deus, pronto a castigar e condenar. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus resgatou a fé no amor do Pai, na ternura, bondade, misericórdia e compaixão do Pai, que enviou seu Filho para o mundo.

As características da flor margarida evocam a beleza e a luminosidade da querida Irmã Margarida, centenária Mensageira do Amor Divino.


Irmã Margarida, Pérola da Congregação Sim, Irmã Margarida é uma pérola preciosa. Não só foi muito amada, mas, “muito paparicada pelo Pai”, como dizia, Dom Albano Cavallin. Pérola que brilhou como professora em diversas escolas do Estado de São Paulo; pérola porque viveu a experiência da Ação Católica, participando da JEC – Juventude Estudantil Católica. Ação Católica é um projeto de evangelização, de missão, de vivência pastoral, pelo qual, leigos e leigas, conscientes de ser sal da terra, luz do mundo e fermento na massa, assumiram seu compromisso batismal nas veias do mundo. A Arquidiocese de Aparecida festeja e se rejubila por ser berço da Congregação das Mensageiras do Amor Divino e canta exultando de alegria pelos cem anos de vida da Irmã Margarida. Unem-se a nós, neste grande louvor, a Igreja de Roma, de Curitiba, de Belo Horizonte, de Ponta Grossa, de União da Vitória, onde Irmã Margarida, pérola da Igreja, foi Ministra da Sagrada Comunhão, catequista, pastoralista, secretária, sempre próxima da realidade do povo colaborando até na Pastoral Carcerária, nos movimentos e na vida da Igreja. Na Cúria da Arquidiocese de Aparecida, Irmã Margarida trabalhou por dez anos. Temos o privilégio de celebrar o centenário de tão preciosa e santa vida. Que pessoa extraordinária a Providência Divina nos deu como mulher, como cristã, como religiosa consagrada, como educadora e como catequista, em tantos lugares. Seu lado místico é profundo e luminoso. Nela o Amor Divino se fez carne. Ela mesmo diz: “Fiz uma visita inesquecível a Lourdes, na França. Nunca pensei que fosse algo de me levar por algumas horas a estar “fora deste mundo”. Só por esta visita, valeram os três anos na Itália”. Seu amor ao Coração de Jesus, à Eucaristia, a Maria e a Congregação fazem dela a Flor do Vale e Pérola da Igreja. Que a celebração dos cem anos da Irmã Margarida Pereira suscite e atraia vocações femininas para a Congregação e para a Igreja. Possam todas as Irmãs Mensageiras professas, postulantes e noviças reavivar sua profissão religiosa, seu entusiasmo missionário, sua dedicação aos pobres, seu amor à Congregação. Sejam todas, veículos, microfones, alto-falantes, fotografias e cópias do Amor Divino. Dom Orlando Brandes Arcebispo de Aparecida

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Homenagem à Irmã Maria Margarida Pereira Confesso-me agradecido a Irmã Kátia Regina Segateli, Superiora Geral das Irmãs Mensageiras do Amor Divino pelo pedido para um depoimento sobre a vida de uma santa religiosa, que conheci e foi para mim uma servidora fiel como secretária. Irmã Margarida exerceu esta função, como autêntica servidora missionária. Destacou-se pela sua espiritualidade, dando testemunho da vivência dos votos de obediência, castidade e pobreza. Soube corresponder aos dons que o Espírito Santo lhe concedeu. Sua disponibilidade de cumprir seus deveres causava admiração a todos. Nela resplandece sua caridade, sabendo acolher bem todos, sem acepção de pessoas. Sabia sempre ouvir (Pr 18,13), escolhendo bem as palavras nos seus diálogos, sem ofender ninguém. Reconheceu sempre a humildade, vivendo humilde, não se orgulhando de sua cultura, atribuindo a Deus e a todos que a ajudaram a ser o que ela era. A vida de sacrifício fazia parte de sua existência. Por isso, eu sou reconhecido por todo seu carinho para comigo e por todas as suas atividades de apostolado na Arquidiocese de Curitiba. Convido todos que num hino uníssono de louvor ao Senhor Deus e à Virgem Santíssima Aparecida celebrem este centenário com alegria, solidariedade, amizade e gratidão. Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto | Arcebispo Emérito de Curitiba

