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gestãoeministério

AGENTE REALIZADO

E REALIZADOR Tenha uma formação adequada para o bom exercício ministerial na Igreja POR PE. DANIEL APARECIDO DE CAMPOS, SCJ

O

mundo está se modernizando a cada dia e esta realidade perpassa todas as esferas da sociedade. Dessa forma, na medida do possível, todas as estruturas são chamadas a se renovar para se tornar agentes ativos de renovação. As estruturas eclesiais são um grande suporte para manter a fé presente na vida das pessoas, uma vez que, cada agente eclesial fomenta e alimenta a vida de fé com sua vida e testemunho. A renovação ajuda no aprimoramento do processo de maturação espiritual, pois este processo, ao estar vinculado ao tempo, é chamado à mudança constantemente, mas a solidez e a profundidade do aprimoramento dependem da bagagem de experiência adquirida. Assim sendo, a Igreja pode-se afirmar como uma fonte rica em experiência para uma sociedade que pretende se reinventar a cada tempo que deseja ser sempre mais rápido. O testemunho é algo marcante na fé, mas ele está situado em um momento histórico e, por isso, assume uma característica de referência para o presente que clama por novos testemunhos.

e da sociedade, o qual respeita e promova zando-se ainda da grande testemunha a pessoa humana em todas as suas dimenem sua Encíclica Fides et Ratio: “A fé e a sões, manifestou-se sempre Razão constituem como A realização do mi- que as duas asas pelas das mais diversas maneiras”. Grande parte das nistro de culto depende em quais o espírito humano se conquistas sociais sempre eleva para a contemplação esteve nos sermões dos muito do quanto ele con- da verdade. Foi Deus grandes pregadores que segue ser coerente com a quem colocou no coração conduziram patrões e emdo homem o desejo de copregados cristãos para a vida que assumiu, pois suas nhecer a verdade e, em últiconstrução de uma socie- energias e suas convicções ma análise, de conhecer a dade mais justa. para que, conhecendo-o serão formatadas em si- ele, O amadurecimento e amando-o, possa chegar social é fato e a Igreja par- tuações marcantes de sua também à verdade plena ticipou ativamente dele à identidade histórica sobre si próprio”. Partindo medida que desenvolveu destas palavras podemos e protegeu a consciência das pessoas. compreender que a criatura só é capaz de Hoje o grau de escolarização das pessoas perceber sua função à medida que se está exigindo cada vez mais uma fé inteencontra com o criador, pois somente ele ligente que ajude a propor respostas sólié capaz de demonstrar o motivo da exisdas para as questões existenciais. Utilitência da criatura.

NOVAS EXPERIÊNCIAS FORTALECEDORAS

A Igreja contribuiu solidamente para o desenvolvimento das redes sociais, como afirma a grande testemunha de nossos tempos, o Papa João Paulo II na Encíclica Sollicitudo Rei Socialis: “A solicitude social da Igreja, que tem como fim um desenvolvimento autêntico do homem

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4 exemplos para a ação comunitária 1. O espaço religioso tem o privilégio de levar as pessoas para o seu interior e, dessa forma, propiciar o gerenciamento das experiências feitas durante a vida. 2. A formação dos ministros de culto precisa ser cada vez mais olhada com carinho e com respeito. 3. A vocação é sempre mais exigente do que uma profissão, pois a primeira corresponde ao dia inteiro e a segunda é exercida somente por um período de tempo. 4. Os candidatos a ministro de culto devem se preparar para poder corresponder aos desafios dos tempos modernos, pois, caso contrário, não estarão ajudando na prefiguração do Reino de Deus, mas sim na conquista de caprichos pessoais.

FORMAÇÃO NA VIDA ECLESIAL

A fé não pode ser comercializada, mas sim vivenciada e o ministro de culto precisa estar ciente da importância do seu papel na vida das pessoas religiosas. Partindo desse ponto, não fica mal comparar a vida de um médico com a vida de um ministro religioso, uma vez que, ambos tratam e orientam as pessoas. A passagem pela vida de uma pessoa de um ministro pouco preparado para o serviço pode ocasionar grandes estragos espirituais, bem como a passagem de um mal psicólogo pode acarretar grande distúrbios psíquicos. Assim sendo, é urgente o cuidado para que os ministros de culto tenham

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uma formação sólida e profunda ao ponto de capacitar o candidato a cumprir o papel de orientador espiritual. A saúde espiritual do fiel depende, não só, mas em muito da qualidade profissional do ministro que com sua vida procura indicar um caminho a ser seguido. A realização profissional caminha em conjunto com a realização vocacional, pois ambas são fruto de uma boa preparação conjugada com uma vivência convicta. O descaso com a preparação dos ministros de culto poderá ocasionar o esfriamento de uma dimensão fundamental para que o ser humano se humanize, ou seja, a dimensão espiritual. A exigência para se tornar um ministro de culto deve perpassar o interno da entidade religiosa, bem com ser uma preocupação da sociedade civil. Religião e Estado não podem se confundir, mas também não podem se distanciar, uma vez que há, em muitos casos, uma estreita relação entre o bom cidadão e o bom fiel praticante. A fé não deve ser vista como um empecilho para a vida civil, mas sim uma base sólida para a construção de uma sociedade justa. A religião deve ter todo aparato para desenvolver o mundo interno das pessoas e o Estado deve resguardar todas as condições para que o ser possa desenvolver-se externamente. Juntas, estas duas realidades produzirão humanos responsáveis e detentores de valores eternos.

UM NOVO CAMINHO

A realização do ministro de culto depende em muito do quanto ele consegue ser coerente com a vida que assumiu, pois suas energias e suas convicções serão formatadas em situações marcantes de sua identidade histórica. Marcar a vida daqueles que o procu-

ram, funciona como que uma resposta positiva ou porque não dizer um sucesso humano. Mas para isso, o ministro precisa saber que está ali porque existe uma fé, devendo ser respeitada e desenvolvida à luz do que a pessoa pode progredir e não a partir do que o ministro deseja que a pessoa se torne. A realização marca profundamente a missão do ministro de culto. Há pouco tempo atrás, a revista Veja (edição 2063) publicou um artigo intitulado ‘Stress no claustro’, afirmando que uma pesquisa revelava que os padres e as freiras estão no topo da lista da tensão profissional graças a diversos fatores indicados ali; mas algo interessante o repórter conclui ao afirmar que: “apesar dos altos níveis de stress, o estudo também revelou que os religiosos são a categoria que com maior frequência se declara feliz e a que menos perde a esperança”. Isso demonstra que uma pessoa bem preparada pode viver em situações de limite, ser feliz e com esperança. Mas para isso é importante que exista uma coerência de vida que leve a uma perseverança no que se acredita. Preparar bem os ministros de culto e ter a certeza de que tanto os fiéis serão bem atendidos como os ministros experimentarão uma realização de vida que produz felicidade e esperança. Pe. Daniel Aparecido de Campos, SCJ é Presbítero da Congregação dos Padres do Coração de Jesus (Dehonianos). Vice-Diretor Administrativo Adjunto, Secretário Geral e Coordenador do Programa de Aproveitamento dos Estudos feitos em cursos livres de Teologia (Convalidação) da Faculdade Dehoniana. Especialista em Gestão e Direito Educacional pela Escola Paulista de Direito/SP. Graduando em Administração pela Universidade de Taubaté – UNITAU. Ministra Cursos de Eneagrama. Contato: leinadscj@hotmail.com

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