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OS DESAFIOS DA GESTÃO PAROQUIAL NO CONTEXTO URBANO “A renovação das paróquias no início do terceiro milênio exige a reformulação de suas estruturas, para que seja uma rede de comunidades e grupos, capazes de se articular conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos e missionários de Jesus Cristo em comunhão”. (Documento de Aparecida, 171) POR CÔN. EDSON ORIOLO

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estes últimos anos, a instituição paróquia tem passado por grandes transformações no desempenho da missão e da administração. É uma instituição eclesiástica antiga e atual1. A revista Paróquias & Casas Religiosas surge como uma proposta para ajudar a resgatar e revitalizar as paróquias. É uma luz para o cristão escutar a Boa Nova, celebrar a fé, dar sua resposta participativa e se alimentar no mistério da unidade, a Eucaristia. Surge para valorizar, favorecer, possibilitar e abrir caminhos para a instituição paroquial se adequar ao contexto histórico. É um incentivo para se criar novas estruturas pastorais e administrativas a fim de que a paróquia seja “uma determinada comunidade de fiéis, sob o cuidado pastoral do pároco como seu pastor próprio, em união com o bispo diocesano” (Cân. 515, §1º)2. A revista Paróquias & Casas Religiosas quer colaborar no esforço para

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que paróquia seja lugar de visibilidade da Igreja, não ficando indiferente ao mundo em mudança3.

Para penetrar no coração de uma cidade, para compreender-lhe os segredos atuais tão sutis, é preciso agir com infinita ternura e também com UM OLHAR PARA A REALIDADE uma paciência, às vezes, a toda prova. No Brasil, 80% das pessoas vivem É urgente que a Igreja Católica no nas cidades, ao contrário de poucas déBrasil tome com seriedade o desafio cadas atrás, quando a maior parte vivia de reapropriar-se da cidade. nas áreas rurais. As pessoas nascidas no É necessário entender a identidade mundo urbano criam novo modo de e a mentalidade dos habitantes da cidapensar e de agir. Mesmo vivendo no de, pessoas que vivem no meio de um centro urbano, o imaginário agro-pasmundo de informações e solicitações toril acompanha a vida de muitos. que vão necessariamente modificar “A cidade é uma teia de aranha tanto suas aspirações e demandas que posno seu interior como nas suas conexões sam fazer à Igreja. É preciso entender a com outras cidades”4. Ela formação e organização É urgente que a Igreja das comunidades: indiprospera “organicamente”, empurrando todos os Católica no Brasil tome com víduos que buscam estar limites possíveis. Nada de juntos por causa de afifronteiras, nada de inter- seriedade o desafio de rea- nidades eletivas. dições, nada de barreiras! propriar-se da cidade Sempre houve uma A cidade é hipertendência das pessoas se tensa. Exerce um fascínio de luzes, concentrarem em torno de um núcleo cores, de múltiplas opções de consupopulacional. No passado, a escassez mo. É híbrida, dinâmica, mutável, de bens obrigava a pessoa sair em buscheia de realizações e de esperanças. ca de outros locais para sobreviver.

“A antiga e venerada estrutura da paróquia tem uma missão imprescindível e de grande atualidade: iniciar e congregar o povo na normal expressão da vida litúrgica; conservar e reavivar a fé das pessoas de hoje; oferecer-lhes a doutrina Salvadora de Cristo; realizar pelo coração e pela prática da caridade as obras boas e fraternas” (Paulo VI, Discurso ao clero de Roma, de 24 de Junho de 1963). O Código de Direito Canônico consagra às “paróquias, párocos e vigários paroquiais”. O Cap. VI do título III Sec. II, livro II, em um total de 38 cânones (512 – 552). A Paróquia representa de alguma maneira, a Igreja visível espalhada por toda a terra (SC 42). LIBÂNIO, J.B. As Lógicas da Cidade. Loyola, 2001, p. 27.

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Acompanhemos um pouco a evolução das cidades a)5000 a.C. a 500 d.C.: estabeleceram-se grandes cidades como Jericó, Jerusalém, Nínive, Atenas, Roma. Eram as chamadas “polis”.

c)Com a Revolução Industrial: por volta de 1750 apareceram cidades-polos como Nova Iorque, Chicago, Londres, Berlim e Tóquio, metrópoles - verdadeiras cidades mães.

b)Na Renascença e na Idade Moderna: impuseram-se Roma, Florença, Constantinopla, Londres, Paris como “neopolis”.

d)Hoje: estão aí as megalópoles com cidades satélites e bairros interligados uns aos outros como México, São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e Tóquio.