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UMA APRECIAÇÃO De uma Vocacionada e Consagrada Irmã Maria Margarida Pereira, M.A.D Fui solicitado para contribuir na apreciação de uma vida consagrada centenária, religiosa, das Mensageiras do Amor Divino, a Irmã Maria Margarida Pereira, uma do primeiro grupo de vocacionadas recebidas no novo Instituto da Vida Religiosa M.A.D., lá pelos idos do ano de 1954. Além das qualidades pessoais da reverenda religiosa, ora centenária, reconhecidas por todas as suas coirmãs: sua piedade, sua abertura para escutar, seu espírito de equilíbrio e ponderação, seu zelo e palavras esclarecedoras, e acima de tudo, sua presença amiga e reconciliadora na comunidade, podemos elencar seus méritos acumulados por seu apostolado vida adentro, nos Retiros do Amor Divino, nas palestras catequéticas e no apostolado nas paróquias. Infelizmente, esta minha colaboração, - de uma pessoa com seus noventa e um anos de idade, com sua memória reconhecidamente fraca quanto a nomes e datas, - não está em condições de fazer justiça a todas as qualidades e virtudes cristãs da querida Irmã Margarida. Minha memória esgotada e as frequentes transferências de religiosas da casa de União da Vitória, não me permite apontar e valorizar as suas contribuições pastorais e apostólicas em suas particularidades. Prefiro valorizar e agradecer as contribuições da Irmã Margarida no contexto e contributo de sua própria comunidade. De fato, com o apoio da Madre Felicy (de feliz memória) as Irmãs M.A.D. entraram comigo em União da Vitória, no dia 05 de março de 1977, nas vésperas de minha ordenação episcopal. Eram elas as Ir. Julia Marin e Ir. Ana Pereira da Silva. Cumpro dever de justiça ao afirmar que elas, e as Irmãs M.A.D que vieram depois, me ajudaram a iniciar uma série de atividades de formação do laicato. Lembro com que rapidez as irmãs conquistaram a confiança da classe de Professores de todos os níveis, frequentando em grande número, nos dias de formação catequética de professores.

Grande também, foi o contributo das mesmas, pelas inúmeras vezes que cuidara, dando seu apoio na organização dos Retiros do Amor Divino, e pela organização, também material, dos inúmeros cursos de teologia para leigos e encontros das várias pastorais, na Casa de Formação, nos trinta anos do meu episcopado na Diocese de União da Vitória. Rezemos a Maria, para que seu Filho Jesus Cristo, O Verbo Divino Amado pelo Pai, continue fecundando copiosamente a vida e as atividades do seu Instituto Religioso, com copiosa e autênticas vocacionadas, para sempre garantir o contínuo crescimento, na vitalidade de santidade e da apostolicidade da Família Religiosa das Irmãs Mensageiras do Amor Divino. Aqui vão meus sinceros agradecimentos pelas colaborações generosas prestadas, nas quais, seja como participante, seja como símbolo de pertença, devo, em especial, a Reverenda Irmã Maria Margarida Pereira. Peço encarecidamente orações por este Ancião que vos escreve. Ad Multos Annos! Dom Walter Michael Ebejer, O.P Bispo Emérito da Diocese de União da Vitória, PR

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Lembranças de uma conterrânea...