Roma, na Itália.

UM OLHAR PARA AS CONSEQUÊNCIAS DA URBANIZAÇÃO E RURBANIZAÇÃO (ESTRUTURA DE CIDADE NOS SÍTIOS)

São muitos os desafios enfrentados por quem mora nas cidades, especialmente, nos grandes centros urbanos, que entre outros são: 1.SUBJETIVISMO A cidade gira em torno de interesses. Valoriza-se a pessoa como sujeito de suas atividades e não tanto a geografia condicionante. O empregado cria seu mundo de moradia à parte. Trabalha-se na indústria multinacional, empresa de pequeno, médio e grande porte, mora-se em bairros diferentes conforme o nível social. Na cidade presenciamos um ritmo acelerado, a setorização e fragmentação da vida, o anonimato, a solidão, o corre-corre, o consumismo levando todos à busca de realização, de sonhos, de felicidade e, tudo isso, gera desgaste físico e psicológico, frustrações, desânimos, etc. 26 Paróquias & CASAS RELIGIOSAS

Cidade de São Paulo, Brasil.

2.INDIVIDUALISMO multidão. “Vemos aqueles que não nos Multiplicam-se as instituições de veem, somos vistos por aqueles que não confinamento para marginais, para vemos”, o que significa a perda da privamiseráveis, para anciãos, para portacidade. Crescimento urbano desordenadores de deficiência, para doentes físido. Concentração excessiva de pessoas. cos e psíquicos, para encarcerados, O trânsito de pessoas é um problema. fora do âmbito urbano. Ruas e avenidas congesHoje existe um vazio tionadas de veículos de Cada um pensa em si e exclui quem não pro- do homem urbano quanto todos os tipos, desvios e duz ou consome e quem impactando a estéà vivência de experiências obras não entra no ritmo fretica, pedestres apressados de fé, esperança e caridade disputando lugar com os nético da vida urbana. Para a classe média na sua vida e na vida da automóveis, ônibus lotaalta, os clubes tornados, motos e bicicletas, comunidade ram-se um meio de enfim, lentidão, barulho e encontrar amigos funcionais sem ter agitação, um ambiente estressante. que recebê-los em casa e, depois, a obrigação de pagar a visita. Os clubes 4.NOVAS FORMAS são reinados do individualismo disDE SOCIABILIDADE farçado em sociabilidade. Constatamos a criação de bairros afastados da cidade. Os edifícios e os 3.AUTONOMIA blocos habitacionais concentram cenPor causa do crescimento urbano tenas de pessoas em espaços reduzidesordenado e da concentração excessidos. Muitos não sabem quem são os va de pessoas, o espaço urbano consegue vizinhos e nem querem saber para o paradoxo de gerar solidão no meio da proteger a própria privacidade. Na

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população concentrada verticalmente em edifícios fechados, as relações são impessoais, formais e frias. Famílias se sentem constrangidas a abandonar a casa onde nasceram, cresceram e viram nascer e crescer seus filhos, pressionadas pela transformação de seu bairro, antes residencial, para comercial ou hospitalar e clínica médica. Partem para outro meio social desconhecido e chegam como forasteiros. 5.MUNDO DA COMUNICAÇÃO A praça, a casa, os lugares públicos dão precedência aos chats, aos BBB’s, aos provedores de internet. Quando em casa, a televisão e a internet tiram as pessoas do convívio familiar ou com vizinhos. 6.FIM DE IDENTIDADES TRADICIONAIS HERDADAS A cidade modifica os espaços tradicionais de moradia, de comércio, de trabalho e de trânsito. Surgem bairros de mansões, condomínios fechados, centros de negócios, centros administrativos, região boêmia, distrito industrial, conjunto habitacionais populares, cidades-dormitórios, favelas, etc. Hoje existe um vazio do homem urbano quanto à vivência de experiências de fé, esperança e caridade na sua vida e na vida da comunidade. As pessoas “em trânsito”, muitas vezes, por causa de tan-

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tas preocupações se afastam de doutrinas e dogmas religiosos para viver uma espiritualidade baseada no individualismo e na insegurança existencial. Frequenta-se um templo mais perto ou mais cômodo sem compromisso de pertença, seja ele evangélico ou católico. 7. CRISE DA CREDIBILIDADE DE TEMPO E ESPAÇO O surgir de espaços universais como shoppings, aeroportos, hotéis cinco estrelas e certos restaurantes fazem com que as culturas locais desapareçam. Fábricas de três turnos, tantos serviços disponíveis de 24 horas, e a oferta de prazeres noturnos encurtam para muitos o tempo de descanso.

UM OLHAR PARA A PARÓQUIA

A Igreja tem a missão de evangelizar. Desde seu início, a Igreja sabe da necessidade de anunciar a Boa Nova, segundo a ordem de Jesus: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15) A Igreja sempre se preocupou em responder a esta nobilíssima vocação de ser portadora da Boa Nova e de ser sacramento universal de salvação (LG 48). Para tanto, no decorrer do tempo, criou estruturas e a paróquia é uma delas. No início da era cristã, o Império Romano abrangia grandes metrópoles como Roma, Alexandria e Antioquia da Síria, ligadas entre si pelas naus mercantes ou pelas vias romanas. Com a expansão do cristianismo, em Roma e Alexandria, os presbíteros começaram a presidir assembleias cristãs, dispersas pelas cidades, mas as grandes celebrações do batismo e da eucaristia eram reservadas aos bispos5. A Igreja, sob a presidência do bispo com seus presbíteros e diáconos, desenvolveu-se até o século V com base nas comunidades estabelecidas nas cidades. Com a queda o Império Romano, as cidades perderam a importância e houve o predomínio rural, acarretando

Cf. Canônica, Lusitânia; A Paróquia Comunidade de Fiéis, p. 35-36.

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Catedral Metropolitana de Pouso Alegre, MG.

enorme perturbação na organização da Igreja. Surgiram vários lugares de culto, espalhados pelos campos e foi implementado o sistema paroquial, no qual o bispo concedia ao pároco poderes para celebrar localmente a eucaristia nas festas mais solenes6. Assim sendo, a partir do século VI, multiplicam-se as Igrejas rurais menores, isto é, as paróquias, à frente das quais estava um presbítero diocesano ou presbítero paroquiato, que imitava toda ação do bispo para responder às necessidades dos fiéis. Com a Renascença, a Reforma Protestante e os Concílios dos séculos XVII e XVIII, foi-se estruturando o sistema paroquial. A preocupação maior recaía mais sobre a boa organização, registros, contabilidade e festas populares do que sobre a santidade manifestada no testemunho cristão da consciência e obrigação missionária da Igreja Católica7. Historicamente, a estrutura paroquial foi ganhando forças principalmente com os padres conciliares no Vaticano II que analisaram a evolução do sistema paroquial como uma condição histórica do cumprimento do mandato de Jesus. Basta percorrermos os documentos do Vaticano

novação na linha eclesiólogica, sendo II, o Código de Direito Canônico e o progressivamente reconhecida e revaloCatecismo da Igreja Católica8. rizada. No final do ano de 1988, na Porém, nos tempos subsequentes, exortação apostólica pós-sinodal Chrispelas décadas de 70 e 90, por conta do tifidelis laici, sobre a “Vocação e Missão progresso e da urbanização, a instituição dos Leigos na Igreja e no Mundo”, o paroquial passou a ser objeto de grandes papa João Paulo II afirinterrogações e reflexões. Foi a partir da dé- mou que as paróquias Poderíamos dizer uma instituição vetusta? cada de 80, que a insti- vivem em uma fase nova prometedora: “A paróO documento Catetuição paroquial ganhou equia não é uma estrutuchesi Tradendae, fruto do Sínodo de 1977 sobre ca- maior renovação na linha ra, um território, um tequese, afirmou: em eclesiólogica, sendo pro- edifício, mas é a família Deus, como uma framuitos lugares “a parógressivamente reconhe- de ternidade animada pelo quia foi profundamente espírito de unidade; é abalada pelo fenômeno cida e revalorizada uma casa de família, fraterna e acolheda urbanização. Alguns chegaram mesdora é a comunidade dos fieis”10. mo a admitir com demasiada facilidade Com efeito, cada paróquia está fundaque a paróquia estava ultrapassada, se da sobre uma realidade teológica, pois ela não mesmo voltada ao desaparecimento, é uma comunidade eucarística. Isso signiem favor de pequenas comunidades mais fica que ela é uma comunidade idônea adaptadas e mais eficazes”9. para celebrar a eucaristia, na qual se situNo entanto, o mundo urbano nos am a raiz viva do seu edificar-se e o vínapresenta novas questões e pede noculo sacramental do seu estar em plena vas respostas. Não podemos descancomunhão com toda a Igreja. Essa idosar em um cristianismo tradicional, neidade mergulha no fato da paróquia baseado em ritos e tradições culturais. ser uma comunidade de fé e uma comuTemos que ampliar nosso olhar em nidade orgânica, isto é, constituída pelos relação à instituição paroquial. ministros ordenados e pelos outros crisFoi a partir da década de 80, que a tãos, na qual o pároco, que representa o instituição paroquial ganhou maior re-