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a infância ajudei como “coroinha” na Paróquia de Santo Antônio em Guaratinguetá. Ali tive a oportunidade de conviver e conhecer pessoas sábias e santas. Lembro-me que, de vez em quando aparecia nas Celebrações Litúrgicas uma Religiosa, vestida de preto e branco. Era engraçado porque a senhora que a acompanhava ia com seu uniforme branco. A religiosa era a Ir. Margarida, a senhora de branco, D. Irene, sua irmã de sangue, que era a presidente das Filhas de Maria. Foi D. Irene quem me apresentou sua irmã Margarida. Naquele então trocávamos apenas respeitosos e formais cumprimentos. Eu era criança, ela uma Religiosa Consagrada. Nasceram no meu coração uma estima e um respeito espontâneos, livres. Tendo entrado no Seminário Menor, lembro-me que das vezes que estive na Cúria de nossa Arquidiocese de Aparecida, ali encontrei a Ir. Margarida trabalhando na Chancelaria com a D. Alice de Castro Rosa. Anos se passaram e várias vezes, ao longo do tempo, tivemos a oportunidade de trocarmos saudações e olhares. Fui ordenado sacerdote e, por desígnio de Deus novos encontros se deram. Desta vez um pouco mais frequentes, mais profundos, mais envolventes. Como padre vim trabalhar no Seminário Missionário Bom Jesus e morar vizinho às Irmãs Mensageiras do Amor Divino. Ao presidir a Eucaristia no Convento das Mensageiras pudemos aumentar a intimidade, cumplicidade e trazer às lembranças, fatos, lugares e pessoas comuns a conterrâneos, ainda que separados por décadas de sabedoria. Ela, mais sábia, eu ainda a caminho. Ao atender Ir. Margarida, várias vezes vi nascer no coração a sensação de gratidão a Deus por ter permitido a uma mulher consagrada que chegasse a esta altura da vida com consciência, liberdade interior e, sobretudo, desejo de corresponder à sua vocação. Por tudo isso, quero me unir às Irmãs Mensageiras

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do Amor Divino em júbilo e ação de graças a Deus, neste ano jubilar em que a Ir. Margarida de Guaratinguetá celebra seu centenário. Te Deum cantemos! Ao Senhor fonte e ápice de toda a vida, nosso louvor por dar-nos um exemplo visível que a fidelidade se constrói no cotidiano da vida, dos pequenos aos grandes “sim”. À Ir. Margarida nosso carinho! Nossa Senhora Aparecida e Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, nosso conterrâneo, intercedam por ela sempre. Pe. Renan Rangel dos Santos Pereira Reitor do Seminário Missionário Bom Jesus – Arquidiocese de Aparecida


IRMÃ MARGARIDA MENSAGEIRA DO AMOR DIVINO

De sorriso fácil e de acolhimento generoso, a todos recebia como quem porta um tesouro, o qual não é outro senão o Amor Divino. Sempre foi convicta de sua fé e de sua adesão a Nosso Senhor e ao seu projeto em sua vida, como mulher omo mulher,, ccomo cristã, como consagrada.

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into-me honrado em poder participar das homenagens a essa grande mulher, essa consagrada à causa do Evangelho, dedicada Mensageira do Amor Divino, Irmã Margarida. A causa de tão grande e merecida homenagem é a comemoração do seu centésimo aniversário e por ser ela uma das primeiras a dizer o seu “sim” na Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino. Tudo isso já sabemos e, certamente, outros trarão, para nosso contentamento, mais aspectos e fatos da vida da Irmã Margarida. Eu desejo homenageá-la por seu trabalho realizado na Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Aparecida, em favor da Arquidiocese de Aparecida. De sorriso fácil e de acolhimento generoso, a todos recebia como quem porta um tesouro, o qual não é outro senão o Amor Divino. Sempre foi convicta de sua fé e de sua adesão a Nosso Senhor e ao seu projeto em sua vida, como mulher, como cristã, como consagrada. Assim sendo, não consentia em se calar diante do erro ou da dúvida, mas a tudo respondia com generosidade. Chamá- la de santa sempre foi arrancar-lhe um sorriso e a resposta: “Deus está vendo!” Assim, a Ir. Margarida tratava a todos que chegavam ao departamento curial. A Ir. Margarida esteve a serviço da Arquidiocese de Aparecida, na Cúria Metropolitana, de outubro de 1989 a abril de 2001. Seu trabalho era de secretaria, fazer o assentamento das notificações, fazer o assentamento dos batizados e casamentos, cuidar da correspondência endereçada ao Arcebispo e à Arquidiocese e ocupou-se, com esmero, na transcrição, com sua letra professoral e, portanto, legível, os livros antigos da Cúria. Sobre esse seu trabalho desejo mais me ater.