Id. Cf. pág. 37 a 42. Id. Cf. pág. 42 a 49. SC 24 e 25; LG 20 e 26; CD 28-32, 35,44; OP 2,22; AA 10, 26, 30; AG 37; PO 19-22; CDC 374 §1º, 515-552, 1740-1752; 89, 107, 233, 510 §2º, 757, 776, 800, 833, 877, 911, 958, 968, 1079, 1110, 1272; CIC 2579, 2226. 9 Catechesi Tradendae, 67. 10 Christifidelis Laici, 26. 6 7 8

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as estruturas habituais da existência e bispo diocesano, é o vinculo hierárquico os relacionamentos na família, na vicom toda a Igreja particular (a diocese)11. zinhança, modificando Com o passar do temFaz-se necessário uma os próprios moldes da po e, recentemente, com os processos de urbaniza- gestão paroquial nova para comunidade eclesial. “Vivemos uma mução, rurbanização e conurbanizacão, a estrutura repensar, organizar, coman- dança de época e seu nível paroquial ainda conti– dar, coordenar, controlar os mais profundo é cultural” nua objeto de discussão e paradigmas da estrutura (DAp, 44) e mudança de época implica no nasciquestionamento. O âmbito desse ques- eclesial a fim de que respon- mento de novas estrututionamento é muito va- dam significativamente aos ras de pensamento e de relacionamento humariado: uns questionam a apelos atuais no. Isto se dá nas cidaabolição deste modelo, des, pois “as grandes cidades são laborapois consideram sem perspectiva; altórios dessa cultura contemporânea guns dizem que é algo medieval e rucomplexa e plural” (DAp, 509). ral e outros afirmam, ainda, que é Faz-se necessário uma gestão pauma realidade totalmente voltada roquial nova para repensar, organipara si mesma, uma instituição ecle– zar, comandar, coordenar, controlar siástica que ignora o crescimento e os paradigmas da estrutura eclesial a desenvolvimento do mundo. fim de que respondam significativaO surgimento da civilização urmente aos apelos atuais. bana transforma os modos de viver,

Um olhar para a paróquia re-estruturada Uma paróquia re-estruturada sobre a fundamentação da Exortação Apostólica Ecclesia In América número 41 e à luz da Christifidelis Laici e Documento de Aparecida de jeito novo será: 1. ACOLHEDORA E SOLIDÁRIA. Um plano de pastoral orgânico e articulado que se integre em projeto comum às paróquias, comunidades, comunidades de vida consagrada, pequenas comunidades, movimentos e instituições que incidem na cidade, e que seu objetivo seja chegar ao conjunto da cidade (cf. DAp, 518b). 2. LUGAR DA INICIAÇÃO CRISTÃ, DA EDUCAÇÃO E DA CELEBRAÇÃO DA FÉ. O projeto pastoral deve ser resposta consciente e eficaz para atender às exigências do mundo hoje com: - Indicações programáticas concretas. - Objetivos e métodos de trabalho. - Formação e valorização dos agentes (cf. DAp, 371). 3. ABERTA À VARIEDADE DE CARISMAS, SERVIÇOS E MINISTÉRIOS. Os leigos devem participar do discernimento, da tomada de decisões, do planejamento e da execução (cf. ChL, 51). 4. COMPROMETIDA COM OS MOVIMENTOS DE APOSTOLADO E ATENTA ÀS DISTINTAS CULTURAS DOS HABITANTES (CF. EA, 41).

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Congregação para o Clero, O presbítero, pastor e guia da comunidade paroquial, 14.08.2002, p. 18.

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UM OLHAR PARA O PADRE-GESTOR

Um pouco antes da realização do Concílio do Vaticano II, o papa João XXIII pediu uma coordenação orgânica da atividade pastoral e foi além, ordenou um planejamento. Um plano de pastoral para Igreja da América Latina, que indicasse as medidas a serem tomadas, a curto e longo prazo, no campo específico da ação pastoral (cf. Carta ao Episcopado Latino-Americano “Ad Dilectos Americae Latinae Populos”, 08/12/61). Para Paulo VI, “... a atividade pastoral não pode processar-se às cegas. O apóstolo não corre no encalço do incerto e bate no ar (cf. 1Cor 9,26). Hoje, foge à acomodação e ao perigo de empirismo. Um sábio planejamento pode oferecer também à Igreja um meio eficaz e um incentivo do trabalho”(cf. Discurso aos Bispos da América Latina, 24 de novembro de 1965). João Paulo II nos alertou sobre a necessidade da pastoral na cidade (cf.