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A Arquidiocese de Aparecida é uma diocese jovem, bastante jovem, tem somente 62 anos, mas os livros que contam as histórias das primeiras igrejas e, portanto, dos primeiros povoados, hoje cidades, às quais compõem a Arquidiocese, remontam ao século XVII, e esses livros foram entregues aos cuidados da Arquidiocese quando de sua criação, em 19 de abril de 1958, pela Bula “Sacrorum Antistitum”, Papa Pio XII. Claro que com o tempo, que é implacável, e também pelo manuseio, esses livros sofreram danos, no papel que os compõem e também na tinta usada nas escritas. É verdade que grande parte dos livros está bem conservada. Foi nessa área que atuou de forma importantíssima e insubstituível a querida Irmã Margarida. Com paciência e dedicação, ela trabalhou na cópia dos livros mais antigos, sendo fiel ao que neles se encontrava, mesmo ao dano ou à ilegibilidade, pela caligrafia, pela grafia, deixando em branco a palavra ou o trecho acometido por essas dificuldades. Nunca foi “criativa”, inventando o que não entendia na escrituração. A fidelidade é fundamental nesse trabalho. E fidelidade, a Irmã Margarida tinha e tem de sobra. Assim, hoje, podemos contar com cópias fidedignas dos livros curiais. Mas, entre todos os trabalhos realizados pela Irmã Margarida um tem imensa importância. A nossa querida “Santa Margarida”, como eu a chamo, copiou o Livro do Tombo, 17571873, da Paróquia Santo Antônio, em Guaratinguetá, SP, que relata o Encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. O seu trabalho foi hercúleo e delicado, incansável e generoso. Desse trabalho surgiu um livro que pode ser manuseado por todos, especialmente pesquisadores, ficando o original preservado e protegido. Isto devemos, todos nós, toda a Arquidiocese de Aparecida, o Santuário Nacional, o Brasil, a Igreja, à querida Irmã Margarida, que com o seu trabalho, valorosíssimo, fez proteger e tornar acessível a grande mensagem dada por Deus a todo o povo brasileiro, seja naqueles momentos difíceis de 1717, bem como nos momentos atuais e para sempre, a Mensagem do Amor Divino. Desta forma, Irmã Margarida viveu e vive a sua missão: “Ser Mensageira do Amor Divino.” Parabéns, Irmã Margarida. Obrigado, Irmã Margarida. Padre Paulo Tadeu

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Padre Paulo Tadeu

Com paciência e dedicação, ela trabalhou na cópia dos livros mais antigos, sendo fiel ao que neles se encontrava, mesmo ao dano ou à ilegibilidade, pela caligrafia, pela grafia, deixando em branco a palavra ou o trecho acometido por essas dificuldades


Minha Amizade com Ir. Maria Margarida Pereira, M.A.D

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ou o Gabriel, tenho 20 anos e sou Postulante Redentorista. Entrei para a Congregação Redentorista no ano de 2015, ingressei no Seminário Santo Afonso na cidade de Aparecida onde residi por três anos. No ano de 2016, na Sexta-Feira Santa, participamos da Adoração da Cruz às 15h, no Santuário Nacional e foi nessa celebração que eu me lembro de ter conhecido a querida Irmã Margarida! Uma religiosa humilde, piedosa e muito simpática. Sentei-me ao lado dela, começamos a conversar e dessa conversa iniciou-se uma bela amizade. A Irmã Margarida é um presente de Deus para a Igreja, para a Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino e para a minha vocação. Uma das coisas que mais me impressionou desde o meu primeiro contato com ela foi a sabedoria, a inteligência e a fortaleza de seus tantos anos de vida bem vividos. Adorava visitá-la no Convento, e passávamos a tarde toda conversando sobre a sua vida, sua infância, sua profissão até ingressar no Convento e toda a sua doação de vida. Conhecer nossa história é muito importante para, sem esquecer nossas raízes, lançarmos sementes na construção de uma sociedade melhor, de uma igreja mais comprometida e de uma vida vivida com fidelidade. A Irmã Margarida é essa história viva e presente no meio de nós. Um século de vida não é para qualquer um, ainda mais um século no qual a humanidade viveu profundas e rápidas transfor-