RMi, 37b). Planejar a ação pastoral é fazer um pouco daquilo que Jesus pediu, ou seja, lançar a rede na direção acertada e que João Paulo II reforçou, quando orientou a Igreja a “avançar para águas mais profundas” (cf. Lc 5,4). Bento XVI ensinou que o documento de Aparecida deve “ser luz e alento para um rico trabalho pastoral e evangelizador nos anos vindouros” (cf. Carta de Bento XVI ao Episcopado da América Latina e Caribe, 29/07/2007). Destes ensinamentos, podemos colher preciosas posturas a serem assumidas na liderança de uma paróquia.

10 ORIENTAÇÕES QUE O SACERDOTE DEVE APLICAR NA COMUNIDADE DE FIÉIS 1. Observador atento e discreto: conhecer com precisão, objetividade a realidade organizacional paroquial para estabelecer diretrizes, deixando clara as regras e suas expectativas a quem delegar responsabilidades.

2. Empático: estar emocionalmente aberto para novas relações. Não perder a visão de que a paróquia deve ser antes de tudo uma família, a família de Deus. Acolher novas pessoas com seus carismas e qualificações, abrindo espaço para elas entre os que já “lotearam” o espaço apostólico e pastoral da paróquia. 3. Excelente ouvinte: compreender as motivações humanas, seus interesses, as diferenças entre as pessoas, a natureza e a complexidades das relações. 4. Emocionalmente flexível: saber conviver bem com as diferenças individuais e culturais de valores e atitudes a fim de respeitar a pluralidade e diversidade sociais. Muitos dos que assumem uma paróquia encontram uma realidade cristalizada, com histórias antigas e pessoas resistentes ao novo. O pároco necessitará de habilidade para imprimir seu estilo e estabelecer novas e eficientes dinâmicas. 5. Bom pensador analítico e sistêmico: percepção e inteligência na compreensão das múltiplas variáveis e dos processos organizacionais. Precisará definir áreas a serem evangelizadas, definir grupos de evangelização, estabelecer metas e alvos, bem como ter subsídios. 6. Paciente e perseverante: saber lidar com as incertezas, para tolerar a ambiguidade e as resistências muito comuns nos processos de mudança, isto é, ser resiliente.

Planejar a ação pastoral é fazer um pouco daquilo que Jesus pediu, ou seja, lançar a rede na direção acertada e que João Paulo II reforçou, quando orientou a Igreja a “avançar para águas mais profundas” 30 Paróquias & CASAS RELIGIOSAS

Papa João Paulo II.

7. Bom educador: estimular, incentivar as pessoas a incorporarem novos conhecimentos, desenvolverem novas atitudes, trabalharem em equipes, revelando seus talentos e democratizando suas conquistas. Descobrir novos líderes comprometendo-os em seu campo específico de ação.

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8. Inteligente e criativo: ser criativo para a percepção de oportunidades, combinação inusitada e producente de recursos, elaboração de soluções alternativas para problemas existentes. Saber planejar. Saber trabalhar em equipe. Investir nas pastorais e na infraestrutura da paróquia. Investir em materiais humanos (formação técnica, pastoral, teológica, espiritual dos agentes). Modernizar a paróquia, oferecendo um espaço atraente aos fiéis. 9. Disciplinado e bom administrador do tempo: cumpridor de rotinas e prazos e uso inteligente de recursos no projeto de consultoria. 10. Místico e cultivador de uma espiritualidade própria de seu ministério: deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus e beber sempre deste poço para

realizar sua missão sempre com novo ardor, com entusiasmo, contagiando os outros. Mais do que palavras, falará o seu testemunho de seguidor primeiro do Mestre Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelo seu rebanho. Ser um apaixonado por Jesus Cristo, pelas Sagradas Escrituras, por Nossa Senhora e pela Igreja. Ter uma consciência plena e profunda – perceptível pelos fieis – de que o material, a técnica e tudo o que a modernidade oferece deve estar a serviço do transcendente, do espiritual, do invisível, para que “Cristo seja tudo em todos” (Cl 3,11). Côn. Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Gestão Estratégica de Pessoas, Professor na Faculdade Arautos do Evangelho e Pároco da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre/MG. Contato: edsonoriolo@uol.com.br

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Matéria de capa  

Os desafios da gestão paroquial no contexto urbano

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