mações. Não faço a mínima ideia do que é ter vivido a infância na década de 1920, mas acho fantástico poder dividir com a Irmã Margarida meus poucos anos de vida e aprender com ela a ser mais grato por tudo que tenho disponível nesse século XXI. Em fevereiro de 2021 a Irmã Margarida completa 66 anos do seu ingresso no Convento, por isso ela também é um exemplo para mim de como viver a vida religiosa com fidelidade, com amor e com compromisso. Ela teve a oportunidade de ingressar em um convento que não tinha nem um ano de fundado, e viveu com seus fundadores e com suas irmãs o crescimento da Congregação ao longo dos anos e que hoje está espalhada pelo Brasil e mundo a fora. Mesmo não convivendo com ela diariamente, posso dizer que ela vive com certeza o que seu fundador, Pe. Eduardo, sempre dizia: “Tudo que fizer, faça-o por amor a Deus!”. Quero ser em minha caminhada um religioso fiel assim como a Irmã Margarida é e se eu tiver a graça de viver tantos anos também quero ser como ela que nunca se cansa de aprender. Fico encantado quando ouço das irmãs que a Irmã Margarida é colaboradora na formação das aspirantes da Congregação, isso é um grande ensinamento para nós de que devemos nos dedicar a aprender até o nosso último suspiro, sempre vamos ter alguma coisa a melhorar e sempre vamos ter mais de nós para oferecer, como a própria Palavra do Senhor nos diz: “Há

mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35). Enfim, a Irmã Margarida em tantos e tantos aspectos é sinal de Deus em minha vida e serei eternamente grato por essa oportunidade de fazer parte desse um século de sua vida e de sua missão viva e presente no meio de nós. Que Deus continue abençoando sempre mais ela com muita saúde, paz, alegria e muitos e muitos anos de vida (ela sempre briga comigo quando eu falo isso hahaha) e que Nossa Senhora a faça sempre mais fiel a seu chamado e a sua vocação como religiosa consagrada. Que o Pe. Eduardo e a Madre Felicy do céu continuem intercedendo pela missão de suas filhas e dessa Congregação que eu amo demais. Parabéns Ir. Margarida pelos 100 anos de vida e parabéns a toda Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino por essa celebração tão especial. Gabriel Rijo - Seminarista Redentorista

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Italiano Mi è stato chiesto dalla rev. ma suor Katia Segateli, Madre generale delle Suore Messaggere dell’Amore Divino, di fare una testimonianza su Suor Margarida, che si trovò a Graffignano dal 1984 al 1988.

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Graffignano era stata aperta una casa di Suore Messaggere dell’Amore Divino. La popolazione subito accolse le suore brasiliane. Avevano un po’ riportato vita nella Parrocchia. Nel 1984, all’età di 64 anni, dal Brasile arrivò Suor Margarida. Certo ci volle un bel coraggio e tanta umiltà e spirito di obbedienza , a quell’età, lasciare la propria terra per andare missionaria in Italia. Lei lo fece. A Graffignano ha saputo integrarsi perfettamente nella vita del paese. Io l’ho conosciuta in un periodo molto bello della mia vita :l’ordinazione sacerdotale e i primi passi come viceparroco e parroco di Graffignano. Suor Margarida è stata una suora veramente umile e, pur trovandosi in una nuova realtà, differente da quella di provenienza, ha cercato di collaborare sempre per il bene della parrocchia e della stessa comunità religiosa. A Graffignano, quando se be andò per ritornare in Brasile, lasciò un buon ricordo. A me colpiva, giovane sacerdote, la sua premura materna con la quale si poneva in ogni attività. Ringrazio il Signore per avermela fatta incontrare e aver potuto collaborare con lei per far incontrare tutti con il Signore Gesù. Il Signore la ricolmi di ogni benedizione in questo suo 1°

E

m Graffignano havia sido aberta uma casa de Irmãs Mensageiras do Amor Divino. A população imediatamente acolheu as irmãs brasileiras. Elas haviam trazido vida nova de volta à paróquia. Em 1984, aos 64 anos, a Irmã Margarida chegou do Brasil. É claro que foi preciso muita coragem, muita humildade e um espírito de obediência, nessa idade, para deixar a própria terra para ser missionária na Itália. Ela o fez. Em Graffignano, ela soube como se integrar perfeitamente à vida da cidade. Eu a conheci em um período muito bonito da minha vida: a ordenação sacerdotal e os primeiros passos como vice-pároco e em seguida como pároco de Graffignano. A Irmã Margarida era uma religiosa verdadeiramente humilde e, embora se encontrasse em uma nova realidade, diferente daquela de origem, sempre procurou colaborar para o bem da paróquia e da própria comunidade religiosa. Em Graffignano, quando voltou ao Brasil, deixou uma boa lembrança. Fiquei impressionado, como sacerdote jovem, pela sua preocupação materna que a caracterizou em todas as atividades. Agradeço ao Senhor por tê-la encontrado e por ter colaborado com ela para fazer com que todos se encontrem com o Senhor Jesus. Que o Senhor a cubra de todas as bênçãos em seu 1º centenário. Admultos annos Irmã Margarida

C om gr ande af e t o e eess tima, P adr e TTancr ancr edi Muc cio li grande afe Padr adre ancredi Muccio cioli

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Português A Irmã Katia Segateli, Superiora Geral das Irmãs Mensageiras do Amor Divino, me pediu para dar um testemunho sobre a Irmã Margarida, que esteve em Graffignano entre 1984 e 1988.


BIBLIOTECA IRMÃ MARIA MARGARIDA PEREIRA “Em uma boa biblioteca, você sente de alguma forma misteriosa, que você está absorvendo, através da pele, a sabedoria contida em todos aqueles livros, mesmo sem abri-los”. Mark Twain

A

biblioteca tem por função proporcionar o desenvolvimento intelectual, expandir o conhecimento e preservar a cultura histórica e espiritual da Congregação. Esse legado recebemos da nossa sábia Ir. Maria Margarida Pereira, por isso com o objetivo de homenageá-la por ocasião do seu centenário e por sua vida doada à Congregação, principalmente na formação das irmãs. Destaco aqui as aulas de Sagrada Escritura, História da Congregação e Mariologia etc., nossa Congregação dedica a biblioteca da Casa Mãe a ela. A biblioteca está instalada nas dependências da Casa Mãe Sede Geral em Aparecida-SP. Atualmente conta com aproximadamente 7.500 obras. Ressalto o vasto acer-

vo sobre Sagrada Escritura e Espiritualidade, isso demonstra que ao longo da história nossos fundadores e nossas irmãs que nos precederam e as atuais colaboraram na aquisição desse riquíssimo acervo, fundamentado na Palavra de Deus e na Espiritualidade, eis a característica e a marca da nossa Congregação. Ir. Maria Margarida quando residia na Casa Mãe sempre se dedicava na organização da biblioteca, seu sonho era de fato sistematizar, catalogar e tombar os livros como patrimônio da Congregação. Rendamos graças a Deus pelo incentivo que a Ir. Maria Margarida Pereira sempre foi às irmãs ao dedicar-se aos estudos com amor à leitura. Irmã Keli Celina Maguelniski - M.A.D. e Postulante Eduarda Teresa da Silva

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Súplica Maria que esperastes, cruelmente e santamente, Que os homens maus um lugarzinho dessem Para nascer teu filho, o salvador do mundo Dá-nos um pouco desse amor profundo Que darias, se pudessem Sua esperança em ti, ó mãe clemente Até aos pecadores mais ingratos Torna de amor o coração ansioso Que te pede esta graça, esperançoso Faz nascer Jesus na nossa alma Faz-nos guardá-lo com amor e unção Fá-lo viver no nosso coração Dá-nos de um dia ao céu levar a palma Do martírio lento, da imolação Depois da morte, nossa pobre alma Depois da luta, nosso coração. Mensageiras cantemos contentes A Jesus nosso Rei nosso amor No trabalho sejamos valentes Labutemos com força e vigor. Súplica feito pela Ir. Margarida pelos idos de 1957-1958

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Música:

Ir. Margarida Tesouro d’Ouro. Autoria: Ir. Firmina Clara Cândido. M.A.D.

Coração palpita forte/ Não há palavras pra se explicar Seu maior motivo é a vida pra celebrar,/ Todo universo sorri pra você. Eterna memória do seu Criador,/ E assim, bela harmonia de vozes. Soam pelo infinito em direção ao Senhor. Refrão: Irmã Margarida, nosso grande tesouro de ouro,/ Sua presença é um prazer maior pra nós;/ grande dádiva do Amor Divino,/ razão de nossa gratidão a Deus/ e te envolvemos com todo carinho e amor. A vida é um dom precioso/ E o grande presente é você pra nós. A Deus gratidão por um século a celebrar,/ Chegou até aqui pra nos revelar. Que é possível e sem limitações, Ser feliz e sorrir,/ Tudo se torna graça se for no amor por amor. Sorrir pra vida eis a chave/ Tudo se aprende ao ensinar. Eterna memória se torna ao se doar,/ Pela oração se conquista a paz. Só caminhando se faz troféu./Eis aí, o grande legado e somente seu, Testemunho de vida de alguém que soube viver

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Irmãs Mensageiras do Amor Divino - História Vai Mensageira ... Faze-te santa e vai tentar a outras almas santificar. (estrofe da poesia Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida, M.A.D.)

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Congregação das Irmãs Mensageiras do Amor Divino Fundação – 17/05/1954

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ra ano mariano (1954), mês mariano (maio), cidade mariana (Aparecida/SP). Início de um modesto trabalho: três moças Felicy Braga, Rosária de Souza e Terezinha de Jesus Campos, empenhadas numa vivência cristã comprometida, deixaram suas casas e suas famílias, para juntas viverem um ideal, era o ideal do “AMOR DIVINO”, que lhes fora despertado pelos ensinamentos e orientações do Pe. Eduardo Moriarty, e precisava desabrochar pela vida de oração e de serviço aos irmãos.

xeis vencer pelo mal, mas antes, vencei o mal com o bem”.

CARISMA

FINALIDADE:

“Vinde a mim, vós todos que estais cansados e atribulados e eu vos aliviarei.” (Mt 11, 28). Eis a Palavra que, qual semente fecunda, fez nascer e crescer as Mensageiras do Amor Divino. A SIMPLICIDADE é a nossa marca dominante, o resumo de toda nossa história, a síntese do nosso CARISMA. Nosso carisma se expressa por inteiro em Rm 12, 918.21 e, sobretudo no último versículo: “Não vos dei-

A Finalidade primordial das Irmãs Mensageiras do Amor Divino é IRRADIAR O AMOR DIVINO, através dos Retiros Espirituais, da Catequese em todos os níveis e da ajuda ao irmão necessitado. Numa grande simplicidade evangélica, a Irmã Mensageira do Amor Divino anuncia o Reino de Deus por sua piedade, alegria e zelo, respondendo com disponibilidade aos prementes apelos do Povo de Deus (Const. n°5).

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ESPIRITUALIDADE “Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). A espiritualidade das Mensageiras lembra a descendência Alfonsiana e trazem a marca “Redentorista” herdada do Pe. Eduardo Moriarty (fundador): ENCARNAÇÃO, REDENÇÃO E EUCARISTIA.


Onde estamos

Atualmente as Irmãs Mensageiras do Amor Divino estão em três países: Brasil, Itália e Angola.

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Vai Mensageira Vai Luz divina interceder se de Jesus tu queres ser. Sai pelo mundo a procurar de Deus o campo para semear. Corações ávidos de caridade, almas sedentas de santidade. Vai Mensageira ao teu irmão! leva-lhe alento ao coração. Ensina o amar ao bom Jesus e a abraçar a sua Cruz. Faze-te santa e vai tentar a outras almas santificar. Vai Mensageira, de autoria da Irmã Maria Margarida, M.A.D.

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ORAÇÃO VOCACIONAL Oh! Minha Nossa Senhora, eu quero encontrar e seguir Jesus. PRECISO DELE para acertar minha vida. Confio na sua ajuda para caminhar bem e ser útil aos irmãos e preparar o meu céu, com gestos de amor e doação. Não posso desperdiçar o meu tempo; sei que um minuto vale a eternidade; ajuda-me a ser apóstolo(a) e missionário(a) para levar muitos a Jesus e ao Reino e ao Eterno, amém! Madre Felicy – Fundadora das Irmãs Mensageiras do Amor Divino

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Reze! Pense e Decida! Agora pode ser a sua vez de responder sim a Deus na Vida Religiosa. JUNTE-SE A NÓS...

Venha ser uma Mensag eir a do Amor Divino! Mensageir eira (12) 3105-3700 (12) 99107-6800 Irmãs Mensageiras do Amor Divino vocacionalmensageiras savmad54@hotmail.com mensageiras.com

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